As chances que a vida dá / Elisa Masselli

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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 7:14 pm

- Também foi um prazer conhecer você, Marília.
Voltarei, sim, e todos os meses mandarei uma pequena quantia para ajudar o orfanato.
- Obrigada!
Selma, Flora e Esmeralda começaram a andar.
Elas iam pelo mesmo caminho.
Enquanto caminhavam, Selma disse:
- Desejo que façam uma boa viagem.
Flora, por favor, não conte a mamãe que me encontrou.
- Ela ficaria feliz em ver você, Selma.
- Não sei, Esmeralda.
Depois de tudo o que aconteceu, não sei se ela quer me ver novamente.
- Não podemos dizer coisa alguma a esse respeito, Selma.
Não precisaremos mentir, pois sua mãe, todas as vezes que nos encontramos, nunca diz nada a seu respeito.
Por isso, fique calma que não diremos nada a ela.
Fiquei feliz em encontrar você e espero que continue bem e tranquila
ao lado do seu marido e filho.
Esmeralda, ao ouvir aquilo, pensou:
O que será que aconteceu para que Flora mudasse seu pensamento?
Até poucos dias, a única coisa que queria e que sempre quis foi encontrar Selma para destruir sua vida.
Não estou entendendo mesmo.
Continuaram caminhando até chegarem à esquina, onde seguiriam por lados opostos.
Pararam, se abraçaram e se beijaram no rosto.
Em seguida, continuaram andando em sentidos opostos.
Enquanto caminhavam, Esmeralda, preocupada, disse:
- O que aconteceu para que você desistisse de se vingar de Selma?
Flora parou de caminhar, voltou-se para ela e, nervosa, disse:
- Não entendo você, Esmeralda.
Durante todos esses anos tem tentado me fazer mudar de ideia.
Agora que mudei não quer aceitar!
Não sei por que, mas mudei de ideia.
Depois de ver que ela está casada, com um filho e como cuida com carinho do orfanato.
Senti que, enquanto fiquei me devorando com tanta raiva, tanto ódio, minha vida parou e a dela andou.
Finalmente entendi tudo o que você tem me falado durante todos esses anos.
Não vale a pena.
Vou mudar minha vida totalmente.
Quando chegarmos em casa, vou trocar todos aqueles móveis escuros pesados, que deixam a casa parecendo um museu, por móveis novos claros.
Vou colocar cortinas também claras.
Aqueles quadro caros, da colecção que meus pais tanto gostavam, vou vender.
Quero deixar minha casa e minha vida coloridas.
Chega de tanto tempo perdido.
Esmeralda começou a rir:
- Está falando sério, Flora?
Vai fazer isso, mesmo?
- Já disse que sim, Esmeralda!
Embora ache que não está certo.
Depois de tudo o que Selma fez, ela parece que foi premiada.
Tem marido, filho e ainda por cima esse orfanato, onde parece que está muito bem.
Isso não me parece justo; porém, chega de perder tempo!
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 7:14 pm

Eu poderia estar casada, ter um ou mais filhos e ao invés disso, estou aqui, quase velha sem ter coisa alguma, somente dinheiro, muito dinheiro que nada me serve, pois sou só, completamente só.
Sem marido, sem filhos e sem nem mesmo um trabalho que preencha meu tempo.
- Graças a Deus que você, finalmente, entendeu.
E, se realmente fizer isso, sua vida vai mudar completamente.
Flora sorriu e continuaram andando.
Entraram em casa e terminaram de preparar a mudança.
Não falaram mais sobre o assunto, principalmente Esmeralda que, por mais que quisesse, não conseguia acreditar que Flora havia desistido de se vingar de Selma.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 7:14 pm

A paz reina
Desde aquele dia, passaram-se quase dois meses.
Selma resolveu que já que não havia contado para Roberto sobre Flora e o que havia acontecido em sua vida, antes de chegar à cidade, achou melhor continuar calada.
Tudo continuou como sempre foi.
Ela seguia sua rotina diária dividida entre o marido, o filho e suas obrigações cuidando da casa e atendendo as meninas do orfanato.
Naquele dia, preparou o almoço e, quando estava terminando de colocar a mesa, Roberto e Carlos chegaram.
Assim que entraram, ela percebeu, pelo rosto de Roberto, que alguma coisa havia acontecido.
Assim que ele a beijou no rosto, ela perguntou:
- O que aconteceu, Roberto?
Está preocupado com alguma coisa?
- Você me conhece mesmo, não é? - Ele perguntou, rindo.
Ela também rindo, respondeu:
- Claro que sim.
Estamos casados há tanto tempo.
O que aconteceu?
Ele, enquanto se encaminhava para o banheiro, disse:
- Vou lavar minhas mãos e, depois, enquanto almoçamos, vou contar.
Acompanhado por Carlos, foi ao banheiro.
Lavaram as mãos e voltaram logo depois, sentaram-se e começaram a comer.
Enquanto comiam, Roberto disse:
- Hoje, pela manhã, Jussara chegou e disse:
-Senhor Roberto, o senhor sempre soube que eu queria fazer faculdade, pois meu sonho é ser advogada.
Estou indo para a Capital morar com uma tia.
Lá, poderei me preparar para o vestibular.
Como sei que o senhor não pode ficar sem secretária, posso trazer uma moça que é minha vizinha.
Ela se mudou há pouco tempo para cá, mas já trabalhou como secretária e acho que é competente.
Se o senhor aceitar, posso trazê-la depois do almoço e, caso o senhor concorde, vou ficar por um mês ensinando todo o trabalho.
- Assim, de repente, Roberto?
- Sim, Selma.
Por isso fiquei surpreso.
Sabia que ela queria ser advogada, mas nunca me disse que se mudaria para fazer faculdade.
Eu disse a ela que poderia trazer a moça.
Não posso ficar sem secretária nem impedi-la de realizar seu sonho.
- É verdade, mas não precisa ficar preocupado.
Essa moça deve ser competente, pode ter alguma dificuldade, mas você pode sempre ensiná-la.
- O problema é esse.
Tenho tanto trabalho que não sei se terei tempo para ensiná-la.
- Não se preocupe.
Tudo vai dar certo.
Ele sorriu.
Almoçaram, Roberto voltou para o escritório, Carlos foi para seu quarto, descansar um pouco antes de voltar à escola para o treino, e Selma foi para o orfanato.
Tudo como sempre acontecia todos os dias.
Tudo normal e tranquilo como sempre.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 7:14 pm

Roberto chegou ao escritório.
Assim que entrou em sua sala e se sentou, Jussara entrou acompanhada por uma moça e, sorrindo, disse:
- Esta é Margarete.
Roberto olhou para a moça e achou que ela era muito jovem, mesmo assim disse:
- Muito prazer!
Você me parece muito jovem.
Tem mesmo alguma experiência?
A moça, tímida, respondeu com a voz trémula:
- O prazer é meu, senhor.
Não sou tão jovem quanto pareço.
Vou fazer dezassete anos em janeiro.
Trabalhei em um escritório de contabilidade e sempre posso aprender mais.
Sem alternativa, ele disse:
- Está bem, vamos tentar.
Jussara vai conversar com você sobre o horário de trabalho e o valor do salário e, se aceitar, poderá começar amanhã.
Ela vai ficar por um mês para que você aprenda a rotina do escritório.
- Obrigada, senhor.
Vou fazer o possível e o impossível para aprender e fazer bem o meu trabalho.
O telefone tocou e ele, enquanto atendia, fez um sinal com a mão pedindo que saíssem.
Voltaram meia hora depois.
Assim que entraram, Jussara disse:
- Conversei com Margarete e ela aceitou as condições de trabalho e de salário.
Agora, só depende do senhor.
- Está bem, Jussara.
Já que você precisa mesmo sair, vamos tentar.
Mostre onde fica o departamento pessoal.
Lá, você, Margarete, vai ter todas as explicações dos documentos que precisa providenciar para começar a trabalhar, e assim que estiver tudo certo pode começar.
Sorrindo, elas saíram da sala e ele voltou ao seu trabalho.
Enquanto isso, Selma terminou de lavar a louça do almoço e de deixar a cozinha em ordem.
Depois, apressada, foi para o orfanato.
Tanto ela como Marília continuavam envolvidas com a exposição.
Ao se encontrarem, Selma disse:
- Estou tão feliz com o nosso trabalho e com a minha vida!
Tudo está caminhando tão bem, que às vezes tenho medo.
Medo do que, Selma?
- Não sei, Marília, tenho medo que de repente tudo mude.
- Mude, por quê?
Você não pode pensar assim, pois pode atrair coisas ruins.
Continue pensando nas muitas coisas boas que ainda podem acontecer na sua vida.
Você é uma moça de bem, trabalhadeira e caridosa.
Dedica quase todo o seu tempo para fazer o bem.
Por que as coisas mudariam?
- Não sei, estou com uma sensação estranha.
- Pare com isso, Selma!
Nada vai acontecer!
Deveria ler alguns livros que falam sobre a doutrina que sigo.
Eles podem ajudar você em muitos aspectos e até fazer com que entenda que, mesmo se as coisas mudarem, vai estar sempre protegida.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 7:14 pm

- Não quero ler sobre essa sua religião, tenho a minha e estou contente com ela.
Marília começou a rir:
- Não estou querendo que mude de religião, não, Selma!
Só estou tentando ajudar você a tirar esses pensamentos ruins.
Você está bem e tem motivo para estar feliz.
Não se deixe envolver por pensamentos que não são seus.
- Pensamentos que não são meus?
Que loucura é essa, Marília?
Como posso ter pensamentos que não são meus?
Algumas pessoas, quando morrem, por ainda sentirem o corpo, frio e até fome, não sabem ou não aceitam que morreram e ficam perdidas, tentando voltar para casa.
Quando não conseguem, entram em depressão e se aproximam das pessoas com quem, por qualquer motivo, tenham afinidade.
Pior ainda, quando são guiadas pela raiva ou pelo ódio e procuram a pessoa que lhe fez mal em busca de vingança.
Por isso, costumamos dizer que esses pensamentos de tristeza e de ódio sem motivo algum não são nossos.
Precisamos ficar alertas quanto a isso, pois, se os aceitarmos poderemos entrar em uma depressão de difícil volta.
- Credo, Marília!
Pare com isso!
Essa conversa está me deixando mais preocupada ainda!
- Não precisa ficar assustada.
Procure fazer com que esses pensamentos sumam.
- Eles vão sumir.
Não sei o que aconteceu, eu estava muito bem, de repente tudo mudou.
Mas agora vamos até o barracão ver como as meninas estão indo com o trabalho.
- Vamos fazer isso, sim.
Mas, antes, diga-me:
teve notícias de Flora?
- Não, desde aquele dia não soube mais dela.
- Ela, embora seja rica, me pareceu ser uma pessoa triste.
Você nunca me contou como e onde se conheceram, nem coisa alguma sobre sua vida, antes de vir para cá.
- Não gosto de lembrar o meu passado, menos ainda falar sobre ele.
- Sendo assim, não vou insistir.
Porém, se algum dia quiser desabafar, estarei sempre aqui para ouvir.
Não se esqueça de que sou sua amiga.
- Sei disso, Marília; porém ainda não estou pronta.
Tudo o que me aconteceu foi muito doloroso para todas nós.
Eu conheço Flora desde criança.
Sempre fomos muito amigas, ela, eu e Ariete, sua irmã.
Estudamos juntas até a nossa formatura no colegial.
Estávamos nos preparando para irmos para a faculdade mas, no baile em que Ariete ia ficar noiva, ela morreu.
Minha amizade com Flora terminou naquele dia, e vim para cá.
- Não entendi.
Por que a morte da irmã dela fez com que você saísse da sua casa para uma aventura como essa de ir para uma cidade tão pequena e distante?
- Fiz isso porque fui a culpada pela morte de Ariete.
- Como assim culpada?
Os olhos de Selma encheram-se de lágrimas.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 7:15 pm

Tirou um pequeno lenço da bolsa, secou os olhos e continuou:
- Desculpe-me, Marília, mas não posso continuar.
Pelo menos não neste momento.
Só quero dizer que, quando cheguei aqui, triste, sozinha e desesperada, fui acolhida com carinho e muito amor pela tia de Roberto.
Ela gostava muito de mim.
Depois de algum tempo, o destino me fez conhecer Roberto, me casei e Carlos nasceu.
Hoje tenho uma vida perfeita e quero que continue assim.
Fazia muito tempo que eu não me lembrava do passado, isso só aconteceu quando Flora apareceu aqui na cidade.
Assim que a vi fiquei assustada, pois pensei que ela ainda me odiasse e que poderia destruir a vida que construí aqui; mas, quando ela foi embora da maneira como foi, senti que estava enganada e que todo o ódio e rancor que ela poderia sentir por mim haviam desaparecido.
- Quando conheci você, não poderia imaginar que tinha uma história como essa.
Confesso que estou curiosa para saber como tudo aconteceu, mas vamos deixar para quando você sentir vontade de contar.
Agora, vamos para o galpão, temos muito que fazer até o dia da exposição.
- Obrigada por não insistir, Marília.
Qualquer dia eu conto tudo como aconteceu; mas, agora, você tem razão, precisamos ir para o galpão.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 7:15 pm

O inesperado acontece
Fazia dois meses que Margarete havia começado a trabalhar com Roberto.
Naquela manhã, ele estava em sua sala trabalhando quando ela entrou e sorridente disse:
- Bom dia, doutor.
- Bom dia, Margarete.
- O senhor me chamou?
Está precisando de alguma coisa?
- Estou sim.
Por favor, me traga o relatório das vendas deste mês.
- Pois não, vou pegar.
Saiu da sala e voltou em seguida, trazendo em suas mãos uma pasta que entregou para ele, dizendo:
- Está tudo aqui.
- Obrigado, Margarete.
Pode se retirar.
- O senhor nunca disse coisa alguma.
Preciso saber.
- Saber o que, Margarete?
- Está satisfeito com meu trabalho?
Ele se admirou com aquela pergunta e, sorrindo, respondeu:
- Estou sim.
Confesso que no início fiquei preocupado, porque estava acostumado com o trabalho de Jussara, mas você tem se saído muito bem.
Antes de sair, ela foi até uma estante que ficava em frente à mesa dele, arrumou alguns livros, se voltou e, assustada, disse:
- Olhe aqui, senhor!
Acho que tem algum rato aqui!
Ele, levantando-se, perguntou:
- Rato? Não pode ser!
Caminhou em direcção à estante e, quando estava se aproximando, Margarete o abraçou e o beijou nos lábios.
Assustado ele afastou-a:
- O que foi isso, Margarete?
Novamente, sem que ele esperasse, ela o abraçou e disse:
- Desculpe-me, senhor, mas estou tão agradecida por ter este trabalho que não me contive.
Também estou apaixonada!
Aconteceu desde o primeiro dia, não pude evitar.
Ele, aturdido, ficou olhando para ela sem saber o que falar.
Ela continuou:
- Sei que o senhor é casado, mas não me importo.
Ele, atordoado, pois não esperava que aquilo pudesse acontecer, e muito nervoso, disse:
- Por favor, saia!
Ela, também nervosa, saiu sem nada dizer.
Depois que ela saiu, ele ficou ali, sem conseguir entender o que havia acontecido.
Sabia que precisava tomar uma decisão rápida.
Depois de alguns minutos, pegou o interfone e chamou Margarete de volta.
O interfone tocou várias vezes e, quando a porta se abriu, Leandro, um rapaz que também trabalhava ali, entrou:
- Pois não, senhor.
- Peça a Margarete que venha até aqui.
- Ela foi embora, senhor.
- Como embora? Por quê?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 7:15 pm

- Não sei.
Ela saiu da sua sala chorando, pegou a bolsa e foi embora.
- Ela disse alguma coisa?
- Não, senhor.
Simplesmente foi embora.
- Está bem, Leandro.
Pode sair.
Leandro saiu e Roberto, intrigado, pensou:
O que será que deu na cabeça dessa moça?
Por que ela fez aquilo?
O telefone tocou e ele atendeu.
Era um dos seus clientes.
Desligou o telefone.
Ainda estava preocupado com o que havia acontecido, mas tinha muito trabalho, envolveu-se com ele e deixou de pensar no acontecido.
Na hora do almoço, enquanto caminhava até a escola de Carlos, onde o encontraria, foi pensando:
Não entendo o porquê de Margarete ter feito aquilo.
Ela sempre se comportou de uma maneira exemplar.
Depois, sorriu e continuou pensando:
É uma adolescente e deve ter achado que estava apaixonada por mim.
Isso é normal na idade dela.
Não vou comentar com Selma, talvez ela não entenda.
Bem, foi até bom Margarete ter ido embora.
Assim evita que eu tenha de demiti-la, o que precisaria ser feito.
Chegou à escola.
Carlos já esperava por ele e juntos foram para casa.
Quando chegaram, Selma estava terminando de colocar a mesa.
Almoçaram em paz como sempre acontecia.
Carlos, para surpresa deles, disse:
- Chegou uma menina nova na escola.
Ela veio da Capital e é linda!
Roberto e Selma se olharam e sorriram.
- Que bom, meu filho.
Parece que gostou dela.
Envergonhado, ele baixou os olhos:
- Não é nada disso, mamãe.
Ela é apenas uma colega de classe, mas não posso negar que é, sim, muito bonita.
- Não precisa se preocupar, Carlos.
É assim mesmo que acontece.
Já está na idade de começar a se interessar por meninas.
- Parem com isso! - Disse nervoso.
Roberto e Selma riram e continuaram comendo.
Em um momento, Roberto quis contar o que havia acontecido com Margarete, mas resolveu ficar calado.
Aquele assunto só ia trazer preocupação para Selma, que já estava apreensiva com a exposição.
Parecendo adivinhar o que ele pensava, disse:
- Faltam três dias para a exposição.
Estou muito nervosa, embora acredite que vai ser um sucesso!
As meninas trabalharam muito e as peças que serão oferecidas estão lindas.
Acredito que vamos arrecadar o dinheiro que precisamos para a construção da nova ala e, assim, podermos atender a mais crianças.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 7:15 pm

- Não se preocupe, Selma.
Vai dar tudo certo.
Vocês trabalharam muito e a causa é nobre!
- Sei disso, mas mesmo assim estou preocupada.
Carlos e Roberto sorriram.
Terminaram de almoçar.
Selma acompanhou Roberto até o portão e voltou para casa.
Carlos havia ido para o quarto, e ela lavou a louça rapidamente e foi para o orfanato.
Assim que chegou, foi ao encontro de Marília, que estava no galpão.
Juntas, ela, Marília e as meninas, limparam e prepararam o galpão onde as peças seriam apresentadas aos visitantes.
Forraram a grande mesa com uma toalha branca, também bordada pelas meninas.
Sobre ela colocaram as peças confeccionadas por todas elas.
Outras mesas menores foram colocadas em lugares diferentes e estratégicos.
Enquanto isso, Roberto chegou ao escritório e, como tinha muito trabalho, nem se lembrou do que havia acontecido com Margarete.
Carlos foi para o centro educacional para treinar.
Tudo estava em paz naquela casa e na vida de Selma.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Ago 26, 2017 7:16 pm

O dia da exposição
Finalmente, o dia da exposição chegou.
Tanto Selma como Marília e as meninas estavam muito animadas.
Estava tudo em ordem.
As pessoas começaram a chegar e a se encantar com as coisas lindas que eram mostradas.
No meio do dia, um carro preto e grande parou em frente ao portão.
Rita foi ver de quem se tratava.
Do carro desceu um homem com um pacote que, ao vê-la, disse:
- Preciso conversar com dona Selma e dona Marília.
- Pois não, entre, por favor.
Elas estão atendendo as pessoas.
Encaminhou o homem até a sala da casa e disse:
- Sente-se e espere, por favor, vou procurá-las.
Saiu da sala e voltou em seguida com Marília e Selma, que assim como Rita, também estavam curiosas para saber quem era aquele homem misterioso.
Aproximaram-se e, enquanto estendiam a mão para cumprimentá-lo, Marília disse:
- Boa tarde.
Sou Marília e esta é Selma.
Podemos saber do que se trata?
- Boa tarde, meu nome é Horácio.
Sou o motorista de dona Flora.
Ela e dona Esmeralda não puderam vir, mas me encarregaram de trazer este pacote e entregar às senhoras.
Elas, intrigadas, olharam para o pacote que estava na mão dele.
Marília perguntou:
- O que tem nesse pacote?
- Não sei, senhora.
Dona Flora apenas pediu que eu o entregasse.
- Está bem e obrigada por ter vindo.
O senhor quer ver os trabalhos que estão sendo expostos?
- Obrigado, senhora, mas não posso.
Dona Flora pediu que eu entregasse o pacote e fosse embora.
- Sendo assim, obrigada pelo trabalho que teve.
Ele sorriu e voltou a estender a mão, despedindo-se.
- Assim que ele saiu, Marília, que estava com o pacote na mão, muito curiosa para ver o que havia dentro dele, rasgou-o.
Assim que abriu, tanto ela como Selma arregalaram os olhos.
Marília leu um bilhete que dizia:
Pedimos desculpas, mas não pudemos comparecer.
Amanhã, bem cedo, estamos indo para a Europa.
Pretendemos passar muito tempo por lá.
Estou mandando essa quantia de dinheiro para ajudar na construção da nova ala.
Esperamos que a exposição seja um sucesso.
Marília pegou nas mãos um dos pacotinhos de dinheiro e, entusiasmada, disse:
- Olhe, Selma, quanto dinheiro!
Selma, pegando outro pacotinho, também entusiasmada, disse:
- É muito mesmo, Marília!
Quanto será que tem aí?
- Não sei, mas pela quantidade de pacotinhos, deve ter muito.
Vamos contar este para saber?
- Vamos, estou curiosa!
Marília contou e viu que no pacotinho havia cinquenta notas de cem.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:10 pm

- Cinco mil, Selma!
Em seguida, contaram os pacotinhos e viram que eram dez.
Entusiasmada, Marília quase gritou:
- Cinquenta mil, Selma!
Com este dinheiro podemos construir a nova ala!
- É verdade, Marília!
Deus está nos ajudando!
- Flora foi muito generosa!
Na segunda-feira vou mandar um telegrama agradecendo.
- Não faça isso, Marília!
Não vai adiantar.
- Por que não?
- Você não leu que elas estão indo, hoje, para a Europa?
- Verdade. Vamos esperar até quando voltarem.
Estamos com um problema, Selma.
- Que problema?
- Hoje é domingo, o banco está fechado.
Vamos ter de ficar com este dinheiro aqui em casa.
- Não deve ter problema algum, Marília.
Ninguém sabe que temos tanto dinheiro.
Pode guardar aqui, em algum lugar seguro.
- É verdade, Selma.
Vou guardar na gaveta da minha escrivaninha, só eu e você temos a chave.
E, amanhã, assim que o banco abrir, irei até lá e levarei também o dinheiro que arrecadarmos com a venda dos trabalhos das meninas.
Estou muito feliz, pois conseguiremos fazer aquilo que sonhávamos:
a nova ala e, talvez, até duas!
Felizes, saíram da sala e entraram no escritório de Marília, que tirou do bolso um molho de chave e escolheu uma.
Com ela, abriu uma das gavetas, guardou o dinheiro, fechou novamente e colocou o molho de chaves de volta no bolso.
Sorrindo, disse:
- Agora podemos voltar para a festa, Selma.
Selma disse que sim com a cabeça, e saíram, em direcção ao galpão.
A festa estava animada, pois, além das peças de artesanato, as meninas haviam preparado doces, bolos e salgados para serem vendidos também.
As pessoas, por já conhecerem aquela festa há muitos anos e também por saberem que todo o dinheiro arrecadado seria bem empregado, não se contiveram em gastar de todas as maneiras.
Comiam e riam, satisfeitos.
Eram três horas de uma tarde muito agradável.
De repente, algumas fotografias começaram a surgir, ninguém sabia de onde.
Todos olhavam para as fotografias e para Roberto que, sem entender o que estava acontecendo, ficou sem saber o que fazer.
Alguém entregou as fotografias para Selma que, ao vê-las, começou a chorar e saiu correndo.
Roberto pegou as fotografias da mão de uma pessoa, olhou e ficou horrorizado.
Havia três fotografias.
Uma com o rosto de Margarete, outra com eles se beijando e outra ainda com eles se abraçando.
Roberto ficou branco como cera e saiu correndo atrás de Selma.
A confusão foi enorme.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:10 pm

Marília, olhando para as fotos, inconformada, pensou:
Isso não pode ser verdade.
Roberto não seria capaz de fazer algo assim.
Selma, chorando, entrou em casa.
Não conseguia pensar, raciocinar, só conseguia ver as imagens das fotografias.
Sem perceber, começou a bater com muita força em uma parede.
Nesse instante, Roberto chegou, conseguiu fazer com que ela parasse e disse:
- Acalme-se, precisamos conversar.
Ela, fora de si e empurrando-o com força, gritou:
- Conversar? Conversar?
Não temos o que conversar!
Você destruiu nosso casamento e nossa vida!
Como pôde fazer aquilo com aquela menina?
- É mentira, Selma!
É mentira!
Não fiz coisa alguma!
- Como não fez?
Eu vi as fotografias.
Eu e todas as pessoas da cidade!
Você não presta!
Durante todo esse tempo em que estamos casados, jamais poderia imaginar que seria capaz de fazer uma coisa como essa!
Éramos felizes, pensei que você me amasse!
- Não é verdade, Selma.
Não sei com que intenção essas fotografias foram tiradas, mas sou inocente!
Eu amo você e ao nosso filho, jamais faria qualquer coisa que colocasse em risco a nossa felicidade.
Precisa acreditar no que estou dizendo.
- Como posso acreditar, Roberto?
Eu vi as fotografias, elas não surgiram por mágica!
- Aquelas cenas aconteceram, mas não foi da maneira como você está pensando!
- Que aconteceu eu vi, e não me interessa como foi!
Quero que saia desta casa e que não volte nunca mais!
- Precisa acreditar no que estou dizendo, Selma.
Foi algo planeado, alguém está tentando nos destruir!
Acredite em mim, por favor!
Eu amo você e jamais faria qualquer coisa que pudesse por em perigo nosso casamento e a nossa felicidade!
- Quem teria interesse em nos destruir?
Você está apenas tentando encontrar uma desculpa, mas não tem como fazer isso!
Sem mais nada dizer, ela foi para o quarto, pegou uma mala e foi colocando as roupas dele.
Depois que a mala ficou cheia, fechou e gritou:
- Agora, saia daqui e não volte!
Vá viver com aquela menina e seja feliz!
- Precisa deixar que eu conte como essas fotografias foram tiradas!
- Não quero saber!
- Mas precisa saber!
Eu ia contar a você, mas achei melhor que não soubesse!
Não queria que ficasse preocupada!
- Preocupada?
Não estou preocupada, estou desiludida e com muita raiva de mim por ter acreditado em você durante todos esses anos.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:10 pm

Não quero saber de detalhes!
Saia, por favor!
Ele, percebendo que por mais que tentasse falar e se defender não conseguiria, pois Selma estava fora de si, pegou a mala e saiu.
Selma, depois que ele saiu, sentou-se em um sofá e continuou chorando sem conseguir se controlar.
Alguns minutos depois que Roberto saiu, Carlos, com as fotografias nas mãos e ao lado de uma moça, entrou correndo e ao ver a mãe chorando, muito nervoso, perguntou:
- Onde o papai está, mamãe?
Selma olhou para a moça.
Carlos somente naquele momento lembrou-se dela e disse:
- Esta é Fabiana, uma colega da escola.
Preciso saber onde papai está, mamãe.
Selma parou de chorar, levantou-se e, abraçando-se a ele, respondeu:
- Foi embora desta casa e da nossa vida, Carlos!
Carlos, mostrando as fotografias, quase chorando, disse:
- Ele não pode ter feito isso, mamãe!
É mentira!
- Como pode ser mentira, Carlos?
Você não está vendo essas fotografias?
Elas não poderiam existir se não houvesse acontecido!
Para que elas existam foi preciso que essas cenas acontecessem!
Ele beijou e abraçou aquela menina!
- Não pode ser, mamãe!
Ele sempre foi um óptimo pai e sei que gosta muito da senhora e de mim!
- Também sempre achei isso, mas pelas fotografias pode ver que não era da maneira como pensávamos.
Ele iludiu essa menina.
- Ele não pode sair de casa, mamãe!
- O que não pode é ele continuar nesta casa!
Eu não o quero mais aqui!
- Algo aconteceu que não sabemos!
Existe algo errado e vou descobrir o que é!
- Não tem nada de errado, Carlos.
Ele, realmente, gostou ou gosta dessa menina!
- Para onde ele foi?
- Não sei e não me interessa, só não quero vê-lo nunca mais!
- Vou sair e ver se o encontro.
Precisamos conversar.
Ele precisa me contar o que aconteceu realmente.
- Não faça isso, Carlos.
Deixe que ele se vá.
Não tem como justificar essas fotografias.
- Sei que não, mas ele deve ter alguma explicação.
- Fique em casa, Carlos!
Você pode ser atacado com palavras feias das pessoas que não aceitam o que ele fez.
- Não me importo com o que as pessoas possam achar ou falar, mamãe.
Conheço meu pai, ele não faria uma coisa como essa.
Ele é meu pai e confio nele!
A senhora também deveria confiar.
Ele sempre foi amoroso e carinhoso com nós dois e, agora que precisa de nossa ajuda e compreensão, não podemos abandoná-lo e não vou fazer isso.
Vou procurá-lo!
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:11 pm

- Não faça isso, Carlos.
Seu pai nos traiu.
Sem dar atenção ao que a mãe falou, ele já ia saindo de casa quando Fabiana disse:
- Vá tranquilo, Carlos, eu fico aqui fazendo companhia para sua mãe.
Ela está muito nervosa.
Vou fazer um chá para acalmá-la.
- Não precisa, moça. Estou bem.
Fabiana sorriu e, segurando a mão de Selma, disse:
- Carlos é meu amigo, e depois de tudo o que ele me falou a respeito do pai e da senhora não acredito que seu marido tenha feito essa coisa horrível.
Pode ir Carlos, vou ficar aqui.
Carlos, apesar de nervoso sorriu:
- Está bem.
Sabendo que minha mãe não está sozinha, vou mais tranquilo.
Volto logo, mamãe.
Deu um beijo no rosto de Selma e saiu.
Assim que ele saiu, Fabiana levantou-se, dizendo:
- A senhora está muito nervosa e está muito calor.
Por que não toma um banho demorado para se acalmar?
Minha mãe sempre me diz que a água escorrendo pelo corpo sempre nos faz um bem enorme.
- Está muito calor mesmo.
Acho que vou fazer isso.
Não consigo me conformar com o que Roberto fez.
Ele sempre foi um óptimo marido e pai.
- Também não acredito.
Deve ter existido algum engano.
Carlos adora o pai, por isso também não acredita.
Agora, a senhora precisa se tranquilizar.
Tudo vai ficar bem.
Depois do banho e de um chá vai se sentir melhor.
Selma, muito nervosa, apenas consentiu com a cabeça.
Fabiana continuou:
- Só preciso que me mostre onde fica a cozinha e o chá.
Selma, embora estivesse com os olhos cheios de lágrimas, sorriu e, segurando no braço de Fabiana, a encaminhou até a cozinha e mostrou onde tinha chá.
Fabiana, sorrindo, disse:
- Depois que sair do banho, como também estou nervosa, vamos juntas tomar o chá e esperar a volta de Carlos e do seu marido.
Selma, ainda chorando, foi para o seu quarto, pegou as roupas limpas, uma toalha e entrou no banheiro.
Não percebeu nem sentiu, mas ao seu lado um vulto de mulher, acompanhada de outros quatro, ria às gargalhadas.
Os quatro riam e dançavam à sua volta.
Enquanto isso, Carlos andava pelas ruas da cidade procurando o pai.
Depois de andar muito, parou em frente à igreja, que já estava fechada.
Sem conseguir descobrir onde Roberto estava, voltou para casa e encontrou Fabiana e Selma, que ainda estava chorando.
Assim que entrou, nervoso, disse:
- Eu não encontrei o papai, mamãe!
Andei por toda a cidade.
Onde ele pode estar?
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:11 pm

- Não sei, meu filho, mas depois que você saiu fiquei pensando no que me disse.
Realmente, seu pai sempre foi um óptimo marido e pai, não poderia ter feito isso, mas as fotografias desmentem esse nosso pensamento.
Ele realmente fez.
- Deve ter alguma explicação!
A senhora deu a ele a chance de se explicar?
- Não. Diante das fotografias não há explicação.
- Amanhã não vou à escola.
Papai deve ir para o trabalho, vou lá me encontrar com ele e ouvir o que tem a dizer.
- Você acredita mesmo que ele não tem culpa?
- Claro que acredito, mamãe!
- Você não pode faltar à escola.
Eu vou até a empresa me encontrar com ele.
Você tem razão.
Se pensarmos bem, ele não pode ter feito isso, e a verdade pode demorar mas ela aparece.
- Vai fazer isso, mamãe?
- Vou, sim, meu filho.
Você me fez ver que a nossa família sempre foi feliz e que seu pai não poderia ter feito o que dizem que fez.
Embora, depois das fotografias, fique difícil de entender, mas o amor da nossa família vai vencer este momento ruim.
Abraçaram-se.
Nesse momento, uma luz intensa envolveu os dois, o que fez com que a entidade da mulher e aqueles que a acompanhavam e que ficaram o tempo todo ao lado de Selma se afastassem e ficassem encostados em um dos cantos da sala.
A mulher tentou voltar para o lado deles e dizer alguma coisa mas não conseguiu.
A luz não permitiu.
Depois de algum tempo abraçados e chorando, mãe e filho se afastaram.
Ele disse:
- Agora vou levar Fabiana até sua casa, mas voltarei logo.
Selma olhou para Fabiana:
- Obrigada por me fazer companhia.
Confesso que se tivesse ficado sozinha, teria sido muito difícil esperar a volta de Carlos.
- Não tem o que agradecer.
Foi um prazer.
Gosto muito do seu filho.
Eles saíram.
Selma pegou mais um pouco de chá e sentou-se, esperando a volta de Carlos.
Quando ele chegou, ela estava mais calma e não chorava mais.
Abraçando-o e sorrindo, disse:
- Vá dormir, meu filho, sinto que tudo vai ficar bem.
Vamos lutar juntos, contra tudo isso de ruim que está nos acontecendo.
Carlos beijou a mãe e foi para o seu quarto.
Selma lembrou-se com muito amor de Roberto e de todo o tempo em que viveram juntos e foram felizes.
Depois também foi para o seu quarto, quando se deitou fez uma oração e terminou dizendo:
- Meu Pai, proteja Roberto onde ele estiver.
As entidades, percebendo que nada mais poderiam fazer ali, pois as luzes não permitiriam que elas se aproximassem de Selma ou de Carlos, saíram da casa.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:11 pm

Visita amiga
Enquanto isso, no orfanato, a festa, depois das fotografias, tinha virado uma confusão imensa.
Todos comentavam o acontecido.
A maioria das pessoas que estavam ali conheciam Selma e Roberto, e sempre acreditaram que tinham um casamento perfeito.
Marília tentava desconversar e fazer com que as pessoas se voltassem para a exposição e a alegria que estavam dando para as meninas que haviam trabalhado tanto; mas foi em vão, pois não conseguia se desenvencilhar das perguntas.
Aos poucos as pessoas começaram a ir embora.
Depois que todos se foram, ela recolheu todo o dinheiro que havia sido arrecadado, colocou em uma caixa, foi para o seu escritório, abriu a gaveta e guardou a caixa.
Fechou a gaveta e, sentada em sua cadeira, e ficou pensando:
A exposição foi um sucesso.
Quase todas as peças foram vendidas.
Não sei quanto foi arrecadado, pois estou muito nervosa para contar, só sei que foi muito e que junto com o dinheiro que Flora deu vamos poder construir uma ala, quem sabe, maior do que aquela que havíamos planeado.
Obrigada, meu Deus!
Só não estou mais feliz por saber o que minha amiga, que tanto me ajudou, deve estar sofrendo.
Embora não queira, sou obrigada a acreditar que Roberto realmente fez aquilo.
As fotografias não podem ter sido inventadas.
Queria estar ao seu lado, mas sei que esta não deve ser uma boa hora.
Ela, Roberto e o filho devem estar conversando.
Amanhã, vou pegar todo o dinheiro e vou até sua casa e, juntas, vamos contar e depois vamos ao banco para depositar.
Quem sabe, vendo a quantidade que temos, ela se anime.
E quem sabe, conversando, poderemos entender o que, realmente, aconteceu com Roberto.
Estava pensando, distraída, quando Eduardo entrou.
Beijou sua testa e, feliz, disse:
- A exposição foi mesmo um sucesso e não poderia deixar de ser.
Você e Selma trabalharam muito para isso.
- Sim, é verdade, foi muito trabalho.
Pena que para Selma tenha terminado daquela maneira tão triste.
Ele, sentando-se na cadeira que estava em frente à escrivaninha, disse:
- Sabe que até agora não consigo entender o que aconteceu e de onde surgiram aquelas fotografias, Marília!
- Também não entendi e custo a acreditar que sejam verdadeiras.
Eduardo começou a rir:
- Como aconteceu não sei, mas que são verdadeiras isso são, Marília.
Ninguém conseguiria forjar aquelas fotografias.
- Mesmo assim, não consigo acreditar.
Roberto sempre me pareceu ser apaixonado por Selma e ela por ele.
Deve ter acontecido algo que não consigo entender, mas, com o tempo tudo vai se esclarecer.
- Talvez você tenha razão.
Marília, mas não podemos negar que a moça é linda e jovem.
- Está dizendo que ele, por isso, pode ter se deixado envolver por ela ser jovem e bonita?
Acredita mesmo que tenha feito isso?
Ele começou a rir:
- Não estou dizendo que tenha sido esse o motivo, mas que aconteceu, aconteceu.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:11 pm

- Não consigo aceitar, Eduardo.
Ele sempre me pareceu ser apaixonado por Selma e pelo filho.
Sempre me pareceu serem felizes.
Não acredito que ele faria qualquer coisa para pôr em risco o casamento e essa felicidade.
- É muito difícil tentarmos compreender a mente humana, Marília.
O que ele nunca pensou era que em um momento, talvez de fraqueza, fosse fotografado.
Mas quem teria fotografado e por quê?
- Essa é a pergunta que deve ser feita, Eduardo.
Quem teria interesse que essas fotografias fossem divulgadas, ainda mais em uma festa onde tantas pessoas estavam reunidas?
Acredito que deve ter alguma coisa nessa história.
Sinto por Selma, ela é uma moça honesta e trabalhadora.
Fez de tudo para que a exposição fosse um sucesso, pensa no futuro das meninas.
Não merecia algo como isso.
- Também penso assim, Marília.
Pelo que conheço deles, ambos não mereciam.
Também posso dizer que a verdade sempre aparece e, se ele for inocente, tudo será esclarecido.
- Tomara, Eduardo, tomara.
Eu, de minha parte, vou ficar ao lado de Selma.
Sinto que ela vai precisar de uma ajuda sincera e amiga.
Ele sorriu, levantou-se e, dando a volta pela mesa e ajudando-a a se levantar, disse:
- Faça isso. Com certeza, ela vai precisar mesmo.
Agora já está tarde.
Não está na hora de irmos para casa?
Ela olhou para o relógio que estava pendurado na parede, sorriu e disse:
- Está na hora, sim.
Só preciso dar uma olhada nas crianças e ver se estão bem.
Acredito que também estejam chocadas com o que aconteceu.
- Somente as maiores, que são poucas.
As pequenas estavam brincando, correndo de um lado para o outro e, mesmo que tenham visto as fotografias, não entenderam.
- Tomara, Eduardo, tomara.
Elas gostam muito de Selma.
Foram para casa.
Antes de se deitarem, tomaram uma xícara de chá.
Depois de se prepararem, deitaram-se.
Assim que se deitou, Marília fez uma oração:
Obrigada, Senhor, pelo sucesso da exposição.
Nossas crianças, com esse dinheiro, poderão ter mais conforto e outras poderão vir.
Proteja também a Selma e sua família.
Eles não merecem sofrer nem por um minuto.
Abençoe a minha casa e a deles também.
Que assim seja!
Depois, cansada, adormeceu.
Assim que adormeceu abriu os olhos e, para sua surpresa, viu Péricles que, sorrindo, abriu os braços.
Ela se levantou, correu para ele e abraçaram-se.
Feliz e surpresa, disse:
- Péricles, você está vivo?
- Claro que estou.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:12 pm

- Não pode ser, você morreu!
Eu sofri muito e fui ao seu enterro.
Por que me abandonou e me deixou sozinha?
- Nunca abandonei você e sempre que precisou estive ao seu lado.
- Como não me abandonou?
Foi embora ainda tão jovem e eu tive de continuar aqui sem você.
Ele, rindo, olhou para Eduardo, que dormia tranquilamente.
- Você não ficou sozinha.
Precisava reencontrar Eduardo.
Ela olhou para Eduardo e, com o lençol, tentou cobrir seu rosto.
Ele, ainda rindo, perguntou:
- Por que está fazendo isso, Marília?
- Não sei, não quero que ele me veja com você ou que você me veja com ele.
- Por que não?
- Eu não estou traindo você!
Ele é meu marido.
Eu me casei com ele!
Péricles teve de se conter para não gargalhar.
- Eu sei que está casada com ele, Marília.
Depois que parti, sabia que você o encontraria para continuar com a sua jornada.
Estamos, todos nós, juntos há muito tempo.
Minha jornada, ao seu lado, terminou, mas a sua vai continuar por muito tempo ainda e ao lado dele.
Minha missão terminou e tenho muito que fazer aqui no plano espiritual.
Continuo, como médico, cuidando tanto daqueles que chegam como daqueles que precisam de cuidados aí no seu plano.
A vida não pára.
Ela continua aqui e aí, e nós, como espíritos, estamos sempre caminhando e evoluindo.
Aqui não temos o sentimento de posse; portanto, não existe conflito e ciúmes.
Você e ele estão juntos na missão com as meninas e, por sinal, - estão se dando muito bem.
- Não consigo acreditar que esteja aqui, vivo!
- Porque não pode acreditar?
Não tem estudado?
Não aprendeu que a morte não existe, que é só uma mudança de plano?
- Sim. Estudei muito, mas, para ser sincera, só é válido na leitura ou quando acontece com outra pessoa; na hora que acontece com a gente, fica difícil acreditar.
Senti e ainda sinto sua falta.
- Sei disso.
Você passou por um momento difícil, estive o tempo todo ao seu lado e sofri também.
Algumas vezes pensei que não conseguiria me libertar de todo aquele sofrimento e, quando começou a atingir sua saúde, fiquei mais preocupado ainda.
Graças a Deus, consegui o consentimento para poder vir ficar ao seu lado e, para que isso acontecesse, contei com a ajuda da Zenaide.
Olhe ela aqui.
Marília voltou-se para o lado que ele apontava e quase gritou:
- Zenaide, você também está aqui?
Zenaide, sorrindo, abriu os braços, abraçou Marília com muita força e, chorando, disse:
- Estou sim.
Aliás, sempre estive.
Nunca abandonei você, minha irmã querida.
Sempre estive ao seu lado; porém, você não podia me ver e só está vendo agora porque está dormindo.
Quando acordar, quase não vai se lembrar do que está acontecendo aqui.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:12 pm

- Como estou feliz em ver vocês!
Péricles, por que demorou tanto para me visitar?
Esta é a primeira vez que sonho com você.
- Sonhou várias vezes.
Já fomos a vários lugares, só que quando acordou não se lembrou.
Assim que retornei, tive muita dificuldade para entender e aceitar a minha nova situação.
Não aceitava ter deixado você tão cedo.
Tive sempre ao meu lado Zenaide e outros amigos que foram me instruindo.
Quando fiquei pronto, Zenaide pôde me acompanhar até aqui.
Você estava muito mal, por isso, naquele dia em que eu e Zenaide viemos e convencemos Maristela e sua mãe a virem à sua casa, você, graças a Deus, deixou de sofrer e começou sua missão.
Você sempre soube tomar suas decisões e não precisou de minha ajuda.
Desde então, tenho tido muito trabalho, e só viemos hoje porque você e Selma vão passar por momentos difíceis e precisam estar preparadas.
- Vocês estão sabendo o que está acontecendo com ela e Roberto?
Ambos riram, Zenaide disse:
- Sabemos, Marília e, infelizmente, está apenas começando.
- O que está acontecendo?
Não consigo acreditar que Roberto tenha feito aquilo.
Parece gostar tanto da Selma!
- Gosta, sim.
- Não entendo, Péricles.
Se ele gosta de Selma, por que se envolveu com aquela moça?
- Ele não se envolveu, Marília, foi envolvido.
Marília, parecendo uma criança, começou a pular e a gritar:
- Eu sabia! Eu sabia!
Péricles e Zenaide voltaram a rir.
Ela disse:
- Estamos aqui, porque chegou a hora.
- Que hora, Zenaide? - Marília, séria, perguntou.
- Selma, Roberto e Flora passarão por momentos difíceis, pelas decisões que terão de tomar.
Chegou a hora e precisamos estar juntos.
Embora você esteja cumprindo uma linda missão, ainda tem muito a fazer.
- Ainda, Zenaide?
Pensei que já havia encontrado a minha missão e achei que estava tudo bem.
Há muito tempo meu interesse tem sido só conduzir bem o orfanato.
- Essa é uma das suas missões e está cumprindo muito bem, mas agora vai se iniciar outra fase da sua vida.
Precisa estar atenta para que Selma e Flora aparem arestas do passado que se aprofundaram nesta encarnação.
- Eu sei que elas aprofundaram os enganos passados, Zenaide.
O que posso fazer para ajudá-las?
- No momento certo você vai saber.
Por enquanto, fique atenta aos acontecimentos e, quando chegar a hora, saberá o que fazer.
Agora, precisamos ir embora e você precisa aproveitar esta noite de sono para poder estar alerta aos acontecimentos de amanhã.
- Já vão embora?
Estou tão feliz de poder conversar com vocês.
- Também estamos, mas precisamos ir e você precisa descansar.
O dia, amanhã, vai ser complicado.
Abraçaram-se se despedindo.
Marília continuou dormindo profundamente.
Eles, sorrindo, desapareceram.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:12 pm

Em busca de ajuda
Roberto estava caminhando com a mala na mão. Confuso e nervoso, pensava:
Não entendo como isso aconteceu e nem como aquelas fotografias foram tiradas.
Sei que sou inocente, mas como provar?
Selma nunca vai me perdoar e eu nem sei para onde ir.
O que vou fazer?
Continuou andando e parou em frente a um portão.
Naquela casa morava seu tio.
Talvez ele me receba e permita que eu fique aqui nem que seja por esta noite.
Amanhã vou para o trabalho para ver como estão as coisas.
O doutor Tavares estava na festa e deve ter visto aquelas fotografias.
O que vou dizer se não tenho explicações para dar, se nem mesmo sei o que aconteceu ou entenda o que aconteceu?
Tocou a campainha.
Depois de alguns segundos, a porta da frente da casa se abriu e apareceu um senhor que ao vê-lo perguntou:
- Roberto, o que está fazendo aqui a essa hora?
- Boa noite, tio.
Selma pediu que eu fosse embora e preciso de um lugar para passar esta noite.
O senhor poderia me abrigar?
Antes que o tio respondesse, por detrás dele apareceu uma senhora que, nervosa, disse:
- Você acha que vamos recebê-lo depois do que fez?
- Está acontecendo algo que não estou entendendo, tia.
Eu nunca tive coisa alguma com aquela moça.
Por favor, permita que eu fique aqui, somente por esta noite.
Amanhã vou ver o que posso fazer, mas hoje estou confuso e nervoso e não estou conseguindo pensar.
- Não está conseguindo pensar porque não tem o que pensar!
Você agiu como um canalha!
Seduziu uma menina!
Devia ser preso e é isso que vai acontecer!
Antes que ele dissesse alguma coisa, ela empurrou o marido para dentro da casa e bateu a porta.
Ele ficou ali por alguns minutos, depois, nervoso, começou a caminhar e a pensar:
Não sei para onde ir.
Sinto que todos aqueles que até ontem eram meus amigos deixaram de ser.
Não querem ouvir ou aceitar uma explicação, simplesmente me condenaram.
Preciso descobrir a verdade para poder me defender e provar a minha inocência.
Continuou andando.
De onde estava podia ver a torre da igreja e pensou:
Talvez o padre Victor possa me receber.
Ele sempre foi meu amigo.
Todos os dias, mando alguns litros de leite para que ele distribua entre os fieis.
Caminhou em direcção à igreja e, quando chegou, padre Victor estava fechando a porta.
Roberto se aproximou:
- Boa noite, padre Victor.
O padre voltou-se e ao vê-lo, intrigado, perguntou:
- Boa noite, o que está fazendo aqui, Roberto, e com essa mala na mão?
- Depois do que aconteceu no orfanato, tive de sair de casa, padre.
- Entendo, mas o que aconteceu realmente?
Por mais que pense não consigo acreditar que tenha feito aquilo.
Conheço você desde o dia em que cheguei à cidade.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:12 pm

- Eu não fiz, padre.
Ninguém acredita, mas eu não fiz aquilo.
Não sei o motivo, mas acho que caí em uma armadilha.
- Armadilha?
Quem faria isso e por quê?
- Não sei, padre.
Não tenho inimigos aqui na cidade e em lugar algum.
- Está bem, meu filho.
Parece que não tem mesmo onde ficar à vontade e passar esta noite.
- É verdade, padre.
Selma pediu que eu saísse de casa.
Ela não acreditou quando eu disse que não tinha feito aquilo.
Todos estão me julgando e condenando.
Não sei o que fazer nem para onde ir.
- Estou fechando a porta da igreja e indo para casa.
Venha comigo e poderemos conversar e, se quiser, pode passar a noite lá.
Roberto respirou fundo e, emocionado, perguntou:
- Porque está fazendo isso, padre?
- Não sei por que, mas acredito em você.
Não acredito que faria uma coisa horrível como essa.
Você já me provou, várias vezes, que é um homem de bem.
Agora, venha me ajudar.
Roberto, emocionado, ajudou o padre a fechar a porta e, depois, juntos, foram embora.
Chegaram à casa do padre.
Entraram e, enquanto o padre tirava da geladeira a comida que a empregada tinha deixado pronta e colocava no forno, perguntou:
- Você tem ideia de quando e como essas fotografias foram tiradas?
- Eu me lembro desse dia, mas não imagino como foram tiradas as fotografias.
Eu e Margarete estávamos sozinhos na minha sala.
Vou contar como tudo aconteceu.
- Faça isso e, quem sabe, juntos, poderemos encontrar como e qual foi o motivo.
Mas, antes, vamos comer alguma coisa?
Não é muito, mas sempre dá para dividir e o pouco se torna muito. - Disse rindo.
- Obrigado, padre.
Não estou com fome, mas pode comer.
- Sente-se aí nessa cadeira.
Enquanto a comida esquenta, podemos conversar.
Roberto contou o que se lembrava daquele dia e terminou dizendo:
- Foi isso que aconteceu.
Estranhei a atitude de Margarete, mas não dei atenção.
Achei que era coisa da idade, da adolescência.
- Mas não era.
Ela agiu de uma maneira estranha e premeditada.
Ela quis comprometer você, mas por quê?
- Não sei, padre.
Até aquele dia, ela sempre havia se comportado bem.
- Estranho. Acho que a primeira coisa que você tem a fazer é conversar com ela.
Talvez ela explique o motivo de sua atitude e o porquê de ter tirado as fotografias.
- Já pensei em fazer isso, mas agora não pode ser, já está tarde.
Mas amanhã, assim que chegar à empresa, bem cedo, vou conversar com ela e esclarecer tudo isso.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:13 pm

- Esse é o caminho, Roberto.
Somente ela poderá inocentar você.
Você não deve ter jantado, sente-se e vamos comer alguma coisa.
- Obrigado, padre, mas não estou mesmo com fome.
Estou muito nervoso.
- Está bem.
Eu estou com muita fome.
Depois de terminar de comer, vou arrumar o sofá para que possa dormir esta noite.
Espero que amanhã consiga provar sua inocência e voltar para sua casa.
Sua família é muito bonita e não pode ser destruída.
- Sei disso, padre.
Nem sei como agradecer pelo que está fazendo comigo.
Depois que o padre arrumou o sofá, Roberto se deitou mas não conseguiu dormir.
Seu pensamento estava em tudo o que havia acontecido e em Selma que, assim como ele, também deveria estar sofrendo muito.
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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:13 pm

Sem saída
Amanheceu e todos acordaram.
Roberto, assim que se levantou, esticou o corpo, que estava dolorido por ter dormido no sofá.
Para sua surpresa, ao olhar para a mesa da sala viu que ela estava colocada para o café.
Sorriu:
Padre Victor já deve estar na igreja celebrando a missa.
Tenho muito que fazer, mas preciso ir até lá para agradecer mais uma vez, pois, se não fosse por ele não sei onde passaria esta noite.
Demorei muito para dormir procurando entender o que aconteceu.
Não entendo, por que aquela moça fez aquilo?
Abriu a mala e tirou de dentro dela as roupas que vestiria naquele dia e a escova de dente.
Não encontrou sabonete nem xampu, sorriu:
Provavelmente o padre Victor deve ter.
Ainda bem que trouxe a escova de dente.
Foi para o banheiro.
Assim que entrou, viu que Padre Victor havia deixado uma toalha pendurada.
Sorriu e entrou no chuveiro.
Tomou um banho rápido, saiu do banheiro e, sentando-se, tomou café e comeu um pedaço de bolo.
Não estava com fome, mas muito preocupado.
A primeira coisa que vou fazer é ir para a empresa e conversar com Margarete.
Ela precisa contar a verdade e me dizer quem e por que tirou aquelas fotografias.
Após terminar o café, saiu e, rapidamente, foi para a igreja.
Como havia previsto, o padre estava terminando de rezar a primeira missa.
Sentou-se e acompanhou a missa.
Assim que terminou, o padre foi para a sacristia.
Roberto levantou-se e foi ao seu encontro:
- Bom dia, padre.
Estou indo para a empresa, mas não poderia ir sem agradecer, mais uma vez, o que o senhor fez por mim.
- Bom dia, meu filho.
Não tem o que agradecer.
Fiz o que qualquer cristão deveria, ajudar a quem precisa.
- Sim, mas o senhor sabe que todos estão contra mim.
Por que o senhor me ajudou?
- Senti que você estava falando a verdade e que é inocente, nunca podemos nos esquecer do que Jesus disse:
"Não julgueis para não serdes julgado".
Agora, não perca mais tempo.
Vá em busca da verdade.
Mais tarde, vou à sua casa conversar com Selma.
Vocês se amam e tudo vai ficar bem.
- Obrigado por tudo, padre.
Estou indo.
- Vai, meu filho, e que Deus acompanhe você.
Roberto saiu apressado e, em poucos minutos, estava na empresa.
Entrou e foi para sua sala.
Sabia que ainda era cedo e que, provavelmente, Margarete ainda não havia chegado.
Sentou-se na sua cadeira e ficou olhando para todos os lados da sala, tentando se lembrar do que havia acontecido naquele dia.
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Ave sem Ninho

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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:13 pm

Lembrou-se do lugar em que estava quando Margarete o abraçou.
Levantou-se e foi até a estante.
Afastou alguns livros e viu que havia um buraco na parede.
Foi daqui que as fotografias foram tiradas?
Quem fez isso e porquê?
Voltou para a cadeira e sentou-se novamente.
A cada minuto, olhava ansioso para o relógio que estava em seu pulso.
Parece que o tempo não passa.
Por mais que pense não consigo entender ou descobrir o motivo de tudo isso estar acontecendo.
Começou a olhar alguns papéis que estavam sobre sua mesa.
Distraiu-se e não percebeu o tempo passar.
Quando voltou a olhar para o relógio, percebeu que Margarete já deveria ter chegado.
Ia pegar o interfone para conversar com ela, quando ele tocou.
Atendeu:
-Alô.
-Bom dia, Senhor Roberto.
Sou eu, Suzana.
O doutor Tavares pediu que viesse a sua sala.
- Pois não, estou indo.
Intrigado, mas ao mesmo tempo imaginando o porquê daquele chamado, Roberto respirou fundo e se encaminhou para a sala de Tavares.
Entrou na sala e estendeu a mão para cumprimentar Tavares, mas ele não aceitou, apenas apontou uma cadeira para que Roberto se sentasse.
Sério disse:
- Você deve imaginar o motivo pelo qual o chamei em minha sala.
- Posso imaginar.
- Diante de tudo o que aconteceu, só me resta pedir que se demita.
- O senhor quer que eu me demita sem ao menos me dar a chance de me defender?
- Sinto muito, mas diante dos factos não há outra coisa a fazer.
Aquelas fotografias não deixam dúvidas.
- Eu não sei como aconteceu, mas vou descobrir.
Nunca tive coisa alguma com aquela moça!
- Como homem, posso até aceitar o que fez, mas minha mulher estava na exposição e ficou muito raivosa.
Ela não aceita uma traição e por isso exige que eu o demita.
- Mas o senhor não pode fazer isso.
Trabalho aqui há muito tempo e sempre me esforcei para que a empresa progredisse!
Sou inocente e vou provar!
Não posso ficar sem emprego, como vou sustentar minha família?
- Eu entendo, mas precisa convir que quem manda na nossa casa é a mulher e a minha insistiu que eu o despedisse.
Porém, embora não acredite que seja inocente, mas como sempre foi um óptimo funcionário, se conseguir provar sua inocência eu o readmito e com um aumento de salário.
O que acha?
- Não posso ficar sem emprego, ainda mais agora.
Nesta cidade não tem muito trabalho e, mesmo que tivesse, depois do que aconteceu ninguém me daria um emprego.
Todos estão acreditando que fiz essa coisa horrível com aquela menina.
- Entende por que não posso continuar com você aqui?
Vamos fazer o seguinte, assine sua carta de demissão e em outra hora voltaremos a conversar.
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Ave sem Ninho

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Re: As chances que a vida dá / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Ago 27, 2017 8:13 pm

Roberto olhou para o papel que Tavares segurava na mão e vendo que não havia opção assinou, levantou-se e voltou para sua sala, pensando:
Margarete já deve ter chegado, preciso obrigá-la a contar a verdade.
Quando chegou à antessala da sua, onde Margarete trabalhava, ela não estava lá.
Por alguns minutos ficou sem entender ou saber o que fazer.
Depois procurou por ela em todo o escritório para tentar descobrir se alguém sabia o que havia acontecido, já que ela não estava em lugar algum.
Ninguém soube responder, mas ele percebeu que as pessoas, quando ele passava, abaixavam a cabeça, conversavam baixinho e riam.
Continuou andando até chegar ao departamento pessoal.
Assim que entrou, uma moça, constrangida, se aproximou e perguntou:
- Bom dia, senhor Roberto!
Posso ajudá-lo de alguma maneira?
- Pode, sim, Laura.
Preciso saber se você sabe o motivo de Margarete não ter vindo trabalhar.
- Ela não se comunicou comigo ou com qualquer pessoa.
Desculpe, mas o senhor deve saber que ela tem um motivo muito forte para fazer isso, não?
- Sei ao que está se referindo, mas posso garantir que eu sou inocente; por isso preciso conversar com ela para que desminta aquelas fotografias.
Você pode me dar o endereço de onde ela mora?
- Desculpe, mas não posso.
Assim como não posso dar o seu endereço se alguém perguntar.
Desesperado, ele ainda insistiu:
- Por favor, Laura, eu preciso muito falar com ela!
- Peço que não insista, senhor.
Sabe que não posso dar o endereço, mas posso dizer que Alzira é muito amiga da Margarete.
Ele entendeu o recado.
Sorriu e saiu dizendo:
- Obrigado, Laura.
Deus abençoe você e toda sua família.
Dizendo isso, saiu apressado.
Laura ficou olhando ele sair e pensou:
Não sei o porquê, mas acho que ele está falando a verdade.
O que será que aconteceu?
Porque Margarete não veio trabalhar?
Será que ela tem algo a ver com isso, com esse escândalo?
Roberto, com passos apressados, chegou à sala onde Alzira trabalhava.
Entrou olhando para a mesa em que ela estava sentada.
Outras pessoas que trabalhavam ali estranharam, pois ele, embora fosse o chefe de todos, não costumava aparecer por lá.
Curiosos, o acompanharam com os olhos.
Assim que chegou à mesa de Alzira, descontrolado, perguntou, quase gritando:
- Preciso do endereço de Margarete.
Você pode me dizer onde ela mora?
- Eu não sei, senhor. - respondeu assustada.
- Como não sabe?
Sei que você é amiga dela!
- Sou sua amiga, mas só aqui no trabalho.
Não sei onde ela mora.
- Não pode ser!
Por favor, Alzira, preciso conversar com ela!
- Eu sei onde ela mora.
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