Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:10 am

Porém, foi Vitória que os surpreendeu mais, quando, na manhã seguinte, estava de malas prontas e pediu:
Preciso que alguém me leve ao aeroporto.
Por quê? O que a senhora vai fazer? - quis saber Márcio, assustado.
Viajar! Oras! - sorriu ao falar de um jeito engraçado.
Para onde, mamãe? - perguntou Ingrid.
Vou pegar um avião, já estou com as passagens compradas.
Vou para Belo Horizonte e, de lá, vejo qual o meio de transporte para melhor se chegar até a casa de minha cunhada, sua tia, Antero.
Mas... Como assim, mãe? - indagou o filho.
Gente! Não vou fazer nada demais.
Quero ver como está minha cunhada, a Maria de Lourdes e os filhos.
Mas... e se ela não receber a senhora bem? - tornou Antero.
Peço desculpas pelo incómodo e tomo outro rumo.
Eu vou com a senhora.
Não, Antero. Você fica. Precisam de você aqui.
A senhora vai sozinha? - perguntou Natália.
Mas não foi você que ficou enchendo a minha cabeça para eu viajar?! Ora, Natália!
Com atitude firme, Vitória seguiu o roteiro traçado e se foi para Minas Gerais e de lá para a cidade onde sua cunhada morava.
Sozinha, Vitória se instalou em um hotel e saiu para dar uma volta.
Tudo estava muito diferente.
Quase não reconheceu nada.
Precisou perguntar onde ficava a casa de Maria de Lourdes ou de seu filho para que alguém indicasse.
Talvez a cunhada nem estivesse viva.
Mesmo assim, queria notícias de Quinzinho, o pequeno Joaquim, que ela pajeou.
Encontrando a residência, reparou muitas mudanças, e ela fez soar a campainha para se anunciar.
Uma empregada foi atendê-la e retornou para dentro após sua identificação.
Veio ao portão um homem alto, de grande porte, com cerca de cinquenta e cinco anos.
Calvo, usava calças largas que pareciam prontas para cair a qualquer momento.
Camisa clara, com parte para fora da calça e suado.
Estava muito calor.
Ao encará-la, a olhou por muito tempo e, após abrir o portão, perguntou:
A senhora é minha tia?
A tia Vitória?
Quem é você?
Sou o Joaquim, filho da Maria de Lourdes.
Quinzinho! Sou sua tia Vitória, sim! - sorriu alegre.
Meu Deus! Você...
Abraçaram-se e ela se emocionou.
Logo, ele pediu animado:
Por favor, vamos entrar!
Vitória não esperava ser tão bem recebida.
Joaquim a apresentou para sua esposa, Madalena, que pareceu feliz e surpresa.
Prazer em conhecê-la! - cumprimentou-a com forte sotaque.
A minha sogra falou da senhora.
Com certeza não falou coisa boa - disse a visitante com meio sorriso.
Vim aqui para saber dela.
Minha mãe está na fazenda agora.
Ela prefere ficar lá; desde que meu pai faleceu não gosta daqui da cidade, aqui tem muitas lembranças dele.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:10 am

Ela está bem?
Sempre com alguns probleminhas, a senhora sabe. Coisa da idade.
Conte-me de você, Quinzinho.
Do seu irmão.
Fale um pouco de tudo.
Afinal, eu sumi e...
Não tenho a menor ideia de como estão todos.
Meu irmão faleceu, tia.
Já faz uns vinte anos.
Meu Deus! Desculpe-me, não sabia.
Quando estive aqui, da última vez, meus filhos eram pequenos e...
Eu o vi de longe, perto do hotel onde me hospedei.
Bem, estávamos indo embora e minha irmã, a Marta, estava comigo.
Quando ele apareceu, ela disse que aquele era o Ademir, meu sobrinho.
Acho que ele nem me viu.
Não fui cumprimentá-lo, pois...
Era um momento complicado para mim.
Breve pausa e lamentou em forma de pergunta:
Então ele faleceu? Do quê?
Leucemia.
Lamento, muito.
Imagino como sua mãe ficou.
Sei o quanto é duro perder um filho.
O meu segundo filho, o João Alberto, se foi há três anos e até hoje dói muito.
Um momento e quis saber:
E vocês? Têm filhos?
Temos três meninas e um menino sorriu Joaquim ao responder.
Sou avô de três meninos.
A minha filha mais velha, a Ana, tem um menino; a minha segunda, a Carmem, tem mais dois meninos; a terceira filha,
a Carina não tem filho ainda.
Ela casou, foi para São Paulo e, ela e o marido, querem primeiro se estabilizar pra depois terem os berrentos.
O meu menino, o caçula, é o Valdir.
Imagine a senhora que eu e a Madalena ficamos tentando até vir um menino homem.
Quantos anos ele tem?
Dezasseis. É um rapaz muito esperto.
Estudava e trabalhava comigo, que continuo com os negócios do meu pai.
Só que... deteve-se e olhou para a esposa.
O nosso menino está doente, dona Vitória - disse Madalena como um lamento.
Com olhos cheios de lágrimas, contou:
Descobrimos há pouco tempo que o nosso menino está muito doente e...
O que ele tem? preocupou-se.
A mesma doença do meu irmão, tia.
Ele precisa de um tratamento e de um doador de medula - contou Madalena secando as lágrimas com as mãos.
Dizem que é mais fácil encontrar doador na família, mas nenhum de nós é compatível.
Até nossos netos, primos distantes... todo mundo já tentou e nada.
É tia, é triste o que passamos tornou Joaquim colocando o braço sobre o ombro da esposa, acalentando-a.
Agora só nos resta aparecer alguém compatível no banco de medula, mas não é fácil.
As pessoas não tem conhecimento de que, em vida, podem salvar outras vidas.
Se entre parentes é mais fácil encontrar doador, ainda resta o meu filho Antero, seu primo legítimo, filho do seu tio Odilon, irmão de sua mãe.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:11 am

Além dele, tem a minha neta, a Mónica, filha de Antero.
Ela está grávida, mas após ter o nené...
Tenho certeza de que eles não vão se negar ao teste ou à doação, se um deles for compatível.
O casal se entreolhou com um brilho indescritível de esperança no olhar.
Como é que não lembramos da dona Vitória e do seu primo, ô Quinzinho? - perguntou Madalena.
Fizemos uma varredura na família e se esquecêmo do filho do seu tio!
Ainda está em tempo, gente!
Vamos ver o que se pode fazer e o quanto antes.
Onde está o Valdir, seu filho?
Internado em um hospital em Belo Horizonte - respondeu Joaquim.
Vou voltar para o hotel agora e ligar para o Antero, depois...
Onde é que a senhora está morando, tia? - interrompeu-a.
No Rio de Janeiro.
Moro nos fundos da casa do Antero.
Quem veio com a senhora?
Vim sozinha. E...
Então nós vamos agora lá pro hotel e é pra pegar as suas coisas.
A senhora vai é ficar aqui.
Onde já se viu!
Quinzinho, um momento.
Tenho certeza de que o meu filho e minha neta serão solidários e vão se oferecer para os testes e como doadores, se forem compatíveis, mas não sabemos ainda dos resultados e...
Não é por isso que a gente quer que a senhora fique aqui.
Eu quero a senhora aqui porque é a única parenta que eu tenho!
Tia, depois da minha mãe, eu não tenho mais ninguém.
Só vem gente depois de mim, que são minhas filhas, meu filho e minha mulher.
Depois que perdi meu irmão, senti um vazio...
Fiquei sem parente.
Agora a senhora apareceu e eu tenho tia, primos!...
A minha família é grande.
Digo, a nossa! - sorriu ela.
Então a tia vai tomar um café e depois a gente vai pro hotel pegar as coisas dela.
Depois a tia liga pro meu primo Antero e fala com ele.
Assim foi feito.
Ao ligar para o filho, ele se prontificou de imediato para fazer os exames de compatibilidade como doador de medula óssea.
Ele ficou de telefonar para sua filha e falar a respeito do assunto.
Embora Mónica estivesse grávida, após o período de gestação e lactação, se Antero não fosse compatível, ela poderia se prestar aos exames.
Em três dias, combinaram de encontrar Antero em Belo Horizonte.
Antes, entretanto, Vitória quis ir até a fazenda visitar Maria de Lourdes.
Ao descer do carro do sobrinho, cautelosa, Vitória aproximou-se vagarosamente da varanda, onde uma cadeira de balanço rangia a tábua do assoalho parecendo proposital.
Ela deduziu que a mulher ali sentada fosse sua cunhada.
O som do calcar dos sapatos nas escadas de madeira não despertou a curiosidade de quem continuava a balançar.
Maria de Lourdes - chamou baixinho.
Ela se virou e demorou para reconhecer.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:11 am

Foi quando a outra se apresentou:
Sou eu, Vitória, sua cunhada.
Lembra-se de mim?
O embalar da cadeira cessou de imediato.
Maria de Lourdes franziu o cenho, espremeu os olhos e murmurou:
Você?!... Vitória?!
Maria de Lourdes era uma senhora bastante envelhecida.
Amarga, transpirava a aspereza de um vinagre em cada expressão de seu olhar.
Mulher que foi, por toda vida, improdutiva e dependente, só sabia exigir e reclamar.
Certamente não lhe restava outro destino se não o da solidão rancorosa e doída.
Continuava improdutiva e estagnada por falta de boa vontade.
Sim, sou eu respondeu a cunhada com humildade, pois imaginava o que a outra pensava dela depois de tudo o que ocorreu no passado.
E o que é que você está fazendo aqui?!
Por acaso quer a outra parte da herança?!
Saiba que já recebeu tudo!
Não. Não é nada disso.
Mamãe, não fale assim.
A tia veio nos visitar.
E você acredita nisso?! - falou indignada.
Mamãe... - tentou argumentar, mas foi interrompido.
Deixa, Quinzinho.
Ela está dentro da razão dela.
Aproveitando-se da pausa, Maria de Lourdes atacou:
Você acabou com a vida do meu irmão.
Como se não bastasse, se apoderou de tudo o que meu pai deixou pra ele!
Ordinária! Sem-vergonha!
Na primeira oportunidade, Vitória falou em tom tranquilo:
Eu vim aqui justamente por conta dos meus erros.
Não vai adiantar eu dizer que era jovem, inexperiente...
Não. Na verdade eu era uma criatura imprudente, sem princípios morais e espirituais, imperfeita, repleta de ambições.
Essas qualidades inferiores me fizeram agir sem escrúpulo, mas não pense que, com os meus objectivos alcançados, eu me realizei e fui feliz.
Não. Longe disso.
Precisei de tempo, de sofrimento e de muita dor na alma para ter princípios morais e espirituais.
Ainda sou imperfeita e meu maior desejo é me elevar, evoluir.
Mas não evoluir na riqueza ou em bens materiais. Isso não.
Foi quando eu perdi tudo o que tive que descobri ter qualidades positivas, perseverança e força de vontade.
Decidi ir à luta usando somente essas duas armas que Deus me deu:
perseverança e força de vontade.
Foi quando perdi tudo que descobri que só no caminho da dignidade eu poderia encontrar descanso para minha alma cansada.
Cansada do quê?!
Da vida boa que teve à custa de tudo o que herdou do Odilon?
Meu pai morreu indignado com tudo o que fez.
Ele nunca perdoou você e seu filho bastardo!
Oh, mamãe... Não fale assim, não.
Falo, sim!
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:11 am

Seu avô morreu por culpa dela!
Desgraçada! Infeliz!
Ooooh, tia!...
Vamos embora daqui.
Minha mãe é sempre assim.
Essa conversa não vai terminar bem - pediu Joaquim com jeito humilde.
Eu mereço o que ela está dizendo.
Está doendo.
Estou arrependida.
Muito arrependida.
Mas, infelizmente, não posso mudar o que já fiz.
Posso somente pedir que me desculpem. Hoje eu sei o quanto errei.
Maria de Lourdes não falou mais nada, além de seu olhar rancoroso que dizia o quanto odiava Vitória.
Em tom humilde e triste, a cunhada se despediu e, em companhia de Joaquim, retornou para a cidade.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:11 am

CAPÍTULO 17 - A VERDADEIRA FORÇA DO AMOR

Joaquim ficou extremamente satisfeito e agradecido ao ver o primo Antero Neto no hospital em Belo Horizonte, onde seu filho Valdir estava internado.
Não tinha palavras para agradecê-lo nem sabia o que fazer para tratá-lo cada vez melhor.
Em visita a Valdir, um rapazinho sorridente, embora tímido, Vitória conversou bastante e o animou com assuntos saudáveis e positivos.
Antero dispôs-se à pequena colecta de sangue para testes que determinariam se as características genéticas eram compatíveis para a doação de medula ao primo de segundo grau.
Aos cinquenta e três anos, ele ainda estava dentro da faixa etária de doador, que vai até cinquenta e cinco.
O sangue colectado foi para o laboratório e o resultado sairia em alguns dias.
Nesse período, Antero e sua mãe foram para a casa de Joaquim, na qual as filhas, genros e netos que moravam em Minas Gerais se reuniram para esse encontro tão especial.
Vitória, mais uma vez, não esperava por tamanha recepção calorosa e gentil.
Todos estavam bastante esperançosos por um resultado positivo, que auxiliaria o jovem Valdir.
Algum tempo depois e ansioso, Joaquim e os demais procuraram o médico em busca dos resultados.
Parabéns! - disse o doutor.
O senhor Antero é tão compatível com o nosso Valdir quanto um irmão gémeo univitelino.
O que é isso, doutor? perguntou Madalena, mãe esperançosa.
Gémeos idênticos.
Geneticamente falando, o senhor Antero e o Valdir têm compatibilidade perfeita.
O procedimento será um sucesso! Posso garantir!
Joaquim abraçou o primo e começou a chorar.
Finalmente a luta do jovem Valdir ganhava um forte aliado que, provavelmente, o livraria de grande sofrimento.
Se tudo desse certo, ele receberia o maior dos presentes, a maior das recompensas que alguém, com sua aflição, poderia receber: qualidade de vida.
Logo depois, a sós com sua mãe, Antero dizia:
Fiquei tão feliz por ser útil, por poder ajudar.
É que seu coração é bondoso, filho.
Não é isso não, mãe.
Sinto algo como... ...uma felicidade que não sei explicar.
Na hora que eu soube da compatibilidade, meu coração ficou agitado no peito e senti como se...
Nem sei explicar.
Como se ele fosse um filho meu encontrando cura e alívio.
Talvez seja o meio de você lhe pagar alguma dívida do passado.
É mesmo. Pensei nisso, só não quis falar.
Talvez eu tenha tirado do Valdir algo que o deixou frágil, abalado, e agora é a chance de lhe devolver a paz, a saúde.
Só que... - calou-se por instantes.
Diante da expectativa de Antero que a aguardava completar, falou:
se você tirou algo do Valdir no passado e agora precisa devolver, essa dívida só existe por parte dele.
Repare que ele é quem está doente e precisa de você.
Como assim, mãe?
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:12 am

Estou falando de perdão, filho.
Você está doando amor, vida.
Isso não tem preço e vai gerar o perdão do que quer que seja.
Vai gerar uma gratidão enorme por parte dele e uma satisfação de sua parte.
Por isso é importante perdoar, compreender e também pedir perdão.
Sabe, sempre achei importante doarmos algo de nós, principalmente em vida, que não seja só dinheiro e bens materiais.
Penso que quando doamos sangue, medula óssea, ou sei lá o que, doamos algo que dinheiro nenhum compra.
Por isso, sempre que pude, doei sangue, apesar de nunca ter pensado em me cadastrar para doar medula.
Vitória sorriu satisfeita por ter um filho tão generoso.
Sem qualquer vaidade, ela sabia que, de alguma forma, havia colaborado para que ele pensasse assim, sem egoísmo.
Com o passar dos dias, tudo foi providenciado para o transplante de medula óssea.
Apesar de Valdir precisar ficar isolado por bastante tempo, sem sequer escovar os dentes para não ter sangramento nem na boca, além de não ter contacto directo com seus pais e outras pessoas, o procedimento foi um sucesso.
Enquanto o rapazinho se recuperava, Antero precisou retornar para o Rio de Janeiro a fim de assumir suas actividades normais.
Através do filho Joaquim, Maria de Lourdes ficou sabendo sobre a compatibilidade genética entre Antero e Valdir e também sobre o sucesso do transplante.
É mamãe, e a senhora sempre amaldiçoou o filho da tia Vitória.
Até duvidou dele ser ou não filho do tio Odilon.
Ela nada disse e Joaquim, em tom bondoso, continuou:
Seu neto se recupera de uma forma impressionante.
Tem que ver como ele está bem, animado como nunca.
Não tinha visto o Valdir tão alegre, sorridente e cheio de planos para quando sair do hospital.
Sabe mamãe, nós devemos tirar os pensamentos ruins da nossa cabeça.
Não devemos julgar nem criticar ninguém.
Devo admitir que sempre tive certa raiva da tia Vitória, de quem nem me lembrava, do primo Antero, que nunca tinha visto, só porque a senhora vivia dizendo que os outros bens do meu avô ficaram para eles, que não deveriam ter direito a nada.
Mas quando eu vi a tia Vitória parada no portão da minha casa...
Eu não tinha lembrado dela e do primo para pedir ajuda para o meu filho e...
Quando eu a vi parada no portão, meu coração ficou alegre e com uma gota de esperança.
Pensei, então: Deus!
Faça o primo Antero, que é nosso parente, ser generoso e querer fazer o teste de compatibilidade e que os resultados dêem certo e que, ainda, ele queira ser doador.
Quando contei para a tia sobre o caso do Valdir, nem precisei pedir, ela se prontificou em falar com o primo.
Sabe, mamãe, se o preço para o meu filho ter saúde e qualidade de vida foi a herança que meu avô deixou para eles, saiba que foi pouco, pois eu teria pago muito, muito mais.
Maria de Lourdes, em total silêncio, ruminava os pensamentos e não queria admitir estar errada nem reconhecer a generosidade de Vitória e Antero Neto.
Continuou em sua cadeira, balançando lentamente, com o mesmo movimento que fazia ranger, propositadamente, a tábua daquele assoalho de forma irritante.
Bem, mamãe, preciso ir.
Hoje vou para Belo Horizonte, amanhã o Valdir recebe alta.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:12 am

Joaquim a beijou na testa e se foi.
Vitória já estava no Rio de Janeiro com os filhos e a neta, que estava prestes a dar à luz.
No primeiro dia de primavera, Mónica deu luz a Bruno, um lindo menino.
Nunca se viu uma bisavó tão coruja e animada.
Cuidou da neta e do bisneto com primor e alegria, orientando a jovem mãe em tudo.
O que Vitória não esperava era a visita do bisavô, Vinícius, que surpreendeu a todos ao chegar sem avisar.
Na primeira oportunidade, Vinícius a procurou.
Soube que esteve em Minas, visitou a Maria de Lourdes e o filho.
É verdade.
Por que não esticou mais um pouquinho e foi me ver?
Para dizer a verdade...
Minha intenção era procurá-lo.
Mas não deu.
Houve imprevistos e logo depois a Mónica veio para o Rio para ter o nené.
Eu soube de tudo.
Inclusive de toda sua dedicação ao João Alberto.
Meu filho Aldo me contou.
O Aldo e a Cristina sempre estão presentes em minha vida desde que os conheci.
E então?
O quê?
Você disse que foi para Minas e tinha a intenção de me procurar. E então?
Vitória sorriu sem jeito e, por fim, falou:
Queria tirar umas férias de toda essa agitação do Rio de Janeiro.
Fiquei muito deprimida após a morte do meu filho e...
Queria ver você.
Pensou na proposta que lhe fiz, Vitória?
Proposta?...
Sim. A de ir comigo para Minas e morar lá na fazenda comigo.
Ora, Vinícius...
Sem que ela esperasse, ele perguntou:
Quer se casar comigo?
Casar?
Sim. Casar.
Quer se casar comigo?
Assim ninguém terá nada o que dizer.
Não somos jovens!
Olha a nossa idade!
E daí, Vitória?!
Tenho setenta e três anos no corpo e não na mente.
Ainda sou um jovem esperançoso.
Esperei a vida inteira por você - sorriu.
Mas eu...
Antes que ela pudesse argumentar, Vinícius a tomou cuidadosamente nos braços, beijou-a com todo amor e foi correspondido.
Os anos, o tempo, a distância e os imprevistos da jornada jamais interferiram na verdadeira força daquele amor.
Um pouco sem jeito, Vitória se afastou e fugiu ao olhar.
Vinícius afagou-lhe o rosto com carinho e ao olhar aquela face moldada pelos anos, ainda via o rosto de menina, da jovem amada por quem se apaixonou.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:12 am

Não seriam os vincos feitos pelo tempo que tirariam a força de sua beleza cravada em seu âmago e o vigor de sua alma repleta de vida.
Num murmúrio, ele pediu novamente:
Casa comigo.
Vamos embora daqui.
Não há nada que possa nos separar mais.
Olhando-o nos olhos, ela sorriu e, lúcida, tomou a maior decisão de sua vida:
Caso sim. Amo você, sempre amei.
Também amo você.
Beijaram-se longamente como sempre desejaram, sem a repressão da juventude e sim com o amor verdadeiro que sempre uniu suas almas.
O mais difícil estava por vir:
contar aos filhos sobre aquela decisão.
Aproveitando um almoço de família, oferecido por Natália e Antero, em que Aldo e Cristina também compareceram, Vinícius surpreendeu a todos com a notícia:
Eu queria um minuto da atenção de todos.
O silêncio reinou enquanto os rostos desavisados brilhavam sorridentes no aguardo:
Quero aproveitar a reunião e comunicar que eu e a Vitória vamos nos casar.
Alguns sorrisos se contraíram, enquanto outros se alargaram.
Mãe!... Casar? - perguntou Márcio, confuso.
Mas mãe! A senhora já tem setenta e um anos!
alarmou-se Angélica.
Eu dou o maior apoio e minha bênção! - disse Ingrid sorridente, na sua vez.
Eu também! - concordou Natália.
A dona Vitória merece ser feliz.
Quem disse que eu não vou ao casamento da minha avó? - falou Mónica alegre.
E nosso filho no casamento da bisa e do biso!
exclamou Flávio contente.
Vitória interrompeu o murmurinho e, como sempre firme em suas decisões, pediu:
Um momento, por favor.
Diante do silêncio e da atenção recebida, prosseguiu:
Eu sei que, para alguns de vocês, nossa decisão pode parecer absurda.
No entanto, eu e o Vinícius temos uma história que já conhecem.
Também temos juízo, não somos crianças nem aventureiros e sim maduros o suficiente para percebermos que queremos ficar juntos nessa etapa de nossas vidas.
Breve pausa e perguntou:
Que graça terão nossas vidas se não quisermos a companhia um do outro e preferirmos a solidão?
Ninguém disse nada e Vinícius argumentou:
Pelo menos vamos cuidar um do outro sem perturbar tanto os nossos filhos.
É duro lembrar da hora dos remédios!... - riu.
Ora, pai! O senhor nunca nos perturbou - disse Aldo.
Um brinde aos noivos! - gritou Antero que foi seguido pelos demais.
Apesar de Márcio e Angélica não serem tão favoráveis, também não se opuseram tanto, não atrapalhando a felicidade do casal.
Em pouco tempo o casamento de Vitória e Vinícius foi realizado na fazenda, na presença dos filhos, netos, bisnetos e alguns parentes e amigos.
Joaquim e a família compareceram.
Por insistência da filha Ingrid e da nora Natália, um belo vestido de noiva foi feito e Vitória nunca esteve tão bonita, apesar de se sentir um tanto constrangida.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:12 am

No altar improvisado ao ar livre, muitas flores davam vida, alegria e encanto à ocasião.
Cadeiras bem postas ao lado de longo tapete vermelho foram agraciadas por pétalas de rosas brancas, jogadas na noiva, que foi conduzida ao altar lindamente pelo filho Antero, que não conseguiu segurar algumas lágrimas de emoção assim como Vitória.
O padre, que veio da cidade especialmente para realizar a cerimónia, fez um casamento bem diferenciado, com nobres ensinamentos e palavras sobre o amor verdadeiro entre duas almas queridas que Deus nunca separou.
No fim, a troca das alianças sob uma linda música e um beijo discreto selaram as juras de amor.
Uma festa muito agradável na fazenda comemorou a união.
Na manhã seguinte, Vitória e Vinícius viajaram em lua de mel num cruzeiro marítimo, algo que ambos, secretamente, sempre sonharam.
Ao retornarem, instalaram-se na fazenda.
Ela, logicamente, estranhou um pouco a rotina.
Não estava mais acostumada à vida no campo.
Afinal, muito tempo havia se passado desde que se mudou para o Rio de Janeiro.
No entanto, adaptou-se rapidamente.
Pela manhã cuidava de suas coisas, dava ordens às empregadas da casa e fazia questão de orientar e acompanhar pessoalmente o preparo do almoço.
Toda manhã, ela e o marido criaram o hábito de fazer longa caminhada pelo pomar, até chegarem ao rio.
Depois, sentavam em um tronco, lá tombado havia muitos anos, e esperavam as carícias das brisas do amanhecer.
Conversavam muito, contavam suas histórias, às vezes repetidas, relembravam fatos, riam...
Tratavam-se com carinho, como dois namorados, jovens amantes.
Eram eternos apaixonados.
Certa vez, Vitória, curiosa, perguntou:
Como você foi capaz de me perdoar?
Depois de tudo o que fiz...
Eu o abandonei e... - calou-se.
É importante para você falar sobre isso?
É sim. Sempre me pego pensando a respeito.
Algum tempo e o marido respondeu:
No início foi difícil.
Senti raiva, mágoa...
Depois, com o tempo, com o correr dos anos, comecei a entender que sempre a amei.
Compreendi que foram suas dificuldades na infância que a levaram a ter ambições e a fazer escolhas em favor de uma vida melhor.
Acreditei que, certamente, você não era feliz.
Nunca foi e... - Breve pausa.
Quando me tornei mais maduro, entendi que sob determinadas
circunstâncias, todos nós somos capazes de fazer tudo.
Não poderia julgá-la.
Não sei o que faria no seu lugar, com as mesmas necessidades.
Um instante, olhou-a nos olhos e falou:
Acreditei que, se fosse para ficar comigo, um dia, isso acabaria acontecendo. - Sorriu.
Sabe, Vitória, todos os movimentos da vida são em função de colocar tudo em seu devido lugar.
Por isso não devemos perder nosso tempo julgando, classificando e comparando as pessoas.
Isso só nos traz dores e contrariedades.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:13 am

Nós nos magoamos e adoecemos com isso.
Chegou uma hora, em minha vida, que aprendi a não julgar mais ninguém.
Aí eu aprendi a amar de verdade.
Quando julgamos, criticamos... quando queremos controlar alguém ou uma situação... quando fazemos comentários desairosos, querendo tirar o brilho ou o valor de alguém ou do que alguém fez e apontamos os erros, mesmo que estejamos certos, erramos, mostramos a nossa inferioridade, a nossa pequenez.
Certamente nós faríamos algo bem pior do que aquela pessoa, se estivéssemos no lugar dela.
Breve pausa e prosseguiu:
Por isso deixei de julgar.
Sorriu e se lembrou:
Certa vez, ouvi uma frase muito sábia.
Nem sei quem é o autor.
Ela é mais ou menos assim:
"Nunca devemos julgar a pessoa que amamos.
O amor que não é cego, não é amor".
Aqueles que erram, reconhecem que erraram e se corrigem, devem ser perdoados sem que lhes façamos cobranças.
Vitória sorriu e disse:
É verdade. Nem mesmo Jesus julgou ou criticou.
Até para a mulher adúltera Ele disse para seguir e não errar mais.
Quando Ele disse para ela não errar mais, Ele já disse que o que ela fez era errado. Isso já foi o suficiente.
Quer exemplo maior de amor e sabedoria?
A esposa não respondeu e ele prosseguiu:
Mesmo que, a princípio, nós não consigamos entender ou aceitar, o melhor é silenciar e aguardar.
O sábio tempo vai se encarregar de nos mostrar a necessidade, a utilidade de determinadas situações.
É difícil, diante de algo que nos contrarie, aceitar que tudo serve para o nosso aprendizado.
A aceitação, a paciência é o que nos diferencia, é o que nos torna muito mais sábios e elevados.
A paciência e a aceitação são práticas que precisam ser treinadas até que fluam ou aconteçam naturalmente em nossas atitudes diárias.
Quando aprendemos, nos tornamos criaturas mais alegres, felizes sem o terrorismo da ansiedade que nos traz a angústia, as dores da alma.
Por isso, Vitória - falou sorrindo -, todos os dias ao acordar e ao me deitar eu elevo meus pensamentos, silencio a boca e agradeço, confio, aceito e só peço forças e sabedoria para lidar com todas as situações, pois sei que tudo, exactamente tudo o que acontece é prova para o meu crescimento e eu quero ficar alerta para não perder nenhuma oportunidade, pois em tudo, em todas as dinâmicas da vida, estão as experiências para a minha evolução.
E evoluindo eu encontro a paz profunda capaz de me trazer a felicidade.
Alguns instantes de reflexão e ela comentou:
Penso que é mais fácil perdoar alguém que se ama, do que se perdoar, quando se erra, em matéria de amor.
Durante anos, foi muito difícil eu me perdoar pelo que fiz a você.
Acho que ainda não me perdoei.
Deveria se perdoar.
Como faço isso?
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:13 am

Me amando, se dedicando a mim...
Me enchendo de beijos, abraços...
Me tratando com muito, mas muito carinho, messsssmo! - brincou dizendo a verdade, sorrindo de um jeito adorável ao falar amorosamente.
Pegando sua mão, beijou-a e puxou-a para que se recostasse nele.
Abraçou-a com carinho e beijou-lhe os lábios.
O silêncio entre ambos não calou os pássaros que cantavam no início daquela manhã bela e gloriosa, como presente abençoado.
Enquanto o sol, de magnífica beleza, subia, deixando dourado tudo o que tocava, ficaram os dois ali,
admirando a natureza, agradecendo a Deus por estarem juntos.
Um amor calmo, verdadeiramente feliz, entrelaçava-os a cada dia, fortalecendo a abençoada união.
Por sete anos foi assim.
Nenhuma briga, nenhum desentendimento, nenhuma contrariedade.
A idade trouxe a Vitória e Vinícius aprendizados e com eles a sabedoria e a receita de uma vida calma, equilibrada e feliz.
Certo dia, Vitória estava entretida com as empregadas na cozinha, falando sobre os preparativos para uma reunião de família, que aconteceria em dois dias.
Seus filhos e alguns netos, junto com os filhos e netos do marido, se reuniriam ali para comemorarem o oitavo ano de união entre eles.
Foi quando Vitória, subitamente, levou a mão ao peito, deu um suspiro forte e ficou paralisada.
O que foi, dona Vitória?! - perguntou uma das mulheres que trabalhava na casa.
Pálida, a dona da casa cambaleou e procurou se apoiar na mesa.
A outra empregada correu e disse:
Segura ela!
Ao se aproximar, com a ajuda da colega, levaram-na para se sentar na sala, onde havia maior conforto.
Deram-lhe um copo de água com açúcar, ela tomou poucos goles.
Dona Vitória, o que aconteceu?
Não sei... murmurou.
Senti uma coisa tão ruim...
Tão estranha...
Um minuto e falou baixinho:
- Meu Deus!... O Vinícius...
Tentou levantar, mas as empregadas não deixavam.
Não, senhora!
A senhora não vai sair daqui, não.
Olha como tá branca!
Tá feito cera!
Meu marido... - tornou Vitória.
Quero ver meu marido.
Vou mandar chamar.
Mas a senhora fica sentadinha aqui.
Uma das mulheres ficou ali, fazendo-lhe companhia, enquanto a outra pediu a um dos rapazes que trabalhavam na fazenda que fosse à procura de Vinícius.
Antes mesmo de o encontrarem, chegou ali na casa Gilson, o filho do meio de Vinícius.
Ao vê-lo chegar às pressas e assustado, não conseguiram segurar Vitória, que correu em sua direcção.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:13 am

Onde está seu pai?! - ela quis saber.
Dona Vitória... - gaguejou.
Fala logo! Cade o Vinícius?!
Ele caiu... Caiu do cavalo.
Vim pegar a chave da camionete.
Ele precisa ser socorrido. Bateu a cabeça e está desacordado.
Arrancando forças do fundo da alma, Vitória foi a direcção do claviculário, pegou as chaves do veículo e entregou a Gilson.
Seguindo com ele, foi até onde o marido estava deitado sobre uma tábua, improvisada para servir de maca, para socorrê-lo com mais segurança.
Durval, o filho caçula, disse de modo desesperado:
Ele abriu os olhos!
Tentou falar alguma coisa, mas não conseguiu e... sua voz embargou.
Com a ajuda dos funcionários, os filhos colocaram o pai no veículo.
Vitória colocou-se ao lado do marido e segurou-lhe a mão.
Dona Vitória, não seria melhor a senhora ficar?
Vai ser incómodo ir até o hospital aí sentada desse jeito.
Erguendo o olhar lentamente, como só ela sabia fazer, respondeu com aquele silêncio frio, não necessitando de palavras para fazer prevalecer a sua vontade.
Vamos! Vamos, Gilson!
Não podemos perder tempo - ordenou Durval preocupado.
Se conheço a dona Vitória, não vamos fazer com que ela mude de ideia.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:13 am

CAPÍTULO 18 - A PASSAGEM

Vitória segurava a mão do marido entre as suas.
Vez ou outra ele abria levemente os olhos e logo tornava a fechar, sem parecer que a tinha visto.
Isso oferecia uma angústia e um desassossego infindável.
A estrada de terra, até que chegassem ao asfalto, era esburacada e, além de incómoda, parecia deixar o socorro mais distante.
Em um hospital de pobres condições, ele foi levado, inconsciente, enquanto Vitória e os filhos aguardavam inquietos.
Recolhendo-se, mal acomodada em uma cadeira no canto da sala de espera, a esposa fechou os olhos, uniu as mãos diante do rosto e orou fervorosamente.
Muito tempo depois, Durval aproximou-se e afagou-lhe as costas generosamente.
Ao vê-la olhar, perguntou:
A senhora está cansada.
Quer voltar para casa?
Eu a levo.
Não, obrigada. Prefiro ficar.
Nesse instante, um médico de pouca idade, parecendo inexperiente, chegou à sala, aproximou-se deles e disse:
O senhor Vinícius sofreu um traumatismo craniano e aqui neste hospital não temos equipamento nem condições necessárias para tratá-lo.
E se providenciarmos uma ambulância UTI para levá-lo a um hospital mais adequado ou para a capital? - perguntou Gilson.
Talvez... - titubeou o médico.
Mas antes de ele tentar argumentar, Durval propôs.
Existem helicópteros UTI!
Sim, mas... o preço é altíssimo - tornou o médico.
Se isso ajudar nosso pai!...
Não tem problema falou Durval.
Que seja feito concordou Gilson de imediato.
Entrem em contacto com o plano de saúde e...
O médico orientou-os como fazer para que o pai fosse socorrido da melhor maneira possível.
Calada, Vitória trazia no semblante uma expressão aflita e no coração a impressão dolorosa de que aquilo não terminaria bem.
Embora quisesse o marido recuperado, saudável, levava em consideração sua fragilidade devido a idade.
Transferido para um considerável hospital em Belo Horizonte, Vinícius passou cinco dias internado no CTI com todos os cuidados, mas não resistiu.
Dor intensa, indescritível, assolou Vitória que, em silêncio, abafou o choro triste pela separação.
Sentia-se só.
Pela primeira vez em sua vida, experimentava uma solidão angustiante e dolorosa.
Estava frágil, desamparada e sem qualquer perspectiva.
O que esperar na sua idade agora?
Com o que sonhar?
Queria ter sido ela a ter fechado os olhos para o plano físico.
Se uma parte dela havia sido arrancada quando seu filho João Alberto faleceu, a metade que ficou tinha ido embora agora, com Vinícius.
Então, o que sobrou de si mesma parecia bem pouco para continuar.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 01, 2017 9:14 am

Um vazio, foi tudo o que lhe restou.
Nos dias que se seguiram, a filha Ingrid e o filho Antero fizeram questão de levá-la para o Rio de Janeiro, apesar de Gilson, Durval e suas esposas pedirem para que Vitória ficasse em Minas Gerais.
Mas os filhos venceram com argumentos diversos e não deixaram a mãe, que não sabia o que decidir.
De volta ao Rio de Janeiro, Vitória preferiu retornar para a casa de Antero e morar nos fundos, onde estava acostumada.
Era tudo o que conhecia e não queria que fosse diferente.
A nora Natália, como sempre fiel amiga, começou a propor para a sogra que retomasse as actividades que antes gostava muito como yoga, hidroginástica, pintura em tela.
E, para não dizer que estava se entregando ao tédio deprimente, Vitória aceitou.
Toda manhã ao acordar, erguia-se devagar da cama morna e sob o efeito de uma angústia terrível e incompreensível, obrigava-se a levantar.
Era uma tristeza absoluta e completa, fundada no luto de sua alma, que vivia, agora, sem prazer.
Ao olhar para o criado-mudo, via a foto em que ela e Vinícius sorriam de rosto colado, juntos, abraçados e felizes.
Tinha a certeza de que aqueles quase oito anos de união tinham sido os únicos mais felizes de toda a sua vida.
Arrependia-se por ter sido tão tola e ambiciosa.
Forçou o destino em busca de riqueza e do bem-estar.
Queria viver na cidade, acreditando que isso lhe traria felicidade, mas a verdadeira felicidade não encontrou no dinheiro nem na metrópole, mas sim na vida simples do campo.
Lamentou não ter vivido mais tempo ao lado do único homem que amou, que a tratou com dignidade e carinho.
Era quando estava sozinha, no silêncio da noite ou do amanhecer, relendo pela milionésima vez o poema naquele velho papel amarelado e já rasgado nas dobras, tacteando aquele anel sem valor que, sozinha, chorava pela saudade tão dolorosa.
Por mais que tivesse adquirido algum conhecimento sobre a vida espiritual, ficava imaginando como teria sido o momento exacto em que Vinícius fechou os olhos para esse plano.
Que sentimento, que sensação teria experimentado?
O que existia de facto do outro lado?
Vinícius já a teria visitado após ter ido para o plano espiritual?
Não sabia.
Vitória fazia-se forte para não se entregar à depressão, mas era difícil.
Havia momento em que sua alma entristecia e, por isso, chorava.
Queixava-se de nunca ter sonhado com ele.
Aliás, não havia sonhado nem mesmo com seus dois primeiros maridos, com sua irmã ou mesmo com seu filho, pessoas que já haviam partido para o plano espiritual.
Natália e Ingrid se empenhavam em animar Vitória.
Contudo, o tempo passava rápido e, uma fragilidade natural tomava conta daquele corpo, antes repleto de vigor e energia.
Chegaram os momentos de alguns esquecimentos, teimosias, fraldas geriátricas até que, um dia, Vitória ficou acamada por causa de uma forte gripe que, com os dias, evoluiu para uma pneumonia.
Internada por alguns dias, teve a companhia constante de Natália e Ingrid, que não saíam de seu lado.
Filha chamou com a voz fraca.
Oi, mãe. Estou aqui respondeu prontamente, pegando em sua mão.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 02, 2017 9:38 am

Manda buscar café pro seu irmão.
Faz horas que ele está aqui.
Ingrid trocou olhares com a cunhada e sorriu.
Pensou ser um delírio de sua mãe, muito debilitada.
Natália, por sua vez, pensou que, pelo facto de Márcio ter acabado de sair, a sogra se referisse a ele, pois não percebeu o filho ter ido embora.
Para contentá-la, a filha respondeu:
O Márcio já foi, dona Vitória.
Não se preocupe.
Eu sei que o Márcio já foi.
Estou falando do João Alberto e fechou os olhos para descansar.
Nossa! Isso me deu um arrepio - Natália comentou baixinho, esfregando os braços.
Ingrid nada respondeu.
Não demorou e ambas observaram Vitória com ar sereno.
De olhos fechados, deu um sorriso suave, um sorriso que havia tempos não se via.
Ao vê-la balbuciar algo que não se pôde entender, a nora, afavelmente, perguntou:
O que foi, dona Vitória?
O Vinícius murmurou.
O que tem ele? - tornou a nora.
Ele chegou.
Antero entrou no quarto naquele momento e ambas contaram o que estava acontecendo.
Ontem ela falou da dona Dulce.
Hoje do João Alberto e do seu Vinícius - disse Natália.
Talvez eles a estejam visitando.
Não deve ser diferente daqui, de nós... - respondeu ele, afagando o rosto da mãe.
Nos últimos tempos, ela pareceu definhar rapidamente.
Não era mais dona da mesma energia nem do mesmo vigor.
Vitória sentia grande dificuldade para respirar, o corpo todo dolorido, cabeça pesada e os efeitos dos medicamentos a maltratavam.
Havia dias estava assim.
Podia ver os filhos, noras, genro, netos e amigos que a visitavam.
Ouvia-os e se esforçava para ficar de olhos abertos, mas nem sempre conseguia.
Sentia-se cansada, raramente conversava com lucidez e ocorriam aqueles momentos considerados de delírios.
Algumas outras vezes, como se despertasse do plano físico, era capaz de ver outros visitantes queridos do plano espiritual.
Na sensibilidade em que se encontrava, entre o sono e a realidade, balbuciava e contava aos encarnados sobre o que percebia do plano espiritual.
O Vinícius me trouxe flores.
A Dulce está me agradecendo por ter cuidado tão bem do João Alberto.
Que era filho dela...
Mas do que ela está falando? - perguntou Ingrid intrigada.
Antero lembrou-lhe que Dulce, amiga de sua mãe e tia de seu pai Isidoro, teve um filho hemofílico chamado João Alberto, falecido antes de Vitória e Isidoro se casarem.
Talvez seja mesmo supôs o irmão.
Será? quase duvidou a irmã.
Tem coisas que não conseguimos explicar, Ingrid.
Se o João Alberto se sentiu prejudicado, insatisfeito ou contrariado pelo facto do primo, Isidoro, ter ficado com toda a riqueza de seu pai, o senhor Bonifácio, o jeito encontrado para ele ter o que acreditava lhe pertencer foi reencarnar como filho de Isidoro e usufruir de tudo o que era seu, de direito disse Natália.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 02, 2017 9:38 am

E usufruiu mesmo.
Até acabar com tudo o que tínhamos.
Até com a herança do Antero.
Não fale assim, Ingrid.
Sem que esperasse, Vitória balbuciou:
O João Alberto diz que está arrependido por tudo o que fez.
Ele sofreu muito por ser tão ambicioso.
Os três se entreolharam e nada disseram.
Naquela manhã, Antero decidiu que ficaria com a mãe para que sua mulher e irmã descansassem.
Após elas irem, ele ficou com a televisão ligada em volume bem baixo e começou a caminhar vagarosamente pelo quarto.
Não demorou e foi para o lado da mãe, pegou em sua mão e decidiu dizer-lhe algumas coisas:
Obrigado, mãe.
A senhora nos ensinou a ser fortes, honestos.
Ensinou-nos a ter dignidade e, mesmo quando tudo estava contra nós, teve a capacidade de vencer, de fazer algo melhor.
Apesar de um mundo conturbado e com os exemplos de corrupção que temos nesse país, aprendemos com a senhora a ser pessoas íntegras, decentes ao devolver a borracha para o colega na escola, a não colar porque... colar na prova era desonesto, era enganar a nós mesmos.
Aprendemos a respeitar as pessoas, a não ter preconceito, a não fazer discriminação, a ter educação.
A senhora não fez de nós milionários, mas nos fez ricos, elevados em espírito.
Sua força de vontade é exemplo que jamais esquecerei.
Vitória abriu levemente os olhos e, dos cantos, viu-se escorrer lágrimas mornas.
- Não chora, não, mãe - pediu com um nó na garganta e muito emocionado.
Vamos então falar de coisas alegres.
Pense em um lugar bonito.
Um lugar calmo... tranquilo, do qual a senhora gostava muito.
Pense nesse lugar de paz - falava lentamente e, de forma calma, conduzindo-a a pensar em algo bom, não a queria triste.
Imediatamente Vitória se lembrou da caminhada que, toda manhã, fazia de mãos dadas com Vinícius.
Andavam pelo pomar e...
De repente, ela se viu caminhando pelo pomar.
Era capaz de sentir a brisa do amanhecer, o cheiro gostoso da relva húmida pelo sereno da noite, o aroma das flores da campina...
Tocou nas pontas das árvores frutíferas como se as acariciasse.
Aproximou-se da laranjeira em flor e sentiu seu perfume.
Admirou-se ao ver o belo flamboyant florido.
Sorriu. Era primavera, época em que a árvore ficava muito linda.
Nesse momento sentia-se bem-disposta e, ao longe, era capaz de ouvir a voz macia de Antero que orava.
Isso lhe trazia mais paz e um ânimo manso.
Seguiu.
Continuou caminhando lentamente até a voz sumir e não se importou mais.
Caminhou por vasto gramado até chegar ao rio e ouvir o murmurinho das águas batendo nas pedras.
Olhou e viu o grande tronco, lá tombado havia muitos anos.
O mesmo tronco em que ela e o marido costumavam se sentar.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 02, 2017 9:38 am

Por entre uma névoa translúcida, o sol aparecia ainda mais radioso do que o de costume.
Que paz era aquela?
Era a paz da consciência tranquila.
O cansaço havia acabado.
A dor e a indisposição haviam acabado.
A cabeça estava leve, seus pés estavam leves...
Vitória, querida.
Reconheceu a voz de Vinícius.
Ao olhar, viu-o se aproximar.
Ela ficou sem ter o que dizer e se emocionou.
Sentiu a alma aliviada e foi ao seu encontro, ao encontro de seu amor.
Abraçou-o.
Depois, afastando-se cuidadosa, tocou-lhe a face e contornou-lhe o rosto com as pontas dos dedos.
É você... - murmurou, sentindo imensa felicidade.
Sim. Sou eu - sorriu ele.
Onde estamos? - ela quis saber ao olhar em volta.
Ora, não reconhece?
Estamos naquela que foi nossa fazenda.
Vínhamos aqui, neste lugar, todas as manhãs.
Não lembra?
Sim, mas... Como assim?
Como vim parar aqui?
Vinícius sobrepôs o braço em seu ombro e suavemente a conduziu para que se sentasse no tronco.
Quando Antero começou a conversar com você, trouxe-lhe a consciência tranquila pelo dever cumprido.
Depois a conduziu a se lembrar de um lugar onde se sentia bem, em paz e orou.
Ele doou energias salutares e você, com pensamentos elevados, veio até aqui, nesse lugar que gostava tanto.
Então vim parar aqui em pensamento?
Nosso pensamento tem mais poder do que imaginamos.
Então estou pensando, sonhando?...
Não. Está aqui em espírito.
Não precisa mais voltar.
Eu morri, Vinícius?! - perguntou surpresa, quase rindo.
Não, riu. ainda está viva, só que em espírito.
Apenas deixou aquele corpo definitivamente.
Ela parou. Ficou estática.
Surpresa, perguntou transbordando admiração:
Isso é morrer?!
Não senti nada... e... é...
É como se eu tivesse dormido e acordado em outro lugar.
Ou melhor... Nem dormi.
- Para pessoas que desempenharam suas tarefas correctamente, tiveram força e se mantiveram firmes nos desafios que apareceram, foram fortes contra as tentações, normalmente a passagem do plano dos encarnados para o plano dos desencarnados é simples assim.
Dorme-se lá e acorda-se aqui - riu.
Alguns chegam a ficar num estado semelhante ao do sono por algum tempo, meses ou anos.
Outros têm noção do plano espiritual mais rapidamente.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 02, 2017 9:38 am

Uma névoa de tristeza tentou invadir as ideias de Vitória, quando Vinícius alertou:
Não deixe que pensamentos desse tipo tomem conta da sua mente.
Estou lembrando dos meus filhos, netos...
Vou ficar longe deles.
Não por muito tempo.
Vamos vê-los sempre.
Mas não será como antes.
Logo vai se acostumar. Venha.
Vamos ao hospital onde eu estava?
Não. Creio que não vai gostar do hospital, nesse momento.
Não precisa mais de lá.
Sorriu e perguntou:
Por acaso está se sentindo mal? Está doente?
Não sinto nada - sorriu.
Então não precisa de hospital. Vamos.
Temos direito a uma vida em lugar mais elevado do que a crosta.
Vinícius conduziu sua amada pelo pomar por onde ela havia passado e a paisagem parecia mudar significativamente.
De repente, Vitória viu sorrindo, andando em sua direcção, Dulce, que se encontrava em meio a um grupo pequeno e harmonioso de espíritos luzentes.
Dulce! - disse em tom de doce saudade.
Oi, minha amiga! - a outra a abraçou forte, apertando-a contra o peito.
Afastando-se, comentou:
- Faço questão de acompanhá-la nesta nova etapa de sua vida.
Daqui, do plano espiritual, é possível para alguns admirar a imensurável justiça e bondade do Pai da Vida.
Quando encarnados, normalmente ficamos cegos e ambiciosos.
Aqueles que desencarnam ainda presos nesses males, sofrem muito. Agora vamos.
Vitória, de braços dados com a amiga, acompanhou-a sem titubear, tendo Vinícius ao lado.
Logo alcançaram o grupo que parecia esperá-los.
Profunda introspecção convertida em prece dispersou fluidos mais pesarosos, antes de seguirem para lugar mais propício.
Onde estamos? - questionou Vitória diante de portões que se abriram à chegada de todos.
Este é um posto de socorro que nos abriga.
Aqui socorre-se, na maioria das vezes, alguns recém-desencarnados.
Já li, em alguns livros, comentários a esse respeito.
Mas... Nossa! É muito real! - sorriu.
Não sei por quê, mas sempre acreditei que no plano espiritual as coisas fossem mais transparentes.
Ao contrário. São mais reais do que na crosta tornou a outra.
Vitória sentiu agradável sensação de paz ao cruzar os limites do posto.
Encaminharam-se para uma espécie de alojamento.
Lá, Vinícius comentou:
Você ficará na ala feminina.
Em poucos instantes a Alice, encarregada desse sector, virá recebê-la.
Não ficaremos juntos?
Não temos uma casa? Um lugar nosso?
Aqui, neste posto, não.
É um lugar considerado pequeno, se comparado a colónias.
Normalmente é um lugar, como o nome já diz, de socorro e para descanso de tarefeiros específicos.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 02, 2017 9:39 am

Você precisa se recompor para, em breve, seguirmos para a colónia.
Nesse instante, chegou a gentil Alice, sorridente e simpática.
Olá! Seja bem-vinda na Luz de Jesus! Como vai?
cumprimentou.
Bem... - respondeu Vitória intimidada.
Tudo bem com o senhor, irmão Vinícius?
Com a graça do Pai, sim.
Então... É essa a nossa querida Vitória?
Recém-chegada da crosta?
Sim, é ela.
Então o senhor pode deixá-la aqui.
Ficará em boas mãos.
Tenho certeza disso.
Virando-se para Vitória, comentou:
Amanhã nos vemos.
Segurando seu rosto carinhosamente com ambas as mãos, beijou-lhe a testa e se foi.
Venha comigo, querida Vitória.
Precisa de higiene e descanso.
Quando estiver bem recomposta, terá muito o que apreciar.
Nessa altura dos acontecimentos, Vitória sentia certo cansaço, como se estivesse sem dormir por muito tempo.
Após se higienizar, receber passes reparadores e reconfortantes, recolheu-se em dormitório simples e aconchegante.
O dia clareava e um sol radiante iluminava esplendorosamente todo o quarto.
Surpresa com a intensidade daquela luz, Vitória despertou e sentiu-se bem alerta.
Experimentava uma sensação nova, vigorosa, como se tivesse pouca idade.
Levantou-se.
Tudo estava muito silencioso, não percebia a movimentação de ninguém.
Saiu do dormitório, percorreu largo e comprido corredor, chegando ao grande salão.
Já havia passado por ali, mas agora podia percebê-lo melhor.
Havia quatro colunas, muito altas, estilo grego, que sustentavam o tecto de delicado vitral.
Trepadeiras graciosas e floridas abraçavam delicadamente as pilastras deixando algumas pontas pendentes charmosamente caídas.
O piso era semelhante a mármore, bem claro, com suaves rajados que o embelezavam.
De repente, a voz suave do espírito Alice a chamou:
Vitória, querida!
É por aqui - sorriu.
Ela estava perto de largas portas altas e pouco abertas.
Ah... Estou um pouco confusa - disse indo em direcção da outra.
Venha. Vamos para o refeitório.
Acomodada em uma mesa, Vitória apreciou um caldo reconfortante e um copo com água.
Acho que dormi demais.
Só se passaram dez dias desde a sua chegada disse Alice.
Dez dias?! Como assim?
Até que foi pouco sorriu.
A irmã precisava se recompor. Sente-se melhor?
Muito, muito melhor.
Só me explique uma coisa:
como foi que se passaram dez dias sem eu perceber?
Descansou exactamente o que precisava.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 02, 2017 9:39 am

Assim que desencarnamos, estamos repletos de energias pesarosas, principalmente os que desencarnam com extrema debilidade física.
Mas nada que alguns dias de recomposição e passes fluídicos salutares não resolvam, para alguns, é claro.
Onde estão Vinícius e minha amiga Dulce?
Estavam trabalhando nas câmaras de passes, mas já devem ter terminado por lá.
Sempre que vão à crosta e passam por aqui, esses amigos nos auxiliam muito com os recém-chegados, principalmente.
Quando eu estava no hospital, lembro-me de ter visto meu filho, o João Alberto.
Ele também está por aqui?
Não. João Alberto a visitou por ter recebido um bónus por bom comportamento da colónia de reabilitação onde reside.
Essa colónia é específica para desencarnados que se reabilitavam pelo uso de drogas, quando encarnados.
Então ele não está com o Vinícius e a Dulce?
Não. Poderá vê-lo depois.
Agora vou acompanhá-la para junto dos demais.
Saíram do refeitório e seguiram por belo jardim, onde encontrou Vinícius e Dulce.
Depois de amorosos cumprimentos, Vitória comentou:
Nem acredito ter dormido dez dias riu.
Aqui é assim mesmo quando se chega disse Vinícius.
O que será de mim agora?
O que eu faço? - tornou ela.
Seguiremos para a colónia onde moramos.
O que acha? propôs ele.
Antes, eu queria ver meu filho.
Se também puder, gostaria de notícias dos meus pais, minha irmã...
Dulce e Vinícius trocaram olhares e ela respondeu:
Seus pais estão reencarnados.
O João Alberto ainda está em tratamento devido aos danos que causou em seu perispírito, embora já esteja muito bem.
Ele poderia estar em condições bem piores caso você não tivesse cuidado dele.
Sua irmã, Marta, estuda e vive em uma colónia próxima daqui.
Isidoro, infelizmente, tacteia no lodo da crosta por tanto comprometimento e abuso na área do sexo.
Pobre Isidoro.
Está assim por causa da Aids?
Não. Seu estado consciencial é por culpa dos erros e abusos cometidos.
A energia sexual é séria, comprometedora, quando mal utilizada.
E foi o que ele fez:
usou-a mal.
Antes de seguirmos, eu gostaria de ver meu filho e minha irmã.
Agora... Melhor não.
Com o tempo, quando estiver mais recomposta, poderá ter notícias e até vê-los.
Pode ser assim? propôs Vinícius.
Vitória ofereceu meio sorriso e aceitou.
Seguiram para a colónia.
Ela, dedicada, empenhou-se em aprender e trabalhar.
Não demorou e sentia-se cada vez mais saudável e jovial.
Suas energias pareciam mais fortes e a própria aparência se modificava para melhor, mais jovem a cada dia e, com Vinícius, não era diferente.
Os dois viviam juntos, estudavam e trabalhavam.
Eram almas afins e dispostas à evolução.
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Ave sem Ninho

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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 02, 2017 9:39 am

CAPÍTULO 19 - A VIDA É MUITO MAIS

O tempo, professor eterno, seguia seu curso e todos aprendiam com as experiências.
Certo dia, Vitória sentiu-se imensamente feliz ao saber que chegara o momento de visitar João Alberto e aqueles que desejasse.
Em companhia de Vinícius, chegou à colónia.
Dulce foi recebê-los.
Ela havia sido requisitada para esse trabalho naquela esfera já havia algum tempo.
Precisavam de espíritos bem qualificados e amorosos para a difícil tarefa com os irmãos bastante necessitados que chegavam ali.
Quanto tempo, minha irmã!
Sinto sua falta, Vitória.
Não há um dia em que não me lembre de você e de tudo o que fez pelo nosso João Alberto.
Estou tão ansiosa para vê-lo. Como ele está?
Bem melhor. Vai gostar de vê-lo.
Alçando seu braço ao da amiga, levou-a até gracioso jardim onde, em um banco, via-se João Alberto a distância.
Não será melhor a Vitória ir sozinha? - perguntou Vinícius.
Eu ia propor isso.
Olhando para a amiga, disse:
Vai. Ele vai gostar de ver você.
Largando de seu braço, Vitória caminhou lentamente até sentir que poderia ser vista por ele.
Percebendo-a, João Alberto se virou e murmurou emocionado:
Mãe!...
Lágrimas brotaram em seus olhos.
Ele se levantou e deu dois passos em sua direcção, abraçando-a fortemente.
Longos minutos onde riram e choraram, afagando-se o rosto.
Mãe... Como a senhora está bonita!
Está mais jovem, linda!
Você também está bem melhor, meu filho.
Estou melhor agora.
Foi bem difícil.
Só não foi pior porque a senhora me orientou, me ensinou...
Tive sorte por ter seu amor.
Ora... - falou tímida.
Sentaram-se lado a lado.
É verdade! Todo seu afecto, carinho e orientação me ajudaram muito.
Cheguei ao plano espiritual com a consciência mais lúcida.
Suas preces, suas orações me fizeram bem.
As preces chegavam a mim como um bálsamo aliviando minhas dores, as sensações de incómodo e desespero.
As drogas não só destruíram meu corpo físico, como também meu corpo espiritual.
A depressão, a síndrome do pânico e todos aqueles sintomas psicossomáticos que resultavam em sintomas no corpo de carne, me acompanharam após o desencarne.
Só que eu tive o privilégio de ser assistido e bem socorrido por sua causa.
Com muitos outros não é assim.
Desorientados, sofrem na crosta terrestre e, após a passagem para o plano espiritual, sofrem mais ainda pela falta de orientação.
Vivem insanos, completamente enlouquecidos por causa da necessidade das drogas.
O vício não termina com a morte.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 02, 2017 9:39 am

Temos de nos livrar dele encarnado ou desencarnado.
É desesperador.
Oh... Meu filho... - abraçou-o.
Você está melhor?
Sim. Estou. Não tenho mais aqueles sintomas horríveis pela falta das drogas.
Os tratamentos terapêuticos aqui na colónia me ajudaram a elevar o ânimo, sair da depressão e parar com as crises de pânico.
Hoje estou bem mais recomposto.
Já presto serviço em algumas câmaras de recuperação para os recém-chegados.
Essa é uma colónia específica para o tratamento de desencarnados viciados em drogas.
Você deve estar muito bem, pois não é qualquer um que está preparado para prestar serviço aqui.
A própria Dulce demorou muito tempo para ser chamada desde a época em que ela requisitou esse trabalho.
Não pode imaginar como me sinto vitorioso por isso.
Depois de tantos anos...
Estou orgulhosa de você, filho.
João Alberto a abraçou com carinho e murmurou:
Obrigado por tudo.
Muito obrigado. Seria muito difícil eu conseguir sem a senhora.
Afastando-se, com lágrimas de alegria a brotar nos olhos, Vitória o contemplou e disse:
Você está recomposto.
Vejo que tem duas pernas riu e ele riu junto.
Estou feliz!
Você é a primeira visita que faço desde que desencarnei.
Agora vou ver minha irmã Marta e depois vou à crosta visitar os outros.
Vou com a senhora.
Será que pode?!
Ficarei tão feliz!
Posso sim. Hoje posso.
E, se conseguirmos, quero ver meu pai.
Soube que ele ainda está preso na crosta.
É verdade.
Dulce me contou.
Ela tem ido visitá-lo, mas não obteve muito sucesso.
Pobre Isidoro ela lamentou.
Então vamos vê-lo.
Quem sabe com a nossa vibração...
Levantaram-se.
João Alberto, sem palavras, a abraçou novamente, beijou-lhe o rosto, cobriu seu ombro com o braço e caminharam em direcção à Dulce e Vinícius.
Conforme pretendia, Vitória visitou sua irmã Marta que, recomposta, ainda estava arrependida e envergonhada pela vida que levou.
A consciência lhe cobrava.
Em conversa com a irmã, contava:
Eu me tornei uma mulher muito liberal.
Concordava com tudo o que o Isidoro propunha, principalmente no que dizia respeito à vida sexual.
Acreditei que deveríamos viver todos os prazeres.
Não me importava com a traição.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 02, 2017 9:40 am

Com o tempo ele me convencia...
Eu passei a aceitar os encontros íntimos nos quais admitíamos outros parceiros, grupos.
Com isso a mente gerava energias de atracção e ligação com espíritos ignorantes, de extrema inferioridade.
A sintonia com esses espíritos infelizes fez com que eu baixasse minhas vibrações.
Foi uma conduta desequilibrada e doentia que, até hoje, me faz sofrer imensamente.
Aqui, na vida real, no mundo real, não se consegue esquecer ou apagar os actos errados.
Por isso, desejo imensamente a oportunidade de reencarnar, para que, com a bênção do esquecimento, eu me livre de tudo o que a consciência me cobra e assim, equilibre o que desequilibrei.
Breve pausa e continuou:
O sexo, o ato sexual, é gerador de energias incríveis.
Praticado de forma promíscua, com o envolvimento da prostituição e variação de parceiros principalmente, gera desequilíbrios imensuráveis na consciência.
O sexo grupal é pior ainda.
Aqui, nesta colónia, pude ver a chegada de espíritos femininos que, encarnados, viviam grandes transtornos psicológicos e problemas de ordem física, como doenças corriqueiras e inesperadas, por culpa do desregramento do companheiro que se envolvia sexualmente com outras e levava, para o leito conjugal, energias destrutivas que desequilibravam mental e fisicamente aquela escolhida para ser sua parceira de facto.
O contrário, ou seja, mulheres que traíam seus maridos e geravam a mesma espécie de energias inferiores, também existem.
Os encarnados deveriam saber o tamanho da importância da fidelidade e do equilíbrio, em matéria de sexo.
Esse desequilíbrio pode demorar muitos e muitos anos para ser ajustado.
Marta não disse mais nada e a irmã comentou:
Sinto muito por você, minha irmã.
Até que eu estou bem.
O Isidoro, ainda preso à crosta, assombra-se com delírios graves, consciência autopunitiva, terríveis desesperos por conflitos íntimos, fixações mórbidas e tantos outros tormentos de obsessão e da auto-obsessão, por aceitação da vulgaridade.
Marta deteve os pensamentos.
Sabia o quanto era imenso o sofrimento do antigo companheiro.
Estou indo para a crosta, quero visitar meus filhos e, se possível, saber do Isidoro.
Teve notícias do Odilon?
Está encarnado desde quando cheguei ao plano espiritual.
Ele queria tanto, ambicionou tanto as terras que foram de seu pai que hoje está reencarnado como filho de um trabalhador muito humilde de uma das fazendas do senhor Antero.
Devemos tomar cuidado com o que desejamos.
Um momento e contou:
Lembra-se do senhor Antero Magalhães, pai do Odilon, não lembra?
Sim, claro.
Em vida, odiou tanto a mim e ao meu filho Antero Neto.
Desencarnou com o ácido do rancor a correr por seu corpo.
Encarnou como filho do próprio neto.
Como assim?
Ele reencarnou como filho do Joaquim, chamado de Quinzinho.
Sim. Lembro do Quinzinho.
Hoje ele é o Valdir, filho caçula do Quinzinho.
E, por ter experimentado tanto ódio, tanto rancor do neto Antero, meu filho, ele envenenou-se pela falta de compreensão e perdão.
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Re: Movida pela ambição - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 02, 2017 9:40 am

Sua consciência pedia ajuste.
E o jeito que ele encontrou para se harmonizar foi reencarnar, sofrer por conta da leucemia e precisar de um doador de medula óssea.
Não encontrava ninguém compatível, até eu sorriu , por acaso, aparecer para visitar a Maria de Lourdes lá em Minas e saber de seu problema tão grave.
Lembrei ao Joaquim que meu filho, o Antero Neto, era filho do Odilon, primo legítimo do Valdir.
Nos exames de compatibilidade, não deu outra.
Acabou que o Antero foi o doador perfeito para o Valdir.
Isso salvou sua vida jovem.
Hoje ele está muito satisfeito e não para de agradecer ao meu filho.
Foi esse o jeito que a consciência do Valdir encontrou para se livrar do ódio e do rancor.
Sabe, minha irmã, precisamos ser mais tolerantes, menos egoístas, mais prudentes.
Isso é muito importante para a paz interior e, consequentemente, para a nossa evolução.
Obrigada por ter me apoiado tanto, por ter orado tanto por mim.
Não imagina o quanto me ajudou.
Ora... Sempre procuramos fazer o melhor por aqueles que amamos.
Abraçaram-se e Vitória se despediu.
Seguindo para a crosta terrena em companhia de Vinícius, João Alberto, Dulce e dois outros companheiros espirituais que trabalhavam na função de socorristas, Vitória aproximava-se de região escura e, sem dúvida, deplorável.
O estado de muitos ali era tenebroso.
Tratava-se de espíritos que, durante a vida terrena, não respeitaram as soberanas leis da vida, a respeito do equilíbrio sexual.
Traziam no perispírito aspectos horríveis, deformados, monstruosos e animalescos, principalmente na região do sexo.
Na mente, a imantação psíquica do que viveram no corpo carnal, energias pesarosas e sinistras, sempre vinculadas à dolorosa compulsão ou desejo: o do sexo desequilibrado.
Esses espíritos buscavam encarnados invigilantes, ignorantes, principalmente de ambiguidade no comportamento sexual, cônjuges infiéis e os que se compraziam com sexo casual, sem compromisso.
Próximos de encarnados com essas práticas, durante o acto, esses espíritos misturavam-se como que em orgias, a fim de sugar-lhes as energias e, no envolvimento, gerar outras energias desarmoniosas, desequilibradas, tristes que, com o tempo, tornavam-se fontes de grandes transtornos.
Tais energias funestas instalam-se nos fluidos sensíveis do perispírito, causando necessidades e tormentos semelhantes aos que sofrem os transtornos do alcoolismo e das drogas.
Existem colónias com amplos e diversos blocos para ajudar esses irmãos saturados de grosseiras energias sexuais adquiridas pelo sexo casual, promíscuo, incluindo as traições de todos os tipos.
Grandes equipas espirituais de psiquiatras e psicólogos, que obedecem a critérios cuidadosos, tratam dessas desafiadoras patologias na área do sexo, que causa tamanhos desalinhos e sofrimentos conscienciais disse um dos socorristas que os acompanhavam.
Como podem ver, raramente temos alguém em condições de ser socorrido.
Aqui mesmo, não tem nenhum espírito em tal estado propício.
Diga-me uma coisa, Aurélio pediu Vinícius ao socorrista -, entendi que depende muito do encarnado para se ter essa ligação com espíritos desajustados sexualmente.
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