NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:24 pm

Quando terminaram, ele pareceu voltar à realidade:
- Não sei o que estou fazendo aqui.
Aconteceu algo em minha casa que me desgostou e eu senti uma necessidade imensa de ver você, de te possuir!
- Que aconteceu em sua casa?
- Prefiro não falar, foi horrível.
Não sei se poderei continuar vivendo ao lado de Clarice, mas sinto que a amo, e muito.
Ao ouvir suas últimas palavras, Márcia estremeceu.
- Como pode dizer que a ama depois de me possuir de forma tão apaixonada?
Ele não soube responder.
Enquanto isso, Clarice, em sua casa, chorava desesperadamente.
- Meu Deus, que aconteceu esta noite?
Por que tudo tem de mudar tão drasticamente?
Estávamos tão felizes.
Por que aquela dor tão intensa?
De onde veio aquele mau cheiro terrível?
Chorava, e com razão.
Ela e Osvaldo jantaram com as crianças.
Após colocá-las na cama, prepararam-se para dormir.
Antes, porém, planejaram momentos de amor.
Assim que começaram as primeiras carícias, de suas bocas começou a sair um mau cheiro insuportável, o que fez com que afastassem os rostos.
Insistiram, mas foi em vão:
ao invés do prazer, uma dor terrível tomou conta dos dois.
A dor foi tão intensa que foram obrigados a desistir.
Imediatamente, Osvaldo se lembrou de Márcia e sentiu por ela um desejo incontrolável.
Não desistiu: saiu e foi à sua procura.
Ele, durante o trajecto, por muitas vezes parou o carro, procurando entender o que havia acontecido.
Desesperado, pensou:
Eu amo Clarice com toda a ternura que só um amor verdadeiro pode ter.
Por que está acontecendo tudo isso?
Será que estamos doentes?
Pensava em voltar, mas o desejo por Márcia foi maior que o amor por Clarice.
Não resistiu e, por isso, foi até ela.
Depois de amar Márcia, Osvaldo saiu do apartamento dela, pegou o carro e ficou andando sem destino.
Sentia que amava Clarice.
Sentiu também que no fundo detestava Márcia, mas sabia que não poderia mais viver sem ela.
Queria voltar para casa, mas temia sentir novamente aquele cheiro horrível que o perfume de Márcia havia eliminado.
Sabia que Clarice também deveria estar sofrendo.
Andou... Andou. Vou para casa.
Amo Clarice e nossos filhos.
Algo deve ter acontecido que não entendo, mas amanhã mesmo vamos, os dois, ao médico fazer alguns exames para descobrir o motivo daquela dor e daquele cheiro...
Chegou a casa.
Clarice estava deitada ainda chorando.
Entrou no quarto, pensando que ela estivesse dormindo.
Deitou-se a seu lado, e percebeu que não havia mais aquele odor ruim.
Deu um beijo na testa da esposa, que abriu os olhos vermelhos de tanto chorar.
Ela ficou com medo de abrir a boca e novamente o mau cheiro voltar.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:24 pm

Ele a abraçou, falando:
- Meu amor, sei que, como eu, está sofrendo muito.
Mas não importa o que aconteceu esta noite, nós nos amamos.
Vamos amanhã mesmo a um médico para descobrir o que está acontecendo.
Amo vocês, e nada vai conseguir nos separar, nem que tenhamos de viver como irmãos dentro desta casa.
Mas nunca vou te abandonar... se fizesse isso, estaria abandonando a mim mesmo.
Não consigo mais viver longe de vocês.
Deve haver uma explicação para tudo isso que está acontecendo e nós a encontraremos desde que continuemos juntos.
Ao dizer aquelas palavras, Osvaldo, sem perceber, afastou com violência o vulto negro que os tentava envolver.
Clarice voltou a chorar.
Ele a abraçou e a beijou com amor.
O mau cheiro não voltou.
Deitaram-se e dormiram abraçados, como sempre.
No dia seguinte pela manhã, ao levantar, Osvaldo ligou para o escritório avisando que só iria trabalhar na parte da tarde.
Levantou-se e foi para a cozinha.
Clarice estava dando café para as crianças, que iriam em seguida para a escola.
Ele se aproximou, beijou seus lábios e sentou-se para tomar café.
Da rua ouviu-se uma buzina, e Clarice saiu para levar as crianças até o ônibus escolar.
Voltou, sentou-se ao lado de Osvaldo e tomaram café juntos.
Ela já havia marcado hora com seu ginecologista.
Eram ainda oito horas, e a consulta seria às onze.
Após terminar o café, ela se levantou, tirou a louça de cima da mesa e levou-a até a pia.
Osvaldo também se levantou e a abraçou por trás.
Ela se encostou-se a seu peito e fechou os olhos.
Ao sentir o corpo do homem amado encostado ao seu, Clarice estremeceu.
Ele a virou de frente e a beijou.
Ela correspondeu ao beijo e, assim abraçados e aos beijos, foram para o quarto.
Assim que se deitaram, o mau cheiro voltou e as dores se fizeram sentir.
Ela, desesperada, levantou-se chorando e dizendo:
- Não adianta.
Não vamos conseguir nunca mais.
Isto está se tornando uma tortura.
No mesmo instante, ele sentiu um desejo enorme por Márcia, muito embora neste horário ela devesse estar no escritório.
Não faz mal, vou até lá.
Fecharemos à porta e nos amaremos ali mesmo.
Preciso vê-la. Tem de ser agora!
Sentia seu perfume, que o embriagava.
Vestiu-se, pegou a chave do carro e foi para a garagem.
Entrou no carro e deu a partida. Já estava saindo, quando parou, pensando:
Não posso ir.
Amo minha mulher.
Isso que está acontecendo tem de ter uma explicação.
Vamos ao médico, como planeado.
Seu corpo doía de desejo por Márcia, mas ele resistiu.
Entrou em casa novamente, e Clarice estava ali, sentada na cama e chorando.
O mau cheiro havia passado.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:24 pm

Ele a levantou e a abraçou, dizendo:
- Tudo isso tem de ter uma explicação.
Vamos ao médico e descobriremos.
Nós nos amamos e nada vai nos separar.
Beijou seus lábios novamente, e o beijo foi suave e amoroso.
Dez minutos antes das onze, estavam no consultório do ginecologista.
Osvaldo segurava fortemente a mão de Clarice, como se temesse perdê-la.
O desejo por Márcia aumentava, mas ele, suado e nervoso, resistiu.
O ginecologista, após ouvir a história dos dois, ponderou:
- Estou estranhando, porque a senhora já é minha paciente há muito tempo e nunca observei que tivesse alguma ferida, que seria um dos prováveis motivos para sentir dor.
Vamos fazer um exame.
Auxiliada por uma enfermeira, Clarice deitou-se na mesa e o médico a examinou.
Quando terminou, disse:
- Exactamente o que falei:
aparentemente não há nada errado, mas vamos pedir alguns exames de laboratório, só com eles poderei fazer um diagnóstico preciso.
Quanto ao senhor, vou pedir alguns exames também.
Osvaldo e Clarice ficaram um pouco mais tranquilos.
Ele perguntou:
- O que o senhor acredita que possa estar acontecendo connosco?
- Não sei como responder a essa pergunta.
Tenho quase vinte anos de profissão e nunca vi algo parecido.
Precisamos esperar o resultado dos exames.
Fiquem tranquilos, acharemos as respostas.
Confiantes, sentiam que o médico iria ajudá-los.
Foram para a escola pegar as crianças e depois almoçaram em um restaurante.
As crianças estavam felizes de passar o dia com o pai.
Não estavam acostumados a vê-lo, porque quando acordavam ele já havia ido para o trabalho e quando voltava eles já estavam dormindo.
Só depois que Osvaldo assumiu o amor pela esposa e pelos filhos foi que ele começou a chegar a casa cedo o suficiente para jantarem e ficarem juntos.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:25 pm

DESCULPA PARA O SUICÍDIO
Enquanto isso, Gervásio e Farias, saíram da sala de Damião.
Farias confuso, sem saber que caminho seguir, perguntou:
- Gervásio, quem é na realidade Damião?
Ele parece não pertencer a um lugar como este.
- Não sei muito também, só coisas que ouço aqui e acolá.
Parece-me que ele é um espírito muito iluminado, que escolheu trabalhar aqui na tentativa de ajudar aqueles que se suicidam.
Na maioria das vezes, os suicidas sempre culpam alguém por seu acto.
Sofrem muito por isso, até o dia em que se convencerem de que ninguém e nada pode ser culpado, a não ser eles próprios.
Damião está sempre presente a cada atitude que é tomada por qualquer um.
Quando percebe que chegou a hora e que existe uma chance de o espírito entender e livrar-se do ódio, ele manda chamá-lo à sua presença.
Ele, então, o ajuda a pensar e a tomar o melhor caminho.
Dizem também que ele está aqui para ajudar um amigo, ou melhor, inimigo.
Farias acompanhava o que Gervásio dizia.
- Ajudar um inimigo?
Deve estar brincando!
Não posso acreditar que alguém quisesse viver em um lugar como este sem necessidade!
Só para ajudar um inimigo.
Sinto muito, mas não acredito!
- Existem espíritos que fazem muito mais que isso.
Muitos deles renascem sem necessidade, só para ajudar um amigo ou inimigo.
Por isso o céu e o inferno não são como os imaginamos na Terra.
- Que está dizendo?
Não existe céu e inferno?
O que acha que é o vale?
Aquilo parece um inferno muito pior do que o imaginado.
- Se fosse o inferno descrito na Terra, todos os que lá então permaneceriam para sempre, sem esperança de sair, o que não é verdade, porque um dia todos os espíritos encontrarão a luz divina.
- Um dia, poderão mesmo sair dali?
- Sim, é um lugar de aprendizado e reflexão, mas todos terão a oportunidade de sair, podendo, assim resgatar seus erros.
- Está dizendo que todos são levados ao suicídio porque querem.
Eu mesmo fui levado por aquela mulher perversa.
Se ela não tivesse aparecido em minha vida, eu estaria até hoje vivendo feliz ao lado de minha família.
- Não conheço a história de vocês em uma vida anterior, mas sei que você só não a enfrentou por covardia.
Portanto, a culpa não foi dela e sim sua.
- Não aceito isso!
Não podia deixar que as pessoas soubessem que eu tinha uma vida que, para muitos, poderia não parecer digna.
Eu tinha uma imagem que não podia ser destruída.
Se tudo fosse descoberto, seria meu fim!
- Por que as pessoas não poderiam saber?
- Porque todos acreditam ser um crime, um pecado.
- E você, no que acredita?
- Também acho um crime, um pecado.
- Então você é culpado duas vezes.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:25 pm

A primeira, por ser covarde; a segunda, por praticar algo que achava ser pecado, mas assim mesmo o cometia.
- Não é pecado, Gervásio?
- Deus é justo e perfeito, não permitiria que um espírito nascesse para o erro, Farias.
Ele quer que todos os seus filhos encontrem o caminho para a felicidade.
Às vezes coloca à nossa frente outros espíritos a quem precisamos ajudar, ou simplesmente para nos testar.
- Testar? Está dizendo que aquela mulher com que tive um longo relacionamento, poderia ser um teste?
- Não sei o motivo, mas pode ser, sim, Farias.
Não sabemos os caminhos para nossas vidas.
- Nunca soube nada sobre esse assunto.
Não tinha tempo, precisava trabalhar.
- Se soubesse algo sobre isso, teria sido diferente?
Farias voltou seu pensamento para seu passado.
Viu-se praticando actos que para ele eram errados, mas que lhe faziam muito bem.
Pensou na outra mulher que fez parte de sua vida, mas de quem sentia vergonha.
Pensou em quantas vezes disse que não voltaria mais à sua casa, e em quantas vezes voltou.
- Não sei. Sempre acreditei que os sentimentos eram mais fortes que eu.
- Talvez fosse uma tendência a que você devesse resistir.
Ou simplesmente aceitá-la sem discutir.
- Não sei.
Estou cada vez mais confuso, mas, mesmo que eu aceitasse, os outros e minha família não aceitariam e me condenariam para sempre.
- Quem lhe garante isso?
Mais de uma vez você duvidou do amor de Deus e de sua família.
Quem lhe garante que, se eles viessem a descobrir, após um primeiro susto e até uma grande revolta, o amor que sentiam por você fosse superior e eles simplesmente ignorassem o facto, continuando a amá-lo para sempre?
- Não. Não acredito que isso pudesse acontecer.
Eles não poderiam compreender nunca!
Como exigir isso deles, se eu mesmo não compreendia?
- Isso você nunca saberá, porque não tentou.
Só estou fazendo tudo isso e fazendo você pensar para que entenda que, embora Márcia tenha contribuído para o seu suicídio e deva ser punida, não foi à única culpada; você também teve sua parcela, e grande, de culpa porque foi covarde e não conseguiu enfrentar aquilo que considerava errado.
- Talvez você tenha razão.
Mas, mesmo assim, se ela não tivesse me obrigado, estaria até hoje vivendo muito bem e, quem sabe, com o tempo, eu teria coragem de abandonar aquela mulher, ou de assumi-la de vez.
- Nunca saberá... nunca tentou... na primeira oportunidade, se acovardou e encontrou o caminho que parecia ser o melhor.
Farias, ficou calado, apenas abaixou a cabeça e, pensativo, acompanhou Gervásio.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:25 pm

CONHECENDO A ESPIRITUALIDADE
Márcia chegou à empresa sorridente e feliz.
Entrou em sua sala e pediu um café.
Enquanto esperava, ia pensando:
Todo o trabalho e o dinheiro gasto valeram à pena.
Ele voltou melhor do que eu poderia imaginar.
Senti que está inteiramente a meus pés.
Vou ficar com ele por algum tempo e depois vou abandoná-lo.
Ele vai ver quanto custa um dia ter tentado me humilhar.
Poderá ficar com aquela esposinha, mas nunca poderá amá-la ou possuí-la novamente.
Quando vier me procurar, eu o expulsarei para sempre.
Nunca mais vou querer vê-lo em minha frente.
Nunca mais!
Trabalhou o dia todo, mas não conseguia esquecer Osvaldo, o modo como ele a havia amado e como, com certeza, voltaria naquela noite.
Ele vai querer amar a esposinha novamente, não vai conseguir e voltará a me procurar.
Vou adorar vê-lo a meus pés, implorando meu amor.
Valeu mesmo a pena o dinheiro gasto.
A felicidade que estou sentindo, não há dinheiro que pague.
No dia seguinte pela manhã, Osvaldo e Clarice foram à clínica fazer os exames pedidos pelo médico.
Decidiram que, enquanto os resultados não chegassem, evitariam ter contacto físico.
Perceberam que, assim fazendo, poderiam viver em paz, mas sabiam que aquele estado de coisas não poderia durar por muito tempo.
Amavam-se e, naturalmente, se queriam de todas as maneiras.
Não poderiam ficar Por muito tempo sem esse contacto.
Após fazer os exames, Osvaldo foi para seu trabalho, Clarice pegou as crianças na escola e foi almoçar na casa de sua sogra.
Dona Sílvia considerava-a como filha e sofria muito ao ver o que Osvaldo fazia com ela, por isso lhe dava toda a atenção e carinho.
Quando Clarice tinha quinze anos, seus pais vieram do Paraná para São Paulo e foram morar ao lado da casa em que Osvaldo morava.
Entre as duas famílias nasceu uma amizade sincera, e entre os dois, um amor que os levou ao altar.
Viveram felizes por pouco tempo.
Quando nasceu a primeira filha, Osvaldo sentiu-se rejeitado e dividido no amor que Clarice dava à criança.
Foi se distanciando e conheceu Márcia.
Daí para frente deixou Clarice e os filhos completamente abandonados.
Por ser um empresário bem sucedido, não deixava faltar nada que o dinheiro pudesse comprar, mas sua presença foi ficando cada vez mais breve.
Isso durou muitos anos.
Sua mãe acompanhava tudo e sofria ao ver o que ele fazia.
Tentou muitas vezes falar com ele, mas foi em vão:
ele, simplesmente, sorria e continuava como antes.
Ela e Marlene, sua empregada e amiga há muitos anos, davam conselhos a Clarice para que o abandonasse, mas Clarice o amava e tinha medo de perdê-lo para sempre.
Até que, uma noite, ao se aproximar dele, pedindo carinho, depois de ele ter chegado tarde da noite, como era seu costume, ele a repeliu ferozmente.
No dia seguinte, ela decidiu seguir os conselhos da sogra e de Marlene e foi embora para a casa de seus pais, que haviam voltado para o Paraná.
Daí para frente, tudo mudou.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:26 pm

Osvaldo agora era o homem com quem havia se casado, fiel e cumpridor de seus deveres.
Ela estava feliz, e sua sogra sabia disso.
Naquela manhã, Clarice chegou com as crianças para o almoço.
Dona Sílvia já a esperava.
Depois do almoço, as crianças foram para a rua brincar.
Clarice e a sogra estavam sentadas à mesa; Marlene coava café.
Dona Sílvia, que estava prestando atenção ao comportamento da nora desde que ela chegara, perguntou:
- Clarice, o que está acontecendo?
Você me parece que não está bem.
Osvaldo mudou novamente?
Voltou à sua antiga vida?
Clarice olhou para a sogra e para Marlene, que se voltou para ouvir sua resposta.
Começou a chorar e entre lágrimas falou:
- Não. Ele continua apaixonado e nos dando toda a atenção.
Estou muito preocupada, mas ele não tem culpa, está sendo maravilhoso, apesar de tudo.
- Tudo o quê?
Que está acontecendo?
Você me parece muito tensa, seu rosto denota um sofrimento muito grande. Conte logo.
Clarice contou.
As duas ouviram caladas.
Quando terminou de narrar os acontecimentos, concluiu:
- Não sei o que fazer.
Eu e ele nos amamos muito, mas temo que, se isso continuar, nosso casamento se acabe definitivamente.
Não poderemos viver por muito tempo como irmãos.
Não sei o que fazer...
Não encontro explicação...
Fomos hoje a um laboratório para fazer alguns exames, para que o médico consiga descobrir o que está acontecendo.
Não sei... Tenho a impressão de que isso não vai resolver.
Marlene, ao ouvir aquilo, voltou-se para olhar Clarice de frente e perguntou:
- Você disse que tudo isso só acontece quando estão fazendo amor?
- Sim. Se ficarmos conversando ou simplesmente de mãos dadas, nada acontece.
Só quando estamos envolvidos em carícias mais profundas é que aquele cheiro horroroso surge e as dores também.
Somos obrigados a parar.
Marlene ficou olhando sem nada dizer.
Dona Sílvia perguntou:
- Vocês foram ao médico e ele disse que aparentemente está tudo bem?
- Disse, mas temos de esperar o resultado dos exames que fizemos hoje.
Marlene segurou suas mãos, falando:
- Isso está me parecendo coisa feita.
- Como assim? Que coisa feita é essa?
- Existem espíritos maus que são usados para fazer maldade.
- Não acredito nisso e, mesmo que acreditasse, quem poderia querer nosso mal?
A troco de quê?
- Os espíritos maus são as mesmas pessoas más que um dia desencarnaram.
Quando desencarnamos, continuamos sendo como sempre fomos.
Se éramos bons, continuamos bons; se éramos mentirosos, maus, fofoqueiros, briguentos, continuamos da mesma forma.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:26 pm

Dependendo do grau da maldade praticada, os espíritos se tornam escravos de outros mais espertos.
É como um presidiário que vai parar em uma cela onde existem presos antigos e poderosos:
ele é obrigado a se adaptar ao que estes querem.
- Isso será verdade?
Quer dizer que, mesmo não tendo erros, como acredito não ter, posso ser vítima de um espírito como esse?
- Deus é Pai supremo e justo.
Nunca, jamais permitiria que um filho seu sofresse sem motivo.
Você hoje pode ser e é, sei disso, uma pessoa boa e cumpridora de seus deveres, mas nada pode nos garantir que no passado, em outra vida, tenha sido sempre assim.
- Está dizendo que posso hoje responder por algo que fiz no passado e de que não me lembro?
- Isso mesmo.
Essa é a Lei.
- Que Lei é essa?
Não importa o que fiz ontem, importa o que sou hoje.
- Você pode pensar assim, mas suas vítimas de ontem podem pensar de maneira diferente e exigir uma justiça da qual se acham merecedoras.
- Se for verdade, isso não é justo.
- Aqui na Terra, quando um crime é cometido, a lei não prende o infractor e o condena?
Por que com a justiça de Deus seria diferente?
- Se é assim, estou pagando por erros passados.
Se realmente alguém fez algo para destruir meu casamento, é por que mereço?
Está dizendo que não há uma maneira de escapar?
Está dizendo que nada pode ser feito?
Está dizendo que o mal poderá vencer sempre?
- Existe uma luta constante entre o mal e o bem.
Todos somos espíritos aprendizes, estamos aqui para nos encontrar com amigos de outrora, para nos ajudarmos mutuamente, e inimigos, para tentarmos uma reconciliação.
Se alguém lhe fez um mal que pode até destruir seu casamento, o único caminho que conheço é o do amor e do perdão.
- Perdão? Amor?
Como posso perdoar e amar uma pessoa que está tentando destruir a mim e à minha família?
- Esse é o único caminho que conheço.
- Se existe alguém que faz uma maldade dessas, deve existir alguém que a desfaça e a mande de volta para quem fez.
Vou procurar uma pessoa assim e mandarei tudo de volta.
- Não faça isso, Clarice.
Se assim o fizer, estará também se tornando escrava e sofrerá muito por isso.
Dona Sílvia, que até agora só ouvia as duas, colocou sua mão sobre as de Clarice, que gesticulava muito enquanto falava.
- Clarice, minha querida - disse ela.
Sabe quanto gosto de você e de meus netos.
Seria a última pessoa neste mundo a lhe dar um mau conselho.
Conheço Marlene há muito tempo, sei de toda a sua vida e como tem suportado todas as dificuldades em nome do que acredita.
Pode parecer estranho, mas ela sabe o que diz, tem muito conhecimento e, sempre que aconselhou alguém, foi para o bem.
Escute o que ela tem para dizer e siga seus conselhos, sei que não vai se arrepender.
Clarice confiava naquelas duas mulheres que estavam à sua frente, mas não admitia que existisse alguém que pudesse fazer mal a outra pessoa.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:26 pm

Pensou um pouco e falou:
- Não estou entendendo muito bem o que estão falando.
Só sei que meu casamento está se destruindo e com ele a minha felicidade e a dos meus filhos!
Não posso ficar parada e rezando sem nada fazer para impedir isso!
Sei que amo e sou amada...
Marlene a interrompeu:
- Acabou de dizer as palavras mágicas.
Sabe que ama e que é amada... essa é exactamente a arma que deve usar.
O amor que existe entre vocês é o que os libertará de qualquer mal.
- Preciso que me diga o que tenho de fazer.
Quero fazer o certo e farei qualquer coisa para salvar o meu casamento.
- A primeira coisa a fazer é pedir a Deus que proteja a pessoa que cometeu esse crime.
Que Deus a ilumine para que se arrependa.
- Não sei quem é, nem sei se acredito nisso.
Como posso pedir por um estranho?
- Não importa quem seja.
Não importa se acredita ou não.
Apenas seja sincera.
Dona Sílvia, peça a Rosa que segure as crianças na casa dela por uma hora mais ou menos.
Vou fazer algo, e elas não podem estar presentes.
Precisarei de sua ajuda.
Dona Sílvia levantou-se, foi até a vizinha, onde as crianças brincavam, falou com a dona da casa e voltou.
Sentou-se novamente e disse:
- Podemos ficar à vontade.
Ela vai prender as crianças lá.
Marlene tirou tudo que havia em cima da mesa, colocou uma jarra com água, sentou-se ao lado de Clarice e dona Sílvia, segurou as mãos de cada uma e fez com que elas segurassem as suas, formando assim uma corrente.
Fez um pai-nosso, abriu uma página do Evangelho e leu a parábola do filho pródigo.
Quando terminou de ler, falou:
- Senhor meu pai, como um dia o filho pródigo pediu perdão e o regresso para o lar, neste momento estamos aqui pedindo perdão por todos os crimes praticados.
Sabemos que somos devedores, mas sabemos também que de Suas mãos só podem cair bênçãos.
Senhor, neste momento, unidas no mesmo amor em torno de nosso irmão Osvaldo, pedimos que suas bênçãos caiam sobre ele e sua família, que de nossos corações, neste momento, possam sair raios de luz que o atinjam, onde estiverem, a pessoa e os espíritos envolvidos.
Que eles possam, Senhor, entender que o mal hoje feito só poderá lhes trazer muito mais sofrimento amanhã.
Confiamos em Sua justiça e sabedoria.
Ao terminar, ela abriu os olhos, pegou dois copos com água e deu um deles a Clarice e dona Sílvia para que bebessem, enquanto ela bebia o outro.
Clarice e a sogra não viram, mas, se tivessem visto o que Marlene via, ficariam deslumbradas.
A cozinha foi tomada por luzes coloridas de um lilás suave que as envolvia e subiam.
Marlene contemplava aquela luz e em pensamento agradecia:
Obrigada, Senhor meu Pai, por ter ouvido nossas preces.
Em Suas mãos colocamos nossas vidas.
Quando as luzes desapareceram, ela falou:
- Agora está tudo bem.
Nossas preces foram ouvidas, e tudo seguirá como tem de ser.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:27 pm

Devemos confiar e esperar o resultado.
Clarice e a sogra abriram os olhos.
Realmente, acompanharam com sinceridade a oração que Marlene proferiu.
Clarice não sabia por que não conseguia sentir ódio.
Em seu coração só existia o grande amor que sentia por seu marido e seus filhos.
Dona Sílvia sorria confiante.
Conhecia Marlene havia muito tempo e sabia de quanto ela era capaz para fazer o bem.
O telefone tocou, e dona Sílvia foi atender.
Era Osvaldo:
- Mamãe, Clarice ainda está aí?
- Está. Estamos tomando café. Por quê?
- De repente senti uma vontade imensa de falar com ela, de ouvir sua voz.
- Espere um pouco, vou passar o telefone.
Sorrindo e fazendo com os dedos um sinal de positivo, passou o aparelho para Clarice, que, também sorrindo e com lágrimas nos olhos, atendeu.
- Alô, Osvaldo.
- Clarice, meu amor, que bom ouvir sua voz.
Agora a pouco senti tanto medo de perder você, senti tanta vontade de estar a seu lado.
Estou ligando para dizer que te amo muito...
- Também te amo, Osvaldo.
Sinto que daqui para frente tudo vai ficar bem.
Seremos felizes para sempre.
- Vou chegar cedo em casa. Um beijo.
Ela colocou o aparelho no gancho e agora chorava copiosamente.
Sem perceber, estava ajoelhada e dizendo:
- Obrigada, meu Deus, por me mostrar que estou no caminho certo.
Por favor, continue nos abençoando e iluminando nossos inimigos.
Marlene, também de mãos postas, completou:
- Que, com certeza, foram nossas vítimas no passado.
Clarice, entre lágrimas e sorrisos, abraçou as duas e começou a dançar enquanto falava:
- Sinto que nosso amor vai ser mais forte que tudo.
Juntos, venceremos qualquer maldade.
No momento em que Marlene terminava a oração, Márcia, no escritório, sem saber por que, parou de escrever.
A imagem de Lenita surgiu à sua frente, e ela se enterneceu.
Seus pensamentos voltaram-se para aquele rostinho tão querido.
Fechou os olhos por um instante e, como se voltasse a um passado desconhecido lembrou-se daquele sonho no qual se via em um lugar muito lindo, ao lado de Lenita e de um homem desconhecido que sorria para elas.
Embora ele fosse desconhecido, ela sentia que o amava.
Em seguida, aparecia alguém que tirava a menina de seus braços com violência.
Lembrou que, quando sonhava, nesse momento ela sempre acordava.
- Que estranho! Que sentimento é esse que sinto por uma menina desconhecida até outro dia?
Como será que ela está?
Sei que precisa de cuidados, mas por que tem de viver ao lado daquela mulher que tanto odeio?
Será que a odeio mesmo?
Não entendo esse sentimento que nutro por ela.
Sinto que é uma pessoa em quem não posso confiar.
Voltou ao trabalho, que, como sempre, para ela era o mais importante.
Na casa de dona Sílvia, assim que Marlene e Clarice terminaram de agradecer a Deus pela graça recebida, as crianças entraram correndo.
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Ave sem Ninho

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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:27 pm

Clarice abraçou-as falando:
- Agora vamos embora. Preciso preparar o jantar para o papai.
Hoje vou fazer uma comida especial, aquela de que ele mais gosta.
Pegou as crianças e foi embora.
Estava leve e confiante.
Sabia que o amor deles era a única arma que possuía e, com certeza, a usaria.
Ao abrir a porta de casa, sentiu um perfume de limpeza.
A empregada já havia ido embora, e tudo estava perfeito.
Gostava de cozinhar, por isso ela mesma preparava as refeições todos os dias.
As crianças estavam sujas e cansadas de tanto brincar.
Mandou que fossem para o banho enquanto ela preparava o jantar.
Não era ainda sete horas quando Osvaldo chegou.
Deu-lhe um beijo nos lábios e foi para a sala brincar com as crianças.
Da cozinha, escutou um barulho.
Foi para a sala, e Osvaldo estava deitado no chão com as duas crianças em cima dele.
Rolavam pelo tapete e riam muito.
Ela, da porta, viu aquela cena e sorriu pensando:
Com a ajuda de Deus, nada poderá impedir que essa felicidade dure para sempre, que meus filhos possam crescer ao lado do pai amoroso que Osvaldo se tornou e que eu continue sendo feliz ao lado do homem que tanto amo.
Voltou para a cozinha e terminou o jantar.
Enquanto jantavam, as crianças, felizes por terem o pai em casa na hora do jantar, falavam muito, contando do dia que tiveram na casa da avó que tanto amavam e das brincadeiras com os amiguinhos.
Osvaldo ouvia os filhos com atenção.
De vez em quando voltava seus olhos para Clarice, que o fitava também.
Realmente se amavam muito.
Terminaram o jantar.
As crianças ficaram mais um tempo assistindo televisão, depois foram para a cama.
Clarice foi para o quarto e preparou a cama para dormirem.
Ela e Osvaldo haviam combinado que não se tocariam enquanto não recebessem o resultado dos exames.
Ela nadou por todo o quarto, para assegurar-se de que tudo estava limpo e cheiroso.
Deitou-se. Logo depois, Osvaldo entrou e deitou-se também.
Ela lia um livro que Marlene lhe havia emprestado.
Ele tirou o livro de sua mão e beijou-lhe para dar boa-noite.
Um beijo que a princípio parecia ser sem maiores consequências tornou-se quente e sensual.
Sem perceber, começaram a se acariciar, esquecendo a promessa feita de esperar o resultado dos exames.
Quando estavam no auge das carícias, a dor e o mau cheiro voltaram.
Parou imediatamente, Osvaldo levantou-se e foi para a sala.
Clarice, dessa vez, o seguiu e não chorava.
Sentou-se a seu lado, e os dois perceberam que a dor e o mal estar haviam desaparecido.
Osvaldo sentiu novamente aquele desejo enorme por Márcia.
O desejo era tanto que ele não resistiu:
foi para o quarto e começou a se trocar para sair.
Clarice colocou-se em sua frente, falando:
- Espere. Não vou deixar você sair.
Precisamos conversar.
- Não temos o que conversar.
Nunca mais conseguiremos fazer amor.
Mas eu te amo.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:27 pm

- Também te amo, por isso mesmo precisamos conversar.
Preciso te contar o que aconteceu hoje na casa de sua mãe.
Ele parou, olhou para ela e disse:
- Não posso ficar. Tenho de sair.
Preciso ir a um lugar, e quando voltar conversaremos.
- Vai procurar a outra mulher?
Ele se sentiu como uma criança pega fazendo uma travessura.
- O que está dizendo?
Que outra mulher? Está louca?
- Não estou louca.
É exactamente sobre isso que precisamos conversar.
O desejo por Márcia era intenso.
Ele precisava vê-la e possuí-la de qualquer maneira.
- Agora não posso ficar. Preciso sair.
Clarice, desesperada por não conseguir impedir o marido, gritou:
- Se sair agora, quando voltar não me encontrará mais aqui.
Vou embora, e sozinha.
As crianças ficarão.
Ao ouvi-la dizer aquilo, ele parou e perguntou desesperado:
- Está dizendo que vai me abandonar e os seus filhos?
Dessa vez ela não chorava.
Conseguiu forças sem saber de onde e respondeu:
- Sim. Porque, se você sair esta noite, tudo estará perdido para nós.
Serei a pessoa mais revoltada e infeliz deste mundo e não terei nada para oferecer os meus filhos, a não ser revolta e ódio.
Não é isso que quero para eles, que merecem muito mais:
carinho e segurança, o que só nosso amor pode dar.
Osvaldo sentiu que ela estava falando a verdade e que cumpriria o que estava prometendo.
Sentiu um vazio imenso só de pensar em ficar sem ela.
Abraçou-a com força, enquanto quase gritava:
- Deus, me ajude!
O que estou sentindo é mais forte que eu Clarice.
Vendo o desespero do marido, o abraçou e o conduziu de volta para o quarto.
Ele se deitou, procurando dormir, mas foi em vão:
seu desejo por Márcia era incontrolável.
Ele se levantava e se deitava, não conseguia parar.
Ia até a porta do quarto, voltava, parecia que estava a ponto de enlouquecer.
Clarice lembrou-se de tudo que Marlene havia dito.
Calmamente se ajoelhou e começou a falar em voz alta:
- Meu Deus, Pai poderoso e amoroso, não permita que o mal tome conta de nosso lar.
Estamos aqui para cumprir nossa missão perante nós mesmos e nossos filhos.
Não permita Senhor, que essa missão seja interrompida.
Que sua luz divina caia sobre nós e sobre nossos inimigos.
Abençoe Senhor, o nosso lar.
Ajude-nos, meu Pai.
Que nosso amor possa superar tudo o que está acontecendo.
Confiamos Senhor, em Seu amor.
Osvaldo não entendia o que ela estava fazendo, mas sentiu que aos poucos o desejo foi sumindo e uma paz imensa tomou conta de todo o seu ser.
Levantou-se, abraçou a esposa, ajudou-a a levantar-se e beijou-a nos lábios num gesto de gratidão e amor.
Sabia que aquela oração tivera sobre ele um poder enorme.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:27 pm

Abraçado a ela, falou:
- Agora estou bem, não vou mais sair.
Mas você vai me contar tudo que está acontecendo.
Sinto que sabe de algo, e eu também preciso saber.
Ela o beijou nos olhos, falando:
- Vamos para a cozinha.
Vou fazer um chá e enquanto bebemos vou contar tudo que aconteceu hoje na casa de sua mãe.
Abraçados, foram até a cozinha.
Passaram pelo quarto das crianças, onde ambos dormiam profundamente.
Entraram e cobriram os dois.
Na cozinha, Clarice preparou um chá.
Enquanto enchia as xícaras, disse:
- Estou muito cansada, parece que participei de uma batalha.
De qualquer modo, se houve essa batalha, parece que ao menos desta vez eu ganhei.
Eu, não... Nós ganhamos.
Nosso amor provou que é mais forte que tudo.
Marlene tinha razão.
Clarice não pôde ver e não sabia, mas realmente havia participado de uma batalha.
Osvaldo, enquanto sentia aquele desejo imenso por Márcia, estava totalmente envolto por um vulto negro que lançava sobre ele baforadas de charuto.
Quando ela começou a rezar, uma luz intensa entrou no quarto, arremessando o vulto para longe.
Ele resistiu muito, por isso ela se sentia agora muito cansada.
Ele teve de parar de jogar fumaça de charuto sobre Osvaldo, mas não foi embora.
Estava agora na cozinha, sentado em um canto.
Fumava seu charuto e bebia sua cachaça prestando atenção em tudo que eles falavam, esperando o momento exacto para atacá-los novamente.
Enquanto tomavam o chá, Clarice contava todo o acontecido.
Osvaldo ouvia, não acreditando.
- Isso tudo é invenção da cabeça de Marlene.
Ela é chegada a essas coisas de espiritismo.
Isso nunca teve sentido para mim, essa história de reencarnação, de outras vidas...
É tudo uma grande bobagem.
- Eu também pensava assim, mas, depois de tudo que aconteceu hoje, não pude deixar de me interessar por esse assunto.
Marlene me emprestou alguns livros e os estou lendo, apenas com a intenção de estudar e entender, e estou gostando das explicações que tem neles.
- Supondo-se que tudo isso fosse verdade, quem se interessaria em destruir nosso casamento?
- Deduzimos que só poderia ser uma mulher abandonada ou que goste muito de você.
Ao ouvir aquilo, Osvaldo imediatamente pensou em Márcia, mas não podia afirmar perante a esposa que mantinha um caso fora do lar havia muito tempo.
Disfarçou, falando:
- Não existe outra mulher.
Mas, se existisse eu a mataria com minhas próprias mãos.
- Seria um outro engano.
Marlene me convenceu de que esse seria o pior caminho a seguir.
Ao contrário, devemos fortalecer nosso amor e rezar muito por essa pessoa, pedindo a Deus que seja iluminada e que se arrependa dessa loucura que praticou.
De acordo com o que Marlene disse, devemos rezar muito por esse espírito que tentou e continuará tentando nos separar.
Ao ouvir aquilo, o vulto que estava sentado levantou-se e aproximou-se mais para poder ouvir melhor.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:28 pm

Clarice continuou:
- Marlene disse que esse espírito, quando vivo, talvez tenha sido muito mau para com outras pessoas ou com ele mesmo.
Quando se viu do outro lado, perseguido pelos demais, pensou que realmente era escravo e por isso continuou se dedicando à maldade.
Devemos rezar e pedir muito para que Deus lhe mostre estar errado, e assim ele poderá ajudar as pessoas e libertar a si próprio.
O vulto ficou pensando:
Será que ela está dizendo a verdade?
Será que a tal escada existe mesmo?
Será que estou sendo enganado durante esse tempo todo?
Osvaldo a interrompeu, perguntando:
- Você diz que temos de perdoar e rezar por eles?
Não estou entendendo, Clarice.
- Jesus veio a Terra para nos ensinar exactamente isso.
Ele disse:
Perdoai setenta vezes sete.
Com isso, quis nos mostrar que o perdão deve ser infinito.
Falou também da importância de perdoar.
Osvaldo, depois de pensar um pouco, falou:
- Nunca fui dado a acreditar em religião alguma.
Embora tenha sido criado na igreja católica, depois de adulto me limitei a comparecer a casamentos e missas de sétimo dia.
Sempre acreditei ser a religião um atraso de vida.
Sempre acreditei que Jesus tinha sido um anarquista de sua época.
Agora, escutando você, chego a pensar que estive errado o tempo todo.
Jesus não promoveu a anarquia, a desordem, mas sim a compreensão com os inimigos.
Vou ler mais sobre sua história.
Preciso saber mais sobre ele e sobre tudo o que disse.
- Também farei isso.
Sinto necessidade de saber mais.
Sinto que precisamos saber para conseguirmos lutar contra todo o mal que está sobre nosso lar.
Supondo-se novamente que isso seja verdade, o que devemos fazer para nos livrar desse mal?
Clarice se levantou.
Pegou uma jarra com água e a colocou sobre a mesa, exactamente como Marlene havia feito.
Segurou as mãos de Osvaldo e fechou os olhos, dizendo em voz alta:
- Aqui estamos Senhor, dentro de nosso lar, juntos e confirmando nosso amor.
Não sabemos muito sobre a vida eterna, mas sabemos que o Senhor é um Pai supremo e amoroso.
Por isso lhe pedimos humildemente que nos proteja e a nossos filhos, para que possamos continuar vivendo em paz a fim de cumprir nossa missão aqui na Terra.
A essa pessoa que porventura tenha nos feito algum mal, se ela existir, pedimos que sua luz a ilumine e a traga de volta para Seus braços; a esse espírito ou espíritos em pacto com ela, também seja enviada muita luz para que eles entendam que o espírito é livre, por isso não precisa ser escravo, a não ser de si mesmo.
Senhor tenha compaixão de nós todos e derrame Suas graças sobre nosso lar.
Ela fez aquela oração com tanto fervor que Osvaldo, sem perceber, a acompanhou com toda a emoção e fé.
O vulto saiu de lá correndo; precisava de esclarecimentos sobre o que havia ouvido.
Precisava saber se o que ela dissera era realmente verdade.
Precisava saber se a tal escada realmente existia.
Após a oração, Clarice bebeu um pouco de água e serviu também para Osvaldo.
Guardou o resto da jarra para dar às crianças no dia seguinte.
Levantaram-se e foram para o quarto, em um estado de muita paz e amor.
Dormiram abraçados como antes.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 05, 2017 7:28 pm

O ENCONTRO DO AMOR
Márcia acordou violentamente.
Sentou-se na cama e demorou um pouco para perceber que estava em seu quarto.
Sabia que havia sonhado com algo horrível, mas não se lembrava do quê.
Levantou-se, foi até a sala ver se havia alguém lá.
Sentia uma presença, mas não sabia o que era.
Andou pela casa toda procurando encontrar algo.
Certificando-se de que não havia nada, voltou e deitou-se novamente.
Fechou os olhos para continuar dormindo, mas não conseguia.
Algo a impedia, pensamentos desencontrados passavam por sua mente.
Meio adormecida, via o rosto de Farias pedindo a ela que não contasse nada do que sabia.
Esse rosto de repente se transformava no rosto de Lenita, que estava chorando.
Sua mãe, Osvaldo e muitas imagens passaram por sua cabeça.
Uma imagem demorou mais tempo:
era o rosto de um homem alto e forte, com uma expressão de ódio e que fumava um charuto, jogando baforadas sobre ela.
Essa imagem fez com que acordasse novamente.
Dessa vez sabia o que havia sonhado.
Sentou-se na cama e lembrou-se do trabalho que havia encomendado.
Seu corpo tremia e doía, como se houvesse levado uma surra.
Levantou-se novamente, foi ao bar, pegou um copo e encheu de vinho e tomou quase tudo de uma vez.
Sabia que precisava dormir, porque teria de levantar cedo para ir ao trabalho.
Um pouco tonta com o vinho, adormeceu, mas seu sono não foi tranquilo.
Dormia e acordava a todo instante.
Pela manhã, acordou cansada e com olheiras profundas.
Lembrou que os comprimidos para dormir haviam terminado e que deveria voltar ao médico para que ele receitasse mais.
Trocou-se e foi trabalhar.
Durante o dia, por várias vezes, sentiu tonturas e fraqueza.
Esses momentos vinham com tal intensidade que ela se desviava do trabalho e, quando voltava ao normal, não se lembrava de onde havia parado.
Ficou preocupada: aquilo não era normal.
Nada, nunca, por pior que fosse seu estado emocional, conseguiu um dia sequer afastá-la de suas obrigações no trabalho.
Decididamente, tenho de ir a um médico.
Estava tão preocupada com sua saúde que não pensou em Osvaldo em nenhum momento do dia.
Estava muito preocupada consigo mesma para pensar em alguém que não fosse ela própria.
O dia arrastou-se, e ela ligou para seu médico, marcando uma consulta para o dia seguinte.
Osvaldo, no trabalho, pensava em Márcia e em tudo que Clarice havia dito.
Lembrou-se da expressão no rosto de Márcia no dia em que disse que não a veria mais.
Ela seria bem capaz de fazer algo assim, só por orgulho ferido.
Embora acredite que ela tenha coragem para tanto, custo a acreditar que o tenha feito.
Durante todo esse tempo em que estivemos juntos, sempre foi muito cordata e deixou muito claro que não queria um envolvimento maior do que aquele que mantínhamos.
Será que ela fez algo?
Mas, se Clarice tiver razão, nosso amor será mais forte.
Que Deus proteja Márcia para que ela encontre alguém que a ame e a quem ela ame também.
Não pensava aquilo por medo, mas pelo amor que um dia julgou sentir por ela e por que a admirava como mulher e profissional.
Sabia que havia conquistado tudo com seu esforço e trabalho.
Mesmo que quisesse, não conseguia sentir raiva de Márcia, muito menos ódio.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 7:59 pm

Entendia seus motivos e, colocando-se em seu lugar, julgou que, tendo oportunidade, também faria o mesmo.
Procurou afastar seu pensamento dela e voltou a pensar em Clarice e em seus filhos e no quanto os amava.
Seguindo os conselhos de Marlene, eu e Clarice devemos confirmar a todo instante nosso amor.
E isso que farei, Eu a amo e ficarei a seu lado, custe o que custar.
À noite, quando chegou a casa, Márcia novamente reparou que aquele apartamento era muito grande para ela sozinha.
Percebia agora a solidão em que vivera o tempo todo.
Pegou um copo com vinho e sentou-se em uma poltrona.
Ligou a televisão, mas não conseguia prestar atenção ao que estava passando.
Só então se lembrou de Osvaldo.
Não me procurou mais depois daquela noite...
Será que o trabalho perdeu o efeito?
Será que ele não vai voltar?
Seu coração se apertou.
Mais do que nunca, sentia falta de Osvaldo ou de alguém para lhe fazer companhia.
Pensando nele, resolveu sair e andar um pouco de carro pela cidade.
Queria cansar o corpo para poder dormir tranquila, como fazia antes.
Dirigia seu carro distraída, e só percebeu que o semáforo havia fechado quando estava sobre a faixa.
Freou bruscamente, e um carro que vinha logo atrás bateu no seu.
O barulho foi grande, e ela saiu vociferando em direcção ao motorista, que também saía de seu carro.
Ao vê-lo, ela parou.
Ele, sorrindo, falou:
- Desculpe, estava distraído e não pensei que fosse parar.
Ficaram se olhando.
Ele perguntou:
- Você não é a moça do parque?
Sou Ronaldo, não está me reconhecendo?
Claro que ela o reconhecera.
Jamais esqueceria um homem como aquele. Sorrindo, respondeu:
- Agora estou me lembrando.
Você é o corredor?
- Isso mesmo.
Não se preocupe com o estrago de seu carro, vou mandar consertar e arcarei com todas as despesas.
- Acontece que preciso do carro para trabalhar.
- Sem problema.
Tenho várias agências de automóveis, posso lhe emprestar um enquanto o seu permanecer no conserto.
Márcia sorriu.
Havia mentido, porque para trabalhar usava o carro da empresa.
Só disse aquilo por estar sem palavras e muito emocionada por vê-lo novamente.
Ele, amável, falou:
- Seu carro ainda pode andar o estrago não foi muito grande.
Podemos ir a algum lugar tomar algo e festejar a coincidência desse nosso reencontro casual, porém muito feliz.
Ela não sabia o que responder.
Nunca fora dada a galanteios, e ele parecia ser um galanteador nato.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 7:59 pm

- Não sei o que dizer.
Já é tarde e estou voltando para meu apartamento.
- Ora, vamos tomar algo, depois iremos até uma de minhas agências pegar outro carro.
Poderá escolher o que quiser.
Percebendo sinceridade no que dizia e achando que ele era um homem bonito e agradável, ela simplesmente fez um sinal com a cabeça, dizendo:
- Está bem, vamos.
Só que não posso demorar muito. Amanhã preciso acordar cedo.
- Não se preocupe:
será rápido, o tempo suficiente para que eu possa admirar um pouco sua beleza.
Ela entrou em seu próprio carro e o seguiu.
Pararam em frente a um barzinho frequentado por jovens que dançavam ao som de uma música muito alta.
Entraram, sentaram-se e pediram um drinque, mas o barulho era insuportável.
Ele, com seu bonito sorriso, disse quase gritando para que ela o ouvisse:
- Aqui não vai dar para conversarmos.
Gostaria de saber mais sobre você e falar-lhe de minha vida.
Que tal irmos para outro lugar?
Ela sorriu.
- Acredito que seja a melhor coisa que temos para fazer.
Aqui, realmente, está impossível.
Resolveram ir a um restaurante, onde o ambiente fosse mais calmo.
Quando se dirigiam para os carros, Ronaldo falou:
- Vamos antes até uma de minhas agências.
Deixaremos seu carro e você pegará outro.
Ela sorriu, dizendo:
- Perdoe-me, mas eu menti.
Não preciso de outro carro para trabalhar.
Uso o da empresa.
Ele sorriu e instintivamente deu um beijo em sua testa.
- Melhor ainda.
Mesmo assim, vamos até a agência e deixamos seu carro lá.
Depois, iremos ao restaurante e a levarei para casa.
Ela consentiu.
Em hipótese alguma poderia discordar daquele homem maravilhoso.
Fizeram exactamente isso.
No restaurante, enquanto esperavam a comida e depois, enquanto comiam, ele, muito falante, contava sua história.
- Meus avós vieram da Itália e aqui conseguiram conquistar muitas coisas.
Ficaram ricos, e eu praticamente nasci em berço de ouro.
Estudei muito, aqui e no exterior.
Com vinte e quatro anos, conheci Magali, por quem me apaixonei de uma maneira violenta, e em menos de seis meses estávamos casados.
Vivemos felizes até que, ao dar à luz ao nosso primeiro filho, ela e a criança morreram.
Márcia percebeu em seus olhos certa tristeza enquanto relatava os factos.
- Sinto muito.
Deve ter sofrido demais.
- Não pode imaginar o quanto.
Entrei em uma depressão profunda, parecia que o mundo havia terminado.
Sentia-me como se houvesse morrido com ela.
Não dormia nem comia, minha única vontade era morrer para poder reencontrá-la.
Ela ficou realmente consternada.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 8:00 pm

- Sinto muito.
Mas o que fez para reagir?
- Após muito tempo, com a ajuda de minha mãe, que não se conformava em me ver daquela maneira, e, também, de alguns amigos, me recuperei e decidi que continuaria vivendo.
- Ainda bem que reagiu. Hoje me parece muito bem.
- Quando voltei à vida, resolvi que daquele dia em diante me dedicaria exclusivamente às minhas agências e ao desportivo, que, depois dos carros, é o que mais amo.
- Isso eu percebi: gosta mesmo de correr.
- Correr, fazer musculação e jogar ténis.
Às vezes nadar, mas não é meu desporto preferido.
- Nossa! Onde arruma tempo para tudo isso?
- Acordo muito cedo.
Quando se gosta do que se faz, o tempo nunca é problema.
- Parece que tem uma vida muito agitada, diferente da minha, que se divide em trabalho, trabalho e trabalho.
- Não tem namorado?
Ela se lembrou de Osvaldo.
- Não. Nem para isso tenho tempo.
Só mesmo o trabalho faz parte da minha vida.
- Isso precisa mudar.
A vida é muito boa se for bem vivida.
Vou lhe confessar:
após sair da depressão, nunca mais outra mulher despertou em mim qualquer sentimento de amor.
Talvez por medo de sofrer novamente, não permiti que isso acontecesse... Até agora.
Ao ouvir aquilo, Márcia estremeceu.
- Que está querendo dizer?
- Que agora estou sentindo algo estranho novamente.
Desde aquele dia no parque, não consegui mais esquecer você.
O pensamento foi tão forte que, por isso, deve ter acontecido o acidente, somente para nos reencontrarmos.
Márcia não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
Aquele homem maravilhoso não podia estar dizendo a verdade.
- Não acredito no que está dizendo.
Não me conhece. Não sabe quem sou.
Nós nos encontramos apenas uma vez.
- Também não entendo.
Só sei que estou perdidamente apaixonado e, se você quiser, poderemos iniciar um relacionamento, para que possamos nos conhecer melhor.
Ela, sorrindo e não podendo esconder sua felicidade, respondeu:
- Você deve estar louco!
Não pode estar dizendo a verdade!
- Claro que sou louco e claro que estou dizendo a verdade!
Depende de você, só de você...
Ele falava manso, de uma maneira que fazia com que Márcia pensasse que estava dormindo e sonhando.
Enquanto ele falava, ela pensava:
O que é isso?
Esse é o homem que sempre sonhei encontrar, mas que ao mesmo tempo pensei não existir.
Devo estar sonhando mesmo...
Mas não estava.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 8:00 pm

Ele sorria, muito, demonstrando a sinceridade com que falava.
Ela se entregou completamente a seus encantos.
Após terminarem de jantar, foram para o apartamento dela.
Ao chegarem a frente ao prédio, ele estacionou, saiu do carro, deu a volta e abriu a porta para que ela descesse, pegando sua mão para ajudá-la.
Ela, emocionada, pensava:
Este homem não existe...
Ele olhou em seus olhos e disse:
- Você bem poderia me convidar para um drinque de boa-noite.
Ela não resistiu.
Sorriu, dizendo:
- Vamos subir?
Terei imenso prazer em lhe oferecer um drinque.
Subiram. Ao entrar, Ronaldo encantou-se com o tamanho do apartamento e o bom gosto da decoração.
- Este lugar é muito bonito e grande.
Mora com seus pais?
- Não, não tenho família.
Moro sozinha.
- Está me dizendo que mora sozinha em um apartamento deste tamanho?
Não se sente muito sozinha?
Ela, séria, respondeu:
- Trabalho muito. Não tenho tempo nem para sentir solidão.
- Acredito que esteja na hora de pensar mais em você e menos no trabalho.
Trabalhar é importante, mas não pode se transformar na prioridade da vida.
Ela não respondeu.
Encaminhou-se até o bar para preparar um drinque.
Ele a seguiu e, abraçando-a por trás, começou a beijar seu pescoço e seus cabelos.
Ela não resistiu por muito tempo e em poucos minutos já estavam no quarto amando-se com muito carinho e amor.
O amor foi intenso, porém suave.
Márcia sentiu prazeres que nunca antes havia sentido.
Quando terminaram, ele, emocionado, falou:
- Decididamente, você é a mulher de minha vida.
Com você eu até me casaria. O que acha?
- Casar? Nunca pensei nisso.
Tenho meu trabalho, que me toma muito tempo.
- Não vai mais precisar trabalhar, se não quiser.
Tenho o suficiente para lhe dar a mesma vida confortável que tem agora.
Só quero ficar a seu lado para sempre.
Ela não acreditava.
Decididamente, estou sonhando.
Não pode estar acontecendo, é bom demais!
Ele continuou falando:
- Mas, se preferir continuar trabalhando, também não me oporei você é quem vai decidir o que quer fazer desde que diminua o ritmo e fique a meu lado para sempre.
- Espere um pouco...
Você está indo rápido demais. Nós não nos conhecemos.
- Tem razão.
Vamos ficar juntos por três meses.
Depois desse tempo, se tudo der certo, e sei que vai dar nos casaremos e seremos felizes para sempre.
Que acha de minha proposta?
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 8:00 pm

- O que posso dizer, com um argumento como esse?
Ela simplesmente balançou a cabeça, beijou-o e foi beijada com amor e muito carinho.
Quando ele foi embora, ela ficou sentada em sua cama, pensando em tudo o que havia acontecido naquela noite.
Beliscava-se para ver se estava acordada mesmo ou se tudo não havia passado de um sonho.
Era bom demais para ser realidade.
É verdade? Tudo aconteceu mesmo?
Ele esteve aqui, me amou?
É o homem mais maravilhoso que conheci em toda a minha vida.
Vamos nos casar e seremos felizes.
Muito felizes.
Adormeceu. Naquela noite, sem necessidade de comprimidos ou vinho, teve um sono tranquilo.
Estava feliz, e a felicidade embala qualquer sono e sonho.
No dia seguinte, Márcia, como todos os dias, acordou na hora.
Só que naquela manhã sentia-se diferente.
Estou muito feliz.
Finalmente, encontrei um homem de verdade.
Será que o verei novamente?
Será que não foi só por uma noite, como muitos outros que passaram por minha vida?
Foi para o trabalho.
Estava ainda envolvida pelas lembranças da noite anterior.
Por mais que tentasse, não conseguia esquecer aquele homem maravilhoso.
Ele é tão bonito, agradável, me fez tão feliz!
Custo a acreditar que realmente tenha acontecido...
Mas aconteceu...
Perto das dez horas, um mensageiro chegou, trazendo um ramo de rosas vermelhas acompanhadas por um cartão, que dizia:
Rosas para a mulher mais perfeita que já conheci.
Com amor, Ronaldo.
Márcia, depois que as recebeu, já com a porta da sala fechada, pegou as rosas, cheirou-as, leu o cartão e começou a dançar e a pensar, feliz.
Ele é realmente sensacional! Eu o amo!
À noite, ele foi até sua casa, e novamente se amaram.
Ela parecia estar delirando de tanta felicidade.
Nos braços dele, com os olhos fechados, pensava:
Finalmente encontrei o homem ideal, o amor de minha vida.
Sinto que seremos felizes para sempre.
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Ave sem Ninho

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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 8:01 pm

A AJUDA SEMPRE VEM
Clarice e Osvaldo, em seu quarto, mantinham uma distância considerável para evitar tudo que conheciam e não queriam que se repetisse.
Continuavam lendo para entender melhor aquela nova doutrina.
Precisavam conhecer e acreditar.
Todas as noites, após colocar as crianças para dormir, sentavam-se na mesa da sala, discutiam partes que achavam interessantes de algum livro.
No final, os dois juntos faziam uma oração e iam dormir.
Nunca mais tentaram uma aproximação íntima; temiam que todo aquele horror ocorresse novamente.
Amavam-se o suficiente para apenas estar juntos, fazendo companhia um ao outro.
Quinta-feira era o dia da semana em que Clarice estava acostumada a almoçar na casa de sua sogra.
Como sempre fazia, pegou as crianças na escola e rumaram para lá.
Ao vê-los chegar, dona Sílvia os recebeu com sorrisos, abraços e beijos.
Percebeu que Clarice, embora continuasse um pouco abatida, trazia nos olhos certa tranquilidade.
Enquanto almoçavam, perguntou:
- Minha filha, como estão às coisas com Osvaldo?
Aquilo voltou a acontecer?
- Sim, mas com tudo que Marlene me ensinou e disse, consegui impedir que Osvaldo saísse de casa.
Conversamos muito e agora, embora mantenhamos distância, estamos conseguindo viver muito bem e temos estudado os livros que ela me emprestou.
Marlene, que também estava almoçando, disse:
- Fico contente que tenha entendido e feito com que Osvaldo entendesse também.
Acredito que esse é o princípio do fim de seus sofrimentos.
- Acredita mesmo?
- Sim. Já que estão fazendo leituras diárias, gostaria de participar de uma delas qualquer dia desses.
- Quando quiser, será para nós um imenso prazer.
Sabe o quanto Osvaldo a admira.
Embora estejamos lendo e querendo realmente aprender, existem algumas dúvidas que poderá nos esclarecer.
- Posso tentar, mas, apesar de estar a tanto tempo lendo e estudando, às vezes ainda tenho muitas incertezas.
O importante é sempre procurar as respostas quando houver dúvidas, mas posso lhe garantir que, após esclarecer uma, sempre surge outra.
Assim é que vamos aprendendo cada vez mais.
Mas responderei o que souber; se não souber, vamos procurar as respostas juntos.
- Sei que com sua ajuda aprenderemos muito.
Vou falar com Osvaldo.
Que tal marcarmos para quinta-feira à noite?
É o dia em que trabalha aqui; assim, dona Sílvia poderá ir também.
- Puxa! Pensei que não iriam me convidar.
Cheguei a pensar que não queriam minha presença.
Marlene e Clarice riram. Marlene disse:
- Como poderia ficar de fora num momento importante como esse na vida de seu filho?
Sabe que o amor que sente por ele e toda a família é também uma arma importante.
- Se meu amor for uma arma, posso garantir que sou a mulher mais armada do mundo.
Amo de coração a todos, são parte de minha vida.
Clarice aproximou-se e beijou aquela mulher que amava como se fosse sua mãe.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 8:01 pm

Sabia de sua sinceridade ao dizer aquelas palavras.
- Dona Sílvia, a cada momento sinto que venceremos toda maldade.
Temos, sim, a maior arma do mundo.
Na quinta-feira seguinte, como o combinado, Osvaldo, ao sair do trabalho, passou na casa de sua mãe.
Ela e Marlene estavam prontas, esperando-o.
Ele as apanhou e rumaram para sua casa Clarice recebeu-as com um sorriso feliz e sincero.
Amava aquelas duas mulheres e sabia que, se houvesse alguma salvação para sua família, viria de Deus, mas por meio delas.
Ao entrar na sala, Marlene percebeu que em um canto da sala havia um vulto sentado, fumando um charuto e acompanhando todos os movimentos do casal.
Ela simplesmente olhou, mas não disse nada.
Clarice estava com a mesa posta para o jantar.
Havia feito um prato especial para receber as queridas visitantes.
- Que bom que chegaram!
Espero que gostem da comida que preparei.
Após o jantar vou limpar a mesa e prepará-la para nossas orações.
Está bem assim, Marlene?
Marlene, embora estivesse observando o vulto, agia normalmente, como se não estivesse acontecendo nada.
Respondeu:
- Está óptimo. Agora não conversaremos sobre assuntos pesados.
A hora das refeições deve ser sempre tranquila.
Marlene, enquanto falava, continuava acompanhando o vulto.
Sentou-se em uma cadeira da qual podia observar todas as suas expressões.
Durante o jantar, conversaram sobre muitas coisas.
O assunto preferido foram as crianças e suas brincadeiras.
Como não podia deixar de ser, riram muito.
Jantaram em paz.
Por mais que Marlene houvesse pedido, não adiantou:
as dúvidas de Clarice e Osvaldo em relação aos livros que estavam lendo eram muitas, e eles não viam a hora de tê-las esclarecidas.
Algumas coisas não estavam claras para eles.
Marlene respondia a todas as perguntas, não desviando os olhos do vulto, que agora estava mais perto, esperando o momento para atacá-los novamente.
Clarice disse:
- Só não entendo por que um espírito, ao invés de fazer o bem, prefere fazer o mal.
Em tudo que tenho lido, há sempre um castigo para um mal praticado.
Marlene olhava para o vulto, e este, querendo saber qual seria a sua resposta, agora a fitava também, sem saber que estava sendo visto por ela.
Ela se levantou e se dirigiu até onde ele estava.
Ao chegar perto, virou-se para os demais, dizendo:
- Vamos fazer de conta que aqui há um espírito que tenha recebido certo pagamento de alguém para fazer o mal que prometera e estaria aqui espreitando, esperando um descuido qualquer de cada uma de suas possíveis vítimas.
Ele faz isso porque alguém disse que era o certo.
Provavelmente, quando vivo, não teve instrução alguma sobre a vida depois da morte.
Talvez não tenha cumprido bem suas obrigações e por isso, ao acordar, se viu em um lugar muito feio.
Quando percebeu que estava vivo, mesmo depois da morte, ficou perdido sem entender nada.
Outros espíritos mais espertos disseram a eles que eram os chefes por terem chegado antes e que se ele quisesse sair daquele lugar e continuar bebendo e fumando, como fazia antes, deveria fazer tudo o que eles mandassem.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 8:01 pm

Ele, em sua ignorância, acreditou, porque, a se ver naquele lugar ruim, pensou que estava perdido, que aquele era o único caminho que tinha para seguir.
O vulto a seu lado, ao ouvi-la falando, perguntou:
- Existe outro caminho?
Sei que sou um pecador sem perdão e tenho de passar toda a eternidade no inferno em que vivo!
Jamais vou poder entrar no céu, por isso tenho de seguir nesse caminho, tentando encontrar, quem sabe, a escada de que já ouvi falar muitas vezes, mas nem eu nem aqueles que mandam em todos os outros sabemos onde está!
Todos dizem que nunca ninguém a encontrou.
Marlene ouviu aquele quase lamento, mas fez que não ouvisse e continuou:
- Todos nós, inclusive os espíritos, deveríamos saber que Deus é um Pai amoroso.
Se nos manda algumas provas, se nos castiga de vez em quando, é porque, sabendo que estamos nos desviando do caminho, quer nosso desenvolvimento como espírito.
Ninguém, encarnado ou não, está condenado a uma vida eterna de sofrimento.
Um dia a felicidade vai vir, através do caminho do bem, do amor e do perdão.
Jesus, quando passou pela Terra, ensinou que cada um tem de fazer sua parte.
A gente precisa aprender qual é nossa parte.
Para isso Ele coloca em nosso caminho outros espíritos, encarnados ou não, para nos ensinar.
Assim, por meio da dor ou da felicidade, sempre aprendemos mais.
Por isso devemos agradecer por todas as oportunidades que nos são dadas.
Todos a ouviam atentamente, inclusive o vulto, que voltou a sentar-se no chão e, pensativo, fumava seu charuto e tomava um gole de cachaça.
Marlene seguia seus movimentos e sorriu ao perceber que o havia atingido com suas palavras. Continuou:
- Muitas pessoas, quando voltam para o plano espiritual, pensam ainda estar vivas.
Sentem necessidades básicas do corpo, como fome e sede.
Aqueles que, durante a vida, bebiam cachaça ou fumavam charuto, continuam sentindo essa necessidade, e para isso trabalham em troca dessas coisas.
Com o tempo perceberão que nada disso faz mais falta ao espírito, portanto não precisam fazer o mal ou o bem em troca de nada.
Podem continuar só fazendo o bem e com certeza encontrarão uma escada que os conduzirá à luz e à felicidade.
O vulto olhou para ela, depois para o charuto e para a garrafa que tinha nas mãos.
Largou os dois e segurando e sacudindo Marlene, perguntou quase gritando:
- Você sabe onde fica essa escada?
Você sabe? Precisa me mostrar onde está e como faço para encontrar.
Precisa me ensinar...
Marlene, embora o visse sacudindo-a, não sentia nada.
Acompanhava tudo que ele fazia.
Intimamente agradecia a Deus, pois sentia que aquele espírito estava prestes a ser salvo.
Continuou falando:
- Quando retornamos a Terra para uma nova escola de aprendizado, deixamos no plano espiritual amigos que nos amam e que sofrem se não conseguirmos vencer os desafios.
Muitos deles esperam com ansiedade nossa volta.
Portanto, espírito algum precisa ficar perdido sem destino; ele sempre terá alguém que ama e está esperando a sua volta.
Basta desejar profundamente e pedir a Deus essa graça.
Clarice tentou se levantar para tirar a louça da mesa e arrumá-la para a leitura do Evangelho, mas, a um sinal de Marlene, voltou a sentar.
As crianças não gostavam quando eles começavam a falar naquele assunto, por isso se levantaram e foram para a sala de televisão.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 8:02 pm

Dona Sílvia, mais acostumada com o modo como Marlene trabalhava, segurou a mão de Clarice e a de Osvaldo, e, fazendo um sinal, baixou a cabeça e fechou os olhos.
Eles entenderam e fizeram o mesmo.
Os três ficaram em profunda oração, sinceramente querendo ajudar quem estivesse ali.
Marlene, ainda em pé no canto e percebendo que o vulto estava examinando-a e entendendo o que ela falava, continuou:
- Todos somos filhos de Deus, portanto eternos como Ele.
Todos temos um passado do qual, com um pequeno esforço e a ajuda de bons irmãos espirituais, podemos nos lembrar.
Por isso, meus irmãos, já que estamos, neste momento, com muita fé e caridade, vamos juntos, elevar nossos pensamentos até Deus, nosso Pai, para que possamos ser atendidos e socorridos por aqueles que amamos e por quem fomos amados um dia, e, com certeza, teremos essa graça.
Os três, sentados e com as mãos entrelaçadas, seguiam atentamente o que ela falava.
O vulto levantou-se, andou até a mesa e viu que eles estavam em profunda oração.
Marlene continuava parada e seguindo todos os seus movimentos.
Uma luz intensa desceu sobre a cabeça dos três.
O vulto assustou-se e deu um passo para trás.
Marlene, com os braços abertos e com as mãos para o alto, por trás dele, continuava em oração.
Ao ver a sala toda iluminada, ele, assustado, voltou a sentar-se em seu canto, continuando a ouvir Marlene, que não parava de falar nas pessoas que nos amavam e queriam nos ajudar.
Ele, ouvindo aquilo, fechou os olhos por um segundo.
Depois, de sua garganta partiu um grito desesperado:
- Teresa! Teresa! Estou lembrando. Teresa!
Em seguida começou a chorar, falando:
- Teresa, o que fiz de nossas vidas?
Teresa, onde você está? Onde estão nossos filhos?
Osvaldo, Clarice e dona Sílvia não viam aquela cena, mas Marlene sim.
Ela, profundamente emocionada, continuou falando:
- As pessoas que amamos estão sempre ao alcance de nosso pensamento.
Para tê-las ao nosso lado, só é necessário pedirmos a Deus, nosso Pai, sua permissão.
Ele é infinito em sua bondade e perdão, precisamos apenas acreditar e pedir sinceramente.
O vulto começou a chorar violentamente, com soluços que não conseguia controlar.
Seu coração queria sinceramente ver a esposa, e agora sabia que poderia vê-la, se Deus permitisse.
O mesmo Deus que disseram tê-lo condenado para sempre.
Aquela mulher que ele não conhecia estava dizendo que tudo era mentira, que Deus existia, sim, que só precisava pedir com sinceridade.
Ajoelhou-se, baixou a cabeça e com a voz quase em lamento falou:
- Deus, meu Pai, não sei ainda qual o crime que cometi para estar aqui no inferno em que vivo até agora.
Só sei que tenho alguém que muito amei, sei que ela me amou também.
Senhor meu Deus, permita que eu a possa ver novamente e pedir seu perdão.
Só Seu amor infinito, como está dizendo essa mulher, vai poder me ajudar agora.
Marlene, chorando baixinho, também pedia.
- Meu Pai, atenda, por favor, a esse irmão que está perdido.
Assim como o pai recebeu de volta em sua casa o filho pródigo, recebe agora, este seu filho com festa e louvor.
É uma ovelha desgarrada que volta.
Tem piedade, meu Pai.
Como por encanto, luzes foram formando uma escada que descia do alto.
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Re: NADA FICA SEM RESPOSTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 06, 2017 8:02 pm

O vulto, ao ver aquela escada tão procurada, não se conteve:
gritando e chorando, levantou-se e voltou a sacudir Marlene para que ela também visse.
Gritava feliz:
- A escada!
Ela existe. Ela existe!
Você estava dizendo a verdade!
Ela existe. A escada existe!
Da escada uma forma começou a descer.
Toda branca, com um suave tom de lilás em suas vestes, olhava para o vulto e sorria.
Ele, ao ver aquele ser que se aproximava, voltou a se ajoelhar.
Preso de muita emoção, quase não podia falar.
De sua garganta, partiu um som baixo, que com muito custo Marlene conseguiu ouvir:
- Teresa! É você mesma?
Teresa é você mesma?
Está tão bonita! É você mesma?
Não estou sonhando?
Não estou sofrendo uma alucinação?
Ao chegar ao pé da escada, o vulto iluminado abriu os braços e caminhou, sorrindo, até ele, que continuava ajoelhado.
Pegou em suas mãos e, enquanto o levantava, disse:
- Sou eu mesma, Clemente.
Suas preces foram atendidas.
Estou aqui para levá-lo a um mundo de amor, felicidade e muita luz.
Lá encontrará outros amigos e a oportunidade de resgatar todos os seus erros.
Deus é Pai justo e infalível e nos ama a todos da mesma maneira, pecadores ou não.
Abraçaram-se com muito amor.
Sobre eles caíram muitas luzes coloridas.
Marlene ouviu uma suave música cantada por vozes de crianças.
Seu coração encheu-se de felicidade.
Presa de muita emoção, sem perceber começou a falar em voz alta:
- Obrigada, meu Deus, por este momento de deslumbramento.
Sei que estou aqui na Terra resgatando faltas passadas, mas este momento compensa qualquer sofrimento.
Obrigada, meu Pai, por receber este seu filho amado e desviado.
Marlene continuava vendo os dois se abraçar.
O vulto luminoso voltou-se para ela, dizendo:
- Obrigada, minha irmã, por sua fé e caridade.
Este é meu marido de outras vidas.
Nós nos desencontramos há muito tempo e hoje, com sua ajuda, voltamos a nos ver.
Que Deus a abençoe, e muito.
Marlene sorriu humildemente.
Estava muito emocionada, por isso não conseguia dizer uma palavra sequer.
O vulto luminoso abraçou o outro e falou:
- Você veio a esta casa para fazer o mal, mas aqui recebeu o bem.
Não acha que deve algo a esses irmãos?
Ele pensou, olhou para um lugar distante, e imediatamente em suas mãos surgiram os bonecos que um dia havia amarrado.
Chorando arrependido, ele os foi desamarrando.
Logo depois de desamarrados, sumiram de suas mãos em uma bola de luz.
O vulto iluminado, sorrindo, acompanhou o outro, que muito feliz subia a escada que por tanto tempo havia procurado.
Assim que sumiram, levaram com eles as luzes.
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