SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:23 pm

ESCOLHENDO AS COMPANHIAS
Assim que se despediram da mulher, Stela e Sofia entraram no carro.
Stela ligou o motor e saiu rapidamente.
Sentia uma vontade imensa de fugir daquele local.
Estava curiosa para saber o que havia acontecido e se Sofia havia pedido realmente que aquele homem fizesse o trabalho e se ele disse que conseguiria.
Dirigiu por algum tempo, calada.
Queria que Sofia iniciasse o assunto, mas ao perceber que isso não ia acontecer, perguntou:
- Como foi tudo, dona Sofia?
- Tudo o quê, Stela?
- O que a senhora falou com aquele homem?
- Aquilo que viemos fazer.
Pedi a ele que fizesse o trabalho.
- Ele vai fazer?
- Claro que sim e me garantiu que entre sete e vinte e um dias, Ricardo estará separado daquela mulher.
- Ele deu certeza?
- Deu.
- Quanto ele cobrou pelo trabalho?
- Não cobrou nada...
- Como, nada?
- Nada, Stela, ele disse que recebeu um dom de Deus e por isso, não pode cobrar.
- Estou admirada.
Sempre ouvi dizer que esse tipo de trabalho era cobrado.
- Também sempre ouvi isso, mas estávamos enganadas.
Ele não cobrou, só me pediu para comprar algumas coisas para que o trabalho pudesse ser feito.
- A senhora vai comprar?
- Não, disse a ele que moro longe e que teria dificuldade para retornar.
Dei a ele o dinheiro para que compre tudo o que for necessário.
- Fez bem, já pensou se tivéssemos de voltar?
- Espero não precisar.
Espero que ele tenha dito a verdade e que, no máximo em vinte e um dias, tudo esteja resolvido, mas se for preciso, voltaremos tantas vezes quantas forem necessárias.
Stela sentiu um arrepio por seu corpo e ficou calada.
Embora a estrada que tomaram fosse mais longa, chegaram em casa com menos tempo, pois não houve problema algum.
Eram quase quatro horas da tarde quando Stela deixou Sofia em casa e foi para a sua.
Estava cansada.
Aquela viagem fez com que tivesse tempo de pensar em como sua vida havia sido até ali.
Sofia também estava cansada e embora não tenha descido do carro enquanto esteve atolado, sentia um mau cheiro insuportável.
O que mais queria naquele momento era tomar um banho e se deitar, nem que fosse até a hora do jantar.
Entrou em casa, jogou a bolsa sobre um sofá e estava indo para o seu quarto quando foi interrompida por Edite, sua empregada, que disse:
- Ainda bem que chegou, dona Sofia?
A senhora demorou muito.
Estava preocupada.
- Preocupada com o quê, Edite?
- A senhora não costuma sair e ficar tanto tempo fora de casa.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:23 pm

Sofia estava muito cansada para dizer qualquer coisa.
Começou a subir a escada que levava para o andar superior e aos quartos.
Edite, vendo que ela ia embora, disse:
- O doutor Ricardo voltou para casa.
Sofia parou, voltou-se e intrigada, perguntou:
- O que você disse, Edite?
- O doutor Ricardo voltou para casa.
- Como voltou para casa?
- Ele chegou hoje na hora do almoço, não disse nada, apenas almoçou e subiu para o quarto que era dele.
- Como sabe que ele voltou?
- Ele veio trazendo uma mala com roupas.
Ao ouvir aquilo, Sofia estremeceu e pensou:
O trabalho já deu resultado.
Não foi preciso esperar um dia sequer!
Aquele homem é muito bom mesmo!
Emocionada, perguntou:
- Ele ainda está em seu quarto?
- Está sim.
Almoçou, foi para lá e não saiu até agora.
Sofia sorriu e rapidamente subiu a escada.
Chegou a um corredor com várias portas, bateu e entrou em uma delas.
Entrou, perguntando:
- O que está fazendo aqui, Ricardo?
- Eu não estava muito bem com Anita, tivemos uma briga e resolvi voltar para casa.
Preciso de um tempo para pensar o que quero da minha vida.
- Não estavam bem, por quê?
- Ela sempre reclamou muito da maneira como à senhora a tratava e a última gota foi a sua atitude no jantar.
Ela ficou furiosa.
Sofia, vibrando por dentro e fingindo estar muito preocupada, perguntou:
- Por minha causa?
O que fiz no jantar que a deixou tão preocupada e nervosa?
- Ora mamãe, a senhora sabe o que fez.
Tentou o tempo todo fazer com que Anita ficasse, perante os convidados, em uma situação difícil.
Sofia colocou no rosto um ar de surpresa e perguntou:
- Eu fiz isso, Ricardo?
- Fez, mamãe. Anita se esforçou muito para que tudo corresse bem no jantar.
A senhora e eu sabemos que tudo estava perfeito, mas como sempre, a senhora precisava encontrar uma maneira de humilhá-la.
- Você está enganado, Ricardo.
Eu gosto da sua mulher, acontece que ela é ainda muito jovem e precisa aprender algumas coisas.
Quando chamo sua atenção de vez em quando, é com a intenção de ajudá-la.
- Mas não tem ajudado.
Desde que nos casamos, a senhora tem feito de tudo para que haja uma separação.
- Não é nada disso, filho! Só quero a sua felicidade, apenas isso...
- Sei disso, mamãe, mas algumas vezes não entendo seu modo de agir.
Não entendi até hoje por que trata Anita de um modo tão diferente da maneira como trata Stela.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:24 pm

Parece que a senhora sente por ela um ódio incontrolável.
Parece ser pessoal...
- Trato as duas da mesma maneira.
Acontece que Stela sabe que tenho mais experiência de vida e acata tudo o que falo.
Anita, não. Ela está sempre pronta para me afrontar.
- Anita é uma mulher bem resolvida, teve uma boa educação, tanto familiar como académica.
Por isso, sabe muito bem quem é e o que quer.
A senhora muitas vezes tentou e tenta se envolver em nossas vidas sem se importar se está machucando os nossos sentimentos.
Como é de se esperar, Anita reage.
- Bem, agora tudo isso passou e está tudo bem.
Você está aqui em casa e tudo voltará a ser como antes... – Sofia disse, tentando esconder sua felicidade.
- Nada está bem, mamãe.
Anita deve estar sofrendo.
Hoje pela manhã quando acordei, achei que não queria mais ficar brigando.
Isso acontece desde que nos casamos e só parou no tempo em que vivemos em Portugal.
Lá, nossa vida foi tranquila.
Resolvi vir até aqui para pensar um pouco.
Anita quer terminar o nosso casamento, não sei se ela está certa, pois sei que nos amamos e que sentiremos muita falta um do outro.
- Com o tempo isso vai passar, ainda bem que resolveu sair de casa, mas não se preocupe, sei que logo mais vocês vão se acertar e tudo vai voltar a ser como antes.
Sofia disse isso, colocando as mãos para trás e fazendo duas figas.
Embora no rosto demonstrasse preocupação e tristeza, no íntimo estava feliz.
Assim pensando, disse:
- Agora vou tomar um banho e tentar dormir até a hora do jantar.
Estou muito cansada.
A viagem que eu e Stela fizemos foi muito cansativa.
- Foram aonde?
- A Stela descobriu que havia uma malharia na cidade próxima e que eles estavam liquidando e me convenceu a ir com ela.
Aceitei e fomos.
Só que furou um pneu do carro e atolamos.
A estrada em que estávamos não tinha asfalto e poucas pessoas passavam por lá.
Ficamos horas esperando ajuda.
- Pelo menos a viagem valeu a pena?
Sofia, lembrando-se de Pai Jorge, feliz por Ricardo estar ali, respondeu:
- Valeu sim, meu filho!
Como valeu!
Beijou Ricardo no rosto e saiu feliz, em direcção ao seu quarto.
Ricardo continuou no quarto relembrando tudo o que havia conversado com Anita e agora, com a mãe.
Gusmão, Pedro Henrique e Maria Rita acompanharam toda a conversa.
Pedro Henrique disse:
- Não entendo, Sofia, ela não está nem um pouco preocupada com o filho, só com o ódio que sente por Anita.
Que ódio é esse que não entendo...
- Também não entendo, meu filho.
Apesar de só ter conhecido Anita por pouco tempo, pois quando Ricardo a trouxe à minha casa para nos apresentar eu já estava doente, sempre a achei muito gentil e carinhosa, não só com Ricardo como comigo também.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:24 pm

- Digo a mesma coisa, mamãe.
Ela é uma moça educada, tem uma família com condições financeiras invejáveis, é formada.
Não entendo mesmo, mamãe...
Gusmão ouviu o que eles disseram, mas permaneceu calado.
Assim que Sofia entrou no quarto, sentiu com mais força um cheiro desagradável que saía de suas roupas.
Pensou: embora não tenha saído do carro, o cheiro daquela água se impregnou nas minhas roupas.
Tirou as roupas e jogou-as dentro de um cesto de roupas que havia em um dos cantos do quarto.
Foi para o banheiro e ligou o chuveiro.
Voltou para o quarto, abriu uma gaveta, tirou dela duas toalhas e abrindo outra, roupas de baixo.
Voltou ao banheiro e tomou um banho.
O banho foi demorado e relaxante.
Enquanto se banhava, continuou a pensar:
parece que agora está tudo bem.
A melhor coisa que fiz foi ter ido até o Pai Jorge.
Já havia falado nele, mas nunca pensei que fosse tão bom!
Meu filho está de volta e aquela mulher vai ser afastada de nossa família para sempre... estou feliz porque sei que, daqui para frente, não vou ficar mais sozinha.
Desde que os meninos se casaram e depois que Pedro Henrique morreu, tenho vivido aqui nesta casa tão grande, completamente só.
Mas tudo agora vai mudar.
Sou mesmo uma mulher de muita sorte.
Sorte, não!
Escolhi o meu destino e soube lutar por ele!
Saiu do banheiro, vestiu-se, ia se deitar quando pensou:
Stela já deve ter chegado em casa, preciso contar a ela que Ricardo está aqui em casa.
Sentou-se na cama, pegou o telefone que estava sobre o criado mudo e discou o número do telefone de Stela, que atendeu.
- Stela! Você não vai acreditar no que aconteceu!
Stela, irritada por ter passado o dia inteiro fora de casa e por tantos problemas, com má vontade perguntou:
- O que, dona Sofia?
- O Ricardo!
- O que tem ele?
- Ele voltou definitivamente...
- Como, definitivamente?
- Abandonou aquela mulher, veio com uma mala e disse que vai dar um tempo no casamento, mas pelo visto, acho que não vai ter volta!
Stela estremeceu e preocupada, perguntou:
- Por que ele fez isso?
- Não entendeu ainda, Stela?
- Entender o quê?
- Foi o Pai Jorge!
Ele disse que eu precisava esperar até vinte e um dias, mas parece que o trabalho já deu certo!
- Não pode ser, dona Sofia!
Ele não teve tempo para fazer o trabalho... acabamos de sair de lá...
- Não sei explicar o que aconteceu, mas o trabalho deu certo!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:24 pm

Meu filho está aqui em casa!
Stela acabara de chegar a casa.
Também se sentia suja e queria tomar um banho.
Por isso, não estava em condições de conversar e disse:
- Já que a senhora acredita que o trabalho deu certo e está feliz, também fico.
Agora preciso tomar um banho, estou muito cansada...
- Está bem, Stela, já tomei o meu banho e vou me deitar até a hora do jantar.
Depois conversaremos.
Desligaram o telefone.
Sofia, feliz, deitou-se na cama.
Ajeitou o travesseiro e fechou os olhos.
O que mais queria naquele momento era dormir.
Pedro Henrique, que acompanhou todos os movimentos dela, disse:
- Não entendo Gusmão, como ela, depois de ter passado o dia inteiro relembrando toda sua vida e todos os crimes que cometeu, consegue se deitar e dormir tranquilamente!
- Ela se deitou e pretende dormir, mas como não terminou de relembrar os crimes que cometeu, logo vai perceber que o sono não virá tão fácil como imaginou...
- Mais crimes?
Ela cometeu outros?
- Sim, Maria Rita.
Prestem atenção nas figuras que estão ao seu lado.
Eles olharam e viram vultos negros que rodopiavam em volta de Sofia, que embora quisesse, não conseguia dormir.
Em seu pensamento, com a ajuda de Gusmão, surgiu à imagem de Romeu, seu pai.
Seu corpo estremeceu e, dando um pulo, sentou-se na cama.
Pedro Henrique e Maria Rita se admiraram.
Ele, temeroso pela resposta que Gusmão lhe daria, perguntou:
- Ela também fez algo ao senhor Romeu?
- Ela mesma vai lhe dar essa resposta, Pedro Henrique.
Voltaram o olhar para Sofia que, sentada na cama, começou a balançar a cabeça na tentativa de afastar as lembranças que insistiam em permanecer e que ela não queria ter.
Pedro Henrique, inconformado com o que via, disse:
- Apesar de ter estado surpreso durante todo o dia com tudo o que nos contou, nunca pensei que ela pudesse ter ido além.
Que pudesse fazer mal ao pai.
Por que, Gusmão?
Ela já havia afastado sua mãe e o irmão, que representavam uma ameaça.
- Tem razão, mas ela precisava ter a certeza de que nada nem ninguém a prejudicaria.
Vou lhes contar como tudo se passou.
Fazia seis meses que Nadir havia morrido.
Desde o dia do enterro ela nunca mais foi visitar o pai e nem se preocupou com ele.
Naquela manha, você Pedro Henrique, acordou cedo, tomou café e foi acompanhar o nascimento de um bezerro.
Sofia continuou na cama por mais algum tempo, depois se levantou, tomou o café e foi até o jardim que havia na parte da frente da casa.
Ela estava bem pesada, pois faltava pouco tempo para o nascimento de Maurício.
Ela estava tirando algumas folhas queimadas das plantas quando viu, vindo da direcção de sua casa, um cavaleiro.
Ficou olhando e quando ele se aproximou, reconheceu o Sr. António, um vizinho do sítio do pai.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:24 pm

Esperou que ele chegasse e assim que desmontou, preocupada perguntou:
- Que aconteceu, seu António? Nunca esteve por aqui.
- Estou preocupado com o seu pai, Sofia.
- Preocupado, por quê?
- Percebi que a roça dele está abandonada e que durante vários dias não o vi trabalhando.
Fiquei preocupado e fui até a sua casa para ver o que estava acontecendo.
Quando cheguei lá, fiquei assustado.
- Assustado, por quê?
- Ele está muito abatido, acho que não tem se alimentado bem.
Está deitado e com muita fraqueza, não consegue nem se levantar.
Quando perguntei por que estava daquela maneira, respondeu:
- Perdi minha mulher e o meu filho.
Sofia está casada e bem, não tenho mais motivo para continuar vivendo.
Trabalhei tanto na minha vida, mesmo assim ela sempre foi de muita dificuldade.
Lutei tanto para quê António, se no final terminei aqui sozinho?
Acho que está na hora de eu morrer e me encontrar com a Nadir e o Gustavo.
- Ele disse isso?
- Disse, por isso estou aqui.
Acho que você devia ir até lá e tentar trazê-lo para morar aqui.
- Morar aqui?
- Se continuar do jeito que ele está, vai morrer Sofia!
- Sofia não estava gostando daquela conversa – continuou Gusmão – mas não podia deixar que o vizinho percebesse.
Demonstrando preocupação, disse:
- Obrigada por ter vindo me avisar, seu António.
Quando o Pedro Henrique vier para o almoço, vou com ele até lá para conversar com o meu pai.
- Faça isso, Sofia.
Ele está precisando muito de você.
Ela sorriu, ele foi embora.
Assim que ele montou novamente no cavalo e se afastou, ela pensou:
Não posso trazer o meu pai para cá, pois se conviver com o Pedro Henrique, os dois vão perceber que fui eu quem afastou as famílias e não sei se minha mãe contou alguma coisa para ele e se contou, mesmo sem querer, ele pode deixar escapar e minha vida será destruída.
Preciso evitar que se encontre com meu marido.
- Entrou em casa e pediu que Noémia fosse chamar Tião.
Como ele cuidava do jardim e dos pequenos trabalhos da casa, estava sempre por ali.
Assim que ele chegou, ela disse:
- Tião, preciso que prepare a charrete.
Perece que meu pai não está bem, preciso ir até lá.
- Ele está doente?
- Parece que sim, o seu António veio me avisar.
- Está bem, vou agora mesmo preparar a charrete.
- Ele saiu e logo depois voltou trazendo a charrete.
Ajudou Sofia a subir e foram para a casa de Romeu.
Quando chegou à casa do pai, entrou.
Não se sentia bem lá, pois fora naquela casa que envenenara o irmão e a mãe.
Achava que eles poderiam estar ali, mas sabia também que precisava fazer aquilo.
Tinha que ter a certeza de que o pai não conhecia o que havia acontecido entre ela e Osmar.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:25 pm

Ao ver o pai deitado sobre a cama e tendo Tião como testemunha, perguntou com a voz chorosa:
- O que aconteceu, pai?
Por que está assim?
- Não sei o que aconteceu, só sei que não tenho mais vontade de viver... estou cansado dessa vida, filha...
- Não pode falar assim, pai!
O senhor é ainda muito novo.
- Estive pensando em minha vida e cheguei à conclusão de que não adiantou ter trabalhado tanto.
Hoje, depois de uma vida tão sofrida sem conseguir quase nada, estou sozinho.
Sua mãe e seu irmão morreram de uma maneira que até agora não entendi e eu não quero mais viver.
Quero morrer pra poder me encontrar com eles...
- Ao ouvir aquilo, Sofia olhou para Tião que prestava atenção na conversa e, pegando nas mãos do pai, disse, quase chorando:
- Pai! Não fale assim!
Eu ainda estou aqui!
- É isso mesmo, seu Romeu... a dona Sofia também é sua filha e gosta muito do senhor.
Por que o senhor não vai viver com ela?
Ela vai precisar muito do senhor, ainda mais agora que o neném vai nascer, não é mesmo dona Sofia?
- Sofia, que não esperava por aquela intromissão de Tião, olhou para ele, sorriu e respondeu:
- É isso mesmo, Tião.
Pai, ele tem razão, vou conversar com o Pedro Henrique e o senhor pode ir morar lá em casa e quando o neném nascer vai poder me ajudar.
- Não adianta filha, você sabe que o seu marido nunca gostou da gente e nunca quis a nossa amizade.
Não vai dar certo, não...
- O que é isso, seu Romeu?
O patrão é uma pessoa muito boa.
Ele vai ficar contente em saber que o senhor vai morar lá...
Sofia ficou aflita com aquela conversa.
Ela não queria o pai morando com Pedro Henrique, mas percebendo que Tião ia continuar insistindo, disse:
- Deixe pra lá, Tião.
Meu pai é muito teimoso, mas vou falar com Pedro Henrique e ele vai convencer o meu pai.
Agora, vá até lá fora e dê uma limpada no quintal, está tudo abandonado.
Enquanto isso; vou arrumar tudo aqui dentro.
Esta casa está uma bagunça, está até cheirando mal.
- Tião saiu.
Sofia ficou arrumando tudo e pensando em uma maneira de impedir que seu pai fosse para sua casa.
- Depois de limpar o quintal, Tião entrou novamente na casa.
Sofia estava terminando de arrumar tudo.
Ao vê-lo, ela disse:
- Agora já está tudo arrumado.
Tião, vamos para casa, vou pedir a Noémia que prepare comida e você vem trazer para o meu pai.
Está bem assim?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:25 pm

- Claro que está, dona Sofia.
Seu Romeu, não se preocupe o senhor vai ficar bem, só precisa comer direitinho e toda essa fraqueza vai embora.
O senhor vai morar lá na casa grande e vai ser muito feliz, não vai mesmo dona Sofia?
- Sofia e Tião subiram novamente na charrete e foram embora.
Gusmão continuou falando.
Romeu continuou deitado.
No caminho, enquanto voltavam, Sofia foi pensando como evitar a ida do pai para sua casa.
Assim que chegaram, ela rapidamente foi até a cozinha e pediu para que Noémia preparasse um prato para que Tião levasse ao pai.
Como o almoço já estava pronto, ela preparou e avisou Sofia, que estava em seu quarto.
Assim que foi avisada, ela saiu do quarto e foi até a cozinha.
Pegou o prato, foi para o lado de fora da casa.
Tião, sabendo que o almoço deveria estar pronto, ficou esperando.
Do alto da varanda, ela disse:
- Tião, aqui está o prato de comida para que você leve para o meu pai.
Quero que fique com ele até que coma tudo.
Você viu como ele está fraco e precisa se alimentar.
- Pode deixar, dona Sofia.
Vou ficar com ele o tempo todo e só vou voltar quando ele comer tudinho!
- Sofia desceu a escada e deu o prato de comida que Noémia havia enrolado em um pano de prato.
Tião pegou e enquanto montava o cavalo, Sofia sorrindo disse:
- Diga ao meu pai que à tarde, depois que Pedro Henrique voltar do trabalho, a gente vai até lá.
- Vou dizer; dona Sofia.
Sei que ele vai ficar muito feliz! – disse rindo e começou a cavalgar.
- Sofia o acompanhou com os olhos, depois entrou em casa e ficou esperando por você, Pedro Henrique.
- Lembro-me desse dia, Gusmão.
Assim que cheguei, ela me contou tudo o que havia acontecido, exactamente da mesma maneira como você contou, claro que omitindo a parte do medo de que o pai viesse morar connosco.
Lembro-me de que, após ouvir tudo, lhe disse:
- Você me deixou preocupado, Sofia e, se quiser, podemos ir agora mesmo buscar o seu pai.
- Não é preciso ser agora, Pedro Henrique.
Sei que está com muito trabalho e acompanhando o nascimento do bezerro, por isso disse ao Tião que avisasse o meu pai que iremos à tarde, quando você estiver mais tranquilo.
- Achando que estava tudo bem, acatei o seu desejo.
- Como não poderia deixar de ser Pedro Henrique, você tomou a atitude certa.
Por isso, à tarde quando chegou do trabalho, a primeira coisa que disse foi:
- Sofia, vamos de charrete buscar o seu pai.
- Foi isso que aconteceu, Gusmão.
Quando chegamos, notamos que estava tudo muito quieto.
Quando falei sobre isso, ela disse:
- Não lhe falei que meu pai não estava bem?
Deve estar na cama.
Ele não quer viver mais, Pedro Henrique.
Disse que quer morrer para se encontrar com a minha mãe e com o Gustavo.
- Entramos e realmente vimos o senhor Romeu deitado sobre a cama.
Sofia se aproximou, dizendo:
- Pai, estamos aqui.
Não lhe disse que o Pedro Henrique ia vir conversar com o senhor?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:25 pm

- O senhor Romeu não respondeu.
Ela insistiu:
- Pai, está dormindo?
- Como ele não respondeu, me aproximei, coloquei minha mão em seu ombro e percebi que alguma coisa não estava bem.
Retirei a colcha que o cobria e, desesperado, disse:
- Parece que ele está morto, Sofia!
- Ela, demonstrando muita dor, se aproximou, olhou para o pai e percebeu que ele estava morto realmente.
Começou a chorar e me abraçando, disse:
- Isso não pode ter acontecido, Pedro Henrique.
Hoje pela manhã, eu e o Tião percebemos que ele estava muito fraco, mas não pensei que fosse tanto...
Eu fui à culpada disso ter acontecido...
- Por que está dizendo isso, Sofia?
- Eu, desde que minha mãe morreu, nunca mais vim até aqui para saber como ele estava... se tivesse vindo, teria visto que não estava bem e o teria levado para a nossa casa...
- Eu, acreditando na sua dor, disse:
- Você não teve culpa, Sofia!
Está grávida e sem condições de sair de casa e se existe algum culpado, esse alguém sou eu que devia ter pensado nisso.
- Ela, chorando muito, se abraçou em mim e eu, vendo o seu desespero, a conduzi para fora de casa, dizendo:
- Vou levar você para casa e depois preciso ir até a cidade comunicar ao delegado o que aconteceu.
Ele precisa vir até aqui para poder liberar o corpo e assim, podermos enterrá-lo.
- Ela, ainda chorando, balançou a cabeça dizendo sim.
Depois de ajudá-la a subir na charrete e de deixá-la em casa, fui para a cidade comunicar aos meus pais e ao delegado o que havia acontecido.
Até hoje, quando nos contou tudo o que ela fez, custo a acreditar que ela cometeu mais um crime.
- Foi isso que aconteceu.
Quando ela, na companhia de Tião voltava para casa, foi pensando no que poderia fazer para evitar que você se encontrasse com seu sogro.
Como havia usado o veneno por duas vezes e não foi descoberta, pensava:
já que ninguém descobriu o que fiz com Gustavo e minha mãe, vou tentar novamente com o meu pai.
Não posso permitir que ele se encontre com Pedro Henrique e se minha mãe contou alguma coisa sobre o Osmar, ele não vai ter tempo de contar ao meu marido.
Foi muito bom o Tião ter vindo e visto como o meu pai estava doente.
Vai ser fácil convencer a todos de que ele morreu de tristeza.
- Ela tinha razão, Gusmão.
Eu naquele tempo, estava preocupado com a doença do meu pai, pois apesar de todo o tratamento a que ele estava se submetendo, sabíamos que era de difícil cura.
Por isso, nem eu nem ninguém poderia imaginar que ela havia feito aquilo.
Tião podia jurar que o senhor Romeu estava muito doente.
Sofia demonstrou um desespero e sofrimento tão grande que ninguém desconfiou.
Ficou impune de mais um crime...
- A impunidade foi que a levou a praticar um crime atrás do outro, Pedro Henrique, mas seu espírito, apesar de toda a ajuda que sempre teve do plano espiritual, se negou a reflectir e voltou a cometer os mesmos erros que havia cometido em encarnações passadas...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:26 pm

- Ela já tinha feito isso antes?
- Sim, e sempre contra Nadir, Romeu e Gustavo.
Toda vez que retornava ao plano e tomava conhecimento da verdade espiritual, ela se arrependia e prometia que na próxima vez, se lhe dessem outra chance, seria diferente, mas como podem ver, também nesta isso não aconteceu.
- Você disse que ela sempre se voltou contra Gustavo, Nadir e Romeu.
Por que eles continuaram renascendo ao lado dela?
- Eles, assim como nós, estamos ao lado dela desde sempre.
Sabemos que um dia, ela encontrará o seu caminho.
Pensando assim e pelo imenso amor que sentem por ela, insistiram mais uma vez em renascer ao seu lado, para tentar fazer com que ela mudasse.
- Acredita que vai chegar o dia em que ela se arrependerá realmente de tudo o que fez e encontrará o caminho?
- Sim, Maria Rita.
Por isso estamos aqui.
Os próximos dias serão decisivos e se permitiram que estivéssemos aqui, é porque existe uma esperança.
- Como podemos ajudá-la, Gusmão?
Não vejo um caminho.
- Com nossas orações e tentando enviar luz, estamos procurando fazer com que Sofia reflicta, mas como podem ver, isso está ficando cada vez mais difícil.
A cada momento que passa, ela se deixa envolver sempre mais pelas energias pesadas, o que dificulta a nossa acção, mas a luz que está chegando de Nadir, Romeu e Gustavo poderão nos ajudar.
Vamos ver o que vai acontecer e esperar que ela encontre o seu caminho, arrependa-se de tudo o que fez e confesse seus erros, só assim encontrará a paz e o caminho de volta.
Essas energias fizeram com que nós nos afastássemos dela.
Ela está envolvida pelas companhias que escolheu e respeitando o seu livre-arbítrio, nada podemos fazer.
Por isso o espírito, encarnado ou não, tem que estar sempre alerta e prestar atenção às companhias que atrai sobre si.
Noventa por centro das doenças que existem na Terra são motivadas por espíritos errantes que, se tiverem oportunidade, chegarão e ficarão por perto, fazendo que o espírito sinta o que eles sentem.
Por isso há muita depressão, maldade, ódio, vingança e todos os males que assolam uma sociedade.
- Estou entendendo o que está nos dizendo, que em última análise o que importa é o perdão, mas como podemos perdoar alguém que nos enganou, mentiu e cometeu tantos crimes?
Se assim fizermos, não estamos também de certa maneira permitindo que ela continue impune perante o plano espiritual?
- O perdão é a maior arma que temos para que possamos encontrar o caminho para o Pai.
Por isso, se perdoarmos a todos aqueles que nos fizerem mal, não quer dizer que se o mal foi praticado, haverá impunidade.
Ela pode acontecer perante as leis e justiça dos homens, mas nunca perante a justiça divina.
Como existe a lei do amor e do perdão, existe também a lei de acção e reacção.
Aquela que coloca tudo em seu devido lugar.
Existem as companhias atraídas que cobrarão e farão a sua justiça e posso garantir que é pior do que qualquer castigo que possa vir por parte de Deus.
- Hoje, vivendo no plano espiritual, posso entender o que está nos dizendo Gusmão, mas se estivesse vivendo no plano físico e presenciasse alguém como Sofia ficar livre, sem pagar de algum modo, impune, não sei se aceitaria da mesma maneira...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:26 pm

- Isso é compreensível, Pedro Henrique.
O espírito quando está vivo no plano físico, está com as energias do planeta, que são pesadas, pois os sentimentos espalhados são conflituantes.
Existe a luta de todos os dias, sofrimento, dor e desesperança, por isso é difícil aceitar maldades cometidas por pessoas e vê-las impunes, mas como existem todos esses sentimentos negativos, existem também e todos conhecessem quais são, os sentimentos de amor, caridade e a confiança de que há um Deus que a tudo vê.
Por isso, o que deve fazer é lutar contra tudo o que se traduzir em mal, confiar em Deus e seguir em frente.
Se assim fizer, estará atraindo para junto de si, companhias de luz que o ajudarão a enfrentar as energias ruins que o cercam.
Se cada um que acreditar deixar de fazer uma maldade, muitos caminharão para a luz, sempre bem acompanhados.
Sofia escolheu suas companhias e terá de responder, não só a Deus, mas a essas companhias.
Estou me lembrando, Gusmão, que foi nesse tempo que nos mudamos para a cidade.
- Sim, Pedro Henrique.
Depois que o pai morreu, Sofia achou que aquele seria o momento ideal.
Embora você não tenha se dado conta, ela sabia que o nascimento de Maurício estava perto.
Não sabia ainda o que dizer quando o menino nascesse antes do tempo esperado.
Você havia lhe dito que um mês antes a levaria para a cidade e para sua casa, Maria Rita.
Você queria que ela tivesse toda a assistência médica, mas ela queria mais.
Embora a casa da fazenda fosse grande e bonita, estava muito afastada do conforto da cidade.
Sofia queria pertencer à sociedade, andar com vestidos bonitos, usar salto alto e frequentar cabeleireiro e festas.
Pensando assim, uma semana depois da morte de Romeu, ela chorosa, se aproximou e disse:
- Pedro Henrique, desde a morte de Gustavo e de minha mãe, já estava muito triste e não consigo entender como eles puderam morrer daquela maneira.
Sofri muito, mas tinha o meu pai e sempre que olhava para o lado em que minha casa está, sabia que ao menos meu pai estava lá.
Que eu ainda tinha família, mas agora sei que não tenho mais ninguém. Estou sozinha ...
- Não está sozinha, Sofia... estou aqui e tem toda a minha família que gosta muito de você...
Sei que sua família gosta de mim, também gosto deles, mas mesmo assim, não consigo tirar essa tristeza do meu coração...
- Deve ser por causa da gravidez.
Depois que a criança nascer, vai ser diferente.
Você terá mais alguém para cuidar e amar...
- Ela, percebendo que não conseguiria convencê-lo a se mudar para a cidade, abraçou-se a você e começou a chorar baixinho.
- Ela tinha razão, Gusmão.
O que menos eu queria era ir morar na cidade.
Eu adorava a fazenda e não conseguia ver a minha vida futura se não fosse ali.
Nunca imaginei que ela fosse tão infeliz.
Tinha tudo, não precisava se preocupar com nada.
Era servida por empregadas e eu já estava procurando uma mulher para cuidar da criança que ia nascer.
- Ela sabia disso, mas precisava encontrar uma maneira de convencê-lo.
Sabendo que aquele não era o momento, continuou abraçada a você e se calou.
Dois dias depois de terem tido essa conversa, ela acordou durante a noite dizendo sentir muita dor na barriga.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:26 pm

Você se assustou e perguntou:
- Será que é a criança, Sofia?
- Ela, chorando de muita dor, que na realidade não estava sentindo, disse:
- Não pode ser, Pedro Henrique, ainda é muito cedo para ela nascer...
- O que é então?
- Não sei, só sei que está doendo muito.
- Você ficou desesperado e com muito medo.
Ela, vendo o seu desespero enquanto você andava de um lado para outro do quarto, sorriu e disse:
- Acho que não posso ficar mais aqui.
Você disse que um mês antes de a criança nascer ia me levar para a cidade, acho que a gente devia ir agora.
Você sabe que tem criança que nasce antes do tempo, não sabe?
- Sei, claro que sei... você tem razão, não há motivo para continuar aqui.
Já está amanhecendo.
Assim que clarear, vamos para a cidade e você vai ficar na casa da minha mãe até a criança nascer.
Está bem assim?
- E você?
- Não posso ficar longe da fazenda, mas todas as noites eu vou para a cidade.
Não quero deixar você sozinha.
Acha que pode esperar até o amanhecer?
- Ela fez uma cara de quem estava sentindo muita dor e com a voz fraca, respondeu:
- Acho que sim. Estou melhor.
- Que bom, tente dormir mais um pouco e não se esqueça de que estou aqui ao seu lado.
- Ela sorriu, deu um beijo em você e dormiu em seguida.
Antes que o dia amanhecesse, você já estava preparando o jipe para a viagem.
Foi até a casa de Noémia, que morava em uma das casas da fazenda.
Contou-lhe o que havia acontecido e que ia levar Sofia para a cidade.
Pediu para que ela fosse mais cedo para casa e que preparasse as roupas que Sofia queria levar.
Ela, assustada, foi imediatamente.
- Foi assim que aconteceu.
Fomos para a cidade e não voltamos nunca mais.
Naquele dia eu não sabia, mas o meu sonho e desejo de continuar vivendo ali fazendo o que eu gostava havia terminado, por todo o amor que eu sentia por Sofia.
- Sim, seu amor era imenso e ela sabia disso.
Dez dias depois que estavam na cidade, Maurício nasceu.
Foi uma correria, pois todos achavam que a criança tinha nascido antes do tempo.
Somente Sofia sabia a verdade e quando viu que você estava preocupado com a saúde dele, disse:
- Não fique assim, Pedro Henrique, não importa que ele tenha nascido antes do tempo.
Parece que está bem e a cada dia que passar, vai crescer e vai se tornar um belo rapaz.
- Ela disse isso e eu me acalmei.
Nem eu nem ninguém poderíamos sequer imaginar que ele não fosse meu filho e que, para que a verdadeira história ficasse escondida, Sofia havia cometido tantos crimes.
Alem do mais, foi nessa época que meu pai, apesar de toda a assistência que teve, não resistiu e morreu.
A morte dele me abalou muito, fiquei triste por muito tempo.
- O mesmo aconteceu comigo, estava casada há trinta anos e sempre fui feliz ao lado dele.
- Isso é compreensível, Maria Rita.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:26 pm

Vocês foram um daqueles poucos espíritos que se encontram e que apesar da longa vida juntos, continuam vivendo com amor e harmonia.
Sofia percebeu que vocês dois estavam abalados e, portanto, fáceis de serem conduzidos.
Ela se abraçou a você, Pedro Henrique, e falando com a voz baixa e compassada, disse:
- Pedro Henrique, depois que seu pai morreu, sua mãe está muito triste.
Quase não fala e fica a maior parte do tempo no seu quarto.
Estou preocupada.
- Já havia notado isso e não sei o que fazer.
Tenho medo de que ela também venha a ficar doente.
Não posso continuar muito tempo longe da fazenda.
O Maurício está bem e forte.
Está chegando à hora de voltarmos.
Não sei o que fazer com minha mãe.
Sabe que minhas irmãs moram na capital e que minha mãe se recusa a ir morar com elas.
- Também estive pensando sobre isso e cheguei à conclusão que devemos continuar morando aqui ao lado dela.
- Não podemos, Sofia!
Preciso cuidar da fazenda!
- Você não precisa abandonar a fazenda.
Pode contratar um administrador e ir lá duas ou três vezes por semana.
- Naquele momento senti uma dor no meu peito.
Sabia que aquela decisão mudaria minha vida que eu não queria que mudasse, pensei um pouco e disse:
- Sofia, minha mãe pode ir morar connosco lá na fazenda.
Tendo o Maurício para cuidar, sei que em breve ela estará bem.
- Ao ouvir aquilo, Sofia, embora não tenha demonstrado, ficou desesperada.
Ela não queria voltar para a fazenda, muito menos levar Maria Rita.
Ficou por um pouco de tempo sem saber o que fazer, mas não demorou muito.
Logo depois, disse:
- Não podemos fazer isso, Pedro Henrique!
Sua mãe, sendo esposa de político, sempre teve muitas obrigações, tem suas amigas e compromissos e, se a levarmos embora, sei que sofrerá muito longe da casa em que viveu toda sua vida e das pessoas que conhece.
Ainda acho que o melhor seria continuarmos aqui.
A principio eu não queria aceitar, mas sem que eu soubesse, Sofia conversava muito com minha mãe, até convencê-la de que a melhor solução seria a que ela havia pensado.
- Agora estou me lembrando daquele tempo, tem razão, meu filho.
Sofia era completamente diferente.
Era envolvente e muito humilde.
Falava baixo e quase nunca levantava os olhos.
Qualquer pessoa que convivesse com ela acharia que se tratava de uma pessoa boa e seria envolvida.
Por isso, sem que eu desconfiasse das reais intenções dela, me deixei envolver e ser convencida.
Depois disso, mais eu do que ela o convenci, Pedro Henrique, de que ela estava certa e que seria bom que viessem morar comigo.
- É verdade, mamãe.
Somente hoje estou descobrindo quem era a verdadeira Sofia.
Atendendo ao seu pedido, deixei que Sofia e Maurício ficassem morando com a senhora.
No começo, eu ia e voltava todos os dias, mas com o tempo, fui me cansando e contratei um administrador.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:27 pm

- Sofia, quando viu que havia conseguido o que queria, ficou feliz.
Usando de sua humildade e simpatia, logo conseguiu convencer você, Maria Rita, a levá-la a festas e compromissos sociais.
Contratou uma cabeleireira que vinha três vezes por semana até sua casa.
- Foi mesmo, Gusmão.
Ela foi muito inteligente...
- Ela agora estava feliz morando naquela casa.
Quando criança, sempre que passava por ali, ficava imaginando como seriam felizes as pessoas que moravam ali.
Agora, ela não só era uma moradora, como sua dona também.
Sua vida outra vez mudou radicalmente.
Era senhora de tudo, pois aos poucos, sem que você percebesse, foi tomando atitudes perante os empregados, as suas amizades e foi dominando a tudo e a todos.
Você, Maria Rita, se transformou em uma marionete e fazia tudo o que ela desejava.
- O engraçado em tudo isso, Gusmão, é que eu não percebia.
Achava Sofia inteligente e sentia muita pena por ela ter perdido toda a família e estar sozinha.
Por isso, eu e Pedro Henrique fazíamos todas as suas vontades.
Além do mais, depois que José António morreu, achava que um pouco da minha vida havia morrido com ele.
Havíamos lutado tanto para que a cidade evoluísse, ele foi um político honesto que durante todo o tempo, só pensou no bem-estar de todos.
Sempre o ajudei e com sua morte, minha vida deixou de ter sentido.
- Esse é um grande perigo que os encarnados sofrem.
Por não conhecerem a espiritualidade quando morre alguém a quem ama, pensam que será para sempre e sofrem muito.
Esse sofrimento muitas vezes as conduz para a depressão, que nada mais é do que a aproximação de espíritos, também depressivos que as envolvem, fazendo que se deprimam sempre mais e se tornem presas fáceis, assim como aconteceu com você, Maria Rita.
- Sim! Gusmão; hoje sei disso, mas naquele tempo não tinha a menor ideia.
- Assim como você, muitos não imaginam o que realmente acontece.
Sabemos que o espírito quando desencarna, continua da mesma maneira que sempre foi, com seus defeitos e suas qualidades, não é?
- Sim, hoje sei, mas naquele tempo não sabia e achava que alguém que morresse se tornava poderoso, podendo assim, ajudar aqueles que ficaram.
Muitas vezes em minhas orações, pedi ajuda ao José António sem saber se ele poderia me ajudar ou não.
- O espírito ao desencarnar precisa seguir o seu caminho, ir em busca de entendimento e sabedoria.
Lógico que não esquece daqueles que continuam encarnados e a quem amou.
Se estiver bem assistido e com condições, procura através de vibrações e enviando luz, ajudar, mas é tudo o que pode fazer, pois depende de cada espírito sua própria evolução.
Porém, muitas vezes, o espírito ao desencarnar, está doente, deprimido, depressão essa que, apesar de todo o esforço da espiritualidade se transforma em suicídio.
Esse espírito, por não aceitar sua condição e ajuda, fica vagando sem rumo ao lado de outros como ele.
Ao encontrar um encarnado que, por qualquer motivo esteja em depressão, aproxima-se e fica ao seu lado, causando assim, mais depressão.
Na maioria das vezes em que a pessoa sente-se deprimida e tem pensamentos destrutivos, esses pensamentos não são seus e sim desses espíritos que têm esses sentimentos.
Não sabendo e não acreditando esses encarnados vão ficando sempre mais deprimidos, o que pode levá-los às últimas consequências, como demência ou suicídio.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 17, 2017 7:27 pm

Existem também aqueles que ao voltarem para o plano espiritual e ao acordarem, sentem seu corpo igual a quando era vivo, portanto as mesmas necessidades de se alimentar ou se drogar ou se embebedar, saem à procura disso.
Encontram com facilidade aqueles encarnados que estão predispostos a esses mesmos vícios.
Aproximam-se e ficam sugerindo a todo o momento, a necessidade dessas coisas.
Os encarnados, sem saber e pensando que a vontade é deles, partem em busca daquilo que julgam necessitar, quando na realidade, essa vontade não é deles, mas dos espíritos que estão ao seu lado.
- Isso tudo o que está dizendo, Gusmão, é difícil de entender, muito menos quando se está encarnado.
Para isso, é preciso ser espírita e conhecer todas essas coisas da espiritualidade, pois para aquele que não conhece, é quase impossível se libertar.
- Não é preciso ser espírita, pois os espíritos errantes não escolhem religião e sim, pela predisposição de cada um.
Além do mais, toda religião, não importa qual seja, ensina que se deve ficar longe dos vícios.
- Sim, é verdade, todas ensinam...
Gusmão sorriu e continuou:
- Vocês estavam felizes por ver Sofia feliz.
- Tem razão, Gusmão, mas embora eu estivesse feliz por ela, também estava triste por ter abandonado a fazenda e a vida que vivia ali.
Sentia falta de tudo, dos animais, de ver um bezerro nascer, da liberdade que sentia quando estava montado no cavalo.
A vida que Sofia queria levar era completamente diferente da que eu queria.
- Embora tudo isso estivesse acontecendo com ela, não estava totalmente feliz.
Queria passar na rua, ser reconhecida e admirada e para que isso acontecesse, só existia uma maneira:
fazer parte da política da cidade.
Vocês conhecem as pessoas do interior.
Acham que alguma autoridade, juiz, advogado, médico e principalmente os políticos, são pessoas admiradas e que devem ser respeitadas e até temidas.
Muitos deixam de ir procurar um advogado quando sofrem uma injustiça, por medo até de falar com ele.
O temor de estar frente a frente com um juiz faz com que não lutem por seus direitos.
Mal sabem eles que essas pessoas são iguais a todas as outras e que se exercem um cargo qualquer, esse cargo deve servir para o bem do povo que tanto os temem.
Sofia sabia disso e sabia também que, para conseguir o respeito e admiração de todas as pessoas, teria de pertencer a esse mundo.
- Somente agora estou percebendo como fui manipulado mais uma vez, Gusmão.
Em uma tarde, estávamos sentados na varanda de casa e ela, com aquele jeito de quem não quer nada, como se o que ia dizer tinha surgido naquele momento, sorrindo disse:
- Pedro Henrique! estou pensando...
- O que está dizendo, Sofia?
- Ela deu um sorriso e pegando em minha mão, respondeu:
- Desde que seu pai morreu, os políticos que restaram alem de não terem capacidade não estão muito preocupados com o povo, somente com eles mesmos e com suas vaidades.
- Tem razão, meu pai era especial e realmente se preocupava com o bem estar de todos.
- Pois é... meu pai e todas as pessoas que conheço sempre o elogiaram muito.
Por todos os lugares que ando e com as pessoas que converso, ouço falar da falta que ele faz...
- Isso é verdade, Sofia.
Também sinto muita falta dele...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:49 pm

- Por que você não se candidata a Prefeito?
Sabe que seria eleito por quase a maioria das pessoas desta cidade e assim, poderia continuar o trabalho dele...
- Eu me levantei e disse nervoso:
- Está louca, Sofia?
Nunca pensei em ser político!
Você sempre soube que minha felicidade era viver na fazenda com tudo de bom que ela tem.
Não saberia ser um político...
Ela, com aquele jeitinho de sempre e com a voz mansa, disse:
- Eu ajudo você, Pedro Henrique!
Tenho uma porção de ideias que, se conseguir colocarem em prática, vai ser bom para a cidade e para todos os que moram aqui...
- Ela, sabendo que ia ser difícil convencê-lo, recorreu a você outra vez, Maria Rita.
- É verdade, Gusmão. Uma manhã, ela, com aquele ar de menina abandonada, disse com a voz baixa e compassada:
- Dona Maria Rita, estive pensando em quanto o seu marido faz falta não só para a senhora, mas para a cidade também.
- Tem razão, Sofia.
Ele, além de ter sido um bom pai e marido, foi também o melhor prefeito que esta cidade teve.
- O nome dele sempre foi muito respeitado, não foi?
- Foi sim...
- Sobre isso estive pensando.
Depois de tudo o que ele fez pela cidade, não é justo que seu nome desapareça, dona Maria Rita...
- Não estou entendendo o que está querendo dizer, Sofia.
- Estou dizendo que o nome dele deve continuar sendo lembrado e respeitado...
- O povo desta cidade nunca vai esquecer o José António.
- Sei que não vai, mas como à senhora sabe, o tempo passa, outras coisas acontecem e as pessoas vão ficando no esquecimento.
Só existe uma maneira para que ele nunca seja esquecido...
- Qual?
- O Pedro Henrique poderia se candidatar e ser eleito Prefeito e continuar o trabalho do pai...
- Isso nunca vai acontecer, Sofia!
- Por que não?
Ele tem capacidade...
- O Pedro Henrique odeia política!
Nunca vai aceitar essa sua ideia!
- Sei que se eu falar com ele; talvez não aceite, mas se a senhora falar, sei que vai conseguir convencê-lo, pois mesmo sem ter sido candidata ou eleita, sempre conviveu nesse meio; e deve ter argumentos ...
- Eu achei aquela ideia louca, Gusmão, mas ao mesmo tempo achei que ela poderia ter razão, pois se o Pedro Henrique fosse eleito, poderia não só evitar que o nosso nome caísse no esquecimento como também continuar trabalhando pela cidade.
Disse:
- Não sei, Sofia, se vou conseguir convencer o Pedro Henrique, mas vou tentar.
Acho sim, que ele tem condições para isso.
Como você disse, ele tem capacidade e comprovou isso administrando a fazenda, fazendo com que ela, se dedicando à criação de gado, desse muito lucro.
- Com muito trabalho e conversa, consegui convencê-lo, meu filho.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:49 pm

Você se candidatou e se tornou, como Sofia havia previsto, um óptimo prefeito, assim como fora seu pai.
- Embora eu não quisesse, não consegui resistir aos argumentos das duas.
Como à senhora disse mamãe, tornei-me um prefeito respeitado pelo povo da cidade e procurei não desmerecer o nome do meu pai, mas só consegui isso, justiça seja feita, pelo apoio que tanto a senhora como Sofia me deram.
- Sei disso, meu filho.
Eu tinha larga experiência.
- Ser prefeito era a sua missão, Pedro Henrique e graças a Deus, a cumpriu com galhardia.
Pegou alguns projectos de seu pai que ele não tinha conseguido colocar em prática e depois de muito pensar e conversar com outros políticos conseguiu levar para a cidade uma tecelagem.
Assim fazendo, conseguiu não só aumentar a arrecadação como dar emprego para aqueles que não se dedicavam à agricultura.
Além da ajuda de sua mãe, que como ela mesma disse, tinha muita experiência.
Sofia, lembrando-se daquilo que conversava com Osmar e de seus sonhos, um dia lhe disse:
- Pedro Henrique, por que não convida os agricultores da cidade e lhes propõe trabalhar junto com a Prefeitura?
- Trabalhar como?
- A Prefeitura poderia lhes financiar a plantação e a colheita e a distribuir tudo o que fosse colhido.
No final, eles pagariam o que haviam recebido.
Você poderia montar aqui na cidade um centro de distribuição, não só para as cidades vizinhas como também para a capital.
- Não sei, Sofia.
Essa é uma decisão que não posso tomar sozinho.
Preciso pensar e conversar com os vereadores.
- Você pensou durante algum tempo, conversou com várias pessoas e viu que poderia ser feito e que talvez desse certo.
- E deu, Gusmão, aquela foi sim uma óptima ideia.
Só que nunca imaginei que essa ideia tão genial não fosse de Sofia, mas sim de Osmar.
- Não importa de quem tenha sido a ideia, o que importa foi que você a colocou em prática e assim, ajudou a sua cidade e muito aos agricultores.
Conseguiu convencer alguns e aos poucos outros vieram, inclusive a família de Osmar.
Em pouco tempo a ideia correu por todas as cidades que rodeavam a sua cidade e como elas dependiam exclusivamente da criação de gado, tornaram-se compradoras das frutas, verduras e legumes cultivados na sua.
Enfim, a ideia de Osmar transmitida por Sofia deu certo.
Todos estavam felizes com o resultado.
Você e Sofia foram homenageados, festas foram promovidas pelos agricultores agradecidos.
Sofia, a cada festa que comparecia e ao ser homenageada, pois você dizia em todo discurso que a ideia havia sido dela, ficava feliz e orgulhosa, mas não era o bastante, queria mais.
Lembrando-se do tempo em que era criança e no quanto demorava e precisava andar para chegar à escola, o convenceu a construir escolas rurais nos lugares mais distantes e dizia:
- Assim, Pedro Henrique, todas as crianças poderão estudar ou ao menos aprender a ler.
- Eu a ouvia em tudo o que dizia, pois sabia que suas ideias geralmente eram boas.
- Com isso, embora não tenha sido sua vontade, Sofia que só queria admiração, poder e ser reconhecida, conseguiu ajudar a cidade e suas crianças.
Ela, por ser sua esposa, foi reconhecida e aclamada.
Estava orgulhosa, tudo corria bem, além do que, um dia ela houvera imaginado.
Até hoje, muitas daquelas crianças, hoje adultas, rezam para que ela seja feliz e tenha boa saúde.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:50 pm

Talvez seja por esse motivo que estamos aqui tentando evitar que cometa mais erros do que aqueles que já cometeu.
Como já lhes disse, todos os espíritos têm um lado bom e um lado ruim, todos têm, sem excepção, erros e acertos, por isso e mesmo que demore muito tempo, todos encontrarão o caminho da luz.
Durante sua passagem por este mundo e outros, vai mesmo sem saber, conquistando amigos e inimigos, mas como o amor de um amigo é maior que o ódio de cem inimigos, no final os amigos serão em maior quantidade.
Como podem ver, apesar de todo o mal que fez, existem ainda aqueles que oram por ela.
- Tem razão, Gusmão... tem razão...
- Quando ela ficou grávida de Ricardo, ficou muito nervosa pois achava que aquele não era o momento de ter uma criança, tinha muitos compromissos sociais onde sempre era homenageada, mas diante de sua felicidade, não teve como evitar que ele nascesse.
Maurício, desde muito cedo, foi criado por babás que ela sempre escolheu a dedo.
Com Ricardo não foi diferente, porém assim que ele nasceu e ao ver que era homem, sabia que, para continuar tendo aquela vida e continuar sendo reconhecida e homenageada, queria que ele seguisse os seus passos, porém, à medida que ele foi crescendo, percebeu que seu interesse era outro.
Gostava de história antiga e moderna e gostava mais ainda de falar sobre ela.
Sempre que lhe perguntavam o que queria ser quando crescesse, respondia professor.
Toda vez que Sofia o ouvia dizendo isso ficava irada e nervosa lhe dizia:
- Você não vai ser professor, vai ser Presidente do Brasil!
- Ele, quando pequeno, ao ouvi-la dizendo isso chorava, depois que cresceu, sorria.
- Eu não entendia por que ela brigava tanto com ele, Gusmão e não incentivava Maurício que, desde muito cedo demonstrou sua tendência para a política.
Já na escola, brigava com os professores para expor sua opinião ou para defender algum aluno que julgava ter sido injustiçado.
- Porque com seu espírito doente, por saber que ele não era seu filho, achava que não tinha o direito de seguir seus passos.
Achava que, por direito, esse caminho pertencia a Ricardo.
- Estou pensando, Gusmão, se eu não tivesse vivido tudo isso não conseguiria acreditar, pois Maurício embora não fosse meu filho, era dela...
- Sim, mas representava seu erro e o medo de que, a qualquer momento, tudo fosse descoberto.
- Você foi eleito e reeleito muitas vezes.
Quando se candidatou a deputado federal, por ser conhecido em toda a redondeza, também foi eleito e tiveram de mudar para o Rio de Janeiro.
Lá, seus filhos estudaram nas melhores escolas.
Sofia continuou insistindo para que Ricardo se candidatasse a algum cargo político, mas ele se recusou, estudou História.
Queria mesmo era ser professor.
Porém, Sofia não se conformava com isso.
Quando ele trouxe Anita para conhecê-los, ela de pronto achou que poderia envolvê-la como fez com vocês e poderia ajudá-la a convencer Ricardo, mas logo percebeu que não seria possível, pois Anita não tinha ambição política nem pessoal.
Ela somente queria ter uma casa com filhos e viver em paz como em sua casa, pois seus pais se gostavam muito e ela fora criada em um lar de muita tranquilidade.
Incentivava Ricardo a ser professor, pois achava ser uma profissão dignificante.
- Será esse o motivo de ela não gostar de Anita?
- Talvez seja isso, não sei como lhe responder, Maria Rita, só sei que tudo corria bem.
Sofia, apesar de Ricardo se recusar a fazer o que ela queria, continuava frequentando festas, agora mais sofisticadas, mas nem tudo é como se deseja, você teve um infarto e morreu de repente.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:50 pm

Aquilo para Sofia foi desesperador, pois apesar de seu egoísmo e de ter casado com você por interesse, com o tempo se acostumou a viver ao seu lado e sentiu muito a sua falta, mas com o tempo logo retornou à sua vida de festas.
Por você ter sido um deputado conceituado, ela conseguiu muitas amizades que a consolaram.
Quando Ricardo se casou e resolveu ir morar em Portugal para conhecer a história mais de perto, visitar castelos europeus, ela se desesperou e culpou Anita por isso.
Durante todo o tempo em que eles estiveram morando na Europa, ela ficou arquitectando um meio de separá-los.
Sempre que pôde, culpava Anita por eles não terem tido um filho.
- Agora que ela mandou fazer esse trabalho e eles estão brigando, será que vai conseguir?
- Sabemos que não foi feito trabalho algum.
Portanto, se algo acontecer, não foi por causa do trabalho.
O que ela conseguiu com esse gesto foi atrair para junto de si energias pesadas que só podem lhe fazer mal.
Porém, mesmo o trabalho não tendo sido feito, o desejo existiu.
Por isso, tanto ela como Pai Jorge terão de responder.
A cobrança virá e normalmente nesses casos ela é alta.
- Chego a sentir pena dela, Gusmão.
- Sim, ela embora não saiba ou admita, é digna de pena e necessita muito de nossas orações.
Sua próxima encarnação deverá ser muito sofrida para reparar todo o mal que causou.
- Mesmo se Nadir, Romeu e Gustavo não fizerem essa cobrança?
- O aprendizado é inerente a todo espírito.
A lei de acção e reacção, também.
O espírito precisa aprender e isso só acontecerá se resgatar seus erros.
Embora eles não cobrem, o próprio espírito de Sofia cobrará, pois sabe que usando seu livre-arbítrio, Sofia adiou sua evolução.
Nunca podemos nos esquecer de que, embora Deus nos ame e queira a nossa felicidade, Ele precisa ser justo.
Por isso, deixou-nos Suas leis, que devem ser cumpridas.
- Como Sofia pôde continuar vivendo com tudo o que fez, Gusmão?
- Ela nunca mais pensou na sua família e muito menos no que havia acontecido.
Quando isso acontecia, mudava de pensamento, pensando na próxima festa ou chá da tarde que precisava comparecer.
- Você disse que os próximos dias serão decisivos.
O que vai acontecer?
- Não sei, Pedro Henrique, não me disseram.
Só sei que precisamos ficar aqui até que não haja mais recurso algum para ajudá-la.
- Sendo assim, precisamos esperar e ver o que acontece.
- Isso mesmo, Maria Rita.
Vamos orar e esperar em Deus que tudo se resolva da melhor maneira.
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Ave sem Ninho

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:50 pm

A PRESENÇA DO AMOR
Sofia, na cama, ao se lembrar do dia em que o pai morreu, arregalou os olhos, percebeu que seu corpo estava molhado por estar transpirando muito.
Sentiu o coração bater descompassado, além de dificuldade para respirar.
Levantou-se e foi até o banheiro, abriu a torneira do lavatório e molhou o rosto e o pescoço.
Depois, olhou para o espelho e pensou:
Stela tem razão, preciso ir ao médico.
Não estou entendendo o que está acontecendo.
Por que hoje, desde manhã, estou relembrando o meu passado?
Por que não consigo esquecer?
Já faz tanto tempo que tudo aquilo aconteceu.
Eu não tive culpa, fui obrigada a fazer o que fiz para me defender.
Preciso esquecer.
Ninguém descobriu o que aconteceu e jamais descobrirá.
O que importa é que meu filho está em casa e que deixou aquela mulher para sempre...
Voltou a molhar o rosto e quando tornou a olhar para o espelho, deu um grito assustado e pulou para trás, pois ao invés de ver o seu rosto, viu os de Gustavo, Nadir e Romeu, que com gestos, a ameaçavam.
Pedro Henrique e os outros acompanhavam o que ela pensava e surpresos, viram o que ela via.
Pedro Henrique perguntou:
- Por que ela está se sentindo tão mal e por que está vendo essas imagens, se Gustavo, Nadir e Romeu não estão aqui?
- Claro que não estão aqui e sabemos que mesmo à distância estão tentando ajudá-la, mas o espírito pode tomar a forma que quiser e neste momento, as companhias que ela atraiu durante todo o tempo querem que ela sinta medo das pessoas a quem prejudicou e que retorne para o plano espiritual, para assim, poderem se apoderar de seu espírito e fazerem com ela o que acharem justo.
- Eles querem fazer justiça?
- Sim, a justiça se estende por todos os elos da criação.
- Não estou entendendo, Gusmão...
- Vou dar um exemplo.
Vocês não ouviram várias vezes dizer que em penitenciárias, onde espíritos estão pagando seus crimes, até os próprios prisioneiros têm um código de honra e não aceitam alguns tipos de crimes?
Quando algum preso chega acusado de um crime que eles acham terrível, tomam para si a justiça e fazem esse preso pagar de uma maneira brutal e humilhante.
- Sim, ouvimos falar.
- O mesmo acontece no plano espiritual.
Quando Sofia cometeu o primeiro crime, não foi influenciada por espírito algum, somente usou do livre-arbítrio e escolheu fazer o que fez.
Naquele momento, depois do crime praticado e, só naquele momento, foi que atraiu para junto de si, espíritos igualmente criminosos que vagueiam sem destino e sem esperança.
Esses espíritos, atraídos pela energia dela, cheia de ódio, rancor e crueldade, ficaram ao seu lado e estão até hoje.
A estes primeiros, juntaram-se outros que a têm perseguido desde aí.
Sofia está rodeada de energias pesadas.
Somente o amor de Nadir, Gustavo e Romeu é que a tem protegido e evitado que morra e perca uma oportunidade imensa de se regenerar e de voltar ao plano vitoriosa, com a missão cumprida.
A Terra é uma escola de aprendizado sem fim.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:51 pm

Os espíritos que a acompanham, embora estejam também presos a energias pesadas, guardam ainda dentro de si o amor por alguém que deixaram para trás, pode ser um pai, uma mãe, um irmão, filhos, esposas.
Quando alguém como Sofia comete um crime contra um individuo que lhes faz lembrar essas pessoas, eles a ajudam, mas ficam à espreita para que, assim que ela morra, possam castigá-la de maneira muito cruel e humilhante.
- É assim que acontece?
Eles embora estejam ao seu lado, ajudando-a a cometer os crimes, não são seus amigos?
- Não são amigos dela e de espírito algum que a eles se liguem.
- Por tudo o que está dizendo, podemos concluir que estes que estão ao lado de Sofia estão irremediavelmente perdidos?
- Não, Maria Rita.
A vida no plano espiritual é quase igual àquela que se vive aqui na Terra ou em qualquer outro lugar.
Na Terra, a população é formada por núcleos a que se dá o nome de família.
No plano é a mesma coisa.
Fazemos parte da mesma família há muito tempo.
Assim como estamos aqui tentando ajudar Sofia, muitos outros devem estar tentando ajudar aqueles que a acompanham.
Um dia, pode demorar pouco ou muito, ajudados por essa legião de amigos, todos sem excepção, encontrarão o caminho.
Para o Pai, todos são considerados como o filho pródigo de quem Jesus nos falou.
Não existem pessoas más e sim espíritos doentes que precisam de ajuda.
Sofia é um deles.
Está doente e precisa do nosso perdão e da nossa ajuda.
- Depois de tudo o que nos contou, é muito difícil perdoar.
Eu achei que estava pronto para seguir em frente, ir para esferas mais altas da espiritualidade, mas diante do que estou sentindo, acho que ainda não estou preparado, Gusmão.
Acho que tenho muito a aprender.
- Todos temos, Pedro Henrique, até o espírito de maior luz que possa conhecer.
Todos, não importa em que grau da espiritualidade estejamos, sempre teremos o que aprender.
Você e todos os que conviveram com Sofia estão prontos para seguir o caminho.
Só depende de sua escolha:
querem ir realmente, deixando que ela fique para trás, perdida junto a essas companhias que embora ela mesma tenha escolhido, sabemos que só lhe farão mal, ou preferem ficar e ajudá-la?
- Não sei, Gusmão.
Talvez eu esteja sendo egoísta, mas acredito que Sofia não vai se arrepender nunca e se isso acontecer, vai demorar muito.
Não sei se vale a pena esperarmos, deixarmos de conhecer lugares de maior felicidade na espiritualidade.
- Todos temos o direito de escolher.
Por isso, se resolverem partir e deixá-la para trás, ninguém vai condená-los.
Vocês sempre agiram bem.
Conquistaram a luz e têm o direito de continuar.
Sofia foi quem se entregou ao mal e se afastou da luz.
Não precisam deixar de seguir o caminho que conquistaram, mas antes, vamos tentar mais um pouco.
Como já disse várias vezes, se ainda não fomos chamados de volta, é porque ainda resta uma esperança.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:51 pm

Pedro Henrique baixou a cabeça e ficou pensando.
Maria Rita perguntou:
- Por que ela está se sentindo tão mal?
Será que vai morrer?
eu teria sido avisado.
O corpo é um reflexo do espírito.
O espírito de Sofia está doente, seu corpo demonstra isso.
- O mal-estar que está sentindo é um reflexo de seu próprio espírito?
- Sim, pois embora exista o livre-arbítrio, todo espírito sabe que deve seguir o caminho do bem para poder evoluir e chegar mais perto da luz.
Quando renasce, traz consigo essa certeza, mas com o passar do tempo e com o peso do corpo físico, muitas vezes se deixa levar, esquecendo tudo o que havia prometido e escolhido.
Não aceita a vida que tem, como aconteceu com Sofia e se volta para o mal, para prejudicar as pessoas que o amam.
- Está dizendo que todos precisam aceitar a vida que tem, sem reagir e tentar mudar?
- Não! O espírito nasceu para ser feliz.
O sofrimento é causado pela ansiedade, pela falta de fé.
Quando o espírito encontra o seu caminho, vê que tudo como por encanto se resolve e não entende como pôde ser tão fácil.
Basta somente acreditar que é filho de um criador amoroso e que está sempre disposto a ajudar e a receber com muito carinho e que nunca o deixará só.
O espírito encarnado ou não, precisa sempre tentar e conseguir evoluir.
No plano, procurar trabalhar e aprender sempre mais.
Reencarnado também estudar, trabalhar e sabendo que é livre para escolher o seu caminho, procurar sempre o melhor que a vida pode lhe oferecer, sem que para isso seja preciso prejudicar uma outra pessoa ou cometer um crime ou vários, como fez Sofia.
Finalmente, entender que sempre está tudo certo e que cada espírito escolheu a vida que vive na Terra ou em outro lugar qualquer.
- Da maneira como fala, Gusmão, parece ser simples, mas na realidade não é.
Quando os problemas surgem, é difícil pensar que tudo está sempre certo, que fomos nós quem escolhemos passar por todos eles.
- Quando não se confia em um criador maravilhoso, realmente é difícil, mas mesmo não acreditando nem aceitando isso a ajuda virá.
Tudo que é bom ou ruim não dura para sempre.
Com o tempo os problemas vão se resolvendo, outros vão surgindo e é assim que o espírito aprende e caminha sempre para a luz.
- Eu agora sei de tudo isso, mas mesmo assim ainda continuo achando que é muito difícil.
Gusmão sorriu.
Sofia, ainda assustada com as imagens que viu no espelho, voltou para o quarto e deitou-se.
Percebeu que seu coração, embora ainda batesse descompassado, estava melhor.
Pedro Henrique e Maria Rita acompanharam o olhar de Gusmão e surpreendidos, viram Nadir e Romeu chegar.
Nadir, ao mesmo tempo em que sorria estava com um olhar triste.
Gusmão sorriu e disse:
- Que bom que estão aqui.
Fico feliz, pois sei que a luz que emana de vocês poderá iluminar este quarto e se Deus quiser, o coração de Sofia.
- Ficamos sabendo de tudo o que se passou.
Do esforço que fizeram para que ela não cometesse mais um engano, mas soubemos também que foi em vão.
Ela se ligou ainda mais ao mal.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:51 pm

Sabem que o tempo está terminando e Sofia em breve deixará o plano físico.
Se não se arrepender e confessar todos os seus crimes, será levada para lugares em que não podemos entrar.
- Também estou feliz em vê-los.
Nunca imaginei que Sofia evitou a nossa amizade.
Quero que me perdoem por não ter percebido nem insistido mais para nos aproximarmos.
- Ora, Pedro Henrique, hoje sabemos como tudo aconteceu.
Sabemos também que fazemos parte do mesmo grupo e que, juntos, tentamos fazer com que Sofia se voltasse para o bem e para o nosso convívio.
Nós fizemos o melhor que podíamos diante da situação em que vivemos.
Sofia, desde o principio teve protecção.
Nasceu em um lar que embora pobre, era feito de amor.
Na encarnação passada foi muito rica, teve todas as oportunidades para crescer espiritualmente, mas deixou que o orgulho e o poder a desviassem do caminho.
Quando entendeu tudo o que havia feito, pediu para renascer em um lar pobre, para assim, poder dar valor às pequenas coisas, mas como vimos, não adiantou.
Seu orgulho, ganância e desejo de poder fizeram com que estivesse aqui nesta situação.
E nós, seus amigos de sempre, estamos aqui ao seu lado para tentarmos ajudá-la.
- Nadir, ela nem imagina que estamos aqui e tão preocupados...
- Tem razão, Maria Rita, ela não imagina o quanto é amada...
Olharam para Sofia que, deitada, tentava dormir.
Gusmão sério, disse:
- Precisamos ir para a casa de Stela.
Sinto que ela está precisando de nossa presença.
- Podem ir, eu e Romeu vamos ficar aqui ao lado de Sofia e assim que ela adormecer, vamos tentar conversar com ela.
- Vamos fazer isso, Nadir.
Sofia não poderia estar em melhores mãos.
Nadir e Romeu sorriram.
Gusmão, Pedro Henrique e Maria Rita se despediram e foram para a casa de Stela.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:51 pm

“A AJUDA DA LUZ”
Stela também chegou a casa.
Assim como Sofia, estava cansada e sentia-se suja.
Queria tomar um banho e descansar.
Estava passando pela sala quando o telefone tocou.
Atendeu e conversou com Sofia.
Depois olhou pelo vitrô e viu que as crianças, Juninho e Dora, brincavam na piscina.
Continuou andando, passou pela cozinha e notou que Clarice, sua empregada, arrumava a cozinha.
Ouviu o barulho da máquina de lavar roupas, foi até a lavandaria e Maria Tereza, ao mesmo tempo em que esperava a roupa terminar de ser lavada, também passava as que estavam secas.
Sorriu e pensou:
Está tudo certo aqui em casa.
Posso, sem problema algum, tomar meu banho e descansar.
Sem que ninguém a notasse, foi para o seu quarto.
Não viu nem percebeu mas, desde que deixou Sofia em casa, foi acompanhada por algumas das entidades que estavam junto a Sofia e que estiveram ao lado delas durante todo o dia.
Assim que entrou, sentou-se na cama e começou a pensar:
Dona Sofia, quando me telefonou, estava feliz.
Será que ela tem razão, será que foi o trabalho daquele homem que separou Ricardo de Anita?
Não pode ser, nós nem bem saímos dali.
Ele não teve tempo de fazer trabalho algum.
Mas e se foi ele?
Também, mesmo sem querer, eu participei de tudo.
O que fizemos não está certo.
Não tínhamos o direito de interferir dessa maneira na vida deles.
A Anita não que a minha amizade, mas em parte, tem razão.
Logo que se casou, tentou fazer amizade comigo, mas influenciada por dona Sofia, sempre a tratei com indiferença e demonstrei que queria distância.
O que ela poderia fazer?
Hoje, durante aquela viagem louca, tive tempo para pensar, analisar dona Sofia e perceber como ela é egoísta e diria até que má.
Como permiti que ela me envolvesse dessa maneira?
Não posso contar ao Maurício o que fizemos, pois do jeito que gosta do irmão, não me perdoaria nunca e com razão... odeio dona Sofia, queria que ela morresse!
Ela mesma estava assustada com aqueles pensamentos.
Desde a primeira vez em que viu Sofia, percebeu como ela era orgulhosa e prepotente, mas como vinha de uma família humilde e gostava muito de Maurício, resolveu que ao invés de enfrentá-la deveria unir-se a ela e para isso se anulou e deixou que Sofia tomasse conta de sua vida, desde como arrumar sua casa, comprar os móveis e colocar os quadros.
Aquilo sempre a irritou, mas achou melhor concordar e viveu bem até este dia.
Sempre noite a diferença entre o modo como ela trata Maurício e Ricardo.
Não sei por que, mas ela faz diferença e não faz questão alguma de disfarçar.
Nunca entendi por que Maurício aceitou esse tratamento.
Uma ou duas vezes em que comentei, ele disse:
- Não se preocupe com isso, Stela.
Minha mãe é cheia de manias.
Todo o amor e carinho que ela não me deu, recebi em dobro ou mais ainda do meu pai.
Ele gostava muito de mim e também não fazia questão de disfarçar.
Sinto muita falta dele...
Stela, assim pensando, pegou as toalhas, entrou no banheiro e tomou um banho demorado que a renovou.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:52 pm

Ao voltar para o quarto, viu com surpresa que Maurício estava deitado.
Aproximou-se dele, abaixou-se e enquanto fazia isso, perguntou:
- Já em casa, Maurício.
O que aconteceu? Está doente?
- Por que pergunta isso?
- Você não costuma chegar cedo em casa... não está bem?
- Estou bem, mas hoje não sei por que, fiquei com vontade de vir para casa.
Sinto que alguma coisa de ruim está acontecendo ou para acontecer.
Ela deitou-se ao seu lado, dizendo:
- Credo, Maurício, nem me fale uma coisa como essa.
Aqui em casa está tudo bem e vai continuar assim.
Não existe motivo algum para que mude.
- Não sei, Stela, mas algo não está bem.
- Está tudo bem, você deve estar muito cansado.
Tem trabalhado muito...
- Tem razão, desde que meu pai morreu tive de tomar a frente de todos os negócios.
Ainda bem que Ricardo voltou e vai poder me ajudar.
Ele é inteligente e está disposto a ficar aqui para sempre.
Logo tomará conhecimento de como as empresas funcionam e poderei tirar umas férias longas.
Vamos viajar e levar as crianças para conhecer lugares maravilhosos.
- Acho que isso não vai acontecer...
- Por que está dizendo isso?
- Assim que deixei sua mãe em casa e cheguei aqui, ela me telefonou e contou que Ricardo voltou para casa.
- Como voltou para casa?
- Não sei muito bem o que aconteceu, ela disse que quando chegou ele estava lá e que tinha vindo com uma mala de roupas.
- Ele se separou de Anita?
- Não tenho certeza, mas receio que sim...
- Tenho certeza de que isso tem um dedo da minha mãe!
Ela, desde que conheceu Anita e sua família quis e tentou de várias maneiras que o casamento não se realizasse.
Como não conseguiu, sempre fez de tudo para que houvesse uma separação.
Você está sabendo de alguma coisa, Stela?
Stela pensou por alguns segundos.
Aquela era a hora de contar tudo o que estava acontecendo e aonde tinham ido, mas se calou.
Sentiu medo de que Maurício não entendesse.
- Não estou sabendo de nada, Maurício.
Assim como você, também percebo como sua mãe trata Anita, mas não sei nada além disso.
- Ela deve ter feito algo de muito grave para que essa separação acontecesse, Stela.
Já sei, deve ter sido por causa do jantar.
- Do jantar?
- Sim, eu, você e todas as pessoas que estavam lá percebemos como Anita ficou furiosa.
O jantar estava perfeito e ela deve ter tido muito trabalho para que tudo desse certo e minha mãe com sua grosseria costumeira conseguiu estragar.
- Sei que o que sua mãe fez foi desagradável, mas não tão grave para que houvesse uma separação.
Já presenciamos cenas muito mais fortes do que aquela.
-Tem razão, foi uma somatória de coisas.
O jantar foi à gota De água, Stela.
Vamos até a casa da minha mãe.
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