DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Página 2 de 13 Anterior  1, 2, 3, ... 11, 12, 13  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 30, 2017 10:13 am

Admirada, abriu os armários à procura de alimentos matinais, murmurando:
- Só tem alguns enlatados, chás, macarrão...
Nossa! Preciso ir ao mercado urgente.
Já sei! - lembrou-se.
Correndo até o telefone, ligou:
- A bênção mãe!
Depois de ouvi-la responder, Márcia pediu:
- Mãe, eu preciso de um favor, daria para a senhora ir ao mercado hoje para mim?
É que não tenho quase nada em casa.
Acho que vou começar a trabalhar amanhã mesmo e não vai dar tempo de eu fazer compras, mesmo por que estou sem carro.
Diante da disposição de sua mãe, ela acalmou-se e ainda pediu:
- Olha, traga-me algumas frutas e as verduras menos complicadas de lavar e preparar, a senhora sabe que tenho pavor de ficar muito tempo na cozinha.
Ah! Estou sem biscoitos e salgadinhos.
Por favor, compra também pão de forma e leite longa vida, é que dura muito mais tempo.
E... mãe, diga para o meu irmãozinho, o Robertinho, que eu o amarei ainda mais se ele trouxer tudo aqui, pois estou sem carro, né?
Mais animada após falar com sua mãe, Márcia resolveu sair depressa, poderia atrasar-se para o médico.
Porém, quando olhou para a pia, viu as flores que recebeu no dia anterior em seu serviço e elas estavam murchando.
- Pobre flores!
Esqueci de vocês!
A preocupação com Fábio e os sentimentos confusos fizeram com que se esquecesse de colocar as flores em um vaso.
Foi então que abriu um armário, pegou a primeira jarra que encontrou, encheu-a de água e pôs as flores dentro, sem muito capricho, saindo em seguida.
Após passar pelo médico e receber alta definitiva, foi à sua seção e informou a todos que no dia seguinte estaria de volta.
Ana, sua encarregada, satisfeita, rapidamente passou-lhe novos serviços e a fez corrigir outros.
- Márcia, sabe os relatórios que trouxe do Rio de Janeiro?
Preciso de um parecer mais lógico e de uma estatística numérica com cronograma, pode prepará-lo para a próxima semana? - quis saber de imediato.
- Acredito que sim.
Você tem alguma data específica? - perguntou Márcia.
- Quarta-feira!
Preciso deles para quarta-feira.
O director quer uma reunião e necessito apresentar esses dados.
Ninguém melhor que você para avaliar tais resultados, uma vez que esteve lá e acompanhou de perto todo o desenvolvimento do projecto.
- Está bem - respondeu Márcia, sentindo-se útil.
Indo para sua mesa, Márcia levou os relatórios procurando se reintegrar com o trabalho, sentia-se perdida, porém orgulhosa por ser necessária e perceber que sentiram sua falta.
Sentando-se, apanhou uma caneta e começou a ler os tais papéis.
- Márcia? - interrompeu Ana
Amanhã! Você só volta a trabalhar, amanhã!
Márcia sorriu e Ana voltou para sua sala.
Nesse momento, Fábio, que estava "mergulhado" em seu serviço, foi surpreendido por uma bolinha de papel amassado que Márcia atirou nele.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 30, 2017 10:13 am

Quando olhou ela sussurrou:
- Como é?
Apanhou ontem por ter chegado tarde?
Fábio se levantou e foi até Márcia respondendo:
- Ela não bateu muito, não.
Quando a Bete me bate mesmo, eu nem venho trabalhar - tornou brincando como sempre.
Em seguida, puxou uma cadeira e sentou-se perto dela.
- Você melhorou, Fábio?
Não sentiu mais nada?
- Estou óptimo!
Não sei o que foi aquilo, deve ser pressão ou algo assim.
Não senti mais nada depois.
E você, melhorou?
- Estou melhor.
Acho que o apartamento vazio, sem alguém para conversar, me fez sentir mal, insone e pensando coisas bobas.
Desacostumei da solidão por ter ficado muito tempo na casa dos meus pais, então...
Ei!!! - sobressaltou-se.
Como sabe que eu não estava legal?
Não falei nada!
- Não sei por que perguntei - envergonhou-se.
Talvez tenha achado você triste ontem, sei lá... - dissimulou o amigo.
- Já passou.
Agora, me inteirando com o serviço, ficarei renovada.
- Que bom! Se precisar estou ali.
Fábio levantou-se e foi para sua mesa.
Ele sabia que no apartamento de Márcia havia algum espírito sofredor, sem esclarecimento, pois sentiu na própria pele as vibrações negativas daquele irmão necessitado.
Ao ir embora, pressentiu que Márcia não passaria bem por causa das energias desconfortáveis que estavam ali.
Foi por isso que perguntou se ela havia melhorado.
Márcia ficou pensando em Fábio:
"Como ele sabia que eu não me senti bem?
Que estranha essa sua filosofia esquisita e seu jeito de pensar.
Mas devo admitir que ele é uma óptima pessoa.
Sempre educado, optimista e prestativo.
Um colega maravilhoso nas horas em que precisamos dele.
E quando não se sente necessário, Fábio fica quieto no seu canto, sem cobrar o favor prestado", admirou.
Deixando de lado aquelas reflexões, concentrou-se novamente na arrumação de suas coisas para o dia seguinte.
Não queria perder tempo e planeava entregar os dados do relatório antes do prazo determinado.
Após organizar-se, despediu-se de todos e foi embora.
Já no apartamento, encontrou suas compras espalhadas pela sala e pela cozinha.
Tudo na maior bagunça.
- Que droga!!! - reclamou enfurecida, começando a falar sozinha.
O Roberto também!
Não precisava deixar tudo jogado assim pela casa toda!
Olha só essas coisas de geladeira molhando os meus móveis!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 30, 2017 10:14 am

Ele bem que poderia ter posto as compras aqui na cozinha! Inferno!
Jonas estava no apartamento e ria do nervosismo de Márcia.
Alimentando mais ainda a sua raiva, ele dizia envolvendo-a em suas vibrações:
- Vai trouxa!
Chame-o de amorzinho agora!
Diga que o ama se ele trouxer as compras.
Aproximando-se mais, quase abraçando-a, completou:
- Se ele a considerasse, não largaria tudo aqui jogado pela sala, olha só, um pacote ali, outro lá.
Roberto ficou com raiva de você fazê-lo de empregado.
Márcia não podia ouvi-lo, porém captava seus sentimentos correspondendo aos seus desejos e vibrações quando reclamava.
Angustiada, irritada agia de forma imprudente.
- O Roberto me paga!!! Custava...
Acidentalmente, por imprudência nos gestos, ela bateu a mão na bandeja de ovos e viu-os voar para o chão sem que pudesse fazer nada.
Gritando alguns palavrões ao ver toda aquela sujeira, Márcia começou a chorar.
Cedendo aos impulsos.
De repente ouviu um barulho de chave na porta que se abriu lentamente e, após pouco tempo, Roberto entrou de costas, segurando algumas sacolas.
Márcia, ainda com lágrimas nos olhos, tentou esconder o rosto.
- Oi, Marcinha!
Já chegou?!
- Não! Estou no meu serviço, ainda.
Roberto deixou os pacotes sobre o único lugar disponível que encontrou sobre a mesa e foi na direcção da irmã, perguntando de forma calma e carinhosa:
- O que foi?
Por que está assim tão amarga?
Abraçando-a, Roberto comoveu-se, pois Márcia caiu em pranto ao apontar:
- Olha... o que eu fiz! Deixei cair todos os ovos... - gaguejou.
- Você está chorando por causa disso? - perguntou sorrindo.
Ora, Má! Você nem bem voltou para o seu apartamento, está com saudade lá de casa e quer disfarçar dizendo que está chorando por causa do acidente com os ovos, não é?
- O que você está fazendo aqui?
Eu pensei que já tivesse ido embora - disse agora mais calma.
- Cheguei há pouco e ainda estou tirando as coisas do carro que deixei na garagem.
Você sabe como a mãe é exagerada!
Comprou coisas para um ano, olha só!
E eu não encontrei o carrinho de compras que serve aos moradores.
Tive que trazer sacola por sacola.
- Estou vendo - respondeu encabulada e enrubescida.
- Eu vou tirar tudo daqui, calma.
Não vou deixar nada espalhado.
Acontece que preferi primeiro trazer as compras e depois guardar o que sei onde fica.
Márcia envergonhou-se.
Seu irmão parecia ter lido seus pensamentos.
Mais racional, percebeu que não era motivo para amargurar-se e se irritar tanto.
- Não precisa guardar.
Deixe que eu faço isso, senão depois não saberei onde estão.
- O que eu souber onde fica, vou guardando pra ajudar - respondeu já arrumando algumas coisas.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 30, 2017 10:14 am

Intimamente eles sentiam-se felizes e satisfeitos.
Márcia e Roberto sempre se deram bem.
Jonas, extremamente encolerizado com a harmonia entre os irmãos, saiu do apartamento para não presenciar ou se envolver com a agradável vibração, nobre e generosa, bem salutar que passou a reinar.
Márcia preparou um café e abriu um pacote de biscoito.
Depois do primeiro gole, Roberto argumentou:
- Legal! Seu café está ruim como sempre!
- Deixa de ser bobo!
Se está ruim, não toma!
- Estou brincando, Má - ele a abraçou, encostou sua cabeça em seu ombro e ela, insegura, perguntou:
Está ruim mesmo?
- Não. Sabe que é brincadeira.
Má, você está diferente.
Por que está tão agressiva?
Você não é desse jeito.
- Sei lá, Roberto.
De ontem pra cá está me dando uma coisa inexplicável.
Estou deprimida, irritada, e não há razão, não tenho motivo.
- Seu acidente é recente, ainda está traumatizada.
Essa é uma forma de seu inconsciente demonstrar o abalo pelo choque que sofreu.
Você precisa sair, passear, conhecer pessoas novas, ir a uma boate, dançar, ir a um barzinho, jogar conversa fora... é disso que precisa, ou então, está querendo a protecção da mamãe e do papai.
- Aaah! Nem brinca!
Custou tanto eles me deixarem sair de casa numa boa.
- O pai está zangado porque você voltou para cá.
Acho que ele pensou que, depois do acidente, você ficaria lá em casa.
- Não dá, não é Roberto.
Lá na casa do pai, tenho que levantar quatro horas antes de entrar no serviço, qualquer caminho que fizer de carro eu pego engarrafamento e de metrô chego ao trabalho toda amarrotada.
Aqui é diferente, acordo uma hora antes de entrar no serviço, me arrumo em quarenta ou quarenta e cinco minutos e levo uns quinze minutos para chegar à empresa.
Ando de metrô somente duas estações.
Às vezes gasto mais tempo na fila para comprar o bilhete das passagens do que no trajecto.
Se eu quiser, é só levantar mais cedo e ir a pé.
Essa economia de tempo é óptima quando estou fazendo algum curso, não chego tão tarde em casa e durmo mais por não ter que levantar tão cedo.
O pai parece que não entende isso.
- Ele entende sim.
Mas quer ter todos os filhos à sua volta, como todo patriarca de família.
- Ele ficou muito zangado?
- Isso passa.
Ficará falando por alguns dias e depois se acostuma.
Márcia balançou a cabeça negativamente desaprovando a teimosia de seu pai.
- Bem, Márcia, agora está tudo guardado e arrumado.
E essas flores?
- Ganhei ontem no serviço.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Maio 30, 2017 10:14 am

- As pobrezinhas estão murchas, me dê um vaso.
Roberto teve o capricho de desfazer o buquê, limpou todos os talos e depois os cortou.
Açucarou um pouco a água do vaso onde pôs duas pedras de gelo e colocou as flores nele.
Ajeitou uma pequena toalha na mesa de centro da sala e colocou o vaso sobre ela.
- Não vai deixar essa sujeira aqui na minha pia, não é?
- Não senhora, dona Márcia - ironizou Roberto.
Depois de limpar tudo, desfechou debochado:
- A senhora me dispensa por hoje?
- Sim, por hoje, sim - brincou agora.
- Então, até mais.
Abraçando-a, beijou como sempre fazia e disse:
- Quando se sentir vazia, me chama para encher sua paciência.
Adoro fazer isso!
Márcia sorriu e brincando empurrou-o para fora do apartamento.
- Vai logo e mande um beijo para todos!
Eu ligo pra mãe mais tarde.
Acompanhou-o até o elevador, depois retornou ao apartamento.
Naquele instante, Jonas chegou e decidiu seguir junto com Roberto.
Ele acomodou-se no banco do carro ao lado do rapaz que tinha a intenção de ir do apartamento de Márcia directo para a gráfica.
O espírito Jonas torcia as mãos num gesto enervante e dizia a Roberto:
- Você também vai me pagar!
Sei que ajudou a me ferrar.
Você não presta, safado!
É um filhinho de papai, seu ordinário!
Agora tá aí, num carrão, dando uma de bom...
Mas isso vai durar pouco, vou te ferrar, cara! Entendeu?!
Uma angústia dominou inexplicavelmente os sentimentos de Roberto que começou a ficar inquieto.
De repente, num cruzamento, um outro veículo passou com semáforo vermelho fazendo com que o rapaz freasse bruscamente, quase batendo o automóvel.
Parando seu carro, Roberto esbravejou e xingou, perdendo o controlo emocional, enquanto via o outro ir embora.
- Isso! Vai! Briga mesmo! - caindo na gargalhada, o espírito Jonas vibrava.
Viu como você não vale nada?!
Aquele cara que passou nem sabe que você existe, idiota!
Ao esbravejar, xingar e cultivar um forte sentimento de raiva, Roberto alterou-se emocionalmente e entrelaçou-se aos desejos daquele espírito, pois se deixou envolver por suas energias e vibrações que eram de um nível incrivelmente baixo.
Jonas enviava-lhe agora mais ideias, pensamentos e sentimentos inferiores, sem que Roberto percebesse que não eram seus.
Não parando de pensar no acontecido, Roberto estacionou o carro próximo à gráfica corroendo-se com ideias revoltantes até que um colega, que passava do outro lado da calçada, o chamou:
- Roberto! Ei, cara!
Quanto tempo!
- Oi! Tudo bem? - respondeu Roberto agora sorrindo.
- E aí? Você está sumido, hein! - expressou-se o amigo que se aproximou.
Vamos até o bar conversar um pouco e tomar uma cerveja?
Faz muito tempo que a gente não se fala, não é? - convidou o colega animado.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:02 am

- É que eu tenho que...
Não dando oportunidade de Roberto recusar o convite, o amigo o interrompeu:
- Você não tem que fazer é nada!
Tira uma folga!
Dá um tempo para você mesmo.
E colocando a mão no ombro de Roberto, conduziu-o para o bar.
Jonas, quando ouviu o convite, passou a sugerir compulsivamente a Roberto:
- Vamos lá, cara!
Dá uma relaxada!
Você está precisando de uns goles, não é?
Está nervoso.
Vamos lá, eu te acompanho - riu com sarcasmo.
Diante de tanta insistência, Roberto não questionou e deixou-se dominar por ambos.
A partir daí, o espírito Jonas passou a entender que poderia influenciar Roberto.
Então, procuraria interferir cada vez mais em suas decisões e colocar em prática seus sórdidos planos de vingança.
O tempo foi passando.
O espírito Jonas começou a fazer parte do dia-a-dia de todos de forma vagarosa, meticulosa, e, lógico, despercebido ao sugerir sutilmente seus pensamentos, interferindo na opinião pessoal sem ser identificada a intervenção espiritual malévola.
Em alguns momentos Jonas estava com Márcia ou Roberto, além de seguir outros da família, principalmente João Vítor, marido de Paula.
Mesmo acompanhando um de seus desafectos, esse espírito poderia saber o que acontecia com o outro, conforme lhe era conveniente.
Captava seus pensamentos e quando observava que iam reflectir a respeito de algum assunto ou tomar uma decisão importante, Jonas começava a interferir entremeando suas ideias e opiniões de acordo com seus propósitos de vingança, guiando-os a erros que, em tese, eram insignificantes e ignorados.
Jonas registrava as reacções de cada um, estudava-os, conhecendo-os cada dia melhor.
Verificava seus pontos fracos e fortes.
Como a sussurrar-lhes ao ouvido, Jonas observava a aceitação de cada um e o quanto eram fortes sua irradiação e interferência, subjugando-os pela força de seus pensamentos.
Traçando estratégias, conhecia qual o melhor momento de agir, não podia desperdiçar energia ou perder a calma, pois, quando isso acontecia, notava que suas sugestões não eram aceitas e passavam despercebidas pelos encarnados.
Sua inferioridade oferecia-lhe a audácia de insistir na perseguição, no ódio de vingar-se mesmo tendo consciência do quanto estava interferindo e prejudicando a todos, mas ele era inconsequente, impiedoso e insistente.
Vez ou outra ia até a casa de seus pais.
Era quando sua revolta aumentava, sentindo-se revigorado por pensamentos cruéis, devido a encontrar a própria mãe e a irmã lamentando sua morte ou relembravam dele com piedade, lamuriando e deplorando sua vida e ausência.
Elas nunca deram força e orientação a ele, seja moral ou espiritual, para que se libertasse daquelas condições.
Ao contrário, alimentavam-no com o ódio e o rancor que tinham para com os envolvidos na morte dele.
Elas se diziam religiosas e em suas orações rogavam a Deus que fizesse aquelas pessoas sofrerem tanto quanto Jonas e pediam também a morte de um deles para saberem o quanto era difícil perder alguém que se ama.
Além disso, a inveja as corroía e a falsidade imperava em suas aparências.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:03 am

4 - INICIANDO OS MOMENTOS DE TENSÃO

Dias se passaram.
Como de costume, em todos os domingos, todos os filhos e netas estavam reunidos na casa do senhor Jovino.
Márcia conversava com o seu pai animadamente na área da frente da casa.
Quem passasse na rua e fixasse o olhar por entre as plantas do jardim poderia vê-los.
- Eu soube por Roberto que a gráfica está indo muito bem, não houve necessidade de despedir ninguém como se temia - comentou a filha interessada.
- No começo foi difícil - explicou o pai -, mas estamos nos mantendo bem agora.
Surgiu uma aparelhagem nova para os fotolitos, tudo informatizado.
O Roberto é que entende daquilo e muito bem, no meu tempo era tudo feito à mão.
Eu ainda não me acostumei muito bem com todas aquelas coisas.
Mas seu irmão está fazendo a gráfica crescer.
De sorriso estampado no rosto, Márcia ressaltou:
- O senhor deve ter muito orgulho do Roberto, não é pai?
Ele demorou a tomar um rumo, mas quando se decidiu...
Interrompendo-a educadamente e se empolgando, considerou:
- Decidiu-se definitivamente!
Concretizou todos os planos dele e os meus também.
Roberto me surpreendeu quando não quis seguir a carreira de advogado e foi trabalhar comigo lá na gráfica.
Confesso que se não fosse por suas ideias de informatizar tudo, a gráfica estaria fechada.
Pendendo a cabeça positivamente, com sorriso no rosto, o olhar perdido e brilhante, o senhor Jovino suspirou e desfechou:
- Tenho muito orgulho do Roberto, sim.
Não posso imaginar o que teria sido de mim sem ele.
Certamente estaria falido.
- Ele é muito esforçado.
A propósito, preciso conversar com ele, pois há algumas novidades no mercado de informática que serão úteis para vocês lá na empresa.
Dona Mariana interrompeu-os dizendo:
- O almoço está na mesa!
Márcia levantou-se juntamente com seu pai e abraçados foram para a copa onde os demais se encontravam, e o almoço estava sendo servido.
A felicidade reinava.
Todos se sentiam alegres e, em meio a pequenas brincadeiras, divertiam-se muito.
Já haviam se sentado quando soou a campainha e dona Mariana resmungou:
- Justo na hora do almoço! - mesmo assim, ela foi atender.
Era sua vizinha, dona Cleide, que lhe trouxera algumas frutas.
- Oi, Mariana!
Desculpa incomodar, mas é que eu vi os carros parados aqui fora e deduzi que todos estavam aqui reunidos, como sempre, não é?
Dona Mariana sorriu concordando e ela continuou:
- Olha, eu estou chegando do sítio agora e resolvi trazer aqui algumas laranjas e esses abacates.
É para todos experimentarem, por isso é que trouxe agora, não quero atrapalhar.
- Ora! Não atrapalha, não, Cleide.
Vamos entrar e chame o Osvaldo, almocem connosco.
- Não, de forma alguma!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:03 am

Trouxe almoço pronto de lá.
Ontem fizemos uma feijoada, sobrou, então eu trouxe.
Deixa o convite para outra vez.
Além do que, vocês têm que aproveitar essa reunião de família.
Uma família como a sua é rara hoje em dia e nós podemos incomodar, pois não faremos parte dessa harmonia.
Tenho que ir.
Dona Mariana ficou um pouco sem graça.
Realmente não poderia insistir para que Cleide entrasse, pois havia algum tempo seus filhos se desentenderam e o problema não ficou esclarecido.
Somente dona Mariana e dona Cleide, aparentemente, pareciam não lembrar tudo.
- Então, muito obrigada, Cleide.
- Não por isso - sorriu -, até mais.
Dona Mariana entrou com o cesto de frutas.
Vendo que todos já estavam sentados e servidos, inclinou o cesto exibindo as frutas e dizendo:
- Vejam que bonitas, estão fresquinhas!
A Cleide trouxe para nós, foram colhidas lá no sítio dela.
- São bonitas mesmo - concordou Rose, nora de dona Mariana.
Nada como laranjas recém-colhidas, não é?!
Bárbara, neta de dona Mariana, retrucou sem pensar:
- Não gosto dela.
Essa mulher é tão falsa! Vive nos rodeando.
Será que ela se esqueceu do passado?
Ou quer vingar alguma coisa?
Paula, mãe de Bárbara, sabendo que sua mãe gostava da vizinha, entendia que dona Cleide não tinha nenhuma responsabilidade pelo ocorrido no passado, por isso imediatamente repreendeu sua filha:
- Bárbara, não diga isso.
Dona Cleide nunca nos fez nada.
Ao contrário, sua avó lhe deve muitos favores.
Apesar de tudo, ela sempre foi compreensiva e ponderada.
- Isso mesmo - concordou dona Mariana.
Não posso falar mal da Cleide.
Rose, sem reflectir sobre suas palavras, interrompeu entusiasmada:
- Pode ser uma intuição ou premonição da Bárbara, quem sabe elas tiveram alguns problemas em outra encarnação para a Bárbara ter essa antipatia!
Rose fez um breve silêncio, depois continuou:
- É, pode ser sim! Estou lendo um livro óptimo!
É espírita. Kardecista.
Eu nunca tinha lido nada a respeito, estou adorando.
Vendo que seu sogro, senhor Jovino, levantou a cabeça levemente e a fuzilou com o olhar, reprovando os comentários, Rose calou-se.
O senhor Jovino e dona Mariana frequentavam com assiduidade a paróquia do bairro.
Eram católicos fervorosos.
Os filhos, quando pequenos, acompanhavam os pais às missas.
Mas agora, crescidos e emancipados, só compareciam à igreja em datas comemorativas.
Para o casal todos teriam de ser católicos, jamais admitiria que trocassem de religião.
Isso seria uma heresia.
Naquele momento, Bárbara ficou observando o descontentamento do avô o que lhe causou curiosidade.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:03 am

Nunca ouviu falar em Kardecista.
O que seria aquilo?
Seria algo relacionado aos espíritos?
Bem mais tarde, Bárbara procurou pela tia.
E, vendo-a só, debruçada na mureta da área, que ficava na frente da casa, não perdeu a oportunidade.
Aproximando-se, perguntou:
- Tia, lá dentro você falou sobre um livro Kardecista.
O que é Kardecista?
- Sente-se aqui - propôs Rose, batendo a mão sobre a mureta, indicando à Bárbara onde deveria sentar, enquanto ela se acomodava na outra, ficando de frente para a sobrinha.
- Para eu explicar o que é Kardecista, é necessário que eu fale antes sobre outras coisas.
Não tenho tanto conhecimento sobre o assunto, sei que preciso de muito estudo, mas vou procurar ensinar o pouco que aprendi.
Bárbara fixou os olhos em Rose, atentamente, enquanto a tia narrava:
- Há muito tempo, por volta do ano de 1848, num vilarejo pequeno, chamado Hydesville, em Nova York, nos Estados Unidos da América do Norte, começaram os primeiros registros de acontecimentos espíritas dos tempos modernos.
Nesse vilarejo passou a morar uma família composta de pai, mãe e vários filhos, dentre eles as irmãs Margareth e Kate que tinham quatorze e onze anos, mais ou menos.
A família Fox, pois era esse o sobrenome deles, começou a ouvir ruídos estranhos na nova casa.
Eram pancadas e arranhões no forro, no assoalho ou nas paredes.
A mãe das meninas ficou tão nervosa e preocupada que em poucos dias seus cabelos embranqueceram.
Então mandaram as meninas para a casa dos irmãos, uma longe da outra, em cidades diferentes.
Mas os efeitos estavam ligados às garotas.
Eles continuavam onde quer que se encontrassem, só que mais fortes.
Um dia a menina mais nova, Kate, bateu palmas e falou, de modo inocente, para quem tivesse fazendo aqueles barulhos que agisse exactamente como ela.
Imediatamente as palmas se repetiram de forma idêntica! - enfatizou Rose.
Outros pedidos foram feitos e as réplicas foram perfeitas, corretas.
A mãe das meninas solicitou àquela entidade que dissesse a idade de cada filho seu, através de batidas e a resposta foi exacta, incrivelmente precisa.
Haviam conseguido um meio de se comunicarem com o espírito ali presente.
Desse modo, isto é, através das pancadas, descobriu-se que o nome daquele espírito era Charles Rosna.
- Como tia? - indagou Bárbara entusiasmada com a história.
- O número de pancadas correspondia a uma letra no alfabeto.
Por exemplo: três pancadas, letra C; oito pancadas letra H; uma pancada letra A, e assim por diante.
Só através dessa longa comunicação - continuou Rose - ficaram sabendo que o senhor Charles Rosna tinha sido assassinado com facadas, seu dinheiro roubado, seu corpo levado para a adega e só enterrado no dia seguinte a uns três metros do solo, lá na casa de Hydesville, onde, depois de alguns anos, a família Fox foi morar.
Escavações foram feitas, mas a princípio não acharam nada.
Somente em novembro de 1904, "casualmente" após a queda de uma parede, é que encontraram o esqueleto do pobre homem.
Bárbara ouvia com tamanha atenção que seus olhos brilhavam, pareciam nem piscar.
Rose, por sua vez, colocava sem perceber impressionante emoção ilustrando suas palavras.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:04 am

- O pastor da igreja - continuou Rose - forçou as meninas a passarem por um comité averiguador ou elas seriam expulsas da comunidade religiosa.
Diante da recusa, foram expulsas mesmo.
Logo depois, surgiram outras comissões para comprovarem a veracidade do ocorrido.
A primeira e a segunda acreditaram que elas usavam artifícios para produzirem aqueles sons, mas não conseguiram provar nenhuma fraude.
Uma terceira comissão foi formada.
Realizaram grande investigação, um rigoroso inquérito!
Todos da cidade se reuniram no maior salão dali.
Diante da conclusão de que não havia acção impostora, dolosa ou fraudulenta, o povo não se conformou e queria linchar as garotas.
Margareth e Kate sofreram nas mãos dos inquisidores!
As senhoras que faziam parte das pesquisas, despiram-nas, revistando-as brutalmente, com a maior humilhação!
Imagine isso...! - protestou Rose.
Seus vestidos foram amarrados e apertados ao corpo, em seguida colocaram-nas sob vidros, isolando-as.
Mesmo assim batidas bem nítidas puderam ser ouvidas nas paredes, no assoalho e em outros lugares sem que as pobres meninas se movessem.
Coitadas... - lamentou Rose, presumindo a cena.
- E depois?! - quis saber Bárbara, não contendo a ansiedade.
- Formularam várias perguntas, mas todas elas foram respondidas com exactidão.
Algumas das questões nem as meninas nem qualquer um dos presentes teriam condições de saber a resposta.
Então, todos tiveram que aceitar que Margareth e Kate não fraudaram nada.
Tempos depois, insatisfeitos, separaram as meninas em salas distantes e ambas receberam uma mensagem simultânea assinada com o nome Benjamin Franklin, que previa inúmeras mudanças para o século dezanove.
Coisas que eram estranhas para aquela época se tornariam comuns mais tarde, pois novas explicações surgiriam esclarecendo tudo aquilo.
- Nossa tia! Que legal!
Isso é Kardecista?
- Não, isso não. Esse foi um dos casos que incentivou pesquisas para o início da descoberta de uma nova ciência e filosofia estudada pouco depois na França e chamada de Espiritismo.
Os Estados Unidos da América do Norte, por ser um país onde a maioria é de religião Protestante ou ramificações do Protestantismo, os que se denominam evangélicos e só acreditam na manifestação de espíritos perversos e demoníacos, não admitiram, de forma alguma, qualquer averiguação tranquila a fim de maiores e novas descobertas sobre o fenómeno ocorrido no vilarejo de Hydesville, em 1848.
Apesar de todas as investigações inquiridoras e provas contundentes, como o achado do esqueleto de Charles Rosna, rejeitaram o acontecido e quiseram esquecer o assunto.
A inquisição da comunidade foi tamanha que, com o tempo, as irmãs Fox foram obrigadas a mentir dizendo que fraudaram tudo ou, então, seriam linchadas pela comunidade que as consideravam possuídas pelo demónio.
Porém, mais tarde, assumiram novamente a veracidade dos factos, dizendo que foram obrigadas a mentir por sofrerem terríveis ameaças, preconceitos e humilhações.
O caso das irmãs de Margareth e Kate foi a primeira história realmente registada, documentada e de grande repercussão a respeito de estudos Espíritas.
Além desse caso nos Estados Unidos, outros aconteciam inexplicavelmente, naquela época, por toda a Europa e principalmente na França.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:04 am

Lá, diferente do que houve nos Estados Unidos, as pessoas se reuniam em volta de uma mesa e fazendo perguntas obtinham respostas através de batidas, por isso os fenómenos passaram a ser chamados de "mesas falantes" ou "mesas girantes".
Todas as entidades que se comunicavam, denominavam-se "espíritos" e diziam pertencer a um mundo invisível a nós.
Os efeitos eram sempre os mesmos, em locais e com pessoas diferentes.
Foi então que na França - prosseguiu Rose sem trégua -, um homem bacharel em Letras e Ciências, doutorado em Medicina, defensor de teses brilhantes, poliglota, Escritor e Pedagogo famoso, chamado Hippolyte Léon Denizard Rivail, o discípulo mais assíduo de Pestalozzi, foi chamado para estudar tais fenómenos.
Esse catedrático se destacava tanto a ponto de substituir o Mestre Pestalozzi nos congressos e seminários da época.
O senhor Hippolyte Rivail, consagrado professor de Filosofia, Química, Astronomia e Física, ganhador de vários prémios, era um homem extremamente sério, excessivamente científico e não se deixava levar por misticismo ou crendices.
Ao ouvir falar das "mesas falantes", desprezou o assunto.
Disse que só acreditaria se alguém lhe provasse que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e se tornar-se sonâmbula.
Até aí, tudo isso não passava de uma fábula.
A custo um amigo o convenceu a assistir a tal das "mesas falantes" ou "mesas girantes".
O senhor Rivail - continuou Rose -, interessado em estudar sobre magnetismo, passou a observar e pesquisar esses factos.
Com olhos científicos, reuniu pessoas sérias e interessadas a respeito.
Daí por diante, realizou um grande estudo sobre as respostas que eram obtidas com as batidas.
Como esse era um processo muito lento, passaram a adaptar o movimento de um lápis ligado a um objecto sobre o qual pousavam os dedos e essa peça se deslocava traçando a letra.
Após muita observação, percebeu que os espíritos que trabalhavam sobre aqueles materiais, poderiam actuar sobre o braço do médium, denominados, mais tarde, de médium escrevente, ou seja, a pessoa que escreve involuntariamente, impulsionada por um espírito que dele se serve como seu intérprete.
Desde então, as comunicações nunca mais pararam, porque, além de tudo, era mais rápida a troca de ideias com informações bem precisas entre os espíritos e os vivos, ou melhor, os encarnados.
Não querendo que seu nome, famoso na área académica, influenciasse seu novo estudo - esclareceu Rose -, como codificador da Doutrina que os espíritos estavam elucidando, o senhor Rivail adoptou o nome de Allan Kardec, pois um espírito protector disse que ele recebeu esse nome em outra encarnação.
Os estudos, as observações e as pesquisas de Allan Kardec sobre essas manifestações e as informações obtidas deram origem a Doutrina Espírita, que é composta de cinco livros de estudo.
Também chamada de Espiritismo, essa Doutrina se propagou em vários países, principalmente no Brasil.
Daí que outras religiões e filosofias existentes naquela época ou que surgiram depois, e que também acreditavam no mundo espiritual ou usavam algum tipo de comunicação com os espíritos, começaram a ser confundidas com o Espiritismo ou Doutrina Espírita, causando grande confusão.
Então, alguns adeptos do Espiritismo o chamam de Kardecista para não ser confundido como praticante das demais.
Mas a palavra Kardecista nunca foi usada na Codificação Espírita.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:04 am

É um termo ramificado do nome de seu codificador Allan Kardec e popularizado para que fique bem claro, aos leigos, a distinção.
Espiritismo ou Doutrina Espírita é uma coisa só.
Não existe Espiritismo isso ou aquilo.
- Que interessante! - exclamou Bárbara.
Eu já ouvi falar em Espiritismo, mas nunca soube o que era ou qual sua origem.
Gostei! Mas... tia, como os espíritos podem se comunicar?
- Pelo que sei, até agora, o mais comum é através dos médiuns, que são pessoas sensíveis à presença deles e podem captar seus desejos, pensamentos ou impressões.
- O que podemos ganhar com o Espiritismo?
Que tipo de informação importante os mortos podem nos dar? - perguntou Bárbara.
- Eu creio, Bárbara, que o principal é obtermos a certeza de que eles estão vivos, de que a vida continua após a morte do corpo e haverá outra depois desta, para que nós possamos aprender e corrigir as nossas falhas, pois a partir da hora que tomamos consciência disso, mudamos a nossa maneira de pensar e agir.
Rose deu um longo suspiro e prosseguiu:
- Se compreendermos e aceitarmos o Espiritismo, vamos entender a desigualdade social e as turbulências do quotidiano.
Ele nos permite meditar sobre nossas paixões, exageros, os males que atraímos para nós com diversos vícios físicos ou morais, negligências cometidas e muitas outras coisas.
Faz com que deixemos nas mãos do nosso Criador quaisquer injustiças que julgamos sermos vítimas.
Rose sentiu nesse momento uma sensação suave enquanto falava, não entendia o que era.
Elas não podiam ver, mas estavam envolvidas por uma energia calma e revigorante transmitida por espíritos benfeitores e amigos, que se fizeram presentes devido ao tipo de assunto sobre o qual falavam.
Como sempre, muito sensata, Bárbara ouvia atentamente.
Aquela conversa lhe fazia bem, pois, apesar da pouca idade, era bem madura e quando Rose fez uma pausa ela indagou:
- Onde aprendeu tudo isso, tia?
- Tudo isso?! - Rose exclamou sorrindo.
Eu não aprendi nada.
O que aconteceu foi o seguinte:
Uma paciente esqueceu um livro no meu consultório, tive que abri-lo para saber a quem pertencia.
Achei o livro curioso.
Como sempre gostei de uma boa leitura, comecei a ler, sem compromisso, a princípio, pois teria que devolvê-lo na próxima consulta daquela paciente, mas o livro ficou tão interessante que eu o pedi emprestado para terminá-lo.
Depois disso, nas próximas consultas ela me contava algumas coisas sobre Espiritismo, sobre Kardec, falamos sobre reencarnação e muitas outras coisas, além de me trazer outros livros.
Ela está fazendo um curso espírita e me emprestou um livro que se chama O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, uma leitura quase obrigatória entre os espíritas, foi dele que tirei todas as informações que tenho.
Sei que há outro livro muito instrutivo que se chama Iniciação Espírita, também de Kardec.
- Há cursos no Espiritismo?
- Sim, há cursos, palestras, inúmeras literaturas, diversos romances espíritas, há uma infinidade de coisas importantes.
Eu não sei direito como funciona, estou para ir a Federação Espírita, mas não encontrei tempo.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:05 am

Só sei que tudo é muito organizado e instrutivo.
É uma fonte de alimento para o nosso espírito.
Nesse momento foram interrompidas por Paula que veio chamar a filha para irem embora, pois acreditava que já era tarde.
- Vamos, Bárbara, quero chegar logo em casa, tenho que deixar algumas coisas arrumadas para amanhã.
Voltando-se para Rose, avisou:
- Só falta me despedir de você.
Após trocarem beijos, Paula foi saindo e Rose entrou.
No corredor despediu-se de João Vítor e foi procurar as filhas pedindo para que recolhessem suas coisas, pois também iriam embora.
Ao despedir-se de Bárbara, Rose surpreendeu-se com o que ela disse:
- Tia, não me lembro de ter uma conversa tão gostosa como a que tivemos hoje.
- Nossa, Bárbara!
Foi uma conversa tão simples, aliás, desculpe-me, pois apenas eu falei.
- Falou coisas úteis, proveitosas e fáceis de compreender, sei lá, talvez eu estivesse mesmo necessitando de uma conversa assim.
Gostaria de saber mais sobre esse tipo de assunto, promete que me dará mais informações?
- Sim, claro.
Vou ver se consigo um livro, talvez um romance espírita, eles são óptimos, principalmente na sua idade.
- É, a minha idade...
Rose notou um descontentamento na ironia de Bárbara, por isso perguntou:
- O que foi?
Problemas com a sua idade?
- Talvez tia, eu...
Quando ia falar foi interrompida por sua mãe:
- Bárbara, vamos!
- Deixa para outro dia, tá?
Obrigada por tudo.
Bárbara abraçou Rose fortemente, como se naquele abraço quisesse transmitir-lhe muito carinho e gratidão, depois se foi.
Rose percebeu que ela estava com algum problema e acreditou ser devido à adolescência.
Ao ir para a sala, Rose deparou com Ciro que examinava sua mãe.
- Sua pressão está boa mãe, na terça ou quarta eu vou pegar os exames.
Continue tomando os remédios receitados até saírem os resultados.
Enquanto Ciro falava, Márcia interrompeu:
- Que exames e resultados são esses?
Estão de segredinhos, é?
Ciro voltou-se para Márcia e disse:
- A mãe, ultimamente, vem sentindo algumas dores, por isso eu pedi alguns exames.
- Eu não estava sabendo de nada - reclamou Márcia.
- Tudo aconteceu enquanto você estava no Rio de Janeiro.
A mãe começou a ter dores entre outros sintomas.
Eu pedi alguns exames, depois solicitei outros que estarão prontos nesta semana.
É que com toda aquela confusão de seu acidente, esquecemos de avisá-la.
- Puxa, Ciro!
Como é desprezível!
Resmungou Márcia que foi para perto de sua mãe e abraçando-a perguntou:
- Por que não me contou?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:05 am

- Ah, filha! Não é nada sério, você sabe como seu irmão é, não se pode falar nada e ele já vem com as guias de exame para a gente fazer.
- Mãe - interferiu Ciro -, a senhora tem que ver o seguinte:
todas as pessoas em determinada idade, mesmo não sentindo nada, devem passar por uma série de exames de rotina, para não serem pegas de surpresa por quaisquer males que poderiam ser prevenidos com facilidade.
- Falando em prevenção - lembrou Márcia -, preciso ir ao dentista, será que alguém conhece algum, e que seja bom para me indicar?
Ciro sorriu e continuou com a brincadeira:
- Ah! Sei de um muito bom, é um que tem um consultório lá no...
Deixe-me ver...
Rose que não quis deixar por menos:
- Não. O que é isso?
É melhor você ir a uma universidade onde há curso de Odontologia e se candidatar para que os alunos possam aprender a trabalhar.
O tratamento sairá muito mais em conta, isto é, quando é cobrado.
Enquanto todos riam, Márcia falou:
- Agora é sério.
Rose estou precisando de um horário, você tem?
- É muito urgente?
Você está com dor?
- Não sinto dor, ainda.
Mas sei que há algo errado com um dos meus molares.
- Agora de imediato é difícil eu dizer com certeza, mas acho que na terça-feira à tarde devo ter uma desistência.
Porém, ligue para a Fátima, minha auxiliar, para agendar com exactidão.
- Está bem, ligo sim.
- Ficarei aguardando - respondeu Rose.
Voltando-se ao marido, perguntou:
- É hora de irmos, não é, Ciro?
Depois de arrumarem as meninas e pegarem suas coisas foram se despedindo.
Para o senhor Jovino, as netas eram sua maior alegria.
Ele as mimava muito, fazia-lhes todos os gostos.
Depois de muito beijarem os avós, as meninas resolveram ir.
- Mãe, no meio da semana eu passo aqui para vê-la e trazer os resultados - argumentou Ciro que, beijando a mãe na testa, se foi.
Repentinamente, na casa, fez-se um longo silêncio quebrado por dona Mariana após minutos:
- Ah! Que família a minha!
Sinto tanta falta de todos durante a semana.
- Não se queixe, mãe - pediu Márcia.
Semana que vem terá todos aqui novamente.
- Se Deus quiser! - ressaltou o senhor Jovino.
Sentimos muito com a ausência de vocês.
Vocês não ligam porque são jovens, têm muita gente para lhes dar atenção.
Mas nós, que estamos velhos, não temos quase ninguém para nos fazer companhia.
- Oh, pai! Não reclama, estamos aqui todo fim de semana.
- Não é o suficiente, Márcia!
Éramos mais unidos! - respondeu o pai agressivo.
O que é que você está pensando?
Sua ingrata!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:05 am

O senhor Jovino, subitamente, irritou-se com Márcia e zangado foi para o quarto resmungando queixoso.
- O que deu nele? - perguntou Márcia assustada, surpreendendo-se com a aspereza de seu pai, pois não era de seu feitio tratar seus filhos assim.
O senhor Jovino era homem de conversar e resolver as coisas com muita passividade.
Roberto, que estava quase alheio à conversa, pois assistia à televisão, observou:
- O pai deu para falar assim agora.
Sem mais nem menos, vive agredindo a gente com palavras, irrita-se com facilidade, dá as costas quando estamos falando com ele e nos trata com pouco caso.
- Ele me surpreendeu, nunca falou assim comigo antes - queixou-se Márcia com certa mágoa apertando seu coração.
- O pai de vocês está cansado.
Já trabalhou muito, não liguem, isso é temporário - falou dona Mariana com voz suave para abrandar a situação.
Por fim concluiu:
- Vocês têm que entender que ele gostaria de ter todos os filhos reunidos, perto dele e não vê-los somente nos finais de semana.
- Mãe, nós somos filhos de vocês, mas temos que cuidar das nossas vidas, do nosso futuro, nós pertencemos ao mundo.
Vocês não podem ficar nos protegendo por toda a vida.
Já somos bem grandinhos - defendeu-se Márcia com uma onda de tristeza na voz.
Contrariado, Roberto desabafou:
- O pior é o que eu vivo, pois passo a maior parte do tempo com ele.
- Filho, seu pai... - interrompendo-a, Roberto sobressaltou-se resoluto:
- A Márcia tem razão mãe!
Temos que cuidar de nossas vidas!
É bom lembrar que nunca os abandonamos.
Vocês não têm do que reclamar.
Não damos nenhuma "dor-de-cabeça" a vocês.
Somos independentes financeiramente e ainda ficamos "colados em suas barras" sempre dando satisfações de todos os detalhes de nossas vidas.
O que mais o pai quer?!
Dona Mariana olhou assustada, nunca ouvira o filho falar daquela maneira.
Roberto sempre foi calmo, ponderado, jamais levantou a voz.
Subitamente o senhor Jovino voltou à sala e gritou:
- A casa é minha e quem fala alto aqui sou eu!
Calem a boca, todos vocês!
Só eu posso falar aqui, criticando e reclamando do jeito que eu quiser!
Mãe e filha se entreolharam assustadas, enquanto Roberto, demonstrando nervosismo, pegou as chaves do carro e, sem nenhuma palavra, saiu irritado.
Quando passava pela porta, Márcia tentou pará-lo segurando seu braço, mas bruscamente o irmão esquivou-se, dando-lhe as costas.
Incrédula, olhou para sua mãe que se desfigurava, pasmada com aquela situação.
Seu pai voltou para o quarto.
Esbracejava, ainda entonando com voz austera.
Márcia pegou rapidamente sua bolsa e disse para sua mãe ao beijá-la:
- Não se preocupe, vou alcançá-lo.
Ligo depois.
Correndo, saiu pela porta da frente.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:05 am

Vendo Roberto já na rua manobrando o carro, do portão, Márcia gritou:
- Roberto! Por favor, espera.
Ele já havia andado uns quatro metros com o veículo, mas resolveu parar.
Márcia caminhou até o carro e frente à porta, solicitou afável para acalmá-lo:
- Lembre-se, estou sem carro e preciso de você, nem se for para me levar até o metrô. Pode ser?
Com a cabeça baixa e as mãos postas ao volante, Roberto nem mesmo olhou para a irmã, mas balançou a cabeça para o lado, indicando a porta do passageiro.
Enraivecido, com os dentes cerrados e suspirando fundo, praticamente mandou:
- Entra.
Márcia deu a volta e entrou no carro.
Nada foi comentado por longo tempo.
Ela percebeu que os olhos do irmão brilhavam, estava enfurecido, segurava o volante com rigidez, sem ao menos olhar para os lados.
Instintivamente, fez o caminho para o apartamento de Márcia.
- Que bom! Vai me levar em casa! - comentou a jovem tentando conversar.
Roberto não respondeu, mas ela era capaz de compreender aquela atitude.
Conhecia bem o irmão.
Eles se entendiam e se davam excepcionalmente bem.
Ao chegarem próximo do prédio onde ela morava, Márcia pediu:
- Dorme aqui hoje.
Já está tarde, amanhã cedo você vai.
O trânsito é bom para voltar.
Roberto respirou fundo para aliviar a tensão e disse:
- É, acho que vou aceitar mesmo.
Após colocar o carro na garagem, subiram.
Já no apartamento, ele desabafou:
- Não entendo o que está acontecendo!
De uns tempos para cá o pai está reagindo sempre assim: ignorantão!
- Você já tinha me dito que ele estava assim.
Mas não dei importância.
Achei que fosse somente uma reacção momentânea, impensada ou esporádica.
Fiquei assustada com o que vi hoje.
O pai nunca foi assim.
- Pois é. Agora é sempre, sempre desse jeito.
Ele explode sem mais nem menos.
Outro dia, lá na gráfica...
- Senta aí. Quer café?
- Não. Outro dia lá na gráfica ele gritou comigo, na frente dos fornecedores por causa dos tamanhos dos blocos que eu aceitei, sabe qual era a diferença?
Três milímetros! Dá pra acreditar?!
- Não sei do que você está falando, mas deve ser algo insignificante.
- Insignificante?!
Não teria importância nenhuma naquele caso, mas o velho gritou, me chamou de burro, incompetente e pior, na frente de todo mundo:
fornecedor, clientes e funcionários...
- E você?
- Fiquei sem acção. Não disse nada.
Depois fiquei vermelho, me subiu uma raiva...!
- Quer comer alguma coisa?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:06 am

- Você tem algo para beber?
Levantando-se, Márcia foi até o pequeno barzinho de bebidas no canto da sala, abriu-o e indicou com a mão dizendo:
- Tenho essas aqui, serve alguma?
- Qualquer coisa, com gelo. É para relaxar.
Márcia deu-lhe um copo e a garrafa nas mãos e foi buscar o gelo.
Roberto serviu-se um pouco acima da dose normal e guardou a garrafa.
Márcia veio correndo com o gelo seguro entre os dedos, dizendo:
- Pega! Pega logo!
Meus dedos estão doendo!!!
- Obrigado.
Sentaram-se novamente e Roberto continuou:
- Outro dia foi com a mãe.
Desde que eu me conheço por gente, eu nunca vi o pai gritar com ela.
O comum era a vermos dando bronca nele e ele nem ligava, até ria e lhe fazia caretas, enquanto ela se irritava dizendo que aquilo era dar mau exemplo para nós.
Mas outro dia ele gritou com ela e de um jeito...!
Depois não parou de falar, ficou repetindo... repetindo...
- Eu não sabia que as coisas estavam assim.
Tem certeza de que não está exagerando?
- Pior é que não, Má - lamentou o irmão enquanto bebericava.
Roberto, enfadado, passou as mãos pelos cabelos, encostou-se no sofá, espreguiçou e ficou olhando o tecto.
Márcia pulou para o sofá onde ele estava e esfregou-lhe o ombro dizendo:
- Isso é fase.
Rindo para roubar a seriedade dos factos, completou:
- Vai ver que o pai tá ficando caduco.
Roberto riu e balançou a cabeça negativamente, concluindo:
- Tem hora que eu não acredito.
Quem viu e quem vê o pai agora, não vai reconhecê-lo.
Má, você está um pouco distante e acompanhando tudo de forma superficial, mas lá em casa cada dia que passa fica pior.
- Vou ligar pra mãe e avisar que você vai ficar aqui.
Digo que amanhã você vai directo para a gráfica?
- É, pode ser.
Ajeitando-se no sofá, afofou-o com as mãos dizendo:
- Aqui não me parece tão ruim, fico com esse.
- Não. Dorme lá dentro.
Eu estou acostumada a dormir aqui.
Por várias vezes cheguei tão cansada que fiquei por aqui mesmo, sabia?
- Não. Eu fico aqui.
Vou lá dentro roubar suas cobertas e um bom travesseiro.
Roberto foi pegar as roupas enquanto Márcia telefonava para a mãe.
Quando voltou pediu:
- Má, me acorda amanhã na mesma hora que você?
- Pode deixar! - confirmou sorrindo.
Ficaram ali conversando por um longo tempo, sem perceberem o avanço das horas.
Só muito mais tarde é que foram dormir.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:06 am

5 - A VISÃO DE MÁRCIA

Ao despertar do relógio, Márcia acordou confusa, um pouco tonta devido às poucas horas dormidas.
Sentou-se na cama, esfregou o rosto e só depois de alguns minutos é que se recordou de todo o ocorrido na noite anterior.
Foi então que se lembrou de acordar Roberto, que dormia na sala.
- Roberto, são quinze para as sete - murmurou sonolenta e com voz rouca.
Roberto remexeu-se e continuou dormindo.
Ela o balançou suavemente e novamente o chamou:
- Roberto, são quinze para as sete.
Roberto murmurou alguma coisa que Márcia não conseguiu entender.
Foi então que ela insistiu bem firme:
- Acorda, Roberto! Tá na hora!
- Você não presta, Márcia!
Vou te pegar, sua desgraçada!
Márcia sobressaltou-se, chocada, gritou veemente:
- Roberto, acorda!!!
Ele abriu os olhos como quem estivesse hipnotizado, sem fixar ponto algum e repetiu, desta vez com mais nitidez na voz, apesar de rouca, soando com ferocidade, dentes trincados e respirando pela boca, fortemente, afirmou:
- Você não presta!
Vou acabar com você!
Olhando-a friamente, exigiu:
- Tira as mãos de mim!
Márcia, finalmente deu-lhe um forte empurrão, batendo-o contra as costas do sofá gritou:
- Roberto! Para com isso!!!
Assustado, o irmão sentou-se rapidamente no sofá e perguntou:
- O que foi?!
que aconteceu?!
Márcia ficou incrédula, com os olhos estatelados, não conseguia se quer piscar.
Por alguns segundos, Roberto lhe parecera outra pessoa, perverso e vingativo.
Ela estava de joelhos ao lado do sofá.
Tremia, mas forçou-se a dizer com a voz embargada:
- Não faça mais isso!
Você me assustou. Levanta logo!
- Assustou com o quê?!
Sou eu quem digo isso são modos de acordar alguém?!
- Não se faça de bobo!
Ela levantou-se e foi para o banheiro resmungando.
Roberto ficou sem entender o que acontecera.
Esfregou o rosto e sacudiu a cabeça.
Quando ela saiu do banho, foi para a cozinha e enquanto arrumava o café, sozinha, ficou pensando:
"O Roberto está esquisito!
Não bebia e ontem me pediu bebida.
Tudo bem que o pai nos irritou, mas o Beto não ficou atrás, ele também se alterou.
Agora de manhã vem me falando aquilo e sua aparência...".
- Bom dia! - exclamou surpreendendo-a.
- Oi!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:06 am

- Má, o que foi que aconteceu?
- Tá brincando! Não se lembra?
- Talvez se você me contasse, refrescaria minha memória.
- Senta aí. Quer leite?
- Quero.
- Eu estava meio dormindo - contou a irmã.
Fui acordá-lo devagar, falando baixo e você falou enfurecido que ia acabar comigo, que eu não prestava, mandou tirar as mãos de você...
Roberto olhava-a fixamente e depois deu um leve sorriso.
- Ora, eu acho que estava sonhando - desculpou-se o rapaz.
- Beto, foi muito esquisito!
E outra, sonhar às sete horas da manhã?!
- É proibido sonhar às sete horas da manhã?! - perguntou rindo, querendo ser engraçado, pois Márcia parecia assustada mesmo.
- Não parecia você.
É certo que eu estava meia acordada, dormi pouco, mas...
Ela calou-se e Roberto agora bem sério perguntou:
- Mas...?
- Sabe, parecia que não era você, não era sua voz, Beto.
Em seu olhar e jeito de falar havia uma perversidade, algo muito ruim.
Fiquei arrepiada, com medo.
Tenho certeza de que...
- Quê...?
- Pode me chamar de materialista.
Acredito no que vejo.
Sou atenciosa, me importo com as pessoas, pois acho que as impressões, as acções e as palavras são os maiores registros da personalidade.
Isso é fundamental.
Roberto balançou a cabeça negativamente.
- Espere aí.
Do que você está falando?
- Eu o conheço, Beto.
Conheço sua personalidade.
Sou até capaz de saber o que você está sentindo ao observar sua fisionomia.
Acredito muito no que vejo.
Naquela hora, eu estava com sono sim, mas não estava dormindo!
Quando você começou falar daquele jeito estranho, eu...
- Você o quê? Fala de uma vez! - exigiu quase irritado.
- Eu vi um outro rosto sobre o seu!
Márcia falou rapidamente, como um desabafo.
- Não era você, era um outro rosto.
- Como assim?
- Era como se uma foto estivesse, de alguma forma, reproduzida numa folha transparente, entende?
E essa transparência em cima do seu rosto.
Roberto acenou a cabeça positivamente, mas sem palavras.
Ela levantou-se com modos exibindo nervosismo e voltando-se para ele continuou:
- Quando você falava, aquele rosto transparente também falava junto.
A voz não era sua, Roberto.
Aí eu o empurrei!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Maio 31, 2017 10:07 am

Tudo sumiu e você acordou.
Roberto levantou-se e foi na direcção de sua irmã abraçando-a.
- Eu não estou ficando louca.
Eu vi! - insistiu, pensando que seu irmão não estava acreditando.
- Eu sei. Eu acredito em você.
Não precisa ficar assim.
Recostando a cabeça de Márcia em seu peito e afagando-a com carinho, aconselhou:
- Vamos lá, toma o seu café.
Depois de um breve silêncio, continuou:
- Você me fez lembrar de algo que já havia esquecido.
Aquelas visões que eu tinha.
- Eu me lembro bem disso - afirmou.
Você ficava com medo do que via e chorava.
Então a mãe o colocava pra dormir comigo porque o Ciro e a Paula riam de você.
- Pensei que não se recordava disso! - ele admirou.
Lembra-se das novenas que a mãe fazia lá em casa dizendo que eram para me livrar daqueles demónios?
- Claro que sim!
Ela levou o padre várias vezes lá para benzer a casa e você.
Diga-me uma coisa, depois disso você parou de ter aquelas visões?
- Não! Que nada!
As visões não sumiram.
Eu acabei me acostumando com elas.
Depois, com o passar do tempo, eu pude até reconhecer alguns parentes nossos que já haviam morrido os quais só conhecia por fotos - confessou Roberto pensativo.
- Mas eu lembro quando você falou que tudo havia sumido, não foi?
- Não era verdade.
Eu estava cansado de ficar indo às novenas e missas.
Além de ter que aturar aquele monte de gente lá em casa rezando.
Daí resolvi dizer pra mãe que eu não via mais nada.
Além do que, aquelas pessoas mortas que eu via não me faziam nada de mal.
Com o tempo, aos poucos, tudo foi sumindo até desaparecer completamente e cair no esquecimento.
Roberto estava calmo e Márcia ainda assustada, apesar de disfarçar bem.
Ele a sacudiu brincando e dizendo:
- Vamos, vamos lá!
Temos um dia cheio pela frente.
Márcia sorriu, porém não se sentia alegre nem tranquila.
Algo oprimia seu coração.
As horas pareciam escoar.
Aquele dia havia sido de muito trabalho e reuniões, Márcia sentia-se cansada, totalmente exausta.
No final do expediente, lembrou-se de ligar para a cunhada e confirmar o horário para seu atendimento no consultório odontológico.
Após agendar para o dia seguinte, relaxou o corpo na cadeira jogando-se para trás provocando um leve balanço.
Fechou os olhos por alguns segundos e respirou vagarosamente, experimentando a impressão de que suas preocupações e cansaço iam se esvaindo com o ar que exalava.
Seu corpo parecia não existir, ela não sentia mais a força da gravidade e teve a sensação de flutuar.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 01, 2017 9:49 am

Subitamente, uma colega aproximou-se interrompendo seu relaxamento:
- Lugar de dormir é em casa!
- Nossa! - sobressaltou-se.
Dei uma "apagada" por alguns minutos que pareceu valer por horas de sono.
- Estava dormindo mesmo?! - admirou-se a amiga.
- Não, fechei os olhos só para quebrar a tensão e me esqueci da hora - respondeu Márcia vagarosamente, como se tivesse acabado de acordar depois de horas de sono.
- Má, você sabia que a Ana vai deixar a nossa seção? - quase sussurrou a moça, como quem fofocasse.
- Ela me falou alguma coisa um tempo atrás, mas eu pensei que não havia dado certo, pois não tocou mais no assunto.
- Pois é!
Ela será mesmo transferida para o departamento de Recursos Humanos.
Acho que será bom para ela e para você, não é?
- Não entendi - confessou Márcia.
Que será bom para ela, tudo bem, mas para mim, por quê?
Isso não faz sentido.
- Não se faça de besta!
É claro que você é a mais indicada para substituí-la.
Você é a mais antiga aqui na seção.
Entende de tudo, não há nada que você não saiba fazer.
Apresenta-se bem, sabe como tratar qualquer assunto...
- Acho mais provável que venha alguém de fora ou de outro departamento - interrompeu Márcia, tentando não animar o assunto.
- Que nada, a Ana a admira e confia em você.
Ela não fala, mas dá para perceber.
Já deve tê-la indicado para substituí-la.
Até nas reuniões mais importantes você está indo!
Além de tudo, o director gosta muito de você, ele a admira demais! Não acha?
A moça falava com certa inveja e gracejo, dando a entender outras intenções.
Fábio, que estava perto e não pôde deixar de ouvir, corrigiu-lhe a tempo:
- Você está indo longe com essas insinuações.
Será que você não deveria dizer que o director gosta do trabalho da Márcia, ou que ele admira o trabalho dela?
- Sim, claro.
Foi isso o que eu quis dizer - respondeu a colega sem graça e envergonhada.
Levantando-se, continuou:
- Bem, deixe-me ir, está na hora.
- Essa moça tem muito que aprender - comentou Fábio sem pretensões.
- Tudo bem Márcia?
E o fim de semana, como foi?
- Tudo bem - comentou desolada.
Mas depois, curiosa, perguntou:
- O que você acha da Ana deixar a secção?
Pegando uma cadeira, Fábio sentou-se frente à Márcia e tornou bem tranquilo:
- O que tiver de ser, já é.
Não importa quantos queiram ou não.
Não sofra ou se alegre por antecipação.
- Fiquei preocupada, só isso.
- Está ansiosa; não é?!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 01, 2017 9:50 am

Sem aguardar por uma resposta, afirmou convicto:
- Você sabe que é, sem dúvida, a pessoa mais competente para esta chefia.
Márcia, é normal que esteja ansiosa, preocupada, com medo, com orgulho, com isso ou aquilo.
Fora o frio na barriga - riu com gosto, olhando-a com satisfação.
Márcia acompanhou-o no riso e admirou-se, ele sabia mesmo adivinhar seus sentimentos.
- Fábio, você tem toda razão!
Não vou sofrer por antecipação, o que tiver de ser, já é! - afirmou sorrindo largamente.
O amigo levantou-se, e olhando-a firme nos olhos, incentivou bem contente:
- É isso aí garota! Vai firme!
Não perca a oportunidade.
Quando se virou para sair, Márcia o impediu, chamando com certa timidez:
- Fábio...
- Diga - respondeu voltando.
- Tem cinco minutos? - perguntou acanhada.
- Até dez - afirmou ele sorrindo amável.
Puxando a cadeira novamente sentou-se frente à Márcia, aguardando-a começar.
Ela estava um pouco sem jeito e quase se arrependeu de tê-lo chamado, pois há pouco tempo desdenhou daquele assunto que agora queria retomar.
Cabisbaixa, perguntou encabulada:
- Sabe o que é... bem... eu queria saber, que religião é a sua?
- Eu sou Espírita - respondeu de imediato, sem titubear.
- Daqueles espíritas que andam de roupas brancas e raspam a cabeça...?
- Não. Nada disso - sorriu ao afirmar.
A falta de conhecimento faz com que muitos pensem que o espírita se veste de branco todas as sextas, reúne-se com batuques e danças africanas, afro-brasileiras, faz rituais, despachos e outras coisas.
Não tenho absolutamente nada contra essas religiões.
Respeito-as sobretudo, pois isso é amar ao próximo e eu acredito que todos os caminhos levarão a Deus.
Muitos precisam dessa fase.
Mas devo esclarecer que essas religiões são espiritualistas e não espíritas.
Quanto à cor branca de roupa a ser usada, particularmente, eu adoro branco.
Em princípio é a cor que demonstra higiene, paz, harmonia e combina com tudo.
Mas, para mim, não é nada religioso ou obrigatório.
- Você acredita que a cor interfira na vida das pessoas? - questionou a amiga sem pretensões.
- No estado psicológico sim, sem dúvida!
Assim sendo, indirectamente, a cor interfere na vida dos indivíduos, nas suas reacções.
Imagine-se usando uma blusa de uma cor que não a agrade, não goste de jeito nenhum.
Você não se sentirá à vontade, ficará irritada até.
Os tons claros, normalmente acalmam ambientes e pessoas.
Isso que falo agora é comprovadamente científico, não há nada de espiritual ou místico.
Experiências mostraram que o vermelho, preto, marrom e alguns matizes fortes deixavam uns inquietos, outros irritados ou até nervosos.
Veja, essas gangues que querem agredir aos demais sempre se vestem com cores e desenhos fortes, escuros.
Elas alteram o psiquismo humano, o animal e inclusive os vegetais.
Experiências nos Estados Unidos, na NASA, confirmam que as plantas não crescem sem luz, mesmo artificial, que não se assemelhasse à luz do sol.
- Você acha que o azul-claro é calmante? - questionou intencionalmente para testá-lo.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 01, 2017 9:50 am

- Sim, acho. Gosto de roupas da cor azul-claro, de casas pintadas de azul...
- Se o azul for calmante mesmo, Deus errou!
Márcia, astuta, afirmou imediata.
- Pois a frase:
"A Terra é azul!" foi dita por um astronauta a caminho da lua.
Esse planeta azul é um planeta agressivo, tem vulcões, furacões, tornados, maremotos, terremotos e incríveis intempéries naturais que não são nada calmas.
Sem mencionar a violência, a agressividade e até a crueldade humana.
O que você me diz disso?
- Que Deus acertou em cheio ao fazer deste um planeta azul!
Quanto às intempéries naturais, isso é necessário em um planeta de expiações.
Se, para as criaturas que vivem aqui, essa abóbada celeste, lindamente azulada, ainda não traz, aparentemente, um efeito calmante, imagine se o céu fosse marrom, cinza ou preto?
E as intempéries, então, como seriam?
A sensibilidade faz parte da evolução espiritual - afirmou após deixá-la pensar um pouco.
Alguém que admira o que é belo, subtil, tranquilo é capaz de sentir a interferência de tudo a sua volta, a começar pela natureza, pelo canto de um pássaro, a beleza de uma flor, o aroma, a música e muito mais.
As pessoas com espíritos abrutalhados são insensíveis a tudo.
Por exemplo: a cor branca é a que simboliza a paz.
Estudos científicos, principalmente da Medicina Alternativa Milenar, que começou na antiga Grécia e Egipto, afirmam que o branco absorve a energia das outras cores, no caso da cromoterapia, isto é, terapia através das cores.
A Medicina Alopata e os cépticos não acreditam nisso.
Eu acredito que eles, os cépticos, nunca estudaram a respeito, mas provavelmente não gostam de ver os filhos com aquelas camisetas de cor preta, com desenhos horripilantes etc., e não entendem o motivo.
E o motivo é simples:
é a interferência da cor nele mesmo.
Aí vem aquele que diz que ela não interfere em nossa saúde - sorrindo, questionou:
- Então eu pergunto:
Se não interfere na saúde, por que, quando se tem uma contusão muscular, o médico manda fazer, em seções de fisioterapia, algumas aplicações com lâmpadas de infravermelho?
A lâmpada não poderia ser branca ou azul?
Então a cor da lâmpada interfere na saúde física, sim.
Isso nada tem de místico ou religioso.
É puramente científico, e gosto de lembrar que não se pode aceitar um espírita com fé cega, pois o Espiritismo se ampara na ciência, tira o véu do mistério, da ignorância amparado na ciência.
Além disso, se eu me sinto bem de azul, branco, verde, vermelho, amarelo, eu devo usar o que me faz sentir assim, devo usar o que me agrada, mas sem agredir ninguém.
Isso independe de algo místico, espírita ou espiritualista.
- Desculpe-me, eu não sabia a diferença.
E para dizer a verdade, continuo sem saber o que é espírita ou espiritualista.
- É simples.
O espiritualismo ou espiritualista é o oposto do materialismo.
Quem acreditar que há nele, e nos outros, algo além da matéria do corpo, ou melhor, quem crê que os outros são espíritos e que ele é um espírito, é espiritualista.
- Então os católicos são espiritualistas?
- Sim! Sem dúvida.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 01, 2017 9:50 am

Eles acreditam que uma pessoa não acaba ao morrer.
Os espíritas, os muçulmanos, os protestantes - mais conhecidos como evangélicos - os budistas, os umbandistas, os indianos e tantos outros são espiritualistas, pois cada um, à sua forma, acredita que a vida não termina com a morte do corpo físico.
Acreditam que há um Deus criador e mantenedor de tudo o que existe.
Agora o espírita - tornou Fábio em poucos segundos de trégua - é aquele que crê em Deus, na existência da vida após a morte, na existência e na manifestação dos espíritos, acredita na lei da reencarnação desses espíritos; pelas quais todas as criaturas retornam à vida terrena sucessivamente, evoluindo no plano intelectual e moral.
Os espíritas são convictos que, somente pelo processo da reencarnação, as criaturas harmonizam ou expiam, sofrendo as consequências de tudo o que fizeram e provocaram de bom ou mau, não acreditando, assim, que vamos para o céu ou inferno após esta existência.
O espírita crê que só pode evoluir através da reencarnação, a fim de ir para "outras moradas na Casa do Pai".
E para se chegar a essas "moradas melhores", tem de experimentar a "lei de causa e efeito", chamada também de "lei de acção e reacção", de harmonização do que desarmonizou, o que alguns até denominam carma.
Mas a palavra carma pertence à filosofia indiana e não a espírita, ou lei da causalidade, que pela qual se interligam as sucessivas vidas dos espíritos, dando-lhes destinos harmoniosos com os actos praticados.
Nós, espíritas, acreditamos também na comunicação desses espíritos desencarnados com os encarnados.
Mas, para isso, é necessário o estudo da Doutrina Espírita, o entendimento e verificar "se os espíritos são de Deus", se não são brincalhões ou enganadores.
Márcia ouvia atentamente, estava curiosa para conseguir uma explicação sobre a visão que teve naquela manhã.
E Fábio prosseguiu:
- A Doutrina Espírita não tem altares nem necessita de templos ou qualquer tipo de vestes ritualísticas, não faz ritual, não tem sacerdotes ou cultos.
O Espiritismo nunca combate as outras religiões e as respeita, pois entende a necessidade do espírito, encarnado ou desencarnado, para a evolução.
O Espiritismo acredita em Deus como Omnipotente, Omnisciente e Omnipresente.
Prega-se o amor ao próximo como Jesus nos ensinou.
Nós, espíritas, cremos que todos somos irmãos, pois temos um único Deus como Pai.
Aprendemos que a caridade é o caminho para o progresso contínuo e individual do espírito humano.
Márcia ficou admirada com a explicação.
Tudo começava a fazer sentido agora.
- Eu entendo o que você está dizendo, Fábio.
Mas algo ainda me intriga.
Ajeitando-se na cadeira, fixou o olhar nele e perguntou:
- Como podem, vocês espíritas, ter tanta certeza da vida após a morte e também na reencarnação?
O que pode nos garantir que voltaremos a viver aqui novamente ligados aos factos do passado?
Fábio, muito paciente, explicou após um suspiro suave e leve sorriso:
- Eu já te disse isso, mas acho que não se lembra muito bem da pergunta que fiz.
Porém, vamos lá.
Temos como apoio a crença na justiça de Deus.
Você crê em um Deus bom e justo, certo?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 01, 2017 9:51 am

Márcia balançou a cabeça positivamente e ele prosseguiu:
- Se temos um Deus bom e justo, por que tantas diferenças sociais?
Por que tantas desigualdades físicas, morais e mentais?
Por que somos todos diferentes uns dos outros?
Sem a manifestação de qualquer resposta, continuou.
- Não estamos aqui por brincadeira de Deus.
Você acredita que a nossa vida é uma ilustração, uma história em quadrinhos que se lê e joga fora?
Somos seres vivos, Márcia!
Temos tristezas, alegrias, dores, paixões, ódio, temos sentimentos inexplicáveis e independentes, somos capazes de amar.
E aí você acha que, um dia, acordamos, morremos e acabou?
Pensa que é só isso, Márcia?
Que quando se morre simplesmente acaba?
Ou crê que se vai para o céu ou para o inferno ficando confinada lá por toda a eternidade sem fazer algo produtivo?
Que objectivo ou produtividade se teria, fazendo nada, lá no céu?
Que tédio, hein!
E qual Pai, Criador amoroso, bom e justo, deixaria um filho sofrendo eternamente no inferno, sem lhe dar uma outra chance?
Márcia ficou olhando sem definir o que sentia, por isso ele continuou:
- Veja bem, Márcia, vou exemplificar para explicar melhor.
Digamos que um homem nasceu e se criou em um lugar distante, longe das grandes e pequenas cidades.
Um lugar isolado e que ele não teve instrução escolar, religiosa ou moral.
Durante sua existência cometeu vários erros, foi sempre estúpido, grosseiro, sem cautela ou paciência.
Digamos que ele agredia a mulher e os filhos, maltratava animais e depois de muito tempo morreu.
Você acha que Deus permitiria o inferno eterno a esse homem?
E se assim fosse feito, ele iria para o inferno e pronto?
O coitado não teve nenhuma oportunidade de aprender o que era correto e bom, não teve nenhuma chance de se defender.
Isso seria justo?
Márcia só o olhava e o amigo prosseguia com brandura:
- Suponhamos que por sua ignorância total, por esse homem não ter estudado, e só porque não teve qualquer oportunidade de conhecer alguma religião que lhe falasse de Deus, seria permitida, a ele, a estadia gratuita e eterna no céu?
Isso seria justo?
Márcia sentiu vontade de pressionar Fábio, tentando obter uma resposta ou explicação que o contradissesse, então indagou rapidamente:
- E se esse homem conhecesse alguma religião que o fizesse aceitar Deus antes de morrer e pedisse perdão por suas faltas pouco antes de sua morte?
Fábio sem pensar, como se já esperasse pela pergunta, respondeu:
- Imaginemos que incontáveis pessoas se esforcem, a vida inteira, na prática da caridade, em fazer o bem, serem boas, pacientes, educadas para poderem evoluir e, digamos, irem para o céu quando morressem.
Seria justo esse homem, que viveu abrutalhado, pedir perdão por suas faltas antes de morrer e ser perdoado?
Ir para o céu junto com aqueles tarefeiros que viveram o bem e a caridade a vida toda?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 73884
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 2 de 13 Anterior  1, 2, 3, ... 11, 12, 13  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum