SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:22 pm

A VIDA COMEÇA A MUDAR
Sob a influência de Gusmão, as imagens passavam rapidamente, pela cabeça de Sofia.
Ela ia revivendo tudo o que aconteceu em sua vida.
- Daquele dia em diante, você foi todos os dias visitar Sofia, mas só à tarde, quando toda a família estava ali.
Ela estava vivendo um sonho.
Às vezes sentia medo de que você estivesse brincando, mas sempre que isso acontecia, lembrava-se do banho e que, por causa dele, se casaria de verdade com você.
Sentados em dois banquinhos no quintal, sempre que ela ficava confusa e aflita, você dizia:
- Não sei por que ainda não acredita que gosto mesmo de você.
- Até acredito que goste, mas e a sua família?
Acha que seus pais vão me aceitar?
- Não aceitariam, por quê?
- Ora, sabe que sou simples e pobre.
Seus pais, com certeza, imaginaram para você, uma moça bem diferente de mim... rica e de boa família.
- Já disse que não precisa se preocupar com isso.
Meus pais, embora sempre tivessem dinheiro, são muito simples.
Eles só pensam em minha felicidade e se eu disser que você é a minha felicidade, aceitarão você sem pestanejar.
- Tem certeza disso?
- Claro que tenho.
Pode se preparar que, assim que a casa ficar pronta, faremos uma grande festa e nesse dia, eu apresentarei você a eles.
- Vai fazer isso mesmo?
- Claro que sim.
Já conversei com eles, disse que assim que a construção terminar, pretendo me casar.
Disse também que você é uma moça simples.
Eles querem conhecer você e toda a sua família.
Por isso, vou anunciar o nosso namoro no meio de uma grande festa, com todos os amigos e conhecidos presentes.
- Você disse isso, mesmo?
- Disse!
- Eles aceitaram me conhecer?
- Não só a você, mas a toda sua família.
Meu pai sempre quis que eu fosse para a faculdade.
Fiz a sua vontade e me formei em agronomia, pois não me imagino morando em algum lugar que não seja no campo.
Fiz a sua vontade, agora ele tem que fazer a minha.
Aceitar você de coração.
Sei que não só ele, mas toda a minha família e amigos também farão isso.
Por isso, não precisa se preocupar.
Tudo dará certo, nós nos casaremos e seremos felizes para sempre.
- Está bem. Prefiro acreditar nisso.
- Assim é que tem que ser.
Por que sofrer antes do tempo?
Vamos deixar a vida tomar conta de tudo.
- Outra vez, você a convenceu, Pedro Henrique.
Passaram-se mais de seis meses.
A casa ficou pronta, a fazenda toda cercada e as primeiras cabeças de gado começaram a chegar.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:22 pm

Como a sede da fazenda ficava a uns cinquenta metros da cerca do sítio de Romeu, você mandou que fosse construído um portão que ligava o sítio à fazenda e por ali entrava e saía.
A festa foi programada e muitas pessoas foram convidadas.
Pedro Henrique, você estava animado e disse para Sofia:
- No próximo fim de semana, vamos fazer a festa de inauguração da fazenda, quero que vá com seus pais até a cidade e compre roupas novas, para todos.
Vou apresentá-los à minha família e a meus amigos.
Vá até a loja do senhor João e compre tudo do que precisar.
Já conversei com ele e sabe que irão até lá.
Não se preocupe com dinheiro, compre o que quiser.
Quero que esteja bem bonita na festa.
Gusmão continuou:
- Sofia estava exultante, sentia que tudo era verdade e que se casaria mesmo com você e poderia assim, deixar aquela vida de pobreza e, como você disse, poderia até continuar estudando.
No dia seguinte, todos foram para o centro da cidade e compraram roupas para a festa.
Romeu estava preocupado e disse para a esposa:
- Nadir, será que a nossa filha vai mesmo se casar com este moço rico?
- Acho que sim, se ele não estivesse com boas intenções não ia querer que a gente fosse à festa.
Ele disse que vai apresentar a gente pra toda a família.
Já pensou, Romeu, a gente vai ter uma filha rica!
- Ela estava muito feliz, nunca em sua vida imaginou que aquilo pudesse acontecer.
Sabia que Sofia era uma moça muito bonita, mas sempre pensava:
eu também era bonita, mas nunca encontrei um homem rico e bonito como esse.
Gosto do Romeu, mas se ele fosse rico eu ia gostar muito mais.
Já pensou? A Sofia vai ter tudo o que desejar nesta vida!
Ela tem muita sorte!
Parece que tem um anjo cuidando da vida dela...
- Ela não sabia, mas todos temos amigos cuidando dos nossos passos e nos ajudando sempre que possível.
Não podem interferir em nossas escolhas, mas podem e nos dão boas intuições.
Eu e Matilde ficamos o tempo todo e ainda estamos, ao lado de Sofia.
- Tem razão, Gusmão, se quando encarnados soubéssemos disso, muita ansiedade e sofrimento seriam evitados.
- A maioria dos espíritos, Pedro Henrique, quando encarnados, embora aceitem que existe uma força maior, não acreditam realmente e por isso, sofrem muito sem necessidade, mas é assim e será por muito tempo.
O espírito, através das reencarnações, tem a oportunidade de ir aprendendo.
Sofia havia mudado o que planejara antes de renascer mas, mesmo assim, continuamos ao seu lado.
Ela era a nossa missão.
- Mesmo depois de desencarnados, temos uma missão para cumprir?
Gusmão riu com aquela pergunta de Pedro Henrique e respondeu:
- Claro que sim, Pedro Henrique.
Você não é daqueles que acreditam que com a morte tudo se acaba.
Todo o espírito, esteja onde estiver, encarnado ou não, sempre terá um trabalho para cumprir.
Todos estamos aqui tentando fazer com que Sofia encontre o seu caminho para que possa nos acompanhar para esferas mais altas da espiritualidade.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:23 pm

Estamos tentando há muito tempo e quem sabe, desta vez, consigamos.
Essa é a nossa esperança e a nossa missão.
Pedro Henrique sorriu.
Ele, quando morreu, foi recebido por sua mãe e ela, a partir daí, lhe deu toda a assistência.
Havia lhe contado que a vida após a morte existia e que ele deveria continuar sempre se aprimorando e trabalhando para sua evolução.
Por isso, jamais deveria ter feito aquela pergunta, mas já que havia feito, ficou feliz com os esclarecimentos de Gusmão, que continuou falando:
- No sábado pela manhã, toda a família estava eufórica.
Começaram a ver os carros e as pessoas chegando.
Sabiam que um boi havia sido morto para o churrasco, muitas caixas de cerveja e refrigerantes também chegaram.
Sofia vestiu o vestido azul que havia comprado e prendeu seus cabelos com um laço da mesma cor.
Estava nervosa, já conhecia os pais de Pedro Henrique, aliás, todos na cidade os conheciam.
Sua família já há várias gerações, pertencia à classe política.
O coronel José António era pai de quatro filhos, três moças e só um homem, você Pedro Henrique, por isso seu maior desejo era que você também seguisse a carreira política, mas sempre que lhe falava isso, você dizia:
- Pai, não nasci para ser político.
Gosto do campo, do gado.
Não saberia viver neste mundo de fingimento em que o senhor vive.
Teria de aturar pessoas de que não gosto só para ter seu apoio político e conseguir ganhar as eleições.
Quem sabe um dia, mas por enquanto não.
- É verdade Gusmão.
Eu não suportava pensar em viver no meio daquela gente fingida e dissimulada.
O mundo da política não era para mim.
Preferia viver ao ar livre e na companhia de animais. Eles sim, eram sinceros.
- Sim, você pensava assim, mas Sofia não.
Ela queria pertencer a esse mundo que você detestava, mas naquele dia, ela não pensava em mais nada, a não ser no que aconteceria e como se portaria na festa.
Quando já havia muitas pessoas na festa, você, vendo que ela e a família não chegavam, foi até o portão que havia mandado construir e que dividia as duas propriedades.
Gustavo, que estava do lado de fora, gritou:
- Sofia, o Pedro Henrique está aqui!
- Ela saiu e foi ao seu encontro.
Assim que se aproximou, você disse:
- Como você está linda, Sofia!
Por que ainda não foram para a festa?
- A gente não sabia se estava na hora.
Eu estava esperando que, quando chegasse à hora, você viesse até aqui.
- Está bem, você ainda não entendeu o seu lugar.
Quero que você e toda a sua família vão agora para a festa.
Chegaremos todos juntos.
Chame seus pais.
- Sofia sorriu, entrou em casa e chamou seus pais e Gustavo.
Em seguida, saíram e ao seu lado, entraram na fazenda e caminharam até a sede onde a festa se desenrolava.
Você entrou abraçado à Sofia, o que causou curiosidade a todos.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:23 pm

Altivo e caminhando firme, você sorria para todos e ao se aproximar de seus pais, disse:
- Pai, mãe, este é o senhor Romeu e esta é dona Nadir, sua esposa.
Eles são os pais de Sofia, esta linda moça com quem pretendo me casar.
- José António abriu um sorriso e disse:
- Muito prazer, seu Romeu.
Estou feliz que tenha vindo e a toda sua família.
Vejo que você é mesmo muito bonita, Sofia.
Agora entendo por que meu filho está tão entusiasmado. Mas, vamos entrar:
a festa está rolando solta.
Tem uma da “boa” e sei que o senhor vai gostar.
Lembra-se Maria Rita, quando você se aproximou de Nadir e disse:
- Assim como meu marido, estou feliz que a senhora tenha vindo.
E ele também tem razão quando diz que sua filha é muito bonita.
Sejam bem vindos à nossa casa.
Espero que aproveitem bem a festa.
- Lembro-me sim, Gusmão.
Pedro Henrique havia me falado muito nela e confesso que estava morrendo de curiosidade.
Eu também era de uma família humilde quando me casei com José António e sabia o que ela e sua família estavam sentindo naquele momento, por isso fiz o possível para que ficassem a vontade.
- Fez isso mesmo.
Embora estivessem sendo bem recebidos, a família de Sofia não estava sentindo-se bem.
Não pertenciam e sabiam disso, àquele lugar, mas fizeram o possível para ficarem o mais natural possível.
Gustavo, por ser criança, não sentia a diferença que existia.
Logo estava brincando com as outras crianças.
Você, Pedro Henrique, sempre com os braços sobre os ombros de Sofia, ia conversando com um e outro e apresentando-a como sua noiva.
Claro que os comentários foram muitos.
Ninguém conseguia entender como você, um moço de boa família, podia ter se envolvido com uma moça como Sofia.
Os comentários eram piores por parte das moças solteiras e de seus familiares que sonhavam em conseguir que uma delas se casasse com você.
Todos que estavam na festa começaram a comer e vários grupos foram se formando.
A maioria das pessoas que estavam ali fazia parte do mundo político, tinha interesse em ser ou parecer amigo do prefeito, pois sabia que assim, poderia obter alguma vantagem.
Romeu e Nadir ficaram ali por um curto espaço de tempo e depois foram embora, deixando os filhos na festa.
Eles não se sentiam bem no meio daquelas pessoas tão diferentes deles.
Sofia, ao contrário, aos poucos foi se sentindo segura ao seu lado e logo estava conversando com as pessoas.
O dia transcorreu no meio de muita alegria.
No fim da tarde, quando as pessoas começaram a ir embora você, sempre abraçado a Sofia e na companhia dos pais, ia se despedindo de todos.
Quando o último convidado foi embora, você, Maria Rita, olhou nos olhos de Sofia e disse:
- Gostei muito de você.
Parece que é uma moça que além de bonita, tem um olhar muito terno.
Estou feliz por meu filho ter escolhido você para ser sua noiva.
- Sofia que, a principio sentia muito medo daquele encontro, agora estava tranquila, pois o seu olhar parecia sincero.”
Mesmo assim, não conseguiu dizer nada, olhou para você Pedro Henrique que sorrindo, disse:
- Não lhe disse, Sofia que meus pais a receberiam com todo o carinho e que eles só pensariam na minha felicidade?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:23 pm

Ela estava com medo de vir aqui e de encontrar à senhora, mamãe.
- Medo, por quê?
- Ela diz que é uma moça pobre e que a senhora não a aceitaria como minha namorada.
- Pois está muito enganada, Sofia.
Eu também quando conheci o José António, vinha de uma família humilde.
Mesmo assim, fui aceite por toda a família e ajudada por minha sogra, estudei, aprendi e com isso, me tornei quem sou hoje.
Por isso, a sua condição social não me incomoda.
A única coisa que me importo é, como Pedro Henrique disse, a felicidade do meu filho.
Ele, desde que a conheceu, está muito feliz.
- Mas eu não tenho estudo e não sei me comportar na presença das pessoas que fazem parte de suas amizades.
- Isso para mim não tem importância alguma e também como aconteceu comigo, são coisas que se quiser, poderá aprender.
A única coisa que quero é que faça meu filho feliz.
- Ela fará, mamãe. Ela fará.
Tenho certeza disso!
José António, que estava se despedindo de alguns amigos, se aproximou e ouviu uma parte da conversa.
Assim que Maria Rita terminou de falar, ele disse:
- Eu também estou feliz com você, Sofia.
Enquanto fizer meu filho feliz, terá todo nosso carinho e apoio para fazer de sua vida o que quiser.
Quanto ao estudo e às boas maneiras, como disse Maria Rita, terá todas as chances para aprender.
Sofia ouviu aquelas pessoas que para ela sempre foram tão distantes e ficou emocionada.
Apenas disse:
- No que depender de mim, ele será o homem mais feliz deste mundo dona Maria Rita.
- É isso o que importa.
Agora, podemos ir embora, estou cansada, o dia foi muito agitado e eu não estou acostumada.
- Também estou cansado, mulher.
Não temos mais idade para toda essa agitação.
- Vou levar Sofia até em casa e irei em seguida.
- Eles foram embora.
Você, Pedro Henrique e Sofia saíram caminhando em direcção a casa dela.
Enquanto caminhavam, você disse:
- Não falei que eles iam aceitar você sem problema algum?
Minha mãe nunca escondeu sua origem e sempre fez questão de nos ensinar que as pessoas valiam por quem eram e não pelos bens que possuíam.
Sei que ela além de aceitar, irá ajudar você para que se torne a mulher que desejar ser.
- Não estou acreditando que tudo isso está acontecendo comigo...
- Mas está e daqui para frente só terá felicidade em sua vida.
- Estou muito feliz e devo tudo isso a você.
- Também estou feliz, mas agora vamos descansar, a partir de amanhã precisamos começar a pensar no nosso casamento.
- Casamento?
- Casamento, claro!
Acha que eu vou ficar até quando só namorando?
Quero você ao meu lado para o resto da minha vida!
Dormir e acordar ao seu lado e ter você como minha mulher!
- Está falando sério?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:24 pm

- Estou, mas sei que você só vai acreditar no dia em que estivermos diante do juiz e depois, diante do padre e me ouvir dizendo sim.
Ela sorriu.
Você parou de andar e a puxou para junto de si, ia beijá-la quando ouviu alguém tossindo.
Era Romeu.
Estavam tão distraídos, caminhando e conversando que não perceberam que já estavam junto à cerca e bem perto da casa.
Romeu disse:
- Boa noite, moço.
A festa foi muito boa.
- Foi sim, seu Romeu.
Mas por que veio embora tão cedo?
- Eu tinha que preparar a mercadoria para levar à feira amanhã bem cedo.
Sabe que vivo do que planto.
- Sei disso, mas foi uma pena.
A festa estava muito boa.
Estou indo agora mas voltarei amanhã para conversarmos a respeito do nosso casamento.
- Casamento?
- Sim, casamento.
Pretendo me casar o mais rápido possível com Sofia.
- Tem certeza disso, moço?
- Tenho sim, mas só conversaremos amanhã.
- Seus pais estão de acordo?
- Claro que estão, mas é melhor deixarmos para amanhã.
Hoje bebi um pouco além da conta e estou cansado. Boa noite.
- Boa noite... disse Romeu, um pouco assustado com aquela conversa.
- Você passou a mão sobre os cabelos de Sofia, voltou para a casa da fazenda, montou em seu cavalo e foi embora.
- Lembro-me muito bem daquele dia, Gusmão e de como estava feliz.
Sofia entrou em casa.
Estava muito feliz.
Sua mãe que ouviu a conversa, com os olhos brilhantes, disse:
- Sofia! Ele quer mesmo se casar com você?
- Acho que sim, mãe!
Ele disse que vai conversar com o pai e que quer marcar a data.
- A mãe dele concordou?
- A senhora não sabe, mas ela também era pobre!
Ela disse que foi a sogra que a ajudou para que se tornasse a mulher que é hoje e que se eu quiser, ela vai fazer o mesmo comigo!
- Que bom, minha filha!
Você vai ser uma mulher rica e vai poder fazer aquilo que sempre quis, sair desta casa e estudar.
- Eu não queria sair desta casa mãe, eu queria sair deste lugar, desta vida...
- De qualquer maneira precisa agradecer muito a Deus por tudo o que está fazendo com sua vida.
Ele está lhe dando a oportunidade de cumprir sua missão.
Acho que ela está começando agora.
- Não estou entendendo o que a senhora está querendo dizer.
Que missão? Que conversa é essa, mãe?
- Parece que Nadir não estava ali.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:24 pm

Como se estivesse voltando de um lugar distante, respondeu:
- Não sei... deu-me vontade de falar isso...
- Sofia, surpresa, olhou para a mãe e também não entendeu de onde havia surgido aquela conversa.
Sem que nos vissem, eu e Matilde estávamos ao lado delas.
Matilde, retirando a mão que estava sobre a garganta de Nadir, disse:
- É Gusmão, ela está mesmo começando sua missão.
- Sei disso, Matilde.
Vamos esperar que ela consiga, sabemos que não será fácil.
Mas agora, já podemos ir embora.
O resto ficará por conta de Sofia...
- Beijamos Sofia e Nadir e fomos embora.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:24 pm

O CASAMENTO
Stela continuava dirigindo e tomando cuidado com os buracos da estrada.
Percebeu que Sofia permaneceu o tempo todo calada.
Estranhou, pois Sofia gostava muito de falar, perguntou:
- O que está acontecendo, dona Sofia?
- Por que está perguntando isso?
- Estamos já nesta estrada há quase meia hora e a senhora permaneceu o tempo todo calada.
No que está pensando?
- Não sei, Stela, mas desde que acordei pela manhã, não paro de pensar na minha vida.
De como ela foi, das pessoas que conheci e do rumo que ela tomou.
Neste momento, estava relembrando do meu casamento e como foi.
- A senhora nunca me contou como foi.
Sei que era uma moça pobre e que se casou com o senhor Pedro Henrique, mas nunca soube como isso aconteceu.
Parece que a senhora viveu um conto de fadas com príncipe encantado!
- Com cavalo branco e tudo! – Sofia disse rindo.
Um dia qualquer eu lhe conto como tudo aconteceu, mas não vai ser hoje.
Preciso me concentrar no que vou pedir para o homem.
O trabalho precisará ser muito bem feito.
Tem de ser definitivo.
- A senhora não vai mudar mesmo de ideia?
- Claro que não, Stela!
Não suporto aquela mulher!
Ela precisa sair das nossas vidas!
Stela sabia que não adiantava continuar insistindo.
Conhecia Sofia e sabia que quando ela decidia alguma coisa, nada poderia ser feito para que mudasse de ideia.
Resolveu se calar.
Embora Sofia tivesse dito que não queria falar, ainda sob a influência de Gusmão, não conseguia parar de relembrar:
Com o pedido de casamento de Pedro Henrique e depois da festa, eu fiquei muito empolgada.
Sabia que, agora não tinha mais volta.
Tudo estava correndo muito rápido em minha vida.
A maneira como fui recebida por seus pais e principalmente por sua mãe me encorajou ainda mais.
Em uma tarde, Pedro Henrique disse para meu pai:
- Senhor Romeu, minha mãe está convidando o senhor e sua família para um almoço no domingo.
Ela quer combinar como será o nosso casamento.
- Casamento? Não é ainda muito cedo, vocês acabaram de se conhecer!
- Para mim, não é.
Assim que vi Sofia pela primeira vez, soube que ela seria a mulher com quem quero viver para o resto da minha vida.
E você, Sofia, acha que é muito cedo?
Eu estava muito nervosa e com a voz trémula, respondi:
- Não, também gosto muito de você, Pedro Henrique.
Se você acha que já está na hora de a gente se casar, também quero.
Vou fazer sempre tudo o que você quiser.
- Então está bem.
Pode avisar sua mãe que a gente vai no domingo. – disse meu pai.
Stela a interrompeu:
- Dona Sofia, será que se houver mesmo uma separação, Ricardo não vai sofrer muito?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:24 pm

Sofia voltou de seus pensamentos e respondeu:
- No começo pode ser que sofra, mas encontrarei uma moça para lhe fazer companhia.
Não se preocupe Stela, tudo vai ficar bem.
Stela outra vez se calou e continuou dirigindo.
Gusmão voltou a falar e Sofia continuou relembrando:
- No domingo todos se arrumaram da melhor maneira que conseguiram.
Romeu preparou a carroça e foram felizes para a cidade.
Você, Maria Rita, por entender a situação deles, pois já havia passado por igual, os recebeu com um largo sorriso, dizendo:
-Sejam bem vindos.
José António não está em casa, foi visitar um amigo que está doente, mas voltará antes do almoço.
Entraram naquela casa que só viam quando passavam pela rua e que sabiam ser a casa do prefeito, por isso nunca imaginaram que um dia iriam até lá.
Estavam preocupados.
Sofia estava com medo de que seus pais e Gustavo não soubessem se comportar.
Queria mesmo se casar e por isso, nada de errado podia acontecer.
Você, Maria Rita, percebendo o nervosismo dela, tentou colocá-los à vontade, dizendo:
- Sei que estão nervosos, mas não precisa.
Também sou de família humilde e também eu e meus pais ficamos nervosos quando fomos pela primeira vez na casa de José António, mas depois do casamento a mãe dele fez questão de me ensinar tudo o que sei e de continuar a amizade com a minha família.
Enquanto minha mãe e meu pai viveram, sempre nos visitaram e nós o visitamos também.
Meus irmãos e a família sempre vêm aqui em casa.
Ter dinheiro ou educação é só uma questão de momento.
De repente, tudo pode mudar para melhor ou pior.
- Ao ouvir aquilo, Sofia e seus pais ficaram mais tranquilos e, em pouco tempo, estavam conversando como se já se conhecessem há muito tempo.
Combinaram tudo.
Enxoval, roupas, igreja, festa e convidados.
Marcaram o casamento para três meses depois, tempo que acharam suficiente para que tudo fosse preparado.
Sofia ouvia os pais conversando e enquanto isso pensava: vou me casar mesmo!
Mas o melhor de tudo é que vou sair daquele lugar, poder realizar o meu sonho de estudar...
- Depois de tudo combinado, voltaram para casa.
Nadir e Romeu também estavam felizes.
Sua filha iria se casar o que sempre foi uma preocupação deles, pois temiam que ela ficasse solteirona.
Ela estava com dezassete anos e seu tempo já estava passando.
Nadir estava mais feliz do que todos, pois Sofia além de casar, o faria com um homem como você, Pedro Henrique, rico e poderoso.
- Nunca imaginei que isso estivesse acontecendo, Gusmão.
Estava feliz demais, só pensava em Sofia e em quanto eu gostava dela...
- Sei disso, você estava completamente apaixonado.
– Gusmão disse, rindo, e continuou:
- Faltava um mês para o casamento.
Você disse:
- Sofia, estive conversando com meu pai e disse que quero morar na fazenda.
- Na fazenda?
- Sim, na fazenda. Desde pequeno sempre gostei de lidar com gado e lavoura.
Por isso fui estudar agronomia.
Também para você, vai ser bom, pois poderá continuar perto da sua família.
Não quero ver você triste, sentindo saudade deles.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:25 pm

- Ela levou um susto, mas disfarçou, apenas sorriu, pensando:
não era isso o que eu queria.
Não quero morar em fazenda alguma!
Quero morar na cidade, fazer parte da sociedade, ter roupas bonitas e frequentar festas.
Mas não posso dizer agora.
Depois do casamento, encontrarei uma maneira de fazer com que ele mude de ideia.
- Como que se adivinhasse o que ela estava pensando, você falou:
- Talvez você esteja preocupada em não poder estudar, mas agora não será mais necessário.
Terá muito trabalho, sendo mãe e esposa.
Comprarei todos os livros que quiser ler.
- Ela, com muita raiva por dentro, sorriu e disse:
- Está bem, vou fazer tudo o que você quiser.
- Nadir que estava ao lado, ao ver o que Sofia disse, ficou olhando para ela e pensando:
sei que ela não quer morar aqui, ao contrário, quer ficar bem longe de toda esta pobreza, mas parece que está disposta a fazer tudo para se casar com Pedro Henrique.
Fico feliz, pois sei que ele é um óptimo rapaz e que vai fazer tudo para que ela seja feliz.
- Terminaram a conversa a esse respeito e começaram a falar sobre o casamento que estava se aproximando.
Você, Maria Rita, levou Sofia e Nadir a uma modista famosa na cidade.
Lá, foram-lhe mostrados vários figurinos de vestidos de noiva.
Sofia olhou, olhou, mas não conseguiu se decidir qual era o mais bonito, perguntou:
- Dona Maria Rita, qual a senhora acha que é o mais bonito?
- Eu já escolhi um, mas quem tem de decidir é você, Sofia.
- E a senhora, mãe?
Qual é o mais bonito?
- Também não consegui escolher, são todos tão bonitos...
- Depois de muito olhar, Sofia se decidiu por um feito com renda e cetim.
- Lembro-me muito bem daquele dia, Gusmão e depois do modelo escolhido, eu as levei até à loja de tecidos que havia na cidade.
Compramos o tecido e voltamos para a modista.
Eu estava muito feliz, pois via como Pedro Henrique gostava daquela moça e só queria a sua felicidade.
Ele sempre fora um óptimo filho e merecia ser feliz. – disse isso, olhando para Pedro Henrique que, emocionado, beijou-a na testa.
Gusmão continuou:
- Em casa à noite quando se deitou, Sofia ficou pensando:
como vai ficar lindo o meu vestido...
quando eu poderia imaginar que o meu casamento seria assim, tão grandioso.
Mas, deve ser porque mereço...
- Adormeceu, ainda pensando no vestido e na festa.
No dia seguinte, continuaram a maratona de compras.
Com a sua presença sempre constante, Maria Rita, compraram todo o enxoval, desde pano de prato até toalhas de banho, lençóis, fronhas, cobertores e colchas.
O dia do casamento chegou.
Sofia estava nervosa e ansiosa.
Nadir ficou ao seu lado o tempo todo, tentando fazer com que ela se acalmasse, embora soubesse que era uma coisa quase impossível.
A festa foi grandiosa e pessoas e políticos importantes da cidade e de outras localidades compareceram.
Sofia, como toda noiva, estava feliz com aquela festa grandiosa.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:25 pm

Embora tivesse ao longo de sua vida sonhado com esse dia, nunca imaginou que seria tão maravilhoso.
Mas mesmo assim, não se sentia segura o bastante para conversar com as pessoas.
Recebia os cumprimentos, sorria e se afastava.
Tinha medo de falar alguma coisa que não fosse do agrado das pessoas.
Sabia que Pedro Henrique a amava.
Sabia que havia sido bem recebida por toda a sua família.
Sabia que seria feliz ao seu lado, mas sentia-se diminuída e como nunca aceitou sua condição de humilde e pobre, mesmo vivendo aquele momento de felicidade, sentia medo.
Nadir estava feliz por ver a filha se transformando em uma dama da sociedade.
Sabia que, com aquele casamento, Sofia teria tudo com o que sempre sonhou.
Tinha certeza de que você faria de tudo para que ela fosse feliz.
- Eu também estava muito feliz, Gusmão.
Aquele casamento era tudo o que mais queria naquele momento.
- Mesmo antes de a festa terminar, vocês despediram-se e foram para o Rio de Janeiro passar a lua de mel.
Você já conhecia a cidade, mas Sofia não e era um de seus sonhos.
Quando ela falou de sua vontade, você sorrindo disse:
- É uma vontade sua, pois será a primeira de muitas que vou realizar. Só quero que seja feliz.
- Eu, naquele tempo e durante toda a nossa vida juntos, sempre fiz todas as suas vontades.
Queria realmente fazê-la feliz.
Ir para o Rio de Janeiro era o mínimo que poderia fazer.
Lembro-me de como ela exultou de felicidade e como me beijou carinhosamente.
- Isso é verdade, ela estava realmente muito feliz e essa felicidade duraria para sempre se ela, apesar de saber o quanto você gostava dela, não confiasse o bastante nesse amor.
- Por que está dizendo isso, Gusmão?
Que mais aconteceu que eu não fiquei sabendo?
- Muita coisa, Pedro Henrique... muita coisa... mas deixemos para depois.
Neste momento, estamos aqui para tentar fazer com que ela não cometa mais um erro.
Vamos aguardar.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:25 pm

MUITO MAIS DO QUE UM SONHO
Sofia enquanto pensava, ficava nervosa com a demora em chegar à casa do homem.
Ela balançava a cabeça, tentando afastar os pensamentos, mas não conseguia.
Stela também estava ficando cansada e nervosa, pois quando aceitou acompanhar Sofia não pensou que a casa ficasse tão longe.
Além disso, não imaginou que teria de passar por uma estrada como aquela, o que tornava a viagem mais demorada.
Mesmo assim, não haveria mais volta, deviam estar chegando.
Gusmão continuou falando:
- Vocês ficaram viajando por mais de um mês.
A lua de mel foi maravilhosa.
Você, Pedro Henrique, sempre carinhoso parecia que adivinhava todos os desejos de Sofia.
Quando lhe mostrou o Pão-de-açúcar e disse que tomariam aquele bondinho que no momento passava por sobre suas cabeças, ela ficou com medo e disse que não queria ir, mas você a convenceu e foram para a estação.
Quando o bondinho começou a subir, ela segurou firme no seu braço, mas aos poucos, foi se encantando com a beleza que se deslumbrava e foi se soltando.
Em poucos minutos, olhava para aquela paisagem linda e ria de satisfação.
Foram ao Corcovado, e outra vez, ela se encantou.
Para ela, que nunca havia saído daquela cidade em que nasceu e o lugar mais longe a que tinha ido era o centro da cidade, tudo aquilo era um deslumbramento.
Ficou mais encantada ainda quando viu o mar e entrou nele.
Aquela água salgada batendo em seu corpo a fazia rir como se fosse uma criança.
Tudo estava perfeito.
Ela não parava para pensar em tudo o que estava acontecendo em sua vida e quase não se lembrava mais daquela menina pobre que havia sido até então.
Chegaram à cidade e foram para a sua casa, Maria Rita.
Você sabia que eles chegariam naquele dia, por isso mandou preparar um almoço bem do gosto de Pedro Henrique.
Eles chegaram cansados da viagem, mas felizes.
Você, Maria Rita, perguntou como havia sido a viagem e os dois, falando quase ao mesmo tempo, foram contando tudo.
Durante o almoço você, Pedro Henrique, deu ao seu pai um cachimbo com cabo em marfim que havia comprado para ele.
Sofia deu à Maria Rita algumas miniaturas do Corcovado e do Pão-de-Açúcar que havia comprado para ela.
Ficaram o tempo todo falando sobre a viagem.
Depois do almoço, mostraram todas as fotografias que haviam tirado.
Quando estavam se despedindo você, Maria Rita, disse:
- Pedro Henrique, vou organizar um almoço no domingo, assim suas irmãs poderão vir.
Elas e as crianças estão morrendo de saudade e também querendo saber como foi à viagem.
Convide seus pais, Sofia.
- Obrigada, dona Maria Rita vou convidar mas não sei se eles vão querer vir.
A senhora sabe como eles são...
- Sei, sim.
No começo é assim, para mim também foi difícil fazer com que a minha família começasse a frequentar a nossa casa.
Mas com o tempo e com muita paciência, você vai conseguir fazê-los entender que agora, eles fazem parte da nossa família e que serão sempre bem vindos à nossa casa.
Tente Sofia, verá que logo estaremos todos juntos almoçando em uma mesma mesa.
- Vou tentar...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:25 pm

- Lembro-me desse dia e aceitei o que Sofia disse pois realmente, havia passado por aquilo e talvez por isso, não tenha dado tanta importância.
Sabia que seria só uma questão de tempo.
- Você pensava assim, mas Sofia não.
Pensava exactamente o contrário.
Despediram-se e foram para a casa na fazenda, que ficava distante mais ou menos quarenta minutos da cidade.
Por ser longe da cidade, a estrada que levava até ela era de terra, por isso Pedro Henrique ia sempre a cavalo.
Agora que Sofia também teria de ir, eles foram em um jipe.
Quando chegaram, já estava quase anoitecendo.
Estavam cansados e sujos da poeira da estrada.
Sofia entrou naquela casa que daquele dia em diante seria sua.
Já tinha estado lá muitas vezes mas só naquele momento olhou tudo mais detalhadamente.
Por ser recém construída, os móveis e a decoração eram todos novos e de muito bom gosto.
Quem escolheu tudo foi você, Maria Rita.
A casa era enorme.
Fora construída para a sua família, Maria Rita, por isso tinha oito quartos.
Um para você e José António, outros três para cada uma das suas filhas e seus maridos, dois para as crianças, um para Pedro Henrique e ou outro para hóspedes.
Sofia caminhou por todos os compartimentos da casa.
A cada quarto em que entrava, ia se encantando com o tamanho e a decoração.
Ao entrar naquele que seria o seu, parou à porta e ficou olhando.
Durante a viagem você havia mandado decorá-lo.
Aquele que seria um quarto de solteiro se transformou em um lindo quarto de casal, digno de uma noiva.
Sofia ficou sem saber o que dizer.
Pedro Henrique, que estava ao seu lado, começou a rir e disse:
- Este é o nosso quarto, Sofia. Gostou?
- Ela, quase sem conseguir falar, respondeu com a voz entrecortada pela emoção.
- É lindo, Pedro Henrique...
- Não mais do que você.
Minha mãe me perguntou se podia decorar o quarto, eu disse que sim.
Sei que ela tem muito bom gosto, mas confesso que até eu estou abismado.
Está realmente muito bonito.
- Bonito? Está maravilhoso!
Sua mãe é também uma mulher maravilhosa!
- É sim, a melhor mãe do mundo.
Mas agora, vamos tomar um banho e tirar toda essa poeira do corpo.
Depois vamos jantar.
Estou morrendo de fome.
- Jantar?
É mesmo, preciso fazer o jantar.
Será que sua mãe fez compras de mantimentos?
Deve ter feito. Ela pensa em tudo.
Enquanto você toma banho, vou começar a preparar a comida.
Depois, enquanto as panelas ficam no fogo, vou também tomar banho.
- Você sorriu e disse:
- Você ainda não visitou todas as dependências da casa, falta à cozinha.
Se quiser começar a preparar o jantar, é melhor ir até lá.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:26 pm

Ela começou a rir:
- Está bem, vou até lá e vou começar o jantar. Vá para o banheiro.
- Você beijou-a. Ela saiu rindo.
Quando estava se aproximando, sentiu cheiro de comida que por sinal, estava muito bom.
Entrou na cozinha e uma mulher sorridente disse:
- Boa noite, senhora.
O jantar está quase pronto.
Espero que goste do meu tempero.
- Sofia, com a boca aberta ficou parada à porta.
Sentiu braços em seus ombros, se voltou e Pedro Henrique disse:
- Esta é Delzira, ela é mulher de um dos empregados da fazenda.
Eles moram em uma das casas que mandamos construir para os empregados.
Ela vai cuidar da cozinha e da nossa alimentação.
- Sofia olhou para aquela mulher que sorria.
Ficou sem poder falar por alguns segundos, depois disse:
- Muito prazer, Delzira.
Tenho certeza de que vou gostar muito da sua comida.
- Estavam ali, quando pela porta entrou uma outra mulher que ao ver vocês, se assustou e tentou sair novamente, mas você disse:
- Não precisa se assustar, Noélia, não vamos comer você.
Sofia, esta é Noélia.
Ela e Delzira cuidarão da casa e de tudo por aqui.
- Sofia olhou para ela e sorriu.
Não sabia o que fazer, pois durante toda sua vida foi quem cuidou da casa e da alimentação de sua família.
Não conseguia acreditar que, dali para frente teria quem cuidasse dela e de tudo.
Emocionada não conseguiu falar, apenas sorriu.
Você, ao perceber que ela estava emocionada, disse:
- Agora, enquanto elas terminam o jantar, vamos tomar o nosso banho.
- Saíram abraçados.
Jantaram e não tiveram o que reclamar.
A comida estava realmente muito boa.
Após o jantar, foram para a varanda que rodeava toda a casa.
Em frente à porta da sala, havia duas poltronas em vime.
Uma maior e a outra menor.
Abraçados, sentaram-se na maior.
Sofia colocou a cabeça sobre as suas pernas e ficaram olhando para o céu.
Estava uma noite linda, fresca e com um luar que convidava ao romance.
O céu, muito estrelado, tanto que parecia que uma estrela estava a dois centímetros da outra.
Sofia fechou os olhos e ficou se lembrando de como era sua vida até ter conhecido você e no que ela se transformara.
Você, acariciando seus cabelos, disse:
- Espero que você seja muito feliz aqui, Sofia, mas se alguma coisa a incomodar, basta só me dizer.
- Estou e sei que vou ser feliz aqui, Pedro Henrique.
Eu amo você, isso é o que me dá a certeza de que vou ser feliz.
- Você beijou seus cabelos.
- Também amo você... agora, não acha que está na hora de irmos dormir?
- Queria ficar mais um pouco de tempo aqui, Pedro Henrique.
Pode ir, daqui a pouco vou também.
- Estou cansado.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 12, 2017 8:26 pm

Amanhã preciso acordar cedo.
Tenho muito trabalho a fazer.
As férias terminaram.
- Você se levantou, deu um beijo em sua testa e entrou em casa.
Sofia continuou ali sentada, olhando para o céu e para as estrelas.
Seu coração estava feliz.
Eu e Matilde, embora não pudéssemos ser vistos, estávamos lá.
Matilde disse:
- Apesar de Sofia ter mudado o planejado, está tudo caminhando bem, Gusmão.
Eles se encontraram e embora Sofia tenha escolhido Pedro Henrique, desta vez também está tendo toda a oportunidade de se redimir.
Espero que ela consiga - Também espero, Matilde, também espero...
- Sofia, sem imaginar que nós estávamos ali, levantou-se e encostou-se na grade que separava a varanda do quintal.
Olhou ao longe e viu uma luz muito fraca acesa.
Sabia que aquela era a sua casa, onde seus pais e irmão naquele momento, deveriam estar dormindo.
Pensou: Dona Maria Rita quer que eu os convide para o almoço em família, mas como posso fazer isso?
Eles não sabem se comportar, nunca viram uma mesa daquele tamanho e com tudo colocado em seu lugar.
Já imaginou o que vão fazer quando virem todos aqueles copos e talheres?
Eu mesma me confundo e só começo a comer quando todos já estão comendo.
Eu tenho esse cuidado, pois não quero parecer um bicho do mato, mas eles não vão se preocupar com isso.
Também sei que dona Maria Rita não está preocupada em unir nossas famílias.
O que ela quer mesmo é me humilhar.
Ela pensa que não sei o que ela quer desde quando me viu?
Quer que Pedro Henrique descubra que eu não presto para ele!
Por isso vem com todo aquele carinho e toda aquela bondade!
Tudo mentira, não pode existir alguém tão bom assim!
Ela, desde que me conheceu, sabendo que eu era humilde e pobre, tomou conta de tudo!
Foi ela quem escolheu meu vestido, meu enxoval e como e onde seria a festa.
Decorou o meu quarto.
Colocou comida na minha dispensa e até contratou as empregadas!
Acha mesmo que eu não tenho capacidade!
- Matilde olhou para mim e com a voz triste, disse:
- Gusmão, parece que tudo vai se repetir...
- Esperemos que não, Matilde.
Isso é um pensamento de momento.
- Matilde elevou a sua mão e estendeu-a sobre a cabeça de Sofia que imediatamente pensou:
bem, o meu vestido não, ela não quis escolher, deixou que eu escolhesse e pensando bem, o resto também.
Acho que ela não é tão ruim assim.
Só muito preocupada com os filhos.
Por isso mesmo não deve estar contente com a escolha de Pedro Henrique.
Mas agora não adianta pensar, Pedro Henrique está no quarto me esperando.
- Sofia respirou fundo, olhou mais uma vez para sua casa e para o céu e entrou.
Quando ela entrou no quarto, Pedro Henrique a recebeu com um sorriso.
Ela se deitou e tiveram uma noite de amor.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:19 pm

Olhei para Matilde, sorri e disse:
- Desta vez, Matilde acho que conseguiremos fazer com que ela aja diferente.
- Espero que sim, mas sabe muito bem que só podemos intuir bons pensamentos, não podemos interferir nas suas decisões.
- Ela estava totalmente errada, Gusmão!
Eu a recebi com carinho e gostei dela desde a primeira vez que a vi.
Sabia que meu filho gostava dela e só queria a sua felicidade.
Nunca pensei que ao ajudá-la a escolher o vestido de noiva, cuidar da festa e da decoração, tivesse causado essa impressão – Maria Rita disse, com a voz triste.
- Não precisa ficar triste, Maria Rita, você fez o que achou ser o certo.
Sofia é quem era insegura, por isso precisava achar um culpado para seu possível fracasso no casamento.
Mas como sabemos, nada disso aconteceu.
Ela e Pedro Henrique continuaram casados por muito tempo.
Em parte, ela conseguiu se livrar daquela insegurança.
- Realmente, isso aconteceu.
Neste momento, vamos torcer para que tudo caminhe como o combinado.
Quando ela entrou em minha família, foi recebida como uma filha e irmã.
- Sim, como acontece com todos os espíritos encarnados ou não, quando o caminho está certo todas as oportunidades são dadas.
- Ao contrário, aprendi que se o caminho está errado por mais que se faça, nada dá certo.
Se todos soubessem disso não insistiriam e escolheriam outro caminho, não é Gusmão?
- Talvez, mas o importante é o aprendizado que se adquire com os acertos e erros.
Essa é a razão principal da vida de um espírito.
O aprendizado...
- É tudo muito complicado, Gusmão...
- Não é não, Maria Rita, é tudo muito simples.
O espírito é quem complica.
- Por que está dizendo isso?
- A vida será como o planejado.
No final, embora o caminho possa ser desviado, tudo voltará ao rumo.
O que sempre estragou e ainda estraga é a ansiedade, a falta de fé na bondade de Deus que nunca abandona seus filhos.
Todos, independentes de religião, raça ou condição social têm sempre espíritos amigos ao seu lado.
Basta apenas confiar.
Pedro Henrique começou a rir.
Gusmão estranhou e perguntou:
- Por que está rindo, Pedro Henrique?
- Desculpe Gusmão, mas ao ouvi-lo falando assim, só posso pensar que esse entendimento só é adquirido depois da morte, pois quando estamos encarnados e nos momentos de dificuldade, jamais teremos tempo para pensarmos assim.
A vida, muitas vezes se torna muito difícil e é quase impossível acreditar no que está dizendo.
- Tem razão, isso acontece muitas vezes, mas se prestar atenção, verá que tenho razão e que no final, tudo sempre dará certo.
Pedro Henrique basta se ter paciência e a certeza de que o nosso Criador não nos abandona nunca.
Pedro Henrique se calou e ficou reflectindo sobre o que Gusmão havia dito.
Sofia e Stela continuavam na estradinha repleta de buracos.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:19 pm

DISCRIMINAÇÃO
Stela estava cada vez mais nervosa e arrependida por haver aceitado o convite, mas ficou calada.
Sabia que não podia nem devia afrontar Sofia.
Anita tentou se impor e tornara-se inimiga e alvo principal do ódio dela.
Estava dirigindo quando, na estrada diante delas, apareceu um pedaço completamente tomado por água.
Stela parou e disse:
- Nesse pedaço tem muita água, o que vamos fazer?
Sofia, assim como ela estava nervosa, mas sua vontade de chegar logo e resolver o assunto fez com que respondesse:
- Não podemos ficar paradas, Stela. Atravesse.
- Se houver um buraco e o carro encalhar?
- Isso não vai acontecer.
De qualquer maneira, precisamos continuar, não podemos fazer outra coisa.
Atravesse, Stela!
- A senhora tem certeza?
Não seria melhor esperarmos alguém que conheça a estrada ou que passe primeiro para vermos se não há problema?
- Nada disso!
Você não viu quanto tempo tivemos de esperar até que alguém chegasse e nos ajudasse a trocar o pneu?
Não podemos esperar mais, estamos muito atrasadas!
Stela, sabendo que não havia outra coisa a fazer, colocou o carro na primeira marcha e entrou na água.
O carro começou a andar, mas logo depois de passar a primeira roda, encalhou.
Stela se desesperou, acelerou com mais força, o carro derrapou e afundou mais no buraco.
Ela, depois de tentar muito, desligou o carro e disse:
- Não tem jeito, dona Sofia, não vamos conseguir passar.
Se eu tentar mais, o carro vai atolar sempre mais.
O que vamos fazer?
- Não sei, Stela!
Só sei que não podemos ficar paradas!
Você precisa sair desse buraco!
- Não tem como, dona Sofia!
Se eu tentar mais, vai ficar pior!
- Precisa tentar!
Stela estava muito nervosa e arrependida de ter acompanhado Sofia.
Quase gritando disse:
- Que coisa, parece que alguém está querendo impedir que cheguemos à casa do tal homem!
Não será melhor assim que conseguirmos sair deste buraco, voltar, dona Sofia?
Pedro Henrique e Maria Rita olharam para Gusmão que sorriu e disse:
- Stela tem toda razão.
Alguém está tentando fazê-las voltar.
Estão no caminho errado.
Isso sempre acontece, mas é difícil entendermos.
- Não estou entendendo, Gusmão.
- Neste momento, está acontecendo com elas aquilo que eu havia dito.
Nesta viagem, por estar no rumo errado, muita coisa aconteceu e talvez ainda aconteça.
Sofia não deve fazer o que está pretendendo.
Como Deus nunca nos abandona, está colocando alguns empecilhos em seu caminho para que pare o que está fazendo e reflicta.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:19 pm

Isso sempre acontece em muitas ocasiões.
Ela deveria parar, reflectir no que está fazendo e mudar de atitude.
É assim que o plano espiritual trabalha.
- Deixando a pessoa desesperada, sem saber o que fazer ou que caminho tomar?
Isso não é justo, por que não é mostrado o caminho certo, Gusmão!
- Está se esquecendo do livre arbítrio, da lei da escolha?
Sofia não tinha o direito de interferir na vida do filho.
Ela, se não fosse o orgulho e o ódio que sente por Anita, deveria deixar que vivessem em paz.
Está fazendo esta viagem com a intenção de praticar o mal.
- Neste caso, você tem razão, mas há outros, quando o desejo não é de fazer o mal, mas simplesmente de se conseguir algo na vida.
Um trabalho, um negócio, enfim, um modo de sobreviver.
Por que o caminho não é mostrado?
Se isso acontecesse, muito sofrimento e desespero seriam evitados...
- No momento em que as coisas começam a não dar certo é hora de parar, reflectir no que está fazendo e com certeza, se entenderá o que está errado e assim, pode-se mudar.
Se a mudança for a certa, tudo começará a caminhar e não haverá empecilho algum.
Esse é o único caminho que se tem para seguir.
Se estiver perdido em algum lugar e começar a andar sem rumo, vai rodar, rodar e voltar sempre ao mesmo lugar.
Só vai conseguir encontrar o caminho se parar, olhar à volta com atenção.
Assim acontece com a vida.
- Isso é fácil de dizer, mas quando os problemas são muitos, não se consegue pensar com clareza e muito menos parar.
- Por isso, é preciso deixar a ansiedade de lado, acreditar em Deus e caminhar.
A vida sempre vai dar toda a oportunidade para se encontrar o caminho, o resto deverá ser feito pelo indivíduo.
É preciso aprender a confiar...
- Continuo dizendo que é muito difícil, Gusmão...
- Difícil sim, Pedro Henrique, mas não impossível.
Por mais que demore, sempre o caminho será encontrado.
- O que vai acontecer agora com Sofia e Stela?
- Terão de ficar um bom tempo aqui paradas.
O tempo suficiente para que reflictam no que estão fazendo e se Deus quiser, quando forem tiradas desse buraco, retornem e não façam o que estão pretendendo.
- Acha que isso pode acontecer?
Sabe que Sofia sempre foi muito determinada.
- É mais uma chance que está tendo.
Está acontecendo o que lhe disse.
Existe um ditado muito antigo que diz:
“A vida, quando o caminho está errado, coloca empecilhos mas quando está certo, faz com que tudo dê certo, mas sempre respeitando o livre arbítrio de cada um”.
Nada mais podemos fazer a não ser que ela mesma decida.
Está tendo um tempo para reflectir.
Vamos esperar, pois aconteça o que acontecer, como diz o ditado, a vida ensina.
Stela olhou para fora e viu que a água estava no meio do pneu, disse:
- Dona Sofia, não podemos descer, a água está no meio do pneu.
Precisamos ficar aqui dentro.
Sofia, irritadíssima, disse:
- Já percebi isso, o que vamos fazer Stela?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:20 pm

- Nada temos para fazer a não ser esperar que alguém apareça e nos ajude a sair daqui.
Não sei, dona Sofia.
A senhora sabe que não sou muito religiosa, mas estou impressionada com tudo o que está acontecendo.
Será que Deus não está nos mostrando algo?
Não está tentando nos mostrar que será melhor, assim que alguém nos ajudar, voltar para casa?
- Nada do que está acontecendo estava em meus planos e isso me deixa muito irritada!
Sempre conduzi minha vida como quis e nunca permiti que nada me afastasse de meus planos.
Esses incidentes de hoje não vão fazer com que mude de ideia!
Nem que seja meia noite, vou chegar à casa do homem e fazer o que tem de ser feito!
Stela, conhecendo Sofia, se calou.
Olhou para trás e no banco havia alguns livros.
Pegou um deles e disse:
- Já que temos de esperar, vou ver se consigo terminar de ler este livro.
Ele é muito interessante e já estou quase no fim.
Se a senhora quiser ler, tem mais alguns e todos são muito bons.
Dizendo isso, abriu o livro na página que estava marcada e começou a ler.
Sofia olhou para os livros, escolheu um e começou a ler também, mas logo nas primeiras páginas percebeu que não estava conseguindo acompanhar a leitura.
Seu pensamento, ainda pela influência de Gusmão, continuou voltado para o passado.
Gusmão e outros que acompanhavam todos os seus movimentos olharam para elas e sorriram. Gusmão disse:
- Agora posso continuar, pois elas ficarão aqui paradas por um bom tempo.
No dia seguinte, após aquela primeira noite que passaram na casa nova, você, Pedro Henrique, acordou cedo.
Olhou para o lado e viu que Sofia dormia profundamente.
Sorriu, se levantou e saiu bem devagar do quarto.
Ela, embora parecesse estar dormindo, ouviu você saindo, mas estava com muito sono, virou-se na cama e voltou a dormir.
Você foi para a sala onde a mesa do café já estava servida.
Tomou seu café e foi se encontrar com Josias, o capataz da fazenda.
Uma hora depois, Sofia acordou.
O quarto estava escuro.
Ela olhou para o relógio que estava sobre o criado mudo e espantou-se ao ver que eram quase nove horas da manhã.
Sentou-se na cama e pensou, assustada:
Nossa, são quase nove horas! Como dormi!
Sempre acordei muito cedo para poder cuidar de tudo lá em casa.
Definitivamente, minha vida mudou muito.
Ainda bem que foi para melhor.
- Levantou-se, trocou-se e saiu do quarto.
Quando chegou, percebeu que a mesa estava colocada mas mesmo assim, foi para a cozinha.
Viu Delzira junto ao fogão.
- Bom dia, Delzira.
- Delzira se voltou e ao ver Sofia, sorriu e disse:
- Bom dia, senhora.
Pode se sentar lá na sala, já vou levar o café.
- Sofia começou a rir.
Delzira sem entender, perguntou:
- Por que a senhora está rindo?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:20 pm

- Sofia queria responder, mas não conseguia.
Delzira, ainda sem entender, continuou olhando para ela que depois de algum tempo parou de rir e disse:
- É disso que estou rindo.
Uma senhora da sua idade me chamando de senhora. Como pode?
- Ah, é disso. A senhora é a mulher do patrão e dona da casa...
- Sei que deve ser assim, mas para mim é muito estranho...
- Delzira, calada, ficou olhando para ela sem saber o que dizer.
Saber ela sabia, mas não tinha como falar, apenas pensou:
tem razão, é ainda uma menina e já é dona de tudo por aqui e muito mais.
Eta menina de sorte...
- Sofia saiu da cozinha e foi para a sala.
Sentou-se e ficou esperando que Delzira trouxesse café e leite, pois os pães e bolos já estavam sobre a mesa.
Delzira entrou logo em seguida e colocou o que faltava sobre a mesa, depois saiu.
Sofia enquanto comia, pensava: é muito estranho tudo o que está acontecendo.
Ainda não consigo acreditar que sou realmente a dona de tudo.
Pensar que, há pouco tempo, eu vivia em toda aquela pobreza.
Tenho mesmo uma grande sorte...
- Terminou de tomar o café, saiu para a varanda e ficou olhando a imensa paisagem.
Até onde podia ver, tudo pertencia à fazenda e portanto, a ela.
Caminhou pela varanda e logo estava do outro lado, de onde podia ver a sua casa.
Ficou olhando para aquela que, durante tanto tempo havia lhe servido como abrigo.
Pequena, simples, muito diferente da sua agora:
eles devem estar na lavoura... que vida é essa que levam.
Ainda bem que a minha mudou.
Dona Maria Rita quer que eu convide todos para o almoço, mas como posso fazer isso?
Eles com certeza vão me envergonhar.
Preciso ir até lá para conversar com minha mãe.
Ela deve estar curiosa para saber como foi à viagem.
Vou até lá, mas não direi nada sobre o almoço.
Agora a minha vida mudou e eu não posso me arriscar a pôr tudo a perder por causa deles.
Eles não podem fazer parte das minhas amizades, agora sou uma outra pessoa.
- Entrou em casa.
Pegou um dos chapéus que havia comprado na viagem, colocou na cabeça e foi até a cozinha.
Entrou, dizendo:
- Delzira, vou para a minha casa, se o Pedro Henrique chegar diga a ele.
- Está bem, senhora.
- Ela saiu, montou em um cavalo que Pedro Henrique havia lhe dado e cavalgou em direcção à casa de seus pais.
Como previra, a casa estava vazia, mas não trancada.
Entrou e ficou olhando tudo.
Foi até seu antigo quarto, olhou e saiu.
Tudo aquilo para ela agora era passado.
Saiu e foi até a roça, onde sabia que seu pai e sua mãe estavam.
Gustavo naquela hora devia estar na escola.
Seus pais, assim que a viram chegando, correram para encontrá-la.
Abraçaram-se e Nadir abraçada a ela, foi para casa.
Romeu ficou olhando até que desaparecessem e voltou para o seu trabalho.
Assim que chegaram à cozinha, Nadir começou a preparar o almoço e a fazer perguntas sobre a viagem.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:20 pm

- Vou preparar um suco.
Sofia, você precisa me contar tudo, como foi à viagem e os lugares que viu.
Pode imaginar como estou curiosa.
Eu, que nunca saí daqui.
- Está bem, mãe, foi para isso que vim.
- Nadir pegou uma jarra e a encheu com o suco de laranja que havia espremido.
Sofia começou a contar.
Falou sobre a viagem e sobre os lugares que conheceu.
Terminou, dizendo:
- O Rio de Janeiro é muito bonito.
Por mais que eu tente dizer como é, não consigo mãe.
Tem umas montanhas lindas... e o mar!
É lindo! Eu não sabia que a água era salgada. Adorei tudo!
- Você vai levar a gente para conhecer tudo isso, Sofia?
- Ela demorou um pouco para responder, depois disse:
- Claro que vou!
Quero que a senhora, o pai e Gustavo conheçam tudo o que vi.
Mas agora preciso ir.
O Pedro Henrique deve estar chegando para o almoço. Depois eu volto.
- Montou no cavalo novamente, abanou a mão e se afastou.
Enquanto cavalgava, ia pensando: nunca percebi como eles são ignorantes.
Não sabem conversar.
Como posso deixar que participem da minha nova vida?
Não tem como.
Vou tentar ajudar de alguma maneira, mas não convivendo com eles.
Agora sou outra pessoa.
Minha vida mudou e a vida que tive aqui ao lado deles, ficou para trás e preciso esquecer...
- O domingo chegou. – continuou Gusmão – Bem cedo, você, Pedro Henrique e Sofia, foram para a cidade, montados em cavalos.
Ela adorava cavalgar.
Quando estavam saindo da propriedade, encontraram Romeu que vinha do outro lado montado em um cavalo e que, assim que os viu, parou e disse:
- Bons dias! Estão indo passear?
- Bom dia, seu Romeu!
Estamos indo almoçar na casa dos meus pais.
Minha mãe convidou o senhor e sua família para irem também.
Sofia não lhes disse?
- Romeu olhou para Sofia e viu em seus olhos desespero.
No mesmo instante, percebeu o que estava acontecendo.
Sorriu e respondeu:
- Ela disse sim, mas a gente não quis ir.
Sabe como é moço, a gente tem muito trabalho, a família é grande, não dá para ir, não.
Peça desculpas pra sua mãe. Um outro dia a gente vai.
- Está bem, seu Romeu, mas não esqueça que a nossa família agora é uma só.
Minha mãe ficará muito feliz em recebê-los.
- Obrigado, a gente vai sim. Até mais.
- Você sorriu, acenou com o braço e colocou o cavalo em movimento.
Sofia olhou para o pai e calada também colocou seu cavalo em movimento.
Foram para a cidade.
Romeu os acompanhou com os olhos, até que sumissem na estrada.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:20 pm

Enquanto olhava, pensava:
por que ela não disse que dona Maria Rita tinha convidado a gente pro almoço?
Não sei... essa menina mudou muito...
- Ainda intrigado, foi para casa.
Nadir, assim que o viu chegar foi ao seu encontro.
- Romeu, estive pensando, vou pegar duas galinhas e fazer um almoço bem bom.
Acho quer vou mandar um dos meninos chamar a Sofia e o Pedro Henrique.
- Não, Nadir.
- Não, por quê?
- Encontrei com eles agorinha mesmo.
Eles estão indo pra cidade.
Vão almoçar na casa da dona Maria Rita. – disse, enquanto prendia o cavalo em uma árvore.
- A Sofia não me disse que ia almoçar na cidade.
- Romeu ficou calado por um tempo, só pensando:
não posso dizer pra ela que a Sofia não disse pra gente que dona Maria Rita queria que a gente fosse a casa dela.
A Nadir, assim como eu, não vai entender.
É melhor deixar pra lá... – disse:
- Quem sabe ela mesma não sabia, Nadir.
O Pedro Henrique só dever ter avisado ontem à noite e não deu tempo.
Mas mesmo assim, está na hora de você fazer o almoço.
Estou ficando com fome.
- É, deve de ter sido isso que aconteceu.
Vou começar o almoço. Logo vai ficar pronto.
- Eu me lembro desse dia, Gusmão.
Não entendo por que Sofia pensava daquela maneira.
Eu e minha família sabíamos que ela pertencia a uma família humilde.
Nunca houve qualquer preconceito.
Quando minha mãe os convidou, foi para que houvesse uma integração.
- Tem razão, meu filho.
Sem saber o que Sofia pensava, pedia a ela que os convidasse várias vezes.
- Nunca podemos imaginar o que o outro pensa realmente.
Já imaginou se isso fosse possível?
Gusmão perguntou, rindo.
- Os outros também riram, pois realmente se todos os pensamentos pudessem ser ouvidos, o mundo se tornaria uma balburdia.
Gusmão continuou:
- Enquanto Nadir depenava as galinhas, pensava:
será que foi isso mesmo que aconteceu?
Será que a Sofia não teve tempo de avisar a gente ou será que a dona Maria Rita não quer a gente na casa dela?
Acho que é isso mesmo... a gente é muito simples...
já pensou, almoçar na casa do prefeito?
Não ia dar certo, não.
No outro dia, quando fomos pra tratar do casamento, foi difícil conseguir comer.
Acho que eu ou o Romeu deve ter feito alguma coisa de errado e ela não quer mais a gente na casa dela.
Que pena... eu queria tanto...
- Romeu, depois de prender o cavalo, foi até a cozinha.
Viu Nadir preparando o almoço.
Viu também que ela estava pensativa.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:21 pm

Pegou uma garrafa, um copo e voltou para o quintal.
Abriu a garrafa, colocou um pouco de cachaça nele e começou a beber bem devagar e a pensar:
acho que a Sofia tem vergonha da gente.
A dona Maria Rita não... ela disse que também era de família humilde e por isso entendia a nossa situação.
Não, não foi ela, foi a Sofia mesmo quem não quis levar a gente.
Não posso contar pra Nadir... ela não ia entender...
- Continuou bebendo e pensando.
Enquanto isso, Sofia cavalgava ao seu lado, Pedro Henrique.
Cavalgavam em um passo lento.
Você olhava com orgulho aquela imensidão de terra que pertencia à fazenda.
Sofia ia pensando: notei o olhar do meu pai.
Será que ele percebeu que eu não quis que eles fossem para o almoço?
Acho que não.
Mas, se percebeu, sei que não vai entender.
Eu sempre disse que embora tenha nascido naquela casa, nunca senti que fazia parte de tudo aquilo.
Sempre soube que um dia, eu seria rica e poderosa.
Toda essa terra agora é minha.
Moro em uma casa maravilhosa, com todo conforto e tenho ao meu lado um homem também maravilhoso.
Não posso me deixar influenciar pelo sentimentalismo.
Quero esquecer o tempo em que fui pobre.
Em que podia ler só livros emprestados.
Hoje, posso ter quantos livros eu quiser para ler.
Não acredito que alguém que consegue sair da pobreza queira lembrar desse tempo.
Só mesmo a dona Maria Rita faz questão de não esquecer e fica dizendo a toda hora, de como era sua vida antes de conhecer o prefeito.
Acho que ela fala isso só para me humilhar!
Ela convidou a minha família para esse almoço só para mostrar para os outros como eles são sem educação.
Ela sabe que eles não sabem se comportar.
Sei o que ela queria!
Queria que todos vissem como eles são chucros para depois quando a gente saísse, ela e os convidados morressem de rir às nossas custas!
Mas isso eu não vou permitir!
Ela pensa que é esperta, mas eu sou muito mais!
Maria Rita, ao ouvir Gusmão dizer isso, ficou horrorizada e disse:
- Não posso acreditar que ela tenha pensado isso, Gusmão.
Nunca passou pela minha cabeça humilhá-los.
Queria realmente que as famílias se unissem.
Queria que não houvesse empecilho algum para que meu filho fosse feliz...
- Sei disso. Sofia não sabia e nem sabe que você escolheu nascer alguém que a ajudaria na sua caminhada.
Isso acontece muito, Maria Rita, nem sempre sabemos valorizar as pessoas que estão ao nosso lado.
- Tem razão, Gusmão.
Quantas pessoas passaram por nossa vida e nos ajudaram, sem termos muita convivência ou até nenhuma.
Elas aparecem do nada, nos ajudam e da mesma maneira que chegaram, desaparecem...
- Sim, Maria Rita, sabe que todos temos uma missão, mas algumas vezes por um pouco de tempo, nos afastamos dela para ajudarmos alguém e retornamos em seguida.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:21 pm

A maioria dá e recebe ajuda sem perceber e por isso, não dá valor.
Isso acontece com o espírito na sua caminhada de aprendizado.
Maria Rita sorriu, Gusmão continuou:
- Você, alheio a tudo o que Sofia pensava, disse:
- Vamos apostar corrida Sofia?
- Sofia voltou de seus pensamentos e olhou para você.
Sorriu, apertou as esporas e saiu cavalgando rapidamente.
Você, também, feliz tentou alcançá-la, mas não conseguiu.
Ela havia sido criada no sítio e desde criança cavalgava.
Você, ao contrário, quando criança sempre morou na cidade e quando cresceu foi estudar fora.
Vocês cavalgavam e riam.
Sofia estava tendo uma vida que nunca pensou existir, por mais que tivesse imaginado e desejado.
Ela tinha tudo para ser feliz e era.
- Eu também nesse tempo fui muito feliz, Gusmão.
Gusmão sorriu e continuou falando:
- Vocês continuaram cavalgando e rindo.
Quando estavam chegando perto da cidade, pararam os cavalos, desceram e continuaram o caminho abraçados, cada um conduzindo pelas rédeas seu cavalo.
Você beijava os cabelos de Sofia e a abraçava sempre com mais força.
Quando chegaram a sua casa, Maria Rita, o almoço já estava pronto e as mesas, colocadas.
Uma para os adultos e outra para as crianças.
Assim que entraram, você perguntou:
- Seus pais não vieram, Sofia?
- Você foi quem respondeu, Pedro Henrique:
- Eles não quiseram vir, mamãe.
Sabe como é.
O senhor Romeu disse que vai ficar para uma outra vez.
- É uma pena. Sei como eles se sentem.
Não fique triste, Sofia.
Com o tempo e com muita paciência, sei que vai conseguir convencê-los de que fazemos parte de uma mesma família e que serão sempre bem vindos aqui em casa.
Tenha fé, você vai conseguir.
- Sofia ficou calada, apenas sorriu.
Suas irmãs, Pedro Henrique, chegaram acompanhadas pelos maridos e pelos filhos.
Em pouco tempo, aquela casa se tornou uma balburdia com todos falando ao mesmo tempo.
Sofia observava cada gesto que faziam.
Ficou quase o tempo todo calada.
Tinha medo de dizer alguma palavra errada e quando fosse embora, servir de chacota.
Na hora da refeição, foi à mesma coisa.
Ela só se servia depois dos outros, não queria cometer deslize algum.
Suas irmãs fizeram um esforço tremendo para que ela fizesse parte da conversa, mas foi em vão, Sofia se limitava a dizer sim ou não.
Você, Maria Rita, observava e calada pensava:
ela é igualzinha a mim quando tinha sua idade e quando, pela primeira vez, fui almoçar com a família de José António.
Sei muito bem o que está sentindo. Mas com o tempo, entenderá e aceitará que faz parte de nossa família e que não há diferença alguma entre nós.
Deixará de ter preconceito.
- Era isso exactamente o que eu pensava, Gusmão.
Que pena que não consegui convencê-la disso.
- Sofia foi sempre muito teimosa, por isso não se culpe.
Ela teve a oportunidade e ainda está tendo de deixar todos esses sentimentos destrutivos.
Vamos torcer para que, desta vez, consiga...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:21 pm

A MENSAGEM
Stela e Sofia continuavam dentro do carro, fingindo ler.
Stela, embora estivesse gostando da leitura, assim como Sofia não conseguia se concentrar, lia e relia sempre a mesma página.
Estava exausta, irritada com Sofia por tê-la praticamente obrigado a acompanhá-la.
Com o livro nas mãos, pensava:
eu não devia estar aqui, sei que dona Sofia quando quer alguma coisa consegue e por isso, sempre procurei fazer tudo o que me pediu, mas agora, parada neste lugar perdido, estou tendo tempo para reflectir no que me tornei.
Sou a sua sombra, aquela que sempre obedece sem reclamar.
Muita coisa já fiz contra minha vontade, somente para que ela não ficasse nervosa e não fizesse comigo o que tem feito com Anita, somente porque nunca conseguiu e sabe que não conseguirá dominá-la.
Quando conheci o Maurício e ele me apresentou à sua família, de pronto percebi a influência que ela exercia junto ao marido e principalmente, aos filhos.
Achei melhor tê-la como amiga por isso me submeti, mas agora estou ficando cansada e isso não pode continuar.
Esta é a última vez que a acompanho em seus desmandos.
O que ela quer fazer com Anita e Ricardo, somente por um capricho não é certo, penso até que todos esses problemas que estão aparecendo é para que ela tenha tempo de reflectir, mas parece que não está adiantando.
Parece que a cada momento que passa, fica com mais raiva de Anita e com mais vontade de prejudicá-la.
Não sei o que fazer para impedi-la, só sei que esta será a última vez!
Sofia também fingia ler, porém desde o início, não conseguia.
E, como estava acontecendo desde quando acordou pela manhã, pensava em como havia sido sua vida.
Gusmão, olhando primeiro para elas e depois para os outros, continuou falando:
- O tempo foi passando.
Sofia, aos poucos foi se acostumando com sua nova vida.
Sentia-se feliz por estar ao seu lado, Pedro Henrique, que fazia o impossível para que todos os seus desejos fossem atendidos.
Ela gostava de se sentir dona de tudo aquilo e principalmente, em ser servida.
Não ia visitar sua família.
Quem sempre vinha visitá-la era Nadir.
Em uma manhã, Sofia caminhava pela varanda, olhando as flores que havia plantado, quando ouviu uma voz:
- Olá Sofia, parece que você está muito bem.
- Ela se voltou e viu Nadir que sorria enquanto continuava falando:
- Suas flores estão lindas!
- Estão mesmo, não é mãe?
Mas o que traz a senhora até aqui?
- Desde aquele dia em que foi lá em casa quando voltou da viagem, nunca mais voltou.
Fiquei preocupada e queria saber como você está.
O Pedro Henrique não quer deixar você ir lá em casa?
- Sofia ficou olhando para sua mãe sem saber o que responder.
Mas, até que aquela seria uma boa desculpa.
Forçando um sorriso, respondeu:
- Não é que ele não deixa mãe, mas sei que não gosta que eu saia de casa, por isso eu evito.
Não quero brigar com ele.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

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