ARTIGOS DIVERSOS II

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Espiritismo e transformações do homem

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:02 am

Desde que Allan Kardec lançou O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857 (há 160 anos), muitos fenómenos chamados sobrenaturais foram sendo esclarecidos através das pesquisas e estudos daquele que teve a incumbência Divina de codificar a Doutrina Espírita.
De início, houve aversão e desprezo por muitos que não admitiam novas concepções no campo religioso por conta das tradições e da fé cega que os impediam de aceitar novos conceitos e horizontes de conhecimento.
Com competência e lucidez, através dos seus vastos conhecimentos na área das ciências, Allan Kardec procurou analisar profundamente os fenómenos que a princípio deixavam perplexos aqueles que os presenciavam, a exemplo das mesas girantes e as pancadas nas paredes ocorridas em Hydesville, quando surgiu a Tiptologia como forma de comunicação dos encarnados com os Espíritos.
Esse trabalho foi árduo e persistente, já que se tratava de factos que fugiam aos conhecimentos da época e que envolviam ciência, fé e religiosidade.
Transpondo os desafios iniciais das pesquisas com a solidez dos seus conhecimentos, e contando com a credibilidade que possuía no meio científico, Allan Kardec foi passo a passo desbravando o desconhecido, até deixar patente que aqueles factos já não mais seriam mistério e sim ocorrências naturais cujas causas ainda não faziam parte do conhecimento da época.
A Doutrina Espírita tem seu primeiro embasamento nos conceitos científicos e, com a comprovação da existência do espírito, revestiu-se também dos preceitos religiosos e filosóficos respeitando e seguindo o Evangelho de Jesus Cristo.
Essa revolução que nos trouxe verdades sobre o sentido da vida, como a imortalidade da alma e a reencarnação, transformou substancialmente a visão do homem, e hoje vivenciamos a expansão da Doutrina Espírita por ser racional e deixar-nos livres para os questionamentos necessários, recomendando responsabilidade e compromisso, para aqueles que a seguem, trazendo, também, a consolação pela lógica dos seus ensinamentos.
Nesse contexto, todos que a conhecem e põem em prática suas orientações promovem transformações expressivas em suas condutas, deixando claro que esse conhecimento e aceitação transcendem as muralhas da ignorância, propiciando-nos vislumbrar horizontes de Luz em nossas vidas.
Esse processo de “purificação” de pensamentos e hábitos confere-nos condições alvissareiras para a convivência diária com nossos irmãos.
São passos edificantes que serão traduzidos por um clima de paz.
Adoptando essa postura, estaremos agindo de acordo com o Evangelho do Cristo, seguindo a sua Santa Palavra e o Seu Exemplo de amor.
Em João, 14:1-31, temos “(...) Eu sou o Caminho, Verdade e Vida”, deixando evidente que se Ele pede para que o sigamos, corrobora outra Sua assertiva quando temos, ainda em João, 18:36:
“(...) Meu reino não é deste mundo”, subtendendo-se, assim, que o nosso também não pertence a esse mundo, pois, se assim não fosse, Ele não pediria para que o seguíssemos.

A resignação é o sentimento que consolida a Fé.

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ESPINHOS DE SER MÉDIUM ESPÍRITA, ESPECIALMENTE OS QUE NÃO QUEREM EVOLUIR...

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 9:52 pm

Quando o Médium Espírita apareceu na Assembleia Doutrinária, sinceramente decidido à tarefa que lhe fora designada, abraçou o serviço com ardor; no entanto, das pequenas multidões que o acompanhavam saíram vozes:
“é por demais verde, não tem experiências”.
O Seareiro do Bem assumiu ares de adulto e adoptou costumes austeros e mostrou-se entusiasta, mas ouviu novo conceito:
“é um temperamento perigoso, entregue à chocarrice”.
Procurou então adicionar veemência ao optimismo e os circunstantes fizeram coro:
“é explosivo, dado à violência”.
O Servidor arrefeceu os impulsos e começou a usar textos esclarecedores para fundamentar as próprias asserções, lendo pareceres de autoridades, e escutou novo apontamento:
“é um burro que não sabe falar, senão recorrendo a notas alheias”.
Abandonou, daí em diante, o sistema de citações e passou a dar somente respostas rápidas sobre os problemas que lhe vinham à esfera de acção, e exclamaram para logo:
“é um preguiçoso, sem qualquer atenção para o estudo”.
Nessa altura, o Obreiro da Espiritualidade julgou mais razoável servir à Causa da Luz, no próprio lar; contudo, ouviu:
“é um covarde, não enfrenta responsabilidades diante do povo”.
O Médium regressou às actividades públicas e entrou a colaborar na sementeira do conhecimento superior, onde fosse chamado, e surgiu outra sentença:
“é um manequim da vaidade, manobrado por agentes das trevas”.
O atormentado trabalhador procurou evitar discussões e escolheu atitude de reserva, falando apenas em torno das questões mais simples da edificação espiritual, e comentou-se:
“é mole demais, sem qualquer fibra moral para os testemunhos de fé”.
Registando isso, esposou o regime da mente arejada com o verbo franco, e anotaram, de imediato:
“é um obsidiado, entregue à mistificação”.
Tentou acomodar-se, fazendo unicamente aquilo que considerava como sendo o seu próprio dever, e clamaram:
“é vagabundo, nada quer com o trabalho”.
Ele tornou a inflamar-se de boa vontade, oferecendo o máximo das próprias forças à construção da Espiritualidade Maior, e acusaram:
“é revolucionário, deve ser vigiado...”
Aflito, o Medianeiro procurou o Mentor Espiritual que lhe propiciava amparo constante, e chorou:
- Ah! benfeitor meu, que faço se não satisfaço?
- De quem recebeste a tarefa do bem? – perguntou o amigo.
Do Senhor ou dos homens?
- Do Senhor – soluçou o Médium.
- Então – replicou o abnegado companheiro -, levarei tua indagação ao Senhor e amanhã trarei a resposta.
No dia seguinte, ao amanhecer, quando o servidor orava, rogando força e inspiração, surgiu-lhe à frente o Instrutor Espiritual e falou, sereno:
- O Senhor mandou dizer-te que, em te nomeando para colaborar na Obra de Redenção, assim o fez porque confiava em teu Amor para com os Irmãos da família humana, e que, por isso mesmo, não te solicitou o inventário das críticas que porventura te fossem feitas, e sim te recomendou tão-somente servir e trabalhar.
Nesse instante, o primeiro clarão diurno varou, de chofre, a vidraça.
O medianeiro, de alma subitamente bafejada por nova compreensão, mirou o fio de luz que vencera as trevas para aquecê-lo em silêncio...
Em seguida, pensou e pensou, a pouco e pouco invadido de estranho júbilo...
Desde então, o Médium Espírita olvidou a si mesmo e aprendeu com o raio de Sol que a sua força vinha do Senhor e que a sua felicidade se resumia em servir e servir, trabalhar e trabalhar.

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VELHICE NA VISÃO ESPÍRITA

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:26 am

Quando encarnamos, recebemos uma carga de fluido vital (fluido da vida).
Quando este fluido acaba, morremos.
Somos como a pilha que com o tempo vai descarregando.
Chegamos ao ponto que os remédios já não fazem mais efeito.
Daí não resta outra alternativa senão trocar de “roupa” e voltar para a escola planetária.
Mas a quantidade de fluido vital não é igual em todos seres orgânicos.
Isso dependerá da necessidade reencarnatória de cada um de nós.
Quando chegamos à Terra cada um tem uma "estimativa de vida".
Vai depender do que viemos fazer aqui.
A pessoa que está estimado viver em torno de 60 anos receberá mais fluido que a pessoa que está estimado viver 20 anos.
André Luiz, através da psicografia de Chico Xavier, explica que poucos são completistas, ou seja, nascemos com uma estimativa de vida e, com os abusos, desencarnamos antes do previsto, não completamos o tempo estimado, isso chama-se suicídio indirecto.
Se viemos acertar as pendências biológicas por mau uso do corpo, como o suicídio directo ou indirecto, nós vamos ficar aqui pouco tempo.
É só para cobrir aquele buraco que nós deixamos.
Exemplo: Se nossa estimativa de vida é 60 anos e nós, por abusos, desencarnamos aos 40 anos, ficamos devendo 20 anos.
Então, na próxima encarnação viveremos somente 20 anos.
Mas há outros indivíduos que vem para uma tarefa prisional.
E daí vai ficar, 70, 80, 90, 100 anos.
Imaginamos que quem vira os 100 anos está resgatando débitos.
Porque vê as diversas gerações que já não são as suas.
E o indivíduo vai se sentindo cada vez mais um estranho no ninho.
Os jovens o olham como se ele fosse um dinossauro.
Os da sua idade já não se entendem mais porque já faltam certos estímulos (visuais, auditivos, etc.).
Já não podem visitar reciprocamente, com raras excepções.
Tornam-se pessoas dependentes dos parentes, dos descendentes para levar aqui e acolá.
Até para cuidar-se e tratar-se.
Então, só pode ser resgate para dobrar o orgulho, para ficar nas mãos de pessoas que nem sempre gostam dela.
Alguns velhos apanham, outros são explorados na sua aposentadoria, outros são colocados em asilos onde nunca recebem visitas.
Em compensação, outros vêm, cuidam da família, educam os filhos em condição de caminhar, fecham os olhos e voltam para a casa com a missão cumprida com aqueles que se comprometeu em orientar, impulsionar, a ajudar.
Por isso, precisamos conversar com os jovens.
Dizer a eles que é na juventude que a gente estabelece o que quer na velhice, se chegar lá.
E que vamos colher na velhice do corpo o que tivermos plantado na juventude.
Se ele quiser ter um ídolo, que escolha alguém que esteja envolvido com a paz, com a saúde, a ética, ao invés de achar ídolos da droga, do crime, das sombras.
E aqueles que não tem jovens para orientar e que estão curtindo a própria maturidade, avaliar o que fizeram da vida até agora.
Se a morte chegasse hoje, o que teriam para levar?
Se chegarem a conclusão que não tem nada para levar lembrem que: HÁ TEMPO.
Enquanto Deus nos permitir ficar na Terra, HÁ TEMPO, para fazermos algum serviço no Bem seja ao próximo ou a nós mesmos:
estudar, aprender uma língua, uma arte, praticar um desporto.
Enquanto respirarmos no corpo perguntemos:
“O QUE DEUS QUER QUE EU FAÇA?”
Usemos bem o fluido que nos foi disponibilizado.

ATENÇÃO: a vida bem vivida pela causa do Bem pode nos dar “MORATÓRIA”, ou seja, uma sobrevida, uma dilatação do tempo de permanência do Espírito no corpo de carne.
Por isso vemos muitos trabalhadores do BEM desencarnando com idade bem avançada.
Estes receberão uma carga extra de fluido vital para estender seu tempo no corpo físico.
Então, há idosos em carácter expiatório e em carácter de moratória.


José Raul Teixeira

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:: PAIS E FILHOS ::

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 9:51 pm

A ingratidão é um dos frutos mais directos do egoísmo.
Revolta sempre os corações honestos.
Mas, a dos filhos para com os pais apresenta carácter ainda mais odioso.

Do item 9, do Cáp. XIV, de “O evangelho segundo o espiritismo”

Trazida a reencarnação para os alicerce dos fenómenos sócios-domésticos, não é somente a relação de pais para filhos que assume carácter de importância, mas igualmente a que se verifica dos filhos para com os pais.
Os filhos não pertencem aos pais; entretanto, de igual modo, os pais não pertencem aos filhos.
Os progenitores devem especial consideração aos próprios rebentos, mas o dever funciona bilateralmente, de vez que os rebentos do grupo familiar devem aos progenitores particular atenção.
Existem pais que agridem os filhos e tentam escravizá-los, qual se lhes fossem objecto de propriedade exclusiva; todavia, encontramos, na mesma ordem de frequência, filhos que agridem os pais e buscam escravizá-los, como se os progenitores lhes constituíssem alimárias domésticas.
A reencarnação traça rumos nítidos ao mútuo respeito que nos compete de uns para com os outros.
Entre pais e filhos, há naturalmente uma fronteira de apreço recíproco, que não se pode ultrapassar, em nome do amor, sem que o egoísmo apareça, conturbando-lhes a existência.
Justo que os pais não interfiram no futuro dos filhos, tanto quanto justo que os filhos não interfiram no passado dos pais.
Os pais não conseguem penetrar, de imediato, a trama do destino que os princípios cármicos lhes reservam aos filhos, no porvir, e os filhos estão inabilitados a compreender, de pronto, o enredo das circunstâncias em que se mergulharam seus pais, no pretérito, a fim de que pudessem volver, do Plano Espiritual ao renascimento no Plano Físico.
Unicamente no mundo das causas, após a desencarnação, ser-lhes-á possível o entendimento claro, acerca dos vínculos em que se imanizam. Invoque-se, à visto disso, o auxílio de religiosos, professores, filósofos, e psicólogos, a fim de que a excessiva agressividade filial não atinja as raias da perversidade ou da delinquência para com os pais e nem a excessiva autoridade dos pais venha a violentar os filhos, em nome de extemporânea ou cruel desvinculação.
Nunca é lícito o desprezo dos pais para com os filhos e vice-versa.
Não configuramos no assunto qualquer aspecto lírico na temática afectiva.
Apresentamos, sumariamente, princípios básicos do Universo.
A existência terrestre é muito importante no progresso e no aperfeiçoamento do Espírito; no entanto, ao mesmo tempo, é simples estágio da criatura eterna no educandário da experiência física, à maneira de estudante no internato.
Os pais lembram alunos, em condições mais avançadas de tempo, no currículo de lições, ao passo que os filhos recordam aprendizes iniciantes, quando surgem na arena de serviço terrestre, com acesso na escola, sob o patrocínio dos companheiros que os antecederam, por ordem de matrícula e aceitação.
E que os filhos jamais acusem os pais pelo curso complexo ou difícil em que se vejam no colégio da existência humana, porquanto, na maioria das ocasiões, foram eles mesmos, os filhos, que, na condição de Espíritos desencarnados, insistiram com os pais, através de afectuoso constrangimento ou suave processo obsessivo, para que os trouxessem, de novo, à oficina de valores físicos, de cujos instrumentos se mostravam carecedores, a fim de seguirem rumo correcto, no encalço da própria emancipação.

Emmanuel
Livro: Vida e Sexo – Francisco Cândido Xavier

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Deus na Natureza (Parte 18)

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:21 am

Camille Flammarion

Continuamos o estudo metódico e sequencial do livro Deus na Natureza, de autoria de Camille Flammarion, escrito na segunda metade do século 19, no ano de 1867.

Questões preliminares

A. Como Bichat definia a vida?
Segundo Bichat, a vida é um conjunto de funções que resistem à morte.
De facto, é a coordenação das funções orgânicas que constituem o ser vivente.
E que será essa coordenação, senão um sistema de forças destinadas a movimentar a máquina animada?
Deste ponto de vista, o que a tudo sobreleva é a ideia dinâmica.
Banida ela, o que nos fica é nada mais que um cadáver.
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)

B. A vida é um turbilhão contínuo, como pensava Cuvier?
Se da descrição do órgão apropriado ao seu funcionamento e desse conceito de forças particulares remontarmos ao conjunto do seu e à sua conservação, desde o começo ao fim da vida, concluiremos, sim, com Cuvier, que “a vida é um turbilhão contínuo, cuja directiva, por mais complexa que seja, permanece constante, tal como a espécie de moléculas que consigo arrasta, mas não as moléculas individuais em si mesmas”.
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)

C. Como pôde o carvalho enorme sair da ínfima semente caída ao solo?
A mesma pergunta pode ser feita com relação às diferentes plantas que nasceram e cresceram na mesma terra, sob o mesmo sol e a mesma chuva, ou seja, nas mesmíssimas condições.
Ora, o germe orgânico não reside somente na estrutura anatómica, mas também, e sobretudo, em uma força especial que se encarrega, sem enganos possíveis, da organização do ser, de modo a não dar a um cavalo uma cabeça de carneiro, nem a um coelho pés de pato!
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)

Texto para leitura

369. Os materialistas objectam, enfim, que a força a que nos referimos não existe, porque “força sem substrato material é ideia abstracta, desprovida de senso”.
Ora, não vemos necessidade de admitir que não exista uma força típica, ou que essa força seja extrínseca à matéria, porque os negativistas incidem, aqui, no mesmo erro de quando se trata da existência de Deus, que declaram só possível de conceber fora do mundo.
É sempre o mesmo princípio que está em jogo.
Ademais, seria fácil demonstrar que todos os conhecimentos humanos se reduzem, última ratio, à noção da força e da extensão; poderíamos invocar o testemunho da Matemática, da Física, da Química, da História Natural em seus três reinos:
Mineralogia, Botânica, Zoologia; a ciência do homem:
Psicologia, Estética, Moral, Teologia natural, Filosofia; ciências que, todas, iriam esbarrar no mesmo nó substancial, isto é, a força e a extensão.
Não cabe, entretanto, fazer aqui um dicionário. Baste-nos considerar do ponto de vista da vida esta dupla questão e notar, igualmente, o predomínio da força sobre a extensão.
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
370. Bichat definia a vida como conjunto de funções que resistem à morte.
Sem tomarmos puerilmente, ao pé da letra, essa definição, perguntamos:
qual a primeira imagem que nos oferece o exame da estrutura de um vegetal ou de um animal?
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Re: ARTIGOS DIVERSOS II

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:21 am

Certo, é a coordenação das funções orgânicas que constituem o ser vivente.
E que será essa coordenação, senão um sistema de forças destinadas a movimentar a máquina animada?
Deste ponto de vista, o que a tudo sobreleva é a ideia dinâmica.
Banida ela, o que nos fica é nada mais que um cadáver.
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
371. Se da descrição do órgão apropriado ao seu funcionamento e desse conceito de forças particulares remontarmos ao conjunto do seu e à sua conservação, desde o começo ao fim da vida, concluiremos com Cuvier que “a vida é um turbilhão contínuo, cuja directiva, por mais complexa que seja, permanece constante, tal como a espécie de moléculas que consigo arrasta, mas não as moléculas individuais em si mesmas”.
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
372. Aqui, há ainda que reconhecer a presença da força, que, através da incessante mutação dos corpos, lhes assegura e conserva a identidade da forma.
Ela – essa força – é pois a característica principal de todo organismo.
E frisamos estas palavras de Cuvier:
“as moléculas individuais circulam perpetuamente, mas a espécie permanece sempre idêntica”.
Essa permanência devemo-la à força.
Que sucederia, por exemplo, se apenas a forma se salvaguardasse e nenhuma direção virtual presidisse à eleição das moléculas químicas?
Teríamos, a breve trecho, o mais heterogêneo dos corpos imagináveis, ainda que guardando a perfeição da sua formação.
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
373. Passando do indivíduo à espécie, ainda aí notamos o predomínio necessário da força.
Se cada indivíduo se mantém vivo, é graças à sua dinâmica íntima.
Se as espécies vegetais ou animais permanecem, é graças à força inicial que, só ela, pode caracterizar a identidade da espécie, transmissível à descendência e existente em estado latente, ou sensível, no óvulo vegetal como no óvulo animal.
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
374. Como pôde o carvalho enorme sair da ínfima bolota caída ao solo?
Como se fez carvalho, ao lado da fava que expeliu a faia; da batata, que engendrou o pinheiro; da amêndoa, que se fez tumba do pilriteiro desdobrando-se em bagas escarlates; ou ainda, ao lado do grão de trigo e de aveia, na mesma terra, com o mesmo sol e a mesma chuva; em suma:
nas mesmíssimas condições? (Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
375. Ora, com certeza, o germe orgânico não reside somente na estrutura anatómica, mas também, e sobretudo, em uma força especial que se encarrega, sem enganos possíveis, da organização do ser, de modo a não dar a um cavalo uma cabeça de carneiro, nem a um coelho pés de pato!
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
376. Afirmando tão apaixonadamente a inexistência de uma força especial nos seres vivos e que a vida mais não é que o resultado da presença simultânea das moléculas constitutivas do animal ou vegetal, justo seria procurassem, os arautos de tão audaciosas afirmativas, comprová-las experimentalmente, ainda que modestamente.
Improvisai um único, e o mais ínfimo ser vivo, e... nós nos renderemos.
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
377. Vejamos: temos à mão uma garrafa com carbonato de amoníaco, cloreto de potassa, fosfato de soda, cal, magnésia, ferro, ácido sulfúrico e sílica.
Sois vós mesmos a confessá-lo que nesse frasco está contido o princípio vital, completo, de plantas e animais.
Fazei, portanto, uma plantinha, um só bichinho...
Como assim? Calai-vos?
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
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Re: ARTIGOS DIVERSOS II

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:21 am

378. Apelai para a vossa memória e ouvi a cena maravilhosa do eterno Mefistófeles a dialogar com o alquimista.
Wagner, atento ao forno:
“O sino tangeu, percussão formidável!
Abalou as paredes negras, ferrugentas.
Oh! a incerteza desta expectativa tão solene não pode prolongar-se muito.
As trevas como que se desfazem, estou a ver no fundo da lente algo que reduz[ii] como carbono vivo, ou, melhor, como esplêndido diamante, a clarear de mil facetas a escuridão ambiente.
Agora, uma luz pura, branquíssima.
Bem, desta vez espero que não escapara... ah! maldição, quem bate assim à porta, justamente...
Mefistófeles: (entrando) – Que há?
Wagner: (baixinho) – Está-se fabricando um homem...
Mefistófeles: – Um homem? Mas, que amoroso casal meteste aí nessa chaminé?
Wagner: – Ora, valha-me Deus!
Essa velha fórmula de procriar já foi, há muito, reconhecida um simples gracejo.
O foco subtil de onde brotava a vida, a força suave que de si exalava, e tomava e dava, destinada a formar-se por si mesma, alimentando-se a princípio das substâncias circunvizinhas e, a seguir, de substâncias estranhas, tudo isso caducou e perdeu o seu prestígio.
Se o animal ainda lhe encontra prazer, ao homem convém, por dotado de mais nobres qualidades, uma origem mais pura e mais alta.
(Voltando-se para a fornalha)
Quanto brilho! veja...
Dora em diante, é lícito esperar que, se de cem matérias, e por mistura – pois tudo depende da mistura – conseguimos com facilidade compor a massa humana, aprisioná-la num alambique, e a obra se completará em silêncio.
(Voltando-se de novo para a fornalha)
É o que está sucedendo:
a mesma clareia-se e mais convicto me deixa, a cada instante.
Tentamos, judiciosamente, experimentar o que se chamava – mistérios da Natureza – e o que ela produzia outrora, organizando, fazemo-lo hoje cristalizando.
Mefistófeles: – A experiência vem com a idade e a quem quer que tenha vivido bastante, nada ocorre de novo, na Terra.
Por mim, confesso que nas minhas viagens encontrei, bastas vezes, muita gente cristalizada...
Wagner: (que não tirara o olho da sua lente) – A coisa está crescendo, brilhando, fervendo...
Um instante mais e a obra estará consumada.
Não há ideal grandioso que à primeira vista não pareça insensato; contudo, doravante, queremos sobrancear o acaso e dessarte, futuramente, um pensador não deixará de fabricar um cérebro pensante...
(Contemplando a redoma embevecido)
O cristal retine, vibra; comove-o uma força encantadora, ele como que se perturba e se aclara, o sucesso não tarda.
Já estou a ver a forma elegante de um homenzinho gesticulando...
Que mais desejar?
Que pode o mundo querer de melhor?
Eis o mistério a desnudar-se!
Atenção! Esse timbre se articula, vozeia, fala!
Homúnculo: (de dentro da redoma, para Wagner) – Bom dia, papai! então sempre era verdade, hein?
Toma-me, aconchega-me ao teu seio com ternura, mas, olha, não me apertes muito, senão... quebras o vidro.
Isso é a propriedade das coisas:
ao que é natural, só o Universo pode bastar; mas o artificial, ao contrário, reclama o limitado.
(Voltando-se para Mefistófeles) Tu aqui? Velhaco...
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Re: ARTIGOS DIVERSOS II

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:22 am

Mas, ainda bem que o momento é azado e graças dou porque boa estrela te trouxe a nós.
Já que estou no mundo, quero agir e meter desde logo mãos à obra.
Hábil és tu para me desbravar o caminho.
Wagner: – Uma palavra ainda...
Até aqui, muitas vezes me vi indeciso, quando moços e velhos me vêm cumular de problemas.
Ninguém, por exemplo, ainda compreendeu como a alma e o corpo, tão intimamente conjugados e ajustados entre si, a ponto de os julgarmos para sempre inseparáveis, vivem em luta sem tréguas e chegam a envenenar a própria existência... e depois...
Mefistófeles: – Alto lá!
Eu antes quisera saber a razão por que o homem e a mulher não se entendem.
Esta é uma questão que te há de custar a resolver.
Isso é o que vale tentar e o petiz deseja fazê-lo...“
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
379. Voltai, porém, a página do libreto.
Vamos ao 1º acto, é Fausto, é a velha e nova Ciência quem fala:
Como tudo se movimenta para o trabalho universal!
Como operam e cooperam as actividades todas, umas pelas outras!
Como sobem e descem as forças, a permutar de mão em mão seus vasos de ouro, a tocá-los com as suas asas que exalam, nesse vaivém, do céu à Terra, uma como bênção de universal harmonia!
“Estupendo espectáculo!
Mas... ó tortura! nada mais que espectáculo!
Onde apreender-te, ó Natureza!
Ó fontes de toda a vida! que abranjeis e nutris céus e terras, onde estais?
Para vós se voltam os seios desnutridos, correis aos borbotões, inundais o mundo, enquanto em vão me consumo.”
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
380. Sim. Em vão vos consumis, tentando reivindicar para o homem a obra do Criador.
Com todo o vasto conhecimento da matéria e das suas propriedades, não conseguistes engendrar sequer um cogumelo.
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)
381. O que não podemos, pode a Natureza, visto que ela ainda é mais hábil que nós.
Mas, então, que fazeis da inteligência, uma vez que, por outro lado, presumis não haver espírito na Natureza?
Mas vamos adiante.
Demais – acrescentais argutamente –, se ainda não produzimos seres vivos por processos químicos, temos, todavia, produzido matérias como, por exemplo, o ácido característico da urina, e o óleo essencial da mostarda (éter alilsulfociânico), o que muito nos lisonjeia.
(Deus na Natureza – Segunda Parte. A Vida.)

[ i ] Circulation de la Vie, T. 2º, carta 15º.
[ii] A ideia de enclausurar Espíritos em frascos é muito comum na feitiçaria medieval.
O Papa Benedito IX expeliu sete Espíritos de um açucareiro.

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A provação enfrentada pelo professor contemporâneo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 9:05 pm

Quem de nós não guarda lembranças, geralmente positivas, que um(a) professor(a) teve em sua vida?
Os professores exercem um papel importante em nossa formação intelectual e ética, além dos familiares, é claro.
No fundo das nossas memórias cultivamos lições e temas aprendidos (alguns vitais para as nossas jornadas nesta dimensão), inspirações fornecidas, dúvidas e curiosidades desvendadas, incentivos para o avanço no campo do conhecimento e da cidadania, ideias e pensamentos salutares, entre tantas outras coisas significativas, associadas à figura de um(a) professor(a).
Nesse sentido, como eu poderia esquecer a advertência da Dona Mercedes, minha professora de Educação Moral e Cívica no ginásio (hoje a denominação é outra).
“Nossa liberdade, dizia ela, termina quando começa a dos outros”.
Como não considerar o insight oferecido pelo professor Lobo já na faculdade, “Teoria é um conjunto de práticas testadas”.
É evidente que a vida de estudante é profundamente marcada pela interacção com os seus educadores.
Quando eles são proficientes – como sói acontecer em qualquer esfera da vida – recordamos deles com carinho e agradecimento pelo que nos ajudaram a conquistar e/ou superar.
Por essa razão sou muito grato, especialmente a alguns deles, que me auxiliaram a entender certos temas espinhosos de matemática e estatística.
Inquestionavelmente, o trabalho do(a) professor(a) é fundamental para o desenvolvimento de uma nação.
Não é por outro motivo que alguns países estão obtendo avanços expressivos em determinadas áreas graças a sistemas de ensino eficientes e professores bem preparados.
De facto, precisamos muito de mestres dedicados para nos ajudarem a enfrentar os desafios altamente complexos e intrincados da vida hodierna.
Sem exagero, ser professor é abraçar uma profissão maravilhosa por tudo que representa e fornece de benéfico para as nossas existências, embora na actualidade não se observe a devida valorização e respeito a essa classe profissional.
Como desabafou recentemente uma educadora num determinado jornal, “Exerço uma das profissões mais dignas do mundo, com um salário miserável”.
Com efeito, levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), de 2016, identificou que os nossos docentes dos ensinos de nível fundamental e médio recebem menos da metade do que a média dos profissionais de educação dos 35 países membros da citada entidade.
Não bastasse essa grave distorção, a omnipresente violência que graça no país também está afectando o trabalho do(a) professor(a).
Numa outra pesquisa da OCDE, de 2014, abrangendo 34 países, revelou que 12,5% dos educadores brasileiros sofrem agressões verbais ou intimidações de alunos ao menos uma vez por semana.
Enquanto isso, a média entre todos os países pesquisados foi de 3,4%. Ou seja, algo muito grave está acontecendo no seio das famílias brasileiras.
Ao que parece, portanto, os pais não estão conseguindo transmitir aos seus filhos o dever e a obrigação de respeitar os seus educadores.
É surpreendente o número de casos de professores agredidos e desrespeitados relatados quase que diariamente pela mídia.
Portanto, a conclusão é óbvia: está havendo uma lamentável inversão de valores em nossa sociedade, provavelmente decorrente de uma educação deficiente, em vários aspectos, recebida no lar pelos jovens e adolescentes.
Em consequência dessa aberração, os educadores estão completamente expostos a uma violência desmedida e desproposital em seu ambiente de trabalho.
Para ilustrar, é por demais chocante e injustificável - sob qualquer parâmetro decente de civilização que se contemple - a imagem da Professora Marcia Friggi com o olho ensanguentado devido a uma agressão física efetuada por um aluno emocionalmente desequilibrado.
Como nos ensina a querida mestra espiritual Joanna de Ângelis, na obra Oferenda (psicografia de Divaldo Franco):
“Respeito sempre!”. Sim, o respeito é a base das relações humanas saudáveis.
Sem a presença do respeito em nossas interacções corremos o sério risco de voltar a ser feras bestializadas.
Não há como construir uma civilização pacífica sem o amparo do respeito para suavizar as divergências opinativas.
Aliás, a capacidade de respeitar é uma das mais importantes conquistas humanas na área do comportamento, simplesmente porque “O respeito emite raios confortadores”, conforme observa o Espírito André Luiz, no livro Dicionário da Alma (psicografia de Francisco Cândido Xavier).
Joanna de Ângelis acrescenta ainda que “O respeito à pessoa humana é um impositivo cristão...”.
Partindo dessa premissa, o educador merece igualmente essa deferência de seu alunado.
Cabe ainda frisar que “Doentes somos, quase todos nós, em diversos graus de intensidade”, como pontua a referida benfeitora espiritual.
Por isso, Joanna de Ângelis destaca que estamos na Terra para, essencialmente, desenvolver “reparação e crescimento”.
É evidente que os jovens e adolescentes necessitam de firme orientação de nossa parte com relação ao dever de respeitarem os seus professores.
E tal conduta é especialmente relevante diante de contrariedades ou avaliações insatisfatórias de desempenho escolar quando estas ocorrerem.

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As três orações

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:29 am

Instado pela assembleia de amigos a falar sobre a resposta do Criador às preces das criaturas, respondeu o velho Simão Abileno, instrutor cristão, considerado no Plano Espiritual por mestre do apólogo e da síntese:
- Repetirei para vocês, a nosso modo, antiga lenda que corre mundo nos contos populares de numerosos países...
Em grande bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens pediram a Deus lhes concedesse destinos gloriosos e diferentes.
A primeira explicou que aspirava a ser empregada no trono do mais alto soberano da Terra; após ouvi-la, a segunda declarou que desejava ser utilizada na construção do carro que transportasse os tesouros desse rei poderoso, e a terceira, por último, disse então que almejava transformar-se numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do Céu.
Depois das preces formuladas, um Mensageiro Angélico desceu à mata e avisou que o Todo-Misericordioso lhes recebera as rogativas e lhes atenderia às petições.
Decorrido muito tempo, lenhadores invadiram o horto selvagem e as árvores, com grande pesar de todas as plantas circunvizinhas, foram reduzidas a troncos, despidos por mãos cruéis.
Arrastadas para fora do ambiente familiar, ainda mesmo com os braços decepados, elas confiaram nas promessas do Supremo Senhor e se deixaram conduzir com paciência e humildade.
Qual não lhes foi, porém, a aflitiva surpresa!...
Depois de muitas viagens, a primeira caiu sob o poder de um criador de animais que, de imediato, mandou convertê-la num grande cocho destinado à alimentação de carneiros; a segunda foi adquirida por um velho praiano que construía barcos por encomenda; e a terceira foi comprada e recolhida para servir, em momento oportuno, numa cela de malfeitores.
As árvores amigas, conquanto separadas e sofredoras, não deixaram de acreditar na mensagem do Eterno e obedeceram sem queixas às ordens inesperadas que as leis da vida lhes impunham...
No bosque, contudo, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da oração, quando, transcorridos muitos anos, vieram a saber que as três árvores haviam obtido as concessões gloriosas solicitadas...
A primeira, forrada de panos singelos, recebera Jesus das mãos de Maria de Nazaré, servindo de berço ao Dirigente Mais Alto do Mundo; a segunda, trabalhando com pescadores, na forma de uma barca valente e pobre, fora o veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas muitos dos seus mais belos ensinamentos; e a terceira, convertida apressadamente numa cruz em Jerusalém, seguira com Ele, o Senhor, para o monte e, ali, erecta e valorosa, guardara-lhe o coração torturado, mas repleto de amor no extremo sacrifício, indicando o verdadeiro caminho do Reino Celestial...
Simão silenciou, comovido.
E, depois de longa pausa, terminou, a entremostrar os olhos marejados de pranto:
- Em verdade, meus amigos, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.

Do livro Cartas e Crónicas, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

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Competência cívica

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 9:13 pm

Toda e qualquer intervenção pessoal, institucional, empresarial, política, religiosa, associativa e colectiva, deve pressupor, sempre, determinados requisitos, destacando-se, para o presente trabalho, a competência na aplicação da Ética, no envolvimento cívico de cada pessoa na respectiva sociedade em que se integra.
Descrita a questão por outras palavras, significa que tal envolvimento postula valores de cidadania, compromissos cívico-político-institucionais, mas também todos os outros, que em cada momento o homem, por força dos vários papéis que vai desempenhando, tem o dever de assumir, sempre a partir dos deveres e dos direitos, nos limites estabelecidos pela Ética.
A cidadania não impõe apenas cumprir deveres e exercer direitos, por quaisquer processos, sem regras, sem métodos e sem valores.
Realizar e viver numa sociedade cidadã requer, dos indivíduos e das organizações, competência, considerando que:
«A cidadania é um estado de espírito e uma postura permanente que levam pessoas a agirem, individualmente ou em grupo, com objectivos de defesa de direitos e de cumprimento de deveres civis, sociais e profissionais.
Cidadania é para ser praticada todos os dias, em todos os lugares, em diferentes situações com variadas finalidades.
Não se pode confundir cidadania com actos isolados e eventuais de protestos e reivindicações, muitas vezes justos, porém, efémeros»(RESENDE, 2000:200).

A sociedade há de constituir-se, compativelmente, com a superior dignidade da condição humana, impondo-se como grande desígnio universal a abolição total e imediata de todo e qualquer tipo de discriminação, simultaneamente com a moderação dos interesses individuais, quando colidem com os interesses colectivos; da redistribuição dos privilégios de alguns pelo todo que integra a sociedade; enfim, da aplicação ética da riqueza, da justiça, da educação, da saúde, do trabalho e de todos os recursos naturais e produzidos pelo homem, bem como daqueles que a natureza oferece ao homem, seja empresário ou trabalhador, dirigente ou subalterno; qualquer que seja a etnia, a religião, a nacionalidade do cidadão.
As nações, os povos e os indivíduos tendem, naturalmente, para a liberdade, entendida esta em todos os sentidos e situações da vida humana, concretamente, quanto às liberdades: cívica, política, religiosa, educativa, laboral, intelectual, filosófica e tantas outras formas, nas múltiplas dimensões humanas.
Mas a liberdade a qualquer preço, exercida sem regras, sem limites e sem responsabilidade, termina na ditadura de uns sobre os outros.
Deseja-se, então, uma liberdade democrática, no conceito mais nobre que a democracia pode comportar, do tipo “um por todos e todos por um”, ou ainda no seu sentido político, igualmente sublime, como sendo o “governo do povo, pelo povo, com o povo e para o povo”, porém, dentro dos limites, dos valores e princípios da cidadania.
A liberdade democrática, para uma sociedade cidadã, exige competência dos cidadãos para a exercer.
Uma liberdade com autoridade, na medida em que:
«É pela autoridade que a liberdade política se solidariza com o bem comum; é pela liberdade das pessoas e dos grupos que a autoridade política atinge o bem comum, subsidiário, ou seja, não há liberdade nem autoridade isentas da funcionalidade para o bem comum» (SILVA, 1966:177-8).

Vivenciar e usufruir dos benefícios da cidadania, numa sociedade democraticamente livre será, porventura, a situação que todo o cidadão responsável e competente deseja.
O cidadão moderno, culto, no sentido antropológico que o conceito de cultura implica, capaz de utilizar, para o bem comum, todas as suas capacidades cognitivas, técnicas e humanas, deverá ser formado, rapidamente, através e pelas diversas instituições da sociedade global:
família, escola, Igreja, comunicação social, comunidades, vizinhos, empresas e até pela “Instituição” Natureza que tanto pode ensinar, quando o homem lhe presta atenção.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS II

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 9:13 pm

A formação deste novo cidadão passa pela adopção de soluções urgentes, que as referidas instituições, cada uma com os seus próprios conhecimentos, experiências e recursos pode, inter-disciplinarmente, contribuir, porque na verdade:
«Urge dinamizar o movimento de cidadania para que a sociedade cumpra suas missões de promover – abandonando a postura de total dependência de governos salvadores da pátria – mudanças necessárias ao desenvolvimento económico, social e educacional do país; de construir uma civilização mais evoluída, de tornar o país uma nação rica e forte, como permitem seus recursos, bem como a inteligência e capacidade de trabalho de seu povo» (RESENDE, 2000:202).

Obviamente que cada país tem seus próprios recursos, porém, há recursos naturais que, pragmática e materialmente considerados, proporcionam desenvolvimentos diferentes, todavia, apesar disso, cada povo tem o recurso mais valioso que existe, traduzido no seu capital humano, no seu engenho, habilidade e arte. Nos seus valores, usos, costumes e tradições.
A prova verifica-se pela análise do nível de progresso e bem-estar que países sem recursos naturais estratégicos (petróleo, ouro, diamantes, gás natural, madeiras preciosas, entre outros) usufruem actualmente, com a agravante de, inclusivamente, alguns deles, serem de reduzida dimensão territorial.
Tais países apostaram na formação dos seus cidadãos, no seu capital humano, na inteligência, na cultura, na democracia, na liberdade responsável, na cidadania competente do seu povo.
Indiscutivelmente que são muito importantes a educação e a formação cívica para se construir um novo mundo, moderno, humanista:
«É necessária uma educação que favoreça o tecido da sociedade civil (ou seja, civilizada, cidadã).
Que a educação seja um lugar de encontro e empenhamento comum onde aprendamos a ser sociedade, onde a sociedade aprenda a ser sociedade solidária.
Temos de aprender novas formas de construir a cidade dos homens» (BERGOGLIO, 2013:86).

Bibliografia:
BERGOGLIO, Jorge, Papa Francisco, (2013). O Verdadeiro Poder é Servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Tradução de Maria João Vieira /Coord.), Ângelo Santana, Margarida Mata Pereira. Braga: Publito.
RESENDE, Énio (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Auto-ajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark.
SILVA, A., S.J. (1966). Filosofia Social, Évora: Instituto de Estudos Superiores de Évora.

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PAIS E FILHOS À LUZ DA REENCARNAÇÃO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:14 pm

O que os pais transmitem aos filhos?
Não são os pais que criam o Espírito de seu filho.
Nem é verdade que os pais transmitam aos filhos parte de sua própria alma.
Porque o corpo procede do corpo mas o Espírito não procede do Espírito.
O que os pais fazem é fornecer aos filhos o invólucro que, quase sempre, tem uma semelhança física e de disposições orgânicas por causa da hereditariedade, que rege a formação do corpo material.
A essa vida animal que os pais transmitem aos filhos, uma nova alma, a do filho, vem se juntar trazendo a vida moral.
Os pais jamais transmitem aos filhos a semelhança moral, porque se trata de espíritos diferentes.
As semelhanças morais que existem, às vezes, entre pais e filhos vêm do facto de serem eles espíritos simpáticos, atraídos pela afinidade de suas inclinações.
Podem ser, também, resultado da educação, pois o espírito dos pais exerce, e muito, influência sobre os espíritos dos filhos, após o nascimento.
Educar é missão dos pais
As crianças não são almas recém-criadas por Deus.
São espíritos com certa experiência e desenvolvimento, pois já viveram muitas vidas anteriormente.
Trazem, como bagagem espiritual, as consequências de seus acertos e, também de seus erros, o que pode estar simbolizado na antiga ideia de "pecado original".
Quando passa pelo estágio da infância física, o Espírito está como que num repouso de actividade mais intensa do seu eu.
E se torna mais acessível às impressões que recebe, porque o cérebro novo registará novos informes e estímulos.
Costuma apresentar-se mais dócil, porque se encontra dependente para com os seus responsáveis na vida terrena.
É, pois, a infância o momento ideal para a acção educativa, moralizante, que muito poderá ajudar o Espírito em seu progresso na nova reencarnação.
E cabe ao espírito dos pais, em especial, a missão de desenvolver o dos filhos pela educação, procurando corrigir as tendências más que trazem e cultivar as boas qualidades que tem em potencial, como criatura de Deus.
Os pais não poderão, pelos pensamentos e preces, determinar para o corpo do filho que vao gerar, um bom espírito em lugar de um espírito inferior.
Mas podem melhorar o espírito da criança a que deram nascimento e que lhes foi confiada. Esse é o seu dever.
Filhos maus são uma prova para os pais.
Pais bons e virtuosos podem ter filhos até perversos, porque um mau pode pedir bons pais, na esperança de que seus conselhos o dirijam por uma senda melhor e, muitas vezes, Deus o atende.
Educar os filhos é tarefa que Deus confiou aos pais e, se nela falharem, serão culpados.
Mas se fizeram tudo o que podiam e deviam pelo adiantamento moral de seus filhos e eles é que não aceitam a boa orientação, os pais podem ficar de consciência tranquila.
A amargura que sentem por não alcançarem o êxito esperado é suavizada pela certeza de que, no futuro, ainda poderão concluir a obra agora começada e que, um dia, os filhos ingratos os recompensarão com o seu amor.
Todas as pessoas que convivem com a criança também devem cooperar na sua educação, pois a fraternidade nos faz responsáveis uns pelos outros.
Em complementação à tarefa educadora dos pais, os Centros Espíritas procuram organizar grupos para evangelização da infância, ou seja, para lhes transmitir a moral evangélica, à luz do Espiritismo.
Semelhanças entre irmãos
Muitas vezes há semelhanças de carácter entre irmãos, sobretudo entre gémeos, o que pode ser explicado por:
- influência da educação igual que tiveram e a que foram acessíveis; ou
- por serem espíritos simpáticos e afins entre si.
Porém, não é regra geral essa semelhança.
Gémeos, porque são espíritos desafectos, diferentes ou maus, que precisam estar juntos para seu mútuo progresso no cenário da vida terrena.
Gémeos siameses: são gémeos que nascem com os corpos ligados ou, até mesmo, com certos órgãos em comum.
Havendo duas cabeças pensantes, é que ali estão dois espíritos habitando num mesmo conjunto físico.
Somente serão semelhantes entre si, quanto a sentimento e comportamento, se forem afins espiritualmente.

Livros consultados:
De Allan Kardec
- "O Evangelho Segundo o ESpiritismo", caps IV e XIV;
- "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, cap IV.
De Hermínio C. Miranda:
- "NOssos Filhos São ESpíritos".

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::: INFÂNCIA E ABORRESCÊNCIA :::

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:55 am

Um amigo, às voltas com filhos adolescentes, que ele chama de “aborrescentes”, suspirava:
– Ah! Que bom seria se a criançada dormisse no início na puberdade e despertasse na idade adulta!
Reporta-se à complexidade desse ser estranho, instável, inseguro, impertinente, ansioso por auto-afirmação, adepto fervoroso da contestação, que olha com desdém para os pais, “esses caretas, mais por fora que braço de afogado”.
E pretende ser dono de seu nariz, embora conste como dependente na declaração de renda familiar, para todos os efeitos, até mesmo quando exercita a liberdade de decidir como vai gastar a mesada.
A solução não seria pô-lo a dormir, mas ajudá-lo a despertar.
O grande problema do adolescente é justamente o facto de ser alguém que chega ao fim de longo sono, a partir de seu mergulho na carne.
Completado o processo reencarnatório, o Espírito, que até então era pouco mais que um sonâmbulo, começa a entrar na posse de si mesmo, de suas tendências e aptidões, embora guardando completa amnésia em relação às experiências anteriores.
A proverbial relutância quanto aos cuidados do próprio corpo, envolvendo higiene, saúde, regime alimentar, sempre me pareceu mero resultado de longo estágio no plano espiritual, a chamada erraticidade, onde certamente perdeu o contacto com elementares disciplinas sobre o assunto.
Na questão 383, de O Livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta qual a utilidade de o Espírito passar pelo estágio da infância, diz o mentor:
Encarnando, com o objectivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.
Observe, leitor amigo, a importância dessa informação!
O período de infância é propício para que influenciemos o Espírito, educando-o para a vida, ajudando-o a superar suas imperfeições e mazelas.
Fragilizado, em face das próprias limitações físicas, sem condições para desenvolver iniciativas próprias, ele é receptivo aos exemplos e orientações que recebe dos adultos.
O velho ditado, de pequeno é que se torce o pepino, exprime uma realidade.
Muitas tortuosidades e viciações do reencarnante podem ser superadas com uma educação adequada, conscientes os pais de que, conforme o verso do poeta inglês William Wordsworth, citado por Machado de Assis (1839-1908), em Memórias Póstumas de Brás Cubas, a criança é o pai do homem.
Tendências e mazelas não superadas na infância, herança do pretérito, moldarão o carácter do adulto.
Bem, e a adolescência – perguntará o leitor – para que serve?
Meu amigo diz que nesse estágio invertem-se as posições.
Na infância educamos nossos filhos.
Na adolescência eles nos educam.
Somos convocados a exercitar a paciência, a tolerância, a compreensão, o espírito conciliador, a fim de não transformar o lar em arena de intermináveis brigas e discussões.
Dentre as diatribes contestatórias do adolescente está a expressão que costuma usar, quando chamado às falas pelos progenitores, em relação ao seu comportamento.
– Não cobrem nada de mim. Não pedi para nascer!
Pretende que não o consultaram para tê-lo como filho.
Consequentemente, que tratem de aceitar suas inconveniências.
O impertinente não tem nenhuma noção sobre essa tolice, que proclama enfaticamente.
Se algo conhecesse sobre as vidas sucessivas jamais falaria assim, tendo em vista o contingente de Espíritos desencarnados a espera da oportunidade de um mergulho na carne para experiências redentoras.
Certamente ele pediu, sim, insistentemente, para que seus pais lhe concedessem a abençoada oportunidade do recomeço, sem a lembrança do passado, a fim de vencer paixões e fixações que precipitaram seus fracassos e o infelicitam.
É típico do adolescente situar os pais por incompetentes que não enxergam um palmo adiante do nariz.
Julga-se capaz de fazer muito mais por si mesmo.
É bom que o faça.
Seu futuro depende disso.
Mas, certamente, quando estiver às voltas com filhos adolescentes há de mudar sua opinião, reconhecendo que os “velhos” fizeram bem mais em seu benefício do que o supunha sua pretensa sabedoria.

Por: Richard Simonetti
Fonte: Instituto Chico Xavier

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COMUNICAÇÃO COM PARENTES DESENCARNADOS.

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:49 pm

Quando podemos nos comunicar com nossos entes queridos?
Não podemos precisar, em termos temporais, quando será possível receber mensagens dos entes queridos que nos precederam no desencarne.
Alguns factores influem decisivamente na capacidade dos Espíritos se comunicarem com seus parentes na Terra.
Entre eles, destacamos o estado de perturbação do Espírito após a morte, o merecimento dos envolvidos, as condições do médium e a utilidade providencial desta comunicação.
Em O Livro dos Espíritos, no capítulo que trata sobre a volta do Espírito à vida espiritual finda a vida corpórea, os Benfeitores da Codificação orientam que, após deixar o corpo, a alma experimenta um estado de perturbação que varia em grau e em duração, de acordo com a elevação do Espírito:
“aquele que já está purificado, se reconhece quase imediatamente, pois que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria” (questão 164).
Esta perturbação se dá pela necessidade que tem a alma de entrar em conhecimento de si mesma, para que a lucidez das ideias e as memórias lhe voltem.
Allan Kardec afirma:
muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte.
Pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos
” (comentário à questão 165, de O Livro dos Espíritos).
Logo, este é um factor preponderante ao se avaliar a possibilidade de comunicação destes Espíritos com os parentes encarnados.
Outra questão a ser considerada é a do merecimento.
No ensaio que desenvolveu sobre a pluralidade das existências (Parte Segunda - Capítulo V - O Livro dos Espíritos), Allan Kardec afirma que “cada um será recompensado segundo o seu merecimento real”.
Neste caso, devemos não somente avaliar o merecimento dos entes que ficaram na Terra em receber mensagens, mas também o merecimento dos que desencarnaram em se dirigirem aos seus entes queridos, informando-lhes sobre sua situação no Plano Espiritual.
Podem interferir ainda na possibilidade de comunicação as condições dos médiuns.
Orienta-nos Kardec que “alguns médiuns recebem mais particularmente comunicações de seus Espíritos familiares, que podem ser mais ou menos elevados; outros se mostram aptos a servir de intermediários a todos os Espíritos” (item 275 de O Livro dos Médiuns).
Há de se levar em consideração, portanto, as relações de simpatia e antipatia entre médium e Espírito comunicante.
A utilidade das comunicações é outro ponto importante.
Em várias circunstâncias, nas Obras Básicas, encontramos a justa colocação dos Espíritos para que observemos se há um fim útil naquilo que desejamos.
Nesta mesma lógica, somente teremos a possibilidade de receber uma mensagem de entes queridos se for necessário, e não para atender a curiosidade ou outras motivações que não revelem grandeza de alma.
Como podemos perceber, há uma série de factores a serem considerados.
Porém, isso não é impedimento para que as comunicações aconteçam.
Os próprios Espíritos narram a felicidade que sentem por serem lembrados por nós e a alegria em se comunicar, situação em que podem informar sobre sua nova situação no Plano Espiritual.
“A possibilidade de nos pormos em comunicação com os Espíritos é uma dulcíssima consolação, pois que nos proporciona meio de conversarmos com os nossos parentes e amigos, que deixaram antes de nós a Terra.
(...) A Doutrina Espírita nos oferece suprema consolação, por ocasião de uma das mais legítimas dores.
Com o Espiritismo, não mais solidão, não mais abandono:
o homem, por muito insulado que esteja, tem sempre perto de si amigos com quem pode comunicar-se” (comentário de Allan Kardec à questão 935 de O Livro dos Espíritos).
As mensagens de entes queridos desencarnados, pois, funcionam como uma prova incontestável da realidade da vida após a morte do corpo físico, demonstrando de forma inequívoca que os laços de afectividade persistem no Mundo Espiritual.
Além disso, servem como consolação àqueles que permanecem no campo da vida, estimulando-os às conquistas dos valores da eternidade, para o breve reencontro com os que lhe precederam no Plano Maior da Vida.
Por fim, lembramos que não somente as mensagens mediúnicas possibilitam estas bênçãos.
Uma situação muito oportuna para entrarmos em relação com nossos entes queridos é durante o desprendimento da alma pelo sono.
Afirmam-nos os Espíritos da Codificação que “é tão habitual o facto de irdes encontrar-vos, durante o sono, com amigos e parentes, com os que conheceis e que vos podem ser úteis, que quase todas as noites fazeis essas visitas” (questão 414 de O Livro dos Espíritos).
No entanto, para que isso aconteça, mais do que o simples facto de querer, quando desperto, é preciso evitar que as paixões nos escravizem e nos conduzam, durante o sono, a campos menos felizes da experiência espiritual.

Retirado do site OSGEFIC

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Opinião Espírita (Parte 10)

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:47 pm

Damos continuidade nesta edição ao estudo sequencial do livro Opinião Espírita, obra lançada pela FEB em 1963, com textos de autoria de Emmanuel e André Luiz, psicografados, respectivamente, pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

Questões preliminares

A. A carne é ou não é fraca?
É claro que a expressão “a carne é fraca” diz respeito à criatura humana, ou seja, ao Espírito enquanto encarnado, porque todo corpo – lembra André Luiz – há de ser governado pelo espírito.
Nesse sentido, afirma ele, a carne só é fraca quando reflecte o ânimo indeciso.
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)

B. Conhecimento ou bondade:
o que é fundamental no ser humano?

Ambos são fundamentais, porque toda criatura tanto precisa de conhecimento quanto de bondade.
Nem só estudo e nem só benevolência libertam integralmente a alma.
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)

C. É um bem ou um equívoco divulgarmos a doutrina espírita?
Claro que é um bem e algo que deve ser incentivado, embora existam companheiros contrários à divulgação espírita.
Para eles, o Espiritismo fala por si e caminhará por si.
Contudo, tal pensamento não nos invalida o dever de colaborar na extensão do conhecimento espírita com o devotamento que a boa semente merece do lavrador.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)

Texto para leitura

163. Saber viver – Toda Lei Divina revela serena imparcialidade.
Fuga à responsabilidade não diminui o quadro de nossas obrigações.
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
164. Não adianta paralisares o teu relógio, porque as horas seguirão sempre, independentemente dele e de ti...
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
165. Toda transformação moral há de ser profunda.
Mudanças aparentes não modificam o espírito para melhor.
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
166. O corte dos cabelos ou o uso do chapéu não te renovam os pensamentos no íntimo da cabeça...
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
167. Todo corpo há de ser governado pelo espírito.
A rigor, a carne só é fraca quando reflecte o ânimo indeciso.
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
168. Os sapatos aparentemente te conduzem os pés porque os teus pés os conduzem...
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
169. Todo empréstimo terrestre é passageiro.
Imperioso desapegarmo-nos da matéria, desoprimindo o espírito.
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
170. Apenas dinheiro no bolso não te outorga a tranquilidade da consciência...
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
171. Toda pessoa para ser verdadeiramente feliz reclama trabalho.
Mas somente o trabalho que serve ao bem de todos é alimento da Criação.
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
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Ave sem Ninho

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Re: ARTIGOS DIVERSOS II

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:47 pm

172. Algumas vezes encontramos irmãos nossos que se dizem cansados de trabalhar e acabam hospedados pela polícia.
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
173. Toda criatura tanto precisa de conhecimento quanto de bondade.
Nem só estudo e nem só benevolência libertam integralmente a alma.
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
174. Os óculos não te corrigem os defeitos da vontade e nem a vontade te corrige os defeitos da visão...
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
175. Todo coração necessita de amor.
Urge discernir como se ama e como se é amado.
Os parasitos, decerto, agarram-se às próprias vítimas atendendo a impulsos de bem-querer...
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
176. Toda existência tem objectivos específicos.
A acção construtiva que surge para ser feita agora não deve ser adiada.
A tua carteira de identidade só vale para a presente encarnação...
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
177. O Espiritismo ensinar-te-á como viver proveitosamente, em plenitude de alegria e de paz, ante o determinismo da evolução.
Viver por viver todos vivem.
O essencial é saber viver.
(Opinião Espírita, cap. 35: Saber viver.)
178. Divulgação espírita – Há companheiros que se dizem contrários à divulgação espírita.
Julgam vaidade o propósito de se lhe exaltar os méritos e agradecer os benefícios nas iniciativas de carácter público.
Para eles, o Espiritismo fala por si e caminhará por si.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)
179. Estão certos nessa convicção mas isso não nos invalida o dever de colaborar na extensão do conhecimento espírita com o devotamento que a boa semente merece do lavrador.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)
180. O ensino exige recintos para o magistério.
O Espiritismo deve ser apresentado por seus profitentes em sessões públicas.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)
181. A cultura reclama publicações.
O Espiritismo tem a sua alavanca de expansão no livro que lhe expões os postulados.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)
182. A arte pede representações.
O Espiritismo não dispensa as obras que lhe exponham a grandeza.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)
183. A indústria requisita produção que lhe demonstre o valor.
O Espiritismo possui a sua maior força nas realizações e no exemplo dos seus seguidores, em cujo rendimento para o bem comum se lhe define a excelência.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)
184. Não podemos relaxar a educação espírita, desprezando os instrumentos da divulgação de que dispomos a fim de estendê-la e honorificá-la.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)
185. Allan Kardec começou o trabalho doutrinário publicando as obras da Codificação e instituindo uma sociedade promotora de reuniões e palestras públicas, uma revista e uma livraria para a difusão inicial da Revelação Nova.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)
186. Mas não é só.
Que Jesus estimou a publicidade, não para si mesmo, mas para o Evangelho, é afirmação que não sofre dúvida.
Para isso, encetou a sua obra aliciando doze agentes respeitáveis para lhe veicularem os ensinamentos e ele próprio fundou o cristianismo através de assembleias públicas.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)
187. O "ide e pregai" nasceu-lhe da palavra recamada de luz.
E compreendendo que a Boa Nova estava ameaçada pela influência judaizante em vista da comunidade apostólica confinar-se de modo extremo aos preceitos do Velho Testamento, após regressar às Esferas Superiores, comunicou-se numa estrada vulgar, chamando Paulo de Tarso para publicar-lhe os princípios junto à gentilidade a que Jerusalém jamais se abria.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)
188. Visto isso, não sabemos como estar no Espiritismo sem falar nele ou, em outras palavras, se quisermos preservar o Espiritismo e renovar-lhe as energias, a benefício do mundo, é necessário compreender-lhe as finalidades de escola, e toda escola para cumprir o seu papel precisa divulgar.
(Opinião Espírita, cap. 37: Divulgação espírita.)

(Continua no próximo número.)

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O Evangelho é e sempre será a ferramenta definitiva da paz

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:41 pm

As ameaças cruzadas entre Coreia do Norte e Estados Unidos têm como protagonistas lançamentos de mísseis norte-coreanos.
Análises recentes sugerem que, em 2020, a Coreia do Norte terá um míssil nuclear "confiável" que pode atingir solo norte-americano.
Os analistas dentro do exército norte-americano já operam sob o pressuposto de que a Coreia do Norte tem a capacidade [ofensiva].
Em caso de lançamentos efectivos, serão colocadas à prova as capacidades de interceptação de tais artefactos na região com o potente escudo antimísseis Terminal High Altitude Area Defense (THAAD).
O Japão tem advertido que derrubaria qualquer míssil norte-coreano que ameaçasse o seu território.
Tanto Tóquio como Washington contam com um sistema de mísseis interceptadores.
Mas a interceptação acontece na fase "terminal" do voo na região Ásia-Pacífico, incluindo Coreia do Sul, Japão e Guam, e é pouco provável que as baterias instaladas na Coreia do Sul e no Japão sejam eficazes.
Nesse tétrico cenário de guerra sabe-se que Donald Trump é apaixonado pelas guerras, incluindo as armas nucleares.
Tem prometido instituir leis e ordens “fortes”, “rápidas” e “justas”.
Em verdade, nosso planeta jaz na UTI.
Os governantes actuais permanecem moral e espiritualmente seriamente enfermos.
Há milénios entronizamos o debate sobre a razão humana, e permanecemos na guerra da destruição quais irracionais; exaltamos as mais elevadas demonstrações de inteligência, porém engendramos todo o conhecimento para os impiedosos massacres humanos.
Em 2016, a Rússia mostrou um novo míssil nuclear que supostamente poderia devastar uma área do tamanho do estado do Texas, nos Estados Unidos.
No início de outubro de 2016, 40 milhões de cidadãos russos participaram do maior “teste” nuclear desde o fim da Guerra Fria, usando máscaras de gás e se preparando para fugir para bunkers.
As tensões entre a Rússia e os Estados Unidos têm se mantido altas desde que os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções econômicas ao país, devido às acções da Rússia na Ucrânia em 2014.
O General Richard Shirreff, comandante supremo da OTAN na Europa entre 2011 e 2014, descreveu a guerra nuclear com a Rússia em 2017 como algo “inteiramente plausível”.
Cristina Varriale, do Royal United Service Institute (RUSI), disse ao The Sun que Putin está “pronto” para colocar as forças nucleares russas em alerta.
Não desejando ser pessimista, porém na qualidade de historiador, não posso deixar de reflectir que há menos de 100 anos o mundo experimentou duas guerras devastadoras na Terra.
Mas reflictamos o seguinte:
qual a base lógica que justifica uma guerra?
Os Espíritos admoestam que a guerra é a predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões.
Combates militares existem há mais de 5 mil anos, desde os primitivos embates entre os Mesopotâmios, entre gregos e persas, entre Atenas e Esparta, entre Roma e Cartago.
O Século XX, recentemente findo, foi o século mais sangrento de todos os anteriores.
Após a Segunda Guerra Mundial, já ocorreram centenas de conflitos bélicos, resultando em mais de 40 milhões de mortos.
Se contabilizarmos os resultados dessas paixões primitivas desde 1914, estes números sobem para 401 guerras e aproximadamente duzentos milhões de mortos, numa projecção bem superficial.
Ainda amargamos os disparates de uma soberaníssima tecnologia no campo bélico, do avanço da informática, do mapeamento dos genomas, das excursões espaciais, dos voos supersónicos, das maravilhas dos raios laser, ainda sobrevivemos com o massacre da dengue hemorrágica, com a chacina da febre amarela, com o desafio da tuberculose, com a provocação da AIDS, e com todas as escandalosas invasões das drogas (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, o crack etc.).
Nesse funesto e real cenário planetário, a nossa esperança é a prática da mensagem do Cristo, que decididamente foi, é, e sempre será o instrumento de pacificação entre os homens, sendo, portanto, o mais diligente convite contra a guerra, e definitivamente o grande fanal para a redenção humana.

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A empatia pode ser ensinada?

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 10:23 am

Como a flor anuncia o fruto, assim a infância do homem é a promessa da sua vida futura.
(Rudolf Steiner)

Desde o nascimento, conseguimos notar comportamentos que seriam uma espécie de precursores da empatia, como o choro reativo de um bebê ao ouvir outra criança chorando.
Mas é a partir do primeiro e segundo ano de vida que os factores ambientais – como o convívio com os pais – começam a preponderar no desenvolvimento da empatia.

A empatia pode ser ensinada?
Uma das funções mais importantes da inteligência, a empatia pode e deve ser ensinada à criança.
E esse aprendizado será mais eficaz se começar já na primeira infância.
Na vida normal, em uma briga com um irmão, por exemplo, o pai, a mãe ou o cuidador não deve apenas corrigir a criança, mas procurar explicar a ela as consequências que o acto praticado teve no outro, elucidando os motivos por que o acto agressivo não deve ser repetido.
Isso irá estruturando pouco a pouco na criança a importância de se colocar no lugar do outro e estar disponível para cooperar.
Há uns dez dias, na escola da minha filha, durante o intervalo, uma criança de seis anos jogou água em um coleguinha, molhando a sua camiseta.
Ambas foram parar na sala da coordenadora.
De um modo firme, gentil e respeitoso, a criança que molhou a outra foi convidada a realizar a seguinte atitude:
enxugar a camiseta da criança com papel-toalha até que fosse alcançado um estado mais seco e confortável, porque, além do incómodo, o colega poderia resfriar-se por estar usando uma roupa húmida àquela hora do dia.
No decorrer do “enxuga-enxuga”, já envergonhada, a criança pediu desculpas ao colega, reconhecendo por si mesma que seu acto tinha sido danoso porque nele causou “frio e tristeza”…
Quando uma criança cresce estimulada a se colocar no lugar do outro, respeitando os próprios sentimentos e os sentimentos alheios, tem mais chance de se tornar um adulto solidário e resiliente, mais disponível para enriquecer-se em compreensão e amor...
Um velho tio, viúvo e marcado pela vida áspera, um dia me disse:
“se a gente pudesse escolher a infância que teria vivido, com que alegria eu não recordaria aquele pai empático e gentil, que nunca existiu, que me levava para pescar no riozinho à beira da estrada poeirenta, obrigando-me à noite, ao lado dele, a limpar, cortar e grelhar os peixes para minha mãe, pois o dia dela havia sido monótono e enfadonho, enquanto nós dois tínhamos passado bonitos instantes de entretenimento e sesta naquela morna tarde de verão...”
A família pode sim ensinar a criança a cultivar carinho e compaixão.
E não se trata apenas de fazer o exercício mental de se colocar no lugar do outro. Aprender a ser empático essencialmente diz respeito a de fato estar pronto para servir e ajudar...

Bom domingo, feliz semana!

Notinha
Empatia, em termos simples, é a capacidade de perceber o que as outras pessoas sentem sem que elas o digam (Daniel Goleman).
As pesquisas neurológicas recentes mostram que desde que nascemos, nós, os seres humanos, já somos interligados pela empatia.
Contudo, a empatia precisa ser desenvolvida, principalmente no período entre 0 e 6 anos – pois é na primeira infância que o nosso cérebro passa pelo maior número de conexões neuronais (sinapses), criando uma janela de oportunidade para o aprendizado.


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A ilusão do poder

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:48 pm

Na obra “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita (ou Espiritismo – uma filosofia de vida, que não é mais uma religião ou seita) questiona os bons Espíritos acerca da medida da felicidade na Terra, e estes esclarecem que é possuir o necessário para viver, consciência tranquila e fé no futuro.
Desde há 2 mil anos que Jesus de Nazaré deixou à Humanidade um roteiro de paz e felicidade:
“Não fazer ao próximo o que não desejaríamos que nos fizessem”.
Pode parecer inconcebível, mas, 2 mil anos depois, o ser humano, apesar da imensa evolução tecnológica, mantém os padrões ético-morais similares desde sempre:
o egoísmo como a grande chaga da Humanidade.
Na ilusão do poder, o Homem escraviza outros homens, explora-os, engana-os.
Na ilusão do poder, o Homem cria armas nucleares, vítima do medo que transporta no imo do ser.
Na ilusão do poder, o Homem almeja conquistar território a outros países, esquecendo-se de que, minutos depois, pode estar fora do corpo de carne, pelo fenómeno natural da morte física.
Na ilusão do poder, o Homem amealha para si tesouros sem fim, sem que os possa fruir, pois a vida é demasiado curta para os milhões conseguidos em negócios escuros, no agiotismo financeiro, nas bolsas, nos mercados.
Na ilusão do poder, os políticos dilapidam o suor do povo, esbanjando o dinheiro dos impostos.
Na ilusão do poder, o tráfico de droga, de pessoas, de armamento, de interesses leva o Homem a crimes inconcebíveis, abrindo portas para dolorosas expiações em vidas futuras.
Na ilusão do poder, a China, a Rússia e outros países almejam aumentar a sua zona de influência, esquecendo-se de que estamos todos na Terra sem podermos sair daqui definitivamente.
Na ilusão do poder os EUA, a maior potência nuclear e bélica do mundo, dá-se ao luxo de se auto-proclamar polícia do mundo, bombardeando aqui, invadindo acolá, para repentinamente demonstrar toda a sua impotência perante o furacão Harvey, de categoria 4, que devastou o Texas e outros locais nos EUA.
O verdadeiro poder é o poder interior, o poder do Amor, da serenidade, do entendimento, da compreensão, da aceitação mútua, do bem-estar interior
A maior potência do mundo foi humilhada pelo furacão Katrina há mais de 10 anos, e a Natureza parece querer relembrar que nem o seu arsenal pode contornar a própria Natureza, que os EUA tanto têm desprezado, poluindo-a sem limite nem piedade.
A Doutrina Espírita, nas suas vertentes científica, filosófica e moral, demonstra experimentalmente, ao Homem, a imortalidade, a reencarnação e a lei de Causa e Efeito.
Assente nos seus 5 princípios básicos – Deus, imortalidade do Espírito, comunicabilidade dos Espíritos, reencarnação e pluralidade dos mundos habitados – o seu estudo, entendimento e vivência, traz ao Homem consequências de ordem moral, levando o ser Humano a verificar que o racismo, xenofobia, diferença de género, diferença social, poluição da Natureza são paradigmas ultrapassados, e que o verdadeiro poder é o poder interior, o poder do Amor, da serenidade, do entendimento, da compreensão, da aceitação mútua, do bem-estar interior.
Esse é o desiderato da Humanidade, a bem ou a mal, na certeza de que cada um só colhe aquilo que semeia (nesta vida ou em vidas anteriores) ao nível dos sentimentos, pensamentos e atitudes.
Relembrando Jesus de Nazaré, a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
Relembrando Mohandas Gandhi, não há um caminho para a paz, a Paz é o caminho.
A vida na Terra podia ser um mar de rosas, não fosse o egoísmo feroz e o desconhecimento do ser humano da sua condição de ser espiritual.
Que possamos ter o poder de nos sentirmos em paz interior, pois esse é o único que jamais nos será retirado, dado que é conquista milenar do Espírito imortal.

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Relações conflitivas entre pais e filhos

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 10:18 am

Para melhor se compreender as relações conflitivas entre pais e filhos, deve-se levar em conta, também, a pluralidade das existências.
Vivemos actualmente uma educação libertadora, onde muitos pais usam o diálogo amoroso e negociam com seus filhos, comportamentos éticos mínimos necessários para viverem em sociedade como cidadãos íntegros e conscientes da finalidade da vida.
No entanto, muitos se confundem, sendo partidários da liberdade absoluta, chegando ao anarquismo, deixando aos filhos a decisão e consecução dos seus mais estranhos desejos, favorecendo a geração de conflitos inimagináveis entre eles, tais como o parricídio e filicídio.
É lamentável que tal aconteça entre almas que saíram do torvelinho da escuridão espiritual pelo retorno à matéria, com a promessa de se perdoarem e iniciarem a jornada ascensional em direcção à luz.
Foi o Codificador quem melhor esclareceu, do ponto de vista da reencarnação, as causas anteriores dos conflitos familiares.
Escreveu ele:
“Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram as más tendências desde o princípio!
Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de respeito e a sua ingratidão.” 1
Permita-me o leitor relembrar que tendência é uma energia que incita alguém a seguir um determinado caminho ou agir de certa forma.
É uma predisposição natural, inclinação, vocação.
Pode ser boa ou má.
Não é instinto, pois não se origina de uma necessidade biológica, não devendo ser com ela confundido.
O Espiritismo define a tendência como uma força espiritual que adormece no Inconsciente Profundo de todos nós e que se debate para despertar no Consciente e se manifestar nos actos, palavras, sentimentos e pensamentos.
São elas manifestações do Espírito velho reencarnado, que as crianças já demonstram a partir dos primeiros meses de vida material, as quais devem ser levadas em alta conta pelos pais.
Lembra André Luiz:
“Se o Espírito reencarnado estima as tendências inferiores, desenvolvê-las-á, ao reencontrá-las dentro do novo quadro da experiência humana, perdendo um tempo precioso e menosprezando o sublime ensejo de elevação” 2.
Daí a necessidade de levar em consideração o poder da influência do meio e dos exemplos dados pelos pais aos seus filhos.
Nem sempre os pais admitem a manifestação das inclinações inferiores em seus filhos, já que alimentam a ideia de que são inocentes e que tudo não passa de infantilidade, sem observar que nem todas as crianças sentem prazer em destruir brinquedos e outros objectos, maltratar animais domésticos, agredir colegas da creche e da escola de forma sistemática.
Crianças que chutam, xingam e gritam violentamente, não respeitando os pais nem aqueles que são responsáveis por elas, merecem atenção especial, para se buscar as razões de tais procedimentos, que não são unicamente do estado de infância.
Joanna de Ângelis ensina que “Essas inclinações más ou tendências para atitudes primitivas, rebeldes, perturbadoras do equilíbrio emocional e moral, são heranças e atavismo insculpidos no Self, em razão da larga trajectória evolutiva, em cujo curso experienciou o primarismo das formas ancestrais [...] 3.
Sem dúvida, não é somente a mãe a responsável pela formação moral do filho.
O pai também responde pelas suas negligências ou fracasso da missão que recebeu para cooperar com a esposa nesse mister.
No entanto é universalmente comprovada a força influenciadora da mãe sobre seus filhos, que lhes exerce um efeito psíquico alimentador.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS II

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 10:18 am

E é por essa razão que o Mentor Emmanuel ensina que “A mãe terrestre deve compreender, antes de tudo, que seus filhos, primeiramente, são filhos de Deus.
Desde a infância, deve prepará-los para o trabalho e para a luta que os esperam.
Desde os primeiros anos, deve ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhe as atitudes e concertando-lhe as posições mentais, pois que essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida.” 4
Mas nem sempre os filhos contam com o amor sublimado da verdadeira mãe, tão decantado pelos poetas.
Consideremos a opinião de BADINTER5, estudiosa francesa que realizou uma respeitável pesquisa sobre o tema.
A sua tese é a de que o amor materno não é um sentimento inato; que ele não faz parte intrínseca da natureza feminina:
é um sentimento que se desenvolve ao sabor das variações sócio-económicas da história, e pode existir, ou não, dependendo da época e das circunstâncias materiais em que vivem as mães.
E nós acrescentaríamos: das relações que mantiveram os Espíritos da mãe e do filho em vidas pretéritas.
A autora constata, ainda, a extrema variabilidade desse sentimento, segundo a cultura, as ambições ou as frustrações da mãe, concluindo que o amor materno é apenas um sentimento humano como outro qualquer e, como tal, incerto, frágil e imperfeito.
Quando o Codificador perguntou aos Espíritos (LE - questão 890) se o amor materno era uma virtude ou um sentimento instintivo, comum aos homens e aos animais, eles responderam que seria “uma e outra coisa”.
Seria virtude, que não é uma graça obtida, mas um hábito adquirido; e seria instinto, que no animal se limita a prover as necessidades primárias das crias.
Sabendo o professor Rivail que nem todas as mães possuem esse sentimento tão nobre de que falam as entidades do Além-túmulo, redarguiu:
- “como é que há mães que odeiam os filhos e, não raro, desde a infância destes?”
E a resposta foi a de que, em muitos casos, pode ser uma prova ou expiação que o filho escolheu para enfrentar uma mãe má.
Fica, portanto, implícito que o Espírito ao reencarnar na condição de mãe nem sempre terá o amor pelo futuro filho. (LE - questão 891)
Não obstante encontrarmos valiosos esclarecimentos para as relações conflitivas entre pais e filhos; na verdade da reencarnação e na Lei de causa e efeito, não devemos ser reducionistas na apreciação dessa modalidade de conflito.
“Sem dúvida, muitos pais, despreparados para o ministério que defrontam em relação à prole, cometem erros graves, que influem consideravelmente no comportamento dos filhos, que, a seu turno, logo podem se rebelar contra estes, crucificando-os nas traves ásperas da ingratidão, da rebeldia e da agressividade contínua, culminando, não raro, em cenas de pugilato e vergonha.” 6
Em verdade, quase todos nascemos despreparados para sermos pais, amar e educar os filhos na forma ideal, conforme os estudiosos do assunto e os Espíritos Superiores.
Diante disso, teremos que buscar ajuda nas ciências que tratam do relacionamento interpessoal, com enfoque na família.
Não há dúvida que as técnicas psicológicas e a metodologia da educação favorecem profundamente o êxito desse empreendimento.
O diálogo aberto e sincero, a solidariedade, a indulgência, a energia moral e o amor dilatado em todos os sentidos são instrumentos de que os pais podem adotar para merecerem o respeito e a confiança dos filhos.
Imprescindível acompanhar o desenvolvimento bio-psico-social deles, na tentativa de compreender-lhes o comportamento, levando em conta a idade, capacidade intelectual, estágio espiritual e o contexto social em que estão inseridos.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS II

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 10:19 am

Aos pais lhes é dada pelo Criador a árdua e compensadora missão de conduzir os filhos, preparando o adolescente e o homem do futuro; moldando-os com cinzel das admoestações amorosas; alimentando suas mentes com as conversações dignificantes; oferecendo-lhes exemplos de carácter saudável, carinho e amizade.
Esses procedimentos promovem a desintegração dos quistos conflitantes na família, com etiologia em vidas pregressas, evitando que novos desajustes se iniciem na vida actual.
A família de cada um de nós é estruturada com base na lei da causa e efeito; pais e filhos se reencontram porque necessitam uns dos outros, almejando a reconciliação.
Vital é que a tolerância, a indulgência e o perdão se façam presentes nos momentos difíceis, para que o recomeço, bênção divina, se transforme em ventura espiritual.

Waldehir Bezerra de Almeida

1- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 1. ed. Rio de Janeiro-RJ: FEB, 2008. Cap. V, item 4, p. 112.
2- XAVIER, Francisco Cândido. Missionário da luz. Espírito André Luiz. 30. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. p. 202.
3- FRANCO, Divaldo Pereira. Triunfo pessoal. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador: Leal, 2002. p. 84.
4- XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, RJ: FEB, questão 189.
5- BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. 5. ed. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
6- TEXEIRA, J. Raul. Desafios da educação. Pelo Espírito Camilo. Niterói-RJ: FRÁTER, p. 35

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Os Três "QIs" de Nossas Vidas

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:15 pm

Um tipo de organização neural (dos nervos, neurológica) permite ao homem realizar um pensamento racional lógico.
Este pensamento dá ao homem o seu QI, ou inteligência intelectual.
Outro tipo de organização neural dá ao homem o seu QE, ou inteligência emocional, permite realizar o pensamento associativo, afectado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo.
É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional.
Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de “insights”, formulador e revogador de regras.
É o pensamento com que se formulam e transformam os tipos anteriores de pensamentos, medidos através de quocientes, ou Q’s.
Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.

Para identificarmos o Q precisaríamos responder três perguntas:
QI – Como é?
QE – Para quê?
QS – Porquê?

Ao conhecer a realidade exterior, o homem tenta criar uma correspondente realidade interior, e dentro de si terá um reflexo das coisas que o circundam.
São seus pensamentos, expressos por suas opiniões lógicas.
Por exemplo:
Como é uma flor?
Como ela se apresenta, em que partes?
A haste é comprida e dura (o galho), a flor em si é menos compacta, tem cores, odor?
Ao responder estas simples perguntas o homem estará revelando o seu QI, ou inteligência intelectual, situando dentro de uma estrutura mental os valores lógicos, como por exemplo, o menor cabe dentro do maior, mas o maior não cabe dentro do menor, etc.
De sua capacidade intelectual se estabelece um índice que mede o seu QI.
Outra estrutura neural facilitará a análise da utilidade de uma flor, para que ela serve (por exemplo, como “útero” em que serão depositados os elementos germinativos, o pólen, etc., outro exemplo, como identificador de beleza, etc).
Isso possibilitará fixar um índice de QE, inteligência emocional, cujos componentes são como já o dissemos os hábitos, os padrões e as emoções produzidas pela realidade.
Finalmente uma terceira estrutura neural (o ponto de Deus no homem), leva-lo-á a formular a inevitável pergunta “Porquê?”.
A tentativa, ou tentativas de responder esta pergunta, tem um poder transformador.
O QS, inteligência espiritual, permite-me perguntar se quero ver, gostar, presentear, criar, criar diversidades, etc, divulgar uma flor, se quero trabalhar nos limites da situação proposta pelo meu QI e QE?
O QS daria a finalidade última para o conhecimento de um realidade, e seria o reconhecimento de nossas possibilidades mais altas de, pelo exemplo acima, como utilizar uma flor a serviço de uma boa relação com as pessoas, o meio ambiente, a espiritualidade, etc.
O QS – quociente espiritual tem a ver com o que algo (QI) significa para mim, e não apenas como as coisas afectam minha emoção (QE) e como eu reajo a isso.
A espiritualidade (QS) sempre esteve presente na história da humanidade.
O mundo material, dos negócios, atravessa uma crise de sustentabilidade.
Suas atitudes e práticas actuais, centradas apenas em dinheiro, estão devastando o meio ambiente, consumindo recursos esgotáveis, criando desigualdade global, conduzindo a uma crise de liderança nas empresas e destruindo a saúde e o moral das pessoas que trabalham ou cujas vidas são afectadas por elas.
Espiritualidade nos negócios significaria simplesmente trabalhar com um sentido mais profundo de significado e propósito na comunidade e no mundo, tendo uma perspectiva mais ampla, inspirando os funcionários de uma empresa a produzir mais e melhor, por lhe dar um sentido para o que faz.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS II

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:15 pm

Isto seria, por exemplo, a aplicação do QS na vida económica das pessoas.
A situação actual, sem QS desenvolvido, não nos permite saber qual é o jogo que jogamos nem quais as regras.
Falta-nos um sentido profundo de objectivos e valores fundamentais.
Essa crise de significado é a causa principal do stress na vida moderna e também das doenças.

A BUSCA DO SENTIDO É A PRINCIPAL MOTIVAÇÃO DO HOMEM.
Quando esta necessidade deixa de ser satisfeita, a vida nos parece vazia.
No mundo moderno a maioria das pessoas não está atendendo esta necessidade.
Podemos detectar os sintomas de uma crise actual, pois desde que surgiu o capitalismo há 200 anos, tudo que importa é o lucro imediato.
Isso criou uma cultura destituída de significado e de valores mais profundos.
Nós apenas queremos mais dinheiro.
Mas para quê? Para quem? Trabalhamos para consumir.
É uma vida sem sentido.
Isso afecta o moral tanto de dirigentes como de dirigidos, a produtividade e a criatividade das pessoas caem.
E também afasta dos negócios preocupações mais amplas como o meio ambiente, a comunidade, o planeta, a sustentabilidade.
O mundo corporativo é um monstro que se auto-destrói porque lhe falta uma estrutura mais ampla de significado.
Há uma profunda relação entre a crise da sociedade moderna e o baixo desenvolvimento do nosso QS, ou seja, a inteligência espiritual.

Um homem espiritualmente inteligente, com alto QS, é inspirado pelo desejo de servir, uma pessoa responsável por trazer visão e valores mais altos aos demais, e mostrar como usar tais valores.
Pessoas com alto QS são gente como o Dalai Lama, Nelson Mandela, Mahatma Ghandi, Chico Xavier, e outros.
Eles todos estão preocupados com a comunidade, todos tem muita espontaneidade, visão e valores com uma perspectiva mais ampla.

Segundo Dana Zohar existem 10 (dez) qualidades essenciais para se ter um alto QS – quociente de espiritualidade:
1 – Praticar e estimular o auto – conhecimento profundo.
2 – Ter valores morais. Ser idealista.
3 – Ter capacidade de encarar e utilizar a adversidade.
4 – Ser holístico (pacificador, solidário, amigo).
5 – Aceitar a diversidade (diferenças) de seres e pessoas.
6 – Procurar a independência.
7 – Perguntar sempre “porquê?”.
8 – Ter capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo.
9 – Ter espontaneidade.
10 – Ter compaixão.

Conclusão:
Não basta saber como é uma coisa.
Não basta ter emoções sobre esta coisa.
É preciso perguntar porquê, e tornar esta coisa socialmente útil.
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Ave sem Ninho

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