No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 8:57 am

A caminho do posto de serviço, onde permaneciam para o devido descanso, Álvaro comentou:
— Todas as revistas e filmes de sexo sempre atraem espíritos lascivos e viciados para junto do encarnado que oferece atenção a esse tipo de assunto, não é?
— Isso inclui não só as revistas especificamente pornográficas, mas também as que exibem mulheres nuas, travestis, homens nus, heterossexuais ou homossexuais.
Mesmo que sem fotos, estimulam práticas sexuais desviadas, como fantasias, tendências incomuns, troca de parceiros etc.
Tudo isso atrai espíritos incrivelmente inferiores, que se afinam com o gosto do encarnado em ver essas cenas ou ler sobre esses assuntos -— afirmou Elma.
— Assim se dá com as músicas e as novelas com sugestões e cenas picantes, instigantes para o sexo que incentivam a promiscuidade e a vida leviana, mascaradas com um enredo engraçado e romântico, de luxo e requinte, mas que, nas entrelinhas, dizem que a pessoa de alto nível e de status comporta-se de maneira leviana.
Notem que em tudo, hoje em dia, os meios de comunicação têm de destacar a sensualidade e o sexo.
Os anúncios de computador têm de ter uma mulher seminua, exuberante e bonita.
O que ela tem a ver com a qualidade do produto?
Em uma propaganda de automóvel, a mulher também é exibida, como se, com aquele tipo de veículo, o homem fosse ficar mais atraente para as mulheres.
O que tem isso a ver com a qualidade desse produto?
— Os profissionais encarregados e responsáveis por esses programas e propagandas, que levam as pessoas a práticas imorais e irresponsáveis, terão responsabilidade por aqueles que praticam actos promíscuos incentivados por eles? -— indagou Romildo.
— Sem dúvida alguma e terão de harmonizar ou expiar com todos que se corromperam por causa de seus trabalhos.
Quando uma pessoa puxa o gatilho de uma arma em direcção a outra, ela tem intenção de atingir a outra pessoa, certo?
Então, quem puxou o gatilho da arma é responsável e punido pela lesão ou pelo homicídio praticado, só que isso levará tempo, talvez, até nem haja justiça terrena.
Agora, se essa pessoa soubesse que ao puxar o gatilho da arma sairia uma bala para frente e outra para trás do revólver, ela, provavelmente, não puxaria o gatilho.
É isso que devemos ter em mente quando praticamos qualquer coisa em nossa vida.
Lembra-se da passagem do Apocalipse de que nos falou?
Ela comentava sobre "os mercadores que enriqueceram na Terra com a abundância de suas delícias".
Eu diria que eles nem precisam enriquecer, mas não deixaram de beber o vinho da prostituição, do sexo promíscuo, como nos avisou João no Apocalipse.
— Os que promovem revistas de sexo, mulheres e homens nus, filmes e tudo que incentiva a leviandade podem reverter o quadro de desarmonia ainda nesta existência? — perguntou Álvaro.
— Sem dúvida.
Jesus disse à mulher adúltera:
"Vá e não erres mais" - esclareceu a orientadora.
— Mas é difícil.
A pessoa terá de se evangelizar, travar uma luta interior consigo mesma e com os espíritos inferiores que a incentivam, instruem e apoiam para, depois, aproveitar seu poder de influenciação.
Feito isso, poderá começar instruindo e edificando para uma boa moral e bons costumes tantos quantos aparecerem em seu caminho.
— Com isso essa pessoa poderá elevar um maior número de almas do que as que desviou -— considerou Álvaro.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 8:58 am

— Claro que sim.
Entretanto, muitas vezes os valores e o dinheiro dificultam que a pessoa faça isso.
Todos os meios, revistas, livros, televisão, jornais, e até panfletos, têm o poder de influenciar a opinião do público, o que pode, em alguns casos, ser muito perigoso, porém lucrativo.
Por essa razão, todos devem tomar muito cuidado quando divulgam uma ideia.
Após a explicação, Elma silenciou por alguns segundos, parecendo comunicar-se com entidades superiores, que o grupo não podia perceber.
Seu semblante continuou sereno e imperturbável.
Deixou que esvaíssem de si ondas de abrilhantada luz, que se manifestavam intensas, com forças magnéticas, envolvendo seu grupo com grande luminescência e formando algo como uma redoma a protegê-los.
Quando os alunos fixaram o olhar com mais atenção, viram avançar na direcção deles, com palavrões, rudeza e violência, uma assembleia de espíritos inferiores monstruosos, cujo perispírito assemelhava-se a animais, com incríveis deformidades.
A benfeitora, entretanto, cerrou os olhos, recolhendo-se em profunda prece.
Nem um segundo se passou, e Luz radiante desceu do Alto até sua cabeça, passando então a irradiar como ondas que ultrapassavam a redoma protectora, chegando aos agressores como um choque.
Alguns caíram atordoados, enquanto outros estagnaram amedrontados, antes de fugirem.
Elma, olhando agora amorosamente os alunos, que não deixaram de assustar-se, acolheu-os num abraço intenso e terno, recostando-os no peito e murmurou:
— Precisamos sair daqui.
Em seguida, sem que percebessem, todos já estavam no posto de serviço que os abrigava.
Passado o susto, Romildo ousou perguntar:
— Percebi que, de alguma forma, você pressentiu o ataque daqueles espíritos trevosos.
Por que não nos transportou logo de imediato, como fez depois?
— Quando um clima vibracional de impressionante inferioridade nos rodeia, somente a ligação com o Alto pode proporcionar energias que nos permitam agir.
Sou humilde servidora e não tenho nenhum poder.
Nossa defesa e nosso transporte foram facilitados por Amigos de Esferas Superiores, que nos socorreram diante da prece.
Jamais estamos desamparados, Romildo, a não ser quando a falta de fé invade nossa mente e coração.
O aluno sentiu-se constrangido com a explicação, porque, quando interpelou a orientadora, esqueceu-se do medo que sentiu no instante de perigo e de que desejou correr, enquanto ela, sem vacilar, protegeu todos com recursos que lhe eram peculiares, em vista de sua fé.
Rogou ajuda do Alto e foi atendida.

17. Nota da Médium: Piercing é um tipo de brinco metálico e existem em diversos modelos como argolas, bolinhas etc.
Podem ser pendurados no nariz, orelha, língua, umbigo ou outras partes do corpo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 8:58 am

23 - Submundo tenebroso

NO DIA SEGUINTE ao acontecimento, Romildo, sem esquecer o ocorrido, procurou a instrutora e disse:
— Elma, quero que me perdoe pela forma como falei ontem com você... eu...
— Não tenho pelo que lhe perdoar -— afirmou, sorridente.
— É tão bom quando somos instrutores de nós mesmos e temos o dom de aprender e de nos corrigir com os próprios erros e enganos. Esse é você.
— Mas por que fomos atacados?
Tudo foi muito rápido!
Eles surgiram do nada, em fracção de segundos!
Levando alguns instantes, Elma olhou a sua volta e, com o olhar, chamou Silmara e Álvaro, pedindo para que se aproximassem.
E explicou:
— O fato de ontem não foi incomum nem isolado.
Espíritos inferiores, em erros febris, com o coração endurecido e maldoso, empenham-se em perseguir duramente os que se propõem a socorrer e ensinar.
Milhares de espíritos que se cravaram em crimes hediondos e impiedosos buscam defrontar-se com os Ensinamentos Sagrados e Leis Universais.
Querem ardentemente que os encarnados, nos desvarios da vaidade, do orgulho, dos vícios e das paixões, não valorizem ensinamentos de boa moral.
Se os encarnados aprenderem ensinamentos nobres e de elevada moral, esses espíritos não terão a quem escravizar, vampirizar fluidos e ser "senhores" -— explicou Elma.
E prosseguiu:
— Esses espíritos cruéis formam legiões e falanges, criam verdadeiras cidades espirituais, repletas de aflições abomináveis para aqueles que, enquanto encarnados, perderam a razão e o bom senso, por meio de desvios e corrompimentos de todas as espécies e deliciaram-se nas paixões desequilibradas e silenciosas, nos vícios, nos crimes, nas mentiras que não se podem mascarar no mundo espiritual, por mais secretas que tenham sido no mundo terreno.
Há décadas amigos espirituais vêm avisando -— continuou no mesmo tom - alertando e ensinando os encarnados sobre essas Cidades Estranhas no submundo espiritual, mas muitos não acreditam.
Outros até crêem, mas não dão importância ao facto, e alguns ainda caçoam, dizendo que tais relatos não passam de imaginação fértil.
Porém, a falta de atenção a esse alerta, de décadas atrás, trouxe as consequências cruéis e as misérias que tantos experimentam no mundo de hoje, com relação a todos os desequilíbrios e desvios, principalmente, da leviandade e promiscuidade.
São poucos os que se regeneram e se reeducam no Evangelho redentor, acreditando no Cristo que os socorre quando as intenções e a fé são verdadeiras; mas muitos se perdem e se escravizam.
Elma fez breve pausa.
Alguns instantes e prosseguiu a explicação:
— Nesse submundo espiritual terrível, os homicidas e agressores tornam-se mutilados horrendos e experimentam o sofrimento que causaram a outros.
Aqueles que não perdoam seus agressores também são confinados a esses subterrâneos de escravidão interminável. Os mentirosos e caluniadores são tristemente punidos, assim como os preconceituosos de todo tipo.
Igualmente martirizados são os preguiçosos, os que inventaram doenças ou incapacidades no próprio corpo para fugirem do trabalho, extorquindo parentes, amigos, associações de auxílio ou se aposentaram prematuramente.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 8:58 am

Todos sofrerão os horrores de tudo que não harmonizaram, das oportunidades que desperdiçaram e muito mais.
Os espíritos que se perverteram nos prazeres abusivos das sensações sexuais -— continuou a instrutora - que fizeram do sexo algo promíscuo e leviano e desvalorizaram a energia criadora do centro genésico, que se entregaram ao sexo sem compromisso, à prostituição, aos desequilíbrios da sexualidade como zoofilia, pedofilia e tantos outros, deformam-se horrivelmente, quase ou até perdendo a forma perispiritual humana.
Muitos deles têm seus centros genésicos morbidamente ressaltados, com imperfeições terríveis, chagas inenarráveis.
Sentem dores espirituais e morais pelas situações vexatórias que, desnudos, experimentam por conta dos actos praticados e que ficaram ressaltados em seus corpos espirituais.
Vivenciam zombarias e agressividades das piores espécies, praticadas por outros espíritos.
Os alcoólatras, fumantes e viciados em drogas, que são, muitas vezes, suicidas inconscientes por matarem lentamente o corpo que lhes foi emprestado por Deus, são vítimas e instrumentos de torturas dos espíritos trevosos que se comprazem em agredir.
— Apesar do jeito manso, Elma ressaltou:
— Os ladrões e desonestos, de todas as classes sociais, principalmente os que desfavoreceram populações pobres em vista dos cargos públicos que ocupavam e os religiosos que desviaram verbas de associações filantrópicas para deficientes, idosos ou necessitados de qualquer espécie enfrentam, cadaverizados, a miséria emoldurada de impressionante dor a aflição.
Bem complicada é a situação dos religiosos que se favoreceram das funções e das ocupações a que se propuseram, em nome da religião e do trabalho de divulgação, em nome de Deus e de Jesus para tarefa filantrópica e regozijaram-se em benefício próprio.
Esses ficarão em situação de inenarrável deploração e sofrerão torturas terríveis.
Os suicidas -— disse a benfeitora com piedade - que propositadamente quiseram deixar de viver, e aqueles que se dispuseram ao aborto ou realizaram o aborto em outros, assassinando criaturinhas indefesas, a quem Deus ofereceu oportunidade de vida terrena, sofrerão punições nessas furnas muito difíceis de serem descritas de um modo que vocês possam imaginá-las.
Todos encontram perigosos inimigos do passado que os escravizam e maltratam, impiedosamente, fazendo-os sofrer as mais indescritíveis, amargas e tenebrosas experiências.
Essas cidades, que se situam no subterrâneo do orbe -— prosseguiu tranquila - têm exércitos, legiões aterrorizantes e perversas que seduzem e viciam encarnados a inúmeras práticas, viciosas de todos os tipos, imorais de todas as condutas, desequilibradas de todos os níveis, corruptas em todos os sentidos e depois os acompanham recolhendo-os, agora como espíritos, ao túmulo enquanto permanecem no umbral perturbador da consciência por forças punitivas de sua própria mente.
Depois do desencarne, os espíritos errantes e levianos vivem pesadelos de aflições e vagam sem rumo nos pântanos miseráveis, "sítios de dores", palco de aflições, zonas inferiores na espiritualidade.
Após vagarem desvairados e sofrerem por vastíssima área umbralina, podem ser caçados como animais, com incrível crueldade, e arrastados ainda para essas colónias infernais, submetidos a prisões humilhantes, dores e punições ainda maiores, pesadelos e aflições abomináveis.
Isso ocorre pela imposição mental dos que desejam punir para serem reconhecidos e admitidos como "senhores poderosos".
É o remorso e a consciência cobrando os erros cometidos que fazem milhares submeterem-se ao efeito da influência mental desses espíritos malfeitores que, com seu magnetismo perturbador, são capazes de comandar, condenar, punir, escravizar e metamorfosear espíritos que não tinham uma postura moral digna.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 8:58 am

Para finalizar o longo relato, Elma disse ainda:
— Em labirintos tenebrosos, são vigiados por seres sórdidos e sarcásticos, que esses espíritos desatentos viverão escravizados por muito, muito tempo.
Inquieto, aguardando a menor pausa para questionar, Romildo se manifestou curioso:
— Serão socorridos e retirados dessas furnas um dia?
Com a mesma tranquilidade de sempre, a instrutora explicou:
— Sim. Deus não condena nenhum de seus filhos ao inferno eternamente.
Mas é preciso muito esforço na fé e na perseverança para se livrar dessa escravização depois de ter sido preso.
— O que acontece nesse submundo espiritual com essas criaturas infelizes, que são torturadas e escravizadas? -— perguntou Silmara.
— Essas criaturas têm as energias de seus vícios e miasmas utilizados por aqueles que as escravizam.
Esses espíritos perversos utilizam tais fluidos para desequilibrarem os encarnados que estão em experiências regeneradoras e não se esforçam para vencer as tentações, ou encarnados de quem querem vingar-se, arrastando-os para as más tendências, a fim de, no futuro, após o desencarne, eles também possam ser levados para esses labirintos hostis.
— Pode dar-nos um exemplo prático, Elma?
Algo verídico para entendermos melhor -— pediu Álvaro, humilde.
Desejando fazê-los entender bem, a orientadora valeu-se de situação que já haviam observado e comentou:
— Lembram-se de Lavíneo, um professor universitário bem novo, que era noivo de uma moça chamada Manoela?
No planeamento reencarnatório, ele se propôs a reverter o quadro de desequilíbrio moral, gerado pelo sexo abusivo, de práticas lascivas degradantes.
Havia tempo ele era tentado a isso, principalmente por espíritos que, em outra reencarnação, foram mulheres que ele usou, perverteu, abandonou e escarneceu.
Mas o amor pela noiva não o deixava desviar, pois Manoela, com sua peculiar elevação, alertava--o com frequência.
Entretanto, não resistiu aos insistentes convites de espíritos que o influenciavam, por meio de pensamentos, sendo instigado pela curiosidade, a entrar naquela loja de produtos para sexo.
Lavíneo, então, colocou-se à mercê desses espíritos inferiores, maliciosos, lascivos e vis que se afinaram com ele a partir do momento em que adentrou a loja, ligando-se a ele e fazendo suas viciações e seus desvios compulsivos ressurgirem.
Esses espíritos assombrosos -— continuou Elma —- passaram a trocar energias com Lavíneo, sugando-lhe reservas de fluidos salutares em troca de miasmas tenebrosos.
Nós já sabemos disso, mas vamos ver o que ainda há por trás — avisou a instrutora.
— Alguns dos espíritos viciosos e malfeitores, que foram punidos e escravizados em furnas tenebrosas, recebem uma espécie de proposta daqueles outros espíritos "senhores" de legiões ou falanges desse submundo horripilante, para que voltem à crosta e, sutilmente, envolvam mais almas nos erros e vícios terrenos, de forma que esses líderes de falanges tenham mais espíritos escravizados num futuro próximo, quando os envolvidos desencarnarem.
Então, aquele espírito que vem sendo escravizado e punido cruelmente há muito tempo, para deixar de sofrer, aceita a exploração.
Ele se une aos outros com os mesmos vícios, desvios e desequilíbrios e retorna à crosta terrena para seduzir, influenciar e arrebatar para actos de baixo valor moral os encarnados com tendências aos mesmos vícios e desvios dele.
Elma ofereceu breve pausa, depois prosseguiu:
— Ninguém nasce para ser prostituta, compulsivo sexual, praticante de sexo promíscuo ou vulgarizado, mercador de sexo, traidor conjugal...
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 8:59 am

Ninguém nasce para ser homicida, ladrão, mentiroso, fofoqueiro, briguento, intolerante, submisso aos outros...
Ninguém nasce para julgar, condenar, criticar, maldizer, odiar...
Ninguém nasce para ser viciado em drogas, álcool, fumo, jogos e em tantos outros vícios que escravizam a criatura já encarnada.
Todos nós nascemos para nos regenerar e vencer nossas más tendências do passado.
Quando recusamos as paixões mundanas e aquele desejo intenso no que não é moralmente equilibrado, nós não nos afinamos a espíritos inferiores que querem nos aliciar a erros e vícios, para que líderes de falanges tenebrosas continuem a ter escravos e a ser "poderosos" no submundo de grande assombro espiritual.
É importante entender que os espíritos inferiores que nos assediam e querem nos convencer aos erros e desvios, e os obsessores que se dedicam à vingança não passam, muitas vezes, de colaboradores dessa falange do mal.
Apesar de semilibertos na crosta, esses espíritos ainda são escravos e garantem o aumento do número de servidores àqueles chefes ou líderes a quem se deseja exaltar acima de nosso Senhor Jesus.
O Mestre Jesus disse:
"nada há de encoberto que haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se".
"[...] temei antes aquele que te pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo".
Depois de ligeira pausa para que reflectissem, a instrutora continuou a explicação:
— A libertação de todos aqueles que passam por tormentos íntimos, em vista do desejo ardente das compulsões, dos vícios e desvios, está na resignação, na fé nos ensinamentos do Mestre Jesus e na prática do que Ele ensinou.
Não haverá milagres que nos afastem da dor da consciência e do remorso.
Há, sim, a perseverança no bem, apesar dos desafios do sexo, da Aids, dos vícios e de todas as mazelas de que nos livraremos quando soubermos dizer não.
"E quem não toma a sua cruz e não segue após mim não é digno de mim."
"E odiado de todos sereis por causa do meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo."
Jesus disse:
tome sua cruz e siga e não largue sua cruz e espere um milagre.
Ninguém se manifestou e Elma acrescentou:
— Tomar sua cruz significa ter consciência de suas dificuldades e aflições e, apesar disso, seguir os ensinamentos de Jesus.
Ser odiado por todos significa a contrariedade dos espíritos inferiores, que desejam corrompê-lo e dos encarnados, que vão ridicularizá-lo pela boa moral, actos dignos, caridosos e comportamento saudável.
Mas, Jesus avisou que aquele que perseverar será salvo.
Por isso devemos acreditar Nele e seguir seus ensinamentos a qualquer momento de nossa vida.
Após breve pausa, Romildo perguntou, comovido:
— Depois de tanto sofrimento e tanta escravização, esses espíritos, tão maltratados, podem sair desse Umbral da Consciência e libertar-se desses laços assombrosos? Como?
— Depois de tormentosos abusos nesse pântano de sofredores, eles começam a cansar-se do sofrimento, da escravização e da exploração cruel -— respondeu Elma.
— Deus constituiu a criatura humana de individualidade moral, proporcionando-lhe uma faculdade própria:
a inteligência, e o instinto, que é a manifestação do poder de sentir e escolher sem raciocinar.
Algumas criaturas desse submundo espiritual, esgotadas, vazias de ternura, de amor fraterno e de situações tranquilas, começam, espontaneamente, a crer ou a elevar seus pensamentos no Criador Verdadeiro e Eterno de todas as coisas, criando força mental que as liga a entidades benfeitoras sempre dispostas a socorrer as criaturas que, verdadeiramente, dispõem-se, apesar das harmonizações a fazer.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 8:59 am

Isso não é fácil, porém ocorre.
Mas não imaginem que só por isso esses nossos irmãos sofredores estarão bem ou equilibrados.
— Esses espíritos socorridos passam a ver e a entender as diversas reencarnações num passado de erros e os reparos que terão de fazer?
Sabem que devem tornar-se tarefeiros abnegados, não é? -— acreditou Álvaro.
— Pois o sentimento de gratidão que experimentam por serem libertos dessa escravização trevosa é imensurável.
— Engana-se, meu querido Álvaro -— comentou Elma, benevolente.
— As torturas, as humilhações, os sofrimentos inenarráveis debilitam a mente desses espíritos e muitos milhares, apesar de entenderem e desejarem o socorro misericordioso, permanecem em verdadeiros hospitais sanatórios, colónias espirituais adequadas a casos diferentes e próprios por muito tempo.
Mesmo com todas as terapias proporcionadas, continuam com os delírios pavorosos, os gritos aterradores, as atitudes agitadas e agonizantes pelos traumas que não podem ser evitados.
A conduta mental e desequilibrada desses espíritos -— prosseguiu ela —- própria das atitudes de remorso e sofrimento psíquico, resulta no difícil ou impossível entendimento sobre a pluralidade das existências terrenas, sobre o socorro feito por entidades benevolentes.
Eles passam décadas traumatizados e aterrorizados — comentou ainda —, crêem, ao ver os enfermeiros e socorristas espirituais cuidando deles que são anjos, ou seja, espíritos que sempre foram puros e servem a Deus.
Por isso é impossível tirar-lhes a noção de céu e inferno, de anjo e demónio.
Eles vivem alucinados, em constantes preces fervorosas, por medo de retornarem de onde vieram, e em crises de pesadelo pelo que sofreram ou fizeram sofrer.
— Breve pausa e disse:
— Estou lhes apresentando um breve resumo de processos e ocorrências repletas de elaborações, cuidados de casos incontáveis e diferenciados.
No entanto, em face do difícil esclarecimento desses irmãos, na espiritualidade, eles são encaminhados ao reencarne, levando consigo, na inconsciência de sua fé, crenças que exibem seus traumas pelo que viveram nas furnas como escravos ou servos assediadores de encarnados para legiões terríveis.
Aproveitando-se do silêncio da instrutora, Romildo indagou curioso:
— Quais as crenças que eles trazem quando reencarnam?
É bem possível que, no mínimo, acreditem em Deus.
— É isso que acontece — tornou Elma.
— Eles crêem fervorosamente em Deus e em satanás.
Acreditam em demónios que dominam os homens e se aproveitam deles para as perversões e perturbações.
Admitem a crença em céu e inferno.
O mais triste é acreditarem que Deus nunca socorre Seus filhos das profundezas do inferno, que Deus nos perdoa ou nos condena, que não temos oportunidade de harmonizarmos o que desarmonizamos.
Acreditam que basta pedir perdão por seus crimes e erros, para que entrem no paraíso e deixem de ser pecadores no momento em que se convertem e se baptizam.
Crêem que não terão de corrigir o que fizeram de errado depois disso.
Abominam a ideia de reencarnação pelo medo inconsciente da Lei de Causa e Efeito, pela qual corrigimos, harmonizamos ou experimentamos o que fizemos de mal aos outros.
Eles não largam a Bíblia, inclusive, decoram o que lhes é conveniente.
Têm pavor da comunicação de espíritos, mesmo sabendo que mensagens de amor, de paz e do Evangelho do Cristo são instrumentos de consolação e esclarecimento.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 8:59 am

Acreditam que toda comunicação com espíritos é obra do maligno e significa conversar com demónios.
Esquecem-se de que o Mestre Jesus, na transfiguração18, presenciada por Pedro, Tiago e João, conversou com Moisés e Elias, que já estavam mortos.
Nessa passagem Jesus também afirma a reencarnação ao dizer que Elias já tinha vindo, mas não o tinham reconhecido, e os apóstolos entenderam que Ele falava de João Batista.
Encarnados — prosseguiu a benfeitora —, esses irmãos, em aprendizado terreno, depois de décadas ou séculos passados em sofrimentos tormentosos, não deixam de dar Graças a Deus com cantos de louvores, choros e gritos porque trazem, no inconsciente, os traumas que sofreram e temem, novamente, experimentar.
Por essa razão, agem como alucinados, criando vibrações e sintonias com alaridos, que poderiam ser chamadas de insanas.
Entretanto, jamais podemos criticá-los em suas crenças e práticas —- disse Elma olhando para Romildo que, nesse instante, pareceu querer dizer algo.
— Isso faz parte da evolução de cada um e Deus permite que aconteça, pois temos o livre-arbítrio e podemos traçar e escolher nossos próprios caminhos.
Por ser uma proposta de evolução permitida pelo Pai da Vida, se criticarmos tais atitudes, estaremos censurando a Deus.
Além disso, quantos de nós, em experiência semelhante, não agimos ou agiríamos como eles?
Romildo parecia remoer-se.
Sem conter indagações íntimas, comentou:
— Eles deveriam ficar atentos à passagem do Evangelho em que Jesus ensina que para orarmos, devemos entrar em nosso quarto e orar em segredo, porque os hipócritas oram em pé para serem vistos pelos homens e que orando não devemos usar de vãs repetições como os gentios que pensam que, por muito orarem, serão ouvidos.
Elma não ofereceu trégua e amorosamente ensinou:
— Jesus também nos ensina, nesse mesmo Evangelho:
"Não julgueis para não serdes julgados.
Aquele que estiver sem pecado, que atire a primeira pedra".
E Ele ainda alertou: "Hipócrita, tira primeiro a trave de teu olho e então verás como hás de tirar o argueiro do olho de teu irmão".
Um de nossos vícios terríveis é ver o mal alheio antes de enxergar o nosso.
— Acrescentou a instrutora que continuou:
— Por isso, meus queridos, se não somos capazes de compreender a oportunidade que Deus oferece para a regeneração desses nossos irmãos, ao nos incomodarmos com seus actos e suas crenças, tenhamos ao menos humildade de começar a adquirir paciência e amor ao próximo como Jesus ensinou. Se nós fôssemos evoluídos, não estaríamos aqui.
Após o silêncio, que reinou para a reflexão de todos, Elma voltou a instruir:
— Se há legiões e falanges trevosas e exércitos de espíritos que lhes obedecem por aliar-se, querer vingança e afinizarem-se na crueldade, é porque há um líder que governa essa furna de escravidão.
O intuito é de combater os ensinamentos de Jesus, por isso são comuns os ataques constantes àqueles que socorrem e instruem.
Mas o trabalho no bem prossegue pela fé, pela assembleia de amor das entidades superiores que nos socorrem diante de nosso amor, de nossa crença no Cristo que nos prometeu salvação.
— Sorriu e continuou:
— Aquele que um pouco se eleva e prova gotas generosas de benevolência sublime e da paz fegríinta em mundos melhores -— disse Elma, referindo-se a colónias espirituais de esclarecimento -— deseja que seus amados experimentem a elevação verdadeira.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 8:59 am

Entendemos que é preciso harmonizar o passado de erros -— disse ainda - aprender e servir com perseverança e humildade, auxiliar a muitos no caminho, pois só assim ajudaremos aqueles a quem desejamos socorrer.
Só assim, aprenderemos o que significa "amar ao próximo como a si mesmo".
Apenas o bem vence o mal.
Apenas o amor é superior ao ódio.
— Elma -— disse Silmara, parecendo preocupada - se esses líderes de falanges tenebrosas, que desejam escravizar, que agem sob o comando de um governante cruel cuja mente domina, pune e tortura, quiserem agregar um grande número de irmãos para suas atrocidades e exibirem poder de força, usarão o desequilíbrio em massa para um abismo mascarado nas ilusões terrenas.
Conseguirão isso pela subtileza de ressaltar as paixões tentadoras, pelos desejos lascivos, pelo desvio da libido, pelo sexo leviano e sem compromisso, pelos exorbitantes prazeres compulsivos em que se origina a corrupção no erotismo, prostituição, exibicionismo, voyeurismo, necrofilia, sadismo, masoquismo e muito mais!
A alma da criatura humana que se desestabiliza em vista desses prazeres viciosos estará devastada pelos miasmas, fluidos, deformidades no abuso do sexo.
Mesmo que encarnada experimente algo que considere felicidade, ao desencarnar, não poderá escapar de experiências profundamente perturbadoras!
Estou errada?
— Não, meu bem. Você está correta.
Esses espíritos trevosos, que desejam arrebatar em massa aqueles em experiência terrena redentora, vão envolvê-los com subtileza e delicadeza, fazendo-os querer ver uma cena picante de algum programa, atentar para uma imagem sensual de um homem ou uma mulher, geralmente artista, atrair sua atenção a notícias ou documentários sobre sexo, apresentado de forma lasciva, induzindo a equívocos e desequilíbrio, considerando perfeitamente normal.
Devemos lembrar que todos temos direito à liberdade sexual, mas leis imutáveis da Natureza nos mostram que temos deveres de harmonizar e corrigir o desequilíbrio que essa liberdade gerou moral e espiritualmente a nós e aos outros.
O sexo, como já disse, não é pecado.
Não é sujo. Não é errado.
É energia criadora e o que vamos criar com essa prática é de total responsabilidade nossa.
No sexo, na relação sexual dos encarnados que se amam e se respeitam, que não necessitam de apetrechos nem de incentivos levianos para se relacionarem, para quem o carinho e o amor são o bastante, existe a troca de energias perispirituais salutares que os complementam, que os preenchem de fluidos vitais, ternura e amor.
Não estou falando de descarga orgástica, que o indivíduo pode até conseguir sozinho.
Falo de algo mais sublime do que isso. Falo de amor.
— Ofereceu breve pausa e prosseguiu:
— Pessoas que fazem sexo sem compromisso moral, sem afecto e sem amor, são acompanhadas de espíritos levianos e lascivos que se aproximarão delas nesse momento.
Também não estou dizendo que uma roupa agradável e chamativa, que uma música romântica ou um clima romântico não possam existir nesse momento -— ela lembrou.
— Muito pelo contrário.
O relacionamento sexual não pode ser mecânico, frio e mórbido.
Deve existir a conquista e o incentivo.
As palavras de carinho e sedução para um momento entre pessoas que se respeitam e se amam são importantes e devem ser empregadas, mas sem fetichismos.
Já presenciei incontáveis vezes entidades superiores envolvendo em romantismo casais nobres e respeitáveis para o relacionamento sexual, necessário para o reencarne de criaturas queridas.
Inquieto, aproveitando-se da pausa oferecida por Elma, Romildo disse:
— Então a prostituta de que nos fala o Apocalipse é o sexo pervertido e leviano que se assentará sobre os povos, as multidões e nações?
— Não é só isso —- tornou Elma.
— Não podemos esquecer a besta e os falsos profetas que enganarão a muitos.
O silêncio foi absoluto.
Todos pareciam se recolher em profunda reflexão.

18. N.A.E.: Mateus capítulo 17.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 9:00 am

24 - O socorro de Lúcio

DEPOIS DE tantos ensinamentos, Elma recolheu-se dos demais e, sem ser chamativa, pôs-se em humilde e comovente prece e agradeceu a oportunidade e a protecção divina que tanto vinham recebendo.
No dia seguinte, a instrutora aproximou-se dos alunos e avisou com generosidade:
— Faz-se necessária minha presença em outro lugar. Fui chamada.
Terei de deixá-los aqui neste posto de serviço onde ficarão sob a orientação amorosa de nosso querido Adir, mentor e encarregado dessa iluminada guarida que serve a muitos.
Ele, à medida do possível, vai encarregar-se de levá-los a locais e situações onde poderão aprender.
Não posso levá-los. Voltarei em breve.
Jesus os ilumine, meus queridos -— finalizou, beijando-os e observando-os com olhar terno por poucos segundos.
Como se desmaterializasse na frente dos alunos e, sem aguardar perguntas, a benfeitora partiu, deixando-os quase atordoados.
Em fracção de segundos, Elma encontrava-se com a amiga Gisela, que já a aguardava com prestimosa ternura.
Após abraçar a companheira que regressou à Colónia da Paz, ela informou:
— Toda a atenção e protecção possível foi dispensada a Lúcio.
Percebemos que a ligação obsessiva de encarnados que se remoíam em ódio incessante, criando resistência e dificultando seu entendimento, provocando-lhe inenarráveis dores, assombros intermináveis e perseguições, diminuíram significativamente desde o início dos trabalhos na crosta.
Como esperávamos, nosso querido Lúcio vem reagindo, reflectindo com raciocínio lógico sobre seus erros.
Deduzindo que, se errou, pode acertar.
Se está no inferno, deve haver um céu.
Mas o sentimento de culpa, o remorso por ter se fartado nos prazeres abusivos do sexo, das drogas e a forma como corrompeu e comprometeu a vida de outras pessoas, bem como as acusações e as torturas que recebe de outros sofredores, zombadores cruéis, fazem-no declinar e perder o pouco de fé que criou.
Então voltam as perturbações, as misérias terríveis do "sítio de dores", a que está confinado.
Minha amiga, a maior preocupação é com as informações que nos chegam de socorristas elevados dessas zonas inferiores.
Eles avisaram sobre a perseguição àqueles que devem ser levados a Cidades Estranhas, furnas onde são punidos, escravizados e agregados futuramente a exércitos revoltados, que servem a líderes tenebrosos e governo tirano.
Tememos por Lúcio, que começa a irradiar tímido desejo de fé, pois os irmãos ignorantes preferem irmãos como ele que conseguem reconhecer e compreender que estão sendo punidos e julgados.
Alguns dos que estão em estado de perturbação muito intensa não conseguem entender sua situação, por isso não lhes interessam.
Mas trago boas novidades.
Nosso Ministro amoroso e compreensivo já colocou à disposição socorristas que poderão auxiliá-la em visita a Lúcio no "sítio de dores" e que, mesmo sob trevas espessas, poderão penetrar, em sua companhia, claro, mas com todas as precauções.
Só aguardamos por você, porque sabemos que uma entidade, em estado de entendimento harmonioso, que teve grau de parentesco considerável com o espírito em estado de perturbação pode e tem condições de envolvê-lo nesses instantes de lucidez, em que tem desejo de socorrer-se e fé.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 9:00 am

— Para encerrar, Gisela ainda disse:
— Só que, conforme os socorristas já nos avisaram, todo cuidado deve ser redobrado, uma vez que legiões estão indo e vindo naquele sítio.
— O flagelo não vigora onde existe fé verdadeira em Jesus e responsabilidade em servir -— disse Elma, com surpreendente fé.
— Abençoado aquele que nos incentivou e concedeu socorro providencial aos que se erguem do lodo, arrependem-se dos erros e se afligem pela situação, buscando alguma Luz no coração e no entendimento.
"Bem-aventurados os que choram, pois esses serão consolados".
— Tomando as mãos da amiga querida, olhando-a nos olhos reluzentes, Elma abriu o coração com expressivo sentimento:
— Desejo ir, sem demora, ao socorro de meu amado Lúcio.
Com a ajuda de Jesus, com Suas bênçãos santificantes, hei de conseguir envolver meu querido.
Gisela sorriu, com esperança e intenso júbilo na expressão, e a seguir solicitou humilde:
— Permite que eu a acompanhe?
Com brilho acentuado no sorriso e lágrimas prestes a rolar, Elma perguntou emocionada:
— Como não querer ajuda, companhia e apoio de alguém tão especial em minha existência?
— Abraçando a amiga espiritual, avisou:
— Amizade verdadeira é a que nos sustenta em todos os momentos, mesmo não estando junto.
É aquela que compreende nosso sentimento de tristeza ou nossa necessidade de isolamento.
É a que divide uma gota de felicidade, mesmo que momentânea.
É a que não cobra a presença e aceita a distância pelas necessidades dos imprevistos da jornada, sempre sem questionar.
É a que nos alerta dos erros, mas sem a amargura de uma censura.
Sem sua amizade, minha irmã, como sobreviver com esperança diante dos nossos flagelos íntimos ou desastres em nossa jornada?
Como saber se podemos ser úteis e servir?
Como nos erguer dos percalços, dos vícios, dos erros e reconhecer que o amanhã pode ser melhor, diante da harmonia que podemos proporcionar?
Sem uma amizade, como receber o alerta de que existe um Deus bom e justo?
Obrigada por me ofertar o amor de sua amizade.
— Mas sou eu quem lhe devo tanto, Elma! -— disse Gisela, chorando emocionada.
— Como pode considerar-me assim?
— Você não conhece todo o seu passado, minha amiga.
Foi muito útil na vida de minha querida filha.
Mas nada de recordações nesse momento -— disse, sorrindo e esperançosa.
— Trabalharemos sem descanso, mas iluminados pelas bênçãos do Mestre Amigo.
Sua companhia será de muita sustentação para mim, minha amiga.
Sem demora, Elma, Gisela, Dário e Tácio excursionaram rumo a um lugar onde estagiavam mentes em extremo e longo estado de perturbação.
Desceram até regiões desoladoras, de paisagens mórbidas, sombrias.
Chegaram ao "sítio de dores", assim chamado pelo estado deplorável e pelas lamentações infindáveis dos inúmeros desencarnados que ali se prendiam por abusos, vícios, orgulho, egoísmo, vaidade e arrogância em prazeres terrenos.
Grupos de espíritos hostis, com aspecto horrendo e deformados, gargalhavam e zombavam em visível desequilíbrio e verdadeira demência, proferindo palavras vulgares, palavrões indizíveis e ideias sujas.
Enquanto outros, com aparência macabra e abrutalhada, que molduravam o perispírito de modo bisonho, maltratavam, com agressividade gratuita e prazerosa, os que estivessem em seus caminhos.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 9:00 am

Em inenarráveis paisagens estranhas, pavorosas e sufocantes ainda se encontravam aqueles que, sob forte impressão das doenças e infecções diversas que experimentaram na vida terrena, desencarnaram sem harmonização da consciência, sem o perdão a si mesmos e aos outros, sem reeducarem o corpo e o espírito.
Eles moldavam a aparência com as horríveis consequências das moléstias, sofrendo suas dores e convertendo o remorso, que sentem e os castigam, em delirante desespero e gritos cortantes e pavorosos.
Libertos do corpo de carne, esses espíritos, viciosos e vaidosos, sofrem mais do que quando no corpo físico, por causa da penosa realidade que agora se apresenta sem máscaras nem ilusões (19).
Era nesse pântano repulsivo e fétido, vale de sofrimentos imensuráveis, que Lúcio vagava, ora lúcido, ora atordoado, ganhando noção de elevação e fé, mas arrastando-se a passos vagarosos, como se quisesse sair dali e chegar a lugar melhor.
As fortes vibrações inferiores daquela extensa região tenebrosa exigiam que Elma e seus companheiros diminuíssem a luminescência que lhes era própria, transformando-se, para as criaturas que habitavam aquele charco, em espíritos que não chamavam nenhuma atenção, pois não poderiam exibir recursos ou intenção de socorro.
Ao encontrarem dois outros companheiros, aparentando as mesmas condições de transformação e que trabalhavam como socorristas anónimos, Elma e seu grupo foram avisados sobre espíritos sinistros que estavam atacando para agredir ou lutar.
— Agradecemos a informação e seguiremos com cuidado, com Jesus em nosso coração -— disse Elma, transmitindo-lhes a informação somente pelo pensamento.
Avançando um pouco mais, puderam ver Lúcio caminhando na direcção de um facho de luz bruxuleante, o qual teimava em passar pelo bloqueio da fumaça cinzenta que sempre cobria o céu.
— Deve ser dia nesse inferno —- falava Lúcio consigo mesmo.
— Tenho de ficar sob essa luz.
Preciso ver o sol e rezar a Jesus. Se Ele me vir, há de socorrer-me...
Enquanto caminhava com passos trôpegos, um bando de malfeitores passou correndo por ele, atacando-o e jogando-o ao chão, enquanto gritavam, blasfemavam e zombavam impiedosamente.
— Suicida! Assassino!!!
Seus prazeres o levaram à morte, desgraçado!
E matou os outros também!
Após desferirem vários palavrões, frases e o agredirem, deixaram-no no solo, imerso no lodo pútrido, e seguiram na direcção do grupo de Elma.
Encarando-os, um deles falou:
— Recém-chegados, hein?!
Vieram conhecer o inferno?! -— riu, sarcasticamente, e acrescentou:
— Eis as boas-vindas!!!
— Erguendo objectos estranhos, usados em agressões, como se fossem clavas medievais, desferiram golpes que atingiram Dário, Tácio, Elma e Gisela.
Depois de muita ofensa e palavrões proferidos pelos agressores, Elma e os demais prostraram-se de joelhos, de cabeça baixa, recolhidos em prece silenciosa.
O grupo hostil seguiu gargalhando assombrosamente.
Elma ergueu-se primeiro e, em pensamento, pousando as mãos no ombro dos companheiros, lembrou com ternura e amor:
— O amado Mestre Jesus foi açoitado e dobrou-se de joelhos diversas vezes com o peso de uma cruz que não Lhe pertencia.
Ainda crucificado, pediu ao Pai para que perdoasse os que lhe fizeram sofrer, pois não sabiam o que estavam fazendo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 9:00 am

Levantemos com humildade, meus amigos, porque o trabalho de socorro é a cruz que nos pertence hoje.
A capacidade de entender e perdoar fez o grupo se erguer.
Unidos em abraço fraterno, todos se entreolharam, sorriram brandamente e seguiram.
A poucos passos, Lúcio, com poucas forças, ainda ajoelhado, repleto de chagas e cadavérico, com feridas que não cicatrizavam e lhe doíam extremamente.
Lágrimas copiosas rolavam por sua face agora desfigurada pelo remorso e pela humilhação.
— Deus! Socorra-me, Deus! -— sussurrava.
— Sei que mereço o inferno pelo muito que abusei... por tudo o que fiz... mulheres que conquistei e desprezei depois!...
Pelo sexo vicioso, compulsivo e de prazeres carnais...
Prazer louco, irresponsável, que me fez adquirir o vírus da punição...
Lágrimas corriam copiosas e sua voz embargava inevitavelmente.
— Pensei que tudo terminaria com a morte, mas não foi assim.
Mereci o inferno... Mas Deus!
Olhe, veja...
Nunca fui religioso, mas Jesus disse alguma coisa sobre o Senhor ser bom... disse para pedir... e que nos seria dado...
— Em pranto fervoroso, que lhe fez uma luz no peito, rogou:
— Tire-me daqui, oh, Deus!
Um Deus bom e justo não nos deixa sob punições e assombros eternos...
Eu sei que quis comprar Seu perdão quando entreguei grandes valores para os que disseram que eu seria curado, que eu iria para o paraíso com aquelas doações consideráveis...
Mas agora entendi, acho que entendi que Seu amor e Seu perdão dependem de nosso amor, que Sua bondade depende do arrependimento sincero e da fé verdadeira...
Chega, meu Deus!
Não posso mais ficar aqui...
Com as mãos cobrindo-lhe o rosto, Lúcio chorava e soluçava copiosamente, prosseguindo em súplica fervorosa em pensamento, entretanto, reconhecendo-se como criatura desventurada, que podia ser socorrida pela intenção verdadeira.
A ligação religiosa verdadeira estava restabelecida pela fé, pois religião significa ligar-se a Deus e isso não depende de qualquer doutrina, mas sim de um coração puro.
Lúcio, ainda em pranto, percebeu uma claridade diferente que o fez retirar, vagarosamente, as mãos da face e, no mesmo instante, percebeu um toque suave e generoso em seu ombro.
Com os olhos nublados em meio a uma visão enfumaçada, fitou Elma a sua frente, que lhe sorria generosa e comovida.
— Quem é você?
Um anjo? -— perguntou, trémulo.
— Não, meu querido.
Somos irmãos em Jesus.
— Ouviu minhas preces e veio socorrer-me?
Elma sorriu amorosa e verdadeiramente emocionada, porém com pensamentos firmes e nobres, pois não poderia ser vacilante em nenhum sentido.
Ela se ajoelhou a seu lado e informou:
— Viemos socorrê-lo várias vezes, mas somente sua prece, que traduziu a verdade de seu coração, ligou-o ao Deus de amor, bom e justo, permitindo que elevasse sua vibração para o desejo de um lugar melhor, acreditando na Providência Divina que não decreta inferno eterno a ninguém.
Com isso, você mudou a sintonia de suas opiniões e passou a nos ver, possibilitando seu socorro.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 9:01 am

Lúcio chorava, quando tentou dizer:
— Mas eu estou...- — não conseguiu se manifestar.
Perdeu as forças.
— Silencie agora, meu querido -— pediu com imensurável carinho.
— Precisamos sair daqui o quanto antes.
Estendendo-lhe as mãos delicadas, como se o convidasse para um abraço, ela sorriu.
Lúcio, ainda em pranto, acomodou o rosto em seu ombro, aceitando o fraterno carinho repleto de sentimentos e vibrações que jamais experimentara antes.
Um instante depois, com o magnetismo que lhe era peculiar, Elma o fez imergir em profundo sono.
Lúcio largou-se completamente, como se desfalecido.
Gisela, meiga e feliz diante da cena comovente, afagou a fronte do socorrido, sorriu para a amiga e avisou:
— Devemos seguir rápido.
Já se pode perceber energias muito mais trevosas de grupos hostis que se aproximam.
— Sem dúvida - aceitou Elma.
Dário e Tácio, que estavam em constante prece de sustentação para aquele momento de socorro, ajoelharam-se perto da benfeitora que tanto amavam e respeitavam.
Por um segundo, não conseguiram conter as lágrimas de júbilo e agradecimento pelo relâmpago de recordações de experiência semelhante, num passado distante, em que a própria Elma, abnegada e solícita, do mesmo modo lhes proporcionou zeloso socorro de amor.
Encarando aqueles olhos divinos, de onde vertiam lágrimas discretas, os dois companheiros estenderam à Elma os braços fraternos para sustentar Lúcio, inerte, e levá-lo até o lugar ideal para sua recomposição e devidos esclarecimentos.
Bondosa, afagando a fronte de seu amado agora nos braços dos companheiros que se ergueram, Elma proferiu breves palavras de agradecimento e cerrou os olhos, levantando a cabeça para o céu, colocando-se em fervorosa rogativa.
Criaturas monstruosas e das sombras, que os circundavam e observavam a movimentação, incomodados e sem entender o que acontecia, desferiram palavrões e gestos agressivos.
Incentivados por serem em número maior, começaram a aproximar-se com o intuito de investir.
A comunhão de Elma, pela prece, com entidades superiores que os demais não podiam ver, fez raios de forte luz irradiarem de seu peito.
Ao mesmo tempo, névoas trevosas, que cobriam o céu logo acima deles, abriram-se para a passagem de fluidos cintilantes de luz abrilhantada, parecendo espargir de grandioso diamante excelso.
Tais efeitos santificantes cegaram os que pretendiam atacar.
Fizeram alguns se prostrarem enquanto cobriam o rosto deformado.
Outros fugiram amedrontados.
Energias superiores esplêndidas envolveram os socorristas que, com o coração transbordando de fé e felicidade, partiram em subida para lugar adequado.
Fora das zonas inferiores e após providências e cuidados devidos a Lúcio, Elma, amorosamente, aproximou-se dos amigos queridos e envolveu-os num abraço afectuoso e repleto de emoção.
— Nunca esquecerei tanta bondade e devotamento nesta tarefa de socorro.
Não há como lhes agradecer.
— Em tom humilde, disse:
— Só me resta rogar ao Mestre Jesus muita luz em seus caminhos.
Serei eterna devedora a vocês.
— Não diga isso, abnegada Elma -— disse Dário, emocionado.
— Nós é quem somos seus eternos devedores.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 29, 2017 9:01 am

Por mais que tentarmos ajudá-la, jamais saldaremos a dívida do socorro amoroso que nos proporcionou quando agonizávamos, há séculos, em regiões infernais20.
— Faço das palavras de Dário as minhas — concordou Tácio.
Elma simplesmente sorriu. Agradeceu novamente e orientou:
— Agora voltem à Colónia da Paz.
— Voltando-se para a companheira, pediu educadamente:
— Gisela, minha amiga, agradeça ao Ministro por mim.
Tenho urgência em retornar à crosta para junto dos desvelados alunos, e ele sabe disso.
Em breve, terminaremos ao que nos propusemos.
Retornarei com eles e agradecerei o apoio oportuno e atencioso pessoalmente ao Ministro da Colónia da Paz.
Após fortes sentimentos trocados com a ternura de olhares que exprimiam intensa emotividade, despediram-se sem palavras e partiram para seus destinos.

19. N.A.E.: Em O Livro dos Espíritos, as questões 255 e 256 explicam bem esse estado.
20. N.A.E.: É importante salientar que Deus não criou o inferno para confinar eternamente qualquer um de Seus filhos que ainda não está suficientemente aprimorado, nem criou um céu, um paraíso para os Seus filhos pródigos.
Os nossos próprios pensamentos, as vontades silenciosas para os desvios são, sem dúvidas, forças criadoras que podem desarmonizar a nós mesmos.
A nossa consciência, que se liga, indefinivelmente, às Leis de Deus, possui o poder da razão e da obrigação das corrigendas para a harmonização dos erros provocados pela força de nossos desejos em nossas compulsividades, vícios, orgulho, arrogância etc.
E a nossa própria consciência que nos perturba, pois as Leis de Deus estão registradas nela.~
"Já que não temos uma palavra para cada coisa": Inferno, Umbral, zonas inferiores, furnas, submundos, entre outros, não passam de termos utilizados para denominar lugares na espiritualidade de tenebrosas criações mentais que cada um de nós somos capazes de dar existência com a energia do pensamento, estando nós encarnados ou desencarnados.
Isso fazemos por meio de ideias maliciosas ou maldosas, dos palavrões, das práticas erróneas e é para esse lugar com o qual nos afinamos pela energia que despendemos, que vamos nos atrair quando desencarnados.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:16 am

25 - O retorno de Elma

FELICIDADE indescritível traduziu-se no rosto dos alunos de Elma, quando a viram de volta ao posto de serviço que os recolhia.
Após cumprimentar Adir, espírito responsável por aquele abençoado lar, que a recebia com expressiva simpatia, Elma voltou-se aos alunos, que exibiam grande expectativa.
— Não sabe o quanto estávamos apreensivos! -— exclamou Romildo, preocupado e feliz.
— Ora, meu querido -— respondeu afectuosa, mas com certa brincadeira na argumentação - acaso não ficaram bem?
Tiveram algum problema? -— sorriu, já sabendo da resposta.
— Não. Lógico que não — afirmou o aluno mais curioso do grupo.
— Adir nos tratou como pai amoroso, mas... é que... — ...sentimo-nos órfãos de mãe! -— Álvaro completou a frase de Romildo, sem que ninguém esperasse.
Elma sorriu.
Abraçou-os com maternal carinho e comentou:
— Apesar de minha pequenez, acho-me capaz de compreender um pouquinho do amor que o Pai Celeste tem por nós.
Pois trago um grandioso sentimento, que ouso chamar de amor, por vocês, alunos queridos, por aqueles que se deixam socorrer depois de longo estado de perturbação, envolvendo em meus braços como se fosse meu filhinho querido e desprotegido, necessitando do calor de meu coração, e por aqueles queridos que ainda insistem em meios próprios e equivocados...
Como quero ajudá-los!
A emoção que vibrava forte no peito de Elma deteve suas palavras.
Novamente sorrindo, ela desfez o envolvimento generoso e perguntou:
— Não nos resta muito a observar sobre os desafios, as paixões e os vícios terrenos.
Apesar de tantos milhões de experiências diferentes e particulares, o pouco de que tomamos conhecimento é quase satisfatório para ter uma noção do caminho que a humanidade segue e do que podemos fazer para não seguirmos rumos equivocados e confusos, que nos inclinem às paixões silenciosas e vícios desequilibradores.
Isso porque encarnamos para superar e vencer nossas más tendências.
— Elma -— quase interrompeu Romildo, animado —- já nos levou a orfanatos de crianças que nasceram com HIV e terão oportunidade de reeducar-se como espíritos, com a ajuda daqueles que precisam também harmonizar-se.
Você descreveu e nos mostrou casos de espíritos com necessidade de nascer e permanecer com a mãezinha já portadora do HIV, como o do Higor.
Apesar de não ser fácil, poderia nos mostrar ou falar de algum caso em que os pais sadios têm um filho pequeno portador do HIV?
— Esse é o roteiro de observação seguinte -— informou a instrutora, com esboço de leve sorriso.
— Está lendo meus pensamentos, Romildo?
O aluno ficou sem jeito e, pela primeira vez, não teve nada para comentar, enquanto os demais riram.
Imediatamente, em companhia dos alunos animados, Elma deixou o posto de serviços espirituais.
No caminho, que percorriam ao modo de encarnados, observavam os transeuntes encarnados que iam e vinham.
— Um número muito grande de encarnados traz consigo incontáveis espíritos que se afinam com eles pelos pensamentos e desejos semelhantes — observou Romildo, com tranquilidade.
— Quando estamos em experiência terrena, reclamamos da vida, das condições que enfrentamos, mas não admitimos que a causa de todos os nossos males e incómodos são nossos próprios pensamentos, negativos ou lascivos, os palavrões pútridos que nos envolvem de energias miasmáticas nojentas e repugnantes.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:19 am

Ou temos ideias ambiciosas, arrogantes e repletas de orgulho, sobretudo o orgulho de não admitir que estamos errados.
Não adianta se cobrir de ouro e usar roupas belas e caras, nosso perispírito expressa o que somos, e somos o que pensamos.
— Vejam aquela mulher -— apontou Elma com discrição.
— Ela abraça tarefa fraterna de socorro e auxílio a muitos irmãos.
Suas atitudes são nobres e valorosas, mas, infelizmente, seus pensamentos traçam mecanicamente certa cobrança a Deus e aos amigos espirituais benevolentes que a acompanham.
Por ter consciência da tarefa edificante que realiza, não se acha no direito de experimentar dificuldades com os filhos, com a viuvez, que lhe traz solidão afectiva, com a situação financeira sempre desfavorável...
Ela tem ideia fixa de arranjar um companheiro que realize seus caprichos, que satisfaça seus luxos silenciosos, pois quando teve o suficiente, ainda nesta experiência de vida, regozijou-se na abastança e desperdiçou, mesmo que não admita, por orgulho e vaidade, ter feito isso.
Hoje ela experimenta o que não valorizou.
Só que o companheiro de que sente falta é alguém que, segundo seus desejos, beijaria seus pés, realçaria seus valores, nutrindo sua vaidade e proporcionando prazeres sexuais que alega nunca ter experimentado.
Além disso, ela, às vezes, imprime malícia em algo que vê, ouve ou pensa.
São esses pensamentos que atraem espíritos lascivos e desejosos por sexo desequilibrado.
Esses espíritos acercam-se dela, ligando-se pelos pensamentos, e activam-lhe os desejos de descarga orgástica, excitando-a enquanto se imantam a ela.
Quando ela não resiste a seus sentimentos, acreditando que são simplesmente resultado de solidão e da falta de um complemento, chora inconformada e entristecida por não ter alguém, por não ter uma situação melhor, por ter muitas coisas para resolver, por trabalhar para suprir as necessidades da casa e por harmonizar os filhos que, inconformados com as dificuldades, entram em desavenças por mínimas coisas.
Com frequência — ela prosseguiu —, essa pobre irmãzinha imagina que suas actividades fraternas de assistência e socorro aos outros deveriam garantir-lhe o sustento, a estabilidade económica e o equilíbrio sentimental por meio de um homem que a venere.
Em meio a tudo isso — continuou a instrutora —, nossa irmã cria vibrações pesarosas e terríveis que endereça ao marido desencarnado, condenando-o por seus actos, pelos problemas que deixou para serem resolvidos, pela falta de uma pensão que lhes garantisse o mínimo para a alimentação, acusando-o também de suicida pelo desencarne precoce, com câncer galopante, causado por abuso do fumo e álcool.
Essas vibrações causam ao desencarnado um sofrimento impressionante.
Apesar de ter conhecimento -— Elma comentou para desfechar - essa mulher deixa pairar em torno de si e em seu lar uma nuvem de miasmas terríveis, criados com seus próprios pensamentos, atraindo espíritos ignorantes, vis e zombadores, desejosos de desequilibrá-la e até de levá-la à loucura e à depressão, estado emocional de aflitivo desgosto.
Não suportando a curiosidade, Romildo perguntou, ligeiro, diante da pausa:
— Mas ela não realiza os trabalhos fraternos que abraça com amor?
Como, então, tem forças para essas tarefas de caridade?
Como pode entender que a caridade é o caminho da salvação e deixar que os pensamentos vaguem em torno de sentimentos que sabe ser inferiores?
Além disso, onde ficam esses espíritos inferiores no momento em que ela se dedica a obras fraternas, se sabemos que entidades sábias e benfeitoras são as mentoras dos trabalhos de amor?
— Sem dúvida, onde há trabalho fraterno elevado, há entidades benevolentes que envolvem aqueles que se dedicam a ele -— Respondeu a instrutora.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:19 am

E prosseguiu:
— Entretanto, espíritos superiores não formam quadrilhas que prendem e escravizam outros espíritos.
Longe disso, eles só trabalham para o bem, enquanto que os irmãos desencarnados que ainda insistem na perversidade e em atrapalhar os invigilantes aguardam pacientemente a distância aqueles que querem envolver ou perseguir.
Esses espíritos inferiores sentem-se repelidos pela luz e pelas bênçãos santificantes que espargem dos locais onde tais tarefas são realizadas.
Nossa irmã, apesar de todo o seu conhecimento, deixa-se anestesiar de tudo que aprendeu.
Quando ela se dedica com amor e de modo prestativo à tarefa fraterna, é envolvida por entidades nobres e os espíritos inferiores que desejam envolvê-la aguardam a distância.
Ao deixar a tarefa de elevação ela permite que seus pensamentos se impregnem de sentimentos de solidão e ausência de algo que não consegue definir, voltando à companhia desses espíritos.
É tão lamentável... -— explicou amorosamente a instrutora.
— Como você mesmo disse, Romildo, sofremos com o que criamos em nossos pensamentos, pois somos o que pensamos.
Algumas pessoas, por mais que tenham, nunca se realizam nem são felizes.
Devemos lembrar que uma pessoa é totalmente feliz somente consigo mesma, pois a felicidade não depende de complementos.
Para a pessoa feliz, a solidão é um momento de prazer, em que ela está em paz consigo mesma, pois seu coração está repleto de harmonia para com Deus.
Ela não chora por estar só, nunca reclama pelas dificuldades a enfrentar, pois entende que são desafios para harmonizar, com resignação amorosa e sem queixa.
As pessoas felizes consigo mesmas são agradáveis e gentis na companhia de outras ou rodeadas por conhecidos.
Geralmente, atraem criaturas iguais a elas e não se importam com os que discordam de suas ideias ou fazem qualquer comentário negativo.
Aproveitando-se da pausa, Silmara comentou:
— Podemos dizer que ser feliz não depende da companhia que temos, do lugar onde vivemos, nem do que conquistamos materialmente.
Ser feliz depende de nossa concepção mental.
— A felicidade, a harmonia interior e o equilíbrio são departamentos do espírito, não da vida -— explicou Elma sempre serena.
— São pessoas não realizadas ou insatisfeitas consigo mesmas que procuram na bebida, comida, aventuras, sexo, drogas, fumo, jogos e em tantos outros vícios algo que lhes dêem prazer, embora não saibam o que procuram.
Esses prazeres físicos, de toda ordem, podem trazer-nos sérias consequências, muitos tormentos e reajustes.
— Então é errado querer uma companhia e desejar ter um parceiro ou uma parceira? -— indagou Romildo.
— Não. Não é errado desejar ter ao lado alguém que nos complemente, a quem possamos dedicar amor, carinho e agradecimentos.
Alguém de quem possamos receber amor, carinho e agradecimentos.
Quem não quer ter a companhia de alguém agradável?
É errado desejar escravizar alguém a seu lado para realização de seus desejos íntimos, alguém que o retire das obrigações diárias, alguém que se prenda e não faça nada pelo próprio progresso pessoal por sua causa.
Isso não é correto.
Assim como não é correto também desfazer uniões.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:20 am

Desejar afastar pessoas unidas por qualquer meio, ou envolver-se com quem já é compromissado.
O adultério foi recriminado até por Jesus.
E vamos lembrar que adultério vem de ambos envolvidos e não só daquele que é compromissado.
— E quando temos saudade de algo que não sabemos o que é? -— perguntou Álvaro.
— A pessoa feliz pode ter saudade e, geralmente tem, mas não aquela saudade cobrando de Deus suas carências e necessidades.
Normalmente sentimos uma ausência e uma saudade de algo ou de alguém que foi muito bom para nós.
Pode ser saudade de uma alma querida que nos complementou, a quem amamos muito nessa ou até em outra vida.
É terna e doce, pois, um dia, sabemos, que vamos saciar.
Porém, a criatura desequilibrada sente uma saudade e ausência desesperadora, pela qual chora e se deprime, deixando-se à mercê de espíritos vingativos, infelizes e zombeteiros.
Por isso é importante nos dedicarmos a trabalhos valiosos, de auxílio ao próximo, onde ocupamos a mente, nossos pensamentos, com o que temos de fazer.
— "Mente vazia é oficina do diabo" -— afirmou Romildo e completou:
—- já dizia minha avó, e acho que ela estava bem correta.
Elma e os outros alunos sorriram.
Logo a instrutora disse com simplicidade:
— Chegamos.
Era uma casa muito bonita, e podia-se perceber o considerável poder aquisitivo dos moradores.
Ao entrarem, foram recebidos por entidades elevadas, que se alegraram com a visita que já parecia ser esperada.
Após os cumprimentos, Elma pediu, generosa:
— Firmino, esses companheiros, alunos nobres, gostariam de aperfeiçoar conhecimentos, e eu creio que você poderia ajudar-nos com sua experiência.
— Como sempre, boa amiga, coloco-me à inteira disposição -— afirmou gentil.
Voltando-se para o grupo, informou:
— Quando ainda estavam na espiritualidade, Dirce e Osmar, proprietários desta casa, aceitaram a proposta de reencarnarem e, juntos, com a bênção de filhos maravilhosos, dedicarem-se a tarefas fraternas e caridosas.
O planeamento reencarnatório foi perfeito, mas o livre-arbítrio alterou dolorosamente alguns projectos.
Rosilene, a primeira filha do casal -— prosseguiu Firmino - uma criança linda e muito esperta, reencarnou para auxiliá-los na tarefa que surgiria em breves anos.
Um dia, essa filha querida ficou febril em consequência de uma infecção de garganta, algo comum em crianças.
Os pais a levaram a um hospital, digo, um excelente hospital para ser medicada.
Triste e irresponsavelmente, a auxiliar de enfermagem que se negou, por livre-arbítrio, a trabalhar correctamente, preparou o medicamento prescrito pelo médico para ser aplicado na menina, mas usou um aparelho de injecção e agulha que já tinha sido utilizado e deveria ter sido descartado.
Foi esse procedimento que infectou Rosilene com HIV, sem que ninguém desconfiasse.
Passado algum tempo, começaram a surgir em Rosilene diversos problemas de saúde, infecções seguidas e alergias na pele.
Levada ao pediatra, foi solicitada uma série de exames laboratoriais, mas não se descobria o motivo de tantos problemas de saúde.
Depois de mais algum tempo, após passar por diversos especialistas, um deles solicitou o teste para HIV que, assombrosamente, foi positivo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:20 am

Como uma menina, aos 4 anos, poderia ter sido infectada? —- indagou o mentor, mas não houve respostas.
Então ele prosseguiu:
— Essa foi a principal questão a ser feita, uma vez que os pais e os parentes mais próximos fizeram exames repetidos, sempre negativos.
Ninguém da família era portador do HIV, somente Rosilene com 4 aninhos.
A mãe desconfiou do hospital, pois se lembrou que a filha sempre era levada ao mesmo hospital para consultas, vacinas e situações de emergência.
Apesar disso, nada poderiam provar.
O hospital permaneceu resistente à acusação e os pais abriram mão de prolongar o assunto, que poderia terminar na justiça e lhes tomaria muito tempo.
A prioridade, naquele momento, era cuidar da filha doente.
Houve desespero e muita dor -— Firmino disse em tom de lamento.
Mesmo inconformado, o casal uniu-se mais do que nunca para oferecer todo o amor, cuidado e atenção à filha querida.
Procuraram todos os tipos de medicina alternativa e medicamentos disponíveis.
Mas, como sabem, não há como exterminar o vírus HIV do organismo nem cura para a Aids.
Firmino ofereceu breve pausa, mas todos aguardaram que prosseguisse, e ele o fez:
— Quando Rosilene já estava bem doentinha, por um suposto descuido, Dirce engravidou.
Foram momentos difíceis, pois os pais queriam dedicar-se à filha e temiam que o bebé fosse infectado.
Além disso, um recém-nascido exigiria muitos cuidados e atenção.
Não há como descrever os tormentos, as dúvidas e os dias difíceis que o casal sofreu, acompanhado por todo o restante da família de forma tão dramática.
Rosilene, ainda brincando e ignorando o que acontecia com ela, ao saber que a mãe esperava um bebé, disse:
"Vai ser um menino. É o Rafael".
Os pais perguntavam discretamente à filha como ela poderia saber daquilo.
Rosilene respondeu que anjinhos que vinham brincar com ela lhe disseram isso.
Então —- continuou contando sempre no mesmo tom —- após alguns meses, Rafael nasceu.
Lindo e saudável.
Meses depois, Rosilene desencarnou, devido às infecções oportunistas e severas provocadas pela Aids.
Ninguém pode imaginar o sofrimento de uma mãe que, como Dirce, perde um filho tão pequeno e inocente, vítima da falta de consciência de um ser humano que, infelizmente, terá de arcar com o prejuízo que proporcionou ao outro.
Apesar de toda a tragédia, Dirce e Osmar equilibraram-se, mas nunca esqueceram a filha tão amada.
Rafael vem crescendo, saudável, inteligente.
— Um instante e comentou:
— O mais difícil nisso tudo foram as incontáveis tentativas de convencer Dirce e Osmar a conceber mais um filho, pois Rosilene, renovada e repleta de vigor, após o desencarne e a recomposição na espiritualidade, desejava retornar entre os pais amorosos para que se cumprisse o compromisso abraçado para uma grande tarefa edificante.
Firmino sorriu maneiroso e informou:
— Não foi fácil, mas, novamente, um descuido -— riu -— foi a oportunidade de trazer a querida Rosilene de volta como filha de Dirce e Osmar.
Ela deve chegar em breve.
Mesmo grávida, Dirce e o esposo abraçaram a tarefa de conscientização e prevenção da Aids, auxiliando em ONGs.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:21 am

Assim que os filhos estiverem maiores, o trabalho há de crescer e resultar em algo muito grande e fraterno.
Ao terminar o relato, Firmino, sorridente, aguardou alguma reacção.
Romildo, sem demora, manifestou-se curioso:
— Dirce tem ideia de que o bebé que espera é a filha Rosilene?
— Dirce e Osmar foram procurar orientação e entendimento para o que experimentaram com grande dor e aflição, na Doutrina dos Espíritos trazida por Kardec -— respondeu o mentor atencioso.
— Somente o Espiritismo os esclareceu e aliviou seu desespero, ensinando-os a esquecer as ofensas e perdoar, embora sempre reste a dor da saudade.
Entretanto, não deixam de pensar se é Rosilene ou não quem está para nascer.
— E saberão?
Haverá um jeito de terem essa certeza? -— perguntou o aluno mais curioso do grupo.
— Quem sabe?... -— sorriu Firmino.
E comentou:
— Depois que a doce filha expressar algumas coisas como:
preferências, manias, manhas, gostos peculiares...
Suas mentes receberão o conforto de que nada altera os planos de Deus e, apesar de toda a dor que os fez crescer, terão a certeza da bondade do Pai.
Todos se contentaram com as explicações, e Elma elucidou:
— No caso de Dirce e Osmar, foi necessário o retorno da filha querida pela tarefa que planejaram abraçar juntos.
Vamos lembrar que nem sempre isso precisa ocorrer.
Se o espírito que experimentou um desafio tão doloroso, desnecessariamente, tiver como compensação, por seus sofrimentos, a elevação para mundos melhores, ele não precisará reencarnar, pelo menos não tão rápido.
A não ser que tenha mérito e solicite.
— Querida Elma -— disse Firmino —- há também casos de pais sadios, cujos filhos pequenos passam por esse desafio por necessidade, para reeducação e harmonização de suas consciências.
— Bem lembrado, Firmino -— a instrutora agradeceu e comentou:
— Existem casais que se unem e que, ainda na espiritualidade, aceitam cuidar de uma alma querida que deva passar por essa prova tão difícil.
Com resignação, cumprem o proposto.
Há também os pais que têm a obrigação de viver a dura realidade de ter um filho com esse desafio doloroso por serem também responsáveis por aquilo que o filho praticou.
— Pode nos dar um exemplo, Elma? -— solicitou Álvaro.
— Claro -— prontificou-se.
— Conheço um caso que se deu da seguinte forma.
Séculos atrás, era interessante a doença extrema ou até a morte de determinado líder.
Esse líder não poderia ser morto de forma brutal para não levantar suspeitas e até ocasionar uma grande guerra entre dois países poderosos — prosseguiu ela.
— Então um pequeno grupo, desejoso de neutralizar esse líder sem que houvesse suspeitas, conseguiu que um empregado, mediante generosa quantia, vagarosamente colocasse uma quantia de determinada substância para que esse líder adoecesse aos poucos.
O homem passou a sentir-se doente, com dores no corpo, estômago sensível, intestinos com funções dolorosas e prejudicadas, pele com erupções infecciosas e muito mais.
Sua morte foi lenta e inevitável -— contou a instrutora.
— Apesar de várias desconfianças, nada se pôde provar e todos viram que ele foi vitimado por uma enfermidade bem estranha.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:21 am

Os principais envolvidos nesse homicídio, pelo remorso e a perturbação de suas consciências, que pediam reparo, imploraram harmonia para se livrarem daquele estado tenebroso do remorso na espiritualidade, que é muito intenso.
Quando, novamente, encarnados para harmonizarem, eles se corromperam e se negaram a tarefas de cuidado e auxílio, decidindo que o melhor era aproveitar a vida.
Houve novo e longo estado de perturbação -— continuou Elma —- e, na actual experiência reencarnatória, os pais tiveram o dever de acolher, como filho, aquele a quem pagaram para assassinar o desafecto, aquele referido líder, pois não conseguiram harmonizar quando lhes foi oportuno.
Esse filho, ainda pequeno, foi infectado com o HIV e também experimentou o que provocou ao outro, como enfermidades irreversíveis que o levaram à morte.
Aliás, toda a família dessa criança esteve envolvida, de certa forma, com o complô para o assassinato do líder.
Ao ver que Elma havia terminado a narrativa, Firmino reforçou:
— É por isso que devemos estar sempre atentos aos nossos actos e àquilo que admitimos que os outros façam.
De alguma forma, seremos responsáveis quando solicitamos um crime ou dele participamos.
Nossa consciência vai nos responsabilizar por qualquer irregularidade que possamos cometer.
Todos ficaram reflexivos até Elma, sorridente, considerar:
— Não há como agradecer as abençoadas explicações e sua disposição em nos ajudar.
— Sou eu que tenho muito a agradecer, Elma.
Uma visita como a de vocês sempre traz luz a essa casa.
Após as despedidas carinhosas, Elma e seu grupo partiram em busca de novos aprendizados.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:22 am

26 - Consequências das opiniões

DECORRIDOS meses de activo aprendizado na companhia tranquila e segura da nobre instrutora, que expôs e narrou incontáveis vivências de pessoas em desafios com o HIV e a Aids e também de muitas outras que se libertaram de tão triste prova por terem sido mais fortes do que os desejos íntimos e os obsessores que os queriam ver em desequilíbrio, Elma lembrou-se de um caso cujos resultados iria acompanhar, por isso disse:
— Hoje visitaremos Eugénio, o mentor de Lavíneo, aquele professor universitário que observamos na loja de artigos para sexo.
Ele se deixou envolver por aqueles espíritos lascivos, maliciosos e de extrema inferioridade, que o induziram à compra de um apetrecho que, levado à noiva Manoela, gerou discussão fervorosa entre os dois.
Usando a desculpa de ter brigado com ela, Lavíneo juntou-se a um grupo de alunos que se reuniam para prazeres sexuais casuais, vis, lascivos, vulgares e imorais.
Pouco tempo depois dessa explicação, na residência dos pais de Lavíneo, Elma e seu grupo encontravam Eugénio, que os recebeu com elevada satisfação. Tão logo se cumprimentaram, o mentor de Lavíneo comentou:
— Foram tempos difíceis! -— exclamou em tom lamentoso.
— Assim que sentiu o que chamou de "gostinho da liberdade" o que, na verdade, foi o despertar do comportamento sexual desequilibrado e compulsivo, Lavíneo terminou definitivamente seu noivado com Manoela, passando a deliciar-se no fogo das paixões e a cada momento pensando em como obter mais prazer.
Esses são os desejos advindos de desencarnados com os mesmos vícios lascivos.
Músicas exóticas, filmes com sexo explícito, diversas parceiras temporárias, que se submetiam desequilibradas aos desvios de suas práticas, eram as novas preferências de meu querido pupilo.
— Em tom triste, Eugénio prosseguiu:
— Como todos aqueles que trilham por esse caminho, Lavíneo não percebia nem sentia que espíritos extremamente vulgares, desequilibrados e vampirizadores, pelo abuso do sexo, estimulavam-no e envolviam diuturnamente.
Não precisou muito tempo para que, apesar de achar-se prevenido pelo uso de preservativos, Lavíneo viesse a infectar-se com o HIV para reeducação de si mesmo.
Alguns meses se passaram — continuou a narrativa.
— O cansaço excessivo, além de um estado febril de origem desconhecida e passageira, fez com que meu pupilo procurasse um médico.
A culpa, por aquela sensação de cansaço, provavelmente, seria do estresse pelo excesso de trabalho, estudo e muita energia gasta com as diversões preferidas, ele pensava.
Mas, em meio aos diversos exames clínicos realizados, em que se constatou anemia, o mais sério revelou-se seropositivo para HIV.
O desespero, o choque e os tormentos foram inevitáveis -— contou.
— Como uma pessoa instruída e sabendo das consequências trazidas pela infecção com esse vírus, Lavíneo pensou em suicídio depois que os outros exames, inclusive mais caros e mais específicos, confirmaram que ele era portador do HIV, assintomático, ou seja, sem a manifestação de várias infecções oportunistas e baixa imunidade, que resultam na Aids.
Foi com muita dificuldade que ele se deixou envolver por mim e outros queridos amigos espirituais para procurar a ex-noiva.
Depois do choro e do choque, Manoela encorajou-o a viver, a reerguer-se e tratar-se.
Solidária, ela o ajudou a contar para a família que, a princípio, surpreendeu-se com a desagradável notícia e teve muito medo.
Mas depois, unidos no amor incondicional que aprenderam como cristãos, informaram-se minuciosamente a respeito de HIV e Aids e passaram sem medo, sem preconceito, a cuidar amorosamente de Lavíneo, o espírito querido que como filho Deus lhes confiou.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:22 am

Manoela oferece, ao seu modo e com sua filosofia — ele esclareceu —, o apoio espiritual e moral, pois a moça acredita na pluralidade das existências.
A família, apesar de católica, aceita amorosamente esses ensinamentos e explicações.
Acreditam que a boa moral, as boas práticas e os bons pensamentos são os responsáveis pelo perdão de Deus e a garantia de ir para o céu conforme diz a religião que adoptam.
Seja como for -— continuou Eugénio —- Lavíneo se reeduca diariamente.
Cuida-se com o maior carinho, passou a seleccionar tudo em sua vida, da alimentação e bebidas naturais saudáveis ao que escolhe para recreação, diversão, amizade e tudo mais.
Com seriedade, cumpre à risca o tratamento com os anti-retrovirais, diversos comprimidos ao dia que precisam ser ingeridos rigorosamente no horário.
Mesmo enfrentando difíceis efeitos colaterais, ele insiste, porque sabe que isso vai reeducá-lo e garantir melhor qualidade de vida.
— Um instante e o mentor comentou:
— Esse tipo de atitude positiva, fez com que os espíritos inferiores se afastassem de forma impressionante, já que não mais encontraram afinidade nos pensamentos e comportamento dele.
Às vezes Lavíneo se cansa do tratamento rigoroso e conversa a respeito com a família e sua grande amiga Manoela, desabafando seus sentimentos, seu arrependimento e tudo o que o aflige.
Mas eles o reanimam novamente.
Ninguém imagina como é importante a atitude, o companheirismo de um amigo e da família nesses momentos! -— ressaltou Eugénio.
— Além disso, Lavíneo pratica desportos e frequenta um grupo de apoio, enchendo-se de energia e força para viver.
Sempre com boa aparência e saúde constante -— disse ainda - Lavíneo trabalha como professor universitário e também aperfeiçoa seus estudos.
Sabe que precisa manter essa disciplina impecável se quiser se elevar a cada dia, sem se deixar dominar por qualquer fantasia ou desânimo que não lhe trará nenhum proveito.
Decidiu não comentar com muitas pessoas sobre o que experimenta e está correto nisso.
Só os mais próximos sabem.
Se ele se sente bem assim, deve continuar.
Aliás, nossa vida não precisa ser um livro aberto.
Ele toma todos os cuidados para consigo e para não contaminar ninguém.
Isso é muito louvável.
Ao fim da narrativa, Elma, sempre ponderada e tranquila, alertou:
— É bom reforçar que a família representa um factor muito importante para o seropositivo assintomático ou paciente com Aids.
A ignorância leva muitos ao preconceito descabido, no qual a criatura manifesta em sua personalidade a total falta de amor ao semelhante.
Embora alertados de que o HIV não se transmite pelos assentos -— a instrutora lembrou ainda —- nem ônibus, piscinas, trabalhando--se ou vivendo-se junto, dormindo no mesmo ambiente e praticando desportos, apesar de tanto se falar que esse vírus não infecta pelo abraço, pelo carinho, pelo beijo no rosto, pelo aperto de mão ou por qualquer outro tipo de contacto social, muitos ainda, infelizmente, são assassinos sociais do seropositivo, quando querem distância deles, quando os ignoram, os discriminam, os desrespeitam, julgando-os indignos de convivência social.
Mas esse preconceito é algo muito sério e perigoso, pois teremos de experimentar o que fazemos aos outros.
Tenham certeza disso.
— Elma -— disse Romildo - a manutenção da higiene é importante para todos, não é?
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:22 am

— Sem dúvida -— respondeu ela —- devemos nos precaver com higiene constante em tudo, pois existem vários bacilos, vírus, bactérias, vibriões que são invisíveis e nos cercam diariamente e os quais podemos contrair com incrível facilidade.
Mas esse não é o caso do vírus HIV, já que é necessária a troca de fluidos corpóreos.
A higiene em não utilizar um copo, um talher ou um prato já utilizado por outra pessoa pode nos livrar da tuberculose, da hepatite, da gripe, rubéola, sarampo e de tantas outras doenças que podem ser contraídas pelo contacto directo.
Você não vai se infectar com o HIV se tomar água no mesmo copo que um seropositivo, sem que esse copo seja lavado, mas poderá contaminar-se com o bacilo da tuberculose, do sarampo etc., se não tiver imunidade a eles.
O seropositivo -— disse Elma —- principalmente para preservar-se de doenças e infecções, nunca deve utilizar utensílios já usados por outras pessoas sem antes lavá-los bem, pois devido a sua baixa imunidade, ele pode ficar sujeito a contaminar-se.
Aproveitando-se da pausa, Silmara comentou:
— Então, devemos entender que o portador do HIV não deve incomodar-se com a higiene que a família deve manter nos banheiros, nos utensílios de cozinha, pois isso é para sua própria segurança.
Aliás, ao contrário, ele mesmo deve cuidar de todo tipo de higiene e cuidados para seu próprio bem.
Lógico que deve usar luvas e botas como material de protecção para sua saúde, pois é ele quem deve proteger-se de contaminações com outros vírus, bactérias, bacilos, vibriões.
— Sim, sem dúvida — respondeu a benfeitora.
— A higiene, a limpeza é muito importante e saudável para todos nós, sem excepção, independentemente de nosso estado de saúde.
É bom lembrar que o seropositivo tem direito a uma vida normal.
Ele pode lavar, cozinhar, passar para todos da casa e usar um banheiro bem limpo, sem problemas, além de conviver normalmente ao lado de todos tocando-os ou acariciando-os sem o risco de transmitir o vírus a alguém.
Entretanto, no caso de ter de tratar de ferimentos em um seropositivo, sem sintomas ou já com a Aids manifestada, sejam quais forem os ferimentos, deve-se manter redobrada a higiene.
O uso de luvas, tipo cirúrgicas, para não se ter contacto com o sangue ou com possíveis secreções do paciente, é indispensável!
Tanto para a manutenção da saúde dele, para que não se contamine com qualquer outro vírus ou bactéria, quanto para a segurança de quem realiza os curativos ou trata dos ferimentos.
— Foi isso que a família de Lavíneo entendeu -— tornou Eugénio, valendo-se da pausa.
— Além de entender que Deus confiou-lhes um filho muito especial, que só eles poderiam e teriam condições de cuidar com tanto amor.
Terminado o grande ensinamento, Elma agradeceu de forma amorosa e, após as despedidas, seguiu com seu grupo.
Enquanto seguiam, a instrutora aproveitou para fazer um relato:
— O preconceito é algo muito perigoso para quem o tem.
Conheço bem um caso que não ocorreu no Brasil.
Há séculos, no período de colonização e união dos estados do norte e do sul, na América do Norte, a escravidão vigorava árdua e era bem pior do que no Brasil.
Nessa época, um homem castigava terrivelmente seus escravos, mesmo quando não havia nenhum motivo.
Ele simplesmente não gostava de negros e os repudiava terrivelmente.
Inconformado com o fim da escravidão, ele passou a fazer parte de grupos que não queriam admitir os negros na cidade.
Eles queimavam suas casas, matavam crianças, velhos e todos de famílias negras, sem que as leis existentes pudessem fazer alguma coisa.
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