Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 10, 2017 9:36 am

Os policiais que chegaram não deram atenção a ela.
Ficaram preocupados com os que estavam presos nas ferragens.
Logo, equipes mais especializadas e equipadas do Corpo de Bombeiros chegaram.
Afastaram as pessoas e começaram a serrar as ferragens.
Ambulância e muita movimentação deixavam Ifigénia atordoada.
Tonta demais para qualquer reacção.
Ela podia entender isso, pois acabava de sofrer um grave acidente.
Ficou próxima de Celine e segurou sua mão, enquanto os bombeiros serravam a lataria do carro.
A jovem chorava e gritava.
Quando a mulher tentava se afastar, a filha implorava para que ficasse ali.
- Mãe! Fica comigo, mãe!
Está doendo muito! Fica comigo!!!
Depois de muito tempo, Celine foi a primeira a ser retirada do veículo e Ifigénia a acompanhou para ser socorrida.
- Você vai ficar bem, filha.
- Fica comigo, mãe - chorou de modo mais brando.
- Agora tem que ir. Te vejo depois.
Preciso cuidar de seu irmão.
Foram suas palavras pouco antes de fecharem as portas da ambulância.
Ifigénia voltou-se para os carros retorcidos.
Viu tirarem dois feridos do automóvel que bateu atrás.
Ela sentia a cabeça doer e a tontura, às vezes, fazia-a parar.
Percebeu que tentavam tirar Sabrina, mas a dificuldade era grande.
Notou que ninguém via Wagner, por isso foi até um dos policiais do Corpo de Bombeiros e pediu:
- Por favor, ajudem meu filho! - disse chorando.
- Seu filho? Onde? - perguntou o Sargento Oliveira.
- Meu filho estava dirigindo.
Ele está ali, ó! - caminharam alguns passos e ela mostrou.
Está ali embaixo das ferragens que está embaixo da carreta. Olha!
O policial pegou uma lanterna e iluminou o lugar que a mulher apontou.
Em seguida, gritou:
- Xavier! Souza!
Tem mais alguém aqui!
- Obrigada, moço! Obrigada! - agradeceu emocionada.
- Afaste-se, senhora.
Precisamos de espaço para trabalhar.
Olhou-a melhor e observou sangramento na cabeça e nos braços. - a senhora estava no veículo acidentado? - não esperou por resposta e pediu:
- Por favor, vá ali para junto da ambulância.
Precisa ser atendida, e nós precisamos de espaço aqui.
Chorando, ela obedeceu e se afastou.
Tudo era muito confuso.
O barulho das serras, o converseiro que se fazia a deixava desnorteada e ainda mais tonta.
- Senhora! Senhora! - chamou alguém com vestimenta de socorrista da ambulância.
Por favor. Sente-se aqui.
Ela obedeceu.
- Precisa de cuidados.
Não pode andar assim.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 10, 2017 9:36 am

- O meu filho está preso nas ferragens - disse em tom lamentoso.
- Não se preocupe.
O Wagner e a Celine serão bem atendidos por outra equipe.
- E a Sabrina?
- Ela será bem cuidada.
Não se preocupe.
Agora se deite aqui nesta maca.
E com a ajuda daquele rapaz educado e simpático, Ifigénia aceitou o pedido.
Outro homem se aproximou e perguntou com generosidade.
- Tudo bem com você?
- Estou muito tonta.
Confusa... Preocupada com meu filho.
- Vai ficar tudo bem.
Agora, Ifigénia, você precisa descansar.
Feche os olhos e fique tranquila.
- E meus filhos? E a Sabrina?
Conforme o Caio acabou de lhe dizer, eles estarão bem.
- Preciso ajudá-los!
- Então ore. Feche os olhos e ore a Deus.
Peça a Jesus que tome conta deles.
É o que melhor pode fazer neste momento.
Tem gente especializada cuidando de todos eles.
Ore para que essas pessoas sejam inspiradas e envolvidas por bênçãos.
Isso é muito importante, sabia?
- Estou com medo - murmurou.
- Não tenha medo, minha querida - pediu e segurou sua mão.
Meu nome é Eser e estarei com você. Fique tranquila.
Segurando firme em sua mão, Eser tocou a testa de Ifigénia com a outra e pediu com extrema generosidade:
- Feche os olhos querida.
Em silêncio, orou.
Ifigénia se entregou a um sono profundo e calmo.
Enquanto isso, Sabrina se revolvia aflita pela dor que sentia.
Ao lado, seu mentor procurava acalmá-la.
Estendida no asfalto, ficou apavorada com a movimentação a sua volta.
Caio se aproximou, pegou sua outra mão e chamou os demais:
- A Sabrina está aqui!
Tragam uma maca!
No mesmo instante, outros se aproximaram.
Ajoelhados ao lado da jovem, colocaram-na sobre a maca e a prenderam com cintos, e apoios, da mesma forma que encarnados realizavam o socorro dos feridos encarnados.
- Calma. Está tudo bem - pediu Adir, mentor de Sabrina.
Você está sendo socorrida e bem amparada.
- Onde estou? O que aconteceu?
- Um acidente.
Você está sendo socorrida.
É só ficar tranquila.
- Ai, meu Deus!
Meu Deus! - gritou em desespero.
- Vai ficar tudo bem, Sabrina.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 10, 2017 9:36 am

- Cade os outros?
Cade o Wagner?
- Também estão sendo socorridos.
A calma nessa hora é a melhor atitude.
Feche os olhos e fique tranquila.
Adir segurando sua mão, colocou a outra em sua testa.
Sabrina se debatia e ficava cada vez mais agitada.
Não se concentrava no que o outro falava.
- Procure serenar seus pensamentos.
Vamos levá-la em alguns instantes.
Será socorrida e ficará bem.
- Estou sangrando! Estou apavorada!!!
- O desespero é seu maior inimigo neste momento.
Pense em Deus.
Faça uma prece e vai conseguir paz.
Outros socorristas se aproximaram e, sem que a jovem percebesse, eles começaram a despender fluidos para tranquilizá-la.
Mas não adiantou.
Ela se desesperou e se levantou.
A movimentação na espiritualidade era grande.
Encarnados, que iam e vinham, não percebiam os socorristas espirituais rodeando os veículos e auxiliando.
Um deles ofereceu largo sorriso a um rapaz que, sentado no carro, estendeu-lhe a mão correspondendo ao sorriso.
Tratava-se do rapaz que estava no banco do carona do automóvel que bateu atrás do de Wagner.
Ao ficar em pé, ainda de mão dada ao seu mentor, ele ouviu:
- Não olhe para trás Edson.
Não precisa ver isso.
- Eu desencarnei, né? - perguntou sorrindo, embora apreensivo.
- Desencarnou sim.
E apertando sua mão, como em um cumprimento, disse:
- Eu sou Jonas, seu mentor.
- Oi, cara! Prazer.
Nossa! Estou tonto.
- É assim mesmo.
Daqui a pouco você se acostuma - e estapeou-lhe as costas.
- Vamos ali naquele canto.
Não fique olhando para as ferragens.
Essas imagens impressionam e isso não é necessário agora.
Não, no seu estado.
- E minha família? Meus pais...
- Vão ficar bem.
Acabaram de ser levados para um hospital da região.
Seu primo, que dirigia, está sendo assistido por outros socorristas espirituais, mas não é um bom momento para ficar com ele.
- E eu? O que será de mim?
- Será socorrido com os demais desencarnados para um posto de socorro apropriado.
Devido a sua espiritualização, ficará por lá por pouco tempo.
Você está óptimo! - riu.
- Me sinto esquisito - estranhou.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 10, 2017 9:37 am

- É que não tem mais o peso da matéria.
- Sabe, Jonas, embora espírita, estudioso da Doutrina, lá no fundo, eu tinha aquela duvidazinha - riu.
Temia desencarnar e não receber ajuda.
- Impossível não receber ajuda após o desencarne.
Temos um Deus bom e justo.
A ajuda chega sempre.
Porém, a consciência é que precisa ser elevada para perceber.
- E aqueles desencarnados que ficam presos ao corpo e ao plano dos encarnados?
Recebem ajuda?
- Sim. Todos recebem.
Mas nem todos estão preparados para aceitá-la.
Alguns ficam com suas mentes presas no mundo material e não se elevam ou não crêem.
É o caso de seu primo.
Ele não vai aceitar o desencarne e você sabe disso.
Por essa razão, não tente convencê-lo. Não agora.
Quanto mais espiritualizada a pessoa, mais rapidamente ela entra na sintonia espiritual elevada e consegue se libertar das amarras que a prende à matéria.
Aquela senhora ali - apontou para Ifigénia.
- Era católica fervorosa.
Espiritualista, acreditava na vida após a morte, no socorro, no amparo que os espíritos podem proporcionar.
Logicamente que usa palavras e termos condizentes para a sua religiosidade como santos e anjos.
Mas os nomes pouco importam.
O que interessa é sua crença na vida após a morte e sua moral, sua conduta correta.
Por isso pôde nos ver e aceitar.
Seu amor, sua vontade de ajudar os filhos foi tamanha que conseguiu se materializar, aos olhos de alguns bombeiros médiuns, para indicar onde o filho estava.
O que, sem isso, demorariam horas.
Seu amor pela filha foi capaz de deixar-se ver e sentir para tranquilizá-la..
E nós a ajudamos nisso, sem que nos visse, a princípio.
- E aquela coisa de nosso espírito estar ligado ao corpo de carne por liames?
Isso não nos deixa preso?
- Sim. Quanto mais materialista a criatura humana, mais presa a tudo o que é material ela fica.
Se a pessoa idolatra seu corpo, fica presa a ele e o vê como única fonte de vida.
Aqueles que são espiritualizados se desprendem automaticamente do corpo físico ao desencarnar.
Você, por exemplo, ao abrir os olhos para o plano espiritual, entendeu que havia sofrido um acidente e estava desencarnado.
Ao te dar minha mão, despendi energias, fluidos que, junto com o seu entendimento e sentimento, desligaram você, espírito, do corpo físico que te pertenceu.
Cada caso é um caso.
Existem aqueles que ficam horas presos ao corpo e precisam de muita ajuda.
Outros, ainda, incrédulos com o desencarne, permanecem dias, meses ao lado do corpo.
Geralmente, são materialistas, incrédulos, sem religiosidade ou filosofia.
Viveram uma vida desprezível, moral e espiritualmente falando.
É bom lembrar que sempre temos junto a nós, no momento do desencarne, aqueles espíritos que angariamos amizade e outras ligações.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 10, 2017 9:37 am

Então, meu caro, se você foi criminoso, assassino, terá junto de você, seus algozes e comparsas de carácter inferior que pouco poderão fazer para ajudá-lo..
- Pensei que, após meu desencarne, eu iria dormir, descansar...
O mentor riu e comentou:
- Descanso não traz evolução.
Vamos logo, meu filho.
Vejo que tem muito a aprender e trabalhar.
Enquanto isso, bombeiros se esforçavam para retirar Wagner das ferragens.
Empenhado, o Sargento Oliveira junto com os demais conseguiram afastar a lataria e chegar até o rapaz inconsciente.
- Este aqui ainda está vivo!
Tragam a maca! - gritou o policial.
Demoraram um pouco para imobilizar Wagner como queriam.
E o socorreram.
O espírito Caio, que chefiava a equipe de socorristas espirituais, auxiliava seu protegido, o bombeiro Oliveira, orientando-o de como deveria proceder, usando o conhecimento profissional de seu pupilo.
Evitava, com isso, que o nervosismo daquele momento prejudicasse sua atenção a todos os cuidados necessários para sua protecção e dos demais.
Após o socorro de Wagner, puderam puxar mais uma parte do carro que estava sob a carroceria.
Foi quando o Sargento Oliveira pôde ver o corpo de uma mulher dilacerado pelas ferragens.
Com dificuldade, chegou até ele e percebeu que estava sem vida.
Observou-a um pouco melhor e por mais tempo.
Os outros se aproximaram e ele disse:
- Está sem vida.
Virando-se para Xavier e Souza que estavam ao seu lado, perguntou:
- Vocês viram aquela mulher conversando comigo e indicando onde estava o rapaz?
- Não, chefe.
Não vi ninguém - respondeu Souza, afastando-se para pegar equipamentos para tirar o corpo.
Ao se ver sozinho, Xavier encorpou a voz e disse:
- Era essa.
- O quê? - perguntou Oliveira.
- Era essa a mulher que conversava com você.
Eu a vi, em pé ao seu lado, mostrando onde estava o filho.
Era ela. As roupas, os cabelos...
Eu também vi.
Aconteceu de novo.
O espírito Caio colocou o braço sobre o ombro de seu pupilo e disse:
- Vamos lá, meu querido.
Ainda tem muito a ser feito.
Nesse instante, Oliveira convidou:
- Vamos lá, Xavier.
Tem muita coisa pra fazer.
Precisamos liberar logo a rodovia.
Achar os documentos, telefones...
As famílias precisam ser avisadas.
E prosseguiram com o trabalho.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 10, 2017 9:37 am

Capítulo 14 - Ausência de notícias e desespero

Adriana, apaixonada, sonhava acordada com os momentos que passou junto de Wagner.
Não conseguia se esquecer do rapaz, de sua voz, de seus carinhos.
Ele era muito educado.
Sabia ouvir e estava enamorado.
Lembrou-se das palavras de leda.
Sua melhor amiga, talvez, tivesse razão.
Ela deveria ter terminado o noivado antes de se envolver com Wagner.
O relacionamento entre ela e Nicolas achava-se parado, frio demais no que dizia respeito ao romance.
Por outro lado, tudo andava muito agitado devido aos preparativos do casamento.
Havia algum tempo que Adriana e o noivo não saíam, não tiravam um tempo para namorarem.
Viviam trabalhando na montagem do apartamento ou em casa de parentes, o que não lhe agradava em nada.
Ela não se sentia mais noiva dele e, por essa razão, acreditava que o compromisso entre eles estava terminado.
Começou a se incomodar com o rumo que deixou a vida acontecer.
Já deveria ter percebido que Nicolas não era o que esperava.
Como Wagner disse, talvez, só tenha ficado com ele porque esperava que tudo melhorasse.
Mas não foi o que aconteceu. Nada melhorou.
Agora estava angustiada, triste.
De repente, um medo pavoroso invadiu sua alma, só em pensar na repercussão do término do noivado.
Pelo que conhecia Nicolas, acreditava que ele ficaria chateado, mas só no começo.
Sua preocupação maior seria com a venda do apartamento e a divisão de tudo o que tinham juntos.
Ela julgava conhecê-lo.
Adriana sentiu o coração apertado e um nó na garganta.
Levantou.
Foi à cozinha, bebeu água e voltou para o quarto.
Já era madrugada.
Não conseguia dormir.
Olhou o celular e nenhuma mensagem de Wagner ou telefonema.
Uma inquietude a dominou.
Gostaria que seu irmão estivesse ali.
Daniel saberia ouvir e aconselhar.
Decidiu enviar uma mensagem para o celular de Wagner.
Algum tempo e nenhuma resposta.
Já era para ele ter chegado à cidade de Peruíbe.
Pensamentos conflituantes começaram a invadir sua mente.
Será que Wagner a estava enganando?
Ele teria mesmo terminado o noivado?
E se ela acabasse com seu casamento e Wagner a abandonasse?
Essas e outras perguntas conflituantes invadiram suas ideias.
Entrou em pânico.
Não resistiu.
Pegou o celular e ligou para Wagner.
A ligação chamou até cair na caixa postal. Deixou recado.
- Wagner... Por favor, ligue para mim.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 10, 2017 9:37 am

Estou preocupada com você. Beijos.
A intensidade de uma angústia cruel aumentou.
- Meu Deus!
Será que aconteceu algum acidente? - murmurou em meio à aflição que experimentava.
E não soube responder.
No mesmo instante, longe dali, sob o efeito de um choque, Hilda se sobressaltou, acordando e sentando-se rápido na cama.
Não se recordava de sonho algum, por mais que se esforçasse.
Sua boca estava seca e sua memória confusa.
De repente, lembrou-se de Wagner, mas não entendia o porquê.
Rememorava também a traição que sofreu do marido e isso a deixou mais desnorteada.
Não conseguia acreditar.
Sempre achava que era um pesadelo o que viveu com Agenor e que iria acordar dele.
O marido despertou e a viu sentada na cama.
Ele passou a mão suavemente em suas costas e perguntou:
- Tudo bem com você?
- Acho que sim - murmurou com voz rouca.
Por estar com os sentimentos feridos, sem dar atenção ao marido, Hilda se levantou e foi para a cozinha.
Havia perdido o sono. Estava frio.
Colocou uma chaleira com água no fogo e decidiu fazer um chá.
Agenor se levantou e foi até onde ela estava.
Esperava a água ferver, sentada à mesa.
Apoiava os cotovelos, enquanto segurava a cabeça baixa.
- Você está bem?
- Se estivesse bem, estaria dormindo - respondeu sem encará-lo.
Hilda nunca tinha sido grosseira com ele.
Porém agora, tão abalada e desnorteada, não conseguia agir diferente.
O marido foi até o armário da cozinha, pegou duas canecas de chá e colocou sobre a mesa.
Pegou o açucareiro, a caixinha de chá em saquinho e pôs entre as canecas.
Depois se sentou.
Observando a esposa na mesma posição, não disse nada.
Após algum tempo, quando a água ferveu, ela se levantou, pegou a chaleira e colocou água fervente nas canecas encharcando o saquinho de chá.
- Obrigado - ele agradeceu.
Em seguida, perguntou:
- Você teve algum sonho ruim?
- Não. Eu acordei dentro de um sonho ruim.
Existem momentos em que não acredito no que estamos vivendo.
Não houve qualquer comentário.
Depois de alguns minutos Hilda falou:
- Estou pensando no Wagner.
- Por quê? - quis saber, mais para mudarem de assunto do que por interesse.
- Acordei pensando nele.
Agora, a esta hora, creio que já esteja em Peruíbe.
Ele ia passar o aniversário lá.
Eu até me esqueci de comprar um presente para ele.
- Eu admiro muito esse rapaz.
Gosto dele - Agenor admitiu.
- Eu também. Desde quando entrou na empresa e não sabia nada... - sorriu pelas lembranças agradáveis que se remontaram em sua mente.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 10, 2017 9:38 am

Sempre foi muito educado e gentil.
O melhor director para quem trabalhei.
Honesto, confiável...
Se eu tivesse uma filha solteira, iria dar a maior força... - sorriu generosa.
Mas, logo seu sorriso se desfez.
E novamente uma dor angustiante a dominou.
Hilda bebericou o chá e ficou pensativa.
Por que a vida precisava desviar-se por caminhos tão difíceis?
Não suportando a dor que dilacerava sua alma, começou a chorar.
O marido não disse nada.
Amanheceu e Adriana não havia dormido.
Seu rosto, com tons avermelhados no nariz e nos olhos, denunciava que havia chorado muito.
Antes que sua mãe a visse, deixou um bilhete dizendo que iria para a casa de leda.
Ao recebê-la, por se encontrar assonorentada, a amiga não organizava as ideias e não entendia o que estava acontecendo.
- Ai, leda!...
Não sei o que fazer! - dizia chorando.
- Entra. O que foi?
O que aconteceu? - perguntou com a voz rouca.
- O Wagner não ligou nem mandou mensagem.
O que eu faço? - perguntou aflita.
- Pera! Hoje é sábado.
São sete e meia da madrugada! - exagerou para dizer que ainda era muito cedo para um dia de descanso.
Ele está dormindo. Lógico!
- Ontem à noite, antes de pegar a estrada, ele me ligou.
Nós nos falamos e ele disse que estava nervoso.
Contou que brigou com a irmã, por ela ter falado coisas que não devia.
Enquanto conversávamos, ele foi se acalmando.
Voltou a ser daquele jeito sempre amoroso.
Disse que me amava...
E falou que, quando chegasse lá, ia me mandar uma mensagem.
Não iria ligar para não me acordar.
Eu não dormi e não chegou mensagem alguma.
Eu liguei e deu caixa postal.
Agora estou achando que aconteceu alguma coisa.
Um acidente. Fico pensando o pior!
Que ele morreu... - chorou.
- Calma, Dri.
Não fica assim - leda pegou um copo com água e ofereceu para a amiga, que estava sentada à mesa da cozinha.
Logo colocou a cafeteira para preparar um café e voltou a se sentar.
- Ou... - tornou Adriana com expressão preocupada.
Será que ele me enganou esse tempo todo?
Talvez esteja rindo de mim e...
E se minha mãe estiver certa?
- Não. Nada disso.
Calma - aconselhou leda, que nem conseguia pensar.
- Você tinha toda a razão.
Eu fui muito precipitada e impulsiva.
Ingénua demais. Não devia ter dormido com ele... - chorou.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 10, 2017 9:38 am

- O melhor é manter a calma.
Você deixou recado na caixa postal?
- Deixei. Mandei mensagem...
Como fui burra!
Nem conhecia o Wagner direito!!!
- Se tudo aconteceu como me contou, não acho que ele ia fazer isso.
Deve ter acontecido alguma coisa.
Vamos lembrar que celular acaba a bateria ou...
Nesse momento, Adriana ficou um pouco mais tranquila.
- É. Pode ser.
leda adoçou o café e serviu.
Conversaram mais um pouco e o tempo foi passando.
- O melhor é você manter a calma, Dri.
É a única coisa que vai te ajudar.
- Estou tão nervosa.
Com tanto medo...
Eu ia me encontrar com o Nicolas na hora do almoço pra desmanchar tudo, mas...
Agora estou sem cabeça.
- Posso te fazer uma pergunta bem indiscreta?
- Claro, leda. O que é?
- Se o Wagner não quiser mais nada com você, como fica o seu casamento?
Vai desmarcar mesmo assim?
- Sim - ficou olhando firme para a amiga.
Depois de tudo o que eu fiz...
É sinal que não existe mais nada entre mim e o Nicolas.
Não sinto nada por ele.
Nem respeito.
- Também acho - murmurou. - É o certo.
Não daria para continuar com o Nicolas e com essa bagagem toda.
Acho que se sentiria muito mal.
Conversaram por longo tempo, até Adriana decidir:
- Vou ligar novamente.
São 11h. Ele deve atender.
O telefone tocou algumas vezes até uma voz fraca e chorosa de mulher atender:
- Alô...
Adriana estranhou, mesmo assim, perguntou, apesar da certeza:
- Oi. Por favor, este telefone é do Wagner?
- Sim. É sim - respondeu no mesmo tom.
- Por gentileza, eu poderia falar com ele?
- Quem está falando? - perguntou a mulher.
Precisava saber, pois no visor do celular de seu irmão, não aparecia a identificação da ligação e sim: número privado.
- É a Adriana. Eu...
O que dizer? Como se apresentar?
Pensou rápido e decidiu:
- Eu trabalho com ele.
A mulher chorou e ela pôde ouvir.
Isso a deixou mais aflita.
Com a voz embargada, a outra respondeu:
- Eu sou a Wanda.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 10, 2017 9:38 am

Irmã do Wagner. É que... - gaguejou.
Aconteceu um acidente.
Minha mãe e a noiva do meu irmão morreram na hora.
Minha irmã Celine, que estava junto, sofreu alguns ferimentos, mas está bem.
Meu irmão... - Chorou.
Ele está entre a vida e a morte... - não conseguia falar direito.
Ele está sendo operado...
Mas os médicos... não deram muita chance... - chorou mais ainda.
Adriana sentiu-se mal.
Ficou sem fala por longo tempo.
Atordoada, não sabia o que dizer ou perguntar.
- Dri! O que aconteceu? - indagou leda, ao observar o estado petrificado da amiga.
- Ai, meu Deus! Ai, meu Deus!...
Eu não sei o que dizer... - murmurou Adriana de modo aflitivo, começando a chorar.
Meu Deus! Meu Deus!...
- No momento não consigo dizer mais nada, Adriana - tornou Wanda.
Só nos resta aguardar e rezar.
Por favor, ore pelo meu irmão.
- Vou orar - chorou.
Eu vou ligar mais tarde.
Por favor, atenda.
Preciso de notícias.
- Sim. Atendo.
À noite estarei em casa, eu acho...
Ficará mais fácil conversar.
Agora estou no hospital e preciso desligar.
Nem se despediram.
Adriana contou o que ouviu e caiu em crise de choro.
leda a abraçou com carinho de irmã e não sabia o que fazer.
Não houve quem tirasse Adriana da casa de leda.
Deitada na cama da amiga, ela chorou o tempo todo.
Heloísa foi, pessoalmente, atrás da filha e leda, sem revelar a verdade, pediu:
- Deixa a Dri aqui.
Daqui a pouco esse choro vai passar.
- Mas o que deu nessa menina?!
Que motivo ela tem para estar assim?!
- Talvez, a pressão pela proximidade do casamento.
- Você sabe o que é leda!
Pode me contar! - disse firme.
- Dona Heloísa, eu a quero tão bem como se fosse minha mãe, mas a Dri é minha melhor amiga e irmã por afinidade.
Nem se eu quisesse, não contaria.
- leda!
- Vai dar tudo certo.
Deixa a Dri esfriar a cabeça.
- É sobre o casamento que ela quer adiar, não é?
Ela falou sobre isso com você?
- Falou sim.
- Não sei onde essa menina está com a cabeça.
Onde é que já se viu?
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:53 am

Casamento marcado, convites entregues, vestido pronto!
Ela não vê a vergonha que vamos passar?!
Diante do silêncio da moça, a mulher ainda pediu:
- Ponha algum juízo na cabeça de sua amiga!
Por favor! Quando ela me falou, pensei ser uma dúvida passageira.
Mas, pelo visto, ainda insiste nessa palhaçada!
- Ela não pode se forçar a um casamento que...
- Que tivesse visto isso antes!
Já estão entregando os presentes.
Os padrinhos já fizeram as roupas...
Meu Deus! O que vai ser?!
Breve pausa.
- Olha, eu vou segurar o Nicolas.
Dar uma desculpa... Sei lá...
Ele está lá em casa.
Isso dará um tempo pra você conversar com essa menina.
Por favor, leda!
Estou contando com você!
- Não posso forçar a Adriana a nada que ela não queira.
Vamos dar um tempo.
Não adianta deixá-la mais nervosa.
Heloísa ainda olhou para a porta do quarto pensando em ir até lá para conversar com a filha novamente. Porém desistiu.
Olhou para leda e, com jeito insatisfeito, disse:
- Eu volto aqui depois.
- Isso. Deixa a Dri ficar mais tranquila.
Foi uma tarde extremamente triste e sombria.
Não bastassem as dificuldades e os conflitos pelo noivado que desejava terminar, Adriana sofria em desespero pelo estado de Wagner.
No final da tarde, ela telefonou, outra vez, para o celular do rapaz, mas ninguém atendeu.
Isso aumentou sua aflição.
- Aconteceu o pior leda! - chorava.
- Acho que não.
Penso que a cirurgia não terminou.
Isso demora. Ou estão dentro do hospital e não podem atender.
Após algumas horas, novamente, telefonou.
Dessa vez Wanda atendeu:
- Alô. Aqui é a Wanda.
- Oi. Aqui é a Adriana - falou com voz chorosa.
Você tem notícias do Wagner?
- A cirurgia ainda não acabou.
Um dos médicos, que saiu da sala de cirurgia, disse que as primeiras horas são as mais decisivas...
Ele deve ficar em coma induzido depois.
Houve uma hemorragia intracraniana e isso destrói as células cerebrais.
Os neurónios ficam destruídos.
Devido ao facto do crânio não permitir a expansão do tecido cerebral, um derrame de sangue aumenta a pressão no cérebro de forma rápida e perigosa, piorada pelo edema cerebral na região afectada.
É o inchaço do cérebro.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:54 am

Forma um hematoma que pode se expandir e comprimir estruturas do encéfalo.
O mais perigoso é quando o aumento da pressão intracraniana comprime regiões que regulam as funções vitais, podendo provocar parada cardiorrespiratória. - chorou e ouvia a outra chorar junto.
Ele também quebrou as pernas e costelas...
E hoje é aniversário dele... - chorou mais ainda e escutou a outra chorar também.
- Estou orando por ele e por vocês - murmurou Adriana em pranto.
- Obrigada. Estamos precisando.
- E sua irmã? Como ela está?
- Está internada. Seu estado é bom.
Ela ainda não sabe que nossa mãe e a Sabrina morreram.
Amanhã, vamos contar.
Mas creio que não vai dar para ela ir ao enterro, pois está muito atordoada.
Não fala coisa com coisa.
Disse que a mamãe ajudou a tirá-la das ferragens.
Deve ter batido a cabeça e...
- Sinto muito por sua mãe e pela outra moça, a Sabrina.
Aceite meus sentimentos.
- Obrigada - a irmã de Wagner estava confusa, em choque pelo ocorrido.
- Wanda, por favor, eu posso ligar novamente para ter notícias?
- Sim. Claro.
- Eu tenho alguns assuntos bem importantes para resolver.
Por isso não posso ir aí a Peruíbe.
Mas assim que eu puder, vou visitá-los.
- Está certo. Agradeço sua preocupação e seu apoio.
- Obrigada pelas informações. Fique com Deus.
Despediram-se e desligaram.
Wanda olhou para o celular do irmão em suas mãos e lembrou--se de Hilda, a assistente e também amiga da família.
Procurando nos contactos, encontrou o número do celular da secretária.
Sem demora, ligou.
Após chamar poucas vezes...
- Eu sabia que o senhor não ficaria muito tempo sem mim - riu.
Foi assim que Hilda atendeu a ligação.
- Hilda?! - perguntou Wanda com voz triste.
A mulher sentiu-se mal.
Começou a imaginar que algo havia acontecido.
- O que aconteceu, Wanda? - reconheceu a voz e perguntou vagarosamente.
Wanda contou entremeando a fala com o choro.
Hilda, dominada por uma tristeza sem igual, chorou junto.
Na manhã seguinte, a assistente e seu marido foram para Peruíbe e compareceram ao enterro de Ifigénia e Sabrina.
Tudo muito triste.
Choro e familiares inconformados.
Duas testemunhas contaram aos familiares, que estiveram no local do acidente, que uma carreta, estacionada indevidamente no acostamento, deixou uma parte da carroceria na faixa da direita.
A rodovia estava escura.
Não havia luzes de alerta, sinalizando o veículo pesado que havia parado.
O automóvel que vinha à frente, desviou-se com uma manobra rápida, o que Wagner não conseguiu fazer com seu carro.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:54 am

O que não sabiam era que o rapaz estava nervoso com sua irmã e discutiam.
No instante em que o veículo da frente fez a manobra para a esquerda, desviando-se da carreta parada, foi o exacto momento em que Celine, enfurecida, bateu na cabeça de seu irmão com o celular, por isso, foi impossível Wagner executar a mesma manobra que o veículo da frente.
A distracção pela surpresa inibiu seu reflexo rápido para desviar da carroceria saliente na pista.
Não bastasse bater na traseira da carreta, o carro que vinha atrás bateu no seu, aumentando o estrago da batida.
A irmã mais nova experimentou ferimentos sérios, mas não graves.
Wagner sofreu fractura craniana o que gerou hemorragia cerebral e coma.
Celine foi informada sobre a morte de sua mãe e de Sabrina.
Mas a jovem não se conformava.
Ela jurava ter conversado com sua mãe.
Disse que sentiu seu toque várias vezes até entrar na ambulância.
Inconformada, sem o controle de si, gritou e chorou muito.
Não contou sobre sua parcela de culpa, por bater em seu irmão.
Ficou internada, enquanto a irmã e o pai foram ao velório.
No cemitério, Wanda e seu pai encontraram Hilda e Agenor.
A irmã de Wagner abraçou-se à secretária por longo tempo. Choraram.
Olhando-a nos olhos, falou entristecida:
- Meu irmão adora você, Hilda...
- E eu adoro seu irmão como um filho... - disse comovida.
Como ele está?
- Em coma. O médico conversou connosco hoje cedo.
As primeiras horas são as mais significativas.
O acidente foi muito grave.
Ele ainda corre risco de morte - chorou.
- O médico alertou para as possíveis sequelas após o trauma.
Pode haver alteração de memória e concentração.
Alteração de personalidade.
Desordens neurológicas ou convulsões ou...
Até demência - comentou Hernâni, extremamente sofrido e preocupado.
- É possível vê-lo no hospital? - Hilda quis saber.
- Ainda não.
Só através de vidros, mesmo assim, hoje cedo, a cortina do lado de dentro estava fechada.
O Wagner está todo ligado em aparelhos.
Os médicos ainda não liberaram as visitas.
Estão aguardando um ortopedista especializado em não sei o que e... - contou Wanda, enquanto chorava.
Ele fracturou algumas costelas.
Teve fractura em ambas as pernas.
Em uma delas, fractura exposta.
Parece que está faltando um pedaço do osso do fémur...
Não sei explicar. Vão precisar colocar um aparelho.
Um extensor. Por isso estão aguardando esse ortopedista especializado nesses aparelhos fixadores metálicos externos.
Continuaram conversando e actualizando Hilda, que se comovia a cada palavra e chorava.
Sensata, Wanda não comentou com ninguém sobre a mensagem de celular enviada por Celine sobre Wagner e Sabrina terem desmanchado o noivado.
Achou que não seria conveniente a família da moça saber disso, ali, no enterro.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:54 am

Capítulo 15 - Nicolas se revela

Adriana estava em sua casa.
Confusa e temerosa.
Não sabia o que fazer.
Nicolas que, no dia anterior, não a tinha visto, foi procurá-la.
- E aí? Melhorou?
Sua mãe disse que você não estava bem.
Teve dor de cabeça.
- Melhorei sim - ela respondeu.
Trazia os olhos vermelhos e ainda inchados por tanto chorar.
- Vamos lá pro apartamento?
- Não estou com vontade - a moça disse sem ânimo.
- Oh, Dri! Qual é?!
O que está acontecendo?
- Nada. Não estou bem. Só isso.
- Você está muito estranha.
Larga de frescura e vamos.
Adriana não respondeu e se aninhou sob as cobertas, no sofá da sala.
Não demorou e Jaime chegou, nitidamente embriagado.
Nicolas torceu a boca e fez expressão de insatisfação.
- Ah!... Vocês tão aí?!
É... Tão aí, né? Boa tarde!
Já é boa tarde, não é? - disse o pobre homem.
Não houve resposta.
Olhando para a filha deitada no sofá insistiu:
- E aí? Tá tudo bem?
- Está - ela respondeu.
- Parou de chorar?
Você chorou ontem o dia todo.
Virou para Nicolas e perguntou:
- Você sabia que ela chorou ontem o dia todo?
É! Ela chorou.
Jaime, inconveniente, repetia várias vezes o que dizia sem perceber o quanto isso irritava os demais.
- E aquele seu irmão?
Ele chegou? Já chegou?
- Não, pai. O Daniel não chegou.
- É bom. Isso é bom.
Muito bom. E sua mãe?
Heloísa apareceu nesse instante e murmurou:
- Bebeu de novo...
- Eu ouvi! Ouvi isso!
Ouvi sim! Eu bebi, mas sei muito bem tudo o que está acontecendo - falava mole, balbuciando as palavras.
Não pensa que não sei, porque eu sei!
Entendeu? Você entendeu?
- Venha, Jaime.
Venha comer alguma coisa - convidou a esposa.
- Você já almoçou?
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:54 am

- Não. Ninguém almoçou.
Voltando-se para Nicolas, convidou:
- Vamos almoçar?
- Não. Obrigado. Já estou indo.
Sem se importar muito, o rapaz se despediu e se foi.
Aproveitando-se disso, Adriana telefonou para o celular de Wagner, mas ninguém atendeu.
Segunda-feira.
Na empresa, não se falava em outra coisa senão o grave acidente que matou a noiva e a mãe do jovem e bem-sucedido director do Departamento Comercial, que estava em coma, lutando pela vida.
Os directores e uma gerente estavam parados, discutindo a respeito.
Apesar de não participar da conversa, Adriana podia ouvi-los.
- Ah... Talvez, ele estivesse correndo feito um louco!
Para não ver uma carreta daquele tamanho!
Só pode ser - julgava Bianor.
- O Wagner parece prudente.
Não creio nisso - Osvaldo, outro director, duvidou.
- De um jeito ou de outro, ele vai ter que carregar o peso do remorso por ter matado a mãe e a noiva - opinou Juçara, a gerente.
- E como ele está?
Alguém sabe dizer? - indagou Osvaldo, preocupado.
- O Norberto, em nome da empresa, desceu para Peruíbe para fazer uma visita à família e ter mais notícias - contou Juçara.
Afinal, ninguém foi ao enterro da mãe e da noiva.
Só ficamos sabendo hoje cedo.
Até onde eu soube, o Wagner está em coma.
E o estado dele é bem grave e os médicos não dão muitas esperanças não.
- Pelo visto, a vaga para director comercial está aberta - Bianor comentou, impiedoso e rindo.
- Você é cruel, meu caro.
Muito cruel - disse o outro sem aprovar a brincadeira de mau gosto.
- É a realidade, meu amigo!
É a realidade! - riu e convidou:
- Vamos tomar um café? Vamos?
Adriana quase não continha as emoções.
Nervosa, não tinha com quem dividir sua angústia e sua dor.
Sua bela feição séria não traduzia as lágrimas de seu coração, enquanto seus pensamentos aceleravam em torno dos acontecimentos.
O pior é que nada poderia fazer.
Lembrou-se de Hilda e, na primeira oportunidade, pegou o elevador e foi até o Departamento Comercial, mas não a encontrou.
Só então soube que a assistente estava de férias.
Adriana não se deixou dominar pelo desespero, embora não conseguisse ter paz.
Os dias foram passando.
Daniel chegou de viagem.
Comentou as novidades e, mesmo percebendo a irmã quieta, nada disse perto dos demais.
Na primeira oportunidade, perguntou a sua mãe:
- O que a Adriana tem?
- Nem te conto.
Veio com uma conversa sobre terminar o noivado, cancelar o casamento...
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:55 am

- O que aconteceu? - o filho quis saber.
- Nada. Absolutamente nada! - respondeu zangada.
- Ora, mãe, uma pessoa não vai querer cancelar o casamento por nada!
Alguma coisa aconteceu.
- Então, você fala com ela.
Imagine só a vergonha! - sussurrou.
Convites distribuídos, presentes chegando, roupas, padrinhos, festa...
Daniel nada disse.
Terminou o jantar e foi para o quarto falar com a irmã.
- E aí? - perguntou, ao vê-la quieta.
- Tudo bem - respondeu simplesmente.
- Não parece. O que está acontecendo?
A irmã não respondeu, e o rapaz contou:
- A mãe disse que você falou sobre cancelar o casamento.
Que história é essa?
- Pensei nisso sim.
- Por quê? - o irmão insistiu.
Não houve resposta.
- Quer conversar?
- Estou triste. Só isso.
- Triste, por quê?
- Sabe o Wagner? Director lá da empresa.
- Sei.
- Ele sofreu um acidente.
Bateu o carro - virou o rosto para que o irmão não a visse chorar.
Não contou detalhes sobre a gravidade do caso.
- Você está triste por causa dele? - queria provocar uma conversa.
- É. Estou - deu um suspiro e o irmão a viu chorar.
- Rolou alguma coisa entre vocês dois? - foi directo.
Não houve resposta.
O rapaz suspirou fundo.
Deixou o silêncio reinar, por alguns instantes, e só depois disse:
- Olha, Dri, seu casamento se aproxima.
É um passo muito importante na vida de qualquer pessoa.
Muita gente pensa em casar e, se não der certo, separa.
Isso pode ser fácil na teoria.
Na prática, creio ser bem difícil.
Ela continuou em silêncio e Daniel não sabia mais o que dizer.
Percebeu que a irmã não queria falar sobre aquilo.
Adriana ligou outras vezes para o celular de Wagner, mas ninguém atendeu.
O que ela não sabia era que o aparelho havia descarregado a bateria e Wanda não tinha carregador compatível.
Em meio a tantos problemas, tristezas e dificuldades, devido à irmã caçula e o irmão internados no hospital, a última coisa que iria lembrar era de carregar o aparelho celular.
Era um sábado frio e chuvoso.
Atípico para aquela época do ano.
Nicolas se esforçou para que a noiva o acompanhasse até o apartamento, e ela o fez.
Percebendo-a triste e indiferente, quis saber.
- O que está acontecendo com você? - perguntou o noivo em tom insatisfeito.
- Nada.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:55 am

- Ah!... Dá um tempo!
Como nada?! - expressou-se com modos rudes.
- Olha, Nicolas, eu não estou gostando de algumas coisas nos últimos tempos - sua voz estremeceu.
Apesar disso, continuou:
- Você está mais distante a cada dia.
Não se importa comigo.
Quando estamos juntos com sua família, eu não existo - reclamou com modos tímidos.
- Ah! Qual é?!
Se a gente não está junto é porque estou ocupado ou trabalhando.
Você viu a trabalheira que esse apartamento deu?
As torneiras, todas, deram problemas para instalar.
Os registros não funcionavam.
Deu vazamento no vaso sanitário.
Quer dizer que o que eu faço você não vê?!
- Ultimamente, você está sendo muito estúpido comigo.
Também deu pra ficar bebendo demais.
- Depois de uma semana puxada, quer que eu fique a seco?!
Ah! Dá um tempo!
Subitamente, em um tom amedrontado, Adriana revelou:
- Eu não sei se quero me casar.
Demorou alguns instantes para Nicolas organizar as ideias e entender o que ela queria.
Uma onda de contrariedade cresceu nos sentimentos do rapaz.
Ele parou o que fazia.
Olhou para a noiva e perguntou, exibindo-se indignado:
- O que disse?!!
Adriana abaixou o olhar e não respondeu.
O que não esperava, aconteceu.
O rapaz se aproximou, pegou-a pelo braço e a forçou a encará-lo de forma violenta:
- O que você disse?! - perguntou de modo duro, irritado.
- Você está me machucando... - falou amedrontada.
- E vou machucar mais!!! - berrou.
Não sou palhaço!!!
Você não vai me fazer de idiota!!! Entendeu?!!!
A noiva começou a chorar e pediu temerosa:
- Solta... Está me machucando.
Nicolas a fez andar de costas e a empurrou contra a parede. Pressionando-a.
Segurou seu rosto, com uma das mãos, deformando sua face.
Com a voz baixa, grave, falando entre os dentes, exigiu saber:
- Você está se iludindo com algum vagabundo do seu serviço. Não está?!!
- O que é isso que está dizendo? - falou com o medo correndo em suas veias.
Com os olhos brilhantes, irradiando uma fúria que não conseguia conter, disse em tom ainda colérico:
- Deve ter conhecido algum vagabundo que colocou ideias na sua cabeça e pensa que vai me fazer de idiota - largou-a com um empurrão para o lado.
Não sou nenhum imbecil, Adriana!!!
Desde que mudou de emprego, você está diferente!!!
Foi para junto dela. Parecia insano.
Segurou-a novamente pelos ombros e a obrigou encará-lo.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:55 am

Em tom ameaçador, falou baixo:
- Se eu souber quem é...
Se você vier novamente com essa conversa cretina de não se casar, eu juro...
Juro que mato ele e mato você também!!!
Nicolas parecia outra pessoa.
Seu rosto franzido tirava a beleza jovial que possuía, desfazendo aquela imagem descontraída de bom moço.
No coração de Adriana, nascia agora um medo inominável e indescritível.
Sentia todo o seu corpo tremer.
Se o noivo descobrisse que ela o traiu, que se envolveu e se relacionou com Wagner, seria bem capaz de matá-los.
Sentia isso.
Não conhecia esse seu lado hostil.
Nunca poderia imaginar que ele teria coragem de agredi-la como estava fazendo.
Sabia que o rapaz era escravo do ciúme, do orgulho e da vaidade, mas não pensava que chegaria a tanto.
No momento seguinte, beijou-a nos lábios, forçando-a a um contacto que em nada parecia um carinho.
A princípio, ela se forçou a corresponder, mas não conseguiu.
Experimentou uma repulsa surpreendente.
Tomada de esquisita sensação, que não sabia descrever, Adriana virou o rosto e abaixou o olhar.
Nicolas segurou mais uma vez na face pálida.
Obrigando-a olhá-lo, disse:
- Isso vai passar.
Não vamos mais tocar nesse assunto.
Mas, se eu sonhar que você está se envolvendo com alguém...
Vou descobrir. E vou matar o desgraçado e você!
- Não estou me envolvendo com ninguém - disse sem convicção nas palavras.
Mentia para se ver livre daquelas ameaças.
- Tomara. Tomara mesmo - falava em tom engastado de raiva.
Então... O próximo passo é você mudar de emprego.
- Mas, Nicolas!...
- Você vai sair de lá e pronto!!! - berrou.
Logo, em tom mais brando, embora agressivo ainda, prosseguiu:
- Você está diferente desde que foi trabalhar nessa maldita empresa!
Não quero ficar imaginando coisas.
Entendeu?! - Não houve resposta.
Se comentar isso com alguém...
Mato você e mato quem mais quer que seja!
Por isso, não pense em meter seu irmãozinho nessa história.
Nicolas revelava traços desconhecidos de seu carácter.
Sua forma de se expressar, junto ao remorso pela traição cometida, deixava Adriana aterrorizada, em pânico.
Ela temia por sua vida e pela vida de Wagner.
Um grande assombro tomou conta de seus sentimentos e o constrangimento, somado ao medo, deixava-a perplexa, confusa demais para concatenar as ideias e pensar em alguma coisa.
Nicolas a beijou nos lábios novamente e fez-lhe um carinho no rosto que acabava de apertar.
Afastando-se dele, ainda envolvida de pavor, a jovem sentia-se muito mal.
Um frio somado a um suor gelado, cobria o seu rosto enquanto seu coração batia descompassado.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:55 am

Na espiritualidade, criaturas inclinadas a agressões e terrores daquele tipo, envolviam o noivo, explorando, em sua índole, as inclinações ao temperamento violento e dominador.
Muitos espíritos, em desequilíbrio, permanecem impiedosos, por anos, seguindo criaturas encarnadas que ainda não venceram suas disposição a qualquer tipo de agressividade.
Ficam ao lado plantando na mente deles todos os princípios de desrespeito ao próximo, como uma tentação da própria natureza inferior.
Não querem que evoluam.
Dizer não ao desrespeito, à agressão e à violência de toda ordem é evoluir.
Muitos não sabem ou não acreditam que toda a forma de desrespeito e violência deixa a alma repleta de amargura, candidatando esse agressor, automaticamente, a serviços reparatórios e repetitivo processo de aperfeiçoamento.
O espírito Dione, mentora de Adriana, evolvia sua pupila em terno abraço para que não fosse ainda mais ferida por Nicolas, que era inspirado por espíritos primitivos que se irmanavam a ele.
Todo covarde é valente com aquele que lhe parece inferior.
Nesse caso não era diferente.
Sentindo-se superior, o rapaz começou a cuidar de outra coisa e mudou de assunto como se nada tivesse acontecido.
Assustada, ainda em choque pelo inesperado, Adriana não conseguiu falar mais nada.
Com o coração aflito, parecia ainda não entender o que acontecia.
O medo é o sentimento mais cruel.
Ele limita e escraviza a criatura.
No dia seguinte, bem cedo, Adriana estava na casa de leda contando tudo para a amiga.
- Pelo amor de Deus, Dri!
Isso não poderia acontecer!
Ele te agrediu!
Chorando, desabafou:
- Fiquei desesperada!
Não sabia o que fazer.
Nunca imaginei que ele pudesse ser assim...
E agora, leda?
- No seu lugar, eu iria à delegacia prestar queixa e acabar com esse casamento de vez!
- Ele me ameaçou!
Ameaçou o Wagner! - chorou.
Se souber que...
- Não! Nem pense em dizer nada.
- leda, estou com medo. Muito medo.
Entendendo a aflição da amiga, pediu com bondade na voz:
- Calma. Vamos pensar juntas.
O Nicolas está errado.
Não pode e não tem o direito de te agredir.
- Ele não me agrediu.
- Como não?!
Se o que ele fez não foi agressão, o que foi então?
- Não me bateu. Nem deu nenhum tapa.
- Existem muitas formas de agressão que não só tapas e socos.
A atitude dele foi errada.
Você precisa fazer alguma coisa.
- Não - chorou.
Não posso. Ele me ameaçou.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:55 am

Você não viu como ficou transtornado.
Não parecia a mesma pessoa...
Falou em matar... Matar o Wagner...
Afirmou isso de um jeito...
- Não contou que se envolveu com o Wagner, não é mesmo?
- Não. Neguei. Mas...
Olhou nos olhos da amiga e sussurrou:
- Estou com medo de estar grávida.
leda ficou em choque e acreditou não ter entendido direito.
- O que você disse?! - perguntou baixinho.
- Minha menstruação está atrasada.
No primeiro dia em que estávamos no apartamento do Wagner, não usamos preservativo e teve um outro dia que também não.
- Espere um pouco.
Se você estiver grávida, certamente existe a possibilidade de ser do Nicolas, não é mesmo?
- Não. Essa possibilidade não existe.
Não pode ser do Nicolas.
A gente não se relaciona há mais de três meses e sempre, sempre ele usou preservativo e nunca furou.
Ele tinha pavor de gravidez. Não descuidava.
leda ficou sem fala.
Sentou-se na cama ao lado da amiga, pegou sua mão e começou a bater levemente, expressando perplexidade.
Por fim, murmurou:
- Meu Deus... E agora, Dri?
- Não sei. Não tenho ideia.
Estou com muito medo.
- O Daniel!
- O que tem meu irmão?
- Converse com ele!
Conte tudo o que aconteceu - opinou leda inspirada por amigos espirituais.
- Não! De jeito nenhum!
Tenho vergonha.
Como contar isso pro meu irmão?!
O que ele vai pensar de mim?
Além disso, se o Daniel for me defender do Nicolas...
Tenho medo de que ele faça alguma coisa. Não!
- Dri, você não pode deixar as coisas como estão!
- Meu desespero é tão grande que já pensei em...
- Não fique pensando besteiras.
A primeira coisa a fazer é saber se está grávida ou não. Depois...
- Depois o quê?
- Terminar com esse casamento.
- Não tenho ninguém para me apoiar.
O Wagner está no hospital! Esqueceu?! - perguntou aflita.
Ninguém mais atende o telefone dele.
Não sei o que está acontecendo nem mesmo onde a família dele mora.
Estou sob ameaça do Nicolas que não larga mais do meu pé.
As amigas conversaram muito, mas não chegaram a nenhuma conclusão sobre o que fazer.
Os dias foram passando e, para o desespero de Adriana, veio a confirmação da gravidez.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:56 am

- leda, o que eu faço?! - implorava.
- Conta tudo! Reúna sua família.
Mãe, pai, irmão e o Nicolas e conta que está grávida do Wagner.
Será um susto! Uma bomba, com certeza!
Mas o Nicolas não vai poder fazer nada contra você na frente de todo o mundo.
- Isso é loucura! - chorava.
Não tenho coragem...
- E vai fazer o quê?
Vai querer convencer seu noivo de que o filho é dele?
Não houve resposta.
- Adriana, você está demorando demais. Não acha?
- Não tenho coragem.
Estou com medo do que o Nicolas pode fazer.
Você sabe que ele tem parentes que não prestam.
Primos que já ficaram presos...
A família dele é complicada.
- Sua família ficará do seu lado.
Ele não vai fazer nada, se estiver perto de todo o mundo.
- E depois?
- Não sei dizer.
Breve pausa e leda perguntou:
- Teve notícias sobre o estado de saúde do Wagner?
- O pessoal, lá na empresa, disse que interromperam as medicações do coma induzido, mas ele não acordou.
Está em coma natural, ou seja, ele não acorda! - enfatizou.
Cada dia que passa, as possibilidades de recuperação total diminuem - chorou.
leda respirou fundo. Frente à outra, insistiu:
- Conta tudo e conta logo!
Eu estarei do seu lado.
Se quiser, até sou capaz de falar por você! - insistiu a amiga corajosa.
- O Nicolas me ameaçou de novo.
Ontem ele me viu chorando, lá no meu quarto, e falou algumas coisas...
- Você está pensando em levar esse casamento em frente?! - perguntou, desconfiada e surpresa.
- Acho que sim. Estou com muito medo.
- Você não pode, Dri - pediu em tom triste, como se implorasse.
Não pode fazer isso com você mesma.
Nada na vida é por acaso.
Embora procuremos caminhos difíceis.
Porém, tudo na vida é para nossa evolução.
- Como é que, o que está acontecendo, é para meu bem e para minha evolução, leda?
Diz! - chorou.
Em tom firme, a amiga respondeu:
- Toda a dificuldade que enfrentamos é para sermos fortes e tomarmos as rédeas da nossa vida, começarmos a existir e a assumirmos as responsabilidades de nossos actos.
Enfrente o Nicolas. Termine tudo.
Conte para sua família que está grávida.
Isso não é o fim do mundo. Assuma seu filho.
Trabalhe e cuide dele.
Tudo isso fará com que sinta orgulho de você mesma!
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:56 am

Estamos no século vinte e um, minha amiga!
Você não pode depender dos outros e dar uma de coitada!
Agora, se quiser ceder às chantagens e à covardia do Nicolas...
Se quiser abaixar a cabeça e mostrar para sua família o quanto você é covarde e submissa, case-se com um homem que já demonstra ser o que é!
E vai provar a você mesma que é uma fracassada!
- Não me pressione, por favor.
Não faça isso. Não você...
- Sou sua amiga.
Amiga não diz coisas que agradam e fazem você se sentir coitada.
Amiga diz a verdade.
Adriana ficou reflexiva, porém estava com muito medo de Nicolas e de suas ameaças.
Não sabia o que fazer e à medida que o casamento se aproximava, seu terror aumentava.
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Ave sem Ninho

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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:56 am

Capítulo 16 - As acusações de Celine

A semana que antecedia ao casamento, foi de muita pressão para Adriana.
Nicolas exigiu que se demitisse da empresa onde trabalhava.
Novas agressões e constrangimentos ocorreram, mas nem para a melhor amiga ou seu irmão ela teve coragem de contar.
Faltavam dois dias para o casamento.
Adriana e Nicolas estavam em seu apartamento.
Haviam ido lá para receber um casal de amigos que queria conhecer a residência dos noivos.
Quando os conhecidos foram embora, Nicolas lhe fez um carinho e foi beijá-la.
A noiva abaixou a cabeça e ele percebeu isso como um não.
- O que foi? - o rapaz perguntou firme.
- Você acha que está certo isso o que está acontecendo entre nós? - perguntou com o coração aflito.
- O que pretende?
Terminar comigo no altar? - o noivo indagou com jeito irónico.
Ela o encarou e tentou ser firme, revelando mais uma vez:
- Não quero me casar com você.
Aproximando-se, impondo um jeito rude e ameaçador, intimou:
- Vai se casar comigo.
Não vou passar vergonha com amigos, família ou na empresa em que trabalho.
Não sou palhaço!
Adriana sentiu seu coração acelerar.
Envolvida por uma falsa coragem, incentivada por espíritos sombrios, escolheu o momento errado para revelar:
- Estou grávida de outro homem.
Ele sofreu um acidente.
Está em coma em um hospital.
Estou esperando um filho dele.
Nicolas ficou parado alguns instantes, olhando-a firme.
No momento seguinte, riu alto e duvidou:
- A que ponto você chega para tentar me fazer mudar de ideia!
- É verdade!
- E onde está esse sujeito?! - perguntou, incrédulo e irónico.
- Em um hospital. Não sei onde.
Ele sofreu um acidente e...
- Cale a boca!!! - berrou furioso.
Pensa que me engana?!!
- Estou grávida sim!
E posso provar!
Pegou a bolsa e revirou-a.
Encontrou um envelope, abriu-o e tentou mostrar.
Nesse instante, Nicolas a puxou pelos cabelos e a pressionou contra a parede.
Sem olhar o papel que caiu, ele a xingou e ofendeu o quanto pôde.
Empurrou-a ao chão e, com modos insanos, andou de um lado para outro feito animal enjaulado enquanto dizia as piores coisas.
No momento seguinte, parecendo mais calmo, pegou-a do chão.
Fazendo-a olhá-lo de frente e exigindo:
- Vai se casar comigo de qualquer jeito!
Ou mato você e esse infeliz!
Vou até o inferno para descobrir quem é esse desgraçado e vou acabar de matar ele!
Você pode acreditar!
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Ave sem Ninho

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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:56 am

- Não posso me casar com você!
Estou grávida de outro! - chorou.
Exalando sua fúria nas expressões, na respiração ofegante, na voz baixa e rouca, disse:
- Depois a gente vê isso.
Daremos um jeito. Ah!...
Se alguém vier a se meter na nossa vida...
Já sabe. Entendeu?!
Deu-lhe um tapa forte.
Adriana calou-se angustiada.
Nunca havia se sentido daquele jeito.
Um suor gelado banhava suas mãos, enquanto lágrimas corriam por sua face sofrida.
Seus pensamentos eram confusos.
Estava amedrontada e sem forças.
Por mais que sua mentora Dione a envolvesse, Adriana dava crédito a pensamentos temerosos e fracos.
Ela não conseguia reagir.
Não tinha força interior.
A religiosidade, muito provavelmente, teria ajudado.
É do Criador que vem as energias sublimes que nos amparam e impulsionam.
Naquele dia, ao chegar a sua casa, Adriana viu Daniel e leda conversando animados.
A amiga havia conseguido o emprego onde o rapaz trabalhava.
Ela passou por eles e ofereceu um cumprimento rápido.
Estava muito séria e foi para o quarto.
Na primeira oportunidade, a colega foi atrás dela.
- Oi, Dri... Tudo bem?
- Senta aí.
- O que foi?
- Contei.
- O quê?
- Contei para o Nicolas que estou grávida, leda ficou surpresa.
Nervosa, perguntou:
- E aí? Terminaram?
- Não - e a encarou.
Ele não admite.
- Isso não é possível!
Não pode ser!
- Ele está com o orgulho ferido.
Não quer passar vergonha com a família, os amigos, padrinhos e sei lá mais quem.
Com modos frios, avisou:
- Vou me casar com ele.
- Não! Você não pode! - sussurrou ao exclamar.
- Está feito, leda.
Errei ao traí-lo. Errei muito...
- Mas não pode se submeter a uma vida infeliz por causa do remorso.
- Não quero escândalos.
- Amiga! Você precisa lutar por sua vontade!
Você não o ama!
- Diante do silêncio, leda perguntou:
- O que ele falou sobre a gravidez?
Vai assumir?
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 11, 2017 8:56 am

- Que depois ia ver.
Penso que vai assumir.
- E se não for? - Não houve resposta.
Pelo amor de Deus!
Nem pense em aborto. Isso é errado!
É um crime! - falava baixinho.
Não se permita a isso!
Adriana nada respondia.
Experimentava um estado psicológico sem emoções.
Parecia sem vida.
Abatida, não conseguia reagir.
As palavras de leda não adiantaram.
Adriana não comentou com qualquer outra pessoa o que se passava, e o casamento aconteceu.
No hospital, Wagner continuava internado no CTI.
Seu estado era muito delicado.
Respirava sob a intervenção de aparelhos e não parecia reagir depois de duas cirurgias.
Havia sofrido fractura em ambas as pernas e uma foi exposta.
Precisou usar gesso em uma e, na outra, fixadores metálicos externos, que é um aparelho para o tratamento da fractura do fémur, regeneração e alongamento ósseo.
Wanda e seu pai visitavam-no quase todos os dias, enquanto Hilda pôde vê-lo por três vezes.
Celine afirmou, várias vezes, ter visto a mãe ao seu lado após o acidente, mas ninguém acreditava, a não ser Hilda.
Porém, mentia sobre o acidente.
Hernâni, pai de Wagner, pediu para Hilda conversar com Celine que, a cada dia, estava mais revoltada:
- Por favor, Hilda, converse com minha filha.
Talvez, alguém de fora consiga dar um jeito nessa menina.
As acusações que ela faz são sérias.
Não acredito que tudo aconteceu como conta.
O Wagner sempre foi uma pessoa prudente e respeitosa.
Você o conhece muito bem.
Mas... Ela não pode falar assim.
- Vou tentar falar com ela - aceitou de bom-grado.
A mulher foi até o quarto da jovem que, desrespeitosa, estava com o som alto e não atendia qualquer pedido para abaixar o volume.
Ela bateu à porta e abriu chamando:
- Celine? Posso entrar?
A moça olhou-a e permitiu:
- Pode. Entra aí - foi até o aparelho de som e abaixou o volume.
- Hoje à noite eu volto para São Paulo.
Na próxima semana, começo a trabalhar.
Gostaria de saber como você está.
- Tô bem - sentou-se na cama e não a olhou.
- Eu sei que o golpe que sofreu foi muito duro.
- A culpa é dele!
Ninguém está acreditando em mim!
Mas a culpa foi do Wagner!
Perdi minha mãe por causa dele!
Ele tava correndo feito um louco.
Estava brigando, dando berros com a Sabrina!
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