O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:12 pm

Lá, Custódio, que era quem tomava conta, foi distribuindo as cadernetas.
Assim que olharam os valores, ficaram preocupados.
Rafael, nervoso, disse:
— Depois de pagarmos o que devemos, não vai sobrar quase nada!
Não vamos ter dinheiro para ir embora!
Os outros também se revoltaram.
Alguns não tinham o que receber e estavam até devendo, outros, como no caso de Rafael, tinham tão pouco que não poderiam imaginar como sair dali.
Custódio, que estava acostumado àquilo e ao ver que não conseguiria contê-los, disse:
— Esperem aí, não tenho nada com isso!
Podem olhar a caderneta e tudo o que está marcado foi comprado por vocês e assinado.
Mesmo aqueles que não sabem assinar o nome, colocaram uma marca qualquer.
Não marquei nada que não compraram.
Não tenho o que fazer e se tiverem alguma reclamação, podem ir falar com o patrão.
Os colonos não aceitaram e começaram a gritar mais alto.
Tonhão que a tudo acompanhava, com a voz firme, gritou:
— Podem parar com isso!
Quando chegaram, eu mesmo e depois o patrão explicamos como ia ser o trabalho e a divisão do dinheiro.
Vocês, por não terem de pagar na hora, se endividaram no armazém e agora não querem pagar?
Isso não está certo.
Aquele que tem dinheiro para receber pode pegar e ir embora.
Aquele que está devendo, vai ter que ficar trabalhando até pagar a conta, depois pode ir embora e ninguém vai impedir.
Agora, acho melhor cada um voltar para sua casa, esfriar a cabeça e ver o que vai fazer.
Impotentes, sabendo que não adiantaria falar com o patrão porque, realmente, como não tinham nada quando chegaram, foram obrigados a comprar, além da comida, tudo o que precisavam dentro de uma casa.
Tinham, mesmo, usado o dinheiro e precisavam pagar, mesmo sem saber que Pablo cobrava o dobro do valor real da mercadoria.
Desanimados e calados, foram saindo e voltando para suas casas.
Cada um pensando, com tristeza, que o seu sonho havia terminado e que tudo o que tinham idealizado nunca seria conquistado.
Julian, desesperado, pensava:
Isso não pode ser verdade.
O que vou fazer agora, para ficar com Carmem?
Ela já disse que não vai ficar comigo sem se casar.
Sem dinheiro o que vou fazer?
Eu amo essa mulher e, se não a tiver, vou enlouquecer.
Carmem também pensava:
Não podemos ir embora e Rafael vai continuar se encontrando com ela!
Indo embora, havia uma solução para que Rafael se esquecesse dessa moça e eu, estando ao seu lado, com muito carinho, ia conseguir fazer com que gostasse de mim.
Ficando aqui isso não vai acontecer.
Não posso permitir que fiquem juntos.
Preciso voltar ao meu plano original.
Ele pode não querer ficar comigo, mas não ficará com ela também, prefiro que morra!
Rafael, desiludido ao ver que tanto trabalho não havia dado resultado algum, também pensava:
Não tem jeito, nasci para trabalhar muito e ser pobre.
Continuando aqui, não tenho o que oferecer a Berenice.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:13 pm

Ela diz que não se importa, mas sei que é somente agora que está apaixonada e empolgada.
É muito jovem e, para ela, não passa de uma aventura.
Sei que, no fundo, jamais ia ter coragem de deixar a vida que tem e muito menos de desobedecer ao pai.
Indo embora, eu tinha esperança de poder lhe oferecer uma vida melhor.
Ficando aqui, tudo vai continuar como sempre.
Ela vai embora, vai se com aquele homem.
Ele pode lhe dar tudo àquilo que nunca vou poder dar.
Eu não tenho o que fazer apenas aceitar a minha sina.
Desesperados e sem alternativa, os colonos foram saindo e indo para suas casas.
Rafael e os outros fizeram a mesma coisa.
Assim que entrou em casa, Rafael tomou um pouco de café e, sentando-se sobre a cama, ficou com o olhar distante.
Carmem, ao ver como ele estava, com sinceridade, perguntou:
— O que vamos fazer agora, Rafael?
Ele, irritado, se levantou:
— Não sei Carmem! Não sei!
Ou melhor, sei, vamos continuar nesta vida, trabalhando muito sem conseguir coisa alguma!
E só isso o que podemos fazer!
Nunca vamos ter dinheiro para sair daqui!
Ela, percebendo que ele estava nervoso, se calou.
Maria, tomando cuidado para não mexer muito as costas, pois estava com uma ferida aberta, causada pela brasa que Carmem havia acabado de queimar, assim que a outra havia sarado, abraçou-o com carinho.
Julian e os meninos, também desanimados, preferiram não entrar.
Foram para a outra casa que ficava ao lado e onde moravam e também ficaram pensando no que poderiam fazer.
Durante o resto daquele dia, não conversaram mais.
Não tinham que dizer.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:13 pm

Decisão inesperada
Na manhã seguinte, Rafael acordou diferente.
Tomando café, disse:
— Carmem, estive pensando muito e acho que encontrei uma solução.
— Qual Rafael?
— Eu não lhe contei, mas estou apaixonado e me encontrando com Berenice, a filha do patrão.
Ela estremeceu:
É agora que ele vai me contar que quer ficar com ela.
Pensou isso, mas preferiu mentir:
— Eu sei Rafael.
Aliás, todos sabem.
— Como sabem!
Tomamos o maior cuidado.
— Nem tanto. Embora, acho que, para não me magoar, ninguém me contou, percebi pelos olhares.
Além disso, um dos filhos da Josefa me contou que viu vocês na margem do rio.
— Nunca imaginei que isso tivesse acontecido.
Por outro lado, é melhor.
Vai ficar mais fácil a nossa conversa.
— Que conversa?
— Estive conversando com ela e, sabendo que seu pai nunca vai aceitar o nosso amor, resolvemos fugir, ir embora.
— O quê? Está louco? — ela, sem se conter, perguntou gritando.
— Não estou louco, Carmem.
Estamos apaixonados e já que da colheita restou um pouco de dinheiro, estive pensando que, assim que receber e dividir o que sobrou, eu, sendo o único que tenho uma profissão, sou também o único que tem chance de, com esse dinheiro, ir para a cidade, conseguir um bom emprego e ganhar o suficiente para todos nós.
Assim que conseguir, todos poderão ir morar na cidade.
Quando chegar lá, a primeira coisa que preciso fazer é conseguir uma casa para mim e a Berenice e, depois, uma para vocês.
— Ela vai com você, Rafael?
— Não sei ainda, Carmem.
Ela disse que vai, mas estou com um pouco de medo.
— Medo do quê?
— Ela está acostumada com tudo nesta vida, preciso podei lhe dar o melhor.
Tenho medo de que, se não conseguir isso, com o tempo, ela sentirá falta daquilo que tem e poderá até me odiar.
Também penso que isso pode acontecer, mas, quando disse isso a ela, não quis nem me ouvir.
Disse que me ama e que ficará o meu lado seja de que maneira for.
Por enquanto, não podermos nos casar, mas ela não se importa.
Assim que eu conseguir tudo e vocês forem para a cidade, vamos até um juiz, contamos o que aconteceu e pediremos que anule nosso casamento.
Assim poderei me casar com ela e você poderá encontrar alguém de quem goste e que também goste de você e poderá ser feliz.
Até lá, precisamos ter paciência.
Essa é a única solução que encontrei.
Vou conversar com o Julian e com os meninos e ver se me emprestam o dinheiro que pertence a eles.
Ao ouvir aquilo, Carmem estremeceu:
Ele não pode ir embora sem mim, muito menos ao lado dela.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:13 pm

Estando longe e, ao lado dela, vai me esquecer.
Diz que está preocupado connosco, mas isso é mentira!
O que quer mesmo é ficar com ela!
Não, não posso permitir.
Não tem jeito mesmo, ele nunca vai me querer, mas com ela também não vai ficar!
Embora pensasse isso, como sempre, dissimulou:
— Acho que você está certo, Rafael.
É uma óptima solução.
Você é mesmo o único que tem chance e merece ser feliz ao lado dela.
Faça isso, converse com Julian e os meninos.
Acho que eles não vão se importar em dar o dinheiro a você.
Enquanto isso, vamos ficar aqui trabalhando, esperando a sua volta.
Maria, também ao ouvir aquilo, estremeceu, mas de medo.
Sem olhar para Carmem, quase chorando, disse:
— Pai, não quero ficar aqui, me leva com o senhor...
— Não posso minha filha.
Não tenho ainda um emprego nem um lugar para morar.
Eu e a Berenice, se ela for, somos adultos e podemos ficar até sem comer, mas você é ainda uma criança e não pode passar por isso.
Não se preocupe, vai ficar aqui com Carmem e os meninos, eles vão cuidar bem de você e, quando eu voltar, vou levar você para morar em uma casa bonita como nunca teve.
Estando aqui mesmo longe, vou saber que está comendo e sendo bem tratada.
— Não quero ficar aqui, pai, quero ir com o senhor...
Carmem, temendo que Maria contasse alguma coisa, com a voz melosa e fingindo, como sempre, disse:
— Seu pai tem razão, Maria, não precisa se preocupar, eu e os meninos vamos tomar conta de você.
Eu, principalmente que fico com você o dia inteiro, vou continuar cuidando como sempre fiz.
Vai ficar bem, não se preocupe.
A menina olhou para ela, com muito medo, e como já conhecia aquele olhar, chorando, calou-se.
— Carmem, embora não tenha certeza quanto ao nosso futuro e se essa minha ida para outra cidade vai ser melhor, preciso tentar, pois, se continuar aqui é que não vamos ter chance alguma.
— Para todos nós, vai ser difícil ficar longe de você, mas não tem mesmo outra solução.
Pode ir e não se preocupe com nada, só não se esqueça de mandar notícias.
— Claro que vou escrever todas as semanas contando como estão às coisas e assim que estiver tudo bem, vocês também vão e vamos como uma família.
— Vá tranquilo, Rafael.
— Ainda bem que você entendeu.
Agora vou conversar com os meninos e ver se não se importam de me dar o dinheiro que é deles.
Rafael beijou Maria na testa e saiu.
Carmem se voltou para ela e, com ódio, disse:
— Está vendo como eu tinha razão?
Ele não se preocupa comigo e nem com você, seu pensamento é só para ela!
Mesmo assim, você quase contou o que eu fazia, se tivesse feito isso, agora eu estaria queimando o seu corpo novamente, com uma brasa, mesmo antes de a outra ferida ter sarado!
Fique calada!
Nunca conte a ele ou a ninguém o que se passa aqui em casa!
Agora preciso pensar no que vou fazer para evitar que ele fique com ela!
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 30, 2017 8:13 pm

A menina, com muito medo e imaginando que sua vida seria bem pior sem Rafael por perto, calada, abaixou a cabeça e chorou baixinho.
Carmem ficou calada por um tempo, apenas pensando, depois, disse:
— Vamos até o armazém.
Preciso comprar uma coisa.
— Não quero ir...
Pegando a menina pelo braço e sacudindo, disse:
— Você não tem querer!
Estou mandando e tem que me obedecer!
Não pode ficar sozinha aqui em casa!
Por mim eu a deixaria sem me importar com o que poderia lhe acontecer, mas preciso me preocupar com o que as outras pessoas vão dizer se ficar sozinha.
Pare de chorar, levante e venha comigo!
Maria, impotente diante de tudo o que acontecia e sem poder contar a ninguém, levantou-se e a acompanhou.
Enquanto caminhava até o armazém, Carmem segurava na mão dela e, sorrindo, cumprimentava todos que encontrava pelo caminho.
As pessoas que conheciam toda a história se admiravam da dedicação dela para com a menina.
Ao chegar ao armazém, Carmem disse:
— Seu Custódio, lá em casa tem alguns ratos.
O senhor tem algum veneno forte para acabar com eles?
— Aqui tem muito rato, mesmo, mas pensei que, assim como a maioria das pessoas, estivesse acostumada e não se preocupasse com eles.
— Não sei as outras pessoas, mas eu tenho muito medo e a Maria também, não é, Maria?
A menina levantou os olhos e com a cabeça disse que sim.
Custódio olhou para ela e percebeu que estava triste e, com os olhos vermelhos de chorar.
Preocupado, perguntou:
— Aconteceu alguma coisa para que esteja triste e chorando, Maria?
Antes que ela respondesse, Carmem interferiu:
— Aconteceu, seu Custódio.
O Rafael vai embora e ela está triste por isso, não é, Maria?
Outra vez, a menina acenou com a cabeça.
— Ele vai embora, é? — perguntou curioso.
— Vai sim. Vai tentar a vida na cidade grande.
Está com muita esperança.
— Ele é trabalhador e vai conseguir.
É o melhor que pode acontecer para vocês, pois, se continuarem aqui, nunca vai melhorar de vida
— Estou um pouco preocupada, mas também acho que é uma esperança de dias melhores.
— É mesmo.
— Agora, quanto ao veneno para os ratos, o senhor tem algum que seja forte o bastante para acabar com todos?
— Tenho, sim, mas precisa tomar cuidado.
Este aqui é forte mesmo.
Deixe longe da menina, apenas uma colher de café pode causar a morte.
Tome cuidado Maria, não chegue perto deste pó.
— Ela não vai chegar, não, seu Custódio.
Mesmo assim, para prevenir, vou colocar em um lugar bem alto, onde ela não possa alcançar.
Dizendo isso e sorrindo, pegou o pacotinho que ele lhe estendia.
Com o pacotinho na mão, sorriu novamente e saiu, segurando Maria com a outra mão.
Em silêncio, a menina a acompanhou.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:15 pm

Enquanto caminhava, Carmem pensava:
É isso mesmo que vou fazer.
Agora que já estou com o veneno, vou conversar com Julian.
Sei que vou ter um pouco de trabalho, mas, no final, vai fazer o que quero.
Está completamente apaixonado e fará tudo o que eu quiser com a esperança de me ter.
O ideal seria eu matar Berenice, como fiz com Lola, mas como isso é impossível, pois nunca vou conseguir ficar perto dela, vou matar Rafael, pois prefiro que ele morra a ficar com ela ou outra mulher qualquer!
Chegaram a casa.
Carmem, com raiva, disse:
— Vou guardar o veneno aqui no armário.
Está em um lugar bem baixo, onde você pode pegar.
Quando sentir que a vida é ruim e decidir que não quer mais viver, basta pegar um pouco, colocar no leite e tomar.
Num instante você vai deixar de existir e vai descansar no inferno para sempre, onde a sua mãe deve estar!
Maria, calada, ficou olhando Carmem colocar o pacotinho no armário.
Pensou:
Depois que o meu pai for embora, vai ser ainda pior.
Ela, sem ele por perto, vai fazer muito mais coisa ruim comigo.
Vai me machucar muito mais.
Ela tem razão, o melhor mesmo é eu morrer, mas não quero ir para o inferno, quero ir para o céu, encontrar a minha mãe.
Ela disse que minha mãe está no inferno, mas eu sei que não está...
Ela está no céu me esperando...
Lola que estava ali e acompanhou tudo, chorando, disse:
— Não, minha filha, não pense assim.
Você é muito importante e sua vida também.
Eu amo você e vou ficar aqui ao seu lado, mas ainda não é hora de voltar...
Isabel e Manolo sorriram.
Lola voltou-se para Isabel:
— Dona Isabel, ela está pretendendo fazer o que estou pensando?
— Está sofrendo muito e se sente incapaz de se defender, Lola, e está pensando em pôr fim à sua vida, sim.
— Ela quer se matar?
— Quer. Está com muito medo com o que vai lhe acontecer depois da partida de Rafael.
— Essa Carmem é um monstro!
Como pode fazer essas coisas com uma criança?
Eu mesma se pudesse, a mataria!
— Cuidado com o que diz e com o que sente Lola.
Não deixe seu nível de energia cair, pois, se isso acontecer, não poderá mais ficar ao lado da Maria.
Terá de ir embora.
Nossa presença aqui é com a tentativa de fazermos com que Carmem entenda que está errada, possa se arrepender e volte para casa vitoriosa.
— É pedir demais, dona Isabel.
Como posso ajudar uma pessoa como ela?
Além do mais, não acredito que isso vá acontecer.
Ela é muito má e não vai se arrepender.
— Não sabemos Lola.
Para isso estamos aqui.
— O que vai acontecer com Maria e Rafael?
Ela vai conseguir fazer com que a minha filha se mate e Julian mate Rafael?
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:15 pm

— Não sabemos. Vamos esperar para ver o que acontece.
Como já lhe disse, tudo depende do livre-arbítrio de cada um.
Quanto à Maria e ao Rafael, não se preocupe.
Embora não possamos proteger o corpo físico deles nem interferir ou impedir que Carmem faça o que está pretendendo, estaremos aqui para proteger os seus espíritos.
Eles se forem vítimas dela, não ficarão desamparados.
O mesmo não posso dizer que acontecerá com ela.
Pode até conseguir o que deseja, mas no dia em que tiver de deixar a Terra e voltar para a casa do Pai, estará sozinha à mercê daqueles que escolheu por companhia e posso lhe dizer que a companhia deles não costuma ser agradável.
— A senhora disse que todos têm uma missão e que Maria tem uma muito importante e que Rafael precisa ajudá-la.
Sendo assim, se eles morrerem antes do tempo, não cumprirão a missão?
O que vai acontecer?
— Antes de renascerem, sabiam que isso poderia acontecer.
Maria e Rafael, além de virem com suas próprias missões para cumprir, quiseram e sabiam que a missão maior deles era a de tentar mudar Carmem e, se não conseguissem, teriam de voltar e deixariam para uma próxima encarnação a missão que não puderam cumprir nesta.
Além de todas as dívidas, Carmem terá mais essa, a de ter impedido que espíritos amigos caminhassem, continuassem sua jornada.
— Afinal, existe mesmo justiça depois da morte.
Sempre ouvi dizer isso, mas nunca acreditei.
Vi tantas pessoas ruins terem uma boa vida, diferente de mim, que nunca fiz mal a ninguém.
— Deus é um Pai justo.
Por isso, todos deverão passar por sua justiça, recebendo o bem quando merecem e o mal quando também merecem.
Para isso, nos deu o direito da escolha.
Tudo o que aconteceu estava previsto.
Todos vocês, juntos com Carmem, escolheram a vida que queriam ter.
— Por mais que a senhora diga isso, não consigo me conformar que tenha escolhido a vida que tive.
Que tenha escolhido ver minha filha sofrer tanto.
— Maria também estava presente quando decidiram.
Ela, além de vir para ajudar Carmem, veio também para ajudar a si própria.
— Não estou entendendo, dona Isabel...
— Ela é um espírito suicida.
Por muitas vezes já colocou fim à vida.
Desta vez, escolheu, novamente, se colocar à prova.
Antes de renascer, prometeu que seria diferente, que não se mataria, mas, pelo que estamos vendo, parece que esse sentimento está voltando muito forte.
— Ela tem razão, dona Isabel!
Como pode suportar tanto sofrimento?
— De outras vezes, teve sempre uma vida boa.
Teve boa saúde, famílias que a amaram e lhe deram tudo para ser feliz, nunca deu valor.
Sempre procurou e encontrou motivos para ser infeliz e se suicidar.
Desta vez escolheu vir em uma situação diferente.
Seria pobre e órfã, não teria aquilo que sempre teve.
Poderia ser criada por Carmem ou não, dependendo do que Carmem faria com você.
Como vimos, com a atitude dela, tomou sob sua responsabilidade a criação de Maria.
Sendo assim, Maria, além de ser pobre, tem também de aceitar não ter uma família verdadeira e sofrer todo tipo de maldade.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:15 pm

Agora, sim, vai ter motivo para ser infeliz e, se conseguir sobreviver ao desejo suicida, estará dando passo enorme em direcção à Luz.
— Será que ela vai conseguir?
— Espero que sim.
Para isso, estamos aqui agora e quando não pudermos, outros espíritos amigos estarão sempre ao seu lado.
Ela nunca ficará sozinha.
Sempre terá sobre si luzes de novas energias para que possa resistir.
— Estava tudo previsto?
— Sim, já não ouviu dizer que uma folha da árvore não cai sem a vontade de Deus?
É isso o que acontece com Seus filhos.
Ele os deixa à vontade para que possam escolher e decidir sobre suas acções.
Quando escolhem, ele apenas acata.
— Sim, mas também nunca acreditei muito nisso.
Isabel sorriu:
— Você e muitos outros espíritos renascidos.
Manolo a abraçou com carinho:
— Não fique assim, Lola.
Como viu, ela tem suas culpas para resgatar.
Nós cumprimos a nossa missão.
Demos a ela a oportunidade de renascer e, agora, ficaremos ao seu lado pelo tempo que for necessário.
— Sei disso, Manolo, mas teria sido tudo tão diferente se você não tivesse morrido nem a senhora, dona Isabel.
Estaríamos até hoje no sítio, vivendo em paz como vivemos naquele tempo.
— Sim, mas você não teria encontrado Carmem e Rafael e isso precisava acontecer.
Carmem precisava ter a oportunidade de criar Maria com amor e de não cometer os mesmos crimes de sempre, matar você e a Rafael.
— Embora eu não queira admitir, no final, está tudo sempre certo mesmo.
— Está mesmo, Lola.
Agora, precisamos ajudar Maria.
Manolo vamos jogar muita luz sobre ela.
As luzes farão com que tenha alguns momentos de paz.
Jogaram luzes sobre Maria que, evitando olhar para Carmem, sentada na cama, tremia de medo.
Aos poucos foi se acalmando.
Pensou em sua mãe que sempre via em sonhos.
Mãe, sei que está perto de mim.
Não deixe que ela continue machucando...
Lola, chorando, sabendo que não podia jogar luzes por não as ter, mesmo assim, com amor e vontade de ajudar a filha, estendeu as mãos na intenção de também ter luz para poder jogar.
Isabel sorriu, com um gesto, fez com que luzes brancas também saíssem das mãos de Lola que, ao ver, se emocionou:
— Também estou tendo luz?
Obrigada, dona Isabel!
— Não me agradeça, mas, sim, a você própria.
Com o gesto de amor e o desejo de ter luz para poder doar, conquistou, sem saber, o direito à luz.
Lola olhou para Manolo que também sorria e chorava ao mesmo tempo.
— Você conseguiu meu amor.
Sempre soube que conseguiria, nunca imaginei que fosse tão rápido.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:15 pm

— Esse é um dos milagres do amor e do Pai, Manolo.
— Sei disso, dona Isabel.
Sempre confiei no Seu amor.
Feliz, Lola continuou jogando luzes que ficaram cada vez mais forte.
Maria, parecendo sentir a presença dela, pensou:
Minha mãe está aqui, sim.
Sei que está, me ajude, mamãe....
Lola sorriu:
— Estou fazendo tudo o que posso minha filha.
Sei que, desta vez, você vai conseguir.
Maria, parecendo ouvir, olhou para Carmem que estava de costas e não viu:
Ela vai deixar de ser ruim...
Sei que vai...
Isabel sorriu e continuaram jogando luzes sobre ela.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:15 pm

Dominada pelo mal
Rafael foi até a casa ao lado, onde moravam Julian e os rapazes.
Entrou, viu que Julian estava deitado e que parecia dormir.
Os rapazes não estavam.
Devagar se aproximou e chamou baixinho:
— Julian... Julian...
Julian acordou e, ao vê-lo ali, se assustou.
Sentou-se na cama:
— Rafael! O que está fazendo aqui?
Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu, mas não se preocupe, não é nada grave.
Preciso conversar com você e com os meninos.
Sabe onde eles estão?
— Estavam chateados com o resultado de tanto trabalho e disseram quem iam até o armazém para jogar um pouco.
Eu fiquei aqui pensando na vida e adormeci sem perceber.
O que quer tanto conversar?
— Tive uma ideia e acho que é a solução para os nossos problemas.
— Que ideia?
Rafael contou tudo o que havia pensado.
Julian ouviu com atenção.
Quando terminou de falar, perguntou:
— O que acha da minha ideia, Julian?
— Já contou para Carmem?
— Sim, acabei de contar.
— O que ela disse?
— Achou uma boa ideia e que, realmente, somente eu tenho uma chance.
— O que vai acontecer com Maria.
Ela vai com você?
— Não, não posso levá-la.
Não sei como vai ser.
Preciso me instalar primeiro, ter um trabalho que garanta o sustento de todos vocês até que arrumem um emprego.
Somente depois disso, ela poderá ir.
Quanto a isso, estou indo despreocupado.
Sei que Carmem cuida muito bem dela e continuará cuidando.
Ela gosta muito daquela menina, assim como gostava da mãe dela.
Quando Lola estava morrendo, ela prometeu que cuidaria da Maria e está fazendo isso.
Estamos na situação em que estamos por causa dela, para que Maria não nos fosse tirada.
— Quanto a isso, não precisa se preocupar, mesmo.
Ela cuida até demais.
Não deixa que a menina brinque muito com as outras crianças com medo de que ela se machuque.
Outro dia eu falei com ela.
Disse que a menina precisava brincar mais, mas ela falou que tem medo, pois, se acontecer alguma coisa, aqui não temos assistência alguma e até chegar à vila, talvez não dê tempo.
Por isso prefere ficar com ela dentro de casa.
Ela me lembrou que, mesmo assim, tomando conta da maneira como toma, Maria queimou a mão no fogão, você lembra?
Imagine se não tomasse.
Crianças são muito atrevidas e não têm medo de coisa alguma.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:16 pm

— Embora também ache que Maria deveria brincar, Carmem tem razão, Julian.
Pois, se acontecer alguma coisa, não temos, mesmo, assistência alguma.
Por isso vou sem me preocupar.
Sei que Maria ficará em boas mãos e também, se precisar, você e os meninos estão aqui para qualquer emergência.
— Quanto a isso, pode ficar tranquilo.
Vamos cuidar das duas.
Você disse que queria conversar comigo e com os garotos.
É somente para contar que vai embora?
— Não, Julian.
Para fazer o que estou pensando, vou precisar de dinheiro.
Preciso chegar, me instalar e esperar até arrumar um trabalho.
Não sei se você já sabe, mas estou apaixonado pela Berenice.
— A filha do patrão?
Está louco, Rafael?
— Também acho que estou louco, mas não tive como evitar.
Parece que o destino está do nosso lado.
Sem querer, nos encontramos no rio.
Foi onde tudo começou.
— Não me diga uma coisa como essa Rafael.
Não consigo acreditar.
— Pois acredite. Aconteceu mesmo.
Por isso, preciso trabalhar muito para poder oferecer uma boa vida a ela.
— Está louco mesmo e parece que gosta, mesmo, dela, não é?
— Estou apaixonado, Julian.
O dia em que se apaixonar entenderá isso.
Verá que somos capazes de fazer qualquer coisa para ficar com a mulher que amamos.
— É, talvez um dia eu saiba. — disse, pensando em Carmem e no que ela havia lhe pedido.
Continuou:
— Sei disso, mas não acha que deveria pensar mais um pouco.
Ela é uma moça que foi criada com tudo.
Está acostumada a comer bem, viver em uma boa casa e a ter boas roupas e jóias.
Acha que ela vai ser feliz ao seu lado sem nada isso?
— Eu conversei a esse respeito com ela, mas não quis me ouvir, disse que vai esperar que eu volte.
Disse que, embora seu pai queira, ela jamais se casará com aquele homem que ele quer.
— Que homem?
— Um espanhol que é muito rico e velho.
— Tome cuidado, Rafael.
— Cuidado com o quê?
— De ter muita expectativa, de acreditar que ela o ama realmente e que, quando voltar, ela já não esteja mais aqui.
Sabe que ela, como mulher, deve obediência ao pai.
Ele nunca vai permitir que ela se case com alguém que não tem onde cair morto.
Além do mais, o outro pode dar a ela tudo a que está acostumada.
A diferença entre vocês é muito grande, Rafael.
— Ela disse que vai lutar contra a vontade do pai nem que para isso perca a herança, que vai ficar ao meu lado nem que para isso tenha de trabalhar.
— Trabalhar onde, Rafael?
A mulher não tem trabalho, a não ser trabalhos braçais que ela não suportaria.
— Não sei Julian.
Não sei o que vai acontecer.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:16 pm

No momento, só estou pensando que existe uma esperança e que quero me agarrar a ela com todas as minhas forças.
— Está certo, mas não faça isso por ela, e sim por você, por Maria.
— Talvez você tenha razão, mas prefiro acreditar que, quando voltar, ela vai estar me esperando.
É o que posso fazer.
Estou apaixonado e não posso correr o risco de ficar sem ela nem de vê-la se casando com outro.
É melhor me arrepender por ter feito do que ao contrário.
Você não acha que, pela mulher amada, devemos fazer qualquer coisa?
— Acho que sim, Rafael...
Acho que sim...
— Para que possa fazer isso, vou precisar ficar com todo o dinheiro que sobrou do nosso trabalho.
Sei que uma boa parte dele é de vocês.
Preciso que me emprestem.
Prometo que vou devolver e que vou mandar buscar vocês.
O dinheiro, para todos nós, não é muito, e não vai ajudar, mas vai dar para eu começar uma vida e mandar buscar vocês.
Julian ficou com os olhos distantes, pensando:
Carmem concordou.
Está me mandando um recado que quer ficar sem ele.
Sem ele aqui, vai ser mais fácil eu pedir a ela que se entregue a mim.
Preciso conseguir isso, pois, se não conseguir, vou ficar louco.
Sinto que ela também quer.
Só não aceita, agora, por ele estar por perto.
Assim que ele estiver longe, não vai demorar muito para que ela se entregue totalmente ao nosso amor.
Ele tem razão, por amor se faz qualquer coisa.
Ele indo embora não vou precisar fazer o que Carmem quer.
Até ele voltar, tudo estará resolvido.
Rafael, ao ver que Julian estava distante, preocupado, perguntou:
— O que está pensando, Julian?
Está com medo de que eu não volte ou mande chamar vocês?
Está com medo de que eu não devolva o dinheiro?
Não se preocupe com isso.
Eu vou fazer o que estou dizendo Julian começou a rir:
— Nem por um momento eu pensei isso, Rafael.
Sei que vai fazer o que está dizendo.
Sei que vai voltar.
Sabe por que tenho tanta certeza?
— Não, por que Julian?
Julian começou a rir:
— Não está levando Maria com você.
Por isso, estou tranquilo.
Poderia nos esquecer, ficar com nosso dinheiro, o que sei que não vai fazer, mas se esquecer da Maria, deixar que ela fique aqui sozinha vivendo da maneira que vivemos se puder lhe dar uma vida melhor.
Tenho certeza de que jamais ia fazer isso.
Rafael também riu.
— Embora me conheça há pouco tempo, você sabe que eu jamais ia abandonar Maria.
Prometi à Lola que ia cuidar dela e vou cumprir a minha promessa.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:16 pm

— Sei, por isso pode ficar com a minha parte do dinheiro.
Para mim sozinho, ele é pouco.
Não tenho uma profissão como você para arriscar.
Acredito que os meninos também não se incomodarão.
Além de o dinheiro ser pouco para dividir, eles são ainda muito crianças para se aventurarem.
Aqui não precisamos de dinheiro.
Vamos continuar trabalhando e comprando tudo o que precisarmos no armazém.
— Obrigado, Julian!
Sabia que entenderia!
— Vá com Deus, meu amigo.
Espero que tudo dê certo e que volte logo, vitorioso.
— Eu vou voltar.
Agora preciso conversar com Carmem, contar a ela que você concordou em me dar a sua parte do dinheiro.
Depois vou o armazém falar com os meninos.
— Faça isso.
Eles não se importarão, pois estão na mesma situação que eu.
O dinheiro que têm não dá para tentar uma nova vida.
Somente você tem essa chance.
Rafael saiu e ele ficou pensando:
Eu devia ter contado a ele a minha situação com Carmem, mas, além de ela não querer, agora, ele indo embora, não vai ser necessário fazer o que ela está pensando.
Vamos deixar o tempo passar e ver o que vai acontecer...
Sorrindo, feliz, Rafael foi para casa.
Encontrou Maria em pé.
Assim que ele entrou, ela se abaixou e pegou a boneca de pano que estava no chão.
Aproveitou para se sentar um pouco.
Carmem estava junto ao fogão.
Entrou, dizendo:
— Julian concordou Carmem.
Disse que confia totalmente em mim e também acha que sou o único que tem chance.
— Sabia que ele ia aceitar.
É o melhor para todos nós.
Maria, com o olhar triste, apenas olhou.
Rafael, preocupado, perguntou:
— Por que está triste Maria?
Com medo de que Maria contasse o que acontecia realmente, Carmem respondeu:
— Ela já está sentindo saudade de você.
Não quer que você fique longe.
Não é isso, Maria?
Maria, fazendo esforço para não chorar, pensou em contar o motivo de sua tristeza, mas ficou com medo e com a cabeça fez um sinal concordando.
— Não fique triste, Maria.
Vai ser por pouco tempo.
Eu preciso fazer isso.
Quando voltar, você vai morar em uma casa linda.
Maria, com os olhos cheios de lágrimas, olhou para Carmem, depois para ele, sorriu e o abraçou com carinho.
Ele correspondeu ao abraço e não imaginando tudo o que ela estava sofrendo, sorrindo, disse:
— Sei que você é valente e vai me esperar sem chorar.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:16 pm

Agora preciso ir até o armazém.
Julian disse que os meninos estão lá.
Preciso conversar com eles para poder ir embora o mais rápido possível.
Carmem pensou rápido:
— Leve a Maria com você.
Vai embora e, antes de ir, precisa ficar mais tempo com ela.
Maria não entendeu, mas também não se importou.
O que queria mesmo era ficar longe dela.
Segurou na mão de Rafael que, sorrindo, disse:
— Está bem, Maria.
Carmem tem razão, precisamos ficar mais tempo juntos. Vamos?
Saíram.
Carmem esperou um pouco, depois foi para a casa de Julian, que continuava deitado.
Sorrindo, ela entrou.
Ele, ao vê-la, estranhou:
— O que está fazendo aqui, Carmem?
— Rafael foi para o armazém.
Aproveitei para vir aqui e ver você.
Estava com saudade.
Não consigo me esquecer de você nem por um minuto.
Dizendo isso, voltou a abrir a blusa e a mostrar, agora, os dois seios.
Ele, que estava deitado, levantou-se e foi até ela.
Quando chegou perto, ela fechou a blusa e, sorrindo, disse:
— Calma, Julian.
Depois que nos casarmos, vamos ter muito tempo.
— Por que não pode ser agora, Carmem?
Por que está fazendo isso comigo?
Sabe como desejo você e está ficando cada dia pior.
— É perigoso, Julian.
Rafael pode voltar a qualquer momento.
— Não, Carmem. Ele acabou de sair.
Não vai voltar tão cedo.
Vai ficar um bom tempo conversando com os meninos.
Eu estou ficando desesperado.
Amo você de todo o meu coração e quero viver ao seu lado pelo resto da minha vida.
— Também amo e também quero viver com você para o resto da minha vida, mas, por enquanto, não pode ser.
Sabe que, enquanto eu for casada, nada poderá acontecer entre nós.
— Agora não precisamos esperar mais.
Rafael vai embora.
— Isso não tem importância, pois, mesmo ele não estando aqui, vou continuar casada com ele e não posso ter nada com você.
Sei que quer que eu seja sua.
Também quero, mas isso só vai acontecer, quando eu ficar viúva.
— Rafael não vai morrer, ele é muito forte...
— Já disse a você que, quanto a isso, podemos dar um jeito.
— O que está falando, Carmem?
Está dizendo que podemos matar Rafael?
— Sim, amo você, mas não podemos ficar juntos, enquanto ele viver.
A solução é apressarmos sua morte.
Já pensei em como fazer isso, preciso de sua ajuda.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:16 pm

— Não posso fazer isso, Carmem.
Ele é meu amigo...
Ela abriu a blusa novamente só que, dessa vez, se aproximou.
Quando ele esticou a mão para segurar, ela, sorrindo, se afastou:
— Não podemos Julian.
Não por enquanto.
— Deixe ao menos que eu sinta você.
— Logo vai poder me sentir e fazer muito mais.
Só precisamos colocar em prática o meu plano.
Depois que tudo terminar, vou ser sua para sempre.
Assim dizendo, voltou a fechar a blusa e saiu correndo.
Ele, desesperado, ficou sem saber o que fazer:
O que vou fazer?
Eu amo essa mulher.
Sinto que estou pronto para fazer tudo o que ela quiser, até mesmo matar meu amigo, desde que ela seja minha...
Carmem entrou em casa.
Estava confiante de que seu plano daria certo:
Ele está transtornado.
Falta pouco para fazer o que eu quero.
Tem de ser antes de Rafael ir embora.
Não posso deixar que se vá.
Não posso correr o risco de que me esqueça e isso vai acontecer, pois ele só pensa naquela moça.
Sei que, quando voltar, vai ser para ficar com ela e isso não vou deixar que aconteça.
Ele é meu! Só meu!
Alguns minutos depois, Julian, desesperado, entrou:
— Carmem, não posso continuar assim.
Você se insinua, mas não aceita o meu amor.
Estou ficando louco!
Vou fazer o que quer.
Qual é o seu plano?
Ela pegou o pacotinho com o veneno:
— Este veneno é muito forte.
Basta só um pouco para ele ter morte instantânea.
Vai ser tão rápido que ele nem vai sentir.
— Como vou fazer isso?
— Rafael vai avisar a todos que vai embora e, como despedida, você convida a ele e a alguns amigos para uma pescaria.
Quando estiverem lá, todos bebendo, basta você colocar um pouco deste veneno na bebida dele e pronto, tudo vai estar terminado.
Vamos ficar juntos para o resto da nossa vida.
— Preciso mesmo fazer isso?
— É a única maneira de poder ficar comigo, Julian.
Como você disse, ele é forte e não vai morrer tão cedo.
Não acho justo, sendo tão nova e amando você como amo, ficar presa a um homem de quem não gosto.
Amo você, Julian...
— Se alguém descobrir?
Posso ser preso!
— Ninguém vai descobrir.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:17 pm

Estarão todos bêbados e pensarão que ele teve um ataque do coração.
Isso aconteceu com o Manolo, marido da Lola.
— Aqui as pessoas podem aceitar isso, mas a polícia vai ser enganada também?
— Está se esquecendo de que somos imigrantes sem dinheiro.
A polícia não vai perder tempo.
Para se ver livre, vai aceitar o que disserem.
Vai ficar tudo bem, Julian.
Não se preocupe...
— Está bem. Vou fazer o que quer.
Ela, sorrindo e feliz por ter conseguido o que queria, o abraçou e permitiu que ele colocasse a mão sobre seu seio, mas por cima da roupa, o que ele fez com paixão e loucura.
Quando ele ficou mais atrevido, ela se afastou:
— Precisamos esperar Julian.
Agora está perto do dia de ficarmos juntos.
Depois que ele morrer, precisamos esperar um tempo.
Depois anunciaremos o nosso casamento, mas enquanto isso não acontece, nada impede que possamos nos encontrar escondido, sem que ninguém saiba.
— Está certo.
Vou agora mesmo até o armazém dar a ideia da pescaria como despedida.
Dizendo isso, ele saiu.
Ela ficou exultante.
As nuvens negras que a envolviam se transformaram em vultos que, felizes, rodopiavam à sua volta.
Lola ao ver aquilo se assustou:
— Quem são eles, dona Isabel?
— São as companhias que ela escolheu.
Assim como nossas luzes trazem paz e tranquilidade, porque só têm amor, essas nuvens que a envolvem são formadas de ódio, rancor, mágoa, ciúme e todo sentimento negativo que você possa imaginar, fazem com que todos esses sentimentos negativos aflorem com mais força.
Embora Carmem não saiba, traz, também, muito sofrimento para aqueles que fazem uso dela.
Com essa atitude, permitindo que o mal tome conta do seu espírito, Carmem acaba de se condenar por vontade própria.
Está ligada a eles e, contra isso, nada podemos fazer.
— Eles conseguem se aproximar de qualquer um?
— Conseguem.
— Está dizendo que todos estão à mercê dessas energias?
— Sim. Todos estão, mas elas só conseguirão se aproximar, se encontrarem ambiente próprio para isso.
Carmem traz dentro de si muita maldade.
Apesar de todo o tempo em que estamos tentando fazer com que mude que se regenere e possa nos acompanhar, ela sempre volta a cometer os mesmos crimes, as mesmas maldades.
Por isso, essas energias conseguiram envolvê-la dessa maneira.
Assim como quando se tenta viver com dignidade, nossas luzes de paz e amor estarão sempre presentes, trazendo paz e tranquilidade.
Cada um escolhe a companhia que deseja.
Existem espíritos amigos, mas também os inimigos que estão sempre preparados, para, a qualquer momento, se vingarem de algum mal sofrido.
Existem outros espíritos que, embora não conheçam sua vítima, mas, por terem morrido em depressão e, mesmo depois da morte continuarem com ela, se aproximam daqueles que, por não aceitarem a vida como se apresenta, se deixam envolver por ela.
Na maioria das vezes, o encarnado que começa a sofrer de depressão não tem motivo algum para isso, mas acredita ter.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:17 pm

Espíritos depressivos que estão passando se aproximam e, aos poucos, vão tomado conta do seu espírito, que passa a ter sentimentos que não são dele, mas sim deles, dos espíritos depressivos.
A presença deles faz com que espírito fique sempre mais fraco e seja levado, muitas vezes, até o suicídio, que é o desejo final deles.
Entretanto, para que isso aconteça, é necessário que o espírito, como está acontecendo com Carmem, esteja aberto para isso, esteja com suas energias baixas, contaminadas por sentimentos ruins.
— Então a depressão não é daquele que a sente?
— Não, Lola.
É daquele que o encarnado aceitou por companhia.
Por isso não existe remédio para a depressão.
Somente o próprio encarnado, sabendo que é um espírito
livre e que não pode ser aprisionado por nada nem ninguém, se tomar o seu lugar, poderá afastar essa presença indesejável e também a depressão para sempre.
— O espírito não pode ser envolvido a não permitir que isso aconteça?
— Não. O espírito é livre e, por ser livre, pode escolher a companhia que deseja ao seu lado, assim como Carmem está fazendo.
Tanto o espírito é livre que nem Deus, que é o seu criador, não o aprisiona, mas, ao contrário, dá a cada um o livre-arbítrio para que possa dividir o que deseja para si.
Alguns demoram mais que os outros, mas todos um dia, chegarão, sem que sejam aprisionados nem dominados ou exigido deles que façam o que não querem.
Somos livres, Lola!
— Isso pode demorar muito tempo...
— Pode, sim, Lola, mas não se esqueça de que Deus tem toda a eternidade para esperar.
— É confortável saber isso, mas por que só depois de mortos e voltando para cá é que temos todo esse conhecimento?
— Justamente pelo espírito ser livre é que tem de ter a liberdade de escolher a companhia que quiser.
Até esse direito ele tem e, como todas as outras Leis, não podemos interferir.
Apenas aguardar que o espírito acorde e reconheça o seu lugar.
— Entendi... Nada pode mesmo interferir na decisão do espírito
— Nada nem ninguém encarnado ou não.
Somos livres, Lola.
Deus nos fez assim e é dessa maneira que nos quer.
Livres para escolhermos o caminho e a companhia que desejamos seguir e ter.
— Julian aceitou fazer o que Carmem quer.
O que vai acontecer com ele?
— Essa é outra prova de que o espírito é livre, mas também que a liberdade tem um preço.
Julian, como já aconteceu outras vezes, sabe que matar é errado, mesmo assim, pensa em cometer um assassinato.
Se fizer isso, estará condenado a muita dor e a uma nova encarnação com muito sofrimento.
Poderá também não cometer o crime e, assim, continuar a jornada.
Essa Lei se chama Acção e Reacção, que quer dizer:
tudo o que um espírito, encarnado ou não, fizer receberá em troca na mesma quantidade e proporção.
— Essa lei é justa, dona Isabel?
— Sim. Lola. Todas as Leis Divinas são justas e delas espírito algum pode escapar.
— Apesar de tudo, tenho pena dele.
Só está fazendo isso por muito amor.
— Não. Isso não é desculpa.
O amor não justifica um erro, pois sabe que matar é errado.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:17 pm

Ele será responsável por aquilo que fizer e terá que pagar por isso.
— Ele ainda pode mudar de ideia?
— Claro que sim, até o último instante.
Sempre é tempo do arrependimento e da mudança.
— Deus queira que ele acorde e não faça o que está pretendendo.
— Deus queira Lola... Deus queira...
Carmem, feliz por ter conseguido o que queria, pensava:
Ele vai matar Rafael e pode ficar esperando que eu vou ser sua mulher.
Isso nunca vai acontecer!
Eu, apesar de ser mulher, sou livre!
Conquistei essa liberdade no dia em que meus pais morreram.
Naquele dia, achei que era responsável pelos meus irmãos, mas não sou!
Eles estão crescidos e já podem se cuidar sozinhos!
Depois que tudo estiver terminado, vou embora e só vou levar aquela menina horrorosa!
Se ela não fosse tão parecida com a mãe, Rafael teria se esquecido dela e estaria comigo!
Ela é a culpada por ele não me querer!
Podia deixá-la aqui, mas, se fizer isso, ela seria bem cuidada pelo Julian e, se ele for preso, pelos meus irmãos e por todos aqueles que vieram no navio e conhecem sua história.
Não vou permitir que isso aconteça!
Ela vai comigo e, assim que chegar a uma cidade grande, eu a deixo em qualquer lugar e desapareço.
Ela vai ser encontrada pelas autoridades e como não vão me encontrar, vai ser levada para um orfanato que é o seu lugar!
Justamente aquilo que Lola não queria!
Só assim minha vingança vai ser completa.
Lola ficou apavorada:
— Maria não tem culpa, dona Isabel!
Por que ela a odeia tanto?
— É comum isso acontecer, Lola.
Quando se está apaixonado e não se é correspondido, a culpa é colocada em outro, nunca em si mesmo ou no parceiro.
Carmem não gosta da maneira como pensa gostar, o que não aceita é a rejeição.
Agora, envolvida como está por essas energias negativas, seu ódio por Maria crescerá mais e não podemos precisar o que poderá acontecer.
Vamos incentivar essa ideia nela, é o melhor que pode acontecer para a menina.
— Não entendi...
— É melhor que ela a abandone do que continuar torturando-a como está fazendo.
Como isso também estava previsto, podemos interferir no sentido de que aconteça.
— Estava previsto Maria ir para um orfanato?
— Sim. Mesmo que Carmem não tivesse feito o que fez, você morreria de qualquer maneira e, se Rafael e ela não tivessem decidido ficar com Maria, a única solução seria essa.
— Eu, quando morri, pedi para não deixarem que ela fosse para um orfanato.
Hoje, penso diferente, por mais que sofra em um orfanato, será menos do que tem sofrido ao lado de Carmem.
— Também seria uma solução para evitar quer Maria volte a cometer o suicídio.
— Tudo foi pensado...
— Sim. Sempre é.
Não se preocupe, no final, sempre acaba tudo bem.
A não ser para Carmem que, se continuar deixando-se envolver por essas energias ruins, mesmo depois do seu desencarne, essas energias continuarão ao seu lado, causando-lhe sofrimentos terríveis.
Ela ainda perderá a oportunidade que teve com esta encarnação.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:17 pm

— Por outro lado, de tudo o que ela está pensando, de uma coisa está certa: hoje, ela é uma mulher livre.
— Sim. Isso é importante, pois a mulher tem o mesmo valor e capacidade do que o homem, é igual a ele em tudo.
Ao contrário do que dizem, o cérebro das mulheres não é menor que o dos homens e por terem o corpo mais frágil, não precisam de protecção.
Isso tudo com o tempo vai passar e a mulher terá liberdade total e poderá fazer com sua vida o que quiser.
— A senhora acha que isso pode acontecer?
— Só não acho, como vai acontecer, mas com liberdade vem a responsabilidade.
A mulher é o seio da família e dela depende o bem estar de todos.
Se ela, para ser livre, deixar de lado esses valores, só será infeliz e trará infelicidade para todos que a cercam.
— Isso pode acontecer?
— Pode. A mulher, por ser o esteio da família, sempre terá sobre si a responsabilidade da mesma.
Para ser livre, terá de ter o seu próprio dinheiro, terá de trabalhar fora, o que hoje é inconcebível, mas terá, também, de continuar cuidando da família e isso será muito trabalhoso.
Demorará muito tempo para que consiga conciliar tudo.
— Há ainda muita luta pela frente, dona Isabel.
— Há sim, Lola, mas ela terá de ser travada para a evolução espiritual.
Não deve existir diferença entre sexo, pois o espírito não tem sexo.
Tanto é que renascemos algumas vezes mulheres e outras, homens, dependendo da nossa necessidade.
Enquanto elas conversavam, Carmem continuava pensando:
O que será que está acontecendo no armazém?
Julian vai saber fazer o seu papel?
Quando Julian chegou ao armazém, Rafael terminava de contar para Pepe e Pedro a sua intenção.
Os meninos ouviam atentamente.
Julian se aproximou e ficou esperando a resposta deles.
Pepe olhou para Pedro e, após alguns segundos, disse:
— Sendo o mais velho, concordo com sua ideia, Rafael.
Somos ainda muito jovens e não temos uma profissão, como você, para nos arriscarmos em uma aventura.
Por mim, tudo bem.
E você, Pepe, o que acha?
— Por mim, também.
Vá, Rafael, faça o que está pretendendo e, quando encontrar uma casa e um trabalho, sei que vai avisar e vamos até você.
Rafael, rindo, disse:
— Podem ter certeza de que vou fazer isso.
Por enquanto, continuem trabalhado.
Assim que eu estiver bem, volto aqui para buscar todos vocês.
Começaram a rir. Julian, também rindo, demonstrando uma felicidade que não sentia, falou:
— Estou muito feliz por ter dado tudo certo, Rafael.
Que tal, antes de ir embora, comemorarmos com uma pescaria?
Todos poderiam ir.
Estamos cansados de tanto trabalhar sem resultado.
Vamos, ao menos, pescar, comer e beber à vontade!
Todos os que estavam ali e ouviram a conversa aplaudiram a ideia de Julian.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 31, 2017 7:17 pm

Rafael, feliz, respondeu:
— Essa é uma óptima ideia, Julian.
Hoje é sexta-feira.
No domingo, vamos pescar e, na segunda-feira bem cedo, vou embora e seja tudo o que Deus quiser.
— Sei que Ele só quer o seu bem, Rafael.
— Obrigado, Pepe.
Espero que isso seja verdade.
Rindo, continuaram ali, bebendo e jogando.
Maria, segurando a mão de Rafael, antevendo como seria sua vida depois que ele fosse embora, sentiu vontade de chorar.
Julian, embora sabendo que havia conseguido o que Carmem queria, sentiu seu coração apertado.
Infelizmente, Rafael, todos esses sonhos não vão ser realizados. Embora seja a última coisa que eu queria fazer, vou ter de matar você.
Amo e desejo Carmem com loucura e se o preço para ficar com ela é esse, sinto muito, meu amigo, mas vou pagar...
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:38 pm

Momento de decisão
Enquanto Rafael conversava no armazém, Carmem, em casa, nervosa, esfregava as mãos e andava de um lado para outro.
Por que estão demorando tanto para voltar?
O que será que está acontecendo?
Será que Julian conseguiu convencer Rafael a ir pescar?
Não sei... Ele é um fraco.
Sinto que não vai ter coragem.
Olhou para um relógio pendurado na parede.
Por haver gostado muito dele, quando o viu no armazém, não resistiu e o comprou.
Nervosa, continuou pensando.
Está na hora do jantar.
Não estou mais aguentando ficar sem saber o que está acontecendo.
Com a desculpa de que preciso dar comida para aquela imprestável, vou até o armazém descobrir o que está acontecendo e por que estão demorando tanto.
Pegou um lenço, colocou na cabeça e foi para o armazém.
Quando chegou, viu que Rafael estava jogando dominó e que Julian, ao lado da mesa, observava.
Aproximou-se, e com a voz carinhosa, disse:
— Maria, vim buscar você.
Está na hora de comer.
A menina, com medo e sentindo-se protegida perto de Rafael, disse:
— Não estou com fome.
Vou quando meu pai for.
— Precisa comer agora.
Está na hora.
Precisa comer agora, para poder dormir cedo... — continuou, falando com carinho na voz.
— Não estou com fome.
— Precisa vir Maria, se não comer agora, vai ficar muito tarde...
— Deixe a menina, Carmem.
Quando terminar esta partida, vou embora e ela vai comigo.
Julian, que a viu chegar, ficou acompanhando a conversa.
Carmem olhou para ele, sorriu:
— Está bem, Rafael.
Vou ficar esperando por vocês.
Olhou novamente para Julian, voltou a sorrir e foi embora.
Julian entendeu o recado e, assim que ela saiu, percebeu que todos estavam preocupados com o jogo ou bebendo.
Sem nada dizer, se afastou e foi ao encontro dela.
Assim que entrou, ela, nervosa, perguntou:
— O que aconteceu, Julian?
Os meninos deram o dinheiro para o Rafael?
— Fique calma, Carmem.
Tudo está caminhando de acordo com o que planeou.
— Está mesmo?
Conte como foi!
Ele contou tudo o que havia acontecido e terminou, dizendo:
— Está tudo certo, Carmem.
Eles aceitaram a pescaria de domingo e Rafael ficou muito feliz.
Quando ele disse isso, ela, não conseguindo esconder a felicidade que sentia, jogou-se sobre ele e o beijou, fingindo paixão.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:38 pm

Ele, a princípio, se assustou, mas, depois, correspondeu ao beijo com loucura e tentou jogá-la sobre a cama, mas ela se afastou:
— Já lhe disse que, antes de ficar viúva, não podemos fazer o que nós dois queremos, Julian, mas agora está perto.
Estou muito orgulhosa de você e agora sei por que me apaixonei dessa maneira!
Depois que tudo terminar, vamos ser felizes para sempre, você vai ver.
— Estou esperando esse dia com loucura.
Não consigo pensar em outra coisa, em ter você, finalmente, nos meus braços para sempre.
— Eu também, ainda mais que nunca tive outro homem.
Você vai ser o primeiro... — disse com o olhar malicioso.
— É verdade o que está dizendo?
— Claro que é. Logo vai poder conferir.
Nunca namorei ninguém.
Meus pais só permitiriam quando aparecesse um rapaz que eles achassem ser bom o bastante para mim.
De preferência com dinheiro.
Depois, resolvemos fazer esta viagem.
E você sabe o que aconteceu.
Rafael nunca tocou em mim.
Somos apenas amigos.
Eu amo você, Julian, e quero ser só sua.
Por isso, preciso ser livre...
Ele, que já a amava e estava ficando quase louco, ficou pior ainda
— Carmem, vou fazer qualquer coisa, o que quiser para, finalmente, ter você em meus braços.
— Então, no domingo, quando forem pescar, faça o que falei.
Prometo que, se tudo der certo, se Rafael morrer, vou ser sua no domingo mesmo.
— Vai cumprir essa promessa?
— Claro que vou, pois assim como você, não vejo a hora...
Ele caminhou na sua direcção e ela permitiu que ele a beijasse.
Abrindo a blusa novamente, dessa vez, deixou que ele colocasse uma das mãos em um dos seus seios, mas, em seguida, se afastou e fechou a blusa, deixando-o mais desesperado ainda.
— Agora vá embora, Julian.
Rafael deve estar chegando.
Ele sabe que Maria precisa comer.
— Está bem, estou indo, mas não vou me esquecer um minuto sequer de você e vou ficar esperando que domingo chegue logo para, finalmente, conseguir fazer o que mais desejo.
Ela sorriu, beijou-o de leve nos lábios.
Ele, feliz, saiu e foi para sua casa.
Assim que ele saiu, ela sorriu:
Pode ficar esperando sentado.
Nunca vou ser sua.
Amo Rafael e só ia ser dele, como não me quer só vou me entregar a um homem que possa me dar tudo o que desejo.
Nunca a um igual a você que não tem onde cair morto!
Rafael, segurando Maria pela mão, chegou logo em seguida.
Entrou e, feliz, disse:
— Está tudo certo, Carmem.
Os meninos concordaram em me emprestar o dinheiro.
Agora, estou tranquilo, sabendo que vou poder recomeçar!
— Que bom Rafael.
Tenho certeza de que vai conseguir vencer.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:38 pm

Vou ficar aqui esperando por você.
— Pode ficar sossegada.
Logo venho buscar todos.
Além de vocês, espero que Berenice também resolva me acompanhar.
Ela está preocupada, com medo da pobreza.
— Se eu fosse ela, também estaria, Rafael.
Ela, por mais que pense e imagine, nunca conseguirá chegar perto de saber o que significa realmente ser pobre.
— Sei disso, e entendo a sua posição, mas, se me amar realmente, como diz, vai me seguir e vai viver da maneira que for preciso.
Acredito que, com o meu trabalho, vou conseguir lhe dar uma boa vida.
— Tomara que consiga o que tanto deseja.
Embora dissesse isso sorrindo, por dentro estava cheia de ódio.
Alheio ao que ela pensava, Rafael disse:
— Agora vamos comer e depois dormir.
Amanhã, preciso acordar cedo para me encontrar com Berenice e contar o que aconteceu.
— Vamos fazer isso.
A comida já está pronta.
Rafael pegou um prato, colocou comida dentro e deu a Maria que, com fome, começou a comer rápido.
Ele, sem saber que a menina, muitas vezes, ficava sem comer, sorrindo, disse:
— Coma devagar, Maria.
Quando terminar, se quiser, tem mais.
O prato não vai fugir.
Ela sabia que, depois que ele partisse, ficaria por muito tempo sem comer novamente.
Por isso, não ouviu e continuou comendo sem parar.
Rafael colocou comida em outro prato e sentou-se na cama, ao lado da menina, e também comeu.
Carmem, que a tudo observava, pensou:
Coma mesmo, pois essa vai ser uma das últimas comida que vai ter.
Aquela menina rica não vai querer viver como pobre e, mesmo que quisesse, não vai ser ao seu lado!
Você não me quis, também não vai ficar com ninguém.
Julian, em casa, enquanto jantava, lembrava-se dos beijos de Carmem e de sua promessa.
Sei que o que vou fazer é errado, mas não tenho outro caminho.
Amo Carmem e se é só assim que vou conseguir ficar com ela, vou ter de fazer o que deseja.
Às vezes, tenho medo de a polícia desconfiar e descobrir que fui eu.
Não quero ficar preso, pois, além de perder minha liberdade, posso perder Carmem para sempre.
Por outro lado, como ela disse ninguém está preocupado com a morte de um imigrante pobre.
Eles não vão dar muita atenção.
Sei que vai ser difícil, mas vou ter de fazer.
Depois de comer e tomar café, Rafael beijou Maria e a colocou na cama, em seguida se deitou.
Cansado pela emoção do dia e desejando que a manhã logo chegasse para poder conversar com Berenice, adormeceu.
Carmem, não tendo o que fazer e rodeada pelos vultos negros, fez o mesmo.
Deitou-se, mas não conseguia dormir.
Olhando para Rafael pensava:
Por que você me obrigou a fazer isso, Rafael?
Teria sido mais fácil me amar.
Não entendo por que não me quis.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:38 pm

Sou jovem e bonita.
Qualquer homem, assim como o Julian, ia fazer tudo para me ter.
Você, que poderia me ter a qualquer momento, não me quer.
Sinto muito, pois, por causa disso, vai ter de morrer.
Os vultos que estavam ao seu lado sorriam felizes.
Estavam conseguindo o que queriam.
Não eram ainda cinco horas da manhã, quando o relógio despertou.
Rafael, rapidamente, para não acordar Carmem e Maria, desligou-o.
Levantou-se e, procurando fazer o menor barulho possível, saiu.
Chegou ao lugar de sempre, onde se encontrava com Berenice.
Ela não havia chegado.
Sentou-se na margem do rio e ficou esperando.
Alguns minutos depois, Berenice chegou:
— Desculpe Rafael, me atrasei.
O relógio não despertou.
Ainda bem que, como acordo todos os dias a esta hora, já me acostumei e acordei sozinha.
— Não faz mal, o importante é que você veio.
Eu estava morrendo de saudade.
— Eu também e preocupada com sua viagem.
— Preocupada por quê?
— Tenho medo de não voltar a vê-lo.
Meu pai, depois que receber o dinheiro da colheita, que é muito, disse que vamos para a Espanha e que vai providenciar o meu casamento.
Não sei se vou ter coragem de desobedecer a ele.
— Sei que vai ser difícil, Berenice, mas você tem de fazer isso.
Preciso de um tempo para poder acertar a minha vida e poder levar você para viver ao meu lado.
— Quanto tempo vai demorar Rafael?
— Não sei, não posso lhe dizer.
Só sei que vou fazer o possível para que seja bem rápido.
— Eu amo tanto você.
Por que, só por ser mulher, não posso decidir a minha vida, não posso escolher com quem quero ficar?
— Você pode Berenice!
— Não, Rafael, não posso.
Se desobedecer a meu pai, ele me tira de seu testamento e ficarei sem dinheiro algum.
— Não precisamos de dinheiro para ser feliz, Berenice.
O importante é que continuemos nos amando como agora.
O resto vamos conseguir com o tempo.
O mais importante é que vamos estar juntos.
Somente isso.
Dizendo isso, puxou-a para junto de si e beijou-a apaixonadamente.
Ela, sem conseguir resistir, entregou-se àquele beijo e àquele amor.
Depois do beijo, ainda nos braços dele, ela falou:
— Às vezes, penso que seria melhor esquecer você e aceitar o casamento que meu pai escolheu, mas quando estou ao seu lado e em seus braços, como agora, e recebendo seus beijos, sinto que não conseguirei viver sem isso.
Amo você, Rafael, e quero ficar ao seu lado, seja da maneira como for, não me importando com as consequências.
— Também não sei viver sem você.
Não se preocupe, vou trabalhar muito para dar a você tudo a que está acostumada.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:38 pm

Ela sorriu:
— Está bem.
Mesmo que não consiga me dar tudo a que estou acostumada, seu amor será o suficiente para que eu seja feliz.
Ele sorriu e voltou a beijá-la.
— Agora preciso ir embora.
Meus pais vão acordar e não podem saber que não estou em casa.
Minha avó está chegando hoje.
Ela é uma mulher maravilhosa.
Vive cem anos à frente do nosso tempo.
Adoro conversar com ela.
Quando chegar, vou contar a nosso respeito e ver o que diz.
— Está bem, vá.
Amanhã não vou poder me encontrar com você.
— Por quê?
— Os rapazes resolveram fazer uma pescaria como festa de despedida.
Vamos para o local da pescaria bem cedo, mas, na segunda-feira, vou estar aqui para me despedir.
Depois, vou embora e seja o que Deus quiser.
— Está bem.
Também estarei aqui.
Depois de dar um último beijo, ela se levantou e foi embora.
Ele continuou ali, pensando em como teria de trabalhar para dar a ela a que merecia.
Assim que ela se afastou, Carmem, que os observava, fez o mesmo.
O sábado passou com todos preparando aquilo que precisavam levar para a pescaria.
Carmem deixou que Maria ficasse com Rafael, para poder, sem que ninguém percebesse, encontrar-se com Julian.
Deu-lhe vários beijos, o que o convenceu ainda mais de que deveria fazer o que ela queria.
Maria, embora brincasse, sempre ficava ao lado de Rafael, que não percebeu a agonia da menina.
Na manhã seguinte, o dia ainda não havia clareado e os homens estavam prontos para a pescaria.
As mulheres ficaram encarregadas de preparar o almoço.
Deixariam tudo pronto e só esperariam que eles chegassem para fritar os peixes que trariam.
Carmem, embora ajudasse no preparo da comida, não deixava de pensar:
Hoje é o dia decisivo.
Assim que chegar a notícia de que Rafael morreu, preciso me desesperar para que não haja desconfiança alguma sobre num.
Quanto ao Julian, não me importo com o que possa lhe acontecer.
Os homens chegaram ao local onde sabiam que havia muito peixe.
Acenderam um fogo e colocaram sobre ele pedaço de carne que começaram a assar.
O cheiro de carne assada logo invadiu todo o lugar.
Eles, enquanto jogavam as varas na água e ficava esperando o peixe morder a isca, cortavam pedaços de carne e iam comendo acompanhada com cerveja ou cachaça.
Julian ficou o tempo todo acompanhando os movimentos de Rafael.
Quando viu que ele foi até onde a carne assava, vendo que chegara o momento, acompanhou-o:
— Enquanto você pega a carne, Rafael, eu vou encher duas canecas com cerveja.
— Faça isso, Julian.
Julian pegou uma garrafa de cerveja que Pablo mandava vir do Rio de Janeiro de uma fábrica de fundo de quintal, que por todos era considerada muito boa.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

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