EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:44 pm

Você não se lembra Francisco?
A família estava muito feliz!
Francisco, sem saber explicar como aquilo acontecia, após alguns segundos, disse:
- Também estou lembrando...
- Isso mesmo, Francisco!
Raquel, parecendo surpresa, olhou para Norberto e quase gritou:
- Você é meu irmão Hilário que agora se chama Norberto!
- Claro que sou, mas o que está acontecendo?
- Nada está acontecendo, Hilário. Sua irmã está apenas feliz.
- Ainda bem, papai.
Ela está me deixando preocupado.
- Francisco, que confusão é esta?
Como posso ter sido Eliete ontem e hoje ser Raquel?
- Não sei Raquel, mas ainda bem que se lembrou de quem é e de quem sou.
Samuel continuou:
- Bem, agora que estão se lembrando, podemos conversar.
- Vejo que estão lembrando.
Agora, podemos sair desta festa, ir para casa e voltar no tempo.
- Está bem. Estamos curiosos, eu, pelo menos, estou.
E você, Francisco?
- Pode imaginar o quanto.
Samuel se voltou para Norberto e disse:
- Norberto, enquanto vou para casa com eles, fale com Lia e venha também.
Todos precisamos conversar.
Diante deles, surgiu uma enorme mansão.
Entraram pela porta da frente.
Raquel parecia conhecer bem aquela casa, mas Francisco encontrava um pouco de dificuldade para se lembrar com clareza de tudo o que havia acontecido.
Por isso, olhava tudo com admiração.
Passaram por uma sala bem decorada, porém sóbria.
Entraram por uma porta e deram com outra sala.
Nela havia uma grande mesa com doze cadeiras à sua volta. Sentaram-se.
Norberto e Lia chegaram logo depois e também se sentaram.
Samuel começou a falar.
- Para que esta conversa possa continuar, preciso que olhem para Eliete e Durval.
Eles já entenderam o que está acontecendo.
E preciso que entendam também.
Lia olhou para Raquel e Francisco e, diante deles, os rostos foram se modificando, inclusive os deles.
Norberto e Lia se reconheceram:
- O que está acontecendo aqui, Raquel.
Que lugar é este? Francisco, como você está aqui? Você morreu?
- Não sei, Lia.
- Nós morremos também?
Olímpia e Samuel riram. Ela disse:
- Não, Lia, vocês ainda não morreram, estão apenas dormindo e sonhando.
Quando o encarnado adormece, seu espírito fica livre para ir aonde quiser.
Nós trouxemos vocês para cá.
Quando acordarem, vão se lembrar de algumas coisas e acharão que sonharam.
Intrigados, um olhou para o outro, mas ficaram calados.
Samuel continuou.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:44 pm

- Naquele dia da festa em que eu completava setenta anos, enquanto as pessoas dançavam, comiam e se divertiam preocupado com minha idade, sabendo que você, Norberto, não se preocupava com nada, além de se divertir e viver a vida chamei você e disse:
- Preciso conversar com todos vocês sobre um assunto muito sério.
Com ar enfadonho, você perguntou:
- Conversar sobre o quê, papai?
- Sobre algo muito sério.
- Sabe que não gosto de conversas sérias, mas se deseja minha presença, não posso me negar.
- Sei que não gosta Hilário, mas é preciso.
Quero que sua mulher também esteja presente.
- Precisa ser hoje, papai?
É dia de festa!
- Para vocês, todos os dias são de festa.
- Está bem, vou chamar a Odila.
Hilário, rindo, caminhou em sua direcção, Odila, que, distraída, conversava com outra moça. Disse:
- Papai quer ter uma daquelas reuniões chatas de família.
- Hoje, Hilário?
- Sim, hoje e sabe que, quando ele quer alguma coisa, não gosta de ser contrariado.
Vamos, acho que não vai demorar muito.
Samuel continuou:
- Vi que vocês olharam para a nossa direcção e, ao lado de Francisco e Raquel, comecei a caminhar para casa.
- Lembro-me daquele dia, Samuel.
Olhei para trás e vi que Norberto e Lia nos seguiam.
- Sim, Francisco.
Entramos nesta mesma sala, nos sentamos.
Em seguida, Norberto e Lia também chegaram e se sentaram.
Samuel, segurando mão de Olímpia, perguntou:
- Você se lembra da conversa que tivemos naquele dia, Raquel?
- Mais ou menos. Tudo está confuso.
- Sei disso, mas, aos poucos, as coisas ficarão mais claras.
Depois de todos sentados, eu disse:
- Já conversei com seu irmão, Raquel, e agora, preciso conversar com vocês a respeito de algo muito sério.
- Sobre o que quer falar?
- Faz dois anos que sua mãe morreu.
Desde que ela morreu, andei pensando muito na minha vida.
Sinto que logo vou morrer também.
- Que conversa é essa papai?
- Não se trata de conversa, Raquel.
É a lei da vida.
Nascemos, crescemos, envelhecemos e morrermos.
Essa é a realidade e, contra isso, nada podemos fazer.
- O senhor é forte, ainda é cedo para pensar em morte.
- Não é cedo, minha filha.
Como disse, tenho pensado na minha vida.
Toda a fortuna que temos começou lá atrás com meus avós, quando vieram tentar a vida aqui.
Com a venda de café e de escravos, conseguiram uma fortuna incalculável.
Depois, meu pai, também com café e fazendo outros negócios com terras, não só conservou a fortuna herdada, como a aumentou.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:44 pm

Eu consegui continuar e, hoje, nem sei quanto dinheiro tenho.
Vejo agora que, embora tenha todo esse dinheiro, a vida está se acabando e todas as minhas lutas vão ficar para trás.
Todo o dinheiro que tenho também vai ficar aqui, na Terra.
- Ao menos teve uma vida boa, pai, e nós também tivemos.
- É verdade, Norberto, mas estou preocupado.
Você, sendo meu filho mais velho e homem, deveria continuar nosso legado, mas parece que isso não vai acontecer.
Só pensa em se divertir, viajar e gastar dinheiro sem pensar.
- O senhor tem razão.
Nunca conseguiria ser como o senhor.
Quero viver a vida, para que, quando ficar velho, não me arrependa de não ter feito tudo o que poderia.
- Nem filhos você quis, meu filho!
O que mais me estranha é que sua mulher também não quis.
Ao ouvir aquilo, Lia nervosa disse:
- Para que vou querer filhos?
Para não poder mais ir a festas, frequentar a sociedade, ficar com meu corpo todo disforme nem viajar?
Não, não quero isso.
Estou bem da maneira como estou!
- Não entendo como você, sendo mulher, não quer ter filhos, Lia?
- Sou eu quem não entende o porquê dessa pergunta, Raquel?
Eu é que não entendo qual foi à vantagem de você ter tido três filhos?
Eu gosto da vida que tenho e não quero mudar!
Samuel continuou
- Fiquei bravo com vocês duas.
- Fiquem quietas! Não viemos aqui para falar bobagens!
Estamos aqui para decidir o futuro da nossa família!
- Foi Raquel quem provocou!
Não gosto de ouvir palpites sobre a minha vida!
Ela, ao invés de se preocupar comigo, devia prestar mais atenção na vida dos filhos!
- O que está acontecendo com meus filhos que eu não sei?
- Nada! Como seu pai disse, não viemos aqui para isso.
Fizeram com que eu abandonasse a festa para quê? Para isso?
- Agora você vai ter de dizer o que está acontecendo com eles!
- Nervoso com aquela discussão inútil, gritei:
- Já disse que parem com essa discussão inútil!
O assunto que nos traz aqui é muito mais sério!
- Diante do meu grito, vocês se calaram.
Raquel, olhando para Francisco, emocionada, disse:
- Francisco, estou me lembrando, agora, claramente de tudo o que aconteceu e, principalmente, daquele dia.
Lia também falou:
- Eu também, Raquel.
Eu disse mesmo aquilo...
Olímpia, sorrindo, disse:
- Sabíamos que isso aconteceria.
Quanto mais Samuel falar, mais vocês se lembrarão. Continue Samuel.
- Vocês se calaram e ficaram olhando para mim, esperando que eu continuasse.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:45 pm

Eu continuei:
- Depois de pensar muito, resolvi que, já que você, Norberto, nada entende sobre negócios, sabendo que é Durval quem sempre esteve ao meu lado, aprendeu e me ajudou em todos os momentos, acho justo passar para ele e Raquel todos os nossos negócios para que, na minha falta, continuem trabalhando.
- Vai dar todo nosso dinheiro para eles?
- Juntamente com todo o trabalho, Lia.
- Como vamos continuar vivendo?
- Da mesma maneira que viveram até agora.
- Se o dinheiro não for mais nosso, não entendo como isso pode acontecer.
- Antes de conversar com vocês, pensei em tudo.
Embora não goste da maneira como vivem, sendo meu filho aceito.
Por isso, vocês terão uma boa mesada que vai garantir que nada mude na vida de vocês.
O resto ficará com Francisco e Raquel.
Eles cuidarão de tudo.
- Você, Lia, olhou para Norberto, esperando que ele dissesse alguma coisa.
Como não disse, você perguntou:
- Teremos dinheiro suficiente para que nossa vida não mude?
- Sim, já calculei todos os gastos que podem ter.
- Sendo assim, não tenho a que me opor.
Estou de acordo. E você, Norberto?
- Você acha que vai dar certo, Lia?
Será que não vamos nos arrepender?
- Seu pai está dizendo que vamos ter tudo do que precisamos e com o que estamos acostumados.
- Se você acha que está bem, também concordo.
Samuel sorriu e continuou falando:
- Eu sabia que concordariam, pois, na realidade, era aquilo que vocês queriam.
Ter dinheiro sem precisar trabalhar e se preocupar.
Por saber isso, já tinha comigo todos os documentos necessários.
Todos assinaram e eu, satisfeito, propus um brinde.
Quando terminamos de beber, você, Lia, disse:
- Agora que está tudo dito e assinado, posso voltar para a festa?
Estava combinando com a Noémia uma viagem a Paris.
- Vamos, Lia. Gostei da ideia.
Lia começou a chorar.
Samuel perguntou:
- Por que está chorando, Lia?
- Depois de me lembrar desse tempo, entendo o porquê de, hoje, sermos pobres e não termos filhos.
- É verdade, Lia...
Olímpia interferiu:
- Sim, esse é o motivo.
Ontem, vocês tiveram tudo, dinheiro e tranquilidade, para terem e criarem muitos filhos com todo conforto, mas, usando do livre-arbítrio, se recusaram.
Quando ficaram velhos, encontraram-se sozinhos e perceberam a inutilidade da vida que viveram.
Depois, quando morreram e quando iam renascer, escolheram a vida que teriam.
Para dar valor, seriam pobres e não teriam filhos.
Vocês escolheram e estão vivendo isso.
- Estamos entendendo, não é, Norberto?
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:45 pm

- Sim, Lia. A sorte é termos os filhos de vocês para que não seriamos totalmente infelizes.
Samuel falou:
- É verdade, como podem ver Deus nunca nos abandona.
Vocês continuarão ao lado deles, tratando-os como filhos e eles como se fossem seus pais.
Agora, vamos continuar.
Você também saiu Francisco, dizendo:
- Já que está tudo acertado, vou para o escritório.
Há algumas coisas que preciso ver.
- Está bem, Francisco, pode ir.
- Você também se levantou para sair, Raquel, mas eu disse:
- Fique, Raquel, ainda não terminei com você. Raquel, parecendo aflita, disse:
- Antes que o senhor continue, eu poderia ir até onde está Mauro, preciso muito vê-lo, saber como está...
- Ele está bem.
- Já disseram isso, mas preciso ver como ele está...
- Está bem. Olímpia, enquanto eu continuo conversando com eles, vá buscar Mauro.
Ela vai ver que, realmente, ele está bem.
Olímpia se levantou, sorriu para Raquel, que correspondeu ao sorriso.
Depois que Olímpia saiu, Samuel continuou falando.
- Naquele dia, depois que todos saíram, nós continuamos.
Você, Raquel, estava preocupada com aquilo que Lia havia dito a respeito de seus filhos. Perguntou:
- Pai, o senhor sabe o que está acontecendo com meus filhos?
- Por que está perguntando a mim?
- Sei que meus filhos conversam sobre tudo com o senhor.
Por isso, se alguma coisa estiver acontecendo, o senhor deve saber.
- Está com ciúme?
- Confesso que algumas vezes me incomodei com isso, mas, conhecendo o senhor como conheço, sei que eles, assim como eu, confiam no senhor.
Não sei o que faz para obter tanta confiança dos jovens.
- Já estive pensando a esse respeito, minha filha.
Talvez seja por nunca me esquecer de como era quando jovem.
Por mais que o mundo mude, que se modernize, as crianças e jovens serão sempre iguais.
Precisam viver para aprender.
Depois de tanto tempo de vida, aprendi que não adianta querermos passar nossas experiências para eles, pois só saberão o que dizemos no momento em que estiverem vivendo.
- Deve ser isso mesmo, pai.
Confesso que tenho dificuldade para pensar assim e uso de todas as maneiras possíveis para evitar que sofram.
- Não adianta minha filha.
Terão de passar por experiências que serão só deles.
- Preciso me convencer disso, mas, voltando ao assunto, Lia insinuou que está havendo algo, preciso saber do que se trata.
O senhor sabe algo a respeito?
- Sim. Ela deve ter se referido ao que está acontecendo com João Pedro.
Algo que, para mim, não tem importância alguma, mas que, para você, poderá ser um problema.
- Do que se trata papai?
- Ele está namorando Maria Rita.
- O quê?
- Isso mesmo e, pelo que me disse, está apaixonado.
- Não pode ser pai! Ela é uma...
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:45 pm

- Negra? E isso que a incomoda?
Ela ser uma negra?
- Não! Não é isso!
O senhor sabe que não tenho preconceito.
- Sei, sim, desde que um negro não tente entrar para a nossa família.
- Não é bem assim, pai.
Não é por ser uma negra, mas, sim, por não ter instrução nem uma família respeitável.
- Você quer dizer uma família com dinheiro, não é mesmo?
- Sim, pai. O senhor acabou de dizer que nossa fortuna é incalculável!
Não podemos permitir que alguém que nada tem se aproprie dela!
- Para que serve o dinheiro, Raquel?
- Quando fiz essa pergunta, você pensou por alguns segundos e depois respondeu:
- Para termos uma boa vida.
- Para o que mais?
- Não sei pai. Para comprarmos tudo o que desejamos.
- Para o que mais, Raquel?
- Lembra-se de como você ficou nervosa, quando insisti na pergunta?
- Tive de ficar, porque, por mais que eu respondesse o senhor queria sempre mais.
Eu não sabia para que mais o dinheiro servia.
- É verdade. Eu sabia que ainda não havia descoberto para que o dinheiro servia, realmente.
Nervosa, foi você quem perguntou:
- Não sei pai, para o que mais ele serve?
- Não acha que é para nos trazer a felicidade?
- Como?
- Ele serve somente para nos trazer a felicidade, para nada mais, filha...
- Não estou entendendo o que quer dizer.
Já disse que serve para termos uma boa vida e comprarmos tudo o que queremos.
Isso não é felicidade?
- De certa maneira é, mas você disse que uma pessoa que nada tem não pode ter aquilo que julga ser seu.
- Pai! O senhor está me confundindo...
- Supondo-se que Maria Rita só esteja interessada no nosso dinheiro, o que não acredito, qual seria o problema se, para obtê-lo ela faça João Pedro feliz?
Se o dinheiro pode ser usado para a felicidade dele, que seja!
- Não, pai, não posso aceitar isso!
Ele precisa se casar com alguém do nosso nível!
- Está querendo dizer com o nosso dinheiro?
- É isso mesmo!
- Estou velho, minha filha.
Sei que logo mais vou deixar esta terra, mas fico triste ao ver que pensa assim.
Agora que estou perto da morte, vejo que o dinheiro não tem valor algum e que, principalmente, não tem dono.
Assim que eu fechar meus olhos, todo o trabalho que tive, todo o dinheiro que acumulei, ficará aqui e será usado por aqueles que vieram depois de mim.
Será que saberão usar?
Será que esse dinheiro trará a eles a felicidade ou será que o dinheiro se transformará em motivo de brigas e desavenças?
- Lembra-se disso que eu falei a você, Raquel?
- Lembro-me, pai e, infelizmente, embora eu tenha ouvido, não o escutei.
- Tem razão, infelizmente você não escutou e cometeu aquela injustiça, aquele crime contra Maria Rita, o que causou a infelicidade de seu filho.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:45 pm

- É verdade, depois que conversou comigo, fui conversar com João Pedro.
- Foi isso que aconteceu, mas, agora, precisamos parar de conversar.
Precisa voltar ao seu corpo.
Não pode se esquecer de que, agora, você é Raquel e que está sozinha, criando duas crianças.
Não pode se esquecer de que, embora estejamos conversando aqui, seu corpo está adormecido, mas logo será acordado por seu filho que está com fome.
- Não pode fazer isso!
- Por que não, Raquel?
- Não posso ir sem ver Mauro.
Olímpia ainda não voltou com ele!
Samuel sorriu:
- Ele está bem, não se preocupe.
Você virá aqui, ainda, várias vezes e poderá ver seu filho.
Mas, hoje, não vai dar.
Conversamos demais e Marcos precisa de você.
Antes que ela dissesse alguma coisa, Marcos começou a chorar e ela acordou.
Enquanto tirava o menino do berço, pensou:
Tive um sonho estranho...
Acho que me encontrei com Francisco...
Estávamos em uma festa.
Vi a Lia e o Norberto também.
Não me lembro muito bem, só sei que estava feliz.
É uma pena não me lembrar de todos os detalhes.
Será que Francisco está aqui?
Bem, preciso deixar o sonho para depois, agora, tenho que cuidar do meu neném.
Embora tivesse trocado a fralda, dado de mamar, Marcos não parava de chorar.
O choro era tão alto e estridente que acordou Moacir que, sonolento, disse:
- Faz parar de chorar, mãe...
- Estou fazendo o possível, volte a dormir logo ele vai dormir também.
O menino, com sono, virou-se na cama e voltou a dormir. Raquel sorriu.
Depois de mais de meia hora de balanços e afagos, Marcos também voltou a dormir.
Raquel, com cuidado, colocou-o de volta no berço e se deitou:
Preciso dormir mais um pouco, pois sei que daqui a duas horas ele vai acordar novamente.
Amanhã vou recomeçar a minha vida.
Espero conseguir vender bastante para poder cuidar bem dos meus filhos.
Francisco, não sei se existe mesmo outra Vida.
Só sei que, se existir, você estará cuidando de Mauro e de nós também e vai me ajudar a conseguir vencer.
Assim pensando, sorriu e logo adormeceu.
Francisco, que estava ali ao lado de Samuel e Olímpia, sorriu.
Olímpia estendeu as mãos sobre Raquel e, de suas mãos, luzes brancas surgiram e iluminaram todo o quarto.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:46 pm

DEDICAÇÃO
Não eram ainda seis horas da manhã, quando Marcos acordou.
O choro dele fez com que Raquel acordasse também.
Ela se levantou, tirou o menino do berço, colocou-o para mamar.
Enquanto ele mamava, carregando-o no colo, foi para a cozinha e, com uma das mãos, colocou carvão sobre as brasas que haviam restado da noite anterior, abanou com a tampa da panela.
Quando as chamas ficaram fortes, tirou água de um balde que estava sobre uma cadeira, colocou em uma chaleira e, depois, colocou a chaleira sobre as chamas.
Voltou para o quarto, sentou-se sobre a cama e esperou que Marcos terminasse de mamar.
Quando o menino se fartou, trocou sua fralda e colocou-o novamente no berço.
Antes que Moacir acordasse, pegou as roupas que estavam no chão, ao lado da cama, levou-as para os fundos do quintal, onde Francisco havia feito um pequeno coberto e colocado o tanque, que ficava junto ao poço de água.
Ela baixou o balde, que estava preso em uma corda, e, lentamente, trouxe o balde, com água, para cima.
Fez isso várias vezes até ter água suficiente para lavar a roupa.
Rapidamente, lavou as roupas, depois as prendeu em um varal e entrou em casa.
Moacir ainda dormia.
Acordou-o, dizendo:
- Acorde Moacir.
A mamãe precisa trabalhar e você vai ficar com a Lia.
O menino, com dificuldade, abriu os olhos.
- Precisa trabalhar, por quê?
- Para poder dar a você e ao seu irmão tudo do que precisam.
- O pai vai demorar muito para voltar?
Ela se emocionou, mas disfarçou, perguntando:
- Por que está fazendo essa pergunta?
- Porque quando ele estava aqui, a senhora não precisava trabalhar...
- Sei disso, mas ele vai demorar em voltar e, enquanto ele não chegar, eu vou cuidar de vocês.
Agora, levante-se, precisa tomar café.
O menino se levantou e, sonolento, foi para a cozinha, sentou-se em uma cadeira.
Raquel pegou uma caneca de alumínio, colocou dentro dela um pedaço de pão do dia anterior e, sobre ele, jogou um pouco de café e misturou com leite.
Bateu bem e deu uma colher para que o menino pudesse comer.
Enquanto ele comia, ela pegou algumas mamadeiras que estavam em uma panela com água.
Elas haviam sido fervidas.
Voltou para o quarto, tirou leite e colocou nas mamadeiras que deixaria com Lia.
Depois de tudo arrumado, pegou Marcos, ainda dormindo, no colo e, segurando Moacir com a outra mão, foi para a casa de Lia.
Assim que entrou, viu que Norberto estava do lado de fora da casa.
- Bom dia, Norberto.
- Bom dia, Raquel.
Eu, ontem, avisei ao Augusto que não iria trabalhar hoje, preciso fazer a nossa mudança.
- Está bem, Norberto.
É bom que se mudem logo.
Assim não vou precisar tirar as crianças tão cedo da cama.
Lia, ao ouvi-los conversando, saiu e, com carinho, pegou Marcos do colo de Raquel e Moacir pela mão.
- Venha Moacir, já preparei alguns brinquedos para você brincar.
O menino entrou e correu para os brinquedos que estavam espalhados pelo chão.
Sentou-se e começou a brincar.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:46 pm

Raquel, sorrindo, também entrou.
Assim que entrou, Lia disse:
- Raquel, sonhei com você!
- Comigo?
- Sim, não sei o que sonhei, mas Francisco e Norberto também estavam no meu sonho.
- Estranho...
- Estranho, por que, Raquel?
- Também sonhei com você, com Norberto e com Francisco.
Parece que estávamos em uma festa...
- Não sei onde estávamos, mas estávamos juntas em algum lugar.
- Acho que é porque estamos preocupadas com a vida e com sua mudança lá para casa.
- Deve ser isso mesmo.
Para ser sincera, não vejo a hora de me mudar.
Sei que assim vou poder cuidar das crianças com mais espaço facilidade.
- É verdade, Lia.
Lá em casa tem muito mais espaço do que aqui.
Agora, vou até o bar do seu Joaquim para pegar pão, leite e o pedaço de gelo.
Depois, vou sair e tentar vender os móveis.
- Faça isso e não se preocupe, sabe que cuido dos seus filhos como se fossem meus.
Suas crianças, para mim, foram como presentes de Deus.
- Sei disso, Lia.
Por isso não me preocupo.
Agora, preciso ir.
À tarde, quando eu voltar, já deverá estar na minha casa.
Raquel beijou os filhos e, acompanhada por Olímpia, saiu.
Em sua bolsa, levava as fotografias dos móveis.
Visitou vários lugares, mas não conseguiu vender.
Olhou para o relógio que tinha em seu pulso, pensou:
Já são quase três horas e não vendi nada. Hoje, definitivamente, não vou vender.
Acho melhor voltar para casa.
Lia já deve estar lá e precisando de ajuda para a arrumação de tudo.
Sei que, com as crianças, isso não é fácil.
Caminhou em direcção ao ponto do primeiro ônibus que deveria tomar.
Estava andando, quando Olímpia fez com que ela olhasse para o outro lado da calçada.
Ela viu que um prédio, já em fase de acabamento, estava sendo construído.
Parou, olhou e percebeu que era um prédio de apartamentos, mas que no térreo estavam construindo lojas.
Atravessou a rua e parou em frente. Um senhor se aproximou:
- A senhora está interessada em comprar?
- Bem que gostaria, mas não tenho dinheiro para isso.
- Vi que estava olhando com tanto interesse, achei que queria comprar. Sou o construtor.
Os apartamentos já foram vendidos, mas restam, ainda, duas lojas.
- Não quero nem posso comprar, mas pode me informar que tipo de lojas haverá aqui?
- Daquele que o comprador quiser.
Como pode ver, são quatro lojas. Duas já foram compradas.
Uma vai ser de sapato, outra será de roupas.
As outras duas ainda não sei.
Por que está perguntando, já que não vai comprar?
Ela tirou as fotografias da bolsa e mostrou ao senhor que, após olhar, disse:
- Os móveis são muito bonitos.
A senhora trabalha para esta empresa?
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 20, 2017 7:46 pm

- Não, senhor, sou dona.
- Dona da empresa? Uma mulher?
- Embora pareça estranho, sou dona, sim.
A vida me levou a isso.
- Como a vida a levou?
Ela não entendia o porquê, mas confiou naquele senhor que poderia ser seu pai e contou tudo o que havia acontecido.
Quando terminou de falar, o homem, demonstrando pesar, disse:
- Nossa, moça, quanto sofrimento!
- O senhor não pode imaginar como estou me sentindo.
Embora saiba que preciso cuidar dos filhos que me restaram, confesso que, muitas vezes, sinto vontade de abandonar tudo.
- Não pode moça!
Essas crianças são a sua salvação!
- Por que está dizendo isso?
Eles nasceram e continuarão crescendo, mesmo que eu não esteja mais aqui.
Já fiz a minha parte, permiti que nascessem.
- Nem pense isso, ao contrário, deveria perguntar o que fez na outra encarnação para estar sofrendo assim.
- Não, por favor, não venha com essa conversa de reencarnação!
Isso é uma loucura!
- Já ouviu falar sobre isso?
- Sim. Muitas vezes, mas não acredito que alguém possa ser castigado por algo de que não se lembre!
Deus não poderia ser tão malvado assim!
- Deus não é malvado, Ele não é responsável por aquilo que passamos.
Só existe um responsável.
- Quem?
- Nós mesmos. Deus só nos dá a chance de resgatarmos os erros que praticamos.
Raquel, furiosa, falou:
- Não dá para aceitar, não!
O senhor quer que eu acredite que fui muito má, que matei meu marido e meu filho e que por isso eles morreram?
Não aceito isso! Não pode ser!
- Não disse que tenha feito isso, mas pode ter feito, sim.
Quem vai saber o que fizemos em outra vida...
- Eu só aceitaria isso, se conseguisse me lembrar, como não me lembro, não aceito!
- Pode estar certa, mas, se lembrasse, não haveria mérito algum.
Mudaria sua atitude por interesse, não para progredir, como espírito.
Deus não quer nos impor nada, quer que façamos o que sentimos vontade.
Ele é o mais democrata de todos.
Deixa que cada um decida o caminho que quer seguir.
- Não consigo entender dessa maneira!
Supondo-se que seja verdade, eu não posso ter feito algo tão grave para merecer a vida que estou tendo!
- Quem é que sabe moça...
Quem é que sabe, mas não adianta ficarmos conversando, o que preciso fazer é tentar ajudar à senhora.
Posso ficar com essas fotografias?
- Pode, sim. Eu tenho o filme e vou mandar revelar mais.
- A senhora manda revelar sempre?
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:07 pm

- Sim, sempre que deixo em algum lugar, preciso mandar fazer mais.
- Fica muito caro! Por que não manda fazer folhetos em uma gráfica?
- Folhetos? Não sei, mas deve ficar muito caro e eu não tenho dinheiro para isso.
- Não é tão caro assim e garanto que é muito mais barato do que fazer revelação de fotografias.
Além disso, terá muito mais para poder mostrar. Procure se informar.
Tenho um amigo meu que tem uma gráfica, vou lhe dar o endereço.
Vá até lá, sei que ele vai facilitar para que possa fazer os folhetos.
Assim, todas essas fotografias ficarão juntas em um só folheto e poderá deixá-las por todo lugar.
Vai ver como o resultado será melhor.
- O senhor acha?
- Tenho certeza.
Seus móveis são muito bonitos e diferentes de tudo que já vi.
Vai ser um sucesso.
Acho que a senhora vai se tornar uma grande empresária!
- Tomara que seja verdade!
- Vai ser, pode ter certeza.
Não foi à toa que a senhora passou por aqui e parou para conversar.
Isso aconteceu para que eu pudesse lhe falar da gráfica e dos folhetos.
Embora não acredite, Deus trabalha assim.
Sempre que precisamos, Ele usa as pessoas para nos ajudar.
- Será verdade?
- Não sei, mas pense a respeito e vai ver que, por pior que seja o momento que estamos vivendo, nunca estamos sós e que, de alguma maneira, a ajuda sempre vem.
- Não sei se foi Deus, mas o senhor me deu uma óptima ideia.
Ele tirou do bolso um cartão e deu a ela, falando:
- Não vai acreditar, mas este cartão estava esquecido na gaveta da minha escrivaninha e, hoje, quando estava saindo, abri a gaveta para pegar um pedido de material de construção que havia feito e vi o cartão.
Sem saber o porquê, peguei-o e coloquei-o no bolso.
Vá até lá e diga ao Domingos que foi o Luiz quem a mandou.
Aqui não tem telefone, mas assim que chegar ao meu escritório vou telefonar e pedir a ele que faça o que for possível para ajudá-la.
- O senhor vai fazer isso?
- Claro que vou.
Embora não acredite, acho que Deus me fez um Seu instrumento para ajudá-la neste momento difícil pelo qual está passando.
- Nem sei como agradecer.
- Não precisa agradecer.
A senhora é uma mulher muito forte. Uma guerreira!
Vai vencer na vida, disso tenho certeza!
Ela olhou para o cartão e, rindo, disse:
- É aqui perto, justamente na rua em que vou pegar o meu ónibus.
- A senhora vai passar por essa rua?
- Sim. Estava indo para lá.
- Então, vou junto com a senhora e converso com o Domingos.
Sei que ele vai ajudar.
Espere só um pouquinho.
Entrou na construção, falou alguma coisa a um dos pedreiros e saiu.
- Agora podemos ir.
Avisei que vou sair, mas que voltarei logo.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:07 pm

Saíram caminhando.
Chegaram à gráfica.
Luiz mostrou as fotografias:
- Esta senhora tem uma pequena marcenaria.
Precisa fazer alguns folhetos para divulgar sua mercadoria, mas não tem dinheiro.
Queria ver se você pode ajudá-la.
Domingos olhou as fotografias e disse:
- Podemos fazer um folheto, não muito grande, mas que mostre bem os móveis que, por sinal, são bonitos.
- Também achei e sinto que, com uma boa propaganda, ela tem futuro.
Por isso, você poderia facilitar a maneira de pagamento.
- Somos amigos há muito tempo, Luiz, e você sabe que minha gráfica também é pequena e que não costumo fazer isso, mas, não sei por que, vou ajudar à senhora.
Vou fazer os folhetos e poderá pagar em duas vezes.
Vou fazer ainda mais.
Pagará a primeira prestação em trinta dias e a segunda em sessenta.
O que acha?
Raquel, que acompanhava a conversa e ao ouvir aquela pergunta, ficou calada por alguns minutos, depois disse:
- O senhor ainda não falou quanto vão custar os folhetos.
- Vou fazer um orçamento e amanhã poderei dizer com certeza.
Mas não se preocupe.
Sei que não vai se arrepender e que seus móveis serão vendidos com mais facilidade e menos trabalho.
- Está bem. Faça o orçamento e amanhã bem cedo eu passo por aqui.
Domingos olhou para Luiz e sorriram.
O mesmo fez Olímpia que continuava ao lado de Raquel.
Saíram da gráfica. Despediram-se.
- Obrigada por sua ajuda, senhor Luiz.
- Já disse que não precisa agradecer e, quando os folhetos ficarem prontos, leve-os a minha obra.
Vou tentar vender seus móveis e acho que vou conseguir.
Raquel sorriu, foi para o ponto de ônibus e Luiz voltou para sua construção.
O ônibus chegou e ela entrou.
Assim que entrou, percebeu que não havia lugar para se sentar, mas não se incomodou.
Em pé, segurando-se no banco à frente, pensou:
Foi muito bom ter conhecido esse senhor.
Nunca havia pensado em fazer folhetos.
Acho que ele tem razão, meu trabalho vai se tornar mais fácil e os móveis serão conhecidos por mais pessoas.
Após quase quarenta minutos, finalmente o ônibus parou no ponto em que ela deveria descer, desceu.
Acompanhada, sem saber, por Olímpia, começou a caminhar em direcção à sua casa.
Sabia que Lia havia se mudado.
Entrou, viu Lia que dava comida para Moacir.
Assim que a viu, Lia disse:
- Raquel! Chegou cedo!
Antes de responder, Raquel abraçou e beijou Moacir, que continuou comendo.
Depois, respondeu:
- Cheguei, Lia.
Estou cansada, andei muito, mas valeu à pena.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:08 pm

- Conseguiu vender?
- Não, mas aconteceu algo que, acho, vai me ajudar muito.
- O que foi?
Raquel contou o encontro com Luiz e terminou, dizendo:
- Acho que é uma boa ideia, você não acha que é, Lia!
- Acho Raquel!
Como não pensamos nisso?
- Não sei, Lia.
Moacir terminou de comer, desceu da cadeira e chegou perto de Raquel que, pegando-o no colo, perguntou:
- Então, meu filho, você está bem?
- Estou já tomei banho e comi.
Lia sorriu:
- É verdade, Raquel. Ele é um bom menino.
Já tomou banho e logo poderá ir dormir.
- O Marcos, como está, Lia?
- Depois de mamar e chorar um pouco, está dormindo.
Raquel sorriu:
- Está dormindo agora para ficar acordado quase a noite toda.
Vou até o quarto para vê-lo.
Estava indo para o quarto, quando Lia disse:
- Ele não está mais no seu quarto, Raquel.
Raquel parou, voltou-se, perguntando:
- Por que não, Lia?
- Durante o dia nos mudamos.
Tirei os móveis que eram de Mauro e que estavam no quarto, levei para o quartinho dos fundos e coloquei nossa cama e o guarda-roupa no lugar.
Pensei um pouco e, já que precisa sair todos os dias e eu vou ficar em casa, não acho justo que fique acordada cuidando de Marcos.
Coloquei o berço dele no meu quarto, assim, eu cuidarei dele e você poderá dormir melhor.
- Sua intenção foi muito boa, mas acho que não vai passar da primeira noite.
Você não imagina o que um neném faz.
Você não pode evitar o choro dele, mas, de qualquer maneira, obrigada por ter feito isso.
Preciso muito dormir, tomara que dê certo.
- Tomara que dê certo, mesmo, Raquel.
Depois que o vir, volte.
O jantar está quase pronto e, enquanto eu cozinhava, deixei este caldeirão com água sobre o fogão para que esquentasse e, se quiser, pode tomar banho.
Depois, eu coloco outra água para Norberto.
- Nossa, Lia! Você é perfeita! Obrigada!
Lia sorriu e voltou-se para o fogão, onde uma panela com feijão fervia.
Raquel foi tomar banho.
Quando Norberto chegou, jantaram.
Após o jantar, Raquel, cansada, deitou-se.
Olhou para o lado e pensou:
Parece que tudo está se encaminhando, mas você não está mais aqui, Francisco.
Durante o dia, chego até, por alguns momentos, a me esquecer de tudo, mas, agora, aqui, a saudade de você e de Mauro é muito grande.
Sinto meu coração até doer.
Ouvi tanto falar em outra vida, seria tão bom que fosse verdade e que eu, um dia, me encontrarei com vocês.
Poder abraçar e beijar meu filho outra vez.
Dormir abraçada a você, como fazia antigamente.
Se tudo o que disseram for verdade, você deve estar aqui ao meu lado.
Tomara que seja verdade...
Lágrimas caíram de seus olhos.
Após algum tempo, cansada, adormeceu.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:08 pm

SONHO REPARADOR
Algum tempo após adormecer, Raquel foi acordada por Olímpia e Francisco:
- Acorde Raquel!
Precisamos ir a um lugar e sei que vai gostar.
Ela, não demonstrando surpresa, sorriu:
- Aonde vai me levar, Francisco?
- É uma surpresa. Vamos! Vai ser uma surpresa!
- Está bem.
Ela levantou-se, olhou para a cama e viu que seu corpo dormia.
- Meu corpo vai ficar aqui?
- Vai, sim. Ele precisa de repouso, mas o espírito nunca dorme.
Antes, porém, vamos acordar os meninos.
Eles precisam ir connosco.
- Para onde vai nos levar?
- Já disse que é surpresa, Raquel.
Não se preocupe, sei que vai gostar.
Olímpia estendeu os braços em direcção a Moacir que, no mesmo instante, abriu os olhos.
Ao ver a mãe em pé, estranhou:
- A senhora não está dormindo?
- Não, filho. Olhe quem está aqui.
Moacir olhou para onde ela apontava e, com alegria, gritou:
- Papai! Já voltou de viagem?
Francisco pegou o menino no colo e, emocionado, respondeu:
- Não, Moacir, estou apenas visitando vocês.
O menino não se deu conta do que estava acontecendo realmente, apenas sorriu de felicidade.
Entraram no outro quarto onde Marcos dormia e o acordaram também.
Assim que viu Moacir, o menino gritou:
- Você está aqui, mesmo, Moacir?
- Estou o Gabriel não disse que íamos nos encontrar?
- Ele disse, mas eu estava com medo de não encontrar você.
Raquel, ao ouvir aquilo, olhou para Francisco que, também surpreso, olhou para Olímpia que, sorrindo disse:
- Por que toda essa admiração?
- Marcos é ainda um bebé, como pode falar e reconhecer o irmão?
- Vocês se esquecem de que, embora em um corpo de criança, todo espírito foi criado há muito tempo?
- Sim, mas, mesmo assim, não estou entendendo o que está acontecendo aqui...
- Viemos buscar vocês justamente para isso, para que entendam.
- Para onde vamos?
- Vamos nos dar as mãos.
Obedecendo, Raquel pegou Marcos no colo.
Francisco segurou Moacir pela mão e, em poucos minutos, estavam naquele mesmo lugar onde havia muitas crianças.
Raquel, admirada, olhava sem se conter, perguntou:
- Existem, aqui, crianças de todas as idades, Olímpia!
Antes que Olímpia dissesse algo, Marcos e Moacir, assim que viram Gabriel, correram para ele, que, assim que os viu, abriu os braços.
As crianças o abraçaram com carinho e saudade.
O rapaz, abraçando-os, disse:
- Eu não falei que vocês iam se encontrar, Moacir?
- Falou Gabriel, mas, mesmo assim, eu estava com medo, não queria nascer.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:08 pm

Não queria deixar Marcos, ele é meu amigo de muito tempo.
Fiquei com medo de que ele não fosse ao meu encontro.
- Sei disso, mas eu disse que você iria primeiro e que ele iria depois, não foi?
Os meninos, com a cabeça, disseram que sim. Gabriel continuou:
- Como estão vendo, isso aconteceu.
Ele, agora, é seu irmão e vocês crescerão juntos.
Um ajudará ao outro a caminhar, a aprender e a resgatar.
Raquel e Francisco, ao ouvirem e virem aquilo estranharam. Raquel perguntou:
- Não estou entendendo, Olímpia.
O que está acontecendo aqui?
- O que você não está entendendo, Raquel?
- Agora pouco, você disse que todo espírito foi criado há muito tempo.
Como existem tantas crianças aqui?
- É muito simples, Raquel.
- Como simples?
- Todo espírito foi criado há muito tempo, mas quando morre no corpo de uma criança, seria muito estranho, para ele, ao voltar para cá, ver se em um corpo adulto.
As crianças precisam de um tempo para se adaptarem à nova realidade.
Por isso, elas são enviadas para lugares como este, onde espíritos amigos as recebem, instruem e vão, aos poucos, contando o que aconteceu.
Com o tempo, vão sendo esclarecidas e se adaptando.
- Parece ser uma escola!
- Pode-se dizer que é mesmo, Raquel.
Os espíritos que trabalham com as crianças que chegam aqui, na maioria das vezes, aqui e quando renascidos, foram e serão sempre professores.
- Existem espíritos que sempre são professores?
- Sim, assim como médicos, advogados e de todas as profissões.
O espírito, antes de renascer, escolhe a profissão que quer seguir.
Quantas vezes você ouviu alguém dizer: O que ele tem é um dom...
- É verdade, muitas vezes já ouvi dizer isso.
- Sei que sim e é verdade.
Esse dom foi adquirido através de muitas vidas e vai sempre sendo aperfeiçoado.
- Nunca imaginei que fosse assim, embora, muitas vezes, tenha ficado admirada com coisas que as pessoas fazem.
- Todo espírito, antes de renascer, após escolher como vai viver, é mandado para cá, onde, como criança, recebe instruções.
Ele fica algum tempo aqui, vivendo e convivendo com espíritos em um corpo de criança como ele, espíritos esses que encontrará durante sua vida de renascido.
Seria muito estranho, para todos, se as crianças nascessem sabendo tudo.
Durante o tempo em que ficam aqui, se adaptando ou se preparando, encontram-se com amigos de várias vidas e planeiam como será o seu encontro.
Algumas vezes, renascem na mesma família.
Algumas vezes, conhecem-se e se tornam amigos inseparáveis.
Já não ouviu, também, alguém dizer:
"eu e ele somos mais que irmãos".
- É verdade, Olímpia, isso realmente acontece...
Francisco interferiu:
- Está certo, Raquel.
Lembra-se do Paulo, ele era mais do que meu irmão.
Fiquei muito triste quando ele foi para o exterior, mesmo assim, nos correspondemos por cartas!
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:08 pm

- É mesmo, Francisco.
Eu também me dava melhor com Jandira do que com minha irmã.
Olímpia sorriu e continuou falando:
- Puderam ver o que aconteceu agora pouco com Moacir e Marcos.
São espíritos amigos há muito tempo, sempre renascem na mesma geração e se reencontraram de várias maneiras, na mesma família ou não.
Há pouco tempo, eles estavam aqui, sendo preparados por Gabriel para a volta a Terra.
Moacir teve dificuldade para ir embora, tendo de separar-se de Marcos, mas, depois de muito conversar com os dois, Gabriel conseguiu convencê-los.
Moacir foi à frente e Marcos ficou ansioso, esperando a sua hora de ir, também, para poder reencontrar o amigo.
Depois da partida de Moacir, hoje é a primeira vez que se reencontram.
Por isso, vocês puderam ver a felicidade deles.
Raquel e Francisco estavam boquiabertos.
Ela perguntou:
- A criança, quando morre, permanece como criança, mesmo sendo um espírito criado há muito tempo?
É isso que está dizendo?
- Isso mesmo. Claro que não é para sempre.
Somente até que, aos poucos, vá relembrando as outras vidas que teve e aceitando que não é criança.
- Demora muito tempo para que isso aconteça?
- Depende de cada espírito. Nada é forçado.
Cada um vai escolher quando quer voltar a ser adulto.
Aqui, a liberdade de escolha é total.
Como acontece aqui ou em qualquer lugar, o espírito sempre tem seu livre-arbítrio.
- Sendo assim, Mauro está aqui?
- Está, Raquel, e foi por isso que a trouxemos até aqui, para que possa encontrá-lo.
Ele ainda não entendeu o que aconteceu.
Está triste e perguntando por você.
- Onde ele está?
- Está ali, conversando com Neide.
Ela é quem está cuidando dele.
Raquel olhou para onde ela apontava e viu Mauro, voltou a olhar para Olímpia que, com a cabeça, consentiu.
Saiu correndo em direcção ao menino.
Quando estava chegando perto, avisado por Neide, a professora que cuidava dele, o menino se voltou e viu Raquel se aproximando.
Correu para ela. Chorando, abraçaram-se.
O menino, feliz, mas chorando, perguntou:
- Onde a senhora estava, mãe?
Perguntei, mas ninguém soube me responder, nem o papai.
Raquel, entre lágrimas, olhou para Francisco, que sorriu.
Depois, olhou para Olímpia, que respondeu:
- Sua mãe estava viajando, Mauro, e vai precisar viajar novamente, mas você vai ficar aqui com todas essas crianças e com seu pai.
- Onde está Moacir?
- Está ali com Marcos, o seu irmãozinho que nasceu.
- Ele vai ficar aqui comigo?
- Ele ainda é muito pequeno e precisa ficar com a sua mãe, não é, Raquel?
Raquel, que nunca havia mentido para o filho, ficou sem saber o que dizer.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:09 pm

Francisco foi quem respondeu:
- É, sim, Olímpia.
Mauro, Marcos acabou de nascer.
Nenés que nascem precisam ficar com a mamãe.
Você sabe que eles são ainda muito pequenos.
Você, como já está bem grande, vai ficar comigo.
O que acha? Podemos fazer uma porção de coisas.
Soube que há uma marcenaria aqui.
Vou trabalhar nela e, se quiser, pode me ajudar.
- Posso ir à marcenaria?
- Pode meu filho.
Sempre que quiser.
- Eu quero!
- Está bem.
Depois que a mamãe for embora, nós vamos conhecer a marcenaria que tem aqui, não é mesmo, Olímpia?
- Claro que sim, Francisco.
Sei que vai gostar da marcenaria que tem aqui, Mauro, e, se quiser, pode até desenhar e construir alguns móveis.
O menino voltou a abraçar a mãe:
- Mãe, a senhora vem sempre me ver?
Raquel, com lágrimas nos olhos, mas tentando evitar que o menino visse que estava chorando, abraçou-o e respondeu:
- Sempre que eu puder meu filho, e, enquanto isso não acontecer, vou morrer de saudade.
- Eu também vou.
A um sinal de Olímpia, Neide segurou a mão do menino, dizendo:
- Venha comigo, Mauro, vamos ver aquela mesa de que você gostou tanto.
Pode tirar as medidas e depois construir igual, como o papai faz. Você quer?
- Quero!
Raquel não conseguia parar de chorar nem largar o filho.
Ainda abraçada a ele, olhou para Olímpia e perguntou:
- Preciso mesmo ir embora?
Não posso continuar aqui ao lado dele?
- Não, Raquel. Você tem, ainda, uma longa caminhada.
Mas não se preocupe, o tempo passa depressa e, antes que se dê conta, seu tempo vai terminar e você estará de volta.
- Por que tem de ser assim?
Não me conformo com esta separação.
- Tudo tem um motivo, Raquel.
Um dia entenderá, mas, agora, precisa voltar.
Não pode esquecer que seus filhos pequenos precisam muito de você.
Ao ouvir aquilo, Mauro se soltou dela e falou:
- Ela está certa, mãe.
Eles são muito pequenos.
Pode ir sossegada, vou ficar com o meu pai e na marcenaria!
Raquel olhou mais uma vez para Francisco que a abraçou.
- Vá, Raquel. Como pode ver, estamos bem.
Prometo a você que sempre estarei por perto para ajudar no que for preciso e possível.
Nem sei se posso fazer isso, mas, se puder, vou estar sempre ao seu lado.
Eu amo você e aos meus filhos.
Também, ainda não entendi o porquê de tudo isso ter acontecido, mas sei que um dia saberemos.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:09 pm

Vá. Sei que sua vida vai ser difícil, mas você é um espírito lutador e vai vencer.
Ela ia dizer alguma coisa, mas ouviu o choro de Marcos e acordou.
Ainda sem acordar totalmente, levantou-se, saiu para o corredor, onde, no fundo, estava o quarto de Lia e Norberto.
Caminhou até a porta e viu que a luz estava acesa e que Marcos chorava.
Bateu devagar.
Lia, com Marcos no colo, abriu a porta.
- Volte a dormir Raquel.
Ele está bem.
Já troquei a fralda e vou dar um pouco de chá.
Ele vai dormir em seguida.
Não se preocupe.
- Tem certeza, Lia?
- Tenho. Pode ir.
- Está bem, mas, se precisar, pode me chamar.
- Eu faço isso.
Voltou para o quarto.
Antes de se deitar novamente, olhou para Moacir que dormia tranquilo, sorriu e estendeu o cobertor, que ele havia tirado, cobriu-o.
Deitou-se, pensando:
Sei que sonhei com Francisco e com Mauro, só não consigo saber o que foi.
Queria tanto lembrar...
Olímpia e Francisco, que estavam ao seu lado, sorriram.
Ela estendeu os braços e jogou luzes sobre Raquel, que adormeceu imediatamente.
Quando acordou novamente, Raquel olhou para a janela e, através de suas frestas, pôde ver que estava claro.
Olhou para o relógio e se assustou:
Quase oito horas!
Como pude dormir tanto?
Levantou-se, rapidamente, abriu a porta e foi para a cozinha.
Marcos estava sobre a mesa e Lia trocava sua fralda.
Ao ver Raquel, perguntou, sorrindo:
- Bom dia, Raquel! Dormiu bem?
- Bom dia, Lia! Dormi bem, mas muito!
Por que não me acordou.
- Você está muito cansada, Raquel.
Achei melhor deixar que dormisse mais um pouco.
Não se preocupe com Marcos, ele tomou chá duas vezes e dormiu o resto da noite.
Só acordou depois que Norberto saiu para o trabalho.
Assim que eu terminasse de trocar a fralda, ia acordá-la.
Ele está com fome.
Raquel se aproximou da mesa e, após Lia terminar de trocar sua fralda, pegou o menino no colo e, beijando-o, sentou-se e começou a dar de mamar.
Enquanto ele mamava, disse:
- Sonhei com Francisco e com Mauro, Lia.
- Sonhou? O quê?
- Não lembro, mas sei que foi um sonho bom.
Se acreditasse realmente em tudo o que dona Catarina diz, diria que eles estão bem.
- Devem estar Raquel.
Francisco era um bom homem e Mauro uma criança linda...
- Devem mesmo, Lia. Estranho...
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:09 pm

- Estranho o quê, Raquel?
- Embora sinta saudade deles, não estou mais com aquela tristeza enorme que sentia.
Meu coração não está mais apertado, como estava antes.
Sinto que preciso continuar e que, como dona Catarina diz e tomara que seja verdade, logo mais vou reencontrar Francisco e Mauro.
- Credo, Raquel! Pare com essa conversa!
Vai demorar muito para isso acontecer!
Raquel começou a rir:
- Também espero, Lia, mas sabemos que esse dia vai chegar para todos nós.
- Que vai chegar, vai, mas não quero pensar nisso agora!
Quero viver muito!
Raquel apenas sorriu.
Terminou de dar de mamar.
Trocou de roupa e foi até o bar buscar o gelo.
Voltou, tirou o leite necessário para as mamadeiras que deveria deixar no gelo.
Foi até o quarto, beijou Moacir, que ainda dormia.
Beijou Marcos que estava sobre a cama de Lia e saiu para mais um dia de trabalho.
Olímpia, como sempre fazia, acompanhou-a.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

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DESEJO REALIZADO
Daquele dia em diante, Raquel dedicou-se ao trabalho e Lia cuidava da casa e das crianças.
Com os folhetos em mãos, Raquel andava o dia todo, visitando imobiliárias, prédios em construção, lojas e escritórios, oferecendo os móveis e também as cortinas.
Quando conseguia vender cortinas, ficava até altas horas da noite costurando.
As encomendas começaram a chegar e foram tantas que o galpão ficou pequeno.
Precisou se mudar, comprar um pequeno caminhão para fazer as entregas e contratar mais funcionários.
Cinco anos se passaram.
Raquel quase não via os meninos, pois, quando saía para o trabalho, eles estavam dormindo e, à noite, quando voltava, eles estavam cansados e querendo dormir novamente.
Já não pensava com tanta dor em Francisco e Mauro.
O dia a dia tomava conta de todo o seu tempo.
Somente na hora de dormir é que se lembrava deles e pensava:
Estou conseguindo, Francisco.
O que me alenta é saber que você está me esperando.
Lia era quem contava as gracinhas e travessuras que os meninos faziam.
Foi Lia que viu Marcos andar pela primeira vez e foi a ela que ele chamou de mamãe.
Naquele dia, quando Raquel chegou cansada e as crianças já estavam dormindo, Lia estava radiante:
- Raquel! Hoje Marcos me chamou de mamãe!
Raquel sentiu um aperto no coração, mas sabia que nada poderia ser feito.
Ela precisava trabalhar e precisava de Lia para que isso acontecesse.
- Que bom, Lia.
Mas não se esqueça que a mãe deles sou eu...
- Eu sei Raquel, e sempre falo com eles, mas não pude deixar de me emocionar.
Sabe o quanto quis ter um filho.
Não entendo por que Deus não me mandou nenhum.
- Também não sei, Lia.
Em minhas andanças, tenho estado em muitos lugares, desde os mais ricos até os mais pobres.
Tenho visto mulheres pobres com muitas crianças, maltrapilhas e mal alimentadas.
Quando vejo isso, me pergunto:
por que Deus permite que mulheres pobres tenham tantos filhos, enquanto outras, assim como Lia, não conseguem ter uma criança que teria tudo para crescer bem alimentada e feliz?
- Já me fiz essa pergunta muitas vezes, Raquel, e, assim como você, também não entendo.
- Quem sabe, algum dia, teremos essa resposta.
- É quem sabe...
Alguns dias depois, Raquel chegou a casa trazendo um pacote, embrulhado em um papel azul.
Assim que entrou, disse:
- Trouxe uma coisa, Lia.
Abra este pacote, sei que vai gostar.
- O que é Raquel?
- Abra e veja. Sei que vai gostar.
Lia curiosa, pegou o pacote que estava sobre a mesa e, com cuidado, tirou o papel que o envolvia.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

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Assim que tirou o papel, uma caixa surgiu:
- Um ferro eléctrico, Raquel?
- Sim. Agora que já temos electricidade na Vila e que Norberto fez a instalação na casa, nada melhor do que um ferro eléctrico, não é?
- Como funciona?
- A moça da loja que me vendeu disse que basta colocar na tomada. Vamos ver?
Antes mesmo de responder, Lia tirou o ferro da caixa e, com cuidado, colocou a tomada em outra que Norberto havia colocado na parede.
Em poucos minutos, o ferro estava quente.
Nesse mesmo instante, Norberto entrava em casa.
- Olhe Norberto!
Raquel trouxe um ferro eléctrico!
Não vou mais precisar ficar soprando naquele com carvão!
- Vamos dar viva à electricidade que finalmente chegou aqui!
- Tem razão, Norberto.
Com ela, nossa vida vai mudar.
Sempre quis ter um ferro eléctrico, um fogão a gás e uma geladeira, também.
- Essas coisas são novidades que só os ricos podem comprar Raquel.
Estou feliz com o ferro eléctrico.
Ele vai me ajudar muito!
- Sei disso, Lia.
Quando eu dizia a Francisco que queria ter um ferro eléctrico, ele falava que a marcenaria ia bem e que logo poderia comprar um ferro e outras coisas que facilitam a vida da mulher.
Ele tinha razão.
Como a marcenaria está indo muito bem, consegui guardar um pouco de dinheiro e, como esta casa fica muito longe do galpão novo, estive pensando em comprar aquela casa grande, perto da marcenaria que fica naquela esquina, Norberto.
Hoje vi que está com uma placa de vende-se.
Amanhã, vou conversar com o dono e, conforme for comprarei e nos mudaremos para lá.
- Aquela casa é enorme, Raquel!
- Sim, é mesmo.
Exactamente a que merecemos.
Percebi que o quintal é grande.
As crianças poderão brincar muito lá!
- Bem, você é quem sabe.
A marcenaria está indo bem, mesmo.
Os pedidos são tantos que, para dar conta de tanto trabalho, vou precisar contratar mais funcionários.
- Faça isso, Norberto.
Contrate quantos forem necessários.
Além de entregarmos os móveis de acordo com o contrato, estaremos dando trabalho a outras pessoas que precisam.
Não sei o porquê, mas, de repente fiquei pensando que o dinheiro serve unicamente para nos trazer felicidade e quando o temos, podemos, dando trabalho, fazer com que outras pessoas sejam felizes também.
- De onde tirou essa ideia, Raquel?
- Não sei, Lia.
Acho que ouvi em algum lugar.
Acho que cada um deve saber qual é a felicidade que deseja.
Para você, vejo que é apenas um ferro eléctrico.
Para mim, é dar uma boa vida para meus filhos.
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Ave sem Ninho

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:11 pm

- Parece estranho, mas, pensando bem, se não for para nos trazer felicidade, o dinheiro não serve para nada, mesmo.
Como você disse, estou muito feliz com meu ferro!
Raquel, rindo, disse:
- Que bom que esteja feliz, Lia.
Agora, preciso jantar e depois vou costurar.
Preciso terminar aquela cortina para que possa ser entregue amanhã, junto com os móveis.
- Você podia me ensinar, Raquel.
Assim, poderei costurar durante o dia.
Você trabalha muito!
- Não precisa, Lia.
Você tem muito mais trabalho cuidando da casa e dos meninos.
Trabalho não mata!
O que mata é a falta dele.
Lia, conhecendo Raquel, apenas sorriu.
Raquel trabalhou até tarde da noite, mas conseguiu terminar a cortina.
No dia seguinte, bem cedo, saiu novamente.
Norberto colocou a cortina no caminhão que ele dirigia e foi para a marcenaria.
Aquele seria mais um dia de entregas.
Raquel, após visitar alguns clientes, foi até a casa que estava sendo vendida.
Entrou, olhou e se admirou, pois, por fora, não parecia ser tão grande.
Conversou, soube o preço, regateou, combinou a forma de pagamento e fechou o negócio.
Foi para casa mais cedo.
Precisava contar a novidade para Lia.
Quando chegou, encontrou os meninos que brincavam no pequeno quintal.
Os meninos, assim que viram a mãe, correram para ela, abraçaram-na e foram abraçados com carinho.
Lia, ao vê-la, estranhou:
- O que está fazendo aqui em casa tão cedo, Raquel?
- Vim buscar vocês para irem a um lugar comigo!
Enquanto arrumo as crianças, arrume-se também, Lia.
O táxi está esperando aí fora.
Raquel vestiu os meninos.
Lia colocou seu melhor vestido.
Tomaram o táxi e foram embora.
O táxi parou em frente a um portão. Raquel desceu e, rindo, disse:
- Esta é a casa em que vamos morar.
- É muito grande, Raquel!
- Está dizendo isso, porque não viu por dentro, Lia!
Ela é maior do que parece!
Vamos entrar, estou com as chaves.
Entraram.
Assim que ela abriu o portão, as crianças entraram e ficaram paradas olhando o enorme quintal.
A casa havia sido construída no meio de um terreno muito grande.
Na frente, havia um jardim.
Dos lados, havia vários tipos de verdura e, nos fundos, árvores frutíferas.
Ao ver as árvores, os meninos não se contiveram e correram para uma delas, carregada de laranja.
Subiram pelo tronco e, lá do alto, jogavam laranjas para baixo.
Raquel e Lia felizes, acompanhavam toda essa movimentação.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:12 pm

- Vamos entrar, Lia!
Venha ver a casa por dentro.
Garanto que nunca viu outra igual!
Entraram e, realmente, Lia ficou encantada.
- Esta sala é grande e linda, Raquel!
- É sim, mas os quartos são maiores e olhe que tem quatro!
- Quatro quartos?
- Sim! Agora cada menino vai poder ter seu próprio quarto!
Estou muito feliz, Lia!
Quando me lembro daquele quartinho em que eu e Francisco moramos, quando nos casamos, nem acredito ter comprado uma casa como esta.
Nunca sonhei que houvesse igual e, muito menos, que algum dia seria minha!
Está vendo para que é que serve o dinheiro?
Para nos dar toda essa felicidade!
- É verdade, Raquel. Também estou feliz.
E esses móveis são lindos!
O antigo dono vai levá-los embora?
- Não. Os móveis vão ficar.
Conversei com o dono e ele me disse que está se mudando para uma casa maior e que, se eu quisesse, poderia ficar com toda a mobília também.
Como acho que está perfeito concordei.
- Ele vai para uma casa maior do que esta?
Não imagino de que tamanho possa ser!
- Nem eu, Lia!
Agora venha ver a cozinha, sei que vai gostar muito!
Lia, empolgada, acompanhou Raquel, que abriu uma porta para entrarem.
- O que é isso, Raquel?
- Esta cozinha é muito grande, não é?
- É enorme! O que é aquilo?
- Eu mesma não acredito, mas é um fogão a gás, Lia!
Você não vai mais precisar colocar carvão e esperar que o fogo fique em brasa, basta só girar este botão e riscar um fósforo!
Enquanto falava, Raquel acendeu o fogo e Lia ficou extasiada.
- Como pode ser isso, Raquel?
- Também fiquei encantada, mas ainda tem mais.
- Tem mais?
- Isso aqui é uma geladeira, Lia!
Agora vamos ter água gelada para beber sempre que quisermos e a comida pode ser guardada!
Não vai precisar cozinhar todos os dias!
- Isso é uma maravilha, Raquel!
- É mesmo! Sempre que via tudo isso nas revistas, ficava imaginando como seria ter todas essas coisas.
Agora vejo que é maravilhoso!
Raquel foi até a pia, abriu a torneira e a água começou a jorrar:
- Olhe, Lia? Quanta água sai desta torneira!
Não vamos mais ter de tirar água do poço.
Ela sai aqui desta torneira!
Tem torneiras aqui na pia da cozinha e nos banheiros também!
- Banheiros?
Quantos banheiros tem?
- Três! Tem um dentro do meu quarto, outro no corredor e outro no seu quarto também!
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:12 pm

- Banheiro dentro de casa?
- Sim e em cada um deles há um chuveiro eléctrico!
Nós nunca mais teremos de esperar a água esquentar para podermos tomar banho!
Não é uma maravilha!
- Como funciona?
- Venha, vou mostrar a você!
Pegando Lia pela mão, Raquel saiu da cozinha e entrou no banheiro que havia ali.
Abriu a torneira e em pouco tempo a água começou a jorrar.
- Coloque a mão, Lia!
Veja como está quente!
Lia colocou a mão e gritou, rindo:
- Está quente mesmo, Raquel!
Que maravilha!
- Quando poderíamos imaginar que isso existisse, não é?
Esta casa é perfeita, não é?
- Perfeita e maravilhosa e, se não estivesse vendo, não acreditaria!
Como pode acontecer isso, Raquel?
Como essa água chega às torneiras?
- O antigo dono me disse que mandou colocar uma bomba.
Essa bomba tira água do poço, joga para uma caixa grande que está no alto da casa e dessa caixa a água vai para todas as torneiras.
Isso se chama modernidade, Lia!
- Nossa, Raquel, para onde esse mundo vai?
- Estive pensando.
Já imaginou como tudo vai ser daqui a quarenta ou cinquenta anos?
Sei que não vai ser possível, mas bem que eu gostaria de estar viva para poder ver!
- Eu também, Raquel!
- Vai ser difícil pagar.
Vamos ter de fazer algumas economias, mas, no final, vai valer à pena.
Vamos morar em um castelo!
Lia começou a rir:
- Não acha que está muito velha para ser princesa?
- Velha coisa nenhuma!
Tenho muito para fazer nesta vida! Este é só o começo!
- Conhecendo você como conheço, sei que realmente é só o começo!
- Tudo isso eu devo a você e ao Norberto, Lia.
- A nós, por quê?
- Se não fosse pela ajuda que me deram, se você não tivesse cuidando dos meus filhos e Norberto da marcenaria, eu jamais teria chegado até aqui.
- Para nós não foi sacrifício algum, Raquel!
Gosto de seus filhos como se fossem meus, e Norberto adora trabalhar na marcenaria.
Está tudo certo.
- São amigos verdadeiros.
- Deixe isso para lá, Raquel.
O que pensa fazer da casa em que moramos?
- Ainda não sei.
Talvez a venda ou alugue.
Agora não é hora para se pensar nisso.
Precisamos ir para lá, arrumar nossas coisas e nos mudarmos o mais rápido possível.
- Já que não vamos trazer os móveis, vai ser muito simples.
Basta fazer algumas trouxas com as roupas, Norberto coloca no caminhão e nós nos mudamos.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 21, 2017 7:12 pm

Só de pensar que não vou mais precisar esquentar o ferro de passar com carvão nem o fogão e que vou ter água gelada para beber.
Não quero mais nada desta vida, Raquel!
Feliz, Raquel sorriu. Saíram da casa.
No quintal, os meninos, rindo, corriam e caíam sobre uma grama rasteira e muito verde.
Raquel chamou:
- Vamos, meninos!
Precisamos ir para casa!
Moacir, de longe, gritou:
- Não queremos ir, mãe!
Queremos ficar brincando!
- Vamos para casa arrumar as coisas e, amanhã, nos mudaremos para cá e poderão brincar à vontade!
- Vamos morar aqui, de verdade?
- Sim, Marcos.
Vamos morar aqui, de verdade!
Os meninos correram para ela e a abraçaram.
Assim que chegaram a casa, Raquel e Lia começaram a arrumar as roupas que levariam.
Quando Norberto chegou, admirou-se com toda a bagunça.
- O que está acontecendo aqui?
Lia, correndo para ele, abraçou-o e respondeu:
- Raquel comprou aquela casa, Norberto!
Ela é linda e vamos nos mudar!
- Comprou Raquel?
- Comprei. Fui até a marcenaria para que fosse comigo, mas você havia saído para fazer uma entrega.
- Fiquei na rua quase o dia todo.
Ainda bem, consegui vários cheques.
- Que bom Norberto, vamos precisar de muito dinheiro para pagar a casa.
- Vamos pagar Raquel. Não se preocupe.
Tudo está caminhando bem.
- Amanhã não vou sair para trabalhar, Lia.
Vou ficar em casa e ajudar você com a mudança.
Norberto, à tarde, você pode vir no caminhão para levar tudo?
- Tem que ser bem à tarde, Raquel.
Tenho mais entregas para fazer.
- Venha a hora que puder.
O mais importante é que todas as encomendas sejam entregues como o combinado.
No dia seguinte, bem cedo, elas continuaram a separar as roupas que levariam.
Aquelas que estavam pequenas para os meninos seriam doadas.
Tereza apareceu na porta da cozinha.
- Bom dia.
Raquel e Lia se voltaram.
- Bom dia, Tereza.
Tudo bem com você?
- Como podem ver, não está nada bem...
Raquel foi para junto dela:
- O que aconteceu, Tereza, por que está chorando?
- Ainda bem que você ainda não saiu para o trabalho, Raquel.
Estou desesperada e não sei o que fazer...
- Entre, Tereza, e sente-se.
Ela entrou e, chorando, falou:
- Arlete está grávida...
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