Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 26, 2017 8:06 pm

Quando viu que eu estava com dificuldades, não teve dúvida, não pensou por um minuto.
Seguiu o impulso e me trouxe para cá.
O que, por mais que eu viva, não conseguirei agradecer.
- Ela, além de ser impulsiva, também sempre foi muito boa de coração.
Enquanto elas conversavam, Daniel as observava e pensava:
por que será que Ester fugiu?
Aqui, parece que todos a querem bem e não lhe fariam mal.
Por que ela não confiou no nosso amor e não me contou tudo do que se lembrou?
Não sei, mas com certeza ela explicará.
A hora chegou.
Eles despediram-se de Emília e partiram com os corações cheios de esperança.
O ônibus parou, as pessoas começaram a descer.
Ester estava cansada, viajou a noite toda, sabia que ainda faltava muito para chegar a Carimã, imaginava a cara que Neco e Jurema fariam quando ela lhes contasse o que havia acontecido:
não tenho muito dinheiro, preciso controlar, mas estou com fome, tomarei um café com pão e manteiga.
Na hora do almoço, comerei algo mais substancioso.
Foi isso o que fez.
Voltou para o ônibus.
O dia estava lindo, o sol brilhava, ela foi olhando a paisagem.
Passava por cidades muito pobres.
Pensava:
nunca imaginei que poderiam existir pessoas que vivessem dessa maneira, nesse estado de pobreza.
Ao relembrar a minha vida desde criança, sei que sempre fui feliz.
Meu pai, embora sozinho, nos criou com muito carinho.
Emília, Jandira e Messias nos deram também muito amor.
E a amizade que existiu entre mim, Ernesto e o Inácio no tempo em que frequentávamos a escola, mais tarde a faculdade.
No dia da nossa formatura quando nos tornamos médicos.
Os três, juntos, realizamos um sonho.
A amizade que nos unia era imensa.
Ao se lembrar daquele tempo, seus olhos encheram-se de lágrimas, pensou:
porque tive de trazer a Vanda para casa?
Nunca pensei que ela pudesse fazer aquilo comigo.
Logo eu, que a recolhi em um momento de desespero.
Agora, o que farei?
Não sei, talvez Jurema possa me orientar, logo ela, que nasceu e foi criada em um ambiente tão pobre como aquele.
Logo ela que não teve nada na vida, mas que tem a bondade estampada em seu rosto.
Não resta dúvida, o único lugar em que me sentirei protegida será ao lado deles.
Não entendo nada da vida.
Depois de recordar o meu passado, de saber quem fui e quem sou, de uma coisa tenho certeza, não sou hoje a mesma que fui ontem.
Conheci um mundo e pessoas jamais imaginados.
Descobri que, além de toda a riqueza e conforto em que sempre vivi, existe um mundo totalmente diferente, de pobreza e sofrimento.
Será que Deus existe?
Na ciência, sempre encontrei todas as respostas, por isso me era difícil encontrar Deus.
Se Ele existe mesmo, por que me escolheu para ser rica com tanto conforto e a estes, para serem pobres, vivendo na mais profunda miséria?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 26, 2017 8:06 pm

Não sei as respostas, mas elas devem existir.
E Daniel? Ah, o Daniel, ele foi uma luz que surgiu na minha vida em um momento em que eu estava na escuridão.
Eu o amava, sem saber se algum dia havia amado alguém.
Hoje, tenho certeza de que o amo muito mais, mas não podemos continuar juntos.
Ele quer ter seu consultório, fazer a sua especialização, eu, só quero continuar em Carimã e exercer a minha profissão para aquelas pessoas tão necessitadas.
Quero viver ali, naquele pedaço de chão esquecido por todos.
Com o meu conhecimento, posso ajudar a muitas pessoas.
Nunca mais voltarei para casa.
Descobri que lá não é o meu lugar.
Ficou o tempo todo pensando no que fazer com a sua vida dali para frente.
Agora, que sabia quem era, sentia-se mais perdida do que nunca.
Sua esperança estava toda voltada para Jurema e Neco.
O ônibus parou novamente, era a hora do almoço.
Ela, acompanhando as pessoas, foi até o restaurante, olhou o que havia para comer.
Escolheu um prato barato, comeu com vontade.
Havia saído de São Paulo, às onze horas da noite, agora era meio-dia.
Havia viajado mais de doze horas, faltavam ainda mais de vinte horas para chegar.
Estava cansada, seu corpo doía pela incómoda posição no banco do ônibus, mas a esperança de encontrar um pouco de tranquilidade fazia com que ficasse mais calma.
Naquele mesmo momento, Daniel e os outros estavam a bordo do avião.
Em pouco tempo chegariam a Salvador.
Já haviam combinado que, assim que chegassem ao aeroporto, alugariam um carro e, à noitinha, chegariam à cidade.
Daniel disse:
- Como sabem, na cidade não existe hotel.
Não sei se a casa em que eu morava ainda está vazia.
Mesmo que esteja, ela é pequena, não poderá nos abrigar.
Iremos para a casa do prefeito, meu amigo, ou para a casa do Dorival, tio do Neco.
Com certeza, ele nos acolherá.
Vocês não terão o mesmo conforto que estão acostumados, mas lhes garanto que serão muito bem recebidos.
Amanhã, bem cedo, iremos até o sítio do Neco.
- Vanda, eu e o Ernesto conhecemos o Dorival e sua esposa, Laurinda.
Posso lhe garantir que eles são pessoas muito boas.
Você gostará deles assim como gostamos, não é Ernesto?
-É sim, são pessoas adoráveis.
Vanda não prestava atenção na conversa, pensava:
está chegando o momento mais difícil da minha vida.
Não sei o que eles farão ao saberem da verdade.
Talvez eu perca a amizade de todos e o amor do Inácio, mas não existe outra maneira, a hora chegou e dela não há como escapar.
Chegaram ao aeroporto.
Alugaram um carro, Daniel foi dirigindo, Ernesto sentado ao seu lado, Inácio e Vanda, no banco de trás.
Iam comentando a paisagem.
Assim que saíram dos arredores da cidade, a paisagem se transformou em um imenso horizonte desabitado.
De vez em quando, via-se uma pequena casa aqui outra ali.
Ernesto comentou:
-O Brasil tem ainda tanta terra para ser explorada e usada.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 26, 2017 8:06 pm

Muito alimento poderia ser plantado aqui.
-Sim, Ernesto, tem muita terra, mas como está, será difícil plantar.
Aqui, a seca castiga.
Para isso, seria necessário irrigação.
Precisaria de muito dinheiro.
E dinheiro para atender a este lado do Brasil é difícil.
- Eu sabia que o Nordeste era pobre, Daniel, mas nunca imaginei o quanto.
Sempre ouvi falar da seca, da pobreza, mas só vim conhecer realmente quando aqui estive.
Quando viemos aqui pela primeira vez, me assustei com o que vi.
Este pedaço de terra nem parece pertencer ao mesmo Brasil do Sul.
Lá, podemos nos considerar de primeiro mundo, enquanto que aqui o quinto seria pouco.
Será que um dia teremos igualdade em todos os recantos do Brasil?
Ninguém respondeu àquela pergunta de Inácio.
Vanda não respondeu, mas pensou:
não me admiro do que estou vendo, já conhecia.
Nasci e me criei em um lugar como este.
Tive uma infância pobre e, assim que alcancei uma idade para poder viajar, fui embora para o Sul.
Sofri muita humilhação e necessidade, mas consegui vencer.
Hoje, sou esposa de um médico famoso.
Vivo em relativa riqueza.
Estou feliz, tanto que até me esqueci das minhas origens.
Precisava voltar para relembrar.
Aliás, eu não precisava voltar, nem relembrar!
Entretanto, talvez eu perca tudo o que consegui.
É bom que reveja tudo isto e me acostume com a ideia de ter de voltar a viver aqui.
Eram mais de seis horas quando chegaram a cidade.
Entraram na rua principal.
O comércio estava fechado e só alguns bares continuavam abertos, onde as pessoas bebiam e conversavam alegremente.
Dos vários alto-falantes presos nos postes de luz, ouvia-se uma música alegre.
Daniel parou o carro em frente a sua casa.
Bateu à porta. Não obteve resposta.
Colocou a chave na fechadura, entrou.
Voltou após alguns minutos, dizendo:
-Parece que esta casa ainda continua sendo minha.
Está da maneira como deixei.
Há ainda algumas coisas minhas, mas só tem um quarto, não há como abrigá-los.
Iremos para a casa do Dorival.
Deixou o carro parado em frente à sua casa e caminharam, sob o olhar curioso dos moradores da rua e daqueles que estavam nos bares.
Pararam em frente à casa de Dorival.
Daniel bateu à porta.
Laurinda a abriu e, assim que o viu, disse admirada:
-Doutor! O senhor aqui?
- Sou eu sim, dona Laurinda!
Estes são os meus amigos que a senhora já conhece, e esta é a dona Vanda, esposa do doutor Inácio.
Laurinda olhou para todos e perguntou, assustada:
-E a Cida? Onde ela está?
-É por causa dela que estamos aqui.
A senhora poderia nos receber por uma noite?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 26, 2017 8:06 pm

Se nos deixar entrar, lhe contaremos o motivo da nossa vinda.
-Claro, doutor, pode entrar.
A casa é simples, mas tem lugar para todo mundo.
Afastou-se para eles entrarem e gritou:
-Dorival!
Olha quem está aqui!
Dorival, que estava sentado no sofá da sala, assistindo à televisão, levantou-se e, ao vê-los, disse também assustado:
- Doutor! Que bons ventos trazem o senhor aqui?
E a Cida, onde está?
Aconteceu alguma coisa com ela?
Por que não está com o senhor?
- É esse o motivo de estarmos aqui, é uma longa história, mas vamos lhes contar.
Dorival cumprimentou a todos e os convidou para sentar.
- Doutor, não comece a contar ainda, sei que devem estar com fome, vou dizer para a Deusa aumentar a comida.
-A senhora não precisa se incomodar, dona Laurinda, comeremos alguma coisa por aí.
Laurinda, Daniel e Dorival riram ao ouvir Inácio dizer aquilo.
-O doutor não conhece mesmo a nossa cidade.
Aqui não tem lugar decente para se comer, não.
O máximo que o senhor vai encontrar são pedaços de carne seca no molho, que o povo come com farinha.
A gente sabe que isso não é comida do povo do Sul, não.
A comida já está pronta, é só aumentar o feijão e o arroz, a Deusa vai no terreiro, pega uma galinha e o senhor vai ver que nunca comeu uma comida igual à dela.
Inácio sorriu diante da espontaneidade de como ela falou, embora só o tivesse visto da outra vez, parecia já o conhecer há muito tempo.
Laurinda saiu, foi até a cozinha, conversou com Deusa e voltou.
Sentou-se ao lado de Dorival.
Olhando para Daniel, disse:
- Pronto, doutor, a comida logo vai ficar pronta.
Agora o senhor pode contar para gente, por que está aqui e onde está a Cida.
Ele contou tudo o que havia acontecido, desde que chegaram à casa de Ester.
Terminou, dizendo:
- Não sabemos o porquê de ela ter fugido daquela maneira.
Só sabemos que ela recuperou a memória e sabe tudo o que aconteceu naquela noite em que foi espancada.
Acredito que ela saiba quem mandou fazer aquilo, ficou com medo e o único lugar para onde poderia ter vindo seria aqui, onde se sente segura.
- Deus do céu, Dorival!
Onde está aquela menina?
A Jurema vai endoidar quando souber disso!
Doutor, foi por isso que a gente não queria que ela fosse embora, a gente tinha medo, não sabia quem tinha feito aquilo com ela.
E agora?
Se ela não vier para cá?
-Não fala isso, mulher!
Claro que ela vem para cá, para onde iria?
Ela só conhece a gente e sabe que a gente gosta muito dela!
-Sei que só há uma empresa de ônibus que vem de São Paulo para cá.
Ontem me informei, eles disseram que só sai um ônibus por dia.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 26, 2017 8:07 pm

Ela deve ter tomado esse ônibus que sai às onze horas, portanto, deve chegar aqui amanhã, antes da hora do almoço.
Amanhã, bem cedo, vou me informar a que horas o ônibus chega e ficarei esperando no ponto final.
-Daniel, nós também iremos!
- Não! Vocês ficarão esperando aqui!
Não quero que ela os veja.
Quero que pense que só eu estou aqui.
Sabe que a amo e que não lhe faria mal.
- É isso mesmo, doutor.
Amanhã vou acordar bem cedo e irei até o sítio trazer a Jurema e o Neco.
Eles precisam saber o que está acontecendo.
Preciso fazer isso, antes das oito horas, quando tenho que abrir a loja.
Assim que a Cida chegar, deixo o Chico cuidando da loja e venho aqui para saber de toda essa história.
Uma coisa eu falo:
se ela não quiser, ninguém vai levá-la à força não!
Ela é para nós, como se fosse nossa sobrinha, igual ao Neco e à Jurema!
-Está bem, o senhor tem razão, não existe lugar melhor no mundo para ela ficar.
Mas se ela assim o desejar, ficarei com ela.
O jantar ficou pronto. Jantaram.
Daniel foi para sua casa.
Laurinda acomodou Vanda e Inácio em um dos quartos, Ernesto ficou no outro.
Em sua casa, Daniel ficou relembrando dos momentos que passou com Ester, desde que a conheceu.
Seu coração chegava a doer de saudades e preocupação.
Ernesto também não entendia o porquê de ela haver fugido daquela maneira.
Inácio e Vanda conversavam.
-Vanda, por que será que ela fugiu?
-Não sei, mas a Jandira e o Messias não estão aqui na cidade?
-Sim, eles estão em férias.
-Então, é melhor também que estejam aqui quando ela chegar.
-Por que está dizendo isso?
Sabe de alguma coisa?
-Isso não importa, é preciso que estejam aqui.
-Sinto que sabe de alguma coisa, Vanda!
Não vai contar?
- Não sei até onde Ester relembrou, mas se foi de tudo, será bom que eles estejam aqui.
-Está me deixando preocupado!
O que você sabe?
- Não quero, nem posso lhe dizer agora, mas sei, sim, de muita coisa, porém só falarei na presença dela.
- Por que está agindo assim?
Sou seu marido!
Sabe que a amo muito!
- Sei disso, mas amanhã, quando souber de toda a história, talvez não me ame mais nem vá querer mais ser meu marido.
-Você está envolvida no que aconteceu naquela noite?
- Não posso nem quero falar sobre isso.
Amanhã, tudo será esclarecido e você tomará a decisão que julgar acertada.
O que decidir, eu acatarei.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:34 pm

-Vanda, pelo amor de Deus!
O que você fez para dizer isso?
Conte, por favor!
Preciso saber para estar preparado!
Amo você e não quero perdê-la!
Seja o que for que tenha feito, saberei compreender!
Mas preciso saber o que você fez.
Vanda, chorando, disse:
-Não posso, não neste momento...
-Não entendo!
Por que não pode ser neste momento?
-Não sei até onde Ester sabe o que aconteceu.
Preciso deixar que ela fale primeiro, aí, só aí, poderei dizer o que sei, antes disso, não!
-Está me deixando cada vez mais nervoso e curioso!
Preciso saber agora!
Ele disse isso nervoso, mas sem gritar.
Não queria que Laurinda ou Dorival soubessem o que estava acontecendo.
Vanda, chorando, virou de costas para ele e fechou os olhos.
Ele a sacudiu dizendo:
- Não faça assim, Vanda!
Nunca escondemos nada um do outro!
Sempre confiamos!
Não adianta fingir que quer dormir, sei que não conseguirá, assim como eu também não!
Precisamos conversar!
Preciso saber da verdade!
Prometo que entenderei!
Eu amo você!
-Também amo você e se fiz o que fiz, foi para não perdê-lo, mas sinto que isso será inevitável.
Por favor, meu amor, espere até amanhã.
Inácio percebeu que seria inútil continuar.
Conhecia-a muito bem, sabia que quando ela decidia alguma coisa, estava decidido.
Virou-se na cama e tentou dormir, mas não conseguiu por um bom tempo.
Depois, cansado da viagem, adormeceu.
Ernesto também pensava:
por mais que pense, não consigo entender o motivo da sua fuga.
Se ela descobriu o que aconteceu, sabe que não estou envolvido, por que não me contou?
Por que não confiou?
Meu Deus, por favor, faça com que ela venha para cá, pois se ela não estiver naquele ônibus amanhã, não sei o que farei...
Ficou relembrando de toda a vida em que viveram juntos e em como sempre se deram bem como irmãos e no ciúme que sentia dela, sempre que um garoto se aproximava.
Quantas vezes ele, quando crianças, a protegeu.
Tentou evitar, mas não conseguiu impedir que uma lágrima caísse de seus olhos.
Depois, sem perceber, também cansado, adormeceu.
Inácio acordou com o barulho de passos e sussurros, olhou para o relógio, faltavam quinze minutos para as cinco horas da manhã.
Olhou para Vanda, que fingia dormir, levantou-se, saiu do quarto.
Assim que ele saiu, Vanda sentou-se na cama.
Estava com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.
Sabia que a hora estava chegando, pois se Ester havia se recordado de tudo, não teria como evitar.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:35 pm

Sabia que o seu casamento e a vida feliz que levava ao lado de Inácio estavam por um fio.
Inácio, sem saber que ela pensava tudo isso, foi até a cozinha.
Encontrou Laurinda e Dorival que conversavam.
-Laurinda, preciso ir agora até o sítio do Neco.
Eles precisam saber o que está acontecendo, não sei, mas não confio nessa gente.
Acho que a Cida fugiu porque se sentiu ameaçada e ficou com medo.
Você não acha?
-Não sei o que pensar, mas acho que você tem razão.
Se não fosse isso, por que ela fugiu?
Inácio ouviu-os conversando, fingiu não ter ouvido.
Não sabia qual era o envolvimento de Vanda em toda aquela história, porém sabia que, de alguma maneira, ela estava envolvida.
Amava a mulher, mas sentia que se descobrisse que ela, de alguma maneira, fora a causadora do sofrimento de Ester, não poderia perdoar.
Ele a amava, mas também amava Ester e Ernesto como se fossem seus irmãos.
Pensando isso, entrou na cozinha.
-Bom-dia! Acordaram cedo?
Dorival e Laurinda olharam-se, não sabiam desde quando ele estava ali e não sabiam se ele ouvira a conversa.
Dorival arriscou:
-Bom-dia, doutor, faz tempo que o senhor está aí?
-Não, acabei de chegar, ouvi passos, vim ver o que está acontecendo.
É muito cedo ainda.
Laurinda, respirando aliviada, disse:
-Sente aí doutor, estou terminando de passar o café.
Dorival completou:
- É isso mesmo, doutor, tome café com a gente.
Não está acontecendo nada, como preciso abrir a loja as oito horas, estou indo agora para a casa do Neco, contar para eles o que está acontecendo com a Cida e ver se eles querem vir para cá.
Preciso estar de volta antes das oito horas.
-Quer que eu vá junto?
Laurinda ofereceu um copo de café para cada um deles Dorival, enquanto tomava o café, respondeu:
- Não precisa, o senhor está cansado e a sua mulher não vai ficar feliz aqui sem o senhor.
Ela parece ser uma moça fina e não deve estar acostumada com uma cidade como esta.
-Aí é que o senhor se engana, ela nasceu aqui no Nordeste, conhece muito bem.
Eles se admiraram Laurinda disse:
- Ela nasceu aqui?
Não parece mesmo, também ela é tão calada.
Não participou da nossa conversa.
-Ela não é calada, fala até demais, só que é muito amiga da Ester e, assim como todos nós, está preocupada com ela.
-A Cida é um amor de pessoa, a gente gosta muito dela.
Se ela vier mesmo para cá e não quiser mais voltar para o Sul, pode ficar aqui.
A gente vai cuidar muito bem dela!
-Ela precisa voltar, ela é médica, temos um hospital, precisamos da presença dela e o seu irmão não vai permitir que fique aqui.
-Doutor, o senhor vai me desculpar, mas quando o senhor entrou aqui, eu estava falando para Laurinda, que se a Cida se lembrou do passado e fugiu, foi porque ficou com medo e descobriu quem fez aquilo com ela e só pode ter sido um de vocês, se não fosse assim, não teria fugido, não é mesmo?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:35 pm

Antes de responder, Inácio lembrou-se da atitude de Vanda na noite anterior.
Apenas disse:
-Não sei por que ela fugiu, mas de uma coisa tenho certeza, ela não tem nada a temer, eu e o irmão dela a amamos e a protegeremos contra tudo e contra todos.
- Só quando ela chegar, se chegar, e contar tudo o que lembrou é que a gente vai saber o que fazer.
Dorival colocou a xícara de café sobre a mesa, dizendo:
-Estou indo.
Doutor, volte para a cama e você também, Laurinda.
Ainda é muito cedo.
Laurinda fez um sinal com a cabeça, ele se despediu de Inácio e saiu.
Assim que ficaram a sós, Inácio perguntou:
-A senhora sabe onde o Messias e a Jandira estão hospedados?
Ela, rindo, respondeu:
-Doutor, o senhor não viu o tamanho da cidade?
Aqui todo mundo se conhece.
Eles estão no sítio do Tonico, o pai do Messias.
Por que está perguntando?
-Preciso conversar com eles, acredito que, quando a Ester chegar, será bom que eles estejam aqui.
- É, o senhor tem razão, eles a conhecem, desde criança.
Ela vai ficar mais segura.
Não se preocupe, assim que o Dorival voltar com o Neco e a Jurema, peço a ele mandar o Chico lá no sítio do Tonico.
Ele vai de cavalo, chega num instante.
Agora, doutor, o Dorival tem razão.
É muito cedo ainda para ficarmos acordados, vamos dormir mais um pouco?
-Vá a senhora, vou ficar mais um pouco e tomar outra xícara de café.
-Está bem, pode ficar a vontade, ainda estou com sono.
Dizendo isso, saiu da cozinha.
Inácio pegou mais um pouco de café e ficou pensando:
o que será que a Vanda fez?
Por que não quis contar?
Deve ter sido muito grave.
Mas, hoje, se a Ester chegar, tudo vai ser esclarecido.
Agora vou sair um pouco e andar pela cidade.
Foi o que fez, terminou de tomar o café e saiu.
Ainda não havia amanhecido, olhou de um lado e de outro, viu que Dorival saia com o jipe, de um portão grande que havia ao lado da loja.
Viu também Daniel que se aproximava de Dorival, foi até ele.
Chegou junto deles, no mesmo instante em que Daniel chegava e dizia para Dorival:
-Bom-dia, o senhor vai sair tão cedo?
- Bom-dia, doutor estou indo no sítio do Neco.
Preciso contar o que está acontecendo e trazê-los, antes das oito, quando preciso abrir a loja.
O senhor também acordou cedo?
-É bom que faça isso, eu não acordei cedo, quase não dormi.
Estou indo até a rodoviária para saber a que horas o ônibus de São Paulo chega.
Quero estar lá, quando a Ester chegar.
-O senhor está certo que ela vem para cá?
-É a nossa única esperança.
Se ela não vier, não sei o que faremos.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:35 pm

Inácio se aproximou.
Olhando para Daniel, disse:
-Bom-dia, Daniel, também acordou cedo?
-Bom-dia, Inácio, na realidade, quase não dormi.
-Também tive uma noite complicada.
Estou ainda sem sono.
-Estou indo para a rodoviária, não quer vir comigo?
-Quero sim.
Dorival acelerou o jipe.
-Até mais, preciso ir logo.
Abanou a mão e saiu.
Daniel e Inácio seguiram em direcção da pequena rodoviária que ficava na rua de trás.
No caminho, foram conversando.
-Daniel, será que ela vem mesmo para cá?
- Espero que sim, estou tão ansioso que quase não consegui dormir.
-Também estou ansioso.
Inácio estava aflito, desde a conversa que tivera com Vanda.
Pensou um pouco, depois disse:
-Daniel, preciso lhe contar algo que conversei ontem à noite com a Vanda.
Não sei se deveria contar, mas, desde então, estou muito nervoso.
Daniel percebeu a aflição no rosto dele.
Assustado, perguntou:
-Sobre o que conversaram?
Parece que está preocupado mesmo!
-Não sei o que vai pensar ou dizer, mas preciso contar, temos que ficar preparados.
Contou tudo o que havia conversado com Vanda.
Terminou dizendo:
- Creio que se a Ester vier para cá, tudo será explicado, mas caso ela não venha, a Vanda terá que nos contar tudo o que sabe.
Estou com medo de ter que terminar o meu casamento.
Eu a amo muito.
- Fique calmo, fez bem em me contar.
Só precisamos esperar que a Ester chegue.
Chegaram à rodoviária.
Obtiveram a informação de que o ônibus chegaria por volta das nove horas da manhã.
Voltaram, foram para a casa de Daniel.
Inácio não queria estar na casa de Dorival na hora em que Vanda acordasse.
Dorival chegou ao sítio.
Neco estava do lado de fora da casa tomando café.
Jurema estava dentro da casa trocando Rafael que acabara de acordar.
Assim que ouviu o barulho de jipe chegando, saiu, assustada, da casa, pois seu tio nunca havia chegado tão cedo.
Sabia que alguma coisa havia acontecido, provavelmente com a tia.
Neco, também preocupado, foi até onde o tio estacionou o jipe.
Dorival estava descendo.
Neco percebeu que ele sorria, o que o tranquilizou.
Jurema também chegou.
Ao perceber preocupação no rosto deles, Dorival disse:
- Bom-dia! Não precisam se assustar, não aconteceu nada de grave!
Jurema não acreditou no que ele estava dizendo.
Aflita, disse:
-Bom-dia, tio, mas se não aconteceu nada grave o que traz o senhor tão cedo?
Aconteceu alguma coisa com a tia?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:35 pm

Ela está precisando da minha ajuda?
- Já disse que não aconteceu nada.
Fique calma, precisamos conversar.
Você não quer me dar um pouco de café?
-Dou sim, vou pegar.
O senhor quer entrar ou sentar aqui fora?
-Vamos ficar aqui fora e aproveitar esse ar fresco da manhã.
- Está bem, vai se sentando aí nesse banquinho.
Neco, enquanto eu vou pegar o Rafael lá no berço, você pega café para o tio e para nós também.
Os dois entraram e logo retornaram, Jurema com o menino no colo e Neco, com três copos de café.
Sentaram-se nos banquinhos.
Dorival, percebendo que ambos estavam aflitos, disse:
- Aconteceu algo sim, mas não é ruim.
A Cida recuperou a memória.
Jurema e Neco levantaram-se juntos.
Jurema disse:
-Tio! Que boa notícia!
Mas como ficou sabendo?
-É por isso que estou aqui.
Vou contar o que aconteceu ontem e o que está acontecendo hoje.
-Conte logo, tio!
Estou curiosa e aflita!
Se o senhor veio aqui logo cedo, não foi para nos contar que ela se lembrou do passado.
Aconteceu mais alguma coisa.
O que foi que aconteceu?
Dorival contou tudo.
- Estou preocupado por ela ter fugido.
Se ela fez isso, foi porque descobriu que alguém daquela casa é o inimigo que mandou fazer aquela maldade com ela.
Por isso vim aqui para ver se vocês querem ir à cidade, e esperar que ela chegue.
Jurema levantou-se e, enquanto entrava na casa, disse:
-Claro que a gente quer!
Vou lá dentro arrumar as coisas do Rafael e a gente vai agora mesmo!
- Só vou pegar o cavalo e atrelar na carroça.
A gente vai mesmo!
Imagina se a gente vai deixá-la sozinha numa hora dessa.
- Neco, não precisa atrelar o cavalo, a gente vai de jipe, depois o Chico traz vocês de volta.
A carroça vai nos atrasar, preciso abrir a loja às oito horas.
-Está bem, se o senhor achar melhor, a gente faz isso.
-É melhor sim.
Jurema retornou, trazendo o menino e uma sacola com as roupas dele.
Entraram no carro e partiram em direcção à cidade.
Ernesto acordou, olhou para o seu relógio de pulso.
Eram sete horas e quinze minutos.
Levantou-se, abriu a porta do quarto, a casa estava em silêncio, julgou que só ele estivesse acordado, mas sentiu o cheiro de café e foi para a cozinha.
Assim que entrou, viu Deusa, que estava preparando a mesa do café.
Ao vê-lo disse:
-Bom-dia, doutor.
Se quiser, pode se sentar.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:35 pm

O café já está pronto.
Eu, antes de vir para cá, passei na padaria e comprei pão fresquinho, está ainda quente.
-Obrigado, mas antes gostaria de tomar um banho.
Aqui faz muito calor.
-Pode ir, vou pegar uma toalha.
-Obrigado, mas onde estão as outras pessoas?
- A dona Laurinda está lá fora no quintal, disse que precisava pensar.
Quando ela está assim, gosta de ficar sentada embaixo do pé de limão.
Dos outros eu não sei, mas devem estar dormindo.
Vou dizer a ela que o senhor já levantou.
Ele sorriu e saiu em direcção do quarto.
Pegou a roupa que ia vestir.
Quando saiu, Deusa já o estava esperando com a toalha na mão.
Ele entrou no banheiro que ficava no fundo do corredor.
Ao entrar, pensou:
este banheiro é bem diferente do meu, mas o banho será bom da mesma maneira.
Terminou de tomar banho, vestiu-se e saiu indo em direcção a cozinha.
Laurinda já estava esperando por ele.
- Bom-dia, dona Laurinda.
Parece que o café está muito bom, ao menos o cheiro está óptimo.
-Não sei se o senhor vai gostar.
Aqui a gente faz café fraco, mas se misturar com o leite, vai ficar bom.
- Estou com vontade, sei que vou gostar.
Os outros já se levantaram?
-O doutor Inácio levantou bem cedo, quando o Dorival estava saindo para ir ao sítio do Neco.
Ainda não tinha nem clareado o dia.
Depois que o Dorival saiu, ele disse que não estava com sono e que ia dar umas voltas pela cidade.
Não voltou até agora.
Ele deve estar lá na casa do doutor Daniel.
-E a Vanda?
-Ainda não levantou.
- Estranho, o Inácio acordar cedo, ele sempre foi o que teve mais dificuldade para acordar pela manhã.
-Acho que ele está preocupado com a sua irmã.
- Também estou preocupado, tive dificuldade para dormir, mas peguei no sono só acordei agora.
Assim que terminar de tomar o café, vou até a casa do Daniel para ver se ele está lá.
Foi o que fez, tomou o café e saiu.
Estava preocupado e ansioso para que o ônibus chegasse.
Rezava e pedia a Deus que Ester viesse nele.
Estava chegando à casa de Daniel quando viu que eles saíam dela.
Disse, admirado:
-Bom-dia!
Para onde estão indo?
Daniel respondeu:
- Para o sítio do Tonico.
É lá que o Messias e a Jandira estão hospedados.
O Inácio acredita que será bom que estejam presentes quando a Ester chegar.
-Talvez seja mesmo.
Vou com vocês.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:36 pm

-Venha, precisamos ir logo, para estarmos na rodoviária antes de o ônibus chegar.
Entraram no carro que haviam alugado, seguiram para o sítio.
Daniel, por conhecer o caminho, foi dirigindo, Ernesto sentou-se ao seu lado e Inácio no banco de trás.
Ele estava aflito, sabia que, de alguma maneira, Vanda estava envolvida com o acontecido, por isso estava dividido entre o amor que sentia por ela e a amizade que tinha por Ernesto e Ester.
Não sabia se devia contar ao amigo o que Vanda lhe dissera.
Daniel percebeu a aflição dele.
- Inácio, você, como todos nós, está aflito, mas também, como todos nós, precisa esperar Ester chegar.
Só ela poderá nos contar o que aconteceu.
Inácio entendeu o que ele quis lhe dizer e sorriu agradecido.
Chegaram ao sítio.
A porteira estava fechada.
Ernesto saiu do carro e a abriu.
Messias estava no quintal e se admirou quando os viu chegando e foi encontrá-los.
Assim que Daniel estacionou o carro e começaram a descer, ele disse:
- Bom-dia! Eu não sabia que tinham voltado!
Mas o que os traz aqui tão cedo?
Todos responderam ao bom-dia, mas foi Ernesto quem respondeu:
-Precisamos conversar.
A Jandira? Já se levantou?
-Não, ela ainda está deitada, mas já acordou.
Está lendo um livro.
Do que se trata?
Aconteceu alguma coisa com a dona Ester?
-Aconteceu, sim.
Por isso, voltamos.
-Vamos entrar.
Não reparem, a casa é pobre, mas é acolhedora.
Entraram. Jandira também ouviu o barulho do carro.
Levantou-se e foi para a sala.
Chegou no momento em que eles entravam.
Ao vê-los, admirou-se:
-Bom-dia! Que aconteceu?
Por que estão aqui a essa hora?
Ernesto respondeu:
- A Ester recuperou a memória, não sabemos o porquê, mas ela fugiu, não temos certeza, mas estamos desejando que ela venha para cá.
Jandira empalideceu e precisou se sentar.
Perguntou:
-Ela recuperou a memória?
Lembrou tudo?
-Parece que sim, mas por que está tão assustada?
- Não estou assustada, só surpresa.
Acham mesmo que ela está vindo para cá?
-Acreditamos que sim, pois não existe outro lugar a que ela poderia querer voltar.
Aqui, sabe que tem amigos e por isso estará protegida.
-Protegida do quê ou de quem?
Ela contou alguma coisa?
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:36 pm

-Não, mas para ela ter fugido, deduzimos que ela descobriu quem tramou contra ela e quis vir se esconder aqui novamente.
Jandira tremia muito, embora tentasse, não conseguia esconder o medo estampado em seu rosto.
Com voz trémula, perguntou:
-A Vanda veio com vocês?
-Veio sim, mas por que está perguntando isso?
-Por nada, por nada...
- Viemos aqui, porque achamos que seria bom vocês estarem presentes quando ela chegar e nos contar do que se lembrou.
Ernesto falava, mas por não ter conhecimento do que Daniel e Inácio sabiam, não notou o medo estampado no rosto de Jandira.
Inácio e Daniel notaram, olharam-se, porém não ficaram calados, mas tinham certeza de que ela também estava envolvida.
Messias se apressou e apressou Jandira para que fossem com eles.
Ele gostava muito daquelas três pessoas que havia conhecido desde crianças.
Acompanhou o crescimento deles, ficou feliz, quando os três se tornaram médicos.
O que mais queria, naquele momento, era que ficassem bem.
Principalmente Ester, por estar passando por tudo aquilo.
Daniel olhou para o seu relógio, disse:
-Vamos nos apressar, quero estar na rodoviária antes de o ônibus chegar.
A princípio, Jandira não queria ir, mas diante da insistência deles, não teve como recusar.
Entraram no carro.
Ela, em silêncio, pensou:
seja tudo o que Deus quiser.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:36 pm

Longa Espera
O ônibus parou.
Daniel, Jurema e Neco estavam ansiosos olhando os passageiros descerem.
Acharam melhor que os outros não estivessem na rodoviária.
Ernesto e Inácio não queriam nem que Jurema e Neco fossem, mas eles ficaram bravos.
Jurema disse nervosa e furiosa:
-Doutor, o senhor vai me desculpar, sei que é um homem estudado, a gente é ignorante, mas gostamos muito da Cida e, se ela está vindo para cá, vem porque sabe que a gente gosta dela!
O senhor eu não sei, não...
Ernesto também ficou nervoso e alterado.
- O que a senhora está dizendo?
Sou irmão dela!
Nunca lhe faria mal!
- O senhor pode ser irmão dela, mas se ela fugiu depois de ter lembrado o passado, foi porque não confiou em ninguém, nem mesmo no senhor.
A gente vai esperá-la na rodoviária!
Não vai mesmo, Neco?
Neco, que, assim como ela, não confiava naquelas pessoas, também nervoso, respondeu:
-Claro que a gente vai e se ela voltar, a gente vai estar lá!
Daniel, vendo que a conversa estava tomando um rumo perigoso, disse, sorrindo:
- Não acho bom ficarmos brigando.
Se ela vier, é porque está buscando encontrar paz e é isso que vamos lhe proporcionar.
Ernesto, creio que eles têm razão.
Será melhor que estejam lá.
Para evitar maiores problemas, Ernesto concordou.
Eles não tiravam os olhos dos passageiros que desciam.
Assim que ela surgiu na porta, Jurema gritou:
-Cida! Você veio mesmo?
Ester parou à porta, sem coragem de descer os degraus.
Olhou e os viu ali.
Sentiu vontade de voltar para o ônibus, mas pôde perceber a angústia que existia em cada olhar.
Viu Jurema e Neco que corriam para ela.
Sentiu-se segura, desceu e os abraçou chorando e dizendo:
-Eu só tinha este lugar para onde voltar...
- Este lugar é seu!
A gente estava cheio de preocupação!
Não é mesmo, Neco?
Neco, também abraçando Ester; respondeu:
-É sim, Jurema...
É sim...
Sem que soubessem, Ernesto e Inácio estavam escondidos em uma esquina e viram quando ela desceu do ônibus.
Assim que a viu, Ernesto não se conteve, chorava por, finalmente, ver a irmã, agora sabedora de tudo e aproximou-se também.
Ela, ao vê-lo e também chorando, abriu os braços.
Abraçaram-se muito, enquanto ela dizia:
- Perdão, meu irmão, por ter lhe dado mais esse trabalho, mas fiquei assustada com tudo que relembrei, precisava ficar só para reflectir e saber o que fazer com a minha vida daqui para frente.
Daniel, que estava ao lado, pôde ouvir o que ela disse.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:36 pm

Falou:
-O seu futuro será ao meu lado.
Estamos juntos e ficaremos para sempre.
O que passou, passou.
Hoje é o que importa.
Você está aqui, nunca mais vamos nos separar.
Ela se afastou de Ernesto e abraçou-o e beijou-o.
Não conseguia parar de chorar e não conseguiu dizer uma única palavra.
Depois, olhou para Inácio que também a olhava com os olhos cheios de lágrimas.
Ela se aproximou, dizendo:
-Meu amigo, você é quase meu irmão, sei que para você também fui motivo de preocupação.
Preciso contar tudo o que aconteceu naquela noite, mas para isso precisamos voltar para casa, preciso que Vanda e a Leonora estejam presentes.
Inácio, confirmando as suspeitas de que Vanda de alguma maneira estava envolvida, disse:
- Ester, não sei o que a Vanda fez contra você, mas, acredite, eu não sabia de nada.
Assim que você nos contar o que aconteceu, terei de tomar uma decisão.
E a tomarei, nem que para isso eu sofra muito.
Ela beijou-o, carinhosa, na testa e no rosto, dizendo:
- Não se preocupe, depois de tudo que passei, aprendi que, no final, tudo dá sempre certo.
Deixem-me descansar por um dia, amanhã retornaremos para casa.
- Não vai ser preciso, a Vanda está aqui.
Só quem não está e a Leonora, mas, se quiser, telefonarei para a Emília e ela virá.
Ester se surpreendeu:
-A Vanda está aqui?
-Sim, veio comigo, com o Ernesto e com o Daniel.
Ela, tímida, sorriu e disse:
- Então, já que estão todos aqui, não precisamos mais adiar os esclarecimentos.
Jurema, Neco, vocês ficarão ao meu lado quando eu contar tudo que relembrei?
-Claro que a gente vai ficar!
Não é mesmo, Neco?
-Claro que sim Jurema!
Claro que sim!
Neco pegou a pequena maleta que Ester havia trazido.
Seguiram andando.
A distância era curta, por isso foram caminhando.
Foram conversando, perguntando como tinha sido a viagem de Ester.
Nenhum deles queria falar sobre a sua fuga.
Dorival, desde que abriu a loja, deu algumas ordens, mas ficou quase o tempo todo na porta, olhando para o lado em que eles deveriam aparecer.
Assim que os viu dobrando a esquina, correu para encontrá-los.
Ignorando os outros, abraçou Ester, dizendo:
- Minha filha! Que bom que veio para cá!
A gente ficou quase louco na dúvida se você vinha mesmo!
Ela também o abraçou muito.
- Obrigada, tio, e desculpe por toda preocupação.
Prometo que nunca mais vou fugir...
-Espero que sim, mesmo porque, sabe que não tem motivo.
Aqui, junto com a gente, tem toda a protecção de que precisa.
-Sei disso e agradeço.
-Não tem o que agradecer, mas não conte nada, antes de eu chegar.
A Laurinda está preparando almoço para nós.
Vou dar algumas ordens para o Chico e vou para casa.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:37 pm

Quero saber tudo o que aconteceu, contado por você mesma.
- Não se preocupe, tio, vou esperar.
Mesmo porque estou muito cansada, a viagem foi longa e cansativa.
Antes de conversar, preciso tomar um banho.
Olhe como estou toda empoeirada!
- Está bem, pode ir, sabe que lá em casa tem um chuveiro muito bom.
Continuaram andando, ela de braço dado com Jurema e Daniel.
Quando Laurinda abriu a porta e a viu, gritou e, abraçando disse:
-Cida! Você veio mesmo?
Que bom, minha filha.
A gente sentiu muito a sua falta, mas vamos entrar.
A comida está quase pronta!
Ester também abraçou-a e sentiu-se a pessoa mais feliz do mundo por ter conhecido aquelas pessoas.
- Estou feliz por estar de volta.
Também senti a falta de vocês.
Jurema, onde está o Rafael?
- Ele está dormindo no quarto da tia, mas já está na hora de ele acordar.
Vem comigo, vou lhe mostrar.
Ele está lindo!
-Vou, sim, quero ver como o meu menino está.
Assim que entraram, Ester viu Messias e Jandira.
Ele disse:
-Dona Ester, minha menina!
Que bom que chegou, melhor ainda, por ter se lembrado de quem era e agora sabe quem sou, não sabe?
Ela o abraçou dizendo:
- Claro que sei, só não consigo entender como fui me esquecer de pessoas maravilhosas como todos vocês.
Como vai, Jandira?
Fez essa pergunta, por detrás do ombro de Messias que a abraçava.
Jandira estava atrás deles.
Nervosa, respondeu:
- Na medida do possível estou bem, mas você sim parece muito bem.
Ela soltou-se de Messias, colocou-se diante de Jandira e, sorrindo, disse:
- Sim, apesar de tudo, estou muito bem.
Essa viagem que fiz me deu muito tempo para pensar sobre tudo o que aconteceu.
Depois que eu contar tudo, comunicarei a decisão que tomei.
-Você se lembrou de tudo mesmo?
-Sim, de todos os detalhes.
Temos muito para conversar, não é?
O Inácio me disse que a Vanda estava aqui!
Onde ela está?
-Estou aqui.
Vanda apareceu na porta do corredor que dava para os quartos.
Continuou:
-Estou aqui e ansiosa para que você chegasse.
Finalmente, poderá nos esclarecer o que aconteceu naquela noite.
-Preciso esclarecer e obter algumas respostas, talvez você possa me ajudar...
Inácio olhou para Vanda que olhou para ele, branca como um papel.
Sem dizer nada, saiu pela porta que dava para a rua.
Ele não quis ir atrás dela, percebeu que aquilo que mais temia havia acontecido mesmo.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:37 pm

Ela fizera parte da trama, ela fora uma das responsáveis pelo desaparecimento de Ester.
Assim que Vanda saiu, Jandira foi atrás dela.
Quando chegou à rua, viu que ela caminhava em direcção da igreja.
Gritou:
-Vanda! Espere!
Vanda voltou-se e esperou.
Jandira se aproximou, perguntando?
-Para onde está indo?
-Não sei, não conheço nada por aqui, mas ali na frente tem a torre de uma igreja, vou até lá para pensar um pouco.
- Vou caminhar com você.
Pare de chorar, agora não tem mais jeito, vamos ter de contar tudo.
- Sei disso, por isso estou desesperada.
Sinto que o Inácio não vai me perdoar.
Meu casamento está se destruindo e eu não posso fazer nada.
Você sabe o quanto amo Inácio.
-Você não teve culpa, só fez o que eu mandei.
A princípio, nem queria!
- Sei que não, mas concordei e até ajudei.
Ele não vai me perdoar...
-Por que está dizendo isso?
Sabe que ele ama você de verdade!
-Ele me amava, mas assim que souber de tudo, provavelmente não me amará mais.
Eu devia ter confiado nele e lhe contado tudo.
Não viu que nem veio atrás de mim?
Ele já tomou a decisão de me deixar.
Só está esperando Ester contar tudo para fazer isso...
- Talvez ela não conte tudo!
Talvez ela deixe de contar a nossa participação.
Nós nem sabemos se ela na realidade sabe o que aconteceu!
Ela pode ter dúvidas, mas certeza nunca poderá ter.
Por isso fique calma.
Agindo assim, da maneira como está agindo, é que levantará suspeitas.
Vamos esperar para ver o que ela vai contar.
Se precisar, daremos a nossa versão, até lá precisamos manter a calma.
-Não sei, mas, às vezes, sinto que deveria ter contado para o Inácio, ele saberia o que fazer e as coisas não chegariam aonde chegaram.
- Não sabe o que está dizendo!
Mesmo que tivéssemos contado, o que poderia ter sido feito?
Sabe muito bem como aqueles bandidos eram perigosos!
Se Inácio, Ernesto ou o Messias soubessem o que havia acontecido, com certeza chamariam a polícia.
Obrigariam Leonora a dizer quem eram eles e onde estavam.
Mesmo que fossem presos, outros comparsas seus viriam atrás de nós, poderiam nos fazer mal ou a qualquer um deles.
Não podíamos fazer nada!
Estávamos de mãos atadas!
- Foi isso o que você e a Leonora disseram, mas quando ela nos contou que eles haviam sido mortos por outros bandidos de outra quadrilha, poderíamos ter contado.
-Isso aconteceu poucos dias antes de a Ester voltar.
Ela estava sem memória, para que relembrar o que havia se passado?
Ela estava bem!
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:37 pm

Não havia lhe acontecido nada!
Não sabíamos se ela ia recordar.
Por isso, assim que a encontramos aqui, lhe telefonei e disse para que não dissesse nada e fingisse não saber que ela havia aparecido.
- Quando me disse que ela estava de volta, foi o que fiz, fingi que não sabia, apesar de você ter contado.
-Então, está tudo bem.
Vamos esperar que ela conte e, se for preciso, contaremos o que sabemos, mas se ela não nos envolver, ficaremos caladas.
Ela está bem, não lhe aconteceu nada.
Continuará vivendo a sua vida e nós a nossa.
Se não houver outra maneira, contaremos tudo e seja o que Deus quiser.
-Está bem, vamos rezar?
Entraram na igreja, ajoelharam-se e começaram a rezar.
Enquanto isso, na casa de Laurinda, Ester, depois de ver Rafael e brincar um pouco com ele, foi tomar banho.
Assim que terminou, foi para a sala, onde os outros estavam sentados e conversando.
Assim que Ester entrou, Laurinda disse:
- Cida, a gente sabe que você precisa contar o que lembrou, mas vou ter que ajudar a Deusa com a comida e o Dorival mandou me avisar que não vai poder sair da loja agora.
Estava falando para os moços aqui, que você também está cansada, por isso é melhor se deitar um pouco, tentar descansar, depois do almoço a gente vai ter a tarde toda para conversar.
O que acha?
Ela pensou um pouco e respondeu:
-A senhora tem razão.
Estou realmente cansada.
Depois do banho, fiquei mais cansada ainda.
Vou me deitar e depois do almoço conversaremos.
Vai ser uma conversa difícil e precisaremos de muito tempo.
-Faça isso, minha filha.
Não se preocupe, quando a comida estiver pronta, a Jurema vai acordá-la.
Jurema sorriu acenando com a cabeça.
Ester foi para o quarto onde Ernesto havia dormido.
Estava nervosa, teria de revelar o que havia descoberto.
Sabia que seria realmente difícil.
Olhou para a cama e se deitou.
Embora estivesse preocupada e aflita, o cansaço do corpo foi maior.
Adormeceu.
Ela dormia profundamente, quando Jurema se aproximou.
Com carinho, tocou em seu ombro.
Disse baixinho:
-Cida, a comida está pronta.
Já pode se levantar.
Ester, que estava deitada de lado, se virou dizendo:
- Está bem, já vou me levantar.
Nossa, Jurema, dormi tanto que todo o meu cansaço parece que foi embora.
- Isso é muito bom.
Sabe que vai ter uma tarde muito difícil.
A gente está curiosa, com vontade de saber de tudo de que você se lembrou.
Ainda bem que não se esqueceu da gente!
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:37 pm

Ester sentou-se na cama e disse, rindo:
- Como eu poderia me esquecer de vocês?
São as pessoas mais maravilhosas que conheci em toda a minha vida!
Hoje, posso dizer isso de verdade, pois me lembrei dela, quase desde que nasci.
Eu adoro vocês.
-A gente também a adora, mas está na hora de se levantar.
Quer vestir alguma roupa especial?
-Quero, sim.
Não peguei muita roupa quando saí apressada, mas fiz questão de trazer um vestido azul.
-Por quê?
- Quando o Neco me encontrou, eu estava vestida com um azul, não estava?
-Estava sim, mas o que tem a ver?
- Quero vestir um igual, ao menos na cor, para me lembrar bem daquela noite e não esquecer nada.
Jurema abriu a maleta que estava no chão perto da cama e tirou o vestido azul.
Com ele na mão, disse:
-Este é mais bonito que o outro, mas a cor é a mesma.
-Acho que foi por isso que, quando o vi em cima da cama, me recordei daquela noite.
-Se a gente soubesse disso antes, você ia andar com o vestido azul todo o tempo.
-Não sei, mas acho que não era a hora.
Não sei por que, mas acho que a hora é esta.
-É mesmo, a gente não sabe nada da vida, não é mesmo?
A vida da gente vai de um jeito, de repente muda tudo.
Ester levantou-se, beijou o rosto de Jurema.
- É isso mesmo.
A gente não sabe nada da vida... você me ajuda a me vestir?
-Claro que ajudo.
Em poucos minutos, Ester estava vestida e Jurema escovava seus cabelos.
Quando ela ficou pronta, Jurema a olhou de cima a baixo e, rindo, disse:
- Galega! Como você é bonita!
Vestida assim, ficou mais bonita ainda!
Vamos, o doutor vai ama-la mais ainda.
Saíram abraçadas e foram para a cozinha, onde todos já estavam sentados, em redor da mesa.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 7:37 pm

Difícil Decisão
Almoçaram.
Em seguida foram para a sala de visitas.
Sentaram-se nos sofás, Ester colocou-se em uma posição de onde poderia ver a todos, que a olhavam sem esconder a imensa curiosidade que sentiam.
Assim que todos se acomodaram, ela começou a falar.
-Ao ver o vestido azul sobre a cama, recordei-me daquela noite e de tudo o que havia acontecido antes dela.
Olhou para Vanda e Jandira, depois para os outros, continuou:
-O que vou lhes contar vai ser difícil, pois eu mesma não consigo acreditar que tenha acontecido.
Eu, Ernesto e o Inácio nos dávamos muito bem.
Éramos como irmãos, até que, um dia, sabendo que Vanda estava em uma situação difícil, levei-a para morar em nossa casa.
No princípio, tudo correu bem, mas ela foi se envolvendo com Inácio, a ponto de um dia ele me confessar o seu amor por ela.
Fiquei revoltada, pois, só naquele momento, percebi que o amava.
Na realidade, eu, sem perceber, sempre o amara.
Não tive coragem para lhe confessar o meu amor, mas tentei fazer com que ele mudasse de ideia.
Foi em vão, eles se casaram.
-Nunca soube disso!
- Eu sei, Inácio, que nunca soube, e jamais saberia se aquilo não tivesse acontecido.
No dia do casamento, fiz o possível para me mostrar feliz, mas, na realidade, sentia um ódio profundo por aquela mulher a quem eu havia ajudado, e recolhido e que me pagava com uma traição.
-Eu também nunca soube que você o amava!
-Também sei disso, Vanda.
Hoje, entendo a sua atitude, mas, na época, para mim, você não passava de uma aproveitadora, que só estava interessada no dinheiro dele, quer dizer, no nosso.
Tudo ficou pior quando papai morreu, fiquei mais revoltada ainda.
Ester estava emocionada, tinha dificuldade para falar.
Precisava parar.
Todos se entreolhavam, espantados com aquilo que estavam ouvindo.
Ela continuou:
-A minha revolta foi maior, quando percebi que, além de ter ficado com o homem que eu amava, ficaria também com parte da herança do meu pai, pois ele o e pai de Inácio eram sócios no hospital.
Eu precisava impedir que aquilo acontecesse, mas não sabia como, até que, um dia, ao entrar na cozinha, Leonora estava vendo um programa de televisão, desses que só falam de crimes.
Ela estava chorando, perguntei:
-Leonora!
Por que está chorando?
-Ela, enxugando as lágrimas, respondeu:
-Estou vendo na televisão que um amigo meu de infância foi morto pela polícia.
Não sei como ele se tornou um bandido.
Crescemos juntos...
-Não dei muita atenção.
Aquilo não tinha nada a ver com a minha realidade.
Eu tinha dinheiro, o que, para mim, naquela época, era tudo o que alguém precisava para ser feliz.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:00 pm

Fui para o meu quarto.
Lá, deitada, ruminando o meu ódio, fiquei pensando em uma maneira de me vingar.
Não sei por que me lembrei de Leonora e do que havia acontecido com o seu amigo.
Fui até a cozinha novamente.
Ela estava lavando a louça do jantar, eu disse:
-Leonora, venha até o meu quarto, preciso falar com você.
-Agora não posso, dona Ester, estou terminando de lavar a louça e, se a dona Emília vir que não terminei, ela vai brigar comigo.
- A contragosto eu disse:
- Está bem, assim que terminar, venha, o assunto que tenho para conversar com você é grave.
-Notei que ela ficou apavorada, pois eu sabia que, algumas vezes, ela pegava escondido uma de minhas roupas para sair.
Isso não me incomodava, pois eu tinha muitas e, assim que descobria que ela havia pegado, alguns dias depois eu as dava para ela.
Meia hora depois, ela, nervosa, entrou em meu quarto.
Eu estava deitada na cama.
Assim que ela entrou, puxei o travesseiro, sentei e me encostei sobre ele.
Olhei bem firme para ela e disse:
-Leonora, o que vamos conversar deve ficar só entre nós duas.
É um assunto muito grave, por isso, não pode ser comentado com ninguém e, se fizer o que vou lhe pedir, será muito bem recompensada.
Além de lhe dar uma quantidade de dinheiro, que você nunca imaginou ter em sua vida, lhe darei roupas, muitas roupas, não só as que você escolher no meu guarda-roupa, mas outras que escolher em alguma loja...
-Eu sabia que ela gostava das roupas que eu vestia.
Sabia também que era ambiciosa.
Já imaginava qual seria a resposta e não foi outra.
-A senhora precisa me dizer que assunto é esse, e prometo que não conto nada para ninguém.
- Está bem, vou dizer.
Você falou que o rapaz que morreu era seu amigo, quero saber se conhece outros bandidos como ele.
-Ela arregalou os olhos, dizendo:
- Conheço uma porção, mas para que a senhora quer saber?
- Quero que você entre em contacto com algum deles e diga que preciso que me faça um serviço.
- Que espécie de serviço?
-Por enquanto isso não tem importância.
Fale com ele e, se aceitar, marcaremos um encontro, a í direi que serviço é esse.
-Está bem, vou falar com um que conheço e que também é meu amigo de infância.
Assim como esse que morreu hoje, também se desviou e virou bandido, faz parte de uma quadrilha muito perigosa.
Ester parou de falar, tomou um pouco de água que havia em uma jarra sobre a mesinha de centro.
Os demais não estavam acreditando naquilo que ela dizia.
Daniel quis interrompê-la, mas ela, com as mãos, fez um sinal dizendo que não e continuou:
-Preciso contar tudo, pois, se hoje quero recomeçar a minha vida, não podem mais existir mentiras.
Depois do tempo em que vivi aqui e conheci as pessoas que conheço hoje, não sou a mesma pessoa de antes.
Todo esse tempo serviu para me ensinar que o dinheiro pode ser bom, mas pode também corromper a nós e aos outros.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:00 pm

Três dias depois, quando eu voltava do hospital, ela me disse:
-Dona Ester, eu já falei com aquela pessoa que a senhora pediu.
Ele ficou interessado e disse que a senhora pode marcar o encontro para quando quiser.
Sorri, dizendo:
-Venha até meu quarto.
-Ela me atendeu prontamente.
Já no quarto, eu disse:
- Não posso encontrá-lo em lugar algum.
Vou lhe dizer o que quero que ele faça.
Diga-lhe e, depois, me conte se ele aceitou.
Diga que pagarei muito bem.
-Está bem, o que a senhora quer que eu diga?
-Diga que preciso que ele desapareça com alguém e que pagarei o que ele quiser.
Ernesto, ao ouvir aquilo, não suportou mais.
Inácio olhou para Vanda que chorava sem parar.
Ernesto, gritando, disse:
-Ester! Está nos dizendo que encomendou a morte de alguém?
Da Vanda?
Ela, pálida, respondeu com a voz firme:
-Foi isso mesmo o que fiz.
Leonora se tornou uma visita constante em meu quarto.
Mandei-a dizer para ele que nós quatro iríamos para Salvador, dei a data em que chegaríamos e a que retornaríamos e o nome do hotel em que ficaríamos.
Eu só não sabia o número do quarto, por isso, naquele dia em que eu e você, Ernesto, saímos, e que a Vanda e o Inácio foram para outro lugar, eu disse que ia ligar para a Emília, menti.
Liguei para Leonora e confirmei o número dos quartos em que estávamos.
Passei todo o meu plano para ela, que transmitia a ele.
Embora ela dormisse em casa, fiz com que inventasse para Emília que sua mãe estava doente, por isso, ela precisaria ir para casa todos os dias.
Ela ia, levava os meus recados e trazia os dele.
Ele mandou me dizer que não poderia fazer o serviço sozinho, que precisava ir para Salvador com um companheiro.
Concordei. Além do dinheiro combinado, dei uma quantia para que pudessem viajar de avião e se hospedarem em um hotel perto daquele em que ficaríamos.
Para que não houvesse confusão, eu disse que era loura e estaria vestida com um vestido azul e que Vanda era morena, que às oito e meia daquele sábado, ela estaria andando pelo corredor.
Escolhi um quarto que ficava junto ao elevador de serviço, por onde as malas dos hóspedes eram levadas pelos mensageiros até a garagem.
Às oito e meia, eles deveriam pegar a Vanda e, com um algodão embebido em éter, deveriam levá-la dali e darem um fim nela.
Perguntaram se era para matá-la, eu respondi que queria que ela desaparecesse da minha vida.
Jurema, assustada, disse:
- Cida, pelo amor de Deus, diga que está brincando, que nada disso é verdade!
Essa não é a Cida que a gente conhece!
Não é mesmo, não é Neco?
-Isso mesmo, Jurema!
Essa é outra!
Eu não conheço essa não!
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:01 pm

Inácio, também estupefacto, não conseguiu dizer nada, apenas levantou-se, e sentou-se perto de Vanda, abraçando-a com força, como se a quisesse proteger de toda aquela maldade.
Ernesto olhava para Ester, com os olhos cheios de água, não conseguia acreditar que a sua irmã querida havia planeado e executado um crime como aquele.
A emoção era tanta, o desapontamento era tanto, que ele não conseguiu dizer uma palavra.
Ester, ignorando o que Jurema disse, continuou falando, esforçando-se para manter certa firmeza na voz:
-Ernesto, sei que está desiludido com tudo o que estou contando, sei que não esperava por isso, mas preciso continuar.
Havia combinado com ele que, naquela noite, às oito e meia, Vanda estaria andando no corredor.
Quando você foi ao meu quarto para irmos jantar, eu, de propósito, estava atrasada e lhe disse para descer com o Inácio e pedir para a Vanda me esperar, pois eu tinha um presente para dar a ela.
Você se lembra disso?
Sem poder responder, ele apenas acenou a cabeça.
Ester continuou:
-A minha intenção era fazer com que ela só saísse do quarto às oito e meia.
Nós sairíamos juntas, eu a mostraria para eles, que a levariam, e eu desceria e lhes perguntaria onde ela estava.
Quando eram oito e vinte e cinco, saí do meu quarto e fui até o dela, mas ela não estava lá.
Procurei no banheiro, em todo o lugar, mas não a encontrei.
Assim que saí, senti um cheiro forte e desmaiei.
Mais tarde, fui espancada por eles dois.
Em vão, tentei dizer que estavam enganados, que haviam pegado a pessoa errada, porém, não acreditaram e me bateram muito, até me deixarem desacordada.
Acredito que houve alguma falha nas informações trocadas entre Leonora e os bandidos... o resto vocês já sabem, só acordei no momento em que o Neco me encontrou.
Ela se calou, eles entreolharam-se e nenhum deles sabia o que dizer.
Inácio, parecendo se lembrar de algo, disse:
-Vanda, você sabia que tudo aquilo ia acontecer?
Por isso, naquela tarde pediu para ir ao cabeleireiro, tingiu seu cabelo de louro e comprou um vestido azul?
Vanda olhou para Jandira, que disse:
- Acho que devemos contar tudo.
Queríamos evitar que você, Ester, ficasse mal diante da sua família e de seus amigos.
Por isso, nos calamos, mas sempre soubemos o que havia acontecido naquela noite.
A nossa intenção era que, estando as duas de azul e sendo louras, eles não saberiam qual de vocês deveriam sequestrar e desistissem.
Quando você desapareceu, desconfiamos do que havia acontecido, mas fomos obrigadas a nos calar, com medo dos bandidos, que ameaçaram a nós, ao Ernesto, ao Inácio e até a você, Messias.
Quando eu e o Messias a encontramos aqui, nesta cidade perdida no fim do mundo, e ao ver que estava sem memória, telefonei para Vanda dizendo-lhe que, já que você não se lembrava e estava bem, não deveríamos contar nada.
Você voltaria a sua vida normal, se casaria e tudo ficaria bem.
Quero que saiba que sofri muito com a sua atitude, pois a criei desde pequena.
Você e o Ernesto são os filhos que nunca tivemos, mas eu não podia deixar você cometer uma maldade como aquela.
Gostei da Vanda desde que ela chegou em casa, muito mais por saber o quanto ela gostava de você e era agradecida por tudo o que tinha feito por ela.
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:01 pm

Inácio perguntou para Jandira:
-Como vocês ficaram sabendo de tudo isso?
- Em uma manhã, eu estava passando pelo corredor.
Ouvi Ester e Leonora conversando.
Eu já estava intrigada há algum tempo, pois Ester nunca foi de dar muita atenção para os empregados.
Parei atrás da porta e fiquei ouvindo o que elas conversavam.
Ester estava dando os últimos detalhes para Leonora.
Horrorizada, percebi o que estava acontecendo, conversei com a Vanda dizendo que iria descobrir tudo.
Naquele mesmo dia, chamei Leonora no meu quarto.
Ela foi achando que precisava de alguma arrumação.
Assim que chegou, eu lhe disse:
-Leonora, sei do plano da Ester para desaparecer com a Vanda, quero que me conte como e onde vai ser.
-Ela, tremendo muito, tentou negar, mas eu a ameacei e fiz com que me contasse, dizendo que se não contasse eu a levaria até a delegacia e diria que ela era a mandante do crime.
Ela, com medo, contou tudo.
Eu prometi que Ester nunca ficaria sabendo, que eu só estava tentando proteger a Vanda de perder a vida e a Ester de ir para a cadeia.
Ela relutou muito, mas eu lhe prometi que, se conseguisse salvar a Vanda, faria com que Ester não a mandasse embora e que ela continuaria trabalhando em casa.
Ela, sem alternativa, contou tudo, deu até o nome dos bandidos e me disse onde eles moravam.
Faltavam dois dias para a viagem.
Assim que ela saiu, eu respirei fundo, pois não estava acreditando naquilo que ouvira.
Depois, telefonei para Vanda e lhe contei tudo.
Planeamos que ela pintaria o cabelo e compraria o vestido azul e que não ficaria sozinha.
Foi o que ela fez, assim que Ernesto lhe disse que Ester ia lhe trazer um presente.
Ela disse:
- Não vou esperar; vamos descer juntos.
Ela me dará lá no restaurante.
- Ela desceu ao lado de Ernesto e do Inácio.
Aí o plano de Ester começou a falhar, pois os bandidos, ao verem Vanda acompanhada pelos dois e em seguida verem Ester saindo sozinha, julgaram que ela fosse a Vanda.
Eles se confundiram e levaram Ester por engano.
Depois eles obrigaram a Leonora a lhes dar o dinheiro que faltava.
Eu e a Vanda arrumamos o dinheiro e mandamos para eles.
Eles disseram que se contássemos para alguém e se a polícia fosse atrás deles, nos matariam ou a um de vocês.
Ficamos com medo e nos calamos.
Ester, chorando muito, disse, olhando primeiro para Ernesto, depois para Inácio e por último para Daniel:
- Estão vendo por que tive de fugir?
De vir para cá?
Assim que descobri, fiquei envergonhada.
Sabia que as únicas pessoas a quem eu poderia contar e que talvez me aceitassem eram Jurema, o Neco, a tia Laurinda e o tio Dorival, porque conheceram a outra Ester, aquela sem memória, que viveu ao lado deles por tanto tempo e que, com certeza, não é a mesma que está aqui agora, lhes contando tudo isso.
Jurema se levantou, abraçou-a e, chorando, disse:
-Cida... a gente conhece, sim, e sabe que você não é essa malvada, não!
Se foi um dia, hoje não é mais!
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Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:01 pm

Olhou para os tios e para Neco.
Continuou:
- Não é mesmo?
Esta aqui sim é a nossa Cida.
Pode ficar aqui quanto quiser.
-Obrigada, Jurema, e a todos vocês.
Passou o olhar por todos.
Parou nos de Vanda e depois nos de Jandira.
- Sei que o que fiz não tem perdão.
Sei que jamais poderei ter a amizade de vocês novamente.
Inácio, pensei que amava você, mas hoje sei que isso nunca aconteceu, o que sentia por você, poderia ser tudo, menos amor.
Só conheci realmente o amor quando o encontrei, Daniel.
O nosso amor foi puro e maravilhoso.
Você me amou mesmo sem saber quem eu era e de onde vim.
Hoje, me arrependo, sinceramente, de tudo o que fiz, mas sei que é tarde demais... por isso, agora, vou até o quarto e amanhã bem cedo partirei para um lugar qualquer.
Preciso de um local para reflectir sobre tudo o que fiz e tentar encontrar paz, a mesma paz que eu sentia quando era apenas Cida.
Em algum lugar a encontrarei.
Isso é, se você, Ernesto, me der um pouco de dinheiro, pois não tenho nenhum.
Gastei aquele que me deu vindo para cá.
Só preciso de um pouco.
Não quero nada do que papai nos deixou, porque não o mereço.
Ernesto ainda estava atónito.
Chorando, abaixou a cabeça.
Ela levantou-se e, de cabeça baixa, se encaminhou para a porta que dava no corredor, onde os quartos estavam.
Antes de chegar nela, ouviu a voz de Daniel:
-Cida, espere.
Com lágrimas nos olhos, virou-se para ele, que continuou:
- Não sei para onde você pretende ir, mas para onde for, eu irei também.
Essa história que nos contou é terrível, mas não tem nada a ver com a Cida que conheci e pela qual me apaixonei e estou apaixonado ainda.
Não me importa o que você fez no passado.
Hoje, sei que é diferente.
Sei que me ama e que eu amo você.
Vamos continuar de onde paramos.
Não vou deixá-la nunca!
Ela continuou olhando para ele.
Estava paralisada.
Também não conseguia dizer qualquer coisa, seu coração batia forte.
Vendo que ela não se movia, ele atravessou a sala e caminhou em sua direcção.
Abraçou-a forte, aos poucos ela foi se entregando àquele abraço.
Esquecendo-se de que estavam diante de tantas pessoas, beijaram-se ardentemente.
Depois, ela se afastou, dizendo:
- Também amo você, não sei como seria a minha vida sem a sua presença, mas não mereço o seu amor.
- Vamos recomeçar.
O nosso amor é mais forte que tudo, não importa o passado.
Tudo o que foi feito, está feito e não podemos consertar, mas, daqui para frente é que interessa.
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