Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:20 am

16 - Obsessão na Mediunidade
Escolho à educação e ao exercício da mediunidade, a obsessão é vérmina a corroer o organismo emocional e físico da criatura humana.
Somente ocorre a parasitose obsessiva quando existe o devedor que se lhe toma maleável, na área da consciência culpada, que sente necessidade de recuperação.
Conservando a matriz da inferioridade moral no cerne do ser, o espírito devedor faculta a vinculação psíquica da sua antiga vítima, que se lhe toma, então, como cobrador, passando à posição de verdugo alucinado.
Estabelecida a sintonia, o vingador ensandecido passa a administrar, por usurpação, as energias que absorve e lhe sustentam o campo vibratório no qual se movimenta.
A obsessão é obstáculo à correta educação da mediunidade e ao seu exercício edificante, face à instabilidade e insegurança de que se faz portadora.
A síndrome obsessiva, no entanto, revela a presença da faculdade mediúnica naquele que sofre o constrangimento espiritual dos maus espíritos, pois estes somente a exercem como expressão da ignorância e loucura de que se fazem objecto, infelizes que também o são nos propósitos que alimentam e nas acções que executam.
A desorientação mediúnica, em razão de uma prática irregular, faculta obsessões por fascinação e subjugação a longo prazo, de recuperação difícil, quando não irreversível...
Nesse sentido, a parasitose obsessiva pode, após demorado curso, dar lugar à distonia nervosa, o que facilita a instalação da loucura em suas variadas manifestações.
No princípio, a obsessão pode ser confundida com alguma dessas manifestações psicopatológicas, tais a neurose, a psicose, e, às vezes, a esquizofrenia...
É necessário muito cuidado para uma diagnose exacta nessa área, pois que a fronteira entre uma dessas perturbações mentais e a interferência espiritual deletéria é muito subtil.
Não é, porém, a mediunidade que responde pela eclosão do fenómeno obsessivo. Aliás, através do cultivo correto das faculdades mediúnicas é que se dispõe de um dos antídotos eficazes para esse flagelo, porquanto por meio delas se manifestam os perseguidores desencarnados, que se desvelam e vêm esgrimir as falsas razões nas quais se apoiam, buscando justificar a insânia.
Será, todavia, a transformação pessoal e moral do paciente que lhe concederá a recuperação da saúde mental, libertando-o do cobrador desnaturado.
O processo de reequilíbrio, porém, é lento, exigindo altas doses de paciência e de amor por parte do enfermo, como daqueles que lhe compartilham a experiência afectiva, social, familiar.
Sujeita a recidivas, como é compreensível, gera desconforto e desânimo, levando, desse modo, os que nela se encontram incursos ao abandono da terapia refazente, à desistência da luta, entregando-se, sem qualquer resistência, e deixando-se consumir.
Não se manifesta, entretanto, a alienação por obsessão exclusivamente no exercício da mediunidade, sendo comum a sua ocorrência em pessoas totalmente desinformadas e desconhecedoras dos mecanismos da sensibilidade psíquica... Iniciando-se o processo com subtileza ou irrompendo com violência, torna-se o indivíduo, após corrigida a desarmonia, portador de faculdades mediúnicas que jaziam em latência, graças às quais aquela se pôde manifestar.
Seja, porém, qual for o processo através de cujo mecanismo se apresente, a obsessão resulta da identificação moral de litigantes que se encontram na mesma faixa vibratória, necessitados de reeducação, amor e elevação.
A mediunidade constitui abençoado meio para evitar, corrigir e sanar os processos obsessivos, quando exercida religiosamente, isto é, com unção, com espírito de caridade, voltada para a edificação do "Reino de Deus" nas mentes e nos corações.
Nenhum médium, todavia, ou melhor dizendo, pessoa alguma está indene a padecer de agressões obsessivas, cabendo a todos a manutenção dos hábitos salutares, da vigilância moral e da oração mediante as acções enobrecidas, graças aos quais se adquirem resistências e defesas para o enfrentamento com as mentes doentias e perversas que pululam na erraticidade inferior e se opõem ao progresso do homem, portanto, da humanidade.
Esse comércio psíquico pernicioso, o da obsessão, é muito mais expressivo entre os homens e os espíritos desencarnados doentes do que se supõe, merecendo o estudo e a atenção daqueles que se interessam por equacionar os graves problemas que perturbam a economia emocional e moral da sociedade.
A obsessão, no exercício da mediunidade, é alerta que não pode ser desconhecido, constituindo chamamento à responsabilidade e ao dever.
Mesmo Jesus, o Médium Superior e Irretocável, viu-se a braços com obsessores, obsediados e tentações promovidas por mentes perversas do além-túmulo, para os quais a Sua foi sempre a atitude de amor, energia e caridade, encaminhando-os ao Pai, de Quem procedem todas as mercês e dádivas.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:20 am

17 - Médiuns em Desconcerto
Sem qualquer dúvida, conforme acentuou Allan Kardec, o egrégio Codificador do espiritismo, o maior adversário da mediunidade é a obsessão, e os seus antídotos eficazes são o conhecimento e a prática sadia da doutrina incorporada ao cotidiano, conforme já nos referimos anteriormente.
A obsessão, porém, somente ocorre, porque o adversário espiritual encontra naquele a quem persegue os plugues de fixação perniciosa, procedentes de experiências pretéritas ou decorrentes da conduta incorrecta na actualidade.
Quanto às vicissitudes defluentes do passado, o homem dispõe da actual conjuntura corpórea para redimir-se, assinalando a existência com valores positivos que o capacitam para adquirir bênçãos, disciplinando-se e produzindo valorosamente em favor dos objectivos elevados da vida.
Conscientizando-se do significado da sua Reencamação, nela investe todos os recursos morais e intelectuais a fim de aprimorar-se, limando as arestas que representam as viciações e defeitos que contribuíram para a sua queda na desdita.
Dá-se conta de que, em cada momento bem utilizado, pode remover obstáculos que permanecem dificultando-lhe a marcha, ao mesmo tempo auxiliando as demais pessoas à sua volta, sejam aquelas que o crivam de aflições, ou aqueloutras que o impelem para o fracasso, ou, ainda, as que cooperam fraternalmente em favor do seu reequilíbrio, a todas oferecendo a luz da fé libertadora e o calor da amizade pura.
Neste sentido, o da ascensão, a mediunidade se lhe apresenta como excelente instrumento de elevação pelos benefícios que pode proporcionar, já que tem como objectivo a demonstração da sobrevivência da alma, e, por consequência, é porta de acção caridosa, tendo-se em vista o crescente número de sofredores que pululam em toda parte.
Aqui, no entanto, reside o ponto de alta responsabilidade mediúnica, que reflecte a conduta do intermediário.
Conforme seja esta, apresentar-se-á aquela.
A lei de afinidades e de semelhanças funciona com automatismo, atraindo para a órbita da acção do medianeiro os espíritos que lhe são equivalentes em propósitos e aspirações, comportamento e interesse.
Verdadeiros fantasmas, todavia, rondam o médium, em forma de companhias que, por sua invigilância, terminam por dominá-lo, levando a mediunidade a lamentáveis desconcertos.
A presunção, que se deriva do orgulho, é um dos inimigos mais vigorosos, por sugerir ao médium uma certa invulnerabilidade às forças negativas, tornando-o, desde então, vítima da burla e das mistificações dos espíritos ociosos e perversos.
Além dessa imperfeição, a conduta reprochável envolve-o em vibrações vis que o intoxicam, desarticulando os delicados mecanismos psíquicos encarregados dos registros superiores, sintonizados conforme então se encontram com as faixas mais grosseiras da esfera inferior.
O complexo mecanismo da mediunidade exige um tratamento cuidadoso que o sensitivo deve administrar com zelo e carinho especiais, de forma a estar em harmonia constante, porquanto a função mediúnica é permanente, não se restringindo a espaços adrede estabelecidos.
A vida mental enriquecida de imagens optimistas e de ressonâncias superiores, que se derivam da oração e da vivência saudável, funciona como lubrificante oportuno e indispensável na aparelhagem sensível e muito sofisticada da sua paranormalidade.
O ácido da revolta cultivada, a ferrugem do constante mau humor, o salitre da ambição e os venenos emanados pela exorbitância das paixões servis tornam-se corrosão nos implementos que constituem os equipamentos nobres, que se destinam a fins libertadores.
Face ao mau uso, quando se apresentam os desconcertos mediúnicos, sejam por indução obsessiva ou decorram da indisciplina moral do intermediário, a marcha na direcção do abismo é lamentável e quase sempre irreversível.
Médiuns, pois, que vivem em situações psíquicas de alti-baixos, no exercício do ministério a que se aprestam, destrambelham a faculdade abençoada que deveriam dignificar, porque, sem excepção, pediram-na antes do renascimento por saberem que o seu uso correto lhes concederia a palma da vitória, num retomo à Pátria em paz, o que, face à leviandade e à loucura de que se deixam possuir, não se dará, impondo-lhes futuras experiências no corpo sob o açodar de dores inomináveis, que agora poderiam evitar.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:20 am

18 - Médiuns-Fenómenos
No passado, como no presente, nas antigas civilizações, conforme sucede nas hodiernas, sempre têm aparecido homens-fenómenos, chamando a atenção dos seus coevos para as maravilhas de que são instrumentos.
Denominados por expressões variadas, há entre eles, quase sempre, um comportamento comum, que se toma característico e desafiador da presença dos antepassados como agentes dos acontecimentos extraordinários.
Consubstanciando a crença natural na imortalidade da alma, têm-se tomado verdadeiros desafios às opiniões opostas, ao cepticismo, à negação dessa sobrevivência do ser à sepultura.
Videntes ou auríspices, gurus ou hierofantes, profetas ou ri-chis, oráculos ou feiticeiros, tornaram-se exemplos de paranormalidade especial que não pode ser desconsiderada, ocupando lugar de destaque na historiografia da humanidade, mesmo quando anulados o entusiasmo e as paixões nacionais de cada cultura na qual viveram.
Entre os povos primitivos ou no meio das civilizações mais avançadas, eles têm sido motivo de estudo e análise que os tomam credores de confiança, apesar de medrarem, como efeito da própria natureza humana, em todo sector os mistificadores, os mentirosos e os zombeteiros da credulidade dos ingénuos.
Alguns, pesquisados com critério e exigência científicos por dezenas de anos e por diferentes investigadores, sempre demonstraram a lisura e dignidade com que desempenharam o seu mister, contribuindo eficazmente para a elucidação de inúmeros problemas psíquicos, ora incorporados às ciências especializadas na sua realidade e divulgação.
De Moisés, o legislador, a Daniel Dunglas Home; ou de Jeremias, o profeta, a Stainton Moses; ou de Ana, identificando o Messias infantil no Templo, à Senhora d’Espérance, ou à Senhora Eleonora Piper; ou de Swedenborg aos irmãos Davenport; ou de Apolónio de Tiana a Eusápia Paladino, incontáveis sensitivos produziram fenómenos que comoveram as comissões que os estudaram ou os homens, seus contemporâneos, que participaram das suas admiráveis manifestações, preparando as mentes para a vivência da ética-moral saudável ensinada por Jesus, como salvo-conduto para adentrar-se no "Reino dos Céus".
Ontem, como hoje, foram muitos deles vítimas da suspeita sistemática e do escárnio, alguns levados a julgamentos e a condenações arbitrárias, como outros erguidos à santificação e à glória injustificáveis, fora de uma directriz equilibrada que a moderna consciência espírita pode proporcionar.
A partir de Allan Kardec, esses homens-fenómenos foram situados nos seus devidos lugares, merecendo respeito como criaturas humanas que são, pelos valores morais que possuem e não apenas pelas faculdades, pura e simplesmente, de que são dotados.
Periodicamente, a Divindade os envia à Terra, especialmente quando predomina a treva da ignorância e da soberba, a fim de que advirtam os homens a respeito da transitoriedade da vida material, conclamando-os a uma mudança de atitude mental e moral, que lhes será a base na sobrevivência futura, para serem felizes ou desditosos.
Portadores de alta responsabilidade em si mesmos, esses médiuns especiais, com possibilidades de produzirem fenómenos insólitos, responderão pelo uso que aplicarem às suas faculdades,
porque, eles mesmos, melhores do que quaisquer outras pessoas, conhecem a procedência dos sucessos de que se fazem objecto, não podendo fugir ao dever de conduzir a existência com elevação e dignidade compatíveis.
Multiplicam-se, em nossos dias, esses médiuns-fenómenos, uns desequipados do conhecimento espírita e outros que se recusam possuí-lo, explorando ou enganando, apresentando-se como seres privilegiados, exigindo prerrogativas e direitos que, em verdade, não merecem.
Eis porque o maior fenómeno, na mediunidade, é o da transformação moral do sensitivo, demonstrando pelo exemplo a excelência das mensagens intelectuais ou objectivas que ocorrem por seu intermédio.
Acima e mais importante do que fenómenos retumbantes na mediunidade, a acção da caridade em favor dos sofredores de ambos os planos da vida deve constituir uma das metas a conquistar, por todo aquele que empreenda a tarefa de consagrar-se ao intercâmbio mediúnico, de cujos frutos superiores se beneficiará, reparando os erros do pretérito e aplainando as estradas que deverá percorrer no futuro.
Respeitando, nos médiuns portadores de fenómenos retumbantes e que chamam a atenção, o seu ministério, conclamamos os trabalhadores dispostos à conquista da paz íntima e à acção do bem, através do exercício da mediunidade com Jesus, na caridade fraternal, a trabalharem pelo mundo moral renovado, prenúncio da humanidade feliz dos tempos porvindouros.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:20 am

19 - Médiuns Imperfeitos
Causam estranheza, não poucas vezes, as comunicações mediúnicas procedentes dos espíritos nobres através de pessoas insensatas ou portadoras de conduta irregular.
O normal, que prevalece nesta como em qualquer outra actividade, é a vigência da lei das afinidades mediante a qual é mais fácil aqueles que são simpáticos entre si se mancomunarem e intercambiarem do que a ocorrência de fenómenos opostos.
Certamente, a predominância da ordem e do equilíbrio em todos os quadrantes da natureza constitui a base da harmonia.
No que tange aos valores ético-morais, o mecanismo é idêntico.
Todavia, com objectivos elevados, as entidades superiores, por falta às vezes de médiuns que sintonizem com os seus relevantes propósitos, utilizam-se daqueles que encontram, com dupla finalidade: adverti-los através de orientações seguras e auxiliar as pessoas confiantes ou necessitadas que lhes buscam o socorro.
Não se melhorando tais médiuns, mais agravam o seu estado espiritual, pois que não se podem justificar posteriormente, quando chamados à ordem, sob a primária alegação de que ignoravam a gravidade dos deveres de que se encontravam investidos.
Ademais, a mediunidade é neutra em si mesma, qual telefone que pode ser utilizado por pessoas boas e más, de conduta elevada como reprochável, ricas ou necessitadas, cabendo ao proprietário seleccionar a clientela mediante os critérios que melhor lhe digam respeito.
A imperfeição, inerente às criaturas humanas, provém dos atavismos que as fixam às faixas primárias das quais procedem e ainda não lograram liberar-se.
Portadoras da faculdade mediúnica, dispõem de precioso instrumento que, dignamente utilizado, as auxiliará no processo de aprimoramento intelecto-moral, superando os limites primitivos e adquirindo mais amplas percepções sobre a vida e si mesmas, com os olhos postos em metas relevantes que as aguardam.
Malbaratar o precioso talento da mediunidade, deixando-a enxovalhar-se sob o uso com finalidades pueris e frívolas, indignas e vulgares, acarreta penosas aflições que impõem renascimentos dolorosos, nos quais a demorada meditação no cárcere carnal deficitário auxiliará o calceta a valorizar os bens do Senhor, que são colocados ao seu alcance para o crescimento íntimo e a felicidade.
Outrossim, a incorrecta utilização dos recursos mediúnicos entorpece os centros de registo e termina, quase sempre, por desarmonizar o psiquismo e a emoção, levando a patologias muito complexas.
Médiuns ciumentos, imorais, simoníacos, exibicionistas, mentirosos e portadores de outras imperfeições morais pululam em toda parte, descuidados e levianos, acreditando-se ignorados pelas leis soberanas e supondo-se detentores de forças próprias, podendo-as utilizar a bel-prazer sem qualquer responsabilidade nem consequência moral.
Mesmo estes, vez que outra, são visitados pelos mentores espirituais compadecidos, que deles se acercam para os auxiliar, intentando despertá-los para os deveres e compromissos que lhe dizem respeito.
Cabe, desse modo, a todos os médiuns, a vigilância constante e a oração frequente, a acção caridosa e a disciplina segura, a fim de se precatarem de si mesmos, de suas imperfeições e da interferência dos espíritos impuros e perturbadores, resguardando-se das ciladas que a necessidade de evolução lhes permite enfrentar, a fim de adquirirem a segurança íntima e o equilíbrio para atingirem mais elevadas faixas vibratórias, nas quais permanece o pensamento divino aguardando ser captado para o progresso da humanidade.
Não seja, pois, de causar estranheza, a comunicação dos guias espirituais através dos médiuns imperfeitos e em meios perniciosos, assim como as mensagens dos espíritos estúrdios e maus por meio dos instrumentos de sadia moral e equilíbrio espiritual, que os visitam para se beneficiar e receber instrução e roteiro, esclarecimento e directriz de libertação.
A imperfeição, que se manifesta nos homens ou nos espíritos, indica estágio inferior no qual transita o seu portador, que se deve empenhar por superá-la, trabalhando com acendrado esforço para libertar-se da sua cruel grilheta.
Todos marchamos da sombra na direcção da Grande Luz que nos atrai e que um dia nos banhará em definitivo, eliminando toda mácula e primarismo por acaso ainda existente em nós.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 31, 2017 8:21 am

20 - Médiuns Instáveis
Enxameiam em toda parte a leviandade e a fantasia atreladas às paixões dissolventes, arrastando multidões.
Manifestam-se, ora com acendrado interesse por algo fazer, e em momentos outros na condição de indiferença, sob as justificativas irresponsáveis com que seus apaniguados abandonam as tentativas de enobrecimento.
Tais qualidades morais negativas, inerentes à condição humana, mostram-se também no carácter de muitos médiuns.
Não se conscientizando estes da gravidade de que o exercício mediúnico se reveste, permanecem, levianos quão insensatos, vinculados às mentes ociosas e vulgares da erraticidade inferior, de onde igualmente procedem...
Podem ser, às vezes, instrumentos de comunicações sérias, aproveitáveis; no entanto, em razão da condição vibratória que lhes decorre da conduta, mais facilmente se deixam influenciar pelos espíritos portadores de iguais condições evolutivas, com os quais convivem em acentuado comércio psíquico.
Desse modo, constituem a grande mole dos médiuns frívolos e instáveis.
Estão sempre em conflito a respeito da legitimidade das comunicações de que se vêem objecto, ou, em caso contrário, tombando em terrível fascinação, acreditam-se portadores de missões relevantes, impondo as ideias arbitrárias e heterodoxas de que se tomam irresponsáveis instrumentos.
Incapazes de preservarem o comportamento salutar, perturbam-se com facilidade e transitam pelas vias da instabilidade emocional, a um passo de lamentáveis obsessões ou desequilíbrios mentais outros.
O médium tem deveres para com a faculdade de que é portador.
Concessão superior, bem orientada, ela o pode alçar às elevadas faixas do pensamento divino, concedendo-lhe momentos de inigualável empatia e paz.
Descuidada, lança-o, por sintonia, aos níveis inferiores, onde enxameiam as perturbações que o atingem inexoravelmente.
Para que logre o êxito no cumprimento do dever que lhe está destinado, o médium não se pode eximir do estudo constante da própria faculdade, assim como da doutrina espírita, dedicando-se com unção e seriedade à educação dessas forças que o colocam em afinidade com outras dimensões da vida.
A convivência com pessoas moralmente sadias toma-se-lhe um suporte poderoso para o auxiliar na vivência dos postulados nobres, da mesma forma que a dedicação aos ideais do bem dão-lhe credenciais para vibrar em campo mais subtil de aspirações, atraindo a simpatia dos mentores espirituais, sempre interessados no progresso das criaturas.
O exercício metódico e sistemático da mediunidade adestra o seu possuidor para os cometimentos relevantes.
A ideação positiva e optimista plasma-lhe, no campo psíquico e emocional, a área apropriada para o intercâmbio edificante, do qual resultam benefícios para os comunicantes como para o instrumento utilizado, que passa a desfrutar da preferência dos servidores felizes no programa de edificação da humanidade.
A mediunidade não pode constituir um estigma, conforme a leviandade de pessoas inescrupulosas deixa transparecer amiúde.
Um sexto sentido como este possui requisitos especiais que impõem cuidados próprios, como sucede com os outros que tipificam a normalidade humana.
Cabe às pessoas honestamente interessadas em exercer a mediunidade com segurança e seriedade uma introspecção, avaliando o recurso de que se encontram depositárias, assumindo com a própria consciência o dever de conduzir de boa mente o ministério, a ele se dedicando com a dignidade que lhe dará sustentação.
Simão Pedro, o discípulo afeiçoado de Jesus, deu exemplo de mediunidade instável, do ponto de vista moral, quando, sob a inspiração da Mente Divina, identificou o Amigo como o Messias esperado e, logo depois, sob a influência de entidades estúrdias, perturbadoras, avassalado por injustificável receio, buscou impedir que o Senhor marchasse a Jerusalém para o holocausto...
Mais tarde, sob a injunção da dor e da entrega total, tornou-se o excelente médium do Ressuscitado, levando a mensagem e o exemplo às multidões que o buscaram até o momento do testemunho pessoal.
Judas, que também O amava, não suportou o assédio dos espíritos perversos, e, apesar de advertido directamente, traiu e entregou o Benfeitor aos Seus famigerados inimigos...
Desesperado pelo arrependimento que o tomou, sem resistências morais para a reabilitação, caiu na obsessão total e fugiu pela porta falsa do suicídio hediondo.
Somente a edificação íntima e a conduta sadia constituem segurança para quem, portador de mediunidade, busque o estudo e a prática consciente da faculdade, elevando-se pelo pensamento, pelas palavras e actos às Esferas da Luz.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 10:29 am

21 - Médiuns Exibicionista e Problemáticos
Disposição orgânica, a faculdade mediúnica deve ser canalizada para fins nobres, evitando-se transformá-la em motivo de espectáculo gerador de comoções passageiras.
Facultando o intercâmbio espiritual através do perispírito do sensitivo, o silêncio e o recolhimento são condições propiciatórias para a colecta de resultados positivos.
Independente da vontade do seu possuidor, funciona quando accionada pelos espíritos que a manipulam, sendo, portanto, credora de assistência moral, de modo a atrair agentes dignificadores interessados no progresso geral e no intercâmbio saudável com os homens.
Porque pululam, na erraticidade, os espíritos, muito cuidado deve ser dedicado à faculdade mediúnica, a fim de que não se torne instrumento útil aos desencarnados inferiores, lutando-se com esmero para não vir a ser presa dos levianos, que facilmente se mancomunam com os obsessores, gerando perturbações graves e enfermidades complexas.
O trato com os espíritos impõe prudência, elevação moral, equilíbrio emocional em todo aquele que se interesse por colher resultados satisfatórios.
A fé sincera, sem estardalhaço nem afectação, a entrega a Deus, com irrestrita confiança, e ao seu guia espiritual contribuem para uma educação mediúnica exemplar.
O cuidado em torno dos comunicantes, que podem ter sido famosos na Terra, porém destituídos de elevação moral, precata o médium das armadilhas perigosas da obsessão, sempre de fácil ocorrência.
O exibicionismo constitui um dos mais perigosos inimigos do médium, que passa a ser dirigido pelos espíritos vaidosos e prepotentes que não se desligaram das vanglórias terrenas e, apaixonados, se lhe imantam ao psiquismo, movendo-o a bel-prazer e ridicularizando-o com exotismos e preciosismos do seu agrado, totalmente antinaturais, porém que o fascinam e o comprazem, tomando-se, assim, o médium, presença obrigatória nas reuniões sociais e nos cometimentos frívolos, sob justificativas diversas, dando oportunidade aos seus conflitos e para exibir valores que não possui.
Cercam-se esses médiuns de pessoas igualmente levianas que os bajulam e incensam, fazendo que a vaidade os domine, às vezes sob disfarces de humildade e benemerência longes da realidade.
Vitimados pelas mentes ociosas e cultoras da vaidade no além, tornam-se intrigantes, apresentando-se como vítimas daqueles que lhes não concedem crédito e afastando-se das pessoas que não convivam com as suas pretensões.
Ser-lhes-ia uma bênção a suspensão ou a perda da mediunidade, poupando-os de dissabores futuros e enredos infelizes de que se não liberarão facilmente.
Quando tal sucede, teimam em prosseguir no campeonato da insensatez, derrapando em fenómenos automatistas ou mistificações grosseiras, que todos percebem, menos o auto-fascinado.
Noutras vezes, permanecendo a disposição mediúnica, prosseguem presas dos espíritos afins, sofrendo as injunções penosas que criaram para si mesmos.
O fenómeno mediúnico experimenta periodicamente interrupção, e médium algum pode, com antecedência, afirmar que produzirá manifestações desta ou daquela natureza, pela simples razão de não ser ele o seu agente.
Quando ocorre semelhante aviso prévio, é de duvidar-se da qualidade moral dos comunicantes e do médium, tendo-se em vista o número de presunçosos, desocupados e mistificadores do além-túmulo, interessados em labores dessa natureza.
A momentânea interrupção da mediunidade objectiva resultados positivos para o seu portador.
Primeiro, demonstrar-lhe que a sua ingerência no fenómeno é passiva; segundo, pôr-lhe à prova a paciência e a perseverança, ensinando-lhe como ser dúctil e submisso à Soberana Vontade de Deus, que determina o que é sempre melhor para as criaturas; terceiro, ensejar-lhe a meditação em torno das lições de que foi objecto.
Não é a mediunidade o meio único para alcançar-se a realização espiritual, e aqueles que não são médiuns ostensivos, graças à sua aplicação ao bem, estudos iluminativos, lapidação do carácter e enriquecimento moral, também conseguem alcançar os elevados cumes da perfeição que buscam com acendrado esforço.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 10:29 am

A faculdade mediúnica é concedida a determinados indivíduos, porque dela necessitam para o seu desenvolvimento moral e recuperação de compromissos que lhes pesam desfavoravelmente na economia das reencarnações passadas.
Não aplicando correctamente os recursos edificantes, mais se complicam, arrostando consequências danosas para eles mesmos.
Igualmente, a mediunidade não constitui sinal de elevação moral ou espiritual, razão pela qual homens nobres não a apresentam expressiva, enquanto outros, inferiores e de má vida, são assinalados por possibilidades largas, em que não se aplicam com o zelo e a dedicação que merecem, sendo esta uma característica natural do seu estado evolutivo ainda inferior.
O bom uso da mediunidade, a convivência psíquica com os espíritos elevados, as acções caritativas, o estudo dos ensinamentos de que se faz instrumento, as aspirações nobres que cultiva, tornam o indivíduo melhor e capacitam-no ao ingresso na classe dos missionários, graças à conduta relevante e à abnegação que revela na prática do bem.
As tendências morais do médium contribuem fortemente para a qualidade e o tipo das comunicações de que ele se faz intermediário.
No caso dos médiuns exibicionistas, merece seja considerado que os espíritos fanfarrões que os utilizam encontram neles uma perfeita sintonia de propósitos, desta ou de existências próximas, quando foram motivo de exaltação e vaidade, agora recalcadas, a expandir-se através da passividade mediúnica.
Com o tempo, passam a acreditar que são merecedores dos fenómenos que lhes acontecem, e que os espíritos se lhes submetem, atribuindo-se valores que estão distantes de possuir.
O orgulho os cega e as paixões inferiores latentes desvelam-se, tombando-os em formas grosseiras ou subtis de simonia, que passam a exercer, estimulados pelos apaniguados que os cercam, igualmente irresponsáveis.»
O médium exibicionista encontra-se em constante perigo sob pressões que procura ignorar e que terminam por macerá-lo.
Desperta tardiamente no corpo para a responsabilidade, quando isto ocorre; porquanto o comum é prosseguir na carreira infeliz até o momento da consumpção carnal.
"Assim, pois, médiuns", - escreveu o espírito Pascal - "aproveitai dessa faculdade que Deus houve por bem conceder-vos.
Tende fé na mansuetude do Mestre; ponde sempre em prática a caridade; não vos canseis jamais de exercitar essa virtude sublime, assim como a tolerância.
Estejam sempre as vossas acções de harmonia com a vossa consciência e tereis nisso um meio certo de centuplicardes a vossa felicidade nessa vida passageira e de preparardes para vós mesmos uma existência mil vezes ainda mais suave.
"Que, dentre vós, o médium que não se sinta com forças para perseverar no ensino espírita, se abstenha; porquanto, não fazendo proveitosa a luz que ilumina, será menos escusável do que outro qualquer e terá que expiar a sua cegueira."

* O livro dos médiuns, de Allan Kardec, capítulo XXXI, item XIII, 31# edição, FEB (Nota do autor espiritual).
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 10:30 am

22 - [b]Médiuns Sensacionalistas/[b]
A frase de João Baptista:
"É necessário que Ele cresça, e que eu diminua" tem actualidade no comportamento dos médiuns em todas as épocas, especialmente em nossos dias tumultuados.
A semelhança do preparador das veredas, o médium deve diminuir, na razão directa em que o serviço cresça, controlando o personalismo, a fim de que os objectivos a que se entrega assumam o lugar que lhes cabe.
A mediunidade é faculdade amoral, a que os valores éticos do seu possuidor oferecem qualificação.
Posta a serviço do sensacionalismo, entorpece os centros de registo e decompõe-se.
Igualmente, em razão do uso desgovernado a que vai submetida, passa ao comando de entidades perversas e frívolas, que se comprazem em comprometer o invigilante, levando-o a estados de desequilíbrio como de ridículo, por fim, ao largo do tempo, empurrando-a para perniciosas obsessões.
Entre os gravames que a mediunidade enfrenta, a vaidade e o personalismo do homem adquirem posição de relevo, desviando-o do rumo traçado, conduzindo-o ao sensacionalismo inquietante e consumidor.
Neste caso, o recolhimento, a serenidade e o equilíbrio, que devem caracterizar o comportamento psíquico do médium, cedem lugar à inquietação, à ansiedade, aos movimentos irregulares das atracções externas, passando a sofrer de irritação, de devaneios e da crença de que repentinamente se tornou pessoa especial, irreprochável, não tendo ouvidos para a sensatez nem discernimento para a equidade.
Torna-se absorvido pelos pensamentos da vanglória, e, disputado pelos irresponsáveis que lhe incensam o orgulho, é levado à lenta alucinação, que o atira ao abismo da loucura.
A faculdade mediúnica é transitória como outra qualquer, devendo ser preservada mediante o esforço moral do seu possuidor, assim tornando-se simpático aos bons espíritos, que o inspiram à humildade, à renúncia, à abnegação.
Quando o personalismo sensacionalista domina o psiquismo do homem, naturalmente que o aturde, tomando-se mais grave nos sensores mediúnicos, cuja constituição delicada se desarticula ao impacto dos choques vibratórios dos indivíduos desajustados e das massas esfaimadas, insaciadas, sempre à cata de novidades e variações, sem assumirem compromissos dignificantes.
São João Bosco, portador de excelentes faculdades mediúnicas, resguardava-as da curiosidade popular, utilizando-as com discrição nas finalidades superiores.
Santa Brígida, da Suécia, que possuía variadas expressões mediúnicas, mantinha o pudor da humildade ao narrar os fenómenos de que se fazia objecto.
José de Anchieta, médium admirável e curador eficiente, agia com equilíbrio cristão, buscando sempre transferir para Jesus os resultados das suas acções positivas.
São Pedro de Alcântara, virtuoso médium, possuidor de "vários dons", ocultava-os, a fim de servir, apagado, enquanto o Senhor, por seu intermédio, era engrandecido.
Santa Clara de Montefalco procurava não despertar curiosidade para os fenómenos mediúnicos de que era instrumento, atribuindo-os todos à graça divina de que se reconhecia sem merecimento.
Os médiuns que cooperaram na codificação do espiritismo sensatamente anularam-se, a fim de que a doutrina fixasse nas almas e vidas as bases da verdade e do amor como formas para a aquisição dos valores espirituais libertadores.
Todo sensacionalismo altera a face do fato e adultera-lhe o conteúdo.
Quando ele se expressa no fenómeno mediúnico, corrompe-o, descaracteriza-o e coloca-o a serviço da frivolidade.
Todos quantos se permitiram, na mediunidade, o engano do sensacionalismo, não obstante as justificações sob as quais se resguardaram, desceram as rampas do fracasso, enganados e enganando aqueles que se deixaram fascinar pelos seus espectáculos, nos quais o ridículo passou a figurar.
O tempo, esse lutador incessante, encarrega-se de aferir os valores e demonstrar que a "árvore que o Pai não plantou" termina por ser arrancada.
Quando tais aficionados da mediunidade bulhenta se derem conta do erro, caso isto venha a acontecer, na Terra, possivelmente o caminho de retorno à sensatez estará muito longo e o sacrifício para percorrê-lo os desencorajará.
Diante do sensacionalismo mediúnico, recordemo-nos de Jesus, que, após os admiráveis fenómenos de socorro às massas, jamais aceitava o aplauso, as homenagens e gratulações dos beneficiários, recolhendo-se à solidão, para, no silêncio, orar, louvando e agradecendo ao Pai, a Eterna Fonte Geradora do Bem.

* João 3:30 (Nota do autor espiritual).
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 10:30 am

23 - Médiuns e Jesus
A mediunidade é, em si mesma, uma faculdade que possibilita o intercâmbio consciente ou não com os espíritos, quer estes se encontrem domiciliados no corpo físico ou fora dele, além da morte orgânica.
Neutra, do ponto de vista filosófico e religioso, tem sido utilizada através da história para os fins que lhe destinam os grupos sociais nos quais se apresenta.
Inata à natureza humana, contribui para demonstrar com segurança a transitoriedade da organização biológica, ao mesmo tempo em que favorece a indiscutível realidade da vida imortal.
A sua utilização assinala-a com bênçãos ou desalinhos, de acordo com a conduta do medianeiro, bem como daqueles entre os quais este se movimenta.
Expressa-se, automaticamente, despertando curiosidade, chamando a atenção, impondo, no entanto, um comportamento saudável, a fim de oferecer resultados proveitosos.
Descuidada, torna-se veículo de sofrimento; utilizada em espectáculos, concorre para o desequilíbrio e o ridículo; vendida, tomba nos perigosos meandros da mentira a serviço da irresponsabilidade; posta em favor do bem, converte-se em portal de luz, abrindo espaços libertadores para os homens e os espíritos.
De acordo com a conduta moral do médium, atrai entidades equivalentes que a manipulam, dando curso ao carácter que possuem, tornando-a factor de alegria ou de tormento.
Essencialmente, deve destinar-se à obra de consolação das criaturas, demonstrando-lhes a sobrevivência ao túmulo e reconfortando, também, aqueles que o atravessaram com desaviso, tormento e loucura.
Os desvios morais entorpecem-na; as paixões primitivas embrutecem-na; as ambições vulgares conspurcam-na; os interesses egoístas ensoberbecem-na, condenando-a a distonias físicas e psíquicas irrecuperáveis.
Não pode ser aplicada como meio de vida, porém como instrumento de relevantes valores para a vida.
Nos últimos tempos, poderemos identificá-la em situações diferentes, ora constrangedoras, ora grandiosas, conforme a finalidade a que a destinaram os seus portadores.
Daniel D. Home, passeando-a pelas cortes europeias e deixando-se examinar por pesquisadores honrados, fez-se "o príncipe dos médiuns" e, vitimado pela vaidade, tornou-se objecto de escárnio dos seus opositores, quanto de bajulação insensata dos seus admiradores.
Não obstante, após a desencarnação, não deixou mais que os resultados de estudos, controvérsias, sem um lastro de consolação de vidas carentes, que se estertoravam ao seu lado, embora jamais surpreendido em fraude.
Eva Carrière, especialmente estudada pelo emérito Professor Richet, não conseguiu convencer substancialmente o insistente e cuidadoso investigador.
Analisada por outros exigentes pesquisadores, não teve o ensejo de erguer vidas do caos através das possibilidades mediúnicas que lhe eram inerentes.
Os irmãos Davenport, apresentando-se em espectáculos públicos, deixaram marcas perturbadoras das suas exibições, facultando críticas ácidas e celeumas desagradáveis.
Antes deles, as irmãs Fox, que se notabilizaram graças aos fenómenos em Hydesville, aturdidas nos matrimónios infelizes, apresentaram declarações de fraude, e, arrependidas, buscando reparar a leviandade, caíram em descrédito geral.
Esses e muitos outros atenderam ao serviço da mediunidade vã, conforme os padrões do mundo, esquecidos das suas finalidades nobres.
A excelente senhora Eleonora Piper, cuidadosa e interessada na verdade, converteu inúmeras personalidades de dois continentes, contribuindo dignamente para estabelecer fundamentos na fé imortalista.
Edgar Cayce, entregando-se confiante aos seus guias espirituais e dedicando-se ao atendimento dos males do corpo, da mente e da alma, confirmou a imortalidade do ser e conduziu à saúde, à esperança e à paz milhares de pessoas antes desesperadas.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 10:30 am

A senhora d’Espérance, igualmente fiel ao mandato mediúnico, ofereceu provas extraordinárias da sobrevivência, sensibilizando todos quantos participaram das experiências a que foi submetida.
A relação daqueles que se fizeram missionários do bem em favor do seu próximo é longa, entregando-se à actividade mediúnica sob rígido controle moral e cristão.
Iluminando a consciência do médium e aplainando-lhe o carácter, a doutrina espírita propõe o exercício da faculdade em favor de metas relevantes, nas quais o sacrifício, a abnegação e a caridade do servidor se tomam indispensáveis para o êxito do empreendimento.
Esta conduta é a da mediunidade com Jesus - Protótipo do intercâmbio superior com Deus em favor da humanidade - através de cujo exercício adquire as características essenciais para o seu superior desiderato, auxiliando os homens, encarnados ou desencarnados, a trilharem pela senda renovadora.
Considerando-se a multidão de inditosos a pulularem na erraticidade inferior, o médium consciente e responsável deve brindar-se à tarefa da enfermagem espiritual, em favor do seu próximo, contribuindo para que este seja esclarecido e guiado ao reequilíbrio, dando curso ao impositivo da caridade, desta forma evitando-se as quedas desastrosas no abismo em que tombam os insensatos, os presunçosos, os irrequietos e invigilantes que, em se utilizando da mediunidade em favor da ambição, recebem o efeito da própria escolha.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 10:30 am

24 - Calvários dos Médiuns
Envolta em auréola mítica por largos séculos, a mediunidade tem sido confundida na sua realidade paranormal, transitando do estado de graça à condição de demonopatia ou degeneração psicológica da natureza humana.
Homenageada em alguns períodos da história, noutros detestada e perseguida com dureza, ainda permanece ignorada pela presunção de uns, pela ignorância de outros, pelos preconceitos que teimosamente se demoram, dominadores, no organismo só- cio-cultural dos nossos dias.
Allan Kardec foi o corajoso investigador que lhe penetrou as causas e estudou-a à saciedade, estabelecendo critérios justos de avaliação e técnicas próprias para a sua compreensão, análise e desdobramento de suas possibilidades psíquicas.
As suas inquirições abrem espaços científicos e culturais para um conhecimento lógico dessa faculdade, desvestindo-a de todas as superstições, fantasias e acusações de que tem sido vítima.
Mediante linguagem clara e fácil ao entendimento de todos, examinou a mediunidade sob os pontos de vista orgânico, psicológico, psiquiátrico e sociológico, concluindo pela sua legitimidade e amplos recursos para a perfeita integração do homem na harmonia da natureza, estabelecendo directrizes morais para o seu exercício e regras comportamentais para a sua demonstração científica, elaborando um tratado extraordinário, que permanece o mais completo a respeito da paranormalidade humana, o insuperável O Livro dos Médiuns.
Apesar disso, a mediunidade e os médiuns prosseguem como motivo de surpresa, admiração e sarcasmo, conforme o meio social onde se apresentem.
Utilizados, invariavelmente, para futilidades e divertimentos, sofrem o barateamento da ingerência de pessoas astutas, porém, desinformadas, que pretendem conduzi-los a proveito próprio ou para exibição em espectáculos que se caracterizam pelo ridículo decorrente da ignorância de que são portadores.
Chamam a atenção pelo exibicionismo vulgar e logo desaparecem, quais cometas que passam com celeridade, sem maior benefício para o zimbório sombrio por onde deambulam, errantes.
A mediunidade, exercida com elevação de propósitos, séria e digna, tem sofrido a incompreensão e a agressividade daqueles que gostariam de utilizá-la nos jogos da ilusão e do prazer.
Por consequência, os médiuns sinceros e honestos, de conduta moral incorruptível, pagam alto preço pela vida moral a que se entregam e por se fazerem dóceis às orientações dos seus guias espirituais, que não convivem com ideias, discussões estéreis, rivalidades de indivíduos, grupos, nem sociedades que se entregam ao campeonato da vaidade.
Atacados nos próprios arraiais do movimento no qual laboram, são levados à praça pública do ridículo por companheiros apressados, sem nenhuma folha de serviço apresentada à causa espírita, mas, hábeis nos aranzéis da agressão, escrevendo ou falando por mecanismo de transferência psicológica, atirando no trabalhador o que se encontra neles próprios e descarregando a mal disfarçada inveja que os leva a competir, às vezes, inconvenientemente, quando deveriam compartir e participar do serviço de iluminação de consciências ao qual ele se entrega.
Sucede que se encontram teleguiados por mentes insanas, que sempre combateram e perseguiram os instrumentos das Vozes lúcidas do além-túmulo, que vêm despertar os homens e adverti-los das ciladas preparadas por esses adversários desencarnados, incansáveis nos seus malfadados programas de perturbação e crimes, obsessão e loucura...
Além desses, que medram com exuberância, nos dias actuais, a dureza dos descrentes e gozadores sempre está disposta a agredir os médiuns e acusá-los de serem portadores de desequilíbrios da mente, do sexo, da conduta, por serem diferentes, isto é, por adoptarem um comportamento saudável, que aqueles têm como incompatível com os dias de luxúria e abuso de toda natureza, ora vigentes.
Outros perseguidores ainda repontam em pessoas que procuram depender emocionalmente do amigo da mediunidade, e que, contrariadas por este ou aquele verdadeiro ou falso motivo, levantam-se para infligir maior soma de sofrimentos em quem sempre lhes aturou a preguiça mental, as irregularidades morais com paciência, brindando-lhes palavras amigas e consoladoras...
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 10:31 am

Já não se apedrejam, nem se encarceram ou conduzem à fogueira os médiuns.
Todavia, a maledicência e a acrimónia, a crítica sistemática e as exigências de consultas largas, quão inócuas, constituem prova e martírio para os instrumentos abnegados que se entregam ao ministério com unção.
Além do círculo de ferro exterior que os comprime, a sua condição humana exige-lhes muitas renúncias silenciosas, que os amigos fingem não ver, por considerarem que a mediunidade, segundo alguns, é um privilégio que libera o seu portador das aflições e processos de evolução pela dor.
Carregando todos os problemas inerentes à sua situação evolutiva, remuneram a alto preço a existência, em holocaustos admiráveis e perseverantes no bem, que os credencia a receber maior assistência e amor dos seus amigos espirituais.
Por fim, sofrem o assédio das entidades inimigas do progresso da humanidade - e dos seus próprios adversários espirituais - que os não perdoam pela tarefa que desempenham em favor de si mesmos e das demais criaturas.
O calvário dos médiuns é oculto e deve ser vivido com dignidade, sem queixas ou reclamações, pois que é também o pórtico da ressurreição gloriosa, de onde se alarão às regiões felizes, após cumpridas as tarefas de amor e esclarecimento, de caridade e perdão para as quais reencarnaram.
Têm por Modelo Jesus, que lhes permanece como o Conquistador Inconquistado que, morrendo por amor, distribui vida para todos aqueles que O buscam e crêem, servem e passam, rumando na direcção da imortalidade.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 10:31 am

25 - Médiuns Seguros
O esforço constante desenvolvido pelo médium para domar as suas más inclinações e vencer os impulsos negativos credencia-o à simpatia dos bons espíritos, que nele vêem um instrumento útil para os objectivos elevados do bem.
Esse esforço, que não deve cessar, aprimora-lhe o carácter e trabalha-lhe a vontade, que se dirige para o exercício das virtudes, superando as tendências perniciosas que remanescem do passado espiritual de onde todos procedemos.
Com a disposição de afeiçoar-se à lavoura do progresso moral, aplaina as anfractuosidades do temperamento e elege a abnegação, o amor e a caridade como recursos de que se utilizará nas várias conjunturas do caminho, melhorando-se sempre.
Ao mesmo tempo, o gosto pelo estudo dá-lhe amplitude de discernimento para valorizar a vida e distinguir com acerto o que é ou não proveitoso para o seu desenvolvimento, ao mesmo tempo identificando a qualidade das comunicações de que se faz objecto, ascendendo, no campo vibratório, às faixas superiores do pensamento.
Toma como directriz para o equilíbrio pessoal, ao lado da conduta digna, a oração e o recolhimento que lhe fortalecem as energias, amparando a área das percepções psíquicas, que ficam resguardadas das más influenciações.
Não lhe será necessário o isolamento nem a fuga do mundo, a pretexto injustificável de buscar o silêncio e as condições propiciatórias para o ministério.
Lugar algum pode proporcionar esses valores, além do carácter físico de que se revestem.
Isto porque, aonde o indivíduo vai, leva consigo a sua individualidade, não se podendo evadir dos hábitos, das construções mentais e aspirações que lhe sejam particularmente apetecíveis.
Desse modo, o silêncio interior, que decorre da paz de consciência, é mais importante do que o originado na exclusiva estesia da natureza.
Outrossim, a oração sem palavras, resultado da natural ligação mental com as fontes do bem, faculta uma absorção de ondas estimuladoras, que activam o sistema nervoso central do sensitivo e encorajam-lhe os sentimentos, em razão do conteúdo mental de que se fazem portadoras.
O médium seguro é uma pessoa aparentemente comum, no entanto, em se tratando de um paranormal, possui uma constituição que lhe possibilita a captação do psiquismo dos espíritos, bem como das suas energias, sendo, portanto, necessário impor-se um comportamento compatível com a sua realidade.
Tendendo, a faculdade mediúnica, a ampliar o seu sector de acção, o bom servidor vigia-lhe o desdobramento, a fim de acompanhá-la, permanecendo em perfeita identificação de actividade, de modo a canalizar-lhe todos os recursos para os relevantes fins morais e espirituais que lhe devem constituir meta inamovível.
Não faltam escolhos no caminho de todos os homens, especialmente no daqueles que se entregam aos ideais do progresso humano.
No que tange aos impedimentos que surgem para dificultar o êxito dos médiuns seguros, ei-los que se multiplicam, desafortunadamente, em decorrência dos seus próprios erros, como também da maldade dos espíritos imperfeitos e perversos que lhes invejam a tarefa ou a detestam, por se sentirem prejudicados nos propósitos e acções infelizes que se permitem, voltando-se, portanto, contra aqueles que supõem constituir-lhes estorvo.
O médium seguro é, pois, aquele por quem se comunicam os bons espíritos, inspirando confiança em razão da sua vida de altruísmo e abnegação, de serviço ao bem, de fé e de caridade, não estando exposto à leviandade, nem à influenciação das más entidades, mantendo-se sempre sereno e correto nos momentos de júbilo como de provação, face à confiança que deposita em Deus e à consciência que possui em torno da sabedoria das Suas leis, submetendo-se a Sua vontade como servidor que cumpre airosamente com o seu dever em qualquer circunstância.
Não se deixando iludir pela lisonja dos amigos invigilantes, nem pela perturbação dos adversários gratuitos, e, muito menos, pelas rudes interferências dos desencarnados em desequilíbrio, avança, sem pressa, confiando no resultado da boa sementeira, com os olhos postos no futuro, enquanto, no presente, age com sinceridade e constância.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 10:31 am

Nele se desenvolvem várias especialidades, destacando-se uma ou outra que lhe pode ser mais útil, permanecendo, as demais, como auxiliares indispensáveis para a boa realização da tarefa a executar.
Em se caracterizando os requisitos do médium seguro, a humildade real, sem a dissimulação que a si mesma se engana, com espontânea manifestação de simplicidade, é relevante.
Não é necessário que se esteja a decantá-la e a apresentá-la, escamoteando o orgulho e a presunção ainda predominantes em sua natureza.
Ela não dispensa a autenticidade moral, o reconhecimento do próprio valor...
A humildade é como a luz. Onde se encontra, brilha sem delongas, nem disfarces.
É natural e autêntica.
São João Crisóstomo afirmava que, ao escrever a interpretação das cartas paulinas, o Apóstolo dos Gentios as ditava aos seus ouvidos.
São Gregório, o apóstolo de Neocesaréia, informava que João Evangelista aparecera-lhe, apresentando "o símbolo da fé pregado por ele na sua igreja".
Santo Tomás de Aquino mantinha constante intercâmbio com os espíritos que o informavam da vida na erraticidade.
A senhora d’Espérance produziu extraordinários fenómenos mediúnicos jamais contestados.
Médiuns seguros sempre se destacaram na história da humanidade, sendo, hoje, mais fácil detectá-los e torná-los dignos de fé, graças à doutrina espírita que lhes é o guia de conduta inigualável e de apoio incomum.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 01, 2017 10:31 am

26 - [b]Médiuns Responsáveis[[b]b]
A mediunidade consciente, responsavelmente exercida, pode desempenhar um relevante papel, educativo e esclarecedor, entre as criaturas humanas.
Desvelando a face oculta da realidade espiritual e demonstrando que o homem é o semeador e o ceifeiro dos próprios actos, ela abre espaços culturais e mentais para uma existência feliz no domicílio carnal.
Nesse desiderato, cabe aos médiuns uma tarefa de magnitude, por serem eles os modernos profetas, por cuja organização física se dão as ocorrências, chamando a atenção dos inconscientes para a realidade do espírito e favorecendo com a crença racional aos que duvidam ou possuem um comportamento céptico em relação à imortalidade.
Como qualquer outro ministério, a vivência mediúnica saudável, responsável, impõe conduta segura ao homem, que lhe assume o compromisso.
Não é importante que a notoriedade lhe acompanhe os passos ou lhe exorne a personalidade.
Pelo contrário, o labor anónimo favorece as possibilidades de êxito com mais rapidez e segurança do que o brilho ofuscante da popularidade, que asfixia e entorpece as melhores expressões da abnegação humana.
Calçando as sandálias da humildade, em atitude lúcida, que informa ser apenas um instrumento e não o autor dos fenómenos, o médium se recavém dos vapores alucinantes do orgulho que envilece, como do bafio da presunção que o leva às mistificações, quando as manifestações autênticas escasseiam.
O médium responsável resguarda-se na prudência e zela pela faculdade, evitando-lhe os choques vibratórios que partem da curiosidade malsã, quando em exibição desnecessária e sob o incenso da vacuidade.
Cari Gustav Jung relata que, febril, vitimado por um processo de enfermidade do fígado, foi impelido a escrever a sua Resposta a Jó com celeridade, num total de cerca de cem páginas dactilografadas, como "se um espírito que nos agarra pela nuca" o atasse e comandasse, até o momento em que, concluindo, ficou* curado.
Certamente atribuiu o fenómeno a uma acção arquetípica do inconsciente colectivo, "impelido por emoções subjectivas", ele que não tomou conhecimento da doutrina espírita.
São João Crisóstomo, no entanto, lúcido, interpretando as epístolas de Paulo, era visto por outros monges, aureolado de peregrina luz, enquanto as escrevia.
Dante apareceu em sonho ao filho Jacobo, conforme narrou Boccacio, e mostrou-lhe o lugar onde guardava os Cantos do Céu, completando a sua Divina Comédia, na residência em que desencarnara, e ali foram encontrados.
O fenómeno consciente e a atitude responsável dos médiuns contribuíram, no passado, para fornecer as evidências da sobrevivência da alma, sem haverem recebido ónus outros de natureza material, que os faria incidir, embora inconscientemente, na simonia ocasional, fulgurando nos palcos transitórios do mundo, para desaparecerem depois.
Fernando de Lacerda demonstrou a comunicação dos mortos com os vivos, e, vítima de escárnio, permaneceu consciente, responsável, no dever abraçado.
Frederico Júnior fez-se instrumento de entidades venerandas, e continuou modesto no serviço de iluminação cristã.
Yvonne Pereira trabalhou silenciosamente, atendendo aos espíritos sofredores, e tornou-se extraordinário veículo de revelações do além-túmulo, sem permitir-se picar pela mosca azul da presunção.
Zilda Gama, após um labor relevante, na mediunidade responsável, desencarnou idosa e quase esquecida do público beneficiado pelos seus livros de consolo e beleza espiritual.
Os médiuns responsáveis são conhecidos pelos seus silêncios e equilíbrio.
Não têm pressa em ganhar a fama, nem dela necessitam.
Trabalham para um ideal que não remunera no mundo das formas.
Vanguardeiros de uma sociedade justa, que virá, no futuro, instam no bem e apagam-se no conforto aos que sofrem, gastando-se na acção da caridade, ao invés de ascenderem e repousarem na galeria brilhante das pessoas de relevo da sociedade.
Incompreendidos, são émulos de Jesus, que passou pelo mundo amando, servindo, e, injustiçado, até hoje não encontrou lugar no coração dos homens.

* Carta de julho de 1951 (Nota do autor espiritual).
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 02, 2017 10:42 am

27 - Médiuns Profetas
Na área da paranormalidade humana, muitos sensitivos, por si mesmos, podem detectar ocorrências que se programam para o futuro.
O próprio psiquismo, irradiando-se, capta fenómenos que as leis soberanas estabelecem para o porvir, como consequência natural dos comportamentos individuais e colectivos, sociais e técnicos da humanidade.
Sendo o tempo um fenómeno de transitória expressão, variando de acordo com a dimensão do espaço no qual se expande, em sua relatividade, apresenta-se em condições a que damos denominações que se tomam meios de identificá-lo, quando, em realidade, só o há na faixa de um etemo presente, que se transmuda cm passado e futuro por necessidade de entendimento das suas manipulações.
Sendo a mente, da mesma forma, exteriorização do espírito imortal, a expressar-se nas múltiplas reencarnações, nos revestimentos cerebrais, é natural que pessoas mais sensíveis, portanto, dotadas, consigam alcançar as dimensões do futuro como as do passado.
No que tange à precognição ou profetismo, tornam-se comuns os registos dos factos mais penosos e trágicos, por consequência, aqueles que provocam pavor, desafiando o clima emocional das criaturas em relação aos dias porvindouros.
No campo da mediunidade ocorre de maneira diversa a captação profética.
Graças à sensibilidade específica para a comunicação com outras mentes ora desencarnadas, estes espíritos, conhecendo relativamente parte dos quadros morais, sociais e humanos que sucederão naturalmente aos contemporâneos, inspiram, através de símbolos, ou informam, por meio de incorporações, aos seus tutelados, deixando suas impressões a respeito do amanhã, sujeitas, porém, a alterações, adaptações e sincronizações compreensíveis, em se considerando o livre-arbítrio de cada qual, que é factor preponderante para a eleição do caminho a seguir, do que decorrerão tais ou quais efeitos.
O homem está, a cada momento, alterando o próprio futuro, de conformidade com o procedimento que elege para o seu quotidiano.
Da mesma forma, as comunidades renovam ou agravam os seus dias porvindouros, face às atitudes assumidas perante os impositivos em que se vêem colocadas.
Gerando reacções equivalentes, as acções organizam os quadros do futuro conforme os impulsos que são impressos nas vidas que lhes constituem os objectivos essenciais.
Num, como no outro exemplo, isto é, como decorrência da penetração no tempo pela mente ou através da informação espiritual, que também ocorre na faixa da paranormalidade anímica, a percepção da tragédia tem primazia.
Estando o homem moderno a sofrer ainda os atavismos que o vinculam às faixas mais primárias da evolução, não vem produzindo tudo quanto lhe brindaria com felicidade e plenitude sem o contributo do sofrimento.
Havendo predominância dos instintos agressivos, ao invés da razão edificante, as suas têm sido actividades belicosas, egoístas, que desenvolvem reacções inditosas.
E porque o planeta que habita da mesma forma se encontra em transição, os fenómenos sísmicos inerentes à sua constituição prenunciam abalos e erupções, ajustamentos de camadas e transformações inevitáveis, que precedem à sua estrutura própria para servir de habitat a um outro tipo de civilização mais ditosa, sem agressividade nem primitivismo.
Por estas razões, mesmo Jesus, no incomparável "Sermão profético", que os evangelistas registaram, bem como João, no Apocalipse, apresentam os anúncios dolorosos e apavorantes, caso as criaturas não se resolvam por uma radical mudança de conduta para o amor e o bem, que possuem outros recursos propiciatórios para as grandes transformações que hão de suceder, porém, neste último caso, sem o guante das aflições, algumas das quais desencadeadas pela imprudência e impulsividade humanas...
O médium profeta se deve cuidar para não transmitir notícias de calamidades e amarguras, filtrando o conteúdo dos registos psíquicos ou mediúnicos, e evitando espalhar o terror, o desequilíbrio, tão em moda nos dias actuais.
Convidados ao ministério da edificação do "Reino de Deus", os médiuns devem estimular as realizações libertadoras e nobres, contribuindo para que se modifiquem, desde agora, as paisagens tumultuadas e sombrias que se desenham para o futuro, colocando a claridade do Evangelho e do Cristo como a esperança que se tornará realidade inevitável.
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Ave sem Ninho

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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 02, 2017 10:42 am

28 - Médiuns Curadores
Dentre as abençoadas faculdades medianímicas postas a serviço da fraternidade humana e do bem, a de natureza curadora reveste-se de recursos preciosos para, em nome do Terapeuta Divino, socorrer as criaturas em carência de saúde e sob tormentos variados.
Predisposição orgânica especial em determinados indivíduos, irradiam-se as energias benéficas de forma consciente ou não, com ou sem a manipulação dos bons espíritos.
Genericamente programados para a acção da caridade, esses médiuns reencarnam-se sob a assistência de abnegados mentores, que os conduzem à prática da terapia de amor, canalizando-lhes as forças de modo a alcançarem a finalidade para a qual foram elaboradas.
Porque o homem nunca está a sós, vivendo sempre acompanhado por entidades que lhe correspondem aos climas mental e moral, no caso dos médiuns curadores, os espíritos interessados no progresso e na felicidade dos homens trabalham-lhes a personalidade e buscam orientá-los com carinho, a fim de que o seu ministério logre êxito.
O resultado da actividade dependerá da forma como o médium se conduza, com elevação e ductilidade ou com irresponsabilidade e paixão dissolvente.
Porque nada lhe custa, sob pretexto algum deve a mediunidade curadora ser mercantilizada, sem que ocorra a incidência no gravame da simonia, que enreda o espírito em terrível cipoal de aflições para o próprio futuro.
Não se fazem precisas fórmulas sacramentais, gestos cabalísticos, cerimoniais, indumentárias especiais, objecto algum de natureza material para que se colimem os resultados favoráveis na acção curativa.
Irradia-se saudável a bioenergia do médium, ainda mais benéfica quando comandada pelos espíritos nobres, que conhecem as necessidades dos pacientes, atendendo os núcleos orgânicos em deficiência ou revitalizando os centros vitais geradores da harmonia celular e psíquica.
À medida que o intermediário desenvolve a capacidade de amar e de servir, distribuindo o magnetismo curativo, mais revigorado este se sente, porquanto, "mas se dá àquele que mais dá", conforme a recomendação de Jesus.
A conduta sadia, que decorre de uma vida moral equilibrada, faculta mais poderoso intercâmbio de energias propiciadoras da saúde.
Por sua vez, o médium que ora e se enriquece de valores espirituais mais desenvolve a aptidão inata, ampliando o seu campo vibratório, aumentando o vigor da energia que canaliza para a saúde, tomando-se um dínamo valioso para o bem geral.
Um olhar, um toque, sua presença bastam para que os núcleos potencializados transmitam as forças curativas, favorecendo as pessoas em carência e renovando-as.
Narram os Atos dos Apóstolos que as pessoas traziam os seus enfermos e os colocavam à borda dos caminhos por onde passariam Pedro e João, a fim de que a sua sombra, caindo sobre eles, os curassem...
O mau uso envenena as faculdades, que passam a campo deletério explorado pelas entidades viciosas e perversas.
A aplicação digna dos recursos propicia paz interior e desenvolve os sentimentos de amor, ampliando os horizontes da fraternidade humana.
Essa mediunidade curadora, de que tanto se utilizou o Mestre a fim de atender à massa, da qual se compadecia, está ao alcance de todos aqueles que, treinando a aplicação dos passes, desenvolverão as possibilidades bioenergéticas para o saudável intercâmbio de forças entre os homens, favorecendo os sofredores com a esperança, a saúde e a paz.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 02, 2017 10:42 am

29 - Médiuns Iluminados
Frequentemente, espíritos enobrecidos se reencarnam com elevados compromissos na área da mediunidade sublimada.
Caracterizam-se pela consciência que têm das tarefas a desempenhar, envidando todos os esforços até ao sacrifício, para que o tentame se coroe de êxito.
Iniciam o ministério após sofrimentos acerbos, nos quais reflectem a excelência do carácter moral através da paciência e da resignação, jamais se rebelando contra as aparentes adversidades que os surpreendem, moldando-lhes a conduta, de forma a serem conduzidos ao desempenho das altas responsabilidades que lhes cumprem assumir.
Assinalados, no começo, por enfermidades rudes, ou padecendo infortúnios morais e económicos, experimentam o ardor das provações rigorosas, mediante as quais se desinteressam pelas coisas exteriores do mundo das ilusões, conduzidos ao estreito corredor do silêncio e da solidão, no qual consolidam as disposições para o serviço a que se comprometeram antes do berço.
A humildade assina-lhes o passo, enquanto a incompreensão dos seus coetâneos lhes segue empós, humilhando-os e desafiando-os sem cansaço.
Sem pouso nos largos prados da alegria fugaz e não dispondo dos ambientes do gozo, dirigem-se pela senda escura que todos desprezam, deixando, ali, sinais luminosos da sua passagem, alargando-a e aplainando-a para a posteridade.
Sem lugar no mundo dos triunfos externos, encontram na actividade psíquica e na vida íntima as fortunas que lhes propiciam bem-estar e auto-realização, com os quais se equipam e fortalecem para os futuros desempenhos.
Não encontram facilidades, e, por isso, mais nobre se lhes torna o dever.
Em todas as épocas, eles foram semelhantes a astros lucilantes em noite escura, convidando a humanidade ao crescimento, à ascensão, a Deus.
Passaram pela história em todas as áreas do conhecimento, especialmente na condição de reveladores da verdade, fazendo-se mensageiros da espiritualidade de onde procediam, para oferecerem às criaturas obscurecidas na treva da ignorância os recursos para se firmarem na crença, assegurando-se da realidade post-mortem.
Nos diversos círculos da fé, nos tempos passados, suas vozes consagraram a imortalidade, e os ensinamentos de que se tornaram instrumento constituíram os fundamentos das variadas religiões.
Moisés, ante o Faraó aturdido, ou no Sinai, recebendo o Decálogo, era o médium iluminado para conduzir o povo hebreu à "terra da promissão".
Os profetas, encarregados de manter a flama da fé acesa nas mentes, transformaram-se nas pontes vivas do Mundo Excelso, ajudando os povos em aflição.
Em todas as culturas, manifestaram, esses instrumentos da Esfera Maior, o amor de Deus, socorrendo e iluminando a ignorância humana.
São Francisco de Assis reergueu a Igreja moral em contacto com Jesus.
Santa Teresa de Ávila, São Pedro de Alcântara e São João da Cruz iluminaram o século em que viveram, diminuindo o horror da noite medieval que se encerrava.
Santa Brígida, da Suécia, e Santa Catarina, de Siena, alteraram fortemente a conduta da Igreja Romana e do papado, em razão das mensagens de que foram objecto.
Santa Joana d’Arc mudou o curso da história da França guiada pelas suas vozes.
Santo António de Pádua expulsava os espíritos perturbados do monastério com exortações austeras e pregava sob influência superior.
Swedenborg e Edgar Cayce ofereceram contribuições valiosas, no campo da revelação como das curas e premonições, que ainda sensibilizam os estudiosos dos fenómenos paranormais...
Todos eles, de alguma forma, foram alcançados pelo martírio com que se consagraram no devotamento ao bem e ao amor.
Nunca tergiversaram ante a rudeza da luta ou jamais temeram, fiéis à realização em que se empenhavam.
Compenetrados pela missão que deveriam executar, a ela se entregaram totalmente, sem deixar espaço para quaisquer outros labores secundários.
Somente assim lograram o triunfo que o mundo apenas identificaria posteriormente.
Todavia, existem inúmeros médiuns outros iluminados, no anonimato, sem o aplauso das multidões, realizando serviços de consolação e socorro em toda a Terra, a fim de que brilhe a Grande Luz da Esperança, embora a terrível sombra que parece dominar.
O médium iluminado serve e passa, não tendo tempo para a remuneração do reconhecimento, nem da ostentação.
Tem como modelo Jesus-Cristo, cuja homenagem que os Seus contemporâneos lhe brindaram após todos os benefícios recebidos foi a crucificação no madeiro vergonhoso, que Ele transformou em símbolo de vitória característico da vida.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 02, 2017 10:42 am

30 - Mediunato
Todo aquele que consegue exercer a mediunidade com elevação, engrandecendo-se e alçando-a aos nobres cimos da vida, no cumprimento da gloriosa missão de ser instrumento do Divino Pensamento, alcança, na Terra, a excelência do mediunato.
Dever de grande abrangência, a sua desincumbência revela-se difícil pelos impositivos de que se reveste, pelos sacrifícios que impõe e pelas dificuldades a superar.
Poucos discípulos da verdade se hão entregado com a necessária abnegação, graças à qual, ao largo do tempo, o homem se doa em espírito de serviço à humanidade, com tal renúncia de si mesmo, que ultrapassa a sua condição para lograr o apostolado mediúnico, o mediunato.
A princípio, são os fortes apelos para a edificação pessoal, a plenitude psíquica e emocional, acalmando as necessidades materiais e superando as fraquezas delas decorrentes, para depois, experimentando as superiores satisfações do espírito, imolar-se por amor, na execução das actividades a que se sente convocado.
Nesse caminho atulhado de pedrouços, os desafios se sucedem, ameaçadores, ao mesmo tempo ferindo e macerando os audaciosos transeuntes que põem os olhos nas metas à frente e buscam alcançá-las.
Não se trata de um empreendimento fácil ou de curto prazo, antes, de uma realização prolongada, na qual são enfrentados os perigos que procedem da inferioridade, que teima cm permanecer, dominadora.
Definido o rumo e aceito o compromisso, toma-se mais factível a vitória, ganhando-se, dia-a-dia, o espaço que medeia entre a aspiração e o objectivo.
Zoroastro, o grande reformador, nascido na Média, não descansou enquanto não concluiu a missão para a qual reencarnou.
Buda, o Sábio e Solitário dos Sákias, entregou-se com total renúncia ao ministério de reformar a religião adulterada pelo formalismo brâmane, e, não se detendo diante dos impedimentos que o afligiam, permanece fiel até o momento final.
Pitágoras, inspirado pelos espíritos, colocou-se a serviço da verdade, tomando-se responsável pela descoberta das matemáticas, geométricas e astronómicas, deixando um rastro luminoso na história.
Sócrates e Moisés, Isaías e Daniel, entre outros, foram exemplos de missionários que, no mediunato, atingiram as mais elevadas expressões do intercâmbio espiritual em favor da humanidade.
Posteriormente, João Batista e João Evangelista se fizeram expoentes da mediunidade gloriosa, demonstrando o poder da imortalidade sobre as vicissitudes humanas.
Acima, porém, de todos eles, Jesus-Cristo fez-se o Médium de Deus e tornou-se insuperável como Fonte Inspiradora para os homens de todos os séculos.
Perseguido e macerado, sob injunções dolorosas mais se ligava ao Pai, em Quem hauria forças para o Messianato a que se ofereceu, preferindo a coroa do martírio à falaciosa grandeza terrena.
Depois d'Ele, outros servidores da Sua Seara, profundamente vinculados à vida espiritual e aos desencarnados com os quais confabulavam, exerceram o mediunato de forma eloquente, imolando-se todos por amor ao bem geral e certos da vitória final sobre as fugazes condições terrenas.
Com o espiritismo, o exercício do mediunato tornou-se mais acessível, em se considerando as diamantinas claridades que projecta nos emaranhados e sombrios mistérios da vida, especialmente sobre a realidade do além-túmulo, onde nascem as estruturas do ser e se encontram a sua origem e o seu destino final.
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 02, 2017 10:42 am

Trazendo de volta, à actualidade, o profetismo hebreu e helénico, os fenómenos que constituíram a glória das civilizações passadas, deu-lhes um sentido novo, perfeitamente concorde com as conquistas do hodierno conhecimento, de modo a impulsionar o homem em direcção do autodescobrimento e da razão pela qual se encontra no mundo físico.
Em uma ligeira análise, explicam-se, à luz da revelação espírita, a inspiração de Homero, cujos Cantos procediam de ignotas e nobres regiões espirituais;
de Virgílio, sintonizando com as entidades elevadas, e sendo também considerado profeta;
de Dante, que demonstrou possuir superiores faculdades mediúnicas, graças às quais manteve permanente contacto com os espíritos;
de Torquato Tasso, que, em contínuo intercâmbio espiritual e inspirado por Ariosto, aos dezoito anos compôs o seu Renaud, concluindo a célebre Jerusalém Libertada, que é a obra máxima da sua vida extraordinária...
... E quantos outros, médiuns inspirados ou psicógrafos, audientes ou sonambúlicos, que se deixaram conduzir pelos guias da humanidade, a fim de apressarem a obra do progresso terrestre?!
Comunicações indirectas como insólitas hão despertado a consciência humana para a realidade espiritual do ser, a todos conclamando para a acção do bem, da justiça e do amor.
No mediunato, entretanto, o servidor atinge o seu momento supremo, deixando de manter a personalidade dominadora, para que o Cristo nele se manifeste e habite, conforme declarou o médium de Tarso, na sua doação total à causa da verdade:
- "Já não sou eu o que vivo, mas é o Cristo que vive em mim."

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: Médiuns e mediunidades - Vianna de Carvalho

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