EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:29 pm

- Claro que existe!
Sendo assim, já acreditamos que Deus existe.
Você acha que ele nos criaria para vivermos apenas alguns anos aqui na Terra e depois nos destruiria?
Novamente, Raquel não respondeu, apenas ficou pensando.
- Você acha que Deus se daria a todo esse trabalho de nos criar para nada?
Raquel continuou pensando.
- Por isso, eu acredito que Deus é um pai amoroso e que nos ama muito.
Já ouviu sobre a parábola dos talentos, não ouviu?
- Sim, ouvi muitas vezes.
- Na parábola, um senhor, como ia viajar, deu a três servos moedas com a liberdade de que gastassem como quisessem e, quando voltasse, viria o resultado, o que eles haviam feito com a moeda.
Os dois primeiros servos saíram e dobraram as moedas.
O terceiro escondeu.
Quando o senhor voltou, ao ver o resultado, parabenizou os dois primeiros por terem dobrado as moedas e criticou o outro por estar com a primeira moeda sem dobrá-la.
- O que tem a ver isso com o que estamos conversando, dona Catarina?
- Quando Deus nos criou nos deu um espírito e a liberdade para fazermos o que quiséssemos com ele.
Nascemos e renascemos várias vezes e a cada encarnação temos a oportunidade de dobrarmos o nosso conhecimento a respeito da Luz, e do grande amor de Deus para connosco.
Alguns fazem isso, desenvolvem suas qualidades, aprendem o valor do amor para com seus irmãos e, principalmente, a perdoar.
Com isso, o espírito vai criando Luz e retornando para o Pai.
Outros, não.
Assim como aquele servo que escondeu a moeda, também se escondem, e insistem em permanecer cultivando o ódio, a inveja e tantos outros sentimentos que fazem mal.
- Tudo isso é muito complicado, dona Catarina.
- O espírito, ao ser criado, inicia uma jornada.
Durante essa jornada, vai convivendo com outros e criando inimigos, mas, principalmente amigos que, muitas vezes, embora tenham sua própria luz, para ajudar um amigo, aceitam renascer, mesmo sem precisar, e ficam ao lado do amigo pelo tempo que for necessário, até que seu amigo possa continuar sozinho.
Quando esse tempo termina, ele volta para o caminho interrompido e segue evoluindo, sem perder de vista o amigo que deixou encarnado.
- A senhora está dizendo que Francisco e Mauro renasceram somente para me ajudar e que por essa ajuda não ser mais necessária, eles morreram?
- Não sei Raquel.
Somente estou dizendo a você o que aprendi e no que acredito.
- Isso que está dizendo não pode ser verdade, dona Catarina.
Eu, sem Francisco e sem Mauro, não estou pronta para seguir sozinha!
Como vou continuar vivendo sem eles?
- É... Acho que você tem razão...
É difícil mesmo...
Olímpia, que ouvia com atenção tudo o que Catarina falava, ao ouvi-la dizer isso, novamente apertou o braço de Samuel, que fingiu não sentir.
Catarina continuou:
- Vamos mudar de assunto, Raquel?
- Acho bom, dona Catarina, essa sua conversa não está me ajudando.
- Eu disse a você que é no que eu acredito você não precisa acreditar, Raquel.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:30 pm

Mas, mudando de assunto, você viu que, desde que a guerra terminou, muitas pessoas estão vindo da Europa para viver aqui?
- É verdade, também com a guerra, a Europa ficou destruída...
- É verdade. A guerra, como sempre, só causa dor e sofrimento.
Por causa da destruição, famílias inteiras têm chegado, outras pessoas vêem sozinhas, principalmente os homens.
Acho quem eles vêm sozinhos para tentar encontrar um emprego, conseguir uma casa para que, assim, a família possa vir também.
- É isso mesmo que deve acontecer, dona Catarina.
- Vamos imaginar que Francisco e seu filho, por um motivo qualquer, fossem obrigados a ir para um país distante com a promessa de que, assim que Francisco conseguisse um emprego, uma casa, você poderia ir até lá.
O que você faria?
- Eu ficaria esperando que ele me chamasse.
- Ficaria chorando, se lamentando?
Não teria de sobreviver, até que ele a chamasse?
Raquel pensou um pouco e respondeu:
- Claro que eu precisaria sobreviver, portanto, teria de trabalhar.
- Também acho.
Se fizer de conta que Francisco foi para um país distante e que, a qualquer momento, você irá ao seu encontro, vai ficar chorando, se lamentando até esse dia chegar?
- Francisco e meu filho não foram para um país distante, dona Catarina, eles morreram!
- É verdade.
Eles morreram, mas de acordo com o que você me disse, quando morremos vamos para o céu, para o inferno ou o purgatório, não foi o que disse?
- Sei, foi o que eu disse...
- Portanto, Raquel, eles devem estar em algum lugar distante de você, não é?
- Pensando-se dessa maneira, estão, mas nunca voltarão!
- Sim, é verdade, eles não voltarão, mas você, um dia, irá encontrá-los, pois todos nós, um dia, morreremos também, não é verdade?
Raquel voltou a pensar naquelas palavras e respondeu:
- É verdade...
- Então, Raquel, eles apenas foram à sua frente...
- Não posso dizer que o que está dizendo não é verdade...
Catarina, feliz por estar conseguindo falar, continuou:
- Conhecendo Francisco como você conhece, sabe que ele só iria para um país distante, sabendo que você ficaria bem.
Você acha que ele teria tranquilidade para conseguir encontrar um emprego ou conseguiria uma casa para vocês, se soubesse que você, ao invés de trabalhar para sustentar seus dois filhos que ficaram ao seu lado, estivesse chorando e se lamentando?
- O que a senhora está falando, dona Catarina?
- Isso mesmo o que você ouviu.
Como acha que Francisco está ao ver você da maneira como está?
Ele, que sempre a admirou, que sabe que você tem condições para seguir sua vida e dar aos filhos que não viajaram com ele todo carinho, amor e uma vida decente?
Raquel voltou a chorar:
- Como vou conseguir fazer isso, dona Catarina?
- Martin sempre disse que você é uma mulher decidida, que muito do sucesso da marcenaria se deve a você e ao seu trabalho.
Portanto, Raquel, até que o dia de reencontrar Francisco chegue você deve e pode assumir a marcenaria e continuar tocando sua vida.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:30 pm

Você pode Raquel!
Sabe como fazer, mesmo que não soubesse, aprenderia.
Deus, nosso Pai, nunca abandona seus filhos.
Ele sempre esteve e estará ao seu lado.
Levante-se, assuma sua vida, seus filhos, para que, quando chegar o dia de reencontrar Francisco, esteja feliz, com sua missão cumprida e para que ele também possa encontrar um trabalho e construir uma casa para vocês.
Raquel caiu em prantos.
Catarina continuou:
- Chore Raquel.
Chore até que suas lágrimas sequem para nunca mais chorar.
Raquel chorou por alguns minutos, depois, secou os olhos com as mãos, olhou para Catarina e falou:
- Obrigada, dona Catarina, por me fazer ver a vida como ela é.
Não posso decepcionar Francisco.
Vou, agora mesmo, buscar Moacir que está na casa da Lia, mais tarde vou ao hospital visitar meu Marcos que acabou de nascer e, amanhã, o médico disse que ele pode vir para casa e é isso que vou fazer trazê-lo.
Vou conversar com Norberto e trabalhar mais ainda na marcenaria.
Vou fazer tudo o que for possível para criar bem as minhas crianças.
- Faça isso, Raquel.
Você vai conseguir muito mais do que imagina.
Raquel sorriu.
Samuel sorriu, estendeu as mãos sobre Catarina e disse:
- Há duas irmãs que também precisam da sua ajuda.
Catarina, embora não tivesse ouvido o que ele disse, captou a mensagem e falou:
- Sabe, Raquel, que muitas pessoas não aceitam quando seus entes queridos morrem, passam o resto da vida chorando e se lamentando.
Quando morrem, ao invés de reencontrá-los, continuam chorando e se lamentando.
Ficam vagando de um lugar para outro sem conseguir encontrá-los.
Se aceitassem que tudo acontece como tem de ser e se entregassem à vontade Superior, poderiam olhar ao lado e poderiam vê-los, pois sempre estiveram ao lado daqueles que deixaram.
As entidades ouviram aquilo.
Olharam uma para a outra e começaram a chorar, só que, desta vez, não era de tristeza, mas de esperança.
Aos poucos, aquela nuvem negra e densa que as cercava começou a se desfazer e elas, chorando ainda mais, enxergaram seus entes queridos que, também chorando e sorrindo, as abraçaram.
Ficaram abraçados por algum tempo, depois os dois olharam para Catarina e, agradecendo, desapareceram, levando com eles aqueles espíritos que até aquele momento caminhavam sem destino e sem motivo para sofrer.
Catarina sorriu.
Olímpia voltou a arregalar os olhos e a apertar o braço de Samuel, que, sorrindo feliz, disse:
- Não falei para você ter paciência, Olímpia?
Você não conhecia Catarina, eu, sim.
Raquel levantou-se da cadeira em que estava sentada e, sorrindo, disse:
- Desculpe dona Catarina, mas preciso ir até a casa da Lia pegar Moacir.
- Também preciso ir embora, Raquel.
Fiquei mais tempo de que podia.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:30 pm

Tenho muito que fazer, lá em casa.
Hoje é dia de faxina. Deixei pela metade.
Raquel acompanhou-a até o portão.
Despediram-se e cada uma foi para um lado.
Enquanto caminhava, Catarina respirou fundo, olhou para céu e pensou:
Obrigada, meu Deus, por ter inspirado as minhas palavras.
Olímpia e Samuel também sorriram e acompanharam Raquel.
Enquanto Moacir brincava com um carrinho feito de madeira por Francisco, Tereza lavava roupa no tanque e conversava com Lia:
- Como está a Raquel, Lia?
- Não está bem.
Está desinteressada de tudo, até dos filhos.
- Precisamos entender que ela passou por um momento muito difícil.
Já se colocou no seu lugar, Lia?
- Não e nem imagino o que faria se algo acontecesse com Norberto.
- Apesar de meu marido ser da maneira como é, também não me imagino ficar sem ele.
- É verdade.
Tomara que ela se conforte e volte a ser a mesma mulher de antes.
Ela tem dois filhos para criar e, agora, terá de fazer isso sozinha.
- Tomara que sim.
Lia olhou para o lugar onde Moacir brincava e se admirou ao ver que ele não estava mais lá.
Olhou para o portão e viu Raquel que abraçava e beijava o filho.
- Olhe Tereza! Raquel está aqui!
Tereza olhou e, sorrindo, enxugou as mãos no avental.
As duas foram ao encontro de Raquel que estava com Moacir no colo.
- Raquel! Que bom que saiu daquela casa!
- É verdade, Lia. Estou bem.
Claro que não totalmente, mas agora, tenho claro que preciso continuar minha vida, criar meus filhos, para, um dia reencontrar Francisco e Mauro.
Eles devem estar em algum lugar e olhando por mim.
Afinal, um dia também vamos morrer, não é verdade?
Tereza olhou para Lia que também a olhava:
- É isso mesmo, Raquel.
Todos vamos, um dia, mas, enquanto esse dia não chegar, precisamos cuidar da nossa vida.
- É verdade, Tereza.
Vamos cuidar da nossa vida. Lia, precisamos conversar.
Sei que preciso recomeçar e que, para isso, vou precisar da sua ajuda e da de Norberto.
- Não se preocupe com isso, Raquel.
Vamos fazer tudo o que for preciso para que você e as crianças fiquem bem.
- Sei disso.
Agora, vou até o hospital visitar o Marcos e, amanhã, de acordo com o que o médico falou, já posso trazê-lo para casa.
- Vai poder, sim.
Amanhã, ele terá quatro dias de nascido.
Você é quem precisa se cuidar.
- Não se preocupe comigo, estou bem, Lia, mas ainda vou precisar da sua ajuda.
- Minha ajuda?
- Sim, como vou para o hospital, não poderei levar Moacir.
Pode ficar com ele mais um pouco?
- Claro que sim, Raquel.
Eu adoro essa criança.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:30 pm

- Obrigada mais uma vez, Lia.
Raquel pegou Moacir no colo e, beijando-o, disse:
- Moacir, a mamãe vai buscar o neném que nasceu.
Você vai poder brincar com ele.
O menino olhou para a mãe e continuou brincando.
Raquel despediu-se das amigas.
Acompanhada por Olímpia, foi embora.
Assim que chegou ao hospital, foi até o berçário, pelo vidro, viu Marcos, depois foi falar com o médico.
- Como está o meu menino, doutor?
- Está bem. É um menino muito forte.
- Posso levá-lo?
- Antes, preciso saber se a senhora está bem, se não está sentindo coisa alguma.
Sabe que saiu do hospital antes do tempo.
- Estou bem. Com tudo o que aconteceu, até me esqueci de que deveria estar de resguardo, mas estou bem.
- A senhora está em condições de cuidar dele?
Sabe que não é a norma, mas, diante do que aconteceu, se quiser, pode deixar que ele fique por mais alguns dias.
- Obrigada, doutor, mas estou bem e preciso retomar minha vida.
Como o senhor disse, tenho duas crianças para cuidar.
Eu gostaria se fosse possível, de levá-lo hoje.
Moro longe e é difícil chegar aqui.
Levando hoje, não precisarei voltar amanhã.
- Fico feliz em ver que está bem e que sabe o que quer e precisa fazer.
Só posso desejar que tudo dê certo.
Seu menino está muito bem.
Com este papel, pode ir até o berçário que a enfermeira vai entregá-lo à senhora.
Aqui, também, há uma receita de como deve cuidar dele nos primeiros dias e o horário da mamada.
Não se esqueça de que, embora esteja passando por um momento ruim, outros melhores virão.
- Obrigada, doutor.
Preciso passar por este momento e tenho fé que outros melhores virão.
Foi até o berçário.
Pegou o menino, olhou para a enfermeira e, sorrindo, foi embora.
Tomou dois ônibus e, finalmente, chegou à casa de Lia para pegar Moacir.
Entrou no corredor e parou em frente à casa de Tereza.
Bateu à porta. Tereza ouviu e abriu a porta:
- Já chegou Raquel?
- Sim e aqui está o meu menino!
Tereza pegou o menino no colo:
- Ele é lindo, Raquel!
Parece forte também!
- Ele é lindo, sim, e o médico disse que está bem.
Agora, vou até a casa da Lia pegar o Moacir.
Vou levá-los para casa.
Ainda preciso arrumar o berço para poder deitar o neném.
Como saí às pressas para o hospital, Francisco ia arrumar tudo para a minha volta, mas...
Tereza percebeu que uma lágrima surgia nos olhos de Raquel.
- Acho que não tenho muito que fazer para ajudar você, mas, se precisar e quiser, posso ir com você.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:43 pm

- Obrigada, Tereza, mas não precisa.
Preciso assumir minha vida totalmente.
Lia ouviu as duas conversando e saiu de casa.
Ao ver Marcos no colo de Tereza, correu para o lado dela e pegou o menino.
- Ele é grande, Raquel!
- É, sim, e muito forte também.
Vim pegar o Moacir, Lia.
- Ele está dormindo.
Venha até em casa, precisamos conversar.
Raquel olhou para Tereza, que sorriu:
- Obrigada por tudo o que fizeram por mim.
Não sei o que teria feito se não tivesse vocês.
Vamos para sua casa, Lia.
Estou morrendo de vontade de tomar um café.
Depois, preciso ir para casa preparar o jantar.
- Vamos, sim. Falando em jantar, estive pensando.
Não precisa fazer o jantar.
O meu já está quase pronto.
Pode jantar aqui em casa e, depois, poderá conversar com Norberto.
- Obrigada, Lia.
Nem sei se tenho algo para cozinhar.
Preciso muito conversar com Norberto.
Entraram em casa.
Enquanto Lia temperava o feijão, Raquel começou a lavar alface para a salada.
Conversaram sobre Marcos e como ele estava bem.
Eram quase sete horas, quando Norberto chegou.
Admirou-se por ver Raquel ali.
- Boa noite, Raquel!
- Boa noite, Norberto.
Lia me convidou para o jantar.
- Fez bem. Como você está?
- Estou bem.
Vá até o quarto, tem uma surpresa para você.
Ele entrou no quarto e, ao ver Marcos, ficou parado, olhando de longe, sem coragem de pegar o menino.
Raquel e Lia estavam ao seu lado.
Ele olhou para elas e disse, admirado:
- Ele é grande, Raquel!
- É, sim, e muito bonito também, não é?
- É lindo!
- Que bom que está aqui, Raquel.
Precisava conversar com você.
Estou preocupado.
- Preocupado com o quê?
- Deixem essa conversa para depois do jantar.
Agora, vamos comer.
Voltaram para a cozinha.
Lia, tendo Raquel como ajudante, colocou a comida sobre a mesa e sentaram-se ao redor dela.
Após o jantar, Lia retirou a louça de sobre a mesa e, enquanto tomavam café, Raquel perguntou:
- Você disse que está preocupado, por que, Norberto?
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:43 pm

- Sabe que sou marceneiro, um bom marceneiro, não sabe?
- Claro que sei, mas por que está me perguntando isso?
- Porque, embora seja um bom marceneiro, não sei vender, conversar com os clientes, cuidar das contas, compras e pagamentos.
Quem sempre fez isso foi o Francisco.
Estou terminando algumas encomendas, mas, depois que as entregar, não sei como vai ficar a marcenaria.
Raquel olhou para Lia, que disse:
- Você é capaz de fazer isso, Raquel!
Fez muitas vendas!
- Talvez até possa.
Preciso confessar que gostei muito de fazer isso.
- Então, você pode assumir o lugar de Francisco.
Começar a vender e a cuidar de tudo o mais.
- Como vou fazer isso, Lia?
Tenho duas crianças pequenas...
- Norberto havia conversado comigo e fiquei pensando.
Se você quiser trabalhar, posso cuidar das crianças.
Para mim será um prazer.
Sabe como adoro crianças, principalmente os seus filhos.
- Com Moacir tudo bem, mas preciso amamentar o neném.
- Também pensei nisso, Raquel.
Você não precisa trabalhar o dia todo.
Pode trabalhar só pela manhã ou pela tarde.
Se for pela manhã, você o amamenta antes de sair e deixa uma mamadeira com leite e eu dou três horas depois.
Quando voltar para a hora do almoço, amamenta novamente.
Só não sei se o leite pode ser guardado.
- Não sei, Lia.
No hospital, o médico deu um horário para que eu amamentasse o neném.
Disse, também, que preciso levá-lo a um pronto-socorro para cuidar das vacinas.
Estou pensando em fazer isso amanhã.
Eu disse a ele que não queria voltar amanhã, mas, diante do que conversamos, é melhor eu ir para tirarmos nossas dúvidas.
Assim saberemos.
- Faça isso, Raquel.
Se o leite puder ser guardado, tudo vai ficar mais fácil.
Eu coloco a mamadeira em uma panela com água fria.
Raquel ficou parada com olhar distante, apenas pensando.
Depois, disse:
- Com a ajuda de vocês, acho que pode ser.
Vamos experimentar.
Agora, preciso ir embora.
Os meninos precisam dormir.
Isto é, se Marcos deixar.
Todos sabem que um recém-nascido não gosta de dormir à noite.
- Já ouvi falar, Raquel, mas nunca passei por isso.
- Eu já, Lia. Eu já...
Raquel foi até o quarto, pegou Marcos, Norberto tentou acordar Moacir, mas não conseguiu.
Precisou levá-lo no colo.
Saíram e caminharam para a casa de Raquel.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:43 pm

Enquanto caminhavam, Raquel foi pensando.
Assim que entraram, Raquel foi até seu quarto, colocou Marcos no berço que Francisco havia feito e apontou para sua cama, onde Norberto colocou Moacir, que ainda dormia.
Depois, foram para a cozinha. Raquel disse:
- Enquanto caminhávamos, pensei em algo.
- Em que, Raquel?
- Sabem que Francisco construiu um quarto que seria usado por Moacir e por Marcos.
O outro ficaria para Mauro.
Se vamos fazer o que planejamos, se vou precisar me ausentar e você, Lia, vai cuidar das crianças, por que não se mudam para cá?
Assim tudo seria mais fácil.
Sabem que, para eu chegar logo que o comércio abre, preciso me levantar muito cedo.
Não acho justo ter de acordar as crianças.
Morando aqui, esse não seria um problema.
Norberto olhou para Lia que pensou por um momento e disse:
- Acho que pode dar certo, Norberto.
Além do mais, não precisaríamos pagar aluguel, não é, Raquel?
Rindo, Raquel acenou com a cabeça, dizendo que não.
- Economizando esse dinheiro, poderemos, um dia, comprar a nossa casa.
O que você acha Norberto?
- Você é quem precisa decidir, Lia.
Você é quem vai cuidar das crianças.
- Vamos tentar Raquel.
Acho que vai dar certo.
Norberto, você precisa conversar com Manuel e dizer a ele que vamos nos mudar.
- Está bem. Vocês decidem.
Ele já deve ter chegado do trabalho e, se não estiver brigando, o que é raro, converso com ele agora mesmo.
Raquel disse:
- De qualquer maneira, amanhã, vou acordar cedo, levo as crianças e vou para a marcenaria, Norberto.
Preciso ver como estão às contas e tudo o mais.
A propósito, quem pagou pelo enterro, vocês?
- Não, Raquel. Eu não tinha dinheiro.
Fiz uma lista e todos os vizinhos daqui e da marcenaria ajudaram.
- Fizeram isso?
- Não sei por que essa admiração, Raquel.
Todos gostavam muito de Francisco e sentiram o que aconteceu com ele.
Raquel sentiu que um nó se formava em sua na garganta, engoliu seco e disse:
- Ele era maravilhoso mesmo.
Você tem essa lista, Norberto?
- Sim, mas não se preocupe as pessoas não querem o dinheiro de volta.
- Sei disso, mas preciso agradecer e, mesmo que não queiram, arrumarei uma maneira de devolver.
- Você é quem sabe.
Assim que eles saíram, Raquel voltou para a casa e foi para seu quarto.
Olhou para as crianças que dormiam.
Uma lágrima surgiu em seus olhos.
Com a mão, enxugou-a e se esforçou para não chorar.
Pensou: Francisco, não entendo por que você teve de ir embora tão cedo e na minha frente...
Não entendo por que fiquei com essas crianças para cuidar, só sei que não há outro caminho.
Prometo que vou fazer todo o possível para que elas sejam felizes.
De onde está, por favor, me ajude...
Deus me ajude a cumprir esta missão.
Preparou-se para dormir e abraçando Moacir, aos poucos adormeceu.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:44 pm

CAMINHOS QUE SE ABREM
No dia seguinte, Lia acompanhou Norberto até o portão.
Quando Voltava pelo corredor, Tereza apareceu na porta:
- Bom dia, Lia.
- Bom dia, Tereza.
- Ontem o Norberto conversou com Manuel.
Vocês vão, mesmo, se mudar?
- Vamos, sim, Tereza.
Raquel precisa trabalhar e eu vou cuidar das crianças.
Morando com ela, meu trabalho será mais fácil e as crianças não precisarão sair de casa.
- Você tem razão.
Coitada da Raquel está mesmo precisando de ajuda.
- Está mesmo...
- Por outro lado, morando com ela, vocês vão economizar o aluguel, não é?
Lia percebeu a ironia de Tereza e, rindo, respondeu:
- É verdade, vou unir o útil ao agradável.
Tereza, irónica, sorriu.
Lia continuou:
- Estou estranhando que Raquel ainda não tenha chegado.
Ela disse que ia cedo para a marcenaria.
- Será que aconteceu alguma coisa, Lia?
- Não sei... Vou até lá.
- Vá sim, quando voltar, me conte o que aconteceu.
Lia, preocupada, foi até a casa de Raquel.
Abriu o portão e entrou. Está tudo em silêncio.
Será que ela ainda está dormindo?
Não! É muito tarde.
Ainda mais com um menino recém-nascido.
Será que devo bater na porta?
Não, vou embora e, se ela não for lá a casa, daqui à uma hora eu volto.
Estava saindo, quando ouviu o choro de Marcos.
Voltou-se e foi até a porta. Bateu de leve.
Raquel, com olheiras profundas e segurando Marcos no colo, abriu a porta.
- Bom dia, Raquel.
Estava preocupada, você disse que ia acordar Cedo.
Raquel riu:
- Bom dia, Lia.
Ontem, quando fizemos os planos para hoje, nos esquecemos de que eu tinha um recém-nascido e que eles odeiam dormir a noite.
Depois que vocês foram embora, me deitei e dormi por mais ou menos quinze minutos.
Daí para frente, Marcos começou a chorar por de tudo, mas ele só foi adormecer, novamente, às cinco horas da manhã.
Exausta, deitei-me e adormeci.
Acordei só agora, com o choro dele.
Vamos ter de refazer os nossos planos.
Não há como eu sair pela manhã, somente quando passarem esses primeiros meses e ele tiver uma vida normal.
Por enquanto, só poderei sair à tarde,
- Como nunca tive filhos, nem imagino o que pode ser.
- Eu sabia, Lia, apenas esqueci.
A criança, quando nasce, até que todas as suas funções sejam formadas, sofre muito.
Nós, as mães, também, mas passa em dois ou três meses, só precisamos de muita paciência.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:44 pm

- Por mim, não haverá problema algum, Raquel.
Posso cuidar deles, na hora que você quiser.
- Obrigada, Lia.
Não sei o que faria se não fosse sua ajuda e a de Norberto.
- Não estamos fazendo nada demais, Raquel.
Afinal, somos seus amigos e você precisa de ajuda para cuidar dessas crianças, que são lindas.
Tenho fé que você vai conseguir dar a elas tudo do precisam.
- Pelo menos vou tentar.
- Vai conseguir Raquel!
Marcos chorava mais alto.
- Agora preciso cuidar dele, Lia.
- Quer que eu leve Moacir comigo?
- Não sei como ele consegue, mas ainda está dormindo.
Depois, se você ficar com ele, vai ser bom, pois pretendo ir até o hospital e consultar o neném.
Se o leite puder ser guardado, vai dar tudo certo.
Agora, venha comigo até o quarto. Vou amamentar este comilão.
Lia riu e acompanhou Raquel que, sentando-se sobre a cama, começou a alimentar Marcos que chupava o leite com muita força.
Raquel, de vez em quando, apertava os olhos e fazia uma careta.
Lia estranhou:
- Por que está apertando os olhos e fazendo essa careta, Raquel?
Está sentindo alguma coisa?
- Sempre que ele mama, sinto muita dor no peito, mas isso também faz parte da maternidade - disse rindo.
Lia, sem imaginar a dor que ela sentia, sorriu e disse:
- Ontem, Norberto conversou com Manuel e ele permitiu que mudássemos.
- Que bom. Quando vocês vêm?
- Hoje ou amanhã.
- Que bom, Lia.
- Como Moacir ainda está dormindo, antes de sair, leve-o lá para casa.
Pode ir tranquila, eu dou almoço.
Agora, vou aproveitar para preparar minha mudança.
- Faça isso, Lia e, mais uma vez, obrigada por tudo o que estão fazendo por mim.
Lia ficou calada e, acenando com a mão, saiu.
Raquel continuou dando de mamar para Marcos.
Olímpia, que estava ali, percebeu que ela começou a se lembrar de tudo o que havia acontecido e que ia chorar.
Estendeu suas mãos para ela e para Moacir que dormia ao seu lado.
No mesmo instante, uma luz muito branca e imensa iluminou todo o quarto.
Raquel sentiu-se bem. Moacir acordou:
- Mamãe, sonhei com Mauro.
Brinquei muito com ele. Onde ele está?
Raquel ficou calada por algum tempo, Olímpia aumentou sua luz.
Raquel, sob sua influência, respondeu:
- Ele e o papai foram para o céu.
- Estão morando em uma estrela?
Raquel não pôde deixar de sorrir:
- Isso mesmo, meu filho.
Eles estão morando em uma estrela...
- Nós também vamos morar com eles lá na estrela?
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Ave sem Ninho

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:44 pm

- Um dia, sim, mas, antes, você vai crescer estudar, depois, vai se casar e ter uma porção de filhos...
- Vai demorar muito!
- Não vai, não. O tempo passa depressa.
Preciso conversar com você sobre uma coisa.
- Que coisa?
- Como o papai não está mais aqui, a mamãe precisa trabalhar.
- Por quê?
- Para poder comprar roupas e dar comida para você e para o neném.
- Ele não precisa de comida, ele está mamando!
Ela, rindo, disse:
- Ele está mamando porque é muito pequeno, mas logo vai querer comer de verdade.
Por isso, a mamãe precisa trabalhar.
A Lia e o Norberto estão se mudando para cá e ela vai cuidar de você e do neném.
Tem algum problema?
- Eu quero ir trabalhar também.
- Não pode meu filho, ao menos por enquanto, quando crescer, vai trabalhar muito.
Agora você só precisa brincar.
- Vai demorar muito para eu crescer?
- Não, Moacir. Logo você vai ser grande como o papai.
Agora, preciso levar o neném ao médico e você vai ficar na casa da Lia.
- Eu gosto de ficar na dona Lia, mas queria ir ao médico também.
Estou com dor de barriga.
Raquel sorriu.
- Hoje não posso levar você.
O médico só atende neném e você já é grande, mas, amanhã, se a dor continuar, eu levo só você.
Está bem assim?
Não estava bem, mas ele sabia que a mãe não o levaria. Respondeu:
- Está...
Raquel arrumou a casa rapidamente, deu banho e trocou os filhos, colocou em uma sacola tudo o que precisaria levar.
Com Marcos no colo, segurou a mão de Moacir e se encaminhou para a casa de Lia.
Ao passar pelo local onde havia acontecido o acidente, sentiu um caroço na garganta.
Ia começar a chorar, mas Olímpia, que estava ao seu lado, estendeu a mão sobre ela e sobre as crianças.
Moacir disse:
- Mamãe, me deixa eu ir junto com a senhora...
Raquel, ao ouvir o filho, sorriu:
- Já disse que não pode meu filho.
Você precisa ficar com a Lia. Eu volto logo.
Distraída com o filho, esqueceu-se do acidente.
Olímpia sorriu. Entrou pelo portão da casa de Lia.
Atravessou todo o corredor.
Deixou Moacir e, beijando-o, disse:
- Agora a mamãe vai embora, mas volto logo.
Obedeça a tudo o que Lia disser.
Moacir, embora amuado, ficou calado.
Raquel sorriu e, abanando a mão para Lia, saiu.
No hospital, conversou com o médico que lhe deu instruções e datas para que Marcos recebesse as vacinas.
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Ave sem Ninho

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:44 pm

Raquel estava saindo da sala, quando perguntou:
- Posso retirar e guardar meu leite para que ele tome algumas horas depois?
O médico estranhou:
- Por quê? A senhora não pode dar na hora?
- Preciso trabalhar e deixar o meu filho com uma vizinha.
- Trabalhar? Não pode esperar mais alguns meses?
- Não, doutor.
Meu marido morreu e preciso cuidar dos meus filhos.
O médico sentiu a tristeza em sua voz e, emocionado, disse:
- Sendo assim, se conseguir gelo, pode guardar até oito horas.
- Gelo?
- Sim, com gelo, o leite pode ser conservado.
- Está bem, doutor, vou ver se consigo. Obrigada.
Ela se despediu e saiu.
Assim que saiu, o médico pensou:
Tão jovem e tendo uma carga tão grande.
Que Deus a abençoe.
Já na rua, Raquel também pensava:
Não vou ter como conseguir gelo.
Não vou poder trabalhar, ao menos enquanto preciso dar de mamar.
O que vou fazer?
Olímpia, que continuava ao seu lado, sorriu.
Continuou caminhando até o ponto de ônibus.
Estava quase chegando, quando pensou:
Preciso ir até a marcenaria para saber como estão as finanças.
Acho que vou fazer isso agora mesmo.
Desceu do ônibus em que estava, pegou outro e chegou à marcenaria.
Quando estava chegando, lembrou:
Não posso entrar na marcenaria levando Marcos.
Ele é ainda muito pequeno e lá tem muita poeira.
Preciso encontrar alguém que vá chamar Norberto.
Em frente à marcenaria, do outro lado da rua, olhou para dentro dela.
Viu Norberto em frente a uma máquina.
O barulho era imenso e a poeira também.
Olímpia, percebendo sua dificuldade, aproximou-se de Norberto e falou:
Norberto, Raquel precisa conversar com você.
Ela está aí fora.
Sem entender o porquê, Norberto parou a máquina e olhou para a rua.
Viu Raquel que gesticulava.
Limpou as mãos em um pano que estava sobre a máquina e foi ao seu encontro.
- Raquel!
- Olá, Norberto.
Levei Marcos até o médico e resolvi passar por aqui.
- Não quis entrar por causa da poeira, não foi?
- Isso mesmo. Ele é ainda muito pequeno.
Vim aqui para conversar com você sobre os problemas da marcenaria, mas acho que não devia ter vindo.
Não vai dar para conversarmos.
- É... Acho que não, mas o que quer saber?
- Como você disse que quem cuidava de tudo era Francisco, preciso saber como estão às finanças.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:44 pm

- Não sei Raquel.
Era ele quem lidava com isso, mas em sua gaveta deve haver alguns papéis, número da conta do banco.
Sei que ele anotava tudo em um caderno.
O dinheiro que entrava as contas que precisavam ser pagas, os pedidos e o material que precisava ser comprado.
Para que não precise entrar, posso pegar esses papéis e o caderno.
À noite, quando for para casa, conversaremos.
- Boa ideia, Norberto.
Por favor, faça isso.
Somente tendo todas essas informações, vou poder começar a cuidar de tudo.
- Está bem, Raquel.
Vou pegar tudo e à noite conversaremos.
- Faça isso. Agora, preciso ir para casa.
O neném está cansado e preciso trocar a fralda.
- Está bem.
Raquel sorriu e saiu.
Tomou o ônibus que a levaria até sua casa.
Sentada no banco do ônibus, deu de mamar para Marcos que, com o balanço do ônibus, dormiu tranquilo.
Quando estava subindo a rua, viu que um homem carregava em seus ombros uma pedra muito grande de gelo e que entrou no bar e mercearia que havia ali, onde ela comprava alimentos.
Imediatamente, pensou:
Devo ter visto esse homem carregando gelo mil vezes, mas nunca prestei atenção.
Entrou no bar.
O homem com a pedra se encaminhou para os fundos.
Ela se aproximou daquele que sabia ser o dono do bar.
- Dona Raquel, precisa de alguma coisa?
- Preciso sim, seu Joaquim.
- O que aconteceu com seu marido e com seu filho foi tristeza.
Sinto muito.
- Obrigada. Devido ao que aconteceu, preciso trabalhar para sustentar meus filhos.
- A senhora quer que eu arrume um emprego para a senhora?
Ela sorriu:
- Não, seu Joaquim.
Vi que um homem entrou no bar carregando uma pedra de gelo.
- Foi mesmo. Ele vem todos os dias.
Preciso do gelo para que a cerveja e o leite fiquem gelados.
Assim, vendo mais.
- O senhor sabe que este neném acabou de nascer.
Preciso trabalhar na marcenaria do Francisco, mas tenho, também, de dar de mamar para o menino.
O médico disse que, se eu colocar o leite no gelo, poderei guardá-lo por até oito horas.
Assim que vi esse homem carregando o gelo, pensei; será que o senhor não poderia me vender um pedaço de gelo todos os dias?
- Claro que sim, dona Raquel, e nem precisa pagar!
- Obrigada, senhor Joaquim.
O senhor não imagina o quanto vai me ajudar!
- Ora, dona Raquel, isso não é nada.
Se quiser, já pode levar um pedaço de gelo.
- Hoje não vou precisar, mas amanhã bem cedo eu venho pegar.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:45 pm

- Pode vir.
- Até logo, seu Joaquim!
- Até logo, dona Raquel!
Feliz, Raquel chegou à casa de Lia e contou o que havia acontecido.
- Que bom Raquel!
Parece que Deus está ajudando você!
Raquel ia dizer o que estava pensando, mas disse:
- É a única coisa que Ele pode fazer, depois de tudo que me tirou!
Lia entendeu a mágoa da amiga, por isso, ficou calada.
Raquel pegou Moacir e foi para sua casa.
Deu um banho nos dois.
Amamentou Marcos e colocou-o na cama.
Estava terminando de lavar a louça do jantar, quando Lia e Norberto chegaram.
Ele trazia em suas mãos uma pasta na cor amarela.
- Raquel, trouxe alguns papéis que encontrei e o caderno de que falei.
- Que bom Norberto.
Entrem e se sentem.
Eles sentaram-se e ela disse:
- Deixe-me ver.
Norberto entregou a pasta.
Ela abriu, olhou os papéis, depois o caderno.
No final, disse:
- Parece que Francisco tem guardado no banco dinheiro suficiente para pagar as contas e ainda vai sobrar um pouco, Norberto.
- Sim e ainda falta receber dos móveis que estou terminando.
Acho que, por algum tempo, não vamos ter problemas, Raquel.
Só precisamos de mais encomendas.
Os documentos da empresa estão com Martin.
Acho que você precisa conversar com ele.
Vai precisar ir ao banco, conversar com o gerente para poder usar o dinheiro que está lá.
- Tem razão, Norberto.
Amanhã, vou falar com Martin.
Lia, amanhã, bem cedo, vou buscar o gelo.
Dou de mamar para Marcos e tiro duas mamadeiras que comprei na farmácia, antes de vir para cá.
Vamos experimentar.
Com você tomando conta das crianças, poderei visitar muitos escritórios e conseguir novas encomendas.
Acho que vai dar certo!
- Claro que vai, Raquel.
Você já fez isso e provou que tem capacidade!
Os móveis de Francisco já estão conhecidos e um freguês sempre indica outro.
- Estou esperançosa.
- Amanhã, vai ser o primeiro dia que vou ficar com os dois, tomara que dê conta.
Já conversei com Tereza e ela disse que, até eu estar totalmente confiante, vai me ajudar.
Raquel sorriu:
- Tomara que eu consiga dormir um pouco esta noite, embora saiba que vai ser difícil.
Mas, de qualquer maneira, com sono ou não, vou retomar minha vida.
- Estaremos aqui para ajudar você, Raquel.
- Sei disso e não sei como agradecer.
- Não precisa agradecer.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:45 pm

Quando eu estava sem emprego, desesperado, apesar de eu ter magoado vocês, me empregaram e eu consegui tocar a minha vida.
Uma mão lava a outra, Raquel.
- Obrigada, Norberto.
Só posso dizer que, assim que estiver tudo sob controle, vou aumentar o seu salário.
- Não precisa Raquel.
Vindo morar aqui, não tenho de pagar aluguel e posso guardar esse dinheiro.
Vamos fazer de conta que recebi um aumento de salário.
O mais importante é criarmos essas crianças.
- São verdadeiros amigos.
Conversaram mais um pouco, depois, sabendo que Raquel precisava dormir cedo, pois, com certeza, acordaria durante a noite, se despediram.
Raquel colocou Moacir para dormir ao seu lado e, sob o olhar amigo de Olímpia, adormeceu.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:45 pm

DO OUTRO LADO
No dia seguinte, bem cedo, Francisco abriu os olhos e olhou à sua volta.
Que quarto é este? Onde estou?
Olhou para o lado e, em outra cama, viu que Mauro dormia profundamente.
Mauro também está aqui?
Onde está Raquel?
Confuso, chamou:
- Raquel! Raquel!
A porta se abriu e ele viu Samuel e Olímpia entrando e rindo.
Samuel perguntou:
- Como está se sentindo, Francisco?
- Estou bem, só não estou entendendo que lugar é este e o que estou fazendo aqui.
- Logo saberá.
- Conheço vocês, mas não me lembro de onde...
- Disso, também, logo se lembrará.
- Não estou entendendo.
Onde está Raquel?
Por que não está aqui?
- Ela está bem e logo poderá ir se encontrar com ela.
- O que é tudo isto?
Por que só Mauro está aqui?
- Ele está fazendo companhia a você.
- Eu sei, quando saíamos para a marcenaria...
Francisco parou de falar e, após pensar por alguns segundos, desesperado, disse:
- Eu estava com ele, quando vi aquele caminhão se aproximando tentei jogá-lo para o lado.
Eu consegui?
Samuel olhou para Olímpia, que respondeu:
- Não, Francisco.
O caminhão atingiu vocês dois.
- Como? O que está querendo dizer?
- Estou dizendo que o caminhão atingiu vocês dois.
Por isso estão aqui.
- Aqui, onde?
Que lugar é este?
É um hospital?
- Pode-se dizer que sim.
- Não estou machucado!
Não estou sentindo dor alguma.
Posso ir para casa!
Preciso ir ao hospital visitar Raquel.
Ela está lá para ter criança!
- A criança nasceu e é um menino.
O nome dele é Marcos e está muito bem.
É forte e saudável.
- Então, o que estou fazendo aqui?
Preciso ir para o hospital!
- Você irá, mas, antes, precisamos conversar.
Mauro esticou o corpo e também acordou.
Assim como o pai, estranhou o quarto e, ainda mais, aquelas pessoas que não conhecia.
Com a voz trémula, chamou:
- Pai!
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:45 pm

Francisco, ao ouvir sua voz, voltou-se para ele:
- Você acordou Mauro? Que bom.
Notando o olhar assustado do menino, continuou:
- Está tudo bem, meu filho.
Não precisa se assustar.
Samuel e Olímpia também olharam para ele. Samuel disse:
- É verdade, Mauro, está tudo bem.
Agora, preciso conversar com seu pai.
Olímpia vai levar você a um lugar de que vai gostar muito.
O menino olhou para o pai, que disse:
- Pode ir, Mauro. Está tudo bem.
O menino, contrariado, obedeceu ao pai e saiu com Olímpia.
Assim que saíram, Francisco perguntou:
- Preciso saber o que está acontecendo realmente.
- Todos nós, ao renascermos, temos um tempo certo para viver na Terra.
O renascer sempre tem um motivo.
Na maioria das vezes, é para resgatar erros passados, porém, outras vezes, é simplesmente para ajudar um espírito amigo, para dar condições a ele de resgatar seus erros.
- Não entendo o que está falando. Renascer?
- Embora não tenha dado muita atenção, já ouviu falar sobre isso.
Somos espíritos criados por Deus.
Ao ser criado, assim como acontece com as crianças, todo espírito precisa viver em um corpo físico para desenvolver suas qualidades.
Francisco, sem entender muito bem o que ele falava, apenas ouvia com atenção.
Samuel, sabendo o que ele estava sentindo, sorriu e continuou:
- Quando são criados, os espíritos têm o mesmo conhecimento e ao dadas a todos as mesmas oportunidades.
Poderíamos chamar de talentos.
À medida que forem vivendo em um corpo físico, alguns mais outros menos, vão desenvolvendo esses talentos.
Durante essa vivência, grupos são formados e tornam-se como se fossem uma grande família.
Como acontece em todas as famílias, alguns caminham com mais rapidez do que outros.
Embora alguns se desenvolvam mais rapidamente, não abandonam aqueles que ficaram para trás.
- Isso tudo o que está falando é muito confuso e não entendo.
O que tem a ver com o que está acontecendo comigo?
- Você, assim como eu e todos os espíritos que reencontrou enquanto renascido, faz parte de uma mesma família.
Francisco, ao ouvir aquilo, gritou:
- Enquanto renascido?
Está dizendo que morri que não vivo mais na Terra?
- Calma Francisco.
Você entendeu o que eu disse.
Você não vive mais na Terra, está de volta.
Está no plano espiritual.
- Não pode estar dizendo a verdade!
Estou com meu corpo, sinto as mesmas necessidades!
Está brincando comigo?
- Sente que está com seu corpo e também sente suas necessidades, mas, na realidade, não é bem assim.
Não é mais um corpo físico.
Ele ficou na Terra.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:46 pm

- O caminhão também matou Mauro?
- Sim. Vocês dois voltaram.
Francisco engoliu seco.
Sentiu vontade de chorar, de gritar, mas não conseguiu, apenas disse:
- Se estou morto, como está Raquel?
Ela é tão jovem, acabou de ter um filho!
O que vai acontecer com ela?
Deve estar desesperada!
Perdeu de uma só vez a mim e a seu filho!
Isso não podia ter acontecido!
- Ela não perdeu vocês dois.
Você e Mauro apenas voltaram antes.
Não se esqueça de que, um dia, ela também voltará e, não só vocês, como todos nós a receberemos com muito amor e carinho.
- Isso que está dizendo é para o futuro, mas e hoje, agora?
Como ela vai conseguir criar nossos filhos?
- Conhecendo Raquel como você conhece, não deveria se preocupar com isso.
- Como não?
- Ela é forte e decidida.
Além do mais, terá toda a ajuda necessária.
Não se preocupe, dependerá só de suas escolhas e esperamos que ela saiba fazer as escolhas certas.
- Não entendo, por que isso teve de acontecer, logo agora que tudo estava caminhando tão bem?
A marcenaria começou a dar lucro.
Eu estava até pensando em comprar um caminhão para fazer as entregas, sem precisar pagar carretos.
- Tudo acontece na hora certa e como foi planeado.
Seu tempo e o de Mauro terminaram.
Agora, Raquel terá de continuar sozinha.
- Ela não vai conseguir...
Preciso ir até onde ela está!
- Claro que você vai até lá e até conversará com ela, só não poderá interferir em seu livre-arbítrio.
Somente ela é responsável por ele.
- Por que ela teve de ficar sozinha?
- Porque faz parte daquela família que eu disse.
Alguns caminham com mais rapidez, outros demoram um pouco mais.
Você, embora tenha caminhado com mais rapidez, sempre esteve ao lado de Raquel.
Nesta encarnação, renasceu para ajudá-la a caminhar.
Fez isso, agora, ela tem condições de caminhar sozinha.
- Embora diga tudo isso, não consigo concordar nem me conformar com essa situação.
Raquel é muito jovem, não tem experiência alguma da vida!
- Não se preocupe com Raquel.
Eu e Olímpia sempre estivemos ao lado dela e continuaremos.
Enquanto Francisco e Samuel conversavam, Olímpia abriu uma das portas que havia em um imenso corredor e, para surpresa de Mauro, apareceu um campo enorme com grama rasteira e muitas crianças que corriam, riam e brincavam em brinquedos que ele nunca havia visto.
Admirado, ficou olhando.
Olímpia sorriu ao ver o espanto de Mauro, perguntou:
- Quer brincar também?
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:46 pm

- Aqui é muito bonito, mas quero ir para casa.
Quero ficar perto da minha mãe.
- Ela não pode vir até aqui, mas logo você vai para casa.
Por enquanto, aproveite e brinque.
Venha comigo, vou apresentar você a um nosso amigo.
Ele vai dizer a você tudo o que pode fazer aqui.
Segurou na mão de Mauro e se encaminhou em direcção a um rapaz que olhava as crianças brincando.
O rapaz, ao vê-la, sorriu e se encaminhou até ela:
- Olímpia aqui novamente?
- Sim, Gabriel.
Estou de volta outra vez e trouxe Mauro para que ele fique ao seu lado por um tempo.
Ele acabou de chegar e está um pouco confuso.
Gabriel olhou para Mauro e, passando a mão sobre a cabeça do menino, disse:
- Que bom que chegou Mauro.
Vai gostar daqui.
Mauro começou a chorar:
- Quero ir para casa...
- Você vai, só precisa esperar um pouco.
Venha, vou apresentar você a outras crianças.
Olímpia, ao ver o desespero e o medo do menino, carinhosamente, falou:
- Não precisa ter medo, Mauro.
Aqui tem muitas crianças.
Com o tempo, você vai reconhecer algumas.
- Eu não os conheço!
- Conhece sim, só não está lembrando.
Alguns são seus amigos.
Mauro olhou para onde as crianças estavam e se admirou:
- Aquele ali está voando?
- Está sim. Gostaria de voar também?
- Claro que quero voar!
- Com o tempo vai aprender.
Gabriel, ao ouvir aquilo, sorriu e chamou:
- Marcelo! Venha até aqui.
Um dos meninos que estavam ali ouviu e se aproximou.
Assim que chegou perto e viu Mauro, feliz gritou:
- Mauro! Você chegou?
Eu estava esperando por você.
Mauro olhou primeiro para ele e depois para Olímpia.
- Isso mesmo, Mauro.
Não disse que você tem muitos amigos aqui?
- Não está se lembrando de mim, Mauro?
- Não...
- Isso não tem importância, Marcelo.
Com o tempo, ele vai lembrar.
Agora, leve Mauro até as outras crianças e tente ensiná-lo a voar.
Mauro olhou para Olímpia que, com a cabeça, acenou que sim.
Marcelo pegou a mão de Mauro, falando:
- Vem, Mauro, vamos brincar.
Mauro o acompanhou e, como toda criança, logo estava brincando.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 19, 2017 7:46 pm

Olímpia olhou para Gabriel, que disse:
- Ele ficará bem, Olímpia.
- Sei disso, Gabriel.
Agora, vou embora, preciso ficar ao lado de Raquel.
Ela vai precisar da minha intuição.
- Faça isso, Olímpia.
Embora saibamos que ela está se saindo bem, não pode ficar sozinha.
- Tem razão.
Assim dizendo, sorriu para Gabriel, que retribuiu o sorriso, e voltou para a mesma porta por onde havia entrado.
Em alguns segundos, chegou ao quarto onde Samuel conversava com Francisco.
Sorrindo, disse:
- Não precisa se preocupar com Mauro, Francisco.
Ele está bem, brincando com uma porção de crianças.
Muitos já conviveram com ele em várias encarnações.
- Eu, como adulto, estou tendo dificuldade para entender o que está acontecendo, posso imaginar como ele, sendo ainda uma criança, está se sentindo.
Samuel olhou para Olímpia e, sorrindo, disse:
- Está enganado, Francisco.
Embora hoje ele ocupe um corpo de criança, foi criado ao mesmo tempo em que você e todos nós.
Teve mais encarnações do que nós.
Por isso, é um espírito bem preparado.
Quando foi decidido que Raquel precisava renascer, ele, embora não precisasse, assim como você, decidiu renascer e ficar um tempo ao lado dela.
Ela precisava sentir a dor de perder um filho.
- Por quê?
- Isso, na hora certa, você saberá.
- Como já disse, estou cada vez mais confuso.
- Sei disso, mas, para que tudo seja esclarecido e você possa continuar a sua jornada com tranquilidade, hoje, durante a noite, você terá mais explicações.
- Hoje à noite?
Por que não agora?
- Só pode ser à noite, pois Raquel precisa estar presente.
- Por que não podemos ir até ela, agora?
- Ela, quando adormecer, será trazida até aqui.
Durante o dia, com ela desperta, isso é impossível.
- Está dizendo que, quando dormimos, deixamos nosso corpo?
- É assim que acontece.
A isso, costuma-se dar o nome de sonho, mas, na realidade, é um encontro com os amigos da espiritualidade.
Muitas vezes a presença de um encarnado é necessária, pois sua energia pesada nos ajuda em muitas curas, principalmente aquelas que são causadas por obsessores.
- Não sei do que está falando.
Existem doenças que não têm causas naturais?
- Quase todas as doenças são causadas por esse motivo, mas isso vai ficar para outra vez.
Por ora, enquanto Olímpia volta para ficar ao lado de Raquel, se quiser, posso levá-lo para ver que Mauro está bem e, assim, você ficará mais calmo.
- Está bem.
Já que não posso ver Raquel e os meninos, preciso ao menos saber que Mauro está bem.
Olímpia se despediu e desapareceu.
Francisco acompanhou Samuel.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:43 pm

RECOMEÇANDO
Naquela manhã, Raquel, após acordar várias vezes por causa de Marcos, também abriu os olhos.
Olhou para o relógio e viu que eram quase oito horas.
Estava cansada, pois não havia dormido bem.
Olhou para o lado, Moacir dormia tranquilo e Marcos, no berço, também.
Levantou-se, foi até a cozinha, colocou carvão sobre as brasas que ardiam, abanou com a tampa de uma panela e, assim que a chama se formou, colocou sobre ela uma chaleira com água.
Voltou para o quarto e, vendo que as crianças estavam bem, trocou de roupa e, rapidamente, foi até a mercearia.
Comprou pão, leite e pegou um pedaço de gelo que Joaquim havia separado.
Voltou para casa e viu que as crianças ainda permaneciam da maneira como as havia deixado.
Começou a arrumar a casa, lavou a roupa do dia anterior e, duas horas depois, estava pronta para levar as crianças até a casa de Lia.
Lia aguardava a amiga e pensava:
Hoje vai ser um dia decisivo.
Tomara que eu consiga cuidar das duas crianças.
Raquel chegou trazendo Marcos no colo, Moacir seguro na outra mão e no ombro uma sacola.
Enquanto colocava a sacola sobre a mesa, disse:
- Bom dia, Lia.
Trouxe as crianças e as mamadeiras com leite, também esse pedaço de gelo para que possa colocá-las nele.
- Bom dia, Raquel.
Tomara que eu consiga cuidar bem das crianças.
- Vai conseguir, Lia.
Você tem o mais importante, à vontade.
- Nisso você tem razão.
Sabe o quanto gosto de crianças, principalmente das suas.
- Por isso estou deixando meus filhos com você, sem preocupação alguma.
Tenho certeza de que não vai ter problema algum.
Mesmo que tenha, é só uma questão de tempo, logo vai se acostumar.
Agora, preciso ir até o Martin, para saber como está a marcenaria e o que preciso fazer para que ela continue da maneira como está.
Assim que falar com ele, volto para ver como você está.
Sei que hoje não vai ser fácil.
- Também sei Raquel.
Vou fazer o possível para que eles fiquem bem.
- Sei disso, por isso estou tranquila.
Raquel se despediu e foi para o ponto de ônibus.
Vinte minutos depois, entrava no escritório de Martin, que ficava no segundo andar de um prédio comercial.
Assim que ele a viu, sorriu:
- Raquel! Você aqui?
- Sim, Martin. Preciso que me ajude.
- No que precisar e eu puder, Raquel. Minha mãe disse que conversou com você.
- Conversou, e só estou aqui por tudo o que ela me falou.
Eu estava perdida sem saber o que fazer da minha vida e, para ser sincera, só queria morrer.
- Minha mãe sabe como falar sobre o que sente e em que acredita.
Ela sempre me diz que Deus usa as pessoas para que seu trabalho seja feito.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:43 pm

- Depois de tudo o que ela me falou, chego até a acreditar nisso, Martin.
Seguindo o conselho dela, estou aqui para que me ajude a retomar minha vida.
Sabe que não está sendo fácil.
De repente, do nada, meu marido e meu filho foram tirados de mim.
Não entendo bem por que isso aconteceu, mas, como disse sua mãe, preciso cuidar daqueles que restaram.
São crianças e só têm a mim, não é?
- É sim, Raquel.
O que precisa que eu faça?
- Vender até que sei, mas nunca mexi com dinheiro, com banco.
Não sei como fazer. Pode me ajudar?
- Claro que posso Raquel!
Os documentos da marcenaria estão em ordem.
Francisco sempre foi muito preocupado com isso.
Quanto ao dinheiro, vamos até o banco e conversaremos com o gerente.
Ele gostava muito do Francisco e acredito que fará tudo o que for possível para ajudar você.
- Você vai comigo?
- Claro que vou, Raquel. Agora mesmo.
Nunca vou me esquecer de que foi por causa de vocês que abri meu escritório.
Ele foi tão bem que consegui até me casar e consigo criar, sem problema algum, minhas duas crianças.
Vou ficar sempre ao seu lado e a ajudarei em tudo o que precisar.
- Obrigada, Martin.
Você é mesmo um grande amigo.
Martin deu algumas ordens para a moça que trabalhava com ele e saíram.
Conversaram com o gerente do banco, que providenciou para que Raquel pudesse assinar cheques e controlar a conta.
Depois disso, Raquel se despediu de Martin e foi para a marcenaria.
Conversou com Norberto:
- Está tudo certo com o banco, Norberto.
Já posso assinar os cheques e pagar as contas que estão para vencer.
Amanhã, vou visitar alguns escritórios e tentar vender.
Vamos ver o que vai acontecer.
- Vai dar certo, Raquel!
Já provou que consegue!
Raquel sorriu:
- Precisa dar certo, Norberto.
Disso depende a minha vida e a dos meus filhos.
- Tem razão, mas não se esqueça de que sempre estaremos ao seu lado.
- Nunca vou conseguir agradecer tudo o que estão fazendo por mim.
- Você merece Raquel.
- Agora vou para casa e ver como Lia se saiu com as crianças.
Ela estava com um pouco de medo.
Norberto começou a rir:
- Com medo? Ela estava apavorada!
Raquel também riu.
Despediu-se dele e foi para o ponto de ônibus.
Esperou por algum tempo, até que, finalmente, ele chegou.
Como era hora do almoço, estava vazio e ela pôde se sentar.
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Ave sem Ninho

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:43 pm

Enquanto o ônibus andava, ela olhava pela janela e pensava:
Francisco não sabe por que teve de me deixar.
Não sei se vou conseguir criar nossos filhos com dignidade, mas vou fazer o possível.
Não vejo a hora que chegue o dia em que eu possa encontrar você novamente.
De onde estiver me ajude...
Não me abandone...
Chegou à casa de Lia.
Como estava tudo quieto, entrou devagar.
Lia estava deitada, Moacir dormia ao seu lado e Marcos dormia na cama improvisada com cadeiras.
Ao ver aquela cena, Raquel sorriu.
Lia, pressentindo sua entrada, acordou e perguntou baixinho:
- Chegou cedo, Raquel.
- Resolvi tudo no banco e somente amanhã vou sair para vender.
As crianças, pelo que estou vendo, estão bem.
Lia se levantou e foram para a cozinha. Sentaram-se.
- Está bem, sim, Raquel, e confesso que me deram menos trabalho do que eu imaginava.
Moacir ficou brincando e Marcos acordou duas vezes, dei a mamadeira, troquei a fralda e ele voltou a dormir.
Raquel riu novamente.
- Sei disso, ele dorme durante o dia para ficar acordado durante a noite.
Lia também riu:
- Ainda bem que quem cuida dele durante a noite é você.
- Isso mesmo, mas não me incomodo.
Sei que, daqui a alguns meses, ele dormirá a noite toda.
O importante é que ele esteja bem.
Agora vou lá para casa.
Preciso terminar de arrumar tudo, recolher a roupa que lavei e preparar o jantar.
- Faça isso, Raquel, assim que eles acordarem, eu os levo até lá.
- Obrigada mais uma vez, Lia.
- Não precisa agradecer Raquel.
Só cuido das crianças porque gosto delas.
Raquel sorriu novamente e foi embora.
Ao passar pelo local do acidente, novamente sentiu vontade de chorar, mas Olímpia, que estava ao seu lado, colocou as duas mãos sobre suas costas, amparando-a, e ela mudou de pensamento.
Entrou em casa, fez tudo o que precisava fazer.
Enquanto passava roupa com o ferro a carvão, sorriu e pensou:
Ainda vou ter um ferro eléctrico, igual àquele que vi na revista.
Logo depois, Lia chegou com as crianças.
Não pôde ficar muito tempo, pois também precisava preparar o jantar.
Entregou as crianças e foi embora.
Raquel deu banho nas crianças.
Em seguida, Marcos mamou e Moacir jantou.
Depois, ela comeu alguma coisa, lavou a louça e, cansada pelo dia atribulado, deitou-se para dormir.
Deitada, pensou:
Sei que vou dormir só por algumas horas porque logo essa coisinha vai me acordar.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:43 pm

RELEMBRANDO O PASSADO
Raquel adormeceu profundamente.
Algum tempo depois, abriu os olhos e viu, diante de si, Olímpia e Samuel.
Admirada, perguntou:
- Pai, mãe! Como estão aqui?
Vocês morreram!
Francisco, que estava ao lado deles, também se admirou:
- Pai, mãe? Você os conhece?
- Claro que conheço.
São meus pais, morávamos no Ceará.
- O que está dizendo?
Nem seus pais nem você nunca moraram no Ceará!
Conheço seus pais e, com certeza, não são esses!
- Claro que são meus pais!
O que está acontecendo com você, Durval?
- Durval? Meu nome não é Durval!
Ela, parecendo preocupada, perguntou:
- Está com amnésia?
Seu nome é Durval e é meu marido.
- Sou seu marido, mas meu nome é Francisco!
- Acho que você está doente, mesmo.
Sei que é meu marido, sim como sei também que seu nome é Durval.
- Você é quem está confusa, Raquel.
Meu nome é Francisco...
- Raquel? Por que está me chamando por Raquel?
- Porque é o seu nome!
- Não! Não sei o que está acontecendo aqui, mas meu nome não é Raquel.
Meu nome é Eliete!
Francisco olhou para Olímpia e para Samuel que a tudo acompanhavam.
Desesperado, perguntou:
- Que está acontecendo aqui?
- Não se preocupe, fizemos de propósito.
- Fez o quê, Samuel?
- Precisamos fazer isso.
- Não estou entendendo...
- Nem eu, Durval...
- Depois do que aconteceu com você, agora, vivendo como Raquel e diante da sua tristeza, inconformismo e revolta, é preciso que entenda por que isso aconteceu para que possa continuar esta jornada.
Por algum tempo, vocês viverão o que aconteceu na encarnação anterior, para que possam entender por que algumas coisas aconteceram e estão acontecendo nesta em que estão vivendo.
Francisco e Raquel se olharam e, quase juntos, perguntaram:
- Encarnação anterior?
Francisco perguntou:
- Do que está falando, Samuel?
- Sei que parece estranho, mas já tiveram muitas vidas e é sobre a última delas que precisamos conversar.
Em um tempo em que você, Francisco, chamava-se Durval e você, Raquel, chamava-se Eliete.
Depois dessa conversa, vocês verão que as escolhas feitas ontem reflectem hoje e as feitas hoje reflectirão amanhã.
Confusos e sem entender o que estava acontecendo, Francisco e Raquel ficaram olhando para Samuel, esperando que ele continuasse a falar.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:44 pm

Ele olhou para Olímpia e, com os olhos, fez um sinal que ela entendeu.
Colocou-se por trás de Raquel, de Francisco e abriu os braços.
De suas mãos, começaram a sair luzes brancas.
Samuel fez o mesmo, só que pela frente, e luzes também começaram a sair de suas mãos.
As luzes encontraram-se.
Raquel e Francisco ficaram dentro delas.
Assustados, abraçaram-se.
No mesmo instante, aquele círculo de luz se expandiu e eles se viram no meio de muitas pessoas que bebiam e dançavam.
Raquel olhou para Francisco e disse:
- Está tendo uma festa?
Francisco, sem entender, respondeu:
- Parece que sim.
- Conheço as pessoas que estão aqui, Durval!
- Não me chame de Durval, Raquel!
Meu nome é Francisco!
Ela não deu atenção ao que ele disse e correu para um rapaz que dançava com uma moça.
Colocou-se no meio deles e abraçou o rapaz com muita força.
O rapaz também a abraçou e, parecendo surpreso, perguntou:
- O que está acontecendo, Eliete?
Por que está me abraçando dessa maneira?
- Estou feliz por ver você.
Francisco se aproximou.
Assim que o rapaz o viu, rindo, perguntou:
- O que está acontecendo com a sua mulher, Durval?
- Não sei o que está acontecendo, Norberto.
- Norberto?
Meu nome não é Norberto.
Chamo-me Hilário.
Vocês ficarão loucos?
Raquel e Francisco se olharam. Samuel, sorrindo, disse:
- Está certo.
O nome de vocês agora é outro, mas nesta encarnação que estamos revivendo, chamavam-se Durval e Hilário.
Porém, para que não fiquem a todo instante repetindo que o nome de vocês não é aquele pelo qual estão sendo chamados, de agora em diante, continuarão a ser chamados pelo nome actual.
Está bem, assim?
Norberto olhou para Francisco, que disse:
- Prefiro que seja assim, do contrário penso que se trata de outra pessoa.
O que acha Norberto?
Samuel sorriu.
- Não me lembro de ter sido chamado por Norberto, mas se tiver de ser chamado assim, que seja...
Samuel sorriu, olhou para Raquel e perguntou:
- Você, Eliete, está de acordo?
Podemos chamá-la de Raquel, que é o seu nome actual?
Ela, confusa, com a cabeça, disse que sim. Samuel perguntou:
- Vocês não se lembram do dia em que esta festa aconteceu?
Raquel, confusa, ficou olhando para ele e, de repente, falou alto:
- Estou me lembrando!
Foi no dia em que papai fez setenta anos!
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

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