REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

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Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 25, 2017 11:29 am

24 - Perversidade e suicídio
A presença dos sofredores, na reunião socorrista da noite de 2 de Janeiro de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador (BA), era expressiva.
Suas dores e aflições faziam-se constrangedoras, convidando-nos à reflexão.
Apresentou-se um suicida em terrível estado de revolta.
Enquanto era atendido, o Benfeitor espiritual escreveu a página que segue:
Perversidade e suicídio
Em expressivo número de transtornos da personalidade, o espírito incurso nos códigos de resgate compulsório, opta pela perversidade, quando não logra atender as paixões que o comburem, culminando na fuga terrível do corpo através da armadilha do suicídio.
Colhido pela vida que supunha poder destruir com o gesto de revolta, é arremessado na direcção de outros infelizes do mesmo género de rebelião, sintonizando com eles, pelas vibrações densas que o caracterizam, assim formando verdadeiras legiões de apaniguados do Mal.
Constatando o engodo que se permitiu, ludibriando-se a si mesmo, estorcega em aflições inomináveis, demorando-se no horror da decomposição cadavérica, cujos processos experimenta em face da imantação perispiritual de que se vê objecto, descobrindo, em grande número de vezes, a interferência de outras mentes que o induziram ao aberrante fenómeno autocida.
A revolta atinge-lhe índice insuportável de desespero, e a loucura, normalmente, dele apodera-se, levando-o a corridas desvairadas e quase sem termo, logo sucedidas pela perseguição de outros semelhantes e igualmente perversos, que se comprazem na sua dor, que também já a experimentaram, por sua vez, exaurindo-lhe as últimas resistências até ficar totalmente vencido...
Lentamente, porém, no auge da angústia recobra a razão e passa a guardar ressentimento inconfessável das criaturas que suportam as provações e mantêm a coragem quando o fardo se lhes apresenta demasiado pesado, confiando na protecção de Deus.
Torna-se espontaneamente seu inimigo e passa a assediá-los, como se fossem os responsáveis pela desídia a que se entregou por espontânea vontade e capricho derivado do orgulho mórbido.
Constituem, esses espíritos, grupos de perversos, desarvorados e impiedosos, acusando as Divinas Leis que não souberam ou não quiseram respeitar, entregando-se aos mais sórdidos desvarios, e voltando-se contra a sociedade terrestre da qual desertaram covardemente.
Passam a inspirar as mentes e emoções mais débeis para que optem também pela fuga espectacular, geram conflitos psicológicos, empesteiam a psicosfera daqueles aos quais antagonizam, de forma a produzirem desespero e desânimo, que mais confundem e perturbam as vítimas.
Associam-se-lhes mentalmente em conúbio devastador, e porque ainda encharcados de energias físicas — graças ao perispírito denso — transmitem as sensações penosas que os dominam, intoxicando-lhes o cérebro e envenenando-lhes o aparelho respiratório.
Surgem, então, processos enfermiços no corpo somático das suas vítimas, que se confundem com as moléstias catalogadas pela Medicina, entretanto, para as quais, as terapêuticas vigentes não conseguem uma solução.
Transformam-se, esses procedimentos, em subtis obsessões, que se agravam, à medida que o paciente encarnado as agasalha, com reflexos muito sérios na sua economia física, moral e espiritual.
Seria de acreditar-se que, tais suicidas, dando-se conta da realidade da sobrevivência, arrepender-se-iam do gesto ignóbil, buscando a recuperação mediante o recolhimento, a reflexão, as orações e as acções dignificadoras.
Na maioria das vezes assim sucede.
No entanto, nos caracteres perversos, que se vingaram de si mesmos, tentando aniquilar-se, apagar a consciência no grande sono do nada, a ocorrência dá-se de maneira diversa.
A revolta atinge-lhes níveis insuportáveis e a covardia moral de que são portadores, ao invés de induzi-los à mudança de comportamento mental, torna-os verdugos uns dos outros, e que também se voltam contra a sociedade humana.
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Ave sem Ninho

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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 25, 2017 11:29 am

Porque são infelizes, comprazem-se em espraiar o desespero e alcançar o maior número possível de semelhantes na desdita em que se encontram.
Neles não luzem a compaixão, nem a misericórdia, alucinados conforme se apresentam, sem qualquer raciocínio lúcido ou ideia equilibrada...
Ei-los, portanto, individualmente ou em grupos, atacando aqueles que se lhes associam pela conduta, que partilham emocionalmente dos seus sentimentos perversos e autodestrutivos, ou voltam-se contra aqueloutros que se transformaram em socorro, em oportunidade libertadora para as demais criaturas.
É como se fossem nautas que, após o desastre sofrido, voltassem-se contra os faróis que lhes apontavam os escolhos, os recifes e os perigos, mas que não foram considerados...
Nada mais tendo a perder, comprazem-se em impedir o salvamento daqueles que virão depois, em um fenómeno irracional de ira contra todos e tudo...
Havendo perdido o contacto com a razão e a lógica, somente dão-se conta do que lhes sucede, em face da responsabilidade pessoal, buscando desforrar-se nas pessoas felizes ou quase, que invejam e tomam como merecedoras de punição.
Nas suas consciências atormentadas Deus não tem lugar, porquanto o conceito que d'Ele conservam é o de um autocrata insensível ao sofrimento existente no mundo, ou de um vingador que se alegra em ferir e malsinar aqueles que criara.
Isto quando conduzem ideias a Seu respeito.
Quando, porém, foram vítimas do materialismo que predomina na sociedade, mesmo entre os aparentemente filiados às várias denominações religiosas, mas que não cumprem as suas determinações, pensam que a continuidade da vida diluir-se-á com o tempo, sendo que lhes ocorre um fenómeno de reminiscências físicas. a caminho do desaparecimento total...
Não são menos cruéis que os obsessores que se dedicam ao conúbio da vingança em razão de acontecimentos pessoais desditosos no pretérito.
A inveja, o ciúme, o ressentimento apossam-se-lhes das emoções transtornadas e somente pensam em tornar a vida um inferno para os que estão no corpo ou fora dele.
A sanha da maldade neles atinge tal patamar de insensatez que trabalham em favor da ocorrência de acidentes, provocando desastres cruéis, de modo que igualmente se possam beneficiar das energias físicas, que procuram absorver dos cadáveres após os infaustos acontecimentos de que participam.
Seria também de pensar-se que disporiam de um poder ilimitado, em face das infelizes actividades a que se entregam, às vezes, com o êxito que lhes é particular.
No entanto, transformam-se nos braços da Divina Justiça, alcançando os trânsfugas dos deveres não cumpridos, os renitentes no mal, aqueles que necessitam de retorno apressado...
E certo que a Divindade não precisa da contribuição espiritual de ninguém para que se cumpram os Seus desígnios.
Desde quando, porém, esses infelizes preferem a condição de verdugos, tornam-se instrumentos utilizáveis, mesmo sem que se dêem conta, sobrecarregando-se de futuras aflições pelo actos vis, enquanto que a depuração do planeta e dos devedores para com a vida tem o seu curso normal.
São, sem dúvida, espíritos infinitamente desditosos.
Perderam a própria paz, confundiram-se no báratro das realizações, enlouqueceram por falta de valores morais, caíram nas armadilhas da ignorância que cultivaram em torno das Leis de Deus, e permanecem adormecidos pelo tóxico do mal que produzem.
Dignos de igual compaixão, devem ser considerados os irmãos da agonia, que o Inefável Amor reconduzirá à Terra em situação muito dolorosa, no cárcere de expiações inconcebíveis, por eles mesmos, embora inconscientemente, elaboradas.
Deformações físicas genéticas e aberrações mentais tomarão conta da organização física, a fim de que possam expiar os crimes perversos, inspirando animosidade pelo seu aspecto e horror pelas suas expressões, desse modo, experimentando solidão e desamparo, de maneira que aprenderão a respeitar a vida e os seus mecanismos enobrecedores, reparando os males infligidos aos demais e recuperando-se interiormente dos dislates que se permitiram.
No entanto, dignos de comiseração, encontrar-se-ão pelas veredas do mundo, sob opróbrios, doestos e perseguições de outros ainda emocionalmente primários, que os espoliarão de qualquer alegria ou bem-estar, comburindo nas labaredas dos sofrimentos as paixões inferiores e as emoções ensandecidas.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 25, 2017 11:29 am

Recuperar-se-ão, sim, porque o Amor a tudo preside, e mesmo quando se expressa através de recursos aflitivos, não deixa de ser constituído de misericórdia e compaixão, sustentando o calceta, para que tenha forças e resistências para sorver até a última gota o fel da amargura ou o ácido que verteu sobre o seu próximo.
Encontrando-os, fora do corpo, na condição de obsessores inclementes, ou no corpo, como excluídos da sociedade, rebotalhos humanos, considera a dádiva do equilíbrio em que transitas, agradecendo a Deus a oportunidade renovadora de que dispões. Mas não te permitas fugir-lhes à presença, apontá-los com desdém, tê-los em condição inferior, pois que são irmãos nossos no presídio expiatório a que fazem jus, assim retornando ao caminho da evolução, conforme o estágio em que se demoram.
O número de suicidas que desperta além da cortina de sombras da carne, no Mundo espiritual, é expressivo, muito maior do que pode a imaginação humana conceber. Isto porque, todos os engodos de que se utiliza a criatura para ludibriar as Leis Soberanas, enquanto no corpo, desaparecem no Grande Lar, quando cada um desperta com os títulos morais em que se firmou e os valores acumulados interiormente.
São eles as únicas propriedades reais que pertencem ao espírito, porquanto de significado perene, enquanto que todos os outros haveres passaram pelas suas mãos e agora repousam em outros cofres, sob outras dependências, porque pertencem à Terra...
Entre esses, que também são suicidas, estão os viciados de qualquer matiz, os temperamentais que consumiram as energias na sistemática neurastenia, no ódio, nos ressentimentos, nos ciúmes exacerbados, nas paixões asselvajadas em que se desestruturaram.
Todos aqueles que somente da vida se utilizaram, sem qualquer aproveitamento superior, vivendo do corpo e para ele, que se decompôs, despertam como suicidas indirectos na Erraticidade, sendo acometidos pelo horror da constatação dos desvios que se permitiram e que lhes custaram a existência, que deveriam ter sido aplicados de maneira diferente no grande educandário terrestre.
Aturdidos e desorientados, tornam-se vítimas daqueloutros perversos, que já, os utilizavam no plano físico e agora dão prosseguimento à sanha perseguidora.
Igualmente volverão ao planeta abençoado para recuperar-se do crime cometido contra si mesmos e a vida, nas indumentárias limitadas da imposição vexatória e educativa, menos afligidos, sem dúvida, do que aqueles que têm sido perversos e sistematicamente perseguidores do seu próximo.
Depurar-se-ão, aprendendo a respeitar o dom sublime da vida, que é constituída pela essência do amor de nosso Pai.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 25, 2017 11:29 am

25 - Consciência de culpa
Enquanto estava sendo esclarecido um espírito muito sofredor, durante a reunião de desobsessão, na noite de 5 de Janeiro de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador (BA), que fora surrado e pisoteado até á desencarnação, e solicitava que ninguém o ajudasse ou salvasse, o Dirigente espiritual escreveu a página que transcrevemos:
Consciência de culpa
Os actos praticados durante a existência física insculpem-se de tal forma nos painéis mentais do espírito, que permanecem vigorosos mesmo depois do fenómeno orgânico da desencarnação.
Naturalmente aqueles que mais geraram aflição predominam com mais rigor, impondo comportamentos perturbadores que, não raro, transferem-se de uma para outra existência, responsabilizando-se por distúrbios de diferentes matizes.
Antes, porém, de serem repassados às futuras existências carnais, continuam vivos em imagens dolorosas na memória dos desencarnados, que não se deram conta do traspasse, mantendo-se em deplorável situação de aparente permanência no corpo.
Repetem-se-lhes as imagens infelizes, num caleidoscópio sombrio, mantendo a confusão mental em decorrência da gravidade de que se revestiram.
Permanecem, nesse estado, por demorado período, aqueles que se comprometeram, até quando a Misericórdia Divina os desperta para novas condições de consciência.
Se foram vítimas, não havendo sido responsáveis pela ocorrência lamentável, de menor duração é a perda do descerramento, porque, mesmo nesse caso, os impositivos da Justiça Soberana manifestam-se, convocando o antigo infractor ao ajustamento, ao equilíbrio de que se afastara pela prática de hostilidades e crimes vergonhosos.
Quando, no entanto, são responsáveis, em face da conduta irregular que atrai outros companheiros moralmente semelhantes, o que resulta dessa convivência infeliz é mais grave, pela opção elegida, geradora da incúria em que se movimentavam.
De qualquer forma, porém, a consciência de culpa ressuma nos refolhos da memória, embora não identificando o factor causal responsável pela insegurança e sofrimento.
Esse transtorno psicológico, portanto, tem sempre as suas raízes fincadas nas atitudes reprocháveis que o espírito se permitiu e das quais não conseguiu libertar-se, porque tem conhecimento de que as não deveria haver praticado.
Dessa forma, quando, na Erraticidade, padece os conflitos que acumulou após a prática do ato perverso e não se facultou reabilitação moral, através da reparação junto ao ofendido ou em relação à sociedade que poderia auxiliar no seu processo de evolução espiritual.
Interiormente reconhece a justeza do sofrimento, inconscientemente sabendo que constitui instrumento de elevação. Equivoca-se, porém, na interpretação dos seus resultados, porquanto, a necessidade da reeducação não exige uma conduta de entrega inerme à dor, da qual não resultem benefícios e propostas de elevação moral.
Sofrer pelo simples fato de sofrer torna-se fenómeno inócuo no processo de crescimento espiritual.
Todo sofrimento deve fazer-se acompanhar de resultados opimos, aqueles que amadurecem o ser, que lhe ampliam os horizontes do entendimento, proporcionando serviço edificante, processo eficaz para contribuição em favor da humanidade que prossegue carente de entendimento, afecto e ajuda para o seu desenvolvimento ético e moral.
O espírito cresce interiormente iluminando a consciência com as directrizes do dever que lhe constitui o estímulo para desenvolver as aptidões internas, remanescentes das concessões do Criador, e que lhe cumpre vivenciar, a fim de que se lhe fixem como mecanismo de evolução.
Dessa maneira, a culpa é uma presença que deve ser removida logo seja possível, a fim de que não se responsabilize por danos emocionais que devem ser evitados.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 25, 2017 11:30 am

À semelhança de um espinho cravado nas carnes da alma, exerce uma função de advertência, ao invés de uma presença punitiva, de forma que se desincumbindo do mister a que se destina, seja retirada da consciência, que se deve abrir à alegria da recuperação mental, colocando-se a serviço das aquisições de novas bênçãos.
Tanto se pode proceder terapeuticamente em relação à sua libertação, durante a estância no mundo espiritual, pelo programar de novos compromissos edificantes e através do esforço em favor da correcção da conduta, o que proporciona esperança e alegria, como transferir para as próximas reencarnações, quando se apresentará perturbadora em forma de conflito de mais difícil remoção.
Tendo-se em vista que a vida é espiritual, cabe a todos o dever de auto-conscientização de que, operando a partir do mundo causal em direcção ao terreno, torna-se mais exequível a produção de valores saudáveis do que no sentido inverso.
Desse modo, a educação dos espíritos desencarnados, conforme ocorre nas Esferas em que habitam, assim como através do intercâmbio valioso nas reuniões mediúnicas, é de valor inestimável pelos resultados obtidos.
Esclarecidos a respeito das ocorrências inditosas e dos meios que se encontram ao alcance para o depuramento, toda uma programação bem elaborada é colocada a serviço da reabilitação pessoal, diminuindo a ocorrência de gravames afligentes no decurso da existência carnal.
Nesse capítulo, ainda outro beneficio se pode auferir, que é o de evitar mecanismos obsessivos, que resultariam da insidiosa presença da vítima que encontraria as tomadas morais na culpa, aplicando os plugues do ressentimento, da ira, do desforço a que invariavelmente se entregam os infelizes.
Terapeuticamente, é um processo preventivo, libertador de mazelas, auxiliando o deambulante carnal no crescimento mediante conquistas e realizações edificantes, ao invés do cárcere sem grades dos resgates mais difíceis que terá de enfrentar...
À medida que o espírito se depura, mais se lhe acentuam os conceitos morais e sociais, exigindo cuidados especiais na área do comportamento, a fim de serem evitados esses transtornos do arrependimento, em forma de culpa, da amargura, como efeito da acção perpetrada e de que agora se dá conta a respeito da sua inutilidade, tendo em vista as excelentes maneiras de avançar, gerando felicidade.
Tornando-se mais exigente com a própria conduta, nessa fase é possível amar incondicionalmente, servir sem expectativa de retribuição, doar-se de maneira natural, sem que isso constitua sacrifício, enfim, ser útil em todas as circunstâncias do processo humano em o qual se encontra colocado.
Embora a presença da culpa na consciência seja convite à recuperação moral e reeducativa do infractor, lamentavelmente tipifica estágio inferior em que o espírito transita, em face das concessões que se permite nos contínuos compromissos inditosos.
Dia virá, na sociedade terrestre, em que a consciência de culpa será substituída pela consciência do dever, mediante cuja claridade será mais fácil a utilização dos instrumentos ao alcance para o processo de renovação interior, trabalhando em favor daqueles que foram prejudicados e contribuindo para a edificação de uma sociedade, uma cultura nobre, bem como de relacionamentos mais saudáveis.
O tempo, portanto, que vige entre o erro e a sua recuperação está determinado pelo esforço do infractor que se conscientiza, assumindo a responsabilidade de mudança pessoal em relação a si mesmo e à vida.
Os ponteiros do relógio das oportunidades sempre volvem aos mesmos lugares, porém, em circunstância e em tempo diferentes, razão por que sempre devem ser utilizados os momentos que se fazem propícios para agir-se com acerto, equidade e respeito pelos demais.
Evitar-se, pois, a presença da culpa na consciência é dever que a todos cumpre considerar, desde que não faltam serviços reparadores, oportunidades de procedimentos compatíveis com as leis estabelecidas e os Códigos Divinos vigentes no Universo.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 25, 2017 11:30 am

A disposição consciente para a recuperação pessoal é o primeiro passo para a libertação do conflito que se pretende estabelecer nos painéis mentais, gerando transtorno nas paisagens comportamentais.
De grande significação terapêutica o ensinamento de Jesus, quando propõe àquele que se encontra em débito como o seu próximo, conclamando-o a que vá fazer as pazes com ele, antes de depositar a sua oferenda no altar, porque é mais importante a conquista do equilíbrio interior e da consciência de harmonia, do que a exaltação ao Senhor da vida, sem respeito pela Sua criação, particularmente em relação àquele que é o seu irmão...
Solicitar desculpas quando se erra, identificar o equívoco e reabilitar-se com naturalidade, contribuir em favor dos ideais de desenvolvimento da sociedade, trabalhar em cooperação com as obras edificantes, tornam-se recursos valiosos para a liberação da culpa decorrente dos processos equivocados que todos vivenciam durante a jornada carnal.
Ninguém, à excepção de Jesus, consegue o êxito total no empreendimento da evolução, sem viver os diferentes estágios do erro e da correcção, do crime e da reabilitação, em face das heranças que permanecem no ser que transitou pelas faixas primárias, que se caracterizam pela supremacia do instinto, do impositivo da cadeia alimentar que impõe a morte de umas em benefício de outras espécies.
O leão que pretende dominar o grupo, mata os filhotes da fêmea que pretende submeter, porque não lhe pertencem, passando, então, a procriar os seus próprios, de forma a dar continuidade à espécie.
Essa predominância da ferocidade transfere-se de uma para outra fase durante a cadeia de desenvolvimento antropológico, atingindo o período hominal com os terríveis impulsos de destruir aquilo que lhe não pertence...
Da mesma forma, quando a fera lambe o descendente em carícia não consciente, pode-se identificar a futura mãezinha osculando o filho do futuro.
Nesse treinamento que exige incontáveis experiências evolutivas, o germe do amor está desenvolvendo-se e aprimorando-se até alcançar o patamar elevado de beijar os filhos de todas mães, sem discriminação ou preferência.
A consciência de culpa, portanto, tendo atendida a sua finalidade, dilui-se e transforma-se na alegria de o indivíduo reeducar-se e viver plenamente conforme os deveres que abraça, na sociedade em que se encontra colocado para evoluir.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 25, 2017 11:30 am

26 - Obsessão colectiva nas sessões mediúnicas
Terminada a comunicação turbulenta de uma entidade obsessora, na noite de 9 de Janeiro de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador (BA), o Orientador espiritual escreveu a página abaixo:
Obsessão colectiva nas sessões mediúnicas
A inadvertência de médiuns e de psicoterapeutas de desencarnados, embora conhecedores da Doutrina Espírita, vitimados pela presunção ou pela invigilância, responde pela ocorrência periódica de um lamentável fenómeno de obsessão colectiva nas sessões práticas, que vem ocorrendo em diversos Núcleos de atendimento espiritual.
Quase sempre o desvio de conduta geral tem lugar, quando alguém, menos afeiçoado ao cumprimento dos deveres em relação à mediunidade com Jesus, descamba na direcção da leviandade, deixando-se fascinar por ambições injustificáveis em relação à produção de mensagens relevantes, de exaltação da personalidade, de exibicionismo, ou deixa-se influenciar pela hipnose dos espíritos perseguidores que passam a telecomandá-lo.
De princípio, a obsessão pode ser diluída, por estar na fase incipiente, simples, caracterizada por estertores nervosos, pelas revelações desnecessárias e sem procedência, por comunicações pomposas e vazias, por comportamentos incompatíveis com os ensinamentos do Evangelho e do Espiritismo.
À medida que se lhe fixam no perispírito as matrizes do adversário desencarnado, a sucessão das comunicações torna a psicosfera do ambiente de má qualidade, dificultando a ocorrência do intercâmbio com as entidades nobres, que não encontram receptividade nos membros do conjunto.
Surgem conflitos em torno da autenticidade das mensagens nos médiuns menos ostensivos, aparecem desconfianças a respeito da procedência das informações espirituais que são trazidas pelos Benfeitores desencarnados, têm lugar as intrigas e maledicências, apresentam-se os distúrbios de concentração...
Esse médium invigilante, que se vai deixando arrastar pela sedução do seu opositor, começa a sentir-se privilegiado pelas contínuas comunicações de que se faz objecto, não raro, da mesma personagem mistificando, atravessando a linha divisória que conduz à fascinação.
Nesse período, a vaidade toma-lhe conta e sente-se o responsável pelos trabalhos mediúnicos, acreditando-se veículo das orientações que procedem dos Mentores espirituais e dando lugar a disparates e informações esdrúxulas, não compatíveis com a nobreza e a severidade da Doutrina Espírita.
A seguir, na sua fatuidade, passa ao estado de subjugação e irradia a influência morbífica que é captada pelos demais, tornando-se o ambiente psíquico da reunião assinalado pelas vibrações negativas geradoras do sono, da indiferença, do desinteresse dos membros que a constituem.
As reuniões práticas do Espiritismo, na actualidade, têm carácter iluminativo em favor dos desencarnados que sofrem, sejam elas de educação da mediunidade para principiantes, sejam as de desobsessão com intermediários experientes e conhecedores dos princípios espíritas.
Devem revestir-se, por isso mesmo, de simplicidade, sendo os seus membros trabalhadores sinceros e dedicados ao Bem, de modo que se conjuguem os valores morais aos espirituais, num todo harmonioso, do qual decorrerão os resultados opimos que se devem perseguir.
A entrega espontânea ao espírito de caridade que deverá prevalecer, abrirá portas aos Benfeitores espirituais que se encarregam de orientar as actividades, programando-as com cuidado e critério, de forma que se beneficiem todos os participes, de um como do outro lado da cortina carnal.
Não deve haver lugar para as disputas emocionais em torno das faculdades de que sejam portadores os seus diversos membros, preparando-se todos com esmero para que, no momento aprazado, as comunicações sejam bem captadas e o programa estabelecido seja cumprido.
É inevitável que espíritos perversos, igualmente sofredores, embora disso não se dêem conta, tentem seduzir algum dos médiuns, aquele que seja mais fraco, sob diversos aspectos considerados, ou se comunique com o objectivo de gerar discussões infrutíferas, nas quais são hábeis para tomar o tempo útil, ou mesmo tentando enganar os menos experientes.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 25, 2017 11:30 am

Dispostos a combater os excelentes recursos de socorro aos infelizes, bem como desejosos de manter a ignorância em torno do mundo espiritual, onde se encontram, em desdita, a fim de atrair mais incautos, conforme eles mesmos, tudo investem contra a mediunidade e as reuniões sérias, organizando armadilhas, forjando planos contínuos de agressão com os propósitos nefastos que os caracterizam.
Vinculados aos objectivos inferiores que os sustentam na insanidade em que se demoram, vêem, nas reuniões mediúnicas, um adversário poderoso pronto a desmascará-los, a revelar aquilo que aguarda o indivíduo sem compostura durante a existência humana, depois da desencarnação, bem como aqueles que descambam para o vício e para o crime.
Por consequência, tudo investem no sentido de criar embaraços a este ministério libertador de consciências e de sentimentos, tornando-se-lhe inimigos frontais e atrevidos.
Em face da ocorrência, devem todos aqueles que participam de reuniões mediúnicas, e não somente esses, permanecer vigilantes em torno das subtilezas da obsessão, procurando tomar providências imediatas, logo se apresentem os primeiros sinais, de forma que seja obstada imediatamente a sua instalação.
Pessoa alguma está livre de interferência espiritual negativa, em razão do seu estado de humanidade, das imperfeições que lhe são inerentes, das situações, às vezes, aflitivas que todos atravessam, especialmente os portadores de mediunidade, portanto, mais sensíveis, que se devem precatar com mais cuidado.
Os recursos valiosos e inquestionáveis para a eliminação de qualquer foco de obsessão — em reuniões ou em indivíduos isoladamente — serão sempre a oração e o cuidado na observação das ocorrências que tenham lugar na conduta de cada um, confrontando-as com os ensinamentos do Espiritismo.
O procedimento moral é, igualmente, um grande e poderoso antídoto às perseguições dos espíritos viciosos e impertinentes, que defrontam forte barreira vibratória, que decorre das emanações psíquicas do seu portador.
Quando ocorra incidente dessa natureza, nas reuniões mediúnicas sérias, cabe ao psicoterapeuta de desencarnados orientar a entidade obsessora, sem as discussões inoportunas, mas através dos recursos valiosos da lógica e do Evangelho de Jesus, conclamando-a ao despertamento de si mesma, a fim de ser feliz.
Outrossim, é de bom alvitre que o médium seja advertido carinhosamente, de maneira que evite sintonia com essa mente infeliz, não se tornando instrumento de perturbação para o grupo.
O mal, assim que se apresente e seja percebido, deve ser enfrentado com os instrumentos da mansidão e da misericórdia, da sabedoria e do amor, valiosos recursos que são para a condução dos atormentados ao Reino de Deus.
A reunião mediúnica é campo fértil para a ensementação da luz libertadora da ignorância e da perversidade.
Zelar pela sua preservação é dever de todos aqueles que a constituem, responsavelmente.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 25, 2017 11:30 am

2ª - Parte

1 - Preparação para a morte
O inexorável fenómeno da morte é parceiro vigoroso das expressivas manifestações da vida biológica.
Sucede-se, um ao outro, reciprocamente, em intercâmbio contínuo, até o momento em que se interrompe o fluxo vital, dando lugar à desencarnação.
Enquanto a mitose celular ocorre, mantendo a organização fisiológica, milhões de outras células desarticulam-se vencidas pelo desgaste, após realizado o mister que lhes diz respeito.
Assim, vida e morte, na fenomenologia orgânica, são partes idênticas da equação existencial.
Nada obstante, a criatura humana acompanha as transformações que se lhe operam na maquinaria física, sem dar-se conta da proximidade da morte que, aliás, acontece em todos os períodos da vida transitória.
Mergulhando na névoa carnal, o espírito olvida a sua procedência e evita pensar no impositivo do retorno que lhe sucederá, procurando, nas fugas psicológicas, nas dissipações, no prazer incessante, a maneira de não ser consumido pelo processo de desgaste. Assim, acredita que a morte é questão para remotas reflexões, quando anunciar-se, qual se houvesse a necessidade de aviso prévio, não fosse o contínuo passar dos minutos a inabordável informação.
Desse modo, não se permite pensar na transitoriedade do carro orgânico, embora anote-lhe a paulatina desorganização, na sucessão dos dias, as dificuldades que se apresentam, o emperrar das peças, os transtornos de conduta assinalando a inevitabilidade do fim desse ciclo e o início de outro mais significativo e mais relevante.
Exclui das suas reflexões a realidade imortal, aferrando-se aos impositivos do corpo e da existência física, como se essa fosse indestrutível.
Tudo lhe fala sobre a fragilidade do organismo, a sua temporalidade, os riscos a que está sujeito, no entanto, o engodo que se permite o indivíduo faz que ignore esses impositivos de alta significação.
Prossegue, então, formulando planos para o gozo, acumula inutilidades, disputa primazias e favores, luta por migalhas, explode de ira e cólera quando se sente contrariado, ao invés de comportar-se de maneira mais lógica e saudável.
Considerasse, no entanto, a jornada material na condição de uma experiência com limites estabelecidos de tempo e de oportunidade, muito diferente seria a sua maneira de viver e de ser.
Valorizasse as coisas e ocorrências somente do ponto de vista da sua relativa significação, e aprenderia o desapego, a liberdade, a compreensão a respeito das demais criaturas, superando as conjunturas afligentes a que se amarra, vivenciando bem-estar e alegria de viver.
Mediante essa conduta educativa evitar-se-iam desgastes e mágoas, inquietações e rebeldias, consciente que estaria de encontrar-se num contexto de elevação rápida e de segurança limitada...
Pensasse que cada dia vencido é um a menos no calendário do futuro, e adquiriria júbilos que se fariam estímulos para o prosseguimento da jornada, experimentando a liberdade em relação aos factores de perturbação e de angústia.
A preparação para a morte merece um tratamento pedagógico semelhante ou talvez mais cuidadoso do que aquele apresentado pelo currículo existencial.
Criando o hábito de pensar na interrupção das actividades, na cessação dos programas, a acção teria procedimentos felizes e enriquecedores de paz.
A leviana indiferença em torno da morte faculta o encharcar-se mais nas paixões sensoriais, nos impulsos primários, nas lutas pela posse, pela dominação de coisas e pessoas...
Terrível frustração sucede a esses que assim procedem, quando o guante da desencarnação lhes interrompe o galopar dos desejos e da loucura a que se entregam...
Morrem, sem dar-se conta da ocorrência, continuando na azáfama a que se entregavam...
Algumas vezes, surpreendidos, acompanham sofrendo a disjunção molecular e negam a realidade, diante do corpo que se dilui.
Experimentam as dores e cruéis situações que são forçados a participar, em face das impregnações do perispírito imantado aos despojos pelas terríveis ligações até então mantidas.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 25, 2017 11:31 am

Apavoram-se ante a decomposição cadavérica, procurando romper os liames que os detêm jugulados aos despojos carnais, acreditando-se em pesadelos contínuos, como se não houvera sido a sua existência uma viagem em neblina no rumo da alucinação...
O pior está nas sensações que experimentam, como se as estivessem vivendo intensamente, em decorrência dos longos apegos agora difíceis de ser liberados.
Todo processo de fixação impõe período idêntico para a sua liberação.
Assim ocorre com os vícios morais, mentais, emocionais e físicos, que permanecem afligindo o espírito, mesmo quando já os abandonou, desde há algum tempo.
Ei-los que ressurgem em sonhos, em ressumar de necessidades, impondo-se como algozes dominadores, tentando arrastar de retorno às dependências infelizes.
Em outras oportunidades, enlouquecem e afundam no poço do esquecimento de si mesmos, sendo reconduzidos a dolorosas reencarnações, arrastando situações de demência, de imobilidade tormentosa.
Por fim, em situações outras, são arrebatados por inimigos também desencarnados, que realizavam parceria mental obsessiva com eles, nutrindo-se das suas energias e prosseguindo na vampirização perversa...
A morte é somente uma experiência de desvestir uma para assumir outra indumentária, entretanto, prosseguindo na vida.
Quanto menos se prepara o indivíduo para o seu enfrentamento, mais dolorosa se lhe apresenta no momento em que se impõe.
O hábito de pensar no fenómeno inevitável produz aceitação da ocorrência, predispondo a uma natural conduta diante dele, o que faculta mais imediata liberação das ataduras e fixações emocionais em relação ao fardo celular.
Isto porque, as experiências cultivadas no corpo prosseguem exigentes e alucinatórias, quando se interrompem, da mesma maneira como sucede com as emoções superiores que elevam a mente a faixas vibratórias superiores, facultando o experienciar de alegrias e de paz.
Desse modo, longos transes em vida vegetativa no corpo, prolongados comas e difíceis recuperações orgânicas são, para o espírito, terapia valiosa e recurso iluminativo para a sua evolução.
Ninguém deslustra as Leis universais, sem que seja convocado à reabilitação.
Assim, indispensável se torna a todos os viajantes do carreiro material o dever de pensar na morte, na maneira como a enfrentará, nos recursos de que dispõe, no desapego aos denominados bens materiais, preparando-se conscientemente, pois que se desencarna conforme se reencarna com o património moral invisível e essencial.
Logo após a psicografia da página anterior, comunicou-se, por psicofonia, um espírito, que assim se pronunciou:
Doloroso depoimento
Amigos e irmãos:
Que Deus nos socorra em nossas necessidades!
Venho, atendendo a solicitação do Benfeitor espiritual Miranda, a fim de apresentar o meu doloroso depoimento, perfeitamente compatível com a página que grafou.
Fui abençoado com a dádiva do conhecimento espírita enquanto me encontrava reencarnado, e, nada obstante, permiti-me o tóxico da ilusão que me levou a terríveis desvarios, de que me arrependo amargamente.
Embora acreditasse na imortalidade da alma, não vivi de maneira adequada, que demonstrasse essa crença.
Permiti-me a atitude de quem tem sempre ainda muito tempo pela frente, de forma que poderia recuperar-me dos dislates, quando a enfermidade grave ou a velhice me tomassem o organismo.
Ledo engano!
A morte surpreendeu-me quando me encontrava na exuberância das forças orgânicas, um pouco antes de completar os cinquenta janeiros, mediante um inesperado acidente cardiovascular.
Mergulhei em noite densamente escura, povoada de angústias íntimas e desespero insopitável.
Por mais que me rebelasse, gritando por socorro e esclarecimento, sentindo dores inomináveis, o horror não diminuía.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 9:37 am

Tinha a sensação de encontrar-me no fundo de um poço sombrio de onde não podia fugir.
As sensações do corpo decompondo-se, faziam-me sofrer acerbas aflições e dores antes jamais vivenciadas.
Sentia-me vencido por vibriões devoradores que me consumiam as carnes em putrefacção, escorregando nos resíduos líquidos e fétidos do corpo, sempre que tentava pôr-me de pé.
Encontrava-me, porém, no túmulo onde foram arrojados os meus despojos materiais.
De quando em quando, relâmpagos horríveis iluminavam a treva, facultando-me ver rapidamente a prisão hórrida em que me situava.
Como não tivesse um segundo de repouso e não passasse a agonia infinda, somente, a pouco e pouco, dei-me conta da realidade, isto é, que poderia haver desencarnado, porquanto eu tinha ideia do que acontecia aos espíritos sensualistas e vulgares, como eu mesmo, após o fenómeno da morte fisiológica...
Às dores físicas somaram-se lentamente as morais, resultado da consciência que despertava, das noções de responsabilidade que permaneciam nos arquivos da memória.
É indescritível o que me aconteceu:
passei a ter crises de loucura, de amnésia, logo sucedidas pela lucidez, a fim de avaliar a extensão do sofrimento que me acometeu.
Ninguém é capaz de avaliar o desespero que me avassalava, somado ao remorso, a um arrependimento que reconhecia tardio, portanto, inútil, somente piorando a situação hedionda.
Tombei na blasfémia contra mim mesmo, contra a existência que desperdiçara, contra todos e tudo...
Ao invés de refrigerar-me o íntimo, a revolta tornou pior o meu deblaterar, porquanto pareceu atrair para aquele sítio infeliz uma chusma de espíritos perversos que gargalhavam da minha situação, agrediam-me com doestos chulos e carregados de ódio, recordando-me a fé religiosa que abraçara e desprezara em face da minha conduta reprochável.
Não posso, ainda hoje, avaliar o tempo infinito que transcorreu nesse inferno de aflições contínuas...
Quando concluíra que não suportaria por mais tempo, sem perder totalmente a razão, recordei-me do concurso da oração e, sob chuvas de infâmias e angústias, recorri ao Senhor de Misericórdia, suplicando perdão, compaixão, nova chance...
Um sono reparador e rápido me acometia, para logo despertar no mesmo báratro de onde não conseguia fugir.
Voltavam todos os desesperos, em forma de alucinação, de consciência do que acontecia, do pesadelo...
Compreendi que a prece me seria a única forma de libertação, e deixei-me vencer pela vontade de renovação, de liberação do lugar em que os horrores aconteciam, passando a experimentar um pouco mais de alívio.
Com o tempo, a noite, lentamente, foi-se tornando menos sombria, os algozes já não me atingiam com as suas agressões, até uma oportunidade, quando meu pai me apareceu, gentil e compassivo, arrancando-me do terrível desterro, conduzindo-me a uma Câmara espiritual de lenta recuperação e refazimento das energias...
Passou-se largo tempo, até o momento quando Amigos do Mundo Maior começaram a contribuir em meu favor, entre os quais o venerando Philomeno de Miranda, que aqui me trouxe, conscientizando-me do compromisso para comigo mesmo e da forma como o conduzira durante a finda existência carnal.
Usando o corpo somente para o prazer, buscando o desenvolvimento intelectual para melhor usufruir as benesses da vida, ludibriei-me a mim mesmo, enveredando pelos tortuosos caminhos da hipocrisia, mantendo a aparência social, gentil, que agrada, e a realidade dos vícios que a mim me consumia.
Sempre que era alertado pela consciência, eu retrucava:
— Há tempo ainda, muito tempo...
Tive mesmo ocasião de proferir palestras elucidativas para os outros, desfrutando da vaidade em face da lucidez mental e dos conhecimentos adquiridos, que deveriam servir-me de rota de segurança, complicando ainda mais a minha responsabilidade.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 9:37 am

Empolguei-me com as lições de amor exaradas em o Evangelho, porém, vivi longe dele, mentindo-me, quando pensava estar enganando os demais...
É certo que não cometi crimes, nem tive uma conduta perversa como se poderá pensar.
Somente que me prejudiquei, pensando crer em algo que não era respaldado pelos actos, iludindo-me com a concessão de flertes com a verdade, assim desculpando-me da insensatez.
Hoje, a dor do remorso, o aguilhão da consciência ferindo-me, não constituem menor sofrimento do que aqueles anteriores.
A dor mudou somente de apresentação e de intensidade, tornando-se menos feroz, mas ainda vigorosa.
Não me atrevo a alertar-vos de que são muito rápidos os dias da existência, porque todos estais muito bem informados, conforme eu mesmo estive.
Sou o espectro da amargura, apresentando a minha dolorosa experiência extra-tumba.
Continuo vivo, aliás, intensamente vivo, muito mais do que durante o mergulho na névoa orgânica.
Caso, porém, as minhas palavras possam contribuir de alguma forma para a reflexão de algum dos senhores, e terei alcançado a meta que me foi proposta, correspondido à expectativa do Benfeitor espiritual.
Meditai, portanto, sempre.
Cada instante fruído torna-se passado que acumula as experiências no âmago do ser que se é.
Tendes a felicidade de ouvir e dialogar connosco, da mesma forma que eu a possuí. Diferente, porém, será o vosso futuro, se agirdes de maneira diversa de mim, lembrando-vos, que não basta cometer crimes para serdes infelizes, já que não proceder bem, não agir através do recto culto do dever, tornam-se um grande mal, de que não vos desculpareis.
A consciência é implacável tribunal, onde as leis de Deus ali escritas, actuam de maneira irrefragável.
Se possível, lembrai-vos de mim, em vossas preces, no final da reunião.
Vosso irmão arrependido, embora confiante no futuro, que volverá à Terra com muitas limitações para auto-superar-se,

Demócrito Alencar.

(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, na reunião mediúnica da noite de 22 de Agosto de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 9:38 am

2 - Subtilezas da obsessão
No vasto panorama dos graves distúrbios por obsessão, destacam-se as técnicas subtis de que se utilizam os espíritos perversos e vingadores em relação aos seus desafectos.
Muitas vezes, dá-se a ocorrência pelas afinidades emocionais e sensoriais vigentes entre os litigantes, facultando o intercâmbio nefasto.
Por ignorância do desencarnado, a respeito do estado em que se encontra, imanta-se por automatismo vibratório em outrem do plano físico, em faixa idêntica mais grosseira, transmitindo-lhe.
os conflitos e sofrimentos de que se encontra possuído.
Embora não tenha o desejo consciente de prejudicar, as emanações psíquicas deletérias contínuas terminam por afectar aquele que lhe experimenta a injunção.
Estabelece-se, então, a obsessão simples que, não cuidada, tende a agravar-se em decorrência da maior fixação do hóspede no organismo no qual se enraíza.
Paulatinamente, a maquinaria orgânica do hospedeiro assa a sofrer danos, qual ocorre com a árvore vitimada pela planta parasita que lhe rouba a vitalidade, consumindo-a gradativamente até alcançar-lhe a seiva...
Noutras ocasiões, o agente perturbador, vinculado às perversões que se permitiu durante a experiência carnal, acerca-se de pessoa afim e passa a atormentá-la, vampirizando-lhe as energias gastas pelos abusos do sexo, das bebidas alcoólicas, das drogas aditivas...
O intercâmbio faz-se tão vigoroso que o desencarnado parece reviver fisicamente, voltando a desfrutar das sensações de que sentia falta, enquanto exaure aquele que lhe serve de nutriente.
Exacerbam-se os apetites vulgares e ambos se engalfinham em desfrutar de mais amplos prazeres.
Por consequência, a vítima desarticula as emoções e deixa-se empurrar pelas paixões servis até tombar no mergulho, cada vez mais, no pântano dos vícios em que se asfixia, perdendo o sentido do prazer real e vivenciando gozos exaurintes que a mantêm insaciada, sendo conduzida às situações lamentáveis de degradação e de horror.
Mais dolorosa torna-se a complexa interdependência quando lhe ocorre a desencarnação, despertando na mesma avidez perturbadora, continuando presa do algoz que a explora penosamente, até o momento em que a Divina Misericórdia interfere, recambiando ambos os infelizes à reencarnação libertadora...
Há, igualmente, obsessões subtis e não menos perigosas, que se insinuam de forma covarde e persistente.
O adversário desencarnado, hábil e insidioso, projecta o seu pensamento na direcção daquele a quem pretende afligir e, produzindo contínuas ressonâncias vibratórias, sitia-lhe a casa mental através da insistente emissão de ondas até perturbar-lhe a razão, conseguir aceitação da ideia odienta, que passa a fazer parte do raciocínio da vítima.
A ideia que se fixa lentamente, transforma-se num cliché forte, no qual está retratada a proposta obsidente, agora fixada no pensamento:
Tão delicada faz-se a injunção, que o paciente encarnado começa a acreditar que o tumulto mental que o aflige é de sua própria elaboração, derreando-se no desânimo, no pessimismo, na depressão.
Essa turbulência alucinante apresenta-se sob muitos aspectos, em particular nas necessidades sexuais, estimuladas as sugestões e imposições da mídia desprovida de dignidade, por pessoas igualmente transformadas em pastos que brigam multidões de sexólatras desencarnados, procurando demonstrar que a liberação das funções genésicas permite o uso e o abuso extravagante.
Modelos de beleza física, ambiciosos pela fama e pela fortuna, perdem totalmente o sentido existencial e entregam-se ao exorbitar da luxúria, escravizando-se aos seus exploradores espirituais, que transitam mentalmente pelas pontes da comunhão desordenada com os parceiros terrestres.
Poderá parecer que o sexo é veículo de degradação, quando a problemática é da mente individual, que dele faz o que lhe interessa e agrada, na desenfreada corrida pelo prazer doentio, como se a vida ficasse reduzida aos estertores do orgasmo.
Não é, pois, apenas o sexo, o responsável pela alucinação, mas toda e qualquer função orgânica, anseio moral e ambição moral que não estejam pautados nas leis do equilíbrio, nas disciplinas indispensáveis a uma existência saudável.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 9:38 am

Como, porém, o grande mercado sexual tem primazia nos mais diversos segmentos sociais, nos veículos de comunicação, na propaganda de produtos, há um entusiasmo injustificável pelo culto do corpo, pelos acepipes da libido, pela abundância da vulgaridade e excesso de orgias...
Desse modo, merece que sejam ampliadas as reflexões em torno da subtileza das obsessões, a fim de que se possa entender-lhe os mecanismos delicados e complexos.
Quando ocorram pensamentos repetitivos perturbadores, reduzindo a polivalência dos mesmos, restritos a uma ideia que se destaca e predomina, eis que se inicia o processo sombrio enfermiço.
Da mesma forma, quando os fenómenos da antipatia entre amigos ou meramente conhecidos passem a crescer, gerando animosidade em instalação, sem qualquer dúvida, além das barreiras carnais movimentam-se interesses perversos administrando o raciocínio daquele que assim se comporta.
Sob outro aspecto, mesmo no culto de qualquer ideal, quando se apresentam programas esdrúxulos ou úteis, mas não oportunos, com riscos de fazer soçobrar o edifício do bem, há forças espirituais negativas conspirando, cruéis, para o descrédito, a destruição do trabalho.
Toda vez quando os sentimentos se armem contra o próximo, ou se afeiçoem em demasia, a ponto de perder a linha do equilibrio, tenha-se certeza de que uma obsessão subtil, em agravamento, encontra-se em instalação.
As fixações mentais que desestruturam o comportamento psicológico, além do carácter de instabilidade emocional, tornam-se canais para interferências negativas por parte de espíritos ociosos e doentios, que andam à espreita de campos experimentais para o conúbio exploratório de energias físicas a que se imantam.
O ser humano viaja no corpo vivenciando os impositivos da evolução, sujeito às exigências sociais, familiares, económicas, culturais...
O tempo de que dispõe é praticamente aplicado para a desincumbência dos deveres e dos prazeres possíveis, que o refrigeram e estimulam ao prosseguimento no esforço material para a denominada sobrevivência física, com quase total olvido da espiritual.
Por uma imposição materialista, mesmo quando possui uma fé religiosa e acredita na continuação da vida após a morte, raramente oferece-lhe o tempo necessário para a reflexão, para a harmonia, para a inspiração.
Inclusive, aqueles que se filiam às nobres hostes do Espiritismo cristão, nem sempre dão-se conta das interferências espirituais de que são objecto.
Devaneiam, duvidam, descuidam-se da vigilância em relação aos pensamentos, a conduta, às aspirações.
Esse comportamento dúbio — a crença e o desaviso — permite que os inimigos soezes, que os vigiam, acerquem-se-lhes ou não, emitindo ondas contínuas de ideias obsessoras, que passam a incorporar-se-lhes às paisagens interiores.
O pouco tempo de que dispõem, justificam-se, não lhes permite aprofundar as reflexões em torno das ocorrências existenciais, particularmente em torno da vida espiritual que lhes diz respeito; e vão aceitando as hábeis induções perniciosas que lhes são transmitidas pelos infelizes perseguidores, terminando por dominar-lhes a vontade.
Sabendo planificar com habilidade o projecto de desforço e reconhecendo no desafecto valores morais que não podem confundir nem perverter, geram situações embaraçosas onde se encontram, a fim de inquietá-los, de afastá-los dos círculos de actividade moral, de benefícios pessoais e colectivos, até sitiá-los, mais tarde, e desferirem os golpes mais profundos.
A partir desse momento, aqueles que lhes sofrem a peçonha, passam a ver tudo sombrio onde se encontram, a desconsiderar o que antes era importante, atribuindo-se títulos de engrandecimento que, em realidade, não possuem, terminando por tomar horror ao que antes era aprazível, motivador de felicidade.
E não se dão conta das próprias limitações, dos erros que também cometem, sempre atribuindo aos demais a responsabilidade pelos insucessos.
Essa ocorrência estende-se aos relacionamentos afectivos, sociais, comerciais, utilizando-se dos naturais fenómenos de saturação da convivência, do tédio pela repetição dos actos e sua monotonia, do stress...
Se quando o indivíduo permanece no rígido cumprimento dos deveres, a sós e no grupo espiritual em que moureja, surgem desafios e criam-se dificuldades de relacionamento com perturbações compreensíveis, muito menos resguardado estará quando distante das defesas nas quais encontrava apoio.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 9:38 am

É natural, portanto, que sejam produzidas dissensões, cizânias desgastantes, a fim de expulsá-lo do ambiente cuja psicosfera é-lhe benéfica.
O orgulho, o melindre, no entanto, encarregam-se de ser os instrumentos de fácil controlo para que os seus adversários aumentem em gravidade as ocorrências mesquinhas e insignificantes, dando-lhes exagerada valorização, mediante a qual se desgarra ofendido, ficando à mercê de forças mais causticantes...
As obsessões subtis são perigosas, exactamente em razão da sua delicadeza de estrutura, da maleabilidade com que se apresentam, sendo confundidas com as naturais manifestações de conduta psicológica pertinente a cada indivíduo.
É necessário muito discernimento para distinguir, quando se expressam desajustes emocionais, transtornos orgânicos que afectam a conduta psicológica e influências espirituais perturbadoras.
Mesmo em se tratando de injunções da saúde emocional, é válido considerar-se que, estando incursos na Lei de Causa e Efeito, os sofrimentos fazem parte do currículo existencial, mantendo-se disposição para os enfrentamentos afligentes, mas também considerando-se a hipótese de ocorrer injunção obsessiva, o que faculta melhor terapêutica, mais adequada conduta moral para a liberação da prova libertadora.
Tornar os ensinamentos cristãos parte da filosofia existencial diária constitui um recurso valioso para a preservação da saúde sob quaisquer aspectos considerados, e mesmo quando se manifestem enfermidades, na condição de terapia psicológica e espiritual, capaz de manter o equilíbrio interior e a coragem para o prosseguimento da luta até o momento da vitória.
Desse modo, deve-se envidar todo esforço para preservar a paz de espírito, o clima de bem-estar interior onde se encontre, não vitalizar animosidades, trabalhar-se pela harmonia de consciência, sustentando-se no alimento da oração, preservando a caridade na mente, no coração e na acção, que constituem antídotos eficazes para a prevenção contra as obsessões subtis e terapia curadora, quando já se encontrem instaladas.
Logo após a psicografia da página anterior, veio trazido à comunicação psicofónica, o irmão amargurado que nos narrou a sua experiência:
Remorso tardio
Aporto neste cais de segurança na condição de náufrago, que foi vencido na voragem ciclópica do próprio desespero.
A embarcação frágil do corpo despedaçou-se no encontro com os arrecifes da Realidade.
Transitei, no mundo, hebetado pela ilusão, mascarando uma felicidade que me encontrava distante de possuir.
Porque não se me apagam da memória as cenas de horror, que ora me envergonham e angustiam?
Porque não se diluem as imagens das lembranças como a neblina que o Sol desmancha?
É que o calceta deve expiar os seus crimes até o momento final, sorvendo o fel que acumulou, de forma que não fique qualquer vestígio.
Por que a ilusão é tão poderosa em nosso peregrinar terreno?
Considerei a vida física uma viagem ao encantador país do prazer, fruindo até o cansaço todas as sensações com que o corpo brinda a existência.
Acreditei que não cessariam as alegrias e os gozos aos quais me entreguei de maneira irrefreada.
Não posso dizer que sucumbi às paixões, porque elas estavam em mim e comprazia-me experimentá-las em todas as suas formas e manifestações.
Entreguei-me ao desvario do sexo sem controlo, ferindo sentimentos, traindo confiança, despedaçando esperanças, sob o jugo de incessante necessidade de renovação dos gozos.
Arrogante e vulgar, disfarçava sob tecidos caros e bem talhados a escabrosidade do ser que era.
Sabia dissimular os sentimentos vis, assumindo postura social elegante e trato cuidadoso.
Atraía pelo porte, pelas maneiras e pela forma de seduzir, fazendo de conta que estava sendo conquistado.
Hábil no manejo da palavra e perverso na satisfação do egoísmo, as pessoas de que me utilizava não passavam de paixões momentâneas, que eram substituídas por outras, assim que o tédio me tomava.
Viajei pelas emoções alheias como um canibal que se compraz no sofrimento da sua vítima.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 9:38 am

Não esperava que a morte, sempre à espreita, me surpreendesse em um momento de lascívia; de desgaste do organismo vitimado pela insaciabilidade dos desejos.
Não morri, porém.
A consciência permaneceu e continua lúcida, agora afligida pelas lembranças e sob o látego de um adversário, para mim desconhecido, que me impunha os seus impulsos inferiores, em razão da minha constituição moral doentia.
Somente então dei-me conta de que, enquanto eu explorava, era também explorado por perverso verdugo que se não compadecia da minha insânia, empurrando-me para o fosso mais pestilento que existia.
Não o .posso culpar totalmente, porque eu era um homem que pensava, que sabia o que estava fazendo, que podia discernir, mas não dispunha de forças morais para superar as torpes manifestações do primitivismo.
Encontro-me numa noite, na qual não luz sequer a esperança.
Por que o arrependimento chega depois do facto consumado, não facultando ensejo de recomeço, de tudo ser iniciado outra vez?
Por que o remorso transforma-se em um ácido que requeima a consciência sem cessar?
O remorso é um anjo que chega tarde.
E não antecede à acção nefasta, porque espera que a consciência cumpra com o seu dever.
Quando isso não ocorre, só posteriormente se apresenta com alta carga de sofrimento.
Procuro uma saída na escabrosa condição em que me encontro, qual o indivíduo que acende uma lâmpada para melhor ver a escuridão...
A tristeza, filha do arrependimento, faz-me contorcer no labirinto das recordações infames que não cessam.
A dor moral é bem mais dilaceradora do que a de natureza física.
Jamais imaginei que a vida era tão severa com aqueles que a deslustram.
Colho os espinhos e os frutos amargos da sementeira do desespero.
O pior, é que não tenho coragem ainda de superar as angústias que trouxe, lamentando a perda do fardo carnal.
O não fruir os gozos a que me acostumara constitui um outro martírio.
É a sede do desejo, num conflito existencial feito de amargura e de perda, por aquilo que abjuro e detesto.
Vivi para a ilusão e a Realidade me surpreendeu.
Considerei que a fantasia era mais poderosa do que tudo quanto se me apresentava como real.
Equivoquei-me por interesse, justificando os meus actos abomináveis como necessidades da vida:
Qual vida?
A do suíno que somente come, dorme e procria, aguardando o cutelo que lhe decepará a vida, quando bem nutrido?
Vendavais e fantasmas fazem parte do meu angustiante penar.
Sou absorvido no sorvedouro do remorso ultriz.
Não venho pedir misericórdia, pois sei que mereço tudo quanto ora me sucede.
Estou informado que voltarei, dispondo de oportuno e futuro renascimento para refazer o caminho.
Jornadearei por estrada íngreme e áspera, semi-hebetado e assinalado por conflitos emocionais esmagadores.
Reiniciarei o caminho percorrido, de forma que apague as pegadas de dor e sombra que ficaram como sinais do meu passo anterior.
Traí, menti, enganei... a mim mesmo iludindo, porque ninguém foge da consciência que se anestesia, para logo recuperar a lucidez.
Fui convidado a prestar este depoimento, o que faço com insopitável emoção de sofrimento.
Aqui trouxeram-me a este cais para que aportasse em segurança por algum tempo, enquanto narro a dolorosa experiência que me permiti.
Rogo escusas pelo tempo tomado, considerando que outros talvez pudessem oferecer mais preciosa lição.
No entanto, a minha é de advertência, daquele que viveu equivocado, supondo-se inatacável, possuidor de todos os méritos para não sofrer, embora propiciando dores aos demais...
Se a minha experiência servir de alguma forma para alertar algum entre os que me ouvem, terei logrado um fascículo de luz para tornar minha noite menos sombria.
Terei iniciado a viagem de recuperação, fixando o primeiro valor do bem, a conquista inicial que me conduzirá a outro porto de segurança mais tarde, quando terminar a travessia do oceano tumultuado da próxima existência...
Agradeço a atenção e a compaixão com que me ouvem.

Wellington Aparício Coelho

(Mensagem psicofónica recebida pelo médium Divaldo P. Franco, no término da reunião mediúnica do Centro Espírita Caminho da Redenção, na noite de 05 de outubro de 2005, em Salvador, Bahia.)
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 9:39 am

3 - Auto consciência e auto-obsessão
O processo de auto-conscientização do indivíduo é resultado de um vigoroso e contínuo empenho, após tomada a decisão de alcançar a auto-iluminação e da vontade empregada para consegui-la.
Transitando por níveis diversos de consciência, nos quais são adquiridos novos valores ético-morais, o espírito arquiva nos alicerces da memória — o seu inconsciente individual — as experiências que vivenciou, detendo-se naquelas que lhe resultaram mais enriquecedoras, fixando-as com maior veemência.
Da mesma forma, são registradas também e mais facilmente as actividades que mais se repetiram, mesmo que viciosas e perturbadoras, produzindo condicionamentos poderosos que se imporão na conduta por ocasião de novos cometimentos humanos.
Em razão desse fenómeno, ressumam, nas diferentes reencarnações esses substratos, que emergem em forma de hábitos e costumes impositivos, que somente a educação moral e o exercício racional de novos anseios conseguem superar.
Nessa condição, faz-se necessário que se busquem novos patamares de evolução, mediante a ideação de questões relevantes, enobrecidas, despertando o eu profundo a fixá-las, ao mesmo tempo trabalhando para vivenciá-las.
Acomodando-se, porém, no já conseguido, o ser humano, por largo período no transcurso da evolução, deixa-se arrastar pelos automatismos, até o momento quando as dores o sacodem, rompendo o marasmo a que se entrega.
Estagiando nessa fase de fenómenos já conhecidos, amolenta o carácter, desperdiçando as melhores energias no culto das sensações, sem aspirar a mais dignas expressões do sentimento, que se pode engrandecer, propiciando real e duradoura felicidade. Entretanto, em face do vício de qualquer natureza a que se acostumou, prefere a mesmice doentia ao enfrentamento desafiador que lhe pode modificar a estrutura do comportamento para melhor, embora árduo na sua conquista, e de resultados permanentes, distantes do sofrimento.
Não se torna imperiosa, o único meio de mudança emocional, a presença do sofrimento, porque a atracção divina que conduz o espírito à plenitude, intui-lhe o dever de melhorar-se, propicia-lhe o entendimento da aplicação do amor como veículo de auto-realização, que no entanto desconsidera em razão dos condicionamentos em que se compraz.
Essa postura arraigada no inconsciente agora repetida, dá lugar à cristalização dos sentimentos mais primários, os asselvajados, criando impedimentos à indispensável mudança de atitude para a auto-realização espiritual.
Repetidamente, esses comportamentos experimentais, que devem ser superados ao vigor do pensamento que os sustenta, plasmam-se, adquirindo vida e passando a assaltar os processos mentais daquele mesmo que os fomenta e preserva, concedendo-lhe vitalidade...
Surgem, então, os lamentáveis processos de auto-obsessão, nos quais as fixações mentais transbordam em desvios de conduta, como resultado do atropelo das ideias doentias, empurrando para depressões, para transtornos obsessivo-compulsivos, para síndromes de pânico, para delírios...
Em face do impositivo do progresso, o sofrimento auto-gerado por decorrência da insensatez do calceta, funciona como escoadouro das emanações morbíficas produzidas, até que a desencarnação generosa desvista-o, recambiando-o à vida espiritual de onde procede, despertando amparado pela misericórdia divina sempre presente em toda parte, podendo reprogramar as futuras jornadas, compreendendo a necessidade de adquirir a autoconsciência.
Somente quando a possua é que se lhe torna factível experimentar reais modificações na estrutura do comportamento, em face das informações contínuas em torno da responsabilidade, do dever, decorrentes da lógica adquirida, bem como do conhecimento da realidade.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 9:39 am

Essa conquista, no entanto, somente é possível mediante o exercício da reflexão, da investigação dos pendores morais, correlacionando-os com as infinitas possibilidades da aquisição do equilíbrio e da paz.
À medida que a autoconsciência desperta, eliminando ou levando a superar-se as tendências à acomodação, à repetição do esquema do prazer em detrimento dos compromissos em prol da libertação dos vícios, mais amplas possibilidades se apresentam favoráveis à harmonia pessoal.
Sucede que o progresso multiplica-se sempre por si mesmo.
Quanto mais se avança em relação às conquistas morais, mais fáceis se tornamos futuros cometimentos da evolução, porquanto, cada percurso emocional vencido faculta passos mais audaciosos que devem ser dados em relação a novas posturas.
Na fase anterior, quando a mente repete os clichés da sensualidade, dos impulsos primitivos, a ideação condensa vibriões psíquicos e formas pensamento que nutrem o paciente com as energias enfermiças de que são portadores, ao tempo em que são mais vitalizados pelo próprio, num círculo vicioso e afligente.
Quando se prolonga esse comportamento doentio, a desencarnação faz-se dolorosa e o despertamento espiritual ocorre na psicosfera perniciosa, transformando-se em terrível flagício, no qual o espírito sofre a agressão dessas ideações perversas que o ameaçam de consumpção como se fossem seres reais autónomos, que se lhes transformam em demónios inomináveis.
Nunca será demasiado convidar-se a criatura humana à disciplina mental, ao saudável direccionamento das construções psíquicas salutares, porquanto, criador como é, o pensamento é fonte inesgotável de energias específicas que procedem do espírito e para ele retornam.
É muito comum esse tipo de auto-obsessão, no qual se debatem incontáveis espíritos, em ambos os pianos da vida, sem dar-se conta da sua autoria infeliz no processo afligente.
As imagens exteriorizadas pela mente viciosa retornam vibrantes e contínuas, estabelecendo-se automaticamente um processo de contínua vitalização.
O mesmo ocorre em relação às ideações superiores, nas quais os sentimentos se renovam e crescem, ampliando as possibilidades e integração no Pensamento Cósmico.
Mediante, portanto, a educação dos pensamentos, substituindo-se sempre aqueles que são torpes e perturbadores pelos benéficos de todos conhecidos, arquivam-se nas camadas da subconsciência, a princípio, para logo transferir-se para o inconsciente profundo, de onde emergirão em expressões de alegria, saúde e paz...
A autoconsciência é patamar seguro e elevado, no qual o pensamento adquire o nível intuitivo, situando o espírito em uma faixa vibratória que torna o indivíduo um ser inter-exstente, porque, embora mergulhado no corpo físico, participa da realidade espiritual de onde se originou.
A saúde mental e moral, portanto, é conquista que se deriva da aquisição da autoconsciência, da auto-iluminação.
Ilustrando com a experiência pessoal de alguém que não se preocupou com a aquisição da autoconsciência, o Benfeitor espiritual, após escrever a mensagem acima, trouxe à comunicação psicofónica o espírito que assim se expressou:
A inveja
Boa noite!
Não sei como expressar-me correctamente.
Devo, porém, relatar a minha amarga experiência carnal.
Eu sou a inveja que se veste de desdita para arruinar-se e arruinar outras vidas.
Na Mitologia grega, as Parcas ficavam no Inferno tecendo as malhas dos humanos destinos que eram transformados em desgraças.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 9:39 am

Eu poderia, talvez, ser uma delas:
a de número quatro. Porque a minha vida foi um tecer infindável de misérias, todas elas decorrentes da inveja.
Mesquinha, era dominada por, sentimentos perversos, desde a infância, como se carregasse um câncer — câncer moral que é a inveja corroendo-me sem cessar.
Atravessei quarenta e oito anos de romagem terrestre no calabouço da desdita mais horrível possível.
Assinalada por um complexo de inferioridade sem limite, via os outros como adversários meus.
Considerava ó seu triunfo, em qualquer área, como concessão indevida da Divindade para com eles em detrimento de mim.
Ao invés de lutar para realizar o que me era próprio, refugiava-me na crítica mordaz, nas acusações incessantes, na descoberta das imperfeições e defeitos dos outros, para justificar a minha indiferença ante o esforço que deveria empreender para sair do infeliz conflito da inveja.
A inveja destruiu-me, levou-me a alucinações variadas, tornou-me uma pessoas detestada e detestável.
Por mais que procurasse justificar-me a todos, aqueles que faziam parte da minha família e do meu círculo social, sabiam da minha inferioridade, e após me concederam mil oportunidades, cerraram-me as portas da sua afeição.
Amargurada, fugi para dentro da minha paixão criminosa, até que a desidratação, em recusando-me à alimentação correta que o organismo não aceitava, trouxe-me, pela morte, de volta para a vida...
Tenho vagado, demoradamente, numa região gelada que deve ser o reflexo do enregelamento das minhas emoções em, relação aos outros.
Depois de longo período que eu não posso precisar, recorri à oração, sem entusiasmo, pois que sempre me considerei abandonada por Deus.
E, lentamente, comecei a sentir á necessidade de paz, de renovação interior.
Vivia assaltada por as horrendas de seres que me vilipendiavam os sentimentos, levando-me, em certos momentos, à loucura, e a oração desviou-me dessas ocorrências nefastas, dando-me um pouco de equilíbrio e resistência para vencer-me.
Fui, então, arrancada do hórrido lugar em, que permanecia e devo voltar à Terra para tudo recomeçar...
Trouxeram-me aqui para que eu narrasse a experiência do meu fracasso graças à inveja que me aniquilou praticamente a existência.
Clementina Augusta da Silva
(Página psicofónica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, na noite de 12 de Outubro de 2005, na reunião mediúnica do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 9:39 am

4 - Viagem equivocada
A experiência carnal, para incontáveis espíritos, não passa de uma viagem comum, com destino ao prazer e ao gozo, sem maiores consequências.
Muitos pensam, que, não praticando o mal, estão realizando um grande mister, sendo melhores do que outros, aqueles que se comprazem nas construções do mal, tornando-se amaldiçoados pelas suas vítimas.
Naturalmente que, deixar de ser cruel, não prejudicando, conscientemente, o seu próximo, constitui um passo dignificante, mas não o ideal, porquanto, a falta da acção benéfica dá lugar ao desenvolvimento do mal, que toma todo o espaço disponível.
Crêem, dessa forma, que a vida é destituída de um significado mais grave e de alta responsabilidade, porque se consuma na morte, quando a aparente destruição dos tecidos encerraria o capítulo existencial.
É comum adoptar-se essa conduta, não obstante, mantendo-se vinculação religiosa com tal ou qual doutrina espiritualista, que informa sobre a continuidade da vida, em campos de energia, através de matéria subtil, para usarmos a denominação de alguns físicos quânticos da actualidade.
Ao invés de se permitirem observações e reflexões em torno do conteúdo da fé religiosa, aceitam-na, mais como expressão de conduta social do que importante contributo para a imortalidade que a todos aguarde e em cujo oceano se encontram, quer no corpo, quer fora dele.
Realizam as conquistas do conhecimento, objectivando sempre a aquisição do prazer, da comodidade, das realizações gratificantes do corpo e dá sensação, com algumas alegrias emocionais.
E isto parece bastar-lhes, não ocorrendo, ou mesmo não se interessando pelos significados essenciais da vida.
Quando tudo lhes parece bem, a prosperidade conduzindo o carro da existência, o triunfo pessoal nas actividades elegidas, a juventude orgânica em pleno esplendor, a vida apresenta-se como esperam, com carácter existencialista, benéfico.
Em face, porém, de ser o mundo um permanente campo de transformações, de mutações, de mudanças, embora as conquistas materiais, surgem, inesperadamente, os conflitos emocionais, as ansiedades do sentimento, o vazio interior, quando não, as frustrações, as enfermidades orgânicas, os insucessos de qualquer natureza, produzindo impactos de grande porte.
Nesse momento, a falta de uma convicção real de natureza espiritualista agrava a situação, empurrando para o desespero, para o cepticismo, ou impulsiona para a busca dos milagres de ocasião, nos quais tudo se transforma a toque de mágica, em beneficio de quem se acredita merecedor de todas as benesses, embora nunca haja feito nada em favor de outrem, do grupo social, da humanidade a que pertence.
Certamente, sempre se diz que não praticou o mal, como mantra de justificação, sem dúvida, também nunca produziu em favor do bem, o que deixa de oferecer méritos à existência utilitarista, egoísta.
Lenta e inexoravelmente a morte aproxima-se, isto quando não interrompe a viagem do gozo em pleno apogeu, convidando a meditações tardias.
O despertar da consciência dá-se então de maneira irretocável, segura, inevitável, e logo surgem os processos angustiantes do remorso ou da rebeldia, de acordo com o carácter e o temperamento de cada qual.
Em tudo, porém, vibra a presença de Deus no Universo e da vida em triunfo, não detectando, somente aquele que prefere a cegueira pessoal...
Um pouco de meditação basta para convidar o ser humano à avaliação da Causalidade do Cosmo.
Há tanta beleza a ser vivenciada, tanta cor e som de encantamento, aguardando para ser captados, que infeliz é todo aquele que se nega a participar da orquestração viva da Natureza.
O mineral, aparentemente inerte, é portador de uma consciência embrionária, que o mantém o vegetal, obedecendo às leis de desenvolvimento do fenómeno vital, exterioriza uma proto-consciência e entoa hinos à beleza; o animal expressa a ampliação da percepção de uma consciência mais aguçada, avançando esse princípio inteligente até alcançar a razão no ser humano com infinitas possibilidades de entendimento das finalidades estabelecidas para o ser.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 10:19 am

É, no entanto, o orgulho, esse ceifador de esperanças, que se encarrega de produzir a soberba e a nefasta presunção no indivíduo que pensa, gerando narcisismos doentios, que terminam por infelicitar aqueles que lhes tombam nas intrincadas malhas.
Porque a vida não os desafiou desde o princípio mediante o sofrimento, a carência, a dificuldade, que poderiam servir de ponto de partida para muitas interrogações em torno do existir e das razões desencadeadoras dos problemas afligentes, deixam de lado as questões profundas em torno do espírito, navegando na direcção dos interesses imediatistas e enganosos.
Quando se lhes aborda a respeito da imortalidade, normalmente apresentam-se superiores a tal crença, adornando-se de capacidade elevada de discernimento que os torna semideuses, num Olimpo de mentira.
Mas a inexorabilidade do sofrimento, que os acompanha em forma de enfermidades, de insucessos morais e emocionais, da velhice, alcança-lhes a prosápia, que não se curva ainda no corpo, quando poderiam aproveitar o ensejo para recomeçar actividades valiosas de iluminação, de compaixão, de crescimento interior.
Por mais que se pretenda estabelecer legitimidade ao fenómeno orgânico, que serve de indumentária transitória ao espírito no seu processo de evolução, o tempo linear sempre se encarrega de diluí-lo, porquanto, a causalidade da vida, no que se denomina matéria, permanece nos campos subtis do Universo, estabelecidos pela Inteligência Divina que tudo criou, coordena e mantém.
Todo fenómeno é fruto de uma causa, portanto, cessa, quando esta se interrompe de alguma forma, seja pela ausência de força, de energia, ou por causa de mudança na sua estrutura real.
É o que acontece com o corpo.
Sendo o espírito o seu gerador, dessa forma, o mantenedor da sua conjuntura, esta interrompe o seu ciclo vital, quando ele modifica a emissão das ondas vibratórias, em face do processo evolutivo, que não cessa.
Cada existência física é constituída por um quantum de energia vital para a finalidade de crescimento espiritual.
Conforme seja utilizada essa força preservadora da forma, amplia-se-lhe o prazo de desgaste ou abrevia-se-lhe, especialmente como decorrência das vibrações mentais transformadas em conduta moral.
Assim, aquilo que se pensa transforma-se em acção e essa responde pelas estruturas orgânicas.
Por mais longa, entretanto, se apresente a existência terrena, momento chega em que se interrompe, a fim de dar lugar a nova experiência no processo em que se encontra situada.
O carro orgânico, desse modo, deve ser conduzido com sabedoria pela mente, voltada para as finalidades altruísticas da existência, nada obstante se encontrem arrolados também os objectivos da alegria, do bem-estar, do prazer.
São estes últimos, as bênçãos que se apresentam como recursos de compensação e de estimulação, nunca, porém, como a finalidade existencial.
A viagem pelas vias da reencarnação objectiva a conquista da paz e da plenitude, facultando ao espírito ascender moralmente, tomando-se cooperador de Deus em relação à vida e a tudo que se lhe relaciona.
Desejando melhor documentar a realidade da informação escrita, o nobre Amigo espiritual convidou um espírito que se prepara para a reencarnação, para que relatasse o seu fracasso, como segue:
Evocações do fracasso
Sou um espectro que, após deambular pela planície do sofrimento estaciona em lugar de refazimento, a fim de reunir forças novas, concatenar ideias em relação às aspirações que foram destroçadas.
Sou como Prometeu, o infeliz a quem Zeus condenou ao holocausto numa das montanhas do Cáucaso, que tinha o ligado devorado por um abutre durante o dia, e que, à noite, se refazia para depois recomeçar o suplício que jamais terminava.
Prometeu houvera roubado o fogo para oferecê-lo aos homens que viviam na escuridão.
Um gesto nobre que desencadeou uma punição impiedosa.
Pior do que ele, eu roubei a existência carnal, tomando-a do património da vida para deleite exclusivo da minha alucinação.
Fiz do corpo uma gôndola adornada de fantasias, navegando nas águas de uma Veneza de perdição.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 10:20 am

Impus-me a ideia de que nascera privilegiado por um berço de ouro, numa família de destaque na sociedade, portador de inteligência brilhante e de sagacidade incomum.
Passeei a minha estupidez pelos recantos da luxúria e da ostentação como se a vida fora um convescote de sonhos, de falsos sorrisos e de embriaguez dos sentidos.
Os excessos faziam parte do meu cotidiano.
Não seriam, reflexiono agora, uma fuga na busca de uma realidade que me negava a encontrar?
O que é certo, é que a morte foi-me também generosa, dando-me inúmeras chances para respeitar a vida, antes de vir ter comigo.
O inexorável desagregar do corpo, porém, conduziu-me a uma avançada idade, facultando-me despertar da morte orgânica, quando esta ocorreu, alucinando-me em face do desespero de que fui acometido.
"Não pode haver vida depois da morte" — era sempre a minha justificação para dilapidar as energias do organismo e usufruir o prazer até o total aniquilamento.
Negava-me, filosoficamente, a acreditar na imortalidade da alma, justificando a escassez de documentação probante dessa realidade.
Nada obstante, aceitava a existência carnal somente, finando-se na sepultura, sem que houvesse confirmação do seu aniquilamento.
Apesar de tudo, chegou o meu momento final no corpo, à semelhança da lagarta que abandona o casulo para tornar-se falena colorida planando no ar, com a diferença de que dele não me consegui libertar, permanecendo-lhe atado por invisíveis fios que me aprisionavam.
Lúcido, acompanhei-lhe a decomposição, célula a célula.
Senti, na carne da alma, o banquete dos vermes vorazes e a transformação dos órgãos em fluidos fétidos e pestilentos.
Asfixiei-me, por longo tempo, sob a pressão da terra, sem perder o raciocínio, e quando dali saí não foi pelo meu querer, mas porque fui arrastado por hordas selvagens que me conduziram a presídio lúgubre, em furnas escuras e apavorantes.
Na minha mente não luzia uma esperança.
Blasfemavam contra mim, o meu fastígio, a vida inútil que tivera, acicatavam-me com tenazes, enquanto gargalhavam estentóricos, exprobravam-me com doestos perversos, dizendo:
— Goza, miserável, desfruta do corpo que te serviu de baluarte mentiroso e de segurança falsa.
"Seria aquilo o Inferno?" — Perguntava-me atónito.
Se o era, Dante não o retractara com essa ferocidade, fora mais benigno ao descrevê-lo em sua Divina Comédia.
Não tenho ideia do tempo em que transcorreu o infausto acontecimento.
São-me escassos os recursos para calcular as dimensões entre o momento da parada cardíaca e o da saída daquele hórrido cárcere, quando, exaurido nas forças e resistências, arrependendo-me da insensatez e leviandade que me permitira, com a alma dilacerada, fui amparado por uma caravana de seres angélicos que visitou o lúgubre desterro...
Fui recolhido com misericórdia, assim como outros encarcerados, e levado a uma área de refazimento.
Tempos depois, fui transferido para um hospital, onde venho recebendo tratamentos, o da compaixão e o socorro do conhecimento, a fim de poder retomar em nova embarcação carnal, que não será mais a gôndola adornada de festa e sim uma jangada frágil que flutuará sobre ondas convulsionadas até o futuro encontro com o ancoradouro de segurança, após o despedaçar, nas praias do sofrimento, facultando-me um novo despertar na Imortalidade de onde saio para ter amenizadas as aflições.
Orai por mim e por todos aqueles que optam pela fascinação do engodo material.
O inexorável suceder das horas a todos colhe com o seu beijo de realidade.
Quando orardes, lembrai-vos de nós, os gondoleiros da perdição.

Muito obrigado.
Marcel Augusto Vasconcellos

(Páginas recebidas pelo médium Divaldo P. Franco, na reunião mediúnica da noite de 15 de Outubro de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 10:20 am

5 - Mundos e cárceres
Sem qualquer margem a dúvidas, a vida é património universal distribuída por Deus em múltiplas expressões, que se tornam incontáveis.
Examinando-se a incomensurável multiplicidade de astros que bailam no turbilhão das galas, uns que se iniciam, outros que se extinguem, absorvidos pelos buracos negros, não há como acreditar-se que a vida neles não se apresente.
Partindo-se do princípio da Grande Explosão que teria dado origem ao Universo, os elementos que se encontram em todos os arquipélagos siderais possuem os mesmos conteúdos, embora sob expressões diferentes, em manifestações mais simples ou mais complexas...
Esse incessante surgir e desaparecer de astros, demonstrando as inabordáveis consequências da origem de tudo, demonstra a grandiosidade da Criação, cujo indeterminado início perde-se em mais de quinze biliões de anos, avançando no rumo da eternidade do futuro.
Entretanto, surge a interrogação, a respeito do antes.
Será este o definitivo ou existiram outros?
Haverá um limite, que o caracterize como relativo, ante a possibilidade de outro, que transcenda o tempo e o espaço?
Muitas e incessantes questões apresentam-se algo perturbadoras, diante da realidade do Cosmo que deslumbra e desafia a inteligência e a imaginação dos seres humanos em nossa infinita pequenez diante da Majestade Divina.
Toma-se, desse modo, inevitável a interrogação a respeito de apenas a Terra haver sido aquinhoada com a manifestação da vida inteligente, em detrimento dos bilhões de astros que gravitam nas incomparáveis constelações.
Decerto, as conquistas da ciência e da tecnologia contemporâneas, especialmente no que diz respeito à astro-fisica, negando a presença de vida em nosso sistema solar, excepto na Terra, não implica, necessariamente generalizar-se o conceito, em face do inconcebível número de sistemas que glorificam o Criador.
Não obstante os fatos demonstrativos sobre a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos espíritos, permanecem teimosos bolsões de negação, afirmando que todos eles são fenómenos cerebrais decorrentes do seu quimismo, das suas ainda desconhecidas funções.
Inegavelmente, a vida manifesta-se com variações surpreendentes nos reinos da natureza terrestre, mediante processos de desdobramento, de mutações, de adaptações que se podem observar do mineral para o vegetal, desse para o animal, para o humano, que, não poucas vezes, torna-se difícil definir-se em que fase do processo se encontra determinada transição.
O princípio, porém, que rege essas alterações, é invisível e responsável pela ocorrência, plasmando formas sempre mais complexas até o momento em que desabrocham a consciência, a razão, a inteligência, a intuição antes adormecidas no cerne das fases iniciais.
Da mesma forma, houve tal ocorrência e está sucedendo nos diferentes mundos próximos à Terra, assim como nos mais remotos...
Há muitas moradas na Casa de meu Pai – afirmou Jesus, e a Doutrina Espírita, bem como inúmeros investigadores das estrelas o confirmam com exuberância de dados e cálculos de probabilidade.
Para nós, os espíritos desencarnados, que visitamos algumas dessas moradas, razão alguma existe para a presença da mais remota dúvida.
E acrescentamos que, além desses mundos físicos, gloriosos, existem os vibratórios, resultado dos pensamentos dos seus habitantes, que constituem regiões intermediárias, nas quais a vida pulsa fora dos vínculos corporais, exigindo apenas a realidade e que se constituem esses habitantes em trânsito durante processo da evolução.
Como o processo de crescimento espiritual exige habitat específico, mundos há de dores acerbas e indescritíveis, no seu primitivismo, outros intermediários, e mais outros ainda, de natureza superior, em progressão ascensional.
Vive-se, na Terra, por exemplo, o momento culminante de sua transição, como planeta de provas e de expiações que tem sido, quando esta nave-mãe dos humanos tornar-se-á mundo regenerador, embora presente ainda o sofrimento que não alcançará os paroxismos que aturdem a actual humanidade...
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 10:20 am

Considerando esses mundos onde predominam as angústias e as glórias, convém, igualmente, aprofundar-se a sonda investigadora no mundo íntimo dos espíritos que habitam o planeta terrestre.
Esse mundo interior de cada ser humano tem o seu epicentro na mente que pensa, expressando o nível de evolução do espírito que emite as ondas concêntricas que são mantidas pela ideia, construindo as moradas nas quais se localiza enquanto na vilegiatura carnal.
De acordo com a constituição vibratória da onda exteriorizada, as emissões ampliam-se ou estreitam-se, liberando ou encarcerando o seu agente pensante.
Assim sendo, o espírito pode superar a indumentária densa e planar em outras Esferas espirituais, adquirindo resistência e iluminação para a felicidade.
Invariavelmente, nos estados oníricos, muitas ocorrências transcendem o inconsciente do indivíduo para expressar-se vivas em momentosos desdobramentos da personalidade, quando se vivência in loco tudo que acontece, inclusive, tomando parte activa.
Encontros espirituais felizes ou perturbadores facultam a convivência, que se apresentarão como revelações, notícias, convivências ditosas ou desagradáveis, de acordo com a faixa em que cada qual se situa moralmente.
Dessa maneira, em razão da densidade das paixões servis, dos atavismos lamentáveis que predominam no ser humano, as suas emissões mentais encarceram-nos em prisões sem paredes mais cruéis do que aquelas que bloqueiam os movimentos dos delinquentes quando condenados às penas reparadoras.
Esses últimos têm restringidas as comunicações, diminuídos os espaços para se locomoverem, mas podem aspirar pela liberdade mediante o trabalho de recuperação moral, pelo arrependimento lúcido e produtivo, graças às legislações humanas, que os libertam quando concluídos os períodos de prisão.
Já o encarcerado no vício, pode mover-se de um para outro lugar, sempre, porém, levando as algemas que o prendem à infame dependência de que não se consegue libertar.
Cada vez que irradia os desejos mórbidos, mais densas fazem-se as construções que o encarceram, asfixiando-o e, não poucas vezes, enlouquecendo-o.
O condenado comum pode volver ao convívio social e produzir para o bem de si mesmo e do seu próximo, enquanto que o encarcerado moral, obrigado a conviver apenas com ele mesmo, estertora até quando o fenómeno da morte biológica lhe rompe as amarras. '
Nem sempre aí termina o seu calvário, por ele próprio elaborado, sendo recambiado à reencarnação em deplorável estado de recuperação inadiável...
Enquanto fulgem argênteos ao olhar humano, os astros no zimbório e as galáxias se multiplicam na geleia cósmica, pode-se sonhar com a beleza, o amor e a felicidade.
No entanto, é necessário que, à volta, entre os transeuntes carnais, se dirijam luzes e energias capazes de romper esses cárceres sem paredes, despertando os seus prisioneiros para que alterem a frequência da onda mental e se descubram como espíritos que têm o direito à liberdade e à felicidade, desde que o desejem com empenho e o realizem com abnegação.
" Logo após haver escrito a página acima, o Benfeitor espiritual trouxe à comunicação psicofónica, uma entidade que narrou a sua dolorosa experiência, encarcerado nesse tipo de prisão sem paredes, conforme segue:
A história de Narciso
Eu posso ser considerado como o próprio Narciso.
Tenho, entretanto, aspecto diferente.
Enquanto o vulto mitológico apaixonou-se por si mesmo e feneceu às margens do lago em que se contemplava, eu possuo a alma de Dorian Gray, a personagem que compactuou com o Diabo, entregando-lhe a alma sob a condição de não envelhecer.
Manteve-se um gentleman por fora, enquanto decompunha-se-lhe a alma, assinalada pela desgraça de si mesma. Ninguém me conhece.
Nem eu próprio me conheço.
Adoptei de cedo o comportamento doble-face:
a aparência gentil e a realidade cínica.
Projectei a imagem do que gostaria de ser, embora detestando-me.
Mantive oculta a realidade do que era.
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Re: REENCONTRO COM A VIDA - MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA/DIVALDO FRANCO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 10:21 am

Por consequência, a ninguém amei, porque jamais me permiti amar-me a mim mesmo.
Conhecendo a escabrosidade do meu pensamento, não acreditei em ninguém.
A virtude, a honra, o dever, conforme alguns conceitos psicanalíticos, não passam de debilidade moral bem disfarçada.
Era este o meu conceito também e, por conseguinte, permiti-me toda a vileza nos baixos níveis da
sociedade, enquanto mantive-me nos elevados padrões da mentira.
Ninguém o soube.
Mas eu sabia.
Não há desgraça maior do que o desrespeito que se tem por si mesmo.
Qual uma virose destrutiva, esse conceito denigre o indivíduo que passa a considerar semelhantes todos os demais.
A morte nunca fez parte da minha agenda de compromissos e chegou-me demasiadamente cedo, para minha terrível surpresa. Numa simples parada cardíaca aos quarenta e oito anos.
Ora bem! Por quê?
Desperdício de forças, desgaste de energia, cárcere privado de uma mente pervertida, solidão, ansiedade...
No fim, medo de ser desmascarado por mim mesmo.
Não que isso me significasse muito, porque não considerava ninguém melhor do que eu, mas, porque rasgava o desenho que projectei de mim durante toda a vida.
Não construí família.
Detestei filhos que via nos outros.
Considerava uma decadência burguesa a chamada família tradicional.
Por isso mesmo mantive-me solteiro e devasso. Brilhante e sedutor em vários aspectos.
Convivi com o meu pensamento devastador.
Para minha surpresa, aqui, onde me encontro, sou chamado suicida, porque derruí as construções da energia que me havia sido concedida para uma existência mais larga.
Deveria redimir-me de crimes contra a sociedade e, ao invés de fazê-lo, enclausurei-me no narcisismo de Dorian Gray.
Vejo-me em decomposição.
De fora para dentro.
A do cadáver parece-me menor do que a interior.
Nessa terrível noite em que me movimento, com o céu escuro, sempre descubro que o meu ponto de chegada está mais além...
Aqui estou, no entanto.
Alguém me trouxe e me disse que relatasse a minha experiência como primeiro acto de regeneração.
É claro que o faço sem qualquer emoção, como que lendo um livro de uma história que aconteceu, da qual não participei.
Sou abjecto e detesto-me.
Sou um prisioneiro em minha solidão.
Parece que irei adormecer para esquecer (*)
Para esquecer...
Neste hospital de almas, deixo a minha narração com a expectativa de que possa ser útil a alguém, em algum lugar, qualquer dia, ou a mim mesmo, talvez, quem sabe?!
Desencarcero-me, mas ainda não saio da prisão que construí.
Tende piedade dos desgraçados como eu, e de mim, se vos lembrardes quando fordes falar com o Criador.

Narciso

(Páginas recebidas pelo médium Divaldo Pereira Franco, em 02 de Novembro de 2005, na reunião mediúnica do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia).
(•) O Espírito estará sendo recambiado à reencarnação. Nota do Espírito Manoel P. de Miranda
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