A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 20, 2017 7:31 pm

Ela falava de uma maneira tão firme.
Seus olhos brilhavam.
Regina a olhou e agora, sim, via ao lado de Paulina uma entidade, na forma de mulher, que, carinhosa e sorrindo, a abraçava por trás.
De suas mãos jorravam pequenos raios de luz, que eram jogados sobre todos.
Regina, ao ver aquela entidade tão bonita, sorriu.
Fábio, também percebeu o sorriso de Regina e acompanhou os seus olhos, que estavam fixos na entidade.
Sentiu um arrepio pelo corpo.
Não via a entidade, mas os pequenos raios de luz, sim, nitidamente.
Não entendia, mas sentiu que algo estava acontecendo.
Ele não podia acreditar, durante toda sua vida foi sempre muito céptico em relação a religiões e até a Deus.
Possuía uma teoria política que dizia ser a religião o ópio do povo, assustado, pensou:
" O que é isso que estou vendo?
Será que sou só eu? "
Olhou para os outros que continuavam conversando.
Regina, seguindo a orientação da entidade, olhou para ele:
— Parece preocupado, Fábio, por quê?
Ele um pouco sem jeito, respondeu:
— Por nada... por nada.
Estou só ouvindo a Paulina.
Os outros se voltaram para eles.
Zeca olhou para Regina que com os olhos, tentou mostrar a ele a entidade.
Zeca não viu mas sabia que algo acontecia.
Regina olhou para Fábio que continuava intrigado e, com um sorriso, tornou a perguntar:
_ Fábio, que cara é essa?
Parece que está vendo um fantasma!
_Eu? Não!
Só estou preocupado com Paulina.
_ Não precisa ficar preocupado, Fábio, estou muito bem!
Regina e Zeca sorriram.
Fábio continuou olhando para a luz com os olhos parados.
A entidade sorria para Regina:
_ Não se preocupe.
Ele não está me vendo, só às luzes.
Precisava ter algo para acreditar.
Meu nome é Vitória, sou antiga amiga da Paulina e a ajudei a tomar uma decisão.
Quando terminou de falar, desapareceu.
Regina não a viu mais.
Voltou a atenção para Paulina, que continuou falando:
— Depois de pensar muito, resolvi que vou fazer os exames e se estiver doente vou aproveitar o resto de minha vida.
Não quero mais continuar com essa dúvida.
— Pode não ter se contaminado!
— Não sei, Regina, mas mesmo que tenha, vou continuar, ao lado de vocês, no projecto do Grotão..
Célia se aproximou a abraçou por trás, ocupando o lugar em que a entidade estivera e disse:
— Essa é a melhor decisão que poderia ter tomado.
— Estou decidida, mas no fundo tenho medo de ir sozinha.
Será que vocês poderiam ir fazer os exames comigo?
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 20, 2017 7:31 pm

—Mas é claro! — respondeu Regina.
Não precisava ter pedido!
Não vamos te abandonar num momento como esse!
Quando quer ir?
Preciso pedir uns dias de folga no posto.
— Que tal amanhã? Pode ser?
— Está óptimo!
Hoje mesmo vou pedir minhas folgas, tenho muitas guardadas.
Não haverá problema algum.
Está bem, Fábio?
Quando você vai para Brasília?
Fábio, pensativo, não escutou.
Célia voltou a perguntar:
Fábio, quando vai voltar para Brasília?
O quê? Amanhã. Preciso ir.
Tenho que adiantar o meu trabalho, para poder tirar férias e me casar com você, amor.
Todos riram, sabiam que eles estavam mesmo apaixonados.
Vou falar com o Elias e, amanhã cedo partimos para a capital.
Ficaremos na minha casa o tempo que for necessário.
Paulina, embora falasse com firmeza, sentia muito medo.
Simão a olhou com um olhar apaixonado:
— Paulina, quero que saiba que, aconteça o que acontecer nada poderá mudar o que descobri estar sentindo por você.
Paulina apenas sorriu.
Terminaram de tomar o café, despediram-se.
Paulina foi para casa.
Célia foi até a praça avisar para as crianças que, por causa do dia chuvoso, não haveria aula de pintura.
Zeca e Regina seguiram junto com Fábio.
Caminharam um pouco, quando Regina perguntou:
— Fábio, por que ficou assustado?
O que foi que viu?
— Nada! Só estava preocupado com a Paulina.
— Não precisa disfarçar.
Sei que viu luzes caindo.
— Como sabe?! Também viu?!
— Vi, não só as luzes, mas também quem as estava jogando.
— Havia alguém jogando?!
— Sim, uma bela mulher.
Seu nome é Vitória, está sempre ao lado de Paulina.
É sua antiga amiga e, agora, guia espiritual.
— O que é isso?
— Poderia dizer que ela é o anjo da guarda de Paulina.
— Anjo da guarda?! Isso não existe!
Isso tudo nos foi ensinado por poderosos para que tudo fosse aceite como sendo à vontade de Deus e não lutássemos contra a tirania.
— Ainda acredita nisso?
Que luzes eram aquelas?
O poderoso pode até usar Deus para tiranizar, mas isso não quer dizer que Ele realmente não exista.
— Enquanto o povo acreditar que tudo é vontade de Deus, esse mesmo povo, nunca terá o seu lugar na história.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 20, 2017 7:31 pm

—Apesar dos tiranos e do materialismo, a humanidade vem crescendo, evoluindo e conquistando seu espaço.
Deus não quer o homem escravo, mas sempre evoluindo.
— Não posso desmentir que fiquei intrigado com as luzes, mais ainda quando percebi que os outros não as estavam vendo, mas não posso dizer que seja uma manifestação de Deus.
— Acreditar ou não, não é importante.
O importante é que você, a partir de hoje, sentirá vontade de descobrir mais.
_ Nunca serei religioso, me deixando influenciar por padres ou similares.
Eles só pensam em seu próprio bem estar.
Deus está acima de qualquer religião.
Está presente dentro de cada um e não é necessário pertencer a uma religião para receber as suas graças.
Ele é um Pai amoroso.
Talvez você veja novamente luzes ou até mesmo quem as esteja jogando.
Não se assuste, quando chega a hora de trabalharmos para a nossa evolução ou ajudar as demais pessoas, a presença de Deus se faz notar.
Acredito que a sua hora chegou.
_ Não venha me dizer que vou ter que receber espíritos!
Não, não estou falando isso.
Receber espíritos é o que menos importa.
O importante é começar a enxergar em cada pessoa um irmão e, se for possível, ajudar.
Caminhar sempre com a vontade de aprender sem nunca julgar, sabendo que você é responsável por sua vida e por seu futuro espiritual.
— Vou pesquisar sobre isso.
Realmente, agora estou intrigado.
Não posso negar o que vi.
— Existem vários livros que tratam do assunto.
As pessoas que os escreveram, passaram por experiências, estudaram e se convenceram.
E só procurar.
— Vou te contar algo que aconteceu comigo. — disse Zeca.
Contou o que havia acontecido com ele, quando viu e ouviu o irmão e sobre o seu pai e a esposa do Elias.
_ Você viu, Fábio, quando Regina descreveu a esposa de Simão sem nunca tê-la visto.
Isso prova que ela realmente, vê algo que os olhos humanos não conseguem ver.
— É... tem muita coisa que preciso pesquisar.
Estudar, pesquisar e procurar é a melhor coisa que se pode fazer.
Dizer simplesmente que não acredita não é o certo.
E muito cómodo. Não dá trabalho.
E... Zeca... acho que tem razão.
Vi realmente aquelas luzes, não posso negar.
Só preciso descobrir de onde vieram.
Chegaram em frente à casa de Regina:
Querem entrar?
Preciso arrumar minha mala e deixar algumas coisas em ordem para que a Clara não se perca.
Não sei quanto tempo vai demorar o resultado dos exames de Paulina, só sei que ficarei ao lado dela o tempo necessário.
Amanhã irei para Brasília.
Também preciso me preparar, só que é para a minha lua de mel.
— Eu ficarei hoje o dia inteiro na preguiça.
Com esse dia, não posso trabalhar.
Por isso, ficarei brincando com Robertinho.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 20, 2017 7:32 pm

Assim será mais fácil para ele esperar o dia de tirar os pontos.
Zeca beijou Regina e saiu acompanhado por Fábio.
No fim da tarde, tornaram a se encontrar no bar.
O assunto foi a respeito do Grotão.
Zeca queria começar fazendo as casas.
Simão, a estrada que daria acesso.
Célia, os quiosques.
Elias parou o táxi em frente ao bar.
_ Boa-tarde, pessoal.
Dona Regina, preciso lhe agradecer!
Minha esposa está bem, voltou a ser a mesma mulher de antes.
Devemos tudo a Senhora!
Muito obrigado...
—A mim, não! Devem a Deus.
Apenas fiz o que qualquer pessoa pode fazer.
Confiar em Deus e orar, só isso.
Fico feliz que ela esteja bem.
Só podemos agradecer a Deus e continuar vivendo.
Fazer o possível para sermos sempre melhores e, assim, caminharmos para Ele.
Todos podem ajudar.
O dinheiro é importante e necessário.
— Que podemos fazer?
Não temos muito dinheiro.
Precisamos dele, mas a sua falta não é desculpa para não se ajudar.
Todos sanemos fazer algo para poder ensinar.
— Minha mulher sabe costurar muito bem!
— Ela pode ensinar algumas mulheres do Grotão.
Elas, costurando, podem ganhar um pouco de dinheiro para ajudar nos gastos da casa ou costurarem para si mesmas e seus filhos.
— É... ela pode fazer isso mesmo.
—Viu como todos podemos ajudar?
Combinaram com ele a viagem para o dia seguinte.
Foram embora.
Célia e Fábio foram para a casa dele.
Consuelo os esperava para um jantar de despedida, pois ele voltaria para Brasília no dia seguinte.
Regina e Zeca foram para a casa dela.
Eles disfarçavam, mas estavam preocupados com Paulina.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 20, 2017 7:32 pm

Ritual Necessário
No dia seguinte bem cedo, os rapazes estavam no bar.
Elias passou pela casa de Paulina.
Depois pegou Célia, Regina e as bagagens.
Pararam no bar, tomaram café e seguiram viagem.
Durante a viagem, foram apreciando a paisagem.
Muito verde, as flores nas árvores com muitas cores, era tanta beleza que se seria quase impossível para um pintor imitá-las.
Embora o dia anterior tivesse sido nublado e chuvoso, esta manhã estava maravilhosa.
O sol brilhava com todo o seu esplendor.
Conversavam sobre tudo.
Falavam sobre o Grotão, como seria depois que tudo estivesse pronto.
Finalmente, chegaram na casa de Paulina e uma senhora veio recebê-las.
— Senhora! Que bom que voltou.
Estou muito feliz.
— Olá, Dirce!
Também estou feliz por ter voltado.
Estas são minhas amigas, Célia e Regina, elas ficarão alguns dias aqui em casa.
Prepare, por favor, o almoço e os seus quartos.
— Sejam bem-vindas!
Arrumarei tudo para que fiquem bem instaladas, se precisarem de algo mais é só falar.
— Não se preocupe, estaremos bem. — disse Célia.
Enquanto Célia respondia para Dirce, Regina olhava a bela sala, em um canto junto a uma janela, havia um piano.
Na parede, quadros de pintores famosos.
Olhou para a escada que levava aos quartos e por ela, viu um vulto que descia correndo em direcção à Paulina.
Chegou junto dela a abraçou e beijou.
Paulina não percebeu e continuou falando:
— Espero que fiquem bem.
Vou telefonar para Ferraz.
O vulto continuava junto dela, vendo que ela o ignorava ficou desesperado e começou a gritar:
_ Paulina, não me ignore, por favor!
Estive aqui o tempo todo te esperando!
Sei que o que fiz não foi certo, mas te amo e não quero mais ficar longe de você.
Tentei me matar e não consegui.
Você tem que me perdoar e voltar a viver comigo!
Regina o olhava.
Percebeu que ele não sabia que havia morrido.
Ficou intrigada, pois nunca pensou que isso pudesse acontecer.
Embora estivesse com sangue pelo rosto e corpo, ele não se dava conta de estar morto.
Como poderia ser aquilo?
Olhou novamente para a escada, viu Vitória que sorria.
— Está intrigada? — Vitória perguntou em pensamento.
— Sim — Regina também respondeu em pensamento — parece que ele não sabe que desencarnou...
— Não sabe mesmo.
Acha que não conseguiu se matar.
Isso acontece muitas vezes com as pessoas que não acreditam na vida após a morte.
No momento em que percebeu ainda estar vivo, se arrependeu por ter tentado o suicídio.
Sentiu que não devia ter abandonado a esposa em um momento tão difícil porque, segundo ele, havia sido culpado por todo o sofrimento que ela passaria.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:24 pm

Se arrependeu e pediu perdão a Deus.
Como tem muitos amigos espirituais e encarnados que intercederam por ele, foi permitido que continuasse vivendo aqui, nesta casa, até o dia que ela o perdoasse e o fizesse ver que já não pertencia mais ao mundo dos vivos.
— Vai ser difícil ela o perdoar.
Pior se estiver doente.
— Nada é impossível para Deus.
Só precisamos esperar e acreditar na força do amor que existiu e ainda existe no coração dela.
Não tenho como interferir, só posso ficar ao seu lado, como sempre estive, desde o dia em que nasceu.
— Posso ajudar de alguma maneira?
— Pode e deve.
A sua missão é exactamente essa.
Ajudá-los, principalmente, Arnaldo.
— Que posso fazer? Não sei...
— Na hora certa, as palavras surgirão em sua mente, como tem ocorrido sempre.
Arnaldo continuava abraçando Paulina.
Chorava desesperado acreditando que ela o ignorava para castigá-lo.
_ Paulina, não faça assim!
Sei que tem motivo para me odiar, mas estou te pedindo perdão... quero voltar a ser o teu marido...
Quero continuar te amando como antes.
Lembra como éramos felizes?
Continuo te amando!
Paulina continuava conversando, agora por telefone, com o doutor Ferraz.
Ele, feliz, disse:
— Paulina, que bom que retornou.
Fiquei muito preocupado por não querer fazer os exames.
Se tiver a doença, sabendo antes, poderemos evitar muito sofrimento.
Está sentindo algum sintoma?
— Não, Ferraz.
Estou muito bem, só cheguei à conclusão de que não posso mais evitar esse momento.
Tenho que saber se estou doente e em que grau.
Por isso, marque os exames.
Precisa ser logo, pois tenho que voltar para a minha cidade.
— Voltar para aquele fim de mundo?
Por que não fica aqui e volta para o escritório?
Seu cunhado tomou o lugar do Arnaldo, está cuidando muito bem de tudo, mas seria bom para você voltar a trabalhar.
Não pode ficar sem trabalho.
— Não posso voltar.
Tenho lá, na minha cidade, um projecto que preciso ajudar.
Assim que tudo estiver pronto talvez eu volte, mas, por enquanto, não.
Agora preciso desligar.
Até mais, Ferraz.
Regina percebeu que Arnaldo não conseguia escutar o que Paulina falava.
Ele continuava abraçado a ela, que sentiu como uma pontada na cabeça e uma pequena dor.
Colocou a mão na cabeça e fechou os olhos.
Regina percebeu que ela estava com a dor que ele próprio sentia.
Olhou firme para ele.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:25 pm

Elevou o seu pensamento a Deus, pedindo ajuda e disse:
_ Arnaldo, por favor, me ouça, não pode continuar abraçado à Paulina assim.
Sua energia causa problemas.
Ele não a ouviu, nem viu.
Continuou abraçado a Paulina:
Estranho, estava tão bem e agora começou uma dor de cabeça que está se tornando insuportável. — disse Paulina, assim que desligou o telefone.
Regina não sabia o que fazer.
Tudo o que havia aprendido, agora, parecia não surtir efeito.
Com os outros sempre conseguiu falar, mas com ele estava sendo inútil.
O almoço ficou pronto.
Almoçaram e voltaram para a sala.
Regina continuou pedindo ajuda.
Vitória se fez notar novamente:
No estágio em que está, Regina, ele não vê, nem ouve.
Só consegue ver a esposa.
Por mais que você tente, não vai conseguir fazer com que te ouça.
— Como, não?
Ele vai ficar para sempre assim?
— Não, ele precisa entender que desencarnou.
Para isso, ele vai precisar de sua ajuda e da Paulina.
— O que posso fazer?
Paulina não vai querer ajudar, ela sente ainda muita mágoa.
_ Nada permanece igual para sempre.
Todos mudam e sempre para melhor.
Espere, no momento certo, terá instruções.
— Regina! O que está fazendo com os olhos fixos dessa maneira?
— Estou só pensando em como a sua casa é linda, Paulina.
— Gostaria de conhecer o resto dela?
Paulina as levou às dependências da casa.
Ao chegar perto do escritório, disse emocionada:
— Desculpem, aqui é o escritório.
Não quero abri-lo...
— Tudo bem, não precisa.
Estamos satisfeitas com tudo o que vimos e a sua casa é realmente muito bonita.
Não é, Regina?
— É sim, Célia, é linda!
Paulina, não sei se foi a viagem, mas estou cansada.
Poderia descansar um pouco?
— Claro que sim.
Venha, vamos até o seu quarto.
Estamos todas cansadas.
Se quiser, Célia, poderá também descansar.
_Não, prefiro ficar no jardim apreciando a natureza!
Regina percebeu que Arnaldo, agora, caminhava junto de Paulina, falando, gritando e a sacudindo, mas ela nada sentia.
Regina concentrou-se e voltou a fazer uma oração.
Não sabia o que fazer num caso como aquele.
Ele não a notava, portanto não havia como lhe falar.
Paulina abriu uma porta e Regina ficou encantada com o que viu.
Entrou em um quarto lindo.
Viu uma cama grande e aconchegante. Deitou-se.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:25 pm

Estava quase dormindo, quando percebeu Vitória aos pés da cama.
Sentiu que aquele cansaço inesperado havia passado.
— Está aí?
Senti tanto sono, mas agora estou bem.
— Fui eu quem fez você sentir sono.
Precisava falar com você, mas a sós.
Para Arnaldo continuar o seu caminho e Paulina também seguir o seu, será necessário que me ajude.
— Tudo o que eu puder fazer, farei de muito bom grado...
— Ele precisa saber e entender que não está mais vivo.
— O que preciso fazer?
Ele não me vê ou ouve...
— Paulina ainda sente rancor e mágoa.
Tomada pelo ódio, não assistiu ao seu sepultamento, por isso ele ainda continua vivo dentro dela.
É preciso que ele compreenda que morreu, e que ela o perdoe e o enterre.
Só assim ficarão livres.
— Onde eu entro?
— Precisa contar a ela que eu e ele estamos aqui.
— Ela vai acreditar?
— Presenciou a tua visão a respeito da esposa do Simão e já leu a respeito.
Estarei ao teu lado, te intuindo no que dirá.
Ela precisa ir até o escritório onde tudo aconteceu.
Lá, faça com que te conte todo o ocorrido, em detalhes.
— Ela não vai querer!
Sofre muito cada vez que se lembra!
— Diga que é preciso para ajudar Arnaldo.
Apesar de tudo, ela sempre o amou e não vai se recusar.
— Ele precisa entrar no escritório e Paulina tem que te contar como tudo aconteceu.
Enquanto ela falar, você ficará em oração.
Assim que ela terminar, diga a ela que ele está ali e que precisam conversar.
Diga que vocês vão a um lugar e que ele deve acompanhá-las.
Provavelmente a essa altura, ele já estará te vendo.
Juntas, devem ir a um cemitério.
Ali, acenderão velas, ao mesmo tempo em que Paulina mostrará a sepultura, dizendo que o corpo dele está ali, que já não pertence mais à Terra e que, naquele dia, ele realmente conseguiu se matar.
Só que a vida continua e por isso ele deve olhar para frente e encontrar alguém que o acompanhará.
Se ele aceitar, poderá me ver e me acompanhar.
— Não estou entendendo.
É necessário tudo isso?
O espírito precisa ver uma sepultura e a luz das velas para entender que morreu e seguir o seu caminho?
Algumas vezes, sim.
Por não acreditar na vida pós-morte, não entende o que lhe acontece.
O encarnado aprende que, quando morre, precisa de um velório e da luz das velas.
Arnaldo, como a maioria, seguia esses preceitos e por isso ao acordar viu o seu próprio corpo e sentiu as mesmas necessidades, inclusive fisiológicas.
Não entendeu que havia desencarnado.
Ele acredita que esteve dormindo.
É importante que veja o seu sepultamento, pois só assim entenderá.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:25 pm

Paulina também precisa assistir ao sepultamento dele, pois, só assim, aceitará para sempre que é uma mulher livre.
— Com todas as pessoas e espíritos é assim?
— A maioria pensa que ao morrer, vai para o céu ou para o inferno.
E que seu corpo se transforma em fumaça.
Enquanto isso não acontece, acredita estar viva.
Pior é para aqueles que têm uma morte violenta e precisam de socorro mais rápido.
Se as pessoas que aqui ficam entendessem isso, ao invés de ficarem chorando, saberiam que bastaria fazer uma prece e encaminhá-los para a luz.
— Isso é muito difícil.
Uma mãe ou pai, não aceita a morte de um filho, ainda mais se tratando de morte violenta...
— É difícil.
Por isso, sempre há uma equipe esperando por aqueles que são vitimas de morte violenta.
São levados a hospitais e lentamente, vão entendo a sua real situação.
Quando sabem, a primeira coisa que desejam é voltar para suas casas e rever seus entes queridos.
Ao encontrá-los desesperados, se desesperam também e, então, fica muito difícil levá-los de volta.
Para aqueles que, como você, sabem que a morte não existe, que é somente uma mudança de estado, é sempre mais fácil o entendimento.
— Entendi.
Só me resta convencer Paulina de tudo isso.
— Não vai ser uma tarefa fácil, mas conseguirá.
Estarei ao teu lado, te intuindo nas palavras que deve usar.
— Farei tudo o que for possível.
— Agora, durma.
Está cansada e precisando de repouso.
Sorrindo, Vitória desapareceu.
Regina ficou pensando em tudo o que havia aprendido com ela.
Adormeceu em seguida.
Quando acordou, olhou a sua volta e percebeu que não estava em seu quarto.
Não sabia se havia conversado mesmo com Vitória ou se apenas sonhara.
Levantou-se, foi até o banheiro, tomou um banho, escovou os cabelos e desceu.
Na sala, Paulina e Célia conversavam.
Viu Arnaldo abraçado a Paulina acompanhando a conversa delas.
Se aproximou e percebeu que ele não a estava vendo.
Ao vê-la, Paulina disse:
— Dormiu muito, Regina.
Estava mesmo cansada!
— Dormi mesmo!
O quarto que me deu é tão confortável!
— Esta casa é toda confortável, mas infelizmente não tenho boas recordações do tempo em que aqui vivi.
— É justamente sobre isso que preciso falar com você.
Sonhei com uma mulher.
Ela disse algo sobre você e Arnaldo.
— Uma mulher?!
O que ela disse?
— Não sei se vai acreditar, mas tenho motivos para crer que devemos fazer o que ela pediu.
— Seu rosto está estranho, Regina.
O que ela pediu?
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:25 pm

Regina contou o que havia acontecido.
Paulina e Célia ouviram atentamente.
Terminou de falar, percebeu que Paulina estava com lágrimas.
— Não estou entendendo.
Está me dizendo que Arnaldo está aqui e que até agora não sabe que morreu?!
_ Não sabe, nem vê ou ouve ninguém, a não ser você.
Precisa do teu perdão e saber que não pode mais ficar ao teu lado, pois a energia dele só poderá te fazer mal.
Se ele te ama realmente, deve seguir a entidade que falou comigo.
— Se eu conversar com ele, vai me ouvir?
Arnaldo se distanciou um pouco e ficou prestando atenção.
Não ouvia Regina, mas percebeu que Paulina falava a seu respeito.
Regina, vendo a atitude dele, respondeu:
— Tudo o que disser, ele vai entender.
— O que preciso fazer?
— Primeiro, é preciso que o perdoe sinceramente.
Depois, chame por seu nome.
Eu o estou vendo.
Ele está te olhando.
Assim que eu der um sinal, diga a ele que o perdoa, mas tem que ser verdade, pois o espírito sente e percebe tudo.
Se estiver mentindo, ele saberá.
— Ainda sinto muita mágoa por sua traição, por me ter deixado doente, com essa doença da qual tão pouco se sabe.
_ Você é quem pode decidir até onde vai essa mágoa.
O que queremos saber é se vale a pena continuar com ela...
— Eu sempre o amei, fui fiel e ele me traiu!
Tudo para você, é passado, mas para ele é presente.
Ele sofre a cada minuto, não consegue esquecer e se perdoar por seus erros do passado.
Erros esses que, quase sempre, não podem ser reparados.
Muitas vezes não se consegue corrigir, mas os do presente sim.
Para que ele possa ser feliz e continuar o seu caminho de aprendizado, precisa realmente do seu perdão.
Assim, como você, para recomeçar sua vida, precisa também perdoar e começar do nada, livre de mágoas e recordações penosas para voltar a ser feliz.
— Ele errou muito, não só com ele, mas comigo também.
Jesus disse:
Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.
Você nunca errou?
Então atire a primeira pedra.
Paulina ficou sem saber o que dizer.
Nunca pensou nesses termos.
Sempre se julgou uma pessoa perfeita.
Teria sido mesmo?
Nunca teria errado?
Olhou para Regina e para o lado em que ela dissera que Arnaldo estava.
— Regina, não sei o que dizer.
Não sei se errei, mas como posso garantir se nunca magoei alguém?
Não sei se realmente ele está aqui.
Só sei que, apesar de tudo, eu o amei.
Por isso, na dúvida, vou fazer o que está dizendo.
Se tudo for verdade, não posso admitir que ele continue sofrendo.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:26 pm

Apesar de tudo, foi um óptimo marido e não posso abandoná-lo.
Estou, agora, com tantas esperanças de recomeçar a minha vida e sinto que preciso estar livre de qualquer sentimento que não seja o amor!
— Esse é o caminho.
Todos nós que vivemos na Terra temos a nossa parcela de culpa.
Ninguém está acima do bem e do mal.
Por isso, o mínimo que podemos fazer é nos perdoar mutuamente.
E o único caminho para se chegar a Deus.
— Está bem. Acredito que tenha razão.
O que está feito, está feito.
Só me resta perdoar e relembrar de todos os momentos felizes que passamos juntos.
Sempre foi um bom companheiro, amigo e esteve sempre presente quando necessitei.
Não é justo que, por um único deslize, seja, condenado pela eternidade.
— Sabia que entenderia.
Você também é um espírito muito bom.
Deus não permite que um espírito seja condenado por toda a eternidade.
Sempre haverá chance de resgate.
Célia acompanhou toda a conversa em silêncio, pensou:
Como Deus foi bom comigo!
Consegui recuperar meu filho e o homem que amo, mas não entendo e não acredito em tudo o que Regina fala.
Tudo isso mais parece um conto da carochinha, mas corno Paulina acredita e está se sentindo bem, é melhor não contestar, pelo menos agora.
Paulina, ao contrário, sentia que Regina falava a verdade.
Sentiu um forte aperto no coração que quase a sufocava, disse:
— Regina, como faremos isso?
— Amanhã, vamos até o hospital.
Voltamos para casa, entraremos no escritório e você convidará Arnaldo para te acompanhar.
Ali me contará como o encontrou naquela noite.
— É mesmo necessário?
Tenho tentado, durante todo esse tempo, esquecer daquela noite!
— Sei disso, mas é preciso.
Terá que fazer um esforço enorme, mas tenho certeza de que conseguirá..
— Só estou pensando no bem estar dele e que, se não fizer bem, mal também não fará.
O que acontecerá depois?
— Iremos ao cemitério.
Voltará a conversar com ele diante da sepultura.
Se Deus quiser, ele acompanhará Vitória e recomeçará a sua vida do outro lado.
— Está bem. Célia, você quer ir junto?
Célia olhou para as amigas, pensando que as duas estavam ficando loucas, mas achou melhor ir.
— Vou com vocês, claro!
Não sei se poderei ajudar.
— Pode e muito. — disse Regina.
Só precisa ficar em oração pedindo a ajuda de Deus Pai e dos espíritos protectores.
Se preferir, pode chamá-los de santos ou anjos da guarda.
A empregada veio avisar que o jantar estava pronto.
Regina perguntou para Paulina se podia telefonar para Zeca e Simão.
— Claro que pode.
Também quero falar com Simão, mas vamos primeiro jantar.
Aproveitarei e telefonarei para os pais do Arnaldo.
Eles sempre me trataram muito bem e também se revoltaram com a atitude dele.
Óptima ideia.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:26 pm

Deve lhes dizer que está bem e que já o perdoou e também pedir que façam o mesmo.
Jantaram, a comida estava muito boa.
Célia e Regina comeram muito.
Paulina, embora não quisesse demonstrar, estava com muito medo de fazer os exames e muito mais de saber o resultado.
Sabia que deles dependeria a continuidade de sua vida.
Após o jantar, sentaram-se novamente na sala.
Paulina pegou o telefone e o deu à Regina.
Ela ligou para o bar de Simão, sabia que eles estariam lá.
Zeca atendeu ansioso:
— Regina! Que bom que telefonou!
Eu e Simão estamos aqui ansiosos para saber se chegaram bem.
— Chegamos, e está tudo bem.
Não se preocupe, tudo vai dar certo e, em breve, voltaremos.
Se Deus quiser, com boas notícias, passe o telefone para Simão.
Paulina quer falar com ele.
Um beijo e não esqueça que te amo muito.
— Eu também te amo e já estou morrendo de saudade.
Paulina falou com Simão, e como com os pais de Arnaldo.
Disse que no dia seguinte faria os exames. Foram se deitar.
Paulina, em seu quarto, pensava em tudo que o Regina lhe dissera.
Estava com medo, mas sabia que era o único caminho que deveria seguir para tentar ser feliz novamente.
Adormeceu pedindo a todos os santos que conhecia.
No dia seguinte, se prepararam para sair.
Célia e Regina tomaram um café rápido.
Paulina não podia, os exames teriam de ser feitos em jejum.
Foram para o hospital.
Doutor Ferraz já as esperava.
Assim que viu Paulina, abriu um sorriso:
— Que bom que tenha resolvido fazer os exames.
Só assim saberemos o que fazer caso esteja doente. Está bem?
— Estou. Até agora, não senti sintoma algum.
Aliás, não tive nem um resfriado.
Acho que não adquiri esse vírus.
— Esperemos que sim.
Para Deus, nada é impossível.
Paulina acompanhou Ferraz até o laboratório, onde uma enfermeira colheu todo o material.
— Agora é só esperar o resultado - ele disse assim que terminou a colheita.
Para não ficar ansiosa, esperando, acredito ser melhor que volte para a sua cidade.
Deixe o endereço e eu mandarei o resultado pelo correio.
Estou feliz por te ver tão entusiasmada e com um novo projecto!
— Ele é muito importante e poderia ser para você também.
Contou a ele todo o projecto.
Ele a ouviu e pareceu gostar.
— Eu poderia ajudar de alguma forma?
Tenho alguns amigos que talvez se interessem também!
— Toda ajuda será preciosa.
Aquela gente precisa ter uma melhor qualidade de vida.
Se quiser, poderá nos visitar e mostraremos tudo.
Caso queira participar, e os seus amigos também, ficaremos agradecidos e mais ainda os moradores.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:26 pm

— Irei, sim.
Pensando melhor, não vou mandar o resultado pelo correio.
Quando estiver pronto, eu e minha esposa iremos até lá.
Assim, poderemos ver esse projecto de perto. Que acha?
— Óptima ideia.
Quando vir que belo lugar é aquele, vai querer ajudar.
Espero que me leve boas notícias.
— Também espero, Paulina.
Só nos resta confiar na bondade de Deus.
Ele é quem sabe de tudo.
Despediram-se de Ferraz, que ficou ansioso para conhecer o Grotão.
Paulina pediu a Elias que as levasse até uma cafeteria famosa.
Ali tomaram um café com direito a tudo.
Após o término do café, Paulina pediu para que Elias as levasse para conhecer alguns pontos da cidade.
Passearam muito.
Voltaram para casa, quase às duas horas da tarde.
Ficaram encantadas com tudo que viram, esquecendo até da hora do almoço.
Em casa, almoçaram.
Paulina evitou falar sobre Arnaldo.
Regina percebeu que ele não estava mais ao lado de Paulina.
Após o almoço subiu para o seu quarto.
Ao passar pelo escritório, percebeu que Arnaldo estava em pé, do lado de fora.
Mais uma vez tentou falar com ele, mas não adiantou.
Ele não a ouviu.
Foi até o quarto, trocou de roupa e desceu.
A sala estava deserta.
Saiu e ficou apreciando a piscina, o jardim.
Tudo muito limpo e bem cuidado.
Pensou:
Quem poderia imaginar que alguém que morasse em uma casa como esta poderia ter algum problema...
Esta casa tem tudo para que qualquer um seja feliz, mas não foi isso o que aconteceu com Paulina.
Ela só encontrou um pouco de paz, lá em Céu Dourado, vivendo naquela simplicidade..."
— Está gostando da piscina?
Quer tomar um banho?
— Ela é linda, Paulina!
Até que gostaria, mas temos algo importante para fazer agora.
Está disposta ou desistiu?
— Não sei. Estou com um pouco de medo.
Pensava que há muito tempo Arnaldo já estivesse no céu ou no purgatório.
É difícil crer que ele ainda esteja por aqui.
— Está sim e sofrendo muito, mas você poderá dar a paz que ele tanto precisa.
— Está bem, vamos.
Estou acreditando em tudo o que está dizendo.
Depois do que vi com Simão, não posso duvidar.
Paulina foi até a cozinha, pegou um pacote de velas e chamou o motorista da casa:
— Mateus, daqui a alguns minutos, precisamos que nos leve ao cemitério em que Arnaldo foi enterrado.
Diga ao Elias para descansar o resto da tarde.
Se quiser, ele poderá ir visitar seus familiares que moram aqui na cidade.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:26 pm

— Está bem, senhora, vou falar com ele.
Regina pegou as mãos de Célia e Paulina fazendo uma corrente e, com os olhos fechados, disse:
Senhor, meu Pai, neste momento precisamos de sua presença.
Permita que espíritos amigos estejam ao nosso lado para que tudo corra da melhor maneira possível.
Explicou para Paulina que ela deveria repetir tudo o que ela falasse.
Subiram e pararam em frente ao escritório.
Arnaldo continuava em pé, na frente da porta, como se quisesse evitar que elas entrassem.
Regina apertou a mão de Paulina e disse:
Arnaldo, sei que não quer entrar aí, mas é preciso.
Permita que Paulina abra a porta.
Ele não ouviu, mas Paulina, sim, foi repetindo tudo o que Regina dizia:
- Arnaldo, meu querido, sei que está aqui.
Faz muito tempo que não te vejo, mas agora, precisamos entrar no escritório para que nós dois possamos nos lembrar daquela noite e de tudo o que aconteceu.
Isso só nos fará bem.
Ele, com lágrimas nos olhos, se afastou e disse eufórico:
-Você está falando comigo, Paulina?
Não está mais com ódio?
Acredita que te amo e que nunca quis te fazer mal?
Paulina não ouviu.
Regina respondeu, Paulina repetiu:
— Sei, sim o quanto você me ama.
Sei, também, que nunca quis me fazer mal algum, mas deixe-nos entrar...
Paulina percebeu que precisava continuar falando:
— Sei o quanto me amou e me ama até hoje.
Mas, querido, vamos entrar?
Lá dentro conversaremos.
Ele se afastou.
Regina fez um sinal e Paulina abriu a porta.
Entraram. Tudo estava perfeitamente arrumado.
Nada estava fora do lugar, mas Arnaldo começou a chorar e a gritar.
Regina não entendeu por que ele gritava daquela maneira, tornou a olhar e viu Vitória ao lado de Paulina, com as mãos estendidas sobre a sua cabeça.
Ao lado de Arnaldo, um senhor de idade.
Ele também estendia as mãos sobre a cabeça de Paulina.
Ela olhou novamente para a sala e agora sim, via o mesmo que ele.
Deitado, com a cabeça sobre a mesa, estava Arnaldo, cercado por muito sangue.
A cena realmente era chocante.
Por alguns segundos ela ficou parada atingida por aquilo.
Olhou para Vitória que disse:
— Agora ele precisa de sua ajuda, Regina.
Está revivendo tudo.
Concentre todo o seu pensamento na bondade de Deus.
Regina fechou os olhos e orou.
Seu único sentimento era o de ajudar Arnaldo.
Abriu os olhos, se aproximou para ficar ao seu lado.
Só agora ele percebeu a sua presença.
- Arnaldo, sei que está sendo muito difícil, mas é necessário para a sua libertação e de Paulina.
Peça perdão a Deus por esse seu acto impensado.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:26 pm

Deus nos perdoa sempre.
Sinto o meu corpo!
— Infelizmente você conseguiu.
O corpo que está sentindo é o espiritual.
O de carne já não existe mais.
Paulina não percebeu o que estava acontecendo.
Chocada por se lembrar daquele dia, apenas chorava.
— Arnaldo, vamos te levar a um lugar, onde poderá ver a verdade.
Regina continuou falando.
— Nos acompanhe sem medo.
Deus está connosco e nada nos acontecerá.
Estão aqui também alguns amigos que só querem o teu bem.
Ele, chorando desesperado, olhou a sua volta, mas só via a si mesmo, com a cabeça deitada sobre a mesa.
Paulina ficou chocada com a sua atitude, chegou até a odiá-lo, mas hoje, não.
Só quer o teu bem e só lembra do amor que sentiram e dos momentos em que foram felizes.
Paulina e Célia ouviam Regina conversando com alguém que elas não viam, mas as palavras de Regina eram ditas com tanto sentimento, que não podiam deixar de acreditar e de se emocionarem.
Regina continuou falando:
— Vamos sair agora.
Venha connosco.
Saiu devagar.
Arnaldo a seguiu.
Célia e Paulina também.
Foram para fora da casa, onde o motorista já as esperava.
Entraram no carro.
Chegaram ao cemitério.
Desceram do carro e entraram.
Arnaldo caminhava entre Paulina e Regina.
Vitória e o senhor os acompanhavam.
Ao chegarem ao túmulo, viram ali uma fotografia de Arnaldo.
Ele ficou a uma certa distância, sem coragem de se aproximar.
Vitória se fez mostrar, pegou em seu braço e o levou ate lá.
Ao vê-la, sorrindo, ele ficou confiante e a acompanhou.
Eu não fiz isso!
Estou vivo, tentei, mas não consegui!
Regina, Paulina e Célia se ajoelharam, começaram a acender as velas.
Paulina disse:
- Arnaldo, sei que para você tudo isto está muito estranho, devo te confessar que para mim também está.
Eu te amei e ainda te amo muito, mas, infelizmente, você não pertence mais a este mundo.
Por isso, não pode mais ficar sem nada fazer.
Precisa continuar a sua jornada.
Eu preciso continuar a minha.
— Não quero ir embora!
Estou bem aqui ao teu lado!
- Arnaldo, sei que não está entendendo, mas o seu caminho é diferente do de Paulina.
Destas velas estão saindo luzes, que te mostrarão amigos que estão te esperando.
Olhe para a sua direita - disse Regina.
Ele olhou e viu o senhor que sorria.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:27 pm

— Vovô! É o senhor mesmo?!
Mas, está morto há muito!
— Sou eu mesmo, meu, neto!
Nunca estive tão vivo como agora.
Estou aqui para que me acompanhe à outra vida.
Venha comigo, sei que gostará muito do que vai ver.
— Não posso! Preciso ficar ao lado da Paulina!
Ela é muito jovem, não saberá viver sozinha!
— Não, ela não é muito jovem, precisa e saberá viver sozinha.
Se continuar ao seu lado, poderá lhe causar problemas.
Precisa ir comigo.
Se ficar sozinho, algo de mal poderá te acontecer.
Você cometeu um erro muito grave ao se suicidar.
Só está protegido, porque eu e alguns amigos intercedemos por você, mas o nosso tempo termina agora.
Se não nos acompanhar, ficará sozinho e, então, nada mais poderemos fazer para te proteger.
Arnaldo chorava e olhava para Paulina, que se mantinha em oração.
Ele se aproximou, beijou seu rosto, estendeu a mão para seu avô e o acompanhou.
Antes, sorriu para Regina, agradecendo, e com as pontas dos dedos lhe mandou um beijo.
Ela emocionada retribuiu.
Ficou olhando até que desaparecessem envoltos em uma névoa densa.
- Pronto, Paulina, terminou.
Ele agora vai finalmente encontrar o seu caminho.
Está bem acompanhado e protegido, que Deus o abençoe.
Vamos embora.
Saíram.
Paulina sentia-se aliviada.
Embora não tivesse visto Arnaldo, sentia que tudo realmente havia acontecido.
Voltaram para casa.
Resolveram que passariam a noite ali e que no dia seguinte iriam para Céu Dourado.
Não tinham mais o que fazer lá, só restava esperar o resultado dos exames.
Antes de sair, Paulina deu algumas ordens aos empregados para que a casa continuasse como antes e que tudo deveria estar sempre em ordem, pois a qualquer momento ela poderia voltar.
Olhou mais uma vez tudo.
Não podia negar que achava aquela casa muito bonita, mas nada se comparava a tudo que encontrara em Céu Dourado.
A paz junto aos amigos sinceros que conhecera e que Simão estava lá.
Sorriu e saíram.
Chegaram em Céu Dourado por volta de cinco horas da tarde.
Estavam cansadas, mas resolveram passar pelo bar, antes de irem para suas casas.
Simão e Zeca as esperavam ansiosos.
Elias parou o carro bem em frente ao bar.
Zeca e Simão assim que viram o carro parando, correram para recebê-las.
Elas desceram do carro.
Se abraçaram, Paulina disse:
— Está feito, Simão.
O sangue foi colhido, agora só nos resta aguardar o resultado e torcer para que tudo dê certo...
— Vai dar tudo certo, Paulina.
Tenho certeza. Vamos nos casar.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:27 pm

Viveremos juntos e felizes por muito tempo.
— Assim espero, Simão.
E tudo o que desejo.
Conversaram um pouco, depois foram para suas casas.
Elias foi para a sua.
Estava feliz, porque sua mulher voltou a ser como antes.
Cuidava da casa e dos filhos.
O pesadelo de sua vida havia terminado.
Zeca acompanhou Regina.
— Sabe, Zeca, — Regina disse enquanto caminhavam — cada dia aprendo algo novo sobre a espiritualidade.
Jamais poderia imaginar que o espírito poderia ver e ouvir apenas uma pessoa e que fosse necessário passar por todo um ritual para entender a sua condição de desencarnado.
Somos ensinados que a morte nos leva a dois lugares, ao céu ou ao inferno, colocando Deus em uma posição, não de Pai, mas de algoz.
Ao contrário, ele nos perdoa sempre e nos dá novas chances de arrependimento e redenção.
— Se você está admirada, imagine eu... que nunca pensei em algo tão profundo!
Estou aprendendo em poucos dias, muito mais do que aprendi durante a minha vida toda.
Não vou entrar em sua casa.
Amanhã conversaremos.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:27 pm

Cada Um Colhe o que Plantou
No dia seguinte, encontraram-se novamente.
Só, então, elas contaram tudo sobre a viagem.
Regina comentou sobre os lugares novos que havia conhecido.
Estavam conversando quando o rapaz do correio entregou uma carta para Simão.
Era uma carta do Prefeito convidando-o para que, naquela tarde, fosse a uma audiência na Prefeitura.
— Finalmente, parece que teremos uma resposta definitiva.
Espero que seja boa, assim poderemos começar.
Acredito que em pouco mais de seis meses esteja tudo pronto.
Poderemos finalmente inaugurar a nossa estância balneária.
— Simão, estive pensando, está na hora de organizarmos a festa para a população tomar conhecimento do projecto!
— Tem razão, Célia, mas primeiro vamos à audiência com o Prefeito.
Depois falaremos sobre isso.
— A festa pode ser sobre os costumes e tradições de cada colónia e as outra pessoas participarão de alguma maneira.
— Pode deixar! — disse Zeca.
Vou falar com Dona Consuelo, ela pode cuidar da colónia espanhola!
— Eu vou falar com a mãe de Gustavo, — disse Regina - ela cuidará dos italianos e o padre Jorge falará com as outras pessoas.
Acredito que todos vão querer participar.
Passaram o resto do dia ansiosos, esperando a resposta do Prefeito.
Finalmente, a hora chegou.
Célia, Simão, Paulina e Zeca foram até a Prefeitura.
Regina não quis ir.
Assim que chegaram, a secretária os fez esperar um pouco, mas, logo em seguida, os conduziu até a sala do Prefeito, que os recebeu:
— Meus amigos, tenho boas notícias.
O projecto foi aprovado, mas a Prefeitura não possui verbas e precisamos encontrar um meio de consegui-las!
— Não se preocupe com o dinheiro, — Simão disse pegando o papel das mãos do Prefeito — precisamos apenas desta autorização para iniciarmos as obras.
— Já têm o dinheiro?
O custo vai ser alto!
Já tenho a construtora que fará o serviço.
— Não é necessário, pois o dinheiro empregado não será da Prefeitura, mas sim nosso e da população.
Tenho um amigo construtor que terá imenso prazer em construir sem super-facturar, o que tornará tudo bem mais barato.
— Não vou poder usar a minha construtora favorita?
Já havia combinado com o empresário!
— Sinto muito, Prefeito, mas não vai ser preciso.
Já que o dinheiro será nosso, devemos ter a nossa própria construtora.
— O senhor me enganou, senhor Simão! — gritou o Prefeito.
Disse que eu poderia usar a minha construtora!
— O senhor ficará contente em ver o seu povo feliz.
Precisamos baixar os custos e esse meu amigo fará isso...
O Prefeito sentiu-se enganado, mas não podia argumentar.
Disse que a Prefeitura não tinha dinheiro, portanto ele também não poderia ganhar em cima da construtora.
Simão e os outros se fizeram de desentendidos, saíram de lá com a autorização nas mãos e rindo da cara do prefeito.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:27 pm

Simão disse:
— Ao menos desta vez, esse cretino não vai ganhar prejudicando o povo sofrido.
Vou mandar esse projecto para o meu amigo lá na Capital, ele o fará por um preço menor.
Quero que acompanhem tudo para que não haja dúvidas.
— Que é isso, Simão?
Temos total confiança em você.
Sabemos que hoje sabe como usar o seu espírito político!
— Obrigado, Zeca, mas para evitar qualquer dúvida, mandarei a outros dois construtores.
Aquele que tiver o melhor preço, será o escolhido.
Simão mandou os projectos para os construtores.
Depois, ficaram tão envolvidos com a preparação da festa, que nem perceberam como os dias haviam passado rapidamente.
Em um domingo, Paulina esperava Simão fechar o bar para se encontrarem com os outros e irem ao Grotão fazer uma visita, quando um carro parou em frente a sua casa.
Ela olhou pela janela e viu Ferraz com a esposa e mais um casal.
— Que bom que vieram!
Luísa, como vai?
— Muito bem, Paulina, faz muito tempo que não a vejo!
Fiz questão de vir junto com Ferraz.
Esses são meus amigos.
Wagner e Solange ficaram empolgados quando Ferraz lhes contou sobre o tal projecto e quiseram vir conhecer.
— Sejam bem-vindos.
Entrem, por favor, mas não reparem a minha casa é muito simples.
— Sabemos que vive aqui por opção, isso não é para qualquer um!
São poucos os que têm essa coragem.
Entraram. Paulina tremia muito.
A hora finalmente havia chegado, agora não poderia mais fugir da verdade.
Acomodou todos ao redor da mesa.
Olhou para Ferraz:
— Bem, sei que vieram visitar a cidade, mas, antes, preciso saber o resultado dos exames.
— Tire do rosto esse ar preocupado.
Não tem o vírus!
Os exames deram negativos!
Você tem uma saúde de ferro!
— Está falando a verdade, Ferraz?!
Como pode ser?!
— Não sei!
Talvez a doença em Arnaldo tenha se manifestado rápido, e com as inúmeras viagens que fazia, vocês não tenham tido contacto físico.
Talvez, Paulina, o seu organismo tenha reagido ao vírus ou foi Deus quem evitou.
Não sei, mas também não importa!
Está bem de saúde.
Embora acho aconselhável que faça um outro exame para termos certeza.
— Não estou acreditando!
Parece um sonho!
Quer dizer que estou livre e posso me casar novamente?
— Pode acreditar!
Poderá se casar, sim.
Quando quiser.
— Ferraz! Você não sabe como isso me deixa feliz.
Meu noivo deve chegar logo e meus amigos também.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Ago 21, 2017 7:28 pm

Vamos até o Grotão e vocês poderão ir connosco e conhecer tudo.
Logo depois, chegaram, Célia, Regina, Zeca e Robertinho que veio pedalando a bicicleta.
Entraram, foram apresentados.
Robertinho foi até o bar que Simão estava terminando de fechar.
Seu Simão!
Tem um montão de gente na casa da Dona Paulina!
O senhor precisa ver...
— Quem é?!
— Não sei, parece que é um doutor lá da Capital!
Não sei se é, mas que parece... parece...
Simão sentiu um aperto no coração, sabia que o médico viria trazer o resultado do exame.
Ao mesmo tempo em que sentia medo, sabia que finalmente tudo seria esclarecido.
Não importava qual fosse o resultado, se casaria com Paulina da mesma forma.
Ele a amava muito.
Terminou de fechar o bar.
— Vamos ate lá, Robertinho.
Robertinho subiu na bicicleta e foram conversando.
Ao chegar no portão de Paulina, Simão parou, seu coração batia forte.
Robertinho gritou, chamando por ela.
Paulina saiu na janela, viu Simão parado ali na frente, sem coragem de entrar.
— Entre, Simão, meus amigos estão aqui.
Em seu rosto ele viu um brilho de felicidade, sentiu que o pesadelo havia terminado.
Paulina já o esperava na porta com os braços abertos.
Ele a abraçou e a beijou pela primeira vez.
Depois de um longo beijo, se soltaram.
— Estamos livres, Simão!
Não estou doente!
Podemos nos casar e recomeçarmos!
Seremos felizes para sempre!
— Paulina, estou tão feliz que nem sei o que dizer!
Ela ria muito, enquanto dizia:
— Que tal nos casarmos todos no mesmo dia?
De preferência no dia da festa!
Que acham?
— É uma boa ideia, Paulina! — disse Regina, também rindo.
Será uma festa inesquecível!
Que acha Célia?
— Acho óptimo! Será um dia inesquecível!
— Vou falar com Clara, ela vai aceitar com certeza!
Esses casamentos ficarão na história da Cidade.
Zeca e Simão se olharam.
Elas não perguntaram a opinião deles, mas não importava.
Elas eram a razão de toda a felicidade que estavam sentindo naquele momento.
Paulina os apresentou a Ferraz e os amigos.
Ferraz disse:
— Estou feliz em ver a felicidade de vocês e já estou me convidando para essa festa, mas que tal irmos até o Grotão?
Riram e saíram.
Foram a pé, felizes e fazendo planos para o casamento.
Robertinho ia na bicicleta, sob o olhar de todos.
Chegando ao Grotão, levaram Ferraz e os amigos para conhecerem a cachoeira.
Simão mostrava e contava como tudo ficaria depois de pronto.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 22, 2017 7:47 pm

Foram até o lugar em que as pessoas moravam.
Simão explicou que tudo seria transformado, as pessoas mudariam para outro lugar, onde seriam construídas as casas.
Ferraz disse entusiasmado:
— Simão, vai ficar muito bom!
O lugar é mesmo muito bonito, mas como será administrado?
Pensamos em formar uma cooperativa e os moradores serão os responsáveis, claro que terão toda supervisão.
Será cobrada uma entrada para que os turistas possam usufruir toda essa beleza.
Haverá quiosques, onde serão vendidas comidas típicas.
Num galpão, as pessoas aprenderão artesanato para ser vendido.
Uma parte do dinheiro ficará para o artesão, a outra para a manutenção.
Ferraz, admirado com tudo o que estava vendo, disse:
— Com certeza os moradores terão interesse, pois viverão em melhores condições que hoje.
— É para isso que estamos lutando e precisamos de toda ajuda para chegarmos a esse fim.
— Falarei com alguns amigos, talvez se interessem.
Muitas vezes queremos ajudar, mas não sabemos como.
Acredito que aqui seja uma boa opção.
Ao passarem na frente das casas, as pessoas os recebiam com acenos.
Ferraz e os amigos, sorriam e respondiam.
Os dias foram passando.
Zeca telefonou para a mãe, pedindo a ela que mandasse, com o motorista, o seu carro para ser leiloado e que levantasse quanto dinheiro ele tinha nos bancos.
Pediu ainda que fosse vendido o apartamento.
Ele usaria todo seu dinheiro na construção do projecto.
Célia, Simão e Paulina fizeram o mesmo.
Diziam que para serem felizes, não precisavam de nada, além daquilo que possuíam.
As pessoas da cidade foram envolvidas para ajudar na festa.
Depois de quinze dias, chegaram as respostas das construtoras.
Optaram por aquela que oferecia o melhor preço.
A estrada foi construída em primeiro lugar, para facilitar a entrada do material necessário.
Pessoas da cidade foram contratadas para a construção.
A cidade mudou.
Camiões com material entravam e saíam, todos estavam ansiosos para ajudar.
As fachadas das casas foram sendo pintadas.
A única pensão da cidade passou por uma reforma, para receber os futuros hóspedes.
Regina trabalhava no posto de saúde, mas era funcionária da Prefeitura.
Chegou um telegrama para que fosse até a Prefeitura.
Não entendeu o que significava, mas no dia e hora marcados estava ali.
Foi anunciada ao Prefeito que a fez entrar.
— Boa tarde, Regina, como vai?
— Estou muito bem, obrigada, só não entendo o porquê de minha vinda até aqui!
— Sente-se, não precisa ficar nervosa.
Te chamei, porque fiquei sabendo que vai se casar com o jardineiro.
É verdade?
— É verdade, mas não sei qual o seu interesse.
— Como, não sabe?
Não pode fazer isso!
— Como, não posso?
Sou uma mulher livre e ele também!
— Você não é livre! — disse nervoso.
Temos uma filha!
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 22, 2017 7:47 pm

— Espere um pouco, Prefeito! — Regina também nervosa.
Não temos uma filha!
Eu tenho uma filha!
Que, aliás, irá se casar no mesmo dia.
Ela está muito feliz e eu também por ter conseguido criá-la bem, apesar de tudo.
— Sei que sempre me amou e me esperou!
Nunca poderia ter tido outro em sua vida!
Você é minha!
Regina não conseguia acreditar no que estava ouvindo:
"Sua?! Sua?!
Pare de ser pretensioso!
Sempre soube que não podia esperar nada de você!
É um infeliz, que vive uma vida mentirosa, só em busca de dinheiro e poder!
No teu mundo, nunca houve lugar para mim ou para minha filha!
— Um jardineiro não vai ser o pai da minha filha!
— Não?! O que vai fazer?
Espalhar para a cidade inteira que ela é sua filha e que a abandonou durante todo esse tempo?
— Agora posso fazer isso!
Minha esposa me abandonou!
Foi embora para a capital com o meu motorista!
Meus filhos estão casados, não tenho mais ninguém!
Regina, agora mais controlada, começou a rir sem parar:
— Não acredito que isso esteja te acontecendo!
Diz o ditado que a justiça de Deus tarda, mas não falha!
Fique sabendo que estou feliz por te ver nessa situação!
Não deveria, mas estou!
Talvez agora consiga compreender o grande mal que nos fez.
Compreenda que nada poderá fazer para impedir a nossa felicidade.
Você foi mau e egoísta.
Hoje, está colhendo o que plantou.
Assim como fez connosco, deve ter feito o mesmo com a sua esposa e filhos para que agora eles não se importem com você.
Por mais que pense, nunca conseguirá imaginar o quanto sofri por não contar a minha filha quem era o seu pai!
O quanto ela sofreu, com preconceitos, por ser uma filha sem pai!
Você poderia ter sido amado por nós duas.
Muitas vezes vi minha filha chorando por ter sido discriminada.
Hoje, ela superou tudo isso!
Vai se casar com um homem que, apesar de muito jovem, a ama e é de bom carácter.
Ela será muito feliz, apesar de você!
Eu também sei que serei feliz!
— Não vou permitir que se case com um jardineiro!
— Faça o que quiser!
Eu me casarei e serei muito feliz.
Ele é jardineiro, mas possui o que você nunca possuiu, bom carácter!
Passe muito bem!
Saiu da sala, tremendo de ódio.
Não conseguia acreditar que ele tivesse a coragem de cobrá-la daquela maneira.
Enquanto caminhava, reviveu todo o sofrimento por que passou.
Lembrou-se daquele dia, sentada na praça com uma sacola de roupas nas mãos e uma criança por vir.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 22, 2017 7:47 pm

O seu ódio aumentou.
Naquele momento, não haveria no mundo, doutrina ou religião que conseguisse fazer com que ela o perdoasse.
Ela sofrera muito por causa dele e agora esse atrevimento.
Sentou-se no mesmo banco da praça.
Viu Célia cercada por algumas crianças.
Estava entardecendo, o sol se tornando dourado.
Viu-se novamente no banco da praça, chorando sem saber o que fazer.
Reviveu o momento em que dona Júlia sentou-se ao seu lado, estendeu-lhe a mão e deu a ela e a Clara todo o amor que precisava:
- Não posso continuar com todo esse ódio.
Deus nunca me abandonou.
Dona Júlia foi o anjo bom que Ele me enviou.
Minha filha, apesar de tudo, hoje é uma moça linda e vai se casar com um homem bom, que a fará feliz.
Eu também encontrei o melhor homem do mundo.
Não tenho o direito de guardar rancor.
Raul é um infeliz que continuará vivendo como sempre viveu, correndo atrás de mais poder e mais dinheiro.
Perdão, Senhor, por esse momento de ódio.
Obrigada por tudo que me deu.
Proteja Raul para que ele consiga, um dia, encontrar a paz e a felicidade que estou sentindo neste momento.
Levantou-se e foi ao encontro de Célia.
As crianças pintavam e ela, com paciência, ensinava.
Regina olhou e percebeu como ela havia mudado.
Aquela moça que chegou na cidade escondendo o rosto, hoje sorria feliz e liberta de todo passado.
Célia, entretida com as crianças, não percebeu a sua presença.
Regina continuou andando, estava quase na hora de se encontrar com os outros no bar.
Foi para lá passando em frente à casa de Paulina e ouviu o piano:
"Ela encontrou a felicidade aqui, nesta cidade que um dia renegou, e descobriu que o dinheiro pode muito, mas não tudo.
No bar, encontrou Simão que feliz começou a falar do andamento da construção.
De todos, ele era o mais animado.
Em seguida, os outros foram chegando.
Simão contou a eles que vários amigos de Ferraz, inclusive ele, mandaram dinheiro.
O dia dos casamentos estava próximo.
Na igreja não caberiam todas as pessoas, por isso padre Jorge mandou montar um altar na praça, assim todos poderiam participar.
Tudo estava preparado.
Na festa haveria danças flamenca e tarantela, não podendo faltar o samba.
Todos se esmeraram nas roupas.
O primeiro casal a entrar na praça foi Clara e Gustavo, seguidos por Regina e Zeca, Paulina e Simão e por último, Célia e Fábio.
Ficaram em frente ao padre Jorge que falou do significado do casamento e dos filhos que viriam.
A manhã estava ensolarada.
Em seguida ao casamento, teve início a festa que durou até o anoitecer.
Os familiares de todos vieram.
O carro de Zeca foi leiloado, quem arrematou foi um fazendeiro da cidade, por um valor superior ao esperado.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 22, 2017 7:47 pm

Com o dinheiro arrecadado, pôde ser construído o galpão que serviria como escola de artesanato.
Clara e Gustavo partiram para a Capital.
Foram morar em um apartamento perto da faculdade, que Simão havia comprado.
Os outros não quiseram viajar.
Preferiram usar o dinheiro, que gastariam com a viagem, para o projecto.
Naquela noite, o amor tomou conta da cidade.
Os moradores sentiram que uma nuvem de paz caiu sobre ela.
A construção continuava.
O advogado da cidade queria se aposentar, Fábio conseguiu uma transferência e veio ocupar o seu lugar.
Ele percebeu que, embora ocupasse um bom cargo em Brasília, seria mais feliz morando perto dos pais e, assim, estaria mais perto de Robertinho.
Seu sonho de riqueza e poder agora se transformaram em viver ao lado da mulher que amava e de seu filho.
Célia, por sua vez, estava feliz naquela cidade e encontrou ali tudo o que precisava para ser feliz.
Além do mais, seu filho, era querido por todos e muito feliz.
Depois de oito meses, a construção ficou pronta.
Tudo ficou da maneira como tinha sido imaginado.
Cinquenta metros abaixo da queda da cachoeira, foram formadas piscinas, onde as pessoas poderiam se banhar sem perigo.
Uma área foi reservada para que barracas fossem montadas com toda a estrutura necessária.
As casas, distantes da área do manancial, ficaram prontas.
Nos quintais formaram pequenas hortas, onde os moradores poderiam plantar verduras, frutas e legumes.
As pessoas do Grotão não acreditavam que tudo aquilo estava acontecendo.
Um ónibus foi comprado para que elas fossem do trabalho para casa.
Estava tudo perfeito.
No dia da inauguração, muitas pessoas importantes de outras cidades foram convidadas.
Simão fazia questão que aquele projecto servisse de referência para que fossem criados em outras cidades.
Entre os moradores, foi formada uma comissão.
Os horários de trabalho foram divididos, todos participariam da manutenção do lugar e receberiam um salário.
A pedido de Robertinho, foi criado um parque de diversões e uma pequena escola para que as crianças não precisassem se locomover até a cidade para estudar.
Muitas pessoas vieram para a inauguração.
Olhavam tudo e se admiravam com toda aquela beleza em que foi transformado um lugar tão pobre.
Simão estava sozinho sentado em um banco.
"Como estou me sentindo bem com tudo isso.
Vendo as pessoas felizes, trabalhando no atendimento aos visitantes."
Não percebeu que alguém sentou-se ao seu lado:
— Olá Teo, bonito o teu trabalho!
Simão ouviu a voz e a reconheceu.
Demorou alguns segundos para se voltar.
Finalmente se virou, ficou olhando Luiz que, com Rosana e os filhos, sorria para ele.
— Luiz, Rosana!
Vocês aqui? Como souberam?
Fábio me escreveu contando de todo o teu trabalho.
Quis vir conferir e foi um bom trabalho mesmo!
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 22, 2017 7:47 pm

Estou feliz por você e por todas as pessoas a quem ajudou!
— Meu amigo!
Que bom te ver novamente, depois daquele dia em que lhe disse tantas barbaridades!
— Ora, deixe isso para o passado.
O importante é que você voltou a ser o mesmo Teo que conheci, cheio de sonhos para um país melhor.
Sonhos que se tornaram verdadeiros.
Apesar de ser só num pequeno pedaço do país, já é um começo.
Tenho muito orgulho de ser teu amigo.
— Muito disso tudo devo àquelas palavras que me disse naquele dia.
Espero que agora as pessoas saibam votar em homens como eu! — disse soltando uma gargalhada.
— Também espero.
As eleições estão próximas, por que não se candidata a Prefeito, Teo?
— Eu?! Na política novamente?!
Nunca! Estou muito bem agora.
Encontrei aqui tudo o que precisava para ser feliz.
— Com o pensamento que tem agora, poderá ajudar muito o nosso país que está precisando e muito...
— Para ajudar não preciso me envolver em política ou politicagem.
Olhe o que está acontecendo aqui.
Se fosse político, talvez não conseguisse ou não quisesse fazer.
— É uma pena que pense assim.
Nem todos os políticos são maus, existem os bons que, sozinhos, não conseguem nada.
Talvez tenha razão, mas por enquanto vamos deixar como está.
Estou feliz por ter conseguido, com a ajuda de meus amigos realizar este projecto.
Vamos esperar que surjam outros, mas tudo fora da política.
Por enquanto, vou continuar no meu bar, que é o suficiente para me fazer feliz.
— Se desfez do que tinha para empregar aqui?
— Tudo o que eu tinha foi conseguido por meios não recomendáveis e, por isso, nunca me deu a felicidade que estou sentindo agora.
Nada daquilo me faz falta.
— Você mudou mesmo!
De uma forma radical.
_ A vida me fez mudar.
Mostrou que a felicidade não está no muito que se pode ter, mas no quanto se pode dar.
— Bom-dia, senhor Simão!
Está muito bonita a sua festa!
— Bom-dia, Prefeito, mas a festa não é minha.
A festa é das pessoas do Grotão, que terão uma vida mais digna...
— Preciso confessar que nunca esperei que conseguissem, lamento que essa ideia não tenha sido minha.
— Não foi porque nunca se importou com as pessoas da sua cidade, mas, talvez, tenha outras ideias, pois notará que a felicidade do povo se traduz em votos.
— Não preciso me preocupar com isso.
Como sabe, há muito tempo a minha família manda nesta cidade.
— Um dia, isso poderá mudar.
— Não acredito, o povo é fiel.
— Com licença, Prefeito, vou mostrar tudo ao meu amigo.
Simão o deixou sozinho.
Saiu acompanhado de Luiz.
Rosana conversava ao longe com Célia e Paulina.
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Re: A Missão De Cada Um / Elisa Masselli

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