O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:39 pm

Antes de colocar a cerveja na caneca de alumínio, pegou o pacotinho de veneno que Carmem havia lhe dado e colocou metade dentro da caneca, depois, jogou a cerveja por cima.
Em seguida, colocou no lugar onde sabia que Rafael, após pegar a carne, se sentaria para comer, pegaria a caneca com o veneno e beberia.
Isabel, Lola e Manolo, que estavam ali, viram que vultos negros estavam à distância, mas não se aproximavam.
— Olhem esses vultos.
— Estou vendo, dona Isabel, mas não entendo.
— O que não está entendendo, Lola?
— Eles, embora estejam em volta de Julian, não se aproximam totalmente como fizeram com Carmem, por que, dona Isabel?
— Não podem se aproximar, porque Julian, embora seja um espírito fraco e ainda preso às paixões, sempre foi bom.
Nunca teve maus sentimentos e sempre se deixou levar por Carmem, como está acontecendo agora, a cometer um crime, mas ainda tem protecção divina.
Estamos aqui para lhe dar a chance de que seus bons sentimentos aflorem e ele não cometa o crime.
— E se ele cometer?
— Aí, sim, infelizmente, será envolvido totalmente por esses vultos e levado com eles para um lugar que espírito algum gostaria de estar.
— Já que está tendo essa chance, não podemos ajudá-lo de alguma maneira?
— Podemos e vamos fazer Lola.
Neste momento, vamos entrar em oração e jogar muita luz sobre ele e conversar, tentando fazer com que mude de ideia.
Julian, olhando para Rafael, pensou:
Perdão, Rafael, mas não tenho o que fazer.
Amo Carmem e só vou poder ficar com ela, quando você morrer.
Isabel, Lola e Manolo olharam-se e, imediatamente, entraram em oração.
As luzes, agora, não saíam só das mãos, mas de todo o corpo dos três.
Qualquer um que conseguisse ver aquela cena não poderia deixar de se emocionar.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:39 pm

A verdade sempre aparece
Carmem, embora ajudasse na preparação do almoço, não conseguia tirar os olhos da estradinha por onde os homens deveriam chegar ou deles vir avisar que Rafael estava morto.
Como estava nervosa, esqueceu-se de Maria que, aproveitando, brincava feliz, com as outras crianças.
Deixou cair um garfo.
Josefa, que percebeu o nervosismo dela, perguntou:
— Está nervosa, Carmem?
Carmem, sem tirar os olhos da estradinha, não ouviu Josefa que voltou a perguntar:
— Está nervosa, Carmem?
Agora, ouvindo e pensando rapidamente, respondeu:
— Estou sim, Josefa.
Rafael vai embora.
— Fiquei sabendo, meu marido estava no armazém e ouviu Rafael conversando com seus irmãos.
Mas não fique preocupada, vai ser bom para vocês.
— Sei disso, mas não consigo deixar de ficar preocupada.
Não sabemos como vai ser, se ele vai conseguir, mesmo, um trabalho e uma casa.
— Ele vai, Carmem.
Tem uma boa profissão.
— Espero que sim, Josefa.
Continuaram a preparar o almoço.
À medida que o tempo passava e ninguém aparecia para avisar que Rafael estava morto, ela ficava mais nervosa.
Não estou entendendo, por que estão demorando tanto?
Será que Julian conseguiu?
Ele é mesmo um imprestável.
Em um segundo em que se distraiu olhando uma panela, ouviu o murmurinho das mulheres falando ao mesmo tempo.
Tremendo, olhou para a estradinha e, para seu desespero, viu que os homens estavam chegando.
Vinham conversando e rindo.
Entre eles, alegremente, estavam Julian e Rafael, que caminhavam lado a lado.
Ao ver Rafael vivo, ficou possessa e, tremendo de ódio, foi para casa.
Julian viu quando ela se afastou.
Disse:
— Agora que você já sabe sobre mim e a Carmem, Rafael, vou até sua casa conversar com ela.
— Faça isso, Julian.
Diga a ela que pode ficar sossegada e que estou feliz por vocês.
Logo mais, conversarei com ela.
— Está bem.
Alegremente, Julian foi até a casa de Carmem.
Assim que entrou ela, furiosa, perguntou:
— O que aconteceu, Julian?
Por que não fez o que combinamos?
— Não foi preciso, Carmem!
Agora podemos ficar juntos sem problema algum.
— O que está dizendo?
— Já estava tudo pronto como combinamos.
Eu havia colocado o veneno na cerveja e perto dele, quando ele ainda agachado junto ao fogo e de costas para mim, disse:
— Julian, tenho notado os seus olhares para com Carmem.
Está gostando dela, não está?
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:39 pm

— Levei um susto e fiquei sem saber o que responder.
Rafael olhou para trás e, ao ver a expressão do meu rosto, sorriu:
— Não precisa ficar assim, Julian.
Sei que está gostando dela e, pelos olhares dela, parece que está sendo correspondido.
Estou muito feliz por isso.
Gosto da Carmem como se fosse minha irmã e sei que, ao seu lado, ela será protegida e feliz.
Assim que me instalar, vou procurar um juiz, conseguir a anulação do nosso casamento e vocês poderão se casar.
Será a primeira coisa que vou fazer.
Sei que Carmem é muita apegada à Maria, que a considera como uma filha, e que você gosta muito dela também.
Quando me casar com Berenice, não seria justo levar a menina comigo.
Carmem sofreria com essa separação e ela não merece.
Maria também sentiria muito sua falta.
Quando vocês se casarem, vou ficar tranquilo, pois sei que as duas ficarão protegidas.
O meu desejo é que sejam felizes.
Ela, possessa, permaneceu calada.
Ele, empolgado, continuou:
— Ele já sabia do nosso amor, Carmem.
Disse que está feliz, por sabe que, ao meu lado, você estará protegida.
Disse que a primeira coisa que vai fazer quando chegar à cidade é procurar um juiz para saber como fazer para anular o casamento de vocês e, assim, poderemos nos casar.
Ele disse Carmem, que vai deixar Maria ficar aqui!
Já pensou? Você não vai sofrer por ficar sem ela!
— O que você fez depois, Julian? — Carmem perguntou, querendo que ele morresse.
Julian estava tão feliz por não ter matado Rafael que não ouviu o que ela perguntou e continuou falando:
— Rafael também falou que, já que todos sabem que o casamento de vocês é de mentira, se quisermos, ele conversará com as pessoas, contará o que está acontecendo e poderemos passar a viver juntos desde agora.
Carmem, agora sentindo até falta de ar, tão nervosa estava, voltou a perguntar:
— O que você fez Julian?
— Ao ouvir aquilo, olhei para a caneca com o veneno que estava ao lado de Rafael e que, a qualquer momento, ele poderia pegar para beber.
Levantei rapidamente e, fingindo escorregar, derramei toda a cerveja com o veneno.
Rafael viu e, rindo, perguntou:
— O que aconteceu, Julian?
— Eu estava feliz e, ao mesmo tempo, nervoso, Carmem.
Também rindo, respondi:
— Olhe como sou desastrado, Rafael.
Derrubei sua cerveja, mas não se preocupe, vou encher a caneca novamente.
— Não é desastrado, Julian, só pensou que eu não tivesse notado os olhares trocados por vocês. — disse, rindo.
— Respirei fundo e aliviado, Carmem, e tornei a encher a caneca de cerveja, só que, dessa vez, sem o veneno.
Entreguei a caneca para ele que, sorrindo, aceitou e bebemos juntos.
Estou muito feliz, Carmem, pois você agora já pode ser minha para sempre!
Julian não sabia, mas naquele momento em que ele jogou a caneca com o veneno fora, os vultos negros que estavam se aproximando dele se afastaram.
Isabel, Lola e Manolo também estavam ali.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:39 pm

Ela, sorrindo, disse:
— Graças a Deus, com sua própria vontade e um pouco da nossa ajuda, ele conseguiu fazer o que era certo.
Mudando de ideia, depois de muitas encarnações, conseguiu se libertar da influência de Carmem e conquistou o direito de seguir caminhando.
Lola e Manolo, abismados, ao verem aquilo acontecer, ficaram sem saber o que falar.
— Ainda bem.
Como pode ser, dona Isabel?
— O poder da oração é muito forte, Lola.
Além disso, mais uma vez chegou a hora de Julian decidir o que desejava para sua vida, de exercer seu livre-arbítrio e, apesar de Carmem, deixar seus bons sentimentos falarem mais alto.
Muitas vezes ele já passou por momentos de decisão igual a este e fracassou.
Hoje, deu um passo importante. Venceu.
Olharam para os vultos negros que se afastaram.
Isabel sorriu e enquanto eles se afastavam, disse:
— Mais uma vez, com a ajuda da decisão de Julian, a força da luz venceu as trevas.
— Nós estávamos vendo os vultos, mas me deu a impressão de que eles não nos viam.
Aconteceu isso mesmo?
— Aconteceu, Lola.
Eles não podem nos ver a não ser que permitamos, embora soubessem que estávamos por perto, como sabiam, também, que não poderíamos interferir.
Assim como nós, eles conhecem a Lei.
Quando Julian mudou de ideia, eles não tinham mais o que fazer e foram embora, se juntar àqueles que estão ao lado de Carmem.
— Ela também vai ter a mesma chance que Julian teve?
— Claro que vai, Lola.
Ela é filha do mesmo Pai que está sempre disposto a perdoar a seus filhos, não importando o crime que tenham cometido.
Isso não quer dizer que o filho não sofrerá algum tipo de punição.
No nosso caso, embora não pareça, a punição é ter de renascer trazendo dívidas, resgates e missões para serem cumpridos.
Missões essas, que, quase nunca são reconhecidas pelos que as cumprem, menos ainda, pelos outros.
— Não entendi dona Isabel.
— Uma missão não precisa ser alardeada, não precisa ser algo reconhecido pela sociedade.
Rafael, Maria e vocês dois tinham por missão ajudar Carmem e Julian.
Eles precisavam vencer o apego para poderem continuar caminhando.
A sua missão, Lola, era ajudar Maria a nascer, nas condições em que nasceu, para que encontrasse Carmem, Rafael e Julian.
Você, antes de renascer, sabia que não ficaria com ela, pois ela possuía a missão de ajudar as mulheres.
A minha missão foi ajudar vocês, no primeiro momento, para que ela tivesse um lugar para nascer e ser protegida.
Como podem ver, nós tínhamos uma missão que não nos daria fama, dinheiro nem glória, mas, por outro lado, era muito importante para que Carmem e Julian tivessem a chance de continuar caminhando.
— Entendi...
— Eu já disse que tudo é muito simples no plano espiritual, Lola.
Somos nós quem complicamos. — Isabel disse, rindo.
— A senhora falou em apego.
O que quis dizer?
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:40 pm

— O apego é uma das principais causas para que o espírito pare no caminho.
Para renascer precisamos de outros que se proponham a fazer com que isso aconteça.
Como renascemos em um corpo de criança, enquanto crescemos, encontraremos outros que nos ajudarão.
Os amigos estão ao nosso lado em qualquer momento e os inimigos nos mostram nossas falhas.
Para que possamos crescer, precisaremos ter coisas.
Depois que o nosso corpo cresce, começamos a pensar com clareza.
Na maioria das vezes, ficamos presos a essas coisas e pessoas.
Passamos a nos sentir como se fôssemos donos tanto das coisas como das pessoas, quando, na realidade, isso não existe.
Ninguém é dono de nada nem de ninguém.
Como já disse, somos espíritos livres e não podemos ser aprisionados.
Quando sentimos aquilo que muitos dizem ser amor, sentimo-nos donos da pessoa amada, o que causa, muitas vezes, a perda da chance de caminhar.
Em nome desse amor, muitos crimes foram cometidos.
Acabamos de ver um que, graças a Deus, não foi concretizado, mas esteve perto disso.
O mesmo acontece com as coisas que precisamos ter para poder viver com um corpo.
A isso também nos sentimos presos e donos, mas, também, na realidade, isso não acontece, pois quando terminar o nosso tempo de vida na Terra ou em outro lugar teremos de voltar e sozinhos.
Tanto as pessoas que conhecemos e que julgamos amar ou aquelas que somente fizeram parte da nossa caminhada, como as coisas que conseguimos, não nos pertencem, apenas nos foram emprestadas para nos ajudarem a sobreviver, a resgatar e a cumprir a nossa missão.
Portanto, para que possamos
caminhar, precisamos aprender a exercer o desapego e isso não é fácil.
Muitos ficaram pelo caminho por causa disso.
Julian e Carmem têm esse sentimento muito forte.
Ele sente-se dono dela e ela de Rafael.
Isso tem feito com que, através de muitas encarnações, eles tenham se perdido no caminho e tenham sofrido muito.
— Todos sentem ciúmes daquilo que conseguem comprar e das pessoas a quem amam.
— Sim, é verdade, mas, precisam aceitar que nada lhes pertence, que só estão tendo uma oportunidade de conhecer pessoas e de ter coisas para poder caminhar.
— Ouvindo à senhora falar, parece que tudo é perfeito.
— Mas é perfeito, Lola!
Deus, por ser Deus, não erraria nunca — disse rindo.
Agora, olhem o resultado do que estou dizendo.
Eles olharam para onde ela apontava e viram Carmem.
Ao ouvir o que Julian contava e a sua felicidade por não ter matado Rafael, ela, que já estava nervosa, ficou mais ainda.
Perdeu o controle e gritou:
— Eu sabia que você era um covarde e que não conseguiria fazer o que prometeu, mas não pensei que fosse tanto!
Está falando que vamos nos casar, que podemos ficar juntos a partir de agora?
Está louco?
Isso não ia e nunca vai acontecer!
Você é um fraco!
Eu nunca seria sua mulher, mesmo que tivesse feito o que pedi, imagine sem fazer?
Pode esquecer, jamais vou ser sua, Julian!
Para mim, você não representa nada!
Nada, ouviu!
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:40 pm

Ele, atónito com o que ouvia, desesperado, perguntou:
— O que está dizendo, Carmem?
Ela, transtornada e sem conseguir se controlar continuou:
— Isso mesmo que ouviu!
Nunca tive intenção de me casar com você!
Só fiz aquilo porque precisava da sua ajuda para matar Rafael
— O quê?
— Isso mesmo o que ouviu.
Precisava da sua ajuda!
Sabe por quê?
Porque eu amo Rafael e só não me entreguei a ele, porque não aceitou, não quis!
Ele me considera como a uma irmã!
Você disse que ele vai se casar?
Não vai, não! Sabe por quê?
Eu não vou permitir!
Prefiro que ele morra!
Parado, sem saber o que fazer, Julian se recusava a acreditar no que estava ouvindo.
Desesperado, disse:
— Você não pode estar dizendo a verdade, Carmem.
Não posso acreditar...
— Pois está ouvindo e vai ouvir muito mais!
Embora ele não me quisesse, eu era feliz somente por viver ao seu lado, por sentir a sua presença, mas isso terminou no dia em que essa moça apareceu e ele se apaixonou por ela!
Não posso aceitar que ele vá embora e que só pense nela!
Que vá se casar com ela ou com outra qualquer!
Por isso, prefiro que morra!
Por isso pedi a você que me ajudasse e que o matasse!
— Não pode ser Carmem.
O que está dizendo não pode ser verdade...
— Acha que não pode, mas é verdade!
Como pôde acreditar que gostava de um homem covarde como você e que não tem nada para me oferecer?
— O que fez comigo, Carmem?
Sabendo do meu amor, me usou para que eu cometesse um crime?
Ela, mais descontrolada ainda e com os vultos, felizes, rodopiando a sua volta, riu e falou:
— Foi isso mesmo que fiz e você acreditou!
Pensei que conseguiria fazer com que atendesse ao meu pedido, mas, como está vendo, não presta para nada!
Eu odeio você e esse amor ridículo!
— Não fale assim, Carmem.
Meu amor é sincero.
Gosto realmente de você.
— Não continue com isso, Julian!
Agora não tenho mais motivo para ouvir você e suas baboseiras!
Entenda de uma vez para sempre:
eu amo Rafael e não vou ficar sem ele!
— Ele não gosta de você da maneira que quer Carmem.
Ele ama Berenice e vai se casar com ela...
— Não gosta hoje, mas um dia vai gostar!
Quanto a se casar com ela, isso sim é que nuca vai acontecer!
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:40 pm

Não vou permitir, antes que isso aconteça, ele vai morrer!
Julian abaixou a cabeça, pois não conseguiu evitar que lágrimas caíssem de seus olhos.
Ela estava tão nervosa que não percebeu e continuou:
— Quanto a eu ficar com aquela menina horrorosa, nem pensar!
Quero que morra também!
Eu a odeio por ser filha daquela mulher que quase me roubou Rafael e só não conseguiu, porque fui mais esperta e a matei antes!
— Como? O que está dizendo?
— Isso mesmo que ouviu, eu a odeio como odiava sua mãe!
Por mim, se ela morresse agora, como aconteceu com sua mãe, seria muito bom!
Só fingi gostar dela, por saber quer Rafael queria isso, nada além!
Não representa nada para mim!
Ela só serviu para que eu pudesse me casar com ele!
Sem conseguir ouvir mais, tremendo de ódio e de desilusão, ele, tentando esconder as lágrimas, saiu e foi para sua casa.
Rafael, envolvido na preparação dos peixes, não viu quando ele saiu da casa de Carmem.
Julian, sabendo que os rapazes estavam preocupados com os peixes, assim que entrou em casa, deixou que um soluço profundo explodisse, partindo do fundo do peito.
Sem conseguir se controlar sentiu as lágrimas caindo por seu rosto, mas não tentou evitar.
Não consigo acreditar que ela me disse tudo aquilo.
Como pude aceitar fazer o que ela queria?
Usou do meu amor, me enganou e mentiu todo tempo.
Eu deveria ter desconfiado, pois, se ela me amasse realmente, e seu casamento sendo de mentira, não havia motivo para a morte de Rafael, mas apaixonado como estava, não parei para pensar.
Estava cego...
Ainda soluçando e chorando, pegou um lenço que estava no bolso e enxugou o rosto, mas não conseguia parar de pensar:
Aquilo que ela disse sobre Lola é grave, mas muito mais o que disse sobre Maria.
Com todo aquele ódio que ela demonstrou sentir pela menina, o que será que ela tem feito?
Será que a tem machucado?
Mais tarde vou conversar com a Maria e saber o que tem acontecido.
Assim que Julian saiu, Carmem, depois de alguns minutos, deu-se conta do que, levada pelo ódio, havia feito.
O que fui fazer?
Como me descontrolei dessa maneira?
Julian, magoado como está, pode contar a Rafael o que eu disse e, se ele fizer isso, não posso nem imaginar qual será sua reacção, muito mais quando souber sobre Lola e Maria.
Quando ele e Julian perguntarem a ela o que tenho feito, sabendo que foram eles que descobriram e não ela que contou, vai perder o medo e contar que eu a deixei em pé, sem comer e mostrar os lugares do corpo que queimei com as brasas e que hoje estão escondidos pela saia comprida.
Não sei o que vão fazer.
Eu não devia ter deixado marca, mas nunca pensei que alguém descobrisse nem que ela, com o medo que estava contasse.
Preciso pensar em uma maneira de consertar o que fiz...
Preocupada, esfregando as mãos, ficou procurando uma solução para o problema que ela mesma havia criado.
Depois de muito pensar, chegou a uma conclusão:
Já sei o que fazer.
Julian, apesar de nervoso, ainda me ama e deseja.
Basta eu usar isso e ele fará tudo o que eu quiser.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:40 pm

Olhou no espelho, colocou uma saia e blusa claras, passou o pente sobre os cabelos e um pouco de batom nos lábios.
Olhou novamente para o espelho e sorriu.
Sou muito bonita, mesmo.
Por que Rafael não enxerga isso?
Não posso pensar nisso agora.
Preciso me concentrar em Julian.
Ele, sim, agora é o problema.
Confiante, saiu e foi para a casa de Julian.
Rafael viu quando ela saiu e entrou na casa de Julian, sorriu:
Ela está toda arrumada.
Parece que eles estão bem mesmo e vão ficar juntos.
Ainda bem, pois só assim poderei ir embora tranquilo, sabendo que Maria ficarão bem com ele cuidando delas.
Voltou a comer, brincar e a conversar com os outros que faziam o mesmo.
Carmem chegou à casa de Julian e, ainda da porta, viu que ele estava deitado.
Perguntou:
— Posso entrar Julian?
Ao ouvir aquela voz, ele, sem acreditar, levantou-se da cama:
— O que você quer aqui, Carmem?
— Precisamos conversar...
— Não temos o que conversar.
Você já disse tudo o que precisava dizer.
— É por isso que estou aqui, Julian.
Tudo aquilo que falei não era verdade.
Inventei só para deixar você ficar nervoso.
Foi bobagem, eu sei, mas, sem pensar eu fiz.
Fiquei nervosa quando vi Rafael voltando e me descontrolei, mas eu gosto mesmo é de você...
Falou, sorrindo e passando as mãos pelos cabelos negros e longos.
Ele, nervoso, gritou:
— Pare Carmem.
Não precisa continuar mentindo.
Agora sei quem você é e não vou acreditar em uma só palavra sua.
— Você precisa acreditar.
Eu gosto mesmo de você, Julian.
Ele, com raiva, fez um gesto com as mãos e a cabeça.
Num sinal de cansaço, voltou para a cama e sentou-se.
— Estive pensando, Julian.
Você disse que Rafael sabe sobre nós e está disposto a conversar com as pessoas.
Se ele fizer isso, vamos viver juntos a partir de agora.
Nada impede que isso aconteça.
Não sei por que eu não queria viver com você sem ser casada.
Não há motivo para isso.
Todos sabem que meu casamento não existe.
Vamos ser felizes para sempre...
Embora ele ouvisse o que ela dizia, não parecia dar importância.
Ela percebeu e, com medo, ficou desesperada.
— Precisa voltar a confiar em mim, Julian.
Quero de verdade ficar com você para sempre...
Ele voltou a se levantar e, com o braço, apontou para a porta e quase fora de si, gritou:
— Vá embora, Carmem!
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:41 pm

Vá antes que eu perca a cabeça e lhe dê uma surra!
Ela, vendo que não estava conseguindo convencê-lo, abriu os botões da blusa e deixou os seis de fora.
Com a voz carinhosa, disse:
— Olhe Julian.
Venha até aqui, pode tocar.
Eles, assim como eu, são seus.
Ele, ao ver novamente aquilo que era o seu maior sonho, se levantou.
Ela, percebendo que ele estava impressionado, passando as mãos pelos seios, continuou:
— Isso mesmo, Julian.
São seus, pode tocar e fazer o que quiser.
De hoje em diante, sou toda sua.
Ele balançou a cabeça novamente fazendo um sinal negativo e voltou para a cama.
Sem perder o controle, ela continuou:
— Por que está fazendo isso?
Eu sei e você também que é o que mais deseja...
É também o meu maior desejo...
Venha, Julian. Venha até aqui...
Ele olhou para ela por alguns minutos.
Mesmo não querendo, seus olhos insistiam em se desviar para o que ela mostrava totalmente.
Ele sentiu desejo, mas, ainda com raiva, voltou a gritar:
— Vá embora, Carmem.
Não me faça perder a cabeça e fazer o que não quero!
Se continuar aqui, não vou me controlar e vou bater em você!
O que vai ser um escândalo!
Agora, desesperada, vendo que ele se recusava, pensou:
Ele não me quer mais.
Vai contar tudo a Rafael.
Não posso permitir.
Se ele fizer isso, vai ser o meu fim.
Eu vou ter de ir embora daqui e não sei para onde.
Não, preciso fazer com que volte a confiar em mim.
Sei que apesar de tudo o que aconteceu, ele ainda me ama e me deseja e que não irá resistir por muito tempo.
Em uma última tentativa, abriu os botões da saia, o que fez com que ela caísse e seu corpo ficasse todo à mostra.
Caminhou em direcção a ele que, ao ver aquilo, arregalou os olhos.
As mulheres, naquele tempo, usavam saias e vestidos compridos e meias, por isso não aparecia nem o calcanhar.
Para um homem, ainda mais apaixonado como ele, ver um corpo inteiro era algo impensável.
Muito mais por ser aquele que ele tanto desejava.
Por alguns minutos, ele ficou parado olhando.
— Pode olhar Julian e, se quiser, até tocar.
Quero ser sua mulher.
Quero me deitar com você agora mesmo.
Ele, sem se mover, continuou olhando para aquele corpo tão desejado e pelo qual estava disposto a cometer um crime.
Permaneceu parado, calado e somente olhando.
— Venha, Julian.
Sei que é o que mais deseja.
Sou toda sua da maneira que quiser...
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 01, 2017 7:42 pm

Ele, como se voltasse de uma viagem, com raiva gritou:
— Pode parar Carmem!
Vista suas roupas!
Tem razão, era tudo o eu mais desejava, mas isso foi antes de saber quem você é e do que é capaz de fazer.
Depois de saber como você é maldosa, sinto nojo só de pensar em tocar esse corpo!
Vá embora! Saia daqui, antes que eu perca a cabeça!
Ele gritava raivoso.
Ela, vendo que não conseguia convencê-lo, levantou a saia e abotoou a blusa, dizendo:
— Eu gosto de você, Julian.
Não pode fazer isso.
Quero ficar com você...
Viver ao seu lado para sempre...
— Não, não é verdade!
Não gosta de ninguém nem de você mesma!
Está aqui porque, quando percebeu que tinha se desmascarado, ficou com medo que eu contasse a Rafael quem você é realmente!
Foi por isso que veio até aqui e se colocou nessa situação ridícula.
Você não me engana mais, Carmem.
Está com medo, mas não precisa ficar.
Não vou contar a Rafael o que quase fiz.
Primeiro, porque morreria de vergonha se ele soubesse que eu quase o matei por sua causa.
Segundo, ele está indo embora e, se souber a verdade, não vai mais querer ir embora e isso não vai ser bom para ele nem para mim e seus irmãos.
Pode ir embora tranquila.
Não precisa tentar me enganar novamente.
Eu vou ficar calado, mas, depois que ele for embora, vou conversar com Maria e descobrir o que tem feito com ela e, se você a machucou de alguma maneira, contarei a todos e vou ficar com ela até o dia em que ele voltar.
Ela, tentando se defender, chorando disse:
— Nunca fiz mal algum para aquela menina!
Disse que vai cuidar dela, como?
Precisa trabalhar.
— Isso não é da sua conta, mas fazendo essa pergunta está confirmando que fez mal a ela, mesmo?
Posso até perdoar a você por ter me enganado.
Sou adulto e sei me defender, mas se machucou Maria de alguma maneira, ela, que não sabe nem pode se defender, isso não vou perdoar, Carmem!
— Nunca fiz mal a ela, justamente por ser uma criança e não poder se defender.
Eu estou com ela há tanto tempo.
Eu disse que não gostava dela, mas estava mentindo.
Foi só na hora da raiva.
Eu gosto dela e cuido dela como se fosse minha filha.
— Espero que ao menos isso seja verdade, Carmem.
— Pode não acreditar, mas eu gosto de você e quero ficar ao seu lado, Julian.
Não suportando mais, ele levantou o braço novamente, ia bater, mas parou:
— Vá embora, Carmem!
Você é doente, é louca!
Ao ouvir aquilo, ela ficou furiosa e, com o rosto transtornado, gritou:
— Não sou louca! Não sou louca!
Somente amo, nada, além disso!
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:14 pm

— Vá embora, Carmem!
Vá embora, senão eu não vou me preocupar com o que pode acontecer e, agora mesmo, vou até Rafael e conto toda a verdade. Vá embora!
Ela, vendo que não havia mais o que fazer ali, saiu e foi para junto do rio.
Precisava pensar.
Lola, vibrando de alegria, quase gritou:
— Ele conseguiu dona Isabel!
Não acreditou nela! Vai cuidar da Maria!
Minha filha não vai mais sofrer e não vai ter motivo para se matar.
— É verdade, Lola.
Finalmente, após muitas encarnações, ele conseguiu se libertar definitivamente da influência de Carmem e, como um espírito livre, escolher o caminho que desejou.
Estou feliz por mais um do nosso grupo estar pronto para continuar caminhando ao nosso lado.
Vamos esperar que Carmem também mude e consiga encontrar o caminho.
Agora, está na hora de nos colocarmos em oração para agradecer a Deus, por mais esse filho pródigo que retorna para Ele.
Sorrindo, entraram em oração.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:14 pm

Persuasão
Carmem, quando chegou ao rio, sentou-se a sua margem e ficou pensando:
Como fui me descontrolar daquela maneira?
O que fui fazer?
E agora?
Se Julian perguntar, Maria vai falar tudo o que tenho feito e ele, com a raiva que está de mim, vai contar a Rafael.
Não imagino o que ele, quando souber, vai fazer comigo.
Por que fui deixar aquelas marcas?
Podia ter deixado que ficasse em pé e sem comer, seria o suficiente para que sofresse tudo o que me faz sofrer e não ficariam marcas, não pensei que esse dia chegaria.
Também, agora não adianta arrependimento, preciso encontrar uma maneira de fazer com que Rafael não descubra.
Ficou ali por muito tempo, tentando encontrar uma solução para o que tinha feito.
Depois de muito tempo, sorrindo, levantou-se.
Já sei o que vou fazer e vai ser agora mesmo!
Rápido, caminhou em direcção ao armazém.
Quando chegou ali, sorrindo, como sempre, disse:
— Seu Custódio, preciso dar um presente para Maria.
O senhor tem alguma coisa bem bonita?
— Outro dia, quando ela veio aqui com o pai, estava olhando esta fita para os cabelos, acho que vai gostar de ganhar.
— Sendo assim, vou levar e dar a ela de presente.
O senhor tem papel para presente?
Quero embrulhar para ficar bem bonito.
— Tenho, sim.
Olhe este que bonito!
— É mesmo, vou embrulhar agora mesmo.
Aos olhos dele e com carinho, ela embrulhou a fita e, sorrindo, novamente, foi embora.
Ele, olhando-a se afastar, pensou:
Ela gosta muito daquela menina e, se eu não soubesse que não é sua mãe, não ia acreditar.
Mesmo não sendo sua filha, tem muita dedicação e carinho.
Carmem chegou ao lugar onde todos estavam.
Maria continuava brincando e Rafael conversando.
Aproximou-se e, sorrindo, perguntou:
— Está tudo bem, Rafael?
— Está, Carmem, e parece que com você e o Julian também.
Ela sorriu e, calada, se afastou.
Foi até Maria:
— Maria, venha comigo, olhe o que comprei para você.
Desconfiada, a menina olhou o pacotinho que ela lhe mostrava.
— O que é isso?
— Um presente para você.
— Para mim? Porquê?
— Por nada.
Só achei bonito e quis comprar e dar de presente a você.
Sei que vai gostar.
Fiquei sabendo que faz muito tempo que você está querendo.
— O que é?
— Vamos até em casa e eu mostro a você.
— Não quero ir.
Vou depois junto com meu pai e aí a senhora me dá.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:15 pm

— Não pode ser Maria.
Precisa ser em casa.
Quando vir o que comprei, vai querer usar e mostrar ao seu pai.
Sei que ele vai gostar muito.
Embora desconfiada, a curiosidade infantil fez com que a acompanhasse.
Carmem, carinhosamente, pegou em sua mão e foram para casa.
Quando chegaram, Maria, na sua inocência, perguntou:
— O que foi que comprou?
Carmem, dando o pacotinho para ela, disse:
— Pode abrir.
Sei que vai gostar.
Maria abriu o pacotinho e, realmente, gostou:
— Eu tinha visto essa fita lá no armazém e queria muito, só não pedi por que sei que meu pai não tem dinheiro para essas coisas.
— O seu Custódio me contou que você gostou, por isso resolvi comprar.
Só que para eu dar a você, precisa fazer algo para mim.
— O quê?
— Tenho sido muito má com você, não tenho?
A menina, com medo, abaixou a cabeça e não respondeu.
Carmem, pegando a fita e um pente, enquanto penteava os cabelos dela, com a voz carinhosa, insistiu:
— Eu sei que tenho sido má e me arrependo muito.
Não devia ter feito o que fiz com você, mas, daqui para frente vai ser diferente.
Vou ser de verdade uma boa mãe.
Prometo que nunca mais vai acontecer e que, quando seu pai for embora, vou cuidar muito bem de você, vou ser uma verdadeira mãe.
Pode acreditar...
Maria, desconfiada, levantou a cabeça e olhando nos olhos de Carmem, perguntou:
— Vai ser minha mãe de verdade?
Vai ser uma mãe boa como é a Josefa?
Carmem, feliz por perceber que a menina estava acreditando no que ela dizia, abraçou-a e beijou-a com carinho.
— Agora, para que eu possa ser essa mãe que você quer, precisa me ajudar.
Maria se afastou e voltou a olhar, novamente, e desconfiada, para ela:
— Ajudar, como?
— Preste bem atenção no que vou lhe dizer.
A menina continuou olhando para seus olhos e, com a cabeça, concordou.
Carmem sentou-se na cama, pegou-a no colo e, beijando seus cabelos, disse com cuidado:
— O Julian vai perguntar se eu a trato bem e se é feliz ao meu lado.
Você precisa dizer que sim e que eu sou a melhor mãe do mundo e que gosta muito de mim.
— Não é verdade...
— Sei que não fui uma boa mãe, mas, se fizer o que estou falando, vou ser a melhor mãe do mundo...
Pode ter certeza.
— Vai, mesmo?
— Vou, sim.
Estou dizendo que vou...
Assustada, Carmem percebeu que não estava conseguindo convencer a menina:
— Precisa fazer o que estou dizendo, Maria.
Se não fizer, Julian vai contar para seu pai.
Ouviu quando ele disse que não pode levar você com ele, porque precisa trabalhar e não tem com quem deixar você.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:15 pm

O Julian vai contar e eles vão brigar comigo e me mandar embora.
Seu pai, não tendo como cuidar de você, vai levar você para um orfanato.
— O que é um orfanato?
— É um lugar muito feio, onde moram crianças que não têm pais ou eles não as querem.
Lá as crianças sofrem muito.
Muito mais do que você sofria comigo e não se esqueça de que agora não vai sofrer mais.
Lá, eles não queimam com brasas só as costas, mas o corpo todo e quando chega a noite, colocam as crianças em um quarto escuro cheio de rato e barata.
Maria, amedrontada e desesperada, ficou calada e olhando para Carmem que, ansiosa, esperava para ver o que ela ia dizer.
— A senhora falou que vai ser uma boa mãe e é verdade que meu pai disse que não tem como me levar com ele.
Ele disse mesmo, eu ouvi.
Então, se o Julian perguntar não vou contar o que aconteceu.
Vou falar o que a senhora mandou.
Quero muito ter uma mãe.
Carmem, feliz por ter conseguido o que queria, abraçou Maria e beijou seu rosto:
— Você vai ter uma mãe de verdade, Maria!
Vai ver que estou dizendo a verdade!
Nunca mais vou fazer aquelas coisas ruins com você.
Enquanto isso, Julian, em seu quarto, pensava em tudo o que havia acontecido:
Ela não presta mesmo!
Como que, por medo, teve coragem de fazer tudo o que fez aqui?
Estava pronta para se entregar para mim.
Não vale nada, mesmo!
Como fui me deixar enganar dessa maneira?
Pensando no que ela falou sobre a Maria, só agora estou percebendo que a menina vivia sempre triste e quase não falava.
Parecia estar sempre com muito medo.
Prestando bem atenção, ela é muito magrinha e pálida.
Meu Deus será que tem passado fome?
Será que Carmem não lhe dá comida?
O que será que ela tem feito com a menina?
Vou agora mesmo conversar com a Maria e saber o que tem acontecido e se Carmem realmente a maltratou.
Mesmo morrendo de vergonha, preciso contar tudo ao Rafael.
Preciso proteger essa criança!
Assim pensando, saiu e foi até a casa de Carmem.
Chegou no momento em que ela saía com Maria que, feliz por ter uma mãe de verdade e com a fita que ganhou nos cabelos, ao vê-lo, sorriu.
Ele desconfiou, pois nunca havia visto a menina tão feliz.
— Você está bem, Maria?
— Estou Julian, por que está perguntando?
— Está mesmo?
— Estou, já disse que estou.
— A Carmem é uma boa mãe para você?
Maria olhou para Carmem que, diferente das outras vezes, a observava com carinho.
Tranquila com aquele olhar desconhecido, ela, sorrindo, respondeu:
— É, sim, Julian é a melhor mãe do mundo e eu gosto muito dela!
Ele, não acreditando muito no que ouvia, disse:
— Não precisa ficar com medo, Maria, pode dizer a verdade, nada mais vai lhe acontecer.
Carmem, percebendo que ele não estava convencido e que, se continuasse com aquelas perguntas, Maria poderia lhe contar a verdade, apertou a mãozinha dela, com carinho.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:15 pm

A menina entendeu o recado e, sorrindo, disse:
— Não estou com medo, Julian.
Estou dizendo a verdade.
Ela é uma boa mãe e eu gosto muito dela.
Agora vamos comer, mãe?
Estou com fome.
Carmem olhou para Julian e sorriu daquela maneira que ele conhecia e que o deixava louco.
Em seguida, ainda segurando na mão da menina, disse:
— Vamos, Maria.
Vamos comer.
Sei que está com fome.
Estavam se afastando, quando ele chamou:
— Maria! Espere.
A menina, sob o olhar preocupado de Carmem, se voltou.
— O que você quer Julian?
Ele se ajoelhou, pegou sua mãozinha e, olhando bem em seus lhos, respondeu:
— Sei que está dizendo a verdade, mas se acontecer alguma coisa com você, não precisa ficar com medo, pode me contar. Está bem?
— Está bem, Julian, mas não vai acontecer nada, não é, mãe?
— É, sim, Maria.
Nunca aconteceu nem vai acontecer.
Agora vamos comer.
Segurando a menina pela mão, afastou-se de Julian que, calado, as acompanhou com os olhos.
Não sei, não, mas Maria está diferente.
Nunca a vi tão feliz.
O que será que Carmem fez para que ela mudasse dessa maneira.
Não sei, mas vou descobrir...
Maria, feliz, segurando a mão de Carmem, chegou perto de Rafael:
— Pai, olha que fita bonita eu ganhei!
Rafael olhou para ela e, sorrindo, beijou seu rosto:
— É linda mesmo, minha filha, mas não precisa de uma fita para ficar bonita!
Você já nasceu linda!
— Pai, quando voltar da viagem, vai me levar junto?
— Claro que sim!
Só não levo agora, porque não tenho ninguém para cuidar de você.
Não se esqueça nunca de que eu adoro essa menina linda e vou dar a você tudo nesta vida!
Vai ser feliz, vou fazei de tudo para que isso aconteça.
A menina abraçou-o e beijou-o no rosto.
— Vou ficar esperando o senhor.
Sei que vai voltar logo.
— Vou sim.
Agora, vá brincar, já está quase escurecendo.
Eu e sua mãe vamos ajudar a arrumar essa bagunça que fizemos.
Sem medo e, pela primeira vez, tranquila, Maria foi para junto das outras crianças.
Lola, emocionada, perguntou:
— Ela não vai mais maltratar Maria, dona Isabel?
— Espero que não.
Talvez, por medo de que Julian venha a descobrir, tome mais cuidado.
Ao menos por um tempo, Maria ficará bem Graças a Deus...
— Ainda bem, dona Isabel.
Minha menina já sofreu tanto...
Isabel sorriu.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:16 pm

— Você está ansiosa Lola, e isso não faz bem.
A ansiedade é uma das principais causas do sofrimento.
Saber esperar e confiar é o caminho para a paz do espírito.
Tudo tem hora e momento certo para acontecer e, quando não acontece, é porque não estava na hora ou não era para ser.
Neste momento, Maria e Carmem estão travando uma batalha de reconciliação, esperemos que seja a última.
Carmem está tendo toda a ajuda necessária.
A descoberta de Julian foi para que ela possa parar e reflectir sobre o que tem feito e mudar de atitude.
Queira Deus que ela aproveite.
— Não é possível conter a ansiedade...
— Quando aprender a confiar na bondade de Deus e a crer que nada acontece que não seja para o bem, a ansiedade, aos poucos, desaparecerá.
— Não sei...
Ainda acho muito difícil.
— Não se esqueça de que tem uma eternidade para aprender Lola. — Isabel disse, rindo.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:16 pm

Maldade final
Os imigrantes, embora estivessem desiludidos com o resultado do trabalho e sabendo que teriam de continuar trabalhando na fazenda, sem ter o que fazer, aceitaram e festejaram aquele dia.
Depois de passarem um dia feliz, como estava escurecendo, resolveram que era hora de arrumar tudo.
Durante todo o tempo, apesar de também tomar parte da festa e ajudar na arrumação, Julian não tirava os olhos de Maria, que brincava.
Ela está diferente, mesmo.
Parece feliz de verdade...
Já estava escuro quando terminaram de arrumar tudo.
Carmem, Rafael e Maria entraram em casa.
Ele sentou-se na cama com Maria ao seu lado.
— Vocês estão com fome?
— Eu estou!
— Eu sabia minha filha.
Você brincou tanto que se esqueceu de comer, não foi?
Ao ouvir como Carmem falou com carinho, Maria, acreditando que ela ia mesmo ser uma boa mãe, sorriu:
— Acho que foi isso mesmo que aconteceu, mãe.
— Não tem problema.
Vou esquentar comida para você.
E você, Rafael, também está com fome?
— Estou. Falei muito, mas comi pouco, agora, estou com fome.
Carmem foi até o fogão e colocou arroz e feijão em uma panela e, enquanto esquentava, ela misturava.
Em outra panela, havia um pedaço de carne.
Enquanto ela esquentava a comida, Rafael, sem imaginar o que ela pensava, disse:
— Fiquei feliz em saber que você e Julian estão se entendendo.
Estava preocupado, por deixar você sozinha somente com Maria e seus irmãos.
Agora, sabendo que está com ele, sei que vão estar protegidos.
Fique tranquila, porque, assim que eu chegar à cidade, a primeira coisa que vou fazer é procurar um juiz e conseguir a anulação do nosso casamento e aí vocês vão poder se casar.
— Eu e Julian não estamos juntos, Rafael.
Estamos apenas começando a conversar.
Não sei se gosto dele o suficiente para me casar.
— Ele é um bom rapaz, Carmem, e sei que vai fazer você muito feliz.
— Estou pensando...
— Eu não preciso pensar Carmem.
Amo Berenice e sei que vamos ser felizes.
Sinto que fomos feitos um para o outro.
Vou trabalhar muito e ela será feliz ao meu lado.
— Tem certeza de que gosta mesmo dela?
— Tenho Carmem.
Depois de Lola, não pensei que isso aconteceria novamente.
Você sabe que amei Lola de verdade e jurei nunca mais me interessar por outra mulher, mas, depois que Berenice apareceu, não tenho como explicar, só sei que a amo de verdade.
Berenice é linda, inteligente, sabe conversar e tem boas maneiras.
Eu a adoro por isso!
Carmem, ao ouvir aquilo, sentiu que seu o ódio aumentava.
Os vultos negros, embora estivessem ainda ao seu lado, estavam quietos, mas ao ouvirem o que ela pensou, se alteraram e começaram a rodopiar em sua volta.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:16 pm

Um deles, rindo com maldade, disse:
Viu por que ele a escolheu?
Viu as diferenças que existem entre vocês duas?
Você é burra, não sabe ler, nem conversar, muito menos tem boas maneiras.
Ela tem tudo isso, além de muito dinheiro.
Ele nunca vai ficar com você!
Nunca! Nunca!
Ela, parecendo ouvir o que ele dizia, pensou:
Você não vai se casar com ela! Não vai!
Eu amo você e não vou deixar que se afaste de mim para ficar com ela ou com qualquer outra.
Não me importam as qualidades que possam ter.
Matei Lola.
Como não consigo me aproximar dessa outra aí, vou matar você, mas com ela não vai ficar!
Colocou a comida sobre a mesa.
— Está quente, podem vir comer.
Maria, feliz pela maneira como Carmem vinha tratando-a, correu e sentou-se à mesa.
Rafael veio em seguida e sentou-se também.
Colocaram a comida no prato e começaram a comer.
Carmem ficou em pé, pensando:
Preciso pensar em alguma coisa para impedir que ele fique com ela.
Por que aquele imprestável do Julian não fez o que pedi?
Se ele tivesse feito, agora estaria tudo resolvido.
O vulto, ansioso e nervoso, continuando a rodopiar ao seu lado, disse:
Ele não fez, mas você pode fazer...
No mesmo instante, ela pensou:
Ele não fez, mas eu posso.
Basta colocar o veneno no café e ele morre, ninguém vai desconfiar.
Espere, ninguém não.
Julian vai saber que fui eu vai me denunciar.
Fazendo isso, posso ser presa.
Não, preciso dar um fim nos dois e, depois, na peste dessa menina!
Assim pensando, imediatamente disse:
— Rafael, vou fazer café, não quer chamar o Julian para vir tomar também?
Ele, pensando que ela queria ficar ao lado de Julian, sorriu e, levantando-se, disse:
— Pode ir fazendo o café que vou chamar o Julian.
Ele saiu, ela pegou água da chaleira que estava sempre sobre o fogão e coou o café.
O cheiro invadiu todo o ambiente.
Rafael, chegando à casa de Julian, encontrou-o deitado e sozinho.
— Onde estão os rapazes, Julian?
Ele, rindo, respondeu:
— Estão de namorico.
— Não diga?
— É verdade, Rafael.
Desde o dia da festa.
O Pepe está namorando a filha do Manuel e o Pedro, a do Miguel.
Parece que é sério.
— Não diga! É verdade?
— É sim, e eles quase não ficam mais aqui.
— Eles estão amando e você sabe como é o amor, não é, Julian.
Por ele somos capazes de fazer qualquer coisa.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:16 pm

Não vê o que estou fazendo, me arriscando em uma aventura que não sei se vai dar certo, somente para poder dar à Berenice tudo o que ela precisa e merece.
Julian sentiu vontade de contar tudo o que havia acontecido, mas ficou com medo da reacção de Rafael.
Ele está indo embora, não vale à pena estragar seus sonhos.
Estou aqui e vou ficar de olho na Carmem para ver se ela faz alguma coisa contra Maria e, se fizer, aí, sim, contarei para todos e vão saber o que fazer com ela...
— O que veio fazer aqui, Rafael?
— Carmem está fazendo café, eu vim buscar você para tomar também.
— Eu não quero Rafael, obrigado.
Ele, achando que Julian estava com vergonha de ir com ele, disse:
— Não faça isso, Julian.
Vou ficar aqui só até amanhã.
Vamos ficar mais algum tempo juntos.
Julian, sabendo que aquilo se tratava de mais uma tentativa de Carmem para convencê-lo de que havia mudado, não queria ir, mas diante da insistência de Rafael, aceitou:
— Está bem, vamos, Rafael.
Saíram e entraram em casa.
Carmem estava terminando de coar o café.
Assim que entraram, ela olhou para Julian:
— Que bom que veio Julian.
Fiz este café especialmente para você. Sente-se.
Ao ouvir aquilo, Rafael sorriu e pensou:
— Estão mesmo apaixonados...
Carmem colocou café nas canecas.
De onde Maria estava podia ver todos os movimentos dela.
Para seu desespero, viu quando ela pegou o pacotinho de veneno no armário.
Deduziu que ela estava colocando o veneno no café que ia servir para Rafael e Julian.
Ficou desesperada e começou a tremer.
Rafael percebeu.
— O que foi Maria?
Por que está tremendo assim?
Carmem, que havia colocado o veneno nas canecas deles, pegou a sua e colocou ao lado.
Vendo que Maria tremia, mas não sabendo o motivo, disse:
— Deve ter sido o sol.
Ela brincou o dia inteiro, mas tomem o café, senão vai esfriar.
Maria, desesperada, olhava com horror para as canecas, mas não conseguia falar.
— Não fique preocupado, Rafael.
Ela está bem, só um pouco cansada.
Depois de tanto sol, pode pegar um resfriado.
Tome o café e você também, Julian.
— Vamos tomar Carmem, mas, antes, faça um chá daquelas ervas que é bom para resfriado.
Assim a Maria toma antes de ficar doente.
Ela, não querendo contrariá-lo, concordou:
— Está bem, só que as ervas estão penduradas do lado de fora. Vou pegar.
Lola, ao ver aquilo, ficou desesperada:
— Ela vai matar os dois, dona Isabel!
Coitadinha da minha filha, mas por que ela não conta e impede essa maldade?
Julian está pronto para ouvir tudo o que ela tem para dizer.
— Não se esqueça de que, embora eu tenha dito que ela é um espírito velho, por enquanto está em um corpo de criança, portanto, sente-se sem protecção.
Está com medo.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:17 pm

Carmem mais uma vez vai cometer os mesmos crimes.
Por muitas vezes, ela matou você, Julian e Rafael.
Tudo sempre se repete para que o espírito possa resistir às suas fraquezas.
Parece que, dessa vez, também ela não vai conseguir resistir.
Carmem, totalmente envolvida pelos vultos negros, saiu para pegar as ervas.
Julian, desconfiado, olhou para Maria e para seus olhinhos que iam da caneca de Carmem para a caneca deles.
Ele, parecendo entender o que ela queria dizer, trocou sua caneca pela de Carmem.
Rafael viu aquilo, não entendeu.
Julian, com a ponta dos dedos, fez sinal para que ele se calasse.
Ele, sem entender ou imaginar o que estava acontecendo, se calou.
Carmem voltou com as ervas, colocou dentro da chaleira que estava no fogão e sentou-se.
— Pronto, o chá já vai ficar pronto, Maria.
Você vai tomar e dormir bem.
Julian olhou primeiro para Carmem, depois para Rafael:
— Foi muito bom ter ido me chamar, Rafael.
Preciso lhe dizer uma coisa.
Carmem, ao ouvir aquilo, estremeceu.
Ele vai contar.
O que vou fazer?
Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, Julian continuou:
— Estou feliz por você ter aceitado o meu amor com Carmem e lhe dizer que pode ir embora tranquilo.
Eu cuidarei dessas duas mulheres preciosas que não são só suas, mas minhas também.
Rafael sorriu e Carmem respirou aliviada e, num gole só, tomou todo o café que estava na caneca.
— Não vão tomar o café?
Rafael ia tomar, mas Julian segurou sua mão:
— Espere um pouco, Rafael.
Rafael parou com a caneca quase junto à boca.
Carmem começou a tremer, tentou se levantar, mas não conseguiu.
Olhou para Julian que sorria e Maria que, desesperada, agora, chorava sem parar.
Carmem, sem conseguir se segurar caiu e em sua boca uma espuma branca e estranha se formou.
Rafael se assustou.
Levantou-se da cadeira e correu para junto de Carmem que dava o último suspiro.
Nesse mesmo instante, os vultos negros a pegaram e a levaram.
Ela, sem poder se libertar, foi gritando e pedindo socorro.
— Para onde eles a estão levando, Dona Isabel? — Lola perguntou, horrorizada.
— Para onde quiserem Lola.
Você não se lembra, mas, assim como eu, já esteve nesses lugares muitas vezes e posso lhe dizer que é um lugar horrível, onde espírito algum queria estar.
Lola se abraçou a Manolo e começou a chorar.
Rafael, junto ao corpo de Carmem, desesperado, tentava reanimá-la.
Julian permaneceu sentado como estava.
Maria estava soluçando e quase não conseguia respirar.
— Carmem? Carmem?
Abra os olhos, o que aconteceu?
— Não adianta Rafael, ela está morta.
— Morta, como, por quê?
— Morreu com seu próprio veneno...
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:17 pm

— Que veneno, Julian?
Como pode ficar aí, parado como se não se importasse?
Você a envenenou?
— Ela colocou veneno no nosso café, Rafael.
Desconfiei quando vi Maria, de repente ficar agitada e olhando para nossas canecas com café.
Ela deve ter visto quando Carmem colocou o veneno no café.
Maria, assustada com o que viu, continuava soluçando sem conseguir parar.
Julian voltou-se para ela:
— Foi isso que aconteceu, não foi, Maria?
Você viu quando ela pegou o veneno e colocou no café?
Maria, soluçando muito, quase não conseguiu responder, somente mexeu com a cabeça, dizendo que sim.
— Não estou entendendo, por que ela ia querer colocar veneno no nosso café, Julian?
— Vou lhe contar algo que já devia ter contado, mas relutei, tive vergonha e não tive tempo.
Achei que conhecia Carmem, mas não conhecia.
Nunca pensei que seria capaz de fazer o que fez.
— Conte logo, Julian!
O que aconteceu?
Julian pegou as canecas com café, colocou sobre o armário.
Depois, foi até o fogão, colocou água na chaleira para ferver.
— Agora, sim, vamos tomar um bom café.
— Pare de andar de um lado para outro, Julian!
Preciso saber o que aconteceu!
Julian voltou a se sentar e, calmamente, começou a falar:
— Vou lhe contar Rafael.
Talvez, quando eu terminar de falar, você me odeie e nunca mais queira conversar comigo, mas esse é um risco que tenho de correr.
Contou tudo como havia acontecido.
Rafael ficou o tempo todo calado e, embora ouvisse se recusava a acreditar.
Julian terminou de contar, dizendo:
— Essa é toda a verdade, Rafael.
Sei que deve estar surpreso e com raiva, e se não quiser mais falar comigo, vou entender.
— Você ia me matar, Julian?
— Sei que não serve como desculpa, mas eu estava tão louco de amor e de desejo por ela que fiquei cego e não me dei conta do que ia fazer.
Graças a Deus e aos anjos, na hora certa, você começou a falar dizendo saber do nosso amor e que não se importava, e eu derrubei a cerveja com o veneno.
Você se lembra?
— Sim, mas não posso acreditar.
Carmem era muito boa, não pode ter feito isso.
Maria que, enquanto Julian falava, conseguiu se acalmar e parar de chorar, ao ouvir Rafael dizer aquilo, gritou:
— Ela fez sim, pai!
Ela era muito ruim!
— Por que está dizendo isso, Maria?
Ela fez alguma maldade com Você?
A menina levantou a blusa que vestia e mostrou suas costas toda marcada com as brasas.
Tinha ainda uma ferida que não estava curada.
— Ela queimou a minha mão também.
Rafael e Julian arregalaram os olhos.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:17 pm

— Foi ela?
— Foi, ela disse que eu tinha mexido no fogão, mas era mentira.
Ela queimou!
— Não pode ser Maria, por que não me contou?
— Fiquei com medo, pai.
Ela falava que se eu contasse, ia me queimar mais ainda...
Rafael, chorando, abraçou a menina.
— Perdão, Maria...
Como pude ser tão cego e não perceber o quanto você estava sofrendo...
— Você não podia imaginar Rafael.
Ela era mentirosa e soube enganar a todos nós.
Eu só percebi que havia alguma coisa errada com Maria, porque estava desconfiado.
E quando Maria de repente ficou desesperada daquela maneira sabia que precisava descobrir qual era o motivo e que não se tratava de gripe.
Olhando para ela, vi que seus olhinhos iam de uma caneca para outra.
Resolvi trocar as canecas para ver o que acontecia.
Maria, hoje mesmo, perguntei se você estava bem se era feliz e se Carmem era uma boa mãe e você disse que sim.
Por que mentiu?
A menina voltou a chorar:
— Ela disse que ia ser uma boa mãe, igual à dona Josefa, e me deu até esta fita.
Disse também que, se eu contasse para você, meu pai ia me mandar para um orfanato e não quero ir.
Lá tem um quarto escuro com barata e rato.
Eu tenho medo de rato.
— Como ela pôde mentir assim para você, Maria?
Eu nunca ia mandar você para orfanato algum.
Além disso, no orfanato não existe quarto escuro nenhum.
Foi tudo mentira dela.
Quando sua mãe morreu, prometi que ia cuidar bem de você, mas não fiz isso, me descuidei e você ficou esse tempo todo sofrendo na mão dessa louca! — disse com raiva, olhando para o corpo de Carmem largado no chão.
Por que não contou, minha filha?
— Pensei que estivesse falando a verdade e eu queria tanto uma mãe...
Rafael abraçou-a:
— Na chore mais, minha filha.
Isso tudo já passou e, de hoje em diante, ninguém vai mais lhe fazer mal.
Vou ficar atento, mas sempre que tiver algum problema, nunca esconda de mim nem de Julian.
Estamos aqui para proteger você.
Entendeu? Prometi a sua mãe que cuidaria de você e faltei com a promessa.
Ela, de onde estiver, deve estar com muita raiva de mim.
— Ela não está, não, pai.
Ela é um anjo e anjo não tem raiva.
Lola, chorando e rindo, abraçou Manolo, que disse:
— Está vendo, Lola.
Durante o tempo todo em que estivemos aqui, quase não falei, pois confiava em Deus que tudo acabaria bem.
Nossa filha está bem e vai ficar melhor ainda.
Lola sorriu e olhou para Rafael que, chorando, disse:
— Quanto a você, Julian, eu não aceito, mas entendo.
Da maneira como estou apaixonado por Berenice, não sei se não teria feito o mesmo que você.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:17 pm

Portanto, daqui para frente, vamos deixar tudo isso para trás e continuar a nossa vida da melhor maneira possível.
Agora, precisamos contar aos outros, o que aconteceu.
Precisamos contar a verdade, pois, se não fizermos isso, ninguém vai entender o que aconteceu.
Precisamos também avisar ao seu Pablo para que ele possa mandar chamar a polícia.
— Vamos fazer isso, Rafael.
Vou chamar a Josefa para que fique com a Maria, enquanto cuidamos de tudo.
Saiu da casa e foi até a cerca que dividia as duas casas.
Chamou Josefa que, ouviu e saiu:
— O que foi Julian, aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu, Josefa, será que dá para você vir até aqui?
Josefa, preocupada pelo tom da voz dele, correndo, saiu pelo seu portão e entrou pelo deles.
Quando chegou à porta, mesmo antes de entrar, viu Carmem deitada.
— O que ela tem Rafael? — perguntou assustada.
Parece que está morta?
— Está, Josefa...
— Como, o que aconteceu?
— Morreu envenenada.
— Envenenada, ela se matou?
— Não, ela colocou veneno no nosso café e tomou sem saber.
— Não estou entendendo...
— Também não entendo, mas aconteceu.
Não precisa entrar.
Vamos nos sentar naquele banco, precisa saber de tudo o que aconteceu.
Tremendo e assustada, ela se sentou.
Julian começou a contar tudo.
Quando terminou, ela, com raiva, perguntou:
— Ela machucou você, Maria?
A menina não respondeu, apenas levantou a blusa e mostrou as costas.
— Meu Deus! Como ela pôde fazer uma coisa como essa, ainda mais para uma criança!
Ela era um monstro!
Por que não me contou quando ela queimou sua mão, Maria?
— Ela estava com medo, Josefa.
Não podemos nos esquecei de que é apenas uma criança.
Josefa, chorando, abriu os braços e Maria correu para eles.
Abraçou-a com carinho:
— Coitadinha. Como sofreu sem nada dizer.
— Eu queria ter uma mãe como a senhora...
Lola, ao ouvir aquilo, não se conteve:
— Isso não é justo, dona Isabel!
Por que tive de morrer e não pude criar a minha filha?
Eu que tinha tanto amor para lhe dar?
Por que ela teve de ficar sozinha nas mãos de Carmem, um monstro?
Não está certo!
Não está certo!
— Tudo está sempre certo, Lola.
Não ficou ao lado dela, porque a experiência não era sua.
Como espírito amigo e companheiro de jornada, você emprestou seu corpo para que ela pudesse nascer, Maria teria que fazer o resto do caminho sozinha.
Foi preciso que fosse assim.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:18 pm

Ela mesma, quando escolheu, pediu sua ajuda e você aceitou.
— Mesmo assim é muito sofrimento para uma criança.
Eu poderia ter morrido quando ela tivesse mais idade.
— Agora tudo passou.
Daqui para frente, com a morte de Carmem sua vida tomará outro rumo.
Não haverá mais sofrimento e ela poderá se dedicar à missão que veio cumprir.
— Não entendi...
— Maria, além de trazer sua própria missão, que só poderá ser cumprida quando for adulta, veio também para ficar ao lado de Carmem ajudá-la a vencer esse amor doentio que julga sentir por Rafael.
Se Carmem a houvesse aceitado mesmo, como uma verdadeira mãe, teria vencido sua fraqueza.
Agora, Maria vai se preparar para a sua missão que é muito importante para a evolução dos espíritos encarnados.
— Pode dizer que missão é essa?
— Por enquanto ainda não, pois, embora esteja tudo planeado também pode ser mudado por ela no meio do caminho.
Só podemos pedir a Deus que isso não aconteça.
— E se acontecer?
— Não se preocupe.
A evolução não pode parar.
Outro espírito terá de tomar seu lugar para cumprir a missão que era dela.
— Bem, não sei se vai conseguir, mas só de saber que daqui para frente não sofrerá mais, estou contente.
— Estamos Lola... Estamos...
Depois de contar tudo para Josefa, Julian foi até a casa grande e contou a Pablo que, nervoso, disse:
— Isso vai ser um problema.
Preciso mandar chamar a polícia, onde essa mulher estava com a cabeça? Era louca?
Julian não respondeu e voltou para junto de Rafael.
Berenice, que estava ao lado do pai e da mãe, ouviu tudo o que Julian falava:
Rafael nunca desconfiou de que ela gostasse dele.
Embora ela tenha feito tudo errado, sentia, mesmo, um verdadeiro amor e, por ele, foi capaz de tudo...
A polícia foi chamada e o delegado, após ouvir o que Julian e Rafael tinham para contar e ver o corpinho de Maria, não teve dúvidas de que eles estavam falando a verdade.
O corpo de Carmem foi levado.
A notícia correu rápida e todos, acreditando que pudesse ser verdade que ela houvesse feito aquilo, que os tivesse enganado daquela maneira, faziam questão de que Maria mostrasse as costas.
A revolta foi geral.
Pensamentos de ódio foram dirigidos à Carmem.
As pessoas não sabiam, mas a cada pensamento de ódio ou raiva, tipo de flecha se formava e atingia Carmem profundamente, causando muita dor.
Ela se viu em um lugar escuro, malcheiroso e lamacento.
Podia vir gemidos e gritos desesperados, mas não podia precisar de onde vinham.
Seu corpo doía atingido pelas flechas enviadas por todos os que conheciam a história.
Os vultos que a seguiram durante o tempo todo agora tomaram forma e se transformaram em monstros que fizeram com que ela ficasse correndo de um lado para outro, fugindo e tentando se esconder deles e das flechas que não paravam de chegar.
Seu desespero era imenso.
Isabel, Lola e Manolo acompanhavam o que acontecia e, seguindo as flechas, puderam ver Carmem naquela situação.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 02, 2017 7:18 pm

Lola, embora tivesse motivo para odiá-la, sentiu pena:
— Coitada, dona Isabel.
Ela está desesperada.
Essas flechas que a estão atingindo estão sendo formadas pelos pensamentos das pessoas?
— Ela está desesperada, sim, Lola, mas isso é o resultado das escolhas que fez.
Quanto às flechas que estão vendo, sim, realmente são formadas pelos pensamentos daqueles que vibram com ódio, rancor ou mágoa.
Da mesma forma, quando o pensamento é de amor, saudade e carinho, bolas de luz são formadas e atingem directamente aqueles para os quais são dirigidas e lhes causam muita paz e felicidade.
Isso não acontece somente com os desencarnados, com os encarnados é a mesma coisa.
Sempre que se pensa em outro com um sentimento bom, bolas de luz são formadas e chegam ao seu destino.
Da mesma maneira, quando os sentimentos são ruins, flechas são formadas e, dependendo do merecimento, atingem ou não aqueles para quem foram dirigidas
— Dependendo do merecimento?
— Claro, Lola.
Não seria justo que alguém que não merecesse recebesse o mal.
— O que acontece com essas flechas quando não conseguem atingir aquele para o qual foram dirigidas?
— Elas, depois de formadas, não podem desaparecer e, não conseguindo atingir aquele para o qual foram destinadas, voltam para quem às formou.
— Recebem de volta?
— Sim, tudo o que desejaram de bom ou ruim.
Novamente entra em acção a lei do livre-arbítrio.
Cada um pode escolher a companhia que quer ter ao seu lado, como pode, também, enviar e receber pensamentos de amor ou de ódio.
Receberá de volta de acordo com o que escolher.
— A Lei é justa mesmo, dona Isabel...
— Você tinha alguma dúvida quanto a isso? — Isabel perguntou rindo.
Lola voltou o olhar para Carmem, que ainda continuava correndo.
— Não podemos fazer nada para ajudada, dona Isabel?
— Não por ora, Lola.
Ela escolheu seu destino e terá de viver por algum tempo com o que escolheu.
Quando chegar a hora, será resgatada e terá uma nova chance.
— Nova chance?
— Sim, Lola. Deus, como nosso criador, não tem pressa e tem todo o tempo do mundo para esperar.
Ele sabe que, mais cedo ou mais tarde, Carmem encontrará o Seu caminho.
E, pode ter certeza de que esse dia chegará para todos.
Somente Rafael compareceu ao enterro de Carmem.
Foi obrigado ir por ser seu marido legal.
Quando voltou, foi até o rio, sentou-se e ficou pensando em tudo me havia acontecido e em Lola:
Lola, quando entramos naquele navio, tínhamos o coração cheio de sonhos.
Esta seria a terra da felicidade, onde tudo daria certo, mas eram somente sonhos, não passavam disso, de sonhos.
Depois de tanto sofrimento para chegar aqui e de tanto trabalho, estou da mesma maneira que quando saímos da Espanha.
Vivendo na miséria e quase passando fome.
O pior de e que não entendo qual foi o motivo de você ter morrido tão jovem e linda, com uma vida toda pela frente e deixado sua filha comigo, um fracassado.
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Re: O Destino em suas Mãos / Elisa Masselli

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