DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:47 am

- Desculpe-me. Não pensei no que estava falando - ela disse ao abraçá-lo sorrindo.
Ele deu-lhe um beijo e sorriu.
Desviando o assunto, comentou:
- Você me parece tão bem, Má.
Não está mais inchada, está bem rosada.
Olha só...!
Nesse momento, Roberto beliscou fortemente as bochechas da irmã balançando seu rosto de um lado para outro.
E Márcia gritou:
- Ai! Para, Beto!!!
Sabe que eu não gosto disto!!!
- Quieta! Vai acordar o Gabriel! - sussurrou brincando.
Fábio sorriu, mas ao olhar para Roberto sentiu algo indefinido e triste.
- Vou indo. Tchau pessoal! - despediu-se o cunhado.
Roberto se foi e o dia correu normalmente.
Mais tarde, enquanto conversavam, Fábio fez um convite a Márcia:
- Vamos dar uma volta, Má?
- Onde?
- Sei lá. Vamos ao shopping.
Depois podemos passar na casa do Ciro para falar com a Rose sobre a mensagem do Ney.
Sabe que eu já tinha me esquecido?
- Só se não formos muito longe.
Não quero andar muito - pediu Márcia.
E tenho de achar um lugar tranquilo para amamentar o meu "bezerrinho" - riu com mimo.
- Claro que não iremos longe.
Vamos lá, vamos arrumar as coisas até o Gabriel acordar.
Nesse momento o telefone tocou, era Ciro.
- Márcia?
- Oi, Ciro! Tudo bem?
- Tudo. O Fábio está? - perguntou Ciro sem demora.
- Está. Espere que ele já fala com você.
Ela estranhou a rapidez que o irmão exigia, nem perguntou do sobrinho.
Nesse instante, Fábio aproximou-se e atendeu.
- Fábio, é o Ciro.
- Olá Ciro, tudo bem?
- Quase tudo, Fábio - disse mais realista e entristecido.
- Sabe o que é?
O Roberto me procurou assim que saiu de sua casa hoje cedo porque ele estava preocupado.
- Como é? Não estou entendendo!
- Estou de plantão no hospital - Ciro explicou melhor.
E assim que o Roberto saiu daí de sua casa, veio pra cá e me procurou.
Contou que há alguns dias vem sentindo dores nas costas e pensou que fosse problema com a coluna.
Hoje ao sair da sua casa, percebeu que estava com febre e com medo de que pudesse ter contagiado o Gabriel com qualquer virose ou mesmo gripe.
Ele me procurou para saber o que tinha.
- Pelo que percebemos o Roberto nem pegou o Gabriel nem tocou nele.
O Gabriel estava dormindo e o Roberto o viu no berço.
A Márcia foi tirar o véu para ele vê-lo melhor, mas seu irmão não deixou e só ficou lá, sentado e olhando.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:48 am

- Sim, eu sei.
Foi exactamente isso que o Roberto me contou.
Mas isso não é importante, pois não poderia ter contaminado o Gabriel.
- O que o Roberto tem? - perguntou Fábio preocupado.
- Pneumonia dupla. Eu o internei.
Ele não me parece muito bem.
Sei que Márcia está de dieta e amamentando, por isso não contei a ela, mas seria bom se você o fizesse.
Não concordo em esconder factos desse tipo, já tivemos experiências anteriores.
- Claro, Ciro. Vou avisá-la.
Nos mantenha informados.
Obrigado. Tchau.
Márcia estava na expectativa, porém não se esqueceu do recado para Rose.
- Você não avisou sobre a Rose!
- Esqueci! Não deu tempo, Má.
Liga pra ela agora, vai.
- Nós não íamos lá?
- Isso é muito importante, avise-a por telefone mesmo, depois conversamos pessoalmente.
- O que o Ciro queria? - perguntou Márcia desconfiada.
- Primeiro liga pra Rose. Isso é importante.
Não sei como fui me esquecer - lamentou.
Deveríamos ter ligado ontem à noite mesmo.
Márcia pegou o telefone e ligou para a cunhada.
- Rose? É a Márcia.
- Oi, Má! Tudo bem?
E o Gabriel?
- Está lindo! E bem comilão!
Está tudo bem.
Você e as meninas estão bem?
- As meninas estão óptimas.
Eu é que estou com dores de cabeça diariamente.
Já fiz de tudo para me livrar dela, mas acredito que os remédios que tomei prejudicaram meu estômago.
Tive vómitos e coloquei tudo para fora.
Sem falar nas tonturas, náuseas, azia...
Rose riu forçado e disse:
- Preciso de um médico, você conhece algum?
- Aconselho parar de tomar tudo e procurar um médico especialista em obstetrícia.
Márcia riu e revelou:
- Você está grávida.
- O que é isso, Márcia?
Não estou não!
- Está sim! Antes de tomar qualquer coisa, procure ter certeza.
- Imagine! - riu a cunhada.
Não estou grávida não, Márcia.
O riso cessou.
Rose fez breve pausa e respondeu gaguejando ao murmurar:
- Eu... acho.
- Recebemos uma mensagem do Ney e ele pediu para você parar de tomar remédios, pois está grávida.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:48 am

Parabéns! - revelou com satisfação e sem trégua.
- Não pode ser! - exclamou Rose.
Ou será...?
- Mas é! Acredito que por você nem desconfiar é que nos avisaram.
Não querem que se prejudique com automedicação.
Rose ficou muito surpresa, mas feliz com a notícia.
Decididamente iria fazer um exame para ter certeza.
Elas riram e conversaram mais um pouco.
Fábio, porém, não parecia contente.
Preocupava-se com o estado de Roberto.
- Puxa, Fábio! - comentou Márcia ao desligar.
Por essa a Rose não esperava.
Ela ficou na maior alegria, disse que iria ligar pro Ciro e ver se faz um exame o quanto antes.
- Márcia - contou o marido sem demora -, o Ciro telefonou àquela hora avisando que o Roberto foi procurá-lo, pois ficou preocupado.
Contou que veio aqui em casa hoje cedo ver o Gabriel e só mais tarde percebeu que tinha febre alta.
Disse que estava com medo de ter contaminado o sobrinho com algum tipo de gripe.
Falou que nem pegou o nené no colo, porque ele estava dormindo e não podia acordá-lo.
- E daí? - perguntou Márcia calmamente.
- O Ciro disse que não precisamos nos preocupar.
Primeiro porque ele nem pegou o Gabriel no colo, segundo porque não há como contagiar...
Fábio deteve as palavras e Márcia sentiu um frio correr-lhe no corpo e perguntou:
- O que ele tem?
- Pneumonia - respondeu em tom de lamento.
Márcia entristeceu e sentou-se no sofá ao dizer:
- Ele me parecia tão bem, tão alegre quando saiu daqui.
- Eu também achei.
Sentando ao seu lado, contou:
- Outro dia, estava pensando e observando-o, apesar de portador do vírus HIV, o Roberto não aparenta nenhum sintoma pela falta de imunidade.
Ele não está magro, pelo contrário, seu porte é bem atlético, não está pálido ou coisa assim, nem reclama de sentir nada.
Ele vive normalmente connosco e até me esqueço de que ele tem isso.
- O Ciro falou se ele está bem?
- Disse que está com pneumonia nos dois pulmões e... não estava muito bem... a febre ainda era alta.
- Vamos pro hospital, Fábio?
- Márcia, é melhor não.
Lá não é lugar para você, que está de dieta e amamentando, além do mais e o Gabriel?
Você não irá levá-lo a um hospital sem necessidade, não é?
Fábio pensava em preservar a saúde dela e do bebé.
Queria poupar Márcia de sofrimentos maiores.
Sabia que a esposa era muito apegada ao irmão e certamente padeceria se o visse doente.
Fábio sentiu que algo aconteceria com Roberto.
Como de facto aconteceu.
Apesar de estar em um bom hospital e sob cuidados de bons médicos, inclusive de seu irmão, Roberto desencarnou suavemente no segundo dia.
Como previsto por Sidney, Roberto foi amparado pelo plano espiritual.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:48 am

Teve um desligamento suave e depois de alguns dias, foi recebido com alegria quando despertou na espiritualidade.
Para a surpresa de todos, diante do acontecido trágico, Márcia se controlou.
Chorou, porém o fez pela falta e pela saudade que sentiria de seu irmão tão querido.
Ela o amava muito.
Mas, agora, devido ao conhecimento, preparo e principalmente a certeza de que essa separação seria necessária e que reencontraria com seu irmão novamente em algum lugar um dia, conformou-se.
Sabia que a vida não acaba após a morte do corpo, e se conteve por entender que nada terminou ali.
Apesar da grande falta que Roberto lhe faria, apesar da saudade...
Márcia cresceu espiritualmente, sua fé e confiança no Criador estava inabalável.
- Sabe Fábio - dizia Márcia - como admiro a Bete.
Desde quando ela e Roberto se conheceram, mesmo sabendo de seu problema, nunca teve qualquer preconceito ou fez pouco caso dele, pelo contrário, foi companheira, saíram juntos, mostrou-se a melhor das amigas e parceira incomparável.
- Eu sempre admirei a Bete, Márcia.
Ela sempre foi assim.
Nós nos conhecemos no centro espírita e seus pais ajudaram os meus e a mim na adolescência.
Foi a única amiga que eu tive em meio a todas aquelas dificuldades por que passei.
Os outros fugiam de mim como se eu tivesse uma doença contagiosa.
- Eu a admiro tanto que não tenho palavras para descrevê-la.
A Bete é mais que maravilhosa.
Fábio sorriu concordando.
Depois de um tempo, Márcia perguntou:
- Como será que está meu irmão?
- Deve estar ainda, digamos, dormindo, ou talvez despertando para a nova vida - respondeu esboçando leve sorriso.
Quando se desencarna como Roberto, preparado e instruído, tanto para ele quanto para o plano espiritual fica muito mais fácil.
O espírito geralmente fica adormecido e desperta depois de alguns dias, semanas ou até meses, depende do caso.
A princípio, sente-se um pouco confuso com toda nova experiência.
Mas devido ao grau de entendimento e aceitação, será orientado por amigos e continuará vivendo e aprendendo.
- Você acha que ele está bem?
- O próprio Ney avisou, um dia antes do Roberto ir para o hospital, que ele estaria bem, para que não se preocupasse.
Nem mesmo deu tempo para eu mostrar a mensagem para o Roberto.
Naquele dia pela manhã quando ele esteve aqui, eu estava entorpecido de tanto sono que acabei me esquecendo.
Acho que foi melhor assim.
Márcia acenou com a cabeça positivamente e, chamada ao quarto pelo choro do Gabriel que acabou de acordar, foi ver o filhinho.
Júlia ria debochadamente.
- Roberto, amparado, sei!
Quero ver a cara de espanto daquele infeliz.
Júlia voltou à realidade com a aproximação de Jonas.
- Júlia! Júlia!
- O que foi?!
Pra que tanto alarido? - respondeu ela.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:48 am

- O que é aquilo lá fora?! - gritava Jonas desesperado.
- Aquilo o quê?
- Há um monte de homens e de mulheres com vestimentas estranhas, de cores vermelhas e pretas, saia de palha e rodada, trazendo nas mãos um monte de objectos, cordas, punhais e não sei mais o quê...
Júlia ficou atordoada, sentindo-se muito mal.
Havia prometido inúmeras oferendas a um grupo espiritual desencarnado, em troca de que Márcia e Roberto fossem perseguidos e perturbados.
Mas nem tudo o que prometeu foi cumprido correctamente porque não achou que o seu desejo foi bem realizado.
Além disso, sua doença e seu desencarne atrapalharam seu acompanhamento aos trabalhos efectuados.
Agora acreditavam que chegou o momento de lhe cobrar.
- Eles estão...
Jonas nem terminou a frase, pois aqueles espíritos entraram ali e colocaram-se um ao lado do outro em uma formação geométrica no chão.
De dois em dois até chegarem perto de Júlia.
As mulheres cantavam uma música que não se podia entender bem o que diziam.
Elas rodopiavam e pulavam.
Por fim, com um grito estridente, chegou, depois de um grande pulo, um espírito com a aparência de homem moreno, alto e magro, vestido com uma espécie de "tanga afro" e tiras em torno da testa e nos braços, com o peito de fora.
Júlia tentou correr, mas não conseguiu.
Foi agarrada por algumas mulheres.
Júlia gritava e se debatia, mas nada adiantou.
- Larguem-me.
Vocês não podem fazer isso!!! - gritava ela.
- Soltem minha irmã! - ordenou Jonas indo na direcção daquele que parecia ser o chefe daquele grupo.
- Não se atreva!!! - vociferou de modo a estremecê-lo.
- Vocês nos subjugaram.
Achou que nosso serviço não prestou.
Não colaborou connosco e não pagou o que devia.
Agora ela vai com a gente.
Será o nosso sacrifício, o exemplo de que precisamos.
- Mas não foi culpa minha! - defendeu-se Júlia aos gritos.
Eu não paguei porque adoeci.
Houve algum engano, não disse nada sobre vocês não trabalharem direito.
O homem aproximou-se dela e cuspiu-lhe no rosto, dizendo:
- Mentirosa! Podem levá-la!
- Espere aí! - disse Jonas.
- Não se meta!
Ainda não temos nada contra você.
Ela vai e de lá não sairá mais.
Jonas acovardou-se.
Eles seguraram Júlia em decúbito ventral, presa pelos punhos e tornozelos por cordas.
Levaram-na, chicoteando-a enquanto cantavam num dialecto estranho.
Jonas não sabia o que fazer.
Ficou desesperado e saiu à procura de Zul.
Depois de muito tempo, finalmente o encontrou.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:49 am

- Zul! Que bom encontrar você aqui!
Preciso de sua ajuda!
- Ei, cara! - disse Zul.
Por onde andou?!
O chefe está furioso com o seu desprezo.
Mandou chamar para conhecer você e não se deu ao trabalho de dar satisfação.
- É que eu andava ocupado demais com aquele pessoal.
Aconteceu um monte de coisa.
Eles se reconciliaram e estão cada vez mais fortes.
Não conseguimos mais atingi-los.
Mas agora surgiu um problema mais importante.
Minha irmã encontra-se em apuros.
Preciso da sua ajuda para livrá-la de um pessoal que a prendeu e a levou não sei pra onde, me ajuda Zul!
- Sem antes ver o chefe, não dá.
Você tem que vir comigo - avisou o espírito Zul.
- Então vamos.
Jonas estava desesperado, faria qualquer coisa para livrar sua irmã.
Então seguiu com Zul.
Eles percorreram longa distância chegando a um lugar baixo, deserto e estranho.
O ar parecia cinza e pesado.
Passaram por alguns portões metálicos e altos onde havia chapas metálicas com altos relevos semelhantes a rostos humanos com as bocas abertas.
Subiram alguns degraus e diante de uma porta forte, alta e escura, Zul se anunciou.
As portas se abriram e eles entraram.
Andaram por um corredor escuro, iluminado por tochas tremulantes.
Podia-se sentir algo estranho.
Jonas experimentou um medo horripilante, mas não disse nada.
Estarreceu-se mais ainda quando Zul ordenou firme:
- Fique aqui.
Vou avisar que você chegou.
A cada segundo, tudo parecia mais tenebroso.
Jonas começou a ouvir gritos e gemidos ao longe.
Porém negava-se acreditar, pois estava apavorado.
Passado um tempo considerável, Zul voltou e disse:
- Vamos. Venha comigo.
Andaram mais um pouco, depois entraram numa antessala de dar calafrios e por fim numa sala onde havia somente uma cadeira alta que fazia lembrar um trono.
Um tapete vermelho cobria todo o chão.
Havia uma espécie de fumaça no ar.
O espírito que era denominado como "chefe", assemelhava-se a um homem de estatura descomunal e aparência deformada para amedrontar seus subalternos.
Estava de costas e virou-se com a chegada de sua visita.
Ele olhou bem para Jonas e exclamou, perguntando:
- Você?!!!
- Eu o quê? - perguntou Jonas timidamente.
- Você vai pagar tudo o que fez e será a partir de agora!!!
Ele irado, gritava muito, vociferando em tom horripilante.
Obedecendo ao seu chamado, entraram na sala alguns outros que seguraram Jonas pelos braços que, desesperado, gritava:
- O que eu fiz?!
Nem o conheço!!!
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:49 am

Transtornado pela raiva que sentia de Jonas, acabou gritando e cuspinhando enquanto falava:
- Eu sou Manoel, avô do Rônei, lembra-se?
Sou pai do Eraldo também, que era o tio mais novo do Rônei.
Isso não lhe diz nada?!
Jonas empalideceu.
Suas pernas amoleceram e seu corpo ficou frio enquanto suava.
Mesmo assim, Jonas negou.
- Eu não sei do que está falando.
- Sabe sim! - vociferou grunhindo de ódio.
Sabe muito bem!
Você matou meu filho e meu neto.
Por sua causa eles hoje sofrem no "vale", e eu não posso fazer nada por eles.
- Eu?! Eu não fiz nada! - disse Jonas tentando se defender.
Aproximando-se deu-lhe alguns tapas no rosto e disse grosseiro:
- Não imagina quantos estão atrás de você!
Prontos para saciarem sua sede de vingança por tudo o que provocou a tantos jovens.
- O que é isso?!
Do que você está falando?!
- Você viciou meu filho e meu neto, dando-lhes gratuitamente drogas para que ficassem dependentes desse mal.
Com o tempo eles não puderam mais se livrar desse vício e até venderam seus próprios corpos para conseguirem dinheiro.
Eles roubaram! - gritava.
Furtaram e venderam suas coisas, seus pertences e coisas de sua própria casa para conseguirem comprar drogas.
O Eraldo, meu filho, morreu primeiro, atacado de vírus, vítima da AIDS, que adquiriu através de seringas ou sei lá o quê!
Seu desgraçado!
Você matou meu filho e, como se não bastasse, meu neto morreu logo depois por uma superdose.
Hoje eles encontram-se doentes e com dores piores do que quando encarnados.
O Eraldo está sem pele, deformado e sentindo dores horríveis em suas feridas e contracções nos órgãos internos diuturnamente.
O Rônei está com o apodrecimento aparente de seu estômago.
Sabe como se aparenta?
Está visível pra qualquer um ver!
Sangrando, putrificando e caindo os pedaços por onde quer que ele ande, e a culpa é sua!!!
- Eu não sei de nada - acovardou-se Jonas.
- Aqui, meu caro Jonas, não adianta negar.
Muitos outros jovens estão em situações iguais ou piores a de meu filho e meu neto, e nós não podemos fazer nada para ajudá-los.
- Pode me soltar!
A culpa não é minha!
O que vai fazer comigo?! - perguntou Jonas.
- Vou mandar informar a todos que o procuram que eu o encontrei e que você está comigo, à disposição para se vingarem - gargalhou tenebrosamente.
Aliás, ouvi dizer que você adora uma vingança, não é?
Pois nunca mais terá sossego, Jonas.
Até que a sua última vítima seja resgatada de todos os sofrimentos.
- Não! Não pode fazer isso comigo! Não!!!
Jonas gritava e se debatia inutilmente.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:49 am

- Veremos se não posso.
Você não sabe o que o espera.
- Não! Pelo amor de Deus!
Não! Deus, me ajude!
O pedido de Jonas não passava de palavras em meio a um desespero, pois previa o que sofreria.
Gritou por Deus porque se acostumou a ouvir o nome Dele em qualquer situação difícil, porém o remorso estava longe de seu coração.
- Levem-no daqui!
Espalhem a notícia de que ele está à disposição!
O homem caiu em delirante gargalhada.
Jonas foi levado para uma espécie de cela e aprisionado.
Essa cela era um lugar húmido, escuro, grudento, com um odor horrível e inigualável a tudo o que Jonas já conhecera.
No local havia insectos, animais pequenos, barulhos estranhos e aterrorizantes, propositadamente "produzidos" por aqueles espíritos tenebrosos a fim de causar medo.
Jonas ficaria à mercê de sua sorte para sofrer as consequências de todos os seus actos, todas as suas arbitrariedades.
Nem poderia imaginar o que mais o esperava.
Devido julgar-se sempre com razão, devido sua falta de fé no Criador, acreditando que sairia impune de todos os seus actos, agora sofreria por isso.
Aquilo era somente o começo.
Passados alguns meses, tudo corria normalmente.
Márcia, Fábio, Gabriel e o senhor Aristides estavam na casa de Ciro e Rose fazendo uma visita de boas-vindas a Vinícius que nascera.
- Olha só, Gabriel, daqui alguns dias o priminho Vinícius vai poder brincar com você - dizia Fábio a seu filho que pulava em seu colo.
- Como ele está grande, Fábio? - admirou-se Ciro.
- É sim. Passou tão rápido.
Nós nem percebemos e de repente ele já está quase falando e querendo andar.
Chamando Márcia para longe de todos, Rose perguntou:
- O que foi Márcia?
Você me parece chateada.
- É que o meu sogro quer ir embora para Minas Gerais, eu quero que ele fique - respondeu Márcia entristecida.
- Ele precisa cuidar das coisas lá, não é? - justificou Rose.
- Lá, em Minas, ele tem um funcionário que é como um irmão.
O homem é muito honesto e prestativo, trabalha com ele há muitos anos e cuida de tudo.
Bem que o senhor Aristides poderia deixá-lo cuidar das coisas lá e ficar aqui.
Não precisa se preocupar com nada, tem de tudo aqui... - disse Márcia quase chorando.
Estou acostumada com ele... é como um pai...
- Só que não podemos interferir na vontade dele - lembrou Rose.
Paula, que também estava lá e ouvia a conversa, observou:
- Será que é só por causa de seu sogro que está assim, minha irmã?
- Por que me diz isso? - perguntou Márcia murmurando.
- Não sei. Você está diferente.
Chateada, sim, mas... está abatida demais.
Parece que outra coisa a incomoda.
Está sensível, chorona...
- Não - negou Márcia, sentida.
É que ele é tão bom para nós.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:49 am

Não quero que nos separemos.
- Ah! Eu soube que o pai está indo no centro espírita com você e com o Fábio.
É mesmo? - tornou Paula para não vê-la chorar.
- É sim - confirmou Márcia.
Já foi lá connosco três vezes.
Percebi que está adorando as palestras e quando vai começar os passes, é sempre o primeiro da fila.
Tem que ver que engraçado.
- Qualquer dia, vou levá-lo ao centro que eu, o João Vítor e a Bárbara frequentamos.
Ele vai gostar de lá também.
- Paula, eu estava achando o pai muito sozinho naquela casa.
Estive conversando com o Fábio sobre isso e nós decidimos que o pai vai morar com a gente, vamos fazer a mudança dele na próxima semana.
- Mas o pai já sabe, Márcia?! - admirou-se Paula.
- Já. Adorou a ideia.
Tem que ver como ele ficou.
Está até arrumando as coisas - riu sem ânimo.
- Jura?! Nem dá para acreditar.
- Claro! - confirmou Márcia.
- Fico feliz com isso, Má - comentou Rose.
Eu estava mesmo preocupada com o senhor Jovino sozinho naquela casa.
- Márcia, eu estava falando isso para o João Vítor - argumentou Paula.
Pensamos em levar o pai para morar com a gente.
Só que minha casa é pequena e o quarto da Bárbara é miúdo, mal dá para ela.
- Não se preocupe, Paula - tranquilizou a irmã.
Minha casa é grande e eu faço questão.
Até pelo facto do pai e o pai, digo... - riu ao confundir-se, balançando a cabeça como querendo organizar as ideias.
O pai e o senhor Aristides se dão muito bem, um fará companhia ao outro.
Eles poderão dividir o quarto, que é grande, e, se por acaso isso não der certo, minha casa tem muito espaço e dá para construir mais um quarto.
A não ser que o senhor Aristides não queira ficar em São Paulo mesmo - desfechou chateada.
- Está vendo, Márcia? - lembrou Rose.
Você não vai ficar sozinha naquela casa.
Seu pai vai morar com você, se acaso o senhor Aristides for embora, seu pai fará companhia.
- Eu sei, Rose, só que gosto muito do meu sogro.
Você nem imagina!
Ele é um pai para mim, eu já disse.
Pode parecer que eu esteja sendo egoísta, mas gostaria que os dois morassem lá comigo - quase chorou novamente.
Paula sorriu e admirou a mudança de Márcia.
- A propósito, Paula - continuou Márcia contendo-se para não chorar -, por que você não se muda para a casa do pai?
Acho que o Ciro não vai se importar.
Ele está estabilizado e eu também.
Poderá sair do aluguer, isso será muito bom, não é?
- Não sei, Márcia. E se o pai...
Márcia não deixou que continuasse e falou:
- O pai foi o primeiro a propor isso, Paula.
Converse com o João Vítor e veja qual é o melhor para vocês.
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:50 am

- Isso, Paula - incentivou Rose.
Será óptimo para vocês!
Mesmo antes de conversar com seu marido, ela ficou feliz com a ideia.
Não só pela mudança de sua situação financeira, mas também pela falta de ambição de seus irmãos.
Dias depois, Paula mudou-se para a casa de seu pai.
Gostaria que ele ficasse lá, morando com ela, mas o senhor Jovino decidiu ir morar com a Márcia e Fábio.
Talvez por ciúme do Gabriel com o outro avô.
A família de Paula passou por uma sensível mudança.
Tanto ela como seu marido, ficaram mais calmos e passaram a viver muito bem.
Eles eram tarefeiros no centro espírita que frequentavam e Bárbara os ajudava.
O senhor Jovino passou a administração da gráfica para João Vítor, que se saiu muito bem ocupando o lugar que era de Roberto.
Na casa de Fábio e Márcia, os dois avôs ficavam disputando o neto que, aos dez meses de vida, não podia reclamar de falta de atenção, carinho, brincadeiras e mimos.
Márcia nunca foi tão feliz.
Descobriu que a felicidade estava nas minúcias da vida e não nas grandes conquistas terrenas.
Um dia, logo após o jantar, Fábio conversava com seu pai.
- Pai, pensa bem - aconselhava Fábio.
- Já resolvi, filho.
Vou mesmo voltar para Minas - decidiu o senhor Aristides.
- Esse velho está ficando caduco - dizia o senhor Jovino para provocá-lo.
Quer voltar para aquele "fim de mundo" e ficar lá sem fazer nada.
Só de papo para o ar...!
- Caduco é você - revidou o senhor Aristides.
Eu tenho o que fazer lá sim.
Não sou como você que deixa os serviços para os outros.
Quer ir comigo pra saber o que é trabalho mesmo?!
Quer?! Vamos?!
- Parem.
Parem com isso - pediu Fábio calmamente, pois já estava acostumado com as constantes discussões dos dois, que sempre acabavam bem, mas duravam muito.
Não comecem.
Eu só quero saber se o senhor vai mesmo voltar, pai?
- Estou decidido, Fábio. Vou voltar.
Não tolero mais esse aí...! - indicou o senhor Jovino com o queixo.
- Pai, essa casa é grande, tem espaço sobrando.
Fica - pediu Fábio com jeitinho.
A Márcia está chateada com essa ideia.
Está chorando por causa disso...
Já estou cansado de vê-la triste esses dias, aí pelos cantos, pelo facto do senhor ficar repetindo que vai embora.
Puxa, não a torture!
Não sei mais o que dizer, ela está sensível!
Gosta muito do senhor.
O senhor Aristides ficou pensativo, titubeou e falou:
- Preciso voltar.
Faz tempo que não vejo sua tia...
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Ave sem Ninho

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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:50 am

Após segundos, perguntou preocupado e triste:
- Achei a Marcinha muito abatida... a vi choramingando também.
Será que é por minha causa?
Será que gosta tanto de mim assim?
- Está vendo? - interferiu o senhor Jovino.
Você nem percebe quando maltrata minha filha.
É lógico que ela está chorosa por sua causa, velho tolo!
Depois diz que gosta dela!
Velho caduco e cego!
- Caduco é você! - retrucou o outro.
Fábio se levantou.
Não tinha como conversarem, não daquele jeito.
Mas, em seu íntimo, apreciava a presença dos dois e até se divertia com as discussões sempre engraçadas.
Mais tarde, depois que seu pai e seu sogro foram dormir, Fábio observou que Márcia estava chateada.
Aliás, cada dia que passava, a esposa parecia mais tristonha.
Assim que Gabriel dormiu, Fábio aproximou-se dela, abraçou-a com carinho e a beijou.
Depois, enquanto a envolvia com ternura em seus braços, perguntou com brandura:
- Por que você está assim triste, hein?
- Não é nada - respondeu com simplicidade.
- Márcia, eu a conheço.
Não tente me enganar, meu amor.
Vamos, me conta, vai.
Ela ficou pensativa por alguns segundos, suspirou fundo, depois o encarou e falou preocupada:
- Fábio, você está bem empregado.
Eu deixei o meu serviço depois da licença maternidade e me dedico só ao Gabriel.
Além de ter a Vera que me ajuda com a casa, meu pai e seu pai que me fazem companhia... - embargou as palavras.
Sorriu agora e comentou:
- Eles vivem implicando um com o outro, mas não se largam.
Pode parecer bobagem, porém isso enche nossa casa de vida!
Agora, depois de tudo estabilizado e tranquilo, seu pai quer ir embora... - disse com voz trémula para chorar.
Gosto muito do seu pai. Puxa!
Você não imagina o quanto... - lágrimas rolaram.
- Não podemos fazer nada, meu amor.
Eu disse que ele é teimoso.
Fábio a abraçou, recostou-a em seu peito e pediu:
- Não fique assim.
Não é motivo para tanta amargura, Márcia.
Você está ficando tão sensível para algumas coisas.
Isso só traz tristeza que a deixa abatida, pálida.
Sabe, andei te observando e estou preocupado com sua saúde.
Emagreceu muito, está com olheiras fundas...
Não dorme, chora à toa...
- Eu não queria dizer nada pra você, por enquanto, mas...
- Mas... Está doente?
Sente alguma coisa? - perguntou agora preocupado.
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Ave sem Ninho

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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 18, 2017 11:50 am

- Não... Não estou tão triste assim, ou melhor, não é só isso.
- Eu não estou entendendo, Má.
Explique-se direito - pediu apreensivo.
Chorando e rindo ao mesmo tempo, ela se viu obrigada a contar:
- Eu não estou tão triste, eu estou enjoada.
Não consigo comer nada que vomito.
Acho que estou grávida.
Acho, não...
Fiz um teste de farmácia hoje e deu positivo.
Meu medo são as náuseas...
Ai, Fábio... estou feliz, mas... começar tudo de novo...
Fábio ficou petrificado por um instante com o que ouvia de sua esposa.
Segundos após a surpresa, parecendo cair em si, muito feliz, ele a levantou no ar, abraçou-a e a beijou o quanto pôde.
- Eu te amo, Márcia! Te amo!!!
Não se contendo, acordou os dois avôs e contou a novidade.
Na mesma hora, o senhor Aristides mudou de ideia e decidiu não voltar mais para Minas Gerais.
Afinal de contas, ele teria de ficar para ajudar sua nora, que era mais do que uma filha.
Fábio precisaria trabalhar, ela poderia passar mal, como na primeira gestação, e somente ele tinha acompanhado Márcia durante esse período.
Acreditou que o sogro de seu filho não seria capaz de cuidar tão bem dela.
Depois, o outro avô tomaria conta do neto Gabriel, mas quem cuidaria de Márcia melhor que ele?
Não poderia confiar só na empregada.
Fora isso, futuramente, como poderia olhar duas crianças?
Uma o outro avô a ajudaria, mas e a outra?
Então, definitivamente o senhor Aristides resolveu ficar por amor à sua nora, e criou diversas discussões com o senhor Jovino por se achar bem mais preparado para tratar de tudo.
Márcia deu à luz a outro menino.
Só que, agora, foi Fábio quem escolheu o nome do filho.
E mais uma vez, como uma homenagem a uma das grandes personalidades dos livros psicografados por Chico Xavier, Fábio colocou em seu filho o nome de André Luiz.
O amor e a responsabilidade superam qualquer obstáculo.
Deus sempre está olhando por todos que têm fé.
Mesmo diante de circunstâncias que possam parecer críticas ou irreparáveis, sempre haverá o amparo e a melhor solução, se o amor e a fé no criador forem mantidos verdadeiramente fortes.
Isso nos faz despertar para a vida.

SCHELLIDA

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: DESPERTAR PARA A VIDA - Schellida / Eliana Machado Coelho

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