No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:50 am

— O casal não sabe nem quer saber a identidade ou a procedência dos doadores, com isso muitos irmãos e meios-irmãos, futuramente, podem e vão, cometer o incesto.
Onde está a responsabilidade moral daqueles que promovem, incentivam e aceitam esse tipo de fertilização, sabendo que o futuro pode promover o encontro de irmãos que desconhecem seu parentesco?
Como fica a responsabilidade espiritual dessas pessoas?
Será que isso não é também experiência humana, uma vez que pode provocar a união sexual entre irmãos?
Ou daqui para frente, antes de iniciar um romance, será obrigatório o teste de DNA, antes que se tenha uma paixão por uma pessoa que pode ser seu irmão, irmã, mãe ou pai?
Como muitas jovens apaixonam-se por homens bem mais velhos, e vice-versa, e o doador é anónimo, como se vai saber?
Outro grande problema —- orientou ela -— é a questão ética.
Será que, quando o casal não deseja os embriões não utilizados e permite que sejam assassinados, eles serão destruídos mesmo?
Ou servirão para experiências científicas mesmo naquele estado embrionário? -— ofereceu uma pausa para reflexão.
— Há muito para a humanidade reflectir sobre tudo isso.
O silêncio reinou absoluto.
Passado algum tempo, identificando os pensamentos curiosos do aluno Romildo, Elma respondeu:
— Sim, Romildo.
Todos os profissionais da área de saúde têm um compromisso com Deus e o dever de preservar e respeitar a saúde e a vida do semelhante como se fosse a sua.
De um procedimento cirúrgico a uma orientação médica, um tratamento para a concepção ou simples injecção, vacinação ou medição de febre ou pressão arterial.
Todos são responsáveis e terão de prestar contas. Tenha certeza.
Voltando-se para Silmara, sempre com seu tom generoso, Elma comentou:
— Nem todos que experimentam a difícil prova do HIV e da Aids ficam em estado de perturbação tenebrosa após o desencarne.
Cada caso é um caso.
O desafio do HIV e da Aids depois do desencarne independe da forma como a pessoa foi infectada.
Essa experiência chama e alerta a criatura para a reeducação moral, espiritual e física.
A Aids não é o fim, mas pode ser um bom começo.
Apesar das dificuldades, a pessoa, se quiser, vai renovar-se, evoluir, crescer e aprender, acima de tudo, a se amar quando proporciona a si mesma uma qualidade de vida espiritual superior.
Todos aqueles que rodeiam essa pessoa, sejam parentes, sejam amigos também têm a oportunidade de evoluir conforme o comportamento, a orientação, o apoio, a atenção e o carinho.
A Aids, o HIV pedem, imploram, do seropositivo, acima de tudo, o amor -— enfatizou a benfeitora em tom doce.
— Aquele que vive essa prova deve perguntar-se:
eu estou me amando?
Estou me tratando bem, como deveria, ou estou me condenando ainda mais?
Eu estou me amando quando tomo meus medicamentos correctamente e na hora certa?
Estou me amando quando ingiro bebidas alcoólicas?
Quando fumo? Quando me drogo?
Ou eu demonstro amor quando fico calmo e trabalho produtivamente?
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Ave sem Ninho

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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:50 am

O que eu posso fazer para me livrar do remorso e da revolta, que só vão me prejudicar ainda mais?
No silêncio oportuno todos ficaram pensativos.
— Bem se vê que leu nossos pensamentos, Elma -— comentou Álvaro, que sempre se reservava.
— Eu queria mesmo saber o que alguém com HIV faz para redimir-se dos erros, para diminuir o remorso e o arrependimento dos actos.
— Vou levá-los agora mesmo ao encontro de uma criatura maravilhosa, que experimentou a Aids e sobreviveu a ela -— avisou a instrutora, sorrindo.
Não muito longe dali, Elma adentrou respeitosamente uma residência singular.
Parecia ser esperada por alguns espíritos de luz ali presentes.
Cumprimentou a todos com imenso carinho e logo apresentou ao grupo:
— Esta é Leila, uma criatura maravilhosa que sobreviveu à Aids.
Diante da interrogação que se sobressaltou em todos, risonha e amorosa, o espírito Leila comentou:
- Aids não pode matar o espírito!
Por que o espanto? -— brincou.
— Assim como inúmeras outras doenças, a Aids tem de ser experimentada e não sofrida.
Porém, devemos lembrar que ela deve e pode ser evitada.
— Leila, minha querida, conte-nos seu caso, por favor -— solicitou Elma, com expressão de simpatia.
— Minha experiência, ou melhor, o meio como eu me infectei com o HIV creio que foi e é o mais comum.
Não fui prudente.
Não tive a percepção do que era moral, quando acreditei que a liberdade sexual feminina era andar com um e com outro, sem compromisso, sem remorso e sem amor.
Devo admitir que não me senti realizada com esse tipo de conduta que, a princípio, pareceu-me correta, pois eu tinha direito à liberdade.
Mas sempre fiquei carente de emoção, de sentimento sincero e de verdadeiro amor.
Via-me como uma coisa que se sujeitava a ser usada por amigos e namorados que mal conhecia.
Eu sabia da Aids, por isso me prevenia.
Praticava sexo exigindo preservativos e acreditava que os imprevistos só aconteciam com os outros.
Sabe como é, só o vizinho ou os colegas corriam o risco de se infectarem com o HIV.
Mas eu me atraí para o vírus, pela vida promíscua, pela troca de parceiros, apesar de ser uma jovem fina, executiva, que ganhava muito bem, independente e auto-suficiente.
Descobri que era seropositiva quando dores nas articulações, queda de cabelo e perda de peso me levaram ao médico, que pediu um check-up.
Eu fiquei completamente tranquila quando soube que, entre os vários exames, havia o pedido do teste Elisa, que é imunoenzimático, para detectar anticorpos específicos do HIV.
Eu sempre me prevenia.
Não teria como estar infectada.
Daí aconteceu que o teste deu reagente e recebi o diagnóstico de seropositiva.
Desesperei-me, gritei, chorei, entrei em pânico.
Tive a sensação de flutuar, de não ter chão sob os pés.
Foi uma sensação indescritivelmente pavorosa, aterrorizante.
Pensei até em suicídio, principalmente pela vergonha, pois uma hora ou outra todos iriam saber.
A verdade é que, se você tem um câncer, por exemplo, e sofre com essa doença, as pessoas dizem que você é um coitadinho.
Mas se tem Aids, vão dizer que foi bem-feito, que ninguém mandou você ser sem-vergonha, prostituta, ter uma vida leviana, praticar sexo casual...
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:50 am

Pois bem -— Leila prosseguiu —- antes de me matar, pensei que deveria repetir os exames que a médica indicou.
Embora seja raro, é possível que o teste Elisa não estivesse correto.
E foi isso o que fiz. Não me suicidei.
Fiz o teste e os dias de espera foram os mais longos de toda a minha vida.
Eu não parava de pensar nisso por um único segundo.
Com medo e vergonha de contar minha situação para algum conhecido, procurei novamente minha médica e desabafei todo o meu desespero.
Ela me ouviu com paciência e incrível atenção.
Depois conversou e explicou o motivo de eu estar viva e a causa das aflições.
Ainda me deu um livro, O Evangelho Segundo o Espiritismo, com um marcador no capítulo que falava das causas das aflições.
Essa médica não me livrou do vírus, mas me livrou da morte em vida, como eu costumo dizer.
Apesar de meu desespero, melhorei e me acostumei com aquela realidade.
Minha revolta maior era não saber de quem e como eu havia contraído o HIV, pois eu exigia o uso de preservativos.
Mesmo com medo, apesar de toda a mágoa e tristeza, de todo preconceito que tive de enfrentar, decidi pela vida e não pela morte.
Melhorei minha qualidade de vida com alimentação saudável, sono repousante e suficiente, lazer adequado.
Participei de um grupo de apoio a seropositivos.
Vivi cada momento de minha vida com imenso amor a mim mesma e aos outros, como se aquele fosse o último minuto de minha vida terrena.
Contei a meus parentes.
Alguns entenderam, informaram-se e me amaram; outros, afastaram--se assustados, mas quem sou eu para julgá-los?
Fui recebida em um Centro Espírita, com muito carinho e respeito, mesmo contando meu caso.
Passei a frequentar o Centro e a estudar a doutrina.
Vivi feliz e trabalhei mais nesse período com HIV do que em toda a minha vida -— Leila sorriu de modo satisfeito.
— Fiz, pessoalmente, campanhas contra a propagação desse vírus.
Mas a Aids manifestou-se rapidamente.
As combinações de medicamentos, os chamados anti-retrovirais, não mais me ajudavam.
Meu sistema imunológico estava desfasado, e minha carga virai muito alta.
Isso me fez experimentar, além do câncer no colo do útero, a intensa e incomoda candidíase vaginal, bucal e no esófago, o que deixou minha deglutição difícil e dolorosa.
A falta de coordenação motora, colocou-me numa cama, e as erupções cutâneas, além da descamação da pele, foram muito ruins de experimentar.
Foi nesse período doloroso que me apeguei mais ainda a Deus e ao Evangelho, tirando todos os segundos daqueles dias para orar, agradecer e me arrepender.
Ainda na cama, quando tive a perda parcial da visão e a demência começou a surgir, minha mãezinha passou a ler o Evangelho para mim, até quando estive em coma.
Foi graças a Deus e aos ensinamentos da Doutrina Espírita que meus pais não permitiram a eutanásia proposta por um médico inexperiente, digamos assim.
— Breve pausa e prosseguiu:
— Em pouco tempo, desencarnei.
Não me lembro dos primeiros dias no plano espiritual.
Só sei que acordei muito cansada e estranhava não ter fios ligados a mim, nem aquelas coisas incomodando meu nariz.
Vi enfermeiros indo e vindo, cuidando de mim como se eu fosse a criatura mais importante do mundo!
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:51 am

Leila riu com gosto.
— Vejam só! Que pretensão! - comentou em tom alegre.
Recuperei-me. Estudei muito.
Agora, ainda faço questão de oferecer meus humildes préstimos, aqui no plano espiritual, junto aos encarnados, àqueles irmãos queridos que ainda acreditam que a Aids mata.
A Aids deve ser evitada a qualquer custo -— afirmou em tom mais sério.
— Ela maltrata o corpo impiedosamente, mas, para aqueles que acreditam no amor a si mesmo, a Aids não mata o espírito.
Depois que ela passar, você poderá viver bem melhor na espiritualidade, mais consciente e feliz, se não se deixou dominar pela revolta, pelo desânimo com o tratamento e procurou sempre uma qualidade de vida física, moral e espiritual superior e com respeito aos outros.
Um estado de perturbação após o desencarne ou um despertar saudável em planos superiores depende unicamente de sua postura, quando encarnado, após saber que é seropositivo — fim da narrativa.
Olhando sorridente para todos, Leila ficou no aguardo de algum questionamento.
Então, Romildo perguntou:
— Há, na espiritualidade, muitos casos como o seu?
Pessoas que, em vez de sofrerem, enfrentaram a Aids e reeducaram-se com a experiência?
— Sim, há.
É lógico que o número de desencarnados que se atraem para o "sítio de dores", em zonas inferiores, infelizmente, é maior.
Isso ocorre pelo comportamento mental, verbal e físico que a pessoa teve durante a experiência como seropositivo.
Entretanto, há incontáveis criaturas amorosas que encaram o desafio da Aids e se harmonizaram, quando, com a mudança comportamental reeducativa, só actuaram amando a si e ao próximo, independentemente das dificuldades.
— Leila ofereceu um instante de pausa e continuou:
— Assim que entendi que teria de viver com o HIV e passar pela Aids e não adiantava ficar revoltada por isso, eu decidi pela vida e não pela morte.
Como eu disse, aquela médica me fez crer, pelos ensinamentos da doutrina reencarnacionista, que Deus me amava e aquela não era minha única oportunidade de vida terrena.
— E, agora, em que está actuando? -— interessou-se Silmara.
— Eu e outros companheiros, inclusive o mentor pessoal da encarnada, estamos nos empenhando para que a querida irmã reaja e viva, em vez de morrer em vida.
— O que aconteceu? -— perguntou Álvaro.
— Octávia era casada e vivia muito bem.
Tinha uma vida estabilizada e um marido bom.
Ela, talvez, desconfiasse que o esposo tivesse suas aventuras extraconjugais, mas não exigia o uso do preservativo com ela, pois pensava que ele deveria usá-lo com as outras.
O marido, alegando cansaço excessivo pelo serviço stressante, resolveu tirar férias.
Nesse período, percebeu manchas estranhas no corpo, o que o levou ao médico.
Após exames, identificou sua infecção com HIV.
A notícia para a esposa e para a família foi uma bomba.
Uma catástrofe e soou como sentença de morte.
Confirmou-se que Octávia também era portadora do vírus -— revelou Leila.
— Ela e as filhas adolescentes, em meio a muita briga e desespero, colocaram o marido e pai para fora de casa.
Octávia, desde então, chora diuturnamente, revoltada e depressiva.
Não aceita a realidade e acredita que o marido seja o único culpado por estar condenada.
Em algumas crises nervosas, chega a quebrar tudo dentro de casa; em outras, grita desesperada como se tivesse acesso de loucura.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:51 am

Octávia recusa-se, terminantemente, a fazer o tratamento com combinações de medicamentos anti-retrovirais — contou —, o que reduziria sua carga virai a um nível indetectável, se o fizesse correctamente, e sua imunidade aumentaria, proporcionando uma vida normal, apesar de ter de adoptar comportamento disciplinar rigoroso com a saúde e os medicamentos, que deveria tomar a vida inteira.
Nossa amiga poderia reverter seu quadro de sofrimento e servir de exemplo e alerta a outras mulheres casadas que confiam nos maridos, mas que podem correr grande risco.
Poderia alertar outras pessoas que precisam ser avisadas, mas, infelizmente, entregam-se ao desespero, à depressão e a terríveis torturas íntimas, desgastando e usurpando aqueles que a rodeiam e ainda querem tentar ajudá-la, como a família, que já está cansada de tentativas inúteis para fazê-la se erguer.
Eles gastam tempo e energia, sendo prejudicados e, certamente, pelos prejuízos que sofrem, vão desistir, em breve, de ampará-la.
Nossa querida Octávia é uma pessoa que morre para a vida.
Não é a Aids que vai matá-la, é ela mesma.
— Para finalizar, Leila comentou:
— Não sei dizer se ficaremos aqui por mais tempo.
Não podemos desperdiçar horas de serviço com aqueles que não querem ser ajudados.
Existem outros que necessitam de nossos préstimos.
— Bem que aprendemos:
"Ajuda-te que o céu te ajudará" -— lembrou Álvaro.
— Exactamente -— concordou Elma, tomando a palavra.
— Nunca sofremos algo que não conseguimos suportar.
Jesus já nos ensinou que Deus não coloca fardos pesados em ombros frágeis.
Cabe a cada um, com muita perseverança e optimismo, harmonizar a situação difícil, em vez de gerar ainda mais desespero.
Os gritos e as crises de nervos manifestam revolta e não vão mudar o estado de ninguém, pois experimentamos determinados problemas e dificuldades por necessidade de nos educarmos.
Romildo ouvia atento, mas parecia que algo ainda o incomodava.
Percebendo sua inquietude, Elma voltou-se para ele e perguntou, sorrindo:
— O que deseja saber, meu querido?
— É que a Leila disse -— perguntou constrangido -— que, enquanto esteve encarnada, não soube de quem nem como contraiu o HIV.
E, hoje, sabe?
Todos riram por sua curiosidade, inclusive a própria Leila, que explicou:
— Um rompimento minúsculo no preservativo, que nem eu nem o parceiro percebemos, foi o que fez vazar uma minúscula quantidade de sémen e vírus.
Esse rapaz ainda está encarnado e tomou uma postura digna perante sua nova condição de vida.
Ele se cuida e não se relaciona com mais ninguém, para não correr o risco de infectar outra moça por acidente.
Quando nos relacionamos, ele ainda não sabia que era seropositivo.
Mesmo assim, fez uso de preservativo.
Mas não adiantou.
Ele não sabe que me infectou com o HIV.
Foi um namorado com quem fiquei por pouco tempo.
Depois que nos separamos, não o encontrei mais e não soube que estava com Aids, por isso ignorava de quem havia contraído.
Elma, entendendo que a curiosidade de todos já estava saciada, bondosamente, voltou-se para a amiga e agradeceu-lhe a aula.
Abençoou sua atitude, elogiando sua postura moral e espiritual diante da experiência pela qual passou e chamou o grupo para que fossem embora.
E assim aconteceu.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:51 am

20 - Causas actuais das aflições

DECORRIDO mais de um ano, em vista de muito a se aprender, a bondosa instrutora ainda permanecia na crosta terrestre, não só para informar seus alunos sobre os desafios dos encarnados com as experiências a respeito de HIV e Aids, como também para auxiliar criaturas queridas que se demoravam na evolução espiritual.
Além da amiga Laura, que colaborou incrivelmente para que Marília se restabelecesse e se harmonizasse um pouco mais, sem tanta revolta, os espíritos Lisete e Djalma sempre estavam bem perto, para evitar que fosse obsessora a envolver o espírito Lúcio em terrível perturbação.
Em visita ao lar da encarnada, Elma estava com seus alunos observando a situação.
— Parece que Marília melhorou muito desde a primeira vez que a vimos.
Ela não traz a aura tão turva quanto antes -— ponderou Silmara, comovida.
— Ainda lhe falta amor no coração -— respondeu Elma, com expressão generosa.
— É triste saber que ela mesma retarda preciosas aquisições na senda evolutiva, ao considerar a possibilidade de vingança, magnetizando os pensamentos com perigosos fluidos inferiores.
— Ela já aprendeu sobre a lei de causa e efeito e que o pensamento firme, no propósito do bem, só nos traz energias vigorosas, salutares, recompondo-nos espiritualmente — comentou a aluna.
— Apesar de saber disso e acreditando na reencarnação, Marília não deixa de pensar que Lúcio vai experimentar o que a fez sofrer.
E era exactamente isso que a encarnada imaginava:
"Está certo que errei quando quis estabilidade e decidi ter um filho" -— pensava Marília.
— "Mas aquele desgraçado deveria ter me avisado que estava doente!
Ah! Mas ele vai pagar tudo o que fez a mim e a meu filho.
Já deve estar pagando e vai sofrer muito mais."
— Devemos admitir que Marília vem mudando muito -— argumentou Elma, de modo singular.
— Ela se reeducou a partir do instante em que começou a tratar bem o próprio corpo, adequando-se ao tratamento com o uso de medicações combinadas, os anti-retrovirais, reduzindo a evolução de doenças, embora a custo de pesados efeitos colaterais.
Hoje ela pensa em viver bem, viver com qualidade, sem se esquecer da medicação, do cuidado com a alimentação etc.
— Ela faz terapia em grupo, não faz? -— perguntou Romildo.
— Sim. Marília não só faz terapia em grupo, como também participa de grupos de apoio a outras pessoas com o mesmo problema.
Isso a mantém ocupada, fazendo-a esquecer sua condição de seropositiva e querer ajudar psicologicamente outros portadores do HIV a se tratarem — informou a instrutora.
— É importante, muito importante, que o portador do HIV inicie o tratamento com combinações anti-retrovirais, não esqueça de seus medicamentos, não diminua as doses por qualquer motivo nem abandone o tratamento.
— Isso faz parte da reeducação do espírito, não faz? -— perguntou Romildo.
— Sem dúvida.
É prova de amor a si próprio, pois quando você se trata, cuida-se com amor, com delicadeza e importância, vai se recompondo espiritualmente, sejam quais forem as condições de seu corpo físico.
— Isso está me fazendo lembrar aquela outra creche que visitamos há poucos dias, em que as crianças que reencarnaram com HIV foram viciados em drogas e até desencarnaram por overdose — comentou Romildo.
— Eles viveram nas décadas de 1960 e 1970, não foi?
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:51 am

— Alguns sim —- confirmou Elma, sempre disposta a esclarecer.
— Nas décadas de 1960 e 1970 iniciou-se uma revolução pela liberdade.
O pedido era de paz e amor livre, o que mascarava a reivindicação de sexo e drogas.
Muitos milhares de pessoas viveram e abusaram dessa liberdade, causando prejuízo ao perispírito e ao corpo, com o abuso sexual e promovendo o desencarne precoce.
Hoje já reencarnam com prejuízos sérios cravados no perispírito, cuja expiação é o comprometimento com a saúde, como debilidades mentais ou físicas, câncer ou HIV.
— Ponderada a instrutora ainda comentou:
— Cada caso é um caso.
Mas todos terão de harmonizar a própria consciência, que clama reparo aos erros cometidos.
— E pensar que ainda existem aqueles que defendem o uso de entorpecentes —- lamentou Álvaro, preocupado.
— Defendem principalmente o uso da maconha, dizendo que é leve e não faz mal.
— Não existe droga leve -— afirmou a instrutora.
— Tudo o que pode viciar é prejudicial à saúde, seja álcool, maconha, crack, seja um simples cigarro ou outros entorpecentes.
Eles todos produzem alterações em nosso corpo, em nossa percepção sobre a realidade, provocando uma falsa sensação de prazer, mas logo vem a manifestação da irresponsabilidade ou da agressividade, seguida de depressão.
Por conta do ecstasy, por exemplo, uma droga sintética que virou moda nas baladas, nas agitações de jovens em festas de muita agitação e de todos os tipos, cujo valor é acessível à classe média e alta, o HIV propaga-se rapidamente entre os adolescentes.
No calor dos acontecimentos, repletos de energia, pois o efeito do ecstasy chega a durar doze horas, os jovens se relacionam sexualmente com vários parceiros seguidos.
O mesmo ocorre com o uso da cocaína.
Isso acontece porque a acção das substâncias dessa droga provoca desinibição, sensação de felicidade, leve alucinação, além de grande energia pela forma como age no cérebro.
Tudo isso desencadeia a irresponsabilidade.
Não se importam com as consequências daquele único momento.
Lembremos que o portador do HIV pode permanecer até mais de uma década sem ter sintomas, sem ter uma aparência cuja saúde pareça comprometida e até sem saber que está infectado.
Com isso, ele pode propagar o vírus por anos e de uma forma impressionante, quando os parceiros estão sob efeito de entorpecentes ou álcool e não ligam para nada.
— Há também o período chamado de "janela imunológica", quando o exame da pessoa, apesar de infectada pelo vírus, não acusa positivo, não é? -— perguntou Silmara.
— Sei de um caso que ocorreu da seguinte forma — contou Elma.
— Um rapaz, acostumado à vida sexual frenética, conheceu uma jovem por quem se apaixonou.
Apesar do modernismo dos dias atuais, a jovem não quis se relacionar sexualmente antes do casamento, dizendo que queria casar-se virgem.
Com o casamento já marcado, por ter ouvido certos comentários a respeito do noivo, ela o convenceu para que fizessem exames, para detecção de várias doenças sexualmente transmissíveis, inclusive o teste Elisa, para saberem se eram seropositivos.
Ele concordou.
Os resultados, para a felicidade de ambos, foram negativos.
Mas ela não se contentou, achava que tinha algo errado.
Sentia um aperto no peito quando comentavam que ele já havia saído com várias moças.
Ela encorajou-se e pediu novamente para que ele realizasse novos testes.
Ele reclamou, quase foi motivo para terminar o noivado, mas com jeitinho ela o convenceu.
Porém, para susto e desespero de todos, o segundo teste realizado foi positivo.
O médico solicitou outros exames mais apurados, que também confirmaram que ele estava infectado com HIV.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:52 am

Após a entrada do HIV no organismo — disse a benfeitora para explicar melhor —, ele pode levar de três a quatro meses para ser detectado pelo exame laboratorial.
Se um teste for feito dentro do período de três ou quatro meses, tem grande possibilidade de oferecer um resultado negativo, só que falso.
O vírus está no organismo, mas não se multiplicou o suficiente para que haja uma reacção orgânica, para a produção de anticorpos, pois é a confirmação desses anticorpos na amostra de sangue usada para o teste que oferece o resultado seropositivo.
Esse período, em que o vírus está no organismo, mas não se multiplicou e ainda não pode ser detectado por exames, é chamado "janela imunológica".
Por isso, quando alguém recebe um resultado de HIV negativo, mas tem motivos para acreditar que pode ter sido infectado pelo vírus, deve repetir o exame cerca de três meses depois do primeiro.
Porém —- Elma ressaltou —- se o resultado foi positivo, o exame também deve ser repetido e, mesmo após o segundo resultado positivo, deve-se realizar um outro exame mais acurado, mais específico do que o teste Elisa para se ter certeza de que a pessoa está infectada mesmo pelo HIV.
O teste Elisa dificilmente, muito dificilmente, oferece erros.
Mas existem outros testes, mais caros, só que bem mais cuidadosos e mais garantidos.
— Existem histórias de pessoas que estiveram expostas ao HIV e não foram infectadas, não é? -— perguntou Álvaro.
— Sim, há.
No entanto, são muitíssimo raros, se comparados às contaminações.
Há casos de esposas infectadas pelo HIV que não transmitiram o vírus ao marido e vice-versa.
Mas vamos reforçar que é muito raro -— insistiu a benfeitora.
— Temos de tomar cuidado ao comentar sobre isso, pois muitas pessoas podem acreditar que, se outra pessoa não se infectou com o vírus, ela também não vai se infectar.
— Elma, o facto raro de uma pessoa não ser infectada ocorre porque ela não precisava experimentar esse desafio, não é?
— Cada caso é um caso.
Essa situação não deixa de ser uma grande oportunidade para essa criatura reflectir sobre Deus, sobre sua tarefa de auxílio ao próximo, pois não foi poupada por mera casualidade.
Sempre há propósitos de elevação moral e espiritual nos supostos milagres da vida.
Além disso, será que, se essa pessoa insistir, não vai adquirir o vírus?
Um caso desses -— Elma decidiu contar - que posso exemplificar para vocês, é o da Laura, amiga de Marília.
Laura foi uma moça que namorou muito e não via problemas em relacionar-se com seus namorados.
Certa vez, um namoro mais duradouro, de uns dois anos, ela e o parceiro decidiram deixar de usar o preservativo, pois ela passaria a fazer uso de anticoncepcional.
E assim fizeram. Por um ano, Laura não exigiu o uso de preservativo. Depois de alguns meses, ele começou a sentir fraqueza, tonturas e a emagrecer rapidamente.
Pensou-se em anemia, stresse.
Consultaram o médico, e os diversos exames confirmaram a infecção pelo HIV. Laura ficou desesperada.
Realizou exames, mas o resultado foi negativo.
Meses depois, realizou outros exames, que também foram negativos.
O rapaz afirmou que fora fiel a ela e devia ter contraído o vírus de uma antiga namorada.
— Breve pausa e disse:
— Vejam como os sintomas demoraram para aparecer.
Esse é um pequeno exemplo em que o portador do vírus HIV pode ficar anos sem manifestação de qualquer sintoma da Aids.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:52 am

Além disso, existem casos em que os sintomas aparecem e desaparecem, várias vezes, sem que a vítima dê importância, podendo ficar muito tempo assim.
Quando for descobrir, a doença pode estar em estado avançado -— Nova pausa.
Ninguém se manifestou e a instrutora prosseguiu:
— Ele, o namorado infectado, voltou para o interior, para a casa de seus pais.
Pela falta de pesquisas na área de anti-retrovirais, naqueles dias, a manifestação da Aids foi galopante e ele desencarnou pouco tempo depois.
Laura precisou fazer psicoterapia para recompor-se do susto -— ainda contou a instrutora - pois passou a sofrer com transtorno de Ansiedade.
Procurou explicações para ter sido poupada.
Somente na Doutrina Espírita encontrou respaldo para sua experiência.
Agradeceu a Deus a oportunidade.
Reformou-se intimamente.
Mudou hábitos, palavras, comportamento e até tipos de música, ambientes, diversão e alimentação.
Programas de todo tipo foram alterados para que tivesse uma vida salutar.
Hoje Laura namora, de um modo bem diferente do que no passado.
Não se importa se o rapaz vai considerá-la antiquada e abandoná-la.
Ela não acha que uma aventura vale o risco.
Depois de um tempo, reencontrou a amiga Marília, o que não foi por acaso.
Tinha muito medo do HIV e da Aids tanto que, depois de saber que seus exames deram negativos, pouco quis saber sobre a doença.
Mas acreditou que aquela seria uma prova, uma oportunidade de ajudar, talvez, o motivo de ela ter sido poupada da dura experiência.
Venceu o preconceito e o medo.
Propôs-se fraternalmente a apoiar a amiga e empenhou-se também como voluntária em grupos de apoio a seropositivos.
— Elma -— perguntou Romildo, interessado - existem pessoas que se infectaram com o HIV e não necessitavam passar por esse desafio?
— Muito raramente, pessoas que se infectaram com HIV, não por relação sexual, mas sim por transfusões ou cirurgias, podem passar por esse desafio.
O que implica homicídio culposo, aquele que não há intenção de matar, por negligência do profissional da área de saúde, ou seja, pelo livre-arbítrio desse profissional, que não quis cumprir as normas necessárias de higiene e segurança.
Uma pessoa que não necessitava se infectar com HIV pode contrair o vírus, porém isso é muito raro.
Como nos ensina a Doutrina Espírita -— Elma lembrou - um flagelo para um grupo que necessita de determinada expiação, para fazer com que esses espíritos avancem mais, pode fazer sucumbir uma pessoa de bem, mas a vítima desse flagelo terá uma grande compensação se souber suportar a dura experiência com fé, resignação e sem queixas14.
— Elma -— tornou Romildo - observando bem, o HIV e a Aids instalam-se na Terra como um flagelo à humanidade, pois, apesar de todos os esforços científicos, de todos os medicamentos e vacinas criadas, nada, até hoje, foi capaz de curar a doença ou exterminar o vírus após sua entrada no organismo.
Será que esse flagelo é para a elevação de tantos milhões de pessoas?
— O maior meio de propagação do HIV, causador da Aids, é pela relação sexual -— respondeu a instrutora.
— A criatura humana ainda não entendeu o que é amor pleno, satisfação amorosa e carinho elevado.
Confunde tudo isso com satisfação carnal, orgias, prostituição, liberdade.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 27, 2017 8:52 am

O sexo virou comércio e causa de desequilíbrio espiritual daqueles que não contêm as compulsividades.
Deus permite, então, que a educação dos espíritos aconteça na Terra para alerta e reeducação da humanidade.
É o espírito quem escolhe o meio brando ou rigoroso de reeducar-se, quando, alertado sobre as consequências de seus actos, continua praticando-os ou reforma-se e educa-se.
Alguém pode experimentar o HIV e acordar, despertar para a vida, para os cuidados que deve ter consigo mesmo, deixando somente o corpo físico ser afectado -— Elma disse ainda.
— Enquanto outro pode experimentar o HIV e morrer para a vida, suicidar-se, quando não oferece a si mesmo os maiores cuidados e carinhos ou, pior ainda, tornar-se um homicida, infectando outras pessoas.
Isso o fará, certamente, experimentar as horríveis condições espirituais, perturbações invisíveis em "sítios de dores", revolvendo-se de remorso e sofrendo impiedosas perseguições, dores e flagelos.
Todos reflectiram seriamente sobre o que tinham acabado de ouvir, até Elma, quebrando o longo silêncio, convidar:
— Vamos visitar um caso de um profissional da área de saúde, que nos trará mais um ensinamento.
Em questão de segundos, o grupo chegou a um hospital onde o paciente padecia sobre o leito, com sérias complicações por infecções generalizadas.
Elma abraçou Tobias, mentor do enfermo, que recebeu a todos com imenso carinho e grande atenção.
— Já sei que nossa querida Elma encarrega-se de ensinar a elevados aprendizes, que desejam garantir as lições colhidas na espiritualidade.
Pois bem Elma conhece o caso do querido Joel.
Como bem aprendemos em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo sobre justiça e causas atuais das aflições, nossas dificuldades, nossas aflições só podem ter duas origens:
vida passada ou vida presente.
No capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 4, temos um parágrafo que, acredito, pode nos alertar e explicar muito sobre a propagação do HIV:
"Remontando a fonte dos males terrenos, reconhece-se que muitos são a consequência natural do carácter e da conduta daqueles que os sofrem.
Quantos homens caem por sua própria culpa!
Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!
Quantas pessoas arruinadas por falta de ordem, de perseverança, por mau comportamento ou por não terem limitado os seus desejos!".
Todos sofremos as consequências do que praticamos, e com meu pupilo não foi diferente.
Todos permaneceram em silêncio e Tobias contou:
— Joel experimenta a Aids já em um estado bem avançado, como podem perceber.
Uma infecção oportunista na retina causou--lhe cegueira e o sistema imunológico deteriorado o expôs a uma variedade de infecções oportunistas.
A infecção cerebral provocou-lhe demência, convulsões, dores de cabeça intensa, cólicas abdominais terríveis, vómitos constantes, febre, erupções na pele, cânceres do sistema imunológico.
Afectada a função neurológica, sua falta de coordenação motora é grave e ele não anda mais, nem fica em pé.
Em poucos meses, ocorrerá seu desencarne.
Ele sabe que experimenta essa condição por consequência do que fez nesta experiência terrena.
Trabalhador esforçado, fiel à esposa e à família, Joel foi cirurgião-dentista por muitos anos.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:00 am

— Mas, se ele foi fiel à esposa, por que e como adquiriu esse vírus? -— perguntou Romildo, curioso.
— Preguiça e ganância -— respondeu Tobias bem directo.
— Precavido, Joel vacinava-se contra meningite, tuberculose, hepatite, sarampo, rubéola e outros vírus e bactérias que poderiam infectá-lo.
Uma vez que, como profissional na área da saúde, ele tinha contacto com muitos pacientes que poderiam transmitir-lhe essas doenças.
Todo profissional dessa área é orientado a prevenir-se.
Joel -— Tobias acrescentou - apesar do conhecimento, não preservava a saúde de seus pacientes, pois não fazia assepsia nem a esterilização, obrigatória e necessária, em todos os equipamentos odontológicos.
Não higienizava os aparelhos, manuseando-os diversas vezes de paciente para paciente.
Com o tempo, contaminou alguns com hepatite. Dois deles chegaram ao óbito por causa da doença.
Infectou com rubéola duas gestantes, cujos fetos foram deformados e cegos, por conta desse vírus. Contaminou pacientes com tuberculose, herpes e outras.
Os pacientes não se conheciam nem fizeram ligação com os casos, pois, aparentemente, o consultório odontológico de Joel estava acima de qualquer suspeita.
Mas quando, por preguiça e economia de electricidade, deixou de esterilizar equipamentos, materiais descartáveis como agulhas, luvas e coisas do género, Joel infectou quatro pessoas com HIV e acabou se tornando vítima de si próprio.
No momento de reaproveitar uma agulha já utilizada, que deveria ter sido descartada, Joel, acidentalmente, perfurou-se com ela.
A referida agulha só continha uma gotícula microscópica de sangue com HIV, que foi suficiente para infectá-lo.
Ele até duvidou que corresse algum risco de infectar-se com um vírus desses, afinal, seus pacientes eram pessoas distintas.
Entretanto, o HIV não escolhe cor, etnologia, posição social, sexo nem religião.
— O mentor ofereceu uma pausa, depois continuou:
— Até hoje, nos momentos de lucidez, ele se pergunta como adquiriu o vírus e por quê.
E logo se lembra dos procedimentos antiéticos e imagina a destruição que pode ter causado à vida de outras pessoas, por negligência, preguiça, economia.
Infelizmente, tenho de inspirá-lo a essas recordações, a fim de que se arrependa, ore e peça perdão a Deus, para que busque socorro em Jesus e seja resignado neste momento.
— Mas existem inúmeros outros profissionais da área da saúde que também praticaram e praticam actos criminosos como o dele e não se infectaram com HIV — protestou Romildo.
— Não temos só esta experiência de vida, caro amigo.
Existirão as aflições futuras por causa do que fazemos hoje — respondeu o mentor.
A instrutora sorriu como sempre e concluiu:
— Não tenho complementações a fazer depois de tão grande aula, prezado Tobias.
Só me resta agradecer-lhe e rogar luz em seu caminho.
Depois das devidas despedidas, Elma e seu grupo retiraram-se do hospital enquanto Tobias retornava a suas tarefas de amparo espiritual a seu protegido.

14. N.A.E.: O Livro dos Espíritos aborda essa situação da questão 737 a 741.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:00 am

21 - Recompensas de uma difícil provação

RETORNANDO ao posto de serviço terrestre que acolhia o grupo, Elma, com sua postura sempre discreta, recolhia-se e dava a impressão de sempre estar em profunda meditação.
Era impossível não perceber o magnetismo da benfeitora.
Sua luminescência encantadora chegava a encantar aqueles que prendiam a visão em sua aura, que parecia hipnotizar.
Sempre atento e sequioso de aprender, por isso exibia tanta curiosidade sobre todos os assuntos, Romildo aguardava uma oportunidade para aproximar-se da mestra.
Enternecido e encantado pela simples observação daquela sublime energia que emanava de Elma, Romildo tinha os olhos húmidos pela emoção.
Sentindo sua necessidade de aproximação, Elma voltou-se para o aluno e, alargando o sorriso no semblante sereno e de beleza indescritível, chamou-o com um aceno de cabeça.
Sem palavras.
Atendendo ao chamado, ele só conseguiu permanecer em silêncio por alguns segundos e logo comentou:
— Não consigo deixar de me emocionar quando a vejo assim...
— Todos temos luz própria.
O lampadário de nosso coração aumenta a luminosidade ao receber a energia de nossa fé, religando--nos ao Pai da Vida.
É nossa postura mental que regula a chama de nossa aura, quando nossas atitudes nos fazem trilhar pelo caminho recto.
Não fosse a compaixão de Deus, oferecendo-nos infinitas oportunidades de elevação, estaríamos todos confinados ao inferno de nossa consciência, que nos envolve em tenebroso remorso sempre que erramos.
— Nos últimos momentos, eu a vejo pensativa, preocupada, talvez.
Algo está acontecendo? -— perguntou o aluno.
Após poucos segundos, em que pareceu reflectir, Elma respondeu:
— Meu querido, algo sempre está acontecendo, mas não podemos colocar nossos desejos acima do poder, tampouco nossos caprichos acima da vontade do Pai.
Não podemos deixar que os sentimentos turvem nosso raciocínio e nossa razão.
— Perdoe-me, Elma.
Eu a respeito muito, mas, como sabe, não consigo deixar de ser curioso... -— disse, constrangido.
E continuou:
— Poderia ser mais directa?
Poderia contar-me o que se passa?
— Tenho tarefa abraçada aqui na crosta terrestre, mas desejaria estar em esferas inferiores da espiritualidade, mais especificamente no "sítio de dores", pois pressinto que Lúcio se transtorna cada vez mais e corre certo perigo.
— Perigo?! -— surpreendeu-se Romildo.
— Pior do que ele está, poderá ficar?
— Como não?!
Por acaso não sabe que existem Cidades Estranhas15, na espiritualidade, que escravizam, julgam e punem cruelmente aqueles sem entendimento e que praticaram iniquidades diversas?
— Por que não pede para deixar-nos, por um breve período, ver Lúcio?
Elma sorriu ao entender a inocência de Romildo e explicou:
— Meu querido, sou eterna devedora.
Sou simplesmente uma pequena criatura que busca socorrer almas queridas.
Como posso ousar interromper a tarefa de ensinar, instruir e servir, utilmente, em troca de, talvez, só observar acontecimentos imutáveis?
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:01 am

Não se pode socorrer aquele que não deseja elevar-se nem se empenha.
Meu coração está apertado, mas me resta a fé de orar ao Mestre Amigo para que provenha Lúcio de forças íntimas.
Uma pausa mais longa se fez.
Verificando a seguir a aproximação de Silmara e Álvaro, Elma os avisou com tranquilidade:
— Temos tarefa de socorro nesta noite.
Todos devemos estar bem dispostos.
Caso um de vocês não acredite ser possível qualquer trabalho de sustentação por falta de disposição, é melhor que fique.
Ninguém, em trabalho semelhante, poderá vacilar na fé nem na prece constante.
Dentro de poucas horas, Elma reuniu seus alunos e partiu.
Chegando a um apartamento, Romildo logo identificou:
— Esta é a casa do Dirso!
Aquele arquitecto que toca violão e faz música para crianças especiais como voluntário.
— Estamos aqui para ajudá-lo -— avisou Elma.
— E o faremos com muito amor.
Dirso desencarnará em breve.
O grupo pareceu surpreso, mas não vacilante.
Uma equipe de espíritos socorristas, com a tarefa específica de desligar os liames que prendiam o espírito Dirso ao corpo físico, iniciava o trabalho cuidadoso, enquanto Dirso, na espiritualidade, encontrava-se num estado como se estivesse sedado e seu corpo dormisse.
Uma parada cardíaca foi a causa da morte do corpo físico.
Após horas de trabalho minucioso de elevados socorristas e da equipe que se dedicou à importante tarefa de sustentação em prece sincera, preservando o local de malfeitores, Dirso descansava atordoado nos braços de Elma, que o abraçou com carinho e lágrimas de júbilo.
Após lhe beijar a fronte, murmurou amorosa:
— Criatura linda de meu amor, que nasceu das entranhas de minha alma, apesar de todas as dificuldades, você venceu.
Apesar de todos os desafios, você se superou.
Apesar de todos os conflitos, tentações e transtornos íntimos, melhor do que poderíamos imaginar, você elevou-se moral e espiritualmente, pois praticou com fé e perseverança, ascendendo na escala evolutiva com louvor e bênçãos de Deus.
Dirso repousava nos braços de Elma que, como amorosa mãe, acariciava-lhe os cabelos, aguardando alguma manifestação.
Olhando em torno, pelo estado de perturbação leve que o deixava assonorentado, Dirso murmurou:
— Estou confuso -— sorriu suavemente e perguntou:
— O que aconteceu?
Eu morri?
— Sim, meu amor.
Você morreu para a experiência de prisão em que experimentou a psicologia feminina num corpo masculino.
Motivo de dúvidas, dores e preocupações.
Mas, agora, tudo acabou.
Tudo isso morreu graças a sua perseverança na moral elevada, que não o permitiu corromper-se no desequilíbrio, nos desvios para a promiscuidade.
Graças a Deus está de volta para a verdadeira vida.
-— Eu a reconheço...
— Breve pausa e um doce sorriso ao dizer:
— Mãe... -— murmurou.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:01 am

— Estou lembrando...
— Sim, meu bem.
E vai lembrar muito mais.
Por hora, descanse.
Por merecimento, logo estará na Colónia da Paz onde há de recompor--se em breve, em vista de sua elevação.
Colocando a mão sobre a testa daquela entidade querida, Elma a fez adormecer com seus dons peculiares e cerrou os olhos, detendo--se em divina prece de agradecimento verdadeiro.
Depois, procurou a amiga Gisela com o olhar e pediu:
— Entrego a você mais um de meus tesouros.
A amiga sorriu, tomou a entidade adormecida como a um filho querido e partiu com os demais companheiros para a Colónia da Paz.
Acercaram-se de Elma seus alunos que, com verdadeira emoção, abraçaram-na com carinho e sem palavras.
Passado um dia, a orientadora saía com o grupo excursionando agora por lugares estranhos.
Tratava-se de uma área de prostituição.
Mulheres bonitas e de todas as idades estavam à disposição de homens que lhes pagariam por alguns momentos de sexo.
— A relação sexual da criatura humana não deveria ser por instinto animal, por uma necessidade irracional para a prática do sexo em troca da descarga orgástica — orientou a instrutora que continuou:
— O sexo existe nas criaturas humanas para a troca de energias perispirituais, pois a energia do sexo é criadora, tanto que é capaz de dar oportunidade à formação de vida de outra criatura.
A emoção com o sexo é para o intercâmbio de gratidão de sentimentos elevados para com o parceiro ou parceira.
No entanto, os desvios emocionais, o vício no prazer carnal e os desequilíbrios psicológicos fazem o indivíduo agir como animal irascível que busca, pela relação sexual, o prazer mecânico, ignorando as consequências espirituais e morais que atraem para si.
Deixando que os alunos acompanhassem o que existia espiritualmente junto aos encarnados, Elma silenciou.
Surpresos, Romildo, Silmara e Álvaro observavam àquelas mulheres e meninas que se insinuavam com minúsculas roupas para alguns possíveis clientes que passavam.
Junto a elas, num plano em que encarnados não podiam ver, os alunos viram espíritos abomináveis.
Indignos de se nomear e quase impossível de se descrever.
Eram espíritos que perderam a forma normal humana, que agora se apresentavam com as mais chocantes, repugnantes e obscenas características espirituais pela exposição de seus órgãos sexuais deformados e indecentes, algo vergonhoso.
Eles incentivavam as encarnadas de uma forma obsessiva impressionante.
Devemos lembrar que o perispírito é como uma roupa que reveste e molda o espírito.
Essa anatomia perispirítica monstruosa correspondia aos abusos das funções para as quais o órgão foi criado, ou seja, a prática do sexo compulsivo, desregrado, vulgarizado, leviano, casual ou promíscuo.
Esses espíritos, incrivelmente debilitados, agarravam-se àquelas mulheres prostitutas, ligando-se a elas desde a área do cérebro, descendo pela coluna, até a área dos órgãos sexuais, como se tivessem uma espécie de tentáculos com que as envolviam.
— Seguiremos aquelas jovens -— avisou Elma.
As meninas, que não deveriam ter mais de 13 anos, haviam conseguido alguém que se interessasse por seus préstimos sexuais.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:01 am

O homem, com idade para ser pai delas, levou-as para um hotel pobre, de aspecto nojento, mesmo para os encarnados.
No quarto, um odor execrável não incomodava os encarnados.
As meninas, para se desinibirem, fizeram uso de algum entorpecente, enquanto o homem folheava revistas eróticas para se incentivar.
É quase impossível desvincular prostituição de drogas e álcool, uma vez que é quase impossível também se propor ao comércio sexual, a ser objecto sexual, continuamente, à prostituição, sem se dopar, sem procurar uma forma de se entorpecer, ao menos no momento em que se prostitui.
Somente pessoas com desvios psicológicos, com desequilíbrios emocionais são capazes de se prostituírem e não sentirem nada, não se arrependerem, não sofrerem emocionalmente antes, durante ou depois.
Lembrando ainda que existem muitas formas de prostituição.
Esse acto não é nada cómico como exibem muitas cenas de cinema e televisão que mostrada de uma forma mascarada, induz ou incentiva pessoas inexperientes ou ingénuas a praticarem.
Pouco menos é algo engraçado como algumas pessoas acreditam.
Ninguém é feliz sendo prostituta ou prostituto.
Prostituição provoca dores morais, íntimas, feridas na alma que são difíceis de curar e, muitas reencarnações, às vezes, para se harmonizar tudo o que se desarmonizou.
É impossível ser feliz se prostituindo, por qualquer meio.
E impossível ser verdadeiramente feliz se relacionando com pessoas que se prostituem.
Aqueles que afirmarem isso, não têm equilíbrio.
Sofrem com algum tipo de inferioridade emocional, baixa auto-estima.
Necessitam urgentemente de tratamento psicológico, por mais que não acreditem.
Incontáveis homens e mulheres já se contaminaram com HIV, após se relacionarem com prostitutas ou prostitutos e transmitiram esse vírus aos seus parceiros.
Depois, alegavam que não imaginavam como contraíram o vírus.
Incontáveis pessoas já adquiriram esse vírus com amantes e contaminaram suas parceiras ou parceiros.
O número de HIV e Aids entre os casados e os que estão em relacionamentos estáveis está aumentando, assustadoramente, devido o companheiro se relacionar com prostitutas ou prostitutos e o parceiro ou parceira não desconfiar.
Além do vírus para seus lares, levam também novos e terríveis companheiros espirituais, fluidos purulentos, doenças espirituais que se manifestam, muitas vezes, em transtornos emocionais.
E com os envolvidos no caso de estudo para Elma não era diferente.
Na espiritualidade, além dos miasmas terríveis já existentes no ambiente, espíritos de aspecto monstruoso, deformados pelo abuso do sexo, sem mencionar os que já acompanhavam os encarnados, jogavam-se sobre eles como se estivessem em verdadeira orgia.
As afinidades psíquicas deixavam-lhes estimular os encarnados de modo impressionante, pois os espíritos determinavam, pelas ideias que lhes chegavam aos pensamentos, o que fariam.
Nesse momento, espessas sombras tenebrosas criavam-se entre encarnados e desencarnados, tornando-se cada vez mais horrenda a apresentação.
Eram energias criadas pela prática do sexo promíscuo, sem afecto, em vista da troca de fluidos entre encarnados e desencarnados que sugavam as energias vitais de suas vítimas, escravizando--as sem limites, deformando-as, perispiritualmente, tal como eles, desvitalizando-as com perversidade, zombaria e sarcasmo.
Elma retirou-se com seus alunos do referido hotel.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:01 am

A poucos metros do pequeno edifício aguardavam, enquanto lhes ensinava:
— O que existe no mundo espiritual para a prostituta pobre e seu cliente sem posses, existe, no mesmo grau, para a prostituta jovem, elegante e de classe e o cliente que pode pagar mais, quando praticam sexo promíscuo, sem compromisso, em troca de alguma vantagem.
Mesmo que para isso estejam em uma casa de prostituição luxuosa ou um motel caro.
A prostituta bonita, muitas vezes, jovem e o homem elegante, embora não admitam ter certo nível de prostituição, têm um objectivo em mente e buscam agradar e conseguir o que desejam pelo sexo.
O dinheiro, o luxo ou a riqueza, em qualquer sentido, não os deixam livres de espíritos obsessores como o que vimos há pouco.
— Um instante e a instrutora ainda disse:
— Independentemente do nível socioeconómico ou da situação psicológica, todos são vítimas de perversos vampirizadores, que vão escravizá-los durante a vida terrena e, sobretudo, depois do desencarne, em zonas incrivelmente inferiores, onde a loucura, a demência, as dores de todos os graus, molduradas pelo remorso, vão castigá-los pela própria consciência.
Após algum tempo, todos presenciaram a chegada de entidades nobres e benevolentes, que reconheceram Elma e a cumprimentaram com sorriso generoso.
A amorosa instrutora, imediatamente, voltou-se aos aprendizes solicitando:
— Vamos acompanhá-los até o quarto de onde saímos.
Ao entrarem no referido quarto, os encarnados, largados sobre a cama, não podiam imaginar que os espíritos trevosos e deformados que se utilizaram ora de um, ora de outro, caíam tombados por experimentarem, sugando dos encarnados, a descarga de energias miasmáticas, pesarosa pelo acto nefando.
Encarnados e desencarnados inferiores não podiam perceber a presença de entidades elevadas que, naquele instante, como um acto sagrado, traziam para a reencarnação, em uma das meninas, um espírito que necessitava da experiência e do desafio de nascer naquele antro nocivo para provar, por necessidade, incontáveis aflições.
Elma e seu grupo limitaram-se ao silêncio e à atenciosa observação dos cuidados delicados para aquela tarefa.
Finda a operação, a orientadora conversou brevemente com o grupo que realizou o reencarne daquele espírito, trocou informações e notícias.
Depois cada um dos grupos seguiu para novo trabalho.
Elma, por sua vez, reuniu seus alunos para que se retirassem e informou:
— Ainda hoje observaremos uma família, ou melhor, um casal que, pela invigilância, enveredou por difícil situação.
A caminho do destino planejado, Romildo procurou aproximar-se mais da instrutora e perguntou:
— É lamentável os encarnados não admitirem, ou não conhecerem, situações em que os espíritos de escala incrivelmente inferior os escravizam.
Como um homem daquele pode servir-se, aproveitar-se sexualmente de meninas com idade para serem suas filhas?!
E mesmo que não fossem menores!
Está errado!
Ele está se aproveitando da vida miserável da mulher! -— protestou.
— As misérias do mundo, caro Romildo, ocorrem pelo facto de os encarnados sempre acreditarem que seus actos estão correctos e que nunca haverá consequências severas por seus erros, prazeres, paixões desenfreadas, vícios...
Isso é orgulho e vaidade.
Falta-lhes usar o poder de decisão e o bom senso, um atributo essencial que Deus ofereceu a todos nós.
Quando raciocinamos diante de uma situação, temos plena consciência de como agir correctamente, mas nosso orgulho e nossa vaidade não nos deixam acertar, porque sempre achamos que temos o direito de fazer tudo o que nos satisfaz.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:02 am

— Nem tudo o que nos satisfaz está correto — completou o aluno.
— Exactamente.
— Uma daquelas meninas acabou de engravidar.
Isso deixa claro que ele não usou preservativo.
Todos ali podiam infectar-se não só com o HIV, como também com outras doenças sexualmente transmissíveis.
— Eles já estão infectados com o HIV, Romildo.
Como você não percebeu?
Acontece que esse vírus, a princípio silencioso no organismo, como eu já disse, pode ficar anos sem se manifestar.
Ele não é como o vírus da rubéola, da caxumba, da febre amarela, da varíola, da poliomielite, do sarampo, da gripe, da febre hemorrágica e de tantas outras doenças que exibem manifestação mais rápidas no organismo, indicando avaria e problemas de saúde.
Não são muitas as drogas que têm acção para combater directamente alguns vírus, pois eles usam as células vivas de uma pessoa para se replicarem — prosseguiu Elma.
— As drogas que podem inibir essa multiplicação também prejudicam ou matam a célula hospedeira.
As doenças viróticas que mencionei, apesar de severas e, às vezes, letais ou responsáveis por sequelas, não se comparam ao HIV, causador da Aids.
O controle epidemiológico, por meio de programas sucessivos de vacinação em larga escala — explicou a instrutora —, é a medida mais eficaz contra as doenças viróticas, quebrando a sequência de transmissão da doença até erradicá-la, como foi o caso da terrível varíola.
Outra coisa que ajuda a eliminar certos vírus é a simples higiene com alimentos, água tratada, mãos e utensílios bem lavados.
O HIV, por ser um retrovírus com genoma RNA, ao invadir o organismo humano e procurar uma célula para se replicar, integra-se ao código genético da pessoa e seu RNA se converte em DNA.
O HIV sofre mutação com incrível facilidade.
Nunca é o mesmo.
A partir de então, passa a invadir novas células para se multiplicar e com isso destrói as células vivas utilizadas, que são justamente as células que defendem nosso organismo contra infecções causadas por invasores estranhos, como outros vírus e bactérias.
O organismo infectado com o HIV, apesar de tentar se defender, não consegue, pois a mutação sofrida por esse vírus confunde o sistema de defesa.
Agora o HIV tem o DNA que virá do próprio organismo que o abriga.
O HIV é diferente de tudo o que a humanidade já viu.
Romildo pensou por um momento e comentou:
— Um jeito fácil de explicar o ataque e o disfarce do HIV no organismo é o seguinte:
imaginemos dois exércitos inimigos num campo de batalha.
Um usa uniforme azul e o outro vermelho.
O exército de uniforme vermelho, numa noite qualquer, aproveitando que o inimigo está distraído, veste um uniforme azul e invade o território do outro sem ser percebido, pois usa a mesma cor de roupa.
Logo os soldados desse exército começam a matar soldado por soldado do exército azul, mas não se matam porque se reconhecem.
Não haverá muita chance de defesa do exército azul, não é?
— Isso mesmo.
O HIV age dessa forma -— confirmou a instrutora.
— Incontáveis drogas e vacinas para acabar com o HIV no organismo já foram testadas, mas todas fracassaram.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:02 am

Isso se dá pela facilidade de mutação, de disfarce, pois esse vírus nunca é o mesmo.
Até os medicamentos que um seropositivo assintomático, ou mesmo um aidético, usa pode fazer esse vírus mudar e ser mais resistente a essa droga, quando infecta outra pessoa que adquire o vírus de quem já fez ou faz tratamento.
Os infectologistas do mundo todo estão muito preocupados com o coquetel de medicamentos anti-retrovirais para conter a multiplicação do HIV e retardar a manifestação da Aids no organismo de uma pessoa.
Se esse vírus criar uma resistência a esses medicamentos, essa composição de drogas não terá mais o poder de retardar sua multiplicação virai em outra pessoa contaminada por alguém que fez uso desses medicamentos anti-retrovirais.
Os cientistas já sabem que a resistência, o poder do HIV em uma pessoa que faz uso dos remédios anti-retrovirais pode ocorrer com seu uso prolongado e principalmente com a interrupção deles ou o uso inadequado, como pular doses ou não cumprir rigorosamente os horários determinados.
— Para terminar, Elma afirmou:
— O problema maior é a falta de seriedade de milhares de pessoas a uma situação tão séria.
— Será possível, um dia, matar esse vírus no organismo já infectado? -— interessou-se o aluno.
Elma pensou um pouco e respondeu:
— O HIV é um retrovírus.
Ele pode tornar-se inactivo.
E ser inactivo não significa estar morto.
Seu tamanho ultramicroscópico o faz ser desprovido de estrutura celular, por isso precisa de uma célula viva para se replicar.
Os vírus, incluindo o HIV, são um agente, uma "coisa" viva, mas está num estado de vida entre a matéria viva e a inerte.
Existem modos científicos correctos para se explicar o que é um vírus, mas vou me valer de um exemplo mais simples para tentar traduzir como vive.
Imagine um micróbio, um verme, que ao ser atacado com medicamentos se fecha num envelope e se cristaliza não deixando que qualquer coisa quebre esse cristal para agredi-lo e matá-lo.
Só que imagine isso de uma forma ultramicroscópica.
Por sua simplicidade estrutural, o vírus fica inactivo quando não encontra células hospedeiras, como se ele se cristalizasse e não existisse, mas continua existindo no corpo, no organismo que invadiu e pode ser propagado, distribuído.
Não podemos dizer que nunca haverá uma forma de exterminar o HIV no organismo infectado —- prosseguiu a benfeitora —- porém isso será muito difícil.
Difícil mesmo. Poderá haver, sim, uma combinação de drogas ou, talvez, uma vacina que retarde ou iniba o avanço das infecções oportunistas causadoras da Aids.
As pessoas portadoras do HIV, mesmo sob a acção dessas drogas e sem desenvolvê-la, continuarão sendo transmissoras do vírus, e aí haverá um grave problema: a dificuldade de se adaptar o tratamento e a contenção do vírus nessas pessoas.
Se após o coquetel anti-aids essa pessoa transmitir o vírus a outra, criará um vírus ainda mais poderoso e resistente a todos os medicamentos já existentes.
— O tratamento com anti-retrovirais para conter a multiplicação do HIV no organismo não é fácil de ser seguido —- lembrou Silmara, comovida.
— É um tratamento muito difícil.
— O tratamento com o coquetel anti-aids chega a mais de vinte comprimidos por dia.
É preciso seguir rigorosamente os horários, não diminuir as doses nem se esquecer delas.
Caso isso aconteça, o vírus se potencializa.
Fica mais resistente e os mesmos remédios não vão fazer efeito.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:02 am

O paciente, então, terá de usar remédios mais fortes, se houver.
Caso contrário, o vírus vai ganhar a batalha e a Aids começa a se manifestar com todos os sintomas que já conhecemos, deteriorando o corpo e a mente.
Há também os efeitos colaterais que o paciente enfrenta muitas vezes — completou Álvaro.
— A manifestação da Aids é difícil -— disse Silmara.
— Estou me lembrando do caso que Tobias nos apresentou com seu pupilo.
O pobre homem já estava enfrentando várias infecções oportunistas, cegueira, infecção cerebral, demência, convulsões, febre e vómitos constantes, dores de cabeça intensa, cólicas abdominais terríveis, erupções na pele, cânceres do sistema imunológico, afectação da função neurológica, falta de coordenação motora que não o deixava andar ou ficar em pé.
Nossa... Como é triste.
— Por isso, e muito mais, é preciso muita conscientização, muita divulgação sobre o HIV e suas consequências críticas, severas, que alterará toda a vida de uma pessoa.
Não basta lembrar que 1º de dezembro é o dia mundial de divulgação do combate contra a Aids -— avisou Elma.
— Eu diria que algo muito sério está por acontecer, se nada for feito, se tudo, em termos de divulgação e orientação, continuar como está.
Para as pessoas que têm acesso a serviços de saúde bem estruturados -— continuou a instrutora - que são apoiadas e aceitas pela família, que têm assistência psicológica, refeições diárias com alimentação adequada de nutrientes correctos para reforçarem o sistema imunológico agredido, que têm certa estabilidade financeira, deixam de beber, fumar e procuram ambientes tranquilos e saudáveis, o tratamento com o coquetel anti-retrovirais é difícil!
Imaginem, então, como será o tratamento, se houver, para aqueles desfavorecidos, que não fazem nem as refeições necessárias, não conseguem consultar um médico, não têm assistência psicológica, nem acesso à rede básica de saúde, muito menos informações corretas, adequadas sobre seu estado.
A Aids não é um problema da população de baixa renda -— afirmou ainda a benfeitora —, porém as classes empobrecidas e as pessoas que moram longe dos centros urbanos são e continuarão sendo as mais prejudicadas, pois a Aids está se acelerando para o interior onde não há esclarecimento, informação nem acesso ao tratamento e aos remédios.
Eles não têm sequer geladeira para manterem refrigerados alguns medicamentos, se necessário.
Às vezes, o problema não é nem a falta de geladeira, mas o de energia eléctrica na cidade.
Imaginem se meninas de baixa renda, com 9, 11 ou 13 anos, como essas que acabamos de observar, sabem se proteger quando encontram um pedófilo, como aquele homem, que as explora sexualmente?
Muitas crianças nem sabem o que estão fazendo.
É hediondo o crime de pedofilia, praticada por homens e mulheres terrivelmente desviados e desequilibrados que exploram, abusam de crianças e adolescentes -— disse Elma com brandura, mas havia um tom de protesto ao que falava.
É assustadora a exploração sexual infantil, que aumenta incrivelmente a cada dia.
E bem poucos tentam fazer algo a respeito.
Esse país necessita de um governo mais consciente, em relação a isso.
Um governo que se importe com a orientação, escolarização, instrução de seu povo e cuidados especiais com suas crianças.
Leis mais rígidas para crimes como esses a fim de inibir o desequilibrado — ressaltou em um tom mais ponderado.
Milhares de meninas e meninos de 7 a 9 anos, e até com menos idade, são oferecidos por adultos para programas sexuais por um valor inferior ao de passagem de ônibus.
Muitas dessas crianças, se não fazem parte da rede de prostituição supervisionada por um adulto, que as explora, prostituem-se por um simples doce ou chocolate...
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:02 am

— Com os olhos marejados, Elma ainda comentou, lamentando:
— São crianças, apesar de terem iniciado a prática a que se dispõem e algumas até gostarem dela.
Isso ocorre por culpa dos adultos conscientes que sabem e não denunciam, não se preocupam, não educam nem protegem.
Os doentes e desequilibrados pedófilos, que se relacionam sexualmente com crianças, sentem-se protegidos pela omissão das pessoas e, principalmente, pela falta do cumprimento de leis severas, que deveriam isolá-los da sociedade onde não conseguem viver com equilíbrio e sem lesionar ninguém, sujeitos aos tratamentos médico psiquiátrico e psicológico a fim de iniciarem uma recuperação ainda encarnados, pois é isso do que eles mais precisam.
— Certamente essas crianças não terão condições de tratar-se se forem infectadas pelo HIV! -— considerou Álvaro.
— Elas nem têm ideia do que é HIV.
Quando ouvem falar desse vírus, pensam que, se tomarem um remédio, ficarão curadas -— argumentou Silmara - pois alguns meios de comunicação vivem comentando que o tratamento da Aids ou do HIV, hoje, está oferecendo às pessoas uma qualidade de vida melhor e vida mais longa, porém não alertam o quanto essa nova vida é exigente.
Além do que, criança não entende isso.
— Na verdade é o que acontece — comentou a orientadora.
— Os anti-retrovirais oferecem mais disposição, recuperação de algumas infecções, retarda a Aids e contêm, ou inibe, a multiplicação do vírus, embora não se saiba por quanto tempo.
Esse tratamento deve ser adoptado, sim.
Mas quantos têm acesso a esses coquetéis e conseguirão adequá-lo a suas vidas com qualidade alimentar, horários e tudo mais?
— Então é muito perigoso o que anunciam alguns meios de comunicação, quando falam sobre a cura da Aids? -— inquietou-se Romildo.
— Não é perigoso, é perigosíssimo!
É imprudente! -— respondeu Elma com ênfase, o que não era comum.
— Graças a essas notícias e a slogans atractivos, que ressaltam o produto e evidenciam propagandas sobre o tratamento da Aids, que muitos milhares de pessoas não se previnem contra o HIV.
Elas não lêem toda a notícia ou, se leram ou ouviram a notícia, não tiveram condições de entendê-la completamente e acabam concluindo que a Aids tem cura.
O tratamento da Aids hoje -— prosseguiu Elma - bem como a contenção do HIV significam uma combinação de drogas que só pode ser receitada por um médico, para tentar retardar o surgimento de diversas infecções oportunistas, causadas pela baixa imunidade da pessoa.
Muitos que ouvem falar sobre o sucesso dos medicamentos de tratamento da Aids entendem que tratamento significa cura, mas não é.
— Anuncia-se o sucesso dos tratamentos -— lembrou Silmara - mas nem todas as pessoas que recebem os tratamentos têm sucesso, porque cada organismo reage de um jeito diferente, por causa da existência de diversos subtipos de HIV. Além disso, as drogas anti-retrovirais estão disponíveis para uma fracção minúscula dos milhões de pessoas infectadas com esse vírus.
— Os encarnados têm um cálculo muito equivocado do número de mortes causadas pelas infecções pela Aids até hoje — informou Elma16.
— As consequências da imunodeficiência humana provocada pelo HIV já levou a óbito mais de 40 milhões de pessoas no mundo e ainda há mais de 80 milhões de infectados pelo vírus.
Fora isso, cerca de 20 mil pessoas se infectam com o HIV, diariamente, por diversos meios, principalmente pela relação sexual.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:02 am

O erro maior, em tudo isso -— continuou —- é dizer que muitos são bem-sucedidos com os tratamentos anti-retrovirais.
O quanto esse "muitos" significa em milhões de pessoas, dos quais mais de noventa por cento não têm acesso a esses medicamentos?
Um crime ainda maior é fornecer esperança de uma vacina anti-HIV ou medicamentos que curem a Aids.
Isso leva pessoas sem bom senso, ou sem noção do que está acontecendo com a humanidade, a continuarem uma vida promíscua, a não se prevenirem, a não preservarem sua saúde e vida nem as dos outros, pois acreditam que em questão de meses ou dias haverá uma cura milagrosa que extermine o HIV e a Aids.
— Em tom de lamento disse:
— Esse tipo de pensamento faz muita gente começar a banalizar a Aids, principalmente aquelas que não têm instrução, escolaridade, isto é, as classes desfavorecidas e pobres.
Vamos lembrar que nem todos têm condições de levar alguns tratamentos adiante.
Prova disso é a tuberculose que, apesar de já ter tratamento fácil e cura, continua matando; o vibrião da cólera ainda ataca, entre outras epidemias que estão por aí. Como essas enfermidades só atingem a população de baixa renda, não são motivos de notícia.
— Elma ainda disse:
— Aqueles que divulgam informações não muito claras sobre o HIV, evidenciando que a cura pode ocorrer de uma hora para outra, é responsável pela propagação desse vírus e por suas consequências para com aqueles que, diante desses anúncios, não se preocupam.
— Existe um jeito de erradicar o HIV e a Aids, provocada por esse vírus, diante do quadro apresentado hoje? -— perguntou Álvaro.
— Há, mas a humanidade ainda não está preparada espiritual, moral e psicologicamente -— afirmou Elma convicta.
— Qual?! Qual o meio de exterminar-se com esse vírus?! — quase gritou Romildo.
— Com responsabilidade e moral elevada.
Se o ser humano abstiver-se de todos os meios de sexo promíscuo, prostituição, satisfação no prazer sexual abusivo e compulsivo, troca de parceiros, ambição, orgulho e outras mazelas, além de um trabalho incessante e sério pelos profissionais da área de saúde, para não propagação, pelos intensivos cuidados com os pacientes.
Isso certamente limitaria o vírus àqueles que já o têm hoje e não o deixaria propagar-se mais, erradicando o HIV e, consequentemente, a Aids provocada por esse vírus.

15. N.A.E.: As chamadas Cidades Estranhas, existentes na espiritualidade, é-nos descrita com riqueza de detalhes e grandiosos ensinamentos trazidos pelo espírito André Luiz, através da psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, no livro Libertação.
16. Nota da Médium: Referindo-se ao ano de 2002.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:03 am

22 - Propagandas enganosas

AS ÚLTIMAS considerações de Elma provocaram imenso conflito íntimo em cada um de seus alunos, uma vez que passaram a reflectir imensamente sobre a trajectória que o ser humano traça para si por orgulho, vaidade e ambição, pois é por meio desses vícios psicológicos que a criatura se envereda por tristes caminhos.
Enquanto seguiam a orientadora, depois do longo silêncio, Romildo argumentou, preocupado:
— As campanhas de informação sobre a Aids e o HIV são pobres, limitadas e muito tímidas.
Diante do quadro assustador que observamos aqui, na espiritualidade, o comportamento de risco das pessoas de todas as classes é preocupante, o que pode levar o mundo a um colapso.
Algo semelhante a Babilónia, Sodoma e Gomorra.
Deus do céu! —- impressionou-se com o próprio comentário.
— Isso me faz lembrar da Bíblia e do Apocalipse narrado por João que viu uma mulher, assentada sobre a besta, vestida de púrpura e escarlate, adornada de ouro e pedras preciosas, que trazia na mão um cálice de ouro cheio de abominações e imundícies de prostituição.
O anjo que mostra a João tudo isso ainda lhe diz que a besta subirá do abismo e aqueles que habitam a Terra se admirarão com a besta que era e já não é, mas que virá.
— Breve pausa e prosseguiu:
— Convém que dure um pouco de tempo o reinado daquele que ainda não veio.
E os reis entregarão o poder à besta e todos combaterão o Cordeiro.
E disse, como João viu, que as águas onde se assenta a prostituta são povos, multidões, nações e línguas.
E que a prostituta seria desolada, nua e que comeriam sua carne e queimariam no fogo...
E ainda, depois, outro anjo que tinha grande poder diz:
"Porque todas as nações beberam do vinho da ira, da sua prostituição e os reis da Terra se prostituíram com ela, e os mercadores da Terra se enriqueceram com ela, com a abundância de suas delícias".
E esse anjo poderoso ainda diz:
"Sai dela meu povo para que não sejam participantes dos seus pecados e para que não incorram nas suas pragas.
Porque um dia virão suas pragas, a morte, a fome...
E os que se prostituíram com ela e viveram delícias, chorarão..."
Romildo se deteve nas lembranças da passagem bíblica e concluiu:
— A besta pode ser um espírito inferior poderoso que quer desviar a todos do Evangelho do Cristo, da boa moral.
A besta não tem de, necessariamente, estar encarnada!!! -— concluiu, olhando para a instrutora que serenamente o observava.
— A prostituta, de que nos fala o Apocalipse, é o sexo, as paixões desequilibradas, lascivas, que oferecem os prazeres e delícias e enriquecem aqueles que possuem qualquer tipo de comércio que promove a prática sexual, dos que montam lojas de objectos para sexo e até os meios de comunicação, que incentivam directa ou indirectamente a promiscuidade, inclusive revistas!...
E as pragas daqueles que se colocam a essas práticas é o HIV, a Aids provocada por esse vírus.
E o anjo diz:
"convém que dure um pouco.
Porque com essas pragas virão morte, fome e muito choro".
Feito silêncio, imediatamente todos olharam para Elma, que trazia incrível serenidade no semblante.
Ela nada expressou.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:03 am

22 - Propagandas enganosas

AS ÚLTIMAS considerações de Elma provocaram imenso conflito íntimo em cada um de seus alunos, uma vez que passaram a reflectir imensamente sobre a trajectória que o ser humano traça para si por orgulho, vaidade e ambição, pois é por meio desses vícios psicológicos que a criatura se envereda por tristes caminhos.
Enquanto seguiam a orientadora, depois do longo silêncio, Romildo argumentou, preocupado:
— As campanhas de informação sobre a Aids e o HIV são pobres, limitadas e muito tímidas.
Diante do quadro assustador que observamos aqui, na espiritualidade, o comportamento de risco das pessoas de todas as classes é preocupante, o que pode levar o mundo a um colapso.
Algo semelhante a Babilónia, Sodoma e Gomorra.
Deus do céu! —- impressionou-se com o próprio comentário.
— Isso me faz lembrar da Bíblia e do Apocalipse narrado por João que viu uma mulher, assentada sobre a besta, vestida de púrpura e escarlate, adornada de ouro e pedras preciosas, que trazia na mão um cálice de ouro cheio de abominações e imundícies de prostituição.
O anjo que mostra a João tudo isso ainda lhe diz que a besta subirá do abismo e aqueles que habitam a Terra se admirarão com a besta que era e já não é, mas que virá.
— Breve pausa e prosseguiu:
— Convém que dure um pouco de tempo o reinado daquele que ainda não veio.
E os reis entregarão o poder à besta e todos combaterão o Cordeiro.
E disse, como João viu, que as águas onde se assenta a prostituta são povos, multidões, nações e línguas.
E que a prostituta seria desolada, nua e que comeriam sua carne e queimariam no fogo...
E ainda, depois, outro anjo que tinha grande poder diz:
"Porque todas as nações beberam do vinho da ira, da sua prostituição e os reis da Terra se prostituíram com ela, e os mercadores da Terra se enriqueceram com ela, com a abundância de suas delícias".
E esse anjo poderoso ainda diz:
"Sai dela meu povo para que não sejam participantes dos seus pecados e para que não incorram nas suas pragas.
Porque um dia virão suas pragas, a morte, a fome...
E os que se prostituíram com ela e viveram delícias, chorarão..."
Romildo se deteve nas lembranças da passagem bíblica e concluiu:
— A besta pode ser um espírito inferior poderoso que quer desviar a todos do Evangelho do Cristo, da boa moral.
A besta não tem de, necessariamente, estar encarnada!!! -— concluiu, olhando para a instrutora que serenamente o observava.
— A prostituta, de que nos fala o Apocalipse, é o sexo, as paixões desequilibradas, lascivas, que oferecem os prazeres e delícias e enriquecem aqueles que possuem qualquer tipo de comércio que promove a prática sexual, dos que montam lojas de objectos para sexo e até os meios de comunicação, que incentivam directa ou indirectamente a promiscuidade, inclusive revistas!...
E as pragas daqueles que se colocam a essas práticas é o HIV, a Aids provocada por esse vírus.
E o anjo diz:
"convém que dure um pouco.
Porque com essas pragas virão morte, fome e muito choro".
Feito silêncio, imediatamente todos olharam para Elma, que trazia incrível serenidade no semblante.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:03 am

Logo se apresentou e a seu grupo ao mentor daquele lar, que se prontificou imediatamente a explicar:
— Edimilson e sua esposa Letícia têm posição social considerável.
Têm uma filha amorosa, que lhes proporciona muito orgulho.
Letícia é uma criatura que se impressiona com tudo e deixa-se enganar por mistérios e superstições.
Por não ter conhecimento sobre a ordem dos espíritos e o tipo de comunicação séria ou leviana que podem transmitir, nem saber que espírito evoluído não interfere nas atitudes dos encarnados, dando-lhes palpite, ela aceita seriamente comunicações e opiniões de espíritos inferiores em sua vida.
Edimilson, há algum tempo -— continuou - passou por uma experiência de impotência sexual, que deveria ter sido tratada por médico especialista.
Mas, incentivado pela esposa a acreditar que sua experiência decorria de "trabalhos espirituais feitos" por inveja, para que ele fracassasse e tivesse problemas na empresa, ele e a esposa levaram o assunto para ser resolvido em um "lugar", que promovia consultas com espíritos.
O constrangimento de procurar um médico, infelizmente, prevaleceu -— prosseguiu o mentor.
— Então, o casal acabou encontrando espíritos que os perseguiam há séculos e que se aproveitaram da oportunidade para se vingar.
Na comunicação, entretanto, estes espíritos apresentavam-se como entidades que só desejavam promover o bem do casal.
Letícia passou a fazer uso da própria mediunidade e dar passividade a um espírito que fora prostituta quando encarnada.
Esse espírito, sem elevação, solicitava que ela tingisse os cabelos de determinada cor, usasse determinadas roupas, tivesse postura sensual e ingerisse champanhe.
Além disso, recomendava que acendesse velas, fizesse despachos e outras coisas em sua casa, para afastar as energias negativas de seu lar.
Cabe lembrar que as energias, as vibrações elevadas e positivas são obtidas tão-somente pela prece, com pensamentos elevados, palavras e gestos sublimes, sem palavrões.
Se pensamos que existem negatividades em nosso lar por culpa daquele que nos deseja mal, estamos nos enganando.
Essas negatividades existem em nossa casa por causa dos pensamentos ruins, dos palavrões, dos gestos enfadados, tipo aqueles que se têm quando se está saturado de alguma coisa, e muito mais.
Ele ofereceu breve pausa, mas ninguém disse nada.
Então prosseguiu com o relato:
— Pois bem, Letícia aceitava tudo que lhe foi indicado.
Com muita afinidade com esse espírito, que foi prostituta, ela passou a tentar seduzir o marido ao acto sexual, para resolver seu problema.
Por orientação desse espírito, ela arranjou com facilidade revistas e filmes que exibiam sexo explícito, mulheres nuas etc.
Então, Edimilson acreditou que estava resolvido seu problema.
O que aconteceu foi que espíritos, terrivelmente deformados por mau uso das funções sexuais, passaram a afinar-se com o casal pelo gosto que ambos adquiriam em ver revistas e filmes pornográficos.
A ligação tornou-se tão intensa que Edimilson deixou-se dominar pelos desejos constantes de diversificar a prática sexual, não só com sua esposa, mas também com outras mulheres. Com Letícia aconteceu o mesmo.
Agora, ligada incrivelmente àquela que foi prostituta, a quem satisfazia com champanhe e tudo mais, começou a sentir vontade intensa de ter experiências diferentes e acabou corrompendo-se com o próprio cunhado.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 28, 2017 10:04 am

Deixe-me lembrar —- alertou o mentor — que isso não aconteceu assim tão rápido quanto estou contando.
Levou muito tempo para que as coisas chegassem a esse nível.
Para resumir os acontecimentos, Edimilson e Letícia são portadores do HIV, mas ignoram o facto.
Os espíritos trevosos, que os querem de volta ao submundo espiritual, região de sofrimento indizível, conseguiram parte do que desejavam.
— A não ser que eles mudem o comportamento a partir de agora, não é? -— indagou Romildo.
— Isso mesmo.
Só que será bem difícil.
Os desvios sexuais estão bem acentuados neles, uma vez que se ligaram a espíritos vingadores e perseguidores do passado, que os induzem a práticas obscenas e gostos por revistas e filmes com sexo.
— Há uma previsão de como ou quando saberão que estão infectados com o HIV? -— perguntou o aluno mais curioso de Elma.
— A filha do casal -— explicou o mentor - por falta de orientação, resolveu fazer um piercing no umbigo, ignorando que maltratar o corpo que Deus lhe ofereceu como instrumento causa sérias consequências e reajustes a fazer.
Pois bem, Priscila fez o piercing (17).
Dias depois, começou a ficar preocupada com as condições de higiene do lugar onde realizou o procedimento.
Ela voltou ao local, conversou com quem efectuou o trabalho e, apesar das garantias que a pessoa ofereceu, não se tranquilizou.
Ficou incrivelmente preocupada depois de ouvir uma palestra sobre HIV e Aids em seu colégio.
Foi aí que, diante do drama e de toda a problemática, ela pediu aos pais que a levassem para fazer um teste, pois queria saber se tinha sido ou não infectada pelo HIV.
O resultado do teste foi negativo, mas algum tempo depois Priscila começou a passar mal, a ficar indisposta e a ter dores abdominais na altura do estômago, o que a levou ao médico.
Novamente, ela ficou apavorada, acreditando que tivesse sido infectada com o HIV, pois pensou que no primeiro teste que realizou estivesse no período de "janela imunológica", em que o resultado, apesar de o vírus estar no organismo da pessoa, é negativo.
Foi realizado o segundo teste, além de outros exames de sangue.
Os resultados foram negativos para HIV, mas Priscila havia contraído hepatite quando colocou o piercing.
— Os exames lhe proporcionaram grande alívio.
Ela resolveu denunciar o lugar onde fizera o tal piercing.
Comprovou-se falta total de higiene do local, pois não era realizada a esterilização dos equipamentos.
Alguns desses profissionais pouco se importam, porque nem pertencem a área de saúde.
— E os pais dela? -— questionou Romildo.
— Os pais levaram a filha para saber o resultado dos exames.
O médico que os atendeu brincou sobre os resultados, dizendo que, apesar da seriedade da doença, para aquele tipo de hepatite haveria cura, e acrescentou que ainda bem que não se tratava de HIV.
No meio da conversa, o próprio médico falou sobre a importância de todos fazerem o teste para saber sobre a infecção por vírus da hepatite e HIV.
— E aí? — insistiu Romildo.
— Eles fizeram o teste, só que ainda não buscaram os resultados.
Diante do relato, todos silenciaram, pensativos. Depois de mais algum tempo de conversa, Elma agradeceu os préstimos do amigo pela elucidação e decidiu ir embora com sua equipe.
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