O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:56 pm

Isso já vem acontecendo há várias encarnações.
Ela tem fracassado sempre pelo mesmo motivo.
Tem cometido crimes e levado Julian a cometer também.
Dessa vez, está novamente tendo a oportunidade de se redimir.
Isso só acontecerá quando entender que todos são livres para escolherem o caminho que desejam seguir e que ninguém pode interferir nessa escolha, quando entender que, por mais que julgue amar Rafael, isso não passa de ilusão e que a única coisa verdadeira é o amor espiritual e este não passa, necessariamente, pelo ato sexual.
O amor da carne, por maior que possa parecer, não resiste ao tempo.
O corpo muda e os sentimentos também.
Aquilo que hoje é tão importante para ela, amanhã, poderá deixar de ter o mesmo valor.
Tanto Rafael como ela deixarão de ter a beleza que só a juventude traz.
Quando chegar essa hora, só resiste o amor verdadeiro, que é o espiritual.
— Entendo o que a senhora está dizendo, mas, quando na carne, como a senhora gosta de dizer, as coisas são diferentes.
Ninguém conhece o amor sem que seja através do sexo.
Normalmente, como está acontecendo agora com Carmem, sente-se realmente dona do outro.
Ela sente ciúmes porque gosta muito dele, dona Isabel.
— Nem sempre isso é verdade, Lola.
Não é amor que leva ao ciúme, mas, sim, o medo de ser trocado por outro.
A isso se dá o nome de orgulho.
O ciúme é a causa de muito sofrimento e de muitos crimes, Lola.
Em nome dele, muito mal tem se praticado.
— Entendo o que a senhora está dizendo, mas quando se ama é difícil não se ter ciúme.
— Para isso é que renascemos tantas vezes, Lola, para aprender.
Para ser feliz, o espírito precisa ser livre e deixar que os outros sejam.
Voltaram o olhar para Rafael que, sem imaginar que Carmem estava ali, sorrindo, perguntou:
— O que uma moça bonita como a senhorita pode ter para pensar?
Além de bonita, tem educação e é rica...
— Embora tenha e seja tudo isso que o senhor acha importante, é justamente isso que faz com que eu seja infeliz.
— Não estou entendendo.
Como isso pode acontecer?
Ela ia responder, mas, para que isso acontecesse, teria de dizer que era justamente a distância social que impedia que ela fosse feliz ao lado dele.
Além do mais, é claro, ele ser casado, mas preferiu ficar calada e apenas sorriu.
Ele, também sorrindo, perguntou:
— Posso me sentar ao seu lado?
— Claro que sim.
Vamos, juntos, ver o sol nascer.
Com essa toalha na mão, parece que veio tomar banho...
— Foi isso mesmo que vim fazer, mas posso deixar para depois.
Prefiro ficar aqui conversando com a senhorita.
Ela voltou a sorrir:
— Para começar, podemos deixar isso de senhorita e senhor para lá.
O que acha?
— Acho muito bom, mas não posso me esquecer de que é a filha do patrão.
— E o que isso importa?
Sou apenas uma moça como qualquer outra, com tristezas e alegrias.
Ser filha do patrão é apenas uma situação.
Ele sorriu e se sentou.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:56 pm

— A senhorita acabou de chegar.
Nunca esteve aqui?
— Como lhe disse ontem, é a primeira vez.
Embora meus pais já estejam morando aqui há muito tempo, nunca tive vontade de vir.
Achava este país atrasado, mas, pelo que estou vendo, aqui é maravilhoso.
Um lugar bom para viver.
Estou impressionada...
— É verdade.
Eu, ao contrário, quando resolvi vir, achava que este país era maravilhoso e que o dinheiro crescia em árvores.
Ela começou a rir alto:
— Pensou isso mesmo?
— Sim, os folhetos que chegaram pedindo imigrantes para trabalharem aqui, embora não dissessem isso, claramente, insinuavam.
— Quando chegou aqui o que encontrou?
— Algo totalmente diferente.
Muito trabalho e somente a esperança de conseguir algum dinheiro para poder ir embora.
— Pretende voltar para a Espanha?
— Quando vim para o Brasil, achava que encontraria uma terra disposta a me dar muito dinheiro para que eu pudesse voltar e, com dinheiro, ter uma vida melhor.
Hoje não sei mais.
Infelizmente, não encontrei aquilo com que sonhei.
Aqui se trabalha muito e as condições de vida são péssimas.
— O que pretende fazer?
— Tenho esperança de que, em uma cidade grande, conseguindo montar o meu negócio, possa realizar meus sonhos.
— Que negócio?
— Aprendi com meu pai que aprendeu com o dele a construir coisas, como portas, pontes, janelas de ferro.
Na Espanha, eu tinha oficina, mas, com o que aconteceu lá, perdi tudo.
Meu sonho é conseguir recuperar.
Isso só vai acontecer depois de acertar as contas com seu pai, pegar o dinheiro a que tenho direito e ir embora.
- E você pretende ir embora?
— Não, por enquanto.
Pretendo conhecer um pouco mais deste país e das pessoas.
— Tomara que consiga.
Desculpe o que vou dizer, mas fiquei impressionado com a sua beleza.
Ela sentiu que todo o sangue de seu corpo subia para seu rosto e que estava vermelha.
— Embora tenha gostado do que disse, acho que não deveria dizer, afinal, é um homem casado...
Rafael lembrou-se de Carmem:
— Acho que ela não se importaria, porque, realmente, embora vivamos juntos, não somos casados nem temos uma vida como marido e mulher.
— Não estou entendendo.
Como pode ser isso?
Aquela menina linda não é sua filha?
— É complicado mesmo, mas, se quiser e tiver paciência, posso lhe contar.
— Gostaria muito.
Estou intrigada e curiosa.
Como isso pode ser?
Viver junto com uma pessoa, morar na mesma casa e não ter uma vida de casado...
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:56 pm

Ele sorriu:
— Como já lhe disse, é uma longa história.
Só posso lhe garantir que não sou casado.
Vivo com ela, mas não como marido e mulher.
— Continuo não entendendo...
— Quando tudo aconteceu, pareceu ser o certo, mas só agora percebi a imensa bobagem que fiz.
— Que bobagem?
— Vou lhe contar o que aconteceu em minha vida.
— Estou curiosa.
Por favor, conte.
Não consigo imaginar o que possa ter acontecido para que esteja em uma situação dessa...
Rafael contou tudo o que havia acontecido desde que saíra da Espanha.
Terminou, dizendo:
— Quando tudo aconteceu, não imaginei que um dia poderia me arrepender.
Na época só me preocupei com Maria.
Agora, acho que deveria ter pensado mais.
— Também acho, mas, por outro lado, se não tivesse feito o que fez, o que teria sido dela?
Onde estaria?
— Tem razão, mas agora estou preso a um casamento que não existe.
Vi Carmem dançando com Julian.
Ela deve estar pensando o mesmo que eu.
Ela também pode gostar de outra pessoa e não vai poder ficar ao lado dela, por estar presa a mim.
— Não tem como desfazer o que foi feito?
— Não sei, mas acho que não.
Quando chegamos e mentimos, nos deram um documento de casados.
Aqui não existe divórcio, portanto, estou casado sem estar.
— Acredito que, se conversar com um juiz, contar como tudo aconteceu, ele entenderá e poderá anular o casamento.
— Já pensei nisso, mas tenho medo, Berenice.
Mentimos primeiro para as autoridades e poderemos ser presos.
Depois, para podermos ficar aqui e com Maria, mentimos para seu pai.
Precisamos fazer isso, se ele soubesse que Maria não era nossa filha, não teria deixado que ela ficasse aqui.
— Já se passou muito tempo.
Qualquer juiz poderá ver o amor de vocês para com Maria e o dela para com vocês e entenderá que, na ocasião, era a única coisa que poderiam ter feito e que foi e é o melhor para a menina.
Acho que deve fazer isso.
Essa situação não é justa nem com você nem para Carmem.
Não é justo que continuem em uma situação que só traz tristeza para os dois.
Cada um de vocês tem o direito de ser feliz com uma pessoa de quem goste realmente.
— Não sei se vai dar certo, mas vou tentar.
A primeira coisa a fazer é contar para Carmem o que está acontecendo.
Acho que ela vai entender e ficará feliz se encontrarmos uma maneira de nos separarmos para que também possa seguir sua vida.
Sei que, no momento, ela está confusa, mas, com o tempo, entenderá que é o melhor para nós.
Vi como Julian a olhou.
Acho que está gostando dela.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:57 pm

— Faça isso, Rafael.
Precisa decidir sua vida.
— Nunca pensei que esse dia chegaria.
Sempre acreditei que nunca esqueceria de Lola e que viveria somente para Maria, mas agora, depois de conhecer você, desejo do fundo do coração que nada daquilo tivesse acontecido.
Não sei como explicar, mas, assim que a vi, meu coração bateu forte.
Acho que estou apaixonado.
Ela voltou a ficar vermelha.
— O que está dizendo?
— Você disse que não dormiu bem esta noite, eu também não.
Não consegui esquecê-la por um momento.
Hoje cedo, quando acordei vim para cá, tomar um banho para ver se esfriava a cabeça.
Ela olhou para ele e os olhos se encontraram outra vez.
O mesmo que haviam sentido na noite anterior voltou a acontecer.
Um estranho arrepio percorreu os corpos deles.
Sem que tentassem impedir, olhando-se nos olhos, ele a abraçou, aos poucos foram se aproximando e beijaram-se com paixão.
A princípio, ela se assustou, mas, aos poucos, se entregou àquele beijo, também com paixão.
Não adiantava querer esconder.
Não sabiam como explicar, só sentiam que estavam perdidamente apaixonados.
Depois de um longo beijo, soltaram-se e ele disse:
— Desculpe, mas não consegui evitar.
Não entendo o que está acontecendo.
Embora só a tenha conhecido agora, tenho a impressão de conhecê-la há muito tempo.
Sei que é uma loucura e que nunca poderemos ficar juntos.
Não só pela minha situação, mas por você se a filha do patrão.
Não consigo evitar, estou loucamente apaixonado por você.
Ela, tremendo de emoção pelo beijo, disse:
— Também não sei explicar como, mas o mesmo está acontecendo comigo.
Também não consegui esquecê-lo por um minuto sequer e por isso não consegui dormir direito.
Por isso, quando acordei, vendo que era muito cedo, mas que não conseguia dormir novamente, resolvi sair e vim dar aqui.
Estava olhando para a água e pensando na minha vida.
— Sinto que não poderei mais viver sem você.
Vou conversar com Carmem e, depois, se ela concordar, vamos procurar um juiz para ver se conseguimos anular um casamento que, na realidade, nunca existiu.
Depois, vou conversar com seu pai e vamos ficar juntos para sempre.
— Isso não vai acontecer, Rafael.
Isso é impossível...
— Tem razão.
Estou delirando.
Você é instruída, filha do patrão enquanto eu sou quase analfabeto e não tenho nada de meu.
— Não é esse o motivo.
— Qual é então?
— Sou mulher...
— Não estou entendendo.
O que tem que é mulher?
— Meu pai, por ser muito rico, não quer que sua fortuna seja dividida, por isso já me prometeu a um rico espanhol.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:57 pm

Vou ficar aqui por algum tempo, depois preciso voltar para a Espanha.
Vou me casar com um homem que é muito mais velho do que eu e pelo qual não sinto nada.
— Isso não pode acontecer!
Não é justo!
— Também acho, mas o que posso fazer?
Sabe que a mulher não tem direito algum.
Vive sobre o jugo dos pais, depois do marido e, por fim dos filhos.
Não pode decidir sua vida, pois é julgada incapaz.
Não existe escolha, preciso obedecer ao meu pai e vou me casar com aquele que ele escolheu...
— Não! Isso não pode acontecer!
Nunca imaginei que me apaixonaria novamente, agora que isso aconteceu, não vou deixar que me escape assim como aconteceu com Lola.
Com ela foi mais forte do que eu, não pude evitar, mas com você é diferente, vou lutar com todas as armas que tiver!
— Que armas, Rafael?
Não temos nenhuma...
— Não sei, Berenice, mas precisa ter uma solução.
Depois que a situação com a Carmem for resolvida, vou conversar com seu pai e, se ele não aceitar, com o dinheiro que vou receber da colheita, iremos fugir.
— Não podemos fazer isso, Rafael.
Sabe que não poderemos viver sem nos casarmos.
Sabe que a sociedade condena aqueles que vivem juntos sem ser casados.
Os filhos que porventura nascerem dessa união serão marcados, ofendidos e magoados.
Não existe solução, Rafael...
— Você acha justo nos magoarmos, ficarmos separados por causa do que as pessoas pensam ou vão dizer?
— Não acho, Rafael, mas a vida é assim.
Embora acredite que isso demore a acontecer, tenho esperança de que, um dia, a mulher possa ser livre, possa trabalhar, ter seu próprio dinheiro e, com ele, se sustentar e assim decidir sua vida.
Possa errar ou acertar, mas ser livre, ser dona de seu destino.
Hoje, infelizmente, isso não é possível.
Preciso viver o meu tempo e obedecer ao meu pai.
Quem sabe minha filha ou minha neta consiga viver livre para ser feliz ao lado de quem ama e escolheu.
Ele ouviu desolado o que ela disse e teve de concordar.
— Realmente, tem razão.
A mulher não tem lugar na sociedade.
Nós, os homens, aprendemos isso assim que começamos a dizer as primeiras palavras.
Também não acho justo, mas isso precisa mudar!
Alguém precisa começar!
Não precisa esperar que sua filha ou neta faça isso, Berenice!
Você pode começar!
Pode se rebelar e escolher o seu caminho!
Escolher viver ao meu lado!
Garanto que farei o possível para que seja feliz!
Com carinho, ela passou a mão por seus cabelos:
— Para você é fácil dizer isso, Rafael, é homem, mas, para mim não é.
Sou covarde, não sei como lutar, como enfrentar o meu pai.
— Você não me ama realmente.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:57 pm

— Ainda não entendo como aconteceu, mas aconteceu.
Não sei se é amor, mas nunca senti por ninguém o que estou sentindo por você.
Esse desejo de ficar ao seu lado para sempre.
Ele, desesperado, segurou as mãos dela e beijou com carinho:
— Se for verdade, precisa lutar pelo nosso amor, Berenice.
Precisa acreditar que, apesar da pobreza, poderemos ser felizes...
— Não sei o que fazer.
Fui criada para obedecer, não sei fazer outra coisa.
— Vai aceitar se casar com um homem a quem não ama?
— Não sei.
Como já disse, sou covarde, tenho medo de desobedecer a meu pai e depois me arrepender.
— Vai se arrepender, porquê?
Nada poderá ser pior do que viver ao lado de uma pessoa de quem não se gosta, Berenice...
Ela, sentindo-se impotente e sem forças para lutar, começou a chorar.
Ele, entendendo que a situação dela não era fácil, abraçou-a com carinho e ficaram assim, calados.
Lola, que estava ali ao lado de Isabel e Manolo, ao ver aquilo, abismada, perguntou:
— O que está acontecendo aqui, dona Isabel?
Isabel sorriu e respondeu:
— Nada que não tivesse sido programado, Lola.
Você não se lembra ainda, mas Berenice também faz parte do grupo e da história de vocês.
Ela também está caminhando junto a vocês durante muito tempo.
— O que vai acontecer?
Eles não vão conseguir ficar juntos.
Parece impossível...
— Para Deus essa palavra não existe, Lola.
Para Ele, tudo é possível.
— Podemos ajudar de alguma maneira?
Rafael é muito bom, merece ser feliz.
— Sabe que a decisão cabe a cada um deles.
O que podemos fazer é mandar luzes e energias para que possam ter tranquilidade e paz.
Somente isso.
Lola começou a rir.
— Do que está rindo, Lola? — perguntou Manolo.
— Estou me lembrando de quando eu vivia na Terra.
Assim como muitos outros, eu achava que as pessoas, depois que morressem, pudessem nos ajudar.
Quantas vezes pedi ajuda a minha avó que não conheci, pois, quando nasci, ela já havia morrido.
Agora, vejo que, mesmo depois de morto, nada podemos fazer, pois cada um tem suas próprias escolhas, é dono de seu futuro.
— É isso mesmo, Lola.
Esse é um engano que muitos cometem.
Quando morremos, chegamos aqui da mesma maneira que éramos quando vivíamos na Terra, com nossos defeitos e qualidade.
Precisamos trabalhar muito para conseguir uma nova oportunidade de renascer.
Não adquirimos poder algum e, mesmo que isso acontecesse, nunca poderíamos interferir no livre-arbítrio de cada um.
— Estou entendendo isso somente agora.
O que vamos fazer?
O que Carmem vai fazer agora que descobriu que Rafael e Berenice estão se encontrando?
O que vai fazer com Maria?
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:57 pm

— Todas essas perguntas somente o tempo responderá, Lola.
De nossa parte, vamos continuar ao lado deles até que tudo termine.
Agora vamos enviar muita luz sobre os dois para que tenham forças e possam enfrentar o que está por vir.
Imediatamente, Isabel e Manolo começaram a jogar luzes sobre eles.
Lola, que ainda não havia adquirido esse poder, ficou encantada, apenas observando.
Berenice, como se tivesse recebido um novo alento, disse:
— Sei que gosto de você, Rafael, e que poderemos ser felizes.
Para isso aconteça, vou lutar com todas as minhas forças.
Sinto que sou capaz de enfrentar meu pai.
Agora, preciso ir embora.
Já está na hora de todos acordarem e preciso estar sentada à mesa do café.
Se não fizer isso, levantarei suspeitas e isso não pode acontecer, antes de eu ter certeza do que quero fazer.
— Está bem, faça isso.
Hoje à tarde, quando estiver escurecendo, virei até aqui e, se puder, venha também.
Precisamos conversar, precisamos ficar juntos nem quem seja por apenas alguns minutos.
— Vou tentar sair sem que ninguém me veja, mas isso é quase impossível.
Minha mãe está sempre ao meu lado.
De qualquer maneira, se eu não vier, foi porque não consegui, mas estarei pensando em você.
Disso pode ter certeza.
— Vou estar aqui e se não vier, amanhã a esta hora vou estar novamente e todos os dias, até que consiga vir.
Com carinho, ele puxou novamente seu rosto e beijou seus lábios, deixando nela um prazer indescritível.
Depois se levantaram e ela, correndo, se afastou.
Ele ficou olhando até que ela desaparecesse, depois sentou-se e ficou olhando a água correr mansamente.
Carmem ficou escondida e a tudo assistiu.
Viu quando eles se beijaram e como conversaram e riram.
Sentiu tanto ódio que não conseguia nem pensar.
Sua vontade era a de matar os dois.
Depois que Berenice foi embora, tomada de ódio, pensou:
Eles pensam que vão ficar juntos, mas não vão!
Agora mesmo vou até a casa do pai dela e contar o que está acontecendo.
Quero só ver o que ele vai fazer quando souber que a filha está namorando um imigrante!
Ele vai ficar louco e vai mandar Rafael embora daqui!
Furiosa, levantou-se e saiu correndo em direcção à casa de Pablo.
Quando estava quase chegando, parou:
Espere, não posso fazer isso.
Pois, se fizer, o patrão não vai mandar só Rafael embora, mas a todos nós e não sei quanto dinheiro temos que receber e, se for pouco, não temos para onde ir.
Vamos precisar continuar aqui.
Preciso esperar a divisão do dinheiro, depois vou contar.
Mais calma, voltou para casa.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:58 pm

Conversa definitiva
Carmem, chorando e com ódio, entrou em casa.
Olhou para Maria que ainda dormia serenamente.
Com raiva, pensou:
Ele só tinha olhos para você e agora, para ela!
Isso não vai ficar assim e a única maneira de me vingar dele é através de você!
Com raiva, acordou a menina, sacudindo-a com força:
— Acorde, Maria!
Vai ficar dormindo até quando?
Maria acordou assustada e, ao olhar para Carmem, viu aquele olhar tão seu conhecido e que há muito tempo não via.
Começou a tremer de medo.
Sabia que o sofrimento ia recomeçar.
Em silêncio, mas chorando, se levantou.
Carmem, tomada de ódio, disse:
— Pode se levantar!
Pensa que a vida é assim fácil?
Pensa que pode dormir o quanto quiser enquanto eu trabalho?
Nada disso!
De hoje em diante vai ter de trabalhar também e, se contar para seu pai, eu queimo a sua outra mão!
Você é um estorvo na minha vida e o motivo de todo meu sofrimento!
A menina, sem saber o motivo daquilo, se levantou e ficou olhando Carmem, que continuou:
— Hoje é domingo, seu pai está em casa e você precisa se trocar para ir à missa, mas a partir de amanhã, tudo vai ser diferente!
Ande, levante e se troque!
Vou lhe dar um pouco de café, mas sem pão, e não se atreva a dizer ao seu pai que está com fome!
Deu o café para a menina e depois colocou o vestido usado na festa e que, depois daquele dia, seria guardado e só voltaria a ser usado nos domingos para a missa.
Em silêncio, Maria, embora estivesse com fome, se calou e obedeceu a tudo o que ela ordenava.
Depois de vestir Maria e lhe dar o café, Carmem também se vestiu.
Colocou o mesmo vestido que usara na festa, os brincos, penteou os cabelos e pintou os lábios.
Olhou no pequeno espelho que havia ali e pensou:
Estou bonita, como ele pode não me notar?
Rafael, depois de ficar algum tempo olhando a água, entrou no rio com a roupa.
Ficou ali nadando por algum tempo e pensando:
Jamais poderia imaginar que sentiria isso novamente, que me interessaria por outra mulher, mas aconteceu.
Ao mesmo tempo em que estou feliz, sei que esse amor é impossível, somos muito diferentes.
Ela é educada e eu um bronco, quase analfabeto, que não tenho coisa alguma para lhe oferecer.
Mesmo que nosso amor não dê certo, preciso acertar minha situação com Carmem, não podemos continuar assim.
Não podemos continuar presos a um casamento que não existe.
Saiu da água, tremendo, se enrolou na toalha e voltou para casa.
Quando entrou, Maria estava sentada na cama.
Quando viu Rafael entrar, seus olhos brilharam, queria contar a ele o que Carmem estava fazendo, mas o medo fez com que se calasse.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:58 pm

Enquanto ele, na cozinha, tirava as roupas molhadas e trocava por secas, disse, entusiasmado:
— Maria! Como você está bonita!
Já tomou café?
A menina olhou para Carmem, que vendo que Rafael olhava, sorriu.
Maria, embora visse que ela sorria, ainda com medo, respondeu
— Já tomei, pai.
Saindo da cozinha e já trocado, ele disse:
— Que bom. Precisa comer muito para poder crescer.
Depois que eu tomar o meu, vamos para a missa.
Carmem apenas acompanhava aquela cena.
Berenice também chegou a casa, que estava em silêncio.
Ouviu somente, um pequeno barulho vindo da cozinha, onde duas mulheres preparavam o café.
Em silêncio, subiu as escadas e foi para seu quarto.
Momentos depois, desceu como se estivesse no quarto até aquele momento.
Ao chegar à sala de refeições, seus pais já estavam sentados à mesa.
Sentou-se e olhou a mesa farta.
Pensou em Rafael:
Gosto dele, mas será que conseguirei viver na pobreza?
Será que serei feliz não tendo o que comer, a não ser pouca coisa?
Não sei... Fui criada com tudo.
Nunca sequer soube o que era ou me preocupei com a pobreza.
Não sei o que fazer...
Sinto que o amo e que, se ele tivesse dinheiro, poderíamos ser felizes, mas não consigo me ver pobre e sem poder comer tudo de que gosto nem ficar sem roupas e jóias a que estou acostumada.
Dormir em uma boa cama com colchão e travesseiros macios.
Será que serei feliz ao lado dele?
Será que se escolher ficar com ele, depois de algum tempo, não vou me arrepender?
Não sei o que jazer.
Quando estou ao seu lado, tudo parece ser mais fácil, mas agora, vendo tudo o que posso perder, sinto muito medo...
Após o café, acompanhada de seus pais, foi até a capela.
Enquanto isso, Rafael tomava café e comia pão somente com manteiga.
Maria olhava.
Estava com fome, mas ficou calada.
Sabia que todos os domingos, após a missa, sempre era servido café para o padre que vinha da Vila, quando, ao lado dele, todos comiam.
Sabia que lá, no meio das outras pessoas, poderia comer sem que Carmem pudesse castigá-la.
Depois de tomar o café, Rafael olhou para Carmem, ignorando que ela estava bem vestida e pintada, disse:
— Depois da missa, precisamos conversar, Carmem.
Ao ouvir aquilo, ela, desconfiando de que ele queria falar sobre Berenice, mas fingindo não saber que eles haviam se encontrado, perguntou:
— Conversar sobre o quê, Rafael?
— Um assunto muito sério, mas vamos deixar para depois.
Agora está na hora da missa.
Vamos rezar para que Deus nos ajude.
Ela, fingindo estar tudo bem, ficou calada e apenas sorriu.
Saíram e os três, como se fosse uma família perfeita, foram para a capela, onde outras pessoas já se encontravam.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:58 pm

Durante a missa, enquanto todos rezavam, Carmem pensava:
Ele vai falar sobre aquela moça.
Será que quer se separar para ficar com ela?
Isso eu não vou permitir! Ele é meu!
Para que isso acontecesse, matei Lola e matarei quantas vezes for preciso!
Ele pode não querer ficar comigo, mas não vai ficar com mais ninguém, prefiro que morra!
Enquanto o padre rezava a missa, a maioria das pessoas acompanhava com fé.
Cada um fazia seus próprios pedidos.
A oração do padre e dos outros fez com que a pequena capela ficasse toda iluminada.
Isabel, ao ver aquele ambiente de luz, sob os olhos de Manolo e Lola, se aproximou de Carmem e disse:
— Carmem, você precisa esquecer o ódio que está sentindo e entender que Rafael nunca foi e nunca será seu.
Não da maneira como deseja.
Ele não é seu nem de ninguém, pois o espírito é livre para caminhar da maneira que quiser.
Por isso, se insistir nesses pensamentos destrutivos, causará mal a ele, mas muito mais a você.
Já passou tantas vezes por isso, já sofreu tanto no vale e ainda não aprendeu.
Sua vida não pode se resumir a Rafael.
Apesar dele, precisa encontrar o caminho de bem e seguir para a Luz.
Tem muito para fazer.
Entre tantas coisas, tem o dever e a missão de criar Maria com carinho para que ela possa crescer feliz e cumprir sua missão.
Pense, minha filha, pense...
Carmem, como se estivesse ouvindo, sentiu que seu coração enchia se de paz.
Pensou:
Será que é justo o que estou fazendo com a Maria?
Ela não tem culpa de Rafael não gostar de mim.
Eu queria tanto poder esquecê-lo e continuar a minha vida sozinha.
Por que não consigo?
Por que fiz aquela maldade com a Lola?
Do que adiantou?
Ele não me quer e nunca vai querer.
O melhor a fazer é deixar que ele siga seu caminho e eu, tentar seguir o meu.
Meu Deus, preciso conseguir esquecer Rafael...
Isabel, ao ver o que ela pensava, sorriu:
— Viram como um ambiente de paz e oração ajuda nos momentos de decisão?
Aqui, cercada de tanta luz, Carmem não tem condições de ter maus pensamentos.
— Tomara que ela continue assim, não é, dona Isabel?
— Tomara, Lola.
Essa seria a melhor solução para todos, mas, principalmente, para ela.
O desejo deles não demorou muito para terminar, pois, durante a missa, Berenice e Rafael ficaram trocando olhares que não foram notados pelas outra pessoa, apenas por Carmem.
Eles não estão conseguindo disfarçar!
Não param de se olhar!
Não vou permitir que fiquem juntos, não vou!
A missa terminou e, como sempre acontecia, uma grande mesa feita de madeira e coberta com um pano branco já estava preparada.
Café, chocolate e pão com manteiga foi servido.
Todos, alegremente começaram a comer.
Rafael, ao lado de Maria, disse:
— Venha comer, Maria. Aproveite.
Maria olhou para Carmem, que ainda envolvida pela luz, sorriu.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:58 pm

Pegou um pedaço de pão, colocou manteiga.
Depois, colocou chocolate quente em uma caneca e entregou para a menina que, com fome, sem pensar, comeu e bebeu rapidamente.
— Coma devagar, Maria.
Você precisa mastigar...
Ela olhou para Rafael, sorriu, mas não parou de comer.
Temia que Carmem se arrependesse e mudasse de ideia.
A hora do café terminou.
O padre subiu em sua charrete e voltou para a Vila.
As mulheres tiraram as canecas e pratos que estavam sobre a mesa.
Todos começaram a voltar para suas casas.
Rafael e Carmem também.
Enquanto caminhavam, ele disse:
— Maria, fique brincando com as outras crianças, preciso conversar com sua mãe.
Maria, mais uma vez, olhou para Carmem, que, sabendo o que ele queria conversar, com medo, mas ainda envolvida pela Luz, sorriu.
A menina, embora com medo, não esperou muito e saiu correndo junto das outras crianças que brincavam.
— Agora, Carmem, vamos até o rio.
Lá é um lugar sossegado e podemos conversar com tranquilidade.
Ela, embora temesse aquela conversa, sabia que ela era inevitável.
Calada, começou a caminhar em direcção ao rio.
Quando chegaram, sentaram-se.
Ela, ainda calada, ficou esperando que ele falasse.
Depois de algum tempo, ele disse:
— Carmem, estive pensando na nossa situação e não podemos continuar assim.
— Assim como, Rafael?
— Permanecer casados sem estarmos na realidade.
Somos jovens e não podemos continuar presos um ao outro.
Tanto eu como você podemos encontrar alguém de quem gostemos não como irmãos, mas homem e mulher.
Não é justo nem podemos continuar vivendo da maneira como estamos.
Novamente o ódio invadiu Carmem, mas, dissimulada como sempre, enquanto ele falava, pensava:
Pode querer o que quiser, pode não ficar comigo, mas nunca vai ficar com outra nem que para isso eu tenha de matar você!
Fingindo aceitar o que ele dizia, falou:
— Também tenho pensado muito sobre isso, Rafael.
Quando mentimos, foi por uma boa causa, mas, agora, o tempo passou e Maria não corre mais perigo, só não imagino como isso pode ser feito, pois, para todos os efeitos e para todos os que moram aqui, somos casados e, neste país, não existe divórcio.
— Sei disso, mas estive pensando.
Podemos ir até um juiz e contarmos como tudo aconteceu.
Talvez ele entenda e anule nosso casamento e, assim, poderemos continuar nossas vidas.
Ao ouvir aquilo, ela, que pensava não haver uma maneira de se separarem, estremeceu.
Ficou algum tempo sem saber o que dizer.
Ele, percebendo que ela estava intrigada, perguntou:
— O que você acha, Carmem.
Vamos procurar um juiz?
— Não sei, Rafael.
Tenho medo, não pode se esquecer de que mentimos para as autoridades e que poderemos até ser presos por isso.
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Ave sem Ninho

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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:59 pm

— Também já pensei nisso, mas o que não podemos é continuar assim como estamos.
Acho que, se contarmos ao juiz como tudo aconteceu, ele vai entender.
Não sei o que vai acontecer, mas preciso tentar.
— Por que está pensando isso, agora, Rafael?
Encontrou alguma mulher de quem goste realmente?
Ele, sabendo que não era hora de contar a verdade, mentiu:
— Não. Não se trata disso.
Ontem você, durante a festa, fez uma cena que me preocupou.
Quando me viu conversando com a filha do patrão, agiu como se fôssemos casados, quando, na realidade, não somos.
Ela, fingindo entender a situação, também mentiu:
— Não sei o que deu em mim.
Talvez por esquecer que nosso casamento é uma mentira e por imaginar que todos pensem que ele exista, me senti traída e motivo de risos para todos, mas sei que estava errada.
Tem razão. Precisamos acertar essa situação.
Faça como quiser.
— Não vai ficar brava comigo?
— Não, Rafael, claro que não.
Também preciso continuar minha vida.
— Que bom.
Estava com medo de que não entendesse o que eu queria dizer.
Sendo assim, já que está de acordo, assim que acertamos as nossas contas com o patrão, poderemos ir para uma cidade e procurarmos um juiz.
Ela, embora estivesse com o coração cheio de ódio, sorriu:
— Vamos fazer isso, Rafael.
— Que bom que entendeu, Carmem.
Agora podemos ir para casa e fazer o almoço.
Ainda faltam alguns dias para terminarmos de despachar a colheita.
Depois, acertaremos as contas, iremos embora e nossa vida será diferente.
— Está certo, Rafael, é o melhor que pode ser feito. — disse, cheia de ódio.
Enquanto se levantavam, ela pensava:
Está achando que me engana!
Vi como se beijaram... está apaixonado por aquela moça e quer me trocar por ela, mas isso não vai acontecer!
Você é meu, somente meu!
Uma enorme nuvem negra envolveu Carmem.
Isabel e Manolo continuavam a jogar luzes, mas estas não conseguiam penetrar a nuvem negra.
Lola disse:
— A luz não consegue penetrar essa nuvem mesmo, dona Isabel?
— Ela se deixou envolver por sentimentos de ódio e ciúme.
No momento em que permitiu que isso acontecesse, nossa luz não tem força para ajudá-la.
— Agora estou entendendo melhor.
Quando estamos envolvidos pelo mal, não há como sermos ajudados...
— Sim, Lola. Infelizmente.
Como já lhe disse, temos nosso livre-arbítrio e contra ele não há nada que possa se fazer.
No momento em que permitimos que sentimentos sombrios nos invadam, estamos dando força para que energias negativas tomem conta de todo o nosso espírito.
— Ela não tem como ser ajudada?
— Tem, sim, claro que tem.
No momento em que entender que aquilo que está desejando não é o melhor para si e mudar sua faixa de pensamento, nossa Luz poderá invadi-la novamente e toda ajuda lhe será prestada.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:59 pm

— Só depende dela?
— Sim, só depende dela. Vamos esperar.
Quando sua encarnação foi planeada, ficou decidido que, se nada mudar, ela ainda tem muito tempo de vida na Terra.
Tempo suficiente para que mude e, se isso acontecer, estaremos aqui para ajudá-la na caminhada.
Vamos continuar jogando Luz, mesmo sabendo que não a está atingindo, e conversando também.
Quem sabe consigamos chegar nela.
Assim falando, continuou jogando luz.
Rafael e Carmem se levantaram e caminharam em direcção a casa.
Quando passaram por onde deixaram Maria, ela brincava com as crianças.
— Vamos chamá-la, Rafael?
— Não, Carmem.
Ela está brincando. Deixe assim.
É criança, precisa brincar.
Ela, com raiva, mas fingindo, disse:
— Tem razão, é apenas uma criança...
Continuaram caminhando e ela pensando:
Preciso conversar com Julian, só ele poderá me ajudar.
Não consigo me ver longe de Rafael, nem ele junto de outra mulher!
Ele quer me trocar por ela, mas isso não vai acontecer!
Isabel, ainda jogando luzes, ficou olhando com tristeza.
— Infelizmente, parece que tudo vai se repetir e que, novamente ela vai conseguir envolver Julian em seus crimes.
— Ele vai deixar se envolver?
— Não sei, Lola.
Das outras vezes, por causa desse amor que ele julga sentir por ela, ajudou-a a cometer crimes terríveis.
Por isso, renasceram juntos novamente, para que, dessa vez, pudessem evitar cometer os mesmos crimes, se redimir e resgatar os erros passados.
Vamos pedir a Deus que consigam, mas parece que está difícil.
Na espiritualidade, antes de renascerem e após passarem um longo tempo de sofrimento nas trevas, prometeram que seria diferente.
Escolheram a vida e os desafios que queriam ter.
O pedido deles foi atendido e tudo foi feito como desejaram, mas parece que, com a força da carne os sentimentos condenáveis ganharam força e tudo o que prometeram foi esquecido.
— Isso é uma pena.
— Tem razão, Lola, é uma pena, mas nada pode ser feito.
— O que acontecerá se não conseguirem resistir?
— Passarão novamente um longo período nas trevas, onde viverão momentos de desespero e sofrerão muito, mas, depois, terão outra vez a oportunidade de uma nova encarnação para tentarem novamente.
— Vamos torcer para que consigam nesta e, assim, possamos continuar caminhando juntos.
— Vocês podem, se quiserem, continuar sozinhos.
Não existe razão alguma para que isso não aconteça.
Já esperaram muito tempo por Carmem e Julian.
Lola olhou para Manolo que sorriu:
— Sabemos disso, dona Isabel, que podemos continuar, mas esse não é o nosso desejo.
Não nos lembramos do passado, mas sabemos que existe uma forte ligação entre todos nós.
Por isso continuaremos ao lado deles, até que possamos seguir todos juntos, não é, Lola?
— É, sim, Manolo.
Já que estamos juntos na caminhada, vamos continuar até quando for preciso.
Isabel, ao ouvir aquilo, sorriu:
— Sabia que não poderia esperar outra coisa de vocês.
Mesmo estando ciente de que vai ser difícil fazer com que Carmem mude de ideia, vamos continuar ajudando naquilo que for possível e entregar a vida deles nas mãos de Deus.
— Vamos fazer isso, dona Isabel.
Isabel, embora soubesse que as luzes que mandava teriam dificuldades para penetrar a nuvem preta, continuou insistindo em jogar luzes sobre Carmem.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:59 pm

O pior dos sentimentos
Naquela tarde, como acontecia em todos os domingos, as mulheres preparavam petiscos enquanto os homens jogavam cartas em várias mesas espalhadas pelo pátio.
Carmem, depois de haver conversado com Rafael e ao ver como ele e Berenice se olharam durante a missa, enquanto ajudava as outras mulheres, ficou imaginando uma maneira de impedir que ficassem juntos.
Olhando para ele, que jogava cartas, pensou:
Está pensando que vai ficar com ela?
Que vai me jogar no lixo?
Não vai não, não vou permitir!
Enquanto colocava os petiscos sobre a mesa, olhou para Julian, que também jogava:
Depois do que ele me disse ontem, acho que faria qualquer coisa para ficar comigo.
Preciso pensar em uma maneira de fazer com que me ajude.
Sei que, apaixonado do jeito que está, vai fazer tudo o que eu quiser.
Berenice, em casa e após o almoço, estava na sala lendo um livro.
Lendo não, olhando, pois embora o livro fosse bom, ela não conseguia acompanhar a leitura.
Seu pensamento estava voltado para Rafael:
Por que não consigo me esquecer dele?
Por que aqueles olhos não saem do meu pensamento?
Isso não pode continuar.
Não posso tentar me enganar.
Ele é muito diferente de mim.
Não posso me imaginar vivendo uma vida de pobreza.
Prefiro me casar com um homem rico, embora muito mais velho.
Levantou-se e ficou andando de um lado para outro.
Sua mãe, também lia um livro, ao ver a impaciência dela, perguntou:
— O que está acontecendo com você, Berenice?
Por que está tão inquieta?
— Não sei mamãe, acho que a comida não me fez bem.
Vou caminhar um pouco para ajudar na digestão.
— Vá, minha filha.
Você está assim porque deve ter comido demais no almoço.
Berenice sorriu e, dando adeus para a mãe, saiu e começou a andar.
Embora não quisesse, quando se viu, estava no pátio onde os trabalhadores jogavam alegremente.
Carmem foi a primeira a vê-la aproximando:
O que ela quer aqui?
Como se atreve a aparecer?
Veio atrás dele.
Essa moça não vale nada!
Mesmo pensando que ele é casado, ainda vem atrás dele!
Preciso, mesmo, dar um fim nisso!
Disfarçando sua real intenção, Berenice se aproximou:
— Boa tarde, parece que o jogo está muito bom.
Josefa, que não imaginava o que estava acontecendo, foi quem recebeu:
— Boa tarde, senhorita!
Mas o que a traz aqui?
— Nada, estava sem ter o que fazer e comecei a andar.
Não sabia que se divertiam tanto aos domingos à tarde.
— Todos os domingos os homens jogam cartas e nós, as mulheres, ficamos conversando, jogando conversa fora para passar o tempo — disse rindo.
Comemos, bebemos e jogamos.
A senhorita quer um refresco?
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 29, 2017 6:59 pm

— Não, obrigada, só estou mesmo andando.
Vou até o rio para relaxar. — disse, olhando para Rafael que, ao vê-la ali, sentiu que coração subia à boca.
Berenice, percebendo que ele havia entendido o recado, sorrindo se afastou.
Rafael seguiu-a com os olhos, o que foi notado por Carmem.
Ela é mesmo atrevida!
Como pode vir até aqui e, descaradamente, mandar esse recado para ele?
Rafael terminou de jogar a partida e, levantando-se, disse para Pepe:
— Jogue no meu lugar, Pepe.
Estou cansado de perder.
— Você perdeu mesmo, Rafael.
O que está acontecendo, sua cabeça está onde?
— Não sei, estou preocupado em terminar logo o trabalho aqui para podermos ir embora.
Agora que está chegando a hora, nunca pareceu tão distante.
Jogue no meu lugar, vou até a casa e volto logo.
Ninguém, a não ser Carmem, que estava atenta, desconfiou do que estava acontecendo nem se preocupou com Rafael se afastando.
Ele vai atrás dela!
Vão se encontrar e se beijar novamente!
São dois traidores!
Vou matar os dois!
Rafael, sem imaginar o que Carmem pensava, se levantou e caminhou em direcção ao rio.
Assim que chegou, encontrou Berenice, que estava sentada olhando a água.
Sentou-se ao lado dela e, antes de dizer uma palavra, abraçou-a e beijou-a apaixonadamente.
Berenice, ao mesmo tempo em que se assustou, adorou aquele beijo.
Quando ele a soltou, intrigada e preocupada por aquilo que estava sentindo, disse:
— Não sei por que estou aqui...
— Pelo mesmo motivo que eu.
Não consegue me esquecer.
Sei disso, pois não consigo esquecer o seu olhar, o seu sorriso.
Antes que ela dissesse algo, ele abraçou-a e beijou-a novamente, em seus braços, pensou:
Não tem jeito, quero esse homem para mim.
Não me importam as consequências!
Vou ficar com ele para o resto da minha vida...
Ele, completamente apaixonado, disse:
— Desde ontem à noite, na festa, quando a vi, não consigo mais esquecer de você.
Agora mesmo, embora estivesse jogando, meu pensamento estava em você.
— O mesmo aconteceu comigo.
Estou ansiosa e aflita, sentindo uma enorme necessidade de ver você, de estar ao seu lado.
O que é isso Rafael?
O que está acontecendo?
— Nada que já não tenha acontecido antes.
Estamos apaixonados.
Novamente ele abraçou-a e beijou-a.
Ela se entregou, com paixão, aquele beijo.
Depois do beijo, ficaram um longo tempo abraçados, sem se preocupar que alguém os visse.
— O que vamos fazer, Rafael?
Nunca poderemos ficar juntos.
— Por que não?
Sei que existe uma diferença muito grande entre nós, mas, mesmo assim, vou dizer algo que, desde Lola, nunca pensei em dizer outra vez.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:10 pm

Quero me casar com você.
Quero viver ao seu lado para sempre...
— Também quero, mas isso é impossível, meu pai nunca vai permitir.
— Você não precisa da autorização dele.
Pode fazer com sua vida o que quiser.
— Sabe que não é assim.
Devo, sim, obediência ao meu pai.
Preciso fazer o que ele deseja.
Ainda não tenho vinte e um anos.
— Não precisa obedecer!
Pode lutar contra isso!
Você mesma disse que a mulher deveria ser livre para escolher o seu destino.
Pode começar essa mudança.
Precisa lutar por aquilo que deseja.
Quanto sua idade, não tem importância, se precisar, ficaremos longe, escondidos em um lugar onde ninguém vai nos encontrar!
Ela, soltando-se dele, com lágrimas nos olhos, disse:
— Não posso! Ele sempre me deu de tudo e já pensou no futuro!
Não posso contrariá-lo, pois, se fizer isso, ele poderá me tirar do testamento e eu ficarei sem dinheiro algum para viver.
— Não precisamos de dinheiro para sermos felizes, Berenice!
Nosso amor será suficiente para que isso aconteça.
— Não sei, mas me parece que isso não é verdade.
Não consigo pensar em viver na pobreza em que você vive.
Não saberia viver tendo vontade de comer alguma coisa e não poder, querendo comprar um vestido ou jóias e não poder ter...
— Vou trabalhar muito e nada vai faltar para você...
— Por mais que trabalhe, nunca conseguirá me dar aquilo a que estou acostumada.
Sem que ele esperasse, ela se levantou e saiu correndo.
Enquanto corria, disse:
— Não posso fazer isso!
Nunca mais quero ver você!
Vou esquecer você, esse beijo e tudo o mais!
Ele, sem saber o que fazer, com o coração apertado, ficou olhando enquanto ela se afastava.
Carmem, que o seguiu e viu tudo o que aconteceu, com ódio e ciúme, também a acompanhou com os olhos.
Ela foi embora correndo.
O que será que aconteceu?
Com que loucura ele a beijou.
Como gostaria de ser beijada assim e isso vai acontecer, pois se não acontecer, ele também não vai ficar com ela!
Rafael, desesperado, ficou ali, sentado e olhando para a água.
Ela tem razão.
Como pode deixar uma vida de luxo para viver ao meu lado, já que nada tenho para lhe oferecer...
Carmem, vendo que Berenice fora embora e que Rafael continuava ali, voltou para o pátio.
Assim que chegou, olhou para Julian que também a olhava.
Ela, sabendo que ele era a sua única solução, com um olhar significativo, também sorriu.
Ele entendeu aquele sorriso e aquele olhar.
Sabia que o caminho estava aberto para o que queria: o amor dela.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:11 pm

Ela continuou ali, andando em volta de Julian que, percebendo seus movimentos, pensou:
Vou sair daqui e ver se ela me segue.
Acho que a minha declaração de ontem fez com que ela pensasse em mim de uma maneira diferente.
Assim pensando, levantou-se da mesa de jogo e deu seu lugar para o marido de Josefa que esperava ansioso, alguém perder para poder jogar.
Olhando mais uma vez para Carmem, ele sorriu e se afastou.
Ela percebeu qual era sua intenção, depois de algum tempo, foi ao seu encontro.
Ele passou pela casa de Rafael, chamou e, vendo que não havia ninguém, foi para a sua casa, que ficava ao lado.
Entrou, bebeu água e se sentou, pensando em Carmem.
Ela chegou logo em seguida.
Sabendo que Rafael estava no rio, sem preocupação alguma, foi para a casa de Julian.
Assim que entrou, ele que estava sentado em uma cadeira, se levantou.
Ela, sem nada falar, abriu os braços.
Ele, abismado, abraçou-a e beijou-a com a paixão que sempre sentiu por ela.
O beijo foi longo e caloroso.
Da parte dele, com amor, da dela, somente como forma de colocar seu plano em acção.
Depois do beijo, ela, fingindo uma timidez que, na realidade não sentia, disse:
— Desculpe, Julian, mas eu queria muito fazer isso.
— Não tenho o que desculpar, Carmem.
Desde que a conheci tenho sonhado com isso e se não tivesse de mentir que era casada com Rafael eu teria conversado com você há mais tempo.
— Também, assim que o vi, me apaixonei, mas nunca pensei que sentisse algo por mim.
Nunca deixou transparecer.
— Não sabia se o seu casamento havia se consumado.
Nem Rafael e nem você nunca falaram a respeito.
— Nosso casamento não se consumou, Julian.
Vivemos uma mentira. Isso nunca me preocupou, pois achava que não havia solução e que estava tudo bem, mas agora é diferente.
— Diferente, por quê?
— Descobri que você sente por mim o mesmo que eu por você.
— Gosta mesmo de mim, Carmem?
— Sim, Julian, e muito.
Muitas vezes tenho acordado à noite e não conseguido dormir, só pensando em você, mas nunca imaginei que pensasse o mesmo.
— Sempre fui apaixonado por você, Carmem.
— Eu também, mas, infelizmente, nunca poderemos ficar juntos.
— Por quê?
— Embora meu casamento não seja de verdade, ele existe no papel.
Para todos os efeitos, sou mulher de Rafael e, como lhe disse ontem, nunca poderei me casar com outro a não ser que fique viúva.
— Isso está fora de cogitação, Carmem.
Rafael é jovem e vai viver muito ainda.
— Como vê, para nós não há solução.
Ele ia abraçá-la novamente, mas ela, continuando com seu plano se afastando, disse:
— Não, Julian.
Não podemos fazer isso.
Embora não seja verdade, sou uma mulher casada e não posso trair a confiança de Rafael.
Vou continuar amando você, mas, como até agora, precisamos continuar separados.
— Não precisamos, Carmem.
Vou conversar com Rafael, ele vai entender e aceitar.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:11 pm

— Sei que ele vai entender, mas não quero ser apontada como uma mulher que vive com um homem sem ser casada.
Não posso, sinto muito.
Pode imaginar como estou sofrendo por ter de ficar separada de você, mas não tem outro jeito.
Acho que não nasci para ser feliz.
Com lágrimas nos olhos, mas sorrindo por dentro, ela saiu correndo.
Ele, abismado, ficou sem saber o que fazer.
Carmem, sabendo que seu plano estava dando certo, feliz, voltou para junto dos outros que continuavam jogando, comendo e bebendo.
Assim que chegou, olhou para Rafael e pôde perceber que ele estava preocupado.
Que será que aconteceu?
Por que ela foi embora daquela maneira.
Também não me importo.
Agora já sei o que fazer.
Eles vão me pagar por essa traição.
Berenice chegou a casa.
Sua mãe continuava na sala.
Olhou para a mãe e, sem nada dizer, foi para seu quarto.
Assim que chegou, jogou-se sobre a cama e começou a chorar.
O que está acontecendo comigo?
Não posso gostar dele da maneira como estou gostando.
Ele não tem nada para me oferecer.
Acho que a melhor coisa a fazer é nunca mais me aproximar dele.
Vou me casar com aquele homem que pode continuar me dando o que sempre tive e até mais.
Porém, quando estou ao lado de Rafael, sinto que nada disso tem importância e o que vale mesmo é saber que, ao seu lado, com seu amor, serei feliz.
O que vou fazer, meu Deus?
Rafael voltou a sentar-se à mesa de jogo e a jogar, mas seu pensamento não estava no jogo:
Ela tem razão.
O que posso lhe oferecer? Nada!
Não tenho dinheiro.
Agora estou esperando o acerto de contas para poder ir embora, tentar meu próprio negócio e ter uma nova vida, mas, por mais que eu melhorar, nunca conseguirei dar a ela o que quer, está acostumada e merece...
— O que está acontecendo, Rafael, não está prestando atenção ao jogo?
— Sinto muito, Pepe, mas estou preocupado com o acerto de contas.
Parece que vai nos sobrar um bom dinheiro e precisamos pensar para onde vamos.
— Como você, também estou preocupado, mas hoje, não vamos resolver nada.
É domingo, amigo!
Trabalhamos tanto durante a semana, merecemos este dia de descanso, de ficar assim, sem nada fazer.
— Tem razão, vamos ao jogo e, agora, preparem-se, porque vou ganhar todas.
Riram e continuaram jogando.
Julian voltou e, sem nada dizer, sentou-se em uma cadeira ao lado da mesa.
Ficou acompanhando o jogo e pensando.
O que vou fazer?
Sempre amei essa mulher e agora, que sei que ela me ama também, não posso mais viver sem ela.
Mas como isso vai acontecer?
Ela tem razão, não pode ser apontada como uma mulher separada.
A solução, mesmo, seria Rafael morrer, mas isso não vai acontecer tão cedo.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:11 pm

Ele é jovem e forte.
Carmem, fingindo não notar, olhava para Julian, demonstrando amor.
Ele está desesperado e logo fará tudo o que eu quiser.
Preciso fazer de maneira que ninguém desconfie de nós.
Depois que tudo estiver terminado vou pensar o que fazer com Julian.
De uma coisa tenho certeza, Rafael não vai ficar comigo, mas com ela também não!
Prefiro que ele morra antes de isso acontecer...
Assim, cada um preso em seu próprio pensamento, passou o resto da tarde de domingo.
— Ela vai conseguir o que está tramando, dona Isabel?
— Para o bem deles, espero que não, Lola.
Embora já tenha conseguido envolver Julian muitas vezes.
Espero que, desta vez, ele consiga reagir.
— A senhora não sabe mesmo o que vai acontecer?
Não disse que antes de renascermos, é colocado em acção um plano escolhido por todos os envolvidos?
— Sim, é verdade.
Antes de renascer, o espírito escolhe a maneira como vai viver.
Escolhe o que será melhor para o seu aperfeiçoamento, mas, quando na Terra, na maioria das vezes, o que foi planeado fica para trás, a força dos sentimentos o afasta daquilo antes planejado.
Por isso, nunca sabemos o que pode acontecer, depende de cada um, de cada livre-arbítrio.
— Como é difícil, dona Isabel.
Embora saiba que ela está errada, que não se pode obrigar ninguém a nos amar, se me colocasse em seu lugar, não sei o que faria.
É muito difícil sermos rejeitados, trocados por outra pessoa.
— Você mesma disse, Lola.
Não podemos obrigar ninguém a nos amar.
Isso é uma coisa que ela precisa aprender e, mais cedo ou mais tarde, aprenderá.
Talvez não seja nesta encarnação nem na próxima, mas um dia acontecerá.
Deus não tem pressa.
Ele dá todas as oportunidades para que seus filhos encontrem o caminho do bem. Tem toda a eternidade para esperar.
— Para que isso aconteça é necessário que o espírito tenha uma perfeição difícil de conseguir.
— Difícil, sim, mas não impossível.
Não existe perfeição e Deus não quer isso, Lola.
O que ele quer é que continuemos caminhando para a nossa própria felicidade.
Mesmo alcançando um nível mais alto na espiritualidade, é preciso uma constante vigilância, pois, a qualquer momento, podemos nos deixar envolver pelas ondas do mal.
— Mesmo um espírito superior está sujeito a isso?
— Muito mais um espírito dito superior, pois, quanto maior o conhecimento, mais será exigido.
Os sentimentos humanos, mesmo depois que o espírito deixa a matéria, continuam ao seu lado.
Entre eles, o orgulho, que é o principal causador da queda de muitos espíritos.
Contra ele é que o espírito superior tem de tomar cuidado.
— O orgulho?
— Sim, sem ele não existiriam os demais sentimentos negativos.
O causador da dor do ciúme é o orgulho ferido.
Se não fosse ele, ninguém se importaria com o que o outro faz, mas aquilo que as outras pessoas possam pensar ou dizer é que faz com que o orgulho venha à tona e o ciúme floresça.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:11 pm

— Está dizendo que, enquanto não dominarmos o orgulho, nunca chegaremos à perfeição?
— Chegarmos à perfeição, não, Lola.
Perfeito somente Deus, que é nosso criador.
Nós seremos sempre caminhantes na procura da luz do Pai.
Mas, se conseguirmos dominar o orgulho, estaremos dando um grande passo.
— Carmem, continuando com seu plano, está se afastando do caminho, não está?
— Sim e, infelizmente, por ser fraco, levando Julian com ela.
— Tomara que mude de ideia e recupere a razão.
— Tomara, Lola... Tomara...
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:11 pm

Acerto de contas
Berenice relutou em se encontrar com Rafael, mas, com o tempo, entendeu que não seria possível ficar longe e não importava o que acontecesse.
Não o deixaria.
Combinaram que todos os dias, antes do amanhecer e antes que as pessoas acordassem, ela sairia de casa para se encontrar com ele naquele lugar no rio.
O encontro seria por pouco tempo, o suficiente para que pudessem ficar juntos por algum tempo.
Era o que faziam.
Encontravam-se, beijavam-se, conversavam um pouco e cada um voltava para sua casa.
Carmem, sempre que Rafael saía, ia atrás e ficava escondida.
Com o coração cheio de ódio, olhava o que faziam.
Assim que Berenice ia embora, ela voltava correndo para casa, deitava-se e quando Rafael chegava fingindo dormir, ficava imaginando uma maneira de terminar com aquilo.
Em um desses encontros, Berenice disse:
— Rafael, estive pensando muito a nosso respeito e, por mais que eu lute contra, não tem jeito.
Amo você e quero ficar ao seu lado para o resto da minha vida.
Ele sorriu, puxou-a para junto de si, beijou sua testa:
— Também estive pensando muito sobre nós, Berenice, e cheguei à conclusão de que não é justo que você mude a direcção da sua vida por minha causa.
Não tenho nada para lhe oferecer e você, com tempo, depois que passasse essa paixão que está sentindo agora, com certeza me odiaria por viver na pobreza de uma maneira como nunca viveu antes.
— Não, Rafael, isso não vai acontecer!
Tenho certeza de que o amo!
— Amo você e muito, mas não adianta querermos esconder a realidade.
Nunca poderemos ficar juntos.
— Temos de ficar, Rafael.
Não sei mais viver sem você.
— Talvez exista uma solução.
— Qual?
— Por quanto tempo você vai ficar aqui no Brasil.
— Por quase um ano, até eu completar vinte e um anos.
Depois, eu e minha família vamos para Espanha e me casarei.
Isso foi o que meu pai combinou com o homem com quem ele quer que eu me case.
— Temos um ano para resolver a nossa vida.
Daqui a alguns dias vou receber o dinheiro da colheita.
Com ele, vou para uma cidade maior.
Sei que, com minha profissão, poderei ganhar um bom dinheiro e dar a você não uma vida igual à que tem hoje, mas também não de miséria como a que vivo.
Assim que receber o dinheiro que seu pai me deve pela colheita, vou embora e você precisa me prometer que vai esperar que eu venha buscá-la, pois é isso que vou fazer, assim que tiver uma boa casa para você morar.
Vai me esperar?
— Claro que vou, Rafael!
Esperarei o tempo que for necessário.
Amo você e só quero ficar ao seu lado, não me importo em que circunstâncias.
Beijaram-se novamente.
Carmem, que a tudo assistia, viu quando se beijaram.
Furiosa pensou:
Não consigo ouvir o que estão falando, mas, com certeza, estão falando de mim.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:12 pm

Podem se encontrar e se beijar o quanto quiserem, mas não vão ficar juntos!
Não vão mesmo! Não vou permitir!
Voltou para casa, furiosa.
Olhou para Maria e disse:
— Você é a culpada por ele não me querer!
Por sua causa ele não conseguiu esquecer sua mãe e, agora, está apaixonado por aquela mulher!
Você é um monstro!
Eu odeio você e toda sua raça!
Por isso, não vai comer nada e vai ficar em pé, lá naquele canto, sem se mexer!
Não se atreva a contar para ele, se fizer isso, da próxima vez, vou queimar seu rosto!
Não se atreva a chorar, se seus olhos ficarem vermelhos, nem sei o que vou fazer!
A menina, tremendo de medo, calada, desviou o olhar.
Carmem continuou:
— Fique esperta, deixe essa boneca aí no chão e, se aparecer alguém, você precisa se abaixar e fingir que está brincando com ela!
A menina, sem ter como se defender, obedeceu.
Não contenta Carmem pegou uma brasa no fogão e queimou suas costas.
Maria embora sentisse muita dor, sabia que não podia gritar.
Então, chorou baixinho e procurou engolir os soluços.
Fora de si, Carmem gritou:
Isso é para você saber que eu a odeio e que é a culpada de toda a infelicidade!
Nesse lugar onde está queimado ninguém vai ver e, se contar para alguém, vou queimar muito mais!
Dizendo isso, puxou os cabelos da menina da nuca para cima, o que causou uma dor imensa.
Minha vontade é matar você de tanto bater com aquela correia, só não faço porque vai ficar marcada!
Mas ficar em pé não deixa marca e onde eu queimei não aparece. Por isso não se mexa!
Isso se repetiu todos os dias.
As costas da menina estavam com marcas terríveis de queimaduras.
Ela, muitas vezes, teve vontade de contar a Rafael, mas o medo que sentia era imenso, o que fazia com que se calasse.
Procurando não chorar, pensava:
Não posso contar, mas por que ela não gosta de mim, o que foi que fiz?
Ficava parada.
Seu corpo, suas costas e muito mais suas perninhas doíam, mas, apavorada, calava-se.
Lola, impotente ao ver o sofrimento da filha, pedia à Isabel:
— Por favor, dona Isabel, faça alguma coisa.
Ela não vai suportar, é muito pequena.
— A única coisa que posso fazer é influenciar Josefa para que vá até lá.
— Por que Josefa?
— Ela tem uma aura aberta, o que facilita a minha comunicação.
Assim dizendo, colocou sua mão em direcção à garganta de Josefa:
— Josefa, vá até a casa de Carmem.
Maria está precisando de sua ajuda.
Sem entender o porquê, Josefa sentia vontade de ir até a casa de Carmem e sempre encontrava Maria em pé, mas a menina, assim que a via, abaixava-se e fingia estar brincando com a boneca.
Em silêncio, agradecia por todo o tempo em que ela ficava conversando com Carmem, pois eram os únicos momentos em que podia descansar o corpinho.
Sabia que, assim que Josefa fosse embora, teria de voltar a ficar em pé até um pouco antes de Rafael chegar e, em silêncio, rezava para que Carmem não a queimasse novamente.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:12 pm

Todos os dias, quando voltavam do trabalho e antes de irem para casa os homens passavam pelo armazém, sentavam-se nas mesas espalhadas por ali, jogavam palito, dominó e bebiam cachaça ou cerveja.
Naquela tarde, Julian, ao ver que Rafael estava distraído jogando, sem nada dizer, saiu e foi para a casa de Carmem.
Assim que chegou encontrou Maria em pé.
Ela, que estava de costas olhando para a parede, não viu quando ele chegou, por isso não se abaixou para fingir brincar com a boneca.
Intrigado, perguntou:
— Por que você está em pé, Maria?
Carmem, que não esperava que ele viesse àquela hora, se assustou.
— Ela está brincando com a boneca, não é, Maria?
A menina, olhando para ela e conhecendo aquele olhar, respondeu:
— É isso mesmo, Julian.
Estou brincando com a minha boneca de pano.
Carmem, percebendo que Julian queria conversar com ela, com a voz carinhosa, disse:
— Agora, Maria, vá brincar lá fora.
Canso de dizer que precisa brincar, mas não sei por que você não gosta.
Vá, brinque só um pouco.
Não pode crescer sozinha sem brincar com outras crianças.
A menina, agradecendo a Julian em pensamento, saiu correndo.
Carmem se voltou para ele:
— O que está fazendo aqui a esta hora, Julian?
— Pensei em você o dia inteiro, Carmem.
Não podemos continuar assim.
Ela abriu os braços e ele, desesperado, louco de amor, abraçou-a e beijou-a com carinho e paixão.
Após o beijo, ela se afastou:
— Também pensei em você o dia inteiro.
Não dá mesmo para continuar assim, mas o que vamos fazer?
— Podemos conversar com Rafael.
Ele vai entender, Carmem
— Sei disso, mas já lhe disse que não poderia viver com um homem sem ser casada.
— Estive pensando.
Assim que recebermos o dinheiro, vamos embora para um lugar onde ninguém nos conheça.
Podemos dizer que somos casados.
Assim não haverá comentário algum.
Ela, ainda envolvida pela nuvem negra, olhou para ele, sorrindo.
Devagar, foi abrindo os botões da blusa que estava usando.
Ele, parado, quase petrificado, acompanhou seus movimentos e, aos poucos, viu surgir um dos seios que Carmem deixou à mostra.
Com a mão, ela escondeu o outro.
Ele, desesperado pelo desejo, caminhou em sua direcção e quis abraçá-la novamente, mas ela, sorrindo, afastou-se, voltou a abotoar a blusa, o que o deixou mais desesperado ainda.
Ela, percebendo que ele estava sentindo, disse:
— Não adianta, não posso ser sua, Julian.
Não tem jeito, não.
A solução é se eu ficar viúva.
— Sabe que isso não vai acontecer, Rafael não vai morrer, Carmem.
Ele é jovem.
— Sei disso, mas podemos dar um jeito...
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:12 pm

— O quê? — perguntou, assustado.
— Podemos dar um jeito para que isso aconteça...
Ele, sem querer entender o que ela estava insinuando, desesperado, perguntou:
— O que está dizendo, Carmem?
— Isso mesmo o que você está pensando, Julian.
Podemos dar um jeito para que eu fique viúva...
— Está insinuando que matemos Rafael?
— É a única solução que encontrei para que possamos ficar juntos.
Ele arregalou os olhos:
— Como pode pensar uma coisa como essa, Carmem?
Ele é nosso amigo!
Estamos juntos desde o início da viagem!
Ela, chorando, mostrando uma cara de impotência, disse:
— Tem razão. Não sei como fui pensar isso.
Não tem jeito mesmo, nunca poderemos ficar juntos.
— Vamos encontrar outra solução, Carmem.
— Não tem outra, Julian. Pensei muito.
Pense você, talvez encontre outra solução.
Agora, acho melhor que vá embora, está na horta de Rafael chegar.
Não quero que ele o encontre aqui.
— Não tem problema, ele não vai chegar.
Está lá no armazém jogando.
Além do mais, mesmo que chegue, não vai se preocupar.
Sabe que somos amigos, também não vai se importar, já que não existe nada entre vocês.
— Sei disso, mas, mesmo assim, não quero dar motivos para falatório.
Vá, agora, Julian. Sabe como essa gente gosta de falar...
— Está bem. Não quero que falem mal de você.
Vou embora, mas, antes, me dê mais um beijo.
Ela sorriu, abriu os braços e beijaram-se mais uma vez.
Depois ela se afastou:
— Agora, vá e pense em algo para resolver o nosso problema.
— Vou pensar Carmem, vou pensar.
Não suporto mais ficar longe de você sem tê-la como minha mulher.
— Eu também estou desesperada, Julian, mas sabe que não posso.
Ele, desesperado, saiu. Ela sorriu.
Não vai demorar muito para ele fazer o que eu quiser.
Está em minhas mãos.
Por outro lado, Julian tem razão, assim que recebermos o nosso dinheiro e formos embora daqui, não que vamos ficar juntos, como ele pensa, mas Rafael estará longe dessa moça e, com o tempo, vai se esquecer dela.
Eu, estando ao seu lado, poderei fazer com que me note, com que goste de mim como mulher.
Essa é a única solução para que Rafael não morra.
Os dias foram passando.
Carmem, quando Julian não vinha a sua casa, ia a casa dele e se insinuava, sem, contudo, permitir que ele fizesse algo além de beijá-la.
Ele, desesperado, a cada dia que passava, procurava encontrar uma maneira para ter aquela mulher por completo.
Um dia, enquanto pensava, parou, levantou-se e continuou pensando:
Acho que ela tem razão, não há outra saída.
Vamos ter de matar Rafael.
Não, não posso pensar isso! Ele é meu amigo!
Além do mais, posso ser preso e ficar sem ela da mesma maneira.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:12 pm

Preciso afastar esses pensamentos.
Ele é meu amigo, não posso fazer isso.
Mesmo que não fosse, jamais me imaginei matando um ser humano...
Naquela semana, após muito trabalho, os colonos terminaram de despachar a mercadoria.
Na sexta-feira, Pablo pediu a Tonhão que os reunisse no pátio da casa-grande.
Todos, reunidos e ansiosos, esperavam pelas palavras do patrão.
Embora não soubessem quanto tinham para receber, sabiam que a colheita havia sido boa e que receberiam um bom dinheiro.
Antes de irem para o pátio, Rafael disse:
— Hoje, finalmente, vamos saber quanto dinheiro temos para receber.
Depois, precisamos planear o nosso destino.
Aqui não podemos continuar, precisamos melhorar de vida e isso não vai acontecer aqui.
Pedro, Pepe, Julian e Carmem ouviram o que ele disse.
Carmem, enquanto Rafael falava, olhava para Julian sorrindo com os olhos e demonstrando amor.
Ele percebeu o olhar e seu coração se encheu esperança.
Ainda bem que chegou o dia de recebermos o nosso dinheiro e com ele poderemos ir embora daqui para um lugar onde ninguém nos conheça.
Só assim, poderemos iniciar uma nova vida.
Sei que não poderemos nos casar e que ela não quer viver ao meu lado sem estar casada, mas, com o tempo, vou fazer com que aceite.
Ela me ama, eu a amo, não é justo ficarmos separados.
Carmem, sorrindo, também pensava:
Ele está totalmente em minhas mãos e, em pouco tempo, fará tudo o quiser.
Está pensando que vou ficar ao seu lado, coitado, isso nunca vai acontecer...
Saíram de casa e foram para o pátio da casa-grande, onde quase todos estavam reunidos e esperançosos, esperando para saber quanto dinheiro lhes sobraria.
Pablo apareceu no alto da escada e falou:
— Bem, a colheita terminou e já foi toda vendida.
Na próxima semana, vou receber o dinheiro da venda e cada um receberá o que tem por direito.
Sabem que a colheita foi melhor do que a esperada, por isso, não se preocupem.
O trabalho de todos será recompensado.
Todos aplaudiram.
Ele continuou:
— Tonhão, dê a cada um o papel onde está o valor que têm para receber.
Tonhão, obedecendo ao patrão, foi chamando cada um por seu nome e entregando um papel onde havia vários números.
Rafael, quando pegou seu papel e ao ver o que tinha para receber, arregalou os olhos e disse:
— Nunca pensei que seria tanto.
Mesmo pagando a metade, o aluguel da terra, ainda vai sobrar muito!
Acho que vamos mesmo poder ir embora e mudar de vida!
Todos, ao receberem o papel, tiveram a mesma reacção de Rafael e sorriam felizes.
Após terem recebido o papel e terem tempo de ver os números, olharam para Pablo que disse:
— Como estão vendo, receberam de acordo com aquilo que vocês mesmos marcaram.
Não houve mudança alguma.
Só resta uma coisa.
Todos, intrigados, olharam para ele, que continuou:
— Não sei quanto cada um gastou no armazém, por isso, para que possam receber o dinheiro, é preciso que cada um vá até lá e pegue a caderneta que está em seu nome e já está somada.
Eles, que haviam se esquecido desse detalhe, com o papel na mão, foram até o armazém.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

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