O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 8:52 pm

- De coração, espero que isso não aconteça.
Ela levantou-se, estendeu a mão e se despediu.
Ele, antes de ela sair, disse:
- Espero que a senhora pense mais a respeito da Ditadura e perceba que ela só está fazendo bem para o Brasil e para o povo brasileiro.
- Pensarei senhor, pode ter certeza disso e, quando encontrar o meu filho e o seu, farei com que pensem também.
- Está no caminho certo, minha senhora.
- Obrigada, mais uma vez.
Dizendo isso, ela se voltou e saiu do escritório.
Assim que saiu, encontrou a mãe de Júlio que, aflita, estava com os olhos vermelhos de chorar.
Chegou perto dela, abraçou-a para se despedir e disse baixinho em seu ouvido:
- Não precisa chorar nem se preocupar, seu filho e o meu estão bem e protegidos.
A senhora, também com a voz baixa, disse, sorrindo:
- Obrigada por ter vindo a minha casa.
Afastaram-se e, tranquila, Luana saiu daquela casa, claro que diferente daquela que havia entrado.
O discurso do pai de Júlio fez com que pensasse um pouco mais a respeito do que era bom para o Brasil.
Já na rua, pensou:
Embora esteja feliz por saber que Danilo e os amigos não estejam presos, pois não acredito que o pai do Júlio tenha mentido, estou muito nervosa e sem condições de trabalhar.
Acho melhor ir até o hospital contar ao Felipe e ao Rodolfo tudo o que conversei com ele e tranquilizá-los.
Depois, irei para casa.
Quem sabe tenha alguma notícia, embora eles tenham sido instruídos para que não telefonassem.
A mãe de Júlio continuou parada, olhando em direcção à Luana que se afastava altiva e com passos fortes.
Depois de algum tempo, entrou na sala do marido e, com a voz firme, perguntou:
- Alberto, onde está o nosso filho?
Ele, prepotente, olhou para ela e também perguntou:
- Está falando do seu filho?
- Não, do nosso!
O que aconteceu com ele? Onde está?
- Não sei nem me interessa.
Ele deixou de me preocupar quando resolveu ser um traidor.
- Você precisa me dizer!
Se não fizer isso, vou até a um seu superior!
Ele, espantado com a reacção da mulher, perguntou:
- O que está dizendo?
- Isso mesmo que ouviu!
Estou cansada de ser tratada por você como alguém que não existe, como um móvel a mais nesta casa!
Sou sua mulher e quero ser tratada como tal!
Quero saber onde está o meu filho!
Estava nervosa e gritava.
Ele percebeu.
- Você está pensando o que da vida?
Como se atreve a falar dessa maneira comigo?
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Ave sem Ninho

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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 8:52 pm

- Cansei de ser dominada por você! Não sou um de seus soldados!
Sou sua mulher!
Quero saber o que aconteceu com o nosso filho!
- Já lhe disse que não me interessa a vida daquele traidor, daquele subversivo!
Eu o preparei para que entrasse na Marinha, pois esse era o seu desejo desde pequeno!
Quando chegou a hora, ao invés de seguir o seu caminho, resolveu lutar contra aquilo que desejo e protejo!
O bem para o Brasil!
- Bem para o Brasil!
Como você e seus companheiros são prepotentes!
- Por que está dizendo isso?
- Acham realmente que estão fazendo o bem para o Brasil?
Calando a imprensa e afastando, prendendo e torturando todos os que se opõem àquilo em que acreditam?
Isso é o bem do Brasil?
Onde o povo é amordaçado e vive em constante medo?
Você diz que Júlio é traidor, subversivo?
Ele não é isso!
Foram vocês que traíram a Pátria!
Foi você quem traiu seu filho que, por não aceitar no que vocês transformaram o Brasil, se afastou do seu sonho de vida!
Não vai ser marinheiro por sua culpa!
- Você não sabe o que está dizendo!
Está nervosa!
Como isso aconteceu?
- Depois que vi aquela mulher sair daqui, altiva e feliz por saber que seu filho não está nas garras de torturadores, pensei:
o que estou fazendo pelo meu filho, pelo Brasil?
Por que aceitar tudo o que você diz e me obriga a aceitar?
Por que continuar sendo um utensílio nesta casa?
Não, não quero mais!
Vou descobrir o que aconteceu com o meu filho e lutar por ele!
- Você está muito nervosa, não sabe o que está dizendo. Acho melhor sair desta sala.
- Tem razão, estou nervosa e vou sair não só desta sala, mas desta casa também!
Vou ser uma mulher de verdade!
Depois de tantos anos de escravidão, vou ser livre!
- Já pensou para onde vai?
Pensa em viver como?
- Não pensei, mas sei que encontrarei uma solução!
Só não quero mais continuar vivendo ao seu lado da maneira como vivi até hoje!
Para espanto dele, ela saiu, com a cabeça alta e pisando firme.
Ele sentou-se, abismado, por não reconhecer aquela mulher com a qual havia vivido durante tanto tempo.
Abriu um livro e começou a ler.
Assim que chegou ao hospital, Luana foi falar com Felipe, que, como ela havia imaginado, realmente, estava muito preocupado.
Antes de conversarem, foram em busca de Rodolfo que estava em um dos quartos, atendendo a um paciente.
Eles entraram, Felipe fez um sinal com a mão, que Rodolfo entendeu e, também fazendo um sinal, pediu que esperassem.
Logo depois, ele saiu e foram para a lanchonete, pois lá seria seguro para conversarem.
Sentaram-se, pediram um refrigerante.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 8:53 pm

Luana contou tudo o que havia conversado com o pai de Júlio e tudo o que ele havia dito a respeito da Ditadura.
Terminou, dizendo:
- Ouvi com atenção e parece que, em algumas coisas, ele tem razão.
O Brasil melhorou muito depois que os militares tomaram o poder.
- Como pode pensar isso, Luana?
Esse homem faz parte daqueles que estão no poder e que tiraram a liberdade do povo!
- Sei disso, Rodolfo, e disse a ele, mas, mesmo assim, não podemos negar que muito do que ele disse é verdade.
O Brasil está em pleno crescimento.
Escolas, hospitais e casas populares estão sendo feitos.
Estradas no Nordeste para a integração também.
- Tudo isso, sem liberdade, não tem valor algum!
- Ele disse que militar não tem dom para governar e que, quando chegar a hora, eles devolverão o Brasil para as mãos dos civis e espera que eles não coloquem tudo a perder novamente.
- Duvido que isso, um dia, aconteça! Jamais voltaremos a ser livres!
- Ora, Rodolfo, você acha que um pai de família que tem emprego, hospitais e seus filhos em escolas está preocupado em poder falar?
Ele não está nem aí!
O povo, em sua maioria, não está preocupado com política ou políticos, só quer o bem-estar de sua família.
- Infelizmente você tem razão, Felipe.
O povo só quer tranquilidade para viver.
- Isso mesmo, Rodolfo.
Como a maioria do povo, o importante para nós é que Danilo não está preso e, como você ganhou a confiança do pai do Júlio, Luana, se algo acontecer, ele nos avisará e ajudará.
- Quanto a isso, não resta dúvida, acho que consegui convencê-lo de que Danilo nunca quis fazer parte de grupo algum para derrubar a Ditadura.
Ele quer, sim, que ela termine, mas que lutará, valendo-se das leis.
- É só isso que nos interessa.
O resto vamos deixar para os políticos.
- É só com isso que você se preocupa, Felipe?
- É, Rodolfo, e também de poder dar um bom atendimento aos meus pacientes.
O resto é só resto, pois, se eu não trabalhar, político algum colocará comida na minha mesa e de todas as pessoas.
- Você sempre foi assim, completamente alienado!
- E você, muito radical.
- Esperem aí, vocês dois, não é hora de brigarem, o mais importante é que Danilo deve estar viajando e, logo, chegará à fazenda e, se isso acontecer, tudo ficará bem.
Lá, ninguém pensará em procurá-los.
- Você acha isso, mas como poderemos ter certeza?
- Receio que isso não será possível.
Quando saí da casa do pai do Júlio, vi um carro preto que me seguiu até aqui.
Nossos telefones devem estar com escutas.
Precisamos esperar o tempo passar.
Sei que Danilo encontrará uma maneira de nos avisar.
- Tomara que eles cheguem, realmente, à fazenda e bem.
Nós também precisamos encontrar uma maneira de obter notícias sem despertar suspeitas.
- Tem razão, Felipe.
Agora vou para casa.
Estou muito nervosa e preocupada, sem condições de trabalhar.
- Faça isso, Luana, se algum dos seus pacientes precisar, eu e Rodolfo atenderemos.
Vá tranquila.
Luana sorriu, deu um beijo de leve nos lábios de Felipe e outro no rosto de Rodolfo.
Saiu.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 8:53 pm

FIM DE MISSÃO
Tobias, em casa, tentava almoçar, mas não conseguia.
Estava nervoso e pensava:
O que vou fazer?
Se eu não aceitar o capricho dessa moça, tudo o que temos aqui será perdido.
Para onde vou levar Luísa e o menino?
Meu Deus do céu, por que não conseguimos ter um pouco de felicidade?
Logo agora que tudo caminhava tão bem.
Ela disse que hoje à tarde vai me levar àquele apartamento.
Por que isso tudo está acontecendo?
Luísa, que estava dando comida ao menino, prestava atenção nele e também pensava:
O que será que está acontecendo com ele?
Está assim desde que chegou... será que tem a ver com aquela moça?
Por que ela sentou ao lado dele ao invés de no banco de trás, que é o correto?
Não estou gostando disso, não estou mesmo!
- Tobias, por que está tão nervoso?
- Não estou nervoso, Luísa!
- Claro que está.
Conheço você o suficiente para saber que está com problemas, por que não me conta?
Nunca tivemos segredos.
- Não tenho o que contar muito menos um segredo!
Está vendo coisas que não existem!
- Está bem, mas não se esqueça do quanto gosto de você e que, por isso, pode sempre confiar em mim.
Ele largou o prato que tinha nas mãos e o colocou sobre uma pequena mesa.
Disse:
- Não tenho segredo algum, mas só lhe peço uma coisa, você é quem nunca pode se esquecer aconteça o que acontecer, de que gosto muito de você e do nosso filho.
- Está me assustando, Tobias!
Agora tenho certeza de que alguma coisa está acontecendo.
Está assim por causa da Jerusa?
Está gostando dela?
- De onde tirou essa ideia?
- Não sei, vi quando chegaram e ela estava sentada ao seu lado.
Isso não é normal, Tobias!
- Não comece a imaginar coisas.
Está vendo fantasmas onde não existe!
Ao lado deles, sem que imaginassem, estava Matilde que sorria e disse:
- Chegou a hora, meus filhos.
Principalmente para você, Tobias, sabe que não precisava voltar e só fez isso por causa do seu amor por Maria Luísa e para ajudar Jerusa.
Sabe que elas, sim, têm o que resgatar, mas você, não.
Por isso, não precisa se preocupar estou aqui e vou ficar ao seu lado enquanto precisar.
Tudo o que estava programado começou a acontecer.
Tanto Maria Luísa como Jerusa terão de passar pelas mesmas coisas de antes, mas terão, também, a oportunidade de não repetirem os mesmos erros.
Vamos pedir a Deus que, desta vez, elas consigam.
Tobias não sabia que ela estava ali, mas, sem entender o porquê, sentiu uma paz imensa, tão grande que de seus olhos lágrimas rolaram.
Ele, rapidamente, com as mãos, enxugou-as.
Luísa, que continuava dando comida para o menino, não percebeu.
Ela, assim que o menino terminou de comer, trocou sua fralda e colocou-o para dormir.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 8:53 pm

O menino, que acompanhava tudo o que acontecia, perguntou:
- O que vai acontecer, Matilde?
Ele está sofrendo muito.
Tudo o que sofreu não foi o suficiente?
Isso não está certo!
Eu, sim, merecia sofrer todas as dores do mundo, mas ele, não!
- Não sei o que vai acontecer, só sei que elas estão tendo outra chance.
Tobias sofreu muito, não precisaria ter renascido, mas, como Maria Luísa precisava, ele quis ficar ao lado dela.
A sua missão aqui na Terra terminou, só falta mais uma coisa.
Está na hora de voltar para casa.
- Já? Minha missão terminou?
Qual foi a minha missão se não saí do berço, se estou sem condições de me mexer, muito menos de ajudar!
- Você veio para unir todos para que, assim, pudessem seguir o planeado.
Agora, já estão juntos, só tem mais uma coisa para fazer.
- O quê? Não pode me contar?
- Por enquanto, não.
Agora tente dormir, seu corpinho é muito fraco e precisa de descanso.
O menino fechou os olhos e adormeceu.
Luísa pegou os pratos onde ela e Tobias haviam comido, pois não gostavam de comer com os demais empregados da casa, e saiu com eles para levá-los à cozinha, onde ela os lavaria junto com a louça do almoço.
Assim que entrou na cozinha, encontrou Jerusa que estava ali, conversando com Alda.
Em silêncio, foi para junto da pia e começou a lavar a louça.
Jerusa, olhando-a de cima abaixo, disse:
- Como está aquele seu filho doente?
Luísa sentiu que o sangue subiu todo em seu rosto.
Nunca pensou que algum dia poderia sentir tanto ódio.
Ficou com vontade de dar um tapa na boca que havia dito aquilo, mas se conteve, pois, embora Jerusa fosse daquela maneira, o resto da família sempre a tratou muito bem.
Vendo que Luísa não respondia e que ela estava nervosa, Jerusa continuou:
- Por que está nervosa?
Seu filho não é só doente, é uma criança feia e asquerosa!
Imagino o que você sente sendo obrigada a cuidar daquele monstrinho todos os dias e o desejo que tem para que ele morra!
Acho que reza todos os dias para que isso aconteça logo!
Luísa, com muito ódio, levantou a cabeça, olhou bem dentro dos olhos de Jerusa e disse:
- Está muito enganada, amo meu filho e rezo, sim, todos os dias, mas para agradecer por ele ter nascido!
Sou agradecida a Deus, mais do que muitas pessoas que, embora tenham tudo, não dão valor e gostam de fazer as pessoas sofrerem.
Terminou de falar e, furiosa, saiu da casa.
Jerusa, não querendo entender o que Luísa disse, sorriu, pensando:
Hoje mesmo seu marido vai ser meu!
Luísa, tremendo muito e com raiva, saiu dali.
Alda, que acompanhou aquela cena, não conseguia acreditar no que tinha ouvindo.
Também furiosa, perguntou:
- Por que você é assim, Jerusa?
- Assim como?
- Malvada tão diferente do resto da sua família.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 8:53 pm

- Não sou malvada nem diferente, só falo o que penso você sabe que crianças como aquela são olhadas com curiosidade, desdém, asco e até medo.
Pode notar que, quando as pessoas vêm crianças como ela, de tanto asco, viram o rosto para o outro lado!
Eu sinto isso, só não sei fingir como a maioria das pessoas fazem!
- Talvez as pessoas virem o rosto para não constranger os pais ou por serem preconceituosas.
- Constranger, por quê?
Preconceito?
E horrível olhar uma criança como essa!
Você acha que ela não pensa assim também?
Já imaginou cuidar de um monstrinho como aquele, sabendo que nunca vai andar, falar ou ao menos sorrir!
Isso é castigo!
Eles não dizem que amam seus filhos?
Pois, então, se isso for verdade, não deveriam ficar constrangidos.
Além do mais, não gosto dessa mulher, quero que sofra!
- Como pode dizer isso, Jerusa?
Ela é uma coitada, não tem nada nessa vida, só o filho e o marido que parece gostar muito dela.
Como ela disse você tem tudo e não está dando valor.
Deus pode castigá-la.
- Ora, Alda, não me venha com essa conversa, pois, se nasci rica, não tenho culpa.
Sou feliz assim e não quero que mude e não vai mudar.
Azar o dela de ter nascido pobre.
Agora vou me arrumar, está na hora de voltar para a faculdade.
Saiu da cozinha.
Alda ficou olhando e, desanimada, balançou a cabeça.
Luísa, muito nervosa, estava atravessando o quintal para chegar ao seu quarto, quando viu Luana que estacionava o carro.
Tentou entrar rápido em casa, não queria que ela a visse naquele estado.
Luana, percebendo que alguma coisa estava acontecendo, chamou:
- Luísa, espere, preciso falar com você.
Sem alternativa, Luísa parou e Luana, aproximando-se, perguntou:
- O que aconteceu, Luísa?
Parece que está muito nervosa.
Luísa respirou fundo e tentou se acalmar, não queria que Luana soubesse o que havia acontecido, voltou-se para ela, quando ouviram Tobias que gritava, desesperado:
- Luísa! Venha cá! Corra!
Luana e Luísa se assustaram com o desespero dele e correram para ver do que se tratava.
Ele, nervoso, não conseguia falar.
Olhava e apontava para o quarto.
Luana foi a primeira a entrar no quarto.
Olhou para o menino e, mesmo sem examinar, percebeu que ele estava morto.
Não entendeu o que havia acontecido, pois achava que ele estava bem.
Desesperada, gritou:
- Não pode ser!
Estava bem!
O que aconteceu?
O que você fez Luísa?
Assustada e chorando, Luísa respondeu:
- O que faço sempre.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 8:54 pm

Dei-lhe comida, troquei-o e coloquei-o para dormir, depois, fui para sua casa ajudar na preparação do almoço.
Quando saí daqui, ele estava dormindo...
Luana olhou para Tobias que, assim como elas, estava assustado e não entendia o que havia acontecido.
Antes que Luana perguntasse, ele disse:
- Quando a Luísa saiu como faltava quase uma hora para eu sair com sua filha para levá-la a faculdade, eu me deitei.
Estava deitado, ouvi uma espécie de grunhido, como se ele estivesse se engasgando, me levantei e ele deu um suspiro fundo e parou de respirar.
Desesperado, corri para chamar Luísa.
Luísa e Tobias, abraçados, choravam sem parar.
Luana, incrédula, examinou o menino e não encontrou motivo para o óbito.
Foi para casa e telefonou primeiro, para Felipe, depois para Rodolfo que, assim como ela, demorou a acreditar, pois, quando liberou o menino para ir para casa, sabia que ele estava bem.
Disse:
- Estou indo para aí, Luana, depois traremos o corpo para cá e faremos uma autópsia para descobrirmos o que aconteceu.
- Está bem, Rodolfo, estarei esperando.
Rodolfo chegou com uma ambulância.
Entrou, examinou o menino e disse:
- Luana, vamos levá-lo para o hospital e, depois que fizermos a autópsia, comunicarei às autoridades.
Não entendo como isso foi acontecer.
Sei que algumas crianças que nascem assim não têm muito tempo de vida, mas a crise dele havia passado.
Preciso saber o que aconteceu.
- Está bem, vou com você.
Também estou confusa.
Rodolfo enrolou o menino num cobertor e, olhando para Luísa e Tobias, disse:
- Sinto muito pelo filho de vocês, não entendo o que aconteceu, mas vou descobrir.
Agora, preciso levá-lo.
Ele e Luana saíram.
Luísa e Tobias continuaram abraçados e chorando.
Enquanto isso, Matilde sorria e olhava para duas entidades, que também sorriam.
Uma delas levava o espírito adormecido do menino.
Matilde disse:
- Obrigado por terem vindo, sei que, ao lado de vocês, ele estará bem.
Seu tempo aqui na Terra terminou, o dos outros ainda não.
Preciso continuar aqui para tentar ajudar nas escolhas que irão fazer.
Aquela que estava com o menino no colo sorriu e disse:
- Fique em paz, minha irmã.
Ele, agora, está bem.
Vamos levá-lo em segurança e desejamos que consiga terminar sua missão.
Adeus.
Acenando, desapareceram.
Matilde pensou:
O seu trabalho terminou, o meu está apenas começando, queira Deus que eu consiga intuir bem e ajudar aos outros.
Jerusa estava em seu quarto terminando de se arrumar para aquela tarde que, para ela, seria uma tarde de vitória.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 8:54 pm

Não ouviu quando Tobias gritou nem percebeu quando Luana entrou em casa para telefonar, mas, ao ver a ambulância, se assustou e desceu correndo para saber do que se tratava.
Assim que chegou à sala, encontrou Alda, que demonstrava em seu rosto uma grande dor.
Assustada, perguntou:
- O que essa ambulância está fazendo aí em frente, Alda?
Alda, com muita raiva, respondeu:
- O seu desejo foi realizado!
- Que desejo? Do que está falando?
- O menino morreu!
- O quê?
- Sim, o menino morreu Jerusa, não era o que você queria?
- Não fale bobagem, claro que eu falei aquilo só por falar.
Não tinha problema algum com o menino, só com a mãe.
Embora não possa negar que não gosto de olhar para crianças iguais a ele, não queria que morresse.
Queria, somente, fazer a mãe sofrer.
- Não entendo por que está agindo assim, Jerusa!
O que essa moça lhe fez?
- Ela nasceu Alda!
Somente isso, nasceu!
Saiu da casa e foi até o quarto de Luísa que, assim que a viu, perguntou com muito ódio:
- O que está fazendo aqui?
Luana estranhou a atitude de Luísa.
Perguntou:
- O que aconteceu entre vocês duas, porque ela está falando assim com você, Jerusa?
- Não sei mamãe, essa mulher é louca!
Só vim ver o pobre menino que morreu e dar minhas condolências e ela me recebe assim.
Luísa não conseguia acreditar em tanta desfaçatez e fingimento.
Respondeu:
- Nada, senhora, nada aconteceu...
Embora o rosto de Jerusa demonstrasse tristeza, por dentro ela estava feliz, pois teria menos um com que se preocupar.
Ficou ali por mais um pouco de tempo e seu coração batia de ódio ao ver com que carinho Tobias abraçava Luísa.
Quando o menino foi colocado na ambulância e Luana estava entrando no carro, Jerusa disse:
- Tobias, está na hora de irmos embora.
Ele estremeceu, mas, antes de dizer alguma coisa, Luana, que ouviu o que a filha dissera, voltou-se para junto dela e perguntou:
- O que você disse Jerusa?
- Que está na hora do Tobias me levar para a faculdade.
- Está louca?
Acha que ele está em condições de sair agora e dirigir um carro?
Não está vendo que o filho dele acabou de morrer?
- Ele é o nosso motorista e preciso ir para a faculdade.
- Tenha dó, Jerusa, vá de táxi ou de ônibus! Escolha!
Jerusa, sem ter o que fazer, virou as costas e, com muita raiva, entrou em casa.
Tobias respirou profundo, aliviado e, em pensamento, agradeceu a Luana por, mesmo sem saber, tê-lo livrado de uma situação embaraçosa.
Pai Joaquim, que estava ao lado deles, sorriu. Luana entrou no carro e saiu.
Quando passou pela esquina, notou um carro preto parado.
Passou devagar, olhou e viu dois homens.
Acelerou e foi embora.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 8:54 pm

TOMANDO PROVIDÊNCIA
Eram um pouco mais das seis horas, quando Luana chegou e foi falar com Luísa e Tobias.
Assim que chegou à porta do quarto, percebeu que Luísa estava deitada com o olhar perdido em um ponto qualquer.
Tobias, sentado em uma cadeira, estava com os olhos vermelhos de tanto chorar.
Ela bateu de leve.
Luísa continuou da mesma maneira, Tobias veio ao seu encontro:
- Tobias, a autópsia foi feita e a morte foi de causa natural.
Não entendemos o que aconteceu.
Ele parecia bem.
O enterro vai ser amanhã cedo.
Felipe está providenciando os documentos.
Luísa, você está bem?
Embora Luana falasse com Luísa, ela continuou da mesma maneira, sem mover um músculo do rosto.
Tobias, constrangido, disse:
- Desculpe doutora, mas ela está assim desde que o menino foi embora.
Não se conforma com o que aconteceu.
Estou preocupado, nunca a vi assim...
- Não precisa se desculpar entendo o que vocês estão passando, mas o tempo fará com que tudo volte ao normal.
Quando puder, diga a ela para arrumar roupinhas para que sejam levadas ao hospital.
- Está bem, doutora, vou falar.
Luana se afastou.
Entrou em casa.
Tudo parecia normal.
A casa estava arrumada e, da cozinha, podia sentir o aroma da comida sendo preparada.
Foi para o seu quarto.
Tobias, assim que Luana saiu, deitou-se ao lado de Luísa e disse:
- Luísa, você ouviu o que a doutora disse.
Precisa arrumar as roupinhas para levar ao hospital.
Nosso menino se foi e precisa ser enterrado bem bonito...
Luísa continuou da mesma maneira, calada.
Ele se desesperou:
- Luísa, por favor, não fique assim!
Não tivemos culpa, chegou a hora dele, é a vontade de Deus.
Precisamos ver o que vai acontecer com a nossa vida.
Não podemos continuar aqui, temos de ir embora.
Ela continuou da mesma maneira.
Ele saiu, foi até o carro e começou a lavá-lo.
Jerusa, frustrada por seu plano não ter dado certo, não foi à faculdade e ficou a tarde toda em seu quarto, planeando o que fazer para poder ficar com Tobias.
Estava na janela e viu quando a mãe chegou.
Estava com ódio e não lhe perdoava por ter impedido que Tobias a levasse para a faculdade.
Ainda na janela, viu quando Tobias foi para o carro.
Saiu do quarto e foi ao encontro dele.
Aproximou-se e, com a voz macia, disse:
- Desculpe pelo que fiz hoje.
Eu não entendi o que aconteceu.
Ele ficou calado.
Ela continuou:
- Não pode negar que o que aconteceu nos pegou a todos de surpresa.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 8:54 pm

Demorei um pouco para assimilar.
Ainda bem que minha mãe me fez voltar à realidade.
Ele sabia que ela não estava dizendo a verdade, mas, por educação, disse:
- Está tudo bem e obrigado pela preocupação.
- Por alguns dias, não precisa me levar à Faculdade, vou de táxi.
Depois que tudo isso passar, voltaremos a conversar.
Ele, entendendo o recado, calado, voltou-se e entrou em casa.
Ela também entendeu o recado e, com ódio, pensou:
Pode fazer o que quiser, mas não vou desistir.
Quero você e vou ter!
Hoje você se livrou por causa da morte do monstrinho, mas tenha a certeza de que não escapará.
Vou ter você de qualquer maneira!
Luana estava em seu quarto, quando o telefone tocou.
Atendeu:
- Alô.
- Alô, Luana, sou eu, Marília.
Rodolfo me contou o que aconteceu.
Estou telefonando para saber como você está.
- Pode imaginar Marília.
Estou sem chão.
Meu filho, acusado de algo que não fez, está desaparecido e sendo procurado pela polícia.
Esse menino morre sem explicação.
Como tudo pode mudar tão de repente?
Há poucos dias, estava tudo bem e vivíamos em paz.
Agora, vem tudo de uma vez... não sei o que pensar nem o que imaginar.
- Fique calma, Luana.
Sei que é difícil de entender o que está preocupada.
Às vezes, acontecem coisas que não entendemos, mas, logo à frente, veremos que não foram tão graves assim e que ocorreram para o nosso bem.
- Como pode dizer isso, Marília?
Meu filho está desaparecido!
Não sei onde está!
Como isso pode ser para o meu bem?
- Sei que é difícil de entender, mas a vida, quando está fora do rumo, precisa voltar e ela mesma se encarrega de que isso aconteça.
- Fora do rumo?
Está dizendo que nossa vida estava fora do rumo?
Não estava fora do rumo!
Estava tudo bem! Agora, sim, está fora do rumo!
Estou me sentindo impotente e sem saber o que fazer!
Estou de mãos atadas, Marília?
- Eu não havia lhe dito que se tivéssemos de saber as respostas a vida se encarregaria de nos levar até elas?
Talvez, tudo o que aconteceu foi, exactamente, para que isso acontecesse.
Ele está sendo obrigado a seguir um caminho que não esperava nem queria, não é?
Quem sabe tudo isso que está acontecendo não será para nos levar ao passado?
- Não entendo como pode ser assim, Marília?
Meu filho está com o futuro comprometido e você vem me dizer que é para o seu bem e o nosso!
Não dá para entender!
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Ave sem Ninho

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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:42 pm

- Sei que é difícil, só estou dizendo isso, para que fique calma, porque, no final, tudo dá sempre certo.
- Queria ser como você, mas não consigo... estou perdida sem saber o que fazer...
- Pois, então, não faça nada, apenas confie em Deus.
Ele é nosso Pai e sabe o que faz.
Já que nada pode fazer, deixe que Ele faça.
- Não sei se consigo acreditar em um Deus que nos traz tanta tristeza e desespero!
Será que Ele realmente existe?
Chego a duvidar.
Como médica, acredito na ciência e ela coloca esse Deus em dúvida.
- A ciência explica quase tudo, Luana, mas deixa de explicar muita coisa.
Entretanto, agora, não é hora de falarmos sobre isso, deixemos para outro momento.
Entendo o que está passando.
Não se preocupe logo mais tudo voltará ao normal, talvez não como antes, algumas coisas poderão ser mudadas, mas tudo ficará bem e cada um terá a oportunidade de encontrar o seu caminho.
- Não sei como pode ser assim, Marília.
Logo você que passou por tantas coisas.
Foi chamada de louca e muitos a evitaram, inclusive eu.
- Foi difícil até que eu entendesse o que acontecia comigo.
Depois que isso se deu, não tive mais problema algum.
Estou bem e feliz por ser quem sou.
Gosto de você e entendo o seu afastamento.
Eu mesma, na ocasião, se pudesse teria me afastado de mim. - disse rindo.
- Você é maravilhosa, Marília.
Obrigada por ter telefonado.
Conseguiu que eu risse, mesmo passando por um momento tão difícil.
- A vida é assim mesmo.
Em um momento, estamos bem e, em outro, tudo muda e nos sentimos sozinhos e impotentes, mas é assim que vamos crescendo, evoluindo.
Fique em paz, Luana, e dê tempo ao tempo.
Logo, tudo estará bem e você voltará a sorrir novamente.
- Quero muito acreditar no que está dizendo, mas confesso que está sendo difícil.
Obrigada por ter telefonado.
Essa conversa me fez muito bem.
Marília se despediu e Luana desligou o telefone.
Marília tem uma fé que nunca tive e acho que nunca terei.
Essa Doutrina que ela segue parece ser boa, ao menos me trouxe tranquilidade.
Queria tanto que tudo o que ela disse fosse verdade.
Vou procurar saber mais.
Estava distraída, pensando, e não viu Felipe entrar no quarto.
Ele se aproximou e, beijando-a, perguntou:
- Como você está?
- Pode imaginar.
Desesperada por não saber o que aconteceu com Danilo.
Será que ele está bem?
Será que chegou à fazenda?
- Ele deve estar bem e, se não chegou, deve estar chegando.
O pai do Júlio não disse que se fossem presos ele nos avisaria?
- Disse, mas não sei se posso confiar nele, pois se não se importa com o próprio filho, acha que vai se importar com o nosso?
Acha mesmo que ele nos avisará?
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:42 pm

- Talvez não, mas o que mais podemos fazer?
- Você está parecendo a Marília.
- Por que está dizendo isso?
- Ela acabou de telefonar.
- O que ela disse?
Luana contou e terminou dizendo:
- Ela disse para eu não fazer nada, para deixar nas mãos de Deus!
Como se isso fosse possível!
Como posso deixar nas mãos de alguém em quem não acredito a vida do meu filho?
- Sei que é difícil, mas ela tem razão, não temos o que fazer, a não ser esperar notícias do Danilo.
Um de nós encontrará uma maneira para que isso aconteça.
Agora, venha cá e me abrace.
Ela aconchegou-se em seus braços e disse:
- Você é o amor da minha vida...
- Sei disso e você é o meu. Acho que nosso casamento foi planejado no céu.
- Será, Felipe?
- Por que não? Se acreditarmos na teoria da Marília, por que não?
De acordo com o que ela disse e, se acreditarmos, acho que sempre estivemos juntos e continuaremos por toda a eternidade.
Um amor igual ao nosso é difícil de ser encontrado, Luana.
Ela, beijando seu rosto e cabelos, disse:
- Tem razão. Amo você de todo o meu coração e não imagino minha vida sem estar ao seu lado.
Ele abraçou-a e lhe deu um beijo amoroso.
Depois, levantou-se e disse:
- Os documentos para o enterro do menino estão prontos.
Amanhã cedo, levaremos os pais até o hospital e os acompanharemos até o cemitério.
- Coitados, estão arrasados.
Não esperavam.
- É fácil entender o que estão sentindo, mas, como diz a Marília, tudo vai passar e eles, sim, depois, verão que foi melhor e que a vida deles sem o menino será melhor.
- O que está dizendo, Felipe!
É filho deles!
- Sim, era filho deles, mas não pode se esquecer de que era doente e que nunca seria independente.
Precisaria sempre de alguém que cuidasse dele, inclusive a mãe.
Ela nunca poderia trabalhar e tentar ter uma vida melhor.
- Os pais não se importavam com isso!
Eles amavam o menino!
- Não duvido disso, mas imagine a preocupação que temos com nossos filhos, mesmo sabendo que se faltarmos, eles continuarão a vida sem problema alguma.
Agora, com eles, não.
Deviam ter sempre a preocupação de que, caso acontecesse alguma coisa com eles, quem cuidaria do menino?
- Pensando assim, você tem razão, mas duvido que eles quisessem que o menino morresse.
- Claro que não, Luana, eles não queriam, mas foi melhor.
- Tenho muita pena deles, são tão jovens e já sofreram tanto... por que será que algumas pessoas têm a vida tão difícil?
- Não sei Luana, talvez a Marília tenha uma resposta.
Ela tem resposta para tudo...
Luana riu:
- Tem razão, ela tem resposta para tudo.
- Agora, vamos jantar e tentar descansar.
Amanhã será outro dia e esperamos que seja melhor.
- Você é o melhor marido do mundo!
- E você, a melhor mulher! Vamos descer?
Desceram, a mesa estava colocada. Com tristeza, Luana notou que faltava um prato.
Olhou para Felipe que também havia notado a falta do prato e sentaram-se.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:43 pm

CHEGANDO AO DESTINO
Assim que o trem saiu da estação, Diva ficou bem e aquele pavor que sentia de trem desapareceu.
Durante a viagem, foram conversando e tentando adivinhar o que aconteceria dali para frente.
Sabiam que iam para um lugar distante e que seria difícil serem achados, mas, mesmo assim, temiam pelo futuro.
Embora nunca houvessem sido presos, sabiam o que acontecia quando isso se dava.
A viagem demorou muito.
Estavam cansados quando chegaram à estação em que deveriam descer.
Já eram quase seis horas da tarde.
Assim que o trem parou, levantaram-se, desceram e caminharam em direcção a um táxi que estava parado.
Danilo perguntou:
- O senhor poderia nos levar até a fazenda Maria Luísa?
O homem olhou os três de cima abaixo, depois, respondeu:
- Posso levar, sim, senhor, só que vai custar caro...
- Caro, quanto?
- Vinte mil...
- Vinte mil? É muito dinheiro!
- Não é, não, moço!
A fazenda Maria Luísa fica muito longe daqui e a estrada é muito ruim...
Danilo que só havia ido à fazenda quando era criança e, por isso, não conhecia a distância, disse:
- Está bem.
Pode nos levar, pagaremos o combinado.
Entraram no táxi e o motorista colocou o carro em movimento.
Realmente, ele tinha razão, a estrada era horrível.
Ainda parecia ser da época do Império.
O tempo, ali, parecia haver parado.
O progresso não chegara.
Após alguns minutos na estrada, Danilo disse:
- Parece que estamos vivendo na era da escravidão...
- Tem razão, Danilo... e parece que já estive aqui...
- Não pode ser Diva, você nasceu no Nordeste e nunca esteve por aqui...
- Sei disso, mas tenho essa impressão... começo a acreditar em tudo o que sua tia disse Danilo, acho que já estive neste lugar...
- Sabe que estou tendo essa mesma impressão...
Júlio, ao ouvir os dois, ficou calado, pois, embora não quisesse admitir, estava sentindo o mesmo que eles.
Quando chegaram à fazenda, já estava escurecendo.
O motorista parou o táxi, dizendo:
- É aqui, podem descer.
Olharam para a placa sobre o grande portão de madeira, onde estava escrito:
Fazenda Maria Luísa.
Desceram, Danilo pagou ao motorista, que se afastou.
Assim que o táxi se afastou, Danilo, embora não se lembrasse de muita coisa, sabia que havia uma corda.
Esta deveria ser puxada para que, na casa-grande da fazenda, fosse ouvido um sino avisando que alguém estava na porteira.
Procurou e encontrou a corda, puxou e puderam ouvir ao longe o sino, tocando.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:43 pm

Poucos minutos depois, um homem, montado em um cavalo, se aproximou, perguntando:
- O que desejam?
- Meu nome é Danilo e sou bisneto do senhor Felipe.
Estamos aqui para vê-lo.
O homem desceu do cavalo e abriu a porteira.
Eles entraram.
Em silêncio, o homem, conduzindo o cavalo e andando a pé, acompanhou-os.
Assim que se aproximaram da casa-grande, puderam ver um senhor idoso que os olhava curioso.
Enquanto caminhavam, iam olhando em volta.
Por estar escuro, pouco puderam ver, mas sentiam que já haviam passado por aquele caminho.
Aproximaram-se.
O senhor esperou que subissem a escada.
Assim que fizeram isso, Danilo disse:
- Vovô, sou eu, Danilo, filho de Luana e Felipe e esses são meus amigos, Júlio e Diva.
Precisamos ficar por algum tempo aqui com o senhor, pode ser?
- Danilo? Claro que sei quem é!
Podem entrar meus filhos, devem estar cansados!
- Estamos, sim, a viagem foi longa.
Viemos de trem.
- De trem, por quê?
- É uma longa história e, para o seu bem, é melhor não saber.
- Está bem. Hoje está tarde, vocês precisam comer e, depois dormir.
Amanhã, conversaremos e me contarão tudo.
Entraram na sala. Uma senhora negra entrou por uma das portas.
Ao vê-los, admirada, ficou olhando.
O senhor disse:
- Severina, este é Danilo, filho da Luana e do Felipe.
Esses são seus amigos.
Eles precisam ficar algum tempo aqui na fazenda.
A senhora sorriu, dizendo:
- Sejam bem-vindos, gosto muito de seus pais, principalmente da sua mãe.
- Ela também já falou a seu respeito e também gosta muito da senhora.
A senhora sorriu.
O senhor disse:
- Agora vamos deixar de conversa.
Severina providencie um jantar para eles.
São jovens e devem estar com fome.
Também depois de uma viagem tão longa, não é mesmo?
Eles sorriram, ela, também sorrindo, voltou pela mesma porta por onde havia entrado.
O senhor perguntou:
- Sabem por quanto tempo vão ficar aqui?
- Não, vovô, ainda não sabemos, mas não queremos dar trabalho e, se houver algum problema, basta dizer e iremos embora.
- Não é isso, ao contrário, estou feliz com a presença de vocês.
Como sabem, moro aqui sozinho e fico feliz quando tenho visitas.
Faz muito tempo que você não vem aqui, não é, Danilo?
Não gosta da vida no campo?
Danilo, constrangido, respondeu:
- Não se trata disso, vovô, é que nasci e fui criado na cidade e não conheço o campo.
- Não sabe o que está perdendo.
Agora, vai ter a oportunidade de saber o que é viver no campo e sei que vai gostar.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:43 pm

Infelizmente, no momento está escuro e não poderão ver o lugar privilegiado em que esta fazenda se encontra, mas, amanhã, poderão ver e sentir.
Todos riram.
Alguns minutos depois, Severina voltou e disse:
- O jantar está servido.
Desculpe se não é muita coisa, mas não estava esperando visita.
- Não se preocupe senhora.
Minha mãe sempre fala muito bem da comida aqui na fazenda.
Levantaram-se e acompanharam Severina até a sala de refeições, que estava servida com arroz, feijão, macarrão e frango assado.
Comida típica mineira.
Sentaram-se e comeram com muita vontade.
Após o jantar, sentaram-se nas mesmas cadeiras onde Dom Carlos e sua família sentaram-se há muito tempo.
O bisavô, que era filho de Felipinho e Divina, nunca se afastou da fazenda e, durante todo aquele tempo, fez questão de que a casa continuasse igual e sempre cuidou muito bem de todos os móveis, que, por serem de boa qualidade, não sentiram o tempo passar.
Conversaram por algum tempo, mas o senhor, ao ver que eles estavam realmente cansados, disse:
- Agora está na hora de irmos dormir.
Amanhã, conversaremos mais.
Severina os acompanhou aos quartos que havia preparado para eles.
Assim que entraram em seus quartos, admiraram-se pela arrumação e pelo estilo dos móveis.
Como estavam muito cansados, deitaram-se e logo adormeceram.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:44 pm

A CONFISSÃO
Na manhã seguinte, após uma noite mal dormida, Luana acordou e seu primeiro pensamento foi para Danilo:
Meu Deus, será que eles conseguiram chegar à fazenda?
Se isso aconteceu, eles estão bem, mas como fazer para se ter certeza?
Levantou-se, sabia que aquele dia também seria difícil.
O menino seria enterrado.
Após o que Felipe disse a respeito da morte dele, ela pensou:
Sei que os pais, com certeza, não pensam a mesma coisa.
Eles amavam aquela criança.
Eu pude constatar isso.
Estão sofrendo e eu, mesmo sem saber o porquê, também estou.
Tanta coisa aconteceu em tão poucos dias.
Tudo estava tão bem, como pôde mudar tão de repente?
Olhou para o lado e viu Felipe que dormia tranquilo.
Sorriu, pensando:
Ele, apesar de tudo, continua o mesmo, acreditando que no final tudo dará certo.
Recusa-se a se desesperar e tem sempre uma maneira de me acalmar.
Obrigada, meu Deus, por ter colocado esse homem maravilhoso na minha vida.
Eu o amo e se acreditasse naquilo que Marília disse, acho que o amo há muito tempo, em todas as encarnações passadas e em todas as que estão por vir.
Levantou-se e foi para o banheiro.
Precisava tomar banho e se preparar para aquele dia.
Quando saiu do banheiro, Felipe estava acordado e sorriu:
- Bom dia, Luana.
Não vou perguntar, porque sei que não dormiu bem.
- Você me conhece como ninguém.
- Só podia ser assim.
Amo-a com todo o meu coração e agradeço a Deus por tê-la colocado em minha vida.
Ela começou a rir.
- Por que está rindo, Luana?
- Porque foi exactamente o que pensei assim que acordei e olhei para você.
Agradeci a Deus por tê-lo colocado no meu caminho.
- Venha cá, deite-se ao meu lado.
- Não temos tempo, Felipe.
Sabe que o nosso dia não será fácil.
Precisamos acompanhar os pais para enterrar o menino.
Além do mais, estou preocupada com Danilo.
- Sei que temos muito que fazer e que está preocupada com Danilo.
Quanto ao tempo, alguns minutos não farão diferença e Danilo deve estar muito bem na fazenda. Venha...
- O menino morreu Felipe...
- Morreu, mas o que é a morte, Luana?
Não faz parte da vida?
Todos não morrem um dia?
- Sim, mas a morte é sempre muito triste...
- Em algumas ocasiões, ela é bem-vinda.
No caso desse menino, mesmo.
A morte foi, para ele, o fim de uma existência triste e sofrida, não só para ele como para os pais também.
- Lá vem você com essa conversa outra vez.
Não posso acreditar que os pais estejam felizes.
- Não estou dizendo que estejam felizes.
Claro que não.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:44 pm

Neste momento, devem estar sofrendo muito, mas, com o tempo, verão que foi melhor, pois poderão dar o rumo que quiserem para a vida e não terão mais a preocupação de não saber o que seria do filho, caso um ou os dois morressem.
- Será que eles tinham essa preocupação, Felipe?
- Claro que sim, Luana.
Embora nossas crianças tivessem a saúde perfeita, não temíamos o mesmo?
- Sim, realmente, tínhamos essa preocupação.
- Está vendo como eu tenho razão?
Todos os pais, em um momento qualquer da vida, têm essa preocupação.
Os filhos, mesmo depois de crescidos, continuam sendo as nossas crianças, e sempre tememos por eles e procuramos protegê-los.
No caso desse menino, a situação era pior ainda.
- Não sei... acho que você tem razão, mas é difícil aceitar.
Falando em preocupação, como estará o Danilo, Felipe?
- Está bem e feliz na fazenda, ouvindo as histórias do vovô.
- Será, Felipe?
- Sim, pois, se não fosse assim, já saberíamos.
O pai do Júlio não lhe disse que a avisaria, caso eles fossem presos?
- Disse, mas será que estava dizendo a verdade?
Ele me pareceu tão frio e distante.
Tem certeza de que o que está fazendo é o certo, o melhor para o Brasil e para o povo.
- Claro que os militares acham que estão no caminho certo e estariam se não tirassem a liberdade de as pessoas falarem o que sentissem vontade.
- Você mesmo não disse que o povo não está preocupado com a política e que só pensa no seu bem-estar?
- Disse e é verdade, mas, mesmo assim, a Ditadura faz mal não só ao povo, mas, principalmente, ao país onde ela se instala.
O país fica atrasado, não consegue acompanhar a evolução dos outros e, no final, mesmo sem perceber, quem sofre é o povo.
Quanto ao pai do Júlio, só podemos esperar e desejar que ele, caso aconteça algo, se comunique, pois nada mais temos a fazer.
Venha, deite-se, vamos nos amar.
Ela se deitou e, apesar de tudo o que estava acontecendo, amaram-se, selando aquele amor eterno.
Levantaram-se e desceram.
Encontraram Jerusa que tomava café.
Ao vê-los, perguntou:
- Mamãe, terei de ir de táxi para a faculdade?
Luana admirou-se com aquela pergunta. Nervosa, respondeu:
- Claro que sim, Jerusa, estamos saindo para enterrar o menino!
Você imagina que o pai deixaria de enterrar o filho para acompanhar você à faculdade?
- Ele, apesar de ser pai do menino, é nosso empregado!
- Faça-me o favor, Jerusa!
Cale-se e deixe de pensar só em você!
Se quiser, vá para a faculdade, se não quiser, vá se deitar!
Mas, por favor, não nos cause mais problemas do que aqueles que já temos!
Jerusa admirou-se por ver a reacção da mãe.
Ela fora sempre muito tolerante e quase nunca perdia o controle.
Preocupada e temerosa, calou-se, terminou de tomar o café, pegou o telefone, chamou o táxi.
Tobias, após pegar café na cozinha, foi para seu quarto.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:45 pm

Luísa, como aconteceu desde que soube da morte do filho, continuava com os olhos parados em um ponto qualquer.
Ele lhe entregou o café, dizendo:
- Tome o café, Luísa.
Precisa se levantar.
A doutora e doutor, daqui a pouco, estarão aqui para que possamos enterrar o nosso menino.
Ela continuou com os olhos parados.
Apenas disse:
- Eu não vou.
- Como não vai? Precisa ir.
- Não preciso e não vou!
- Não pode fazer isso, Luísa!
Ele é nosso filho!
- Não vou, ele morreu e eu quero morrer também...
- O que está dizendo, Luísa?
Tobias se voltou e viu que Luana estava à porta e fazia a pergunta.
- Ela disse que não vai ao enterro e quer morrer, doutora!
Não sei o que fazer.
Luana entrou no quarto e, com a voz firme, perguntou:
- Por que quer morrer, Luísa?
- Meu filho morreu e eu fui a culpada...
- Como foi a culpada?
Sou testemunha de que cuidou muito bem dele!
- Não, não cuidei, deixei que morresse...
- Não deixou, não tinha o que fazer!
Ele morreu porque chegou a hora.
- Não, sua filha tinha razão no que falou...
- Minha filha?
O que ela tem a ver com isso e com essa sua atitude?
O que ela falou?
- Ela disse que eu queria que meu filho morresse porque ele era um monstrinho!
- Ela disse isso, por quê?
- Não importa o porquê, era verdade...
- Como verdade?
Luísa começou a chorar em desespero, tanto que não conseguia responder.
Luana, lembrando-se do que Felipe havia dito, disse:
- Minha filha é muito criança e não sabe o que diz.
Sei que amava seu filho, eu mesma constatei!
- Eu amava, mas queria que morresse!
Ficava pensando o que poderia acontecer com ele se eu e o Tobias morrêssemos.
Se ele fosse uma criança normal, bonitinha como as outras, não haveria problema, alguém continuaria criando-o, mas, não, ele era realmente um monstrinho e ninguém ia querer criar um monstrinho.
Além do mais, dava muito trabalho e atrapalhava a nossa vida!
Muitas vezes, eu quis que ele morresse e agora que isso aconteceu, não consigo me perdoar, não mereço continuar vivendo!
Sou uma assassina!
- Não fale assim, não se cobre uma postura que não é verdadeira.
Você não é superior a ninguém, é apenas humana e como todo ser humano tem suas qualidades e fraquezas.
Ninguém é perfeito, Luísa.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:45 pm

Hoje mesmo estive conversando com meu marido e ele pensa exactamente igual a você.
Ter um filho como o seu não é fácil.
Todos nós, como você disse, queremos crianças lindas e saudáveis, mas o seu nasceu assim, o que poderia fazer?
Cuidar dele e amá-lo como fez.
Pare de chorar e levante-se, vamos enterrá-lo e entregá-lo a Deus.
Ele sabe que, a sua maneira, você amou seu filho.
Vamos, levante-se.
- Não posso, não posso olhá-lo...
- Pode, sim, ele é seu filho e você cuidou dele da maneira que sabia e podia.
Não tem do que se arrepender nem se condenar.
Fez a sua parte.
Tobias ouvia o que Luana dizia, com a cabeça, concordava. Disse:
- A doutora tem razão, Luísa, somos apenas humanos e, se lhe fizer bem, muitas vezes tive esse mesmo pensamento e desejei que ele morresse, mas, assim como a doutora disse, nunca me senti culpado, apenas achava que, para o bem dele e o nosso isso seria a melhor coisa que poderia acontecer.
Muitas vezes me perguntei por que nosso filho tinha de nascer assim, por que fomos os escolhidos e nunca obtive respostas.
Perdão, meu amor, por ter pensado isso, mas pensei... e não foi uma só vez, mas muitas.
Naquele dia em que a doutora e o doutor nos encontraram, ao vê-la tão desesperada e sem condições de continuar vivendo, desejei, com todas as minha forças e pensei, até, Deus me perdoe, em matá-lo sem que você visse.
O que me impediu foi o aparecimento da doutora e do doutor.
Até Luana ficou espantada com aquela confissão, mas sabendo que Luísa precisava de ajuda, disse:
- Está vendo, Luísa?
Ninguém é perfeito.
Você, Tobias, não precisa se culpar por ter pensado assim, se chegamos na hora certa, foi para impedi-lo de se tornar um assassino, mas tenho a certeza de que, mesmo que isso não tivesse acontecido, não teria feito o que pensava fazer. Jamais teria coragem de matar seu filho.
Ele, embora fosse daquela maneira, era seu filho e sei que o amava.
Não temos respostas definitivas para sabermos o porquê de muitas crianças nascerem com defeitos congénitos.
Embora a ciência tente explicações, posso lhe dizer que nunca as aceitei completamente.
Como você disse, por que alguns pais são os escolhidos?
Seu filho está morto e vocês cumpriram seu dever.
Estiveram ao lado dele enquanto foi necessário, agora, após enterrá-lo, poderão decidir o que querem fazer com suas vidas.
A missão de vocês está comprida.
Luísa, chorando, olhou para Tobias que também chorava.
Levantou-se, abraçaram-se e choraram juntos.
Luana, olhando aquela cena e sabendo o quanto se amavam, começou a chorar também.
Não viram Felipe que se aproximou e pôde ouvir o que Tobias havia contado.
Com um nó na garganta, disse:
- Luana, está na hora.
Precisamos ir.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:45 pm

Luana voltou-se e, ainda chorando, abraçou-se a ele, dizendo:
- Você tinha razão, meu amor... tinha razão.
Ele abraçou-a com carinho:
- Está bem, vamos cumprir a nossa obrigação.
O menino está nos esperando para ser enterrado.
- Desculpe doutora, por tudo o que fiz.
Vou me arrumar e enterrar o meu filho.
Deus sabe o que faz.
- É assim que precisa falar Luísa.
Vamos enterrar o seu filho e, com ele, uma fase da sua vida.
Agora, poderá escolher que caminho seguir.
Luísa vestiu-se e foram para o hospital.
Assim que chegaram, encontraram Rodolfo que, penalizado, disse para Luísa e Tobias:
- Sinto muito, mas não conseguimos evitar que ele morresse.
Tobias, com o rosto triste, disse:
- Sabemos disso, doutor, e só podemos agradecê-lo por toda dedicação.
Rodolfo olhou para Luísa, não entendeu, mas sentiu uma vontade imensa de abraçá-la com carinho como se fosse seu pai ou seu irmão.
Sem perceber, abriu os braços para ela, que se aconchegou, chorando.
Ele, também chorando, abraçou-a e, beijando sua testa, disse:
- Não fique triste, sua vida está começando agora.
Pai Joaquim que a tudo assistia, rindo, disse:
- Bendita seja a reencarnação, Matilde, que dá oportunidade de amigos e inimigos se reencontrarem e poderem redimir-se.
Obrigado, meu Deus.
Após ficarem algum tempo abraçados, constrangidos, Rodolfo e Luísa separaram-se.
Saíram dali, pegaram o corpo do menino e foram enterrá-lo.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:46 pm

PRIMEIRO CONTATO COM O PASSADO
Na fazenda, Danilo abriu os olhos e demorou um pouco para se lembrar de onde estava.
Olhou para a janela e, através das frestas, pôde ver que o dia estava claro.
Levantou-se e saiu do quarto. Entrou na sala onde não havia ninguém.
Foi para a varanda e lá, sim, estava o avô, sentado na velha poltrona.
Aproximou-se:
- Bom dia, vovô.
- Bom dia, meu bisneto.
Dormiu bem?
- Dormi muito bem.
Preciso lhe pedir duas coisas.
- O quê? Pode pedir e, se puder, eu atendo.
- Primeiro, posso me sentar ao seu lado?
- Claro que pode, mas não seria melhor tomar café primeiro?
Ele sorriu e disse:
- Tem razão, estou com muita fome.
A outra coisa que quero lhe pedir é poder chamá-lo de vovô, pois bisavô é muito comprido.
O velho senhor riu.
- Claro que pode!
Também acho que bisneto é muito comprido!
- Obrigado, vovô.
Agora, vou tomar café, estou, mesmo, com muita fome!
- Sabia disso, vá até a sala de refeições, a Marcela e a Serafina já colocaram a mesa.
Serafina acordou bem cedo e fez alguns bolos.
Coma à vontade, depois, volte para cá e conversaremos.
Antes de sair, Danilo olhou em direcção do morro onde estavam as cruzes.
Curioso, perguntou:
- O que são aquelas cruzes naquele morro?
- Nossos mortos estão enterrados ali.
- Nossos mortos?
- Sim, aqueles que vieram antes de nós, que abriram nosso caminho.
- O senhor conheceu aqueles que estão enterrados lá?
- Alguns pessoalmente, outros só de ouvir falar.
- Poderia contar a nossa história?
- Claro que sim, o que mais um velho pode fazer a não ser se recordar do passado.
Tome seu café, depois volte e, se quiser lhe contarei tudo.
Danilo olhou para o horizonte e se deparou com uma montanha maravilhosa com um matiz de verde nunca visto antes. Disse:
- Vovô, este lugar é lindo.
Como eu pude me esquecer de toda essa beleza?
- Quando você vinha aqui, era criança e não estava preocupado com as belezas naturais, só queria brincar e aqui tem muito espaço para isso.
- Tem razão, só mesmo depois de adulto é que damos valor à natureza.
Parece que, aqui, o tempo não passou.
Parece que estamos vivendo no Império.
Até mesmo a estradinha pela qual o táxi nos trouxe faz parte de um passado distante.
- É verdade, aqui parece que o passado não passou e que todos aqueles que viveram nesse lugar continuam vagando por aí.
- Vagando? O senhor acha que estão vagando?
- Alguns talvez, outros devem ter renascido e estão enfrentando a nova vida.
- Renascido?
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:46 pm

- Sim, renascido.
Creio até que você e seus amigos são alguns deles e fazem parte do passado desta fazenda.
- O senhor acredita em reencarnação?
- Sim. Quando minha esposa morreu e meu filho, seu avô foi para a Capital, eu não quis ir, pois não queria ficar longe de tudo isto que amo muito.
Mesmo amando tudo aqui, eu me sentia sozinho.
A Serafina frequenta, lá na cidade, duas vezes por semana, uma casa onde ela dizia receber espíritos.
Vendo que eu estava triste, ela me deu alguns livros para ler.
Comecei a ler e, aos poucos, fui entendendo e aceitando tudo o que eles diziam.
Comecei a acreditar em reencarnação.
Sempre que vocês vinham aqui, quando crianças, eu ficava olhando, tentando encontrar em cada um de vocês um traço de semelhança com aqueles que se foram.
- Encontrou alguém com esses traços?
- Até ontem à noite, não.
- Ontem à noite, por quê?
- Quando você chegou e me olhou de frente, pareceu-me ver o meu pai.
- Seu pai?
- Sim, quando você era criança, nunca notei, mas agora, depois de adulto, você é a fotografia dele.
- Acredita que eu possa ter sido o seu pai?
- Por que não?
- É difícil se acreditar em uma coisa como essa.
- Difícil, por quê?
- Como eu posso ter sido seu pai e hoje seu bisneto?
Isso não faz sentido...
- Por que não?
- Seria estranho, não acha?
- Sim, tem razão, seria estranho, mas não impossível, pois, se realmente existir reencarnação, seria natural.
- Pensando por esse lado, pode ser verdade.
Essa conversa é nova para mim, ainda não tive tempo de avaliar.
Tia Marília, esposa do tio Rodolfo, falou alguma coisa a respeito, mas confesso que não dei muita atenção.
Talvez, agora, aqui com toda essa tranquilidade, eu comece a pensar melhor a respeito.
- Depois de tudo o que aprendi, acredito que a vinda de vocês para cá deve ter um sentido.
- Fomos obrigados a vir, vovô.
- Por isso mesmo é que estou dizendo que a vinda de vocês deve ter algum propósito.
- Acha que eu, Diva e Júlio já vivemos juntos em outros tempos?
- Por que não?
A reencarnação é para que encontremos amigos e inimigos.
Com os amigos, seguimos, com os inimigos, teremos a oportunidade de nos perdoarmos mutuamente e, assim, também poder seguir em frente.
Como pode perceber tudo é possível.
- Pode ser... não conheço a história da família.
O senhor conhece?
- Sim, minha avó, Rosa Maria, e meu pai me contaram.
Minha avó dizia que eu deveria contar a história para aqueles que nasceriam depois.
- O senhor fez isso?
- Tentei, mas foi impossível.
- Por quê?
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:46 pm

- Os tempos mudaram e cada um começou a se preocupar com seus próprios problemas e não tiveram tempo de parar para ouvir histórias.
- Eu, agora, terei todo o tempo do mundo.
- Esperei muito tempo por este dia.
Sabia que ele chegaria.
- Sabia vovô?
- Sim, pois não teria sentido eu ter vivido tanto tempo, ouvido tudo o que minha e avó e meu pai me contaram, se não tivesse para quem contar.
- O senhor lembra-se de tudo?
- Sim. Embora tenha passado muito tempo e eu já estou velho, tenho certeza de que não me esqueci de nenhum detalhe.
- Agora entendo por que disse que nossa vinda para cá tem um propósito, embora precise lhe dizer que nunca tive essa intenção.
Nasci na cidade e me acostumei com seu barulho.
Quando meus pais me convidavam para vir aqui, eu sempre tinha outro compromisso.
Na realidade, nunca senti vontade.
Gosto do mar.
Só vim, mesmo, obrigado e, agora, só posso agradecer, aqui, é realmente um céu na Terra.
- Foi isso mesmo que quis dizer.
Não importa o motivo, a vida nos conduz sempre para o nosso caminho.
Quando conhecer a história da família, posso lhe garantir que vai ficar impressionado e, se realmente foi meu pai, vai se sentir muito feliz e orgulhoso.
Ele foi um grande homem. - disse rindo.
- Estou curioso, mas, agora, estou também com muita fome.
Vou entrar e tomar café.
Entrou na sala.
Estava indo para a cozinha, quando viu Diva que entrava nela.
Disse, sorrindo:
- Bom dia, Diva, dormiu bem?
- Sim, como não dormia há muito tempo.
O silêncio aqui é maravilhoso!
Estava precisando mesmo de paz e aqui encontrei.
- Tem razão, também dormi muito e também estou em paz.
Nem parece que temos tanto problemas, não é?
- É verdade, por isso, enquanto estivermos aqui, vamos tentar aproveitar toda essa beleza.
- Isso mesmo, vamos aproveitar Diva, mas, agora, estou indo tomar café, quer me acompanhar?
- Sim, o Júlio já se levantou Felipe?
- Ainda não.
Acabei de me levantar e estava conversando com meu avô.
Ele é uma figura.
Tem uma conversa deliciosa.
Sinto que poderei ficar o dia inteiro conversando com ele.
Conversa sobre vários assuntos e gosta muito da fazenda.
- Ontem, quando chegamos, eu estava muito cansada e não tive muito tempo para conversar com ele, mas percebi esse amor do qual está falando.
Ele me pareceu uma pessoa muito boa.
- É, sim e, apesar da idade, está lúcido.
Depois do café, vou conversar mais um pouco com ele.
Ele está lá fora, não quer cumprimentá-lo?
- Quero, sim.
Saíram da sala e foram para a varanda.
O avô, assim que os viu, sorriu.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:46 pm

- Acordou minha filha?
- Sim e, antes que me pergunte, posso lhe garantir que não consigo me lembrar da última noite em que dormi tão bem como esta.
- Isso aconteceu porque você está no interior.
Aqui, como dizem, dormimos com as galinhas e acordamos com o galo e o sono é sempre tranquilo.
Ela riu e disse:
- Tem razão, o silêncio é delicioso para se dormir.
Ontem, não lhe agradeci por nos ter recebido em sua casa.
Muito obrigada.
- Não tem o que agradecer, eu só não morri até agora, porque estava esperando por vocês.
- O senhor sabia que nós viríamos?
- Sabia, não, esperava.
- Como esperava?
Não conhece a mim nem ao Júlio.
- E muito pouco o Danilo, meu bisneto, mas sabia que viriam, pois qual seria o motivo de eu viver tanto?
- Confesso que não estou entendendo.
- Sei disso, mas agora não é hora para isso, está na hora de tomarem café.
- Não posso mentir, estou com fome.
- Pois vá, garanto que vai gostar.
Serafina caprichou.
- Obrigada.
Júlio também chegou à varanda.
- Bom dia para todos.
- Bom dia, parece que, assim como eu e a Diva, você também dormiu muito.
- Dormi, sim, e fazia muito tempo que isso não acontecia, Danilo.
- Estamos indo tomar café, não está com fome?
- E como! Parece que faz um mês que eu não como.
Danilo deu um beijo na testa do avô, entraram e foram para a sala de refeições.
Assim que entraram na sala de refeições, viram a mesa colocada com pães, doces e bolos.
Sentaram-se e começaram a comer.
Logo em seguida, Severina entrou e, ao vê-los, perguntou:
- Bom dia, não sabia que já estavam aqui.
Vou mandar vir o café.
Disse para a Marcela que não o colocasse antes para que não esfriasse.
- Bom dia, Severina, eu ia avisar, mas ao ver esta mesa, não consegui ir até a cozinha.
Tem coisas maravilhosas aqui! Severina sorriu:
- Eu levantei bem cedo para preparar tudo isso.
- Só podemos lhe agradecer por tanta consideração. - disse Danilo.
- Quase nunca vem ninguém aqui.
Fiquei muito feliz quando chegaram.
- Embora não pensasse que fosse assim, estou feliz por estar aqui e creio que meus amigos também.
Olhou para os dois que sorriram e acenaram com a cabeça, concordando com ele.
- Seu avô também está contente.
Ele se sente muito só, a família vem muito pouco aqui.
Seus pais são os que mais vêm.
- Parece que ele gosta muito de conversar.
Ela voltou a rir.
- Tem razão, o que ele mais gosta é de contar a história da família.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 8:47 pm

- Já percebi isso, ele parece ter muito orgulho da família e do passado.
Tem motivos para isso?
- Sim, todos os que viveram antes foram lutadores.
Lutaram contra o preconceito e as injustiças.
Tiveram escravos, mas os respeitaram.
Viveram momentos de felicidade e de muita tristeza.
- O que fizeram?
O que aconteceu?
- Seu avô vai lhe contar, com certeza.
Não quero deixar que ele perca essa oportunidade.
Agora, vou pegar o café.
Severina saiu e, poucos minutos depois, voltou acompanhada de uma moça muito bonita, mulata, com os cabelos longos e cacheados.
Seus olhos, embora não fossem azuis nem verdes, eram claros.
Danilo, ao vê-la, se admirou com tanta beleza.
Severina disse:
- Esta é a Marcela, trabalha aqui em casa.
Danilo, ainda espantado, disse:
- Bom dia, Marcela.
Você é uma moça muito bonita.
Ela também sorriu, mas ficou calada.
Colocou o bule de café e a leiteira sobre a mesa e saiu.
Eles colocaram café com leite na xícara e começaram a comer.
Severina saiu e foi ao encontro do avô que continuava na varanda.
- O senhor está feliz, não está?
- Estou sim.
A casa está cheia como era quando as crianças eram pequenas.
Você notou alguma coisa no meu bisneto, Severina.
- O quê, senhor?
- Ele é a fotografia do meu pai.
- O senhor acha?
- Você não se lembra de quando lhe mostrei aquela fotografia do meu pai?
- Lembro-me de que o senhor me mostrou, mas não do rosto que está na fotografia.
- Depois vou pegar e mostrarei a você e a eles também.
O Danilo é igualzinho ao meu pai.
A única diferença é o nome.
- Quando pegar me mostre novamente.
Quero ver essa semelhança.
- Semelhança, não! É igualzinho!
Ela sorriu e sentou-se ao lado dele.
Minutos depois, eles terminaram de tomar o café e se dirigiram à varanda.
Danilo, muito feliz, disse:
- Seus doces e bolo são maravilhosos, Severina!
Comi muito!
- Nós também!
A Diva não parou de comer um só minuto! - disse Júlio, rindo.
Ela corou, Danilo falou:
- Não precisa ficar com vergonha, Diva.
Quem poderia desprezar uma mesa como aquela.
Ela sorriu.
Severina, demonstrando felicidade nos olhos, disse:
- Que bom que gostaram.
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Re: O PASSADO NÃO IMPORTA / Elisa Masselli

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