No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:07 am

No silêncio das paixões
Eliana Machado Coelho

Pelo espírito Schellida

Abas do Livro

Eliana Machado Coelho nasceu em São Paulo, capital, em 9 de outubro.
Desde pequena, Eliana esteve em contacto com o espiritismo.
Ainda menina, sempre via a presença de uma linda moça, delicada, sorriso doce e muito amorosa.
Era o espírito Schellida, que já trabalhava para fortalecer uma sólida parceria com Eliana Machado Coelho, prenunciando as tarefas espirituais que ambas deveriam desenvolver conforme o planeamento da espiritualidade.
Amparada por pais amorosos, avós, mais tarde pelo marido e filha, Eliana foi estudando a Doutrina Espírita, e realizando muitos treinos de psicografia, sob a orientação de sua mentora, até que, em 1997, surge o primeiro livro, uma bela obra do Espírito Schellida.
A tarefa começava a tomar forma e hoje a dupla Schellida e Eliana Machado Coelho encontra-se mais afinada do que nunca.
Apresentação
Prezados Leitores:
Este livro ficou mais de uma década engavetado.
Ele foi psicografado entre 2002 e 2003, aguardando o momento oportuno para ser publicado.
E esse momento chegou.
Schellida e os mentores espirituais houveram por bem liberar agora a edição da obra para trazer à luz informações úteis e importantíssimas a respeito de um tema que ainda abala milhares de lares em todo o mundo: a Aids.
E a razão para a publicação da obra somente agora é simples:
a Aids ainda não tem cura.
Ela mata e estamos todos relaxados com relação à prevenção e ao controle da doença como se ela não existisse mais, como se a ciência já houvesse descoberto uma vacina para o vírus HIV.
E não descobriu...
Hoje, apesar dos enormes avanços das pesquisas farmacológicas que permitem acesso a potentes medicamentos, garantindo uma sobrevida ou uma vida razoavelmente controlada aos doentes, a verdade é que o número de infectados, sobretudo na faixa entre 14 e 25 anos, aumentou, e muito, na última década, inclusive no Brasil.
A prevenção, com a utilização de preservativos para o sexo seguro, ficou em segundo plano.
As campanhas publicitárias de esclarecimento desapareceram dos meios de comunicação.
E o nosso comportamento, hábitos e vícios em relação ao sexo expõem o desequilíbrio emocional de uma sociedade cujos valores morais são cada vez mais questionáveis.
Por isso a espiritualidade decidiu agora resgatar esta obra.
Antes, ela era fonte de esclarecimento.
Hoje, ela é informação necessária.
Neste livro, vamos conhecer a vida dolorosa de alguns personagens que vivenciaram, no plano físico, a experiência da Aids.
E como chegaram ao plano espiritual para a recuperação das suas energias tão combalidas, principalmente pelos envolvimentos de espíritos hostis.
A mensagem maior desta obra continua a mesma:
todos somos livres para fazermos aquilo que quisermos de nossas vidas; mas é preciso saber que toda atitude tem consequências, sejam elas no plano físico ou no espiritual.
A novidade é a mobilização diante de um assunto tão sério como a Aids.
O binómio Prevenção/Esclarecimento deve voltar com força para evitarmos novos sofrimentos.
O vírus está vivo.
Mas somos fortes o suficiente para combatê-lo com informação, fé e equilíbrio.

Muito obrigada.
Boa leitura!

Eliana Machado Coelho Fevereiro de 2015
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:08 am

1 - Compromisso fraterno

O CORPO humano poderia ter chegado a sua jornada final, mas e a mente?
Tudo era confuso, hostil e estranho para Lúcio que, há poucos dias havia fechado os olhos do corpo para o mundo material.
Ampliava, agora, a visão do espírito num plano completamente diferente.
Sentia medo, fome e frio, pois ainda se prendia psiquicamente às necessidades físicas tão importantes ao corpo humano.
Amargurado, sentia-se só e doente.
Preso em um mundo desconhecido e apavorante onde passavam por ele criaturas sinistras que nem pareciam espíritos humanos.
Eram seres bizarros.
Iam e vinham numa paisagem assombrosa.
Uma luz bruxuleante e diabólica se fazia em meio a uma cortina de neblina espessa e turva, ou à escuridão total.
Um odor repulsivo e incessante invadia-lhe as narinas, como se as queimasse.
Seus pulmões necessitavam inspirar e expirar constantemente.
— Mas como preciso respirar?! — gritava inconformado.
— Morri! Eu morri!
Não aprendemos que "do pó vieste e ao pó voltarás"?
O que estou fazendo aqui neste inferno de torturas eternas?!
Quero sumir daqui!!!
Deixe-me morrer de verdade!!!
Enquanto Lúcio esbravejava, enlouquecido, prostrado de joelhos num chão repugnante, passavam por ele seres animalizados, monstruosos que o escarneciam e agrediam impiedosamente, fugindo em seguida.
Quando desejava ouvir uma palavra de consolo como assistência desvelada, esperançoso por acordar do tenebroso pesadelo, obtinha, como resposta, gargalhadas sarcásticas de outros que zombavam dele de forma insaciavelmente louca.
Um irresistível abatimento definhava-lhe as forças sobre-humanas que pouco lhe restaram, atirando-o definitivamente sobre dejectos repulsivos e fétidos.
Exaurido, entregava-se a copioso pranto.
— O que eu fiz?!
O que fiz para merecer isso?! — perguntava-se, impressionado com a miséria.
— Estou no inferno!
Não existe salvação alguma... só tormentos e dores... dores cruéis que dilaceram o corpo e a alma — esbracejava, agora, furioso.
Ainda chorando, reuniu as últimas forças para dizer:
— Mentirosos!!! Bando de desgraçados!!!
Miseráveis mentirosos que me fizeram crer que a salvação existia!
Bastardos!!! -— gritava em meio a outros termos indecorosos.
— Onde está o céu que me prometeram?!!
Estendido no vale de extrema dor, Lúcio apelava revoltado, desequilibrando-se e distanciando-se ainda mais de qualquer socorro possível, pois convertia a minúscula fé que, um dia, experimentou em revolta e incompreensão, exibindo ignorância deplorável ao blasfemar.
Gemidos desoladores enchiam o ar de lamentos cortantes.
Eram de milhares de mentes.
Espíritos incapacitados de erguerem-se do mesmo lodo a que Lúcio se atirava de modo deprimente, mas sem vencer o orgulho.
Aquele sofrimento dava-se pelo somatório de todas as acções, pensamentos e palavras lascivas em harmonia com o mal praticado, até impensadamente, quando estavam encarnados.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:08 am

Agora, sem a roupagem da carne, aqueles espíritos sentiam o efeito moral de suas actuações e experimentavam as mazelas da vida imprópria, leviana e irresponsável.
O perispírito, "vestimenta" do espírito, reflectia suas viciações, moldando deformidades horrendas e animalescas deploráveis pelos actos imaginados e praticados, principalmente em relação ao sexo.
Entidades abnegadas, de nível indescritivelmente elevado, se comparadas àqueles seres sofredores, observavam a cena desoladora daquela região destinada aos devotados ao mal e ao desequilíbrio do sexo.
Elma, dividindo com os demais olhar comovedor, explicou bondosa:
— Nascemos com o compromisso de evoluir moral e espiritualmente.
Infelizmente, alguns de nós nos deixamos vencer pelas conquistas significativas da matéria, da luxúria, dos prazeres sexuais abusivos.
Agora, desencarnados prematuramente pelo suicídio inconsciente, cada um desses espíritos, nesse charco tenebroso, criado pela própria consciência, é a história viva do passado que experimentou de forma inconsequente.
— Como é triste -— lamentou Gisela, espírito luzente que sempre acompanhava a amiga Elma em suas peregrinações por aquele "sítio de dores".
— Quem não tem conhecimento, questiona-se por que o Pai da Vida permite tanta dor.
Logo, outro companheiro, aluno de Elma, o qual não se deixava abalar, apesar de comovido, respondeu:
— Deus não pode aniquilar o livre-arbítrio.
Se Ele interferir em nossas escolhas, livrando-nos das dores que precisamos sofrer por nossa própria culpa, o Pai da Vida deixaria de ser Deus bom e justo.
Se não permitimos que Deus interfira em nossa felicidade momentânea, não é correto também que Ele interrompa nossos tormentos íntimos que vão nos corrigir dos enganos e erros cometidos.
Quando procuramos prazeres lascivos, indecorosos nunca pensamos em Deus ou questionamos se estamos certos ou errados — explicou Romildo com palavras, talvez, pouco delicadas, mas bem conscientes.
— Não podemos criticar, repugnar esses nossos irmãos nem sentir pavor ou indiferença -— lembrou Elma, gentil e sábia.
— Nós não mais nos identificamos ou nos afinamos com essas criaturas de Deus, porém, meu querido, quantos de nós, num passado distante, já perambularam por esse "sítio de dores", ou paragens semelhantes, por terem-se banqueteado na irresponsabilidade do sexo, da vaidade e do orgulho?
— Não critico, muito menos condeno, cara Elma.
Perdoe-me pela forma de falar —- tornou Romildo, explicando com bondade e certo constrangimento.
— Tenho consciência das lições de vida que eu mesmo precisei experimentar por conta de meu passado sombrio.
Sei como o orgulho e a vaidade não nos deixam enxergar os próprios erros e acabamos culpando os outros e a Deus pelas dificuldades que enfrentamos.
E é esse mesmo orgulho que não nos permite ver o quanto desperdiçamos, o quanto fomos indiferentes quando a vida nos foi farta...
— ...e sempre apontamos o livre-arbítrio dos outros como o único culpado por nossas misérias -— interrompeu Gisela que, docemente, completou:
— Eu também sei o que é isso.
— Creio que todos sabemos -— reiterou Elma com elevada reflexão e meiguice.
— Enquanto estamos imersos nos vícios do orgulho e da vaidade, nunca admitimos a própria culpa.
Por essa razão, devemos ficar bem atentos a esse sentimento.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:08 am

Acariciando o ombro da companheira e percebendo que ela apresentava profunda amargura, Gisela disse, bondosa:
— Talvez hoje não seja o dia em que Lúcio entenderá o verdadeiro poder do arrependimento e da prece.
É melhor retornarmos.
— Você tem razão, minha amiga.
Em breve, trevas espessas vão cobrir esse vale, o que trará incontáveis dificuldades.
Amargurada, porém com elevada resignação, Elma forçou-se ao sorriso depois das últimas palavras e pôs-se ao lado dos companheiros que se adiantavam para sair daquele lugar.
Muito amorosa, não pôde deixar de olhar para trás, após se afastar um pouco, desejosa de ver Lúcio rogar por socorro verdadeiro.
Caminhando por esse vasto "sítio de dores", as três entidades, que se faziam passar quase que despercebidas, não podiam deixar de observar, naquele charco, centenas de miseráveis espíritos deformados.
Alguns, mesmo com a face estampada em nítido aspecto de sofrimento, eram agressivos à situação horrenda e não se inclinavam à humildade.
Outros, queixosos desequilibrados, faziam rogativas a Deus, mas não traziam, no imo da alma, uma gota sequer de arrependimento.
A experiência colectiva por que todos passavam, sem dúvida alguma, resultava de acções imorais.
Muitos de nós têm uma vaga noção da espiritualidade quando encarnados e se esquecem de que, com o término da vida terrena, desfaz-se a ilusão do material, restando apenas o que se cultivou de moral.
Os poderes desconhecidos da mente sempre nos arrastam a esferas tenebrosas, se não atentamos a elevados conceitos morais.
Nós nos confinaremos a zonas de tormentos e de reparos até que o arrependimento, a humildade e a fé verdadeira, expressos em prece e esperança constante, por tempo que não se pode contar, possam atrair socorro e amparo do Alto.
Encerrada a jornada àquela vasta região baixa, Elma, Gisela e Romildo alcançaram a Colónia da Paz que, como sagrado santuário, acolhia abnegadas criaturas comprometidas ao socorro e aprendizado constante aos irmãos do caminho e desvalidos da sorte.
Lugar de beleza inexprimível, a Colónia da Paz fixava-se em esferas da espiritualidade.
Era mais um gracioso recanto consagrado a entidades sublimes.
Elevadas vibrações podiam ser sentidas como um envolvimento excepcionalmente nobre, pois as preces constantes derramavam bênçãos santificantes por todo o seu encantado domínio.
Melodia celestial, composta por delicado arranjo aureolado de aprazível calma, podia ser apreciada por toda parte.
Breves momentos após o retorno àquele doce recanto, Elma, agora com aparência exterior recomposta de luzente elevação, soube que alguém estava a sua espera.
A essa altura, serena e especial luminosidade invadia o recinto utilizado como recepção, banhando-o com brilhante claridade celestial.
Nele aguardava, quase impaciente, uma querida e estimada conhecida.
Ao adentrar no sereno ambiente, Elma sorriu e, antes das saudações habituais, envolveu a grande amiga num carinhoso e longo abraço fraternal.
Logo, tomando-lhe as mãos e olhando-a com generoso sorriso, Elma perguntou:
— Lisete, minha amiga de sempre!
Como está? Quanto tempo!
Espontânea e com doce inflexão, Lisete comentou:
— A saudade longa dilacera o coração, entretanto nunca põe em dúvida uma amizade verdadeira, que sempre resiste ao tempo apesar da distância.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:08 am

Ao sorrir amorosa, Elma a conduziu para que se acomodasse e, a seu lado, ainda lhe segurando as mãos delicadas, perguntou:
— Sinto que está aflita.
Até sei o motivo: Lúcio.
— Só você me compreende tão bem, querida Elma.
Entreolharam-se em lágrimas, porém tal emoção não significava decepção ou esmorecimento, mas sim elevada comoção.
O silêncio imperou por segundos até que Elma explicou com intensa emoção:
— Acabo de retornar do "sítio de dores".
Pude encontrar lá, ainda em estado de extrema perturbação e grande sofrimento, nosso querido Lúcio.
Como lamento...
— Sei que você, Elma, e outros incontáveis amigos dispensam esforços constantes a Lúcio.
Sei também o quanto Deus, o Pai da Vida, é bom e justo.
Entretanto, meu coração apertado e pequeno mais uma vez me faz pedir ou até implorar, se for preciso, por socorro a esse meu querido filho espiritual que vaga, hoje, naquele charco de misérias.
Alimento-me de esperança a cada dia, renovando-me em prece.
Vibro para que meu querido descubra o valor da oração e o poder que possuímos quando reconhecemos que Deus nos envia Seus emissários de Luz de acordo com nossa fé e nosso arrependimento do passado transviado, mas...
Os olhos de Lisete derramaram lágrimas discretas, e ela, muito emocionada, solicitou quase acanhada:
— O que mais posso fazer por esse meu filho?
Gostaria que soubesse que disponho de um período de descanso dos trabalhos desenvolvidos na espiritualidade e quero, com todas as minhas forças, dedicar-me intensamente a Lúcio que, com certeza, precisa muito de mim.
— Oh, Lisete!
O que posso lhe dizer?... -— lamentou Elma.
Sei que pode imaginar o quanto me empenho por ele... o quanto sofro...
— Após um pranto encabulado, prosseguiu, escondendo o rosto em lágrimas:
— Já me surpreendi extrapolando limites para tentar tocar o coração endurecido de Lúcio, que não tem remorso, nem fé, nem amor.
Morro a cada dia, quando penso em tudo o que Lúcio ainda é, em tudo o que fez...
Apesar de minha fé, há momentos em que me abalo.
Penso que o mal está sendo mais forte ou muito duradouro.
— Não! Nunca pense assim!
Você sabe das consequências -— alertou firme, mas serena.
— Deus é bom e justo.
Lembre-se de que o Mestre Jesus nos legou que "somos o sal da Terra e, se o sal for insípido, com que se há de salgar?
Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens".
Minha querida amiga, não se inutilize com esses pensamentos — pediu, quase implorando, tamanha emoção.
— Você sabe que pode inutilizar suas vibrações positivas e amorosas a Lúcio se duvidar do que faz.
Se nós cremos em um Deus bom, temos de acreditar também que Ele nos mostrará uma solução, mas não podemos ficar de braços cruzados.
Lembre-se:
"fazei a vossa parte que eu vos ajudarei".
Não se desespere, farei o possível por ele.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:09 am

— Não quero abusar de sua generosidade, nem de nossa amizade milenar, porém gostaria de pedir que, se possível, quando for, em missão de socorro, às regiões baixas, próximas a Lúcio, e for vê-lo, leve-me com você.
— Sim, claro, Lisete.
Sua elevação e controle das emoções lhe permitem nos acompanhar, mas, apesar de já estar preparada e até acostumada a atravessar esses inferiores limites vibratórios, gostaria de lembrar que, quando encontramos uma alma querida em tão difícil condição, a dor nos toca inexprimivelmente. Prepare-se.
— Elma, você é um anjo de amor e bondade.
Nunca pensei que me permitisse...
— Quem sou eu para lhe permitir qualquer coisa, querida Lisete?
É você que, com sua elevada moral e intenso amor verdadeiro, permite-se a tarefas nobres.
— Não diga isso, venerável companheira.
Deus sabe que eu tenho razão, e é por isso que estou aqui.
Sinto que, se não for você, ninguém mais conseguirá me ajudar com meu Lúcio, pois sei de seu amor.
E só aquele que sabe amar verdadeira e incondicionalmente obtém como vitória o resultado de tudo o que abraça.
Os doces olhos de Elma brilharam e um tímido sorriso se fez em seu rosto angelical e impressionantemente belo.
Em seguida, comprometeu-se:
— Trabalharemos incansavelmente, minha amiga, até obtermos um resultado promissor, pois para o amor verdadeiro não existem barreiras inquebrantáveis do mal.
O amor, nobre sentimento, é a emanação do próprio Deus.
Confiemos Nele.
Nenhum sofrimento é eterno.
Somente nós temos a capacidade de determinar sua duração.
Lisete, emocionada e esperançosa por aquelas palavras tão edificantes, abraçou-se à amiga e entregou-se à prece de agradecimento por tão elevado auxílio.
Foi impossível deter as lágrimas enquanto o compromisso de amizade era reforçado com laços de amor incondicional.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:09 am

2 - Motivo das aflições

NOS DIAS que se seguiram, depois da permissão e devidas instruções para trabalho em regiões baixas, partiu, da Colónia da Paz, uma pequena excursão com o objectivo de analisar planos de socorro a Lúcio.
A benfeitora Elma e um pequeno grupo de espíritos amigos e benevolentes faziam escala, após uma considerável jornada no "sítio de dores" onde incontáveis espíritos padeciam dolorosos e inenarráveis tormentos, formando gigantesco grupo de alienados mentais pelo sofrimento experimentado.
Emoção profunda tocou a todos quando Lisete, prostrada de joelhos ao lado de Lúcio, chorou copiosamente ao vê-lo em tão degradante estado.
— Filho querido, como lamento... -— murmurou embargando as palavras.
Elma se aproximou e tocou-a no ombro com imenso carinho, alertando:
— Precisamos de sua força neste momento, querida Lisete.
Lúcio, infelizmente, não pode percebê-la em vista do envolvimento com imensas aflições, apontadas pela própria consciência.
— Percebo que não é somente a consciência que lhe cobra as atitudes erróneas.
Vejo meu querido filho envolto por vibrações funestas de encarnados com quem compartilhou actos lascivos, gerando em si mesmo um clima psíquico nefasto e atraindo espíritos desencarnados semelhantes que, como ele, não controlaram os intensos desejos sexuais e experimentam dolorosas expiações por não dominarem tal vício.
— Somente com nossas vibrações de amor será difícil desprender Lúcio dessa corrente -— lembrou o nobre espírito Gisela, que acompanhava a excursão.
— Seria importante desvinculá-lo, de alguma forma, daqueles que o escravizam em tão pesadas vibrações vingativas, materializadas em miasmas, matérias pútridas, que o envolvem e o arrebatam nessas profundezas purgatoriais de sombra, pavor e dor, consumindo-lhe as forças e a fé.
Elma ergueu a amiga Lisete e, abraçando-a de forma emocionante, falou comovida:
— De que nos adianta o céu, se sabemos que alguém a quem muito amamos está preso num vale de dor?
— Olhando agora nos olhos de Lisete, Elma se comprometeu:
— Vamos tirá-lo desse abismo tormentoso, mas antes haveremos de levar gotas de compreensão e bondade àqueles que lhe desejam vingança ou lhe têm mágoa, pois só assim nossas vibrações de amor poderão chegar como vozes de elevados sentimentos de fé e ecoarem em sua mente.
Os espíritos Silmara, Romildo e Álvaro, aprendizes que as acompanhavam, permaneceram em silêncio, mas atentos.
— Obrigada, Elma -— agradeceu Lisete, banhada de lágrimas.
— Serei eternamente grata a você.
Penso que nunca poderei retribuir-lhe...
— Seja grata a Deus, o Pai da Vida, que nos fortalece a fé com Seu dadivoso amor, oferecendo condições de servir e socorrer aqueles que amamos e estão necessitados.
Com planos de visitarem o quanto antes a crosta da Terra, junto aos encarnados, Elma e os demais retornaram à Colónia da Paz.
Na colónia, após justificar a solicitação, Elma recebeu a permissão devida e a orientação de que a missão não seria tão somente para o socorro de Lúcio, mas também para o aprendizado de um grupo de espíritos os quais deveriam tomar conhecimento sobre os desafios e as paixões silenciosas que se apresentam árduas nas provas terrenas de harmonização.
Em poucos dias Elma e Lisete encontravam-se na casa terrena onde Lúcio viveu.
A mansão de extremo luxo, primorosamente decorada, não revelava, no plano físico, perceptível aos encarnados, os horrores que se podiam registrar no plano dos espíritos.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:09 am

Com seus atributos peculiares, Elma e Lisete, capacitadas a alterarem a luminescência perispirítica exterior para se camuflarem, pois estavam acostumadas a missões de socorro em zonas inferiores, faziam-se, agora, passar por espíritos insignificantes, misturando-se, quase despercebidas, aos outros.
A atmosfera era pesada e excessivamente desagradável.
A visão que se podia ter no plano espiritual era deprimente, triste e agressiva.
Espíritos que, quando encarnados, fizeram do sexo um mercado de prazeres e sensações, sem amor nem afecto, encontravam-se ali como verdadeiros debilitados mentais, gemiam desequilibrados, atirados uns sobre os outros, formando um verdadeiro mar de espíritos humanos.
Pouco lembravam um homem ou mulher, pois se achavam muito deformados e exibiam formas animalescas, macabras, alterados e envoltos em substância repulsiva.
Alguns outros, menos arrebatados, exibiam-se nus.
Com viva malícia, figuravam olhos esbugalhados nos rostos horrendos.
Pareciam à espreita, para qualquer situação de prazer sexual com que pudessem identificar-se.
Em seus centros genésicos, região dos órgãos sexuais, havia deformações perispiríticas das mais horríveis, com constantes purulências fétidas e, por vezes, dolorosas.
Diante daquela visão, Lisete falou à companheira:
— Todos aqui, sem excepção, quando encarnados, foram vítimas dos próprios actos e acabaram adquirindo o vírus HIV.
— Perfeitamente —- concordou Elma bem serena.
— Por causa da irresponsabilidade sexual, eles se atraíram, para a aquisição desse vírus nefasto.
Sem conseguirem vencer os desejos do sexo, na busca de prazer momentâneo, entregaram-se à vida promíscua, sem vigilância nos actos indiscriminados e sem responsabilidade no que diz respeito ao sexo, como a prostituição, a libertinagem, a vida fácil, o sexo sem compromisso e tudo mais relacionado ao desequilíbrio, prática sexual vulgar, independente de serem heterossexuais, homossexuais, transexuais ou outras orientações sexuais.
Pelo que observava no plano espiritual, Lisete deduziu o que acontecia com os encarnados e perguntou:
— Ainda continua a existir nesta casa o que Lúcio praticava, não é?
— Sim, continua.
Aqui, os encarnados continuam oferecendo festas regadas a sexo e drogas, orgias desprezíveis e repugnantes, actos efémeros...
— Veja, uma encarnada se aproxima -— avisou Lisete serena.
Tratava-se de uma jovem bela e elegantemente vestida, que entrava na grande sala, cujas vidraças transparentes e de grande proporção permitiam a visão de lindo jardim e exuberante piscina.
A passos rápidos, a bela moça percorreu o recinto de um extremo a outro, dirigindo-se às largas escadarias e subindo-as apressada.
Já em sua luxuosa suíte, Rejane arremessou a bolsa para o lado e atirou-se sobre a cama.
De bruços, sentindo-se deprimida, chorou um pouco e, vez e outra, golpeava a cama com socos enquanto emitia gemidos de raiva.
— Droga! Ai que ódio! -— gritou Rejane com raiva.
Tomara que aquele infeliz queime nas profundezas do inferno.
Você acabou com minha vida, Lúcio.
Você me deixou dependente... acabou comigo.
— Elma -— perguntou Lisete, muito surpresa com o que presenciava - você conhece a relação entre ela e Lúcio?
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:09 am

— Sim, conheço -— respondeu, entristecida.
— Mas não convém falarmos disso no momento. Veja.
Elma apontou para um canto da luxuosa suíte, onde se encontrava um espírito que se demonstrava afeiçoado por Rejane, como se dela fosse "proprietário", escravizando-a, ao induzi-la a determinadas práticas para troca de energias com a encarnada.
A criatura exibia anormalidades em seu corpo espiritual, em vista do desequilíbrio dos desejos e da emoção.
Deitando-se ao lado de Rejane, o espírito a abraçava com desejos lascivos e intensos, envolvendo-a como se estivesse encarnado, enquanto outros espíritos, de mesmo nível psíquico, observavam-no.
Rejane começava a sentir desejos sexuais e, sem conseguir conter a compulsividade, ela imediatamente colocou um filme pornográfico e passou a assistir.
Já de posse de objectos que lhe pudessem satisfazer os desejos, tentava provocar em si mesma a descarga orgástica.
Nesse momento a encarnada assistia ao filme e concentrava-se excessivamente em Lúcio, como se ele estivesse ali satisfazendo seus vícios e prazeres.
Ela estava fisicamente sozinha, mas na espiritualidade já se encontrava envolvida por quatro companheiros espirituais que, com a autorização do primeiro, compraziam-se com seu desequilíbrio, reforçando assim elos miseráveis que a deixavam submissa ao vício de prazeres momentâneos, desperdiçando a energia criadora que possuía e deformando-se como espírito.
Com elevado respeito ao livre-arbítrio da encarnada e dos desencarnados, Elma decidiu:
— Não temos o que fazer aqui por enquanto.
Devemos ir ao encontro dos outros companheiros.
— Lúcio recebe toda a gama de vibrações negativas somente de Rejane? -— perguntou Romildo.
— Não somente dela.
Agora vamos -— disse a instrutora.
Longe dali, o grupo estava abrigado em uma residência que lhes servia como posto de socorro espiritual.
Ao observar o abatimento de Lisete, Elma, logo que se viu mais à vontade com a amiga e outros companheiros, explicou:
— Prometi que contaria a história de Lúcio e Rejane.
— Por favor, conte-me.
Preciso me inteirar profundamente de tudo, se desejo socorrê-lo.
Sei o que ocorreu, porque identifico na constituição do corpo espiritual de Lúcio o que esse filho querido praticou.
Sei de seu desequilíbrio pelas deformações que ele exterioriza, mas quero detalhes.
— Lúcio nasceu na fortuna -— contava Elma paciente, para também actualizar os demais.
Foi abastado e mimado de todas as formas.
Os pais lhe davam tudo o que queria, até de maneira ilícita.
Não lhe impuseram limites, muito pelo contrário, se pudessem, comprariam tudo o que o filho desejasse.
Na maioridade -— prosseguiu depois de breve pausa - pela falta de limites, educação, moral e até orientação psicológica, Lúcio inclinou-se a inúmeras compulsividades, inclusive sexual.
Nenhum de seus impulsos sofria repreensão por parte daqueles que se haviam responsabilizado, nas esferas espirituais, por sua orientação, aceitando-o nos laços carnais como filho ou parente próximo.
Lúcio reencarnou com o objectivo de reeducar-se, de vencer a compulsividade sexual, de criar limites às paixões, às preferências, porém faliu em seus objectivos.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:10 am

— Não quero interrompê-la -— interferiu Álvaro, respeitoso e atento —- mas entendi, com essa explicação, que aqueles que nos rodeiam, principalmente na infância, são também responsáveis por nosso desenvolvimento ou elevação moral.
— Sim, claro — respondeu Elma, afectuosa e com leve sorriso.
— Os pais, principalmente, ou então aqueles que têm o encargo legal ou espiritual de proteger um menor, devem-lhe protecção, defesa e orientação.
São responsáveis pelo fracasso de um espírito durante sua trajectória, caso não tenham oferecido, constantemente, apontamentos morais valorosos que sirvam como guia para que o protegido que lhes foi confiado possa ver, distinguir e avaliar bem quando estiver capacitado.
— Caso esse protegido —- continuou Álvaro curioso —- ou essa criança, já com capacidade de distinguir e avaliar, não queira seguir o caminho do bem que lhe ensinaram, os pais ou os tutores serão responsáveis por sua falência moral?
— Se lhe ofereceram ensinamento moral elevado de forma incansável e amorosa, não -— respondeu Elma.
— Eles não podem ser culpados, responsabilizados pelas dores e caminhos tortuosos que o outro abraçou.
Mas, se os pais ou tutores não forem atentos e negligenciarem as condições, práticas morais e espirituais de quem lhes foi confiado, terão grande carga de responsabilidade nas tendências inferiores, paixões devastadoras, no génio impiedoso e cruel e na escolha por labirintos degradantes e roteiros de aflições.
— Aqueles que não cumprem perfeitamente a tarefa de moralizar o filho que Deus lhe confiou, por irresponsabilidade ou preguiça -— interferiu Romildo, muito directo em suas explicações - vão se arrepender num vale de lágrimas.
Se alguém foi confiado a seus cuidados, é porque você tem alguma obrigação com o aprimoramento dessa pessoa.
O tempo é infinito, mas não podemos desperdiçar as oportunidades abençoadas.
Em vez de deixar para a próxima reencarnação, devemos aproveitar as condições benditas, pois não sabemos quantas dificuldades nos servirão de empecilho nas próximas.
"Nenhum j ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido", disse-nos o Senhor Jesus.
O trabalho é nosso e continuará sendo até que o façamos bem-feito.
— Voltando à história de Lúcio -— tornou Elma, com explícita generosidade - sabemos que ele se tornou possessivo, dominando tudo o que podia com o poder aquisitivo.
— Breve pausa e continuou:
— Trabalhava na empresa de seu pai.
Era o senhor absoluto.
Bonito e na flor da idade, apresentava-se como exuberante conquistador.
Gostamos de lembrar que o sexo, com suas sagradas finalidades, não se destina ao mercado de prazeres, como a prostituição ou às sensações carnais de prazeres ilícitos, efémeros e sem amor.
Muitas vezes, porém, apesar de não receberem remuneração, homens e mulheres se prostituem quando há algum interesse, mesmo que seja de auto-afirmação.
— Efémero? Como assim? -— indagou Álvaro.
— O acto sexual não deveria acontecer somente por uma força intensa e momentânea, que sabemos ser transitória e passageira.
Ele é de inenarrável responsabilidade, além de muito compromisso assumido espiritualmente.
As energias sexuais, quando trocadas, constituem ligações que, se não tiverem finalidades elevadas e dignas, vão nos compromissar com muito refazimento, pois a troca de fluidos pode e será utilizada como energia criadora do bem ou do mal. Se o sexo for para mero prazer momentâneo, fútil e passageiro, certamente a energia sexual não será geradora do bem — explicou Elma com sua bondade peculiar.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:10 am

— Infelizmente só vamos aprender o quanto isso nos prejudica no desenvolvimento moral e espiritual a duras penas, quando nos encontrarmos nos charcos de aflições com deformidades perispiríticas, ou seja, no corpo espiritual das mais horrendas, por termos abusado dos prazeres carnais do sexo.
— Após breve pausa para reflexão, ela prosseguiu:
— Foi o que aconteceu com Lúcio e inúmeros outros companheiros.
Lúcio, fazendo-se valer da bela aparência e posição social, relacionava-se sexualmente por puro prazer, para obter experiências diversas e inclusive ter o que contar aos amigos.
— É bom lembrar - interferiu Romildo, quase impaciente -— que quem se vangloria de sua vida sexual é profundamente desequilibrado e, talvez, um fracassado no assunto, pois necessita de constante auto-afirmação.
— E, olhando imediatamente para orientadora Elma que parecia alertá-lo de alguma forma com o olhar, explicou:
— Antes que me repreenda, respeitável instrutora, quero lembrar que digo isso por experiência própria.
Não estou sem conhecimento de causa ou julgando os irmãos que se perderam nos labirintos do sexo.
Ninguém alcança a vida celestial sem antes acompanhar o comboio da inferioridade.
Foi uma mera explicação.
— Talvez desnecessária —- disse Elma sorrindo levemente ante a evidente repreensão.
— Porém, continuemos.
Houve uma jovem por quem Lúcio se apaixonou e não conseguiu conquistar.
Tratava-se de uma moça que procurava elevados conceitos e tinha uma noção das pretensões levianas do rapaz.
Por não desejar ceder a tais seduções, recusou-se terminantemente a sair com ele.
Lúcio, valendo-se de sua posição na empresa, demitiu-a.
Não satisfeito e sabendo das dificuldades da jovem, ele a procurou incessantemente.
O destino cuidou para que Lúcio pudesse observar o sentido da elevada moral na recusa da jovem Marília a seus assédios, mas ele não aprendeu e insistiu.
Nessa época, a mãe da jovem, muito necessitada e enferma, tratava Lúcio bem, por ocasião de suas visitas, e aceitava, inclusive, a generosa ajuda financeira que ele ofertava.
A senhora não via motivo algum para que a filha o rejeitasse, pensando que o rapaz seria um bom partido e a jovem teria um futuro garantido ao lado dele.
Observando o interesse dos outros, ela continuou o que seria um longo relato:
— Mas Marília não ficava nem um pouco satisfeita com as visitas dele.
Muito menos com sua ajuda, pois ainda estava magoada pela demissão e sabia das suas intenções.
Lúcio estava apaixonado.
Definitivamente o amor eclodiu em seu coração, entretanto a jovem percebia algo lascivo nos sentimentos do rapaz e resistia.
Enquanto tudo isso se desenrolava, num tempo considerável, Lúcio, longe dessa moça, levava uma vida repleta de luxúria e satisfação.
Morava agora longe dos pais e promovia encontros dedicados, exclusivamente, a festins licenciosos em que o sexo em grupo vigorava plenamente.
Muitos companheiros dele serviam-se desses banquetes para promoção social e, principalmente, para saciarem os vícios, superarem complexos, ansiedades, desequilíbrios psicológicos e psíquicos em torno do sexo.
Em uma dessas festas, Lúcio conheceu Rejane, que logo se interessou em se promover, pois viu nele um patamar socioeconómico de destaque, capaz de ostentar seu luxo e atender a suas ambições.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:10 am

Os pais de Rejane desencarnaram em um acidente.
Ela foi criada por uma amorosa tia que lhe ensinou elevados e incontáveis ensinamentos morais e lhe apresentou excelentes exemplos.
Mas a jovem não deu atenção aos bons conselhos recebidos e logo se envolveu com Lúcio.
Embora estranhasse, a princípio, os encontros para actividades sexuais intensas e em grupo, Rejane logo se afeiçoou a essas práticas.
Seu biotipo extravagante, perturbador e desequilibrado se encaixava no voyeurismo, ou seja, observar outros indivíduos praticando sexo para que pudesse experimentar prazer em suas funções sexuais.
Contrariado por não conseguir conquistar Marília, que ainda o recusava, Lúcio aproximou-se de Rejane, dona de uma beleza incomparável e postura impecável para a sociedade moderna.
Ambos passaram a viver juntos e, atormentados pelo fogo dos desejos sexuais, continuaram mergulhados na sombra degradante da promiscuidade e até das drogas.
Porém Lúcio não esquecia seu amor por Marília, moça simples e recatada, a quem não deixava de procurar.
Por Marília, ele seria capaz de tudo.
Até de abrir mão da própria fortuna, mas era incapaz de se desvincular dos desvarios do sexo.
A mãe de Marília, portadora de uma doença chamada esclerose múltipla, agora bem dependente da filha, constantemente a incentivava a ceder aos galanteios de Lúcio.
A jovem se recusava, alegando que ele parecia leviano e muito inconsequente.
Ela temia que Lúcio a abandonasse, amargurada e arrependida, após conseguir o que queria.
Entretanto, com o tempo, a moça deixou-se convencer pela mãe e cedeu aos assédios do rapaz.
Apesar de desconfiar das actividades lascivas de Lúcio, por seu jeito malicioso de olhar e falar, ela nunca teve provas.
Jamais participou de quaisquer promoções de banquetes promíscuos oferecidos por ele.
Porém envolveu-se sexualmente com o rapaz cedendo aos seus assédios.
Para a felicidade da mãe da moça, a jovem acabou engravidando de Lúcio com um simples truque:
para que ele não percebesse, furou, ainda na embalagem, o preservativo que usaria.
Marília agora estaria segura, acreditava a senhora.
Mesmo se o rapaz a abandonasse, rico como era, haveria de, no mínimo, pagar generosa pensão ao filho.
Lúcio ficou surpreso com a notícia, mas imensamente feliz com a gravidez de Marília.
Logo comprou uma bela residência em nome da jovem, para que ficasse bem instalada com a mãe e o filho que viria.
Queria que todos tivessem muito conforto, com empregados e, indispensavelmente, um carro.
Marília sentia-se tranquila até então.
Sua mãe, no entanto, agora perturbada gravemente pela doença degenerativa, foi perdendo a noção de realidade e raciocínio, tornando-se muito debilitada.
A gravidez ia bem, até que um dos exames exigidos no pré-natal constatou a presença do HIV.
Aí começou a decadência da prosperidade de Lúcio, Marília, Rejane e inúmeros outros companheiros envolvidos nessa história.
Lúcio desencarnou vítima de insuficiência pulmonar e de diversas infecções oportunistas causadas pela Aids.
Rejane, mesmo portadora do vírus que ainda não se manifestou, não consegue conter suas necessidades de satisfação extrema da libido, seja sozinha, fisicamente falando, seja em grupo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:10 am

Sempre que utiliza a imaginação para obtenção de prazer, endereça a Lúcio certa carga de energias funestas, por desejá-lo em suas práticas.
É provável, porém, que isso não dure muito, pois Rejane logo encontrará outro parceiro.
Elma silenciou ao fim da narrativa.
Após poucos segundos, Lisete comentou, sob efeito de triste emoção:
— Provavelmente vem de Marília a maior carga de vibrações obsessivas que Lúcio recebe e que o fazem ficar preso em zonas tão inferiores.
O ideal seria envolver a jovem e orientá-la com amor e carinho para que ela lhe perdoe e o liberte de suas vibrações vingativas.
Somente assim, um pouco mais livre, Lúcio, talvez, possa elevar seus pensamentos, acreditar em Deus e rogar infinitamente por socorro com muita fé, para que possa sair daquelas profundezas de miséria, sofrimento e extrema dor.
— Como minha estada na crosta, junto com os queridos alunos, não é tão somente para providências a respeito do socorro de Lúcio -— informou Elma, com doce inflexão - gostaria de pedir, querida Lisete, que começasse a acompanhar e envolver a jovem Marília como a uma filha querida.
Aproxime-se de seus pensamentos hostis e dolorosos, em que experimenta o arrependimento e a revolta.
Dite-lhe a bênção do perdão e rudimentos de transformação para elevados conceitos e entendimento.
Faça-lhe palpitar o amor e a compaixão, lembrando o Mestre Divino que nos ensinou em oração:
"Pai, perdoai nossas dívidas assim como perdoamos nossos devedores e não nos deixei cair em tentação...".
— Nobre Elma, sou pequenina serva do Senhor para merecer tanta confiança, entretanto, se acredita que sou capaz, coloco-me à inteira disposição com amor e fé.
Rogo forças para minha capacidade e bênçãos para a vitória de todos na tarefa que nos confiaram.
— Não estará só.
Além de Jesus, na mente, a envolver suas palavras, você terá o apoio do querido Djalma.
— Nesse instante, Elma sorriu, apreciando a surpresa de Lisete, mas logo continuou:
— Aquele que, no passado distante, foi-lhe tão estimado esposo e amoroso pai de Lúcio deve encontrar-nos hoje, aqui, para seguir, junto com você, em socorro de Marília e prosperidade do querido filho.
Lisete, tomada de profunda emoção, perdeu as palavras e Elma disse:
— Sempre me encontrarei com vocês.
Desejava acompanhar o caso do querido Lúcio de forma mais presente, mas recebi orientação de que minha prioridade será excursionar com os desvelados aprendizes para elevadas lições a respeito do assunto que mais nos interessa acompanhar: o desafio com a Aids.
Naquela mesma noite, ali na simples residência terrena, mas que, na espiritualidade, era abrilhantada de bênçãos santificantes, todos receberam Djalma com muito carinho e teceram planos para trabalho ostensivo no bem com muito amor.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:11 am

3 - Desequilíbrio sexual

LISETE E DJALMA, irmanados no mesmo ideal, seguiram para a fase essencial da missão junto à Marília e seu filhinho.
Elma, almejando levar ensinamentos àqueles que a acompanhavam, iniciou sem demora as actividades secundárias, porém não menos importantes, pois aprender significa evoluir. Como já nos foi ensinado: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".
Romildo, que não conseguia deter seus conceitos, opinou:
— Se quisermos observar desafios com a Aids, devemos começar pelos homossexuais, pois entre eles encontraremos muito a aprender.
— Que grande engano, Romildo -— advertiu Elma, generosa e sensata.
— Não podemos pensar que o grande desequilíbrio em torno do sexo se refere à homossexualidade.
Não são muitas as pessoas que podemos considerar equilibradas em termos de sexo, mesmo entre os heterossexuais.
Uns com maiores transtornos de desvio da libido, outros com bem poucos, é claro.
Para designar o desequilibrado sexual, as pessoas geralmente se concentram nos grupos cujos estereótipos, ou seja, o modo de apresentar uma opinião ou uma atitude, seja diferente da maioria ou do habitual.
Isso não é correto.
— Então, ser homossexual não significa ser desequilibrado? -— perguntou Silmara, uma aprendiz que acompanhava o grupo.
— Não. Ser homossexual é ser homossexual.
Assim como ser heterossexual é ser heterossexual.
Estar desequilibrado na área sexual independe da orientação sexual da pessoa — respondeu a instrutora com bondade evidente.
— Para entender sobre desequilíbrio, nessa área, vamos em busca de exemplos.
Elma sorriu e os conduziu até a residência de um encarnado que muito estimava.
Dirso, o rapaz que visitavam, estava sentado em sua sala de estar, num apartamento de classe média, tocando violão e procurando compor uma nova melodia.
Ao aproximar-se, a benfeitora curvou-se e, carinhosamente, envolveu-o em generoso abraço, beijando-o com doce ternura.
Dirso, apesar de não ver ou perceber a presença amigável daqueles estudantes, na espiritualidade, sentiu algo muito agradável, naquele instante, pela vibração harmoniosa que pôde experimentar.
Parou por alguns segundos e sorriu, como se pudesse sorver as bênçãos do momento, mas logo voltou ao que fazia.
Elma, por sua vez, explicou sem demora:
— Alguém que, em outras encarnações, abusou das funções sexuais, utilizou o sexo para satisfazer seus caprichos ou obter poder, poderá retornar, em uma futura experiência terrena, com um corpo inadequado a sua psicologia.
Achando que a explicação não foi suficiente, prosseguiu:
— Por exemplo, nosso querido Dirso, em experiências reencarnatórias como mulher, abusou do sexo, utilizando-se da função sexual para aquisição de bens, de poder, para influenciar a quem quisesse em benefício próprio ou de outro.
Com sua sedução exorbitante, desmanchou lares, casamentos e desfez famílias.
Com grande erotismo, fez da prática sexual um mercado, ou seja, a prostituição, embora não estipulasse antecipadamente qualquer valor.
Desencarnado, passando por tormentos de natureza horrenda no plano espiritual, demorou-se incrivelmente em zonas inferiores.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 19, 2017 11:11 am

Após muito tempo, foi socorrido e precisou de aprendizado, esforço, dedicação e incrível boa vontade para aprender a aplacar a vaidade, o orgulho e entender que a energia sexual não deveria ter sido utilizada para aquela finalidade.
Após muita instrução e serviços úteis, na espiritualidade, Dirso decidiu reencarnar hoje com um corpo físico na forma masculina com a psicologia diferente da do corpo que tem.
Acreditou que criaria uma nova energia interior para deter-se nos desafios reencarnatórios.
A força da psique masculina com a sensibilidade da psique feminina, juntas, poderiam beneficiá-lo para não cair em seduções exorbitantes, comércio sexual, aquisição de bens por conta do uso das funções sexuais.
Ainda que a homossexualidade não sirva de total garantia para ninguém reencarnado não cair em tentação.
Ele acreditou que o enfrentamento desse desafio e conflito íntimo o auxiliaria a se inibir de cometer novos desatinos como no passado.
Essa solicitação lhe foi imposta pela própria consciência que cobra harmonia pelas extravagâncias do passado.
Como em outras oportunidades de harmonização não conseguiu total equilíbrio, Deus o permite, porque só assim ele alcançará entendimento moral e a elevação espiritual que almeja.
— A instrutora, com singular tranquilidade, prosseguiu:
— Então Dirso, hoje, possui um corpo físico masculino com psicologia diferente, mais feminina, como nós já sabemos.
Por isso sua forma de pensar e ver o mundo, seu comportamento são femininos.
Aí temos um comportamento homossexual, pois suas tendências são de atracção por pessoas do mesmo sexo, admiração e gosto, emocionalmente, pelo mais delicado, feminino.
— Para finalizar, ainda disse:
— Porém, meus queridos, ser homossexual não significa corromper-se, prostituir-se, desequilibrar-se, relacionando-se sexualmente de forma promíscua, casual, irresponsável com pessoas do mesmo sexo.
— Eu entendi, então, que uma pessoa homossexual pode se envolver e se relacionar com outra pessoa desde que esse envolvimento não seja promíscuo e casual e que, também, não cause conflitos em sua consciência.
Ela tem que saber o que ela é e o que quer.
Tem que se conhecer -— interrompeu Romildo.
— Com isso, Elma, você quer dizer que uma pessoa homossexual, se não se relacionar de maneira leviana e vulgar, pode se harmonizar com a própria consciência e saldar débitos do passado em relação ao sexo desequilibrado?
— Sim, Romildo -— continuou a instrutora amorosa.
— E digo mais, isso serve para todas as pessoas, independente de sua orientação sexual.
— Breve pausa e completou:
— Nosso corpo, nossa mente possuem funções específicas para nos auxiliarem em nosso crescimento e elevação.
Se as utilizarmos de maneira errada e desequilibrada, com finalidade equivocada, física e psicologicamente falando, vamos desequilibrar suas funções orgânicas, físicas e espirituais e romper a harmonia a que nos propusemos para essa reencarnação.
Isso ocorre principalmente pelo facto de corrompermos as sensações, emoções e os impulsos físicos, cerebrais, morais e espirituais.
Isso ocorre em todas as áreas.
Muitos nascem com um corpo físico avantajado e o usa para agredir o próximo.
Existem aqueles que nascem com bastante inteligência e não a usam de forma lícita ou em benefício da humanidade, ao contrário...
Tudo o que temos, tudo o que nos foi oferecido é para ser usado por nós para o bem, para o bom, para a harmonia.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:34 am

Vamos lembrar que a energia sexual é criadora.
Não devemos corrompê-la nem usá-la erroneamente, senão seremos responsáveis pelo desequilíbrio que provocarmos.
— Alguns instantes e ainda disse:
— A conduta homossexual, apesar do grande conflito íntimo, é para apresentarmos dignidade, vigor nas opiniões, inclinando e direccionando a energia sexual represada em energia criadora produtiva.
— Como assim? -— interessou-se Silmara.
— Veja o Dirso, por exemplo -— explicou Elma com paciência.
— Nosso querido amigo tem, hoje, na presente reencarnação, uma postura homossexual.
Ele não se relaciona sexualmente com outro homem, pois acredita que, se o fizesse, desequilibraria, desarmonizaria as funções de seu corpo físico masculino, que não foi elaborado para a relação sexual com outro homem.
Dirso também não se relaciona sexualmente com nenhuma mulher, pois isso iria totalmente contra seus princípios emocionais.
Isso é correto para ele, dentro do entendimento dele.
E opção.
Quero reforçar que, se é vontade dele é certo para ele.
Se se forçar a se envolver com outro homem, não vai, de modo algum, sentir-se bem.
Se se forçar a um envolvimento com uma mulher, também ficará muito contrariado com ele mesmo.
Apesar do conflito íntimo que experimentou quando percebeu que era diferente do comum, que tinha opiniões e emoções diferentes dos outros homens, ele entendeu que essa experiência reencarnatória não era um castigo que o punia impiedosamente, mas sim uma proposta reeducativa para ele como espírito eterno.
— Disse a instrutora que prosseguiu:
— Dirso entendeu que a vida é infinita e uma reencarnação são breves segundos diante da eternidade.
Ele deseja realmente ser feliz, mas busca a felicidade verdadeira que não é deste mundo, como nos ensinou Jesus.
Com esse tipo de pensamento, ele está evoluindo moral e espiritualmente, pois troca os momentâneos e exorbitantes prazeres carnais, que duram tão pouco, por valorosa e eterna evolução por meio de práticas e trabalhos de caridade aos necessitados.
A essa altura, corroído pela curiosidade, Romildo não suportou mais e perguntou, quase constrangido:
— Entre falar e agir há uma grande diferença.
É muito bonita a história de Dirso.
Repleta de renúncia e resignação, vista superficialmente como está nos contando.
Porém, como todos nós temos desejos sexuais, eu gostaria de saber se ele ameniza esse desejo sexual provocando estímulos que o leve, sozinho, à descarga orgástica?
— Não — respondeu a benfeitora bem directa.
Dirso entende que esse tipo de estímulo é desnecessário.
Sabe também que nunca estamos sozinhos, espiritualmente falando.
E, com certeza, os espíritos que nos vão envolver nesse momento de estímulo são inescrupulosos, vis, lascivos, ou seja, do mais baixo nível de evolução.
— E o que ele faz?... -— perguntou o aluno curioso.
Sucumbe o desejo e faz seus pensamentos se desviarem do sexo e de tudo o que é sensual.
Entrega arduamente os pensamentos elevados à meditação, aos trabalhos produtivos, filantrópicos, caridosos.
Dirso é arquitecto, um excelente profissional, diga-se de passagem, e isso ocorre pela sua concentração no que realiza.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:34 am

Quando trabalha, ele não oferece margens a outras ideias que não sejam do seu serviço.
Ele também é voluntário em instituições que cuidam de crianças especiais.
Por elas, prepara eventos, brincadeiras e músicas, como está fazendo agora.
Como ocupa todo o tempo com funções bem activas e proveitosas, Dirso não deixa espaço para pensamentos ardentes sobre os desejos sexuais.
Ele gasta, utiliza e transforma toda essa energia sexual, que é energia criadora, em tarefas produtivas e elevadas.
— E se os desejos sexuais ocorrerem com intensidade, insistência?... -— insistiu Romildo, obstinado.
— Dirso medita, ora ardentemente.
Não existe prece sem resposta, nem fé verdadeira sem envolvimento. O Pai da Vida socorre a todos.
— Após breve pausa oferecida para que reflectissem, Elma, sempre generosa e procurando instruir, lembrou:
— Por isso, Romildo, não podemos ter um julgamento antecipado, preconceituoso, não podemos dizer que o desequilíbrio está em um estado psicológico, em determinada orientação sexual...
Ser homossexual não significa ser desequilibrado.
Mas ser desequilibrado significa não conseguir controlar, dominar os desejos intensos, compulsivos, desviando-se para o fogo das paixões.
Essa foi a forma como Dirso entendeu e quis viver para aplacar seus conflitos íntimos, trazidos de outras vidas, inconscientemente.
Ele não teria sua consciência tranquila se relacionando com uma mulher.
Também não se sentiria nada bem se relacionando com outro homem.
É a maneira que, como espírito encarnado, hoje, decidiu se comportar para evoluir.
Outros encontram equilíbrio de outra forma.
Podemos conhecer também outros homossexuais, homens ou mulheres, bastante equilibrados, eu diria, que entenderam e assumiram sua condição ou orientação sexual como homossexuais e vivem em harmonia psicológica convivendo, envolvendo-se sentimental e fisicamente com alguém do mesmo sexo.
Isso não é desequilíbrio.
Não é errada a união homossexual.
Isso não é desequilíbrio.
O desequilíbrio, a desarmonia psíquica está em se corromper, prostituir-se.
Está na vivência com muitos companheiros nas práticas sexuais, na bigamia, na traição.
Isso serve para todas as condições ou, como dizem, orientações sexuais.
A criatura precisa de equilíbrio das acções.
Contenção dos desejos.
Não se vulgarizar, não somente nas acções, mas também nas palavras e pensamentos.
Isso também atrai entidades que vão permanecer ao lado provocando tentações devido à tendência exibida.
Aqueles que praticam esse tipo de atitude desequilibrada, mesmo que não acredite que o seja, vai deparar-se com conflitos íntimos, dores na consciência que vão pedir harmonização de suas práticas.
A essa altura dos acontecimentos, Dirso já havia composto toda uma nova canção para apresentar às crianças que visitava, àqueles que envolvia com gotas generosas de alegria e emoção.
Por isso sorria e divagava imaginando como elas reagiriam, como elas sorririam com a nova música.
— Vejam, meus queridos -— ensinou Elma —- em uma mente que pensa em fazer o bem, que se preocupa em levar provisões, amor e alegria aos carentes, não há espaço para desarmonia e desequilíbrio.
É por esse motivo que Dirso se eleva a cada dia e, em cada acção, é amparado e envolvido por bênçãos sublimes.
Curvando-se amorosamente, Elma deu-lhe um beijo na face, abençoou-o de todo o seu coração e, após linda e breve prece, propôs que todos fossem à busca de um novo aprendizado.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:34 am

4 - Desviando-se da boa moral

LONGE DO LAR onde todos puderam aprender um pouco mais, Elma e seu grupo agora se encontravam em uma rua onde a elevada instrutora, além de responder às indagações dos estimados pupilos, aproveitava-se de fatos corriqueiros para ensiná-los.
Não deixando de pensar em tudo o que observara e aprendera, Silmara, como aluna atenciosa, comentou:
— Percebo que nossos pensamentos marcam nosso perispírito que é nosso corpo espiritual.
Dirso não possui, como outros, revelações cruéis e ressaltadas pelo abuso do sexo, nessa encarnação, porque não corrompe a função sexual, mas sim a sublima.
Ele perde a cada dia as marcas que traz do passado.
— Isso porque está harmonizando a consciência pelos desequilíbrios sexuais do passado, por ter exorbitado da energia sexual feminina -— respondeu Elma, atenciosa.
— Hoje, com mais prudência, Dirso não se revolta.
Trabalha honestamente para adquirir o que tem.
É caridoso e responsável e utiliza-se de sua maneira gentil e generosa de ver o mundo e as coisas a sua volta para desempenhar bem seu trabalho, sua profissão.
Com isso, Silmara, ele transforma sua energia sexual, gastando-a, sem perceber, em actuações salutares.
Ele está revertendo o quadro negativo que criou no passado.
— Elma -— perguntou a aprendiz —- já nos falou como Dirso faz para não pensar nos desejos sexuais.
Eu gostaria de saber:
ele sofre assédios espirituais para que desista dessa harmonização?
— Sem dúvida.
Até o Senhor Jesus foi tentado.
Quem somos nós para não sofrermos tentações? Se estudarmos bem essa passagem evangélica sobre "A tentação de Jesus"1, observaremos que Jesus ofereceu somente três respostas a seu tentador.
Na primeira o Mestre disse:
"Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus".
Na segunda, Ele falou:
"Não tentarás o Senhor teu Deus" e na terceira, Jesus disse:
"Vai-te daqui satanás, porque está escrito:
ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás".
Com isso podemos fazer a seguinte analogia:
Jesus é tentado a transformar pedras em pães e fala que nem só de pão vive o homem.
O pão sacia a fome do corpo, assim como a energia psíquica que provém da libido estimulada sacia os desejos sexuais da criatura humana.
Então, podemos dizer que nem só de satisfação ou prazer sexual vive o homem. Podemos nos voltar a outras coisas, a outros trabalhos mais edificantes.
Logo em seguida o diabo diz a Jesus:
"Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui para baixo, porque está escrito:
que a Seus anjos dará ordens a Seu respeito e tomar-te-ão nas mãos para que nunca tropece em pedra alguma".
Então Jesus responde:
"Não tentarás o Senhor teu Deus".
Com isso, o Divino Amigo ensina que não podemos provocar Deus acreditando que Ele vai nos salvar se nos atirarmos nos "abismos" da vida.
Por exemplo, posso acreditar muito em Deus e orar, arduamente, para Ele, mas se eu fumar, usar drogas, comer sem necessidade, ingerir bebida alcoólica, entregar-me aos prazeres lascivos sexuais, estarei me atirando no abismo à procura de prejuízo de minha saúde, de mim mesma como espírito.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:35 am

Logo após oferecer breve pausa, Elma finalizou:
— O abismo relatado nesse trecho do Evangelho pode ser entendido como a nossa compulsividade viciosa.
Não podemos exigir que Deus nos socorra de nossos erros, pois nem Jesus ousou tentar o Pai Celeste e se atirar no abismo.
Elma silenciou.
Bem atento, Romildo perguntou:
— E a terceira resposta que Jesus ofereceu ao diabo, quando, na tentação, ele pediu que o Mestre o adorasse, pois, se Ele se prostrasse, o demónio lhe daria tudo?
Como podemos interpretá-la?
Sorridente e delicada, a benfeitora respondeu:
— Significa que o Senhor Jesus deu um basta aos assédios que sofria.
Com autoridade, sem grito, Ele disse:
"Vai-te daqui, porque está escrito:
Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás", ou seja, não vou mais dar ouvidos ao que me diz.
Não vou servir a seus caprichos.
Não vou adorar espíritos vis e fazer o que sei que é errado ou o que me induz em pensamento.
— Entendo —- afirmou Romildo - quando damos ouvidos e atenção a pensamentos promíscuos e desejos lascivos, estamos ouvindo, isto é, adorando a espíritos vis.
Quando nos propomos a praticar o que eles insinuam e incentivam, estamos servindo a eles.
— Creio que agora todos compreenderam que Dirso reage exactamente como o Senhor Jesus nos ensinou quando tentado.
O que todos nós deveríamos fazer -— concluiu a orientadora com nobreza.
Todos meditavam sobre os ensinamentos quando Elma, novamente, informou com bondade:
— Como eu havia dito, pensava em levá-los para novo aprendizado sobre homossexualidade, mas deixaremos isso para mais adiante, em vista da oportunidade que nos surge neste momento.
— Após considerável pausa, depois da travessia de algumas ruas, Elma mostrou explicando:
— Vejam, ali podemos observar organizações espirituais em serviço do sexo.
Tratava-se de vários grupos de espíritos com aparência repulsiva.
Maliciosos e com desejos sexuais evidentes.
Estavam à espreita, à procura de encarnados, transeuntes que pudessem passar por ali e afeiçoar-se pura e simplesmente com o comércio instalado no plano físico:
consistia num verdadeiro shopping do sexo.
Era uma loja que vendia artigos pornográficos e eróticos, roupas dos mais diversos tipos, ressaltando erotismo e até agressiva sensualidade.
A aparência dos espíritos ali presentes causava angústia e assombro.
Elma explicou em tom baixo:
— Todos esses espíritos possuem grande desequilíbrio e muitos transtornos na área do sexo.
São doentes.
Aqui se encontram, em torno desse comércio de produtos sexuais, para absorverem a reserva de energia dos encarnados que conseguirem envolver.
Creio ser oportuno acompanharmos um exemplo vivo e activo do que acontece aqui.
Não demorou muito e Lavíneo, rapaz de boa aparência, aproximou-se do estabelecimento.
Curioso, parou diante da loja, mas não se decidia a entrar.
No plano físico ele estava só, porém, no plano espiritual, diversos espíritos o assediavam de forma impressionante, como vorazes "vendedores" inescrupulosos e sedentos.
Não resistindo à tentação obsessiva, traduzida em sua imaginação como curiosidade, o rapaz pensou, a princípio:
"Vou entrar só para ver, só para dar uma olhadinha".
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:35 am

Nesse mesmo momento, um grupo de espíritos o envolveu com energias de extrema baixeza, invadindo o campo magnético do rapaz e misturando-se a ele, consumindo suas forças psíquicas e interferindo, a partir daquele momento, em suas decisões, pois já havia sido estabelecido o elo no exacto instante em que Lavíneo cedeu ao assédio e decidiu simplesmente ver como era o interior do lugar.
Dentro da loja de produtos de sexo, iniciava-se uma verdadeira algazarra entre os espíritos lascivos, para ver quais deles conseguiriam se afeiçoar mais rapidamente com Lavíneo, fazendo-o escolher um material, roupa, filmes ou revista.
O pobre moço, sem perceber, passou a dar espaço a sua imaginação, parando e contemplando as coisas ali existentes.
Lavíneo não sabia que suas fantasias eram activadas com a influência dos espíritos vis ali presentes (2).
De certa forma, ele havia dispensado a influência de seu mentor espiritual, que o envolveu, por isso teve dúvida antes de entrar.
Agora se encontrava sem o apoio de um espírito de luz.
Seu mentor, respeitando seu livre-arbítrio, afastava-se naquele instante e deixava-o conforme sua escolha:
com a opinião que aceitara dos demais.
No momento em que até se divertia com o que observava na loja, Lavíneo tinha suas energias sugadas.
Entregava-se, pela imaginação, ao vasto campo psíquico e insaciável de desejos sexuais voluptuosos, dos mais exacerbantes, asselvajados, degradantes e desprezíveis.
Estabelecia-se ali a predominância dos instintos animais sobre a natureza espiritual daquela criatura.
Identificando a presença de Elma e do grupo que a acompanhava, o mentor espiritual de Lavíneo aproximou-se e, após os devidos cumprimentos, perguntou:
— Como é bom ver aqueles que se dispõem a aprender e evoluir — disse, sorrindo, e logo se apresentou:
— Meu nome é Eugénio. Muito prazer.
Vejo que é do interesse de todos observar como os encarnados não resistem a certos desafios e acabam se entregando a destinos duvidosos, talvez, sombrios.
— Sim, Eugénio —- respondeu Elma cortês.
— Nosso intuito é aprender pela observação, pois não devemos interferir.
Se puder nos ajudar relatando os desafios que Lavíneo tem de vencer, eu lhe serei grata.
— Meu protegido -— esclareceu o espírito Eugénio, humilde e directo -, em outras existências na carne, entregou-se à prática sexual abusiva, aos prazeres lascivos mundanos e degradantes.
Experimentou, após o desencarne, um verdadeiro inferno num círculo purgatorial, em que estagnou por anos e anos a fio, punindo-se do muito desequilíbrio sexual, dos abusos e excessos de todo tipo.
Ao retornar, voltou à prática de tais delitos morais.
Após novas experiências infernais quando desencarnado, Lavíneo pareceu render-se à harmonização e rogou por um reencarne de oportunidades.
Foi-lhe concedido após considerável tempo na espiritualidade, onde estudou, meditou, reflectiu sobre suas obrigações e deveres, aceitando, no final, reverter o quadro de desequilíbrio moral ensinando, orientando e seguindo caminhos de elevada espiritualização.
Lavíneo foi aceito, com muito amor -— continuou Eugénio - para reencarne num lar cristão.
Foi educado sob ensinamentos nobres e esclarecedores, que reavivaram, em todos os sentidos, o aprendizado recebido na espiritualidade.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:35 am

Ainda na espiritualidade -— prosseguiu o mentor —- esforçando-se para se elevar e aprender, Lavíneo recebeu muito apoio de um espírito querido que, para sustentá-lo na jornada terrena, reencarnou para encontrá-lo.
E aconteceu conforme planejado.
Eles namoraram e logo firmaram o compromisso de noivado.
Manoela, a jovem em questão, sempre reaviva, de certa forma, o necessário para que ele não se desvie.
Tudo estava caminhando bem.
Isso ocorre de forma inconsciente.
Ela não se recorda exactamente, na presente encarnação, do compromisso assumido.
— Um instante de pausa e continuou elucidando.
— Muito jovem Lavíneo tornou-se professor e, com generosidade, passava aos alunos queridos conceitos superiores de amor, de atitudes, de pensamentos, palavras de elevação e a importância disso em nossa vida.
— Eugénio ofereceu breve pausa e prosseguiu:
— Após alguns anos Lavíneo estava bem e foi aí que suas provas, seus desafios iniciaram.
Ele tornou-se professor universitário -— Eugénio seguiu narrando —- e passou a viver envolto por verdadeiras tentações sexuais por parte das alunas que o assediavam com frequência.
Mas o compromisso com Manoela, a quem ama e respeita, não o deixou ceder aos assédios das alunas.
Porém, companheiros do passado distante - continuou - com quem Lavíneo se deleitava nos fogos das paixões mundanas, apareceram agora como amigos novos, alegres e verdadeiramente bem presentes.
Começaram a envolvê-lo com ideias enfermiças e sombrias em torno do sexo, comentando suas experiências múltiplas e vitórias repletas de ilusão.
Parece que Lavíneo, infelizmente, vem cedendo ao fogo dos desejos, reavivando na alma a ansiedade crepitante dos desejos e desequilíbrios sexuais.
Observando a atenção de todos, Eugénio finalizou o relato:
— Ele não vem resistindo às provas.
Está se rendendo às tentações e, a cada dia, reprova-se nos testes da vida quando não vence os desafios.
— E a noiva dele, a Manoela?
Como ela reage diante do que está acontecendo?
De certo percebe alguma mudança no comportamento dele — interessou-se Romildo, que não continha sua curiosidade.
— Manoela vem notando que Lavíneo está se desviando dos elevados conceitos morais.
Percebe isso pelos diálogos em que o noivo não expressa paciência nem compaixão e se altera por muito pouco.
A linguagem de baixo calão vem se tornando constante e palavras inferiores, que atraem grandes vibrações negativas e espíritos inferiores, são usadas com frequência.
Até a qualidade das diversões de Lavíneo tem sido afectada por sua invigilância.
Ele aceita, e até prefere, assistir a filmes sobre sexo, jogos electrónicos sobre sexo, músicas eróticas, de palavreado vil e degradante.
Tudo que o desequilibra na prova que tanto rogou, na espiritualidade, para harmonizar sua consciência, para não experimentar as consequências de seu desequilíbrio e sofrer, ao expiar, o que não foi capaz de equilibrar e dominar.
Ele começou a acreditar que tudo é normal e faz parte da vida.
Manoela, humilde e elevada -— continuou Eugénio —, não simpatiza com o que observa no noivo, por essa razão o compromisso vem sendo afectado e sofrendo abalos, apesar de o casamento estar marcado.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:35 am

— E o que ela vai fazer? — perguntou Romildo, curioso.
— Não sabemos.
O livre-arbítrio, o direito de decidir, é só dela.
Jesus ensinou que devemos amar o próximo como a nós mesmos.
Porém isso não significa amar o próximo mais do que a nós mesmos.
Nós devemos nos esforçar pelos outros, mas não podemos nos matar, sucumbir ou nos escravizar pelos outros.
Manoela tem sabedoria.
Devemos aguardar.
— E se Lavíneo não suportar as provas e ceder ao desregramento sexual?
O que vai acontecer a ele? -— perguntou novamente Romildo, inquieto.
Nesse momento, Eugénio sorriu, trocou olhares com Elma e convidou:
— Já que tem alunos sequiosos por ensinamentos, se tiver tempo, gostaria de que nos acompanhassem para que todos saibam quais as consequências das decisões de Lavíneo.
Apesar de ter outros planos, Elma sorriu bondosa e aceitou a proposta que seria de grande aprendizado.
Mas alertou:
— Se nos permite, caro Eugénio, vamos acompanhá-lo, sim.
Só que haverá momentos em que deveremos seguir outras tarefas propostas.
Na expressão dos alunos dedicados, pôde-se notar o contentamento imediato de todos, que seguiram para mais uma lição sobre os desafios para difíceis provas.

1. N.A.E.: Mateus Capitulo 4, versículos de 1 a 11.
2. N.A.E.: Seria de imensa importância para todos nós observarmos o que O Livro dos Espíritos nos ensina nas questões de número 456 a 472.
Elas nos falam sobre a intervenção dos espíritos no mundo corpóreo e a influência oculta dos espíritos sobre os nossos pensamentos e as nossas acções.
Isso certamente há de explicar como podemos, ou não, deixar-nos envolver.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:36 am

5 - Recusando os desvarios do sexo

ROMILDO, acompanhando o desenrolar dos factos que envolviam Lavíneo, aproveitou-se da oportunidade e indagou:
— O que acontecerá com ele, Eugénio?
— Essa resposta nem eu mesmo posso lhe oferecer, pois o planeamento reencarnatório é como um ligeiro rascunho, feito a lápis, dos acontecimentos que teremos de experimentar.
A escrita definitiva ou a modificação do roteiro é realizada exclusivamente por nós quando já estamos aqui.
— E se ele mantiver o equilíbrio sexual, detiver-se e não se envolver com as ilusões que lhe vão trazer inúmeros tormentos? -— insistiu Romildo.
— É o que realmente desejamos — respondeu Eugénio, benevolente.
Os desvarios do sexo vão atrair, quem quer que seja, para difíceis propostas reeducativas, disciplinas rígidas, não só nesta experiência terrena como em outras também.
Lavíneo se propôs a uma vida sexual de equilíbrio, dignidade e harmonização.
Planeou ensinar elevados conceitos morais a muitos e, para isso, recebeu o apoio de seus pais, principalmente de sua mãe, que o educou com primoroso empenho.
Como se não bastasse, tios e parentes mais próximos o auxiliaram com grandes lições e muito exemplo de princípios comportamentais que o deixariam longe do desequilíbrio e de problemas.
Ainda teria o apoio de Manoela, com quem muito aprenderia e se garantiria com atenciosos conselhos.
Se Lavíneo vencer os desafios e as tentações -— continuou Eugénio -— que hão de lhe tentar corromper e dedicar-se a uma vida de desequilíbrio, poderá experimentar uma oportunidade repleta de tranquilidade, amor verdadeiro e plenitude nas realizações, além de vencer a compulsividade e o vício degradante que o arrastariam a inenarráveis consequências funestas para sua reeducação pela dor.
— O ditado "Quem não vai pelo amor, vai pela dor" é bem conveniente nesse caso — opinou Romildo.
Eugénio sorriu e logo avisou:
— Chegamos.
Essa é a casa de Manoela, a noiva de Lavíneo.
Vamos observá-los.
A moça, muito simpática e feliz, recebeu o noivo com satisfação, logo propondo que entrasse.
— Ah! -— comentou, alegre.
Quero que veja o que comprei para nosso enxoval. Venha ver!
— Onde está sua mãe? -— perguntou o rapaz enquanto a seguia.
— Você está sozinha?
Ela foi até a casa de minha tia, aí do lado.
Deve voltar logo.
E meu irmão está para chegar, se quiser conversar com ele sobre o...
— Então, se estamos sós, posso mostrar o que comprei para nosso enxoval -— informou Lavíneo, com certa malícia, segurando-a e abraçando-a rapidamente para beijá-la.
— Espero que tenha escolhido a cor certa, pois você sempre se esquece...
Lavíneo logo a soltou e começou a abrir uma sacola que, até então, não havia largado.
O sorriso alegre de Manoela se fechou imediatamente, quando a moça se surpreendeu com o que o noivo mostrava.
— O que é isso? -— espantou-se.
— Eu comprei para nós numa daquelas lojas...
Interrompendo-o abruptamente, Manoela ofendeu-se, magoada, enquanto o noivo sorria.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:36 am

— Deus do céu!
O que você está pensando que eu sou?
— Deixe de ser quadrada, Manoela!
Hoje em dia isso é moda.
Eu penso que um casal não deve ter rotina na vida íntima.
É bom variar...
— Diga-me uma coisa:
e quando as variações na vida íntima não nos satisfizerem mais?
O que pretende fazer?
Mudar de parceira?
Convidar outras mulheres ou até homens para não termos mais rotina?
— Você me assusta.
Pensei que minha noiva fosse mais compreensiva, mais livre de preconceitos, mais...
— Você é quem me espanta, Lavíneo! -— respondeu nervosa e quase chorando.
— Você quer que eu pense o que ao ver meu noivo propor esse tipo de objecto e...
— É excitante! Deve ser gostoso.
Você não experimentou.
Como pode falar contra?
Por causa de esposas como você, muitos casamentos acabam.
Muitos maridos se cansam e...
— Para mim —- interrompeu irritada - isso não é saudável.
Quem usa essas coisas tem algum desequilíbrio.
A plenitude e a harmonia sexual de um casal está na conquista psicológica, na troca de energias saudáveis por um querer bem ao outro, não em roupas e apetrechos supérfluos que materializam em vez de espiritualizar o sexo.
Atrás de uma garrafa de bebida alcoólica sempre há um espírito que viveu embriagado.
Da mesma forma, atrás de materiais ou roupas eróticas há espíritos maliciosos, repulsivos e lascivos que abusaram do sexo.
Eu não quero para mim essas energias.
Atraímos espíritos inferiores ou superiores conforme nossas acções e pensamentos.
— Você está ficando louca por acreditar nisso.
— Se não acredita em vida espiritual, então posso dizer que não aceito suas propostas indecentes.
Para mim, isso é um desvio psicológico, porque a pessoa fica dependente de alguma coisa para a função sexual, que deveria ser praticada de modo salutar, normal.
Hoje, para quebrar a rotina, vamos usar isso, amanhã aquilo e, a cada dia, precisaremos de mais e mais para ter prazer.
Quando se der conta, nossa vida íntima estará viciada e sem satisfação.
Incompleta, vazia, com sentimentos dilacerados, porque fez do sexo algo que ultrapassa os limites do justo e razoável.
Algo mecânico e forçado.
Prazer forçado é violência ao espírito, ao psicológico.
Eu não vou me permitir violentar, sabe por quê? Porque eu me amo, eu me respeito.
Não quero terminar uma relação sexual, virar para o lado e me frustrar pelo ato maquinal, para atender a seus distúrbios.
Sinceramente, Lavíneo, eu não estou reconhecendo você.
— Por que tanta lição de moral, hein?! -— perguntou ele, nervoso.
— Porque você não tem motivo nem direito de me fazer proposta com isso aí!
Nesse instante, iniciou-se uma discussão bem acalorada.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:36 am

Lavíneo, que se deixava influenciar severamente pelos novos companheiros espirituais, que trouxera consigo da loja, não se sujeitava a sequer ouvir a noiva e reflectir sobre seus argumentos.
Admirado e entristecido, o espírito Eugénio tentou envolver o pupilo, mas o rapaz atirava-se no berço da ignorância, imantando-se ainda mais aos espíritos de padrão incrivelmente inferior, demonstrando que com eles se afeiçoava bem mais.
Sentindo-se agredida, porém muito firme apesar das lágrimas, Manoela pediu durante o desagradável episódio que o noivo fosse embora.
Assim ele o fez, com modos abrutalhados, batendo a porta com força ao sair.
Eugénio dividiu com os demais significativo olhar de compaixão, e comentou:
— O mundo moderno pode parecer civilizado, entretanto a mente humana até hoje é selvagem quando se trata de vencer os desequilíbrios lascivos do sexo.
Todos têm uma desculpa e quase ninguém aceita reflectir sobre o problema e rever conceitos.
Manoela chorou compulsivamente, mas amparada por seu mentor e amigos espirituais elevados, logo, apesar do coração opresso, haveria de sentir-se melhor.
Elma nada comentou.
A lição observada, por si só, já ensinava tudo.
— Devo acompanhar Lavíneo.
Vocês vêm comigo? -— propôs Eugénio.
Com um aceno de cabeça e leve sorriso, a elevada instrutora concordou e todos, em pouco tempo, alcançaram Lavíneo, que havia ido embora.
Enquanto os aprendizes, admirados, seguiam em silêncio, Eugénio explicava:
— Devo acompanhar Lavíneo até o limite de suas decisões.
Porém, quando ele se envolver com a "selva microbiana espiritual", quase nada mais posso fazer.
Chocada com a afirmação, a aluna Silmara perguntou:
— Todos nós temos o direito à protecção quando encarnados?
Não é justo o mentor nos abandonar!
— Não vou abandonar meu protegido.
Eu quis dizer que haverá um momento em que pouco poderei fazer para livrar meu pupilo das trágicas consequências de seus actos.
Lavíneo poderá enveredar-se por caminhos de excessivos tormentos íntimos para se reeducar.
É ele quem se atrairá para os infortúnios.
Ele está se reprovando nas provas por não superar os desafios, não vencer os desejos e deixar--se dominar.
— Mas ele está sendo envolvido por espíritos reles, vis — lembrou Silmara.
— E por mim também -— tornou o mentor.
— Lembremos que se Lavíneo aceita as inspirações desses espíritos inferiores, por que não aceita as minhas?
— Diante do silêncio, Eugénio respondeu:
— Porque ele se iguala, afeiçoa-se às propostas desregradas, promíscuas de desvio da libido, desvio das sensações, emoções e dos impulsos.
Quanto a mim, apesar de alertá-lo, envolvê-lo com sublimes recordações, inclusive as manifestadas em sonhos, não me cabe mais nada, a não ser aguardar.
Lembre-se de que "o mentor não é ama-seca".
— Aguardar o quê? -— perguntou Romildo.
— Aguardar que Lavíneo deseje crescer, evoluir, libertar-se do vício do sexo promíscuo, desequilibrado, dos distúrbios emocionais e dos novos amigos espirituais que vão assediá-lo de forma implacável.
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