SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:04 pm

O tempo todo que estamos aqui fazendo com que se relembrasse de nada adiantou?
Precisamos impedir!
- Sei que está aflito, Pedro Henrique, pois sabe que com essa atitude, ela está se envolvendo com as forças do mal.
Mas, infelizmente, nada poderemos fazer.
Estamos aqui fazendo com que ela relembre, na tentativa de que mude de ideia.
Nada mais podemos fazer além disso.
Ela tem seu livre-arbítrio e não temos como interferir nele.
- Não consigo me conformar com isso, Gusmão!
Deveria existir uma maneira de que coisas como essa fossem impedidas.
Sofia está dominada pelo ódio que sente por Anita.
Eu, até hoje, não entendi o motivo.
Ela é uma boa moça, estudada, sua família tem boa situação financeira e é muito respeitada e, o mais importante, ela e Ricardo se amam.
Se não fosse por Sofia, seriam completamente felizes.
- Não fique aflito, Pedro Henrique, tudo sempre é como tem de ser.
Sofia precisa entender por si só e mudar.
Tudo o que puder ser feito para a ajudarmos, vamos fazer.
Enquanto Stela não chega, vamos fazer com que relembre mais um pouco.
Quem sabe, assim, mudará de ideia, é tudo o que podemos fazer.
Maria Rita abraçou o filho, dizendo:
- Não fique assim, meu filho!
Assim como você, também estou surpresa.
Convivi durante tanto tempo com Sofia e nunca imaginei que ela tivesse dentro de si pensamentos de ódio e de destruição.
Vamos acreditar no que Gusmão está dizendo.
Sabe que, se houver alguma maneira de impedir que ela faça o que está pretendendo, ele fará.
Gusmão sorriu, estendeu a mão em direcção a Sofia e começou a falar.
Enquanto ele falava, as imagens iam se formando na cabeça de Sofia.
- No dia seguinte, Sofia acordou, esticou-se na cama e ficou pensando em você, Pedro Henrique.
E seu coração começou a bater mais forte ao pensar:
seria tão bom se ele estivesse dizendo a verdade...
se me casasse com ele, poderia ter tudo e, tenho certeza, seria muito feliz... mas tudo isso não passa de um sonho. Vou mesmo me casar com Osmar e continuarei vivendo aqui, neste lugar.
Nasci pobre e sei que vou morrer assim... mas por que não aceito essa minha vida?
Tantas mulheres, assim como minha mãe, aceitam e vivem bem... não sei, mas agora não dá para ficar pensando.
Preciso me levantar e começar o meu dia, que vai ser como todos os outros...
- Levantou-se e foi para a cozinha, onde como todos os dias, sua mãe já estava preparando o café.
Olhou para a mãe junto ao fogão e, tristemente pensou: desde que me lembro, sempre foi assim.
Minha mãe acorda antes de todos nós e prepara o café.
Meu pai, eu e Gustavo acordamos depois.
Todos tomam o café.
Minha mãe e meu pai vão para a roça e Gustavo para a escola e eu tenho de cuidar da casa.
Minha mãe disse que não gosta de cuidar da casa e que prefere que eu fique aqui.
Para ser sincera, também prefiro.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:04 pm

Nossa vida foi sempre assim e sei que vai continuar igual... nada vai mudar... a não ser que eu me case com ele... mas isso é impossível...
- Bom dia, mãe.
- Bom dia, Sofia.
Acordou sozinha?
Não precisei chamar você!
- Acordei, mãe.
- Está preocupada com alguma coisa?
- Não... não estou.
Não sei por que acordei cedo.
Dormi muito bem. Foi bom, porque tenho muito trabalho.
Preciso cuidar da casa, lavar roupa e fazer a comida.
- Sei que não é fácil, mas infelizmente, tem de ser assim.
Sabe que preciso ir pra roça ajudar seu pai e que você precisa cuidar do Gustavo e da casa.
Precisa levá-lo para a escola.
- Não faz mal, mãe.
Já estou acostumada.
Só fico triste por não poder ter continuado os estudos.
Acho que, se tivesse continuado, talvez pudesse ter uma vida diferente.
- Tem razão, Sofia.
Mas você já sabe ler.
Ele precisa continuar indo à escola nem que seja apenas para aprender a escrever o nome.
Depois, quando crescer mais um pouco, vai junto com a gente pra roça.
- sei disso, mas não acho certo, mãe.
Acho que todas as crianças deviam ter o direito de estudar e ser alguém na vida.
- Também já pensei muitas vezes nisso.
Será que se eu tivesse estudado a minha vida seria diferente?
Mas, de qualquer maneira, não me arrependo por ter me casado com seu pai.
Apesar de tudo, sou muito feliz, pois tenho vocês dois.
O que me deixa triste é pensar que você e o Gustavo, um dia, vão embora e eu vou ficar sozinha, mas essa é a vida.
O importante é que vocês sejam muito felizes.
A minha vida já passou, a de vocês está apenas começando.
- Comigo a senhora não precisa se preocupar.
Vou me casar com o Osmar e vou continuar vivendo aqui do lado.
A gente vai poder se ver todos os dias.
O Osmar está com muitos planos e sei que vou ter de ajudá-lo na roça.
- Sei que não era isso o que você queria pra sua vida, Sofia...
- Não era mãe, mas eu não tenho escolha.
A senhora sabe que já estou na hora de me casar e, se demorar muito, vou ficar solteirona e isso, pelo amor de Deus, não quero!
- Nadir sorriu.
Sabia que Sofia tinha razão, uma moça que chegasse aos vinte anos sem se casar dificilmente encontraria um homem que se interessasse por ela.
- Tem razão, mas agora o café já está pronto, pode acordar seu irmão.
Seu pai já deve estar acordado e só esperando a gente chamar.
- Sofia foi para o quarto, onde dormia com o irmão.
Acordou Gustavo.
Ele não queria se levantar mas Sofia, carinhosamente, disse:
- Sei que ainda é muito cedo e que você gostaria de continuar dormindo, mas sabe que a escola fica longe...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:05 pm

- Eu não preciso estudar, Sofia...
- Precisa sim, Gustavo.
Você vai estudar, ter um diploma e quando ficar moço, vai poder ir pra capital e arrumar um bom emprego.
Vai se casar com uma moça de lá e vai ser muito feliz...
- Quem disse que eu quero ir pra capital?
Quero ficar aqui, junto com você...
- Isso você quer hoje, porque é muito pequeno, mas quando crescer, vai pensar diferente.
- Não vou não, Sofia...
- Vai sim, mas agora levanta.
Está passando da hora.
- Enquanto ela trocava a roupa de Gustavo, falava:
- Eu também achava difícil me levantar e ir pra escola, Gustavo.
Tinha que caminhar muito, mas me lembro também de como fiquei feliz quando consegui juntar as primeiras letras, depois comecei a ler.
Foi por causa dos livros que comecei a conhecer outros lugares e outras pessoas que tinham uma vida diferente da minha.
Saber ler foi muito importante na minha vida...
- Terminou de ajudar o menino a se vestir, depois foram para a cozinha.
Nadir já estava com a mesa colocada.
O pão e o leite eram entregues por um carroceiro que chegava todos os dias bem cedo.
Ele vinha da cidade e atendia todas as moradias que havia por ali.
Depois voltava.
Muitas vezes, no caminho, encontrava algumas crianças que iam para a escola.
Quando isso acontecia, ele colocava algumas delas sobre a carroça e as levava.
Na carroça não cabiam todos, por isso a disputa era grande.
Depois de tomarem o café, Gustavo saiu.
Logo em seguida, Nadir e Romeu também saíram.
Sofia ficou sozinha.
Olhou para um monte de roupa suja, sabia que precisava lavar logo cedo, pois não tinham muitas.
Se lavasse cedo, à tarde, quando todos voltassem, elas já estariam secas e poderiam trocar.
Com as roupas nas mãos, saiu para o quintal e olhou para o lado, onde você, Pedro Henrique, ia construir a casa.
Viu que vários homens chegavam montados em cavalos.
De onde estava, podia ver os cavalos mas não quem estava sobre eles.
Pela cor, reconheceu o seu cavalo.
Sabia que você estava lá.
Viu quando os homens começaram a descer dos cavalos.
Entre eles, sabia que você estava também.
Seu coração voltou a bater mais forte, pensou: se ele estivesse dizendo a verdade, deve ter ficado muito brabo quando meu pai disse que eu estava com o casamento marcado... mas, se estivesse mentindo, foi muito bom.
- Sorriu e continuou andando em direcção ao tanque.
Não queria, mas seus olhos teimavam em ficar olhando para onde os homens já estavam trabalhando: ele está lá... por que não consigo me esquecer daqueles olhos?
- Naquele dia, eu também estava olhando em direcção à sua casa Gusmão, mas assim como ela, não conseguia vê-la.
Estava triste por saber que ela tinha compromisso e decidi que não voltaria a vê-la.
- Nem sempre conseguimos levar a sério as nossas decisões, não é?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:05 pm

Pedro Henrique sorriu e pediu:
- Tem razão, mas por favor, continue contando o que aconteceu naquele dia.
- Vou continuar, Pedro Henrique.
Sofia terminou de lavar a roupa.
Estava pendurando no varal, quando viu que um cavaleiro se aproximava.
Ele tinha sobre o cavalo duas latas iguais àquelas em que o leiteiro trazia leite.
Ela ficou olhando, até que ele chegasse perto da cerca que dividia as terras.
Assim que chegou, desceu do cavalo, dizendo:
- Moça, o patrão me mandou vir até aqui e ver se a moça me deixa encher essas duas latas de água pra gente beber.
- Ele não vem pegar a água?
- Acho que não, moça.
- Ela, desapontada, disse:
- Está bem, pode ir até o poço e pegar a água.
- O homem desceu do cavalo e foi até o poço.
Com a ajuda de uma corda e de um balde, trouxe a água do poço e colocou-as nas latas, depois as amarrou no cavalo e foi embora.
Sofia ficou olhando até que ele desaparecesse.
Depois, voltou a pendurar as roupas.
Estava preocupada, pois sentia que o havia perdido para sempre e, junto com você, a vida boa que poderia ter.
Continuou seus afazeres, mas não conseguiu se conformar por ter perdido você, Pedro Henrique.
Pensou: não posso mais ficar pensando nele.
Vou me casar com Osmar e continuar nesta vida de sempre.
- Os dias passaram.
Você nunca mais voltou e ela, embora não quisesse, não conseguia se esquecer do seu sorriso e de como seria feliz se casasse com você.
- Eu também não conseguia esquecê-la, Gusmão.
A vontade que tinha era de ir até sua casa e ficava procurando um motivo qualquer, mas sabia que ela ia se casar e portanto, não havia esperança para aquele amor que eu sentia.
- Sim, era isso que você pensava.
A princípio, ela também pensava assim, mas conforme os dias foram passando, o desespero tomou conta dela e resolveu que mudaria aquela situação.
Gusmão ia continuar falando, mas notaram que Sofia se levantara e olhava para o portão de entrada.
Viram o carro de Stela que se aproximava.
Stela estacionou o carro e Sofia eufórica, disse:
- Até que enfim, Stela!
Pensei que não ia chegar nunca!
- A senhora é que está muito ansiosa dona Sofia.
Estou no horário.
- Está bem, vamos embora.
Preciso resolver logo esse assunto.
- Tem certeza mesmo, que quer fazer isso?
Não acha que deveria pensar melhor?
- Tenho toda certeza do mundo, Stela!
Sei que esse homem vai conseguir afastar aquela mulher do meu filho!
- Como pode ter tanta certeza?
- Não sei, mas tenho.
Agora vamos deixar de conversa, precisamos ir.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:05 pm

- Está bem, se é isso que deseja, só posso acompanhá-la. Entre no carro.
Sofia entrou no carro e partiram, acompanhadas por Gusmão e os outros.
Durante o caminho, foram conversando sobre outras coisas.
Stela não achava que aquilo era certo, mas sabia que não podia contrariar Sofia.
Enquanto estiver preocupada com a Anita, não se preocupará comigo e com o meu casamento.
Ainda bem que ela gosta de mim... aconteça o que acontecer nessa visita, não tenho culpa de nada.
Ela é a única responsável, estou sendo apenas a motorista.
Após quase uma hora de viagem, chegaram à cidade onde Sofia sabia que morava aquele homem.
Enquanto ia mostrando o caminho para Stela, pensava:
embora tenha se passado muito tempo, não me esqueço desse caminho.
Parece que nada mudou.
Naquele dia em que estive aqui, ele me ajudou e sei que vai me ajudar novamente.
Ele é muito bom no que faz.
Stela estranhou ao ver que Sofia indicava o caminho como se já conhecesse o lugar, perguntou:
- Dona Sofia, a senhora já esteve aqui algum dia?
Sofia, assustada por ter sido descoberta, respondeu quase gritando:
- Claro que não, Stela!
De onde tirou essa ideia?
- A senhora está me indicando o caminho, parece que já o conhece.
- A pessoa que me falou a respeito desse homem me deu o endereço e o modo como chegar lá.
Estou apenas seguindo o que ela disse!
- Está bem, não precisa ficar nervosa, só estranhei...
- Não estou nervosa, Stela!
Só estou querendo resolver logo esse problema.
Stela sorriu e continuou dirigindo.
Pedro Henrique, ao acompanhar aquela conversa, perguntou, assustado:
- Ela conhecia esse homem, Gusmão?
Ela já esteve aqui?
- Não, não conhecia, mas sabia como funcionava.
- Como ela sabia?
- Ela já esteve em um lugar parecido com este.
- Quando? Nunca soube disso!
Eu sempre soube o que ela fez, nunca saiu sozinha!
Se tivesse ido a um lugar distante como este, eu saberia!
- Ela esteve antes de se casarem.
- Antes? Quando?
- Agora não vai dar para eu contar, pois estamos quase chegando.
Precisamos, mais uma vez, tentar fazer com que ela mude de ideia.
Teremos, mais tarde, muito tempo para conversarmos.
Agora, concentre-se somente em tentar impedi-la.
Vamos fazer uma oração, pois é a única coisa que podemos fazer; entregar Sofia nas mãos de Deus.
Só ele saberá o que fazer.
Todos se concentraram na tentativa de impedir Sofia.
Stela dirigia e seguia as orientações de Sofia que, nervosa, continuava a ensinar o caminho.
De repente, Stela percebeu que o carro puxava para um lado.
Assustada, parou o carro e disse:
- Dona Sofia!
Acho que furou um pneu.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:05 pm

- Como isso foi acontecer, Stela?
- Não sei, pode ter sido algum prego.
Esta estrada não é asfaltada e parece que ninguém passa por aqui.
Vamos descer para ver.
Desceram do carro, olharam para os pneus e viram que o da frente, do lado do motorista, estava no chão.
Sofia ficou mais nervosa ainda e perguntou:
- O que vamos fazer, Stela?
Você sabe trocar pneu?
- Não, dona Sofia.
Precisamos esperar que alguém passe por aqui.
- Assim, vamos nos atrasar!
Gusmão estendeu suas mãos em direcção a Stela, falou em voz alta e ela repetiu:
- Acho que não tem importância.
O homem deve estar lá a qualquer hora, mas será que isso não aconteceu para que a senhora pensasse mais um pouco e resolvesse que não deve fazer isso?
- Está louca? Claro que não é nada disso!
Foi apenas um pneu que furou!
- Está bem, não precisa ficar nervosa.
Se a senhora acha que deve fazer, está bem.
Alguém deve passar logo por aqui.
Vamos nos sentar no carro e esperar.
Sentaram-se no carro e, por estar muito calor, ficaram com as portas abertas.
Pedro Henrique perguntou, confuso:
- Gusmão, você fez com que Stela falasse o que queria?
Gusmão sorriu e respondeu:
- Não pensei que fosse ficar confuso, Pedro Henrique.
Fazemos isso muitas vezes.
Quando tentamos influir o pensamento e não conseguimos, é preciso que alguém fale e, como não temos som na voz para que o encarnado possa ouvir, usamos desse expediente e quase sempre dá certo.
Você nunca tinha visto?
- Não. É a primeira vez.
Como consegue fazer isso?
- Sempre que é preciso, usamos a força do pensamento e da oração.
Quando alguém está em perigo ou próximo de cometer um erro grave, fazemos tudo o que for possível para que isso seja evitado.
- Nunca pensei que isso pudesse se feito.
- Você e quase a maioria dos encarnados não imaginam o quanto o plano espiritual trabalha para que possam levar adiante e com sucesso a missão que escolheram.
- Está dizendo que sempre acontece?
- Sim, não só quando existe um perigo, mas também, quando o encarnado precisa receber algum recado para que possa seguir o seu caminho e assim, cumprir sua missão.
Nesses casos, um outro encarnado é usado para que, através do plano espiritual, esse recado seja dado.
Os encarnados não sabem, alguns nem imaginam que nunca estão sós.
Haverá sempre ao seu lado um espírito amigo, tentando ajudá-lo.
- Sofia estava precisando receber um recado e foi por isso que fez com que Stela falasse?
- Sim, nesse momento Sofia está prestes a cometer novamente o mesmo engano.
Ninguém melhor do que Stela, de quem ela gosta e em quem confia, para que esse recado seja transmitido.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:06 pm

- Mesmo engano? Por que está dizendo isso, Gusmão?
Qual foi o engano que ela cometeu?
Você disse que ela foi a um lugar como esse a que está querendo ir.
- Sim, Pedro Henrique, ela foi, só que naquela ocasião, conversou com uma senhora.
- O que ela queria indo a um lugar assim?
Gusmão ia responder mas percebeu que Sofia saía do carro, dizendo:
- Stela, estou ficando cada vez mais nervosa!
Será que não vai passar ninguém por aqui?
Esta estrada é deserta!
Gusmão novamente voltou suas mãos na direcção de Stela, que disse:
- Dona Sofia, não consigo parar de pensar, será que isso não aconteceu para que a senhora pensasse um pouco melhor e não fizesse o que está pretendendo?
- Por que está dizendo isso, Stela?
- Não sei, mas sinto que não é certo.
Anita e Ricardo se gostam, acho que, à maneira deles são felizes.
Não sei se esse homem pode mesmo separá-los, mas por que não deixamos que seja feita a vontade de Deus?
Acho que uma separação só causará sofrimento para eles.
- O que está dizendo, Stela?
Acha mesmo que Ricardo gosta daquela mulher?
- Acho que sim, dona Sofia...
- Pois está errada!
Ele só está com ela por causa de macumba!
- Como pode dizer isso?
É apenas uma desconfiança.
A senhora não pode ter certeza.
Nunca soube que Anita frequentasse um lugar como esse; ao contrário, ela é muito católica.
Ela e toda a família.
- Você é mesmo muito ingénua, Stela.
Acha que alguém que frequenta um lugar como esse vai proclamar para o mundo?
Não, Stela, não vai!
Essas coisas são feitas no maior sigilo possível.
Esse negócio de ser muito católica é só um disfarce para que ninguém desconfie!
Mas a mim, ela não engana!
Sei que fez macumba para agarrar o meu filho!
Gusmão e os outros ouviam o que Sofia falava.
Pedro Henrique, surpreso com o que ouvia, disse:
- Gusmão, a cada momento que passa mais me admiro e fico confuso ao ouvir Sofia falar.
Estivemos casados há tanto tempo e não a conhecia.
Nunca pensei que fosse capaz de sentir tanto ódio e rancor.
- Sei disso, Pedro Henrique.
Como você mesmo disse, ela sempre soube o que queria e sempre foi determinada.
Ela conseguiu tudo com o que sonhou, mesmo que para isso tenha usado de meios não recomendáveis.
- Estou vendo. Assim como Stela, também estou confuso com a maneira como ela fala.
Como pode ter tanta certeza de que Anita fez macumba?
Gusmão ia responder, mas com a ponta dos dedos, apontou para Sofia que começava a caminhar, dizendo:
- Stela, não consigo mais ficar parada.
Vou até aquela curva ver se tem alguém se aproximando.
Daqui onde estamos paradas, não dá para ver.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:06 pm

- Não dá para ver, mas se alguém estiver vindo pela estrada, terá de passar por aqui.
Não estou com vontade de andar, dona Sofia.
Prefiro ficar aqui sentada.
Sofia irritada, não respondeu e começou a andar.
Sua cabeça fervilhava, nervosa, pensou:
- Ela não sabe, mas tenho certeza de que Anita fez macumba!
Se não tivesse feito, jamais teria se casado com Ricardo!
Continuou andando.
Gusmão e os outros acompanhavam seus passos.
Uma cena começou a se formar em sua mente.
Estava novamente em sua casa, no dia em que, embora estivesse esperando, Pedro Henrique não veio.
Lembrou-se de como ficou frustrada e irritada.
Gusmão disse:
- Naquele dia em que você não foi Pedro Henrique, ela percebeu que o havia perdido e, junto com você, todos os seus sonhos de riqueza e felicidade.
Irritada, pensou: ele não vai voltar!
Meu pai não devia ter dito que vou me casar!
Nem sei se isso vai acontecer! Gosto do Osmar, mas não quero me casar com ele, prefiro me casar com esse moço, que pode me dar tudo.
Preciso fazer alguma coisa para que ele volte, mas o quê?
Gusmão continuou falando:
- Ela olhou para o lado em que sua casa estava sendo construída.
Sabia que você estava lá, pois podia ver o seu cavalo, mas sabia também que você não viria mais.
Sabia que o havia perdido.
A semana se passou e você não voltou.
Ela, a cada dia que passava ficava mais nervosa e com a certeza de que estava tudo perdido.
Depois de quinze dias sem que você aparecesse, ela desesperada, pensou: ele não vai voltar.
Preciso fazer alguma coisa.
Não posso ir até lá, mas já ouvi falar daquela mulher que mora lá no começo da estrada.
As pessoas falam que ela consegue fazer muita coisa.
Dizem que ela, com ervas, cura muitas doenças e faz até marido voltar para casa.
Vou até lá, para ver se o filho do prefeito casa comigo, de verdade...
- Ela pensou isso, Gusmão?
- Não só pensou, ela foi Pedro Henrique.
No domingo, como sempre fazia, foi com o pai para a feira, onde vendiam as verduras e frutas que plantavam.
Quando chegou lá, inventou uma desculpa para Romeu e foi até a casa a casa de Magali, uma amiga conhecida desde o tempo da escola.
Ela não estranhou, pois ela costumava fazer isso.
Magali lhe emprestava livros e revistas que ela devolvia e trocava por outros.
Assim que chegou, disse:
- Magali, preciso que me ajude.
- Ajudar? Em que e como?
- Estou sentindo muita dor de cabeça e não sei o motivo.
Disseram que aquela mulher que mora lá no começo da estrada dá umas ervas pra gente fazer chá.
Dizem que ela cura muita gente...
Você vai comigo até lá?
- Não sei, Sofia.
Tenho medo dessas coisas...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:06 pm

- Medo do quê, Magali?
Ela só vai me dar algumas ervas.
- Não sei não, Sofia.
Dizem que ela faz macumba e você sabe que isso é coisa do diabo. Tenho medo...
- Diabo coisa nenhuma!
Isso não existe!
Preciso ir e não posso fazer isso sozinha.
Meu pai não vai me deixar sair de casa sozinha.
- Está bem, eu vou, mas como vamos fazer?
- Meu pai está lá na barraca.
Vamos até lá e você pede pra ele me deixar aqui, porque é o seu aniversário e vai ter uma festinha.
- Mas não é o meu aniversário!
- Eu sei, mas ele não sabe.
Ele vai deixar.
- Como você vai voltar pra casa?
- Falo pro meu pai pedir pro Osmar vir de cavalo me buscar.
Ele, de vez em quando faz isso, não é?
- Faz, sim...
- Então, está tudo certo.
Você tem alguma revista ou livro pra me emprestar?
- Tenho. Peguei um livro na biblioteca e arrumei as revistas desta semana. Vou pegar.
Pedro Henrique estava abismado com aquilo que Gusmão contava.
Nunca havia imaginado que aquilo pudesse ter acontecido.
Sofia, caminhando, também se lembrou daquele dia e de como tudo aconteceu:
eu e a Magali fomos falar com meu pai.
Ele deixou que eu ficasse para a festinha e assim que terminou a feira e ele foi embora, fomos até a casa da mulher.
Estávamos nervosas e com um pouco de medo, mas minha vontade de que Pedro Henrique voltasse era mais forte do que tudo.
Quando chegamos, vimos que a casa era pequena, feita de madeira.
O terreno era enorme e cercado com arame.
Paramos em frente do portão e batemos palmas.
A porta da casa se abriu e apareceu uma senhora.
Ela era idosa, mas tinha um sorriso bonito.
Do portão onde estávamos, até a casa, havia mais ou menos uns dez metros.
A senhora se aproximou e sorrindo, disse:
- Boa tarde, meninas.
Posso ajudar em alguma coisa?
Magali assustada, olhou para mim, ficou quieta e tremendo.
Eu, que precisava falar com a senhora, embora estivesse também com um pouco de medo, respondi:
- Eu preciso conversar com a senhora.
Disseram que a senhora cura doenças...
- Eu não minha filha, quem cura é Jesus Cristo.
Mas, por que está aqui?
Está doente ou tem alguém doente na família?
Eu não queria que a Magali soubesse o que na realidade eu queria, por isso pisquei um olho e disse:
- Eu estou com muita dor de cabeça, acho que a senhora pode me ajudar.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 10, 2017 7:06 pm

Ela entendeu o meu sinal, sorriu e disse:
- Está bem, podem entrar.
Ela abriu o portão, entramos.
Ela seguiu na frente e nós a seguimos.
A Magali segurou no meu braço e pude sentir o quanto ela tremia.
Eu, ao contrário estava calada, senti que aquela mulher não representava perigo algum.
Entramos na casa que era simples, mas muito limpa.
No quintal, havia verduras, legumes e muitas ervas que eu não conhecia, mas ela sim.
Assim que entramos, ela nos mostrou umas cadeiras e disse:
- Podem se sentar, vamos conversar.
Eu e a Magali nos sentamos.
Ela perguntou:
- Agora, preciso saber o que querem realmente.
Olhou para mim que, sem que a Magali visse, fiz um sinal com a cabeça para que ela entendesse que eu precisava falar sozinha com ela.
Ela entendeu e olhando firme para nós duas, disse:
- Vou fazer um suco e vou falar com cada uma em separado.
Primeiro você. – disse, apontando para a Magali.
Magali olhou assustada para mim e disse:
- Eu não preciso falar com a senhora.
Quem quer falar é ela...
A senhora, ainda sorrindo, disse:
- Está bem. Então, vou fazer o suco e enquanto converso com Sofia, você vai lá para o quintal e senta naquele banco que tem embaixo daquela árvore.
Magali, ainda muito assustada, olhou para mim.
Com a cabeça, fiz um sinal demonstrando que estava tudo bem e que ela poderia ir sem problema.
Assim que ela saiu, a senhora olhando dentro dos meus olhos, perguntou:
- Agora que estamos sozinhas, pode me dizer o que veio fazer aqui?
O que quer realmente?
Sofia estava pensando, distraída e não percebeu que Stela se aproximou, dizendo:
- Dona Sofia, no que está pensando?
Sofia se assustou e voltando-se para ela, respondeu:
- Estou pensando em quanto tempo vamos ficar aqui, paradas.
O tempo está passando, vai ficar tarde para irmos até o homem.
- Está preocupada com o tempo, por quê?
Não tem crianças para cuidar nem mamadeira para dar – Stela disse rindo.
- Sofia, muito nervosa, não só por estar ali, impotente sem nada poder fazer, mas muito mais por não conseguir afastar as lembranças que a estavam incomodando, disse:
- Eu não tenho, mas você tem Stela.
As crianças vão voltar da escola na hora do almoço e já deveríamos estar lá, mas se demorar muito isso não vai ser possível.
- Não precisa ficar preocupada com isso.
Como eu sabia que estaríamos longe de casa, deixei a Rosa avisada e, se eu não chegar, ela vai dar o almoço para as crianças.
Por isso, pode ficar tranquila.
A senhora sabe como ela é dedicada e gosta das crianças.
- Ainda bem que você fez isso, Stela.
Está vendo por que gosto de você?
Stella sorriu.
Ela conhecia Sofia o suficiente e sabia o que fazer para deixá-la feliz.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:21 pm

- Ora, dona Sofia, sabe que também gosto muito da senhora e faço o que for possível para que fique feliz.
A senhora sempre foi muito boa para mim.
Foi mais que uma mãe.
Sofia sorriu e disse:
- Você faz por merecer, Stela.
Além do mais, tive como exemplo a minha sogra.
Ela também sempre me tratou muito bem e eu, assim como você, fazia tudo para que ela ficasse feliz.
Ela foi para mim muito mais que uma mãe e eu sinto muita saudade dela.
Sofia disse isso, sem sequer imaginar que Pedro Henrique e a mãe estavam ali, acompanhando aquela conversa e todos os seus pensamentos.
Maria Rita se emocionou, Pedro Henrique também apertou o braço da mãe, que disse:
- Ela está dizendo a verdade.
Eu gostava e ainda, apesar de tudo o que ficamos sabendo, ainda gosto.
Quando vocês se casaram, ela era ainda uma menina, parecia que precisava de cuidados.
Gusmão sorriu:
- Realmente, ela parecia uma criança que precisava de cuidados, mas na realidade não era.
Tudo o que fez foi sempre muito calculado.
Enquanto ela conversa com Stela, vou continuar contando o que aconteceu naquele dia.
- Faça isso, Gusmão.
Estou intrigado e curioso para saber o que ela falou para a mulher.
Ela estava sentada em frente à mulher e sentiu que seu olhar era forte e penetrante.
Sabia que a hora havia chegado e que teria de contar o verdadeiro motivo daquela visita.
Magali estava lá fora, a uma distância que não poderia ouvir o que conversavam.
Olhou para a porta por onde ela havia saído e de uma vez, disse:
- Gosto de um moço e quero me casar com ele.
- Por que não casa?
Ele não quer?
- Parece que ele queria, mas meu pai contou que estou noiva de outro, ele foi embora e não voltou mais.
- Espere aí, menina.
Não estou entendendo muito bem essa história.
Você está noiva de um, mas quer se casar com outro?
- É isso mesmo, estava tudo certo para o meu casamento, meu noivo até construiu a nossa casa, mas esse moço apareceu e eu quero me casar com ele.
- Você não gosta do seu noivo?
- Gosto muito.
Acho que nunca vou gostar de alguém como gosto dele.
- Então, por que não se casa e fica tudo bem?
- Ele é muito pobre e eu não quero continuar vivendo como agora.
Não quero ser como minha mãe, que nunca saiu desse lugar e dessa casa.
Quero mais, muito mais!
Quero poder usar vestidos bonitos, poder andar com o cabelo sempre arrumado, ter uma casa bonita e poder viajar muito.
O meu noivo nunca vai poder me dar isso.
Ele tem boa vontade, diz até que vai fazer uns negócios que poderão dar muito dinheiro, mas eu não acredito.
Tudo o que ele fala não passa de sonhos.
- E desse outro moço, você gosta?
- Não como gosto do meu noivo, mas gosto sim.
Com ele, vou poder ter tudo com o que sempre sonhei...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:21 pm

Pedro Henrique ouvia o que Gusmão falava e não conseguia acreditar.
Nunca, durante todo o tempo em que esteve casado, imaginou que aquilo poderia ter acontecido.
Em sua opinião, Sofia havia sido uma mulher e mãe maravilhosa.
Olhou para a mãe que, assim como ele, também estava chocada.
Gusmão disse:
- Não fique assim, Pedro Henrique.
Sei que está surpreso, mas vai ficar ainda mais.
Muita coisa aconteceu sem que você soubesse.
Dona Filomena, a mulher que Sofia visitou, tinha muito conhecimento sobre as ervas e sobre o plano espiritual.
Entendeu o que Sofia estava sentindo naquele momento, sabia que estava na hora de ela tomar uma decisão que teria reflexos em sua vida.
Compreensiva, disse:
- Sabe, minha filha, você está vivendo um momento decisivo de escolha em sua vida.
É ainda muito jovem.
Disse que gosta muito do seu noivo, mas está encantada comesse outro que pode lhe dar o que deseja.
Sei que a decisão é difícil, mas poderia esperar um pouco mais.
Acho melhor que vá para casa e pense bem no que quer fazer realmente.
Não se esqueça de que a decisão que tomar vai influir na sua vida e pode modificar tudo o que foi antes planejado.
- Não estou entendendo muito bem o que a senhora está falando, só sei que já tomei a minha decisão.
Gosto sim, do Osmar, mas gosto do outro também.
Gostaria muito de ficar com os dois, mas como não é possível, preciso fazer uma escolha.
Quero ficar com aquele que pode me dar tudo.
Não preciso pensar mais e não posso deixar para outro dia, porque foi muito difícil eu escapar do meu pai e vir até aqui.
Se for embora sem ter feito o que quero, vai ser muito difícil poder voltar.
Gusmão continuou:
- Filomena sorriu.
Fazia aquele trabalho há muito tempo.
Muitas vezes esteve em uma situação como aquela em que as pessoas queriam porque queriam
que ela fizesse algum tipo de trabalho para trazer ou afastar alguém.
Várias jovens, assim como Sofia, já haviam passado por lá.
Ela nunca fazia o trabalho, mas sempre dava alguns conselhos e um paliativo qualquer.
Naquele dia, não seria diferente. Olhou dentro dos olhos de Sofia e disse:
- Todos, quando nascemos, trazemos um destino mais ou menos traçado.
Durante nossa vida, conhecemos amigos e inimigos para que possamos nos amar e perdoar mutuamente.
Nesses encontros, termos a oportunidade de escolher que caminho tomar.
Poucas vezes conseguimos seguir o caminho antes programado, mas mesmo assim, tudo está sempre certo.
O seu caminho está à sua frente, cabe a você escolher.
- Não estou entendendo muito bem o que está dizendo.
Só sei que não posso perder aquele moço!
- Você disse que gosta do seu noivo.
Não será ele quem você escolheu, antes de nascer.
- Antes de nascer?
Que conversa é essa?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:22 pm

- O espírito é eterno.
Precisamos nascer e renascer muitas vezes para que possamos nos aprimorar e encontrar o caminho da luz.
- Quanto mais a senhora fala, menos entendo.
Não sei se o espírito é eterno, só sei que estou vivendo aqui e neste momento, o que quero é ser feliz e isso só vai acontecer se eu me casar com alguém que possa me dar tudo com o que sempre sonhei!
Não sei se existe um destino, mas se existir, ele vai ser do jeito que eu quero!
A senhora pode fazer isso, porque, se não puder, sei que vou encontrar alguém que possa!
Gusmão continuou falando:
- Filomena, continuando com os olhos dentro dos de Sofia, disse:
- Está bem, se acha que é isso mesmo que quer, vou lhe ensinar uma simpatia que sempre dá certo.
Vamos até lá fora.
Vou pegar algumas ervas.
Coloque uma panela com água no fogo e, quando estiver quase fervendo, levantando aquelas bolinhas, jogue as ervas dentro e tampe a panela.
Deixe esfriar.
À noite, antes de se deitar, tome um banho e jogue a água sobre seu corpo.
Depois se seque e vá dormir.
Se tiver de ser, se esse é o caminho que deve tomar, o rapaz que tanto quer vai voltar e tudo vai estar entregue nas mãos de Deus.
- Saíram para o quintal.
Filomena colheu algumas ervas e entregou para Sofia que pegou e, agradecendo, foi embora.
- Ela não precisava ter feito isso, Gusmão!
Eu estava completamente apaixonado e fazia um esforço enorme para não ir até a sua casa!
- Você sabe disso, eu também, mas Sofia não sabia.
Em seu desespero e com todo o medo que sentia de perder você, foi até as ultimas consequências.
Isso acontece todos os dias.
O espírito, quando encarnado e muitos até depois disso, se deixa levar pela ansiedade.
Quando desejam algo que não conseguem se desesperam, mas na realidade, quando o resultado não sai o esperado, é porque embora se deseje muito, não é o certo, aquilo que traria felicidade nem o caminho que deveria seguir e, enquanto esse caminho não é encontrado, nada parece dar certo.
- Isso acontece sempre?
- Sim, muitas vezes, pois o espírito precisa trilhar um longo caminho para seu aperfeiçoamento e todas as oportunidades serão dadas.
- Ela tomou o tal banho, Gusmão?
- Naquela mesma noite.
Estava ansiosa, não admitia um segundo sequer, que poderia perdê-lo.
Fez exactamente como Filomena havia dito.
Depois do banho, deitou-se e sorrindo confiante, adormeceu.
- Gusmão! Está me dizendo que voltei só por ela ter tomado o tal banho?
- Claro que não, como você mesmo disse, estava completamente apaixonado e voltaria de qualquer maneira, mas para ela, o banho foi o responsável.
Filomena sabia que, se não fizesse alguma coisa, Sofia continuaria procurando e poderia encontrar alguém que a enganasse.
Por isso, achou melhor lhe dar uma receita que não lhe faria mal algum a não ser, talvez, carregar suas energias.
Mas nesse e em muitos outros casos o que importa é a crença.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:22 pm

Sofia acreditou em tudo o que Filomena fez e saiu dali com a certeza de que, se fizesse tudo direito, você voltaria.
- Eu voltei realmente...
- Sim, voltou.
Lembra-se daquele dia?
- Sim, como poderia me esquecer?
- Olhe lá, dona Sofia, um caminhão está se aproximando, vamos pedir ajuda!
Todos olharam para Stela que quase gritava, não conseguindo esconder sua alegria.
Sofia também olhou e disse:
- Ainda bem, Stela.
Estamos aqui há muito tempo.
Estou cansada.
O caminhão se aproximou e o motorista percebeu que elas precisavam de ajuda.
Perguntou:
- As senhoras estão com algum problema?
- Sim, o pneu furou e não sabemos trocar, será que poderia nos ajudar? – Stela respondeu de uma só vez.
Ele, enquanto descia e rindo, pensou com desdém:
- Mulheres, acham que são independentes e não conseguem trocar um pneu.
- Não se preocupem, troco esse pneu num instante.
Foi o que fez.
Em poucos minutos, o pneu estava trocado, Sofia disse.
- Quanto o senhor vai cobrar?
- Nada não, senhora.
Não deu nenhum trabalho e, além do mais, estou acostumado.
A senhora viu quantos pneus tem o meu caminhão? – respondeu, sorrindo.
- Então, se for assim, obrigada por sua ajuda.
Sabe que nos tirou de um problema muito grande.
Ele, sorrindo, tornou a subir no caminhão e foi embora.
Elas também entraram no carro e Stela começou a dirigir, sem imaginar que eles também entraram e sentaram-se no banco de trás.
Todos juntos, seguiram em direcção à casa do tal homem que ia fazer o trabalho.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:22 pm

O PEDIDO DE CASAMENTO
Stela dirigia.
Sofia, sob a influência de Gusmão, relembrava:
sei que isso que vou fazer vai separar meu filho daquela mulher!
Ele não pode continuar casado com ela!
Eu a odeio e a toda sua família!
Se eu não tivesse tomado aquele banho, Pedro Henrique jamais teria voltado!
Ter ido à casa de dona Filomena foi a melhor coisa que fiz.
Ele voltou a me procurar e nos casamos, tivemos uma vida boa, embora eu nunca tenha me esquecido do Osmar.
Pedro Henrique, ainda surpreso com tudo o que Gusmão disse, perguntou:
- Ela acredita mesmo que foi o banho que fez com que eu voltasse e me casasse com ela?
- Sim, Pedro Henrique e se analisarmos bem, ela tem razão de assim pensar.
- Por que, Gusmão?
- Depois daquela noite em que tomou o banho, durante quase uma semana, ela todas as manhãs, assim que os pais saíam para trabalhar, ia para o quintal e ficava olhando para a construção na esperança de ver o seu cavalo e talvez, você chegando.
Tinha a certeza de que você viria.
Confiava que o banho daria certo.
- Lembro-me daquele tempo.
Eu pensava nela a todo o momento.
Estava realmente apaixonado e queria muito me casar, mas tinha medo de me aproximar.
- Foi isso mesmo o que aconteceu.
Em uma manhã, assim que saiu para o quintal e olhou, viu que um cavalo se aproximava.
Sabia que não era o seu cavalo, mas mesmo assim ficou esperando.
O cavalo se aproximou e ela pôde ver que se tratava de um dos seus trabalhadores.
O homem desceu e entregou um pacote, dizendo:
- O patrão me mandou trazer este pacote para o seu pai.
- O que é isso?
- Acho que é carne. Está gelado.
- Por que ele mandou essa carne?
- Não sei, mas acho que é para pagar a água.
- Meu pai já disse que ele pode pegar quanta água precisar e não precisa pagar por isso!
O nosso poço tem muita água!
Pode levar a carne de volta!
- Não sei nada disso, moça!
Só estou cumprindo ordem! Não vou levar a carne, não.
Se a moça quiser, pode levar a carne, eu não vou fazer isso não.
- Entregou o pacote e foi pegar a água no poço.
- Eu e Matilde vimos que Sofia sem saber o que fazer ou dizer, ficou olhando para o homem, enquanto descia as duas latas de água.
Depois de algum tempo, Sofia, fingindo uma indignação que na realidade não estava sentindo, ficou ali parada olhando para o lado onde estavam os homens trabalhando.
Sabia que você estava lá e pensou:
ele só está querendo me humilhar.
Está querendo mostrar que tem muito e, por isso, não está se importando com o que eu possa estar pensando!
Será que ele fez isso por causa do banho ou quer mesmo me mostrar à diferença que existe entre nós?
Se for isso, está muito enganado!
Agora mesmo vou até lá para jogar esta carne na sua cara!
Quero ver qual vai ser a sua reacção.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:23 pm

- Deixou o homem tirando a água do poço e decidida, caminhou em direcção ao lugar onde achava que você estava.
Assim que chegou, viu que ao seu lado, alguns homens mediam algo que ela não sabia o que era.
Você não viu quando ela se aproximou, só ouviu sua voz que, para você, parecia alterada:
- Quem o senhor pensa que é?
- Você se voltou e, ao vê-la, sorriu dizendo:
- Bom dia, Sofia... por que está tão nervosa, o que foi que eu fiz?
- Mandou este pedaço de carne, como se a gente estivesse passando fome!
A gente é pobre, mas nunca faltou comida lá em casa!
- Lembro-me bem naquele dia, Gusmão.
E de como fiquei abismado:
- Não sei do que está falando, Sofia.
Eu não disse que vocês passavam fome.
O dono do matadouro deu ao meu pai um pedaço muito grande de carne.
Sabe como é, tudo para agradar o prefeito – disse, rindo.
Quando minha mãe estava dividindo entre as minhas irmãs, pedi um pedaço e trouxe para o seu pai em agradecimento pela água.
Foi só isso o que aconteceu.
Eu só quis ser gentil.
Não precisa ficar nervosa dessa maneira.
Só estou querendo agradecer a seu pai por ter me dado à água, pois sem ela, meus homens não conseguiriam trabalhar.
Eles não poderiam ficar sem beber água durante o dia todo. Foi só isso, nada mais...
- Você falava olhando bem dentro dos olhos dela, que não conseguiu segurar o olhar e, por várias vezes, desviou-o.
Depois, com a voz trémula, perguntou:
- Foi só isso mesmo?
O senhor não quis ofender a gente?
- Claro que não, Sofia!
De onde tirou essa ideia?
Estou triste por saber que você vai se casar, pois assim que a vi, fiquei apaixonado, mas isso não quer dizer que estou pretendendo humilhar você e muito menos o seu pai.
Gostei e ainda gosto muito de você, mas infelizmente cheguei tarde.
- Ela baixou os olhos.
Você, percebendo que ela estava confusa, perguntou:
- Cheguei tarde, Sofia?
- Ela não respondeu. Você insistiu:
- Cheguei tarde, Sofia?
- Ela levantou os olhos e ficou olhando.
Não sabia o que responder.
Você, Pedro Henrique, sorriu, colocou a mão sobre o queixo dela e tornou a perguntar:
- Cheguei tarde, Sofia?
- Ela não acreditava que aquilo estivesse acontecendo.
Embora, desde que tomara o banho, tinha certeza de que aconteceria, ficou mesmo sem saber o que responder.
Por sua cabeça, passou toda a sua vida naquele lugar, seus sonhos e Osmar.
Sim Osmar, o que faria com ele?
- Você, vendo que ela não respondia e sem que ela esperasse, com as mãos, levou seu rosto para junto do dela e lhe deu um beijo.
Ela, a principio, tentou se afastar, mas logo se entregou aquele beijo.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:23 pm

Assim que você a soltou, ela, com lágrimas nos olhos, se afastou correndo.
Você a acompanhou com os olhos.
Quando viu que ela chegava à sua casa, sorriu e se voltou para os homens que haviam assistido aquela cena.
Eles nada disseram. Foi você quem falou:
- Agora, vamos voltar ao trabalho.
Esse poço precisa ficar pronto.
Quero construir logo a casa.
- Os homens voltaram ao trabalho.
Você voltou o olhar para a casa de Sofia e sorriu.
- Sim, lembro-me de que sorri feliz ao ver a reacção dela, Gusmão.
Com aquele beijo, tive a certeza de que ela realmente gostava de mim, que íamos nos casar e pensei:
ela está lá e, com certeza, pensando em mim.
- Realmente ela estava em casa e só agora percebeu que, em suas mãos, estava o pacote de carne.
Chorava de alegria, pois sabia que sua vida estava mudando e que você não estava brincando, porém também, muito confusa, sem saber o que fazer com a sua vida e com Osmar:
não sei o que fazer... sinto que gosto muito dele, não tanto como de Osmar, mas sei também que se me casar com ele, vou ter tudo.
Ter uma vida rica com festas e ser apresentada a todas as pessoas como a esposa do filho do prefeito.
Que mais posso querer?
Mas, e o Osmar?
O que vou dizer pra ele?
Ele está tão ansioso para que o dia do casamento chegue logo.
Como posso chegar e dizer o que está acontecendo?
Como posso dizer que encontrei outro que poderá me dar tudo?
Não sei... acho que não vou ter coragem de fazer isso... mas, agora preciso fazer o almoço.
Todos, daqui a pouco vão estar aqui.
Desembrulhou o pacote e, diante dela, surgiu um pedaço muito grande de carne.
A carne era de boa qualidade, o que, em sua casa, era difícil de aparecer.
Seu pai, de vez em quando, trazia carne para casa, mas sempre de segunda, que precisava ser cozida, pois era dura.
Aquela não, era de primeira e podia ser cortada em bifes.
Foi o que ela fez.
Cortou em vários bifes e deixou sobre o fogão para ser frita quando todos estivessem lá.
Continuou fazendo o almoço e pensando em você, Pedro Henrique, naquele beijo e em tudo o que você poderia lhe dar:
ele é maravilhoso!
Aquele beijo, tão diferente dos de Osmar... como pude permitir que ele me beijasse daquela maneira?
Onde estava com a cabeça?
Por que não resisti?
Não quero nem imaginar o que ele está pensando de mim... deve estar achando que sou uma moça sem valor... como fui permitir?
Mas, que foi bom, foi.
Não sei por que estou tão preocupada.
Desde aquele dia em que fui lá na dona Filomena, sabia que isso ia acontecer.
Com aquele banho e as rezas que ela fez, não tinha como ele me esquecer.
Vai se casar comigo, tenho certeza!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:23 pm

- Ela achava mesmo que tinha sido o banho e as rezas que fizeram com que eu me casasse com ela?
- Pensava não, até hoje ainda pensa, por isso está querendo fazer a mesma coisa, mas no sentido contrário.
Ao invés de fazer algo assim sem maiores problemas, está tentando desfazer um casamento e isso é muito grave.
Por isso estamos aqui tentando fazer com que mude de ideia.
- Tem razão, Gusmão.
Precisamos conseguir, mas ainda tenho uma dúvida.
- Qual?
- Se ela não tivesse tomado o banho, eu teria mesmo me casado com ela?
- Claro que sim.
Nada acontece por acaso.
Todos os encontros são planeados e deles depende o comportamento do espírito.
Você, ela e Osmar estão juntos há muito tempo.
Na última encarnação, você e ele eram muito amigos.
Sofia apareceu e, usando de sua beleza e perspicácia, pois sempre foi muito decidida, fez com que vocês brigassem e terminassem uma amizade sincera.
No final, não ficou com nenhum dos dois e se casou com outro muito rico.
Quando voltaram ao plano espiritual, decidiram que tornariam a se encontrar e ela teria de escolher outra vez, mas com honestidade.
Deveria escolher aquele que seu coração realmente desejasse, independente de raça ou situação financeira.
- Ela não escolheu com honestidade, não foi?
- Infelizmente não e essa escolha a acompanhou pelo resto da vida.
Ela gostava de você, mas muito mais de Osmar.
Seu coração pedia por ele, mas sua cabeça queria você.
A cabeça venceu.
- Estou pensando em todo o tempo em que estivemos casados.
Não posso dizer que ela tenha sido uma má esposa, ao contrário, foi sempre boa esposa, mãe e companheira.
Nunca passou por minha cabeça que tudo isso havia acontecido e que ela não gostava de mim.
- Nisso você tem razão.
Apesar de ter trocado o grande amor de sua vida por você, fez o possível para que o casamento fosse feliz.
Vou continuar contando o que aconteceu naquele dia.
- Faça isso, Gusmão, estou realmente curioso.
- Ela, sabendo que faltavam poucos minutos para que todos chegassem para o almoço, começou a fritar os bifes.
O cheiro se espalhou por toda a casa.
Assim que eles chegaram e sentiram o cheiro, Romeu perguntou:
- Que cheiro de carne é esse, Sofia?
- Ela rindo, respondeu:
- Um homem que trabalha pro filho do Prefeito trouxe.
- Que história é essa?
Por que ele mandou essa carne?
- Também fiquei curiosa e, por isso, fui até lá pra saber.
O moço disse que era pra pagar a água que o senhor está dando.
- Eu não disse que ele precisava pagar.
Como pôde aceitar, Sofia?
Ele está pensando que a gente está morrendo de fome?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:24 pm

- Eu disse isso, mas ele falou que o pai dele recebeu do dono do matadouro uma porção de carne e que era muita, por isso ele tirou um pedaço e trouxe para gente.
Disse que se o senhor não tivesse dado a água, ia ser muito difícil os homens trabalharem.
Ele ia precisar trazer a água da cidade em latas, mas com a viagem, ela chegaria aqui quente e muito ruim.
Disse que não está pagando, apenas agradecendo.
- Não estou gostando nada disso!
Nadir respirou fundo – continuou Gusmão – para poder sentir o cheiro do bife que estava na frigideira e disse:
- Pare com isso, Romeu.
Olhe só que cheiro bom!
Quanto tempo faz que a gente não come uma carne como essa?
Você não pediu e, se o moço trouxe, a gente tem mais é que comer.
- Gustavo também respirou fundo e disse:
- Mãe, o cheiro está muito bom mesmo!
- Romeu, embora estivesse bravo, não podia negar que o cheiro estava bom e que fazia muito tempo que não comiam uma carne como aquela.
Deixando os braços caírem sobre o corpo, disse:
- Está bem, eu não pedi e já que ele trouxe, vamos comer.
- Sofia sorriu. Terminou de fritar os bifes, colocou sobre a mesa e todos se deliciaram.
Depois do almoço e após descansarem um pouco, voltaram para a roça. – continuou Gusmão.
Gustavo, todas as tardes, acompanhado de Sofia, fazia a lição de casa.
Naquele dia, Sofia os acompanhou até o portão.
Eles foram embora e ela entrou.
Mas, antes de entrar, olhou para o lado em que sabia que você estava.
Lembrou-se do beijo, respirou fundo e pensou: que bom ia ser se ele estivesse gostando mesmo de mim...
- Entrou em casa e continuou seu trabalho.
Precisava lavar a louça do almoço e tinha uma porção de roupa para passar.
Enquanto passava a roupa, pensava:
não sei se ele está dizendo a verdade, mas de uma coisa tenho certeza, não posso me casar com o Osmar.
Sei que gosto dele e que seria feliz ao seu lado, mas não é isso que quero pra minha vida.
Sei que ele está com muitos sonhos.
Sei que acha que, um dia, poderá ficar rico, mas e se esse dia não chegar?
Se tudo com o que ele está sonhando não se realizar?
Vou ter que passar o resto da minha vida aqui, neste lugar?
Além do mais, Pedro Henrique é rico, bonito e o seu beijo, então?
Que maravilha!
Não posso me casar com o Osmar e vou precisar dizer isso para ele.
Sei que vai ser difícil, mas é a única coisa que posso fazer.
Meu pai vai ficar furioso, mas não tem outro jeito, não... não posso me casar com ele e ser infeliz pro resto da minha vida.
Afinal, foi para isso que fui até a casa da dona Filomena...
Durante à tarde, várias vezes foi para o quintal e olhou para o lado em que sabia que você, Pedro Henrique, estava.
Notou que o seu cavalo não estava mais ali, pensou:
pra onde será que ele foi?
Que pergunta mais boba, claro que foi para casa.
Ele deve ter coisas mais importantes para fazer do que ficar olhando os homens trabalhando.
- Entrou e saiu muitas vezes e só sossegou quando viu o seu cavalo novamente.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:24 pm

A tarde passou.
Ela terminou todo o seu trabalho.
Tomou um banho e vestiu um vestido limpo.
Penteou os cabelos.
Sabia que Osmar, logo mais, estaria ali.
Não podia adiar.
Precisava contar a ele a sua decisão.
Lá pelas quatro horas da tarde, como todos os dias, Osmar chegou.
Os pais de Sofia também chegariam logo mais.
Sentaram-se no banquinho e começaram a conversar.
Ele animado, disse:
- Nossa casa já está pronta, Sofia!
Você precisa ir ver como ela está bonita!
- Sei que está, Osmar, mas preciso conversar com você uma coisa muito séria.
- O que é Sofia?
Parece que você está muito preocupada.
Que aconteceu?
- Estive pensando muito no nosso casamento e cheguei à conclusão de que a gente não pode se casar.
- Como não? Por que está dizendo isso?
- Sabe que gosto de você desde que era criança, mas não posso me casar.
Você me conhece, sempre soube qual eram os meus sonhos.
Sempre soube que eu não quero continuar vivendo aqui nesta pobreza, pelo resto da minha vida.
Quero me casar com um homem que tenha muito dinheiro, porque só assim eu vou poder ser feliz.
Gosto muito de você, sei que também gosta de mim, mas isso não é o suficiente.
- Que está dizendo, Sofia?
Eu lhe disse que tenho planos e que se tudo der certo como espero, vou ficar rico e vou dar para você tudo o que sempre quis!
A gente se gosta muito...
- Sei que, assim como eu, tem sonhos.
Sei que, se der certo vai ficar muito rico, mas e se não der certo?
Como vai ser?
A gente vai ter de continuar vivendo aqui e não quero isso!
Precisa entender, Osmar!
Não quero ser infeliz pro resto da minha vida!
- Que aconteceu para que você mudasse de ideia tão de repente?
- Não aconteceu nada, Osmar.
Só estive pensando e cheguei a essa conclusão.
Vou esperar que apareça um homem rico e que possa me dar tudo com o que sempre sonhei.
- Você deve estar ficando louca, Sofia!
Acha que um homem rico vai querer se casar com você?
Um homem rico vai se casar com uma moça também rica!
A gente se gosta, Sofia!
Sei que vamos ser muito felizes.
- Não, Osmar.
Não quero arriscar toda a minha vida.
Vou esperar esse homem rico aparecer, mas se ele não chegar, quando eu for mais velha, vou embora daqui quero morar na capital onde sei que existem muitos homens ricos.
Não quero mais continuar aqui neste lugar, que só tem muito trabalho e pobreza.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:25 pm

Não posso me casar com você, Osmar.
Sinto muito.
Se eu fizer isso, não só eu, mas você também vai ser muito infeliz e você não merece isso.
Merece uma moça boa, que aceite morar aqui e ser pobre para sempre.
Eu não...
- Seu pai já sabe dessa sua decisão?
- Não, mas vou contar hoje mesmo.
- Sabe que ele vai ficar muito bravo, não sabe?
- Sei, mas a vida é minha!
Sou eu quem precisa decidir o que quero fazer com ela e de uma coisa tenho certeza, não quero continuar vivendo aqui!
- Osmar engoliu seco e fez uma força tremenda para não chorar.
Com o pouco de dignidade que lhe restava, levantou-se e sem nada dizer, foi embora.
Depois que se afastou dela, começou a chorar em desespero.
Sofia ficou olhando-o se afastar e também começou a chorar.
Sentia que uma parte da sua vida estava terminando.
Gostava de Osmar, sabia que ia sentir muita falta de sua companhia, mas sabia também que era a única coisa que podia fazer naquele momento.
Agora, estava livre para ser feliz ao seu lado, Pedro Henrique.
Sem que imaginassem, eu e Matilde estávamos ao lado deles e acompanhamos toda a conversa.
Matilde olhou assustada para mim e perguntou:
- E agora, Gusmão, o que vai acontecer?
Não era isso que estava programado!
- Tem razão, Matilde.
Neste momento, com sua escolha, ela mudou o seu destino e tudo o que havia planeado.
- Ela não podia ter feito isso!
Eles precisavam continuar juntos!
- Eles precisavam e foi isso o que planearam quando estavam deste lado, mas você sabe que, quando estamos na carne, tudo fica diferente.
- Ela não podia fazer isso, Gusmão!
- Não devia, mas podia.
Todos temos nosso livre-arbítrio, Matilde, você se esqueceu disso?
Se assim não fosse, tudo seria imposto e não teria valor.
O livre-arbítrio existe exactamente para isso, para que o espírito seja livre para decidir o que achar melhor.
Por muitas encarnações, ela tem sido rica e poderosa.
Na última, ao ver que só o dinheiro e o poder não traziam a felicidade para seu espírito, pediu para que nesta, fosse diferente.
Pediu para nascer em uma casa pobre e ter de lutar arduamente pela vida.
E agora que surgiu a oportunidade de voltar a ser rica e poderosa, ela novamente, deixou seu amor e vai tentar ser feliz ao lado daquele que pode lhe dar tudo a que aspirou nesta vida.
Nada pode ser feito.
Sabe que esses três há muitas encarnações lutam entre si.
Nesta, tiveram a chance de se reconciliarem, mas parece que, mais uma vez, não vai acontecer.
- O que vai acontecer com todo o programado?
O que vai acontecer com o Osmar?
- Quando as coisas são programadas, sempre existe a chance de não saírem como o programado, por isso algumas coisas sempre podem ser mudadas.
Osmar seguirá outro caminho, mas com certeza, assim como Sofia, cumprirá sua missão.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:25 pm

Não importa o caminho que escolhemos, em qualquer um deles sempre teremos a oportunidade de realizarmos o que planeamos.
- Algo pode ser feito para fazer com que ela mude de ideia e volte ao plano original, Gusmão?
- Não, Matilde, sabe que não.
Podemos intuir bons pensamentos, mas nunca interferirmos no livre-arbítrio.
Ele pertence a cada um de nós.
- Tem razão, mas é uma pena.
Só não entendo uma coisa, Gusmão.
- Que coisa?
- Já que Sofia e todos sabiam que eles deviam continuar juntos e que tinham uma missão para cumprir, por que não nasceram em um lar rico?
Porque tiveram de nascer pobres?
Se os dois pertencessem a um lar rico nada disso estaria acontecendo.
- Sim, mas ela continuaria não dando valor para outras coisas que não fosse o dinheiro e o poder e era justamente isso que, para seu aperfeiçoamento, ela precisava superar.
Pelo que parece, outra vez não conseguiu, mas mesmo assim, terá a oportunidade de sozinha, sem Osmar, cumprir a sua missão.
Só nos resta esperar.
- Como ficarão aqueles que iam nascer e como seus filhos?
- Nascerão no lugar em que precisarem nascer.
Eles se encontrarão e só Deus sabe o que será feito.
Agora, acho bom irmos até o Osmar.
Ele deve estar desesperado e precisando da nossa ajuda, vamos?
- Matilde sorriu e fomos para junto de Osmar que caminhava pela estradinha de terra que separava o sítio de Sofia do seu.
Ele, como prevíamos, realmente chorava desesperado.
Eu e Matilde nos colocamos um de cada lado e caminhamos juntos.
Osmar chorava e pensava desesperado: como ela pôde fazer isso comigo?
Ela sempre soube que eu gostava dela e faria tudo o que fosse possível para a gente ser feliz!
O que vou fazer com a nossa casa?
Como vou dizer para os meus pais que não vai mais ter casamento?
- Naquele momento, Sofia mudou seu destino.
Stela continuava dirigindo.
Perguntou, nervosa:
- Será que falta muito, dona Sofia?
Está um horror dirigir nesta estrada. Tem muito buraco.
Sofia não ouviu o que Stela disse, porque, ao se lembrar daquele dia, sentiu um nó na garganta e uma lágrima escorreu por seu rosto.
Vendo que ela não respondia, Stela voltou a perguntar:
- Será que falta muito, dona Sofia?
Só aí Sofia ouviu, olhou para Stela e respondeu:
- Não sei, pelas informações que tivemos, deve estar chegando.
- A senhora tem mesmo certeza de que deve fazer isso?
Não seria melhor voltarmos?
- Claro que tenho, Stela!
Não quero voltar!
Preciso fazer isso!
- Está bem, não precisa ficar nervosa.
Stela se calou e continuou dirigindo.
Ela conhecia Sofia muito bem e por isso, sabia que não deveria contrariá-la.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:26 pm

A fortuna de Sofia era imensa e ela sabia que, se continuasse sendo a preferida ficaria com uma parte maior.
No fundo, ficou feliz por Anita não ter tido um filho.
Seria um a menos para dividir a herança que Sofia deixaria.
Por isso, embora sentisse muita raiva, fazia tudo o que a sogra queria.
Sofia voltou a se lembrar daquele dia em que afastou Osmar para sempre de sua vida:
aquele dia foi muito difícil, mas foi uma decisão que precisei tomar.
Se eu soubesse como a vida ia mudar, jamais o teria feito.
Eu sempre tentei, mas nunca fui totalmente feliz ao lado de Pedro Henrique.
Gostava de Osmar e quando lembro que poderíamos ter casado fico triste, mas já passou.
Não adianta sofrer.
Agora, estou velha e minha vida, apesar de tudo, foi maravilhosa.
Não tenho do que me arrepender e nem sei por que estou pensando nessas coisas.
Gusmão e os outros acompanhavam tudo o que acontecia.
Sofia voltou a se lembrar daquele dia:
depois que Osmar foi embora, senti um aperto no coração e fiquei com vontade de correr atrás dele, mas me contive, pois sabia que aquela tinha sido a decisão mais certa para minha vida.
Eu gostava dele, estava acostumada com suas conversas e sabia que ele também gostava de mim de verdade, mas não era o suficiente, eu queria mais, muito mais.
Depois que ele se afastou, olhei para o lado em que a casa de Pedro Henrique estava sendo construída e pensei; essa casa vai ser minha!
Ela e tudo o que ele possui!
Vou ser rica e poderosa!
O Osmar vai continuar nesta vidinha de sempre.
Agora que desfiz o noivado, preciso fazer com que o filho do prefeito saiba disso.
Sei que, depois do banho que dona Filomena me ensinou, não vai ter como ele se afastar.
Está preso a mim para sempre.
- Não posso acreditar que tudo isso aconteceu sem que eu soubesse, Gusmão...
- Mas aconteceu, Pedro Henrique.
Lembra-se daquele dia em que você voltou ao sítio de Sofia e que ela estava regando o jardim?
- Sim, lembro-me.
- Foi no dia seguinte.
Ela sabia que você ia voltar e por isso, colocou seu melhor vestido e ficou olhando para onde você deveria chegar.
Quando viu que você se aproximava, pegou o regador e, como se não pensasse em você, começou a regar as flores.
Você se aproximou e disse:
- Olá, Sofia.
Suas flores estão muito bonitas.
- Ela olhou para você e sorrindo disse:
- Estão sim, talvez seja porque eu cuido com muito carinho delas.
- Você hoje também está muito bonita...
Ela sorriu e você, completamente apaixonado, disse:
- Você também é uma bela flor, Sofia.
Tão bela que eu gostaria de ter sempre ao meu lado, mas é impossível.
- Impossível, por quê?
- Você já tem dono, cheguei atrasado...
- Não tenho dono e nunca vou ter. Estou livre.
- Desmanchou o noivado?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:26 pm

- Sim, eu não poderia me casar com ele.
- Por que, Sofia?
- Eu não gosto dele o suficiente.
Nós nos conhecemos desde criança, eu achava que gostava dele, mas agora estou com muitas dúvidas.
Acho que não sabia o que era o amor.
- Fiquei muito feliz ao ouvir aquilo, Gusmão, pois desde o beijo, sabia ou tinha quase certeza de que ela me amava.
Emocionado, perguntei:
- Já que está livre, quer se casar comigo?
- Lembro-me que ela abaixou a cabeça.
Seu rosto estava vermelho, mas seus olhos brilhavam, o que a deixava mais bonita ainda.
Ela olhou dentro dos meus olhos e respondeu:
- Eu não desmanchei o noivado por sua causa.
- Sei disso, mas já que está livre, podemos pensar no nosso futuro.
Se quiser, converso com seus pais e poderemos nos casar o mais breve possível.
- O senhor quer mesmo isso?
- Claro que sim, Sofia!
É o que mais desejo.
Sei que também é o que você quer.
Tenho certeza que, assim como eu, também gosta de mim.
Prometo que farei o possível para que seja feliz.
Se me aceitar, sei que não vai se arrepender.
- Está bem.
Já que é o que deseja, pode conversar com meus pais e se eles deixarem a gente se casa.
Eu realmente estou gostando muito do senhor.
- Sei disso, vou conversar com seus pais, mas antes, precisa parar de me chamar de senhor.
Não sou muito mais velho que você e afinal, vamos nos casar, não é?
- Lembro-me de que ela sorriu e de que aquele sorriso me fez o homem mais feliz do mundo.
Jamais poderia imaginar que ela estivesse me enganando...
- Mas estava.
Via em você apenas o homem que poderia lhe dar tudo com o que sempre sonhou, pois na realidade, ela gostava mesmo era de Osmar.
- De qualquer maneira, por não saber a verdade, fui muito feliz ao lado dela.
- Nisso você tem razão.
Ela procurou ser a melhor mulher do mundo e conseguiu.
Naquela mesma tarde, você esperou a chegada de Romeu e de Nadir e, assim que eles chegaram, você disse:
- Boa tarde, senhor Romeu, como está?
- Estou muito bem, só não sei o que o senhor está fazendo em minha casa...
- Estou conversando com Sofia.
Estou esperando o senhor e a dona Nadir para pedir a mão de Sofia em casamento.
- Nadir apertou o braço do marido para que ficasse calmo.
Ele nervoso, perguntou:
- O senhor está de brincadeira?
Acha que, por ser rico, filho do prefeito, pode vir e brincar com a gente?
Você, Pedro Henrique, agora muito nervoso, perguntou:
- Quantas vezes terei de repetir que não estou brincando?
Quero mesmo namorar Sofia e me casar com ela.
Nadir tornou a apertar o braço do marido e ele disse:
- Está bem, moço.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 11, 2017 7:26 pm

Se for o que deseja e se é o que Sofia quer, a gente vai dar autorização, mas nunca se esqueça de que ela, apesar de ser uma moça pobre, é honesta.
- Nunca duvidei disso, senhor Romeu. – você disse, sorrindo e olhando nos olhos de Sofia, que mesmo sem querer, não pode impedir o brilho deles.
- O senhor pode vir visitar a Sofia, mas só quando a gente estiver em casa.
Nunca mais vai fazer o que fez hoje.
Não quero que fale com ela quando ela estiver sozinha.
- Está bem, senhor.
Pode ficar tranquilo, não desejo fazer mal algum a Sofia, somente lhe dar toda felicidade do mundo.
- Sofia estava firme mas por dentro tremia inteira.
Nunca acreditou que um dia, aquilo pudesse acontecer, mas estava – disse Gusmão.
Romeu perguntou:
- Sofia, a comida está pronta?
- Está, sim senhor.
- Coloca mais um prato, o moço vai comer com a gente.
- Não precisa, senhor Romeu.
Estou indo para casa.
- Nada disso.
Quem fez a comida foi a Sofia.
O senhor precisa comer pra ver se gosta do tempero.
- Sendo assim, eu fico.
- Romeu sorriu e disse:
- Agora Sofia, entre e traga aquela da boa pra eu e o moço bebermos enquanto você coloca mais um prato na mesa.
- Sofia, ainda tremendo e acompanhada pela mãe, entrou.
Saiu logo em seguida, trazendo uma garrafa de aguardente e dois copos.
Romeu encheu um e deu para você, depois encheu outro para ele mesmo.
Vocês ficaram bebendo.
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