Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

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Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:24 am

Os Nephilins: a origem
Robson Pinheiro

Pelo espírito Ângelo Inácio

SÉRIE CRÓNICAS DA TERRA, vol. 2

“SE SÓ NÓS EXISTÍSSEMOS no universo, seria um tremendo desperdício de espaço.”
A frase de Carl Sagan remete à Bíblia, segundo a qual houve gigantes sobre a Terra - chamados nephilins.
Muitos espiritualistas admitem a transmigração planetária:
espíritos vão e vêm em fluxos migratórios coordenados, obedecendo a ciclos evolutivos.
Poucos perguntam como isso se dá - e esta é a chave deste livro.
Afinal, todos teriam de morrer para viajar e, sei lá, pegar uma carona na cauda de um cometa?
Ou devemos admitir a hipótese das naves espaciais?
Não seria a velocidade de dobra exclusiva da Enterprise, afinal?
Podem não ser Enki e Enlil apenas deuses sumérios, mas personagens históricos?
A Árvore do Conhecimento é tanto do bem quanto do mal porque somos produto da administração sideral, mas também da mão pesada dos dragões, os lendários ditadores do abismo (Ap 12).
Desse universo em que fatalmente se entrelaçam ficção e realidade, mito e fantasia, ciência e filosofia, emerge uma história que mergulha nos grandes mistérios.
Se nossa civilização tem raízes cósmicas, extraterrestres, os bastidores da vida terrena ganham ares de protagonismo.
ROBSON PINHEIRO é mineiro, filho de Everilda Baptista.
Em 1989, ela escreve por intermédio de Chico Xavier:
“Meu filho, quero continuar meu trabalho através de suas mãos”.
É autor de mais de 36 livros, quase todos de carácter mediúnico, entre eles, Os guardiões, Crepúsculo dos deuses e O fim da escuridão, romances que também abordam nossas relações com os extraterrestres.
Fundou e dirige a Casa de Everilda Batista desde 1992, que integra a Universidade do Espírito de Minas Gerais.
Em 2008, tornou-se Cidadão Honorário de Belo Horizonte.
CONTA A BÍBLIA que os filhos das estrelas ou nephilins possuíram as filhas dos homens, e o fruto da sua união é capaz de explicar saltos evolutivos na origem da espécie humana.
Ou seja, em nossa juventude planetária, recebemos a contribuição de astronautas exilados.
Mas como imaginar essa miscigenação cósmica?
A queda de braço entre as sombras e as forças da justiça talvez sintetize nossa própria história.
Afinal, como já disse um sábio, Deus é aquele que, das trevas, tira a luz.
"Naqueles dias estavam os nephilins na Terra, e também depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos.
Esses nephilins eram os valentes, os homens de renome, que houve na antiguidade.”
GÊNESIS 6:4
"Também vimos ali os nephilins, isto é, os filhos de Anaque, que são descendentes dos nephilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos; e assim também éramos aos seus olhos.”
NÚMEROS 13:33

Prefácio pelo espírito Ângelo Inácio
As sete castas dos degredados annunakis
1 Em eras mais remotas
2 Guerra no céu pedido de socorro vindo do espaço
3 Nascimento de uma raça
4 Relato das crónicas da Terra — os construtores
5 Memórias de Enlil, o annunaki filho de Anu
6 O despertar do espectro
7 Viagem ao desconhecido
Referências bibliográficas
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Ave sem Ninho

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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:25 am

PELO ESPIRITO ÂNGELO INÁCIO
PRIMEIRA DÉCADA DO SÉCULO XXI atesta um avanço significativo da humanidade do planeta Terra, herdeira do progresso do século xx e das duas grandes guerras que o mancharam de barbárie antes que se apagassem.
As conquistas e os desafios desse tempo persistem nesta alvorada do novo milénio; novas conquistas não demoram muito mais do que meses e ou mesmo semanas para serem levadas ao público em variadas áreas do conhecimento.
A humanidade avançou desde as sombras das eras remotas, varreu o pó das civilizações antigas à proporção que marcava com suas pegadas os diversos continentes, onde floresceram a vida e a construção de reinos, povos e poderes.
Despontaram as novas eras do iluminismo, da revolução industrial, do espiritualismo, do magnetismo, da genética, da informática e da astronáutica.
A indagação permanece válida, entretanto:
Para onde caminha a humanidade?
E de onde veio?
Há muito, os homens do planeta ultrapassaram o estágio em que as respostas viriam de livros pseudo-inspirados, de deidades incompreensíveis e de supostos donos da verdade.
Contudo, a história está repleta de factos ainda hoje incompreendidos, não estudados plenamente, nem sequer admitidos oficialmente.
Este livro trata de um conhecimento inspirado nos livros sagrados apenas; não se trata de ficção nem de fantasia, embora, para muita gente, a história da humanidade, tal como é conhecida do lado de cá da vida, possa levar a conclusões inevitáveis que muitos podem considerar incríveis ou de difícil assimilação.
Outros, por sua vez, poderão ler esta obra considerando-a fruto de imaginação fértil ou, quem sabe, julgando suas implicações e seus desdobramentos muito sérios e, de certa forma, perturbadores demais para serem admitidos.
Contudo, trata-se da mais genuína expressão da verdade.
Das brumas do tempo, de eras remotas, surgem fatos registrados nos anais do mundo que os sábios se recusam a examinar, mas que atingem de perto a humanidade actual.
Não obstante, os sinais acendem-se por todo lado, entre luzes distantes, objectos voadores cuja existência desafia o conhecimento da humanidade terrestre e seres que se materializam nas diversas latitudes do planeta para dar as mãos a seus irmãos, os filhos e espíritos da Terra, dizendo:
“Não estais sós no universo”.
As implicações desta verdade, aqui apresentada em forma de romance, não podem mais ser ignoradas.
Em breve, os filhos das estrelas retornarão para apreciar o fruto semeado há milénios.
Que encontrarão?
Uma humanidade em guerra, em conflitos intestinos, em confronto entre irmãos.
Que farão nesse momento?
Corre-se o risco de acontecer algo análogo ao que se viu na época da colonização do continente americano pelos europeus.
Entretanto, em comparação com aquela eventualidade, os índios seriam a humanidade inteira.
Que fazer diante dessa realidade?
A história aqui escrita não é apresentada de maneira linear.
Isso se deve a meu jeito de fazer literatura, o que poucos compreendem.
Todavia, os factos são reais, não imaginários, e muita coisa foi mencionada ou narrada tão somente com o intuito de levantar dúvidas e instigar reflexões, em vez de dar respostas prontas, o que descaracterizaria o exercício literário.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:25 am

Portanto, caro leitor, não espere respostas apenas.
Permita-se duvidar, questionar, reflectir e tirar suas próprias conclusões.
Troquei intencionalmente alguns nomes de personagens, invertendo o papel que lhes coube no curso dos acontecimentos, a fim de evitar problemas a meu editor e àquele que me serve de instrumento para externar o pensamento.
Contudo, nos relatos, fui fiel ao que presenciei pessoalmente junto aos guardiões da humanidade.
Muitos lances serão complementados em livros futuros, e alguns pontos, ainda obscuros, pretendo abordá-los em outro momento, para isso, aguardando que os leitores reflictam, pesquisem, debatam e cheguem à própria conclusão, embora a opinião de qualquer
um de nós seja incapaz de modificar os factos.
Manipulação genética, exobiologia, vida extraterrestre, viagens a outros mundos e outras dimensões, universos paralelos, protogénese; eis apenas alguns dos temas que desfilam nas páginas deste volume, sem deixarem de fazer jus à seriedade que compete a um trabalho de origem espiritual.
Os espíritos não mais se atem a ensinamentos religiosos ou a revelações de cunho moralista; o mundo progrediu, e o mundo espiritual, também.
Aliás, Allan Kardec deveria ser visto como um marco nesse sentido. Juntamos nossas vozes às vozes dos homens de bem em toda a Terra — não somente os religiosos, mas todos os de coragem e boa vontade — a fim de proclamar que os tempos são chegados e que, em breve, o mundo passará por uma revolução tão intensa quanto inusitada nesta era em que vive.
Aproximam-se do planeta os filhos das estrelas; seu conhecimento e sua tecnologia, há muito compartilhados com habitantes de outras dimensões da vida, estão prestes a ser revelados aos orgulhosos e aos que pretendem deter toda a sabedoria.
Brevemente, os homens da Terra serão confrontados com verdades que não mais poderão ser ofuscadas; as bases, os alicerces da civilização serão sacudidos, antes mesmo que o ser humano destrua a morada planetária.
Eles estão voltando!
A fim de compreender a actuação dos filhos das estrelas junto às nações da Terra, precisamos entender como tudo começou, como, desde as eras antigas, eles têm interferido, interagido e orientado ou desorientado os destinos da humanidade terrestre, auxiliando-nos a erguer civilizações, romper os mares e elevar-nos às estrelas.
Em certo sentido, este livro trata da origem, mas também do destino de todos os seres humanos, mesmo daqueles que, em breve, abandonarão a psicosfera do planeta no processo irreversível e imediato de relocamento a que serão submetidos, exilando-se em outra morada planetária.
Aborda, ainda, a viabilidade da vida no planeta Terra e seu destino inevitável.
Em última instância, fala de você, leitor: de sua família, seu país, sua gente.
Desde a antiga Suméria, desde os primeiros visitantes do espaço até os dias actuais, ressoam as vozes das estrelas:
“Somos seus irmãos, somos humanos como vocês, e, ademais, aqueles que amam jamais estão sós”.

ÂNGELO INÁCIO
Belo Horizonte, 13 de outubro de 2014
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:25 am

AS SETE CASTAS DOS DEGREDADOS “ANNUNAKIS”1
“Antes haviam habitado nela os mins, povo grande e numeroso, e alto como os anequins; eles também são considerados refinas como os anequins; mas os moabitas lhes chamam mins.”
DEUTERONÔMIO 2:10-11
Cherubs — Eram os mais graduados mentores dos rebeldes entre os annunakis.
Consideravam-se os principais seres entre os povos degredados, os próprios donos e arquitectos do poder.
Cegos pelo ódio e pelo vício de dominar, eram altamente inteligentes, vivazes, perspicazes.
Refains — Consideravam-se nobres, autocratas.
Dominavam artifícios de linguagem a ponto de convencerem facilmente seus ouvintes acerca de suas habilidades e intenções.
Manipuladores do pensamento e das emoções, eram temidos por sua capacidade de subjugar com a força da persuasão e da mente.
Eloins — Peritos na manipulação genética.
Cientistas da natureza, eram conhecedores de exobiologia e bastante hábeis no trato com inteligências de várias etnias e famílias siderais.
Emins — Dominadores, voltaram-se à condução dos povos, especializando-se em intrigas políticas e domínio de massas.
Anaquins — Destruidores, arrogantes e soberbos, punham rebeliões em movimento como ninguém.
Notáveis em tácticas de guerra, eram implacáveis com seus inimigos.
Considerados assassinos cósmicos por natureza evocação.
Olmalains — Especialistas em dominar as forças da natureza, eram exímios manipuladores da energia elemental e de formas-pensamento.
Devido às suas habilidades, fizeram-se necessários em todos os territórios controlados pelos demais.
Marducai — Cientistas amorais, não nutriam nenhum respeito pelas humanidades e pelo cosmo.
Manipulavam raças quase que por instinto, usando-as como cobaias de suas experiências.
Transformavam-nas a ponto de se tornarem irreconhecíveis, pelo simples prazer de praticar ciência à sua maneira.
Desafiavam o Altíssimo com experimentos que visavam adulterar forças gravitacionais e evolutivas, interferindo sem qualquer pudor ou limite no mundo, a ponto de destruí-lo, caso julgassem conveniente.

SATÃ JAMAIS FOI TÃO somente um personagem bíblico ou mitológico.
Antes, resultado de forças contrárias à ordem universal, ao progresso dos povos.
Trata-se de uma corrente mental de ordem inversa, um engodo que escraviza seres e populações que sintonizam com tal força, que imbeciliza à medida que se alimenta mentalmente do poder.
Do poder pelo poder, da força bruta pela bruta.
Representa o máximo de degradação moral a que se pode admitir chegar, como contraponto às leis universais de progresso e evolução.
Essa força antagónica forja uma corrente mentomagnéctica, à qual se unem aqueles que acabam por dar origem a uma cadeia de vontades, geralmente personificada em uma figura que melhor expresse essa atitude de profunda revolta e dominação.
Os seres que mais se afinam a essa corrente magnética ínfera constituem os representantes maiores de tais princípios.
Podem chegar ao ponto de desenvolver impérios mundiais, ou mesmo estelares, onde, em meio a sua sede de mando, domínio e poder, arvoram-se no próprio Deus.
O processo intitulado diabo e satanás nada mais é que o império de forças cegas, titânicas e tirânicas, que podem significar a derrocada da consciência no mais alto grau.
ESTÊVÃO [espírito]
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:26 am

UM ABALO ESTRUTURAL, de grandes proporções, ocorreu naquele instante.
Se houvesse qualquer ser vivo consciente naquele sistema, certamente teria sentido uma onda de choque inenarrável, uma vertigem seguida de uma intrusão mental e emocional de dimensões aterradoras.
Tratava-se de uma energia consciencial intrusa; aliás, eram milhões de consciências desajustadas, cuja vibração chegava como um raio através do espaço e atingiria toda a população que ali habitasse.
A viagem pelo hiperespaço terminara.
Num átimo, rompera-se a membrana subtil que colocava fim ao salto quântico entre dimensões.
Sem ele, a viagem teria durado quase uma eternidade.
Com o salto dimensional, todo o percurso durara apenas alguns segundos, desde o momento em que se atiraram para dentro da fornalha energética, das trilhas de energia que rasgavam o universo e as dimensões, cuja autoria ninguém saberia dizer, nem mesmo se ali estavam desde o começo da criação.
O delicado tecido entre dimensões foi rompido quando centenas, quem sabe milhares de naves se materializaram nas franjas do Sistema Solar, tendo atravessado as trilhas energéticas que cruzavam o espaço sideral.
Mais tarde, cerca de 470 mil anos depois, elas seriam baptizadas de buracos de verme ou buracos de minhoca.
Um, dois, dez, mil; uma quantidade incrível de comboios estruturados na matéria etérica rasgou a membrana psíquica que separa o universo paralelo do mundo visível e material.
O abalo provocou uma onda de choque gravitacional, que se fez sentir em todo o sistema, assemelhando-se às emissões do vento solar, as quais varriam de tempos em tempos a aura magnética dos planetas.
No momento em que as naves etéricas se condensaram num tipo de aparição e existência quase material, ocorreu o motim.
Ali mesmo, antes de chegarem ao terceiro mundo do sistema, bem antes de se aproximarem do mais gigante dos mundos, a rebelião aconteceu, patrocinada pelas forças da insensatez, do orgulho e do poder desmedido.
E novamente as legiões do Sheol, os filhos de Nibiru se rebelaram, embora já estivessem inexoravelmente imersos na realidade daqueles orbes e não mais pudessem regressar à casa do pai, à morada dos semideuses, ao paraíso entre as estrelas.
Estavam cativos, indefinidamente, da força gravitacional que os agrilhoava aos seus destinos, nos milénios quase sem fim que os aguardavam no mundo-prisão.
Não conseguiriam, por força própria, romper a membrana espacial e dar o salto quântico em direcção ao infinito, a outros sistemas siderais.
As forças da escuridão estavam circunscritas àquele recanto obscuro da Via Láctea em carácter definitivo, ou ao menos até que o poder superior que governava o universo lhes determinasse uma nova morada.
Ou, então, que essas forças se regenerassem, reparassem o caos e retornassem à ordem universal.
O SER INUMANO SE ERGUEU, espreguiçando-se acima de seu trono de ouro.
Esse era um elemento preciosíssimo, e dele dependia para levar a cabo sua técnica de comunicação, além de ser um poderoso meio de transmitir energias tanto eléctrica quanto gerada por processos atómicos.
A arca onde se encontrava não era tão grande assim, e tinha mesmo uma aparência inocente, como se fosse um brinquedo de criança.
Tal aspecto era proposital; tinha por objectivo evitar que possíveis e prováveis inimigos descobrissem seu arsenal, escondido com relativa segurança no interior da misteriosa arca, sobre a qual se assentava com grande orgulho.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:26 am

No entanto, a mesma arca ou esquife de ouro também constituía sua prisão temporária.
O crânio ovalado parecia ocultar os poderes de uma inteligência portentosa, mas também era um artefacto elaborado
com a finalidade de que ninguém lhe pudesse conhecer os pensamentos que irradiavam da mente perversa.
Era possível imaginar que ali, no cérebro da estranha criatura, estivessem sendo engendrados pensamentos e conceitos os mais abstractos, detentores de uma sapiência quase infinita.
Era um querubim ungido, um cherub, uma casta cujos integrantes eram dominadores implacáveis.
Sua aparência quase angelical era produto da evolução de sua raça, o Homo capensis, conforme se denominava a espécie em seu mundo.
Estava concentrado, naquele momento, o ser divino.
Sobre sua arca, irradiava-se uma luz dourada, que o envolvia em luminosidade quase mística, lembrando asas.
Na verdade, eram vibrações magnéticas, que formavam um potente campo de forças em torno da medonha criatura, que se auto-intitulava deus, por ser o primeiro de sua raça a conseguir se libertar dos conceitos castradores, conforme acreditava, da ética que regia os seres de seu sistema.
O campo de forças fazia com que, no interior da urna, a atmosfera fosse sempre agradável, segundo os parâmetros daquele ser sem par naquele mundo.
O local onde se assentava a criatura era muito mais aconchegante do que qualquer outro lugar do planeta.
Simplesmente deixava-o suspenso sobre campos flutuantes de anti-gravidade.
Isso lhe causava uma sensação das mais agradáveis.
Era um gigante, com mais de 3 m de altura, alto até mesmo para os padrões de seu povo.
Outras castas da mesma espécie apresentavam estatura menor.
O traje que vestia não era muito vistoso, contudo era elaborado a partir de material desconhecido da maioria, o qual acentuava as energias psíquicas do estranho ser inumano.
Os dons paranormais, comuns a uma parcela de sua gente, deviam-se ao desenvolvimento de um segundo cérebro, que ficava na base do crânio.
Porém, o formato cónico que esse órgão adquirira não era natural.
Fora um experimento necessário, visando dotá-los de equipamento que erguia um campo protector conta investidas mentais e forças paranormais ou psi.
Sofria, a horrenda criatura, de profundo complexo de culpa.
Mesmo disfarçando esse sentimento, quase se aniquilara psiquicamente ante a enormidade da culpa que, de tempos em tempos, ameaçava vir à tona.
Trazia a alma marcada e maculada indelevelmente por ter sido o autor de inúmeros crimes contra humanidades inteiras, em diversos quadrantes do espaço.
Avançando-se mais de 440 mil anos no futuro, a partir dessa época, talvez fosse catalogado por um dos ramos da psicologia ou da psiquiatria como louco, em crises constantes de megalomania, surtos psicóticos e outras doenças da alma, numa dimensão assustadora e aparentemente incurável.
Aquela alma era atormentada diariamente, de modo quase infinito, estando à beira de um processo de loucura que, certamente, caso tivesse se instalado em sua mente, o induziria a um estágio do qual seria difícil retroceder.
O sofisticado aparato técnico evitava que isso viesse a acontecer.
Se porventura não lançasse mão desse artifício, teria de transferir sua consciência, seu corpo mental quase degenerado pela culpa, a corpos artificiais, onde talvez pudesse abrigar-se, esquivar-se dos clamores de vingança que ouvia de modo mais ou menos constante.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:26 am

Eram ecos dos pensamentos de milhões de seres que perderam suas vidas por meio da acção desse inumano ser, que transitava em seu mundo ou entre mundos conhecidos da Via Láctea.
Sua sede de poder, de dominar por dominar, levou-o a uma situação quase irremediável.
Por isso, empregando suas habilidades mentais e extra-sensoriais, conseguiu induzir um grupo de cientistas dos mais brilhantes de seu povo a desenvolver aquele equipamento.
Eram 12 os que o compunham, e todos também precisavam do artefacto para se livrar dos apelos mentais, que caracterizavam um tipo de obsessão colectiva dirigida contra o ser medonho e seus correligionários.
Eram todos partícipes dos mesmos crimes, mas submissos à estranha criatura, que nenhum deles conhecia cara a cara, mas apenas lhe recebiam as ordens.
Se o conhecessem, logo teriam suas mentes apagadas e aniquiladas, numa explosão de seus corpos, com a consequente submissão total à vontade férrea daquele ser medonho.
De um momento para outro, a arca movimentou-se, dando a impressão de que obedecia à vontade do seu dono.
Voava sobre campos de anti-gravidade, levitando sobre o aposento onde ele se encontrava.
O ser alimentava-se do plasma roubado de suas vítimas, mas também sobrevivia sugando o produto de emoções alheias — emoções de medo, terror e dor, que sabia muito bem inspirar e impingir em seus alvos.
Não era nenhum adolescente que mal sabia o que desejava.
Não! Ele o sabia perfeitamente.
Queria dominar, governar, manipular mentes, consciências e emoções.
Não lhe interessavam bens materiais; nem mesmo ouro ou qualquer outra coisa que se assemelhasse às riquezas tão sedutoras àqueles que buscam poder, de forma geral.
Não, mesmo!
Interessava-lhe apenas acumular poder, aplacar a sede de dominar outras inteligências.
Com isso, reunia em torno de si, os mais abjectos e instintivos pensamentos; absorvia o que era de mais vil e degradante das criaturas com as quais travava contacto, causando-lhes dor e humilhação, à saciedade.
Assim como existem seres que se alimentam de vibrações mais subtis, com este ocorria o contrário.
Alimentava-se, sentia-se farto é com o sofrimento e a agonia de seus alvos, pois o produto de seu crime lhe dava a sensação de domínio mental; envaidecia-lhe a subjugação de seus dominados.
Era a personificação das forças satânicas no mundo, na natureza, e por onde passava deixava um rastro de destruição.
Junto dele, estavam seus míseros vassalos, outros seres que a ele se aliavam, sem nem sequer suspeitar de que eram também manipulados pelo misterioso senhor que seduzia mentes e emoções, dominando a tudo que pudesse se interpor entre ele e o poder absoluto.
Era o resultado da degeneração máxima de uma criatura que, por pura revolta, posicionava-se como adversário da evolução e dos representantes máximos da ordem e do progresso.
Representava, enfim, o ápice de uma corrente mento-magnéctica que, absorvida e assimilada por uma criatura sem escrúpulos, consolidava-se como uma cadeia de ideias, vontades e pensamentos que passava a se confundir com essa mesma criatura.
Corporificada, assumia uma personalidade doentia, a qual elegeu a si mesma como o maior representante de um sistema de vida, senhor de povos e destruidor de civilizações que se interpunham entre ele e sua ânsia desmedida de poder.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:26 am

Esse ser hediondo, um dragão — simbolismo que remete ao conhecimento sem escrúpulos e sem ética —, cresceu entre os mundos dispersos na imensidade.
E por esses mundos passou, angariando discípulos, adeptos e uma corrente fenomenal de seguidores entre as mentes mais brilhantes e os cientistas de diversos povos.
“Preciso viver novamente, preciso dominar.
Eu sou o que sou. Eu sou um deus...”
Os olhos do ser se abriram depois de um longo processo de adormecimento, numa das naves onde era transportado juntamente com um numeroso grupo de seres — mais de 600 —, que constituíam as mentes mais perigosas e brilhantes, a um só tempo.
Vibrações invisíveis e até mesmo imperceptíveis para os demais partiam da câmara do ser inominável, uma criatura que se acreditava ser uma das mais perigosas e que havia perpetrado crimes hediondos, de lesa-humanidade, no último planeta onde havia passado.
Não envergava mais um corpo físico, porém, numa estrutura diferente, ostentava um corpo de matéria quintessenciada, um misto de matéria astral e etérica e outros elementos ainda desconhecidos pelos mais renomados estudiosos da ciência universal.
Adormecera durante vários períodos de tempo, junto com as mentes que considerava seus mais eficientes comparsas, instrumentos de astuta inteligência, que lhe serviam como marionetes a fim de corporificar suas vontades.
A criatura abriu os olhos de incrível beleza e, ao mesmo tempo, de poder magnético tão imenso quanto era imensa a treva de sua alma abominável.
De uma cor que remetia ao verde-claro em alguns momentos, parecia modificar-se a seu bel prazer, mudando de tonalidade. Lembravam olhos humanos.
Não da humanidade do planeta Terra, mas de outra humanidade, de um mundo esquecido na poeira do tempo e do espaço.
O crânio também lembrava os crânios humanos, não fosse o misterioso material de forma cónica que encimava sua cabeça, o qual lhe conferia certa protecção psíquica e era fruto de uma tecnologia totalmente desconhecida por muitos povos da Via Láctea.
A forma cónica propiciava um contraste com a beleza da expressão de todo o conjunto do corpo de traços angelicais, dotado de um semblante que beirava a perfeição.
A julgar pela aparência, nenhuma criatura humana jamais seria levada a pensar que este era um ser de extrema periculosidade, que encarnava a própria monstruosidade espiritual e mental.
Nada em seu exterior remetia ao grau de veleidade e crueldade com que se portava e que assinalava a natureza desse espírito milenar.
Era esta a característica energética e espiritual daquele que se intitulava o número i dos dragões.
Um barulho estranho, diferente, quase contagioso sacudiu a arca onde repousava o espírito adormecido da entidade.
Um tipo de líquido envolvia-o, como uma emulsão; talvez constituísse parte do processo de adormecimento necessário para romper a barreira vibratória entre mundos, num dos mais arriscados processos de transferência de seres entre planetas, conhecido como transmigração planetária.
Banidos foram por uma força tão potente e soberana que jamais suporiam existir, à qual nunca seriam capazes de fazer frente, apesar de todo o conhecimento arquivado em sua memória espiritual.
Ele e seu séquito de mais de 600 mentes tão brilhantes quanto extremamente rebeldes contra as leis cósmicas, universais.
Outros comboios transportavam os demais seres, às dezenas de milhares, para o destino remoto de um terceiro planeta, localizado num ponto excessivamente sombrio da Via Láctea.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:26 am

Aquele era um comboio especial, com barreiras de forças mais ostensivas e mais potentes, dado o perigo representado por este e os demais seres de sua comitiva pessoal.
Mas ele despertava.
Algo ou alguém havia interferido no processo de adormecimento das criaturas, de modo que o mais perigoso e detentor da mente mais pertinaz e arguta saía lentamente do transe a que fora submetido a contragosto.
Assim que um único pensamento veio à tona, num processo intricado e complexo, desconhecido por quem nunca possuiu poderes e habilidades paranormais tão potentes e fortes quanto as dele, emitiu um raio de pensamento que fez com que seu corpo flutuasse para cima e além da câmara de contenção que o abrigava.
Num relance, apenas, conseguiu monitorar os mais de 600 esquifes que abrigavam as criaturas que o seguiam e pôde apalpar mentalmente o ser que conduzia o comboio e que fora responsável por sua libertação antes do tempo programado.
Estavam ainda no espaço inter-mundos.
O soar de algo que se assemelhava a uma música pôde ser sentido pela mente desperta do ditador do espaço.
Seu inconsciente deixou-se enlevar-se pela melodia diferente, estranha, mas que parecia acalmar sua alma ante o tumulto ruidoso dos milhões de clamores de vingança que a alcançaram em segundos, quase enlouquecendo-o.
Imediatamente, envolveu-se num potente campo de forças de natureza psíquica, mental e emocional, algo ainda desconhecido pelos habitantes mais inteligentes do século XXI d.C., no planeta Terra.
Um gozo quase sexual, um êxtase manifestou-se, assim que o aparato formou em torno de si o campo blindado contra as repercussões dos milhões de consciências que o atormentavam, num processo horrendo de obsessão, num nível tão medonho quanto desconhecido pelos estudiosos das ciências psíquicas.
Neste momento, pensou nas demais criaturas que estavam deitadas naqueles esquifes à sua frente.
Como se sentiriam caso estivessem sofrendo o mesmo ataque consciencial, que os ameaçasse de loucura imediata?
Aproveitou o pouco de tempo para esboçar um plano infernal e maquiavélico contra os de sua própria espécie.
“Não poderei jamais ser descoberto nem visto; no anonimato, serei muito mais perigoso do que me revelando” — pensou a pérfida criatura.
A não ser mediante disfarces que trataria de compor a partir do conhecimento que arquivara em sua mente descomunal, não poderia se mostrar como realmente era.
As mãos da criatura pareciam ligeiramente trémulas quando se dirigiu aos esquifes, concentrando sua força mental nos seus conterrâneos e, mais precisamente, em 12 dos mais experientes seres com quem convivera ao longo de milénios de vida entre as estrelas.
Estes precisavam de um tratamento especial, uma manipulação mental e emocional que beirava a hipnose, nocauteando mentalmente a todos e predispondo-os a servi-lo incondicionalmente, em todos os sentidos.
Aproveitou para deixar impresso na memória extrafísica um hipnocomando, uma sugestão pós-hipnótica superpotente, na qual estava inserida uma programação para que jamais o percebessem externamente.
— Somente ouvirão minha voz!... — falava, com um poder magnético acachapante, àqueles que queria acordar do sono imposto.
O efeito seria perceptível, mesmo sobre a mente dos 12 mais importantes cérebros daquela comitiva, que dormia nos esquifes feitos de material que parecia cristal cintilante.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:27 am

Sua boca balbuciou palavras num idioma ignoto, enquanto manipulava potentes correntes mentais, que nenhum ser humano jamais conheceu em sua existência.
Não com um poder tão assustador e destruidor como se manifestava neste ser das profundezas do espaço.
Seus pensamentos estavam tão fervilhantes que se esquecera por completo daqueles que o libertaram, seja por vontade própria, seja devido a um erro de cálculo ou programação previamente implantada em seu cérebro.
Não poderia perder tempo com esses agentes insignificantes.
Mais tarde se ocuparia deles.
Finalmente terminou seu intento, o procedimento por meio do qual mergulhara e se aprofundara nos pensamentos dos seres que poderiam servi-lo mais directamente.
Os 12, escolhidos a dedo por ele próprio, seriam seus ministros ou maiorais, representantes de sua força e poder.
Estavam todos subjugados por sua mente, detentora de habilidades indescritíveis.
Os 12 escolhidos também possuíam dotes paranormais muito acentuados, em comparação com os mais de 600 adormecidos nos esquifes de cristal.
Eram eles os maiores especialistas de uma raça humanóide mais desenvolvida.
Após mais de 4 horas do seu tempo, do tempo de seu mundo, decidiu acordar os 12 seres, que, depois de sua manipulação mental, não poderiam percebê-lo, nem jamais vê-lo directamente.
Mudara a aparência, de tal maneira que parecia um ser andrógino.
Era a figura de um anjo das estrelas, com toda a doçura possível a um desses seres.
Depois de procurar no recinto e em cada esquife onde repousavam os 12 seres criminosos que o auxiliaram na derrocada de reinos e mundos, encontrou uma espécie de comutador, o qual accionou com sua força mental prodigiosa.
Uma vibração perceptível somente no campo mental fez-se ouvir, quando um a um os esquifes se abriram, deixando à mostra seu conteúdo, seus ocupantes.
Assim que acordaram, sentiram o mesmo impacto mental de forças destrutivas de sua própria alma e das inúmeras consciências, num claro processo que se assemelhava à loucura ou a um estado de crise tão profunda da mente, que jamais fora estudada por qualquer ser especialista em exopsicologia.
Tratava-se de algo num grau tão assustador que em minutos poderia levar os seres à mais completa insanidade, caso não houvesse a intervenção do número 1, aquele que se considerava o maioral entre os mais temíveis assassinos cósmicos ali aprisionados.
Uma voz potente foi ouvida nas mentes de todos eles, embora não conseguissem distinguir claramente sua procedência.
Uma voz gutural, algo que soava quase mecânico, porém de poder magnético superlativo:
— Acordem para a vida, miseráveis! — ordenava a voz que parecia vir das profundezas escuras do espaço.
Sou o maioral e venho oferecer meus préstimos e serviços a vocês.
Se não aceitarem, ficarão loucos com os tormentos sem fim das almas que clamam por vingança.
Os 12 ficaram alarmados com o que acontecia, pois suas mentes não suportavam mais, ainda que por breves instantes, o ressoar de vozes, como se estivessem sofrendo um ataque psicótico de grandes proporções.
— Preparei corpos especiais para vocês.
Sem se revestirem desses corpos, ficarão à mercê da mais completa loucura — prosseguiu a voz, sem dar tempo a que respondessem.
Caso recusem minha oferta e porventura lhes reste algum arremedo de razão, serão incapazes de resistir à corporificação num mundo primitivo, esquecendo, assim, tudo o que aprenderam ao longo dos milénios, mediante o mergulho na matéria densa.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:27 am

Escolham...
Os 12 seres não tinham tempo.
Ao despertarem de seu sono induzido, quase tiveram a mente solapada por um estágio tal de loucura que mal conseguiam raciocinar.
E o número 1 sabia disso.
Tentaram coordenar seus pensamentos, mas o clamor de milhares de criaturas, o ressoar das almas que destruíram parecia deixá-los cada vez mais afectados, mental e espiritualmente.
Na verdade, era apenas o sentimento de culpa que irrompia de suas consciências mergulhadas no erro e patrocinadoras da destruição de raças inteiras.
Essa culpa, aliada às vibrações de sofrimento de multidões inumeráveis, estabelecia o clima mental para um processo de obsessão gravíssimo, de alta complexidade, ignorado pelos seres vivos que lidavam com tal realidade.
Simplesmente porque ninguém poderia jamais imaginar como seres dessa categoria, tão inteligentes quando criminosos, poderiam enfrentar um processo de obsessão num grau tão superlativo quanto inimaginável.
Pois que ninguém ainda se encontrara com seres dessa espécie, face a face.
Com um passado tão comprometido a ponto de serem expatriados de seu mundo original — e depois disso, sucessivas vezes —, mais ainda se agravava o fenómeno, somente compreendido por quem o vivencia em toda a sua grandeza.
— Eu aceito, aceito!
Livre-me dessa loucura que ameaça dominar minha mente. — falou o primeiro e um dos mais habilidosos entre os 12.
Uma risada infernal foi ouvida no mais recôndito de sua mente.
A voz inarticulada, pura telepatia, ressoava em seu corpo mental como um registro indelével de alguém que se fizera deus entre os deuses.
O maioral resolveu deter-se um pouco mais, e essa espera fez com que todos os 12 implorassem por um socorro cuja natureza, se porventura conhecessem com antecedência, possivelmente preferissem à loucura completa.
Não obstante, a crueldade do maioral deixou que experimentassem um pouco daquela agonia.
Fazia bem impor-se, impiedoso.
Os 12 corpos semi-materiais começaram a se desintegrar, soltando placas daquela espécie de antimatéria, como se a deformação fosse irreversível.
Dentro dos esquifes de cristal, ainda, começaram a se ver deformar.
Só não sabiam que tudo isso era parte do plano do maioral para dominá-los e subjugá-los à sua vontade.
Tratava-se de uma ilusão, levada a cabo pela sugestão pós-hipnótica, que era reforçada pelo sentimento de culpa, como se fosse uma punição de suas próprias consciências pelos crimes hediondos perpetrados em mais de uma humanidade.
Gritavam os 12 como nunca gritaram em toda a sua vida.
Jamais o pavor tomou conta de suas almas como naquele momento, assistindo à lenta degeneração de seus corpos, quase loucos, com as mãos segurando as cabeças, que pareciam, aos seus olhos, inchar e arrebentar em pústulas sangrentas.
O horror tomou conta das criaturas, enquanto imagens mentais provocadas pelo processo hipnótico faziam com que cenas de morte de milhões de seres fossem acentuadas em suas mentes, que viam sua própria humanidade se perder em meio ao fogo da guerra.
— Não têm para onde ir sem que eu os salve da desgraça — falava a mente fascinante e ao mesmo tempo aterradora e infernal daquele que acordara antes do tempo.
Enquanto isso, ele projectava mais e mais imagens de desespero total, de hecatombes e guerras, tais como a humanidade da Terra nunca conheceu até os dias atuais.
De tal sorte era o drama que as inteligências quase enlouquecidas aceitaram qualquer oferta para se verem livres do poder devastador da culpa, acentuado pelas habilidades paranormais e satânicas de um dos maiores ditadores que se poderia conceber.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:27 am

— Tomem! — falou a voz não articulada em suas mentes.
Na verdade, o poderoso ditador estava agora assentado em sua câmara, sua arca, envolvido num campo de forças potente, com o artefacto de forma cónica devidamente posicionado, protegendo-se de intrusões psíquicas.
Momentos depois de se renderem aos termos da ajuda, os 12 seres tiveram a mente liberada para que vissem, ao lado dos esquifes, artefactos cónicos semelhantes.
Peguem já estes equipamentos e os coloquem sobre suas cabeças.
Um a um os 12 seres pegaram, com certa dificuldade, os artefactos construídos sabe-se lá como, por que poder ou a partir de qual tecnologia.
Ao passo que os posicionavam sobre a cabeça, eles pareciam ganhar vida própria.
O material do qual eram feitos parecia se entranhar no tecido da pele finíssima e alva dos seres que acordavam de um longo torpor, do período de inconsciência a que foram induzidos a fim de realizar a grande viagem do degredo entre os mundos.
Ao mesmo tempo em que ocorria esse fenómeno, evitando a loucura imediata das criaturas, outra coisa aconteceu, também fruto da programação mental hipnótica extraordinária realizada pelo maioral em comando.
Porém, nenhum deles o percebeu, muito menos pôde descobrir a fonte do mistério.
À medida que cada um dos seres se levantava do esquife, era-lhes oferecido um traje, um corpo artificial com o qual deveriam se revestir a fim de evitar a perda da forma espiritual.
O composto de matéria desconhecida tinha mesmo esse objectivo ou tratava-se simplesmente de uma ilusão, visando reforçar o contacto mental e hipnótico que lhes fora imposto? Não saberiam dizer e talvez por milénios jamais o soubessem.
Facto é que um fenómeno acontecia entre os 12 escolhidos, o qual durante muito tempo não teriam como explicar, embora mais tarde descobrissem que lhes poderia servir como base de seu poder e autoridade perante o grupo.
O primeiro a despertar do transe imposto via e reconhecia o próximo que se levantava. Porém, o segundo não conhecia, não sabia a identidade do primeiro, embora o percebesse.
O segundo ser, por sua vez, conseguia perceber a presença do terceiro e dos demais depois dele, porém o terceiro não conseguia identificar o segundo nem o primeiro, e assim por diante.
Era como se a identidade de cada um fosse preservada e permanecesse secreta para os demais.
Isso fazia com que o jogo de poder entre estes representantes da política inumana ficasse para sempre estabelecido.
Aquele que pudesse ver, perceber e ouvir os demais abaixo dele, na hierarquia, seria reconhecido como superior de todos.
E como nenhum deles via ou conhecia a verdadeira identidade da voz que falava em suas mentes, isso significava que o possuidor dessa voz era o maior entre eles.
E assim tiveram de se acostumar, pois suas mentes, a partir de então, foram habilidosamente manipuladas a cada período, e por um dos seres mais astutos que conheceram ao longo de suas existências.
Inúmeras vezes seria reforçada a ordem pós-hipnótica, ao longo dos milénios que se seguiram.
À medida que mergulhavam nos problemas, nos conflitos e nas lutas em busca de poder, onde quer que estivessem, suas mentes teriam as memórias remotas quase apagadas, por meio do processo hipnótico a que eram submetidos de tempos em tempos.
Isso se daria durante muitos milénios, sem que desconfiassem da manipulação levada a efeito por uma força sobre-humana, que acentuava em suas mentes os tormentos sem fim de sua consciência culpada.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:27 am

Antes que tomassem qualquer atitude eventualmente programada para se libertar do comboio que os transportara para o mundo-prisão, o número 2, o primeiro a ser revivido e desperto pelo maioral, atreveu-se a perguntar:
— Quem é você que nos alimenta com esperanças de poder e nos ressuscita para enfrentar nossos adversários?
— Eu? Eu sou a voz que fala em sua alma.
Sou o vento e tempestade solar que abrasa sua consciência e sou o carrasco da escuridão, caso não me obedeçam.
— E como poderá nos constranger para que lhe obedeçamos?
Se é assim tão poderoso, sabe quem somos e quais as nossas habilidades.
— Sei! E é por isso que os escolhi para serem meus ministros — falou a voz, sem que soubessem de onde vinha.
Olhavam no entorno do ambiente pressurizado da nave que os abrigava e só viam uma arca, uma construção brilhante, sem que houvesse ninguém por perto ou dentro dela.
Era apenas um artefacto, uma figura do mobiliário, embora estranha, mas apenas um objecto.
— Ministros de que império?
De que reino, se fomos deportados por uma força superior que nos arrancou de nossas pretensões e de nossa ânsia de poder?
— Do império dos dragões.
Doravante nosso símbolo será uma serpente alada, um dragão, pois somos os maiorais.
Quanto a você, o número 2 em comando, será meu preferido, meu porta-voz para os demais.
Um a um os 12 foram se manifestando, revoltados por serem usados por alguém desconhecido, que pretendia governar ou formar um tipo de governo oculto.
Mas governar o quê?
Onde, se estavam no espaço inter-mundos, quase parados entre dois planetas gigantes, numa órbita um pouco mais afastada?
Seis dos doze seres pareciam irredutíveis quanto à rejeição da proposta de serem representantes de alguém que não conheciam, de um poder que os submetia, de modo que começaram a revoltar-se contra o estranho que se dizia o maioral.
A assembleia se transformou num concilio, onde se discutia quem dominaria quem.
Depois de um tempo dado pelo número 1, no qual pensaram estar sozinhos, devido ao silêncio do tirano, manifestou-se novamente a voz na mente dos 12 seres hediondos.
Planos de dominação, crimes que foram discutidos com tanta naturalidade como se discute uma questão qualquer da vida, foram interrompidos pela misteriosa voz, que não se deixava conhecer mais do que queria.
Essa era a base do seu governo e da sua força entre os escolhidos criminosos cientistas das estrelas.
— Parem, imediatamente!
E, para que saibam quem manda entre vocês, mostrarei meu poder, a fim de que jamais esqueçam com quem estão lidando.
O maioral aproveitara o momento de discussão do grupo para sondar as mentes inquietas dos rebeldes.
Um a um, conseguiu penetrar-lhes os recantos mais sombrios e obscuros de suas mentes e, assim, seleccionar aqueles com quem pretendia trabalhar ao longo dos milénios sem fim.
Os demais, os seis mais rebeldes, chegou à conclusão de que não lhe interessavam.
Estava escolhido, enfim, o concilio dos sete maiorais.
Os demais...
Um olhava para o outro, parecendo desconfiados de que algo grave estaria prestes a acontecer.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:28 am

Imagens mentais de horror pareciam tomar forma sobre as cabeças cónicas dos seres que se reuniam num dos compartimentos da nave de transporte.
De repente, os cones nas cabeças de seis dos espíritos presentes pareceram ganhar vida.
Mediante o influxo de uma mente poderosa, foram arremessados ao tecto do local, pairando momentaneamente e, logo após, caindo ao chão, espatifando-se contra o solo, de maneira que as cabeças dos seis ficaram a descoberto.
Um a um os seis levaram as mãos à cabeça, enquanto ouviam dentro de si ecoar a voz da própria consciência, acentuada pela culpa e pelo medo.
Contorciam-se à frente dos demais, que os olhavam amedrontados, temendo que o mesmo viesse a acontecer com eles.
Uma força mental incontrolável parecia acentuar o processo, aumentando a tormenta quase infinita do processo que levaria os seis rebeldes à loucura.
Eram seis mentes brilhantes, guerreiros implacáveis e excelentes estrategistas, frios e calculistas.
Embora sua área de actuação, eram mentes brilhantes.
Mas a mente mais perversa que todas aquelas juntas interferiu no processo de demência que tomava conta dos seis espíritos, que, àquela altura, contorciam-se no chão, imersos em imagens mentais, paisagens desoladoras e dores incalculáveis, que eles mesmos impingiram a milhões de criaturas.
Suas mentes pareciam querer arrebentar-se dentro dos cérebros extra-físicos.
E a voz do maioral se fez ecoar dentro de todos, como se viesse de dentro da mente de cada um dos 12 ali presentes.
E ria uma risada demoníaca, sem sentimentos, sem consideração a não ser consigo próprio e com seus planos de domínio.
— Pare! — gritou o número 2, a plenos pulmões.
Pare com essa tormenta, seu demónio da escuridão.
Estes são nossos conterrâneos e as maiores e mais brilhantes mentes de nosso povo.
Como pode ser assim tão vil e cruel?
— Cruel? Eu? — e continuou a risada demoníaca, sem dar a mínima atenção aos gritos dos seis que restaram em pé e assistiam, sem nada poder fazer, ao fenómeno que se passava ali, diante de seus olhos e espíritos dementes pelo medo de que o mesmo pudesse suceder consigo próprios.
Os seis seres no chão contorciam-se mais e mais e, à medida que gritavam, seus olhos esbugalhados pareciam querer saltar das órbitas.
Não conseguiam sozinhos sair daquele estado de loucura que dominava por completo suas mentes criminosas.
Para completar aquele quadro dantesco, os corpos de todos eles, os seis, começaram a sofrer um tipo de fenómeno.
Era como se derretessem, deixando cair grandes placas de matéria astralina, como se perdessem a estrutura espiritual que lhes dava a aparência humanóide.
O número 2 e os demais ficaram atónitos com o que acontecia.
Não tinham conhecimento daquele processo diabólico que, com certeza, era forjado pela mente inumana que tentava dominá-los.
Correram de um lado para outro, pois viram o que restava dos seis corpos agonizantes inchar, de repente, envolvido numa luminosidade embaçada, e sentiram-se ainda mais ameaçados.
A vitalidade dos rebeldes então se esvaía, numa situação que em poucos minutos piorou muito mais do que a imaginação dantesca dos seres mais hediondos e criminosos pudesse conceber em seus mais intensos e terríveis pesadelos.
O maioral concentrou sua mente em algum dispositivo que implantara nos subordinados e ministros escolhidos e, em seguida, os corpos energéticos em deterioração explodiram, deixando em meio aos seis restantes uma sensação de terror inimaginável.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 22, 2017 10:28 am

O medo tomou conta de todos, e isso fortaleceu o poder do demónio sobre os demais seres da escuridão.
Os corpos astrais explodiram com tal intensidade que o fenómeno provocou o lançamento de parte do comboio em direcção a um dos planetas daquele sistema.
Era o quinto planeta do Sistema Solar, localizado entre Marte e Júpiter, conforme seriam baptizados mais de 470 mil anos no futuro, a contar desses acontecimentos.
Em meio às risadas cavernosas e tétricas da entidade, rolavam pelo chão do compartimento do comboio seis corpos deformados, como se fossem lesmas, algo totalmente diferente dos corpos energéticos que explodiram.
Embora variassem em cor e tamanho, apresentavam uma característica geral que talvez lembrasse um feto, um embrião de um ser humanóide.
A nave, que teve seu compartimento ejectado pela força das explosões, balançou sobre o próprio centro de gravidade, enquanto o maioral e seus seis sobreviventes, mais os corpos mentais degenerados dos rebeldes a seus planos, pareciam rolar de um lugar para outro.
Quanto a estes, ninguém poderia fazer mais nada por eles.
Enfrentavam aquilo que, mais tarde, ficaria conhecido como segunda morte, isto é, a perda da forma espiritual.
Embora não perdessem a personalidade, suas mentes, submersas no remorso e na culpa e accionadas por outra mente igualmente tenebrosa, mergulhavam numa noite quase eterna, até que, num futuro qualquer, pudessem ser reabsorvidas num útero feminino e renascer,
corporificando-se em algum mundo para onde seriam transportados.
Aquele episódio definiu desde o início, prontamente, o domínio do maioral, pois os seis outros espíritos, do mais alto grau de inteligência e astúcia, exímios no exercício de suas técnicas, não mais questionaram o que aconteceu, nem tampouco se atreveram a questionar o poder supremo que os dirigia.
Pelo menos durante milénios, mas não para sempre, o domínio dos seis pertenceria ao número 1, o mais cruel entre os cruéis de seu povo.
Uma majestade satânica a serviço de seus próprios interesses.

1 Termo de origem suméria para filhos de Ananaque, mais comumente vertido para o português como Enaque (Nm 13:22,33), Anaque (cf. Js 15:13-14) ou anunaque.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:20 am

AQUELE ERA UM MUNDO SUB-DESENVOLVIDO.
Uma civilização que avançava penosamente entre as descobertas científicas de uma era industrial e o domínio teocrático, no qual eram governados por uma estirpe de sacerdotes de um culto bizarro.
Dois grandes continentes formavam a grande massa de terra que se erguia em meio a um líquido viscoso que compunha os oceanos daquele planeta.
Era um pouco maior do que Marte, como seria mais tarde denominado o quarto mundo daquele sistema.
Porém, ainda assim, era bem menor do que Júpiter, o gigante gasoso que até relativamente pouco tempo era a segunda estrela daquele sistema, que também fora um sistema binário.
Eventos cósmicos anteriores fizeram com que o gigante esfriasse e adquirisse, então, a aparência de planeta, cuja órbita contornava o sol central, porém já não emitia mais luminosidade, mas somente calor próprio, diferentemente dos demais orbes do sistema.
O quinto mundo, constituído de massa muito densa, abrigava dois povos aparentemente diferentes, mas provenientes do mesmo tronco.
Um deles, em luta permanente para se expressar como o melhor em termos de civilização, vivia em guerra constante contra o outro povo, de um continente maior, que tinha hábitos estranhos, profundamente arraigados em sua natureza quase vampiresca.
Estes pertenciam a uma raça conhecida em outros recantos da Via Láctea como espectros.
Resultavam de um processo de transmigração planetária.
Vieram de seu mundo de origem e ali se estabeleceram, deixando marcas profundas na civilização daquele mundo.
Poder-se-ia dizer que ambos os povos viviam uma era semelhante à Idade Média terrena, embora, no que se refere a descobertas científicas e desenvolvimento tecnológico, estivessem mais avançados do que a humanidade do planeta Terra estaria séculos depois, no início do século XX.
Era uma situação híbrida.
Uma cultura invejável já há milénios, embora não tivessem ainda dominado as viagens entre mundos e quase não conhecessem o restante do Sistema Solar.
Haviam sofrido um impacto energético e gravitacional do mais alto significado, no qual muitas vidas foram dizimadas.
Foi o mesmo impacto estrutural que sofrerá o gigante do Sistema Solar em seu passado remoto.
Isso os prejudicou, atrasando consideravelmente o desenvolvimento daquela sociedade. Havia uma guerra quase sem fim entre os dois povos e, à época desses acontecimentos, um deles já havia desenvolvido um tipo de artefacto nuclear tão potente que poderia destruir seu mundo três ou quatro vezes com a força da explosão.
O objectivo? Exterminar a segunda raça, que tentava dominá-los, mas, sobretudo, alimentar-se das energias e fluidos vitais que detinham. Eram uma raça de vampiros ou, simplesmente, seres que somente sabiam lutar pela própria sobrevivência, e não conheciam ainda outro meio de sobreviver?
Estavam prestes a experimentar os efeitos devastadores das energias desencadeadas pela explosão de seus artefactos de guerra.
Na verdade, aquela humanidade só conseguiu trabalhar em conjunto devido à presença de um inimigo comum:
a outra raça, que os ameaçava constantemente.
Tiveram de se unir; porém, estavam quase se destruindo, e a destruição viria, cedo ou tarde, como fruto da escolha popular, num grande trabalho de conscientização e pesquisa que fizeram com a população.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:20 am

Preferiram a guerra total a viver sob o domínio dos espectros.
Biliões de seres haviam votado, escolhido o caminho, e pouco menos de um quinto da população era contra o acto final, no qual poderia perecer a humanidade inteira.
Assim, o conselho que governava aquele continente já havia decretado o accionamento do dispositivo.
Mas não anteviram as consequências de tal iniciativa.
Jamais poderiam imaginar que a bomba de efeitos devastadores seria tão devastadora assim.
Não acreditavam estar determinando o destino de seu mundo, cujos habitantes morreriam após a explosão de grandes proporções.
Diversas vezes foram visitados por habitantes de outra dimensão, alertando-os para o perigo do evento; contudo, os dominadores religiosos interpretaram da maneira mais conveniente aos seus intentos os conselhos da civilização do Invisível.
Quando as naves de transporte, feitas de matéria etérica, aproximavam-se do quinto planeta, já estava cm andamento um plano de fuga planetário da população invisível.
O alvo? O segundo planeta, que muitíssimo mais tarde ficaria conhecido sob o nome Vénus.
Era o mais propício para a natureza astral dos habitantes daquele orbe.
Grande quantidade de seres da esfera astral daquele planeta já havia se recolhido a outra pátria sideral, pois os dirigentes do governo oculto do mundo já não tinham nenhuma esperança; estavam convencidos de que os habitantes dali destruiriam sua própria terra, seu próprio sistema de vida.
O caos se estabelecera entre as duas grandes tribos.
Havia um quê de forte perigo no ar, e já haviam se esgotado todas as tentativas de diálogo.
Os governantes, incendiados com a ideia de sobrepujar o outro povo em força e poder — além disso, acreditando que somente o outro lado seria dizimado —, não mais ouviam os apelos da razão e do bom senso.
Estavam resolutos, decididos a detonar o aparato sem mais delongas.
Afinal, já havia alguns séculos que os conflitos entre os dois povos estavam em curso, a serviço da manipulação das massas, das multidões, de ambos os lados.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:21 am

EXTRATO GERAL DOS REGISTOS SIDERAIS
DO SISTEMA PLANETÁRIO SOLAR LOCALIZAÇÃO PRIMÁRIA do planeta:
quinto mundo do sistema, situado entre o gigante gasoso e o planeta vermelho.
Sistema catalogado com 12 mundos, embora um deles realizasse sua órbita tão distante do sol central que quase não era reconhecido como tendo se originado da mesma matéria dos demais.
Somente este planeta é habitado por criaturas inteligentes.
Os demais guardam formas de vida ainda primárias, sendo que o segundo mundo é dotado de sistema de vida no plano etérico, ainda em evolução.
O terceiro guarda características de atmosfera e densidade que não favorecem o prosseguimento da vida que floresceu no quinto planeta.
Este não é um mundo cuja atmosfera contenha oxigénio; outros gases entram na composição do ar respirado por seus habitantes.
O tempo de rotação é de aproximadamente 16,2 horas-padrão desse quinto planeta.
Faz mais de mil anos, contados conforme o tempo deste mundo, que sua civilização mais avançada é governada por um sistema sacerdotal, representante de determinado culto que congrega a maioria absoluta da elite planetária.
No entanto, a casta sagrada dos sacerdotes não permite que a população possa se expressar de acordo com suas próprias opiniões e tendências progressistas.
A sociedade mantém-se prisioneira de crenças e da política sacerdotal, factores que impedem maiores progressos dos humanóides do quinto mundo.
LI-AL-ASSAN OBSERVAVA O POVO que se reunia na praça principal da maior cidade do planeta. Baterias de electricidade alimentavam milhares de lâmpadas acesas para iluminar a noite mais profunda daquele mundo, quando a órbita atingia o ponto mais afastado do Sol.
Era o tempo da peregrinação à metrópole cheia de edifícios de formas tão variadas quanto bizarras.
Nada na arquitectura demonstrava harmonia das formas e nenhuma beleza que pudesse ser apreciada.
Tudo era decidido pelos governos e pela casta religiosa, que eram a um só tempo compostos por sacerdotes e políticos.
O representante do concilio estava reunido com 15 colegas de trabalho, observando a numerosa multidão que se reunia ali, ante seus olhos, que brilhavam devido ao entusiasmo por saber que era uma das pessoas mais respeitáveis dentre todos os políticos de seu povo.
Em algum momento, seu coração pareceu disparar, como se estivesse pressentindo algo medonho, devastador.
Talvez fosse — pensou — devido ao facto de que brevemente acenderiam o artefacto da maior conquista tecnológica de seu povo, de sua ciência.
E era ele o responsável maior por livrar seu mundo da presença intrusa daquela raça abjecta e nociva que tentava de todas as maneiras dizimar a população de seu continente.
Ele e mais 15 seriam para sempre lembrados, pela eternidade, por livrarem seu povo dos opressores.
Esse prenúncio de glória fazia com que antevisse o futuro de sua casta como o mais brilhante de todas as eras e governantes do passado.
Depois desse evento, poderiam dar qualquer ordem, que seria obedecida, pois a multidão acreditava que tal atitude — o extermínio dos inimigos — era a vontade dos próprios deuses.
Mas havia quem discordasse dele, de seus auxiliares e dos cientistas mais renomados que os assessoravam.
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Ave sem Ninho

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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:21 am

Nem tudo era tão reluzente como parecia, nem tão amistoso como gostaria que fosse.
Um ar de tristeza parecia dominar todo o povo daquele mundo, ainda que os dirigentes fossem os mais afectados, pois de algum modo conseguiam captar sentimentos e sensações, estranhas imagens e figuras, que durante a noite povoavam seus sonhos.
Inquietação quase palpável parecia se alastrar; por isso, convocara a multidão de fiéis à sua política para se reunirem e lhes falar — muito embora não pudesse esconder que uma onda misteriosa de estranhos fenómenos acometesse quase toda a gente naqueles dias.
Habitavam um mundo ainda em processo de desenvolvimento científico e cultural.
Aquelas vozes contrárias à politica adoptada cada vez mais conseguiam partidários, ao mesmo tempo em que acusavam o regime teocrático de governo de impedir que o mundo progredisse mais rapidamente.
Li-al-Assan saiu da bancada onde podia avistar a multidão, e uma angústia significativa atormentou-lhe a alma ainda mais.
Afastou-se com uma má impressão, como se um sentimento maior, uma intuição, o alertasse os graves acontecimentos no futuro próximo.
Vestia-se todo de preto, arrastando atrás de si uma espécie de mato num misto de cores entre o vermelho e o roxo, com discreto brilho.
Logo depois de beber algo para acamar-se, voltou para a bancada onde cumprimentaria a multidão do seu povo, que, como ele, era cativa de estranhas sensações.
Algo terrível respirava-se no ar; um inimigo invisível rondava a população daquele mundo.
O perigo iminente de autodestruição parecia pairar sobre o povo, de maneira que os mais sensíveis captavam essa sensação de uma forma quase material.
Mal sabiam quo experimento de uma ciência que mal nascia, ainda nos primeiros passos de desenvolvimento, poderia significar a morte de biliões de criaturas, além de interferir de maneira drástica na órbita dos planetas do sistema, caso detonassem o artefacto.
E o momento de detonar a bomba já estava acertado para dali a alguns dias, apenas.
Curiosamente, a reunião do povo para comemorar o facto de que se veriam livres de uma raça de seres infernais, definitivamente, serviu apenas para acentuar o sentimento e a sensação de angústia e apreensão que a maioria já conseguia captar.
Nenhuma música no ar, nenhuma apresentação das artes daquele mundo.
Somente gente e mais gente e um silêncio quase sombrio.
Os dirigentes do mundo tinham algum dote paranormal, uma habilidade de perceber ondas, radiações e sensações e, em momentos especiais, até mesmo os habitantes invisíveis.
Sabiam com clareza que estes não aprovavam em hipótese alguma o accionamento do equipamento que desenvolveram.
Aliás, de uns tempos para cá, esses habitantes do mundo invisível, da dimensão paralela à que estavam inseridos, já haviam silenciado suas vozes.
Ao mesmo tempo, porém, haviam pedido auxílio a outras comunidades do espaço, pois sabiam da catástrofe iminente.
O que não sabiam é que essa catástrofe viria por outros caminhos.
E a ajuda que receberiam já estava a caminho, embora por motivos distintos e meios insuspeitos.
Das mentes dos governantes e sacerdotes, emanava um fluxo invisível de correntes mentais que, embora de intensidade muito ténue, era suficiente para aplacar a angústia da gente que estava mais próxima da bancada onde se posicionaria o representante máximo do grupo dirigente.
De um momento para outro, todas as luzes se apagaram, num grande blecaute, gerando tumulto e o recrudescimento da inquietação.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:21 am

Uma interferência de algo não planejado e pressentido.
O povo viu nesse efeito, até então inédito, uma manifestação sobrenatural, dada sua natureza mística e religiosa.
Li-al-Assan trataria de usar este facto, mesmo incompreensível para ele, como desculpa para se impor ao povo — foi o que pensou.
A população se agitava, num franco pressentimento de algo muito maior.
— Isso pode significar uma intrusão dos invisíveis, que querem deter o prosseguimento do processo de limpeza racial.
— Que intrusão, nada!
Eles nunca fizeram algo assim respondeu irado, embora com pouca convicção, o sacerdote oficial e representante da política do quinto mundo.
Al Fron Chiar-Saun, você não consegue ver mais além de seus olhos.
Não sabe que incidentes como esse podem ocorrer vez ou outra?
— Sei disso, grande Li-al-Assan!
Contudo, observe bem. Toda a cidade ficou às escuras.
Nada, nenhum dispositivo cuja operação dependa de electricidade funciona neste momento.
Nem mesmo o aparelho de comunicação com o qual pretende falar à multidão está funcionando.
Li-al-Assan somente então percebeu o alcance do breu, a escuridão repentina, na qual mergulhara toda a cidade, uma das maiores do seu continente.
E o povo se agitava todo, de modo que dificilmente seria contido pelas tropas de elite que zelavam pela ordem do continente.
Dali a pouco ninguém mais conseguia conter o pânico que se estabeleceu, enquanto os técnicos lutavam a pleno vapor para descobrir o que acontecia com o sistema eléctrico, que entrara em colapso.
Mas não somente ali, em todo lugar acontecia o mesmo. Inclusive no outro continente, onde os miseráveis seres espectros estavam estabelecidos há milénios.
Nada respondia ao comando; nenhum sistema de comunicação funcionou, a partir de então.
Logo após algum tempo de agitação geral e crescente, percebendo que ninguém conseguia fazer funcionar nenhum dispositivo, como se algo de proporções gigantescas ocorresse no planeta, um dos dirigentes, olhando na escuridão repentina, avistou algo para o qual chamou a atenção:
— Vejam, nos céus!
Um tipo de estrela está descendo, velozmente...
— Não é uma estrela!
É algo mais aterrador — todos pareciam se contorcer simultaneamente, todos os dirigentes daquele mundo, como se houvessem sido acometidos de uma dor não física, mas de natureza mental.
Algo que nunca, nunca, ninguém ali, naquele mundo, havia percebido ou pressentido antes.
Era parte da nave etérica que, de repente, fizera-se visível, por uns momentos apenas, aumentando ainda mais o terror dos governantes e daqueles que tinham habilidades psíquicas suficientes para perceber a ocorrência daquele fenómeno inexplicável.
— Não pode ser algo diferente de uma estrela.
Eu vi, meus próprios olhos viram.
— E o que pode ser então, supremo sacerdote?
Se foi o senhor mesmo que nos ensinou que estamos sozinhos no universo e somos a raça mais perfeita e evoluída que jamais existiu?
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:21 am

Pensando em meio à sensação de dor e de dormência que invadia seus corpos feitos de matéria quase etérica, entre a matéria mais densa e o imponderável, o sacerdote respondeu:
— Deve ser mesmo uma estrela ou algum objecto do céu, que caiu e, assim, rompeu nossos recursos de electricidade e comunicação.
Talvez uma onda magnética que irradie dessa estrela tenha causado o estranho fenómeno.
Enquanto debatiam sobre suas teorias e sentiam algo descomunal aproximando-se vertiginosamente do seu mundo, o povo se dispersou da praça já em franca agonia, gritando e quase uivando de tanto desespero, deduzindo que o dispositivo de destruição em massa já tivesse sido accionado.
Caso ainda não tivesse sido accionado, aquele episódio, que causou o pânico geral, poderia ser suficiente para modificar as preferências da multidão quanto ao assunto.
Antes que a electricidade voltasse e que as luzes de toda a cidade estivessem novamente acesas, uma voz ecoou nas mentes mais capacitadas do governo, aquelas com habilidades psíquicas para perceber o que o povo em geral não conseguia registrar:
— Eu os saúdo, governantes. Venho em nome do meu reino.
Quero que se me submetam imediatamente ou poderei providenciar que o façam de forma bem mais dolorida.
— Quem é você, que se intromete em nossos pensamentos?
De onde vem?
Dentre os invisíveis?
Do governo oculto?
Já não decidimos que não queremos vocês nos governando e se intrometendo em nossa política?
— Governo?
O único aqui que governa sou eu, o primeiro e o último, o único que farei de seu mundo uma base de meu império.
Todos ficaram ensimesmados, aterrorizados, pois não acreditavam que havia outros povos no universo.
Se porventura a população ficasse sabendo de algo assim assombroso, todo o sistema económico, religioso e de governo entraria em colapso, de um momento para outro; uma crise sem precedentes se abateria sobre aquela civilização.
Seria muito mais drástico do que enfrentar a política dos espectros; era algo impossível de imaginar.
Sem saber o que perguntar nem ao menos o que pensar daquela ocorrência, os governantes, timidamente e com grande medo, conseguiram se levantar um a um, atordoados com a invasão mental tão potente.
Nunca antes haviam tido contacto com algo ou algum poder tão aterrador como este.
— Sou o alfa, e também sou o ómega de sua civilização.
A mim é que devem render seu culto, e toda a sua história terminará e recomeçará em mim.
Darei as instruções para que façam a minha vontade ou...
Quase sem fôlego, um dos representantes do governo do planeta conseguiu dizer:
— Que instruções, que nada!
Jamais haverá um poder como o nosso e nunca aceitaremos alguém se intrometendo em nossa política.
Aposto que são da casta dos miseráveis do outro continente, que descobriram uma maneira de interferir em nosso sistema de vida e de governo.
Tão logo terminou, outro representante da política sacerdotal pronunciou-se:
— A questão é que sabem que desenvolvemos um aparato de guerra capaz de destruir todo o seu povo e agora tentam nos intimidar.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:22 am

— Enquanto a voz do maioral ecoava em suas mentes, ao mesmo tempo sua consciência vasculhava o psiquismo dos homens, tacteando-o com suas garras mentais, seus tentáculos feitos de matéria psíquica, sondando os segredos daquele povo, daquela gente.
— Para que saibam que meu poder é muito maior que o de seus deuses, eu já encontrei seu artefacto, já sei sua localização.
E, se quiserem saber, seus bárbaros e miseráveis, eu mesmo, sem tocá-lo, sou capaz de accionar seu dispositivo de segurança, lançando-o contra seu próprio povo.
Apenas com as forças de minha mente.
— De repente, um dos governantes pareceu perder o domínio sobre si mesmo.
A mente mais brilhante e poderosa cedia o controlo sobre o próprio corpo, configurado e estruturado num tipo de matéria orgânica que quase poderia ser confundida com um plasma, devido ao grau de sua materialidade ser diferente da matéria mais bruta conhecida.
Essa realidade facilitava por demais a comunicação de ordem mental e extra-sensorial com habitantes do Invisível, mesmo aqueles provenientes de outra raça.
A pequena diferença no grau de materialidade de seus corpos era um trunfo para aqueles que aportavam ali.
— Ao mesmo tempo em que se dirigia aos representantes do governo, o maioral deu ordens aos seis outros seres, que, amedrontados pelo que viram, não recusaram um minuto sequer obediência à voz do comando supremo do dragão maioral. Partiram rumo ao continente onde aqueles seres habitavam, a fim de auscultar as pessoas que ali viviam.
Em questão de horas, quando a parte da nave já se espatifara sobre o solo do quinto planeta, os maiorais, os cinco, comandados directamente pelo número 2 em poder, perscrutaram cada recanto daquele mundo, imiscuindo-se nas mentes dos mais importantes habitantes, dos políticos comandantes e daqueles com os quais conseguiam sintonizar.
Precisavam saber onde estes se fixavam; queriam a todo custo conquistar este mundo, e em seguida estabelecer seu comando, seu reino ou império.
Brevemente, o estenderiam a toda a Via Láctea.
— A multidão apenas pressentia que algo muitíssimo complexo estava em andamento em seu planeta.
Nem mesmo a população invisível tinha como prever os acontecimentos, pois a maioria já havia sido transferida para o segundo planeta do sistema.
Estavam a postos apenas alguns comandos de policiamento astral, mas nada suficiente para fazer frente aos dragões, que desceram do céu com grande ira, como um raio, para atormentar grande parte daquela humanidade.
— “Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.”2

2 Ap 12:12
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:22 am

PEDIDO DE SOCORRO VINDO DO ESPAÇO
UM SINAL DE RÁDIO pareceu varrer todos os quadrantes em torno do quinto planeta.
Era um pedido de socorro, que veio atravessando a escuridão do espaço inter-mundos, sem rumo predeterminado.
Ao mesmo tempo em que os maiorais digladiavam para estabelecer a liderança entre si, um alarme disparou em todas as cabines de comando das naves que transportavam milhões de seres pelo espaço, atravessando as trilhas energéticas que cruzavam o cosmo como verdadeiros buracos inter-dimensionais.
A nave que transportava os mais perigosos rebeldes e era conduzida por Enlil, um dos irmãos siderais, vivia um motim.
Mas os filhos dos povos annunakis ainda não sabiam disso.
Sabiam apenas que algo de inesperado acontecia naquela nave principal, onde estavam os mais de 600 seres em estado de hibernação consciencial.
Seus corpos astrais ou semifísicos, ligeiramente diferentes dos corpos de matéria quase densa dos annunakis, que estavam corporificados, permaneciam em repouso por um processo de indução magnética.
Haviam sido transferidos para urnas elaboradas num material semelhante ao cristal limpíssimo, o qual agia como condutor e, assim, mantinha o campo de contenção em tomo das umas.
O número 1, um dos seres mais mortais de que tinham notícia e o mais perigoso entre todos, estava enjaulado em sua arca ou urna, com campos potentíssimos a envolvê-lo.
Era prisioneiro e permanecia em estado de profunda inconsciência.
A nave desenvolvia milhares de vezes a velocidade da luz, pois se locomovia num espaço dimensional superior, que poderia ser denominado hiper-espaço.
Nesse continuum, as velocidades eram medidas em milhões de quilómetros, e não apenas em centenas ou milhares.
O equipamento percorria um corredor de energias daqueles que riscavam o espaço em diversos quadrantes.
Enlil sentia a mente atordoada, como se tivesse recebido uma ordem prévia, à qual era incapaz de resistir.
Mas não sabia por que nem como, nem mesmo que atitude tomar quando a ordem hipnótica viesse à tona, emergindo da zona profunda do psiquismo.
Os seres da espécie Homo sapensis, da qual se originara o tronco humano que habitava diversos mundos, especialmente o que constituíra os povos annunakis, possuíam um sub-cérebro bastante desenvolvido.
Correspondia ao local onde nos humanóides do planeta Terra, bem mais tarde, se desenvolveria o cerebelo.
Ali ficava uma segunda unidade cerebral, embora nem todos os annunakís a possuíssem desenvolvida, do modo como se dava em algumas castas.
Enlil e seu meio-irmão Enki tinham esse segundo cérebro superdesenvolvido, facto que lhes conferia certas habilidades parapsíquicas diferenciadas, entre os demais de sua raça.
Ao passo que Enki comandava uma das naves que carregava milhares de seres deportados, embora em uma dimensão diferente da qual se moviam e viviam, Enlil dirigia o comboio principal juntamente com Lin el Baar, ambos assessorados por mais de 20 técnicos e cientistas, todos a caminho do terceiro mundo daquele sistema.
Enlil sentia que algo não estava bem dentro de si.
Alguma coisa havia se imiscuído em seu cérebro, o paracérebro, responsável pelas habilidades psíquicas mais avançadas.
Percebia que algo o tacteara mentalmente e então, de algum modo, abrigava um pensamento intruso.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:22 am

Lin el Baar, simpática à forma como os párias administravam sua política inumana e, também, sequiosa de poder, acabou por abrir brechas no campo mental, sintonizando de livre e espontânea vontade com os pensamentos dos maiorais que quase destruíram seu mundo.
Gradualmente, ao longo de mais de mil anos do tempo padrão de seu orbe, os banidos eram transferidos para o longínquo planeta-prisão, onde deveriam viver e trabalhar nos milénios afora, até sua redenção final ou quando a justiça sideral determinasse colocar fim de maneira absoluta aos seus desmandos.
Mas Lin el Baar, a mulher da casta dos refinas,
não pensava assim.
Enlil, quase sucumbindo aos pensamentos que tomavam conta de sua mente, dirigiu-se ao centro de comando que monitorava e controlava a cabine onde se encontravam os seres em estado de sono profundo, onde também Lin el Baar estava naquele momento.
Ela movimentava algumas teclas no comando electrónico que mantinha os esquifes numa zona de libração favorável à manutenção da vida dos seres da escuridão.
Talvez ela mesma nunca tivesse avaliado a amplitude da situação que estava prestes a criar.
Saiu discretamente, deixando tudo quase pronto para que apenas um dos seres pudesse se libertar.
Sem saber muito bem como, pretendia dialogar com ele.
Queria, na verdade, fazer um arriscado jogo de poder.
Queria ser notada; de alguma maneira, tirar partido da situação, tão logo o ser mais perigoso se visse livre.
Talvez conseguisse ser indicada para um cargo de confiança do ser medonho, com o qual pretendia negociar a liberdade plena.
Mas ela não desconfiava que Enlil também estivesse envolvido.
Durante muito tempo, Enlil esteve apreciando a política desumana que intentaram implantar em seu planeta natal.
Estudando o pensamento e a filosofia política dos ditadores e cientistas mais experientes do seu povo, começou a admirar suas teorias e a forma abrangente como planeavam o domínio dos povos da periferia da ilha sideral.
Isso foi o suficiente para que se abrisse em sua mente um canal para a intrusão do pensamento.
Uma forma-pensamento fora implantada em sua memória e agora despertava, numa hora previamente programada, visando dominá-lo por completo.
Era um processo de obsessão, sem a presença do agente provocador do fenómeno porventura ligado ao hospedeiro daquela forma mental.
E a força do pensamento contido ali, naquele núcleo mental, numa única forma-pensamento assimilada por Enlil, foi o suficiente para desencadear o processo que levaria à perda gradativa do domínio sobre si mesmo.
Seu meio-irmão nem desconfiava, pois estava num outro comboio, bem distante.
Tudo transcorria no silêncio absoluto.
Um silêncio enganador, pois que a mente de Enlil fervilhava de ideias e pensamentos que um a um se instalavam e se multiplicavam, de maneira que, de tempos em tempos, ele tinha crises de personalidade.
Às vezes era ele próprio quem agia; noutras, era teleguiado pelos pensamentos sombrios que abrigava dentro de si e, então, operavam como uma entidade autónoma.
Na verdade, constituíam agora uma comunidade de pensamentos, que habitava sua mente num condomínio espiritual dificilmente compreendido por quem nunca estudou nem viveu situações do género.
Foi assim que Enlil, sem saber das actividades de Lin el Baar — uma fêmea dos annunakis, embora de uma casta não dominante —, tomou uma decisão sem que ela fosse registada por seu cérebro convencional, que traçava as directrizes da vida ordinária.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:22 am

Sua memória quase ficou em estado de suspensão, devido à sua inconsciência nos momentos em que apertou os botões accionadores do mecanismo de segurança máxima que mantinha lacrada a urna de um dos mais perigosos ditadores jamais capturados pelo seu povo.
Quando os maiorais foram despertos de seu sono, e o maioral entre eles logrou subjugar os demais, o sistema de alarme soou em nível máximo.
Entretanto, justamente nesse momento, os pedidos de socorro chegaram do espaço e foram captados por todas as naves mais próximas do ponto de origem do sinal.
Estava codificado em diversos idiomas, criptografado.
E o pedido de ajuda sobrepunha-se, em frequência e intensidade, ao sinal de alarme disparado no interior da nave de transição, onde as pouco mais de 600 almas jaziam aprisionadas.
Eram ninguém menos que os mais importantes e experientes seres, cujas mentes desenvolvidas participaram do levante e da revolta no mundo original dos annunakis.
E antes deste, em outros mundos também, insidiosamente, por onde passaram e onde habitaram.
Das aproximadamente 600 almas ali adormecidas, mais da metade eram de mundos diferentes, porém estavam juntas, unidas no mesmo propósito infame de dominar, subjugar e submeter as consciências a seu jugo e poder que desconhecia limites.
Tão logo o pedido de socorro foi captado, Enki enviou um sinal para a nave annunaki que trazia, numa câmara especialmente construída para esse fim, os degredados mais perigosos:
— Enlil, meu irmão, tente a todo custo decifrar o código contido nessa mensagem.
Não provém de nenhum povo que conheçamos.
Parece algo truncado, mas, segundo nossos instrumentos, vêm de um lugar próximo de onde você se encontra com sua nave de transição.
Não consigo captar nada mais do que simples interferências, nobre irmão.
Enfrentamos uma pane nos instrumentos.
Talvez, interferência do forte sinal de rádio que nossas antenas captaram.
Um barulho ensurdecedor parece advir das sirenes de alarme.
— Creio que o sinal origina-se do planeta logo abaixo de vocês; o que descreve uma órbita diferente dos demais.
Já que está perto, por que não faz uma parada em um dos seus satélites e procura sondar com cuidado?
Mas não se descuide, irmão; você transporta os mais terríveis inimigos do nosso povo.
— Certamente, Enki!
Verificarei, sim — respondia Enlil, sem consciência de que ele próprio e Lin el Baar haviam
libertado os prisioneiros perigosos.
Naquele momento, era como se sua mente não guardasse registro dos acontecimentos.
Ele não se lembrava do que fizera e...
— Comando para Enlil, comando para Enlil.
Uma forte radiação está sendo emitida de sua nave, nobre irmão.
Verifique urgentemente do que se trata!
Enlil não desconfiava da explosão dos corpos espirituais dos seis prisioneiros, levado a cabo pelo maioral que se tornava o número 1.
Tal explosão causou um entrechoque de partículas sub-atómicas e gerou uma torrente de energias que se propagava em várias dimensões.
— Ao que parece são os aparelhos de comunicação espacial.
Parece que a gravidade do planeta está atrapalhando nosso rádio, e não conseguimos mais nos comunicar com nosso mundo, Nibiru.
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