No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:22 am

Ele odiava a etnia negra e não mudou seu conceito -— prosseguiu a instrutora.
— Desencarnado, sofreu muito por tudo o que fez.
Em nova oportunidade de vida terrena, reencarnou como negro.
Entretanto, nada mudou.
Odiava a própria cor e não se via como negro.
Teve uma recepção amável por parte de almas queridas que queriam demonstrar que a cor da pele nada significava, que somos todos iguais.
Não adiantava.
Secretamente, ele detestava ser negro e odiava as pessoas de sua cor.
Ficou razoavelmente bem de vida -— ela continuou contando - e passou a fazer parte do mesmo grupo racista que procurava, criminosamente, matar os negros de modo cruel, queimando-os crucificados, incendiando suas casas e matando suas famílias, embora fosse crime naquele país.
Como sempre, ninguém via nada nem sabia de nada por medo de represálias.
Nessa cidade, o negro não podia usar os mesmos banheiros públicos que os brancos.
Não podia sentar-se nos bancos da frente de um ônibus, pois só lhe era permitido ocupar os bancos do fundo do colectivo.
Não podia alimentar-se nas mesmas lanchonetes nem frequentar os mesmos restaurantes etc.
Apesar de ser negro, esse homem foi aceito por esse grupo, por suas informações confidenciais sobre pessoas e famílias negras.
Ele ajudou a atraí-los a emboscadas cruéis e aterrorizá-los para que se mudassem da cidade e vendessem suas terras por valor insignificante etc.
Desencarnado, passou por incríveis perturbações, que nem preciso mencionar.
Após aprender muito na espiritualidade, reencarnou com a pele branca e alguns daqueles que o incentivaram ao preconceito em outros tempos retornaram como pais e familiares próximos.
Por um problema de saúde, necessitou receber uma transfusão de sangue e foi infectado com HIV.
Naquela cidade pequena de seu país, nos anos em que não se tinha tanto conhecimento sobre a Aids, houve uma verdadeira revolução.
Os pais de alunos do colégio onde ele estudava não queriam que o menino frequentasse a mesma escola de seus filhos sadios.
Seus colegas o rejeitavam, a família chegou a ser ameaçada para que se mudasse da cidade.
Apedrejaram sua casa e chegaram a incendiá-la.
Amedrontados -— continuou contando - os pais do menino mudaram para outra cidade, mas logo tudo de novo aconteceu de modo ainda pior.
Foi então que a família começou uma luta contra o preconceito, procurando a rede de televisão local e buscando esclarecer as pessoas sobre o HIV e a Aids.
Quando conseguiram que o filho fosse aceito na escola, mesmo ainda enfrentando severas restrições, a Aids se manifestou e o menino precisou de diversas internações, falecendo por infecções oportunistas generalizadas.
Tudo isso se deu pelo preconceito, pelos maus-tratos e pela crueldade com que tratava seus irmãos de etnia diferente, mas do mesmo sangue, da mesma raça: a humana.
— Para finalizar, Elma ainda acrescentou:
— Ele poderia ter vencido o preconceito e evitado experimentar de forma tão dolorosa o que viveu, pois só quem enfrenta o doloroso preconceito com o HIV e a Aids pode comparar-se àquele que enfrenta o triste preconceito pela cor da pele.
No caminho, os alunos concluíram que ninguém está por mero acaso na companhia de alguém que experimenta os desafios do HIV ou Aids e que não nos cabe julgar, pois, quando encarnados, não sabemos como foi nosso passado nem o que teremos de experimentar no futuro.
Além disso, "amar ao próximo como a ti mesmo" é dizer não ao preconceito e jamais ter qualquer forma de desrespeito, julgamento, exclusão social ou mesmo alarde que difame as condições de um seropositivo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:22 am

A divulgação de uma experiência como essa só cabe a quem a enfrenta e não a quem ficou sabendo.
Logo Elma alcançou um hospital, onde penetraram sem dificuldade.
Sintonizada com quem queria encontrar, a instrutora rapidamente localizou o espírito Gustavo, mentor de Tomás.
— Lembram-se de Tomás, não é? -— perguntou Elma.
— Aquele que mal conheceu uma moça em um barzinho e, por terem inclinações e tendências vis, irresponsavelmente foram a um motel.
Homem bonito e atraente, infectado com HIV, ficou inconformado, como já soubemos pelo seu mentor quando o visitamos brevemente.
Revoltado, Tomás passou a infectar várias mulheres que não acreditavam que, pela aparência, perfil simpático e ponderado, o belo rapaz pudesse ter qualquer problema de saúde ou ser portador do vírus HIV.
— Ele infectou muitas moças? -— perguntou Romildo.
— Inúmeras -— respondeu Gustavo, mentor de Tomás relatando a seguir:
— Ele infectou várias mulheres e é responsável também pela infecção de muitas outras pessoas, que adquiriram o vírus dessas parceiras antes que elas descobrissem serem portadoras do HIV.
— E ele é responsável por aqueles que elas contaminaram?! -— surpreendeu-se Álvaro.
— Claro que sim.
E uma reacção em cadeia -— informou Elma.
— Se somos suicidas inconscientes, quando não cuidamos nem preservamos nossa saúde, também somos homicidas inconscientes.
Nesse caso, ele é homicida consciente, pois sabia que estava com HIV, mas as mulheres que contaminaram outros parceiros são homicidas inconscientes.
— Venham, vamos vê-lo -— convidou Gustavo, com muita tristeza.
Chegando ao quarto onde Tomás ocupava um leito, os alunos de Elma ficaram surpresos com sua aparência.
Aquele rapaz bonito, de corpo atlético, resumia-se em aspecto extremamente doentio.
Espíritos que se apresentavam doentes, dementes, gemiam e gritavam.
Seus corpos espirituais degenerados, com grandes feridas purulentas, inúmeros transtornos e dores, além de devaneios, ligavam a Tomás, sugando-lhe as energias, obtidas com a medicação para as infecções e doenças que se manifestavam, e por essa razão os remédios pouco surtiam efeito, principalmente para as dores do corpo.
A ligação a espíritos com vastos sofrimentos por enfermidades, dos quais não se livraram após o desencarne, dava-se pela actual postura mental e pelas atitudes de Tomás que, ao saber de seu novo estado como seropositivo, revoltado, infectou outras pessoas, o que deveria ter evitado.
O pior era que ele não adoptava uma conduta reeducativa de cuidar-se, tratar-se com medicamentos adequados, ter alimentação seleccionada, disciplina nos horários para os remédios e qualidade de vida em todos os sentidos.
Esse quadro significava suicídio.
Entristecido, o espírito Gustavo comentou:
— É importante falar em reabilitação moral para quem está com HIV e Aids.
As palavras do Divino Mestre são claras:
"Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.
Já basta a cada dia o seu mal".
Quando sabemos que possuímos um desafio difícil como o HIV e Aids, a revolta, o desprezo e o desespero por nos torturarmos com coisas que achamos que sofreremos só nos trarão mais problemas e aflições.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:23 am

É dessa inquietude que Jesus nos fala.
Devemos fazer o melhor por nós mesmos hoje, agora, deixando o amanhã para amanhã.
Sofrer antecipadamente é sofrer duas vezes e significa trazer companheiros espirituais indesejáveis e doentes.
"A única certeza que temos, após nascermos é de que vamos morrer" -— lembrou Gustavo depois de breve pausa.
— Esse ditado é bem antigo e conhecido.
Ensina-nos que devemos agir com amor, carinho e muito respeito a nós mesmos.
A morte é do corpo.
O espírito sempre sobrevive e a boa vida física e moral que nos empenhamos em ter, garante-nos um socorro e uma qualidade de vida espiritual depois do desencarne.
Isso serve para todos, não só para os seropositivos.
Aproveitando-se da pausa, com doce elocução, Elma disse:
— Mesmo sabendo que o corpo humano, tão frágil, não vai resistir eternamente nesse planeta, deveremos prosseguir lutando pela saúde e acreditando que estamos bem, em vez de reclamarmos.
"E não temeis os que matam o corpo, e não podem matar a alma, temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo."
"[...] mas aquele que perseverar até o fim será salvo".
— A revolta de Tomás provoca uma aura nefasta que atrai espíritos semelhantes — avisou Gustavo.
— Inúmeras pessoas amorosas e dedicadas, que abraçaram a tarefa de proporcionar bom ânimo e um renascer aos que estão no mesmo estado dele, já o visitaram.
Apesar de tanta energia gasta para sua compreensão e seu bem-estar psicológico, o empenho foi inútil.
— Sabe-se que, pelo uso dos anti-retrovirais, houve uma redução no número de mortes por Aids no país e no mundo -— informou Romildo.
— Será que nem isso o anima?
— Tomás tem conhecimento —- respondeu o mentor do rapaz.
— Ele sabe que os coquetéis utilizados para conter o HIV podem ter tempo limitado, pois o vírus torna-se, a qualquer momento, resistente a essas drogas medicamentosas.
Além disso, o número de mortes provocadas pela Aids diminuiu consideravelmente desde que os medicamentos combinados começaram a ser usados.
Entretanto, quase não se comenta que a infecção por HIV aumentou, assustadoramente, nesse mesmo período, sobretudo entre os jovens.
As pessoas infectadas por alguém que já esteja usando anti-retrovirais, ou que já usou e parou, possui agora um vírus, provavelmente, resistente a essas drogas.
O perigo é, se isso continuar acontecendo, criar-se um vírus que resista a todas as drogas já existentes.
— A expectativa e qualidade de vida trazidas por esses tratamentos contínuos e bem disciplinados por parte dos pacientes -— disse Elma sabiamente - não devem ser ignoradas por causa de quaisquer previsões.
Deve-se manter o ânimo, a perseverança e todo tipo de auxílio à preservação da saúde também.
— É preciso que haja uma conscientização -— argumentou Romildo.
— Precisa-se mostrar a força que só as pessoas têm para erradicar o HIV, não o passando adiante.
Mas, nas propagandas de alerta, eles dizem:
"Pratique o sexo seguro. Use camisinha".
Quem garante que, no calor dos acontecimentos, como já dissemos, o preservativo não vai se romper?
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:23 am

E, se romper, logicamente, a culpa sempre é do usuário...
Os alertas deveriam ser mais rigorosos quanto à prática sexual para as pessoas não ficarem se entregando a qualquer um.
Tudo está muito vulgarizado.
As propagandas a respeito deixaram de existir e quando uma ou outra aparece, é tímida.
As pessoas não entendem.
O HIV e a Aids estão banalizados pelo governo, pela área da saúde...
— Romildo -— interrompeu a orientadora, com tranquilidade —- vamos nos manter ao que devemos aprender e ensinar.
As críticas, muitas vezes, não constroem nada.
— Voltando-se para Gustavo, Elma considerou:
— Apesar do amor que nutrimos pelo pupilo, quase nada podemos fazer se ele se nega ao socorro, não muda as concepções, a forma de pensar, por sua inteligência orgulhosa e inflexível.
— Muitas vezes, querida Elma, somente nos círculos escuros de desencanto, decepções e sofrimentos, aos quais nos entregamos quando não somos flexíveis à boa moral, é que encontramos a humildade de reconhecer nosso erro e a fé para sermos socorridos.
Se observarmos o caso do rapaz ali ao lado, naquele leito — apontou Gustavo —, podemos ver que, embora a Aids esteja em estado bem avançado, esse moço esparge luz de sua consciência e não é assediado por espíritos vulgares ou doentes, como é o caso de Tomás.
Aquele moço é homossexual e contraiu o HIV de um parceiro, um namorado que teve por pouco tempo. Desde que descobriu que era seropositivo, mudou seu comportamento.
Passou a cuidar de si e a preservar a saúde de outras pessoas, decidindo não mais se relacionar sexualmente, pois temia ser responsável por homicídio, caso viesse a infectar uma pessoa.
Mudou hábitos, pensamentos e viveu por anos consideráveis com o vírus e de forma assintomática, por cuidar-se com os medicamentos indicados pelos médicos, mesmo com todas as dificuldades.
Ele se reeducou pelo difícil desafio.
Hoje, em estado terminal, é assistido e guardado por seu mentor, como podemos ver, e outras entidades de luz que, no passado, foram amigos e parentes.
Isso tudo vai lhe garantir uma passagem tranquila e serena para a espiritualidade, pois está imune aos espíritos zombeteiros, doentes e vingativos, que lhe poderiam perseguir e tornar muito longo seu estado de perturbação, além de atraí-lo para regiões baixas.
Independentemente de ter sido homossexual ou heterossexual, ele se reeducou, aprendeu e criou em si condições morais melhores que lhe garantem o socorro para planos melhores, colónias espirituais seguras e acolhedoras.
Terminada a visita, Elma e os demais retiraram, com tristeza, grandes lições sobre o comportamento arredio daquele que ainda não consegue mudar.
Porém, devemos saber que Deus, em Sua grande bondade e amor, proverá o socorro oportuno a qualquer tempo e a oportunidade de harmonizar-se a todos os Seus filhos.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 30, 2017 10:23 am

27 - Qualidade de vida espiritual

MAIS ALGUM tempo se havia passado.
Entre tantas lições oportunas, os alunos de Elma concentraram atenção na religiosidade dos encarnados, em suas provações, com o propósito de buscar equilíbrio ou perdão aos vícios e no resultado obtido após os desafios experimentados.
— Como podemos perceber -— comentou amorosamente a instrutora - a maioria dos espíritos retorna à carne para trabalhar e eliminar as imperfeições, harmonizar o que desarmonizaram, vencer e superar seus vícios, pois muito do que fazemos torna-se vício.
Seja o vício da mentira, da calúnia, da fofoca, o vício no sexo compulsivo e todas as suas variedades estereotipadas em busca de prazeres efémeros, vício no álcool, nas drogas, no fumo, no preconceito, vícios até nos pensamentos que adulteram, julgam ou condenam os outros.
Sabemos que o mundo moderno defende a liberdade, mas a raça humana confunde liberdade com irresponsabilidade, com deploráveis desejos e práticas abusivas de todos os tipos, principalmente em torno do sexo, cujos desvios deprimem, escravizam e deixam a criatura em situação bem difícil após o desencarne, perante a consciência que vai lhe cobrar pelo uso inadequado da energia sexual, poderosa energia criadora, empregada de forma tão vulgar, promíscua e irresponsável.
O relacionamento sexual exige respeito e amor a si mesmo — continuou no mesmo tom.
— Não devemos nos corromper, comprometer-nos pelos desejos vulgarizados que nos chegam à mente.
São esses desejos, essas paixões silenciosas de querermos experimentar o prazer que exibe nossas fraquezas, nossos vícios, nossa área de desequilíbrio psíquico, que pode ser secreto, acentuado ou até ressaltado, quando os outros percebem com facilidade.
Os desvios sexuais, em alguns casos, levam-nos a distúrbios psicológicos, a doenças irreversíveis na carne e, certamente, a enfermidades destrutivas ao espírito, se a criatura não se reeduca.
O silêncio reinou por algum tempo até Silmara comentar:
— O que podemos concluir é que, independentemente da religião ou da filosofia, observamos valorosas criaturas que se elevam e vencem seus desafios em torno de qualquer vício.
Assim como temos também, seja qual for a religião ou filosofia, pessoas em tristes e lamentáveis desvios, desequilíbrios em torno do sexo. Homens aparentemente respeitáveis, casados, desviam-se para a traição, para o adultério, impregnando-se com aqueles miasmas inferiores, substâncias espirituais pestilentas, horríveis, ligando-se a espíritos de incrível inferioridade, verdadeiros vampiros que se aderem a eles, sugerindo-lhes práticas, excitando-lhes os desejos lascivos e maliciosos.
Da mesma forma, mulheres casadas que deveriam ser respeitáveis desviam-se para práticas semelhantes.
Todos eles levam para seus lares, para suas camas, que deveriam ser o local abençoado para o repouso físico e a elevação do espírito pelo desdobramento durante o sono, toda uma gama perniciosa de fluidos espirituais inferiores e espíritos vulgares, com os quais se envolveram.
— Também independentemente da religião -— lembrou Álvaro - encontramos homens que foram abençoados com lares estruturados e abandonaram esposa e filhos, deixando-os em situação difícil, porque queriam mais prazer sexual, pois a outra sabia como satisfazer seus desejos lascivos e suas compulsões vis.
O pior é que eles, apesar da religiosidade, nunca admitem o próprio desequilíbrio e, em vez de espiritualizarem-se e elevarem a matéria corpórea, acabam materializando o espírito com deformidades que incorporam ao perispírito pelas práticas sexuais desviadas.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:00 am

— Mas não são só homens que observamos com tais comportamento —- disse Romildo valendo-se da pausa.
— Diversas mulheres religiosas também se inclinam à obtenção de prazer sexual fora do casamento, só que de maneira mais sigilosa, e depois correm para pedir perdão a Deus pelo adultério cometido.
— Não vamos nos atentar só ao campo do adultério —- informou Elma, como sempre, sábia e gentil.
— Infelizmente, pudemos ver diversas pessoas como padres, freiras, católicos de um modo geral, espíritas, umbandistas, budistas, judeus, pastores, protestantes, que são mais conhecidos como evangélicos, e tantos outros religiosos e não religiosos se corrompendo com a pedofilia, ou seja, assediando crianças ou se relacionando com elas, ou mesmo observando fotos ou filmes com práticas semelhantes.
Quantas pessoas de diferentes religiões se entregam ao erotismo de conquistar, aparecer e apresentar o corpo para excitar outras pessoas -— a instrutora disse.
— Muitas vezes, o erotismo configura prostituição quando a pessoa usa o corpo para poses sensuais em fotos de nu ou seminu, em troca de dinheiro como fazem muitos artistas.
Eles não imaginam o que atraem para si em termos de espíritos inferiores ou energia de encarnados, ao serem observados por eles.
— Só que nem eles nem ninguém acredita nessa história de serem observados e terem próximos espíritos tão inferiores -— disse Romildo, interrompendo-a.
— Mas basta o raciocínio lógico para tirarem essa dúvida.
Primeiro, espiritualmente, nunca estamos sozinhos conforme é ensinado na Doutrina Espírita.
Segundo, se quando oramos a Deus, ao nosso anjo da guarda, desejamos e imaginamos espíritos de luz, seres nobres ao nosso lado, guardando-nos e protegendo, ajudando-nos, devemos crer que, essas entidades elevadas não vão estar ao nosso lado no momento em que nos corrompemos, prostituímo-nos ou temos práticas levianas em tomo do sexo.
Assim sendo, somente espíritos inferiores estarão ao nosso lado, pois espíritos sublimes não querem nem desejam participar ou assistir a leviandades de qualquer tipo.
Essas pessoas que apreciam, de alguma maneira, fotos de nu ou seminu e que nunca pensaram que isso é uma forma de prostituição, deveriam ficar mais espertas.
Elas estão atraindo muita coisa ruim.
Quem fica apreciando essas fotos, muitas vezes, não têm ideia de que estão dando força a um tipo de prostituição.
— Romildo tem razão -— tornou Elma.
— Além da prostituição, propriamente dita, que é o sexo ou a exposição do corpo em troca de valor ou dinheiro estipulado antes da acção, temos o sexo ou o nu e seminu que se transforma em meio de atingir determinado objectivo, mesmo que não seja negociado nenhum valor ou preço preestabelecido, pois é em troca de fama, sucesso.
Não deixa de ser prostituição, já que o ato de se expor nu ou seminu é por alguma coisa.
Fora isso tudo — continuou a benfeitora — voltando ao assunto que eu falava antes, temos religiosos que praticam a zoofilia que é o bestialismo, ou seja, sexo com animais, e não se sentem culpados nem procuram tratamento psicoterapêutico para seu desvio, acreditando-se ser normal.
Muitos outros praticam a necrofilia, ou seja, sexo com cadáveres, o voyeurismo, ou seja, gostar de ver outras pessoas praticando sexo ou ver as genitálias alheias, seja em fotos, filmes, seja ao vivo.
Encontramos pessoas de diferentes credos favorecendo e incentivando esses desequilíbrios, quando trabalham com artigos eróticos em lojas especializadas em sexo, na produção ou venda de fotos, filmes ou revistas que alimentam os desvios em torno do sexo, além daqueles que promovem ou fazem músicas eróticas, incentivando a promiscuidade ou a desvalorização humana pelo desrespeito ao sexo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:00 am

Elma ofereceu uma pausa e depois continuou:
— Quantos e quantos, pelo principal meio de comunicação audiovisual promovem a libertinagem, a troca de parceiros quando, nos programas apresentados, destacam essas práticas estimulando, encorajando e despertando o motivo pelo qual os encarnados vieram para reeducar-se e harmonizar-se e não se perverter.
Sem contar os destaques que dão ao nu ou seminu quando, no meneio do corpo, em festas carnavalescas e desfiles para esse fim, exibem com exclusividade as genitálias semicobertas, instigando à sensualidade, ao sexo e até a estupros, que aumentam, consideravelmente nessa época, pelos incentivos para os que assistem aos desfiles e têm essa tendência, além uso de álcool e drogas.
Esses homens e mulheres -— prosseguiu a instrutora —- geralmente chamados de artistas, expõem os corpos em revistas de nus ou seminus, em festas carnavalescas, cientes de que têm exclusividade pela sensualidade e exposição das genitálias ou do corpo exuberante, para excitar ou provocar os outros de alguma forma.
Todos eles, sem excepção, recebem uma carga de miasmas muito negativa, funesta e de incrível inferioridade, por incitarem outras pessoas à masturbação, ao observarem as imagens provocativas, por provocar desejos nos que possuem desvio pelo sexo, activando-os ao desequilíbrio, quando estes vêem os filmes ou as revistas, e até por incentivar, inconscientemente, aqueles que estupram ao imaginarem que suas vítimas são as artistas que expõem o corpo.
Tudo tem ligação e conectividade.
Esses artistas -— ela continuou —- além de receberem imensa gama de energias inferiores, são responsáveis, espiritualmente falando, pelo que provocaram em termos de incentivo ao sexo promíscuo, leviano, vulgar e violento, como o estupro. Essas pessoas, talvez, não sintam, enquanto estiverem encarnadas, os estragos que fizeram na vida alheia, nem percebam a qualidade e a quantidade de fluidos inferiores, miasmas repugnantes que atraíram para si, mas, inevitavelmente, sofrerão as consequências de seus actos ao depararem com o pavor de sua imagem física verdadeira, que se apresenta somente na espiritualidade.
São os mesmos meios de comunicação que promovem a promiscuidade que destacam, em outros horários, programas religiosos, em que se ensina a orar e pedir a Deus perdão, rogativas por um mundo melhor, por uma vida melhor.
Que falta de bom senso... -— expressou em tom de lamento.
Os menos avisados, as criaturas simples, sem conhecimento, acabam sendo influenciadas por tudo o que vêem e ouvem, não procuram reflectir se aquilo é correto, se essa prática será boa ou má para seu desenvolvimento pessoal, para sua elevação moral e espiritual.
Os encarnados deveriam seleccionar melhor o que deixam entrar em seus lares, pois a violência, as músicas de baixo nível, a leviandade nas revistas e nos filmes e o sensacionalismo vulgar da promiscuidade, como a troca de parceiros e as cenas lascivas, só vão deixar um lar repleto de espíritos inferiores.
Espíritos inferiores, levianos e maldosos gostam dessas coisas.
Afinam-se com o que é apresentado nos meios de comunicação e, sem demora, começam a influenciar os encarnados a práticas semelhantes, pois querem vampirizar as energias daqueles que praticam seus vícios.
O sexo é algo psíquico, que pertence ao espírito.
A criatura humana deve equilibrar o sexo, em vez de corromper-se, de perverter-se ou vulgarizar-se.
As religiões nunca, jamais podem ser culpadas pelas práticas de seus seguidores -— Elma acrescentou no mesmo tom tranquilo.
— Nenhuma religião pode salvar ninguém de dolorosos estados de perturbação e tortura consciencial -— dor na consciência -— com um simples pedido de perdão após cada erro cometido.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:01 am

Todos, independentemente de suas religiões, são responsáveis pelo que praticaram ou induziram os outros a praticar.
Não há céu nem inferno.
Não nos confinamos ao paraíso nem às torturas eternas.
Fiquemos cientes de que não há indulgência nem perdão pelos erros, só pelo simples pedido de desculpa ou perdão pelo que se praticou.
Não precisamos de salvação, mas sim de evolução.
A evolução é esforço íntimo para nos livrarmos de nossos vícios e nossas fraquezas e harmonizarmos o que desarmonizamos.
Aí, sim, teremos harmonia na consciência e viveremos em mundos melhores.
Um instante de silêncio e Elma concluiu:
— Lembremos do Mestre que, ao estender a mão à mulher adúltera e erguê-la, falou que nem Ele a condenava, porém ela deveria ir e não errar mais.
Jesus não disse que ela estava perdoada de seu erro, mas avisou para não errar mais.
Aproveitando-se da pausa, Romildo perguntou:
— Então, a partir do momento em que não erramos mais, estamos iniciando a harmonização de nossa consciência?
— Não só nossa consciência harmonizará, como também nos reeducaremos como espíritos eternos, adquirindo a qualidade de vida espiritual após o desencarne, como nos lembrou outro dia aquele amigo.
Não importa o que já fizemos de errado -— prosseguiu a instrutora —- o início para uma vida melhor é agora e de forma persistente.
Livrar-se de um vício é ganhar liberdade e não existe liberdade sem sacrifício.
Quando vencemos o desejo e não nos inclinamos a atender nossa fraqueza, vamos experimentar um sentimento de prazer maior do que se tivéssemos cedido a má tendência.
É então que descobrimos que podemos ter controle sobre nós mesmos.
É aí que descobrimos que podemos ter o domínio da nossa própria vida.
Não há prazer maior do que esse.
Isso se chama vitória.
— Elma - perguntou Silmara - as pessoas, com conhecimento religioso, que se corrompem e se vulgarizam pelo prazer sexual têm um transtorno maior que as demais?
— Sem dúvida.
A quem muito foi dado muito será pedido.
— E as religiões cujos rituais têm práticas sexuais ou que fazem da poligamia um modo de satisfação, em orgias etc.
O que pode me dizer sobre isso? Sabemos que inúmeras seitas religiosas, no Brasil e no mundo, pregam práticas de orgias como ritual — quis saber o aluno.
— Veja, Romildo, rituais com práticas sexuais, nudismo, promiscuidade, sensualidade de qualquer tipo nunca religaram ninguém a Deus.
Portanto, não podem ser consideradas religião.
Religião é religar-se a Deus.
Algo que é pessoal, único, particular, peculiar a uma única pessoa e não a um grupo.
Você pode seguir uma religião ou filosofia, mas depende de você, e não do grupo que segue a mesma seita ou doutrina, alcançar a elevação para religar-se a Deus.
Quanto à poligamia pregada por algumas religiões e seitas -— ela prosseguiu - vamos lembrar que as regras religiosas foram criadas segundo a vontade, os desejos dos homens ou do homem que a instituiu.
Deus nunca estabeleceu qualquer regra às suas criaturas.
Jesus também não criou nenhuma religião ou norma, mas ensinou-nos pelas parábolas sobre o próximo mais próximo e o "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo".
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:01 am

Vamos lembrar que amor é respeito e, em matéria de práticas sexuais em grupo, rituais promíscuos, ninguém respeita ninguém.
Mudando o assunto, Álvaro perguntou, interessado:
— Elma, você nos contou sobre o socorro de Lúcio.
Tem notícias dele?
— Podemos dizer que está bem recomposto, perispiritualmente falando, se comparado ao estado lamentável em que se encontrava naquele "sítio".
Começou a adquirir conhecimento e algumas lembranças da última encarnação. O remorso, inevitável, ainda o agride, mas sua vontade de se melhorar e evoluir é bem maior.
Isso o auxilia imensamente para uma rápida melhora.
— E aquela moça que viveu com ele, a Rejane? -— lembrou Silmara.
— Ela também promovia aquelas festas de prazeres e estava infectada com HIV.
Como ela está? Podemos vê-la?
— Não seria conveniente.
Rejane não tinha objectivo na vida.
A pobre moça nunca se empenhou em nada e deixou que seu interesse em ascender socialmente falasse mais alto, deixando-se escravizar, por livre vontade, na observação viciosa de práticas vulgares, mesmo tendo sido bem orientada por aquela que a criou.
Mas, envolvendo-se nesses actos, ligou-se a espíritos extremamente desequilibrados e vis.
Seus conflitos íntimos -— Elma prosseguiu —- de pensamentos torturados por uma solidão, pela falta daquele algo, nunca foram saciados porque não se ocupava de tarefas dignas nem de pensamentos mais elevados, que lhe permitiriam fugir imediatamente de ideias que a induzissem àquelas práticas lascivas.
Infectada com o HIV, pouco se importou.
Apesar de sentir-se chocada, acreditou que logo encontrariam a cura para esse vírus.
Mas, quando a Aids começou a manifestar-se —- contou —- Rejane, levada por pensamentos de espíritos inferiores, zombeteiros e sofredores terríveis, suicidou-se para não sofrer com a triste experiência das infecções.
Ela está num vale de sofrimentos imensuráveis - revelou a benfeitora em tom piedoso —, onde todos os suicidas se recolhem de forma consciencial, de acordo com a consciência; sofrendo constantemente o que fez ao corpo, revendo, a todo instante, o momento e a agonia de seu desencarne pelo suicídio e a aflição de outros como ela.
A surpresa foi geral e silenciosa.
Elma, após alguns segundos, propôs:
— Vamos visitar Marília, pois a querida Lisete e o caro Djalma me reportaram boas notícias nos últimos tempos.
Nesse momento, a orientadora e os aprendizes seguiram de imediato para a casa onde Marília morava.
Laura, a amiga de sempre, estava presente no quarto onde uma verdadeira UTI tinha sido montada para assistir Marília.
Ela havia se transformado imensamente.
E foi com resignação, pela fé adquirida, que suportava os últimos instantes terrenos com dignidade superior.
Os espíritos Lisete e Djalma, que abraçaram a tarefa de libertar Marília de pensamentos hostis e vingativos, mesmo sabendo do socorro de Lúcio, continuavam bem dispostos na tarefa de protecção aos possíveis assédios de espíritos inferiores que, porventura, quisessem desequilibrar a moça que não necessitava de tal perturbação.
Ao ver Elma, Lisete abraçou-a como sempre e logo actualizou os factos:
— A senhora Norma, mãe de Lúcio, que vinha provendo Marília para que não passasse dificuldades desde o desencarne do filho, vem experimentando significativa elevação pelo esclarecimento ao qual se propôs.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:01 am

Laura, a amiga, começou a lhe falar sobre a responsabilidade pelo que ocorre àqueles a nossa volta, que não podemos nos omitir e que não é suficiente só prover de valores, mas também é necessário doar nossas acções e nosso coração.
— E qual a reacção da senhora? -— perguntou Romildo, sempre curioso.
— Dona Norma relutou um pouco, a princípio, mas, depois de algumas visitas à Marília descobriu na moça algo com que se identificou e foi aí que deixou despertar em si o amor de mãe pela filha de um passado distante.
Como haveria de lamentar-se, na espiritualidade e depois do desencarne, se descobrisse que havia se negado a uma filha de alma, de coração.
— Despojando-se do orgulho e da vaidade -— continuou Djalma satisfeito - dona Norma envolveu o marido, que passou a compreender e apoiar a dedicação amorosa à jovem, que nem os próprios parentes ofereceram.
Eles a tratam como uma filha mesmo!
Por Marília não querer mudar-se desta casa, dona Norma passa todo o dia e algumas noites aqui.
— Incentivada por Laura -— contou Lisete sorridente - de quem se tornou amiga inseparável, por trazer muitas bênçãos a esta casa, dona Norma passou a frequentar uma creche que abriga crianças portadoras de HIV e auxilia com doações e sua presença como voluntária em algumas tarefas, principalmente, a de distrair e brincar com as crianças.
— E Marília? -— perguntou Elma, com bondade.
— Definha-se a cada dia no corpo, mas vive cada segundo nobremente em espírito, libertando-se do corpo enfermo -— respondeu Lisete.
— Mal fala. Muitas vezes delira por causa da demência.
Até comentou sobre a visão de nossa presença -— sorriu.
— Em estado de emancipação da alma, conversamos e a orientamos.
Ela está bem quando livre do corpo!
Elma, com expressão piedosa, olhou para Marília que, sobre um leito alvo e limpo, mesmo sob efeito de fortes medicamentos, padecia da Aids manifestada em diversas infecções que lhe atacavam ao mesmo tempo.
A enferma estava entre o sono e a vigília, ligada a vários aparelhos.
Um deles sugava água de seus pulmões; outro era do soro ministrado por via venosa, além do oxigénio, para ajudá-la a respirar.
Socorristas espirituais específicos para o desligamento do corpo estavam a postos, junto com o mentor da moça, pois desencarnaria a qualquer momento.
Elma aproximou-se do leito e com olhar misericordioso passou a fazer uma prece fervorosa em favor da enferma.
Nesse momento, luzes cintilantes derramavam-se cristalinas sobre Marília que, sem demora, deu o último suspiro no corpo.
Devido à condição espiritual adquirida pela jovem, seu desligamento do corpo físico não foi demorado.
Quando já estava concluído, Elma pediu, com inenarrável carinho, ao mentor de Marília:
— Solicito a oportunidade de poder envolver e levar essa irmã ao socorro oportuno em colónia abençoada.
Estou imensamente feliz pela elevação que ela conquistou pela perseverança e mudança de pensamentos, conforme o que aprendeu no Evangelho Redentor, pela resignação e reeducação a que se adequou com amor verdadeiro a si mesma.
Num gesto singular, sorrindo ao pender positivamente com a cabeça, o mentor de Marília aprovou de imediato o pedido da benfeitora.
Com imensurável ternura e amor, que espargia de seu peito em forma de luzes sublimes, Elma tomou Marília nos braços e, imediatamente, seguida por outros benfeitores espirituais, levou-a adormecida à colónia espiritual apropriada para assisti-la e orientá-la a partir daquele momento.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:01 am

Depois, Elma retornou para a crosta da Terra, a fim de prosseguir com seus alunos na tarefa abençoada de aprender e exemplificar.
O tempo passou...
O final das instruções necessárias aos queridos alunos, no campo das experiências terrenas, terminou com valiosos e diversos aprendizados.
Assim que pôde, antes de retornar à Colónia da Paz com os aprendizes, Elma foi em visita à colónia quase vizinha, para ver como estavam seus queridos.
Agradável sensação de paz, música sublime e tranquilizante felicitavam agradavelmente os moradores daquele lugar.
Ao chegar, sem demora, Elma encontrou-se com o Governador responsável e, após troca de cumprimentos e caloroso abraço, pediu humilde:
— Aqui se encontram amparados, com o concurso de sua autorização, muitos daqueles que se propuseram ao socorro de nosso singelo trabalho em esferas inferiores.
Porém, entre eles, recentemente nos foi possível, com a bênção de Deus, trazer a essa ilustre Colónia alguns queridos, com os quais há tempos muito me preocupo.
Quero que perdoe meu coração ansioso, que se enternece teimosamente em abraçar e rever, pelo menos, um em especial o quanto antes.
Para isso, peço respeitosamente sua generosa permissão, prezado amigo.
Tomando-lhe as mãos e olhando-a nos olhos, o Governador comentou, sorrindo e verdadeiro:
— Venerável benfeitora... quem sou eu, discípulo submisso, diante de sua abençoada elevação, para ter condição de permitir-lhe algo?
— Evidenciando intenso júbilo, prosseguiu, modesto:
— É graças a seus elevados préstimos e de tantos outros amigos excelsos que essa Colónia de Regeneração, para os que se afligiram com os desafios da Aids e do sexo, formou-se abençoada e é suprida com medidas de elevado alcance àqueles que aqui se refazem e se socorrem.
Venerável Elma, quem sou eu, pobre servidor de Jesus, para receber tal pedido?
Esta colónia é sua!
— Agradeço humildemente as colocações, meu amigo, mas nada me pertence -— afirmou, com doçura e leve sorriso.
— Esta Colónia é de Jesus, o Governador deste planeta.
Nós não passamos de seus servos pequeninos, tentando fazer germinar as gloriosas sementes de Seu Evangelho no coração de nossos irmãos menos felizes e almas que nos estão ligadas, mais particularmente, ao nosso coração para o progresso e aperfeiçoamento de cada um.
Não tenho créditos, meu amigo.
Devo obedecer aos sistemas de funcionamento e às regras de educação para não me achar com privilégios.
— Generosa Elma, que grande exemplo!
Quando adquirimos a educação do espírito, sabemos respeitar independentemente da elevação que possuímos.
Até Jesus bateu à porta para pedir licença e entrar.
— Após breves segundos, avisou:
— Apesar de o inestimável prazer de sua companhia, não tenho o direito de detê-la mais.
Vá ao encontro de seus queridos.
— Sorrindo, completou:
— Higor está ansioso por vê-la.
Ele a aguarda no jardim do leste, próximo à fonte.
Elma alargou o sorriso cristalino e, iluminada como nunca, curvou-se levemente, beijou as mãos do amigo, agradeceu e se foi.
Após percorrer um campo salpicado de raras flores, que o embelezavam graciosamente, Elma pôde reconhecer, a certa distância, sentado em um banco de delicados contornos, um rapaz com fisionomia bastante significativa.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:02 am

— Higor... -— chamou com brandura ao chegar bem próximo.
Virando-se e erguendo-se, imediatamente, ele se apressou em sua direcção, entregando-se ao longo e apertado abraço de imensa emoção.
As lágrimas de felicidade e júbilo deslizaram serenas como cristais na face de ambos.
Nenhuma palavra foi dita, mas os sentimentos que irradiavam traduziam as sinceras e elevadas emoções de ternura.
Afastando-se um pouco, mas ainda lhe segurando as mãos, Elma, sorridente, contemplou-o de cima a baixo, qual mãe amorosa que admira o filho crescido de modo satisfeito e, generosa, comentou:
— Não imagina como estou feliz em vê-lo harmonizado, refeito, belo e... -— perdeu as palavras, embargadas pela emoção, mas insistiu, ainda emocionada:
— ...filho de minha alma, como roguei a Jesus que o fortalecesse na senda da evolução!
— Não fosse por seu socorro e pela insistência em me fazer entender que é a harmonia da consciência, a resignação verdadeira nas expiações dolorosas, ou a persistência em seguir pelo bom caminho, sem me deixar corromper, buscando paz e elevação moral, eu estaria até hoje revolvendo-me em torturas íntimas e sofrimentos tenebrosos em pântanos horrendos, por meu orgulho de não aceitar nem admitir o erro, por minha vaidade de não me achar merecedor de reajustes e reeducação.
Minha expiação foi justa e mínima também diante do que fiz.
Com hanseníase, conhecida mais como lepra, revoltado, propositadamente, contagiei, pelo contacto directo que eu sabia ser bem eficiente para a transmissão da doença, várias pessoas que não perceberam meu estado.
Depois, quando não pude mais esconder, confinado a lugar de isolamento, leprosários lazarentos, não suportando a dor, suicidei-me.
Em outra oportunidade de reparação, ao resgatar com o câncer a experiência interrompida na encarnação anterior, insano, novamente me suicidei.
Vaguei na espiritualidade por mais de um século, que pareceu a eternidade, com o contínuo sofrimento de sentir o corpo corroído, que nunca acabava de deteriorar e a terrível repetição dolorosa do momento da morte do corpo pelo suicídio que, aliás, eu era reincidente.
Tomei-me um espírito demente, verdadeiro louco — prosseguiu Higor.
— Mas por seu auxílio amoroso, o qual sei que usou forças das entranhas de sua alma, pedindo a Jesus por mim, fui socorrido em sanatório espiritual, embora totalmente desequilibrado.
Depois de muito tempo, reencarnei com deficiências mentais e físicas, além de sérios problemas de saúde para resgatar o acto insano do suicídio.
De volta à espiritualidade -— continuou ele —- sua dedicação fez-me aprender, por décadas, que era necessário ter paz interior e elevação moral, para sentir-me bem e equilibrado e, principalmente, para a elevação espiritual.
Após aprender muito -— disse em tom brando - solicitei então o reencarne com uma mãezinha portadora do HIV para expiar a propagação da lepra que tanto me causava remorso.
Marília foi a pessoa ideal para me acolher com tanto amor, pois, quando passei pela experiência da lepra junto com ela, foi dela a ideia de alimentar-me com a revolta.
Juntos, pelos vilarejos e mercados, principalmente em festas onde todos estavam embriagados, nós tocávamos e abraçávamos muitos e nos relacionávamos sexualmente, inclusive com amigos, para propagarmos nossa enfermidade, que sabíamos ser contagiosa.
— Tudo já passou, meu filho —- Elma disse em tom amoroso.
— Já acabou, apesar da difícil prova.
Agora você perceberá que uma reencarnação não significa nem um segundo diante da eternidade.
Quanto antes nos harmonizarmos, melhor será.
A paz na consciência é de inestimável valor e não lhe poderá ser retirada, porque esse sentimento está em você.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:02 am

É a elevação moral e espiritual.
Detendo olhar lacrimoso naquela esplêndida entidade de abrilhantada expressão, mas sempre com postura singela, Higor considerou, agradecido:
— Deus, em Sua infinita sabedoria, concedeu aos espíritos laços inquebrantáveis por meio de particular afinidade, amor e carinho.
Não fosse isso, as simpatias não existiriam e o egoísmo haveria de reinar em todos os círculos.
São esses sentimentos que ligam nosso coração, que fazem alguém como você, que já venceu as dificuldades da carne, buscar ensinar e socorrer aqueles que lhe são queridos.
— Envolvendo-a num abraço e deixando-se dominar pelos soluços da emoção, Higor ainda se expressou embargado:
— Como agradeço a Deus por ter sido seu filho... o filho do qual nunca se envergonhou, nem negou amparo...
Nunca me esqueceu. Não mereço...
Agradeço por ser, para mim, uma mãe espiritual...
Emocionada, Elma respondeu amorosa, também em lágrimas:
— Sempre será o filho querido de meu coração...
Jamais poderia envergonhar-me de você, pois também errei e necessitei de muito sacrifício, renúncia e resignação para alcançar entendimento e paz.
Quando isso ocorreu, decidi que meus queridos também tinham condições de elevar-se para excelsos sentimentos, deixando de sofrer.
Agora, recomponha-se -— pediu, sorrindo.
— O momento é de alegria e vitória.
E alegria é Jesus.
Sorrindo entre lágrimas teimosas e de júbilo, Higor demorou alguns instantes e contou:
— Marília já está bem equilibrada, como deve saber.
— Ela já entendeu o motivo de sua experiência com a Aids? -— perguntou Elma, sensibilizada.
— Surpreendeu-se e assustou-se ao saber que não contraiu o HIV de Lúcio, mas sim em uma cirurgia dentária.
O profissional não foi responsável o suficiente para preservar a saúde de seus pacientes.
O remorso lhe corroeu as fibras da alma, por ter sido a causadora de vibrações tão terríveis e funestas a Lúcio, que se encontrava muito perturbado em zonas tão inferiores.
Ela já sabe que foi infectada dessa forma com o HIV por ter, junto comigo, infectado outras pessoas com propósitos cruéis, pela revolta do que experimentávamos.
Se não tivesse sido infectada com o HIV na cirurgia odontológica, realizada meses antes de envolver-se com Lúcio, seria infectada por ele, quando usou de artimanhas para engravidar, furando o preservativo, com o propósito de, com a gravidez, adquirir segurança financeira.
Marília necessitava manter a postura moral e não se corromper pelo sexo, pois os desvios de outras experiências terrenas deveriam ser harmonizados e não ressaltados -— comentou Higor ainda para finalizar.
— Mas ela está bem? —- preocupou-se Elma.
— Sim, está. Já se encontrou com Lúcio.
Choraram... arrependeram-se... Você sabe.
Elma simplesmente sorriu e silenciou.
— Vai vê-los? -— perguntou Higor, animado.
— Sim, meu querido, mas agora não é um bom momento.
Tenho deveres.
Encaminhei, sob os cuidados de elevados amigos, nobres e queridos alunos à Colónia da Paz.
Disse-lhes que logo nos encontraríamos para conversarmos um pouco mais sobre as instruções recebidas e suas novas trajectórias.
Desejo imensamente ver Marília e Lúcio.
Não posso negar.
Mas minha visita terá de esperar, pois quero ter mais tempo com eles.
Devo contentar-me, por agora, por vê-lo tão bem e cuidando de nossos amados.
Retornarei o quanto antes, mas, no momento, preciso ir.
Rogo que Jesus o abençoe para que continue aprendendo e servindo com amor.
Estendendo-lhe as mãos, intensa luz projectou-se com raios cintilantes na direcção de Higor.
Repousando-as nos ombros do filho querido, beijou-lhe a testa com amor maternal, despediu-se carinhosa e se foi.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:02 am

28 - Num lugar encantado

O REGRESSO de Elma à Colónia da Paz foi, em segundos.
Procurando pelos amigos que já a aguardavam, adentrou, como se deslizasse, em recinto de profunda tranquilidade.
Esperava encontrar os alunos queridos para conversar sobre os planos futuros de cada um e despedir-se, agradecendo a oportunidade de acompanhá-los, na expectativa de que o aprendizado tivesse sido de grande proveito para todos.
Pretendia também saber dos planos deles, para ter ideia do que fariam com os ensinamentos recebidos.
Chegando aonde eles deveriam estar, foi surpreendida por considerável homenagem.
Lá estavam não só os alunos, que acabavam de retornar, mas certo número de amigos.
A emoção foi geral.
Após o discurso do Ministro, que agradeceu à honrosa instrutora e socorrista, que não se negava a servir incansavelmente, foi-lhe oferecida a palavra.
O silêncio era absoluto.
Ainda sob forte emoção e com olhar doce que endereçava a todos, que aguardavam com profundo interesse suas considerações, Elma falou, parecendo tímida:
— Meus queridos, não passo de humilde serva que hoje compreende, pelas próprias e incontáveis experiências na vida inferior, que o crescimento do espírito e uma vida melhor dependem única e exclusivamente da libertação de nossos vícios.
Nenhum de nós nasceu para ter vícios nem desvios ou fraquezas que levem ao desequilíbrio -— prosseguiu em tom tranquilo.
— É bom lembrar que as paixões terrenas detêm a nossa evolução, pois a verdadeira vida é na espiritualidade.
Ao voltarmos para cá, e retornarmos a esse mundo real, trazemos, em nossa aparência, o que cultivamos de bom e de mau.
Quando encarnados, as tentações são inúmeras, mas somos capazes de vencê-las, de nos reeducar, de superar os desafios para conseguirmos harmonia e paz para nossas consciências; ou repetiremos, quantas vezes forem necessárias, as experiências amargas para aprendermos a crescer e agirmos melhor, com resignação e equilíbrio.
Lembrem-se de que nosso equilíbrio e nossa elevação não serão possíveis por aquilo que os outros fazem por nós.
Precisamos transformar nossa moral para dominarmos nossas más inclinações e nossos vícios.
O apego fanático aos milagres nos faz ficar pregados ao solo.
Quando ignoramos a palavra do Mestre:
Ajuda-te que o céu te ajudará, pois nada de melhor ocorrerá em nossa vida se não trabalharmos por isso.
Fez breve pausa.
Circunvagando o olhar por algumas dezenas de entidades que a ouviam atentamente, Elma deteve-se em alguém especial, surpresa e emocionada.
Um sentimento profundo provocou-lhe sensível embargo pelo que experimentou.
Nesse momento, a venerável instrutora deixou rolar, na face luzente, discretas lágrimas peroladas.
Mesmo assim, insistiu em falar e prosseguiu generosa:
— Não nos podemos intimidar em esclarecer e instruir, meus queridos.
Se as causas e a origem das aflições não se encontram nas práticas atuais, estão no que fizemos no passado, como já aprendemos.
O mal ainda impera na humanidade, porque os bons são tímidos, ensinou-nos um grande mestre.
Essa timidez é simplesmente não avisar, não alertar, nem se importar com o que acontece com nossos irmãos.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:02 am

Então, lembrando mais uma vez o Mestre Jesus:
"Vós sois o sal da terra, e se o sal for insípido, com que se há de salgar?
Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo, não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte, nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador e dá luz a todos que estão na casa.
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está no céu".
Sejamos então o "sal" de que Jesus nos fala e levemos sabor à vida de nossos irmãos -— incentivou amorosa.
— Edifiquemos o Seu Evangelho numa cidade com nossas práticas, sem nos envergonharmos de agir correctamente.
Não vamos esconder a luz dos bons ensinamentos.
Vamos levá-la a todos para que resplandeça diante dos homens que necessitam ver o que realmente significa felicidade e reconhecer que há um Pai Criador.
Agradeço a Deus, ao querido Mestre Jesus e a todos vocês que me oferecem a oportunidade de ser útil —- continuou.
— Vamos lembrar dos ensinamentos de Jesus:
"Quem não é comigo é contra mim, e quem comigo não ajunta, espalha".
Juntar-se a Jesus é aprender e viver Seus ensinamentos, pois as lamentações e o ranger de dentes já iniciaram.
Aquele que Nele crer e que praticar Seus ensinamentos será salvo.
— Sorrindo para todos, Elma concluiu com doçura:
— Eu amo todos vocês.
Que Deus os abençoe na jornada da existência.
Todos os presentes estavam gratos àquela venerável benfeitora, que havia séculos se empenhava em trabalho produtivo.
Muitos foram por ela socorridos.
Depois se tornaram seus queridos aprendizes de elevado respeito.
Humilde, sem se considerar merecedora de tanto agradecimento, Elma desceu discretamente da tribuna de onde falava.
Num olhar doce, procurou a entidade a que se fixou, anteriormente, com profunda emoção.
Mas os abraços e agradecimentos particulares de muitos não a deixavam encontrar aquela criatura querida.
Terminados os cumprimentos, Elma vagou o olhar pelo grande e agradável salão que, àquela altura, já estava vazio.
Imaginando que a querida entidade deveria ter sido chamada para alguma orientação ou tarefa, Elma, imensuravelmente satisfeita, decidiu isolar-se em um lugar na Colónia da Paz que, para ela, era encantador e muito especial.
Naquela colónia sagrada, cópia bem melhorada de tudo que há de especial e belo na Terra, a Natureza concedia inenarrável harmonia e delicadeza, para que os habitantes veneráveis daquele reduto abençoado sentissem constante envolvimento de paz a alimentar-lhes os atributos e o ânimo incansável na elevação já alcançada, a fim de que "o sopro renovador Divino" alimentasse suas aquisições para prosseguirem em novas tarefas redentoras.
Deixando o salão onde ocorreu a amorosa recepção, Elma sentia, no coração, excelso alívio, algo que preenchia seu peito com indescritível sentimento de paz.
Caminhando serenamente por graciosas alamedas, sob árvores frondosas e canteiros floridos, ela apreciava a melodia infinitamente suave e o aroma aprazível que proporcionavam sublimação aos sentidos.
Após longa caminhada, reflectindo sobre todos os ocorridos dos últimos tempos em serviço na crosta terrestre, defrontou-se com "seu lugar encantado".
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:03 am

Gramado de viva beleza forrava o chão salpicado de flores maravilhosas e inexistentes no orbe.
Sob árvore de linda fronde e indizível graciosidade nos contornos, Elma parou e acomodou-se no chão.
Sentada, ternamente passou a mão pela relva macia e sorriu ao alongar o olhar para o lago cristalino.
No firmamento, encontro de céu e água, o sol colocava-se na divisa, resplandecendo os raios dourados de magistral encantamento sobre o tremular suave das águas, que os reflectia como se traçassem generoso tapete a estender-se até a benfeitora.
Olhou longamente para a incrível beleza da paisagem abençoada, indescritível.
Silenciou os sentidos e pensou no Mestre Jesus.
Sentindo-se envolver por radiante luz solar, como que a aquecendo suavemente, tal qual um abraço divino, ela respondeu em tom sussurrante e respeitoso:
— Obrigada, Senhor.
Lágrimas de júbilo rolaram longas em sua face resplandecente, que estampava sereno sorriso.
Logo as secou com as mãos, expressando gesto carinhoso e delicado, ao murmurar:
— Jesus querido, tenho tanto a agradecer...
A tarefa que cumprimos não passa de uma forma de agradecimento, Senhor.
Não mereço o reconhecimento dos queridos amigos.
Sou eu quem lhes devo agradecimento pela oportunidade que me ofertaram em tarefa útil.
Desde que me considere útil, Divino Mestre, conceda-me novas oportunidades de instrução e auxílio em respeitáveis quadros de serviço junto àqueles que necessitem. Nossa felicidade, mesmo se vivermos em esferas melhores, nunca é completa, enquanto tantos irmãos queridos estiverem, encarnados ou desencarnados, iludidos nas tendências e nos desejos inferiores.
Por isso rogo, Mestre Querido -— orou ainda —, que Seu poder de infinita força adentre no orbe terreno com amor e bondade, invadindo corações que, ignorantes sobre as verdades de Deus, possam desviar-se do equilíbrio, para que não caiam nas armadilhas das tentações, que os arrastarão para sofrimentos indizíveis durante o tempo que se faça necessário, a fim de aprenderem a reeducação e o respeito para consigo mesmos e o Pai Criador.
Silêncio.
Elma prendeu seu olhar no infinito, como se estivesse em diálogo excelso de agradecimento, fé e esperança.
Entregou-se ao jorro de bênçãos o qual se fazia em luzes douradas, que resplandeciam dos raios solares e formavam auréola refulgente em torno dela.
Não demorou e, a certa distância, foi vista por serena entidade, de rara e impressionante beleza, que permanecia respeitosamente imóvel e encantada com a dilatada visão de envolvimento, alcançado e recebido somente por aqueles que sobressaem em elevada comunhão com esferas superiores.
Silenciosa, a entidade ficou ali e aproveitou para, enquanto esperava, também orar e agradecer.
Minutos sagrados fizeram-se em uma só comunhão.
Elma, ao terminar sua prece e perceber a presença da bela entidade que a aguardava, voltou-se para ela.
Com largo e generoso sorriso, ergueu-se e abriu os braços ternos, indo a seu encontro.
— Darly, filha amada — disse a benfeitora, sob a forte emoção do reencontro.
— Você e Higor são as provas de que vale a pena o empenho no bem, com perseverança e fé, apesar das aflições e das torturas íntimas.
— Como eu a amo! Como posso lhe agradecer por tudo o que fez por mim!... -— murmurou, em choro discreto pelo grande contentamento do reencontro.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:03 am

— Não foi fácil prender-me em um corpo, cujo psiquismo não se harmonizava com minhas ideias.
Mas, graças a você consegui e estou aqui.
— Não. Graças a Deus, ao Divino Mestre Jesus, que lhe concederam forças, ensinamentos valorosos, que você seguiu com respeito, educação e fé inabalável.
Os méritos são seus por superar tão difícil desafio.
Afastando-se, sempre com sorriso radiante enquanto se olhavam, Darly quebrou o silêncio ao perguntar:
— Pensei que encontraria Higor aqui — disse a bela jovem com delicada doçura, que lhe era própria.
— Higor presta apoio a Lúcio e Marília que, graças a Deus, encontram-se em digníssima Colónia de Regeneração -— respondeu Elma, satisfeita.
— Já os visitou? — Darly perguntou, educada.
— Já visitei nosso querido Higor e prometi voltar para ver Lúcio e Marília.
Não houve tempo suficiente.
Eu necessitava retornar para cá.
Sentia-me chamada — sorriu.
— Foi pela surpresa que preparávamos.
Se agora está livre, poderíamos vê-los?
— Sim — afirmou Elma, iluminando-se mais ainda com um sorriso.
Em questão de pouco tempo, Elma e Darly chegaram à Colónia de Regeneração.
Elma, sempre educada em suas sublimes expressões, solicitou novamente a permissão para a visita, que logo se fez.
Caminhando ao lado da filha de tempos remotos, Elma informou, amorosa:
— Não sei se terão lembranças a nosso respeito.
Não devemos insistir. Confiemos em Higor que com o tempo saberá, como enfermeiro dedicado, como lhes trazer as devidas recordações.
As árvores frondosas do belo jardim deixavam que feixes de luzes cintilantes filtrassem por entre as copas, provocando efeito magnífico.
Lúcio acomodava-se tranquilo e observador ao lado de Higor, que sentiu a aproximação de ambas, mas não se manifestou.
Marília, em pé, admirava-se diante de belo chafariz cristalino, que respingava gotas de coloridas luzes, ao esborrifar jorros de água fazendo suaves contornos.
Darly e Elma, já bem próximas deles, foram percebidas e, por alguns segundos, admiradas sem palavras.
Higor aproximou-se, beijou Elma, e logo se abraçou a Darly longamente.
Na primeira oportunidade, simplesmente apresentou:
— Essas são Elma e Darly. Duas criaturas muito estimadas.
Elma, por excelência — disse rindo —, vive nos socorrendo.
Sem lembranças exactas, Marília atendeu ao impulso de abraçar-se a Elma, deixando aflorar em lágrimas sentimentos de profunda gratidão.
— Não sei por que, mas... sabe, sinto que lhe devo muito.
Não me recordo ainda de todo o passado.
Acho que entende — disse Marília, com profunda emoção que palpitava no peito.
— Nada me deve, minha querida. Venho somente em visita aos queridos de todos os tempos.
No momento certo há de lembrar-se de tudo e de todos.
Somente agradeça a Deus pela oportunidade bendita de estar nessa digna colónia de amor.
— Adquiri muita fé e resignação quando encarnada, mas a duras penas e pela ajuda abençoada de uma amiga querida.
Se não fosse por ela...
Sei das dificuldades que enfrentaria se não houvesse conseguido entender o amor, o perdão e tantos outros sentimentos elevados.
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Ave sem Ninho

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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:03 am

Somente agora, aqui na espiritualidade, pude entender o motivo de tanta dor, de tantos sofrimentos justos.
Mas o remorso ainda me castiga, como deve saber.
Julguei mal.
Julguei e desejei todos os terríveis infortúnios a quem não merecia.
Fui egoísta, vulgar e condenei com vibrações funestas Lúcio, que não merecia.
Na verdade, foi meu passado errante.
Quando revoltada, condenei muitas pessoas à terrível doença incurável, que me fez experimentar tão difícil desafio, hoje, com enfermidade também incurável.
Como agi mal...
— Não veja o mal praticado - incentivou Elma - observe o quanto cresceu!
Veja quantos sentimentos elevados descobriu que possui aí em seu coração amoroso, repleto de ânimo.
Se ficarmos somente relembrando o passado, vivendo de remorso pelos passos errados e condenando os outros pelo que nos ocorre, deixaremos de viver o presente e de elevar nossa consciência para o entendimento e para o que há de melhor para nossa evolução.
Marília abraçou-a novamente com ternura e gratidão.
Concluindo com um sorriso, disse:
— Obrigada. Que Jesus continue a iluminá-la.
Darly, que havia cumprimentado e conversado com Lúcio, envolveu também Marília, e passaram a conversar.
Elma, por sua vez, aproximou-se daquela alma a quem tanto se dedicava, beijou-lhe a fronte e as mãos, e disse ao se sentar a seu lado:
— Graças a Deus você está aqui.
Como é bom revê-lo bem.
Observando a necessidade de privacidade, discretamente Higor e Darly afastaram-se, conduzindo Marília enquanto conversavam.
Um tanto atordoado ainda pela surpresa que vibrava em seu íntimo, Lúcio afirmou quase sussurrando:
— Elma!... —- embargado, depois de alguns segundos, completou:
— Não me recordo de tudo, porém um sentimento eterno de amor não me deixa esquecer seu nome... e alguns relampejos do passado distante... -— chorou em pranto comovedor.
— Não lamente, meu querido — disse ela com ternura, recostando-o em seu ombro com carinho.
— Toda experiência nos serve de lição.
— Tenho vergonha... veja tudo o que coloquei a perder... -— disse, asfixiado pelo pranto sufocado.
— Olhe para você e para mim e compare... quanta distância.
Lembro-me de nossas promessas, juras de elevação para sairmos da ignorância e vivermos em algum lugar feliz, em outras moradas...
Fracassei. Eu sempre fracasso...
— Perdoe a si mesmo, Lúcio -— falou generosa e comovida.
— O remorso mostra humildade, mas não podemos ficar só nos arrependendo dos erros cometidos.
É hora de crescer! -— exclamou baixinho e com certa alegria no semblante.
Ainda constrangido, ele a encarou.
Com a mesma brandura, Elma ainda disse:
— Erga-se! Aprenda com o erro e não fique se lamentando por ele!
Procure instruir-se o quanto puder. Não esmoreça.
Parados, nunca sairemos do lugar..
E ninguém pode arrastar-nos por muito tempo.
O único capaz de remover suas dificuldades é você mesmo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:03 am

Siga o exemplo de nossos filhos queridos.
Instrua-se e vão conceder-lhe a oportunidade da redenção e novo reencarne que pode ser planeado desde já.
— Não sei o que dizer...
— Então não diga, aja!
Ore pedindo forças e luz na consciência.
Nada é impossível quando temos bom ânimo e amor.
Eu prometo ampará-lo enquanto seguir o caminho recto.
Estarei sempre com você, meu querido.
Tomando-lhe as mãos, Lúcio as beijou com carinho e disse:
— Elma... Obrigado pelo incentivo, mas temo não conseguir...
Temo não ter aqueles que me possam guiar, ou não ter pais que me ofereçam a visão de uma senda de elevada moral em próxima encarnação.
Tenho muito medo... — lágrimas correram em sua face e ele se calou.
— "Bem-aventurados os que choram porque eles serão consolados", disse-nos o Senhor Jesus.
Procure aprender enquanto estiver aqui e não esmoreça.
Ganhe conhecimento, resignação.
Ore muito e há de conseguir a oportunidade abençoada, em lar sagrado e com pais de elevada moral que vão ampará-lo e guiá-lo para tarefa de harmonização com elevada caridade e verdadeiro amor.
Somente assim haverá de recompor, educar, ensinar o que é correto àqueles que desviou do caminho.
Mas se não se esforçar, poderá perder a oportunidade.
Tudo depende de você.
— Obrigado. O que posso fazer para agradecer-lhe por tudo o que fez por mim é reerguer-me, buscar instrução e perseverar no bem, na caridade e no amor verdadeiro e incondicional.
Somente assim poderei aproximar-me um pouco mais de sua elevação, de sua angelitude...
— Não me reverencie.
Faça o que tem de ser feito por sua paz na consciência.
Por agradecimento a Jesus, pelas forças e pela luz que concedeu para que se socorresse.
— Beijando-o na face com doce ternura, informou:
— Agora preciso ir.
— Voltarei a vê-la?! -— perguntou, quase desesperado.
— Sim -— respondeu sorrindo, levantando-se.
— Virei visitá-lo novamente.
Pode esperar. Fique com Deus.
— Elma!... -— quando ela se voltou, Lúcio afirmou com forte expressão:
— Eu a amo! Sempre a amarei.
— Eu também... -— sussurrou sorrindo, com lágrimas a brotar nos olhos cristalinos.
Levando a própria mão à boca, beijou com ternura a ponta dos dedos e, em seguida, levou aos lábios de Lúcio, dizendo:
— Sempre o amarei.
Virando-se rapidamente, para não deixar que fortes emoções aflorassem e prejudicassem Lúcio, que poderia experimentar grande dor pelo remorso, Elma procurou Darly.
Juntas, com o coração saudoso, mas satisfeito e repleto de esperança, retornaram à Colónia da Paz.
Dias haviam decorrido e Elma e Darly conversavam amigáveis e generosas sobre planos promissores, quando a aproximação dos alunos de Elma chamou-lhes a atenção.
Ao vê-los, a instrutora sorriu e os recebeu com satisfação.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:04 am

Logo Silmara comentou:
— Elma, perdoe-nos a interrupção.
Queríamos que soubesse que eu e Álvaro acreditamos estarmos preparados para reencarnar e abraçar, com as bênçãos de Jesus, tarefa edificante de instruir e esclarecer os encarnados sobre a moral e a dignidade.
Se tudo correr como planeamos, deveremos nos agregar ao trabalho que dona Norma, a senhora que foi mãe de Lúcio nessa última encarnação, iniciou pelos esclarecimentos recebidos de Laura.
Com esses esclarecimentos, dona Norma reflectiu muito e foi incentivada à tarefa nobre.
Álvaro, muito emocionado, comentou:
— Nobre instrutora, nós guardaremos com inestimável carinho todos os ensinamentos magníficos que nos proporcionou e vamos vivê-los e ensiná-los com o Evangelho do Cristo.
— Sem conter os sentimentos vivos de gratidão, comentou com emoção embargada:
— Eu e Silmara vamos nos reencontrar, casar e receber abençoados filhos...
Se for possível... se formos capacitados, já solicitamos receber como demonstração de eterno agradecimento, como nosso primogénito, o querido Lúcio.
Daqui a vinte dois ou vinte e três anos, ele já deverá ter recebido muito ensinamento na colónia onde está e poderá, encarnado entre nós e recebido com imenso amor, harmonizar com tarefa de caridade e elevada moral o que necessita.
Elma levantou-se, foi ao encontro do casal e os envolveu com forte abraço de ternura e agradecimento.
Emocionada, declarou:
— Fico feliz por vocês, meus queridos!
Deus os abençoará com muito amor, perseverança, harmonia e humildade na tarefa que vão abraçar.
Jesus estará com vocês, pois Ele mesmo disse que onde houvesse dois reunidos em Seu nome, lá Ele estaria.
— Quando formos para junto dos encarnados, não se esqueça de ir nos visitar, mesmo que não possamos vê-la... -— disse Silmara, sorrindo em meio ao choro.
— Nunca vou me esquecer de vocês.
Sempre que puder, lá estarei.
Quando não, meus pensamentos estarão lá, acredite.
Após abraçá-los novamente, Silmara secou as lágrimas de gratidão e informou:
— Agora precisamos ir.
Estamos sendo aguardados para os preparativos de reencarne que, talvez, ainda demore alguns meses para ocorrer.
Ainda nos veremos.
— Sem dúvida, meus queridos.
Ainda nos veremos — disse Elma, sob forte emoção.
Após se despedirem, Silmara e Álvaro saíram abraçados.
Romildo ficou parado, sensibilizado pelo que presenciava, pela emoção e decisão dos amigos queridos.
— E você, Romildo, o que pretende, meu querido? -— perguntou a instrutora afectuosa.
— Quero pedir desculpas e...
Não consigo conter minha curiosidade. Preciso saber!!!
— Pergunte, Romildo -— falou Elma, sorridente, já imaginando do que se tratava.
Olhando para Darly, que se mantinha com expressão serena, ele perguntou:
— Essa linda, magnífica e luzente entidade é o Dirso?
Darly riu gostoso.
Ao se recompor da emoção hilária, informou educada e com seu jeitinho todo especial:
— O espírito não tem sexo.
Não como os encarnados imaginam.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:04 am

Encarnar num corpo masculino ou feminino pouco importa aos espíritos esclarecidos, mas pode ser uma difícil prova para aqueles que se corromperam sexualmente com promiscuidade.
Refeitos e esclarecidos, quando estamos na espiritualidade, temos de nos apresentar de alguma forma, ou melhor, temos de adoptar determinada aparência, característica, e adoptamos a que melhor nos caracteriza.
Agora que entendeu, posso responder que eu fui o Dirso em minha última encarnação.
— Seguramente tenho muito o que aprender ainda -— resmungou Romildo, desconsolado.
— Quais seus planos, Romildo? -— perguntou Elma, ainda sorrindo.
- Desenvolver e, futuramente, e pôr em prática a instrução que recebi de você, tão nobre instrutora, mas não vou me despedir.
A não ser que me dêem uma reencarnação compulsória, vão me ver por muito tempo aqui, buscando aprender algo, resmungando, criticando, protestando, perguntando...
— Romildo respondeu enquanto saía, reclamando e balançando a cabeça, inconformado consigo mesmo, deixando-as a sós.
Elma, sorrindo pela cena, virou-se para Darly e comentou:
— É pena que ele não se valorize.
Romildo tem uma força interior muito grande e muita fé.
E algo que não se vê, mas se sente.
Se deixar o vício da crítica e valorizar-se, será um instrutor incrível!
— Pretende orientá-lo sobre isso? -— Darly perguntou
— Não. Ele vai descobrir sozinho, ou não terá mérito algum.
— O que pretende fazer agora?
Antes que Elma pudesse responder, uma entidade afectuosa adentrou o recinto, a sua procura.
Abraçando-a com carinho e depois de lhe contar sua história, a mulher pediu, humilde:
— Então, querida Elma, Lisete aconselhou-me a falar com você.
Eu venho me empenhando muito, mas não consigo alcançar o estado consciencial dessa minha filha querida, que se encontra no "sítio de dores".
Por isso, venerável benfeitora e amiga, vim pedir, ou melhor, implorar seu socorro abençoado.
— Com as devidas permissões a serem concedidas pelo Ministro, estarei pronta para a tarefa oportuna de socorro e instrução a nossa irmã, pois sabe que todo o tempo tem de ser aproveitado com trabalhos e aprendizados a todos.
— Solicitaremos então as devidas providências, querida Elma.
Estou certa de que serei atendida.
— Precisamos, porém, estudar bem o caso de sua amada filhinha, tendo em vista que há detalhes que nos podem auxiliar o socorro.
Deverá estar bem preparada para amar incondicionalmente, para que possamos libertar sua consciência, que se prende em estado tão doloroso.
— Estou preparada, minha amiga, acredite.
Olhando para Darly, a filha de sua alma, Elma sorriu e informou:
— Preciso de, pelo menos, dois alunos para socorro e aproveitamento do tempo para instruções oportunas e expansão dos ensinamentos na tarefa de socorro.
Quer me acompanhar?
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 01, 2017 10:04 am

— Claro! — sorriu lindamente ao aceitar.
Será uma honra poder tê-la como instrutora, querida mãe.
Elas se entreolharam com elevada emoção e sem palavras.
Mas Elma logo se lembrou:
— Então, Darly, por favor querida, vá atrás de Romildo.
Ele é uma criatura pronta e prestimosa, só precisa aperfeiçoar-se.
Possui um coração valoroso, uma fé inabalável na certeza de servir e, trouxe-nos, sem saber, elevadas vibrações em momentos necessários de desligamento, inclusive do seu, sustentando firmemente, pela certeza dos propósitos, mesmo apresentando questionamentos posteriores -— ela disse, rindo.
— Faça o favor de chamá-lo.
São de criaturas perseverantes que precisamos para servir e aprimorar.
Enquanto isso, vou tomar as providências necessárias...
Darly sorriu e se foi enquanto a benfeitora a seguia com o olhar.
Tudo se inicia novamente para aqueles que perseveram no bem, em busca da felicidade verdadeira para si e para aqueles a quem amam.
Elma, determinada, não descansaria enquanto não tivesse a seu lado seus queridos de alma, apesar do grande progresso alcançado.

Fim

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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