No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:47 am

E assim, repletos de ansiedade, todos buscaram o santuário do descanso necessário para o recolhimento na prece de agradecimento a Deus, por mais um dia de aprendizado produtivo, que haveria de lhes oferecer, mais tarde, sagrados trabalhos de orientação e discernimento pessoal.

7. N.A.E.: Da questão 237 a 257 de O Livro dos Espíritos explicam sobre as percepções, sensações e sofrimentos dos espíritos fora do mundo corpóreo, oferecendo compreensão das sensações dos espíritos e que estas provêm das lembranças do corpo onde experimentam como uma espécie de impressão mais forte do que os sentimentos físicos.
8. N.A.E.: O grande espírito, autor dessa frase, é Irma de Castro, mais conhecida como Meimei.
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Ave sem Ninho

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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:47 am

9 - Abraço sem medo

NO DIA imediato, os raios do sol espalhavam beleza inexprimível e grande sensação de reconforto, que não se sabia explicar.
Logo cedo, Elma foi ao encontro de Lisete e Djalma que, carinhosamente, cuidavam, atentos, de Marília e seu filhinho.
Havia dias o pequeno Higor ardia em febre, e sua infecção resistia a rigorosos medicamentos, deixando sua jovem mãe em desespero.
— Marília está quase insana, Elma -— comentou Lisete comovida com o que presenciava.
— Ela acabou de retornar do hospital com o pequeno filho e sabe que, se ele não reagir, deverá interná-lo novamente.
— Podemos observar, com a visão espiritual -— relatou Djalma, colocando em evidência sua preocupação - que a carga virai do pequeno Higor é alta, muito alta, enquanto suas células com receptores CD4 são minoria.
Apesar de não terem realizado análises laboratoriais e clínicas para essas contagens, os médicos sabem, pelo quadro clínico apresentado, que o menino está excessivamente vulnerável às infecções oportunistas que, na verdade, são doenças relacionadas à AIDS.
Sabendo que Elma, no momento, seria quem melhor poderia ajudar, por sua elevação e dons peculiares, caso algo pudesse ser feito, Lisete disse sem demora, quase implorando, bondosa, mas ansiosa por uma solução:
-— O problema é que, além do estado crítico do pobre Higor, tememos por Marília que está perdendo o juízo, enlouquecendo com tantos pensamentos ansiosos e conflituantes...
Pensa em matar o filho para acabar com o sofrimento dele e suicidar-se em seguida para não passar por mais tormentos.
Já tentamos, junto com o mentor dela e o do pequeno Higor, acalmá-la com energias serenas, mas está sendo bem difícil.
Marília blasfema, grita desesperada, quase insana.
Revoltada, vibra com extrema negatividade para Lúcio, ignorando que, quando desejamos ou pensamos no mal para os outros, essas energias pairam sobre nós antes de alcançarem a quem endereçamos.
— Já tomei providências para que sua amiga Laura lembre-se dela e deseje vê-la o quanto antes —- informou Djalma.
— Mas essa moça tem outras coisas a fazer no momento.
Talvez, venha só mais tarde.
Elma, sabiamente, conservava viva serenidade, parecendo reflectir sobre o ocorrido enquanto Lisete a observava como quem aguarda, angustiada, por uma resposta.
Sem conseguir suportar, Lisete comentou:
-— Veja o nível dos espíritos inferiores que Marília atraiu para junto de si por causa de sua revolta e de seus palavrões, piorando ainda mais a situação do pequeno filho.
Isso porque os espíritos sugam qualquer energia salutar ainda restante no garoto, deixando-o ainda mais enfermo.
Os mentores não conseguem suprir com fluidos o que é retirado.
— São espíritos zombeteiros, malfeitores do pior nível e enfermos revoltados -— informou Elma, com serenidade, ainda observando.
— Se as mães soubessem como atraem para seus lares espíritos sem carácter, que retardam a evolução e prejudicam a saúde de todos da casa, com seus palavrões, conversas vulgares e pensamentos destrutivos como raiva, inveja e maledicência, mudariam completamente a forma de pensar e de agir.
Entendo como é difícil a acção dos espíritos benfeitores num lar contaminado pelas palavras de baixo calão, pelas práticas promíscuas e pelos pensamentos revoltantes.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:47 am

Nesse instante, Marília media novamente a febre de Higor.
Confirmando um grau muito elevado, gritou em meio ao pranto desesperador.
— Não vou levá-lo ao hospital!
Não! Chega! Chega de sofrimento!
Vamos embora daqui, meu filho.
Não merecemos isso!
Todo esse sofrimento foi um engano!
Não era para estarmos doentes.
Ao pegar o pequeno Higor nos braços e o aninhar em seu peito, percebeu que o filho estava completamente largado, molinho, indefeso e sem reacção.
Pensando em como pôr fim àquele sofrimento, a mãe, em desespero, circunvagou o olhar pelo quarto, deu alguns passos hesitantes e ficou pensando no que faria, enquanto olhava para uma janela.
Na espiritualidade, Elma aproximou-se da jovem e com sua particular serenidade, de forma enternecedora, envolveu a encarnada em carinhoso abraço com o filho nos braços.
Marília chorava compulsivamente.
Algo começava a tocar seu coração e, em meio aos soluços que entrecortavam sua voz, agora rouca, ela murmurou:
— Deus do céu, me socorra!
O que eu faço, meu Deus?!
Ajude meu filho!
Diante da cena comovedora, todos viram Marília ajoelhar-se no chão, chorando sobre o filho febril.
À Elma, juntaram-se os mentores elevados, unindo-se todos em prece santificante e fervorosa.
Luzes cintilantes passaram a relampejar, constantes, no recinto, formando imagens disformes encantadoras.
Algo difícil de explicar.
Mãe e filho passaram a ser envolvidos por uma energia que parecia descer do alto, produzindo agradável sensação de paz, espargindo-se no recinto como uma névoa clara e agradavelmente colorida.
Esses fluidos superiores, invocados com imensurável fé, imediatamente repeliram os espíritos inferiores ali presentes, que se assustaram com o que viam.
Com o passar de alguns minutos, Marília ficou mais calma, apesar de chorosa.
Ignorava completamente a actividade espiritual que ocorria ali.
Naquele momento, Higor recebia passes magnéticos com generosa ternura.
Não demorou muito, ela pôde perceber o suor abundante no rosto do filhinho querido.
Levantando-se do chão, tomou-o nos braços e, cuidadosamente, levou-o para a cama.
Acariciou-lhe o rostinho miúdo, tocando-o em seguida com os próprios lábios para poder sentir sua temperatura.
Marília estranhou ao perceber que Higor estava quase gelado.
Ligeira, pegou o termómetro para se certificar.
Em minutos, confirmou que o filho tinha menos de 37°C de temperatura.
Sentindo-o molhado de suor frio, ela trocou suas roupas, envolveu-o em cobertas apropriadas e sentou-se a seu lado, acariciando-lhe constantemente a fronte e as mãozinhas.
Seus pensamentos agora pareciam fervilhar de questões:
"Deus ouviu meu pedido" -— pensava.
— "Que coisa estranha!
Eu estava pensando num meio de acabar com todo esse sofrimento e... de repente...
Oh! Deus, perdoe-me. Suicídio é pecado.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:48 am

Ninguém tem o direito de tirar a própria vida ou a vida do outro, principalmente de um filho"— reflectia enquanto olhava para o pequenino e lágrimas copiosas corriam-lhe na face abatida.
— "Perdoe-me, meu Deus! Perdoe-me" -— pedia em aflitivo pensamento.
Um choro de arrependimento sincero alongou-se e, na espiritualidade, os elevados espíritos compadecidos da situação asseguravam que o ambiente continuasse salutar e sem invasores espirituais indesejáveis.
Passada mais de uma hora, o soar insistente do telefone forçou Marília a atendê-lo.
Era Laura querendo saber como ela estava e perguntando se poderia visitá-la naquele momento.
Pouco tempo depois, a amiga chegou e observou que a outra havia chorado muito, pois seu rosto rubro denunciava sofrimento e amargura.
Abraçando-se demoradamente à Laura, Marília chorou novamente.
Assim que se recompôs das emoções, explicou:
— Como você sabe, vou e volto do hospital com o Higor.
Ele já ficou internado várias vezes neste último mês.
Os médicos já não sabem mais o que fazer.
Outra vez, ele teve problemas respiratórios, febre alta...
Eu sei que deveria levá-lo para o hospital, mas não queria...
Não quero mais que ele sofra.
Não posso admitir tantos maus tratos para tentar curá-lo de algo que não tem cura.
— Olhando para os olhos de Laura, que a ouvia com sagrada compaixão, Marília confessou:
— Achei que era o momento de eu decidir pela vida dele e pela minha também.
Decidi morrer e levar meu pequeno Higor comigo.
— Marília! -— exclamou Laura sussurrando.
— Pelo amor de Deus, não pense assim...
— Eu estava pronta para sair com ele nos braços... -— interrompeu chorosa.
— Pensei em me atirar sob um caminhão, mas lembrei que alguém com sentimento ou que um pai de família, talvez, tivesse que se culpar eternamente pelo que eu provocaria.
Além disso, talvez eu não morresse.
Depois, olhei pela janela e pensei em me atirar de um viaduto.
Seria algo rápido e fatal.
Eu estava decidida, porém fui dominada por uma covardia sem igual.
Eu comecei a pensar em Deus, em Jesus.
Ajoelhei-me no quarto e comecei a gritar por Deus, pedindo por meu filho...
Não sei por quanto tempo fiquei, ali, chorando -— prosseguiu Marília —- de repente percebi que o Igor estava todo suado.
Ele ainda estava molinho, mas frio, sem febre.
Pensei que tivesse morrido, mas notei que respirava.
Medi sua temperatura e realmente não havia mais febre.
Eu acho que Deus ouviu minhas preces, que cuidou de meu filho... -— disse, chorando muito.
— E, agora, como ele está?
— Eu estava sozinha até você telefonar.
Depois disso a empregada chegou.
Hoje é seu dia de folga...
Como você sabe, ela nem imagina o problema de saúde que temos.
O Higor acordou e demos banho nele.
Ele ainda tomou metade de uma mamadeira!
Veja só! E não vomitou! -— sorriu.
— Agora ele está dormindo e sem febre.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:48 am

— E a moça, a empregada?
— Deve estar lá no quarto dela. Na edícula.
Não há mais o que fazer aqui.
Disse que, se eu precisasse de alguma coisa, era só chamar.
— É que... sabe -— disse Laura um tanto constrangida, procurando um jeito para se expressar —- eu gostaria de conversar com você sem que alguém nos ouvisse, entende?
— Claro -— concordou de imediato.
— Pode falar. Aqui estamos seguras.
A porta está fechada.
Laura respirou fundo para relaxar, depois falou:
— Sabe, Marília, devo admitir que levei um grande susto quando você me contou que era portadora do HIV.
Nós sempre ouvimos falar do HIV, da Aids...
Na verdade, apesar de muito comentário, temos pouco esclarecimento a respeito e muito preconceito.
— Pensativa, afirmou:
— Já tive razões para procurar saber mais sobre isso.
Você sabe como é, às vezes, não queremos ouvir falar nesse assunto, nessa possibilidade...
Mas cresci, e agora é o momento oportuno.
Com ar de tristeza e certo grau de revolta, Marília interrompeu:
— Na verdade, Laura, o HIV e a Aids têm dois sinónimos: sofrimento e morte certa.
— Calma, minha amiga, vamos devagar.
Não compliquemos o que já é difícil.
Não é assim como você está falando.
Não veja as coisas de forma tão catastrófica.
Você não pode pensar negativamente, maldizendo a vida, as pessoas ou os cientistas.
Sejamos realistas, isso já aconteceu e não pode ser mudado.
É bom lembrar que a revolta só vai fazer piorar a situação, os sentimentos.
A revolta piora a qualidade de vida e o tratamento, seja do que for.
Aliás, você faz tratamento, não faz?
— Sou só portadora do HIV.
Não desenvolvi a Aids.
— E seu médico, o que diz?
Marília constrangeu-se, depois contou:
— Eu só levo o Higor ao médico.
Penso que aquele desgraçado do Lúcio acabou com minha vida.
Estou condenada, Laura! -— chorou nervosa.
Mesmo assim, continuou:
— Não há o que fazer por mim!
Só tenho de aguardar a morte. Para que lutar?
—- Todos devemos lutar.
Ficar acomodada, esperando que tudo aconteça pode ser suicídio, minha amiga —- tentou convencer.
E explicou:
— O preconceito e a revolta são filhos da ignorância.
Ignorar um assunto é o pior que pode acontecer quando temos um problema.
Devemos buscar instrução que possa servir de luz a nosso caminho escuro.
Apesar de já ter ouvido falar muito sobre o HIV e a Aids, eu descobri que muito se fala e pouco se sabe.
Então, decidi pesquisar e procurar entender melhor como acontece.
Você quer saber? -— perguntou, tentando animá-la.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:48 am

— Diga...
— Para obter conhecimento, resolvi começar do mais simples: o vírus.
Já que a Aids é provocada por um vírus denominado HIV —- disse olhando para alguns papéis que trazia.
— Os vírus são agentes infecciosos que causam sérias doenças nos homens, nos animais e nas plantas desde eras bem remotas.
O tamanho de um vírus é sub-microscópico.
Totalmente invisível a olho nu.
Alguns vírus são organismos vivos.
Outros são moléculas complexas que contêm ácidos nucleicos comparáveis a genes.
Eles se situam no limite que separa a matéria viva da inerte.
São capazes de se multiplicar somente quando invadem uma célula viva.
Não precisa haver um macho e uma fêmea para essa multiplicação.
Basta um vírus invadir uma célula para que haja uma replicação.
— Isso eu já sei.
Um médico me explicou -— admitiu Marília, aproveitando-se da pausa.
— Os vírus são organismos invisíveis e extremamente prejudiciais à saúde de qualquer ser vivo.
— Resumindo, é isso mesmo.
Nós sabemos que HIV é a abreviação de Vírus da Imunodeficiência Humana(9).
A partir do momento que o HIV penetra, de alguma forma, no corpo humano, ele procura invadir as células para se multiplicar e, normalmente, invade células como os linfócitos, um tipo de leucócito.
Logo, o material genético do vírus é incorporado ao DNA da célula invadida e é no interior dessa célula, após essa replicação, que ele destrói a célula e libera novas partículas virais que vão sair em busca de novas células para fazer o mesmo processo.
O HIV normalmente invade as células que têm uma proteína receptora chamada CD4 -— explicou Laura.
— Essas células são chamadas CD4-positivas ou linfócitos T auxiliares.
Na verdade, são essas células que activam outras células do sistema imunológico, sendo que todas auxiliam na destruição de inúmeros microorganismos invasores e células cancerosas.
— Deixe-me ver se entendi -— interrompeu Marília, agora interessada.
— A partir do momento em que eu me contamino com o HIV, ou seja, sou infectada com o HIV, e ele começa a usar minhas células para se multiplicar, vou sofrendo uma falha em meu sistema imunológico, pois ele vai matando as células para se multiplicar.
É por isso que meu corpo permite o desenvolvimento de infecções e cânceres raros?
— Exactamente -— respondeu Laura.
— Vamos dizer que seu sistema imunológico é composto por células que trabalham organizadas, como soldados, para combater qualquer outro organismo estranho que possa prejudicar sua saúde, por exemplo, uma bactéria ou até mesmo um vírus de gripe ou resfriado.
Quando seu sistema imunológico é bom, talvez, você nem precise de remédios para combater os sintomas de uma gripe ou resfriado.
Como o HIV danifica esse sistema de defesa do organismo, a pessoa vai ficando cada vez mais vulnerável a infecções, como a pneumonia, infecções cerebrais, infecções por fungos como a candidíase, que ataca a boca, o esófago ou a vagina.
No caso do portador do HIV, a candidíase se torna de difícil tratamento.
Com o tempo -— Laura continuou depois de breve pausa - os portadores do HIV que estão sem o devido tratamento vão ficando com pouca imunidade natural e pode iniciar-se um conjunto de sintomas que indicam a existência de diferentes infecções e doenças.
Nesse ponto, o sistema imunológico desfasado é incapaz de defender o organismo humano das doenças que o atacam pela falta de células de defesa.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:48 am

Esse estado é chamado de Aids, abreviatura de:
Síndrome de Imunodeficiência Adquirida10.
A Aids, em alguns países de origem latina, como Portugal, Espanha, França, é chamada de Sida.
No Brasil é conhecida como Aids.
— Então, o chamado seropositivo assintomático, ou seja, aquele que tem o vírus sem sintomas, é a pessoa que só é portadora do HIV.
Quando uma série de sintomas infecciosos e doenças começam a se manifestar ao mesmo tempo, porque o corpo não consegue defender-se, esse estado doentio é chamado de Aids? -— indagou Marília, tentando entender.
— Isso mesmo -— confirmou a amiga.
— Embora o corpo combata o HIV, não é possível eliminá-lo ou destruí-lo.
Existem exames que fazem a contagem das células CD4-positivas, o que ajuda o médico a saber se a pessoa tem o risco de desenvolver a Aids, ou seja, se a pessoa está perto de sofrer várias infecções oportunistas ou doenças ao mesmo tempo.
Sabe-se que uma pessoa está vulnerável a infecções oportunistas porque sua contagem de células caem para menos de duzentas por microlitro de sangue -— dizia, consultando os papéis que trazia consigo.
— A infecção pelo HIV altera a função do sistema imunológico, que começa a produzir mais e mais anticorpos e esses anticorpos se voltam contra o próprio HIV e as infecções que a pessoa já teve, porém eles são inúteis para combater as diversas infecções novas que ocorrem com a Aids.
Enquanto isso acontece -— continuou Laura —- a destruição constante das células CD4-positivas, para a produção de mais vírus, impede o sistema imunológico de reconhecer os novos invasores e identificá-los para atacá-los.
— E por que não conseguem atacá-lo?
Por que eles confundem o sistema imunológico?
— Porque, quando o vírus HIV invade uma célula e nela se hospeda para se multiplicar, ele incorpora seu material genético, que é chamado de RNA, ao DNA da célula da pessoa.
Quando ele mata essa célula e libera novas partículas virais, esses novos vírus sofreram uma transformação em seu material genético e agora tem algo parecido com o DNA da pessoa.
É isso que confunde o sistema imunológico, que só combate os corpos estranhos e nunca combate o que tenha o código genético do próprio corpo.
— Por que desenvolveram uma vacina para a tão temível varíola?
Para a rubéola, poliomielite, sarampo e não se consegue uma vacina para combater o HIV, uma vez que todos são vírus? -— perguntou Marília.
—- É que os vírus têm várias classificações.
Isso se faz de acordo com o tipo de ácido nucleico que ele apresenta.
Por exemplo, a varíola é da família do poxvírus.
A poliomielite, os resfriados e a hepatite A são vírus da família picormvírus.
A rubéola é da família do toga vírus.
O sarampo e a caxumba são da família do paramixovírus e o HIV é da família do retrovírus.
Com excepção do HIV, os outros vírus mencionados são quase sempre constantes, ou melhor, quase sempre são os mesmos.
Não sofrem mudanças genéticas, por isso podem ser combatidos.
Os cientistas encontraram, com as vacinas, um meio de alertar o corpo humano, avisando para combater e atacar aquele tipo de agente virai.
O vírus então é inactivado no organismo -— contou com tranquilidade para observar se a outra estava atenta.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:49 am

Depois continuou:
— Entretanto, pelo que eu entendi, o retrovírus, família a que pertence o HIV, é um tipo de vírus que armazena suas informações genéticas e, ao invadir uma nova célula, acaba liberando essas informações.
Em seguida, sintetiza, ou melhor, resume o DNA da pessoa que está contido na célula usando essas informações genéticas.
Esse vírus faz sempre isso.
Resultado: é criado um DNA do vírus que se incorpora ao DNA da célula hospedeira.
Quando essa célula se divide, ela também produz uma nova cópia do DNA do vírus, que se mistura aos genes da célula, fazendo surgir novas partículas virais diferentes daquela primeira que entrou na célula.
Em outras palavras, menos complicadas, podemos dizer que é criado um subvírus ou um vírus novo, que infecta outras células.
—- Em outras palavras -— interrompeu Marília —- quando o HIV infecta um corpo humano, ele utiliza o DNA da pessoa e faz sua informação genética ficar parecida com a da pessoa.
O HIV sofre mutação de pessoa para pessoa. É isso?
—- Exactamente.
Por isso é complicado combatê-lo.
O retrovírus nunca é o mesmo, apesar de causar os mesmos efeitos em suas vítimas.
Por exemplo, se uma pessoa faz uso de um medicamento, o HIV é capaz de ficar resistente ao mesmo.
Quando essa pessoa infectar outra, esse mesmo medicamento pode não fazer efeito, pois o vírus pode adquirir resistência a vários remédios e drogas para diferentes infecções.
Marília parecia desconsolada e, abaixando o olhar, ficou pensativa por algum tempo.
Finalmente perguntou:
—- Por anos nunca ouvimos falar de HIV ou Aids.
De que inferno saiu esse vírus?
—- Nem os cientistas sabem dizer ao certo -— respondeu Laura, paciente.
— Sabe-se que no final dos anos 1970 e começo dos 1980 muitos homossexuais do sexo masculino apresentavam o sarcoma de Kaposi, um câncer raro que se manifesta em tumor de pele, de crescimento lento e se espalha por várias partes do corpo.
Além disso, surgiram a síndrome de perda de peso, que ocorria sem dietas nem actividades físicas e as manifestações de sistema imunológico gravemente enfraquecido, pneumonia etc.
Isso levou os infectologistas a concluírem que se tratava de uma nova doença infecciosa e transmissível.
Com isso, houve necessidade de se admitir que havia uma Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, ou seja, a Aids.
Em 1983, os cientistas franceses conseguiram, pela primeira vez, isolar e identificar o agente causador da Aids:
um vírus, a que deram um nome muito complicado -— prosseguiu Laura com tranquilidade natural.
— Meses depois, cientistas norte-americanos também conseguiram isolar o mesmo vírus, a que também deram um nome diferente e complicado.
A Organização Mundial de Saúde, considerou que se tratava do mesmo vírus e apresentou proposta de chamá-lo de Vírus da Imunodeficiência Humana cuja sigla em inglês é HIV, causador da Aids.
Marília não se manifestava e a amiga continuou:
—- Há dois tipos de vírus que resultam na Aids:
o HIV-1 e o HIV-2.
0 HIV-1, segundo cientista americano, é dez vezes mais mortal e mais rápido do que o HIV-2.
O HIV-1, o vírus mais letal, é o mais comum nas Américas, na Europa, na Ásia e na África Central, Oriental e Meridional.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:49 am

Já na África Ocidental, embora haja a contaminação também pelo HIV-1, o HIV-2 lidera como principal vírus causador da Aids naquela região.
Parece que o HIV-2, que é o vírus mais brando, mais lento, existe na África Ocidental e, embora seja de uma linhagem menos agressiva, é tão letal quanto o outro, só que leva mais tempo para levar à morte.
O HIV tem sido detectado em todos os líquidos do corpo:
o sangue, o sémen, as secreções vaginais, o leite materno.
O HIV também é encontrado na saliva, na lágrima, na urina, no suor e nas fezes de uma pessoa contaminada.
— Olhando constantemente em um papel, Laura continuou:
-— Não existem provas científicas de que o HIV se propague pela saliva, lágrima e suor.
Mas o Controle de Doenças Contagiosas -— CDC -— recomenda evitar o beijo de boca aberta ou beijo francês, como é conhecido, com pessoas com alto nível de infecção, já com sintomas da Aids.
Eles lembram que corte e/ou ferida na boca pode ser uma porta de entrada para qualquer vírus.
Tem-se certeza de que o beijo no rosto, que é o beijo social e o beijo de selinho ou beijo de boca fechada, não transmitem o HIV.
— E ainda disse:
-— Em minhas pesquisas, encontrei que o CDC investigou apenas um caso de contágio pelo HIV no beijo de boca aberta, mas você sabe, não se pode ter certeza.
— A princípio -— interrompeu Marília —- acreditava-se que a Aids era uma doença específica de homossexuais.
— Isso é pura ilusão.
Qualquer pessoa que contrair o HIV é um propagador desse vírus, seja homem, seja mulher, heterossexual ou homossexual.
Já se comprovou que algumas pessoas infectadas permaneceram de dez a quinze anos sem que a Aids se manifestasse.
Por isso, aqueles casos que serviram de estatísticas nos anos de 1970, como os primeiros casos de estudo, não servem de referência para o princípio do HIV e da Aids.
O HIV vem de muito antes.
No caso de aquisição por relação sexual, uma pessoa saudável, homem ou mulher, adquire o HIV pela relação com parceiro infectado, seja por relação vaginal, anal e oral.
Além disso, vamos lembrar que as pessoas podem contaminar-se também por compartilhar seringas ou agulhas para drogas ou medicamentos.
Sem esquecer que a colher com a qual os usuários diluem a droga, também pode ser um objecto de contaminação.
Não basta só a agulha e a seringa serem individuais, pois os viciados que compartilham o mesmo recipiente de diluição da droga podem se infectar com o vírus se alguém do grupo for seropositivo.
Não podemos nos esquecer de que o HIV pode infectar alguém por meio de instrumentos cortantes contaminados como:
instrumentos cirúrgicos, odontológicos, alicates de cutícula.
Fora isso, qualquer um pode ser infectado pelo HIV por meio do transplante de órgãos, transfusão de sangue e seus derivados, se estiverem contaminados.
—- É apavorante.
—- Sim, Marília, eu também acho que isso é apavorante.
-— É por isso que me sinto condenada.
Você não imagina como é saber que se vai sofrer, ficar em uma cama esperando a morte.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 22, 2017 9:49 am

-— É importante, no meio disso tudo, você pensar em não se condenar.
Existem tantas outras doenças tão letais quanto a Aids.
Veja o câncer, a meningite, a hepatite e tantas outras que nos levam à morte, mas nem por isso nós devemos nos entregar.
Acredito na vida além dessa vida e a Aids não vai poder acompanhá-la depois dessa experiência terrena, assim como o câncer, a meningite, a hepatite e tantas outras doenças não podem acompanhar as pessoas se elas não admitirem, se elas se amarem, em vez de se amargurarem, de se maltratarem com torturas íntimas do que ainda não aconteceu.
Eu estou aqui hoje, mas não sei se amanhã estarei em um hospital com um derrame, com esclerose múltipla, com tuberculose...
Posso ser atropelada e ficar tetraplégica em uma cama dependente de aparelhos até para respirar.
A outra nada disse e Laura acrescentou:
-— O HIV e a Aids não são o fim.
Você pode fazer dessa experiência o começo de uma nova vida.
Diferente e difícil, sem dúvida, mas pode ser o começo do amor a si mesma, de cuidados todos especiais, repletos de generosidade.
Não sabemos por que provamos determinadas amarguras, porém quando o medo da dor vier, lembre-se de Jesus que tanto sofreu sem merecer e nunca esmoreceu diante de nada.
Com o tempo, nós vamos conversar mais a respeito disso.
Acredito que vai se sentir melhor e será capaz de encarar o mundo com um sorriso, porque tem os ombros fortes para se erguer, tomar sua cruz e seguir o Mestre.
—- Será difícil...
Sabe, as pessoas me condenam... é como se eu fosse um monstro capaz de matar quem se encostar em mim.
—- Não dê importância aos outros.
Aliás, foi por isso que eu fui atrás dessas informações.
Eu queria saber, ter certeza dos meus e dos seus limites.
Descobri que não preciso ter qualquer medo.
Não preciso me afastar de você e posso, devo, continuar sua amiga.
Tenho certeza de que não corro risco algum.
— Olhando-a nos olhos, Laura ainda disse:
— Não será com seu abraço, com um beijo no rosto que eu vou me contaminar.
Sempre fui e serei sua amiga.
Marília levantou o olhar choroso e, não resistindo, abraçou-se à Laura com força.
Carinhosamente, Laura a afagou e, com largo sorriso, elevado respeito e verdadeira amizade, aconselhou:
-— Não quero que se sinta só, abandonada.
Alguém que tem Jesus no coração jamais fica só.
Ninguém pode enfrentar uma luta dessa sozinha.
É importante buscar a Deus e as pessoas que não são ignorantes.
Os ignorantes produzem a morte social àqueles que merecem atenção e carinho.
Digo, ignorantes, não para ofender, mas para identificar aqueles que não têm conhecimento nem o procuram.
É importante sermos esclarecidos, conforme o Mestre alertou, para conhecermos a verdade que nos libertaria.
Marília, tenha compaixão dos preconceituosos e não se iguale a eles, maldizendo-os.
Deixe-os aprender com a vida.
— Laura ainda finalizou:
— Agora, quanto a você, peço que, acima de tudo, ame-se, trate-se com o maior carinho e o mais elevado amor e respeito.
Todos nós, sem excepção, estamos na Terra para provarmos experiências que nos farão crescer para a vida eterna, principalmente, quando experimentamos a prova com dignidade e sabedoria, aproveitando a situação difícil para nos elevarmos na vida espiritual.
A jovem Marília sentia profunda emoção e em novo abraço apertado, sem palavras, agradeceu à amiga verdadeira, que estava disposta à prática do que Jesus ensinou:
"Amar ao próximo como a si mesmo".

9. N.A.E.: do inglês: Human Immunodeficiency Virus.
10. N.A.E.: do inglês: Acquired Immune Deficiency Syndrome.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:36 am

10 - Erro consciente

A PRESENÇA de Laura na vida de Marília havia sido uma providência Divina.
A moça, a partir de então, seria instruída e amparada pela elevada amiga que, sem recompensa terrena, era a própria caridade viva.
Marília, por sua vez, esforçava-se para elevar os pensamentos, as atitudes, apesar de toda a dificuldade pela dolorosa experiência que amargurava seus sentimentos.
No entanto, ela não desistia.
Isso auxiliava benfeitores espirituais que a envolviam com elevados fluidos, dando-lhe força e bom ânimo.
Como a situação estava sob controle, Elma continuou nos campos da crosta terrena, junto com sua equipe, para observar e estudar o procedimento dos encarnados que permanecem vibrando em diferentes graus da evolução a que pretenderam antes do reencarne, almejando crescimento e libertação dos vícios.
Passado um tempo, em determinada ocasião, Romildo, dedicado estudante, em companhia da instrutora, comentou:
— Reencarnamos ora como homem, ora como mulher.
Os espíritos não são criados por Deus com um sexo determinado, mas quando reencarnam, o corpo físico determina um sexo a eles. Por quê?
— Os espíritos reencarnam homens ou mulheres, como é explicado em O Livro dos Espíritos nas questões 200 a 202.
Eles precisam de diversas experiências e diversas provas diferentes.
Se um espírito nascesse sempre com o mesmo sexo, não aprenderia nada sobre o outro.
Não aprenderia nada sobre compreender, amar, entender as dificuldades, os problemas, as dores...
Se, numa encarnação, um homem foi bruto e agressivo, acreditava que as mulheres são seres inferiores, que podem ser subjugadas e consideradas propriedade, não respeitava seus sentimentos e problemas, na próxima encarnação, ele experimentará nascer como mulher para aprender que esse procedimento não é correto e, certamente, encontrará alguém que lhe fará o que ele fez com sua mulher numa experiência passada.
A Doutrina Espírita nos explica, com a lei de causa e efeito, que sofremos aquilo que fizemos o outro sofrer quando não nos corrigimos nem harmonizamos os erros cometidos.
— Então é na Doutrina Espírita que se pode ter mais chance de aprender sobre o equilíbrio sexual? -— perguntou Silmara.
— Aprender sobre o equilíbrio sexual não significa ter equilíbrio sexual.
Como já ouvimos dizer, "a religião não faz do homem um grande espírito".
O sexo é algo inerente, inseparável do espírito.
O genésico, região dos órgãos sexuais, é um centro de força do espírito.
Ele mostra e exibe o que o espírito é.
Não depende da religião ou da filosofia que ele segue, mas sim de sua boa vontade em ter moral, em se esforçar para não agir por impulso dos prazeres vulgares.
Por exemplo, é comum ouvirmos dizer que uma pessoa perdeu a paciência.
Ninguém perde aquilo que já conquistou, se já é uma qualidade moral.
Se a criatura já se elevou na paciência, na tranquilidade, ela passará por inúmeras provas e dificuldades sem se desequilibrar.
Assim é a compulsividade sexual e todos os biótipos e desvios relacionados a ela.
Não adianta aprender sobre equilíbrio sexual e não se esforçar para se livrar dos próprios desvios.
- Existem pessoas que pensam que basta aprender sobre o desequilíbrio; outras, que basta pedir perdão a Deus depois de cometerem leviandades e que irão para o céu... -— interrompeu Romildo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:36 am

— Nós temos de nos esforçar para nos livrarmos de nossos desvios, evoluirmos e seguirmos para mundos melhores.
— Precisamos nos libertar, principalmente, do vício de criticar o irmão do caminho... -— tornou a orientadora, com serenidade, imprimindo entonação agradável na voz maternal.
— Não sabemos o que fomos no passado, meus queridos, nem as provações que nos aguardam no futuro.
Quem pode garantir que não reagiríamos com maior desequilíbrio, na mesma experiência, do que alguém que criticamos? Nem o Mestre Jesus, com toda a sua elevação, julgou ou condenou a mulher adúltera.
Quem somos nós para fazê-lo?
Se estamos neste planeta, é porque somos devedores a nossa consciência e não nos cabe criticar a vida dos outros, se não podemos ajudar.
A argumentação de Elma era bem sugestiva e necessária.
Após pequena pausa, avisou com a mesma tranquilidade:
— Nós vamos hoje a um Centro Espírita observar melhor o comportamento de alguns companheiros que, apesar do conhecimento, desviam-se do equilíbrio.
Quero lembrar que estamos aqui só para aprender e observar sem críticas.
Decorridos minutos, a equipe já se encontrava em um Centro Espírita onde várias pessoas se reuniam para o estudo da Doutrina.
Previamente informados sobre os objectivos que os levavam ali, os alunos de Elma observaram, já do lado de fora dos limites do portão daquele centro espírita, entre tantos outros, um grupo de espíritos em especial.
A aparência animalizada e o comportamento, expresso em devaneios horripilantes, desses espíritos faziam suas mentes moldar--lhes o corpo espiritual de forma quase que totalmente animalesca e feia.
Quando encarnados, suas paixões e vícios sexuais os levaram à prática do bestialismo ou zoofilia, resultando, agora que estavam na espiritualidade, em aspecto monstruoso, arrasador e doloroso.
Esse grupo, inferiorizado por tais concepções, ligava-se especialmente a um encarnado que frequentava as seções de estudo da Doutrina Espírita, absorvendo-lhe fluidos e consumindo suas reservas de forças, sem serem ainda percebidos.
Ermiro, o espírita em questão, afinava-se tristemente a essas criaturas por pura compatibilidade das práticas e pensamentos.
— Ermiro é espírita desde a adolescência -— explicou a instrutora, com respeito e compreensão ao desvio a ser comentado.
Ele tem muito conhecimento.
É estudioso da Doutrina Espírita e sabe bem como ocorre a influência dos espíritos inferiores e ignorantes em nossa vida.
Além disso, Ermiro tem informações sobre o prejuízo que um desequilíbrio, principalmente desse porte, traz a qualquer um.
— Será que ele não sabe que a prática de sexo de um ser humano com um animal é algo que, além de repugnante, traz graves doenças e vai certamente arrastá-lo a um vale de lamentações após o desencarne, por causa de tanto desequilíbrio?
Isso vai lhe trazer deformações perispiríticas e muito sofrimento, muito a corrigir... -— comentou Álvaro, inconformado com o caso.
— Já ouvi casos desse tipo em que, na encarnação seguinte, a pessoa nasceu deformada ou com deformidades na coluna por estar exposta, torta... por passar ali a descarga orgástica obtida com animais, pela energia pesada do animal.
Em outros casos mais brandos, a impotência foi o que vigorou.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:37 am

— A impotência sexual masculina ou a frigidez feminina — falou a orientadora — podem ser decorrentes também do abuso das funções sexuais, compulsividade sexual, do excesso de prática sexual no caso da prostituição e sexo sem compromisso, e não somente do relacionamento com animais.
— Mas será que ele não tem conhecimento disso? — insistiu Álvaro.
— Ele sabe de tudo isso -— confirmou Elma com explícita tristeza.
— Sabe que suas funções, seus desejos de praticar sexo com animais são um desequilíbrio com terríveis consequências psíquicas, o que equivale dizer que ele se prende a forças inferiores de inigualável poder.
Um grande instrutor da espiritualidade (11) nos ensinou, em seus livros, que, encarnados, sofremos a influência dos espíritos inferiores nas regiões em que estão situados o sexo e o estômago e recebemos estímulos dos espíritos um pouco mais evoluídos na região do coração e do cérebro.
Esse instrutor ainda nos legou que:
"Quando a criatura busca manejar a própria vontade, escolhe a companhia que prefere e lança-se no caminho que deseja".
— Decorrida breve e propositada pausa para reflexão, Elma explicou:
— Muitos daqueles que têm acesso ao conhecimento, e mesmo assim deslizam e cometem erros alarmantes, nunca admitem que a lei de causa e efeito vai funcionar também para eles.
O orgulho os faz acreditar que sempre estão correctos e que não estão fazendo nada de errado.
— Que grande engano -— lembrou Romildo, lamentando.
— Aquele que tem conhecimento e insiste em fazer algo errado terá muito mais o que consertar, muito mais débito do que o ignorante, que errou por falta de conhecimento.
— Elma -— perguntou Álvaro —-, por que esses espíritos inferiores que acompanham o Ermiro não entram na casa espírita?
— Suponhamos que você seja um defensor de nossos irmãozinhos em evolução como os animais -— exemplificou a instrutora —- amando e defendendo os bichinhos, por acaso assistiria a uma tourada onde um animal acuado e indefeso é apunhalado e golpeado cruelmente?
Acaso não acha que é um prazer macabro e uma demonstração da inferioridade humana, em vez de diversão?
Se você fosse a um evento tão sanguinário, horrendo como esse, certamente, seria para defender os touros, defender seus conceitos, sua crença.
Assim são eles — prosseguiu a benfeitora —, mas, diferentes dos defensores de causas nobres, esses espíritos têm medo do caminho de Luz.
Não querem acordar para a revelação Divina, pois amam a vida inferior que experimentaram, comprazendo-se com ela e gostando dela, principalmente quando encontram encarnados a quem usam como escravos, para vampirizar, sugar seus fluidos energéticos, principalmente, nos momentos de suas práticas animalescas, inferiores e vis.
— Normalmente -— comentou Silmara —- as pessoas com desequilíbrio sexual têm em torno de si uma aura que incomoda aqueles que têm certo equilíbrio.
Não conseguindo se conter, Romildo comentou:
— As pessoas comuns, de boa moral, normalmente repelem aqueles que se desequilibram sexualmente, não só pela energia que as circundam, mas também pelo próprio comportamento.
Muitas vezes, o desequilíbrio sexual chega repleto de gentilezas sedutoras, toques e contactos excessivamente generosos, fala mansa, baixa, constantes e incómodos elogios...
Essa pessoa aproxima-se de outra, abraça-a e permanece abraçada, falando muito perto dela... parecendo querer colar o rosto...
Isso é falta de respeito e educação, porque ele nem sabe se a outra pessoa quer ser tocada!
E, para terminar, é demonstração de desequilíbrio querer sempre seduzir com toques, contacto directo...
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:37 am

— Ah! Isso é verdade! —- concordou Silmara.
— É simplesmente horrível quando alguém chega perto, e mais perto, e começa a falar manso, baixinho, pondo a mão na gente...
Eu tinha pavor de gente assim e quando...
— Pessoal! -— interrompeu Elma com semblante sério e grande firmeza na voz.
— Não seria razoável nós nos determos no assunto que nos trouxe aqui?
Constrangida, Silmara abaixou o olhar, mas Romildo, com articulação simples, sorriu sem graça e nada disse.
— Elma -— perguntou Álvaro - por acaso nós voltaremos a acompanhar o caso do Lavíneo, do Tomás e da Rejane?
Não sabemos qual o desfecho de suas experiências e decisões.
— Vamos vê-los, novamente, sim.
Mas, antes, já que nos embrenhamos no lado religioso da questão dos desvios, vamos primeiro aprender um pouco mais sobre o assunto.
— Breve pausa e Elma sugeriu:
Aproveitando que estamos em uma Casa Espírita, vamos observar, não a desarmonia que Ermiro provoca para si e sim a harmonização que outra estudante e tarefeira promove.
— Ao indicar a mulher, comentou com sensatez:
— Aquela é Francisca, uma mulher muito activa, dedicada.
Ela é viúva.
Tem uma filha casada e netinhos.
Francisca casou-se no tempo em que as famílias pressionavam e oprimiam os filhos, principalmente as filhas, a contraírem matrimónio, com ou sem amor, por interesses inúmeros.
E foi isso o que aconteceu.
Ainda jovem, Francisca começou a perceber que havia algo diferente com seus sentimentos e que, apesar de seu corpo ter constituição feminina, sua mente, psicologia e forma comportamental eram masculinas.
— Todos observaram e a instrutora acrescentou um longo relato:
— Francisca, em outras reencarnações, experimentando nascer como homem, foi um parceiro que só trouxe infelicidade às companheiras, usando as mulheres com zombarias, como algo descartável e desprezível, humilhando e desdenhando-as num tempo em que a virtude de uma mulher era representada pela virgindade.
Por sentir-se superior como homem, submeteu inúmeras jovens a sua sedução, conquistando-as, usando-as e abandonando-as, sem desenvolver nenhum sentimento de amor e compaixão.
Hoje, ela encarnou com essa conduta homossexual e teve um marido que, apesar de regulamentar sua situação civil, casando-se com ela, usou-a como objecto para suas necessidades físicas, o que para ela era sempre repulsivo, por sua psicologia.
Logo após o nascimento da filha querida, seguida da viuvez precoce, Francisca descobriu o Espiritismo Consolador que lhe trouxe, vagarosamente, explicações satisfatórias sobre o querer e não poder.
Resignada, Francisca não brigou com sua natureza.
Dedicou-se, com ternura, a desenvolver grande sentimento maternal pela filha querida e por outros filhos do mundo.
Ela é firme, competente e prudente.
Não se queixa de suas condições psicológicas, desconformes com a organização biológica.
Compreende que a Natureza não errou.
Ela entende que precisa harmonizar-se de alguma forma para logo ser feliz de verdade, pois a felicidade não é deste mundo.
Enquanto isso, ela cuida, protege e orienta a muitos que ainda não encontraram um caminho correto e harmonioso a seguir, para focalizar suas energias e não desperdiçá-las de modo a se corromper.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:37 am

Elma silenciou e, aproveitando-se da pausa, Romildo indagou:
-— Assim como Dirso, o rapaz que tocava violão para crianças especiais, quando o desejo sexual aparece, Francisca também se resigna em prece para evitar os assédios espirituais inferiores?
A instrutora sorriu, generosa, e explicou:
—- Francisca encontra-se em um nível tão elevado que não tem tempo para pensar em desejos.
Isso foi escolha e conquista própria.
Foi o que acreditou ser o certo para a sua consciência, embora ela não tenha conhecimento do passado ou do planeamento reencarnatório.
Por ter maltratado, infelicitado e zombado de outras mulheres, no passado, decidiu, em planeamento reencarnatório, ter um marido que a usasse como usou outras pessoas e ficar sozinha.
Vejam, isso foi escolha para harmonizar o que precisava.
Não significa que todas as pessoas homossexuais necessitem ficar sozinhas para buscarem harmonia.
Afinal, ser homossexual não significa ter algo para harmonizar no sentido sexual.
Ser homossexual significa passar por uma experiência terrena, assim como ser mulher ou homem.
— Um instante de pausa e prosseguiu:
— Hoje, Francisca trabalha e dedica-se arduamente a tarefas nobres, ocupando tanto seu tempo e sua actividade mental que não lhe sobra muito tempo para conflitos.
Assim, não há tempo para ouvir os obsessores em pensamentos.
Nesse momento, a reunião de estudos no Centro Espírita havia terminado.
Uns se despediam; outros conversavam animados em rodinhas, outros ainda se reservavam para conversar em particular.
Observador, Romildo comentou sem exaltação:
— Naquela moça —- apontou —- podemos verificar que o centro genésico traz grande comprometimento.
Isso se dá por seu comportamento e psiquismo, em querer sempre chamar a atenção para si, conquistar, seduzir e atrair alguém para o sexo?
— Exactamente -— confirmou a instrutora sem hesitar.
— Ao contrário do seu jeito recatado, ela mascara o desvio, o distúrbio emocional para a prática de sexo excessivo e casual, consequentemente, promíscuo, que não deseja controlar.
Muito pelo contrário.
Para todos, na espiritualidade, é impossível não ver a compulsão.
Aliás, no caso dessa moça, sua compulsão sexual é menor do que o desejo ardente de ser notada, de exibir-se, de conquistar e relacionar-se mesmo sem prazer, embora o finja.
É distúrbio da emoção.
Constantemente, ela se força para comportar-se com determinados gestos e olhares, sorriso treinado, voz generosa, quando, na verdade, quer apenas conquistar, por fetiche, uma multiplicidade de parceiros.
Apesar dos ensinamentos que encontra no Espiritismo, essa pobre irmã não se valoriza e torna-se cada dia mais vulgar, passando de "mão em mão".
— Ainda que não haja comércio, ou seja, qualquer preço estipulado -— tornou Romildo —- esse tipo de atitude é prostituição, não é?
— Ninguém se satisfaz com paixões mecânicas.
Ninguém é completo com o sexo mecânico, sem intenções.
Eu penso que essa moça, mesmo não estipulando preço, quando não se valoriza e se entrega a um e a outro em busca e em troca de necessidades emocionais, acredita que a qualquer momento encontrará um príncipe encantado que cuide dela eternamente.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:37 am

Essa ilusão e ingenuidade não deixam de ser uma forma de pensar em estabilidade financeira e acaba praticando sexo vulgar, casual.
Além disso, ela tem como mania, ou melhor dizendo, como desvio psicológico, o desejo de "coleccionar" um grande número de parceiros diferentes.
— O dia em que essa moça se defrontar com a própria imagem no plano espiritual, por tudo o que ela faz... -— apiedou-se Álvaro.
— Ela é tão bonita no corpo de carne, mas seu perispírito...
— Devemos ter compaixão e piedade de nossos irmãos que se desvirtuam do caminho correto -— aconselhou Elma, com bondade.
— Não só ela, mas também muitos de nós nos envergonharíamos, extremamente, se nos assistíssemos em actuações e condições degradantes de sensualismo, exibicionismo vulgar e efémero.
É por essa razão que muitos, mesmo desencarnados, não sabem do próprio passado.
Ocorreriam inenarráveis distúrbios.
Eles seriam atormentados terrivelmente pela consciência, detestariam ter vivido e se alongariam em profunda depressão espiritual.
Essa pobre moça está vazia, como todos aqueles que buscam, incessantemente, algo que não sabem o que é, direccionando essa atenção ao sexo, à actividade sexual sem amor, portanto corrompida, que só lhes traz distúrbio e desarmonia.
— Mas, Elma -— perguntou Romildo, inquieto —, há pessoas que nem sabem que estão agindo errado.
Ainda assim elas experimentarão perturbações e desequilíbrio por isso?
Sem pensar muito, a instrutora respondeu:
— Lembre-se de que é a consciência que vai implorar harmonia e refazimento.
Não é o facto de relacionar-se sexualmente, ou não, que fará de você um santo, mas o importante é com que intuito se pratica ou se deixa de praticar o acto sexual.
Tudo, exactamente tudo, que você faz com desequilíbrio, de forma excessiva, perturbada, anormal ou com segundas intenções, vai lhe trazer limitações sérias.
Tudo que você pratica com desrespeito a você ou a outra pessoa terá de harmonizar com difíceis carências futuras.
O sentimento de amor deve ser o prelúdio do acto sexual, mas muitos só pensam no sexo como mecanismo de prazer pela descarga que ele promove ou por interesses pessoais.
— Mas, e no caso dessa moça, ela não tem um parceiro, um namorado e deseja um.
E aí? O que ela deveria fazer? -— perguntou o aluno novamente.
— Enquanto se aguarda o companheiro para uma vida repleta de plenitude e amor, alguém que seja seu complemento, o ideal seria canalizar a energia sexual para realizações elevadas, abraçar tarefas nas artes, na literatura, na cultura, na caridade ou instrução de um modo geral.
Essa atitude não deve ser de sacrifícios e conflitos, mas sim de gosto e realizações.
Sem queixas nem promoções aos próprios actos.
Se for para essa criatura ter um parceiro ideal, ele aparecerá de qualquer forma.
Quando procuramos, desesperadamente, esse parceiro ou parceira, podemos nos distanciar dele, ou ainda, quando ele aparecer, não vai nos querer pelos desatinos que fizemos.
As energias do que pensamos, praticamos e falamos nos envolvem sempre e podem ser sentidas por outras pessoas mesmo quando elas não sabem ou não entendem o que sentem perto de nós.
Isso em todos os sentidos.
Pessoas que deveriam estar em nossas vidas, podem se sentir repelidas por nossas práticas antes de conhecê-las.
Se não for para termos parceiro nenhum nessa existência, ao menos não teremos nos desarmonizado moral e espiritualmente.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:38 am

— Outra coisa -— lembrou Romildo —- não podemos complicar nossa existência com pensamentos mesquinhos, julgando que ao fazermos caridade, dedicarmo-nos ao estudo de elevação ou à tarefa fraterna, somos heróis, salvadores de um grupo.
Isso porque nossa caridade não passa de uma actuação disciplinadora para nós mesmos e nosso auxílio ao próximo, provavelmente, seja o pagamento de uma dívida do passado.
— Bem lembrado, Romildo -— sorriu Elma.
— Tudo é questão de disciplina.
Tanto Ermiro quanto essa moça, apesar do conhecimento de uma doutrina tão esclarecedora e consoladora como o Espiritismo, não fazem nada para se melhorarem e se reformarem intimamente.
Para não se verem tentados, poderiam voltar suas atenções a assuntos caridosos, mas não.
Por perceberem que não conseguem sair sozinhos desse desequilíbrio, pois ambos têm conhecimento de que o que fazem não é elevado, deveriam procurar o auxílio de um psicólogo.
Com a atitude que têm, estão atraindo espíritos inferiores e serão vitimados por eles e pela própria consciência em regiões estranhas, macabras, vivendo incrível sofrimento e dor pelo desregramento em torno do sexo.
É bom lembrar que sexo é necessidade biológica, psicológica e espiritual de carinho, compreensão, ternura de nós mesmos e do parceiro ou parceira e não trato com aberrações mecanizadas, animalescas, promíscuas ou prostituição de qualquer nível.
— Podemos observar agora que os dois estão em conversa um tanto... bem, parece que querem se aproximar mais, intimamente falando -— disse Romildo.
— Os semelhantes se atraem, Romildo -— lembrou a instrutora.
— Principalmente quando não se resguardam, quando não se educam e deixam que suas tendências ressaltem.
Essa pobre moça é portadora do HIV pela falta de prudência moral.
Ela não venceu o desafio de manter-se em equilíbrio sexual, como propôs para esse reencarne. É lamentável...
— Ela sabe que é portadora do vírus HIV?! - alarmou-se Silmara ao perguntar.
— Não —- respondeu a instrutora, compadecida.
— Como sabemos, uma pessoa pode ser portadora do HIV por anos antes de descobrir que está infectada com esse vírus.
Essa moça não deu atenção aos primeiros sintomas que, algumas vezes, aparecem quando se contrai o vírus, como perda de peso, diarreia, cansaço, febres e suores, além de infecções fúngicas orais e vaginais, a candidíase, conhecida como "sapinho" nas infecções orais.
Esses sintomas podem surgir e desaparecer rapidamente quando se contrai o vírus HIV.
Poderá apresentar também erupções cutâneas persistentes, herpes, descamação da pele e muitas outras infecções oportunistas.
É importante lembrar que qualquer pessoa, que não esteja contaminada pelo HIV, também pode ter esses sintomas no organismo e sofrer desses problemas de saúde cujas causas são bem conhecidas e manifestações nada têm a ver com o HIV ou a Aids.
Por isso, é importante consultar um médico diante de qualquer quadro clínico.
— Um momento de pausa e Elma comentou:
— No caso dessa moça, ela vai se achar importante e atraente quando Ermiro usar seus modos mansos e sedutores para conquistá-la.
Eles vão se conhecer melhor e, consequentemente, ficarão mais íntimos.
E como temos conhecimento de que a transmissão do vírus HIV ocorre pela transferência de líquidos corpóreos, principalmente sémen, secreções vaginais, sangue e seus derivados, já sabemos o que vai acontecer.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:38 am

— Destacamos muito os casos aqui nesse Centro Espírita, talvez pelo fato de essa doutrina ser de muito estudo e esclarecimento.
Embora saibamos que a moral de um espírito não depende de sua religião, como já nos ensinou, será que poderíamos observar outras pessoas, de outras religiões ou filosofias que não se harmonizam com o equilíbrio sexual? —- pediu Romildo todo cauteloso, porém com profunda curiosidade.
— Sem dúvida.
Não estamos aqui para estudarmos as religiões ou as filosofias de vida, mas sim o comportamento humano nos desafios para as provas e expiações em torno do sexo.
E falaremos das religiões ou filosofias para, sobretudo, mostrarmos que, apesar dos ensinamentos morais que a maioria delas apresentam, a inclinação para práticas desequilibradas ou a resignação para a harmonização dependem unicamente do comportamento moral de cada um — explicou Elma, com um sorriso gracioso, compreendendo o esforço do aluno para não se demonstrar curioso.

11. N.A.E.: Trata-se do espírito André Luiz, que trouxe incontáveis informações da vida espiritual através da psicografia do querido médium Francisco Cândido Xavier.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:38 am

11 - Afastando-se do caminho

ALGUNS DIAS se passaram e, em cada estudo em particular, descobriam que qualidades morais e virtudes excelsas não eram simples decorrência da religiosidade.
No campo da crosta planetária, Elma sintonizava-se em busca de situações e ensinamentos que pudesse oferecer a seu grupo.
Assim, eles chegaram a uma residência cujos moradores, apesar de praticarem determinados conceitos religiosos, serviram de grande exemplo para todos.
Ninguém do plano físico podia perceber a chegada dos visitantes espirituais.
Somente os mentores dos encarnados identificavam a presença da instrutora e de sua equipe.
Após as devidas saudações, Elma explicou sua visita a Ivo, mentor da dona da casa.
Com muita disposição, ele recordou com semblante saudoso e suave sorriso:
— Lembro-me dos meus tempos de aprendiz, quando pude contar com os nobres ensinamentos de uma benfeitora amorosa e gentil que não poupou esforços para orientar e instruir a mim e aos demais.
Como lhe sou grato...
— Depois de breves segundos, prosseguiu:
— Vamos ao que interessa.
Almira, a dona desta casa, é uma alma querida que luta para elevar-se.
Já conseguiu algum progresso, mas tem muito que rever e harmonizar.
O que lhe falta é perseverança em detalhes para uma boa elevação moral.
E eu temo que esses detalhes sejam a maior razão de seu envolvimento com o que é degradante.
Almira é casada há quase trinta anos com Juvenal -— Ivo relatou enquanto apresentava o lar.
— Ambos têm dois filhos: Raul, de 17 anos e Rita, de 15.
Toda a família abraça a doutrina católica como religião e são praticantes assíduos.
Frequentam as missas dominicais e todos os eventos.
Rita e Raul fazem parte do grupo de jovens, além de tocar instrumentos como violão e bateria nas missas.
Como sabemos, o catolicismo segue os ensinamentos de Jesus Cristo —- ressaltou o mentor.
— O catolicismo romano é a religião que contém o maior número de fiéis do cristianismo ocidental, principalmente por ter sido espalhada por colonizadores europeus pelas Américas.
Os católicos romanos estão em comunhão com o papado que sempre, apesar dos dogmas e do ritualismo, desde o final da Santa Inquisição, em 1821, passou a pregar a paz, a boa moral e os bons costumes, ainda que existam algumas arbitrariedades.
Porém, não tão ostensivas quanto antes.
Seus fiéis aprendem que algumas práticas não são valorosas para o espírito.
O catolicismo ensina que a alma sobrevive após a morte do corpo físico, mas acredita que se aguarda o julgamento final no purgatório ou se vai directo para o céu ou para o inferno.
Então, se você transgredir um dos Dez Mandamentos, estará pecando e, consequentemente, não será um bom cristão, correndo o risco de não ir para o céu quando morrer.
— Ivo fez breve pausa.
Como não houve interrupção, continuou:
— Eu costumo dizer que a elevação moral inicia-se em detalhes, pequenas práticas e inúmeros pensamentos.
Tudo é questão de treino, de pensar e repensar no que está certo ou errado para a paz e harmonia interior.
Vejamos o que temos neste lar, apesar de eles serem crentes nos ensinamentos cristãos pregados pela Igreja Católica.
Almira, esposa e mãe, prende-se excessivamente às tarefas da paróquia não por amor à causa, mas pela parceria das companheiras que se dedicam exclusivamente a comentários que desabonam a moral e a conduta alheia.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:38 am

Aproveitando-se da breve pausa de Ivo, Silmara comentou:
— A maledicência é terrível.
— Maledicência, mais conhecida como fofoca —- esclareceu Romildo com seu jeito irreverente.
— Para dizer mais claramente, Almira e as amigas da igreja fazem fofoca da vida dos outros.
Elma olhou para o aluno, que percebeu imediatamente sua repreensão sem palavras, e ele calou-se.
Ivo sorriu. Conhecia muito a instrutora e continuou:
—- Almira criou um mundo de prazer, de satisfação pessoal com as tarefas e os cursos que realiza no salão paroquial.
— Que curso? -— perguntou Álvaro.
— Curso de Evangelho?
— Não —- respondeu Ivo.
— São cursos de pintura em tecido, croché, tricô, tapeçaria, pintura em tela e muitos outros.
Elas não realizam nenhum tipo de estudo do Evangelho de Jesus.
E são por esses cursos que Almira deixa o lar à mercê da empregada; os filhos à disposição dos meios de comunicação e da informática, ou melhor, da Internet; o marido, carente sem sua atenção, carinho e dedicação.
Juvenal não encontra mais prazer em conversar com a esposa, pois os assuntos de Almira giram sempre em torno dos problemas dos outros, dos acontecimentos da vida alheia.
Agora, ele procura, fora do lar, preencher o "algo" de que sente falta.
— Ivo ofereceu um instante de pausa.
Por não haver comentários, continuou:
— Muitas vezes, quando saía do trabalho e chegava em casa cansado, não encontrava a esposa.
E as coisas feitas pela empregada ou pela filha nem sempre estavam a seu gosto.
Sentindo-se sozinho, Juvenal passou a procurar distracção com o que passava na televisão.
Entretanto, insatisfeito com essa situação, procurou demonstrar o quanto a ausência de Almira não era salutar para a casa, os filhos e ele próprio.
Mas a esposa não quis entender e foi aí que Juvenal passou a sair do trabalho e procurar distracção em bares, pizzarias, restaurantes, choperias e outros lugares com amigos e amigas.
As companhias que ele procura, após sair do trabalho, certamente, não vão lhe trazer nenhum tipo de ajuda ou progresso pessoal, pois em ambientes assim não encontramos nenhuma elevação.
Juvenal procura algo para preencher o vazio deixado pela esposa, que não está mais presente.
Não me refiro a ela estar presente somente em casa, mas na vida da família.
— Porque ele não reclama novamente, não conversa de forma bem calma e clara com a esposa, dizendo que ela cuida muito só da vida dos outros?
Porque não pede mais sua presença? -— perguntou Romildo.
Parecendo esperar por aquela pergunta, Ivo respondeu:
— Ele está tão errado quanto Almira por não conversar até esgotar o assunto.
Ele falha quando acha que vai preencher o vazio com jogos, bebidas, amigos, comida ou amantes.
— Como? Ele não é católico?
Não sabe que ter uma amante é cometer adultério? -— indagou Romildo, sem conter a ansiedade.
— “Onde está aquele que adulterou contigo?"
Lembrando também que o Mestre Jesus ensinou que "Aprendestes o que foi dito aos antigos:
Não cometereis adultério.
Eu, porém, vos digo, que aquele que houver olhado uma mulher com mau desejo para com ela, já em seu coração cometeu adultério".
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:38 am

Com esses ensinamentos, devemos recordar que adultério é desejar algo ilícito.
Juvenal é católico praticante, mas, como tantos outros, de tantas outras religiões, acredita que as Leis Divinas são para os outros e não para ele.
— Ivo ainda disse:
- Como se não bastasse, Almira não está atenta aos filhos que Deus lhe confiou aos cuidados.
Principalmente, porque, desde pequenos, eles estão muito à vontade em tudo.
— Não podemos esquecer, caro Ivo —- disse Elma, com generosa interrupção instrutiva - que a educação dos filhos deve e tem de ser dividida com o casal.
Juvenal tem grande parcela de responsabilidade pelo desvio da educação moral dos filhos.
— Isso é verdade -— concordou o espírito Ivo.
— Juvenal acredita que pagar escola, natação, judo, aulas de informática e inglês é o suficiente.
Ele deveria estar mais presente.
Porém, Almira, na grande parte do tempo em que Juvenal não está em casa, deveria cuidar de verificar o que os filhos estão fazendo.
Rita, por exemplo -— prosseguiu Ivo - foi acostumada a assistir a todos os programas de televisão que queria.
As consequências foram um crescimento psicológico precoce, avançado e incorrecto.
Programas com temas de sexo, novelas com cenas de sexo, filmes com sexo explícito ou cenas bem acaloradas... tudo isso deveria ter sido controlado.
— Vamos lembrar que, apesar de os programas de televisão e o cinema, muitas vezes, apresentarem censura para determinada faixa etária, cabe aos pais seleccionar o que é adequado para os filhos.
Bem poucos o fazem, pois acreditam que basta ligar a televisão no horário do programa infantil, sem observar o que está sendo transmitido — considerou a instrutora atenta.
— É incabível um programa, apesar de censura livre, mostrar libertinagem, luxúria, sedução, comentários e cenas maliciosas, inclinando ao sexo.
Isso ocorre em horários em que os pequenos estão assistindo à televisão.
Algo que acontece com imensa frequência sem que os pais fiquem atentos.
Podemos observar, da mesma forma — prosseguiu Elma—, que na programação para adolescentes se leva a entender que jovens, menores de idade, pela aparência física que apresentam, mantêm relacionamento sexual com muita tranquilidade e frequente troca de parceiros.
Esse tipo de exposição provoca nas crianças e nos jovens adolescentes a perda precoce da ingenuidade, movimentando energias psíquicas que provêm do instinto sexual e desvio da libido, determinando uma conduta de vida, muitas vezes, incorrecta.
Na televisão, nas novelas, filmes etc. o mocinho e a mocinha mantêm relação sexual e trocam de parceiros habitualmente, incentivando, principalmente, jovens à promiscuidade e à vulgaridade, numa história romântica, maquiada de boas intenções.
Sempre são ricos, bonitos e bem-sucedidos ou, de alguma forma, amparados financeiramente.
Eles nunca se infectam com o vírus HIV.
Nunca sofrem com a Aids.
É raro quando mostram um personagem jovem, ou mesmo adulto, contaminado com esse vírus — afirmou a benfeitora.
— Nesse caso, se ele não for pobre ou bandido, a produção e o autor da dramaturgia oferecem à personagem um final feliz, rodeada por amigos que parecem verdadeiros.
Mas se esquecem de mostrar o que acontecerá com ele depois, quando a Aids se manifestar impiedosamente, sobretudo no estado avançado da doença:
as infecções oportunistas se evidenciam terrivelmente, provocando mal-estar generalizado; a fadiga excessiva mesmo em repouso; a diarreia recorrente; as infecções bucais, vaginais que não reagem a tratamentos; o emagrecimento ríspido; os gânglios nas virilhas, axilas e pescoço; o Sarcoma de Kaposi, câncer raro que se manifesta em tumores com manchas vermelhas na pele; a Pneumonia por Pneumocystis; a tuberculose que apresenta grande risco de morte; a incapacidade de andar e ficar em pé; a infecção virai no cérebro, que afecta a função neurológica; a perda da coordenação motora ou do equilíbrio por causa da infecção do sistema nervoso central; as dores fortíssimas nas articulações e muito mais, infelizmente.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:39 am

Nunca mostram nem comentam que aquele indivíduo com Aids pode apresentar tumores no sistema imunológico, que aparecem inicialmente no cérebro ou em outros órgãos internos — completou Elma.
— Não exibem que, normalmente, as mulheres podem desenvolver câncer do colo do útero e os homossexuais masculinos, quase sempre, desenvolvem câncer coloretal.
Isso, lamentavelmente, a programação da televisão, os filmes e as novelas não mostram por considerarem muito pesado e forte.
Não admitem que incentivam muito as pessoas a se infectarem com o vírus de várias doenças sexualmente transmissíveis quando apresentam seus lindos atores em prática de sexo vulgar e troca leviana de parceiros.
— O que a querida Elma nos diz, apesar de dramático, triste e amargo, é a pura realidade -— comentou Ivo, valendo-se da pausa.
Hoje, a televisão e o cinema promovem o sexo para atraírem a atenção e ganharem mais dinheiro.
Não se preocupam se os espectadores estão preparados ou não para entenderem que aquilo é ficção, ilusão e que não trará consequência alguma para os atores por não ser real, mas se posto em prática na vida real, pode ser algo avassalador.
Eles não se importam se quem assiste vai aplicar ou ser incentivado a aplicar tudo aquilo em sua vida.
— Vemos hoje muitas menininhas, que deveriam brincar de boneca, dançando e meneando o corpinho para provocar sedução, sem nem mesmo saber o que estão fazendo — continuou Ivo.
— E os pais, sem ter uma opinião formada por falta de instrução, aplaudem.
Mal sabem o quanto poderão chorar por isso.
Menininhas que já querem usar sutiã, sem ao menos saberem para quê, que pensam em fazer plásticas para aumentarem os seios, que fixam suas energias e pensamentos em namoradinhos, em "ficar", beijar, sair, transar, como dizem.
São crianças que sonham com algo impróprio e inadequado para sua idade, acelerando a sexualidade e envelhecendo precocemente.
Tudo isso ocorre devido programas a que assistem.
— Os pais -— interferiu Romildo -— esquecem-se de que vão ter de prestar contas pela negligência, omissão e falta de orientação aos filhos.
— Os pais não têm instrução, Romildo -— disse Ivo.
— Eles não sabem como agir.
Não têm informação.
Em vez de programas de sexo, se as televisões exibissem programas instrutivos que orientassem como os pais deveriam educar seus filhos, muitos teriam opiniões, conhecimento e saberiam o que fazer.
— Em vez de mostrarem tantas cenas de sedução ou sexo -— opinou Silmara, ponderada - seria bom mostrarem como é o transtorno de quem está infectado pelo HIV e tem de conviver com as doenças relacionadas à Aids.
Mostrar o abalo psicológico, a dor emocional que enfrentam por conta do preconceito e da própria crueldade da doença.
Isso seria necessário para que as pessoas e os jovens não fossem tão relaxados e tão promíscuos com o sexo, o uso de drogas.
— Mas isso faria a mídia perder dinheiro —- respondeu Romildo.
— As vezes penso que os grandes meios de comunicação gostam que muitas pessoas vivam enganadas.
Se mostrarem a realidade vão perder a audiência, pois estarão ensinando moral e bons costumes.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:39 am

— É por isso que o índice de jovens infectados com o HIV vem aumentando assustadoramente — informou Elma, com certa melancolia.
— Os jovens, talvez, pela falta de visão do perigo e pelo facto de o HIV ser um vírus completamente silencioso, não acreditam que podem ser infectados.
Eles confundem ainda Aids com HIV, pois pensam que vão reconhecer alguém infectado com HIV.
Os portadores do HIV, que não apresentam os sintomas, são pessoas sadias, aptas e que, talvez, nem saibam que estão infectadas.
Entretanto, e acima de tudo, eles podem e contaminam outras pessoas se transmitirem seus fluidos corpóreos para o interior do corpo do outro.
E, por conta de pais invigilantes ou que não sabem como agir e dos meios de comunicação, que descobriram, no sexo, o melhor jeito de ganharem pontos na audiência, os jovens estão conhecendo a vida sexual muito promíscua e desvalorizada, sem sentimento e casual. Estão vulneráveis pela falta de informação.
Normalmente não usam preservativos quando o relacionamento começa a durar um pouco mais -— continuou dizendo a instrutora no mesmo tom.
— Os jovens, em vez de usarem preservativo, preferem a interrupção da relação sexual, no momento da ejaculação, na tentativa de evitarem a gravidez.
Esquecem de que o líquido lubrificante, que sai do canal da uretra masculina antes da ejaculação, contém espermatozóides e o HIV, se o homem for portador do vírus, os parceiros ou parceiras podem ser contaminados e as parceiras podem engravidar.
E se a mulher for portadora do HIV, pela secreção vaginal, o homem pode contaminar-se se, durante a relação, ocorrer-lhe qualquer fissura, corte, mesmo que imperceptível, no órgão genital.
Quando praticam a relação sexual interrompida, não sabem ou desprezam o facto verdadeiro de que basta um único espermatozóide para fecundar um óvulo e conceber uma criança e basta um único vírus para se infectar com o HIV.
— É que o jovem se acha todo poderoso, imortal.
Acredita que isso nunca vai acontecer com ele e, se acontecer, que se dane!
É isso o que eles pensam.
Depois que acontece, não arcam com as consequências nem assumem as responsabilidades.
Vão procurar a mamãe e o papai, que eram considerados caretas, para ajudá-los, para socorrê-los.
Nessa hora não tem muita coisa a ser feita — disse Romildo.
— É que lhe falta conscientização, Romildo -— disse Elma.
— Isso é verdade.
Não é comum os jovens negociarem, ou melhor, exigirem o uso do preservativo, embora tenham informações relativamente satisfatórias sobre a infecção pelo HIV.
Falta-lhes conscientização -— complementou Ivo.
— Percebemos que isso acontece porque os jovens, apesar da informação que têm, só sabem que não existe cura para a Aids.
Eles acham que, se forem infectados, só vão morrer e que tudo acaba após a morte.
Ignoram o doloroso sofrimento pelas infecções oportunistas, as terríveis doenças que ocorrem quando o quadro clínico se agrava.
Não sabem nem imaginam como é difícil ficar inerte sobre uma cama e experimentar, além do sofrimento físico, terríveis dores morais, perguntas sem respostas, revolta indevida, abandono impiedoso e muito mais.
É muito baixo o número de jovens, de todas as classes sociais, que já fizeram o teste para saberem se são seropositivos ou não.
E, em vista do início precoce da vida sexual, o HIV vem, silenciosamente, alastrando-se entre eles de uma forma assustadora.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:39 am

— Ainda que o preservativo não seja totalmente seguro —- esclareceu Elma —- não podemos deixar de reconhecer que ele ajuda a não propagar ainda mais as doenças sexualmente transmissíveis.
— Como Elma nos lembrou outro dia -— argumentou Romildo —- as pessoas têm de lembrar que o uso do preservativo diminui a chance de contaminação, mas não garante totalmente, em vista dos acidentes que podem ocorrer, como o rompimento do látex.
Além do mais, ninguém pode responsabilizar-se em dizer que um vírus ultramicroscópico não possa passar pelas paredes do látex, material com que são feitos os preservativos, pois toda matéria possui espaço entre as moléculas e o vírus é menor do que esse espaço.
É possível acontecer, embora seja muito difícil.
— E como eu ia dizendo -— prosseguiu Ivo, exprimindo certa vontade de esclarecer —, o número de pessoas, principalmente jovens, infectadas com o HIV, vem crescendo por causa da falta de informação, da falta da orientação dos pais e familiares, do incentivo directo e indirecto a uma vida sexual promíscua pelos principais meios de comunicação.
O número de adolescentes grávidas, com menos de 19 anos, cresceu assustadoramente.
Sinal de que não usam preservativos.
Vamos lembrar ainda que há jovens usando contraceptivos, ou melhor, anticoncepcionais e por isso não engravidam.
Por terem certeza de que não vão engravidar, essas moças abrem mão do uso do preservativo pelo parceiro.
Imaginem então como o risco de se infectar com o HIV aumentou.
— Sabemos que, infelizmente, milhares de jovens são infectados diariamente por esse vírus e, por serem saudáveis, bonitos e vistosos, propagam o HIV com muita rapidez a outros jovens —- afirmou Elma com certa tristeza no olhar.
— Isso ocorre pelo descaso, por acharem que nunca vai acontecer com eles.
Aliás é o que todos nós pensamos quando não agimos correctamente:
"Nunca vai acontecer comigo".
Após segundos, quando todos reflectiam preocupados, Ivo propôs:
— Sei que não vieram aqui para falarmos de estatísticas, consequências ou contágio.
Vamos lá!
Vou apresentar melhor esta família.
Com argumentações afectuosas, o mentor de Almira levaria o grupo para melhor observação daquela casa, concedendo grande colaboração e ensinamento a todos.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 23, 2017 9:39 am

12 - Convivência familiar

EMBORA JA conhecesse os factos sobre aquela família, Elma, aceitando a proposta do espírito Ivo, acreditou ser útil aos alunos da espiritualidade acompanhar bem de perto os detalhes e anotar, em silêncio, o enredo de todos, para calcularem, com antecipação, os processos da invigilância que nos arrastam a terríveis tormentos.
Almira conversava ao telefone com uma amiga e não percebeu a chegada de Rita, que parecia excessivamente nervosa, descontando nas portas e nos móveis sua agressividade, lidando com eles sem qualquer delicadeza.
O barulho incomodou a mãe, que não podia ouvir direito o que a amiga lhe contava.
Logo Almira se despediu.
Desligou o telefone e foi atrás da filha.
Entrando abruptamente no quarto da jovem, ela reclamou aos gritos:
— Precisa fazer tanto barulho assim ao chegar em casa?!
O que a Levi vai pensar ouvindo isso?!
Que não temos educação, claro!!!
— Estou me lixando para o que ela vai pensar!
— Após mencionar alguns palavrões, sem que a mãe a repreendesse, Rita explicou irritada:
— Aquele cretino, aquele... -— completou com novas palavras de baixo valor moral —- aquele professor de Matemática tirou um ponto da minha média.
O idiota me deixou em recuperação! Imbecil!...
Imediatamente, na espiritualidade, espíritos de incrível inferioridade aproximaram-se da garota.
Alguns a envolviam em abraço, enquanto outros batiam em sua cabeça, dando-lhe tapas, como se ela pudesse sentir.
Zombavam da jovem e a deixavam impregnada de vibrações irritantes, agressivas, ao mesmo tempo que lhe diziam palavras de baixo calão para que repetisse.
Rita sentia-se aquecer.
Seu rosto queimava, tamanha raiva que sentia.
Os espíritos inferiores prosseguiam incansáveis com frases de baixo valor moral.
Ofendiam, xingavam os piores nomes. Rita pensava e repetia, quase exactamente o que lhe era dito, criando um campo vibratório repleto de energias pesadas, inqualificáveis, enchendo a casa de miasmas densos e atraindo tudo de mais hostil.
Apesar dos conceitos cristãos, Almira não reverteu a situação, conversando com a filha e fazendo-a entender que não adiantaria nada aquela revolta expressa em palavras tão inferiores.
Aquilo só exibiria sua própria inferioridade e despreparo para lidar com a realidade da vida, pois o Mestre Jesus já ensinou que:
"A boca sempre fala do que está cheio o coração".
Alterada e impaciente, a mãe reclamou:
— E precisa fazer isso quando chega em casa, caramba?!
— E não?! Eu fiquei naquela... -— novos palavrões
— Naquela recuperação!!!
Quero que aquele professor... -— novas palavras indignas.
— Isso é pra você aprender a não ficar mais socada na casa de suas amiguinhas, em vez de estudar!
Vá lá ver se elas ficaram em recuperação, vá?
— Oh! Não enche você também não, tá!!!
Já estou cheia!
Dá um tempo, falou!
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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