EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:16 pm

- Acho que devemos conversar com algum médico, lá do hospital.
Ele nos dirá como falar com ela ou ele mesmo fará isso.
Ele é quem sabe das condições dela...
- Tem razão, Tereza, essa é a melhor coisa a se fazer.
Depois que os corpos foram levados, eles foram a casa.
Encontraram Norma, que estava no corredor com Moacir no colo.
Calados, entraram na casa de Tereza e tomaram café.
Quando terminaram, Lia e Norberto saíram e foram para o hospital.
Tereza pegou Moacir que estava no colo de Norma e colocou-o no chão para que brincasse com seu carrinho.
Olhando para o menino que, sem saber da tragédia que havia acontecido, brincava.
Pensou: Lia tem razão.
Não é justo isso ter acontecido com Francisco, muito menos com Raquel.
Será que Deus existe realmente?
Enquanto isso, sem imaginar o que estava acontecendo, Raquel, no hospital, esperava ansiosa à hora da visita para que Francisco pudesse ver o menino que nascera.
Sei que ele, assim como eu, queria uma menina, mas o menino que nasceu é lindo e com saúde, isso é o mais importante.
Como ele sempre diz, somos jovens, temos muito tempo para termos uma menina.
Estou feliz por meu filho ter nascido perfeito.
Lia e Norberto chegaram ao hospital.
Contaram a uma recepcionista o que havia acontecido.
A moça, após ouvir o que eles disseram, condoída, disse:
- Que situação terrível.
Esperem um momento que vou conversar com o médico que está cuidando dela.
Eles sentaram-se em um sofá e ficaram esperando.
Alguns minutos depois, um médico entrou por uma porta e olhou para a recepcionista que, com a mão, apontou para eles.
O médico caminhou na direcção deles.
Lia e Norberto perceberam e levantaram-se também.
O médico chegou e disse:
- A recepcionista me contou o que aconteceu.
Que fatalidade...
- O senhor tem razão, foi mesmo uma fatalidade.
Precisamos avisar a esposa dele, mas não sabemos como.
Ela está internada neste hospital para ter criança.
Nem sabemos se já teve.
- Já teve sim, é um menino.
- Como ela está?
- Está óptima, senhora.
O parto não foi muito difícil.
Deu tudo certo.
Ela e a criança passam bem.
- O senhor acha que ela está em condições de receber uma notícia como essa?
- Foi bom que falassem comigo.
Ela precisa saber o que aconteceu.
Vou pedir a uma enfermeira que lhe aplique um sedativo e daqui a quinze minutos entraremos juntos e contaremos.
Eles voltaram a se sentar e, de mãos dadas, ficaram esperando.
Permaneceram calados, não tinham o que conversar.
Estavam preocupados com Raquel e em como ela reagiria.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:16 pm

Algum tempo depois, que para eles pareceu uma eternidade, a recepcionista saiu de trás do balcão e foi até eles:
- Podem subir até o terceiro andar.
O médico está esperando no corredor, em frente à porta do quarto.
Eles se levantaram, pegaram o elevador e se encontraram com o médico, que disse:
- Vamos entrar.
Eu falarei com ela.
Já tomou um tranquilizante e logo adormecerá.
Entraram. Raquel estava deitada.
Um pouco abatida, sorriu quando os viu:
- Lia! Norberto!
Vieram ver o meu menino?
- Viemos, sim, Raquel.
- Ainda não é hora da visita, como conseguiram entrar.
Lia e Norberto olharam para o médico, que disse:
- Tem razão, dona Raquel.
Ainda não é a hora da visita.
Eles estão aqui por um motivo especial que, infelizmente, é triste.
Raquel olhou para Lia e Norberto, notou que ela chorava:
- O que aconteceu, Lia?
Por que está chorando?
Quem respondeu foi o médico:
- A senhora precisa manter a calma.
Seu filho acabou de nascer e precisa muito da sua tranquilidade.
Aconteceu um acidente com seu filho e marido.
Raquel, com dificuldade, sentou-se na cama e, olhando para Lia, perguntou com a voz embargada:
- Que acidente, Lia?
Onde eles estão?
Lia, quase sem conseguir falar, disse:
- Hoje, pela manhã, Francisco foi lá a casa para ver como o menino estava.
Passou primeiro pela casa de Tereza, pegou Mauro e foi lá para casa.
Tomou café e, quando ia sair, Mauro pediu para ir com ele trabalhar na marcenaria.
Ele não queria, mas o Mauro, você conhece, insistiu muito até que Francisco consentiu.
Saíram da minha rasa e, quando Francisco subia para pegar a bicicleta na sua casa, um caminhão, desgovernado, desceu a ladeira e atropelou os dois que caminhavam na calçada.
- Meu Deus! Eles estão bem?
Estão aqui no hospital?
- Não, dona Raquel.
Eles não estão aqui no hospital.
- Como não, doutor?
Eles devem ter se machucado muito!
Onde eles estão?
- Foram levados para o Instituto Médico Legal.
- O que o senhor está dizendo?
Só vão para o Instituto Médico Legal as pessoas que morrem!
O senhor está dizendo que eles morreram?
- Sinto muito, dona Raquel, mas foi isso que aconteceu...
Raquel parecia estar sonhando e sentia que, a qualquer momento, acordaria.
- Não, doutor, não pode ser verdade.
O senhor só pode estar brincando...
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:17 pm

- É verdade, Raquel.
Eles morreram na hora.
- Os dois, Lia? Não pode ser!
Isso não está acontecendo comigo!
Quero ir até onde eles estão!
- Hoje, a senhora não pode sair do hospital.
Faz somente algumas horas que deu à luz, precisa ficar aqui pelo menos por vinte e quatro horas.
É muito perigoso sair antes disso.
- Não vou ficar nem mais um minuto!
Quero ficar ao lado do meu marido e do meu filho!
- Hoje, a senhora vai ficar aqui e, amanhã, na hora do enterro, poderá ir para casa, mas se sentir alguma coisa, precisará voltar imediatamente.
Raquel começou a chorar desesperada.
- Não vou ficar aqui, doutor.
Será que o senhor não entende?
Meu marido e meu filho morreram!
Como posso ficar aqui?
- Sei o que está sentindo, mas, se sair antes do tempo estipulado, poderá ter algum problema e também morrer...
- O senhor acha que estou me importando com isso?
O senhor acha que vou conseguir continuar vivendo sem meu marido e meu filho?
Quero morrer também!
- Você precisa viver Raquel.
Tem o Moacir e agora esse menino que nasceu.
Eles vão precisar muito de você...
- Eles não terão pai, Lia!
Vão ser criados sozinhos...
- Como sozinhos, Raquel?
Você vai estar ao lado deles e será pai e mãe...
- Não vou conseguir, Lia.
Não vou conseguir...
Antes mesmo de terminar essas últimas palavras, Raquel adormeceu.
O médico olhou para Lia e Norberto e disse:
- Agora ela vai dormir por algumas horas.
Vou tentar mantê-la calma.
As enfermeiras já foram avisadas de que ela precisa ser vigiada todo o tempo e que, se ocorrer qualquer problema, devem me chamar.
Podem ir em paz.
Não se preocupem com ela, está em boas mãos e ficará bem.
Lia, chorando, beijou a testa de Raquel e saíram.
O médico ficou ao lado de Raquel e da enfermeira:
- Ela vai dormir por algumas horas.
Assim que despertar, avise-me.
- Pode deixar doutor, farei isso.
Não viram, mas a entidade de mulher também estava ali.
Na rua, Norberto disse:
- Lia, preciso ir até o Instituto Médico Legal para ver o que precisa ser feito para poder enterrar os dois.
Não sei como fazer, é a primeira vez que enterro alguém próximo...
- Já que Tereza ficou com Moacir, eu vou com você.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:17 pm

Começaram a caminhar em direcção ao ponto de ônibus.
Logo depois de ter adormecido, Raquel viu diante de si o vulto de mulher que sorria:
- Quem é a senhora?
O que está fazendo aqui?
- Sou alguém que a ama e que sempre esteve ao seu lado.
Um senhor se aproximou e, sorrindo, disse:
- Também estou aqui e torcendo por você, assim como todos os outros, seus amigos.
Estamos felizes, pois, até agora, tem cumprido o que prometeu.
- Não me lembro de vocês...
- Isso, agora, não tem importância, no momento certo, lembrará.
Agora, é importante que continue sua jornada.
- Francisco e Mauro morreram.
Sem eles, não sei se vou ter coragem para continuar.
Por que isso aconteceu?
- Eles quiseram renascer ao seu lado, exactamente para isso.
Mostrar a você o caminho que deveria seguir.
- Você conhece os meus filhos?
- Conheço. Você sabe quem são?
- Claro que sim!
São meus filhos!
- Isso mesmo.
São seus filhos e muito mais.
- Muito mais?
O que está dizendo?
- No momento certo, saberá.
- Por que Francisco me abandonou e levou meu filho?
- Ele não a abandonou.
Os dois seguirão você durante todo o tempo de que precisar.
Eles têm outras obrigações, outros caminhos para seguir.
Você sabia que seria assim.
- Não lembro. Mas como vai ser minha vida daqui para frente, sem eles para me ajudar?
- Vai depender só de você, Raquel, das escolhas que fizer.
- Escolhas? O que está dizendo?
Não estou entendendo...
- Não precisa entender.
Basta que continue sua jornada que, daqui para frente, será mais difícil, mas sei que vai conseguir.
O importante é que, mesmo sem se lembrar do passado, não se esqueça de que nunca estará só.
Sempre estaremos ao seu lado.
- Não vou conseguir viver sem eles.
Francisco sempre foi minha fortaleza e Mauro, o motivo da minha luta pela vida.
Sem eles, nada mais restou.
Não estou pronta para seguir sozinha...
- Não está sozinha.
Moacir e Marcos seguirão com você.
É com eles que você tem dívidas que precisam ser pagas.
- Dívidas? Do que está falando?
- No momento certo, saberá.
- Não vou conseguir...
- Vai, Raquel, claro que vai.
Eu, Francisco e Mauro sempre estaremos ao seu lado.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:17 pm

- Não me despedi deles. Onde estão?
- Estão adormecidos e sendo cuidados.
Logo mais serão despertados e saberão que voltaram para casa.
- E que eu fiquei sozinha...
- Não está sozinha, Raquel.
Estamos, todos, ao seu lado.
Francisco e Mauro tomarão conhecimento do que lhes aconteceu e ficarão torcendo por você.
- Estou com medo...
- Medo do quê?
- Da vida aqui na Terra.
Queria voltar para casa.
- Não precisa ter medo da vida nem de nada, Raquel.
A vida é um bem precioso que Deus nos dá.
Somente com ela, podemos nos aperfeiçoar, resgatar nossas dívidas e, assim, continuar a nossa caminhada.
Ao invés de ter medo, agradeça por essa oportunidade.
Sabe que nem todos conseguem ou demoram muito para conseguir.
- Tem razão...
- Agora, durma.
Embora seu espírito esteja forte, seu corpo, por causa do parto, está debilitado.
Você vai ter momentos muito difíceis pela frente.
- Tenho muito medo...
- Não precisa ter medo, Raquel.
Quando acordar, não vai se lembrar do que conversamos, mas, no seu íntimo, saberá que não está só.
- Está bem.
Não saia de perto de mim...
Olímpia, a entidade de mulher que sempre acompanhava Raquel, olhou para Samuel, que estava ao seu lado e sorriu:
- Nunca saí de perto de você.
Nunca vou sair...
Raquel entrou em um sono profundo.
Olímpia e Samuel permaneceram ao seu lado jogando luzes brancas sobre ela.
Depois de algumas horas, Raquel abriu os olhos.
Olhou à sua volta e viu duas mulheres que estavam em outras camas e que, também, haviam dado à luz.
Percebeu que elas também a olhavam.
Lembrou-se do que Lia e Norberto haviam dito e começou a chorar.
Uma das senhoras, vendo que ela chorava, disse:
- Sinto muito pelo que aconteceu com a senhora, mas a vida continua.
A senhora tem, agora, que pensar no seu outro filho e nesse que acabou de nascer.
- Que vida? Que filhos?
Do que adianta pensar na vida e nos filhos se, de repente, tudo pode acabar?
Do que adiantou meu marido ter trabalhado tanto para morrer dessa maneira?
E o meu filho? Era ainda uma criança!
Como vou saber se esses dois vão crescer, não vão morrer também?
Não quero mais viver!
Não consigo me ver sem Francisco e sem o meu menino!
Por que isso aconteceu?
O que fiz de mal?
Eu e meu marido vivíamos muito bem, éramos felizes e agora como vai ser?
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:18 pm

- Tenha fé, tudo sempre passa...
- Fé? Como posso ter fé em alguma coisa?
Estou é com muita raiva!
Não posso aceitar que isso tenha acontecido!
Quero ir embora daqui!
Quero ficar ao lado do meu marido e do meu filho!
- O médico disse que a senhora só poderá ir embora amanhã.
Precisa ter paciência...
- Paciência coisa alguma!
Vou sair daqui agora mesmo!
Tentou se levantar, mas não conseguiu.
A outra senhora que, em silêncio, ouvia a conversa, percebendo que Raquel estava descontrolada, apertou a campainha que havia perto da sua cama e, em poucos minutos, a enfermeira entrou no quarto.
Ao ver Raquel tentando se levantar aproximou-se:
- Para onde a senhora vai?
- Para casa!
Para junto do meu marido e do meu filho!
Não posso ficar aqui!
Preciso ver os dois!
- A senhora não pode sair daqui sem que o médico concorde.
Ainda está em observação.
Acabou de dar à luz e seu corpo precisa de um tempo para voltar ao normal.
- Não entende o que está acontecendo?
Meu marido e meu filho estão mortos e preciso vê-los!
- Sei o que aconteceu, mas se a senhora sair do hospital sem ordem médica, estará se colocando em perigo e poderá morrer também...
- Isso seria muito bom!
Como posso continuar vivendo sem eles?
- Ainda tem dois filhos que estão vivos...
Olímpia, que a tudo acompanhava, jogou luzes sobre Raquel que continuou chorando.
O médico entrou no quarto e, pegando a ficha que estava no pé da cama, perguntou:
- Como está dona Raquel?
- De saúde estou muito bem, posso ir para casa, para junto do meu marido e do meu filho!
- Como lhe disse, hoje não pode sair.
Teria de ficar alguns dias aqui no hospital, até que não tivesse mais perigo algum para sua saúde, mas, diante do que aconteceu, vou permitir que saia amanhã cedo, com tempo de ir ao enterro de seus entes queridos, mas, até lá, não posso permitir.
- Eu quero ir agora!
- Está bem, vou esperar mais algum tempo, se a senhora se acalmar, vou permitir.
O médico anotou alguma coisa na ficha, olhou para a enfermeira e saiu.
A enfermeira olhou a ficha e também saiu.
Voltou algum tempo depois e deu um comprimido para que Raquel tomasse.
A princípio, Raquel não queria tomar, mas a enfermeira disse:
- Este comprimido vai ajudá-la a ficar bem.
Vendo que não havia outro jeito, Raquel tomou e, em poucos minutos, voltou a dormir.
Olímpia e Samuel permaneceram ao seu lado.
Enquanto isso, Norberto e Lia, após perguntarem aqui e ali, conseguiram chegar ao Instituto Médico Legal, onde, após receberem os documentos que se encontravam em um dos bolsos de Francisco, foram informados dos procedimentos que deveriam seguir.
Ao chegarem à funerária, foram informados dos gastos que teriam.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:18 pm

Após saber o valor, Norberto disse:
- Lia, vamos até lá fora, precisamos conversar.
Lia sabia o motivo daquilo e acompanhou o marido.
Já lá fora, ele disse:
- Como vamos fazer, Lia?
Não temos esse dinheiro...
- Sei disso, Norberto, mas não podemos deixar de enterrá-los.
- Será que a Raquel tem esse dinheiro?
- Não sei.
Como todos os homens fazem, Francisco deve ter sido sempre quem cuidou do dinheiro.
- Não sei como fazer, Lia.
- Dê um cheque, vamos para casa e lá conversaremos com alguns vizinhos, talvez possam nos ajudar.
Todos conheciam Francisco e gostavam muito dele.
Depois, quando a Raquel sair do hospital, veremos se ela tem esse dinheiro e devolveremos a todos.
- Está certa, Lia.
Vamos fazer isso.
E se os vizinhos não puderem ou não quiserem ajudar?
- Não sei Norberto.
A única coisa que sei é que eles precisam ser enterrados.
Entre, dê o cheque e veremos o que vai acontecer.
Foi o que fizeram.
Escolheram tudo o que era necessário para um enterro decente.
Norberto deu um cheque e saíram.
Assim que chegaram a casa, Lia conversou com Tereza que, após ver a nota fiscal com o valor que havia sido pago, disse:
- Vou conversar com Manuel, sei que, apesar de ser como é não vai se recusar.
Ele conhecia Francisco e, apesar de ter alguma restrição por ele deixar Raquel trabalhar, gostava dele.
Vamos fazer uma lista e percorrer as casas dos vizinhos.
Acredito que ninguém vai se negar.
Todos estão entristecidos e inconformados com o que aconteceu.
Foi o que fizeram.
Norberto foi o primeiro a assinar.
Depois, Lia e Tereza saíram, foram conversar com os vizinhos que também assinaram.
À tarde, já tinham o dinheiro necessário.
Norberto foi ao banco e depositou.
Raquel, no hospital, passou o tempo todo dormindo.
O médico achou necessário para que ela, no dia seguinte, pudesse sair.
Com a ajuda de Lia e de Tereza, funcionários da funerária prepararam a sala de Raquel para receber os corpos que chegaram à noitinha.
Alguns dos vizinhos, ao lado de Tereza, Lia, Norberto e Manuel permaneceram ali, durante toda a noite.
No dia seguinte, antes das sete horas, Lia e Norberto saíram acompanhados pelo motorista de táxi que havia se comprometido a levá-los, sem cobrar, até o hospital.
Assim que chegaram, perguntaram por Raquel.
Foram informados de que ela estava no quarto, esperando-os para ir embora.
Eles tomaram o elevador.
Raquel, após passar o resto do dia e a noite toda dormindo, estava desperta.
O médico chegou cedo e foi até o seu quarto.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:18 pm

Disse:
- Dona Raquel, vou dar alta para a senhora para que possa ir ao enterro, mas se sentir qualquer coisa, quero que volte imediatamente.
- Está bem, doutor.
Vou fazer isso, mas, por favor, deixe que eu vá embora.
Preciso ver o meu marido e o meu filho.
- Fique calma.
A senhora vai, mas não se esqueça de que está em recuperação e que precisa se cuidar.
Não pode se esquecer de que ainda tem dois filhos para criar.
A senhora poderá ir embora, mas a criança, não.
- Por quê? Ele não está bem?
Tem algum problema?
- Não tem problema algum e está muito bem e, para que continue assim, sem problema, precisa ficar mais alguns dias para ser monitorado.
Daqui a três dias, se estiver tudo bem com ele, poderá levá-lo embora.
- Está bem, doutor, e obrigada...
- Vá com Deus.
A senhora vai ter de ser muito forte.
Tenha fé...
Lágrimas surgiram nos olhos dela, mas ficou calada.
Em seguida, Lia e Norberto entraram no quarto.
Pegaram a maleta que estava pronta.
Raquel se despediu das companheiras e saíram.
Ao chegar a sua casa e ao ver as duas urnas mortuárias, Raquel estremeceu e se encaminhou para elas.
Todos esperavam para ver qual seria sua reacção.
Ela se aproximou, olhou para o corpo de Francisco, depois para o de Mauro e permaneceu parada sem reacção alguma, apenas olhando e pensando:
Isso não pode ter acontecido.
Devo estar sonhando.
Como vou continuar vivendo sem vocês?
O que vai ser da minha vida?
Como isso pôde acontecer?
Onde está Deus?
O que fiz para merecer isto!
Algumas pessoas estranharam aquela atitude.
Pensavam que ela iria se desesperar, chorar e gritar.
Agiram assim, porque não sabiam que ali, junto à Raquel, estavam Olímpia, Samuel e outras entidades que jogavam luzes de tranquilidade sobre ela.
Após ficar ali, olhando para as urnas, Raquel se voltou para Lia que estava ao seu lado e perguntou:
- Onde está o Moacir?
- Está com Tereza.
Achamos melhor não deixá-lo ver o pai e o irmão dessa maneira.
Ele é ainda muito pequeno.
- Fizeram bem, Lia. Obrigada.
- Nem sei como agradecer.
Vocês são minhas amigas de verdade.
Lia ficou calada, apenas sorriu.
Raquel voltou a olhar para Francisco:
Como isso foi acontecer, Francisco.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:18 pm

Você é tão jovem.
Disse que tínhamos muito tempo para termos a nossa menina.
Agora está aí, tudo terminou.
Por que Deus teve de tirar vocês dois?
Sonhei tanto em ver Mauro crescer, ter sua família.
Não entendo... Não consigo entender...
Raquel, devido aos remédios que havia tomado, não estava em seu estado normal.
Não sei, acho que estou sonhando.
Isso não pode estar acontecendo.
Sei que, a qualquer momento, vou acordar...
Ela permaneceu ali o tempo todo.
Lia tentou fazer com que ela saísse, mas ela não aceitou:
- Você precisa se alimentar Raquel.
Está fraca.
- Não, Lia, não estou com vontade.
Quero ficar ao lado deles até o último minuto.
Sei que, depois de hoje, nunca mais voltarei a vê-los...
- Isso não é verdade, Raquel.
Ao ouvir aquilo, Raquel se voltou e viu Catarina, a mãe de Martin, que acabava de chegar.
Ela continuou falando:
- Assim que Martin me contou o que aconteceu, vim para cá.
- Obrigada, dona Catarina.
- Ouvi o que você disse Raquel, e volto a dizer que não é verdade.
Você ainda vai ver o seu marido e seu filho.
Eles apenas morreram.
Ao ouvir aquilo, Raquel ficou nervosa:
- Como vou ver?
A senhora acaba de dizer que eles apenas morreram?
- É verdade, Raquel.
Eles apenas morreram, mas isso não quer dizer que nunca mais os verá.
Como todos nós, um dia, morreremos também, podemos dizer que só foram na nossa frente e que um dia você os reencontrará.
O caminho de todos é o mesmo, Raquel.
Alguns vão antes, outros depois, mas, um dia, todos iremos, não há como escapar.
- Quem pode ter certeza disso?
Nem mesmo sabemos se a morte não é o fim de tudo!
A única coisa que sei é que meu marido e meu filho estão aí nesses caixões e que serão enterrados!
Só isso, dona Catarina!
O resto é só conversa!
- Não, Raquel, isso não é verdade.
Deus não nos criaria para vivermos apenas por alguns anos.
Somos espíritos eternos e cada um de nós tem um tempo para viver aqui na Terra.
Quando esse tempo termina, voltamos para o nosso verdadeiro lar.
Raquel, nervosa a ponto de estourar, falou:
- A senhora está tão calma e dizendo isso, porque não é seu filho nem seu marido que estão mortos!
Se fosse, sei que agiria de maneira diferente e não aceitaria com tanta naturalidade uma conversa como essa!
Esse Deus de que fala certamente não deve existir e, se existir, é muito mau!
Por favor, dona Catarina, me deixe sozinha!
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:19 pm

Não venha com essa conversa!
Catarina entendeu o momento e se calou.
Voltou-se para as urnas e, fechando os olhos, pensou:
Sei que aqui estão somente os corpos, pois os espíritos já devem ter sido levados.
Que Deus os proteja nessa viagem.
Só posso vibrar carinho para os dois e dizer um até breve.
Também agradeço àqueles que os estão conduzindo.
Embora tenha permanecido ali até a hora do enterro, Catarina evitou falar com Raquel, que, por sua vez, permaneceu ao lado das urnas, olhando para os corpos.
Às duas horas da tarde, os corpos foram levados e sepultados.
Raquel, cercada de muita luz enviada por Olímpia, Samuel e outros espíritos que ali estavam, acompanhou com lágrimas nos olhos, mas parecendo calma, o que, para muitos, foi motivo de surpresa.
Após o enterro, vizinhos e parentes se aproximaram de Raquel, abraçando-a com carinho.
Ela, ainda parecendo sonhar, aceitou os cumprimentos.
Depois, amparada por Lia e Norberto, foi para casa.
Ao chegar à sua casa, entrou.
Foi para o quarto onde Mauro dormia, olhou para sua cama e aí sim, começou a chorar.
Sentou-se na cama e relembrou os momentos em que outras vezes havia sentado para acordar o menino ou fazer com que dormisse.
Meu filho, isso não está acontecendo.
Não pode estar acontecendo...
Ficou lá por muito tempo, depois, ainda chorando, foi para seu quarto e sentou-se sobre a cama.
Lia e Norberto a tudo acompanhavam.
Em silêncio, respeitavam aquele momento.
Depois de algum tempo, Lia perguntou:
- Raquel, quer que eu fique aqui com você?
- Não, Lia obrigada.
Estou cansada e me sentindo fraca.
Acho que preciso comer alguma coisa e, depois, dormir um pouco.
Prefiro que você e Tereza cuidem do Moacir.
Vou ficar agradecida, sinto que não tenho condições nem vontade de cuidar dele.
- Não tem vontade?
- Infelizmente, não, Lia.
Nem sei se ainda quero cuidar dele e do menino que nasceu, já que, a qualquer momento, podem morrer...
- Não fale assim, Raquel.
São duas crianças lindas e precisam da mãe.
- Sei que, para a sociedade, eu precisaria demonstrar outra maneira de ser, mas não posso, Lia.
Não posso dizer a você o que estou sentindo, neste momento, porque nem eu mesma me entendo.
Só sei que não tenho vontade de ficar com meus filhos.
Tenho medo de que morram também...
- Isso não vai acontecer, Raquel.
- Como pode saber, Lia?
Hoje, pela manhã, eu estava feliz, esperando meu marido chegar para que visse o nosso filho e ele não chegou!
Ele foi embora para nunca mais voltar!
Meu filho foi com ele!
Como posso continuar vivendo?
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:19 pm

Sei que vai dizer que é para cuidar dos outros que me restaram, mas e se eles morrerem também?
Não quero, Lia, não quero sofrer mais!
- Isso não vai acontecer, Raquel!
Seus filhos vão crescer e se tornarão homens de bem.
Sei que será muito feliz ainda.
É jovem, tem uma vida inteira pela frente.
Por ora, não se preocupe com Moacir.
Eu e a Tereza cuidaremos dele, mas acho que não pode ficar sozinha.
Não está em condições...
- Está com medo de que eu me mate?
Não precisa ter esse medo, não vou me matar.
Sou covarde para isso.
Vou ter de continuar vivendo, mas agirei diferente.
Não vou mais ser aquela mãe extremosa, não vou!
- Você está nervosa e não sabe o que está dizendo.
Daqui a alguns dias, voltará ao normal.
- Tomara, Lia, tomara...
- Está mesmo bem?
Quer mesmo ficar sozinha?
- Quero, Lia.
Não se preocupe não vou me matar, apenas quero dormir, somente isso.
- Está bem. Preciso ir ajudar Tereza.
Ela deve estar maluca cuidando do Moacir.
Sabe como ele é terrível!
Ela não está mais acostumada com criança pequena.
Os filhos dela já estão grandes.
- Pode ir. Quando eu acordar, vou estar melhor e vou até lá...
- Antes de dormir, precisa comer.
Vou até a casa da Tereza para ver se ela tem alguma coisa para você comer.
Estou fora de casa desde ontem, não preparei nada.
Ela estava saindo quando Tereza entrou:
- Como você está Raquel?
- Um pouco tonta, achando ainda que tudo não passou de um sonho ruim.
- Essa tontura deve ser por ter acabado de dar à luz e também por estar sem comer.
Eu trouxe um pouco de comida.
Não é lá grande coisa, mas foi o que fiz para o nosso jantar.
- Não estou com fome, Tereza.
- Com fome ou não, precisa comer.
Venha, vamos até a cozinha. Na cozinha, sentaram-se.
- A comida está aqui, Raquel.
Coma logo aproveite que ainda está quente.
Raquel olhou para o prato que ela lhe mostrava.
A aparência e o cheiro estavam bons, mas ela não sentia fome.
Sabendo que elas não a deixariam em paz enquanto não comesse, pegou um garfo e conseguiu comer um pouco.
Quando terminou de comer, olhou para Tereza que disse:
- Agora que comeu, já pode se deitar e tentar dormir.
Lia sorriu, beijou a testa de Raquel e saiu acompanhada por Norberto e Tereza que, assim como ela, estavam preocupados.
Raquel deitou-se e, exausta, pouco depois, adormeceu.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:19 pm

ATRAINDO COMPANHIA
Olímpia, ao ver que Raquel havia adormecido, ficou, por um tempo, ao seu lado, jogando luzes de paz e de amor.
Samuel, que havia se a instado, voltou e perguntou:
- Como ela está Olímpia?
- Pode imaginar Samuel.
Não está aceitando nem entendendo o que aconteceu.
- Isso era de se esperar.
O importante é que, agora, ela consiga continuar sua vida sem Francisco.
Ela não sabe, mas ele a acompanhou nesta jornada, apenas para colocá-la em condições de seguir sozinha.
- Espero que consiga Samuel.
Gostaria de poder interferir e ajudá-la.
- Sabe que não pode Olímpia.
Não pode interferir nas escolhas que ela fará.
Isso depende somente dela.
- Neste momento, Samuel, como ela pode decidir?
Não tem condições.
- Ela terá todo o tempo de que precisar.
Você sabe que nosso Pai não tem pressa.
Tudo o que está acontecendo estava previsto.
Ela sabia e aceitou antes de renascer.
Ela mesma, ao nosso lado, planeou como seria sua encarnação, como fazem todos os espíritos, antes de nascer.
- Sei disso, Samuel, mas, quando encarnados, tudo é diferente, é mais difícil.
- Sabemos disso, Olímpia, mas nada é impossível.
Estamos aqui e ficaremos ao lado dela até o último momento.
Usaremos de todas as maneiras para ajudá-la sem, contudo, interferir nas suas escolhas.
- Sabe como amo essa menina.
- Nós a amamos, Olímpia.
Por isso, ficaremos ao seu lado, torcendo para que faça as escolhas certas.
- Acha que devemos acordá-la agora, Samuel?
- Não, Olímpia.
Ela não está em condições de nos ouvir.
Além do mais, seu corpo precisa de descanso.
Não se esqueça de que ela acabou de dar à luz.
- É verdade, Samuel.
Marcos será mais uma prova a qual precisará vencer.
- A maior das provas.
Tomara que, desta vez, consiga.
Eles viverão juntos e o mais importante é que haja o resgate e o perdão.
- Essa é a parte mais difícil, não é, Samuel?
- É sim, Olímpia, mas, com a nossa ajuda, não será impossível.
- Francisco e Mauro, como estão?
- Por ora, estão dormindo.
Sabemos que, a princípio, não entenderão, mas não estarão sozinhos.
Seus amigos estarão velando por eles.
- Inclusive nós, não é?
- É isso mesmo, Olímpia. Inclusive, e principalmente, nós.
Olímpia olhou para Raquel, sorriu e disse:
- Está passando por um momento difícil, minha filha, mas logo tudo passará e você ficará bem.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:20 pm

Neste momento, tomara que consiga fazer a escolha certa.
Eu gostaria de poder interferir, mas não posso.
Todos têm o seu livre-arbítrio e ele pertence a cada um.
- É verdade, Olímpia.
Embora, muitas vezes, sintamos vontade de interferir, não podemos.
Podemos, sim, ficar ao lado dela, enviando-lhe bons pensamentos que, infelizmente, nem sempre são ouvidos, mas é tudo o que podemos fazer.
- Ela vai ter dificuldade, Samuel.
Afinal, acabou de perder o marido e o filho.
Não é fácil aceitar.
- Você tem razão, Olímpia.
Nós sabemos que tudo estava previsto, que tanto Francisco como Mauro renasceram para ficarem ao lado dela até que estivesse pronta para continuar.
Eles, embora não precisassem, aceitaram de bom grado renascer.
Agora, o tempo chegou.
Ela está em condições de fazer suas escolhas e eles puderam voltar para casa e continuar com seus próprios projectos.
- Você sabe que não é fácil.
Nós sabemos de tudo isso, mas Raquel não.
Sabe que, quando o espírito vive na carne, esquece-se de seus compromissos e das escolhas feitas antes de renascer.
- É verdade, mas, esquecendo-se ou não, o planeado será cumprido.
Agora, preciso ir embora.
Quero estar ao lado de Francisco e de Mauro, quando acordarem.
- Faça isso, Samuel.
Eu continuarei aqui ao lado dela.
Ele sorriu, olhou mais uma vez para Raquel que dormia e foi embora.
Olímpia olhou novamente para Raquel:
Vou ficar sempre ao seu lado, minha filha, e farei tudo o que estiver ao meu alcance para que consiga vencer.
Embora dormindo, Raquel sentiu um bem-estar enorme, sorriu, virou-se na cama e se acomodou sob as cobertas.
Olímpia permaneceu ali.
Raquel dormiu profundamente e só acordou às onze horas daquela noite.
Aos poucos, lembrou-se do que havia acontecido.
Olhou para o lado da cama onde Francisco dormia.
Lágrimas surgiram em seus olhos.
Por que isso aconteceu, Francisco?
Por que você teve de me deixar?
Depois de tanto tempo de vida juntos e de tanta felicidade.
Você foi o melhor marido que uma mulher poderia desejar.
Por que nosso Mauro teve de morrer também?
Não entendo por que Deus está me castigando dessa maneira.
Não sou uma pessoa ruim, sempre me preocupei somente com a nossa vida e a dos nossos filhos.
Não sei o que vai ser da minha vida...
Não sei se ainda quero continuar vivendo...
Levantou-se, foi até a cozinha, olhou para o fogão e viu que algumas brasas ainda ardiam e que, ao lado, havia uma chaleira com água quente.
Pegou um pouco de chá que estava dentro de um pote sobre uma prateleira.
Colocou em uma xícara e jogou água quente por cima.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:20 pm

Adoçou e, com a xícara na mão, foi até o quarto de Mauro.
Olhou para a cama e para alguns brinquedos que estavam espalhados pelo chão.
Chorando, começou a recolhê-los.
Meu filho, você era uma criança tão boa e linda.
Por que isso teve de acontecer?
Eu tinha feito tantos planos para você.
Queria que crescesse, queria que se casasse e que tivesse muitos filhos.
Nada disso será possível.
Por quê? Por quê?
Ficou ali por algum tempo, chorando e lembrando-se das coisas que ele falava e de como ria e a abraçava.
Não quero mais viver sem você e sem o seu pai.
Não quero acompanhar o crescimento de seus irmãos.
Tenho medo de que, a qualquer momento, possam morrer como aconteceu com vocês...
Voltou para o seu quarto, deitou-se.
Olímpia, que acompanhou todos os seus passos, voltou a jogar luzes brancas e Raquel dormiu quase que imediatamente.
No dia seguinte, um pouco depois das sete horas, ela acordou. Levantou-se.
Foi para a cozinha, avivou as brasas de carvão e colocou água para ferver.
Enquanto a água esquentava, ela se sentou em uma cadeira:
Sei que o certo seria ir buscar Moacir, mas não estou em condições de cuidar dele.
Vou pedir à Lia para ficar com ele, por hoje.
Amanhã, talvez eu me sinta melhor.
A água ferveu, coou o café, pegou um pedaço de pão que estava sobre a mesa, esquentou na brasa do fogão, passou manteiga, comeu e bebeu o café.
Depois, voltou para seu quarto e deitou-se novamente.
Ficou deitada de costas, olhando para o tecto.
Não consigo entender nem me conformar, Francisco.
Logo agora que a marcenaria ia tão bem e que você estava com tantos projectos.
Como tudo pôde acabar assim tão de repente?
Estava assim, pensando, quando Lia chegou com Moacir.
Como a porta da cozinha estava aberta, chamou:
- Raquel?
Raquel, ao ouvir, levantou-se e foi até ela:
- Bom dia, Raquel.
Desculpe por eu ter vindo tão cedo, mas Moacir acordou e quis ver você.
- Bom dia, Lia.
Não se preocupe pelo horário, eu estava acordada.
Olhou para Moacir, abriu os braços.
O menino correu para ela, que o abraçou fazendo um esforço imenso para não chorar.
- Já tomou café?
- Já, mãe.
A dona Lia me deu.
- Que bom.
O menino se afastou da mãe e foi para o quarto de Mauro.
Voltou em seguida:
- Mamãe, onde está o Mauro e o neném que a senhora foi comprar?
Lia olhou para Raquel que disse:
- O Mauro foi viajar com o papai e o neném ainda está no hospital.
Quando o médico deixar, eu vou buscá-lo.
- Como é o nome dele?
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 17, 2017 7:20 pm

- Marcos. Ele vai brincar com você.
O menino, calado, foi para seu quarto, pegou um brinquedo e começou a brincar.
Lia, segurando no braço de Raquel, perguntou:
- Como você está Raquel?
- Pode imaginar, Lia.
Completamente perdida.
- Logo você vai voltar ao normal.
Falando nisso, Norberto quer saber como vai ficar a marcenaria.
- Não sei, Lia.
Não estou interessada, não quero saber.
Ele, se quiser, continue trabalhando.
- Não pode ser assim, Raquel.
Você precisa assumir o lugar do Francisco.
- Não quero saber, Lia.
Não quero mais nada!
- Você tem dinheiro?
- Não sei.
Quem cuidava disso era Francisco.
- Precisa saber Raquel.
- Para quê?
- Para cuidar da sua vida e da dos seus filhos.
Você ajudava Francisco, precisa continuar ajudando Norberto.
Ele sabe trabalhar como marceneiro, mas não sabe vender.
Você sabe e sempre foi muito trabalhadeira.
- Para que trabalhei tanto, Lia?
Para que meu marido e filho morressem?
Não sei se vale à pena tanto sacrifício.
- Claro que vale Raquel.
Seu marido e seu filho morreram, mas restaram Moacir e Marcos.
Eles precisam viver e cabe a você fazer com que isso aconteça.
- Não tenho mais forças. Estou cansada.
Para ser sincera, a única coisa que quero neste momento, é morrer também.
- Não fale assim.
Você precisa cuidar de seus filhos.
- Será que você pode me fazer um favor, Lia?
- Pode falar.
- Poderia ficar com Moacir por alguns dias.
Preciso ficar sozinha, preciso pensar...
- Não tenho problema algum em cuidar do Moacir.
Sabe que, como não tenho filhos, adoro os seus, mas acho que não é bom, para você, ficar sozinha.
- Não se preocupe comigo, Lia.
Não vou fazer loucura alguma.
Só preciso de um tempo para poder pensar e ver que rumo vou dar à minha vida.
- Está bem, eu vou cuidar dele.
Quando você pode ir buscar o neném no hospital?
- O médico disse que ele precisa ficar por três dias e que depois, se tudo estiver bem, posso trazê-lo.
- Tudo isso?
- Também achei muito, mas acho que ele fez isso, por saber o que aconteceu e que eu não estaria em condições de cuidar de um recém-nascido.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:27 pm

- Deve ter sido isso, mesmo. Está bem.
Vou cuidar do Moacir por esses dias, mas, quando o neném chegar, você vai precisar cuidar dele.
- Vou fazer isso...
- Só temos um problema, Raquel.
- Qual?
- Moacir não vai querer ficar comigo.
Hoje, pela manhã, quando acordou, chorou que queria você.
- Vou conversar com ele.
Assim dizendo, foi até o quarto onde Moacir brincava.
- Moacir, a mamãe precisa conversar com você.
O menino largou o carrinho com o qual estava brincando, olhou para a mãe e ficou esperando.
- Moacir, a mamãe vai ter de fazer uma viagem e você vai ficar com a Lia e a Tereza.
- Eu não posso ir junto?
- Não, meu filho.
Eu vou para muito longe e você ia ficar muito cansado.
- A senhora vai demorar?
- Não, só alguns dias.
O menino quis chorar, mas Lia pegou-o no colo:
- Não precisa chorar Moacir.
Eu e você vamos passear e brincar muito.
Vou fazer aquele bolo de que você tanto gosta.
O menino, ao lembrar-se do bolo, sorriu.
Raquel olhou para Lia que sorriu e, voltando-se para o menino, disse:
- Vamos, Moacir?
Vamos fazer o bolo?
O menino estendeu a mão que ela pegou e saíram.
Raquel ficou olhando-os sair.
Depois, foi até o fogão, pegou um pouco de café e foi para o quarto.
Deitou-se e começou a chorar.
Sob a interferência de Olímpia, voltou a dormir.
Daquele dia em diante, ela só fazia isso.
Chorava e dormia.
Olímpia, preocupada, continuou ao seu lado.
Dois dias se passaram.
Lia, para evitar que Moacir soubesse que ela estava em casa, não foi até lá.
Raquel acordou quase às dez horas.
Foi até a cozinha, tomou um copo de água e voltou para a cama.
Olímpia, preocupada com Raquel, foi até a casa de Lia que, enquanto Moacir brincava no quintal, conversava com Tereza.
Olímpia se aproximou, estendeu a mão sobre elas e falou:
- Raquel não está bem.
Vocês precisam ir até lá.
Como elas estavam conversando, a princípio não ouviram.
Olímpia repetiu várias vezes, até que Lia disse:
- Como será que a Raquel está Tereza?
- Não sei. Você disse que ela queria ficar sozinha, por isso não fui até lá.
- Estou com pressentimento de que ela não está bem.
Você pode ficar com Moacir para que eu possa ir até lá e ver como ela está?
- Claro que posso, Lia.
Também estou preocupada!
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:27 pm

- Vou agora mesmo.
Ela saiu apressada.
Assim que chegou, ficou assustada.
A casa estava escura, pois Raquel não havia aberto as janelas.
A porta estava fechada.
Nervosa, bateu com força.
Bateu várias vezes até que Raquel, que dormia, ouviu, levantou-se e abriu a porta.
- Puxa Raquel, estava preocupada!
- Preocupada por que, Lia?
- Você demorou em abrir a porta!
Raquel sorriu:
- Pensou que eu estivesse morta?
- Para ser sincera, pensei, sim.
- Infelizmente, não estou, Lia.
Estava apenas descansando.
Lia olhou em volta e viu que a pia estava com muita louça suja e o fogão com as brasas apagadas.
- Raquel, não estou vendo comida.
Você comeu alguma coisa?
- Claro que comi.
- Comeu o quê?
- Pão com manteiga - mentiu.
- Só isso?
- Não tenho sentido fome.
- Não pode continuar assim.
Esta casa está cheirando mal e você também.
Tomou banho?
- Não, acho que esqueci.
- Vou acender o fogo, esquentar água e você vai tomar um banho agora!
- Não precisa se preocupar Lia.
Vou fazer isso.
Estou cansada, também acabei de ter uma criança. Isso é normal.
- Não é normal, Raquel!
Não vou embora, antes que tome banho!
- Não fique preocupada, Lia, estou bem.
- Não está não, Raquel!
Depois que eu acender o fogo e enquanto toma banho, vou até a minha casa pegar um prato com comida e trazer para você.
Precisa se alimentar!
Raquel, conhecendo-a e sabendo que não a deixaria em paz, concordou:
- Está bem, Lia, vou ajudar você.
Enquanto Lia acendia o fogo, Raquel foi até o poço de água, desceu um balde que estava preso em uma corda e trouxe água para cima.
Encheu uma lata que estava ali e entrou em casa.
O fogo, embora aceso, ainda não estava em brasa.
Lia ajudou Raquel com a lata que foi colocada sobre o fogo que ardia.
Enquanto a água esquentava, Lia abriu as janelas da casa, pegou uma vassoura e disse:
- Vamos dar uma limpada nesta casa, Raquel.
Enquanto Lia varria a casa, Raquel, a contragosto, lavava a louça que estava sobre a pia e a mesa.
Antes de terminarem, a água estava quente.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:28 pm

Lia pegou uma bacia grande que estava no banheiro, colocou água quente.
- Agora pode tomar banho, Raquel.
Vou até em casa e, quando eu voltar, você vai comer!
Raquel entrou no banheiro, tirou a roupa e começou a tomar banho.
Quando Lia voltou, trazia um prato com comida e Raquel já havia tomado banho, trocado de roupa e estava penteando os cabelos longos.
- Agora, sim, você está com aparência de gente, Raquel!
- Estou me sentindo bem, Lia, e com fome!
- Então, coma, não é muito, apenas arroz, feijão e um pedaço de carne que cozinhei.
- Está óptimo, Lia! Obrigada!
Raquel estava mentindo, não se sentia bem nem estava com fome, mas se esforçou para que Lia fosse embora.
Foi o que aconteceu.
Lia, ao ver que Raquel estava comendo e parecendo bem, disse:
- Parece que você está bem.
Preciso ir embora, deixei Moacir com a Tereza.
- Como ele está?
- Esta bem, pergunta sempre por você e eu respondo que vai voltar logo.
- Amanhã, acho que vou estar bem, aí, vou buscá-lo.
- Não tenha pressa.
Somente se cuide para retomar sua vida.
- Obrigada por tudo o que está fazendo, Lia.
- Não precisa agradecer amigo é para essas horas, não é?
Raquel não respondeu, apenas sorriu.
Assim que Lia saiu, Raquel largou o prato com comida, fechou as janelas da casa, voltou para o quarto e se deitou.
No mesmo instante, deitaram-se ao seu lado dois vultos de mulher que, chorando, diziam:
- Ela não pode estar bem.
O seu marido morreu e o filho também. Coitada...
- Tem razão, como pode estar bem?
Eu sei como é esse sofrimento.
Também perdi meu marido.
Ele morreu antes de mim e não consigo encontrá-lo.
Precisamos ficar ao lado dela para que possa sofrer, assim como nós...
- É verdade.
Também estou procurando meu filho.
Você perdeu seu marido e eu que perdi o meu filho?
Não existe dor maior do que essa...
- Tem razão.
Ela está sofrendo assim como nós.
Vamos ficar aqui junto dela.
Imediatamente, uma nuvem negra envolveu todo o quarto e, principalmente, Raquel, que começou a chorar e a pensar:
Não posso ficar bem.
Meu marido e meu filho foram arrancados de mim!
Olímpia, ao ver aquilo, tentou jogar luzes para limpar o ambiente, mas não conseguiu.
A nuvem negra era espessa demais e não permitia que as luzes a atravessassem.
Desesperada, pensou em Samuel, que chegou imediatamente e, ao ver Raquel cercada por aquela nuvem densa, preocupado, perguntou:
- O que aconteceu aqui, Olímpia?
- Raquel se entregou à tristeza, ao inconformismo e atraiu essas duas irmãs que, como ela, estão tristes.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:28 pm

Envolveram-na completamente e eu não estou conseguindo afastá-las.
Estou com medo de que elas consigam induzi-la ao suicídio.
- Isso era de se esperar.
Raquel deveria fazer uma escolha e escolheu.
Você sabe que, em casos assim, muito pouco podemos fazer.
Somente Raquel poderá reagir contra a tristeza, o inconformismo e a depressão.
Não se esqueça da Lei do livre-arbítrio, Olímpia.
- Às vezes, acho que essa Lei é injusta, Samuel.
- O que está dizendo, Olímpia?
- Isso que você ouviu.
Muitas vezes essa Lei é injusta.
- Por que você a acha injusta, Olímpia?
- Na situação em que Raquel se encontra depois de tudo o que aconteceu, de ter perdido o marido e o filho, como se pode exigir que ela não fique triste, não se entregue ao desespero e, consequentemente, à depressão?
- Não estou entendendo o que está dizendo, Olímpia.
Você sabe que ela não perdeu o marido e o filho.
Sabe que eles viveram ao lado dela o tempo necessário.
Eles estão vivos espiritualmente e logo poderão visitá-la.
Sabe que, um dia, ela os reencontrará e que, por enquanto, ela precisará seguir sozinha para resgatar seus enganos passados.
Sabe que eles renasceram apenas para colocá-la no caminho.
- Vivendo no plano espiritual, aqui onde vivemos, é fácil entender, mas, quando se está encarnado, é difícil, Samuel.
Não consigo me esquecer de que, quando vivi do outro lado, sofri e tive dificuldade para aceitar as coisas que me aconteceram.
Não podemos nos comparar com os encarnados, eles não têm o mesmo conhecimento que nós.
- É exactamente por, quando encarnados, não termos conhecimento que conseguimos vencer as nossas fraquezas com a liberdade de escolhas.
Não existe Lei mais justa do que essa, Olímpia.
Raquel está, sim, passando por momentos difíceis e, por isso, atraiu outros espíritos que, assim como ela, não aceitaram passar por aquilo que eles mesmos escolheram antes de renascer.
Não aceitaram, quando encarnados, e trouxeram consigo o sofrimento e a depressão, por isso, continuam vagando sem seguir, sem aprender e sem se preparar para uma nova encarnação.
Cabe à Raquel, somente a ela, conseguir reagir e afastar essa companhia.
Quanto a você, pelo que está pensando, é necessário que reflicta como espírito conhecedor das Leis Divinas e ajude não só à Raquel, mas a essas duas irmãs que também estão perdidas e sofrendo.
- Sabe que me comprometi a ficar ao lado de Raquel durante toda sua encarnação, mas não sei se estou preparada.
Existem coisas que não consigo aceitar.
- Nossas dúvidas nunca terminam Olímpia.
O espírito encarnado, ou não, é um eterno insatisfeito.
Está sempre à procura de mais respostas, portanto, de mais conhecimento.
- Você acha que, por causa das minhas dúvidas, não estou conseguindo atingir Raquel com minhas luzes?
- Por que está me perguntando isso, Olímpia?
- Porque, se eu não puder ajudá-la, preciso de uma reciclagem, acho melhor que outro venha e permaneça ao seu lado.
- Não, Olímpia, não existe outro melhor do que você para ficar ao lado de Raquel.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:28 pm

Nas condições em que ela se encontra, luz alguma conseguirá ultrapassar essa nuvem negra e densa.
Precisamos encontrar outra maneira de atingi-la.
- Que maneira, Samuel?
- Ela não consegue nos ouvir.
Suas energias estão bloqueadas, precisamos de energia mais densa que só um espírito encarnado possui.
- Está pensando em usar um encarnado para conversar com ela?
- Isso mesmo. Fique aqui.
Vou a um lugar.
Conheço um espírito que está encarnado, mas possui todas as qualidades para fazer esse trabalho.
Ele poderá ajudar não só a Raquel, mas também a essas duas Irmãs.
Enquanto eu não voltar, continue tentando fazer com que sua luz chegue até elas.
- Está bem, vou fazer isso.
Samuel sorriu e, com a ponta do dedo, enviou um beijo para Olímpia e desapareceu.
Ela olhou para as três que estavam unidas e ficou enviando luzes.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:28 pm

ESCLARECIMENTO
O escritório de Martin ficava ao lado da casa de sua mãe, por isso, todos os dias, ele almoçava com ela.
Quando chegou, a comida já estava pronta e a mesa colocada.
Ele sentou-se e começou a comer.
No mesmo instante, Samuel chegou e estendeu a mão em direcção à Catarina, que perguntou:
- Tem notícias de Raquel, Martin?
- Não, mamãe.
Não tive tempo de ir até lá, mas deve estar bem, ela é forte.
Ainda sob a influência de Samuel, ela continuou:
- Estou pensando muito nela.
Estou sentindo que preciso fazer uma visita para ver como ela está.
- Já conheço esses sentimentos, mamãe - ele disse, rindo.
- Também conheço, por isso preciso me apressar.
Assim que terminarmos de almoçar, vou até a casa dela.
- Faça isso, mamãe, depois me conte o que aconteceu.
- Vou contar.
Terminaram de almoçar, Catarina nem tirou a mesa e saiu junto com Martin que foi para o escritório, enquanto ela tomava um ônibus.
Samuel voltou para junto de Olímpia e de Raquel:
- Como ela está Olímpia?
- Da mesma maneira, Samuel.
Está totalmente envolvida pelas energias de tristeza, abandono e revolta que são dela, mas, muito mais, dos espíritos das mulheres que a estão acompanhando.
Ela não nos ouve, mas ouve a elas.
Estou preocupada, pois, se continuar assim, talvez perca totalmente a consciência, não consiga voltar ao que era e, portanto, não poderá continuar esta encarnação, o que seria uma pena.
- Você está certa, mas não perca a fé.
Raquel, muitas vezes, já demonstrou a sua força.
Ela só está passando por um momento ruim, mas, com a nossa ajuda, vai se recuperar.
Como ela está envolvida por essa energia e não consegue nos ouvir, pedi à Catarina para que viesse.
Ela deve estar chegando e, sob nossa influência, Raquel a ouvirá.
- Eu não conheço Catarina, Samuel.
- Sei disso, mas ela já me ajudou muitas vezes.
Ela é muito dedicada.
- Estou curiosa.
Quero conhecê-la.
- Espere só mais um pouco.
Ela está chegando.
- Meia hora depois, Catarina chegou ao portão da casa de Raquel.
Bateu palmas várias vezes, mas ninguém atendeu.
Empurrou o portão e ele se abriu.
Entrou e caminhou até a porta principal da casa, bateu.
Raquel ouviu, ia se levantar, mas uma das mulheres disse:
- Não se levante!
Você não quer falar com ninguém!
Está muito bem aqui na cama!
Fique quieta, pois só assim poderá ter calma e paz...
Raquel aconchegou-se sob o lençol e fechou os olhos.
Catarina insistiu, batendo várias vezes.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:28 pm

Vendo que Raquel não atendia, pensou:
Ela não deve estar em casa.
Vou embora e voltarei outra hora.
Voltou-se para sair, quando Samuel e Olímpia estenderam as mãos sobre ela.
Samuel disse:
- Não vá embora, Catarina.
Ela está em casa.
Catarina olhou para a maçaneta da porta e tentou abrir.
A porta que Lia havia deixado destrancada se abriu.
Catarina entrou, chamando:
- Raquel! Você está em casa?
Sob a influência das duas mulheres, Raquel não respondeu e fingiu dormir.
Catarina caminhou pela casa e chegou ao quarto.
Foi até a cama e, com a voz baixa, chamou:
- Raquel... Raquel...
As entidades tentaram afastar Catarina, mas a sua própria luz junto com as luzes de Samuel e Olímpia as jogaram para longe.
Elas, assustadas, encostaram-se em uma das paredes e ficaram observando. Catarina voltou a chamar:
- Raquel... Você está dormindo?
Raquel, percebendo que ela não iria embora, abriu os olhos.
- Acordei dona Catarina, mas o que está fazendo aqui?
- Vim fazer uma visita para você e ver como está.
- Não precisava, dona Catarina, estou bem.
- Por que está deitada a esta hora do dia?
Raquel ficou nervosa, sentou-se na cama e, com a voz ríspida, respondeu:
- Estou cansada!
Só fico bem quando estou dormindo, pois assim não penso em tudo o que aconteceu!
Catarina olhou em volta, não viu, mas sentiu que ali havia entidades com energias pesadas.
Com a voz calma, antes de responder, pensou:
Você não está sozinha, Raquel.
Depois disse:
- Tem razão, Raquel.
Você tem motivos para esquecer e sofrer.
Eu diria até para não continuar vivendo...
Olímpia, ao ouvir aquilo, arregalou os olhos:
- O que ela está falando, Samuel?
Ela está louca?
Samuel começou a rir.
- Você está há pouco tempo fazendo esse tipo de trabalho, por isso não conhece a maneira como Catarina age.
Catarina que, embora não os visse, sabia que estava sendo protegida por espíritos de luz, continuou falando:
- Você tem motivo para querer dormir e esquecer o que aconteceu, Raquel.
- A senhora acha isso, mesmo?
Não vai dizer que eu tenho de me conformar com o que aconteceu?
Que devo continuar a minha vicia, que tenho dois filhos para cuidar, como todos falam?
- Não, Raquel, não vou falar isso.
Só estou aqui para ver como você está.
- Ainda bem, dona Catarina.
Não aguento mais ouvir as pessoas dizerem que está tudo bem, quando, na realidade, nada está bem!
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Ave sem Ninho

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:29 pm

- Claro que não está, mas poderá ficar pior, não é?
- Como pior?
- Nada, só pensei algo, mas foi bobagem.
- Agora estou curiosa, a senhora precisa me contar o que pensou.
- Não foi nada, Raquel.
Sabe que moro longe daqui, almocei e ai em seguida sem tomar café.
Você tem café coado?
- Tenho, mas nem me lembro quando coei, se a senhora quiser, posso coar um fresco.
- Se fizer isso, vou ficar agradecida. Costumo tomar café e, se não tomar, vou ficar com dor de cabeça.
- Está bem, vou coar.
Vamos até a cozinha?
As entidades novamente tentaram se aproximar. Uma delas gritou:
- Não faça isso, Raquel!
Não se levante!
Ela está enganando você!
Raquel, cercada pela energia de Catarina e dos outros, não as ouviu.
Levantou-se, passou as mãos pelos cabelos, empurrando-os para trás, e, acompanhada por Catarina, caminhou em direcção à cozinha.
As entidades, ainda tentando falar com Raquel, as acompanharam e, na cozinha, ficaram encostadas em uma das paredes.
Na cozinha, Raquel viu que o fogão estava apagado.
- Vai demorar um pouco, dona Catarina, preciso acender o fogo.
- Não se preocupe com isso, Raquel.
Tenho todo o tempo que for preciso.
Raquel sorriu.
Pegou alguns pedaços de carvão, colocou no fogão, jogou um pouco de álcool e acendeu.
A chama, a princípio, ficou alta, depois, foi se apagando e o carvão foi se transformado em brasa.
Raquel colocou a chaleira sobre o fogo e disse:
- Logo a água vai ferver.
- Vamos esperar Raquel.
Enquanto isso, não quer se sentar?
Podemos conversar um pouco.
Raquel se sentou.
Catarina olhou dentro de seus olhos e disse:
- Você tem razão em não querer ouvir as pessoas dizendo que deve se conformar e continuar com sua vida.
Você precisa entendê-las, Raquel.
Elas, por mais que tentem, não conseguirão entender a enorme dor que você está sentindo.
- É isso, dona Catarina!
Ninguém pode imaginar!
Como posso seguir a minha vida sem Francisco?
Sem meu filho?
- É difícil mesmo, Raquel.
Acho que tem direito de sofrer o quanto quiser.
Deve ficar em casa sem querer conversar com ninguém e deve ficar chorando, derramar todas as lágrimas, até que elas sequem.
Olímpia, a cada palavra de Catarina, olhava para Samuel com os olhos arregalados.
- Você não pode deixar que ela continue falando, Samuel!
Ela não está ajudando, está incentivando Raquel a continuar da maneira como ela está e nós sabemos que não é bom para ela, que só vai lhe fazer mal...
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Ave sem Ninho

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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:29 pm

Samuel voltou a sorrir.
- Continue ouvindo, Olímpia.
Raquel, confusa, perguntou:
- A senhora está me dando razão, dona Catarina?
- Estou Raquel.
Assim como as outras pessoas, por mais que tente, não consigo imaginar o que está sentindo.
Dever ser uma dor muito grande, mesmo...
- Pois é como posso agir da maneira que querem?
Agir como se nada houvesse acontecido?
As pessoas não entendem que perdi meu marido e meu filho!
- Será que perdeu, mesmo, Raquel?
- Claro que sim! Sei que a senhora vai me dizer que não estão perdidos, que poderei vê-los um dia, quando morrer, mas não acredito nisso!
É tudo conversa de religião!
- Não estou aqui para falar em religião nem para tentar convencer você de coisa alguma.
Estou aqui somente para ver como você está.
Raquel ficou nervosa:
- Ainda bem, dona Catarina.
Pois, por mais que alguém tente, não vai conseguir me convencer de que preciso me conformar!
Eu nunca vou me conformar! Nunca!
- E não deve mesmo, Raquel!
Como pode se conformar com uma injustiça igual a essa?
Olímpia, ao ouvir aquilo, com força, apertou o braço de Samuel:
- Ela não pode falar isso, Samuel!
- Calma Olímpia.
Catarina ainda não se despediu, não foi embora.
Olímpia, nervosa, olhou para as entidades que riam satisfeitas.
Uma disse para a outra:
- Viu Maria, estamos certas!
Fizemos bem em nunca termos nos conformado!
- Olhe o que Catarina está fazendo, Samuel!
Além de não ajudar Raquel, está dando a entender a essas entidades que a acompanham que estão certas, quando, ao contrário, devia aproveitar este momento e ajudar a todas elas!
- Já disse que você precisa ter calma, Olímpia.
Vamos esperar e ver o que acontece.
Catarina continuou:
- Estou pensando em algumas coisas que Martin me contou a respeito de Francisco.
Raquel, surpresa, olhou para ela e perguntou:
- Martin falava a respeito de Francisco?
- Muito. Ele admirava a dedicação dele e sempre falava como era trabalhador e que ele não se importava de trabalhar dia e noite, desde que conseguisse dar a você e às crianças uma boa vida.
- Isso é verdade...
- Disse que Francisco também admirava muito a você.
- A mim, como?
- Ele dizia que você, além de ser uma óptima esposa, era também uma companheira para todos os momentos e que fazia de tudo para ajudá-lo.
Dizia que você era forte, decidida e que devia à sua ajuda o sucesso da marcenaria.
Disse a Martin que, sem você, ele não conseguiria, que, mesmo quando você não estava trabalhando, sempre o incentivava.
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Re: EM BUSCA DO AMANHÃ / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 18, 2017 7:29 pm

Raquel voltou a chorar:
- Ele é quem foi um marido maravilhoso, dona Catarina...
- Que fez de tudo para que você e as crianças fossem felizes...
- Por isso não é justo ele ter morrido da maneira como morreu!
- Pode não ser justo, mas ele morreu Raquel, e isso não pode ser mudado.
- Sei que não pode ser mudado, mas não me conformo...
- Eu também, na sua situação, não sei se me conformaria, mas quem somos nós para entendermos os motivos de Deus.
Raquel ficou furiosa:
- Que Deus, dona Catarina?
Como um Deus pode fazer uma maldade igual a essa?
Matar um homem que vivia somente para sua família?
Que Deus é esse que permitiu que meu filhinho morresse com toda a vida pela frente?
Não, dona Catarina.
Sempre fui uma pessoa religiosa e temente a Deus, mas hoje, nem sei se acredito que exista, realmente, um Deus!
- Se pensarmos dessa maneira, você tem razão, Raquel.
Deus não deve existir mesmo...
Olímpia, nervosa, apertou o braço de Samuel mais uma vez.
Ele olhou para ela e sorriu.
Raquel, ao ouvir aquilo, disse:
- A senhora concorda comigo?
Também acha que Deus não existe?
As entidades ficaram olhando firmemente para Catarina, esperando sua resposta.
- Eu disse que, se pensarmos da maneira como você está pensando, Raquel...
- Existe outra maneira de se pensar?
- Eu penso diferente.
- Como à senhora pensa?
- Para responder a essa pergunta, eu precisaria falar da Doutrina que sigo há muito tempo e, como você disse, isso não interessa a você e não é por esse motivo que estou aqui.
- Mesmo assim, gostaria de saber o que a senhora pensa.
- Diante do que aprendi e acredito, Deus é o nosso criador e nos ama muito.
Para mim, somos espíritos devedores e errantes, caminhando em direcção à Luz Divina, em busca do amanhã.
- O que a senhora está querendo dizer?
Não estou entendendo.
- Você disse que é religiosa, portanto deve acreditar que temos um espírito ou alma, não é?
- Acredito.
- Acreditando nisso, deve pensar no que acontece com nosso espírito, quando morremos.
- Sim, vamos para o céu, para o inferno ou para o purgatório.
- Eu penso diferente, mas não tem importância.
O importante é que sabemos que nosso espírito vai para algum lugar e ficará lá, não é?
Raquel não respondeu, apenas acenou com a cabeça.
- Sendo assim, se o espírito vai para algum lugar e permanece ali, quando morrermos iremos ao seu encontro.
- Isso é teoria, a senhora não pode provar.
- Talvez não, mas é nisso que acredito.
- E se não existir tudo isso?
E se, quando morrermos, tudo se acabar e não restar nada?
- Se isso acontecer, é porque nada do que aceitarmos existe realmente, nem sequer Deus.
- Deus existe!
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