DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:11 am

Acredito que voltar de avião é mais rápido e cómodo.
Meu pai também vai connosco, você já sabe.
O senhor Aristides é muito teimoso e já está decidido, o melhor é deixá-lo ir.
- Por mim tudo bem. Eu acho bom.
Até porque, ele precisa sair um pouco daqui, precisa se distrair.
Ainda tem muitas recordações tristes.
- Sim, é verdade.
Ele precisa sair um pouco daqui.
Foi um golpe muito grande...
Perdeu um filho, depois a mulher, o outro filho ficou metade lá metade cá, e todo mundo dizendo que se escapasse ficaria deficiente.
Sabe que ainda estou indeciso.
- Com o quê? - surpreendeu-se.
- Será que eu não deveria ter ficado todo pra lá, do outro lado de uma vez?
Márcia deu-lhe alguns tapas no ombro e se zangou:
- Com isso não se brinca.
Que coisa mais estúpida, Fábio!
Não diga isso nunca mais.
Envolvendo-a carinhosamente em seus braços, beijou-lhe com amor e a embalou com toda ternura enquanto a contemplava, sentindo-se apaixonado.
Fizeram conforme os planos de Fábio.
Chegaram a São Paulo na sexta-feira à noite e Roberto foi esperá-los no aeroporto.
Márcia, sempre ansiosa, queria que fossem directo para a casa de seu pai.
Mas Roberto prevendo a reacção do senhor Jovino, além do choque que Márcia receberia ao saber da morte de sua mãe, tentava convencê-la para irem directo para o seu apartamento.
Ciro, que estava avisado, aguardava a chegada de todos junto com Rose.
- Márcia - convencia Roberto -, o Ciro e a Rose estão na sua casa.
Eu disse que iríamos para lá.
- Liga pra eles, Beto.
Deixa de ser "munheca" e usa esse celular pra alguma coisa!
Ele vive desligado, de que adianta tê-lo?
- Não, Márcia - interferiu Fábio já antevendo -, vamos para sua casa mesmo.
Será melhor deixá-la lá, já é tarde, meu pai precisa descansar.
Amanhã falaremos com o senhor Jovino.
Teremos o dia inteiro para isso, certo?
Mesmo contrariada, ela aceitou.
Ao chegarem a seu apartamento, Ciro e Rose aguardavam com imensa alegria, saudade e satisfação:
- Oi, Ciro! Rose! - animou-se Márcia ao vê-los.
- Márcia - avisou Rose -, tomei a liberdade de trazer a Clara aqui no início da semana para fazer uma faxina no apartamento.
Espero que não se importe.
- Obrigada, Rose.
Como posso agradecer?
Ciro, olhando para a irmã de alto a baixo, surpreendeu-a:
- Como está indo o meu sobrinho?
Colocando a mão na barriga de Márcia, ele ainda perguntou:
- Está crescendo bem?
Você tem se alimentado direito?
Márcia se sobressaltou.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:11 am

Não estava preparada para aquilo, sentia-se ainda envergonhada.
Meio nervosa, colocou sua mão sobre a dele e respondeu timidamente:
- Ele, ou ela, está bem.
- Eu também quero acariciá-lo - avisou Rose afagando-lhe também.
Márcia sentiu-se corar, não sabia como reagir.
Fábio, que demorou um pouco mais para subir, acabou chegando.
- Fábio! - exclamou Ciro indo apressado em sua direcção.
- Ciro, como vai?! - perguntou pausadamente.
- Fábio. Fiquei sabendo...
Puxa, eu lamento muito!
Pelo que disseram você é muito forte.
- É Ciro, eu tinha e tenho muitas razões para viver, principalmente agora.
Rose o cumprimentou.
Depois Fábio apresentou o seu pai.
Rose havia preparado um lanche para todos.
Enquanto isso, Márcia reclamava ao irmão:
- Este é o meu problema, Ciro.
Não consigo comer nada que não volte. Não aguento mais.
- É assim mesmo, Márcia - sorriu Ciro ao explicar.
Nos primeiros meses isso é comum, depois passa.
- Quando?!
- Depende. Geralmente no quarto mês.
Quanto tempo de gestação você tem?
- Dois meses e meio.
- Ainda é pouco, mas isso vai passar.
Só que quando passar pode ser que tenha um apetite incrível.
Vê se não vai engolir tudo o que tiver pela frente, hein?
Coma alimentos saudáveis, frutas, legumes, leite, grãos.
Depois eu dou mais orientações.
Estou achando você muito pálida e abatida demais.
E magra também. Seria bom um pré-natal bem acompanhado para evitar uma anemia, hipertensão ou qualquer outro problema...
Márcia subitamente surpreendeu todos perguntando:
- E a mãe? O Beto me falou que estava melhor.
Como ela está?
Ciro, encarou Roberto fuzilando-o com os olhos.
Roberto e Fábio abaixaram a cabeça.
Não tinham o que dizer.
Rose, talvez fosse a única a esperar por aquela pergunta.
Paciente, sentou-se perto de Márcia e acariciou seu braço.
Foi nesse momento que Márcia sentiu que algo muito grave aconteceu.
Ela se levantou e Rose pediu meigamente:
- Senta aqui, Márcia.
Nós precisamos conversar.
- Gente, por favor.
Vocês não estão me escondendo nada, não é?
Ciro virou-se para Roberto e repreendeu:
- Eu avisei! Por que você não me ouviu?
Roberto esfregou o rosto com as mãos sem dizer nada.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:11 am

Enquanto Fábio levantou-se e foi para perto de Márcia, pedindo:
- Sente-se, Má. Fica calma.
Você não está em condições...
Ainda em pé, ela não o deixou terminar e perguntou com voz suplicante:
- Digam algo logo, por favor.
O que aconteceu com a minha mãe?!
Digam que não houve nada e que ela está bem - pediu enquanto as lágrimas rolaram.
Diante do silêncio de todos, Márcia empalideceu.
Sentiu tudo girar, ensurdecia a cada segundo, mas ainda conseguiu sustentar-se em pé e agora exigindo:
- Gente! Por favor!!!
Roberto não aguentou e acabou revelando num golpe derradeiro, sem trégua:
- Márcia, faz mais de um mês.
A mãe faleceu um dia antes da mãe do Fábio.
Já faz quase um mês e meio.
Não falei antes porque você não estava bem... não aguentaria a viagem...
Márcia não suportou.
Seu corpo foi caindo lentamente.
Fábio tentou segurá-la, mas não conseguiu e gritou para Ciro que estava mais próximo:
- Ciro! Ajuda aqui!!!
Fábio quase caiu com Márcia ao tentar ampará-la nos braços.
Ainda não tinha recuperado suas forças.
Ciro a segurou e colocou-a no sofá.
Depois disse nervoso:
- Eu já esperava por isso!
Ela não vai aceitar!
Sempre foi a mais agarrada com a mãe.
Vendo que Márcia não voltava a si.
Ciro a pegou no colo e levou-a para o quarto.
Os demais estavam exaltados e sem saberem o que fazer.
Ao tentar ir atrás de Ciro, este pediu quase exigindo:
- Só o Fábio, pessoal.
Fiquem aqui, por favor. Preciso examiná-la.
Márcia se contorcia e às vezes murmurava um gemido como se sentisse dor.
Ciro a examinou, mediu-lhe a pressão e verificou a pulsação.
Levando a mão no bolso, tirou um cartão e orientou Fábio:
- Pegue, liga pro hospital.
Peça uma ambulância em meu nome.
Diga que é uma emergência!
Fábio, estarrecido, perguntou:
- Ciro, é grave? Como está o bebé?
- Será grave se nós não a socorrermos.
Ela está com forte hemorragia e pode perder a criança.
Sua pressão não está adequada e ela corre risco também. Vá rápido!
Fábio não perdeu tempo.
Ligou para o hospital.
A ambulância veio e Márcia foi socorrida já recebendo os primeiros socorros a caminho.
No hospital, todos aguardavam aflitos por uma notícia.
- Ciro! Como ela está?! - perguntou Fábio ao ver Ciro que voltava da sala onde Márcia estava recebendo tratamento.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:11 am

Nos olhos de Fábio havia uma súplica.
Ciro o olhou e avisou:
- Eu pedi a um amigo meu que a acompanhasse.
Ele é um excelente obstetra.
Ainda está com ela e pediu alguns exames que vou solicitar com urgência ao laboratório de plantão.
- Mas e Márcia, como ela está? - insistiu Fábio.
- Ela não voltou completamente a si e a hemorragia ainda não foi controlada totalmente.
Vamos aguardar.
Ciro colocou a mão no ombro de Fábio e o balançou lentamente tentando animá-lo.
- Ciro, ela vai ficar internada? - tornou Fábio inconformado.
- Sem dúvida. Depois que tivermos um parecer e seu estado sob controle, deverá ficar em observação, no mínimo.
- Poderia pedir um quarto particular?
Eu preciso ficar com ela.
Pode deixar que eu me encarrego de todas as despesas.
- Nem se preocupe com isso, Fábio.
Vou providenciar esses exames, depois vejo o quarto.
- Obrigado.
Fábio se abatera com o estado de Márcia, mesmo assim não se esqueceu de suas obrigações para com seu pai e virando-se para Roberto, pediu:
- Roberto, preciso de um favor.
- Claro, Fábio.
O que tiver ao meu alcance.
- Daria pra você levar meu pai para minha casa?
Eu preciso ficar com a Márcia.
Não posso deixá-la... - as lágrimas brotaram e sua voz estremeceu.
- Fica tranquilo.
Eu o levarei e dormirei lá com ele.
Amanhã bem cedo venho para cá.
- Voltarei amanhã com você, filho! - disse o senhor Aristides para Roberto.
Virando-se para o filho, avisou:
- Ela vai ficar boa, se Deus quiser!
Mas amanhã sem falta, Fábio, você tem que falar com o pai da Marcinha.
Essa situação não pode ficar assim não senhor.
- Eu não sei se devo, pai.
Talvez fosse melhor esperarmos Márcia se recuperar.
Ela vai querer nos acompanhar.
Vai querer estar presente.
O senhor Aristides foi rápido em seu raciocínio e observou:
- Esperar ela se recuperar, pra quê?
Pra ela estar junto e conforme a reacção do pai, passar mal novamente e ter de vir pra cá?
Você pode muito bem ir falar com o homem.
É tão responsável quanto ela.
Eu vou junto com você.
Vim aqui pra isso, não foi?
O que não vai ficar bem é o homem saber que a filha está num hospital, você está aqui com ela e sem lhe dar uma satisfação sobre o que está acontecendo.
Como vai explicar o estado dela, desse jeito, aqui num hospital?
Fábio percebeu que seu pai tinha razão.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:12 am

Aquela situação não poderia mais se prolongar.
- O senhor tem razão, pai.
Amanhã mesmo eu irei lá.
Rose vendo que Fábio estava abatido, propôs gentil:
- Fábio, vai pra casa.
Eu ficarei com ela.
Você precisa descansar.
Fábio não concordou.
Passou a noite no hospital ao lado de Márcia.
Na manhã seguinte, Márcia estava mais calma, porém extenuada, visivelmente enfraquecida.
Recebia soro e alguns medicamentos intravenosos.
Fábio não saía de seu lado.
Fazia-lhe carinhos, afagava seus cabelos, beijava-lhe as mãos e acariciava-lhe o ventre mostrando-se afectuoso com o filho.
Nunca tinha visto Márcia tão abatida, tão desfigurada.
Ela estava muito magra e com um aspecto doentio.
Toda sua exuberância, todo aquele vigor que antes se destacavam à primeira vista, haviam desaparecido.
Até o pouco que recuperou, enquanto ficou na fazenda do pai de Fábio, parecia ter perdido em poucas horas.
Fábio estava penalizado, uma angústia e preocupação corroíam seu coração que a cada hora, apertava mais.
Vendo-a lúcida, comentou generoso:
- Você vai ficar boa.
Vamos sair daqui e fazer uma ultra-sonografia.
Não se esqueça de que me prometeu deixar ver o nosso bebé.
Pela primeira vez, Márcia sorriu.
Aquele filho parecia ser a coluna mestra para a luta de ambos pela vida.
- Má, você está melhor?
- Agora estou.
Foi bom você ter ficado comigo - respondeu com a voz fraca e o olhar profundo.
Passados breves segundos, disse amargurada e chorando:
- Eu não me conformo, Fábio.
Minha mãe morreu há mais de um mês e eu nem me despedi dela.
Nem você me contou, Fábio...
- Márcia - explicou Fábio, ponderado -, sua mãe desencarnou um dia antes da minha.
Eu acredito que o Roberto tomou a melhor decisão por causa do seu estado que já não estava nada bom lá em Minas.
Eu teria feito o mesmo.
Tanto é que concordei com ele para que você ficasse sabendo só após chegarmos aqui, devido aos recursos.
Não adiantaria nada você ficar sabendo de tudo lá.
Ciro bateu suavemente à porta, foi entrando e cumprimentando:
- Bom dia, Fábio.
- Olá, Ciro!
Ciro aproximou-se de sua irmã, beijou-lhe a testa, acariciou-lhe o rosto e perguntou:
- Sente-se melhor, Marcinha?
- Sim.
- E as dores, continuam?
- Bem pouco, quase nada - respondia com voz cansada.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:12 am

Fábio virou-se para ele e perguntou:
- E os exames Ciro, você já tem os resultados?
- Estão aqui.
Essa moça aí, está fraca, anémica e precisa se cuidar muito!
Virando-se para Márcia ele continuou, só que bem firme:
- Márcia, eu sei que toda mulher grávida fica sensível.
É comum a sensibilidade aumentar no seu estado.
Umas se sensibilizam mais, outras menos... sendo assim, qualquer coisa se torna um pesadelo e os factos realmente sérios, transformam-se em uma tortura, uma tragédia.
Eu já senti isso na própria pele.
Tenho duas filhas e a Rose, apesar de toda a sua calma, durante cada gravidez, quase me deixou maluco no começo.
Você deve se lembrar, eu cheguei a comentar isso com você, depois tudo passou.
Eu sei que é difícil controlar, mas procure segurar seus impulsos.
Deverá pensar e agir mais friamente, Márcia, principalmente agora.
Ciro procurava esclarecer e orientar com carinho, mas sabia que não poderia oferecer margens para que a irmã se desestimulasse.
Breve pausa se fez e ele continuou:
- Lembra-se do que eu falei uma vez sobre aquele ser vivo dentro no ventre que conseguia se desenvolver sozinho com uma força sobrenatural?
Ela pendeu a cabeça positivamente e ele prosseguiu:
- Agora, você tem um desses aí, dentro de você.
Sua agitação e o seu desespero podem prejudicá-lo e matá-lo.
Eu sei que os problemas são difíceis, mas, descontrolada, você não irá resolvê-los e acabará se prejudicando muito mais.
- Meu bebé está bem? - perguntou Márcia temerosa e quase chorando.
- Agora nós vamos sair daqui, você vai se preparar para fazer uma ultra-sonografia para sabermos como ele está.
- Vamos vê-lo?! - exaltou-se Fábio, ansioso.
- Sim, Fábio - respondeu Ciro sorrindo.
Vamos vê-lo!
Durante a realização do exame, Fábio chorou de alegria e numa acção inesperada chegou perto do Ciro, que também assistia emocionado, segurou sua cabeça e deu-lhe um beijo no rosto.
Ciro sorriu e o abraçou.
Entendeu o que Fábio sentia.
Ciro já era pai.
Mas Fábio era emotivo e sensível por índole.
Além disso, havia passado recentemente por um período extremamente crítico e seu filho parece ter sido uma das principais razões de sua vitória.
Ao sair da sala onde foi realizado o exame, Fábio não tirava o sorriso do rosto.
Não cabia em si de tanta felicidade.
Márcia, agora tranquila por saber que o filho estava bem, perguntou:
- Você viu?
- Eu vi. Eu vi sim!
Como é bonitinho! - dizia Fábio.
O Roberto e o senhor Aristides já os esperavam no quarto, quando eles entraram.
Fábio foi abraçar Roberto e seu pai, e ainda estava emocionado.
- Vocês precisavam ver!
O Ciro assistiu.
Pergunta pra ele como é lindo!
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:12 am

- Puxa! Se eu tivesse chegado mais cedo... - lamentou Roberto.
Fábio olhou para seu pai e percebeu que era hora de ir.
Virou-se para Márcia dizendo:
- Eu tenho que dar uma saída.
Volto assim que puder.
- Aonde você vai? - perguntou ela entristecida.
- O Fábio precisa de um banho, Márcia - interveio Roberto em socorro a Fábio.
Ele chegou de viagem e veio directo pra cá.
Precisa descansar, também está se recuperando.
Ciro aproveitou e disse:
- Percebi que ficou com poucas sequelas, Fábio.
Pelo que Roberto me contou do seu estado... fico admirado de vê-lo assim.
- Os outros médicos também.
Graças a Deus.
Eu tenho certeza de que essas poucas sequelas que restaram vão desaparecer.
A propósito, Ciro, eu tenho todos os meus exames e radiografias, gostaria que desse uma olhada, sei que é sua área...
- É claro que sim! - ofereceu-se.
Eu ia mesmo pedir isso.
Gostaria de acompanhá-lo agora, se você quiser.
Fábio, discretamente, puxou Ciro para um canto, enquanto Márcia distraía-se com Roberto, e falou:
- Ciro, o que me preocupa são algumas dores que vão e vem na minha cabeça.
É uma pontada forte e não dá pra disfarçar.
É insuportável. Tenho medo de que ocorra perto dela, por sorte ainda não aconteceu.
Não quero preocupá-la ainda mais. Entende?
- Desde quando as vem sentindo, você observou se o período, o espaço de tempo entre uma dor e outra aumentou?
Diminuiu? São os mesmos?
- Nem aumentou nem diminuiu.
O espaço entre uma dor e outra pode ser de dois dias como pode ser de duas horas e depois no dia seguinte.
Esses períodos são irregulares.
- Pode até ser normal, Fábio.
Você teve uma lesão séria.
Mas me traga os seus exames para que eu dê uma olhada e também vamos realizar alguns novos, para nos orientarmos melhor.
- Obrigado, Ciro!
- Não tem do quê!
Fábio despediu-se de Márcia, e Roberto o levou, junto com o senhor Aristides, para a casa de seu pai.
Paula, que tinha acabado de saber de tudo, por intermédio de Rose, chegou ao hospital e ficou com Márcia.
Ciro decidiu ir para a casa de seu pai, pois temia a reacção dele.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:12 am

25 - DISCUSSÕES ACALORADAS

O Senhor Jovino havia melhorado um pouco seu génio.
Não estava sendo tão agressivo como antes, mas desde a morte de dona Mariana agitava-se inconformado, não só com a perda de sua mulher, mas também com a ausência de sua filha caçula Márcia.
Os filhos explicaram sobre o estado de Fábio e a morte do Ney.
Mas para ele, aquilo não era justificativa plausível.
- Vamos entrando - convidou Roberto um tanto apreensivo.
Já na sala, Fábio demonstrou nervosismo, seu coração estava apertado.
Sentou-se ao lado de seu pai e de frente a Ciro, que também parecia bem preocupado.
Porém permanecia calado e sério.
Roberto foi chamar seu pai e, ao entrar na sala, o senhor Jovino, sem rodeios, foi questionando Fábio, sem qualquer cortesia:
- Onde você se meteu com minha filha?!
Fábio levantou-se e estendeu a mão para cumprimentá-lo.
- Bom dia, senhor Jovino.
Como tem passado?
O senhor Jovino não retribuiu ao aperto de mão e Fábio, sem graça, não teve nem tempo de apresentar seu pai, pois o senhor Jovino imediatamente começou a reclamar:
- Eu estou muito mal!
Onde está a Márcia?!
Por que ela não veio pro enterro da mãe?! - exigia aos berros.
Aquela ingrata! Desnaturada!
Sai correndo atrás do namorado e nem se importa com os problemas da família!!!
Fábio calmamente tentou explicar:
- Senhor Jovino, eu e meu irmão sofremos um acidente.
Meu irmão morreu e eu fiquei muito mal. Fiquei em coma.
- Isso não me interessa!!! - vociferava o homem.
- E que a Márcia, quando soube, passou muito mal lá em Minas.
Eram dois dias de viagem, ela não chegaria a tempo.
- Mesmo assim. Por que até agora ela não voltou?!
Aquela vadia! Nunca pensei que tivesse uma filha assim!!!
Fábio não aguentava mais aquela angústia.
Tinha que falar.
Então olhou para Ciro, que aguardava com grande expectativa, respirou fundo e revelou:
- Eu vim aqui hoje, senhor Jovino, para dizer-lhe que eu e a Márcia vamos nos casar.
- Por que ela não veio?! - gritou o senhor Jovino.
Por que está fugindo?!
- Ela não está fugindo, senhor Jovino; na verdade ela não passou bem por todo esse um mês e meio em que ficou lá.
Só ontem à noite, ao chegarmos de Minas, nós contamos à Márcia que a dona Mariana faleceu.
A Márcia passou muito mal com a notícia e está internada.
- Foi isso mesmo, pai - confirmou Roberto.
Fui eu quem decidiu não contar à Márcia que a mãe tinha morrido.
A culpa por não ter vindo ao enterro é toda minha.
Ela não estava sabendo até ontem.
O senhor Jovino estava furioso e começou a gritar mais alto:
- Quem é você pra decidir uma coisa dessas?!!!
- Senhor Jovino - disse Fábio tentando ser tranquilo -, lá em Minas, a Márcia não estava nada bem.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:13 am

Uma notícia como essa prejudicaria ainda mais sua saúde já tão comprometida.
O senhor Aristides assistia a tudo pacientemente calado.
A situação era difícil e ele acreditou que ainda não era hora de se manifestar.
Jonas estava ali, como estava presente também na noite anterior, no apartamento de Márcia passando-lhe vibrações fortes de angústia e desespero.
Foi isso o que a fez chegar aquele estado desesperador.
Agora também estava ali, influenciando o senhor Jovino, que não se controlava.
O pai de Márcia gritava com Fábio que procurava um jeito maleável de contar tudo e não conseguia.
- Eu quero saber da minha filha!!!
Onde é que ela está?!
Por que não está aqui?!
Fábio não encontrou outro jeito.
Nervoso, levantou-se do sofá e acabou falando:
- Como eu disse, nós vamos nos casar!
Eu amo a Márcia e o senhor terá que aceitar...
Ela está esperando um filho meu.
O senhor Jovino silenciou, ficou estático, pasmado e empalideceu.
Mas Fábio continuou:
- Não foi dito nada sobre a morte de sua mãe porque ela não estava bem e corria o risco de perder o bebé.
Somente ontem, quando chegamos de Minas, o Roberto contou a ela.
A Márcia ficou desesperada, passou muito mal, quase perdeu nosso filho e agora está internada.
Pronto! É isso!
Ciro pensou que seu pai fosse passar mal.
Mas o senhor Jovino enrubesceu, suspirou fundo e ganhou forças, foi na direcção de Fábio e o empurrou no peito com as duas mãos, ao gritar enlouquecido:
- Seu moleque!!!
Infeliz!!! Desgraçado!!!
Fábio só ficou olhando-o.
Deixando-o descarregar sua ira.
Ciro levantou e tentou deter o pai que também o empurrou.
O senhor Jovino, muito influenciado por Jonas, xingou Fábio dos piores nomes.
Ele não se controlava.
Nervoso e agitado andava pela sala de um lado para outro.
Seus gritos podiam ser ouvidos por quem passasse na rua.
- Aquela vadia! Cachorra!!!
A Márcia não poderia ter feito isso comigo.
Eu vou matá-la! Desgraçada!
Se eu puser minhas mãos nela, eu a mato!!!
Aquela desavergonhada!
E você seu cachorro, por que não morreu no acidente?
Aquela infeliz poderia ter morrido que para mim a dor seria menor do que passar por essa vergonha!
Ela deixou de ser minha filha!
Deveria ter morrido junto com o filho bastardo!!!
O senhor Aristides, que se mantinha em silêncio até aquele momento, decidiu se manifestar:
- Senhor Jovino? - interrompeu calmamente.
O homem imediatamente o olhou e de repente se surpreendeu com ele que não havia sido apresentado.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:13 am

Ao ver aquele senhor alto e magro, de cabelos brancos e fala mansa, parou de gritar, mesmo sem entender o motivo e aguardou.
O senhor Aristides falava baixo e com muita convicção, olhando directamente nos olhos do senhor Jovino.
- Por favor, deixe-me apresentar:
eu sou o Aristides, o pai de Fábio.
Não vim aqui para brigar, muito menos para defender meu filho.
Só queria, se puder, que me desse um pouco de atenção.
Eu vim aqui para esclarecer essa situação, pois acredito que temos quase a mesma idade e somente eu posso falar-lhe assim.
Tive criação antiga e severa, acredito que o respeito, a moral e os bons costumes devam sempre estar em primeiro lugar.
Todos ficaram pasmados.
O senhor Jovino parou de falar e até sentou-se, ouvindo atentamente o que o senhor Aristides tinha para lhe dizer, e ele continuou:
- Como o senhor, eu também sou do tipo antigo.
Nunca aprovei moça solteira ter filho.
Sempre eduquei meus filhos para não fazerem, com a filha de ninguém, o que eles não quisessem que acontecesse com uma irmã, se eles tivessem uma.
Mas não adiantou.
Apesar de Fábio ter sempre um bom comportamento, nunca me deu trabalho e é um óptimo filho, mas foi justamente ele quem provocou tudo isso.
Eu tenho certeza de que ele concorda com toda a responsabilidade que tem de assumir e se fosse o caso dele não poder assumir, por qualquer motivo, eu assumiria por ele, nosso neto não iria deixar de ter um nome.
- Não é um nome que me importa - respondeu o senhor Jovino menos exaltado.
Eu não me conformo com a vadiagem da Márcia e com a falta de respeito do Fábio.
Criei minhas filhas exigindo respeito e não esperava passar por essa vergonha, principalmente com a Márcia.
- Eu amo a Márcia.
Nós nos amamos, o senhor me entende? - defendeu-se Fábio.
- Cale a boca! - gritou o senhor Jovino.
- Espere um pouco, filho - acalmou o senhor Aristides.
Fique quieto, eu entendo o homem, ele tem razão.
Tem direito a opinião.
Voltando-se para o senhor Jovino o senhor Aristides continuou:
- Se eu contar a minha história o senhor vai entender.
Como eu já disse, nunca concordei com filho bastardo.
Eu tinha dois filhos jovens, moços bonitos, que trabalhavam e estudavam.
Tinham seu próprio sustento, eram responsáveis.
Nunca precisei mantê-los ou sustentá-los depois de adultos.
Eles somente moravam numa casa que era minha, pois não quiseram voltar para Minas comigo e com a mãe.
Tudo em minha vida estava perfeito.
De repente minha mulher estava morrendo.
O senhor sabe muito bem o que é isso.
Olhei para a mulher com quem vivi pra mais de quarenta anos e soube que ela estava desenganada.
Isso não foi nada fácil.
O senhor sabe como é.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:13 am

Breve pausa se fez para reflexão e prosseguiu:
- Não podíamos ter filhos e a verdade é que viemos para São Paulo, pra mais de trinta anos atrás, pra ela fazer um tratamento, pois onde vivíamos não tinha recurso pra isso.
E deu certo.
Tivemos o Fábio e o Sidney.
Eles nos completavam.
Vivemos muitos anos com muita felicidade.
Mas, de repente, vi minha mulher minguando.
Daí que eu só tinha meus dois filhos e eu os queria perto de mim naquele momento tão difícil, eram a maior riqueza que Deus permitiu minha mulher deixar.
Horas depois de eu tê-los comigo, assisti aos dois serem atropelados e jogados para cima, bem na minha frente - duas lágrimas correram na face alva do senhor, mas ele não se deteve e desfechou:
- Um morreu na minha frente e eu não pude fazer nada.
O senhor Jovino ouvia atentamente e o senhor Aristides continuou:
- O Fábio foi socorrido, mas, no hospital, sabe o que eu ouvi?
O senhor Jovino balançou a cabeça negativamente e o senhor Aristides contou:
- Que em questão de horas o meu Fábio também morreria.
Disseram que ninguém se recuperaria de um traumatismo como aquele, e, se um milagre desses acontecesse, o Fábio ficaria paralítico e debilitado mentalmente pro resto da vida.
O senhor Jovino começou a colocar-se no lugar do senhor Aristides, como um pai no meio de um acontecimento igual àquele.
- Sabe, senhor Jovino, - continuou o senhor Aristides sempre tranquilo e com voz mansa -, naquela hora eu queria morrer junto.
Todo o meu preparo moral e religioso acabou e eu não me conformei, não aceitei e caí em desespero.
Eu não tinha mais o meu filho caçula, minha mulher estava morrendo e o filho mais velho também estava indo embora.
Os meus dois filhos se iriam para sempre, sem deixar um herdeiro, sem deixar nada vivo neste mundo.
Nada vivo que provasse a existência deles aqui, nem a minha.
Naquele momento eu me vi morto.
Depois de alguns dias, chegou lá em Minas a sua filha Márcia de quem Fábio tanto falou, com quem tinha feito tantos planos.
Deu pra ver que ele gostava demais dessa moça, pois em suas cartas só falava dela e mandou até foto.
O Fábio falou em se casar com ela, assim que voltasse para São Paulo, mas essa volta teve que ser adiada.
Quando eu olhei para aquela moça bonita, abatida pela dor que sentia, mas conforme o Fábio falou, ela era muito bonita mesmo!
Desculpe minha sinceridade, mas sabe o que pensei ao ver sua filha?
Por que o Fábio não se casou antes de vir pra cá?
Não precisava nem ter me avisado.
Ele poderia ter casado e até já ter filhos com ela!
Desculpe mais uma vez, mas eu cheguei ao cúmulo de pensar também que ele não deveria ter ouvido minhas orientações, não deveria ter respeitado tanto assim aquela moça, deveria ter um filho com ela mesmo sem se casar.
Um filho é a continuação da vida.
Os olhos do senhor Aristides se encheram de lágrimas, mas ele seguiu:
- Bem mais tarde, quando eu soube que a sua Márcia estava esperando um filho do meu Fábio, senhor Jovino, o senhor não imagina o que é não se ter nada e de repente se ganhar tudo.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:13 am

Eu agradeci a Deus por Fábio não ter dado tanto ouvido às minhas exigências, ao meu modo antigo de pensar e julgar as filhas dos outros.
Foi como se Deus tivesse me dado mais um filho depois de me tirar um e praticamente o outro.
O senhor Jovino estava sentado, com a cabeça baixa segurando-a com as mãos e os cotovelos apoiados nos joelhos.
Fábio que também ouvia tudo, cabisbaixo, se emocionou.
O senhor Aristides ainda disse:
- Senhor Jovino, Deus foi bom e me devolveu o Fábio quase perfeito.
Mas tenho certeza de que ele vai ficar melhor.
Quanto à sua filha, nós só escondemos tudo dela porque a pobre estava fraca e teve que ser internada duas vezes lá em Minas.
Quando ela chegou aqui em São Paulo e soube que a mãe tinha morrido há mais de um mês, passou muito mal mesmo.
Eu vi como ela ficou.
Além disso, ela sofre demais porque está com muito medo de sua reacção.
Senhor Jovino, é duro perder um filho e não se ter mais nada dele.
Por isso eu peço, não critique mais a atitude dos dois.
Não recrimine sua filha, não a maltrate nem a amaldiçoe.
Se o senhor não concorda com isso, pelo menos, não diga nada ainda.
O Fábio vai assumir tudo e eu darei todo o apoio e a ajuda que eles precisarem.
O meu Fábio é responsável.
Tenho certeza disso.
Ele não vai maltratar a sua filha, posso garantir.
Jonas estava furioso, o senhor Jovino não reagia mais, ficou ali parado todo o tempo e ouvindo tudo.
Por mais que Jonas tentasse, não conseguia mais agitá-lo.
As palavras meigas do senhor Aristides o acalmaram tanto que as influências de Jonas passavam despercebidas.
O espírito Jonas não pôde ver, mas Fábio recebia um grande amparo espiritual.
Durante todo o tempo que estava ali quieto, Fábio orou, não perdeu sua fé por um segundo.
- Eu não posso concordar com uma pouca vergonha dessas - disse o senhor Jovino, mais calmo.
- Pouca vergonha seria se nossos filhos não assumissem a criança que está por vir ou se sua filha não soubesse quem é o pai.
Por isso, eu não vejo "pouca vergonha" nenhuma e estou muito ansioso para ter em meus braços o nosso neto ou neta!
O senhor Jovino sentiu-se gelar com a frase:
"Nosso neto!" Sim, seu neto!
Mais um neto!
Sim, o filho de Márcia seria seu neto.
Márcia era sua pupila.
Sempre foi!
Ele lembrou-se do amor que tinha por suas netas.
Lamentou-se por Melissa que poderia estar ali se tudo aquilo não tivesse acontecido.
Lembrou-se de que Melissa estava grávida quando morreu e no começo, quando soube de sua gravidez, recriminou e criticou muito.
Não tanto quanto agora com a sua Márcia, pois não esperava isso de sua caçula.
Mas depois de tudo, acabou aceitando a neta Melissa dentro de sua própria casa para cuidar dela.
Como seria bom se o filho de Melissa estivesse ali.
Ele estaria grandinho e correndo para lá e para cá.
Seria seu bisneto!
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:14 am

O senhor Aristides tinha razão.
Um filho é um pedaço vivo de cada um de nós, os netos e os bisnetos são as multiplicações desses pedaços.
Mas algo estava errado.
Ele não conseguia aceitar, justo a Márcia!
Fábio, interrompendo seus pensamentos, avisou serenamente:
- Senhor Jovino, marcarei o casamento para o mais breve possível.
Demorará somente o tempo de correr as papeladas.
Eu não sei direito qual a ideia do senhor, por isso só tenho um pedido a fazer.
Por favor - avisou suplicando -, a Márcia não pode passar mais nervoso.
Se o senhor não aceita essa situação, eu só posso dizer que lamento muito, mas não vou deixar a Márcia se expor a correr riscos.
A princípio o senhor Jovino não disse nada.
Jonas o instigava, era muita petulância de Fábio falar-lhe assim.
Por fim, dando ouvidos aos desejos de Jonas, o senhor Jovino falou:
- Você está sendo muito abusado em falar assim comigo, ponha-se em seu lugar.
- Desculpe-me. Só estou protegendo a Márcia e o meu filho - defendeu-se Fábio sem pretensões, com a devida educação.
O senhor Jovino não quis perder a oportunidade de agredi-lo com palavras e disse:
- Eu sei que nem trabalhando você está.
Como pretende sustentá-la?
Ou vai deixar que ela o sustente?
Sim, porque você está aí todo torto, manco e falando diferente!
- Pai! - repreendeu Roberto.
- Cale a boca!
Não pedi a sua opinião!
Ciro aproximou-se de Fábio e disse:
- Não esquenta.
Por favor, não o leve a mal.
- Ele está certo, Ciro! - concordou Fábio, bem firme.
Eu tenho que assumir toda minha responsabilidade.
Seu pai está pensando no bem-estar de sua filha, do seu neto e eu concordo com ele.
E virando-se para o senhor, completou:
- Estarei desempregado por pouco tempo, senhor Jovino.
Não se preocupe.
Quando minha mãe estava internada e fui para Minas, eu já estava com um emprego arrumado.
Nem mesmo sabíamos da gravidez e eu já tinha planos de me casar com a Márcia.
Agora creio que perdi esse emprego, mas arrumarei outro.
Sou capacitado, tenho uma profissão e sempre procurei manter-me actualizado nela.
Sou persistente e não sou acomodado.
Nunca tive preguiça e não será um mês e pouco parado que me fará perder o ânimo.
Estarei empregado em breve, acredite.
Sua filha não vai me sustentar.
Ao contrário, assim que puder, ela deixará de trabalhar para cuidar do nosso filho.
Ah! Só mais uma coisa.
Quanto aos meus movimentos, estou mancando porque eu tirei o gesso há poucos dias, tive várias fracturas inclusive craniana, e minha paralisia facial em nada poderá atrapalhar a minha capacidade para o trabalho, isto é, se eu ficar com a face parcialmente paralisada, pois acredito que ficarei perfeito novamente, o senhor vai ver.
Ciro levantou-se e bateu no ombro de Fábio, como gesto de quem o apoiava.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:14 am

Fábio voltou-se para todos e disse:
- Tudo o que precisávamos esclarecer, já foi dito.
Agora penso em ir ao hospital, estou preocupado com a Márcia.
Estendendo a mão ao senhor Jovino, disse com voz firme e sem rancor:
- Até logo, senhor Jovino.
Quando o senhor quiser, poderemos conversar novamente.
O senhor Jovino levantou o olhar e de mau gosto estendeu-lhe a mão que Fábio apertou com firmeza ao completar:
- Desculpe-me, senhor Jovino, mas eu estou convicto do que quero.
Nada vai me impedir.
Ainda terá orgulho de mim.
O senhor Jovino não respondeu nada, estava magoado com tudo aquilo.
O pai de Fábio também se despediu e disse:
- Enquanto o meu filho não trabalhar eu sustento os três.
Tenho um sítio produtivo e uma fazenda de gado leiteiro em Minas Gerais.
Tenho condições mais do que suficientes, para apoiar os três o tempo que for preciso, não se preocupe.
Aliás, eles são os únicos herdeiros daquilo tudo.
Só peço que perdoe sua filha, ela não merece isso.
A Márcia é uma boa moça.
O senhor Jovino também não respondeu nada.
Roberto virou-se para Fábio, prontificando-se:
- Eu levo vocês. Vamos?
- Eu gostaria de passar primeiro na minha casa.
Estou esgotado, mas só preciso de um banho - pediu Fábio gentilmente.
- Claro! Vamos, lá.
- Vocês me dão uma carona? - pediu Ciro.
Preciso voltar para o hospital e é caminho de vocês.
- Claro. Vamos todos.
Jonas estava furioso.
Gritava, xingava, mas ninguém podia entrar em suas vibrações.
Eles estavam protegidos.
Enfurecido, corroía-se por dentro, pois Fábio havia voltado e novamente interferiria em seus planos.
Teria que acabar com Fábio de uma vez, do contrário não conseguiria obter sucesso.
Ciro sentou-se atrás com Fábio e foram conversando.
Depois que deixaram Ciro no hospital, seguiram para a casa de Fábio conforme planearam.
- Hoje é sábado, nesse horário o cartório já fechou, mas na segunda-feira vou lá a fim de saber o que é necessário para marcar o casamento.
Chegando à casa de Fábio, o senhor Aristides pediu:
- Filho, eu quero que passe essa casa pro seu nome.
Antes eu tinha você e o seu irmão, teriam que dividir.
Agora é só você.
Passe-a o quanto antes, eu trouxe aqui comigo todos os documentos.
Quando eu voltar pra Minas, vou providenciar o inventário do sítio e da fazenda.
- O que é isso, pai?
Deixa isso pra lá.
- Eu insisto, Fábio. Não teima.
De repente Fábio ficou pálido, sentiu uma forte tontura, segurou-se na mesa com as duas mãos e abaixou a cabeça.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 10:14 am

- O que foi, Fábio? - perguntou Roberto, preocupado.
Fábio ficou ainda mais branco e gelado.
Levou uma mão na cabeça e pediu:
- Ajude-me a chegar ao quarto, por favor.
Estou sentindo muita dor.
- Filho! - desesperou-se o senhor Aristides.
Oh, meu filho! O que foi?
Roberto levou Fábio para o quarto que, ao se deitar, avisou:
- É uma dor muito forte, Roberto!!!
Ela me derruba, não consigo reagir...
- Vamos pro hospital?
- Não. Já vai passar.
De repente ela passa... como se nada tivesse acontecido.
Fábio abraçou a própria cabeça com seus braços e afundou o rosto no travesseiro.
Roberto não sabia o que fazer e Fábio, virando-se, pediu:
- Abra a janela, por favor...
Preciso de ar.
Roberto ficou ali junto com o senhor Aristides.
Algum tempo depois, Fábio começou a melhorar.
Ainda pálido murmurou esmorecido:
- Puxa, cara!
É terrível sentir isso.
- A Márcia não sabe que você está sentindo essas dores?
- Não. Por sorte, todas as vezes que me deu, ela não estava por perto.
- Não será por causa do nervoso que você passou, Fábio?
- Não sei. Creio que não, pois de outras vezes chegou a me dar isso enquanto eu dormia, acordei quase gritando.
- Já falou com o Ciro?
- Já. Eu vou fazer alguns exames.
Fábio tomou um banho, alimentou-se e depois ele e Roberto foram para o hospital.
O senhor Aristides resolveu ficar em casa.
Mais tarde, chegando ao hospital, Fábio se assustou por não encontrar Márcia no quarto.
Desesperado, saiu à procura de Ciro que o avisou:
- Ela está no CTI, Fábio.
- Ela o quê?!!!
- Sua pressão caiu muito e nós não conseguimos reanimá-la.
Tivemos que mandá-la para o CTI.
A gravidez não permite o uso de qualquer medicamento. Você sabe...
- Não pode ser! - gritou Fábio que, pela primeira vez, mostrava-se verdadeiramente fora de controle.
Esfregando o rosto e os cabelos com as mãos, como se quisesse despertar de um pesadelo, ele repetiu:
- Não pode ser. Meu Deus!
O que está acontecendo?
- Acalme-se, Fábio. A Márcia ficará boa.
Ela foi para lá só para garantir.
- Garantir o quê, Ciro?!
Se ela estivesse bem estaria no quarto ou em casa, não é?
- Eu entrei em contacto com o médico que ela consultou pela primeira vez quando soube que estava grávida.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:17 am

Ele me passou os exames que fizeram naquela época, só que ela não voltou para pegar os resultados.
Mas agora o temos.
- Como você conseguiu isso?
- Revirei a bolsa dela e encontrei os comprovantes dos exames realizados e a receita dos remédios que ele indicou.
Coisas simples, medicamentos comuns às gestantes.
Através do telefone constante nesses receituários entrei em contacto com ele, expliquei a situação e ele me mandou tudo via Fax.
Naquela época, a Márcia já estava anémica e muito fraca.
Segundo o que conversamos, ela não avisou que faria uma viagem longa, se o tivesse feito ele teria desaconselhado porque diagnosticou que não estava em condições de se expor.
Outra coisa, ela não disse que passava por sérios problemas na família, a mãe doente, que estava sob pressão no emprego, preocupada com você, passando nervoso e tudo mais.
Só contou que... queria saber da gravidez.
Ciro prendeu as palavras, quase disse algo que poderia preocupar Fábio desnecessariamente.
Ficou sabendo, através daquele médico, que o Roberto era seropositivo, pois Márcia só relatou o problema de seu irmão como sendo sua maior preocupação.
- E os exames feitos, estão iguais ou piores aos daquela época? - perguntou Fábio.
- Estão mais ou menos iguais.
Não se preocupe, vai dar tudo certo.
Nos exames não foi encontrada nenhuma virose ou doença.
Graças a Deus, isso ela não tem.
Márcia está com uma anemia profunda, abalada emocionalmente, nervosa e não é por menos.
Só que isso tudo reflecte no equilíbrio de sua saúde - informou Ciro para tranquilizá-lo.
- E o bebé?
- Digamos que... está com ela.
- Você acha que...
- Fábio, não podemos adiantar nada.
Não viu o seu caso.
Se dependesse dos médicos já o teriam enterrado, não foi?
Vai para casa e descansa, rapaz.
Você não pode ficar se esgotando tanto.
Nem sei como é que está em pé! Vai descansar.
- Se eu for, você jura que me avisa de tudo?
- Claro que sim!
Quando ela melhorar e voltar para o quarto, eu mando buscá-lo.
- Preciso ir para casa mesmo.
Estou muito cansado.
Ciro bateu nas costas de Fábio, consolando-o, ao recomendar:
- Vai, rapaz. Descansa.
O Roberto o levará.
Fábio voltou para sua casa.
Ele estava triste e abatido.
Contou a seu pai sobre o estado de Márcia, que também sofreu ao saber.
O senhor Aristides desejava demais aquele neto.
- Filho, ela vai ficar boa e o nené também, tenha fé.
- Pai, é a única coisa que eu tenho.
Mas ela está muito fraca.
Eu sempre percebi que a Márcia nunca se alimentou bem.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:17 am

Ela comia pouco e só se alimentava com café, biscoitos e salgadinhos.
Fábio estava esgotado, abatido.
Virou-se para seu pai e pediu:
- Pai, eu preciso ficar sozinho.
Só eu e Deus. Preciso conversar muito com Ele.
- Vai, filho. Vai pro seu quarto.
Eu vou ficar aqui sem incomodar.
Fábio entrou para o quarto e rezou.
Orou com toda a sua força e amor.
Depois ficou lá por algumas horas em absoluto silêncio.
Mais tarde o telefone tocou.
Era Ciro dizendo que Márcia se recuperava e o bebé parecia estar bem, que estava no quarto, mas precisava ficar em repouso, sob observação, pois havia saído há pouco do CTI.
Na segunda-feira, pela manhã, Fábio ligou para o serviço de Márcia a fim de avisar sobre sua internação, o que a impedia de retornar das férias.
- Fábio! - exclamou Zé, que atendeu ao telefone.
Que bom falar com você! Que surpresa!
Toda a seção se alvoroçou sobre Zé, que mal podia falar.
- Fábio? É o Fábio?!
Como ele está?
Vamos Zé, pergunta! - queriam saber todos de uma vez.
- Esperem! - gritou Zé irritado.
Eu não estou conseguindo ouvi-lo!
- A Márcia! Então ela... internada?!
Tá, deixa que eu digo.
Deixa com a gente.
Mantenha-nos avisado de qualquer coisa e assim que ela puder receber visitas, nós iremos vê-la.
O director, senhor Rodrigo, passava pela seção.
Ele saía da sala de Márcia que estava sendo ocupada por um chefe interino até que ela voltasse.
Surpreso, quando soube que Márcia não havia ido trabalhar, foi falar com o encarregado que a substituía para saber de alguma notícia.
Quando Zé desligou o telefone, ninguém entrou num acordo e todos faziam diversas perguntas ao mesmo tempo:
- O Fábio ligou?!
- E a Márcia?
- O que houve para ela estar internada?!
- Calma, gente!
Espera - irritou-se Zé.
Uma coisa de cada vez.
O director aproximou-se dele e, sisudo, perguntou:
- Quem telefonou, senhor José?
- O Fábio, doutor Rodrigo.
- O Fábio!
Ele não sofreu um acidente no qual ficou em coma?
- Sim. Mas milagrosamente ele se recuperou.
- Venha comigo, senhor José.
Conte-me tudo em minha sala.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:18 am

Zé o acompanhou e lhe deu a notícia:
- O irmão da Márcia nos tem informado com frequência sobre o Fábio.
Apesar de ter sido desenganado, ele saiu do coma, reagiu bem e está se recuperando.
- Ele ficou completamente bom?
- Segundo o irmão da Márcia, o Roberto, o Fábio ainda está mancando e com o rosto parcialmente paralisado, mas não ficou com debilidade mental ou física como previam.
- Então ele está bom?! - insistiu o director.
- Pelo jeito, está.
Acabei de falar com ele!
- E a senhorita Márcia?
- Daí que a Márcia foi para Minas, na época do acidente, assim que ela pegou férias, e nessa mesma época a mãe dela morreu.
- Morreu?! Eu não soube.
Por que eu não soube?
- Não sei.
Ficou todo mundo sabendo, alguns foram ao enterro, até eu fui.
- E daí?
- Bem... ao chegar a Minas Gerais, a Márcia passou muito mal quando viu o Fábio em coma.
Teve até que ficar internada por causa do nervoso.
Daí que a mãe dela morreu e o irmão dela não contou nada.
- Que irresponsável!
Imprudente! - criticou o director austero.
- É porque a Márcia passou muito mal devido...
- Devido ao quê?
Não há o que justifique uma arbitrariedade dessas!
- Bem... sabe como é...
- Não sei, não. Pode dizer?
- A Márcia está grávida e quase perdeu o nené quando soube da morte do irmão dele, viu o estado do Fábio, os diagnósticos de que ele estava desenganado e, se sobrevivesse, ficaria com sérios danos devido ao traumatismo craniano.
Ela até precisou ficar internada!
Foi por isso que o irmão não contou nada.
O Roberto quis poupá-la.
- Dona Márcia, grávida?!!! - surpreendeu-se levantando de sua confortável poltrona.
Sentando-se em seguida.
- Foi por isso que...
Ele segurou suas palavras.
Lembrou-se de como ela estava abatida e passou mal chegando a desmaiar em sua sala.
- O pior foi o seguinte - contou Zé - a Márcia ficou sabendo que a mãe havia morrido somente na sexta-feira passada, quando voltou de Minas, um mês e meio depois.
Quando lhe contaram, ela ficou tão mal que teve de ser internada novamente e foi para o CTI.
Passou por sérios problemas e risco de morrerem os dois, ela e o bebé.
- CTI?!!! - exclamou o director, levantando-se levemente da cadeira.
Riscos...!
- Mas o Fábio me disse que ela já saiu de lá e está no quarto.
Foi por isso que ela não veio trabalhar hoje.
Ainda ficará internada para não perder o bebé.
- E o senhor Fábio, como está? - perguntou interessado.
- Ah! Ele está péssimo, né, director.
Estavam marcando o casamento.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:18 am

Ele gosta muito dela.
- Preciso vê-lo.
Sabe como posso encontrá-lo?
- Eu tenho o telefone da casa dele e da Márcia, só não sei se tem alguém lá.
- Por favor, providencie-os para mim.
O quanto antes.
Já no hospital, Fábio, com seu rosto encostado ao de Márcia, dizia baixinho:
- Nunca mais faça isso novamente.
Eu a proíbo de me dar esse susto de novo.
Márcia sorriu, ela sentia-se cansada, mas parecia reagir.
- Sabia que a Paula ficou furiosa quando soube que eu estava grávida e não disse nada a ela?
- A Paula?
- Disse que só soube quando eu fui internada, através de Rose que avisou.
Ela quer matar o Roberto porque ele só contou para o Ciro.
- Ih! O ciúme já começou - divertiu-se Fábio.
- A Paula me disse que até agora a Bárbara está abatida por causa da morte do Ney.
- Quando fazíamos o culto do Evangelho na casa dela, eu percebia a troca de olhares entre os dois - afirmou Fábio.
- Será que eles estavam namorando?
- Creio que não.
Acho que estavam só flertando.
Eu até chamei a atenção do Ney, porque a Bárbara é muito novinha.
- Pelo que Paula me contou, acho que ela estava gostando dele.
- Isso passa. Ela é jovem.
Sem rodeios, agora mais sério, Fábio decidiu avisar:
- Márcia, eu fui falar com o seu pai. Contei tudo.
Quando Fábio percebeu seu susto, pois Márcia tentava fazer várias perguntas que não saíam, ele foi mais rápido para não fazê-la sofrer.
- Não fique nervosa, por favor.
Não vou negar, o senhor Jovino ficou bravo sim.
Zangou-se comigo, mas por fim se acalmou depois que meu pai falou com ele.
- Como ele reagiu, Fábio?! - perguntou aflita.
- Como eu disse.
Ele se zangou, mas depois se acalmou.
Com o tempo ele se acostuma, daqui a alguns dias isso passa.
Vai gostar de ser avô novamente - riu para disfarçar.
- Ele vem me ver?
Fábio não sabia o que dizer, então tentou dissimular:
- Sabe, eu acharia melhor que ele não viesse para você não se emocionar mais.
- Fábio, eu queria tanto vê-lo!
- Calma, você o verá.
Ah! Ia me esquecendo!
Hoje cedo liguei para o seu serviço - contou para distraí-la.
- Avisou o carrasco também? - perguntou referindo-se ao director.
- Pedi que o avisassem.
Eu falei com o Zé, ele deve ter dado o recado.
- Ah! Deu sim. O Zé é um amor.
Muito prestativo.
- Eeeh! Vê lá hein!
Posso ficar com ciúme!
Dizendo isso ele a abraçou com carinho, beijando-lhe amor.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:18 am

26 - UNIDOS POR AMOR

Alguns dias depois, Márcia já estava em seu apartamento.
Sua aparência era melhor, passou a se alimentar mais, pois os enjoos diminuíram.
Nunca ficava sozinha.
Fábio praticamente mudou-se para lá e o senhor Aristides não a deixava por um momento.
Os irmãos, muito preocupados, sempre ligavam, quando não estavam com ela.
Somente seu pai não dava notícias.
- Márcia! - Exclamava Fábio eufórico, pois acabava de chegar.
Acabei de voltar daquela empresa, agora!
Aquela que eu tinha arrumado o emprego e que não voltei para levar meus documentos porque fiquei em Minas.
Você não vai acreditar! - contava sem deixá-la responder.
- A vaga está esperando você?! - perguntou antes que a interrompesse.
- Não! Aquela vaga foi preenchida.
Eu conversei novamente com o mesmo director que me entrevistou da outra vez.
Expliquei e contei o que aconteceu, a razão pela qual eu não voltei mais.
Nossa!!! Você tinha que ver a cara do homem!
Como ele ficou impressionado.
Até meus exames eu levei para que pudesse ver.
Por fim, acabei falando que eu precisava de um emprego!
Que não foi por irresponsabilidade que eu deixei de ir ao dia agendado para a entrega dos documentos.
Daí que...? - sorriu aguardando.
- Daí o quê Fábio?! Fala homem!
- É a conta de arrumar a minha documentação e eu começo a trabalhar.
Márcia o abraçou e ele continuou:
- Aí eu fiquei preocupado com o exame médico, então ele disse:
"Se você saiu daquele estado e ficou como está, tem condições de se sair bem de qualquer 'fria', meu filho.
Eu vou interferir pessoalmente junto ao médico da firma".
Depois ele deu um sorriso cínico e disse:
"Aquela vaga que era para ser sua, foi o filho dele quem preencheu."
Como quem diz:
ele tem que me aprovar ou...
- Eu não acredito, Fábio.
Isso é bom demais!
- Mais uma coisa... amanhã, será que você tem condições de sair? Só um pouco?
- Para onde? - perguntou curiosa.
- Para irmos até o cartório.
- Fábio...
Márcia não sabia o que responder.
Um largo sorriso iluminou seu doce rosto.
Emocionada, seus olhos brilharam.
Então, abraçando-a com ternura, Fábio argumentou baixinho:
- Não diga nada, meu amor.
Não é preciso responder.
Só quero saber se você estará bem, tá?
Ela escondeu o rosto em seu peito, envolvendo-o com ternura.
Sentia-se segura, protegida e amparada por seu grande amor.
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Ave sem Ninho

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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:18 am

Ajeitando-a nos braços, Fábio a beijou com toda ternura.
O espírito Jonas presenciava tudo e estava irado.
Desejava acabar com Fábio.
Iria se dispor a tudo, não teria nada a perder.
Revoltado, sempre que podia, desabafava aos berros com seus ajudantes:
- O que esse cara tem?!
Sete vidas, por acaso?!
- Olha, Jonas, a gente tentou - lembrava um deles apreensivo.
- Até que conseguimos ter sucesso.
Ele foi despedido, perdeu a velha e o irmão, ficou mal... ficou no "bico do corvo"!
Ele se abalou pra caramba com isso, meu! - esclareceu o outro com ironia.
- É sim. Até o atropelamento nós fizemos direitinho - tornou o primeiro.
Os ajudantes de Jonas afirmavam serem os responsáveis pelo acidente onde Ney faleceu e Fábio ficou em estado grave.
Mas isso não era verdade.
- O Fábio é duro na queda, cara - tornou um dos ajudantes.
- Nós bem que te avisamos, compadre!
Ele tem gente grande atrás dele.
Você mesmo viu, meu chapa, ele ficou lá e cá, mas o desgraçado não morreu de jeito algum.
Tem as "costas largas", isso sim.
- Não sei de onde vem essa força - inquietou-se Jonas inconformado.
Se eu mesmo não tivesse visto, não teria acreditado.
Foi muito fácil ficar ao lado da Márcia atormentando e fazendo com que entrasse em desespero, histérica feito uma louca.
Mas ela também, de algum jeito, ganhou protecção e eu acho que vem dele.
Isso parece que é contagioso.
Mas não vai ficar assim não.
Aaah! Não vai não!
Vou acabar com eles de qualquer jeito.
A partir de então, o espírito Jonas tentava, por todos os meios, atingir Fábio que, no entanto, nem mesmo sentia sua presença ou qualquer vibração pesarosa em que esses espíritos quisessem envolvê-lo.
Sua alegria e satisfação por ter Márcia perto de si, e ainda a espera de seu filho, faziam-no exalar energias de elevada felicidade.
Jonas sentia que algo errado estava acontecendo.
Quando se aproximava de Márcia para perturbá-la, não conseguia.
Sentia-se fraco e até caia.
Os dias foram passando e os ajudantes de Jonas chegaram com uma novidade.
- Jonas!!! Nós já sabemos como!!!
- Como o quê?!
- Como acabar com o Fábio!
- Como?
Digam como posso fazer isso?! - interrogou eufórico com os olhos brilhando.
- Nós conhecemos um sujeito por aí que trabalha para um "cara" - explicou referindo-se a um outro espírito.
Ele nos disse que o "cara" é dos bons, consegue tudo.
Garantiu que pode cuidar do Fábio pra você, só que, em troca, você fará alguns favores pra ele.
Jonas se interessou imediatamente e decidiu ir procurar o tal "sujeito", ou melhor, o referido espírito que poderia auxiliá-lo.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:19 am

- Meu nome é Jonas.
Disseram que você é bom no que faz.
Preciso da sua ajuda.
- Depende - respondeu com arrogância, olhando para Jonas com o queixo erguido e com ar de pouco caso.
- Depende do quê?
- Se você prestar serviços para mim, eu posso ajudar.
- Eu faço - concordou Jonas antecipando-se eufórico.
Proponho-me a qualquer coisa!
- Pode me chamar de Zul.
O que você quer que seja feito, Jonas?
- Zul, eu quero acabar com um cara que está vivo ainda.
O cara é durão, não consigo derrubar o desgraçado de jeito nenhum.
Ninguém consegue deter o "praga".
Ele está atrapalhando minha vingança para com algumas pessoas.
Só consegui prejudicá-lo poucas vezes.
Mas ele se ergue e fica firme novamente e mais forte!
- Isso me parece ser fácil.
Não tenho dificuldades em atrapalhar encarnados.
Só tem o seguinte: temos que fazer um pacto.
- Certo. Eu concordo.
E ficou ouvindo as propostas.
Longe dali, Márcia descansava em seu quarto.
Fábio entrou vagarosamente para espiá-la, mas ela abriu os olhos e sorriu.
- Acordei você? - perguntou ele correspondendo ao sorriso.
- Não. Venha, sente-se aqui - pediu com doçura.
Acomodando-se ao seu lado, beijou-a, afagou-lhe com carinho, depois perguntou:
- Sabe quem ligou?
- Quem?
- A Ana.
Ela disse que está vindo pra cá visitá-la.
Sorriu cinicamente ao avisar:
- Só que o seu querido director tanto insistiu que está vindo junto com ela.
- O senhor Rodrigo?!
- Em "carne e osso".
- Ah! Não, Fábio... - lamentou com mimos.
- Deixa, não esquenta.
Má, eu darei uma saída.
Precisamos de algumas coisas para servir, né?
Temos que ser bons anfitriões! - sorriu largamente ao brincar.
Você ficará bem sozinha?
- Claro que sim.
Mas e se eles chegarem?
- Voltarei rápido.
E a Paula ligou avisando que virá para cá.
Talvez já esteja chegando.
Vou indo para não demorar muito, tá? - despediu-se, beijou-a e saiu.
Quando Fábio retornou, Ana e o director estavam acomodados no sofá da sala e Márcia lhes fazia companhia.
Paula não havia chegado.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:19 am

O director não parecia o mesmo.
Ao ver Fábio entrar, levantou-se rapidamente e o ajudou com os pacotes e depois o cumprimentou com apreço:
- Fábio! Que bom vê-lo saudável!
- Obrigado.
Como tem passado, senhor Rodrigo?
- Bem. Muito Bem.
- Como vai, Fábio? - perguntou Ana feliz ao vê-lo.
- Bem. Agora estou bem.
Graças a Deus!
- Pensei que poderia encontrá-lo mais abatido.
Disseram-me que você ficou com algumas sequelas, mas eu não vejo nada - comentou o director, animado, ao olhá-lo de cima a baixo.
- Mas ainda tenho sim - tornou Fábio sem ênfase, mas realista.
Perceberá em meu rosto, principalmente enquanto falo ou dou um sorriso, uma paralisia parcial e a perna, às vezes, não me obedece.
Mas isso não é nada, estou perfeito de mente e alma!
Isso é o mais importante.
Todos sorriram satisfeitos e a conversa continuou.
Queriam detalhes de tudo o que haviam experimentado.
Até que o senhor Rodrigo se manifestou para chegar a seu objectivo:
- A senhorita Márcia nos deu um grande susto.
Mas vejo que está bem melhor.
Quando pretende voltar às suas actividades?
- Acredito que na próxima semana - respondeu Márcia.
- Eu acho que não - interferiu Fábio.
Ela terá que se recuperar muito antes de voltar ao trabalho.
Não vou deixar que arrisque a sua saúde ou a do nosso filho por causa de serviço.
Fábio foi categórico e o director encabulou-se com a sua convicção.
Sério, aguardou por alguma argumentação que não houve.
Ana, com simplicidade, virou-se para Fábio e perguntou:
- Você ainda não arrumou nada, não é Fábio?
Para espanto de Ana e do director, Fábio respondeu quase orgulhoso:
- Arrumei sim.
Começo a trabalhar na próxima quarta-feira.
- Arrumou?! - exclamou o director.
- Sim. Claro - respondeu Fábio agora com simplicidade.
- É que... bem... - gaguejava o director.
O cargo de dona Márcia está à disposição.
Márcia espantou-se, mas ele logo explicou:
- Quero dizer, a dona Ana passará a exercer outra função.
Eu pretendo remanejar a dona Márcia para o lugar que dona Ana ocupa hoje e não vejo ninguém melhor do que o senhor para substituir dona Márcia em sua tarefa.
- Obrigado, senhor Rodrigo - respondeu Fábio de imediato.
É muito gratificante saber disso, mas já estou empregado.
- Pense bem. É um bom salário, hein!
- O que vou receber na nova empresa é maior.
O director sentiu-se envergonhado, porém insistiu:
- Não seja precipitado. Pense bem.
Podemos conversar a respeito de um valor diferente.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:19 am

Pode gostar da nossa oferta.
Não responda agora, pense primeiro.
Conversaram muito e só mais tarde eles se foram.
- Fábio, você ficou louco?
Por que não aceitou? - perguntou Márcia assim que se viu a sós com ele.
- Aceitar a proposta dele, seria regredir nessas alturas do campeonato.
Se eu não tivesse arrumado nada, poderia até parar e pensar, mas com tudo o que tenho, seria tolice abrir mão dessa conquista.
Márcia, eu sou capacitado, tenho uma boa profissão e sou muito competente nela.
Eu procuro um emprego e não quero esmolas.
Foi ele mesmo quem me despediu, não foi?
- Sim, foi, mas...
- Não houve motivo para fazer isso.
Ele está é com remorso e falta de pessoal competente.
Agora, ele que dê essa chance para quem realmente precise ou mereça.
Isso será bom para que aprenda a valorizar os subalternos e não tratá-los mais com tanto desprezo, arrogância...
Passados alguns dias, Fábio começou no novo emprego.
Estava bem animado, principalmente pelo facto de, a cada dia, recuperar mais seus movimentos.
Ciro providenciou os resultados dos exames que fizera em Fábio e foi conversar com ele:
- Fábio, você está normal.
Os resultados dos exames são animadores!
Não deram absolutamente nada.
Você pode perceber melhoras até no seu físico.
Deixou de mancar, seu rosto está quase perfeito.
Pelo que vi nos exames que você trouxe de Minas, eu afirmaria que houve um milagre por ter sobrevivido e outro milagre por estar assim.
- Ainda sinto meu rosto dormente e parte do meu braço e perna também.
Não estou reclamando, só contando ao meu médico - sorriu ao brincar.
- Creio que isso é questão de dias.
Como neuro, estou cansado de ver casos assim.
O corpo ou parte dele, fica dormente por longo período, depois, aos poucos, vai restabelecendo os estímulos.
Além disso, o seu acidente é muito recente e você se recuperou rápido demais.
Não há explicação para isso!
Você deve é agradecer! - animou-se.
- E como eu agradeço!
Nem imagina! Só estou comentando.
Já senti grande melhora quanto à paralisia, recuperei bem meus movimentos e a fala.
Mas as dores na cabeça que venho experimentando são insuportáveis.
Algumas vezes a Márcia me pegou em crises.
Tenho que deitar e me isolar em silêncio, ou posso acabar gritando.
É muito forte, mesmo - relatou sério.
Não tem como disfarçar, e ela está preocupada.
Eu disse que dores são normais devido ao acidente que sofri.
Afinal de contas, eu rachei a cabeça no chão, não é? - riu agora.
Mas sua irmã não se convenceu e não quero que se preocupe ou fique nervosa, penso em seu estado.
- Eu estou dizendo que está tudo normal, diante do quadro apresentado através dos resultados dos exames clínicos.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 14, 2017 11:19 am

Mas vamos lembrar que sofreu uma lesão gravíssima, Fábio! - enfatizou Ciro.
Por um ano, sabe que não pode se machucar, praticar nenhum desporto, bater a cabeça e muitas outras coisas como já expliquei.
Diante dos resultados desses exames mais recentes, não há o que questionar.
Agora, perante suas queixas, eu só posso medicá-lo com analgésico potente como um vasoconstritor que reduz o fluxo sanguíneo cerebral no momento dessas crises dolorosas e prescrever doses periódicas de uma medicação mais branda como tratamento preventivo, já que você diz que as dores são insuportáveis e irregulares.
Mesmo assim, vou procurar alguns colegas que se interessem em fazer algumas pesquisas, você se dispõe?
Terá que passar por várias baterias de exames.
- Claro que sim.
- Óptimo. Isso é bom.
Verei o que faço.
Chegou o dia tão esperado do casamento entre Márcia e Fábio.
O senhor Jovino não havia procurado a filha que lamentava muito a sua ausência.
- Fábio, eu vou procurar meu pai - às vezes desejava.
- Márcia, espera um pouco - convencia-a.
- Por quê?
- Se ele quisesse falar com você a teria procurado.
Teve muito tempo para isso.
O Roberto me falou que lhe contou sobre o casamento e ele não se manifestou.
- Ele não virá, não é, Fábio?
- Não tem problema.
Só não vai procurá-lo.
Principalmente hoje.
Não precisa magoar seu coração justamente em um dia tão importante quanto este, não é?
Ela, mesmo contra seus desejos, acreditou que Fábio tinha razão.
Foi um casamento simples. Somente no civil.
Todo aquele sonho que Márcia sempre ostentou de ter uma linda igreja enfeitada com flores de laranjeiras, tapetes aveludados, coral ao vivo, damas de honras e muitos convidados, ela dispensou.
O sonho de um lindo vestido de noiva do melhor estilo, o qual até o modelo um dia imaginou, foi substituído por um bonito vestido bege que lhe caiu muito bem no corpo que levemente começava a perder a forma esbelta.
Márcia não se importou com a simplicidade da rápida cerimónia, uma vez que descobriu que sua felicidade era estar ao lado de Fábio, que a respeitava, amava e oferecia-lhe todo carinho e atenção.
O que mais poderia querer?
Afinal, cerimónias pomposas, o mais belo vestido e festa arrojada jamais lhe dariam a felicidade e a alegria que tinha.
Ele, por sua vez, não cabia em si de satisfação.
Após saírem do cartório, casados, foram directo para a casa de Fábio, onde o pai dele mandou preparar um almoço para os padrinhos, irmãos da Márcia e alguns poucos conhecidos.
Bete e Roberto foram padrinhos de Márcia enquanto Ciro e Rose de Fábio.
Horas depois, alguns convidados já tinham ido embora da pequena recepção.
Ao ficar a sós com a amiga, Bete perguntou:
- Vocês vão viajar?
- Não. O Fábio está com emprego novo, sabe como é.
E eu voltei a trabalhar semana passada, já fiquei fora muito tempo - lembrou a noiva.
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