O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 25, 2017 7:23 pm

Está dizendo que eu escolhi passar por tudo aquilo?
Nascer em uma família pobre?
Ter conhecido e perdido você?
Ter passado tantos dias dentro
daquele navio imundo, ver tantas pessoas, tão pobres como eu, morrerem com aquela doença que ninguém sabia de onde tinha vindo e, depois, serem jogadas ao mar sem direito a uma sepultura!
Depois de presenciar tanto sofrimento, depois de sofrer tanto.
Está dizendo que fui eu quem escolhi?
Acha justo eu ter morrido e ter deixado a Maria sozinha em um mundo cheio de sofrimento?
Acha justo ela, daquele tamanho, ficar sozinha?
Não, Manolo, ninguém com um pingo de juízo escolheria viver daquela maneira! — estava nervosa e revoltada.
— Sei que tudo o que disse parece ser verdade, mas a realidade é outra.
Escolhemos, sim, Lola.
Maria também escolheu essa vida que está tendo.
Nós viemos para lhe dar a vida, mas o resto será por conta dela.
Fizemos a nossa parte.
Todo espírito nasce criança, depois cresce e, por toda a vida, poderá fazer suas escolhas.
Durante a vida, embora já saiba, voltará a aprender o que é certo e errado.
Nós fizemos as nossas escolhas.
Cumprimos nossa parte no acordo firmado, antes de nascermos.
Agora, cabe à Maria fazer a parte dela.
Deus é um Pai tão amoroso que nos dá a oportunidade de resgatarmos nossos erros e maldades da maneira que quisermos.
— Erros? Que erros, Manolo?
Não tive tempo para cometer erros ou maldades!
Nunca fiz mal algum para ninguém!
— Nesta vida foi assim, mas e nas outras?
— Que outras, Manolo?
Nunca tive outras vidas!
— Teve sim, Lola.
Assim como eu e todas as pessoas que conhece.
Tivemos outras vidas e nem sempre fomos bons como somos nesta.
Por isso, escolhemos a vida que desejávamos ter para podermos nos aperfeiçoar.
— Não acredito nisso.
Mesmo que acreditasse que realmente tive uma outra vida, como nunca lembrei e não lembro agora?
— Novamente é a bondade de Deus que se faz presente.
— Como?
— O esquecimento faz parte do aprendizado.
Se nós nos lembrássemos do que fizemos em outras vidas, como poderíamos encarar o inimigo de outrora?
Como poderíamos perdoar e ser perdoados? O esquecimento é um bem maior, é a nossa protecção e a ajuda que precisamos para amar, perdoar e evoluir.
O espírito vem de longa data, sempre aprendendo e caminhando para a Luz.
— Tudo isso é muito complicado.
Mas, por mais que queira me explicar, não consigo aceitar.
— Não se importe com isso.
Com o tempo, entenderá e aceitará. Agora, vamos?
Sei que vai gostar daquilo que vou lhe mostrar.
— Não tenho a menor ideia do que vai me mostrar, porém, se diz que vou gostar, já estou curiosa.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 25, 2017 7:23 pm

— Não precisa ficar curiosa. Vamos?
Ele pegou na sua mão e, em poucos segundos, estavam diante de um portão reconhecido por Lola, que, deslumbrada, disse:
— É o sítio da dona Isabel?
Ela está aqui?
Ele sorriu.
A porta da casa se abriu e por ela saiu, sorrindo, dona Isabel, que, caminhando lentamente, disse:
— Estou aqui, Lola, e ansiosa por reencontrar você.
Eu e Manolo resolvemos fazer uma surpresa a você.
Por isso, ele disse que não sabia onde eu estava.
Lola, ao vê-la, não se conteve e, com os braços abertos, correu em sua direcção.
Dona Isabel também abriu os braços e elas, chorando, se abraçaram e se beijaram no rosto.
Após o abraço, Lola disse:
— Precisei tanto da senhora? Soube o que me aconteceu?
— Soube. Estive ao seu lado durante todo o tempo.
Sei que meus filhos, não atendendo a um pedido meu, a expulsaram da minha casa.
— Eles fizeram isso e eu fiquei sem saber o que fazer.
Fiquei quase louca de preocupação.
— Sei disso, como todo espírito, quando renascido, não confiou na bondade de Deus, não acreditou que um caminho surgiria e que tudo ficaria bem.
O dia em que o espírito aprender a confiar, muito sofrimento inútil será evitado.
Você nunca esteve sozinha.
Eu e Manolo estivemos ao seu lado o tempo todo.
— Agora sei disso, mas, quando estava passando por todo aquele problema, não sabia.
Por isso sofri tanto.
— Como pode ver, foi um sofrimento inútil.
Perdeu horas de sono, horas valiosas que poderiam ser dedicadas à felicidade, mas, como já disse, é sempre assim. A ansiedade e a falta de paciência são as causas de muito sofrimento.
Um dia, todo espírito aprenderá que deve sempre confiar em Deus e na sua sabedoria.
Aprenderá que nada acontece sem que seja programado individualmente.
Somos donos do nosso destino, Lola.
— Quanto aos seus filhos, a senhora ficou triste?
— Eles, embora não saibam, chegará o dia em que se arrependerão do que fizeram e sofrerão por isso.
Embora tenha parecido maldade, na realidade, não foi.
Precisavam fazer aquilo, para que você fosse obrigada a ir embora, a conhecer Rafael e Carmem.
Eles fazem parte das escolhas de Maria.
— Manolo me falou sobre isso, mas preciso confessar que não entendi muito bem e que não aceito que eu tenha escolhido uma vida tão triste, que tenha escolhido ter deixado a minha filha sozinha.
— Ela não está sozinha, Lola!
Estaremos sempre ao seu lado, ajudando-a com bons pensamentos nos momentos difíceis, dando-lhe boa intuição para que possa escolher o melhor caminho.
Porém, no final, tudo dependerá dela, do seu livre-arbítrio.
Agora, vamos entrar.
Preparei aquela "paella" de que você gosta tanto.
Entraram e Lola, ao reconhecer em detalhes a casa onde havia morado com Manolo, curiosa, perguntou:
— Estamos no sítio, dona Isabel?
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 25, 2017 7:23 pm

Isabel riu e respondeu:
— Não, Lola. Se estivéssemos lá, ele seria assombrado. — disse, rindo.
Quando cheguei aqui, após algum tempo me perguntaram onde eu queria morar.
Respondi que o único lugar em que viveria feliz seria naquele lugar em que vivi toda a minha vida.
Atenderam ao meu pedido e aqui estou, vivendo no sítio.
— Mas é igual ao outro!
— Sim. Foi da maneira que eu quis.
Venha, sente-se aí nessa cadeira e vamos comer.
— Sabe de uma coisa, dona Isabel?
Embora Manolo tenha dito que eu estou morta, custa-me a crer, pois estou com muita fome.
Como isso pode ser?
— Isso acontece no início.
Mas, com o passar do tempo, perceberá não há necessidade de se alimentar.
Eu, embora já esteja aqui há algum tempo, ainda sinto falta.
Outros, porém, logo deixam esse hábito para trás.
Em seguida, ela colocou sobre a mesa a comida de que Lola tanto gostava e começaram a comer.
Quando terminaram, satisfeita, Lola disse:
— Que saudade que eu sentia da sua comida, dona Isabel!
Ninguém cozinha igual à senhora!
Isabel sorriu:
— Cozinhei para você, Lola.
Manolo já está acostumado, passa sempre por aqui.
— É verdade. Gosto de vir até aqui, pois podemos nos lembrar do tempo em que passamos juntos e que, apesar de tanta pobreza, éramos felizes.
— Éramos mesmo, Manolo.
Pena que durou tão pouco tempo.
Ainda não entendo por que você teve de morrer tão cedo me deixando sozinha.
— Também tive essa dúvida, mas depois de ser esclarecido, entendi que era necessário.
— Ainda não entendo e acho que também preciso ser esclarecida, mas, agora, o que mais quero é ver a minha menina.
Podemos ir até ela?
— Sim, Lola.
Na fazenda está amanhecendo e eles, embora estejam dormindo, estão prestes a acordar.
Esse é o melhor momento para que possamos nos ver e conversar. Vamos?
— Vamos, sim, dona Isabel!
Estou morrendo de saudade deles e, principalmente, da Maria.
Saíram dali e, em poucos segundos, estavam na fazenda.
Lola olhou tudo e disse, admirada:
— Como é grande!
— Sim, é muito grande.
Mas vamos entrar naquela casa.
É ali que eles estão.
Lola olhou para o casebre e se admirou:
— Eles estão morando nessa casa?
— Sim. Foi tudo o que encontraram quando aqui chegaram.
— Como pode ser, dona Isabel?
E a riqueza que diziam ter neste país?
— O país realmente é rico, tem terras boas para o plantio, mas cada pedaço delas tem dono.
— Então não conseguiram as terras tão sonhadas?
— Não, Lola. Estão trabalhando e receberão a metade de tudo o que colherem.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 25, 2017 7:24 pm

— Isso me parece muito bom.
Afinal, não são empregados.
Isabel ia dizer mais alguma coisa, porém Manolo falou:
— Precisamos nos apressar.
Está quase na hora de eles acordarem.
Entraram na casa.
O primeiro lugar que viram foi a cozinha.
No fogão, algumas brasas ainda estavam acesas.
Quando entraram no quarto, viram Carmem dormindo ao lado de Maria em uma cama de casal e Rafael dormia em um colchão colocado no chão.
Olhou para Maria e, com lágrimas nos olhos, disse:
— Como ela cresceu, Manolo!
Está linda!
— Cresceu, sim.
Já se passou muito tempo desde que tudo aconteceu.
Os imigrantes trabalharam muito e já está quase na hora de colherem o que plantaram.
A colheita vai ser boa.
Lola não deu muita atenção para o que ele disse.
Só se importava com Maria.
Correu para junto dela.
Queria abraçá-la, mas foi impedida por Manolo:
— Não, Lola! Espere!
Ela, sem saber o motivo daquela atitude, parou, perguntando:
— O que aconteceu, Manolo?
Por que não posso abraçar e beijar a nossa filha?
— Embora não pareça, Lola, você está morta, não está mais usando o corpo físico, portanto sua energia é diferente daqueles que ainda estão presos ao corpo.
Por isso, se tocar nela agora, sua energia, por ser diferente, poderá lhe fazer muito mal.
— Está dizendo que não posso abraçar minha filha?
— Infelizmente, essa é a verdade.
Poderá olhar, ficar ao seu lado sempre que quiser, mas mantendo sempre uma certa distância.
Lola começou a chorar:
— Isso não é justo, Manolo...
— Pode parecer que não seja justo, mas é necessário.
Isabel, que a tudo acompanhava, disse:
— Ele está certo, Lola.
Precisa ser assim.
Por outro lado, por você ter sido um espírito bom, que cumpriu o que prometeu, dando à Maria a oportunidade de nascer, pode, hoje, estar aqui ao lado dela.
Se tivesse agido de maneira diferente, talvez nunca mais pudesse vê-la. Lola, em pensamento, agradeceu a Deus por aquela oportunidade.
De longe e com lágrimas nos olhos ficou olhando para Maria que dormia tranquila.
Estava quase na hora de acordarem.
Lola, Isabel e Manolo continuavam ali, esperando.
Carmem foi a primeira a vê-los.
Embora seu corpo ainda estivesse dormindo, seu espírito estava alerta.
Abriu os olhos e olhou para Maria, depois para Rafael, pensou:
Por mais que eu faça, ele não se esquece da Lola.
Sempre que chega a casa, seus olhos e atenção são só para você, monstrinho!
Sei que, enquanto existir, ele não se esquecerá da sua mãe. Por isso preciso encontrar uma maneira de me livrar de você, assim como fiz com sua mãe...
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 25, 2017 7:24 pm

Lola, ao ouvir aquilo, ficou sem entender o que estava acontecendo.
Olhou para Manolo e Isabel que acompanhavam o que Carmem pensava.
Isabel colocou um dos dedos sobre a boca num sinal para que Lola se calasse e olhou novamente para Carmem.
Lola entendeu o que ela queria dizer com aquele gesto.
Calou-se e voltou sua atenção para Carmem, que continuava a pensar:
Do que adiantou eu ter provocando a morte da sua mãe, se você continua aqui?
Pensei que, ao colocar um pedaço de tecido contaminado sobre ela sempre que dormisse e o retirasse algum tempo depois, tudo terminaria.
Quando ela pegou a doença e morreu, ninguém desconfiou e eu pensei estar livre, mas isso não aconteceu.
Do que adiantou? Rafael não me quer.
Só pensa nela e em você.
Embora eu tenha pensado muito, ainda não encontrei uma maneira de me livrar de você sem levantar suspeita sobre mim, vou encontrar e não pode demorar muito.
Rafael, a cada dia que passa, mais gosta de você e não se esquece de sua mãe.
Por que você precisava ser tão parecida com ela?
Se continuar ao nosso lado, ele nunca me verá como uma mulher, somente como amiga... como irmã...
Lola, horrorizada, ouviu aquilo.
Seu primeiro impulso foi o de se atirar sobre Carmem e socá-la, mas foi impedida por Manolo:
— Não faça isso, Lola.
Você está acima de toda essa maldade.
Entregue nas mãos de Deus.
Ele saberá como agir... não cabe a você...
— Como não, Manolo?
Ela me matou, me afastou da minha filha!
Como pode continuar impune?
Precisa ser presa!
— Muitas vezes a justiça dos homens falha, mas a de Deus, não.
Ela terá a punição que merece e não cabe a nós dizer qual será.
— Por que ela fez isso? Parecia ser minha amiga!
— Nunca foi sua amiga e essa inimizade vem de muito tempo.
Várias vezes renasceram juntas para resolverem, mas nunca aconteceu.
Dessa vez, tiveram uma nova oportunidade, que não foi aproveitada.
— Ela pensa em matar nossa filha, Manolo!
Não podemos deixar isso acontecer! Precisamos proteger Maria!
— Acalme-se, Lola.
Entendo o seu desespero, mas nada poderemos fazer.
Cabe a ela, usando do seu livre-arbítrio, escolher o que fazer.
— Não entendo o que se passa aqui deste lado!
— O que você não entende?
— Por tudo o que vocês me disseram, posso ter a casa que quiser, viver da maneira com que sempre sonhei, mas não posso impedir que um crime seja cometido?
— Não pode impedir, Lola.
Embora possa ter, aqui, tudo com o que sonhou, existem leis que precisam ser cumpridas.
Entre elas, a do livre-arbítrio é uma das mais sérias.
Não podemos interferir nas escolhas que qualquer um fizer.
Carmem está vivendo um momento importante, que poderá ser de perdão, de arrependimento e de resgate, mas cabe a ela decidir, só a ela.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:26 pm

— Está dizendo que ela pode matar a Maria e que nada vai lhe acontecer?
— Não, Lola. Estou dizendo que ela pode criar Maria com amor, dar-lhe toda segurança, ou pode, como você diz, matá-la, carregando, assim, mais uma culpa para ser resgatada.
— Desculpe, mas não posso aceitar isso!
Não vou permitir que faça mal à minha filha!
Dizendo isso, jogou-se sobre Carmem, que no mesmo instante, sentiu tontura e falta de ar.
Desesperada, acordou totalmente e gritou:
— Rafael, acorde!
Não estou bem...
Ele, assustado, acordou, sentou-se na cama e perguntou:
— Que aconteceu, Carmem, por que está assim?
Ela, com dificuldade, respondeu:
— Não sei, estava bem.
Estava dormindo, me senti mal e acordei com falta de ar.
Ele, sem saber o que fazer, levantou-se, foi até a cozinha, pegou uma caneca de alumínio e, de uma moringa, pegou água.
Colocou um pouco de açúcar e voltou para o quarto.
Entregou a caneca para Carmem, dizendo:
— Beba um pouco de água e, se não melhorar, vou falar com o senhor Pablo.
Ele deve ter algum tipo de remédio.
Carmem, assustada e com dificuldade, bebeu a água.
Nesse mesmo instante, Isabel e Manolo, cada um de um lado, seguraram os braços de Lola e fizeram com que ela se afastasse de Carmem.
Isabel, com a voz firme, disse:
— Afaste-se dela, Lola!
Se lhe fizer algum mal, passará de vítima a agressora e terá de responder por isso!
Com muita raiva, Lola se afastou, mas não se conformava:
— Como posso responder?
Foi ela que me fez tanto mal!
Fez com que eu morresse e agora quer matar a minha filha?
Ela não vai responder por isso?
— Claro que vai, Lola, mas não por suas mãos.
Todos responderemos por nossos actos.
Ela pode querer matar sua filha, mas será que vai conseguir?
Será que, no último momento, não vai se arrepender e não fará isso?
— A senhora está dizendo que ela não vai conseguir?
— Não sei, Lola, apenas estou desejando que ela se arrependa.
Mas, em última instância, só ela poderá decidir.
A nós cabe ficarmos ao lado de Maria e tentar fazer o máximo que pudermos para protegê-la, nada além disso.
— Maria é ainda uma criança, não tem como se defender!
— Ela, agora, é apenas uma criança, mas já foi adulta e cometeu alguns erros.
Aliás, erros não.
O certo e o errado dependem da época em que se vive.
O que foi errado ontem, hoje já não é mais.
Cometeu alguns enganos e terá de responder por eles.
A hora do confronto sempre chega.
Essa é a hora em que os inimigos se encontram para resgatar enganos cometidos.
A hora delas é esta.
— Não acredito que vou ter de ficar ao lado da minha filha, vendo-a sofrer sem nada poder fazer...
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:26 pm

— Poderá fazer muito, Lola.
— O quê?
— Orar, enquanto eu e Manolo jogamos muita luz sobre Carmem e pedimos que ela não cometa mais uma loucura.
— Orar por ela? Como posso fazer isso?
Ela me matou e está querendo matar minha filha!
— Isso não faz com que não seja um espírito companheiro do mesmo grupo ao qual muitos pertencem e que estão caminhando para a Luz.
Já lhe disse que não cabe a nós o julgamento, somente amor, perdão e desejo de que nossos inimigos encontrem a paz que só será conseguida, quando entenderem que a vida terrena é curta e que temos toda uma eternidade para viver e aprender.
Só assim, poderão continuar a jornada.
Por isso, minha filha, acalme-se, entregue a vida da sua filha nas mãos de Deus.
Somente Ele saberá o que fazer.
Nunca se esqueça de que somos apenas aprendizes.
— Entendo que o que está dizendo é o certo, mas não sei se vou conseguir.
Estou com muita raiva e medo daquilo que ela possa fazer com a minha filha.
— Não adianta ter medo e esta palavra, raiva, é muito forte.
Tudo será como tem de ser.
— Nunca desconfiei de que ela gostasse de Rafael, sempre pensei que fossem apenas amigos.
— Para ele, ela sempre foi uma amiga.
Ele gosta dela como irmã, mas ela não se conforma com isso.
Gosta dele desde criança.
Esse amor foi ficando cada vez mais forte, o que a levou a cometer a loucura de matar você e, da maneira que está, matará qualquer uma que se aproximar dele.
Ela não sabia, mas você morreria de qualquer maneira e ela teria de criar sua filha.
O seu papel foi apenas o de permitir que Maria nascesse saudável.
O resto cabe a Rafael e a Carmem.
— Como pode ser?
O que faz com que a senhora fale isso?
— Somos espíritos que caminham juntos há muito tempo.
Antes que renascêssemos, houve muito planeamento.
Todos nós o acompanhamos e aceitamos como seria nossa vida na Terra.
Sabíamos que nos encontraríamos e o que precisávamos fazer.
— Fazemos parte de um mesmo grupo?
Por quê? Existem outros?
— Sim, muitos outros.
No começo, alguns foram formados pela afinidade.
Depois, ao longo do caminho, o ódio, a mágoa, o ciúme e a inveja foram afastando uns dos outros.
Agora, precisam se reencontrar.
Precisam fazer com que a afinidade e o amor inicial voltem, para, assim, poderem continuar caminhando.
— É muito difícil entender o que a senhora está dizendo.
— Sei que parece difícil, mas não é.
Com o tempo, vai entender.
Por agora, vamos voltar para casa.
Daqui a pouco, Rafael vai para a plantação e Carmem ficará em casa cuidando da Maria.
— Cuidando, não, dona Isabel! Procurando encontrar uma maneira de matá-la.
— Por ora, esqueça isso, Lola. Já lhe disse para entregar a vida da sua filha nas mãos de Deus.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:27 pm

Olhe, assim que conseguimos afastar você de Carmem, ela está melhorando.
Viu o que a sua energia pode fazer se tentar tocar Maria?
Foi por isso que a avisamos para não fazer isso.
Lola voltou o olhar para Carmem e disse:
— Sei que a senhora tem razão em tudo o que disse, mas não sei se vou conseguir perdoar.
— Já lhe disse para não se preocupar.
Dê tempo ao tempo.
Na hora certa, escolherá o que fazer.
Não se esqueça de que você tem seu livre-arbítrio.
Assim sendo, se, no final, resolver que quer mesmo se vingar, nada poderemos fazer.
Vamos ver o que vai acontecer agora.
Lola olhou para Rafael que estava assustado segurando a mão de Carmem.
Disse:
— Ainda bem que você melhorou, Carmem.
Sua aparência estava muito ruim.
Parecia que não tinha um pingo de sangue no corpo, pensei que fosse morrer.
— Não entendo o que aconteceu.
Estava dormindo e de repente me senti mal.
— É preciso ir a um médico para descobrir o que houve.
— Sabe como é difícil, Rafael.
Só há um médico na cidade e agora que está perto da colheita, não podemos nos afastar daqui.
Sempre fui muito forte.
Nunca estive doente, por isso deve ter sido apenas um mal estar.
Tudo vai ficar bem. Não se preocupe.
Ela disse isso rindo e feliz por ele estar segurando sua mão numa demonstração de carinho.
Pensou:
No final, foi até bom acontecer isso.
Rafael, talvez, agora, segurando mim mão, sinta alguma coisa, como estou sentindo e olhe para mim de uma maneira diferente.
Rafael retirou sua mão da dela e disse:
— Quando vi você daquela maneira, Carmem, me lembrei do dia em que Lola morreu e na dor que senti.
Se Maria não existisse, não sei o que seria de mim.
Sinto que não teria suportado.
Amo essa menina, assim como amei e ainda amo sua mãe.
Não sei se Lola pode me ouvir, mas, se puder, quero que saiba que eu a amei muito e que nunca haverá outra mulher em minha vida.
Minha única intenção é criar Maria até que ela se torne uma linda moça.
Ao ouvir aquelas palavras, Carmem sentiu um arrepio pelo corpo.
Com muito ódio, pensou:
Ele precisa esquecer aquela mulher!
Ele precisa me enxergar!
Lola também ouviu o que ele disse.
Viu também um imenso facho de luz sair do coração dele e atingi-la imediatamente.
Sentiu-se envolver por uma paz nunca sentida antes.
Apesar de estar feliz por receber aquela luz, intrigada, perguntou:
— Que luz é essa?
Dona Isabel, sorrindo, respondeu:
— É a luz do amor, Lola.
Rafael sempre esteve ao seu lado.
Viveram juntos momentos difíceis, mas de muita aprendizagem.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:27 pm

Antes de renascer, ele se propôs a ser o guardião da Maria e, pelo que estamos vendo, fará o possível para cumprir o que prometeu.
— Essa luz me fez muito bem.
Até a revolta que estava sentindo por ver Carmem desejar o mal da minha filha se amenizou.
— É isso o que acontece com todos nós, espíritos encarnados ou reencarnados.
Sempre que alguém se lembra de nós com carinho e amor, recebemos um facho de luz como esse, ou, às vezes, até maior.
Essa luz, como aconteceu com você, sempre traz muita paz.
— O que vai acontecer agora, dona Isabel?
— Não posso responder a essa pergunta, Lola.
Embora, quando vivemos na Terra, achamos que a pessoa quando morre sabe tudo, na realidade, não é verdade.
Não sabemos o que vai acontecer porque tudo depende do livre-arbítrio de cada um.
Esperamos e desejamos que Carmem não coloque em prática o que está pensando.
Lola olhou para Manolo que a tudo ouvia em silêncio.
— O que você acha, Manolo?
— Não sei Lola.
Assim como você, também, quando descobri o que acontecia com nossa filha, me revoltei, mas, depois, entendi que nada poderia fazer e, aceitando o conselho de dona Isabel, entreguei sua vida nas mãos de Deus.
Sempre estou ao seu lado, procurando ajudá-la de alguma maneira, mas sei que poderei fazer muito pouco.
Maria abriu os olhos e olhou para o lado onde sabia que Rafael dormia.
Ele não estava lá.
Assustada, voltou-se para o outro lado e viu que ele estava sentado na cama de Carmem.
Sorrindo, chamou:
— Papai.
Ele, ao ouvi-la, levantou-se, deu a volta na cama e abaixou-se para poder levantá-la.
Assim que ficou em pé, perguntou:
— Bom dia, minha filha.
Dormiu bem?
— Dormi, papai.
— Que bom, mas ainda é muito cedo para você acordar.
Vou reparar o café e, depois, você vai voltar a dormir.
Ela olhou para o lado onde Lola estava.
Sorriu e, com a ponta do dedo, mandou um beijo.
Rafael e Carmem viram aquele gesto.
Ele, intrigado, perguntou:
— O que está fazendo, Maria?
A menina, encantada por ver Lola, respondeu:
— Minha mãe... Ela está aqui...
Eles, intrigados, olharam-se.
Ele perguntou:
— Sua mãe, Maria?
Não pode ser...
— É ela, sim.
Tem o cabelo preto... e, com o dedo, está me mandando um beijo...
No mesmo instante em que dizia isso, rindo, também e, com a ponta dos dedos, mandou um beijo para Lola, que sorriu feliz.
Rafael olhou para Carmem que, sabendo o que ele pensava, se calou.
Depois, ele voltou o olhar para Maria e disse:
— Quando você crescer um pouquinho mais, vou lhe contar uma história.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:27 pm

Sua mãe deve estar muito preocupada com você. — olhando para o lado onde a menina olhava, continuou.
Precisa dizer a sua ela que está feliz e bem.
Sei que ela vai ficar feliz.
Já que a está vendo, não se esqueça de dizer que eu mando um beijo e que estou com muita saudade dela.
Lola ouviu aquilo e, sem conseguir controlar, deixou que uma lágrima escorresse por seu rosto.
Manolo percebeu.
Ela ficou um pouco constrangida.
Ele sorriu e disse:
— Não se preocupe, Lola.
Rafael é um grande amigo nosso.
Estamos há muito tempo caminhando juntos.
O sentimento que você tem por ele é o mesmo que eu tenho.
Não existia melhor pessoa para cuidar de Maria e encaminhá-la.
— Sei disso.
Eu queria tanto poder abraçar e beijar a minha filha...
— Eu também queria, mas sabe que não podemos.
Carmem também ouviu o que Rafael disse e, de seus olhos, lágrimas caíram, só que não eram de emoção e saudade, mas de muito ódio por Maria:
Essa menina vai me pagar!
Por que tinha de fazer Rafael se lembrar de Lola?
Ao ouvir aquilo, Lola se desesperou:
— Dona Isabel, o que ela vai fazer com a Maria?
— Não sei, Lola.
Precisamos esperar.
— Não acredito que não possamos fazer nada!
Se eu estivesse viva, teria como proteger a minha filha!
— Acalme-se. Não adianta ficar assim.
Estamos aqui e faremos tudo o que for possível para proteger Maria.
Se estivesse viva, seria diferente.
Poderia, mesmo, defender Maria e até se vingar de Carmem, mas estaria também contraindo dívidas, que precisariam ser pagas de alguma maneira.
— Isso não está certo!
Ela me fez mal e está fazendo mal para minha filha e eu nada posso fazer?
— Pode fazer algo e eu já lhe disse o quê...
Sabendo do que ela falava e não estando ainda pronta para orar por Carmem, Lola começou a chorar e, com as mãos no rosto, acompanhava o que se passava.
Rafael viu as lágrimas caindo pelo rosto de Carmem e, com voz amorosa, perguntou:
— Você gostava muito da Lola e também sente saudade dela, não é, Carmem?
Ela, com o rosto triste, fingindo uma saudade que na realidade não sentia, respondeu:
— Sinto saudade, sim, Rafael.
Embora a tenha conhecido por tão pouco tempo, era minha amiga.
Agora, está quase na hora de ir para a lavoura e ainda precisa tomar café.
— Tem razão. Vou avivar o fogo.
Ele foi até o fogão, colocou lenha e, com a tampa de uma panela, começou a abanar.
Carmem, fingindo um carinho que não sentia, disse:
— Agora, minha menina, depois de comer, volte a dormir.
Ainda é muito cedo para se levantar.
Rafael ouviu o que ela disse e sorriu. Lola, ainda desesperada, perguntou:
— O que vamos fazer agora?
— Vamos esperar, Lola.
Sem alternativa, Lola, olhando com amor para a filha, esperou.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:27 pm

Nunca estamos sós
Após ver que as chamas estavam fortes e que logo se transformariam em brasas, Rafael colocou uma leiteira com leite ao lado das chamas, sobre a lateral do fogão que, por ser feito de barro, fazia com que a frente e as laterais estivessem sempre quentes.
Depois, pegou um filão de pão que algumas mulheres da colónia assavam e forneciam aos demais.
Como precisavam pegar no armazém os ingredientes, cobravam uma pequena quantia por filão.
Assim que a água ferveu, Rafael colocou pó em um coador feito de flanela e coou o café.
Em seguida, cortou três fatias grandes de pão, passou manteiga e, colocando o leite em três canecas, disse:
— Agora já podem se levantar.
O café da manhã está servido.
Carmem sorriu e, enquanto colocava o colchão onde Rafael dormia sob a cama de casal, disse:
— Vamos, Maria!
Seu pai já preparou o café.
Ainda é muito cedo.
Por isso, assim que terminarmos de tomar o café, vamos voltar a dormir.
Maria, sorrindo, levantou-se e sentou-se à mesa, em uma cadeira perto de Rafael.
Começaram a comer.
Estavam comendo, quando Julian chegou.
Cumprimentou Rafael e Carmem.
— Bom dia.
Rafael e Carmem responderam ao cumprimento e ela disse:
— Como sempre, chegou bem na hora.
Entre e tome café.
Julian sentou-se e, tomando café, disse.
— A partir de hoje, vamos ter muito mais trabalho, não é, Rafael?
— É, sim, mas, por outro lado, depois que a colheita for feita e vendida, poderemos, finalmente, receber um bom dinheiro e pensar o que fazer com a vida.
Definitivamente, não podemos mais continuar aqui.
Não foi para ter uma vida como esta que deixamos o nosso país.
— Tem razão.
Pelo volume plantado, acho que, mesmo depois de ir limos a metade ao patrão e a nossa conta no armazém, ainda vai sobrar um bom dinheiro.
— Precisa sobrar, Julian.
— Eu gostaria de ir com vocês.
— Seria bom se pudesse ir, Carmem, mas você sabe que não pode.
Precisa cuidar da Maria.
Ela é ainda muito pequena e na lavoura existem muitas cobras e insectos venenosos.
— Ele tem razão, Carmem.
Maria é ainda muito pequena e não sabe diferenciar um insecto de outro ou uma cobra.
— É uma pena.
Fico pensando em quanto trabalho tem e no muito que poderia ajudar.
— Arrumando as casas, lavando as nossas roupas, fazendo a nossa comida e cuidando da Maria, já faz muito.
— Isso não é o suficiente, Julian.
Na lavoura, eu poderia ajudar mais.
— Não se preocupe, Carmem.
Eu, seus irmãos e Julian vamos dar conta.
Agora está na hora de ir.
Estamos atrasados.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:27 pm

— Não se esqueçam de pegar a comida.
Já preparei uma marmita para cada um, embora continue achando que seria melhor se viessem almoçar em casa.
Poderiam comer uma comida feita na hora.
— Sabe que também queríamos fazer isso, Carmem, mas se viermos até aqui, perderemos muito tempo e atrasaremos o trabalho.
Estando lá, cada um come em um horário e o trabalho rende mais.
— Sei disso, mas deve ser ruim comer comida fria.
— É, sim, mas vai ser por pouco tempo.
Assim que terminarmos a colheita, vamos pegar o dinheiro e vamos embora daqui.
— Para onde, Rafael?
— Não sei, Carmem, talvez para uma cidade maior ou até para a Capital.
Lá deve ter melhor oportunidade de trabalho.
Posso tentar abrir o meu próprio negócio com os trabalhos que faço com ferro.
Acho que, com esse trabalho, vou poder ganhar muito dinheiro.
Não se preocupe, quando chegar a hora, vamos resolver.
— Para onde vocês forem, vou também.
Carmem e Rafael olharam para Julian que, até ali, apenas ouvia a conversa.
Rafael riu:
— Claro que vai, Julian.
Você já faz parte da família.
— Ainda bem, pensei que não iam querer que eu fosse junto.
— Não diga bobagem.
Vamos, estamos atrasados.
— Vamos, sim.
Quando estavam saindo, encontraram Pedro e Pepe que, como sempre, estavam atrasados.
Rafael disse:
— Eu e o Julian já estamos indo.
Tomem café e não demorem.
— Nós também já estamos indo, Rafael.
Vamos tomar um café rápido e vamos alcançar vocês no caminho.
Novamente, Rafael sorriu, já estava acostumado.
Todos os dias era mesma coisa.
Os jovens tinham dificuldade para acordar cedo, mas, depois, trabalhavam muito.
Enquanto Rafael e Julian se afastavam, Carmem ficou à porta, quando não os viu mais, entrou em casa.
Logo depois, Pepe e Pedro saíram correndo.
Com ódio, Carmem olhou para Maria que, não entendendo o que ocorria, ficou olhando para ela.
Nervosa, Carmem se aproximou, pegou a menina pelos dois braços e começou a sacudir, dizendo:
— Você é um inferno na minha vida!
Por sua causa não posso ir com Rafael na lavoura!
Por sua causa, preciso ficar distante dele!
Não sei por que você não morre!
De uma altura considerável, jogou Maria sobre a cama.
Maria, agora, chorava desesperada.
— Cale a boca, menina!
Vai chamar a atenção dos vizinhos!
Se não parar de chorar, vou colocar sua mão ali no fogão e aí você vai chorar com motivo!
Maria, horrorizada, não conseguia parar de chorar.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:28 pm

Carmem, mais nervosa ainda, pegou-a pelo braço, levou-a até o fogão e colocou sua mãozinha na lateral onde estava sempre quente.
Ficou alguns segundos, o suficiente para queimar.
Maria deu um grito de dor.
O grito foi tão alto que, em poucos segundos, as vizinhas do lado da casa chegaram.
Uma delas perguntou:
— O que aconteceu, Carmem?
Por que ela está gritando e chorando assim?
Demonstrando um desespero que não sentia, ela respondeu:
— Não sei, Ana.
Eu estava distraída e não vi quando ela colocou a mão no fogão.
Olha que queimadura horrível.
Voltando-se para Maria, que chorava, Carmem continuou:
— Como você foi mexer no fogão, Maria?
Venha aqui no meu colo.
Começou a beijar a menina.
Josefa, comovida com todo o carinho demonstrado, disse:
— Espere, vou até a casa.
Lá eu tenho um unguento que serve para queimadura.
Com ele, a dor logo vai passar.
Ela saiu e Carmem, sob o olhar também comovido de Ana, a outra vizinha, começou a embalar Maria que, por causa da dor, não conseguia parar de gritar.
Lola também chorava:
— Como ela pôde ter coragem de fazer uma coisa como essa, Manolo?
Nossa filha é ainda um bebé.
Não podemos fazer nada para afastá-la dela?
Quem respondeu foi dona Isabel:
— Não, Lola.
Carmem está tendo a oportunidade de redenção, mas parece que não vai aproveitar.
Maria renasceu para ajudá-la e prometeu que tudo faria para que isso acontecesse.
— Está dizendo que Maria pediu para ter sua mão queimada e sofrer toda essa dor, dona Isabel? — perguntou revoltada.
— Não, Lola. Ninguém renasce para ser infeliz!
A vontade de Deus é que todos sejam felizes e só não são por agirem como Carmem está fazendo agora, ao ir contra Suas leis.
Estou dizendo que renasceram juntas para poderem aparar arestas e redimir erros passados.
Maria não sofreria dessa maneira, se Carmem cumprisse o que prometeu.
Além do mais, o espírito de Maria, por enquanto, está em um corpo de criança que, por suas limitações, ainda não pode demonstrar o que fará quando tiver um corpo adulto.
— Não me interessa se é um espírito adulto, dona Isabel.
O que sei é que, agora, é uma criança e não sabe se defender!
— Essa também é uma prova pela qual não precisa passar, mas para ajudar Carmem a se redimir, aceitou passar.
Queira Deus que esse tipo de atitude não revolte o seu espírito.
— Revoltar? Acha que ela vai se tornar uma pessoa má, dona Isabel?
— Não sei responder, Lola.
Estou dizendo que nada sabemos.
Isso dependerá de seu livre-arbítrio.
— Sendo criada por Carmem, com todo tipo de sofrimento, acha que ela se tornará o quê?
Claro que um adulto revoltado! Ruim!
— Nem sempre isso acontece, Lola.
O espírito, quando está preparado, sabe superar tudo.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:28 pm

Muitas pessoas que sofreram na infância se tornaram adultos bons e outras, que tiveram tudo, amor e carinho, tornam-se adultos maldosos.
— Não consigo entender isso.
Por que uma criança como Maria pode sofrer nas mãos de um monstro como Carmem e nada pode ser feito?
Manolo abraçou Lola e disse:
— Às vezes, é difícil, mas sempre existe uma resposta para tudo.
Com o tempo, entenderá, assim como entendi.
— Não posso aceitar que seja castigada por algo que fiz em outra encarnação sem que lembre!
O mesmo acontece com Maria.
Também, fez algo ruim e não lembra, não há o porquê de sofrer dessa maneira.
— Ela não está sofrendo em causa própria, mas para ajudar Carmem, de quem é companheira faz muito tempo.
Ela escolheu, Lola.
Dona Isabel continuou:
— O esquecimento é mais uma bondade de Deus.
Se nos lembrássemos do que fizemos, talvez não aguentaríamos.
Carmem não se lembra do que fez à Maria.
Maria não se lembra do que Carmem fez a ela, por isso estão juntas.
Maria, que foi vítima e que perdoou a Carmem, aceitou renascer e, dependendo da atitude de Carmem, sabia que poderia passar por isso, mas, mesmo assim, aceitou.
Lola ia dizer alguma coisa, mas Josefa voltou com o unguento, com a voz carinhosa, disse:
— Dê a mão, Maria.
Assim que eu passar esse remédio, vai parar de doer.
Maria, no colo de Carmem, ainda chorando muito, estendeu o bracinho.
Josefa, com cuidado, passou o unguento.
Aos poucos, a dor foi passando e Maria, finalmente, parou de chorar.
Olhou para Carmem , soluçando, falou:
— Mãe... Fogão...
Ao ouvir aquilo, Carmem estremeceu.
Pensou rápido e, beijando rosto da menina, falou:
— Sei que foi no fogão que você se queimou, mas eu já lhe disse várias vezes para não chegar perto dele.
Agora, com esse remédio que a Josefa passou, não vai doer mais e, já sabe, nunca mais se aproxime do fogão.
Você é muito pequena e sempre pode tropeçar.
A menina ia dizer algo, mas Carmem, ainda embalando-a, continuou falando:
— Ainda é muito cedo.
Agora, você vai tentar dormir.
Obrigada, Josefa pelo unguento.
Fiquei tão assustada que não consegui pensar em nada para ajudar minha filha.
— Não precisa agradecer, Carmem, nem ficar preocupada.
É assim mesmo.
Para tomar conta de uma criança, precisaríamos ter vinte olhos.
Elas são curiosas.
Como estou criando três, sei como é.
Você não teve culpa.
Sei também que, quando acontece alguma coisa com nossos filhos, na hora, não sabemos o que fazer.
Vou deixar o unguento aqui e, quando a dor voltar, passe novamente.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:28 pm

Agora está vermelho, mas depois, dependendo da profundidade da queimadura, pode criar uma bolha.
É preciso manter o local sempre umedecido com o unguento e limpo para não inflamar.
— Está bem, Josefa.
Vou cuidar bem dela.
— Preciso ir.
Agora, seria melhor, mesmo, que ela dormisse.
— Vou fazer isso.
Obrigada novamente.
A você também, Ana.
Ana, desconcertada, sorriu:
— Não se preocupe, Carmem, pois, assim como você, também fiquei paralisada, imaginando a dor que ela estava sentindo, e não consegui ajudar.
— Só de ter vindo, ajudou muito, Ana.
Eu estava sem saber o que fazer.
As duas sorriram e saíram.
Quando Carmem teve a certeza de que elas estavam distantes e não poderiam ouvir, nervosa, voltou a balançar Maria, que ainda soluçava.
Com muito ódio, descontrolada, disse:
— Você, agora, vai parar de chorar!
Não quero que dê mais um pio!
Não se atreva a contar para o Rafael o que aconteceu!
Se fizer isso, eu queimo sua outra mão!
Maria arregalou os olhos.
Com medo, voltou a chorar, só que, agora, baixinho.
— Eu já falei para parar de chorar!
— Está doendo...
— Vai doer muito mais se não parar de chorar e se contar para alguém o que aconteceu!
Vou apertar com muita força
o lugar que está queimado.Com raiva, jogou a menina sobre a cama e foi até o fogão, tomou um pouco de café.
Maria, com medo, continuou chorando, só que baixinho.
— Maria não pode continuar com ela, assim, sem protecção, dona Isabel.
Precisamos fazer alguma coisa para que Rafael descubra.
Lola falou chorando e desesperada.
— Tem razão, Lola.
Não podemos interferir no livre-arbítrio de Carmem, mas podemos ir até onde Rafael está e o intuirmos para que volte e, também, permitir que Maria nos veja.
— Podemos fazer isso, dona Isabel?
Pode fazer com que Rafael volte e que Maria nos veja?
— A criança, por ainda ser pura, na carne, e ainda trazer alguma lembrança do tempo vivido na espiritualidade, tem facilidade para ver os espíritos.
Vamos envolvê-la com amor.
Ela vai nos ver, principalmente a você, Lola.
Embora, quando você partiu, ela ainda fosse no pequena, tem ainda sua imagem presente.
Quanto a Rafael, todos, mesmo sem saber, recebem, a todo momento, intuição do plano espiritual.
Ao lado de cada espírito, reencarnado ou não, quando necessário, existe sempre um ou mais amigos espirituais que fazem o possível para evitar sofrimento.
Porém, isso só acontece quando não se trata de livre-arbítrio.
Muitas pessoas dizem que deixaram de passar por um determinado lugar, de fazer alguma coisa, uma viagem, por exemplo, e depois, quando algo acontece e não sofreram dano, dizem que foi como se houvessem tido um aviso, que foi um milagre.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:28 pm

Na realidade, não deixam de ter razão.
Foram, sim, intuídos, como estamos fazendo agora com Rafael.
Somente quando não pode ser evitado é que não interferimos.
Muitas vezes, os encarnados se perguntam por que tinham de passar naquele lugar, naquele minuto e sofrerem um acidente.
Pois, se passassem alguns minutos depois, nada sofreriam.
Porque aquele era um momento que não podia ser evitado.
Era um momento planeado.
Lola e Manolo, em silêncio, ouviram o que ela disse e ficaram calados.
— Agora, vocês devem ir até onde Rafael está e tentem fazer com que volte para casa.
Enquanto isso, eu ficarei jogando luzes sobre Maria para que a dor diminua.
Lola respirou aliviada e, pegando nas mãos de Manolo, ambos desapareceram.
Rafael já havia chegado à lavoura e trabalhava ardentemente.
Enquanto trabalhava, pensava:
Assim que recebermos o dinheiro da colheita, iremos embora daqui.
Ainda não sei para onde, mas que vamos, vamos.
Chega de tanta miséria!
Sei que, em outro lugar, vamos ter uma melhor condição de vida.
Eles se aproximaram dele.
Manolo disse:
— Agora, Lola, eu vou jogar luzes sobre ele, e você, converse.
Faça com que volte para casa.
Lola, agoniada e preocupada, concordou com a cabeça.
Manolo começou a jogar luzes.
Lola se aproximou e, com a voz embargada, disse:
— Rafael, Maria está sofrendo muito e precisa da sua protecção.
Precisa voltar agora para casa.
Ela é tão pequena e só tem a você para protegê-la.
Por favor, ouça o que estou dizendo.
Rafael, que estava colhendo os frutos do café, parou por um instante, levantou a cabeça e olhou para o céu.
Manolo sorriu:
— Ele está ouvindo, Lola.
Continue!
— É isso mesmo, Rafael.
Precisa voltar para casa...
Maria está precisando...
No mesmo instante, ele voltou-se para Julian que estava a alguns metros e disse:
— Julian, vou até em casa.
— Há esta hora? Por quê?
— Não sei, mas estou sentindo que preciso ir.
Acho que aconteceu alguma coisa ruim.
— Faz pouco tempo que saímos e estava tudo bem.
— Sei disso, mas, mesmo assim, vou até lá, Julian.
— Sabe que vai atrasar o trabalho, não sabe?
— Sei, mas preciso ir.
Volto logo e vou trabalhar até mais tarde para compensar.
— Parece que não vai mudar de ideia.
Vá e não se preocupe, tenho certeza de que nada aconteceu.
Sem esperar um minuto a mais, Rafael saiu correndo.
Lola sorriu, pois sabia que na companhia dele Maria estaria bem.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:29 pm

Saíram dali e, em poucos segundos, estavam de volta ao quarto onde Maria estava.
A menina, amedrontada, estava encolhida na cama.
Seus olhos estavam cheios de lágrimas pela dor que sentia, mas tinha medo de chorar.
Isabel, com as mãos estendidas, jogava luzes em direcção a Maria.
Logo a menina estava envolvida de muita luz branca.
A dor que sentia também desapareceu.
Em seguida, disse:
— Ela está nos vendo, Lola.
Emocionada, Lola se aproximou um pouco mais e, mantendo distância, disse:
— Maria, sou eu, a mamãe...
Estou aqui ao seu lado...
A menina, quando a viu, sorriu e, entre lágrimas, disse:
— Mamãe...
— Estou aqui, minha filha, e vou fazer o que puder para que você não sofra.
Lola disse sorrindo, também com lágrimas nos olhos.
— Mamãe, está doendo... — Maria disse, extasiada diante deles e de toda aquela luz que a envolvia.
— Sei que está doendo, minha filha, mas vai passar.
Agora, você precisa dormir, assim não vai sentir mais dor...
Carmem, que estava junto ao fogão tomando café, ouviu Maria falando.
Voltou-se e, ainda com raiva, viu que ela olhava e sorria para o lado onde eles estavam.
Não sabia o que estava acontecendo, perguntou:
— O que está acontecendo, por que me chamou?
Maria pareceu não ouvir.
Ela voltou a perguntar:
— O que você quer?
Por que me chamou?
Maria, sorrindo para Lola, não ouviu o que ela perguntou e não respondeu.
Carmem se aproximou da cama e sacudindo a menina voltou a perguntar:
— O que você quer?
Maria, ainda olhando para Lola que sorria e, com a ponta dos dedos, lhe mandava beijos.
— Mamãe... mamãe...
Carmem, sem entender o que estava acontecendo, disse, raivosa:
— Não entendo você, menina!
Como, depois do que aconteceu, você ainda pode me chamar com tanto carinho?
A menina não ouviu.
Continuou olhando para Lola e a dizer:
— Mamãe... mamãe...
Carmem, com a voz firme e gritando, disse:
— Trate de dormir!
Você é mesmo um empecilho na minha vida!
Olhe o que me obrigou a fazer!
Não sei por que não morre!
A menina, ainda não ouvindo, continuou olhando para Lola que continuava sorrindo.
— Tente dormir, minha filha.
A dor logo vai passar.
Estou aqui ao seu lado, nunca se esqueça disso.
Aos poucos, sob a paz de toda aquela luz, ela adormeceu.
Carmem voltou ao fogão, pegou outra caneca com café e ficou pensando:
Como fui fazer uma coisa como essa?
Se essa menina contar para o Rafael, ele nunca vai me perdoar!
Se eu não tivesse interferido, ela teria contado para a Ana e a Josefa.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:29 pm

Preciso dar um jeito nela, mas não pode ser dessa maneira!
Não posso deixar espaço para dúvida alguma a meu respeito.
Preciso fazer alguma coisa, mas o quê?
Assim que adormeceu, Maria abriu os olhos espirituais e pôde ver mais nitidamente Lola.
Esta olhou para Isabel que, entendendo o que ela queria, disse:
— Agora, sim. Lola.
Você pode abraçá-la, beijá-la e fazer todo o carinho que quiser.
Lola, chorando e rindo ao mesmo tempo, abraçou e beijou a menina muitas vezes.
Maria, sem entender o que estava acontecendo, apenas falava:
— Mamãe... mamãe...
— Estou aqui, minha filha, e vou ficar todo o tempo que puder.
A menina mostrou a mãozinha:
— Doeu muito... muito... muito...
— Sei, meu amor, mas nada pude fazer para evitar.
Agora está doendo?
— Não, agora não...
— Preste atenção e não se esqueça, sempre que alguma coisa ruim acontecer a você, precisa se lembrar de que eu estou do seu lado, bem pertinho.
Está bem? Não vai se esquecer?
— Não... não vou...mamãe...
Ficou ali com a menina no colo, embalando-a com muito carinho.
Depois de algum tempo, Isabel disse:
— Agora ela precisa voltar ao corpo, Lola.
— Já, dona Isabel?
Queria ficar mais tempo com ela no colo...
— Sei que queria, mas não é possível.
Por outro lado, você talvez não tenha percebido, mas disse algo muito importante para todos nós, espíritos encarnados ou não.
— O que eu disse?
— Disse que, nos momentos difíceis, sempre estará ao lado dela.
— Eu disse, mas não sei se é possível...
— É sim, Lola, e acontece sempre.
Por pior que seja o momento por que estamos passando, sempre teremos ao nosso lado amigos espirituais que estarão nos ajudando a conseguir a nossa evolução.
Nunca estamos sós, Lola.
Nunca. Mesmo nós, os desencarnados, assim como encarnados, precisamos sempre da ajuda de amigos.
E sempre temos.
— Saber isso é um alívio...
— Sim, tem razão, se todos soubessem e acreditassem nisso, veriam que os momentos ruins passam bem depressa.
Agora, coloque-a na cama.
Dentro de alguns minutos, vai despertar.
— A dor vai voltar?
— Vai, mas não se preocupe, Rafael está chegando.
Ele vai cuidar dela.
Com carinho, Lola beijou o espírito da filha mais uma vez e colocou ele volta ao corpo e na cama.
O espírito da menina, antes mesmo se ser colocada na cama, já estava adormecido.
Eles permaneceram ali, ao seu lado.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:29 pm

Ajuda providencial
Rafael chegou cansado de tanto correr e quase não conseguia falar.
Olhou para a cama de Maria e viu que ela estava dormindo.
Não pôde ver a mão, pois um cobertor a cobria.
Assustado e nervoso, perguntou:
— O que aconteceu aqui, Carmem?
Ela também se assustou ao vê-lo ali, pois isso nunca acontecia.
Eles, depois que iam para a lavoura, só voltavam quando começava a escurecer.
Pensou rápido e começou a chorar, enquanto dizia:
— Você nunca vai me perdoar...
— O que aconteceu, Carmem?
Ela, agora, chorava desesperada.
Ele ficou mais nervoso ainda.
Perguntou novamente:
— Pare de chorar, Carmem, e me diga o que aconteceu!
— Sei que sou a culpada, mas nunca pensei que poderia acontecer uma coisa como essa...
— Por favor, Carmem, diga logo!
— Eu me distraí e não vi quando a Maria foi para junto do fogão.
Não sei o que aconteceu, acho que ela tropeçou.
Quando ouvi um grito, me voltei e ela estava com a mãozinha sobre o fogão.
Corri, mas quando consegui tirá-la, já havia se queimado muito.
— Ela queimou a mão?
— Sim. Perdão, Rafael... foi culpa minha... me distraí...
Ele não a ouviu mais.
Correu para junto de Maria que dormia.
Com cuidado, levantou o cobertor, olhou para a mão da menina que, agora, estava toda vermelha.
— Meu Deus, Carmem... deve ter doído muito...
— Doeu, sim.
Ela gritou tão alto que Josefa e Ana correram para cá.
Depois de ver o que tinha acontecido, Josefa trouxe um unguento.
Assim que terminou de passar, a dor sumiu e Maria dormiu.
Ela chorava desesperada.
Tanto que Rafael, comovido com tanta devoção, disse:
— Não precisa ficar assim, foi um acidente.
Sabe que criança é muito curiosa.
Você não teve culpa.
Sei com que dedicação cuida dela.
O importante é que parece que ela está bem...
Intimamente, Carmem sorriu e pensou:
Ele acreditou na minha história.
Só falta essa peste acordar e contar o que aconteceu realmente.
Rafael ficou ali, olhando para Maria.
Disse baixinho:
— Como pôde fazer isso, Maria.
Sei que é criança e que ainda não tem a real noção do perigo.
Quando acordar, vamos conversar.
Preciso lhe explicar algumas coisas.
Carmem estremeceu.
O medo tomou conta de todo o seu ser:
Preciso fazer alguma coisa para impedir que ela conte a verdade!
Disfarçando o medo que estava sentindo, perguntou:
— Como você soube, Rafael?
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 26, 2017 7:31 pm

Ele se voltou, foi até o fogão, colocou café em uma caneca e respondeu:
— Não sei, Carmem.
Estava trabalhando e, de repente, senti uma sensação ruim e uma vontade imensa de vir para casa.
Não sabia o que havia acontecido, mas sabia que era algo muito ruim.
— Que estranho...
— Também achei.
Acho que foi um anjo que me avisou.
Mesmo assim, não consegui evitar que acontecesse.
— Você não tem culpa, Rafael.
Fui eu quem me distraí e não olhei o que ela estava fazendo.
— Ninguém teve culpa.
Carmem. Essas coisas acontecem.
Bem, apesar da queimadura, parece que ela está bem.
Preciso voltar ao trabalho.
Sei que não preciso dizer, Carmem.
Todos sabem com que carinho você cuida dela, mas, por favor, não descuide nem por um minuto, está bem?
— Desculpe, Rafael.
Não vai acontecer novamente.
Vou ficar com vinte olhos abertos.
— Também não precisa tanto, bastam os seus dois. — disse, rindo.
Já que ela está bem, preciso voltar ao trabalho.
Saí de lá correndo sem dar explicação.
Julian e seus irmãos não devem ter entendido nada.
Vou, mas, se acontecer alguma coisa, se ela sentir muita dor, mande me chamar.
Se for preciso, nós a levaremos até a cidade.
Lá deve ter um médico.
— Está bem, Rafael. Pode ir tranquilo.
Vou cuidar dela com todo carinho.
Ele sorriu.
Ia saindo quando ouviu:
— Papai...
Ao ouvir a voz da menina, ele se voltou e foi até a cama.
Perguntou:
— O que aconteceu, Maria?
Como foi fazer isso?
Maria começou a chorar.
Ia dizer o que aconteceu, mas, Carmem, por detrás dos ombros de Rafael, fez com a cabeça um gesto e de seus os pareciam sair faíscas.
Antes que a menina respondesse, falou:
— Você tropeçou, não foi, Maria?
Tremendo de medo, a menina, sem responder, concordou com a cabeça.
— Precisa tomar cuidado, minha filha.
Não chegue nunca mais perto do fogão...
— Não vou chegar, mas está doendo muito.
— Deve estar mesmo. Carmem, a Josefa deixou o unguento?
— Deixou, está aqui.
Entregou para ele, que, com carinho, passou por toda a queimadura.
Aos poucos com a ajuda do unguento e das luzes que Isabel e Manolo jogavam sobre ela, a dor foi desaparecendo.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:36 pm

Maria respirou aliviada, disse:
— Parou de doer, papai. Sabe.
Eu não disse que tinha sonhado com a minha mãe de verdade?
— Disse, mas por que está me perguntando isso?
— Sonhei com ela de novo... me pegou no colo, me beijou, abraçou e falou alguma coisa, mas não lembro o que foi.
— Que bom, minha filha.
Ela deve estar sempre por aqui.
Ela amava muito você...
— Acho que ela não é minha mãe.
Acho que ela é um anjo com a cara da minha mãe...
— Você se lembra da sua mãe?
Como ela é, Maria?
— Lembro. Ela tem os cabelos muito pretos e os olhos grandes.
É muito bonita, mesmo.
Acho que gosta de mim, de verdade...
Rafael e Carmem lembraram-se de Lola.
Ele, com lágrimas nos lhos, disse:
— Claro que gosta, minha filha.
Estou tranquilo por saber que ela está cuidando de você...
Lola, que estava ali, viu uma bola de luz que saía do peito de Rafael e que a atingiu totalmente.
Sentiu-se muito bem e disse:
— Obrigada, Rafael, por todo esse amor que sente por mim.
Eu e Manolo vamos, sim, ficar ao lado dela e fazer todo o possível para evitar que ela sofra.
Sem saber que ela estava ali, Maria perguntou:
— Será que ela vai voltar, papai?
— Vai, sim, minha filha.
Claro que vai.
Acho até que ela está aqui.
Ela gosta muito de você.
Agora, eu preciso voltar ao trabalho.
Maria olhou para Carmem e, com lágrimas nos olhos, disse:
— Não vai, papai.
Fica aqui comigo...
— Bem que eu gostaria, mas não posso.
Prometo que, assim que terminar a colheita, vou receber muito dinheiro e vamos mudar daqui para um lugar melhor.
Vou arrumar outro emprego até conseguir montar o meu negócio e vou passar mais tempo com você.
Promete que vai ficar deitada e quietinha sem mexer muito a mão?
— Prometo, mas, papai, me leva com o senhor?
— Não pode, minha filha.
A lavoura é um lugar muito perigoso.
Tem muitos insectos e cobras.
Mas não se preocupe, Carmem gosta muito de você e vai cuidar para que nada mais de mal lhe aconteça, não é, Carmem?
A menina olhou para Carmem que, com medo que ela dissesse alguma coisa, falou rápido:
— Claro que vou cuidar, Maria.
Sabe o quanto gosto de você.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:36 pm

Pode ir trabalhar sossegado, nada mais vai acontecer.
Vou ficar o tempo todo ao lado dela.
— Está bem, estou indo.
Hoje talvez eu chegue um pouco mais tarde.
Preciso compensar o tempo em que estou aqui.
— Não se preocupe.
Tudo vai ficar bem. — Carmem disse, sorrindo.
Rafael beijou a testa de Maria e saiu.
A menina se encolheu e fechou os olhos, fingindo dormir.
Carmem sabia quanto tempo Rafael levava para chegar à lavoura.
Esperou um pouco.
Quando teve certeza de que ele estava distante, com força e sacudindo Maria, levantou-a, dizendo:
— Você não toma jeito mesmo, não é?
A menina, tremendo com muito medo, disse:
— Eu não falei nada... não contei que foi a senhora que queimou a minha mão...
— Não contou por pouco!
Pensa que eu não sei que queria contar?
Maria agora chorava:
— Não vou contar...
— Nunca mais fale com ele sobre sua mãe ou sei lá com quem diz sonhar!
— Por quê?
Ela gosta de mim...
— Gosta coisa nenhuma!
Você fica inventando essa história.
Para se esquecer de que não é para falar mais dela, você vai se levantar e ficar em pé ali naquele canto sem se mexer!
— Eu não quero.
Minha mão está doendo...
— Pode não querer e não me importo se sua mão está doendo ou não!
Fique sabendo que quem manda aqui sou eu!
Levante logo!
Sem ter o que fazer e sabendo que Carmem era violenta, chorando, Maria se levantou e foi para o canto que Carmem lhe mostrava com a mão.
— Fique aí e não se mexa!
Lola, ao ver aquilo, não suportou e mais uma vez se jogou sobre Carmem que sentiu novamente aquele mal-estar e quase caiu.
Isabel e Manolo a retiraram.
— Sabe que não pode fazer isso, Lola.
— Como não, dona Isabel!
Ela está maltratando a minha filha, uma criança sem defesa! — disse, furiosa.
— Ela está errada, mas você não pode errar também.
Ao invés disso, vamos ajudar Maria de uma outra maneira.
— De que maneira?
— Venha.
Saíram dali e foram até a casa de Josefa que preparava o almoço, Isabel, estendendo a mão sobre ela, disse:
— Josefa, você precisa ajudar Maria.
Vá até lá, agora.
Josefa, que estava fazendo arroz, no mesmo instante, pensou:
Como será que Maria está?
Será que a dor passou?
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:36 pm

Assim que colocar água no arroz, vou até lá.
Lola sorriu.
Isabel disse:
— Não lhe disse que não é preciso usar de violência, Lola.
— A senhora disse, também, que não podia interferir no livre-arbítrio.
— Não interferi.
Carmem já usou o seu livre-arbítrio no momento em que queimou Maria e fez com que ela se levantasse e ficasse em pé sem se mexer.
O que estamos fazendo agora é ajudar a menina.
São coisas diferentes.
Maria estava em pé já há algum tempo.
Suas perninhas estavam tremendo e começando a doer, mas, com medo, ela fazia o possível para não se mexer.
Carmem, após sentir aquela tontura, ficou preocupada e, olhando para a menina, pensou:
O que é isso que estou sentindo?
Por que essa tontura, esse mal-estar?
É o nervoso que estou passando com essa menina!
Rafael é todo carinhoso com ela e para mim não tem um olhar ou uma palavra de carinho!
Quando se lembra da Lola, seus olhos brilham.
Até quando isso vai continuar assim?
Já sei... vai durar enquanto essa menina viver, ele não vai se esquecer da outra!
Com ódio, foi em direcção de Maria que não viu porque estava de costas para ela, olhando para a parede.
Carmem levantou a mão, ia bater nela, mas, neste momento, Josefa apareceu na porta.
— Carmem, a Maria está bem?
Carmem, ao ouvir a voz dela, se assustou.
Voltou-se e, rindo, disse!
— Ela está bem, sim.
Disse que não dói mais.
— Por que está em pé?
— Ela é muito teimosa.
Não quer ficar deitada, eu estava agora mesmo, tentando fazer com que voltasse para a cama.
Josefa entrou na casa e foi para junto de Maria que, rápido, secou as lagrimas que corriam por seu rosto.
Josefa chegou perto dela, virou a e perguntou:
— Por que quer ficar em pé, Maria?
Maria olhou para Carmem que estava atrás de Josefa.
Pelo seu olhar, percebeu que não devia contar a verdade, disse:
— Eu gosto de ficar em pé, dona Josefa.
— Como pode gostar de ficar em pé, ainda mais com essa mão queimada que deve estar doendo muito.
— Está doendo só um pouquinho.
Josefa a abraçou e, com carinho na voz, disse:
— Para que você possa sarar é preciso ficar quietinha, sem mexer muito a mão.
Deve ficar deitada, Maria.
Venham, vou colocar você na cama.
Maria, muito assustada, olhou para Carmem que, com a cabeça, disse que sim.
Josefa colocou-a sobre a cama, cobriu-a, deixando a mão queimada para fora e disse:
— Agora vou passar mais um pouco do unguento e você vai ficar quietinha.
Está bem?
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:37 pm

Novamente, Maria olhou para Carmem que voltou a concordar com a cabeça.
A menina fechou os olhos e pensou:
Mãe bonita, cuida de mim... faz ela não me machucar mais...
Lola, chorando, disse:
— Estou aqui, minha filha.
Por que você não conta ao Rafael?
Ele precisa saber...
Depois, voltou-se para Isabel e, nervosa, disse:
— Isso não é justo, dona Isabel!
Por que eu tive de morrer e abandonar a minha filha nas mãos dessa louca?
Por que a minha menina tem de sofrer tanto?
Não está certo, não está certo...
— Tudo está sempre certo, Lola.
Nada acontece que não tenha sido desejado ou previsto.
Carmem, infelizmente, está perdendo uma grande oportunidade que lhe foi dada, mas ainda tenho esperança de que ela mude.
— Mudar? Ela não vai mudar nunca!
Ela vai judiar até matar a minha filha!
— Tenha calma.
Estamos aqui e vamos fazer tudo para ajudar Maria.
Você viu como foi fácil?
— Dessa vez foi, mas e daqui para frente?
— Você, por ter voltado recentemente, traz ainda sentimentos encarnados.
Aqui, não nos preocupamos com o que vai acontecer no futuro, somente com o presente.
Do futuro, a única coisa que nos importa é a nossa evolução.
A ansiedade não é boa companheira.
Não se desespere, no final, tudo dá sempre certo.
Lola, olhando para Maria que estava com os olhos fechados, continuou chorando.
Manolo, carinhoso, abraçou-a:
— Fique calma, meu amor.
Estamos juntos novamente e nossa filha terá toda a protecção permitida.
Ela se aconchegou em seus braços e, juntos, ficaram olhando para a menina.
Isabel sorriu.
O resto do dia, Carmem, com medo de que Josefa ou Rafael descobrissem o que ela fizera com Maria, não fez mais maldade alguma.
Somente não passou o unguento, quando a menina reclamou de estar sentindo dor.
Só fez isso na hora em que sabia que Rafael ia chegar.
Já estava anoitecendo, quando Rafael, Julian e os irmãos dela voltaram.
Traziam em suas mãos pacotes com mantimentos, enrolados em folhas de jornal.
Assim que entraram, Rafael foi para junto de Maria, beijou-a, perguntando:
— Como você está, Maria.
A dor passou?
Ela olhou para Carmem que também a olhava.
Com medo, voltou a mentir:
— Não estava doendo, mas agora começou a doer.
— Vou passar mais um pouco de unguento e vai passar.
Viu que o unguento estava na mão de Carmem que, demonstrando estar preocupada, disse:
— Está aqui, Rafael.
Durante o dia, passei várias vezes, mas a dor continua.
Não sei o que fazer.
— Queimadura dói mesmo, Carmem.
Maria, deixe eu ver como está.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:37 pm

Maria mostrou a mão que, agora, tinha se transformado em uma grande bolha.
Rafael olhou e, preocupado, disse:
— É assim mesmo, Maria.
Quando essa bolha estourar, vai surgir uma casca e, quando a casca cair, você vai estar boa.
Carmem, precisa limpar, pois, se inflamar, ela poderá ter problemas.
— Pode deixar, vou limpar.
Ela logo vai estar bem e, com certeza, não vai mais passar perto do fogão, não é, Maria?
Rafael, com carinho e cuidado, passou o unguento.
Depois, disse:
— Agora, vamos jantar e, antes de dormir, vou passar novamente e você vai conseguir dormir a noite toda.
A menina sorriu, mas uma lágrima se formou.
Julian, Pedro e Pepe tinham ido até a casa ao lado, onde moravam, para trocar de roupa.
Voltaram.
Julian se aproximou de Maria e, sorrindo, disse:
— Seu pai me contou o que aconteceu.
Você precisa ter cuidado, Maria.
A Carmem tem muito para fazer e não pode ficar olhando você a todo instante.
Maria olhou para Carmem e depois para ele, mas permaneceu calada.
Pedro e Pepe também se aproximaram, mas nada falaram.
Apenas beijaram a testa da menina.
Carmem, para que o assunto fosse mudado, disse:
— O jantar já está pronto.
Vamos comer logo, antes que escureça de vez.
Acendi as lamparinas, mas mesmo assim, sabem que ilumina muito pouco.
Todos concordaram e se sentaram.
Carmem colocou a comida sobre a mesa e eles se serviram.
Rafael, antes de se servir, pegou um prato, colocou comida e foi até Maria.
Perguntou:
— Consegue comer com a mão esquerda.
— Não sei, acho que não.
— Não tem problema, vou dar a você.
Com paciência, ele foi dando a comida.
Carmem, que tudo acompanhava, pensava:
Ele só tem olhos para essa menina!
Eu a odeio!
Enquanto eles comiam e Rafael dava comida para Maria, Julian disse:
— Carmem, temos uma boa notícia!
— Que notícia?
— O Tonhão esteve lá na lavoura e disse que o patrão está muito contente com a colheita.
Disse que foi bem maior do que pensava e muito melhor do que na época dos escravos e que nunca teve uma colheita assim.
— Também trabalhamos feitos loucos! — Pepe falou.
Rafael, que ouvia o que falavam, disse:
— Tem razão, Pepe.
Trabalhamos muito mesmo, mas valeu a pena.
Já que a colheita foi boa, vamos ganhar muito dinheiro e poderemos ir embora daqui.
— Ainda bem, não consigo viver mais nesta miséria.
A vida aqui é pior do que aquela que a gente tinha na Espanha.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

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