Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 18, 2017 7:29 pm

- Não, Neco, vou ficar por aqui.
Acho que essa conversa é só de vocês, mas não se esqueça de me contar o que acontecer lá.
-Eu conto, tio.
Saíram em direcção a casa de Campelo.
Bateram a porta, ele abriu, entraram.
Cida, o homem e a senhora estavam sentados em volta da mesa.
Campelo lhes mostrou cadeiras, onde se sentariam.
O silêncio era imenso.
Ninguém sabia como começar, estavam esperando por Neco e Jurema.
Agora, não havia mais motivo para protelar a conversa.
Campelo também se sentou, segurando firme a mão de Cida.
Disse:
-Cida, imaginei esta situação muitas vezes, mas nunca pensei que poderia ser tão dolorosa.
Finalmente, encontrei a mulher da minha vida e sinto que estou prestes a perdê-la.
Não estranhou aquelas palavras, porque o mesmo estava acontecendo com ela.
Desejou ardentemente lembrar-se de quem era, mas, naquele momento, estava com medo de que ao saber do seu passado perderia Campelo para sempre.
Queria sair dali, voltar para o sítio e ficar escondida, até que aquele homem fosse embora.
Não queria mais se lembrar, queria continuar sendo a Cida, amiga de Jurema e do Neco e a mulher de Campelo.
Embora, aquilo fosse o que mais desejasse, ela sabia que não seria mais possível.
Teria de enfrentar a verdade.
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Ave sem Ninho

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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 18, 2017 7:29 pm

Conhecendo o Passado
Todos estavam sentados e olhando para Messias, que disse:
-Antes de começarmos, preciso telefonar para o Ernesto e contar-lhe que a encontrei.
Sei que ficará feliz e que virá até aqui, o mais rápido que conseguir.
Ester, ele sofreu muito e ainda sofre por não ter conseguido encontrar você!
-Sinto muito, mais não consigo me recordar dele, nem de qualquer outra pessoa que mencionou.
- Não entendo o que lhe aconteceu, mas agora tudo ficará bem.
Está aqui e voltará para sua casa.
Campelo, ainda segurando a mão de Cida, disse:
-Ainda é cedo para decidirmos isso.
Penso que será melhor, como o senhor disse, ir telefonar para esse Ernesto.
Quando voltar, nos contará tudo o que sabe.
Aí resolveremos o que fazer.
Por enquanto, ela ficará aqui ao nosso lado.
Não tenho telefone aqui em casa, mas, na praça, há um, que é comunitário.
Pode ir, depois volte para nos dizer o que ele decidiu e para continuar nos contando tudo.
- Está bem, estou indo agora mesmo.
Jandira, você vai ficar aqui ou vem comigo?
Jandira, com uma expressão estranha no rosto, respondeu:
-Vou com você.
Assim dizendo, levantou-se e acompanhou o marido.
Já na rua, disse, nervosa:
-Messias, vamos embora, não ligue para o Ernesto, é melhor deixar tudo como está.
Messias se admirou:
-Está louca, Jandira?
O Ernesto vai ficar feliz, você sabe o quanto ele tem procurado a Ester!
-Ela perdeu a memória, não se lembra de nada e parece feliz.
Além do mais, parece que está com esse Campelo.
Para que mudar isso?
Vamos deixar como está, será melhor para todos!
- Não podemos fazer isso!
Nós a encontramos!
Está dizendo que ela perdeu a memória!
Pode ser, mas assim como eu, sabe que ela não pertence a este mundo!
Ela teve e tem outra vida!
Ela sempre teve todo conforto!
Não precisa continuar vivendo aqui nesta cidade pobre!
Não entendo por que está agindo assim!
Quando chegamos à casa da família, e ela era ainda uma criança, você gostava dela, mas de repente mudou, não sei o que aconteceu.
Você nunca me contou.
O que aconteceu para que deixasse de gostar dela?
Jandira estava irritada, queria voltar para casa e esquecer que haviam encontrado Ester.
Não queria contar para o marido o porquê da sua mudança em relação a Ester, mas temia que o marido não aceitasse a sua ideia.
Sabia que a volta de Ester para casa poderia lhe causar problemas, mas nunca poderia contar a ele nem a ninguém o que havia acontecido.
Nervosa, respondeu:
- Não aconteceu nada, nem deixei de gostar dela, foi você quem colocou isso na cabeça.
Simplesmente aceitei o seu desaparecimento!
Agora, não acho certo afastá-la desta vida, onde parece que está feliz!
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 18, 2017 7:29 pm

-Eu não sei, mas deve ter acontecido algo que não quer me contar, pois, quando ela desapareceu, você foi a única pessoa que pareceu não se importar nem ficou admirada.
Isso me causou muito espanto.
Mas, enfim, embora não seja o seu desejo, vou telefonar para o Ernesto, contar tudo, ele saberá o que fazer.
Eles têm esse direito.
Sinto muito se é contra, mas eu acho ser o correto!
Ela, percebendo que seria inútil continuar, ficou calada.
Chegaram ao telefone.
Havia muitas pessoas ao lado dele, o que os fez esperar.
Na casa de Campelo, Cida, chorando, dizia:
-Jurema, não quero ir embora.
Estou com medo.
Não conheço esse homem nem as pessoas de quem ele falou.
São a minha família, estou feliz aqui e quero ficar com vocês, principalmente com você, doutor.
Terminou de dizer essas palavras olhando, desesperada, para ele.
Jurema, também nervosa, disse:
-Você não vai embora, Cida, assim, sem a gente saber para onde e é sim da nossa família.
A gente não vai deixar você ir embora de jeito nenhum!
Só se quiser!
A gente nem sabe se esse homem está dizendo a verdade!
Não é mesmo, Neco?
Desta vez, Neco demorou para responder.
- Não sei, não.
Cida, sabe quanto a gente gosta de você.
Principalmente eu, pois, depois que você chegou, a Jurema voltou a viver, quis trabalhar e até quis ter o nosso Rafael, mas, assim como a gente gosta de você, o seu Messias disse que na sua outra casa, lá no Sul, tem muita gente que gosta de você e que está sofrendo por sua causa.
Se o que ele disse é verdade, não acho certo você deixar esse seu irmão sofrendo.
Acho que você devia ir sim.
Doutor, o senhor não acha que estou certo?
Campelo, ainda segurando a mão de Cida, respondeu:
- Cida, ele tem razão. Você precisa ir.
Não é justo deixar o seu irmão sem notícias, além do mais, estando em um local do seu passado, poderá acontecer algo que faça com que recupere a memória e, quem sabe, descobrir o que lhe aconteceu e por que fizeram aquela maldade que quase a matou.
-Tenho medo que, ao recuperar a memória, esqueça vocês...
- Isso é um risco que todos teremos que correr.
Como ninguém, sabe o quanto a amamos, mas não é justo que continue assim.
Quero, para minha mulher, alguém que saiba exactamente o que está fazendo.
Antes, a queria de qualquer maneira, mas, agora, com a possibilidade de tê-la inteira, sem problemas, sinto que assim, só assim, poderemos ter uma vida tranquila.
-Se eu me esquecer de você?
Diante daquela pergunta, Campelo sorriu.
- Isso não vai acontecer, mas se acontecer, eu a reconquistarei novamente.
-E se eu já tiver um outro alguém?
Marido, filhos?
-Viu como você está especulando?
Por isso terá de ir e conhecer essas pessoas que a amam também.
Se existir um outro alguém em sua vida, teremos de resolver, mas só quando chegar a hora.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 18, 2017 7:30 pm

Por enquanto, vamos esperar o seu irmão que, com certeza, virá para cá.
Vamos esperar o senhor Messias voltar e saber o que ele decidiu.
Só tem algo que está me incomodando.
-O quê?
- Ele disse que o seu irmão e o Inácio estavam preocupados e a procuravam.
Quem é esse Inácio?
- Não sei, mas está vendo como vai ser difícil?
Se ele for o meu marido?!
Que vamos fazer?
Eu amo você e não quero nunca mais ficar longe...
- Sei que vai ser difícil, mas também foi difícil você ficar sem memória.
Assim que ele voltar, saberemos quem é Inácio.
Só depois de termos a certeza de que ele é o seu marido, pensaremos no que fazer.
Também, não quero, nunca mais, ficar sem você, mas isso tudo só será resolvido quando soubermos tudo sobre o seu passado.
Fique calma...
Embora ele pedisse, ela não conseguia ficar calma.
- Você tem razão, vou tentar ficar calma, mas antes, queria lhe pedir algo.
-O quê?
- Se eu tiver que ir, irei, mas não queria ir sozinha, você me acompanha?
-Vamos ver como tudo vai acontecer.
Depois de falarmos com o seu irmão, decidiremos o que fazer.
Por enquanto, fique calma, sabe que amo você e, aconteça o que acontecer, estarei ao seu lado até quando desejar.
Rafael começou a chorar, Jurema pediu licença para Campelo e foi para o quarto amamentá-lo.
Cida, Campelo e Neco permaneceram na sala.
Estavam ansiosos.
Aquele dia fora esperado durante muito tempo, mas nunca poderiam imaginar que seria tão doloroso.
O silêncio era imenso, cada um tentava viver aquele momento da melhor maneira possível.
Cida, embora estivesse com medo, no seu íntimo queria saber a verdade.
Campelo quebrou o silêncio.
-Embora sabendo que, com toda a revelação do seu passado, posso perdê-la para sempre, mesmo assim, também quero e preciso saber o que lhe aconteceu.
Neco, também preocupado com a situação, continuou:
-Doutor, eu também estou preocupado com tudo isso, o senhor sabe o quanto Jurema se apegou à Cida.
Sei que, se ela for embora, a Jurema vai sofrer muito.
Mas sei também que isso vai ter que acontecer.
-Você tem razão, mas não podemos fugir disso.
Estavam conversando quando ouviram uma batida na porta.
Campelo levantou-se e a abriu.
Messias e Jandira entraram.
No rosto dela, podia-se notar que não estava feliz com aquela situação.
Messias disse, sorrindo:
-Conversei com Ernesto.
Ele ficou radiante e quase não acreditou que eu havia encontrado a Ester.
Disse que amanhã bem cedo virá para Salvador.
Alugará um carro e, lá pelas quatro horas da tarde, estará aqui.
Disse que ia telefonar para o Inácio e ver se ele quer vir junto.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 18, 2017 7:30 pm

Claro que ele vai querer.
Cida continuava calada, não sabia o que dizer.
O que queria mesmo era sair de lá correndo e ir para o sítio, pois sabia que ali estaria protegida.
Queria fugir daquele desconhecido que estava na sua frente, dizendo aquelas coisas, antes tão esperadas, mas que, agora, lhe causavam muito medo.
Campelo disse:
- Precisamos ter paciência e esperar até amanhã.
Depois de tomarmos conhecimento de como tudo aconteceu, poderemos tomar uma decisão.
Senhor Messias, só preciso que o senhor nos dê todas as informações que sabe a respeito de Cida.
-Contarei tudo que sei.
Respondendo a um anúncio de jornal, fui falar com o doutor Francisco, o pai da Ester.
Ele me recebeu em seu consultório.
Eu e ele conversamos muito.
Disse a ele que era recém-casado, que havia chegado do Nordeste e que precisava de um lugar para morar.
Não tínhamos filhos e não tivemos até hoje.
Após me ouvir atentamente, ele disse:
-Tenho duas crianças, como sabe, sou médico e, por isso, muitas noites preciso atender pacientes ou ir para o hospital.
Não posso deixar as crianças sozinhas.
Já tentei várias vezes encontrar alguém para ficar com elas, mas não encontrei ninguém em que eu pudesse confiar.
Talvez com o senhor dê certo.
Como precisa de um lugar para morar, quero lhe propor que venha morar em minha casa.
Sua esposa poderá cuidar das crianças.
O quarto de vocês será dentro da casa, assim poderei sair para trabalhar sossegado.
-Para mim está bom, mas, desculpe a pergunta, sua esposa também é médica?
-Não, ela ficou doente e morreu quando as crianças ainda não tinham quatro anos.
Isso me causou muita tristeza, pois embora eu seja médico, não consegui evitar que isso acontecesse.
-Sinto muito.
- Eu também, pois amava a minha esposa e sei que era amado por ela.
Até hoje, não entendo por que Deus permitiu que isso acontecesse.
Éramos felizes e tínhamos duas crianças lindas, mas, enfim, a vida tem que continuar e tenho ainda duas crianças para cuidar.
O senhor aceita a minha proposta?
Acredito que, desta vez, poderá dar certo.
-Doutor, no que depender de mim e da Jandira, sei que dará certo.
-Está bem.
Poderá ir à minha casa, hoje mesmo?
- Só preciso conversar com a Jandira, sei que ela ficará contente com esse trabalho, não só por termos um lugar para morar, mas porque ela também, poderá trabalhar.
- Está bem, lá pelas seis horas da tarde, estarei em casa.
Converse com a sua esposa.
Este é o meu endereço e aqui tem o meu cartão.
Estarei aguardando uma resposta, pessoalmente, se for positiva; caso contrário, telefone.
- Às seis horas da tarde, chegamos à casa do doutor Francisco.
Ficamos encantados, pois nunca havíamos visto uma casa daquele tamanho.
Ela fora construída no centro de um terreno grande e em sua volta havia um jardim muito bem cuidado.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 18, 2017 7:30 pm

Eu e a Jandira nascemos e fomos criados aqui, já sabem como é esta cidade.
Ela é pequena.
Sempre fomos pobres e moramos em casas pequenas.
Quando vimos o tamanho da casa, nos assustamos.
Um pouco receoso, toquei a campainha.
Minutos depois, a porta da frente se abriu.
O doutor Francisco apareceu, ao nos ver, sorriu e veio em nossa direcção.
Assim que se aproximou, disse:
-Senhor Messias!
Pensei que não viesse!
-Eu disse ao senhor que viria.
- Vamos entrar?
Essa deve ser a sua esposa.
-É sim, o nome dela é Jandira.
-Muito prazer, senhora, meu nome, como deve saber, é Francisco.
-Jandira, envergonhada, não disse nada, apenas sorriu.
Ele seguiu na nossa frente.
Fez com que entrássemos na sala e que nos sentássemos.
Assim que nos sentamos, de uma porta surgiram duas crianças e uma moça.
Ao vê-los, ele disse:
--Estes são os meus filhos, Ernesto e Ester, são gémeos e a razão da minha vida e, também, das minhas preocupações.
Esta é a Emília, trabalha aqui desde muito antes de a minha esposa falecer, mas há poucos dias recebeu a notícia de que sua mãe não está bem e terá que viajar para o Nordeste.
Disse que ficaria até que eu encontrasse alguém para tomar o seu lugar e cuidar das crianças.
Parece que encontrei.
-Emília não disse nada, apenas sorriu.
Ele continuou:
- Senhor Messias, o senhor será o meu motorista e da casa.
Embora eu tenha carro, detesto dirigir.
O senhor terá que me levar ao hospital e alguns dias ao consultório.
Terá de levar as crianças para a escola e, com a sua esposa, fazer as compras da casa.
Não fique preocupado, pois os horários não são os mesmos.
-Eu estava encantado, não só com a casa, mas com a figura daquele homem, que, embora fosse um doutor, nos tratava de igual para igual e com muito respeito.
Continuou dizendo:
-A senhora, dona Jandira, cuidará das crianças e fará a nossa comida.
O resto do trabalho será feito por outras pessoas que a senhora conhecerá.
-Jandira, muito nervosa, disse:
-Doutor, eu não sei cozinhar.
Só sei fazer comida muito simples.
- Não precisa ficar preocupada com isso, a nossa comida também é simples.
Só espero que o seu tempero seja bom.
A Emília ficará mais alguns dias e lhe ensinará tudo o que gostamos de comer.
Agora, Emília, mostre a eles o quarto em que ficarão.
- Emília nos acompanhou até o andar superior.
Ela e as crianças entraram de volta por aquela porta de onde haviam saído.
Ela nos mostrou todos os quartos.
Primeiro, o do doutor Francisco, depois o da menina, do menino e, por último, aquele que seria o nosso.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 18, 2017 7:30 pm

Quando entramos no nosso quarto, não conseguimos esconder o nosso espanto.
Era um quarto amplo, com uma cama de casal enorme.
Todo decorado, tinha até cortina!
Jandira quase desmaiou, pois nunca pensou que, um dia, fosse dormir em um quarto como aquele.
Ester! Você não se lembra daquele dia?
-Não, infelizmente, não, mas continue, por favor.
Daquele dia em diante, ficamos morando ali e, aos poucos, fomos nos acostumando com tudo, principalmente com as crianças.
Como nunca tivemos filhos, nós os considerávamos como se fossem nossos filhos.
O doutor Francisco, junto com o doutor Lourenço, o pai do Inácio, compraram um hospital.
Ambos eram de família com muito dinheiro.
O doutor Francisco quis que eu estudasse, pois, não sabia falar direito.
Estudei e aprendi.
Após mais ou menos dois anos, a mãe de Emília morreu, ela retornou para casa e continuou cuidando das crianças.
Elas cresceram, estudaram e se formaram médicos.
No dia da formatura, eu e a Jandira, acompanhando o doutor Francisco e a Emília, fomos vê-los receber os diplomas.
Você, Ester, sempre foi a mais estudiosa e esperta.
Feliz nos disse:
-Viram, não disse, sempre, que era melhor que eles dois?
Minhas notas foram melhores!
-O doutor Francisco pegou em sua mão e a beijou, dizendo.
-Parabéns, minha filha, e a vocês também.
Estou feliz, por ver os meus filhos formados, sei que saberão honrar essa profissão que, com certeza, deve ter sido enviada por Deus.
Neste dia, a única tristeza que sinto é não ter a mãe de vocês aqui para que ela pudesse sentir a mesma felicidade que estou sentindo.
Enquanto ele falava, Ester olhava para Jandira que lhe parecia, também, estar se lembrando do passado, mas, em seu rosto, notou que havia um que de raiva.
Messias estava tão empolgado que não percebeu.
Continuou falando:
- Foi um dos dias mais felizes da nossa vida.
Ver os três, ali e formados!
Campelo o interrompeu:
-Os três?
Não eram só os dois?
- Esqueci-me de dizer que o Inácio também foi criado junto com eles, eram e são amigos inseparáveis.
Os três começaram a trabalhar no hospital do doutor Francisco e do doutor Lourenço.
Depois que eles se formaram, eu e a Jandira começamos a chamar os três de doutor, mas eles, assim como o doutor Francisco, não deixaram.
Disseram que nós os havíamos criado e não teria cabimento mudar o nosso tratamento em relação a eles.
Cida que ouviu tudo em silêncio, disse:
-Parece que meu pai foi um bom homem.
-Coloca bom nisso!
Foi o melhor pai, médico e amigo que conheci!
É uma pena que você não se lembre dele, mas vai lembrar!
-E o meu irmão, como é?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 18, 2017 7:30 pm

-Igualzinho ao pai.
Também é um homem de bem.
-Ele é casado?
-Não, está fazendo especialização, quer ser cardiologista.
-E eu? Sou médica mesmo?
- É sim, e das boas, também estava fazendo especialização, só que queria ser obstetra.
Dizia sempre que adorava ver uma criança nascer.
Neco disse:
-Foi por isso que ajudou o meu Rafael a nascer!
Ao ouvir aquilo, Campelo disse:
- Neco, foi por isso que ela não teve problema algum e parece que agora, mais do que nunca, tenho de fazer a minha especialização.
Preciso estar à altura dela.
Cida ainda tinha mais uma pergunta para fazer, embora estivesse com medo da resposta:
-E eu? Sou casada?
Tenho filhos?
- Não, você também não se casou.
Namorou algumas vezes, mas nada sério.
Eu e a Jandira pensávamos que você se casaria com o Inácio, mas estávamos enganados, ele casou com a Vanda e parece que você ficou muito feliz.
Cida, aliviada, olhou para Campelo que apertou a sua mão.
Sorriram.
Jurema, não conseguindo disfarçar sua felicidade com aquela notícia, disse:
- Bem, se ela não é casada, acho que agora, já está quase tudo acertado.
Está na hora da procissão, a gente tem que ir.
Campelo levantou-se, dizendo:
-Tem razão, Jurema.
Só amanhã saberemos o resto.
Vamos para a procissão.
Saíram.
Jurema, Neco, Messias e Jandira seguiram na frente, conversando.
Cida e Campelo ficaram para trás, caminhando de mãos dadas.
Ele, embora tenso, disse:
- Estou preocupado, mas ao mesmo tempo, feliz por saber que poderá reencontrar a sua família e muito mais por saber que você não é casada nem tem filhos, por isso, nosso amor será possível.
- Também estou aliviada, não sei se estou feliz ou assustada por conhecer o meu passado, já havia me conformado em não saber quem era.
Agora, embora esteja curiosa, não consigo me ver longe da Jurema, do Neco, do Rafael e, principalmente de você.
-Eu compreendo, mas será melhor conhecermos a verdade.
Talvez o seu irmão possa nos esclarecer o que aconteceu e por que fizeram aquela maldade, deixando-a quase morta e jogada na caatinga.
- Também sinto isso.
Por que alguém me faria aquilo?
Que será que fiz?
- Não está fazendo a pergunta certa.
Não deve perguntar o que fez, mas o que fizeram a você.
Não me parece que você seja uma pessoa ruim.
- Também acredito que não, mas não podemos nos esquecer de que não sabemos nada do meu passado.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 18, 2017 7:31 pm

- Tem razão, mas agora não é hora para pensarmos nisso.
Vamos para a procissão, o povo está mesmo animado!
Ele tinha razão, as pessoas caminhavam em direcção à igreja.
Em seus semblantes, podia-se notar a felicidade.
Seguiram por duas quadras da rua.
Encontraram com Dorival e Laurinda, que se aproximaram.
Laurinda perguntou:
-Jurema, o Dorival me contou.
É verdade que apareceu um homem que conhece a Cida?
-É verdade, sim, tia.
Parece que ele é um homem bom, quer levá-la embora, mas a gente ainda não deixou.
Sabe lá, se ele está dizendo a verdade, não é mesmo?
-Ele não vai levar mesmo!
Imagine se a gente vai deixar!
Ela só vai se for acompanhada por um de nós.
- Isso mesmo, tia, mas parece que o doutor vai junto com ela.
A gente descobriu que ela não é casada, então, os dois podem ficar juntos.
Isso é bom, não é mesmo?
- É sim. Quando o Dorival chegou em casa me contando o que você tinha dito, fiquei até arrepiada.
Como pode?
O homem encontrá-la aqui?
Nesta cidade perdida do mundo!
-Não sei não, tia, mas acho que, exactamente pelo facto de a cidade estar perdida no mundo, a família não a encontrou.
O homem disse que eles procuraram muito.
Venha, vou apresentá-los para a senhora.
Esperaram pelos outros que vinham logo atrás e que caminhavam conversando.
Laurinda estava muito curiosa.
Jurema sabia disso.
-Senhor Messias, esta é a minha tia, Laurinda, assim como a gente, sempre foi preocupada com a Cida e quer conhecer o senhor e a sua mulher.
Messias se voltou e, com um sorriso, disse:
-Muito prazer, senhora, estou feliz por encontrar a Ester e também feliz por saber que ela esteve em boas mãos.
Obrigado em nome da família.
-Não precisa agradecer, não, moço.
A gente gosta muito dela, por isso, ela só vai sair daqui se a gente tiver certeza de que tudo o que o senhor está dizendo é verdade.
Fizeram uma maldade muito grande com ela, a gente não sabe quem foi, nem qual foi o motivo, por isso a gente tem que tomar cuidado.
Vai ver se não foi o senhor quem mandou fazer aquilo com ela!
Ele, com um olhar enérgico, disse:
-Por favor, nem pense nisso!
Vi essa menina crescer!
É como se fosse minha filha!
O irmão dela vai chegar amanhã.
Ele poderá esclarecer tudo.
Laurinda, amuada e desconfiada continuou:
-Vamos ver.
Como a gente vai saber se ele é irmão dela mesmo?
Ele pode ser o bandido que fez tudo aquilo!
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 18, 2017 7:31 pm

-Não sei como ele fará, mas, com certeza, encontrará uma solução.
De uma coisa eu sei, ele não sairá daqui sem ela.
-Acho que o senhor tem razão.
É bom a gente deixar para amanhã.
Agora, está na hora da procissão e a gente tem muito que agradecer a São José.
-Vim até aqui exactamente para isso.
Minha família também está agradecida pela chuva do ano inteiro.
Também quero participar da procissão e agradecer.
Dizendo isso, pegou no braço de Jandira, que ouviu tudo, e saíram caminhando em direcção à igreja.
Chegaram à praça que a rodeava.
A população estava toda aglomerada, muita gente se apertava junto à porta.
Fizeram como um corredor, por onde passaria a imagem de São José, sobre um andor todo enfeitado.
Todos cantavam emocionados.
O padre surgiu na porta e, em seguida, a imagem, que foi aplaudida.
Crianças vestidas de anjos seguiam na frente.
Cida e os demais não conseguiam esconder a emoção.
Muito mais Cida, pois estava vivendo um momento esperado, que agora, porém lhe causava medo.
Com lágrimas nos olhos, disse baixinho:
-Meu São José, não o conheço, mas sei que é milagroso, ajude-me nesta hora.
Saíram e foram acompanhar a procissão.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:09 pm

Lembranças de Família
Messias, por telefone, contou para Ernesto que havia encontrado Ester.
Ernesto, assim que desligou e com o telefone ainda na mão, contou para Emília que o olhava ansiosa.
Perguntou:
-O que o Messias disse?
Ele encontrou a Ester?
-Sim, na cidade em que nasceu e foi passar férias.
-Obrigada, meu Deus!
-Ele disse que ela está sem memória.
-Como sem memória?
- Não sei, ele não explicou direito, mas disse que ela não o reconheceu e nem a Jandira...
-Meu Deus do céu!
Ele vai trazê-la de volta?
-Não! Disse que as pessoas que estão com ela não a deixarão vir, antes que eu vá até lá e prove que ela é minha irmã.
-Você vai?
- Claro que sim, vou ligar agora mesmo para o Inácio, sei que gostará de ir também.
Ligou imediatamente para a casa de Inácio que, ao ouvir o telefone chamando, atendeu:
-Alô!
-Inácio, sou eu o Ernesto!
-Que aconteceu?
Por sua voz, parece que está nervoso!
-O Messias acabou de telefonar.
Ele está passando férias na cidade em que nasceu e você não vai acreditar, mas ele encontrou a Ester!
-Encontrou?!
Como? Onde?
Por que ela desapareceu?
-Ele disse que ela perdeu a memória e que as pessoas que estão com ela não querem deixar que ela venha com ele.
Por isso, amanhã bem cedo, estarei embarcando para Salvador!
Trarei a minha irmã de volta!
Nem acredito que isso esteja acontecendo.
Disse estas últimas palavras chorando.
Inácio também estava nervoso.
Gostava muito dela e, assim como ele, procurou-a por todos os lugares, desde aquele dia em Salvador.
Por isso, emocionado, perguntou:
-Perdeu a memória?
Como? O que aconteceu?
- O Messias não esclareceu muita coisa, só pediu que eu vá até lá para trazê-la de volta e é o que farei!
- Irei com você!
Também quero me encontrar com ela!
Talvez nos vendo, consiga recordar-se e nos dizer o que aconteceu!
-Receio que isso não será possível, pois o Messias disse que ela não se recorda de nada, nem de ninguém, mas assim que chegar aqui, a levaremos ao Duarte, além de ser o melhor psiquiatra que conhecemos, é nosso amigo!
Com um bom tratamento, logo se recordará.
O importante é que ela está viva e que volte para casa.
O resto, resolveremos depois.
Você vai mesmo comigo?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:09 pm

-Claro que sim!
-Está bem, vou reservar duas passagens para amanhã cedo.
Assim que chegarmos a Salvador, alugaremos um carro e, no meio da tarde, estaremos chegando à cidade em que ela está.
Não vejo a hora de abraçar a minha irmã!
- Faça isso, a Vanda saiu, mas deve estar voltando, sei que ela também ficará feliz com essa notícia.
Depois, ligue, dizendo a que horas o avião sairá e nos encontraremos no aeroporto.
Ernesto providenciou tudo para a manhã seguinte e telefonou novamente para Inácio, combinando o encontro no aeroporto.
Depois, abraçou Emília que também, emocionada, disse:
- Ernesto, agora tudo ficará bem.
Ela voltando, saberemos como fazer para que se recorde.
Vou agora mesmo telefonar para alguns amigos da casa espírita e pedir que vibrem por nós e por ela.
-Faça isso e aproveite para agradecer todo esse tempo em que eles oraram por nós e por ela.
Sei que ficarão contentes.
-Farei isso agora mesmo.
Saiu do escritório, foi para o quarto de Ester e entrou.
Tudo estava como antes de ela desaparecer.
Ele não permitiu que se tocasse em nada, pois, embora os detectives lhe houvessem dito que não havia esperança, que provavelmente ela havia morrido, ele não aceitava essa ideia, sabia e sentia que, a qualquer momento, ela apareceria.
Seu coração bateu forte ao ver o seu retrato sobre a cómoda, pensou; minha irmã querida, sabia que voltaria.
Não sei como você está.
Só sei que em breve estará ao meu lado.
Tudo o que é seu está aqui, como você deixou.
Estando aqui, neste ambiente que foi seu, sei que conseguirá se recordar de tudo.
Mas, se não se recordar, não tem importância.
Será para sempre a minha irmã querida.
Obrigado, meu Deus!
Lágrimas corriam por seu rosto.
Continuou pensando:
Estou tão só.
Primeiro, foi papai que morreu durante a noite enquanto dormia, logo depois você desapareceu.
Levado por Emília, comecei a frequentar uma casa espírita.
Lá, disseram que tudo que nos acontece é sempre para o nosso aprendizado, mas preciso aprender o quê?
Sempre procurei fazer tudo da melhor maneira, nunca, em minha vida, prejudiquei ninguém!
Que será que eu precisava aprender?
Disseram também que estamos aqui na Terra para aprender e resgatar erros passados, mas, às vezes, eu não acredito que seja justo!
Resgatar erros que não conhecemos?
Erros que estão esquecidos no passado?
Disseram, também, que Deus é um Pai justo e amoroso.
Nisso, estou acreditando, pois ele está trazendo você de volta.
Não sei o que eu tinha para aprender, mas, se, você está voltando, é sinal que aprendi.
Mais uma vez, obrigado, meu Deus.
Depois de ter esse desabafo, saiu do quarto.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:10 pm

Estava ansioso e não existia para ele um lugar em que ficasse bem.
Só esperava que aquele dia passasse e ele pudesse abraçar Ester novamente.
Foi para a sala.
Leonora estava ali, tirando o pó dos móveis.
-Leonora, você não imagina o que aconteceu!
Ela olhou para ele e, surpresa, perguntou:
-O que foi que aconteceu?
-A Ester foi encontrada e está voltando!
Ela, que estava com uma flanela na mão, começou a tremer, tanto que a flanela caiu.
Com a voz embargada perguntou:
-Está voltando?!
Como assim? Ela apareceu?
Ernesto estava muito feliz para notar o nervosismo dela.
Respondeu:
-Messias encontrou-a, mas vou lhe contar tudo.
Começou a falar, ela o ouvia, mas não com toda atenção.
Seu pensamento estava voltado para tudo o que havia acontecido.
Continuava tremendo muito, num misto de curiosidade e medo.
Seu coração batia forte.
Ernesto terminou de contar e disse animado:
-Você viu como Deus é bom!
Mesmo sem memória eu a quero de volta, pois sei que, aqui, com a nossa ajuda, ela conseguirá se recordar.
Você não acredita nisso?
Ela demorou um pouco para responder, depois disse:
-Acredito, sim, que bom, não é, doutor?
- Sim, é muito bom.
Agora estou ansioso para que a noite passe logo e que o dia amanheça!
Quero encontrá-la o mais breve possível e trazê-la aqui para casa.
Leonora ficou calada, sempre temeu que aquele dia chegasse, mas com o passar do tempo, achou que Ester havia morrido e que ela estivesse livre para sempre, mas, agora, com a volta dela, o que faria?
Ernesto saiu da sala.
Ela se abaixou para pegar a flanela, lentamente recomeçou a tirar o pó, porém, o seu pensamento não parava, estava todo voltado para aquele dia: e agora?
Que vou fazer?
Ele disse que ela não se lembra do que aconteceu, mas se não for verdade?
E se ela estiver só enganando as pessoas para poder descobrir o que aconteceu?
Será que ela sabe?
Quando descobrir, com certeza me mandará embora desta casa e não tenho para onde ir.
Por que fui aceitar uma proposta daquela?
Se o doutor Ernesto descobrir, nunca vai me perdoar.
Não sei o que fazer.
Se a dona Jandira estivesse aqui, poderia me dizer o que fazer, mas, não, ela está lá com o seu Messias, já sabe!
Viu a dona Ester!
Será que está pensando o mesmo que eu?
Estava visivelmente perturbada, sua cabeça doía muito, foi para a cozinha.
Genilda, a cozinheira, estava radiante.
Ao vê-la, disse:
- Leonora! Você já sabe?
A dona Emília me contou que a dona Ester vai voltar!
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:10 pm

Ela respondeu sem muito entusiasmo:
- Sei, sim, o doutor me contou.
Não sei por que você está tão feliz...
-Como pode dizer isso?
Você sabe o quanto o doutor sofreu com o desaparecimento dela!
E a dona Emília?!
Coitada, ficava chorando pelos cantos, cansei de ver!
-Sei de tudo isso, sim...
Dizendo isso, saiu da cozinha.
Assim como Ernesto, ela também não encontrava um lugar para ficar.
Ao contrário dele, sentia aquilo por temer a volta de Ester.
Ela, Leonora, sabia muito bem o que havia acontecido.
Enquanto isso, na casa de Inácio, ele também, ansioso, esperava que Vanda, sua esposa, chegasse.
Sabia que ela também ficaria feliz ao saber que Ester estava voltando para casa.
Sentou-se em um sofá e ficou pensando em Ester:
ainda bem que ela foi encontrada.
Aquela noite em que desapareceu foi como se o mundo tivesse acabado.
Eu e o Ernesto não entendíamos como ela pôde sumir daquela maneira.
Ela, simplesmente, evaporou.
Embora não seja minha irmã, sempre a considerei como se fosse.
Fomos criados juntos.
Eu, ela e o Ernesto estivemos o tempo todo juntos e unidos.
Mas, agora, ela vai voltar e tudo será como antigamente.
Ele percebeu a porta abrindo e, sabendo que era Vanda quem chegava, correu para recebê-la.
Assim que ela entrou, ele disse:
-Vanda! O Ernesto telefonou, dizendo que a Ester foi encontrada!
Ela parou, estática, como se levasse uma flechada no peito.
Ficou branca e quase desmaiou.
Demorou um pouco para dizer:
-Foi encontrada?
Onde? Por quem?
- O Messias a encontrou, lá na cidade em que nasceu!
Parece que, assim como eu, você levou um choque.
Entre, venha sentar-se e contarei tudo.
Com muito sacrifício, ela conseguiu dar alguns passos e se sentar em um sofá.
Inácio sentou ao seu lado e começou a contar tudo o que Ernesto havia lhe dito.
Ela ouvia sem saber o que dizer.
Também se lembrou daquela noite.
Quando soube que Ester estava sem memória, ficou mais calma.
Tinha jurado que nunca falaria com ninguém sobre o que acontecera naquela noite.
Agora, Ester estava voltando.
Não sabia se ela, mesmo que a sua memória voltasse se lembraria ou saberia dizer o que aconteceu.
Após Inácio terminar de falar, ela levantou-se, dizendo:
-Estou muito feliz, quem sabe, agora, saberemos o que aconteceu.
Só precisamos esperar até amanhã.
Vou subir, preciso tomar um banho, depois conversaremos.
Dizendo isso, subiu os degraus da escada e foi para seu quarto.
Já lá dentro, sentou-se sobre a cama, ficou lembrando-se de Ester e em tudo que ela havia representado em sua vida:
lembro-me, como se fosse hoje, do dia em que a conheci.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:10 pm

Eu trabalhava na cantina da faculdade, onde os três estudavam.
Estavam no quarto semestre de medicina.
Eu estava chorando, pois perdi meus pais muito cedo e tive que me manter sozinha.
Naquele dia, fiquei informada de que seria despedida, pois a cantina mudaria de dono e ele não precisaria mais dos meus serviços.
Fiquei desesperada, pois, vivendo sozinha, dividia um quarto com uma amiga, que assim como eu, não tinha um bom salário e não conseguiria pagar o aluguel sozinha, o que teria de fazer, caso eu não conseguisse pagar.
Fiquei desesperada, não possuía estudo algum, portanto, seria difícil conseguir outro emprego.
Estava com os olhos vermelhos de tanto chorar, quando ela e o Ernesto se aproximaram do balcão.
Ela, percebendo que eu estivera chorando, perguntou:
-Vanda, o que aconteceu?
Por que está chorando?
Não fiquei admirada com a pergunta dela, pois todos os dias ela conversava comigo e com as outras pessoas que trabalhavam na faculdade, nos conhecia a todos pelo nome.
Sabíamos que ela pertencia a uma classe social diferente da nossa, mas ela fazia questão de que ficássemos à vontade diante dela.
Isso fez com que todos a admirassem.
Contei a ela o acontecido.
Assim que terminei, ela olhou para Ernesto, dizendo:
- Ernesto, será que ela não poderia trabalhar lá em casa?
Estou precisando de alguém para cuidar das minhas coisas.
Ernesto sabia que ela estava apenas querendo me ajudar, pois não precisava de ninguém.
Ele respondeu com ironia e rindo:
- Sei, sim, o quanto você precisa de alguém, mas acredito que não haverá problema algum.
Faça o que quiser.
-.Está vendo, Vanda, na vida sempre existe uma saída para tudo.
Hoje mesmo, assim que terminar as aulas, você irá connosco para a minha casa e, se gostar, poderá começar amanhã.
Não precisa mais se preocupar com o aluguel, se quiser, poderá morar lá em casa.
Eu não esperava por aquilo, por isso, olhei para ela assustada, dizendo:
-Está mesmo me oferecendo um emprego e um lugar para eu morar?
- Estou, conheço você desde quando entramos na faculdade e sempre pareceu ser uma boa moça.
Estou mesmo precisando de alguém para tomar conta de tudo o que é meu.
Sou muito desorganizada... você está precisando de trabalho, por que não se unir o útil ao agradável?
Você aceita?
- Claro que sim!
Estava desesperada, sem saber o que fazer!
- Pois não precisa mais ficar preocupada.
Hoje, quando terminar as aulas, você irá connosco para conhecer a nossa casa e ver se quer ficar lá.
Eu não sabia se ria ou chorava.
Estava ali, olhando para ela, quando o Inácio se aproximou.
Meu coração tremeu, eu olhava para ele todos os dias, mas ele nunca me notou, a não ser como a moça que servia na cantina.
Sempre que eles terminavam de comer e saíam rindo, felizes, eu ficava triste.
Amava o Inácio, mas sabia que eu não era moça para ele, era apenas uma garçonete, enquanto ele pertencia a uma família rica e tradicional.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:10 pm

Assim que Ester o viu, disse, sorrindo:
-Inácio, a Vanda vai trabalhar lá em casa e me fazer companhia!
Que acha disso?
Ele olhou para nós duas e parece que só naquele momento me notou.
Sorrindo, respondeu:
- Você é quem sabe, Ester, pois, se precisa mesmo de alguém, acredito que essa moça seja uma boa opção.
Naquela mesma tarde, fui para a casa dela.
Ao chegar lá, fiquei admirada com o seu tamanho e beleza.
Ela mostrou toda a casa e o quarto onde eu ficaria.
Era amplo e arejado, mil vezes melhor do que aquele em que eu morava.
Eu estava radiante.
Depois, mostrou o seu quarto, dizendo:
-Este é o meu quarto, Vanda.
Preciso que cuide das minhas roupas e, quando eu terminar de estudar, preciso que guarde meus livros.
Bem que eu poderia estudar no escritório, mas prefiro ficar aqui, sinto-me melhor.
Quase sempre, quando termino, largo tudo e vou me deitar.
Pedi para a Leonora não mexer, pois ela guarda e eu nunca mais encontro os meus papéis.
Ela tem toda a casa para cuidar, mas você terá que cuidar só disso.
Ensinarei como gosto de tudo.
Verá que não há muito trabalho.
Quem sabe você queira voltar a estudar.
Garanto que terá tempo.
Eu não estava acreditando naquilo que ouvia.
Naquele dia pela manhã, ao receber a notícia que seria despedida, entrei em desespero e, agora, algumas horas depois, tudo havia mudado.
Ainda um pouco confusa, eu perguntei:
- Voltar a estudar!?
Não posso, não tenho dinheiro para isso, além do mais, só estudei até a quarta série.
- O que tem isso?
Dinheiro não será o problema, poderá fazer um supletivo e, se tiver vontade, em pouco tempo estará formada e quem sabe poderá frequentar uma faculdade.
Muito feliz e sem saber como agradecer, eu disse:
-Dona Ester, a senhora é muito boa.
Obrigada...
-Nada de senhora, temos mais ou menos a mesma idade e não sou boa, só não sei por que, mas, assim que a vi, gostei de você.
Acredito que seremos boas amigas.
- Espero que sim, o que depender de mim eu farei.
Nunca poderei pagar tanta bondade.
Ela não disse nada, apenas sorriu e me acompanhou para que eu visse o resto da casa.
Naquele dia, recomecei a minha vida.
Mas, agora, preciso parar de recordar o passado, preciso trocar de roupa e voltar para a sala.
O Inácio não pode desconfiar de nada.
Vanda trocou de roupa e foi para a sala encontrar com Inácio que, muito ansioso, ao vê-la disse:
-Vanda, não vejo a hora de estar novamente ao lado da Ester!
Você sabe o quanto todos nós sofremos com a sua ausência e muito mais por não saber o que aconteceu, mas sinto que logo saberemos.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:10 pm

- Estou feliz também, mas você não disse que ela perdeu a memória?
- Parece que sim, mas só saberemos quando a encontrarmos e, se isso aconteceu, aqui ao nosso lado, junto de tudo que sempre foi dela, tenho certeza de que voltará a ser a pessoa maravilhosa que sempre foi.
Vanda, com uma expressão estranha no rosto, disse:
-Esperamos que sim, mas, agora, está na hora de jantar.
Vamos?
Ele se levantou, beijou seu rosto, dizendo:
-Ela foi sempre muito sua amiga, com certeza a reconhecerá.
Vanda, calada, caminhou em direcção à sala de refeições.
Seu coração estava apertado, sentia que Ester sofreria muito, recordando-se de que acontecera naquela noite em que desapareceu.
Ela, Vanda, também temia por aquilo.
Naquela noite, nenhum deles conseguiu dormir.
Campelo, ao mesmo tempo em que estava feliz por Cida finalmente descobrir quem era, temia perdê-la para sempre.
Cida, agora Ester, estava ansiosa por saber que tinha uma família, mas temia não a reconhecer e ser obrigada a sair do lado daquelas pessoas que, agora, eram sua família e, principalmente, ficar longe de Campelo, que ela sabia ser o seu amor.
Jurema e Neco, após terminarem de jantar na casa de Laurinda, foram para o quarto.
Enquanto preparavam-se para deitar, Neco disse:
-Sabe, Jurema, acho que a gente nunca mais vai ver ela, não...
-Por que está dizendo isso, Neco?
-Jurema, a gente já sabe que ela é de família rica e que mora lá no Sul.
Você acha mesmo que assim que ela estiver lá, vai se lembrar da gente e querer viver aqui desse jeito?
Nessa pobreza?
Não vai, não!
- Não fale assim, Neco!
Isso não é verdade!
Ela gosta da gente e muito mais do nosso menino, ela não vai aguentar ficar longe dele, muito menos do doutor.
Acha que ela vai se esquecer dele também?
- Dele acho que não, mas também não é problema, porque ele pode ir junto com ela.
Agora, da gente... acho que ela se esquece, sim, é por isso que estou triste.
Gosto muito dessa moça.
Desde que ela apareceu, a nossa vida mudou e você também, até parece que ela foi mandada por Deus para ajudar a gente...
-Neco, será que foi isso?
-Não sei não, mais parece que foi.
Agora que tudo já está certo por aqui, ela vai embora.
Acho que foi Deus quem a mandou sim.
Está na hora de a gente tentar dormir.
Amanhã, vamos ter que ficar por aqui.
Ela não pode ficar sozinha nessa hora.
- É, Neco, não pode mesmo.
Ela só vai embora se a gente tiver certeza de que o moço que vai chegar é irmão dela mesmo e se ela quiser ir, não é mesmo?
- Isso é, Jurema, mas vamos aproveitar que o nosso menino está dormindo e vamos tentar dormir também?
-Vamos, sim, Neco...
Deitaram-se, fecharam os olhos e tentaram dormir.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:11 pm

O Reencontro
Logo pela manhã do dia seguinte, Ernesto e Inácio encontraram-se no aeroporto.
Como não podia deixar de ser, estavam nervosos, e no íntimo, com medo de encontrar Ester, pois Messias não havia sido muito claro, apenas disse que a encontrou e que ela estava sem memória.
Mas, mesmo assim, queriam vê-la o mais rápido possível.
Na hora exacta, o avião partiu e, junto com ele, a esperança deles.
A viagem transcorreu tranquila, eles é que não estavam tranquilos.
Assim que desembarcaram, dirigiram-se a agência de carros.
Ernesto, na noite anterior, já havia reservado um.
Pegaram o carro e empreenderam viagem.
Não tinham muito que conversar, estavam somente na expectativa daquele encontro tão esperado e na curiosidade em saber o que havia acontecido com Ester.
Nunca uma viagem demorou tanto.
A paisagem passava por seus olhos e eles iam admirando-se com isso ou aquilo, evitavam falar sobre Ester.
O medo que sentiam de que ela não os reconhecesse ou de que Messias houvesse se enganado deixava-os mudos, embora aquilo fosse pouco provável, pois Messias a havia praticamente criado, não teria como enganar-se.
Finalmente, viram a placa com o nome da cidade.
Ernesto acelerou mais o carro dizendo:
-Inácio, agora estamos perto de poder abraçar a Ester e levá-la para casa.
Será que ela não vai mesmo nos reconhecer?
-Não sei, mas espero que nos reconheça, precisamos saber o que aconteceu naquela noite e só ela poderá nos dizer.
- De qualquer forma, isso não tem muita importância, o que importa é que ela está de volta.
O resto virá com o tempo.
- Você tem razão, Ernesto.
Agora falta pouco para este pesadelo terminar.
Apreensivo, Ernesto estacionou o carro em frente à igreja, no local onde Messias havia combinado.
Assim que estacionaram, Messias correu para junto deles.
- Ernesto! Que bom que chegou!
Você também veio, Inácio?
Eu não via a hora que chegassem.
Ernesto desceu do lado da porta em que Messias estava encostado.
Inácio desceu do outro lado.
Enquanto descia, Ernesto perguntou:
-Messias! Onde ela está?
Está bem mesmo?
-Ela está em uma casa desta rua, está muito bem de saúde, só não se lembra de nada nem de ninguém.
-Vamos até lá.
Após cumprimentarem Jandira, seguiram em direcção à casa de Campelo, onde estavam Cida, Neco e Jurema.
Eles estavam com o coração nas mãos, nervosos e ansiosos, sabiam que a vida deles, daquele dia em diante, mudaria de uma forma radical.
Messias bateu à porta, Campelo deu um beijo na testa de Cida e se encaminhou para abri-la.
Assim que a abriu e viu Ernesto, não lhe restou a menor dúvida, ele era, sim, irmão de Cida, pois a semelhança entre os dois era indiscutível.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:11 pm

-Boa tarde, meu nome é Campelo, não preciso perguntar qual dos dois é o irmão dela.
A semelhança entre vocês é impressionante.
Ela está aqui, queiram entrar, por favor.
- Boa tarde, não é a primeira pessoa que diz isso.
Estou ansioso para encontrá-la.
O senhor não pode imaginar como tem sido a nossa vida, desde que ela desapareceu.
- Acredito que o sofrimento de todos está perto de terminar.
Queiram entrar, por favor.
Dizendo isso, afastou-se da porta, permitindo que eles entrassem.
Assim que Cida viu Ernesto, levantou-se da cadeira em que estava sentada, ficou parada, olhando para ele, que não se conteve e correu para ela, abraçando-a e chorando muito.
- Ester, minha irmã querida!
Quanto tempo estou procurando por você!
O que aconteceu?
Como veio parar aqui, neste lugar tão distante?
Ela não o reconheceu, mas ao ver o seu desespero, também se abraçou a ele e começou a chorar, sem saber o que responder.
Ficaram assim abraçados e chorando por um longo tempo, até que Campelo tocou no ombro deles.
- Agora está tudo bem, reencontraram-se e parece que não resta dúvida de que são realmente irmãos.
Vamos nos sentar e conversar sobre o que faremos em seguida.
Neco e Jurema olhavam emocionados para os dois, ali abraçados.
Jurema deixou que algumas lágrimas corressem por seu rosto, mas ao ouvir o que Campeio disse, balançou a cabeça, concordando com ele.
Ela sabia que Cida só iria embora, se eles tivessem a certeza de que seria realmente para a sua família, mas ao ver Ernesto, assim como Campelo, não lhe restou dúvida alguma.
Pensou: são irmãos mesmo, olha só o cabelo?
Da mesma cor!
Os olhos, nariz e até a boca, são irmãos, sim, isso são mesmo...
Ernesto afastou-se de Ester, mas continuou olhando para ela que também o olhava, fazendo um esforço enorme para reconhecê-lo, mas por mais que tentasse, não conseguia.
Somente sentia um carinho enorme por aquele desconhecido.
Antes de se sentar, Ernesto disse:
- Desculpem, com a emoção ao rever a minha irmã, esqueci de apresentar, este é o Inácio, amigo da família e quase um irmão.
Inácio, assim como os outros, estava emocionado e também queria abraçar Ester, mas, ao perceber que ela realmente não os reconhecia, apenas disse:
- Muito prazer, Ester, sei que não está nos reconhecendo, mas precisa saber que, assim como o Ernesto, amo você e estou feliz por encontrá-la.
Tenho certeza de que, assim que retornar para casa, junto a tudo que sempre conheceu, voltará a se lembrar.
Ela não respondeu, estava como que anestesiada, apenas sorriu entre lágrimas.
Campelo disse:
-Vamos nos sentar, precisamos saber o que aconteceu e por que ela foi largada na caatinga, quase morta.
Ao ouvir aquilo, Ernesto quase gritou:
-O que está dizendo?
Ela foi encontrada quase morta?
-Isso mesmo, quem a encontrou foi o Neco.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:11 pm

Disse isso apontando com os olhos para Neco, que também confuso com tudo aquilo, disse:
- Foi isso mesmo, doutor.
Eu a encontrei jogada com muitos machucados pelo corpo e uma ferida bem feia na cabeça.
Levei-a para casa e quando ela acordou não sabia quem era e nem de onde tinha vindo.
Não sabia, também, quem tinha feito aquela maldade com ela.
A gente, eu e a Jurema, ficamos sem saber o que fazer.
Então resolvemos deixá-la ficar morando com a gente, onde está até hoje e o senhor não vai levá-la, não, sem antes contar o que foi que aconteceu, não é, Jurema?
Jurema e Cida estranharam o modo como ele falou.
Estava nervoso, demonstrando claramente que ela, apesar de esquecida, não estava sozinha, tinha a eles e, principalmente, a ele, para protegê-la.
Jurema, apesar de espantada com a atitude dele, disse:
-Isso mesmo, Neco.
Doutor, a gente gosta dela como se fosse nossa irmã e ela salvou a minha vida e a do meu menino e vai ser também madrinha dele.
A gente não quer que ela vá embora, não, só se ela quiser, não é mesmo, Neco?
Neco não respondeu.
Apenas balançou a cabeça concordando.
Ernesto e Inácio, ao ouvirem aquilo, ficaram abismados.
Nunca puderam imaginar que uma coisa como aquela tivesse acontecido com Ester.
Ernesto disse:
- Ela é minha irmã, somos gémeos, nunca tivemos uma briga sequer, sempre nos adoramos!
Inácio foi criado connosco, quase que na mesma casa, pois ficava mais tempo lá do que na sua!
Não sabemos o que aconteceu nem por que alguém faria isso com ela!
Ela nunca teve inimigo algum e é querida por todos que a conhecem!
Campelo percebeu que ele dizia a verdade, olhando bem em seus olhos, disse:
-Sinto que está sendo sincero, por isso, seria bom que nos contasse o que aconteceu, no dia em que ela desapareceu.
-Já devem saber que somos médicos e que trabalhamos no hospital que sempre foi da nossa família.
Inácio se casou com a Vanda, a melhor amiga de Ester.
Na época em que se casaram, o hospital estava passando por uma reforma, havia muito trabalho, por isso, eles resolveram que viajariam só por um fim de semana para a lua-de-mel.
Foram para Caldas Novas.
Na época, eu estava noivo, e a Ester estava namorando há pouco tempo com um outro amigo nosso.
Combinamos que, quando tudo estivesse em ordem no hospital, faríamos uma viagem.
Programamos que visitaríamos Salvador, pois, embora já tivéssemos ido para muitos países, ainda não conhecíamos essa cidade, que todos os nossos amigos diziam ser fabulosa.
Tudo correu como o planeado, só que, naquele meio tempo, o meu noivado foi desfeito e a Ester desmanchou o namoro, por isso, fomos só os quatro.
Embarcamos para Salvador, ficaríamos só por uma semana, pois o nosso tempo era curto, tínhamos compromissos.
Assim que chegamos, fomos para um hotel, que a Vanda, por ter mais tempo, havia reservado.
Inácio e ela ficaram em um apartamento, eu em outro e a Ester, em outro, todos no mesmo corredor.
Ficamos encantados ao visitar as igrejas de ouro e ao comprovarmos que elas realmente existiam e que eram lindíssimas.
Nós nos divertimos muito.
Passeamos, ficamos muito tempo na praia.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:11 pm

Foi uma semana maravilhosa.
No dia anterior à nossa volta, a Vanda resolveu ir até ao Pelourinho para fazer algumas compras.
Eu e a Ester resolvemos ir para a praia.
Antes disso, pela manhã, enquanto tomávamos café, perguntamos ao recepcionista do hotel, e ele nos indicou um dos melhores restaurantes da cidade para que jantássemos na nossa noite de despedida - olhou para Ester dizendo:
Ester, você não se recorda daquele dia?
Ficamos o tempo todo juntos.
Enquanto o Inácio e a Vanda foram para o Pelourinho, nós fomos para a praia.
Ela apenas balançou a cabeça, respondeu que não.
Ele continuou:
-Eu estava deitado na areia, sob o sol quente.
Ester estava dentro da água.
Ela saiu da água e veio correndo, sentou-se ao meu lado, perguntando:
- Você não vai entrar no mar, Ernesto?
A água está uma delícia.
-Se tomar conta das nossas coisas, vou.
-Pode ir, eu fico aqui, mas antes quero falar com a Emília.
Sonhei com ela nesta noite.
Aproveitarei para dizer que voltaremos amanhã e pedirei que nos faça um almoço bem gostoso... estou com saudades da sua comida.
-Eu também, faça isso, assim que voltar, irei para a água.
- Concordando com a cabeça, ela saiu correndo em direcção a um telefone público.
De onde eu estava, conseguia vê-la falando.
Depois, voltou, dizendo que havia falado com Emília e que ela estava bem.
Fui para a água, ela ficou deitada ao sol.
Durante muito tempo, nós nos revezamos várias vezes.
Até que, cansados, resolvemos voltar para o hotel.
À noite, na hora marcada, eu já estava pronto.
Ester, que sempre foi muito vaidosa, ainda não estava.
Não suportando mais esperar por ela, fui até o seu quarto.
Ela estava diante do espelho, escovando os cabelos.
Disse nervoso:
-Ester! Vai demorar muito para ficar pronta?
Estou com fome!
-Não, falta pouco, só estou dando os últimos retoques, mas que horas são?
-Olhei para o meu relógio de pulso e respondi:
- Oito horas e quinze minutos.
-Já estou quase pronta, mas não precisa esperar, pode descer, antes, passe pelo quarto do Inácio e diga para a Vanda esperar que vou ao seu quarto.
Antes do jantar, quero lhe dar um presente.
Não quero que o Inácio saiba o que é.
Por isso, vocês dois podem descer.
Assim que eu lhe der o presente, desceremos juntas e os encontraremos no saguão.
Vocês terão uma surpresa.
- Que surpresa é essa?
-Se eu contar, deixará de ser surpresa.
Saia daqui!
- Ela disse isso rindo e brincando.
Fingiu que, se eu não saísse, jogaria a escova de cabelos, que estava em sua mão.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:12 pm

Eu a conhecia muito bem, sabia que o logo dela significava mais meia hora.
Saí e bati à porta do quarto de Inácio, que atendeu.
Enquanto eu entrava, ele disse:
- Olá, já está pronto?
-Sim, e estou com fome.
-E a Ester?
- Vanda saiu do banheiro, estava pronta.
Fiquei surpreso e admirado.
- Vanda! Como você está bonita com essa cor de cabelo!
-Também gostei, cansei de ser morena.
Aproveitei hoje à tarde e mandei pintar, mas o Inácio não gostou.
-Está muito bonito.
Inácio é assim mesmo, um conservador.
-Não sou conservador, só gostava do cabelo dela como era, foi assim que a conheci.
Não sei que ideia maluca foi essa!
-A ideia pode ter sido maluca, mas o resultado foi muito bom.
Inácio, vamos descer!
Vanda, a Ester pediu para você esperar por ela aqui.
Quer lhe dar um presente antes do jantar.
- Vanda, admirada, perguntou:
- Que presente?
-Não sei, só disse que teremos uma surpresa.
-Está bem, vou esperar.
Vocês podem descer.
-Estávamos saindo quando ela disse:
-Esperem, pensando bem vou com vocês.
-E a Ester?
Vai ficar furiosa quando não encontrar você!
-Ernesto, você sabe como ela fala muito.
Vamos descer juntos, pois se ela vier até aqui, vai ficar conversando e nos atrasar.
Quando vier e vir que não estou aqui, descerá para nos encontrar e, lá, dará o meu presente.
Não imagino o que possa ser, mas qualquer coisa que for, pode ser dado lá no saguão, vocês não acham?
-Eu e o Inácio concordamos, pois estávamos com fome.
Descemos juntos para o saguão do hotel.
Ficamos conversando por um bom tempo, até que me dei conta de que Ester estava demorando.
Olhei para eles, perguntando:
-Inácio, onde está a Ester?
-Não sei, Ernesto, você foi o último que falou com ela e disse que ela iria até o nosso quarto para levar o presente da Vanda, mas, realmente, está demorando muito!
Vamos até lá para ver o que aconteceu.
- Ela não desceu!
Para onde terá ido?
Sabia que a estávamos esperando.
-Fomos até o quarto, pensando que talvez ela estivesse no banheiro.
Assim que chegamos, procuramos por toda parte e nada da Ester.
Passamos a noite em claro, esperando a sua volta, mas ela não voltou.
Comunicamos à polícia.
No dia seguinte, Inácio e Vanda voltaram, pois o hospital não poderia ficar sem a presença de um de nós.
Fiquei por lá, mais de um mês, sem obter notícia alguma.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:12 pm

Em uma sexta-feira, Inácio voltou e ficaria o fim de semana.
Caso Ester não aparecesse, ele tentaria me levar de volta.
No sábado, pela manhã, atendendo a um chamado do delegado, fomos até a delegacia.
Assim que nos viu, disse:
-Não sei o que dizer, mas não encontramos rastro de sua irmã.
- Como não?
Ela não pode ter desaparecido assim!
Ela não conhece a cidade!
Para onde terá ido?
- Não sei, vasculhamos todos os locais julgados perigosos, mas não a encontramos.
Sinto muito.
Acredito que seja melhor o senhor voltar para São Paulo e continuar a sua vida.
- Não posso voltar!
Ela é minha irmã, não posso deixá-la aqui sozinha!
- Sinto muito, porém, preciso Lhe dizer.
Depois de ter passado tanto tempo sem se comunicar, não recebemos pedido de resgate, não encontramos o corpo, portanto ela não está morta nem sequestrada, o que nos leva a crer que ela não quer ser encontrada.
- O senhor está delirando?
Por que ela faria isso?
Somos irmãos!
Porque ela não iria querer se comunicar?
Não existe motivo!
- Com toda minha experiência, quando acontece algo parecido e se não há pedido de resgate e um corpo não é encontrado, o motivo é sempre o mesmo.
- Que motivo?
-Ela deve ter gostado de alguém e resolveu fugir com ele.
-Não acreditei naquilo que aquele homem estava dizendo.
Quase o esbofeteei, mas fui contido por Inácio que, percebendo o meu estado, disse:
- Obrigado, doutor, estamos indo para o hotel, conversaremos e resolveremos o que fazer.
-Pegou no meu braço e me conduziu para fora da delegacia.
Eu estava nervoso e assustado.
Não entendia o porquê daquele desaparecimento.
Na rua, eu disse:
-Inácio! Por que me tirou lá de dentro?
Aquele homem é um cretino e incompetente.
Como pôde dizer uma coisa daquelas?
Se Ester tivesse encontrado alguém, com certeza nos contaria!
Ela não ficou só nem por um momento!
Sempre saímos juntos!
Sinto que algo muito grave aconteceu... só não sei o quê?
Estou assustado!
- Tentando aparentar uma calma que não estava sentindo, ele disse:
-Também estou assustado, sabe que amo a Ester assim como você.
Mas não adianta ficar assim.
Penso que o delegado tem razão.
Precisamos voltar para casa, o hospital está sem você há muito tempo.
Vamos voltar e, assim que chegarmos a casa colocaremos anúncios em jornais e revistas, iremos à televisão e ao rádio, contrataremos um detective e ele a procurará por todo este Brasil, tenho certeza de que a encontraremos.
-Não posso ir embora e deixá-la aqui, sem saber o que aconteceu!
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:12 pm

- Sei que é difícil, mas é preciso.
Somos médicos, não policiais ou detectives.
Em casa, encontraremos uma maneira de encontrá-la.
-Resisti por mais aquele fim de semana, mas, finalmente, tive de concordar com o Inácio e resolvi voltar.
Assim que chegamos, fizemos o que Inácio havia dito.
Colocamos anúncios, contratamos um detective.
Ele procurou por todos os lugares possíveis, mas não a encontrou.
Enquanto Ernesto falava, lágrimas desciam de seus olhos.
Respirou fundo, olhou para Ester e disse, emocionado:
- Não deixei de pensar em você um dia sequer, e, durante todo esse tempo, sempre tive a esperança de encontrá-la.
Não sei por que isso aconteceu em nossa vida, mas, hoje, estou feliz, pois, encontrei-a e nunca mais vamos nos separar.
Cida, em silêncio, ouviu tudo o que ele disse.
Estava emocionada por ver a maneira como ele estava, mas por mais que tentasse rever aquelas cenas que ele descrevia, não conseguia lembrar.
Olhando bem em seus olhos, também com lágrimas, disse:
Eu sinto que está dizendo a verdade e que realmente sou sua irmã, só que não consigo me lembrar de nada.
Embora eu sinta isso, para mim, você é um estranho e não sei o que fazer...
Inácio, que foi sempre o mais ponderado de todos, perguntou:
-Não consegue se lembrar de nada?
Nem do tempo em que éramos crianças e íamos juntos para a escola?
-Não, não me lembro de nada...
Ao ouvir aquilo, Ernesto disse:
-Isso não tem importância.
Você vai connosco para casa e a levaremos a um psiquiatra e em breve se recordará.
Ela levantou-se da cadeira, chorando, abraçou Jurema, dizendo:
-Jurema, não quero ir embora... estou com medo!
- É isso mesmo, moço!
Ela não vai, não!
Acho que o senhor está dizendo a verdade, mas a gente não tem certeza.
Ela chegou muito machucada, alguém bateu muito nela, vai ver foi o senhor mesmo que fez aquilo ou mandou fazer.
Ela não vai com o senhor, não!
-Dona Jurema, estou dizendo a verdade!
Jamais faria algum mal a ela!
É a minha irmã, só Deus sabe o quanto tenho sofrido desde que ela desapareceu!
Ela precisa ir para poder se lembrar de tudo.
Se continuar aqui, isso será difícil!
Campelo disse:
- Esperem, fiquem calmos.
Os dois estão com razão.
Sinto que realmente ela é a sua irmã e que tudo o que está dizendo é verdade, mas o senhor precisa entender a nossa situação.
Ela não o reconhece, está connosco há muito tempo, por isso, acredita que aqui está segura e, na realidade, está mesmo.
Para nós, será difícil deixarmos que ela vá na companhia de pessoas de quem não se recorda.
Somos as únicas pessoas que ela conhece como família.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 19, 2017 7:12 pm

Ela nos ama e é amada por nós.
Será difícil a ela ir para um lugar desconhecido e conviver com pessoas desconhecidas.
Precisa entender também que, de acordo como ela foi encontrada, algo muito grave aconteceu.
Por isso, temos que pensar muito bem no que faremos.
Quanto a você, Cida, não pode continuar assim, precisa de um tratamento para poder se recordar.
Só você poderá nos contar o que aconteceu naquela noite.
-Não posso ir embora com eles!
Não sei quem são...
Inácio ouviu tudo calado, depois, disse:
- Todos temos uma só vontade, que tudo seja esclarecido, tenho uma proposta que nos ajudará.
O senhor disse que é médico aqui na cidade e, por tudo que notei, está apaixonado por ela.
Que tal o senhor acompanhá-la?
Poderá trabalhar no nosso hospital, até que ela se recorde.
Quando isso acontecer, pensaremos no que fazer.
Campelo olhou para Ester que pedia com os olhos que ele aceitasse.
Ele entendeu o seu pedido, mas perguntou:
-Você quer que eu vá?
Ela respondeu com a voz suplicante:
-Por favor, venha comigo, assim sei que estarei protegida...
- Sabe que, ao se recordar, talvez eu não tenha um lugar em sua vida...
-Você sempre terá um lugar.
Esse lugar é só seu...
Ele sorriu, olhou para Jurema e Neco, perguntando:
-Se fosse comigo, vocês a deixariam ir?
Jurema olhou para Neco que ouvia tudo calado e perguntou:
-Neco, com ele, ela pode ir, não é mesmo?
- Com o senhor, doutor, ela pode ir, porque a gente sabe que vai protegê-la.
Mas sozinha ela não vai não!
- Está bem, sendo assim, eu irei, Cida, vim para esta cidade só por alguns dias, mas os meus planos eram outros.
Acredito que tenha vindo até aqui somente para conhecer você.
Agora, voltarei para o meu plano inicial.
Precisamos saber de toda a verdade, pois, só assim poderemos ter uma vida feliz.
Se quando se recordar, não me quiser mais, eu entenderei.
- Isso não acontecerá, sabe que amo você e que esse amor é verdadeiro.
- Quem me ama é a Cida, uma moça simples que borda e tece renda.
Não sei se a doutora Ester continuará pensando da mesma maneira.
Ela, diante da doçura como ele disse aquelas palavras, sorriu:
-A Ester, com certeza, também amará...
Ernesto começou a rir.
-Bordando, tecendo renda?
Gostaria muito de ver isso!
-Por que está admirado?
- Sempre detestou trabalhos manuais!
Não consigo imaginar você bordando!
-Mas ela borda muito bem, e tece também, eu mesma ensinei!
-Se a senhora diz, acredito, mas gostaria de ver!
- O senhor vai ver!
Vai gostar do trabalho dela.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

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