As chances que a vida dá / Elisa Masselli

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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:29 pm

Quando viu que a loja não teria futuro aqui, foi embora.
- Também estou estranhando, pois jantamos juntas dois dias antes de sua viagem para a Europa, sem tempo para voltar, e também não me disse que havia encontrado com você e nem que morava aqui nesta cidade.
- Eu pedi a ela que não contasse a ninguém, pois queria continuar com a minha vida da maneira que sempre vivi e sabia que a senhora não aprovaria.
- Claro que não aprovaria!
Você sempre foi especial, nasceu para viver bem e ter tudo o que quisesse!
Nasceu para ser servida e não para servir a marido ou a filhos.
Poderia sempre ter empregados para fazer isso!
Ao ouvir o que Alda dizia, José Luiz interferiu:
- Agora não é hora para discussão.
Podem deixar para depois.
Terão muito tempo para conversarem.
Vou até o fórum tentar libertar vocês.
Em seguida, olhou para Carlos, que ainda tentava evitar que as lágrimas caíssem sobre seu rosto, e perguntou:
- Quer vir comigo, Carlos?
Poderemos almoçar e conversar um pouco.
O menino olhou para a mãe, que sorriu:
- Pode ir, filho.
Ele é meu amigo e sinto que agora vai ficar tudo bem.
Alda, ainda olhando com desdém, disse:
- Também vou com vocês, preciso almoçar.
Será que nesta cidade tem algum restaurante decente?
- Nenhum igual aos que a senhora gosta e está acostumada a frequentar, mamãe.
Como já deve ter percebido, a cidade é pequena, mas a comida é muito boa.
- Está bem.
Vou me arriscar, pois, de qualquer maneira, preciso comer.
Quando voltarmos vai me dizer o que quer que eu faça para ajudá-la.
Selma olhou para Carlos e, com lágrimas, respondeu:
- Preciso que cuide de Carlos enquanto estivermos aqui.
- Quer que eu leve esse menino para minha casa e fale a todos que é meu neto?
Sabe que não posso fazer isso.
- Por favor, mamãe.
Não quero que ele vá para um orfanato e foi somente por isso que a chamei.
- Está bem, vou levá-lo; mas vou dizer a todos que é filho de uma empregada.
Selma olhou para Carlos que, agora, chorava:
- Por favor, não, mamãe!
- É preciso, filho.
Vai ser por pouco tempo, tenho certeza disso!
- Não quero, mamãe!
Prefiro ir para o orfanato.
- Também não quero, Selma! - Disse Roberto.
Essa mulher é um monstro.
Embora não quisesse, agora penso que Carlos vai ficar melhor no orfanato.
Alda respirou fundo:
- Ainda bem. Fazendo isso evitarão que eu passe por constrangimentos.
José Luiz, que assim como os outros estava muito constrangido, disse:
- Depois do resultado do habeas corpus vamos conversar a esse respeito.
- Também voltaremos para a cidade.
O cheiro deste lugar está me fazendo mal.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:29 pm

- Está bem, dona Alda.
Em seguida, colocou o braço sobre os ombros de Carlos, olhou para Selma e Roberto e, sorrindo, disse:
- Fiquem tranquilos, ele vai ficar bem comigo.
- Obrigada, José Luiz.
Você sempre foi um grande amigo de Mário Augusto e meu.
Antes de sair, Alda, ainda irritada, disse:
- Depois do almoço, depois que José Luiz tirar vocês daqui, iremos embora.
E se, depois que tudo terminar, você quiser voltar para casa, as portas estarão abertas, mas só para você, Selma.
Agora vou mandar Josias nos levar para um restaurante.
- Josias está aqui?
- Claro que está.
Como acha que chegamos até aqui?
- Posso conversar com ele, mamãe?
- Em um momento como este, você quer conversar o que com um motorista?
Aonde você chegou, Selma?
- Não se preocupe, Selma.
Vou conversar com o delegado e pedir que autorize a entrada dele.
- Não pode fazer isso, José Luiz!
Ele é meu empregado e não permito!
- Venha comigo, dona Alda.
Permita que conversem.
Isso em nada vai prejudicar Selma.
- Está bem, vou acompanhá-lo, mas sob protesto!
Selma, agora que José Luiz está aqui não preciso mais ficar neste lugar.
Depois do almoço irei embora e não voltarei aqui.
Não consigo suportar tanta humilhação!
Feliz foi seu pai que morreu antes de ver o que está acontecendo!
O que você fez com o nome da nossa família!
Levarei esse menino comigo e ficarei com ele até que seja libertada e, se não for, verei o que fazer com ele!
- Vamos, dona Alda, e você também, Carlos.
Venha, vamos almoçar.
- Não quero sair daqui.
Não quero ir com essa mulher!
- Precisa se alimentar, filho, e precisa ir com sua avó.
Não pode ficar sem um responsável.
José Luiz, antes de minha mãe ir embora, pode trazer Josias até aqui?
Preciso conversar com ele e gostaria que Carlos ouvisse a nossa conversa.
- Claro que vou fazer isso, Selma.
Depois do almoço vou ao fórum e acredito que consiga libertá-los e levá-los para sua casa.
Selma sorriu:
- Obrigada mais uma vez.
- Deveria agradecer a mim, Selma!
Sou eu quem está pagando os honorários dele!
- Obrigada, mamãe, mas conseguiremos devolver tudo o que está gastando.
- Não precisa, Selma.
Estou fazendo tudo isso em nome da nossa amizade.
Sei que Mário Augusto, onde estiver, está feliz por eu poder ajudá-la.
Só preciso que fique bem.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:29 pm

Antes que Alda conseguisse dizer qualquer coisa, José Luiz colocou a mão no seu braço e levou-a para fora.
Carlos permaneceu ali.
Assim que saíram, Selma desmoronou, sentou-se no chão da cela e começou a chorar em soluços.
Roberto por entre as grades segurou sua mão:
- Essa mulher é horrível, Selma!
Não consigo acreditar que seja sua mãe!
Ela é fria, não tem coração.
- Sei disso, mas o que mais me assusta é que eu era igual a ela.
Também agia e pensava como ela.
Tinha a ilusão de ser especial e superior a tudo e a todos e que o dinheiro podia comprar tudo.
Esse sentimento me levou a praticar aquele crime e fez com que meu irmão, que eu tanto amava, morresse.
Alguns minutos depois, o policial voltou e trouxe ao seu lado Josias que, assim que viu Selma, correu ao seu encontro.
- Menina! O que aconteceu com você?
O que está fazendo aqui?
Eu pensei que estivesse tudo bem com você.
A última vez que me escreveu foi para contar que estava casada, feliz e que ia ter um filho.
Por que nunca mais me escreveu?
- Eu, com medo de que meu marido descobrisse quem eu era na realidade, achei melhor não receber mais cartas suas.
Perdão, Josias.
- Não se preocupe com isso.
Mas por que está aqui, o que aconteceu?
- Foi tudo um engano, mas agora acredito que José Luiz vai poder nos ajudar.
Preciso que me faça mais um favor.
- Pode pedir.
Sabe que farei qualquer coisa para que fique bem.
- Pedi à minha mãe que viesse até aqui porque eu e meu marido estamos presos e não temos com quem deixar nosso filho.
Achei que ela, depois de tudo que aconteceu, tinha mudado, mas percebi que isso não é verdade.
Ela, apesar de tudo o que se passou e deve ter sofrido, continua a mesma.
Ao ouvir aquilo, Josias olhou para Roberto.
- Esses são seu marido e seu filho, Selma?
- Sim e nos amamos muito.
- Fez uma boa escolha, mas acho que sua mãe não aprovou, não foi?
- Ela não aprovou, Josias.
Não sei como pude acreditar que tivesse mudado. - Disse sorrindo.
- Estou ainda na sua casa e posso garantir que ela mudou, sim.
Continua mantendo as aparências quando está ao lado de outras pessoas, mas algumas vezes eu a vi com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.
- Verdade, Josias?
Ela chora?
- Sim e muitas vezes.
- Mesmo assim, não quero que meu filho fique com ela.
Ela já destruiu a minha vida e a do meu irmão, não quero que faça o mesmo com ele.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:29 pm

- Tem certeza de que foi ela a culpada de tudo?
Ela não criou Ariete, e foi ela quem tomou aquela atitude tresloucada.
- Ariete e Flora foram criadas da mesma maneira que eu e meu irmão.
Ariete também achava que podia ter tudo o que queria.
- Mas você, depois daquilo, deu um novo rumo para sua vida.
Está casada, vivendo aqui nesta cidade e, pelas roupas que está vestindo, calculo que de uma maneira que nada tem a ver com aquela que vivia.
Você, embora não tenha tido culpa de coisa alguma, reagiu e se tornou outra pessoa.
Ao ouvir aquilo, Selma olhou para Roberto que, calado, baixou a cabeça.
- Eu tive toda a culpa, Josias.
Embora nunca tenha imaginado que aquilo pudesse acontecer, fui eu que planeei tudo.
- O que está dizendo, Selma?
Entre lágrimas, ela contou tudo o que havia acontecido.
E terminou dizendo:
- Como pode ver até você eu usei, Josias.
Sempre levei você para poder convencer Matilde a fazer o que eu queria.
- Era meu trabalho e sempre levei vocês para onde queriam ir.
- Bem, de qualquer maneira, como pode ver, embora eu não tenha dado os tiros, fui a única culpada.
- Não podia ter feito isso, Selma!
- Hoje sei que não podia, Josias.
Mas, naquele tempo, achei normal.
Eu queria impedir o casamento de meu irmão.
- Quando você me pediu o endereço de Etelvina e depois foi embora, imaginei que fosse pela dor e tristeza pela morte do seu irmão, nunca por isso.
- Foi por isso, Josias.
Eu não suportei e nem suporto a culpa e o medo de ser presa.
Os três morreram, sim, por minha causa.
- Agora tudo passou, você é outra pessoa.
Renunciou a tudo o que tinha para viver uma vida modesta. - Josias disse, passando a mão por seus cabelos num gesto carinhoso.
- Mas como pode ver, nada passou.
O passado sempre volta para nos assombrar.
Acredito que, enquanto tudo não for esclarecido, não terei paz.
Hoje, estou sendo vítima das mesmas armadilhas que usei.
- Nisso você está certa, Selma.
Colhemos sempre o que plantamos.
Porém, a dor, a maldade e o sofrimento passam e sempre teremos oportunidades de nos redimir de erros que praticamos.
Acredito que tenha se arrependido, mesmo assim precisa pagar pelo que fez.
- Estou pronta para isso.
Preciso que me ajude.
- Pode pedir.
- Poderia cuidar do meu filho enquanto estivermos aqui?
- Bem que eu gostaria, mas não tem como.
Eu me casei, tenho duas meninas, mas continuo morando na casa de sua mãe.
Não teria como eu levar o seu menino sem que ela ficasse sabendo.
- Eu havia me esquecido disso, não tem mesmo como você me ajudar; mesmo assim, acho que pode fazer algo por mim.
- O quê?
- Enquanto Carlos estiver com minha mãe, pode dar atenção a ele, ocupar seu tempo para que permaneça o mínimo possível ao lado dela?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:30 pm

Não quero que ele sofra discriminação alguma.
Josias olhou para Carlos e, sorrindo, disse:
- Isso eu posso fazer, pode ficar tranquila.
Não vou tirar os olhos desse menino.
- Obrigada, Josias.
E que Deus abençoe você e toda sua família!
- Não tem o que agradecer, Selma.
Somos amigos, não somos?
Ela sorriu e ele continuou falando:
- Falando em Deus, você sabe que Ele é nosso Pai e Criador e que nunca nos abandona?
Ele nos deu o livre-arbítrio para que escolhêssemos a vida que queríamos ter e como vivê-la.
Você não nasceu rica para ser má; pelo contrário:
com tanto dinheiro, poderia ter feito muito bem a muitas pessoas.
Estamos aqui, vivendo a vida que pedimos.
Você, talvez, não precisasse passar pelo que está passando, mas usou o seu livre-arbítrio, fez suas escolhas e precisa arcar com o resultado dessas escolhas.
- O que está falando, Josias?
Acha que eu escolhi essa vida, que eu quis fazer o que fiz?
Embora não quisesse, ainda culpo minha mãe por ela ter me tornado a pessoa má que era!
- Para você fica mais fácil culpar sua mãe, mas não é verdade.
Seu irmão foi criado da mesma maneira e nunca foi mau, sempre foi um menino muito bom.
A bondade e a maldade não dependem dos outros.
Nascemos bons ou ruins e podemos fazer nossas escolhas.
Para isso Deus permitiu que renascêssemos.
- Renascemos?
O que está dizendo, Josias?
- Aprendi isso com a doutrina que sigo e em alguns livros que li.
Quando nascemos, estamos tendo a chance, mais uma vez, de nos reencontrarmos com amigos e inimigos e de nos perdoarmos mutuamente.
Você teve o momento de escolha e escolheu.
Certas ou erradas, foram suas escolhas.
Se quiser, tenho no carro alguns livros e posso dar a você para que leia.
Talvez não consiga fazer isso aqui, mas leve para sua casa e, quando chegar a hora, eles estarão lá.
Leia e tente entender o que está se passando com vocês.
Você quer?
Ela não sentia vontade alguma de ler algum livro, menos ainda sobre religião, mas, para não magoar o amigo que demonstrava tanta vontade de ajudar, respondeu:
- Quero, sim, Josias, obrigada!
Ele sorriu e saiu.
Ela olhou para Roberto:
- Ele sempre foi meu amigo, desde que eu era criança, Roberto, e mesmo nas minhas malcriações sempre me perdoou.
- Também achei que é uma boa pessoa.
- Ele é sim.
Foi o responsável pela minha vinda a esta cidade, o que me deu a oportunidade de conhecer você e ter Carlos.
Tomara que José Luiz consiga nos libertar, pois não sei o que faremos com nosso filho.
Não suporto a ideia de ficar longe dele, ainda mais sabendo que ele está ao lado de minha mãe.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:30 pm

- De uma coisa tenho certeza:
não quero que ele vá morar com sua mãe, não quero!
- Nem eu, Roberto, nem eu; mas não há outra solução.
Não quero que ele vá para um orfanato.
Carlos, embora não quisesse ir com a avó, entendeu que não havia outra solução.
Josias, colocando o braço sobre o ombro de Carlos, disse:
- Agora vamos almoçar, você deve estar morto de fome!
O menino olhou para os pais:
- Desculpem, mas estou com fome mesmo!
Selma e Roberto sorriram.
Ela disse:
- Vá almoçar, filho.
Ficaremos aqui, pode ter certeza.
Eles saíam, e Selma e Roberto, por trás das grades, ficaram de mãos dadas.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:30 pm

Ajuda necessária
Mário Augusto e Matilde, que estiveram ali ao lado deles durante todo o tempo, olharam-se e sorriram.
- Ainda bem, Mário Augusto, que Selma se arrependeu e entendeu que ninguém é superior a ninguém, embora só tenha acontecido depois de toda tragédia.
- Mesmo que só tenha acontecido por força da tragédia, estou feliz por isso, Matilde.
Ela, assim como nós, esqueceu-se de tudo o que havia prometido antes de renascer, embora tenha tido a presença de Etelvina para ajudá-la a se modificar.
Embora minha mãe tenha obrigado Etelvina a se afastar de Selma, elas ainda se reencontraram, e Selma, ao lado de Etelvina, conseguiu recomeçar sua vida.
Etelvina está ao seu lado há muito tempo.
- Verdade, Mário Augusto; porém, ainda é tempo até para que dona Alda também entenda o engano que a ilusão do poder e do dinheiro pode causar.
- Esse é o meu desejo, Matilde, fazer com que minha mãe entenda isso.
O que você sentiu quando descobriu o que Selma havia feito com você e com nós três?
- Quando acordei deste lado, não entendi o que havia acontecido.
Acordei em um quarto desconhecido.
Fiquei olhando por todo ele, sem imaginar que lugar era aquele.
As paredes pintadas em um azul bem claro, parecia até um quarto de bebé.
Havia um armário branco e um pequeno sofá também azul.
Através da janela, que estava aberta, pude ver que o dia estava brilhante e lindo.
Embora o ambiente fosse de paz, comecei a ficar preocupada e curiosa.
Sentei-me na cama e continuei olhando tudo, quando uma senhora entrou.
Ela tinha o rosto calmo e feliz:
-Bom dia, Matilde.
Precisa se levantar.
Esteve dormindo por muito tempo.
- Ainda assustada e curiosa, perguntei:
-Que lugar é este?
Onde estou e quem é a senhora?
- Não se preocupe com isso.
Logo lembrará tudo o que aconteceu.
- Tudo o que aconteceu, me lembrar?
Do que está falando?
- Acalme-se, está tudo bem.
Agora, vou ajudar você a se levantar.
Vai tomar um banho, trocar de roupa e, depois, vamos passear no jardim.
Você precisa respirar ar puro e tomar sol, está muito pálida.
- Ao ouvir aquilo, olhei para um espelho que havia em frente à cama e, realmente, tive de concordar com ela, estava pálida mesmo.
Ela me ajudou a descer da cama.
Abriu uma porta e pude ver um banheiro maravilhoso, uma banheira cheia de água.
Não resisti e coloquei a mão para ver se estava quente.
Além do calor, assim que coloquei a mão comecei a sentir um aroma doce que saía da água.
Fiquei deslumbrada com tudo aquilo.
Ainda muito curiosa, voltei a perguntar:
-Que lugar é este?
- Já disse para você não se preocupar.
Logo se lembrará de tudo.
- Eu estava curiosa, sim, mas com uma vontade enorme de tomar um banho naquela água perfumada.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:30 pm

A senhora, sorrindo, disse:
-Agora vou sair para que possa tirar o pijama e entrar na banheira.
- Só naquele momento foi que olhei e vi que estava vestindo um pijama claro, quase branco.
Logo que ela saiu, tirei o pijama, entrei na banheira e fiquei ali, deitada, apenas aproveitando aquele momento.
Não tenho ideia de quanto tempo fiquei ali.
A senhora voltou:
-Pronto, agora já pode sair.
Já deve ter se acalmado.
-Tem razão.
Embora curiosa e um pouco assustada, estou mais calma.
Só preciso saber que lugar é este e quem é a senhora.
- Ela sorriu, colocou uma toalha sobre uma banqueta que havia ali:
-Aqui está a toalha e a roupa que vai usar durante o tempo em que ficar aqui.
Agora, vou sair para que você possa se secar e vestir esta roupa.
Logo mais eu volto e poderemos ir ao jardim.
- Ela saiu e eu me levantei, saí da banheira e me sequei.
Em seguida, peguei a roupa que ela havia deixado e, só aí, vi que se tratava de um vestido longo, de um tecido macio e, também, azul, o que me fez rir e pensar:
Será que tudo aqui é azul?
- Logo depois, ela voltou:
-Agora que está pronta e linda, podemos ir até o jardim e, se quiser, poderá tomar café.
- Eu, embora ainda preocupada, estava encantada com aquele lugar e como estava sendo tratada.
Quando saímos, o meu encantamento aumentou.
O jardim era lindo, com flores e folhagens lindas que eu nunca tinha visto.
Admirada, eu disse:
-Nossa! Aqui é lindo, parece que estou no céu!
- Ela, rindo, disse:
-Posso garantir que não é o céu.
- Não entendi o que ela quis dizer, mas não me importei.
Naquele momento, eu estava inebriada com tanta beleza.
Começamos a andar e chegamos a uma mesa que estava colocada para o café, com tudo o que você possa imaginar.
Ela apontou uma cadeira.
Assim que me sentei, perguntei:
-Agora que estamos aqui, a senhora vai responder as minhas perguntas?
Que lugar é este e quem é a senhora?
- Ela, ainda com toda sua calma, perguntou:
-Olhe bem para mim, não está me reconhecendo?
- Eu, admirada com aquela pergunta, olhei bem para ela, mas não consegui reconhecê-la.
-Estou tentando, mas não consigo me lembrar de algum dia ter visto a senhora.
- Você se lembra do que aconteceu no dia em que encontrou, em uma gaveta, uma fotografia e perguntou à sua mãe quem eram as pessoas que estavam nela?
- Naquele momento, me lembrei daquele dia e do que aconteceu:
-Lembro-me quando perguntei e minha mãe respondeu:
- Essa jovem que está ao lado sou eu.
Essa senhora é minha mãe, sua avó, essa menina é você com três ou quatro anos.
Você se lembra da sua avó?
Ela morreu alguns meses depois que tiramos essa fotografia.
Ela foi uma mulher, mãe e avó maravilhosa.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:30 pm

- Quando minha mãe perguntou, fiquei pensando mas não consegui me lembrar da minha avó.
Depois, olhei para ela atentamente e, como se fosse um filme, me lembrei de passear com ela pela praça que havia perto da minha casa.
Ao me lembrar, me levantei e quase gritei:
-A senhora é a minha avó?
- Ela, rindo, levantou-se e abriu os braços.
Eu, emocionada, me abracei a ela.
Ficamos assim por muito tempo.
Enquanto ficamos abraçadas, apareceram, na minha mente, imagens de quando eu era criança em que eu estava no colo dela, estávamos passeando de mãos dadas ou brincávamos com minha boneca.
Depois que nos separamos eu disse:
- Como não reconheci a senhora?
Agora me lembro que estávamos sempre juntas.
- É verdade, sua mãe precisava trabalhar e era eu quem cuidava de você e de seus irmãos.
- Ela fez com que eu me sentasse novamente.
Ainda confusa com o que estava acontecendo, eu disse:
-Estou feliz em reencontrar a senhora e não me conformo de não tê-la reconhecido.
- Não fique preocupada em não ter me reconhecido, Matilde.
Você não poderia se lembrar de mim, era muito pequena.
- Mas como estou me lembrando agora?
- Agora, você está aqui, um lugar cujas energias são leves e o espírito fica mais livre e, assim, poderá se lembrar de tudo o que aconteceu.
- Não entendi o que ela falou, Mário Augusto; mas não me importei, pois estava com muitas dúvidas e precisava de respostas:
-Estou feliz por estar com a senhora, só não estou entendendo uma coisa.
- Que coisa?
- Minha mãe disse que a senhora tinha morrido; se isso aconteceu, como está aqui e por que ficou escondida durante todo esse tempo?
- Ela não se conteve e começou a rir.
-Sua mãe falou a verdade; porém, eu nunca me escondi.
-Como não se escondeu?
Disse a todos que tinha morrido!
- Eu não disse, Matilde, eu morri.
- Como morreu?
A senhora está aqui, bem viva na minha frente!
Como isso pode acontecer?
- Simplesmente porque a morte não existe, é apenas uma mudança de plano.
- Não estou entendendo.
O que está querendo dizer?
Como a morte não existe?
De que mudança de plano está falando?
- Fiquei muito triste quando descobri que estava com uma doença terminal.
Não que tivesse medo da morte, mas por ter de deixar vocês.
Eu os amava e ainda amo muito.
Quando cheguei aqui, me falaram da necessidade que tive de voltar para que sua mãe e vocês pudessem continuar suas vidas e cumprir tudo o que haviam planeado.
Quando cheguei aqui, também fiquei surpresa ao ver como você está.
- Ao ouvir aquilo, Mário Augusto, parei e, em seguida, disse quase gritando:
-Espere um pouco, se a senhora está morta e eu estou aqui, está dizendo que também estou morta?
- Ela sorriu e acenou com a cabeça, dizendo que sim.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:31 pm

Entrei em pânico:
-Não pode ser, eu não estou morta!
Estou aqui sentindo, vendo o meu corpo, e conversando com a senhora!
Como posso estar morta?
- Você está sentindo e vendo seu corpo, mas ele não existe mais, Matilde.
- Está dizendo que sou um fantasma?
- Ela segurou minha mão e, ainda sorrindo, disse:
-Se você fosse vista por aqueles que ainda estão na Terra, com certeza diriam que viram um fantasma.
- Senti meu corpo estremecer, Mário Augusto.
Foi uma sensação estranha.
Comecei a chorar sem conseguir parar.
Ela me abraçou, e passando a mão pelos meus cabelos, disse:
-Pode chorar.
Isso acontece com todos que chegam aqui, ainda mais com aqueles que não conhecem ou nunca se interessaram em saber a respeito da vida após a morte.
Logo mais, você vai ficar bem.
- Eu fiquei desesperada e, agora, abraçada a ela, gritei:
-Eu não posso estar morta!
Sou muito jovem e tenho muitos planos para o futuro!
Quero ser professora e estudar muito para poder ficar rica e, assim, dar uma boa vida para minha mãe e meus irmãos!
Isso que a senhora está dizendo não pode ser verdade!
Tenho muito que fazer!
-Tudo o que sonhou e planeou, Matilde, ficou para trás.
Sua vida, agora, é aqui.
Garanto que por aqui há muito o que fazer.
- O que vou fazer agora?
- Vai continuar vivendo e escolhendo o caminho que quer seguir.
Seu espírito, agora, está livre para trabalhar pelo seu aperfeiçoamento e de todos os que continuam caminhando ao seu lado.
- Eu não estava entendendo e aceitando o que ela estava dizendo, Mário Augusto.
Chorei por mais algum tempo, depois parei e disse:
-Não me lembro do que aconteceu e como morri, só que estava no baile, linda e muito feliz.
- Ela se afastou de mim e, olhando em meus olhos, contou tudo o que havia acontecido naquela noite e como eu, Ariete e você havíamos morrido.
Fiquei desesperada:
-Ariete me matou, matou Mário Augusto e se matou também?
Não pode ser!
Como chegou a esse ponto, vovó?
Era apenas uma brincadeira de Selma!
-A brincadeira tomou uma proporção inesperada, Matilde.
Tudo saiu do controle.
- O que aconteceu com Selma?
Foi ela quem planeou tudo!
- Nada aconteceu com ela.
Depois daquela noite, Selma mudou radicalmente.
Hoje é uma pessoa totalmente diferente daquela que você conheceu.
Está casada e tem um filho pequeno.
- Ela mudou?
Como assim mudou, vovó?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:49 pm

- Aquela tragédia, embora tenha sido planeada por ela, fez com que começasse a ver a vida de uma maneira totalmente diferente.
Sofreu muito e fugiu para uma cidade do interior.
Lá conheceu Roberto, se casou e teve um menino.
Está vivendo tranquila.
Não com todo o luxo que tinha, mas tranquila.
Hoje dedica seu tempo para ajudar meninas que estão no orfanato.
Com isso, mesmo que não saiba, está se redimindo.
- Como pode estar vivendo uma vida tranquila, vovó?
Ela é uma assassina!
A senhora disse que ela se casou e que tem um filho.
Quanto tempo faz que estou aqui?
-Já faz alguns anos.
- Alguns anos?
Como pode ser se acabei de acordar?
- Quando você chegou estava muito confusa e assustada.
Foi levada para o hospital onde recebeu o primeiro tratamento.
Quando acordou, ainda estava nervosa, e as vibrações que vinham da Terra mais pioravam a sua situação, por isso resolvemos que o melhor seria que continuasse dormindo, até que tudo se acalmasse e você pudesse se lembrar de tudo o que aconteceu, entendesse e aceitasse.
- Entender, aceitar? Como?
Selma destruiu a minha vida, todos os meus sonhos!
Ela devia estar presa ou ter morrido, como aconteceu com nós três!
- Você não deve se preocupar com o que está acontecendo com Selma ou o que venha a acontecer, Matilde.
Precisa aceitar o que aconteceu e continuar vivendo aqui, estudando e aprendendo.
O nosso principal foco deve ser a evolução espiritual.
Cada um tem seu livre-arbítrio e por ele é responsável.
Por isso, todos sempre colherão de acordo com o que plantou.
- Como não me preocupar?
Ela está livre e feliz, mesmo depois de ter matado nós três?
Ela destruiu a nossa vida!
Minha mãe e meus irmãos devem ter ficado desesperados!
Preciso ir até lá para ver como estão!
- Ainda não pode, Matilde.
Está com as energias fracas e precisa se fortalecer.
- Estou me sentindo muito bem!
- Porque está aqui, mas na Terra as energias são densas e pesadas.
Se você for agora poderá se sentir muito mal, até se perder e não encontrar mais o caminho de volta.
Tenha paciência, logo mais poderá ir.
Se insistir em sair daqui, nada poderemos fazer para impedir, pois você também tem seu livre-arbítrio, mas pense bem.
- Eu quero ir até a minha casa, preciso ver como minha mãe está!
- Ela está sendo atendida por seu pai e, logo mais, vou para lá também.
Fique tranquila, em momento algum ela ficou sozinha, tudo o que tiver de acontecer acontecerá e todos terão a oportunidade de exercer o perdão, pois só assim poderão continuar no aprendizado e na redenção.
- Eu até que desejo ficar em paz, mas não consigo, ao menos até que possa encontrar Selma.
- Isso acontecerá no momento certo, Matilde, tenha paciência.
- Onde estão Ariete e Mário Augusto?
Eles sabem o que aconteceu?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:49 pm

- Sim, sabem.
Eles também chegaram confusos e assustados e tiveram o mesmo tratamento que você.
Quando Mário Augusto acordou, alguns meses depois do acontecido, explicamos tudo a ele, que demorou um pouco para entender e aceitar.
Depois de muito conversarmos, entendeu e aceitou e está trabalhando na recepção dos que chegam.
- Mário Augusto está bem?
Não se revoltou?
- A princípio, sim, mas depois foi entendendo que tudo está sempre certo e agora está bem.
Veio aqui várias vezes para ver como você estava.
Está muito preocupado com Ariete.
- Por quê? Onde ela está?
- Assim que ela deu o tiro que a levou à morte, foi retirada do corpo, com violência, por espíritos que ela, com seu temperamento ciumento e violento, atraiu e que, por isso, estiveram ao seu lado durante muito tempo.
- Vocês permitiram?
Nada fizeram para impedir?
- Claro que tentamos, mas ela estava muito envolvida com eles, e também ao se suicidar e assassinar vocês criou à sua volta uma névoa densa que impediu que nos aproximássemos.
Ela estava totalmente à mercê deles.
Ficamos acompanhando de longe, e muito tristes ao ver que ela, após saber o que havia acontecido, reagiu com ódio e desejo de vingança.
Nada pudemos fazer, pois o livre-arbítrio pertence a cada um.
Desde então, tem procurado por Selma.
Estamos à distância, acompanhando tudo o que ela faz, tentando enviar boas energias e esperando o momento em que ela entenda que está perdendo um tempo valioso e, assim, peça ajuda.
Quando isso acontecer, estaremos prontos e preparados para resgatá-la.
- Fiquei revoltada, Mário Augusto, e quase gritei, furiosa:
-Vocês não poderiam ter abandonado Ariete, vovó, ela teve razão.
Selma destruiu as nossas vidas!
Ela nos matou!
Ariete deve ter ficado furiosa!
- Sim, Matilde, Ariete ficou furiosa, mas devia saber que não podia ter feito o que fez.
Todos nós sabemos diferenciar o certo do errado, e todos sabem que tirar a vida nossa ou de outras pessoas nunca foi certo e nunca será.
O ódio, o ciúme e a fúria são sentimentos que, embora façam parte de todos nós, precisam ser evitados ou banidos.
-Entendo isso, vovó.
Mas Selma, depois de tudo o que fez, está impune!
Ela não respondeu por aquilo que fez!
Ela não atirou, mas levou Ariete a fazer essa loucura!
Ela não pode ficar sem pagar!
- Ninguém fica impune, Matilde.
Todos nós temos o nosso livre-arbítrio e teremos de responder por ele.
Selma, que aparentemente está impune, no devido momento terá de responder pelo que fez, mas não cabe a vocês buscarem vingança.
A estrada da vingança é longa e só pode levar o vingador a um abismo profundo.
- Onde Ariete está?
-Juntou-se a outros que também buscam vingança e está vagando com eles, sem ter um minuto de paz.
Precisa de nossa ajuda, mas, enquanto não descobrir isso, nada poderemos fazer.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:50 pm

O tempo é todo dela; a nós só resta esperar.
- Também quero me vingar dela, vovó!
Também quero procurar por ela!
Ela não pode estar casada e feliz!
- Conversei com você até agora para que entenda que tentar se vingar não vai acrescentar coisa alguma à sua vida espiritual.
Você tem duas opções:
ficar como Ariete, vagando em busca de vingança, ou entregar o futuro de Selma nas mãos de Deus e continuar aprendendo e ajudando a todos os que aqui chegam.
- Não sei o que fazer.
- Quando não sabemos o que fazer, o melhor é ficarmos parados.
Espere mais um pouco e, se quiser, procure alguma actividade em que possa ajudar.
Garanto a você que por aqui há muito o que fazer.
Depois disso, se achar que ainda precisa se vingar de Selma, o livre-arbítrio será sempre seu.
- Não estou em condições de ajudar ninguém, sou eu que precisa de ajuda!
- Está bem, embora sempre tenhamos condições de ajudar.
Pense bem em tudo o que eu falei e, quando decidir o que fazer, basta me comunicar.
- Diante do que ela falou, Mário Augusto, fiquei pensando.
Eu estava com muita raiva de Selma, mas tinha medo de me aventurar e ficar vagando sem destino.
Aqui, ao menos, eu estava protegida, mas não tinha intenção de ajudar em qualquer coisa.
Disse isso à minha avó, que sorrindo me abraçou e falou:
-Preciso sair.
Tenho um trabalho importante para fazer.
Quando decidir o que quer fazer, me avise.
Estarei esperando.
- Ela saiu e eu fiquei ali me lembrando de tudo o que aconteceu.
Quando me lembrei de todo o trabalho que Selma teve para me convencer a ajudá-la, fiquei com muita raiva de não ter percebido que ela, ao me procurar depois de tanto tempo após a formatura, deveria estar tramando alguma coisa.
Porém, fiquei tão feliz por poder voltar a frequentar os mesmos lugares que elas, as festas, que não parei para pensar.
- Não poderia saber, Matilde.
- Eu sabia pois as conhecia, Mário Augusto.
Sabia como elas agiam quando queriam alguma coisa.
Selma, especialmente, sempre teve tudo o que queria e da maneira que queria e, por incrível que pareça, sempre a admirei por isso.
- É verdade, Matilde.
Selma, desde que era bem pequena, sempre conseguiu o que quis.
Quando fui para o colégio interno ela ainda era uma criança e, por isso, não convivemos muito.
Sempre que eu voltava para casa, por poucos dias, ela fazia tudo para me agradar.
Para mim, ela sempre foi perfeita, até o ciúme que sentia por Ariete me parecia normal.
- Hoje sei que o ciúme é um sentimento que todos têm mas que precisa ter um limite, não pode ser possessivo.
- Verdade, Matilde.
O ciúme traz o apego e nos julgamos donos do outro, quando isso não é verdade.
Todos somos livres e não pertencemos a ninguém.
- Quando tomei conhecimento de tudo o que aconteceu, me lembrei do ciúme doentio de Ariete e Selma para com você.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:50 pm

As duas queriam decidir a sua vida, Mário Augusto.
Com muito ódio, lembrei-me das várias vezes que minha mãe havia me alertado contra elas; mas eu, iludida pela vida de luxo que elas tinham e querendo ter e ser igual a elas, nunca dei atenção à minha mãe e me deixei levar.
Depois daquele dia em que conversei com minha avó, fiquei por muito tempo com muita raiva, sem aceitar que eu também tinha minha parcela de culpa.
Embora estivesse com medo de me aventurar, só queria me vingar.
Fiquei o tempo todo me martirizando e procurando alguma maneira de me vingar de Selma.
Um dia em que eu estava, como sempre, quieta e somente tentando encontrar uma maneira de me vingar, Péricles se aproximou.
Eu já o conhecia, pois foi ele a primeira pessoa que vi ao acordar no hospital.
Depois, fiquei sabendo que ele era médico e atendia a todos os que chegavam e precisavam ir para o hospital.
Ele se aproximou.
Eu estava calada, distante, e nem olhei pra ele:
-Como você está, Matilde?
- Sem me mover ou sequer levantar os olhos, não respondi.
Péricles, parecendo não ligar para o meu comportamento, voltou a perguntar:
-Como você está, Matilde?
- Vendo que não iria embora enquanto eu não respondesse, olhei para ele e respondi:
-Estou bem.
-Não me parece que está bem.
Fica sempre aqui, parada e calada.
Não participa da vida de todos.
Está sendo bem tratada, precisa de alguma coisa?
-Não tenho do que reclamar.
Todos me tratam muito bem, só que.
- Só que o que, Matilde?
- Apesar de ter sido muito bem acolhida, me sinto uma prisioneira.
Não posso ir para onde, realmente, eu queria.
-Para onde você quer ir?
- Quero ver o que aconteceu com Selma!
-Porque e para que, Matilde?
-Como porque, Péricles?
Eu a odeio e espero que ela seja presa, e quando ela chegar aqui eu estarei esperando pra me vingar!
Ela está presa?
-Sua avó já disse que Selma não está presa.
Daquele dia em que conversaram até hoje nada mudou.
Depois que tudo aquilo aconteceu, ela foi para uma cidade do interior, se casou e acaba de ter um filho.
- Fiquei com mais raiva do que já estava e perguntei, gritando:
-Está bem, se casou e teve um filho?
Como isso pôde acontecer, Péricles?
Ela planeou e fez com que Ariete cometesse aquela loucura!
Por que ela não está presa?
- A polícia não conseguiu provas e nem levou em consideração a possível culpa dela, Ariete.
- Como não?
Foi ela quem me enganou e planeou tudo!
- Ela planeou, mas não apertou o gatilho.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:50 pm

- Mas foi ela que nos envolveu a todos com suas mentiras!
Fez com que Ariete matasse a mim, ao Mário Augusto e depois desse fim à própria vida!
Como a polícia não a investigou?
Não há justiça na Terra?
- Na Terra pode não ter; mas aqui, um dia, em algum momento, ela terá de responder.
Porém, esse ódio que está sentindo não está atingindo Selma.
A única prejudicada por ele é você mesma.
- Como prejudicada?
Estou bem aqui no meu canto.
Não estou sentindo dor alguma.
- Está bem aqui no seu canto, porém está fugindo da verdade e não consegue fazer coisa alguma para poder se melhorar espiritualmente.
Ficar parada sem nada fazer não é crescimento, Matilde.
- Não tenho e não vou fazer coisa alguma enquanto não me vingar de Selma!
Enquanto não souber que ela está queimando no fogo do inferno!
-O céu e o inferno estão dentro de cada um.
Você, neste momento, está vivendo um inferno.
Está cheia de ódio, o que faz com que sofra muito, e só há uma maneira de se livrar desse sofrimento, desse inferno.
- Eu não quero me livrar desse ódio; pelo contrário, a cada dia que passa ele aumenta mais!
- Enquanto você odeia, fica nervosa e inquieta, Selma está vivendo sua vida.
- Falando assim, você faz com que eu fique com mais ódio, Péricles!
- Pode ficar com mais ódio, mas é a verdade.
Enquanto você perde um tempo enorme, ela está se regenerando e conseguindo crescer espiritualmente.
Coisa que você também, se quiser, pode fazer.
Não perca mais tempo, Matilde.
Volte a viver.
Ficar aqui sofrendo, se magoando e imaginando uma maneira de se vingar vai te levar a uma depressão que, por sinal, já está começando, eu diria até que está bem adiantada.
- Eu não acreditei no que ouvi, Mário Augusto, e, mesmo sem querer, comecei a rir:
- Depressão?
Como posso estar em depressão, Péricles?
Estou morta!
- Assim como na Terra ou em qualquer outro lugar, existem muitos espíritos em depressão.
Alguns já chegam aqui depressivos; outros, assim como você, a adquirem aqui.
Tanto em um caso como no outro, a depressão pode causar muita dor e pode levar a momentos cada vez piores.
Você ainda tem tempo para se modificar, esquecer o que Selma fez e continuar seu aprendizado, e a melhor forma é começando a ajudar aqueles que precisam.
-Como posso esquecer o que Selma fez, Péricles?
Ela destruiu os meus sonhos e tudo o que planeei para minha vida!
Ela me matou!
- A nossa tendência sempre foi e ainda será a de colocarmos a culpa do mal que nos acontece em outras pessoas, quando, na realidade, a culpa sempre é nossa mesmo.
-Está dizendo que eu sou a culpada por tudo o que aconteceu?
Foi ela quem me matou!
- Não existem inocentes, Matilde.
Desde a nossa criação, vamos aprendendo a distinguir o que é certo e o que é errado e que precisamos sempre tentar somente fazer o certo.
Porém, nem sempre isso acontece.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:50 pm

Você disse que Selma a enganou.
Será que ela a enganou mesmo ou foi você quem se deixou enganar na ilusão de ser igual e ter uma vida como a dela de luxo e de riqueza?
- Não tive o que falar, Mário Augusto.
Ele tinha razão.
Eu sempre soube que elas me usavam, mesmo assim continuei ao lado delas, pois era o que eu mais queria:
ser igual e ter a vida delas.
- Ele foi bem claro ao fazer essa pergunta, Matilde.
Você não tinha mesmo nada a falar.
- Verdade, Mário Augusto.
Depois que Péricles fez a pergunta, ficou me olhando, esperando o que eu tinha a dizer.
Percebendo que eu não tinha o que falar, ele abriu os braços e eu me aconcheguei e chorei muito.
Depois de algum tempo abraçados ele se afastou e disse:
-Isso não quer dizer que elas agiram certo, menos ainda Selma.
Mas você não deve nem pode perder tempo com isso.
Precisa continuar a sua caminhada e tem muito a fazer.
Na hora certa, tudo isso vai ser esclarecido e cada um colherá de acordo com o que plantou.
- Obrigada por suas palavras, Péricles.
Eu precisava mesmo ouvir isso.
- Que bom que entendeu.
Agora, o que deseja fazer?
Vai continuar aqui no seu canto?
- Não, Péricles.
Gostaria de saber onde está meu pai!
Ele está aqui?
Posso vê-lo?
- Ele vive aqui, mas no momento não está.
Desde que você voltou, ele foi para sua casa ficar ao lado de sua mãe.
Ela ainda sofre muito e não se conforma com sua morte.
Sua dor e seu sofrimento só não atingiram você porque nós a protegemos.
- Ela ainda está sofrendo, mas se passaram tantos anos.
- Os anos passaram para você também, e até há pouco ainda estava revoltada. - Péricles disse rindo.
- Eu também ri, Mário Augusto.
Ele tinha razão.
Então, perguntei:
-Agora que estou bem, gostaria muito de ir até a minha casa, ver minha mãe e meus irmãos.
Posso, Péricles?
- Por enquanto, ainda não pode ir até lá, Matilde.
Primeiro precisa se fortalecer.
- Estou bem, Péricles!
Confesso que não estava, mas agora estou e me sinto pronta para ir à minha casa.
Sinto que minha mãe precisa de mim.
- Precisa ficar mais algum tempo aqui.
Sua mãe está sendo ajudada não só por seu pai mas por outros amigos também.
Ela vai ficar bem.
Está passando por um momento de difícil decisão, mas precisa passar por ele.
Agora, fique aqui por mais um tempo, depois vá até Laura.
Ela vai te mostrar algum trabalho que você possa fazer para auxiliar aqueles que chegam aqui.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:50 pm

Muitos deles chegam confusos e precisam de ajuda.
- Não sei como e se poderei ajudar, Péricles.
Não me sinto forte o bastante e temo prejudicar mais do que ajudar.
-Quando existe o desejo de ajudar não existe fraqueza, apenas força, e a maneira de ajudar surgirá.
- Está bem, Péricles.
Vou fazer isso.
- Ele sorriu e me abraçou novamente.
-Vá, minha filha, comece a trabalhar pelos outros.
Assim fazendo não terá tempo para pensar no que passou e toda a sua dor desaparecerá.
- Eu ainda não havia aceitado totalmente que eu fora culpada do que me aconteceu; mesmo assim, a vontade de deixar de odiar foi muito grande e fui falar com Laura.
- Foi aí que você me reencontrou.
- Verdade, Mário Augusto.
Você já trabalhava há muito tempo com Laura.
Acho até que foi por isso que Péricles pediu que eu fosse falar com ela.
Ele sabia que eu o reencontraria.
- Ele estava com razão.
O nosso reencontro foi maravilhoso, Matilde.
Eu, quando cheguei aqui, como tudo havia acontecido muito rapidamente, fiquei muito tempo sem saber o que havia se passado e que lugar era este.
Olhava à minha volta e via um lugar maravilhoso, com muita paz; mesmo assim, não queria ficar aqui e disse isso a Laura, que estava sempre ao meu lado.
Ela me ajudou muito e me contou tudo o que havia acontecido.
Quando terminou, incrédulo, eu disse:
-Estou entendendo tudo o que está me falando, Laura; só não consigo acreditar que Selma tenha feito isso que está dizendo.
Sei que ela me ama e jamais teria me matado.
- Ela não pretendeu matar você ou as meninas; pelo seu egoísmo causado pelo ciúme e pelo apego ela só queria separar você de Ariete; porém, as coisas saíram de seu controle.
- Está dizendo que voltei antes da hora?
Que se não fosse por ela, nós três teríamos vivido mais tempo?
- Não. Ninguém volta antes da hora, a não ser para evitar que se acrescentem mais dívidas.
- Como assim?
- Todos, quando renascem, escolhem o caminho que vão seguir, onde poderão, além de resgatar comportamentos e fracassos passados, mudar alguns vícios antigos e também ter um longo aprendizado.
Porém, se no meio do caminho não aceitam sua vida como ela vem, se revoltam e resolvem escolher outro caminho que possa prejudicá-lo ainda mais, podem ser obrigados a retornar para o seu próprio bem.
- Foi isso o que aconteceu para que voltássemos tão cedo?
- Antes de renascerem, vocês conversaram muito, conheciam os sentimentos que precisavam ser mudados.
Ariete sempre foi ciumenta e possessiva, e deveria mudar esse comportamento.
Selma também, além de ciumenta e possessiva, sempre foi muito apegada a você, sempre se sentiu superior e nunca respeitou as outras pessoas que não pertencessem ao seu meio social ou racial.
Ariete, além de tudo, também sempre se sentiu superior às demais pessoas e, por isso, assim como Selma e Flora, sempre as humilhou e se aproveitou delas.
Por isso, depois de muito conversarem, vocês resolveram quem desta vez seria diferente.
Voltariam ricas, mas com todas as possibilidades e oportunidades de agirem de modo diferente, pois, embora tivessem muito dinheiro, o usariam para ajudaras pessoas criando empregos e ajudando-as a caminhar no bem.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:51 pm

Prometeram que, por motivo algum, as humilhariam; mas, como pudemos ver, elas não cumpriram o que prometeram.
- Isso acontece muito, Laura?
- Muito, Mário Augusto.
- Por quê?
- Quando planeamos, estamos aqui cercados por toda protecção e com energias leves, e, ao tomarmos conhecimento do que aconteceu na encarnação anterior, queremos resgatar tudo de uma só vez e planeamos uma nova vida de sacrifícios e provas muitas vezes difíceis de serem cumpridas.
Claro que somos alertados por nossos amigos no sentido de que essas provas serão muito difíceis e dolorosas, mas não aceitamos, pois achamos que conseguiremos vencer.
Renascemos felizes e confiantes.
Porém, quando começamos a viver aquilo que planeamos, não aceitamos, nos revoltamos ou, como aconteceu com vocês, nos esquecemos do que planeamos.
A dor e o sofrimento fazem parte das escolhas que fizemos e, sempre, nos ajudarão espiritualmente.
-Estou entendendo, mas é muito difícil vencermos, Laura.
Tanto eu como Selma, Ariete e Flora fomos criados como sendo especiais e tendo como futuro tudo o que quiséssemos.
Sempre nos disseram que, com dinheiro, poderíamos ter tudo e todos.
Tendo sido criados assim, como poderíamos agir diferente?
- Embora o espírito nasça como criança e os pais tenham o dever de educá-lo e encaminhá-lo, todos são espíritos antigos e cada um tem seu próprio livre-arbítrio.
Enquanto crianças precisam seguir os ensinamentos e a educação que recebem dos pais, mas, depois de adultos, devem usar seu livre-arbítrio, podendo ou não acatar o que lhes foi ensinado, pois mesmo que não tenham aprendido saberão discernir o certo e o errado.
- Mesmo assim é quase impossível, Laura.
Volto a dizer que nunca deveríamos ter escolhido nascer ricos e com pais preconceituosos e orgulhosos.
Acredito que, se tivéssemos sido criados de uma forma diferente, nada disso teria acontecido, pois não teríamos sido orgulhosos como fomos.
- Como já disse, Mário Augusto, poderia ser mais fácil, mas não melhor para o crescimento espiritual.
Vocês escolheram nascer ricos e com os pais que tiveram, exactamente para poderem fazer o contrário do que fizeram.
Por isso, se tivessem nascido de uma maneira diferente, com todas as dificuldades, não teriam mérito algum se mudassem.
O mesmo aconteceu com Matilde, que escolheu nascer pobre para aceitar e vencer tudo o que desejava mudar.
- Quando você fala, sinto que tudo está certo, mas ainda acho que essa escolha é muito difícil de ser atingida.
- Sim, é muito difícil, mas não impossível, porque em qualquer momento sempre teremos ao nosso lado oportunidades e amigos para nos ajudar a cumprir a nossa missão e o que nos propusemos a fazer.
- Missão? Como pode dizer que todos têm uma missão se a maioria das pessoas passa pela vida sem nada construir, sem fazer nada de extraordinário que as deixassem famosas e reconhecidas?
São pessoas comuns que simplesmente vivem.
- Laura, rindo, disse:
-Ninguém passa pela vida sem nada construir, Mário Augusto.
Todos trazem uma missão que de uma maneira ou de outra cumprem, mesmo que não seja na sua totalidade.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:51 pm

Alguns, como aconteceu com vocês, trouxeram uma única missão:
a de conseguirem vencer o orgulho, o preconceito e, realmente, dar valor àquilo que tem valor e às pessoas que caminhariam ao lado de vocês e, como viu, não conseguiram cumprir.
Ao contrário do que muitos pensam, aqueles que se destacam podem até ser aplaudidos mas não são especiais, apenas são devedores e precisam atingir muitas pessoas com seu pensamento e atitudes na tentativa de ajudá-las.
A missão de cada um é a de vencer seus próprios sentimentos ruins e trocá-los pelos bons.
Alguns precisam, somente, criar seus filhos ajudando-os a encontrar e seguir seu caminho.
- Agora entendi melhor, Laura.
Não é tão complicado.
- A Espiritualidade não é complicada, Mário Augusto; somos nós que a complicamos.
- Você falou das meninas mas nada disse a meu respeito, Laura.
Ou eu que deveria ter mudado?
-Você sempre foi o motivo de muitas desavenças entre elas.
Sempre soube que elas gostavam de você de uma maneira possessiva e se aproveitava disso.
Dava atenção exagerada a todas e depois, com os amigos, se divertia muito com isso.
Essa sua atitude causou, durante muitas encarnações, tragédias igual a esta que se repetiu.
Você combinou que desta vez ficaria apenas com Ariete e não daria chance alguma às outras.
Prometeu e, desta vez, cumpriu.
- Entendi, mas por que fizemos isso, Laura?
Por que fizemos essas escolhas?
Não seria melhor e mais fácil se voltássemos com uma vida diferente daquela anterior, tendo e sendo aquilo que não tivemos ou fomos na encarnação ou encarnações passadas?
Não seria melhor que tivéssemos renascido pobres?
- Vocês conversaram muito a esse respeito e chegaram à conclusão de que nascendo pobres poderiam se revoltar por não serem ricos, o que já estavam acostumados com as encarnações passadas, e, novamente, colocariam tudo a perder.
Cabe a cada espírito se esforçar para vencer suas dificuldades e fraquezas, pois só assim poderá evoluir.
Quando Jesus disse "amai ao próximo", Ele não disse "Amai só aos vossos amigos", mas a todos, porque se não fosse assim não haveria mérito algum.
Quando Jesus falou isso, Ele nos fez ver que para conseguirmos caminhar para a luz precisaríamos vencer todos os nossos problemas.
Renascer é sempre uma oportunidade de crescimento, aprendizado e retorno à pureza do espírito como ele foi criado.
- O que aconteceu?
Afinal, por que fracassamos?
- Selma, Ariete e Flora escolheram nascer ricas para poderem respeitar as pessoas sem se importar com a condição social delas.
Com dinheiro, poderiam ajudar as outras pessoas.
Escolheram e decidiram; porém, quando chegaram à Terra, com as energias pesadas do corpo e as tentações, que precisavam aparecer para que mudassem os sentimentos, esqueceram-se do prometido e continuaram a ser como sempre.
Matilde escolheu renascer pobre, pois assim poderia aceitar sua vida e ser feliz sem querer ser alguém que não era e sem precisar pertencer a outra família.
Porém, não se conformou.
- Entendo o que está dizendo, mas é muito difícil ser pobre, Laura.
- Sim é verdade; porém, esse era o objectivo de Matilde, sua missão.
Entender que a riqueza pode ser boa, mas que pode também ser um entrave para o crescimento espiritual.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:51 pm

Nasceu bonita e inteligente, com facilidade para aprender.
Poderia ter usado isso para melhorar sua condição social mas, pela ambição e inveja, preferiu se deixar escravizar pelas outras.
O espírito foi criado para ser livre e nunca escravizado.
Matilde nasceu em uma boa família onde foi bem recebida e amada.
Embora seu pai tenha morrido cedo, o que foi necessário para o crescimento espiritual dela e de toda sua família, teve uma mãe que sempre lutou por todos e conseguiu fazer com que ela estudasse em uma boa escola que a ajudaria a conseguir uma profissão e, através dela, crescer não só financeiramente como espiritualmente também.
Porém, nunca aceitou sua condição social, sempre quis pertencer a um mundo que não era o seu.
Ao ouvir aquilo, Matilde, constrangida, disse:
- Laura teve razão em tudo o que falou, Mário Augusto.
Realmente eu nunca me conformei em ser pobre e, movida pela ambição e pela inveja, me deixei escravizar.
Tive muitas oportunidades, mas não enxerguei e fracassei mais uma vez.
- Todos fracassamos, Matilde.
Eu ouvi tudo o que Laura me contou, e embora tenha entendido, o meu único desejo era o de voltar para minha casa.
A única coisa que eu sabia era que não podia estar morto, pois eu sentia meu corpo com suas necessidades:
-Eu não posso estar morto, Laura!
Sinto meu corpo e vejo perfeitamente você e este lugar lindo.
Você deve estar brincando.
Quero voltar para minha casa e para a minha vida.
- Ela, com sua paciência sublime, sorriu e foi me mostrando que a realidade agora era outra.
Quando entendi e aceitei, fiquei preocupado com meus pais.
Perguntei:
-Isso é mesmo verdade, Laura?
Estou morto?
- Não, Mário Augusto.
Agora é que você está vivo, muito vivo!
Seu corpo foi quem morreu, mas seu espírito voltou.
Agora você está em casa.
- Não consigo aceitar, parece que estou sonhando e, se isso for verdade, meus pais devem estar desesperados e Selma, mesmo tendo participado e ser culpada de toda essa tragédia, deve estar desesperada também.
Preciso ir para casa, Laura, quero ver todos!
- Você não está preparado, precisa ficar mais algum tempo aqui até se fortalecer.
Depois, poderá voltar.
- Como não estou preparado, Laura?
Estou muito bem!
- Está se sentindo bem porque aqui as energias são limpas, mas o mesmo não acontece na Terra.
Lá as energias são pesadas e você não ficaria bem. Agora que tomou conhecimento da sua real situação, precisa se preparar para poder voltar e rever seus familiares e amigos.
- Preciso saber como estão.
Meu pai nunca foi de conversar muito, sempre esteve envolvido com seu trabalho, mas minha mãe deve estar desesperada.
- Sim, estão sofrendo muito, mas você nada pode fazer.
Para que fique bem e pronto para voltar, precisa se preparar.
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Ave sem Ninho

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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:51 pm

- Não entendo quando diz que preciso me preparar.
Como isso pode ser feito, Laura?
-Você pode se preparar trabalhando aqui na ajuda daqueles que chegam.
Não se preocupe com a sua família, tudo tem um tempo certo para acontecer.
- Ajudando como?
Não sei como se faz isso, nunca me preocupei com as outras pessoas.
- As pessoas, quando chegam, estão confusas e precisam de ajuda.
Esse é o nosso trabalho e poderá ser o seu.
Seu pai está prestes a voltar e você precisa estar preparado para recebê-lo.
- Vendo que seria bom para mim ter alguma actividade, fui trabalhar na recepção.
Em uma manhã, estava atendendo as pessoas que chegavam, quando Laura se aproximou:
-Precisamos conversar, Mário Augusto.
- Pois não, Laura.
Pode ser aqui? - Perguntei surpreso.
-É melhor irmos para a minha sala.
- Fomos e, após nos sentarmos, sorrindo, disse:
-Hoje é um dia especial para você, Mário Augusto.
- Por quê? - Perguntei ainda mais curioso.
-Seu pai está voltando e ele vai precisar de muitos cuidados.
- Ele está voltando por quê?
Não estava doente.
- Depois que aquilo aconteceu, ele, sem você e não sabendo o paradeiro de Selma, ficou muito nervoso.
Depois esse nervosismo se transformou em depressão, até agora em que está retornando.
- Disse que ele precisa de muita ajuda, por quê?
- Ainda está deprimido e levará algum tempo para ficar bem.
Durante esse tempo você precisará ficar ao seu lado.
- Claro que vou ficar!
Quando ele vai chegar?
- Logo mais, está a caminho.
- Saí da sala e fiquei ansioso esperando por meu pai, Matilde.
Desde que voltei e Laura havia conversado comigo e comecei a trabalhar na recepção, não sabia o que estava acontecendo na minha casa com ele ou com minha mãe.
A expectativa de rever meu pai me deixou emocionado e ansioso.
Matilde começou a rir.
Mário Augusto se admirou:
- Por que está rindo, Matilde?
Não estou entendendo.
- Desculpe-me, Mário Augusto, mas é estranho e engraçado notarmos que, mesmo depois de termos voltado, continuamos com os mesmos sentimentos.
Você disse que estava ansioso, como isso pode acontecer estando aqui e sabendo como tudo funciona?
- Ele também começou a rir:
- É verdade, Matilde, mas os sentimentos são do espírito e ainda levaremos muito tempo para nos libertarmos de alguns.
Fui avisado que meu pai havia chegado e que estava em um quarto no hospital.
Corri para lá e, ao vê-lo, me assustei.
- Por que, Mário Augusto?
- Embora meu pai não tenha estado muito presente em nossas vidas e na nossa educação, pois viajava muito, eu me lembrava dele altivo, bem vestido e sempre pronto para conversar sobre qualquer assunto, era um homem instruído e respeitado.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:51 pm

Mas quando entrei no quarto e o vi não consegui reconhecê-lo.
Estava muito magro, e seus olhos, embora fechados, pois estava dormindo, estavam fundos em um rosto abatido.
Aquilo me impressionou muito.
Ele, que havia sido tão poderoso no seu meio, não lembrava nem um pouco o que havia sido.
Fiquei parado olhando para ele, quando Laura entrou no quarto e, ao me ver olhando para meu pai, aproximou-se, pegou minha mão e perguntou:
-Tudo bem com você, Mário Augusto?
- Olhei para ela e acenei com a cabeça, dizendo que não.
-Por que não está bem?
Devia estar feliz por poder receber seu pai.
- Desculpe-me, Laura, mas está sendo difícil reconhecer o meu pai.
Ele está totalmente diferente do que era e, se eu não soubesse que é ele, não acreditaria.
-Diante da chamada morte, todos se igualam, Mário Augusto.
Seu pai, que viveu sempre entre os poderosos, quando aconteceu aquela tragédia e se viu sem você e sem Selma, descobriu que tudo pelo que havia vivido era apenas uma ilusão, se entregou ao desespero e à depressão e, aos poucos, foi se transformando e ficou assim.
O aprendizado, para ele, foi muito difícil e ainda vai ser, pois, mesmo estando aqui não vai aceitar, por algum tempo, o que aconteceu.
Ele, que era tão poderoso, não conseguiu evitar a sua chamada morte e o desaparecimento de Selma.
Por isso, vai precisar de muita ajuda sua e de todos nós, pois vai demorar a entender que aqui ele é apenas um espírito como todos nós.
- Laura saiu e eu fiquei ali, Matilde passando a mão sobre os cabelos dele e me lembrando das poucas vezes em que ele conversou ou brincou comigo e com Selma.
Sem perceber, a cada pensamento eu sorria, me lembrando de como fiquei feliz nesses momentos.
Comecei a perceber também que ele, que estava com o rosto crispado e tenso, começou a sorrir e sua expressão a ficar tranquila.
Algum tempo depois, Laura voltou:
-Ele está despertando, Mário Augusto, por isso vou ficar aqui ao seu lado.
Como ele está?
- Parece que bem, Laura.
Enquanto eu me lembrava de alguns momentos bons que tivemos, ele parece que ouviu o que eu pensava e ficou tranquilo.
Foram meus pensamentos que fizeram isso?
- Foram sim, Mário Augusto, e o inverso também aconteceria:
se você pensasse só nos momentos ruins, ele ficaria pior.
O pensamento tem uma força imensa e não temos a menor ideia do que representa essa força e o que podemos fazer com ela para o bem e para o mal.
Agora você precisa se afastar para que eu o receba, depois poderá conversar e fazer com que ele fique bem.
- Está bem. - Dizendo isso, me afastei e ela tomou o meu lugar e continuou a passar a mão sobre os cabelos do meu pai.
Aos poucos, ele foi abrindo os olhos e, como acontece com todos, ficou algum tempo olhando por todo o quarto.
De onde estava, ele não podia me ver.
Depois de olhar todo o quarto, olhando para Laura, perguntou:
-Que lugar é este, onde estou?
- Não se preocupe com isso.
Posso garantir a você que está bem e protegido.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:52 pm

- Não estou entendendo, o que aconteceu e por que estou aqui?
- Ele começou a ficar agitado.
Laura, com a voz carinhosa e ainda afagando sua cabeça, sorriu:
-Fique tranquilo.
Logo mais, vai tomar conhecimento de tudo e terá todas as respostas.
Estava dormindo e acabou de acordar.
-Eu estava muito bem, sonhando com meu filho que morreu, foi assassinado.
Esse sonho foi tão real que consegui ouvir sua voz.
Desde que ele morreu eu não tive mais um minuto de paz.
- Por que está dizendo isso?
Você não foi o culpado da morte dele.
- Sim, tem razão, mas nunca fui um bom pai.
Passei toda a minha vida em busca de dinheiro e poder, nunca tive tempo para os meus filhos.
Mesmo quando estava em casa, ficava lendo sem interesse algum por eles ou pelo que estavam fazendo.
Sinto que éramos como estranhos.
Depois que ele morreu e minha filha desapareceu foi que senti o quanto eles faziam falta na minha vida.
O que mais me entristeceu, claro que além da morte do meu filho, foi não saber por que minha filha desapareceu.
Mesmo que eu nunca tenha dado valor, eles eram a razão da minha vida.
- Isso acontece muito, Homero.
Muitas vezes só damos valor para as pessoas quando pensamos que as perdemos.
- Quando pensamos, não!
Nós as perdemos mesmo!
Não entendeu quando eu disse que meu filho morreu e nunca mais vou voltar a vê-lo e que minha filha, apesar de ter gastado uma fortuna, não consegui encontrá-la e não sei nem se está viva ou morta?
- Ouvi sim o que disse, mas não posso concordar.
Não perdeu Mário Augusto, e Selma está bem.
- A senhora conhece meus filhos?
Sabe o nome deles?
- Conheço, sim, e garanto que ambos estão vivendo suas vidas.
- Como vivendo suas vidas?
Mário Augusto está morto!
E Selma desapareceu!
- A morte não existe, Homero.
Mário Augusto não morreu, ele voltou para sua verdadeira casa, a casa do Pai.
- Não estou entendendo o que está dizendo, como assim casa do pai?
O pai dele sou eu e ele não está na minha casa!
- Ele, assim como todos nós, é filho de criação de Deus, por isso Ele é o Pai de todos nós, e foi para o Pai que Mário Augusto voltou.
- Está dizendo que ele não morreu?
Como pode ser isso, se fui ao seu enterro?
Foi o dia mais triste da minha vida.
- Sei que isso aconteceu, eu também estava lá e vi todo o seu sofrimento, mas, agora, esse sofrimento terminou.
Você veio ao encontro do seu filho.
-Está dizendo que ele não morreu, que está aqui?
Isso significa que também morri?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:52 pm

- Qual é a última coisa que se lembra antes de acordar aqui?
- Eu estava muito triste, não me conformava com o que tinha acontecido.
Senti uma dor muito forte no braço e comecei a suar e a cair.
Não conseguia controlar o meu corpo.
- Foi isso mesmo que aconteceu.
Você teve um infarto e não resistiu.
- Está dizendo que morri?
- Sim.
- Ele ficou surpreso, Matilde, olhou para as mãos:
- Não pode ser!
Estou sentindo e vendo o meu corpo!
Como posso estar morto?
- É assim mesmo que acontece, Homero.
Sentirá seu corpo e suas necessidades por algum tempo, mas depois isso nada vai significar para você.
- Ele, muito assustado, sentou-se sobre a cama, Matilde.
Laura se afastou, e assim ele pode me ver.
Quando isso aconteceu, ele gritou:
-Mário Augusto!
É você mesmo, meu filho?
- Não suportei mais e me aproximei, chorando:
-Estou aqui, papai, agora tudo vai ficar bem.
- Ele, ao me ver, sem perceber, desceu da cama e veio ao meu encontro, Matilde, e, chorando muito, nós nos abraçamos.
Ele se afastava, olhava nos meus olhos e beijava meu rosto sem parar:
-Você está vivo, meu filho, e está aqui!
Perdão pela minha indiferença, eu não sabia o que estava fazendo.
- Não se preocupe com isso, meu pai. Já passou.
Agora que estamos juntos novamente, teremos muito tempo para conversar.
- Ficamos assim por muito tempo, Matilde, nos abraçando e chorando, até que Laura, que esteve ali durante todo o tempo, disse:
-Agora que já se reencontraram, preciso voltar aos meus afazeres.
Mário Augusto, acompanhe seu pai até a sua casa.
Aproveite para mostrar a cidade.
Sei que ele vai adorar.
- Sorri e, beijando seu rosto, peguei meu pai pela mão e saímos do prédio.
Durante o caminho até chegar à minha casa, fui mostrando a cidade para ele e o preparando para o reencontro que teria com uma das suas irmãs que havia chegado antes e que ainda estava aqui.
Eu também morava em sua casa.
Não preciso nem dizer como esse reencontro foi emocionante e maravilhoso.
- Imagino, Mário Augusto.
Eu não consegui reencontrar meu pai nem visitar minha casa para rever minha mãe e meus irmãos.
Ainda estou esperando por esse dia maravilhoso, mas sei que vai chegar.
- Com certeza, Matilde.
Esse dia vai chegar e eu estarei ao seu lado.
Olharam para Selma e Roberto, que conversavam.
- Por enquanto, precisamos ficar ao lado deles.
Selma está passando por um momento ruim que ela mesma atraiu para si, mas, como Deus está sempre presente, em qualquer situação, estamos aqui até que tudo se esclareça.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 6:52 pm

Fui requisitado para ficar ao lado de Selma neste momento e fiquei feliz quando vi que você, Matilde, estaria ao meu lado.
- É verdade, Mário Augusto.
Ela vai precisar da nossa ajuda para que se mantenha bem e possa resgatar todo o mal que fez, não só a nós como a ela mesma.
Ainda bem que, assim como aconteceu com você, eu tive Péricles ao meu lado e, aos poucos, ele foi me contando o que havia acontecido.
Demorei muito para entender o que havia se passado e que não adiantaria ficar me remoendo no ódio e no desejo de vingança; o que eu teria de fazer era continuar no meu aprendizado, e a melhor maneira seria trabalhar em favor daqueles que aqui chegavam.
Fiquei feliz quando reencontrei você.
Aqui, vi muitas pessoas chegarem desoladas e assustadas, por nunca terem se conformado com a posição social que tiveram na Terra.
Sempre tentei fazer o melhor possível para que elas ficassem bem, pois conhecia muito bem o que sentiam e aquela situação que viveram.
Pensei e repensei minha vida e entendi que nunca, jamais, poderia julgar ou condenar alguém, pois, muitas vezes, todos nós magoamos outras pessoas, e na ânsia de aceitar ou não a posição social que tivemos escolhemos e podemos praticar actos pelos quais nos arrependeremos por muito tempo.
Selma errou muito, mas conseguiu, através do arrependimento e do trabalho, se redimir.
Claro que ela teve ajuda tanto de amigos aqui da Terra como dos espirituais, mas soube acatar e aproveitar.
Hoje, ela está sendo vítima de uma armadilha igual a que provocou, tomara que consiga se salvar e se redimir.
Eu e você estaremos até o fim intuindo e ajudando na medida do possível, mas, por causa do livre-arbítrio, nunca poderemos decidir por nenhum deles.
- Verdade, Matilde.
Mas, seja como for, estaremos esperando sua decisão.
Dizendo isso, Mário Augusto e Matilde jogaram luzes sobre Selma e Roberto.
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