No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:01 am

— Vou contar pro seu pai que ele paga um colégio tão caro pra você jogar fora a oportunidade de estudar e...
— Vai começar com essa... — e mais palavras impróprias — ...dessa ladainha, vai?!
— Vou sim! Você pensa que dinheiro é capim? Que dá em árvore?!
Depois de um gesto enfadado, repleto de grosseria e mais algumas palavras indecentes, Rita levantou-se da cama, pegou uma mochila e saiu deixando a mãe falando sozinha.
Na espiritualidade, Ivo olhou, com compaixão, a cena degradante, e lembrou:
— Aqueles que acreditam em Jesus jamais deveriam esquecer esse Seu ensinamento:
"Todo reino dividido contra si mesmo é devastado e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá".
Mais além, o Mestre ensina:
"Quem não é comigo é contra mim, e quem comigo não ajunta, espalha".
Em situações difíceis, devemos ser instrumento de paz — disse, olhando o que sua protegida iria fazer.
Almira, em seguida, pegou o telefone e ligou para o marido.
Com termos degradantes, contou o ocorrido, deixando-o também nervoso.
Nesse tempo, o filho Raul chegou a sua casa e, após terminar a ligação, a mãe inquiriu nervosa:
— Vai me dizer que ficou em recuperação também?!
— Ah, mãe!
Não enche, tá! -— dizendo isso, Raul foi para seu quarto e se trancou lá, deixando a mãe falando novamente sozinha.
Quando olhou no relógio, Almira lembrou-se de que já estava atrasada para seu curso de pintura em tecido, realizado no salão da igreja.
Transformando-se completamente enquanto se arrumava, a mulher parecia outra pessoa, treinando um sorriso agradável, fala mansa e rosto com expressão angelical, superior, mas, ao mesmo tempo, humilde.
Chegando ao salão paroquial, Almira sorria gentil, enquanto cumprimentava as amigas de sempre, em meio ao que faziam.
Acomodando-se perto da amiga Levi, pois sempre teciam um e outro comentário com que se afinavam, Almira argumentou:
— Nossa, Levi, estou tão chateada, menina...
— O que foi? -— perguntou a outra, demonstrando preocupação.
— A Ritinha, minha filha.
Coitada... você sabe que ela ficou em recuperação de Matemática por causa de um ponto?
— Nossa! Coitada.
Por causa de um ponto é injustiça, não é?
— Ela está arrasada.
Estudou tanto...
Também esse colégio é muito exigente.
Tenho vontade até de tirá-la de lá.
Mas você sabe... é um colégio muito bom e tradicional.
Tem nome -— considerou Almira.
— Ah, mas ela vai conseguir.
Se Deus quiser!
A Rita é esforçada, inteligente -— afirmou Levi.
— Se Deus quiser, vai sim!
Vou rezar muito e até fazer uma promessa.
Deus vai ouvir minhas preces.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:01 am

— Menina -— sussurrou Levi, em tom de maledicência - parece que as filhas da Dilma também vão ficar em recuperação.
— Jura?!!! As duas?!!!
Ah... mas é bem feito.
Eu fico admirada...
Aquelas meninas não saem de casa, não se misturam... são metidas!
Você nem imagina.
Fiquei sabendo que elas disseram para a filha da Leonora que não gostavam da minha Rita, porque ela é muito moderninha!
Nem querem a amizade dela.
— Nossa! -— admirou-se Levi.
— Acho que ela nem veio hoje por vergonha de as filhas terem ficado em recuperação, se é que não repetiram directo!
— Eu digo que é preferível ser moderninha a ser caipira.
Melhor do que passar por boba como as filhas dela.
Elas têm é inveja da Rita que sabe cantar, tocar, faz parte de tudo aqui na igreja...
Você viu como o padre João dá uma atenção especial aos meus filhos?
— Isso é inveja mesmo!
Não liga, boba - aconselhou Levi.
— Ah! Eu ia me esquecendo. Sabe a Telma?...
Menina! Nem conto!
E ali Almira entrava, prazerosamente, num mundo de pequenas e mesquinhas ilusões, desperdiçando energias psíquicas e embrenhando-se em muita aquisição para reformar-se intimamente.
Mal sabia ela que poderia direccionar aquelas energias para controlar, orientar e harmonizar situações que se conturbavam dentro de seu próprio lar.
Sem demora e com o intuito de auxiliar, o espírito Ivo propôs:
— O que os companheiros acham de visitarmos Dilma e suas filhas?
Isso, cara Elma, seria para esclarecer que não é a religião que eleva ou atravanca um espírito, mas sim sua condição de pensar, reflectir e agir sobre os desafios do cotidiano.
— Se nos der a honra de sua companhia -— aceitou Elma, sorrindo gentil.
Ante o olhar admirado de todos, em questão de segundos, chegaram à residência onde Dilma morava com as filhas.
Após pedirem permissão aos mentores presentes, observaram a mãe orientando:
— Marlene, minha filha —- dizia Dilma com inflexão amorosa na voz maternal —- não adianta chorar.
O que você tem a fazer é estudar muito.
— Mas, mãe, eu não entendo...
Não consigo aprender aquilo.
Nunca fui boa em Matemática e Física -— defendia-se, enquanto chorava.
— Sou burra mesmo!
— Não diga isso!
Todos nós temos capacidade para aprender, porém uns necessitam de mais esforço, mais perseverança e muita disciplina.
— Por que tem de ser assim?
— Porque somos pessoas diferentes umas das outras, minha filha.
Você pode ter dificuldade em Matemática e Física, mas com toda a certeza tem facilidade bem maior para outra coisa.
— O quê? Não tenho aptidão para nada... -— chorava.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:02 am

— É lógico que tem.
A área de exactas, o mundo dos números são para pessoas que gostam da razão, de tudo dentro de normas.
Isso funciona para tudo o que é material, mas não funciona para os sentimentos humanos, para os quais toda regra tem muitas excepções, sempre.
Eu, talvez, não tenha palavras bonitas e certinhas para explicar, filha, mas eu entendo que as pessoas nunca são exactas, nunca são feitas em formas e com mentes matematicamente projectadas.
Ninguém age como robô — disse, fazendo um gesto mecânico de que Marlene riu.
— Deus nos criou diferentes e com tendências diferentes, minha filha.
Eu não quero que você seja um génio.
Você não é nenhum troféu para ficar exibindo.
Eu a amo do jeito que é e não vou deixar que acredite que é um nada.
Você tem capacidade, competência, amor pelos outros.
Não vai ser uma Matemática ou Física qualquer que a fará perder a auto-estima.
Olhando-a com bondade, Marlene falou em tom brando:
— Filha, muitas coisas, na vida, não precisam de razão matemática, mas sim de sentimento sincero, de equilíbrio.
Pense em conseguir sua nota em Matemática e Física, mas não se prenda a sua dificuldade.
Volte sua atenção, concentre-se no que você pode fazer de melhor por si mesma e pelos outros e que Matemática nenhuma, com a frieza dos cálculos, pode fazer.
A jovem ergueu o olhar expressivo, num rosto mais sereno, e Dilma ressaltou:
— A Matemática é importante.
Fará você mexer com cálculos, com informática e tudo mais.
Todos nós podemos fazer com um pouco de treino, mas oferecer amor, atenção, simpatia, honestidade, solidariedade não é para qualquer um.
E você tem um coração amoroso.
— O que o papai vai dizer?
— Vai dizer para você ficar calma, pois do contrário não vai conseguir estudar.
Nesse instante, a outra filha de Dilma, Margarete, chegou alegre e eufórica, gritando:
— Passei!!! Eu consegui!
— Quando olhou para a irmã, chorando, e a mãe a seu lado abraçando-a, logo deduziu:
— Não vai dizer que ficou?...
Houve nova crise de choro, e Marlene abraçou a mãe.
Sentando-se ao lado de Marlene, Margarete acariciou-a:
— Não fique assim!
Você vai tirar de letra! Vai ver!
Dilma, paciente e controlada, não se esqueceu de beijar Margarete e, após parabenizar a filha, perguntou:
— Você não é capaz de ensinar sua irmã?
— É mãe... -— explicou sem jeito.
— Aprendi isso no ano passado e... sabe como foi, passei raspando.
— Um segundo depois, Margarete lembrou animada:
— Ah! Já sei! Vamos falar com o Rony.
Ele é nosso amigo e óptimo em Matemática.
Não vai se negar a ensiná-la, tenho certeza.
— Mas será que...
— Deixe de ser pessimista!
"Pede e te será dado".
Quantas vezes ele precisou de material para fazer seus trabalhos e nós ajudamos?
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:02 am

O Rony é muito animado. Ele vai topar!
Melhore essa cara, que eu vou falar com ele agora.
— Eu só tenho quinze dias para...
— Que seja uma semana, minha filha.
Vai dar certo, você vai aprender tudo o que precisa. Vai ver!
— E vê se reza um pouco, Marlene, pelo menos para se livrar desse pessimismo, tá? —- lembrou a irmã bem-humorada.
— Naturalmente que devemos rezar a Deus para pedir auxílio em nossas dificuldades, mas antes de tudo devemos agradecer as bênçãos e lembrar que devemos fazer nossa parte para que os Céus nos ajudem.
Se ficar parada só rezando, minha filha, você não vai sair do lugar.
— Você vai lá falar com ele? -— perguntou Marlene, mais animada.
— Agora mesmo! -— decidiu Margarete, saindo às pressas.
Sorrindo mais satisfeita, Dilma propôs:
— Levante daí e vá tomar um banho, enquanto eu vou preparar um lanche para vocês.
— Mãe, sabe a Rita, filha da dona Almira? -— antes de esperar uma resposta da mãe, avisou:
— Ela também ficou em recuperação.
—- É pena.
Mas não vamos nos preocupar com os outros.
Concentre seus pensamentos para encontrar soluções para você.
Certo? —- sugeriu, sorridente.
Na espiritualidade, todos observavam silenciosamente e com muita atenção, até Elma comentar:
— É extraordinário o que ocorre numa família em que os princípios cristãos são empregados.
Não observamos nenhum foco de vibrações negativas actuando nesses encarnados, nem espíritos malfazejos envolvendo-os, zombando ou aproveitando oportunidade para se instalarem aqui.
— Como sabemos, Dilma e sua família também são católicos praticantes —- explicou Ivo, propositadamente.
— Porém com a diferença de que eles praticam, na vida diária, os ensinamentos que aprendem no evangelho do Cristo.
Dilma, o marido e as filhas conseguem deixar-se tocar e elevar pelo que aprendem.
Eles não xingam nem se agridem com palavras ásperas.
Se observarmos bem, eles não aumentam o tom da voz, mas sim diminuem a distância quando querem ser ouvidos.
Isso também ocorre em momentos alegres, não só nos instantes de insatisfação, quando por exemplo alguém não encontra algo.
O comportamento de Dilma, orientando com paciência e dedicação amorosa, e adoptado por todos da família, vem introduzindo no lar, constantemente, sem perceber, um modo de agir salutar, elevado e evangelizado.
Os palavrões são abomináveis para essa família.
Sem regras impostas e sem determinações rigorosas, existe naturalmente uma selecção do que assistem na televisão, das músicas que escutam, dos filmes que escolhem.
Isso acontece porque a elevação moral e espiritual de cada um não permite que eles gostem de cenas e músicas exóticas, agradáveis aos espíritos inferiores e perversos, impróprias aos bons princípios.
— Viram só como Dilma não deixou que a filha perdesse a auto-estima, nem tecesse comentários sobre a Rita? -— observou Romildo.
— Como eu disse -— comentou Ivo - são nos detalhes, nas pequenas atitudes e nos muitos pensamentos que começamos a exibir nossa evolução como espírito.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:02 am

Dilma não foi ao curso de pintura em tecido porque sabia que seria um dia muito importante para as filhas.
Sabia que as meninas poderiam precisar dela.
E, quando isso ocorreu, como mãe e amiga, ela estava presente.
Dilma não reclamou por pagar a escola.
Não exigiu a perfeição nem a inteligência máxima da filha.
Ela entendeu suas dificuldades momentâneas, apontou suas virtudes e ofereceu apoio, falando sobre suas qualidades como pessoa normal, de sua capacidade de amar e entender, sem dizer que ela seria anormal por não aprender determinada coisa.
— Filho que não se sente frustrado, pressionado, carente de atenção e carinho, não foge dos pais e vê neles um abrigo seguro para qualquer situação, para qualquer comentário, por mais irrelevante que seja, pois sabe que será entendido, ajudado e orientado correctamente -— ensinou Elma com bondade.
— Quando um filho foge dos pais, é por não se sentir compreendido por eles.
Entende que os pais sempre têm algo mais importante a fazer e que ele fica em segundo ou terceiro plano.
Quando um filho não encara os pais, não os procura para conversar sobre suas particularidades, busca guarida e refúgio nas drogas, nos amigos duvidosos que o ouvem e estimulam a revolta.
— A instrutora ofereceu uma pausa ao que dizia, depois continuou:
— Os pais que exigem ou que não oferecem atenção e carinho, que sempre estão preocupados e não têm tempo para os filhos, entregam seus tesouros para o tráfico, o sexo vulgar, promíscuo e tantos outros desvios que trarão muito sofrimento e dor a todos.
Com o exemplo de atenção e carinho que pudemos observar em Dilma, nós nos certificamos de que é a vigilância constante que nos faz prosperar espiritualmente, seja qual for a religião que praticamos.
Suas atitudes nobres, suas palavras mansas, seu carinho e atenção evidentes ajudam os elevados mentores, emissários de Jesus, a envolver esse lar que, na espiritualidade, torna-se um ponto de luz esplendorosa que repele espíritos perversos.
Aproximando-se deles, o mentor daquela casa sorriu e esclareceu:
— Esse é um lar abençoado tanto que é comum recebermos a visita de nobres grupos de tarefeiros espirituais como vocês, para observarem, aprenderem ou até mesmo se refazerem, enquanto aguardam para prosseguirem em algum trabalho na crosta — comentou, satisfeito.
O sentimento de paz era indescritível, mesmo diante da situação problemática para as encarnadas, que, pela elevada postura, mantinham luzente harmonia no lar, onde todos se beneficiavam recebendo sagradas energias.
Decorrido algum tempo mais de conversa salutar entre os tarefeiros espirituais, firmes no propósito de prosseguir, Elma agradeceu generosamente a dadivosa permissão de poder estar ali com sua equipe e decidiu que era momento de partir.
Despediu-se educada e fraternalmente de todos.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:02 am

13 - O vício vem do passado

ASSIM QUE deixaram o abençoado lar de Dilma, ganhando novamente as ruas, que percorriam ao modo dos encarnados, Elma reforçava explicações ao grupo sobre o facto de não ser a religião que provocava desequilíbrio nas pessoas, mas sim as escolhas pessoais na qualidade de vida que escolhiam para si mesmas.
Embora muitas religiões auxiliem no equilíbrio e na harmonização conforme seus ensinamentos.
O espírito Ivo, sabendo das ocorrências na casa de sua pupila, novamente, convidou a instrutora e seu grupo para que retornassem à casa de Almira.
Chegando lá, imediatamente os alunos de Elma, não tão acostumados a bruscas mudanças, puderam sentir impressões aflitivas, intoxicantes e súbito mal-estar pela vibração que cercava toda a residência.
Porém, diante da orientação providencial da instrutora, eles se harmonizaram sob a elevação do pensamento em respeitável prece,
que os deixaria menos sensíveis às vibrações provocadas pelo tipo de música no ambiente, para que ficassem sem ouvi-la (12).
Espíritos inferiores, praticamente, dominavam a casa.
Trancado em seu quarto, junto com outros dois amigos, Raul, jovem de 17 anos, ouvia bem alto uma música electrónica, entre outros tipos que já havia tocado, chamada techno.
Esse tipo de som, assim como outros tipos de música de baixo padrão que mencionam palavreado de nível inferior, provocava alterações psicoespirituais, que abalavam os ouvintes, alterando-os, conduzindo-os a uma sensação de euforia agressiva e castigando as fibras do entendimento e da razão, forçando-os a um delírio insano de agitações físicas convulsivas.
No quarto havia vastíssima aglomeração de espíritos ensandecidos e animalizados, que vibravam euforicamente pelo som tormentoso.
Era abominável!
A visão era de arrepiar!
Para tolerarem tal panorama, as entidades elevadas, que se encontravam ali por tarefa e necessidade de aprendizado, socorriam-se em prece, pois necessitavam permanecer naquele ambiente para aprender.
A multidão de espíritos rebeldes e deformados, com comportamento primitivo, ao que chamavam de dança, exibia miserável aspecto e impressionou o grupo de estudo, que não era visto por esses espíritos.
Sabiamente, a instrutora explicou:
— Em nosso campo visual, temos algo que os encarnados ignoram completamente, quando ouvem alguns tipos de música.
As canções que falam de sexo, directa ou indirectamente, que propõem sedução, erotismo, baixa moral, com letras que agridem e incentivam a desordem, insultos, palavrões e muito mais, atraem espíritos vulgares de mesmo nível e outros ainda mais inferiores.
Estes sentem prazer ao ouvir o que gostam e, como sabemos, não são capazes de compreender e sentir algo mais sublime, leve, belo e celestial.
— Parecem um bando de viciados, monstruosos pelas deformidades perispirituais provocadas pelas drogas -— comentou Silmara.
— E são -— afirmou a instrutora.
— As monstruosidades que apresentam, as debilidades que notamos em seu psiquismo, os aleijamentos, as vísceras expostas com aspecto de putrefacção, inclusive, o centro de força genésico em lamentável exposição e aspecto tenebroso, são as consequências do uso de drogas para esses espíritos após o desencarne.
Como sabemos, nós levamos para além da vida terrena o que oferecemos a nós mesmos, moral, física e espiritualmente.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:03 am

Com eles, não seria diferente.
Todos merecem compaixão e amor por insistirem nesse mundo hostil.
— Por que não se socorrem?
Por que não se elevaram após a morte do corpo? -— perguntou Álvaro, preocupado.
— Antes da morte do corpo -— esclareceu Elma convincente —- se não buscamos a mudança interior, não elevamos nossa moral e nos prejudicamos ou prejudicamos os outros, não conseguimos, desencarnados, encarar a realidade por medo e vergonha, por uma carga de vibrações, energias negativas e débitos terríveis que nos afundam num pantanal de misérias.
Nenhuma palavra, nenhum pensamento pode ser mascarado.
É impossível enganar a própria consciência. Somos devedores de nós mesmos.
Todo espírito desencarnado vive na miséria ou na elevação que procurou e promoveu quando encarnado.
— Os alunos ficaram em silêncio e ela ainda disse:
— Após a perda do corpo carnal, desmascarado, ele depara, primeiro, com o peso da própria consciência; depois, com incontáveis inimigos que o esperam por vingança ou com comparsas miseráveis dos vícios decadentes e mundanos.
Como sabemos, não podemos socorrer aqueles que não desejam ser ajudados.
Um dia, eles vão buscar socorro e evoluir.
Enquanto isso, afinam-se com encarnados que compartilham o mesmo prazer e mesmos gostos, buscando-os para sugar-lhes as forças vitais, as energias.
Nesse momento, Elma olhou para Romildo.
Como se lesse seus pensamentos e avisou:
— Não podemos julgar, meu querido.
Quantos de nós já nos envolvemos nos charcos das aflições antes de nos erguermos a Jesus, pedir perdão, compreender Seus ensinamentos e buscar aprender e agir melhor?
Todos silenciaram.
Ao fim de alguns segundos, Ivo apresentou:
— Esta é Valda.
Um espírito muito querido, mentora de Raul.
Após os cumprimentos, a mentora do jovem explicou a finalidade proposta por seu pupilo para aquele reencarne:
—- Após rogativas e lágrimas, Raul implorou por essa nova experiência terrena a fim de passar por inúmeros desafios e verdadeiramente evoluir e aliviar a consciência.
Mas não está conseguindo -— lamentou, com olhar meigo e triste.
— Meu protegido afina-se, a cada dia, com pobres irmãos desencarnados deformados na moral, que se enfileiram para dominar suas vontades e fazer prevalecer desejos mórbidos em experiências extremamente inferiores, como podem ver.
— Como já comentamos -— interrompeu Ivo educadamente —- a falta de orientação e de atenção, as exigências e as dúvidas, nessa idade, geram uma vontade intensa de fugir de dificuldades e responsabilidade.
No caso de Raul, sua fuga está sendo para as drogas.
— O problema maior -— esclareceu Valda - como podemos observar pela visão espiritual, é que o querido Raul é reincidente no vício das drogas.
— Como reincidente? -— questionou Romildo, curioso.
— As drogas não eram tão comuns antigamente.
Como, em encarnações passadas, ele pôde ser viciado?
Valda sorriu docemente e explicou:
— Não é como você pensa, meu amigo.
Na espiritualidade, os "arquivos do tempo" podem indicar bem melhor o surgimento da dependência das drogas.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:03 am

Romildo, as pesquisas científicas, principalmente arqueológicas e antropológicas, já podem provar que há mais de 4.000 anos antes de Cristo se usavam entorpecentes no Oriente.
Se formos mais além, considerando mais do que drogas em folha ou fibras, mais de 5.500 anos antes de Cristo já havia bebida alcoólica, como o vinho.
Sabe-se que povos da Mesopotâmia, em torno de 3.500 anos antes de Cristo, usavam o ópio extraído da papoula.
A folha de coca e a cerveja também eram usadas há mais de 2.000 anos antes de Cristo.
Os hindus e os gregos também, antes de Cristo, usavam cânhamo em forma medicinal e consideravam a maconha um "presente dos deuses".
Cristóvão Colombo narra que os índios fumavam; Américo Vespúcio conta que os espanhóis comercializavam a coca e relata seu uso e que os portugueses fumavam ópio.
Entre os séculos XVII e XVIII surgiu um grave problema de alcoolismo entre homens e mulheres, quando os holandeses descobriram uma bebida chamada gim.
— Observando que todos se interessaram pelo assunto que ela dominava, Valda continuou:
— Entre os séculos XVIII e XIX existiram experiências com drogas em seres humanos, realizadas por médicos que tentavam descobrir algo que nem mesmo sabiam e denominavam simplesmente de experiências.
Isso acabou gerando inúmeros viciados, destruição de vidas e muitas calamidades em famílias, que não entendiam o que se passava.
Em meados de 1840, depois do fim da Santa Inquisição, quando os homens da ciência puderam manifestar-se mais abertamente, surgiram os primeiros estudos mais rigorosos sobre as drogas e seus efeitos alucinogénios -— acrescentou, parecendo muito bem informada.
— Uma década e meia depois surgiu a coca como anestésico.
Mais ou menos por volta de 1873, a heroína foi descoberta.
Seu uso provocou decadências, que passaram despercebidas, mas arrasaram criaturas que lutaram, e até hoje lutam, no plano físico e espiritual, para se harmonizarem por causa dessa dependência.
Sabia-se que o produto causaria agrado e prazer, se é que me entende -— enfatizou Valda, com um sorriso maneiroso - como se não bastasse, para obtenção de lucros gigantescos, em 1886, foi produzida uma mistura com cafeína e cocaína que era vendida e servida como refresco.
Após a silenciosa viciação que rendeu fortunas, somente quinze ou dezasseis anos depois a cocaína foi retirada do xarope.
Tal produto existe até hoje e ainda, em leve escala, proporciona vício, embora não tão evidente.
A princípio, usaram-se incontáveis drogas como remédio, mas, por volta de 1900, os médicos e pesquisadores começaram a relacionar os vícios, os danos orgânicos, psicológicos e óbitos ao emprego das drogas — ainda acrescentou Valda.
— O mundo começou lentamente a alertar-se, para o bem e para o mal, sobre os efeitos dos narcóticos.
— Como assim, o alerta foi para o bem ou para o mal? -— indagou Romildo, interessado e aproveitando-se da pausa.
— O alerta para o bem foi o anúncio de que as drogas lesionavam, viciavam e matavam.
O alerta para o mal foi o interesse e a ganância comercial despertados, pois se paga mais quando um produto é escasso ou proibido.
— Percebendo o interesse, informou:
— A indústria das drogas não parou por aí.
Com a intenção de se descobrirem novos medicamentos, em 1912 criou-se o ecstasy, em seguida é provado o LSD e seu alto poder como droga alucinogénia.
A ciência, porém, trabalhou para alertar e provar que a maconha e a cocaína são prejudiciais à saúde e então foi iniciada uma luta para retirá-las de vários países.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:03 am

O mesmo aconteceu com o LSD e a heroína.
No entanto, o ecstasy é trabalhado e testado, e surgem outras drogas sintéticas.
Nos anos 1970, a cocaína virou moda e sinal de status, mas levou e leva à decadência pessoal, moral, espiritual e à morte prematura do corpo.
Para aqueles que resistiram a esses psicotrópicos e necessitavam de mais e mais para sentir os efeitos do falso e turbulento prazer, restavam as novas fórmulas do ecstasy, cujo poder de dependência foi previamente testado em seres humanos, sem que o mundo soubesse.
Logo, nos anos 1980, apareceu a cocaína em forma de pedra, chamada de crack, que, com seu poderoso teor de dependência, vem, seguramente, viciando e aniquilando os usuários e suas famílias.
— Valda ofereceu uma pausa para reflexão.
Depois, continuou:
— Como podemos ver, hoje, somos o efeito do que fomos ontem.
As drogas surgiram há cerca de 7.000 anos e desenvolveu-se por intermédio do homem, com o homem e seus vícios.
— Sabemos as dificuldades que essa família passa hoje -— interrompeu Romildo —- mas podemos saber quais os laços que os unem?
Percebemos que é difícil imaginar como e por que se ligam.
Com a impressão de que o aluno de Elma necessitava daquelas informações para aperfeiçoar sua compreensão, Valda, pacientemente, explicou:
— Em vida muito remota, Raul foi seguidor e também uma espécie de sacerdote de uma seita que fazia uso de substância que agia nas células nervosas, provocando o que eles chamavam de "leveza da alma" ou "prazer dos deuses".
A história é longa, mas, em resumo...
Com uma dependência que se desenvolveu pela necessidade de chegar-se a esse estágio de prazer, os seguidores dessa seita ofereciam trocas, favores e benefícios inúmeros a Raul, que controlava, pela crença, quem poderia ou quem deveria receber dos deuses tais "bênçãos" com o uso da substância.
— Em outras palavras -— comentou Romildo —- Raul viciava todos.
— Sim, foi isso.
Ele fazia questão dos mais exóticos benefícios.
Em nome da seita e da crença daquele povo, proporcionavam-lhe orgias pessoais em que se deleitava.
Bem... Raul vem enfrentando, por séculos, uma luta constante contra o desequilíbrio gerado pelo sexo compulsivo, que até vem conseguindo controlar, porque em algumas encarnações a impotência sexual foi uma forma de harmonizá-lo muito.
Mas as drogas estão sendo seu maior desafio.
— E onde seus pais entram nessa história? — perguntou o mesmo aluno de Elma.
— Bem, em tempos menos remotos, quem deveria ajudá-lo piorou sua situação.
Viciado em ópio, junto com a irmã Rita, Raul procurou um boticário, equivalente ao farmacêutico de hoje, que prometeu ajudá-lo.
Nessa época, as pesquisas realizadas na França e em outros países da Europa exibiam, com clareza, os efeitos de algumas drogas, suas dependências e seus efeitos fatais. Era o ano de 1885.
Com ganância -— prosseguiu Valda —- Juvenal, que era o boticário, junto com a esposa que, também nessa época era Almira, propôs-se a tratar do rapaz, prometendo-lhe algo que o acalmaria e o afastaria da vontade de usar ópio.
Avisaram que lhe custaria caro.
Mas dinheiro não seria problema, pois o rapaz e sua irmã eram ricos.
Confiantes no boticário, os jovens propuseram-se ao uso de cocaína como anestésico para o desejo violento de usar ópio.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:03 am

Porém, enganados pelo casal, tornaram-se ainda mais dependentes e desequilibrados.
—Nessa época, já se sabia dos efeitos e da dependência da cocaína? -— perguntou Silmara.
— Lógico. Apesar de ela não ser proibida.
Nessa época, os pesquisadores, médicos e as pessoas da área de saúde, inclusive os boticários, tinham conhecimento de que as pessoas que abusavam da cocaína sofriam dos mesmos efeitos de viciação e de uma necessidade incessante de usarem a droga, chegando à morte.
A coca foi usada como anestésico, desde meados de 1850, em cirurgias de garganta e extracção dentária, antes do uso da morfina.
Com o suposto tratamento -— prosseguiu a mentora - Raul entrou em profunda dependência e Rita tornou-se depressiva e desequilibrada.
Em busca de preencher um vazio que sentia, ela passou a entregar-se a uma vida sexual desregrada, envolvendo-se com as mais baixas práticas morais.
Almira, a mulher do boticário, por sua vez, interessada em benefícios pessoais, era a melhor amiga de Rita e a incentivava muito à vida mundana, dizendo que ela deveria aproveitar a juventude e viver como desejava para buscar felicidade.
Juvenal, o boticário ambicioso, pensando nos lucros, conseguiu até heroína para vender a Raul, alegando ser outro medicamento para a cura de seu vício.
A tragédia completou-se, quando os irmãos, na busca incessante e compulsiva do prazer de qualquer espécie, relacionaram-se sexualmente, transmitindo um ao outro doenças venéreas incuráveis naquele tempo.
Raul e Rita terminaram abandonados pelo boticário e por sua mulher, que lhes tinham subtraído tudo o que puderam e esquecidos pela família, que os deserdou.
Ficaram na miséria e na sarjeta.
Muito doentes, com sífilis e blenorragia, mais conhecida como gonorreia, que os castigavam incrivelmente.
Além de outras infecções que surgiram.
Assim que Valda ofereceu uma pausa, Romildo lembrou:
— A sífilis, até hoje, tem alto poder de transmissão.
A bactéria penetra no corpo pelo beijo, pela relação sexual, anal ou oral, e o infectado, raramente, percebe que está contaminado no primeiro estágio da doença.
— Isso mesmo -— afirmou Valda, continuando:
— Os irmãos passaram a viver como indigentes.
Por causa da dependência química, prostituíram-se para conseguirem drogas ou álcool e aliviarem-se do que sentiam.
Acabaram como loucos.
As consequências da blenorragia foram horrendas e dolorosas em torno da área dos órgãos genitais e excretores, que ficaram em carne viva — explicou Valda.
— As drogas os condenaram à indigência e ao desequilíbrio; e as doenças, ao desespero enlouquecedor.
Raul, sem suportar a hospedagem na miséria e o transtorno das doenças, foi o primeiro a cometer suicídio, seguido de sua irmã.
Hoje eles retornaram em família.
— E ainda contou:
— Juvenal dispõe aos filhos tudo o que lhes subtraiu.
Almira, com a tarefa abençoada da maternidade, deveria orientar, ensinar, instruir, manter-se mais presente.
Os pais, nesse caso, deveriam enriquecê-los moralmente, em razão de tudo o que lhes causaram no passado.
— Mas não é isso que está acontecendo, infelizmente — comentou Ivo, diante do silêncio que reinou.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:04 am

— Por mais que tentamos envolvê-los, não conseguimos êxito, pois todos, nesta casa, usam palavreado chulo, têm pensamentos mesquinhos e sórdidos, atitudes agressivas, com as quais os espíritos extremamente inferiores sentem prazer e se afinam.
— E o que vai acontecer? -— mais uma vez, perguntou Romildo.
— Eles estão por conta do livre-arbítrio.
Jamais falta protecção celeste às almas endurecidas que se desviam do caminho proposto para a harmonização e elevação.
Algumas, por insistirem nos tormentos e nas discórdias, semeando anarquia, sem empenho para livrar-se dos vícios, infelizmente, não ouvirão seu anjo guardião.
Por essa razão, enfrentarão difíceis caminhos atrasando-se na evolução espiritual e permanecerão mais tempo entre as dores.

12. N.A.E.: Mais detalhes sobre as percepções e sensibilidades dos espíritos quanto a ouvir e deixar de ouvir os sons, entre outros atributos, podem ser encontrados em O Livro dos Espíritos, nas questões 248 a 251.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:04 am

14 - A decadência de uma família

OS ALUNOS devotados que a benfeitora Elma trouxera à crosta, para aprendizados diversos, concentravam--se com afinco a cada lição preciosa, pois, num futuro, talvez próximo, poderiam ser muito úteis as reminiscências de acontecimentos que observavam.
Com o decorrer dos meses, vamos encontrá-los novamente no lar de Almira e os filhos, pois Ivo os havia convidado para actualização dos fatos.
Valda, mentora de Raul, com olhar compassivo e certa tristeza nas expressões explicava:
— Nosso querido Raul não resistiu às tentações.
Não se forçou para uma vida saudável e mais tranquila.
Preferiu os prazeres ilusórios, os vícios destruidores e faliu nessa tentativa de harmonização.
Agora passará a sofrer as consequências do que procurou para si.
— Após breve segundo, comentou:
— Raul, ao compartilhar com os amigos drogas injectáveis, infectou-se com o HIV.
— Mesmo diante de tantas informações?! -— lamentou Romildo, que não conseguiu conter-se.
— Como pôde compartilhar agulhas ou seringas?
— Não. Ele não compartilhou agulhas nem seringas.
Raul adquiriu o HIV quando compartilhou a droga diluída na colher em que outro companheiro, portador do vírus, encheu sua seringa, já utilizada, antes de Raul.
Nessa colher, foi deixada imperceptível gotícula de fluido corpóreo que continha o vírus e, logo em seguida, foi aspirado para a seringa que Raul utilizou.
— Penso que ele já estava predestinado à infecção pelo HIV, por causa de seu passado, não é? -— perguntou Silmara, que parecia sensibilizada.
— Meus amigos -— interferiu Elma, com natural gentileza, propondo-se a responder - o Pai da Vida é bom e justo.
Sem dúvida que há incontáveis excepções, porém podemos dizer que nem todos nascem predestinados a adquirir o HIV e sofrer com a Aids ou precisar ter eternos cuidados para não desenvolvê-la, manifestá-la.
Raul, assim como milhões de pessoas, não nasceu para contaminar--se.
Jamais podemos julgar o comportamento de outra pessoa, pois no lugar dele, talvez, nossa atitude fosse bem pior senão a mesma.
Temos de sentir as dificuldades dos outros como se fossem nossas e, quando possível, ajudar como queremos ser ajudados para que saibamos vencer nossos próprios obstáculos.
— Perdoe-me, Elma. Não entendi.
Por que nos diz que muitos não nasceram para contraírem o HIV?
Existem milhões de pessoas no mundo inteiro contaminadas, não posso crer que a Natureza errou! -— protestou Romildo.
— Quantos milhares de pessoas adquiriram o HIV por não controlarem o instinto?
Por quererem animalizar o espírito, em vez de espiritualizarem o corpo que lhes foi confiado?
Quantos e quantos se desviaram do caminho do equilíbrio e da paz, buscando agitação, emoção radical e diversão ilícita, cometeram traições conjugais o que chamaram de aventuras fora da união e, hoje, estão infectados?
Quantos se prostituíram, directa ou indirectamente, e pela emoção ou por qualquer intenção contraíram o HIV?
Diante de tantos alertas e tantas informações, será que a emoção, a conquista, a aventura, a traição, a barganha ou qualquer outra aquisição de prazer ou numerário valeram a pena?
Acho que não — disse a instrutora para a reflexão de todos.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:04 am

— Apesar de não ter toda a orientação e apoio que deveria receber dos pais -— explicou Valda, aproveitando-se da pausa - Raul fazia parte de um grupo, com apoio e orientação religiosa, que ensinava moral e bons princípios.
O grupo católico do qual participava, e que abandonou, falava sobre o suicídio pelas drogas, sobre sexo promíscuo, sobre amor-próprio, em não se perverter nem se corromper.
Raul não pode dizer que não sabia.
Ele escolheu o caminho errado quando buscou algo diferente, prazeroso, aventureiro e emocionante.
Escolheu os amigos, o tipo de diversão que lhe traria prazer e, com isso, determinou os companheiros espirituais que o incentivaram, por afinidade, aos mesmos gostos e a segui-los.
Consequentemente, foi encontrado pelos inimigos do passado que, por saberem dos efeitos das drogas e do risco de contaminação de inúmeras doenças, por vingança, procuraram animá-lo com energias intensas de prazer no que ele fazia.
Sabiam que, a qualquer momento, Raul iria vitimar-se pelo vício incontrolado, provocado pelas drogas e pelas sérias consequências das múltiplas falências orgânicas e mentais, causadas pelos narcóticos, o que não deixa de ser suicídio.
Ainda havia o risco de contrair um vírus como o HIV.
Foi questão de tempo.
— Ele tem inimigos do passado? -— interessou-se Álvaro, até então em silêncio.
— Quem não os tem? -— respondeu Valda.
— Você se esqueceu de que Raul viciou, como líder de seita, várias pessoas e cometeu inúmeras iniquidades?
De que, para manter o vício, prostituiu-se por estar na miséria e contaminou inúmeros com a sífilis, blenorragia e outras doenças sexualmente transmissíveis?
Hoje, na espiritualidade, esses algozes querem vingança e não desejam sua evolução.
Como mentora de meu querido Raul -— disse de modo carinhoso e triste - posso garantir que ele não precisaria viciar-se nas drogas.
Meu pupilo não nasceu para se infectar com o HIV e sofrer suas reacções.
Seus propósitos para essa vida foram outros, completamente diferentes.
Ele escolheu caminhos imprudentes por falta de disciplina e de perseverança no bem e fé.
— Mas Raul foi suicida -— lembrou Romildo.
— Em outra existência, adquiriu doenças venéreas e não suportou o sofrimento gerado por elas e as torturas do vício nas drogas.
Será que essa experiência trágica com o HIV não seria por causa do suicídio?
— Romildo -— alertou Elma, sabiamente - não creia que tenha sido Deus o criador da "Lei de Talião":
"Olho por olho, dente por dente".
Um ilustre Mestre, quando encarnado, ensinou-nos que "Olho por olho e o mundo inteiro estaria cego..."
Não temos um Deus cruel.
Jesus sempre nos falou sobre um Deus bom e justo.
Isso significa que a bondade divina vem antes da justiça.
— Isso é verdade, Romildo -— confirmou Valda.
— Quando Raul se propôs ao reencarne, não foi para sofrer, mas sim para harmonizar--se.
Ele não seria viciado, se não houvesse usado psicotrópicos.
Ele usou porque quis, pois existem inúmeros alertas.
Vamos lembrar que o vício iniciou com um cigarro comum, depois bebida alcoólica, logo em seguida, um "cigarrinho de maconha" e aí foi.
Raul não contrairia o HIV se não se envolvesse com quem se envolveu.
Meu protegido deveria procurar uma vida tranquila.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:04 am

Aprender com princípios cristãos que a igreja lhe proporcionava.
Futuramente, ele abraçaria tarefas, trabalhos voluntários em acções de orientação a jovens viciados, jovens corrompidos pela prostituição, pela miséria.
Esses jovens, meninos e meninas, não seriam, nem mais nem menos, senão os inimigos do passado que, trazidos para a reencarnação e necessitando de uma experiência difícil, encontrariam em Raul uma pessoa com a capacidade de elevá-los, ampará-los e socorrê-los.
Assim, com toda a certeza, seria quebrado qualquer vínculo de ódio existente.
Mas, infelizmente, meu pupilo não conseguiu e dificultou, ainda mais, sua situação.
Quanto à sua harmonização com o suicídio, ela poderia ser feita no final de seu tempo como encarnado, com uma doença difícil, talvez.
— Então não era para ele contrair o HIV? -— insistiu Romildo.
— Deus necessita muito mais de trabalhadores do que de sofredores.
Como a proposta, o planeamento reencarnatório de Raul foi para harmonizar os erros do passado.
Não era para ele contrair o HIV, se não houvesse se deixado levar pelo uso de entorpecentes.
— Então, a Aids não ocorre porque Deus quer? — perguntou Álvaro.
— Nenhuma tragédia, nenhuma catástrofe, nenhuma miséria acontece pela vontade de Deus.
As doenças e as calamidades ocorrem pela força de atracção das consciências que insistem no erro -— ensinou Ivo, atencioso.
— Um dia elas imploram paz nos pensamentos e rogam por harmonia.
Para obtê-la, para alcançar essa paz de espírito tão desejada, infelizmente, acabam propondo-se, inconscientemente, a experimentar o que causaram ao outro, por se negarem, conscientemente, a realizar o bem.
É no corpo de carne que a criatura expia os erros não harmonizados, porque a matéria é o instrumento de trabalho para a elevação do espírito.
Vamos lembrar que, enquanto somos imperfeitos, não alcançamos a altura desse mundo nem de mundos melhores.
Quando sofremos, em vez de lamentarmos, devemos trabalhar nossa consciência e verificar o que podemos fazer em nossa pequenez para nos ajudar sem incomodar os outros com nossas lamúrias ou simples reclamações, porque Deus nunca erra.
Precisamos rever nossos conceitos erróneos e trabalharmos para os outros, o quanto possível, para nosso próprio bem.
— Este planeta é de provas e expiações -— lembrou Elma.
— Quando a criatura deixa de ser egoísta e vaidosa, ela adquire elevação espiritual e só pratica o bem.
Há outras moradas na Casa do Pai, mundos mais felizes para ela.
Não estamos aqui por engano.
Em vez de perder tempo com revolta ou reclamações por termos dificuldades, devemos despender energias em muita disciplina para nossa reforma moral.
Enquanto não fizermos isso, nenhum milagre, nenhum passe de mágica vai nos trazer a verdadeira felicidade e paz.
— Voltando ao caso de Raul -— perguntou Silmara, depois de reflectir sobre as últimas palavras —, os pais já sabem que ele é portador do HIV?
— Sabem — respondeu Ivo.
— Como reagiram?! Como souberam? -— perguntou a aluna.
— A jovem Rita, filha caçula do casal -— relatou Ivo, compadecido da situação -— com sua personalidade rebelde e exigências egoísticas, no desejo de acompanhar a modernidade, a liberdade sexual que vê na televisão, começou a envolver-se com um rapaz sem compostura, digamos assim.
O jovem não trabalha.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 24, 2017 9:04 am

Leva uma vida excessivamente liberal, promíscua e diz que "a felicidade está em não perder os bons prazeres da vida".
As moças que o acompanham passam a acreditar nisso e adoptam o mesmo estilo, desequilibrando-se no modo de ver a vida.
Vamos lembrar que desequilíbrio e vício é perder o controle e não conseguir dizer não ao que se gosta.
Sendo assim, esse rapaz, com desvios sexuais, era viciado em fantasias.
Precisava delas e de materiais para o sexo que, quase sempre, praticava com duas parceiras ao mesmo tempo.
Cada vez mais, necessitava de algo que o estimulasse de modo forte, diferente e exótico para sentir prazer, pois o desequilíbrio sempre exige mais daquilo que se gostou.
Rita, querendo ser moderna, embora equivocada sobre a liberdade feminina, procurando experiências diferentes para se auto-afirmar e parecer dona de seus actos, envolveu-se com esse rapaz -— continuou Ivo.
— A dupla, porém, com ideias atribuladas, sem nenhuma noção de amor, sem respeito mútuo, submetia-se a animalescas práticas sexuais para suprir as necessidades viciosas de seus desvios.
Entregando-se ao sexo insensato, atraíram criaturas espirituais que perderam o corpo físico, mas não perderam os seus vícios e os seus desejos desregrados, desequilibrados.
Os espíritos, como aprendemos, são homens e mulheres desencarnados.
Eles não são santos nem demónios.
Com os mesmos gostos e vícios, procuram aproximar-se dos encarnados que têm as mesmas práticas de que se valiam.
Isso porque têm necessidade de sentir as energias e os estímulos de sugar os fluidos vitais daqueles a quem se ligam, com quem se afinam, tornando-os suas vítimas.
Ligados agora pelo pensamento, exigem compulsivamente atitudes e práticas grotescas, asselvajadas e inconsequentes.
Não demora muito para se instalar entre encarnado e desencarnado a obsessão infinitamente perturbadora e sórdida.
E foi com essas práticas modernas, segundo Rita, que ela engravidou.
— Eles não usavam preservativo? -— indagou Romildo, com simplicidade.
— A princípio, sim.
No calor dos acontecimentos, o preservativo rompeu.
Com o uso de bebidas alcoólicas ou drogas, muito normal entre parceiros desse nível, perde-se a noção de responsabilidade e ignora-se o preservativo.
Foi só depois de notarem que a filha estava grávida que os pais vieram a tomar conhecimento da vida irresponsável que ela levava.
Ficaram chateados, mas acreditaram que a gravidez aconteceu pela vontade de Deus.
Por serem contra o aborto, o que é muito louvável, decidiram que deveriam cuidar da filha e do bebé que iria nascer.
Os primeiros exames solicitados, no pré-natal, confirmaram que Rita estava infectada pelo HIV.
Decorridos segundos de pausa, Ivo prosseguiu:
— O pânico foi geral.
Muito choro, muito desespero...
Raul chegou a ficar revoltado com a irmã e até a agrediu fisicamente.
— Breve instante e continuou:
— Depois, a conselho de um médico, toda a família resolveu fazer o teste para saber se estavam infectados com HIV.
Qual não foi a desagradável surpresa quando todos os exames de Raul comprovaram que ele também era seropositivo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:53 am

— E aí?! — perguntou Romildo, sem conter a curiosidade.
— Raul alega que contraiu o vírus da irmã.
Algo muito difícil de acontecer.
Eu diria quase impossível, uma vez que somente a convivência com o portador do vírus não compromete a saúde dos demais, a não ser pela troca de fluidos corpóreos.
Mas Raul não admite isso.
Esse lar tornou-se um inferno.
Brigas, agressões, palavras indizíveis...
Tudo aqui perdeu o controle.
Todos perderam o bom senso.
Almira e o marido deixaram de frequentar a comunidade religiosa, por vergonha, ainda que este seja o momento em que mais precisavam se evangelizar e se socorrer a Jesus.
— Raul não sabe que contraiu HIV com o uso de drogas? -— perguntou Silmara, preocupada.
— Ele não aceita isso.
Por sempre usar sua própria agulha e seringa, não acredita que se infectou quando dividiu uma colher já utilizada.
— O HIV não se transmite por contacto social, por usarem o mesmo banheiro ou piscina.
Eles não sabem disso? -— novamente perguntou Silmara.
— Ele não quer admitir.
É mais fácil acusar a irmã por tê-lo infectado do que confessar que é usuário de drogas.
Essa revolta e essas brigas atraem para essas pessoas e essa casa ainda mais espíritos doentes, revoltados, inferiores, odiosos e tudo mais de ruim que possa existir no mundo invisível aos encarnados.
— Um momento e Ivo acrescentou:
— Insatisfeito, Juvenal agora quase não fica em casa, negando-se a tarefa de harmonizar, amparar e orientar os filhos nesse momento.
E será essa negligência, essa recusa da tarefa, que lhe trará muita dor e muito a ter de harmonizar no futuro.
Todos estavam perplexos.
Diante da decadência daquela família, não havia nada mais para dizer e muito pouco a fazer.
Somos socorridos e amparados pela espiritualidade maior assim que nos erguemos e desejamos com pensamentos elevados, quando decidimos ser pacíficos, humildes e prudentes diante da grande dificuldade, se nos socorrermos a Jesus, tendo, como remédio, a prática constante de seu Evangelho.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:53 am

15 - Vítimas de vícios

AO ACOMPANHAR desde o início, o motivo que levou aquela família a tantas experiências desagradáveis, a equipe de Elma obteve grandes lições nesses tristes e vastos ensinamentos, comovendo-se com os tormentos de várias espécies que aquelas pessoas passariam a viver.
A equipe verificou que, quando recusamos as pequenas e até insignificantes situações duvidosas, se não atentamos para o trabalho que Deus nos confiou como pais ou para a postura digna como filho, se não nos tornamos adversários de nós mesmos ao apreciar o prazer momentâneo de nossos pequenos vícios, não Necessitaremos ser açoitados com torturas e desgostos pela falta de atenção a esses detalhes, nem destruiremos a felicidade almejada por termos nos entregado, inconsciente ou irresponsavelmente, às teias da loucura em busca de prazeres efémeros, nem precisaremos rasgar nosso coração pela aflição impiedosa que vai nos castigar pelos actos impensados.
A obsessão em um lar é de imenso perigo.
Entra sorrateira, imperceptível, prazerosa e mascarada pelo modismo e pelas ideias de promoção pessoal de qualquer espécie.
A obsessão perseguirá aquele que se deixar envolver pelas tramas silenciosas dos espíritos vulgares, inferiores e vis que, pacientes, desejam destruir a paz redentora que promove união, elevação e felicidade verdadeira nos singelos momentos de agradável reunião em família.
A única arma contra esses irmãos que se comprazem no mal é nossa fé em Deus e a prática dos ensinamentos do Cristo.
É ter no pensamento e nas palavras sempre algo elevado e produtivo, pois "a boca fala o que temos no coração".
Nossas práticas e nossos gostos são de acordo com nosso carácter como espíritos.
Necessitados de paz e evolução, precisamos vencer os vícios e os desvios mundanos.
Se desejamos elevação, sempre haverá ajuda do alto e ajuda terrena, auxílio terapêutico, que há de orientar, trazer luz e guiar para os bons princípios morais.
Após deixarem aquele lar terreno, a equipe de Elma seguia em silêncio.
Mas Romildo, inconformado, comentou:
— Como somos arrogantes!
Como somos egoístas e vaidosos!
Quando buscamos o prazer carnal, não enxergamos quanta dependência geramos em nós mesmos e dores para aqueles que nos acompanham.
E, pior, teremos de nos livrar desses vícios se quisermos evoluir.
Enquanto não o fizermos, vamos vagar entre o mundo material e o invisível, arrastando-nos como vermes num lodaçal de tenebrosos tormentos íntimos.
— Por que o ser humano cria dependências e vícios? -— indagou Silmara.
— Entendo que todos os vícios provocam desvios e desequilíbrios, então, por que nos viciamos?
Com sua tranquilidade, naturalmente singela, Elma explicou:
— Nós nos viciamos por causa do prazer.
Quando a criatura tem determinados vícios, é porque se sente recompensada do que faz.
Isso se chama prazer.
— Nem todas as pessoas que têm prazer em algo são viciadas, pois controlam suas vontades.
Então, como surge um vício? -— perguntou Romildo.
— Depende do vício, do carácter e da força interior da pessoa -— explicou Elma.
— O vício pode surgir por fuga.
A princípio, a criatura o procura por curiosidade e, descoberto o prazer momentâneo, vai buscá-lo seguidas vezes para a obtenção de prazer em momentos que, para ela, podem ser de angústia, tristeza e ansiedade.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:54 am

Na verdade, a pessoa que busca, como fuga, algum tipo de prazer, deseja alterar seu sentimento diante da própria realidade.
Apesar de saber das consequências, queremos mais tudo de que gostamos.
Diante do que se faz para a obtenção de prazer, nosso psiquismo não se satisfaz mais com a dose igual a inicial e necessita cada vez mais.
Não pense que falo só dos vícios em torno de drogas e sexo — ressaltou a instrutora.
— Ninguém pode julgar ou condenar os irmãos compulsivos nesses desvios.
Cada um de nós, em diferentes graus, tem vícios, dependências e desvios.
Se não os tivessem, não estariam reencarnando.
Nenhum desses desvios podem ser considerados normais ou melhor do que os outros.
— Mencione algumas dependências, alguns vícios que podemos ter, Elma, por favor -— pediu Silmara, com simplicidade.
— Por exemplo, é um vício, um desequilíbrio perigoso ser um torcedor fanático por determinado desporto e por ele desprezar família, filhos, lazer e trabalho e até ser agressivo em defesa dele; ser um jogador que não controla os limites de suas economias pessoais; comer de forma descontrolada chocolates, doces etc.
tudo que encontra pela frente, ou seja, comer além do que o corpo necessita.
Deixar de comer também é um desequilíbrio, sobretudo, em casos como o da anorexia e bulimia.
É um vício também comprar, em demasia ou por compulsividade, coisas supérfluas assim como fumar, beber, xingar e agredir com palavras, gestos ou expressões fisionómicas, falar excessivamente e tecer comentários sobre - olhou para Romildo e acrescentou, com um sorrisinho:
— como fazer fofoca e viver censurando o que os outros fazem.
Não ser tolerante também é um problema.
A lista é grande, porém são vícios e desequilíbrios que temos e, às vezes, nem percebemos.
Precisaremos harmonizar isso em nós nem que levemos centenas de encarnações para tal.
— Um instante de pausa e ainda disse:
— Muitos não acreditam em seus vícios, em suas compulsividades ou não os assumem, porque acham que os termos vício, dependência e desequilíbrio servem somente para a falta de controle das outras pessoas, no entanto existem muitas vítimas de vícios diversos.
— Normalmente o viciado nunca se assume como tal — afirmou Álvaro, pensativo.
— Exactamente — confirmou a instrutora atenciosa.
— E como saber se temos um vício? -— interessou-se Silmara.
— Quando temos frequentemente o hábito de não conseguirmos nos conter diante de determinada prática.
Quando perdemos o controle e fazemos tudo pelo instinto.
Por exemplo, o fofoqueiro nunca se contém em fazer uma observação ou censura sobre a vida alheia; o alcoólatra não consegue ficar muito tempo longe da bebida; o comprador compulsivo não resiste a comprar certas coisas; o glutão não consegue ficar sem comida por muito tempo; o jogador não resiste às apostas; o ambicioso não consegue deixar de querer mais do que tem etc.
Verificamos, então, que nos sentimos felizes e obtemos o prazer momentâneo quando fazemos algo.
Assim como o viciado em psicotrópicos e em sexo faz o que for possível para se realizar e se comprazer, da mesma forma os demais compulsivos.
Lógico que todos em diferentes graus.
— Sabemos que existem muitos alcoólatras que nunca beberam e muitos dependentes de drogas que nunca fizeram uso de entorpecentes, mas no primeiro contacto com a substância viciam-se rapidamente.
- Por que uma pessoa se torna dependente química logo na primeira vez que usa drogas, enquanto outras pessoas demoram mais tempo para desenvolver o vício? — perguntou Romildo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:54 am

— A dependência e o desequilíbrio, muitas vezes, vêm de reencarnações passadas -— explicou a instrutora, serena e sem hesitar.
— O espírito nunca reencarna para viciar-se e ser dependente.
Ao contrário.
Ele reencarna com o intuito de melhorar, de elevar-se, de livrar-se do vício, de conseguir equilíbrio e controle de seus desejos e acções.
Se essa pessoa seguir o que se propôs a fazer no planeamento reencarnatório, talvez, não descubra, enquanto encarnado, que foi alcoólatra ou dependente químico, porque nunca ingeriu álcool ou drogas, pois seus planos e suas intenções para esta experiência foram de recusar aquilo que impedia seu equilíbrio.
Se em outras experiências de vida, um espírito já foi dependente de drogas ou alcoólatra e não venceu o vício, não se limpou, sua facilidade em se tornar um viciado em drogas ou álcool é imediata -— explicou a benfeitora.
— Ele deveria manter-se longe daquilo que o desequilibrou no passado, para harmonizar e vencer seus desejos e compulsões de sentir prazer com determinados efeitos.
Agora, se um espírito que não foi dependente de drogas ou álcool fizer uso dessas substâncias, levará mais ou menos tempo, conforme o caso, para tornar-se dependente.
Ainda que não se torne um dependente, será responsabilizado pelos danos orgânicos que causou em seu físico, mesmo que esses danos não se exibam nessa existência terrena, o que é muito comum acontecer.
— Breve pausa e ainda ensinou:
— Existe também aquele que, em encarnações passadas, já venceu um vício, como o do álcool, por exemplo.
Essa pessoa aprendeu com a própria experiência ou com a experiência alheia.
Por isso, na vida actual, sabe, sente que não precisa beber.
Ela simplesmente não aceita beber nada etílico.
Compreende que consegue ser feliz sem se iludir com o entorpecimento ou debilidade dos sentidos.
— Elma -— lembrou Romildo, interessado - há meses não visitamos Tomás, aquele rapaz que gostava de lugares requintados para relaxar após um dia de trabalho, pois sentia um vazio e buscava algo que lhe preenchesse.
Com uma prática sexual descontrolada, procurava parceiras diferentes para satisfações momentâneas.
Logo estas já não lhe proporcionavam mais emoções, por isso ele as descartava.
Quando o deixamos junto com Gustavo, seu mentor, Tomás fora àquele motel luxuoso, no plano físico, porém vimos se formar ali o mais tenebroso panorama espiritual, e fluidos pestilentos aterrorizantes.
— É mesmo -— interrompeu Silmara, impressionada.
— Nossa! Devo confessar que, apesar de já ter visto muita coisa, nunca pude presenciar a acção de espíritos inferiores tão lascivos, maliciosos e sem escrúpulos, com o centro de força, o genésico ou região dos órgãos sexuais, tão deformado e purulento.
Sem serem percebidos, em algazarra torpe e enferma loucura, envolviam-se com os encarnados que, na troca de energias do acto sexual vulgarizado, serviam de espectáculo para espíritos inferiores que os impregnavam com miasmas arrasadores, desgastando-os e contaminando-os...
Que lamentável!
— Isso mesmo, Elma —- tornou Romildo.
— O que aconteceu com ele?
Afinal, aquela mulher estava infectada com o HIV.
Atendendo à curiosidade do grupo, Elma anunciou:
— Vamos vê-lo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:54 am

Sem demora, a afinidade de pensamento permitiu que eles encontrassem o espírito Gustavo que os abraçou, um a um, amorosamente.
Após ouvir de Elma o motivo da visita, contou:
- Pobre Tomás.
Que os céus o fortaleçam na jornada que resolveu seguir.
— Decorridos breves segundos, nos quais parecia preparar-se para relatar os factos, Gustavo prosseguiu com certa tristeza na expressão:
— Querendo experiências novas e diferentes em torno do sexo, Tomás, um homem bonito e jovial com seus 30 anos, corpo atlético, musculoso, de personalidade marcante e carismático, procurou sempre, com certa compostura que usava como máscara, envolver mulheres bonitas, de preferência executivas e despojadas.
Com o tempo, só isso não foi suficiente para satisfazer seu desejo pelo sexo.
Assim como os psicotrópicos, o sexo vulgarizado, compulsivo, sem respeito ao parceiro ou à parceira também causa dependência.
Com o tempo, a insatisfação que surge com o que já se pratica, a compulsão e a necessidade extrema de se ter mais e mais fazem a pessoa procurar práticas ainda mais diferentes e intensas.
Por não controlar a vontade nem admitir que se tratava de desvio e desequilíbrio emocional, em vez de procurar ajuda de um psicólogo para equilibrar-se, Tomás acreditou que esses desejos intensos eram perfeitamente normais.
Em defesa própria, dizia que "prazer é felicidade e eu posso pagar por isso.
Sou homem. Ninguém tem nada a ver com minha vida".
Tomás, além de ter parceiras diversas, passou a frequentar lugares requintados e luxuosos onde se pratica sexo colectivo com pessoas desconhecidas, um local onde muitos praticam e alguns olham.
É um lugar de orgias repugnantes, onde mulheres, jovens e bonitas, muitas vezes universitárias ou pós-graduadas, não sabem nem conhecem o homem ou a mulher com quem praticaram sexo nem sabem dizer quantas vezes se relacionaram numa única visita.
Lembremos que, provavelmente, nunca mais vão se encontrar.
São homens, rapazes e até senhores, com situação financeira definida ou não, empresários ou universitários, aparentemente distintos no dia a dia que, animalescamente, relacionam-se com diversas mulheres e homens que não conhecem e talvez nunca mais encontrem.
Foi isso que aconteceu.
— Isso não é novo -— esclareceu Elma aos alunos, demonstrando a mesma serenidade superior.
Criaturas em desequilíbrio com o sexo se aglomeram para essas práticas desde o começo dos tempos.
— Recordemos de Sodoma e Gomorra, que sumiram do mapa por causa das orgias e práticas sexuais lascivas -— alertou Romildo.
— Exactamente -— continuou a instrutora.
— É por isso que inúmeras doenças, chamadas doenças do sexo ou venéreas, vêm à humanidade como alerta para que as criaturas encarnadas se contenham quanto a práticas promíscuas.
As doenças sexualmente transmissíveis existem porque as mentes desviadas e em desequilíbrio no sexo as atraem.
Enquanto tiver promiscuidade e desequilíbrio sexual, essas doenças vão existir.
— E se acharem cura para elas? -— inquietou-se Romildo.
— Afinal, apesar de todo terror da sífilis e da blenorragia, hoje existe cura para essas doenças.
— Ainda que seja descoberta uma cura, havendo promiscuidade e vulgaridade, surgirão outras doenças sexualmente transmissíveis mais sérias e de difícil tratamento, para conter e tentar colocar freio nos desvios do uso das energias sexuais.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:54 am

Mas podemos falar disso depois.
Deixemos nosso querido Gustavo prosseguir -— disse a instrutora.
Após um sorriso e um meneio de cabeça, como se agradecesse, o mentor de Tomás continuou:
— Meu pupilo começou a viciar-se em frequentar esses lugares.
Pouco tempo se passou e ele percebeu algumas diferenças em seu corpo atlético.
Sentia cansaço constante, sofria algumas diarreias que não estavam de acordo com os alimentos saudáveis aos quais estava acostumado e alergias que nunca teve.
Ele não se incomodava com o que acontecia de diferente em seu corpo -— prosseguiu Gustavo.
— Precisei de muito esforço para que surgisse em seu pensamento alguma preocupação.
Como vocês sabem, quando o encarnado se deixa envolver por espíritos inferiores é a eles que se liga em pensamentos e não a Deus.
É difícil, quase impossível, inspirá-lo.
— Ele foi ao médico? -— indagou Romildo, querendo logo o final dos acontecimentos.
— Foi. O médico, em vista da sua aparência saudável, não encontrou nada no exame clínico, por isso pediu exames laboratoriais de rotina.
Quando esses resultados ficaram prontos, não foi encontrado nenhum tipo de anormalidade relacionado ao cansaço e à diarreia esporádica.
Então o médico, depois de conversar um pouco com Tomás, sentiu que deveria solicitar um exame mais específico e resolveu pedir um teste chamado Elisa, para saber se ele possuía anticorpos específicos do HIV no soro.
Tomás riu, afinal, escolhia parceiras sempre jovens e bonitas.
Além do mais, na maior parte das vezes, ele praticava o sexo chamado seguro, isto é, com o uso de preservativo.
— O mentor ofereceu breve pausa, e logo continuou:
— O médico, com responsabilidade e cautela, insistiu e acabou convencendo-o.
O resultado não poderia ter sido outro.
Constatou-se que Tomás era seropositivo e, apesar de toda preparação do médico para lhe informar o resultado, foi incrivelmente traumática a notícia de que estava infectado com HIV.
Novos exames foram pedidos para se ter certeza.
Uma dolorosa tortura o arrasava enquanto aguardava os resultados que seriam definitivos.
Contra suas esperanças, foi confirmada a infecção pelo vírus incurável.
Meu protegido foi encaminhado para um valoroso insectologista que o esclareceu detalhadamente sobre sua nova condição — continuou o relato.
— Livrar-se do vírus seria impossível.
Mas, com qualidade de vida e os medicamentos adequados, a Aids, certamente, não se manifestaria.
Para isso Tomás precisaria de muito empenho, bom ânimo e, principalmente, disciplina.
Quando se é seropositivo, o tratamento para manter a saúde estável exige muito amor-próprio e espiritualização.
Os fortes conseguem!
Os determinados são capazes de fazê-lo! -— ressaltou Gustavo.
Breve pausa e continuou:
— A princípio, desnorteado, arrasado e sem amigos verdadeiros, Tomás deprimiu-se e desejou morrer.
Mas logo uma revolta o dominou.
Amaldiçoou a todos.
Amaldiçoou a Deus e a própria vida.
Não aceitava, de forma alguma, saber que a Aids poderia levá-lo a enfrentar, talvez, alguns cânceres, como o sarcoma de Kaposi ou a pneumonia por Pneumocystis, a perda da força dos membros, a coordenação motora, dores nas articulações, infecções no cérebro e muitas infecções bacterianas, as chamadas infecções oportunistas, a debilidade mental e que, além de tudo, ficaria dependente de outras pessoas.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:55 am

Pensando que não adiantaria lutar -— prosseguiu em tom triste —- pois, em suas crenças, o sofrimento até a morte lhe seria garantido, odiando a si e ao mundo, mascarando os sentimentos com sorriso singelo e palavras tranquilas, decidiu que não sofreria sozinho e passou, propositadamente, a infectar tantas pessoas quanto pudesse com o HIV.
— Meu Deus!!! -— exclamou Silmara, não controlando a surpresa.
— Como lamentamos o que ele está fazendo -— comentou Elma, piedosa e sem exaltação.
— É tão difícil o resgate, quando condenamos os outros ou colocamos, de propósito e conscientes, vidas em riscos, por nossa revolta ou desprezo.
Nós nos tornamos vítimas de grupos hostis e até estranhos, que em tenebrosa vingança ou como "juízes cruéis", punem-nos perversamente pelos crimes de homicídio hediondo e silencioso que praticamos no anonimato aos olhos do mundo, mas escandalosos aos registos da Natureza.
Desencarnados — continuou a instrutora —, o remorso nos persegue terrível e impiedoso, enquanto permanecemos longamente em esferas incrivelmente inferiores, quase impossíveis de descrever.
A busca do alívio da consciência é tão aflitiva que somos levados a sombrias torturas íntimas.
Sem contar nossas vítimas que, revoltadas pelo que lhes causamos, fazem-nos viver num inferno de cobranças, maus-tratos e ódio.
Tudo é desesperador e parece eterno.
— As vibrações, preces e auxílios daqueles que o querem socorrer, quando em um estado de perturbação tão inferior, tão triste e doloroso, são quase nulos — acrescentou Gustavo.
— Mas nunca somos condenados eternamente a condições tão miseráveis, não é? -— perguntou Romildo.
— Não. Claro que não -— esclareceu Gustavo.
— Porém esse estado de perturbação pode durar décadas, séculos...
Quem sabe?... Se, quando estamos preocupados e perturbados, um dia é muito longo, imagine todo esse tempo!
Elma, sentindo a necessidade de partirem, informou amorosa na primeira pausa oportuna:
— Querido Gustavo, sinto interrompê-lo, mas precisamos ir a outro lugar.
Voltaremos a nos encontrar, posso garantir.
— Obrigado, Elma.
Só sua presença já nos fortalece e anima e sua luz nos enche de esperança e fé.
— Rogaremos para que você tenha êxito na missão de agora e que o bom Mestre Jesus ilumine a consciência de seu protegido -— falou, fazendo entender que estava inteirada sobre o assunto, mas não queria entrar em detalhes.
— Rogarei para que ele se erga, eleve-se o quanto antes.
Conte comigo sempre que precisar.
— Depois de agradável sorriso pediu:
E, quando não precisar, simplesmente, lembre-se de mim.
Após as despedidas, o grupo partiu, pois a presença deles em outro lugar, naquele momento, seria bem importante.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:55 am

16 - Aids, varíola e índios

LOGO APÓS deixarem Gustavo, na primeira oportunidade, Romildo perguntou, demonstrando a mesma curiosidade de sempre:
— Elma, ao contaminar outras pessoas com o HIV, Tomás está cometendo homicídio, certo?
— Sem dúvida.
Até nas leis dos homens, na justiça terrena, existe condenação para pessoas que cometem esse acto.
Imagine pelas leis de Deus.
— Nem todos que se contaminam com o HIV, por causa de uma vida imprudente, condenam-se a um estado de perturbação tão terrível após o desencarne, não é? -— interessou-se Álvaro.
— Logicamente que não -— respondeu a bondosa instrutora.
— No caso de se infectar por falta de vigilância, apesar da dor, dos transtornos, do desespero e de todos os problemas e dificuldades, a pessoa deve ter uma postura consciente de que sua nova situação e condição podem ser uma proposta regeneradora para si mesma como espírito eterno.
Devemos lembrar que essa experiência terrena, por causa da infecção do HIV, não será a última.
A pessoa que vive o HIV, que vive a Aids, deve aproveitar a situação para uma reforma interior, a fim de elevar-se mais ainda na escala evolutiva.
Muitos conseguem uma condição espiritual mais consciente, bem melhor do que se não tivessem passado por essa prova ou expiação.
Viver, é uma história que não tem fim.
Cada capítulo do livro da existência é uma experiência que temos encarnados e desencarnados.
Independentemente do que nos acontece, nosso livro da vida pode ser cada vez melhor.
— Após alguns segundos, Elma decidiu:
— Primeiro quero encontrar Lisete e Djalma, depois vamos encontrar aqueles que utilizam ou utilizaram a experiência do HIV como alavanca para a elevação espiritual.
Rapidamente Elma chegou ao hospital onde Lisete, Djalma e outros espíritos de luz acompanhavam Marília e sua amiga Laura, que aguardavam notícias do pequeno Higor, que havia tempo estava internado.
O garotinho, muito enfermo, ligado a aparelhos, era acompanhado pela equipe médica bem de perto.
Na espiritualidade, achava-se assistido e amparado com cuidados intensos e apropriados.
Aproximando-se dele, Elma carinhosamente beijou-lhe a fronte, fez linda e vigorosa prece.
Luzes cristalinas passaram a envolver Higor e o ambiente.
Permaneceu em elevada meditação, entrando em contacto com esferas mais altas.
Respeitoso silêncio reinou até que, com sua generosidade peculiar, a benfeitora avisou:
— Devemos preservar este momento com a própria alma contra qualquer malfeitor.
É chegada a hora de o querido Higor deixar as tristes sensações físicas e vir, definitivamente, para a esfera espiritual com toda a segurança e amparo de que é meritório.
Enquanto o garotinho permanecia em profundo estado de sono, como que anestesiado, alguns tarefeiros espirituais colocavam-se em prece elevada.
Jorro de luz esplendorosa se fez, preservando a actuação dos socorristas que desligavam, cuidadosamente, cada liame que prendia o espírito Higor ao corpo de carne.
Logo o médico do plano físico diagnosticou a morte do corpo carnal do menino.
Mas o desligamento do espírito prosseguia, na esfera espiritual.
Tempos depois, terminado todo o procedimento, Elma o tomou nos braços com grande carinho, apertou-o contra o peito, tal qual mãe amorosa que acolhe o filho ao coração, cerrou os olhos e quase com leve sorriso permaneceu aninhando-o nos braços por algum tempo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:55 am

Terminada linda prece de agradecimento a Deus pelo elevado amparo no ocorrido, Elma, depois de beijá-lo com prestimoso carinho, entregou o pequenino nos braços da amiga Gisela, que havia chegado de esferas superiores somente para esse recolhimento.
Com suave expressão, Elma solicitou:
— Recolha-o em colónia apropriada.
O sono profundo servirá de protecção e refazimento.
Nosso querido Higor não precisa de um estado de perturbação longo.
Já experimentou o que sua consciência cobrava.
Agora lhe resta aprender, aceitar e evoluir.
— Cuidarei dele como de um filho querido -— disse Gisela, sorrindo docemente ao olhar com carinho o pequeno e apertando-o cuidadosamente contra o peito.
— Então vá, minha amiga.
Será acompanhada de valorosos socorristas até se encontrar em segurança.
Sabemos que espíritos inferiores, algozes de Higor, poderão tentar ainda interferir em sua evolução, mas estarão seguros pela providência Divina.
Terminado o socorro, a benfeitora voltou-se para Lisete e Djalma, quando a amiga, antecipando a pergunta, disse:
— Foi como nos avisou, Elma.
Marília está arrasada.
Uma mãe amorosa não poderia sentir-se diferente.
Laura está sendo uma luz em sua vida.
A amiga vinha preparando-a para as adversidades, inclusive esta.
Nesse mesmo instante, Marília chorava abraçada à Laura, que permanecia sabiamente em silêncio.
Nenhuma palavra poderia consolar uma mãe naquela difícil separação.
Passado um dia, logo após o enterro do corpo de Higor, Marília, calada e sem lágrimas, sentada em sua sala de estar, parecia anestesiada pelas recordações.
Laura, preocupada com os pensamentos da companheira, indagou:
— O que você tem em mente?
Após breves segundos, ela suspirou fundo e comentou:
— Não sei.
Sinto um vazio, algo estranho.
Sei que meu filho estava sofrendo, mas eu o desejaria a meu lado, gostaria de cuidar dele...
— Algumas lágrimas correram por sua face alva.
Com a voz embargada, continuou:
— A todo momento, vou ao quarto, acreditando que ele está lá.
Parece que ouço seu choro, sua vozinha fraca...
Como será que ele está agora?
Quem estará cuidando dele?
Será que ele sofre?
— Não —- esclareceu a amiga, bondosamente.
— Sofrendo ele não está.
O espírito de uma criança pode ser bem mais adiantado do que de um adulto e sua experiência difícil, nesta curta encarnação, serviu para seu progresso (13).
— Por que uma criança sofre doenças tão terríveis como o câncer, problemas cardíacos, a própria Aids e outras mais?
— Já conversamos bastante sobre as várias experiências reencarnatórias que podemos ter.
Só a crença na reencarnação justifica as diferentes experiências que cada de um nós tem.
Se dissermos que uma criança sofre com câncer ou com a Aids porque Deus quer, diremos que Jesus mentiu ao nos ensinar que Deus era bom e Justo.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 25, 2017 10:56 am

Uma curta vivência terrena, talvez, signifique uma vida anterior interrompida, de alguma forma.
— Sabemos que hoje uma mulher infectada com o HIV tem cerca de trinta por cento de chance de passar o vírus para o filho, durante a gestação ou durante o parto, apesar dos medicamentos.
Porque um espírito, sabendo que a mulher está infectada, pode querer ou deixar-se reencarnar, tendo a noção de que já pode nascer condenado à morte?
— Veja bem, Marília, quando nascemos, a única certeza de que temos é de que um dia vamos morrer, ou melhor, vamos deixar o corpo físico.
Ninguém vive eternamente encarnado.
A Doutrina em que acredito ensina que alguns espíritos, para harmonizarem suas consciências, solicitam provas difíceis e pedem determinadas expiações.
Jesus mesmo ensinou, por parábolas, que:
"Se o teu olho direito te serve de escândalo, arranca-o e lança-o fora de ti; porque melhor é que se perca um de teus membros, de que todo o teu corpo ser lançado no inferno".
O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo VIII, ensina que, com a palavra escândalo, Jesus resumiu tudo o que vai contra a moral ou o decoro, dos vícios às imperfeições humanas mais discretas aos olhos do mundo.
Mas isso não significa, de forma alguma, tomar a parábola ao pé da letra.
Jesus quis ensinar que devemos arrancar de nós tudo aquilo que for motivo de escândalo, arrancar do coração tudo o que não é bom e da mente todas as tendências viciosas.
— Então, aqueles que nascem infectados com o HIV estão se livrando de seus escândalos?
— Eu acredito nisso.
Não só os que nascem com esse vírus, mas com qualquer outra doença difícil de enfrentar.
E aqueles que foram infectados com o HIV por acidente, digamos, eles também estão se livrando de seus escândalos.
— Como no caso daqueles que não se contaminaram por relação sexual, mas por transfusão de sangue ou medicamento injectável, cuja agulha ou seringa estavam infectadas?
— Isso. Porém, o agente da área de saúde que, por negligência ou imprudência, utiliza em um paciente um material já usado por outro e o contamina com um vírus ou bactérias que lhe serão prejudiciais será tão homicida, no caso do HIV e de outras doenças fatais, quanto aquele que puxa o gatilho de uma arma e atira em uma pessoa.
Essa é minha opinião.
— E se foi sem querer?
— Há alguns anos, até podemos acreditar que um médico, dentista, farmacêutico ou enfermeiro poderiam contaminar um paciente com o vírus do HIV sem querer, apesar de saberem que toda higiene deveria prevalecer por conta das inúmeras doenças contagiosas e perigosas, como hepatite, tuberculose, sífilis, meningite etc.
Esses profissionais tiveram, e têm, o dever de descartar todos os materiais utilizados. Sabendo-se que um vírus tão terrível como o HIV pode infectar uma pessoa, comprometendo o resto de sua vida, os profissionais da área de saúde passaram a ter não só obrigação, mas compromisso moral, um compromisso com Deus, de preservar e proteger a saúde de quem estiver sob seus cuidados.
Eles serão responsabilizados por tudo e terão de prestar contas a Deus pelo que fizeram.
— Eu gosto de ouvir falar dessa doutrina reencarnacionista.
Mas devo confessar que ainda duvido...
— Breve pausa e perguntou em tom brando:
— Como você pode acreditar tanto? Por que acredita tanto nisso?
— Eu acredito na reencarnação porque creio em um Deus bom e justo.
Só a reencarnação explica as grandes diferenças entre nós, seres humanos, criados por um único Deus.
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Re: No silêncio das paixões - Schellida / Eliana Machado Coelho

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