EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 13, 2017 8:16 pm

Algumas vezes, conseguimos; outras, não, mas tentamos sempre.
- Com meu filho vai ser diferente.
Ele vai conseguir?
- Vai sim, tenho certeza.
A missão dele é fazer com que Raquel desperte para a vida, consiga se conhecer e ultrapassar limites.
Temos fé que ele e ela conseguirão.
- O que vai acontecer?
- Nada que não esteja programado, mas durma bem.
Amanhã será um novo dia e, com ele, virão esperanças e realizações.
A senhora, sorrindo, desapareceu.
Francisco continuou dormindo profundamente.
Acordou pela manhã. Estava bem e, sem saber o motivo, feliz.
Arrumou-se e, rapidamente, saiu da casa.
No corredor, encontrou Tereza que voltava depois de ter levado um de seus filhos para a escola.
- Bom dia, Tereza!
- Bom dia, Francisco.
A que horas é a visita no hospital?
- Às três horas.
- Que pena. Não poderei ir.
- Não tem importância, Tereza.
Vou dizer a Raquel como está preocupada e feliz pela nossa criança.
Ela vai ficar contente.
- Faça isso, Francisco.
Quando ela chegar, vou ajudar no que for possível.
- Sei disso, Tereza.
Agora vou para a marcenaria.
- Até mais, Francisco.
Francisco foi para a marcenaria e começou a cortar as madeiras de acordo com o que havia desenhado.
Às duas horas da tarde, voltou a colocar o cartaz na porta e foi para o hospital.
Embora tranquilo, estava ansioso para ver Raquel e o menino que havia nascido.
Não sabia por que, mas sabia que era um menino.
Assim que chegou, obteve da recepcionista um cartão com o qual poderia ver Raquel.
Subiu a escada correndo. Não teve paciência de esperar o elevador.
Assim que chegou à porta do quarto cujo número estava marcado no cartão, parou.
Viu Raquel que estava em uma cama junto à janela.
Viu que havia mais cinco camas com mulheres deitadas e algumas com visitas.
Aproximou-se de Raquel e percebeu que ela estava abatida e com olheiras profundas.
Preocupado, beijou sua testa e perguntou:
- Como você está Raquel?
- Estou cansada, mas muito bem e feliz.
Já viu o nosso menino?
- Menino? É um menino, Raquel?
- É, sim, Francisco, e é lindo!
- Onde ele está?
- Lá no berçário.
A enfermeira disse que você poderia vê-lo.
Fica no quinto andar.
Francisco olhou para a porta.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 13, 2017 8:16 pm

- Vá, Francisco!
Ele beijou-a novamente e saiu apressado, quase correndo.
Novamente não teve paciência para esperar o elevador, subiu dois andares de escada.
Perguntou a uma enfermeira que passava onde ficava o berçário, ela lhe mostrou com a mão.
Ele se aproximou de uma janela. Olhou e pôde ver que duas enfermeiras cuidavam de várias crianças colocadas em berços.
Mostrou o cartão de visita com o nome de Raquel.
Uma das enfermeiras pegou uma criança em um dos berços e trouxe até perto da janela.
Francisco olhou para a criança, mas não pôde evitar que lágrimas de felicidade caíssem por seu rosto.
A enfermeira, acostumada com aquela cena, também sorriu e colocou a criança de volta no berço.
Francisco ficou ali, olhando o seu filho.
Feliz, pensou:
Raquel tem razão, ele é lindo mesmo...
Ele via somente as duas enfermeiras andando de um berço para outro, mas, se pudesse ver o plano espiritual, veria que sua avó estava ao seu lado e que, ao lado de cada berço, entidades vestidas de branco também estavam ali, cuidando daqueles espíritos que despertavam para a vida com seus deveres e obrigações.
Estavam ali e continuariam ao lado de cada um até que aquele de quem tomavam conta completasse a sua jornada.
Ficou ali olhando o filho.
Seu coração batia forte.
Ele é tão pequeno, será que vou conseguir dar a ele tudo do que precisa?
Será que vou conseguir fazer com que ele seja feliz?
Voltou para o quarto onde Raquel estava.
Desde que ele saiu, ela, ansiosa, olhava para a porta, esperando sua volta.
Assim que ele se aproximou, ela perguntou:
- Viu o nosso filho, Francisco?
- Vi Raquel! Realmente ele é lindo, mas muito pequeno...
Ela começou a rir:
- É pequeno, mas vai crescer Francisco!
Vai ser um moço muito bonito, você vai ver!
Ele segurou sua mão, abaixou-se e deu-lhe um beijo na testa.
- Obrigado, Raquel.
Estou muito feliz por nosso filho e por você ter sido tão valente...
- O que é isso, Francisco?
Valente coisa nenhuma.
Não sou a primeira e não serei a última a ter um filho.
Isso faz parte da mulher!
- Mesmo assim, obrigado.
Preciso contar a coisa maravilhosa que aconteceu!
- O que é?
Ele contou sobre Rui e sobre a encomenda que ele fez.
Ela ficou entusiasmada:
- Não disse a você, Francisco, que a marcenaria ia dar certo?
Esse é o primeiro cliente, você vai ver como, depois dele, outros virão!
- Espero que sim.
Precisamos de dinheiro para criar o nosso menino.
- Que vai se chamar Mauro.
- Mauro?
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 13, 2017 8:16 pm

- Sim. Por que, não gosta desse nome?
- Gosto, Raquel!
Você é a mãe, tem o direito de escolher o nome do filho.
Além do mais, esse nome me parece ser muito forte!
- O nome é tão forte como o nosso menino vai ser!
Francisco sorriu e voltou a beijá-la.
Alguns dias depois, Francisco levou Raquel e o menino para casa.
Tereza esperava por eles.
Assim que chegaram, ela pegou Mauro no colo e, feliz, disse:
- Ele é lindo, Raquel!
- É sim, Tereza! Vamos lá para casa?
Estou morrendo de saudade de tudo aqui.
- Não posso Raquel.
Preciso preparar o almoço das crianças, mais tarde eu vou até lá.
- Está bem. Sabe que sou mãe de primeira viagem, não sei se vou saber cuidar dele.
Minha mãe mora longe daqui, só conto com você.
- Não se preocupe com isso.
Toda mulher sabe cuidar de uma criança.
- Será, Tereza?
- Claro que sim, Raquel. Não se preocupe.
Depois que as crianças forem para a escola, vou até sua casa.
- Obrigada, Tereza, vou ficar esperando.
Tereza sorriu. Raquel e Francisco entraram em casa.
Assim que entrou, Raquel viu o berço que Francisco havia feito.
- Ele é lindo, Francisco!
Você não disse que tinha feito! É pequeno!
- Fiz, sim, Raquel.
Queria fazer uma surpresa.
Fiz um pouco menor para que pudesse caber no quarto.
Ficou lindo, não ficou?
Ainda mais depois que coloquei o lençol e o travesseiro que você bordou...
- Está maravilhoso, Francisco, digno de um príncipe!
- Nosso filho é um príncipe, Raquel!
- Tem razão, Francisco.
Ele é um príncipe, mesmo...
Raquel colocou o menino no berço e os dois ficaram olhando, enquanto ele dormia tranquilo.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 13, 2017 8:17 pm

DESCOBRINDO UMA PROFISSÃO
Como Raquel havia previsto, teve bastante dificuldade em cuidar do menino que chorava muito e ela não sabia o que fazer.
Francisco, apesar de não conseguir dormir durante a noite, saía cedo para o trabalho, precisava entregar a encomenda de Rui.
Raquel, também exausta, só contava com a ajuda de Tereza, que nunca lhe faltou.
O tempo passou. Mauro estava com seis meses.
Francisco entregou a encomenda de Rui e ficou à espera de novas encomendas que não chegaram.
Em uma noite, quando voltou do trabalho, Raquel percebeu que ele não estava bem. Perguntou:
- O que aconteceu, Francisco, parece que está preocupado?
- Estou mesmo, Raquel.
O trabalho é pouco.
O dinheiro que ganhei com aquela encomenda grande já está terminando e não sei como vai ficar a nossa situação.
- Não adianta ficar nervoso dessa maneira.
Alguma coisa vai acontecer e tudo vai ficar bem.
- Você é sempre optimista, mas as coisas não estão bem.
Raquel ficou em silêncio, pois, embora quisesse animar Francisco, sabia que ele tinha razão.
Se não recebesse logo uma encomenda, passariam por dificuldades.
Parecendo ter uma ideia, disse:
- Francisco, posso sair e tentar vender seus móveis.
- Como, Raquel? Precisa cuidar do Mauro e da casa...
- Da casa, eu cuido pela manhã e, à tarde, posso sair e tentar vender.
- E o menino, como vai ficar?
Vai levá-lo com você?
- Não, não posso, pois, além de ele ficar cansado, o que não é justo, eu não poderia conversar com as pessoas.
Estaria preocupada com ele.
- Então, como vê, sua ideia é boa, mas não há o que fazer.
- Vou conversar com Tereza.
À tarde, as crianças dela vão para a escola e ela fica sozinha.
Vou perguntar se, nesse tempo, não pode cuidar do Mauro.
- Acha que ela vai aceitar sua oferta?
- Não sei, mas não custa tentar.
Ela gosta do Mauro e me ajuda a cuidar dele.
Acho que não vai se importar em ficar mais tempo com ele.
Não podemos nos esquecer de que ele costuma dormir todas as tardes.
- Será que você vai conseguir vender?
- Não sei, nunca fiz isso, mas vou tentar.
O que sei é que você precisa de trabalho e não pode se afastar da marcenaria para mostrar os seus móveis.
- Nisso você tem razão.
- Ainda bem que concordou.
Amanhã, logo cedo, vou conversar com Tereza e se ela aceitar, à tarde, vou sair e vir o que consigo.
- Está bem. Embora ache que a mulher não deve trabalhar fora, sinto que preciso da sua ajuda...
- Pare com isso, Francisco!
Não estou ajudando a você, estou ajudando a nós dois e ao nosso filho.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 13, 2017 8:17 pm

- Será que vai conseguir?
- Já disse que não sei, mas tenho a mesma capacidade que qualquer homem.
Isso da mulher não poder trabalhar vai ter que mudar.
A casa não é só do homem, é da mulher também.
- Está bem, já me convenceu.
Não precisa ficar nervosa...
- Fico nervosa quando ouço dizer que a mulher não pode trabalhar, porque, no fundo, o que querem dizer é que não temos capacidade e isso me traz uma revolta imensa.
Somos todos seres humanos, Francisco.
O cérebro, tanto do homem como da mulher, é igual!
Tanto o homem quanto a mulher têm a mesma capacidade e vou provar!
Vou ser a melhor vendedora do mundo!
Francisco começou a rir.
Ela ficou furiosa:
- Do que está rindo?
- De você, de como fica linda quando está nervosa...
Ela também riu e se abraçaram.
- Faça o que quiser Raquel.
Se Mauro ficar com Tereza, sei que estará bem e isso é o que importa realmente.
- Não existe melhor pessoa para cuidar dele.
Tomara que ela aceite, Francisco.
Agora vamos jantar e deixar os problemas para amanhã.
No dia seguinte, logo pela manhã, Raquel foi até a casa de Tereza, que lavava a louça do café.
Entrou. Tereza se admirou:
- Raquel, você há esta hora aqui!
Aconteceu alguma coisa com o Mauro? Ele está doente?
- Não, Tereza. Ele está muito bem.
Está brincando no berço.
Preciso falar com você.
- Comigo? Sobre o quê?
Raquel contou à conversa que havia tido com Francisco.
No final, perguntou:
- Você pode me ajudar, Tereza?
- Claro que sim! Mauro é uma criança tranquila, não vai me dar trabalho algum!
Meus filhos já estão criados.
Só o Julinho ainda vai para a escola, a Arlete e o Elias estão trabalhando.
Durante as tardes, fico sozinha.
Pode ir sossegada e não se preocupe, seu filho ficará em boas mãos.
- Disso tenho certeza, ele não poderia ficar em melhores mãos.
Obrigada, Tereza e, se eu conseguir vender os móveis, darei a você uma percentagem.
- Não precisa Raquel.
Só quero que fiquem bem e que a marcenaria vá para frente realmente.
Sei que, se tivesse sido o contrário, você também me ajudaria.
Naquele mesmo dia, Raquel, depois de dar o almoço para Mauro, levou-o para a casa de Tereza que o colocou para dormir e, pegando as fotografias que Francisco havia lhe dado, saiu para tentar vender os móveis.
Resolveu que deveria ir para o centro da cidade, pois ali se encontrava a maioria dos escritórios.
Antes de sair, rezou, pedindo que Deus a ajudasse. Se pudesse ver, notaria que um vulto de mulher, sorrindo, estava ao seu lado e a acompanharia durante todo o tempo.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:12 pm

Para chegar ao centro, precisava pegar um ônibus, que demorava mais ou menos quarenta minutos.
Assim que o ônibus parou, ela desceu e ficou olhando, sem saber para que lado devesse ir.
Depois de algum tempo, resolveu seguir em frente.
O vulto a acompanhava.
Entrou no primeiro escritório e notou que, como todos os outros, aquele também tinha móveis escuros e pesados, o que dava a impressão de ser pequeno.
Falou com o chefe do escritório, mostrou as fotografias, mas ele não se mostrou interessado.
Embora decepcionada, não desistiu e continuou entrando nos escritórios e mostrando as fotografias.
Andou a tarde toda e, como não conseguiu vender, resolveu que estava na hora de voltar para casa. São cinco horas.
Preciso ir embora para fazer o jantar.
Não pensei que seria tão difícil conseguir uma venda, mas não posso desistir.
Sinto que esse é o caminho que devo seguir.
O vulto que estava ao seu lado sorriu.
Caminhou em direcção ao ponto de ônibus.
Quando estava chegando perto, o vulto disse:
- Pare e olhe à sua direita.
Embora não tivesse ouvido, parou e olhou para a direita.
Viu que havia uma imobiliária.
No meio de muitas placas de propaganda de imóveis para vender, havia uma que dizia vender um escritório.
O vulto disse:
- Entre aí e veja o que pode acontecer.
Sem saber o porquê, resolveu entrar.
Assim que entrou, viu que um senhor conversava com outro.
Parou junto a um balcão. Um dos senhores, vendo-a ali, parada, sorrindo, perguntou:
- Posso ajudá-la?
- Talvez.
- Está procurando um imóvel para alugar ou comprar?
- Não. Não estou procurando.
Ele, sem entender, continuou olhando para ela, que disse:
- Na realidade, estou vendendo móveis para escritórios.
Vi sua placa que diz que tem um para vender.
- Tem razão. Não tenho só um, tenho vários, mas não estou entendendo aonde quer chegar.
Raquel tirou da bolsa as fotografias e, enquanto mostrava, disse:
- Como pode ver, meus móveis são totalmente diferentes daqueles usados até então.
Com eles, o ambiente de trabalho se tornará maior e mais agradável.
As pessoas terão prazer em trabalhar.
O homem, enquanto olhava as fotografias, disse:
- Interessante, mas não entendo como posso ajudá-la.
Aqui não vendemos móveis, apenas imóveis.
- Sei disso, mas tive uma ideia que poderá ser boa para nós dois.
- Que ideia?
- Sempre que o senhor vender ou alugar um escritório e a pessoa que o adquirir precisar de móveis, o senhor pode mostrar as fotografias.
Se houver interesse, o senhor me comunica, eu vou falar com ela e tento vender os móveis.
Se conseguir vender, eu lhe darei uma comissão de três por cento.
Assim, nós dois poderemos ganhar.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:13 pm

O homem, que não estava acostumado a ver uma mulher trabalhando, muito menos vendendo, olhou para o outro com quem estava conversando e lhe entregou as fotografias.
O homem olhou as fotografias e, depois, disse:
- Esses móveis são interessantes.
- Sim, diferentes de tudo o que o senhor já viu, não é?
- A senhora tem razão.
Jamais imaginei ter móveis como estes em meu escritório.
Raquel percebeu que ele estava empolgado.
Mais empolgada ainda, disse:
- Como pode ver com móveis iguais a estes, o ambiente vai parecer maior.
- A senhora tem os preços?
- Sim, estão atrás de cada fotografia.
O homem virou as fotos e viu o preço.
Admirado, disse:
- São mais baratos que os atuais!
- Sim, o fabricante deseja que seus móveis sejam conhecidos.
Por isso, sua margem de lucro é pequena.
- Gostei... Gostei...
Raquel, tentando não demonstrar seu contentamento, ficou olhando para o homem que olhava, novamente, uma a uma as fotografias.
- Gostei mesmo, minha senhora.
Terminei de comprar um escritório e vou precisar de móveis.
Gostaria de ir até o fabricante, ver os móveis e fazer um pedido.
Ainda tentando não demonstrar seu contentamento, Raquel disse:
- Vou escrever o endereço e o senhor poderá ir até lá quando quiser.
Sei que, vendo os móveis, não deixará de comprá-los.
Escreveu o endereço em um papel que o dono da imobiliária lhe deu.
O homem pegou o papel, olhou e guardou em um de seus bolsos.
- Eu irei até lá.
Gostei muito de seus móveis.
- Estaremos esperando, senhor.
Ele sorriu e se afastou.
Raquel, feliz, olhou para o dono da imobiliária.
- Então, o senhor vai aceitar a minha proposta?
- Confesso que não havia me interessado, mas ao ver o entusiasmo do meu cliente, vamos fazer negócio.
Deixe as fotografias e eu vou mostrar a todos que comprarem escritórios.
Veremos o que vai dar.
Empolgada, Raquel se despediu e, apressada, foi para o ponto de ônibus.
Assim que o ônibus chegou, ela subiu e sentou-se.
Enquanto o ônibus seguia, ela pensava:
Ele vai até a marcenaria e vai fazer o pedido.
Assim, Francisco vai ter mais trabalho e poderemos ficar tranquilos por mais algum tempo.
Não sei o porquê, mas sinto que tudo vai dar certo.
Preciso chegar logo.
Não sei como Mauro ficou.
Espero que Tereza não se arrependa e fique com ele mais vezes.
Preciso, ainda, fazer o jantar.
O vulto de mulher que estava ao seu lado sorriu.
O ônibus parou no ponto em que ela deveria descer.
Desceu e, apressada, foi para casa.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:13 pm

Tereza, ao vê-la chegar, disse:
- Que bom que chegou Raquel.
O Mauro ficou bem até agora, mas começou a chorar.
Já dei leite e troquei sua fralda, mas ele não pára.
Raquel pegou Mauro no colo e, enquanto o embalava, disse:
- Desculpe Tereza.
Sei que me atrasei, mas consegui mostrar as fotografias a um homem que se interessou.
Acho, acho não, tenho certeza de que ele vai comprar os móveis de que precisa para o escritório que acabou de adquirir!
- Ainda bem, Raquel!
Tomara que ele compre mesmo!
- Vai comprar Tereza, e eu vou dar a você uma percentagem.
- Não precisa Raquel.
Eu disse que cuidaria e vou cuidar de Mauro para que você possa trabalhar.
- Não sei como agradecer, Tereza.
Se não fosse por você, eu não poderia sair.
- Não se preocupe.
Embora ele tenha chorado agora, foi uma companhia para mim.
Ele é um menino lindo e muito bom.
- Obrigada, Tereza.
Agora, preciso fazer o meu jantar.
Não vejo a hora de que Francisco chegue para que eu conte tudo o que aconteceu.
- Ele vai ficar feliz, Raquel.
- Vai sim...
Raquel, com Mauro no colo, foi para sua casa e começou a fazer o jantar.
Quando Francisco chegou, ela estava terminando.
Ele entrou em casa e, como sempre fazia, beijou-a no rosto.
Não pôde deixar de notar a felicidade em seus olhos.
Curioso, perguntou:
- O que aconteceu?
Conseguiu vender?
- Sente-se e, enquanto comemos, vou contar tudo o que aconteceu.
Ele, mais curioso ainda, sentou-se.
Raquel serviu a comida e se sentou também.
Colocou Mauro em uma cadeira alta.
Enquanto comia, dava comida a ele.
Contou a Francisco tudo o que havia acontecido.
Assim que ela terminou, ele, empolgado, perguntou:
- Você conseguiu Raquel? Conseguiu vender?
- Ainda não, mas sei que ele vai visitar você.
Gostou muito dos móveis e não fez questão alguma de esconder!
- Tomara que venha, mesmo!
Essa sua ideia de falar com o dono da imobiliária foi muito boa!
- Não sei explicar como tive essa ideia.
Andei a tarde toda e não consegui nada.
De repente, não sei como, olhei para uma placa que dizia que ali se vendiam escritórios.
Tive a ideia, entrei e parece que tudo vai dar certo!
Não sei mesmo como essa ideia apareceu.
Acho que foi Deus, Francisco.
O vulto da mulher que a acompanhou durante todo o tempo sorriu outra vez.
- Só que tem um problema.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:13 pm

- Qual problema, Raquel?
- Tive de deixar as fotografias com o dono da imobiliária.
Você tem outras?
Vou precisar de muitas.
- Tenho algumas, mas vou tirar mais.
Só que custa caro mandar revelar.
- É um dinheiro que precisamos gastar Francisco.
As pessoas precisam conhecer seus móveis e só pode ser dessa maneira.
O vulto da mulher que a acompanhou durante todo o tempo sorriu outra vez.
Terminaram de jantar.
Raquel foi cuidar de Mauro.
Deu-lhe um banho e colocou-o no berço.
Ele dormiu em seguida.
Francisco, deitado em sua cama, acompanhava todos os passos dela.
Em dado momento, disse:
- Raquel, preciso confessar que não acreditava que você ia conseguir.
Só concordei com você para que não brigasse comigo.
- Não ia conseguir, por quê?
Por que sou mulher?
É isso que está dizendo, Francisco?
- Calma, Raquel, mas é isso mesmo.
Não pensei que ia conseguir.
Não pode negar que a mulher não foi criada para trabalhar fora de casa.
Sempre soube que a mulher devia só se preocupar com a casa e a criação dos filhos.
- Tem razão. O mesmo aconteceu com a minha mãe, mas isso nunca quis dizer que as mulheres não tivessem capacidade.
Simplesmente aceitaram a situação, mas isso precisa mudar Francisco.
As mulheres podem cuidar da casa, do marido, dos filhos e ainda trabalhar, ganhar seu próprio dinheiro.
- Estou vendo que está com razão.
Você, apesar de ter ficado a tarde toda na rua, está com a casa em ordem, e o jantar também.
Nosso filho está tranquilo.
Você tem capacidade, sim, Raquel.
Raquel começou a rir:
- Você não conhece mesmo a mulher, Francisco!
Ela, diferente dos homens que só conseguem fazer uma coisa por vez, faz várias.
Cuida da casa, atende aos filhos e ainda faz comida, tudo junto e de uma vez.
Duvido de que você ou qualquer outro homem consiga fazer isso.
Ele ficou calado, apenas pensando.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:13 pm

CONSCIENTIZAÇÃO
Naquela noite, Raquel quase não conseguiu dormir.
Estava ansiosa para que o dia seguinte chegasse.
Queria ver se o tal senhor iria mesmo até a marcenaria para comprar os móveis.
Antes de adormecer, agradeceu a Deus por aquele dia.
Como fazia todos os dias, acordou cedo e preparou o café para Francisco que levantaria um pouco depois.
Enquanto o café era coado, ela preparou uma marmita com a comida que Francisco levaria para o trabalho e que, na hora do almoço, esquentaria em uma espiriteira acesa com álcool.
Como não possuíam geladeira, a comida precisava ser preparada pela manhã.
Antes de Francisco se levantar, ela pegou as roupas sujas do dia anterior e colocou-as no tanque.
Elas precisavam ser lavadas antes do almoço.
Não tinham muitas roupas, nem muitas fraldas para Mauro.
Logo, as roupas precisavam ser lavadas e passadas todos os dias.
Francisco levantou-se, pegou um pedaço de pão, pegou uma caneca de alumínio, dentro dela, colocou o pedaço do pão, café e leite, misturou tudo e, com uma colher, deu a Mauro, que comeu deliciosamente.
Depois, deu a Raquel algumas fotografias e o filme para que pudesse fazer algumas cópias.
Raquel acompanhou-o até o portão de casa.
Voltando pelo corredor, cumprimentou Tereza rapidamente e foi para casa terminar a arrumação, preparar as roupas e comida que precisava deixar com Tereza para que ela pudesse cuidar de Mauro.
Estava distraída cuidando de tudo, quando Tereza chegou junto à porta.
- Bom dia, Raquel.
- Bom dia, Tereza.
Estou terminando de arrumar tudo para poder sair.
Sinto que, hoje, também vou conseguir vender ou pelo menos fazer com que alguém se interesse pelos móveis.
- É sobre isso que vim conversar com você...
- O que aconteceu, Tereza?
- Não posso mais cuidar do Mauro...
Raquel estremeceu.
- O quê? Por quê?
- O Manoel ficou muito bravo.
Disse que eu não posso ficar responsável pelo seu filho e que já tenho os meus para cuidar.
- Você disse a ele que preciso sair para tentar vender os móveis?
- Disse, mas ele não se importou.
Ele falou que o lugar da mulher é dentro de casa e que cabe ao homem trazer o sustento de casa.
Perguntou se Francisco não tem vergonha de deixar você sair de casa para trabalhar.
- Vergonha? Por que, Tereza?
Estou apenas saindo para trabalhar.
Que mal há em a mulher ajudar o marido para que possam ter uma vida melhor?
- Também penso assim, mas Manoel, não.
Ele deixou bem claro que não deixa faltar nada aqui em casa e não quer que eu trabalhe nem que cuide do Mauro.
Sinto muito, mas preciso obedecer.
Ele disse que, se não fizer isso, ele pode ficar nervoso e, quando isso acontece, você sabe o que ocorre.
Ele me agride e às crianças também.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:14 pm

Você já viu isso acontecer, não viu?
- Vi, sim, e confesso que fiquei apavorada.
Você não precisa obedecer, Tereza, muito menos ser agredida da maneira como é!
Você não é um animal que precisa ser alimentado, protegido e que, se não fizer o que seu dono quer, ele a castiga!
Você é uma mulher, um ser humano!
Tem seu valor, sabe pensar!
Não pode continuar aceitando ser tratada dessa maneira!
- Que bom seria se tudo isso o que está dizendo fosse verdade, Raquel, mas, na realidade, não é.
Sabe que nós, as mulheres, somos dependentes de nossos maridos para tudo.
São eles que trazem o sustento para casa, portanto, são eles que dão as ordens, que mandam...
- Embora eu saiba que é assim, recuso-me a aceitar, Tereza.
Quando me casei, foi para ter um lar, filhos e um lugar onde esses filhos pudessem crescer felizes.
Acho que eles jamais seriam felizes, vivendo em uma casa onde o pai espanca a mãe e a eles próprios.
Em uma casa onde há brigas, gritos e safanões!
Com uma mãe incapaz de reagir e de protegê-los!
Eles não seriam felizes e muito menos eu!
- Para você é fácil falar, Raquel.
Francisco é calmo, mas com Manoel é diferente.
Ele tem génio forte.
É sistemático...
- Génio forte, sistemático?
Coisa nenhuma, ele se julga superior, é mal educado e não gosta de você nem dos filhos!
Percebeu que você não reage e que nunca vai reagir!
Sabe que tem o poder em suas mãos.
Sabe que, por um prato de comida e um tecto para dormir, você o aceita da maneira como ele é!
Isso não está certo, entre marido e mulher não pode existir poder!
Os dois devem caminhar juntos e lutar por uma mesma causa!
- A vida é assim, Raquel!
O avô dele agia assim, o pai também e os filhos continuarão agindo igual.
Ao ouvir aquilo, Raquel falou gritando:
- Não, Tereza! Seus filhos precisam cortar essa corrente de horror!
Eles não podem continuar sendo como o pai e avôs!
Eles precisam aprender a respeitar e amar, realmente, suas mulheres e seus filhos!
Eles precisam aprender que a mulher é companheira, não propriedade ou escrava!
E cabe a você, como mãe, ensinar isso a eles!
Cabe a você, Tereza, que a próxima geração comece uma mudança que será boa, não só para as mulheres, mas para todos.
Os seres humanos são todos iguais, não importando se são homens ou mulheres!
- Seria bom se isso pudesse ser mudado, mas não vai ser não, Raquel!
- Claro que vai, Tereza!
Precisa ser mudado!
Cabe a nós, como mães, começarmos essa mudança!
Precisamos ensinar aos nossos filhos a mudar tudo isso.
Precisamos ensinar aos nossos filhos não só a amar suas mulheres, mas também a respeitá-las!
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:14 pm

- Não sei se vai acontecer, mas, enquanto não acontece, vou continuar obedecendo ao meu marido e a fazer tudo o que ele quer.
- Pois eu, não sei como, vou continuar o meu trabalho.
Meu marido está precisando de ajuda para poder tocar a empresa que, sob minha sugestão, abriu.
Eu posso ajudá-lo.
Ontem, percebi que sei como vender.
Sei que, se eu vender mais, Francisco também terá mais trabalho e, consequentemente, teremos uma vida melhor.
Não vejo mal algum nem vergonha alguma para o meu marido.
Você me pegou de surpresa e ainda não sei o que fazer, mas tenho certeza de que vou encontrar um meio de continuar vendendo os móveis e de ajudar o meu marido e ajudar a mim própria a me tornar uma mulher útil, não só a mim, mas à sociedade também.
- Você acha que criar e educar os filhos não é útil?
As mulheres que cuidam e dão educação aos filhos não os estão preparando para o futuro, para que sejam pessoas de bem?
- Claro que criar e cuidar de uma criança é útil e necessário, mas a vida da mulher não pode se resumir somente a isso, Tereza.
Seus filhos estão criados e têm suas próprias vidas.
Não quero que aconteça comigo o que aconteceu com nossas mães, agora que os filhos cresceram e estão casados não sabem o que fazer com a vida.
Se tivessem tido uma profissão, seu próprio dinheiro enxergariam a vida de uma maneira diferente.
- Nossos filhos precisam de ensinamentos que só uma mãe pode dar.
- Que ensinamentos, Tereza?
O que temos para ensinar aos nossos filhos a não ser higiene e bom comportamento?
Claro que temos muitas coisas para ensinar, mas não tudo, porque também não sabemos.
Em casa, eles receberão um tipo de educação, mas, se não aprenderem na escola e, principalmente, com a vida, nada saberão.
O crescimento é uma educação constante.
Viver é um aprendizado constante, e a mulher só poderá dar uma boa educação aos filhos, quando ela própria souber da vida e de tudo o mais.
- Você não é deste tempo, Raquel!
Você é louca! - Tereza disse, rindo.
Raquel também riu:
- Acho que você tem razão, Tereza.
Não sou deste tempo, mesmo.
Estava passando por uma banca de jornal e vi a propaganda de um fogão a gás, mas é muito caro e não poderemos comprar ao menos por um longo tempo.
Já pensou Tereza, você se levantar, pela manhã, virar um botão e poder cozinhar rapidamente, sem ter de colocar carvão e esperar que se acenda e se torne brasa?
Vi, também, a propaganda de uma geladeira, outro sonho distante.
Já pensou se pudéssemos cozinhar no dia anterior, guardar na geladeira, sem precisarmos nos levantar de madrugada para poder preparar a comida que nossos maridos levam para o trabalho?
Já existe um ferro de passar eléctrico.
Com ele, não vai mais ser preciso se colocar brasa no ferro para que esquente e só depois disso passar roupa.
Basta colocar na tomada que ele esquenta na hora.
Todo esse conforto já existe, Tereza!
Tereza ficou com o olhar distante, imaginando.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:14 pm

- Seria muito bom, mesmo, Raquel...
- Essas facilidades existem, Tereza, só que o dinheiro que nossos maridos ganham não dá para comprar.
Se trabalhássemos, poderíamos pagar em prestações mensais e poderíamos ter a mesma comodidade que os ricos já têm.
- Você tem razão, mas Manoel nunca vai permitir que eu trabalhe fora.
- Ele não quer que você tenha seu próprio dinheiro.
Acho que o homem tem medo de que se a mulher trabalhar fora e tiver como se sustentar, ele perderá o controle e não poderá mais subjugá-la.
- Os homens acham que devem trazer o dinheiro para casa.
- Não, Tereza!
Eles acham que não temos capacidade.
Que somos fracas, mas isso é bobagem.
Na Europa, durante a guerra, enquanto os homens lutavam, as mulheres assumiram todos os cargos que, antes, eram só deles.
Elas trabalharam em fábricas, hospitais e em todos os seguimentos.
Deram conta do trabalho.
Quando eles voltaram, elas foram despedidas e tiveram de voltar à vida de antes.
Voltaram a cuidar da casa e a criar os filhos.
Acredita que essas mulheres vão se conformar em viver como viviam antigamente?
Nunca! Eu não me conformaria.
- Não vi essa notícia em lugar algum, Raquel.
Aliás, não gosto de ouvir notícias pelo rádio.
Prefiro seguir minhas novelas ou ouvir música.
- Esse é outro problema da mulher, Tereza.
A mulher acha que a maneira como o país caminha não tem nada a ver com a sua casa, com sua família e, por isso, não se importa com o que está acontecendo aqui e no mundo.
Mas, tudo o que acontece nos atinge, sim, Tereza.
O mundo só vai evoluir para melhor, quando homens e mulheres se empenharem em seguir o que os políticos fazem com ele.
As novelas no rádio são bonitas e nos prendem a atenção, mas não são reais.
Real é irmos ao armazém e não termos dinheiro para comprar comida.
Real é querermos ter uma geladeira, um fogão ou um ferro de passar e não termos dinheiro para comprar.
Estamos no século vinte, precisamos acompanhar o crescimento da sociedade!
Precisamos nos modernizar!
Precisamos nos interessar pela política do nosso país e do mundo!
Precisamos ser vistas não como mulheres, mas como seres humanos capazes de fazer tudo o que quisermos!
Precisamos ser donas de nossas vidas e do nosso destino!
- O que posso fazer?
Já estou com trinta e oito anos, vou fazer o que da minha vida?
- Você se acha velha com trinta e oito anos, Tereza?
- Claro que sim, Raquel!
Meus filhos estão criados, logo mais estarão casados.
Já cumpri minha missão.
O que uma mulher com trinta e oito anos pode fazer?
Como posso ter o meu próprio dinheiro se nunca estudei, nunca trabalhei fora.
Quando me casei, tinha dezoito anos e nunca me preocupei com os estudos.
Só queria me casar para poder sair da casa dos meus pais e ter a minha própria casa, meu marido e meus filhos.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:14 pm

Consegui tudo o que queria.
- Não, Tereza, você não é velha nem cumpriu sua missão!
Seus filhos vão se casar, mas você é ainda muito jovem, tem muito a fazer!
- Fazer o quê, Raquel?
- Agora que seus filhos cresceram você pode estudar e encontrar uma profissão!
Ser alguém, se realizar como mulher!
- Eu não conseguiria estudar, não agora, com esta idade.
- Que idade, Tereza?
Você só tem trinta e oito anos!
Tem muito tempo pela frente!
Procure uma escola, estude!
Só assim vai saber o que está acontecendo no Brasil e no mundo!
Vai saber o que os políticos estão fazendo com o nosso país!
Precisa se interessar por essas coisas!
Novelas servem somente para distrair.
Nada pode impedir que você cresça como ser humano! Como mulher!
- Não, Raquel!
Tudo isso dá muito trabalho!
Não vou deixar de ouvir as minhas novelas e minhas músicas para ouvir um político falar.
Não tenho nada a ver com eles.
Minha vida está muito boa.
Não quero que nada mude...
Não quero não...
Meu marido que continue se preocupando com o nosso sustento.
Isso compete a ele.
Raquel, desanimada, mas entendendo que realmente não era daquele tempo, apenas sorriu:
- Bem, Tereza, você tem razão.
Continue pensando assim e eu continuarei pensando da minha maneira.
Ninguém muda ninguém.
Já que não vai poder continuar a cuidar do Mauro e eu não quero deixar de vender os móveis, preciso encontrar uma maneira.
- Você vai conseguir Raquel.
Tem força de vontade e seu marido não se envergonha de que trabalhe fora.
Quanto a mim, já viu, não é?
- Isso mesmo, Tereza.
Vou encontrar uma maneira.
Vou poder comprar o meu fogão, a minha geladeira e tudo o que desejar...
Tereza, constrangida por querer e não poder, além de ajudar Raquel, ter um pouco de dinheiro, se afastou.
Enquanto ela se afastava, Raquel olhou para Mauro que estava sentado no chão, com um carrinho na mão.
Será que vou poder dar uma boa educação a você, meu filho?
Será que vou conseguir fazer você entender que não é superior a uma mulher, mas um ser humano igual ela?
Tomara que muitas mulheres estejam pensando como eu e preparem seus filhos para a próxima geração, onde a mulher tenha respeito...
Voltou aos seus afazeres.
Enquanto terminava o trabalho da casa, pensava:
Não posso deixar de visitar as imobiliárias, mas preciso cuidar do Mauro.
Se na marcenaria não tivesse tanto pó e aquele cheiro forte de madeira e tinta, ele poderia ficar com Francisco, mas não pode.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:15 pm

Ele ficaria doente.
A única maneira será eu levá-lo comigo.
Sei que vai ser trabalhoso, e que ele ficará cansado, mas precisa ser assim.
Quando Francisco conseguir mais trabalho, poderei ficar algum tempo em casa, mas agora não dá.
Preciso terminar o trabalho que comecei.
Preciso vender muitos móveis.
O vulto de mulher que sempre estava ao seu lado sorriu.
Estendeu a mão sobre Raquel, que sentiu uma suave brisa passando por seus cabelos.
Raquel não imaginava que aquela mulher estava ali ao seu lado, mas, sem saber dizer o porquê, olhou para Mauro, que engatinhava no chão e pensou:
Sei o que vou fazer.
Já que Tereza não vai poder ficar com Mauro, não preciso esperar até depois do almoço para poder sair.
Olhou para o relógio que estava pendurado e continuou pensando.
Ainda não são oito horas, se eu sair daqui agora, chegarei quando os escritórios e imobiliárias estiverem abrindo.
Posso percorrer alguns e voltar, cuidar da casa e da roupa suja.
Assim, Mauro poderá dormir à tarde e não ficará tão cansado...
Sorriu, pegou Mauro no colo e começou a trocar suas roupas e a prepará-lo para sair.
Depois de trocar Mauro, colocou, em uma sacola, uma mamadeira com leite, outra com água, alguns pedacinhos de pão com manteiga e saiu.
Já na rua, caminhou até o ponto do ônibus.
Aquela caminhada nunca lhe pareceu tão longa.
Com o menino no colo e a sacola, foi muito difícil subir para o ônibus, mas nada a desanimava:
Assim que subiu e se sentou, pensou:
Sei que não vai ser fácil, mas vou conseguir!
Preciso conseguir, não só para ajudar Francisco, mas para provar a mim mesma que posso fazer mais do que cuidar da casa e criar filhos.
Dez minutos após, o ônibus começar a andar, Mauro adormeceu e ela ficou olhando pela janela, guardando, na memória, os escritórios e imobiliárias que existiam naquelas ruas por onde ele passava.
Preciso visitar todos esses locais.
Sei que, em algum, vou conseguir vender.
Depois de quase quarenta minutos, o ônibus parou no ponto final.
Ela, com Mauro ainda adormecido, foi ajudada por um rapaz para que pudesse descer.
Assim que desceu, ficou olhando de um lado para outro sem saber que caminho tomar.
Escolheu um dos lados da rua e começou a caminhar.
Sei que, com Mauro, não vai ser fácil, mas vou conseguir!
Sei que vou!
Nossa empresa vai crescer muito!
O vulto de mulher que sempre a acompanhava sorriu e disse:
As coisas não são sempre como imaginamos e desejamos Raquel.
Nem tudo aquilo que achamos ser o melhor para nós, na realidade o é...
Raquel, sem imaginar que ela estava perto, pensou:
Sinto que estou no caminho certo.
Vai dar certo! Precisa dar!
Parou diante de uma porta onde funcionava um escritório.
Ela não sabia do que se tratava, mas, mesmo assim, entrou.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:15 pm

Foi recebida por um senhor que, após ouvir o que ela tinha para dizer, falou:
- Sinto muito, mas o patrão não está aqui.
Volte outro dia.
Ela, ao ouvir aquilo, mesmo frustrada, sorriu e saiu.
Entrou em vários lugares, mas não conseguiu, sequer, mostrar as fotografias.
Mesmo assim, com Mauro no colo, agora acordado, continuou andando.
Parou em frente a uma grande porta feita em madeira de lei.
Diante dela, havia uma escada e, ao lado, um elevador, onde uma fila enorme o esperava.
Resolveu não esperar e subiu a escada.
No alto, já quase sem fôlego, respirou fundo, bateu à porta.
Um rapaz abriu e ela entrou.
Conversou com o rapaz.
Quando terminou de falar, o rapaz disse:
- Aguarde um momento, por favor.
Vou falar com o senhor Anésio.
Assim dizendo, entrou por uma porta.
Raquel, agora, podia olhar tudo à sua volta.
Logo depois, o rapaz voltou e pediu que ela o acompanhasse.
Ela o acompanhou, entrou em outra sala, que, como as demais, tinha aqueles móveis antigos e pesados.
Pegou as fotografias e mostrou ao homem que olhou.
Nesse exacto momento, Mauro começou a chorar.
O homem olhou para o menino, depois para ela e, nervoso, disse:
- Sinto muito, minha senhora, mas não podemos continuar.
Seu filho está precisando de assistência.
Ela, desesperada, balançou Mauro para que parasse de chorar, mas ele não parou.
O homem, mais nervoso ainda, disse:
- Não tem condições, minha senhora.
Como vê seu lugar não é aqui tentando me vender algo!
Seu lugar é na sua casa, cuidando de seu filho!
Seu marido sabe que está fazendo isso ou não tem marido?
Ao ouvir aquilo, ela estremeceu, sentiu um ódio muito forte e todo seu sangue subiu para sua cabeça.
Altiva, respondeu:
- Tenho marido, sim!
Ele está precisando de ajuda e ninguém melhor do que eu para fazer isso!
- Não, minha senhora!
O seu lugar é na sua casa, cuidando dela e de seu filho, não de ficar perambulando pelas ruas, sacrificando essa criança!
Seu marido que seja homem o suficiente para manter sua casa!
Cada um tem um lugar na sociedade e o seu é na sua casa! Bom dia!
Assim dizendo, ele se levantou e abriu a porta para que ela saísse.
Sentindo as lágrimas querendo descer por seu rosto, ela resistiu, levantou-se e saiu.
Desceu a escada.
Assim que se viu na rua, permitiu que as lágrimas caíssem por seu rosto e continuou andando.
O vulto da mulher caminhava ao seu lado.
Como Raquel não parava de chorar, sorriu para Mauro, que parou de chorar e passou sua mãozinha pelo rosto de Raquel, que, percebendo aquele gesto de carinho, passou a mão pelos olhos e sorriu.
Continuou caminhando, só que mais calma.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:15 pm

Depois de algum tempo, olhou para o relógio que levava em seu pulso:
Já é quase uma hora da tarde.
Andei muito e não consegui coisa alguma.
Aquele homem, apesar de agressivo, tem razão.
Estou sacrificando Mauro.
Ele é ainda muito pequeno.
Infelizmente, se não encontrar alguém que cuide dele, vou ter de parar de sair.
Vou para casa e não vou contar a Francisco o que aconteceu.
Ele se sentiria humilhado.
Por que as coisas têm de ser assim?
Por que existe tanto preconceito no mundo?
Caminhou até o ponto de ônibus e ficou esperando-o chegar.
O ônibus chegou, ela entrou.
Uma moça que estava sentada se levantou para que Raquel pudesse se sentar.
Enquanto o ônibus andava, Raquel pensava em tudo o que havia acontecido e procurava uma solução.
Mauro, enquanto comia os pedacinhos de pão que Raquel ia lhe dando, olhava a todos e a tudo.
Quando o ônibus parou, ela desceu e começou a longa caminhada até sua casa.
Finalmente, chegou ao portão da casa. Entrou.
Estava passando pelo corredor e pôde ouvir Tereza que ouvia a novela da tarde.
Sorriu e continuou andando.
Assim que entrou em casa, colocou a sacola sobre uma mesa e Mauro no chão para que engatinhasse.
Tomou um copo de água e preparou um banho para o menino.
Quando terminou de tomar banho, cansado, ele adormeceu.
Raquel sentou-se em uma cadeira e, agora, sim, poderia chorar.
Chorou muito.
Enquanto chorava, pensava:
Por que Deus não me ajuda?
Eu só quero trabalhar, ajudar o Francisco para que possamos ter uma vida, melhor!
Onde está Deus que não vê a minha agonia?
A mulher que ainda estava ao seu lado estendeu as mãos sobre Raquel, dizendo:
- Nem sempre aquilo que pensamos ser bom para nós, na realidade é...
Deus está sempre ao nosso lado, protegendo-nos e ajudando-nos a caminhar...
Nunca estamos desamparados.
Raquel não a viu nem a ouviu, mas sentiu-se melhor.
Olhou para o relógio que estava na parede:
- São quase quatro horas, preciso começar o jantar.
Foi até o fogão, colocou carvão e, com a tampa de uma panela, abanou até que acendesse.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:15 pm

A PRESENÇA DE DEUS
Francisco, na marcenaria, também olhou o relógio.
Bem, está na hora de ir para casa.
Não vejo a hora de chegar e contar a Raquel tudo o que aconteceu, hoje, aqui.
Ela não vai acreditar...
Trocou de roupa, fechou a marcenaria, subiu na bicicleta e foi para casa.
Estava chegando, quando viu Martin que, ao vê-lo, disse:
- Que bom que encontrei você, Francisco.
Estava indo a sua casa.
- Também estou feliz em encontrar você, Martin.
Estava indo a minha casa?
- Estava sim.
- Então vamos.
Francisco desceu da bicicleta e começou a empurrá-la.
- Tem algum motivo para ir a minha casa?
- Tenho, sim.
- Pode me contar?
- Claro que vou contar, mas queria que Raquel também ouvisse.
- Nossa! O que pode ser de tão importante?
- Talvez não seja importante para você, mas para mim é!
- Sendo assim, como estou curioso, vamos mais depressa? Martin riu:
- Por mim, tudo bem, mas você está empurrando a bicicleta.
- Estou acostumado, vou para o trabalho e volto todos os dias.
O que mata é esta subida.
Sempre que chego nela, tenho de descer e empurrar bicicleta.
- É dureza, meu amigo...
- É sim, mas sinto que tudo vai melhorar.
- Pelos livros, parece que você não tem tido muitas encomendas.
- É verdade, mas tudo isso vai mudar, porque, agora, Raquel está me ajudando.
- Ajudando, como?
- Ela está visitando alguns escritórios e mostrando os meus móveis.
- É mesmo? Você permitiu que ela saísse para trabalhar?
- Confesso que, a princípio, não, mas ela me convenceu de que podia me ajudar e que não era vergonha alguma, porque estaria ajudando não a mim, mas a nós, ao nosso filho e aos outros que virão.
- Pretende ter mais filhos?
- Claro que sim! Não agora, mas eu e Raquel já conversamos sobre isso.
Um filho só é muito pouco.
Queremos mais de um e o próximo vai ser uma menina.
Martin riu novamente:
- Como sabe que vai ser uma menina?
- Eu sei Martin... Eu sei...
- Voltando ao trabalho de Raquel, Francisco, acredita que ela consegue trabalhar fora e cuidar do Mauro?
- Ela só vai sair à tarde e nossa vizinha vai cuidar do Mauro.
- Não sei se deixaria minha mulher trabalhar fora.
Penso, como todos, que a mulher precisa ficar em casa, cuidar dela e das crianças.
O dinheiro necessário deve ficar por minha conta.
- Eu também pensava assim, mas, depois de ouvir os argumentos de Raquel, mudei de ideia.
Não vejo mal algum em que a mulher trabalhe.
Ela é um ser humano, precisa ter suas próprias conquistas.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:16 pm

- Não sei, não, onde vai dar tudo isso, Francisco...
- Também não sei, mas acho que agora não tem volta.
Chegaram ao portão da casa e entraram pelo corredor.
Quando passaram pela porta de Tereza, ouviram seu marido que gritava e xingava.
Francisco olhou para Martin, mas ficou calado.
Ao entrar em casa, viram Raquel e perceberam seus olhos inchados e vermelhos.
Francisco, preocupado, perguntou:
- O que aconteceu, Raquel?
Esteve chorando?
Ao ver que ele estava acompanhado por Martin, ela tentou disfarçar:
- Não estou chorando, Francisco, estou com muita dor de cabeça...
- Dor de cabeça?
Que eu me lembre você nunca teve dor de cabeça ou dor alguma.
Fale a verdade, Raquel, o que aconteceu?
Ela olhou primeiro para ele, depois para Martin.
Francisco percebeu o que ela sentia e disse:
- Não se preocupe com o Martin.
Ele é nosso amigo e também deve estar preocupado e querendo saber por que você chorou.
Ela, sabendo que ele não se conformaria em ficar sem uma resposta, disse:
- Está bem. Vou contar. Sentem-se.
Estou terminando o jantar, enquanto isso vou contar tudo o que aconteceu hoje e o motivo que me fez chorar.
Curiosos e preocupados, sentaram-se.
Ela começou a falar.
Contou tudo, desde a decisão de Tereza até o que aquele homem disse, omitindo, é claro, a referência dele para com Francisco.
Terminou, dizendo:
- Chorei de revolta!
Chorei por não poder continuar aquilo que tanto quero!
Chorei porque aquele homem falou como se eu fosse uma inútil!
Chorei porque sei que tenho capacidade e que posso vender como qualquer homem.
Chorei porque não posso mais continuar ajudando você, Francisco, e porque estou com medo de que a marcenaria não vá para frente e nós, ficando sem dinheiro, não possamos criar nosso filho como se deve!
Quando terminou de falar, estava chorando novamente.
Francisco se levantou e, abraçando-a, disse:
- Não precisa chorar Raquel. Está tudo bem.
A marcenaria está muito bem e nós vamos criar nosso filho e os outros que vierem com tudo de que precisam.
- O que ele está dizendo é o certo, Raquel.
Não se preocupe porque, no final, tudo sempre termina bem.
Não se esqueça de que somos filhos de Deus, e que Ele não nos abandona nunca...
- Para você é fácil dizer, Martin, mas para mim não é fácil aceitar.
Eu estava tão feliz e me sentindo realizada, não só pelo dinheiro que poderia vir com as vendas, mas por me sentir útil, por me sentir valorizada.
Não aceito que haja tanta diferença entre homens e mulheres.
Somos todos iguais!
- Você acha que não é importante a mulher cuidar da casa e criar seus filhos?
- Claro que é importante, mas não satisfaz totalmente.
A mulher, sem trabalho, sem dinheiro, fica na dependência do marido.
Por isso, é obrigada a fazer tudo o que ele quer sem reclamar e sem a menor chance de sobreviver sozinha.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 14, 2017 7:16 pm

Vejo isso acontecer com Tereza, à dona da casa que mora aí na frente.
Com três filhos, sem trabalhar, sem ter seu próprio dinheiro, é espancada, maltratada, humilhada e oprimida.
Assim como acontece com ela, muitas outras sofrem da mesma maneira!
- Você se sente humilhada e oprimida, Raquel?
- Não, Francisco, você é um marido maravilhoso.
Não tenho do que reclamar.
Até concordou em que eu saísse para trabalhar.
Você pensa diferente dos outros homens e, por isso, é criticado.
- Não me importo com as críticas dos outros, Raquel.
Também acho que a mulher tem a mesma competência e, em alguns casos, até mais do que o homem, mas penso também que a educação dos filhos e o cuidado com a casa cabem a ela.
O homem não saberia como fazer isso.
Ele também precisa aprender.
- Desculpe-me, Raquel, mas eu ainda sou tradicional.
Acho que a mulher precisa ficar em casa e cuidar de tudo e que cabe ao homem trazer o dinheiro necessário para que ela possa criar os filhos com tranquilidade, mas, por outro lado, acho que tudo o que nos acontece tem um propósito maior.
Nem sempre entendemos o que Deus nos reserva.
- Como pode falar em Deus em uma hora como esta Martin?
O que estou fazendo de errado?
Estou apenas querendo ter uma vida melhor para mim, meu marido e meu filho!
Estou apenas querendo ser uma pessoa que pensa e que sabe agir em qualquer situação!
Não estou fazendo mal ou prejudicando ninguém, só quero trabalhar!
Por que Deus não me ajuda?
Por que permitiu que, pela ignorância do marido, Tereza não pudesse cuidar do Mauro?
Por que colocou aquele homem no meu caminho para me dizer todas aquelas coisas que me arrasaram?
- Não tenho essas respostas, Raquel.
Cresci em uma casa onde aprendemos a respeitar a vontade de Deus, sabendo que tudo tem sua hora e que o tempo de Deus é diferente do nosso.
Pode ter certeza de que, se não conseguir trabalhar, por ora, Deus não os abandonará, alguma coisa vai acontecer para que possa continuar cuidando da sua casa, de seu marido e do seu filho.
Nunca estamos sós!
Deus está sempre cuidando de todos nós e, se tiver de ter um trabalho, na hora certa, ele vai aparecer e você vai ter toda condição de se realizar como deseja.
- É muito cómodo pensar assim.
É muito cómodo aceitar que tudo é vontade de Deus e esperar que Ele resolva todos os nossos problemas, mas não penso assim, Martin.
Deus não tem nada a ver com a maldade e preconceito daquele homem!
Deus não tem nada a ver com o que o marido de Tereza faz com ela nem com o que ela mesma faz consigo!
- Estamos todos, nesta vida, para aprender, para crescer como espíritos livres e, muitas vezes, precisamos passar por algum momento de dificuldade para que possamos crescer como espíritos e caminhar para a eternidade, sempre sabendo mais.
Todos estamos em busca do amanhã, Raquel.
- Que história é essa de espírito?
Eu não estou preocupada com o que vai me acontecer amanhã, estou pensando no hoje, em como posso ter uma vida melhor!
Como posso ter uma geladeira, um fogão a gás ou um simples ferro de passar roupa, para que o meu trabalho seja mais fácil e eu possa me realizar como mulher!
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 15, 2017 8:58 pm

Isso nada tem nada a ver com espírito!
- Tudo tem a ver com o espírito e seu crescimento, Raquel.
Nada do que nos acontece aconteceria se não fosse à vontade de Deus, que é nosso criador e é o único que sabe do que precisamos.
- Não acredito nisso, Martin!
Deus não está preocupado comigo ou com o que estou pensando, muito menos em me ajudar!
Ele deve ter muito trabalho com os outros e se esqueceu de que eu existo!
- Isso não é verdade, Raquel.
Ele está preocupado com você e com todos nós.
Não nos abandona nunca.
Fique calma, confie Nele e garanto que alguma coisa vai acontecer para que você possa continuar sua jornada que, com certeza, terá altos e baixos.
Em alguns momentos, será feliz; em outros, triste, mas estará sempre caminhando.
Tudo isso faz parte da vida e do preço que precisamos pagar por ela.
Estamos lodos em busca do amanhã e, com certeza, chegaremos lá.
- Busca do amanhã?
Não estou em busca do amanhã, estou querendo viver o hoje!
Chego até a pensar que Deus não existe e, se existir, não está nem um pouco preocupado comigo!
Ele tem mais o que fazer!
Martin, não querendo continuar aquela conversa, deu de ombros.
- Deus existe, Raquel e, como disse o Martin, não nos abandona nunca.
Raquel e Martin olharam para Francisco que, calmo, sorria.
- O que você disse Francisco?
- O que ouviram.
Deus existe e não nos abandona nunca...
- Por que está dizendo isso?
- Vim para casa para contar a você o que aconteceu, hoje, na marcenaria.
No caminho, encontrei Martin, que estava vindo para cá.
Acho que ele quer nos contar alguma coisa.
Como encontramos você daquela maneira, nem ele disse por que estava vindo para cá, nem eu contei o que aconteceu na marcenaria.
Portanto, Martin, o que quer nos dizer?
- Fica para depois, Francisco, não é tão importante.
Acho que mais importante é sabermos o que aconteceu na marcenaria.
- Está bem, vou contar e você, Raquel, vai ver que Deus existe, sim, e que não nos abandona nunca.
Curiosa, Raquel tirou as panelas que estavam sobre o fogão, sentou-se.
Olhando para Francisco, disse:
- Agora quem está curiosa sou eu.
Francisco, sorrindo, falou:
- Enquanto você tinha um dia tão difícil, Raquel, eu estava na marcenaria e, preocupado, pensava:
Preciso terminar, no prazo, esta mesa.
É meu último pedido.
Depois dele, não tenho mais o que fazer.
Tomara que aquele homem com quem Raquel conversou venha e goste.
- Olhei para a porta da marcenaria e vi que um carro, de grande porte, parou e que dele desceram dois homens que entraram na marcenaria e caminharam na minha direcção.
Larguei uma lixa que estava usando, passei as mãos pelo corpo para limpá-las e fui ao encontro deles.
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Ave sem Ninho

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 15, 2017 8:59 pm

Os homens entraram e, curiosos, olharam, primeiro, para a mesa que eu estava terminando e, depois, para mim.
Um deles, sorrindo, disse:
- Bom dia, senhor. Meu nome é Mário.
Conversei, ontem, com uma senhora que me mostrou algumas fotografias e me deu o seu endereço.
Estamos aqui para ver os seus móveis.
- Enquanto o senhor falava o outro senhor olhava por toda a marcenaria.
Lembrei-me do que você havia me dito a respeito do senhor que havia gostado dos móveis e senti meu corpo estremecer.
Fiz um esforço imenso para não demonstrar meu nervosismo.
- Bom dia, senhores.
Meu nome é Francisco.
Como estão vendo, estou terminando esta mesa.
- Já vimos, mas gostaríamos de ver o resto.
Vi pelas fotografias, mas preciso ver pronta e o material que é usado.
- Pois não. Venham até o meu escritório.
- Ainda tremendo, caminhei em direcção à porta do escritório.
Os senhores me seguiram.
Assim que abri a porta e entrei, percebi que eles pararam e, antes de entrarem, ficaram olhando, admirados, para dentro.
Feliz, disse:
- Parece que estão gostando dos meus móveis.
- Aquele que se apresentou disse:
- Estamos, sim, senhor Francisco, e admirados.
Nossa admiração tem um motivo, pois, apesar de toda a poeira e serragem que há espalhado pela marcenaria, seu escritório está impecável.
Tudo limpo. Essa mesa, os armários, estantes e o arquivos pintados de branco, somente com alguns detalhes em preto, estão bem dispostos pela sala.
Esta parede pintada em branco e as demais em creme dão um ar de sobriedade ao ambiente.
A cortina branca, com estampas pequenas em cores marcantes, torna o ambiente suave.
Esses pequenos quadros e os dois vasos com folhagens compõem o local que está, realmente, agradável.
- Mário olhou para o amigo e, ao ver o espanto dele, perguntou:
- Não falei que os móveis eram diferentes, Josafá?
- Falou Mário, mas, por mais que eu tentasse adivinhar como eram jamais poderia imaginar isto!
Este escritório está muito bonito!
- Ainda bem que gostou Josafá.
Afinal, é você quem cuida do dinheiro, não é? - Josafá riu.
Ao ver a reacção deles, fiquei mais calmo e fiz com que entrassem e se sentassem junto à mesa:
- Estes são os móveis que fabrico.
- Josafá, não conseguindo disfarçar, falou admirado:
- São sensacionais, senhor Francisco!
Gostei muito!
Sei que as pessoas irão estranhar, mas que também gostarão.
Confesso que não tenho vontade alguma de sair daqui.
Em um escritório assim, vou trabalhar sem me cansar!
- Fiquei emocionado, mas permaneci calado, apenas sorri.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 15, 2017 8:59 pm

Ele continuou:
- Gostei mesmo, Mário!
Acho que podemos fazer uma encomenda.
- Eu lhe disse que eram bonitos diferentes!
Assim que vi as fotografias, também gostei, mas era preciso que você visse, já que somos sócios.
- Confesso que não estava muito animado.
Quando me falou em móveis brancos, senti um frio na espinha.
Nunca poderia imaginar que fossem assim.
Senhor Francisco, gostamos, agora precisamos saber o preço e as condições de pagamento.
- Eu estava feliz, Raquel, mas fiz o possível para não demonstrar. Disse:
- Preciso saber quais os móveis que os senhores querem.
- Mário foi quem respondeu:
- Estamos montando uma empresa e vamos precisar de mobília para nove salas.
Ao ouvir aquilo, Raquel perguntou:
- Nove salas, Francisco?
- Também me assustei, Raquel, e estremeci, mas engoli seco e demonstrando uma calma que, na realidade, não sentia, perguntei:
- Nove salas?
- Sim, nossa empresa é grande.
Temos sessenta funcionários.
- Bem, estou disposto a fabricar o que desejarem.
- Precisamos de um orçamento.
- Tirei de uma gaveta a cópia das fotografias que havia dado a você, Raquel, e dei-as a eles, que ficaram olhando uma por uma.
- Atrás de cada fotografia tem o preço.
Basta os senhores escolherem quais móveis querem.
- Eles ficaram olhando e escolhendo os móveis que queriam.
Eu acompanhei todos os movimentos deles.
No final, fizeram a encomenda.
- São estes os móveis que queremos.
O senhor acha que consegue fabricar todos?
Precisamos ter certeza se pode e quanto tempo vai demorar em nos entregar.
- Olhei o papel no qual eles haviam anotado os móveis que queriam e o preço.
Olhei, somei e estremeci novamente.
Era muito dinheiro, Raquel!
Muito mais do que eu havia, um dia, imaginado.
Era uma quantia que eu nunca havia pegado em minha mão.
Eu não tinha certeza, mas não poderia deixar de aceitar aquela encomenda.
Naquele momento, lembrei-me de você, Martin.
- De mim?
- Sim e de todas as vezes que me disse que Deus não nos abandona nunca, e nunca estamos sós.
Minutos antes, eu estava desesperado, com medo do futuro e, agora, estava ali, com uma encomenda que eu jamais poderia imaginar que algum dia teria.
Só mesmo Deus para fazer uma coisa como aquela.
- Está ouvindo seu marido, Raquel?
Raquel, envergonhada pelo que havia dito minutos atrás, sorriu:
- Estou. Ouvindo o que Francisco está dizendo, só posso dizer que você estava com a razão.
Martin ficou calado, apenas sorriu.
Francisco continuou:
- Aquela quantia representava um longo tempo de tranquilidade para nós, Raquel.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 15, 2017 8:59 pm

Confiando em Deus, respondi:
- Consigo, sim, e o prazo é de mais ou menos sessenta dias.
Está bem para os senhores?
- Estamos ainda terminando de construir o prédio onde vamos instalar a nossa empresa.
Por isso, o senhor terá um pouco mais de prazo.
- Aquilo fez com que eu respirasse fundo.
Não sabia como ia fazer, pois trabalho sozinho, mas precisava aceitar a encomenda.
- Assim é melhor.
Com um prazo maior, terei tempo para fazer os móveis bem caprichados.
- É isso que queremos.
Qual é a forma de pagamento?
- Até aquele momento, eu não havia pensado em como ia fazer os móveis.
Só aí me dei conta de que não tinha dinheiro para comprar o material que precisaria usar.
Falando com sinceridade, respondi:
- Como estão vendo, minha marcenaria é pequena, estou começando e não tenho dinheiro para comprar o material.
Preciso que me adiantem um pouco.
O resto podem ir pagando de acordo com o andamento do serviço.
- Está bem. De quanto precisa agora?
- Fiz as contas novamente e mostrei a eles de quanto precisava.
Para mim, era uma quantia imensa, mas, para eles, não pareceu.
Josafá tirou do bolso um talão de cheques, preencheu e me entregou dizendo:
- Pode ir ao banco e retirar.
Estamos confiando no senhor.
- Eu ia pegar o cheque, quando Mário falou:
- Espere Josafá.
Os móveis são bonitos e vão ficar bem nas nossas salas, mas sem essas cortinas, os quadros e os vasos com essas folhagens, perderão muito.
Acho melhor encomendarmos as cortinas, os quadros e os vasos também.
Ao ouvir aquilo, Raquel perguntou, quase gritando:
- As cortinas? Francisco começou a rir.
- Isso mesmo, Raquel.
As cortinas que você costurou.
Eles ficaram encantados com a decoração que você fez e querem que decore as nove salas.
- Você disse que fui eu quem decorou?
- Como você, também fiquei surpreso.
Não podia dizer que quem tinha feito a decoração era minha mulher.
Pensei rápido.
- Como sabem, só construo os móveis.
As cortinas e tudo o mais quem fez foi uma senhora amiga da minha mulher.
Se quiserem, posso falar com ela e pedir que faça um orçamento.
- Óptimo senhor Francisco, faça isso e depois nos passe o orçamento.
- Preciso saber que tipo de cortina os senhores querem.
- Josafá olhou para Mário que disse:
- Vamos deixar por conta dela.
Claro que queremos uma sala diferente da outra, mas ela saberá fazer isso.
Pelo que estamos vendo, ela tem bom gosto.
- Está bem. Vou conversar com ela e depois eu me comunico com os senhores.
- Você fez isso, Francisco?
- Fiz, na hora pensei no dinheiro que você poderia ganhar sem ter de sair de casa.
São nove salas, Raquel, que servirão como propaganda e, como diz o Martin, depois dessas virão outras.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Maio 15, 2017 8:59 pm

Não se esqueça de que Deus está nos protegendo.
Raquel se levantou e abraçou o marido, que sorriu.
Depois, ela disse:
- Não sei quanto paguei pelo tecido.
Foi baratinho, estava em uma banca de saldo, nem sei qual é a medida das paredes...
- Você não vai precisar economizar.
Eles têm muito dinheiro e querem que as salas fiquem bonitas.
Amanhã preciso sair para comprar o material para fazer os móveis.
Você pode ir comigo e, juntos, escolheremos o tecido e, depois eu me comunico com eles e peço a medida das paredes.
Aí, você poderá calcular e dar o preço final.
- Vai comprar o material?
Eles deram o cheque?
- Deram, e eu saí mais cedo da marcenaria para ir até o banco, descontei o cheque e todo o dinheiro está aqui.
Assim falando, tirou do bolso um maço enorme de dinheiro.
Raquel e Martin arregalaram os olhos.
- Tudo isso? É muito dinheiro, Francisco.
- É, sim, Raquel.
Eu não disse que nunca havia tido em minhas mãos tanto dinheiro?
- Disse, mas eu não imaginava que era tanto!
- Este dinheiro é só uma parte.
Vai dar para comprar o material de que preciso para começar.
Depois que os móveis ficarem prontos, vai vir muito mais!
- Vamos ficar ricos, Francisco!
- Ricos, não, mas é um bom começo!
Bendita a hora em que você teve a ideia de abrirmos a nossa própria empresa!
O vulto de mulher estava lá e, estendendo a mão em direcção da garganta de Martin, falou através dele:
- Bendito seja Deus por toda a felicidade que está trazendo a todos nós.
Neste momento, precisamos agradecer a Ele e ao plano espiritual que nunca nos deixa sozinhos e que estão sempre ao nosso lado, ajudando-nos na nossa trajectória.
Francisco e Raquel olharam para ele que, um pouco constrangido, pois não sabia como havia dito aquilo, sorriu.
Francisco, no mesmo instante, completou:
- É verdade, Martin, precisamos agradecer a Deus por este momento de felicidade e pelos muitos que ainda virão.
Não sei nada sobre essa sua religião nem sobre o plano espiritual, mas, mesmo assim, agradeço por toda a ajuda que tive.
Levantaram-se e abraçaram-se.
Martin aproveitou aquele momento de felicidade e disse:
- Não sabia que nada disso estava acontecendo.
A minha vinda aqui tem outro motivo.
- É mesmo, Martin.
Você disse que estava vindo aqui por um motivo.
Podemos saber que motivo é esse?
- Foi para isso que vim, não foi, Francisco?
Pois bem, vamos nos sentar novamente.
Sentaram-se e Martin continuou:
- Como sabem, faz tempo que namoro Lídia.
Depois que vocês me procuraram para que eu abrisse a empresa, procurei e encontrei outras.
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