Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 20, 2017 9:09 am

- Não enche, Dri! - levantou-se.
Pegou sua roupa e saiu do quarto.
Tomou um banho demorado.
Retornou para dormir e a irmã o chamou:
- Dani?
- Que é? - respondeu ainda em tom zangado.
- Achei tão legal você estar interessado nela - falou e sorriu.
O rapaz não respondeu.
Deitou-se e procurou dormir.
No dia imediato, Daniel parou o carro em frente à casa de leda e deu um toque na buzina.
Achava-se apreensivo.
Ficou com medo de ela não aparecer.
De já ter ido trabalhar.
Sem demora, ela saiu e ele pôde vê-la trancar a porta e o portão antes de entrar em seu carro.
- Bom dia - ele cumprimentou com expectativa.
- Bom dia, Daniel - disse tão somente e mal o encarou.
Ele a achou quieta e séria demais.
Diferente dos outros dias.
Decidiu não perguntar nada e fazer de conta que o assunto estava esquecido.
No dia combinado, Hilda estacionou em frente ao portão da casa onde Adriana já a esperava.
Desceu do carro e cumprimentou a moça.
O abraço apertado transmitia uma emoção indefinida, sem palavras.
Ao se afastarem, beijaram-se no rosto e Adriana perguntou:
- Tudo bem com a senhora?
- Senhora, não - sorriu ao falar com doçura.
Sim. Estou bem. E você?
- Melhor agora.
Estou tão nervosa!
- Digamos que essa apreensão é normal.
Mas procure ficar tranquila.
Sorriram e Hilda perguntou:
- Pronta para ir?
- Estou - suspirou fundo.
- Fez uma pequena mala como te falei?
- Fiz sim.
Apesar de não achar necessário.
Creio que devemos voltar hoje mesmo, não é?
- Como te falei, não sei.
De repente...
É bom estarmos preparadas.
Daqui lá é um pouco longe.
Podem acontecer imprevistos ou...
Não sei - sorriu. - Agora vamos.
Hilda ajudou Adriana a colocar a mala no carro e seguiram.
No caminho, fizeram uma parada para um café e conversaram de forma mais intensa, pois, dirigindo, Hilda prestava mais atenção na estrada.
Adriana contou tudo o que aconteceu a ela desde o acidente de Wagner e a nova amiga prestou muita atenção.
Sincera, também contou chorando sobre o aborto.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 20, 2017 9:09 am

Hilda ouviu sem se manifestar.
A dor da moça, pelo arrependimento, já era suficiente.
Não precisava reforçar o sentimento tão cruel que a jovem experimentava.
- Achei bom você ter ido a uma casa espírita e encontrado alguém que soube te orientar.
- Estou lendo bastante.
Aprendendo muito.
Principalmente, porque estou com tempo.
Quero fazer algo para me redimir, aliviar minha consciência.
Tenho uma vontade de divulgar o quanto é difícil a dor desse arrependimento e como é cruel, na espiritualidade, o aborto para o abortado - falou de modo comovedor.
Sabe, Hilda, às vezes, sinto um medo, uma preocupação imensa.
Quando eu contar para o Wagner...
Como vai ser?
- Eu também não sei.
Embora o conheça bem, não vou arriscar nenhum palpite sobre a opinião, reacção ou comportamento de ninguém.
Aprendi isso depois de algumas experiências de vida.
- Entendo.
- Existe uma grande chance de ele compreender.
Isso é no que eu acredito.
- Tomara que compreenda - falou com a sombra de um sorriso que logo se desfez.
Hilda já tinha telefonado para Wanda dizendo que levaria Adriana para a cidade de Peruíbe.
Mas não contou sobre a gravidez da moça.
Acreditou que esse assunto deveria ser comentado pessoalmente e pela própria Adriana.
A família do rapaz estava com grande expectativa.
Iriam conhecer a jovem pela qual Wagner havia se apaixonado.
Além disso, acreditavam que ela traria alguma melhora para a saúde do rapaz.
No hospital, o senhor Hernâni parecia apreensivo.
Ao ver uma jovem, caminhando com jeito preocupado, ao lado de Hilda, o senhor deduziu quem era e foi a sua direcção para encurtar o caminho.
Frente a ambas, sem olhar para os lados, estendeu as mãos para Adriana que, impensadamente, pegou-as.
As mãos da jovem eram finas, frágeis e estavam frias.
Talvez, por sua apreensão.
Embora seu semblante se achasse sério, era belo e suave.
Olhou-a nos olhos e percebeu o quanto se encontrava aflita.
Wagner era incrivelmente parecido com seu pai.
Não havia como se enganar.
Somente a cor dos olhos era diferente.
O rapaz tinha olhos escuros.
Fitaram-se por alguns segundos e o homem, sentindo um nó na garganta, puxou-a para um abraço.
Hilda sorriu e só observou.
Achou melhor não dizer nada.
Não precisava.
Antes de se afastar, ele beijou a cabeça de Adriana e agradeceu:
- Obrigado por ter vindo.
Não imagina como me deixa feliz.
- Sou eu que agradeço por me receber...
- Pode me chamar de Hernâni.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 20, 2017 9:10 am

- Sim, senhor Hernâni. Obrigada.
Meu nome é Adriana.
O homem cumprimentou Hilda e também lhe agradeceu.
Em seguida, voltou-se para a moça e disse:
- Perdoe-nos por não ter entrado em contacto antes.
Tivemos muitas dificuldades por aqui e... - não sabia como se justificar.
- Não se preocupe. Entendo.
Sem demora, quis saber:
- Como está o Wagner?
- Vem melhorando.
Mas não como desejamos.
Há dois dias, parece mais disposto, porém confuso.
Sua fala está estranha.
O acidente afectou a parte cognitiva, ou seja, seu entendimento e raciocínio.
Sua memória, as lembranças e a concentração também foram afectadas.
Não dá para saber se isso será permanente ou se ele vai se recuperar.
Ele se esqueceu de mim e da Celine.
Ontem se lembrou da Wanda, minha filha mais velha, mas não sabe quem ele é.
Lembra da Hilda - sorriu.
Mas não sabe de onde.
Falamos do trabalho, mas não se recorda.
A maior parte do tempo parece distante.
Em outros momentos, fica agitado.
No outro, alheio a tudo.
O médico disse que isso ocorre devido a desordens neurológicas.
Emocionou-se. Engoliu seco e revelou:
- Mas está longe de ser o rapaz ágil que foi um dia... - lágrimas correram em seu rosto.
Abaixando a cabeça, secou a face com a mão e respirou fundo.
Encarando-a, com esperança, disse:
- Quem sabe, ao ver você... - não completou.
Adriana franziu o semblante e lágrimas correram em seu rosto sem que conseguisse deter.
Hilda, com sua voz terna, avisou:
- Ele não sabe que a Sabrina e a mãe morreram.
Nem falou nelas.
Melhor não tocar no assunto do acidente.
- Sim. Claro.
Tem mais alguma recomendação? - a moça quis saber.
Hilda e Hernâni se entreolharam e o senhor pendeu com a cabeça negativamente.
Depois comentou:
- Ele passou por duas cirurgias na cabeça e precisou drenar água de seus pulmões, que foram lesionados no acidente.
Agora, não precisa dos aparelhos para respirar, mas ainda está sendo controlado por monitores.
- O que os médicos dizem da amnésia? - tornou ela, preocupada.
- Não sabem dizer se é permanente.
Só o tempo dirá - respondeu o senhor.
Adriana olhou para Hilda e perguntou com voz embargada.
- E se ele não se lembrar de mim? - falou quase chorando.
A mulher segurou em ambas as mãos, olhou-a nos olhos marejados e afirmou:
- Tenhamos fé!
Com lágrimas correndo na face pálida, a moça pediu:
- Posso vê-lo agora?
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 20, 2017 9:10 am

Capítulo 27 - O reencontro com Wagner

Adriana deu um suspiro profundo após um passo para dentro do quarto onde Wagner estava.
Um ambiente claro e calmo em que a luz da janela entrava com suavidade.
Lavou-se em uma pia que Hilda indicou e secou as mãos.
Fez tudo de forma automática, querendo se voltar para o rapaz.
Em um leito, com leve inclinação, viu-o deitado com olhos cerrados.
Bem devagar, a moça se aproximou e recostou-se na grade.
Sentia seu coração bater forte como nunca.
Experimentou uma sensação angustiante ao olhar para um monitor e alguns fios que ainda se prendiam ao rapaz.
Uma das mãos, a que permanecia livre, repousava pálida sobre o corpo.
Ele havia emagrecido muito e estava sem cor.
Os lábios brancos e ressequidos tiravam a beleza do rosto, antes vigoroso e alegre.
Adriana respirou fundo mais uma vez e olhou para o pai do rapaz quando ia levando a mão para tocá-lo.
Esperou uma repreensão, mas o homem sorriu e consentiu com a cabeça.
Tocando-lhe na mão que repousava, pôde senti-la fria e largada.
Ela engoliu a seco quando não viu nenhuma reacção.
Não contente, pegou a mão de Wagner e colocou entre as suas querendo aquecê-la.
Nesse instante, o rapaz se mexeu levemente.
Abriu e fechou os olhos demoradamente.
Olhou-a firme à medida que seu semblante se modificava.
Lágrimas rolaram na face de ambos e Wagner começou a sorrir, iluminando o rosto como nunca.
Mesmo tendo o outro braço preso a fios, levou a mão até as da moça, apertando-as e murmurou:
- Adriana... Você veio...
Com dificuldade, ela se pressionou na grade da cama hospitalar e o abraçou.
Não conseguia falar. Só chorava.
- Dri... Dri... Para.
Não chora - ele pediu quando lhe afagou os cabelos.
Sua voz saia com dificuldade.
Havia uma moleza no tom.
Praticamente balbuciava as palavras.
- Wagner... Como eu queria te ver...
Eu rezei tanto... - disse ela.
- Por que não veio antes?
- Eu... - ela olhou para Hilda, como se pedisse socorro.
- Ela não pôde vir antes, Wagner.
Só hoje eu pude trazê-la - respondeu a mulher em tom brando.
- Eu tô estranho e... - olhou-a e a tocava como se não estivesse acreditando.
Tudo era feito em ritmo muito lento.
- Ficou feliz em vê-la, não é filho?! - alegrou-se o pai, pois a mudança do rapaz foi nítida.
- É... É...
- Ainda bem que se lembra dela! - tornou o homem.
- Lembro. Lembro que... - sorriu.
Que... fizemos planos.
Você quer uma casa com coisas novas.
Quer ter filhos... - falava demoradamente. - ...e nós vamos ter.
Adriana rompeu em um choro compulsivo e recostou-se em seu ombro, tentando abraçá-lo.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 20, 2017 9:10 am

- Lembro de nós... no meu apartamento.
Lembro... - sorriu e a afagou. - ..do shopping.
Eu estava com dor de cabeça... - emocionou-se.
Lágrimas correram em sua face.
- Eu não lembrava, mas agora...
Hilda e Hernâni se entreolharam e sorriram largamente.
Era a maior demonstração de recuperação desde quando Wagner voltou do coma.
A amnésia perdia espaço para a razão e lembranças.
Adriana se afastou, mas ainda segurando sua mão, perguntou:
- Antes de eu chegar você não se recordava de mim? - sorriu.
- Ah... Perdão. Não. Só agora...
- Não lembra ainda de mim, filho? - perguntou o pai que, em pé, aos pés da cama, ansiava por vê-lo melhorar.
O rapaz, segurando firme a mão de Adriana, olhou-o demoradamente e franziu o rosto ao responder:
- Quase... É vago... - talvez, tenha dito para agradar-lhe.
- Do trabalho? Do que fazia?
Lembra-se, agora que a viu? - tentou novamente o senhor.
- Agora lembro de um prédio.
De salas... Gente em mesas... - falava sempre vagarosamente, com dificuldade.
- Era onde trabalhávamos - disse Adriana.
Lembra quando nos vimos pela primeira vez?
Diante do silêncio, contou:
- Você estava em uma cafeteria com uma bandeja nas mãos e... - sorriu.
O rapaz alargou o sorriso e se emocionou quando tudo ficou claro em sua mente.
- O suco... Lembro.
Eu virei rápido e você estava do lado...
Derrubei todo o suco de laranja em cima de você... - sorriu largamente com as recordações.
- Quando me deu carona no dia seguinte, você disse que isso não era uma coisa para esquecer... - a moça se emocionou e chorou.
Nunca pensei que eu fosse ficar tão feliz com a lembrança dessa história do suco de laranja...
- Você foi trabalhar... na minha directoria.
Tinha sido... mandada embora, mas a Juçara te chamou porque eu exigi uns documentos.
- Isso! Isso mesmo! - Hilda não se segurou e exclamou animada.
- Hilda... - voltou-se para a mulher.
Nós conversamos tanto...
Morei na sua casa... - ria e chorava conforme as lembranças afloravam em sua memória.
A mulher se aproximou e pegou em sua mão.
- Hilda... Nossa... Lembro do Rodrigo...
Rogério e... Fátima...
Seus filhos... - falava sempre devagar.
Parecia organizar as ideias.
- O Agenor...
Nesse instante, ficou sério e a olhou firme.
Lembrou-se de suas últimas conversas.
- Sim. - Fez breve pausa.
Observando seu semblante, entendeu que ele havia se recordado, então decidiu contar:
- Eu e o Agenor estamos nos divorciando, Wagner.
Você lembrou do que conversamos nos últimos dias em que trabalhamos juntos?
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 20, 2017 9:10 am

- Lembrei... Sim...
Lamento, Hilda...
- Está tudo bem - a mulher disse.
- Por que será que não se lembra do próprio pai? - indagou o senhor em tom calmo e triste.
Wagner fixou-se nele por longo tempo e não sabia responder.
O homem se aproximou.
Ficou ao lado de Hilda, sorriu e tocou o ombro do filho, enquanto ele ainda o olhava como a um estranho.
Era um vazio, algo que o rapaz não sabia entender nem explicar.
- Ele está progredindo.
Já se lembrou da empresa, do que fazia e da Adriana - disse Hilda, sorrindo.
- Sim. Sou director do Departamento Comercial.
Mas... Perdão... - olhou para Hernâni.
Não me lembro de você...
- Hoje teve um grande progresso.
Estou feliz por isso.
Não vejo a hora de levá-lo para casa, filho.
Quando estiver lá, verá fotos, vídeos e, talvez, se recorde.
Adriana não tirava os olhos dele nem soltava uma de suas mãos.
O rapaz virou-se para ela.
Sorriu e tentou tocá-la.
A moça aproximou seu rosto e ele lhe fez um carinho demorado.
Permaneceram ali, por algumas horas, até Wanda chegar para ficar com o irmão.
Ao conhecer Adriana, a irmã mais velha sentiu uma alegria inexplicável.
Conversaram por algum tempo, mas a moça não contou sobre a gravidez.
Achou que aquele não era um bom momento.
O difícil foi se despedir para irem embora.
O pai do rapaz insistiu para que ambas passassem a noite em sua casa.
Estava tarde demais para pegarem a estrada de volta a São Paulo.
Aceitaram e assim foi feito.
Após o jantar, conversavam sentados na sala de estar e Hernâni quis saber sobre Adriana.
Mesmo temerosa, ela contou tudo.
Só omitiu o aborto.
- Deixe-me ver se entendi.
Você está grávida do meu filho? - indagou sério.
- Sim senhor - respondeu constrangida e abaixou a cabeça.
- Meu filho sabe?
- Não. Como eu disse, quando descobri, ele já havia sofrido o acidente.
Achei melhor não falar disso no hospital.
Acho que não está em condições de saber ainda.
Hernâni levantou-se.
Caminhou alguns passos e parou.
Desejava uma vida tranquila para o seu filho, principalmente, durante essa fase de recuperação.
Não achou ruim o facto da gravidez, mas sim a moça ter se casado, mesmo sabendo que esperava um filho de Wagner.
Ainda tinha divórcio.
Era muita complicação para Wagner entender e enfrentar naquele estado.
E se ela trouxesse mais problemas além desse?
O homem respirou fundo.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 20, 2017 9:10 am

Virou-se para a moça e perguntou de modo singular:
- Adriana, você está mesmo divorciada?
- Sim senhor.
Assinei o divórcio ontem.
- Desculpe-me perguntar isso, mas...
Você tem certeza de que esse filho é do Wagner? - indagou em tom baixo, quase sussurrando.
Talvez, acreditasse que, dessa forma, não a iria ofender.
- Sim senhor. Tenho certeza.
Estou disposta a fazer qualquer teste de paternidade.
Aliás, faço questão de realizá-lo assim que o Wagner puder - sentiu-se mal como nunca.
Quem sabe, e com toda a razão, aquele senhor a estivesse julgando como aproveitadora, interesseira, sem moral e sem carácter.
Se não quisesse que pensassem dessa forma, não deveria ter agido como agiu.
Deveria ter sido mais responsável e prudente, se não quisesse ser mal interpretada.
Por isso, precisava enfrentar a vergonha e assumir responsabilidades.
Sua apreensão era mais angustiante quando pensava no que Wagner iria achar de tudo aquilo.
Provavelmente, agora, ele tivesse outro conceito dela.
Era noiva e se envolveu com ele.
Sabia que estava grávida e se casou. Fez o aborto.
Divorciou-se e ainda estava grávida.
Agora sua bagagem era imensa.
- Perdoe-me perguntar isso - tornou o senhor, tirando-a das reflexões.
É que você me disse que estava noiva, assim como o meu filho, quando vocês dois se envolveram e...
- Entendo, senhor Hernâni.
Estou envergonhada por esse erro.
Eu ia terminar meu noivado e desmanchar o casamento.
As coisas, entre mim e meu noivo, na época, não estavam bem.
O Wagner sabia de tudo isso.
Ele e a Sabrina também não estavam bem e...
O homem sentou-se novamente.
Fitou-a por algum tempo e perguntou:
- Você viu como ele está?
Não sabemos até onde vai sua recuperação.
Tenho orado muito, pois não nos resta mais nada a fazer.
Os médicos dizem que é preciso aguardar, mas... - Breve pausa.
Passou as mãos pelo rosto.
Encarou-a firme.
Em seus olhos, podia-se ver a sombra de uma profunda tristeza quando disse:
- Perdi minha mulher...
Não queria perder meu filho. Deus me ouviu.
Agora não quero que ele fique com sequelas e estou orando muito por isso.
Hoje, quando o Wagner a viu...
Foi o melhor dia dele desde o acidente.
Até se lembrou de quem era, do que fazia, do trabalho, de quando a conheceu...
Minha esperança cresceu.
- Ele não se recordava nem em que trabalhava? - quis saber a moça.
- Não. Nada.
Meu filho olhava para a Hilda, sabia que ela era, mas não de onde a conhecia nem o que conversavam.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 20, 2017 9:11 am

Nada. Não fala da mãe nem pergunta por ela.
Muito menos da Sabrina.
Os médicos orientaram para não o forçarmos nessa primeira etapa de recuperação.
É mais importante que ele fique bem fisicamente.
É para esperarmos que as recordações ocorram de modo natural.
Pelo menos agora.
Mas, quando ele viu você... - o senhor sorriu e pareceu bem emocionado.
Fugiu-lhe o olhar e sua voz embargou.
- Ele brilhou! - comentou Hilda com semblante satisfeito.
Eu tinha certeza que isso iria acontecer.
- Deveria tê-la trazido antes, Hilda - disse sorrindo, dirigindo-se à mulher.
- É que eu soube que a Adriana havia se casado.
Achei melhor dar um tempo para entrar em contacto.
Além disso, tive problemas pessoais.
- Eu sei que, visto de fora, minha vida parece uma bagunça.
Tenho vergonha do que podem pensar sobre mim.
Mas não sou uma pessoa leviana ou aproveitadora.
O Wagner sabe disso - justificou-se a moça.
- Não vou julgá-la.
Porém quero que tome uma decisão.
Tenha uma opinião formada e que...
Se acreditar que pode ficar ao lado do meu filho, do jeito que ele está, óptimo.
Se, ao contrário, pensar que vai ser muito difícil, pois não sabemos qual a extensão das sequelas...
Por favor, não lhe dê esperanças.
Por favor, não seja volúvel - falou bem sério.
- O maior erro da minha vida, foi ter me afastado do Wagner e me casado com outro, embora eu tenha feito isso para proteger o seu filho.
Não quero cometer mais erros, pelo menos, não quero cometer erros tão significativos.
Eu estava com medo. Com muito medo.
E o medo é o pior dos sentimentos.
Ele nos paralisa, nos deixa cegos.
Não pode imaginar, senhor Hernâni, como me arrependo por não ter enfrentado o Nicolas.
Preferiria morrer a passar novamente pela experiência que vivi por causa dele depois de casada e que deixaram sequelas amargas e cruéis em mim - seus olhos lacrimejaram.
Emocionou-se.
- A única coisa que me deu uma luz, uma gota de esperança de vida foi saber que estava esperando um filho do Wagner.
Mesmo que seu filho não me queira depois que souber que me casei com outro e me divorciei.
Mesmo que o senhor e sua família não me desejem por perto.
Pelo menos, eu fiz o que precisava fazer.
Avisei a todos que o Wagner vai ter um filho.
Se não me quiserem por perto, vou entender e vou levar minha vida sozinha, de forma correta e decente.
Não vou incomodá-los.
Tenho planos traçados.
- Perdoe-me pelas perguntas que te fiz, Adriana.
Não quero ficar com elas e sem respostas.
Você deve entender que qualquer pai prudente, em meu lugar, faria essas perguntas e desejaria respostas.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 20, 2017 9:11 am

Tanto o Wagner como você não foram... digamos... responsáveis, nessa história toda.
Deve convir comigo.
- Sim eu sei.
Hoje, eu sei - olhou-o nos olhos.
- Por mim, e também posso falar por minha família, você é bem-vinda entre nós - sorriu.
Lógico que é.
Vou adorar ser avô do filho do Wagner e... - riu com um toque de emoção.
Vocês serão sempre bem-vindos nesta casa, independente do que meu filho decidir.
Pelo que vi hoje, duvido que ele não a queira ao lado.
Suspirou fundo e prosseguiu:
- Sabe, Adriana, acredito que você e o bebé poderão contribuir muito para a recuperação dele.
Se você o ama como demonstra, será ainda mais querida entre nós.
Hilda havia se levantado durante a conversa e, naquele momento, retornava com uma bandeja e xícaras de chá, servindo-os.
- Obrigada, senhor Hernâni.
Tenha certeza de que, se o Wagner me quiser ao lado dele depois de tudo o que fiz, serei muito fiel e grata a qualquer compromisso com ele e com sua família.
- Gostei de ouvir isso - Hilda comentou.
Hoje em dia, está faltando gratidão e fidelidade no mundo.
As pessoas estão perdendo seus valores, nesse sentido.
- É verdade - concordou Hernâni.
Não quero com isso que você entenda que deva se sentir cativa aqui em casa.
Só espero que seja sincera.
- Pode deixar.
Serei - sorriu com leveza.
- Conte-nos um pouco mais sobre você, Adriana.
Tem irmãos? Mora sozinha?
- Sempre morei com meus pais.
Só me afastei da casa dos meus pais, por alguns dias, no apartamento, enquanto casada.
Hoje estou morando com meus pais e meu irmão, que é mais velho do que eu.
- Como conheceu meu filho?
Que história é aquela do suco? - sorriu o senhor.
- Ah... Foi assim...
Continuaram conversando até que Celine chegou e o pai a apresentou:
- Ah! Então foi por você que o Wagner deu o fora na Sabrina?!
Adriana ficou sem graça e não respondeu.
- Celine... - o pai chamou seu nome em tom de advertência.
- Ueh! E não foi?
Virando-se para Adriana, disse:
- O pessoal desta casa não gosta de dizer a verdade.
Vivem tentando me reprimir só porque sou sincera.
- Sua sinceridade é cruel, Celine.
A filha não se importou e prosseguiu:
- O queridinho aqui é o Wagner.
Indo até onde Hilda estava, beijou-a, sentou-se ao seu lado e enlaçou-lhe o braço recostando-se em seu ombro.
- Ela é a única que me entende.
Olhando-a, ainda disse:
- Você bem que poderia ser minha mãe.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 20, 2017 9:11 am

Celine estava bem diferente.
Usava roupas que transmitiam imagem agressiva.
Jaqueta de couro preto que tinha botões pontiagudos além de argolas.
A calça rasgada parecia suja e usava botas tipo coturno militar.
Seus cabelos desarrumados estavam curtos, com um corte irregular.
Tingidos de vermelho, azul e preto.
Hilda lhe fez um afago.
Adriana se lembrou de que Wagner tinha lhe contado sobre a irmã ser exigente e mimada.
- E aí? Você trabalhou com ele? - Celine quis saber.
- Sim. Trabalhamos juntos.
Hernâni olhou para Hilda com ar de insatisfação.
Sabia onde a conversa iria chegar.
- Já visitou ele no hospital? - tornou a jovem.
- Sim. Hoje fui vê-lo.
- Ele te reconheceu?
- Sim - sorriu.
- Tô falando!
Esse dramalhão todo de ter perdido a memória é mentira.
Isso é pra todo mundo ficar com peninha dele.
- Celine, por favor.
É melhor você parar - pediu o pai em tom firme.
A filha se levantou e, com jeito debochado, comentou antes de ir para seu quarto:
- Viu? Sempre assim!
Ninguém aqui gosta da verdade!!! - gritou e foi para o quarto.
Após se garantir de que a filha não ouviria, Hernâni contou:
- Ela sempre foi rebelde.
Depois que a mãe morreu, ficou pior.
A Hilda tem ajudado muito, mesmo assim...
Continuaram conversando mais um pouco.
Depois foram dormir.
Em uma colónia espiritual especializada em cuidar de espíritos que sofreram com a experiência do aborto, Dione, com todo o carinho, visitava lago, espírito que sua protegida Adriana havia abortado.
Com um dos enfermeiros daquela instituição, caminhavam por uma ala apropriada ao estado de lago.
- Ele tem se recuperado bem - contava o espírito Leo, enfermeiro.
Como sabe, desde o instante da concepção, o espírito designado para tomar determinado corpo, liga-se a ele por laços fluídicos que se vão encurtando, cada vez mais, até o instante em que a criança nasce e vem à luz.
O grito que oferece no instante do nascimento anuncia que aquele espírito, em forma de bebé, entrou para o mundo dos vivos e dos servos de Deus.
Qualquer forma de eliminar a vida, em qualquer momento após a concepção, é um crime contra a Criação, contra Deus.
Por isso a consciência da mulher que se coloca para a prática do aborto sempre se sente culpada.
- Algumas possuem o coração tão endurecido que não sofrem o menor remorso.
Não de imediato.
- É verdade. Algumas encarnadas não sentem qualquer culpa ou dor pela prática do aborto.
Mas, sem dúvida alguma, um dia vão sentir.
Não tem como ser diferente.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:37 am

Encarnada ou desencarnada vão experimentar remorso e culpa.
Outras ainda, que se arrependendo não admitem, são defensoras desse ato cruel para que outras mulheres se juntem a elas.
Talvez, inconscientemente, acreditem que quanto maior for o número de aliadas nessa triste prática, menos será sua dor e responsabilidade.
Quanto engano.
Também somos responsáveis por aqueles a quem induzimos ao erro e teremos de harmonizar nossos actos.
É igualmente lamentável quando encontramos aqueles que não têm uma opinião formada e isso acaba somando força aos que apoiam essa prática.
-Verdade, Leo.
Devemos ter medo e ficarmos preocupados ao sermos indiferentes quando podemos ser úteis.
Um instante e o espírito Dione quis saber:
- E lago como está?
- Técnicos, especialistas em recuperação do corpo espiritual, vêm conseguindo muito progresso.
Principalmente quando as preces, as vibrações fervorosas da mãezinha que o abortou chegam como energias vigorosas.
Não imagina como isso ajuda.
É o bálsamo medicamentoso que recupera e auxilia na cura.
Ligado, por laços fluídicos ao corpinho que se formava, lago experimentou impressões de esquartejamento.
A impiedade e a rejeição são sentimentos cruéis e os que mais castigam.
Seu corpo espiritual, pelas impressões recebidas, experimentou lacerações que, agora, na espiritualidade, precisam ser corrigidas e curadas.
Um procedimento bem semelhante de como se estivesse encarnado.
Só que aqui, na espiritualidade, tem que dar certo.
Ele precisa de tratamento no corpo espiritual e, mais ainda, na consciência.
Por essa razão, psicólogos espirituais são imensamente importantes.
Se lago não se recuperar, psiquicamente, pode permanecer com traumas ou lesões no corpo espiritual que podem impregnar e reflectir em seu próximo corpo físico, se encarnado sem perdoar à Adriana.
- A falta de perdão é algo muito perigoso.
Pais e mães que não se arrependem pela prática do aborto e não emitem vibrações de amor e pedido de perdão verdadeiro, somado aos sentimentos de revolta e ódio do filho abortado, pode resultar em renascimento de o abortado como filho com necessidades especiais entre pais que enfrentarão incontáveis dificuldades por ele.
Todo sentimento de raiva, desejo de vingança do abortado impregnam seu corpo espiritual deixando marcas e cicatrizes que vão se manifestar como doenças, síndromes ou deformidades em uma próxima encarnação como filho dos mesmos pais, ou mãe.
Essa consequência tem o propósito de fazer nascer o amor com os cuidados dispensados ao filho e com o amor e atenção recebidos.
Depois dessa experiência, o filho desencarnado perceberá que seu ódio, sua raiva só o deixou dependente daquela que tanto odiou.
Por outro lado, a mãe e o pai do filho com necessidades especiais vão se empenhar em ajudar, cuidar, proteger seu filhinho querido mais do que qualquer coisa na vida.
Fazendo nascer o amor manifesto inconsciente do arrependimento pelo acto praticado no passado.
- Conheci vários casos assim - comentou Leo.
Um, em especial, é muito interessante.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:38 am

Uma mãe abortou seu filho.
Simplesmente não queria ter filhos.
Puro egoísmo.
Sem evolução, essa mulher ainda tinha o coração endurecido na ignorância.
O filho abortado não lhe perdoou.
Odiou-a com todas as forças de seus sentimentos.
E, como você sabe, a ausência de perdão cria ferida em nosso corpo espiritual e, na próxima reencarnação, essas "feridas" somatizam-se, aparecem como doenças.
Desencarnada, a mulher sofreu ao entender o que havia provocado.
Viu o ódio de seu filho e todas as marcas no corpo espiritual pelo acto do aborto. Algo terrível.
Após muito sofrimento consciencial, ela solicitou recebê-lo, novamente, em outra oportunidade de vida terrena.
O filho reencarnou com síndrome que lhe causava limitações física e mental.
Ela não suportou e colocou-o em um orfanato. Foi triste.
Perdeu a oportunidade de evoluir e harmonizar.
O filho, novamente, não lhe perdoou pelo abandono.
Em novo planeamento reencarnatório, ela, que havia sofrido um acidente e perdido um braço, aceitou o nascimento de um filho com síndrome que o debilitou física e mentalmente.
A essa criança, dedicou-se com amor e todo o carinho por todos os anos de sua vida, criando laços de amor verdadeiro.
Hoje, sanada toda a culpa e visto que a ausência do perdão só dificulta e atravanca a evolução, eles são directores aqui, nesta colónia abençoada.
Cuidam e servem de exemplo para todos aqui.
- Quando encarnados, não entendemos as dificuldades que vivemos.
Não sabemos que elas são as experiências que vão nos fazer mais fortes e evoluídos.
Não entendemos que a falta de perdão e dedicação são o mal do mundo e o egoísmo o câncer da sociedade - comentou Dione.
Um momento e contou o que havia planeado:
- Adriana está em luto pela prática do aborto.
Esse período de tristeza está sendo voltado para a prece, dedicação ao aprendizado.
Voltado à religiosidade e, principalmente, ao desejo de organizar a vida.
Quero aproveitar essa oportunidade para apresentá-los aqui, na espiritualidade, novamente.
Essa energia manifesta em forma de crescimento e desejo no bem vai mostrar a lago que sua mãezinha deseja se melhorar e reparar o erro.
Ele precisa entender que o facto ocorreu por medo e ignorância de Adriana.
Acredito que isso irá ajudá-los e uni-los.
- Certamente.
Mas você bem sabe que não é o momento - lembrou Leo.
- Sim. Claro.
Seguiram para as câmaras onde abortados, como internados em hospital, encontravam-se.
Muitos deles estavam ali meses ou anos, sofrendo o trauma psíquico que reflectia no corpo espiritual e experiência do aborto.
Na espiritualidade, eles não conseguiam, com facilidade, livrarem-se das lembranças do sofrimento experimentado.
Quanto menos evoluído o espírito, maior era o seu sofrimento.
Todo espírito, conforme nos ensina a Codificação Espírita, mais especificamente O Livro dos Espíritos, da pergunta 93 a 95, possui um envoltório, que é o corpo espiritual.
A Doutrina Espírita o denomina como perispírito.
O espírito propriamente dito é uma centelha, uma luz.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:38 am

E é nesse envoltório, semimaterial, que é o corpo espiritual do espírito, que permanecem gravadas as sensações.
E o registo da consciência.
Nesse corpo espiritual, perispírito, ficam registados a moral, os desejos e os pensamentos.
Tudo o que se é, pensa, fala e faz como raiva, ódio, mágoa e outros sentimentos, além das práticas delituosas, imorais, agressivas vícios e outras impregnam nosso corpo espiritual.
A ausência de impregnações nesse corpo espiritual e as boas práticas mostram a luz do espírito, ou seja, exibe que esse espírito já se desimpregnou, libertou-se de vícios, de pensamentos inadequados à elevação, acções e práticas imprudentes.
Mostra que seus pensamentos e ideias são nobres.
Por essa razão, espíritos elevados são chamados de espíritos de luz.
O orgulho, a vaidade, o egoísmo, a impiedade e a falta de perdão são sentimentos e práticas que mais ofuscam o corpo espiritual, deixando o espírito sem luz.
O corpo espiritual, o perispírito, não tem sangue igual ao do corpo humano, não tem mesmo.
Suas propriedades fluídicas são outras.
Mas a mente, conforme o seu grau de evolução, fica presa, ou melhor, revive, em pensamento, as lembranças de um sofrimento moral ou físico e impregna o perispírito.
Quando se trata de dores morais como:
ódio, raiva, falta de perdão, o corpo espiritual imbui de ulcerações fluídicas que, na maioria das vezes, manifestam-se em doenças em diversas regiões do corpo físico, quando encarnado, ou se reservam, para os desencarnados, para uma próxima encarnação.
Essas doenças podem se desenvolver desde gastrite, úlceras gástricas, cefaleias, enxaquecas, tumores, cânceres etc...
Já, para o espírito desencarnado, de acordo com sua evolução, sua mente fica presa ao sofrimento experimentando e revivendo o que ocorreu no corpo de carne.
Dessa forma, ele plasma, despropositadamente, em seu perispírito, a dor que conheceu, exibindo a agressão, o corte, a dilaceração ou o sofrimento.
Quanto mais penosa e traumática for sua impressão, mais dramáticas suas lacerações e até sangue esvaindo para demonstrar sua dor.
Lógico que cada caso é um caso.
Há espíritos que vivem experiências terríveis e, por não se lamentarem nem guardarem ódio ou mágoa, por se resignarem, evoluem incrivelmente e se recompõem com bastante facilidade no plano espiritual.
As lamentações e a falta de perdão são os sentimentos que mais fazem um espírito sofrer, encarnado ou desencarnado.
Lembremos Jesus que padeceu moral e fisicamente e, luzente, perfeito, apareceu aos apóstolos no terceiro dia de sua crucificação.
Exemplo maior de resignação e perdão, que devemos aprender.
Dione e Leo se aproximaram do leito onde lago se encontrava.
Ela o observou por longos minutos.
Leo, penalizado, disse:
- Precisamos esperar mais por sua recuperação consciencial para que sejam realizadas cirurgias espirituais por especialistas nessa área.
Embora existam aqueles que, com a mesma experiência do aborto, não necessitem delas, pois se recuperam bem mais rápido.
- Sim. Isso ocorre pela capacidade de perdão - acrescentou Dione.
Alguns instantes e a bondosa mentora tocou em lago, fazendo-lhe um carinho.
O espírito em sofrimento abriu os olhos e, angustiado e sofrido, olhou-a.
- Eu sei que é capaz de me entender - disse Dione.
Procure pensar em seu corpo sadio.
Deseje, imaginando como se já estivesse perfeito. E assim será.
Um gemido e, talvez, o esboço de um sorriso triste foram a resposta.
Ficaram ali por mais algum tempo, suficiente para Dione fazer linda prece, e Leo a acompanhou.
Depois se foram.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:38 am

Capítulo 28 - Hora da verdade

De volta a São Paulo, Adriana sentia-se como se tivesse deixado metade de seu coração junto de Wagner.
Entusiasmada, contou a sua família tudo o que havia acontecido.
Sua mãe nada disse.
Havia algum tempo que Heloísa falava pouco.
Jaime, por sua vez, estava mais participativo, demonstrando interesse em tudo o que os filhos falavam.
Daniel, após ouvir a irmã, ainda brincou:
- Ainda bem que não contou pro sujeito que ele vai ser pai.
É capaz de ele voltar pro coma.
- Ai... Deixa de ser bobo! - respondeu a irmã.
- Você fez o certo, filha.
Fez o certo - concordou o pai.
- Quero uma vida mais leve, pai.
Isso faz um bem incrível.
Heloísa nada comentou.
Mais tarde, a sós no quarto com seu irmão, Adriana reclamou:
- Passei uma mensagem para a leda dizendo que estaria em casa hoje, mas ela não veio aqui.
Vai ver você aprontou alguma, né?
- Aprontei nada!
Qual é?! - ficou zangado.
Nem olhou para a irmã.
- Vocês estão conversando?
- O suficiente a caminho do serviço.
Não temos muito o que falar.
Mas... Vamos mudar de assunto!
- Tem algo importante para me dizer? - ela indagou em tom singular.
- O pai foi lá no grupo do AA.
Já tem consulta agendada com um psiquiatra, que é médico antroposófico também.
Vai começar a fazer psicoterapia e mais um tratamento de medicina oriental.
Eu o coloquei no meu plano de saúde e a partir da próxima semana esses tratamentos vão ficar mais fáceis.
- O quê?! - Adriana ficou surpresa.
Fico fora dois dias e já temos essas novidades?! - alegrou-se.
Daniel sorriu ao responder:
- Isso mesmo o que ouviu.
Ele tomou uma atitude.
Além disso, quer frequentar o centro espírita que a leda vai.
- Quanta notícia boa!
Em seguida, quis saber:
- E a mãe? Por que está com aquela cara?
- Não sei dizer - o irmão respondeu.
- Acho que é vergonha por causa de tudo.
- Pode ser. Acho que agora era a hora de ela ser mais participativa e demonstrar que apoia o marido.
Daniel ofereceu um suspiro profundo, depois perguntou:
- O que você vai fazer de sua vida, Dri?
- Como assim?
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:38 am

- Agora que a família do Wagner está sabendo, deve ter alguma ideia do que vai fazer. Ou não?
- Grávida, será difícil arrumar emprego.
Durante a viagem conversei muito com a Hilda.
Ela tem uma amiga que tem uma loja de chocolate e que está precisando de alguém para emprego temporário para o fim de ano.
Pelo menos, para eu ter um dinheirinho e não ficar parada.
Mas preciso arrumar minha documentação lá na empresa.
Eu abandonei o emprego.
Vou ver se faço isso, sem falta, na próxima semana.
- Pensei que fosse querer morar na casa do pai do Wagner.
- Seria cómodo.
Mas não sou uma pessoa oportunista, aproveitadora ou coisa assim.
Vou querer que o Wagner se recupere.
Depois vamos ver o que é preciso fazer.
Quero cuidar do meu filho.
Elevar meu lado religioso.
Tenho planos, sim.
Mas por que me pergunta isso?
- Fechei negócio com um apartamento.
Acho que, em breve vou me mudar daqui.
Mas vou dar todo o apoio.
Principalmente para o pai.
- Para dizer a verdade, Dani, eu também não quero ficar aqui.
Tenho um dinheiro guardado, mas não posso me desfazer de tudo.
Preciso fazer o enxoval do bebé...
Pagar médico, internação para o parto, pediatria...
Terei muitos gastos.
- Não posso te pagar tudo, mas vou te dar uma força.
A primeira coisa é você procurar um plano de saúde razoável.
- Obrigada por querer me ajudar.
Tomara que eu não precise.
Mas se for o caso... Vou aceitar.
Quanto ao plano de saúde, já estou vendo um.
Procurei um corrector e ele me apresentou alguns bem interessantes.
- Ainda terá o dinheiro da venda do apartamento.
- Sim. Mas ainda não posso contar com esse dinheiro.
Havia um tom de tristeza na voz e no brilho do olhar de Adriana quando disse:
- A precipitação nos faz cometer erros.
O ideal é dar um passo de cada vez.
- Você se sentiu melhor depois que viu o Wagner?
- Por um lado sim. Por outro...
Fiquei mais apreensiva ainda.
- Por quê? - o irmão quis saber.
- A hora de contar tudo está se aproximando.
- Será que precisa falar sobre o aborto? - Daniel perguntou.
- Preciso. Não tem coisa melhor do que a verdade.
Até porque tem muita gente sabendo dessa história e um dia tudo pode vir à tona.
Mesmo que não tivesse, minha consciência sabe.
Para o senhor Hernâni eu não disse nada nem vou dizer.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:39 am

Acho que ele e as irmãs do Wagner não precisam saber.
Mas o Wagner sim.
- Você disse que ele está bastante sequelado.
Acha que vai ter condições de entender tudo agora?
- Não sei. Tem hora que ele parece não entender nada do que estamos falando.
Mas, em alguns momentos, fica bem lúcido e coordena o que fala.
Está muito frágil, mental e emocionalmente.
Emociona-se fácil...
Na hora em que olha para o pai, ele tem uma parada...
Fica longe.
- Acho que, inconscientemente, deve saber que a mãe morreu no acidente e o pai é o elo dessa lembrança.
Sem o elo, sem lembrança.
Por isso não se recorda do pai.
Não é o momento de saber que dirigia o carro em que a mãe e a noiva morreram.
- Talvez seja isso.
- Não falaram nada sobre o acidente? - Daniel perguntou.
- Disseram que ele sofreu um acidente.
Mas não contaram quem estava junto.
Ele não se lembra do acidente nem do carro, de nada.
Só hoje, ao me reconhecer, lembrou-se de onde trabalha e o que fazia.
- Provavelmente, esse processo seja demorado mesmo. Tenha fé.
- É o que mais tenho.
Deus vai ajudar o Wagner.
Vai sim! - falou firme impondo desejo em seu tom de voz.
O irmão sorriu, mas seu sorriso se fechou tão rápido quanto se formou, e ela não percebeu.
Em outro dia...
Pela manhã, Adriana havia ido ao médico dar continuidade ao tratamento de pré-natal.
Hilda telefonou e convidou-a para que almoçassem juntas.
Gostaria de lhe apresentar Lídia para saber se era possível a jovem, mesmo grávida, trabalhar em sua loja de chocolate.
Após o almoço em que Lídia aceitou admitir Adriana temporariamente, Hilda a convidou para ir a sua casa.
De lá, ligaram para Hernâni para terem mais notícias.
Era princípio de noite.
Adriana mandou uma mensagem, por celular, para o irmão, pedindo que passasse na casa de Hilda para apanhá-la.
Embora morassem em bairros próximos, aquele horário seria difícil pegar um lotação.
Ao recebê-lo, acompanhado de leda, Hilda insistiu para que entrassem.
Na sala de estar, Adriana contou animada:
- O Wagner já recebeu alta e foi para a casa do pai.
O senhor Hernâni contou que o cachorro fez uma festa incrível quando o viu.
Nem deixava os outros chegarem perto.
- Ele se lembrou do pai ou do cachorro? - Daniel perguntou de modo engraçado.
Hilda e Adriana se entreolharam e a mulher respondeu com um sorrisinho engraçado:
- O Wagner se lembrou do cachorro.
Chamou-o pelo nome - Hilda contou e riu gostoso.
Daniel não aguentou e gargalhou.
Depois comentou:
- Coitado do pai dele! Nossa!!!
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:39 am

- Ao conversar com o Wagner, por telefone, achei que ele estava bem melhor do que no hospital.
Até sua voz estava melhor.
- Eu também achei - Adriana concordou.
Ele quer que eu vá, para lá, no fim de semana.
Mas, talvez, não dê. Vamos ver.
Conversaram, por algum tempo, até leda, que se achava bem quieta, pedir para ir ao banheiro.
Hilda indicou e retornou para a sala onde viu Adriana dizendo para o irmão:
- Você poderia se aproximar mais! - exclamava sussurrando.
Se gosta dela, invista!
- Já deu, Dri!
Chega - pediu, talvez, por ter visto a aproximação da mulher.
Hilda, experiente, percebeu algo no ar.
Não foi directa, mas quis saber:
- Gostei de você, Daniel.
E da leda também. Vocês namoram?
- São só amigos - Adriana respondeu no lugar do irmão.
O Dani até que tentou, mas a leda está um tanto...
Descrente. Digamos assim.
E o meu queridíssimo irmão não sabe demonstrar que gosta dela de verdade - falou em tom de ironia.
- Oh, Dri! Por favor, né?! - Daniel a repreendeu demonstrando insatisfação.
- Sabe, eu acho que entendo a leda.
Hoje em dia, as pessoas não estão respeitando umas às outras, principalmente, em matéria de sentimento.
Por isso é difícil acreditar quando alguém diz que gosta da gente.
Mas... Podemos dizer que amamos alguém sem usar a frase:
Eu te amo - comentou Hilda.
Daniel ficou atento.
Percebendo isso, ela prosseguiu:
- Através do romantismo, podemos e devemos fazer isso.
São práticas que alguns deixaram cair no esquecimento.
Um contacto, um toque, um gesto, um olhar, uma frase de elogio no instante certo.
Tudo isso diz: Eu gosto muito de você.
Todos sabemos fazer isso. Alguns têm vergonha.
Outros se esquecem. Há os que não ligam.
E ainda existem os que não aprenderam.
Mas é muito importante dizer, dessa forma indirecta: eu gosto de você.
- Acho que é meu caso - disse Daniel, praticamente, interrompendo-a.
Não tive referência. Não aprendi isso em casa.
- Sempre é tempo de aprender, Daniel - tornou a mulher.
Outro dia, eu estava assistindo a um programa de TV e um chefe confeiteiro fazia aniversário.
Sua esposa e seus quatro filhos, acho que a mais velha deveria ter dez anos e o mais novo um aninho, resolveram fazer um bolo de três andares para comemorarem a data.
A mulher dele fez uma bagunça enorme em sua cozinha e tentava, com a ajuda das crianças, deixar o bolo em pé e enfeitado.
O bolo ficou pronto.
Cada andar tinha uma cor diferente, escolhida pelos filhos.
Estava torto. Nem sei dizer como não desmanchou - riu.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:39 am

Os desenhos ou decorações que os filhos e a esposa tentaram fazer não ficaram graciosos.
Mas estava pronto.
O homem chegou a sua casa e não pôde deixar de ver a bagunça na cozinha.
A mulher pediu para que ele saísse, mas ele entrou na cozinha para lhe dar um beijo por ter chegado.
Depois, não tendo como esconder o bolo, ela o mostrou e disse ser um presente seu e dos filhos.
O confeiteiro ficou visivelmente feliz e emocionado.
Beijou-a novamente e também beijou cada um dos filhos e disse:
Esse é o bolo mais lindo que eu já vi e tenho certeza de que é o mais gostoso, pois foi você e meus filhos que fizeram.
Ninguém usou a frase: eu te amo.
Mas todos, com seus gestos, disseram que amavam o pai e ele também disse que os amava quando ficou feliz por ver o esforço de todos.
Por ele ser um renomado confeiteiro, poderia reparar os detalhes, ter dito do bolo torto e nada bonito.
Poderia ter zombado da esposa por saber fazer bolos melhor do que ela.
Mas não. Ele encontrou outra forma de dizer: eu te amo.
Eu gosto muito de você. - Breve pausa.
Então, Daniel, você precisa encontrar essa forma de dizer para essa moça que não está brincando, que gosta dela e a leva a sério.
Que ela é importante para você.
O seu silêncio em palavras e acções só prova que leda está certa.
Devemos lutar, investir, nos esforçarmos por aquilo que vale a pena.
A chegada de leda fez o assunto mudar e Hilda contornou a situação:
- A Adriana me disse que você dá aula de Evangelização Infantil na casa espírita que frequenta.
- Sim senhora - leda sorriu.
- Pode me chamar de você - pediu, sorrindo gentilmente e com fala generosa.
A jovem sorriu e respondeu:
- Tudo bem. Eu adoro o que faço.
Preparar as aulas, cantar, montar as actividades...
Continuaram conversando.
Dois dias depois...
Iam para o serviço, assim que leda entrou no carro e Daniel lhe entregou uma sacola de papelão bem bonita, amarrada com laços de fita acetinada.
- Para mim?! - estranhou e sorriu levemente.
O rapaz sorriu ao responder:
- Sim. É para você.
Ela abriu a sacola de onde tirou um livro e um CD de música que sabia que ela gostava.
- Nossa! Obrigada, Dani.
Gostei muito - pareceu bem satisfeita.
- Ainda bem que gostou - ele correspondeu ao sorriso e não disse mais nada.
Foram para o trabalho.
Ao voltarem do serviço, quando parou o carro em frente à casa da moça para que ela descesse, Daniel a chamou:
- leda! - Ao vê-la olhar...
Eu ia me esquecendo...
Isso aqui é pra você - entregou-lhe uma sacolinha.
Dentro, uma caixa bonita, lindamente decorada, com alguns bombons.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:39 am

- Obrigada, Dani - sorriu levemente.
Parecia desconfiada.
- Gostei muito.
Achou que fosse um pedido de desculpas pelo que havia ocorrido e quisesse que a amizade fosse como antes.
Virou-se e entrou sem dizer mais nada.
Embora ficasse um pouco intrigada.
E assim foi no decorrer de alguns dias
Toda manhã e à noite, Daniel passou a lhe dar um mimo, um presentinho, simples enfeite, singelo artesanato ou somente um bombom.
Teve um dia em que se lembrou de suas flores predilectas e lhe deu um maço de Gérberas e um ursinho de pelúcia.
Ela sorriu encantada.
Duas semanas depois, em uma sexta-feira, quando a moça ia descer do carro, o rapaz a chamou:
- leda - ela já esperava por aquilo e se virou preparada para ver o que iria receber.
Então Daniel disse:
- Hoje eu tive um dia muito cheio.
Não saí para almoçar e...
Alguns segundos e ficaram se olhando até ele pedir:
- Feche os olhos. Ela ofereceu leve sorriso e fechou.
Daniel se aproximou, segurou seu rosto com carinho e lhe deu um beijo demorado no rosto.
Após suave afago, falou:
- É o que tenho hoje para representar o quanto gosto de você.
Séria, leda suspirou fundo.
Por sua expressão, era impossível identificar seus sentimentos.
A moça não disse nada e desceu do carro.
O rapaz ficou olhando-a seguir portão adentro.
Quando ia chegando perto da porta para abri-la, parou.
Daniel, que estava com o carro ligado e pronto para sair, ficou atento. Decidiu esperar.
leda se virou.
Voltou até o portão e cruzou a calçada.
Chegando até o vidro do carro que ele abaixou, indagou:
- Por que você está fazendo isso?
- Para mostrar o quanto gosto de você - respondeu com simplicidade e de modo meigo.
- Que droga, Daniel!
Que droga! - disse tão somente e ficou zangada.
Deu as costas e entrou.
O rapaz sorriu largamente.
Sentiu que atingiu seu objectivo.
Ao chegar a sua casa, foi para o quarto que dividia com a irmã e a encontrou fazendo as malas.
- A Hilda vai passar aqui amanhã bem cedo e vamos para Peruíbe.
Você não quer vir junto?
- Acho que não fica bem, né?
- Verdade.
- Além do que, tenho de ir ao apartamento amanhã.
Marquei com um pintor.
Já tenho algumas coisas lá.
Você precisa ir ver.
- Quero ver sim.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:40 am

Mas vai ter de ser em outro dia.
Subitamente, Adriana perguntou:
- E a leda?
- O que tem ela?
- Está sumida. Não veio mais aqui.
Também estou sem tempo de ir lá.
Mal nos falamos por algumas mensagens.
O irmão nada disse e ela comentou insatisfeita:
- Você, hein!
- O quê?!
- Está conseguindo estragar nossa amizade.
- Não estraguei nada - Daniel se defendeu.
- Sabe qual é o seu problema, Dani?
Não esperou e respondeu:
- Você nunca levou ninguém a sério.
- Nunca levei a sério mulheres que não se levam a sério.
O mundo está cheio de interesseiras e aproveitadoras.
Minas que querem um homem para se encostar.
- Por que existem muitos caras aproveitadores!
- Olha, Dri, como homem quero alguém para dividir comigo, para crescermos juntos.
Não procuro uma mulher perfeita, mas não quero ser explorado e exigido.
Tem muitas por aí que pensam que homem é trouxa.
Elas se vestem, se maquiam, se produzem toda para provocarem e conquistarem alguém que sustentem tudo aquilo.
Na verdade não estão a fim de se sustentarem, de assumirem responsabilidades.
Querem juntar ou casar e deixar as despesas da casa por conta do trouxa do cara.
Quer que o sujeito banque o luxo, desde a academia até as roupas ou o salão de beleza.
Ficam exigentes, querem mordomia.
Ainda gritam e se transformam em controladoras.
Daí que o cara chega em casa, não encontra nada arrumado, muito menos comida pronta ou roupa no lugar.
Mulheres que usam o corpo para segurarem um cara, é comerciante, para não dizer um nome pior.
Essas não se valorizam.
Porque eu teria de valorizá-las?
- Credo, Daniel!
Que bicho te mordeu?!
- É a pura verdade!
Estou com trinta e um anos.
Vejo colegas meus que se atraíram por mulheres que só pensaram no corpinho bonito espremido num vestido de periguete.
Que, aliás, diga-se de passagem, eu teria vergonha de estar ao lado de alguém que se vestisse assim, pois não sou cafetão.
Daí esses colegas se casaram e o casamento não durou nem seis meses.
Minas que se oferecem está cheio.
Mulheres de verdade, que se valorizam, se preservam, cultivam outros valores e não ficam se expondo, é coisa rara hoje em dia.
- Se você está a fim de pessoa certinha vai ter de procurar num convento.
Se é que lá vai encontrar.
- Não, Adriana.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:40 am

Você não entendeu.
Não quero uma freira.
Não estou atrás de uma virgem.
A pessoa precisa de experiências de vida em todos os sentidos, mas não precisa exagerar!
É preciso se amar, cultivar princípios e valores morais, culturais e religiosos.
Se não tiver isso, como poderá construir um caminho próspero, promissor, equilibrado e saudável?
Não houve resposta.
- Se você não faz isso por si mesma, não fará quando estiver com alguém ao lado.
Suas escolhas no presente constroem seu caminho para o futuro.
Por isso, cuidado com o que você escolhe e constrói.
Breve pausa.
- Olhe para você. Não pensou direito.
Tomou decisões erradas e sofreu muito por isso.
Agora não consegue voltar atrás.
Tem de enfrentar pessoas, passar por constrangimentos que poderia ter evitado.
Isso o que vive não foi destino. Foi escolha.
Nem sempre o destino está escrito.
Estou achando legal ver que você não quer ser aproveitadora ou oportunista e se encostar na família do Wagner.
Nota dez pra você!
Muitas outras, provavelmente em seu lugar, adorariam encostar no cara ou na família dele e serem servidas, se achando vítimas das circunstâncias.
- Não precisa me jogar na cara os meus erros.
- Não estou fazendo isso.
Só estou te usando como exemplo.
- Quero usar essa má experiência para o meu crescimento.
Sofri sim e ainda sofro.
Mas não me considero vítima.
Vou lutar, trabalhar e fazer sei lá mais o quê para reverter essa situação - disse Adriana séria.
- Isso é legal de ouvir!
Você fez besteiras, acreditou em alguém que não merecia, mas agora estou vendo que quer corrigir tudo, começar de novo.
Isso é de se admirar!
Continue sendo lutadora.
Procure ser equilibrada sempre.
Esses são valores que te classificam.
Um momento e comentou:
- Quando você diz que eu nunca levei ninguém a sério, está enganada.
Só tratei a pessoa como ela quis.
Quando nós nos amamos, nos respeitamos, nos valorizamos por meio dos nossos pensamentos, palavras e comportamento, ensinamos aos outros como eles precisam nos tratar.
Isso serve para homens e mulheres.
Não sou machista. Sou maduro.
Tem cara que quer ganhar bem, ter óptimo emprego, mas anda todo mal vestido, com calça caindo, cabelo desarrumado, tingido de cor estranha e cortado ridiculamente.
Todo tatuado e cheio de pirceng.
E quer o quê?
Arrumar um emprego de categoria em uma grande empresa?
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Ave sem Ninho

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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:40 am

Quer ser director financeiro?
Ser respeitado?
Nunca vai conseguir uma função renomada, respeitada e que ganhe muito bem com essa aparência.
E pior! - ressaltou. - Depois vai se revoltar contra a classe alta, capitalista ou coisa assim.
Vai se tornar mais um dependente da saúde e educação pública, sustentada pelos altos impostos, pagos pelos ricos capitalistas e mal administrados por um péssimo governo ladrão.
Isso serve para homens e mulheres.
Eu vejo lá na empresa onde trabalho.
No alto escalão, temos homens e mulheres vestidos de acordo.
Sem cabelos azuis ou verdes.
Sem tatuagens berrantes ou agressivas aparecendo nem pirceng que danificam ou deixam a aparência comprometida, disforme.
Mas os peões, como são chamados, possuem uma aparência...
Como dizer?... - pensou.
- Incompatível com os princípios da organização.
Alguns parecem piratas ou nativos do Caribe na Idade Média ou sei lá o quê.
Com certeza, não parecem pessoas confiáveis, pois, se são capazes de fazer aquilo com eles, o que dirá com outra pessoa.
- Isso é preconceito! - a irmã protestou.
- Concordo.
Mas vai dizer isso para os grandes empresários.
Vejo mulheres que estão com cabelo desfiado, raspado, cortado estranho, pintado de verde ou rosa ou sei lá... com roupa curta demais, justa demais, rasgada...
Agora me diz:
Como os presidentes e directores dessa empresa podem promovê-las a cargos executivos, que representem a instituição que tem que ter respeito no mercado?
Como pessoas assim vão cuidar de negócios de alto nível e serem levadas a sério?
Não houve respostas.
- Podem até ser competentes, mas será difícil darem uma oportunidade.
Esse pessoal não vai passar das funções que ocupam.
É lógico que a empresa vai querer pessoas que se vistam, falem, conversem, tenham postura, aparência que traduzam respeito e dignidade para representá-la, além de estudo e conhecimento.
Depois, o sujeito que está há anos na empresa e não é promovido, reclama porque chegou alguém de fora para ocupar a função.
Breve pausa.
- Em pouco tempo lá na empresa, se você visse como a leda é bem quista e valorizada pelo conhecimento, comportamento, aparência e a forma de se apresentar...
Nem te conto!
Fiquei impressionado, pois outros directores já a indicaram para uma promoção.
Ela nem sabe.
- Sério?! - alegrou-se a irmã.
- Sério. Isso faz a diferença.
Não adianta reclamar.
Aqueles que se valorizam e se respeitam, impõem à sociedade como deve ser tratado.
Se você usar palavras chulas, fizer fofocas, você também será desrespeitada e não será bem vista.
Muitas vezes, a mídia impõe algo como padrão de beleza e comportamento, só que esse visual ou linguajar desvalorizam a pessoa e ela nem percebe.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:40 am

Cria-se então uma pessoa revoltada e sem princípios por não se sentir aceita.
Uma coisa é moda, outra é bom senso.
Tomemos cuidado com o linguajar, a vestimenta, o comportamento, a aparência, a educação e o respeito que expressamos. Somos um todo.
- Talvez, você tenha razão - Adriana disse, mas não se alongou.
Percebeu que o irmão defendia uma opinião e seria difícil vencê-lo no debate.
- Voltando ao início da nossa conversa - ele riu.
Hoje, mais maduro, estou mais observador.
Por valorizar a leda, estou procurando tratá-la como ela quer e merece.
- O que ela quer? - sorriu curiosa.
- Ser conquistada.
- Ah, Dani...
Se, nos dias de hoje, uma mulher esperar um homem se aproximar para conquistá-la!...
- Então se joga desesperada pra cima do primeiro cara que aparecer e vai ver o que acontece.
Certamente vai se decepcionar. Depois me conta!
As mulheres parecem desesperadas!
Com medo de ficarem sozinhas!
Acreditam serem libertas e liberais, mas acabam se colocando como suas bisavós que, no passado, temiam se auto-sustentar e ficarem solteiras.
- Ah! Dani! Credo!
Hoje você está terrível!
Não tá dando pra conversar com você!
O irmão riu gostoso e saiu do quarto, mas antes disse:
- É só pra reflectir!
Wagner se recuperava.
Mais animado desde que recebeu alta.
Ainda ficava bastante tempo confinado à casa de seu pai por ter gesso em uma das pernas e precisar usar um aparelho para o alongamento do osso na outra.
O rapaz dependia de cadeira de rodas.
Hernâni, com muita paciência, mostrava ao filho fotografias e filmagens dele com a família para, aos poucos, tentar fazê-lo lembrar, conforme orientação do médico.
- Aqui estamos todos nós - disse o pai ao exibir uma fotografia com ele, a esposa e os três filhos.
O rapaz parou.
Fitou a imagem por longo tempo e chorou.
- O que foi, filho? - o senhor perguntou.
- Pai... - balbuciou.
- O que é? Lembrou?
- Não de tudo... Mas...
Você é meu pai...
Ela... - apontou - Minha mãe - falava com dificuldade, embora estivesse melhor.
Mas só sei disso...
Não lembro o resto.
Lembro de uma festa, mas podem ser outras festas misturadas...
Não sei se é festa...
- Sua mãe gostava muito de reunir os parentes e amigos aqui em casa.
Era comum fazermos churrascos, luau ou coisa assim.
Principalmente, quando você vinha pra cá.
- Ifigénia... - murmurou e o pai sorriu.
Ele estava lembrando.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:40 am

- É o nome dela... Ifigénia.
Longa pausa em que secou o rosto lentamente e perguntou:
- E ela? Onde está?
- Ela morreu no mesmo acidente que te deixou assim - contou conforme orientação do neurologista, para não criar impacto.
Embora isso fosse inevitável.
- Morreu?!...
- Sim, filho. Ela morreu.
Vocês estavam lá no seu apartamento em São Paulo e viajaram de volta para Peruíbe.
Não se lembra? - Não houve resposta.
O rapaz ficou pensativo.
Em seguida, o pai mostrou outra foto dele com Sabrina.
- Conhece essa moça?
Wagner ficou olhando por longo tempo.
Não sabia dizer quem era.
Enciumada, Celine andava de um lado para outro, fazendo barulho ao respirar ou batendo algo para chamar a atenção.
- Não adianta!
Não vê que ele ficou retardado?!
Não percebeu?! - exclamou com jeito rude.
Wagner a olhou de modo estranho.
Parecia não entender ou não conseguia ter reacção para se defender.
Hernâni se levantou, pegou Celine pelo braço e a levou para outro cómodo onde exigiu, sussurrando:
- Pare de provocar!
Deixe de ser agressiva e revoltada!
- Era ele quem dirigia!
Foi culpado por tudo!
Matou a mãe e a noiva e precisa saber!
- Não por você!!! - o pai ficou furioso.
- Como você é injusto! - exclamou.
Puxou o braço num gesto violento e foi para o quarto.
Hernâni voltou para a sala.
Wagner, que pareceu não ter percebido a discussão, ainda se achava com a fotografia nas mãos, falou:
- Essa moça estava lá no quarto do hospital...
- Como, filho?
- Ela estava no quarto...
Eu vi... - falou com dificuldade.
Tava no chão... Depois sumiu...
Mas eu não conseguia me mexer.
Ela falava comigo, mas tinha aqueles tubos na minha boca... - isso havia ocorrido logo após a primeira cirurgia.
- Essa moça é a Sabrina.
Não se lembra dela?
Celine, que espiava, surgiu inesperadamente e gritou:
- Você a matou! Seu idiota!!!
Matou ela e a nossa mãe!!!
Wagner ficou perturbado.
Sentiu-se confuso e atordoado.
Hernâni se levantou subitamente, pegou Celine pelos braços e a chacoalhou.
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Re: Construindo um caminho - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 21, 2017 11:41 am

- Cale sua boca!!! - exigiu.
A filha se remexeu e se soltou.
Um pouco longe do pai, gritou:
- Ele precisa saber que é um assassino!!!
Que tava dirigindo e matou a mãe, a Sabrina, que era noiva dele, e quase me matou!
Precisa saber que traiu a Sabrina com a Adriana e quando a noiva foi lá pra São Paulo aproveitou e deu o fora nela!!!
Depois voltamos e eles brigaram no caminho todo!!!
Ele não prestou atenção e bateu o maldito carro que não sobrou nada!!!
Hernâni, enfurecido, aproximou-se da filha e deu-lhe um tapa no rosto.
Em meio a tudo o que a filha dizia, o homem não havia percebido a campainha tocar e a empregada atender.
Naquele instante, Hilda e Adriana entrarem na sala e a mulher, que tinha visto a cena, foi para junto dele.
Entrou no meio, separou-os e levou Celine, chorando para o quarto.
Wagner sentia-se muito mal.
Nem se importou com a chegada de Adriana.
Tudo era muito confuso em sua mente.
Imagens, que a princípio não era capaz de entender ou associar às suas experiências, surgiram à sua mente, confundindo-o e provocando sensações físicas que desconhecia.
Seu rosto esfriou e achou que fosse desmaiar.
Não conseguia escutar o que seu pai e Adriana falavam.
Os minutos de mal-estar deram a impressão de serem eternos.
Aos poucos, foi se recompondo e aceitou o copo com água e açúcar que o pai oferecia.
O impacto cruel das informações fornecidas irresponsavelmente pareceu destruí-lo.
Lágrimas correram por seu rosto e ele esfregou sem erguer a cabeça.
Alguns instantes e olhou para o pai perguntando:
- É... verdade?
- Não da forma como ela contou - o senhor respondeu solene.
- Eu dirigia?
- Sim, filho - confirmou sentindo uma faca atravessar seu coração.
Adriana ficou calada.
Achou melhor não se manifestar e permaneceu ao seu lado.
- Filho, olhe para mim. Preste atenção.
Ao vê-lo erguer o olhar, Hernâni alertou em tom comovido:
- Sua irmã, a Celine...
Talvez você não se lembre direito. Mas...
Precisa saber que ela não é confiável.
Sempre altera factos, adultera informações.
É exigente. Quer ser o centro das atenções.
Não podemos acreditar nela.
Celine sempre teve ciúme de você.
Por favor, não acredite nela.
- Mas eu dirigia...
- Sim. É verdade.
Mas a carreta estava sem sinalização, com luzes apagadas e mal estacionada.
O carro à sua frente desviou rapidamente e você não teve como fazer o mesmo.
O veículo que vinha atrás do seu também bateu em seu carro.
Muito provavelmente, ele cooperou para comprometer mais ainda os danos e as mortes dos que estavam junto com você.
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