SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:27 pm

Matilde apontou com a mão, todos viram e sorriram.
Ela disse:
- Parece que a nossa presença aqui ao seu lado, intuindo-a para que se recorde, está dando resultado, Pedro Henrique.
Se ela continuar assim, talvez desista de ir ao encontro daquele homem.
- Acha que isso pode acontecer, Gusmão?
Acha que ela pode desistir?
- Por que não?
Precisamos sempre ter a esperança de que o sentimento maior, o amor, é mais forte.
- Tomara mesmo, Gusmão.
Tomara que ela, recordando-se de como tudo aconteceu e de como chegou onde está hoje, mude de ideia e aceite a Anita como sua filha.
Ela precisa mudar de ideia.
Se não fizer isso, vai causar muito sofrimento a ela e a toda família...
- É verdade, Matilde, mas não podemos duvidar da bondade e justiça de nosso Pai e criador.
Sofia balançou a cabeça como querendo afastar aquelas lembranças.
Olhou novamente para o espelho, ajeitou um fio de cabelo rebelde e sorriu, pensando:
tudo o que passei faz parte do passado.
Hoje, que consegui tudo o que sempre desejei, preciso cuidar para que minha família continue com o nome e respeito que sempre teve e isso só poderá acontecer se não se misturar com uma família como a daquela mulher.
Preciso e vou afastá-los!
Pedro Henrique, ao ouvir aquilo, começou a tremer e a chorar.
Disse, soluçando:
- Realmente, essa não é a Sofia que conheci e amei...
- Ela sempre foi assim, determinada a conseguir o que desejava, e para isso, nunca poupou esforços.
Mas ainda está em tempo.
Estamos e vamos continuar ao seu lado, tentando fazer com que encontre o caminho de que se desviou há muito tempo.
- É o que mais desejo, Gusmão.
Quero ver novamente a minha Sofia...
- Vamos pedir a Deus que isso aconteça, mas vou continuar a contar a história.
- O pai de Sofia plantava verduras e legumes.
Todos os domingos ia até o centro da cidade e vendia tudo na feira.
Em um domingo, apareceu em casa com uma criança recém-nascida.
Com ela no colo, disse:
- Eu estava voltando com a carroça e, quase chegando aqui, uma mulher caiu bem na minha frente.
Desci da carroça e fui ver o que havia acontecido.
Ela estava com os olhos parados e percebi que estava morta.
Olhei para o lado e lá estava esta criança e esta sacola.
Acho que aí dentro tem as roupas da criança.
Fiquei assustado, por lá não passa qualquer pessoa.
Então, trouxe a criança para que você cuide dela, Nadir, enquanto volto à cidade para avisar o delegado.
- A mulher ainda está no mesmo lugar, Romeu?
- Esta, mas já estou voltando.
Cuide da criança.
- Quero ir com você.
- Não precisa.
Se eu for no cavalo, chego mais rápido e você precisa cuidar da criança.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:27 pm

- A Sofia pode cuidar.
Quero ir com você.
- Como ela vai cuidar, Nadir?
Ela nunca esteve perto de uma criança tão pequena.
- O pai tem razão, mãe.
Não sei e não quero cuidar dessa criança!
- Está bem, eu fico, mas volta depressa para me contar o que houve e o que vai acontecer com esta criança.
- Romeu saiu apressado.
Nadir pegou a criança, apertou-a bem junto ao peito e disse:
- Como é bom ter um neném de novo no colo.
- Aquelas palavras pareciam flechas atiradas no peito de Sofia.
Ficou com muita raiva, pois nunca vira no rosto da mãe, uma expressão de felicidade como aquela.
Sabia que era querida, tanto por ela como pelo pai, mas nenhum dos dois nunca demonstrou tanto carinho por ela.
Nadir tirou as roupinhas da criança e disse, feliz:
- É um menino, Sofia!
Olha como é lindo e gordinho!
- Sofia olhou para o menino e não viu nada de bonito.
Era uma criança feia, careca, vermelha e parecia que estava inchada.
Nadir disse:
- O umbigo ainda não caiu, Sofia.
Ele acabou de nascer.
Quem será que era sua mãe?
- Sofia ficou parada, só olhando.
Nadir abriu a sacola e, realmente, dentro dela, havia roupinhas de criança.
Demonstrando a felicidade que estava sentindo, Nadir cuidou dela com muito carinho.
Mais tarde, Romeu voltou e contou o que havia acontecido na cidade:
- Voltei ao lugar onde encontrei a moça morta e ela continuava ali.
Fui para a cidade procurar o delegado.
Quando cheguei, contei o que tinha acontecido.
Ele me ouviu e, em seguida, pegou a viatura da polícia e fomos até lá.
A moça continuava no mesmo lugar.
Pegamos à moça e a colocamos na parte de trás da viatura e voltamos para a cidade.
- Você contou do menino, Romeu?
- É um menino? Que bom! Não, Nadir.
Perguntei ao delegado o que acontecia com crianças que não tinham família.
Ele me disse que elas eram encaminhadas ao juiz de menor e depois iam para um orfanato.
Quando ele me disse isso, me lembrei de como você e a Sofia queriam uma criança e fiquei quieto.
Vamos deixar passar um pouco de tempo, depois volto à cidade e falo que você teve uma criança aqui no sítio, assim ela vai poder ser registada no nosso nome.
Vai ser nosso filho e você, Sofia, vai ter um irmãozinho!
Está feliz com isso?
- Sofia ficou olhando para ele sem saber o que responder.
Na realidade, ela sempre quis ter um irmão, mas quando viu o carinho com que a mãe pegou aquela criança, não sabia se ainda queria, mas seu pai estava decidido e sua mãe parecia muito feliz.
Não respondeu, apenas sorriu.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:27 pm

Nadir, com a criança no colo, perguntou:
- Acha que vai dar certo, Romeu?
Será que eles não vão desconfiar e descobrir?
- Claro que vai dar certo, mulher.
Sabe que aqui na cidade não tem hospital e que todas as crianças nascem em casa.
Vai dar certo, sim!
- Alguns dias depois, Romeu foi à cidade e contou aquela história.
Assim, registrou Gustavo em seu nome e Sofia, de repente, tinha um irmão.
A princípio, ficou feliz, mas essa felicidade terminou no dia em que Romeu chegou e disse:
- Você não vai mais poder ir à escola, Sofia.
- Por que, pai?
- Sua mãe precisa me ajudar na roça e, agora com o menino, isso não vai ser possível.
Por isso, enquanto ela estiver comigo, você precisa cuidar da casa e dele.
- Ela ficou revoltada e disse, nervosa:
- O senhor não pode fazer isso, pai!
Eu gosto de estudar!
Quero aprender para poder sair desta casa e deste lugar!
- Por que quer sair daqui?
- Não quero ter uma vida igual à sua e à da mãe!
Quero ser rica e ter tudo o que desejo!
- Pode esquecer!
A sua vida não vai ser diferente da nossa!
A gente nasceu pobre pela vontade de Deus e vai morrer pobre...
- Não! A minha vida não vai ser assim! Vou ser rica!
- Está bem, mas por enquanto, precisa ajudar aqui em casa.
Enquanto você fica sonhando com toda essa riqueza, a gente precisa trabalhar para continuar vivendo.
- Isso não é justo!
Eu quero estudar!
- A vida não é justa.
Também queria ter uma porção de coisas que sei, nunca vou ter.
Você precisa viver na realidade e a realidade é que a gente precisa plantar e colher.
O resto é sonho.
Pode continuar sonhando, mas vai ficar aqui em casa ajudando na lavoura e cuidando de seu irmão.
- Ele não é meu irmão!
- Romeu deu uma bofetada no rosto dela e gritou, nervoso:
- Nunca mais repita isso!
Ele é seu irmão, entendeu bem?
- Sofia saiu chorando para o quintal.
Estava quase anoitecendo, algumas estrelas surgiam no céu.
Olhou para o alto e disse, baixinho:
- Eu vou sair deste lugar!
Eu vou ser rica!
- Sofia começou a tremer.
Seu coração batia acelerado.
Pela primeira vez, seu pai havia lhe batido.
Logo ele que sempre fora tão carinhoso e que, apesar da pobreza em que viviam, fazia o possível para que não lhe faltasse nada.
Ele não sabia, mas assim que saiu, Nadir, sua mãe, perguntou nervosa:
- Por que bateu nela, Romeu?
Você nunca tinha feito isso!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:28 pm

- Não sei, Nadir, fiquei nervoso!
Sabe que quando menti e registrei o Gustavo no nosso nome, cometi um crime e, se alguém descobrir, poderei até ser preso!
Por isso, ninguém pode descobrir!
Por isso também, não podemos nem pensar, muito menos falar que ele não é nosso!
Quando Sofia disse que ele não era seu irmão, perdi o controle...
Sofia afastou o pensamento.
Após tomar o café, voltou para o quarto e ficou esperando o telefonema de Stela.
Estava ansiosa, queria resolver logo aquele assunto que a incomodava desde o dia em que Ricardo trouxera Anita para conhecê-la.
Recostou-se na cama e ficou fazendo planos para depois que houvesse a separação.
Não sei como vai acontecer, só espero que Ricardo fique bem.
Sei que ele não gosta daquela mulher, ele está enfeitiçado.
Ficou recostada por alguns instantes, começou a relembrar o passado.
Ficou nervosa e irritada, não queria relembrar, mas não sabia por que, não conseguia parar.
Levantou-se e foi beber um pouco de água.
Não entendia aquilo que estava acontecendo.
Fazia muito tempo que não se lembrava do passado.
Era uma coisa que ela sempre quis esquecer e conseguiu.
Olhou no espelho que havia na porta do guarda-roupa e pensou:
por que estou pensando nisso agora?
Não posso desviar meu pensamento, preciso me concentrar só naquele homem e no que vai acontecer com aquela mulher!
As entidades acompanhavam seus passos.
Pedro Henrique, nervoso, disse:
- Não, Sofia!
Precisa se concentrar no seu passado para entender que nada pode ser feito para separar nosso filho de Anita.
Eles se gostam e têm juntado, um longo caminho pela frente.
Matilde segurou no braço de Pedro Henrique e, tristemente, disse:
- Não adianta, Pedro Henrique.
Ela está determinada e muito pouco poderá fazer para que mude de ideia.
Você a conhece e sabe como é determinada.
Se ela continuar nessa faixa de pensamento, não poderemos continuar aqui.
Logo mais, ela estará tão envolvida pelas energias do mal que não conseguirá nos ouvir mais.
- Sei disso, Matilde, por isso mesmo estou pedindo que me ajude a fazer com que se lembre de tudo.
Quem sabe, assim, ela mude de ideia e deixe Ricardo viver em paz com a mulher.
- Enquanto estou contando sua história para vocês, ela, embora não saiba, também está ouvindo.
Enquanto ela nos ouvir, continuaremos tentando.
Ficaremos ao seu lado até que seja possível.
- Obrigado Gusmão.
Ainda bem que vieram...
Gusmão sorriu.
Sofia voltou para a cama, recostou-se novamente e tentou pensar só no trabalho que o homem ia fazer.
Olhou para o relógio, embora achasse que Stela estava demorando.
Percebeu que isso não era verdade, pois faltava mais de trinta minutos para a hora marcada.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:28 pm

Pedro Henrique, ao seu lado, disse:
- Sofia, você está querendo pisar em um terreno muito perigoso.
Por enquanto, estamos aqui mas não sei por quanto tempo, por isso, é preciso que reconsidere e não cometa essa loucura.
- Não adianta, Pedro Henrique, ela está totalmente tomada pelo ódio.
Vou continuar contando a história, talvez ela relembrando-se, mude a faixa de pensamento.
No final, vamos ver o que acontece.
- Vamos tentar tudo o que for possível, Gusmão...
- Vamos sim, Pedro Henrique.
Depois do dia em que Romeu lhe deu aquele tapa, Sofia nunca mais foi à escola.
Ficava em casa cuidando de tudo para que sua mãe pudesse ajudar seu pai na roça.
O tempo passou.
Ela estava agora com quatorze anos e, embora tivesse deixado de ir à escola, não deixou de estudar.
Osmar, que também fora obrigado a deixar de estudar para ajudar o pai na roça, ia, muitas vezes durante a semana para a cidade e sempre trazia livros da biblioteca.
Sabia que ela gostava e ele só queria vê-la feliz.
Romeu, todos os domingos, também ia para a cidade.
Ele levava as verduras e legumes que plantava para serem vendidos na feira e, assim, conseguia o dinheiro de que precisava para manter a família.
A vida era dura, mas viviam em paz.
Sofia sempre o acompanhava e ficava com ele na barraca, ajudando-o a vender.
Quando conseguia alguns momentos de folga, ia para a casa de Magali, uma amiga da escola que lhe passava a lição que a professora havia dado naquela semana.
Além dos livros da escola e dos que Osmar pegava na biblioteca, lia também revistas de moda e de histórias em quadradinhos.
Entre elas, as que falavam de amor.
Ficava encantada com as casas e roupas que via nas revistas e sonhava:
como eu queria ter uma casa como essa e essas roupas, então?
Isso sim é que é viver... mas como minha mãe diz, não adianta sonhar.
Minha vida vai ser sempre assim, como a dela.
Vou me casar e vou continuar vivendo aqui, neste lugar.
Sei que vou ter uma porção de filhos e ficar velha antes do tempo...
- Osmar, embora trouxesse os livros, não entendia por que ela sempre repetia aquilo.
Em uma tarde, quando conversavam sentados em um banquinho de madeira que havia sob uma árvore, perguntou:
- Para que você lê tantos livros e revistas, Sofia?
- Não quero continuar vivendo aqui, Osmar.
Quero aprender sobre tudo o que existe fora daqui!
Quero falar direito e conhecer outros lugares.
Por enquanto, sei que não posso, então aprendo a falar através dos livros e nas fotografias que vejo nas revistas, conheço outros lugares e como as moças se vestem.
Você já viu os vestidos lindos que elas usam?
- Eu não ligo para essas coisas.
Você gosta de mim, Sofia?
- Claro que sim, Osmar!
- Então, por que a gente não começa a namorar?
- Namorar!? – ela perguntou, assustada e confusa.
- Claro que sim, a gente se gosta e já está chegando a hora de eu me casar.
Conversei com meu pai.
Você sabe que tanto ele como os seus pais fazem gosto no nosso casamento.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:46 pm

Ele disse que, assim que eu fizer dezoito anos, vai me dar um pedaço de terra e a gente vai poder construir a nossa casinha.
Ela vai ficar muito bonita, aí a gente vai poder se casar e ser feliz pra sempre.
- Que bom que ele disse isso.
Minha mãe acha que é um pouco cedo.
Ela disse que a vida de casado não é fácil e, por isso, acho que a gente devia esperar mais um pouco.
- A vida só não é fácil quando a gente não gosta da outra pessoa, mas a gente desde criança se gosta muito, não é?
- Sempre gostei de você, Osmar, mas não sei se quero me casar.
Sabe que não quero continuar vivendo aqui neste lugar.
- Você sempre disse isso, mas sabe que não adianta, vai ter de continuar aqui.
Eu gosto muito de você e sei que a gente vai ser feliz.
Se quiser, vou conversar com seu pai e, assim que eu fizer dezoito anos, a gente se casa.
Ela pensou um pouco, depois disse:
- continuou Gusmão.
- Está bem, você tem razão, nunca vou sair deste lugar, esta é a minha sina.
Pode falar com meu pai.
- Eu sabia que ela tinha tido um namorado, Gusmão...
- Sei que sabia, mas não sabe de muita coisa, Pedro Henrique.
Vou continuar.
Naquele dia, estavam distraídos conversando e não viram quando Romeu se aproximou e pôde ouvir as últimas palavras.
Curioso, perguntou:
- Sobre o que estão conversando?
- Voltaram-se e Osmar sorrindo, respondeu:
- Estamos falando sobre o nosso futuro, seu Romeu.
Eu e a Sofia queremos começar a namorar.
Estava dizendo para ela que ia conversar com o senhor e pedir sua permissão.
- Namorar? Vocês são ainda muito crianças!
- A gente sabe disso.
A gente só vai namorar, seu Romeu.
Meu pai disse que quando eu fizer dezoito anos e quiser me casar, ele vai me dar um pedaço de terra só minha.
Assim vou poder construir uma casa, plantar e ser feliz com ela.
- Se for assim, está bem.
Mas tomem cuidado com esse namoro.
- Não precisa se preocupar, seu Romeu.
O senhor sabe que, desde que era criança, gosto de Sofia e nunca vou fazer qualquer coisa para deixá-la triste.
- Está bem, você é um bom moço e sua família também.
A gente sempre se deu bem e se seu pai vai lhe dar um pedaço de terra, já é um bom começo. Podem namorar.
- Romeu se afastou.
Osmar pegou na mão de Sofia e emocionado, disse:
- Você não pode imaginar como estou contente, Sofia!
A gente vai ser feliz, você vai ver!
Sei que tem medo de continuar nessa pobreza, mas com a gente, não vai ser assim!
Vou ser diferente do meu pai e do seu.
Não vou vender a nossa mercadoria só na feira, vou procurar levar para a capital.
Meu pai me levou uma vez lá e você não pode imaginar como é grande!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:47 pm

Tem uma porção de prédios altos, muitos carros e um lugar muito grande, onde as pessoas vendem frutas, verduras e legumes!
Eles compram de tudo e depois distribuem pela cidade!
Você precisava ver!
Não vai acreditar!
- Por que seu pai não vende pra eles?
- Sabe que meu pai não tem estudo nem sabe conversar direito.
Ele tem medo, porque, para vender pra eles, a gente vai ter que aumentar a plantação, quem sabe, até vai ter de contratar mais gente para trabalhar e meu pai tem medo de que, depois não vá conseguir vender nem ter como pagar tudo o que gastou.
- Você não tem medo, Osmar?
- Tenho, mas se a gente não tentar, a gente vai continuar sempre assim, sem ter quase o que comer.
Assim que a gente se casar e eu já tiver a minha terra, vou para a capital procurar quem é que compra.
Vou negociar e aí, é só trabalhar.
A gente vai ficar rico!
Você vai ver, Sofia!
- Ela ficou impressionada com o entusiasmo e determinação de Osmar e disse:
- Acho que vai dar certo mesmo, Osmar!
Se precisar, eu até ajudo você na roça!
- Você não vai precisar trabalhar na roça.
Vou contratar gente para fazer isso.
Só vai ter que cuidar da casa e dos nossos filhos!
- Filhos?!
- Claro que filhos!
Quero muitos!
Além do mais, a gente vai precisar de muitos braços pra trabalhar, não é? – perguntou, rindo.
- Não é não senhor!
Não vou querer meus filhos trabalhando na roça, quero que eles estudem! – disse, nervosa.
- Também quero isso, sua boba.
Estava só brincando.
Nossos filhos vão ter uma vida completamente diferente da nossa.
Pra isso vou trabalhar muito.
- Ele a abraçou e lhe deu um beijo nos lábios.
Aquele foi o primeiro.
Ela estava feliz.
Desde criança, gostava realmente de Osmar.
Seu único medo de se casar com ele era continuar vivendo para sempre naquele lugar e naquela pobreza, mas agora, tudo era diferente.
Ele tinha planos que poderiam fazer com que tivessem uma outra vida.
- Ela nunca me falou sobre esses planos... – disse Pedro Henrique.
Gusmão sorriu e continuou:
- Não havia por que contar.
Conversaram mais um pouco.
Depois, ele deu um beijo na sua testa e se afastou.
Ela ficou olhando-o ir embora.
Sorriu, pensando: definitivamente, eu gosto dele.
Vamos começar uma vida nova e, com a ajuda de Deus, vamos ser felizes.
- Assim que ele desapareceu no horizonte, ela foi para casa.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:47 pm

Entrou no exacto momento em que Nadir, sua mãe, dizia:
- Eles são muito crianças para começarem a namorar, Romeu!
- Sei que são crianças, mas sei também que não adiante proibir.
Sabe muito bem o que aconteceu com a gente, Nadir.
Seu pai proibiu e a gente fugiu para se casar.
Aqueles dois se gostam desde crianças.
Sempre viveram grudados e ele sempre fez todas as vontades dela.
Além do mais, o casamento não vai ser agora, só quando ele tiver dezoito anos e ela, dezassete.
Até lá, muita coisa pode acontecer.
- Não sei... tenho muito medo...
- Medo do quê, mãe?
- Nadir e Romeu se voltaram e viram quem perguntava.
Ela caminhou na direcção de Sofia e respondeu:
- Sei que você gosta do Osmar e ele de você, mas sempre disse que quando se casasse, ia embora daqui.
Sabe que, se casar com ele, continuará aqui e será infeliz.
Não quero isso pra você, filha...
- Ora mãe, eu dizia isso quando era criança, mas agora sei que, pra sair daqui, vou ter que conhecer um homem rico e isso nunca vai acontecer.
Como vou conhecer um homem rico?
O único lugar a que vou é para a feira vender as nossas coisas.
Gosto do Osmar, sei que com ele vou ser feliz.
- Está bem, já que esse é o seu desejo.
Preciso começar a fazer o seu enxoval.
Sabe que o dinheiro é pouco, por isso preciso começar agora.
- Sorriu e foi para a cozinha tomar um pouco de água.
Ao lado dela, estávamos Matilde e eu, que sorri e disse:
- É, Matilde. Tudo está caminhando como o planejado.
Se tudo der certo, eles vão se casar e vão cumprir tudo o que prometeram.
- Por que está dizendo isso, Gusmão?
Não é sempre assim?
Todos têm um destino traçado e dele não podem fugir, não é?
- Não existe destino, Matilde, o que existe são escolhas feitas.
- Eles não decidiram, quando estavam aqui, que se encontrariam, se casariam e tentariam cumprir, juntos, uma missão?
- Sim, decidiram, mas isso aconteceu quando estavam aqui, deste lado.
Todavia, na Terra, quando encarnados, tudo fica diferente.
- Por que é assim, Gusmão?
- Com o esquecimento das promessas feitas e tendo de decidir no momento, muitas vezes, infelizmente, isso não acontece, Matilde.
Para que o espírito possa evoluir, ele tem de superar todas as suas fraquezas.
Por isso, as mesmas situações sempre voltam e ele se verá envolvido nelas, até que consiga superá-las.
- E se não conseguir?
- Se não conseguir, elas se repetirão por muitas encarnações, até que o espírito consiga vencer.
- Isso sempre acontece?
- Sim, não importa o tempo que demore.
Um dia, o espírito encontra seu caminho e pode seguir tranquilo.
- Estou aprendendo tantas coisas com você, Gusmão.
Que bom que me escolheram para acompanhar você nesta missão.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:47 pm

- Eu também sei que vou aprender muito com você, Matilde.
- Aprender comigo?
Não tenho nada para lhe ensinar... você é um espírito iluminado, já conquistou sua luz, eu ao contrário, preciso caminhar muito...
- Todos sempre têm algo para aprender e para ensinar.
Embora eu tenha conquistado minha luz, não pense que sou infalível.
Assim como você, tenho meus momentos de dúvidas e de medo.
Ainda não consegui superar.
Para isso estamos aqui.
Eu e você temos muito a aprender, Matilde...
- Eu fiquei calada, não entendia o que Gusmão dizia, pois desde que ouvira falar nele, sempre foi como sendo um espírito iluminado, destacado para cumprir as missões julgadas mais difíceis.
Por isso, fiquei feliz quando fui convidada para acompanhá-lo naquela missão. – Matilde falou emocionada.
Gusmão sorriu e continuou:
- Daquele dia em diante, Sofia e Osmar começaram a namorar.
Todas as tardes, assim que voltava da roça, ele ia até a casa dela, ficavam conversando e sonhando com o futuro.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:47 pm

MOMENTO DE ESCOLHA
Sofia, ainda recostada na cama, tentou afastar o pensamento do passado e voltou a olhar para o relógio.
Havia passado apenas dez minutos, mas para ela, parecia mais de uma hora.
Nervosa, pensou:
parece que o tempo não passa!
Stela está demorando muito para telefonar.
Será que aconteceu alguma coisa? Vou telefonar.
Pegou o telefone e discou o número da casa de Stela, que atendeu:
- Dona Sofia, sabia que era a senhora.
Sei que está ansiosa, mas ainda é cedo.
Não terminei de preparar as crianças para irem à escola.
Fique calma, daqui a pouco estarei aí.
- Desculpe-me, Stela, mas estou mesmo muito ansiosa.
Sabe como essa nossa visita é importante.
- Sei, sim dona Sofia, embora ainda ache que não devíamos ir.
- Como não ir?
Estou tentando há muito tempo separar o meu filho daquela mulher!
Agora que encontrei uma maneira, não vou desistir!
- Sei que está determinada, mas não seria melhor pensar melhor e deixar para outro dia...
- Nem pensar, Stela!
Nunca deixo para depois o que posso fazer agora!
Se me conhecesse, saberia que sempre fui assim. – disse com a voz alterada.
- Está bem, vamos fazer como à senhora quer.
Estarei aí daqui a pouco.
- Estarei esperando.
Nervosa, Sofia desligou o telefone.
Pedro Henrique e os outros acompanharam a conversa.
Ele estava preocupado, mas não pôde deixar de dizer:
- Ela disse a verdade, Gusmão, sempre foi determinada e nunca deixou para depois o que pudesse fazer na hora.
Sempre que queria alguma coisa, conseguia...
- Sim, Pedro Henrique, ela sempre foi assim , eu não diria que determinada, mas obstinada.
Por isso, sempre conseguiu tudo o que quis, não se importando com nada nem com ninguém.
- Não conheço ninguém a quem ela tenha feito mal, Gusmão.
- Ela sempre soube como fazer as coisas e nunca deixou pistas de seus actos.
Isso já vem de muitas encarnações e em todas elas, sempre teve a oportunidade de mudar.
Nunca conseguiu e parece que nesta também não vai conseguir.
Vou continuar contando a história.
- Faça isso, por favor.
Preciso realmente conhecer, de verdade, a mulher com quem convivi por tanto tempo.
Gusmão sorriu e continuou:
- O tempo passou.
Sofia estava, agora, com dezasseis anos.
Transformou-se em uma linda moça.
Cabelos negros e compridos, pele morena e grandes olhos verdes.
Gustavo, protegido pelo amor de Nadir e Romeu, também cresceu e estava com sete anos.
Era um menino saudável e muito feliz.
Sofia gostava dele, mas sempre que relembrava que havia sido obrigada a parar de estudar por sua causa, sentia muita raiva e, no íntimo, nunca lhe havia perdoado.
Mas, mesmo assim, continuou levando a vida de sempre.
Ajudava na lavoura, cuidava da casa, do menino e ainda, usando uma cartilha velha, o ensinava a ler e a escrever.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:48 pm

Seu enxoval estava quase pronto e no próximo ano se casaria.
O pai de Osmar, vendo que ele ia mesmo se casar, mediu e lhe deu a terra prometida e ele já havia começado a construir a casa que no começo seria pequena, porém ele e Sofia já tinham desenhado como seria depois que ele fosse para a capital e começasse a vender sua mercadoria.
Tudo parecia caminhar bem, mas antes de renascer, ela havia combinado e desejado passar por algumas provas e, assim, conseguir deixar de ser egoísta e exclusivista.
- Não estou entendendo, Gusmão.
Ela havia combinado o quê, com quem?
- Não é difícil de entender, Pedro Henrique.
Durante várias encarnações, ela sempre foi muito gananciosa e, por isso, sempre fez tudo o que achava ser necessário para conseguir o que quisesse.
Por essa ganância, prejudicou pessoas que encontrou pelo caminho e que, segundo ela, eram empecilhos.
Antes de renascer, desta vez, pediu para ser uma criança pobre e para, através de seu trabalho, sem usar ou prejudicar qualquer pessoa, voltar vitoriosa.
Sabia que teria alguns momentos de provas, mas quando renasceu, foi com muita esperança de, desta vez, conseguir.
- Ainda não entendo por que isso tem de acontecer.
Não seria melhor deixar que tudo corresse bem, sem nada que pudesse complicar a evolução do espírito?
- Seria melhor, mais fácil, mas não seria justo.
- Ainda não estou entendendo.
- Não seria justo, pois aqueles que foram prejudicados, ficariam sem respostas e aqueles que infringiram a lei, ficariam impunes e isso não pode acontecer.
Todo crime, seja em que escala for, terá de ser corrigido e isso só é possível através da reencarnação e com a própria vontade daquele que se julga responsável.
Essa é a Lei de acção e reacção.
Para que um espírito possa continuar na sua plenitude, é necessário que corrija todos os erros ou enganos cometidos e, para que isso aconteça, será preciso que as mesmas situações se repitam para que possam ser superadas.
- Pensando-se assim, existe uma lógica.
Parece ser o certo.
- A Lei Divina é justa.
Disso pode ter certeza, Pedro Henrique.
Tudo aquilo que for feito por um espírito de bem ou de mal, voltará para quem o cometeu.
- Então não adianta o arrependimento?
Não adianta o perdão por parte daquele que foi prejudicado?
- Claro que sim, Matilde.
O arrependimento e o perdão são cruciais para o espírito.
Sem eles, não haveria como caminhar, mas mesmo assim, o espírito terá de corrigir-se a si mesmo e, para isso, precisa renascer, passar pelas mesmas circunstâncias e vencer.
Muitos amigos espirituais pedem para renascer juntos, ajudando-se na empreitada.
O espírito nunca está só.
Como aconteceu com Sofia, ela teve Romeu, Nadir, Osmar e você, Matilde, para a ajudarem a conseguir vencer.
Você também, Pedro Henrique, que esteve ao seu lado por muitas encarnações como amigo e confidente.
- Eu?!
- Sim, você.
Em algumas encarnações, estiveram juntos e juntos praticaram muita maldade e prejudicaram a muitos.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:48 pm

Essa caminhada foi longa.
Durante ela, você percebeu todo o tempo que havia perdido, se arrependeu e venceu. Sofia não.
Ela, em nome da ganância e do poder, continuou cometendo os mesmos erros.
Você, como está acontecendo agora, muitas vezes torceu para que ela vencesse e sofria quando via que ela não conseguiria.
O mesmo aconteceu com Nadir, Romeu, Osmar, Gustavo e você, Matilde. Venceram.
Poderiam continuar a jornada sozinhos, mas estiveram juntos durante muito tempo e nunca quiseram se separar e, assim que um conseguia sua libertação, continuava renascendo para ajudar os que restavam.
Daquele grupo que se iniciou há muito tempo, só resta Sofia e talvez, desta vez, possam seguir juntos.
Eu e Matilde, embora neste momento não saibam, também fazemos parte do mesmo grupo e, apesar de, desta vez não havermos renascido, sempre estivemos ao lado de todos vocês, procurando ajudar no que fosse possível.
Agora, todos nós juntos, precisamos orar com muita fé para que
Sofia consiga vencer.
- Por tudo o que estamos vendo, não vai ser fácil.
Ela ainda continua se deixando envolver pelos mesmos sentimentos de ganância e poder.
- Infelizmente, você está com a razão, Matilde, mas não podemos perder a esperança.
Sabemos que, para Deus, nada é impossível.
- Esperamos que sim. Gusmão, pode continuar nos contando a história e qual foi à primeira prova pela qual ela teve que passar?
- Sim, vou continuar, mas antes, prestem atenção em como ela está nervosa e ansiosa.
Parece mesmo que a nossa conversa a está afectando e as lembranças a estão confundindo.
Todos se voltaram para Sofia que continuava recostada na cama, olhando a todo instante, para o relógio: Stela está demorando.
Será que aconteceu alguma coisa?
O pior é que não entendo por que estou me relembrando de coisas que sempre quis e consegui esquecer.
Não conseguia esconder sua irritação.
Levantou-se, foi até a janela, olhou para o jardim e para a alameda pela qual Stela deveria chegar.
Estava tudo calmo, apenas pôde perceber que um vento leve balançava as folhas.
Ficou ali por alguns segundos.
Pedro Henrique e os outros acompanhavam seus movimentos.
Ele perguntou:
- Gusmão, a nossa presença aqui está fazendo com que ela se recorde?
- Sim, com isso, estamos tentando levá-la a desistir da visita programada e, quem sabe se arrepender e voltar para o caminho.
- Para o nosso Pai, a palavra “nunca” não existe, Matilde.
Sempre haverá o momento do arrependimento, não importa quanto demore.
Sofia, agora, está tendo mais uma chance.
Todos nós estamos aqui para isso.
Nós a amamos, queremos continuar a nossa caminhada, mas não iremos sem ela.
Se algum de vocês quiser desistir, pode fazer sem constrangimento.
Conseguiram, através dos tempos, esse direito.
Gusmão olhou para eles, que sorriram demonstrando que permaneceriam ali o tempo que fosse necessário.
O único que sabia da história deles era Gusmão, mas sentiam que sempre estiveram juntos e que assim permaneceriam.
Sofia era uma deles e ficariam ao seu lado até que conseguissem fazer com que ela os acompanhasse.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:48 pm

Matilde disse:
- Sabe que ficaremos, Gusmão.
Eu e, acredito que os outros, não nos recordamos de como tem sido a nossa caminhada, por isso, gostaríamos que continuasse nos contando o que Sofia fez de certo ou errado nesta encarnação.
- Claro que vou continuar.
Não só por todos nós, mas principalmente, pela própria Sofia.
Tudo corria bem e parecia que o destino já estava traçado, mas não foi bem assim.
Sofia deveria passar pela prova de que já havia lhes falado.
Em um sábado à tarde, enquanto Gustavo brincava com um carrinho feito de madeira, Sofia estava lendo, sentada em um banquinho do lado de fora da casa.
Gustavo gritou:
- Sofia, olha aqueles homens chegando!
- Ela levantou os olhos do livro que estava lendo e viu, ao longe na estrada, vários homens que, montados a cavalos, se aproximavam.
Aquilo não era normal, por isso, curiosa e um pouco assustada, se levantou, colocou Gustavo atrás de si e ficou olhando.
Seu pai, que estava na lavoura, também viu os cavaleiros e caminhou em direcção à cerca que separava a casa da estrada e chegou minutos antes dos cavaleiros.
Eles se aproximaram e desceram dos cavalos.
Entre todos, Sofia olhou para um em especial.
Um jovem bonito, elegante e com um lindo sorriso.
Assim que desceram dos cavalos, um dos homens, o mais velho de todos, disse:
- Boa tarde, senhor.
Estamos com sede e indo para a cidade, será que poderia nos oferecer um copo com água?
- Romeu, o pai de Sofia, sorriu e olhando para ela, disse:
- Sofia, vai buscar água pros homens.
- Sofia, tímida, entrou em casa, pegou uma moringa de barro que estava cheia de água, algumas canecas de alumínio e foi até a cerca, onde seu pai e os cavaleiros estavam.
Começou a encher as canecas e a oferecer aos cavaleiros.
Quando se aproximou do jovem, seus olhos se encontraram, sentiram o coração bater mais forte.
Ele, sorrindo, disse:
- Sofia, seu nome é muito bonito, assim como você.
- Ela, envergonhada, sem saber o que dizer, abaixou os olhos.
Os homens terminaram de beber a água, montaram novamente nos cavalos e foram embora.
O rapaz, sem tirar os olhos de Sofia, montou no cavalo e afastou-se.
Ela não sabia o que fazer ou pensar.
Romeu voltou para a lavoura e ela ficou olhando os cavalos se afastarem até que sumissem.
Depois, voltou a sentar-se no banquinho, pegou o livro que estava lendo e tentou continuar a leitura, mas não conseguia afastar do pensamento os olhos daquele rapaz.
- Eu me lembro desse dia, Gusmão.
Estava voltando da cidade, eu, meu pai e alguns amigos.
Também fiquei impressionado quando vi Sofia.
Ela era linda!
Não sabia que ela havia ficado pensando em mim.
Achei que não a tinha impressionado.
- Ficou impressionada, sim, Pedro Henrique.
Vocês não sabiam, mas aquele encontro havia sido planeado antes de renascerem.
Depois daquele dia, ela não conseguiu mais esquecer o rosto do rapaz e, principalmente, seus olhos.
Pensava: quem será ele?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:48 pm

Onde será que mora?
Por que não consigo me esquecer daqueles olhos?
- Passaram-se três meses.
O casamento estava marcado para daí a quatro meses.
A casa estava quase pronta e Osmar sorria feliz ao vê-la dessa maneira.
Sofia sabia que, embora fosse continuar morando ali, seria feliz com Osmar.
De vez em quando, ela se lembrava do rapaz da água, mas logo afastava o pensamento:
não adianta ficar pensando nele.
Sei que nunca mais vou ver aquele rosto e, principalmente, aqueles olhos.
Como ele é bonito...
- Em uma tarde, ela estava no tanque lavando roupa, quando Gustavo veio para junto dela, gritando e gesticulando muito:
- Olha lá, Sofia!
Aquele moço está chegando!
- Que moço?
- Aquele para quem você deu água!
- Ela olhou para onde o irmão apontava.
Realmente, o rapaz se aproximava.
O calor era imenso, ela estava suada e com os cabelos presos.
Uma situação que não gostaria que ninguém visse, muito menos ele.
Tentou entrar em casa para se esconder, mas não deu tempo.
Ele já havia descido do cavalo e estava no portão da casa.
Sorrindo, perguntou:
- Olá, Sofia!
Está tudo bem com você?
- Ela, trémula, ficou olhando sem conseguir responder.
Ele interpretou aquela reacção como se ela não o tivesse reconhecido.
- Também não me recordo desse dia!
Realmente, achei que ela não havia me reconhecido e, meio sem graça, perguntei:
- Não está me reconhecendo?
Pois eu, desde que a vi naquele dia, não consegui esquecer você ...
- Eu falei pra ela que o senhor é aquele moço pra quem ela deu água! – disse Gustavo.
- Até seu irmão se lembra de mim, Sofia!
Como você pode ter esquecido?
- Foi assim mesmo que aconteceu, Pedro Henrique.
Ela continuou calada e com os olhos baixos.
Romeu, que estava na lavoura, viu quando você se aproximou e foi ao seu encontro.
Quando chegou, disse:
- Boa tarde, moço.
Posso saber o que está fazendo por estas bandas?
- Boa tarde.
O senhor não está se lembrando de mim?
- Não moço, não estou me lembrando...
- Estive aqui uma vez com meu pai e alguns amigos e o senhor nos ofereceu água.
- Ah... estou me lembrando...
- Ainda bem. Meu nome é Pedro Henrique.
Sou filho do Coronel José António.
- O Prefeito?
- Ele mesmo. Compramos o sítio aqui ao lado do seu e outras terras vizinhas.
Isso já faz um bom tempo.
Eu estava estudando fora e, agora que voltei, vamos construir uma casa para a família passar os fins de semana e transformaremos tudo aqui em uma grande fazenda de gado.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:49 pm

Queria saber se o senhor pode nos emprestar água, até que o nosso poço fique pronto.
- Sabia que o compadre Manezinho tinha vendido às terras faz muito tempo, mas não sabia que quem tinha comprado era o Prefeito.
- Quando meu pai comprou, ainda não era Prefeito.
Depois daquele dia que passamos por aqui, vi como tudo neste lugar é bonito.
Sabia que meu pai tinha estas terras e o convenci a construir a casa.
- Foi isso mesmo que aconteceu! – eu falava, olhando para o pai de Sofia mas muito mais para ela, que parecia me ignorar. Continuei falando:
- A casa vai ser muito grande e bonita.
Desenhei a planta e ela já foi aprovada.
Já podemos começar.
O senhor pode nos dar a água?
- Claro que sim! O meu poço tem muita água.
- Obrigado. Agora preciso ir embora.
Vou falar com o engenheiro.
Preciso dizer a ele que já podemos começar a construção.
Amanhã mesmo, alguns homens virão para começar a limpar o terreno e a perfurar o poço.
Obrigado pela água, senhor... desculpe, mas não sei o seu nome.
- Meu nome é Romeu.
- Pois bem, senhor Romeu.
Obrigado pela água, garanto que não se arrependerá de nos ajudar.
- Assim dizendo, você montou no cavalo e saiu dando adeus com a mão.
Sofia, que o tempo todo ficou estática, sem mover um músculo, acompanhou toda a conversa e com os olhos o seguiu até que desaparecesse.
Nadir, que havia se aproximado e que só ouviu o final da conversa, perguntou:
- O que aconteceu, Romeu?
Quem é esse moço?
- É o filho do Prefeito, mulher.
- Filho do Prefeito?
O que ele quer aqui?
- O compadre Manezinho vendeu as terras pro Prefeito.
- Foi pro Prefeito?
Por que ele não contou?
- Não sei mulher, mas o moço disse que naquele tempo o pai dele ainda não era Prefeito.
O compadre queria muito ir embora daqui, só disse que tinha vendido às terras.
- O que o moço queria?
- Ele disse que o Prefeito vai fazer uma casa e que eles vão vir no fim de semana e vão criar gado.
Já pensou mulher, a gente ser vizinho do Prefeito?
Ele queria saber se eu podia dar água pra eles, enquanto o poço não fica pronto.
- Nossa! Deve ser uma casa muito bonita.
- Deve mesmo...
- Você vai dar a água?
- Claro que vou.
A gente tem muita e, além do mais, ele é o Prefeito.
Agora, vamos voltar pro trabalho.
- Os pais de Sofia voltaram para a roça.
Ela, só aí conseguiu respirar com tranquilidade.
Suas pernas ainda tremiam, por isso, entrou em casa e se sentou em uma cadeira.
Não estava acreditando que, depois de tanto tempo, ele havia estado lá.
Nem no que ele disse, que não a havia esquecido.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:49 pm

Não estou acreditando que tudo isso aconteceu. Ele voltou!
Disse que não me esqueceu!
Será que é verdade mesmo?
Ele me olhou de um jeito... não sei o que pensar.
Não que eu já tivesse me esquecido dele, mas nunca pensei que um dia ele voltaria.
Preciso parar de pensar nele.
Vou me casar com o Osmar.
É só com isso que tenho de me preocupar.
Já está quase tudo pronto.
- No dia seguinte bem cedo, vários homens chegaram e começaram a trabalhar.
Depois do almoço, você Pedro Henrique, também chegou e foi para junto da cerca que separava suas terras das dos pais de Sofia.
Ela estava na cozinha lavando a louça do almoço, quando ouviu alguém batendo palmas.
Saiu para ver de quem se tratava e o encontrou.
Notou que você estava mais bonito do que no dia anterior.
Sorrindo, disse:
- Boa tarde, como você está, Sofia?
- Ela, com voz trémula, respondeu:
- Estou bem, mas o que o senhor quer?
- Não me chame de senhor, não sou tão mais velho que você.
Já disse que meu nome é Pedro Henrique.
Estou aqui por dois motivos:
primeiro, queria saber se podia me arrumar uma moringa com água.
- Claro que posso dar a água.
Meu pai já autorizou.
Qual é o outro motivo?
- Precisava ver você.
Não consigo esquecer como me olhou naquele dia em que me deu a caneca com água... podemos conversar?
Pedro Henrique começou a rir, dizendo:
- Parecia que eu estava calmo, mas não era a verdade, Gusmão.
Estava encantado com ela e precisava de alguma desculpa para me aproximar.
Tentei ser o mais normal possível, mas foi difícil.
Tinha medo de que ela descobrisse o meu nervosismo.
- Ela não desconfiou, assim como você também tentava disfarçar.
Percebeu que todo o sangue de seu corpo subia para seu rosto.
Sabia que ele estava vermelho.
Demonstrando uma força que não sentia, respondeu:
- Não tenho nada para falar com o senhor.
Espere um pouco que vou pegar a moringa e encher com água do poço.
- Com muito esforço, conseguiu entrar em casa.
Seu coração batia forte e, enquanto pegava a moringa, pensava:
ele é muito bonito, mas só está querendo brincar.
Não posso me deixar envolver.
Vou me casar com o Osmar.
Pedro Henrique disse, emocionado:
- Eu não estava querendo brincar, Gusmão, havia me apaixonado assim que a vi!
- Sei disso, mas ela não sabia.
Pegou a moringa, saiu e caminhou em direcção ao poço.
Mesmo antes de chegar lá, viu você que tirava a água do poço, usando para isso, uma manivela onde, na ponta de uma corda, estava amarrado um balde.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:49 pm

Quando ela chegou perto do poço, o balde estava quase em cima.
Você, calado e olhando em seus olhos, pegou a moringa de suas mãos e a encheu com a água.
Sofia tentou desviar os olhos mas não conseguiu.
Eles eram como um ímã que a atraía.
Você terminou de encher a moringa e sorrindo, disse:
- Obrigado pela água.
Vou levar para os homens e depois mando um deles vir devolver a moringa. Até amanhã.
- Ela se desapontou, pois pensou que você ficaria mais um pouco tentando conversar, mas você se afastou e caminhou firme.
Quando estava a uns quinze metros distante dela, se voltou e sorrindo, acenou.
Foi para junto dos homens, distribuir a água.
Pedro Henrique estava feliz recordando-se daquele tempo que parecia tão distante. Disse:
- Eu não podia ficar ali, Gusmão.
Estava nervoso e não sabia o que dizer.
- Ela também estava fingindo.
Assim que você saiu, ficou escondida atrás de uma árvore, viu quando você montou no cavalo e se afastou.
Embora não quisesse, não conseguia deixar de pensar em você.
Quase não conseguiu dormir naquela noite.
Estava ansiosa para que o dia amanhecesse, pois sabia que você voltaria e era o que ela mais queria: vê-lo outra vez.
No dia seguinte, levantou cedo e pensou:
ontem, quando ele me chegou estava desarrumada, mas hoje vai ser diferente.
Vou terminar bem depressa o serviço da casa e, depois do almoço quando ele chegar, vou estar bem bonita...
- Foi o que fez.
Cuidou da casa, lavou a roupa e foi para a cozinha preparar o almoço.
Sabia que, em poucos minutos, seus pais chegariam para almoçar.
Pensou: assim que todos almoçarem e eu arrumar a cozinha, vou tomar um banho e colocar o meu vestido verde.
Sei que não é novo, mas é o mais bonito que tenho e bem melhor do que aquele com que eu estava ontem.
Sei que aquele moço só está querendo brincar comigo, mas mesmo assim, não quero que me veja desarrumada.
Ele é tão lindo.
Nossa, o Osmar não pode nem imaginar que eu estou pensando essas coisas!
Estava assim pensando, quando ouviu o som de batidas de palmas.
Foi até à porta da cozinha, olhou para o portão, não havia ninguém.
Achou que fosse Gustavo querendo brincar.
Estava voltando para a cozinha, quando ouviu uma voz que a fez estremecer:
- Bom dia.
Está vindo um cheiro muito bom da sua cozinha.
Está preparando o almoço?
- Ela ficou apavorada quando viu você, Pedro Henrique, do outro lado da cerca e bem perto da cozinha, onde ela estava.
- Sim, é verdade Gusmão.
Eu voltei, mas fora de hora.
Não sabia o que ela sentia por mim.
Achei que chegando de repente poderia sentir sua reacção.
- Sim, e você tinha razão.
Para ela, foi uma surpresa.
Não estava preparada para que você a visse.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:50 pm

Com a voz trémula, respondeu:
- Bom dia, estou sim, terminando o almoço.
Veio pegar a moringa com água?
Um dos homens veio mais cedo e levou. Já terminou?
- Não, ainda tem água na moringa.
Vim mais cedo somente para ver você.
Não conseguia mais esperar e, como sempre, está muito bonita.
- Ela, entre nervosa e feliz, disse:
- Moço, sou pobre e minha família é humilde, mas isso não dá direito ao senhor de vir com brincadeira!
- Quem está brincando? Não precisa ficar nervosa...
desde aquele dia em que me deu a água, não consegui mais me esquecer de você.
Só não voltei antes porque tive de ir embora para terminar o ano de faculdade.
Mas, agora voltei e quero realmente conhecer você melhor.
Se quiser, se sentir algo por mim, posso conversar com seu pai e pedir autorização para podermos começar a namorar.
- Ao ouvir aquilo, ela ficou mais nervosa ainda:
- O senhor está mesmo de brincadeira e eu não tenho tempo para isso!
Se não for embora agora mesmo, vou mandar chamar meu pai!
- Por que acha que estou brincando?
- Como um moço igual ao senhor pode se interessar por uma moça igual a mim?
- Uma moça igual a você, como?
- Sou pobre, não tenho instrução, enquanto o senhor é rico, instruído e além de tudo, é filho do Prefeito.
- Nada disso que falou tem valor algum para mim.
A única coisa que sei é que, quando a vi naquele dia, senti que você era a mulher que eu queria para viver ao meu lado durante toda a minha vida.
Precisa acreditar nisso, Sofia...
- Não pode ser!
- Não pode ser, por quê?
- Isso não vai dar certo.
Mesmo que fosse verdade que sente isso por mim, acha que seus pais me aceitariam? Nunca!
Eles devem querer uma moça à sua altura, não uma pobretona e ignorante como eu...
- Pobre você é, mas ignorante não.
Você conversa muito bem e tenho quase certeza, deve ler muito.
- Leio mesmo, mas não tenho diploma algum.
- Isso é só uma questão de você querer estudar.
Quando nos casarmos, poderá frequentar uma escola ou mesmo ter uma professora que venha em casa lhe dar aula.
- Ela olhou para você, Pedro Henrique, sem acreditar no que estava ouvindo.
Tudo aquilo era o que ela, muitas vezes havia sonhado e desejado, mas sempre soube que era um sonho que nunca poderia se realizar.
Ela se julgava muito distante de você e da sua família.
Não acreditava, mesmo quando não sabia quem você era, imagine agora, sabendo que era de uma família rica e filho do Prefeito.
Começou a chorar.
- Como está me fazendo bem relembrar o passado, Gusmão.
Lembro-me muito bem daquele dia e, ao ver que ela estava chorando, dei a volta, fui até o portão, abri o trinco e comecei a entrar no quintal.
- Sim, você não percebeu, mas Romeu e Nadir estavam vindo para o almoço e ao vê-lo entrando em seu quintal e se aproximando de Sofia, Romeu apressou o passo, deixando Nadir para trás.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:50 pm

- Quando você estava se aproximando de Sofia, viu que Romeu chegava, parou.
Ele, vendo a filha chorando, perguntou aflito:
- Que está acontecendo aqui, Sofia?
E o senhor, o que está fazendo dentro de meu terreiro?
- Bom dia, senhor Romeu.
Não está acontecendo nada.
Somente estou tentando convencer Sofia a me deixar falar com o senhor, mas parece que ela não quer.
- Não quer, por que, Sofia?
Por que está chorando?
Ele falou alguma coisa que ofendeu você?
- Ela não conseguia responder.
Embora tivesse ficado o tempo todo pensando em você, nunca imaginou que aquilo aconteceria.
Como não respondeu, Romeu ficou mais nervoso ainda e gritou:
- Moço! Não sei o que o senhor falou ou fez para minha filha, mas por favor, quer sair do meu terreiro?
- Você, Pedro Henrique, também surpreso com a reacção de Sofia, disse:
- Espere, senhor, se ela quiser que eu vá, eu vou, mas preciso que ela mesma diga isso.
Sofia, se você não disser alguma coisa e eu for embora agora, nunca mais me verá.
Está em suas mãos realizarmos tudo o que conversamos.
- Sofia olhou primeiro para você e depois para o pai, abaixou os olhos e disse:
- Ele estava dizendo que gosta de mim, pai e que quer se casar e pediu pra conversar com o senhor.
- O quê?!
- É isso mesmo, senhor Romeu.
- O senhor deve estar brincando, moço! – Romeu gritou.
- Não estou brincando, não, senhor.
Quero mesmo namorar sua filha e me casar com ela.
Isso só não acontecerá se ela não quiser.
Nadir e Gustavo aproximaram-se e, calados, ficaram ouvindo a conversa.
A mãe de Sofia apertou o braço do marido e disse:
- Espere ai, Romeu. Não fale nada.
Parece que o moço está sendo sincero.
Sofia é quem tem de decidir.
- Está doida, mulher!
Não vê que esse moço só está querendo brincar com a gente e com a nossa filha?
- Eu, naquele dia, fiquei desnorteado, Gusmão.
Não entendia a causa de tanto nervosismo.
Estava sendo sincero.
Minhas intenções eram as melhores possíveis.
Lembro-me de que disse nervoso:
- Brincando por que, senhor Romeu?
Gosto mesmo da sua filha e quero me casar com ela...
- Porque é um moço rico e acha que pode brincar com uma moça de família pobre.
A gente é pobre, mas é honesta.
Sofia, você disse pro moço que está noiva e quase se casando?
- Noiva? Quase casando?
- Você, Pedro Henrique, perguntou com a voz trémula.
- Estou me lembrando, Gusmão, fiquei surpreso pois só naquele momento fiquei sabendo que ela estava compromissada.
Ela respondeu para seu pai com a voz trémula.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 7:50 pm

- Eu não disse, pai.
Ele não deu tempo.
- É isso mesmo, moço.
Ela está noiva e vai se casar daqui a três meses.
- Você, Pedro Henrique, parecendo ter levado um soco no rosto, empalideceu e ficou alguns segundos sem nada dizer.
Depois disse:
- Preciso pedir desculpas ao senhor e a você, Sofia.
Realmente não dei tempo para que me contasse.
Até mais.
- Você se afastou lentamente, parecendo ter o mundo em suas costas.
- Fiquei abatido porque nunca passou pelo meu pensamento que ela tivesse um namorado.
Assim que a vi, me apaixonei e quis que fosse minha para sempre.
- Sei disso, Pedro Henrique.
Sofia o acompanhou, com os olhos.
Seu coração batia forte.
Ela estava vendo a oportunidade de sua vida, aquilo com que sempre havia sonhado, escapar de suas mãos.
Tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu.
Chorando, entrou em casa.
Seu pai e sua mãe, nervosos, entraram atrás dela.
Ela chorava muito.
Seu pai, pegando-a pelo braço, perguntou?
- Que aconteceu lá fora, Sofia?
O que você fez para que aquele moço falasse daquela maneira?
- Não fiz nada, pai!
- Como não?
Você acha que ele ia querer falar comigo se você não tivesse feito alguma coisa para ele pensar que podia fazer isso?
- Não sei o que ele pensou, pai! Não fiz nada!
- Não estou gostando nada disso, Sofia!
Você é uma moça séria e não pode se esquecer de que está de casamento marcado.
- Sei disso...
Romeu saiu e Nadir perguntou:
- Sofia, o que aconteceu?
Vi um brilho diferente nos seus olhos.
- Não aconteceu nada, mãe! Que coisa!
Por que está me perguntando isso?
- Parece que você gostou de ouvir o moço dizendo aquelas coisas.
- Não gostei e não sei por que ele disse aquilo.
- Está bem. Não vou insistir.
Você é quem sabe da sua vida, mas como disse o seu pai, não pode se esquecer de que está com o casamento marcado.
- Não vou me esquecer, mãe.
Assim dizendo, saiu e foi se sentar naquele mesmo banquinho.
Já sentada, começou a pensar:
- Sei que estou com o casamento marcado, mas será que é isso mesmo o que quero?
Ele, além de muito bonito, é o filho do Prefeito e pode me dar tudo aquilo com que sempre sonhei.
Se me casar com o Osmar, pode ser que algum dia consiga ter alguma coisa.
Pode ser... se o plano dele der certo, mas... e se não der?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:03 pm

Vou continuar vivendo aqui, nessa pobreza, e em pouco tempo vou estar velha, cheia de filhos e todos eles, como eu, continuarão vivendo nesta miséria... será que é isso que quero pra minha vida?
- Olhou para frente e viu Osmar que, sorrindo, se aproximava.
Ele estava com a roupa limpa e com os cabelos bem penteados.
Ela, olhando para ele, pensou: Osmar é um bonito rapaz e sei que gosto muito dele.
Mas... seria tão bom se aquele moço estivesse falando a verdade e que realmente gostasse de mim.
Eu poderia me casar com ele e ter tudo com o que sempre sonhei.
- Nunca imaginei que ela havia pensado isso, Gusmão.
Ela parecia tão criança, sem saber de nada dessa vida...
- Ela não sabia muito da vida, Pedro Henrique, mas ela sabia que se casasse com você, teria tudo.
Pedro Henrique engoliu seco, sem conseguir esconder seu espanto e desilusão, Gusmão continuou:
- Osmar se aproximou e, beijando os lábios de Sofia, perguntou admirado:
- Você ainda não está pronta, Sofia?
Esqueceu-se da festa?
- Ela, só naquele momento se lembrou da festa de aniversário de Ataíde, rapaz que morava em um dos sítios da redondeza.
Sem graça, respondeu:
- Esqueci, Osmar.
Mas não se preocupe, em poucos minutos vou estar pronta.
- Como esqueceu, Sofia?
Você sabe que o churrasco vai ser bom e que vai ter baile.
A gente vai poder dançar muito!
- Precisa me desculpar Osmar, me esqueci mesmo, mas já vou entrar e volto bem depressa.
- Está bem, enquanto isso vou procurar seu pai e perguntar se ele não pode ir lá na nossa casa.
Já está pronta, só falta pintar.
Acho que ele vai querer me ajudar a fazer isso.
Meus irmãos me ajudaram na construção e disseram que a pintura vai ficar por minha conta.
- Ela ficou calada, apenas sorriu e entrou.
Osmar viu Romeu que estava a alguns passos dali, dando comida para os porcos.
Foi na direcção dele. Sofia entrou.
Poucos minutos depois, saiu.
Estava com seu vestido verde e com os cabelos soltos.
Como sempre, muito bonita.
Foi até Osmar, que continuava ao lado de Romeu.
Assim que se aproximou, disse:
- Estou pronta, Osmar.
Já podemos ir.
- Osmar olhou para ela da cabeça aos pés e não conseguiu deixar de falar:
- Você está linda, Sofia.
É mesmo a moça mais bonita desta redondeza!
- Ela sorriu, olhou para o pai que estava com o rosto crispado.
Sabia muito bem o que ele estava pensando, mas ficou calada.
Osmar, não cabendo em si de tanta felicidade, disse:
- A gente já está indo, seu Romeu mas não precisa se preocupar, a gente não vai voltar tarde.
Só vamos comer bastante churrasco e dançar um pouco.
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Ave sem Ninho

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:03 pm

- Está bem, meu filho.
Sei que posso confiar em você.
Só não sei dizer se posso pensar o mesmo da Sofia...
- Por que está dizendo isso, seu Romeu?
O que ela fez? O que está acontecendo?
- Sofia pegou Osmar pelo braço e sorrindo, respondeu:
- Não está acontecendo nada, Osmar.
Sabe como meu pai é implicante.
Vamos embora.
Estou louca de vontade de comer churrasco e de dançar.
- Ele, sem imaginar o que havia acontecido, acompanhou-a.
Romeu ficou olhando os dois se afastarem e pensou:
Tomara que essa menina não faça uma bobagem com a sua vida...
O Osmar é menino muito bom e não merece sofrer, muito menos ser enganado...
- Nunca imaginei que isso estivesse acontecendo, Gusmão.
- Mas aconteceu, Pedro Henrique.
Osmar e Sofia caminhando, foram para a festa.
Comeram, dançaram e se divertiram muito, ela perguntou:
- Osmar, você quer mesmo se casar agora?
- Claro que sim, Sofia.
É o que mais desejo!
Mas, por que está me perguntando isso?
- Não sei, estou com medo...
- Medo do quê, Sofia?
- Acho que a gente é muito criança, não sei se estou preparada pra me casar...
- O que é isso, Sofia?
A gente vai se casar e ficar junto pro resto da vida! Já pensou?
A gente vai poder dormir e acordar junto todos os dias e, logo, vamos ter nossos filhos!
Sei que a gente vai ser feliz!
- Não sei, Osmar... não sei...
- Deixa disso, você está preocupada, sei bem com o quê.
Mas não precisa.
Sei que, quando eu for para a capital, vou conseguir vender toda a nossa mercadoria e vou ficar rico.
Tenho certeza disso, Sofia!
- Ela olhou para ele e tentou adivinhar o seu futuro.
Não conseguia deixar de pensar em você, Pedro Henrique, ele além de ser muito bonito, tem um sorriso lindo e vai poder me dar tudo.
Se me casar com Osmar, talvez um dia, ele consiga me tirar deste lugar e me dar algum conforto, mas nunca será o que o filho do Prefeito pode me dar.
O que Osmar me oferece parece ser muito bonito, mas está muito distante e por enquanto, não passa de um sonho.
Ao contrário do filho do Prefeito, que pode me dar tudo, agora, nesse momento.
Pedro Henrique ouvia o que Gusmão dizia.
Relembrava-se daquele tempo e sentiu-se mal ao perceber que Sofia havia se casado com ele somente por interesse.
Gusmão percebeu que ele estava abatido e triste, perguntou:
- Se quiser, posso parar de falar, Pedro Henrique.
Parece que essas revelações não estão fazendo bem a você...
- Tem razão, Gusmão.
Estou surpreso e não entendo como fui enganado durante tanto tempo, mas precisa continuar relembrando para que Sofia também relembre.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:03 pm

Essa, agora, é a nossa missão.
- Tem certeza?
Quer mesmo que eu continue?
- Sim, Gusmão.
Se eu tivesse descoberto tudo isso quando estava na Terra, talvez não entendesse e me revoltasse, mas hoje, deste lado, aprendi muito e sei que tudo sempre é como deve ser.
Que todos renascemos para tentar nos aprimorar sempre mais e que esse aprimoramento é muito difícil e que nem todos conseguem.
Sofia vivia uma vida muito difícil.
Era justo tentar mudá-la.
- Ainda bem que pensa assim.
Tem razão, nossa missão é fazer com que Sofia se encontre e possa nos acompanhar.
Vou continuar. A festa terminou e eles iniciaram a caminhada de volta.
Após o diálogo entre Osmar e Sofia, esta se calou.
Enquanto caminhavam, só Osmar falava.
Quando chegaram a casa, Sofia com um beijo se despediu dele e entrou.
Romeu já estava deitado.
Nadir estava passando roupa e, assim que a viu, perguntou:
- Como foi à festa, Sofia?
- Foi muito boa, mãe.
Tinha bastante carne e a gente dançou muito.
- Que bom, minha filha.
Mas, parece que você não está feliz.
Que aconteceu?
- Nada, mãe. Só estou pensando se quero me casar mesmo.
A senhora não acha que sou muito nova e que deveria esperar mais um pouco?
- Sempre achei isso, mas você não quis me ouvir.
Você é muito nova e bonita.
Pode esperar mais um pouco de tempo.
Casando-se agora, logo vai estar cheia de filhos e essa juventude vai acabar bem depressa, assim como aconteceu comigo.
Além do mais, percebi como você ficou quando aquele moço disse aquelas coisas.
Você gostou dele, não foi?
- Gostei, mãe, mas sei que ele só está querendo brincar...
- Será que é isso mesmo, Sofia?
E se ele estivesse dizendo a verdade e se quisesse mesmo se casar?
- Não pode ser, mãe.
Ele, além de muito bonito, é um moço rico e pode ter a mulher que quiser.
Não ia escolher uma moça como eu...
- Por quê? Você também é muito bonita.
Não é rica, mas é inteligente.
Sempre leu muito, por isso sabe conversar bem.
Não sei, não, mas me pareceu que ele estava falando a verdade.
Se ele só quisesse brincar, não tinha falado daquele jeito com seu pai.
Acho que ele estava interessado mesmo ...
- Será, mãe?
- Não sei, mas de uma coisa tenho certeza, o que tiver de ser, será.
A gente quando nasce, já traz um destino e ninguém pode mudar.
- Não sei não, mãe.
Não quero ficar pensando nessas coisas.
Embora saiba que se fosse verdade, eu poderia ter tudo àquilo com que sempre sonhei.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:04 pm

Poder morar na cidade, frequentar cabeleireiro, ir a qualquer loja e comprar a roupa que quiser.
Já pensou, mãe, como eu ia ser feliz?
- Ia mesmo, filha.
Ia ser muito bom...
- Também acho, mas sei que não passa de um sonho.
Um moço como aquele só está querendo brincar.
- Sofia beijou a mãe na testa e foi se deitar.
Já na cama não conseguia se esquecer de você, Pedro Henrique e de como você era bonito.
Depois de algum tempo, adormeceu.
- Estou surpreso com tudo o que nos contou, Gusmão.
- Sei disso e não era para menos.
Ela sempre foi determinada e soube fazer as coisas, como está fazendo agora.
- Tomara que desta vez consigamos fazer com que desista.
- Tomara, Matilde... tomara...
- Gusmão, sabe que preciso me preparar para a palestra que, todos os dias, dou para os recém-chegados.
Preciso ir.
- Está certo, Matilde. Pode ir.
Eu, Maria Rita e Pedro Henrique vamos continuar ao lado de Sofia.
Matilde, sorrindo e acenando com a mão, se despediu.”
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:04 pm

A CAMINHO DO MAL
Sofia, ainda deitada na cama, estava inquieta.
Levantou-se e balançou a cabeça na tentativa de afastar os pensamentos.
Irritada, pensou: por que isso agora?
Por que relembrar o passado?
Onde está Stela que não chega?
Não quero ficar relembrando, isso não importa agora!
Preciso me concentrar naquilo que decidi fazer!
Aquele homem vai fazer um trabalho e sei que vou conseguir separar aquela mulher do meu filho!
Ele é muito bom e não merece ficar casado com ela!
Ela não presta e sua família também não!
Ficou andando pelo quarto.
Embora não quisesse, não conseguia deixar de relembrar: quando conheci o Pedro Henrique, percebi que minha vida poderia mudar.
Ele tinha tudo para me fazer feliz. Gostava de Osmar.
Eu o conhecia desde criança, mas sabia que ele continuaria pobre e viveria naquela pobreza com a qual, por mais que eu quisesse, não conseguia me acostumar.
Não queria isso para o resto da minha vida.
Eu não podia me arriscar!
Não tinha certeza se Pedro Henrique estava dizendo a verdade ou só querendo brincar, por isso foi até aquele lugar.
- Aonde ela foi, Gusmão?
O que ela fez?
Pedro Henrique perguntou nervoso.
Gusmão ia responder, mas o telefone tocou e Sofia atendeu.
- Alô! É você, Stela?
- Claro que sou eu, dona Sofia.
Quem lhe telefonaria a essa hora da manhã?
- Não vou ficar braba com você, porque estou muito nervosa. Já está vindo?
- Sim, terminei de arrumar as crianças, vou levá-las para a escola e depois vou para aí.
Dentro de mais ou menos vinte minutos estarei chegando.
- Até que enfim!
Estou cansada de esperar!
- A senhora está ansiosa.
Fique calma, estou chegando.
- Está bem, vou esperar você lá no jardim.
Desligou o telefone.
Pegou sua bolsa e saiu do quarto.
Desceu a escada, entrou na sala, olhou tudo e para a fotografia de Pedro Henrique, sorriu e saiu.
No jardim, sentou-se em um banco, sob uma árvore.
Ficou olhando à sua volta e pensando:
depois de tanto tempo, ainda me admiro com a beleza desta casa.
Realmente ela é linda!
Às vezes fico pensando em tudo o que fiz para conseguir melhorar de vida.
Embora tenha sonhado muito e desejado, na realidade nunca pensei que conseguiria tanto.
Esta casa é muito mais do que sonhei um dia...
Ficou ali por um tempo que, para ela pareceu uma eternidade.
Pedro Henrique, nervoso, perguntou:
- Ela vai mesmo fazer o que planeou, Gusmão?
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