O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:37 pm

Julian voltou a falar:
— Bem, de qualquer maneira, o que importa mesmo é que o patrão, por estar feliz, vai dar uma festa muito grande.
Com muita carne, música e cachaça!
Vamos comer, beber e dançar à vontade!
— Uma festa, Julian?
— Isso mesmo, Carmem. Uma festa!
Acho que merecemos!
— Rafael, preciso de um vestido novo.
Vou comprar tecido no armazém e pedir para a Ana costurar.
— Faça isso, Carmem, e compre um tecido também para fazer um vestido novo para a Maria.
Você quer, minha filha?
Com ódio, mas tentando disfarçar, ela disse:
— Claro que vou mandar fazer um vestido novo para ela também.
Você vai ficar linda, Maria.
— Ela não precisa de um vestido para ficar linda, Carmem.
Já é linda por natureza!
Carmem sorriu, mas queria mesmo era avançar no pescoço de Rafael e de Maria.
Após o jantar, Rafael passou mais uma vez unguento na mão de Maria e deitou-se na cama de Carmem ao lado da menina.
Ficou ao seu lado até que adormecesse, depois, se levantou, puxou o seu colchão que estava sob a cama e deitou-se também.
Carmem, que acompanhava todos os seus gestos, também se deitou.
Cheirou o travesseiro no qual Rafael até há pouco estivera deitado e pensou:
Como eu queria ser sua mulher, Rafael.
Sei que vou ser, quando isso acontecer, eu não vou querer mais nada nesta vida...
Lola e os outros, que a tudo acompanhavam, respirou fundo.
— Agora Maria vai ficar bem, não é, dona Isabel?
— Vai sim. Ao lado de Rafael, nada de mau pode lhe acontecer.
Vamos esperar que adormeçam bem.
Em seguida, eles nos verão e poderemos conversar.
— Poderemos conversar com Carmem?
— Sim, Lola.
Quando o corpo adormece, o espírito fica livre.
Está vendo aquele fio prateado que sai do corpo deles?
— Estou.
— Esse fio é que prende o espírito ao corpo.
Assim, quando o corpo está adormecido, os encarnados podem ir para qualquer lugar sem perigo.
A isso, costuma-se dar o nome de sonhos.
— Não existem sonhos?
— Pode-se dizer que sim.
A nossa presença pode ser considerada como sonho.
Quando o corpo está adormecido, o espírito fica sempre alerta.
Quando as pessoas adormecem, nos dão a oportunidade de conversarmos, levá-las para lugares conhecidos ou não.
Após conversar connosco e ao acordar não se lembram de quase nada, mas o mais importante é podermos lembrá-los dos compromissos assumidos.
Lola olhou para Rafael que, cansado do dia duro de trabalho, dormia profundamente.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:37 pm

Dissimulação
Isabel esperou algum tempo, até que dormissem profundamente.
Em seguida, acordou-os.
Rafael foi o primeiro a despertar e, assim que viu Lola, correu para ela e abraçou-a com carinho e saudade:
— Lola, que bom que está aqui!
Sinto tanto sua falta!
Lola olhou para Manolo, que sorriu.
Tranquila, abraçou-se a Rafael, dizendo:
— Também estou com saudade de você, Rafael.
Estou feliz por ver que está cuidando muito bem da Maria.
— Eu lhe prometi que faria isso, mas, mesmo que não tivesse prometido, não deixaria de fazer, amo essa menina.
Ela é tudo para mim.
Minha vida só tem sentido por causa dela.
— Sei disso e só posso lhe agradecer.
Separaram-se e só então ele viu Manolo e dona Isabel.
Olhou para Lola, indagando com os olhos.
Ela entendeu e, sorrindo, disse:
— Esta é dona Isabel, o anjo bom que Deus colocou na minha vida e na de Manolo, quando mais precisávamos.
E este é Manolo.
Quando despertei, eles estavam ao meu lado.
Rafael olhou para os dois e demorou um pouco mais olhando para Manolo, que disse:
— Não se preocupe, Rafael.
Sei do amor que sente por Lola e posso lhe garantir que esse amor é antigo.
Você não se lembra, mas somos companheiros de jornada há muito tempo.
Estou feliz por poder conversar com você.
Rafael, sem entender bem o que estava acontecendo, sorriu.
— Não estou entendendo muito bem o que está acontecendo, pois pensei que todos estivessem mortos, mas, ao mesmo tempo, feliz por estar aqui.
Isabel, entendendo a confusão dele, disse:
— A morte não existe, Rafael.
É somente uma passagem rápida de uma dimensão para outra.
A presença de vocês era necessária.
Por isso ficamos aqui esperando que adormecessem para podermos conversar.
— A senhora está dizendo que não morremos, que a vida continua e que realmente existe o céu e o inferno?
— Sim, não morremos.
Existe uma vida vibrante após a morte física.
Quanto ao céu e ao inferno, eles existem, sim, mas dentro de cada um.
A vida pode ser um céu, como também um inferno, dependendo de como vivemos e das escolhas que fazemos.
— Não estou entendendo...
— Sei que é difícil, mas se pensar no tempo em que viveu ao lado de Lola, pode-se dizer que você estava no céu, não é mesmo?
— Sim e quando ela morreu, passei a viver no inferno.
É isso que a senhora está dizendo?
— Mais ou menos isso.
Mas esse foi só um exemplo.
Pode-se estar no inferno, quando trazemos ódio, mágoa ou desejo de fazer mal a alguém.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:38 pm

Pode-se viver no inferno, quando sentimos um ciúme doentio que, muitas vezes, pode nos levar a fazer loucuras das quais nos arrependeremos para sempre.
Estamos no inferno, quando nos recusamos a perdoar e ficamos remoendo o mal que nos fizeram.
Esses sentimentos só fazem mal àqueles que os sentem, pois, quase sempre àqueles aos quais são dirigidos, na maioria das vezes, não se lembram, pois nunca reconhecem terem cometido ofensa alguma.
Muitas vezes, porém, esquecemos o quanto prejudicamos outras pessoas.
E como aquele velho ditado que conhecemos:
"quem bate esquece".
Pode-se viver no inferno, quando deixamos que a ansiedade nos domine, sem entendermos ou aceitarmos que Deus está tomando conta de tudo.
Portanto, se algo que queremos muito não acontecer, é porque não era bom para nós, nem para o nosso aprendizado e evolução.
Sempre, lá na frente, quando as coisas não saíram da maneira que queríamos, depois que o tempo passar, vamos ver que foi bom não ter acontecido.
Pode-se viver no inferno, quando precisamos tomar uma atitude, necessária no momento, e por medo ou covardia, deixamos de tomá-la.
Pode-se viver no inferno, quando não aceitamos a nossa condição de vida e praguejamos.
Como pode ver, existem muitas maneiras de vivermos no inferno.
— Tudo isso que a senhora disse é muito bonito, mas, na vida real, é impossível conseguir.
Como podemos esquecer um mal que nos fazem?
Como podemos acreditar em Deus, quando vemos tanta injustiça?
Como podemos deixar de sofrer, quando nossa vida é mudada contra nossa vontade e sofremos por isso?
Um exemplo foi o que aconteceu comigo.
Depois de sonhar tanto com uma vida de felicidade ao lado de Lola, ela, sem explicação, morreu, me deixando sozinho.
Como posso acreditar em um Deus que deixa uma criança linda como a Maria sem mãe e pai?
— Tem razão em pensar isso, mas se acreditássemos que existe um Deus que, por ser Deus, só pode ser perfeito, portanto não pode errar, entenderíamos, com mais facilidade, que para tudo existe sempre uma razão.
Que nada que nos acontece é novidade para Ele.
Se aceitarmos a vida como ela vem, acreditaremos que, por pior que seja o momento que estamos vivendo, nunca estamos sós.
Por pior que possa ser o problema, ele tem hora para começar e para terminar, já que, para todo problema sempre existe uma solução e ela virá, com certeza.
— Ainda continuo achando impossível que um ser humano possa aceitar tudo isso que a senhora disse.
— Está certa.
Por isso, Deus, que tudo sabe e que a todos conhece, dá a oportunidade de renascermos hoje e continuarmos nascendo, vivendo, morrendo e renascendo, até entendermos e aceitarmos.
A isso se dá o nome de evolução.
Muitos já aprenderam e ocupam hoje um ar de destaque no plano espiritual.
Nós teremos de viver ainda muitas vidas para entendermos e aceitarmos que somente o bem, o amor e o perdão podem nos aperfeiçoar e nos fazer
caminhar.
— Se for assim, vou ter de renascer muitas vezes, pois é muito difícil entender e aceitar tudo isso.
— Todo espírito, quando nasce, traz consigo a vida que planeou.
Nada acontece sem ter sido planeado.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:38 pm

— Está dizendo que eu escolhi viver da maneira que vivo?
Na pobreza, trabalhando muito para ter quase nada? Que escolhi perder Lola no momento mais feliz da minha vida?
— Sim, escolheu, Rafael, e não só você, mas todos planearam, e ele aceitou e foi aceito pelos outros para ser responsável por Maria e por Carmem também.
— Pela Carmem, pela Maria? Porquê?
— Logo saberá.
Agora, vamos despertar Carmem e tentar fazer com que ela entenda que o que está fazendo com Maria só fará mal a si mesma.
— Vamos fazer, sim.
Ela precisa despertar para o bem.
— Sabe que, embora possamos tentar, Manolo, caberá a ela a escolha do caminho que deve trilhar.
Depois que ela escolher o caminho, vocês poderão ou não continuar a jornada juntos.
— Caminhando juntos?
— Sim, vocês estão juntos há muito tempo.
Um sempre ajudando o outro na caminhada.
Estão ligados pelo amor e pelo ódio.
Poderão seguir adiante, quando existir só o amor e o perdão.
Carmem, se retornar ao caminho e cuidar de Maria com amor e carinho, poderá seguir ao lado de vocês; caso contrário, terá de ficar pelo caminho e caberá a cada um de vocês escolher ficar e esperar por ela ou continuar a jornada..
Poderão fazer o que quiserem, pois nada será pedido ou criticado.
Agora, vamos despertar Carmem.
Isabel direccionou as mãos para Carmem que dormia profundamente.
Ela respirou fundo, seus olhos espirituais viram a todos e se admirou.
Teve dificuldade quanto a Isabel e Manolo, mas reconheceu Rafael e Lola prontamente.
Ao ver Lola, Carmem sentiu um ódio imenso, ia gritar que ela não podia estar lá, pois estava morta e que fora ela a responsável, mas, como sempre, pensou um pouco e, abrindo os braços, disse, sorrindo:
— Lola, pensei que você estivesse morta!
Como estou feliz em ver você!
Lola, embora estivesse com muita raiva por tudo o que ela estava fazendo com Maria, percebeu o que Carmem estava pretendendo.
Olhou para Isabel, que sorriu e disse:
— Ela não está morta, Carmem. Está bem viva.
— Não estou entendendo o que a senhora está dizendo.
Eu estava lá quando ela morreu, vi seu corpo sendo jogado ao mar.
— O que você viu morto e jogado ao mar foi o corpo dela, mas seu espírito continua vivo, muito vivo.
— Como pode ser verdade isso que a senhora está falando?
Não pode ser.
Nunca ouvi falar disso!
Sempre acreditei, não muito, que, quando eu morresse, ia para o céu ou para o inferno.
Nunca imaginei que continuaria como era, com um corpo igual ao que eu tinha...
— Não só você, mas muitas pessoas pensam assim e quando retornam e se dão conta de que a vida continua, de que existem Leis para serem cumpridas, entre elas a de Acção e Reacção, percebem o imenso tempo que perderam
praticando o mal contra outras e, principalmente, contra si mesmas.
— Que religião é essa da qual nunca ouvi falar?
— Não se trata de religião, mas do espírito, reencarnado com religião ou sem nenhuma.
Chama-se a Lei da evolução, do aperfeiçoamento.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:38 pm

O corpo, a encarnação e a reencarnação são instrumentos preciosos para que essas Leis possam ser praticadas.
Embora nunca tenha ouvido falar delas, muitos orientais, africanos e indianos, há muito tempo, já as conhecem.
— Encarnação? Reencarnação?
Do que está falando?
— De que o espírito nasce, morre e renasce muitas vezes, Carmem, quantas vezes forem necessárias para o seu aperfeiçoamento.
Somente agora o povo ocidental está preparado para conhecê-las também.
Está nascendo aos poucos, na França, uma doutrina que explica tudo isso.
Em breve, estará percorrendo o mundo e todos poderão tomar conhecimento de tais Leis.
— Embora esteja vendo você, Lola, custa-me acreditar.
— Também estou intrigado, Carmem.
Como pode ser uma coisa dessa? — falou Rafael.
— Não sei, mas, de qualquer maneira, estou feliz por ver você, Lola — disse, sorrindo, demonstrando uma felicidade que não sentia.
Voltando-se para Rafael, continuou:
— Você também deve estar muito feliz, não é, Rafael?
— Estou! Claro que estou, Carmem!
Você sabe como sofri e ainda sofro por ela.
Sabe que morro de saudade e nunca pensei que tornaria a vê-la!
Linda como sempre!
Bendito seja esse espírito que não morre!
Lola não se conteve:
— Por que está agindo assim, Carmem?
Por que finge uma felicidade que não sente?
— Não estou entendendo o que está dizendo, Lola...
— Claro que está, Carmem!
Você pensava que eu estava morta porque foi você mesma quem providenciou isso!
— Eu?! Você está enganada!
Eu era e sou sua amiga!
Lola ia se jogar sobre ela, mas foi contida por Manolo:
— Não faça isso, Lola.
Não deixe que o ódio prejudique seu espírito.
Deixe nas mãos de Deus.
Carmem, percebendo que havia sido descoberta, em lágrimas, disse:
— Não posso continuar negando, mas fiz aquilo em um momento de desespero... tenho sofrido muito por isso... vocês devem saber o motivo que me levou a cometer tal desatino...
— Conhecemos o motivo, sim, Carmem, mas nem ele nem outro qualquer deve servir de desculpa para se cometer um crime, se tirar uma vida e se praticar maldade contra um espírito irmão, preso no corpo de uma criança que não pode se defender.
— A senhora tem razão.
Por isso, estou tentando me redimir.
Estou cuidando da Maria, não é, Rafael?
— Está sim, Carmem, e muito bem.
— Não está, não, Rafael!
Ela está fazendo minha filha sofrer muito!
— O que está dizendo, Lola?
— É isso mesmo, Rafael!
Ela está fazendo a minha menina sofrer muito e isso precisa terminar!
Carmem, em desespero por ser descoberta, disse, em lágrimas:
— Estou apenas cuidando da sua educação, Lola.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:38 pm

Ela precisa conhecer os limites...
Lola ia continuar a conversa, mas Isabel interferiu:
— Não estamos aqui para criarmos energias de ódio ou rancor.
Estamos aqui, Carmem, para que entenda que o caminho que está seguindo só vai lhe trazer muito sofrimento.
Maria está, sim, sob sua responsabilidade e cabe a você e ao Rafael fazerem com que ela cresça com tranquilidade.
Ela tem muito para realizar na Terra e vocês se comprometeram a ajudá-la a crescer.
Rafael, que não estava entendendo aquele assunto, perguntou:
— Não sei do que a senhora está falando, mas, no momento, o único que está me preocupando é saber o que você está fazendo com a Maria, Carmem?
— Agora não, Rafael.
Já disse que estamos aqui para tentarmos consertar o que está errado.
O tom de voz de Isabel foi forte e decisivo.
Todos pararam de falar e ficaram olhando para ela que continuou:
— Assim como quando encarnado o espírito não sabe e não pode viver isolado e precisa pertencer a um grupo, depois do desencarne acontece o mesmo.
O espírito precisa caminhar sempre em grupo.
Esses grupos se formam através de afinidades, do amor e, muitas vezes, para um melhor aperfeiçoamento, do ódio.
Alguns espíritos evoluem mais rápido do que os outros e cabe a cada um a escolha de continuar seguindo e ajudando aquele que ficou para trás ou continuar caminhando.
Isso está acontecendo, agora, com vocês.
Carmem e Rafael têm o compromisso de ajudar Maria na sua missão de resgate.
Os outros vieram apenas para lhes dar suporte na caminhada.
Lola e Manolo, ajudados por mim, deram a vida terrena para Maria.
Vocês, e Julian em outros tempos, ao lado dela, cometeram erros deploráveis e decidiram que nasceriam juntos para resgatá-los.
— Julian também?
— Sim, ele também foi parte importante nos erros do passado.
Ainda não é a hora, mas chegará o momento em que terá a oportunidade de escolher, ajudar Maria, redimir-se ou continuar no erro.
Para isso, ainda encontrarão outros que os auxiliarão nessa empreitada.
— Se for verdade tudo o que a senhora está falando, vai ser fácil, já que está tudo planeado.
— Tudo foi planeado, sim, Carmem, aqui, no plano espiritual, após o retorno de um longo tempo na escuridão e sofrimento, mas, quando encarnado, com o peso da carne e as tentações do mundo, o espírito, muitas vezes, usa do seu livre-arbítrio, esquece o que prometeu, toma caminhos diferentes daqueles planejados e volta a cometer os mesmos delitos de antes, às vezes até se comprometendo ainda mais.
— Livre-arbítrio
O que é isso?
— Uma das principais Leis de Deus, Carmem.
Com ele, o espírito, apesar de suas promessas, pode escolher o caminho que desejar.
— Por que Deus não exige que todos cumpram seus desejos, já que sendo Deus, tudo pode?
— Poderia mesmo, mas Ele não quer.
Não quer filhos bonecos, sem vontade, mas espíritos livres, que encontrem seu próprio caminho, sem interferência.
— Sendo verdade o que está dizendo, se é assim que funciona, por que não nos lembramos do passado, não seria mais fácil?
— Seria mais fácil, mas quase improvável o perdão e o resgate, porque, muito mais do que se imagina, na nossa caminhada, encontramos inimigos ferrenhos, espíritos aos quais fizemos muito mal e não seria fácil uma aproximação se nós ou eles nos lembrássemos do passado.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:39 pm

Além do mais, qual seria o aprendizado se soubéssemos quem foi nosso amigo ou inimigo?
Imaginem saber que seu pai, mãe ou irmãos fizeram um mal muito grande contra você.
Eles seriam aceitos?
Quando, Deus coloca inimigos sob o mesmo tecto, com laços sanguíneos muito fortes, faz com que o esquecimento dê a todos a oportunidade de redenção, pedindo perdão ou perdoando.
Deus é sábio e tudo o que faz está sempre certo.
Se todo espírito confiasse na Sua bondade e sabedoria, muito sofrimento seria evitado, mas como isso ainda está longe de acontecer, o espírito continuará trilhando seu caminho, cheio de ansiedade e de sofrimento.
— Embora não soubesse dessas coisas, estou fazendo o possível para ajudar Maria.
— Está mesmo, Rafael.
Quanto a você, Carmem, está tendo a oportunidade, mas não está cumprindo sua parte naquilo que planejou.
Carmem ficou pensando por um tempo.
Depois disse, chorando, e todos perceberam que o choro era verdadeiro.
— Quando acordar, vou me lembrar do que conversamos aqui?
— Somente de algumas coisas.
Os ensinamentos recebidos durante o sono servem para que o espírito, quando está descumprindo o que prometeu, possa retornar ao caminho.
Para que isso possa acontecer sem interferência, é necessário que dos sonhos reste muito pouco.
— Isso não é justo!
Preciso me lembrar do que conversamos aqui!
— Que bom seria se fosse fácil assim, mas não é, Carmem.
Ao acordar, não se lembrará de que esteve aqui e do que conversamos.
Lembrará vagamente ter sonhado com a Lola, nada, além disso.
Continuaremos ao seu lado, mandando-lhe bons pensamentos e tentando evitar que faça mal a Maria, mas isso só dependerá de você.
Com a sua atitude, poderá fazer com que ela volte antes do tempo, antes de ter completado sua missão e, assim, estará acarretando não só a perda da encarnação dela, como a sua própria redenção e um tempo precioso que poderia ser só de felicidade.
Então terá de esperar até que tenha novamente a oportunidade de renascer.
Poderá também fazer que seus amigos se cansem de tentar ajudá-la e a abandonem ao seu próprio destino.
— Isso está errado.
Como vou saber o que realmente acontece?
— Está tudo certo, Carmem, pois, se você se lembrasse do que conversamos aqui, mudaria sua atitude não pelo amor, pelo perdão, mal, sim, pelo medo, assim não haveria arrependimento nem evolução.
— Sinto muito por tudo o que fiz contra você e contra sua filha, Lola.
Agora que sei de tudo isso, prometo, novamente, que vou fazer tudo para que ela seja uma menina feliz e que possa cumprir o destino que foi programado...
— Obrigada, Carmem.
Você não pode ser tão má.
Seu espírito, como todos os outros, deve ter sentimentos de carinho e de bondade.
Espero que, realmente, consiga fazer com que a minha menina possa crescer saudável e feliz.
— Será que algum dia poderá me perdoar sinceramente por todo o mal que lhe fiz?
Lola olhou para Manolo e para Isabel, que sorriram.
— Confesso que achei que isso nunca seria possível, mas, diante de tudo o que dona Isabel falou, não posso continuar com esses sentimentos de ódio e vingança.
Também vou estar ao seu lado, ajudando-a no que for possível.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:39 pm

— Obrigada, Lola.
Prometo que vou tentar.
Prometo que vou fazer tudo para que isso aconteça.
— Não prometa o que talvez não possa cumprir, Carmem.
Ao ouvir aquilo, Carmem se voltou para Isabel:
— Por que está dizendo isso?
Acha que não vou conseguir, mesmo sabendo que é o meu dever e o cumprimento de uma promessa?
— Como já disse, quando estamos aqui, na espiritualidade, nossa visão de mundo é outra e acreditamos poder fazer muitas coisas, mas, quando estamos na carne, as coisas mudam de figura e, na maioria das vezes, fazemos o contrário do prometido.
— Entendi isso, mas sinto que vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que ela seja feliz.
— Agora, seu espírito, fora da carne, está recebendo muita energia e pode ver as coisas com mais clareza, mas quando retornar ao corpo, agirá como encarnado e ainda terá momentos em que precisará fazer escolhas.
Queira Deus que consiga fazer as escolhas certas.
Estamos aqui ajudando no que for possível.
— A senhora está me assustando.
Acha mesmo que não vou conseguir?
— Você pode conseguir tudo o que quiser, se aceitar a vida como ela se apresenta e não tentar mudar, usando maldade e ódio.
Muitas pessoas, antes de dormirem, rezam o Pai-Nosso, mas falam somente pela boca.
O Pai-Nosso é uma oração maravilhosa, a única que Jesus nos ensinou, mas, na hora do sofrimento, das escolhas, todos se esquecem das palavras mais bonitas que existem nela; "seja feita a Vossa vontade" e não aceitam o momento que estão vivendo.
Não aceitam que nem tudo o que desejam será bom para seu espírito e sua evolução.
Isso está acontecendo com você agora, Carmem.
Não aceita que Rafael não a ame e culpa Maria por isso, quando, na realidade, esse amor não serviria para o seu aperfeiçoamento e sua evolução.
— Sinto que, se for assim, nunca vou evoluir e que já estou fadada ao fracasso.
— Foi para isso que renasceu, para superar suas fraquezas e entender que a vida na Terra é passageira, mas que o espírito é eterno.
Não está fadada a praticar o mal; ao contrário, todos nascem para fazer o bem, mas quase sempre mudam de ideia.
Tem direito a fazer qualquer escolha, porém será responsável por ela e receberá de volta exactamente o resultado dessa escolha.
— Assim a senhora está, mesmo, me assustando.
— Não é essa aminha intenção, mas, sim, a de preveni-la por tudo o que está por vir.
— Como saber se estou fazendo a escolha certa?
— Quando essa escolha não prejudicar alguém e só lhe fizer feliz.
Quanto a isso não precisa se preocupar.
Sempre que existir um momento de escolha, estaremos ao seu lado, dando-lhe bons pensamentos e a intuição do que deve fazer.
Caberá a você aceitar ou não.
— No momento em que resolvi colocar aquele pano contaminado sobre o corpo de Lola fiz uma escolha?
— Infelizmente, sim.
— A senhora não estava lá para me impedir?
— Sim, eu e Manolo, mas, por mais que tentássemos ,foi em vão.
Você estava dominada pelo ódio, pela inveja e pelo ciúme.
Não nos ouviu.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:39 pm

— Pelo que entendi, fiz uma escolha errada...
— Sim e terá de responder por ela.
— Como?
— Ainda não sei.
Quando voltar para cá, juntos, novamente, discutiremos esse assunto.
Por ora, deve se dedicar somente a fazer Maria feliz.
— A senhora acha que vou conseguir me redimir?
— Claro que vai, minha filha.
Todo filho de Deus sempre encontra o Seu caminho.
Tenho fé e certeza de que conseguirá.
Ao menos, estamos todos torcendo para isso.
Além disso, terá a seu lado Rafael, Julian e outros amigos que ainda encontrará pelo caminho.
Carmem olhou para Lola e, chorando sinceramente, disse:
— Obrigada por me perdoar e me dar essa nova chance.
— Sinto que, apesar de o meu perdão estar lhe fazendo bem, faz muito mais a mim.
É muito triste ter esses sentimentos de ódio, ira e vingança, como aqueles que eu estava sentindo.
Carmem, em lágrimas, tentou sorrir.
Isabel disse:
— Está na hora de voltarem ao corpo.
Quando acordarem sob as luzes que estaremos lhes enviando, se sentirão muito bem.
Isso durará por um bom tempo.
Depois, embora continuemos ao lado de vocês enviando luzes de energia, poderão ou não recebê-las.
— Não entendi.
Não são todos que podem receber as luzes e energia?
— Não, Carmem.
As luzes só conseguem atingir aqueles que estão predispostos a recebê-las.
Elas são como se o próprio Deus viesse nos visitar.
Quando, encarnados, convidamos alguém para nos visitar, arrumamos a nossa casa da melhor maneira possível e procuramos deixar tudo em ordem para que a nossa visita se sinta bem.
Como queremos que Deus entre no nosso coração se ele estiver sujo e desarrumado, cheio de mágoa, ódio, ciúme e tantos outros sentimentos negativos?
Todos ficaram calados, somente pensando nas palavras dela.
Com carinho, Isabel fez com que voltassem ao corpo que dormia tranquilo.
Depois, ela e Manolo ficaram por um bom tempo enviando luzes brancas de paz sobre eles.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 27, 2017 8:39 pm

A festa da colheita
Na manhã seguinte, Carmem acordou.
Olhou para o lugar onde Maria dormia, mas ela não estava lá.
Não se preocupou, pois, como acontecia algumas vezes, Maria acordava durante a noite e ia para junto de Rafael.
Deitava-se encostada em suas costas e dormia tranquila.
Por onde estava podia ver o rosto da menina, pensou:
Ela é muito bonita.
E só uma criança e não tem culpa de Rafael não gostar de mim.
Como pude fazer aquelas coisas com ela?
Não sei porque, mas sinto que preciso mudar meu comportamento.
Sinto que preciso criar essa menina com amor.
Talvez, assim, quem sabe, Rafael possa vir a gostar de mim.
Ficou ali por algum tempo olhando para a menina e sentindo uma ternura nunca antes sentida.
Lola viu que o quarto todo estava iluminado não só pela luz do sol, que nascia, mas também pelas luzes que eles enviavam.
— Parece que a nossa conversa deu certo, dona Isabel.
Carmem acordou diferente.
— Tem razão e, com isso, pode receber as energias mandadas por nós.
Se continuar assim, ficará cada vez mais forte.
— Estou feliz por isso, pois sinto que Maria não vai sofrer mais.
— Por enquanto, Carmem está sob nossa influência.
Vamos torcer para que continue assim.
Rafael abriu os olhos e, ao sentir Maria em suas costas, sorriu e virou-se para vê-la.
Assim que se virou, viu Carmem que olhava para ele:
— Ela veio novamente dormir comigo — disse, sorrindo.
— Sabe que sempre faz isso.
Acho que só consegue dormir bem sentindo sua presença.
Com carinho, Rafael virou-se, retirou o bracinho das costas dele e beijou o rosto da menina.
Levantou-se.
Carmem estava muito bem, disse:
— Hoje vou com Maria até o armazém, preciso escolher o tecido para fazer a nossa roupa da festa.
— Faça isso, Carmem.
Escolha um bem bonito.
Depois da festa, vamos receber o nosso dinheiro e poderemos ir embora.
— Quer mesmo ir para uma cidade maior?
— Quero sim.
Sinto que lá a nossa vida será melhor.
Agora preciso ir.
Julian e seus irmãos logo estarão aqui para tomar café.
Precisamos trabalhar muito para ensacar a colheita.
Ele pegou água da chaleira que estava sobre o fogão, colocou pó de café em um coador de pano e jogou a água fervendo.
Logo um aroma delicioso de café inundou todo o quarto.
Estava tomando, quando Julian chegou e, logo depois, os rapazes.
Terminaram de tomar café e foram embora.
Carmem permaneceu deitada por mais um tempo, depois se levantou.
Também tomou café e, aproximando-se de Maria que ainda dormia, disse, baixinho:
— Acorde, Maria.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:09 pm

Hoje vamos comprar o tecido para o seu vestido.
A menina ouviu-a chamando, mas vendo que Rafael não estava mais ali, fingiu estar dormindo.
Carmem insistiu:
— Acorde, Maria.
O dia da festa está chegando!
Nós duas precisamos ficar bonitas!
Vendo que não havia maneira de continuar fingindo e, percebendo pela voz de Carmem que ela estava diferente, abriu os olhos.
Ao ver que a menina estava acordada, Carmem beijou sua testa:
— Sei que você tem medo de mim, por tudo que já lhe fiz, mas prometo que, de hoje em diante, vai ser diferente.
Nunca mais vou ser ruim com você.
A menina estranhou aquele tom de voz, não acreditou, mas, mesmo assim, se levantou.
Carmem continuou:
— Vou preparar pão e café para que você coma, depois vamos sair.
Preparou café com leite e colocou manteiga em um pedaço de pão.
Maria, que estava com fome, comeu num instante.
Depois, Carmem colocou um vestidinho azul, que era o melhor que a menina tinha.
Após vesti-la, tomou uma certa distância:
— Você é mesmo bonita, Maria.
Maria estava estranhando aquela conversa.
Não conhecia a mulher que estava ali, mas permaneceu calada, fazendo tudo o que Carmem mandava.
Carmem também se vestiu e saíram.
Enquanto caminhavam, Carmem, segurando na mão de Maria, disse:
— Sei que fiz muita maldade com você, Maria, mas não se preocupe, isso não vai tornar a acontecer.
Não sei o que aconteceu, mas acordei diferente.
Sinto que preciso proteger você e vou fazer isso.
Maria ouviu, embora não acreditasse que algum dia aquilo pudesse acontecer.
Respirou aliviada.
Chegaram ao armazém.
Carmem escolheu um tecido rosa para fazer o vestido de Maria e um estampado, com o fundo azul e flores amarelas.
Sabia que aquele tipo de roupa não era usado pelas mulheres casadas, mas pensou:
É festa... Rafael vai me achar linda... sinto que, na noite da festa, vamos nos tornar marido e mulher de verdade.
Comprou brincos no formato de argolas grandes que sobre seus cabelos negros ficariam muito bonitos.
Com o tecido nas mãos, foram até a casa de Ana que, ajudada por outras mulheres, ia costurar todos os vestidos.
Precisava se apressar, mas sabia que daria tempo.
Assim que chegaram, Carmem mostrou os tecidos:
— Ana, comprei estes tecidos.
Quero ficar bem bonita e a Maria também, não é, Maria?
A menina, desconhecendo a mulher que falava com ela, sorriu:
— Ela vai ficar linda, sim, Carmem.
Embora, mesmo vestida de trapos, ela é linda.
Vou escolher um modelo bem bonito.
Preciso de ajuda para dar tempo.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:09 pm

— Não sei costurar, mas se me ensinar, vou fazer o melhor.
Ana sorriu e, mostrando uma cadeira, disse:
— Sente-se, Carmem. Vou lhe ensinar.
Logo mais, outras mulheres virão, só assim, com todas trabalhando, a roupa estará pronta para a festa.
Não se esqueça de que preciso, ainda, fazer as camisas e calças dos homens.
Carmem sentou-se.
Ana deu-lhe uma agulha, linha e um tecido.
Do lado de fora, crianças brincavam.
Maria ouvia, mas sabia que poderia brincar, pois Carmem não permitia.
Para sua surpresa, ouviu:
— Vá brincar com as outras crianças, Maria.
A menina, com medo e não entendendo o que estava acontecendo ficou parada.
Carmem insistiu:
— Pode ir, Maria.
Tenho muito trabalho.
Cuidado para não se machucar.
Cuidado com a mão.
A menina, não entendendo o que estava acontecendo, lentamente saiu da casa e foi para junto das outras crianças.
Carmem continuou ali.
Outras mulheres chegaram e, alegremente, falando sobre a festa, começaram a ajudar Ana que lhes ensinava com paciência.
Daquele dia em diante, Carmem mudou com Maria.
Cuidava dela com carinho, tratava sua mão para que não infeccionasse e permitia que brincasse com as outras crianças.
Maria estranhou, mas estava feliz e não quis saber do motivo.
O dia da festa, finalmente, chegou.
Pablo providenciou muita carne e cerveja que mandava vir de uma fábrica de fundo de quintal no Rio de Janeiro.
Todos colocaram suas roupas novas, que Ana conseguiu terminar a tempo.
Carmem colocou em Maria o vestido novo e uma fita, na mesma cor do vestido, nos cabelos longos e pretos.
Assim que ficou pronta, Maria olhou em um pequeno espelho e gostou do que viu:
— Você está linda, Maria!
— Estou, sim.
Este vestido ficou lindo!
— Ficou mesmo.
Ana escolheu um modelo muito bonito.
Agora, vou me trocar.
Você pode ir mostrar o seu vestido, mas não vá para longe.
Seu pai deve estar chegando para se trocar também.
Maria, empolgada e com a mão quase sarada, sorriu e saiu.
Carmem colocou seu vestido.
Pela primeira vez, depois que se casou, vestia uma cor que não fosse preta.
Soltou os cabelos longos muito pretos, mas que viviam sempre presos.
Prendeu-os, só que, dessa vez, colocou neles uma fita e deixou-os soltos nas costas.
Passou um pouco de batom e pó de arroz.
Beliscou o rosto para que ficasse vermelho em determinado, lugares.
Olhou no espelho:
Estou mesmo muito bonita.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:10 pm

Não entendo por que as mulheres da minha idade, com apenas vinte anos, só por serem casadas, tenham de vestir roupas escuras.
Estou tão mais bonita com este vestido colorido.
Tenho certeza de que hoje Rafael vai me notar.
Rafael chegou em seguida.
Encontrou Maria, que brincava.
Ao vê-la, entusiasmado e ignorando Carmem, disse:
— Você está linda, Maria!
Ela jogou-se em seus braços e, sorrindo, disse:
— Estou mesmo! Eu vi no espelho!
— Agora, continue brincando, preciso me trocar.
Entrou em casa.
Carmem estava diante do espelho.
Ele, não notando que ela estava com roupa nova e clara, disse:
— Estou atrasado.
Estava fazendo as últimas contas da colheita, parece que temos um bom dinheiro para receber.
Carmem, calada, andou de um lado parta outro na esperança de que ele a notasse e elogiasse, mas isso não aconteceu.
Depois de Rafael ter se trocado, foram para o pátio da fazenda, onde tudo estava preparado para a festa.
A alegria era geral.
Naquele momento, ninguém se lembrava do quanto haviam sofrido para chegar ali.
Só pensavam na festa e no quanto poderiam comer e se divertir.
Quando estavam todos reunidos, Pablo e Maria Augusta apareceram na varanda.
Ao lado deles, estava uma moça de mais ou menos dezanove anos, loira e com os olhos muito azuis.
Lembrava dona Maria Augusta, que também era loira.
Pablo, com um largo sorriso, disse:
— A colheita foi muito boa, melhor do que eu esperava, por isso, nada mais justo que todos se divirtam, comam e bebam à vontade.
Hoje é proibido pensar em plantação e colheita.
Quero que conheçam minha filha, Berenice.
Ela chegou hoje da Espanha e vai ficar aqui por algum tempo.
Essa festa vai ser em homenagem a ela.
Agora, comecem a festa!
Todos olharam a moça que, sem jeito, sorriu.
A música começou a tocar.
A carne, que já estava na brasa, foi servida.
Logo, todos estavam dançando, menos Rafael, que apenas observava.
Carmem se aproximou:
— Vamos dançar, Rafael?
— Não sei dançar, Carmem, dance você.
— Não posso dançar com outro, Rafael.
Para todos os efeitos, sou mulher.
— Pode dançar com seus irmãos ou com Julian.
Ela, que já estava com raiva por ele não haver notado sua roupa nem como estava bonita, se afastou.
Seu coração batia forte.
Sentia vontade de chorar.
Distante, voltou a olhar para Rafael, que ensaiava alguns passos com Maria, que ria, feliz.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:10 pm

Não adianta, por mais que eu faça, ele nunca vai me notar!
Só pensa naquela mulher!
Será que nem depois de morta vai me dar sossego!
Olhe como ele fica com a filha dela!
Odeio essa menina!
Ficou olhando-os de longe.
Julian se aproximou:
— Vamos dançar, Carmem?
Em outras circunstâncias, ela não iria, mas estava muito brava, aceitou.
Começaram a dançar.
Durante a dança, Julian disse:
— Está linda, Carmem!
Quase não a reconheci!
— Obrigada, Julian, ao menos você notou!
— Por que está dizendo isso, Carmem?
Rafael não viu como você está bonita?
— Não! Ele só tem olhos para essa menina!
— Não sei como ele pode fazer isso.
Você é uma moça muito bonita.
Posso dizer que é a mais bonita da festa!
— Obrigada.
A música parou.
Julian, ainda segurando sua mão, disse:
— Carmem, sei que o casamento de vocês não existe, que mentiram por causa da Maria, por isso quero lhe dizer uma coisa.
— O quê, Julian?
— Gosto de você desde que a vi no navio.
Pretendia dizer-lhe isso, assim que chegássemos.
Quem sabe, começaríamos a namorar para nos conhecer melhor, mas as coisas se precipitaram e, por causa da Maria, você acabou se envolvendo com o Rafael.
Sempre achei que isso era um erro.
Não sei como isso pode ser consertado, só sei que estou apaixonado e quero ficar com você.
Ao ouvir aquilo, Carmem empalideceu:
— Nunca imaginei isso, Julian.
Você nunca deixou transparecer...
— Não podia. Queria primeiro chegar aqui e ganhar muito dinheiro para poder oferecer uma boa vida a você, mas, hoje, depois de vê-la tão bonita, não resisti.
Carmem ficou sem saber o que dizer.
Afastou-se de Julian e foi para junto de Rafael, que olhava Maria correndo e brincando com as outras crianças.
Quando ela se aproximou, ele disse:
— Ela está linda, não é Carmem?
A cada dia que passa, fica mais parecida com a Lola.
Aquelas palavras entraram como espinhos no coração de Carmem, que, por estar com muita raiva, não soube o que dizer.
Não tem jeito mesmo, ele nunca vai se esquecer daquela mulher.
Não enquanto essa menina viver!
Preciso mesmo me livrar dela!
Lola, que estava ali ao lado de Isabel e Manolo, ao ouvir aquilo se desesperou:
— Ela vai machucar a minha filha novamente, dona Isabel!
— Infelizmente, parece que vai mesmo, Lola.
Está novamente tomada de ódio e ciúme, por isso não consegue mais receber nossas luzes e energias.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:10 pm

— Por que acontece isso?
Enquanto estava recebendo as luzes, parecia bem.
— Após a conversa que tivemos durante a noite, ela entendeu e deixou de ter sentimentos de ódio e mágoa.
Isso acontecendo, seu campo de energia ficou aberto e, assim, pôde receber luz e energia de que precisava para viver bem e caminhar para a felicidade, mas, agora, diante desses sentimentos que está tendo, seu campo energético se fechou e, por mais que tentemos, não conseguimos atravessá-lo.
Maria, alheia a tudo o que estava acontecendo, continuava brincando.
Estava correndo, quando tropeçou e caiu.
Berenice, que andava ali, comendo e bebendo, levantou-a e, com carinho, perguntou:
— Você se machucou?
— Só um pouquinho aqui no joelho.
Rafael, que estava do outro lado, ao ver que Maria caíra, correu para junto dela.
Quando chegou, Berenice olhava o joelho da menina.
Ele, afobado, perguntou:
— Você se machucou, Maria?
Berenice levantou os olhos para responder, mas não conseguiu.
Parou olhando para ele que também a olhava e que também ficou sem saber o que dizer.
Apenas os olhos conversaram entre si.
Maria, que sabia o que acontecia, respondeu:
— Só machuquei um pouquinho o joelho, papai.
Berenice e Rafael ficaram se olhando por alguns segundos, depois, desviaram os olhos.
— Ainda bem, minha filha.
Pensei que tivesse se machucado mais.
Obrigado, moça, por tê-la ajudado.
— Não foi nada. Eu estava perto.
Maria, embora mancando, se afastou para continuar brincando.
Rafael e Berenice ficaram parados sem saber o que fazer.
Ela foi a primeira a dizer:
— A sua filha é uma menina muito bonita.
Ele, emocionado, sem saber o motivo, respondeu:
— É, sim, é a razão da minha vida.
— Meu nome é Berenice, mas o senhor deve saber.
— Sei, sim. Vi quando seu pai a apresentou.
O meu nome é Rafael, trabalho aqui na fazenda.
— A festa está muito boa, não está?
Meu pai se esmerou.
Ele está muito feliz com a colheita.
— Também estamos.
Para isso trabalhamos muito.
A senhorita vive na Espanha?
— Sim. Terminei meus estudos e agora vim para cá para ficar por algum tempo.
Vim somente para conhecer esta terra da qual meus pais tanto gostam.
Depois, preciso retornar para a Espanha.
Tenho lá um compromisso muito importante.
— Por que não veio com seus pais?
— Embora eles morem aqui há muito tempo, eu nunca quis vir, preferi ficar morando com minha avó.
Agora que conheci o Brasil, sinto por não ter vindo antes.
A imagem que tinha daqui era bem diferente da realidade.
Isto aqui é uma maravilha.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:10 pm

Estou muito triste de ter de ir embora, mas não existe solução.
Preciso mesmo ir. Isso é uma pena...
— No momento, também estou achando.
Estavam conversando como se já se conhecessem e se esqueceram de que a festa transcorria.
As pessoas não notaram, pois estavam bebendo, dançando e comendo.
Somente Carmem, que estava do outro lado, conversando com Julian, viu quando Maria caiu.
A princípio, não deu importância, mas, ao ver Rafael conversando com aquela moça tão bonita e filha do patrão, se irritou:
Por que ele está conversando tanto com ela?
Será que estão se gostando?
Isso não pode acontecer!
Ele é meu, somente meu!
Lola, ao ver a sua reacção, disse:
— A senhora sabe que tenho motivos para não gostar das atitudes dela, mas, por outro lado, sua situação é difícil...
— Por que está dizendo isso, Lola?
— Ela gosta de Rafael.
Para esta festa, se preparou com todo esmero, não para si, mas para que ele a notasse.
Isso não aconteceu, acho que qualquer pessoa sentiria o mesmo que ela.
— Tem razão, mas ela está cometendo o mesmo erro de muitos.
— Que erro?
— Nem sempre o que desejamos é o melhor para o nosso crescimento espiritual.
Nem sempre, ou melhor, nunca deveríamos deixar a nossa felicidade nas mãos de outros.
Ela precisava ter se arrumado, sim, mas para ela mesma, para que se sentisse bem, não por causa dele.
— Mas ela gosta muito dele...
— É verdade, mas isso não lhe dá o direito de exigir que ele tenha o mesmo sentimento para com ela.
Não podemos forçar uma situação.
— Já que sabemos isso, por que permitir que tudo aconteça?
— Nada acontece por acaso, Lola.
Berenice e Rafael precisavam se encontrar.
Um faz parte da caminhada do outro.
Quanto à situação que estamos presenciando, só posso lhe dizer que está tudo certo.
Durante as várias encarnações, cometemos muitos acertos, mas muito mais erros.
A cada reencarnação, as situações nas quais fracassamos se repetem para que tenhamos a chance de resgatar erros passados.
Elas se repetirão até conseguirmos superá-las.
Por várias vezes, Carmem, por gostar de Rafael, sentiu-se dona dele.
Terá de aprender que ninguém é dono de ninguém e que o espírito é livre para escolher o caminho que desejar.
Vamos esperar que Carmem, dessa vez, consiga superar isso que ela chama de amor e caminhe para um amor maior.
— Ouvindo a senhora dizer, parece fácil, mas, quando se vive a situação, achamos que, se não conseguirmos o que queremos, nunca seremos felizes.
— Tem razão, parece.
Isso também faz parte do aprendizado.
Com o tempo, o espírito aprenderá a esperar, a entregar sua vida nas mãos de Deus, pois somente Ele sabe o que é o melhor para cada um.
— A senhora tem razão no que diz, mas, mesmo assim, continuo achando ser muito difícil aceitar.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:11 pm

— É difícil, mas, para isso, temos toda a eternidade e várias encarnações para entender e aprender.
— No momento, estou pensando em Maria.
Precisamos fazer alguma coisa!
— Sabe que nada podemos fazer, Lola.
Existem entre todos, algumas pendências que precisam ser resolvidas.
— Mas Maria é ainda uma criança!
Não tem como se defender...
— Já lhe disse que, embora o corpo seja de criança, o espírito é velho e já viveu muito.
Durante essa vivência, acumulou erros e acertos.
Isso aconteceu entre eles e esta encarnação é mais uma oportunidade que Deus está lhes dando para um resgate final.
Dependerá somente deles.
Neste momento, exactamente por Maria estar em um corpo de criança, cabe à Carmem escolher o caminho que deseja seguir.
Depende somente dela.
Nada podemos fazer.
A única coisa que podemos fazer é permanecer ao lado de Carmem, enviando, quando possível, quando ela permitir, energias de amor e perdão.
É só o que podemos fazer e continuaremos fazendo.
Impotente, Lola começou a chorar e voltou o olhar para Carmem que, tomada de ódio e ciúme, se afastou de Julian e caminhou em direcção a Rafael que, distraído como estava, não percebeu.
Berenice olhou para o lado onde o pai estava e percebeu que ele estava olhando.
Com um sorriso, disse:
— Agora preciso ir, foi um prazer conhecer você.
— Também estou feliz por isso, quem sabe, poderemos conversar outras vezes.
— É, quem sabe...
Quando Carmem se aproximou, ela já havia se afastado.
Tomada de ódio e ciúme, Carmem perguntou:
— O que você estava falando com aquela moça, Rafael?
— Nada, Carmem.
Maria caiu e ela a ajudou.
É uma moça muito simples, embora seja rica.
Gostei muito de conversar com ela.
Espero poder voltar a fazer isso.
— Não pode fazer isso!
Rafael, desconhecendo os sentimentos dela para com ele, estranhou:
— Por que está dizendo isso, Carmem?
— Você, enquanto conversava com ela, pareceu ter se esquecido de que é um homem casado.
Rafael só agora se deu conta de que Carmem estava com ciúmes.
Preocupado, disse:
— Você está com ciúme, Carmem?
Não somos casados de verdade! Fizemos apenas um acordo.
Ela, vendo que havia deixado transparecer o que sentia, pensou e falou rápido:
— Não estou com ciúme.
Você tem razão, não somos casados, mas, para todos os efeitos, as pessoas pensam que somos e eu não quero passar por uma mulher traída!
Tenho vergonha.
— Todos quem, Carmem?
Aqueles que vieram connosco no navio sabem o que aconteceu.
Sabem que nosso casamento não existe!
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:11 pm

— Eles sabem o que aconteceu no navio, mas não sabem o que tem acontecido desde que chegamos e começamos a morar juntos.
Por favor, para não me envergonhar, não quero que converse mais com essa mulher!
— Essa mulher, como você diz, é uma moça muito fina e educada.
Não conversamos nada de importante, mesmo assim, você não tem o direito de falar ou exigir qualquer coisa de mim!
Agora vou embora!
— Pode ir, mas não se esqueça de levar sua filha!
Vou dançar com Julian e aproveitar a festa.
Não posso ficar tomando conta dela!
— Não se preocupe com isso!
Posso muito bem tomar conta dela!
Dizendo isso, Rafael se afastou e caminhou para onde Maria estava brincando.
— Vamos embora, Maria.
Já está tarde.
— Ainda é cedo, papai.
Quero brincar mais um pouco.
— Já brincou bastante.
A festa está acabando e as pessoas já estão indo embora.
Vamos.
À contragosto, a menina o acompanhou.
Carmem, com ódio, ficou ali olhando enquanto ele se afastava.
Ele não pode se interessar por outra mulher, não pode!
Enquanto se afastava, Rafael pensava:
Será que Carmem gosta de mim como homem?
Não, estou ficando louco.
Ela sempre me considerou como irmão e é o mesmo que sinto por ela.
Devo estar imaginando coisas.
Começo a achar que esse casamento foi um grande erro.
Não posso continuar preso a alguém de quem não gosto.
Somente ao conhecer Berenice me dei conta disso.
Ela é uma moça adorável, além de muito bonita, seus olhos são maravilhosos.
Têm um brilho como nunca vi.
Não vai gostar de alguém como eu, mas, se gostasse o que eu ia fazer?
Preciso encontrar uma maneira de consertar esse erro...
Carmem, tomada de ódio, se aproximou de Julian:
— Vamos dançar, Julian?
Ele, surpreso, respondeu:
— Claro que sim, Carmem.
Voltaram a dançar.
Ele, que estava ao lado deles quando discutiram, sabia que ela só estava querendo devolver a ofensa que julgava ter recebido de Rafael.
Mesmo assim, ficou feliz.
Sorrindo, enlaçou-a nos braços e saíram dançando.
Carmem, embora dançasse com Julian, não conseguia se esquecer de Rafael conversando com Berenice.
O olhar dele, enquanto conversava com ela, é o mesmo que tinha ao lado de Lola.
Ele está gostando dela e isso não pode acontecer!
Não pode e não vai!
Se ele não ficar comigo, não vai ficar com ninguém mais.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:11 pm

Julian, não imaginando o que ela pensava, estava feliz por tê-la nos braços e também pensava:
Sei que ela nunca me olhou como homem, mas sei esperar.
Essa cena com Rafael?
Será que ela está com ciúmes?
Não, não, pode ser.
Ela somente ficou envergonhada.
Amo Carmem e quero que seja minha mulher.
Quero viver ao lado dela e ter uma família.
Carmem continuava pensando:
Ele está gostando dela!
Isso não pode acontecer!
Essa moça, além de bonita, tem muito dinheiro!
Preciso pensar em uma maneira de evitar quê se prolongue o que está começando!
Enquanto dançavam, Julian disse:
— Está muito brava, não é, Carmem?
— Por que está dizendo isso?
— Vi como você ficou quando Rafael conversava com a filha do patrão.
— Está enganado, sabe que não tenho nada com Rafael.
Somos apenas amigos e só estamos juntos por causa da Maria.
Enquanto esse casamento durar, não quero ser envergonhada por ele.
— Falando assim, enche meu coração de esperança.
Naquele momento, pensando em uma maneira de atingir Rafael e se vingar dele, ela sorriu e apertou a mão de Julian que, entendendo o gesto, também sorriu.
— Que bom que você não gosta dele.
Eu, ao contrário, gosto muito de você e sei que poderemos ser felizes.
— Só está se esquecendo de uma coisa, Julian.
— Do quê?
— Embora meu casamento seja de mentira, perante a lei ele existe.
Nunca poderemos ficar juntos.
— Tem razão, mas é preciso encontrar uma solução.
O que fizeram, embora fosse necessário, foi um erro.
Não é justo que fiquem presos a um casamento que na realidade não existe.
— Também estou achando que foi um erro, mas, agora, não há solução.
Estamos presos um ao outro.
— Tem de existir uma solução, Carmem!
Naquele momento, com medo de que Rafael a abandonasse por outra mulher, em seu pensamento, encontrou uma solução.
— A única solução seria eu ficar viúva, mas isso não vai acontecer, Rafael é muito jovem e forte.
Ele, a princípio, não entendendo qual era o real desejo dela, disse:
— É verdade, ele é jovem e forte.
Por isso, se formos esperar, vai demorar muito.
— Vai mesmo, Julian.
Como está vendo, não existe solução.
Estou presa para sempre...
A música terminou.
Antes de se separaram, Carmem apertou mais uma vez a mão de Julian que sentiu que havia esperança de conseguir o que queria, mesmo não sendo casados.
Quando ela descobrir que gosta de mim, se entregará sem pensar.
Embora tenha de ser escondido, não precisamos nos casar...
A música terminou e eles se afastaram.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:11 pm

Carmem disse:
— Agora preciso ir, Julian.
Embora meu casamento seja de mentira, para todos, ele é verdadeiro e será até o dia em que fique viúva.
Sorrindo, afastou-se e foi para casa.
Julian ficou ali, pensando no que ela havia dito.
Rafael não vai morrer tão cedo.
Sendo assim, jamais poderei ficar com Carmem a não ser escondido, mas, pensando bem, da maneira como a conheço, sei que é uma mulher honesta e não vai querer viver ao meu lado sem ser casada.
Preciso encontrar outra solução...
Carmem, ainda tomada de ódio e ciúme, chegou a casa.
Maria estava deitada na cama e Rafael no colchão no chão.
Ele contava uma história para a menina.
Entrou e, ao vê-lo com todo aquele carinho para com Maria, raivosa, pensou:
Não tem jeito mesmo, ele nunca vai se esquecer daquela mulher nem vai se apaixonar por qualquer outra.
Por que isso acontece?
Por que ele não gosta de mim?
Seria tudo mais fácil se ele me quisesse.
Pegou sua roupa de dormir, foi para a cozinha, vestiu-se e voltou, deitou-se de costas para eles e fechou os olhos.
Lola, que a tudo acompanhava, disse:
— Ela tem razão, dona Isabel.
Seria muito mais fácil.
— Seria, mas não haveria aprendizado algum.
Carmem está novamente, como já aconteceu outras vezes, na hora de decidir.
— Pelo que entendi, ela insinuou que Julian deve matar Rafael, foi isso mesmo?
— Sim. Como disse, as situações se repetem.
Carmem, muitas vezes, usou o amor de Julian para fazer com que ele cometesse um crime.
Infelizmente, sempre conseguiu.
Esperamos que, dessa vez, ela mude de ideia ou que ele resista.
— Ele vai fazer o que ela quer?
— Não sei.
Ele também está passando por um momento de aprendizado, de usar seu livre-arbítrio.
Outras vezes ele falhou e atendeu ao que ela queria.
Tomara que, dessa vez, ele resista para que possa continuar caminhando e não perca a oportunidade que está tendo com esta encarnação, para que ela não seja perdida como já foram tantas outras.
— É tudo muito complicado.
— Não, Lola, ao contrário, é tudo muito simples.
Somos nós que complicamos.
— Não, dona Isabel.
Carmem está em uma situação muito difícil.
— Sim, mas está também num momento de escolha e aprendizado.
Já que não podemos interferir no seu livre-arbítrio, vamos esperar para ver o que acontece.
Rafael acompanhou os passos de Carmem, mas ficou calado.
Antes mesmo de terminar de contar a história, Maria, cansada pelo muito que brincara, naquele dia, adormeceu.
Ele, ao ver que ela estava dormindo, sorriu.
Levantou-se, beijou sua testa.
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Ave sem Ninho

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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:12 pm

Cobriu-a com o cobertor, tendo cuidado com sua mão.
Foi até o fogão, pegou uma caneca, colocou café que estava em um bule sobre o fogão e saiu.
Sentou-se em um banco construído com um tronco de árvore.
Tomou um gole da café, olhou para o céu que estava estrelado e com a lua cheia.
Seu coração encheu-se de emoção:
Como é linda a natureza e como Deus é perfeito.
Deu esta terra para vivermos com tudo o que é necessário para sermos felizes.
Temos uma terra boa que nos dá comida em abundância.
Temos os rios com água pura.
Além deles, há os mares cheios de peixes, contudo, mesmo assim, o ser humano nunca está feliz.
Olhe o que está acontecendo agora.
Descobri que Cármen gosta de mim de uma maneira diferente da que eu pensava e desejava.
Ao mesmo tempo, sinto por essa moça algo que julguei que nunca mais sentiria desde que Lola morreu.
Tanto eu como Carmem estamos percorrendo um caminho errado.
Não tenho certeza, mas se estiver gostando mesmo de mim, jamais vai ficar comigo da maneira como quer e eu jamais vou poder ficar com Berenice da maneira que quero.
Estou ficando louco!
Não aconteceu nada entre nós, apenas conversamos como pessoas educadas.
Ela jamais se interessaria por alguém como eu.
Sinto muito, pois gostaria de tê-la como minha mulher, de viver com ela para o resto da minha vida, mas isso nunca vai acontecer.
O que vou fazer se não conseguir tirar do coração esse sentimento?
Por que as coisas são tão difíceis para mim?
Terminou de tomar o café, entrou em casa e se deitou.
Ainda pensando em Berenice, demorou a dormir.
Carmem, embora de olhos fechados, acompanhou todos os seus passos.
Enquanto ele estava lá fora, também pensava:
Ele está lá fora, provavelmente pensando naquela moça.
Será que vai ser sempre assim?
Antes, ele pensava em Lola, agora nessa moça, será que nunca vai pensar em mim como mulher?
Não sei quando, mas um dia ele vai me notar e vai saber que o meu amor é imenso.
Com essa moça, embora saiba que seja difícil, não me preocupo, pois, se eles insistirem, terei de fazer com ela o mesmo que fiz com Lola e farei com qualquer outra mulher que interferir no meu caminho.
Ele tem de ficar comigo!
Se isso não acontecer, não ficará com mais ninguém!
Prefiro vê-lo morto!
Ficou ali por um bom tempo pensando, até que, também cansada pelo longo dia de preparação da festa, adormeceu.
Berenice também estava deitada, mas não conseguia dormir.
Não conseguia tirar do pensamento os olhos de Rafael e o que sentiu ao vê-los:
O que foi aquilo que senti quando olhei para os olhos daquele moço?
Nunca havia sentido algo parecido.
Porque não consigo esquecê-lo?
Porque seu sorriso e seus olhos não saem do meu pensamento?
Ficou com sede.
Levantou-se, foi até a cozinha, pegou um copo de cristal, colocou água e, com ele na mão, foi para o quintal.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:12 pm

Lá fora, também olhou para o céu e também se encantou com o que viu:
Como a noite está linda.
Como é bonita esta terra, este céu.
Como poderíamos ser felizes se tudo pudesse ser da maneira como desejamos, mas não é.
Sinto por aquele moço algo que nunca senti, mas sei que isso é totalmente impossível.
Ele, além de ser um trabalhador imigrante com o qual meu pai
jamais permitiria que eu me envolvesse, é um homem casado.
Não adianta, o que estou desejando jamais poderá acontecer.
Estamos muito distantes um do outro.
Nós nos conhecemos muito tarde.
Terminou de beber a água e com o coração apertado, voltou para seu quarto, deitou e depois de muito virar na cama, adormeceu.
Julian, depois que Carmem foi embora, ficou na festa ainda por mais algum tempo conversando com as pessoas.
Depois, como todos começaram a ir embora, resolveu também ir.
Ao passar em frente a casa de Carmem, parou por um instante.
Com tanta mulher no mundo, por que fui gostar logo da Carmem?
Quem sabe, com o tempo, ela entenda que me ama e se volte para mim.
Não sei... vou esperar que isso aconteça...
Entrou em casa.
Pedro e Pepe não estavam lá.
A última vez em que Julian os viu, estavam dançando felizes.
Julian deitou-se e, pensando em Carmem, também adormeceu.
Lola, ao ver todo aquele conflito, perguntou:
— Que momento é esse que estão vivendo, dona Isabel?
— É o momento decisivo.
Novamente, estão juntos e novamente chegou o momento de decisão.
Caberá à Carmem, como sempre, decidir o destino de todos.
Vamos esperar que, dessa vez, ela use de sabedoria.
— Tomara que sim, dona Isabel, para o bem de Maria.
— De todos eles, Lola.
De todos eles...
— Nunca imaginei que a vida pudesse trazer tantos conflitos.
Vivi muito pouco tempo na Terra, não tive tempo para enfrentar conflitos.
O único foi a ameaça de ficar longe de você, Manolo, mas logo foi resolvido.
— É verdade, Lola, nossos conflitos foram logo resolvidos porque, além de nos amarmos, renascemos apenas para ajudar Maria a renascer e a se encontrar com eles.
Quando isso aconteceu, nossa missão terminou e pudemos retornar para casa.
— Ele tem razão, Lola, foi isso o que aconteceu.
Os espíritos caminham em grupos, alguns caminham mais na frente, outros mais atrás.
Aqueles que estão na frente, como acontece com vocês, podem, se quiserem, continuar a jornada sozinhos, mas, na maioria das vezes, como está acontecendo agora, preferem ficar e ajudar de todas as maneiras aqueles que ficaram para trás.
— Está dizendo que estamos à frente?
Que somos espíritos superiores?
Isabel riu e respondeu:
— Não, Lola.
Não somos espíritos superiores, estamos longe disso.
Somente estamos alguns passos à frente, mas, para sermos espíritos superiores, temos, ainda, muito para caminhar.
Lola respirou fundo.
Olhou com carinho para Manolo que, sorrindo, beijou sua testa.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:12 pm

Isabel sorriu ao ver o amor que existia entre eles disse:
— Bem, por ora, nosso trabalho aqui terminou.
Podemos voltar ao sítio e descansar, porque amanhã será outro dia.
— Nesta noite não vamos conversar com eles?
— Não, Lola. Daqui para frente, isso não será mais possível.
Estão em um momento de decisão e deverão resolver sozinhos, sem interferência.
— A senhora não disse que nunca estamos sós?
— Nunca estamos sós, nos momentos de desespero, quando precisamos de energia e paz, mas nos momentos de decisão, quando deve ser usado o livre-arbítrio, não podemos interferir.
Vamos embora.
Abraçados, concordaram e, em poucos instantes, desapareceram.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:12 pm

Reencontro
Rafael abriu os olhos, estranhou que Maria não estivesse dormindo em suas costas, olhou para a cama e viu que ela dormia serenamente.
Pensou:
Ela brincou muito, está cansada e não deve ter acordado durante a noite.
Ainda bem, porque ela, nas minhas costas, não deixa que eu durma bem, mas o que vou fazer, se ela gosta?
Olhou para Carmem que também dormia:
Preciso encontrar uma solução para o nosso caso.
Não sei o que aconteceu quando olhei para aquela moça.
Ela é tão linda e seus olhos são maravilhosos.
Ainda deitado de costas e olhando para o tecto, passou a mão pela cabeça como se quisesse fazer com que aquele pensamento sumisse, mais não adiantou:
Devo estar louco! Como me atrevo a pensar em uma moça como aquela?
Não há esperança alguma.
Ela é rica e bonita, vai querer o que com um bronco como eu que não tenho onde cair morto?
Porem, nunca havia pensado nisso.
Desde que Lola morreu, decidi dedicar minha vida a Maria, mas, depois do que senti e estou sentindo, pode ser que, embora não seja com essa moça, outra pode aparecer e eu me apaixone novamente.
Isso poderá acontecer não só comigo, mas com Carmem também.
Ela poderá encontrar alguém de quem goste realmente e não poderá realizar seu desejo por estar presa a mim.
Isso não é justo para nenhum de nós.
Levantou-se, foi até o fogão e tomou um pouco do café do dia interior.
Poderia fazer um novo, mas não quis acordar Carmem e, com o aroma do café fresco, isso aconteceria.
Depois de tomar café, saiu.
Lá fora, olhou para o céu novamente.
O dia estava clareando:
Hoje é domingo, poderia dormir até mais tarde, mas não aguento ficar na cama.
Já estou acostumado a acordar a esta hora.
Está quente, vou até o rio tomar um banho.
Logo mais o padre Tomás, como faz todos os domingos, vem até aqui, na fazenda, para rezar a missa.
Procurando fazer o menor barulho possível, entrou em casa, pegou uma toalha e foi para o rio.
Carmem, embora fingisse dormir, estava acordada e viu quando ele saiu.
Pensou:
Ontem exagerei.
O ciúme me cegou e disse coisas que não deveria ter dito.
Rafael ficou nervoso e com razão.
Sei que não existe nada entre nós, mas não me conformo.
Sempre o amei e preciso conquistá-lo definitivamente.
Vou também até o rio tomar banho e conversarei com ele como se nada tivesse acontecido.
Continuarei me dedicando a ele e a Maria.
Com minha dedicação, ele vai ter de me notar e entender de uma vez por todas que só eu sou a mulher da sua vida e que, juntos, poderemos ser felizes para sempre.
Agora vou me levantar, pegar uma toalha e ir ao encontro dele.
Enquanto ela pensava isso, Rafael ia para o rio.
Quando estava chegando, seu coração bateu mais forte.
Berenice estava lá, sentada à margem, olhando a água que corria tranquila.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 28, 2017 8:12 pm

Emocionado, aproximou-se:
— Bom dia.
Ela se assustou, voltou-se e, ao ver que era ele, sorriu.
— Bom dia. Acordou cedo?
— Sim. Eu costumo me levantar todos os dias a esta hora.
Não consegui ficar na cama.
Mas acho que a senhorita não está acostumada a acordar cedo.
— Não mesmo, mas não consegui dormir bem esta noite.
Como não conseguia dormir, resolvi vir até aqui para pensar na minha vida.
Carmem se aproximou e, de longe, viu que os dois conversavam.
Seu coração novamente se encheu de ódio.
De onde estava, não podia ouvir o que falavam, mas podia ver que estavam bem próximos.
Sou mesmo uma boba!
Fico fazendo tudo para que ele me note, mas, não adianta!
Ele gostou mesmo dessa moça e, pelo que estou vendo, ela dele.
Ontem, quando conversavam e, antes de ele ir embora, devem ter marcado encontro aqui.
Eu não estava aqui quando eles se encontraram, devem ter se beijado muitas vezes!
Ela não conhece nossa história, deve pensar que ele é casado, mas, mesmo assim, não se importou!
Devem ter rido muito de mim.
Sou mesmo uma idiota!
Após passarem a noite no sítio, pela manhã, Isabel, Lola e Manolo voltaram para ficar ao lado deles.
Lola, ao ouvir o que Carmem pensava, se assustou:
— Não aconteceu do modo como ela está pensando, dona Isabel!
Eles se encontraram por acaso! Não planejaram!
Isabel sorriu:
— Nós sabemos disso, Lola, mas ela não.
A pessoa, quando está com ciúme, não enxerga a realidade, somente aquilo que deseja ver.
Normalmente, constrói em sua mente uma história diferente da que está acontecendo, diferente da realidade.
Isso é triste, pois só causa sofrimento desnecessário.
O ciúme é um dos sentimentos que mais faz sofrer tanto aquele que sente, como aquele que é a causa dele.
É como se fosse uma prisão em que a porta da cela
dificilmente será aberta.
Somente o amor espiritual, sem paixão, poderá fazer com que isso aconteça.
— Por que as pessoas sentem ciúme?
— Porque, ao julgarem amar alguém, sentem-se donos da pessoa, mas, na realidade, não são.
O espírito é livre, portanto não tem dono.
Ninguém, por mais que julgue amar, pode obrigar que esse amor seja correspondido.
O espírito vive na Terra pouco tempo.
O ideal seria que usasse esse tempo para aprender, se aperfeiçoar, mas isso não acontece.
Na maioria das vezes, perde um tempo precioso com ódio, ciúme e sofrimento desnecessários.
O sentimento de posse faz com que o espírito sofra muito.
— A senhora diz que não se pode obrigar, mas na vida não é bem assim.
As pessoas, quando gostam, exigem exclusividade e não aceitam que outra interfira.
— Sei que é isso que acontece, mas não deveria.
Quando existe amor verdadeiro, não há traição.
Quando se tem certeza do amor do outro, não existe ciúme.
Carmem está morrendo de ciúme porque sabe que Rafael não a ama e quer obrigá-lo a ter um sentimento para com ela que ele não tem e nunca terá.
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