SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:52 pm

- Fazer o que, Maurício.
- Preciso conversar com meu irmão e saber o que aconteceu exactamente e se houve qualquer interferência da minha mãe.
Vou tentar fazer com que Ricardo repense e volte para casa.
- Acha que deve fazer isso?
- Não só acho, como vou fazer!
Maurício estava muito nervoso e irritado.
Sentou-se na cama para se levantar, mas sentiu uma tontura e foi obrigado a se deitar novamente.
Ficou branco como cera.
Stela se assustou e, quase gritando, perguntou:
- O que aconteceu, Maurício?
O que está sentindo?
Ele quase sem forças para responder, disse baixinho:
- Não sei, de repente senti uma tontura muito forte.
Ela, muito assustada e nervosa, disse:
- Está vendo!
Você está nervoso e provocou isso.
Fique deitado, vou até a cozinha pegar um copo com água e açúcar.
Saiu correndo do quarto.
Gusmão olhou para Pedro Henrique e Maria Rita e com os olhos, fez um sinal em direcção a Maurício, estendendo as mãos em sua direcção e jogando jactos de luz sobre ele, gesto que foi seguido pelos outros.
Aos poucos, perceberam que a cor foi voltando ao seu rosto e ele começou a se sentir melhor.
Quando Stela voltou com o copo De água, ele já estava bem.
Ela admirada, perguntou:
- Você está bem, Maurício?
Sim, da mesma maneira que fiquei mal, também desapareceu.
- Ainda quer ir à casa de sua mãe?
- Claro que sim.
Preciso conversar com o Ricardo antes de tudo fuja do controle e essa separação seja irreversível!
- Precisa ser hoje?
Você passou mal, acho que devíamos ir ao médico.
Você precisa fazer alguns exames e ver qual foi à razão de ter ficado tão mal.
- Faremos isso amanhã.
Hoje, preciso falar com o meu irmão!
Vou tomar um banho, trocar minha roupa e se você não quiser ir, não precisa!
Vou sozinho!
- Mesmo que quisesse, não posso ir.
As crianças estão brincando na piscina e logo sairão com muita fome.
Preciso ficar aqui para atendê-las.
Stela mentiu, pois se as crianças precisassem de atendimento, tanto Clarice como Maria Tereza estavam ali para isso.
Na realidade, não queria estar presente quando Maurício conversasse com o irmão e ao lado de Sofia.
Pegou e entregou para Maurício toalhas e roupas.
Ele entrou no banheiro, ela se deitou e ficou esperando.
Antes de entrar no banheiro, Maurício disse:
- Não vou obrigá-la a fazer algo que não quer, mas gostaria muito que fosse comigo.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:52 pm

Assim que Maurício entrou no banheiro, Pedro Henrique e Maria Rita olharam para Gusmão e Pedro Henrique perguntou.
- O que aconteceu aqui, Gusmão?
- Vocês não viram como as entidades se atiraram sobre Maurício, quando ele disse que ia falar com o irmão?
- Sim, vimos.
Elas foram com tanta força que quase o mataram.
- Foi exactamente isso que aconteceu.
Elas, percebendo que Maurício poderia fazer com que a separação de Ricardo e Anita não se concretizasse realmente, tentaram evitar.
- Por quê?
- Eles estão ao lado de Sofia e querem que ela se envolva cada vez mais na escuridão.
Hoje, pretendeu e pagou para que houvesse a separação, se isso não acontecer eles terão mais dificuldade para envolvê-la ainda mais.
Por isso, tentaram evitar.
- Se não estivéssemos aqui, teriam conseguido?
- Não, pois se não estivéssemos aqui, outros de nosso grupo estariam.
Maurício, assim como Ricardo, Anita e Stela, faz parte do nosso grupo original e mesmo sem saber, está tentando ajudar Sofia e evitando a separação estará contribuindo para que essa ajuda seja efectivada.
- Não entendo como depois de tudo o que ela fez, ainda existam espíritos querendo ajudá-la...
Gusmão sorriu e disse:
- Estamos aqui, não estamos?
Os dois também sorriram.
Maurício saiu do banheiro.
Stela continuou na cama, temerosa de que ele descobrisse o que ela havia feito ao lado de Sofia.
Gusmão olhou para ele com carinho.
Maurício não imaginava como estava bem acompanhado.
Gusmão disse:
- Agora podemos voltar para junto de Sofia.
A vinda de Nadir e Romeu significa que eles também tentarão até o último recurso ajudar Sofia.
“Tomada de decisão”
“Anita em casa, após chorar muito, esperou até a hora do almoço para ver se Ricardo voltava.
Como ele não voltou, decidiu: ele não vai voltar.
Escolheu a mãe.
Para mim, só resta uma alternativa.
Enquanto pensava, pegou o telefone, discou um número.
Do outro lado da linha, uma voz de mulher atendeu.
- Alô!
Anita, chorando, só conseguiu dizer:
- Mãe!
- Anita? Que aconteceu, por que está chorando?
- Ricardo me abandonou...
- Abandonou, como?
Para onde ele foi?
- Ontem à noite brigamos por causa da mãe dele.
Hoje, quando acordei, ele não estava em casa.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:52 pm

Olhei o guarda-roupa e vi que estavam faltando algumas roupas e uma mala.
Deve ter ido para a casa de a mãe pedir sua bênção...
- Você outra vez brigou com seu marido por causa daquela mulher, minha filha?
Já lhe disse tantas vezes para não ligar para qualquer coisa que ela fizesse!
- Disse muitas vezes mãe, mas não suportei.
Vou lhe contar o que aconteceu.
A senhora sabe que preparei um jantar para os amigos e parentes para celebrar a nossa volta, não sabe?
- Claro que sei, você nos convidou, mas seu pai, por causa dos negócios e da época do ano, não podia se afastar daqui e combinamos que você faria um outro jantar em outra data, só para a família.
Mas até agora não estou entendendo o que aconteceu.
Anita contou tudo o que havia acontecido.
A briga que teve com Ricardo e a sua decisão de abandonar tudo.
Contou também da reacção dele, o que fez com que ficasse com mais raiva ainda.
Terminou dizendo:
- Como pode ver, mamãe, ele escolheu a mãe.
Não gosta de mim e não me respeita!
- O que ele fez realmente é grave, mas precisa entender que se trata da mãe dele!
- Pode ser a mãe dele, mas também é uma megera e não sei qual é o motivo, mas me odeia!
- O que quer que façamos por você?
- Preciso voltar para casa nem que seja por um tempo, até que eu consiga refazer a minha vida...
- Claro que pode voltar!
Você é nossa única filha e esta casa é sua, embora eu acredite que você não deva fazer isso.
Deveria esperar seu marido voltar, porque tenho certeza de que isso vai acontecer.
Precisam conversar e tentar acertar tudo.
O Ricardo é um bom homem.
Nunca traiu você e sempre a tratou com muito carinho.
Essa briga não foi causada porque vocês não se gostam, mas por outra pessoa, por isso acho que ainda há esperança.
- Não há mais esperança, mamãe.
Ele escolheu.
Não posso mais continuar morando aqui... preciso voltar para casa...
- Está bem, quer que eu converse com seu pai e peça para o Olavo ir apanhar você?
- Não precisa, mamãe.
O Olavo é o motorista da casa, deve ter muito que fazer.
Eu mesma vou dirigindo, a senhora sabe o quanto gosto da estrada.
- Sei que dirige muito bem e que gosta, mas nas condições em que está e chorando dessa maneira, acha que vai conseguir?
- Vou, não se preocupe, embora esteja chorando estou bem.
Ainda é cedo e chegarei a duas horas.
- Está bem, estarei esperando por você.
Anita desligou o telefone, olhou para o guarda-roupa, foi até ele, tirou algumas roupas que estavam penduradas, outras que estavam dobradas na gaveta, colocou em duas malas, chamou Celeste, sua empregada, que a ajudou a levar até o carro.
Antes de entrar no carro, disse:
- Celeste, se o doutor Ricardo voltar e perguntar por mim, diga que não sabe para onde fui.
- Não estou entendendo, senhora.
Está indo embora de casa?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:53 pm

- Sim, mas não se preocupe, está tudo bem.
Celeste ficou sem saber o que fazer.
Era empregada deles há pouco tempo, desde que chegaram de Portugal.
Sorriu, ajudou Anita a colocar as malas no porta-malas.
Depois, Anita entrou no carro, com um lenço secou as lágrimas, ligou o motor, acelerou e saiu, acenando para Celeste que com os olhos e preocupada, a acompanhou.
Duas horas depois, estava estacionando o carro na garagem da casa de seus pais.
Sua mãe veio até ela, dizendo:
- Ainda bem que chegou, minha filha!
Eu estava morrendo de preocupação.
Anita, assim que viu a mãe, não se conteve mais e começou a chorar em desespero.
A mãe a abraçou e disse:
- Fique calma, agora está em casa.
Vamos entrar, conversar e ver como vai ficar.
- Não vai ficar, mamãe, já ficou...
Infelizmente, meu casamento terminou...
- Isso não pode acontecer, Anita!
Você não pode se deixar vencer por aquela mulher!
Você e seu marido se gostam e quando o amor é verdadeiro, nada pode separar...
- Isso é bonito de se ler em romance, mas a realidade é diferente mamãe.
Ricardo não gosta de mim de verdade.
Ele é fraco e sempre foi dominado pela mãe, que o trata como se ainda fosse uma criança.
Ela não entende que Ricardo cresceu e se tornou um homem e que precisa ter uma família!
Ter a sua própria vida...
- Vamos entrar, Anita.
Você está muito nervosa.
Telefonei para o seu pai, contei o que estava acontecendo, ele já deve estar chegando.
Quando ele chegar, vamos ver o que pode ser feito.
Entraram. Olavo retirou as malas do carro e entrou depois delas.
Anita sentou-se em um dos sofás da sala e continuou chorando.
Sua mãe, sem saber o que fazer ou falar para acalmá-la, sentou-se em outro e ficou olhando.
Alguns minutos depois o pai de Anita chegou e ao ver a filha naquele estado, perguntou nervoso:
- O que aconteceu, Anita?
Sua mãe não soube me explicar direito:
Ela, ao ver o pai, levantou-se e começou a chorar com mais força.
Tentou se acalmar, mas não conseguiu evitar os soluços que vinham do fundo do coração e saíam por sua garganta.
Ele a abraçou e disse:
- Não precisa ficar assim, minha filha.
Sabe que estamos ao seu lado.
Só não entendi o que aconteceu de tão grave que a fez sair de casa.
Você e seu marido se gostam muito.
Isso qualquer um pode ver. Vamos nos sentar e você vai me contar tudo.
Sentaram-se e Anita, ainda chorando, contou tudo o que havia acontecido.
Os pais ouviam atentamente o que ela dizia, ela terminou, dizendo:
- Foi isso que aconteceu, papai.
Gosto muito do Ricardo e sei que ele também gosta de mim, mas a dona Sofia me odeia e nunca vai aceitar o nosso casamento.
O pai se levantou e pensando, ficou andando de um lado para outro.
Depois de pensar muito, disse:
- Diante de tudo o que me contou, só me resta uma alternativa.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 18, 2017 7:53 pm

Vou até lá conversar com o seu marido e se for preciso, com aquela mulher também.
Anita se levantou e disse, desesperada:
- Não quero que o senhor faça isso.
Não adianta mais!
Ele escolheu e vai ficar com a mamãezinha!
Eu estou bem, só preciso de um tempo para organizar a minha vida! Nada além disso, papai!
- Está bem, se é assim que quer, assim será feito!
Só não acho certo que essa separação tenha sido por causa de outra pessoa que nada tem a ver com a vida de vocês dois.
Se houvesse tido uma traição, se vocês tivessem se cansado um do outro, eu até entenderia, mas por causa daquela mulher, eu não posso aceitar!
Ainda acredito que o melhor a fazer seria eu ir até lá e conversar com Ricardo.
Ele é um homem educado, bem preparado profissionalmente e deve saber tomar suas decisões, sem a interferência de ninguém, inclusive a sua, Anita.
Isso tudo o que aconteceu não está certo e precisamos encontrar uma maneira de remediar.
Aquela mulher precisa pensar na felicidade do filho e deixá-los viver em paz.
- Também acho que deveria ser assim, mas infelizmente não é.
Ela domina Ricardo totalmente.
Não me perdoa até hoje por termos ido para Portugal, embora a ideia tenha sido dele.
Ela não acredita e me culpa pelos anos que ficamos distantes.
- Parece ser impossível acontecer isso tudo que está me contando!
- Mas está acontecendo, papai.
Ela me odeia!
Como pode ser isso, se nunca fiz nada de mal para ela ou para o Ricardo?
O pai pensou um pouco antes de responder, depois, disse:
- Deve haver algum motivo e precisamos descobrir qual é.
Por isso, ainda acho que devemos ir até sua casa para conversar com Ricardo e com a mãe.
- Não, papai, não quero!
Depois da briga que tivemos, ele foi embora de casa, o que demonstra que não quer mais viver ao meu lado.
Não quero obrigá-lo a nada...
O pai se voltou para a mãe e perguntou:
- O que você acha que devemos fazer?
Ela, forçando um sorriso, respondeu:
- Também acho que deveríamos ir até lá e conversar, mas ao mesmo tempo acho que Anita tem razão.
Ele fez a sua escolha.
Assim como estamos culpando a mãe dele por interferir, também não podemos nem devemos fazer o mesmo.
Eles são adultos e somente eles poderão decidir o que querem para suas vidas.
Anita e o pai olharam para a mãe e ficaram calados.
Sabiam que ela tinha razão naquilo que havia dito.
Depois, Anita disse:
- Acho que é assim mesmo que tem de ser, mamãe.
Ele deve ter voltado para a casa da mãe e eu, para cá. Por mim, está tudo acabado, não quero mais ser humilhada por aquela megera!
- Sabe minha filha, desde que conheci Ricardo e sua mãe, sentia que esse casamento não daria certo.
- Por que achou isso, papai?
- Não sei, aquela mulher me pareceu ser muito perigosa...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:51 pm

Mãe e filha riram da expressão que ele fez, Anita disse:
- O senhor tinha razão, papai.
Ela é realmente perigosa...
- Está tudo bem, minha filha.
O que eu e sua mãe queremos é a sua felicidade e se não está feliz no casamento, se não houver outra maneira, por nós tudo bem.
Fique aqui em casa o tempo que precisar.
Esta casa é sua...
Anita, que havia parado de chorar, abraçou-se ao pai e recomeçou a chorar.
Ele também a abraçou, dizendo:
- Agora, vamos ver se tem algo para se comer nesta casa!
Hoje não almocei direito e estou morrendo de fome.
Mãe e filha olharam com carinho para ele e abraçados, foram em direcção à sala de refeições.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:51 pm

CONVERSA EM SONHOS
Enquanto isso acontecia na casa de Anita, Maurício saiu do banheiro e terminou de se vestir e antes de sair, perguntou:
- Não quer mesmo ir comigo?
Stela, que havia pensado muito enquanto ele se vestia, resolveu que o melhor seria ir com ele para ficar ao lado de Sofia e ajudá-la em qualquer situação.
Assim, poderia impedir que ele descobrisse o que elas haviam feito, respondeu:
- Enquanto você tomava banho, pensei bastante e resolvi que devo ir com você, embora continue achando que não devíamos nos intrometer na vida de seu irmão.
Ele é adulto e deve saber o que quer da vida.
- Está bem que pense assim, mas podemos ir?
Stela, que ainda continuava deitada, olhou para ele e perguntou:
- Tem certeza de que é isso mesmo que devemos fazer?
- Claro que tenho, Stela! Sei que nessa briga do Ricardo com a Anita, tem um dedo da minha mãe e não posso permitir que isso aconteça.
- Não sei, Maurício, mas volto a dizer que a briga deles não é da nossa conta...
- Entendo sua preocupação, mas isso acontece porque você não conhece minha mãe.
Não sabe como ela é na realidade!
Ela, não sei o motivo, não gosta de Anita!
Desde o começo notei isso.
- Você está exagerando, não tenho nada contra sua mãe e ela sempre me tratou muito bem.
- Sei disso e até estranho, pois entre mim e Ricardo ela sempre fez uma diferença enorme.
Ele sempre foi o preferido e ela nunca fez questão de esconder sua preferência.
Stela sorriu e com ar de deboche, disse:
- Você está com ciúmes...
- Não se trata de ciúmes, há muito tempo superei essa diferença.
Exactamente por isso é que estou preocupado com Ricardo.
Minha mãe sempre acreditou que ele seria dela para sempre e que nunca a abandonaria.
Quando ele conheceu Anita e quis se casar, acho que minha mãe não aceitou a separação e por isso, sente esse ódio mortal por Anita.
- Você acha isso mesmo?
- Acho, pois não há motivo algum para que ela não goste de Anita.
É uma moça culta, educada, de uma família com muito dinheiro e posses.
Se ela fosse pobre, poderíamos dizer que estava com Ricardo por causa do dinheiro, mas isso não acontece.
A família dela tem muito mais que a nossa.
Eles se amam de verdade, por isso vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para evitar essa separação.
- Está bem, não quero discutir com você, embora não tenha reclamação alguma dela.
- Claro que não, eu não sou o preferido... ela não tinha medo de me perder, até desejava...
Disse isso dando um beijo na testa dela.
Piscando um olho ajudou-a a se levantar.
Stela sorriu e quando estava em pé, ficou nas pontas dos dedos, beijou-o com carinho e disse:
- Já que resolveu ser esse o caminho e acha que o que está fazendo é o certo, vou ficar ao seu lado.
Saíram no exacto momento em que Gusmão, Pedro Henrique e Maria Rita chegavam à casa de Sofia, que dormia.
Romeu e Nadir ao vê-los, sorriram, ela disse:
- Com a nossa ajuda, ela adormeceu.
Fizemos isso porque precisamos conversar com ela e vocês sabem que isso só é possível quando o encarnado está dormindo.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:52 pm

Seu espírito se desprende do corpo e sua visão se expande.
Sofia embora dormisse profundamente, abriu os olhos e os viu diante de si.
O primeiro que viu foi Pedro Henrique.
Sorriu e feliz, disse:
- Você está aqui?
Eu estava morrendo de saudade!
Tentou abraçá-lo, mas ele evitou.
Sabia que suas energias eram diferentes e que um contacto físico poderia lhe fazer mal.
Sorrindo e olhando para os outros, respondeu:
- Sim, Sofia, sou eu.
Também sinto sua falta.
Estamos aqui porque precisamos conversar.
- Conversar sobre o quê, Pedro Henrique?
A não ser a saudade que sinto de você, tudo está bem.
- Não está, Sofia.
Tomei conhecimento de tudo o que fez.
- Não fiz nada além de proteger o meu filho e separá-lo daquela mulher.
Ela não presta, Pedro Henrique.
- Não estamos aqui para falar de Anita ou de Ricardo.
Estamos aqui para falar de você e da sua vida espiritual.
- Que conversa é essa, Pedro Henrique?
Que vida espiritual?
Você nunca foi dado a essas coisas.
- Nisso você tem razão, nunca fui, mas agora tomei conhecimento da verdade.
- Que verdade? – ela perguntou, com medo de ter sido descoberta.
- Que existe vida após a morte e que o espírito é eterno.
- Isso é verdade mesmo?
- Sim, é verdade, Sofia.
Como é verdade que os erros cometidos terão de ser resgatados.
- Não estou entendendo o que quer dizer...
- Sei que está entendendo muito bem e para que entenda melhor, estou acompanhado.
Ela desviou os olhos dele e olhando a sua volta, viu os outros que sorriam.
Ao ver os pais, sentou-se e gritou:
- Pai, mãe, o que estão fazendo aqui?
Vocês estão mortos.
- Não estamos mortos, Sofia e viemos para ajudá-la, minha filha...
- Não estão mortos, como não?
Eu mesma os vi mortos e acompanhei os enterros.
- O que você enterrou foi nosso corpo físico, mas nosso espírito é eterno, por isso não pode ser morto.
- Não estou entendendo o que está dizendo.
Disse que veio me ajudar.
Ajudar em quê, mãe?
- Ajudá-la a retornar para o caminho da luz...
- Não sei o que está dizendo, só sei que não tive nada a ver com a morte de vocês e por isso, podem ir embora!
- Sabemos tudo o que fez, Sofia, mas não estamos aqui para julgá-la e sim, para ajudá-la.
- Mãe, que jeito é esse que está falando?
- Que jeito?
- Está falando certo, nem parece à mesma...
- Sou a mesma, só que agora não estou mais presa ao corpo, portanto posso falar certo, como aprendi durante uma longa caminhada.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:52 pm

- Não estou entendendo.
Quer me ajudar, por quê?
O que foi que fiz?
- Você sabe o que fez.
Seu tempo na Terra está terminando, precisa confessar o que fez, pois só assim, poderá seguir ao nosso lado.
- Como meu tempo está terminando, o que a senhora está querendo dizer com isso?
- Estou dizendo que você vai deixar o seu corpo aqui e seguir pela espiritualidade e que depende só de você com quais companhias.
- Está dizendo que vou morrer?
Isso não pode acontecer, sou muito nova!
- Para voltar, não existe tempo.
O espírito renasce para aprender na escola da vida.
Quando seu tempo de aprendizado termina, ele volta, assim como acontece em uma escola, quando seu tempo termina, recebe um diploma e escolhe se deseja continuar estudando ou não.
Isso também acontece na espiritualidade.
Quando retornamos e tomamos conhecimento da nossa situação, temos o direito de escolher o que queremos fazer para o nosso aprendizado e evolução.
Podemos continuar estudando, trabalhando em equipes, nos preparando para seguir em escala de evolução e trabalhos maiores ou simplesmente não fazermos nada, somente esperando uma nova chance para reencarnar, mas isso só acontece se essa nova encarnação servir de aprendizado.
Assim, como quando encarnados pertencemos a uma família, quando desencarnados, fazemos parte de um grupo original.
Do nosso grupo, todos evoluíram e estão preparados para trabalhar em uma escala superior, só resta você, Sofia e é por isso que estamos aqui.
Sabemos que, diante dos crimes que cometeu, terá de continuar muito tempo reencarnado.
Mesmo assim, embora nenhum de nós precise renascer, talvez algum de nós, diante do seu arrependimento, resolva continuar renascendo ao seu lado para ajudá-la.
Depende do que você desejar e decidir.
Nenhum de nós pode fazer essa escolha. Ela é só sua.
- Não sei o que está dizendo!
Tudo o que fiz foi para me proteger, pois sabia que dependendo de uma palavra sua, do pai ou do Gustavo, minha vida estaria perdida!
Não tenho culpa, o culpado foi o Gustavo por ter uma língua comprida, se ele tivesse feito como eu havia pedido e não comentado com a senhora que tinha me visto com o Osmar, nada daquilo teria acontecido!
- Não adianta continuar acusando os outros para se defender.
Você sabe que aquilo que fez, não era certo.
Além do mais, se culpar ou procurar se defender não adianta mais.
O que fez foi feito e nada poderá mudar.
Agora, o que precisa é confessar aos seus filhos e esperar o julgamento deles, pois o de Deus com certeza virá.
Estamos aqui para ajudá-la a tomar essa decisão.
- A senhora está louca!
Não posso fazer isso!
Eles não vão entender!
Voltou-se para Pedro Henrique, perguntando:
- Se eu, na época, contasse a você, me perdoaria Pedro Henrique?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:52 pm

Ele, tomado de surpresa e não esperando aquela pergunta, ficou sem saber o que responder, mas ao notar que todos o olhavam para saber o que responderia, olhou firme para Sofia e respondeu:
- Não sei, Sofia.
Hoje, aqui no plano espiritual, é mais fácil entender o que acontece quando estamos no plano físico, porém penso que da maneira que a amava, talvez tivesse entendido e perdoado.
Só sei de uma coisa, você nunca deveria ter chegado ao extremo que chegou, embora eu não seja ninguém para condená-la.
Também tenho meus erros e acertos.
Talvez eu não tenha prestado atenção e não tenha percebido o quanto você era infeliz.
Gusmão e os outros sorriram. Nadir disse:
- De tudo o que falou tem razão em uma coisa, não podemos e não devemos julgar outro espírito irmão.
Todos, durante nossa caminhada, cometemos erros e acertos.
Por isso, existem várias oportunidades para que nossos acertos sejam multiplicados e nossos erros, corrigidos.
A reencarnação é uma dessas oportunidades, pois, através dela, temos a oportunidade de reparar danos causados a nós e a outros que passaram por nosso caminho e que prejudicamos.
Está em suas mãos, Sofia, a sua redenção.
Maurício está chegando.
- Maurício?
O que ele vem fazer aqui?
- Vem em socorro do irmão, para fazer com que ele volte para casa e seja feliz com Anita.
- Ele não pode fazer isso mãe, não tem esse direito!
Odeio aquela mulher e quero vê-la longe da minha vista e da minha família!
- Sabe que esse ódio não tem fundamento e se ela faz parte da sua família, é porque a ela pertence e, quanto a isso, você nada poderá fazer.
- Como nada poderei fazer?
Claro que posso fazer, se for preciso vou em busca daquele mesmo veneno que usei contra vocês que queriam destruir a minha vida!
- Apesar de tudo o que falamos, teria coragem de fazer novamente?
- Claro que sim!
Pois se daquela vez deu certo, dará novamente!
Não vou permitir que ela destrua a vida do meu filho, ele não merece!
- Sabe muito bem que esse não é o verdadeiro motivo.
Sabe que, mais uma vez, está dominada pelo egoísmo e pelo medo.
- Não sei o que está dizendo!
Não sou egoísta nem muito menos tenho medo.
Só quero a felicidade do meu filho.
Além do mais, não quero mais conversar com vocês!
Mandei fazer um trabalho e ele já deu resultado.
Ricardo está aqui em casa, voltou para mim!
- Não houve trabalho algum e Maurício está chegando.
- O que ele pode fazer?
Não tem provas de que eu fiz alguma coisa para separar os dois.
- Ele pode muito.
Por ter sido rejeitado por você durante todo o tempo, não foi envolvido por suas artimanhas e a conhece muito bem.
Saberá como conversar com o irmão e para eles, tudo ficará bem, Sofia.
- Não adianta, ele não vai conseguir!
Não quero mais falar com vocês nem relembrar o que aconteceu, já faz muito tempo.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:52 pm

Se naquela época, nada me aconteceu, não vai ser agora que vai acontecer!
Estou cansada, preciso dormir...
- Está tendo a última chance, Sofia.
Maurício está chegando, por isso você vai despertar e poder contar toda a verdade.
Não vai se lembrar de que estivemos aqui, só restará uma pequena lembrança e saberá que sonhou connosco.
Embora não ache necessário, continuaremos aqui ao seu lado.
Nós amamos você, Sofia...
Sofia, muito nervosa e assustada, ficou calada.
Minutos depois, abriu os olhos e viu que estava em sua cama.
Suas roupas estavam molhadas de suor e seu coração batia descompassado.
Levantou-se e foi para o banheiro, pensando:
que sonho estranho... parece que vi meu pai, minha mãe e Pedro Henrique, só não recordo o que fizemos ou falamos.
Pedro Henrique estava muito bonito...
aliás, isso ele sempre foi, até mesmo depois de velho...
Voltou para o quarto, trocou de roupa e desceu.
Estava bem...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:52 pm

O CONFRONTO
Quando estava terminando de descer a escada que levava à sala, deparou-se com Maurício e Stela, que estavam acompanhados da empregada.
Ao vê-los, sorriu e disse:
- Maurício, Stela!
Que estão fazendo aqui?
Stela sorriu, Maurício respondeu:
- Viemos conversar com Ricardo, mamãe.
Ela assustada, perguntou:
- Conversar sobre o quê?
- Precisamos evitar que essa separação seja definitiva, mamãe!
- Como precisamos, Maurício?
O problema é deles, não nosso!
- Sei que a senhora está feliz por ter conseguido o que sempre quis e sei o quanto tem feito para que essa separação acontecesse!
Ao ouvir aquilo, Sofia tomada de ódio, olhou para Stela com os olhos faiscando e perguntou, gritando:
- Stela, você contou a ele aonde fomos hoje e o que fizemos?
Stela empalideceu e com os olhos, tentou dizer que não.
Não pôde fazer gesto algum, pois Maurício, assim que ouviu o que a mãe disse, olhou para ela firmemente, esperando a resposta.
Ela sentiu tanto medo que não conseguiu responder.
Ficou calada, com os olhos arregalados e tremendo muito.
Sofia não percebeu o seu desespero e continuou olhando para ela com muita raiva.
Maurício, ao ver como Stela estava, perguntou:
- O que vocês fizeram hoje, Stela?
Ela começou a chorar com medo de que ele descobrisse o que ela, ao lado de Sofia, havia feito.
Maurício, que já estava nervoso, ficou irado e voltou a perguntar, só que agora, gritando e segurando em seu braço:
- O que vocês fizeram e aonde foram hoje?
Ricardo, que estava em seu quarto durante o dia todo, só pensando em sua vida e no que ia fazer, saiu.
Estava descendo a escada, quando ouviu Maurício e a mãe gritando.
Ao ouvir o que Maurício, irado, perguntava, parou e ficou ouvindo.
Sofia percebeu pela situação de Stela, que ela não havia dito nada e tentou consertar:
- Fomos fazer compras, não foi Stela?
Stela, nervosa começou a chorar e não respondeu.
Naquele momento passou por sua cabeça toda a felicidade que vivia ao lado de Maurício e dos filhos.
Ele sempre fora um pai e marido dedicado, mas sempre exigiu não só dele próprio, mas dela e dos filhos, a sinceridade e acima de tudo que a verdade sempre fosse dita.
Desde que as crianças eram bem pequenas, aprenderam que, acontecesse o que acontecesse, a verdade sempre teria de ser dita.
Por isso, Stela pensava muito na resposta que daria.
Se contasse a verdade, Maurício, além de ficar muito bravo, poderia abandoná-la e ela não poderia fazer nada, pois se sentia culpada por ter ajudado Sofia nos seus desmandos e sabia que a teria como inimiga e isso, não queria.
Contudo, se não contasse, ele poderia descobrir e aí sim, não haveria perdão.
Por isso, continuou calada.
Maurício, diante do silêncio de Stela, voltou-se para a mãe e com mais raiva ainda, disse:
- A atitude de Stela está demonstrando que algo aconteceu.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:53 pm

O que foi mamãe?
O que a senhora fez para destruir o casamento de Ricardo?
O que a senhora fez, mamãe?
- Não fiz nada, Maurício!
Você está nervoso e não está pensando direito.
Sempre foi assim desde pequeno, quando queria algo tanto fazia até conseguir.
Sempre esteve ao lado daqueles que julgava serem injustiçados.
Por isso se tornou um advogado e dos bons. – disse isso, tentando sorrir.
Ao ouvir aquilo, Maurício gritou mais alto:
- Não tente mudar o assunto, mamãe!
Sou sim, um óptimo advogado, por isso sei que a senhora está mentindo!
Sei que fez alguma coisa contra Anita!
Sei que a senhora a odeia e não a quer em nossa família!
Sei que quer que Ricardo fique ao seu lado para sempre!
Sei que quer torná-lo político para que, como sua mãe, possa ser homenageada e convidada para festas!
Sei de tudo isso, só não sei o que vocês fizeram hoje para acabar com o casamento do meu irmão e é isso que quero saber!
Ricardo, que ouvia a conversa, ao ouvir aquilo terminou de descer a escada e também nervoso, perguntou:
- O que você está dizendo, Maurício?
O que mamãe fez para me separar de Anita?
Todos se voltaram para ele.
Maurício respondeu:
- Não sei o que ela fez Ricardo, mas tenho certeza de que fez alguma coisa e que foi ajudada por Stela! – disse nervoso e quase gritando.
Sofia, ao ver Ricardo, ficou mais nervosa do que estava e se aproximando dele, o abraçou, dizendo:
- Eu não fiz nada, filho!
Maurício não sabe o que está falando!
Sabe como ele sempre foi comigo!
Parece que não gosta de mim, não me trata como mãe!
- A senhora é mesmo uma dissimulada, mamãe!
Isso que está dizendo é uma maneira de fugir do assunto, claro que sempre a enfrentei, pois desde muito cedo, percebi como manipulava a todos!
Diz que não gosto da senhora, mas isso não é verdade.
Gosto muito da senhora, é minha mãe, só não suporto suas maldades!
Desconfiava de que tivesse feito algo para separar Ricardo de Anita e tive essa confirmação diante da sua atitude e da de Stela.
O que fizeram hoje? – perguntou, gritando.
- Já lhe disse que fomos fazer compras!
- Está mentindo, mamãe!
Fizeram alguma coisa contra Anita!
- Você está louco!
Sei que me odeia e por isso, está inventando essas coisas!
- Eu não a odeio, mas não suporto o seu modo de ser.
O que fez contra Anita?
- Não vou responder a uma pergunta sem cabimento como essa e se veio aqui para me colocar contra Ricardo, pode ir embora e não volte nunca mais!
- Mamãe, para que Maurício esteja da maneira como está, deve saber de alguma coisa, senão ele não agiria assim.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:53 pm

Conheço meu irmão e sei como ele é justo e honesto.
O que a senhora fez?
Aonde foi hoje?
- Ele está louco. Ricardo!
Não fiz nada! Stela pode confirmar que fomos fazer compras, só isso.
Ricardo se voltou para Stela e perguntou:
- Ela está dizendo a verdade, Stela?
Stela que chorava muito, não conseguia e não queria responder.
Maurício, ao ver a atitude dela, disse:
- Está vendo, Ricardo?
Stela não quer responder pois sabe que se eu descobrisse que está mentindo não lhe perdoaria jamais!
Elas fizeram alguma coisa, por isso ficaram fora de casa quase o dia todo!
- Ele está louco, Ricardo.
Ficamos fora o dia todo porque o pneu do carro furou e depois atolamos o carro e demorou muito para aparecer alguém que nos ajudasse!
Não é verdade, Stela?
Stela, sem conseguir responder, apenas acenou com a cabeça dizendo que sim.
- Em que estrada estavam para que demorasse muito para que alguém aparecesse?
Pelo que sei as estradas que levam a qualquer parte das redondezas da cidade são asfaltadas e muito frequentadas.
Portanto, se um pneu tivesse furado, logo um carro passaria e as ajudaria.
Como o carro atolou se as estradas são asfaltadas?
Aonde foram, mamãe?
Sofia pensou rápido e respondeu:
- Alguém nos disse que em uma pequena vila havia uma fábrica de roupas que vendia mais barato, só que para chegar lá era preciso usar uma pequena estrada sem asfalto.
Resolvemos arriscar, mas depois nos arrependemos.
Ela, além de muito ruim, era deserta.
Por isso, demorou tanto para recebermos ajuda.
Foi só isso que aconteceu, não foi Stela?
Stela, ainda chorando, acenou com a cabeça.
- Está bem mamãe, se o que está dizendo for à verdade, iremos amanhã bem cedo até essa fábrica.
Sofia, vendo que seria desmascarada, disse gritando:
- Eu não vou a lugar algum!
Não tenho nada o que esconder e muito menos do que me defender!
Você é meu filho e tem de me respeitar!
Está querendo fazer um inferno nesta casa e me colocar contra seu irmão e isso não vou permitir Maurício!
Saia desta casa e não precisa voltar nunca mais.
Pode levar com você essa sua mulherzinha!
Maurício, ao ouvir aquilo, olhou para Stela e disse:
- Está vendo, Stela, como ela é?
Você, no momento em que não serve mais para seus interesses, está sendo descartada, agora é simplesmente uma mulherzinha.
De hoje em diante você se tornou uma ameaça, uma inimiga!
Pense bem no que está fazendo.
Eu a conheço muito bem, por isso sei que está escondendo alguma coisa.
Você também me conhece muito bem e sabe que vou descobrir aonde foram e o que foram fazer.
Pense bem no que fez e no que precisa nos contar.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:53 pm

Vou perguntar pela última vez, aonde vocês foram e o que fizeram?
Stela, que durante o dia passado ao lado de Sofia havia mudado seu pensamento em relação a ela, pois percebeu o quanto era má e diante da possibilidade de ver seu casamento terminar, respondeu ainda chorando:
- Fomos até um homem que faz trabalhos para separar casais...
Ricardo e Maurício perguntaram juntos:
- O quê?
Ricardo, desesperado, perguntou:
- Que homem, que tipo de trabalho?
Stela não respondeu.
Maurício, nervoso, disse:
- Responda Stela. Que homem?
Que tipo de trabalho?
- Dona Sofia ficou sabendo que havia um homem e que fazia trabalho de macumba para separar casais.
Fomos lá para que ele fizesse um trabalho e separasse você de Anita, Ricardo...
- Macumba, mamãe? Como pôde fazer isso?
Sofia, tomada de ódio, se atirou sobre ela gritando:
- Você está mentindo, Stela!
Por que está fazendo isso?
- Não posso mais continuar mentindo nem fazendo tudo o que a senhora quer, dona Sofia.
Durante o dia todo eu disse e pedi que a senhora não fizesse aquilo.
Disse que Ricardo e Anita se amavam e que a senhora não tinha o direito de separá-los, mas a senhora não quis me ouvir.
- Você está mentindo!
Está querendo fazer com que haja uma briga entre mim e meus filhos!
- A senhora sabe que o que estou dizendo é verdade e como ficou feliz quando chegou em casa e viu que Ricardo estava aqui.
- Você está mentindo, Stela!
Você não passa de uma invejosa que sempre quis ter a minha vida e ser como eu, mas não é!
É uma fraca!
Stela, ainda chorando, olhou para Maurício que a abraçando, disse:
- Está tudo bem, Stela.
Eu sabia que estava escondendo algo, mas felizmente e para nossa felicidade, você contou a verdade.
- É mentira, Ricardo!
É mentira! Ela está inventando!
Ela quer me destruir!
O que mais desejo neste momento é que você morra, Stela!
- Ela não está mentindo, mamãe, conheço a senhora o suficiente para saber como manipula as pessoas.
- Só podia esperar algo assim de uma pessoa que veio do nada!
Que não tem uma família respeitável.
Que sempre foi pobre e se casou com você por causa do nosso dinheiro e posição!
- Ela pode ter vindo do nada.
Sua família pode ser pobre, mas nem por isso, deixar de ser respeitável, mas a senhora sabe muito bem o que está falando.
Também veio de uma família pobre e deve ter se casado com meu pai para mudar de vida e ter um nome respeitável.
Porém mamãe, não é de Stela ou sua família que estamos falando, estamos falando do casamento e felicidade de Ricardo!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:54 pm

- Não tenho o que falar a esse respeito, Maurício!
Ricardo, você sabe que sempre quis só a sua felicidade, não sabe?
Ricardo, atónito com tudo o que estava ouvindo, demorou um pouco para responder, depois disse:
Sempre soube que a senhora era possessiva e ciumenta, por isso, quando descobri que não aceitaria meu casamento com Anita ou outra qualquer, resolvi ir embora, pois sabia que só assim poderia ser feliz!
Estou decepcionado, mamãe!
- Não é verdade o que está dizendo, meu filho!
Não sou possessiva, sempre quis só a sua felicidade!
Agora está tudo bem, você voltou, está aqui em casa, não se preocupe com mais nada!
- Nada está bem, mamãe!
Durante o dia pensei em tudo o que havia acontecido e na minha vida com Anita.
Somos felizes, nos amamos e nos respeitamos.
Depois de pensar muito cheguei à conclusão de que ela tem razão em muita coisa!
A senhora realmente sempre interferiu em nossa vida!
Sempre quis nos separar, mas nunca imaginei que chegaria ao ponto de ir a um macumbeiro para nos separar!
Estava descendo à sua procura para lhe comunicar a minha decisão, quando ouvi a discussão entre vocês e tomei conhecimento de que tudo o que sempre quis foi me separar de Anita por um simples capricho.
Agora terminou mamãe, estou indo embora!
- É mentira, Ricardo!
Eu não fiz nada disso!
Stela está querendo me prejudicar!
- De qualquer maneira mamãe, acho que devemos parar com esta discussão.
Como estava dizendo, pensei muito e resolvi voltar para casa e depois de tudo, se Anita me aceitar de volta, vamos para a capital, vou arrumar um emprego e viver feliz ao lado da mulher que escolhi para ser minha esposa e o principal, viver bem longe da senhora!
- Você não pode fazer isso, Ricardo!
Sabe que sempre quis que fosse o prefeito da nossa cidade!
Você precisa ser meu filho, dediquei minha vida toda a isso!
- Quando a senhora vai entender que eu não nasci para ser político?
Quando vai entender que esse sonho é seu não meu?
Por que não realiza o seu sonho através do Maurício, ele sim gosta, tem tendência para ser um bom político, está no seu sangue!
Sei que, se eleito, vai ser igual, ou melhor, que o papai e o vovô!
- Ele não pode ser o prefeito nem melhor do que seu pai e seu avô, quem tem de ser é você, Ricardo!
- Já disse que só ele tem condições para isso, mamãe.
Está no sangue!
Ele é igual ao papai e ao vovô, nasceu para isso!
- Ele não pode ser prefeito nem igual ao seu avô ou seu pai, ele não tem o sangue deles!
Você tem, meu filho!
Ela mesma, ao ouvir o que disse, se calou, assustada.
Não entendia como havia dito aquilo, mas não teve tempo para reagir.
Maurício, que estava abraçado a Stela, largou-a e foi para junto de Sofia.
Pegando com força em seus braços, perguntou:
- O que a senhora está dizendo?
Não tenho o sangue deles?
O meu sangue é de quem?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:54 pm

Sofia, sabendo que havia falado muito, disse quase chorando:
- Não ligue para o que falei, Maurício.
Estou nervosa e nem sei do que estou falando.
Claro que você tem o sangue da família!
Inventei isso para que Ricardo não fosse embora.
Ele não pode nos abandonar!
Vivi minha vida em função de vê-lo no meio político, sendo aplaudido e homenageado.
Maurício, transtornado, começou a sacudi-la e a dizer:
- Não, mamãe, não queira desconversar!
A senhora disse com todas as letras que não tenho o sangue do meu pai e nem o de meu avô, quero saber de quem é o meu sangue?
- Eu falei bobagem, Maurício, claro que você tem o sangue deles!
- Por estar nervosa e descontrolada, foi que disse um pouco de verdade!
Eu quero saber de toda a verdade, mamãe, de quem é o meu sangue?
- Estou nervosa, não quero falar mais nada!
Ricardo, não quero que você volte para aquela mulher!
Precisa continuar aqui!
Ricardo, também atónito com o que acabara de ouvir, disse:
- Estou indo embora, mamãe, só que antes, assim como Maurício quero saber de toda a verdade.
- Não existe verdade alguma!
Será que vocês não entendem que eu não sabia o que estava dizendo?
- Não adianta querer escapar, a senhora precisa e vai ter de contar, mamãe!
Sofia, vendo que não teria como escapar daquela conversa que ela não queria, chorando desesperada, saiu correndo, subiu a escada e foi para o seu quarto.
Entrou, trancou a porta e jogou-se em sua cama.
Ficou pensando: como pude fazer uma besteira dessas?
O que vou fazer agora?
Não posso contar a verdade, ficaria desmoralizada para sempre!
Preciso encontrar uma maneira de contar sem que para isso precise contar o que realmente aconteceu.
Como vou fazer isso?
Pedro Henrique, você precisa me ajudar...
Ao ouvir aquilo, Pedro Henrique sorriu e balançou a cabeça de um lado para outro, não conseguindo acreditar naquilo que ela pensava.
Olhou para Gusmão que também sorrindo, com tristeza disse:
- Sei o que está pensando, Pedro Henrique.
A maioria dos encarnados acredita que, depois da morte, adquirimos poderes para ajudar, quando na realidade isso não acontece, ainda mais no caso de Sofia que deseja sua ajuda para esconder os seus crimes.
Podemos sim, ajudar intuindo bons pensamentos, nada além disso.
A decisão pertence a cada um.
- Sei disso, Gusmão, por isso sorri.
Hoje conheço Sofia e sei do que é capaz, estou preocupado com Maurício.
Ele não está entendendo o que aconteceu.
Sofia foi imprudente, ele nunca deveria conhecer a verdade dessa maneira...
- Não se preocupe com Maurício, ele é um espírito iluminado e também renasceu para ajudar Sofia.
Maurício e Ricardo seguiram Sofia.
Stela ficou parada sem saber o que fazer, pois jamais poderia ter imaginado que Maurício não fosse filho de Pedro Henrique.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:54 pm

Assim que eles chegaram à porta de Sofia, Maurício começou a bater com força e a gritar:
- Mamãe, abra essa porta, não adianta, mais cedo ou mais tarde vai ter de me contar toda a verdade!
Sofia ouvia o grito desesperado de Maurício e sabia que ele tinha razão, pois não importava quanto tempo demorasse, ela sabia que teria de contar tudo.
Por isso, embora ele continuasse a bater, ela não respondia.
Ricardo, entendendo a gravidade e recebendo muita luz de todos os amigos espirituais que estavam lá no momento, segurou no braço do irmão, dizendo:
- Não adianta insistir, Maurício, você a conhece e sabe que não vai abrir a porta.
Vamos descer e conversar mais um pouco.
- Não posso ir embora, Ricardo!
Preciso saber da verdade!
Você ouviu o que ela disse?
Não tenho o mesmo sangue que o papai!
- Ouvi o que ela disse, mas não adianta você ficar aqui.
Ela não vai abrir essa porta.
Vamos até o meu quarto.
Preciso pegar a mala que trouxe.
Depois vou para casa e queira Deus que Anita esteja lá e me receba de volta.
Venha, meu irmão.
Segurou o braço do irmão com tanto carinho que ele, sabendo que Sofia não ia abrir a porta, o acompanhou.
Assim que entraram no quarto, Ricardo começou a recolher algumas peças de roupa que estavam espalhadas.
Maurício se deitou na cama e chorando, disse:
- Desde criança sempre senti que mamãe não gostava de mim.
Muitas vezes cheguei a pensar que não era filho dela, mas papai era tão carinhoso comigo e eu logo esquecia.
Quando adolescente e até depois de adulto continuei tendo essa sensação, mas logo desviava o pensamento.
Sempre notei a diferença de tratamento que existia entre nós.
Hoje, entendo.
Não sou filho de papai, mas será que sou dela?
- Claro que é, Maurício!
Você se parece com ela, muito mais que eu.
- Foi essa semelhança que fez com que eu desviasse os maus pensamentos.
Por ela, tinha a certeza de que era seu filho.
Sendo assim, se eu não sou filho de papai, o que aconteceu e quando?
Sempre soubemos que quando se casaram, ela era muito jovem.
Será que o papai sabia que eu não era filho dele?
Quem é o meu pai verdadeiro?
- Nada disso importa, Maurício.
- Como não, Ricardo?
Claro que importa!
- Não conhecemos a história verdadeira, mas você mesmo disse que papai era carinhoso com você.
Preciso confessar que muitas vezes, percebi essa diferença e senti ciúmes.
- Será que se ele soubesse que eu não era seu filho, teria me tratado da mesma maneira?
- Claro que sim, ele era um bom homem, honesto e muito justo.
Apesar de tudo, quero lhe dizer que essa conversa que tivemos com a mamãe não mudou em nada o que sinto por você e só posso lhe agradecer por todo o tempo em que esteve ao meu lado, me defendendo e ajudando.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:54 pm

Gosto muito de você, meu irmão.
Graças a você, consegui ver quem mamãe é realmente.
Volte para sua casa.
Um outro dia voltaremos aqui e a obrigaremos a contar toda essa história.
Você está nervoso e sabe que o nervosismo não ajuda em uma discussão.
Pedro Henrique sorriu e mandou um beijo para os dois, que parecendo sentir, sorriram.
Ricardo continuou falando:
- Pode parecer egoísmo, mas preciso voltar para casa e tentar convencer a Anita a me perdoar.
Ela sempre teve razão, eu é quem nunca quis acreditar que minha própria mãe queria a minha infelicidade.
Maurício, recebendo muita luz, sorriu e disse:
- Tem razão, meu irmão.
Precisa ir rápido para sua casa.
Eu vou para a minha, mas a conversa com a mamãe não terminou.
- Claro que não, Maurício.
Quero estar presente na próxima conversa, também quero conhecer toda a história.
Depois do que aconteceu hoje, ela não vai ter escapatória, precisa contar tudo o que aconteceu.
Ricardo fechou a mala e saíram.
Desceram à escada. Stela estava lá, esperando pelo marido.
Percebeu que o clima entre os dois estava bom.
Sorriu e em silêncio se abraçou a Maurício, que beijou sua testa.
Os três saíram.
Sofia, que estava na janela do quarto, viu quando entraram em seus carros.
Assim que os carros desapareceram na alameda, voltou para a cama, continuou chorando e tentando encontrar uma maneira de contornar aquela situação que ela mesma havia criado.
Já estava escuro quando Ricardo estacionou o carro e entrou correndo em casa.
Precisava ver Anita, beijá-la e pedir que o desculpasse por ter ido embora.
Assim que entrou na sala, chamou:
- Anita! Anita!
Quem apareceu em uma das portas da sala foi Celeste, que disse:
- A patroa não está em casa, senhor.
- Como não está em casa, para onde ela foi?
- Não sei, ela não disse.
Só sei que saiu com duas malas.
- Duas malas? Então ela foi embora de casa?
- Receio que sim, senhor.
Ricardo ficou desesperado, foi para o seu quarto em busca de algum bilhete, pois sempre que saíam, deixavam um bilhete dizendo onde estariam.
Mas naquela noite foi diferente, ele não encontrou bilhete algum.
Sentou-se na cama e sem tentar evitar, começou a chorar.
Sabia que, se Anita tomara aquela atitude, devia ter pensado muito, por isso sabia também que seria muito difícil convencê-la voltar.
Desesperado, chorava e pensava: como fui deixar isso acontecer?
Como nunca acreditei quando ela dizia que minha mãe a odiava?
Não tinha como acreditar, pois não havia motivo algum.
Sem saber o que fazer entrou no quarto e saiu dele várias vezes.
Foi até o jardim, caminhou e voltou.
Pensou na conversa que tivera com sua mãe e Maurício, também naquilo que ela havia dito.
Sentou-se em um dos bancos que havia no jardim:
tudo aquilo que minha mãe disse é uma loucura.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 19, 2017 7:55 pm

Depois de acertar a minha situação com Anita, vou visitar minha mãe, mas sem o Maurício.
Talvez assim ela me conte toda a verdade.
Agora, preciso me preocupar com Anita.
Ela só pode ter ido para a capital, para a casa dos pais.
Hoje está tarde, não gosto de dirigir à noite, ainda mais nervoso como estou, mas amanha bem cedo vou para lá.
Levantou-se, foi para o quarto.
Deitou-se e ficou relembrando sua vida com Anita e de como havia sido feliz:
ela é uma mulher maravilhosa, não posso perdê-la...
Maurício e Stela também chegaram em casa.
Durante todo o caminho de volta ele permaneceu calado.
Stela sabia em que ele estava pensando, com certeza no mesmo que ela.
Nunca imaginei que ele não fosse filho do senhor Pedro Henrique.
O que será que aconteceu?
Dona Sofia sempre se mostrou como uma mulher honesta e austera.
Sempre condenou qualquer tipo de traição de suas amigas.
A não ser... que Maurício tenha sido adoptado... não, não pode ser... ele é o espelho dela.
O que será que aconteceu?
Estacionaram e entraram em casa.
As crianças estavam na sala de televisão.
Maurício se aproximou e as abraçou com carinho.
Mesmo sem querer, começou a chorar.
Estava perdido com tudo o que havia acontecido.
Abraçado ao filho, pensava:
se eu não pertenço àquela família, de onde vim, onde estão meus pais?
Não, como Ricardo falou, filho da minha mãe eu sou, pois infelizmente, me pareço muito com ela, mas...então...o que aconteceu?
Quem é e onde está o meu pai?
- O senhor está me machucando, papai...
Só aí Maurício percebeu que estava apertando o filho.
Afastou-se e disse, rindo:
- Sabe que nem percebi.
É que gosto muito de vocês, por isso apertei tanto.
- O senhor está chorando?
Está com alguma dor?
- É mesmo, papai, está chorando?
O que aconteceu?
Maurício percebeu que estava deixando os filhos assustados.
Afastou-se, dizendo:
- Estou sim com muita dor de cabeça, mas vou tomar um comprimido e vai passar.
Agora, continuem assistindo à televisão.
Saiu da sala, foi para o seu quarto e se deitou.
Stela o seguiu, aproximou-se e deitou-se ao seu lado.
Ele a abraçou, dizendo:
- O que está acontecendo em nossa vida, Stela?
- Sei que sou culpada de muita coisa, Maurício, não devia ter me deixado levar por sua mãe.
Acontece que, desde o casamento de Ricardo, vi como ela tratava Anita e não queria que fizesse o mesmo comigo.
Por isso, fiz sempre sem discutir, tudo o que ela pediu.
- Não precisa me dizer o poder que minha mãe tem sobre todos.
Ela é pior do que eu pensava.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:13 pm

Nunca imaginei que poderia ir a um macumbeiro com a intenção de destruir o meu irmão, mas o pior de tudo foi ela ter me contado que eu não era filho do meu pai.
Não consigo entender nem aceitar isso.
Meu pai foi um homem maravilhoso.
Sempre dedicou muito amor, não só a ela, mas a mim e ao Ricardo também.
Por isso, eu sempre quis ser igual a ele, tratar minha mulher e filhos da mesma maneira.
Hoje, fico sabendo que minha vida foi toda feita de mentiras.
Será que meu pai conhecia toda essa história?
Será que ele sabia que eu não era seu filho?
Pois, se sabia, nunca deixou transparecer qualquer diferença entre mim e Ricardo.
- Nem eu pensei que ela chegasse a tanto.
Hoje, durante a viagem em que tudo deu errado, tive tempo para pensar e ver como ela é egoísta e má.
Tinha decidido que nunca mais ia fazer o que ela me pedisse.
Tinha decidido evitar ao máximo, me encontrar com ela.
Não imaginei que toda essa história existisse e pudesse vir à tona.
Quanto ao seu pai, não precisa se preocupar, ele gostava muito de vocês e, principalmente de você, Maurício e é isso o que importa.
Somos felizes, nossos filhos são crianças boas e com saúde.
Vamos continuar a nossa vida e fazer de conta que nada disso aconteceu.
Ricardo e Anita se amam, sei que conseguirão se acertar.
Sua mãe, infelizmente, vai ter de continuar sua vida sozinha.
- Não posso fazer isso, Stela!
Preciso saber de toda a verdade!
Quero saber, se não sou filho do meu pai, sou filho de quem?
- Isso não importa, Maurício.
Você teve um pai maravilhoso que o criou com todo o carinho que possa existir neste mundo...
- Importa sim, Stela.
Vou tentar dormir e amanhã bem cedo, vou até a casa de minha mãe e sozinhos, ela vai ter de me contar toda a verdade.
- Está bem, se é assim que quer, precisa fazer.
Agora, como você disse, vamos tentar dormir.
Stela foi para a sala onde as crianças assistiam à televisão, levou-as para os seus quartos, beijou-as e voltou para o quarto.
Maurício estava com os olhos fechados.
Ela sabia que ele não estava dormindo, mas sabia também que ele não queria conversar, deitou-se, fechou os olhos e tentou dormir.
Sofia em seu quarto também chorava e pensava:
não encontro uma explicação plausível, que possa convencer Maurício e Ricardo.
Não posso dizer que ele é adoptado, não acreditariam, pois ele é muito parecido comigo.
Não posso dizer que traí Pedro Henrique, eles não me perdoariam, como eu mesma nunca me perdoei.
O que vou fazer?
Fiz tanto para esconder esse segredo e agora, ele vem à tona, somente por minha culpa.
O que vou fazer?
Nadir e Romeu permaneciam ao seu lado.
Pedro Henrique e Maria Rita, junto de Maurício, e Gusmão e Matilde, que retornou, ao lado de Ricardo.
Depois que Maurício se acalmou e Ricardo decidiu ir em busca de Anita, todos se reuniram novamente.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:13 pm

Gusmão disse:
- Esta vai ser uma longa noite.
O melhor a fazer é ajudá-los a dormir.
Assim, poderemos conversar com todos ao mesmo tempo.
Foi o que fizeram.
Durante o sono, todos se encontraram e conversaram.
Mesmo dormindo, Sofia continuou negando tudo o que havia feito.
Na visão dela, não havia cometido crime algum, só havia se defendido.
Disse:
- Só fiz tudo àquilo para me proteger, para me salvar...
- Você cometeu três assassinatos, Sofia.
Não se arrepende disso?
Olhou para Nadir que perguntava e respondeu:
- Não mãe, sinto muito, mas eu precisava resguardar o meu segredo.
O Gustavo já havia contado para a senhora que poderia, mesmo sem querer, comentar com o pai que poderia, mesmo sem querer, comentar com alguém e minha vida estaria destruída e isso eu não podia permitir...
Gusmão sorriu e disse:
- Sempre haveria um caminho, Sofia, mas você escolheu o mais fácil.
Sofia balançou os ombros e disse:
- Foi o único caminho que encontrei e faria novamente.
- Está bem, Sofia.
Fez com consciência, sabendo que estava errado, agora vai ter de arcar com as consequências do seu acto.
Agora durma. Ela adormeceu.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:13 pm

O REENCONTRO
No dia seguinte, antes das oito horas, Maurício acordou.
Stela, que estava preparando as crianças para irem à escola, ao vê-lo disse admirada:
- Já está acordado?
Ainda é cedo.
- Sabe que não consegui dormir bem, Stela.
Preciso ir até a casa de minha mãe.
Ela vai ter de me contar tudo o que aconteceu.
Enquanto isso não acontecer, não vou poder retornar à minha vida normal.
- Está certo, acho que precisa fazer isso mesmo, mas ainda é muito cedo.
Ela não deve ter se levantado, ainda mais hoje porque assim como você, também não deve ter dormido bem.
- Sei que talvez, quando chegar lá, ela esteja dormindo, mas não faz mal, vou esperar.
Enquanto isso vou conversar com Maria José, ela trabalha há muito tempo lá em casa e pode saber de alguma coisa.
- Acha prudente conversar com ela?
Será que ela sabe de alguma coisa?
- Não sei, mas não custa tentar.
Desde que me conheço por gente, ela sempre esteve lá.
- Você acha que deve fazer isso?
- Sim, não existe outro caminho.
Preciso saber de tudo.
- Sendo assim, só posso concordar, mas você não vai até a empresa?
- Depois que conversar com minha mãe.
Antes disso, não tenho condições de tomar decisão alguma.
Ele se voltou para sair.
Ela perguntou:
- Não vai tomar café?
A mesa já está colocada.
- Não estou com vontade.
Tomo café na casa de minha mãe.
Ele beijou-a no rosto e saiu.
Stela ficou pensando em tudo o que estava acontecendo, mas não por muito tempo, precisava atender às crianças.
Voltou aos seus afazeres.
Como havia imaginado, quando chegou à casa de Sofia, Maurício abriu a porta e percebeu que tudo estava em silêncio.
Foi para a cozinha, onde sabia estar Maria José.
De facto, ela estava lá, preparando o café.
Ao vê-lo, estranhou:
- Maurício, o que está fazendo aqui tão cedo?
- Preciso conversar com minha mãe.
- Ela ainda está dormindo.
- Sei disso, mas na realidade vim conversar com você.
- Comigo? Quer falar sobre o quê?
- Você está trabalhando para minha mãe há muito tempo, preciso saber se quando veio trabalhar para ela, eu já havia nascido.
- Sim, você e Ricardo também.
Eram ainda muito pequenos.
Por que quer saber?
- Você não pode negar que ouviu a nossa conversa ontem à tarde.
Ela abaixou a cabeça.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:14 pm

Ele continuou:
- Não precisa se preocupar.
Diante da distância entre a sala e a cozinha, ouviria mesmo que não quisesse.
- Desculpe, Maurício, mas não consegui evitar.
- O que achou de tudo o que ouviu?
- Não posso dar opinião, sou apenas a empregada da casa.
Maurício riu.
Sabia que ela não podia interferir, muito menos opinar em um assunto como aquele.
Ela não tinha família e já estava em idade avançada, se saísse dali não teria para onde ir ou trabalhar. Ele respeitou.
- Está bem, não precisa ficar nervosa.
Se, quando veio para cá eu já havia nascido, não deve saber de coisa alguma.
- Realmente, não sei nada a respeito desse assunto, mas sei que seu pai era um homem muito bom e
que gostava muito de vocês.
Vivia sempre brincando com os dois e nunca percebi diferença alguma.
Dona Sofia estava muito nervosa, Maurício, não deve dar atenção para aquilo que ela falou.
Maurício sorriu e disse:
- Está bem, Maria José.
Estou com fome, posso tomar café?
- Claro que sim.
Pode ir para a sala que vou levar.
- Não, prefiro tomar aqui mesmo na cozinha.
Assim, enquanto minha mãe não se levanta, podemos ficar conversando.
Lembra-se de quantas vezes fizemos isso, antes que eu me casasse?
Ela, com um olhar saudoso e um sorriso, respondeu:
- Claro que me lembro.
Sinto muita falta daquele tempo.
Você acordava sempre atrasado e precisava sair correndo para a faculdade, não tinha tempo de esperar que eu arrumasse a mesa e tomava café aqui mesmo.
- Também sinto saudade daquele tempo, embora hoje esteja feliz com Stela e com as crianças.
Maria José sorriu e disse:
- Sente-se aí, vamos relembrar os velhos tempos.
Ele obedeceu, ela preparou e o serviu com o mesmo carinho de sempre.
Depois de terminar de tomar o café, ficaram conversando.
Sofia acordou, olhou para o relógio e se assustou:
quase nove horas?
Como dormi tanto?
Logo esta noite que pensei que não conseguiria dormir...
Levantou-se, vestiu-se e desceu.
Estava com fome.
Saiu do quarto e foi para a sala de refeições.
Estava passando pela sala quando ouviu a campainha.
Sabia que Maria José estava na cozinha e que demoraria a chegar.
Resolveu abrir a porta.
Assim que abriu, empalideceu e seu coração começou a bater com mais força.
- Bom dia, Sofia.
Ela, quase sem conseguir falar, disse:
- Bom dia... Osmar...
- Posso entrar?
Ela, desajeitada, se afastou para que ele entrasse.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:14 pm

Ele, pisando firme e com o rosto crispado, entrou.
Ela apontou um sofá para que ele se sentasse.
Depois, disse:
- Posso saber o que significa essa sua visita, Osmar?
- Posso até dizer, mas você sabe qual é o motivo.
- Como sei?
- Minha filha abandonou seu filho e voltou para casa.
Não suportou sua perseguição.
Por que fez isso, Sofia?
Ela, fingindo não entender, perguntou:
- Fiz o quê, Osmar?
- Quando conheceu Anita, tratou-a muito bem e até parecia ter gostado da escolha de seu filho, até o dia em que fomos convidados para um almoço de confraternização, para que as famílias se conhecessem.
Daquele dia em diante, tudo ficou diferente e você fez o possível e o impossível para que o casamento não se realizasse e não conseguindo evitar, continuou fazendo tudo o que estava ao seu alcance para que eles se separassem.
Estou aqui para lhe dar os parabéns, você conseguiu.
Estão separados, o que você ganhou com isso?
Assim como minha filha, sei que Ricardo também está sofrendo.
Era isso o que queria, Sofia?
Ela, ainda surpresa com a visita dele, respondeu:
- Não sei do que está falando.
Disse que estão separados, eu não sabia disso.
- Claro que sabe, Sofia.
Só não entendo por que me odeia tanto!
Nunca lhe fiz mal algum, a não ser ter dado a você todo o meu amor.
- Não entendo o que está dizendo.
Você se casou...
- Como não entende?
Quase destruiu minha vida!
Quase me levou à loucura!
A minha sorte foi que conheci Beatriz que com seu amor, me apoiou e ajudou.
Quando me casei com ela, logo no começo percebi que tinha sido a melhor coisa que poderia ter feito.
Somos felizes, Sofia.
Minha filha é uma moça maravilhosa, gosta do seu filho e só não foram mais felizes por sua culpa.
Sofia, que desde o dia anterior estava descontrolada, começou a gritar:
- Por minha culpa?
Por minha culpa?
Tudo o que acontece de ruim nesta família é por minha culpa?
E você não tem culpa alguma?
Você quase destruiu meu casamento!
- Como quase destruí seu casamento?
- Você, contando para todos que ia se casar sabia que eu não suportaria perdê-lo e fez aquilo só para me afrontar!
- Você está louca, Sofia?
Nunca pensei em afrontá-la.
Depois que me abandonou e se casou, o que queria que eu fizesse?
Graças a Deus, Beatriz apareceu em minha vida e me ensinou que amor não é loucura, como aquilo que eu sentia por você, mas sim, o que tenho com ela, tranquilidade e paz.
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