A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 12, 2017 8:17 pm

Obsessão por Afinidade
O carro corria.
Regina olhava tudo e se admirava.
Nunca fizera uma viagem.
Tudo para ela era novidade.
Depois de três horas, avistaram os primeiros prédios da cidade.
Regina nunca imaginou que poderiam ser tão altos.
Ao entrarem na cidade, o barulho era imenso.
Muitos carros, buzinas, motores e alto falantes.
Zeca se divertia com a expressão de admiração dela.
Depois de atravessar a cidade, o carro percorreu vias mais calmas.
Zeca pediu que Elias parasse o carro em frente a um grande portão.
Assim que parou, um porteiro se aproximou.
Olhou para o carro.
Zeca colocou a cabeça para fora:
— Ivan! Sou eu!
— Doutor Ricardo!
Como vai?
— Estou muito bem.
Pode, por favor, abrir o portão?
— Claro, doutor.
O grande portão foi aberto.
Elias entrou com o carro.
O porteiro mantinha no rosto um sorriso que era correspondido por Zeca.
O carro seguiu por uma alameda florida e, lá no alto, aparecia uma enorme mansão.
Ao ver tudo aquilo, Regina começou a tremer, sem conseguir se controlar.
Zeca percebendo o seu descontrole a abraçou:
— Não se preocupe, Regina!
Lembre-se do Robertinho.
Parece... que é muito... mas não é...
Ela sorriu, mas não conseguia se controlar.
Finalmente o carro parou em frente a uma porta grande.
A mãe de Zeca já estava esperando por eles.
Assim que o carro passou pelo portão, Ivan, o porteiro, ligou avisando que estavam chegando.
— Meu filho! Que bom que veio!
Eu e seu pai estávamos ansiosos por sua chegada.
Quem é essa linda moça?
— Também estou feliz por voltar.
Esta linda moça é Regina, minha noiva e vamos nos casar.
— Noiva?! Vai se casar?
Seja bem-vinda, minha filha!
Estendeu a mão para Regina que, tremendo muito, segurou a mão daquela mulher que era tão fina e diferente dela.
— Está tremendo?
Suas mãos estão geladas!
O que é isso?
Estou muito feliz por tê-la em minha casa.
Se meu filho vai se casar com você, só posso te abençoar.
—Não te disse, Regina!
Robertinho tem razão quando diz:
Parece... mas... só parece...
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 12, 2017 8:17 pm

Regina sentiu tanta sinceridade na voz daquela mulher, sorriu aliviada.
Entraram em casa.
Ela segurava o braço de Zeca com força.
Ele fez questão que Elias também entrasse.
— Mamãe, este é o Elias.
Além de ser motorista de táxi, é também um dos meus amigos.
— Muito prazer senhor.
Amigos de meu filho são meus também.
Serão sempre bem-vindos em minha casa.
Elias, assim como Regina, não estava sentindo-se bem.
Não estavam acostumados com tanto luxo.
Uma grande sala surgiu, com cortinas, quadros e obras de arte.
Regina não prestou atenção.
Continuava tremendo, mas, agora, sabia não ser de nervoso.
Olhou a sua frente e viu um senhor sentado em um sofá.
Pálido, abatido e parecendo muito fraco.
Ao seu lado, duas entidades que falavam:
— Você foi o culpado, sim!
Seu filho morreu por sua causa!
O outro virou bandido também por sua causa!
Nós também somos culpados de muitas coisas!
Por isso, somos seus amigos!
Não vamos te deixar, nunca!
Sofreremos juntos!
Regina fez uma força imensa para não demonstrar aos outros o que estava vendo.
Há muito tempo via e ouvia espíritos, mas não comentava com ninguém.
Seguia o conselho de dona Júlia para não ser apontada como louca.
Aprendera com ela, como controlar essas situações.
Zeca também viu o pai e foi até ele.
Regina ficou olhando para as entidades:
" Pai Supremo, protegei seus filhos.
Que esses nossos irmãos sofredores possam encontrar a luz, pois, com certeza, não estão querendo fazer mal.
Que a Sua luz de amor e bondade nos ilumine.
Dona Júlia, me ajude para que eu saiba agir com sabedoria e amor."
Zeca ajoelhou em frente do pai.
— Papai! Sou eu, Ricardo.
Voltei para pedir o seu perdão!
O pai abriu os olhos.
Ficou olhando para o filho como se estivesse sonhando.
Seus olhos encheram-se de lágrimas.
— Meu filho! E você mesmo?!
— Sim, papai!
Perdão por todo sofrimento que lhe causei...
— Você é quem tem que me perdoar, meu filho... eu não soube te dar uma boa educação, nem ao Cláudio.
Fui o culpado por tudo o que aconteceu com vocês.
— O que é isso, papai?!
O senhor foi o melhor pai do mundo!
Nos deu tudo!
Educação, carinho e muito amor...
Abraçaram-se.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 12, 2017 8:17 pm

Regina viu que as entidades se afastaram.
Uma luz iluminava pai e filho, que juntos choravam.
Zeca beijava o pai e era beijado por ele.
As entidades abraçadas pareciam perdidas sem saber o que fazer.
Não sabiam que Regina as estava vendo.
O momento era muito emocionante.
A mãe de Zeca também chorava.
Regina se aproximou dela:
— Senhora, sei que este momento é importante para sua família, se permitir, vou sair com Elias.
— Não precisa, minha filha, mas, se quiser, fique à vontade.
Regina olhando firme para as entidades, pensou:
" Meus irmãos, sei que não estão aqui para fazer o mal.
Por isso, peço que me acompanhem até o jardim, conversaremos."
As entidades ouviram aquela voz, mas não sabiam de onde vinha.
Uma outra entidade se aproximou.
Um rapaz jovem e sorridente disse para Regina:
— Regina, sou Cláudio, irmão do Zeca.
Estou feliz por meu irmão ter te encontrado.
Pode ir lá fora, eu os guiarei.
As entidades, cada vez mais assustadas, viam agora Regina, que estava iluminada por uma luz que saía das mãos de Cláudio.
Elias não via, mas assim que Regina saiu da sala ele a acompanhou em silêncio.
Lá fora, ela foi para baixo de uma árvore.
Olhou para trás e viu Cláudio vindo em sua direcção, acompanhado pelas entidades.
Ao chegaram perto, ela perguntou em pensamento:
— O que os meus irmãos estão fazendo nesta casa?
Uma das entidades respondeu, nervosa e assustada:
- Não somos teus irmãos e nem te conhecemos!
Não queremos fazer mal, só estamos ao lado do nosso amigo.
Ele está sofrendo muito, por causa dos filhos.
Nós, como ele, somos culpados de muita coisa.
Então, ficamos aqui para compartilhar seu sofrimento.
_ Estão me dizendo que não o conheciam?!
— Não! O sofrimento dele foi o que nos atraiu.
Nós dois estávamos vagando e sofrendo juntos.
Aí fomos atraídos por seu choro e sofrimento.
Ficamos junto dele, sofrendo e chorando também.
— Assim como vocês, — ela disse com muita pena — ele não tem culpa.
Já perderam muito tempo vagando e ficando por aqui.
Agora podem ir embora com nosso irmão, Cláudio, que está aqui para acompanhá-los.
Eles olharam para o lado em que ela apontava.
Viram Cláudio, ficaram com medo e se abraçaram ainda mais.
Não vamos com ele!
Não vamos sair daqui!
Não vamos abandonar o nosso amigo, ele precisa da nossa companhia!
Ele precisou e vocês ajudaram, mas agora não precisa mais.
O seu filho voltou e ele está feliz.
Devem estar muito cansados e assustados, mas não precisam ficar com medo.
Cláudio é nosso amigo e vai levá-los para um lugar bonito, onde poderão descansar.
Olharam para Cláudio que não estava mais cercado de luz.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 12, 2017 8:18 pm

Ao verem que ele era igual a eles, ficaram mais tranquilos:
— Estamos cansados mesmo. — disse um deles.
A senhora tem certeza que ele vai nos levar para um lugar bom?
— Tenho sim, podem confiar no que estou dizendo.
_ Lá poderemos continuar sofrendo?
Antes que Regina respondesse, o outro disse:
_ Não podemos ir para um lugar bom.
Erramos muito!
Se não pudermos ficar aqui, teremos que encontrar outro que esteja sofrendo e precise da nossa companhia.
— Não precisam sofrer mais, nem ficarem ao lado de ninguém.
Já estão há muito tempo parados sem nada fazer e já perderam um tempo precioso.
Agora chegou a hora de irem para um mundo, onde tudo lhes será mostrado e onde entenderão que sempre é possível recomeçar e consertar os erros passados.
_Tem certeza disso que está dizendo?
Podemos consertar os erros passados?!
_ Claro que tenho certeza.
Deus é Pai de infinita bondade, nunca deixou, nem deixará um filho seu sem uma chance de resgatar os erros cometidos.
Um olhou para o outro, querendo acreditar naquilo que ela estava dizendo, o primeiro disse:
— O que precisamos fazer para encontrar esse lugar?
— Basta pedir perdão, desejar sinceramente resgatar seus erros e seguir o Cláudio, que está aqui para lhes ajudar.
Voltaram a olhar para Cláudio, que continuava sorrindo.
— É verdade o que ela está dizendo? — perguntou um deles.
Pode nos levar a esse lugar?
— Posso sim, só depende de vocês.
Estou aqui para isso.
Um pouco confusos, estenderam as mãos para Cláudio, num claro pedido de ajuda.
Cláudio segurou em suas mãos, sorriu para Regina e foi caminhando com eles.
Ela sorriu e acenou um adeus.
Elias, assim que chegaram ao jardim, sentou-se em um banco e adormeceu, não vendo o que havia acontecido.
Enquanto eles iam embora, Regina, de olhos fechados, elevou uma prece a Deus e agradeceu.
Quando abriu os olhos, pôde apreciar o lindo jardim que rodeava a casa.
Muitas flores e pássaros que voavam de um lado para o outro.
Uma linda piscina forrada de azulejos azuis, com água muito limpa.
Percebeu como tudo ali era bonito:
"Como é estranha a vida, quantos caminhos percorremos para se conhecer a bondade de Deus.
Zeca, que aqui teve tudo não encontrou a sua felicidade e lá, em Céu Dourado, mexendo na terra e vivendo simplesmente a encontrou."
Enquanto isso, dentro da casa, Zeca continuava conversando com os pais.
O momento de emoção havia passado e agora eles conversavam tranquilamente.
Ele contava como havia sido a sua vida, desde que saiu de casa, chegou a Céu Dourado e como se tomou jardineiro.
Quando ele terminou de falar, seu pai, agora um pouco refeito, sem a presença das entidades, disse:
_ Não entendo meu filho, por que sempre teve tanta raiva do nosso dinheiro?
Foi sempre um dinheiro honesto, ganho com muito trabalho!
— Sei disso, papai, não se tratava do dinheiro, mas sim, do que ele faz.
Desde que nasci sempre tive tudo.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 12, 2017 8:18 pm

Nunca precisei lutar para conseguir o que queria estudo o que vem fácil não tem valor.
A única coisa que consegui por mim, foi o meu diploma, que só consegui também por ter dinheiro.
Eu não precisei trabalhar, portanto tive muito tempo para estudar, diferente de tantos outros que, por trabalhar, quase não têm tempo para estudar, além de que, o salário é tão baixo que não conseguem pagar uma faculdade.
Entrei naquela vida, não por sua culpa, que sempre fez o que julgou ser o melhor.
Entrei porque queria o meu próprio dinheiro.
Sei, hoje, que tudo aquilo foi infantilidade.
Apesar de ter começado com vinte e cinco anos, a minha mentalidade era a de um adolescente.
Nem tudo foi ruim.
Depois que tudo aconteceu, aprendi a viver com o meu próprio dinheiro.
Aprendi a ser humilde e ser feliz com o que conseguia ganhar como jardineiro.
Aprendi a beleza que há em se ver uma semente brotar e se tornar flor.
Tenho hoje muitos amigos que me conheceram como um jardineiro, portanto são amigos sinceros.
Conheci uma mulher maravilhosa que também se apaixonou por um jardineiro e tenho a certeza de que realmente me ama.
Aprendi tudo isso, pai.
Sou, hoje, na minha humildade, um homem muito feliz.
A minha felicidade, só não era completa porque estava separado de vocês, mas hoje, até isso está superado.
Estou aqui e nunca mais me afastarei.
— Então, assim que se casar, voltará a morar aqui?
— Não, mamãe.
Continuarei naquela pequena cidade.
Lá encontrei uma nova vida e estou feliz.
A senhora sabe que estamos agora envolvidos, eu e meus amigos, num projecto que trará felicidade para muitas pessoas.
A minha ajuda será uma maneira de agradecer tudo o que fizeram por mim.
— Que projecto é esse? — perguntou o pai.
— Mamãe já conhece, ontem contei a ela e agora contarei tudo para o senhor, mas, onde está a Regina?
— Ela quis ir para fora, enquanto vocês conversavam.
— Vou buscá-la. Voltarei logo.
— Está bem, enquanto isso, pedirei a Josefa que prepare a mesa para um lanche.
Devem estar com fome.
— Obrigado, mamãe, estamos com fome sim, poderemos conversar enquanto comemos.
Foi para o jardim.
Regina estava de olhos fechados, sentada em um banco e respirava fundo, sentindo o cheiro das flores.
Elias, no banco ao seu lado, continuava dormindo.
Zeca se aproximou e a beijou na testa.
Ela abriu os olhos sorrindo.
— Por que saiu, Regina?
— Precisei, mais tarde te contarei.
Além do mais, este jardim é maravilhoso.
Estou encantada.
— Gostaria de morar aqui?
— Gostaria muito, porém temos um trabalho para ser feito no Grotão, mas farei o que quiser.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 12, 2017 8:18 pm

Te amo e vou segui-lo para onde for.
Como foi tudo lá dentro?
— Muito bom.
Meu pai parece outra pessoa.
Está alegre e feliz, como era antes.
— Eu sabia que ele ia ficar bem. — disse sorrindo.
— Como sabia?
— E uma longa história.
Outra hora contarei.
Agora, só deve se preocupar em dar muito amor a seus pais.
— Vamos entrar.
Elias, Elias, acorde.
Vamos tomar um lanche que mamãe preparou?
Elias acordou assustado, não percebeu que havia dormido.
_ Desculpe, Zeca, adormeci.
Mas hoje acordei cedo.
_ Não se preocupe com isso, vamos entrar.
Mamãe deve estar com uma mesa cheia de coisas boas!
Entraram.
Regina agora estava bem.
Não tremia mais e não estava se sentindo mal por estar naquela casa.
A mesa realmente estava servida e repleta de guloseimas.
Elias arregalou os olhos ao ver tudo aquilo.
O pai de Zeca sorria feliz, não parecia, em momento algum, o mesmo homem que encontraram.
A mãe de Zeca apontou os lugares para que se sentassem.
Começaram a comer sem muita cerimónia.
Regina e Elias não estavam acostumados com tantos pratos e talheres.
Zeca, entendendo a situação deles, começou a comer da maneira simples, como eles estavam acostumados.
Os pais também seguiram o exemplo do filho.
Logo, todos estavam à vontade e conversando.
Em dado momento, Zeca disse:
— Mamãe, está faltando algo nesta mesa!
— O quê, meu filho?
Aqui tem tudo o que sempre gostou de comer!
Fiz questão de que não faltasse nada!
— Não tem o que mais gosto actualmente!
Mortadela!
— Mortadela?!
Nunca comeu mortadela!
— Porque a senhora nunca comprou!
Pois fique sabendo que é uma delícia e eu adoro comer!
— Você mudou mesmo. Está bem.
Na próxima vez que vier, prometo que terá mortadela!
Ela estava feliz.
Seu filho mudara mesmo e para melhor.
Continuaram conversando.
Zeca contou tudo ao pai sobre o projecto.
Falou que iria usar o dinheiro que estava nos Bancos para construir quantas casas fossem necessárias.
Regina e Elias não sabiam dessa sua intenção.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 12, 2017 8:19 pm

— Você não me contou sobre isso, Zeca!
- Só resolvi, após ler aquele livro que me emprestou.
— Entendo. Acho uma óptima ideia.
Filho, você acredita que o dinheiro que tem vai dar para construir as trinta casas?
- Não sei, papai, mas construirei as que puder.
- Pois bem, já que essa cidade te fez tanto bem, já que voltou e está feliz, o que faltar eu completo.
— Só podia esperar isso do senhor.
Obrigado, papai.
— Meu filho, se não quer voltar para casa, se não quer o nosso dinheiro, se vai doar todo o seu, do que você viverá?
— Da mesma maneira que vivi até agora.
Sendo jardineiro.
Regina continuará trabalhando no posto de saúde.
— Não precisa viver assim.
Aqui tem tudo para que seja feliz.
Agora que já entendeu que não teve culpa, poderia voltar a viver aqui.
— Não, mamãe, por enquanto, não.
Depois que o projecto estiver pronto, que todas as pessoas que moram naquele lugar estiverem vivendo bem, talvez eu volte.
Está bem assim?
— Se não tem outra maneira, que seja como queira.
Te amo muito, meu filho.
— Sei disso, mamãe e também a amo muito.
Agora que já conversamos e comemos, está na hora de irmos embora.
— Porque não dormem aqui esta noite?
Amanhã será domingo, passarão o dia aqui e voltarão à tarde.
— Não podemos.
Amanhã temos um almoço que não podemos faltar.
É o aniversário do meu primeiro amigo.
Além do mais, Elias tem família e precisa voltar para casa.
— O seu carro está lá na garagem.
Elias pode voltar, hoje, e amanhã você volta com o seu carro.
— Meu carro ainda está aqui, mamãe?
— Está sim!
O João cuida muito bem dele.
— Vou até lá vê-lo!
Segurando Regina pela mão, saiu correndo em direcção à garagem.
Se aproximou de um carro desportivo muito bonito e andou, em volta dele, passando a mão sobre ele com carinho.
Parecia uma criança, quando ganha um presente.
— É lindo, não é, Regina?
— Muito lindo!
— Está em perfeito estado!
O João cuidou mesmo dele.
Já sei o que farei.
Vou deixá-lo aqui e quando houver aquela festa das colónias, voltaremos aqui para pegá-lo e irei leiloá-lo.
O dinheiro será usado no projecto.
O que acha?
— Uma boa ideia, mas é o seu carro.
Parece que gosta tanto dele.
Teria coragem de doá-lo?
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 12, 2017 8:19 pm

_ Gosto muito!
Mas para que precisarei de um carro como este, se aquela cidade é tão pequena?
_ Não precisa mesmo.
Voltaram abraçados para o interior da casa.
_ Mamãe, obrigado por ter conservado o meu carro.
Virei buscá-lo.
Lembrei agora que preciso dar um presente para o meu primeiro amigo.
Onde estão as minhas miniaturas?
— Mesmo quando mudou para o seu apartamento, conservei o seu quarto.
Estão todas lá.
— Poderia arrumar uma caixa?
— Claro que sim.
Vá indo, que levarei em seguida.
Zeca foi para o seu antigo quarto, estava tudo como antes.
Na parede, várias estantes com muitas miniaturas de carros.
Seu pai e ele compraram em todos os lugares do mundo por onde passaram.
Olhando tudo, lembrou do irmão:
“Quantas vezes ele quis conversar e eu, envolvido naquele trabalho sujo, nunca lhe dei atenção..."
Lembrou de Robertinho e pensou na felicidade que sentiria ao ganhar aqueles carrinhos.
A mãe e Regina chegaram:
— Vai levar todos, meu filho?
Zeca pegou a caixa e começou a guardar os carrinhos:
"^Vou, mamãe!
Não tenho mais idade para brincar com carrinhos e o menino a quem vou dar merece, e muito.
— É aquele que me levou até você?
Ele mesmo, mamãe. Robertinho.
Como já sabe, foi o primeiro a me receber na cidade e, com seu jeitinho de quem não queria nada, me fez comer sanduíche de mortadela.
Depois arrumou um lugar para eu ficar e trabalho.
Devo muito a ele.
- E um menino abençoado, que Deus o proteja.
— Será abençoado, mas agora temos que ir embora.
A viagem é longa, não quero chegar muito tarde.
Beijou a mãe e o pai, que agora parecia outra pessoa.
Sorria feliz e voltara a ser o mesmo homem que sempre conheceu.
— Até logo!
Em breve voltaremos para buscar o carro e naturalmente revê-los.
— Vá com Deus, meu filho.
Não nos esqueça e, por favor, não se case sem nos avisar.
— Não, mamãe. Não se preocupe.
Voltarei sempre.
Agora não quero mais me separar dos dois, nunca mais.
Entraram no carro e reiniciaram a viagem.
Já na estrada, Zeca perguntou para Regina:
— Por que disse que sabia que meu pai estava bem?
Ela contou tudo a ele.
— Falou com meu irmão?
Por isso acreditou quando eu disse ter ouvido e visto o meu irmão.
— Sim, falei com ele e já vi e falei com muitos espíritos.
— Nunca comentou sobre isso.
— Depois que Clara nasceu, em uma noite acordei sentindo um perfume.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 12, 2017 8:19 pm

Gritei. Dona Júlia correu para o meu quarto e me encontrou sentada na cama com o lençol no rosto, deixando aparecer apenas os meus olhos arregalados:
" — Regina!
Que aconteceu? — perguntou assustada.
— Acordei com alguém me chamando!
Mas não tem ninguém no quarto!
Estou com medo!
— Ela me abraçou, dizendo:
" — Deve ter sonhado.
Volte a dormir.
— Por trás de seus ombros, vi nos pés da minha cama, um senhor sorrindo, vestido com um terno azul claro.
Gritei:
" — Olhe ali!
— Ela se voltou e também sorrindo, disse:
— Não se preocupe e nem fique com medo, é o Jarbas.
Ele veio nos visitar e conhecer a Clarinha.
— Jarbas?! Mas esse não era o nome do seu marido?!
É ele, sim.
De vez em quando vem me visitar.
Não se preocupe.
Está tudo bem."
— Fiquei com muito medo, aquele senhor sorriu, acenou dando adeus e sumiu.
Dona Júlia, também sorrindo, deu adeus.
Eu estava apavorada!
Ela vendo o meu estado, disse:
" — Você está muito nervosa, Regina.
Sinto que não vai conseguir voltar a dormir, por isso, acho melhor irmos até a cozinha.
Vamos tomar um leite e conversar sobre o que se passou aqui."
— Fizemos isso, eu realmente não iria conseguir dormir, estava com muito medo.
Na cozinha, já sentadas, com um copo de leite nas mãos, ela começou a falar:
_ Já leu e conversamos muito a respeito da vida espiritual, não é mesmo?
Concordei com a cabeça.
" Pois, bem.
Você notou que a criança chega ao mundo sempre chorando?
Sabe, também, que quando alguém que nos é querido morre, choramos, não é?"
Continuei concordando com a cabeça.
Estava apavorada demais para falar.
" Quando alguém parte, Regina, nós sofremos e choramos.
O mesmo acontece no mundo espiritual, quando voltamos à Terra.
Deixamos lá muitos amigos, que ficam tristes, por não saberem se conseguiremos cumprir todos os nossos compromissos.
Durante a nossa vida, aqui na Terra, eles ficam sempre nos visitando para ver como estamos nos saindo.
Algumas vezes, havendo a mínima possibilidade, eles nos ajudam, mas sem nunca interferir no nosso livre-arbítrio.
Eu e o Jarbas fomos muito felizes.
Ele partiu na minha frente, mas está me esperando.
Pois sabe que, a qualquer momento, estarei chegando e, enquanto esse dia não chega, ele às vezes vem me visitar.
Foi isso o que ele fez hoje."
— Tudo aquilo para mim parecia loucura, Zeca, mas eu havia visto e escutado, isso não podia negar.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 12, 2017 8:20 pm

Dona Júlia, continuou:
"—Você, hoje, vendo e ouvindo o Jarbas, me mostrou que é uma médium vidente e auditiva."
— O que é isso? — perguntei, entre curiosa e amedrontada.
"— Quer dizer que vai ver e ouvir espíritos."
— Não quero isso! Tenho medo!
_ Não precisa ter medo, eles nunca te farão mal.
O que precisa é aprender a usar essa faculdade para ajudar tanto a encarnados, como a desencarnados.
— Não estou entendendo.
— Irei, daqui para frente, te ensinar como fazer, mas hoje já está tarde.
Você precisa dormir, sabe que amanhã, bem cedo, a Clarinha vai acordar e começar a chorar com fome.
Só mais uma coisa.
Não precisa ter medo dos mortos, mas, não comente com ninguém o que aconteceu esta noite.
Pois os vivos dirão que está louca e não conversarão mais com você."
— Por isso, nunca comentei com você ou com ninguém, Zeca.
Daquele dia em diante, ela foi me ensinando tudo sobre a espiritualidade e como eu deveria agir cada vez que visse ou escutasse um espírito.
No princípio tive medo, mas me acostumei.
Hoje, converso com eles como se fossem vivos.
— Agora, já entendo por que não se admirou quando disse ter visto o meu irmão.
— Foi isso mesmo que aconteceu.
— Quer dizer que também vou ver e ouvir espíritos?
— Não sei. Vamos esperar, quem sabe.
Mas se isso acontecer, não precisa ficar com medo, basta conversar normalmente como está falando agora comigo.
A única coisa que precisa ter é a vontade sincera de ajudar, nada mais.
— Estou começando a entender, mas quem eram esses que estavam com o meu pai?
_Nós atraímos as nossas companhias.
A pessoa quando morre não muda.
Se aqui ela era feliz, continuará sendo feliz, mas se for triste e deprimida, também continuará assim.
Quem está feliz, não gosta de ficar ao lado de alguém deprimido, triste e vice-versa.
Seu pai, com tudo o que aconteceu, ficou muito triste e deprimido.
Aqueles irmãos passavam por sua casa e foram atraídos por toda aquela tristeza e depressão que seu pai sentia.
Na intenção de ajudá-lo, juntaram-se a ele e começaram a chorar também.
Quanto mais o seu pai sofria, mais eles se aproximavam.
_ A maioria das pessoas não sabem disso!
Como podemos nos livrar dessas influências?
_ Durante a nossa vida, por muitas vezes passamos por situações e injustiças que nos trazem tristeza e sofrimento.
É natural que soframos, sintamos raiva e até ódio.
Faz parte do ser humano.
O que não podemos é conservar esses sentimentos por muito tempo.
Precisamos sempre estar bem connosco, sabendo que nunca estamos sozinhos e que as coisas boas e ruins passam.
Podemos brigar, chorar e até xingar, mas depois disso precisamos voltar ao nosso equilíbrio.
Sabendo isso, poderemos sempre escolher as nossas companhias espirituais.
Devemos fazer o possível para estarmos sempre bem connosco e com os outros.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:41 pm

_ Como conseguiu afastá-los de meu pai?
_ Ao ouvir a sua voz, Zeca, seu pai ficou feliz, imediatamente a energia dele se modificou.
Seus amigos se assustaram e se afastaram, porque não conheciam esse sentimento.
Com a minha mediunidade, pude vê-los e ser vista.
Eles se assustaram também com esse facto e com a ajuda de seu irmão, consegui conversar com eles.
Por não serem espíritos ruins, apenas perdidos, aceitaram tudo o que falei.
— É sempre fácil assim?
_ Não, se forem espíritos ruins, querendo vingança, demora um pouco mais.
Mas na maioria das vezes podem ser afastados.
_ Está querendo dizer que eu posso atrair para mim maus companheiros?
— Isso mesmo.
Por isso, é importante nunca desanimarmos.
Sempre que algo ruim acontecer, devemos ter a reacção normal do momento, mas em seguida procurar esquecer, perdoar e continuar a caminhada em paz.
Se quisermos companhias felizes e alegres, assim é que devemos nos comportar.
Acreditando sempre em Deus e em tudo de bom que a vida pode nos dar.
— Isso é muito difícil!
— Como diz o Robertinho: — ela falou imitando Robertinho.
— Parece que é... mas na realidade... não é!
— Só uma pessoa santa, pura e sem pecado pode atingir essa perfeição!
Um ser humano normal, não consegue!
— Não existe pessoa pura, boa e sem pecado.
Somos todos aprendizes caminhando para a perfeição.
Um dia, chegaremos lá, mas vai demorar muito.
Todos temos nossos erros e defeitos, porém temos também nossa santidade e perfeição.
Esses sentimentos misturam-se e nos ajudam a caminhar e crescer!
— Como sabe tanta coisa?
_Aprendi muito com dona Júlia, através dos livros e fui observando, vivendo.
Mas tenho, ainda, muito que aprender.
— Eu também... eu também...
— Olhem, a cidade já pode ser vista! — disse Elias.
Estão conversando tanto que, aposto, não notaram.
— É mesmo, Elias!
A nossa cidade está chegando!
— Dona Regina, a senhora vai me desculpar, mas não pude deixar de ouvir tudo o que conversava com o Zeca.
Achei muita coisa interessante, gostaria de ouvir mais.
— Tudo bem, Elias, assim que quiser, venha até a minha casa, terei prazer em conversar e te emprestar alguns livros.
- É que a minha mulher anda estranha.
De repente só chora, sem motivo.
A menos que eu não saiba e exista algum.
— Leve-a até a minha casa, quem sabe poderemos encontrar o problema.
Não sei se poderei ajudar, mas tentarei.
— Posso mesmo?
— Claro que pode, não sendo na hora em que eu esteja trabalhando no posto de saúde, tudo bem.
— Vou levar, sim.
Ela anda muito estranha.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:42 pm

Parece que não gosta mais de mim e nem das crianças.
— Depois que eu a ver, saberei o que fazer.
O carro saiu da estrada principal e entrou em uma estrada menor que os levaria para a cidade.
Já era noite.
Elias deixou Regina em casa, depois levou Zeca, e voltou para casa.
Todos entraram em casa, pensando em tudo o que havia acontecido naquele dia.
Quando se deitou, Regina agradeceu a Deus por ter podido ajudar aqueles pobres irmãos e ao pai de Zeca.
Adormeceu rapidamente.
Elias, já em casa, viu que todos dormiam.
Sua mulher se agitava, mas dormia também.
Deitou e começou a pensar em tudo o que Regina disse.
Pensou por um tempo, mas a viagem foi cansativa, então, adormeceu.
Zeca estava feliz e tranquilo por ter reencontrado os pais, o seu passado e agora sabia que a sua vida seria perfeita.
Adormeceu.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:42 pm

O Aniversário de Robertinho
O dia amanheceu lindo.
Um céu muito azul, sem nuvens e com certeza não iria chover.
Todos sabiam que Dona Consuelo tinha resolvido fazer um churrasco ao invés de um almoço.
Enquanto terminava de decorar o bolo pensou, feliz:
" Dez anos...
Meu filho está fazendo dez anos..."
Robertinho não se aguentava de felicidade.
Convidou muitas crianças que viriam à tarde para cortar o bolo.
— Mãe, vou ganhar muitos presentes!
O Fábio vem?
— Não sei, mas todos os anos ele vem.
— Sempre me traz um presentão!
O que será que vai ser este ano?
A senhora não sabe, mesmo?
— Não sei, meu filho, mas com certeza vai ser um presentão mesmo!
Sabe que ele gosta muito de você.
O telefone tocou, Robertinho correu para atender:
— Alô! Alô! Quem é?
— Sou eu, o Fábio!
Como você está se sentindo?
Hoje é o seu dia!
Parabéns e feliz aniversário!
— É o Fábio, mamãe!
Estou bem e estou esperando por você, quando vai chegar?!
Parece... que estou esperando o presente, né?
Mas não estou não!
Só parece...
— Está bem — disse Fábio rindo — só parece, não está mesmo esperando o presente.
Este ano não poderei estar aí.
Tenho um muito trabalho e não posso abandonar, mas, na semana que vem, irei até aí para te ver.
Está bem assim?
— Está bem, mas...
— O presente?!
Não se preocupe, levarei quando for aí.
Sei que gostará muito do que comprei!
É só esperar!
— Hoje o papai vai fazer um churrasco, vêm muitos amigos meus!
Vai ser uma festança!
O dia mais feliz da minha vida!
Só vai faltar você!
Por quê você não vem?
— Terá muitos outros aniversários e estarei em todos, prometo.
Tenha um feliz aniversário e que Deus te abençoe.
— Obrigado! Eu gosto muito de você!
Agora fica falando com a mamãe.
Meus amigos estão chegando, vou lá fora falar com eles e ver os presentes que trouxeram!
— Vá correndo!
Um beijo, e seja muito feliz!
Robertinho largou o telefone e saiu correndo.
Realmente os amigos chegaram, todos traziam nas mãos pacotes de presentes.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:42 pm

Simão se aproximou e lhe entregou um pacote.
— Robertinho, eu trouxe este presente, espero que goste.
Ele abriu o pacote e surgiu uma bola de futebol, oficial.
— Seu Simão!
Com esta bola vou ser o dono do time!
Simão sorriu.
Célia deu a ele uma caixa com tintas, pincéis.
Paulina deu uma mochila para ir à escola.
Robertinho agradecia a todos com entusiasmo.
Zeca estava com as mãos vazias.
O menino ficou olhando para ele sem nada dizer.
Zeca conhecia Robertinho o bastante para saber no que estava pensando.
— Robertinho, lá no meu quarto tem uma caixa; é um presentinho pra você.
Zeca disse rindo — Não sei se vai gostar.
Eu sempre gostei muito.
Agora é seu, pode ir lá pegar.
O menino correu para o quarto de Zeca.
Logo depois se ouviu um grito.
Todos correram.
Regina e Zeca se olharam.
— Mãe! Pai!
Vem ver o que o Zeca me deu!
— São lindos, meu filho!
Ele pegava os carrinhos um a um.
Todos foram obrigados a reconhecer que eram bonitos e caros.
Robertinho não conseguia falar de emoção.
Naquele momento, ele era a única criança na festa, pois as outras chegariam, mais tarde, para cortar o bolo.
Então aproveitou, pegou os carrinhos e foi para o quintal.
Esparramou todos pelo chão e ficou brincando, até chegar um empregado de seu Guerino trazendo uma bicicleta.
Robertinho estava distraído e não o viu.
_ Olhe Robertinho, parece que chegou outro presente.
Ele olhou para a mãe e depois para o portão.
Quando viu a bicicleta, ficou alucinado:
_ É minha, mamãe?!
Quem mandou?!
_Seu irmão ligou e pediu para seu Guerino trazer!
Acabou de me contar enquanto falava comigo ao telefone.
Só pediu para tomar cuidado e não se machucar.
_ Não vou me machucar!
Já sei andar!
Pegou a bicicleta, saiu para a rua e feliz, foi pedalando.
Todos ficaram olhando por um momento, mas vendo que Robertinho andava muito bem, entraram e foram para junto do fogo, onde estava sendo assada a carne.
Estavam descontraídos, conversando.
Comiam e bebiam, rindo e felizes.
Célia ainda conservava o rosto coberto.
Estava com um vestido, lenço azul e continuava com seus inseparáveis óculos escuros.
Robertinho voltou e ficou brincando ora com um presente, ora com outro.
A manhã transcorreu normal e tranquila.
À tarde, as crianças foram chegando.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:42 pm

Dona Consuelo fez um grande bolo e as velinhas foram colocadas.
Célia e Paulina entraram na casa para pegar os docinhos que estavam sobre a mesa da sala.
Encostada a uma parede, havia uma estante com várias fotografias, desde o casamento dos pais de Robertinho, seus filhos quando bebés, depois quando crianças.
A fotografia de um rapaz muito bonito que chamou a atenção de Célia.
Ela ficou olhando para a fotografia por alguns minutos.
Olhando aqueles olhos, cabelos e rosto.
Paulina se aproximou e notando a atenção da amiga, disse:
— Esse é Fábio, o filho mais velho da casa.
Está em Brasília, ocupa um cargo importante.
— É um bonito rapaz.
Será que vem para o aniversário?
— Não sei, mas, creio que não, senão já estaria aqui.
— Que pena. Gostaria muito de conhecê-lo.
— O que é isso?
A nossa amiga misteriosa se interessando por um homem?
— Não é isso!
Só o achei interessante!
Saíram com os docinhos, ajudaram a colocar na mesa que foi montada fora da casa.
O parabéns foi cantado e as velas sopradas.
Dançaram, brincaram e comeram muito.
Foi uma festa para ficar, durante muito tempo, na lembrança de todos.
Já era noitinha quando os convidados foram embora.
Despediram-se e prometeram que voltariam no próximo ano.
Robertinho também estava feliz com seus presentes.
A noite chegou e foram para suas casas.
O dia havia sido agradável.
O dia seguinte amanheceu e tudo voltou ao normal.
Simão, logo cedo, abriu o bar.
Aos poucos as pessoas foram chegando.
O primeiro a chegar foi Elias.
Parou seu táxi em frente ao bar.
Em seguida chegaram Célia, Paulina e por último Zeca.
Naquela segunda-feira, era feriado escolar e as crianças, por esta razão, estavam brincando na praça.
Os amigos tomavam café e conversavam como sempre.
Da mesa em que estavam sentados, podiam ver quase toda a praça.
Falavam sobre a festa, sobre o projecto, bem como, sobre a ansiedade que estavam sentido para saber se a Câmara de Vereadores tinha aprovado a desapropriação das terras do Grotão.
Viram Robertinho chegando de bicicleta.
O menino irradiava felicidade.
Vinha ao longe acenando e gritando para que todos o vissem.
Estava tão distraído que não viu uma pedra que havia no meio da rua.
A roda pegou na pedra, a bicicleta foi para frente e o atirou a distância. Caiu e bateu com a cabeça na guia da calçada.
Logo o sangue começou a escorrer.
Todos correram.
O primeiro a chegar foi Zeca.
Com a queda, um imenso corte abriu na cabeça de Robertinho por onde escorria muito sangue.
Elias disse nervoso:
— Coloquem ele no meu carro e vamos para o posto médico!
Zeca colocou a cabeça de Robertinho no colo de Célia e as pernas sobre as suas.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:43 pm

O menino estava desmaiado.
Paulina e Simão sentaram-se no banco da frente.
O carro saiu em disparada.
Célia acariciava o rosto do menino.
O sangue escorria com muita força.
Ela arrancou lenço que estava em seus cabelos e enrolou na cabeça dele.
Chegaram no Posto de Saúde.
Regina estava lá e ao ver o ferimento, disse:
— O corte está muito grande.
Vou fazer uma bandagem, mas é melhor levá-lo ao hospital da próxima cidade.
Ferimento na cabeça sempre é muito perigoso.
Fez uma bandagem e eles foram para a próxima cidade que ficava, mais ou menos, vinte minutos de carro.
Foram rezando.
Célia, com a cabeça de Robertinho no colo, chorava muito.
Paulina também.
Simão, sério e tremendo muito disse:
Por favor, Deus, não permita que nada de mal aconteça!
Outra vez não!
Não suportarei, proteja-o, por favor."
Célia chorava tanto que foi obrigada a tirar os óculos escuros para enxugar as lágrimas com a ponta do vestido.
Estavam todos apreensivos e assustados.
O sangue já estava aparecendo na bandagem, quando finalmente chegaram ao hospital. Desceram.
Zeca pegou Robertinho no colo e entrou correndo na emergência.
Colocou-o em uma maca e imediatamente uma enfermeira o levou para dentro.
Só então foram fazer a ficha e contar o ocorrido.
Estavam nervosos.
Aquele menino representava muito para todos.
Era amado e querido.
Zeca lembrava de tudo o que havia ouvido de Regina sobre Deus:
" Deus do céu, se realmente existe, proteja esse menino.
Já fiz muita coisas errada nesta vida.
Já vivi muito, se for preciso, troco a minha vida pela dele."
Todos estavam envoltos em seus pensamentos.
Paulina parou de chorar e, olhando para Célia, admirada disse:
— Célia! Como você é bonita!
Os outros também olharam.
Ficaram abismados com tanta beleza.
Os cabelos muito pretos, a pele clara e um par de olhos verdes.
Uma beleza exótica, e diferente.
Só aí, Célia percebeu que, em seu desespero, havia tirado o lenço da cabeça para segurar o sangue que escorria.
Por chorar muito, foi obrigada a tirar os óculos.
Sem perceber, esqueceu de seu disfarce.
— Agora não adianta eu querer continuar disfarçando, fiquei tão nervosa que esqueci do meu disfarce.
Todos já me viram.
Zeca, depois de sair da surpresa, disse:
— Como diz o Robertinho, parece... ser feia, mas não é...
Você é realmente muito bonita!
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:43 pm

Por que esconder tanta beleza?!
— Desculpem, mas tive os meus motivos.
O importante agora é que Robertinho fique bem.
Vamos rezar?
Começaram a rezar, cada um de seu jeito.
O médico entrou na sala dizendo:
— Ele vai ficar bem, foi mais o susto.
Quem são os pais?
— Não estão aqui.
Somos só amigos. — respondeu Zeca.
— Isso vai ser um problema, ele perdeu muito sangue e está precisando de uma transfusão.
O sangue foi examinado e é do tipo A negativo.
Não é um tipo muito comum e não temos aqui no hospital.
Com certeza um dos pais deve ter o tipo de sangue igual.
Precisam avisá-los para que venham logo.
Estava terminando de falar, quando viu Consuelo, Pedro e o delegado.
A notícia correu rápido, o delegado os levou no carro da delegacia.
Ao vê-los, Simão disse:
— Doutor, eles chegaram!
São os pais do menino.
— Isso é muito bom.
O seu filho precisa de uma transfusão urgente e, como devem saber, o sangue dele é raro.
Um dos dois deve ter igual.
Qual dos dois?
Olharam-se desesperados.
Consuelo começou a chorar com mais força e desespero.
— Não podemos fazer nada.
Ele não é nosso filho!
— Como não?! — perguntou Zeca e antes que Consuelo respondesse, Célia disse:
— Doutor, meu sangue vai servir.
Por favor, faça o teste.
— Claro, senhorita, vamos para o ambulatório.
Ela acompanhou o médico.
Entraram em uma sala e fecharam a porta.
Os outros se olharam sem entender.
— Como Célia tem tanta certeza que o seu sangue é igual ao de Robertinho? — perguntou Zeca.
Dona Consuelo! Nunca poderia imaginar que o Robertinho não fosse seu filho!
Isso jamais seria revelado.
Só foi por causa desta emergência.
Por favor, prometam que não contarão a ninguém.
Principalmente ao Robertinho, ele é um menino muito feliz.
Nos ama e é amado.
Não pode existir essa sombra em sua história.
Só nos traria muita infelicidade.
Prometam, por favor!
Emocionados com o pedido desesperado de Consuelo, eles concordaram com a cabeça.
Estavam confusos demais para conseguirem falar.
O médico voltou dizendo:
— Está tudo bem.
O sangue dela é do mesmo tipo do menino.
A transfusão já está sendo feita.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:44 pm

Não teve consequências mais sérias.
Logo ele estará bem.
Todos respiraram aliviados e intimamente agradeciam a Deus.
Só uma pergunta ficou na cabeça deles:
Como Célia tinha tanta certeza que o seu sangue era igual ao de Robertinho?
Conversavam tentando entender quando o médico voltou.
Agora, acompanhado por Célia.
Ele, sorrindo, disse.
— Agora, podem ficar tranquilos, pois o perigo já passou.
O garoto ficará bom.
Essa moça salvou a vida dele.
Ele só tem que repousar.
Por isso, achei melhor deixar que passasse a noite aqui para ficar em observação.
Podem ir embora e, amanhã pela manhã, poderão vir buscá-lo.
— Não vou deixar o meu filho sozinho! — disse Consuelo.
— Não se preocupe, senhora.
Ele ficará bem, só precisa repousar.
É melhor que não fique algum conhecido.
Já percebi que é um tagarela e se alguém ficar com ele, não vai parar de falar um minuto.
Se quiserem, podem entrar e se despedirem.
Claro que todos quiseram.
Um a um foram entrando no quarto.
Dona Consuelo, muito nervosa, falou:
— Robertinho, vou mandar a bicicleta embora.
Seu irmão não devia ter dado um presente tão perigoso!
Um pouco tonto, por causa da anestesia local que havia tomado, Robertinho disse baixinho:
— Que é isso, mamãe!
Não vai mandar minha bicicleta embora!
Logo vou andar outra vez!
Foi só uma pedrinha!
Ele estava realmente bem, um pouco fraco, mas logo ficaria bom.
Célia foi a única que não entrou no quarto.
Consuelo não a vendo, deixou os outros com Robertinho e saiu indo ao encontro dela.
Sabia que precisavam conversar.
— Quero agradecer muito por tudo que fez por meu filho!
- Não agradeça!
A senhora e eu sabemos que o menino não é seu filho.
Ele é meu e vou levá-lo embora.
_ Não pode fazer isso!
Ele é a razão das nossas vidas e, afinal, a senhorita o abandonou sem se preocupar com o que aconteceria com ele!
Não é justo agora vir tirá-lo de nós!
— Não o abandonei! — Célia gritou desesperada e chorando muito.
Ele foi tirado de mim!
Agora que o encontrei, ninguém mais vai me separar dele! Ninguém!
Nesse exacto momento os outros voltaram e puderam ainda escutar as últimas palavras de Célia.
Seu Pedro correu para junto da esposa, que chorava copiosamente.
— Consuelo!
O que está acontecendo aqui?!
— Ela vai tirar o Robertinho da gente!
Ela vai tirar o Robertinho da gente!
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:44 pm

— Como assim, tirar?!
Como pode?!
— É a mãe dele!
— Não quero saber quem é!
Ele só tem uma mãe!
Você, Consuelo, que o criou com todo amor e carinho!
Se ela é mesmo a mãe dele, não tem direito algum!
Ela o abandonou.
— Não o abandonei!
Ele foi roubado!
— Não me interessa o que aconteceu!
Ele é nosso filho e ninguém vai tirá-lo! Ninguém!
— Isso é o que veremos! — Célia disse furiosa.
Sou sua mãe e tenho os meus direitos!
— Que direitos?
Não tem direito algum!
Você o abandonou!
Zeca, percebendo que todos estavam nervosos, disse:
— Esperem! Esperem!
Estão muito nervosos.
Não é gritando um com o outro que resolverão esse problema.
Acalmem-se.
Consuelo olhou para ele e disse desesperada:
— Zeca! Como me acalmar?
Ela disse que vai tirar o meu menino!
Não posso permitir...
— Não podemos ficar discutindo aqui no meio do corredor de um hospital.
O médico disse que não é aconselhável ficarmos aqui.
Agora, tenho que concordar com ele.
Vamos embora, lá em casa conversaremos e encontraremos uma solução...
Simão e Paulina também concordaram.
Paulina abraçou Célia e a conduziu para fora.
Zeca fez o mesmo com Seu Pedro e Consuelo.
O delegado e Elias, que ficaram lá fora esperando, assustaram-se ao ver as duas mulheres chorando e sendo amparadas.
— Zeca, o que aconteceu?! — Perguntou o delegado.
Ouvi o médico dizer que o Robertinho estava bem!
— Não se preocupe, delegado.
Robertinho está bem.
Elas só estão um pouco nervosas, mas logo ficarão bem.
— Puxa, Zeca!
Levei um tremendo susto!
— Ele está muito bem.
Precisa passar esta noite aqui, só para observação.
Amanhã viremos buscá-lo.
Agora iremos para casa.
A viagem de volta foi silenciosa.
Nenhum deles tinha o que falar.
Pedro e Consuelo voltaram no carro do delegado.
Os outros, com Elias.
Foram todos para a casa de dona Consuelo.
Regina estava esperando-os.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:44 pm

Havia terminado o seu turno no posto de saúde.
Assim que os viu chegar, percebeu que dona Consuelo chorava muito.
Correu para eles.
— Zeca! O que aconteceu?
Por que voltaram sozinhos?
Onde está o Robertinho?
— Calma, calma, meu amor.
Ele está bem, só ficou no hospital para observação.
Amanhã cedo iremos buscá-lo.
— Por que a dona Consuelo está chorando tanto?
— E uma outra história, mas só saberemos mais tarde.
Agora vamos deixá-los a sós.
Pedro e Consuelo desceram do carro.
Elias e o delegado foram embora.
Simão disse:
— Elias, depois passe lá no bar.
Eu pagarei a corrida.
— O que é isso Simão!
Não quero pagamento algum!
Estou feliz por ter ajudado o nosso menino!
Ligou o carro, acenou, adeus e foi embora.
Zeca, Simão, Regina e Paulina estavam indo embora, quando Célia disse:
— Meus amigos, este é um momento muito importante em minha vida.
Por favor, fiquem comigo, preciso de vocês.
Olharam-se, não sabiam o que fazer.
Paulina colocando o braço em volta dos ombros de Célia, disse:
— Tem certeza que é isso mesmo o que quer?
— Sim, vocês hoje são minha a família.
— Se é assim que nos considera, não podemos recusar.
Afinal, uma família tem que estar sempre unida.
Na alegria e na tristeza.
Vamos lá pessoal!
Todos juntos!
Concordaram e entraram.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:45 pm

Uma História Inacreditável
Entraram juntos na casa de Consuelo, que continuava chorando, abraçada a seu marido.
Pedro mostrou uma cadeira para cada um em volta da mesa da cozinha.
Sentaram-se.
— Senhorita - disse Consuelo - sei que não me conhece, mas sabe que tenho sido uma boa mãe.
Eu o amo com todo o meu coração, só lembrei que não era meu filho verdadeiro hoje.
A senhorita não pode tirá-lo de mim! Por favor!
— Senhora, sinto muito, mas ele é o meu filho que estou procurando há vários meses.
Agora que o encontrei, não posso me separar dele.
Nunca mais.
A senhora também não pode pedir isso.
Não pode me impedir de, finalmente, ser feliz...
— Esperem, creio que está na hora da Célia contar por que abandonou seu filho.
— Paulina! Não o abandonei!
Foi tirado, roubado!!
— Acalme-se e nos conte tudo.
Sei que encontraremos uma solução, boa para todos e principalmente para o Robertinho, Célia.
— Obrigada, Zeca.
Vou começar do início.
Pertenço a uma família tradicional, que possui muitas fazendas de café e gado.
Nasci e fui criada com tudo o que um ser humano precisa e até mais.
Sempre gostei de estudar e, apesar de todo o dinheiro, nunca fui muito apegada a ele.
Sempre quis ter o meu lar, casar e ter muitos filhos.
Meus pais não entendiam por que eu era daquela maneira.
Desde os quinze anos, sempre quis trabalhar.
Meu pai, depois de muita insistência de minha parte, concordou e comecei a trabalhar em um escritório dele, que cuidava de todas as propriedades e dinheiro das fazendas.
Aos poucos, fui aprendendo e logo ele deixou quase tudo sob minha responsabilidade.
Quando fiz dezoito anos, tive mais liberdade para tomar decisões e comecei a assinar papéis em nome do meu pai, evitando assim que ele fosse obrigado a ir todos os dias ao escritório.
Fui fazer o vestibular, passei e comecei a estudar na faculdade de direito.
Lá, conheci um rapaz simples, mas muito educado.
Sempre tímida, encontrava muita dificuldade em me relacionar com as pessoas.
Assim que o conheci, começamos a conversar.
Sempre só como amigos.
Aquela amizade foi crescendo.
Ele tinha dificuldade em algumas matérias.
Como sempre estudei em escolas boas, tinha mais facilidade para aprender.
Assim começamos a estudar juntos.
Primeiro na biblioteca da faculdade, depois em minha casa.
Meus pais nunca estavam, viajavam muito.
Precisavam percorrer as fazendas.
Fui criada por Isaura, uma governanta que me viu nascer.
Uma tarde de Domingo em que preparávamos um trabalho, que deveria ser entregue na segunda-feira, deixei cair alguns papéis, nos abaixamos para pegá-los.
Nossas mãos se tocaram e nossos olhos se cruzaram.
Nos levantamos, sem conseguir afastar os olhos e sem perceber estávamos nos beijando.
Foi uma surpresa para os dois, pois até aí, nunca pensamos que poderíamos ter qualquer tipo de relação, que não fosse de amizade.
Não entendíamos o que estava acontecendo, mas estávamos felizes...
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:45 pm

Célia parou de falar.
Seus olhos estavam parados.
Seu pensamento estava todo no passado.
Todos a ouviam com atenção e sabiam que aquele momento estava sendo muito difícil para ela.
Mas em seguida, ela forçou um sorriso e continuou:
— Nos beijávamos com muito ardor.
Quando finalmente nossos rostos separaram-se.
Ele falou:
" — O que está acontecendo aqui?
— Não sei, mas preciso confessar que gostei...
— Nunca pensei em você, a não ser como amiga!
— Nem eu! Por isso, não sei o que está acontecendo.
Vamos esquecer e fazer de conta que nada aconteceu.
_ Estou de acordo.
Não quero que nada interfira em nossa amizade.
Gosto muito de você e não quero que nossa amizade se estrague com um namoro inconsequente..."
Resolvemos esquecer o episódio e continuar a nossa amizade.
Continuamos o nosso trabalho, quando terminamos ele foi embora.
Pela primeira vez, não me beijou no rosto como sempre fazia.
Fui para o meu quarto.
Por mais que tentasse, não conseguia esquecer aquele beijo.
Ele disse mais tarde, que também aconteceu o mesmo com ele.
No dia seguinte, na faculdade, entregamos o trabalho ao professor e tentamos conversar, mas não conseguimos.
Alguma coisa nos impedia de sermos amigos como éramos antes.
Evitávamos, qualquer contacto.
Eu por ter descoberto que o amava, mas sabia que ele via em mim apenas uma amiga.
Ele, pelo mesmo motivo.
Os dias passaram, nunca mais tocamos no assunto.
Um dia chovia muito e sai correndo para pegar o meu carro, que estava estacionado em frente à faculdade.
Estava com um guarda-chuva e com muitos livros olhando para o chão e correndo.
Tropecei em algo que não sei o que foi.
Estava caindo quando ele me segurou.
Eu não sabia que ele estava logo atrás de mim.
Novamente estávamos um nos braços do outro.
Só que desta vez, sabíamos que seria para sempre.
Não conseguimos evitar e nos beijamos novamente, mas agora com amor e desejo.
Quando nos soltamos, a chuva continuava, estávamos molhados, mas nada mais importava.
Nos amávamos, nada e nem ninguém poderia nos separar.
Fomos para minha casa, como sempre não havia ninguém.
Em meu quarto todo aquele amor defluiu.
Nos amamos com todo o ardor e emoção, de quem encontra pela primeira vez o amor.
Estávamos felizes.
Eu sabia que meus pais não tinham preconceito de nada.
Não iriam se importar ao saber que ele era um rapaz pobre, vindo do interior e que morava com os pais em um bairro afastado da cidade.
Apesar da faculdade, eu continuava trabalhando no escritório.
Ele fazia estágio em um escritório de advocacia.
Nos encontrávamos e nos amávamos todas as noites.
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Ave sem Ninho

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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:45 pm

Se meus pais estivessem em casa, íamos para um hotel.
No escritório, a rotina diária continuava.
Minha secretária, Elaine, era eficiente e eu confiava plenamente nela.
Trazia os documentos para eu assinar e eu nem sequer os lia.
Ela simplesmente mostrava e eu assinava.
No meu aniversário, convidei-o para ir até a minha casa, pois haveria uma grande festa.
Meu irmão viria do Mato Grosso, onde morava e cuidava da Fazenda de gado.
O outro morava no interior de São Paulo.
Dos três, eu sou a mais nova.
Eles já são casados e tenho cinco sobrinhos.
O meu namorado a princípio não queria ir à festa, mas depois aceitou.
Eu o apresentaria a minha família.
No dia da festa, a casa toda estava iluminada.
O grande salão foi aberto aos convidados.
Eu estava muito feliz.
Tudo estava dando certo em minha vida.
Tinha uma família maravilhosa e, agora, ao meu lado, o homem que amava.
Ele chegou tímido, mas muito bem vestido.
Fui apresentando a todos que o receberam muito bem.
Quando chegamos perto dos meus pais, eu disse:
"— Este é o Fábio, meu namorado..."
— O nome do meu filho é Fábio.
_ É dele que estou falando, do seu filho, dona Consuelo.
— O que está dizendo que seu namorado era o meu filho?!
Está mentindo!
Ele nunca namorou com nenhuma Célia!
Só com uma moça chamada, Marisa!
_ Meu nome é Marisa e sou aquela namorada.
— Não pode ser!
Ele disse que você o abandonou!
— Sei que ele pensa isso, mas não foi a verdade.
Vou continuar para que possam entender o que aconteceu.
Naquela noite ao apresentá-lo a meu pai, foi muito bem recebido.
" — Estou feliz por recebê-lo em minha casa! — meu pai disse com um sorriso.
A que família o senhor pertence? "
— Fábio ficou encabulado, eu respondi:
" — Não é de família tradicional, nem rica.
Mas é o homem que amo e com quem vou casar.
— Casar?! Minha filha, você é ainda muito jovem!
Antes disso, tem muito para estudar, mas gostei muito do seu namorado.
Meu jovem, será sempre bem-vindo em minha casa!
— Obrigado, senhor."
Daquele dia em diante Fábio começou frequentar a minha casa, mesmo quando meus pais estavam.
Tudo corria bem.
Eu e Fábio continuávamos estudando juntos.
Nos amando cada vez mais, até que senti necessidade de ir ao médico.
Precisava tirar uma dúvida, que estava me atormentando há vários dias.
As minhas dúvidas tinham fundamentos.
Eu estava grávida.
Contei a Fábio que, a princípio, ficou assustado.
Estávamos em provas finais.
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Ave sem Ninho

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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:46 pm

Logo estaríamos em férias.
" — Como, grávida?!
O que vamos fazer?!
Não tenho um emprego com que possa sustentar essa criança!
— Isso não importa!
Vamos nos casar e teremos o nosso filho sem problemas!
— Casar?! Acha que seus pais irão me aceitar?!
Sou um pobre estudante, que não tem onde cair morto!
Meus pais são pessoas de bem, mas não somos ricos!
Seu pai não vai aceitar!
— Eles querem apenas a minha felicidade, Fábio.
Sabem que ela está ligada a você.
Falarei com eles e tudo ficará bem!
— Te amo e não quero te perder por nada desse mundo!
Sempre quis casar e ter vários filhos, por isso estou estudando tanto.
Desejo ser um advogado famoso e com isso ganhar muito dinheiro para dar a você, tudo o que precisar.
— Só preciso de você para ser feliz, todo o resto já tenho.
Te amo, e agora, com a chegada do nosso filho, a minha felicidade será completa!
— Você é mesmo uma louca!
Por isso é que te amo!"
— Naquela mesma noite, contei aos meus pais o acontecido, que seriam avós.
A princípio meu pai ficou muito bravo:
—Como pôde fazer isso?
Ainda tem muito para estudar e é muito jovem!
Como vai cuidar dessa criança?!
—Vamos nos casar e moraremos aqui.
Enquanto eu estiver trabalhando ou na faculdade, a Isaura cuidará da criança.
— O seu namorado, o que acha de tudo isso?
—Ele quer ter a nossa própria casa, mas também está estudando, sei que será um grande advogado!
— Enquanto esse dia não chega, querem morar aqui?
Já perguntou a mim, ou a sua mãe se aceitamos?!
— Estou perguntando agora.
Se não aceitarem, não tem problema, com o salário que ganho no escritório e mais um pouco que ele ganha no estágio, poderemos alugar um apartamento pequeno e tudo dará certo.
Só precisam entender, que nos amamos, e seremos muito felizes.
— Quem vai cuidar da criança, se forem morar sozinhos?!
— Falaremos com a mãe do Fábio!
Sei que ficará feliz!
- Meu neto vai ser criado por uma caipira qualquer e morar em um bairro da periferia?!
Nunca! Nunca, mesmo!
— Viu por quê te amo, papai!
Sabia que iria aceitar.
Por isso, nem perguntei.
Sabia que aceitariam! "
— Sai de casa, fui encontrar com o Fábio e contei tudo a ele que ficou um pouco desconfiado.
" — Se tem certeza de que está tudo certo, então só me resta concordar.
Tenho que falar com os meus pais.
Eles não estão aqui.
Foram para a minha cidade visitar alguns familiares, ver como está a nossa casa e ficarão lá por alguns dias.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 13, 2017 7:46 pm

— Está bem, assim que voltarem, faço questão de ir conhecê-los.
Daremos a notícia juntos. O que acha?
— Também ficarão assustados, mas depois aceitarão.
Já falei muito a seu respeito.
Só não imaginam que serão avós! "
— Era uma sexta-feira, pela manhã eu estava trabalhando no escritório, assinando alguns papéis.
Minha secretária avisou que o Fábio queria me ver.
Estranhei, pois ele não costumava ir ao escritório.
Pedi que entrasse.
" — Que aconteceu, Fábio?
Deve ser algo grave!
" Nada disso, Marisa!
Por que sempre temos que achar, que só nos podem acontecer coisas ruins?
— Melhor assim, mas o que aconteceu?
— Vou aproveitar o fim de semana e ir para a minha cidade visitar meus pais e contar tudo sobre nós.
— Não havíamos combinado que iríamos juntos?
— Sim, mas acho melhor eu ir primeiro para preparar o coração deles.
Vou hoje, à tarde, e volto no domingo à noite.
Na semana que vem iremos juntos, assim não serão pegos de surpresa.
Sabe que sou filho único e isso, às vezes, pode ser um problema.
Conheço meus pais e sei como lidar com eles."
— Concordei com Fábio e ele foi embora.
À tarde, o telefone tocou.
Elaine disse ser o meu irmão do Mato Grosso.
Atendi distraída.
Estava colocando alguns papéis em ordem.
" — Alô Jonas! Tudo bem?
Papai e mamãe estão aproveitando bem e descansando?
— Estou te ligando justamente por isso, Marisa.
Papai não está bem, foi internado em um hospital!
— Como? Que aconteceu?
— Sofreu um enfarte, mas consegui socorrê-lo a tempo.
Está querendo te ver!
Venha urgente! Venha de avião.
Pegue uma linha convencional, pois o nosso avião está aqui.
Telefone para o aeroporto e veja a que horas sai o primeiro avião.
Depois me telefone porque estarei te esperando no aeroporto daqui!
— Está bem. Vou fazer isso agora mesmo e voltarei a te telefonar.
Por favor, cuide bem do papai! "
— Muito nervosa, desliguei o telefone.
Falei com o aeroporto e o avião partiria dali a duas horas.
Não podendo falar com Fábio, escrevi um bilhete contando o acontecido.
Não tinha o telefone da casa de seus pais.
Entreguei o bilhete a Elaine pedindo que, na segunda-feira, se eu ainda não tivesse voltado e ele me procurasse, ela contasse o acontecido e entregasse o bilhete.
Fui para casa, coloquei algumas roupas em uma maleta e fui para o aeroporto.
Quando cheguei em Cuiabá, meu irmão estava me esperando.
Parecia tenso e nervoso.
Fomos imediatamente para o hospital.
Meu pai estava em um quarto e minha mãe ao seu lado.
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