As chances que a vida dá / Elisa Masselli

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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 05, 2017 7:01 pm

Isso é o que mais me faz sofrer.
Como diz aquele ditado:
" Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje".
Foram para o quarto, deitaram e dormiram abraçados.
No dia seguinte, após tomarem o café da manhã e enquanto Carlos ia para a escola, Selma e Roberto foram para a delegacia.
Enquanto caminhavam, perceberam que as pessoas conversavam e olhavam para eles.
Sabiam que os estavam julgando e acusando.
- Estão falando de nós, Selma.
- Estão, sim, mas não podemos nos deixar envolver.
Esta é uma cidade pequena onde todos se conhecem e o que aconteceu certamente provocou curiosidade, mas quando provarmos a nossa inocência tudo isso vai passar.
- Tomara que sim, Selma.
Entraram na delegacia e depois de se apresentarem ao delegado voltaram para casa.
Ficaram ali sem ter muito o que fazer.
Estavam acostumados a trabalhar e, agora, precisavam ficar em casa, pois não tinham para onde ir.
Selma arrumou a casa enquanto Roberto a ajudou a preparar o almoço.
Na hora do almoço, Carlos, nervoso, entrou em casa.
Seu rosto e seus olhos estavam vermelhos.
Selma e Roberto se admiraram, pois o filho sempre chegava alegre e brincando.
- O que aconteceu, Carlos?
Por que está tão nervoso?
- Não estou nervoso, mamãe!
Estou é com muita raiva!
- Por que, o que aconteceu para que fique assim?
- Antes de tudo isso acontecer, eu tinha muitos amigos, tinha com quem conversar na escola.
Hoje, todos me ignoraram e se negaram a conversar comigo!
Tentei falar com eles, mas foi impossível; quando eu perguntava alguma coisa, simplesmente se afastavam sem responder!
Até alguns professores que sempre me elogiaram e trataram bem também me ignoraram!
Não quero mais ir à escola!
Não entendo por que estão fazendo isso!
Eles eram meus amigos!
Selma olhou para Roberto, que abraçou o menino:
- Não fique assim, filho.
É muito dolorido quando somos injustiçados e descobrimos que não temos amigos.
Esses que se negaram a falar com você não são e nunca foram seus amigos.
Embora você esteja sofrendo muito, é hora de aprender alguma coisa.
Os verdadeiros amigos não são aqueles que estão ao nosso lado apenas quando está tudo bem.
Os verdadeiros amigos são aqueles que, nas horas difíceis, estão ao nosso lado e não nos abandonam nunca.
- É verdade, meu filho.
Você, infelizmente, está pagando por algo que não fez e que as pessoas julgam que eu e seu pai tenhamos feito.
Porém, tudo isso vai ser esclarecido e todos eles terão de pedir desculpas a você que, ao contrário do que disse, precisa ir à escola e mostrar que está bem e nada disso pode te atingir.
Agora, vá lavar suas mãos e vamos almoçar.
Depois, você vai ao treino.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 05, 2017 7:01 pm

- Não vou, mamãe! Não posso ir!
Os meus amigos do basquete também vão fazer a mesma coisa, me ignorar.
Não quero ir, não quero!
Dizendo isso, começou a chorar desesperado.
Roberto olhou para Selma, que abraçou o filho:
- Está bem, Carlos, é tudo muito recente.
Se acha que não tem condições, hoje não precisa ir.
Agora, vamos almoçar.
Carlos parou de chorar e foi ao banheiro.
Voltou em seguida e começaram a comer.
Ao terminarem, Carlos já estava indo para o seu quarto quando ouviram a campainha tocar.
Olharam-se.
Roberto foi até a porta.
Assim que abriu, ouviu:
- Boa tarde, seu Roberto.
Carlos já está pronto para ir ao treino?
Roberto voltou-se para Carlos e Selma, que olhavam para ele ao ouvir o que Vaguinho, amigo de Carlos, perguntava.
- Depois, voltando-se novamente para Vaguinho, sorriu.
Ainda é cedo para o treino, Vaguinho.
- Não é não, seu Roberto!
O campeonato está chegando e o professor disse que a gente precisa treinar mais tempo.
Marcou para a uma e meia, já estamos atrasados!
- Carlos não quer ir ao treino e nem à escola.
Entre, Vaguinho, talvez você o convença.
Vaguinho, nervoso, entrou.
Carlos, ao lado da mãe, ficou olhando para ele que perguntou:
- Por que você não quer ir à escola, Carlos, o que aconteceu?
- Você não viu o que fizeram comigo hoje, lá na escola?
Até alguns professores?
- Eu vi que você estava isolado e até tentei conversar, mas você ficou calado o tempo todo.
- Não, Vaguinho!
Ninguém quis conversar comigo!
Tentei falar com alguns, mas me evitaram!
Todos, mesmo sem saber se meus pais são culpados, me acusam também!
- Mas não foi isso o que eu vi, Carlos.
Foi você quem ficou calado no canto.
Deixe disso, pode ser que um ou outro esteja pensando assim, mas a maioria de nós é seu amigo.
Você é um dos melhores jogadores, deixa disso e vamos treinar!
Carlos olhou para os pais que também o olhavam e sorriam.
- Vá, meu filho.
Não somos culpados, mas, mesmo que fôssemos, você não teria culpa alguma.
Vá treinar e ajude a levar seu time ao sucesso!
- Está bem, mamãe. Eu vou.
Carlos foi ao seu quarto, pegou a mochila onde levava a roupa que usava para jogar, e os dois saíram conversando.
- Agora acho que ele está bem, Selma.
- Está, sim.
Agora só nos resta esperar que José Luiz traga alguma notícia boa.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 05, 2017 7:01 pm

Depressão
Fazia uma semana que Selma e Roberto estavam em casa.
Carlos estava bem, pois, embora pensasse que seus amigos o repudiariam, isso não aconteceu.
Roberto estava preocupado com Selma, que não saía do quarto, passava o tempo todo deitada, chorando, e quase não comia.
Preparou uma bandeja com café da manhã e foi até o quarto.
Selma estava deitada, coberta e toda encolhida, com o rosto inchado de tanto chorar.
- Você precisa se levantar e reagir, Selma.
Não pode continuar dessa maneira.
Selma sentou-se sobre a cama.
- Estou bem, Roberto, mas sem vontade de fazer coisa alguma.
Acho que a vida não tem mais sentido.
Para que trabalhar tanto se, de repente, assim como aconteceu com minha mãe, todos vamos morrer?
- Não podemos pensar assim, Selma.
A vida é boa e uma bênção de Deus.
Precisamos aproveitar todos os momentos dela.
- Para que, Roberto?
Qual é a finalidade da vida?
Eu sempre fui egoísta, má e orgulhosa.
Usei as pessoas e pratiquei aquele ato horrível.
Entendi isso e tentei me regenerar.
Estava com a vida perfeita ao seu lado e de Carlos.
De repente, tudo mudou.
Embora sejamos inocentes, corremos o risco de ser presos.
Não fui julgada, processada nem presa por algo que realmente fiz, e agora que sou inocente estou aqui sem saber o que vai acontecer com nossas vidas.
Quando tive a oportunidade de conversar com minha mãe, de pedir perdão e ser perdoada, ela morre da maneira que morreu e não tive essa chance!
- Em alguma coisa que está dizendo você tem razão, mas a vida tem muitas coisas boas.
- Como o que, Roberto?
- O dia em que nos conhecemos, nosso amor, o nascimento de Carlos, os momentos felizes que tivemos ao seu lado enquanto crescia, e hoje, ao ver que ele está se tornando uma pessoa boa.
Sei que estamos passando por um momento muito ruim, mas estou me lembrando agora do que minha tia sempre dizia:
"Não há bem que não se acabe nem mal que não termine".
Tudo isso vai passar, Selma.
Vamos conseguir provar a nossa inocência e seremos felizes novamente.
- Como posso ser feliz sabendo que minha mãe morreu me odiando?
- Isso você nunca vai saber, até que chegue o dia em que vai reencontrá-la.
- Onde ela está, Roberto?
Nunca me interessei por religião alguma.
Não precisava, tinha tudo o que sempre desejei, mas agora não sei se ela está no céu, no inferno ou no limbo.
Preciso muito saber onde ela está e como.
Péricles, que estava ali ao lado de Mário Augusto, sorriu e estendeu as mãos sobre Roberto, que falou:
- Também não sei, mas acredito que Deus, como todos os pais, não quer nosso sofrimento.
Não acredito que exista inferno.
Não sei, mas acho que ninguém é ruim o suficiente para ter um castigo eterno.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 05, 2017 7:01 pm

Pode existir algo como o limbo, talvez, pois seria um tempo para que as pessoas possam reflectir sobre o que fizeram com suas vidas.
- De onde tirou tudo isso que está falando, Roberto?
Não achei que fosse religioso.
- Não sou religioso, Selma.
Vou à igreja em algumas ocasiões, mas não sou praticante.
Contudo, penso muito a respeito da vida e o que acontecerá depois da minha morte.
Também não sei por que estou dizendo essas coisas, mas senti vontade de falar e falei.
Você precisa reagir e esperar o dia em que tudo isso será esclarecido.
Está muito tempo sem ter o que fazer.
Vá até o orfanato, converse com Marília e volte a trabalhar pelas crianças.
Assim, teremos mais tranquilidade para esperar que tudo isso termine.
- Não posso fazer isso, Roberto.
Não sabemos quanto tempo vai demorar para provarmos nossa inocência.
José Luiz, desde o enterro, não deu mais notícias.
Enquanto tudo não for esclarecido, Marília jamais voltará a confiar em mim.
- Não penso assim, Selma.
Marília foi à delegacia e ao enterro de sua mãe.
Ela acredita na nossa inocência.
Imagino que esteja sentindo sua falta, e as crianças também.
Selma começou a chorar:
- Não posso fazer isso, Roberto.
Não posso colocá-la em uma situação constrangedora.
A campainha tocou.
Selma e Roberto se olharam, ele se levantou e foi abrir a porta.
Ao abrir, teve uma surpresa:
- Marília?
- Bom dia, Roberto.
Preciso conversar com Selma.
Ela está?
- Está, sim.
Entre por favor.
Marília entrou.
Roberto apontou para o quarto.
Marília entendeu e foi ao encontro de Selma.
- Bom dia, Selma.
Como você está?
Selma, constrangida pela situação em que se encontrava, com as mãos secou os olhos e tentou sorrir:
- Bom dia, Marília. Estou bem.
Um pouco triste com tudo que aconteceu, mas estou bem.
Marília olhou para a janela, que estava fechada, fazendo com que o quarto ficasse escuro.
Sem nada dizer foi até ela e a abriu.
- Já são quase dez horas, Selma, e ainda está na cama?
Não deve estar bem, não!
- Realmente não sinto vontade alguma de me levantar.
Não tenho o que fazer.
Aqui, na cama, posso pensar com mais facilidade em tudo o que aconteceu.
Posso chorar por minha mãe e pedir, mil vezes, que ela me perdoe.
Enquanto ia até o guarda-roupa e abria as portas, sorrindo, Marília disse:
- De acordo com aquilo que acredito, sua mãe deve estar enfrentando suas verdades e reflectindo sobre o que fez com sua vida.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 05, 2017 7:02 pm

O tempo dela aqui terminou, mas você precisa continuar, tem muito a fazer.
- Não consigo entender e aceitar isso, Marília.
Não consigo, também, me perdoar por ela ter morrido me odiando e sem que eu tivesse tempo de pedir perdão.
- Entendo isso, mas não é ficando deitada e deprimida que vai consertar tudo isso.
Precisa retomar sua vida, continuar de onde parou.
As diferenças que existiram entre você e sua mãe um dia serão explicadas, mas não vai ser agora.
Qual vestido você quer usar?
Nervosa, Selma levantou-se e em pé, olhando nos olhos de Marília, gritou:
- Não quero vestido algum!
Preciso saber onde ela está e como!
Durante toda minha vida culpei minha mãe por aquilo que tinha me tornado e feito, e hoje sei que a única culpada fui eu!
Preciso dizer isso a ela!
- Fico feliz em ver que você reconhece isso, mas não é chorando o dia todo que vai resolver isso.
- Não tenho outra coisa a fazer, Marília!
- Tem sim. Eu estou sentindo muita falta de você, e mais ainda as crianças.
Elas estão ansiosas esperando sua volta.
- Não posso voltar ao orfanato, Marília.
Tenho vergonha de tudo o que aconteceu.
- Não tem que ter vergonha alguma.
Eu acredito na sua inocência e, para mim, isso já basta.
Precisa voltar para continuar ajudando as crianças e a mim na construção da nova ala.
Roberto interveio:
- Marília tem razão, Selma.
Era sobre isso que estávamos conversando.
Não pode continuar assim.
Precisa reagir e dar tempo ao tempo.
Eu, embora também esteja sendo acusado, estou tranquilo, pois sei que sou inocente.
Levante-se e acompanhe Marília.
Disse, emocionado, abraçando Selma.
Selma, soluçando, se abraçou a ele e, por trás de seu ombro, sorriu para Marília, que correspondeu ao sorriso.
- Pensando bem, acho que vocês têm razão.
Sou inocente e as crianças precisam de mim.
Como você disse, Marília, um dia vou reencontrar minha mãe e tudo será esclarecido.
Dizendo isso, pegou um vestido no armário, tomou um banho e saiu feliz ao lado de Marília que, olhando para Roberto, também sorriu.
Ele beijou Selma na testa.
- Vá com Deus, minha querida.
Não temos do que nos envergonhar.
Enquanto caminhavam, Marília e Selma conversavam:
- Estou preocupada, Marília.
- Por quê?
- Até agora, José Luiz não deu notícia alguma.
Ele disse que ia tentar descobrir o que havia acontecido, pelo visto não está conseguindo.
Tudo o que aconteceu foi bem planeado, Selma, por isso deve ser difícil descobrir alguma pista, mas acredito que ele vai conseguir.
- Será, Marília?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 05, 2017 7:02 pm

- Claro que sim.
E, também, não adianta você ficar tão ansiosa.
Tudo tem um tempo para acontecer e a ansiedade e o sofrimento não vão acelerar.
Tenha fé e entregue nas mãos de Deus.
- Você está sempre calma, Marília.
Parece que nada a atinge.
- Aprendi com a vida, Selma.
Quando as coisas não estão bem, e não acontecem da maneira que queremos, não adianta reclamar nem chorar.
Precisamos tentar resolver; mas se não conseguirmos, só nos resta ter fé e esperar.
- Ouvindo você falar, Marília, parece que tudo é simples.
- E na verdade é, Selma, somos nós quem complicamos. - Disse rindo.
Quando chegaram em frente ao portão do orfanato, Selma parou:
- O que foi, Selma?
Vamos entrar.
- Espere, Marília, preciso me preparar.
- Preparar para quê?
- Não sei como as crianças vão me receber.
Sem nada dizer, Marília abriu o portão e fez com que Selma entrasse.
Assim que entraram e as crianças viram Selma, correram em sua direcção e a abraçaram com tanta força que ela perdeu o equilíbrio e sentou-se no chão.
As crianças, rindo muito, felizes, a abraçaram e beijaram por muito tempo.
Selma, chorando, correspondia aos abraços, beijos e felicidade.
Marília, emocionada, olhou para aquela cena, que jamais seria esquecida.
E sem que fosse dita sequer uma palavra, e nem havia necessidade, pois o amor que aquelas crianças sentiam por Selma era imenso.
O mesmo acontecia com Selma, que amava profundamente aquelas crianças que a haviam salvado do desespero e da depressão.
Rita, ao ouvir a gritaria, saiu da sala, e ao ver Selma também se emocionou:
- Seja bem-vinda, Selma!
Todos nós, e principalmente as crianças, estávamos sentindo sua falta.
- Obrigada, Rita.
Também estava sentindo muita falta de vocês.
Após os abraços, Selma se reuniu com as crianças no galpão e conversou com elas a respeito da próxima exposição e de todo o trabalho que teriam pela frente.
Não só Marília, mas Péricles e Mário Augusto também acompanhavam o que acontecia e sorriam.
- Selma não imagina o quanto conseguiu se redimir com esse trabalho com as crianças, Mário Augusto.
O amor ao próximo e a doação é sempre um óptimo remédio para tudo.
- Está dizendo que com esse trabalho ela está totalmente perdoada?
- Totalmente não, Mário Augusto.
Todos vocês terão de renascer juntos e cada um deve fazer a sua parte para que haja uma reconciliação completa; mas Selma terá aprendido, nesta encarnação, valores que levará para sempre.
Ela terá condições de reunir todos vocês e tentar promover a reconciliação, através do perdão exercido por vocês.
- Como isso pode acontecer, Péricles?
- Vocês terão de encontrar um caminho, mas talvez Selma renasça como mãe de uma grande família.
A mãe sempre tem sobre os filhos um certo poder de persuasão e o mais importante é o exemplo.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 05, 2017 7:02 pm

- Entendo e é verdade.
Minha mãe conseguiu que nós, seus filhos, fizéssemos tudo o que ela queria.
- Infelizmente, sua mãe, com seu exemplo, não os ajudou muito.
Porém, todos terão novas chances.
- O que vai acontecer agora, Péricles?
Selma encontrou seu caminho e todos nós retornamos?
- Todos não, Mário Augusto.
Ainda faltam muitos que você, nessa encarnação, não conheceu, mas que sempre estiveram juntos.
- Ainda vou reconhecer?
- Vai, sim, pois, para que possam reencarnar todos deverão ter voltado e isso ainda levará alguns anos da Terra.
Selma estava tão entretida com as crianças que nem viu a hora passar.
Olhou para o relógio e para Marília:
- Nossa, está na hora de fazer o almoço.
Despediu-se e, tranquila, saiu.
Quando chegou à rua em que morava, viu, à distância, o carro de José Luiz parado em frente à sua casa.
Curiosa, apressou o passo.
Assim que entrou em casa, encontrou José Luiz e Roberto que conversavam na cozinha.
Feliz e curiosa, foi até eles.
- Bom dia, José Luiz!
Que bom ver você por aqui! - Disse, beijando seu rosto.
Tem alguma novidade sobre nosso caso?
- Bom dia, Selma.
Infelizmente, ainda não, mas temos outro assunto para conversar.
- Antes, porém, vamos almoçar.
Quando José Luiz chegou, contei a ele que você estava no orfanato e o convidei para o almoço.
Estou terminando de preparar.
- Esse meu marido vale ouro, não é José Luiz?
Eu não me canso de dizer que não o merecia!
- Não fale assim, Selma, a palavra tem força.
Vai que um anjo esteja passando por aqui e pense:
"Acho que escolhi a Selma errada, vamos trocar o marido dela" - José Luiz disse, rindo.
- Nem pensar!
Sendo assim, vou repetir mil vezes que mereço esse marido sim! - Ela, beijando Roberto no rosto, disse também rindo.
Logo depois, Carlos chegou da escola.
Estava feliz:
- Papai, mamãe, fui escalado para o campeonato estadual!
- Que bom, meu filho!
Sempre soube que você seria um grande desportista!
Lembra-se de José Luiz?
- Claro que sim, mamãe.
Disse, estendendo a mão que José Luiz apertou.
Em seguida, foi para seu quarto e voltou logo depois, pronto para almoçar.
Enquanto Roberto terminava de preparar a carne, Selma começou a lavar a alface que seria servida.
José Luiz ficou olhando a desenvoltura dela na cozinha:
- Nunca pensei que um dia eu a veria assim, uma dona de casa, Selma.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 05, 2017 7:02 pm

Ela, que estava de costas para ele, voltou-se rindo:
- Há alguns anos, nem eu me imaginaria, José Luiz.
Quem me ensinou a cuidar da casa e a cozinhar foi Etelvina.
Ela teve muita paciência comigo. - Disse, rindo.
- Parece que fez um bom trabalho.
Depois de lavar e temperar a salada, Selma preparou a mesa e todos se sentaram.
Comeram tranquilos e pouco falaram.
Quando terminaram, Carlos foi para seu quarto.
Precisava fazer a lição de casa e voltar para o treino.
Selma, Roberto e José Luiz foram para a sala e, enquanto tomavam café, José Luiz falou:
- Bem, estou aqui para falar sobre os bens de sua família, Selma.
- Eu já disse a você que não quero nada do que pertenceu à minha família, José Luiz.
O que nos importa, mesmo, é saber se você conseguiu descobrir alguma coisa sobre as mentiras a nosso respeito.
- Sei que não se importa, mas precisa tomar conhecimento de como estão as coisas, Selma.
Quanto à investigação, estamos perto de saber alguma coisa, mas levará ainda algum tempo.
- Está bem, mas, antes de começar, quero que tudo o que me pertence seja doado para instituições de caridade.
Quero, também, que uma importância seja doada ao orfanato.
- Como viverão?
Roberto está sem emprego, Selma.
- Aquele dinheiro só me trouxe tristeza e me fez cometer erros terríveis, não precisamos dele.
Roberto encontrará um novo emprego, ele é competente no que faz e, se precisar, vou procurar um trabalho.
Etelvina me ensinou a costurar.
O que precisamos, mesmo, é da nossa liberdade.
- Desculpe-me, Selma, mas o dinheiro não pode ser responsabilizado pelos nossos actos.
Ele é necessário para que possamos viver, mas o que fazemos com ele só depende da nossa própria atitude.
- Sei que tem razão.
Mesmo assim não quero ter mais do que preciso, José Luiz.
- Ainda bem que pensa assim.
- Por que está dizendo isso?
- Simplesmente porque não sobrou coisa alguma da fortuna de seus pais.
- O quê? - Selma perguntou nervosa.
- Estive olhando os documentos que seu pai e depois sua mãe guardava no escritório e constatei que não há mais bem algum, nem mesmo as jóias.
Tudo o que ela usava não passava de bijuteria.
- Como isso pode ter acontecido?
- Seu pai morreu em casa, onde o médico atestou que foi por causa de uma doença no pulmão.
Como ele não tinha conhecimento de onde você estava, atestou que não deixava filhos, portanto sua mãe seria a única herdeira.
Ele não se importou, pois sempre tem um prazo para que possa ser sanada qualquer possível omissão do atestado de óbito.
Quando Josias entregou o atestado para sua mãe, ele a alertou sobre isso, mas como ela acreditava que, por você ter desaparecido depois da morte de Mário Augusto, fosse a única culpada pela morte de seu pai, omitiu a sua existência e, por isso, tudo ficou só no nome dela.
Assim, com isso, poderia vender ou fazer o que quisesse com os bens da família.
- Ela omitiu a minha existência?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 05, 2017 7:02 pm

- Sim. Acreditava que seu pai havia morrido de tristeza por ter perdido você e seu irmão.
- Não pode ser, José Luiz!
Meu pai não morreu por minha culpa.
- Não importa o que você ou eu possamos pensar.
O que importa é o que ela pensava.
- Como ela conseguiu acabar com tudo, José Luiz?
- Duas ou três vezes por semana, ela saía de casa usando um táxi para evitar que Josias descobrisse aonde ela iria.
- E para onde ela ia?
- A uma casa de jogos, e lá perdeu tudo.
Inclusive a mansão foi vendida há um mês atrás.
Só restou o carro e uma pequena quantia, que poderá ser usada para indemnizar os empregados, e um pequeno apartamento para onde ela se mudaria.
- Minha mãe perdeu tudo no jogo?
- Pode parecer impossível, mas foi o que aconteceu.
Não restou coisa alguma.
Não há dinheiro, jóias ou propriedades.
- Não consigo acreditar nisso, José Luiz!
Tudo isso pelo ódio que sentia de mim?
- Infelizmente, sim.
- Foi por isso que, na delegacia, disse que me tiraria do testamento.
Não tinha coisa alguma para me dar!
- Se você quiser, poderá contestar o testamento.
Basta entrarmos com uma acção.
- Não vou contestar coisa alguma, José Luiz.
Eu já havia dito que não queria coisa alguma.
- Pode tomar posse do apartamento. Ele é seu.
- Não preciso.
Temos esta casa, que é nossa.
Roberto vai encontrar um novo emprego e, depois de provarmos a nossa inocência, tudo voltará a ser como antes.
Quanto ao apartamento, quero que transfira a escritura para Josias.
Ele merece, sempre foi um óptimo funcionário e amigo.
- Tem certeza de que quer isso mesmo, Selma?
- Sim, José Luiz.
Por favor, providencie tudo.
Agora sei que não tenho como pagar seu trabalho, mas prometo que, assim que tudo se resolver, pagarei tudo.
- Não se preocupe com isso, Selma.
Sabe que não preciso de dinheiro.
Somos amigos e isso para mim é o que importa.
- Sei que não precisa, mas é o seu trabalho.
Estudou muito para chegar a ser o bom advogado que é, não posso deixar de reconhecer isso.
- Está bem, vamos deixar para falar a respeito depois que tudo estiver resolvido na sua vida.
Selma olhou para Roberto que, assim como ela, estava atónito com aquela revelação:
- Você consegue entender o que ela fez, Roberto?
- É difícil entender, mas nos resta reflectir até onde o ódio pode nos levar, Selma.
- Agora preciso ir embora.
Antes, porém, vou passar na delegacia.
Preciso conseguir alguns dados e endereços. - José Luiz disse, levantando-se e estendendo a mão para Roberto, que a apertou.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 05, 2017 7:03 pm

Em seguida, voltou-se para Selma, que o abraçou:
- Obrigada por tudo, meu amigo.
Ele sorriu e abraçou-a também.
- A próxima vez que voltar aqui será para dizer que vocês estão livres!
- Tomara Deus!
Eles o acompanharam até o carro.
Ele entrou e, sorrindo, ligou o motor e partiu.
Pérides e Mário Augusto estavam ali e acompanharam toda a conversa:
- Não acredito que minha mãe tenha feito isso, Pérides!
Será que foi somente o ódio que a motivou?
- Não foi só esse o motivo, Mário Augusto.
Sua mãe teve uma vida de luxo e poder, quando você e seu pai morreram, e Selma desapareceu, ela se deu conta de que apesar de todo o dinheiro e poder ficou sozinha, e isso a levou ao desespero.
Ela então começou a culpar o dinheiro pelo seu fracasso, quando, na realidade, ele nunca foi o problema.
Nascer com ou conseguir dinheiro não significa falta de humanidade nem desculpa para que outras pessoas sejam humilhadas.
Todos precisam de dinheiro para poder sobreviver e seguir sua jornada.
Ele pode facilitar, mas se não for bem usado pode ser o motivo de muitas quedas.
Ele é importante, mas não deve ser colocado sobre o amor e a caridade.
Não querendo admitir que havia sido culpada, resolveu culpar Selma; por isso, quando a reencontrou, essa magoa fez com que a afastasse de sua vida.
- O que vai acontecer com minha mãe, Pérides?
- Neste momento, ela está tendo a chance de rever sua vida e de entender onde fracassou.
- Deve estar desesperada.
Posso ficar ao lado dela?
- Logo mais, iremos ter com ela.
Mas não se preocupe, ela, mesmo sem saber, está sendo assistida.
Por enquanto, vamos continuar ao lado de Selma e de Roberto, tentando ajudá-los de alguma maneira e fazendo tudo o que pudermos e tivermos permissão, sem nunca invadir o livre-arbítrio de cada um.
Mário Augusto concordou com a cabeça.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:40 pm

Plano perfeito
Matilde não entendia o motivo, mas naquele dia estava sentindo uma energia que a incomodava.
Estava assim pensando, quando Péricles chegou:
- Tudo bem com você, Matilde?
- Não, Péricles, não está tudo bem.
Estou sentindo uma energia pesada.
- Por isso estou aqui.
Sua mãe está passando por um momento muito difícil e precisa de nossa presença.
Quer ir comigo?
- Claro que sim!
É tudo o que mais desejo desde que cheguei aqui!
O que está acontecendo com minha mãe?
- Logo saberá.
Vamos nos encontrar com Mário Augusto.
Ele também quer ir.
Mário Augusto chegou logo depois.
Abraçaram-se e em seguida desapareceram.
Chegaram a uma rua e uma casa que Matilde não conhecia.
Do lado de fora, puderam ver que a casa estava toda envolvida por energias densas e com alguns espíritos que a cercavam enviando mais e mais dessas energias.
Matilde e Mário Augusto se assustaram.
- Que lugar é este, Péricles?
- É onde sua mãe está morando.
- Minha mãe está morando aqui, por quê?
- Depois daquele dia em que tudo aquilo aconteceu, muita coisa mudou na vida de sua mãe.
Ela entrou em uma depressão muito grande, foi afastada do trabalho e se mudou para esta casa, que pertence a sua tia.
- O que está acontecendo e por que só hoje permitiu que eu a visitasse?
- Tenha um pouco de paciência, logo mais saberá.
Agora, precisamos fazer uma prece para podermos entrar nessa casa.
Como viu, ela está muito bem protegida.
Em seguida, deram-se as mãos e Péricles fez uma prece.
No mesmo instante formou-se como que um corredor de luz por onde eles puderam passar.
Entraram na casa.
Mirtes estava deitada em um quarto escuro, chorando.
Matilde se aproximou e, também chorando, disse:
- Mamãe, o que aconteceu?
Esta casa está envolvida com energias ruins que não podem fazer bem à senhora.
Voltando-se para Péricles, perguntou:
- O que aconteceu com ela?
- Ela não está bem, e isso está atraindo as presenças pesadas que encontramos e que estão fazendo muito mal a todos os que moram aqui.
- Por que isso está acontecendo?
Minha mãe sempre foi forte e lutadora.
- Até hoje, ela não aceitou o que aconteceu com você.
- Por que não permitiu que eu a visitasse, Péricles.
A minha presença poderia ter ajudado.
- Ela nunca deixou de ter assistência.
Você também não estava bem e, ao contrário do que está dizendo, sua presença poderia piorar ainda mais a situação.
- Então, por que me trouxe hoje?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:40 pm

- Por que agora você está bem e sua mãe vai precisar de muita ajuda.
Por mais que pensemos que a verdade fica escondida, isso não acontece, pois, a qualquer momento, ela vem à tona.
- Não estou entendendo.
Que verdade?
- Logo mais saberá.
Por enquanto, vamos ficar aqui tentando impedir que essas energias tomem mais conta ainda da casa e das pessoas.
Enquanto isso, em casa, Flora e Esmeralda tomavam o café da manhã e conversavam.
- Estou preocupada, Esmeralda.
- Por que, Flora?
- José Luiz está procurando os culpados por tudo o que aconteceu com Selma, e até agora não conseguiu encontrar coisa alguma.
- Tem conversado com ele, Flora?
- Conversei há três dias.
Ele me disse que está seguindo uma pista e que assim que tiver certeza vai me avisar.
- Pensar que eu tinha certeza de que foi você quem fez tudo aquilo. - Esmeralda disse, rindo.
- Não culpo você por ter pensado isso.
Durante muito tempo tenho vivido somente para poder me vingar de Selma.
Sabia que ela era a culpada e não me conformava que estivesse livre.
Fico pensando também, Esmeralda.
Se não fui eu, quem teria sido?
Para que as pessoas se envolvessem nessa armadilha foi preciso muito dinheiro.
Não consigo pensar em ninguém que odiasse Selma e que tivesse dinheiro.
Você desconfia de alguém?
- Não, Flora.
Minha única suspeita era você.
- Não fui eu, Esmeralda, mas vamos descobrir. Tenho fé.
- Ainda bem que mudou de ideia.
- Verdade. Naquele dia em que vi o que Selma estava fazendo por aquelas crianças e a falta que faria a elas, resolvi esquecer a vingança.
Mesmo por que, por mais que eu fizesse, não traria Ariete de volta.
- Graças a Deus que fez isso!
Hoje você está diferente, até sua aparência mudou.
Está com os olhos brilhantes como eram antes.
Garanto que muita coisa boa vai acontecer em sua vida.
- E o que mais poderia acontecer em minha vida, Esmeralda? - Flora perguntou, rindo.
Tenho tudo, e agora que mudei de ideia quanto a essa vingança, não tenho com que me preocupar.
- Pode ter tudo, mas não tem um amor, um companheiro para seguir ao seu lado.
- Está ouvindo o que está falando, Esmeralda?
- Claro que estou e não sei por que está rindo, Flora.
Você é jovem, bonita e muito rica.
Não é justo que continue sozinha.
- Jovem, bonita?
Estou com quase quarenta anos!
- Que nada, está muito longe ainda.
Por causa do que aconteceu, você deixou o tempo passar mergulhada no ódio.
Esqueceu-se de como era bonita e feliz.
Esqueceu-se até do amor que sentia por José Luiz.
- O que está falando, Esmeralda?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:41 pm

- Não entendo essa admiração.
Sempre soube que você era apaixonada por ele.
- Aquilo que senti foi coisa de adolescente.
Ele nunca se interessou por mim, sempre teve olhos somente para Selma.
- Verdade.
Mas depois que tudo aconteceu e que Selma desapareceu, ele veio aqui muitas vezes, mas você sempre o afastou.
Com toda aquela mágoa e ódio, não percebeu que ele estava interessado em você.
- Não sabe o que está dizendo, Esmeralda.
José Luiz nunca gostou de mim, ele se casou logo depois.
- Casou-se, mas logo se separou.
Eu sabia que aquele casamento não daria certo.
- Como poderia saber disso, Esmeralda?
- Aquela moça era muito diferente dele, que sempre foi reservado e tranquilo, enquanto ela gostava de sair muito e de ir a festas.
Acho que ele também sentiu muito a perda de Mário Augusto.
Conheciam-se desde crianças e foram amigos durante tantos anos.
- Isso é verdade.
Todos nós sofremos muito.
- Verdade, mas agora tudo vai mudar.
Você está pronta para iniciar uma nova vida.
Vai comprar roupas novas, modernas, e vai frequentar festas da sociedade.
- Pare com isso, Esmeralda!
Preciso pensar sobre isso, mas só farei quando Selma estiver livre de qualquer acusação. - começou a rir - meu Deus do céu, quando eu poderia imaginar que um dia estaria assim, preocupada com Selma?
- Ainda bem que Deus ouviu minhas orações, Flora.
Ouviram o telefone tocar e olharam-se surpresas.
Logo depois, uma das empregadas da casa se aproximou:
- O doutor José Luiz está ao telefone e quer falar com a senhora, dona Flora.
- Ainda surpresa, Flora se levantou e caminhou até a sala onde estava o telefone:
- Alô. Bom dia, José Luiz!
Você não vai morrer nunca!
-Bom dia, Flora.
Por que está dizendo isso?
- Eu e Esmeralda estávamos falando sobre você.
-Espero que tenham falado coisas boas.
- Claro que sim.
Falávamos sobre sua investigação no caso de Selma.
- É justamente por isso que estou telefonando.
- Tem alguma novidade?
-Sim. E, se você estiver livre, gostaria que fosse comigo a um lugar.
Acredito que lá descobriremos o que aconteceu de verdade.
- Claro que estou livre!
Estou ansiosa para que tudo seja esclarecido e termine.
-Daqui a meia hora está bem?
- Estarei esperando por você!
Flora desligou o telefone e, sorrindo, voltou para a sala de jantar onde Esmeralda estava:
- Ele disse que está perto de desvendar tudo, Esmeralda, e quer que eu vá junto!
- Graças a Deus, Flora.
Sabe para onde ele vai levar você?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:41 pm

- Não, mas isso não importa.
O que importa é desvendarmos esse mistério.
Vou me arrumar, ele vem me buscar dentro de meia hora.
Dizendo isso, correndo subiu a escada que a levaria ao seu quarto.
Esmeralda, feliz, ficou olhando para ela.
Meia hora depois, o carro de José Luiz parou em frente à casa de Flora.
Alguns minutos depois ela apareceu.
Ele, que estava em pé junto ao carro, beijou seu rosto e abriu a porta para que ela entrasse.
Assim que ela entrou, ele deu a volta e entrou também, e em seguida acelerou o carro e saíram.
- O que você descobriu, José Luiz?
- Outro dia, quando estava na cidade onde Selma está morando, fui até a delegacia e peguei com o delegado o endereço do pai de Margarete.
Fui até lá, mas ele não mora mais no mesmo endereço.
Fiquei um pouco perdido, mesmo assim continuei a investigação e, através dos vizinhos, cheguei a um provável endereço.
É para lá que estamos indo, acredito que lá está a solução de tudo o que aconteceu.
- Será, José Luiz?
- Espero que sim.
Ansiosa, Flora ficou olhando a paisagem.
Em alguns minutos, José Luiz pegou uma estrada que os levaria para a periferia da cidade.
Logo depois, entraram em um bairro que parecia ser muito pobre.
As casas eram pequenas, as ruas não tinham asfalto e uma água verde escorria pelos cantos.
As casas não tinham muro, apenas cerca, na sua maioria feita de arame.
Aquele era um lugar que Flora jamais imaginou existir.
Após perguntar para algumas pessoas que encontraram pelo caminho onde ficava a rua que procuravam, José Luiz parou o carro diante de uma casa:
- É esta casa, Flora.
Fique aqui.
A casa era comprida, possuía um pequeno corredor, era rodeada por uma cerca com trepadeiras muito verdes e tinha um pequeno portão.
José Luiz desceu, deu a volta pelo carro e bateu palmas diante do portão.
Flora, assustada e angustiada, acompanhava o que ele fazia.
Uma senhora apareceu:
- Boa tarde, senhora.
Preciso falar com Margarete, ela está em casa?
A mulher, enquanto andava pelo corredor, perguntou:
- Ela está, sim, mas quem é o senhor?
- Sou amigo dela e precisamos conversar.
A senhora poderia chamá-la?
Assim que a mulher se aproximou, olhou para o carro e, ao ver Flora, estremeceu e tentou voltar para a casa.
Flora ao ver o seu rosto não se conteve.
Abriu a porta do carro e desceu:
- Dona Mirtes, a senhora mora aqui?
A senhora, assustada, quis retornar para dentro da casa, mas Flora a segurou pelo braço e continuou:
- Por favor, dona Mirtes, precisamos conversar.
- Não temos o que conversar e não imagino o que estejam fazendo aqui!
- Também não sei o motivo de estarmos aqui, mas já que estamos precisamos conversar.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:41 pm

Disse, olhando para José Luiz, que assim como ela parecia estar surpreso:
- Você conhece essa senhora, Flora?
- Sim, José Luiz.
Ela trabalhava na cantina do colégio em que estudamos e também é mãe de Matilde.
Ao ouvir aquilo, surpreso, José Luiz perguntou:
- Mãe de Matilde?
- Sim, sou mãe de Matilde, aquela que vocês assassinaram e que, fazendo isso, destruíram a mim e a toda a família! - Falou, demonstrando com os olhos, a expressão e os gestos muito ódio.
Estou estranhando a presença de vocês aqui, já que durante todos esses anos nunca vieram para saber como eu estava.
Simplesmente se esqueceram de Matilde e de todos nós!
- Sinto muito por tudo o que aconteceu, dona Mirtes, mas não tivemos culpa.
Foi uma tragédia.
- Como não tiveram culpa?
Iludiram minha filha com a vida que levavam e fizeram com que fosse assassinada da maneira como foi!
Vocês e principalmente Selma foram os culpados!
- A senhora tem razão de estar nervosa, mas já se passou muito tempo.
O ódio só pode causar mal, e é isso que está fazendo com a senhora.
Eu também odiei muito Selma por pensar que ela era a culpada pela morte de minha irmã, perdi um tempo imenso que não me levou a coisa alguma, mas hoje eu a perdoei e estou me sentindo muito bem.
A senhora deveria tentar perdoar, será para o seu próprio bem.
- Perdoar? Nunca!
Ela precisa pagar pelo que fez e já está pagando!
Antes de Flora dizer alguma coisa, viram que da casa saía uma moça que se encaminhava até eles.
Assim que se aproximou, perguntou:
- Está tudo bem, tia?
- Não, Margarete, não está tudo bem!
Eles estão procurando você!
- Eu? Por quê?
- A Senhora permite que entremos em sua casa? - Perguntou José Luiz, abismado com o que ouviu.
- Na minha casa? Nem pensar!
- Sou advogado e como tal sugiro que permita a nossa entrada para podermos conversar com mais calma.
- Advogado? O que um advogado quer na minha casa?
- Sabemos que Selma e o marido foram vitimas de uma armadilha que os levou à prisão.
Nossas investigações nos trouxeram até aqui.
Para o bem da senhora e de você, Margarete, volto a pedir que permitam a nossa entrada, pois se não permitirem serei obrigado a ir até a polícia abrir um boletim de ocorrência e terão de falar com o delegado.
As duas se olharam.
Mirtes, por ser uma pessoa humilde, ao ouvir falar em polícia se assustou:
- Por que o senhor iria até a polícia?
Não fizemos coisa alguma.
- Acredito que tenham feito.
O que acha, Flora?
- Desde que eles foram presos e tivemos a certeza de que eram inocentes, fiquei procurando quem poderia ter premeditado e feito aquilo.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:41 pm

Agora, vendo que Margarete faz parte da família de Matilde, acredito que tenham algo a ver com tudo o que aconteceu.
Por favor, dona Mirtes, deixe-nos entrar.
Assustada e preocupada, Mirtes abriu o portão e permitiu que entrassem.
Caminharam pelo corredor estreito até chegarem a uma porta que estava aberta.
Assim que entraram encontraram outra mocinha.
José Luiz, ao vê-la, nervoso, perguntou:
- Você não é Fabiana, a amiga de Carlos?
Ao vê-lo, Fabiana tentou entrar por uma porta que estava aberta.
- Não adianta fugir, Fabiana.
Já vi você e estou começando a entender o que aconteceu. - Disse José Luiz, demonstrando nervosismo.
Fabiana, entendendo que não tinha como fugir, voltou para a sala e sentou-se em um pequeno sofá que havia ali.
- Quem é essa menina, José Luiz?
- É amiga de Carlos, filho de Selma.
Ela ficou o tempo todo ao lado dele enquanto os pais estavam presos.
Flora, após reflectir por alguns segundos, perguntou muito nervosa:
- Você também fez parte de tudo o que aconteceu com eles?
Fabiana não respondeu, apenas olhou para Mirtes e Margarete, que também a olhavam.
- Não estou entendendo o que o senhor está falando.
- Está, sim, dona Mirtes.
Não sei como, mas a senhora descobriu que Selma havia planeado aquilo que levou à morte de sua filha e, tomada de ódio, quis se vingar.
Conversou com essas moças e as convenceu de irem para aquela cidade e fazerem tudo o que fizeram.
- O senhor está imaginando coisas.
Sou pobre, como poderia fazer isso?
- Também não sei, mas sugiro que nos conte como planeou e colocou tudo em prática.
- Não tenho o que dizer.
- Tem sim, tenho certeza disso.
Assim como chegamos até aqui, o delegado chegará com mais facilidade porque terá mais argumentos e pistas do que eu tinha.
Por isso, se a senhora não me contar como fez, vou conversar com ele e poderá ser presa por calúnia, injúria e difamação.
Poderá ficar presa por até três anos, não só a senhora, mas todos os envolvidos.
Ao ouvir aquilo, Margarete olhou para Fabiana e quase gritou:
- Não quero ser presa, tia!
- Nem eu! A senhora disse que ninguém ia descobrir o que fizemos!
Mirtes, também assustada e percebendo que havia sido descoberta, resignada disse:
- Está certo.
Fui eu quem planeou e colocou em prática tudo o que aconteceu.
- Como e por que a senhora fez isso? - Flora perguntou, abismada.
- Eu é que pergunto, como você pode não saber o motivo?
Mataram a minha filha, que era linda e tinha um futuro brilhante.
Ela foi embora e vocês continuaram a vida sem se interessarem pelo que tinha acontecido comigo e com nossa família.
- Entendo sua indignação.
Realmente, Matilde não deveria ter morrido daquela maneira.
A senhora nos acusa de sermos culpadas, só não entendo o motivo de ter se vingado somente de Selma.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:42 pm

- Acalmem-se vocês duas!
José Luiz disse, tentando manter a calma, e continuou:
Senhora, por favor, conte como conseguiu colocar em prática seu plano de vingança.
- Nunca gostei da amizade de vocês com Matilde e sempre a alertei sobre isso.
Sempre disse que entre pessoas como a gente e vocês nunca poderia existir amizade, mas ela não me ouviu.
- Não é bem assim, dona Mirtes.
Existem pessoas que não se importam com a posição social e são amigos sinceros. - José Luiz disse, interrompendo-a.
- Talvez isso aconteça, mas eu não conheço nenhum.
- Por favor, José Luiz, não a interrompa.
Preciso saber o que aconteceu.
Mirtes, com o olhar frio, olhou para Flora e continuou:
- Nosso mundo era muito diferente, mas ela, quando começou a ter amizade com vocês, ficou encantada com a possibilidade de viver como viviam.
Apesar dos meus avisos, ela não me ouviu e escondia os presentes que ganhava e que saía com vocês.
Durante muito tempo fiquei preocupada com essa amizade, pois sabia que não poderia acabar bem, e só fiquei feliz e tranquila quando se formaram e cada uma de vocês seguiu sua vida.
Matilde ficou ressentida por vocês nunca mais a terem procurado, pois, segundo ela, não precisavam mais que fizesse os seus trabalhos escolares.
Tudo ia bem, até o dia em que Selma procurou por ela e tudo voltou a ser como antes.
Eu sentia, não sei se pressentimento de mãe, que alguma coisa de ruim ia acontecer.
Procurei falar com ela novamente mas, como das outras vezes, não me ouviu.
- Desculpe, senhora, mas embora possa parecer que tenhamos sido culpadas a senhora mesma está dizendo que ela não quis ouvir o que a senhora dizia.
Não quero dizer que somos inocentes, mas ela também não foi.
Dessa vez, quem a interrompeu foi Flora.
Matilde que, perplexa, acompanhava a conversa calada, por fim disse, chorando:
- Ambas têm razão, Péricles.
Eu não ouvi minha mãe e sabia o que estava fazendo, mas queria porque queria ser rica como as outras meninas.
Ao ouvir aquilo, Péricles permaneceu calado e apenas sorriu.
Mirtes continuou:
- Matilde encontrava-se com vocês sempre escondido.
Por isso, naquela noite, quando a polícia foi à minha casa para me avisar que ela estava ferida, levei um grande susto.
- Como a polícia encontrou o seu endereço, dona Mirtes?
- Fui eu, José Luiz. - Disse Flora.
Quando o policial perguntou se alguém sabia onde Matilde morava, disseram a eles que provavelmente eu sabia.
Vieram me perguntar e eu disse que a mãe dela trabalhava no colégio e dei o endereço.
- Ainda bem que você sabia, Flora.
Mas continue, dona Mirtes.
- Fui até a mansão no carro da polícia.
Assim que cheguei fiquei abismada, pois nunca havia entrado em uma casa como aquela, mas não parei para pensar, queria apenas ver minha filha.
Assim que entramos na casa, uma policial se aproximou e, me abraçando, disse muito emocionada:
-Infelizmente, senhora, sua filha não resistiu.
- Fiquei olhando para ela sem conseguir entender ou aceitar o que ela dizia.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:42 pm

Depois de alguns segundos, olhei para um lugar onde havia muitas pessoas e fui correndo para lá e, ao ver Matilde deitada no chão cercada de muito sangue, não resisti e comecei a gritar.
Mirtes e Flora choravam muito ao se lembrarem daquele dia.
José Luiz olhou para as duas e fez um esforço enorme para não chorar também:
- Fiquei ali até que a policial, segurando meus braços, fez com que eu me levantasse e me levou até uma sala onde me sentei em um sofá.
Enquanto saía vi que Ariete e um rapaz também estavam deitados e ensanguentados.
Eu estava desesperada, sem entender o que havia acontecido.
Enquanto ela me levava, procurei por Selma e por você, Flora, pois eram as únicas que eu conhecia e que poderia me dar as respostas que precisava, mas não as encontrei.
- Eu estava no meu quarto e não sabia para onde Selma tinha ido. - Flora disse, chorando.
Mirtes continuou:
- Algumas pessoas, que eu não conhecia, vieram falar comigo, mas eu não queria ouvir nada nem falar com ninguém.
Ouvi alguém dizer que Ariete tinha matado Matilde por ciúmes do namorado.
Eu não entendia aquilo, pois minha filha nunca comentou estar gostando de alguém.
Eu sabia que ela gostava de frequentar as festas, mas apenas pelo luxo.
Fiquei ali até que os corpos foram levados pela polícia.
Graças a um pedido da policial, que, naquela noite, foi como um anjo da guarda, o mesmo carro que havia me levado até lá me trouxe de volta para minha casa.
Ao ouvir aquilo, Péricles sorriu:
- Sua mãe não sabia, Matilde, mas ela estava sendo protegida.
É uma pena que as pessoas não saibam que nunca estão sós.
Matilde, com os olhos lacrimejando, voltou-se para a mãe, que continuou:
- Demorei alguns dias para aceitar que aquilo realmente havia acontecido.
Meu corpo doía de dor, parecia que um pedaço de mim tinha sido arrancado com violência.
Não tinha certeza, mas sabia, em meu íntimo, que vocês tinham sido as culpadas, só não imaginava como.
Não mexi nas coisas de Matilde, suas roupas, livros ou qualquer outra coisa.
Achava que se ficasse tudo como antes, a qualquer momento ela voltaria.
O tempo foi passando e eu não conseguia aceitar.
Entrei em uma depressão profunda e, por mais que minha família tentasse me ajudar, não conseguia.
Quase não comia, o que me levou a ficar doente e ser afastada do trabalho.
Passava o tempo todo chorando e querendo saber o que havia acontecido para que Matilde fosse morta daquela maneira covarde.
Um dia, resolvi que precisava reagir.
Matilde estava morta, mas eu precisava continuar e ia começar me desfazendo de tudo que era dela.
Abri o armário onde ela guardava suas roupas, que não eram muitas e couberam em apenas uma mala.
Em outra maleta coloquei seus sapatos e bolsas.
Depois de ter tirado tudo, ainda sobraram os livros que, esses sim, eram muitos.
Resolvi que os levaria para a biblioteca da cidade, onde poderiam ser usados.
Estava guardando todos eles em uma caixa, quando vi um bem pequeno.
Peguei em minha mão e vi que se tratava de um diário.
Estranhei, pois nunca imaginei que Matilde tivesse um diário.
Sentada sobre a cama, comecei a ler.
Nele, ela havia contado tudo o que acontecera durante o tempo em que estudou ao lado de vocês.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:42 pm

Fui lendo até chegar à semana da festa onde ela morreu e a felicidade que estava sentindo por poder encontrar com o amor da sua vida, José Luiz.
- Eu? Não pode ser!
Nunca houve nada entre nós.
Para mim, ela era apenas uma amiga das meninas.
Depois, vou mostrar o diário para o senhor.
Ela sempre o amou e tinha esperança de que, naquela noite, seria notada.
Selma fez com que ela pensasse que o senhor também gostava dela.
José Luiz, atónito, continuou ouvindo Mirtes:
- Lendo o diário, pude ver que a única culpada havia sido Selma.
Fui tomada de um ódio enorme.
Minhas dúvidas haviam se confirmado.
Com o diário nas mãos, estava decidida a ir até a casa de Selma, mas não sabia onde ela morava.
Fui até o colégio e através de uma colega de trabalho consegui o endereço e fui até lá.
Assim que cheguei em frente a casa, fiquei olhando e entendi o fascínio que ela tinha exercido sobre Matilde, seu tamanho e beleza eram mesmo impressionantes.
Diante do portão, pude ver que um senhor com uniforme de motorista estava junto ao carro.
Toquei a campainha, ele me viu e veio até mim:
-Bom dia, senhora. Posso ajudar?
- Preciso falar com Selma.
- Desculpe, senhora, mas ela não está.
- Como não está?
Ela não mora aqui?
- Morava, mas não mora mais.
- O senhor sabe onde posso encontrá-la?
- Infelizmente, não.
Ela se mudou e não deixou endereço.
- O senhor está falando a verdade?
Ela não mora mais aqui, mesmo?
- Claro que estou dizendo a verdade!
Por que eu mentiria?
Percebi que ele realmente falava a verdade.
-Obrigada, senhor.
- Arrasada, estava me afastando, quando ouvi:
-Espere, senhora!
- Ao ouvir aquilo, me voltei e ele perguntou:
-A senhora não é mãe da Matilde?
-Sou, sim, mas como sabe disso?
- Eu a vi naquela noite na casa de Ariete.
Foi naquele dia que Selma desapareceu sem deixar endereço, mas por que está procurando por ela?
- Desconfio que foi ela quem planeou o que aconteceu com minha filha.
O senhor não sabe mesmo onde ela está?
- Não, não sei.
Mas como a senhora pode dizer isso?
- Não importa.
Obrigada, senhor, pela atenção.
- Saí dali arrasada.
Precisava encontrar Selma para fazer com que confessasse sua participação na morte de minha filha.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:42 pm

Daquele dia em diante, passei a não me conformar com a morte de Matilde e o meu ódio por Selma foi aumentando cada dia mais.
Impotente por não conseguir falar com ela, entrei em uma depressão profunda.
Meus filhos se casaram e minha depressão ficou mais forte, mudei de casa e vim para cá, mais perto da minha família, que estava muito preocupada comigo.
Um dia, minha irmã Carolina veio até minha casa:
-Mirtes, você não pode continuar assim.
- Assim como?
- Está magra e abatida.
Onde está aquela mulher lutadora que criou os filhos com tanta garra?
- Não sei para onde ela foi.
Até tenho tentado voltar a ser ela, mas não consigo.
O ódio que estou sentindo é imenso, só vou descansar quando conseguir me vingar.
- O que adianta isso, Mirtes?
Essa moça deve estar bem, enquanto você está sofrendo.
E, afinal, nada que fizer poderá trazer sua filha de volta.
- Sei disso, mas sinto que Matilde só vai descansar quando Selma pagar pelo que fez.
Ao ouvir aquilo, Matilde olhou para Péricles:
- Eu nunca soube de nada que acontecia com minha mãe, Péricles.
De onde ela tirou a ideia de que eu queria vingança?
- Não pode negar que durante muito tempo desejou isso, Matilde.
Lembra-se do quanto todos conversamos com você para que entendesse o que havia acontecido?
Foi por esse motivo que não permitimos que você viesse visitar sua mãe, pois sabíamos que se a visse da maneira como estava seu ódio voltaria e você perderia aquilo que conseguiu, a paz.
- Hoje entendo o que fizeram por mim.
Mesmo assim, eu deveria ter ficado ao lado de minha mãe.
Imaginava que ela deveria ter sofrido, mas nunca imaginei que tivesse sido tanto.
- Hoje você está aqui porque ela precisa de muita luz.
Olhe como sua mãe está cercada de energias densas.
Essas energias não estão só por fora, mas por dentro também.
Seus órgãos vitais estão comprometidos e, quando isso acontece, as doenças tomam conta e fica muito difícil encontrar uma cura.
Preste atenção que, mesmo depois de ter conseguido se vingar de Selma, as energias continuam aí e ela não está se sentindo melhor.
A vingança não traz paz, mas traz somente um vazio imenso.
Se prestar atenção, vai ver que à medida que ela vai contando o que aconteceu, as energias vão se desfazendo e ela vai ficando mais tranquila.
Embora não admita, seu espírito está feliz pelo que está acontecendo aqui.
Vamos continuar ouvindo o que ela tem a contar.
- Minha irmã, após conversar muito tentando fazer com que eu reagisse e vendo que eu não reagia, disse:
-Venha passar alguns dias comigo.
Sabe que a cidade onde moro é tranquila.
Saindo desta casa onde Matilde viveu, talvez possa entender e aceitar sua morte.
- Eu não queria, mas sabia que nem ela nem meus filhos me deixariam em paz, então aceitei o convite:
-Está bem, vou com você, mas apenas por alguns dias.
- Mesmo a contragosto fui com ela.
A cidade era pequena, com poucas ruas, e muito tranquila.
- Fiquei ali durante uma semana.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:43 pm

Minha irmã fez de tudo para que eu me sentisse bem.
Preparou comidas que sabia que eu gostava, me levou para conhecer os principais lugares da cidade, mas nada me fazia esquecer de Matilde e de Selma.
A certeza de que nunca encontraria a causadora daquela tragédia me fazia muito mal.
Precisava descobrir onde ela estava, mas não sabia como fazer.
O desejo de vingança chegava a doer em meu peito.
Resolvi vir embora e falei para minha irmã:
-Carolina, amanhã cedo vou embora.
- Por que, Mirtes?
Você está bem aqui.
Fiz alguma coisa que a magoou?
- Não, você é uma irmã maravilhosa mas preciso voltar para minha casa:
- Você é quem sabe.
Mas acredito que se continuar aqui por mais algum tempo vai melhorar.
- Não vou, Carolina.
Depois desses dias entendi que não adianta, aonde eu for esse sentimento de ódio vai me seguir.
- Não pode continuar assim, Mirtes.
Você está precisando de uma religião, de Deus.
- Deus? Deus?
Ele não existe e se existir é um criminoso por tirar minha filha tão jovem e bonita! - Eu disse chorando e gritando.
- Não diga isso, minha irmã.
Deus é nosso Pai e nos ama muito.
- Pode amar você, mas a mim, se é que Ele existe, com certeza me odeia!
- Você está muito nervosa e não sabe o que diz.
- Estou muito nervosa mesmo, Carolina, por saber que não tem como eu encontrar Selma e só vou descansar e ficar em paz quando conseguir me vingar.
Nunca quis ter dinheiro, pois sempre vivi muito bem com o que tinha, mas neste momento eu queria ter muito.
- Para que, Mirtes?
- Para poder contratar um bom detective que, certamente, a encontraria onde estivesse escondida.
- Você precisa se esforçar para mudar de pensamento.
- Não vou mudar, Carolina!
- Vou orar muito por você, minha irmã!
- Obrigada, mas preciso comprar doces e queijo para levar, pois, se não fizer isso, eles vão me matar.
Eu disse rindo, para mudar aquele assunto que estava me incomodando.
-Está bem, Mirtes, faça como quiser e achar melhor.
Continue perdendo seu tempo se desgastando com esses sentimentos ruins.
- Minha irmã me conhecia muito bem e sabia que eu dificilmente mudaria de ideia, sorriu e olhando para o relógio da parede disse:
-Está quase na hora de preparar o almoço, mas acho que ainda temos tempo para ir até o centro comprar seu doce.
Vamos até lá?
-Vamos, sim.
Vou pegar minha bolsa.
- Pegamos a bolsa e saímos.
Minha irmã fala muito e sempre tem uma história para contar.
Enquanto caminhávamos, ela ia falando e eu rindo.
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Ave sem Ninho

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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:43 pm

Chegamos a uma rua.
Ela, sorrindo, disse:
- Esta é a rua principal da cidade, e logo mais, ali na frente, tem um armazém onde se vende de tudo e você vai poder comprar seus doces e seu queijo.
- Sorri e continuamos andando.
Enquanto andava, eu ia vendo todo o comércio que havia naquela rua.
De repente, do outro lado, vi Selma e você, Flora, conversando.
Nervosa, parei:
-Carolina! Aquelas que estão conversando ali são Selma e Flora!
-Carolina se assustou:
-Não pode ser, onde?
- Disfarçando e me voltando para que vocês não me vissem, apontei para o lugar onde vocês estavam.
- Esse foi o dia em que reencontrei Selma. - Disse Flora.
Eu estava ali para me vingar dela também.
- Da maneira que conversavam não parecia ser isso, Flora.
Vocês pareciam grandes amigas.
De qualquer maneira, ao ver vocês duas ali a menos de vinte metros de mim, fiquei parada.
Meu corpo todo começou a tremer.
Minha irmã, ao ver que eu estava muito branca e tremendo, pegou meu braço e caminhamos até a esquina onde não havia perigo de que vocês pudessem me ver.
-Tem certeza de que são elas, Mirtes?
-Tenho, sim, embora Selma esteja diferente, com os cabelos molhados pelo suor e com um vestido simples.
Não sei o que aconteceu, mas é ela, sim.
-O que vai fazer?
-Depois de respirar e me acalmar vou até lá!
-Vai fazer o quê?
Dizer que sabe o que aconteceu com Matilde?
Não precisa fazer isso, ela sabe o que fez!
-Preciso pensar.
Esperei tanto por este dia e agora que chegou não sei o que fazer.
Procurei por ela durante tanto tempo!
Pensar que você me convidou tantas vezes para vir pra cá e sempre me recusei!
- Não sei, mas acho que não tinha chegado a hora, Mirtes.
Vamos para casa.
Lá você poderá pensar melhor.
- Não podemos ir, Carolina.
Precisamos saber onde ela mora e como está vivendo.
- Está bem.
Vamos ficar aqui e ver para onde ela vai.
- Ficamos ali e depois de algum tempo vocês se despediram, Flora.
Selma começou a andar e nós fomos atrás.
Quando ela entrou em uma casa, nervosa, falei:
- É aqui que ela mora, nessa casa tão simples?
- Parece que sim, Mirtes.
-Não pode ser!
Ela foi sempre tão orgulhosa, como pode ter mudado tanto, Carolina?
- Abismada, estava ali sem conseguir acreditar no que via.
Um rapaz e um menino chegaram e entraram na casa.
Eles conversavam e riam.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:43 pm

Minha irmã, ao vê-los, quase gritou:
-Esse menino é o Carlos!
Ele estuda na mesma escola que o meu filho!
- Tem certeza, Carolina?
-Tenho! Ele já foi em casa várias vezes.
-Agora já sabemos onde ela mora e, para minha sorte, você conhece o filho dela.
Paulinho deve saber algo mais.
Vamos para casa, vou pensar num jeito de ela pagar pelo que fez.
Voltamos para casa.
Meu sobrinho, Paulinho, amigo do filho de Selma, estava lá.
Perguntei pra ele:
- Paulinho, você conhece os pais do seu amigo Carlos?
- Conheço. Seu Roberto trabalha no lacticínio e a dona Selma ajuda no orfanato.
- Joel também trabalha no lacticínio e namora com Sandra, uma moça que mora no orfanato, Mirtes! - Minha irmã disse empolgada.
- Isso é muito bom, Carolina!
Já estou começando a pensar em uma maneira de me vingar dela!
- Estávamos conversando, quando Joel, meu outro sobrinho, chegou para o almoço.
Antes de almoçarmos, chorando, perguntei:
-Joel, você conhece Roberto, pai de Carlos, que trabalha no lacticínio?
- Conheço, ele é meu chefe.
Por que a senhora está perguntando isso, tia?
- Ele é o marido da assassina da sua prima.
- Não pode ser, tia!
Ele é um chefe competente e muito bom, e Sandra disse que dona Selma ajuda muito no orfanato.
- Naquele instante em que conversava com Joel, surgiu uma ideia de como me vingar de Selma.
Feliz, disse:
-Selma está livre porque não despertou suspeita alguma.
Ela planeou uma maneira de matar minha filha!
Agora, precisamos preparar uma armadilha para que pague o que fez!
- Que ideia é essa, Mirtes?
- É simples, Carolina.
Vou até minha casa conversar com Jorge, Margarete e Fabiana.
Quando estiver tudo certo, voltamos para cá e combinamos tudo.
- Quem são Jorge, Margarete e Fabiana?
- Meu irmão e minhas sobrinhas.
- Meu Deus do céu! - José Luiz exclamou assustado.
- O que foi, José Luiz?
- Se alguém me contasse eu diria que estava mentindo, Flora.
- Por quê?
Lembra-se quando falamos que somente alguém com muito dinheiro poderia comprar pessoas para fazerem algo assim?
Não foi preciso dinheiro, Flora!
- Lembro-me, José Luiz, mas porque está dizendo isso?
- Não foi preciso usar dinheiro!
Todos os que participaram fazem parte da família de dona Mirtes!
Não sei se foi coincidência ou não, mas todos se conhecem e se uniram.
- É verdade, dona Mirtes?
São todos de sua família?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:43 pm

- Sim, Flora.
Procurei Selma por tanto tempo sem imaginar que ela estava aqui na cidade onde nasci e minha irmã mora.
- Como a senhora planeou tudo?
- Voltei para minha casa e conversei com Jorge e as meninas.
Expliquei como deveria ser feito.
Todos acharam que seria fácil.
A única que ficou um pouco preocupada foi Margarete, que disse:
-Não sei, tia.
Para que seu plano dê certo, vou ter de conseguir um emprego.
- Não vai ter problema algum, Margarete.
Há muito tempo, Jussara está querendo fazer faculdade.
Vou conversar com ela e dizer que pode ficar lá em casa.
- Os pais dela vão deixar, tia?
- Acho que sim, nos conhecemos desde crianças.
Eles sabem que vou cuidar muito bem dela.
- Está bem, tia.
O que essa moça fez com Matilde não tem perdão.
Se conseguir convencer Jussara e os pais dela, vou fazer minha parte.
- Todos nós fomos para a cidade onde Selma estava.
Assim que cheguei, fui conversar com Mariucha, mãe de Jussara e minha amiga desde criança.
Quando cheguei a sua casa, ela me recebeu com muita alegria, pois fazia muito tempo que não nos víamos:
-Mirtes, você por aqui?
Que bom minha amiga.
Como você está?
- Estou bem.
Estou visitando Carolina e ela me disse que sua filha, Jussara, quer ir fazer faculdade.
É verdade?
- É, sim, mas está difícil.
Embora ela tenha passado no vestibular, não tem onde ficar.
- É por isso que estou aqui.
Como você sabe, minha filha foi assassinada e os outros se casaram.
Estou morando sozinha e, se você quiser, Jussara poderá ficar na minha casa, e não precisa se preocupar pois cuidarei muito bem dela.
- Faria isso, Mirtes? - Mariucha perguntou, animada e surpresa.
- Para mim, vai ser um grande prazer.
Estou me sentindo muito só e a companhia dela vai me fazer muito bem.
-Ela vai ficar muito feliz com seu convite, Mirtes!
Ela estava muito triste por não poder ir.
Sabe que não temos dinheiro para mantê-la lá.
- Só preciso de um favor.
-Pode dizer, pois tudo que precisar, se eu puder ajudar, farei com muito prazer.
-Margarete, a filha do Jorge está querendo vir morar aqui.
Ela brigou com o namorado e não quer mais continuar morando lá.
Fiquei sabendo que Jussara trabalha no lacticínio.
Ela, indo embora, deixará o trabalho e vai precisar de alguém para ficar no seu lugar.
Margarete já trabalhou como secretária.
Acha que Jussara poderia apresentá-la?
- Acho que sim.
Ela vai ficar tão feliz que fará qualquer coisa para agradecer a você, assim como eu.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 06, 2017 7:43 pm

-A senhora não contou a ela qual era a sua real intenção?
- Não, Flora.
Ela não fazia parte da família e poderia não aceitar.
- A senhora pensou em tudo.
Foi muito bem planeado.
- Sim, Flora, o meu ódio foi o que me ajudou a planear.
Depois de tudo resolvido colocamos em prática o nosso plano.
Jussara pediu demissão do emprego e apresentou Margarete.
Joel esperou que todos saíssem e fez o furo na parede e na estante que ficava em frente à mesa do marido de Selma.
- O nome dele é Roberto, dona Mirtes.
Ele é um bom homem e não deveria ser julgado e condenado pelo que Selma fez. - José Luiz disse, demonstrando irritação.
- Eu não o conhecia e fiquei admirada quando soube que era o marido de Selma.
Como ela sempre foi muito preconceituosa, jamais imaginei que chegaria a se casar com um negro.
Eu precisava acabar com a vida de Selma e ele estava no meu caminho.
- Só de ver isso, a senhora poderia imaginar que ela havia mudado, que não era a mesma pessoa de antes.
- Cheguei a pensar nisso, Flora, mas a única coisa que me levou a tomar essa atitude foi saber que apesar de tudo o que havia feito Selma estava feliz, casada e com um filho, enquanto eu havia perdido minha filha para sempre.
- Foi tão fácil assim, dona Mirtes?
- Sim, Flora, muito fácil.
- Como conseguiram fazer com que o dinheiro fosse encontrado na casa de Selma?
- Fabiana teve como missão se aproximar de Carlos e se tornar sua amiga.
- Ele gosta muito de você, Fabiana, e vai sofrer muito quando souber de tudo isso.
É um bom menino. - José Luiz falou, olhando para Fabiana, que abaixou a cabeça.
- Sandra foi praticamente criada por Marília, dona Mirtes!
Como pôde fazer algo tão terrível?
- Ela está apaixonada por Joel, Flora, e também se revoltou ao saber que Selma matou minha filha.
- Entendo, mas mesmo assim foi muita traição.
O que a senhora fez quando soube que tudo tinha dado certo e que Selma e o marido estavam presos?
- Naquele dia, eu estava na cidade e acompanhei tudo o que aconteceu.
Vi quando Selma e o marido caminhavam pelas ruas em direcção à delegacia e todas aquelas pessoas acompanhando.
Fiquei feliz por, finalmente, ela ser punida.
Ela foi vítima da mesma armadilha que havia preparado para Matilde.
Só fiquei preocupada por Carlos.
Ele frequentava a casa da minha irmã e, por isso, eu o conhecia e sentia que era um bom menino, mas o meu desejo de vingança foi maior.
Fabiana veio me contar que a avó dele, que era muito rica, ia levá-lo embora da cidade.
Fiquei mais feliz ainda, pois Selma, além de estar presa ao lado do marido, também ficaria sem poder ver o filho.
Ela havia me tirado a minha filha, e eu tirei o filho dela.
- Hoje, depois que tudo deu certo, como a senhora está.
Ficou satisfeita?
- Não, não fiquei.
Sinto ainda o mesmo vazio que achei que terminaria assim que me vingasse, mas não aconteceu.
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