DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 04, 2017 10:13 am

Por que alguns homens só queriam se exibir em sua companhia e não queriam nada mais sério?
Ela parecia não passar de um "cartão de visitas".
Depois só queriam levá-la para uma noite de diversões íntimas, nada mais.
Isso ela não aceitaria. Jamais.
Não teria a companhia de um homem só para alguns programas e se deixar usar como um objecto.
Por que será que homens respeitáveis estavam em extinção?
Sim, pois o único homem que a respeitou sem qualquer interesse físico ou profissional foi Fábio.
Mas Fábio já era comprometido e bem comprometido.
Não poderia pensar daquele jeito.
Algo estava errado.
Quem sabe, se depois que fosse ao centro espírita, tudo aquilo desapareceria?
Na semana seguinte, devido ao excesso de serviço e às reuniões, Márcia e Fábio não conseguiram sair no horário para irem ao centro espírita.
Ela já estava desistindo de lutar.
Fábio e Bete tentavam reanimá-la com incentivos, mas parecia não adiantar.
Márcia se entregava cada vez mais àqueles pensamentos desanimadores, depressivos e fracos.
Agora, devido seus sentimentos por Fábio, pouco conversava e não queria mais a companhia dele nem de sua noiva evitando-os sempre que possível.
Certo dia, ao chegar em seu apartamento, encontrou Roberto e Júlia sentados no sofá assistindo a televisão.
Foi uma grande e desagradável surpresa.
- O que fazem aqui?! - perguntou Márcia demonstrando nítido desagrado.
- Calma, maninha, eu trouxe a Júlia aqui para conhecer nosso apartamento.
Roberto falava com certo deboche, menosprezando a ira de Márcia e não levando em consideração sua opinião a respeito de Júlia.
- Oi, Marcinha, como vai? - perguntou Júlia cinicamente estendendo a mão para cumprimentá-la.
Márcia não retribuiu.
Sisuda, jogou sua bolsa no outro sofá avisando nervosa:
- Nosso apartamento "vírgula".
Meu apartamento!
O irmão surpreendeu-se e exibiu desagrado, porém Márcia não se deixou intimidar, continuando, com veemência na voz firme:
- O que você pensa que é aqui, seu Roberto?
A casa da sogra?!
Está muito enganado, viu?
Eu não dei liberdade para você trazer quem quer que seja à minha casa sem antes me comunicar.
Muito menos essa daí!
- "Essa daí", quem?! - perguntou Júlia agressivamente, dando um passo a frente e levantando o queixo como quem fosse enfrentar Márcia.
- Cale a boca!
Pois ainda não estou falando com você! - replicou Márcia, nervosa.
Você está na minha casa, sem ser convidada e aqui quem manda e fala o que quer sou eu!!!
- Qual é, Márcia?! - disse Roberto tentando acalmar a situação.
Se vocês se conhecerem melhor, tenho certeza de que serão amigas.
- Roberto, por favor, eu gosto muito de você, mas não abuse disso.
É meu irmão e eu não quero brigar com você por isso.
Por favor, leve essa moça embora daqui! Agora!!!
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 04, 2017 10:13 am

Júlia não conseguia se conter e piorou a situação, dizendo:
- Qual é, mina?!
Tá pensando que tem o "rei na barriga" só por que se sustenta sozinha?
Ou será que está acostumada a mandar nos outros e pensa que vai mandar em mim também?!
Se é isso que está pensando está muito enganada.
Eu fico onde o Beto ficar.
Se eu não posso ficar, ele também não fica, falô?!
Márcia, enfurecida, não suportou mais.
Foi até a porta abriu-a e sem que Júlia esperasse puxou-a pelo braço e colocou-a porta afora, mesmo com Roberto reclamando:
- Espere, Márcia, isso não se faz!
Júlia, ao se ver fora do apartamento, voltou-se para Márcia e apontando-lhe o dedo indicador, próximo ao rosto, ameaçou-a com a voz em baixo volume e intensa raiva:
- Você não perde por esperar!
Não pensa que eu me esqueci de tudo o que fez para o meu irmão.
Ainda vai se ver comigo!
Lembre-se disso.
Márcia, irritada, não parou para ouvir.
Entrou no apartamento e bateu a porta.
Roberto ficou atrapalhado, não sabia o que fazer, por isso pegou Júlia e foram embora.
Márcia descontrolou-se e começou a chorar.
Sentada no sofá, ela pegou algumas almofadas e atirou longe, tentando descarregar a sua raiva.
"O que Júlia está pensando?
Desgraçada!", pensava enraivecida.
Além de todas as oportunidades que minha família deu pro Jonas, das mordomias que ele teve enquanto trabalhava na gráfica, ele fez o que fez.
O infeliz nunca valorizou o que teve nem se esforçou para nada na vida!
Roubou cheques e dinheiro, fugiu com Melissa, que como ele não tinha a cabeça no lugar.
E quando minha sobrinha voltou doente, anémica, grávida e parecia estar recuperando o juízo e respeitando mais a família, ele a matou.
Nunca vou me esquecer daquela cena impiedosa, brutal e cruel de vê-lo atirar nela..." - lágrimas rolavam compridas, intermináveis.
- "Será que a infeliz dessa Júlia não se lembra disso?!
O Jonas há de pagar!
Se existe inferno, o Jonas deve estar vivendo nele.
E ainda, depois de tudo, o Roberto aceita...".
Márcia assustou-se com o telefone tocando, o barulho a fez voltar à realidade rapidamente.
- Pronto?
- Márcia, é o Ciro.
- Oi, Ciro. Que bom falar com você.
Tudo bem? E as meninas?
- Está tudo bem, elas estão óptimas.
Sua voz... o que aconteceu, você esteve chorando?
Márcia sentiu-se embaraçada, mas acabou contando a Ciro o que havia acontecido no seu apartamento.
- Márcia, a situação é difícil e lamentável.
Vamos ter paciência, se reagirmos de forma arbitrária podemos afastar o Roberto de nós, aí tudo se complicará mais ainda.
- Ciro, falar é fácil.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 04, 2017 10:14 am

Mas quando as coisas nos pegam de surpresa, como agora a pouco, fica difícil reagir calmamente.
- Eu sei, Má.
Só quero que se lembre do seguinte:
você e o Roberto sempre foram bem unidos, muito honestos um com o outro.
Quando éramos solteiros, eu cheguei a comentar com a Paula, várias vezes, que admirava a sinceridade e a cumplicidade dos dois.
Vocês sempre disseram a verdade nua e crua, um na cara do outro.
Quando discutiam diziam tudo o que pensavam e ao acreditarmos que estavam brigados, víamos os dois de segredinhos e mais unidos do que nunca.
Lembrando dos tempos de crianças, o Roberto sempre a defendeu.
Rindo recordou:
- Nunca deixava eu ou a Paula bater em você e muitas vezes, por ser a menor, apanhava de nós dois para defender o Beto, até a mãe chegar e nos separar.
Vendo dessa forma, Má, você é a única pessoa que pode orientar o Roberto agora e mostrar a ele o caminho tortuoso que está seguindo, pois nós podemos observar nitidamente que essa moça, a Júlia, quer de alguma forma se vingar de nós através dele.
- Ciro, eu não sei como fazer isso! - lamentou quase em desespero.
Não me peça o impossível!
Já tentei conversar com o Beto, mas ele não fala muito no assunto.
Tenho que respeitar a privacidade dele.
Além do que, me parece que ele está gostando mesmo da infeliz dessa Júlia.
- Márcia, não sei o que podemos fazer, mas na hora certa tudo se resolverá, temos de ter fé.
A propósito, eu liguei pra dizer que a mãe será internada na próxima semana.
- Ciro, como é o estado dela realmente?
Ele demorou um pouco para responder, mas por fim falou:
- Delicado Márcia.
Segundo meus colegas, não parece ser coisa tão simples.
É lógico que eu não disse isso para a mãe.
Só estou comentando com você.
Não posso dizer isso, de forma alguma nem para o Roberto nem para a Paula, ou mesmo para o pai.
Eles não têm condições no momento.
- Não é possível, Ciro.
Não é possível tanta coisa acontecer de uma só vez - chorou.
- Mantenha-se calma, Má.
Desespero só piora as coisas.
Após esses exames, teremos um parecer mais preciso, principalmente para uma possível cirurgia e tratamento, você sabe.
Eu a manterei informada.
Depois que se despediram, Márcia ficou atordoada, não sabia o que fazer.
Precisava tirar aqueles problemas de seus pensamentos, não poderia ficar se torturando com tudo aquilo.
Sentiu vontade de telefonar para Arnaldo, seu ex-namorado, há tempos não o via e nem se falaram mais.
Ela ligaria só para bater um papo, jogar conversa fora, distrair-se, afinal, eles não brigaram, ainda eram amigos.
- Arnaldo? Aqui é Márcia!
- Oi, Márcia! Quanto tempo!
Que bom falar com você! - animou-se o rapaz.
- Estou ligando para saber como está.
Faz tempo que não nos falamos, afinal de contas, somos amigos, não é?
- Marcinha, você sempre morou no meu coração.
Conversaram durante muito tempo e acabaram por marcar um encontro para o próximo sábado.
Márcia sentia necessidade de sair, sentia-se envelhecendo mentalmente devido a tantos problemas em sua família.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 04, 2017 10:14 am

11 - AMOR E SUICÍDIO

No sábado, Márcia arrumou-se bem, produziu-se toda.
Arnaldo a levaria a um piano-bar, um lugar fino e elegante, afinal ele tinha bom gosto, sabia escolher.
Arnaldo foi buscá-la exactamente no horário marcado.
Ela sentia-se feliz.
Eles bebericaram, ouviram música e conversaram sobre diversas coisas a noite toda.
Márcia sentia-se radiante.
Acabou dizendo ao ex-namorado que sentiu sua falta nesse tempo em que estiveram separados, o que deixou o rapaz lisonjeado.
- Sabe Arnaldo, fiquei com medo de telefonar.
Achei que estivesse namorando, nunca mais me procurou, nem mesmo quando sofri aquele acidente.
- Marcinha, eu só soube do seu acidente há poucos dias - Arnaldo mentiu para se defender.
Ninguém me contou!
Imagine, se eu soubesse que havia se machucado, moveria céus e terras para ir vê-la.
Mas quando soube, pensei que fosse você quem não queria que eu soubesse para não receber a minha visita.
- Ora, Arnaldo!
Por que eu não iria querer vê-lo?
Conversaram e riram muito.
Márcia por algumas horas esqueceu-se de todos os problemas.
Talvez fosse disso mesmo que ela estivesse precisando: sair e descontrair.
A noite foi longa.
O dia quase amanhecia quando Arnaldo a deixou em frente ao prédio em que morava.
Márcia estava maravilhada!
Há tempos não se divertia assim.
Entrando, mal tomou um banho e caiu em sua cama, adormecendo imediatamente.
Dormira tão bem, que quando acordou com o telefone tocando, já passavam das treze horas.
Era sua mãe, preocupada.
- Mãe? - respondeu assonorentada.
Oi, mãe, acordei agora.
- Fiquei preocupada com você filha, não veio nem ligou.
Pensei que tivesse acontecido alguma coisa.
- Cheguei tarde ontem.
Sai com o Arnaldo.
- Vocês voltaram? - perguntou dona Mariana.
- Ah, mãe! Eu não sei... a gente só conversou, nada mais, mesmo.
- Toma juízo, hein, Márcia!!! - repreendeu-a firme.
Não criei minhas filhas para serem moças fáceis!
Entendeu?! Não quero passar vergonha!
- Pode deixar, mãe...
- Você vem pra cá hoje? - perguntou mais branda.
- Não mãe... - respondeu mimosa.
Ficarei por aqui mesmo.
Quero descansar.
Márcia esqueceu-se de que na próxima semana sua mãe seria internada, não a veria até o término dos exames e dona Mariana, mesmo percebendo seu esquecimento, nada comentou.
Os pensamentos da filha estavam longe, talvez pensando em Arnaldo.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 04, 2017 10:14 am

No começo daquela semana, Márcia estava diferente, mais alegre, não parecia se preocupar tanto como antes com tudo o que acontecia.
Vez e outra, ela e Arnaldo se telefonavam e sentia que isso lhe fazia bem.
Na quarta-feira, Arnaldo avisou que iria buscá-la no serviço e Márcia esqueceu-se do compromisso de ir ao centro espírita com Fábio e Bete.
No final do expediente, Fábio foi até a sua sala lembrá-la.
- Até que enfim! - exclamou o amigo.
Hoje vamos sair no horário e vai dar tempo de irmos ao centro.
Márcia ficou sem graça, completamente constrangida, não sabia o que dizer nem como se desculpar.
Não queria perder a oportunidade de ir ao centro, mas Arnaldo iria buscá-la e isso também era importante, até porque sentia-se bem na companhia do ex-namorado, havia tempos não se distraia tanto.
- Puxa, Fábio!
Eu me esqueci - confessou encabulada.
- Esqueceu?! - perguntou Fábio desapontado.
- Sabe o que é?
O Arnaldo disse que viria me buscar hoje e eu concordei.
Fica chato eu ligar para desfazer o compromisso.
Até acho que ele já saiu do trabalho e está a caminho.
- Não tem problema, nós o levamos! - propôs Fábio como última alternativa.
- Temo levá-lo sem antes preveni-lo.
Pode ser que não goste. Entende?
Por que você e a Bete não vêm connosco?
Podemos sair nós quatro juntos!
Iremos jantar! - convidou tentando animá-lo.
Fábio respondeu automaticamente, um tanto decepcionado e sem pensar:
- Não. Obrigado.
Tenho um compromisso assumido e somente em extremo caso é que o deixo em segundo plano.
Não posso deixar esse pessoal sem ajuda, pois eles nunca me desampararam.
- Eu sinto muito, Fábio - respondeu verdadeiramente triste e amargurada.
- Tudo bem, Márcia.
Façamos o seguinte:
você sabe que toda quarta-feira tem as palestras evangélicas e eu vou ao centro, quando quiser, nem precisa avisar é só vir comigo.
Não vamos mais agendar nada.
Certo? - explicou firme e bem directo.
- Está certo. Obrigada - tornou a amiga agora desanimada.
Fábio despediu-se e foi embora.
No horário combinado Arnaldo estava à espera de Márcia, que agora não estava tão animada quanto antes.
Percebendo sua mudança de humor, durante o jantar, perguntou:
- O que foi, Marcinha?
Você está com uma carinha triste hoje!
Sem rodeios ela contou tudo o que a afligia, desde seus problemas com a família, até o compromisso que desfez com Fábio de ir ao centro.
- Olha Marcinha, não sei não.
Esse negócio de centro espírita, de falar com mortos, isso não é muito bom.
Não acha melhor deixar isso quieto?
- Preciso ir atrás de alguma solução, Arnaldo - comentou aflita.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:33 am

Não posso deixar minha família se debatendo em problemas, preciso ajudá-los!
Não encontrei outra saída ou alguém que me ofereça alguma alternativa.
Só o Fábio e a Bete me ouvem e se propõem a ajudar.
- Marcinha, você não acha que cada um deve cuidar mais de si mesmo?
Sabe, eu acho que as pessoas têm que passar por alguns problemas.
Faz parte da vida.
- Mas, Arnaldo, minha família nunca foi assim, você sabe, conhece toda nossa história.
Tá certo que um problema ali e outro lá, nós sempre tivemos.
Mas, ultimamente, nossas vidas viraram do avesso.
- Quer um conselho?
Fique de fora, só observando a situação, não se envolva com os problemas dos outros.
- Não são "os outros", são meus familiares.
Se fosse comigo, eles iriam me ajudar.
- Será?!
Será que eles iriam se preocupar tanto com você quanto está se preocupando com eles?
Além do mais, nenhuma solução está ao seu alcance, pelo que vejo.
- Por não ter solução disponível, é que eu iria ao centro espírita, para ver se consigo, pelo menos, entender o que está se passando, procurar aliviar meu coração.
Às vezes acredito que ouvindo alguma palestra consoladora eu possa me sentir melhor, livrar-me dessa angústia, da amargura e solidão que sinto.
Sabe, penso que deve ser como a esses congressos e palestras profissionais a que assistimos, onde "um leque" de instruções e alternativas é apresentado a fim de nos auxiliar no serviço.
Após esses eventos, nós nos actualizamos e temos uma nova visão quando vamos desenvolver um novo projecto ou procuramos minimizar os problemas existentes na organização.
Penso que uma palestra evangélica, num centro Espírita, seja isso, e não como as missas que, ai, que Deus me perdoe!
Mas as missas são sempre a mesma coisa, não consigo receber instruções de como mudar minha vida, como aplacar os sentimentos ruins que tenho.
Ainda não assisti, mas penso que um palestrante que nos "traduza" e nos faça entender as parábolas de Jesus para aplicarmos esses ensinamentos em nossas vidas, é como o exímio congressista académico.
Esses conferencistas que nos cursos e palestras nos mostram como agir de forma diferente com o trabalho que executamos e, sem nos livrarmos da tarefa, conseguimos realizá-la sem tanta dificuldade.
Você entende? - insistiu Márcia.
- Viva e deixe viver!
Se não pode ajudá-los, leve sua vida numa boa, antes que se meta em confusão, tanto quanto eles.
Márcia não gostou muito das reflexões e opiniões de Arnaldo, mas, a princípio, começou a pensar que ele pudesse ter razão.
No centro espírita, Fábio e Bete, fizeram uma prece especial para a amiga Márcia, solicitando seu crescimento espiritual e pessoal, que através disso pudesse adquirir conhecimento para que seus entendimentos fossem maiores do que os seus sofrimentos.
A caminho da casa de Bete, Fábio estava sério, quase não deu uma palavra.
Observadora e conhecendo bem o noivo, ela perguntou com tranquilidade:
- O que é, Fábio?
O que você tem?
Forçando um sorriso silenciou por alguns segundos reflectindo apreensivo, enquanto dirigia com atenção no trânsito, pensava no que responder.
Ele não era do tipo que mentia.
Se fosse falar o que sentia, haveria de dizer a verdade.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:33 am

Após longos minutos, resumiu com simplicidade:
- Estou preocupado com a Márcia.
Você sabe, eu já te contei tudo.
- Sim, eu sei.
Só acho que não é só isso, tem algo mais acontecendo com você - afirmou bem directa.
Fábio calou-se, até sua fisionomia mudou de alguma forma.
Sem ter o que dizer, silenciou totalmente.
- Vamos, pode falar, Fábio.
Prefiro ouvir de você - tornou a moça.
Bete era calma, bem ponderada, sabia controlar seus sentimentos, suas emoções e suas acções.
Além disso, conhecia Fábio há muito tempo.
Tinha certeza de que o noivo deixava-se envolver sentimentalmente por Márcia, pois já pressentira isso.
O silêncio agora confirmava sua intuição.
Chegando frente à casa de Bete, ela pediu educada:
- Vamos conversar.
Só que coloque o carro dentro da garagem.
Conversaremos lá, é perigoso ficarmos aqui na rua.
Ele simplesmente obedeceu.
E, já dentro da garagem, Fábio explicou:
- Eu não sei, Bete.
Não sei o que está acontecendo comigo.
Aproximei-me da Márcia para ajudá-la, você sabe.
Calou-se por minutos, depois continuou embaraçado:
- Nós conversamos muito, tudo o que acontece eu conto para você, nunca te escondi nada, Bete.
Olhou-a nos olhos sentindo um nó na garganta ressequida, reafirmou:
- Nós só conversamos sobre os problemas que ela enfrenta.
Nunca, eu ou ela, tivemos qualquer contacto... qualquer outro tipo de aproximação mais íntima... nunca houve uma demonstração de outro sentimento além dessa amizade que você acompanha.
- Eu sei, Fábio. Acredito.
Você não consegue mentir.
Fábio sentia-se envergonhado diante da noiva.
Nunca pensou em passar por uma situação tão embaraçosa e constrangedora como essa.
- Sabe, Bete, eu sempre procurei ajudar as pessoas que experimentam problemas iguais aos que a Márcia vem enfrentando.
Sei que o Espiritismo sempre poderá ajudar gente assim e é por isso que gosto de esclarecer, quando me pedem orientação.
Tentando justificar-se, mas sentindo o coração apertado e a voz vacilante, ele prosseguiu:
- Olha, já conheci tantas pessoas a quem eu falei de Espiritismo, levei-as ao centro e depois as deixei caminhando sozinhas.
Isso foi com homens e mulheres... sempre tive amizade e respeito para com todos, independente de sexo.
- Só que com a Márcia está sendo diferente, não é, Fábio?
Você está se envolvendo demais com ela.
Está sentindo, por Márcia, algo que nunca sentiu por ninguém, não é? - perguntou sem rodeios e bem tranquila.
Fábio não disse nada.
Só abaixou a cabeça como quem admitisse.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:33 am

- Fábio, eu não vou gritar nem espernear, porque sei que não vai adiantar nada.
Estou chateada sim.
Estou muito triste, porque gosto muito de você.
Sua voz embargou, mas Bete prosseguiu:
- Eu entendo, mesmo não aceitando, eu entendo porque te amo.
E te amo demais, Fábio.
E, quem ama, respeita.
Bete dizia aquilo com os olhos em lágrimas.
Tentava ser firme para não desatar a chorar.
- Eu também gosto de você, Bete.
- Mas não ficaria assim tão magoado se hoje eu tivesse saído para jantar com um outro cara, como Márcia fez, não é?
- Não vamos discutir, Bete.
Por favor - pediu em voz baixa, triste.
- Desculpe-me, não quis ofendê-lo.
Nem quero brigar.
- Eu não sei o que fazer.
Estou muito confuso... - confessou passando a mão pelos cabelos e esfregando o rosto.
Em seguida, deu um longo suspiro e continuou:
- Cheguei a pensar que seria uma perturbação espiritual para que eu me afastasse dela.
- Porquê? - perguntou Bete.
- Veja a nossa situação!
Estamos noivos, temos muita coisa comprada!
Nossas famílias estão animadas com o nosso compromisso.
Apesar de meus pais morarem longe, estão nos dando todo o apoio, como os seus também.
Podemos dizer que praticamente o casamento está marcado para quando você terminar a faculdade, que é agora no fim deste ano.
Já temos um bom valor em dinheiro guardado e podemos dar uma boa entrada num apartamento ou até comprarmos uma casa.
Diante de tudo isso, com esses sentimentos confusos, eu me afastaria dela para não complicar a nossa vida e assim Márcia ficaria sem auxílio nenhum.
- Você e eu sabemos, Fábio, que isso não é obsessão.
Quando começamos namorar não foi por um grande amor, foi só porque tínhamos tudo em comum.
Isso não significa amor.
Eu às vezes até acho que nós nos acostumamos um com o outro, e não se pode comparar isso ao que está sentindo pela Márcia.
Você tem vontade de conquistá-la, de tê-la ao seu lado, de senti-la perto.
Você quer que ela seja sua, Fábio!
- Para. Chega, Bete - pediu ponderado ao mesmo tempo em que abaixava a cabeça, percebendo que a noiva adivinhava seus desejos.
Prefiro não falar nisso, por favor.
Não vê que está me machucando, que esta situação é muito difícil para mim? - pareceu implorar fugindo-lhe o olhar.
- Façamos assim, eu não quero perdê-lo e também não posso prendê-lo.
Vamos deixar o tempo resolver tudo.
- Vamos dar um tempo entre nós?
Está bem assim? - propôs Fábio que estava muito chateado.
- Vamos sim - concordou sentindo um nó na garganta.
- Não é necessário comentar nada com ninguém.
Deixemos os nossos sentimentos falarem mais alto.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:33 am

Com o passar do tempo tudo tomará seu rumo, seu devido lugar...
Bete dizia aquilo com o coração apertado e um embargo na voz suave.
Sentia muita vontade de chorar, porém suportou firme e não deixou que as lágrimas rolassem.
- Fábio, eu só queria pedir uma coisa.
- O que quiser, Bete.
Fala - encarou-a agora.
- Continue contando comigo, independente do que você sentir ou desejar...
Independente da decisão que tome para a sua vida, eu quero ser sua amiga.
Fábio a abraçou dizendo:
- Mas é claro que sim, Bete.
Você sempre foi minha melhor amiga.
- Outra coisa.
Obrigada por ser tão honesto comigo, por contar tudo o que está se passando e o que você está sentindo.
- Estou envergonhado com isso.
Você não imagina...
- Não vejo motivo, pois seria fácil e simples me enganar e mentir, como muitos outros fazem.
- Eu é que tenho de agradecê-la por me aceitar como sou e entender o que está acontecendo.
Só peço um pequeno tempo para eu definir o que estou experimentando, não ficarei torturando-a, enganando-a.
Só quero ter certeza dos meus sentimentos e seja o que for que eu decidir, seja o que for que estiver acontecendo realmente, você será a primeira pessoa a saber.
Dizendo isso, Fábio beijou-a na testa, deu-lhe um forte abraço fraterno e depois de se despedirem, foi embora.
Ele sentia-se confuso e perturbado, principalmente por magoar Bete.
Não queria isso de forma alguma.
Ela sempre foi, acima de tudo, sua melhor amiga e em nome dessa amizade verdadeira não poderia enganá-la, muito menos levar em frente um compromisso sem amor.
Após o jantar com Arnaldo, já em seu apartamento, Márcia não estava nada bem.
Não se sentia feliz como no outro dia quando saíram juntos.
Resolveu ligar para a casa de seus pais, pois no dia seguinte sua mãe seria internada.
- Oi, mãe! Tudo bem com a senhora?
- Oi, filha, pensei que não iria se despedir de mim.
- Desculpe-me, mãe, por não ligar mais cedo, é que eu estava ocupada.
- Eu estou bem, o Ciro falou que vai me acompanhar em tudo, por isso estou tranquila.
- Vai dar tudo certo, mãe... a senhora vai ver!
- Tenho fé em Deus, filha.
Vai dar certo sim.
Dona Mariana não sabia que estava com câncer e que aqueles exames seriam para verificar o estado e o avanço da doença, se era possível uma cirurgia segura devido aos riscos pela localização da patologia, por sua idade e a possibilidade de um tratamento mais intensivo.
Após desligar, Márcia sentiu-se amargurada.
As palavras de Arnaldo não saíam de sua cabeça.
Entrou em conflito em razão de compará-lo a Fábio.
Bem que Arnaldo poderia ser igual a ele, ela gostava tanto do Fábio.
Márcia começou a entrar em desespero, sentia-se perturbada e com vontade de chorar.
Pensou em ligar para o Fábio, talvez o amigo a acalmasse um pouco, como sempre fazia.
Sem titubear pegou o telefone e ligou:
- Fábio?!
- Márcia?! É você?
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:34 am

- Sou eu...
Você já estava dormindo?
- Não. Cheguei agora da casa da Bete e estava conversando com meu irmão.
Fábio teve vontade de contar à Márcia tudo o que havia acontecido entre ele e Bete, mas achou melhor esperar mais um pouco.
Não saberia como explicar o motivo da separação, pelo facto da amiga estar envolvida em seus sentimentos.
- O que foi Márcia, aconteceu alguma coisa?
- Não. Não aconteceu nada.
Estou ligando porque... não tenho com quem conversar...
Minha mãe será internada amanhã.
Ela não sabe de nada, estou tão triste, eu... - o choro embargou-lhe a voz, ela não conseguia se controlar.
Fábio, por sua vez, desejava envolvê-la, queria estar ao seu lado para consolá-la.
- Márcia, não fique assim - aconselhava com voz terna.
Para de chorar. Vamos conversar, vai.
- Minha mãe, Fábio, ela... - os soluços não a deixavam terminar.
Fábio, intrigou-se, pensava no motivo de Márcia não telefonar para o Arnaldo.
Eles tinham sido namorados, terminaram, mas voltaram recentemente.
Agora, naquela situação, ela ligara justo para ele e não para o Arnaldo com quem tinha saído naquele dia para jantar.
Isso era estranho, mas de certa forma, lá no fundo, sentiu-se feliz.
- Márcia, você está sozinha?
- E... eu ... es... tou... - o choro passou a ser compulsivo e desesperador, entrecortando suas palavras.
Eu ... estou cansada, Fábio!
Cansada de tudo... cansada da vida que levo.
O que... é que eu tenho... na vida?!
Minha vida é uma droga!
- Não diga isso, Márcia.
Você não sabe o que está falando - argumentava com carinho.
- Sei. Eu sei sim... eu sei que... não há quase nenhuma chance para minha mãe se recuperar, talvez esses sejam os últimos dias que ela tenha um pouco mais de saúde, daqui para frente ela só vai definhar até...
- Não fala assim, Márcia.
Ninguém sabe a verdade, só Deus.
Márcia nem mesmo o ouvia, ela entrou em pânico aflitivo e Fábio, mais firme, a chamava à realidade:
- Márcia? Márcia!
Ela não respondia, ele só podia ouvi-la chorar desesperada.
- Márcia, seu irmão vai chegar? - Só silêncio.
- Márcia! Responde! Por favor!
- Eu... não... não sei...
Faz uns três dias que o Beto não vem...
- Acalme-se. Eu...
- Não dá para ter calma! - interrompeu-o.
Eu estou cansada de tudo isso! - gritou entre o choro.
Sou pressionada o tempo todo no serviço, pelos meus irmãos que exigem o que não posso fazer, eu deveria morrer... sou uma inútil...
- Presta atenção, Márcia.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:34 am

- Que atenção, que nada, Fábio!
Eu nem deveria ter nascido.
- Márcia, me escuta, presta atenção.
Eu vou até aí, assim nós poderemos conversar melhor, desse jeito não dá, está bem?
Estou indo para aí. Tá?
- Não perca seu tempo comigo... - sussurrava agora enquanto chorava.
Sou um caso perdido, sinto-me só, abandonada... não sirvo pra nada... nem sei pra que estou viva... - murmurou deprimida.
- Márcia, me espera?
Eu estou indo aí. Entendeu?
Fábio teve medo de Márcia, em meio a tanto desespero, tentar o suicídio, dias antes ele teve esse pressentimento e naquele momento temeu por ela.
- Márcia me espera, por favor.
- Não venha aqui!
Eu não quero - exigia ainda chorando.
- Márcia é sério.
Eu estou precisando de você.
Preciso conversar, preciso da sua ajuda.
Aconteceram algumas coisas bem sérias na minha vida também e tenho de falar com alguém em que eu confie.
Preciso de você.
Fábio tentava inverter a situação, fazendo com que Márcia se sentisse útil e aguardasse sua chegada.
- Minha ajuda, para quê?
Você é tão auto-suficiente, Fábio! - murmurou chorosa, parecendo irracional.
Eu o invejo, sabia?
Por sua segurança... pela fé... esperança que tem...
Você é tão forte, inabalável...
- Não sou, não.
Preciso falar com você, é verdade. Estou indo aí.
Espere-me, pelo amor de Deus! - implorou Fábio com sentimento ressaltado na voz emocionada.
Diante do silêncio, perguntou:
- Márcia! Você está me ouvindo? Márcia!!!
Um barulho típico se fez e ele teve a certeza de que ela havia desligado.
Sem perder tempo, Fábio saiu como estava e foi, às pressas, para o apartamento da amiga.
O caminho parecia ter ficado mais longo, tinha a impressão de que nunca chegaria.
Nesse momento Márcia caminhou até a janela do apartamento, abriu-a, sentou-se no parapeito e ficou a olhar para baixo pensando em pular.
Fábio nunca havia sentido tanto medo, experimentava o coração apertado enquanto um pressentimento terrível o sufocava.
Temia que Márcia pudesse cometer alguma loucura, como tentar contra sua própria vida, pois percebeu que ela havia entrado em pânico depressivo.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:34 am

12 - O BRILHO DA VERDADE

Quando Fábio chegou ao prédio, o porteiro não o deixou subir e passou a accionar o interfone para chamar Márcia, só que ninguém atendia.
O rapaz ficou desesperado e insistiu:
- Por favor, me deixa subir, nós somos amigos.
O senhor já me viu aqui.
Acontece que estávamos conversando ao telefone e ela não se sentiu bem.
Por favor, eu preciso subir - implorou humilde, mas exibindo nítido nervosismo.
- Senhor, é tarde.
Acho que ela já está dormindo, eu não posso...
Fábio subitamente o interrompeu, agora irritado:
- Se algo acontecer a ela, vou responsabilizá-lo!!!
Melhor...! Vou chamar a polícia e será agora, mesmo!
É um caso de socorro!
O senhor não entendeu?! E se ela morrer?!!!
- Espere - pediu o porteiro, agora preocupado.
Vamos subir nós dois, mas primeiro eu vou chamar o meu colega para ficar em meu lugar.
Eu já o vi aqui com ela sim.
Mas o senhor tem que entender que eu só estou cumprindo as normas do meu trabalho.
Não é correto fazer isso, mas se aconteceu oque o senhor disse...
Só que terá de deixar seu documento de identidade aqui na portaria com o meu amigo.
Ao chegarem frente à porta do apartamento, Fábio tocou a campainha por várias vezes e chamou aos gritos:
- Márcia! Márcia! Abra!!!
Sou eu, o Fábio.
Só depois de muito chamar e esmurrar a porta, Márcia a abriu.
Ela estava com o rosto bem inchado de tanto chorar.
Quando viu Fábio a sua frente, abraçou-o com força, praticamente, se atirando em seus braços, passando a chorar com soluços e gemidos de lamentação.
- A senhora está bem?! - perguntou o porteiro assustado ao vê-la.
A moça não conseguia falar, escondendo o rosto no peito do amigo.
Porém Fábio respondeu mais calmo enquanto a envolvia e a afagava:
- Obrigado senhor, está tudo bem agora.
Graças a Deus o senhor acreditou em mim.
Não se preocupe, eu vou cuidar dela.
Obrigado por me deixar subir, muito obrigado, mesmo - agradeceu comovido.
- Então eu vou indo, se precisar de ajuda... - avisou o porteiro, ao entrar no elevador, ainda preocupado.
Márcia, abraçada a Fábio chorava desesperadamente e afirmava ao entrarem:
- Nem pra morrer eu presto!
Exibia os olhos excessivamente vermelhos e inchados, o nariz rubro, congestionado e a voz rouca de tanto chorar.
- Venha, Márcia, vamos, sente-se aqui - pediu carinhoso olhando-a com piedade.
Fábio levou-a para o sofá, ao se sentar viu, na mesinha central da sala, diversos medicamentos incluindo calmantes cujas caixas traziam tarjas pretas e, ao lado de tudo isso, uma garrafa de uísque.
- Márcia, o que é isso?!!!
Ela chorava compulsivamente e mal conseguiu responder:
- Viu... nem pra morrer eu presto... ainda estou aqui...
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:34 am

Fábio apavorou-se, um frio correu-lhe pelo corpo ao imaginar que ela já teria ingerido alguns daqueles comprimidos junto com a bebida alcoólica, por isso dizia que nem para morrer prestava, porque ainda estava ali!
Fábio perdeu o controle e sobressaltou-se, segurou Márcia pelos dois braços, sacudiu-a com força perguntando veemente:
- Você tomou isso?!
Ele olhou e viu que havia um copo ao lado da garrafa e que nele tinha um pouco da bebida.
Voltou-se novamente e insistiu:
- Pelo amor de Deus, responde, Márcia.
Você tomou isso?!
- Você está me machucando - avisou chorando.
De joelhos à sua frente, segurou seu rosto com carinho, afagando-a implorou com tom humilde na voz:
- Márcia, por favor, você tem que me dizer se bebeu ou não esses remédios, ou eu vou levá-la ao hospital agora.
Você tomou isso?
- Não - gaguejou pelos soluços.
Eu ia beber assim que o interfone tocou.
Eu ia tomar quando você bateu na porta.
Eu não presto nem para me matar, sou covarde até para isso.
Deslizando do sofá para o chão, ao lado dele, ela caiu descontroladamente em nova crise de choro compulsivo e Fábio a abraçou, fechou os olhos e respirou aliviado, dizendo:
- Graças a Deus.
Obrigado Senhor por me ajudar chegar a tempo.
Márcia chorava tanto que não ouviu suas palavras.
Fábio apertou-a contra seu peito, encostou seu rosto no dela e afagou-lhe os cabelos tentando acalmá-la.
Ficaram assim, abraçados, por longos minutos.
Depois sentaram no sofá um ao lado do outro onde ele tornou a envolvê-la com meiguice.
Um sentimento forte o dominou.
Não queria se separar daquele abraço.
Fábio nunca havia ficado tão perto de sua amiga.
Como era bom tê-la em seus braços, poder acariciá-la, tocá-la, sentir seu perfume e a maciez de sua pele.
Agora tinha certeza, amava Márcia.
Queria estar perto dela. Ele a queria para si.
Se algo acontecesse, jamais se perdoaria.
Fez, então, uma prece silenciosa a fim de que ela se acalmasse e pudessem conversar para que não tentasse novamente aquilo.
E ainda, aninhando-a nos braços, pediu carinhoso, com voz terna:
- Pode chorar, Márcia.
Chore mesmo, minha querida.
Você está precisando.
Márcia chorou, chorou muito.
Quando começou a se acalmar, ele explicou:
- Sabe por que pedi para que chorasse mais?
Ela balançou a cabeça negativamente e ele comentou:
- Pedi que chorasse, para que descarregasse todas as energias negativas que estavam concentradas em você.
Agora Márcia começava a se acalmar.
Estava de cabeça baixa, não conseguia encarar o amigo, envergonhou-se.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:35 am

Ficou calada por algum tempo e nem mesmo arriscou erguer o olhar.
Fábio foi até a cozinha, procurou o açúcar que não foi difícil de encontrar, preparou uma água adoçada e levou para a sala.
Ela apanhou o copo, tomou um gole e ficou girando-o vagarosamente observando a coloração da luz que reflectia dele enquanto pensava no que estaria acontecendo se consumasse o que pretendia.
O que seria dela agora? Como estaria?
Fábio, tirando-a daqueles pensamentos, perguntou:
- Sente-se melhor?
Ela não chorava mais, perdia-se em algumas questões, mas respondeu:
- Estou. Estou melhor, sim - afirmou com voz fraca.
Fábio sentou ao seu lado e com olhar meigo e afectuoso contemplava-a.
Pegou-lhe a mão suavemente, acariciou, colocando-a entre as suas e confessou com a voz do coração:
- Você me assustou, sabia?
Fiquei desesperado.
Não pode imaginar como me senti.
- Por quê?
- Nossa Márcia, que pergunta!
- Minha vida não tem mais importância.
Não tem mais sentido nenhum, sou incapaz, fraca...
Antes que ela continuasse, ele a interrompeu, educado:
- É importante para mim.
Sua vida faz sentido para a minha vida.
Márcia achou que Fábio dizia aquilo por causa do momento crítico pelo qual passava.
Ele queria dar sentido à sua vida.
Se pelo menos isso fosse verdade.
Mas ela pensava ser impossível.
- Fábio, você não imagina o que eu estava sentindo para pensar em fazer isso.
Não me critique, por favor.
- Não estou criticando.
Nem pensei em fazê-lo.
- Assim que conversamos ao telefone e disse que estava vindo para cá, pensei em fazer algo rápido, prático - ela revelou, agora mais calma, porém com algumas lágrimas a correr pela face.
Fui até a janela da sala, abri e cheguei a me sentar no parapeito.
O vento soprava forte, frio... fiquei muito tempo ali.
Olhei para baixo e disse a mim mesma:
"Vamos lá, Márcia, pule, acabe de uma vez com essa agonia, com esse terror".
Mas cade a coragem?
Muitas coisas passavam rapidamente pela minha cabeça.
Eu não conseguia pular.
Depois que meus chinelos caíram, eu resolvi entrar...
Fui covarde... não pude...
Fábio olhou para a janela que ainda estava aberta, reparando que o vento soprava as cortinas leves fazendo-as levitar suavemente.
- Eu entrei pro meu quarto - prosseguiu -, e o desejo de por um fim em tudo isso não parou.
Eu estava sofrendo muito!
Foi uma tortura!
Peguei a caixa de remédios no meu armário, procurei os mais fortes... ia tomá-los quando me lembrei da bebida, pois o efeito deveria ser mais poderoso e talvez mais rápido.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:35 am

Vim para a sala, peguei a garrafa e o interfone começou a tocar, pensei que seria você.
Ela começou a chorar novamente só que agora de forma mais branda, o choro era de vergonha e arrependimento por ter chegado àquele ponto.
- Pensei que você deveria estar aqui e que iria fazer tudo para me socorrer.
Tentaria me salvar.
Você é tão prestativo e cuidadoso, eu só lhe daria mais trabalho.
Fábio ouvia tudo pacientemente, sem tirar os olhos de Márcia, sofria com ela.
Segurando-lhe a delicada mão, vez e outra, fazia-lhe um leve carinho na face, afastava o cabelo de seu delicado rosto com meiguice e mantinha-se atento e afável, aparando uma e outra lágrima que teimava em cair.
- Quando o interfone parou de tocar - continuou ela -, achei que tivesse ido embora, desistido de mim.
Acreditei que se desanimou, eu não era mais importante para você.
Fábio balançou a cabeça negativamente.
Gostaria de dizer tudo o que estava pensando e tudo que sentia por ela, mas resolveu aguardar.
Aquele desabafo era importante.
- Como fui idiota! - dizia chorando novamente.
Voltei aqui pro sofá, coloquei uísque no copo... quando criei coragem e peguei os comprimidos na mão, a campainha tocou e você começou me chamar.
Márcia caiu num pranto mais suave.
Fábio acalentou-a recostando-a em seu ombro, dizendo-lhe baixinho e beijando-lhe na cabeça.
- Acalme-se, por favor, acalme-se. Já passou.
Ela enxugou o rosto com o penhoar que usava.
Havia perdido completamente a classe, a compostura que sempre apresentava, mostrava-se bem natural, sem aquela pose executiva e superior que antes ostentava.
- Sabe, Fábio, naquele momento em que você bateu na porta e me chamou... senti, pela primeira vez, que alguém se importava comigo.
Que minha vida, que minha porcaria de vida, era importante para alguém.
Fábio fez com que ela olhasse em seus olhos, segurando seu rosto com carinho e disse:
- Não seja tola.
Você é muito importante para muitas pessoas, muitos já dependeram, dependem e ainda vão depender de você, mesmo que não tenha percebido isso.
Você, Márcia, tem muito valor, principalmente para mim - revelou firme, com algo de especial no tom de voz.
Confusa, não entendia por que o amigo insistia em dizer aquilo daquela maneira.
Não deveria saber que isso a torturava ainda mais.
Ela o amava.
- Vamos esquecer tudo isso - pediu afectuoso.
Você precisa descansar.
Agitou-se muito por hoje - falou ao sorrir com simplicidade.
Ela deu um longo suspiro.
Ficou feliz por Fábio estar ali.
Lamentava não poder revelar seus verdadeiros sentimentos por ele.
- Seu irmão não vem pra cá hoje? - quis saber.
- Não. Desde quando eu discuti com a Júlia aqui, o Beto não apareceu nem ligou mais.
Eu só piorei as coisas.
- Não piorou, não.
Você fez o que acreditou estar certo.
Diga-me uma coisa, e o Arnaldo, por que ele a deixou nessas condições, aqui sozinha?
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:35 am

- Ele não me viu assim em pânico.
Só me viu triste, me deixou lá na portaria e eu subi.
Quando me senti péssima, liguei para você.
Fábio irritou-se, mas viu a oportunidade de saber qual era a situação entre Márcia e Arnaldo, se estavam seriamente ligados, namorando ou se eram só amigos.
Então, perguntou:
- Que namorado é esse que a deixa sozinha, vendo que está passando por uma crise emocional?
Que, ao vê-la triste, não procura saber o que é?
Deixando-a na porta do prédio, vai embora!
Desculpe-me falar assim, mas que namorado, hein?!
Fábio pensou estar extrapolando.
Agora era tudo ou nada.
Precisava ouvir, da própria Márcia, qual era a relação entre ela e Arnaldo.
Isso o envolvia de certa forma, mexia com seus sentimentos.
- Eu e o Arnaldo não estamos namorando, Fábio.
Só saímos juntos para nos distrairmos.
Não temos nada um com o outro, não há qualquer tipo de compromisso e... nem sei se posso dizer se ele é meu amigo... depois de saber suas opiniões sobre a ligação que devo ter com minha família.
Ouvir aquilo foi um grande alívio para o rapaz que se sentiu tão bem a ponto de não conseguir tirar um leve sorriso de seu rosto, pois o caminho estaria livre para ele, bastaria Márcia aceitá-lo, lógico.
Se ela ao menos gostasse um pouco dele...
- Tudo bem que vocês não estão namorando, mas como amigo, ele deveria ajudá-la.
- Desculpe se o incomodei tanto - lamentou, sentindo-se um estorvo.
Fábio não se conteve, curvando-se ao segurar delicadamente seu rosto, respondeu num tom carinhoso ao fitar seus olhos meigos:
- Não diga isso.
Você nunca me incomodou, Márcia.
Ao contrário, eu... - deteve as palavras enquanto seus olhos se fixaram trocando sentimentos silenciosos.
Seu coração batia forte.
Quase disse que era um prazer estar ali a sós com ela, que foi maravilhoso tê-la em seus braços envolvendo-a com carinho, apertá-la contra si, acariciá-la.
Só que o momento não era oportuno, precisava observá-la mais.
Não queria perder sua confiança.
Se por acaso os seus sentimentos pudessem interferir em sua amizade com Márcia ou se isso, de algum modo, pudesse separá-los, ele nunca se declararia.
- Onde posso encontrar algo para fazer um chá? - levantando-se, perguntou para mudar o assunto e dissimular.
- Não precisa.
Fábio se voltou, pegou os comprimidos que estavam sobre a mesinha e levou-os para o banheiro, destacou algumas cápsulas que ainda restavam nas cartelas, jogou tudo no vaso sanitário e apertou a descarga.
- Márcia, onde arranjou remédios tão fortes?
- Meu irmão é médico, isso é fácil.
- Seu irmão é um irresponsável - criticou duramente.
Márcia não gostou da resposta, porém não disse nada.
Ele voltou até a sala e perguntou.
- Você tem mais medicamentos desse tipo em casa?
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:36 am

- Não. Isso era tudo.
- Não mesmo?
- Claro que não.
Se eu pretendia me matar é lógico que peguei todos.
Fábio contentou-se.
- Mas... onde acho um chá?
- Não precisa. Não quero beber nada.
- Como você é mal educada! - brincou agora para quebrar a tensão e fazê-la sorrir.
Eu venho aqui e nem sou convidado para tomar um chá?!
- Desculpe-me.
Deixa que eu faço - sorriu sem jeito.
- Não, não.
Eu faço questão - pediu o amigo.
Fábio fez o chá e enquanto bebiam, acomodados à mesa da cozinha, conversavam de assuntos fúteis para distraí-la.
Depois ele avisou:
- Vou ficar por aqui, se não se importar.
Ligarei para meu irmão avisando, está bem?
Márcia ficou embaraçada.
Nunca, ninguém, além de seus irmãos e sobrinhas, dormiu em seu apartamento.
Sentindo seu rosto enrubescer ainda disse:
- Não se importe, Fábio.
Pode deixar, estou bem.
- Não estou gostando da ideia de deixá-la sozinha.
Alguns segundos, pensativo, talvez consultando sua intuição, decidiu:
- Não vou deixá-la sozinha.
Só assim ficarei tranquilo.
Fábio estava decidido.
Diante de sua determinação e depois de tudo o que fez por ela, Márcia não poderia simplesmente pô-lo para fora.
Ele levantou-se e foi até a sala perguntando:
- Posso telefonar?
- É claro.
Márcia foi para seu quarto pegar uma coberta e um travesseiro.
Sem qualquer intenção, escutava a conversa descontraída de Fábio ao telefone até ouvi-lo dizer a seu irmão:
- Ela ligou?! - surpreendeu-se.
Após a resposta, perguntou:
- O quê você disse, Ney? - Longos segundos se fizeram até Fábio lamentar.
Não devia ter dito que eu vim pra cá.
Isso deve tê-la deixado ainda mais triste, magoada comigo.
Se a Bete ligar novamente, diga que já estou dormindo, por favor, Ney, mas não precisa dizer que estou dormindo aqui, tá?!
Eu não quero magoá-la ainda mais, como eu te contei, não foi fácil...
Puxa, vida!
Márcia deteve-se no quarto um pouco mais para ouvir o resto da conversa que lhe interessava, e Fábio continuou:
- Eu sei, Ney.
Nós demos um tempo sim, mas isso foi hoje, quase agora!
Se você disse que eu estou no apartamento da Márcia, a essa hora da noite, o que a Bete vai pensar?
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:36 am

No mínimo que eu já estava com tudo planeado.
Sinto como se a estivesse esfaqueando!
Não escondi nada dela, mas a Bete não sabe por que estou aqui e nem imagina o que está acontecendo.
Após segundos, recomendou:
- Olha, Ney, vá dormir que amanhã a gente conversa.
Márcia, em seu quarto, corroía-se de curiosidade.
Será que ele falava de seu noivado com Bete?
Será que eles haviam dado um tempo?
Fábio continuava:
- Quem, a mãe?
Puxa, faz tempo que eu não falo com eles!
Toda vez que ligam não estou em casa.
Tá bem, amanhã conversamos, tchau.
Fábio ficou com os olhos brilhando, parecia ter sentido uma doce saudade quando falou de sua mãe.
- Minha mãe ligou lá para minha casa - avisou ao ver Márcia já na sala com as cobertas.
- E eu com meus chiliques o impedi de falar com ela.
- O que é isso!
Estou acostumado, toda vez que eles ligam eu não estou, isso já virou rotina.
- Onde eles moram?
- Em Minas Gerais.
A terra do Chico.
- Quem?
- Francisco Cândido Xavier.
O maior médium que já se teve notícias no Brasil e no mundo.
Um dia falo sobre ele.
- Seus pais não gostam de São Paulo?
- Eles são de Minas Gerais.
Vieram para São Paulo antes de nascermos, acreditando ser mais fácil a vida.
Porém meu pai não se acostumou mesmo com o passar dos anos, mas minha mãe o convenceu que aqui era o melhor lugar para criarem os filhos.
Quando nós crescemos, eu atingi a maioridade e pude me virar sozinho, meu pai não aguentou mais ficar.
Como não havia se desfeito de suas terras lá em Minas, pois tem um funcionário que é mais que um irmão e esse foi quem cuidou de tudo durante todos esses anos, até que meus pais decidiram voltar.
Mas eu e o Ney ficamos.
- Quando disse que eles eram de Minas, pensei que você fosse mineiro.
- Não sô não, uai.
Sô daqui memo, mas amo lá - brincou com sotaque.
Márcia sorriu com gosto, agora estava mais descontraída.
- Fábio, tem roupa de meu irmão aqui, estão limpas, pode usar se quiser.
Fábio colocou seu braço sobre o ombro de Márcia e começou conduzi-la para seu quarto, dizendo sorrindo:
- Eu me viro, quero colocá-la para dormir hoje.
Márcia sorriu avisando:
- A única pessoa que fez isso foi minha mãe.
- Ela não será mais a única, terá que dividir isso comigo.
Márcia deitou-se e Fábio pegou uma coberta no armário e a cobriu com cuidadoso carinho.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:36 am

Depois disso, sentou-se na beirada da cama avisando:
- Agora sei que você está um pouco passada devido ao que aconteceu, porém amanhã ou depois, você não me escapa.
Temos muito que conversar.
Ela pendeu a cabeça positivamente encarando-o.
Nos olhos de ambos havia um brilho indefinido.
Seus corações batiam descompassados.
Não ousavam comentar sobre o secreto sentimento de paixão, carinho e amor que experimentavam, mesmo assim podiam trocar aquelas emoções, mesmo que de forma insegura por um não saber o que o outro pensava.
- Vê se dorme - pediu generoso.
Reze e qualquer coisa me chama, tenho o sono muito leve - disse Fábio dando-lhe um beijo na testa, levantando-se em seguida.
Márcia somente murmurou:
- Obrigada.
Ela deu um longo suspiro de satisfação quando ele apagou a luz e saiu do quarto.
Aquilo era um sonho que se realizava.
Queria abraçá-lo novamente, mas não podia.
Tinha de saber o que havia acontecido entre ele e Bete.
Além do que, não sabia se Fábio gostava dela, de repente ela poderia parecer vulgar, oferecida.
Fábio, na sala, não deitou.
Sentou-se no sofá e começou a fazer uma prece sentida.
Ele se concentrou, elevou tanto seu pensamento e sentimento que conseguiu uma linda e indescritível comunhão com o plano superior.
Quem pudesse ver, teria delirado com a contemplação de cores vivas, belas e cintilantes que passavam pela sala e sobre ele, circulando suavemente em harmonia como um belo arco-íris em movimentos leves e suaves.
Fábio sentiu que seu corpo não existia, ele era só mente.
Sentia-se o Universo, não tinha fim, não pensava em nada exactamente.
É difícil descrever tal imensidão, serenidade e beleza.
Fábio não teve tempo de se deitar, nem mesmo viu quando se encostou ao sofá e adormeceu sentado mesmo.
Seu corpo não reclamou com dores, pois seu espírito estava saciado com recompensas.
Pela manhã, Márcia acordou no horário de sempre.
Ao chegar à sala, lembrou-se de toda a confusão que arrumou na noite anterior.
Quando viu Fábio dormindo, ali sentado em seu sofá exclamou em voz baixa, quase sussurrando:
- Fábio! Pobre Fábio... eu o esgotei tanto que nem se deitou direito.
Ela se esqueceu que Fábio disse ter o sono muito leve.
Acordando, quando a amiga começou a murmurar, não abriu os olhos, preferiu acreditar que estava sonhando ao ouvir sua voz suave como uma melodia.
Márcia, pensando que o amigo estivesse dormindo, aproximou, ajoelhando-se a seu lado, acariciou-lhe a face com suavidade, beijando-o de leve no rosto e murmurou com ternura ao recostar a sua face na dele:
- Como eu te quero, Fábio.
Sem mover um único músculo ele assustou-se, surpreendeu-se com o que ela disse.
Jamais esperava por aquilo, estava paralisado e incrédulo.
Tentando disfarçar, pois não conseguia conter a forte emoção, Fábio remexeu-se vagarosamente e ela se afastou rápido.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 9:36 am

Virando-se um pouco mais, abriu os olhos e a amiga disse baixinho:
- Desculpe-me por acordá-lo, mas está na hora de irmos trabalhar.
Desculpe-me também por tê-lo deixado aí nessas condições, dormindo sentado no sofá.
Olhando-a, sorriu, sem saber o que dizer.
Ainda não acreditava no que tinha ouvido.
Observou-a melhor e viu que Márcia era linda ao natural, sem maquiagem.
Seus cabelos compridos e desalinhados eram mais bonitos com aquelas ondas que lhe caiam muito bem, seus olhos ainda estavam inchados, mas não comprometiam sua beleza.
Suspirando e sorrindo ele a cumprimentou:
- Bom dia!
- Bom dia, Fábio!
Vou fazer um café.
Ajeitando-se no sofá, espreguiçou-se.
Apesar da posição desconfortável, aquela tinha sido a melhor noite de sua vida.
Márcia arrumava a mesa enquanto conversava com ele que dobrava uma coberta.
- Fábio - pediu encabulada e um tanto temerosa -, por favor, não diga nada no serviço sobre você ter dormido aqui em casa, tá?
Fábio não respondeu nada e entrou no banheiro.
Márcia achou estranho.
Ela pôde ver que ele trazia no rosto um leve sorriso irónico.
"O que aconteceu?", imaginava.
"O que será que Fábio está pensando?"
- O cheiro está bom - disse ele ao retornar.
Eu só tinha um café da manhã preparado por uma mulher, quando minha mãe morava aqui ou quando eu vou para Minas.
- Sente-se aqui.
Vai se servindo, vou tomar um banho rápido e já volto.
- Mulher tomando um banho rápido!
Isso eu quero ver! - brincou.
- Pois verá.
Pela manhã sou muito esperta, sabia?! - correspondeu animada, mas aguardava inquieta pela resposta à pergunta que ficou sem resposta e o desvendar daquele sorriso enigmático.
Mesmo assim, para exibir-se, Márcia apressou-se ao máximo e saiu pronta do banho, só faltava arrumar os cabelos e se maquiar.
- Parabéns! - disse ele.
Márcia sorriu.
Sentou-se frente a ele e tomou seu café.
Conversaram um pouco sobre o serviço até que ela se levantou e foi para o quarto.
Arrumou os cabelos, maquiou-se rapidamente e voltou para a sala com a bolsa na mão.
- Minha roupa está muito ruim? - perguntou Fábio olhando-se.
- Até que não.
Ninguém vai perceber que dormiu com ela.
- Não brinca, estou horrível, não é? - reclamou ele.
- Você está vaidoso demais para um homem - reparou sorridente.
- Ainda bem que deixei o paletó no carro, senão teria que ir até em casa para pegar um, chegaria atrasado e ainda levaria a maior bronca da minha chefe.
Você nem imagina como ela é exigente.
- E a gravata? - Márcia sorriu ao perguntar.
- Viu como ela é exigente?! - gargalhou com gosto ao brincar.
Mas, quanto à gravata, não se preocupe chefe, ela está no bolso do paletó, sempre a deixo lá.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:11 am

Não posso esquecer, minha encarregada é tão exigente, difícil de contentar.
Ela é tão impertinente com a nossa aparência.
Exige até de si mesma
Tem que ver como é vaidosa!
- Para, seu bobo!
Ao abrir a porta para saírem, voltou-se para ele mais séria e falou:
- Não vai dizer a ninguém que dormiu aqui na minha casa, não é?
Fábio olhou-a nos olhos e sorriu levemente.
Fez-se um breve e misterioso silêncio.
Achou graça naquela preocupação.
Ele não era nenhum mau carácter.
Como poderia pensar que ele sairia contando aquilo para todo mundo?
Fábio repentinamente segurou o rosto de Márcia, olhou-a nos olhos e a beijou nos lábios, apertando-a contra si, envolvendo-a num abraço carinhoso com todo seu amor.
Depois disse com ternura, quase murmurando:
- Tenho vontade de contar para todo mundo que adoro você.
Sabia? Mas ainda não é hora e eu sei esperar.
Márcia ficou paralisada, absolutamente estática e sem palavras.
As chaves do carro que estavam em sua mão caíram ao chão.
Não acreditou no que acabara de acontecer.
Fábio estaria brincando com ela?
Sorrindo o tempo todo, ele se abaixou, apanhou as chaves, enquanto ela permanecia séria, sem palavras e agora abalada, nitidamente confusa.
- Vamos! - propôs todo sorridente e brincalhão.
Não enrola! Ou vamos perder a hora.
Márcia tremia dos pés à cabeça.
Mal conseguiu fechar a porta do apartamento.
Vendo-a sem palavras, parada, quase imóvel, perplexa por não saber de seus sentimentos, por ignorar o que aconteceu entre ele e Bete, decidiu avisar.
Colocando-se a sua frente, falou mais sério apesar do sorriso que sustentava:
- Temos muito que conversar sobre nós dois, Márcia.
Creio que te devo muitas explicações.
- Fábio eu...
- Não diga nada, espera - interrompeu generoso, afagando-lhe o rosto e os cabelos.
Não precipite qualquer julgamento.
Eu não estou traindo ninguém! Acredite!
Muito menos enganando ou enrolando você.
Essas atitudes não fazem parte do meu carácter.
Ela não disse nada, permanecia séria e ele continuou, sempre sorrindo:
- Nós conversaremos depois e eu vou explicar tudo.
Não crie "monstros" em seus pensamentos, não estrague esse momento e confie em mim.
Após breves segundos, com um tom generoso na voz, avisou:
- Não queria dizer isso assim, aqui na porta enquanto aguardamos o elevador.
Não é muito romântico e eu sou romântico, mas do jeito que você está, não tenho alternativa.
Segurando agora delicadamente seu rosto, disse com ternura:
- Eu adoro você, Márcia.
Você é muito importante para mim.
Eu te adoro, entendeu?
Vendo que Márcia ainda não tinha palavras ele a beijou com todo seu amor.
O elevador chegou.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:11 am

Ela ainda estava confusa.
Tudo fora muito rápido, parecia um sonho.
Mas estava feliz.
Aquilo era tudo o que queria!
No elevador, Fábio, bem animado começou a falar.
- Sabe o que me deu força para fazer isso, tão de repente?
Para me declarar e não dominar o desejo de tê-la novamente em meus braços, de beijá-la como sempre eu quis...?
- Não - sussurrou ela.
- Aquilo que você fez e disse perto de mim, assim que acordou e se ajoelhou perto do sofá. Lembra?
Primeiro afagou meu rosto com a mão, beijou-o e acariciou-me com sua face na minha dizendo - repetiu, murmurando -, "Como eu te quero, Fábio".
- Mas você estava...
- Tenho o sono leve - interrompeu-a sorrindo.
Eu avisei.
Envolvendo-a, saíram do prédio abraçados até chegarem ao carro.
Márcia estava muito feliz, não sabia o que dizer.
No serviço Fábio conseguiu manter a compostura.
Márcia, muito discreta exibia uma alegria e contentamento imensurável.
Tanta satisfação reflectia em seu trabalho, que desempenhou maravilhosamente bem.
Todos podiam perceber que algo muito bom havia acontecido com ela e até chegaram a comentar.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:12 am

13 - ENCARCERADOS E LIBERTOS

Na casa dos pais de Jonas, sua mãe e sua irmã conversavam.
Júlia fazia planos de vingança.
- Eu vou fazê-los pagar.
Um por um vai se arrepender de tudo o que fizeram ao Jonas.
- Júlia, eu só tenho dó da Mariana, eu gosto dela.
Ela sempre foi muito boa pra gente - dizia dona Cleide.
- Que Mariana, que nada, mãe!
Ela é outra desalmada, permitiu que fizessem tudo aquilo com o pobre do meu irmão.
Nem interferiu para que não perseguissem o coitado.
- Pobre do meu filho - lamentava dona Cleide.
Ele era tão jovem, tão bonito.
Nem acredito que ele morreu.
Têm momentos em que parece que está aqui em casa, parece que eu o sinto.
- Mãe, eu não falei nada, mas fui num terreiro.
- Um terreiro?! - admirou-se dona Cleide.
- É mãe, um centro.
Fui na casa do Roberto e consegui arrumar uma peça de roupa dele e da nojenta da Márcia.
- Você fez isso filha?!
- É claro!
Já deixei lá no centro para trabalharem e despacharem.
Aquela sem vergonha da Márcia vai ver o que é bom.
O que fez comigo lá no apartamento, não se faz nem com um cachorro.
Vou acabar com ela.
Vai pagar caro pelo que causou ao meu irmão.
Jonas não merecia tudo aquilo.
Eles o prenderam vivo e ela deve ter dado grana nas mãos deles para acabarem com o Jonas.
Bando de covardes.
Meu irmão estava sozinho, não teve chance de se defender.
E ainda tiveram a coragem de dizer que foi ele quem matou a vadia da Melissa.
Ele nunca faria aquilo.
- Eu também acho, Júlia - concordou dona Cleide.
Ele gostava dela.
- É isso mesmo, mãe.
O Jonas gostava tanto daquela safada que voltou se arriscando só para ficar com ela, mesmo sabendo que ela não prestava.
- Depois que o meu Jonas se empanou com essa Melissa, foi que começou a fazer o que não devia - acreditou dona Cleide.
- É claro! Ele tinha que sustentar o luxo daquela vadia.
Tomara que ela apodreça no inferno.
Júlia falava com muito ódio e um rancor feroz dominava sua alma.
Seu desejo era de pura e cruel vingança.
- Prometo uma coisa, mãe, eu vou acabar com essa família.
Enquanto isso não acontecer, eu não fico tranquila.
- Você deve saber o que está fazendo, não é, Júlia?
- Sei sim, mãe.
Vou acabar com um por um, não tenho nada a perder. Nada!
A velha Mariana já está com o pé na cova, o Roberto me contou que ela está com câncer e eu espero que nem volte do hospital, pra verem como é duro se perder alguém da família.
- Eu gosto da Mariana...
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:12 am

- Deixe de ser idiota, mãe!
Dona Cleide calou-se.
Ela não se conformava com a morte do filho.
Apesar de gostar de dona Mariana, achava que o único jeito de Jonas descansar em paz era com a vingança de sua morte.
- Quer saber de mais? - insistiu Júlia.
A senhora estava certa.
Lá no centro me falaram que o Jonas só terá sossego quando se sentir vingado de toda a injustiça que fizeram com ele.
- Você conversou com ele?
- Não. Disseram que ele não tem, ainda, condições de se comunicar.
Mas me avisaram que o Jonas está tentando fazer todos pagarem pela sua morte injusta e covarde.
- Eu não acredito que o Jonas engoliu drogas.
- Claro que não, né mãe!
Aquilo tudo foi arranjado pela polícia, atiraram nele e o tiro pegou na Melissa.
Viram que ele não morreu e fizeram engolir aquilo, por isso é que bateram tanto nele.
Eu não me conformo!
Como ele estava machucado depois de morto!
- Não me lembre disso, Júlia.
Por favor - implorou chorando.
- Amanhã eu tenho que levar no terreiro uma lista de coisas que me pediram, olha só, está aqui:
pinga, farofa, essas fitas, velas...
Júlia começou a relatar tudo o que pediram a ela para realizarem o tal trabalho a fim de atrapalhar Márcia e Roberto, e ajudar seu irmão Jonas no que ele já estava fazendo contra todos.
Dona Cleide não contestou.
Participou junto com Júlia, encarregando-se de providenciar alguns dos materiais.
O objectivo de Júlia era atrapalhar e destruir toda a família.
Iria começar por Márcia e Roberto, pois eles estiveram com Jonas nos seus últimos momentos.
Júlia começava a sentir-se satisfeita.
Ela também sabia, através de Roberto que Paula e João Vítor passavam por dificuldades e vinham brigando muito.
Roberto contou também sobre seu pai, que estava muito alterado e agressivo.
Quanto a Roberto, este já controlava, induzia-o a beber o que ele aceitava com facilidade.
Por algumas vezes colocou drogas em sua bebida, pois queria destruí-lo rapidamente.
Somente Ciro e sua família pareciam não ter problemas.
Se bem que ele não havia se envolvido com Jonas.
Mas desejava que Paula e seu marido pagassem muito caro.
Já na casa de Paula e João Vítor, havia uma pequena trégua nas discussões.
Paula sentou-se à mesa em frente a João Vítor e começou a conversar:
- João, o Ciro me ligou hoje dando notícias de minha mãe.
- Como ela está? - perguntou ele preocupado.
- Ciro disse que ela tem que fazer outros exames, ainda, e terá de ficar internada para passar por uma dieta rigorosa no hospital.
Parece que não poderá comer quase nada até a próxima segunda, o dia em que realizará esses exames.
- Dona Mariana está sofrendo muito.
Sua mãe não merecia passar por isso.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:13 am

João Vítor gostava muito da sua sogra.
Ela sempre foi muito boa para ele e o apoiou nos momentos mais difíceis.
Bárbara chegou à cozinha e quando viu seus pais conversando, sentiu-se feliz.
Como seria bom se tudo voltasse a ser como antes.
Sua casa era tão tranquila.
Havia tanta paz.
- Sente-se aqui, filha - pediu Paula.
Eu estou falando de sua avó.
- Eu estava conversando com a tia Rose, mãe.
Ela me disse que a vó tem de fazer outros exames.
E provavelmente uma cirurgia.
- É sim. Vamos rezar pra vó ficar boa - disse Paula.
Faremos uma novena e pediremos para a Melissa também ajudar.
- Mãe, deixe a Melissa em paz.
Talvez ela nem tenha condições de ajudar e até esteja necessitando de ajuda.
- Não diga isso, Bárbara! - zangou-se a mãe imediatamente.
A Melissa está bem.
Ela está em um bom lugar.
E pode nos ajudar sim!
- Paula, eu acho que a Bárbara tem razão.
Melissa precisa descansar.
Ela morreu, tudo acabou.
Somos nós que precisamos cuidar dos nossos problemas, das nossas vidas e das nossas obrigações.
Não adianta você fazer a ela um monte de pedidos, isso pode perturbar a menina.
- Minha filha está em um lugar bom.
Ela tem condições de me ajudar e de ajudar muita gente.
Voltando-se para Bárbara, Paula continuou:
- Olha aqui, Bárbara, se são essas conversas com a Rose que estão fazendo você pensar assim e trazer essas ideias para dentro de casa, eu vou acabar proibindo-a de conversar com ela e ficar lendo esses livros.
Não quero saber de alguém de fora dar palpites dentro da minha casa.
Aqui quem manda sou eu.
Se a Rose quer dar lições de moral, ela que o faça para as filhas dela, na casa dela!
Na minha não!
Melissa estava assistindo em pé num canto da cozinha.
Atenta a tudo o que sua mãe dizia.
Como queria poder se expressar a eles e dizer que estava ali, que não estava em nenhum outro lugar, que podia ouvir, sentir cada tristeza, cada dor...
Melissa se arrependeu muito por não ter ouvido todos os conselhos que lhe deram.
Arrependeu-se de ter brigado com sua mãe, gritado com ela e até tê-la agredido.
Seus familiares estavam certos em tudo que lhe aconselharam.
Suas amizades não prestavam, suas atitudes eram infelizes.
Como é que não se deu conta disso antes?
Quando encarnada, tudo isso parecia ser tão bom... ficar até tarde na rua, fazer bagunça e conversar escandalosamente com seus amigos, até os vizinhos tinham reclamação dela e de seus actos.
Porém na época não lhe parecia ruim, não acreditava que seus actos poderiam levá-la a consequências tão tristes e lamentáveis.
Se pelo menos tivesse ouvido sua mãe, sua vida teria sido melhor.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

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