Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Página 12 de 12 Anterior  1, 2, 3 ... 10, 11, 12

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:01 pm

Sei que você mudou e a amo muito mais por isso.
Pela coragem que teve em nos contar tudo.
Poderia ter continuado escondendo.
Não precisava contar a ninguém que havia recuperado a memória.
Mas preferiu ser honesta.
Amo você e nunca me afastarei nem permitirei que se afaste de mim.
Ela, agora, chorava copiosamente, não conseguia dizer uma palavra, apenas aconchegou-se nos braços dele.
Ficaram assim, até ouvirem a voz da Vanda.
- Ester, quando a conheci, você foi uma luz que iluminou o meu caminho, me deu abrigo e carinho.
Nunca imaginei o que você sentia pelo Inácio, se soubesse, jamais teria me aproximado dele.
Sofri muito quando a Jandira me contou o que você estava planeando.
Daniel tem razão, se você continuasse dizendo que não havia recuperado a memória, eu e a Jandira nunca falaríamos nada.
Procuraríamos ser sua amiga novamente, pois é isso que sou, sempre fui e quero continuar sendo.
Não vou lhe perdoar porque, no final, você foi quem mais sofreu.
Você foi a sua própria vítima.
Não quero que nos abandone.
Quero que continue ao nosso lado.
Vamos passar uma esponja em tudo o que aconteceu.
Sei que hoje tudo mudou.
Você encontrou o verdadeiro amor e, por isso, poderemos continuar daqui para frente.
Enquanto Vanda falava, Ester continuava abraçada em Daniel.
Assim que ela terminou de falar, caminhou na direcção de Ester.
Daniel soltou-a de seus braços e as duas trocaram um abraço sincero.
Choravam.
Ester por arrependimento, e Vanda por perdão e amizade.
Ernesto também se aproximou dela, dizendo:
-Minha irmã, como sofri com a sua ausência!
Nunca imaginei que fora isso o que se passara, mas, de qualquer maneira, estou feliz por lhe ter de volta.
Se Duarte e Emília estivessem aqui, diriam que tudo foi uma lição que deveríamos aprender.
Acredito que tenhamos aprendido mesmo.
Eles também diriam que estamos resgatando erros passados.
Não sei se existe mesmo uma outra vida, mas, se existir, lhe garanto que sempre a quis muito bem.
Se a Vanda, que foi o alvo do seu ódio, está lhe perdoando e propondo amizade, quem sou eu para não fazer o mesmo?
Você é a minha irmã querida.
Sei que teve esse deslize, mas que sempre foi boa.
Vamos, sim, tentar esquecer o passado e recomeçar.
Tenho certeza que conseguiremos.
Também se abraçaram.
Inácio não disse nada, apenas a abraçou.
Ele sentia o mesmo que os outros, só que ainda estava um pouco confuso.
Jandira e Messias também a abraçaram.
Jurema, Neco e os tios ficaram de longe vendo aquela cena de amor e perdão.
Assim que todos se cumprimentaram, Jurema disse:
-Cida, não vou lhe perdoar, porque nunca conheci essa tal de Ester.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75725
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:02 pm

Você é a minha amiga, que me trouxe de volta para a vida e que ajudou o meu Rafael a nascer.
É só essa que a gente conhece - olhou para Neco e para os tios e perguntou:
-Não é mesmo?
Laurinda, Neco e Dorival não responderam.
Apenas se aproximaram de Ester e a abraçaram.
A paz voltou entre eles, porém o clima estava pesado.
As mulheres choravam, os homens faziam força para conter as lágrimas.
Laurinda, para quebrar aquele clima, disse:
- Gente! Conversamos tanto que nem vimos o tempo passar.
Acho melhor a gente ir lá para a cozinha e comer um lanche.
Depois, a Jurema e a Cida vão me ajudar com a comida da noite, hoje quero comer muito!
Eles olharam para ela e entenderam qual tinha sido a sua intenção.
Jurema e Ester a acompanharam até a cozinha.
Os demais continuaram conversando.
Tomaram o lanche.
Mais tarde, as mulheres foram preparar o jantar e os homens ficaram jogando cartas.
Quem passasse por lá não poderia imaginar tudo o que havia acontecido naquela casa.
A noite, após o jantar, Ester e Daniel foram para a casa dele.
Assim que chegaram, ela disse:
- Sei que todos me perdoaram, sei que o perdão foi sincero, mas não poderei mais voltar para casa.
Conheci uma nova vida aqui e, sei hoje, que tenho dinheiro e que sou médica.
Sei também o quanto posso ajudar a gente desta cidade.
Conheço os seus sonhos, a sua vontade de se especializar e de ter o seu próprio consultório.
Por isso, estou lhe liberando de qualquer obrigação que julgue ter para comigo.
Ele olhou para ela e, admirado, disse:
-Não sei do que está falando!
Meu sonho é ficar ao seu lado.
Hoje, não me importa mais me especializar em nada.
Se você pode ajudar esta gente, eu também posso!
Se você tem dinheiro, eu também tenho.
Podemos, sim, ficar aqui e trabalharmos juntos.
Não precisamos de um salário alto, precisamos exactamente daquilo que a Prefeitura pode nos pagar.
Para ser sincero, não gostei muito da cidade.
Lá é tudo muito complicado.
Prefiro a paz deste sertão.
Ela olhou para ele e, sorrindo, disse:
- Você não está dizendo a verdade!
Está somente querendo me agradar!
Mas não acho justo sacrificar os seus sonhos para ficar ao meu lado.
Acho que você tem de ir, sim, fazer a sua especialização.
Eu ficarei aqui esperando por você e trabalhando no pronto-socorro.
Quando voltar, nos casaremos e, como dizem no fim das histórias de carochinha, viveremos felizes para sempre.
- Se vamos ficar morando aqui, não preciso de especialização alguma.
Eu a faria somente para ter um diploma, mas tudo o que eu preciso saber, aprendi no dia a dia na emergência do hospital.
Não quero me separar de você, nem por mais um dia.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75725
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:02 pm

Além do mais, se o Duarte estivesse aqui, diria que a nossa missão na Terra é continuarmos aqui, nesta cidade perdida no fim do mundo.
Portanto, se essa é a nossa missão, vamos cumpri-la e posso lhe garantir que, da minha parte, será com muita felicidade, porque estamos juntos e, juntos, estaremos felizes em qualquer lugar do mundo, porque nos amamos!
Abraçaram-se e beijaram-se.
Voltaram para a casa de Dorival.
Ao entrarem, foram para a cozinha, onde Laurinda, Jurema, Vanda e Jandira conversavam e tomavam café.
Pelo barulho, notaram que os homens estavam do lado de fora da casa.
Realmente estavam sentados em uma mesa que havia embaixo de um coberto, jogavam cartas e tomavam cerveja.
Ester se aproximou, perguntando para Laurinda:
-Estão todos ali fora?
- Estão. Só o Neco, está no quarto fazendo o Rafael dormir, o doutor Ernesto, o doutor Inácio, o Dorival e o Messias estão jogando cartas lá fora, mas por que está perguntando isso?
- Eu e o Daniel tomamos uma decisão e queremos comunicar a todos.
Jurema perguntou, curiosa:
-Cida, que decisão foi essa?
-Vamos lá fora, contaremos para todos.
-Então, espera aí, vou lá no quarto chamar o Neco.
Levantou-se e saiu apressada da cozinha.
Eles foram para fora.
Quando chegaram, Ernesto estava embaralhando as cartas para o início de uma nova partida.
Ester disse:
-Ainda bem que não vamos interromper a partida.
Eu e o Daniel queremos lhes comunicar uma decisão nossa.
Todos olharam curiosos para os dois.
Jurema e Neco chegaram, Rafael estava dormindo Ester disse:
- Eu e o Daniel resolvemos que não voltaremos mais para São Paulo, ficaremos aqui nesta cidade, trabalhando no pronto-socorro.
-Não podem fazer isso!
Precisamos de vocês no hospital!
- Não precisa, não Ernesto, existem muitos médicos que poderão trabalhar no hospital.
Aqui não, a cidade é pequena, nenhum médico quer vir para cá sem um bom salário.
Eu e o Daniel não precisamos de dinheiro, mas a população desta cidade precisa muito de um médico.
Por isso decidimos ficar aqui.
-Ester, não pode fazer isso!
Tem uma vida muito boa lá na sua casa.
Como poderia viver aqui?
-Vanda, a verdadeira vida boa, eu conheci aqui nesta cidade e com meus amigos.
A riqueza e o conforto não me atraem mais.
Aqui tenho amigos, Daniel, e uma cidade inteira para me paparicar.
Não sei se sabem, mas o médico em uma cidade de interior é considerado um rei.
-Você tem certeza dessa decisão que está tomando?
Não está sendo levada pelos acontecimentos?
-Não, Inácio, quando fugi para cá, a minha intenção já era essa.
Não sabia que viriam até aqui.
Sei o quanto esta cidade precisa de um médico.
Ficaremos aqui.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75725
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:02 pm

- Louvado seja Deus!
Que bom que vão ficar.
A gente precisava mesmo de um médico e agora vai ter dois!
Não é bom mesmo, Neco?
Neco não respondeu, apenas sorriu satisfeito.
-Está bem, se acha que será melhor, fique, mas sabe que, a qualquer momento, poderá voltar.
- Está preocupado, porque não sabe o que é viver aqui, Ernesto.
Eu sei, e gosto.
-Quando a seca vier?
Quando a cidade ficar quase morta?
Quando todos tiverem que partir?
Vai ainda achar bom viver aqui?
-Sei que não vai ser fácil, Neco, mas conseguiremos sobreviver, e aí sim, para aqueles que insistirem em ficar aqui, nas suas casas, a cidade vai precisar mais de médicos.
Além do mais, não sei o preço de um poço artesiano Ernesto, você poderia ver e nos dizer, talvez possamos mandar fazer um ou dois, assim, quando a seca chegar, não ficaremos totalmente sem água.
- Sei que não mudará de ideia.
Está bem, assim que voltarmos, procurarei saber o preço do poço e faremos um, dois ou mais.
Já que é isso que quer.
- Obrigada, meu irmão.
Já que a minha missão é essa, tenho que cumpri-la bem.
Preciso lhe pedir outra coisa, Leonora só cumpriu minhas ordens, ela é sim, ambiciosa, mas é uma boa moça.
Por favor, não a castigue, nem a mande embora.
Ela precisa do trabalho.
- Está bem, quando chegar em casa, conversarei com a Emília e falarei do seu pedido.
Ela saberá o que fazer com Leonora.
Você a conhece o suficiente para saber que ela lhe dará uma bronca e depois a mandará trabalhar.
Falando em Emília, precisamos telefonar e contar que você está aqui e bem.
Ela deve estar aflita!
-Pode usar o telefone, doutor.
-Obrigado, dona Laurinda, mas acho melhor Ester falar com ela.
-Ester sorriu.
Foi para a sala e telefonou para Emília, dizendo que estava bem e a convidando para passar férias em Carimã.
Emília suspirou aliviada ao saber que tudo estava bem e, em pensamento agradeceu a Deus.
Ester não lhe contou detalhes, mas ela pôde perceber, por sua voz, que estava feliz e era isso que lhe importava.
-Já que está tudo acertado, eu e a Ester iremos até a fazenda do meu pai, quero que ele conheça a sua futura nora.
Sei que ele vai querer que o casamento seja realizado lá, portanto já estão todos convidados.
Ele também não vai entender quando eu lhe disser que vou continuar aqui, sabia que minhas intenções eram outras, mas, na realidade, ele sempre quis me ter por perto.
Agora a sua vontade será realizada, estou apenas a quatro horas da fazenda.
-Jurema, acho bom a gente ir dormir, a gente tem que levantar cedo, tem muito trabalho lá no sítio.
Já que a Cida vai ficar por aqui, você pode deixar a conversa para depois.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75725
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:02 pm

-É, Neco, é isso mesmo.
A gente precisa dormir.
- Boa-noite, Cida, se amanhã quando eu for embora, você ainda estiver dormindo, vá até o sítio para a gente conversar mais.
Ester beijou-a, dizendo:
-Irei sim, temos muito para conversar.
-Vanda, acredito que nós também deveríamos ir dormir, amanhã bem cedo teremos que pegar a estrada de volta.
Jurema e Neco despediram-se.
Foram para o quarto.
Vanda e Inácio também foram para o quarto.
Ela percebeu que ele estava triste e pensativo.
Em pé ao seu lado, junto à cama, perguntou:
-Inácio, por que está tão pensativo e triste?
-Não consigo me perdoar por ter duvidado de você, por ter julgado que poderia ter algo a ver com o desaparecimento da Ester.
-Você não teve culpa, eu sim, deveria ter confiado no nosso amor e lhe contado tudo, mesmo antes de acontecer.
Fiquei com medo, pois ela poderia dizer que tudo era mentira, que eu estava inventando.
Temia que você não acreditasse que ela seria capaz de imaginar e executar um plano como aquele.
Foi por isso que, a princípio, me calei e depois continuei calada, com medo do que aqueles bandidos pudessem fazer contra nós todos.
-Você realmente errou em se calar, mas eu, conhecendo-a como conheço, nunca poderia duvidar da sua integridade.
Não consigo me perdoar...
-O importante é que tudo foi esclarecido e que o medo que sentia ao pensar que você pudesse descobrir e não me perdoar terminou.
Agora, está tudo bem e poderemos continuar a nossa vida.
Tenho só mais uma coisa para lhe falar.
Não quis lhe dizer antes, mas há uma semana, obtive a confirmação de que estou grávida.
Ele perguntou, admirado:
-Por que não me contou antes?
Sabe o quanto desejo um filho?
Por quanto tempo estamos tentando?
- Quando descobri, soube pela Jandira que Ester ia voltar, não sabia o que ela iria dizer, preferi esperar, mas agora que tudo terminou, já posso lhe contar.
Estou feliz e sei que você também está.
O nosso amor foi mais forte que tudo.
Abraçando-a com carinho, disse:
-Amo muito você...
Vicente fez um sinal com as mãos para que os pais de Ester, Irene, Leôncio e Durval saíssem do quarto.
Durante todos aqueles dias, acompanharam Ester na sua viagem.
Foram para o quintal da casa de Dorival, sentaram-se embaixo do pé de limão, onde Laurinda se sentava quando queria pensar.
Feliz, Vicente disse:
-Agora, sim, a nossa missão terminou.
Podemos voltar para casa e eles nunca saberão a enorme luta que foi travada por nós para que tudo terminasse bem.
- Entre todos os envolvidos, só Jurema e Neco tomaram parte da vida anterior de Ester, Raimundo e Isaura não renasceram com ela.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75725
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:02 pm

Daniel a ama muito.
Como se explica isso?
- Há várias encarnações, eles estão tentando se encontrar, ela veio sempre cercada de amigos, mas cometeu o mesmo erro de traição e suicídio.
Na encarnação anterior, se ela não tivesse se suicidado por causa do Raimundo, teria encontrado Daniel, se casariam e seriam felizes, vivendo o que haviam escolhido, mas ela novamente fraquejou e se suicidou.
Ele seguiu por outros caminhos e regressou para casa
Quando retornou, encontrou-a convalescendo-se, pois ficara muito tempo no vale, perdida.
Havia sido resgatada há pouco tempo.
Conversaram, resolveram que nasceriam juntos novamente, e, quem sabe, dessa vez conseguissem ficar juntos.
Ela novamente cometeu o erro de traição, mas dessa vez, conseguiu se redimir e evitar o suicídio.
Por isso, ficarão juntos e cumprirão a missão que já, por muitas vezes, foi adiada.
Seus amigos iniciais, embora estejam sempre por perto, se preciso, irão socorrê-la.
Entre eles, está você, Irene, que sempre foi sua amiga.
Ela ficou para trás.
Por isso, outros vieram, que ainda tinham algo para resgatar e suas próprias missões para cumprir.
Dispuseram-se a renascer e a ajudá-la.
Foi o caso de todos os outros, inclusive Vanda.
Finalmente, tudo terminou bem, agora seguirão seus caminhos e Deus queira que também voltem para casa, vitoriosos.
Precisamos agradecer a Deus, por esta oportunidade que nos deu.
Além de a ajudarmos, aprendemos muito também.
Irene abaixou a cabeça.
Ele continuou:
- Irene, sua experiência foi importante para o nosso aprendizado.
Sabe que não cai uma folha da árvore sem que Deus saiba ou permita.
Se aquilo aconteceu com você, foi porque alguns de nós ou todos precisávamos aprender.
Por isso, agradeçamos a Deus por nossos erros, pois é através deles que aprendemos.
- Felizmente, conseguimos ajudar estes nossos irmãos para que tudo terminasse bem.
O que faremos agora?
-Agora, voltaremos para casa.
Outros virão e se encarregarão de dar a eles toda a assistência de que precisam.
Francisco, o pai de Ester, suspirando, disse:
-Nunca estamos sozinhos mesmo!
Mas por que não podemos ficar aqui com eles?
-Poderemos voltar quando quisermos, mas o nosso trabalho não é de guardiões.
Somos chamados sempre que precisarmos enfrentar uma batalha de amor, como essa que enfrentamos aqui, com Raimundo.
Você sabe que todos os espíritos, inclusive nós, temos os nossos "anjos da guarda."
Por isso, precisamos voltar para casa.
Daqui a três noites, quando todos estiverem dormindo, viremos buscá-los para uma festa, onde comemoraremos mais um trabalho concluído, com êxito.
-Uma festa?!
Onde e como pode haver uma festa?
-Uma festa, sim, com direito a tudo, música, canto, apresentação teatral e até dança, com um sambinha muito bom.
O pai de Ester olhou para a esposa, depois para Vicente e, desconfiado, se perguntou:
-Como pode ser?
Uma festa! Imagine!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75725
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:03 pm

Vicente riu e disse:
-Você não sabe que, quando a pessoa morre, leva com ela todos os defeitos e qualidades?
Que não foi porque morreu que modificou e se tornou melhor ou pior?
-Sei de tudo isso, mas até a ter uma festa?
-Por que não?
O espírito, para ser feliz, não tem de fazer o que gosta?
A vida não é igual em qualquer lugar?
Nós, espíritos desencarnados, temos uma vida igual ao encarnado.
Temos horas de muito trabalho, como aconteceu aqui, temos momentos de oração e agradecimento, mas também de descanso e lazer.
O que seria dos cantores, compositores, atores, actrizes, músicos, bailarinas e bailarinos, se não pudessem fazer o que mais gostam?
Acredita que seriam felizes?
Ele pensou e respondeu:
-Acho que você tem razão.
- Eu não! Deus é quem tem sabedoria!
Dá a todos de acordo com as nossas obras!
E os artistas, de qualquer categoria, possibilitam momentos de felicidade e descontracção àqueles que assistem a eles.
Seria injusto, se não pudessem continuar só porque morreram.
Quando eles chegam aqui, encontram aqueles que vieram na sua frente.
Quando isso acontece, existe muita festa e felicidade.
Eles cantam, dançam, atuam, e nós, que não somos artistas, aplaudimos.
Agora, está na hora de irmos embora. Vamos?
Deram-se as mãos e saíram voando.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75725
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:03 pm

Epílogo
Como o combinado, três dias depois, durante a madrugada, a equipe chefiada por Vicente voltou.
Todos os participantes da nossa história estavam dormindo profundamente.
Foram acordados e retirados do corpo, um a um.
Presos ao corpo por um fio prateado seguiram a equipe.
Em poucos minutos, estavam em uma sala de espectáculo, onde uma peça teatral era exibida.
Reconheceram alguns dos atores.
Depois, foram para um outro salão, onde um espectáculo de dança estava também acontecendo.
Os bailarinos dançavam o Cisne Negro.
Vicente os conduziu para outra sala, onde pares dançavam com ricas vestimentas ao som de uma valsa.
Depois, chegaram a uma grande quadra, onde havia uma roda de samba, com vários pandeiros e violões, cantores e cantoras conhecidos.
Todos estavam abismados, pois não imaginavam que algo como aquilo pudesse existir.
Vicente sorriu ao ver o espanto deles.
Disse:
-Ainda não viram tudo.
Há um cantor se apresentando de quem eu gostava muito. Venham!
Eles o seguiram, sentaram nas poltronas confortáveis que havia no teatro.
A cortina do palco se abriu e luzes coloridas que pareciam sair de holofotes invisíveis, iluminaram um homem vestido com um fraque preto, que entrou cantando uma música conhecida por todos.
Leôncio, entre todos, foi o que mais se emocionou.
Com lágrimas, disse:
-Vicente!
É o meu filho que está cantando?
É ele, a quem tenho procurado tanto!
- É ele, sim.
Você o tem procurado, mas não nunca deixou de se envolver em todos os trabalhos para os quais foi solicitado.
Enquanto trabalhava nos ajudando, equipas socorristas procuravam por seu filho.
Há alguns meses ele foi encontrado e resgatado por uma delas.
Por ter deixado a vida por causa do vício da bebida, estava em condições precárias.
Foi tratado e agora está aí, cantando como um passarinho.
Assim que terminar o espectáculo, você irá até ele, que está também ansioso para vê-lo.
Leôncio não se conteve e começou a chorar violentamente.
Vicente o abraçou, mas os seus soluços eram altos.
Uma senhora que estava sentada atrás deles disse:
-Psiu! Fiquem quietos, por favor!
Quero ouvir o cantor!
Leôncio, secando as lágrimas com as mãos, olhou para Vicente que, rindo e olhando para o pai de Ester, disse num sussurro:
-Não lhe disse que aqui era tudo igual?
Todos riram e continuaram assistindo ao cantor entoar aquelas belas músicas.

Fim

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75725
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Descaminhos da paixão / Elisa Masselli

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 12 de 12 Anterior  1, 2, 3 ... 10, 11, 12

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum