NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:26 pm

Após a missa de trinta dias, realizada na cidade, Cássio, acompanhado por Virgínia, atendendo a um chamado do advogado, foi até seu escritório.
Lá, na presença dos dois, foi lhes entregue o testamento do pai de Juliana.
Por ele, após a morte da filha e da neta, sua herdeira seria Virgínia.
Já em casa e em seu quarto, Virgínia segurava em suas mãos os papéis que o advogado tinha dado.
Feliz, pensava:
Finalmente, consegui!
Agora é tudo meu.
Poderei fazer o que quiser nada me impedirá.
Finalmente, irei ocupar o meu lugar nesta casa!
Cássio chegou logo depois.
Antes de entrar, parou na porta.
Ficou observando a expressão de felicidade com que Virgínia segurava os papéis.
Após alguns segundos, disse:
- Vejo que está feliz.
Conseguiu finalmente o que queria.
Agora, me dê esses papéis, preciso guardar tudo muito bem.
- Por tudo que vi nestes papéis, além da fazenda e das terras, tenho muito dinheiro guardado.
Poderei, agora, realizar todos os meus sonhos...
- Tem, sim. A fortuna que o pai de Juliana conseguiu é muito grande.
Poderá realizar todos os seus sonhos e os meus também.
Mas não se preocupe com nada, vou cuidar de tudo.
Ele se abaixou sobre a cama em que ela estava deitada, para pegar os papéis.
Virgínia empurrou sua mão, dizendo:
- Obrigada, mas quem vai cuidar de tudo sou eu.
- Como assim? Por que está dizendo isso?
- Porque não confio em você, meu amor... tenho medo de que tente me roubar, como pretendeu e fez com Juliana...
- Que é isso? Sempre estivemos juntos.
Nunca pensaria em roubá-la!
Esse dinheiro todo agora é nosso.
Conseguimos juntos.
- Sei disso, mas prefiro eu mesma tomar conta de tudo.
Furioso, Cássio saiu do quarto sem nada dizer.
Montou o cavalo e afastou-se galopando.
Enquanto isso, Juliana despertara.
A seu lado estava Renato, segurando sua mão.
Ela abriu os olhos e começou a gritar:
- Renato, eles vão matar Helena!
Temos de impedir.
A porta se abriu e Helena entrou, sorrindo:
- Mamãe, que bom que acordou.
Papai avisou-me que seria hoje.
Juliana abraçou a filha com muita força.
Só então percebeu que Renato estava a seu lado.
Uma senhora entrou no quarto, falando para Helena:
- Agora que viu mamãe acordada, é preciso deixá-la falar com seu pai, por isso, você, agora, vem comigo.
- Não quero ir.
Quero ficar com mamãe e papai.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:26 pm

- Terá muito tempo para ficar com eles, mas agora precisa ir.
Papai e mamãe têm muito para conversar.
Juliana beijou e abraçou novamente sua filha, dizendo:
- Vá, minha filha.
Está tudo bem, mas preciso falar com papai.
Depois irei ter com você.
- Mamãe, onde estão titio Cássio e titia Virgínia?
Que lugar é este? Não os vi por aqui.
- Não sei bem que lugar é este, mas vou descobrir e descobrirei também onde estão seus tios.
Quando isso acontecer, lhe contarei. Está bem assim?
A menina sorriu, beijou o pai e a mãe e saiu.
Enquanto Helena saía, Juliana olhava para Renato como se só agora o estivesse vendo.
- Renato, como está aqui?
Como fez para nos salvar?
Ele a beijou suavemente.
- Fique calma, agora está tudo bem.
Estamos juntos novamente. Nada mais vai atingi-la.
- Não posso ficar calma!
Não está tudo bem!
Nada está bem! Eles me enganaram.
Tentaram matar a mim e a Helena também.
Vou voltar e denunciá-los às autoridades!
Eles terão de ser presos.
Terão de pagar por todo mal que nos fizeram!
- Nada precisa fazer.
Existe uma Lei maior que a tudo julga.
Eles terão tudo que merecem.
Agora, só precisa ficar bem para continuar sua vida.
- Não posso! Tramaram contra mim.
Enganaram-me. Mentiram. Eu os amava.
Confiava neles. Considerava-os irmãos!
- Sei disso, mas por enquanto nada pode fazer.
Estamos juntos e por isso volto a lhe dizer que está tudo bem.
- Não está tudo bem.
Não consigo aceitar.
Juliana parou de falar bruscamente.
Olhou para Renato como quem não estava entendendo:
- Espere... como você voltou?
Que lugar é este? Onde estou?
- Não fui eu quem voltou.
Foi você quem veio até aqui.
Esta é uma casa de recuperação.
Ficará aqui até que se sinta bem.
Depois, iremos juntos para minha casa.
Tudo voltará ao normal, como era antes.
Nós três, juntos, viveremos por um bom tempo em paz.
Surpresa, Juliana continuou olhando-o.
Arregalou os olhos como quem se recusasse a aceitar o que estava imaginando.
- Como foi que cheguei até aqui?
Como consegui encontrá-lo?
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:27 pm

- Você não me encontrou. Eu fui buscá-la.
Estava sozinha e precisando de ajuda.
Seu pai e mais alguns amigos foram comigo.
Agora, tudo vai ficar bem.
Juliana, de um pulo, levantou-se da cama.
- Não estou entendendo.
Ou melhor, não quero entender... para que eu possa ter vindo até aqui, para estar vendo-o e conversando com você... está tentando me dizer que morri?
Está me dizendo que aqueles dois canalhas conseguiram?
Se Helena está aqui, é porque eles a mataram também?
- Foi isso mesmo que aconteceu.
Mas não se preocupe mais.
Agora, já passou.
Tudo ficará bem.
- Como não me preocupar?
Como poderei deixar que sigam sem castigo?
Não estou entendendo.
Se morri como estou me sentindo viva?
Como estou com meu próprio corpo?
Sorrindo, Renato abraçou-a.
- Está sentindo-se viva porque realmente está.
A morte não existe para o espírito.
Ele é eterno. Somos eternos.
Como todas as pessoas que vivem na Terra, você pensa que, ao morrermos, nós nos tornamos fantasmas, não temos mais corpos.
Não é a verdade, assim como muitas outras coisas que aprendeu.
Aos poucos, ficará conhecendo tudo por aqui.
Garanto que vai gostar muito.
- Não entendo como pode estar calmo assim.
Eles o mataram.
Separaram-no de mim e de Helena. Destruíram-nos!
- No princípio, assim que aqui cheguei, também fiquei revoltado, mas, aos poucos, amigos convenceram-me de que o que estava feito não tinha mais remédio, que eu deveria confiar na justiça divina e continuar minha caminhada para o conhecimento.
Poderia ver você e Helena sempre que quisesse.
Foi o que fiz.
Aceitei os desígnios de Deus.
Aprendi muito.
Sempre que você precisou, estive a seu lado.
Por isso que, quando morreu, estávamos lá para ajudá-la a se desprender do corpo e vir em segurança para cá.
Agora está aqui e tudo está bem.
O que tem de fazer é descansar. Logo se sentirá melhor.
- Pare de dizer que tudo está bem! Nada está bem!
Não me sentirei bem enquanto não fizer com que aqueles dois paguem por todo o mal que nos fizeram!
Renato abriu os braços, levantou-os e fez urna prece:
- Senhor, meu Pai.
É preciso que entenda o que ela está sentindo agora.
Envie para ela Sua luz consoladora de paz, para que aceite tudo sem reclamar.
Para que aceite que existe uma Lei maior que um dia a todos atinge:
a Lei do amor e do perdão.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:27 pm

Enquanto Renato fazia essa oração, uma luz intensa desceu sobre a cabeça de Juliana, e aos poucos ela foi se deixando cair.
Renato segurou-a e, abraçando-a, colocou-a novamente na cama.
Depois de acomodá-la, fez outra oração de agradecimento e permaneceu a seu lado.
A porta se abriu.
Uma senhora entrou, foi até à cama e colocou a mão sobre a cabeça de Juliana.
Renato, ao vê-la, sorriu e falou baixinho.
- Marina, que bom que veio até aqui.
Ela está muito revoltada, não sei mais o que fazer para amenizar todo o ódio que está sentindo.
- Meu querido, é fácil entender o que ela está sentindo.
Vamos orar e pedir a Deus que ela aceite e entregue tudo à Lei e à Justiça Divina, mas você sabe que, se ela não entender nem aceitar, nada poderemos fazer.
Ela tem seu livre-arbítrio.
Vamos esperar e ver o que acontece.
Renato olhou para Juliana e disse baixinho:
- Espero minha querida, que aceite.
Para seu próprio bem.
Quando Juliana acordou, Renato ainda permanecia a seu lado.
Ela olhou para ele e para todo o ambiente e sorriu.
- Não foi um sonho?
Você está mesmo aqui?
Então eu morri mesmo? Estou morta?
- Sim. Estou aqui, e estarei para sempre a seu lado, mas parece que está melhor.
Parece que está aceitando sua condição.
Agora, acredito que possamos conversar.
- Podemos, sim.
Não tenho mais dúvidas de que eles conseguiram.
Só não entendo como pode estar tão calmo após ter sido assassinado por aqueles dois.
Não entendo como consegue perdoar tanta maldade.
Por mais que tente, acredito que nunca conseguirei perdoar todo o mal que nos fizeram.
- Para tudo sempre há uma hora certa.
Tudo acontece como tem de ser.
Quando voltamos para a Terra, levamos missões para serem cumpridas.
Cabe a nós cumpri-las ou não.
Nós fizemos nossa parte. Eles, não.
Perderam a oportunidade divina que Deus lhes deu.
Agora, nada mais nos resta a fazer, a não ser esperar que a Lei seja cumprida.
- Ainda não entendo.
Como pode estar tão calmo?
Que Lei é essa?
- Estou calmo porque entendi que a Lei de Deus é para todos.
A Lei do amor, do perdão e do retorno.
Quando voltamos para a Terra, temos a liberdade de agir como quisermos.
Podemos escolher entre o bem e o mal.
Dessa escolha dependerá nosso futuro.
Agora, só nos resta perdoar e aguardar.
- Eu não escolhi o mal.
Ele se voltou contra mim e minha família.
A maldade, a ganância e a inveja nos destruíram.
Mataram Helena, sem se preocupar se ela era ainda uma menina, com a vida toda pela frente.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 11, 2017 7:27 pm

Como posso perdoar isso?
Posso nascer e renascer mil vezes, mas nunca os perdoarei!
- Peço a Deus que entenda para seu próprio bem.
Se já está se sentindo melhor, se for para seu bem, posso falar com Marina e, talvez, possamos voltar para a fazenda.
Verá com seus próprios olhos a Lei sendo cumprida.
Quer voltar?
Juliana pensou um pouco, depois perguntou:
- A Lei já está sendo cumprida?
- Está, sim, ela é implacável.
Quer ir até lá?
- Quero. Preciso ver com meus próprios olhos.
Eu os odeio e quero que paguem no fogo do inferno todo o mal que nos causaram!
- Posso tentar levá-la até lá, mas terá de prometer fazer o possível para tentar ajudá-los.
- Ajudá-los? Nunca!
Só se for para condená-los!
- Você também agora está tendo a oportunidade de praticar o perdão e reconhecer que a Lei de Deus é divina e poderosa.
Não sei como foi nosso passado junto a eles, só sei que devemos nos ajudar mutuamente para nosso aprimoramento.
O único caminho para se chegar a Deus é através do perdão e do amor.
- Mas eles nos assassinaram.
E também Helena, uma inocente.
Como perdoar?
- Aprendi aqui que não existe ninguém inocente, apenas espíritos caminhando para a perfeição, como somos todos.
- Não consigo entender e aceitar, mas vou me esforçar. Vamos até lá?
- Se for para seu entendimento, vamos, sim, Juliana.
Vou pedir autorização e solicitar a alguns amigos que nos acompanhem.
A viagem é longa e perigosa, não podemos ir sozinhos.
Renato fechou os olhos.
Pouco depois, a porta se abriu, Marina entrou e disse com um sorriso.
- Renato, você me chamou?
Vejo que nossa menina está acordada e bem.
Juliana olhou para aquela mulher que tinha um olhar meigo e amoroso.
- Quem é a senhora?
- Uma amiga de longa data.
Fiquei feliz quando a vi de volta.
Mais feliz agora, por vê-la mais calma.
Como está se sentindo?
- Mais calma, sim; mas conformada com o que nos aconteceu, isso não.
Ainda não consigo entender, muito menos perdoar, como Renato quer.
- Tudo há seu tempo.
Só essa sua predisposição em entender já é um começo.
Renato, o que deseja fazer?
Antes que Renato respondesse, Farias voltou a gritar, fazendo com que a tela se congelasse novamente.
- Damião, eles não podem querer que ela perdoe!
Como pode perdoar?
Foi traída, enganada e humilhada.
Além de a matarem, mataram também seu marido e sua filha!
Como perdoar?
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:38 pm

Damião, com sua habitual calma, respondeu:
- Você ainda não aprendeu, mas aprenderá que o único caminho para um espírito está no perdão.
Peçamos a Deus que também entenda isso.
- Não aprendi e acredito que nunca aprenderei.
Como podem ser assim?
Vocês não têm amor-próprio?
Não têm sangue no corpo?
Damião e Duarte começaram a rir.
Foi Duarte quem respondeu:
- Amor-próprio não passa de vaidade humana.
Quanto ao sangue, realmente não temos.
Vamos voltar para o filme?
Farias, meio sem graça, foi obrigado a sorrir também, pois novamente esquecera que não possuía mais corpo.
Apenas disse que sim com a cabeça e as imagens na tela começaram a se movimentar.
Renato respondeu:
- Marina, queria levar Juliana de volta à fazenda para que veja o que está acontecendo por lá, mas não sei se terei permissão.
E, mesmo que consiga, não poderemos ir sozinhos, precisaremos de companhia.
- Está bem, você tem a permissão.
Sei que fará bem a Juliana.
Pedirei que mais alguns amigos nos acompanhem e iremos todos juntos.
- Você irá connosco?
- Claro que sim!
Não os deixaria em um momento importante como este.
Enquanto isso devem fazer uma oração agradecendo Nosso Pai Divino por mais esta oportunidade.
- Sempre soube que nos ajudaria, mas nunca pensei que fosse dessa maneira.
Só posso lhe agradecer.
Faremos, sim, uma oração.
Tenho certeza de que esta viagem fará muito bem a Juliana.
Com um sorriso, Marina saiu do quarto.
Renato beijou Juliana, que se levantou.
Estava vestida com uma camisola branca.
Ele olhou para ela, dizendo:
- Não pode fazer a viagem com essas roupas, Juliana.
É preciso trocá-las.
Ali no armário existem muitas outras.
Juliana admirou-se por tudo continuar como se ainda estivesse viva.
Abriu o armário e mais surpresa ficou.
- Minhas roupas estão todas aqui?
Como pode ser?
- Com o tempo, aprenderá a se vestir sozinha, com as roupas que quiser, mas por enquanto usará as suas próprias.
- Estranho. Nunca pensei que fosse assim.
Sei que estou morta, mas sinto todos os desejos de antes.
Estou agora precisando de um banho.
- É assim mesmo.
Ainda está sentindo a sensação do corpo?
Não ouviu dizer que, quando alguém tem um membro extirpado, por muito tempo ainda acredita possuí-lo?
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:38 pm

É isso que acontece com nosso corpo.
Levará algum tempo para não o sentir mais.
O banheiro é logo ali.
Poderá tomar o banho como se estivesse na Terra.
Aliás, bem melhor que lá. - Renato disse, sorrindo.
Juliana seguiu com os olhos a direcção que ele lhe apontava.
Viu uma porta, abriu e entrou.
Lá dentro, viu um banheiro completo.
Havia uma pia, e um espelho, o vaso sanitário e uma banheira como nunca havia visto antes.
Viu uma torneira, não sabia para que servia, mas por curiosidade, a abriu e a água jorrou com muita força.
Ela se assustou, mas, em seguida, começou a rir.
Na fazenda, a água vinha de um poço e a banheira era cheia com água aquecida no fogão a lenha.
Por isso, nunca havia visto uma torneira.
Do lado da banheira, ela viu um sabonete, que também não conhecia, mas, mesmo assim o pegou, cheirou e sentiu um suave perfume que a agradou muito.
Feliz, pensou:
Não consigo acreditar que tudo isto esteja acontecendo.
Como pode ser? Estou morta, mas sinto desejo de um banho.
Sinto o perfume deste sabão... Como pode ser?
Tomou um banho demorado.
Vestiu-se e voltou para o quarto.
Renato sorria, compreendendo seu espanto.
- Está admirada, não é?
- Estou. Nunca pude imaginar que após a morte seria assim.
Sempre acreditei que existisse um céu e um inferno, mas nunca isto que encontrei aqui...
- Vai se admirar muito mais.
Aqui é o nosso verdadeiro lar.
Renascemos em vários lugares para nos aperfeiçoar e progredir no aprendizado da Lei maior.
A cada renascimento, aprendemos mais e chegará um dia em que não precisaremos mais renascer.
Mas isso, para nós, ainda vai demorar muito.
Ao ouvi-lo falando daquela maneira, percebeu o quanto o amara e amava ainda.
Agora, tinha certeza que ele fora o único amor de sua vida.
Aproximou-se, segurou suas mãos e disse:
- Renato, preciso lhe falar sobre Rogério.
- Não precisa falar nada. Sei de tudo.
Sou eu quem tem de lhe falar a respeito.
Cássio e Virgínia apenas adiantaram o tempo.
Logo eu voltaria para cá.
Você encontraria Rogério, porque tem com ele, um compromisso de resgate.
Infelizmente, não por sua culpa ou dele, isso terá de ser adiado.
- Não estou entendendo.
Está querendo dizer que ainda não era meu tempo para voltar?
Está dizendo que deixei de cumprir algo?
Por culpa daqueles dois?
- Isso mesmo. Mas não se preocupe, terá outras oportunidades.
- Agora que estou a seu lado novamente, sinto o quanto o amo e o quanto sempre o amei.
O que senti por Rogério foi algo totalmente diferente.
- Sei disso, meu amor.
Também a amo e sinto que a amarei eternamente, mas temos ainda uma longa caminhada de aprendizado e resgates para que um dia possamos ficar juntos para sempre.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:38 pm

Tenha certeza de que esse dia chegará, e então seremos felizes eternamente.
Termine de se aprontar.
Logo nossos amigos chegarão.
Em poucos minutos, ela se aprontou.
Vestiu uma roupa simples, daquelas que usava diariamente.
- Estou bem assim?
Renato olhou-a com muito amor e carinho.
- Claro que está.
Você sempre está bem.
É a mulher a quem amo e sempre amarei.
A viagem será longa, mas não se preocupe com nada que acontecer durante o caminho.
Estaremos muito bem acompanhados e não temos o que temer.
A porta se abriu novamente.
Marina entrou por ela, sorridente.
- Estão prontos?
Está na hora.
- Estamos, sim, embora Juliana ainda esteja muito admirada com tudo o que está vendo.
- Isso mesmo.
A cada minuto me espanto mais.
Que bom seria se as pessoas na Terra soubessem de tudo que acontece após a morte.
Com certeza, muitas coisas seriam evitadas.
- Tem razão, mas não seriam elas mesmas.
Seriam como robôs, apenas fazendo tudo certo, sem crescer realmente.
Não ouviu dizer que é errando que se aprende?
Deus é sábio, dá a todos nós o direito da escolha entre o bem e o mal.
Apesar de todas as religiões serem diferentes entre si, todas ensinam o caminho do bem, por isso, no íntimo, todos acreditamos que exista uma vida melhor após a morte.
Só que, envolvidos com nossas próprias vidas, não damos muita atenção a isso, até que o dia finalmente chega e deparamos com a realidade, que, para alguns, é muito triste, mas já estamos atrasados.
Vamos agora?
- Vamos, sim.
Mas onde estão meu pai e Helena?
Não os vi mais.
- Seu pai faz parte de uma equipe que dá assistência àqueles que estão desencarnando.
Ficou por aqui até saber que você estava bem.
Agora, ele está de volta à sua missão.
Helena está na escola.
Não se preocupe com eles.
Precisa somente entender, aceitar e perdoar os erros de seus irmãos.
- Perdoar Cássio e Virgínia?
Nunca! Nunca poderei.
- Nunca é muito tempo.
Logo entenderá que Deus é sábio.
Sabe que, por pior que pareçamos ou tentemos ser, todos temos dentro de nós o amor sincero que um dia será libertado.
Ele não tem pressa, sabe também que todos, um dia, chegaremos até Ele.
Por isso, todos aprendemos, através de muitas reencarnações, que o único caminho para chegar até Ele é pelo perdão.
Isso tudo você aprenderá, mas por enquanto vamos nos preocupar apenas com nossa viagem.
Tudo virá a seu tempo.
Juliana colocou um lenço na cabeça para segurar seus longos cabelos.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:38 pm

Saíram. Assim que a porta se abriu, surgiu em sua frente um longo corredor com várias portas.
Novamente, falou admirada:
- Renato, isto aqui é um hospital?
- Pode-se dizer que sim.
Quando as pessoas desencarnam, são trazidas para cá.
Quando acordam, pensam estar em um hospital, e aos poucos vão sendo inteiradas de sua verdadeira situação.
- Parece mesmo que aqui tudo é perfeito.
- É tudo muito bem organizado.
Para que tudo caminhe bem, muitos trabalham.
- Trabalham? Quer dizer que aquilo que se diz na Terra, morrer para descansar, não existe?
- Como tudo aqui é perfeito, não se pode obrigar ninguém a nada que não queira fazer.
Só trabalha quem quer.
Aquele que não quiser, poderá ficar sem fazer nada.
Depende de cada um.
- Custa-me muito acreditar em tudo isso.
- Terá muitas outras coisas em que vai custar a acreditar; todavia, com o tempo, se acostumará.
Chegaram ao fim do corredor.
Uma grande sala surgiu.
Quatro rapazes sorriram quando eles apareceram.
Marina foi ao encontro deles.
- Juliana, estes são Fernando, João, Paulo e Carlos.
Eles nos acompanharão durante a viagem.
Fernando, o que parecia ser mais jovem, abriu ainda mais seu sorriso e estendeu a mão para Juliana.
- Muito prazer.
Estamos prontos.
Espero que goste da viagem.
Faremos o possível para que tudo dê certo.
- Muito prazer.
Não preciso falar de meu espanto perante tudo o que está me acontecendo.
- Não precisa mesmo.
Sabemos muito bem, porque passamos por tudo isso também. Vamos?
Juntos se encaminharam para fora.
Juliana ainda se admirava:
- Não posso acreditar que esteja morta.
Não posso acreditar que não esteja em uma cidade da Terra.
Realmente, ao sair daquele edifício, notou que havia ruas, casas e uma linda praça defronte ao hospital.
Marina falou:
- É exactamente do mesmo modo.
As pessoas vivem em suas casas.
Só existe uma diferença em relação à Terra:
aqui a lei que impera é a do amor.
Quando voltarmos, você irá para a casa onde vivem seu pai e Renato.
Ali viverão juntos.
- Minha mãe, onde está?
- Ela voltou à Terra já há algum tempo.
É agora uma linda menina.
Você encontrará ainda muitos amigos de outros tempos, dos quais não se lembra agora.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:39 pm

Logo perceberá que tudo continua como sempre.
Terá a sensação de estar apenas vivendo em outro lugar, como se tivesse feito apenas uma viagem.
Renato abrace-a e segure-a de um lado, eu farei o mesmo do outro.
Juliana, agora vai se admirar novamente, não se assuste.
Por enquanto ainda vai ter de ser ajudada, mas com o tempo aprenderá como se faz.
Renato abraçou-a pela cintura, o mesmo fazendo Marina.
Ela percebeu que seus pés aos poucos foram se levantando do chão.
Em pouco tempo, se sentiu voando.
- Não posso acreditar!
Isto não está acontecendo.
Devo estar sonhando.
Estou voando?
Os companheiros, que também voavam, apenas sorriram.
Depois de algum tempo, ela não sabia precisar quanto, viu ao longe a fazenda que tão bem conhecia.
Chegaram e entraram no quarto onde Virgínia, feliz sobre a cama, olhava para os papéis que davam a ela tudo que um dia pertencera a Juliana.
Ao vê-la feliz daquela forma, Juliana soltou-se dos braços de Marina e Renato e atirou-se sobre ela.
Começou a bater em seu rosto.
Renato puxou-a para si, dizendo:
- Não faça isso!
Você tem de se conter, senão teremos de levá-la embora.
Chorando, desesperada, Juliana gritava:
- Como não fazer isso?
Olhe como está feliz, sem um pingo de remorso por ter matado você, a mim e a Helena!
- Meu amor, o que está feito, está feito.
Você não pode e não deve fazer justiça por si mesma.
Tem de confiar na sabedoria e na justiça de Deus.
É para isso mesmo que estamos aqui.
Chorando, ela se abraçou a ele, dizendo:
- Não consigo acreditar que sempre a considerei uma irmã.
Como poderei confiar novamente em outra pessoa?
Como poderei ser a mesma Juliana de antes, ingénua e confiante?
Como poderei perdoar tanta maldade?
Sinto muito, meu amor, mas não conseguirei.
Nunca, entendeu? Nunca!
Ele continuou abraçando-a:
- Sei que é difícil, mas devemos confiar na bondade de Deus.
Ele fará brotar em seu coração o sentimento do perdão. Deus é soberano e pode tudo.
Nesse momento, a porta do quarto se abriu.
Cássio, sorridente, entrou por ela.
Mais uma vez, Juliana não se conteve e quis se atirar sobre ele.
Mais uma vez, Renato segurou-a.
- Não faça isso!
Confie na justiça de Deus.
- Não consigo.
Eles nos destruíram!
Acabaram com nossa família e nossa felicidade!
Mataram Helena, ainda uma menina... não consigo, nem por um momento, pensar em perdoar...
Renato beijou seus cabelos.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:39 pm

Virgínia e Cássio começaram a discutir sobre quem cuidaria do dinheiro.
Juliana parou e ficou observando.
Depois de discutirem e Cássio perceber que nunca tocaria em um centavo sequer, saiu do quarto e foi para a varanda.
Juliana puxou Renato, e os dois foram atrás dele.
Lá fora, Cássio, muito nervoso, olhando para a imensidão de terras que via à sua frente, pensava:
Sempre quis tudo isso.
Para tanto, cometi três crimes imperdoáveis.
O tempo está passando, tenho de conseguir o dinheiro para livrar minha fazenda da hipoteca.
Mas como farei?
Se Virgínia insistir em cuidar das finanças, como farei?
Não posso contar a ela sobre essa minha dívida.
Aí, sim, é que não me dará um tostão.
Tenho de pensar em um modo de convencê-la a deixar que eu cuide de tudo.
Assim, poderei desviar o dinheiro sem que ela tome conhecimento.
Mas como convencê-la? Como?
Por que não confiei e aceitei a ajuda que Juliana me ofereceu?
Por que me deixei envolver pelas palavras de Virgínia, que durante todo o tempo me envenenou contra ela?
Juliana, abismada, olhou para Renato.
- Que está acontecendo aqui?
Estão se tornando inimigos?
- Parece que sim.
Não lhe disse que a justiça de Deus é sábia e implacável?
Por isso não deve se preocupar.
Acredito que, agora que viu como tudo está por aqui, podemos ir embora.
- Que farão para resolver essa situação?
Como Cássio pagará suas dívidas e terá sua fazenda de volta?
- Não sei. Os dois estão juntos no crime.
Estão, agora, por suas próprias contas.
Ninguém poderá interferir na decisão que tomarem.
Terão de usar o livre-arbítrio que Deus dá para todos.
Enquanto isso, Marina e os outros continuavam no quarto de Virgínia.
Renato e Juliana voltaram para junto deles.
Assim que Cássio saiu, Virgínia começou a pensar:
Não posso confiar nele.
Não posso permitir que coloque a mão em meu dinheiro.
Sei que é muito ganancioso e que fará tudo para me roubar.
Depois de tudo que fiz, não vou permitir que me tire um centavo sequer.
Ao ouvir aquilo, Juliana olhou feliz para Marina.
- Marina, eles mesmos se destruirão?
- Não sei. Mas agora terão de lutar contra seus próprios fantasmas.
Só Deus é quem sabe o que acontecerá.
Enquanto Virgínia pensava, eles notaram que alguns vultos pretos se aproximaram dela.
Um deles falava em seu ouvido:
- Isso mesmo!
Não pode confiar nele.
Não viu o que fez com Juliana, Renato e até com Helena?
Pobre menina...
Virgínia, como se realmente ouvisse, começou a pensar:
Não vou deixar nada com ele.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:39 pm

Juntos, cometemos aqueles crimes.
Quem me garante que não fará o mesmo comigo?
Helena... às vezes penso que não precisava ter feito aquilo com ela também... eu a amava.
Era como se fosse minha filha... poderia ter deixado que ela vivesse.
Eu seria sua tutora, tomaria conta de todo o dinheiro.
Não! Se continuasse viva, seria a herdeira.
Ela também precisava morrer.
Outra vez, ao ouvir aquilo, Juliana não se conteve e tentou se atirar sobre ela.
Dessa vez, quem a impediu foi Marina.
- Não faça isso, Juliana!
Procure encontrar dentro de você o perdão.
Deixe que Deus faça Sua justiça.
Virgínia agora tem companhia.
Aliás, essas companhias já estão a seu lado há muito tempo.
Com sua ganância, ciúme e ódio, ela as atraiu.
Nada mais temos para fazer aqui, podemos voltar.
Renato novamente abraçou Juliana, falando:
- Marina tem razão, meu amor.
Procure abater todo esse ódio que está sentindo, para que não atraia figuras como essas que estão acompanhando Virgínia.
Vamos embora, nada mais temos para fazer aqui.
- Não, não vou embora!
Quero ficar aqui e ver a destruição deles com meus próprios olhos!
Só descansarei em paz quando isso acontecer.
Até lá, não poderei continuar vivendo como se nada houvesse acontecido!
Com expressão muito séria, Renato disse:
- Juliana, para seu próprio bem, é melhor que nos acompanhe.
Vamos embora. Nada mais poderá fazer a não ser se complicar e perder a oportunidade de continuar comigo e com Helena.
Se insistir em ficar aqui, eu e nossos amigos teremos de ir embora e talvez você nunca mais encontre o caminho de volta para estar connosco.
Pense bem, meu amor.
Não posso interferir em sua decisão. Ela é só sua.
Juliana ficou pensando no que faria.
A decisão era difícil.
Seu coração estava dividido entre ir embora com Renato e permanecer ali para se vingar.
Todos a olharam, esperando sua resposta.
Pensou por alguns momentos, sorriu e disse:
- Renato, eu o amo e nunca mais quero me separar de você ou de Helena.
Por tudo que vi aqui, percebo que a Lei está seguindo seu curso.
Vou confiar.
Vamos embora. Estou pronta.
Farias nervoso, mais uma vez interrompeu a projecção:
- Damião, ela não pode fazer isso.
Ela tem de continuar ali, como fiquei ao lado de Márcia, para levá-los à loucura.
Eles merecem. Ela não pode, simplesmente, desistir.
- Talvez tenha razão, meu irmão, mas essa decisão é só dela.
Se optou por ficar ao lado daqueles que ama, é um direito dela, não podemos interferir.
Vamos continuar assistindo?
Farias percebeu que havia falado em hora errada.
Balançou a cabeça, aceitando a sugestão de Damião.
A tela voltou a se iluminar.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:39 pm

A figura de Cássio apareceu novamente.
Ele, agora, estava parado, montado em um cavalo.
Sua cabeça fervilhava em pensamentos desencontrados.
Preciso encontrar um meio.
O tempo está passando.
Já faz quase quatro meses desde a morte de Juliana.
O dia de pagar a dívida está chegando.
Virgínia deixou claro que não permitirá que eu cuide de seu dinheiro.
Como vou fazer?
Preciso afastá-la de meu caminho.
Tenho de encontrar um meio para isso.
Preciso fazer com que morra, mas como?
Ela é esperta, não vai se deixar matar sem reagir.
Precisa ser de um modo que não desperte suspeitas.
Talvez eu devesse conversar com ela e contar tudo.
Ela entenderá, sabe tudo que fiz para conseguir ficar com o dinheiro de Juliana.
Colocou o cavalo em movimento e saiu cavalgando sem destino, percorrendo aquelas terras que haviam sido o motivo de seus crimes.
Virgínia, em seu quarto, mais uma vez com os papéis nas mãos, ainda saboreava a felicidade de ter conseguido tudo que acreditava ser seu por direito.
Finalmente! Embora esteja com estes papéis em minhas mãos, custa-me acreditar que tudo deu certo.
Estou me lembrando agora de quando, ainda muito criança, cheguei a esta casa.
A princípio, pensei ser também uma pessoa que pertencia à família.
Minha mãe havia se casado com o pai de Juliana.
Ela o conheceu na cidade, quando ele foi até lá fazer compras.
Ela trabalhava de balconista em uma loja.
Não sei os detalhes do que aconteceu, mas, depois de alguns dias, ela se aproximou me pegou no colo e disse:
- Filhinha, você é ainda muito pequena, tem apenas seis anos, e sei que sofremos muito desde que papai foi para o céu, mas de agora em diante vai ser diferente:
vou me casar e iremos viver em uma fazenda muito grande e bonita.
Você terá um novo pai e uma irmã que vai lhe querer muito bem.
Sinto que seremos felizes.
Em seguida, ele também se aproximou e me pegou no colo.
- Sua mãe tem razão.
Iremos para minha casa.
Tive até agora só uma filha, mas daqui para frente terei duas.
Minha filha se chama Juliana, tem cinco anos.
Ela será sua amiga e viveremos felizes para sempre.
As duas serão iguais para mim, amadas da mesma forma.
- Mentiroso! Mentiroso!
Desde o dia em que aqui cheguei, senti a diferença que existia entre mim e Juliana!
Mais nova que eu, ela estava sempre em seu colo, e ele a abraçava com muito carinho.
Comigo, falava somente o necessário!
Quando viajava, os melhores presentes que trazia eram sempre os dela.
Nunca nos tratou da mesma forma!
Nunca fui considerada uma filha.
Mamãe dizia que ele era muito bom para nós duas, mas eu não sentia o mesmo.
Nunca os vi brigando, mas, mesmo assim, eu era tratada com uma enorme diferença.
Já maiores, eu estava com doze anos quando conhecemos Cássio.
Mais tarde, apaixonei-me por ele, mas nada!
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:39 pm

Ele também só tinha olhos para Juliana, a meiga!
A bonita!
Sempre estive em segundo lugar!
Mais tarde, quando Renato chegou acompanhado por Cássio, novamente meu coração começou a bater mais forte.
Ele era bonito e agradável, mas outra vez Juliana foi à notada.
Eles se apaixonaram e se casaram.
No dia do casamento, outra vez, tive que demonstrar uma felicidade que não sentia.
Quando ela soube que esperava um filho, ficaram todos radiantes, e novamente tive de demonstrar uma felicidade inexistente.
Helena nasceu, era uma criança linda.
Eu não conseguia odiá-la e como desejava que fosse minha...
Mas não... era de Juliana!
Tudo era e sempre foi de Juliana!
Eu sempre fui a inteligente, a bem organizada.
Apenas isso.
O testamento foi o que me tirou toda a esperança de um dia ter sido considerada como filha.
Passei a odiar Juliana ainda mais!
Foi nessa época que comecei a elaborar um plano para fazê-la sofrer!
Finalmente, consegui!
Não só fazê-la sofrer, mas também tirá-la de meu caminho para sempre!
Daqui para frente, vou usufruir de tudo de que por direito sempre foi meu!
Só preciso tomar cuidado com Cássio, ele é muito perigoso.
Levantou-se da cama, na qual permanecia sentada, segurando os papéis, e dirigiu-se até a uma cómoda que havia no canto do quarto.
Abriu uma gaveta e guardou os documentos.
Olhou para o espelho, pensando:
Sou uma mulher muito bonita.
Com todo esse dinheiro que possuo agora, finalmente poderei viver.
Vou viajar conhecer o mundo e, talvez, encontrar um amor verdadeiro...
Ela realmente era muito bonita.
Embora seus cabelos fossem pretos, seus olhos eram claros.
Em seu pescoço, havia um pequeno camafeu com o retrato de sua mãe.
Ao vê-lo, falou em voz alta:
- Está vendo, mamãe?
Sua filha, agora sim, será feliz!
No dia em que me chamou para dizer que teria de partir para encontrar papai, pediu-me para proteger Juliana, porque ela era minha irmã.
Eu fiz o que me pediu, protegi-a tanto que hoje ela está, com certeza, no inferno!
Passou as mãos pelos cabelos para colocá-los no lugar alguns fios que estavam soltos.
Olhou mais uma vez para o retrato da mãe.
Sorriu e saiu do quarto.
No corredor, ouviu uma espécie de gemido no quarto de Juliana.
Abriu a porta com violência.
Lá dentro, Elvira, sentada na cama, chorava copiosamente.
- Minha menina Juliana, não consigo acreditar que tenha feito aquilo.
Você estava muito feliz... disse-me que iria recomeçar sua vida... não consigo acreditar... não faria nenhum mal para Helena.
Não faria mesmo...
Ao ouvir aquilo, Virgínia ficou furiosa:
- Que está fazendo aqui, Elvira?
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:40 pm

- Desculpe menina, sabe o quanto amo vocês duas.
Praticamente fui eu quem as criou.
Sua mãe, logo após o casamento, ficou doente e tinha dificuldades, por isso me confiou sua educação.
Eu já cuidava de Juliana e fiquei muito feliz por poder cuidar de você também.
Cresceram a meu lado.
Eu ficava cada vez mais apaixonada pelas duas.
São para mim como se fossem duas filhas muito queridas.
Conhecia muito bem Juliana.
Sabia o que pensava a respeito da vida e da morte.
Sei o que pensava a respeito do suicídio, o quanto era grave perante Deus.
Por isso, não posso acreditar que tenha cometido um ato tão condenável por ela mesma.
Não suporto a ideia de pensar em minha menina fazendo aquilo.
Estou sentindo muita falta dela e da pequena Helena.
Virgínia percebeu que ela representava um perigo.
Se insistisse em falar aquilo, poderia ser ouvida e levantar alguma suspeita.
Aproximou-se dela, abraçou-a e disse:
- Sei o que está sentindo, porque sinto a mesma coisa.
É difícil acreditar, mas aconteceu.
Infelizmente, ela deve ter sido tomada por alguma coisa má que a levou a cometer aquela loucura, mas não adianta ficar chorando, vamos entregar esse caso nas mãos de Deus.
Sabe que precisamos continuar vivendo, não sabe?
Sabe também que tanto eu quanto Cássio precisamos muito de você.
- Sei menina.
Sei que tudo que está dizendo é a verdade, mas não consigo me conformar.
Não acha que deveríamos falar com o delegado para que investigasse mais a fundo?
Quem sabe ele descobre alguma coisa?
- Sei o quanto gostou e gosta de mim.
Também sinto a mesma coisa por você.
Sei que é difícil acreditar, mas realmente aconteceu.
Também não consigo entender o motivo, mas aconteceu.
Ela realmente fez aquilo.
Nada mais podemos fazer.
O delegado já encerrou as investigações.
Não restou dúvida alguma.
- Não entendo por que dormi aquela noite tão profundamente.
Tenho o sono muito leve, com qualquer ruído eu acordo.
Levanto várias vezes durante a noite, mas naquela noite dormi sem acordar uma vez sequer.
É isso que me está deixando preocupada.
Por que não acordei?
- Isso não posso responder, porque, como sabe, eu durmo muito bem, e também não acordei.
Cássio, como fazia ultimamente, depois de cavalgar muito, resolveu voltar para casa.
Estava cada vez mais transtornado.
Não há outro meio, vou falar mais uma vez com Virgínia.
Terei de contar toda a verdade sobre minha situação.
Preciso ter o dinheiro para pagar a hipoteca, senão perderei minha fazenda.
Entrou em casa e dirigiu-se para seu quarto, onde havia deixado Virgínia poucas horas atrás.
Ao passar pelo corredor, ouviu vozes.
Parou, percebeu que Elvira e Virgínia conversavam.
Chegou até a porta, que estava aberta.
Viu Virgínia abraçada a Elvira, que chorava muito.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:40 pm

- Posso saber o que está acontecendo?
As duas se voltaram, e Virgínia falou:
- Elvira está muito nervosa e com saudade de Juliana e Helena.
Está preocupada porque naquela noite não acordou.
Quer falar com o delegado para que ele investigue melhor o acontecido.
Cássio sentiu um frio correr pela sua espinha.
Virgínia percebeu e continuou:
- Estou dizendo a ela que também sinto falta de Juliana e de Helena, mas que, infelizmente, tudo aconteceu mesmo.
Agora ela já está mais calma.
Cássio, um pouco assustado, disse:
- Todos sentimos saudade.
Éramos muito amigos, mas, como você diz, infelizmente aconteceu, não há mais nada que se possa fazer.
Vou para o quarto.
Com as pernas ainda trémulas, saiu em direcção ao quarto.
Virgínia percebeu que ele estava muito nervoso e voltou-se para Elvira:
- Elvira, também estou triste e, vendo este quarto igual ao que era antes, acredito que a tristeza seja sempre maior.
O melhor que temos para fazer é tirar tudo daqui e do quarto de Helena.
Vamos dar os móveis para alguém e colocar outra mobília.
Podemos transformar esses quartos em salas de estar.
Providencie isso.
- Menina! Não posso fazer isso!
Este quarto é a presença constante de Juliana nesta casa.
- Por isso mesmo precisa ser modificado.
Será melhor para você e para nós todos.
Juliana não está mais aqui.
Você precisa se conformar.
- Não posso fazer isso...
Virgínia olhou para ela e, com firmeza, disse:
- Não estou pedindo, Elvira.
Estou ordenando!
Saiu do quarto, deixando Elvira chorando e olhando tudo.
Virgínia notou que Cássio estava muito nervoso.
Achou melhor ir falar com ele para descobrir o que estava acontecendo.
Foi para seu quarto.
Abriu a porta, e Cássio estava sentado com as costas apoiadas na cabeceira da cama.
Ela percebeu, pela expressão de seu rosto, que ele estava realmente nervoso.
Aproximou-se e sentou-se do lado da cama.
- Você parece que está muito nervoso.
Se for por causa de Elvira, não precisa se preocupar:
sei como lidar com ela.
- Estou realmente muito preocupado.
Com isso também.
A qualquer momento ela poderá falar demais e levantar suspeitas.
- Não se preocupe.
Ela gosta muito de nós dois.
Sabe o quanto éramos amigos de Juliana, jamais suspeitará de qualquer coisa.
- Talvez tenha razão, mas não é só isso o que está me preocupando; estou com um problema muito grande.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:40 pm

- Problema? Você com problemas?
Não consigo imaginar que problema poderia ter.
Posso ajudá-lo a resolver?
Afinal de contas, embora não nos amemos, somos casados.
Cássio percebeu em sua voz uma maciez, uma ternura como nunca havia visto antes.
Ela sorria ternamente.
Ele ficou fitando-a profundamente para assegurar-se de que ela não estava mentindo.
Depois de alguns segundos, disse:
- Conheço-a o suficiente para saber que é alguém em quem não se pode confiar, mas você é a única pessoa que pode me ajudar neste momento.
Estou precisando de dinheiro.
Preciso pagar uma dívida e, se não o fizer, perderei minha fazenda.
- Não estou entendendo.
Como conseguiu fazer uma dívida tão grande?
Sim, porque deve ser grande para ter colocado sua fazenda em risco.
Qual é a quantia?
- A quantia é muito grande.
Eu me envolvi com más companhias e perdi tudo no jogo.
Em uma cartada final, não tendo mais dinheiro, dei a fazenda como garantia.
Tenho agora só até a semana que vem para pagar.
Se não conseguir, perderei a fazenda. Estou desesperado.
Você pode me ajudar.
O dinheiro que recebeu de Juliana é muito mais do que preciso.
Juliana descobriu tudo e se ofereceu para me ajudar.
- Não posso acreditar que tenha cometido uma idiotice dessas.
O dinheiro não é mais de Juliana.
Agora é meu.
Não vou dar a você para que perca tudo no jogo.
Com ele vou viajar, conhecer o mundo e comprar tudo o que sempre quis.
Sinto muito, mas não lhe darei dinheiro algum.
- Você não pode fazer isso.
Somos casados e cúmplices, temos o mesmo direito.
- Somos casados, mas a herdeira sou eu.
Enquanto viver, esse dinheiro será só meu.
Não posso confiar em um jogador irresponsável como você!
Cássio ficou irritado.
Atirou-se sobre ela, colocou as mãos em seu pescoço, querendo enforcá-la.
Virgínia conseguiu se libertar.
Empurrou-o e exigiu que saísse.
Ele, transtornado pela atitude que havia tomado, saiu correndo.
Foi para fora, montou em seu cavalo e saiu cavalgando em disparada.
Elvira, que ainda estava no quarto de Juliana, percebeu que brigavam, mas não conseguiu entender por quê.
Virgínia, diante de um espelho, colocava seus cabelos no lugar e ajeitava a roupa.
Seu rosto estava enrubescido.
Ele está completamente louco!
Não vou arriscar e dar meu dinheiro para que perca tudo no jogo!
Por sua atitude de hoje, tenho de ficar atenta.
Ele é perigoso e poderá tentar tudo para conseguir o dinheiro.
Na estrada, enquanto cavalgava, Cássio ia pensando:
Deveria saber que ela não me daria o dinheiro.
É gananciosa demais para isso.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:40 pm

Preciso encontrar um modo.
Ela não me considera seu marido.
Pensa ser a única herdeira.
Espere herdeira!
Se ela morrer, eu serei o herdeiro.
Preciso pensar em um modo de matá-la sem levantar suspeitas.
Será a única solução.
Ela não me deixou escolha.
Tenho de pensar muito bem, é esperta e não se deixará matar.
Não é como Juliana, confiante e ingénua.
Terei de planear muito bem.
Continuou cavalgando. Em dado momento, parou naquele mesmo lugar em que surgiu na tela no princípio.
Dali podia ver a imensidão de terra e a casa de Virgínia do outro lado do vale e sua própria fazenda, que, embora fosse também grande, não tinha nem a metade do tamanho da de Virgínia.
Ficou olhando, parado sobre o cavalo.
O rosto de Juliana surgiu à sua frente.
Ele a viu correndo para encontrá-lo, como sempre fazia.
Acompanhando-a, vinha Helena.
De repente, Juliana transformava-se naquela mulher assustada que, chorando, pedia por sua vida e pela da filha.
O pensamento foi tão forte e real que ele quase caiu do cavalo.
Sem saber por que, começou a chorar.
Farias, agora, interrompeu, mas com delicadeza:
- Damião, acredita que ele possa realmente estar arrependido?
Acredita que ele possa ser perdoado?
Embora ele esteja neste momento se deixando levar pelas emoções, não acredito que possa se arrepender realmente.
- Entendo o que está pensando, mas ainda não sei o que lhe responder.
Meu irmão, a Lei é justa e é para todos.
Imagine um pai da Terra, sendo um espírito imperfeito, quando descobre um erro de seu filho, ele fica bravo, dá um castigo, mas em seguida perdoa, e, se o filho quiser, ele sempre lhe dará uma nova chance.
Depois de imaginar isso, pense em Deus como o Pai supremo.
Aquele Pai amoroso, carinhoso e justo, que quer só o bem para seus filhos.
Ele poderá até castigar, mas sempre dará uma nova chance.
O Pai não nos abandona nunca.
Um pai da Terra sempre visita seu filho, embora ele possa estar em uma prisão.
Deus, da mesma forma, está sempre ao nosso lado.
Essa é a beleza da Lei.
Por isso, temos de confiar sempre nela.
Mas podemos continuar?
Na tela, o cavalo recomeçou a se movimentar.
Cássio agora se dirigia de volta para casa.
A imagem de Juliana não saía de sua cabeça.
Não queria pensar nisso, mas era mais forte que ele.
Enquanto cavalgava, agora mais devagar, ia pensando:
Por que fiz aquilo?
Se Juliana estivesse viva, com certeza me ajudaria.
Ela era boa, entenderia minha situação.
Virgínia, depois de se arrumar, saiu do quarto.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:41 pm

No corredor, ao passar pelo quarto de Juliana, não olhou para seu interior.
Continuou andando e chegou a frente ao quarto de Helena.
A porta estava aberta.
Ela parou, olhou para dentro e viu que a cama estava perfeitamente arrumada.
Entrou. Os brinquedos de Helena estavam no mesmo lugar de sempre.
O pequeno rosto da menina surgiu em seu pensamento.
Quase chegou a sentir sua presença.
Relembrou aquela noite em que a havia assassinado.
Não precisava fazer aquilo com ela. Eu a amava.
Mas, se não o tivesse feito, hoje ela seria a herdeira, o dinheiro seria todo seu.
A culpa não foi minha.
Foi do pai de Juliana, que não foi justo na divisão.
Agora, já está feito, não há como voltar atrás.
Com a garganta embargada, saiu do quarto.
Definitivamente, tenho de mandar tirar tudo daqui.
Preciso afastar qualquer lembrança.
Vou recomeçar a viver minha vida, usufruindo do dinheiro que por direito sempre foi meu.
Já era tarde da noite quando Cássio voltou.
Ao entrar, Virgínia não se encontrava na sala.
Ele estava com fome, pois passara a tarde toda sem se alimentar.
Foi para a cozinha.
Elvira estava terminando de lavar a louça do jantar.
Era muito organizada, tinha por norma deixar a cozinha arrumada para a manhã seguinte.
- Boa-noite, Elvira.
Tem algo para eu comer?
- Boa-noite, menino.
Tenho, sim. Mas por que não veio para o jantar?
- Tive alguns problemas para resolver, mas agora estou com muita fome.
- Quer que eu leve para a sala de jantar?
- Não precisa, comerei aqui mesmo.
Cássio sentou-se. Enquanto preparava o jantar, Elvira disse:
- Por que você e a menina Virgínia brigaram hoje?
- Tivemos uma pequena discussão, mas não foi grave, logo estará tudo bem.
- Prefiro ver vocês felizes.
Sabe o quanto os amo.
Ainda posso ver você, Virgínia e Juliana correndo, brincando por esses campos.
Nossa Juliana se foi, mas vocês estão aqui e desejo, do fundo do meu coração, que sejam muito felizes.
Colocou a comida sobre a mesa.
Cássio, enquanto se servia, falou:
- Não se preocupe Elvira, está tudo bem.
O que viu hoje foi apenas uma pequena briga entre marido e mulher.
Apesar de casados hoje, sempre fomos muito amigos.
Elvira sorriu.
Aqueceu leite e colocou-o em um copo.
- Espero que seja assim mesmo.
Enquanto janta, vou levar o leite para Virgínia.
Cássio apenas sorriu para ela que saiu levando em suas mãos o copo.
Ele ficou observando-a.
Imediatamente uma ideia surgiu em sua mente.
Comeu um pouco, mas a ideia não saía de sua cabeça.
Levantou-se e dirigiu-se para seu quarto.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 12, 2017 7:41 pm

Virgínia tomava o leite, enquanto Elvira falava:
- Cássio está na cozinha comendo.
Parece que está com algum problema, menina, não brigue com ele.
Tenha paciência.
- Terei, pode ficar tranquila.
Tudo ficará bem.
Cássio entrou e, sorrindo, falou:
- Boa-noite, Virgínia.
Estive conversando com Elvira.
Ela está preocupada com a briga que tivemos esta tarde.
Disse a ela que não foi briga, mas sim, apenas uma discussão.
Aqui na frente dela, quero lhe pedir desculpas.
- Está bem. Já esqueci, venha se deitar.
Cássio aproximou-se e beijou sua testa.
Elvira, sorrindo, saiu do quarto, levando o copo.
Cássio, também sorrindo, preparou-se para se deitar.
Virgínia estranhou seu comportamento:
- Você está calmo... resolveu seu problema?
- Resolvi. Consegui um parcelamento para a dívida.
Vou esperar a colheita do café e só então darei uma parte do dinheiro.
- Melhor assim.
Sabia que encontraria uma solução.
Vamos dormir?
Ele se deitou, deu outro beijo em sua testa, virou-se e fechou os olhos.
Virgínia fez o mesmo.
No dia seguinte, ele acordou cedo, tomou um rápido café e saiu para percorrer as fazendas.
Quando Virgínia se levantou, já fazia muito tempo que ele havia saído.
Tomou seu café e mandou chamar André.
Ele chegou à seguida:
- A senhora mandou me chamar?
- Mandei, sim.
Depois do almoço, quero ir até a cidade comprar algumas coisas.
Preciso que prepare a charrete.
- Está bem, vou mandar preparar e depois do almoço estarei aqui na frente com tudo preparado.
A senhora quer que eu vá junto?
- Não precisa André.
Elvira irá comigo. Só necessito mesmo da charrete.
Ele saiu. Virgínia foi até a cozinha falar com Elvira.
- Elvira, vou até a cidade e queria que fosse comigo.
Preciso levar alguns documentos para o Dr. António.
- Claro que vou, não deixaria a menina ir sozinha.
Algumas horas mais tarde, Cássio chegou para o almoço e parecia estar muito bem.
Comeram com tranquilidade.
Elvira sorria ao ver os dois bem novamente.
Depois do almoço, André chegou com a charrete.
Virgínia comunicou a Cássio sua necessidade de ir à cidade.
Ele não perguntou e ela não disse o que iria fazer.
Na cidade, Virgínia pediu a Elvira que fosse até o armazém comprar algumas coisas enquanto ela ia conversar com o advogado.
Encontraram-se meia hora depois.
Quando retornaram à fazenda, já começava a escurecer.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 7:40 pm

Cássio estava na varanda tomando um copo de café.
Ao ver Virgínia parando a charrete, ele desceu as escadas e ajudou-a a descer.
Quem visse os dois não poderia imaginar, por um momento, que no dia anterior haviam tido uma discussão tão violenta.
Vibrando de felicidade, Elvira dirigiu-se para a cozinha, estava atrasada para preparar o jantar.
Virgínia foi para seu quarto trocar de roupas, que estavam empoeiradas por causa da viagem.
Cássio permaneceu na varanda, tomando seu café.
Quem visse, pensaria que, naquela casa, a paz era profunda.
Elvira preparou um jantar rápido.
Serviu a mesa, e os dois jantaram tranquilamente.
Após o jantar, conversaram um pouco na varanda.
Como ocorria naquela estação do ano, a noite estava clara, iluminada pela lua e por muitas estrelas.
Após um bom tempo, Virgínia falou:
- Vou me deitar.
Estou cansada, a viagem até a cidade foi muito cansativa.
Ele se levantou e beijou-a, dizendo:
- Vá. Vou ficar mais um pouco apreciando este luar.
Ela não respondeu, apenas sorriu e se retirou.
Ele permaneceu ali, sentado, olhando a lua.
Pelo barulho que vinha da cozinha, percebeu quando Elvira terminou de arrumar tudo.
Foi até lá. Chegou ao exacto momento em que ela terminava de colocar o leite de Virgínia no copo.
Aproximou-se, dizendo:
- Elvira, será que aquelas laranjas que guardou lá nos fundos já estão maduras?
- Não sei, por quê?
- Está muito calor.
Se elas estiverem maduras, gostaria de tomar um suco.
- Espere um pouco, vou até lá ver.
Ela saiu da cozinha.
Ele, rapidamente, tirou do bolso um vidrinho, despejou o conteúdo no copo de leite de Virgínia, sentou-se em uma cadeira distante do copo e ficou aguardando a volta de Elvira.
Após alguns minutos, ela voltou, trazendo nas mãos algumas laranjas maduras.
- Estas estão boas. Espere um momento.
Vou levar o leite para Virgínia e virei em seguida preparar seu suco.
- Não se preocupe, pode ir.
Eu mesmo preparo o suco.
Como fazia todas as noites, Elvira pegou o copo de leite e dirigiu-se ao quarto de Virgínia.
Cássio, com os olhos presos na porta em que Elvira saiu, pegou uma laranja e começou a cortá-la ao meio para preparar o suco.
Quando Elvira voltou, ele já estava com todas cortadas.
Elvira fez com que ele se sentasse e ela mesma continuou a tarefa.
- Vou lhe preparar um suco bem gostoso.
A noite está realmente muito quente.
Vou acompanhá-lo.
Sabe menino, Virgínia mandou que eu desmanchasse os quartos de Juliana e Helena.
Disse que do modo que estão trazem muitas recordações.
Penso ao contrário:
deixando do modo que estão, tenho a impressão de que nada daquilo aconteceu e que a qualquer momento elas retornarão.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 7:41 pm

Sinceramente, não queria mudar, mas tenho de cumprir ordens.
- Não deve se preocupar com isso.
Virgínia sentiu muito a perda das duas e a maneira como tudo aconteceu.
Vou falar com ela e ver se a faço mudar de ideia.
Este suco, como tudo que faz, está uma delícia.
- Tente, por favor, fazer com que ela mude de ideia.
- Pode deixar comigo.
Agora vou dormir.
Amanhã, logo cedo, durante o café, falarei com ela.
Boa-noite, Elvira.
- Boa-noite, menino.
Durma com os anjos e que Deus o abençoe.
Cássio sorriu e dirigiu-se a seu quarto.
Ao entrar, percebeu que Virgínia dormia profundamente.
Trocou de roupa, colocando um pijama, e deitou-se.
Esperou um pouco, depois levantou-se e foi até a cozinha para ver se Elvira já havia ido se deitar.
Ainda do corredor, viu que as velas que iluminavam a casa estavam todas apagadas, mas mesmo assim percorreu todo o lugar.
O silêncio era total, só se podia ouvir o som natural da noite.
Voltou para seu quarto. Virgínia continuava dormindo profundamente.
Reclinou-se sobre ela e chamou-a, mas nada.
Ela tentou abrir os olhos, mas não conseguiu.
Estava deitada sobre o braço esquerdo com o rosto virado para o centro da cama.
Ele a descobriu e devagar a desvirou, fazendo com que o rosto ficasse virado para cima.
Pegou seu travesseiro, colocou o sobre o rosto dela e ficou segurando firmemente.
Ela se debateu por um segundo, mas não conseguiu tirar o travesseiro de cima de seu rosto.
O sonífero que ela ingerira era muito forte, o mesmo que deram a Elvira naquela noite.
Ele, com uma expressão de pedra no rosto, continuou apertando.
Mesmo depois que ela parou de se debater, continuou por mais alguns minutos e, em seguida, retirou o travesseiro.
Ela estava muito branca, como se não houvesse uma gota de sangue em seu corpo.
Ele colocou a mão em sua garganta; depois, pegou um espelho e colocou-o sob seu nariz.
Constatou que ela estava realmente morta. Seus olhos brilharam.
Sorriu, não podendo esconder a enorme felicidade que sentia.
Agora, sim: trabalho completo! Estou salvo.
Tudo que pertencia a Juliana virá para mim.
Poderei falar com aquele canalha e dizer que espere até que o testamento seja aberto.
Estou salvo e meu segredo estará protegido para sempre.
Essa megera deverá ir directo para o inferno.
Pegou o corpo de Virgínia e virou-o novamente, desta vez deitando-a sobre o lado direito, fazendo com que seu rosto ficasse para fora da cama.
Apagou as velas, deitou-se e cobriu-se.
Com os olhos abertos, começou a pensar:
Depois que tudo estiver terminado, depois que ela for enterrada ao lado de Juliana, Helena e Renato, falarei com ele.
Pagarei e estarei livre para sempre.
Não conseguiu dormir a noite toda.
Estava ansioso para que o sol raiasse e ele pudesse sair daquele quarto.
Por várias vezes colocou a mão sobre o rosto de Virgínia para ter certeza de que estava mesmo morta.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 7:41 pm

Finalmente, percebeu, pela fresta da janela, que estava amanhecendo.
Ouviu quando Elvira passou pelo corredor, dirigindo-se à cozinha.
Esperou mais um pouco, levantou-se, trocou de roupa e saiu do quarto.
Na cozinha, Elvira já havia terminado de passar o café.
- Bom-dia, Elvira.
O café já está pronto?
- Bom-dia. Está quase pronto, já vou servir, pode ir para a mesa.
A rotina diária era sempre a mesma.
Ele acordava, ia para a cozinha, cumprimentava Elvira e voltava para a sala.
Em seguida, ela trazia o café da manhã.
Virgínia quase nunca se levantava junto com ele.
Por isso, naquela manhã, Elvira não estranhou.
- Elvira, pedi a Juca que viesse até aqui para cortar o mato que está crescendo em volta da casa.
Ele deve estar chegando.
Sei que não preciso dizer isso, mas, assim que chegar, antes de começar a trabalhar, ofereça-lhe um café.
- Claro! Darei café e algo para comer também.
Cássio tomou o café, despediu-se e saiu para percorrer as fazendas.
Embora por fora estivesse calmo, por dentro sentia o coração bater muito forte.
Elvira recolheu a louça do café e foi para a cozinha começar a preparar o almoço.
Tudo normal, como sempre.
Cássio calmamente montou no cavalo e saiu.
Já distante da casa, ele parou.
Estava ansioso e com medo de que seu plano não funcionasse, embora tivesse certeza de ter feito tudo perfeitamente.
Chegou à lavoura e começou a falar com seus empregados, dando ordens, tudo como sempre fazia.
A todo instante olhava em direcção a casa, esperando que alguém o viesse chamar.
Para ele, parecia que o tempo havia parado.
A ansiedade era cada vez maior.
Olhava para lá, mas nada acontecia.
Montava e desmontava do cavalo, conversava com todos.
Em determinado momento, André aproximou-se, nervoso:
- Senhor Cássio, o senhor precisa vir comigo até o cafezal.
Parece que alguma praga está tomando conta dos pés.
- Praga? Que praga?
- Não sei, nunca vi igual.
- Está bem, vamos até lá.
Os dois montaram nos cavalos.
Estavam se dirigindo à plantação quando ouviram alguém chamando.
Voltaram-se e viram Juca, que vinha em disparada montado em um cavalo.
Chegou perto dos dois muito nervoso, quase sem fôlego, gritando:
- Senhor Cássio!
Dona Virgínia! Dona Virgínia!
Cássio, embora soubesse o que ele iria dizer, mostrou-se assustado e gritou:
- Fique calmo. Que aconteceu?
Que tem dona Virgínia?
- Não sei. Elvira pediu para eu vir chamar o senhor, dizendo que dona Virgínia está muito mal.
- Que ela tem?
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 7:41 pm

- Não sei. Elvira me mandou chamá-lo.
Pediu para o senhor André ir também.
Cássio olhou para André, que, assustado, falou:
- Deve ter acontecido algo muito grave.
Vamos até lá.
Os três saíram em disparada.
Os outros empregados ficaram assustados.
Quando chegaram a casa, encontraram Elvira, que chorava sem parar:
- Menino! Ela está lá no quarto.
Não sei o que aconteceu.
Demorou muito para se levantar, fui até lá e a encontrei daquele jeito.
Demonstrando um nervosismo que não sentia, ele disse:
- De que jeito, Elvira?
Que aconteceu?
- Acho que ela está morta!
- Morta? Deve estar louca!
Ela não pode ter morrido, ontem estava muito bem.
Entrou correndo na casa e, acompanhado por André, foi até o quarto.
Lá dentro, Virgínia continuava na mesma posição que ele a havia deixado.
Ele correu para ela e, chorando, começou a mexer em seu rosto, dizendo:
- Virgínia, meu amor, acorde!
Que aconteceu?
André, pela cor do rosto dela, percebeu que estava morta.
Segurou Cássio pelos ombros, falando:
- Senhor Cássio, não adianta chamar.
Ela está morta mesmo...
- Não pode ser! Não pode ser!
- Vamos lá para fora, vou mandar alguém chamar o médico.
Cássio, chorando desesperado, saiu do quarto apoiado em André, que reflectia em seu rosto toda a dor que estava sentindo.
Elvira continuava desesperada:
- Que maldade foi essa que se abateu sobre esta família?
Todos estão partindo.
Por que, meu Deus? Por quê?
Cássio mostrou-se impotente e pediu a André que fosse chamar o médico.
O doutor chegou e, após um exame superficial, constatou que Virgínia havia morrido de um ataque do coração.
Cássio, inconformado, chorava muito.
Amigos e vizinhos consolaram-no o tempo todo.
Durante o velório, todos sentiam muita pena daquele homem que em tão pouco tempo havia perdido o amigo, a esposa e filha deste, e agora a esposa.
Todos transmitiam suas reais condolências.
A cada abraço, a cada aperto de mão, mais ele se desesperava e chorava.
Sua barba por fazer e seu desespero convenceram a todos do quanto estava sofrendo.
Como tantos outros, um homem se aproximou.
Era um desconhecido, mas, no meio de tantos, não foi notado.
- Senhor Cássio, estou aqui para lhe desejar minhas sinceras condolências, mas não posso deixar de lembrar-lhe que seu tempo está passando.
Faltam apenas poucos dias.
Cássio olhou para aquele homem, estampando um profundo desespero:
- O senhor não precisa me lembrar.
Sempre cumpri com minhas obrigações e não pretendo que, agora, seja diferente.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 13, 2017 7:41 pm

Talvez demore uns dias a mais, mas em breve tudo que devo será pago.
Por favor, espere um pouco mais e permita que hoje eu só chore a morte de uma pessoa que muito amei.
Com um sorriso, o homem cumprimentou-o com a cabeça e afastou-se.
O corpo de Virgínia foi enterrado ao lado do de Renato, Juliana e Helena.
Depois disso, Cássio, para desespero de Elvira, trancou-se em seu quarto e por vários dias não saiu.
A muito custo ela conseguia fazer com que ele se alimentasse.
A cada aparição de Elvira, ele se punha a chorar desesperadamente.
- Não sei o que vai ser de minha vida sem aqueles que tanto amei.
Não tenho mais vontade de viver.
Quero morrer também.
Elvira tentava consolá-lo.
- Não fale assim, menino.
Deus é bom e não vai abandoná-lo.
Você é muito jovem. Tem a vida toda pela frente.
- Que vida? Como posso ter vida ou continuar vivendo sem as pessoas que amo?
Deus não podia ter feito isso comigo. Não devia.
Quero que Deus me mande a morte.
Tenho vontade de me matar e assim ficar ao lado deles.
- Não diga isso, meu filho.
Nunca devemos desacreditar da bondade e justiça de Deus.
Ele está sempre connosco, não nos abandona nunca.
- Ele me abandonou.
Não sei o que vou fazer.
- Por enquanto, nada deve fazer.
Deus lhe mostrará o caminho que tem para seguir.
Confie em Sua bondade infinita.
Cássio não disse mais nada, apenas chorava sem parar.
Elvira, amargurada, desanimada e preocupada por ver seu menino tão triste, saiu do quarto, pedindo a Deus que o protegesse.
O tempo passou, fazia sete dias que Virgínia morrera.
Uma missa foi encomendada na igreja matriz da cidade.
A família de Juliana e a de Cássio eram conhecidas em toda parte.
Vestido de preto e com a barba por fazer, Cássio compareceu com Elvira e outros empregados da fazenda.
Quem visse aquele homem naquele estado não podia deixar de sentir pena.
Ele sofria muito.
Os comentários foram muitos.
Durante a missa, Cássio viu, no fundo da igreja, aquele homem que o olhava sem parar.
Ficou preocupado e com medo de que ele, ali, no meio de todos, o cobrasse.
Antes que a missa terminasse, ele começou a chorar desolado.
Chorou tanto que Elvira e alguns amigos o levaram para fora.
Em frente à igreja, havia uma praça com vários bancos, e em um deles ele se sentou.
Elvira e os outros o consolavam da maneira que podiam.
Ele, ainda chorando, abriu os olhos, olhou para a porta da igreja e viu que o homem estava ali, parado, observando-o à distância.
Voltou a fechar os olhos e, chorando, disse:
- Elvira, muito obrigada por tudo.
Estou bem, pode voltar com os outros para dentro da igreja.
Não se preocupe comigo, irei em seguida.
Elvira quis resistir, mas ele insistiu.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

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