DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:21 am

Além de tudo, os irmãos da Márcia e alguns amigos do centro espírita iam à sua casa toda semana para fazerem o Evangelho justo no sábado, o dia que tinha para descansar, assistir a um filme, ficar à vontade com a Márcia.
Sim, porque, como se já não bastasse o seu pai, os irmãos dela viviam lá quando eles estavam em casa e isso restringia ainda mais a liberdade dos dois, talvez esse fosse o problema entre ele e a mulher.
Fora isso a obrigação de ir ao centro espírita toda semana o cansava demais, poderia ir dormir mais cedo...
Fábio começou a faltar às sessões do centro espírita, dizendo estar exausto.
Jonas sentia-se vitorioso.
Agora faltava pouco para aquele intrometido sair de vez de seu caminho.
Zul tinha razão, derrubar uma pessoa como Fábio de uma vez não teria graça e seria difícil.
O melhor era fazê-lo se desprender daquilo em que sempre acreditou e depois induzi-lo a seguir por caminhos que antes pensava serem errados e por fim fazê-lo sofrer, deixando-o à mercê das consequências de tudo que ele mesmo criou.
A ajuda de Zul não poderia ter sido melhor.
Ele era indispensável.
Um dia, Fábio passou por uma forte experiência:
- Fábio! Meu filho nasceu! - disse um colega.
- Parabéns, Marcelo!
Que ele tenha muita saúde - desejou Fábio com sinceridade.
- Obrigado. Mas hoje, Fábio, você não escapa.
É sexta-feira e estou pagando a cervejada para todos, vamos lá!
- Não dá Marcelo, preciso ir para casa - respondeu Fábio.
- Você nunca aceitou sair com a gente, Fábio.
Estou me sentindo ofendido, porque hoje nasceu o meu filho e eu faço questão que vá.
Todos da seção irão.
Se não nos acompanhar, vou ficar chateado.
Fábio não viu outra saída e acabou aceitando.
Na cervejaria, Fábio bebeu só meio copo de cerveja, pois não era acostumado com bebidas alcoólicas.
Após a comemoração, Lu, que também foi convidada, aproximou-se de Fábio dizendo:
- Fábio, será que você pode me dar uma carona?
- Lu, eu vou pro sentido oposto ao seu e...
- Até o metrô, por favor.
Será que fica tão contramão assim?
Fábio ficou sem jeito, não poderia negar.
No caminho Lu começou a se insinuar tentando seduzi-lo.
O espírito Júlia atirou-se sobre Fábio, envolvendo-o com carícias que o encarnado não podia sentir, começando a incentivá-lo e animá-lo.
Enquanto Lu falava-lhe coisas que pudesse persuadi-lo.
Fábio não sentia qualquer presença espiritual, estava demasiadamente entusiasmado.
Parados próximo ao metrô, onde Lu deveria descer, ela permaneceu dentro do carro e Fábio não podia pedir que saísse e nem queria que o fizesse.
A moça conversava de um jeito manso, meigo e colocou o braço sobre o banco de Fábio, encostando sua mão em seu ombro.
Suavemente, com as unhas, começou a arranhar-lhe o pescoço, num gesto delicado, vagaroso e sedutor.
Aproximando-se dele com tentadoras carícias, foi beijá-lo.
Fábio, fascinado e atraído, deixou-se levar e a envolveu num abraço forte, dominando-a para corresponder, Lu largou-se em seus braços aguardando.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:22 am

Ele olhou-a nos olhos e, ao se aproximar para beijá-la, algo que pareceu gritar no fundo de seu peito, o fez parar e dizer:
- Não. Não vou fazer isso.
Não vou fazer isso a mim nem à minha mulher.
Nós não merecemos.
Ele ajeitou-se no banco e delicadamente empurrou a amiga para o devido lugar.
Lu irritou-se, enfurecida, pois jamais havia sido rejeitada e ainda tentou afrontá-lo a fim de tentá-lo para que se auto-afirmasse.
- Você não é homem, não?
Fábio, nervoso, suspirou fundo, passou as mãos pelos cabelos e depois sacudiu a cabeça como quem quisesse acordar e ficar mais atento.
Contrariado por se deixar envolver a tal ponto, pediu firme:
- Desça, Lu. Já trouxe até onde me pediu.
Desça do carro, por favor.
Lu não se conformou.
Nenhum homem havia feito aquilo com ela.
O que é que essa Márcia teria para Fábio rejeitá-la assim?
Não convencida, insistiu na pergunta tentando provocá-lo:
- O que é isso, Fábio? Você não é homem?
Está querendo deixar a desejar sua reputação?
- Sou homem sim, Lu - disse Fábio movido por uma força que parecia ter-lhe chegado de forma extra, de elevados conceitos espirituais superiores.
Sou homem. Mas só tenho de provar isso para minha esposa, e não para mais alguém.
Você é muito insignificante, imoral e medíocre para eu perder meu tempo em querer provar isso.
E sou homem o suficiente para dizer:
não, não a quero.
Eu amo a minha mulher e meu filho que vai nascer.
Acima de tudo, eu respeito a Márcia e o nosso casamento.
Agora por favor, desça.
- Você vai se arrepender! - gritou ela inconformada.
Fábio deu um leve sorriso e disse:
- Não vou não. Não mesmo.
Lu desceu do carro furiosa e bateu a porta com toda força.
Fábio ficou incrédulo com o que aconteceu e a que ponto deixou chegar àquela situação.
Como pôde se deixar envolver por uma tentação tão ardilosa que só poderia ser elaborada por espíritos inferiores?
Ele pretendia mandar seu pai embora para Minas, queria que a Márcia concordasse em morar sozinha, começou a acreditar que seu casamento teria sido um erro, um fracasso.
De repente, Fábio se alertou sobre tudo o que reclamava.
Aqueles pensamentos não eram seus.
Justo ele que amava tanto a Márcia.
E o seu pai, então, mandá-lo embora para Minas agora seria o mesmo que se desfazer de sua viga mestra.
Seu pai lhe trazia, naquele momento, toda força e apoio espiritual que podia receber, pois o prevenia de seu comportamento e o aconselhava.
Ele dirigia as reuniões, fazia o Evangelho, incentivava-o a ir ao centro espírita.
Se seu pai saísse de sua vida agora, ele poderia se acabar.
Igual a quando era adolescente, se seu pai tivesse desistido de ajudá-lo, provavelmente não chegaria onde estava hoje.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:22 am

Fábio assustou-se por se deixar influenciar àquele ponto.
Lembrou-se de Roberto e o tanto que Márcia aconselhou, recriminou e o alertou.
Se Roberto tivesse ouvido, talvez não estivesse condenado.
E se ele não tivesse despertado e dito um não, poderia tomar um rumo semelhante ao do cunhado.
Na espiritualidade, no mesmo instante, Zul irritou-se com Júlia:
- Não se distraia, idiota!
- Eu não me distraí.
Foi ele quem reagiu! - defendeu-se Júlia.
- Você não pode perder uma única oportunidade.
Lembre-se disso. Ou então o cara se alerta.
Fábio foi para casa pensando em tudo aquilo que aconteceu.
Sentia nojo de si mesmo por ter abraçado Lu, tê-la tomado em seus braços e apertando-a contra o peito.
Ao chegar, Márcia foi abraçá-lo quando ele espalmou a mão e pediu carinhoso:
- Má, meu bem, não me abrace, nem me beije.
Sorrindo embaraçado, avisou com delicadeza:
- Você está de banho tomado, com roupa limpinha, cheirosa, linda...!
Estou sujo. Sinto-me sujo.
Quero ir directo para um banho.
Depois pode me abraçar e beijar o quanto quiser - sorriu amoroso ao prosseguir -, se me deixar fazer o mesmo com você, certo?
Sorrindo, pediu gentilmente:
- Importa-se em pegar minhas roupas, por favor.
- Lógico que não - respondeu sorrindo, mas sem entender.
Após sair do banho, Fábio procurou pela esposa.
Abraçou-a com força, beijou-lhe como há tempos não fazia.
Acariciou-lhe a barriga, ajoelhando e beijando-a, sentindo o filho mexer.
Márcia estranhou seu comportamento, mas não disse nada, o marido agia como tempos atrás.
Levantando-se e olhando firme em seus olhos, Fábio declarou-se apaixonado, agradeceu sua paciência, beijou-lhe com todo amor ao envolvê-la com carinho e doce ternura na privacidade de seu quarto.
No dia seguinte haveria a reunião para o Evangelho no Lar na casa de Fábio.
Roberto, como sempre, foi o primeiro a chegar.
Jonas, sempre irritado, conversava com Zul.
- Essas reuniões são o que me enchem, não aguento mais.
- Então, vamos acabar com ela antes de começar - disse Zul.
Roberto foi cumprimentar Márcia que lhe pareceu um pouco triste.
- Oh, Marcinha! O que houve?
- Nada. Não houve nada, Beto.
- Foi algo entre você e o Fábio? - perguntou baixinho.
- Não... - respondeu agora quase chorando.
É que já deixei queimar os dois bolos que fiz...
Descuidei por um minuto... - chorou magoada.
Era para... para servir...
- Sabe Má, as mulheres em seu estado ficam sensíveis mesmo.
Qualquer coisa pode deixá-la abalada - orientou sorrindo ao abraçá-la.
Calma que isso passa.
Não precisamos do bolo, queremos é sua alegria, vê-la calma fará muito bem a nós e a você mesma.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:22 am

Márcia não disse nada e o irmão lhe fazia um carinho meigo quando o cunhado chegou.
- E aí, Roberto, tudo bem? - disse Fábio que acabava de sair do banho, secando os cabelos na toalha.
Estava sem camisa e jogou a toalha em volta do seu pescoço.
Roberto levantou-se e foi cumprimentá-lo.
Fábio, entretanto, fechou o sorriso e franziu a testa, levou as mãos no rosto e o esfregou.
Seu corpo balançou e quase caiu.
Roberto correu para perto dele, perguntando:
- Fábio, o que foi?
Roberto o segurou.
Fábio levantou a cabeça e se fez firme.
Quando Roberto estava bem perto, Fábio tirou a toalha que envolvia seu pescoço e passou por cima de sua cabeça, colocando-a em volta do pescoço do cunhado que se assustou, não esperava por aquilo.
Fábio juntou rapidamente as duas pontas da toalha na frente e começou a torcê-la dizendo:
- Some daqui!
Não quero mais ver você aqui, suma!
Roberto começou a reagir, mas sentia-se sufocado.
Esmurrou Fábio que parecia não sentir nada, estava completamente transformado e começou a sacudir Roberto pela toalha enrolada em seu pescoço.
Da cozinha foram parar na sala.
Márcia tentou separá-los, mas o marido a empurrou.
- Senhor Aristides!
Depressa! - gritou Márcia desesperada.
O pai de Fábio chegou e não conseguia tirar Roberto daquela situação, Fábio tinha muita força.
Márcia chorava e gritava:
- Não, Fábio!
Por favor, largue-o! - voltando-se para o sogro, implorava ao segurá-lo pelo braço:
- Pai, faça alguma coisa, pelo amor de Deus!!!
Por sorte, Ciro e Rose chegaram e, a custo, Ciro conseguiu livrar Roberto que se sentia esmorecido por consequência da asfixia.
Fábio sentou-se no sofá, sua respiração era forte, seus olhos arregalados e estranhos.
Estava transformado.
- Calma, meu filho - disse o senhor Aristides.
- Você não é meu pai!
Não me chame assim!
Fábio respondia com muita raiva.
Sua voz era rouca, ninguém o reconhecia.
- O que você quer? - perguntou Ciro.
Fábio bateu no próprio peito com o punho fechado e respondeu:
- Ele! Eu quero ele!
- Você não pode querer nada. Vá embora.
Aqui não é o seu lugar - ordenou o senhor Aristides calmamente.
- Cale a boca, velho!
Eu fico onde eu quiser.
- Não fica não - replicou o senhor Aristides que passou a fazer uma prece em voz alta.
Fábio levantou-se e olhou-o com raiva.
Quando ameaçou ir em direcção de seu pai, como se fosse agredi-lo, caiu indefeso.
Roberto e Ciro o colocaram no sofá.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:22 am

Fábio estava sem sentidos e muito pálido.
Rose havia levado Márcia para o quarto; ela chorava muito.
Assim que Fábio começou a retomar os sentidos, assustou-se com todos à sua volta.
Não se lembrava do acontecido.
Firme, seu pai olhou-o nos olhos e repreendeu sério:
- Aconteceu, Fábio.
Quem quer que seja que agiu através de você, agrediu Roberto como se quisesse matá-lo.
É lógico que não conseguiria.
Mas a culpa é sua, filho.
Aconteceu uma agressão.
- Não foi culpa dele, senhor Aristides, o senhor viu, não era Fábio - defendeu Roberto.
O senhor Aristides, calmo, porém veemente, reforçou:
- A culpa é de Fábio sim.
Ele tem entendimento e orientação.
Tem condições de afastar de si quaisquer influências que receba de outro.
Para as coisas terem chegado a esse ponto, é porque o Fábio deixou-se abater, deixou-se levar por pensamentos e sentimentos que o induziram e o induzem a ideias ou actos que não são de sua índole, não é mesmo, Fábio?
Fábio abaixou a cabeça e não disse nada.
Mais uma vez seu pai tinha toda razão.
Ele foi fraco e se deixou seduzir por pensamentos e sentimentos que não lhe eram próprias e a partir da hora em que não reagiu contra tais, deixando-se levar por elas, Fábio se entregou ao domínio e à mercê daqueles que não queriam o seu bem.
Somente o facto de ter rejeitado os assédios de Lu no dia anterior, não era o suficiente.
Sua falta de vigilância já vinha de tempos, e não seria em um dia que retomaria o equilíbrio mediúnico, moral e espiritual.
Haveria de se forçar muito para reconquistar o que deixou abalar nele.
Precisaria reformar-se intimamente e vigiar-se de modo constante.
Jonas sentia-se saciado, imensamente feliz.
Acreditava que Fábio estava sob seu total controle.
A partir daquele dia, Fábio passou a reagir.
No principio não via progresso, mas sabia que recebia amparo e que conseguiria.
Voltou a ter fé.
Passou a frequentar o centro espírita assiduamente e a elevar seus pensamentos em prece com fé e amor.
Realizava o Evangelho no Lar com exacta perfeição.
Cada vez que percebia os desvios de seus pensamentos, Fábio se corrigia imediatamente.
Márcia, em suas preces, sempre pedia o auxílio do plano espiritual.
Tinha certeza de que tudo aquilo seria passageiro e tinha fé de que Fábio voltaria a ser totalmente como antes.
Ela acreditava que só Deus e Jesus poderiam ampará-los.
Sua fé era fervorosa.
Com muita paciência e resignação ficou ao lado do marido durante todo tempo, orientando e apoiando-o.
Com o passar do tempo, Fábio sentia-se bem melhor.
Até as fortes dores de cabeça diminuíram de intensidade e frequência.
Sua vida melhorou consideravelmente e se sentia muito feliz ao lado da esposa que, por sua vez, estava maravilhada com o seu progresso, seu carinho e a atenção.
Fábio e Márcia voltaram a se encantar um com o outro e ambos com o bebé que viria.
Já no serviço, Fábio tomou outra postura, não se deixando influenciar por seduções e aparências, respeitando sua própria vontade para recusar os convites indesejáveis.
Apesar de trabalhar há pouco tempo naquela empresa, acabou sendo promovido.
O que facilitou a mudança de suas atitudes para com quem precisava.
Isso e muitas outras coisas que aconteceram o deixaram em harmonia e mais seguro de si, pois sentiu que sua fé e persistência na boa moral, mais uma vez, fizeram-no vencer barreiras que, a princípio, pareciam ser intransponíveis.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:22 am

29 - RECONCILIAÇÕES

O espírito Jonas, com a nítida elevação dos encarnados, irritava-se com a irmã:
- Você não para aqui, Júlia!
Eu mandei você vigiar a Márcia o tempo todo.
Por onde andou?
- Fica na sua.
Eu tenho coisas para resolver.
- Que coisas?!
Você não vê que esses dois estão se unindo novamente?
Não estão nem percebendo a nossa influência!
- Cade o Zul?
Por que ele não está aqui? - quis saber Júlia.
- O Zul tem um chefe e ele mandou chamá-lo um pouco.
Mas vai voltar logo.
Márcia já se encontrava no oitavo mês de gestação.
Tudo corria bem e Fábio, novamente, contagiava todos com sua alegria e brincadeira.
Seu casamento estava indo maravilhosamente bem.
- Márcia, olha só o que eu comprei para o bebé! - mostrou entusiasmado, ao acabar de chegar.
- Uma bicicleta?! - espantou-se Márcia sem conseguir segurar o riso.
Você sabe quanto tempo vai demorar para ele andar nisso? - riu agora com gosto.
Fábio ficou sem graça.
Será que estaria sendo precipitado?
- É que eu queria comprar algo para ele e não sabia o quê - respondeu desconsertado.
Márcia sorriu e entendeu.
Fábio era assim mesmo, não tinha jeito.
- Vem cá - chamou-o carinhosa.
Sente-se aqui. Vem conversar com ele.
Fábio sempre que se aproximava da barriga de Márcia acariciava-a, conversava com o nené e mesmo desafinado, cantava para ele, contava-lhe estórias e fazia a maior festa quando o sentia mexer.
- Márcia - perguntou Fábio -, qual nome vamos dar a ele. Você escolhe.
Márcia não titubeou e disse:
- Gabriel.
- Gostei. Adorei.
É esse mesmo: Gabriel!
É um nome muito forte, além de bonito.
Para mim é significativo.
É o nome do anjo Gabriel que o Chico fala em seus livros.
- Eu pensei nisso - confessou animada.
Será uma homenagem, concorda?
- Claro!
Márcia sorriu, e ele, agora sentado a seu lado deitou-a em seus braços envolvendo-a com carinho enquanto a contemplava.
Após algum tempo, a mulher comentou:
- Fábio, estou um pouco triste.
Faz cerca de sete meses que eu não vejo meu pai.
Fábio lamentou em silêncio.
Beijou Márcia e a abraçou consolando, depois disse:
- Deixa o Gabriel nascer.
Tenho certeza de que ele não vai resistir e virá visitá-lo.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:23 am

Fábio mudou de assunto para dissimular, perguntando:
- Já pediu sua licença maternidade?
Você está no oitavo mês, um pouco inchada e muito gorda.
- Gorda?! - a vaidade de Márcia gritou alto.
Fábio reconsiderou rapidamente para não incomodá-la e sorriu generoso ao corrigir:
- Quero dizer que sua barriga está grande.
Liiindamente enooorme!
Eu nunca vi você tão bonita - beijou-a nos lábios, trazendo no olhar um brilho apaixonado.
Só acredito que precisa de mais descanso, meu amor.
Deveria solicitar sua licença agora, não acha?
- Amanhã eu vou ao médico, bem cedo e cuidarei de tudo.
Não estou mesmo gostando de ir trabalhar assim.
Tenho de admitir que... Ai, que droga!
Tenho que admitir que me canso demais, não aguento mais meu peso... - gargalhou gostoso.
As costas doem, as pernas incham... - riu ao ter que contar:
- Você sabia que eu não caibo mais entre a cadeira e a mesa.
Tenho que sentar de lado.
E quando vou ao banheiro, preciso usar o box do sanitário para pessoas com necessidades especiais, pois, por causa da barriga, não consigo fechar a porta dos outros box comuns!
Fábio a abraçou carinhosamente, riu junto e pediu com jeitinho:
- Então não perca tempo para não prejudicar sua saúde ou a do nosso filho.
O senhor Aristides, silencioso, estava em seu quarto e não pôde deixar de ouvir aquela conversa.
Pensativo, primeiro ficou feliz com a convivência carinhosa e respeitável entre Márcia e Fábio, mas depois sentiu o coração apertado pelo facto da nora entristecer-se devido à ausência de seu pai.
Gostava muito dela como se fosse sua própria filha.
Nunca imaginou que a nora poderia tratá-lo tão bem e, vez e outra, até o chamava carinhosamente de pai, o que o deixava orgulhoso de satisfação.
Sempre quis ter uma filha para ter seu carinho.
Mas a situação era difícil, o senhor Jovino não cedia, mesmo com os outros filhos pedindo para que fosse visitar Márcia.
No dia seguinte, Márcia foi bem cedo ao médico.
Cuidou da documentação de sua licença maternidade, despediu-se dos amigos no serviço e depois voltou para casa.
Naquele dia o sol estava escaldante e ela precisou enfrentar um trânsito intenso, que devido a algumas obras, prejudicava a circulação e a trajectória dos veículos na região.
Já passavam das 14 horas e dentro de seu carro começou a se incomodar com o calor.
Ligou o ar condicionado que amenizou um pouco seu sofrimento, mas o banco parecia inadequado ao seu corpo, o volante quase se encostava à sua barriga, o cinto de segurança machucava, mal conseguia se mexer, os pés doíam e nada estava bom.
Acreditou que tinha chegado o momento de parar de dirigir.
Demorou o triplo do tempo para chegar à sua casa.
Ao entrar em sua residência, procurou pelo sogro que não estava nem havia lhe deixado um bilhete.
O senhor Aristides não costumava fazer isso.
Pelo facto de não avisá-la, não deveria ter ido longe.
Márcia, enrubescida pelo calor, muito corada mesmo e com seus pés incrivelmente inchados, tirou as sandálias que apertavam demais e largou-se no sofá, sentindo-se esgotada.
Num gesto comum pelo calor, torceu os longos e vastos cabelos, jogando-os para trás do sofá.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:23 am

"Como esta barriga está pesada!
Não imaginava que fosse assim.
Este bebé deve ser grande mesmo", riu de seus pensamentos.
"Minhas costas doem tanto, parecem que vão rasgar a qualquer momento", olhando-se melhor, reparou ao recordar "Nossa, eu era tão magra!
Como estou enorme, tenho que admitir...", sorria quando de repente a campainha tocou.
- Ah! Não... - Márcia lamentou ter que atender, ficar ali largada, no frescor daquela sala, era tão bom.
Com dificuldade se levantou, olhou pela janela através da cortina, mas não conseguiu reconhecer o homem que se virou de costas para a casa.
Além do que, o seu carro na garagem atrapalhava sua visão.
Não tinha jeito, teria que sair para ver quem era.
Suspirou fundo, apanhou a chave do portão e saiu descalça mesmo.
Quanto mais se aproximava do portão, mais tremia.
Não podia acreditar.
Sem suportar, gritou ao correr os últimos metros:
- Pai!!!
Sim. Era seu pai.
O senhor Jovino a olhou de cima a baixo e depois subiu o olhar fixando-o nos olhos da filha.
Márcia abriu o portão e atirou-se contra o pai, sem se incomodar com a volumosa barriga.
Ambos choraram sem parar, era um misto de alegria e satisfação.
Entraram abraçados e Márcia não o largou.
Depois de muito tempo, o senhor Jovino conseguiu falar.
- Filha, me perdoa.
- Não precisa pedir isso, pai.
Eu o esperava a qualquer momento.
- Eu preciso falar sim, filha.
Estou engasgado.
Enxugando as lágrimas continuou:
- Desculpa, Márcia.
Sei que errei fazendo tudo isso com você.
Ficou magoada e sofrendo por minha causa, eu sei.
O senhor Jovino era interrompido pelos soluços.
Então a filha o consolou:
- Pai, eu nem tenho o que dizer.
Não estou magoada com o senhor.
Senti sua falta, mas estou tão feliz agora!
O mais importante é que o senhor está aqui.
Tenho que pedir desculpas também por tudo o que fiz... pelo nervoso, pelo desgosto e irritação que sofreu por minha causa, mas...
- Não vamos falar em perdão. Está certo?
Vim aqui por você e por estar interessado em outra coisa - afirmou sorrindo.
Depois perguntou:
- Diz uma coisa, filha. E o seu nené?
- Ele está bem. Está óptimo!
É um menino, pai.
Será seu primeiro neto homem.
- Você está bem?
- Estou melhor agora com o senhor ao meu lado - falou dengosa.
- Você está muito bonita, filha.
Nossa! Como você engordou!
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:23 am

Está tão linda!
Parece com sua mãe... - emocionou-se o senhor perdendo as palavras.
Ela ficava assim...
O senhor Aristides entrou às escondidas e foi para o seu quarto sem ser percebido.
Arquitectando um bom plano, o pai de Fábio foi até a casa do pai de Márcia fazer-lhe uma visita de cortesia sem avisar ninguém.
Ao chegar, foi recebido com surpresa pelo senhor Jovino que estava sozinho em casa.
Convidado a entrar, os dois conversaram sobre diversos assuntos sem mencionarem os nomes dos filhos.
Depois de um bom tempo, após tomar um último gole de café, o senhor Aristides decidiu:
- Bom, está na hora de ir.
- Está cedo Aristides.
Fica mais um pouco - pediu o senhor Jovino.
Não é sempre que eu tenho uma companhia como você, que é do meu tempo, para conversar.
- Não. Não. De jeito nenhum!
A minha nora está para chegar e eu não posso deixá-la sozinha.
De jeito algum! - exibiu-se o senhor Aristides, com orgulho ao falar.
O senhor Jovino corroeu-se de curiosidade, ciúme e inveja.
Sentia muita saudade de Márcia.
Desejava vê-la.
O senhor Aristides continuou:
- Sabe Jovino, ela está nos últimos dias da gravidez.
Hoje mesmo, vai estar em casa à tarde e eu não posso deixá-la sozinha.
Meu filho está trabalhando e sou eu quem cuida dela e com o maior prazer!
Que moça boa!
Eu não tenho uma nora, tenho uma filha! - envaideceu-se.
Hoje de manhã ela foi ao médico para cuidar da licença maternidade.
Eu até insisti para ir, mas ela disse que não precisava, que passaria no serviço depois...
Você sabe como é.
O senhor Jovino não aguentou e perguntou:
- Ela está bem?
- Está linda! Que barrigão!
Nunca vi igual. É homem!
Vai se chamar Gabriel.
Os exames mostraram que é um garoto muito grande e saudável.
Não vejo a hora dele nascer.
Faz tempo que eu não seguro um nené pequeno em meu colo, mas acho que a gente nunca perde a prática.
Depois de uma breve pausa, o pai de Fábio continuou falando sorridente e orgulhoso:
- Eu quero pegar meu neto no colo, erguê-lo ao alto e agradecer a Deus por me dar essa criaturinha tão importante que quase não conseguiu vingar de tanto problema que a mãe teve, pobre moça.
Mas agora está tudo bem!
Estou grato por Deus ter devolvido meu filho com saúde e me presentear com uma filha maravilhosa que até me chama de pai, às vezes.
Sabe, ganhei vida novamente depois de achar que estava tudo perdido.
O senhor Jovino respirou fundo.
Passou a mão pelos ralos cabelos brancos e se torturou de saudade.
Como estaria Márcia?
Há tempos não via sua filha.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 16, 2017 9:23 am

Como seria grávida?
Sua filha era muito bonita, elegante.
Nunca a tinha visto gorda, nem poderia imaginar como estaria.
Em meio a esses pensamentos, perguntou:
- Ela está nos últimos dias, é?
- Tá sim. Tem que ver que coisa linda!
Meu filho está todo orgulhoso e eu tenho certeza de que você também ficaria.
- Eu não sei onde eles moram - lamentou o senhor Jovino intimidado.
- Mas eu sei.
Vamos logo, ponha um sapato, homem!!!
Não posso demorar, não vou deixá-la sozinha.
- E se ela não quiser me ver?! - questionou.
- Eu duvido!
A Marcinha vive falando e lamentando a sua falta, homem de Deus!
Sua filha te ama muito!
Você é que está ficando um velho tolo e caduco, carregando um orgulho besta e perdendo tempo com o nada em vez de dar e receber o carinho da sua filha mais querida - instigou-o brincando só para provocá-lo ainda mais.
O senhor Jovino ficou agitado e não perdeu tempo.
Arrumou-se e foi com o senhor Aristides.
Ao chegarem perto da casa e virem o carro de Márcia na garagem, combinaram que só o senhor Jovino ficaria no portão e que o pai de Fábio nada tinha a ver com aquela visita.
Márcia não viu o senhor Aristides entrar.
Estava envolvida demais com seu pai.
Nunca soube que foi seu sogro quem antecipou aquele encontro.
Ela e o pai ficaram conversando por horas, até anoitecer.
Bem depois ouviram o barulho do carro de Fábio que tinha acabado de chegar.
- É o Fábio! - anunciou Márcia satisfeita.
O senhor Jovino levantou-se rapidamente e avisou:
- Eu vou embora, filha.
- Não pai.
De jeito nenhum! - segurou-o preocupada com a decisão.
- Seu marido não vai me querer aqui.
- Não o julgue, pai.
Espere, por favor.
Fábio estava distraído.
Agiu como de rotina.
Entrou pelos fundos, passou pela cozinha e ao chegar à sala ficou surpreso, incrédulo, mas não disse nada.
Demonstrava seriedade e continuou assim.
Colocou sua pasta sobre a mesa, afrouxou a gravata e pôs o paletó na cadeira.
Foi na direcção do senhor Jovino que parecia apreensivo e encabulado.
Fábio estendeu-lhe a mão e perguntou:
- O senhor está bem?
Como tem passado?
O senhor Jovino não viu o largo sorriso que se fez no rosto do genro, pois abaixou a cabeça ao retribuir o cumprimento.
Fábio imediatamente pegou sua mão com firmeza e o puxou dando-lhe um forte abraço ao mesmo tempo em que gargalhou com gostosa satisfação ao balançá-lo, estapeando-lhe as costas com prazer.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:07 am

Diante disso, Márcia, desajeitada pela barriga, tentou abraçá-los e Fábio brincou:
- Ei! Aqui não cabe você não! - beijou-a com carinho.
O senhor Jovino tentou se justificar.
Mas Fábio não deixou.
Foi logo conversando e perguntando como estava a gráfica e a vida.
Márcia sentia-se feliz e realizada.
Quando foram levar o senhor Jovino de volta para casa, ao chegarem lá, Márcia entrou primeiro e foi para a cozinha, quase matando Roberto de susto.
- Você aqui?!!!
Márcia o abraçou e contou tudo com grande euforia.
- O pai?! Na sua casa?!
Eu não acredito!
Falei tanto com ele e ele nunca quis me ouvir.
- Eu nem acredito, Beto!
Quase que, literalmente, dei à luz hoje mesmo! - ria e brincava encantada como uma criança diante do presente mais desejado.
Fábio e o senhor Jovino entraram conversando animadamente.
Roberto só acreditou porque os viu.
Depois de tudo o que Fábio ouviu de seu pai, quando se encontraram pela última vez, pensou que nunca mais queria vê-lo.
Roberto reconhecia que o cunhado realmente era uma pessoa muito especial, evoluída.
De volta para sua casa, Márcia inquieta perguntou:
- E o seu pai, onde será que está?!
Não o vi a tarde inteira.
Estou preocupada com ele.
Saiu, nem deixou um bilhetinho, como sempre faz.
- Já deve ter chegado a essa hora.
- É estranho.
Ele nunca sai sem me avisar!
Onde será que ele foi? - reclamou Márcia.
Fábio sentiu que havia um "dedinho" de seu pai naquele reencontro, mas não comentou nada com a mulher nem perguntou a seu pai.
Estava satisfeito e isso bastava.
Nessas alturas, Jonas e Júlia discutiam muito.
- Viu só no que deu?
Eles acabaram se acertando por sua culpa, Júlia.
Você tinha que sair, né?!
- Eu tive que sair para resolver algumas coisas!!! Qual é?!
- Que coisas?!
- Estou com problemas por sua causa - defendeu-se Júlia.
- Por minha causa?!
- É sim.
Eu pedi para o ajudarem quando eu estava encarnada.
Só que não deu tempo de pagar tudo o que prometi, até porque o serviço não foi completado.
Depois eu fiquei doente e agora eles estão me cobrando.
- Sua idiota! Imbecil!!! - gritou Jonas empurrando-a.
Você vai se dar mal.
- Foi para ajudar você, cretino!
Fiz isso por você!
- Vê se fica aqui e toma conta da situação.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:07 am

- Aonde você vai?
- Procurar o Zul.
Nós estamos perdendo forças.
Precisamos de mais ajuda.
Chegando a sua casa, Márcia, ao ver seu sogro, abraçou-o e foi logo contando o que aconteceu, como se ele não soubesse.
O senhor Aristides oferecia-lhe toda atenção, gesticulando com o semblante a cada detalhe que ela contava emocionada.
Fábio desconfiou ainda mais ao ver o sorriso cínico de seu pai, enquanto ouvia tudo silenciosamente com constante ar de satisfação.
Porém não disse nada.
Ele não queria estragar a felicidade de Márcia.
Pouco importava se o senhor Jovino a procurou por iniciativa própria ou por incentivo.
- Pai, eu pensei que nunca mais meu pai iria me ver - dizia agora atrapalhada por chamá-lo também de pai.
- O que é isso, minha filha! - defendia o senhor Aristides satisfeito e orgulhoso, pois a consideração de Márcia, para com ele, não havia mudado.
Pai, que é pai, sempre procura seus filhos.
Naquela noite, Márcia não parou de falar no assunto.
Fábio e seu pai trocavam olhares e sorrisos, não interferindo na felicidade que demonstrava.
Ao se deitar, Márcia não tirava o sorriso do rosto e Fábio pediu:
- Agora fica tranquila.
Vê se dorme para o nené descansar também, tá?
Márcia adormeceu.
Mas, durante a madrugada, Fábio despertou com a mulher remexendo-se agitadamente.
Ela falava alguma coisa que o marido não conseguia entender.
Ao perceber que era um pesadelo, Fábio a chamou com carinho segurando-a com cuidado:
- Márcia... acorda... você está sonhando, meu bem. Acorda.
- Não. Não! - começou a falar mais alto.
Eu não vou! Tenho que tirá-la de lá!!! - gritou, agitando-se de um lado para outro.
- Márcia - chamou Fábio mais firme.
Você está sonhando. Acorda, meu bem.
Foi então, que suspirando profundamente e com um choro desesperador, Márcia despertou.
- Calma. Calma.
Você estava sonhando - disse Fábio com voz meiga e abraçando-a com carinho.
Márcia chorava compulsivamente recostada no peito do marido.
Minutos depois, acreditando que ela demorava a se recompor, Fábio levantou-se e foi preparar um copo com água adoçada.
- Beba, Má. Vai fazer bem.
Você vai se acalmar.
Bebeu a água em goles miúdos, mas ainda estava assustada.
- Você está bem, Márcia? - perguntou carinhoso, afagando-a.
Com a voz embargada pelos soluços, ela respondeu:
- Minha mãe...
Eu sonhei... com minha mãe, Fábio.
- Foi um sonho, minha querida, vem cá - abraçou-a com afecto, recostando-a em si.
Vai passar. Você só está assustada.
- Minha mãe não está bem, Fábio.
Ela está num lugar ruim.
- Isso foi só um sonho, meu amor.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:07 am

- Será...?
- Márcia, quando os irmãos sem instrução querem nos perturbar, eles procuram atingir nossos pontos fracos.
Como por exemplo, mexerem com as pessoas que amamos, com nossos pensamentos...
Você, mais do que ninguém, acompanhou o quanto eu sofri com isso.
- Mas eu sonhei com a minha mãe.
- Eles podem fazer você sonhar com isso sim.
Podem simular situações de tal forma que você acredite serem verdadeiras.
Isso só para abalar, perturbar sua felicidade.
Márcia ficou mais calma, porém preocupada.
Realmente muito aflita com o pesadelo.
Vendo-a mais calma, eles voltaram a se deitar.
Passado algum tempo, ela o chamou:
- Fábio?
Fábio já estava dormindo.
Mas acordou no primeiro chamado e sonolento respondeu:
- O que é?
- Fábio, eu acho que não estou bem - reclamou com voz fraca.
Sentando-se rapidamente na cama, acendeu a luz e preocupou-se:
- O que você tem? É o nené?
- Eu não sei.
Sinto umas dores...
Fábio atrapalhou-se, mas não perdeu tempo.
- Vamos. Vista esse robe - pediu ligeiro.
- Eu quero tomar um banho - respondeu Márcia.
- De jeito nenhum.
Nós vamos para o hospital, agora!
- Eu preciso de um banho, estou suada - insistiu ela melancólica, quase chorando.
- E se não der tempo, Má?
Por mais que Fábio falasse, não adiantou.
Márcia teimou e foi para o banho.
No banheiro, as dores aumentaram e ela sentiu-se mal.
Fábio a ajudou, enquanto seu pai telefonava para Ciro.
O senhor Aristides auxiliou Fábio a colocá-la no carro, indo os três para o hospital.
Tudo foi muito rápido.
As dores aumentaram de frequência de forma irregular, e Márcia, que não era de reclamar, chegava a gemer durante as fortes contracções.
Já no hospital, depois de algum tempo do atendimento, Ciro explicava a Fábio:
- Acalme-se. Ela está muito bem.
Foi um alarme falso.
Somente a pressão arterial se alterou, mas já está sob controle.
Ela e o bebé passam bem.
Fábio passou as mãos pelos cabelos, esfregou o rosto e avisou:
- Ela ficou nervosa, Ciro.
Teve um pesadelo e acordou gritando.
Depois disso, as dores começaram.
- Isso acontece, Fábio.
Alarme falso é muito comum.
Mas temos de ficar de olho na pressão - avisou Ciro.
Nada de comida com sal.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:08 am

E evitem as fortes emoções.
Se bem que sonho, ninguém controla.
- Será que foi por minha causa, filho? - perguntou o senhor Jovino, bem aflito, a Ciro.
Ontem à tarde eu fui até lá na casa dela.
Nós nos encontramos, conversamos muito...
Será que a Márcia se emocionou comigo e por isso passou mal?
- Pode ter sido qualquer coisa como:
ansiedade, emoção, alimentos salgados...! - enfatizou.
Mas não se preocupem isso é completamente normal.
E outra, vamos lembrar que a Márcia está próximo a dar à luz e é seu primeiro filho.
Cada organismo reage de um jeito.
- Posso vê-la, Ciro? - perguntou Fábio.
- Sim. Claro, Fábio! - afirmou ao sorrir.
- Nós também? - perguntou Roberto ansioso.
- Melhor ficarem aqui.
A Márcia daqui a pouco vai para casa, o soro já está terminando, aí vocês poderão ficar com ela o tempo todo! - brincou.
Júlia vangloriava-se por ter conseguido fazer Márcia se agitar.
- Jonas, a Márcia passou mal.
Tiveram que socorrê-la.
Isso agitou toda a família.
- É, Júlia. Você está melhorando.
- E o Zul, Jonas.
Por onde ele anda, hein?
- Encontrei com ele que disse que o seu chefe quer me ver.
Como o Zul está me ajudando é natural que o chefe dele queira saber quem eu sou.
E o Zul disse que tem alguns trabalhos para eu fazer.
Estou ficando importante.
- Sei.
- Sabe, Júlia.
Estou com um mau pressentimento.
Por isso acho que preciso me juntar com uns caras que têm mais força, como o chefe do Zul, por exemplo.
- Por quê? - perguntou o espírito Júlia.
- Sabe quando você tem a impressão de que algo não está correto, que alguma coisa vai dar errado e que você vai se dar mal? - previu Jonas.
- Como o quê? Não há nada errado.
Todos já ficaram melindrados com o estado da Márcia.
Todos se mobilizaram e eu tive uma ideia.
Já pensou se ela morrer?
A família inteira vai enlouquecer!
A começar desse maridinho dela.
Quero ver onde fica toda essa fé, quero vê-lo resistir a isso.
O pai dela, então, nem se fala!
Velho safado, sem palavra!
Mas ele vai ver, ainda mais que só agora voltou a falar com ela.
Júlia era sarcástica.
Sempre debochava enquanto falava.
- Jonas, pense bem.
A Márcia está num estado sensível.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:08 am

Sua pressão pode subir a qualquer momento se ela ficar nervosa, ou se alterar por alguma coisa.
Isso pode acontecer até na sala de parto, hein?
Isso não lhe dá nenhuma ideia?
Jonas deixou de se preocupar com o que sentiu e passou a ter ideias junto com Júlia a respeito de Márcia.
- Você tem toda razão.
Agora, mais do que nunca, precisamos nos unir para alcançar nosso objectivo.
- Vamos perturbá-la.
Deixá-la nervosa, agitada, preocupada, louquinha!
Tenho certeza de que juntos teremos óptimos resultados! - gargalhou Júlia.
- Acabando com ela, acabaremos com todos!
Sempre foi a mais mimada, o xodó da família.
Márcia já estava em sua casa descansando.
- Puxa, Má. Que susto!- confessou Roberto.
Quando a Rose me telefonou, avisando que você estava indo para o hospital, eu levantei rápido e fiquei tão atarantado que primeiro coloquei o ténis e depois fui tentar colocar o agasalho.
Tudo ao contrário.
- Até eu - completou Ciro -, que estou acostumado com isso, fiquei preocupado e indeciso, tive até que chamar um colega para opinar comigo.
Foi igual ao nascimento das minhas filhas, planeei em fazer o parto, mas que nada, "amarelei"!
Márcia sorria apesar de encabulada pela preocupação que causou a todos.
- Mas o que ninguém observou - salientou Paula -, foi o Fábio usando calça social e sapatos, com a camisa do pijama - gargalhou satisfeita por ter observado.
Fábio se olhou e somente naquela hora viu que não tinha acabado de trocar de roupa.
Todos riram e brincavam.
- Mas fala a verdade, Ciro - afirmou Fábio sorridente -, você está cansado de ver maridos assim como eu, não está?
- Até pior, Fábio!
É muito comum nós vermos os maridos trocarem pares de calçados e usarem um sapato diferente do outro em cada pé.
Aproveitando a saída do senhor Jovino do quarto, Roberto não perdeu tempo:
- Gente! Vocês tinham de ver o pai!
Assim que atendi ao telefone, eu disse para a Rose que ligou:
"A Márcia foi para o hospital?!
Será que vai nascer hoje?
Estou indo pra lá!".
Quando olhei, o velho estava trocado, em pé, na porta, me apressando e dizendo:
"Vamos logo! Quero ser o primeiro a ver o Gabriel!
Não vou dar esse gostinho pro outro avô!".
Depois de rirem muito, Ciro virou-se para Márcia e, bem sério, recomendou:
- Márcia, você está no oitavo mês.
É um bebé saudável, mas não queremos que ele nasça antes da hora, não é?
- Claro, Ciro.
- Então repouse e procure controlar as emoções, além de não comer nada com sal.
- Pode deixar, Ciro - respondeu Fábio.
É só dizer ao meu pai que a Márcia precisa descansar e comer tudo sem sal que ela não levantará desta cama e toda sua alimentação será insípida, completamente sem sabor!
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:08 am

Eu garanto!
Naquele dia Fábio não foi trabalhar.
Decidiu ficar com Márcia e também teria de procurar a mulher que já lavava e passava as roupas da casa e pedir-lhe que ficasse com Márcia nos próximos dias.
Apesar de seu pai acompanhar a nora em tudo, ela poderia precisar da companhia de uma mulher, até para conversar mais à vontade sobre o que sentia, pois dona Vera era experiente na maternidade, já tinha quatro filhos.
Fábio saiu e foi à procura de dona Vera.
- Vou sim, senhor Fábio.
É claro que ficarei com ela o tempo que precisar - confirmou a senhora.
- É somente até a hora de eu voltar do serviço.
Meu pai vai estar lá com a senhora para ajudar no que for preciso.
- Ele não vai precisar se incomodar.
Eu já conheço bem a casa, sei onde fica tudo.
Já cuidei de lá tanto tempo pro senhor e pro seu irmão, não é?
E agora vou ter prazer de cuidar da Marcinha e do seu bebé, depois que ele nascer.
- Então ficamos assim.
Amanhã a senhora começa e combina o preço de seus serviços com a Márcia, está certo?
- Depois a gente vê isso, senhor Fábio, não se preocupe.
Em sua casa, Fábio contava à Márcia sobre o que havia combinado com dona Vera.
- Será melhor para você, Má.
Ela fará todo o serviço da casa, além da roupa que ela já cuida e também será uma companhia.
Tivemos sorte dela não estar trabalhando em outro lugar e aceitar o serviço, não é fácil arrumar uma pessoa de confiança hoje em dia.
- Se minha mãe estivesse viva, Fábio.
Tenho certeza de que não iria precisar de ninguém para me ajudar.
- A minha também, Márcia.
Ela iria dar todo apoio e ajuda necessária.
Suspirando fundo, lamentou:
- E pensar que nem chegou a conhecê-la...
- Você teve notícias de sua mãe, Fábio.
Através da mensagem do Ney.
Sabe que ela está bem. Mas eu...
- Não vai ficar preocupada novamente, não é?
Você já me deu um susto hoje - advertiu Fábio amável, e a abraçou.
- Estou bem.
Só um pouco preocupada.
- Vamos fazer preces com mais frequência à sua mãe e quando eu tiver uma oportunidade no centro, perguntarei a algum amigo do plano espiritual para que nos informe sobre ela, se ele puder, claro.
Márcia ficou ansiosa, queria notícias de sua mãe.
Sabia que nem sempre isso era possível, mesmo assim queria tentar.
Jonas e Júlia estavam observando e planeando o que poderiam fazer para inquietar Márcia, para alterar seu estado.
Apesar de que, já há algum tempo, nem Fábio nem Márcia sentiam qualquer perturbação, pois estavam em um nível espiritual bem melhor e não conseguiam perceber as sugestões de nenhum deles.
Fábio e Márcia mudaram seu modo de pensar e agir, diante do assédio espiritual de Jonas e Júlia.
Definitivamente, eles não davam mais atenção aos pensamentos sem harmonia que percebiam, certos de que esses não faziam parte de seus princípios.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:08 am

Márcia passou a ser menos eufórica e mais crente na protecção e sabedoria Divina.
Eles nunca deixavam de fazer o Evangelho no Lar, frequentavam o centro espírita e Fábio voltou a assumir as mesmas tarefas que realizava antes no centro.
Tudo isso impossibilitava os ataques de Jonas e Júlia que cada vez mais se revoltavam, mas não desistiam da vingança.
Em uma das vezes em que realizavam uma reunião, através de Roberto um mentor amigo se manifestou.
- Qual é seu nome? - perguntou Fábio que dirigia a sessão.
- Lucas.
Eu venho em paz e trago notícias das quais sei que gostariam de ouvir.
- Pode dizer - respondeu Fábio bem atento, a fim de não ser enganado.
- A senhora sua mãe, Fábio, recuperou-se bem do estado em que se encontrava quando desencarnou.
Seu irmão está em um curso muito importante aos desencarnados no nível dele.
Ele, sabendo que eu viria aqui, mandou-lhe lembranças.
Fábio emocionou-se, porém se conteve e lembrou de perguntar sobre a mãe de Márcia.
- Gostaríamos de saber sobre dona Mariana, mãe de Márcia.
Você teria condições de nos informar?
- Sim. Claro - respondeu o espírito Lucas de forma pronta e cortês.
Dona Mariana está se refazendo.
Ainda pensa que está doente, mas se recuperando a cada dia, pois não sentiu mais dores e acreditou que os "remédios" que está tomando agora - sorriu generoso - surtem óptimos efeitos.
- Então ela está em um bom lugar? - perguntou Fábio temendo a resposta.
- Sim. Ela se encontra em um hospital, ainda, mas cremos que permanecerá lá por pouco tempo.
Foi bem recebida por grandes amigos e parentes na espiritualidade e está sendo bem tratada.
Esses parentes e amigos que se encontram no plano espiritual, em boas condições, vão visitá-la com frequência.
Isso ajudou sua compreensão sobre o desencarne e sobre o plano espiritual.
Por ter adoptado a religião católica, ela, às vezes, acredita que está no céu.
Mas isso não importa, uma vez que a fé em Deus é o que nos sustenta.
Em breve dona Mariana compreenderá melhor.
Após essa notícia Márcia, que excepcionalmente assistia àquela seção no centro, pois esse trabalho era destinado aos mentores instruídos, sentiu-se bem mais tranquila.
Depois do pesadelo que teve com sua mãe, ficou temerosa pelas condições dela.
Jonas e Júlia chegaram a sua casa.
Eles estavam mal-humorados e brigando.
Por alguns minutos pararam de discutir.
Foi quando três mentores se deixaram ver por eles.
Júlia assustada perguntou:
- Quem são esses caras?
O que eles querem?
- Esses caras nunca procuraram, você?
Eles acreditam que são anjos justiceiros e querem que paremos com o que estamos fazendo para a Márcia e a família. - Jonas respondeu.
- Já me procuraram sim, mas o que me ofereceram não foi muito bom, não era o que eu queria - afirmou Júlia.
Aproximando-se deles um dos mentores falou:
- É hora de acabarem com o tipo de pensamentos e atitudes que vocês sustentam, não acham?
- O que vocês têm com isso?! - respondeu Jonas estúpido.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:09 am

- Temos muita coisa sim, meus filhos.
- Não somos teus filhos! - disse Júlia.
- Vocês já fizeram muito, é hora de pararem e o melhor a fazer é virem connosco, pois somente assim vocês se livrarão de muitos transtornos e grande sofrimento.
- Nos levaria para um lugar bom? - interessou-se Júlia.
- Nós os levaríamos para um lugar adequado às condições de vocês, onde pudessem ser tratados, aprender a mudar a forma de pensar...
- Pro inferno você e sua oferta! - respondeu Jonas.
Já conheci esta história antes.
Lá só tem sofrimento e dor, não é lugar para nós.
Aquilo é o inferno.
Não é o nosso lugar.
- Vocês só irão passar pelas condições que vocês próprios provocaram.
Com o tempo, através do arrependimento verdadeiro, através do amor em Jesus e aos Seus ensinamentos, vocês serão recolhidos para condições verdadeiramente dignas dos seus sentimentos.
Em outras palavras, somente quando se arrependerem realmente de tudo que provocaram, e em seus corações existirem amor para com àqueles que vocês prejudicaram, estarão em condições de serem ajudados e se livrarão de muita dor e muito sofrimento.
Precisam ter fé.
- Ninguém quer realmente nos ajudar - afirmou o espírito Júlia.
Isso é tudo conversa.
Quando eu desencarnei, sofri muito.
No começo vi meu corpo e não entendi o que acontecia.
Procurei pela minha família e não consegui compreender por que não me davam atenção.
Rezei, rezei muito e depois me revoltei porque não havia explicação para o que estava acontecendo e nenhum de vocês sequer se deu ao trabalho de me procurar para me avisar o que acontecia.
Começaram, então, a passar por mim muitas pessoas que me xingavam e me humilhavam.
Eu me sentia fraca, doente, largada no meio da rua.
Muitos me maltrataram, chamavam-me de aidética.
Diziam que a culpa era minha e que eu também era homicida.
Eu nunca matei ninguém, como podiam me chamar assim?
Resumindo, não apareceu ninguém como vocês para me defender!
Aquilo tudo foi injusto comigo e o único que me ajudou foi Jonas, meu irmão.
- Você fala de justiça, filha? - perguntou o mentor.
A justiça só pertence a Deus.
Quando foi que deixou sob o julgamento de Deus qualquer coisa que lhe tenha parecido injusta? Nunca.
Você, sempre, em seus pensamentos e acções desejou o mal aos outros.
Cobiçou as condições alheias recriminando e maldizendo os méritos.
Sempre teve opiniões e sentimentos indignos a qualquer ser humano.
Seu palavreado nunca foi adequado e sempre procurou vingança àquilo em que não acreditou ser correto, não esperando a palavra final do Criador.
Você nos diz que rezou!?
Não é o suficiente murmurar algumas palavras para se obter o que deseja.
Devemos sentir as nossas orações no coração e aguardarmos, com fé, o tempo que for preciso para obtermos uma resposta ao que pedimos e finalmente aceitarmos a decisão do nosso Criador.
Sem críticas, sem desespero, sem mágoas, pois é ao Pai Maior a quem pertence à justiça e nós não sabemos o que merecemos.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:09 am

Quanto ao facto de terem-na acusado de homicídio, quero lembrá-la, Júlia, que, quando encarnada, sabendo ser portadora de um vírus - HIV - tão perigoso que é o agente causador da síndrome da imunodeficiência adquirida - AIDS - responsável por tantas lesões, doenças e óbitos, provocados por extremas enfermidades que se tornam fatais, o que fez?
Explicando melhor, em outras palavras:
Quando você, ciente de portar esse vírus letal, o que fez para que outros não se contaminassem com ele através de você?
Eu mesmo respondo. Nada.
Não fez nada. Muito ao contrário.
Acreditou que não tinha nada a perder e se usou, como transmissora desse terrível vírus, para, propositadamente, contaminar várias pessoas.
Valeu-se do que portava para vingar-se de forma maldosa e cruel.
Então eu explico, filha:
Quem provoca a morte de alguém directa ou indirectamente, é homicida sim.
Com certeza irá ressarcir todo e qualquer prejuízo que tenha causado.
E ainda, como se não bastasse, cometeu o grande erro de comercializar com espíritos inferiores, sem instrução, para maltratar pessoas e conseguir se vingar.
Aí nós temos dois grandes erros:
A princípio não quis confiar na sabedoria Divina, pois nós não podemos julgar se é certo ou errado o comportamento alheio.
Não podemos exigir justiça a qualquer preço.
Segundo, vingar-se é querer se colocar no lugar de Deus para punir àqueles que você julgou.
Isso foi um grande erro, filha.
- Vá embora!
Não quero saber de mais nada! - irritou-se Júlia.
- O melhor seria vocês pensarem agora e decidirem enquanto ainda podem escolher.
- Sumam daqui!
Minha irmã já disse que não queremos nada com vocês! - gritou Jonas.
- Essa atitude é lamentável.
Mas um dia ainda terão fé.
Todos evoluímos.
Dizendo isso, os três mentores foram embora.
- Que droga! - disse Jonas furioso.
Esses caras não desistem mesmo.
Quero que eles sumam.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:09 am

30 - RECOMPENSA DIVINA

Passaram-se os dias e o espírito Jonas irritava-se cada vez mais porque Márcia e Fábio não sentiam absolutamente nada com a presença dele nem de Júlia, muito menos com o que lhes sugeriam.
Tudo o que faziam para perturbá-los era inútil.
Márcia estava em sua casa, no quarto preparado e decorado com todo carinho para a chegada do bebé.
Tudo era bem gracioso e de grande bom gosto.
Sentada na cama que seria de Gabriel, bem ao lado do berço, acariciava com ternura os aparatos delicados e os bichinhos de pelúcia, sorrindo sem perceber, imaginando como seria...
Havia algumas horas que ela percebia leves contracções.
Pelas dores estarem distantes umas das outras e bem fracas, não disse nada a ninguém, sabia que teria um bom tempo.
Já havia tomado banho e se arrumado conforme queria.
Deixou suas coisas junto às do bebé em lugar fácil e no jeito para serem pegas.
Saindo do quarto calmamente, acreditou ser hora de chamar Fábio e avisar seu irmão Ciro.
- Fábio? Sou eu, bem - disse ao ligar para o marido.
- Oi! O que está acontecendo, Márcia?! - Fábio parecia ter percebido.
- Nada urgente.
Liguei para o seu celular porque o telefone de sua mesa estava ocupado.
É que... bem, só gostaria que você viesse embora agora, para não pegar trânsito mais tarde.
- E o bebé?!
Chegou a hora?!!! - perguntou eufórico e feliz.
- Não sei se chegou a hora - riu do marido -, mas gostaria de ir para o hospital.
Não quero correria nem surpresas.
- Estou indo, agora mesmo!
Espere aí! Beijo!
Fábio desligou o telefone e, nervoso, mal conseguiu avisar um colega sobre a razão de sua saída.
Ciro já estava no hospital e com o telefonema de Márcia ficou preparado, junto com um colega obstetra.
O senhor Aristides telefonou para o senhor Jovino e toda a família foi alertada, colocando-se em polvorosa.
Somente a futura mamãe, apesar das dores, parecia calma.
Márcia já estava no hospital e Fábio insistiu em acompanhá-la, gostaria de assistir ao nascimento de seu filho.
As horas iam passando normalmente, entretanto, parecia uma eternidade para todos que aguardavam por notícias.
Na sala de parto, viram que Fábio estava se desfigurando, apesar de ficar ao lado de Márcia e afagando-a, suspeitaram que tivessem de socorrê-lo, pois empalideceu parecendo que iria desmaiar a qualquer instante.
Para poupá-lo, Ciro o levou de volta à sala de espera a fim de que ficasse junto com os outros.
Ansiosa, a família aguardava por notícias que Ciro, vez e outra, aparecia para lhes dar, sempre avisando que estava tudo bem.
Somente por volta das seis horas da manhã, Gabriel nasceu.
Ciro, sorridente, apareceu na sala de espera avisando com grande entusiasmo:
- É um garoto forte e rosado, aparentando ter excelente saúde!
Foi tudo normal e Márcia passa bem.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:09 am

Fábio não conseguiu conter suas emoções.
Chorou como ninguém nunca viu.
Seu choro misturava-se com seu riso e sua alegria.
Mesmo em meio aos abraços e cumprimentos,
Fábio lembrou-se de agradecer.
Foi para um canto mais isolado e orou a Deus, com toda sua fé, com todo o seu amor, agradecendo por aquele momento tão sagrado em suas vidas e por tudo ter corrido bem.
Depois de algum tempo, eles puderam ver Márcia.
Ela sentia-se cansada, até exaurida de forças, pois havia ficado muito tempo em trabalho de parto, apesar disso estava feliz.
Fábio abraçando-a, colou seu rosto ao dela e disse baixinho:
- Eu amo vocês dois.
Vocês são a razão de minha vida e da minha felicidade.
Lágrimas de alegria correram no rosto de Márcia que se misturaram às dele.
Aquele dia parecia ser o mais feliz de suas vidas.
Em sua casa, num dos raros momentos a sós com seu filho, Márcia o contemplava admirada.
Gabriel dormia bem quieto e tranquilo.
Um sono invejável.
Sentando-se na cama, ao lado do berço, ela pediu perdão a Deus porque, tempos atrás havia pensado e suicidar-se, depois quando desconfiou da gravidez queria o aborto e isso na verdade significaria nada mais, nada menos, do que matar aquele ser inocente e indefeso.
Seria tão cruel fazer o aborto naquela época quanto matar seu filho agora, ali como ele estava, dormindo tranquilo e indefeso.
"Onde eu estava com a cabeça para pensar em fazer algo tão horrível?!
Por pior que fosse a minha situação, ou a de qualquer mulher, não há nada que justifique o aborto", pensava arrependida.
O aborto, sem dúvidas é um homicídio, seria o mesmo que matar um bebé dormindo.
A maldade, a crueldade, a atrocidade seriam as mesmas.
Ela pediu perdão por seus pensamentos e por ignorar a sabedoria Divina, não dando atenção ao mínimo que já sabia, ou ao seu próprio instinto de preservação da vida humana.
Por mais sem instrução que possa ser a criatura humana, sempre existirá essa intuição de defesa e conservação da existência.
Mesmo estando distante de suas lembranças, no fundo de seu ser, ele poderá encontrá-lo sem dificuldade e com coragem superar os obstáculos.
As lágrimas rolaram no rosto de Márcia.
Ela fez uma prece ao seu filho, pedindo a Deus todas as bênçãos àquela criaturinha tão doce, tão viva, tão especial para ela.
Fábio aproximou-se do quarto e entrou vagarosamente.
Sem dizer nada, sentou-se ao lado de sua amada e os dois ficaram ali por horas, admirando com carinho aquele que era o símbolo maior do seu amor: Gabriel.
Naquela semana, como também na que se seguiu, Fábio e Márcia não puderam comparecer ao centro espírita.
Eles estavam atrapalhados com os afazeres para o bem-estar de Gabriel, que não se continha por muito tempo quando era necessário reclamar de alguma coisa.
- Márcia - avisava Fábio, com serenidade, enquanto trazia Gabriel, aos berros, em seus braços -, não sei mais o que fazer, querida! - ironizou brincando.
O bebé não para de chorar, meu amooor!
Sai logo desse banho e vem amamentá-lo.
É só isso o que não posso fazer por você.
- Estou indo, Fábio!
Espere só mais um pouco! - respondia ela que estava embaixo do chuveiro.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:10 am

Fábio balançava o nené enquanto dizia com ternura:
- Espere aí, Gabriel, a mamãe já vem.
Só mais um pouquinho, viu?
Você vai querer uma mamãe bem limpinha, não é?
Não adiantava.
Gabriel, definitivamente, não queria saber de conversa e só chorava; mesmo sendo balançado, acariciado, beijado e mudado de posição pelo pai apavorado, o garotinho gritava estridente para avisar que estava com fome.
- Marciiinhaaa! - dizia Fábio desesperado, mas brincando.
- Ele acordou assim que você entrou aí, acho que não aguenta mais esperar.
Vem logo, mamãaaae!
- Já vou!!! - respondia Márcia apressando-se ao máximo.
Pronto. Estou indo!
Ao sair do banheiro, ela nem chegou a se pentear e foi, às pressas, amamentar Gabriel.
- Vem com a mamãe, meu amor - dizia Márcia ao filhinho embalando a voz com doçura, pegando-o no colo e aconchegando-o ao peito.
Gabriel parou de chorar imediatamente e Fábio suspirou aliviado.
Agora, sem conseguir tirar o sorriso estampado no rosto, estagnou ao observar Márcia amamentar seu filho e pensou em voz alta, falando mansamente:
- Nunca vi coisa mais linda!!!
Sua mulher sorriu e não disse nada.
Ele pegou uma escova e passou a pentear carinhosamente os cabelos húmidos de Márcia, como uma forma de tentar ajudá-la com generoso prazer.
O senhor Aristides chegou do centro espírita e trouxe consigo o senhor Miguel, dirigente do centro e amigo íntimo de todos.
- Fábio! Miguel está aqui.
Veio visitá-los! - anunciou seu pai.
Fábio beijou Márcia e foi recebê-los.
- Senhor Miguel!
Que prazer tê-lo em minha casa!
- Vim visitar vocês e conhecer o herdeiro!
Pegue, essa é uma simples lembrança.
Espero que ele goste.
- Obrigado! Mas não precisava se incomodar.
Com o presente nas mãos, Fábio o convidou:
- Venha comigo, venha conhecê-lo! - disse levando-o até o quarto.
- Que meninão, hein, Fábio!
Puxa! Que garoto lindo!!! - exclamou o senhor Miguel verdadeiramente admirado.
- Você também, Márcia, como está bonita!
Que mãe linda!
- Obrigada, senhor Miguel - agradeceu timidamente.
- Ele se parece comigo, não é?! - perguntou Fábio empolgado e orgulhoso.
O senhor Miguel sorriu.
Era muita pretensão de Fábio, mas entendeu a sua empolgação e não querendo contrariá-lo, contribuiu para massagear-lhe o ego sem desagradar a mãe do menino:
- O Gabriel tem alguns traços da Márcia, mas se parece com você sim.
- Eu não falei, Má?!!! - exclamou Fábio vaidoso.
O senhor Aristides só sorria orgulhoso, pois achava Fábio parecido com ele, assim sendo, seu neto também.
Mas era verdade, Gabriel parecia-se muito com o pai.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:10 am

- Vamos deixá-los tranquilos, Fábio - sugeriu o senhor Miguel.
A alimentação é sagrada, é um momento que devemos ter harmonia e assuntos saudáveis, por isso orar e agradecer antes das refeições é muito importante devido ao facto de impregnarmos o que comemos com o que pensamos e falamos, com energias superiores que nos chegam dos amigos espirituais do "alto" aos quais nos ligamos.
- Voltando-se para a mãe, que sorria com o filho ao peito, ainda orientou:
- Faça uma prece antes de amamentar esse garotão, viu Márcia?
E não fique preocupada com mais nada nesses momentos, pois assim transmitirá ao seu filho indescritíveis energias salutares, calmantes e benéficas, verdadeiras bênçãos que nutrem e sustentam o espírito!
Agora vou até a sala para deixá-los tranquilos.
Parabéns pelo lindo filho.
Foram para a sala e o senhor Miguel tirou do bolso um envelope dizendo:
- É outra mensagem para você, Fábio.
Ele pegou o envelope e tirou de dentro uma carta, desdobrou-a e começou a ler:
Querido irmão Fábio,
Sei que você está muito bem.
Quero parabenizá-lo por seus esforços, pela fé e perseverança que teve para superar aqueles obstáculos que pareciam ser intransponíveis na época.
Sua fé, suas preces, sua resignação, vontade de vencer, seu amor em Deus e nos ensinamentos do Querido Mestre, sua paciência e boa vontade, foram as únicas armas e as mais poderosas e eficazes para as armadilhas infelizes dos sofredores que acreditam que a justiça pertence a eles.
Mais uma vez, querido Fábio, você nos provou que tudo acontece conforme à vontade de Deus se nós tivermos fé, força de vontade, a boa moral, que é a oração constante em nossos pensamentos diários e o cultivo incansável da paciência.
Com isso nós não seremos, mas já somos vencedores.
Quando o objectivo é o bem e o amor, nenhuma luta é inválida e, de um jeito ou de outro, nós somos agradecidos pelas bênçãos de Deus por tantas oportunidades de harmonizarmos o que desarmonizamos.
Não é a riqueza material que importa, não é o número de notas depositadas em um banco ou em nosso bolso que nos faz rico, mas sim o amor em Jesus, a fé em Deus, o desejo do bem a todos os nossos irmãos.
Isso é o mais importante para sermos nobres.
Querido irmão, eu estou muito bem.
Só tenho agradecimentos a você e ao nosso pai que tanto me ensinou, tanto tem orado por mim e pelo meu bem-estar.
Você não imagina como é essencial o apoio dos encarnados para com seus entes queridos que já estão desse lado.
É difícil, entretanto muito importante a aceitação diante do desencarne e a força que nos emite através das boas orações, não lamentando a nossa partida, nos auxilia indescritivelmente.
Isso ajuda a nos mantermos firmes e fiéis à nossa fé.
Diante do meu desencarne, o que vocês me enviaram, através de seus bons pensamentos e sentimentos, muito me valeu para eu não sofrer e não lamentar esta separação temporária, facilitando para ficar nas condições que estou.
Nas últimas horas de minha vida terrena, você me disse:
"Diante da dúvida, tenha fé e aguarde a manifestação de Deus, que é inconfundível e que nunca nos desampara.
Tenha sempre paciência".
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:10 am

Isso foi tão importante quando eu despertei!
Parecia que eu acabara de ouvir você dando-me conselho tão elevado, suas palavras ficaram vivas na minha memória, Fábio.
Diga ao pai que eu consigo receber suas vibrações de amor e fé, obrigado.
Diga à Márcia que eu tenho de reconhecer que ela está mais linda do que antes.
A beleza interior que ela despertou, diante do amadurecimento pela fé e pelo amor em Deus, é incomparável a de sua linda e elegante aparência.
Ao meu sobrinho, diga que eu o amo.
Não tenho palavras para traduzir o que sinto.
Peço-lhe um favor.
Diga a Rose para tomar cuidado com a ingestão de medicamentos.
Ela está grávida e ainda não sabe.
Quanto ao Roberto, irmão da Márcia, apesar da angústia e do desespero que às vezes invade sua alma, diga a ele que sua resignação, paciência e aceitação, há muito o está amparando para o crescimento e enobrecimento de seu espírito.
Diga a ele que não se torture, preocupando-se com o sofrimento futuro que ainda não aconteceu e talvez nem acontecerá.
Tudo isso é passageiro, rápido.
Aqui onde estou não se sofre e como ele vem orando a Deus pedindo ultimamente por amparo, ele será recebido e amparado por espíritos bons e amigos.
Tudo está caminhando tranquilamente, mantenha sua fé e seu amor em Deus.
Os bons pensamentos e as boas palavras nos afastam de tudo o que é ruim.
Amo todos vocês.
Seu irmão, Sidney.
Fábio emocionou-se.
Seus olhos se encheram de lágrimas, tentou disfarçar, mas seu peito apertava com uma doce saudade, então disse:
- Sinto muita falta do Ney.
- Todos sentimos, Fábio - afirmou o senhor Miguel.
Mas nos confortamos e nos alegramos por sabermos que ele está em um bom lugar.
- Sim, claro.
Isso é maravilhoso saber - sorriu.
Naquela noite, depois que todos se deitaram, Fábio não conseguiu dormir.
Levantou-se, pegou o Evangelho, foi até a cozinha, sentou-se à mesa e passou a lê-lo.
Depois que terminou, fez uma prece e ficou ali, em silêncio, por alguns minutos.
Márcia, que sentiu sua falta, levantou e foi à procura do marido.
Não querendo assustá-lo, aproximou-se arrastando suavemente os chinelos.
Fábio percebeu sua presença, porém não se manifestou.
Ela colocou a mão em seu ombro, depois puxou uma cadeira, sentou ao seu lado e por fim perguntou:
- O que foi, Fábio?
- Não sei dizer. Sinto uma coisa...
- Aquelas premonições?
- Talvez seja - respondeu sensível.
Fábio não queria comentar nada, mas sentia que algo estava para acontecer.
- Vamos, venha dormir - propôs ela sorrindo.
Enquanto o Gabriel deixa, ele adormeceu quase agora e daqui a umas três horas deve acordar.
Fábio sorriu e reconheceu:
- Até que ele é bonzinho, chora só pra mamar.
Lembro-me do Ney quando ele era bebé, eu tinha uns oito anos...
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 17, 2017 9:10 am

Como ele era chorão!
Não dá pra esquecer.
- Vamos, você precisa descansar - chamou com doçura.
Na manhã seguinte, Roberto os acordou.
- Hoje é sábado, meu!
Levantar cedo faz bem.
Vê se tira essa cara de "amarrotado", Fábio!
- Meu, estamos acordando de quatro a cinco vezes na noite.
Não dá, né! - disse Fábio ainda sonolento e com voz grave.
Roberto parecia pouco se importar e entrou à procura da irmã.
- Márcia?!
- Quieto!!! - sussurrou ela exigente.
Se acordar o Gabriel, vai ter!
- Deixa só eu dar uma olhadinha nele? - murmurou.
- Mas fica quieto, não diga nada.
- Está bem - cochichou o tio sorrindo.
Roberto foi até o quarto e sentado na cama, ficou muito tempo só olhando seu sobrinho sob o véu do cortinado do berço.
Ele não disse nada, só o admirava.
Márcia e Fábio o deixaram lá sozinho enquanto tomavam café.
Passado algum tempo, Roberto voltou para a cozinha e comentou:
- Nossa! Como ele cresceu!
Está mais gordinho e bem rosado.
- Eu também achei que ele engordou - concordou Márcia.
- Apesar de só ter vinte e cinco dias, acho que ele está bem grande.
- Parece com você, Marcinha - disse Roberto para implicar com o cunhado.
- Oh, meu! O que é isso?
Tá cego? Ele se parece comigo - reclamou Fábio.
- Um pouco, Fábio.
Ele se parece só um pouco com você.
- Sente-se aí, Beto.
Vou pegar uma xícara para você.
- Não, Má. De jeito nenhum.
Tomei café agora mesmo. Obrigado.
Já estou indo, só passei aqui para ver o Gabriel.
- Não vai não - pediu Fábio.
Fique aí que vamos bater um papo.
- Outra hora, Fábio. Preciso mesmo ir.
Queria dar uma passada na casa da Bete, mas... não sei não...
Acho que vou ligar e pedir para ela passar lá em casa.
- E você e a Bete, Roberto.
Como estão? - perguntou Márcia.
- Somente amigos, Márcia.
Absolutamente nada mais.
Eu adoro a Bete e a respeito muito.
- Não se zangue!
Desculpe-me - disse Márcia.
- Não estou zangado.
Só estranho as pessoas não acreditarem em um amor platónico.
Ninguém acredita num relacionamento sem interesse físico ou material - defendeu-se Roberto.
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