No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:36 am

Enquanto conversavam e acompanhavam Lavíneo com seus companheiros espirituais inferiores e incapazes de ver os demais, Eugénio observou que o rapaz havia chegado à faculdade onde leccionava.
Antes de entrar, encontrou-se com um grupo de alunos que o chamou para conversar.
Ele aceitou o convite, acompanhando seus alunos a um bar que ficava nas proximidades da faculdade.
Após algum tempo, mesmo não deixando que os rapazes percebessem, Lavíneo voltava a pensar na noiva e na briga que tiveram.
Ainda conturbado com a lembrança, quase não percebeu a aproximação de duas alunas, que se juntaram ao grupo.
Transcorridos poucos momentos, o assunto passou a ser malicioso, sobre grandes prazeres e sensações em torno do sexo.
Lavíneo passou a se sentir mais animado, tanto quanto seus alunos que não possuíam a personalidade bem desenvolvida e necessitavam de auto-afirmação e elevação moral.
O número de espíritos inferiores atormentados e desequilibrados que passaram a rodear aquele grupo, em torno daquela mesa, era muito grande.
Os encarnados, sem excepção, estavam envolvidos por criaturas do outro plano, imperceptíveis aos olhos deles, ligando-se por ideias que traduziam os mesmos desejos.
Agora, por pensamentos sedutores, por desejos sexuais crepitantes que os convidavam para práticas de orgias, todos se atiravam no abismo do insondável desequilíbrio em torno do sexo.
Logo um rapaz do grupo convidou a todos, inclusive Lavíneo, para que fossem a seu apartamento, a fim de ficarem bem mais à vontade.
Eugénio passou a envolver seu pupilo com pensamentos firmes, assim como os mentores elevados de todos os outros encarnados presentes.
Mas somente Lavíneo, apesar de um pouco indeciso, recusou-se a ir, embora ficasse com o endereço do apartamento para onde todos iriam.
— Que vitória, Eugénio! -— comentou Álvaro, aluno de Elma.
— A vitória é dele, não minha.
Porém devemos ficar bem atentos porque pressinto deslize, em vista da força de atracção pelos semelhantes, que é muito forte.
O encarnado comumente obedece a esse instinto sem perceber o desequilíbrio.
Após a despedida dos alunos, Lavíneo, em vista do baixo teor vibratório a que se submetia, sentiu-se só e com pensamentos repletos de dúvidas, anseios e inseguranças.
— Seria tão fácil renunciar à deliberação no erro se, no instante da dúvida, nós nos entregássemos à prece e à atenção aos ensinamentos do Mestre -— comentou Eugénio.
Algum tempo depois, ao chegar onde morava, Lavíneo achava--se amargurado.
Nada estava bom para ele.
Ignorando a própria mãe que o recebeu com expressiva alegria, deixou-a falando sozinha enquanto rumou para o quarto e lá se trancou.
Ocupando a mente com recordações que o revoltavam, Lavíneo julgava absurda a reacção de sua noiva diante de sua sugestão.
Pensava que Manoela não deveria amá-lo e, provavelmente, seu casamento seria uma rotina enfadonha, em que só teria insatisfações e problemas.
Era implacavelmente envolvido por espíritos inferiores que queriam levá-lo ao desequilíbrio.
Por isso ressaltavam, em pensamento, motivos para que visse em Manoela uma pessoa que só lhe traria infelicidade.
" Estou descobrindo que quero viver!" reflectia.
"Quero gozar a vida com prazer.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:37 am

De que adianta me prender a alguém e viver frustrado?
Quer saber de uma coisa?
A Manoela que se dane!
Vou é viver o hoje, com ou sem ela, pois amanhã não sei se estarei vivo."
E foi com essa ideia, envolvido na vitoriosa algazarra dos novos e inferiores companheiros espirituais, que Lavíneo deixou o lar e partiu para o endereço que havia recebido dos alunos.
Expressando, na fisionomia, significativa compaixão, Elma considerou:
— Lamento muito, Eugénio.
Apesar de seus esforços, de seu total empenho, seu pupilo declinou.
— Cada posição que ocupamos na vida foi conseguida pelos próprios esforços.
Se nos convertermos em acções para o bem e para a boa moral, é isso que atraímos para nós -— argumentou Eugénio, sem muita satisfação.
— Não vamos acompanhá-lo? — perguntou Álvaro, sem pretensões.
— Nesse momento, Lavíneo deve querer a companhia daqueles a quem escolheu por afinidade, você não acha?
Além disso, o que eu ou qualquer um de nós, podemos fazer por ele?
Foi em sã consciência que ele decidiu pelo desregrado, vil e inferior.
Só nos resta aguardar, caro amigo — respondeu o mentor.
Percebendo que até aquele instante era tudo o que podiam acompanhar, Elma, sempre doce e gentil, decidiu que seria melhor retornarem todos para o lar que os abrigava na crosta terrena e servia como posto de elevados serviços para a espiritualidade.
Naquela mesma noite, Elma pediu para que somente Romildo a acompanhasse em visita à Lisete e Djalma, que se encontravam na residência de Marília.
Após amorosos cumprimentos, Lisete explicou sem demora:
— A mãe de Marília desencarnou, e a moça está completamente desorientada.
O filhinho querido está sendo cuidado por uma empregada.
Marília não tem outro parente que a acompanhe e ajude.
Todos, por preconceito e ignorância a respeito da Aids, estão dispostos a só irem ao velório, que será realizado nos fundos de uma igreja católica e não pretendem se aproximar da parenta.
Nesse momento, Marília estava sentada em um sofá, com olhar perdido e exaurida, pois já havia chorado muito.
Pensamentos mórbidos convulsionavam suas ideias e até o desejo de morrer já era forte e constante.
"O desgraçado do Lúcio acabou com minha vida" -— pensava.
"Nenhum parente me quer presente.
Não tenho ninguém e nem minha mãe pode mais me ajudar...
De que adianta essa casa, o dinheiro que me deixou?...
Seu infeliz, desgraçado... você me fez morrer em vida...".
Lágrimas copiosas rolavam em seu rosto, quando começou a murmurar com intensa raiva entre os dentes cerrados:
— Se há um inferno, você deve queimar nele!
Há de se arrepender eternamente por ter acabado com minha vida, porque eu morri, mas ainda não posso ser enterrada.
Infeliz!!!
Espessa cortina de fluidos pesados fez-se em torno de Marília pelas vibrações inferiores que promovia, por seu ódio e falta de perdão.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:37 am

Com a compaixão que lhe era própria, Elma aproximou-se bondosa, e após ceder-lhe generosas energias salutares, envolveu-a com carinho inspirando:
— Jesus nos ensinou:
"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
Porque aquele que pede, recebe; e o que busca encontra; e ao que bate se abre".
Em algum momento de sua vida, certamente, teve uma amiga que considerasse muito.
Recorra a ela. Peça...
No instante seguinte, Marília ergueu-se, secou as lágrimas e foi até o quarto.
Retirou do armário uma caixa em que guardava antigos pertences e revirou-a até encontrar uma agenda telefónica bem antiga.
Abriu a agenda numa página específica.
Pegou o telefone e ligou imediatamente para o local onde trabalhou.
— Laura! -— exclamou ao ser atendida.
— Quem é? —- perguntou afectuosa, sem reconhecer a voz.
Marília começou a chorar e, mesmo com a voz embargada pelos soluços, respondeu gaguejando:
— É Marília...
— Marília?! Quanto tempo!
Mas... espere.
O que está acontecendo?
— Laura... minha mãe... ela morreu.
Estou sozinha...
Elas conversaram, esclarecendo e actualizando alguns factos.
Laura, terminado o expediente, deslocou-se em socorro da amiga que não via há considerável tempo.
Muito prestativa, Laura ajudou o quanto pôde em todas as providências que o velório e o enterro exigiam, sem sequer cobrar da amiga qualquer satisfação pelos anos de ausência.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:38 am

6 - As aflições de Marília

PASSADO O enterro, Laura acompanhou a amiga de volta à casa onde morava.
Enquanto procurava conversar com Marília, conheceu o pequeno Higor, que havia ficado com a empregada.
Circunvagando o olhar, procurando um assunto diferente para não tornar a assuntos tristes, Laura comentou:
— É uma casa muito boa, muito bonita.
Há quanto tempo está morando aqui?
— Nesta casa começou meu inferno, minhas aflições -— respondeu chorosa e amargurada.
— Preferiria morar em um barraco e ter vivido em paz.
Muita coisa aconteceu, Laura.
Você nem imagina.
Quando eu contar, perderei sua amizade.
Mas antes quero que saiba que lhe serei eternamente grata pelo que fez por mim ontem e hoje.
Meus parentes querem distância de mim e de meu filho, e não posso dizer que eles estejam errados.
Quero morrer... e o quanto antes.
— Calma, Marília.
O que de tão grave está acontecendo para que fique assim?
Para seus parentes reagirem dessa forma?
Os olhos melancólicos da moça se ergueram e, mesmo com a voz chorosa, imaginando que perderia a amizade, relatou:
— Sempre fomos amigas, e eu não posso esconder a verdade.
Não de você. Venha até o quarto comigo.
Não quero que a empregada ouça.
Após entrarem na suíte, com a porta fechada, Marília contou:
— Depois que saí da empresa onde trabalhávamos, fiquei um bom tempo desempregada.
Só depois arrumei um emprego em outra companhia.
Aos poucos, como você sabe, fomos perdendo o contacto e eu quase não lhe contei mais nada.
Acho que você se lembra do filho do dono da empresa, Lúcio.
Ele me convidou várias vezes para sair.
Cheguei a comentar com você.
— Sim. Lembro-me disso.
Até aconselhei para que tomasse cuidado.
Ele era muito mulherengo.
— Pois é. Eu percebi isso também.
A princípio, eu não queria nada com ele porque não gosto de aventura, mas... sabe...
— Breve pausa.
O emprego que arrumei ao sair de onde trabalhamos juntas, perdi novamente.
Acabei descobrindo que foi o Lúcio que me fez perder o emprego na companhia do pai dele e no último também.
Durante esse período todo, ele sempre me procurou.
Ia até minha casa, levava-me presentes...
Acabou conquistando minha mãe.
Ela achava que ele era um bom rapaz e poderia me oferecer um bom futuro, segurança e tudo mais.
Nessa época, minha mãe sabia que estava com esclerose múltipla, uma doença degenerativa, e que, em breve, eu não teria mais ninguém.
Você sabe, éramos pobres e meus parentes são muito interesseiros.
Relutei, mas acabei aceitando "ficar" com Lúcio.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 20, 2017 8:38 am

Marília chorou, mesmo assim prosseguiu, secando as lágrimas e soluçando algumas vezes:
— Hoje penso que me prostituí...
Eu aceitava seus generosos presentes, sua ajuda em dinheiro.
Estava desempregada.
A pensão que minha mãe recebia não era o suficiente.
Passávamos necessidades...
Sabe, nenhuma mulher realmente se realiza quando é um objecto de prazer.
Era tão fácil mentir, fingir... dissimular...
Porém, eu sempre me sentia vazia, fragilizada, porque lá no fundo, quando eu estava sozinha em meu quarto, sentia-me carente e chorava muito.
Na verdade, eu sempre estive em busca de um amor, de algo seguro, envolvente.
Não queria uma aventura em que me usava sexualmente para um jogo de interesses, cheio de silenciosas intenções, em receber algo, ter segurança, garantir meu futuro.
Eu me prostituí.
Não sou diferente das meretrizes das ruas.
Só que elas são mais honestas do que eu, porque eu escondi minhas intenções, não informei o preço nem avisei que queria cobrar bem caro.
— Não diga isso, Marília.
Você não se prostituiu.
Foi um deslize...
— Laura tentou dizer com brandura e compaixão, mas foi interrompida.
— Eu me prostituí sim.
A prostituição é a prática mais antiga do mundo e tem inúmeras variedades.
Prostituir-se não é somente o acto praticado por homens e mulheres nos becos, nas ruas e casas de prostituição.
Eles se expõem para serem escolhidos para um programa de sexo em troca de um valor previamente estipulado.
Na minha opinião, a prostituição, na grande maioria das vezes, não é assalariada ou assumida.
A postura comportamental da pessoa que não estabelece um preço, para não assustar o outro, mas estipula, silenciosamente, um objectivo para ser alcançado por meio da conquista pelo sexo, está se prostituindo, sim.
Quantas mulheres utilizam o corpo malhado, escultural para atraírem a atenção de um homem? -— perguntou Marília sem esperar por uma resposta.
— E, quando conseguem que eles as notem, elas se aproximam e logo se dispõem ao sexo.
Querem ser "boas na cama" para não perdê-lo, em vez de mostrarem-se fiéis, amorosas, de boa moral...
Os homens também são idiotas, pois parece que só o sexo importa.
Quando o relacionamento não é bem-sucedido, logo trocam de parceiro como quem troca de roupa.
Isso quando não têm dois ou três parceiros ao mesmo tempo.
Eu duvido que uma mulher que exibe seu corpinho malhado, que seduz um homem, muitas vezes estranho para o sexo casual, consiga se satisfazer, consiga ter prazer pleno, confiança e amor no sexo praticado com objectivos escusos, suspeitos.
Duvido! -— exclamou Marília.
— Só se ela for uma doente, uma desequilibrada, tiver algum desvio psicológico que não resiste aos tormentos patológicos de uma vida sexual compulsiva, desregrada.
Em alguns momentos de seu desabafo, Marília chorava e se revoltava dizendo palavras duras, enérgicas, enquanto a amiga aguardava silenciosa, pois sabia entender.
— Então — tornou a dona da casa —, por ouvir os conselhos de minha própria mãe, eu decidi por uma vida fácil.
Eu me prostituí quando fiquei com Lúcio.
Passei até a gostar da posição económica que eu e minha mãe passamos a ter.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:03 am

Foi então que decidi, por orientação de minha mãe, ficar grávida -— admitiu Marília.
Oferecendo breve pausa, prosseguiu:
— Nós usávamos preservativo como contraceptivo, pois Lúcio não queria filhos e deixou isso bem claro.
Mas eu decidi que um filho me garantiria mais, então o preservativo não foi problema.
Eu perfurei, algumas vezes, a embalagem bem no meio, procurando acertar a ponta do preservativo que, normalmente, não é esticada, mas apertada, quando utilizada.
Eu fazia questão de tirá-lo da embalagem para que ele não percebesse e o distraía... brincava... para colocar.
O preservativo se rompia, mas só depois, claro.
Fiz isso no período fértil e engravidei.
Estava então garantida pela situação económica de um homem que deveria pagar-me agora generosa pensão.
Lúcio ficou muito surpreso, mas feliz.
Suspirou fundo e calou-se por alguns segundos.
Depois continuou:
— Que engraçado... foi aí que eu percebi que ele me amava realmente e que, talvez, eu não precisasse ter feito tudo aquilo e...
Algumas lágrimas e prosseguiu:
— Bem, não demorou muito, Lúcio comprou essa casa e colocou-a em meu nome.
Ele assumiu todas as despesas.
Deu-me um carro, empregados...
Minha mãe, nessa época, já não conhecia ninguém e precisou de uma enfermeira que a acompanhasse sempre, o que Lúcio proporcionou.
Eu tinha exactamente tudo.
Até que o médico pediu que eu repetisse um dos exames solicitados para o pré-natal, porque achava que algo, provavelmente, não estivesse bem comigo.
Eu fiquei nervosa e queria saber o que estava acontecendo, mas o médico só explicou que eu deveria repetir um exame, pois fazia parte da rotina.
Longa pausa em que pareceu reviver toda a amargura experimentada.
Em seguida, contou:
— Fiquei nervosa e disse que nenhum médico poderia esconder do paciente um resultado, que isso era lei.
Foi aí que ele disse que o resultado do teste Elisa3 foi positivo.
Entrei em desespero -— prosseguiu Marília.
Comecei a imaginar que poderia estar com Aids, pois Lúcio, apesar da óptima aparência, da exuberante beleza, trocava muito de parceira e o vírus que provoca a Aids é silencioso.
Vivi um inferno enquanto aguardava o segundo resultado.
Acreditei que estava sendo castigada pelo que fiz.
—E aí? Você comentou com ele? -— perguntou a amiga com brandura no tom de voz.
— O Lúcio estava em viagem no Rio Grande do Sul e deveria voltar em breve.
Fiquei angustiada, deprimida... você não pode imaginar como é.
Pois bem, o médico, diante do segundo exame, explicou que eu deveria ser portadora do HIV e que eu ainda tinha de fazer outros exames mais eficientes, que precisava do resultado de uma contagem de não sei de quê.
Entrei em crise -— confessou.
— Foi como receber a sentença de morte e saber que antes viria uma terrível tortura.
Só o que eu sabia naquele momento era que as pessoas, pelo mundo afora, estavam morrendo daquilo em um número assustador e a mesma coisa ia acontecer comigo.
Você entende? -— perguntou chorando.
Falando em seguida, em soluços:
— Ninguém poderia fazer nada.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:03 am

Eu e meu filho estávamos condenados!
Tínhamos uma doença fatal!
Marília entregou-se a um pranto compulsivo e a amiga, perplexa, quase não sabia o que fazer.
Laura, por um segundo, temeu abraçá-la, mas, piedosa por índole, venceu-se e envolveu-a com carinho, dizendo brandamente:
— Calma, você não pode pensar assim.
Recompondo-se um pouco mais, Marília secou as lágrimas com as mãos, afastou-se do abraço e contou:
— Quando Lúcio chegou de viagem, eu estava insana.
Minha mãe, nessa época, não podia me compreender e muito menos me consolar.
Eu queria que ela morresse, pois foi por seus conselhos que eu havia me condenado à morte.
— E o Lúcio? Como reagiu? -— perguntou Laura.
— Ficou em choque. Desesperado.
Nem conversamos direito, pois eu o acusava...
Foi embora e só voltou dias depois quando eu estava mais calma.
Então nós conversamos.
Nosso filho estava para nascer, e nós todos estávamos condenados.
Não havia dinheiro no mundo que pudesse comprar nossa saúde, nossa absolvição por termos nos entregado a prazeres efémeros.
Não valeu a pena.
Eu não dormia mais -— prosseguiu no relato.
— Não conseguia comer direito.
Os médicos não tinham muita coisa para oferecer, até porque eu estava grávida e assintomática, ou seja, eu era portadora do tal vírus HIV, mas não manifestava doença alguma.
O Higor nasceu -— continuou Marília.
— Nesse mesmo período, o Lúcio começou a não se sentir bem.
Ele achava que estava gripado.
Tinha tremores nas mãos, dores nas pernas, nas juntas e nas costas.
Não havia remédio que ajudasse.
Em meio a tudo isso, o médico constatou que ele estava com Hepatite e Pneumonia por Pneumocystis, um tipo de pneumonia que atinge somente pessoas cujo sistema imunológico está comprometido, têm imunidade baixa e ficam sem defesa.
— O Lúcio já havia feito exames para saber se estava infectado pelo HIV? -— indagou Laura em tom piedoso.
— Logo depois de meu resultado seropositivo, assim que ele soube, realizou o teste e não deu outra.
Mas só depois que o Higor nasceu foi que ele começou a ter problemas de saúde.
Emagreceu rapidamente... Eu o odiava.
Sabia que havia pegado essa doença desgraçada dele e que isso havia me condenado... -— chorou revoltada.
— Porém, precisávamos conversar e saber o que poderíamos fazer de nossas vidas, ou do que restava delas.
Afinal, tínhamos um filho totalmente dependente, além de condenado.
Lúcio começou a passar muito mal e não saía do hospital -— continuou Marília no mesmo tom.
— Os pais dele ficaram perplexos.
Não sabiam o que pensar, o que fazer ou como reagir, mas trataram dele.
Eles acabaram vindo aqui para me conhecer e conhecer o neto.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:03 am

Depois que Lúcio passou a manifestar doenças e mais doenças, que surgiram de forma galopante, pediu ao pai que destinasse parte de sua herança para o Higor, pois sentia que iria morrer logo.
Essa ideia não me impressionou, embora eu tenha gostado.
Nesse mesmo período, eu descobri que o Lúcio vivia com outra mulher em uma luxuosa mansão.
Era uma tal de Rejane...
Aí eu o odiei mais ainda.
— Ela estava contaminada com HIV também? -— perguntou Laura.
— Só pode. Mas eu não quis saber.
Queria matá-lo! Tive crises de nervos.
Pensei muito em...
Nesse instante ela deteve as palavras e chorou muito antes de continuar.
— Pensei em matar meu filho e depois me suicidar.
Eu ia morrer mesmo!
Mas depois, não tive coragem.
Minhas tias e primas, nessa época, perceberam que eu e minha mãe estávamos bem de vida e, com desculpa de frequentes visitas a minha mãe, começaram a vir muito aqui.
Isso era interesse puro, pois sempre reclamavam das condições financeiras...
Pediam coisas...
Faziam insinuações de coisas que precisavam...
Você sabe como é.
Uma prima, em especial, começou a se aproximar mais de mim e, aproveitando-se da minha fragilidade, quis saber o que estava acontecendo.
Forçou-me e acabei falando que estava infectada com o HIV.
Apesar de eu ter pedido segredo, ela contou para a família inteira.
Até para os empregados que tínhamos.
Todos sumiram desta casa.
Parecia que aqui iriam se contaminar com a peste negra da Idade Média.
Fiquei incrivelmente abandonada.
— Silenciou.
Marília olhou para a amiga que não se pronunciou.
Após uma pausa, prosseguiu:
— Um dia a visita da dona Norma, a mãe do Lúcio, me pegou de surpresa.
Eu estava chorando muito.
Estava desesperada.
Minha mãe passava mal.
Não tínhamos empregada para nada nem babá para me ajudar com o Higor que se esgoelava no berço.
A dona Norma, apesar de sua pose arrogante, naquele dia, pareceu se modificar um pouco.
Ela apanhou algumas roupas que estavam jogadas pelo quarto do Higor.
Deu um banho nele, fez um chá para mim e ainda me ajudou a dar banho em minha mãe.
No dia seguinte, ela estava de volta com uma babá e uma empregada.
Pediu para eu confirmar, caso as moças perguntassem, que eu estava com câncer e meu filho também.
A princípio fiquei irritada e indignada com o que ela inventou, mas a dona Norma acabou ficando nervosa comigo e falou:
"Quer que eu conte a verdade?!
Vá lá, conte você!
Depois se vire sozinha com o serviço da casa, tomando conta de sua mãe e cuidando do Higor sozinha, pois eu não posso e não vou vir aqui ajudá-la todos os dias.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:03 am

Tenho o Lúcio para olhar.
Vá lá e conte para elas o que você tem.
Duvido que elas fiquem aqui esta noite!".
Foi então que percebi que eu e meu filho estávamos condenados a viver sozinhos.
Talvez, nem pagando eu pudesse ter alguém comigo para me ajudar -— finalizou Marília e expressou-se como se estivesse esgotada.
— E o Lúcio?
Como ele estava? -— interessou-se a amiga, depois da longa pausa.
— Nessa época, ele começou a ter muitas complicações e das mais diversas.
Chegou a um ponto em que os médicos não podiam fazer mais nada por ele.
Aí o mandaram para casa para aguardar a morte.
A dona Norma deixou de vir aqui com tanta frequência -— prosseguiu, parecendo exausta do assunto —- pois tinha que tomar conta do Lúcio.
Mas me ligava todos os dias.
Ela contou que foram necessários até tubos para sugar o muco dos pulmões dele, fora os incontáveis antibióticos, remédios para câncer e o tal AZT*.
Tudo isso trazia efeitos colaterais horríveis, além dos problemas já enfrentados com as diversas infecções oportunistas e dores.
Nada mais parecia aliviar suas dores.
Até morfina e outros remédios fortes foram usados.
Talvez, isso o fizesse delirar, ter pesadelos...
Marília não suportou mais segurar os fortes sentimentos e gritou várias vezes, desesperada, em meio ao choro:
— Eu queria que ele sofresse!!!
Que ele morresse gritando de dor!!!
Todo o sofrimento de Lúcio foi pouco!!!
Muito pouco diante de tudo o que ele fez comigo!!!
Ai!!!... É uma dor tão grande a que sinto!!!
É um arrependimento!!!...
— Calma, Marília.
Não fique assim! Não vai adiantar.
Você tem de pensar diferente, pois todo esse ódio, toda essa raiva e essa dor vão lhe fazer muito mal, tanto física como psicologicamente.
— Eu já estou mal, não por saber que estou condenada à morte, mas por saber que vou sofrer.
A morte todos nós estamos condenados, mas as dores severas, os transtornos inúmeros antes de morrer...
É muito cruel saber disso.
Meu filho está muito doente -— prosseguiu, falando em meio ao choro.
— Está com problemas de pele, além de uma série de graves distúrbios gastrointestinais, um estado febril que vaivém pelas infecções.
O que já indica manifestações da doença.
Eu estou sozinha, Laura... -— chorou.
— Não tenho irmão, e meus pais já morreram.
Meus parentes querem distância de mim e não se aproximam nem por dinheiro.
O que posso fazer?!
O que me resta?!...
— Deus —- respondeu Laura, serena.
— Resta você pedir a Deus que lhe dê forças para encontrar a paz, a harmonia interior.
Só Deus pode confortar um coração aflito.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:04 am

— A dona Norma me contou que o Lúcio, antes de se prostrar na cama de vez, começou a frequentar uma igreja evangélica onde lhe prometeram a cura, um milagre.
Mas só tiraram dinheiro dele com toda aquela gritaria.
— Lúcio procurou a cura do corpo com os homens e não a cura da alma com Deus.
Eu, talvez, nem saiba direito o que é esse HIV e Aids.
Só sei que é algo terrível, que diminui nossa imunidade.
Penso que bem poucas pessoas têm informações suficientes sobre isso.
Mas, antes do desespero, vamos procurar saber do que se trata, o que é, o que o mundo da ciência tem para oferecer.
— Não há um dia, uma hora, um minuto sequer que eu deixe de odiar o Lúcio pela crueldade que fez comigo.
Onde estiver, há de sofrer muito por isso.
Quero que ele queime nas labaredas do inferno, eternamente, desgraçado.
— Marília, se ainda não consegue deixar de odiá-lo, ao menos não pense mais nele.
Será bem melhor.
Eu tenho certeza de que você vai começar a viver melhor quando esquecer e perdoar.
— Viver melhor?! Perdoar?!
Que ironia, Laura!
— Talvez não seja um bom momento para falarmos de perdão, mas...
Sobre viver melhor...
Viver melhor não significa não ter problemas.
Viver melhor é enfrentar os desafios de cabeça erguida e procurar ter qualidade de vida —- fez breve pausa.
Tomou o fôlego e prosseguiu com tranquilidade:
— Sinceramente, agora eu estou confusa, chocada também.
Imagino como você se sente e... acho que não tenho palavras que a confortem ou que aliviem o que sente.
Mas sei que essas palavras virão.
Vou procurar informações.
Vou procurar saber tudo a respeito da Aids.
Tem de haver um jeito de se ter uma vida melhor.
— Depois de um breve instante, Laura perguntou:
— Você tem ido ao médico?
Tem tomado medicamentos?
O que você sabe sobre a Aids?
— Sei que vou morrer -— respondeu desconsolada.
— E não estou indo ao médico nem fazendo tratamento.
Se vou morrer, prefiro que aconteça o quanto antes.
Só estou levando o Higor às consultas e aos tratamentos. Nada mais.
Laura percebeu que Marília estava revoltada.
Talvez aquele não fosse um bom momento para tentar mudar aqueles pensamentos tão hostis.
Saberia esperar.
Ela estava disposta a ajudar a amiga com sua presença e seus conselhos, desde que Marília quisesse.
Para isso, precisaria informar--se mais para não falar sobre algo que não sabia.
Na espiritualidade, repleta de compaixão e bondade, Lisete e Djalma empenhavam-se para abrandar o coração de Marília, fazendo-a compreender a importância do perdão para com ela mesma.

3. Nota da Médium. Elisa é um dos primeiros testes femininos com relação ao vírus da AIDS
4. Nota da Médium: Actualmente existem outras medicações para auxiliar a contenção do vírus HIV, causador da Aids e não somente as mencionadas aqui.
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Ave sem Ninho

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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:04 am

7 - Atraindo-se para o vírus

NUMA MANHÃ, Elma reuniu-se com seus alunos no posto de serviço terreno, onde passou a divulgar planos e explicar a importância da vigilância dos próprios pensamentos para não se arriscar a tormentos futuros.
— Elma —- interessou-se Silmara —- por que devemos dar tanta importância aos pensamentos?
Não são eles passíveis de mudança rápida quando mudamos de opinião?
Sempre tranquila, a orientadora explicou:
— Seus pensamentos são envolvidos por energias.
Eles são energias e criam conforme o que é imaginado.
Atraem aquilo que você estiver sintonizado e se ligam exactamente a isso.
As situações que enfrentamos surgem por aquilo que desejamos e procuramos, consciente ou inconscientemente, mesmo quando não queremos passar por elas.
Ainda em dúvida, a aluna quis saber:
— Com isso, nós podemos dizer que aquele que está infectado com o HIV ou enfrenta a Aids, de certa forma, atraiu-se para essa experiência tão difícil?
A instrutora reflectiu por poucos segundos e sem abalo ensinou:
— Aqueles que nascem com o HIV, por terem sido infectados pelos pais durante a gestação ou no canal do parto, têm grandes provações a experimentar.
Bem como os hemofílicos e aqueles que contraem o vírus por transfusão de sangue, plaquetas, cirurgias etc.
Podemos dizer que todos os nossos irmãos que adquirem o HIV em relacionamentos sexuais promíscuos, lascivos se atraíram, entregaram-se ao vírus HIV por desregramento.
Quantos milhões de pessoas jamais se contaminariam com o HIV se não fossem promíscuas, levianas? -— questionou a benfeitora, oferecendo breve pausa. Não houve resposta e ela prosseguiu:
— Se tivessem ouvido aquela vozinha lá no fundo que lhes dizia:
"Olhe, tome cuidado.
Será que é correto fazer isso?"
Quantos milhões deixariam de ter esse vírus, se não praticassem o sexo casual ou se fossem menos compulsivos sexualmente?
— Nova pausa em que ninguém ousou responder.
— Então, podemos afirmar que, quando essas pessoas começaram a ter interesse em prazeres momentâneos pelo sexo desregrado, procurando o que é sensual e sexual, para se excitarem porque gostam, mudando de parceiros, inovando, diversificando sem respeito a si mesmas, elas já estão se atraindo para o vírus.
— O quê! Vai me dizer que eu me atraio para a infecção de um vírus sem cura e que provoca a Aids se eu assistir a um filme, ver uma revista, fotos?... -— perguntou Romildo, muito surpreso.
— Se for material pornográfico, se tiver um padrão vibratório inferior e você se identificar com o que vê porque gosta, podemos afirmar que, se ceder aos impulsos efémeros, lascivos, sim, você é um sério candidato à atracção desse vírus sem cura e de outros também.
— E se eu usar preservativo em minhas relações? -— questionou o aluno, curioso.
Com a tranquilidade de sempre, Elma perguntou afável:
— Até que ponto o preservativo é seguro, Romildo?
Nem os grandes fabricantes podem oferecer cem por cento de segurança.
Se garantissem, enfrentariam grandes processos por pessoas que utilizaram preservativos e engravidaram ou se contaminaram com alguma doença sexualmente transmissível.
Os preservativos se rompem com certa facilidade.
Não existe nenhuma matéria sem espaço, sem poros microscópicos.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:04 am

Isso inclui o material com que são feitos os preservativos.
O vírus denominado HIV é ultramicroscópico e pode ser ainda menor que qualquer poro.
É lógico que a protecção com preservativo, em uma relação sexual vaginal, anal ou oral, é muito mais garantida do que sem ele, pois a possibilidade é bem remota.
Mas o que você me diz sobre a resistência do látex do preservativo, sobre o poder de sua resistência durante um relacionamento sexual frenético, acalorado?
Os parceiros terão tempo ou vontade de oferecer atenção constantemente a ele?
Existem muitos milhões de pessoas contaminadas com o HIV.
Podemos dizer que cerca de mais de dois terços não sabem que são portadores do vírus.
Os que não sabem que estão infectados fazem esse número grandioso crescer a cada hora, a cada segundo... -— comentou a orientadora.
— Quantas dessas pessoas infectadas usam preservativos?
E quantos desses preservativos resistem e não contaminam o parceiro?
— Ninguém ousou responder.
Elma finalizou:
— Sem contar com os que sabem que estão infectados com o vírus e não contam a ninguém.
Usam preservativos em seus relacionamentos, mas, se ele se rompe, simplesmente não revelam nada.
— Dois terços de pessoas infectadas não sabem?! -— assustou-se Álvaro, sob efeito de um choque.
— Sim. Mais de dois terços dos números que aparecem nas pesquisas, não sabem.
Esse é um número grandioso — confirmou a orientadora, como se trouxesse o pensamento preso em lamentável acontecimento que, de alguma forma, pudesse evitar.
— Suponhamos que vinte milhões de pessoas estão infectadas no mundo todo.
Dois terços de vinte milhões indicam que são treze milhões, trezentos e trinta mil pessoas(5) não sabem serem portadoras do HIV, que provoca a Aids.
E o maior meio de propagação desse vírus é a relação sexual e o uso de drogas.
Essas pessoas que se infectam pela relação sexual promíscua e pelo uso de drogas injectáveis, sem dúvida alguma, cederam aos desejos nocivos e infelizes e seguirão um caminho de vibrações deprimentes, energias inferiores e encontrarão, certamente, labirintos de dores terríveis, perturbações, arrependimentos e sofrimentos indizíveis -— relatou Elma.
— Se não se elevarem com extrema fé em Deus, pensamentos e sentimentos verdadeiros no arrependimento, na vontade de mudar e na transformação íntima, poderão se colocar em novas provas reencarnatórias submetendo-se a severas disciplinas físicas, morais e espirituais.
Somente essa reeducação lhes trará harmonia na consciência e melhor qualidade de vida física e espiritual.
— Você nos falou algo sobre energia ou fluido que envolve essas pessoas que se atraem para o vírus -— disse Romildo, sem afectação, aproveitando-se da pausa.
— Disse também que cada situação que enfrentamos acontece por aquilo que desejamos ou procuramos de forma consciente ou inconsciente.
Pode haver uma forma de energia ou fluido, na espiritualidade, que envolve um encarnado facilitando que ele adquira o vírus?
Uma expressão de quem reflectia figurou-se no belo rosto da instrutora que, pacientemente, logo explicou:
— Sim, quando esse encarnado, já em pensamento, predispõe-se ou facilita-se à aquisição do vírus através do sexo promíscuo, uso de drogas injectáveis, ou tem a necessidade de adquirir o vírus pela Lei de Causa e Efeito ou carma, como alguns chamam, por suas práticas do passado, apesar de ele não ser promíscuo.
Esse encarnado tem o envolvimento, na espiritualidade, de fortes fluidos pesarosos que já são, vamos dizer assim, um pré-requisito para que ele se contamine.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:04 am

Podemos dizer que o encarnado já tem ou pode criar uma força de atracção para o vírus, em torno de si mesmo, no campo vibratório que o circunda.
E não é só para o HIV.
Os vírus e as bactérias são vivos.
Neles, todos, o princípio inteligente da Criação estagia para evolução.
Eles trazem em si uma fonte de actividade íntima que lhes dá vida, pois eles nascem, multiplicam-se e morrem.
O vírus, pela própria natureza material, é uma estrutura invisível e extremamente agressiva.
Para os encarnados, o vírus é um agente infeccioso e tem um tamanho ultramicroscópico, inferior a qualquer bactéria existente.
Ele não possui estrutura celular, por isso sempre necessita de outra célula viva para se replicar e se propagar — disse a instrutora serenamente.
Observando que todos estavam interessados, continuou:
— O vírus tem vida e possui sua energia, seu fluido vital.
Ele é um princípio inteligente. Explicando melhor, espiritualmente falando, o ser humano possui o espírito, o restante dos seres vivos possuem princípio inteligente, nisso incluem-se animais, plantas, fungos, bactérias, micróbios, vírus.
E, como sabemos que o princípio inteligente existe sem estar ligado à matéria em que vai estagiar(6), podemos admitir que, antes de se ligar ao corpo material do vírus, esse princípio inteligente que tem as características, propriedades e necessidade de estagiar como vírus pode e vai ser atraído pela energia daqueles que se predispõem a hospedá-lo, da mesma forma que, muitas vezes, o espírito que vai reencarnar se aproxima dos pais, ou da mãe, para que se afinem antes mesmo da concepção.
— Sem esperar por perguntas, Elma continuou:
— Então, a ligação desse princípio inteligente com característica virai, com a matéria corporal do vírus, vai ocorrer no interior do organismo, mais exactamente no interior de uma célula do encarnado que adquiriu um vírus e a partir disso estará vulnerável para multiplicá-lo, propagá-lo e passá-lo adiante.
— Perdoe-me a interrupção -— pediu Romildo —- mas, a grosso modo, poderíamos dizer que o encarnado que criou em torno de si energias, através dos desejos e pensamentos, pelas práticas levianas atrai as "almas" dos vírus que podem "reencarnar" dentro dele?
— Os termos não estão correctos, porém é exactamente isso que ocorre.
O princípio inteligente é inferior à alma da criatura humana, por isso não podemos chamá-lo de espírito ou alma.
Nem podemos dizer que um animal irracional ou planta têm alma ou espírito.
Nem podemos dizer que o princípio inteligente encarna.
O mais correto é dizer que o princípio inteligente estagia e que esses estágios se dão no reino mineral, vegetal e animal irracional.
Devemos nos entender melhor atribuindo um nome para cada coisa.
— Lembrando o caso de Lavíneo, que brigou com a noiva por causa de sua proposta —- argumentou Silmara - aquela energia escura e sombria que o circundava, já no momento em que observava a loja de materiais diversos sobre sexo, o atrairia para a aquisição de alguma doença?
— Nenhuma energia que nos circunda nos inclina para uma doença — respondeu a benfeitora.
— A energia, os fluidos, a aura de uma pessoa mostra suas preferências e, consequentemente, atraem, na espiritualidade, aqueles que lhes são afins.
Se seus pensamentos, sentimentos, desejos, ideias e práticas forem elevados, você atrairá espíritos elevados, terá criatividade produtiva, ideias prósperas e saúde.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:05 am

Se forem sempre de dúvidas, por não saber o que quer da vida, por não se esforçar para nada, se seus sentimentos forem de insegurança, de desejos egoísticos, se suas ideias e práticas forem de sedução, erotismo e promiscuidade, se seus desejos são vis e lascivos, maldosos aos outros, se suas ideias se prendem às doenças, entre outras coisas, você é a melhor companhia para os espíritos inferiores que passarão a acompanhá-lo e para grandes porções de princípios inteligentes, que já foram chamados, por autores espirituais, de "selva microbiana" na espiritualidade, e esperam uma única oportunidade para estagiar.
— Então esses princípios inteligentes que estagiarão como HIV vivem na espiritualidade? -— insistiu Álvaro, para entender bem.
— Ora! Como não?
Quando o princípio inteligente não está estagiando em um corpo material, onde ele fica? -— respondeu Silmara, na vez da instrutora.
— Ficará na espiritualidade, é claro.
Em busca ou próximo das energias que podem lhe dar oportunidade de vida dentro do corpo humano.
Como nos explicou Elma.
— Se querem ver como isso acontece -— propôs a benfeitora —- vamos imediatamente a lugares onde observaremos melhor.
Em minutos a instrutora e seu grupo encontravam-se em um ambiente bem animado e luxuoso para os encarnados que conversavam alegres, mesmo com a música em alto volume.
Alguns bebiam, enquanto riam e petiscavam ou dançavam.
Elma, experiente na tarefa de instruir a diversos grupos, conhecia bem os locais de aprendizado e grande número de espíritos na crosta em missão de socorrer ou proteger.
Logo um companheiro aproximou-se da equipe da instrutora, exibindo satisfação ao vê-los.
— Querida Elma!
Quanto tempo!
— É bom revê-lo, Gustavo -— cumprimentou a amiga, apresentando em seguida os alunos que a acompanhavam.
Em seguida, continuou:
— Sabia que poderia encontrá-lo, pois sei que actua como espírito protector de um querido que frequenta sempre lugares assim.
— Sim, é verdade.
Mas como pode perceber, não está sendo fácil.
Tomás, meu pupilo, mergulha em um mar lodacento e quase nada posso fazer.
Veja — disse olhando na direcção de seu protegido.
Elma, sempre muito serena, apesar da compaixão, explicou sem ressaltar:
— Este é um lugar de encontro para aqueles que acreditam que só relaxam, após um dia ou semana de trabalho, em um lugar como este.
É um período do dia conhecido como happy hour ou hora feliz.
Porém, aqui, infelizmente, é onde podem começar os transtornos, em diversos sentidos, para muitos.
— Todos observaram atentamente e a instrutora disse:
— Olhando à volta, vamos ver moças e rapazes, mulheres e homens, senhoras e senhores, bem arrumados, bonitos, elegantes e, em alguns casos, bem ricos.
Tudo é muito alegre e bonito para os encarnados que não conseguem ver as companhias espirituais que podem encontrar e adquirir aqui.
Ofereceu uma pausa breve e prosseguiu, como sempre, bem tranquila:
— Vejam só, não é um lugar vulgar, pobre, tampouco feio para os encarnados, mas, na espiritualidade, os desencarnados que aqui estão são espíritos vis, lascivos, maliciosos.
Na grande maioria são erotomaníacos, ou seja, têm uma exageração mórbida dos sentimentos e reacções sexuais.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:05 am

São maliciosos.
Pelos desvios praticados em relação ao sexo, quando encarnados, todos apresentam deformidades nos centros genésicos, região dos órgãos sexuais, bem ressaltadas.
Esses espíritos procuram os encarnados com tendências ao desequilíbrio, ou já desequilibrados, na área sexual.
Outros espíritos, viciados no álcool, quando encarnados, ligam-se àqueles que ingerem bebidas alcoólicas para deles sugarem-lhes as energias e trocarem fluidos.
Os espíritos viciados em drogas, de qualquer tipo, quando encarnados, também se afinam com os encarnados que têm essa tendência ou prática, para trocarem fluidos e promoverem ainda maior compulsão.
Cada encarnado aqui tem suas tendências -— continuou Elma —- digo, tendências que deveriam vencer para evoluir e, consequentemente, serem verdadeiramente felizes.
Mas, num lugar desses, em vez de encontrarem motivo, razão e força para vencerem as más tendências, os encarnados podem encontrar quem os estimule a piorar ainda mais sua situação como espírito.
Embora existam, são poucas as pessoas que, frequentando lugares como esses, deixam-se envolver por seu mentor e repelem as energias não elevadas desse tipo de ambiente, não se deixando seduzir por companheiros espirituais viciosos de qualquer nível.
Vejam aquela moça — mostrou a instrutora com simplicidade.
— Ela não admitiria, mas não tem outro pensamento senão o de se prostituir, apesar de não estipular valor antecipado ou aparente.
Observem seu desvio psicológico para o exibicionismo, pelas roupas justas e decotadas que ressaltam partes de seu corpo, pelo modo de sentar-se ou menear, pois ela faz questão de ser notada, com intenso desejo de que seus dotes físicos sejam ressaltados.
Observem também os espíritos iguais a ela, influenciando-a fazer o que ela faz.
— A pessoa que faz questão de exibir o corpo com intensidade, com roupas chamativas e sensuais, demonstra um desvio de comportamento? -— perguntou Silmara.
— Sim -— respondeu a instrutora.
Todo excesso é prejudicial.
Todo excesso é a manifestação de desvio de carácter, desvio psicológico, em maior ou menor intensidade, conforme o caso.
E o exibicionismo é um deles.
Apesar de a pessoa quase nunca admitir.
Lógico que existem pessoas que cuidam de si, da aparência, usam roupas bonitas, elegantes, atraentes e não têm desvio de comportamento nem desvio de carácter.
Arrumar-se para ficar bonito, ficar bem, aparentar beleza não é errado, desde que a pessoa faça isso para si, para se sentir bem consigo mesma. Uma coisa é vestir-se e comportar-se de maneira elegante; outra é vestir-se e comportar-se vulgarmente.
— E o facto de você dizer que ela não tem outro pensamento senão o de prostituir-se, como isso acontece? — interrompeu Romildo.
— Ela trabalha e até tem boa colocação -— explicou Elma, que já conhecia o caso.
— Ganha satisfatoriamente bem, mas está à procura de um homem que a assuma, que assuma suas despesas.
Ele deve estar bem de vida.
Ter uma casa na praia ou condições para tê-la.
E a deseja ter nome de casada e, se possível, deixar de trabalhar, ser sustentada e ter todas as suas necessidades atendidas.
Para conquistar esse homem, ela está disposta a propor-se a qualquer actividade sexual para atraí-lo, envolvê-lo em prazeres pela sedução.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:05 am

Atraído, conquistado e dependente dos prazeres sexuais que só ela saberia proporcionar-lhe, esse homem se colocaria a sua disposição para satisfazer suas vontades.
Podemos afirmar que aquela moça bonita tem um distúrbio de exibicionismo e prostituição na compostura moral, porque, apesar do preço para seus préstimos sexuais não serem previamente estabelecidos, há um ou vários valores estipulados por suas intenções em dispor-se a práticas sexuais.
Se não conseguir o que pretende com um, ela certamente vai mudar de parceiro e tentar com outro.
Mas não vai mudar a intenção nem o comportamento.
É aí que se configura a prostituição -— explicou a instrutora.
— Essa permuta de parceiro nunca fará parte da concepção feminina, da natureza feminina, por mais que ela se diga com os mesmos direitos dos homens.
A mulher, espiritualmente falando, tem a função sagrada de perpetuar a espécie humana com selecção natural de amor e carinho.
Ela pode ter a necessidade emocional de entregar-se a um desconhecido, entretanto, no final do relacionamento, sempre lhe restará a dúvida pelo amor que um desconhecido jamais proporcionará.
Sempre surgirão sentimentos fragmentados pela busca constante de amor, por querer ser correspondida, o que jamais acontecerá com um desconhecido.
Por isso sempre existirá a frustração por mentir sobre um prazer que não sentiu -— explicou Elma.
Ninguém é capaz de amar parceiros diferentes a cada dia -— prosseguiu a benfeitora.
— Não é saudável física, moral e espiritualmente servir-se de objecto sexual.
Nessa pessoa haverá, sempre, uma busca desesperada por algo que não sabe o que é.
Reinará em seu ser um vazio imenso, uma dor incalculável que aparecerá com o tempo pelos desvarios em suas atitudes sexuais, pois a mente dessa criatura se perverte e perde o sentido do amor verdadeiro, do amor espiritual e demorará muito tempo para se reaver novamente com os sentimentos puros.
Essa moça, apesar de seu corpo belo e escultural, traz consigo um grande vazio e muita experiência dolorosa para viver.
Ela é portadora do HIV, só que ainda não sabe.
O silêncio foi total quando Elma disse isso.
Os alunos ficaram perplexos, e ela continuou depois de breve pausa:
— Observem a maneira como ela está alegre, feliz e como se diverte com as amigas do mesmo nível espiritual que ela.
Agora vejam o protegido de nosso amigo Gustavo.
Olhem como o rapaz está admirado e disposto a conquistá-la.
Como proposta reeducativa para esta encarnação, Tomás se propôs a enfrentar o desafio do sexo porque não harmonizou sua compulsividade em outros tempos.
Ele reencarnou com o compromisso de não se deixar inclinar pela ilusão das aparências físicas, para não cometer novamente o erro de utilizar a mulher como objecto descartável, mesmo quando ela tivesse qualquer intuito de ser leviana, prostituta; ou de submeter a mulher a infelicitações de toda sorte, à sordidez de seus actos, ao desequilíbrio emocional e espiritual.
Quando uma pessoa decente, que não tem intuito de se vulgarizar, é envolvida, seduzida e utilizada como objecto, sendo ou não por estupro, ela certamente vai sentir-se destroçada, inútil, envergonhada e será bem difícil sua recomposição, sua reaquisição da auto-estima e sua conquista da valorização moral.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:06 am

A instrutora ofereceu breve silêncio, mas ninguém se manifestou, por isso prosseguiu:
— Tomás é uma criatura que sempre quis ressaltar seus dotes e ser o melhor por causa do vazio que sente.
Ele não tem motivos nem objectivos saudáveis para se concentrar e, descontroladamente, procura algo que o satisfaça, complete e sacie sua sede de emoções.
Sempre busca algo novo, diferente, que em pouco tempo cai na rotina, na repetitividade, no comum e perde a graça.
Quando isso acontece, volta ao ponto de partida, da insatisfação pessoal, emocional, espiritual e acaba procurando algo ainda mais diferente.
Tomás não se satisfaz com nenhuma mulher.
Seu relacionamento com elas é mecânico, frio, não é de amor pleno.
Tanto que, normalmente, antes do relacionamento sexual, ingere alguma bebida alcoólica, estimulando-se para o ato sexual vulgar, puramente físico e até animalizado.
Ao terminá-lo, vira-se de lado na cama e, muito cansado, procura acender um cigarro, com a desculpa de querer relaxar.
Os alunos não se pronunciavam e Elma acrescentou:
— Ninguém, que tenha uma relação sexual saudável, precisa relaxar ou descansar de modo a fazer pouco caso do outro.
A pessoa equilibrada há de sentir-se repleta de prazer, plena de amor e, normalmente, procura o parceiro ou a parceira para olhar nos olhos e fazer doce e delicado carinho, sorrindo, como se dissesse:
"Obrigado. Você me completou.
Sinto-me satisfeito".
Sentir-se satisfeito, relaxado, pleno de amor e tranquilo pelo acto sexual não é sentir-se cansado.
Não é virar para o lado como se dissesse:
"Terminou. Não tenho mais nada a fazer".
Diante do silêncio, ela ainda disse:
— A postura de Tomás não é de uma pessoa com actuação equilibrada.
Ele é heterossexual, está longe do equilíbrio, da harmonização e desperdiça mais essa oportunidade de elevação.
— Então -— interferiu Silmara aproveitando-se da pausa —- por estar em busca de algo que não sabe o que é, ele entrega-se aos desvarios vulgares do sexo e continua infelicitando mulheres para abandoná-las depois?
— Agora, nesta experiência terrena -— respondeu Gustavo, mentor de Tomás, por sua vez —- atrai para si os encarnados e desencarnados de seu nível.
Vamos lembrar que os semelhantes se atraem.
Para sua prática do sexo desregrado, desvitalizado, sem amor e vulgar, Tomás tem a mente voltada para a procura da beleza física e, sem perceber, sai em busca de parceiras em locais dos mais inferiores, espiritualmente falando, mesmo com todo o luxo que apresenta.
Não admitiria sair com uma prostituta declarada, pois ela estipularia o preço antes de aceitar o programa.
Inconscientemente, porém, ele aceita sair com aquelas que não são tão diferentes das prostitutas assumidas.
As moças com quem sai têm valores em segredo a cobrar depois, pois usam o sexo para obterem aumento de salário, passeios, viagens, status, posição social, destaques em jornais e revistas etc...
Essas mulheres, que se prostituem em segredo, não são encontradas em ruas ou bordéis, mas em lugares de luxo, quase acima de qualquer suspeita.
Por isso não podemos dizer que Tomás vai infelicitá-las.
Mas encontrará muitas dificuldades por não conter seus desvios.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:08 am

Se um homem procura uma parceira digna, uma boa e fiel companheira, que possa ser sua esposa e mãe de seus filhos, certamente, não vai procurá-la em locais como esses onde mulheres interesseiras expõem-se com exuberância, exibindo-se livres e descomprometidas para qualquer coisa -— prosseguiu o mentor, comentando como se escolhesse as palavras.
Os homens que se inclinam aos prazeres exorbitantes, momentâneos, vulgares e desequilibrados, o que geralmente não admitem, acreditam que nesses pontos de encontro, em bares como esses, podem encontrar suas companheiras.
— Precisamos lembrar que nem todas as mulheres que frequentam bares ou barezinhos têm desvio de comportamento, procuram homens que as provêem, pensam em se usarem para obtenção de alguma vantagem.
Isso não é uma regra.
Existem grupos de mulheres amigas que saem para se divertirem sem a pretensão de arrumarem um provedor.
São mulheres maduras, conscientes, estabilizadas, com profissão.
Isso é possível.
Porém, existem aquelas que têm os pensamentos já voltados para interesses pessoais, ou seja, de encontrarem alguém que as sustentem -— disse Elma, completando.
— Assim como não encontramos mulheres que se prostituem secretamente só nos bares.
Vamos nos lembrar também de que essas mulheres se colocam à disposição em locais que acreditam serem frequentados por homens que possam ter considerável posição social e serem seus possíveis provedores.
— Oferecendo uma trégua, perguntou:
— O que moça bonita e sozinha está fazendo num barzinho luxuoso?
Certamente está em busca de diversões mais intensas.
Enquanto as inúmeras lições eram passadas, na espiritualidade, por Elma e Gustavo, Tomás já havia se aproximado da moça em questão.
Eles bebiam e sorriam, iniciando uma calorosa aproximação.
Mesmo sem se conhecerem.
Na espiritualidade, espíritos com intenções obscuras, perversas e vampirizadoras já estavam bem próximos, estimulando, convencendo e reforçando a atracção entre os encarnados e participando dela, criando um campo magnético propício à volúpia perniciosa e degradante.
Não demoraria muito para que os desejos compulsivos e as intenções lascivas do casal deixassem de ser controlados.

5. Nota da Médium: Esses dados foram passados através de psicografia no ano de 2002.
Portanto, existem alterações para os dias actuais.
6. N.A.E.: Mais explicações, ver em O Livro dos Espíritos a observação de Allan Kardec após a questão 28.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:08 am

8 - Sexo: dignidade e respeito

POUCO TEMPO depois, apesar de terem se conhecido horas antes, Tomás e a moça decidiram que um luxuoso motel lhes serviria bem para outras intimidades.
Embora soubessem dos objectivos dos dois, Elma, junto com sua equipe e o espírito Gustavo, mentor de Tomás, foram com eles sem serem percebidos pelos espíritos inferiores que seguiam o casal.
Chegaram ao local destinado.
O ambiente do quarto de motel era bem sumptuoso, com espelhos, luzes, brilhos, música e aroma que oferecia um toque especial e de imenso conforto no plano físico.
Na espiritualidade, a imagem era bem outra.
Os espíritos que os acompanhavam, sabendo se tratar de uma prática promíscua de sexo casual, tomaram conta do lugar, impregnando tudo.
Momento em que, matéria espiritual, imperceptível aos encarnados, aderia--se em objectos e, principalmente, ao leito, como substância leitosa escura, repugnante pela cor e pelo odor fétido.
Tais espíritos começavam suas práticas antes dos encarnados.
Essa substância miasmática era o fluido, energia que impregnava tudo e também o casal.
Mesmo com o local higienizado no plano físico, esses fluidos pestilentos, carregados de uma fauna microbiana e energias pesadas, existiam no plano imperceptível aos encarnados.
Incontáveis espíritos viciosos, vulgares, maliciosos e inescrupulosos, cujos centros de força genésicos estavam completamente deformados em horrores indizíveis, faziam do quarto de motel um verdadeiro teatro para o espectáculo que seria realizado pelos encarnados, irresponsáveis em sua decisão.
Formava-se uma plateia de espíritos perniciosos e vampirizadores que, afinados pela atracção psíquica dos encarnados por causa do sexo promíscuo e casual, agora se deleitariam, como se estivessem encarnados, misturando-se, abraçando-se ao casal durante a cópula para sugarem seus fluidos espirituais, enquanto lhes transmitiriam suas energias torpes, enfermas e extremamente desequilibradas.
São esses os tipos e níveis espirituais que se unem a pessoas com práticas sexuais vulgares, sem compromisso verdadeiro.
Os dois mundos, o mundo físico para o encarnado e o mundo dos espíritos, nesse instante, se interpenetravam, ainda que o casal não percebesse.
Espíritos desrespeitosos e inoportunos participariam do ato sexual vulgarizado, envolvendo-se, inclusive, na descarga orgástica, como se estivessem encarnados, pois, pelo perispírito, esses espíritos podem sentir mentalmente todas as impressões com que se afinam (7).
Uma obsessão das mais perversas e cruéis seria instalada com o poder de arrastar o indivíduo encarnado a profundas amarguras, depressões, ansiedades, pânico, desequilíbrios infinitamente perturbadores e conflitos íntimos a curto ou longo prazo.
Seja enquanto encarnado, seja desencarnado.
As dores mentais experimentadas por um espírito após o desencarne são, incrivelmente, piores do que no plano físico.
Elma, observando os instantes preliminares, achou desnecessário que permanecessem ali, pois o grupo de estudo já havia recebido explicações suficientes.
Despedindo-se de Gustavo, que também se retiraria para outro lugar, todos se foram, lamentando as condições de Tomás, por sua falta de autocontrole.
A caminho do posto de serviço onde o grupo se instalava, Romildo, imerso em profundas reflexões, não conseguia deixar de expô-las para sanar sua curiosidade.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 21, 2017 11:08 am

Com seu jeito quase inquieto, perguntou:
— Elma, todas as relações sexuais vulgares ocorrem de forma espectacular para os espíritos inferiores?
— Não —- respondeu a instrutora.
— Nunca é do mesmo jeito.
Existem envolvimentos bem piores, extremamente indignos, realizados por espíritos enlouquecidos, verdadeiros dementes.
— Sempre cautelosa e tranquila, explicou:
— Quando uma pessoa como o Tomás, por exemplo, começa a se envolver com espíritos sórdidos, viciosos e lascivos, começa a ficar fraca, sem vitalidade, sem estímulo e entra num estado decadente, vazio, de decepções e insatisfação...
Muitos podem se transformar em farrapos humanos.
Apesar de a aparência exterior indicar elegância, psicologicamente estão destruídos.
Embora nem todos que vivem essa experiência admitam.
Outros se tornam depressivos, ansiosos.
Desenvolvem transtornos emocionais e podem ser sérios candidatos ao suicídio.
Há ainda os que entram em desequilíbrio, loucura e aflições com a frigidez, no caso da mulher, ou a impotência, no caso do homem, ou com tantos outros transtornos.
— Breve instante e explicou:
— É bom ressaltar que nem todos que enfrentam problemas e transtorno emocional, psicológico são por causa de desvio de comportamento na área sexual.
Que fique bem claro isso.
No entanto, os que possuem desvios de comportamento sexual enfrentam transtornos emocionais, psicológicos.
Ninguém indagou nada e a instrutora prosseguiu:
— Usando nosso exemplo, quando Tomás estiver decadente, propondo-se a outros processos de manifestação sexual, não haverá somente aqueles espíritos devassos e levianos que hoje o envolvem e obsidiam.
Certamente, espíritos mais cruéis, extremamente desequilibrados, doentes, verdadeiros loucos, serão os que vão incentivá-lo a actos sexuais ainda mais animalescos, selvagens, degradantes e viciosos porque, daqui a algum tempo, o tipo de comportamento sexual que ele tem hoje não trará mais satisfação.
Ele procurará outras companhias, parceiras, sexo em grupo, as chamadas orgias.
Vai acabar necessitando de mais álcool para sentir mais emoção.
Não satisfeito, vai procurar usar drogas, imaginando que terá mais prazer.
Ele pode procurar o masoquismo, que é sentir prazer pela dor; o sadismo, que é sentir prazer em fazer alguém sofrer, e muitos outros desvios.
Esse é o caminho de Tomás.
Essa pode ser a jornada a ser trilhada por muitos dos encarnados que não se equilibram ou não procuram se frear no que diz respeito ao sexo promíscuo e desequilibrado.
Por isso é preciso procurar ajuda psicológica e assistência espiritual, quando se encontrar em situações desse nível.
— É comum o acto sexual ser visto pelos espíritos? -— indagou Silmara.
— Depende -— respondeu Elma.
— Espíritos com elevação e boa moral não têm necessidade de observar a prática sexual de ninguém.
— Então, só os espíritos vulgares assistem à intimidade alheia?
— É lógico que um casal com respeito, amor sem interesses e motivado pela ternura e dignidade, quando se entrega ao ato sexual saudável, não se torna espectáculo de ninguém.
Ao contrário, existe sempre um mentor do lar nas residências em que prevalece a moral sadia.
Assim, o mentor do lar ou o mentor de um dos cônjuges, dos parceiros, coloca-se elevadamente como sentinela quando o casal começa a envolver-se com ternura, com carinho e intencionam a troca de energias perispiríticas, que finaliza com o acto sexual.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:46 am

O recinto utilizado para esse fim jamais será invadido por espíritos vulgares, vagabundos, vampirizadores, pois a presença sagrada de um mentor nobre é garantida naquele momento sublime de gratidão e verdadeiro amor.
O quarto do casal é protegido como uma espécie de redoma e, logicamente, nem o mentor observa.
Muito diferente do que ocorre com um casal que pratica o acto sexual de forma leviana, desequilibrada e vulgar — prosseguiu a instrutora.
— O sexo, a relação sexual não são sujos, pecaminosos nem errado.
Deus não nos ofereceu órgãos sexuais para nós nos abstermos, castrarmos física ou psicologicamente.
Embora alguns, por opção ou religiosidade, propõem-se a abstinência sexual.
Se é isso o que a pessoa deseja, tal decisão não fará mal a ela nem a ninguém.
A prática da relação sexual é sublime e elevada, quando exercida com amor verdadeiro, ternura, dignidade e respeito, compreendendo que o outro merece amor de nossa parte e nós merecemos amor por parte do outro.
Sexo não é mercado de selecção de parceiros ou parceiras pela beleza ou por qualquer outro interesse obscuro.
A relação sexual é troca de energias perispirituais superiores, quando dignificamos o sexo e temos nobreza de sentimentos.
O relacionamento sexual é desequilibrado e desviado da harmonia, se realizado por barganha e interesse de qualquer espécie, se realizado apenas pela selecção da beleza, sem interesse sentimentais ou respeito pela pessoa, como o fazem os bichinhos.
Os animais praticam o acto sexual, ou melhor, fazem o cruzamento sem sentimento nem apego, mas apenas pela força magnética de atracção, pelas necessidades físicas e afastam-se terminado o acto.
Devemos lembrar que somos espíritos superiores aos animais irracionais que ainda estão na fase do princípio inteligente da Criação.
Temos capacidade e discernimento.
Tivemos Jesus, entre muitos outros espíritos grandiosos e missionários em diversas partes do mundo, que nos trouxe ensinamentos morais e bons princípios, além da valorização da vida.
Infelizmente, algumas pessoas ainda não se atentaram para esse fato e agem pelo instinto inferior, tal qual animais irracionais, e não pela razão dos sentimentos -— desfechou Elma com terna sabedoria e firmeza.
Todos reflectiam em silêncio.
Álvaro, após considerável pausa, lembrou:
— Se o desequilíbrio sexual é encontrado em pessoas como Tomás e aquela moça, o que dizer de homens e mulheres que se prostituem e recebem o nome de garoto ou garota de programa?
No mesmo tom, Elma respondeu:
Os que se propõem ao mercado do sexo são criaturas extremamente infelizes pela vulgaridade.
Esses homens e mulheres que se prostituem, chamados erroneamente de garotos ou garotas de programa, sempre trazem consigo espíritos deformados que se grudam literalmente a eles, dominando-lhes as actividades psicomotoras.
Esses espíritos, que se aderem ao encarnado, já perderam, muitas vezes, a forma perispiritual humana e mais se parecem com vermes repugnantes que, como parasitas, geram energias funestas e sugam as energias daqueles a quem envolvem.
É uma obsessão tão grande, absurda, traumática e sórdida que, muitas vezes, em novas reencarnações, esses espíritos podem nascer num corpo com organização biológica de siameses, ou seja, são gémeos que nascem ligados por uma parte do corpo.
— É por esse motivo que todos os gémeos siameses têm essa experiência reencarnatória? -— perguntou Silmara, que parecia surpresa.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:46 am

— Não -— informou a orientadora.
— Cada caso é um caso.
Na maioria, os siameses se ligam por excesso de obsessão de ambas as partes.
Essa obsessão pode ser sexual, como falamos, ou intelectual, quando ambos praticaram grandes maldades, como genocídios, torturas, experiências científicas indevidas com seres humanos, tudo com prazer e de comum acordo entre eles.
Pode ocorrer pelo ódio excessivo de ambas as partes, em que um perseguiu o outro por reencarnações seguidas, sem um instante de paz.
Mas esse caso é o que menos acontece.
Pode ser também uma obsessão que denominaram amor, um apego excessivo pelo qual foram capazes até de tirar a própria vida, porque outras pessoas, normalmente familiares, impediriam que ficassem juntos.
Agora estão juntos, ligados de verdade como tanto desejaram, provando que os pensamentos têm energia e atraem acontecimentos que tanto queremos.
— E existem até trigémeos siameses! -— exclamou Romildo.
— Pode nos dar um único exemplo?
— Sim -— tornou a instrutora.
— Conheci um caso em que dois espíritos tinham um apego excessivo e compulsividade sexual.
Vamos chamar um de Jonas e o outro de Margo.
Enquanto um estava encarnado e outro desencarnado, esse se aderia de forma impressionante, como um parasita.
Jonas reencarnou e casou-se com Vanora.
Margo, também encarnada na mesma época, casou-se com outro homem.
Quando Jonas e Margo se reencontraram nessa encarnação, não resistiram.
Largaram família e filhos.
Apesar de todo o choque, o marido de Margo perdoou.
Vanora, no entanto, não esqueceu por um único dia a traição sofrida.
Seu amor havia se transformado em ódio, e ela lhes desejava todo o mal, embora não quisesse o marido de volta, se um dia ele retornasse.
O tempo passou.
Desencarnados, a mente de Vanora não se desprendia da situação.
Ela acabou ligando-se a eles pelo ódio obsessivo.
Após muito tempo, não vencida a obsessão de Vanora nem a compulsividade sexual obsessiva de Margo e Jonas, os três reencarnaram como siameses.
Mas cada caso é um caso — alertou novamente a instrutora.
— E os garotos e as garotas de programa -— insistiu Silmara, interessada no assunto —- repletos de energias e miasmas inferiores, eles passam ou impregnam os parceiros com quem se relacionam?
— Sem dúvida alguma -— respondeu Elma sem grande surpresa.
Em seguida, esclareceu:
— O envolvimento com a prostituição propicia energias pesadas e torpes, funestas para a evolução daquele que pediu o programa e daquele que se ofereceu para o mercado do sexo também.
Os solicitantes compartilham os obsessores do plano espiritual dos prostitutos, pela afinidade psíquica, ou seja, por gostarem e terem paixão por práticas semelhantes.
Acabam se ligando e, muitas vezes, já ficando com ele, mesmo que tenha solicitado o programa uma única vez.
— Como o encarnado faz para se livrar desses obsessores? -— perguntou Álvaro, interessado.
— O arrependimento é o primeiro passo.
Depois, ele precisa deixar de praticar o sexo promíscuo, rever conceitos, mudar costumes, elevar suas atitudes, mudar pensamentos, palavras...
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:46 am

Ele tem que se reformar intimamente.
Pelo facto de todos nós caminharmos para a evolução.
Isso vai ter de acontecer um dia e quanto antes, melhor.
— Na pausa não houve perguntas e Elma continuou:
— No caso de Tomás e Lavíneo, eles estão muito sujeitos não só a experiências dolorosas de doenças sexualmente transmissíveis, mas também a enfermidades piores no espírito.
A cada dia, homens e mulheres que se entregam ao sexo vulgar, ao fetichismo, sentem-se mais vazios e são motivados, pelos espíritos perversos e lascivos que os acompanham, a procurarem novas práticas sexuais, novos parceiros e fetiches mais exóticos -— comentou Elma.
— O desregramento é tão grande que, normalmente, a depressão é a enfermidade psicológica mais branda que sofrem.
Espiritualmente falando, vão se tornar aberrações espirituais ainda encarnados.
Estarão perturbados pelo arrependimento, pela falta de amor-próprio e auto-estima, de autor respeito e fé.
— Um psicoterapeuta ou psicólogo podem ajudar pessoas desequilibradas sexualmente? -— indagou Romildo, curioso.
— Certamente que sim -— afirmou Elma, com simplicidade —- entretanto, há de se tomar muito cuidado.
O psicoterapeuta ou psicanalista deve orientar a pessoa para que ela mesma encontre seu equilíbrio psicológico e espiritual.
Porém, alguns profissionais, até por falta de espiritualização, acabam induzindo o paciente a acreditar que ele é normal dentro de seus desvios e desequilíbrios.
Com isso, incentivam o desregramento pelo sexo com deturpação das mais diversas, pelo voyeurismo, em que a pessoa se excita assistindo a outros praticarem sexo ou observando o ato sexual.
Incontáveis profissionais consideram os erotomaníacos normais - aqueles que em tudo pensam, falam, descrevem e comparam situações e coisas com o sexo.
Alguns psicólogos ou psicanalistas consideram os exibicionistas naturais.
Exibicionistas são aqueles que gostam e têm prazer em exibir os órgãos sexuais, em serem vistos praticando sexo.
Sentem-se satisfeitos quando, com roupas chamativas, percebem-se olhados e desejados sexualmente.
Gostam de chamar atenção e por isso expõem partes do corpo com sensualidade ou acreditam que o onanismo seja natural.
— O que é onanismo? -— perguntou Álvaro.
— É o vício da masturbação, relação incompleta, ou interrompida para se tentar evitar a gravidez -— orientou Elma, com tranquilidade.
Logo completou:
— Existem ainda profissionais, que cuidam da saúde psicológica, que consideram normal a aberração da zoofilia ou bestialismo, isto é, a prática sexual com animais.
Sem mencionarmos o masoquismo, que é o prazer de sentir dor; o sadismo, em que se obtém prazer pelo sofrimento do outro no acto sexual, chegando ao extremo de levar o parceiro ou parceira à morte.
O fetichismo, ou seja, a veneração intensa por alguma coisa, roupa, cabelo, peças íntimas, apetrechos e muitas outras coisas, na grande maioria das vezes, é considerado normal pelo comércio nessa área, pois está se tornando muito lucrativo.
Nem preciso tecer maiores comentários, não é? -— considerou a instrutora.
E prosseguiu:
— Tudo isso, e muito mais, são desvios que muitos ignoram.
Um bom psicólogo nessa área ajudaria muito, logicamente se este tiver equilíbrio, princípios morais e espiritualização.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:47 am

A espiritualização daquele que deseja mudar e equilibrar-se mais também ajuda muito.
Geralmente, o problema é quando a pessoa desequilibrada, seja na área sexual ou qualquer outra, procura o auxílio de um psicólogo, e quer que, em poucas sessões de psicoterapia, seu problema seja solucionado.
Assim como quando procura assistência espiritual em uma casa espírita ou em uma igreja, ela deseja que tudo se normalize em sua vida como em um passe de mágica.
Melhora, evolução, elevação exigem determinação, persistência e reforma íntima.
Não foi do dia para a noite que se desequilibrou.
Logo, não será do dia para a noite que vai se harmonizar.
— Perdoe-me a interrupção, Elma -— disse Romildo atento à explicação —- mas parece que quase não restam muitas alternativas de prazer sexual para um casal, se é que me entende...
— Como não? -— esclareceu generosa.
— Normalidade e equilíbrio sexual entre um casal é amar e ser amado, ser correspondido.
É ter prazer de proporcionar e sentir, utilizando-se dos sentidos.
Entre um casal que dignifica a relação sexual, que se ama e não tem segundos interesses, deve haver, sim, a utilização do tacto, com as carícias; da visão, para admirar o companheiro ou a companheira, que pode, naquele momento, usar uma vestimenta adequada à conquista; do olfacto, para sentir o aroma que tanto eleva como excita de modo equilibrado; da audição, para ouvir palavras de carinho e ternura, para ouvir o prazer do outro; o paladar, pelos beijos que os unem expressando amor.
Isso tudo oferece prazer, quando os dois se amam e estão de comum acordo.
Sexo com dignidade, amor e respeito tem de haver sedução, lógico!
Tem de haver conquista, carinho em regiões específicas e que agradam ao outro.
Se você não corrompe, não prostitui o sexo, se é sexualmente saudável, já é o suficiente para ter a troca de energias perispiríticas satisfatórias, plena de emoções salutares.
Breve pausa e Elma ainda disse:
— No final de um acto sexual equilibrado, os parceiros sentem-se satisfeitos, plenos, agradecidos um ao outro pelo momento.
Não que isso precise ser comentado necessariamente, mas eles jamais se sentem cansados ou exauridos.
— E por que alguns se sentem cansados e outros ainda tristes, amargurados, arrependidos e com aquele nó no peito? -— perguntou Álvaro.
— Existe diferença entre relaxado e cansado, exaurido de forças.
Relaxado é o estado de sentir-se satisfeito e agradecido pela troca de energias perispiríticas no acto sexual, que o levou a um orgasmo equilibrado.
A criatura sente-se cansada, exaurida, esgotada, não pelo ato sexual mas pela vampirização que sofreu dos espíritos lascivos, vis que lhe sugavam as energias no sexo desequilibrado ou promíscuo.
O arrependimento, o nó no peito, a amargura a tristeza que paira em seus sentimentos são resultados de saber, inconscientemente, que corrompeu seus princípios morais.
Em outras palavras, a pessoa sabe e sente que o que fez não é correto moral, física e espiritualmente falando.
— Elma, o que dizer sobre casais que mantêm relação sexual perto dos filhos, ou que, de alguma forma, deixam os pequenos ouvir o que se passa? -— indagou Romildo.
Estampando na face expressão de preocupação, a instrutora comentou, ponderada:
— Esse é um grande problema.
Sem sombra de dúvida, é um ato criminoso praticado pelo casal.
Além de crime perante as leis dos homens, é um inenarrável crime nas Leis de Deus.
Essa irresponsabilidade por parte de adultos, sejam pais ou não, não tem nome.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:47 am

A criança que observa ou ouve um ato sexual pode sofrer tendências viciosas de desvio sexual, perda de valores morais e espirituais, de respeito pelos pais, de valores pela vida, pelos bons princípios.
Essa criança tem grande tendência a ser um adulto promíscuo ou desregrado, pervertido, insatisfeito, deprimido etc.
Pode tornar-se estuprador, sádico-maníaco, masoquista, pois sem entender o motivo dos gemidos que, porventura, possam existir durante o ato que ouvem, pode associá-los à tortura, prazer pela dor etc...
Pode tornar-se uma criatura que odeia sexo e abomina o relacionamento sexual ou ter tendência à pedofilia e a incontáveis outros desequilíbrios psíquicos.
Todos os casais -— prosseguiu Elma - por respeito aos pequenos que estão a seus cuidados, por respeito a Deus que lhes confiou sua protecção, devem sempre garantir que o ato sexual seja de total privacidade.
— Mesmo sabendo que o filho está dormindo, é errado manter relação no mesmo quarto onde está a criança? -— perguntou Silmara, em seguida.
— Obviamente.
Quem garante que a criança esteja realmente dormindo?
Quem garante que não vá acordar?
Além disso, a privacidade é uma questão de respeito a si mesmo.
— Elma -— chamou novamente a aluna interessada -, hoje os meios de comunicação exibem cada vez mais cenas picantes, corpos nus, casais se relacionando em horário em que as crianças estão despertas, acordadas e, muitas vezes, os pais não conseguem proibir que assistam essas cenas.
Existe até prostituição pela Internet!
O que me diz sobre isso?
Silmara mostrava-se impressionada.
A instrutora pensou, por alguns segundos, e explicou convincente:
— Vou tornar a repetir que os filhos, os netos, os sobrinhos, enteados e todas as crianças que estão próximas a nós são criaturas que Deus nos confiou para cuidar.
Cuidar significa ter desvelo, solicitude, atenção, responsabilidade.
É pensar em tudo o que de melhor
devemos oferecer a essa criança.
Os pais, ou quem tenha condições, podem e devem inibir, de alguma forma, tudo o que é degradante, imoral e desequilibrado para uma criança.
Eles são responsáveis por tudo o que a criança aprende ou deixa de aprender, por isso é dever dos adultos monitorarem os programas de televisão, as revistas, os jogos e o acesso à Internet.
Uma grande amiga espiritual já nos ensinou:
“A criança aprende o que vive" 8.
Então, vamos pensar:
se uma criança aprende o que vive, mais tarde ela vai viver aperfeiçoando exactamente o que aprendeu.
— É por isso que a cada dia -— lembrou Romildo — aumenta, incrivelmente, o número de adolescentes grávidas, portadores do EHV ou já com as consequências da Aids.
— Tudo está sendo muito precoce hoje -— considerou Elma.
— É caso que merece nossa observação.
Creio que devamos observar mais de perto, porém, por agora, vamos encerrar.
— Amanhã acompanharemos algum caso assim? -— quis saber Romildo.
— Talvez, Romildo. Talvez.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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