Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 7:05 pm

Hoje, aqui, usei do poder, um dos sentimentos que mais atrai e agrada a todos.
O poder faz com que percamos o parâmetro do certo e do errado.
O poder é algo que todos gostamos de ter e usar.
Desde a coisa mais simples, como o poder que temos sobre um subordinado, marido, mulher e filhos, até sobre o destino de uma empresa ou Nação.
Por ele, faz-se ou comete-se qualquer crime.
Em nome dele, prejudica-se um companheiro de trabalho ou irmão de caminhada.
O poder do dinheiro, sobre aqueles que não o têm.
O poder da força, sobre os mais fracos.
Enfim, o poder... sinto muito, meus irmãos, mas acredito que a minha missão aqui terminou.
-Por que está dizendo isso?
- Para poder ajudar um irmão que se encontra enraivecido, com sentimento de vingança, é preciso termos sobre ele autoridade moral, precisamos demonstrar, com nossas acções, que estamos acima de qualquer julgamento.
Aqui, com o que acabou de acontecer, isso será quase impossível.
Eles não me respeitarão mais, não acreditarão no que eu disser.
Preciso ir e descobrir como reparar esse meu erro.
-Não pode fazer isso!
E a Ester, como vai ficar?
- Ela está agora em um sono profundo, nem o bem ou o mal poderão atingi-la.
Tenho certeza de que um outro irmão está nesse momento dirigindo-se para cá.
Ela não ficará desamparada, como ninguém nunca fica.
Estava terminando de dizer isso, quando o vulto de um homem apareceu dentro do quarto.
Olhou para todos, parou o olhar em Irene disse sorrindo:
-Olá, Irene, como estão as coisas por aqui?
- Olá, Vicente.
Como já deve saber, acabei de cometer um erro muito grave.
Preciso de ajuda.
-O erro também faz parte da caminhada.
A todo momento, somos testados e obrigados a fazer as nossas escolhas.
Isso não quer dizer que precise se amargurar como está fazendo.
Como você mesma disse:
neste caso, você não poderá mais trabalhar, mas aprendeu e tenho certeza de que isso nunca mais acontecerá.
Tudo faz parte do aprendizado.
A sua intenção foi boa, o método é que não foi.
Volte para casa, outros trabalhos esperam por você.
-Acredita mesmo que me será confiado outro trabalho?
-Claro que sim.
Você é, sim, um espírito de muita luz.
Conquistou essa luz, trabalhando e aprendendo.
Quantos irmãos não ajudou?
Não se mortifique!
Sabe que Deus nos deu, nos dá e sempre nos dará todo seu amor e todas as oportunidades.
O que aconteceu, hoje, serviu para alertar não só a você, mas a todos nós.
Como você mesma disse:
é preciso sempre orar e vigiar.
Volte, estão esperando por você com uma nova missão.
Irene estava triste com aquele sentimento de missão não cumprida, mas percebeu o carinho com que Vicente a socorreu.
-Obrigada, meu irmão, por ter vindo em meu auxílio.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 7:05 pm

Como você mesmo disse, aprendi e posso lhe dizer com toda a força do meu ser que isso não se repetirá.
Poderei, quem sabe, queira Deus que não, cometer outro tipo de erro, mas como este nunca mais.
- Tenho certeza disso, mas nem sempre o erro é ruim, às vezes, como neste caso, serve de aprendizado.
- Só estou preocupada com a Isaura e o Raimundo.
Será que, depois de tudo o que se passou aqui, conseguirá convencê-los de que o caminho mais certo é o do perdão?
-Isso não sei, mas tentaremos, não podemos nos esquecer nunca de que tudo tem a sua hora e que esta hora sempre chega.
Agora vá.
Irene despediu-se de todos e desapareceu.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 7:05 pm

A Lei Maior
Os pais de Ester ainda estavam atónitos com o que haviam presenciado e não souberam o que dizer.
Vicente olhou para eles e, sorrindo, disse:
- Sei as dúvidas que estão passando por suas cabeças, logo mais tentarei esclarecer todas elas, mas, agora, a nossa missão aqui é tentar ajudar Ester.
Ela está em um momento delicado.
Precisamos ajudá-la de toda forma possível a enfrentar tudo o que vai acontecer e evitar que mergulhe no mundo dos loucos definitivamente.
-Isso pode acontecer?
-Sim, mas agora deixe-me ver como ela está.
Aproximou-se da cabeceira da cama em que Ester estava deitada.
Daniel ainda continuava ali ao lado dela, mas não podia imaginar tudo o que estava acontecendo.
Vicente sorriu para ele, colocou a mão sobre a testa de Ester, que suspirou profundamente.
Daniel ficou aliviado, pois embora ela estivesse quente, muitas vezes temeu que ela viesse a morrer.
Vicente estendeu as mãos sobre os dois e lançou luzes brilhantes sobre eles.
Depois se voltou para os pais de Ester, dizendo:
-Ela está bem.
Vocês a conhecem há muito tempo, pois, por várias vezes a receberam no meio da sua família na tentativa de ajudá-la.
Infelizmente, ela nunca soube aproveitar.
Mas, conforme a Lei Divina e Soberana, não podemos interferir, somente continuar tentando sempre.
-Essa á a mesma Lei à qual a Irene se referiu?
- É ela mesma.
Quando Deus nos criou, nos queria perfeitos, bastaria uma simples vontade sua e isso seria feito, porém Ele teria bonecos, sem mérito algum, e Ele queria, muito mais para seus filhos.
Queria que fossemos livres e responsáveis por nossas acções.
Por isso, nos deu a vida eterna, e com ela suas Leis, a Lei do amor, perdão, caridade, causa e efeito e a que particularmente acredito ser a primeira, pois se a soubermos usar, as demais serão consequências, a Lei a que todos deveríamos obedecer e a qual nunca infringir.
Com essa Lei, todos seríamos responsáveis por nossas acções e saberíamos que a toda acção sempre existirá uma reacção.
Como aquele ditado:
não faça aos outros o que não quer para si mesmo.
Essa Lei chama-se livre-arbítrio.
Ela é uma Lei justa.
Não existem inocentes, pois todos estamos abaixo dela.
Todos estamos recebendo as reacções de nossas acções.
Estamos aqui e vamos tentar ajudar nossos irmãos envolvidos, mas também estamos sob esta Lei, e não podemos obrigá-los.
Eles, só eles, poderão decidir como usarão a Lei.
A Isaura e o Raimundo estão reivindicando o cumprimento da Lei, cabe a nós obedecer, mas tentar fazer com que entendam que ela tem muitas interpretações.
Ester se mexeu na cama Daniel, sempre alerta, se aproximou ainda mais, mas percebeu que ela continuava dormindo.
Emília e Ernesto entraram no quarto.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 7:05 pm

Ernesto perguntou:
-Daniel, como ela está?
-Parece bem, está em sono profundo.
-É bom que esteja assim.
Duarte foi em busca de ajuda.
Logo mais estará aqui.
-Que ajuda?
Ele não é o psiquiatra?
-É, sim, mas achou melhor trazer alguém para ajudá-lo.
Os pais de Ester sorriram ao verem Ernesto e Emília.
Maria Eugénia, a mãe, aproximou-se do filho e, mandando-lhe um beijo, disse:
-Meu filho! Como está bonito!
Ajude sua irmã nesta hora difícil.
Vicente também sorriu ao vê-los.
Disse:
-Maria Eugénia, as pessoas que estão aqui são amigas sinceras de Ester, assim como vários outros que a têm acompanhado durante muito tempo.
A presença deles aqui é fundamental para o nosso trabalho.
O amor que sentem por ela nos ajudará e muito.
-Como poderão ajudar?
-Irradiando amor e ficando em oração.
A energia deles nos ajudará na conversa que teremos com Isaura e Raimundo.
-Acha que eles voltarão?
-Sim, a força do ódio e da vingança fará com que voltem.
Sabem que, enquanto estivermos aqui, a presença deles é quase impossível, mas o ódio é um sentimento muito forte.
Eles voltarão, sim.
-E Ester, como ficará agora?
- Sem a influência deles, ela pensará por si mesma, conseguirá separar o certo do errado, reconhecer seus amigos e neles apoiar-se.
-Se eles não voltarem?
-Estaremos sempre esperando.
Esta é uma contribuição importante e necessária que precisaremos dar a eles e a nós próprios, pois vivendo é que aprendemos...
-Quem virá nos ajudar?
- Um nosso irmão encarnado, devotado, caridoso e que dedica boa parte de seu tempo no socorro de encarnados e muito mais dos desencarnados.
Ele veio com essa missão e a está cumprindo em sua íntegra e com dignidade.
Por isso alcança a todos.
-Por que a presença dele é importante?
- Espíritos como o de Raimundo e da Isaura estão ainda presos à Terra e à sua energia.
Por isso, a energia deles é pesada, o que faz com que tenham dificuldades em nos ver e ouvir.
Precisamos conversar com eles, mas, além da energia, eles nos conhecem como "santos" e não nos dão atenção.
É mais ou menos o que acontece quando estamos encarnados e alguém quer nos impor suas ideias a respeito de qualquer assunto, como política e religião.
Fingimos que entendemos e aceitamos, mas, na realidade, não estamos ouvindo.
Com a presença de encarnados, as energias se igualam.
Eles têm mais facilidade para ver e ouvir um encarnado.
A energia do encarnado nos ajuda na comunicação.
O encarnado transmitirá a eles tudo o que precisamos e devemos falar.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 7:06 pm

- Isso tudo é muito interessante.
Nunca pensei que fosse assim.
Quando eu era encarnado, tendo estudado medicina, sempre achei que a ciência tinha respostas para tudo, por isso, nunca me preocupei com qualquer assunto ligado à religião.
Quando alguém tentava falar comigo a esse respeito, fazia exactamente isso, fingia que ouvia, entendia e aceitava para me ver livre daquela situação que para mim era desagradável.
Mas, por tudo o que nos disse, se não houvesse esse irmão com essa energia especial, não haveria ajuda?
Vicente sorriu e olhou com carinho para Maria Eugénia, que não interferia na conversa, mas estava atenta às explicações.
Depois, voltou-se para o doutor Francisco e respondeu:
- Todo encarnado tem a mesma energia.
Alguns, como o nosso irmão que está para chegar, têm energias mais aguçadas, pois têm uma fé inabalável.
Ele aprendeu, estudou e sabe como e onde pode e deve usá-la.
Mas, mesmo aqueles que não sabem de sua existência nem de seu significado, têm energias, e, mesmo sem saber, a usam muitas vezes durante a vida terrena.
-Como assim, sem saber. Sem fé?
-Quantas vezes durante a vida, alguém está em situação de desespero por um motivo qualquer e encontra alguém que o ajude materialmente ou apenas com palavras que lhe dá novo ânimo?
Esse alguém pode não ter religião alguma, mas a simples vontade de ajudar torna a sua energia propicia para que possamos nos comunicar através dele, com esse irmão que, naquele momento, está precisando.
O doutor Francisco suspirou fundo, dizendo:
-Como o plano espiritual trabalha... quanta coisa acontece e nós, quando encarnados, não percebemos.
Vicente tornou a sorrir e, com o mesmo tom de voz, disse:
-Não imaginamos mesmo, mas o Pai nunca nos desampara, nunca nos deixa sozinhos, encarnados ou não.
-E esse irmão que vai chegar?
Ele é alguém especial?
-É sim... está caminhando pela vida com seus problemas cármicos para resgatar, por isso com muitas dificuldades terrenas, mas, mesmo assim, dedica-se ao estudo, aprimoramento e acção.
Sempre está pronto para ajudar.
Por isso, ele tem o dom da visão.
Pode nos ver e conversar.
Por isso, também, sempre que está presente, o nosso trabalho torna-se mais fácil.
- Ele deve ser uma pessoa bem sucedida, tem que ter posses para poder se dedicar!
-Ao contrário, embora hoje, ele seja uma pessoa dedicada, nem sempre foi assim.
Trouxe com ele a missão de ser o nosso intermediário, mas trouxe também os seus próprios resgates.
Tem uma vida simples, não teve estudo algum, é quase analfabeto, tem problemas familiares e financeiros.
Para que conseguisse cumprir a sua missão, foi encaminhado para trabalhar na clínica do Duarte, para iniciá-lo e este iniciar o tratamento de seus clientes e dos moradores desta casa.
A clínica do Duarte, por tratar doentes mentais, é um lugar propício para o trabalho que José tem que desempenhar.
-Por quê?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 7:06 pm

-As doenças mentais, na sua maioria, são causadas por problemas passados e espirituais.
Se conseguirmos curar esses problemas, a cura do doente será imediata.
-Sempre se consegue?
- Infelizmente, nem sempre, porém, se a doença for bem tratada, não só a do encarnado, mas, principalmente, a do desencarnado, pois ele é quem a provoca, quase sempre por desejo de vingança ou de muito amor, essa cura será mais fácil e em muitos casos não é atingida.
-Você disse que a doença pode ser causada por muito amor, como pode ser isso?
-Muitas vezes, alguém desencarna e deixa aqui pessoas ou pessoa a quem amava.
Não se conforma com essa separação, fica rondando até se colar em definitivo ao corpo dessa pessoa que, por seu lado, deve também não se conformar com a perda e fica ardentemente desejando estar ao seu lado.
Aquele que partiu, embora não queira lhe fazer mal, atende a esse chamado e, mesmo sem querer, prejudica o ser amado, pois sua energia é diferente da do encarnado.
Assim, surgem muitas doenças de difícil cura, não só mental.
Nestes casos, como em quase todos, é necessário primeiro a cura do desencarnado para depois surgir a cura do encarnado.
Aí é que entra o trabalho de encarnados assim como o José e espíritos assim como nós.
Trabalhamos e vibramos juntos, quando conseguimos que o nosso trabalho seja recompensado com a cura de ambos, encarnados e desencarnados.
Nesse momento, quase sempre exercemos aquele "pecadinho" do orgulho.
Vicente disse isso, com um sorriso maroto, continuou:
-encarnados ou desencarnados, nos sentimos orgulhosos do nosso trabalho, embora saibamos que ele só pode ter sido concluído com a ajuda de Deus.
-Está dizendo que mesmos os "santos" estão sujeitos aos mesmos erros de sentimentos dos encarnados?
Ao ouvir isso, Vicente riu gostosamente e respondeu:
-Sim, pois encarnados ou não, somos apenas espíritos caminhando para luz, e esse caminho é longo.
Sabemos que, apesar de desencarnados, continuamos gostando das mesmas coisas de que gostávamos e continuamos tendo os mesmo sentimentos, só que, agora, procuramos usá-los da maneira certa.
Por isso, quase sempre, os "santos" como os outros, têm ainda um longo caminho pela frente.
Mas o orgulho só é nocivo quando nos torna egoístas, tiranos, prepotentes etc.
O orgulho de um sonho conquistado, de um trabalho bem feito, esse temos o direito e o dever de exercê-lo.
O espírito vive de conquistas e sempre que elas são conseguidas, é motivo de orgulho, sim!
- Se pensarmos dessa maneira, você tem razão.
Muitas vezes me orgulhei de ter salvado a vida de um paciente ou de ter ajudado a outro que não tinha condições de comprar os remédios necessários para sua cura.
- Foi uma conquista sua.
Com o conhecimento adquirido na faculdade de medicina, mas também com a ajuda de Deus.
Porém, se você fosse um médico relapso, desinteressado não teria feito nada disso.
Teve mérito seu, sim, por isso, quando desencarnou, a oração dessas pessoas que você salvou ou curou ajudaram-na na passagem e iluminaram o seu caminho de volta para casa.
-Quando fiz aquelas coisas, não imaginei que o resultado seria esse.
Estou me lembrando, agora, de quantas vezes ajudei e não recebi nem um muito obrigado.
Nessas vezes, fiquei furioso, prometi que nunca mais ajudaria outras pessoas, mas sempre aparecia alguém, eu esquecia e tornava ajudar.
-É sempre assim, se quando estamos encarnados, ajudarmos a alguém, mesmo que esse alguém não nos agradeça, muita ajuda teremos de Deus para a nossa caminhada, muitas coisas ruins que pedimos para passar, quando encarnados, se afastarão e a nossa caminhada será mais fácil.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 7:06 pm

-O que está dizendo exactamente?
- Você sabe que, assim que desencarnamos e voltamos para casa do Pai, nos é mostrado tudo o que de certo e errado fizemos durante a vida.
Quando chega a hora de reencarnarmos novamente, é nos dado, através da Lei, o direito de escolha para a nova vida que vamos iniciar.
De acordo com aquilo que fizemos nas anteriores, escolhemos de que modo viveremos na próxima.
Frequentemente, exageramos nessas escolhas.
Pedimos sempre provas duras para podermos, em menos tempo, resgatar os erros passados.
Isso é feito quando estamos desencarnados e sob a protecção de amigos e instrutores.
Ao renascermos, as provações começam a surgir e, na maioria das vezes, nos revoltamos e não as aceitamos, sempre dizendo que não merecemos passar por isso ou aquilo.
Sendo assim, por mais que soframos aqui na Terra, nunca chega a ser dez por cento daquilo que nós mesmos pedimos.
- Isso é verdade, Vicente, eu mesmo já passei por isso muitas vezes.
- Não só você, Francisco, como todos nós, mas se puxar por sua memória, lembrará das muitas vezes em que foi ajudado, até por pessoas estranhas que apareceram na sua vida em um momento de necessidade, e você não agradeceu ou não teve tempo para isso, porque elas desapareceram e você nunca mais as viu.
-Realmente, algumas vezes, isso aconteceu.
Eu ainda não havia me dado conta.
- Quando ajudamos alguém sem esperarmos um agradecimento qualquer, ajudamos pelo simples motivo de poder ajudar.
Estamos sendo, para essa pessoa, um instrumento para que os espíritos amigos dela, possam ajudá-la.
Quando, lá na frente, nós precisarmos de ajuda, outra pessoa será o instrumento do plano espiritual e a ajuda, com certeza, virá.
Portanto, o melhor que temos a fazer é praticar o bem, sem olhar a quem.
-Da maneira como fala, parece que é simples, Vicente.
-Mas, tudo é muito simples, Francisco!
Nós somos quem sempre complicamos!
A Lei é justa, simples e clara!
Tudo o que fizermos de bem, reverterá em bem!
Tudo o que fizermos de mal, reverterá em mal!
Não há mistério algum!
-É simples mesmo!
-A caridade é outra coisa importante.
Nos ensinamentos de Jesus.
Ele disse:
"Sem caridade, não há salvação".
- Isso eu não acho muito justo, Vicente.
Como médico, eu tinha dinheiro e conhecimento, podia praticar caridade, mas e aqueles que não têm recursos, nem conhecimento?
Como podem praticá-la?
Para poder se dar, é necessário se ter!
- Quem disse que a caridade só é feita quando o dinheiro está envolvido?
Uma palavra na hora certa, uma presença amiga em um momento de desespero, um pensamento bom em relação a alguém que está sofrendo, tudo isso é caridade e pode ser exercida por qualquer um que tenha boa vontade.
Esse trabalho que o nosso irmão José faz é a prova disso que estou dizendo.
Ele não tem recursos, nem estudos, mas dedica muito do seu tempo só para ajudar.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 7:06 pm

Não pede pagamento algum e muitas vezes não recebe nada em troca nem sequer um muito obrigado, mas não reclama e nem desiste de continuar fazendo o bem, pois sabe que está fazendo a sua parte.
- É uma pena que, quando encarnados, não entendamos nem saibamos isso!
Se todos entendessem e soubessem, o mundo seria diferente!
Por que, ao renascermos, não temos tudo isso bem claro?
- Todos, quando crianças, vamos aprendendo e, quando adultos, sabemos distinguir o certo do errado!
Todos sempre temos a oportunidade de praticar a caridade, se não o fazemos é simplesmente por falta de vontade e, para não o fazer, inventamos mil e uma desculpas.
-Quando encarnados, deveríamos poder conversar com os espíritos, eles nos guiariam e nos diriam onde e como agir!
Vicente começou a rir novamente.
Disse:
-Se assim fosse, onde estaria a Lei?
Qual seria o mérito em se ajudar-se por trás houvesse o interesse?
Foi por isso que Jesus nos ensinou:
não deixe a sua mão esquerda saber o que a direita faz.
Exactamente para que não houvesse interesse em nossas acções.
Mas, quando encarnados, mesmo pensando que não estamos conversando ou ouvindo, estamos a todo instante recebendo mensagens do alto.
Sempre que estamos prestes a praticar o bem ou o mal, parece-nos ouvir uma voz nos dizendo, não faça isso ou faça aquilo.
Nunca estamos sós!
-Novamente, você tem razão.
Isso acontece sempre.
Deus é perfeito mesmo!
- Você tinha alguma dúvida quanto a isso?
Na sua perfeição, Ele nos quer perfeitos também, por isso, nos dá toda oportunidade.
Está sempre ao nosso lado nos dando toda a assistência de que precisamos.
Maria Eugénia, que até agora estava apenas acompanhando a conversa deles, perguntou:
-Vicente, suas explicações estão sendo valiosas.
Está nos explicando sobre o que Jesus disse, mas tem algo que é muito difícil de seguirmos quando encarnados e, as vezes, até quando desencarnados.
-Qual é a sua dúvida, Maria Eugénia?
-Amai o seu próximo!
Dê a outra face!
Você tem que convir que é muito difícil perdoarmos a quem nos faz sofrer, a quem pratica, contra nós, uma injustiça!
-Você tem razão, é difícil mesmo, porém, não impossível.
Quando descobrimos o bem que o perdão nos faz, primeiro, percebemos que não é tão difícil assim, pois muitas vezes, quase em sua maioria, enquanto odiamos, amargamos e não perdoamos.
A pessoa contra a qual mantemos todos esses sentimentos não sabe e continua vivendo a sua vida, sem sequer se lembrar da nossa existência.
Ela não se lembra de um dia ter feito algum mal ou, se lembrar, esforça-se para esquecer e, com o tempo, isso acontece.
Todavia, para a pessoa que sofreu a agressão, é muito difícil esquecer e por isso continua sofrendo.
Agindo assim, sofre-se duas vezes, uma pela injustiça recebida e outra, pelo tempo perdido guardando mágoa e rancor.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 7:07 pm

-Tem razão em tudo o que está dizendo, mas devemos convir que perdoar é difícil.
- Não estou dizendo que não seja, aliás, ele é o sentimento mais difícil de ser superado, mas nada é impossível e, quando conseguimos algo que é difícil, isso nos causa um bem infinito.
Assim que conseguimos perdoar, parece que a nossa alma fica mais leve.
O perdão não é só necessário quando encarnados, mas, muito mais, quando desencarnados, pois aí, sim, poderemos avaliar o bem que nos faz.
Agora, precisamos encerrar este assunto, pois estamos prestes a ser interrompidos.
Em outra ocasião, falaremos mais sobre isso.
Assim que terminou de falar, ouviram uma batida leve à porta do quarto.
Emília foi até ela e a abriu.
Era Leonora, perguntando:
- Dona Emília, desculpe, mas já está na hora do jantar e a mesa está posta.
Emília, ao responder, notou que Leonora esticava a cabeça para ver o que estava acontecendo dentro do quarto.
Porém, na posição em que Emília estava, ela não conseguia ver nada.
Disse:
- Estamos com um pequeno problema.
Peça para Genilda não colocar o jantar.
Quando tudo terminar, avisaremos e, se quiserem, podem jantar e recolher-se aos seus quartos.
Mais tarde, eu mesma servirei a mesa.
-Dona Emília... a dona Ester está bem?
Que está acontecendo?
-Ela está só um pouco confusa, mas logo ficará bem.
Agora, você pode se recolher.
Boa-noite.
Sem alternativa, Leonora saiu.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 7:07 pm

Renunciando ao Céu
Enquanto tudo isso acontecia na casa de Ester, Vanda desligou o telefone e foi até a porta por onde Inácio acabava de entrar.
Ao vê-la se aproximando, ele abriu os braços.
Abraçou-a e, levemente beijou seus lábios, carinhoso, disse:
-Boa-noite, meu amor!
Está tudo bem aqui em casa?
Ela correspondeu ao beijo e, abraçados, entraram em casa.
-Sim, só estava esperando por você.
Como foi o seu dia?
- Cansativo como sempre.
O meu telefone não parou.
O dia no hospital é sempre muito corrido.
Hoje fiz uma cirurgia difícil, estou preocupado com o paciente, pois ele já tem idade.
Após o jantar, voltarei ao hospital para ver como ele está, após ter passado a anestesia.
Ela, mostrando contrariedade, disse:
-Tem mesmo que voltar?
Mas acabou de chegar!
-Meu amor, após quase cinco anos de casados, você já deveria ter se acostumado com a vida de um médico...
-Eu sei, mas, por mais que tente, não consigo.
A propósito, recebeu os meus exames?
Estou ansiosa para saber o resultado.
- Recebi e os trouxe, pode ficar tranquila, não existe problema algum.
-Então, por que não consigo engravidar?
Sabe o quanto desejamos uma criança!
- Sei sim, mas, pelos resultados dos exames, não existe problema algum, nós estamos em perfeitas condições.
Acredito que seja só uma questão de tempo.
- Tem mesmo certeza de que não precisamos fazer algum tratamento?
- Claro que tenho certeza!
Se precisássemos fazer, faríamos.
Só precisamos tentar mais vezes, -disse isso com um sorriso maroto, - o que não será tão difícil assim.
Acredito que a qualquer momento seremos surpreendidos.
Ela também sorriu.
Chegaram à sala de estar.
Enquanto ele tirava o paletó e a gravata, ela disse:
- Após o jantar, eu poderia ir com você até o hospital, depois passaríamos na casa da Ester.
-Hoje? Não, meu amor! Estou cansado!
Quero jantar, passar rápido pelo hospital, ver como o meu paciente está, voltar e, em seguida, descansar.
O máximo que poderei fazer hoje, além disso, será tentar encomendar o nosso neném.
Novamente ele fez aquela expressão marota.
-Mas por que quer ir lá?
-Pensei em fazer, amanhã, um jantar de boas-vindas para a Ester, gostaria de ir até lá para convidá-los e ver o que desejam comer.
-Para isso não precisamos ir até lá.
Basta telefonar.
- Ficaria muito formal.
Sabe o quanto gosto da Ester e como sou agradecida por tudo o que ela me fez, inclusive, proporcionando a oportunidade de conhecer você.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:20 pm

-Sei de tudo isso, mas estou, mesmo, muito cansado.
Telefone para ela.
Será mais fácil.
Sabe que a nossa amizade nos permite isso.
Tenho certeza de que ela não se importará.
Agora, vou tomar o meu banho.
Beijou-a na testa e saiu em direcção ao quarto.
Vanda ficou sozinha na sala.
Percebeu que não haveria como convencê-lo, não poderia lhe contar que já havia telefonado e feito o convite.
Estava assim pensando, quando o telefone tocou.
Rápido, ela atendeu, sabia que, àquela hora da noite só poderia ser Leonora, pois Inácio não dava o número do telefone de casa para ninguém, se algum paciente quisesse falar com ele, teria de telefonar para o bipe.
Rápido, tirou o telefone do gancho.
-Alô.
-Sou eu, dona Vanda, a Leonora!
-Sei que é você!
Diga logo!
O que aconteceu?
-Não consegui descobrir!
Só sei que o doutor Duarte chegou, viu a dona Ester e saiu apressado.
Ninguém jantou aqui em casa.
A dona Emília, o doutor Ernesto e o doutor Daniel estão lá no quarto da dona Ester.
A dona Emília disse que a gente pode ir dormir e, que mais tarde, ela mesma vai servir o jantar.
Preocupada, Vanda perguntou:
-Não sabe mesmo o que está acontecendo?
-Não! Se soubesse, eu contaria para a senhora!
-Está bem, vá se deitar, mas fique por aí e, de vez em quando, vá até a cozinha beber água ou fazer qualquer coisa para ver se consegue descobrir o que está acontecendo.
-A senhora não vai vir até aqui?
-Acredito que não poderei, Inácio está muito cansado e não quer ir, mas fique atenta, qualquer coisa que descubra, me comunique!
Agora, preciso desligar.
Colocou o telefone no gancho e foi para o quarto.
Inácio estava tomando banho.
Deitou-se na cama e ficou pensando:
o que estará acontecendo?
Será que ela se lembrou de tudo?
Se isso aconteceu, deve estar muito nervosa!
Leonora estava colocando o telefone no gancho, ouviu o barulho de um carro estacionando.
Sabia ser o carro de Duarte.
Correu e abriu a porta.
Duarte estava saindo do carro e, do lado do passageiro, saía um homem desconhecido para ela.
Assim que a viu na porta, Duarte disse:
-Boa-noite, Leonora!
Onde estão todos?
-Boa-noite, doutor, estão todos no quarto da dona Ester.
Enquanto entrava, Duarte disse:
-Estou indo para lá também.
Venha, José, pode entrar.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:20 pm

Leonora perguntou:
- Doutor, o que está acontecendo com a dona Ester?
Ela está doente?
-Está, sim, mas logo ficará boa, não se preocupe.
Disse isso e foi encaminhando-se para a escada, sendo seguido por José que, enquanto o acompanhava, olhava para todos os lados.
Leonora percebeu, mas ficou calada.
Assim que eles subiram a escada, ela voltou, pegou o telefone e ligou para Vanda novamente:
Assim que ouviu o telefone, Vanda olhou para o banheiro e percebeu que Inácio ainda estava tomando banho e, pelo que conhecia dele, sabia que ainda demoraria.
Com o telefone junto aos lábios e, baixinho, disse:
-Alô! Leonora!
Que aconteceu agora?
- Não sei não, dona Vanda, mas o doutor Duarte chegou agora e trouxe com ele um homem estranho, que nunca vi antes.
Ele está com um uniforme da clínica do doutor e entrou em casa, olhando para todos os lados, parecia que estava querendo ver alguma coisa!
Ele é muito estranho!
-De uniforme?
Será um médico ou enfermeiro?
-Acho que não é não.
O uniforme é azul-marinho.
Não é branco igual ao dos médicos e enfermeiros, não!
-Quem será?
-Não sei, não...
Vanda percebeu que Inácio desligara o chuveiro, disse rápido:
-Fique atenta, daqui a umas duas horas, me telefone novamente, o Inácio vai voltar para o hospital e poderei falar com você mais tranquila.
Preste atenção, só me telefone se acontecer algo diferente.
Se não for assim, não vale a pena arriscar!
Enquanto elas conversavam, Duarte entrou no quarto de Ester.
José entrou logo em seguida.
Duarte aproximou-se de Emília, Ernesto e Daniel.
Assim que os viram, levantaram-se.
Duarte, olhando primeiro para Ester, depois para Ernesto, perguntou:
-Como ela está?
-Está dormindo desde a hora em que você saiu.
-Este é o José.
Ele está aqui para nos ajudar.
José olhou para todos e, timidamente, sorriu e disse:
-Não precisam se preocupar, ela ficará bem.
Há muitos amigos que querem ajudá-la.
Duarte olhou para ele, perguntando:
-Está vendo alguém aqui?
José olhou para Vicente e os pais de Ester.
Vicente lhe disse:
- Boa-noite, meu irmão.
Obrigado por ter vindo.
Pode dizer que está nos vendo e que, com a graça de Deus, esta noite, tudo ficará bem.
José respondeu em pensamento:
-Será com certeza...
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:20 pm

Depois, voltando-se para os outros, disse:
-Estão aqui, um senhor, uma senhora e um espírito amigo e estão, assim como nós, para ajudar essa moça.
Emília e Ernesto sorriram, porém, Daniel que estava muito preocupado com Ester e que não estava entendendo muito bem aquela conversa, perguntou:
-O que ele está dizendo?
Não tem aqui ninguém, além de nós?
Emília sorriu enquanto dizia:
-Daniel, não se preocupe com isso.
Fique atento e somente faça o que eu disser e não se assuste com nada que acontecer aqui.
- Assustar?!
Nada poderá me assustar mais do que ver Cida no estado em que está!
Acredito que deveríamos levá-la para um hospital!
Ela está precisando de tratamento médico!
Emília procurando acalmá-lo, disse:
- Ela terá todo tratamento de que precisa.
Por enquanto, apenas pense em Deus, não faça nada além disso.
Vicente sorriu, dizendo:
-José, é isso mesmo o que todos precisamos fazer.
Neste momento, será necessária muita oração.
Esperamos, através dela, conseguir a cura não só para essa moça, mas para alguns irmãos que, assim como ela, estão precisando de ajuda.
-Tudo o que depender de mim será feito.
- Sei disso, mas oriente os nossos irmãos.
Eles não precisam fazer nada, a não ser pensar em Deus e em muita luz invadindo a nós todos.
José voltou-se para os outros, dizendo:
-Não sei bem o que vai acontecer aqui, mas preciso que, com muita fé, peçam a Deus pelo bem-estar dela e imaginem que este quarto está com muita luz.
Emília e Ernesto fecharam os olhos e entraram em profunda oração.
Daniel continuou olhando para eles e para José.
Vendo que também José estava de olhos fechados, parecendo rezar, fechou os seus, pensando:
meu Deus, não sei bem o que está acontecendo aqui, mas farei qualquer coisa para ajudar a minha Cida.
Não sei muito bem como se reza, pois desde que me tornei médico, acreditei que a ciência tinha resposta para tudo, mas hoje estou com dúvidas em relação a isso, por isso, meu Deus, ajude a Cida!
Faça com que ela volte a ser tranquila como sempre foi e, de preferência, volte a ser como era a minha Cida.
Ernesto, após alguns minutos de oração, perguntou, ansioso:
-E agora?
O que faremos?
Vicente disse para José, que depois transmitiu aos demais:
- Pediremos auxílio às forças competentes para que nos ajudem a trazer de volta aqueles que durante muito tempo estiveram ao lado de Ester.
Para que o nosso trabalho seja perfeito e tenha o fim desejado, é necessária a presença deles.
O pai de Ester perguntou:
-Acredita que voltarão?
- Não sei, mas precisamos tentar.
Vamos entrar em oração novamente?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:20 pm

Entraram em oração.
Alguns minutos após, dois espíritos entraram no quarto.
Vicente, ao vê-los, disse, feliz:
- Leôncio! Durval!
Que bom que atenderam ao nosso chamado.
Sabem que preciso da ajuda de vocês para trazer até aqui a Isaura e o Raimundo.
-Olá, Vicente, sabemos que é necessária a presença deles aqui, mas sabemos também que será difícil.
Eles estão endurecidos pelo ódio e pelo desejo de vingança, porém, faremos o possível.
-Sei disso, mas para o bem deles e de Ester, é necessário que venham.
Isso já está durando muito tempo e chegou a hora de colocarmos um ponto final para que todos possam continuar a caminhada.
-Faremos o possível e o impossível, mas, diante do que aconteceu aqui hoje, talvez tenhamos dificuldades ainda maiores.
- Lamento o que aconteceu com Irene, mas vocês sempre foram amigos deles, saberão como falar.
Eles confiam em vocês, Leôncio.
-Sabe que tentaremos.
Vamos, Durval?
Durval balançou a cabeça, confirmando.
Abanaram a mão e saíram do quarto e da casa.
Lá fora, Leôncio disse:
-Durval, você sabe que temos uma missão importante, mas quase impossível.
Com Isaura, não haverá muitos problemas, ela não quer aceitar, mas, aos poucos, foi se conscientizando de que tanto ódio só está lhe fazendo mais mal do que bem.
- Também penso assim, mas você tem de convir que eles não deixam de ter razão.
Foram prejudicados na última encarnação, foram traídos e a traição é algo de difícil perdão.
- Sim, realmente, mas você, assim como eu, sabe que o ódio e o rancor não fazem bem a ninguém, muito menos a quem os sente.
Só atrasa a caminhada, tanto do encarnado como a do desencarnado.
-Sei disso, aprendi com muitas lágrimas e sofrimento... só não sei se eles aceitarão esse argumento.
-Também não sei, mas essa é a nossa missão, teremos de fazer o melhor.
- Tem razão, estamos quase chegando, vamos pedir muita ajuda do alto.
Tenhamos confiança de que, nesta hora, estamos sendo infinitamente amparados.
Confiantes continuaram a caminhada.
Em um ponto, Leôncio parou, dizendo:
- Durval, estamos nos aproximando, será conveniente que transformemos a nossa aparência, para podermos entrar no reduto deles, sem maiores problemas.
- Tem razão, agora, realmente, é que estamos iniciando a nossa missão.
Estamos já há muito tempo frequentando esse lugar e, para eles, fazemos parte da população.
Eles precisam continuar acreditando nisso para podermos falar.
Sabe, Leôncio, já estamos há tanto tempo vivendo aqui que, às vezes, chego até a pensar que realmente faço parte deste lugar.
Não é estranho?
Nos primeiros dias, foi difícil, mas, agora, já não me causa mal algum.
- Também passei por esse mesmo processo, Durval, mas, como tinha sido escolha minha, sabia que a qualquer momento poderia retornar.
Sempre que conseguimos retirar um irmão deste lugar, a felicidade que sinto me faz tão bem que até esqueço que poderia viver em um lugar melhor e com mais conforto.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:20 pm

Você sabe que caminho por estes lugares, na esperança de encontrar o meu filho, que sei, está aqui.
Ele, muito cedo, se desgarrou do caminho, entrou para o vício e acabou tirando a própria vida.
Para os encarnados, foi uma morte natural, mas ele e nós sabemos que não foi.
Cansado daquela vida, ele resolveu desertar.
Procuro há muito tempo por ele.
Sei que, a qualquer momento, a providência fará com que eu o encontre.
Enquanto isso não acontece, vou trabalhando, ajudando e sendo ajudado.
Só posso agradecer ao Pai a oportunidade que está me dando.
Com a salvação de tantos irmãos que aqui se encontram, fico tão feliz que, às vezes, me esqueço do verdadeiro motivo pelo qual eu quis vir para cá.
- Sabe, Leôncio, já estamos vivendo juntos neste lugar há tanto tempo e você nunca me contou qual foi esse motivo.
Foi por causa do seu filho que veio viver aqui?
Leôncio fechou os olhos, pareceu lembrar-se de um passado distante, depois respondeu:
- Foi por causa dele sim.
Quando ele se desviou do caminho, durante muito tempo me senti culpado por não ter podido dar a ele e aos seus irmãos, uma vida de riqueza.
Sempre achei que esse tinha sido o motivo do seu desvio.
Quando desencarnei, descobri que eu não tinha tido culpa, pois o papel dos pais é proporcionar a vida, educação e sobrevivência dos filhos.
A vida de cada um é independente, pois todos somos responsáveis por nossas acções.
Meu filho precisava nascer em um lar pobre, para que, com seu próprio esforço, alcançasse aquilo a que julgava ter direito.
Descobri, também, que dentro das minhas possibilidades de um simples trabalhador, dei a eles o melhor.
Apesar de tudo, eu havia cumprido minha missão.
Depois que um amigo me explicou tudo isso, assim que cheguei aqui após desencarnar, entendi.
E só aí consegui me conformar.
Perguntei a ele:
- Onde está, o meu filho?
-Esse meu amigo respondeu que ele estava aqui, e que se eu quisesse poderia tentar encontrá-lo e levá-lo embora, pois ele já estava vivendo aqui por muito tempo, tinha aprendido e se arrependido, só faltava reencontrar o caminho de volta.
Perguntei por que ele ainda não havia voltado.
Respondeu:
-Ele tem medo de não ser aceito, recusa-se a atender ao nosso chamado.
Tem medo de estar caindo em mais uma cilada das tantas em que já caiu.
Por isso, fica perambulando de um lado para outro, sem ter um lugar certo para ficar.
-Entendi que o único em quem ele confiaria seria em mim, pois, ao me ver, saberia que eu não estaria mentindo e, assim, eu poderia reconduzi-lo de volta.
-Por isso veio para cá?
- Sim, a minha primeira intenção foi essa, mas, com o passar do tempo, embora ainda o procure, essa deixou de ser a minha prioridade.
Sei que no momento certo eu o encontrarei.
Mas, agora, não é hora de falarmos sobre isso.
Precisamos nos concentrar no nosso trabalho.
-Tem razão.
Fecharam os olhos e entraram em profunda oração.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:21 pm

Luzes de várias cores caíam sobre eles e, em poucos segundos, estavam transformados em uma espécie de andarilhos, com as roupas sujas e rasgadas.
Entraram e caminharam por vielas escuras e lamacentas.
Podiam ouvir gritos, gemidos, lamentos, palavras de ódio e vingança.
Acostumados, pois já viviam ali há muito tempo, embora sentissem ainda desconforto, continuavam caminhando sem se deterem.
Sabiam que tinham uma missão difícil e que quase todos os dias teriam outras.
Hoje era a de Ester, Raimundo e Isaura, mas amanhã seria a de qualquer um daqueles que ali estavam.
Continuaram caminhando e chegaram a uma espécie de caverna.
Pararam por um instante, fizeram uma breve oração e entraram.
No centro da caverna, havia uma clareira, onde vários espíritos estavam sentados.
Riam muito, bebiam e fumavam charutos sem parar e pareciam felizes.
Isaura estava sentada ao lado de Raimundo.
Leôncio e Durval sabiam que, agora, o trabalho seria realmente difícil, pois ali, naquele lugar, estavam espíritos perversos que Raimundo era um dos seus "chefes".
Sabiam como ele era inteligente e, por isso, difícil de ser enganado.
Como estavam sob a Lei do livre-arbítrio não poderiam obrigá-lo a voltar para o quarto de Ester, onde sabiam que os "santos" estavam.
Raimundo era intransigente.
Uma palavra sua era considerada uma ordem.
Por outro lado, Leôncio e Durval tinham uma missão importante e tentariam realizá-la da melhor maneira possível.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:21 pm

Persuasão
Aproximaram-se.
Ao vê-los, Raimundo perguntou, raivoso:
-Por onde andaram?
Saí por alguns minutos e vocês desapareceram?
Sabem que não podem sair daqui sem a minha ordem!
Leôncio, humilde, respondeu:
- Raimundo, desculpe, mas a gente não tinha o que fazer, fomos dar umas voltas por aí para poder lhe contar como andam as coisas.
A gente sabe que você gosta de ser informado.
Raimundo esboçou um leve sorriso, dizendo:
-Ah, foi isso que foram fazer?
Como estão as coisas?
Leôncio também sorriu e respondeu:
-Sabe o que a gente viu?
A população daqui está crescendo muito!
A cada dia aumenta mais!
Parece que todos da Terra estão cada vez mais gananciosos, uns querendo enganar os outros!
O dinheiro tomou conta de todos eles e as drogas, então?
Apesar de não ter sido a gente quem as inventou, ajudamos o povo a usá-las para outras coisas!
Raimundo, soltando uma gargalhada estridente, disse:
- Você ficou admirado por tantos estarem chegando?
Pois fique sabendo que chegarão muitos mais!
Isso é muito bom, é sinal que estamos ganhando a guerra!
Também, do jeito que os "santos" estão fazendo, vão perder todos mesmo.
Leôncio fez um ar de espanto, perguntando:
-O que "os santos" estão fazendo?
Raimundo contou o que tinha acontecido entre Isaura e Irene e terminou, dizendo:
- Se eles mesmos estão querendo enganar a Lei, como podem querer salvar alguém?
Leôncio, mantendo aquele ar de cumplicidade, deu também uma estrondosa gargalhada e disse:
-Vejam só, eles estão perdendo a guerra mesmo!
Isso é muito bom!
Mostraremos para eles quem tem mais força!
-Eu sempre soube que temos mais força!
Fizeram aquilo com Isaura, porque ela é uma pamonha!
Sempre foi! Nunca soube se defender!
Você sabe o que eles queriam que ela fizesse?
-Não, o quê?
-Queriam que ela deixasse em paz e ajudasse aquela safada da Ester!
Pode uma coisa dessas?
Depois de todo o mal que nos fez?!
Essa Isaura é uma boba mesmo!
Acreditou que eles podiam obrigá-la a ficar lá ou a prenderiam para sempre!
Se eu não chego, ela estaria lá até agora!
-Se eu fosse você, ficava lá também!
- Está louco?!
Não quero nada com aqueles "santos", não, Leôncio!
- Por que não, Raimundo?!
Se você quiser, eu e o Durval vamos junto e a gente mostra para eles quem tem mais força!
Você não vai, Durval?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:21 pm

Durval, com a cara de quem não queria ir, respondeu:
-Eu não quero ir, não!
Leôncio, demonstrando surpresa, perguntou:
-Por que não, Durval?
-Eles vão ficar com aquela ladainha para a gente ficar bonzinho e ir conhecer a tal da luz, que a gente nem sabe se existe mesmo!
É tudo muito chato!
Não quero ir não!
Mas se vocês forem, claro que vou junto...
Raimundo ofereceu um charuto e bebida para os dois que aceitaram.
Enquanto fingiam que bebiam e fumavam, Raimundo, dando uma forte baforada no charuto e tomando um gole de cachaça, disse:
- Eu não quero ir!
Quero mais que a Ester enlouqueça e se mate, pois, assim, ela virá para cá e eu poderei mostrar para ela o que é sofrimento!
Leôncio, rindo muito, disse:
-É isso mesmo que tem que fazer, pois se eles convencerem a Isaura e ela ficar com eles?
Ela, do lado deles, já viu que não vai conseguir essa sua vingança contra a Ester!
A Isaura é fraca e tem medo dos "santos"!
-Tem razão, assim que eles forem embora, eu vou até lá!
-Você disse que eles estão todos lá, sabe muito bem que eles não vão embora.
Acho que se não for até lá, não vai conseguir isso não!
Por que você não quer ir?
Está com medo?
Raimundo olhou sério para Leôncio e, desconfiado, perguntou:
-Por que toda essa vontade que eu vá até lá?
Está do lado deles?
Leôncio, sem mover um músculo do rosto, também nervoso e bravo, respondeu:
- Está louco, Raimundo?
Há quanto tempo me conhece?
Sabe muito bem que sou seu amigo e só estou querendo ajudá-lo!
Não vou conversar mais sobre isso!
Você é quem tem de decidir!
Se quiser completar sua vingança, eu vou junto, mas se não quiser, para mim tanto faz!
Quem quer se vingar é você, não eu!
Começou a se levantar para ir embora.
Quando estava quase em pé, sentou-se novamente, dizendo:
-Antes de eu ir embora, quero lhe dizer mais uma coisa.
Você não disse que eles estão usando a Lei de maneira errada?
-Foi isso mesmo que fizeram!
-Então, sabe que pode usar essa mesma Lei a seu favor!
-Como?
- Pela Lei do livre-arbítrio, você tem direito à vingança.
Não foi a Ester quem mentiu e traiu?
Não foi ela a culpada de tudo o que aconteceu?
Antes de responder, Raimundo ficou pensando por um instante.
Depois, disse:
- Foi ela, sim, mas, mesmo assim, não acho bom ir até lá.
Sabe como eles trabalham, mudam sempre toda a história.
Isaura, que até agora permanecia calada, levantou-se e disse quase gritando:
-Acho que temos que voltar sim, Raimundo!
Leôncio tem razão, podemos usar a Lei a nosso favor!
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:21 pm

Foi ela, sim, quem mentiu, traiu e enganou!
Nós não tivemos culpa alguma!
Por que precisamos continuar nos escondendo?
Vamos, sim, mostrar a ela que chegou a nossa vez!
Ao ouvir aquilo, Leôncio disse:
-A Lei está do seu lado, Raimundo!
Você pode chegar lá e exigir o cumprimento dela e eles não vão poder negar!
Tem outra coisa, se você não for, os moradores daqui, que obedecem a você, vão achar que você está com medo... e isso não vai ser bom, poderão não querer mais cumprir suas ordens.
Raimundo ficou parado, pensando.
Isaura, percebendo que ele não estava querendo ir, ainda exaltada, disse:
-Raimundo! O que ele está dizendo é o certo!
A gente pode mesmo exigir isso!
Ele pensou por mais uns instantes, depois, com um sorriso debochado, disse:
- É... você tem razão!
Vamos até lá e não deixaremos nem que tentem começar a ladainha!
Vamos fazer Ester dormir e, assim que isso acontecer, a pegaremos e a traremos para cá!
Aí, poderemos fazer com ela o que quisermos, mostraremos o que é sofrimento e, quando acordar, vai estar completamente louca!
Daí a se matar vai ser só um passo e eles não poderão impedir!
Leôncio levantou-se, fez Durval e Isaura levantarem-se também e começou a dançar e a rir muito com eles.
Naquele momento, ninguém poderia imaginar que ele não fizesse parte daquele grupo.
Raimundo, admirado, gritou:
-Leôncio! Pare!
Por que está dançando dessa maneira?
Leôncio parou.
Olhando rindo para Raimundo, respondeu:
- Estou só imaginando a felicidade que a gente vai sentir quando ela estiver aqui nas nossas mãos!
A gente vai se divertir um bocado!
Raimundo, influenciado por Leôncio, também começou a dançar.
Tomou mais um gole e deu uma longa baforada no charuto.
Parou por um instante, pensou, pensou e disse:
- Leôncio, eles não conhecem você, por isso, vá até lá, dá uma passadinha, olha e, como quem não quer nada, volte para contar como estão as coisas.
Se eles perceberem que está lá ou perguntarem o que você está fazendo?
Diga que estava só passando.
Saia dali e volte depressa.
Leôncio intimamente agradecia a Deus por aquele momento e, fazendo cara de quem não queria ir, respondeu:
-Eu não quero ir, sabe muito bem que não gosto de ficar perto dos "santos" nem por um minuto.
-Eu também não gosto, mas se aparecer lá, eles não me deixarão chegar perto.
Eles não sabem que você me conhece.
Basta passar rápido e sair!
Não vão desconfiar!
Fazendo ar de contrariado, Leôncio respondeu:
- Está bem, eu vou, mas não quero ir sozinho.
O Durval pode ir junto?
-Claro que sim, nessa hora não convém andar só, é sempre bom estar acompanhado.
Quer que mais alguém acompanhe você?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:22 pm

-Não! Só o Durval está bom.
Nós vamos, mas se a gente não voltar logo, foi porque eles prenderam a gente.
Aí, você vai ter que dar um jeito de ir lá.
-Eles não vão prender vocês, porque sabem que não podem.
Não sei quem está lá, mas qualquer um que seja não vai querer cometer o mesmo erro da Irene e tomará cuidado.
Mesmo assim, se demorarem, eu irei até lá.
-Sendo assim, vou confiante.
Vamos, Durval?
Durval, também com cara contrariada, saiu acompanhando Leôncio.
Raimundo voltou a se sentar, a tomar o seu gole e a fumar o seu charuto.
Leôncio e Durval, já fora daquele vale tenebroso, retomaram a sua aparência anterior.
Estavam felizes, pois haviam conseguido o seu intento, que era o de levar Raimundo e Isaura de volta para junto de Ester.
Embora tivessem usado de artifícios, não violaram a Lei, visto que foram Raimundo e Isaura que decidiram.
Retornaram para junto de Vicente e dos demais que os esperavam ansiosos.
Assim que entraram no quarto, perceberam que Ester ainda continuava dormindo, tendo ao seu lado Daniel que, enquanto acariciava ora seu rosto ora seus cabelos, olhava com muito amor.
Emília e Ernesto também continuavam ali, assim como Duarte e José.
Vicente, ao vê-los, perguntou:
-E aí, Leôncio?
Eles virão?
Leôncio sorriu e respondeu:
-Estou quase certo que sim, se o Raimundo não mudar de ideia.
-O que aconteceu lá?
Em poucas palavras, Leôncio contou e como havia feito.
Vicente sorriu feliz, pois sabia que só a presença deles ali poderia fazer com que Ester, Raimundo e Isaura encontrassem o caminho do retorno.
Leôncio e Durval ficaram ali por um bom tempo.
Em seguida, Leôncio disse:
-Agora o Raimundo já deve estar preocupado com a nossa demora.
Acredito que dentro em pouco ele estará aqui.
Vicente, precisamos da ajuda de todos, pois o nosso trabalho ainda não foi concluído.
Vamos pensar firmemente neles e pedir ajuda.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:22 pm

A Hora da Verdade
Foi o que fizeram.
Começaram, em pensamento, a chamar por Raimundo, que não tardou muito e entrou no quarto acompanhado por Isaura e, ignorando a presença dos outros, furioso, perguntou, gritando:
-Leôncio! Durval!
Por que não voltaram?
Leôncio, demonstrando medo, respondeu:
-Eles não deixaram!
Descobriram que estávamos aqui espionando!
Disseram que nós não poderíamos sair, enquanto você não chegasse, por isso chamamos por você...
Só agora Raimundo olhou para Vicente e perguntou, raivoso?
- Com que direito fez isso?
Você também não sabe que a Lei não pode ser violada?
Tranquilo, Vicente respondeu:
-Tanto sei que por isso mesmo o fiz.
Queria a sua presença aqui.
Precisava esclarecer o episódio que aconteceu com Irene.
Precisava deixar claro que, embora ela tenha, digamos assim... esquecido a Lei, ela não a violou, somente quis lhe dar a oportunidade de rever os seus conceitos.
- Que conceitos?!
Que oportunidade?!
Estou muito bem com os meus conceitos e não quero nem preciso modificar nada!
Não venha com essa ladainha já conhecida!
Leôncio! Durval!
Vamos embora daqui!
Sem deixar de demonstrar tranquilidade, Vicente continuou:
- Raimundo, de acordo com a Lei, você não é obrigado a ficar aqui.
Poderá ir embora quando quiser, mas não sei se será bom que faça isso...
-Por quê?
Acredita que poderá fazer com que eu aceite que essa que está aí dormindo merece o meu perdão e o da Isaura?
Quer que eu fique aqui para escolher entre o bem e o mal?
É isso o que quer?
Pois está perdendo o seu tempo!
Estou muito bem da maneira que estou e não quero mudar!
Tenho o direito de exercer a Lei e vou exercê-la!
Nenhum "santo" de luz ou não vai fazer com que eu pense ao contrário.
-Não vou tentar nem de longe convencê-lo a nada... você é dono do seu destino.
Desde que aconteceu aquilo com Irene, estou pensando:
será que você não está usando esse argumento porque tem medo da verdade?
Raimundo soltou uma gargalhada estridente, depois parou, dizendo:
- Medo da verdade?
Você não deve saber do que está falando!
Conheço muito bem a verdade!
Por isso estou aqui agora, mas não se preocupe, não será por muito tempo!
Leôncio! Durval!
Vamos embora!
Não temos mais nada para fazer aqui!
Leôncio e Durval, com aquela expressão de medo no olhar, permaneceram parados.
Leôncio, percebendo que a situação era grave, disse:
-Raimundo, você sabe que não gosto deles.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:22 pm

Depois de esse aí dizer que você está com medo, não acha melhor a gente ficar, ver o que ele tem para dizer e provar para ele que não temos medo de nada?
Se a gente não fizer isso, ele vai contar para todos os outros iguais a ele que nós e principalmente você ficou com medo!
Vai que isso se espalha lá no vale!
Já pensou como vai ficar a sua autoridade?
Acho que a gente devia ficar sim e mostrar para ele que você não teme a verdade, porque sabe que ela está do seu lado!
Raimundo, novamente, parou para pensar.
Depois, olhando para Vicente, disse, raivoso:
-Está bem, vou ficar com a condição de que você não venha com aquela ladainha, nem tente convencer-me a perdoar!
Isso eu não farei!
Quando você terminar de dizer tudo o que quiser, nós iremos embora!
Você continuará do seu lado e eu do meu!
Outra coisa, se provar que estou errado, vou embora e não volto nunca mais.
Mas, se não conseguir fazer isso, eu levo essa mulher hoje mesmo comigo e você nunca mais tentará se aproximar dela!
Está de acordo?
Agora, quem parou para pensar foi Vicente.
Olhou para Ester que continuava dormindo, sem imaginar o que estava acontecendo ali.
Sem imaginar que da resposta de Vicente estava dependendo o seu futuro.
Vicente sabia que aquele momento era perigoso, mas decisivo.
Se não aceitasse, todo o trabalho feito até ali seria perdido.
Sabia que Isaura e agora Raimundo se aproximariam mais de Ester e conseguiriam dominá-la para sempre.
A decisão era difícil, mas teria que ser tomada.
Olhando firme para Raimundo, respondeu:
-Sim, estou de acordo.
Raimundo olhou para Leôncio e Durval sorrindo.
Tinha a certeza de que já havia ganhado a batalha.
Voltou-se novamente para Vicente.
- Está bem, mas, por favor, seja breve!
Não tenho muito tempo para perder.
Ainda hoje haverá uma grande festa na caverna.
Não vou convidá-lo, pois sei que não gosta de festas, só de ficar rezando...
- Tem razão, gosto de ficar rezando, acredito que você também deveria fazer isso de vez em quando.
Quanto a festas, também gosto, só que as minhas são realmente diferentes das suas, mas agora não é hora de discutirmos isso, precisamos continuar aquilo que viemos fazer:
ajudar Ester e a vocês também.
-Ajudar?! Só se for a ela!
Mas posso adiantar que será difícil, pois ela não merece perdão!
Quanto a mim, não quero nem preciso de perdão algum!
Estou muito bem!
Vicente olhou para os pais de Ester e para José que acompanharam toda aquela conversa.
Disse:
-Meus irmãos, em nossas mãos estão o futuro de todos aqui, não só o de Ester.
Vamos pedir ajuda das forças do bem.
Imediatamente, eles entraram em oração.
Raimundo, rindo muito, disse:
- Não adianta ficar pedindo ajuda!
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:22 pm

Nada poderá ajudá-los!
Essa guerra já está vencida!
- Raimundo, isso não se trata de uma guerra.
Estamos somente tentando encontrar o melhor caminho para todos.
Primeiro, farei com que Ester acorde e possa nos ver e reconhecer.
Depois, faremos o que tem de ser feito.
A um sinal de Raimundo, Leôncio e Durval aproximaram-se dele, sentaram ao seu lado e de Isaura que já estava sentada no canto do quarto.
Com ironia na voz, Raimundo disse para Vicente:
- Vamos ficar aqui, pode começar, mas, por favor, não demore muito!
Vicente estendeu a mão sobre a cabeça de Ester que, imediatamente, abriu os olhos espirituais, pois seu corpo ainda continuava adormecido.
Ao ver aquelas pessoas, aos poucos, foi reconhecendo-as.
Disse, assustada:
-Raimundo, Isaura!
Vocês não estão mortos?
O que estão fazendo aqui?
Antes que um deles respondesse, Vicente disse:
-Ester, preste atenção.
Estamos aqui para nos recordarmos de tudo o que aconteceu.
Ela, assustada, tentou voltar ao corpo, gritando:
-Não quero me recordar de nada!
Onde está o Daniel?
Quero ficar com ele!
Que lugar é este?
-Ester, fique calma.
Chegou a hora.
Agora você não vai mais poder se esconder atrás do esquecimento.
Precisa e vai lembrar-se de tudo o que aconteceu.
Estamos aqui, para tratar das duas principais Leis do Universo.
Raimundo, ao ouvir aquilo, levantou-se e, raivoso, disse:
-Espere aí!
Que outra Lei é essa de que está falando?
- De outra Lei que precisa ser evocada aqui, da Lei do amor e do perdão.
Nervoso, andando de um lado para outro, Raimundo disse:
-Não venha com essa história de perdão e amor!
Só quero tratar da Lei do livre-arbítrio!
Essa é a única que está me interessando!
-Não estou falando com você, estou falando com Ester, pois a ela interessa a Lei do amor e do perdão.
Portanto, fique calmo, prometi e não vou tentar convencê-los de nada.
Deixe-me falar com Ester.
Raimundo voltou a se sentar.
Vicente continuou:
-Ester, você se recorda do tempo em que foi filha de um fazendeiro muito rico e vivia na corte?
Ester ficou olhando para um ponto qualquer.
Respondeu:
-Sim, estou me lembrando, mas não quero!
Não quero!
- Mesmo não querendo, vai ser preciso.
Dessas suas lembranças dependem o seu futuro e a sua sanidade mental.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:22 pm

Se não fizer isso, perderá a razão, entrará para sempre no mundo dos loucos e dificilmente retornará.
Continue lembrando-se.
Diante de Ester, foi como se uma nuvem densa, aos poucos, fosse afastando-se.
Ela estava, agora, em um salão grande, iluminado.
Pensou e disse:
- Está tendo uma festa.
Eu estou com um vestido verde-claro e com um pequeno chapéu também verde, com flores pequenas e fitas.
Estou diante do espelho e sinto-me linda.
Pelo espelho, estou vendo Raimundo e Isaura... eles estão abraçados, sorrindo e aproximando-se.
É a festa do casamento deles?
Não quero mais me lembrar!
Não quero passar por tudo aquilo novamente!
Não quero sofrer mais!
Ela parou de falar, a princípio estava com os olhos arregalados, depois fechou-os, tentando esquecer aquela cena, mas Vicente, calmo, disse:
- Não adianta tentar esquecer!
Agora, precisa recordar.
Isso tudo precisa chegar ao fim, não pode mais ser adiado.
Ela, mesmo tentando, não conseguiu afastar o pensamento.
Continuou dizendo:
- Era, sim, a festa do casamento deles.
Dissimulei e consegui esconder a raiva que estava sentindo de tudo aquilo e deles.
Eu e Isaura fomos criadas praticamente juntas, ela era minha prima, filha de uma irmã de minha mãe.
Sempre fomos muito amigas, quase como irmãs.
Isso só terminou quando Raimundo apareceu em nossas vidas.
Ele era filho de um fazendeiro no Nordeste, que perdeu toda a fortuna no jogo.
Quando isso aconteceu, ele estudava medicina na França.
Sem o dinheiro do pai, foi obrigado a voltar para o Brasil.
Assim que o conhecemos, nos apaixonamos por ele.
Meu pai tinha tido muito dinheiro, mas fez alguns negócios errados e, naquele tempo, a nossa situação já não era como antes.
Raimundo, sabendo disso, aproximou-se de Isaura, ignorando-me, pois sabia que, casando-se com ela, herdaria uma fortuna imensa.
Aquilo me deixou muito triste, mas tive de aceitar.
Agora, ali, nesse dia, eles se casaram e minhas esperanças de que ele fosse só meu haviam terminado.
Naquele momento, eu estava odiando os dois.
Ester parou de falar.
De seus olhos lágrimas caíam, demonstrando todo ódio e sofrimento que sentiu naquele dia.
Raimundo levantou-se novamente.
Ainda raivoso, disse:
- Não quero e não preciso participar de tudo isso!
Eu também havia me esquecido e não tenho motivo algum para me lembrar de nada!
Quem tem que lembrar é ela!
Vicente disse calmamente:
-Raimundo, fizemos um acordo, estou cumprindo a minha parte, você tem de cumprir a sua.
Você exigiu o cumprimento da Lei.
Estamos aqui atendendo a sua exigência.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 8:23 pm

Por favor, volte a se sentar.
Sem alternativa, ele sentou-se novamente.
Vicente disse:
-Ester, continue.
Ela, com lágrimas, continuou:
- Embora eu demonstrasse felicidade por aquele casamento, no íntimo estava furiosa.
No fim da festa, que foi magnífica, e assim que eles se despediram, pois embarcariam em um navio para a lua-de-mel, retornei para minha casa.
Estava triste e com muito ódio.
Embora gostasse muito da Isaura, naquele momento eu a considerava minha inimiga.
Eles ficaram viajando por um mês.
Durante esse tempo, sofri e chorei muito, pois para mim o mundo havia terminado.
Muitas vezes pensei até em suicídio.
Eles chegaram, porém não tive coragem de ir visitá-los.
Por volta de quinze dias após retornarem, Isaura veio em minha casa.
Eu, como fazia ultimamente, estava dormindo.
Perguntou para minha mãe o que havia acontecido, ela não soube responder, pois também não sabia e não entendia o que estava acontecendo comigo.
Para me confortar, Isaura disse que ofereceria um jantar em sua casa.
Disse que era para eu ir, pois dali para frente teria que oferecer jantares para convidados e precisava praticar.
Além disso, queria que eu fosse para mostrar as compras que havia feito durante a viagem e o presente que havia escolhido para mim.
Ester parou de falar e, novamente, ficou com os olhos perdidos.
Raimundo levantou-se, continuava nervoso e parecia que, agora, muito mais.
Disse:
- Vou embora, não quero me lembrar de nada disso!
Não tenho que ficar aqui!
Fazendo um sinal para os outros que o acompanhavam, gritou:
-Vamos embora!
Já estou cansado de tudo isso!
Vicente, calmo, disse:
- Raimundo, você não pode ir agora, fizemos um acordo.
Esqueceu?
Ele sabia que, quando um acordo era feito, precisava ser cumprido.
Voltou a sentar-se.
Vicente, não alterando o rosto, disse:
-Continue, Ester.
Ela continuou:
- Assim que acordei, minha mãe transmitiu o recado de Isaura.
A princípio eu não queria aceitar, pois temia que, ao ver Raimundo, não conseguiria mais controlar o meu desespero.
Fiquei com medo de deixar transparecer todo o amor que estava sentindo e, assim, estragar uma amizade de tantos anos.
Mas, diante da insistência de minha mãe, aceitei.
Como presente de casamento, seu pai havia lhes dado uma mansão e uma carruagem.
No dia em que o jantar seria realizado, Isaura mandou que a carruagem fosse até a minha casa, pois, assim, eu não teria desculpas.
Com o coração apertado, fui para lá.
Assim que cheguei, ela, feliz, começou a contar como havia sido a viagem e a lua-de-mel.
Cada palavra fazia com que eu sofresse mais e, por conseguinte, também a odiasse mais.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

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