SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:14 pm

- Para você, falar em tranquilidade e paz é fácil, mas para mim, não!
Carreguei durante todos esses anos, o fruto daquela estupidez que cometi.
Nunca consegui me esquecer de você nem do que fiz!
- Que fruto?
O que está falando, Sofia?
- Um filho, Osmar!
Um filho que me faz lembrar de você todos os dias!
- Um filho? Como pode ser?
- Naquele tempo em que nos encontramos, você sabia que meu marido estava na capital atendendo ao pai que estava doente, não sabia?
- Claro que sabia.
Você disse que assim que ele voltasse, pediria a separação e ficaríamos juntos.
Eu, como sempre, acreditei em você e quase terminei o meu casamento que estava marcado.
- Eu não queria que você se casasse, só quando minha mãe falou a respeito do seu casamento foi que descobri que gostava de você e que não suportaria vê-lo casado com outra.
- Sim, e quase me convenceu a desmanchar o casamento e a ficar com você, mas isso não aconteceu.
Assim que seu marido voltou, você não quis mais me ver e continuou com ele.
- Eu não podia abandoná-lo!
Ele me dava segurança e eu sabia que, ao lado dele poderia ter tudo com o que havia sonhado.
- Sim, demorou muito para que eu a entendesse, Sofia.
Você sempre foi má, egoísta.
Quase morri de tristeza e só não morri porque tive ao meu lado uma mulher de verdade e que realmente gostava de mim.
Não mude de assunto, que história é essa de filho?
- Quando meu marido voltou, percebi que estava grávida e fazendo as contas, descobri que não podia ser filho de Pedro Henrique, ele era seu filho, Osmar.
- Por que não me contou?
- Não podia, Pedro Henrique nem ninguém desconfiou.
O menino nasceu e eu tive de passar o resto da minha vida guardando esse segredo.
Você não pode imaginar o que tive de fazer para que isso acontecesse...
- Não posso acreditar que tenha feito isso, Sofia, escondendo que eu tinha um filho!
- O que queria que eu fizesse, que gritasse para o resto do mundo que havia traído meu marido?
Queria me ver na rua da amargura?
- Não, Sofia, somente queria ter tido o direito de saber.
- Agora sabe, o que vai fazer?
- Vim até aqui para lhe pedir que se afaste da vida de nossos filhos.
Eles se gostam e não podem ficar separados, mas agora, diante do que me contou, preciso conversar com Maurício.
Ele precisa saber que sou seu pai e que só tomei conhecimento disso agora.
Sofia, prevendo o que estava para acontecer, gritou desesperada:
- Você não pode fazer isso!
Minha vida já está uma confusão e você não vai piorar as coisas.
Prometo que se não disser nada ao Maurício, nunca mais me intrometo na vida de sua filha e ela poderá ser feliz ao lado de Ricardo.
- Você não mudou, Sofia.
Está tentando-me chantagear, mas não vai conseguir!
Agora que me contou esse absurdo que fez, escondendo que eu tinha um filho, não posso ficar sem tomar uma atitude.
Assim que sair daqui, vou procurar Maurício e lhe contar toda a verdade.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:14 pm

- Você vai me destruir, Osmar!
- Não, vou acertar uma situação.
Você mesma, Sofia, durante toda sua vida, plantou o que está colhendo.
- Não pode fazer isso, não pode!
Fique sabendo que se fizer isso, do que depender de mim sua filha ficará longe da minha família!
Não quero o seu sangue misturado com o nosso!
- Você pensa tão pequeno, Sofia.
O sangue não tem nada a ver com sentimentos.
Sinto pena de você e agradeço a Deus todos os dias por tê-la afastado de mim e da minha vida.
- Você não pode conversar com Maurício, Osmar!
Ele não vai entender!
- Posso e vou fazer.
Só preciso descobrir o endereço dele ou o local em que trabalha.
Sabe que por sua causa, mesmo sendo cunhado de minha filha, nunca tive contacto com ele.
- Nunca lhe darei o endereço dele! Fique longe da minha família!
- Não posso, Sofia, ela mesmo contra sua vontade, está misturada, começou com Anita casando-se com Ricardo e agora com Maurício sendo meu filho.
Não precisa me dar o seu endereço, vou procurar e sei que vou encontrar.
- Não precisa procurar, estou aqui.
Sofia e Osmar se voltaram e viram Maurício que, com os olhos molhados, dizia aquilo.
Ao vê-lo, Sofia gritou:
- Maurício, o que está fazendo aqui?
- Cheguei cedo, mamãe.
Precisava conversar com a senhora para descobrir toda a verdade, mas agora não é mais preciso, ouvi tudo.
Osmar, que só tinha encontrado com Maurício duas vezes, a primeira no almoço de confraternização entre as famílias e depois, no dia do casamento de Ricardo e Anita, aproximou-se dele, dizendo:
- Maurício, perdão, eu não sabia...
- Eu sei. Ouvi tudo o que conversaram.
Como havia dito, cheguei cedo e estava na cozinha tomando café quando a campainha tocou.
Vendo que Maria José estava ocupada, vim abrir a porta, mas a senhora, mamãe, chegou primeiro.
Ao perceber que se admirou com quem havia chegado, resolvi esperar e fiquei na outra sala, ouvi tudo.
- Você não ouviu direito, meu filho!
Osmar é um velho amigo, praticamente nos criamos juntos.
- Não precisa continuar mentindo, mamãe!
Eu ouvi tudo! Só não entendo por que me odeia tanto, por uma culpa que não tenho
A senhora é mentirosa e dissimulada!
Não consigo entender como pode haver alguém assim, tão egoísta e má.
Estou indo embora e nunca mais voltarei a esta casa!
Ele, nervoso, estava se voltando em direcção à porta, quando Sofia desesperada por ter sido descoberta, gritou:
- Você não pode fazer isso, Maurício, está enganado!
Eu não o odeio, só queria protegê-lo.
Por isso nunca contei a verdade...
- Não precisa continuar mentindo, mamãe!
A senhora sempre quis proteger a si mesma! Adeus!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:15 pm

Estava saindo, quando Osmar disse:
- Espere, Maurício, precisamos conversar.
- Sei que essa conversa deve existir, senhor Osmar, mas não pode ser agora, não tenho condições.
Qualquer dia desses, depois que eu conseguir assimilar tudo o que aconteceu, eu mesmo vou procurá-lo e poderemos conversar.
Sei que assim como eu e meu pai, o senhor também foi uma vítima dessa mulher má e sem coração.
Sofia estava desesperada, sem saber o que fazer.
Osmar, entendendo o que estava se passando na cabeça de Maurício, disse:
- Estarei esperando a sua decisão.
Infelizmente não pude acompanhar o seu crescimento nem estar ao seu lado nos momentos difíceis que, como todo adolescente, deve ter passado, mas ainda é tempo, poderemos nos conhecer melhor e tentarmos recuperar o tempo perdido.
Estou feliz por ter um filho como você.
- Não se preocupe com isso, embora o senhor não estivesse presente, meu pai nunca deixou que eu sentisse falta de carinho.
Ele foi um homem muito bom e me deu todo o apoio de que precisei.
Precisamos conversar sim, mas como já disse, não pode ser agora.
Entrarei em contacto.
Só agora percebo o motivo de ter gostado de Anita assim que a vi.
Ela é minha irmã!
- Ela também gosta de você, Maurício.
Sempre disse isso, mas como é o seu desejo, vamos deixar essa conversa para outro dia.
Pedro Henrique e os outros também estavam ali, assim como os vultos com energias pesadas que rodeasse Sofia e estavam saltitando de um lado para outro.
Assim que Maurício caminhou em direcção à porta, Sofia deu um grito.
Levou a mão ao coração, dizendo:
- Meu braço e meu coração estão doendo, acho que vou desmaiar.
Maurício, com ódio e sem parar, se voltou e disse:
- Tomara que morra!
Foi embora.
Sofia, que não estava mentindo, deu um grito de dor e caiu.
Osmar desesperado e sem saber o que fazer gritou:
- Maurício, ela desmaiou!
Maurício, embora já tivesse saído, estava a uma distância que podia ouvir Osmar, mas não parou.
Entrou no carro e foi embora.
Maria José, que estava no mesmo lugar de onde Maurício ouviu toda a conversa, entrou correndo na sala e gritando, perguntou:
- O que aconteceu com ela, senhor?
- Não sei, ela disse que o braço e o coração estavam doendo e depois desmaiou, só não caiu porque a segurei.
Chame uma ambulância, ela precisa de ajuda!
Maria José, desesperada, foi até a mesinha onde estava o telefone, procurou em uma agenda o número de um telefone e discou.
Em seguida, voltou para junto de Osmar, que havia colocado Sofia em um sofá e disse:
- Eles estão vindo, senhor!
Meu Deus do céu, o que será que ela tem?
- Não sei, mas acho que ela está tendo um ataque no coração.
Eles não podiam ver, mas Pedro Henrique e os outros, sim.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:15 pm

Aqueles vultos que acompanhavam Sofia por muito tempo, ao vê-la desesperada e sem controle sobre si, lançaram-se sobre ela e começaram a bater.
Alguns deles batiam na cabeça, outros por todo seu corpo.
Um deles, transpassando o corpo dela, segurou com força seu coração e apertou sem parar.
Em poucos minutos ela deu o último suspiro.
Seu espírito foi arrancado do corpo com violência e levado.
Pedro Henrique tentou impedir, mas devido às energias pesadas que a envolviam, não conseguiu.
Gusmão, vendo o desespero dele, disse:
- Não adianta Pedro Henrique, ela está sob o controle das energias que atraiu para si e nada podemos fazer.
- Nada?
- Ao menos por enquanto, não.
Estivemos ao seu lado durante todo o tempo, intuindo-a para que confessasse todos seus crimes, mas ela se recusou.
Podia ter feito uma outra escolha, para isso tinha seu livre-arbítrio, portanto por ora, não pode ser feito.
Pedro Henrique, muito nervoso, olhou para Osmar que, tocando no pescoço de Sofia, disse:
- Ela está morta, quando a ambulância chegar nada mais poderá ser feito.
Maria José aproximou-se, ajoelhou-se perto de Sofia e começou a chorar.
Gusmão, sabendo que nada mais poderia ser feito ali, disse:
- Nada mais temos para fazer aqui.
Precisamos ir até os outros.
Todos concordaram e desapareceram.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:15 pm

A RECONCILIAÇÃO
Anita só conseguiu dormir quando já era de madrugada, embora tivesse tentado desesperadamente.
Pela manhã ao acordar, voltou a se lembrar de tudo o que havia acontecido e da atitude que havia tomado.
Naquele momento, sentia que talvez tivesse exagerado.
Ficou pensando: eu devia ter um pouco mais de paciência e entender que dona Sofia é sua mãe e que deve ser difícil para ele ter de escolher.
Vou me levantar e voltar para casa.
Vou propor a ele que nos mudemos para cá.
Aqui, ele poderá dar aula em uma faculdade, que é o que sempre desejou.
Uma ou duas vezes por mês, poderemos visitar dona Sofia, mas apenas visitar.
Fazendo isso, evitaremos que ela se intrometa em nossa vida.
É isso mesmo que vou fazer.
Ele deve estar na casa dela e se for preciso, vou até lá.
Levantou-se, vestiu-se e desceu indo em direcção à sala de refeições.
Enquanto caminhava, pensava:
sei que papai e mamãe talvez não entendam essa minha atitude, mas gosto muito de Ricardo e se não fosse por causa de sua mãe, sei que viveríamos muito bem.
Entrou na sala que estava vazia.
A mesa estava colocada para um só lugar, o que significava que seus pais já haviam tomado café.
Foi até a cozinha, onde Dora estava junto ao fogão.
Perguntou:
- Dora, meus pais já tomaram café?
- Sua mãe sim, mas seu pai não.
- Por que não?
- Quando me levantei, estranhei que na hora de sempre ele não estivesse pronto para o trabalho, depois sua mãe me disse que ele havia ido viajar.
- Viajar, para onde?
- Não sei, ela não me disse.
- Onde está minha mãe?
- Deve estar em seu quarto.
- Obrigada, vou até lá.
- Não vai tomar o seu café?
- Daqui a pouco, agora preciso conversar com minha mãe.
Foi até o quarto da mãe, que estava deitada.
Entrou, perguntando:
- Para onde o papai foi, mamãe?
- Conversar com a mãe de Ricardo.
- Por que, mamãe? Eu disse a ele que não queria!
- Também disse, mas ele insistiu e não pude evitar.
- Ele não vai conseguir fazer com que ela mude de ideia.
Ela, em relação a mim, é intransigente, me odeia!
- Talvez ele consiga muito mais do que imagina, Anita.
- Como assim? Não entendi.
Dona Sofia é uma mulher de difícil convivência, sente-se a toda poderosa e não vai permitir interferência de estranhos.
- Eles não são estranhos, Anita, se conhecem há muito tempo.
- O que está dizendo?
Conhecem-se? Não pode ser!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:15 pm

- Não só eles, mas eu também conheço Sofia.
Sempre soube que ela era sonhadora, que queria muito da vida, mas nunca pensei que se tornaria uma pessoa tão arrogante e poderosa.
O poder, minha filha, corrompe qualquer pessoa.
- Como a conhecem, mamãe?
- Quando crianças morávamos na mesma cidade.
Eu morava na cidade, ela no campo, em um sítio ao lado do se seu pai.
Frequentávamos a mesma escola.
Embora pobre Sofia nunca aceitou essa situação.
Eu gostava de seu pai, mas ele só tinha olhos para ela.
Quando crescemos, eles ficaram noivos, seu pai chegou a construir uma casa para eles, mas faltando pouco tempo para o casamento, Sofia conheceu Pedro Henrique, o filho do prefeito, que se apaixonou por ela.
Sem pensar muito, pois ele representava tudo o que ela havia sonhado, desmanchou o casamento com seu pai e se casou com o filho do prefeito.
Seu pai ficou arrasado, dava até dó de ver.
Eu, ao contrário, quando soube fiquei feliz por saber que ele não havia se casado.
Depois de algum tempo, me aproximei dele e começamos a namorar.
Seu pai, embora nunca tenha escondido o grande amor que sentia por ela, fazia de tudo para que eu fosse feliz.
Marcamos o nosso casamento e depois de alguns dias, ele ficou diferente.
Quase não vinha me ver e quando vinha, ficava distante, sempre parecendo pensar em outra coisa.
Eu percebi, mas o amava e tinha muito medo de perdê-lo.
Sempre que vinha a minha casa, eu achava que era para desmanchar o noivado.
Isso durou mais de um mês.
Eu já havia me conformado que não haveria casamento, quando um dia, ele chegou com os olhos vermelhos de tanto chorar.
Estava desalinhado, com a barba por fazer.
- O que aconteceu, mamãe?
- Ele me contou que, enquanto o marido de Sofia estava viajando, ela o procurara e o convencera que só gostava dele e que assim que seu marido voltasse da viagem que estava fazendo, ia pedir a separação.
Seu pai acreditou e se deixou envolver por ela, mas assim que Pedro Henrique voltou, ela nunca mais quis ver seu pai e ele ficou naquele estado.
Ele me pediu perdão.
- O que a senhora fez, mamãe?
- Pode imaginar, Anita.
Perdoei, nos casamos e viemos morar aqui na capital.
Seu pai tinha a ideia de se tornar um distribuidor de alimentos.
Com a ajuda de meu pai, ele conseguiu realizar o que pretendia e hoje é muito bem sucedido.
A nossa vida continuou, nunca mais soubemos de Sofia.
Havia muito trabalho para ser feito.
Algum tempo depois você nasceu e nos dedicamos inteiramente à sua criação e educação.
Nunca mais não sei o porquê, tivemos outro filho, mas não nos importamos, você preenchia nossas vidas e não sentíamos falta de outra criança.
Anita se abraçou à mãe e a beijou com carinho.
Beatriz continuou:
- Nunca mais soubemos de Sofia.
Você cresceu, se tornou essa linda moça que é, só nos deu alegria.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:16 pm

Tudo caminhava bem, até o dia em que você chegou feliz em casa, dizendo:
- Mamãe! conheci um moço maravilhoso.
Ele me pediu em namoro e quer conhecer a senhora e o papai.
- A principio ficamos apavorados, pois para nós, embora tivesse vinte anos, era ainda uma criança, mas diante de sua felicidade só pude dizer:
- Que bom, minha filha.
Quem é ele?
- Estudamos juntos, a única coisa que sei é que mora em uma cidade do interior cujo nome não sei, mas isso não importa, o que importa é que fico muito feliz ao lado dele!
- Vendo a sua felicidade, eu disse:
- Tem razão, minha filha, nada disso tem importância, só mesmo a sua felicidade.
- Lembro-me desse dia, mamãe.
Eu estava muito feliz.
Ricardo era carinhoso, fazia todas as minhas vontades.
- Contei a seu pai e ele como não poderia deixar de ser, ficou apavorado, pois também achava que era muito cedo para que você se casasse, mas eu o convenci de que você estava feliz e isso era o que importava.
Você trouxe Ricardo para nos conhecer e diante de um rapaz que além de bonito era inteligente e educado não tivemos opção, o aceitamos de coração e ele começou a frequentar nossa casa.
Nunca falamos sobre nomes ou sobrenomes.
Para nós nada interessava, só a maneira como a tratava.
Depois de algum tempo de namoro ele nos pediu autorização para levá-la até a cidade onde sua família morava.
Sem discutir, aceitamos.
Ele disse que sairiam bem cedo, almoçariam e voltariam em seguida, estariam em casa naquele mesmo domingo.
Vocês foram e quando voltou, você estava entusiasmada:
- Mamãe, a viagem foi maravilhosa!
A família de Ricardo me recebeu muito bem!
A mãe dele, assim que me viu, disse que eu era a moça com quem ela havia sonhado para o filho.
Estou tão feliz!
- Também fiquei feliz em ver sua felicidade.
Contei ao seu pai e ele nervoso, disse:
- Não estou gostando dessa história, Anita é ainda muito jovem para se casar...
- Eu sorrindo, o abracei dizendo:
- Ela tem a mesma idade que eu tinha quando me casei com você ...
- Ele me olhou e não soube o que dizer.
Eu continuei:
- O que importa é que ela está feliz, Ricardo é um bom moço e pertence a uma família que parece ser boa também.
- O que você sabe sobre a família dele?
Não sabemos nem o seu sobrenome!
- Nomes não importam, Osmar.
O que importa é a felicidade de nossa filha, nada além disso.
- Ele me abraçou, dizendo:
- Tem razão e embora eu não quisesse, parece que ela está feliz.
- Está sim.
- Vocês continuaram estudando e namorando.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:16 pm

Quando terminaram a faculdade, Ricardo nos disse:
- Agora que terminamos a faculdade, acho que chegou à hora de nos casarmos.
- Eu e seu pai nos assustamos, mas diante dos seus olhos que irradiavam tanta felicidade, só pudemos concordar.
Assim que seu pai concordou, Ricardo disse:
- Já conversei com a minha família e eles querem conhecê-los, minha mãe vai preparar dentro de quinze dias, um almoço.
Ela achou melhor que seja em um sábado, para que possam ter tempo de conhecerem a cidade.
- Estávamos tão assustados com a ideia do seu casamento, de vê-la sair de casa, que não nos preocupamos em perguntar que cidade era.
Apenas com a cabeça, concordamos.
Ricardo queria que fôssemos no carro dele, mas seu pai não concordou.
Achou melhor que fôssemos no nosso, pois se alguma coisa não desse certo, poderíamos voltar a qualquer hora.
Depois de muita discussão, Ricardo concordou e fomos em dois carros.
No dia marcado Ricardo estava bem cedo, com o carro parado aí em frente.
Nos, diante de sua ansiedade e nossa também, já estávamos preparados.
Descemos, levando cada um, uma pequena maleta.
Ficaríamos lá só por uma noite, portanto não precisaríamos de muita roupa.
Fomos ao encontro de Ricardo e antes de entrarmos no carro, seu pai disse:
- Ricardo, até agora não sabemos o nome da cidade onde sua família mora.
- Ele disse o nome da cidade.
Eu e seu pai nos olhamos, íamos dizer que conhecíamos a cidade, que havíamos nascido e sido criados ali, mas diante da surpresa ficamos calados e seguimos viagem.
Quando entramos na cidade muitas lembranças surgiram.
É uma cidade agradável, que continua como sempre, com um povo pacifico e feliz.
Algumas coisas estavam mudadas, mas era quase tudo igual como quando a deixamos.
Seguimos o carro de Ricardo.
Ele entrou pela rua principal e rodeou a praça que conhecíamos muito bem.
Quando ele entrou pelo portão e pela alameda que levava até a casa de Sofia, eu e seu pai paramos.
Seu pai disse:
- Não pode ser, Beatriz, ele não pode ser o filho de Sofia.
- Eu sorri, toquei em sua mão, dizendo:
- Parece que sim, Osmar.
O destino está fazendo uma brincadeira connosco.
- Não podemos aceitar esse casamento, Beatriz!
- Do que tem medo, Osmar?
Que o seu amor por Sofia retorne?
- Não é nada disso, Beatriz, eu a conheço e sei como é má e egoísta, assim que souber que Anita é nossa filha vai transformar a vida dela em um inferno!
- Você está exagerando, Osmar.
Já se passou muito tempo.
Nada do que aconteceu deve ter importância, éramos jovens e cada um seguiu o seu destino.
Além do mais, Anita tem Ricardo que a protegerá.
Vamos entrar, cumprimentar Sofia com todo carinho e relembrar os bons tempos.
- Está bem, tomara que seja como está dizendo.
- Ricardo estacionou o carro em frente à porta de entrada da casa.
Logo ela se abriu e apareceram Sofia, Maurício, Stela e as crianças.
Assim que nos viu, ela sorriu e se aproximou.
Fingindo não nos conhecer, disse:
- Estou muito feliz em que tenham aceitado o meu convite. Entrem, por favor.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:16 pm

- Ela fingiu não reconhecê-los, por que mamãe, e se ela não os reconheceu mesmo?
- Isso era impossível, Anita.
Ninguém muda tanto.
Apesar de mais velhos, tínhamos como temos, os mesmos traços.
- Também nos apresentamos e ela, estendendo o braço em direcção à sala e se afastando para que entrássemos, disse:
- Sejam bem vindos à minha casa. Entrem, por favor.
Este é Maurício, meu outro filho, sua esposa Stela e seus filhos.
- O que aconteceu depois?
- Ela foi amável e tentou nos deixar à vontade.
Você e Ricardo não perceberam nem mesmo quando, após o almoço, seu pai disse:
- Desculpem, mas precisamos ir embora.
- Tão cedo, não vieram para ficar?
- Sim, Ricardo, mas me lembrei de que deixei algo pendente na empresa, preciso voltar para resolver.
- Por que papai fez isso?
- O clima estava insuportável.
Embora Sofia tenha tentado fazer com que nos sentíssemos à vontade, isso não foi possível.
Por isso, a melhor solução que seu pai encontrou foi aquela.
Saímos dali o mais rápido que podíamos.
Ricardo pediu e nós concordamos que você ficasse mais um dia.
No carro, enquanto seu pai dirigia, percebi que estava preocupado, mas me calei.
Em dado momento, ele disse:
- Esse casamento não vai dar certo, Beatriz...
- Por que está dizendo isso?
- Sofia demonstrou com o olhar que vai fazer o possível e o impossível para evitar que se realize e se mesmo assim se realizar, não vai durar.
- Ainda acho que está exagerando, Osmar.
Mesmo que Sofia queira prejudicar Anita, o que não acredito, Ricardo gosta muito de nossa filha e vai protegê-la.
- Tomara que esteja certa, mas estou preocupado.
- Seguimos a viagem em silêncio.
- Eu, nem por um minuto desconfiei de que isso estivesse acontecendo.
Por que não me contaram?
Não achamos ser necessário.
Você estava muito feliz e não queríamos que se preocupasse.
- Os meses que se seguiram foram todos dedicados à preparação do casamento.
Eu e seu pai estávamos preocupados, só ficamos tranquilos quando Ricardo nos comunicou a sua intenção de ir para Portugal.
Sabíamos que a distância seria grande e a saudade também, mas aquela viagem seria a única chance de que vocês fossem felizes no casamento, pois a mesma distância que haveria entre nós haveria também entre Sofia.
- Agora estou entendendo a mudança em relação a mim, mamãe.
Só agora percebo que a mudança se deu depois daquele almoço.
Eu não entendia qual era o motivo de tanto ódio que ela sentia por mim, agora entendo.
No final das contas ela conseguiu o que queria, estou separada de Ricardo.
Estou sofrendo e sei que ele também está.
- Não, Anita, seu casamento não vai terminar.
Você e Ricardo foram destinados um para o outro.
Estão passando por um momento difícil, isso não podemos negar, mas tenho certeza de que não será definitivo.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 7:16 pm

- A senhora acredita nisso, mamãe?
- Claro que sim. Vocês se amam, isso qualquer um pode ver.
Tenho certeza de que seu pai, determinado como saiu daqui, vai conseguir afastar Sofia da vida de vocês para sempre.
- Ele não vai conseguir isso, mamãe.
Dona Sofia é a mãe de Ricardo e ele não vai querer ficar longe dela para sempre!
- Eu não disse que ela vai ficar longe de vocês, mas sim da sua vida.
Ela não vai mais interferir.
- Tomara que a senhora esteja certa, mas não tenho tanta certeza.
Dona Sofia é ardilosa, a senhora sabe muito bem disso.
- Sei sim, mas também conheço o seu pai.
Ele vai conseguir.
Estavam conversando quando Dora bateu à porta e entrou, dizendo:
- Anita, o Ricardo está aí.
Anita começou a tremer e perguntou:
- Aqui?
- Sim e pediu que eu viesse avisá-la.
Parece que está muito nervoso.
- O que faço, mamãe?
- Vá ao encontro de seu marido, a vinda dele até aqui é o sinal de que seu casamento não terminou.
Anita sorriu, beijou a mãe e desceu a escada correndo.
Ricardo, que estava sentado em um sofá na sala, ao vê-la chegando levantou-se e antes de dizer qualquer coisa, a beijou apaixonadamente.
Beatriz, que desceu atrás de Anita, sorriu e com um sinal, fez com que Dora a seguisse até a cozinha.
Quando terminaram de se beijar, Ricardo ainda abraçado à Anita, disse:
- Por que veio embora?
- Foi você quem saiu de casa.
Eu fiquei sem saber o que fazer.
Não podia continuar sozinha naquela casa.
Vim até aqui para poder pensar.
- Sei que errei, mas fui levado pelo impulso, mas no final foi bom.
- Bom, por quê?
- A minha ida até a casa de minha mãe fez com que eu tivesse tempo para pensar em todo o tempo em que estamos juntos e em como somos felizes.
Estando lá sozinho, descobri que amo você e que não quero ficar um minuto sequer separado.
Você ainda me aceita de volta?
Anita, depois de tudo o que a mãe contou, não tinha mais dúvida alguma da maldade de Sofia.
Sabia que Ricardo a amava, assim como ela a ele.
Disse, com lágrimas nos olhos:
- Claro que lhe perdoo e o aceito de volta.
Também descobri que não quero ficar separada de você.
- Só queria lhe fazer um pedido.
- Qual?
- Queria vir morar aqui na capital.
Meu pai tem muitos conhecimentos e pode com facilidade, arrumar uma faculdade em que possa dar aula.
Não precisamos morar aqui, podemos alugar uma casa, mas quero ficar perto dos meus pais.
- Não posso fazer isso, Anita.
Sabe que só voltamos de Portugal porque Maurício está querendo entrar para a política e precisa de minha ajuda para continuar com as empresas.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:54 pm

Em nossa cidade poderei fazer isso e ainda dar aula na faculdade.
Além do mais, sei que não é para estar perto de sua família que quer vir morar aqui, é por causa da minha mãe não é?
Anita baixou os olhos sem saber o que responder.
Ricardo continuou:
- Não precisa mais se preocupar com minha mãe.
Ontem, Maurício esteve lá em casa e discutimos muito com mamãe.
Você não vai acreditar, mas ela mandou fazer um trabalho em um macumbeiro para nos separar.
Ricardo contou tudo o que havia acontecido.
Terminou, dizendo:
- Maurício está determinado a descobrir quem é seu pai.
- Não posso acreditar que tudo isso aconteceu, muito menos que Maurício não seja filho do seu pai.
Deve ter sido uma confusão e vocês entenderam errado...
- É verdade, Anita.
Quando minha mãe falou, ela estava muito nervosa por ter sido descoberta e perdeu o controle.
Estavam ainda conversando, quando o telefone tocou.
Como Anita estava perto da mesinha, atendeu.
Do outro lado, Osmar disse:
- Anita, está tudo bem aí em casa?
- Sim, papai, está tudo bem.
Ricardo acabou de chegar.
- Ele está aí?
- Sim.
- Preciso conversar com ele.
Anita sem entender passou o telefone para Ricardo que atendeu:
- Senhor Osmar, sei que deseja falar comigo, mas antes preciso lhe dizer que estou aqui para conversar com Anita e levá-la de volta para a nossa casa.
- Estou feliz em saber isso, mas quero conversar sobre outro assunto.
- Pois não, do que se trata?
- Estou aqui na casa da sua mãe e precisamos conversar.
- Na casa da minha mãe? O que está fazendo aí?
- Vim conversar com ela a respeito de vocês.
Ela me atendeu, depois da nossa conversa, que foi longa, ela se sentiu mal e teve um ataque do coração.
Acredito que seja bom que venha logo.
- Ataque do coração?
Como isso foi acontecer?
- Ela ficou muito nervosa, Maurício estava aqui.
- Maurício estava aí?
Não estou entendendo, como ela está?
- Não está bem, por isso é melhor que venho logo.
- Estou indo agora mesmo.
- Venha, sim.
Por favor, chame Beatriz, preciso falar com ela.
- Está bem.
Anita, ao ver a gravidade da conversa, foi até a cozinha e chamou a mãe.
Ela estava chegando quando Ricardo, tremendo muito, lhe entregou o telefone.
Ela atendeu. Osmar disse:
- Não diga nada a Ricardo, mas Sofia faleceu.
Ela levou um susto e teve de se sentar.
- Como isso aconteceu, Osmar?
- Eu estava aqui e Maurício, o irmão de Ricardo, também.
Ele ouviu toda a conversa, mas é uma longa história, quando chegar eu lhe conto.
Agora, não deixe Ricardo desconfiar do que aconteceu realmente e venha com eles para cá.
Arrumaram-se e saíram rapidamente.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:54 pm

A REACÇÃO DE MAURÍCIO.
Maurício saiu descontrolado da casa de Sofia.
Estava totalmente fora de si com a descoberta que havia feito.
Ouviu Osmar chamando, mas não deu atenção.
Não queria conversar com aquele homem que mal conhecia, com quem havia encontrado em duas ocasiões, no almoço em família e no casamento de Ricardo e que agora, lhe era apresentado como pai.
Entrou no carro e começou a dirigir sem rumo.
Precisava pensar, colocar sua cabeça e seus sentimentos no lugar.
Estacionou o carro junto ao rio que cortava a cidade.
Desceu, sentou-se na grama que acompanhava toda a extensão da margem e ficou olhando a água que tranquilamente passava.
Seu coração batia descontrolado.
Enquanto olhava a água, pensava:
como minha mãe pôde fazer uma coisa como essa?
Como conseguiu esconder durante tanto tempo, que eu não era filho do meu pai, a quem amei e ainda amo de todo o meu coração?
Como posso chegar para um desconhecido e chamá-lo de pai?
Não. Esta tudo errado!
Pedro Henrique e Maria Rita estavam ao seu lado, sentados, um de cada lado, na mesma grama.
Pedro Henrique, sentindo toda a dor de Maurício, disse:
- Não precisa ficar assim, Maurício, você é meu filho amado.
Não importa que sangue tenha, no momento em que me foi apresentado por filho eu o aceitei e agora, depois de tudo o que descobrimos, nada mudou.
Embora não saiba, nossa amizade vem de muito tempo.
Não importa o sangue que corre nas veias, pois um dia ele vai voltar para a terra, o que importa são os laços de amor adquiridos durante tanto tempo.
Vá para sua casa, não fique mais se lastimando.
Ainda não sabe, mas tem um longo dia pela frente.
Sua mãe está agora na companhia daqueles que escolheu e nada poderemos fazer por ela.
Vá para casa, meu filho. Você tem ainda pela frente uma longa jornada e eu sempre que possível, vou estar ao seu lado.
Enquanto falava, ele e Maria Rita jogavam luz branca sobre Maurício, que aos poucos foi se acalmando e pensando:
depois de tudo, só restou algo de bom. Anita é minha irmã e estou muito feliz por isso.
Agora, preciso ir para casa. Stela deve estar preocupada.
Vou passar lá só por um instante, contar tudo o que aconteceu e depois, vou para a empresa.
Ainda bem que Ricardo voltou para me ajudar.
Levantou-se, entrou no carro, ligou e acelerou.
Enquanto isso, a ambulância chegou, mas logo foi constatado que mais nada poderia ser feito por Sofia.
A ambulância a levou para que fosse providenciado um atestado de óbito.
Depois que levaram Sofia, Osmar disse para Maria José:
- Precisamos avisar Ricardo e Maurício.
Por favor, telefone para a casa de Maurício e depois para Ricardo.
Preciso avisar minha esposa e Anita do que aconteceu.
Maria José estava transtornada e triste, pois vivia ao lado de Sofia já há muito tempo e acostumara-se a seu modo de ser.
Sabia que ela era determinada e arrogante, mas mesmo assim gostava dela e dos meninos, como chamava Maurício e Ricardo.
Era carinhosa com eles e também recebia muito carinho deles, pois devido aos afazeres e compromissos sociais de Sofia, praticamente fora ela quem os criara.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:54 pm

Telefonou para a casa de Maurício e quem atendeu foi Stela.
Soluçando, perguntou:
- Stela, o Maurício está aí?
- Não, Maria José, ele saiu cedo para ir aí falar com a dona Sofia.
Ele não está aí.?
- Esteve, mas já foi embora.
- Que aconteceu, Maria José?
Você está chorando?
- Estou, aconteceu uma desgraça, Stela...
- Que aconteceu, Maria José?
- Dona Sofia morreu ...
- Meu Deus do céu, o Maurício matou a mãe?
Maria José, embora abalada, não pôde conter um sorriso e respondeu:
- Não, Stela, não foi ele.
Quando saiu, ela estava começando a passar mal.
O médico esteve aqui e disse que ela teve um ataque do coração...
- Não pode ser, ela é ainda muito nova, embora ontem quando estivéssemos no carro ela se sentiu mal, mas não pensei que fosse tão grave.
- Algumas vezes ela passou mal aqui em casa e eu sempre lhe disse que deveria ir consultar um médico, mas ria e deixava para o dia seguinte.
Acho que ela tinha algum problema no coração há muito tempo.
- Não sei onde Maurício está e você me deixou preocupada.
Eles brigaram?
- Foi muito mais que uma briga, Stela.
- Ela disse a verdade para ele?
- Não, mas ele descobriu.
- Você ouviu a conversa, não adianta dizer que não, sei que ouve tudo o que se diz naquela casa.
- Sim, ouvi e posso lhe garantir que fiquei confusa e abalada.
- O que foi que ouviu Maria José?
- O que ouvi é muito grave e por isso, somente Maurício pode lhe contar.
Não quero me intrometer nessa história.
- Está bem, Maria José, não vou insistir.
Agora, preciso encontrar Maurício.
Para onde terá ido?
- Não sei. Antes de telefonar para você, telefonei para a empresa, mas ele não estava lá.
- Acho melhor ficar aqui em casa e esperar que ele volte. Depois, iremos para aí.
- Tudo bem, mas venha logo.
Desligaram o telefone.
Stela estava surpresa e nervosa.
Nunca havia imaginado que um dia, passaria por uma situação daquela.
Maria José desligou o telefone, olhou para Osmar e disse:
- Maurício não está em casa.
- Para onde terá ido?
- Não sei. Stela também está preocupada.
Ele saiu daqui tão nervoso.
Será que fez alguma loucura?
- Não senhor, isso ele não fez.
É um menino que tem a cabeça no lugar.
Deve estar andando por aí, pensando na vida.
Vamos esperar, sei que a qualquer momento ele vai aparecer.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:54 pm

- Tomara que sim, também estou agoniado com essa falta de notícia.
Agora, vou telefonar lá para casa.
Depois você pode telefonar para Ricardo.
- Está bem.
Osmar pegou o telefone e falou com Beatriz e lhe contou tudo o que havia acontecido.
Depois, colocando o telefone no gancho, disse:
- Não precisa telefonar para Ricardo, ele está lá em casa e já estão vindo.
- Graças a Deus...
- O senhor está muito nervoso e abalado, vou lhe preparar um café.
- Faça isso, por favor.
Estou mesmo muito nervoso e abalado.
O dia hoje foi de muitas surpresas e revelações.
- Desculpe senhor, estou nesta casa há muito tempo.
Ajudei a criar os dois, por isso os considero como filhos.
Embora dona Sofia fosse de convivência difícil, eu gostava dela.
Osmar, com os olhos distantes, disse:
- Eu também... eu também gostava muito dela.
Ela era uma mulher especial...
- Só tinha um defeito.
- Qual?
- Por se sentir toda poderosa, achava que era a dona da verdade e isso não existe.
Ninguém é dono da verdade e poderoso, só Deus e mesmo assim, Ele, de vez em quando, leva umas rasteiras do diabo e perde muitas almas...
Osmar, ao ouvir aquilo, não conseguiu evitar um sorriso e com a cabeça, concordou com Maria José.
Ela saiu, foi para a cozinha preparar um café.
Precisava também preparar o almoço, pois sabia que, em breve, todos estariam ali e por mais tristes que estivessem, precisavam comer.
Osmar levantou-se do sofá em que estava sentado e olhou à sua volta.
A sala era imensa, com móveis, cortinas de boa qualidade e quadros de pintores famosos.
Enquanto olhava tudo, pensava:
estou me lembrando de Sofia quando criança e nas conversas que tínhamos.
Ela sonhava com este mundo onde houvesse dinheiro, fama e poder.
Não imagino o que fez para conseguir, mas conseguiu muito mais do que havia sonhado, porém o que adiantou ter vivido sob uma mentira e com medo de a qualquer momento, ser descoberta, se o fim de todos nós é só um, a morte.
Para que tanta ambição, tanto desejo de poder?
Voltou a sentar-se no sofá e continuou pensando:
quando vi Maurício pela primeira vez, naquela manhã de sábado, jamais poderia pensar que ele fosse meu filho.
Embora não o conheça, me pareceu ser um homem de bom carácter e gostava muito do pai.
Estranho... tenho um filho de cuja existência nunca soube, como Sofia teve a coragem de me esconder isso?
Preciso contar para Beatriz e tomara que entenda.
Naquela época, eu lhe disse que Sofia havia me procurado e quase caí na tentação.
Hoje, ela vai entender que eu não consegui resistir e a traí?
Qual vai ser sua reacção? Minha vida está uma loucura...
Enquanto isso, Maurício, acompanhado por Pedro Henrique e Maria Rita, chegou em casa.
Assim que o viu entrando, aliviada, Stela correu para ele e o abraçou, chorando.
Ele estranhou e depois do abraço, afastando-se dela, perguntou:
- Por que está chorando assim, Stela?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:55 pm

- Maria José telefonou e disse que você saiu de lá muito nervoso.
Onde você estava, Maurício?
- Estava andando por aí sem rumo e depois fui até a margem do rio.
Fiquei sentado na grama vendo a água passar e pensando.
Depois do que descobri, só tinha isso para fazer, pensar...
- O que descobriu?
- Que minha mãe foi uma mentirosa e traidora!
- Como assim?
- Ela traiu o meu pai com o pai de Anita.
Eu sou filho dele, Stela!
- O quê?
- Isso mesmo, sou filho do pai de Anita, ela é minha irmã!
- Não pode ser, eles se conheciam e sua mãe nunca nos disse?
- Ela não disse, provavelmente por temer ser descoberta!
Ela é má, Stela e eu a odeio!
- Não fale assim, Maurício, ela é sua mãe...
- Contra sua vontade!
Mesmo sendo minha mãe, não posso me esquecer de toda maldade que fez!
- Precisa perdoar...
- Nunca, Stela, nunca!
Quero que morra e que vá para o inferno!
- Não fale assim, Maurício, você pode se arrepender...
- Não sei se algum dia vou me arrepender, mas neste momento, é o que estou sentindo.
- Sente-se, preciso lhe contar algo grave que aconteceu depois que saiu da casa de sua mãe...
- O que aconteceu, Stela! Fale logo!
- Depois que você saiu, sua mãe passou mal e não resistiu.
Não sei muito bem da história, mas parece que ela sofreu um ataque no coração e não resistiu.
- O que está dizendo, Stela?
Minha mãe morreu?
- Sim, foi por isso que Maria José telefonou procurando por você.
Maurício, ao ouvir aquilo, começou a rir sem conseguir se controlar.
Stela ficou apavorada com aquela atitude e nervosa disse:
- Pare com isso, Maurício, a situação não é para riso!
Ele, embora quisesse, não conseguia parar de rir.
Stela, percebendo que ele estava fora de mim, pegou em seu braço e o sacudiu com violência.
Maurício parou de rir e disse, muito nervoso.
- Até a hora da morte ela conseguiu escolher!
Sabia que tinha muito que contar, por isso preferiu morrer!
Ela não presta mesmo!
- Não fale assim, Maurício!
Ninguém escolhe a hora da morte!
- Você não conhecia dona Sofia!
Ela escolheu, pode ter certeza disso!
- Está fora de si e não sabe o que está falando.
Precisamos ir até lá.
- Eu não vou! Vá você!
- Não pode deixar de ir! Ela é sua mãe!
- Não quero ir, não posso chegar lá e demonstrar uma dor que não estou sentindo!
Eu a odeio e não é por ter morrido que vou esquecer de tudo o que me fez!
Quero que ela queime no fogo do inferno!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:55 pm

- O que vou dizer para as pessoas e, principalmente, para Ricardo?
- Diga o que quiser, eu não me importo, ou melhor, diga a verdade, que ela não prestava!
- Você está descontrolado e não posso deixá-lo assim, também não vou...
- Faça o que quiser, Stela.
Eu vou para o meu quarto, neste momento só quero dormir!
Stela, sabendo que ele não ia mudar de ideia, disse:
- Está bem, faça isso e se conseguir dormir eu vou até lá.
Maurício, calado, caminhou em direcção ao quarto.
Entrou, deitou e tentou dormir.
Stela o acompanhou e depois de vê-lo instalado, saiu.
Depois de um tempo, voltou para o quarto e percebeu que ele havia dormido realmente. Sorriu e saiu.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:55 pm

CONHECENDO A HISTÓRIA
Ricardo, Anita e Beatriz chegaram e foram recebidos por Osmar que continuava ali:
- Que bom que chegaram, estava ansioso e sem saber o que fazer.
- Que aconteceu, seu Osmar? Como minha mãe está?
- Sinto muito, Ricardo, mas ela não resistiu.
Ricardo empalideceu e perguntou desesperado:
- Está dizendo que ela morreu?
- Infelizmente...
- Não pode ser, qual foi o motivo?
- De acordo com Maria José, ela teve alguns problemas, mas não quis ir ao médico.
Teve um ataque do coração e não resistiu.
- Onde ela está?
- Foi levada para que seja decretada morta e possamos obter o atestado de óbito.
- Quero ir até onde ela está, preciso vê-la!
- Eu estava esperando que você ou Maurício chegassem para providenciarmos toda a documentação necessária. Podemos ir?
- Maurício ainda não veio?
- Não, ele esteve aqui e assim que saiu ela começou a passar mal, tentamos encontrá-lo, mas não conseguimos.
- Onde ele está?
- Não sabemos, deve estar andando por aí.
- Por que faria isso? O senhor sabe qual é o motivo?
- Acredito que sim, mas agora não é o momento para conversarmos sobre isso.
Vamos ao encontro de sua mãe, depois teremos muito tempo para conversarmos, eu, você e Maurício.
- O que temos para conversar que só pode ser entre nós?
- Não precisa ser só entre nós.
Anita, Stela e Beatriz também podem e devem participar, pois o assunto interessa a todos nós.
Continuou não entendendo.
- Sei disso, mas agora não temos tempo.
Depois conversaremos.
Saíram e quando voltaram, já haviam providenciado tudo.
O corpo de Sofia chegaria logo mais.
Como não pode deixar de ser, a noticia se espalhou e em uma cidade pequena como aquela todos ficaram sabendo e se apressaram em comparecer.
A maioria das pessoas nunca havia entrado naquela casa e movidas pela curiosidade, queriam ver como era por dentro.
Além do mais, quando esposa do prefeito ela havia feito coisas boas para a cidade e para o povo também.
O corpo chegou e foi velado.
Houve muito discurso e homenagem para aquela que fora a benfeitora de tantos.
Todos estranharam a falta de Maurício e quando perguntava por ele, Stela respondia:
- Ele está muito abalado e o médico lhe deu um remédio para que dormisse.
Todos que a ouviam se convenciam de que ela estava dizendo a verdade, menos Osmar e Maria José, ambos sabiam dos sentimentos dele para com Sofia.
No dia seguinte, logo depois que o enterro foi realizado, as pessoas se despediram.
Como Maurício não quis comparecer, Stela pegou as crianças pelas mãos e foi para sua casa.
Osmar, Beatriz, Anita e Ricardo foram para a casa de Sofia que era maior que a deles e poderia abrigar a todos.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:56 pm

Assim que chegaram, Osmar disse:
- Agora que está tudo terminado e que sua mãe está descansando em paz Ricardo, precisamos conversar e esclarecer alguns pontos.
- Acredito que isso que temos para conversar tem alguma coisa a ver com Maurício e foi à causa de ele não ter comparecido ao enterro.
- Tem sim, Ricardo, por isso precisamos conversar todos juntos.
- Parece que ele não quer conversar com ninguém...
- Sei disso, mas é importante.
Como preciso voltar para a capital, precisa ser hoje.
Depois do almoço, iremos até a casa dele e querendo ou não, ele precisa conversar connosco.
Beatriz, adivinhando e temendo o que ia ouvir, perguntou:
- Precisa ser hoje, Osmar?
Não podemos deixar para um outro dia?
- Não, Beatriz, precisa ser hoje.
As coisas estão confusas e Maurício deve estar sofrendo muito.
- Está bem, sendo assim faremos como você quer.
Assim fizeram e depois do almoço foram para a casa de Maurício.
Quem os recebeu foi Stela que, ao vê-los, disse:
- Que bom que vieram. Maurício não está bem.
Desde ontem quando chegou da casa de dona Sofia, entrou no quarto e não saiu mais.
Estou preocupada, ele não se alimentou, apenas bebeu água.
Ricardo, talvez você consiga tirá-lo do quarto.
- Vou tentar, Stela.
Precisamos conversar, para isso Anita e seus pais estão aqui.
Ela sorriu e não quis dizer que sabia do que se tratava.
Acompanhou Ricardo até o quarto de Maurício e entrou, dizendo:
- Maurício, Ricardo está aqui e quer conversar com você.
Maurício abriu os olhos e olhando para o irmão, começou a chorar.
- Ela morreu, Ricardo! Ela morreu!
- Sim, Maurício, infelizmente isso aconteceu.
Estamos todos arrasados por ter sido tão inesperado.
Sei que sua dor, assim como a minha, é profunda, mas precisamos reagir.
Temos a vida toda pela frente.
Precisa se levantar dessa cama, meu irmão...
- Minha dor?
Você acha que estou assim porque estou sentindo dor?
Não, Ricardo, estou assim porque não consigo tirar do meu peito o ódio infinito que sinto dela, de todas as suas mentiras e de sua traição!
Eu a odeio, quero que queime para todo o sempre no fogo do inferno!
- O que está falando, Maurício?
- Ela foi uma mentirosa, Ricardo, ela traiu nosso pai e você não imagina com quem!
- Maurício, você não está bem.
Precisa ver um médico...
- Estou bem, Ricardo.
Ontem descobri que ela havia traído o papai com o pai de Anita!
- O quê?
- Isso mesmo, e dessa traição eu nasci.
Sou filho dele, irmão de Anita!
- Não pode ser verdade, Maurício, você deve estar enganado!
- Não estou, Ricardo, ouvi os dois conversando!
Não sabiam que eu estava lá!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:56 pm

Ricardo colocou as mãos na cabeça, depois sobre o joelho e ficou dizendo:
- Não pode ser... não pode ser...
- Não poderia ser, mas é, Ricardo!
Ricardo levantou a cabeça e encarando o irmão, disse nervoso:
- Não sabemos como tudo isso aconteceu.
Precisamos saber de toda a história, agora entendo por que o pai de Anita fez questão de vir até aqui para que juntos, conversássemos.
Ele está querendo nos contar toda a história.
Além do mais, mamãe está morta e deve estar no céu...
Maurício, ao ouvir aquilo, levantou-se e perguntou, gritando:
- No céu? No céu, Ricardo?
Não, ela não pode estar no céu, pois se isso acontecer é porque não existe justiça!
Ela deve estar e vai ficar por toda a eternidade no inferno! No céu?
Pedro Henrique e Maria Rita, que continuaram ao lado de Maurício o tempo todo, jogavam luzes sobre os dois.
Pedro Henrique disse:
- Acalmem-se, meus filhos.
Todo esse ódio só pode atrair energias pesadas sobre vocês.
Sofia está neste momento, recolhendo o que plantou, está ao lado das companhias que escolheu.
Além do mais, entre os espíritos que vivem aqui na Terra ou ao redor dela, não existe nenhum bom o suficiente para viver no paraíso celestial nem ruim o bastante para queimar eternamente no fogo do inferno.
Estamos todos caminhando rumo à perfeição.
Alguns mais na frente, outros mais atrás, mas todos caminhando.
Acalmem-se... Acalmem-se.
Aos poucos, eles foram se acalmando.
Maurício foi até o banheiro, lavou o rosto e voltou dizendo:
- Está bem, Ricardo.
Acho que tem razão, se o pai de Anita veio até aqui é porque está querendo nos contar o que realmente aconteceu.
Vou descer e vamos ouvi-lo.
- Assim que se fala, meu irmão.
Sabe que essa noticia que me deu em nada vai mudar o que sinto por você.
É meu irmão querido que sempre me defendeu em todos os momentos de que precisei.
Vamos descer.
- Estou há muito tempo nessa cama.
Preciso tomar um banho, trocar de roupa para me apresentar diante das pessoas que estão me esperando.
Vá na frente, descerei em seguida.
Ricardo sorriu e saiu do quarto.
Quando chegou à sala onde todos estavam acomodados, disse:
- Ele está bem, vai descer em seguida.
Stela sorriu e os outros respiraram aliviados.
Quinze minutos depois, Maurício apareceu.
Estava com os cabelos molhados, com uma camisa rosa e calças pretas.
Olhando para ele com outros olhos, Osmar percebeu como ele se parecia com Sofia.
Era o seu retrato.
Assim que chegou, disse:
- Desculpem a demora, mas como todos sabem, eu não estava bem.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:56 pm

Osmar se levantou, estendeu a mão, dizendo:
- Entendo tudo o que está sentindo.
Sei que está confuso e querendo saber como tudo aconteceu e é por isso que estou aqui.
Vou lhe contar toda a história.
- O senhor tem razão, estou mesmo muito confuso...
- Sente-se.
Vou começar desde o início.
Maurício sentou-se e Osmar começou a falar.
Contou tudo desde o início, de quando era criança, dos sonhos de Sofia e do amor que sentia por ela.
Contou do inicio do namoro, da casa que construiu para eles, de quando Sofia querendo se casar com Pedro Henrique, desmanchou o noivado, de como ele ficou arrasado e como conheceu Beatriz.
Contou também do reencontro que teve com Sofia ao qual não resistiu e se entregou totalmente a ponto de querer desmanchar seu casamento que já estava marcado.
Enfim, contou tudo em detalhes e terminou, dizendo:
- Eu, depois que me casei, fui embora para a capital e nunca mais pensei em Sofia.
Nas poucas vezes em que me lembrava dela, afastava o pensamento.
Era feliz com Beatriz, ela havia me feito conhecer um amor verdadeiro, sem paixão ou ilusão.
Anita nasceu e completou minha felicidade.
Essa tranquilidade continuou até o dia em que, por uma brincadeira do destino, você Ricardo e Anita se conheceram, se apaixonaram e quiseram se casar.
Nós viemos almoçar na sua casa e me deparei com Sofia.
Eu não sentia nada mais por ela, mas ao ver que ela fez de conta que não nos conhecia, senti medo por aquilo que poderia fazer contra minha filha.
Pensava que ela poderia fazer algum mal para Anita, porque a conhecia e sabia que ela era vingativa e que nunca havia aceitado o meu casamento.
Nunca imaginei que seu ódio era por outro motivo, o medo de que eu descobrisse que você, Maurício, fosse meu filho.
Fruto daqueles encontros que tivemos, quando o marido dela teve de viajar e ela não queria que eu me casasse.
Anita, ao ouvir aquilo, levantou-se, gritando:
- O que o senhor está dizendo, Maurício é seu filho?
Meu irmão?
- Sim, Anita.
Eu não sabia, mas não posso negar que estou feliz em saber que tenho um filho que apesar de Sofia, é um homem de bem.
Anita olhou para Maurício que olhava para ela e disse:
- Por isso que sempre gostei de você...
Ele também se levantou e a abraçou, dizendo:
- Também sempre gostei muito de você.
Não imaginava que fosse minha irmã.
Mas sabia o quanto gostava de Ricardo e isso já era o suficiente para que eu a defendesse de todas as maldades que minha mãe quis fazer e fez contra você.
- Vamos esquecer tudo isso, Maurício.
Ela morreu e deve agora estar tendo de justificar aquilo que fez.
Ricardo me contou tudo o que ela fez para tentar nos separar.
Sei que foi até um macumbeiro, mas de nada adiantou, porque o nosso amor é maior do que tudo.
Ele me contou também que foi para nos defender que você descobriu que não era filho de seu pai, mas não me contou que era filho do meu...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:56 pm

- Eu não sabia!
Fiquei sabendo agora a poucos minutos, quando fui até o quarto dele.
Stela, vendo Anita e Maurício abraçados e felizes, pensou:
E eu que ajudei dona Sofia a quase destruir essa felicidade...
Osmar olhou para Beatriz, dizendo:
- Você vai conseguir me perdoar, Beatriz?
Naquela época eu lhe disse que havia resistido a Sofia, mas estava mentindo.
Eu não resisti e me entreguei àquele louco amor que julgava sentir por ela.
Beatriz, que continuava sentada olhando Maurício e Anita abraçados, disse emocionada:
- Eu sempre soube dos seus sentimentos para com Sofia.
Quando me disse que havia se reencontrado com ela, deduzi que algo de mais grave pudesse ter acontecido, mas eu o amava e lhe perdoei, por isso não precisa pedir perdão, isso já aconteceu naquele tempo e não me arrependo porque você foi um marido e pai perfeito, só me trouxe felicidade.
Sem que ninguém esperasse, cada um foi se levantando e se abraçando.
Logo, estavam todos unidos em um abraço fraterno e feliz.
Stela, emocionada e sentindo-se culpada por quase ter estragado toda aquela felicidade, disse:
- Está na hora do lanche.
Se me derem licença, vou até a cozinha para providenciar.
Ela saiu e ninguém percebeu seu mal-estar.
Estavam tão felizes que, naquele momento, nada mais importava.
Gusmão e os outros também estavam lá e sorriram felizes.
Gusmão disse:
- Ao menos, esses encontraram o caminho.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:57 pm

AMIGOS ETERNOS
Assim que Sofia morreu, Gusmão convocou uma reunião com todos que faziam parte do grupo de Sofia e disse:
- Sofia não conseguiu sua reabilitação.
Infelizmente, nesta encarnação, perdeu uma oportunidade maravilhosa, mas mesmo assim continua sendo nossa companheira.
Entretanto, não seria justo interrompermos nossa jornada por sua causa.
Por isso pedi a todos que viessem aqui para que cada um possa decidir o que deseja.
Cada um de nós, com muita dedicação e trabalho, conquistou a sua luz e pode continuar para esferas mais altas, onde terá a oportunidade de aprender mais e servir melhor.
Todos sabem que o espírito é livre para decidir e que nada nem ninguém pode aprisioná-lo, portanto cabe a cada um escolher o que achar melhor para si.
Gusmão, ao mesmo tempo em que dizia isso, sabia que alguns, durante várias encarnações e reencarnações, haviam convivido com espíritos de outros grupos e que desejavam continuar ao lado dos novos amigos.
Não se admirou, pois, quando alguns lhe disseram que desejavam continuar a jornada, mas que estariam presentes para ajudar Sofia sempre que precisasse.
Após decidirem quem continuaria a jornada, Nadir disse:
- Eu, como mãe de Sofia, sei que não tive a força necessária para orientá-la e ajudá-la como seria o esperado de uma mãe.
Por isso, desejo ficar ao seu lado e esperar o tempo que for necessário para renascer como sua mãe novamente e tentar, mais uma vez.
Gusmão sorriu e disse:
- Sabe que não precisa fazer isso, Nadir.
Você a educou da maneira como sabia e como podia.
O seu único desejo sempre foi de que ela fosse feliz e se Sofia não conseguiu, foi por causa da ganância e do desejo de poder.
Sabemos que ela terá de renascer e lutar contra esses sentimentos.
Você poderá ajudá-la, mas ela, só ela, poderá escolher o caminho a seguir.
- Sei disso, Gusmão, mas mesmo assim, quero tentar.
- Está bem, mas preciso lhe lembrar que não estará ao seu lado como mãe.
- Por que não?
- Sofia teve uma família que a amou, mas ela diante de seus sentimentos, os afastou de maneira violenta.
Por isso, provavelmente na próxima encarnação, não terá família e sentirá muita falta e essa falta lhe causará muita dor e sofrimento.
- Sei disso, Gusmão, mas mesmo assim, se não puder vir como mãe, sei que posso ser bem próxima dela e assim, ajudá-la de alguma maneira.
Gusmão sorriu, dizendo:
- Está bem, Nadir.
A escolha só pode ser sua.
- Eu também, Gusmão, desejo continuar ao lado dela.
- Tem certeza disso, Pedro Henrique?
Assim como a Nadir, você também não precisa, pode continuar sua jornada.
- Não, Gusmão, preciso ficar ao lado dela porque, se não fizer isso, embora esteja em uma esfera superior, não poderei ser feliz.
Isso só acontecerá quando ela estiver ao meu lado.
O mesmo disseram Romeu e Gustavo.
Dois meses se passaram desde a morte de Sofia.
Em uma manhã, Anita sentiu-se mal e foi ao médico que lhe pediu um exame de sangue.
Após alguns dias, acompanhada por Ricardo, voltou ao médico e ele lhes disse:
- Dona Anita, tenho uma boa noticia para lhe dar.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:57 pm

- Qual doutor?
- Depois de tanto tempo e de eu ter-lhe dito que a senhora não tinha motivo algum para não engravidar, finalmente aconteceu!
- Aconteceu o quê, doutor?
- A senhora está grávida!
Anita olhou para Ricardo.
Ele sorrindo abriu os braços e juntos, choraram de felicidade.
Eles ficaram felizes, mas muito mais Nadir, por estar voltando para ajudar Sofia novamente a encontrar o caminho da luz.
Anita, chorando e rindo ao mesmo tempo, olhou para Ricardo e falou, emocionada:
- Vai ser uma menina, Ricardo!
- Não importa se for menino ou menina, Anita, o que importa é que está chegando!
- Tem razão, mas sei que vai ser uma menina e que se chamará Paula.
- Está bem, Anita, o que importa é que estou muito feliz!
- Eu também, Ricardo... eu também.
Sofia, desde o dia da sua morte não foi mais encontrada por seus amigos.
Suas companhias não permitiam.
Ela foi perseguida pelo remorso e via diante de si, Gustavo, Nadir e Romeu que, parecendo monstros, a perseguiam.
Sentiu fome, frio e um terror constante.
Tentava esconder-se em grutas escuras, mas não adiantava, os monstros criados por ela e suas companhias a perseguiam sem trégua.
A princípio tentava se justificar, como fazia quando estava viva e fugindo de um lado para outro, gritava:
- Não foi minha culpa!
Eu precisei fazer tudo aquilo!
Vocês queriam me destruir!
Porém com o tempo, foi reconhecendo que havia cometido vários crimes, que havia afastado de sua vida seu irmão e os pais.
Aqueles pensamentos e o arrependimento eram insuportáveis.
Quase vinte anos se passaram desde o dia da morte de Sofia.
Gusmão e todos aqueles que sempre estiveram ao seu lado se recusaram seguir para esferas mais altas, o que os impediria de participar de equipes de socorro, onde poderiam aprender muito mais.
Queriam, como já havia acontecido em outras vezes, continuar ao lado dela, dando-lhe mais uma oportunidade.
Continuaram com os mesmos trabalhos que faziam até então e esperando até o dia em que ela fosse resgatada e preparada para uma nova encarnação.
Nadir foi a primeira a renascer, mesmo antes de Sofia ser resgatada.
Precisava renascer antes, para que quando Sofia renascesse, ela já fosse adulta e pudesse cuidar dela com muito carinho.
Pedro Henrique sempre que podia vinha visitar seus filhos.
Ricardo e Anita tiveram mais três filhos.
No total, quatro.
Três meninos e só uma menina, a quem deram o nome de Paula.
Maurício e Stela continuaram vivendo.
Ele se tornou um político respeitado na cidade, continuando assim, com o nome da família.
Ele nunca chamou Osmar de pai, mas desde aquele dia em que toda a verdade foi revelada, tornaram-se grandes amigos e passaram a conviver e a se conhecer.
Enfim, todos continuaram a sua jornada, com acertos e erros, mas sempre caminhando.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:57 pm

Em uma tarde, Gusmão chamou Pedro Henrique e assim que ele chegou, disse:
- Chegou uma luz nos sinalizando a localização de Sofia.
Estou formando uma equipe para resgatá-la.
Você quer ir connosco?
- Claro que sim, Gusmão.
Sabe que isso é o que mais tenho desejado por muito tempo.
Gusmão sorriu e disse:
- Sabia que sua resposta seria essa.
Amanhã iremos em busca dela.
Pedro Henrique sorriu feliz e levantando os olhos, agradeceu a Deus.
Como o combinado, no dia seguinte bem cedo Gusmão e mais espíritos amigos, entre eles Pedro Henrique, partiram em direcção ao vale, onde Sofia se encontrava.
Foram recebidos por um dos muitos espíritos que trabalhavam ali e encaminhados até ela.
Enquanto caminhavam, Pedro Henrique que, diferente dos outros nunca havia estado lá, ficou assustado e ao mesmo tempo com pena daqueles que ali viviam.
O lugar era escuro, húmido e malcheiroso.
Os espíritos que estavam lá tinham sinais de demência, gritavam e choravam muito.
O barulho era ensurdecedor.
Depois de andarem por quase cinco minutos, encontraram Sofia.
Ela estava completamente diferente daquela Sofia que haviam conhecido.
Desencarnada, com roupas sujas e cheirando mal.
Chamava e pedia perdão aos pais, Gustavo e Pedro Henrique.
Chorava desesperada, só repetindo:
- Perdão...perdão...perdão...
Pedro Henrique ao vê-la, se aproximou e ajoelhando-se na sua frente, disse emocionado:
- Sofia, sou eu, Pedro Henrique, estou aqui para tirá-la deste lugar.
Ela olhou para ele, ouviu sua voz, mas não o reconheceu e tentou fugir, mas foi impedida por ele e pelos outros que o acompanhavam e após receber muita luz branca, desmaiou.
Pedro Henrique pegou-a em seus braços e iniciaram o caminho de volta.
Ele, embora tenha descoberto tudo o que ela havia feito, não guardava rancor e enquanto caminhava com ela nos braços, pensava:
foi apenas um aprendizado, Sofia, da próxima vez será melhor.
Sofia foi tratada durante algum tempo.
Desmemoriada, teve dificuldade para entender o que estava acontecendo.
Sentia medo e a todo instante queria fugir, mas Pedro Henrique e seus outros amigos estavam ali para ajudá-la.
Aos poucos foi entendendo o que estava acontecendo e sentindo-se culpada, embora não tivesse sigo julgada e condenada pelos assassinatos dos pais e do irmão, sabia que precisava resgatar seus crimes.
Depois de algum tempo, já com todas as suas faculdades restabelecidas, foi chamada por Gusmão.
Após ter sido relembrada de todos os acertos e erros cometidos, Gusmão lhe disse:
- Agora Sofia, está em suas mãos à maneira como deseja renascer e viver.
Estamos aqui e faremos o que desejar para seu aperfeiçoamento.
- Eu não sei, Gusmão.
Entendo que minha nova encarnação não vai ser fácil, farei o que desejarem.
- Sabe que teve todas as condições para ter uma encarnação perfeita.
Teve uma família que a amou e que fez tudo para a sua felicidade, mas não lhe deu valor, assim como marido e filhos que estiveram sempre ao seu lado, mas se deixou levar pela ganância e pelo desejo de poder e reconhecimento.
Na próxima encarnação, se concordar, não terá mãe, pai, irmãos, nem marido nem filhos.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 21, 2017 7:57 pm

Sofia, ao ouvir aquilo, baixou a cabeça e ficou relembrando de como havia sido sua vida, mas permaneceu calada.
Gusmão continuou:
- Sabe que aqui programamos uma linha de conduta, mas que tudo de acordo com o correr dos acontecimentos, pode ser mudado.
- Não estou entendendo.
- Você renascerá e será entregue a uma instituição.
Será criada por estranhos e quando crescer, não terá marido ou filhos.
Precisa saber que isso para você será muito triste e que poderá, algumas vezes, se revoltar.
Tudo isso está previsto, mas dependendo do seu comportamento e de sua vontade de ajudar e trabalhar não só pelo seu próprio bem, mas para o bem de outros, alguma coisa poderá ser mudada.
Ao ouvir aquilo, Sofia perguntou, surpresa:
- O que for programado aqui poderá ser mudado?
- Sim, Deus é um Pai maravilhoso que só quer o nosso bem.
Ele pode até nos mandar algum tipo de castigo, fazendo com que sintamos falta daquilo que desprezamos, mas nunca nos desampara e está disposto a nos receber, em Seus braços, a qualquer momento.
Por isso, se seguir uma vida recta, tentando evitar cometer os mesmos erros anteriores, tudo o que for programado aqui poderá ser mudado.
- Quer dizer que poderei voltar a ter uma família, pais, irmãos, marido e filhos?
- Sim, tudo vai depender do seu comportamento.
Sofia sorriu:
- Seria mais fácil se eu me lembrasse do que fiz, assim poderia evitar.
- Sei que seria, mas não haveria mérito algum.
O esquecimento é necessário para que o espírito possa merecer sua luz.
- Espero que desta vez, eu consiga...
- Também esperamos, Sofia, e lembre-se de que embora vá nos esquecer, estaremos sempre ao seu lado.
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