NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:05 pm

Não vamos estragar nossa amizade, que foi sempre tão bonita e sincera...
- Está bem...
Perdoe-me, nunca mais tocarei no assunto.
Ele saiu da sala quase correndo.
Juliana percebeu que ele chorava, mas nada podia fazer.
Para ela, Cássio era simplesmente um amigo.
Um amigo muito querido, nada, além disso.
Não podia se casar com ele, e sentia que com ninguém.
O tempo passou.
Cássio nunca mais tocou naquele assunto.
Aos poucos, a rotina foi voltando.
Ela já nem se lembrava mais daquele assunto, até que certo dia Cássio chegou acompanhado por Virgínia.
Vinham abraçados e sorrindo.
Virgínia disse:
- Estamos aqui juntos para lhe dar uma notícia.
Vamos nos casar, Juliana.
- Casar? Vocês dois? Como pode ser?
Nunca deixaram transparecer que se amavam.
- Nós mesmos não sabíamos, foi de repente.
Numa troca de olhares percebemos que nos amávamos; para pensarmos em casamento foi só um pulo.
- Fico muito feliz em saber disso.
São as pessoas que mais amo depois de Helena.
Desejo do fundo do meu coração que sejam muito felizes.
Quando vai ser?
- Daqui a três meses.
Gostaríamos de fazer uma grande festa, para isso vamos esperar a colheita, assim a festa será uma só.
Que acha? Embora saibamos que ainda pensa muito em Renato, não sabemos se concordará com a festa.
- Acredito que ele não se importaria vocês sempre foram nossos melhores amigos.
Acredito que tenham mesmo de fazer uma grande festa.
Virgínia temos de preparar seu enxoval.
Será que três meses serão suficientes?
Cássio, onde irão morar?
Aqui ou em sua fazenda?
- Já conversamos sobre isso.
Virgínia achou melhor que morássemos aqui para que você não fique sozinha.
Isto é, se você quiser.
- Claro que quero.
Como conseguiria viver sem minha irmã a meu lado?
Ainda bem que você está cuidando de tudo.
- Sendo assim, vou trazer para cá meu escritório.
Já que estou cuidando de sua fazenda desde que Renato morreu, será melhor trazer os documentos de minha fazenda também, assim cuidarei de tudo sem precisar ir daqui para lá.
- Óptima ideia.
Papai e Renato nunca permitiram que eu me envolvesse com os problemas da fazenda e, por isso, nada entendo.
Se não fosse você, não sei como seria.
- Pode ficar despreocupada:
tudo está caminhando bem.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:05 pm

Há colheita este ano será uma das melhores que já houve.
A propósito, preciso que me assine o contrato de venda do café.
- Assinarei assim que quiser.
Virgínia vamos ver o que precisamos comprar para seu enxoval.
- Vamos, sim.
Vai ser preciso comprar muitas coisas.
As duas se despediram de Cássio e foram para o quarto de Virgínia.
Juliana realmente estava feliz com aquele casamento.
Queria que a irmã tivesse tudo de melhor.
Fizeram uma lista enorme do que precisava ser comprado.
Virgínia estava muito feliz, parecia ter ganhado a sorte grande.
- Juliana, agora vou realizar meu grande sonho:
casar-me com Cássio, que, além de ser o homem que amo, é também uma das maiores fortunas deste lugar, perdendo só para a de papai.
Tenho certeza de que ele me fará muito feliz.
Juliana estava sendo sincera:
gostava muito dos dois.
Sabia que eles só poderiam ser felizes.
Pouco depois que Virgínia saiu, Helena veio até o quarto da mãe.
Estava chorando.
- Que foi minha filha? Que aconteceu?
- Estou com saudade de papai.
Ele foi viajar e não voltou até agora, já faz muito tempo...
Juliana sentiu novamente aquele aperto no coração.
Abraçando a filha, respondeu:
- Filhinha, o lugar para onde papai foi é muito longe, mas um dia estaremos com ele.
Você, por enquanto, tem só de brincar e crescer para que ele, quando voltar, fique muito feliz por encontrá-la uma linda moça.
Com a menina no colo, foi para a sala, lhe deu alguns brinquedos e ficou por algum tempo brincando com ela.
Elvira veio pegar Helena para lhe dar o lanche da tarde.
Juliana foi para seu quarto, recostou-se na cama e começou a chorar, pensando:
Também sinto muita falta de Renato.
Queria que ele estivesse aqui comigo, ainda mais neste momento em que terei de demonstrar felicidade.
Na realidade, estou feliz com esse casamento.
Virgínia e Cássio são meus melhores amigos, só posso desejar que sejam felizes.
Ainda bem que Cássio se recuperou daquele amor que pensou sentir por mim.
Daquele dia em diante, nossa amizade cresceu ainda mais.
Quando me casei com Renato, ele ficou feliz e ajudou em tudo para que a festa fosse um sucesso, como realmente foi.
Esteve sempre a meu lado.
Está cuidando de tudo aqui na fazenda.
Só posso mesmo ficar muito feliz com esse casamento.
Eu amo os dois. O casamento realizou-se três meses depois.
Juliana preparou o melhor quarto da casa.
Ficou como Virgínia sonhara.
Deu-lhes de presente uma viagem para a Europa.
Ficariam viajando um mês inteiro.
Antes de viajar, Cássio transmitiu todas as ordens necessárias para André, que era o homem de confiança dele, assim como o fora do pai de Juliana e de Renato.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:05 pm

Virgínia ficou muito bonita vestida de noiva.
Todos os convidados puderam notar a felicidade estampada no rosto de Juliana e o orgulho que sentia por estar dando uma festa tão bonita para a irmã.
Cássio, sorridente, atendia a todos.
À noite, após os convidados terem ido embora, Cássio e Virgínia despediram-se de Juliana.
Cássio disse:
- Juliana, querida, estamos indo amanhã de manhã.
Não precisa se levantar cedo.
Sabemos que está cansada com toda essa movimentação, por isso vamos nos despedir agora.
Não se preocupe com nada, André já tem todas as ordens.
Se precisar de alguma coisa, basta falar com ele.
- Cássio, não se preocupe comigo.
Sua única preocupação, agora, deve ser fazer minha irmã feliz.
Virgínia, abraçando a irmã, falou:
- Isso ele fará, com certeza.
Demoramos muito para descobrir, mas sabemos hoje que nascemos um para o outro e que seremos muito felizes.
- É o que mais desejo.
Tenho certeza de que será assim.
Despediram-se e foram para o quarto.
Juliana saiu para a varanda.
Olhou para o céu, a lua brilhava muito.
Muitas estrelas faiscavam.
Ela se encantou com a beleza que via.
- Estou mesmo exausta.
Os preparativos para o casamento foram cansativos, mas valeu a pena.
Deu tudo certo:
Virgínia estava uma linda noiva.
Ela e Cássio serão felizes.
Ficou ali por muito tempo.
A saudade de Renato era imensa, sabia que em alguma daquelas estrelas ele devia estar.
Escolheu uma e, olhando firmemente, mandou um beijo. Entrou em casa.
Apesar da saudade, estava contente por ver seus melhores amigos casados e felizes.
Antes de se deitar, passou pelo quarto de Helena, que, também cansada por toda a movimentação da festa, dormia tranquilamente.
Cobriu a menina, beijou sua testa e foi para seu quarto.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:05 pm

A JUSTIÇA DA LEI
Os dias passaram. Para Juliana, nada mudou, sua rotina foi sempre à mesma:
dava algumas ordens e cuidava de Helena; nas horas de folga, pintava.
Já estava acostumada, mas sentia muita falta da irmã, que sempre tivera a seu lado.
Chamou Elvira.
Assim que ela chegou, Juliana disse:
- Amanhã, Virgínia e Cássio estarão voltando da viagem.
Mande arrumar o quarto deles com todo o carinho e que sejam colocadas muitas flores.
O jantar deve ser preparado com tudo o que eles gostam, devem chegar com muita fome.
Preste atenção aos detalhes, quero que tudo esteja em ordem.
- Pode ficar tranquila, a casa estará um brinco.
Também estou com muita saudade de meus meninos.
Elvira saiu.
Juliana ficou andando pela casa, verificando se tudo estava em ordem.
Quem cuidava da arrumação era Virgínia, por isso sabia que ela gostava de tudo em seu lugar.
Olhou a sala, o corredor.
Parou em frente à porta do escritório.
Não costumava entrar naquele aposento, mas precisava ver se tudo ali estava arrumado também.
Lá dentro, olhou para um quadro com a imagem desenhada de seu pai.
Pensou: Papai, o senhor deve estar feliz, como eu, pelo casamento de Virgínia.
Ela será muito feliz, pode ficar tranquilo.
Continuou olhando o lugar.
Sobre a mesa, havia vários papéis.
Sentou-se na cadeira, recolheu os papéis e abriu uma gaveta para guardá-los.
Viu que havia algumas pastas de documentos.
Por curiosidade, abriu à primeira.
Eram papéis de gastos de sua fazenda.
Olhou as contas e percebeu que naquele ano o café realmente daria lucro.
Continuou olhando as outras.
Abriu uma que era da fazenda de Cássio.
Pegou um papel que dizia que a fazenda estava hipotecada para uma pessoa com a qual Cássio tinha uma dívida muito grande em notas promissórias.
Ficou espantada:
Por que ele nunca nada comentou a esse respeito?
Essa dívida é muito grande e vai vencer daqui a seis meses.
Como ele conseguirá tanto dinheiro?
Amanhã, quando chegarem, não vou comentar, mas depois de amanhã vou perguntar.
Precisamos encontrar um meio de arrumar esse dinheiro.
Não sei como, mas deve existir um modo.
Não sei em quanto monta minha fortuna, mas deve dar para ajudá-lo a pagar.
Intrigada, foi para seu quarto.
Por mais que quisesse, não conseguia esquecer aquela cifra, era muito grande.
O que terá acontecido para que ele fosse obrigado a pegar emprestado tanto dinheiro?
Deve existir algum motivo.
Por que não me contou nada?
Poderia tê-lo ajudado.
Desde que o pai sofreu aquele derrame, ele é quem cuida de tudo.
Pelos papéis, essa dívida não é do tempo de seu pai, é recente.
Tentou pensar em outra coisa, mas não conseguiu.
Passou o resto do dia preocupada, mas sabia que nada podia fazer até que voltassem e ele lhe contasse tudo.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:06 pm

No dia seguinte, perto das seis horas, eles chegaram.
Juliana viu no rosto da irmã a enorme felicidade que estava sentindo.
Ela entrou em casa sorrindo e trazendo muitos pacotes.
Mandou chamar Helena e, sentada no chão, começou a abrir os pacotes.
- Trouxe muitos presentes para você, Helena.
Olhe como esta boneca é linda.
- É mesmo, titia. Tem mais?
- Sim, para você e para sua mãe também. Juliana adorei a viagem.
Assim que puder, acredito que você e Helena devam fazê-la também.
- Enquanto viajavam estive pensando nisso.
Mas, agora, vamos comer, devem estar com fome.
Foram para a sala de jantar.
Como Juliana havia ordenado, a refeição estava perfeita.
Virgínia, não escondendo sua felicidade, contava em detalhes tudo o que havia visto durante a viagem.
Cássio acompanhava a esposa, confirmando tudo que ela contava.
Juliana procurava nos olhos de Cássio algum sinal de preocupação, mas nada.
Ele continuava o mesmo.
Ela poderia jurar que na vida dele não havia problema algum.
Não entendia, e ficava cada vez mais preocupada.
Enquanto Virgínia falava sem parar, Juliana pensava:
Vou falar com ele sem a presença de minha irmã.
Ela está muito feliz, não posso estragar sua felicidade.
O jantar terminou.
Virgínia falou:
- Agora, eu e Cássio vamos nos deitar, Juliana.
Pode imaginar como estamos cansados.
- Posso sim, querida.
Vá se deitar, amanhã conversaremos.
Os dois se despediram e saíram da sala.
Juliana continuava intrigada e pensava:
Como ele pode esconder dessa maneira seus problemas?
Por que não fala comigo e pede ajuda?
Sempre me considerei sua amiga.
Foi para seu quarto, deitou-se e ficou muito tempo pensando em tudo que havia lido.
Depois de muito pensar e não entendendo o silêncio de Cássio, adormeceu.
No dia seguinte, acordou com a claridade do sol que batia em sua janela.
Levantou, olhou à sua volta, sabia que havia tido um sonho bom, mas não se lembrava dos detalhes.
Estava sentada diante do espelho quando Helena entrou correndo, rindo e gritando.
Virgínia vinha logo atrás.
Helena jogou-se sobre a mãe, que a amparou, sorrindo.
Virgínia falou:
- Essa menina não quis comer o bolo que eu mesma fiz.
Vou pegá-la!
Helena, gritando e rindo ao mesmo tempo, escondia o rosto no peito da mãe, que a abraçava, protegendo-a.
Juliana, sorrindo, disse:
- Não tenha medo, Helena.
Mamãe está aqui e não vai deixar tia Virgínia fazer-lhe nada.
Virgínia aproximou-se e abraçou as duas:
- Isso mesmo, nós duas estamos aqui para protegê-la, Helena.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:06 pm

Juliana sentiu um aperto no coração ao ouvir a irmã falando aquilo.
Enquanto a abraçava, pensava:
Como vou contar tudo a ela? Está tão feliz.
Vou falar ainda hoje com Cássio, ele vai ter de confiar em mim.
Talvez haja um meio de ajudá-lo.
Precisamos encontrar um modo de arrumar esse dinheiro.
Ele deve estar sofrendo muito.
As três saíram do quarto, abraçadas.
Passaram pela sala.
A mesa estava posta para o café.
Cássio já havia saído.
Para tomar o café, só faltava Juliana.
Ela se sentou à mesa.
Virgínia sentou-se em outra cadeira.
Helena ficou sentada no chão, divertindo-se com os brinquedos que Virgínia lhe trouxera.
Enquanto tomava café, Juliana olhou para a irmã, perguntando:
- Você está mesmo feliz?
- Claro que estou!
Cássio é um homem maravilhoso e me ama muito.
Por que não deveria estar?
- Por nada. Só estou fazendo uma pergunta.
Cássio conta-lhe tudo?
Não tem segredos?
- Não tem segredos.
Ele me conta tudo.
Por que essas perguntas?
Aconteceu algo durante nossa ausência?
Juliana sentiu vontade de contar o que descobrira, mas via que a irmã estava muito feliz, e decidiu que conversaria primeiro com Cássio.
Respondeu:
- Não, nada aconteceu.
Estou feliz com sua felicidade, espero que dure para sempre.
- Você está estranha.
Sinto que aconteceu alguma coisa e não quer me contar.
- Não, nada aconteceu.
Fique tranquila.
Vamos sair daqui para que a empregada possa tirar a mesa do café e arrumar a sala.
As duas saíram.
Juliana foi para fora ver o que Helena estava fazendo.
Virgínia entrou em seu quarto e voltou logo depois, vestida para sair.
Chegou perto de Helena e beijou-a no rosto, dizendo para Juliana:
- Vou encontrar Cássio.
Quero ficar com ele o maior tempo possível.
Hoje, vamos percorrer a fazenda.
- Faça isso, minha irmã.
Aproveite todos os momentos junto de seu marido.
A solidão é muito triste.
Jamais poderei esquecer Renato.
Não sei como estou conseguindo viver sem ele.
Nunca mais serei feliz...
Elvira queria falar com a patroa a respeito do almoço.
Entrou pela porta, ainda ouvindo as últimas palavras de Juliana.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:06 pm

- Que é isso, menina?
Ainda vai ser muito feliz.
Renato está no céu, mas a menina é ainda muito jovem, vai encontrar um novo amor.
Juliana olhou para sua velha empregada, sabia que ela a queria como filha.
Sorrindo, disse:
- Não vou encontrar um novo amor, porque não estou interessada.
Estou muito bem, com minha filha e com todos vocês.
Não preciso de um novo amor.
- Precisa, sim.
Com a ajuda de Deus, vai encontrar um.
Vim pegar Helena, está na hora de seu banho.
A menina não quis ir, mas Juliana disse:
- Vá, minha filha, depois poderá continuar brincando até a hora do almoço.
Helena levantou-se e saiu contrariada.
Virgínia olhou para Juliana:
- Elvira tem razão.
Você é ainda muito jovem, não pode continuar nessa solidão.
Deve e vai encontrar alguém.
É só uma questão de tempo.
- Não estou preocupada com isso.
Vivi com Renato uma união perfeita, acredito ser impossível encontrar outro alguém que me faça tão feliz como ele conseguiu fazer...
- Não vamos precipitar as coisas.
Se tiver de ser, será.
Agora, tenho de ir.
Até logo mais.
- Até logo, Virgínia.
Aproveite todos os momentos ao lado de seu esposo.
Todos eles são muito importantes.
Virgínia partiu.
Juliana ficou olhando para o horizonte, com o pensamento em Renato.
Quanta saudade sinto.
Por que teve de me deixar tão cedo?
Como foi se deixar picar por aquela cobra?
O tempo foi passando.
Fazia mais de um mês que Cássio e Virgínia retomaram da viagem.
Juliana tentou falar várias vezes com Cássio, mas não teve coragem.
Sabia que a qualquer momento ele tocaria no assunto, pois se assim não fizesse era porque conseguira de alguma forma o dinheiro de que precisava.
Naquela tarde, Juliana e Virgínia conversavam na varanda enquanto Helena brincava.
Cássio chegou ofegante e feliz:
- Ainda bem que encontrei as duas juntas.
Recebi uma carta de meu primo Rogério, lá de Portugal!
Ele está chegando para nos visitar e vai ficar aqui um ou dois meses.
Juliana espero que não se importe.
- Claro que não!
Vejo que está muito feliz.
Parece que gosta mesmo desse seu primo.
- Gosto muito!
Conheci-o ainda criança, quando papai me levou para Portugal.
Enquanto estive estudando fora, na França, visitei-o muitas vezes e tornamo-nos grandes amigos.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:06 pm

Todas as férias eu ia para Portugal.
Durante esse período, ficamos o tempo todo juntos, e temos nos correspondido sempre.
- Pois então será muito bem-vindo.
Esta casa não é só minha.
É de vocês também.
Quando acha que chegará?
- Não sei...
Você sabe como a correspondência demora em chegar.
Mas, pela data em que esta carta foi escrita, ele já deve estar chegando.
- Está bem, vou pedir para Elvira arrumar o quarto de hóspedes.
Lá ele ficará bem.
Espero que goste de tudo aqui.
De minha parte, farei o possível para isso.
Virgínia, nervosa, falou:
- Juliana, só podia esperar isso de você.
Cássio estou tão nervosa.
Será que ele vai gostar de mim?
Juliana respondeu:
- Claro que vai!
Você é muito bonita.
Diria até que perfeita.
Cássio, você não acha?
- Claro que acho.
Querida, você é a mulher mais perfeita do mundo.
Obrigada, Juliana, por receber meu primo em sua casa.
- Em nossa casa.
Nunca se esqueçam disso: a casa é nossa.
Juliana saiu, deixando os dois sozinhos, e foi até a cozinha falar com Elvira.
Três dias depois, uma carruagem chegou à fazenda. Juliana, vendo-a da varanda, chamou por Virgínia, que foi correndo para junto da irmã.
As duas ficaram paradas, olhando.
- Olhe Virgínia, deve ser o primo de Cássio.
- Deve ser ele mesmo.
E agora, o que faço?
- Apenas o cumprimente como sempre faz com as visitas.
Não entendo por que tanto nervosismo.
É só o primo de seu marido, nada mais que isso.
- Sei disso. Mas estou nervosa.
E se ele não gostar de mim?
- Isso não terá a menor importância.
O que importa é que seu marido gosta de você. E muito.
A carruagem parou em frente à escada que dava acesso à varanda.
Dela desceu um rapaz de aparência muito agradável.
Assim que desceu, olhou para cima, falando:
- Qual das duas é minha adorável prima?
Juliana apenas sorriu, enquanto Virgínia descia as escadas.
- Sou eu. Eu sou a esposa de Cássio.
E você, claro, é Rogério.
Ele beijou a mão que ela estendia.
- Sou eu mesmo. Cássio não exagerou quando me contou de sua beleza.
Se você é Virgínia, aquela deve ser...
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:06 pm

Juliana, do alto da escada, ainda na varanda, disse:
- Juliana. Sou Juliana, irmã de Virgínia e cunhada de Cássio.
Seja muito bem-vindo à nossa casa, espero que goste da vida no campo.
- Não só gosto como também vivo no campo.
Cássio não lhes contou?
Em Portugal, eu, meu pai e meus irmãos temos uma imensa fazenda, só que não é de café, mas de gado.
Estou aqui exactamente para conversar com Cássio sobre a possibilidade de criarmos gado aqui no Brasil.
Que acham?
Juliana, sorrindo, respondeu;
- Talvez seja uma ideia que possa ser estudada, mas não seria melhor entrar primeiro?
Ele, sorrindo, enquanto subia os degraus que os separava, falou:
- Acredito que sim, mas é que estou encantado com tudo o que vi durante a viagem.
- Terá a oportunidade de ver muito mais.
A fazenda é enorme, ainda mais agora que a cerca foi derrubada e a minha e a de Cássio se tornaram uma só.
Rogério chegou perto de Juliana, que lhe estendeu a mão.
Ele a segurou ternamente, olhou bem em seus olhos e disse:
- Muito prazer, senhora, acredito que vou gostar muito de minha estada por aqui.
Juliana, sentindo-se um pouco encabulada com o toque de sua mão, respondeu:
- Espero que sim.
Não me perdoaria se algo acontecesse que desagradasse um parente de Cássio.
- Nada acontecerá, pode ter certeza.
Sob o sorriso de Virgínia, que notou o embaraço da irmã, os três entraram na casa.
Rogério falava sem parar.
Colocou-se logo à vontade, como se já as conhecesse há muito tempo.
Cássio chegou logo em seguida e os dois se abraçaram entusiasmados.
- Que bom que chegou meu primo!
Pensei que fosse demorar mais!
- Também estou contente por ter chegado.
Durante a viagem até aqui, fiquei entusiasmado com tudo o que vi.
A plantação de café está uma beleza.
- Está sim.
Neste ano, não tivemos nenhum desastre da natureza.
Tudo que foi plantado vai ser colhido.
Juliana deixou-os conversando e foi para a cozinha pedir a Elvira que caprichasse no almoço.
- Fique tranquila, menina, vou caprichar.
O moço nunca mais vai esquecer minha comida.
Ele é um bonito rapaz.
Olhou para a menina de uma maneira...
- Que é isso, EIvira?
Ele acabou de chegar!
- Faz pouco tempo mesmo, mas vi como ele olhou para a menina...
Juliana balançou a cabeça e saiu rindo.
Na sala, os três continuavam conversando.
Quem mais falava era Rogério.
Juliana olhou para ele, pensando:
É mesmo um belo rapaz, e também notei o modo como me olhou.
É tão diferente de Renato... fala muito.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:07 pm

Renato sempre foi mais reservado, não gostava de jogar conversa fora.
Ela se juntou ao grupo, dizendo:
- Senhor Rogério, se gostou de tudo que viu até aqui, vai gostar ainda mais da comida que EIvira está preparando para o almoço.
Cássio, rindo, falou:
- A comida dela é mesmo divina, mas, enquanto não fica pronta, se não estiver muito cansado, podemos sair e ver a fazenda.
Não dará para ver tudo, mas terá uma ideia.
- Sei que vou gostar.
Da comida e de ver a fazenda. Vamos?
Eles saíram.
Juliana ficou seguindo-os com os olhos e pensando:
É mesmo um belo rapaz!
Virgínia foi para seu quarto para trocar de roupa.
Queria estar bem vestida para o primo de Cássio.
Juliana foi para a cozinha ajudar no almoço.
Ela gostava de ficar ali, conversando com Elvira.
Desde menina, acostumara-se com isso, ainda mais quando tinha algum problema que a incomodava.
Estava sentindo algo diferente.
Precisava falar com Elvira.
Elvira estava junto ao fogão, mexendo em uma panela.
Juliana chegou quietinha, sentou-se e começou a descascar uma batata.
Elvira olhou para ela e, sorrindo, perguntou:
- O que é que a menina quer conversar?
- Não quero conversar, quero somente ajudá-la no almoço.
- A quem está tentando enganar?
Conheço-a desde menina, e sempre foi assim:
quando tinha algum problema, chegava como quem nada queria, sentava-se aí nessa mesma cadeira e ficava calada até eu perguntar.
A menina cresceu, mas continua a mesma.
Sobre o que quer falar?
Será que estou adivinhando?
Juliana não respondeu, apenas sorriu.
Elvira continuou:
- É sobre o moço que chegou?
- Você disse que ele era um belo rapaz, e eu fui conferir...
- E aí? Viu que eu tinha razão?
- Realmente, ele é um belo rapaz, mas nada tem a ver comigo.
Ele fala demais, e eu ainda amo Renato.
- Ele fala, mas a menina gosta de ouvir sua voz.
Renato está no céu, e a menina está aqui na Terra.
Renato gostava muito da menina para querer que ela ficasse sozinha.
Ele não iria querer que a menina ficasse para o resto da vida pensando nele.
Lá onde está, vai querer que a menina seja muito feliz.
- Não sei por que estamos falando dessas coisas.
Rogério é somente gentil e educado.
- Vi como ele olhou para a menina.
Ele gostou mesmo de você...
Juliana balançou a cabeça e saiu sorrindo.
Elvira também sorriu e pensou:
Meu pai do céu dê toda a felicidade que ela merece.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:07 pm

Um pouco antes da hora do almoço, eles regressaram.
Cássio estava feliz com a presença do primo.
Virgínia e Juliana mudaram de roupa, trocando aquelas caseiras que usavam todos os dias por outras mais novas e bonitas.
Cássio notou, mas não disse nada.
O almoço foi servido.
Rogério comia com muita vontade.
- Esta comida está boa mesmo.
Elvira tem um tempero muito agradável.
- Também achamos.
Depois do almoço, foram para a varanda.
Cássio serviu um licor.
Rogério, entusiasmado, disse:
- Esta fazenda é mesmo uma beleza.
Cássio notei que existe muita terra sem plantação.
Se quiser, poderá criar muito gado.
- Ainda não pensei nisso, mas nunca é tarde, podemos discutir o assunto.
Juliana acompanhava a conversa em silêncio.
Estava estranhando, pois sabia que tanto seu pai quanto Renato sempre quiseram reservar as terras para futuras plantações.
Sempre diziam que, quando a terra que estavam usando se cansasse, eles teriam muitas outras virgens.
Cássio e Rogério continuavam conversando.
Juliana pediu licença e saiu, com a desculpa de que ia colocar Helena para dormir.
No quarto de Helena, deitada ao seu lado, pensava:
Cássio nunca me falou de sua vontade de transformar a fazenda, que sempre foi de café, em uma de criação de gado.
Ele disse para Rogério que nunca pensou nisso, mas, do modo como falou, acredito que já tenha pensado e até falado com o primo a respeito.
É estranho. Papai e Renato nunca quiseram... ofertas não faltaram, mas sempre recusaram.
Cássio, ao contrário, não recusou e ainda disse que pensaria.
Quando voltou para a varanda, eles não estavam mais ali.
Ela ficou olhando tudo.
Seu pensamento voltou-se para o tempo em que via seu pai chegando, galopando sobre um cavalo.
Triste pensou:
Eu era tão feliz naquele tempo... nunca pensei que um dia estaria assim, tão solitária.
Quantas vezes papai e Renato chegaram juntos, galopando por esse caminho?
Jamais imaginei que um dia estaria aqui olhando para o horizonte, esperando-os, mas sabendo que nunca mais chegarão.
Que está acontecendo comigo?
Embora queira me lembrar de Renato, por que não consigo esquecer Rogério?
Seu sorriso amável, sincero e tão bonito... amei e ainda amo Renato, mas por que não consigo lembrar com nitidez seu rosto?
Por que só consigo ver o rosto de Rogério?
Será que estou apaixonada por ele? Não!
Não, isso não pode acontecer...
Muito confusa, entrou em casa.
Sabia que aquele sentimento era estranho.
Havia gostado muito de Renato, ele fora um esposo perfeito, mas agora o sentimento era outro, diferente.
Ela sentia vontade de estar nos braços de Rogério, queria amar e ser amada por ele.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:07 pm

Passou o resto do dia esperando, ansiosa, sua volta.
Quando eles voltaram, ela os recebeu com um semblante que transmitia toda a felicidade que sentia.
Rogério desceu do cavalo e, sorrindo, falou para ela, que estava no alto, na varanda:
- Senhora Juliana, aqui tudo é perfeito.
Estou pensando em me mudar para cá.
O que acha?
Ela não soube o que responder.
Seu coração começou a disparar.
Apenas sorriu.
Quem respondeu foi Cássio:
- Acho que seria uma boa ideia, mas e sua fazenda, seu trabalho em Portugal?
Meu tio permitiria?
- Eu não faço falta ali.
Meu pai e meus irmãos podem cuidar de tudo.
Vou amadurecer essa ideia.
Posso comprar uma fazenda e me instalar aqui perto.
O que acha senhora Juliana?
- Bem, acredito que seja uma óptima ideia.
Ficaremos felizes em tê-lo como vizinho.
Rogério sorriu:
- Vou amadurecer mesmo essa ideia.
Mais alguns dias se passaram.
Juliana percebeu que Rogério, sempre que falava, a olhava profundamente.
Seu olhar a perturbava, o que fazia com que ela abaixasse os olhos, evitando-o.
Cada vez mais se sentia atraída por ele.
O dia marcado para ele voltar para Portugal estava chegando.
Pela manhã, ao acordar, diante do espelho, ela pensava:
Ele vai embora amanhã.
Desde aquele dia, nunca mais tocou no assunto de voltar e ficar definitivamente aqui.
Terá mudado de ideia?
Oh, meu Deus, como gostaria que ficasse!
Sinto que o amo.
Não suporto a ideia de não vê-lo nunca mais.
Saiu do quarto.
A mesa do café estava posta.
Rogério, Cássio e Virgínia estavam sentados, conversando.
Juliana aproximou-se, falando:
- Bom-dia! Peço desculpas pelo atraso.
Dormi muito.
Rogério e Cássio levantaram-se para que ela se sentasse.
Rogério, novamente, sorriu daquela maneira que ela tanto gostava.
- Bom-dia! E está um dia lindo mesmo.
O sol está claro.
Tudo fica mais bonito com sua presença.
Ela sorriu.
Sentou-se, pegou uma xícara e colocou leite.
Embora tentasse, não conseguia disfarçar a tristeza que sentia por vê-lo partir.
Ele continuou:
- Meus amigos, amanhã partirei, mas não posso fazê-lo sem lhes dizer algo.
Cássio estive pensando todos esses dias, e resolvi que me mudarei definitivamente para cá.
Juliana deixou cair à xícara que estava em sua mão.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:07 pm

Seu coração começou a disparar e ela não pôde evitar demonstrar, com os olhos, a enorme felicidade que sentia.
Não disse nada, apenas sorriu.
Rogério continuou:
- Vou para Portugal comunicar minha decisão a meus familiares.
Meu pai ficará um pouco triste, mas é um homem que acredita que uma pessoa só poderá ser feliz quando conseguir o que quiser na vida.
Meus motivos, com certeza, o convencerão.
Cássio olhou para o primo, dizendo:
- Que motivos tão fortes serão esses?
- Acredito meu primo, que meus motivos os convencerão também.
Senhora Juliana, infelizmente, a senhora não tem pai e, sendo Cássio seu parente masculino mais próximo, acredito ser a ele a quem devo fazer o pedido.
Juliana estava entendendo, mas não queria acreditar que uma coisa tão maravilhosa estivesse acontecendo.
- Não estou entendendo... que está querendo dizer?
Que pedido é esse?
- Cássio, pensei muito e não posso ocultar o que sinto:
estou apaixonado pela senhora Juliana e queria pedir sua mão em casamento.
Cássio, assustado, olhou para Virgínia, que, com os olhos arregalados, olhou para Juliana.
Ela, como eles, também estava admirada.
Cássio, depois de alguns segundos, respondeu:
- Bem, embora eu não seja parente, sou o amigo mais próximo, não posso responder.
Juliana, o que diz?
Ela agora estava tremendo.
Elvira, que colocava sobre a mesa um bolo e estava às suas costas, apenas colocou a mão em seu ombro e apertou suavemente.
Juliana percebeu o que ela quis dizer com aquele gesto.
Olhou para Rogério, dizendo com a voz trémula:
- O senhor nunca demonstrou, nem sequer insinuou seu interesse por mim.
Estou como os outros, surpresa, e não sei o que responder.
Preciso de um tempo para pensar.
- Terá até amanhã de manhã.
Estive vendo uma fazenda há quinze minutos daqui.
Ela é grande e tem um pasto muito bom para a criação de gado.
Vou embora amanhã e, quando voltar, trarei o dinheiro necessário para comprá-la e iniciar minha criação.
Espero ter uma resposta sua até amanhã.
- Está bem, pensarei seriamente e lhe darei uma resposta.
- Espero que seja a que estou esperando.
Percebi que todos ficaram surpresos com meu pedido feito desta maneira.
Assim o fiz porque quero que tudo seja feito da melhor maneira.
Eu a amo e quero me casar.
É assim que é feito em Portugal.
Juliana sorriu. Embora nunca esperasse que seria daquela maneira, estava feliz.
Ele não só ficaria ali, como ainda seria seu marido e estaria para sempre a seu lado.
Teve de fazer um esforço imenso para não se jogar em seus braços e beijá-lo com todo o amor que sentia.
Terminaram de tomar o café.
Os dois se despediram e foram percorrer a fazenda.
Cássio iria com Rogério ver a fazenda que ele queria comprar.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:08 pm

Rogério, antes de sair, ainda olhou sorridente para Juliana, que mais uma vez abaixou os olhos.
Depois que saíram, Juliana olhou para Virgínia, que permanecia calada.
Juliana abraçou-a, dizendo:
- Minha irmã, estou tão feliz!
Quando Renato morreu, pensei que nunca mais encontraria a felicidade, mas vejo agora que estava enganada.
Vou ser feliz novamente.
Virgínia, abraçada a ela, disse:
- Quer dizer que vai aceitar o pedido?
- Claro que vou! Desde que o vi pela primeira vez, senti que o amava.
Estava com muito medo de que ele fosse embora sem nada me dizer.
- Já pensou no que Helena dirá?
- Ele é carinhoso com ela e a faz rir a todo instante.
Ela gosta muito dele e o aceitará.
- Sendo assim, já que está decidida, só posso desejar que seja muito feliz.
- Serei minha irmã. Sinto que serei.
Embora tenha amado Renato, sei que o que sinto por Rogério é diferente, por isso sei que serei feliz.
Nós quatro seremos felizes.
Cássio contará com a ajuda de Rogério para dirigir as duas fazendas.
O trabalho para ele vai diminuir, assim terá mais tempo para ficar com você.
As duas se separaram.
Juliana correu para a cozinha, onde Elvira preparava o almoço.
Quando entrou pela porta, viu que ela estava de costas.
Chegou devagarzinho e abraçou-a por trás, dizendo:
- Elvira, você ouviu o que ele disse?
Elvira voltou-se e, abraçando-a, respondeu:
- Ouvi menina. Ouvi e fiquei muito feliz.
Deus ouviu minhas preces. Não suportava mais ver minha menina triste, andando de um lugar para outro.
Esse moço parece ser muito bom e gostar muito de você.
Vai ser um bom marido.
- Também sinto isso.
Estou tão feliz que tenho vontade de sair pelo campo e colher algumas flores para enfeitar a casa.
- Faça isso. Vá para o campo e demonstre a Deus toda a sua felicidade e gratidão.
- Mas e Renato?
Aprovaria esse casamento?
- Claro que sim! Como eu, ele também gostava muito da menina.
Só pode querer vê-la feliz.
Não se preocupe com isso.
Vá colher suas flores.
Juliana, parecendo mesmo uma menina, beijou-a e saiu para o campo.
O dia estava realmente bonito.
O céu claro, com o sol brilhante.
Havia muitas flores no campo.
Juliana, como que deslizando, ia apanhando-as, formando assim um lindo ramalhete colorido.
Estou muito feliz!
O homem que amo me ama também.
Sinto que com ele serei muito feliz.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 10, 2017 7:08 pm

Agradeço a Deus e peço do fundo de meu coração que proteja este amor.
Permita que eu possa realmente ser feliz ao lado de Rogério e de minha filha.
Enquanto colhia as flores, cantava e dançava.
O dia passou.
À noite, durante o jantar, Juliana, que estava com o vestido de que mais gostava, disse:
- Senhor Rogério, estive pensando durante o dia todo sobre seu pedido.
Resolvi aceitar e ser sua esposa.
Desta vez, Rogério deixou cair o garfo sobre a mesa.
Ele olhou para ela, parecendo não ter entendido.
Juliana, rindo da expressão que ele fez, continuou:
- Está assustado por quê?
Não foi desta maneira que fez o pedido?
Acreditei que minha resposta teria de ser do mesmo modo.
- Está bem. Tem razão por estar agindo assim.
Eu deveria tê-la consultado primeiro, mas perdoe-me, sempre fui assim:
quando decido algo, tenho logo de colocar em prática.
Vai mesmo aceitar casar-se comigo?
- Vou. Embora tenha sido muito feliz em meu casamento, estou me sentindo muito só e o senhor me parece uma boa pessoa.
Sinto que nos fará muito felizes, a mim e a minha filha.
- Pode ter a certeza de que farei o melhor possível.
Também sinto que serei muito feliz a seu lado.
Cássio e Virgínia olharam-se.
Notaram que, para aqueles dois, não havia mais ninguém à mesa.
Virgínia interrompeu-os, dizendo:
- Bem, parece que vamos ter mesmo um casamento aqui.
Felicidades aos dois. Quando será?
- Estou embarcando amanhã para Portugal.
Voltarei o mais rápido possível.
Só gastarei o tempo necessário para comunicar à minha família e pegar o dinheiro de que preciso para comprar a fazenda e iniciar minha criação.
- Fico feliz por minha irmã.
Juliana acredito que esse seja o tempo ideal para prepararmos seu enxoval.
Desta vez, quem dará de presente à viagem de núpcias seremos nós, não é, meu amor?
Cássio, ainda assustado com a rapidez com que tudo estava acontecendo, falou:
- Ainda estou um pouco perturbado.
Não esperava por isso, mas daremos de presente a viagem, sim, Virgínia.
Desejo que possam aproveitá-la como nós aproveitamos a nossa.
Sinceramente, desejo que sejam felizes, tanto quanto eu e Virgínia.
Agora, se me derem licença, tenho de me retirar, preciso assinar alguns papéis.
Ele se levantou.
Virgínia também, dizendo:
- Irei com você.
Vamos deixá-los sozinhos para as despedidas. Saíram.
Juliana, agora só, ficou encabulada na presença de Rogério.
Foram para a varanda.
A noite estava linda, o céu estrelado e uma lua brilhante na fase crescente.
Sentaram-se e ficaram em silêncio, apenas admirando o luar.
Ele quebrou o silêncio:
- Senhora Juliana, não pode avaliar quanta felicidade me trouxe ao aceitar meu pedido.
- Seu pedido também me deixou muito feliz.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:24 pm

Ele se levantou, tomou-a nos braços e beijou-a, a princípio suavemente, mas depois o beijo foi mais ardente.
Ela se sentiu desfalecer.
Amava aquele homem.
Só desejava estar com ele naquele momento.
Ainda beijando-se, encaminharam-se para o quarto dela.
Juliana sabia que não devia, mas o desejo foi mais forte.
Em poucos minutos, estavam um nos braços do outro, num amor verdadeiro e selvagem.
Enquanto se amavam, ela sentiu que nunca havia passado por uma experiência como aquela.
Ele era totalmente diferente de Renato, mas, definitivamente, ela o amava.
Quando terminaram, um ainda nos braços do outro, ele disse:
- Eu a amo perdidamente.
Só partirei porque tenho compromissos, mas voltarei o mais breve possível.
Diga que vai me esperar com ansiedade.
- Claro que sim. Contarei os dias.
Sinto que, depois de hoje, não poderei mais viver sem sua companhia.
Passaram a noite juntos.
Pela manhã, entraram na sala de refeições abraçados.
Cássio e Virgínia ali já se encontravam.
Ao vê-los tão felizes, Virgínia comentou:
- Parece que estão realmente apaixonados.
Acredito que essa separação será dolorida.
- Será, sim, minha irmã. Já estou sentindo a falta de Rogério, mesmo antes de sua partida.
- Já disse que voltarei o mais breve que puder.
Também não consigo mais viver sem você.
Ao terminarem o café, ele partiu.
Cássio acompanhou-o.
Ele teria de ir até o porto de Santos, onde embarcaria.
Seria uma viagem longa.
Cássio acompanhou-o apenas até a cidade vizinha, não poderia ficar ausente da fazenda por muitos dias.
Antes de sair, Rogério despediu-se de Helena, prometendo-lhe que, quando voltasse, lhe traria um lindo presente.
Despediu-se de Juliana com um beijo na testa e outro nas mãos.
Subiu na carruagem e foi acenando até sumir da vista de Juliana e Virgínia, que também acenavam.
Entraram.
Juliana, chorando, dirigiu-se a seu quarto.
Virgínia foi cuidar dos afazeres da casa.
No fim da tarde, Virgínia estava na cozinha com Elvira quando Cássio retornou.
Vinha com o rosto vincado, mostrando uma séria preocupação.
Juliana que estava na sala, ao vê-lo entrar em casa daquela maneira, perguntou assustada:
- Por que está assim Cássio?
Aconteceu algo com Rogério?
Ele respondeu rispidamente, de uma maneira que Juliana nunca tinha visto antes:
- Assim como? Estou bem.
Só com alguns problemas.
Nada aconteceu com Rogério!
- Talvez eu saiba a razão de seus problemas.
- Que você sabe Juliana?
- Sei de sua dívida e sei também que o prazo está se esgotando.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:24 pm

- Andou mexendo em meus papéis?
Com que direito?
- Foi sem intenção.
Quando vocês estavam viajando, fui ver se o escritório estava em ordem.
Comecei a mexer nas gavetas e encontrei a pasta com os documentos.
A partir daí, estou muito preocupada.
Por que teve de fazer um empréstimo tão grande?
Se precisar de dinheiro, era só me pedir.
Não precisava pegar de estranhos, que devem ter cobrado juros abusivos.
Por que não me contou?
Sabe que possuo muito dinheiro e posso ajudá-lo...
- Não preciso de seu dinheiro.
Darei um jeito.
Você sempre com esse ar de caridade... não preciso disso!
Saiu da sala e foi para seu quarto.
Juliana ficou ali parada, sem entender o que estava acontecendo.
Virgínia entrou na sala:
- Ouvi vozes.
Cássio chegou?
- Chegou, sim.
Está em seu quarto.
Virgínia dirigiu-se para o quarto.
Juliana quase contou a ela o que estava acontecendo.
Não! Ficarei calada.
Não posso causar esse sofrimento a ela.
Está tão feliz com o casamento, e ele a trata com tanto carinho... amanhã, assim que Cássio se acalmar, falarei com ele.
Emprestarei o dinheiro e tudo estará resolvido, sem que Virgínia precise tomar conhecimento de nada.
Durante o jantar, Cássio permaneceu o tempo todo calado.
Aquilo não era de seu feitio, mas Juliana, sabendo dos motivos, não insistiu na conversa, sabia não ser aquele o momento.
Deixaria para o dia seguinte.
Virgínia também permaneceu calada.
Juliana olhava para um e para outro.
Aconteceu algo entre os dois enquanto estiveram no quarto, mas nada posso dizer.
Não sei se ele comentou algo com ela.
Não posso arriscar.
Será que ele contou sua real situação?
Está decidido: vou esperar até amanhã.
Assim que ele sair para percorrer a fazenda, inventarei uma desculpa qualquer para Virgínia, sairei e irei atrás dele.
Estando sozinho comigo, farei com que aceite minha ajuda.
Sozinhos, sem que Virgínia possa ouvir a conversa, falarei francamente.
Terá de me ouvir.
Este clima de tensão não pode continuar.
Após o jantar, Cássio despediu-se e foi para seu quarto.
Virgínia permaneceu um pouco mais.
Juliana ficou pensativa.
Notou que a irmã estava com o olhar distante e perguntou:
- Virgínia, está acontecendo alguma coisa com Cássio?
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:24 pm

- Não sei. Por quê?
- Ele me parece preocupado.
Está sabendo de algo?
- Também notei, mas ele não quis me dizer o motivo.
Resolvi esperar até que queira me contar.
- Fez bem. Acredito que logo tudo ficará bem.
Em seguida, Virgínia despediu-se, dando por encerrada a conversa.
Juliana, sozinha na varanda, ficou olhando para a lua e as estrelas.
É uma pena que Cássio esteja com problemas.
Eu, ao contrário, estou muito feliz.
Sinto em meu coração que daqui para frente não terei mais problema de solidão.
Encontrei novamente a felicidade.
Sei que Rogério em breve voltará que nos casaremos e seremos felizes.
Helena gosta muito dele, no que é correspondida.
Será com certeza um bom pai para ela.
Estou sentindo frio. Vou também me deitar.
O dia de amanhã será cansativo e tenso.
A conversa com Cássio não será fácil, isso eu sei.
Apagou as velas que iluminavam a sala.
Foi para seu quarto, antes passando pelo de Helena, que dormia tranquilamente.
Ajoelhou-se perto da cama e passou a mão carinhosamente pela testa da menina.
- Minha filha querida... sei quanta falta sentiu de papai, mas agora tudo mudará.
Rogério gosta muito de mamãe e de você também.
Ele nos fará felizes.
A menina não ouviu o que ela disse, mas, como se tivesse ouvido abriu um leve sorriso e virou-se de lado, deixando o cobertor cair.
Juliana cobriu-a novamente e foi para seu quarto.
Não estava com sono.
Pegou um livro e tentou ler, mas não conseguiu, só pensava em Rogério, em seu rosto, em seu sorriso e na noite de amor que tiveram.
Ele é maravilhoso.
Vou dormir para que o tempo passe depressa e ele volte logo.
Sorrindo, ajeitou-se na cama e, aos poucos, foi adormecendo.
Alta madrugada acordou assustada com a porta de seu quarto sendo aberta violentamente.
Sentou-se na cama e viu Cássio muito nervoso, com um copo de leite na mão.
Ela, assustada, gritou:
- Cássio! Que é isso?
Que aconteceu?
Por que não bateu antes de entrar?
Ele, sem responder, colocou o copo sobre uma cómoda, aproximou-se da cama e violentamente a colocou de pé.
Ela, agora muito mais assustada, pois percebeu que ele estava transtornado, disse:
- Cássio, fale comigo.
Que aconteceu?
Sem responder, ele segurou Juliana com força pelos braços e a sacudiu.
Ela, indefesa, primeiro, pelo susto de sua entrada, depois, pela maneira como ele estava agindo, não impôs resistência.
Apenas perguntou:
- Que está acontecendo?
Sei que está com problemas, mas sempre há um caminho.
Ia conversar com você amanhã para encontrarmos uma solução.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:25 pm

Sabe que tenho como e posso ajudá-lo.
Farei tudo que estiver ao meu alcance para isso.
Posso ajudá-lo!
Sem a soltar, ele respondeu:
- Pensei muito e decidi que realmente você é a única pessoa que pode me ajudar.
Com sua morte!
- Minha morte? Não vou morrer.
Deve estar louco!
- Vai, sim!
Está muito triste e com muita saudade de seu amado marido.
Não suporta mais viver com o peso de tê-lo traído na noite passada.
Vai se matar. É preciso.
É a única solução para meus problemas.
- Não, não farei isso!
Esta não é a única solução!
Posso lhe dar o dinheiro.
Rogério não vai acreditar que me matei.
Você vai ser preso...
- Por causa dele mesmo é que vai ter de morrer.
Estava tudo caminhando como planeei.
Cuidando de sua fazenda, eu pegaria o dinheiro de que precisava, pagaria minha dívida e você não ficaria sabendo.
Não... não podia ser assim.
Você teve de xeretar.
Teve de arrumar um marido que, com certeza, descobriria tudo!
Não posso deixar que isso aconteça!
- Ele não vai se incomodar.
Direi que lhe dei o dinheiro quando se casou com Virgínia...
- Quer que meu primo descubra que não sou aquele homem bem-sucedido que pensa que sou?
Quer que ele descubra que perdi todo o meu dinheiro no jogo?
Nunca. Nunca! Você vai se matar!
- Não vou fazer isso!
Não tem como me obrigar!
- Tenho, sim. Está vendo este copo com leite?
Contém um veneno muito forte, você tomará e dormirá no mesmo instante, não sentirá nada.
- Não vou fazer isso!
E, mesmo que o fizesse como provaria às pessoas que tomei de livre vontade?
Ninguém acreditaria.
Elvira e Virgínia sabem como estou feliz.
Elas não acreditarão.
Está louco, mesmo!
- Não se preocupe com isso.
Já pensei em tudo.
Antes de beber o veneno, escreverá uma carta de adeus para seu amorzinho.
Com essa carta, todos acreditarão.
- Não vou fazer isso!
Eu amo Rogério e quero ficar com ele.
Vamos nos casar...
- Não vai, não.
Vai beber o copo todo.
Se não beber, pegarei o veneno e o derramarei na boca de Helena e ela morrerá em seu lugar.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:25 pm

A escolha é sua...
Ao ouvir aquilo, Juliana tomou-se de toda a força que nunca pensou possuir, libertou-se dos braços de Cássio e começou a gritar desesperadamente:
- Virgínia! Elvira!
Socorro! Acudam-me!
A porta se abriu e Virgínia entrou por ela.
Ao vê-la, Juliana correu para seus braços, gritando:
- Ele está louco!
Quer me matar e está ameaçando matar Helena.
Temos de fazer algo!
Virgínia soltou-se de seus braços, olhou-a bem nos olhos e disse:
- A escolha é sua.
Você ou Helena?
- Você está com ele nessa trama diabólica?
Não posso acreditar!
Os dois estão loucos!
Elvira! Elvira! Socorro!
Virgínia, com os olhos esbugalhados de ódio, disse:
- Não adianta gritar.
Coloquei no chá que Elvira toma todas as noites uma dose de sonífero.
Ela, hoje não vai acordar.
Só amanhã cedo.
A escolha continua sendo sua.
Você ou Helena?
- Não posso acreditar que estou ouvindo isso de sua boca.
Você é minha irmã.
Sempre a amei como tal.
Sempre confiei em você.
Não pode estar com esse louco no mesmo propósito... não faria isso comigo e muito menos com Helena!
Você é minha irmã... eu a amo...
- Sabe que não sou sua irmã!
Sou filha da mulher com quem seu pai se casou e para isso teve de me aceitar e aturar durante todo esse tempo.
Apenas isso!
- Isso não é verdade!
Quando meu pai se casou com sua mãe, éramos ainda crianças.
Ele lhe deu tudo de que precisava, além de carinho.
Crescemos juntas, Virgínia...
Virgínia, visivelmente transtornada, disse:
- Deu-me tudo de que eu precisava?
Depois de dar a você!
Ele sempre a preferiu!
Você sempre foi a sua querida, a coitadinha que tão cedo ficou sem mãe!
Aquela que merecia tudo!
Fiquei sempre com as suas sobras, com aquilo que não lhe agradava mais!
Em seu testamento, ele definitivamente me mostrou qual era o meu lugar nesta casa!
Você viu muito bem o testamento que ele me deixou!
Tudo ficaria para você, e eu teria tudo de que precisasse, desde que permanecesse para sempre em sua companhia.
Servindo-a, sendo sua empregada!
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:25 pm

- Isso não é verdade, Virgínia!
Ele, fazendo isso, só quis protegê-la.
Quis ter a certeza de que estaria amparada, a meu lado... sabia que eu jamais deixaria faltar qualquer coisa para você...
- Acredita mesmo nisso?
Então, por que ele não me incluiu no testamento?
Não... ao contrário, deixou escrito que, se algo lhe acontecesse em sua falta, tudo iria para Helena!
E, se algo acontecesse com ela, só nesse caso, ouviu bem, só nesse caso, tudo seria meu!
Você sempre teve tudo!
Quando Renato apareceu, assim que o vi, me apaixonei, mas novamente você ficou com tudo.
Até ele você me roubou!
Eu já a odiava, mas, a partir daquele momento, passei a odiá-la ainda mais.
Agora, chegou à hora de minha vingança e estou feliz por isso!
- Você amava Renato?
Nunca pude imaginar... nunca deixou transparecer... não sabia que o amava...
Cássio, que ouvia a esposa falando, nervoso, gritou:
- E o que você fez comigo?
Com que desprezo recebeu minha confissão de amor...
Parecia uma deusa, dizendo:
Só posso ser sua amiga, nada mais que isso, para depois se entregar ao primeiro que apareceu.
Você não presta Juliana!
Tem de morrer, naquele tempo, eu a amava.
Hoje, a odeio com todas as forças de minha alma. Quero que morra!
- Mas vocês se casaram e vivem muito bem.
Virgínia contestou:
- Entre nós nunca existiu amor, apenas uma grande amizade.
Sempre que ficava triste com algo que você me fazia, eu corria para Cássio e comentava com ele.
Depois que se casou, percebemos que seria muito difícil fazer com que nosso plano fosse cumprido.
- Plano?!
Que plano, Virgínia?
- Deixá-la na miséria.
A única maneira seria tirar Renato do caminho.
Assim, você, não sabendo como tocar os negócios, pois nunca fez nada na vida, entregaria todo o seu património nas mãos de Cássio.
Foi o que aconteceu.
Ele controlaria tudo, tiraria aos poucos todo o seu dinheiro e falaria que foram os maus negócios.
Você ficaria na miséria e nós, com tudo que era seu, que, por direito, também deveria ser meu!
- Está me dizendo que vocês, juntos, mataram Renato?
Não posso acreditar!
Como tiveram coragem?
- No desespero se faz qualquer coisa.
Não foi tão difícil assim.
Cássio me trouxe uma cobra pequena, mas de veneno mortal.
Eu a coloquei no alforje em que Renato levava água e comida sempre que viajava.
Assim que ele o abrisse, a cobra o picaria e ninguém desconfiaria de nada, como aconteceu.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:25 pm

- Monstros! Vocês são uns monstros!
Por inveja e ganância tiraram a vida de Renato?
Um homem bom que sempre os recebeu com carinho...
São uns monstros!
- Por isso mesmo é melhor que nos obedeça e se mate, porque, se não o fizer, sabe que temos coragem suficiente para matar Helena!
Juliana começou a chorar.
Sentia, naquele momento, que, se quisesse salvar a vida da filha, teria mesmo de obedecer.
Sentia um profundo vazio no coração.
Aquelas duas pessoas que amava, sempre a odiaram, tramaram contra ela.
Mataram Renato e não hesitariam um momento para matar Helena, sem se preocupar se ela era ainda uma criança.
Olhou para os dois e, chorando, tentou mais uma vez:
- Não entendo por que tanto ódio... se for dinheiro que querem, se é me ver na miséria, não será preciso matar a mim ou à minha filha.
Passarei amanhã mesmo tudo o que é meu para o nome de vocês e desaparecerei daqui para sempre.
Não preciso de muito dinheiro para viver.
Dêem-me uma quantia para que eu possa chegar à cidade, me instalar e arrumar um emprego qualquer.
- Emprego? Emprego de quê?
Sempre foi a filhinha do papai e, depois, a esposa amada.
Nada sabe fazer!
- Encontrarei uma maneira, Virgínia.
- Sei bem qual será essa maneira.
Irá directo para a polícia e contará tudo o que acabamos de falar.
- Não, não farei isso, prometo.
Só quero salvar minha vida e a de Helena.
Desaparecerei e nunca mais saberão de mim.
Virgínia olhou para Cássio e, com ironia, perguntou:
- Acredita no que ela está dizendo?
- Não. E você?
- Também não.
É melhor seguirmos nosso plano original, assim não corremos riscos.
Não vamos perder mais tempo.
Juliana pegue este papel e escreva o que eu ditar.
- Não vou escrever o que quer nem outra coisa qualquer!
Virgínia pegou o copo que estava sobre a cómoda e falou:
- Tudo bem.
Cássio amarre-a e amordace-a.
Vá para o quarto de Helena e faça com que tome o leite.
Juliana, ao perceber que não existia outra saída, chorando, falou:
- Está bem. Faço tudo que quiserem, mas deixem minha filha em paz...
Pegou uma folha de papel e um lápis que estavam na gaveta de seu criado-mudo e olhou para os dois.
Com os olhos faiscando, ao mesmo tempo de ódio e de medo, disse para Virgínia:
- Pode ditar.
O que quer que eu escreva?
- Muito bem, menina, é assim que se faz.
Como sempre, tomou a atitude mais certa. Escreva...
Juliana tremia, quase não conseguia segurar o lápis.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:26 pm

Virgínia ficou furiosa:
- Se insistir em não segurar o lápis e escrever, vou agora mesmo para o quarto de Helena.
- Não! Não vá! vou escrever!
- Está bem. Vamos começar.
Querido amigo Rogério,
Estou lhe escrevendo porque tomei uma decisão.
Depois do que aconteceu connosco, e reflectindo melhor, cheguei à conclusão de que não o amo, mas sim a meu marido.
Não posso me perdoar por tê-lo traído, atendendo ao desejo de um momento.
Traí sua memória e o grande amor que sentia e ainda sinto por ele.
Por isso, estou tomando uma decisão drástica.
Vou morrer e assim encontrá-lo para lhe pedir perdão e pedir que me aceite novamente como sua esposa.
Espero que, com esta atitude, possamos ficar juntos eternamente.
Não me odeie e procure compreender meus sentimentos.
Continue sua vida e seja feliz,
Juliana.
Juliana terminou de escrever e estendeu o papel para que Virgínia o lesse.
Sua mão e todo o seu corpo tremiam.
Sentia muito medo do que viria a seguir, mas estava aliviada.
Sabia que a sua vida estava sendo trocada pela da filha.
Virgínia terminou de ler.
- Acredito que tenha ficado bom, foi bem convincente.
Agora pode se deitar e beber o leite.
Juliana, chorando, deitou-se.
Cássio passou-lhe o copo, e ela, tremendo, não conseguia colocá-lo na boca.
Cássio segurou-a e Virgínia fez com que bebesse.
Ela sentiu uma leve tontura, percebeu que seu corpo ficava cada vez mais pesado e fechou os olhos.
Conseguiu ouvir Cássio dizendo:
- Está feito.
Vamos agora fazer com que Helena beba o outro.
Ao ouvir aquilo, Juliana entrou em desespero.
Tentou se levantar, mas foi em vão.
Seu espírito em poucos instantes estava livre da carne que o prendia.
Seu pai, Renato e alguns amigos estavam esperando por ela.
Ela, quando viu o pai e Renato, tão desesperada estava que não se deu conta de estar morta, apenas gritou:
- Papai! Renato!
Eles vão matar Helena!
Temos de impedir!
Saiu correndo em direcção ao quarto de Helena.
Chegou ao momento em que a menina tomava o último gole de leite.
Jogou-se sobre os dois e começou a bater com toda a força que possuía.
Logo depois, percebeu o espírito de Helena saindo de seu corpinho.
Fraca ainda por tudo que havia passado, Juliana desmaiou.
Renato segurou a filha carinhosamente em seus braços.
A menina abriu os olhos, viu seu pai, apenas sorriu e continuou dormindo.
O pai de Juliana também a pegou nos braços e seguiram a longa caminhada da volta.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:26 pm

A VERDADE SEMPRE APARECE
Farias, que até agora permanecia calado, sentiu que lágrimas caíam de seus olhos.
Nervoso, começou a gritar:
- Damião! O que é isso?
Que maldade tão grande esses dois fizeram?
Como tiveram coragem de cometer dois crimes tão horríveis como esses?
Juliana era uma moça tão boa e meiga... e a menina era ainda apenas uma criança!
Não posso acreditar que isso tenha mesmo acontecido.
Deve ser só um filme!
Damião também enxugava uma lágrima, porque aquela cena havia sido muito violenta, até para um espírito experimentado como ele.
- Infelizmente, meu irmão, não é apenas um filme.
Aconteceu realmente.
Por isso estamos aqui hoje.
Para julgarmos esses factos.
Precisamos dar a sentença que a Lei exige.
- Se a Lei realmente existe, eles têm de pagar com os piores castigos que possam existir!
- Que castigo sugere?
- Não sei. Por mais que pense, não consigo encontrar um que realmente faça justiça.
Ah... Já sei!
Deveriam ser mandados para aquele vale, quase um inferno, para onde fui mandado!
Eles merecem!
Eu, por muito menos, fui jogado ali.
- A Lei existe e ela mesma se encarregará de dar a sentença.
Vamos confiar em sua justiça e continuar assistindo?
- Vamos, sim.
Quero ver o que aconteceu com aquela pobre moça.
Ainda não acredito que tiveram coragem de fazer tanta maldade.
Como alguém consegue ser tão cruel? Não entendo...
- Vamos continuar assistindo.
Até o fim, talvez encontremos as respostas.
Só então poderemos dar a sentença final.
- Para o que fizeram não há justificativa nem perdão.
São uns monstros!
Com a interrupção de Farias, a tela parou no momento em que os espíritos seguiam viagem.
A um sinal de Damião, as imagens voltaram a se movimentar.
Apareceram Virgínia e Cássio no quarto de Helena, no momento em que ela acabava de morrer.
Cássio pegou o corpinho e carregou-o para o quarto de Juliana, que ali jazia.
Colocou a menina deitada na cama, a seu lado.
Virgínia trouxe consigo os dois copos que continham veneno e colocou-os no chão, dando a impressão de que haviam caído.
Sobre o corpo de Juliana colocou a carta.
Saíram os dois abraçados, dando ainda uma última olhada para ver se tudo estava no lugar.
Foram para seu quarto e deitaram-se.
No dia seguinte pela manhã, Elvira acordou com muita dor de cabeça.
Não estranhou, porque costumava acordar assim.
Como sempre, foi para a cozinha preparar o café.
Estava feliz por ver a felicidade de Juliana.
Colocou a mesa.
Cássio e Virgínia chegaram como de hábito, abraçados e felizes.
Sentaram-se e começaram a comer.
Elvira estranhou que Helena não viera para tomar café.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:26 pm

Juliana sempre acordava um pouco mais tarde, mas Helena, não, ela acordava cedo e quase sempre tomava café na cozinha com ela.
Terminou de servir e foi para o quarto de Helena.
Abriu a porta e não a encontrou.
Sorriu, pensando:
Deve estar dormindo com a mãe.
Foi para o quarto de Juliana.
Ao abrir a porta, percebeu que algo estranho havia acontecido ali.
Começou a gritar.
Cássio e Virgínia correram para ver o que estava acontecendo.
Pararam na porta do quarto e ficaram olhando Elvira, que tentava reanimar Juliana.
- Menina, acorde.
Não pode estar morta. Não agora...
Virgínia pegou o papel que estava sobre a cama e começou a lê-lo em voz alta.
Elvira parou de falar com Juliana para poder ouvi-la.
Quando Virgínia, chorando, terminou de ler, Elvira não suportou e começou a gritar:
- Não pode ser! Ela não faria isso.
Estava feliz depois de muito tempo.
Não pode ser!
Não faria isso, muito menos mataria Helena.
Ela amava a filha. Não posso acreditar!
Cássio aproximou-se, pegou no pulso de Juliana, fingindo ver se estava morta mesmo.
Virgínia, chorando, abraçou Elvira e tirou-a do quarto.
Elvira não se conformava.
Cássio mandou chamar André para que este avisasse as autoridades.
Após um exame superficial, não restava dúvida, e todos acreditaram que Juliana cometera mesmo o suicídio e levara a filha junto.
A notícia correu rápido.
Muitos amigos, vizinhos e curiosos vieram para ver os dois corpos que foram velados na mesma sala em que tempos atrás Renato também fora.
Todos estavam consternados, não entendiam como Juliana, que sempre fora tão ajuizada, pudesse, de uma hora para outra, cometer uma loucura como aquela, mas os factos não deixavam dúvidas.
Após os corpos serem sepultados, Virgínia e Cássio despediram-se dos amigos, mostrando no rosto muita dor e sofrimento.
Elvira, que acompanhou tudo, ainda não se conformava e chorava muito.
Afinal, ela fora, na realidade, a verdadeira mãe para aquelas duas meninas.
Juliana não pode ter feito isso.
Não posso acreditar. Ela estava feliz.
Encontrara finalmente um motivo para viver.
Ia se casar e seria muito feliz.
Não pode ter feito isso.
Virgínia abraçava-a e consolava-a com palavras afectuosas.
As pessoas admiravam-se da ternura que Virgínia sentia por aquela velha empregada.
Como previsto por Cássio e Virgínia, tudo deu certo.
Cássio escreveu uma carta para Rogério, contando todo o acontecido e transcrevendo a mensagem de Juliana, que ficaria guardada para que, no dia em que ele voltasse, pudesse ler e confirmar o acontecido.
Pelas contas de Cássio, Rogério estaria recebendo a carta um pouco depois de sua chegada a Portugal.
Um mês se passou.
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