Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

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Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 29, 2017 8:48 am

Médiuns e mediunidades
Vianna de Carvalho

Sumário
I - A religião espírita
II - O Livro dos Médiuns
III - Cepticismo ante a mediunidade
IV - Evocação dos espíritos
V - Consciência mediúnica
VI - Dons mediúnicos
VII - Ser médium
VIII - Fenómenos mediúnicos
IX - Responsabilidade mediúnica
X - Objectivo da mediunidade
XI - Problemas da mediunidade
XII - Obstáculos à mediunidade nobre
XIII - Educação das forças mediúnicas
XIV - Mistificações na mediunidade
XV - Rivalidades entre os médiuns
XVI - Obsessão na mediunidade
XVII - Médiuns em desconcerto
XVIII - Médiuns-fenómenos
XIX - Médiuns imperfeitos
XX - Médiuns instáveis
XXI - Médiuns exibicionistas e problemáticos
XXII - Médiuns sensacionalistas
XXIII - Mediunidade e Jesus
XXIV - Calvário dos médiuns
XXV - Médiuns seguros
XXVI - Médiuns responsáveis
XXVII - Médiuns profetas
XXVIII - Médiuns curadores
XXIX - Médiuns iluminados
XXX - Mediunato
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Ave sem Ninho

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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 29, 2017 8:48 am

Médiuns e Mediunidades
No variado caleidoscópio das faculdades mediúnicas, sempre serão encontradas expressões novas e pessoais que se apresentam conforme o grau evolutivo de cada criatura, os seus valores morais e intelectuais ao lado dos objectivos da sua existência corporal.
Podemos afirmar, como efeito, que cada médium, em particular, tem as suas próprias características, embora na generalidade todos se apresentem com síndromes semelhantes.
Na multiplicidade das manifestações, podemos encontrar a unidade do fenómeno por cujo meio se identificam os portadores da natureza mediúnica.
Para um correto estudo das mediunidades e dos médiuns não se pode deixar em plano secundário a doutrina espírita, que é a luz capaz de penetrar-lhes os escaninhos mais esconsos, liberando-os dos mitos e actualizando-os de conformidade com as leis naturais que regem a vida.
Particularmente, O Livro dos Médiuns, que é o compêndio insuperável para o entendimento da grave percepção mediúnica e de como se devem comportar aqueles que lhe são portadores.
Allan Kardec, na condição de observador sábio, foi capaz de retirar do aparente frívolo divertimento das "mesas girantes e falantes", uma doutrina séria, quão profunda, que o colocou ao lado dos grandes benfeitores da humanidade.
Não se deteve no pórtico do deslumbramento; porém, do efeito inteligente, que eram as respostas fornecidas pelas mesas, remontou às suas causas, encontrando os espíritos que se lhes faziam os agentes verdadeiros.
Mediante um bem urdido trabalho de investigação, demitizou o sobrenatural e o miraculoso, que passaram à área fenoménica das manifestações paranormais inerentes à natureza humana.
Francisco Redi, por exemplo, observando as moscas que punham os seus ovos nas carnes, favorecendo-as com o surgimento das larvas cobriu-as com uma gaze e desmontou o conceito da geração espontânea.
Antes dele, Galileu, Copérnico e outros, estudando o movimento dos astros, rectificaram a velha concepção do sistema geocêntrico.
Pasteur, dando-se conta da possibilidade da vida micro-orgânica, utilizou-se de equipamentos hábeis e abriu horizontes infinitos para a ciência.
A galeria dos observadores sábios dos fenómenos da natureza é imensa.
Os espíritos, que eram considerados os mortos, os adormecidos ou os desagregados voltaram à realidade do pensamento e alteraram profundamente o comportamento humano a partir de então.
Ao lado disto, surgiu a constatação da vida futura e de como prossegue em relação a cada indivíduo, sem uma ordem fixa, estabelecida na rigidez dogmática vigente no passado.
Dilataram-se as paisagens do além-túmulo e alteraram-se as ideias a respeito da divina justiça.
O homem é, ao mesmo tempo, semeador e segador do destino, modificando-o sempre conforme os seus actos, jamais submisso compulsoriamente aos caprichos de um determinismo infeliz.
Para esse desiderato, os médiuns foram concitados a abandonar os falsos adornos que os fantasiaram através da história, surgindo, então, como personalidades humanas comuns, sem as equivocadas figurações que os tipificaram no passado, em cujos períodos desempenharam papel relevante.
A mediunidade é sempre uma percepção moralmente neutra, sendo os efeitos do seu exercício compatíveis com os valores éticos e morais daqueles que a detêm.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 29, 2017 8:48 am

Outrossim, não são os médiuns santos, apóstolos ou missionários, mas, homens sujeitos a grandezas e misérias, qual ocorre com todos os demais indivíduos.
Vulgarizando-se a mediunidade e desvelando-se, cada dia, um maior número de médiuns, já não mais sob os azorragues da perseguição, nem as castrações da ignorância ou as místicas do desconhecimento dos fenómenos, surgem novas fantasias e fascínios em torno das suas figuras, que merecem exame criterioso, cuidadosa observação e honestas advertências.
A mediunidade não é sinal de santificação, nem representa característica divinatória.
Constitui, apenas, um meio de entrar em contacto com as almas que viveram na Terra, sendo os médiuns, por isso mesmo, mais responsáveis do que as demais pessoas, por possuírem a prova da sobrevivência que chega a todos por seu intermédio.
O respeito e a dedicação que imponham ao trabalho é o que irá credenciá-los, naturalmente, à estima e à admiração do próximo, como sucede com qualquer pessoa na mais obscura ou relevante actividade a que se dedique.
As mensagens de que se façam objecto, seus conselhos e comportamentos, merecem análise fraternal, a fim de que não venham a ser os "cegos conduzindo outros cegos", a que se refere o ensinamento evangélico. Que busquem alcançar o mediunato, evitando a presunção de tomarem-se portadores de missões extraordinárias, especiais e infalíveis.
A jornada humana é sempre susceptível de fracassos, de equívocos, de recomeços.
A mediunidade, no entanto, aplicada para o serviço do bem, pode converter-se em instrumento de luz para o seu portador, tanto quanto para todos aqueles que a buscam.
Nunca se deve abdicar, porém, do direito da dúvida saudável, do cuidado em relação as revelações sensacionalistas e às opiniões precipitadas, nas áreas que compete à ciência e aos seus estudiosos opinar.
Pensando nos escolhos e nas bênçãos que defluem da vivência da mediunidade e do comportamento dos médiuns, resolvemos examinar algumas dessas faculdades, bem como os seus instrumentos, tendo em vista a desatenção e a popularidade de que gozam na actualidade, igualmente pensando na necessidade de chamar a atenção para a doutrina espírita, que paira acima de quaisquer conceitos de revisionismo e de superação científica.
Alguns destes capítulos, oportunamente, foram publicados em vários órgãos espíritas, e por nós próprios, agora, refundidos, alterados e adaptados para a melhor harmonia do conjunto.
Nada apresentamos de original, que Allan Kardec não se haja preocupado e estudado a seu tempo.
O nosso esforço objectiva repetir o já conhecido, de maneira pessoal, com enfoque e formulações resultantes das nossas observações do lado de cá, contribuindo, assim, para a preservação do carácter de seriedade que devem sempre merecer a mediunidade e os médiuns, como homenagem, também, a Jesus, que é o Excelente Médium de Deus.

Vianna de Carvalho Salvador, 16 de outubro de 1989.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 29, 2017 8:48 am

1 - A Religião Espírita
O homem contemporâneo necessita viver com religiosidade, face aos avançados engenhos das modernas ciências e da tecnologia.
Embora se acusem as religiões de serem fomentadoras de guerras lamentáveis e intérminas, nas quais a crueldade atingiu as suas mais bárbaras expressões, dizimando milhões de vidas, todas possuem como fundamento a crença em um Deus-Amor, apesar de severo umas vezes e complacente outras, conforme a filosofia abordada em cada uma.
Por extensão, ensinam a crença na imortalidade da alma e na justiça que não se ilude nunca, alcançando o infractor por mais este procure evadir-se.
Bem se depreende que a falência não é da fé religiosa em si mesma, porém, do homem: ignorante, que se fanatiza; astuto, que se torna prepotente; malvado, que se compraz no crime; complexado, que se utiliza de qualquer recurso para atingir os acumes da vida, escondendo-se na impiedade e perversão a que se entrega.
O homem, este sim, deve ser a meta de todas as crenças religiosas, trabalhando-lhe o carácter, iluminando-lhe a consciência, dulcificando-lhe os sentimentos, de forma a fazê-lo descobrir os valores da vida ou utilizá-los com nobreza, se já os encontrou.
Cabe a cada religião buscar unir as criaturas nos seus elementos essenciais, abrindo espaço para que se alojem nos seus arraiais aqueles que se afinam com os seus postulados, sem discriminar quem, para encontrar Deus, pensa de maneira diferente.
E certo que a história apresenta inúmeros exemplos de homens que se diziam descrentes de Deus, irreligiosos, que foram excelentes benfeitores da humanidade.
Provavelmente, eles discrepavam das crenças que O apresentavam com características humanóides, apaixonadas, vinculado a tal ou qual nação e indiferente aos destinos dos demais seres e países.
Trabalhado pela cegueira nacional de alguns povos, era tão mesquinho quanto os seus adoradores, causando repulsa e indignação às mentes avançadas e lúcidas.
Não era, pois, indiferença ou rebeldia contra Deus, mas, sim, pela imagem que d'Ele faziam os religiosos enfermos da alma.
Também é verdade que os povos sofreram impiedosamente nas mãos de indivíduos incréus e profanadores, que deixaram rastros de desgraça e sangue em todos os tempos.
A religião tem por finalidade cientificar o homem a respeito da sua realidade imortal, dos fenómenos post-mortem e da conduta filosófica a viver enquanto no estágio carnal.
Mediante a estruturação de uma ética de comportamento optimista, edificante e renovadora, promove a criatura sempre, auxiliando-a com resignação na vicissitude, humildade no triunfo, amor na glória e caridade em todos os momentos, a fim de que a revolta não a cegue, a soberba não a alucine e as paixões vis não a dominem.
Se ela se apoia num alicerce científico, com mais seguros fundamentos brinda a consciência investigadora e a razão exigente, oferecendo respostas lógicas dos fatos às indagações frequentes da dúvida, do cepticismo e da descrença.
Com este conteúdo de evidências em tomo dos postulados filosóficos, o homem dispõe de equipamentos vigorosos para os empreendimentos existenciais, enfrentando quaisquer dificuldades e desafios com natural estoicismo e alegria.
A busca de Deus, hoje, é mais contínua e árdua do que antes.
Os valores humanos sofreram profundas mutações éticas, alterando-se totalmente.
Antes, a aceitação ingénua da fé bastava para uma aparente vivência religiosa.
Actualmente, as conquistas da cibernética, da astronáutica e de outras ciências estabeleceram recordes de conflitos psicológicos no indivíduo, exigindo da vida terapias preventivas e afirmações mais valiosas para que se possa evitar o caos.
As multidões cansadas, por outro lado, das filosofias pragmatistas, imediatas, indagam pelo que acontecerá depois, como será após logrados os objectivos próximos.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 29, 2017 8:49 am

Surgem, então, ou renascem antigas crenças que se propõem a ajudar o homem saturado de lógica e técnica, que se deixa atrair pelo fantasioso, o sobrenatural, o místico, em mecanismo audacioso de fuga da realidade objectiva para o imaginário transcendente, o absurdo.
O astronauta que retoma da lua, confundido com o silêncio que pôde constatar, da solidão ante o universo e da sua pequenez no seio cósmico, mesmo que maravilhosamente equipado de forças psicológicas, pouco a pouco mergulha em profunda melancolia, vitimado por interrogações de longo alcance.
Os pilotos que atiraram os artefactos atómicos sobre as cidades mártires, não puderam olvidar as catástrofes em que se viram envolvidos.
Os veteranos das guerras que se sucedem na Terra, não conseguem apagar as marcas da violência em que foram envolvidos, sofrendo terríveis dificuldades para se reajustarem à sociedade em paz.
Reunindo-se os diversos factores que geram conflitos, a sociedade hodierna, que alcançou elevados níveis de conforto para alguns, dilacerou bilhões de vidas nos guetos de miséria, fome e sofrimento, nos cinturões externos das grandes cidades ou em países inteiros devorados pela ganância de outros, mais poderosos.
Como consequência, a agressividade, a indiferença e o medo tomaram conta do mundo, produzindo alarmante índice de toxicómanos, loucos, pervertidos e insensíveis emocionais, que agravam a economia da sociedade com delitos incomuns e lancinantes.
O homem passou a valer pouco na actual estrutura social massificada.
Cada qual pensa em si e nos seus, quando pensa.
O egoísmo governa as vidas e a sede pelo gozo desequilibra os sentimentos, multiplicando as vidas-sensação, em detrimento das existências-emoção.
Nesse contubérnio, a religião é importante para conduzir a mente humana aturdida, vitimada por contínuos choques externos, conflitos psicológicos e desajustes emocionais.
Queira ou não, o homem é um ser essencialmente religioso.
Por instinto crê e atém-se, mesmo inconsciente, às crenças que lhe predominam na personalidade.
A intuição da sua origem divina propele-o para o respeito e a fé no seu Criador.
Nas culturas primitivas, esse sentimento comanda suas atitudes, numa forma de consciência atávica, primária, sem análise, sem lógica racional.
Sucessivamente, graças às complexidades das civilizações por onde transita no seu processo evolutivo, surgem-lhe os conflitos e as dúvidas, que propiciaram as múltiplas escolas de pensamento e de crenças religiosas compatíveis com as suas necessidades.
Constituem-lhe, porém, meta final, libertar-se do sofrimento e fruir de paz, de felicidade.
Essa ansiedade é universal e fundamental em todas as vidas.
O que é fundamental e essencial com carácter universal ou geral torna-se uma busca de natureza religiosa.
Para preencher essa necessidade, faz-se imprescindível a existência de uma religião com possibilidades universais, na qual os seus postulados atendam a todos os impositivos da evolução, dispondo da mesma essência.
Há, por isso mesmo, um arraigado amor à religião.
A religião espírita, que respeita todas as demais doutrinas, espiritualistas ou não, possui os valores para restabelecer no homem o clima de confiança e paz de que necessita, favorecendo-o com as estruturas para a libertação da dor e a aquisição da plenitude.
Sua filosofia existencial, dignificadora, promove as aspirações íntimas, ensejando o ajustamento da conduta aos ensinamentos cristãos, nos quais apoia a sua estrutura ético-moral.
Isso porque se firma na experiência do facto, que brinda com a certeza inabalável da sobrevivência à morte, assim como da preexistência ao berço, em racional encadeamento que enseja a compreensão de quem se é, qual a meta pela frente a conquistar e por que se sofre.
Sem dogmatismo ou ritualística, é a religião cósmica do amor, aguardando a humanidade de hoje e dos tempos futuros para conduzi-la a Deus.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 29, 2017 8:50 am

2 - O Livro dos Médiuns
Um observador cuidadoso notará, sem dúvida, ao estudar a Codificação Espírita, o perfeito plano da obra, demonstrando, na sua estrutura didáctica, a excelente realização de Allan Kardec e a completa identificação das mentes espirituais que a planificaram com aquele que a executou.
Considerando-se a grandiosidade do empreendimento, após as elucidações introdutórias indispensáveis, em O Livro dos Espíritos, o mestre lionês iniciou o trabalho estudando Deus na condição de "Causa Primária", com uma extensão de raciocínios surpreendentes, que o levaram a apresentar questões de alta relevância em torno do Criador, da criação, dos elementos constitutivos do universo.
Posteriormente, ao elaborar O Livro dos Médiuns, que é um desdobramento de parte daquela obra, o Codificador examinou a questão de máxima importância, no capítulo primeiro, interrogando se "há espíritos", como natural consequência da existência de Deus.
Aprofundando o assunto, prescreveu a necessidade de demonstrar-se antes a existência dos espíritos, a fim de partir-se para o exame das comunicações pelas quais se comprova a realidade dos mesmos.
De imediato, preocupou-se em orientar o indivíduo, no sentido de que, antes de tornar-se espiritista, seja espiritualista, isto é, primeiro conceba a existência dos seres espirituais para cuidar, depois, das suas comunicações.
Partindo dessa base, a princípio, de uma premissa, Kardec demonstrou, filosoficamente, a realidade do mundo espiritual e dos seres que nele habitam, passando, a seguir, às técnicas, aos métodos de estudar-se, adequar-se e orientar a mediunidade - veículo pelo qual os espíritos comprovam a sua existência -, realizando o mais completo compêndio a respeito da paranormalidade humana.
Deteve-se em exaustiva pesquisa a respeito das variadas expressões mediúnicas, suas peculiaridades, seus recursos e possibilidades, quase exaurindo o assunto, que permanece desafiador a quantos se interessam pelos fenómenos e funções PSI, ontem como hoje.
Nenhuma outra obra, até o momento, penetrou tão fundo as investigações, na palpitante questão dos médiuns, da mediunidade, dos efeitos morais do exercício mediúnico, seus perigos e bênçãos, oferecendo os mesmos excelentes e seguros resultados.
Documentou, o preclaro instrumento das entidades superiores, as diferenças entre médiuns e mediunidades, demonstrando a necessidade da vivência moral para colher-se resultados salutares, superiores, confirmando que, sendo os espíritos as “almas dos homens” apenas desvestidas da matéria, o rigor e a seriedade diante das comunicações mediúnicas devem presidir as investigações e estudos a respeito de tão delicada quão importante questão.
Examinou os riscos da prática mediúnica, quando realizada sem os critérios e cuidados que se impõem, sem o requisito do conhecimento teórico antes do exercício e das pesquisas, bem como advertiu quanto aos problemas do animismo e das interferências perniciosas das entidades viciosas, perturbadoras ou simplesmente vulgares...
Projectou nova luz na psico-patogénese da loucura, apresentando as obsessões como factores predisponentes, em muitos casos preponderantes e, em outros tantos, causais.
Não se deteve, porém, no exame da enfermidade, senão propôs, como resultado de larga experiência, uma psicoterapia própria para as alienações de tal porte, oferecendo utilíssimas directrizes para a terapêutica preventiva e o comportamento que todos se devem impor diante dos vitimados por essa terrível enfermidade da alma.
Recorrendo a uma linguagem acessível, demitizou a mediunidade e os fenómenos paranormais que adquiriram cidadania cultural, longe das superstições e fórmulas, ritos e privilégios, numa análise lógica e veraz das potencialidades humanas colocadas a serviço da vida e da evolução do próprio ser.
Caracterizou os fenómenos autênticos e os falsos, os procedentes dos espíritos nobres e os produzidos por entidades irresponsáveis, outrossim, apresentando várias comunicações para servirem de estudo, ele próprio dissecando-as com a lógica de bronze de que se fazia possuidor e o bisturi de aço do investigador imparcial e honesto que sempre se manteve.
Não fez qualquer concessão às crendices nem aos atavismos antropológicos ou sócio-religioso-culturais, antes e então vigentes.
Toda a obra é um tratado sério, realizado por um estudioso consciente, que arrancou do obscurantismo e da degradação, do misticismo e dos privilégios a mediunidade - que é uma faculdade neutra em si mesma - e as manifestações espirituais, estabelecendo regras, mediante as quais se podem colimar resultados práticos e úteis para um comportamento equilibrado e a colecta de resultados opimos, no exercício dessas funções de ordem paranormal e suas manifestações extrafísicas.
Obra profunda, ficará como marco insuperável da investigação mediúnica, que nenhum pesquisador sincero da fenomenologia paranormal poderá deixar de conhecer.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 29, 2017 8:50 am

3 - Cepticismo ante a Mediunidade
Os médiuns, na actualidade, como os antigos profetas a seu tempo, sofrem hoje, como aqueles padeceram na época própria, a incompreensão dos seus coevos.
Atribuindo-lhes dons divinos, que constituem uma forma de transferência de valores, sob a coerção de entusiasmos exagerados ou fanatismos injustificáveis, os que assim o fazem, esperam colher resultados que lhes atendam as necessidades imediatas, sem penetrarem no sentido real do ministério desses obreiros do Senhor, cujas faculdades devem ser colocadas a serviço de mais elevados fins que aqueles meramente materiais, nos quais muitos indivíduos se demoram, ansiosos e perturbados.
Não há dúvida de que, pela misericórdia do amor o Mestre permite que diariamente mergulhem no corpo carnal missionários encarregados de promover o progresso moral, espiritual e cultural das criaturas e da humanidade, fazendo-os estagiar nos múltiplos campos do conhecimento: nas ciências, na ética, nas artes, na filosofia, modificando a paisagem do planeta que evolui no programa de ascensão entre os mundos.
Da mesma forma, amplia a área da reencarnação de trabalhadores da mediunidade, a fim de que mais amplas contribuições psíquicas possam apressar os ideais de enobrecimento, sobretudo demonstrando a imortalidade do espírito, a permanência da vida após a morte física, a sua transformação cadavérica...
Embora a vulgarização do fenómeno mediúnico em toda parte, o cepticismo arma ciladas, faz exigências, impõe condições, algumas das quais primando pelo absurdo, numa verdadeira volúpia para negar o intercâmbio entre a vida sensorial e a espiritual.
Os homens especulam e investigam demoradamente.
No entanto, quando defrontam o fato, elaboram teorias que vestem com terminologia complexa, em contínuas tentativas de negação da imortalidade da alma, cuja ideia parece repugnar a maioria dos estudiosos da fenomenologia paranormal.
Abstraindo-nos das acusações de fraude, interferência demoníaca, mistificação involuntária, surgem outras.
Ante as mediunidades escrevente e falante, apelam para a telepatia e as percepções do inconsciente, que logra encontrar, nos arquétipos, os recursos para elucidar os intrincados mecanismos da xenoglossia e das manifestações da ecmnésia, nos quadros das lembranças das vidas passadas.
Noutras vezes, recorrem à memória genética e às manifestações da hiperestesia indirecta do inconsciente, pescando nos arquivos de outras mentes as informações que não podem ser contestadas.
Diante do profetismo, ora encaixado nas classificações de pré e retro-cognição, como na clarividência e clariaudiência, repetem as mesmas justificativas, arrolando-as como resultante do próprio psiquismo do sensitivo.
Surgem, porém, as complexas condensações da ectoplasmia, nas materializações luminosas ou não, nas desmaterializações, nos transportes, e os mesmos argumentos são reencaixados com molduras novas, embora a repetição deles traga de volta aqueles seres que afirmam haver vivido na Terra, identificando familiares e amigos, recordando-se de acontecimentos que somente podem ser confirmados em buscas realizadas à posteriori, deixando perplexos os perquiridores que, apesar disso, permanecem duvidosos.
Defrontando as curas mediúnicas, mediante as intervenções espirituais, simplesmente respondem com a justificativa da sugestão e equivalentes de pseudo enfermidades de natureza histérica ou psicossomática...
Surgem, por fim, as cirurgias em campo aberto, sem assepsia, nem anestesia, com hemóstase automática e, de imediato, a crítica ácida recorre ao não-convencional, ao anti-académico, aos códigos de ética, esquecidos de que o convencional, o ético e o académico de hoje feriram frontalmente, no seu tempo, o que estava estabelecido como correcto e aceite.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 29, 2017 8:50 am

Ainda insatisfeitos, apontam os operados que desencarnam posteriormente, sem dar-se conta de que a morte é fenómeno inevitável nos soberanos códigos da vida, de que pessoa alguma se eximirá.
Invariavelmente, quando se recorre à terapia mediúnica, já malograram outros métodos e recursos que foram inócuos, quando não perniciosos, às vezes, esperando-se que os espíritos substituam os órgãos destruídos em verdadeiros cadáveres, que apenas respiram, tão comprometida se encontra a maquinaria orgânica.
Esperam-se milagres da mediunidade, e, quando algo ocorre ferindo o habitual, embora jamais miraculoso, recusam-no, sob a alegação de não poder ser controlado.
Certamente respeitamos a valiosa contribuição da ciência, em todos os campos, reconhecendo nos seus legítimos sacerdotes, apóstolos do bem a serviço de Deus.
Ninguém nega a ocorrência de fenómenos da personalidade, do próprio eu espiritual da criatura humana, que se apresenta em condições várias exigindo cuidados e estudos honestos. Todavia, a multiplicidade de manifestações espirituais pela mediunidade convida os homens sensatos e dignos a uma avaliação profunda das mesmas e à reflexão em torno das suas causas, de modo a influenciar o seu comportamento moral, com reflexos na sociedade sofrida destes dias, que necessita de apoio espiritual e directriz eficaz para rumar com segurança e harmonia.
Eis porque, diante de quaisquer expressões mediúnicas, a doutrina espírita conclama o homem à renovação moral para melhor, demonstrando-lhe a sobrevivência da alma e o futuro que o aguarda, assim predispondo-o à conscientização das finalidades da existência física como preparação para a espiritual donde procede e para onde retornará.
A desencarnação, que também alcança os médiuns, é etapa final das lutas terrenas, e ninguém a evitará.
Enquanto isso não ocorre, cumpra cada qual com o seu dever, e os novos profetas do Senhor, sem descoroçoamento nem soberba, avancem no integral cumprimento das tarefas para cujos cometimentos renasceram na carne, utilizando-se, com sabedoria e amor na acção da caridade, do tempo de que dispõem, sem muita preocupação com os cépticos que, por muito tempo, existirão no mundo.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 29, 2017 8:51 am

4 - Evocação dos Espíritos
Allan Kardec, repetindo as experiências dos grandes iniciados do passado, notabilizou-se, nos tempos modernos, pelas excelentes qualidades morais e culturais que lhe exornavam a personalidade, sobretudo pela coragem, serenidade e nobreza com que evocava os espíritos.
Na antiguidade oriental, era comum a prática da evocação dos mortos, em todas as culturas, na intimidade dos templos, celebrizando os adivinhos, oráculos e sacerdotes, profetas e pítons que logravam traduzir-lhes o pensamento, através de cuja sensibilidade retornavam ao contacto humano.
Na Grécia, tomaram-se notáveis os santuários, nos quais se davam as evocações dos deuses, especialmente o de Delfos, que permaneceu na condição de marco histórico da legitimidade das comunicações dos seres desencarnados com os homens.
O cristianismo primitivo assentou suas bases espirituais no intercâmbio com os numes tutelares, que se apresentavam espontaneamente, conduzindo as mentes e sustentando os homens nos seus elevados empreendimentos.
Esse intercâmbio reiniciou-se com Jesus, cujo advento foi anunciado pelos espíritos nobres e a vida toda assinalada pela incessante comunicação com os desencarnados, prosseguindo, Ele próprio, após a morte, inúmeras vezes, e culminando no inesquecível aparecimento ao jovem Saulo, a quem convocou, às portas dc Damasco, para o ministério inigualável.
Logo depois, nas reuniões dos discípulos e continuadores da Sua Obra de amor, as comunicações espirituais se tornaram o veículo de segurança para o êxito das empresas iluminativas de consciências, tomando-se elemento de sustentação das comunidades nascentes.
São João Crisóstomo, São Basílio, Orígenes, Constantino, entre inumeráveis, foram excelentes médiuns que as forças do mais além conduziam com facilidade, inscrevendo, nas páginas da história, os seus depoimentos honestos a respeito da vida transcendental e da interferência dos seres espirituais em suas vidas.
Nos séculos seguintes, prosseguiram os fenómenos extraordinários, atestando a comunicabilidade dos espíritos, trazendo a mensagem confortadora de sustentação durante a Idade Média e a afirmação da sobrevivência no período da Idade Moderna.
Allan Kardec, no entanto, sob o comando do Espírito de Verdade que lhe supervisionava a missão, evocou as entidades espirituais mais diferentes, com elas mantendo notáveis diálogos, graças aos quais elaborou a codificação espírita.
A tarefa missionária que lhe fora concedida, a elevada moral de que se revestia, a sinceridade e nobreza de propósitos que mantinha, a lucidez que lhe era peculiar funcionavam como credenciais para as evocações a fim de aprender, colher informações, conferir dados, aquilatar valores culturais e elaborar as obras, tendo a superior administração de Jesus, que retornava à Terra, na condição de o Consolador.
Tão eficientes e seguros se lhe apresentaram os resultados, que colocou todo um capítulo, o de número vinte e três de O Livro dos Médiuns, sobre as evocações, a fim de orientar todos aqueles que pretendem com honestidade penetrar nas províncias da erraticidade, travando contacto com os seus habitantes.
Nem todos os indivíduos, porém, dispõem daquelas credenciais para seguras evocações, correndo riscos de serem enganados pelos espíritos burlões, mistificadores, atrasados e perversos que pululam em tomo dos homens e não respeitam senão as vibrações do carácter diamantino e as irradiações dos sentimentos elevados que os repelem.
Ideal que nas experiências mediúnicas se aguardem as manifestações espontâneas, mais naturais, não constritoras, aprendendo-se as técnicas de identificação, bem como assenhoreando-se dos delicados processos de comunhão espiritual, pondo-se a salvo de ciladas e obsessões evitáveis que a imprudência e a precipitação normalmente propiciam.
Podem-se evocar os espíritos, sabendo-se, inicialmente, que nem todos têm condição de atender aos chamados, em se considerando o estado emocional e evolutivo em que se encontram, as disponibilidades de tempo e ocupação, as afinidades com os médiuns e outras condições subtis, igualmente importantes.
A presunção humana, que pensa tudo poder, toma-se grande impedimento na área das evocações sérias, abrindo campo vibratório para os intercursos vulgares e decepcionantes.
Bem agem aqueles que, interessados na aprendizagem, diante do intercâmbio espiritual, aguardam que ocorram os de natureza espontânea, podendo analisá-los e retirar deles as lições proveitosas, consoladoras, necessárias à fé racional e ao equilíbrio da paz interior.
A mediunidade colocada a serviço do bem, nas tarefas socorristas, faz-se instrumento dócil às comunicações naturais, enriquecidas de sabedoria, sob a orientação dos guias espirituais que seleccionarão aqueles que se devem e podem comunicar, contribuindo para o próprio como para o progresso moral do médium e dos assistentes, pois que esta é a finalidade elevada do labor mediúnico, e não para atendimento de frivolidades, paixões ou mesmo questões sérias, porém inoportunas.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 29, 2017 8:51 am

5 - Consciência Mediúnica
Na estrutura da vida psíquica do indivíduo, a consciência do culpado pode mudar de nível, propiciando-lhe galgar avançados estados de lucidez e integração, que variam desde os mais primários até os mais transcendentes.
Certamente, as primeiras informações a respeito dos estados alterados de consciência provêm da Vedanta, a escritura religiosa mais antiga do mundo, na qual estão insertos os ensinamentos filosóficos da tradição hindu.
Mais tarde, entre outros, o pensador russo Gurdjieff, respeitado mestre espiritual, examinou a questão, propondo as alterações de níveis de consciência mediante exercícios e induções que ora chamaríamos transpessoais.
Segundo a moderna psicologia transpessoal, é possível lograr-se uma ampliação da consciência além das fronteiras habituais do ego, superando as faixas do espaço e do tempo, conforme as percepções tridimensionais.
Consideram-se normais alguns dos estados de consciência, nos quais ocorrem os fenómenos habituais, situando-se aqueloutros, os parapsicológicos e os mediúnicos, como de natureza patológica.
Observações acuradas ao lado de pacientes induzidos por sugestão, concentração, meditação, terapias mediante a aplicação de drogas, concluíram pela ocorrência de fenómenos transcendentais nos níveis elevados de consciência alterada.
Excepção feita aos delírios, às alucinações, às ilusões, surgem, na área das manifestações subjectivas, as ocorrências de clarividência, de premonição, de clariaudiência, de desdobramento, abrindo espaços para as comunicações mediúnicas, tais a psicografia, a psicofonia, a psicopictografia, etc, em cujos processos a interferência do desencarnado se faz indispensável e actuante.
Não eliminamos a possibilidade desses fenómenos ocorrerem também em psicopatas, tendo como origem o inter-relacionamento espiritual, sem que se apresentem na condição de aberrações mentais.
Outras vezes, tais alterações de consciência facultam a ampliação do eu, facilitando o intercâmbio com inteligências desencarnadas, sem ou mediante a ocorrência da perda de lucidez, de identidade, de unidade do eu pensante.
A linha divisória que assinala a transferência do estado paranormal para o patológico é muito subtil, dando margem à crença de que alguns níveis de consciência mística sejam confundidos com distonias esquizofrénicas.
As formas corretas para distinguir-se um do outro estado são a observação da própria ocorrência, o comportamento do indivíduo na forma de encarar a realidade objectiva, a sua maneira de relacionar-se com o grupo social no qual se encontra, as suas manifestações de ansiedade e de medo.
A realidade total é uma decorrência da concepção do universo e da consciência como conglomerados de energias, em níveis cada vez mais complexos, em um mecanismo de harmónica interpenetração.
Assim, embora a variação de escolas psicológicas que estudam o assunto, poderíamos estabelecer cinco níveis de consciência, sem delimitarmos as suas fronteiras, verificando aquelas nas quais ocorrem as manifestações mediúnicas, de que a doutrina espírita se faz o admirável campo de estudo metodológico objectivando a plenitude do ser.
Em uma cartografia inspirada no sistema de psicologia e espiritismo, merecem exame, embora rápido, esses diferentes estados de consciência.
No primeiro, denominado consciência de sono, há uma total ausência de idealismo e as actividades do ser estão reduzidas, praticamente aos automatismos de natureza fisiológica:
manifestações instintivas, respiração, assimilação sem um real conhecimento das ocorrências.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 30, 2017 10:05 am

O indivíduo dorme, come, procria, ausente dos procedimentos da lógica, da razão.
Poderíamos denominar este como um estado de sono sem sonhos.
Inevitavelmente, através do processo evolutivo inexorável que as reencarnações proporcionam, o homem transita para o estado intermediário, o de consciência em despertamento ou com sonhos, no qual surgem as primeiras expressões de idealismo, de interesse, de luta para a aquisição de valores imediatos, considerados indispensáveis à sobrevivência no labor cotidiano.
Apresenta- se um alargamento de horizontes, embora timidamente, que permite vislumbrar o prazer além da sensação, a comodidade, os sinais primeiros da beleza, da arte, do conhecimento, da fé.
Os sonhos se manifestam, desvelando impressões do inconsciente e dos contactos espirituais, embora nebulosos, favorecendo a activação de mais amplas percepções.
Ocorre, a partir dessa fase, o nível de consciência desperta ou de identificação, no qual o homem começa a observar-se a si mesmo e ao seu próximo, ampliando o grau de relacionamento social e emocional, aspirando pelos ideais de engrandecimento humano, lutando com lucidez pela ampliação dos valores éticos, descobrindo metas além do imediatismo automatista e avançando com entusiasmo na defesa dos seus valores de enobrecimento.
Essa identificação possibilita uma revolução da consciência, a fim de que possa voltar-se para a interiorização, para a percepção subjectiva da realidade.
Lentamente, a consciência de si mesmo ou transcendência do eu assoma e predomina em relação às expressões do mundo exterior.
O homem orgânico, porém, é uma "máquina com funções", que devem ser educadas, bem dirigidas pelo espírito que nela habita, a fim de, mergulhando na sua transcendência, poder encontrar-se.
A princípio, são momentos breves que se amiúdam, ensejando realizações plenificadoras, que o libertam das constrições do invólucro material.
As funções, por automáticas que são, instintivas, motoras, sexuais, do intelecto e da emoção, devem ser canalizadas e direccionadas para a aquisição da harmonia que deve predominar no soma, ensejando a expansão paranormal, o intercâmbio com as forças vivas do universo além da dimensão material.
Abstraindo-se do mundo exterior, a consciência sintoniza com as inteligências desencarnadas, propiciando as comunicações lúcidas - em estado sonambúlico, de inconsciência ou não - nas quais a identificação dos espíritos se faz com o máximo de resultados positivos possíveis.
Nesse nível de consciência, a moralização do homem torna-o alvo dos espíritos nobres que o elegem para ministérios relevantes, não necessária e obrigatoriamente de projecção na comunidade, de relevo social, embora também aí ocorram, exigindo maior soma de abnegação, de elevação moral, a fim de enfrentar os perigos e perturbações que as posições de destaque exigem daqueles que as assumem.
É nesse nível que o impositivo da conduta cristã se toma o recurso saudável e valioso para quem desejar o êxito do empreendimento evolutivo.
Tão habitual se tomará a vivência nesse estado de consciência, que logo será alcançado o estágio mais elevado, o de consciência objectiva, ou cósmica, facultando um absoluto controle das funções orgânicas e propiciando-se o êxtase - a catalepsia consciente - que enseja a libertação dos limites humanos com penetração tranquila no cosmo.
O espírito encarnado e lúcido, nesse nível, facilmente se emancipa das amarras físicas sem as romper e intercambia com outros, superando os condicionamentos da Reencamação.
Somente os grandes mestres e guias da humanidade, em razão das suas conquistas pretéritas, logram, conscientemente, e com frequência, esse nível de libertação cósmica, tais Francisco de Assis, Teresa de Ávila, Swendenborg, Edgar Cayce, Gandhi, ou, sob outras condições de concentração, da Vinci, Miguel Ângelo, Pascal, Einstein, Hansen, ou Galileu, Newton, Copérnico, capazes de se esquecerem de si mesmos durante suas pesquisas e observações...
É um nível de consciência que exige treinamento cuidadoso, sacrifício pessoal, abnegação extremada, critério de objectivo, morte na vida...
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 30, 2017 10:05 am

A psicologia criativa, embora com outras conclusões, reconhece esses cinco níveis de consciência com as suas variações naturais.
Pode o homem alcançar ou transitar momentaneamente por alguns dos três últimos estados de consciência enquanto estagia noutro, não permanecendo senão na faixa que lhe corresponde o treinamento ou a aquisição já realizada.
Vale, porém ressaltar, que a conquista dos vários níveis de consciência é feita passo a passo, com esforço e dedicação reunidos.
Ocorrendo recuos ou paradas, devem ser considerados normais esses fenómenos, até que o treinamento se incorpore aos hábitos, facultando a aprendizagem com emulação sempre mais forte para a conquista do degrau superior.
A educação da mediunidade paralelamente enseja a alegria, incute no indivíduo ser feliz pelo bem que pode realizar e pelo prazer de experimentar o bem que se recebe.
Os fenómenos mediúnicos, no entanto, podem ocorrer em qualquer nível de consciência, em particular quando se tratam de manifestações obsessivas, que irrompem em crises de violência ou de depressão, face às dívidas morais existentes entre os litigantes, ora em processo de reajustamento espiritual.
O exercício da mediunidade saudável, todavia, manifesta-se em harmonia com o nível de consciência de si mesmo, expressando a valiosa conquista do espírito encarnado no seu processo de evolução.
Ocorrem, às vezes, manifestações mediúnicas de prova, em níveis inferiores de consciência, que o sensitivo pode elevar utilizando-se dos valores morais e do correto treinamento, assim facilitando-lhe a sintonia com a vida pulsante fora dos limites materiais.
Jesus-Cristo, o Médium por Excelência, por estagiar em nível de consciência sublime, sintonizava continuamente com Deus, não obstante, após a convivência com o povo, sempre se afastava da balbúrdia para orar, meditar, penetrar na transcendência do cosmo em silêncio e solidão.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 30, 2017 10:05 am

6 - Dons Mediúnicos
"Ora, há diversidades de dons, mas, um mesmo é o Espírito; há diversidades de ministérios, e um mesmo é o Senhor; há diversidade de operações, mas, é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para proveito.
Pois a um, pelo Espírito é dada a palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a outro, dons de curar em um só Espírito; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de Espíritos; a outro, diversidades de línguas e a outro, interpretação de línguas; mas, todas estas coisas opera um só e o mesmo Espírito, distribuindo a cada um particularmente como lhe apraz."
(Paulo, I Coríntios, 12:4— 11).
Tudo promana de Deus, sem dúvida, e o Divino Espírito é o único a expressar-se de mil modos em toda parte.
Reflexionando-se em torno da bela epístola do Apóstolo dos Gentios, encontramos a clara exposição das faculdades mediúnicas, por intermédio das quais o intercâmbio espiritual se faz presente, conforme sucede nas sessões espíritas da actualidade.
Os dons ampliam-se mediante a educação dos seus portadores e o aprimoramento das faculdades trabalhadas pelo escopro da caridade e pelas mãos da abnegação.
Demitizados, os profetas de ontem ressurgem na condição de médiuns hodiernos, por cujo campo espiritual a imortalidade da alma se comprova, erradicando o cepticismo e anulando a dúvida pertinaz.
Variando de pessoa para pessoa, a mediunidade é a ponte segura para propiciar ao homem o trânsito entre as duas margens do rio da vida: a material e a espiritual.
Diversificada nas suas mais complexas expressões, a mediunidade se desdobra em efeitos materiais e intelectuais, consoante Allan Kardec o demonstrou, ensejando manifestações do conhecimento mental e da acção física.
Posteriormente, estudando os fenómenos de natureza psico-cinética, afirmou o Dr. Rhine, pai da contemporânea parapsicologia:
"A mente, que não é física, através de processos não-físicos, interfere e modifica o meio físico."
Nos efeitos intelectuais, as bênçãos da mediunidade se estendem por largo e variado campo de manifestações, que vão desde a psicofonia, à psicografia, à xenoglossia, ao profetismo, ensejando uma visão optimista e facultando o contacto com o mundo extrafísico, mediante cujo concurso prepara o homem terreno para a sua fatalidade próxima que é a vida-além-da-vida, pelo inevitável processo da morte.
Não era, pois, desconhecida ao Apóstolo, a actividade pneumatológica, então vigente na Igreja primitiva, e que, mais tarde, combatida e interpretada equivocadamente, terminaria por ser proibida, renascendo, posteriormente, na doutrina espírita, legatária natural do cristianismo nas suas bases verdadeiras.
Assim, há, sem dúvida," diversidades de dons, mas, um só é o Espírito", abrindo espaço para a educação correta das forças psíquicas e mediúnicas inerentes a todos os homens, dentre os quais alguns as possuem mais especificamente para a tarefa de abalarem o mundo, anunciando e preparando a Era Nova que já se inicia.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 30, 2017 10:05 am

7 - Ser Médium
A mediunidade é registo paranormal que se encontra ínsito na criatura humana, à semelhança da inteligência, da razão.
Todo indivíduo que, conscientemente ou não, capta a presença de seres espirituais é portador de mediunidade, cabendo-lhe a tarefa de desdobrar os recursos parafísicos, através de conveniente educação, graças à qual se tornará instrumento responsável para o ministério superior a que a mesma se destina.
Inicialmente confundida com várias patologias, sejam de ordem mental ou orgânica, a mediunidade fez-se meio para demonstrar o equívoco em que teimavam permanecer os seus adversários gratuitos ou os investigadores apressados.
Caracterizando uma função sempre presente no homem em Iodas as épocas, só a partir de Allan Kardec passou a receber estudo profundo e consideração, vindo, então, a ocupar o lugar que lhe é devido, como ponte para o intercâmbio entre os espíritos de ambos os lados da vida com aqueles que se encontram mergulhados na mesma faixa das percepções psíquicas no corpo físico.
Espontânea, surge em qualquer idade, posição social, denominação religiosa ou cepticismo no qual se encontre o indivíduo.
Normalmente chama a atenção pelos fenómenos insólitos de que se faz portadora, produzindo efeitos físicos e intelectuais, bem como manifestações na área visual, auditiva, apresentando- se com gama variada conforme as diversas expressões intelectuais, materiais e subjectivas que se exteriorizam no dia-a-dia de todos os seres humanos.
Direccionando a observação para as ocorrências inabituais que lhe sucedam, o médium descobre um imenso veio aurífero que, penetrado, brinda-o com gemas de inapreciável qualidade.
Assim como o mergulhador educa a respiração para descer nas águas profundas onde espera encontrar ostras raras, portadoras de pérolas incomuns, o médium tem o dever de disciplinar a mente, a fim de aprofundar-se no oceano íntimo e dali arrancar as preciosidades que se encontram engastadas na concha bivalve das aspirações morais e espirituais.
Às vezes, quando do aparecimento da mediunidade, surgem distúrbios vários, sejam na área orgânica, através de desequilíbrios e doenças, ou mediante inquietações emocionais e psiquiátricas, por debilidade da sua constituição fisiopsicológica.
Não é a mediunidade que gera o distúrbio no organismo, mas a acção fluídica dos espíritos que favorece a distonia ou não, de acordo com a qualidade de que este se reveste.
Por outro lado, quando a acção espiritual é salutar, uma aura de paz e de bem-estar envolve o medianeiro, auxiliando-o na preservação das forças que o nutrem e sustentam durante a existência física.
A educação ou desdobramento mediúnico objectiva ampliar o campo de realização paranormal, porquanto, através dos recursos próprios, tem a especial finalidade de instruir os homens, realizar a iluminação de consciências, facultar o ministério da caridade, pelas possibilidades que proporciona aos desencarnados em aflição de terem lenidos os sofrimentos, as mágoas, a ignorância...
A faculdade de ser médium, própria dos seres inteligentes, constitui um superior instrumento de serviço ao alcance de todos, dependendo de cada um atender-lhe a presença orgânica ou ignorá-la, apurando-lhe a sensibilidade ou perturbando-lhe o mister, deixando-a ao abandono, aí correndo riscos de ser utilizada por entidades perversas ou levianas que se encarregarão de perturbá-la, entorpecê-la ou torná-la meio de desequilíbrio para o próprio médium como para aqueles que o cercam.
Não é, portanto, o ser médium ou não, mas a conduta que este se aplique que atrairá mentes que se irradiam no mesmo campo de vibrações especiais.
Swedenborg, ao perceber a presença da mediunidade, cientista e culto, não tergiversou em estudar a faculdade e dedicar-se ao seu exercício, brindando a humanidade com valioso património de sabedoria, esperança e paz.
Edgar Cayce, constatando a manifestação mediúnica de que se tomou objecto, aplicou-se ao labor pertinente e auxiliou dezenas de milhares de pacientes que lhe buscaram o socorro...
Adolf Hitler, depois de frequentar o Grupo Thule, de fenómenos mediúnicos, dirigido por Dietrich Eckhart, em Berlim, ensandeceu-se, e, fascinado, acreditou-se a "mão da Providência", tornando-se destruidor de milhões de vidas e responsável por males incontáveis, que ainda permanecem na Terra...
A mediunidade, em si mesma, não é boa nem é má, antes, apresenta-se em carácter de neutralidade, ensejando ao homem utilizá-la conforme lhe aprouver, desse uso derivando os resultados que acompanharão o medianeiro até o momento final da sua etapa evolutiva no corpo.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 30, 2017 10:06 am

8 - Fenómenos Mediúnicos
A mediunidade é conquista espiritual do homem, no seu processo evolutivo, a manifestar-se através da organização física e não apenas na área da vida objectiva, porquanto, no mundo transcendente, alcança elevadas expressões de actividade nobilitante.
O corpo somático serve-lhe de equipamento, a fim de facultar aos desencarnados o intercâmbio com os homens.
No entanto, além dos círculos terrenos, homens e espíritos - os primeiros, parcialmente liberados da matéria e os segundos, livres - dão curso ao ministério das comunicações entre eles, assim como com outras entidades de esferas menos ou mais elevadas, em nome do amor.
O Apóstolo Paulo, em sua II Carta aos Coríntios (4:7), afirma que "temos esse tesouro em vaso de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não nosso", exaltando a responsabilidade e a renúncia do médium na tarefa que lhe diz respeito.
A mediunidade funciona como um reflector das imagens da vida espiritual.
Quanto melhores as condições do aparelho, tanto mais fiéis as impressões transmitidas.
O oposto igualmente ocorre, proporcionando distorções e incorrecções correspondentes.
A fonte emissora projecta as vibrações com limpidez, que o médium capta, e, conforme as suas capacidades moral, cultural e emocional, traduz.
O pensamento do comunicante é captado pelo médium através da lei de afinidade fluídica e passa por estágios diferentes.
De início, a captação sensorial, na qual a mente registra a ideia e as sensações do espírito, passando-as pelo campo da memória, que fornece as palavras para vestir as informações e externá-las.
Em seguida, o estágio mnésico, em que ao médium cumpre entender - em estado ou não de consciência, de lucidez espiritual - o sentido da ideia captada, a fim de transmitir, na fase intelectual, com o próprio ou o vocabulário do agente desencarnado, escrevendo - psicografia - ou falando - psicofonia - com a clareza e fidelidade necessárias.
Trata-se, dessa forma, de um fenómeno que ocorre na área neuro psíquica, assim simplificado para dar ideia de uma acção dinâmica e móvel, sujeita a variações diversas por parte do comunicante, do médium e das vibrações do meio ambiente, que exercem papel preponderante no intercurso mediúnico.
A harmonia de pensamentos e vibrações faz-se indispensável para a fidelidade nas comunicações espirituais.
Estamos diante de equipamentos delicados, que sofrem alterações subtis, com efeitos imprevisíveis.
Nas divinas leis, facilidade é a etapa final de uma laboriosa engrenagem, adrede accionada para acontecer no momento azado.
As comunicações espirituais não são uma ocorrência fácil como pode parecer ao observador descuidado, excepto nos casos obsessivos, em razão da predominância da mente perturbadora sobre a vencida, por efeito de sintonia natural e cármica entre os afins...
Os fenómenos mediúnicos, qual ocorre com os demais, são regidos por leis severas que se não submetem aos caprichos ou às circunstâncias vigentes, nos lugares onde se desejam obtê-los.
À equipe mediúnica e ao instrumento cabem responsabilidades que devem ser cumpridas, a favor do êxito que se pretenda.
Por outro lado, a organização neuro psíquica do médium acciona amplos equipamentos que se devem ajustar, produzindo uma aura de harmonia, como efeito de vários factores, assim favorecendo ao desencarnado os recursos para equilibrada comunicação.
A glândula pineal, por exemplo, que responde pelos mecanismos da meditação e da reflexão, do pensamento e do discernimento, é altamente responsável pelas comunicações mediúnicas, em se considerando a sua função nos mais diferentes fenómenos psíquicos.
Assim, pois, todo um contingente de recursos e valores se somam para que os fenómenos mediúnicos, na Terra, tenham lugar com elevação e critério a benefício dos espíritos e dos homens.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 30, 2017 10:06 am

9 - Responsabilidade Mediúnica
Variando de nomenclatura, a Bíblia chamava intermediários dos espíritos os profetas, enquanto, na índia, eles eram tidos como pitris, no Japão, kamis, na Pérsia, ferouers.
Os hebreus ainda os denominavam elohins, os gregos manes e os romanos penates.
Foi Allan Kardec aquele que propôs a palavra médiuns, por mais consentânea com a função a que se dedicam.
O professor Charles Richet, igualmente interessado no assunto, informa que "médiuns são aqueles indivíduos que servem de intermediários entre os mundos dos vivos e dos mortos".
O psicólogo inglês Frederico Myers elucida que "os médiuns são os intermediários entre as comunicações do mundo material com o espiritual".
Já Gustavo Geley classifica-os como pessoas "cujos elementos constitutivos são capazes de, momentaneamente, ser descentralizados".
Por consequência, os livros sagrados dos povos antigos encontram-se refertos de referências à mediunidade, aos médiuns, demonstrando a legitimidade do fenómeno e a frequência com que o mesmo ocorre.
Entre outros, o notável reencontro do rei Saul com o grande juiz Samuel, conforme relata a Bíblia, demonstra o alto grau de sensibilidade da médium de Endor, portadora de várias e excelentes faculdades.
Em outras passagens do Velho Testamento, multiplicam-se as referências à mediunidade e aos médiuns, tais como no Levítico, em Isaías, em Daniel, em Miqueias, em Jeremias...
No Egipto e na Caldeia, na índia e no Japão, os médiuns eram consultados com frequência, fato que se repetiria na Grécia e em Roma, herdeiras naturais da cultura e da civilização oriental.
Homero refere-se, na Odisseia, que Circe, a extraordinária médium, serviu a Ulisses, que, por seu intermédio, dialogou com Tirésias e inúmeros espíritos outros.
Na Tessália, Erasto fez-se celebrizar pelas comunicações espirituais de que era objecto, inclusive revelando a Sexto Pompeu diversas questões que ele desejava conhecer.
A visão psíquica de Apolónio de Tiana, em Éfeso, sobre a morte, por assassínio, de Tito Flávio Domiciano, em Roma, ocorrida naquele dia 16 de setembro de 96, conforme narra Filóstrato, demonstra a paranormalidade mediúnica do notável profeta.
Orfeu se comunicava com Eurídice desencarnada.
Andrómaca dialogava com Heitor falecido.
Periandro conversava com Melissa, sua defunta esposa.
Plínio mantinha contactos espirituais com Homero, como Sócrates com o seu daimon.
Na historiografia clássica da humanidade, desde Heródoto de Halicamasso, passando por Xenofonte, Aristóteles, Plínio, Flávio Josefo, Apuleio, para citar apenas alguns, os médiuns e os fenómenos de que se faziam instrumento estão presentes nas admiráveis narrativas.
* Samuel - 28:3 a 20 (Nota do autor espiritual).
Posteriormente, Pio V enxergou psiquicamente a vitória dos seus exércitos, em Corinto, na célebre batalha de Lepanto, a 7 de outubro de 1571, apesar de encontrar-se em Roma.
Swedenborg acompanhou o incêndio de Estocolmo, não obstante estando em Gotemburgo.
A biblioteca do padre Pierre Jacques Sépher possuía, no ano de 1786, quando foi vendida, cerca de 7.203 livros somente sobre ocultismo, nos quais os médiuns têm papel destacado.
A mediunidade é uma faculdade inerente ao homem, com objectivos elevados.
O seu uso determina-lhe a destinação ao bem, com renúncia e desinteresse pessoal do médium, ou se transforma em motivo de preocupação, sofrimento e perturbação para ele mesmo e aqueles que o cercam.
Dentre todos os pesquisadores da peculiaridade mediúnica, destaca-se Allan Kardec, que a estudou em profundidade, arrancando-a da galeria mitológica na qual esteve por largo período, assim como liberando-a das demonopatias e psicopatologias a que a má-fé religiosa e a científica apressada desejaram reduzi-la.
Graças aos seus esforços, os médiuns devem exercê-la com devotamento e modéstia, objectivando a divulgação da verdade.
Não se trata de um compromisso vulgar para exibicionismo barato ou promoção pessoal, porém, para, através do intercâmbio com os espíritos nobres, serem as criaturas arrancadas do lamaçal dos vícios, ao invés de se tornarem campo para as paixões vis.
Mais se enfloresce nos círculos anónimos e obscuros, agigantando-se daí na direcção da humanidade aflita.
O conforto que proporciona é superior à capacidade de julgamento; a esperança que faculta é maior do que quaisquer palavras, porquanto, mediante os factos incontestáveis, afirma a sobrevivência do ser à destruição pela morte, exomando a vida inteligente com sentido e finalidade.
Posta, a mediunidade, a serviço das ideias enobrecidas, é alavanca para o progresso e apoio para todas as aspirações do bom, do belo, do eterno.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 30, 2017 10:06 am

10 - Objectivo da Mediunidade
Qual ocorre com qualquer faculdade orgânica ou intelecto-moral, a mediunidade, desvestida de mitos e tabus, exige cuidados especiais e competente educação.
Possivelmente, requer maior soma de zelos e atenções, por proceder do espírito, portadora de requisitos especiais e cuja finalidade elevada impõe providências específicas.
Possuidora de um campo de acção muito vasto, expande-se na razão directa em que é exercitada com disciplina, quão se apequena e desaparece quando deixada ao abandono, podendo, não raro, transformar-se em veículo de perturbação e prejuízo.
Instrumento programado para o serviço do amor e do esclarecimento da criatura humana, e, pois, consequentemente, da humanidade, faculta o intercâmbio com os seres espirituais que comprovam a sua sobrevivência à morte, fazendo-se identificar, sem margem a dúvidas, propiciando uma revolução ético-comportamental relevante e demonstrando a legitimidade de todas as crenças religiosas no que tange ao futuro espiritual das criaturas.
Por essa mesma razão, a fim de que possa atingir os objectivos nobres para os quais existe, merece e necessita de atenções contínuas, desde a conduta moral do homem que a possui, como dos recursos que lhe devem ser aplicados, no que diz respeito ao estudo do seu mecanismo, tanto quanto da sua educação e flexibilidade.
Certamente, pode apresentar-se espontânea e generalizada em pessoas boas e más, cultas ou ignorantes, por ser, também, de natureza orgânica, todavia, para tomar-se digna de crédito e respeito, faz-se credora de compreensível educação, graças à qual se lhe desdobram as possibilidades que dormem inatas aguardando ensejo para manifestarem-se.
A mediunidade é um compromisso grave para o indivíduo, que responderá à consciência pelo uso que lhe conferir, como sucede com as faculdades morais que o credenciam à felicidade ou à desdita, como decorrência da aplicação dos seus valores.
Despida de atavios e de crendices, a faculdade mediúnica propicia imensa área de serviço iluminativo, conclamando pessoas sérias e interessadas à conscientização dos objectivos da vida.
A proliferação dos médiuns e a multiplicação de células dedicadas ao exercício das forças mediúnicas têm tornado comuns a aceitação da faculdade, e uma certa faixa de simpatia ora a envolve, permitindo, por outro lado, que a vacuidade e a vulgarização trabalhem em prejuízo dos fins e meios de aplicação de que se reveste.
Lentamente, a modéstia e a humildade, a discrição e a simplicidade dos médiuns, o recolhimento e o trabalho incessante vão cedendo lugar ao estrelismo e às disputas estéreis por promoção de nomes pessoais e de entidades, num campeonato de insensatez lamentável sob todos os aspectos considerados.
A pressa pela divulgação pessoal, em detrimento do zelo pelo conteúdo das mensagens, vem transformando núcleos de actividade mediúnica em palcos de exibição, em veículos para atendimento de interesses escusos, de simonia, de frivolidade...
Os espíritos nobres não se submetem aos caprichos dos médiuns e das pessoas frívolas interessadas nos jogos vazios do personalismo perturbador, cedendo lugar aos vulgares e irresponsáveis quais os próprios medianeiros, realizando fenómenos de sintonia que os candidatam a obsessões subtis a princípio, a caminho de lamentáveis processos irreversíveis e dolorosos...
Nenhum médium é, em consequência, perfeito e irretocável, isento da influenciação dos maus espíritos como dos perturbadores, que povoam a erraticidade e lhes constituem provas ao orgulho e à vaidade, demonstrando a fragilidade humana que é inerente à qualidade do ser falível em processo de evolução na Terra.
O exercício consciente e cuidadoso, enobrecido e dirigido para o bem proporciona ao médium os tesouros da alegria interior que decorrem da convivência salutar com os seus guias espirituais- interessados no seu progresso e realização.
Da mesma forma, experimenta crescer o círculo da afectividade além das fronteiras físicas, pelo facto de os espíritos que com ele se comunicam envolverem-no em carinhosa protecção, aumentando o número de entidades que se lhe tomam simpáticas e agradecidas pelo ministério desenvolvido.
A educação das forças mediúnicas é de demorado curso, porquanto, à medida que a sensibilidade se apura, mais se amplia a capacidade de registro e de percepção extrafísica.
O médium, desse modo, responsável, no desdobramento das actividades a que se dedica, no sector em que se especializa, vai-se despojando dos grilhões terrenos e projectando-se na direcção da Vida Imortal, superando os limites orgânicos e vendo crescer os horizontes iluminados do Mundo Maior que o fascina e enternece.
A mediunidade, portanto, em breve, na Terra, facultará aos homens a visão segura da sua imortalidade, proporcionando-lhe encarar a morte e o seu destino com naturalidade e paz.
Oxalá, próximos estejam esses dias e saibamos, espíritos e homens, utilizar-nos correctamente da divina concessão, mediante cujo uso nos tornaremos uma só família, que já o somos, embora aparentemente separados pela cortina vibratória do corpo físico.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 30, 2017 10:07 am

11 - Problemas da Mediunidade
Prognosticam, alarmadas, pessoas que ignoram a excelência do conteúdo da doutrina espírita, que o exercício da mediunidade gera várias desordens emocionais, comprometendo o equilíbrio psicológico do homem.
Repetem, sem que se dêem conta, velhos chavões que â experiência dos factos demonstrou ultrapassados, porque destituídos da legitimidade.
A mediunidade, como qualquer outra faculdade orgânica, exige cuidados específicos para um desempenho eficaz quão tranquilo.
Os distúrbios que lhe são atribuídos decorrem das distonias emocionais do seu portador que, espírito endividado, reencarna-se enredado no cipoal das próprias imperfeições, das quais derivam seus conflitos, suas perturbações, sua intranquilidade.
Pessoas nervosas apresentam-se inquietas, instáveis em qualquer lugar, não em razão do que fazem, porém, pelo facto de serem enfermas.
Atribuir-se, no entanto, à mediunidade a psicogénese das nevropatias é dar um perigoso e largo passo na área da conceituação equivocada.
O homem deseducado apresenta-se estúrdio e incorrecto onde se encontre.
Nada tem a ver essa conduta com a filosofia, a aptidão e o trabalho a que se entrega, porquanto o comportamento resulta dos seus hábitos e não do campo onde se localiza.
Justificam, os acusadores, que os médiuns sempre se apresentam com episódios de desequilíbrio, de depressão ou exaltação, sem complementarem que os mesmos são inerentes à personalidade humana e não componentes das faculdades psíquicas.
Outrossim, estabelecem que os médiuns são portadores de personificações arbitrárias, duplas ou várias, liberando-as durante o transe, favorecendo, assim, as catarses psicanalíticas.
Se o fora, eis uma salutar terapia liberativa que poderia propiciar benefícios incontáveis aos enfermos mentais. Todavia, dá-se exactamente o contrário:
não se tratam de personalidades esdrúxulas do inconsciente as que se apresentam nas comunicações, mas de individualidades independentes que retornam ao convívio humano procedentes do mundo espiritual, demonstrando a sobrevivência à morte e fazendo-se identificar de forma insuspeita, consolando vidas, e, nos casos das obsessões, trazendo valioso contributo às ciências da mente, interessadas na saúde do homem.
Evidentemente, aparecem manifestações da personalidade ou anímicas que não são confundidas com as de natureza mediúnica, decorrentes das fixações que permanecem no inconsciente do indivíduo.
Na área dos fenómenos intelectuais, tanto quanto dos físicos, os dados se acumulam, confirmando a imortalidade do ser, que se despe dos subterfúgios para surgir com tranquila fisionomia de vida plena.
Certamente, ocorrem, no médium, estados oscilantes de comportamento psicológico, o que é perfeitamente compreensível e normal, já que a mediunidade não o libera da sua condição humana e frágil.
A interacção espírito-matéria, cérebro-mente, sofre influências naturais, inquietantes, quando se lhes associam, psiquicamente, outras mentes, em particular aquelas que se encontram em sofrimento, vitimadas pelo ódio, portadoras de rebeldia, de desequilíbrio.
A tempestade vergasta a natureza, que logo se recompõe, passada a acção danosa.
Também no médium, cessada a força perturbadora, actuante, desaparecem-lhe os efeitos perniciosos.
Isso igualmente acontece entre os indivíduos não dotados de mediunidade ostensiva, em razão dos mecanismos de sintonia psíquica.
Na mediunidade, em razão dela mesma, a ocorrência cessa, face aos recursos de que se faz objecto, ensejando um intercâmbio lúcido e um diálogo feliz com o agente causador da desordem transitória.
O espiritismo é o único antídoto para tais perturbações, pelas orientações que proporciona e por peiletrar na tecedura da faculdade mediúnica, esclarecendo-lhe o mecanismo e, ao mesmo tempo, dando-lhe sentido, direcção.
Independendo de escola de pensamento, de fé e de credo, a mediunidade, ínsita no homem, merece ser educada pelos métodos espíritas, a fim de atender às nobres finalidades para as quais se destina, como instrumento de elevação do seu portador e de largos benefícios para as demais criaturas.
Não há problemas decorrentes do exercício saudável da mediunidade.
Assim, portanto, não se justificam as acusações que fazem à aplicação das forças mediúnicas, no quotidiano espírita.
O exercício correto da mediunidade, a educação das forças nervosas, a canalização dos valores morais para o bem, brindam o indivíduo com equilíbrio, harmonia, dele fazendo mensageiro da esperança, operário da caridade e agente do amor, onde quer que se encontre, a serviço da própria elevação espiritual.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 30, 2017 10:07 am

12 - Obstáculos à Mediunidade Nobre
O exercício sistemático da mediunidade, graças ao qual são desdobrados os recursos para uma correta aplicação a serviço da edificação do bem, encontra graves obstáculos que se podem configurar como verdadeiros perigos desafiadores.
Não é, porém, a mediunidade responsável por eles e sim o seu portador, quando leviano.
Antes, faz-se necessário considerar que o médium, na condição de espírito encarnado, é condutor de problemas e dívidas que o acompanham desde experiências anteriores e que lhe cabe enfrentar para resolver e superar. Natural, portanto, que se veja a braços com os sofrimentos e testemunhos comuns a todas as demais criaturas, passando pelos mesmos campos de aprendizagem e prova, mediante os quais se equipará para tentames mais elevados.
Assim, adiciona, às suas necessidades evolutivas, os esforços resultantes da educação das suas forças medianímicas, que também lhe abrem as portas da percepção para a vida superior.
Na fase inicial - e convém considerar que os perigos não cessam nunca - um dos maiores escolhos à boa prática mediúnica é a insistência dos espíritos levianos e maus por comunicarem-se, roubando tempo útil para o progresso, ou intoxicando o sensitivo com fluidos deletérios, ou distraindo-o com mensagens apócrifas, mentirosas, laudatórias, perturbadoras, com carácter de profecias apavorantes, muito do agrado da frivolidade como do orgulho dos incautos. Inculcando ideias irreais sobre falsas missões, eles induzem o intermediário presunçoso à obsessão por fascinação, que o leva a lamentáveis estados de desequilíbrio, de que se não dá conta, culminando em dolorosas subjugações de curso demorado, quando não irreversíveis...
Surdo a quaisquer advertências e telementalizado pelos seus algozes ou comparsas do comércio mediúnico, afasta-se do bom- senso e das pessoas que não anuem com as suas ideias disparatadas formando grupos de pessoas fanatizadas, que se reúnem, à sua volta, exaltando-lhe os dons e recorrendo aos seus prodígios em terrível desserviço à Causa da Verdade e ao próprio fascinado.
Esse escolho se apresenta através da febre que assalta quem lhe padece a injunção por projectar-se, escrevendo e divulgando tudo quanto lhe chega, aureolado por nomes respeitáveis e venerandos, que não suportam a menor análise crítica, quanto à forma, nem quanto ao fundo...
Convidado à reflexão, assume postura de vítima, perseverando na ilusão de que é missionário especial, incompreendido e maltratado pelos seus coetâneos.
Precatem-se as pessoas honestas dessa como de outras ciladas que as podem colher, meditando e analisando as mensagens que lhes cheguem.
Tudo quanto induza à vaidade ou à projecção nos palcos do mundo seja recebido com a devida reserva, sem pressa alguma de querer "salvar a humanidade".
Neste capítulo, merece referência a impulsão constante para psicografar ou incorporar, para aplicar o passe ou exercer a mediunidade em qualquer lugar e a toda hora, demonstrando desconhecimento e desordem íntima em se tratando da própria e da vida alheia, que devem ser respeitadas. Comunicações excessivamente largas e vazias, transes que se prolongam por horas a fio, com raríssimas excepções, constituem sinais de alarme, mesmo porque os espíritos nobres têm inúmeras outras ocupações além de assistirem aos seus tutelados terrestres.
Gesticulações e movimentos violentos durante a comunicação, atavismos de linguagem pieguista, imitando antigos habitantes dos países em que os comunicantes nasceram, agressividade e contorções faciais como corporais pertencem às entidades inferiores ou ressumam do inconsciente do médium e devem ser corrigidos.
Certamente, nas comunicações dos sofredores desencarnados, podem registar-se alguns modismos característicos dos estados de aflição em que os mesmos se encontram, todavia, socorridos, devem ter diminuídos os estertores e gestos cuja violência desarticula os subtis mecanismos da faculdade mediúnica.
Em toda educação da mediunidade com elevação, o espírito guia do encarnado patrocina e controla o processo disciplinante, desde que este se lhe faça dócil às instruções, jamais, porém, abdicando do livre-arbítrio e da razão.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 30, 2017 10:07 am

Outro gravame ao exercício equilibrado das forças mediúnicas é o seu mercantilismo.
Induzido por pessoas inescrupulosas e desconhecedoras da finalidade do espiritismo, que é o de fomentar o progresso moral da humanidade, o médium, resistindo de início aos pagamentos pelos serviços prestados, termina, não raro, sua vítima, passando à condição de profissional da mediunidade, com alegações banais e sem justificativas.
Advertido pelos seus mentores, se prossegue, elege as companhias espirituais mais compatíveis com seus desejos, rumando, então, sob diferente e inferior comando.
Outro impedimento à correta vivência mediúnica está na interpretação errónea dos objectivos desta.
A pessoa atribui aos espíritos toda e qualquer ocorrência, isentando-se, como aos demais, dos deveres e responsabilidades que lhes dizem respeito.
Que os "espíritos interferem" na vida dos homens, não há a menor dúvida.
Que sejam, porém, os responsáveis exclusivos pelos insucessos das criaturas, isto, já é diferente.
A interferência dá-se por motivo da sintonia mental e moral que mantêm com os indivíduos em razão de suas paixões inferiores recíprocas.
Portanto, por aquiescência dos próprios encarnados.
Assim, diante de determinados acontecimentos, não obstante se busque a terapêutica ou a ajuda espiritual, recorra-se também aos processos compatíveis para a solução de cada um deles.
Nos problemas da saúde, que não seja descartada a assistência médica e, conforme o caso, a presença do especialista na área correspondente.
Os espíritos atuam como cireneus e não como solucionadores que tomassem sobre os ombros a responsabilidade, os compromissos e as tarefas dos seus protegidos.
Por fim, consideremos a irregularidade do exercício mediúnico, a inconstância derivada da preguiça física ou mental responsável pelo insucesso do dever, mantendo o candidato sempre na superfície, actuando na faixa da mediunidade atormentada, que não progride, é repetitiva, insegura e monótona na sucessão do tempo.
É claro que nos não reportamos aqui a todos os perigos que a má orientação pode expor os médiuns.
Entretanto, a partir destes, será fácil deduzir-se os outros, assumindo a postura e os cuidados exigíveis a fim de poder-se exercer a faculdade com tranquila confiança e consciência de que, fazendo o melhor ao alcance, se estará logrando realizar o máximo a benefício próprio e do seu próximo.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:19 am

13 - Educação das Forças Mediúnicas
Identificados pelo sensitivo os sintomas que lhe caracterizam a faculdade mediúnica, a ele cumpre o dever de educá-la.
Somente o médium é capaz de qualificar-se nessa condição.
Nenhum sinal externo pode chamar a atenção do observador, a fim de apontar as pessoas que sejam possuidoras de mediunidade.
Não obstante originária no espírito, exteriorizando-se através do organismo físico, não apresenta síndromes externas, e, mesmo quando algumas destas possam tipificar-lhe a presença, tal conclusão jamais será infalível.
Deste modo, à pessoa sensata e lúcida cumpre o mister de observar a procedência das sensações e percepções que, amiúde, lhe chamam a atenção, por não obedecerem a um curso normal, habitual.
A mediunidade, propiciando a interferência dos desencarnados na vida humana, a princípio gera estados peculiares na área da emotividade como nos estados fisiológicos.
Porque mais facilmente se registram as presenças de seres negativos ou perniciosos, a irradiação das suas energias produz esses estados anómalos, desagradáveis, que podem ser confundidos com problemas patológicos outros.
O sensitivo, porém, é sempre chamado à observância dessas manifestações, por surgirem em momentos menos próprios ou aparentemente sem causas desencadeadoras.
Constatado que esses distúrbios, como também as ocorrências de estesia íntima, não procedem da emotividade ampliada e jubilosa, de sucesso normal, a educação das forças mediúnicas faz-se inadiável.
Quando se trata de fenómenos no campo auditivo, visual ou de movimentos físicos, mais claramente se descobre o factor mediúnico na condição de causa geradora dos mesmos.
O exercício correto da mediunidade nenhum perigo oferece a quem quer que seja.
Essa educação tem por objecto atender a faculdade que desabrocha, a fim de que venha a produzir os resultados superiores a que se destina.
Não existem regras fixas nem programas simples para uma orientação de resultados rápidos.
O estudo da própria faculdade com o competente conhecimento do espiritismo são as bases essenciais e indispensáveis para uma orientação segura e sem qualquer prejuízo.
O exercício metódico da faculdade em desdobramento especializado é o passo seguinte, proporcionador do equilíbrio que faculta mais amplas incursões na experiência transcendental.
Em se tratando de psicografia, é viável que se reservem alguns minutos, duas vezes por semana, no lar, em clima de prece e de harmonia, além da educação em grupo, para dar prosseguimento ao seu exercício, dentro de uma disciplina que impede a interferência dos espíritos infelizes, da fascinação obsessiva, do desajuste emocional.
Outras faculdades merecem um tratamento mais cuidadoso, portanto, em grupo constituído por pessoas dignas, sérias, interessadas no próprio como no progresso da humanidade.
Cada dia, o médium defrontará sensações novas e viverá emoções que lhe cabe anotar, de modo a treinar o controle pessoal, estabelecendo a linha demarcatória entre a sua e as personalidades que o utilizam psiquicamente.
A actividade na área da caridade ilumina-o e a oração fortalece-o, resguardando-o das influências prejudiciais, que pululam em toda parte, por serem resultado da conduta moral dos homens em estado de desencarnados.
O cultivo do silêncio interior e do recolhimento favorece a educação mediúnica, por aguçar as percepções parafísicas, ensejando mais amplas possibilidades de intercâmbio espiritual.
Contudo, a sucessão do tempo é que adestrará o médium para bem servir, equipando-o com os recursos hábeis para tomar-se um bom e dúctil instrumento, usado pelos bons espíritos, que dele se acercam e se interessam por conduzi-lo no cumprimento dos deveres a que se vincula.
Em todo e qualquer fenómeno mediúnico, o intercâmbio dá-se através do perispírito do encarnado, que favorece a imantação psíquica do agente, nele plasmando as suas características, que facultarão a perfeita identificação, culminando, às vezes, em admiráveis fenómenos de transfiguração.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:19 am

A lei dos fluidos, isto é, a identificação fluídica entre o médium e o espírito, constitui factor relevante para uma comunicação harmónica, pois que, se os mesmos são contrários ou se exteriorizam em faixas vibratórias diversas, mui dificilmente se podem esperar resultados positivos.
A meta da caridade, em sua essência, deve constituir o campo de trabalho do médium, no qual se burila e aprimora, iluminando consciências e socorrendo os que sofrem, em um como no outro lado da vida, carentes e ansiosos por alento, paz e libertação.
A educação mediúnica é para toda a existência, pois que, à medida que o médium se toma mais hábil e aprimorado, melhores requisitos são colocados para a realização do ministério abraçado.
A mediunidade, portanto, para desdobrar-se, necessita da anuência do seu portador, excepto nos casos de obsessão, quando irrompe mediante a violência da agressão dos adversários do sensitivo que, desta forma, se desvelam, requerendo atendimento e compreensão.
Não sendo irrepreensível médium nenhum, a vigilância há-de constituir-lhe norma de segurança, reconhecendo, na sua fragilidade, a força para o sucesso da empresa espiritual.
À semelhança de enxada benéfica, quanto mais o médium trabalha, mais aguça a percepção, qual aquela que, mais cavando, mantém a lâmina sempre afiada e útil.
O candidato, pois, à mediunidade, que sente os seus primeiros sinais, educando-se e educando-a, capacita-se para ser obreiro do mundo melhor de amanhã, vivendo-o desde agora numa estrutura paranormal e abençoada.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:19 am

14 - Mistificações na Mediunidade
O exercício da mediunidade correta impõe disciplinas que não podem ser desconsideradas, seriedade e honradez que lhe conferem firmeza de propósitos com elevada qualidade para o ministério.
Porque independe dos requisitos morais do intermediário, este há-de elevar-se espiritualmente, a fim de atrair as entidades respeitáveis que o podem promover, auxiliando-o na execução do delicado programa a que se deve ajustar.
Pelo facto de radicar-se no organismo, o seu uso há que ser controlado e posto em regime de regularidade, evitando-se o abuso da função, que lhe desgasta as forças mantenedoras, como a ausência da acção, que lhe obstrui mais amplas aptidões que somente se desenvolvem através de equilibrada aplicação.
Face à sintonia psíquica responsável pela atracção daqueles que se comunicam, a questão da moralidade do médium é de relevante importância, preponderando, inclusive, sobre os requisitos culturais, porquanto estes últimos podem constituir-lhe uma provação, jamais um impedimento, enquanto a primeira favorece a união com os espíritos de igual nível evolutivo.
Embora os cuidados que o exercício da mediunidade exige, nenhum sensitivo está isento de ser veículo de burla, de mistificação.
Esta pode, portanto, ter várias procedências:
a) dos espíritos que se comunicam, denunciando a sua inferioridade e demonstrando falhas no comportamento do medianeiro, que lhes ensejou a farsa; às vezes, apesar das qualidades morais relevantes do médium, este pode ser vítima de embuste, que é permitido pelos seus instrutores desencarnados com o fim de pôr-lhe à prova a humildade, a vigilância e o equilíbrio;
b) involuntariamente, quando o próprio espírito do médium não logra ser um fiel intérprete da mensagem, por encontrar-se em aturdimento, com estafa, desgaste e desajustado emocionalmente;
c) inconscientemente, em razão da liberação dos arquivos da memória - animismo - ou por captação telepática directa ou indirecta;
d) por fim, quando se sentindo sem a presença dos comunicantes e sem valor moral para explicar a ocorrência, apela para a mistificação consciente e infeliz, derrapando no gravame moral significativo.
Eis por que o médium se deve preservar dos abusos, não exorbitando das energias que lhe permitem a acção da faculdade, porquanto esta, à semelhança de outra qualquer, sofre as alternâncias do cansaço e do repouso, da boa ou da má utilização.
A prática mediúnica impõe, como condições ético-morais, o idealismo e a dedicação desinteressada de quaisquer recompensas, pois que o mercantilismo e a simonia transformam-na em campo de exploração perniciosa.
Não se beneficiando com as retribuições que são encaminhadas aos médiuns, os espíritos nobres os deixam à própria sorte, sendo assim substituídos pelos interesseiros e vãos, que passam ao comércio das forças psíquicas em processo de vampirismo cruel, terminando por apropriar-se da casa mental do irresponsável, em conúbio danoso.
Outras vezes, sentindo-se obrigado a atender o consulente que lhe compra o horário, o sensitivo assume a responsabilidade da mensagem, mistificando em consciência, na crença de que ao outro está enganando, sem dar-se conta das consequências funestas que o gesto lhe acarreta e que se apresentarão no momento próprio.
A venda, porém, da mediunidade, não se dá, exclusivamente, mediante a moeda de contado, mas, também, através dos presentes de alto preço, da bajulação chula, do destaque vão com que se busca distinguir os médiuns, exaltando-lhes o orgulho e a vacuidade.
É austera e irretocável a recomendação de Jesus quanto ao "dar de graça o que de graça se recebe", valorizando-se o conteúdo da concessão superior, honrando-a com carinho e respeito, em razão da sua procedência, quanto do seu destino.
A mistificação mediúnica de qualquer natureza tem muito a ver com o carácter moral do médium, que, consciente ou não, é responsável pelas ocorrências normais e paranormais da sua existência.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:19 am

A mediunidade é para ser exercida com responsabilidade e pureza de sentimentos, não se lhe permitindo macular com as enganosas paixões inferiores da condição humana das criaturas.
Com a sua vulgarização e a multiplicação dos médiuns, estes, desejando valorizar-se e dar brilho especial às suas faculdades, apelam para superstições e exotismos do agrado das pessoas frívolas e ignorantes, que os incorporam às suas acções, caindo, desse modo, em mistificações da forma, através dos processos escusos com os quais visam impressionar os incautos.
A prática mediúnica dispensa todo e qualquer rito, indumentária, práxis, condição por estribar-se em valores metafísicos que as formas exteriores não podem alcançar.
O mau uso da faculdade mediúnica pode entorpecê-la e até mesmo fazê-la desaparecer, tomando-se, para o seu portador, um verdadeiro prejuízo, uma rude provação.
Algumas vezes, como advertência, interrompe-se-lhe o fluxo medianímico, e os espíritos superiores, por afeição ao médium, permitem que ele o perceba, a fim de mais adestrar-se, buscando descobrir a falha que propiciou a suspensão e restaurando o equilíbrio; outras vezes, é-lhe concedida com o objectivo de facultar- lhe algum repouso e refazimento.
A mistificação é um dos graves escolhos à mediunidade, todavia, fácil de se evitar, como de se identificar.
A convivência com o médium dará ao observador a dimensão dos seus valores morais, e será por estes que se poderá medir a qualidade e as resistências mediúnicas do mesmo, a possibilidade dele ser vítima ou responsável por mistificações.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:20 am

15 - Rivalidade entre Médiuns
Remanescente dos instintos agressivos, a rivalidade é presença negativa no carácter humano, que a criatura deve superar.
Se a competição saudável é estimuladora para desenvolver os valores humanos, potenciais, momentaneamente adormecidos, a rivalidade decorre do primarismo animal, que atira as criaturas umas contra as outras.
O rival é antagonista apaixonado, a um passo da violência, na qual derrapa facilmente, facultando-se a explosão de danos graves para si mesmo, bem como para os outros.
Infelizmente, perturbando a sociedade, na luta pela predominância do egoísmo, a rivalidade entre os homens leva-os aos estados belicosos, quando a solidariedade os engrandeceria, propiciando bênçãos a toda a comunidade.
É natural que, também entre os médiuns, o morbo das rivalidades injustificáveis irrompa, virulento, enfermando quantos lhe permitem o contágio.
Invigilantes, olvidam-se da terapia do amor e deixam-se infelicitar, asfixiados pela inveja, pela mágoa, pelo ciúme, contribuindo para as lutas inglórias que, lamentavelmente, se instalam nos grupos, nos quais estes se encontram a serviço.
No contuvérnio que se estabelece, a rede da insensatez divide os membros do trabalho, que passam a antagonizar-se, embora abraçando os ideais da liberdade, da tolerância, do amor, da caridade.
Tais rivalidades têm sido responsáveis pelo malogro de empreendimentos significativos, elaborados com carinho através dos anos, e que se desgastam e se desorganizam com facilidade, tornando-se redutos de decepções e amarguras.
A rivalidade é um mal que aguarda solução, combate de urgência.
Surge de forma subtil; instala-se com suavidade, qual erva parasita em tronco generoso, e passa a roubar a energia de que se nutre, terminando por prejudicar o hospedeiro que lhe dá guarida.
O médium deve ser um servidor da Vida, a benefício de todas as vidas.
A sua há que tomar-se a luta pelo auto-aprimoramento, observando-o as mazelas e estudando as deficiências, a fim de mais crescer na escala dos valores morais, de modo a sintonizar com as entidades venerandas, nem sempre as que se tomaram famosas no mundo, mas que construíram as bases da felicidade pelo amanho do solo dos corações na execução do bem.
A ele cabe disputar a honra de servir e não a de aparecer; de ceder e nunca a de impor; de amar e jamais a de fruir, apagando- se, para que resplandeça a luz da verdade imortal de que se faz instrumento.
Como do homem de bem se esperam a preservação e vivência dos valores éticos, do instrumento mediúnico se aguarda o perfeito entrosamento emocional e existencial entre o de que se faz portador e o comportamento cotidiano.
O médium espírita é simples, sem afectação, desprovido do tormento de provar a sua honestidade aos outros, porque sabe que, no mundo, somente se experimentam aflições, conforme ensinou Jesus.
Ademais, ele reconhece que está a serviço do bem, ao qual lhe cumpre atender com naturalidade e paz.
Médiuns rivais são antagonistas em justas infelizes, buscando vitória em nome das vaidades que corrompem o coração e envenenam a razão.
Se alguém se apresenta mais aquinhoado para o serviço mediúnico, mais endividado certamente o será, porquanto a mediunidade a serviço do bem é via de acesso e de redenção para o espírito, e não moldura brilhante para as fulgurações terrestres.
Ao invés de rivalidade competitiva, fomentemos a oração e o auxílio fraternal entre todos, a fim de que o êxito se apresente, não pelo aplauso humano, porém pela abnegação e largo trabalho de edificação do bem entre os homens.
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