Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:06 am

Após ela ir embora, dona Virgínia se mostrou insatisfeita e comentou:
- Não deveria ter contado, Raquel.
- Foi preciso, dona Virgínia.
Foi por uma boa causa.
Sei que não devemos dar exemplos próprios, como esse, mas elas precisavam de um motivo... Confio em Deus.
- E se elas comentarem alguma coisa?
- Pessoas dignas e que se prezam não saem falando da vida dos outros.
- E se falarem?
- Se isso puder prejudicar minha filha, ou incomodar o Alex, posso mudar de Centro.
Fiz o que tinha que fazer aqui e posso continuar fazendo em outro lugar.
A sogra olhou-a e sorriu, reconhecendo a situação.
No plano espiritual, tarefeiros que se mantêm despercebidos para os encarnados observavam o momento.
O espírito Rosana estava presente, em companhia de criaturas queridas.
Após abraçar Raquel, envolveu com ternura sua mãe.
Elas não a percebiam, mas, para Rosana, quanta emoção!
- Mãe, obrigada por fazer meu corpo ser útil após o desencarne.
Senti-me tão bem com o que vocês fizeram dizia ela, mesmo sabendo que não seria ouvida pelas encarnadas.
A amiga espiritual, que sempre envolvia Alexandre em momentos oportunos, estava ao lado de Rosana e satisfeita a informou:
- Você sabia que todos os órgãos doados do seu antigo corpo foram proveitosos e sem rejeição para os receptores?
Rosana iluminou-se de felicidade, mas não se pronunciou e ela prosseguiu:
Suas vibrações bondosas e o merecimento de quem necessitava auxiliaram a harmonia dessa caridade oportuna, que não só foi uma caridade, mas também uma harmonização, você sabe.
- Graças a Deus todos estão bem.
Nesse momento se aproximou delas um espírito com sorriso expresso em harmonia que a chamou:
- Rosana.
Esta ficou na espera e olhando para aquele que aparentava um belo moço que nunca tinha visto, ou pelo menos de que não se lembrava.
Após cumprimentar sua companheira avisou:
- Estou à sua procura, minha querida.
Amigos me disseram que estaria aqui.
Não pude ir visitá-la antes porque tive de acompanhar entes queridos que estão encarnados.
Agora soube que estava aqui e vim lhe agradecer.
- Agradecer? - questionou Rosana sem entender.
- Sim! respondeu ele sorridente e trazendo um semblante harmonioso e feliz.
Vou reencarnar em breve e devo essa abençoada oportunidade a Deus e a você.
- A mim?!
- Lógico! afirmou ele ao pegar em suas mãos e completar:
O coração que lhe pulsou a vida toda no corpo físico hoje habita o peito da minha futura mãe.
Consequentemente, na próxima vida terrena, poderei dizer que terei um pedacinho de você.
Surpresa, ela não sabia como reagir, e ele prosseguiu:
- Enquanto eu tiver consciência, agradecerei a Deus a caridade de seus familiares e a sua bondade de um dia ter dito a eles sobre seu desapego à matéria física e afirmado que não se importaria com a doação de seus órgãos.
Isso foi o que mais levaram em conta para um acto tão corajoso, tão nobre e abençoado.
Haverei de encontrá-la logo na próxima e...
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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:06 am

Ele se deteve emocionado, mas prosseguiu:
Saberei, mesmo inconscientemente, que lhe devo a vida.
Ele a envolveu num abraço fraterno e beijando-lhe o rosto, falou:
Adoro você, Rosana.
Obrigado por tudo.
Sempre vou amá-la.
- Não fiz nada - justificou-se ela emocionada e encabulada.
- Ah! Fez sim. Ainda conversaremos a respeito.
Agora quero que me perdoe, mas tenho que ir.
Contudo, em poucos dias vou procurá-la para conversarmos mais. Prometo.
Despedindo-se da companheira de Rosana, ele voltou o olhar para esta e foi se afastando com o sorriso constante a moldar o rosto feliz de indefinido sentimento elevado.
Ele se foi.
Rosana sentiu-se atordoada e ainda confusa, perguntou:
- Quem é ele?
A bondosa companheira satisfeita revelou:
- É uma criatura querida que há muito procura ser feliz com você.
É uma alma afim, que sempre esteve a seu lado e, nas duas últimas reencarnações suas, vocês necessitaram se separar para refazimentos e harmonizações.
Rosana, ainda inebriada pela forte emoção, não sabia descrever o que experimentava naquele instante.
Reflectindo um pouco, ela argumentou:
- Que bom que nessa última experiência terrena pude ser útil a alguém, ou, pelo menos, meu antigo corpo o foi.
- Não, minha querida, você não foi só útil aos outros, você foi importante para si mesma.
Sua conduta moral e seus feitos, que pareceram insignificantes, surtiram resultados maravilhosos a muitos.
Pensamentos bons, atitudes caridosas, vibrações de amor e ensinamentos nobres impregnam a tudo e a todos, a começar da roupagem que utilizou.
O desapego para com tudo o que lhe pertenceu resultou em sua rápida harmonização no plano espiritual.
- Então, todas as pessoas deveriam doar seus órgãos, não é?
- Não foi isso o que eu disse.
As pessoas devem ter, acima de tudo, o seu direito de pensamento e acção.
Se alguém que não esteja preparado solicitar que seus órgãos não sejam doados, acreditamos que seu direito deva ser respeitado.
Mas não é por isso que essa mesma pessoa deixará de ser bem acolhida, de acordo com seu nível espiritual e moral, na espiritualidade, quando se der esse momento.
As pessoas devem ter consciência do desapego em todos os sentidos, desde os bens materiais até o corpo físico, pois todos ficarão aqui após o desencarne.
Mas isso depende da opinião de cada um.
Jesus já nos disse:
"Não ajuntei para vós tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubem; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consomem e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração".
Entretanto, Rosana, cada um deve seguir sua jornada evolutiva sem ser violentado em suas opiniões, desde que não agrida os outros.
Aquele que guarda seus tesouros em planos elevados e não têm apego à matéria, é um vitorioso, um vencedor.
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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:06 am

De acordo com seu processo evolutivo e as possibilidades de caridade com o que lhe pertenceu, por empréstimo, na vida terrena, se ele tiver a oportunidade de doação de seus órgãos e o fizer, por fé e com amor, ele já estará recebendo, com urgência, o socorro da Espiritualidade Maior diante do facto.
Como foi o seu caso.
Por isso é muito importante deixarmos amigos e parentes cientes da nossa opinião sobre a doação dos órgãos.
- Em uma conversa sem importância, eu disse para a Vilma e para a Raquel que era favorável à doação.
- Abençoado foi esse momento, Rosana.
E também a visão e a opinião de sua irmã no hospital, que não deixou dúvidas em seus parentes sobre a decisão a ser tomada.
Após pensar um pouco, sempre curiosa, Rosana questionou:
- E quanto a ele, vou encontrá-lo novamente?
- Em breve poderão tecer longos planos para o próximo reencarne.
Veja, filha, quando em conversa afirmou que não se importaria que doassem os órgãos que lhe pertenciam na matéria, você deu liberdade aos seus familiares para autorizar a doação, quando solicitaram a eles.
Seu coração ajudou aquela que será mãe dessa bondosa e elevada criatura.
Consequentemente, no seu caso, isso lhe garante um futuro sem aquela solidão, ou sem aquela ausência inexplicável de uma alma querida, ao lado, que conforta e agasalha o coração, que harmoniza e nos completa.
No seu caso, a sua falta de egoísmo garantiu a existência do futuro companheiro e amigo com quem há de se encontrar.
Como ele disse, mesmo na inconsciência há de lhe ser grato e lhe dispensar toda consideração e respeito meritório, além do seu amor.
Juntos, Rosana, vocês acolherão os filhos queridos e abençoados que vão completar a felicidade de todos.
- Espere! Espere, aí!
Eu vou reencarnar?
- Em breve.
- Então por que desencarnei?
Não seria mais fácil ter continuado lá?
- Sempre há um planeamento reencarnatório, filha.
Nesse caso, todos os envolvidos estavam dispostos a ajudá-la nessa, que foi uma curta jornada, ou então, preparados ou não, precisavam passar pela ausência brusca que necessitavam para crescer e evoluir.
Além disso, a doação de órgãos foi, para eles e para você, uma forma de se disporem para harmonizar inúmeras partes de um todo: sentimental e material.
Seu ex-noivo, Ricardo, precisou da dor da perda para valorizar as ligações amorosas.
Ele agora tem que seguir o seu caminho com outra pessoa e buscar ser feliz cumprindo seus propósitos.
Você o estruturou para isso quando lhe deu orientações valiosas.
Sua mãe despertou para as tarefas úteis.
Em todos os sentidos, você amparou e sustentou a união de Raquel e Alexandre, orientando-os como devia.
Você os ama muito, não é?
E creio que merece ficar entre eles.
- Vou reencarnar como filha da Raquel e do Alex?! - perguntou imediatamente.
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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:06 am

A amorosa companheira sorriu ao afirmar:
- Você disse uma vez que faria tudo por eles, não foi?
Esse casal merece motivos para ter animação e felicidade.
- Mas a Raquel perdeu um bebé há pouco tempo!
- Esse querido irmãozinho retornará também, só que no tempo oportuno e não agora.
Enquanto isso você... se prepara.
Eufórica e entusiasmada, Rosana, muito feliz, exclamou interrompendo-a:
- Ah! Eu não acredito! - pensando rápido, eufórica e marota, revelou seus desejos:
- Quero ter os cabelos da Raquel!
Os olhos do Alex! Eles são lindos, não são?
Mas também quero ser mais alta que a Raquel, para meu pai não me chamar de baixinha, claro! E...
- Rosana! Rosana!
Calma, filha, não é assim.
- Ah! Tem que ser assim!
Como é que essa "coisa" linda e maravilhosa que acabou de nos deixar vai olhar pra mim, se eu não tiver a dadivosa beleza dos meus pais?
Ah! Se eu tiver o direito, vou escolher, sim! - brincava ela como sempre fazia com tudo.
Diante do silêncio e do semblante risonho da companheira, Rosana insistiu com um jeito engraçado:
- Deixe-me escolher, vai?
Só os olhos?... Ou o nominho?...
Os cabelinhos, então?...
Rosana não havia mudado nada na espiritualidade, isto é, Rosana não morrera, pois isso é viver.
Em espírito ninguém perde a sua individualidade nem sua personalidade.
De acordo com os valores morais conquistados através da renúncia, do amor incondicional e da caridade, nos elevamos no padrão vibratório e nos encontraremos em níveis melhores de consciência, caminhando para mundos felizes.
E por que razão haveremos de ser sérios ou tristes, se salutar for essa alegria?
Rosana, animada e irreverente, antes de ir, aproximou-se de Raquel e, com seu jeito espirituoso, disse:
- Tchau, mamãe Raquel!
Após beijá-la completou:
- Em breve estarei com você, viu?
Vê se me trata bem, hein!
Nada de castigo quando eu fizer coisa errada.
E, com dona Virgínia, não foi diferente.
- Tchau, vovó Virgínia.
Sabe aquela vez que eu disse que você era avó coruja?
Esquece tudo e continue sendo coruja, tá?
Eu vou adorar os seus mimos.
Daqui a pouco eu estarei de volta.
Não havia quem ficasse sério próximo de Rosana pelo seu jeito bem-humorado e expansivo de alegria saudável, ela possuía o dom de envolver a todos nessa vibração dadivosa e, por isso, haveria de ser muito feliz.
Agora, Raquel estava longe do irmão, pois Marcos mudara-se com os filhos para a fazenda onde conseguira, junto com a administração do amigo José Luiz, erguer um grande negócio com os irmãos Pedro e Tadeu.
Dona Tereza entrou em uma depressão crónica e necessitava de constante acompanhamento clínico e medicamentos antidepressivos.
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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:07 am

Ela chorava por qualquer motivo e se queixava de doenças e dores que os exames não confirmavam.
Poucos conseguiam ficar perto dela por causa de suas reclamações chorosas, e esta passou a se enclausurar no quarto.
Alexandre, quando viu a esposa melhor, contou a ela, com palavras amenas, sobre a morte de seu tio Ladislau e dos problemas que sua mãe vinha apresentando.
O suicídio do tio a abalara muito e as dificuldades de sua mãe a preocupavam.
Ela só tinha notícia de sua família quando recebia cartas dos irmãos.
Mesmo com o tempo, Raquel ainda estava deprimida pela perda do filho e a ausência de Rosana era algo doloroso.
O senhor Claudionor sempre tentava convencer o filho a se mudar do apartamento e ir morar em sua casa.
- Sua mãe se dá bem com a Raquel e...
As duas se entendem, Alex.
Juntas, uma ajudará a outra a superar tudo isso, além do que, a Bruna precisa de espaço.
Depois de pensar, Alexandre opinou:
- Vou falar com a Raquel, pai.
O que ela decidir eu aceito.
A esposa concordou e eles se mudaram para a casa dos pais de Alexandre.
Passados alguns dias, Raquel procurou pelo marido e ao vê-lo chegar do serviço, pediu:
- Alex, vem cá um pouquinho.
Precisamos conversar.
Já no quarto ele perguntou sorridente ao abraçá-la com carinho, beijando-a:
- O que aconteceu, hein?
Quais as novidades? - sorriu.
Sem rodeios a mulher falou:
- Gostaria que você fosse comigo até a casa da Sandra.
Alexandre sentiu-se gelar.
Ele afastou-se de Raquel.
Com o semblante descontente, virou-se, apoiou as mãos sobre um móvel e abaixou a cabeça, sem dizer nada.
Ela, mesmo preocupada, pois sabia que o marido não queria que se tocasse naquele assunto, continuou:
- A dona Octávia me procurou.
Como você sabe, Sandra está com problemas renais e seu estado é grave.
O que ela mais quer é poder falar com você.
Alexandre se virou, encarou Raquel e perguntou, exibindo-se contrariado:
- Você quer que eu vá?
- Eu gostaria que você fosse por sua própria vontade.
Após uma pequena pausa, ela lembrou:
Alex, você me fez vencer alguns medos e traumas, me levando para encarar a última criatura que eu poderia desejar ver.
Eu fiz isso por mim e por você...
Aproximando-se e procurando envolvê-lo, continuou com seu jeito carinhoso:
Sabe, meu bem, não foi fácil, mas foi tão... libertador.
Sinto-me livre das ofensas e de sentimentos que nem sei dizer.
Gostaria que se sentisse como eu, a respeito do assunto mal resolvido entre você e a Sandra, que arrancasse de seu peito essa mágoa que tem.
Liberte-se de tudo isso!
Mostre que você é superior ao que ela fez.
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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:07 am

Dê-lhe um minuto de sua atenção.
É só isso o que a Sandra pede.
Alexandre suspirou profundamente, encarou-a, e depois perguntou:
- Você vai comigo?
- Lógico! - respondeu a esposa sorrindo.
Vou estar sempre com você.
Após se abraçarem, convidou:
Vamos lá agora. Amanhã ela vai para o hospital.
Criando forças, ele decidiu:
- Vamos.
Eles deixaram Bruna aos cuidados de dona Virgínia, que ficou aflita ao saber aonde iam.
Sandra morava a poucas casas dali e o casal foi a pé até a sua residência.
Dona Octávia os recebeu, surpresa; ela não acreditava que Raquel pudesse, ou quisesse, convencer o marido a ir visitar a ex-noiva.
- Entrem, por favor - disse a mulher cordial que indicou o quarto:
Sandra está ali. Venham comigo.
A residência era muito luxuosa e o quarto de Sandra não fugia ao estilo.
Muito abatida, ela estava sobre a cama e mal se mexia.
- Sentem-se.
Fiquem a vontade - pediu dona Octávia apontando as cadeiras ao lado do leito da filha.
Eles a cumprimentaram e Raquel decidiu, em brando tom de voz:
- Eu vou esperar lá fora.
É melhor que conversem sozinhos.
Alexandre, que segurava sua mão, apertou-a com cuidado, puxando a esposa de modo discreto, pedindo com o olhar para que ficasse ao seu lado.
Instante em que Sandra, com voz fraca e sem forças nas expressões, solicitou:
- Por favor, Raquel, fique. Eu prefiro.
O casal se sentou e a mãe da enferma saiu para preparar algo para as visitas.
- Obrigada por terem vindo - agradeceu Sandra.
Muito obrigada, mesmo.
Após poucos segundos, continuou:
- Alexandre, eu sei que não vai dar tempo para eu esperar por um transplante.
A lista é grande e no estado em que me encontro não tenho muitas chances.
Aliás, quero parabenizá-los pela decisão que tomaram quanto a salvar vidas pela vida extinta de Rosana.
Quero, de coração, que Deus os abençoe por isso.
Alexandre, muito sério, não dizia nada e Raquel ofereceu um doce sorriso.
Após um tempo maior de pausa, em que ela parecia estar recuperando o fôlego gasto com aquelas palavras, e também pela nítida emoção, Sandra continuou:
- Há tempos eu quero falar com você, Alex.
Eu sei tudo o que passou e sofreu por minha causa.
Talvez nunca me perdoe, não sou isenta de culpa, mas...
Sabe, eu deveria ter sido honesta com você e tê-lo procurado para conversarmos antes de fazer o que fiz.
Após aparar algumas lágrimas que rolaram, ela prosseguiu:
Assim que conheci seus colegas, aqueles com os quais você dividia o apartamento, Júlio se aproximava de mim e, aos poucos, foi conquistando a minha amizade.
Eu soube, por você mesmo, que ele era de muita confiança e era o seu melhor amigo.
Com o tempo, o Júlio começou a insinuar coisas sobre você e...
Sandra chorou e Raquel a confortou, passando-lhe a mão na fronte e afastando-lhe os cabelos do rosto.
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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:07 am

- Não fique assim, Sandra.
Tudo isso já passou.
- Não, Raquel.
Talvez passe após eu terminar.
Alexandre, ainda sério, não dizia uma única palavra nem expressava qualquer sentimento em seu semblante.
Mas trazia o coração apertado e dolorido por ter que enfrentar novamente aquela situação.
Em alguns momentos, em pensamento, ele se socorria em Deus com uma prece para ter forças, piedade e compreender aquela criatura que tanto o fez sofrer.
Olhando-a nos olhos, ele aguardava a ex-noiva continuar.
- O Júlio começou a dizer coisas a seu respeito e a fazer comparações, mostrando-me detalhes que não existiam e situações...
E eu, em vez de procurá-lo e perguntar se era verdade, fiquei aflita e comecei a chorar minhas mágoas para ele.
Eu estava triste, pois com o apartamento montado, casamento marcado, estava confusa e, como você, fiz do Júlio meu amigo.
Ela parou o relato e, após secar as lágrimas teimosas, prosseguiu:
O Júlio me enganou de tal forma que não sei dizer como tudo aconteceu.
Um dia, quando cheguei ao que seria o nosso apartamento e encontrei o Celso lá, fiquei nervosa, lembra?
Alexandre não respondeu nada e ela continuou:
Hoje sei que vocês estavam instalando coisas no computador, mas na época não acreditei.
Eu saí de lá enlouquecida, contrariada, e sabe por quê?
Porque eu estava grávida. Eu esperava um filho seu.
Alexandre empalideceu e se fez firme.
Mesmo sentindo-se gelar com o torpor que o dominou por minutos, quase o fazendo ensurdecer, ele permaneceu calado.
Sandra, mesmo entre os soluços, contou:
- Dias depois, eu o vi para cima e para baixo com o Celso, e pensei que o Júlio estava certo.
Eu o procurei e ele me consolou, me fez acreditar nas maiores barbaridades a seu respeito, pois ele sabia, ele era seu melhor amigo e vocês moravam todos juntos.
Foi aí que eu o traí pela primeira vez, e a segunda foi quando nos flagrou juntos.
Alexandre respirou fundo, esfregou o rosto com as mãos e, pela primeira vez, falou:
- Por favor, vamos terminar logo com isso.
Se esse assunto a conforta, a mim magoa muito, principalmente agora.
Tudo isso é passado, eu já me recuperei.
Encontrei uma criatura maravilhosa, que é a Raquel.
Estamos casados e vivemos muito bem.
Hoje eu sou um homem feliz, Sandra.
Não quero lembrar de situações desagradáveis.
Por isso, gostaria que você fosse breve.
- Eu sei, Alexandre - disse ela chorosa.
Eu sei o quanto isso o fez sofrer.
Mas eu preciso esclarecer.
Como me arrependo, principalmente pelo que falei de você para todo mundo.
Eu fiz isso de raiva, porque acreditei que estava sendo enganada, porque contou ao meu pai que me encontrou com seu amigo...
Sei que nem se dá bem com alguns tios e primos por causa de tudo o que eu disse.
Soube que tentou se matar pelas lembranças que tinha...
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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:08 am

Seus problemas cardíacos tiveram origem aí.
Estraguei a sua vida...
Após chorar um pouco, e sob alguns carinhos de Raquel, Sandra se refez e continuou um pouco mais calma:
- Há algum tempo o Celso me visitou com a esposa.
Ele se casou, sabia?
Em conversa, o Celso me contou que ficou decepcionado com tudo, nunca imaginou que o Júlio pudesse fazer o que fez e até se mostrou desapontado comigo.
Ele me contou que vocês estavam sempre juntos porque ele havia lhe apresentado um colega que estava conjugando a iluminação no apartamento e vendo alguma coisa com o som e que queria me fazer uma surpresa.
Só então entendi tudo melhor ainda.
O Júlio me enganou depois que fomos morar juntos.
Eu tirei o filho que esperava e não suportei mais a vida que levávamos.
Ele arrumou outra...
Depois disso, descobri que estava doente e precisei da ajuda de meus pais.
Tive culpa pelo que você sofreu, mas não me julgue tão mal, eu também fui enganada.
Diante do silêncio que reinou, agora com o semblante ainda mais sério, Alexandre perguntou com voz grave:
- O que você quer que eu diga?
- Quero que me perdoe.
É por isso que eu venho procurando você.
Nunca mais tive sossego.
Não durmo bem, não tenho paz e só penso no crime que cometi quando abortei e na traição que lhe fiz.
Você quase morreu por minha causa.
Perdoe-me, por favor.
- Se é como conta - disse Alexandre -, você tem culpa sim, mas não toda ela.
Com lágrimas correndo na face, ela pediu:
- Precisava ter paz na minha consciência e eu acreditei que só a teria no dia em que esclarecesse tudo com você.
Perdoe-me, Alexandre, por favor!
Aflita, Raquel apertou a mão do marido como se lhe pedisse uma resposta positiva.
Alexandre encarou Sandra com piedade por seu estado e condição moral, entendendo que ela sofria por tudo, pois a consciência parecia pesar imensamente.
- Não tenho pelo que perdoá-la, Sandra. Tudo já passou...
- Não, não passou - disse ela chorando copiosamente.
Para mim não passou.
Vivo enfrentando o arrependimento por tudo o que lhe fiz.
Vejo-me aqui doente e me lembro do tempo em que ficou acamado por minha causa sem dever, sem merecer...
Você me perdoa por tudo?
- Se for importante que ouça dessa forma, sim.
Eu a perdoo, sim, Sandra - afirmou agora mais piedoso.
Sandra ergueu-lhe os braços, Com um leve e discreto empurrãozinho de Raquel, Alexandre se levantou, aproximou-se da cama onde ela estava e a abraçou.
Comovido, ele voltou para seu lugar e disse:
- Não desista de viver, Sandra.
Você ainda pode fazer muita coisa.
- Estou sem chances, Alex.
Se eu puder...
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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:08 am

- Você encontrará um doador, Sandra.
Eu tenho certeza - disse Raquel, com suave sorriso no rosto.
A moça a olhou e falou:
- Se você não encontrou, desejo que encontre a felicidade verdadeira, Raquel.
Você tem um homem maravilhoso ao seu lado e sei que também é digna dele.
Além de ser linda, você tem um coração generoso.
Cumpriu sua promessa de arrumar uma oportunidade para meu desabafo com o Alex.
Que esposa faria isso sabendo se tratar da ex-noiva que tanto o fez sofrer?
Já ouvi falar muito bem de você, mas nunca imaginava que fosse tão bondosa.
Quero que sejam muito felizes.
Por Deus, esse é meu maior desejo.
Eu soube que perdeu um bebé e...
Sei que se deprimiu.
Não fique triste, ele voltará novamente para completá-los.
- Eu acredito que sim, Sandra - afirmou Raquel com suave sorriso meigo.
Nesse instante Raquel se levantou, aproximou-se da enferma e lhe deu um forte abraço.
Após conversarem mais um pouco, o casal se retirou, voltando para casa.
No caminho, andando vagarosamente sob as árvores que encobriam a luminosidade da lua que se fazia radiante, nada foi dito.
Alexandre abraçou a esposa e não lhe confessou seus pensamentos.
Apesar de triste por ouvir toda aquela história, ele se sentia tranquilo e com a consciência mais leve por tê-la ouvido e esclarecido a situação.
Alexandre começou a pensar que precisara experimentar toda aquela situação, ou talvez não tivesse mudado tanto sua vida, seu comportamento materialista e orgulhoso.
Acreditou que se aproximara de Sandra por sua beleza física, seu dinamismo e o que sofrera por sua causa fora mais pela decepção da traição do que por sentimentos verdadeiros.
Após ter encarado a ex-noiva novamente, teve a certeza de que o único sentimento que restara nele, por ela, fora o de piedade.
Realmente ele a perdoara, reconhecendo a fraqueza humana que ela tivera.
Olhando para a esposa, passou a valorizá-la ainda mais pelo carácter íntegro, pela moral elevada, por sua delicadeza, meiguice, paciência e tantos outros valores que alguém dinâmico, e em destaque, talvez não tenha.
Como Raquel era nobre!
Como se sentia feliz, realizado e completo por estar com ela.
Quando chegaram em casa, dona Virgínia, que estava inquieta, ficou ansiosa, enquanto ouvia.
Ao se ver a sós com o filho, ela admitiu:
- A Raquel me surpreende a cada dia.
- Ela é maravilhosa, mãe.
Minha Raquel é linda, meiga e maravilhosa.
Acho que não mereço tanto.
- Ela é uma filha para mim, Alex.
Ele sorriu e nada completou.
Alguns dias haviam se passado depois desse encontro.
Raquel procurou pelo marido e, com jeitinho, perguntou:
- Sabe, eu liguei para a dona Octávia e ela me contou que a Sandra fica indo e voltando do hospital.
Seu estado não está nada bom.
Pensativo, Alexandre não disse nada e ela continuou, com o mesmo jeito generoso:
- Estive pensando, você se incomodaria se eu fosse visitá-la algumas vezes?
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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:08 am

Ele ficou mais sério e argumentou:
- Olha, Raquel, eu estou com pena da Sandra, a perdoei e não tenho mágoa nenhuma dela, ao contrário, estou compadecido do seu estado.
Desejo que ela tenha uma chance de continuar.
Mas eu não sei o que pode passar pela cabeça dela.
Desculpe-me a sinceridade, mas não posso confiar.
Você é minha esposa eu a amo muito e...
Após pequena pausa, ele a abraçou e disse:
Tenho medo. Será que ela realmente mudou e nos deseja tudo de bom?
A Sandra não tem nada a perder.
- Não acredita que ela mereça um voto de confiança?
Alexandre ficou calado, ele era um tanto possessivo quanto a Raquel, mesmo dando-lhe toda liberdade.
Talvez pela traição que sofrera no passado, mesmo confiando na esposa, queria tê-la perto.
Sempre sincero, ele admitiu:
- Raquel, eu preferiria que você não fosse lá.
Mas, se quiser, não vou brigar com você por isso. Tudo bem.
Ela não disse nada e se contentou.
Meses depois, algumas vezes, ao chegar em casa e procurar a esposa, Alexandre tinha informação de que ela estava na casa de Sandra.
- Não estou gostando disso - reclamava ele para sua mãe após chegar em casa e novamente não encontrar Raquel.
Eu não me incomodaria se fosse menos frequente, mas olha só:
quase todo dia eu chego em casa e: Cade a Raquel?
Na casa da Sandra. Assim não dá!
Eu vou falar com ela!
- Calma, Alexandre! - disse dona Virgínia defendendo a nora.
Também não é assim!
Ela não vai lá todo dia, não.
Após poucos segundos a mulher completou:
Talvez a Raquel deva estar se sentindo só.
Ela precisa de uma amiga.
- Sentindo-se só?! - retrucou o filho.
Ora, mãe! Desde quando eu comecei a trabalhar com o pai, ela reclamou que não trabalhava e resolveu ir junto assumindo o serviço na recepção.
Das sete ao meio-dia a Raquel está na empresa.
Quando o pai vem almoçar, ele a traz e, quando que chego em casa, quatro ou cinco horas da tarde, cade a Raquel?
Ela só volta à noitinha e quando temos que ir ao centro.
E você vem me dizer que ela está só?
- Não é assim, não, Alexandre! - revidou a mãe veemente.
Desde quando você e seu pai se meteram com esse novo negócio, você não vem dando a atenção necessária para sua esposa.
Até eu estou saturada de ouvir vocês dois só conversarem sobre negócios aqui dentro de casa.
Outro dia eu reparei:
a Raquel, sempre que chega perto, nem parece que está ali e você continua como se ela não estivesse.
- O que é isso, mãe?!
Eu adoro a Raquel!
Nunca a desprezei!!!
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Ave sem Ninho

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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:09 am

- Pode adorar, amar e fazer tudo por ela, mas eu percebi que nos últimos tempos você está diferente, Alexandre!
- Como diferente?!
Você mesma vive me chamando de "grudento"!
Fala que eu não a largo!
Você disse, outro dia, que ela trabalha na empresa porque eu quero tê-la junto de mim, pensa que eu não estou sabendo?!
Ele não segurou o sorriso, mas escondeu o rosto, pois sabia que sua mãe o chamava pelo nome todo só quando estava nervosa.
Por fim, para provocá-la, ainda falou:
Se quer defender a Raquel só porque eu disse que vou falar com ela, não precisa ficar inventando coisas!
- Eu não estou inventando coisas!
Alexandre! Alexandre!
Mais calma ela pediu:
- Não diga nada para ela.
Faça o seguinte:
peça, com jeitinho, para ela estar em casa um pouco mais cedo.
Faça um programa para saírem.
Entendeu? Não precisa brigar.
Arrume um motivo para ela estar aqui.
Acho que não preciso ficar te ensinando estas coisas, né?!
Ele sorriu e confessou:
- Sabe, mãe, eu só queria tê-la aqui em casa.
Não gosto de pensar que a Raquel está em companhia da Sandra.
Às vezes eu sinto uma coisa...
- Você perdoou a Sandra?
- Perdoei, sim.
Mas não sei se posso confiar a ponto da Raquel ir lá e ficar horas com ela sozinha.
Você entende? Fico preocupado, acho que ela pode se desequilibrar pelo desespero com a doença.
Na verdade eu acho que a Sandra tem inveja da Raquel; talvez ache que a Raquel ocupa o seu lugar, entende?
Dona Virgínia ficou pensativa e concordou:
- Já pensei nisso.
Eu também não confio, não. Sabe filho...
A chegada de Bruna, que correu e se atirou nos braços do pai, interrompeu o assunto.
Ao levantá-la no alto, ele a fazia rir, quando o telefone tocou e tiveram que interromper a brincadeira.
Ele a ajeitou no braço e, mesmo assim, a filha protestou:
- Ah! Papai! Faz de novo, vai!
- Só um minutinho.
Deixa o papai atender, a vovó está com as mãos molhadas.
Era dona Octávia.
- Alexandre?! - perguntou a mulher assustada.
- Eu!
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Ave sem Ninho

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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 26, 2017 10:09 am

- Aqui é a Octávia, filho.
Vem depressa pra cá.
A Raquel está passando mal.
Após desligar imediatamente Alexandre estava pálido.
- O que foi, Alex? - perguntou sua mãe muito preocupada.
Ele entregou a filha para a avó e não conseguia responder.
O senhor Claudionor, que acabava de entrar, ficou atento ao olhá-lo e o filho pediu com a voz trémula:
- Pai, vem comigo.
A Raquel passou mal lá na casa da dona Octávia.
Pega o carro...
Às pressas, eles foram até a casa da mulher e ela os recebeu em desespero.
Raquel, deitada em um sofá, estava desmaiada, e dona Octávia falou assustada:
- Ela começou a passar mal, ficou pálida, aí, enquanto eu ligava pra você...
Alexandre a pegou no colo sem dizer nada, e saiu.
A esposa estava sem sentidos e ele a levou para o carro seguido de seu pai.
Raquel foi socorrida em um hospital e liberada pouco tempo depois.
Não era nada sério, ao contrário, foi motivo de muita felicidade para todos.
Seu mal-estar era resultado da gravidez que todos ignoravam.
E Aline nasceu alguns meses depois desse susto.
Essa bênção de Deus oferecia a todos mais alegria e união, mostrando que nunca estamos longe daqueles que amamos.
Alexandre não cabia em si tamanha era sua felicidade e, como dizia, ele tinha, agora, mais.

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: Um motivo para viver - Schellida / Eliana Machado Coelho

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