DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Página 6 de 13 Anterior  1, 2, 3 ... 5, 6, 7 ... 11, 12, 13  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:13 am

Mas era curioso, tudo o que ela falava parecia irritá-la, tudo o que dizia a contrariava, seus conselhos, suas broncas eram sempre ignoradas.
Melissa não sabia e nunca imaginou que sentiria falta das broncas que levou de sua mãe.
Agora lamentava por não ter dado ouvidos aos sermões e conselhos dela.
Sua mãe sabia o que era bom para ela.
Paula, de certa forma, sabia que se não mudasse suas atitudes, suas companhias, seu jeito de falar, de agir e até de se vestir, sua filha se daria muito mal na vida.
O destino é sempre trágico e cruel para com aqueles que não têm uma boa índole, uma boa conduta.
É imutável para os inflexíveis.
E não foi por falta de aviso, muitos foram os que lhe deram conselhos, alertaram e contaram exemplos, mas ela não quis ouvir, não quis dar atenção.
Quando tentava mudar suas atitudes, sempre era por pouco tempo.
Logo aparecia alguém igual a ela, irresponsável e inconsequente que a induzia a cometer falhas e a levava novamente àquela vida que julgava ser a melhor, sempre descontraída e sem problemas.
Como agiu mal.
Por que não ouviu sua mãe uma única vez?
E mesmo depois de tanta coisa errada que cometeu, sua mãe a aceitou de volta e só a deixou na casa da avó, porque queria alguém cuidando dela o dia inteiro.
Cuidando de sua saúde, de seus ferimentos, de sua doença.
Aceitaram-na, trataram-na com carinho na gravidez.
Agradavam o nené como se ele já estivesse fora de seu ventre.
Depois de tudo o que havia feito a todos, eles a receberam com verdadeiro amor.
Como foi cega.
Por que não despertou para a vida e percebeu o que realmente era melhor?
Como estava arrependida, mas não podia mudar a situação.
Sua mãe lhe fazia pedidos e ela era impotente demais, não conseguia ajudá-la.
Estava ali, para não deixar Jonas maltratar mais sua família, se bem que de nada adiantava.
Repentinamente Jonas chegou, estúpido e violento.
- O que é?
O que está acontecendo?
Por que está aí chorando?!
Gritando, Jonas foi na direcção de Melissa empurrando-a.
- Nada. Não foi nada - respondeu o espírito Melissa timidamente.
- Se eu te pegar assim novamente, toda arrependida, você vai se ver comigo.
Melissa amedrontou-se, abaixou a cabeça e ficou em um canto.
O espírito Jonas aproximou-se de João Vítor e falou-lhe ao ouvido.
- Como é, vai deixar sua mulherzinha mandar em você?
Vai ficar aí feito um trouxa, ouvindo tudo?
Vamos! Vê se reage, imbecil!
Ou você é um covarde?
João Vítor não pode ouvi-lo, mas pode captar seus desejos e os aceitou como se fossem seus.
Levantando-se bateu com a palma da mão sobre a mesa, vociferando:
- Já basta! Chega, Paula.
Eu não quero ouvir mais nada!
Você fala, fala, fala e pensa que é a única a ter razão, que só você entende e sabe das coisas.
Chega dessa conversa!
- Pai, por favor, deixa pra lá.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:13 am

- Deixa pra lá o quê?
Eu já estou cansado, toda vez que tudo está quieto, calmo, vem sua mãe com essa conversa sem fundamento.
- Eu falo o que penso! - desabafou Paula.
- Pense e guarde pra você!
Eu não estou interessado em saber tudo o que você pensa.
Essa casa tá um inferno por sua causa, Paula.
- Então sai.
Vá embora pro bar!
- Eu vou!
Prefiro ver os bêbados no bar a você reclamando e brigando!
O espírito Melissa só chorava.
Ela percebia que Jonas estava cada vez mais influente com sua família.
Raramente seus pais conversavam de modo civilizado nos últimos dias.
Nas vezes em que Melissa tentou emitir aos pais pensamentos tranquilos para acalmá-los, Jonas a agrediu.
Era violento, não havia o que pudesse dizer ou fazer sem que ele não soubesse.
Se acaso ela o desagradasse de alguma forma, ele a espancava.
Agora Melissa não tinha quem cuidasse dela e ficava ali doente e sangrando, sentindo muita dor e angústia.
Estava naquelas condições desde quando morrera.
Mas foi só no último ano que o espírito Jonas começou a se afinar e se familiarizar com seus parentes, daí as condições dela pioraram.
Quando Jonas queria algo e não conseguia, descontava nela, batia, xingava.
E quando ele conseguia o que queria, ela ficava amargurada com a situação.
De um jeito ou de outro, não tinha paz.
Certa vez Melissa foi embora.
Saiu vagando e sem rumo.
Foi então que deparou com alguns espíritos arruaceiros dos quais tentou ficar perto, pois não tinha aonde ir nem com quem ficar.
No começo, eles a aceitaram, mas depois a fizeram de escrava, colocaram-na em confusões e brigas e ela sempre saía com a pior.
Não sabe como, mas Jonas a encontrou e foi batendo nela até chegarem à sua casa.
Chutou e esmurrou Melissa muitas vezes.
Sua boca e seu nariz sangraram muito.
Ficou com hematomas e feridas.
Acabou deitada por três dias, pois não tinha forças para se levantar depois da surra.
Não imaginava que a morte seria aquilo.
Ela sentia fome, frio, calor, dor, podia sentir seu corpo exactamente como ele era.
Quando apanhava, as dores, as marcas, os sangramentos eram como em seu corpo físico.
Aliás, não via muita diferença, seu corpo parecia ser de carne e osso.
Sentia-se normal, a única diferença era que os encarnados não conseguiam vê-la nem ouvi-la.
Passava por entre os móveis e paredes sem nenhum obstáculo, como se não estivessem ali.
Podia vê-los normalmente e quando ia tocá-los ou passar por eles, sentia algo estranho, como um frio dentro dela.
Uma sensação esquisita, indescritível.
Jonas queria ficar com ela, não queria que saísse da casa de seus pais, pois acreditava que ela o colocou naquela confusão.
Se Melissa não o tivesse abandonado por ocasião de sua prisão, no interior de São Paulo, ele teria fugido e se encontrado com ela.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:14 am

Mas correu para os parentes e quis mordomias, por isso voltou para buscá-la e também precisava de dinheiro para ir embora.
Teria que levar uma quantidade de entorpecente para traficar.
Para não perder a droga nem ser roubado por outros colegas traficantes, engoliu as cápsulas para depois evacuá-las e vender.
Já tinha feito isso antes e por várias vezes, sempre havia dado certo.
Só que naquele dia não estava com sorte, precisava ir ao banheiro para eliminar o material com urgência.
Roberto ficou enrolando e fazendo-o perder tempo.
Os invólucros não resistiram e se romperam.
Jonas julgava que por culpa deles tudo aquilo aconteceu.
Na espiritualidade, Jonas havia descoberto um meio mais rápido de locomoção.
Não sabia como funcionava, era só pensar e estava no lugar imaginado.
Mas tinha de pensar com muita força, muito desejo.
Também descobriu, através de experiências, que bastava pensar em uma pessoa para saber como ela estava e também conseguia transmitir-lhe seus desejos, conforme o caso e a afinidade que conquistava.
No plano físico, João Vítor retirou-se, não suportava mais ficar em casa.
A filha, sem saber bem o que fazer, foi consolar sua mãe.
Toda vez que seu pai saía para a rua à noite, elas sabiam que ele voltaria embriagado.
Bárbara ao ver sua mãe um pouco mais calma, deixou-a no quarto e foi telefonar para Rose.
- Tia, sou eu, Bárbara.
Sei que é tarde tia, mas aqui em casa acabou de ter uma confusão.
Tudo fica pior a cada dia.
- Acalme-se, Bárbara, entendo que é difícil, mas procure não se envolver.
- Sabe o que é tia, quando meus pais estavam brigando, tive a impressão de escutar uma gargalhada de homem e às vezes um choro de mulher.
Sabe, era algo estranho!
Aguçando os ouvidos para ouvir melhor, tudo sumia, mas quando eu ficava atenta para ouvir meus pais, ouvia melhor o choro e o riso.
- Tem certeza, Bárbara?
- Tenho, tia.
Era curioso, o som parecia vir de dentro da minha cabeça, não parece que eu usava os ouvidos para ouvi-lo.
- Eu entendo.
- Tia, será que estou tendo algum problema mental ou psicológico?
Será por que estou no meio de tanta confusão é que estou ouvindo coisas?
- Não, Bárbara, não pense assim, não é nada disso.
Eu sei o que é, mas por telefone não dá para eu explicar.
Confie em mim, está bem? Fique calma.
Depois conversamos sobre o que é isso.
- Eu confio, tia, não sei por que, mas eu confio.
- No próximo sábado vou aí conversar com sua mãe.
- Não, tia!
Hoje mesmo ela já brigou comigo por causa dos livros e das conversas espíritas que estamos tendo ultimamente.
Não tente falar com ela sobre Espiritismo.
- Como sabe?
Eu não disse que iria falar com ela sobre Espiritismo?
- Eu não sei tia, me veio na cabeça.
- Não se preocupe, sábado nós conversaremos.
Agora faça um chá para sua mãe, tome um pouco e reze com muita fé.
- Obrigada, tia, foi muito bom falar com a senhora.
Melissa ouvia tudo.
Como Bárbara era adulta, esperta, haveria de ser muito feliz, bem mais feliz do que ela.
Bárbara conseguia distinguir o bom caminho do mau.
Com pouca orientação ela sempre fazia o que era certo.
Melissa chegou a sentir inveja da irmã.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:14 am

14 - A MEDIUNIDADE DE FÁBIO

Na manhã seguinte, Rose estava preocupara com Bárbara, que parecia confusa e desorientada em meio a tanta confusão, pois agora passou a perceber sua sensível mediunidade.
Rose temia que Bárbara se deixasse levar, como os pais, pela obsessão e começasse a agir como sua irmã.
Sem titubear pegou o telefone e ligou para o serviço da cunhada.
- Márcia?
- Oi, Rose! Tudo bem?
- Tudo e você?
- Estou óptima!
Há tempos que Rose não a via tão optimista.
Algo novo e importante deveria ter acontecido, pois Márcia ultimamente estava excessivamente desanimada.
- Rose, você tem notícias de minha mãe?
E porque a visita é justamente no horário de serviço e eu não posso sair, estou como encarregada há pouco tempo, entende?
E doloroso para eu ter que tomar essa decisão, mas...
Márcia tentava justificar sua ausência.
Há dias não ia à casa de seus pais nem se despediu pessoalmente de sua mãe antes dela se internar.
- Sua mãe está bem.
Segundo o Ciro, ela tem de ficar lá somente até os exames terminarem.
Querem saber a exacta localização para tomarem a decisão do melhor a fazer.
- Vou visitá-la no sábado e no domingo, mal nos despedimos antes da internação.
- Vá sim, Márcia. Isso vai animá-la.
Mas a propósito, eu liguei porque estou preocupada com a Bárbara.
- Com a Bárbara?! - estranhou Márcia.
- Ontem ela me ligou.
A situação na casa de sua irmã está difícil e a menina fica ali em meio a tudo, tenho medo por ela.
- Como assim?
- Veja bem, Márcia, eu não sei direito em que você acredita ou não.
- Do que você está falando? - perguntou Márcia.
- Eu acredito que nossa família, isto é, seu pai, a Paula, o João Vítor, o Roberto e talvez você estejam passando por um problema espiritual muito sério, a isso se dá o nome de obsessão.
A família sempre foi unida, sempre tiveram problemas, mas nunca do tipo que separassem as pessoas como agora.
Vocês não estão se entendendo, estão se agredindo moralmente...
- Não estamos brigando, Rose - defendeu-se Márcia.
- Vocês não brigam, Márcia.
A agressão moral não significa briga.
A partir da hora em que não quer ouvir seu irmão, não oferece apoio, ou orientação, você o está agredindo, moralmente.
Quando ele não diz onde está, deixa todos preocupados, não dando nenhum telefonema, o Roberto os está agredindo moralmente, está desrespeitando a família que sempre o apoiou em todos os momentos.
Veja sua irmã e seu cunhado, eles estão com muitos problemas.
- Eu não posso me meter, Rose.
Paula só me contou o que se passa, não pediu a minha opinião nem a minha ajuda.
Você sabe como ela é.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:14 am

- Não estou dizendo para você ir lá e se meter.
Pelo contrário, não devemos resolver os problemas que são da Paula, é nossa obrigação apoiá-la, orientá-la ou, pelo menos, tentar.
Às vezes quando estamos de fora conseguimos observar melhor as soluções.
- Você crê que isso seja obsessão, Rose?
- Acredito que sim.
Era curioso, apesar de tudo, Márcia ainda sentia dúvidas a respeito do Espiritismo.
"Será que é verdade tudo aquilo que ouvi do Fábio?", pensava Márcia duvidando.
"Apesar de que muito do que ele disse faz sentido.
E, por fim, a Rose chegou à mesma conclusão que Fábio.
Rose é uma pessoa instruída, racional.
Será que eles têm razão?"
- O que podemos fazer para ajudá-los, Rose? - quis saber após breves segundos.
- Quero ir à casa da Paula no sábado, depois de visitar sua mãe no hospital.
- Você acha que minha mãe está doente por problemas espirituais também?
- Não. Eu creio que não.
Ela está passando pelo que tem de passar.
Mas a ajuda espiritual, dará a ela forças para que cumpra melhor sua missão.
- Indo à casa da Paula, o que fará para ajudar?
- Penso em conversar com ela, tentar explicar a situação e gostaria de contar com sua ajuda, posso?
- Sim, pode.
Mas creio que a Paula não vai aceitar, ela não gosta nem de falar de espíritos.
Para ela quem morre ou vai para o céu ou para o inferno.
- Vamos tentar, Márcia, precisamos tentar.
Podemos começar a fazer orações para acalmar a situação e pedirmos a Deus que oriente para o bem o espírito que estiver perturbando aquele lar.
- Por mim está bem, Rose.
Eu irei e levarei o Fábio.
- Fábio?
- Ele é espírita e já há algum tempo é ele quem vem me dando explicações e orientações sobre Espiritismo.
- Ele é espírita Kardecista, espero?
- Sim, ele é - respondeu Márcia rindo.
- Por que achou graça, Márcia?
Existem muitos por aí que dizem somente serem espíritas, mas não explicam direito e na verdade vão a outro tipo de lugar e querem se camuflar, disfarçarem-se, denominando-se espíritas.
A Doutrina Espírita não tem ramificações, mas às vezes usamos o termo "espírita Kardecista" para termos a certeza de que se trata de Espiritismo, da Codificação feita por Allan Kardec.
Sabe, parece que algumas pessoas não querem assumir a religião que escolheram e têm vergonha disso.
- Eu achei graça porque o Fábio faz questão, assim como você, de dizer que a palavra Kardecista não existe, mas é utilizada devido ao nome, ou melhor, ao pseudónimo do Codificador da Doutrina dos Espíritos: Allan Kardec.
Porque muitas linhas espiritualistas acabam se denominando espíritas, mas não estudam a tal Codificação e possuem práticas diferentes da Doutrina Espírita.
- Ele está correto, tudo bem.
Eu não tenho preconceito de qualquer religião ou filosofia, só quis garantir, pois, de repente, você leva à casa de sua irmã, uma pessoa que pode atrapalhar tudo o que tenho em mente.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:14 am

- Nada disso, eu garanto.
Confie no Fábio mesmo sem conhecê-lo.
Creio que vai gostar dele, isto é, se ele puder ir.
Ah! O Ciro vai?
- Não sei, se a dona Clara não puder ficar com as meninas para mim, ele terá de ficar com elas.
Não posso levá-las comigo.
- Claro que não, Rose.
Mas vai dar tudo certo.
- Tomara, Márcia.
Deus há de nos ajudar.
Rose já tinha ouvido falar em Fábio, mas não se lembrava de quem se tratava.
Só desejava que fosse alguém ponderado e com mais conhecimento espírita do que ela.
Chegou a questionar, consigo mesma, se seria boa ideia Márcia levá-lo, afinal, era um assunto de família e elas nem sabiam qual seria a reacção de Paula.
Naquele mesmo dia à noite, Fábio tinha a intenção de procurar por Bete, afinal, prometera que ela seria a primeira a saber de sua decisão.
No fim do expediente, Fábio entrou na sala de Márcia de modo a não levantar suspeitas.
Mas os olhos dela brilharam e um largo sorriso se fez radiante.
- Com licença, chefe? - pediu com ironia ao brincar.
- Não fale assim - sussurrou dengosa.
- Sim, senhorita Márcia!
Como queira.
- Fábio! - murmurou rindo.
- Então conte para todo mundo a verdade! Agora!
Diga que eu te adoro e que você me adora.
Estamos apaixonados!
Senão vou tratá-la de chefe ou de senhorita, como nos orienta o senhor director com sua rima:
"Tratamento formal. Educação é primordial!" - riram juntos.
- É muito cedo, Fábio.
Você ficou louco?!
- Estou brincando, isso não me importa - confessou descontraído.
Fale quando você quiser, se quiser e estiver disposta, pois as brincadeiras virão, prepare-se!
Porém, o mais importante, é termos a certeza do que queremos e dos nossos sentimentos.
Não devemos satisfações a mais ninguém.
Dizendo isso Fábio ficou mais sério e avisou:
- Márcia, hoje eu bem que gostaria de levá-la para casa ou para sair, dar uma volta... mas eu tenho um assunto muito importante para resolver o quanto antes.
- O quê? - perguntou apreensiva, com o coração apertado.
- Isso! - disse estendendo a mão aberta e, na palma, sua aliança de noivado.
- Preciso ir falar com a Bete.
- O que houve entre vocês? Brigaram?
- Não. É incrível, mas nós não brigamos.
A Bete percebeu que eu não estava satisfeito com o noivado.
Nós vivíamos numa rotina e... faltava algo, um sentimento mais intenso, era tudo automático, digamos assim.
Além disso, a Bete notou que eu parecia interessado... - silenciou alguns segundos e abaixou o olhar.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:15 am

Segundos se fizeram, respirou e prosseguiu:
- Era nítida minha paixão por você... que aumentava a cada dia, e, sem que eu esperasse, ela me "encostou na parede".
- Como assim? Ela brigou?
- A Bete não é do tipo que briga com alguém.
Jamais faria isso. Gosto muito dela e é só.
Ela foi franca, disse que havia percebido meu interesse por você... bem... resumindo... já sabe de tudo.
- Soube de tudo antes de mim?
- Sim. Quando nós conversamos, confirmei sua suspeita e pedi um tempo para que eu pudesse analisar meus sentimentos, definir realmente o que sentia.
Mas, na verdade, independente da sua reacção, Márcia, de você aceitar ou não ficar comigo, meu noivado com a Bete já havia chegado ao fim.
Não voltaria para ela, não teria cabimento.
Se eu me apaixonei por outra pessoa é sinal de que já não havia mais nada entre nós, somente uma grande e sincera amizade que se firmou ao longo do tempo.
Se eu ficasse com a Bete, por causa disso, seria traição, concorda?
- Você pediu um tempo só para não magoá-la de uma vez, não foi?
- Foi. A verdade é essa.
Há dias eu planeava terminar tudo, mas não tinha coragem.
De repente, sem que eu esperasse, ela provocou a situação.
Sempre calma, quis que eu admitisse os meus sentimentos por você.
Confuso, pedi um tempo.
- Como é que eu nunca percebi que você gostava de mim, Fábio? - murmurou incrédula.
- Porque você é cega! - exclamou, caindo numa gostosa risada.
Mas, por fim, voltou à seriedade:
- Só que agora preciso ir falar com ela o quanto antes.
Tudo bem? O Ney disse que eu estava em sua casa pouco depois que pedi um tempo.
Imagino o que deve pensar de mim.
A Bete não sabe o que aconteceu realmente para eu estar com você.
Fora isso, vou esclarecer tudo e acabar com essa expectativa de uma vez.
Não posso trair a confiança de uma amiga e ela é minha amiga. Sempre foi.
- Tudo bem! Vai, sim. Nem sei o que dizer.
A Bete é uma pessoa muito bacana não queria que sofresse, mas ao mesmo tempo não posso lamentar...
É tão difícil pra mim, entende?
- Entendo sim.
Claro que sim, Márcia.
- Vai lá e conversa com ela.
- Estou indo agora.
Ligo para o seu apartamento assim que eu chegar em casa, tá?
- Fico aguardando - disse Márcia.
Sem se aproximar dela, Fábio falou:
- Um beijo.
- Outro.
Eles se despediram à distância.
Não queriam que os outros soubessem. Ainda era cedo.
Fábio foi até a casa de Bete que, ao vê-lo, recebeu-o apreensiva:
- Fábio!
- Tudo bem, Bete?
Ele estava sem jeito e atrapalhado, mas Bete logo percebeu do que se tratava.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:15 am

Desta vez ela não conseguiu se controlar.
Seus olhos se encheram de lágrimas quando disse:
- Tudo bem, Fábio. Eu já entendi, não precisa dizer nada.
Pode ir embora se quiser.
- Bete, eu...
- Você já me deu satisfação só pelo facto de ter vindo até aqui.
Eu percebi que não está usando nossa aliança.
- Ela está aqui - mostrou tirando a aliança do bolso.
- Pode ficar, eu não a quero - recusou a jovem com voz embargada.
As lágrimas rolavam incessantes no rosto de Bete.
Aquele momento era muito doloroso para ambos.
- Fábio, eu só peço um tempo para dividirmos as coisas que compramos porque não tenho cabeça agora para fazermos isso juntos.
- Eu não quero nada, Bete.
- Não posso ficar com tudo.
Não seja mais cruel, por favor.
Fábio não sabia o que dizer, então ela continuou:
- Eu tenho todos os comprovantes dos depósitos bancários que fizemos.
Neles consta o seu nome e o meu conforme depositamos - disse Bete.
Vou separá-los dos meus, ver quanto você depositou e para ficar mais fácil, dividiremos os juros, certo?
Ele acenou positivamente com a cabeça e disse:
- Eu só quero que você seja feliz.
Eu gosto muito de você, Bete.
- Sim, eu sei. Eu também quero a sua felicidade.
Quero ser sua amiga e amiga da Márcia também.
- Você já pensou no que está falando, Bete?
- Estou sendo sincera.
Quero ser amiga da Márcia sim.
Agora estou sofrendo... o tempo cura isso, mas não tenho qualquer rancor dela.
Quando precisarem, contem comigo, acredite.
- Eu acredito em você, só acho que isso é muito difícil.
Sei que tem um espírito muito elevado, mas não será fácil ter amizade com alguém que... - Fábio calou-se, não sabia o que argumentar.
Mas depois desfechou:
- Se precisar de mim, Bete, pra conversar ou se você tiver algum problema, procure-me, por favor.
- Certo, Fábio. Obrigada.
Abaixando o olhar disse: - Adeus.
Ele ficou sem jeito e depois de uma pausa respondeu:
- Quero que saiba que eu nunca te traí, Bete.
Ontem, quando ligou e o Ney avisou que eu estava na casa da Márcia, creio que surgiu uma dúvida muito grande e eu quero esclarecer.
Sobre ontem ainda te devo explicações.
Não pense que saí daqui e corri para o apartamento dela. Não!
Eu já me encontrava em casa e comentava para o meu irmão sobre a decisão de darmos um tempo em nosso noivado, falava sobre minhas dúvidas e, de repente, o telefone tocou.
Era a Márcia em desespero.
Eu senti algo muito forte... você sabe sobre meus pressentimentos... tentei conversar, mas ela estava totalmente descontrolada.
Fui até lá. Bem, resumindo.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:15 am

A Márcia estava tentando se suicidar.
Tentou pular da janela, mas graças a Deus não o fez.
Depois pegou vários remédios e ia tomar com uma forte bebida quando eu e o porteiro quase derrubamos a porta.
Precisei de muito tempo para acalmá-la.
Você sabe como é a obsessão.
A Márcia encontrava-se transtornada, irreconhecível.
Fez breve pausa depois prosseguiu:
- Nunca traí você, Bete.
Por isso estou aqui me justificando.
Para ser sempre merecedor da sua amizade. Acredite em mim.
- Eu acredito - falou baixo.
E agora, a Márcia está bem?
- Aparentemente, sim.
Mas creio que vai precisar de muita orientação.
Sinto que ela pode tentar contra a própria vida por qualquer motivo insignificante em qualquer momento inesperado.
- Você saberá orientá-la.
Quando eu estiver mais recomposta de tudo, vou conversar com ela.
Não pense que desejo o mal a vocês, ao contrário.
Estou sofrendo mas... sei que isso passará.
- Passará sim.
Encontrará a pessoa que merece. Tenho certeza.
- Então, até outro dia, Fábio - despediu-se sem encará-lo.
- Até outro dia, Bete.
Teve vontade de abraçá-la, entretanto acreditou que seria pior.
Bete chorava silenciosamente, evitando encará-lo.
Fábio foi embora com o coração apertado.
Não queria ter passado por aquela situação, porém era necessário.
Não poderia sair da vida de Bete sem dar satisfações.
Tinha a intenção de, em outro dia qualquer, procurá-la para saber como estava.
Sentia-se agora mais aliviado por ter esclarecido tudo.
Sua consciência estava íntegra.
Ao chegar a sua casa, ligou para Márcia, que estava bem, parecia alegre e disposta, o que o tranquilizou.
Falou-lhe de como conversou com Bete e lamentou magoar uma pessoa a quem estimava tanto.
Márcia também ficou triste.
Depois comentou a respeito de, no sábado, irem falar com a Paula, explicando-lhe toda a situação, e ele concordou.
Conversaram muito.
Após desligarem, Fábio tomou um banho e, ao terminar, foi para a cozinha fazer uma oração, como sempre, antes de se deitar.
De repente, ele começou a sentir-se mal.
Ficou tonto, sentiu seu corpo esfriar.
Levou uma mão ao rosto e com a outra se apoiou na pia da cozinha para não cair.
Tentou chamar seu irmão, mas a voz não saía, seus ouvidos ensurdeceram e a visão sumiu.
Conseguindo pegar uma caneca de alumínio que estava sobre a pia, atirou-a ao chão, provocando grande barulho.
Seu irmão se levantou e foi ver o que era.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 9:16 am

Assustado, Ney gritou:
- Fábio!!!
Fábio era alto e forte, tipo atlético.
Correndo para junto dele, Ney tentou ampará-lo, mas não o aguentou, principalmente quando o irmão largou o corpo.
Com muita dificuldade, arrastou-o até o sofá.
Fábio estava desfigurado.
Ney sentiu um grande arrepio em todo seu corpo, sabia que aquele mal súbito era de origem espiritual.
Friccionou a nuca e os pulsos de Fábio tentando reanimá-lo, mas ele não reagia.
- Fábio, vamos, reage! Fábio!!!
Ele abriu os olhos, sua respiração era diferente e Ney logo percebeu que não era seu irmão quem se manifestava.
Imediatamente começou a fazer uma prece, não conseguia se concentrar no que falava e, às vezes, perdia-se com as palavras, um tanto amedrontado.
O que é que fosse que perturbava Fábio, parecia ganhar forças, domínio sobre ele.
Ney correu até o quarto, pegou O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Quando voltou, Fábio o esperava, seus olhos estavam fixos e arregalados nem piscavam.
A respiração era forte e até aquele momento não disse nada.
Quando Ney abriu o Evangelho nas preces e passou a ler "Prece para afastar maus espíritos", Fábio brutalmente bateu a mão no livro e, ao vê-lo cair, falou com voz rouca, cuspinhando:
- Estou ganhando poderes.
Estou tendo ajuda agora, não estou mais sozinho.
Ninguém mais pode me deter, tenho forças!
Ninguém mais vai me segurar, entendeu?!
Diga isso pra ele!
Ney orou com toda sua força:
"Querido Mestre Jesus!
Sinto-me impotente, porém acredito em Seu poder, Sua força, ajuda, amparo e misericórdia.
Socorre-me, Senhor!
Mande seus mensageiros e enviados de luz, de paz e com amor socorrer a este irmão, seja ele quem for!
Liberte-nos de todo o mal".
O corpo de Fábio se contorcia e, mesmo sentado, chutou a mesinha da sala a outra poltrona, gritou e grunhindo como um animal, como que lutasse com alguém.
Ney não parava de orar fervorosamente e em silêncio.
Sabia que isso era o suficiente, pois seus pais sempre os orientaram sobre a importância e o poder da prece, sobre a fé e ensinamentos à luz da Doutrina.
Isso nunca faltou a nenhum dos dois.
Por fim o corpo de Fábio começou a se acalmar.
Mais passivo, respirava normalmente.
O irmão colocou a mão em sua testa escaldante, gotejada de suor e o chamou, batendo suavemente em seu rosto:
- Fábio... sou eu, o Ney.
Fábio? - Ele abriu os olhos lentamente, mas esses teimavam em fechar.
Abre os olhos, Fábio. Reage.
Ney correu e apanhou um copo com água, oferecendo:
- Sente-se direito, Fábio.
Beba, vai se sentir melhor.
- O que foi? - perguntou Fábio confuso.
- Você não se lembra?!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:21 am

Fábio falava mole, estava exausto.
Mal podia reagir, não era do tipo de se entregar a qualquer indisposição, mas aquilo o abateu.
- Só lembro que me senti tonto e tentei chamá-lo.
- Puxa, cara!
Você me deu um susto! - disse Ney jogando-se no sofá, relaxando a tensão.
- O que aconteceu? - perguntou Fábio mais consciente e preocupado.
- Alguém usou seu corpo para se comunicar.
Não era nenhum espírito bom, não.
Ao contrário. Que terror, meu!
- O que ele disse? - tornou Fábio.
- Primeiro você ficou com os olhos esbugalhados e fungando feito um bicho.
Depois disse que estava ganhando poder e recebia ajuda de alguém, que tinha força, que não estava mais sozinho e disse pra dizer isso a ele.
Esse "ele", acho que é você.
Fábio, sentado no sofá, curvou-se, segurou a cabeça com as mãos, sentia-se tonto ainda e perguntou calmo:
- Só isso?
- "Só isso"?!!! - exclamou Ney, horrorizado.
Eu rezei e não consegui.
Peguei o Evangelho e você, bem estúpido, deu um tapa e o jogou no chão antes que eu terminasse de ler uma prece.
Por fim eu orei desesperado! De qualquer jeito.
Você falou aquelas coisas, contorceu seus braços e pernas, berrou, grunhiu, chutou tudo o que estava a seu alcance e só depois parou.
Agora me pergunta se foi só isso?!!!
Fiquei com o maior medo, né cara! O que é isso?!
E se voltar a acontecer o que já aconteceu no passado? Lembra?!
- Aquilo não vai mais acontecer, nunca mais.
Aquele era um outro problema - afirmou Fábio convicto.
Anos atrás, durante a adolescência de Fábio, enquanto seus pais ainda moravam em São Paulo, passou por sérios problemas de obsessão.
Foi considerado com problemas mentais por especialistas.
Mas não se tratava disso.
Podia-se dizer que Fábio perdia completamente a consciência e um obsessor agia através de seu corpo.
Ele quebrava tudo o que havia em seu alcance, sua força era imensa.
Na adolescência, não tinha tanto porte físico, era alto e magrelo.
No entanto, vários homens tentavam segurá-lo e detê-lo, porém em vão.
Seus pais, espíritas, fizeram-no passar por assistência espiritual e desobsessão; porém, cada vez que iam levá-lo ao centro espírita, no caminho ou na porta do centro, Fábio ficava como que possuído:
gritava, falava muitas coisas, agredia quem tentasse detê-lo e por fim fugia.
As sessões de preces passaram a ser feitas na casa onde moravam com a ajuda de amigos do centro que seus pais frequentavam.
Pessoas realmente preparadas e equilibradas para tal, estudiosos da Doutrina Espírita que chegaram a conclusão de que aquela seria a solução para evitar que ele fugisse.
Era horrível.
O espírito que usava seu corpo como instrumento se debatia e gritava, blasfemava e maltratava muito o rapaz.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:21 am

Ninguém o segurava ou tocava, só oravam.
Fábio passou por diversas crises, pensou em se matar para acabar com o sofrimento.
Porém seus pais sempre lhe davam força e amparo, além de constante orientação sob a Luz da Doutrina Espírita.
Depois de muitas e muitas sessões de Evangelho, de estudar e compreender o Espiritismo, aceitá-lo, segui-lo e praticar os ensinamentos de Jesus, Fábio conseguiu livrar-se daquele espírito que acabou aceitando o auxílio e o deixou em paz.
Com o tempo, a compreensão sobre a filosofia Espírita, equilibrou-o e sua reforma interior o tornou um homem responsável, digno e respeitável, bem ao contrário de todas as previsões.
Fábio transformou-se em um tarefeiro no centro Espírita e assíduo estudante da Doutrina.
Só que não comentava com ninguém que era médium de incorporação, somente alguns amigos do centro sabiam disso por acompanhar seus trabalhos nessa tarefa.
- Fábio, você está bem mesmo? - perguntou Ney ainda assustado.
- Estou sim. Não se preocupe.
Vai dormir, vai, Ney.
Vou fazer uma prece, estou precisando.
- Por que isso aconteceu?
Quem é esse espírito?
- Creio que estou indo no caminho certo.
- Como assim? Ficou louco?!
Se isso for o caminho certo...
- Estou levando a luz do Espiritismo às pessoas necessitadas e isso incomodou esse irmão sem instrução da espiritualidade.
O que é estranho, Ney, é que eu tenho conhecimento e equilíbrio suficiente para não deixar isso acontecer a bel-prazer de um espírito.
Esse tipo de incorporação só ocorre no centro, onde há ambiente preparado na seção de desobsessão, pessoas preparadas para lidar com a entidade necessitada e sob o meu controle.
- Precisa tomar cuidado, Fábio - advertiu o rapaz.
Isso poderá acontecer a qualquer momento.
- Não. Não vai acontecer mais! - afirmou convicto.
Fábio falava firme, possuía muita fé e acreditava no amparo do plano espiritual.
- Vai Ney. Fica tranquilo.
Pode ir dormir, estou bem.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:22 am

15 - A PERSISTÊNCIA DE UM OBSESSOR

Já no sábado, bem cedo, o telefone tocou no apartamento de Márcia.
Ela levantou correndo para atender, pensou que fosse Fábio, pois haviam combinado de ir visitar sua mãe e depois iriam à casa de Paula.
- Alô, Fá...
- Oi, Marcinha!
Márcia se decepcionou, era Arnaldo.
- Oi, tudo bem? - perguntou sem ânimo.
- Tudo, Marcinha. Tudo óptimo.
Quero fazer um convite!
Márcia havia se esquecido de Arnaldo.
- Um convite?
Que convite? - perguntou ela.
- Surpresa!
Vamos sair hoje à noite e...
Antes que Arnaldo terminasse de revelar seus planos, ela o interrompeu:
- Não posso.
Tenho que visitar minha mãe e depois vou sair.
- Sair! Com quem?
Márcia ficou indecisa, não sabia se deveria falar sobre ela e Fábio.
- Vou à casa da minha irmã Paula, precisamos resolver alguns problemas de família.
- Ah! Deixa para outro dia.
Vamos sair, você vai gostar.
- Não. Não posso.
Nem adianta insistir, não posso mesmo.
Márcia queria livrar-se de Arnaldo, porém não o queria tratar mal.
- Arnaldo, quero que me desculpe, mas estou esperando uma ligação importante e preciso deixar o telefone desocupado.
- Então ligo outro dia, está bem?
Ou espero você me ligar!
- Tá.
- Um beijo querida!
- Tchau.
"Querida? Quem ele é para me chamar de querida?
Isso poderia me colocar numa situação difícil, caso o Fábio ouvisse", reclamava com os próprios pensamentos.
Rápida, questionou-se:
"Será que é cedo para eu ligar para o Fábio agora?
Ah, acho que não".
Pegou o telefone e ligou, mas estava ocupado.
Quando colocou o fone no gancho, o aparelho tocou.
- Pronto!
- Márcia?
- Oi, Fábio! - respondeu muito feliz.
- Liguei agora mesmo e estava ocupado - disse ele.
- E eu liguei nesse exacto momento para você e também estava ocupado - respondeu rindo.
- Isso acontece.
- Antes um pouco, o Arnaldo me ligou também.
Mas foi bem rápido.
Ela decidiu contar a Fábio, antes que pudesse surgir alguma situação embaraçosa.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:22 am

- O que ele queria? - perguntou secamente, parecendo enciumado.
- Depois eu conto.
Não é nada importante.
- Eu liguei porque precisamos conversar.
- O que aconteceu?
- Nada. Tudo está exactamente como antes, eu só quero conversar com você, para algumas orientações.
- Orientações?
- Pessoalmente eu explico.
Olha, vou passar aí daqui a pouco.
Nós conversaremos, depois iremos almoçar e de lá vamos ao hospital, está bem?
- Óptimo! Eu aguardo.
Não aguentando o suspense, perguntou:
- Pode adiantar alguma coisa?
É sobre nós dois...? - quase gaguejou.
- É sim - falou firme, mas rindo em seu íntimo pela curiosidade aguçada de Márcia, que silenciou imediatamente parecendo nem respirar.
Preciso dizer uma coisa e orientá-la sobre outra.
- Fala o que é... - quase implorou embargando a voz para chorar.
- Já que insiste em saber - tornou mais sério e com voz grave -, falarei por telefone mesmo.
- Pode falar. Não me deixe nesse suspense - pediu com fala trémula.
Rindo em seu íntimo, Fábio anunciou:
- Eu te amo! Amo muito - disse em tom romântico.
E quero avisar que sou um pouquinho ciumento.
Era a primeira vez que Márcia ouvia aquilo de Fábio, ela ficou em silêncio por alguns segundos e depois respondeu emocionada, com lágrimas que ele não viu:
- Eu também amo você, Fábio!
Tenho certeza disso.
- Eu também. Agora me aguarde, estou indo aí.
Um beijo, meu amor. Tchau.
- Outro. Até mais e venha logo.
Fábio ficou entusiasmado, não via a hora de chegar à casa de Márcia.
Pelo caminho, enquanto dirigia, ele fazia muitos planos.
Ela, porém, foi se arrumar.
Tomou um banho, escolheu a melhor roupa, ajeitou os cabelos, usou uma colónia suave e ficou aguardando Fábio que chegaria logo.
Depois de alguns minutos, Márcia começou a ficar inquieta, a espera era grande.
Afinal, ele não morava longe.
Caminhava de forma impaciente de um lado para outro no apartamento.
Jonas a observava.
Há alguns dias, Márcia fazia tudo exactamente como ele queria, chegou até ao ponto de querer praticar suicídio, se não fosse Fábio tê-la impedido, ele conseguiria seu objectivo.
Porém agora, com Fábio mais próximo, estava sendo difícil ela captar seus desejos.
Jonas estava com algum progresso, mas o envolvimento afectivo o atrapalhou.
No dia anterior, Jonas recebeu a visita de outros dois espíritos em condições semelhantes às dele.
Eram dois espíritos com aparência de jovens rapazes que se apresentaram dizendo que estavam ali a pedido de sua irmã.
A princípio, Jonas ficou receoso, mas depois concordou.
Os dois espíritos prometeram cuidar de Fábio, porque ele era um grande estorvo para Jonas além de um intrometido, pois não fazia parte daquela família e estava se envolvendo onde não era chamado.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:22 am

Os rapazes afirmavam que dariam um "jeito" em Fábio para afastá-lo de Márcia.
Jonas sentiu-se satisfeito.
Seu maior obstáculo era o rapaz, se ele estivesse fora do caminho, poderia fazer tudo o que queria com aquela família.
Haviam se passado duas horas desde que Fábio ligou e até aquele momento não tinha chegado.
Márcia entrou em desespero.
Jonas aproveitando de seu desequilíbrio, causado pelo nervosismo e ansiedade, aproximando-se dela disse:
- Ele já deve estar morto!
Bateu o carro e BUUMMU! - seu riso era sarcástico, ele zombava da aflição de Márcia.
Perturbada e inquieta, ligou para a casa de Fábio. Ninguém atendeu.
Em desespero, interfonou para a portaria do prédio onde morava, queria verificar se o interfone estava funcionando e perguntou ao porteiro se Fábio havia chegado.
Diante da negativa, ela pediu ao funcionário que, quando ele chegasse, permitisse subir directo, nem precisava anunciá-lo.
Ao desligar, depois de alguns minutos, desatou a chorar.
Jonas a atormentava incessantemente cruel e feroz.
- Você não acredita, mas ele já era!
Já deve estar desse lado - gargalhava.
Márcia não podia ouvi-lo, mas registrava seus desejos e sentimentos.
Mais de duas horas e meia se passaram depois que Fábio telefonou e, por fim, a campainha tocou.
Márcia correu para a porta e abriu.
Finalmente era ele.
- Fábio!!! - gritou chorando, atirando-se em seus braços.
- Calma, Márcia, o que é isso?
Não se desespere, estou aqui - avisou carinhoso, abraçando-a e beijando a face em lágrimas.
Depois alertou sorrindo:
- Cuidado, estou um pouco sujo, preciso lavar as mãos.
Sem se importar continuou abraçada a ele perguntando ao chorar:
- Fábio, você me mata de susto!
Por que demorou tanto?!
- Eu estava vindo pra cá, de repente meu carro rodou na pista, sem mais nem menos.
- Onde você estava?
- Na Marginal Pinheiros.
A Marginal Pinheiros é uma avenida expressa com quatro faixas de rolamento, seu trânsito geralmente é muito rápido em determinados horários do dia e possui muita movimentação no fluxo de veículos.
- E daí, o que houve?
- Meu carro rodou, não tem explicação.
Não bati em ninguém, só bati a roda da frente na guia da calçada onde o carro parou depois de ter rodopiado uma ou duas vezes.
Entortou a roda ou alguma outra coisa, e o pneu furou.
Tive que trocá-lo e os parafusos ficaram emperrados, não queriam sair.
Depois de algum tempo ali, um caminhoneiro parou e me ajudou trocar o pneu.
Vim para cá meio receoso, com medo de que quebrasse porque a roda ficou toda torta e fazendo um barulho estranho.
Olha só minhas mãos como estão sujas, até a roupa sujou um pouco também.
- Não deu para telefonar?
- Como? Estou sem celular desde o dia da chuva, quando o aparelho molhou.
Preciso providenciar outro, mas nunca tenho tempo.
Se eu fosse te ligar, demoraria mais procurando um telefone público, você sabe...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:22 am

- Eu me assustei, Fábio - afirmou olhando-o com carinho.
- Eu sei. Eu sei - falou generoso apertando-a contra si.
Os dois ajudantes de Jonas chegaram junto com Fábio.
O espírito Jonas estava enfurecido de raiva por ver Fábio novamente ali.
Quando olhou seus ajudantes, gritou com ferocidade:
- Onde estavam, seus incompetentes?!!!
Perderam essa oportunidade!!!
- Calma aí, Jonas. Não é assim não.
O cara é durão. Não deu pra derrubá-lo.
- É sim - confirmou o outro.
Você sabia que tem "gente grande" com ele? - disse referindo-se a espíritos superiores.
- Protegendo-o o tempo todo!
E não é igual à gente, não, meu.
É um espírito "dos grandes"!
- Não tem ninguém com ele! - respondeu Jonas.
Eu não vejo ninguém!
- É sim, Jonas, ele tem razão.
Tem "gente grande" com o Fábio e que pertence a esse lado da vida e que o ajuda, oh meu! Eu vi!
Quando o carro girou na pista, nós estávamos lá ele ia quase capotando e de repente...
- De repente, o quê?! - gritava Jonas.
- Apareceu um "cara" que só olhou e o carro parou.
O "cara" era só luz.
- Não vem com essa conversa mole!
Isso é desculpa - reclamava Jonas.
- Não é, não. Eu também vi - confirmou o outro.
Depois que o carro parou, ele ainda olhou pra gente, balançou a cabeça dizendo não.
Foi até perto do Fábio, que ficou atordoado e deu-lhe energias.
- Isso mesmo, Jonas.
Eu estava lá e também vi, foi exactamente isso!
- O cara é protegido, você tem que acreditar e tomar cuidado.
- Eu só acredito vendo!
Fora daqui! Dêem o fora!!!
Jonas estava enlouquecido, furioso.
Queria, de qualquer jeito, livrar-se de Fábio.
Quando viu que Márcia e Fábio estavam bem, não quis assistir devido ao incómodo que sentia, foi então que resolveu sair do apartamento.
- Márcia, eu preciso te contar algumas coisas a meu respeito que você não sabe - disse Fábio mais sério.
Sentando-a do seu lado no sofá, tomou-lhe as mãos, acariciou-as e relatou:
- Tempos atrás, eu deveria ter uns quinze anos, mais ou menos, comecei a me sentir estranho.
Passei a ter dores de cabeça muito fortes, seguida de dores musculares.
Não havia medicamento que resolvesse ou que amenizasse o que eu sentia.
Diante disso, minha mãe logo percebeu que era problema espiritual.
Meus pais começaram a me levar ao centro espírita com mais frequência, mesmo assim não adiantou.
Passei a ter crises e quebrar tudo à minha volta.
- Até dentro do centro? - perguntou Márcia, surpresa.
- Sim. Mesmo dentro do centro chegou a acontecer.
Era difícil me fazer entrar na câmara de passes.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:23 am

Eu reagia, ou melhor, a entidade reagia, xingava, gritava e lutava com quem quer que fosse.
Eu me contorcia todo e quando tomava consciência, era como acordar de um sono profundo.
Não me lembrava de nada, só sabia que havia ocorrido algo devido às pessoas que estavam à minha volta e também pelas fortes dores que sentia em todo o corpo.
Em meu corpo apareciam muitos hematomas, mesmo sem usarem qualquer força contra mim, sem qualquer razão.
Por orientação recebida do mentor do centro que frequentávamos, após meu caso analisado por um grupo de estudiosos, coisa rara, acreditaram que tarefeiros bem preparados, esclarecidos e equilibrados poderiam passar a realizar os trabalhos de assistência espiritual, que foi Evangelho no Lar para minha assistência, em minha casa, para que eu não fugisse mais.
Meus pais nem me avisavam o dia.
Eu deveria ser pego de surpresa, mesmo assim eu passava a ter crises um pouco antes dos amigos chegarem.
A entidade me "possuía", era um transtorno.
- E passou? - perguntou assustada.
- Foram anos de assistência espiritual, mas graças a Deus, tudo acabou.
- Anos?! - admirou-se ela.
- Sim. Foram três longos anos de trabalho.
Os amigos de meus pais que ajudavam, também eram trabalhadores no centro espírita, nunca desistiram ou se cansaram.
Muito menos meus pais, eles me davam orientação, força, amparavam-me em tudo e me instruíram muito.
Minha mãe ficava lendo o Evangelho e muitas literaturas espíritas durante a noite.
Ela se sentava na beira da cama e continuava lendo, mesmo depois que eu dormia.
Houve uma época em que as crises passaram a ser mais frequentes, duas ou três vezes ao dia - narrava sem emoção alguma.
Sendo bem objectivo.
Eu perdi o ano escolar e nem podia ir à escola, pois a entidade não escolhia hora nem lugar, começou a acontecer dentro da sala de aula.
Eu estava no último ano do colégio.
Especialistas disseram que eu tinha problemas mentais, pois os exames não acusavam uma causa específica para o que eu apresentava.
Muitos vizinhos e outras pessoas que se diziam amigas, aconselhavam meus pais para que me internassem em algum sanatório.
Acreditavam que era problema mental sério e seria um risco para os outros.
Fiquei desesperado, quase louco mesmo.
Com quase dezassete anos eu queria morrer.
Pensei em me matar para acabar logo com tudo aquilo.
Mas meus pais sempre me orientaram, nunca perderam as esperanças, estavam sempre do meu lado, eu nunca ficava sozinho.
Depois de algum tempo, as preces de meus pais e amigos foram ouvidas.
Passei a me instruir mais, comecei a entender e praticar realmente o Espiritismo.
Foi então que comecei a me sentir bem melhor.
As crises de obsessão já eram mais espaçadas.
Eu iniciei uma frequência assídua ao centro, estudava a Doutrina e, com o tempo, participar das sessões de evangelização e dominar o que ainda sentia, pois me dediquei à educação mediúnica através dos cursos oferecidos no centro.
Aprendi a controlar os meus pensamentos e sentimentos e, assim, emitia vibrações mentais juntamente com emoções para aquela entidade necessitada que queria me dominar.
Praticamente a situação se inverteu.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:23 am

Comecei a conversar com ele, explicar que aquilo não valeria a pena.
O que quer que eu tivesse feito a ele no passado, não me lembrava e não sabia o que era.
O que eu poderia fazer agora era tentar ajudá-lo, eu gostaria de tirá-lo daquele sofrimento.
No momento, era o único meio que eu tinha para auxiliá-lo, pois sabia que só um sofredor sem instrução pode desejar ferir alguém.
Um dia, numa sessão de desobsessão no centro espírita, sob meu controle, essa entidade se manifestou mais calma.
Chorou muito, contou seus problemas e disse que eu o teria matado, porque ele tentou invadir minha casa para saquear.
Disse que ocorreu na Europa, não me lembro agora o nome do lugar, e que depois de prendê-lo, chamei alguns amigos e o torturamos com zombarias, batemos muito nele, por fim eu o obriguei a beber um veneno e ele morreu.
Desencarnado ele me perseguiu, disse que sofreu muito e era acusado de suicida.
O mais incrível foi quando revelou já ter me perseguido para se vingar há duas reencarnações depois daquela que o matei e sempre a partir dos quinze anos.
Idade que ele tinha quando o agredi e o torturei.
Por isso eu pensei em suicídio e passei por todos aqueles problemas.
Ele disse também que meus pais e alguns dos companheiros de desobsessão, que estavam nos auxiliando, também me ajudaram a torturá-lo naquela época.
- O que aconteceu com ele? - interessou-se Márcia.
- Foi ajudado, instruído e levado para uma colónia para ser tratado.
Também, pobre criatura, depois de tanto sofrimento.
Eu só posso dizer que lamentei muito e farei qualquer coisa para reparar meu erro do passado.
A partir daí, Márcia, eu abracei o Espiritismo com todas as minhas forças.
Não há um dia, um único dia em minha vida que não agradeço ao Mestre Jesus pela orientação e oportunidade conseguida, pela ajuda e amparo espiritual que sempre tenho recebido, pelo amor que tenho em Deus e em todas as Suas criações, graças às instruções recebidas.
Hoje, entretanto, posso perder tudo, tudo mesmo, menos a minha fé.
Isso ninguém nunca vai tirar de mim.
É uma conquista, uma herança minha que ficará para mim mesmo.
Márcia se comoveu com a história, Fábio era um homem firme e consciente, ninguém diria que já havia enfrentado problemas assim.
- Por isso, moça - tornou agora orientando -, eu quero falar o seguinte:
a obsessão é uma coisa muito perigosa.
Ela nos leva à loucura.
Quantos indivíduos existem hoje que são considerados loucos, mas o motivo real é a obsessão?
Quantos jovens de famílias privilegiadas se suicidam e ninguém entende a razão, nem os pais, inconformados, descobrem o motivo.
Veja só você, chegou ao ponto de sentar-se a janela para pular, pegou remédios perigosos para beber e, pelo jeito, naquele momento você os beberia, não é?
- Beberia, sim - abaixando a cabeça envergonhada depois de confirmar.
- Agora me diga uma coisa:
acredita que hoje, exactamente agora, você seria capaz de fazer aquilo?
Seria capaz de cometer suicídio?
- Deus me livre!!! - exclamou com olhos lacrimejando.
- Ninguém pode tirar sua própria vida, pois sempre existiu, existe e existirá quem precise de você.
Aqueles pensamentos de tentar contra sua própria vida, não eram seus.
Eles pertencem a quem quer prejudicá-la, pois o suicídio e o aborto são os piores crimes que uma criatura pode cometer.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:23 am

O aborto é porque você está matando um ser indefeso, um filho de Deus que depende de seu corpo, de seus cuidados.
Quando não se oferece uma única oportunidade de reacção, de defesa a alguém tão dependente, tão sensível que nenhum mal te fez, você não passará de uma homicida cruel, impiedosa.
O embrião, o feto são criaturas de Deus, indefesos, são colocados aos seus cuidados como filho e abortá-lo é matar seu filho.
O suicídio também é um dos piores actos do ser humano porque você está tirando sua própria oportunidade de vida; está matando um corpo físico que foi confiado aos seus cuidados, uma oportunidade concedida por Deus para harmonizar suas falhas no passado e evoluir para mundos melhores.
Fábio abriu uma pasta que trazia consigo e tirou um livro dizendo:
- Márcia, este livro é muito importante, é O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
Deixei esta página com o marcador, veja aqui, livro quarto, Capítulo I, "Penas e gozos terrenos"- n° 943 "Desgosto pela vida. Suicídio".
Aqui fala sobre o suicídio, esse livro inteiro é importantíssimo.
Todo espírita que se preze já deve tê-lo lido pelo menos uma vez.
Ele responderá dúvidas interessantes e necessárias que a fará pensar em factos dos quais nunca prestou atenção antes.
Neste livro você encontrará perguntas e respostas, veja:
- "De onde vem o desgosto pela vida, que se apoderam de alguns indivíduos sem motivos plausíveis?
Resposta: Efeito da ociosidade, falta de fé e geralmente a saciedade" - tem mais - "O homem tem o direito de dispor da sua própria vida?
Resposta: Não. Somente Deus tem esse direito.
O suicídio voluntário é uma transgressão à Lei."
Aqui tem muito mais e eu quero que você o leia.
Então, Márcia, veja bem.
Se está passando por um período de obsessão, o objectivo da entidade que quer perturbá-la é atrapalhar, prejudicar, acabar com o seu sossego e com a sua felicidade.
Se ela sabe, e é lógico que sabe, que a vida não termina depois da morte física e que você é responsável por todos os seus actos, o melhor, para essa entidade é que você sofra por algo que você mesma cometeu.
Atrapalhá-la com coisas bobas do cotidiano é muito comum, o objectivo do espírito perturbador é fazer com que perca a fé e se entregue ao desespero, é induzi-la a um acto bárbaro como suicídio, o aborto ou homicídio, por exemplo.
Depois vê-la penar, sofrer e agoniar com as consequências do que provocou por sua vontade.
- Mas é suicídio, caso tenha sido um espírito que o induziu a se matar?
- Sem dúvida.
O espírito pode induzi-la, mas quem consumou foi você.
Por isso a culpa será sua, sim.
Pensativa, ela parecia aceitar toda a explicação e ele continuou:
- Márcia, esse livro é para você.
Leia-o e o que não entender pergunte para mim, certo?
- Está bem - sorriu mais calma.
- Veja só, se não quiser ler inteiro, abra-o ao acaso, leia duas ou três perguntas.
Em pouco tempo você vai entender muita coisa.
- Por que não me contou antes sobre esse problema de obsessão que você enfrentou?
- Não houve oportunidade e às vezes não gosto de me lembrar disso.
Essa época foi muito difícil para mim.
Outra coisa, ontem aconteceu algo estranho comigo.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:24 am

Fábio contou à Márcia o que seu irmão lhe relatou sobre a entidade que se manifestou através dele.
- Nossa, Fábio!
Isso ocorre assim, sem mais nem menos?
- Eu vejo duas coisas com essa manifestação:
uma é que estamos indo no caminho certo, as orientações, as preces e a fé, resolverão os problemas, pois nem bem começamos e isso incomodou muito esse espírito sofredor ao ponto dele se manifestar.
A outra coisa é que temos de tomar muito cuidado, isso não é brincadeira - reforçou firme -, temos de reforçar nossa fé, paciência e perseverança.
Quem quer que esteja perturbando vocês, não está brincando.
Márcia, eu não disse, mas desde meus vinte anos, eu trabalho no centro espírita as quintas-feiras na sessão de desobsessão.
Tenho muita instrução, preciso sempre estudar e me recolher em prece sincera, assim sou bem amparado.
Desde quando foi solucionado aquele problema obsessivo que contei há pouco, nunca mais eu havia incorporado nenhum espírito sem estar em ambiente preparado e propício, ou seja, um centro espírita; sem antes me preparar e estar perto de pessoas equilibradas para orientar e encaminhar o espírito desorientado.
De repente, inesperadamente, isso aconteceu na minha casa sem que eu esperasse ou permitisse.
Não sou iniciante, tenho conhecimento, isso não deveria acontecer.
Seja quem for não está brincando.
Por isso eu peço que não descuide de seus pensamentos e sentimentos, não se deixe levar pelo desânimo ou pela euforia acalorada de uma situação.
Tenha muita fé em Deus e ore, aconteça o que acontecer.
- Você poderá incorporar novamente esse espírito?
- Isso não vai acontecer novamente, a não ser que eu queira e esteja em local e com pessoas equilibradas e preparadas para lidar com o espírito.
- Como sabe?
Como pode ter tanta certeza?
- Eu confio em Deus.
Estou orando e confio muito no plano espiritual que sempre me amparou.
Não acontecerá novamente.
- Você então pode receber guias? - perguntou Márcia.
- O correto é dizer que sou médium de incorporação também - explicou Fábio -, ou seja, minha mediunidade permite a comunicação de espíritos através da fala ou da escrita, ou melhor, da psicofonia e psicografia.
Além de ter algumas premonições.
Porém é preciso muito conhecimento, por isso gosto de estudar a Doutrina Espírita para me manter harmonizado e equilibrado, vigio-me constantemente.
Mas o médium não é adivinho como muitos imaginam.
Só sabemos o que os nossos mentores, ou anjos guardiões permitem.
Como dizem
"O telefone toca de lá para cá".
Além de pequenas tarefas com a mediunidade, eu me proponho a dar algumas aulas nos cursos e, quando precisam, também sou dirigente de algumas reuniões mediúnicas.
Isso exige muito.
Vendo-a pensativa, não quis preocupá-la ainda mais e, com modos mais tranquilos, convidou:
- Bom, vamos deixar isso pra outra hora, estou com fome, e você?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:24 am

- Queria saber exactamente como foi ontem com a Bete?
- Vamos, no caminho eu conto.
Só que temos de usar o seu carro, pois o meu não tem condições de ficar rodando, nem sei como consegui chegar.
Levantando-se ele pediu:
- Desculpe-me, eu não deveria ter falado aquilo por telefone.
- Falado o quê por telefone?
- Que eu te amo.
Para brincar, ela fingiu entristecer e disse dengosa:
- Achou que estava sendo precipitado?
- Não. Acho que para quem diz isso pela primeira vez, teria de ser pessoalmente, só que me escapou, não consigo me controlar quando me pede algo...
O que eu sinto por você é muito forte, Márcia.
Segurando-lhe com afecto o lindo rosto, encontrou seus olhos e falou com emoção:
- Eu te amo.
- Eu também te amo - ela confessou no mesmo tom.
Seus lábios se encontraram e Fábio a envolveu com ternura, tomando-a em seus braços e beijando-lhe com todo amor.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:24 am

16 - ESCLARECIMENTOS OPORTUNOS

Já no restaurante, Márcia dizia:
- Estou com pena da Bete, não queria que sofresse.
Acho que ela quer me matar.
- A Bete? Não.
Jamais, jamais ela pensaria isso.
- Defendendo a Bete, Fábio? - enciumou-se, mas sem aspereza.
- Sim. Claro que sim.
Eu a conheço bem, Márcia.
Apesar dessa situação ser delicada e da Bete ter "saído com a pior", tenho certeza de que ela não lhe deseja nenhum mal.
Talvez só quisesse que tudo fosse diferente.
Acho que ela gosta mesmo de mim, mas não é uma pessoa vingativa, odiosa.
E estou certo de outra coisa: se você precisar de ajuda... pode contar com ela, acredite.
Márcia sentiu-se envergonhada por ter julgado Bete.
Fábio deveria conhecê-la bem para afirmar aquilo com tanta convicção.
- Diga uma coisa - Fábio quis saber -, o que o Arnaldo queria?
Márcia ficou sem jeito, mas não poderia fugir do assunto, se o fizesse, talvez um dia, pudesse ficar em uma situação difícil.
- Ele ligou e me convidou para sair.
- Você não falou nada sobre nós dois?
- Não - respondeu constrangida, em baixo volume de voz.
- Por quê? - questionou a "queima roupa".
- Não sei dizer, Fábio.
Fiquei sem jeito.
Após um instante, pensativo, perguntou bem directo:
- Vocês estavam começando a se entender, não é?
- Não. Eu não sei.
Nós só saímos duas vezes - atrapalhou-se.
Fábio se mantinha calmo, sem tirar os olhos dela, observando suas reacções, quando novamente questionou:
- Como não sabe, Márcia?
Você estava lá.
Como não sabe dizer se ficou algo pendente entre vocês?
Se ele tem ou não motivos para alimentar uma esperança?
- Nós só saímos.
Não houve nada entre nós.
- Nem um beijinho?
É difícil não acontecer.
Márcia começou a se irritar:
- Houve sim, Fábio!
Nós nos beijamos sim - afirmou um pouco exaltada, não gostou de ser pressionada a falar sobre aquilo.
Só que você não pode me criticar.
Eu e você não tínhamos qualquer compromisso.
Nem sabia que você gostava de mim.
E se quer saber mesmo, eu não estava mais aguentando ficar ao lado dele, pois só conseguia pensar em você, imaginá-lo ao meu lado... - revelou quase chorando.
- Calma - disse Fábio com voz branda e baixa.
Não vamos brigar.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:25 am

Eu não estou criticando, nem poderia fazê-lo.
Só se isso voltasse a acontecer hoje, com a gente namorando.
Só estou perguntando, Márcia, porque quero saber o que se passa pela cabeça do Arnaldo.
De repente a gente se encontra, e ele, acreditando que você esteja livre, poderá tratá-la com certa liberdade e eu não vou gostar nem admitir.
Por isso, assim que surgir oportunidade, diga que estamos namorando, só isso.
Não precisa se irritar.
- Namorando?
Você não me pediu em namoro - falou, agora com radioso sorriso.
- Pode deixar, eu vou pedir na primeira oportunidade.
E será algo bem formal, como antigamente.
Pode me aguardar! - sorriu de modo maroto.
Fábio era alegre e bem-humorado.
Nunca se mostrava zangado ou alterado.
Era firme em seus propósitos, procurando resolver tudo pacientemente.
Terminado o almoço, saíram do restaurante e foram directo visitar a mãe de Márcia.
No hospital, eles entraram abraçados.
Os irmãos dela estavam todos ali, incluindo Roberto que sumiu por alguns dias.
- Este é o Fábio - apresentou Márcia aos seus irmãos.
- Acho que vocês já o conhecem, ele foi lá, na casa do pai, quando eu me acidentei.
- Prazer, sou o Fábio e namorado da Márcia!
Já que ela não me apresenta direito, deixe-me fazê-lo - Fábio disse isso sorrindo e brincando, enquanto cumprimentava a todos lhes estendendo a mão.
Márcia de branca passou a vermelha em questão de segundos.
Sentiu seu rosto corar a ponto de aquecer.
Não imaginava que Fábio fosse tão cara-de-pau assim.
Seus irmãos sorriram e cumprimentaram-no com prazer.
Adoravam ver sua irmãzinha envergonhada.
Aliás, era sempre um prazer vê-la em situações embaraçosas.
Para quem gostava de ser tão perfeita, passar por constrangimentos como aquele... era divertido.
- Vamos entrar, pessoal - propôs Ciro.
Está na hora.
Dona Mariana ficou muito contente, principalmente quando viu Márcia.
- Filha! Você veio!
- Mãe, perdoe-me, eu nem sei o que dizer.
- Não precisa, filha, você está aqui e isso é o que importa.
- Mãe, esse é o Fábio, lembra-se?
- Sim, Fábio. Como vai, filho?
Dona Mariana estranhou quando viu Fábio com a mão no ombro de Márcia.
Ela não estava saindo com o Arnaldo?
- Como vai, dona Mariana? - cumprimentou Fábio.
- Vou indo, filho.
Estão me judiando muito.
Só faltam me virar do avesso.
Fábio sorriu dando-lhe toda a atenção.
Enquanto que Márcia procurou Roberto que se afastou e foi para um canto de onde olhava pela janela.
- Beto?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:25 am

Ao vê-lo virar, frente a ela, perguntou serena:
- Onde você estava?
Não dormiu em casa nem na casa do pai, não telefonou...
- Teve umas noites que dormi na gráfica.
- Na gráfica?!
- Outras dormi na casa da Júlia.
Deduzindo que Márcia falaria algo ele revidou:
- Olha aqui! Não me critica, tá?
Não pode falar nada de mim, você não é tão diferente.
Olha só, o cara é noivo e está se apresentando como seu namorado.
- Ele não é mais noivo.
Eles terminaram - explicou com fala mansa.
- E você nem deu um tempo, né, Má?
Vai ver que até insistiu e incentivou para ele acabar logo com o noivado.
- O noivado já não estava indo bem.
Eles já haviam desmanchado.
Não tive nada a ver com isso - explicou humilde, entendendo que o irmão queria que ela reagisse.
- No dia em que conversamos, lá no seu apartamento, não me pareceu.
Ele estava até bem animado, falando em comprar casa própria, que casariam quando ela terminasse a universidade...
- Pergunte para ele, então, Beto.
E outra, vocês dois mal se conheciam... o que você queria?
Que ele já confessasse que o noivado não estava indo bem?
Que estava pensando em dar um tempo?
Não julgue antes de saber.
Roberto falava em voz baixa para sua mãe não ouvir, e agora olhava pela janela o tempo todo.
Márcia pegou-o pelo braço e fez com que se virasse novamente.
Olhou-o nos olhos e disse:
- Oh, Beto! Não vamos nos agredir assim não.
Eu gosto muito de você.
Ela o abraçou e ele correspondeu dizendo:
- Eu também, Má.
Gosto muito de você. Sua tola!
Dona Mariana estava distraída, não percebeu o que estava acontecendo entre Márcia e Roberto.
Ciro aproximou-se dos dois e abraçou-os por cima, dizendo:
- Fico feliz com isso.
- Beto - disse Márcia, bem baixinho -, saindo daqui, nós iremos à casa da Paula, vamos?
- Fazer o quê?
- Vamos conversar, ver o que está se passando lá.
Ela precisa de ajuda.
Eu e a Rose tentaremos alertá-la sobre obsessão.
- É loucura! - disse Roberto.
A Paula nunca vai aceitar.
- Vamos tentar, Beto.
Nunca saberemos se não tentarmos.
Vem com a gente?
- Vai sim, Roberto - incentivou Ciro.
Não vou poder ir, tenho que olhar minhas filhas, vá com eles.
- Quem vai?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 07, 2017 10:25 am

- Eu, a Rose e o Fábio.
- Tenho certeza de que ela nem sabe, não é? - diante do silêncio que confirmou suas suspeitas, Roberto decidiu:
- Está bem, eu vou, mas isso não vai dar certo.
Vocês conhecem muito bem a Paula.
Satisfeita, depois de beijar seus irmãos, Márcia voltou para junto de sua mãe e conversaram um pouco.
O horário de visitas já estava se esgotando.
Paula e Roberto já haviam se despedido e saído do quarto.
Na vez de Fábio se despedir, dona Mariana disse a ele:
- Gostei de você, filho, me parece um bom rapaz.
- Muito obrigado, dona Mariana - agradeceu Fábio, sorridente.
Mas a propósito, eu gostaria de lhe fazer um pedido.
Rose, Ciro e Márcia ficaram atentos, com grande expectativa.
Um pedido? O que haveria de ser?
- Pode pedir, meu filho.
Se estiver a meu alcance, farei tudo por você.
- Gostaria de pedir à senhora para me deixar namorar a Márcia, posso?
Márcia se sobressaltou, enquanto Ciro e Rose caíram na gargalhada.
- Fábio! - exclamou Márcia.
Ele, como sempre brincando, respondeu com semblante cínico ao encará-la:
- Estou pedindo à sua mãe para nos deixar namorar.
Hoje mesmo você reclamou por eu não tê-la pedido em namoro!
Pois bem, estou pedindo agora.
Márcia enrubesceu, ficou toda envergonhada.
Olhou para Ciro e Rose que não paravam de rir, ela não sabia como se justificar.
Ciro aproximou-se de Fábio e batendo-lhe no ombro ironizou ainda mais a situação ao afirmar:
- É isso aí, cara!
Gostei de ver, você mostrou que tem coragem!
Dona Mariana falou:
- Claro, meu filho, deixo sim.
Quem sabe um rapaz feito você coloca a Márcia na linha.
- Mãe!!! - exclamou Márcia.
- Quantos anos você tem, filho? - prosseguiu dona Mariana sem se importar com Márcia.
- Trinta - respondeu Fábio.
- Óptimo, meu filho, você também tá bom pra casar, igual à Márcia.
Márcia não sabia o que fazer, via-se desesperada de vergonha.
- Casar?! Mãe, por favor!
Para com isso!
Ninguém aqui falou em casamento! - ressaltou desesperada.
Voltando-se para Fábio que caia na risada, falou:
- Fábio, por favor, não leve a sério, devem ser os remédios que ela está tomando.
- Depois dessa, estou indo - avisou Ciro que beijou dona Mariana e saiu gargalhando junto com Rose.
Márcia foi dizendo:
- Mãe, a senhora nunca me fez passar tanta vergonha assim!
- É verdade, Márcia!
Está na hora de se casar.
Não acha, Fábio? - insistiu dona Mariana.
- Acho sim, dona Mariana!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 6 de 13 Anterior  1, 2, 3 ... 5, 6, 7 ... 11, 12, 13  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum